1 A utilização de redes sociais como apoio ao ensino presencial e a distância Jaqueline Thalheimer¹, Paola Cavalheiro Ponciano Braga¹, Adão Caron Cambraia¹ ¹Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Farroupilha – Campus Santo Augusto – RS – Brasil [email protected], [email protected], [email protected] Abstract. The use of social networking has grown rapidly from the time that access to these tools has been facilitated by the free applications for mobile phones, smartphones and tablets. Facebook, for example, is one of the most popular social networks nowadays, used for various purposes ranging from leisure to work and that can be accessed from different locations. This paper is a case study on the use of this tool as a facilitator of learning and teaching, mainly through groups created for educational purposes. Presents a brief history of this social network, as well as a dialogue between authors about the possibilities of using these tools in education. Keywords: Education, Social Network. Facebook. Resumo. O uso de redes sociais cresceu aceleradamente a partir do momento que o acesso a estas ferramentas foi facilitado por conta dos aplicativos gratuitos para celulares, smartphones e tablets. O Facebook, por exemplo, é uma das redes sociais mais populares da atualidade, utilizado para variados fins que vão do lazer ao trabalho e que pode ser acessado dos mais diferentes locais. O presente trabalho é um estudo de caso sobre a utilização desta ferramenta como facilitadora do ensino e da aprendizagem, principalmente através de grupos criados para fins pedagógicos. Apresenta um breve histórico desta rede social, bem como um diálogo entre autores sobre as possibilidades de uso destas ferramentas na educação. Palavras-chave: Educação. Rede Social. Facebook. 1. Introdução A questão que envolve o uso de tecnologias em sala de aula vem sendo abordada em todos os aspectos por estudiosos e pesquisadores. A escola apresenta hoje a necessidade de acompanhar os avanços da humanidade e buscar atrair os alunos de forma que sintam prazer de aprender, isso faz com que seja indispensável o uso de tecnologias midiáticas como aliadas do processo de ensino e aprendizagem, uma vez que a atual geração de estudantes faz o uso de tecnologias cotidianamente, principalmente das redes sociais. 2 Considerando esta realidade este trabalho tem por objetivo estudar as possibilidades de utilização da rede social Facebook por alunos e professores como ambiente complementar de aprendizagem dentro e fora da sala de aula, tanto no ensino presencial quanto na educação a distância O presente artigo é composto por quatro seções. Na primeira delas é resgatado o conceito de redes sociais com ênfase no Facebook, seguido de um breve histórico do mesmo. Na sequencia é feito um diálogo com autores sobre o uso de ferramentas como a internet na educação relacionando com o uso do Facebook. Na última seção são apresentados os resultados de um estudo de caso que foi realizado com alunos de duas instituições públicas participantes de três grupos de estudo na rede social em questão, através de pesquisa básica e qualitativa de levantamento de dados, através de questionário virtual disponibilizado nos referidos grupos, sob o pretexto de analisar se estes percebem vantagem ou desvantagem em utilizá-la como ferramenta no processo de ensino e aprendizagem. O público alvo da pesquisa constitui-se de docentes e alunos integrantes dos grupos em questão. Após as leituras e diálogo reflexivo com os autores que fundamentam pesquisas nesta área, os dados analisados foram relacionados e levaram a identificar a satisfação dos educandos e educadores questionados com o grupo que participam e também a listagem de outras possibilidades de uso do Facebook que possam ser utilizadas em prol da educação. 2. A Criação e a Expansão das Redes Sociais O avanço eminente do uso de tecnologias em diversos segmentos da sociedade acarretou uma mudança desenfreada no modo de vida das pessoas. Essa mudança que abrangeu todos os níveis sociais e é marcada principalmente pela utilização de computadores e celulares com aplicativos e ferramentas que com a ajuda da internet facilitam a comunicação e a aproximação de pessoas de todos os lugares do mundo. Com isso, a comunicação em rede e em tempo real fez com que a ideia de distância se tornasse insignificante. Nos dias de hoje podemos perceber que diversas culturas, comportamentos e costumes passaram a ficar interligados e essa facilidade de comunicação e mobilidade de informações implica na comodidade dos usuários, pois tudo fica mais simples quando se depende apenas de um clique, gerando também uma dependência de estar conectado. Esta dependência de estar conectado intensificou-se a partir da criação das chamadas redes sociais. “Uma rede social é definida como um conjunto de dois elementos: atores (pessoas, instituições ou grupos; os nós da rede) e suas conexões (interações ou laço social)” (Wassermann e Faust 1994; Degenne e Fosse, 1999 apud Recuero, 2009). Já na visão de Pettenati et al., 2006, Brandtzaeg et al., 2007, estas podem ser conceituadas como “aplicações que suportam um espaço comum de interesses, necessidades e metas semelhantes para a colaboração, a partilha de conhecimento, a interação e a comunicação”. Nesta perspectiva uma rede social pode 3 ser definida como um espaço de interação de ideias, arquivos, informações e dados entre pessoas que estão virtualmente conectadas e que podem estar a milhares de distância umas da outras. Essas ferramentas vêm mudando significativamente a vida das pessoas. Muitos preferem utilizar redes sociais para se comunicarem com amigos em vez de ir visitá-los, outros, utilizam desses meios para manterem-se informados, e, outros para encontrar pessoas distantes, músicas, imagens, vídeos, livros ou páginas dos mais variados assuntos. As redes sociais mais conhecidas hoje são o Orkut, Fotolog, Flickr, Myspace, Twitter, YouTube e a que é o objeto de estudo deste trabalho: o Facebook. 2.1 Facebook: Histórico e conceito O Facebook foi criado pelos jovens Mark Zuckerberg, Dustin Moskovitz, Eduardo Saverin e Chris Hughes, ambos da Universidade de Havard, em fevereiro do ano de 2004. Inicialmente a rede foi chamada de The Facebook e era destinada aos acadêmicos da própria Universidade. Assim que começou a funcionar, obteve 22 mil acessos em apenas 2 horas. Desde aquele dia o Facebook não parou de crescer. Os meninos de Havard viram que a ideia poderia dar certo e começaram a expandir a rede para outras universidades. Assim, o objetivo inicial, que era de utilizar a rede para aproximar os estudantes e trocar informações sobre conteúdos da faculdade se difundia mundo afora e, o Facebook, passava de uma simples rede social para uma grande companhia. Hoje, é a maior rede social do mundo, contando com mais de 900 milhões de usuários, segundo o site Universia Brasil. Esses usuários gastam cerca de 700 bilhões de minutos por mês somente nesta página. Seu crescimento médio mensal é de 10%. A rede é também uma das mais acessadas por dispositivos móveis: mais de 250 milhões de acessos regulares de celulares, smartphones e tablets. O Facebook está entre os 10 sites mais acessados do mundo, no ranking Alexa Internet, serviço de internet que mede quantos usuários visitam um site. A plataforma também aparece como o 1º colocado entre os sites mais acessados do mundo buscados pelo Google. O Facebook hoje "é um pedaço da vida de milhões de pessoas que vivem em todas as partes do mundo." Mesmo não tendo um perfil neste site, é possível perceber sua popularidade por meio dos comentários dos jovens e apreciadores. Atualmente, o foco desta rede social, que inicialmente era compartilhar informações acadêmicas, deu espaço para o entretenimento. É notório que grande parte dos usuários faz uso da mesma para conversar com outros usuários, encontrar amigos, jogar, fazer publicidade, divagar suas ideias, compartilhar informações e arquivos de interesse pessoal… Hoje em dia é possível descobrir todas as informações importantes de uma pessoa no Facebook, basta ter o seu endereço de perfil e lá estarão disponíveis seus gostos, suas preferências, seu círculo de amigos e até mesmo a sua rotina. No entanto, o foco de estudo deste trabalho está na utilização desta ferramenta como subsidio na educação, buscando identificar as metodologias, benefícios, vantagens e desvantagens no ensino e no aprendizado. 4 3. O Facebook como ambiente virtual de aprendizagem Como já mencionado anteriormente o Facebook abre uma leque de possibilidades de utilização e também pode ser apresentar uma ajuda significativa para a educação. No Brasil a ideia de informática na educação não é mais novidade, pois já vem sendo testada em inúmeras escolas. Apesar de muitos educadores sentirem receio de perder a atenção dos alunos só de pensar em utilizar o computador em sala de aula e outros, os chamados imigrantes digitais, até gostariam, mas ainda não dominam este recurso. Já a utilização do Facebook na aprendizagem é um caso recente e ainda é motivo de discussões entre os prós e os contra. Conforme Silva (pag.10, 2011), “a internet está presente de maneira decisiva em nosso cotidiano, seu ingresso em nossas vidas tem mobilizado um conjunto de transformações tanto no comportamento dos indivíduos quanto da sociedade”. Desta maneira, de nada adianta as famílias ou as escolas tentarem privar os alunos da atual realidade, pois de uma forma ou de outra eles terão acesso aos inúmeros conteúdos disponibilizados na internet, inclusive as redes sociais. Por isso evitar que os alunos acessem o Facebook e não aproveitá-lo como aliado na educação é desperdiçar esforço porque em casa ou em uma lan house este será um dos seus principais objetivos de navegação na internet. Como exemplo do uso da referida rede social, podemos citar o projeto “Apropriação das redes sociais no ensino superior: possibilidades, perspectivas e desafios para sala de aula”, apresentado no SENID 2012 por Claudionei Lucimar Gengnagel, que instiga o uso destas ferramentas no ensino superior. O autor nos coloca a refletir este desafio ao relatar: É visto que a utilização do Facebook é um grande desafio para os objetivos pedagógicos (...), visto que a ferramenta trabalha com muitas informações, na maioria das vezes até desnecessárias, que dificilmente tratam de temas pontuais de um conteúdo abordado em sala de aula. Porém, aliando a criatividade e a imaginação juntamente com os recursos informáticos disponíveis, o docente pode criar situações e estratégias de aprendizagem que levem os alunos a se apropriarem de conceitos científicos de forma atraente e cooperativa. Nesta perspectiva é provável que nem todas as funcionalidades proporcionadas pelo Facebook sejam úteis em sala de aula, no entanto a capacidade que ele tem de prender a atenção dos usuários pode ser utilizada como aliada para que o professor desenvolva atividades que envolvam o aluno, mesmo fora da sala aula, durante o tempo que ele estiver logado. Dentre as possibilidades de utilização do Facebook em sala de aula podemos citar o uso de páginas para compartilhamento de materiais, enquetes, álbuns de imagens e ainda a criação de grupos onde o próprio professor pode intermediar as discussões trazendo para dentro deste espaço arquivos e links, como artigos da disciplina, 5 propostas de trabalho e divulgação do trabalho em sala de aula. Aproveitando assim esta ferramenta que atrai os alunos por conta da facilidade de acesso as informações e comunicação em tempo real com os demais colegas, fazendo do trabalho escolar uma tarefa interessante. Para Bandeira (2010), “numa era onde as relações técnicas começam a ganhar mais terreno que as relações humanas, a educação precisa fincar suas estacas e mostrar que acompanha a alucinante revolução da informação”. Tajra (2008, p.21) vem de encontro a esta ideia quando coloca que “É preciso visualizar esta situação social que estamos vivendo. A educação necessita estar atenta às suas propostas e não se marginalizar, tornando-se obsoleta e sem flexibilidade”. Flach (2009, p.103) nos leva a refletir sobre isto quando afirma que: Neste momento, em termos de conhecimentos sobre tecnologias, aptidões e capacidades de aprendizagem para o uso de equipamentos tecnológicos, aparentemente a estrutura cerebral desta nova geração permite que, ao mesmo tempo, assistam televisão, com quatro ou cinco sítios de internet abertos no computador, falando ao telefone com algum amigo ou amiga para combinar um encontro, folheando uma revista e ainda dando uma olhada nas tarefas escolares! Quanto a isso, nós, professoras e professores, pais e mães, estamos, vamos dizer, em outro contexto!...Como é que vai se portar e se sentir em sala de aula (...) uma “figura” dessas? Instigamos mais: será que são os alunos os inquietos e desinteressados, ou nós educadores que não estamos “dando conta do recado”? Será que a escola ainda pode estar embasada nos mesmos moldes do ensino tradicional ou é preciso mesmo inovar? Acredita-se que é preciso trazer o conteúdo, o assunto a ser trabalhado para o contexto dos educandos, pois somente quando eles souberem associar o que se está tentando ensinar com o cotidiano em que estão inseridos é que ocorrerá uma aprendizagem efetiva. Vale ressaltar que isso só é possível a partir do momento em que inovarmos e irmos para além da sala de aula. Outro ponto importante do processo de ensino e aprendizagem é considerar os conhecimentos que os discentes já possuem, as histórias de vida que trazem, e em qual contexto social eles estão inseridos, e a partir daí através de um planejamento participativo, elaborar as suas aulas. Assim, a aprendizagem segue uma linha de mão de mão dupla em que ao mesmo tempo em que o professor ensina, ele também aprende, desmistificando a ideia de que o professor é quem detém o conhecimento. Neste contexto, o uso das redes sociais se aproxima dessa ideia, pois através destes mecanismos é possível, na maioria das vezes, conhecer um pouco a história de vida dos estudantes e ainda aproximar-se deles por meio do mundo digital, abrindo portas para que o processo de ensino e aprendizagem seja ainda mais eficaz no espaço escolar. De acordo com Koehler e Carvalho(2013): 6 As redes sociais servem para dois fins. Primeiro, organizar o espaço de comunicação e interação no mundo globalizado e interconectado, no qual se produzem formas diferentes de ações coletivas, de expressão de identidades, de conhecimentos e de informações. Segundo, mostrar mudanças no modo de comunicação e interação entre as pessoas, na forma de como as pessoas se socializam, se conhecem, como aprendem, escrevem e como forma de fonte do conhecimento globalizado. ......Assim, as redes sociais contribuem para as interlocuções entre as pessoas e possibilita a socialização e construção do conhecimento de maneira espontânea e coletiva, já que as informações publicadas são compartilhadas e visualizadas por todos do círculo de amigos que o usuário possui, ocasionando o chamado conhecimento globalizado. 4. Estudo de caso sobre o uso de grupos no Facebook como apoio ao ensino presencial e/ou à distância A fim de averiguar se o uso do Facebook contribui para a melhoria da aprendizagem, buscou-se realizar uma pesquisa com estudantes de três grupos educacionais, criados na rede social em questão, que servem de apoio ao ensino presencial e a distância. A pesquisa foi realizada por meio de um questionário virtual, com questões de múltipla escolha e outras descritivas, na qual manteve-se o anonimato, no intuito de deixar os voluntários mais a vontade quando fossem respondê-lo. Participaram da pesquisa 45 pessoas, sendo que destas 14 são membros do grupo “Histórias de vida”, o qual foi criado como complemento da especialização de informática na educação com ênfase em software livre da instituição A, 17 do grupo “Curso Técnico em Informática EAD”, criado como apoio ao ensino a distância, também da instituição A e 14 são membros do grupo “1º AI Adm”, criado como subsídio de apoio à disciplina de informática do 1º ano do curso técnico a nível médio em Administração da instituição B (abaixo, na figura 1 é possível ver um exemplo de uma das telas destes grupos). No que se refere a faixa etária destes participantes, varia de 14 a 53 anos. Ressalta-se que todos os entrevistados são estudantes de um dos cursos citados acima, porém 12 deles além de estudantes também são professores em outras escolas. 7 Figura 1Tela exemplo de um dos grupos no Facebook Quando questionados sobre o que os levou a criar uma conta no Facebook, tanto alunos como professores descrevem as mesmas respostas, porém com percentuais diferenciados. Gráfico 1 – Motivos de criação da conta no Facebook para professores Gráfico 2 – Motivos de criação da conta no Facebook para alunos No que diz respeito ao tempo de uso 9% dos estudantes possuem conta na rede social a menos de um ano, 27% entre um e dois anos e 64% a mais de dois anos. Já dentre os educadores 24% fez sua conta de um a dois anos atrás e os outros 76% a mais de dois anos. Do total deste público 4% considera-se iniciante na rede, 68% intermediário e 28% usuários avançados. Nesse caso, entendemos que o usuário avançado seja aquele que cria grupos, cria uma página na rede social e potencializa a interação em alguma comunidade. Já um iniciante, apenas tem a conta na rede e faz leituras de matérias, raramente disponibiliza algum material e seguidamente interage através de curtidas nas postagens que lê ou apenas visualizou. 8 Ao serem interrogados quanto ao uso do Facebook antes da inserção nos grupos educacionais, utilizados como apoio aos cursos e/ou disciplinas presenciais ou a distância, 4% dos entrevistados relatam que utilizavam a rede para jogos, 30% bate papo, 36% para o compartilhamento de arquivos/informações, 2% para marketing/compra/venda, 14% já utilizava para a educação e outros 14% para outras finalidades. Os grupos são considerados fonte de informação para 36% dos membros que participaram da pesquisa, 29% meio de aprendizagem e 35% local de relacionamento com os colegas. Quando o assunto é o acesso ao Facebook durante as aulas, 18 pessoas dizem que costumam acessá-lo. Destes 7 consideram que isto não interfere na aprendizagem, 12 acreditam que este acesso interfere um pouco e apenas uma pessoa acha que interfere muito no aprendizado. Talvez, significando que a habilidade de multitarefa, que é atribuída ao nativo digital, não seja uma habilidade que todos desenvolveram. Acarretando dessa forma, um prejuízo à aprendizagem de parte dos alunos. Perguntamos também, se além do grupo os entrevistados conheciam outras maneiras de utilização do Facebook na educação e quais seriam estas maneiras. Obtivemos as seguintes informações: 11% 11% 11% 33% 8% 8% 8% 37% Gráfico 3 – Conhecimento de outras metodologias de ensino e aprendizagem no Facebook para alunos 9 9% Páginas/Comunidades 30% Não conhecem 13% Bate-papo 9% Eventos 9% Aplicativos 22% 4% Pesquisas Interação de alunos e professores por meio de feed de noticias 4% Jogos Gráfico 4 – Conhecimento de outras metodologias de ensino e aprendizagem no Facebook para professores Com isso, foi possível perceber que a visão dos alunos sobre novos meios de utilização do Facebook para a educação ficou mais restrita que a dos professores, uma vez que estes elencaram mais possibilidades. Os estudantes não conseguiram ver oportunidade de aprendizagem nos jogos, em aplicativos e nem enxergam a rede como fonte de pesquisa. Confirmando que os dados levantados nesta pesquisa e mencionados acima, onde a maioria (30%) percebe as redes sociais como um meio de comunicação, na qual se comunicam com os colegas que fazem parte de sua turma. Foi solicitado ainda, que os colaboradores da pesquisa escrevessem em que a participação no grupo do Facebook mudou, na visão deles, em relação à referida rede social. As respostas foram muito semelhantes: 16 pessoas disseram que viram na rede, um meio que vai muito além do lazer e entretenimento, 33 passaram a vê-la como fonte de estudo e informação, 1 pessoa acredita não ter mudado nada e 5 não souberam responder. Para finalizar foi pedido, apenas aos que são professores, se estes fariam uso do Facebook nas suas aulas: 18 deles disseram que sim e outros três não gostariam de usálo. Demonstrando que prevalece entre os professores a crença de que a tecnologia vai resolver todos os problemas da educação, pois a grande maioria vê com bons olhos o uso dos aparatos tecnológicos no contexto escolar, mas dificilmente potencializam esse trabalho. 5. Considerações finais Ao apresentarmos o Facebook como possibilidade de subsidio ao ensino e ao aprendizado devemos considerar que embora as tecnologias e uso de mídias em sala de aula sejam temas bastante conhecidos, não são todas as escolas que possuem os recursos disponíveis para utilização desta ferramenta, e que vários educadores não se sentem confortáveis em utilizá-la no contexto escolar, inclusive veem como caminho mais fácil 10 impedir que os estudantes acessem a ferramenta dentro da sala de aula, já que a grande variedade de informações disponíveis podem desviar a atenção dos mesmos. Um bom planejamento deve valorizar a realidade em que os alunos estão inseridos, desta maneira, os professores devem apostar nas vantagens e potencialidades do Facebook tornando-o um aliado, orientando os alunos para o uso consciente e como beneficio da comunicação e do compartilhamento de aprendizagens entre pais, professores e alunos. Através dos questionamentos feitos aos grupos utilizados como objeto de estudo vimos que a maioria dos usuários passou a ter uma visão diferente da que tinham inicialmente quando criaram uma conta no Facebook, indicando assim que esta pode mediar a interação entre eles, desenvolver a autonomia e o pensamento crítico, já que precisam interpretar as informações publicadas e também expressar seu ponto de vista em relação as mesmas, 6. Referências BANDEIRA, Zeca. “Qualificação aproxima professor das novas tecnologias”. Revista TV Escola. Nov/dez 2010, p. 29. FLACH, Gilberto. “Tecnologia, escola e juventude: uma sociedade de indivíduos”. In CAVALCANTE, Márcia H. Koboldt e SOUZA, Rui Antônio (org). Culturas Juvenis: Dinamizando a escola. Porto Alegre: Edipurcs, 2009. GENGNAGEL, Claudionei Lucimar. “Apropriação das redes sociais no ensino superior: possibilidades, perspectivas e desafios para sala de aula”. Anais do SENID 2012, p. 10. 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