Brasília, Sexta-feira, 20 de dezembro de 2002 CÂMARA DOS DEPUTADOS DEV OLU ÇÃO IDA ANT GAR Jornal da Câmara PRT - 47-840/92 Ano 4 - Nº 912 Orçamento aprovado garante salário mínimo de R$ 240 O Congresso Nacional aprovou ontem o Orçamento para 2003, com previsão de R$ 240 para o salário mínimo. Acordo firmado pelos líderes partidários condicionou a utilização do Fundo Social, cerca de R$ 4,3 bilhões, somente após a fixação do novo mínimo, em maio do ano que vem. A proposta aprovada aumentou os recursos para a Saúde em aproximadamente R$ 1,5 bilhão, chegando ao total de R$ 30 bilhões, e garantiu para os programas sociais do novo governo, como o Fome Zero, R$ 2,5 bilhões. Para investimentos a previsão é de 14,2 bilhões. Com a votação do Orçamento, o Congresso encerra hoje suas atividades e só volta a se reunir nos dias 1º e 2 de fevereiro para a posse dos 513 novos deputados e eleição da nova Mesa Diretora. No dia 1º de janeiro, empossa o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. Página 2 Efraim Morais avalia desempenho do Legislativo O presidente da Câmara, deputado Efraim Morais, afirmou que o Congresso encerra a atual legislatura mais próximo da sociedade, através de iniciativas como a criação da Comissão de Legislação Participativa e a política de comunicação da Câmara. Efraim também destacou a atuação da Mesa Diretora na modernização das atividades parlamentares bem como a aprovação de projetos que resgataram o papel do Legislativo como a emenda constitucional que limitou a edição de MPs. Página 3 Jornal da Câmara Balanço Câmara se moderniza e amplia participação popular em dois anos Um conjunto de iniciativas da Mesa Diretora, comissões, parlamentares, partidos e da estrutura administrativa mudaram o perfil legislativo e administrativo da Câmara nos dois últimos anos. A redefinição do papel político da Casa, a am- Na Internet: www.camara.gov.br pliação dos canais de participação popular e o resgate da iniciativa legislativa foram consolidadas neste período. Na área legislativa, foram apreciadas 761 matérias e entre elas mudanças constitucionais como a limitação à edição de medidas provisórias e a participação do capital estrangeiro em empresas jornalísticas e de radiodifusão. Na área administrativa, um projeto de modernização implantou novas tecnologias e reestruturou a política de pessoal da Casa. Páginas 3,4, 5 e 6 E-mail: [email protected] Jornal da Câmara 2 - Brasília, 20 dezembro de 2002 Congresso aprova Orçamento para 2003 O plenário do Congresso Nacional aprovou ontem à tarde a proposta orçamentária da União para 2003. Pela manhã, a proposta havia sido aprovada na Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização, após uma noite inteira de discussão. O presidente da comissão, deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA), destacou que a peça orçamentária aprovada “é híbrida, contendo proposições do atual governo e do futuro governo que assume a partir de janeiro”. O relatóriogeral do Orçamento, apresentado pelo senador Sérgio Machado (PMDB-CE), recebeu o apoio de todos os partidos, com exceção do PCdoB, que queria mais recursos para investimentos e Destaques de deputados e senadores garantiram mais R$ 500 milhões para investimentos menos para garantia do su- que o acordo firmado pelos líderes partidários inseriu perávit primário. Sérgio Machado destacou um parágrafo no relatório esque o Orçamento aprovado tabelecendo que o governo prevê recursos suficientes petista só poderá utilizar os para que o futuro governo recursos do fundo social, defina o salário mínimo de cerca de R$ 4,3 bilhões, após R$ 240. Machado salientou estabelecer o salário míni- Parlamentares avaliam proposta aprovada O líder Inocêncio Oliveira (PFL-PE) elogiou a atuação da Comissão Mista de Orçamento, em função dos resultados do trabalho com prazos tão curtos. “Tivemos vários avanços, como a equalização das receitas para o SUS, o aumento de R$ 500 milhões nos recursos para a Educação e a reserva de verbas para o aumento do salário mínimo”, ressaltou o deputado. O relator, senador Sérgio Machado afirmou que, embora apenas 11% dos recursos do Orçamento não estejam vinculados a alguma despesa, os governantes podem definir novas prioridades dentro das áreas às quais estão vinculados. “É preciso mudar a forma de administrar. O contingenciamento tira a eficiência e a previsibilidade do administrador público, dificultando a execução do Orçamento”, ressaltou. Para o deputado Alberto Goldman (PSDB-SP), o atual governo contribuiu para a obtenção de diversas receitas para o Orçamento 2003, como os R$ 16 bilhões de reestimativa de receita e os R$ 300 milhões do aumento de IPI para algumas áreas. “Diferentemente do que alguns parlamentares disseram, não criamos nenhum embaraço ao próximo governo”, afirmou. O deputado Sérgio Miranda (PCdoBMG) votou contra o P rojeto de Lei Orçamentária, defen- dendo uma mudança na forma de fazer a peça orçamentária. Ele lamentou que todo o esforço dos deputados na busca de novas receitas tenha resultado na aplicação desses valores para garantir o superávit primário. O deputado Giovanni Queiroz (PDT-PA) avaliou que o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, herdará o País com uma “situação econômica destroçada e a política econômica deverá ser mudada”. Ele acusou o presidente Fernando Henrique Cardoso de cometer crime de “lesa-pátria” por ter transformado uma dívida pública de R$ 60 bilhões em R$ 850 bilhões ao longo de oito anos. mo, em maio do ano que vem. Ele destacou ainda que o relatório aprovado aumentou os recursos para a Saúde em aproximadamente R$ 1,5 bilhão, chegando ao total de R$ 30 bilhões, e garantiu recursos para programas sociais anunciados pelo PT, como o Fome Zero , que recebeu R$ 2,5 bilhões. O projeto de lei orçamentária enviado pelo governo em agosto para o Congresso recebeu um total de 7.590 emendas. Durante a madrugada, a Comissão Mista de Orçamento analisou 734 destaques para votação em separado, correspondentes a emendas não contempladas pelo relator-geral. Com os destaques, os parlamentares conseguiram elevar os recursos em investimentos em mais R$ 500 milhões, aproximadamente. “O total de recursos em investimentos ficou em cerca de R$ 14,2 bilhões. Como na proposta do governo os recursos para investimentos eram de R$ 7,3 bilhões, o Congresso ampliou os investimentos em R$ 6,9 bilhões”, afirmou Machado, acrescentando que as emendas aprovadas atingiram a soma de R$ 9,1 bilhões. O Congresso aprovou ainda 19 projetos de lei abrindo cerca de R$ 7 bilhões em créditos suplementares a diversos ministérios e empresas estatais e 15 projetos de decreto legislativo autorizando ou suspendendo a execução de contratos sob investigação do Tribunal de Contas da União (TCU). Recursos orçamentários por área de alocação Orçamento Fiscal e da Seguridade Social - Em R$ milhões FUNÇÃO 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 99 Legislativa Judiciária Essencial à Justiça Administração Defesa Nacional Segurança Pública Relações Exteriores Assistência Social Previdência Social Saúde Trabalho Educação Cultura Direitos da Cidadania Urbanismo Habitação Saneamento Gestão Ambiental Ciência e Tecnologia Agricultura Organização Agrária Indústria Comércio e Serviços Comunicações Energia Transporte Desporto e Lazer Encargos Especiais Reserva de Contingência TOTAL PL 060/02 Proposta do governo Relatório aprovado na CMO 2.810 8.442 1.364 8.545 12.531 2.401 941 6.841 131.806 25.652 8.226 14.122 257 484 29 22 33 1.134 2.050 8.331 1.489 495 2.802 901 1.940 3.590 145 749.169 12.973 2.929 8.603 1.388 8.892 12.764 2.611 946 8.712 131.841 27.724 8.216 14.454 349 611 886 294 211 2.268 2.093 8.963 1.591 548 2.977 1.008 2.136 5.008 353 756.581 21.097 1.026.197. 1.036.056 Jornal da Câmara Brasília, 20 de dezembro de 2002 - 3 Balanço Mudanças renovam perfil da Câmara O perfil legislativo e administrativo da Câmara mudou nos dois últimos anos com o conjunto de iniciativas da Mesa Diretoria, de comissões, de parlamentares, partidos e da estrutura administrativa, implantadas nos dois últimos anos. Mudanças apontadas como fundamentais para a redefinição do papel legislativo e político da Casa como a ampliação dos canais de participação popular e o resgate da iniciativa legislativa, foram consolidadas neste período. A produção legislativa no período também garantiu a aprovação de mudanças constitucionais importantes e iniciou reformas reivindicadas durante décadas como a previdenciária e a tributária, com aprovação de emendas constitucionais e alterações na legislação ordinária. No período foram apreciadas 761 matérias pelo plenário, realizadas 507 sessões e 1.338 reuniões nas comissões perma- Efraim Morais ressalta aproximação com a sociedade O presidente Efraim Morais afirmou que o Congresso encerra a atual legislatura mais próximo da sociedade. Segundo ele, isso se deve ao fortalecimento da política de comunicação da Casa por meio dos quatro veículos institucionais de divulgação - Rádio, Jornal, TV e Agência Câmara -, que informam diariamente a população de todo o País sobre os trabalhos dos deputados nas comissões e as discussões e votações em plenário. Outra importante iniciativa da Casa para aproximar-se da sociedade, segundo Morais, foi a criação da Comissão de Legislação Participativa, por meio da qual o cidadão comum pode encaminhar sugestões de projetos aos deputados. Desde sua criação, em agosto do ano passado, a comissão recebeu 58 sugestões, das quais 30 foram transformadas em projetos de lei. Efraim Morais também destacou a atuação da atual Mesa Diretora na moderniza- Efraim Morais ção dos trabalhos legislativos, o que, a seu ver, facilitou e deu agilidade ao exercício do mandato parlamentar. Além disso, os deputados aprovaram nos últimos dois anos projetos que resgataram o papel do Poder Legislativo, como a emenda constitucional que limitou a edição de medidas provisórias. “O Congresso se fortaleceu na última legislatura. Continua transparente, mas acima de tudo moderno para enfrentar o novo milênio que iniciamos”, afirmou. nentes, entre audiências públicas e reuniões deliberativas. O plenário foi transformado em comissão geral em sete ocasiões para discutir temas como violência, integração do Brasil à Alca, redução da maioridade penal e saneamento. O último biênio foi também marcado pela reorganização da estrutura de atendimento ao cidadão com a expansão do sistema de comunicação da Casa, a criação da Comissão de Legislação Par- Produção legislativa refletiu mudanças na Casa ticipativa e da Ouvidoria Parlamentar, com o objetivo de tornar os trabalhos mais trans- parentes e estimular a participação popular nas atividades da Câmara. Plenário aprova dez emendas constitucionais A produção legislativa da Câmara no biênio 2001-2002 garantiu a aprovação de projetos e mudanças constitucionais importantes. Entre as dez emendas constitucionais aprovadas no período está a que permite a entrada de capital estrangeiro nas empresas de comunicação até o limite de 30% e seu controle por pessoas jurídicas, antes restrito às pessoas físicas. O dispositivo permitirá às empresas de comunicação capitalizarem-se e manterem o controle acionário entre brasileiros. A regulamentação da reforma da Previdência avançou com a aprovação de leis que tratam dos regimes de previdência complementar privado e público. Também foi regulamentado por lei complementar o Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza e o pagamento das perdas no FGTS decorrentes de planos econômicos. Foram igualmente aprovadas as emendas constitucionais que permitiram a instituição da Contribuição sobre a Importação de Combustíveis (Cide) e a Taxa de Iluminação Pública, com o objetivo de ampliar os orçamentos públicos. A Câmara assegurou na Constituição a todos os profissionais de saúde o exercício cumulativo de dois cargos públicos. Na área legislativa, outra iniciativa importante foi a criação de uma comissão especial para propor o fim da cumulatividade das contribuições sociais (PIS e Cofins), que afinal aprovou um a proposta de adoção gradual, com o apoio do governo. Esta proposta inspirou o projeto do fim da cumulativi- dade aprovado neste mês. Outras matérias importantes aprovadas foram: o reajuste da tabela do Imposto de Renda em 27,5%; a regulamentação da coleta e processamento de sangue, proibindo sua comercialização; a repactuação e o alongamento das dívidas rurais dos pequenos agricultores; o Programa Bolsa-Renda para agricultores familiares atingidos pela estiagem; a permissão para que a Polícia Federal investigue crimes de repercussão interestadual ou internacional, como seqüestro, roubo de cargas e formação de cartel; a concessão de benefícios fiscais para as empresas aéreas nacionais; e a aprovação dos planos de carreira de vários segmentos da administração pública. Jornal da Câmara 4 - Brasília, 20 de dezembro de 2002 Balanço Imunidade parlamentar iniciou modernização política A Câmara realizou n os últimos dois anos um significativo processo de modernização política, começando pela reformulação do conceito de imunidade parlamentar e encerrando com a total mudança do instituto que foi aprovada pela quase unanimidade da Câmara dos Deputados Tratava-se de uma providência que vinha sendo exigida há tempos por toda a sociedade brasileira. Isto porque a imunidade parlamentar, que tinha em seu cerne o objetivo de resguardar o mandato dos parlamentares, torna- ra-se “uma espécie de biombo com o intuito de acobertar crimes”. Com a mudança, a partir de agora, o deputado ou senador que cometer crime terá que responder por ele na Justiça, como todo cidadão. A imunidade parlamentar só vale para os atos praticados ligados às atividades parlamentares (palavra, voz e voto). A nova regra inspirou não só as assembléias legislativas e câmaras municipais de todo o Brasil, mas serviu também de modelo para a Câmara dos Deputados italiana, cujo presidente veio, pessoalmente, conhecer a nova legislação. A restrição à imunidade parlamentar foi o núcleo central do “pacote ético”, expressão usada para indicar o conjunto de medidas que incluem ainda a aprovação do Código de Ética e do Conselho de Ética. A preocupação em valorizar o mandato parlamentar pôde ser notada durante as eleições deste ano, quando a Câmara desenvolveu uma campanha com o objetivo de chamar a atenção da sociedade para a importância das eleições proporcionais. Legislação Participativa estimula projetos de iniciativa popular Recuperadas as prerrogativas do Legislativo, com a promulgação da emenda constitucional que limitou o poder do Executivo de legislar por medida provisória, e reconquistada a credibilidade da Casa com as alterações inseridas no instituto da imunidade parlamentar, a Câmara dos Deputados decidiu abrir as suas portas para os projetos de iniciativa popular quando criou a Comissão de Legislação Participativa. Resguardados os princípios da democracia representativa, a nova comissão veio permitir que a sociedade pudesse participar mais diretamente na elaboração das leis, mecanismo totalmente inédito na história política brasileira. Qualquer entidade civil registrada - sindicato, clube de serviço, associação de bairro - pode apresentar à CLP seu projeto de lei. Se aprovado pelo plenário, será transformado em lei. A informatização dos processos judiciais e a obrigatoriedade de se divulgar o valor dos repasses fe- A participação da sociedade inovou a história da política nacional derais para estados e municípios constituem propostas de entidades civis já aprovadas na comissão e que hoje são leis. Para se ter uma idéia da importância da Comissão de Legislação Participativa, pela primeira vez na história do Parlamento brasileiro, setores da sociedade civil, como a Associação Nacional dos Meninos e Meninas de Rua ou representações de catadores de papel, tiveram aprovadas emendas ao Orçamento da União. Com o intuito de aumentar ainda mais a transparência dos trabalhos legislativos, foi criada a Ouvidoria Parlamentar, cuja atuação principal é receber e encaminhar aos órgãos competentes da Casa reclamações ou representações da população. Isso permite um melhor acompanhamento do trabalho de seus representantes no Congresso Nacional e nos demais órgãos públicos. Trata-se, assim, de um importante canal para avaliação e controle da gestão pública. Comissão permanente passou a tratar da violência urbana Sempre atenta ao agravamento da crise de violência urbana, especialmente nas grandes cidades brasileiras e, ao mesmo tempo, sensível aos anseios da sociedade, a Câmara dos Deputados criou no início deste ano uma comissão permanente voltada exclusivamente para tratar da questão da Segurança Pública. Outra iniciativa também importante de nota foi a instituição, juntamente com o Senado Federal, de uma comissão especial para dar agilidade à tramitação das propostas de combate à violência nas duas Casas do Legislativo. A comissão mista produziu em tempo recorde os primeiros resultados, aprovando o relatório com significativas mudanças no Código Penal, no Código de Processo Penal e na Lei de Execuções Penais. O objetivo dos projetos foi o de prestar agilidade à Justiça e oferecer uma punição mais rigorosa aos que praticarem crimes hediondos. A Comissão Permanente de Segurança Pública e Combate ao Crime Organi- zado e Narcotráfico foi estruturada a partir do relatório final da CPI do Narcotráfico, exclusivamente para tratar da questão da Segurança. Será ela a responsável, a partir de agora, pela apreciação das propostas que forem apresentadas e também pela apuração das denúncias feitas. Promoverá ainda debates sobre os temas contrabando e violência rural; controle e comercialização de armas; proteção a testemunhas e vítimas de crime; e prevenção, fiscalização e combate ao uso e tráfico de drogas. Entre suas atribuições, a nova comissão terá ainda a responsabilidade de avaliar as políticas públicas de Segurança, do sistema penitenciário e das legislações penal e processual penal. Também está prevista a colaboração com entidades não governamentais que atuem na área, além da realização de pesquisas, estudos e conferências sobre matérias de competência da comissão. Benefícios às mulheres As matérias que beneficiam diretamente a mulher também foram incluídas na agenda de prioridades da Casa. Entre as propostas aprovadas estão: 1) a que torna obrigatória a notificação, pelos hospitais da rede pública, dos casos de violência contra a mulher; 2) a que tipifica o assédio sexual; 3) a que obriga a cirurgia plástica reparadora da mama, em casos de câncer, por planos e seguros privados; 4) a que cria, no âmbito do Sistema Único de Saúde, a Carteira Nacional de Saúde da Mulher; 5) a que estende às mães de crianças adotadas o direito à licença-maternidade e o salário-maternidade. Jornal da Câmara Brasília, 20 de dezembro de 2002 - 5 Balanço Modernização administrativa prioriza pessoal e tecnologia N o campo administrativo, a Câmara também experimentou avanços. Modernizou sua gestão, abriu espaços para os novos talentos da Casa e incorporou recursos das novas tecnologias de ponta. Uma das grandes virtudes do processo iniciado com a renovação foi a descentralização das decisões e o aumento da eficiência. Também aqui a palavra de ordem foi o máximo de transparência. Ao adotar a modalidade de pregão eletrônico para as compras e contratos da Câmara, a administração facilitou a participação das empresas para aumentar a concorrência. O processo modernizador permitiu uma economia de R$ 56 milhões em 2001, dinheiro que foi devolvido ao Tesouro Nacional, fato nunca antes ocorrido na história do Parlamento brasileiro. Dentro da nova política de pessoal que buscou valorizar seus servidores, a Câmara realizou o concurso Câmara em Idéias cujos vencedores receberam prêmios nesta quarta-feira. Muitas das propostas de funcionários de vários departamentos, mesmo as que não foram premiadas, serão implantadas. O primeiro lugar cou- be à proposta de criação de um site infantil da instituição de autoria de Elizabeth Veloso Bocchino, Maria do Amparo Bezerra da Silva e Sabá Cordeiro de Monteiro Chagas Filha de Oliveira. O segundo prêmio ficou com Cleci Ribeiro Silveira, Marizete José Soares de Oliveira e Maria Erivalda Rodrigues Torres por proporem a automação dos banheiros da Casa. A terceira premiada foi Patrícia Figueiredo Roedel, que sugeriu a criação de uma central de reportagem para a Secretaria de Comunicação Social da Câmara. Atenção especial para diversidade cultural A questão cultural foi outra preocupação de destaque da Câmara, na atual legislatura Uma exposição de gravuras de Salvador Dalí, no segundo semestre, atraiu mais de 34 mil visitantes ao Museu da Câmara no período do recesso parlamentar. Ao mesmo tempo em que se realizava essa exposição, a Câmara promoveu a mostra Objetos da Lusofonia, com a participação de artistas e artesãos portugueses e africanos. O ciclo de exposições de integração completou-se com a exposição, inaugurada no mesmo dia, do Teatro de Bonecos Giramundo, criado pelo artista plástico mineiro Álvaro Apocalypse. O Espaço Cultural Zumbi dos Palmares of i palco não apenas de exposições mas de variadas manifestações culturais, debates, conferências, oficinas, exibição de filmes. A Câmara vem se transformando, nos últimos dois anos, em centro de debates de toda espécie sobre políticas culturais, públicas ou privadas. A TV Câmara, a Rádio Câmara, a Agência Câmara e o Jornal da Câmara uniramse no esforço comum não apenas de divulgar as atividades da Casa, mas de contribuir para maior integração cultural dos diversos estados do Brasil nela representados. Pela internet, os órgãos de comunicação da Câmara começam a difundir as manifestações culturais do povo brasileiro, em escala planetária. Maior informatização a serviço da transparência A tecnologia da informação foi colocada a serviço da transparência com o novo sistema e-Câmara . Por meio dele, a sociedade tem acesso a qualquer projeto em tramitação na Casa, com a íntegra da proposta original, dos seus relatórios, sua tramitação atual e histórica e os resultados de votações. O eleitor agora pode acompanhar em tempo real as atividade dos parlamentares, sua presença nas reuniões, discursos e votos. Para quem atua dentro do Congresso, seja parlamentar, assessor ou jornalista, foi implantado novo sistema de transmissão. Ele permite acompanhar os trabalhos parlamentares em praticamente todas as dependências da Casa por um circuito interno de TV. Além dos gabinetes, as transmissões poderão ser acompanhadas simultaneamente por um painel multimídia instalado no Salão Verde. Foram criados ainda outros três canais de acesso pela rede mundial de computadores para as programações da TV Câmara, Rádio Câmara eJornal da Câmara. Para melhorar o desempenho dos deputados, a atual administração colocou esses recursos ao alcance das mãos. Disponibilizou para os parlamen- tares um computador de bolso que dá acesso a todas as informações necessárias ao trabalho legislativo: situação dos projetos, emendas apresentadas e prazos que estão correndo para a votação de qualquer matéria. Os computadores de bolso do e-Câmara utilizam baterias recarregáveis como fonte de alimentação e têm seus dados acessados por meio de ondas de rádio. A economia com papel e impressão com a nova tecnologia será suficiente para pagar o investimento em apenas um ano. Jornal da Câmara 6 - Brasília, 20 de dezembro de 2002 Balanço Diplomacia parlamentar amplia aproximação com outros países Uma das marcas da gestão que se encerra foi o estabelecimento de uma pauta de encontros e contatos com representantes e autoridades estrangeiras para maior interação com parlamentos de outros países. Batizada de Diplomacia Parlamentar, a nova política adotada permitiu a criação de um mecanismo inédito de cooperação e consulta entre parlamentos. Neste campo, a Câmara inovou ao realizar, em outubro do ano passado, o seminário O Brasil e a Alca, com a presença de importantes negociadores e representantes de diversos países das três Américas, mostrando que o Parlamento brasileiro ganhou posição de destaque no cenário das discussões sobre a integração continental ao deixar o papel de ratificador de acordos internacionais. Cúpula Parlamentar das Américas Representantes de países das Américas participaram da Cúpula Parlamentar promovida pela Câmara e o documento final foi entregue ao presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva ANEXOI,15ºANDAR,SALA 605 318-5098/99 Jornal da Câmara FFAXONE:(0:XX(0XX61)61)318-2196 Outro passo importante foi a organização da Cúpula Parlamentar de Integração Continental, em novembro último. Promovida pela Presidência da Câmara em parceria com as comissões de Economia, de Relações Exteriores, de Agricultura e de Finanças, e com o apoio do Itamaraty, a Cúpula trouxe a Brasília os presidentes de câmaras e senados de quase todos os países da América do Norte, América Central e América do Sul. A iniciativa do Parlamento brasileiro certamente terá conseqüência, com a realização de encontros do mesmo porte em outros países. O sucesso da Cúpula organizada pela Câmara repercutiu na qualidade do debate promovido nas diversas comissões técnicas. O presidente Fernando Henrique e o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, prestigiaram o evento, além de ministros e embaixadores. Para os participantes, a Cúpula deu a partida para uma nova era de convivência, em que a inserção dos parlamentos nos processos de integração econômica passará a ter caráter natural e permanente, transformando-se em novo marco no processo de discussão da Alca. Tv Câmara - canal 14 -Net/DF canal 28 -Sky canal 235 -DirecTV Disque Câmara 0800 619619 Mercosul A ampliação do debate em torno dos processos de integração estimulou também a visita de vários emissários estrangeiros que buscaram demonstrar para o Legislativo brasileiro interesse em relação ao Mercosul. A Câmara recebeu o comissário Pascal Lamy, principal negociador da União Européia; a vicepresidente do Parlamento espanhol, Soledad Becerril Bustamante; o secretário-geral da OEA, César Gavíria; o vice-presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, Li Guixian; e, finalmente, os membros da missão do Fundo Monetário Internacional que vieram ao País para avaliar as metas vinculadas ao acordo de assistência assinado com o governo brasileiro. Pela Constituição, qualquer acordo internacional assinado pelo governo brasileiro que precisa ser referendado pelo Congresso. O parlamento brasileiro, até então, tinha pouca ou nenhuma participação na formulação da política externa, passou a assumir papel de destaque nas decisões que terão enorme impacto na sociedade brasileira. Mídias Alternativas www.agencia.camara.gov.br Internet/Intranet [email protected] Jornal da Câmara na internet: www.camara.gov.br / E-mail: [email protected] Mesa da Câmara dos Deputados Presidente: Efraim Morais 1º Vice-Presidente: 2º Vice-Presidente: Barbosa Neto 1º Secretário:Severino Cavalcanti 2º Secretário: Nilton Capixaba 3º Secretário: Paulo Rocha 4º Secretário:Ciro Nogueira Suplentes: Pedro Valadares, Salatiel Carvalho, Enio Bacci , Wilson Santos Procuradoria Parlamentar: Ricardo Izar Ouvidoria Parlamentar: Luiz Antonio Fleury Diretor-Geral: Sérgio Sampaio Contreiras de Almeida Secretário-Geral da Mesa: Mozart Vianna de Paiva SECOM - Secretaria de Comunicação Social Jornal da Câmara Diretora: Amneres Pereira (061) 318-5085 / Fax: (061) 318-2108 Divulgação: Juarez Pires (061) 318-5085 Relações Públicas: Flávio Elias F. Pinto (061) 318-5092 Rádio Câmara: Humberto Martins (061) 318-8310 TV Câmara: Roberto Stefanelli (061) 318-5080 Agência Câmara: Ademir Malavazi (061) 318-8473 Mídias Alternativas:Arnolfo Carvalho (061) 318-7420 Diretora: Marina Carvalho (061) 318-5098/99 - Fax: (061) 318-2196 Editor-Chefe: Marcondes Sampaio Editores: Paulo César Santos, Oscar Telles, Luiz Paulo Pieri, Vera Ramos e Beatriz Cleto Diagramadores: Guilherme Rangel Barros, José Alberto de Almeida Filho, André Cerino, José Antonio Filho Ilustrações: André Cerino Revisoras: Isolda Marinho, May Wolf, Francy Borges, Darisa de Castro Fotografia: J.Batista, Salu Parente, Sônia Baiocchi, Eltom Bomfim, Reynaldo Stavale e Luiz Cruvinel Impressão: Imprensa Nacional / Presidência da República Jornal da Câmara Brasília, 20 de dezembro de 2002 - 7 Deputados despedem-se com balanço da atuação Os deputados Themístocles Sampaio (PMDB-PI), Esther Grossi (PT-RS) e Avenzoar Arruda (PT-PB) despediram-se ontem da Câmara. Para Themístocles Sampaio e Avenzoar Arruda este foi o primeiro mandato como deputado federal. Já Eshter Grossi deixa a Casa após dois mandatos consecutivos. Esther Grossi lembra luta pela Educação Themístocles destaca defesa dos interesses do Piauí A deputada onais e internaciEsther Grossi onais recentes”, (PT-RS) fez proafirmou. nunciamento de A parlamentar despedida após revelou que sua oito anos de mandecisão de não se dado. Ela, que se candidatar à reedestacou na luta leição representa pela Educação, o desejo de servir declarou-se satisà política da Edufeita com a expecação na área que riência “estimuconsidera mais lante e desafiadovulnerável: as Esther Grossi ra de ser deputaaprendizagens da”. Dentre seus projetos de- escolares. “Tenho um doutorado senvolvidos no período na Câ- neste campo, o que me confere mara, Esther Grossi ressaltou um dever cívico de nele atuar. A o Volta aos Estudos e Dois Tem- Educação está a demandar muipos de Aprender. “Eles ajuda- ta pesquisa, muito estudo e muiram a evidenciar aspectos es- ta ação, a partir de uma definisenciais a respeito do ensino ção clara de paradigmas”, frisou. que serviram de base para anaAo concluir seu pronuncialisar leis já feitas e fazer novas, mento, a deputada gaúcha mabem como para focalizar ações nifestou o desejo de que a Câeducacionais e constatar o ab- mara dos Deputados “amplie surdo dos nossos índices de sua atuação na linha da demoaproveitamento escolar, a par- cratização do acesso ao prazer tir de todas as avaliações naci- e ao poder do saber”. No discurso res. Disse ainda de despedida da que estimulou a Câmara, o depuindústria do caju tado Themístoe o aproveitacles Sampaio mento do coco (PMDB-PI) babaçu, fontes afirmou ter paude sustento para tado sua atuainúmeras famílição na defesa as e de divisas “intransigente” para os cofres dos interesses públicos. Tamdo seu estado. bém lutou pelas “A verdade é propostas de Themístocles Sampaio que estes quacombate à seca tros anos significaram para que se demonstraram viáveis mim o coroamento de uma para uma solução perene do vida pública totalmente dedi- problema. Themístocles Samcada ao Piauí”, disse. paio lembrou ainda seu apoio O parlamentar peemede- a medidas para o desenvolvibista citou como exemplo do mento do Nordeste, em espeseu trabalho no Legislativo a cial o turismo. “Por precisar indicação ao Executivo para o Brasil de moeda estrangeique a cera de carnaúba, ma- ra, e pelos altos índices de detéria prima utilizada na indús- semprego em praticamente tria de informática, fosse in- todos os setores, é que se deve cluída entre os produtos que dar especial ênfase a essa atio governo adquire para for- vidade”, afirmou. mação de estoques reguladoO trabalho realizado pelo expresidente Aécio Neves também foi tema do discurso do parlamentar piauiense. “Desde o primeiro momento, ele tomou como bandeira de sua atuação tamente solucionados, dois pontos que marcam esta lepois dependem de iniciagislatura: o fortalecimento do tiva política”, avaliou o Poder Legislativo e a aproximaparlamentar petista. Em ção deste com a população, mesua opinião, os principais tas plenamente conseguidas, das desafios do futuro goverquais todos nós podemos nos orno e do próximo Congresgulhar”, comentou, acrescentanso serão a realização de do que continuará a defender reformas como a tributáiniciativas que fortaleçam o Leria, a previdenciária, a pogislativo e, conseqüentemente, lítica e a agrária. a democracia brasileira. Avenzoar: Câmara foi uma grande escola Ao fazer um breve balanço de seu mandato, o deputado Avenzoar Arruda (PTPB) qualificou a Câmara dos Deputados como “uma grande escola” e anunciou que, apesar de não haver sido reeleito, continuará a utilizar os conhecimentos adquiridos na Casa para ajudar o povo brasileiro. Ele declarou sua crença no futuro do País com um governo do PT. “Com o futuro governo, o Brasil estará a caminho de uma sociedade mais justa, onde não existam mais desigualdades gritantes para os nordestinos, nem fome”, salientou. “Entendemos que esses problemas podem ser perfei- Fontana rebate insinuações de que PT é neoliberal O deputado Henrique Fontana (PT-RS) rebateu insinuações de que o futuro governo de Luiz Inácio Lula da Silva já iria iniciar seu mandato sob a marca do neoliberalismo que tanto criticara. Na avaliação do parlamentar, a aprovação de proposições que aumentam a receita da União para o próximo governo não significa uma virada em favor da opção neoliberal. “Em 1995 o Brasil arrecadava em contribuições sociais R$ 97,8 bilhões, já em 2002 foi arrecadado R$ 160 bilhões, ou seja, um acréscimo de quase R$ 63 bilhões na carga tributária em cima das contribuições sociais”, lembrou Henrique Fontana, para quem o governo de Fernando Henrique Cardoso, apesar do aumento da carga tributária, não melhorou os serviços para a população. Na opinião do deputado gaúcho, esta é apenas uma pequena diferença nos dois estilos de governo. O próximo governo, segundo o petista, não irá dar continuidade à política de privatizações do patrimônio público que marcou a administração do atual governo. “Se de fato a única alternativa fosse continuar governando como se governou ao longo destes oito anos, certamente o povo brasileiro teria eleito o candidato do atual governo”, afirmou. HenriqueFontana Jornal da Câmara 8 - Brasília, 20 de dezembro de 2002 Grazziotin propõe investigação de pesquisadores da fauna e da flora A relatora-substituta da CPI que investiga o tráfico de animais e plantas silvestres, deputada Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), propôs ontem a investigação das atividades de pesquisadores que atuam na Amazônia, na coleta de material genético. Grazziotin considerou “extremamente graves” as informações levantadas pela comissão no depoimento do pesquisador Marcus Van Roosmalen, tomado ontem durante audiência pública na qual respondeu a acusações de biopirataria. Funcionário do Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas (Inpa), onde atua no departamento de Botânica em regime de dedicação exclusiva, Van Roosmalen responde a um processo administrativo no órgão, por suas atividades externas e por ausentar-se do País à revelia, e a outro instalado pelo Ibama, por transportar macacos sem autorização. Para Vanessa Graziottin, o depoimento do pesquisador demonstra a existência de um “braço forte” da biopirataria infiltrado nos institutos de pesquisa. Ela vê uma “gran- Vanessa Graziottin de rede de ação” que precisa ser investigada, a fim de constatar se os pesquisadores que trabalham no Brasil atuam como coletores de mate- rial genético para centros de pesquisa no exterior. Na visão da deputada, o pesquisador deixou transparecer que usa o Inpa em proveito próprio, desenvolvendo pesquisas com primatas, que é sua especialização, em detrimento da botânica, para a qual foi contratado. Os resultados beneficiariam outras instituições particulares, como a sua ONG, a Associação Amazônica de Preservação das Áreas de Biodiversidade. O fato de as pesquisas científicas de Van Roosmalen serem publicadas em inglês, no exterior, também reforça essa acusação, além de o depoente possuir criadouros particulares de animais, ainda não regularizados. CPI representará contra funcionários do Inpa Indícios de remessa irregular de material genético para o exterior O presidente da CPI, deputado Luiz Ribeiro (PSDB-RJ), informou que encaminhará ao Ministério Público uma representação contra os funcionários do Inpa citados no depoimento. Ribeiro acrescentou que também representará contra o advogado Francisco de Lima, na Ordem dos Advogados do Brasil, por ter orientado Van Roosmalen, seu cliente, a apresentar atestado de saúde inidôneo para justificar sua recusa a comparecer perante a CPI. Após três convocações, o pesquisador foi intimado e acabou conduzido à comissão pela Polícia Federal Durante o questionamento conduzido pela deputada Vanessa Grazziotin, Van Roosmalen – holandês naturalizado, que chegou ao Brasil em 1986 – caiu em contradição várias vezes e revelou indícios de que teria enviado informações genéticas sobre a flora e a fauna amazônicas para o exterior. Nesse aspecto, uma das circunstâncias que pesam contra Van Roosmalen é o fato de seu filho, que pesquisa genética molecular nos EUA e desenvolve um estudo com macacos amazônicos, ter fugido daquele país e encontrar-se sem paradeiro definido após denúncia da imprensa brasileira de que seria receptor de material genético brasileiro enviado pelo pai. Van Roosmalen admitiu ter enviado apenas as fezes dos animais para o filho. Ele também reconheceu que, conforme informações divulgadas no site de sua ONG, cobra entre US$ 10 mil e US$ 1 milhão dos interessados em nomear novas espécies de macacos descobertas na Amazônia. Os recursos, segundo o pesquisador, são revertidos para a própria ONG, da qual ele não receberia salário nem benefício pecuniário algum. Van Roosmalen negou várias outras acusações feitas contra ele, como o tráfico de animais e plantas e a manutenção de animais silvestres em cativeiro. Ele alegou que solicitou várias vezes ao Ibama a licença de captura, coleta e transporte, mas que a expedição do documento é extremamente demorada. Informou que a legislação prevê que, caso a licença não seja expedida em 45 dias, a concessão é automática. Acrescentou que o centro de conservação de animais que mantinha em Manaus, conhecido como Parque de Noé, era mantido por meio de convênio com o Ibama e assegurou que sua intenção, ao adotar animais selvagens abandonados, era devolvê-los posteriormente ao meio ambiente quando adultos, porque “se preocupava” com as apreensões de animais feitas pelo Ibama, que não teria depósitos adequados para abrigá-los. CURTAS Luiz Fernando (PPB-AM) parabenizou o trabalho realizado pela Polícia Federal no Amazonas na desarticulação de quadrilhas especializadas no tráfico de drogas. Segundo o parlamentar, em curto intervalo de tempo, os agentes federais realizaram duas grandes apreensões de cocaína na região, num total de mais de 40 quilos da droga, e prenderam os envolvidos no crime. “A maior parte das prisões e apreensões foi feita no âmbito daquela que foi batizada como ‘Operação Tocaia’, afirmou, acrescentando que a operação foi uma das “eficientes” respostas do governo brasileiro ao narcotráfico. Osmar Terra (PMDB-RS) destacou medidas propostas pela Unesco para combater e prevenir a violência nos estabelecimentos de ensino. Dentre elas, diagnóstico da violência nas escolas de ensino fundamental e médio; programas de mediação de conflitos; difusão de práticas positivas e bem sucedidas de combate e prevenção à violência escolar; e abertura das escolas nos finais de semana para a realização de atividades esportivas e culturais. “Pesquisa realizada pela Unesco em 14 capitais brasileiras, de 2000 a 2002, com alunos de ensino fundamental e médio, indica que entre 9% e 15% dos estudantes entrevistados já presenciaram porte de armas de fogo em suas escolas”, disse. Dr. Evilásio (PSB-SP) lamentou que o preço dos medicamentos genéricos ainda não esteja ao alcance da população pobre do País, alertando que os gastos dos municípios com saúde já estão acima da alíquota constitucionalmente determinada. “É preciso que o Executivo institua uma política que auxilie os prefeitos e proteja a população carente, em relação a uma necessidade tão básica como é a medicação”, ressaltou. Oliveira Filho (PL-PR),que é autor de pedido de abertura de CPI para investigar a situação dos idosos no Brasil, voltou a reclamar medidas de proteção às pessoas mais velhas. Ele citou o recente caso de uma professora aposentada, de 92 anos, vítima de maus tratos da empregada da família, salientando: “Que esse exemplo, mostrado pela televisão, sirva para que todos nós tenhamos o compromisso de assumir a defesa dos idosos nesta Casa de leis, porque as imagens mostradas, de atentado, de violência contra uma pessoa indefesa são, no mínimo, repugnantes”.