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Rio de Janeiro, 30 de janeiro de 2011 - Ano XXXI - No. 1.506
Igreja Metodista auxilia vítimas da catástrofe serrana
Fotos de Luiz Pimenta
Milhares de litros d’água mineral estão estocados na parte dos fundos da
Igreja de Teresópolis
À direita passava a estrada, ao centro o riacho e, onde havia as casas,
somente sobraram pedras, árvores derrubadas, entulho, destruição.
Leia nesta edição:
Futebol na Favela – artigo de Airton Campos – página 2
A tragédia de perto – artigo de Luiz Pimenta – página 3
Carta de um pastor metodista – Rev. Márcio Ramos da Silva – página 4.
Atividades recomeçam na igreja em O que há pela Vila – página 4
A Igreja Metodista vem se mobilizando de forma expressiva para
auxiliar as vítimas da tragédia que
se abateu sobre diversos municípios do Estado do Rio de Janeiro.
De nossa igreja já seguiram dois
carros repletos de donativos. Outras igrejas têm angariado doações,
com ótimos resultados.
A Igreja Central de Teresópolis,
cidade que em bairros afastados do
centro ocorreram inundações e desabamentos de um número incalculável de casas, está acolhendo em
suas dependências 75 pessoas que
tudo perderam. No grande galpão
da igreja há enorme quantidade de
roupas, alimentos, sendo que
grande parte já foi distribuída. A
água está guardada no próprio
templo. Há muitos voluntários da
igreja trabalhando e dando assistência, não só material, mas psicológica e espiritual aos que necessitam.
No momento a maior necessidade
é de recursos financeiros, porém,
mais para diante, haverá novamente demanda de gêneros alimentícios, pois eles se esgotam em pouco
tempo.
Lembremo-nos que outros municípios também foram fortemente
atingidos, com grande destruição,
centenas de mortos e desaparecidos.
Aos poucos esta tragédia irá saindo
do noticiário, mas suas consequências permanecerão por muito tempo. Oremos pelos que perderam
seus queridos ou que deles não têm
notícias. E continuemos mobilizados para cooperar em tudo o que
estiver ao nosso alcance.
Futebol na favela
Airton Campos
Ancelmo Góis, em sua coluna no O Globo do dia 8 de dezembro, noticiou: “Ricardo
Teixeira avisou a Sergio Cabral que FIFA e CBF
pretendem criar no morro do Alemão a Escola Brasileira de Futebol. A Rocinha também pode figurar no
projeto, cujo objetivo é formar gente da comunidade
para trabalhar no futebol.”
Em 2002 o então diretor do IMAG – Rev.
Davi Lessa – estabeleceu uma parceria com o
IAFB – Instituto Brasileiro de Apoio ao Futebol
Brasileiro - para implantar no Ana Gonzaga um
centro de hospedagem e treinamento para o
futebol amador.
Como parte desta parceria, o IAFB reformou todo o 2º andar do prédio Darci Vargas,
onde anteriormente funcionava o dormitório
masculino e que já estava em estado de conservação não muito bom. Foram feitos dois bons
dormitórios, reformados completamente os
banheiros e praticamente construídas salas de
reunião e uma secretaria.
Na inauguração do espaço que contou
com a presença do João Havelange, do Bispo e
diversas outras autoridades, foi colocada uma
placa alusiva no hall do IMAG
Para o espaço o IAFB trouxe atletas
amadores de outros estados para treinamentos
que eram realizados nos campos da Universidade Rural. O IMAG era remunerado pela alimentação fornecida aos atletas.
Com o apoio político do IAFB foi desenvolvido um projeto intitulado Família do Futebol,
cujo objetivo era proporcionar treinamento profissional a moradores das comunidades vizinhas do IMAG .
Este projeto foi então encaminhado à
Fundação do Banco do Brasil, e uma vez aprovado, foram firmados diversos convênios para
a realização de treinamentos profissionalizantes
com recursos do FAT – Fundo de Amparo ao
Trabalhador.
Inicialmente estavam previstos 34 cursos
distintos, mas em virtude de política interna da
CBF, com a mudança de dirigente, o IAFB cancelou o convênio com o IMAG e em função disto foram reduzidas as turmas dos cursos ligados ao futebol, aumentando a participação em
outros cursos profissionalizantes.
Todos os 26 cursos executados foram
vistoriados pela Fundação do Banco do Brasil,
não havendo nenhuma inconsistência ou irregularidade na sua execução e prestação de contas, conforme foi posteriormente atestado.
Sem estrutura própria para trabalho de
tamanha envergadura, o Rev. Davi Lessa procurou o apoio da Universidade Federal Rural
do Rio de Janeiro, e através de sua Assessoria
de Projetos Sociais,os cursos foram então realizados em suas instalações e seus professores
contratados para ministrar os cursos. Também
a alimentação (almoço) que os alunos tinham
direito foi fornecida pela Universidade, mediante o pagamento da verba estipulada no Convenio do FAT.
O Convênio de Cooperação Financeira
com a Fundação do Banco do Brasil de agosto
de 2002 foi posteriormente prorrogado até
agosto de 2003 e os recursos liberados a cada
curso.
Toda a movimentação financeira foi feita
somente através de cheques da Agência Campo
Grande do Banco do Brasil ,correspondente
exatamente a cada nota fiscal e a cada RPA –
Recibo de Pagamento de Autônomo de cada
professor. Também a Previdência Social devida
em virtude dos RPAs pagos, foi devidamente
recolhida.
Não me recordo da relação completa dos 26
cursos realizados, mas toda a documentação foi
arquivada no IMAG. Entre os cursos ligados ao
futebol estavam:
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Técnicas e táticas de futebol de campo;
Regras de futebol de campo;
Preparação física para futebol de campo;
Treinamento de goleiro de futebol de
campo;
Técnicas e táticas de futebol de salão;
Preparação física para futebol de salão;

Treinamento de goleiro de futebol de
salão.
Entre os cursos profissionalizantes
podemos citar:
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Administração de pousadas e hotéis;
Secretária;
Auxiliar administrativo;
Cabeleireiro;
Pedicure;
Manicure;
Garçom;
Jardinagem e paisagismo;
Pedreiro;
Bombeiro hidráulico;
Eletricista de edificações.
Foram diversas turmas em cada um
destes cursos, sendo então treinados cerca
1.400 adolescentes e adultos nos cursos ligados ao futebol e 1.800 nos cursos profissionalizantes, perfazendo o total de mais de 3.000
treinados.
Todos os participantes dos cursos receberam camisas e bonés com o logotipo do
FAT, Fundação do BB e do IMAG, uma pasta
com as apostilas do curso, vales transportes
para os deslocamentos das residências até a
Universidade Rural e refeições.
Das formaturas das diversas turmas
realizadas no salão nobre da Universidade
participaram diversas autoridades. Nestas
cerimônias tivemos a oportunidade de ouvir
diversos alunos darem testemunho de já ter
conseguido emprego em função do treinamento recebido.
Esta foi uma maneira de engrandecer
o nome da Igreja e de fazer com que o IMAG
cumprisse sua missão junto às comunidades
vizinhas. Além disso, o IMAG ainda recebeu
pouco mais de 60 mil reais como remuneração pela gerencia da execução dos projetos.
Pena é que este tipo de trabalho não
tenha tido continuidade.
JORNAL DA VILA
ANO XXXI - Nº 1506
Publicado semanalmente pelo Ministério de Comunicação da Igreja Metodista de Vila Isabel
– Rio de Janeiro (RJ).
Diretor: Roberto Pimenta
Redator: Luiz Pimenta
Xerox e distribuição: Walkírio Mattos
A tragédia de perto
Luiz B. Pimenta
Estive no final de semana passado em Teresópolis e fui a alguns bairros atingidos pelo temporal.
Uma coisa é você ver a destruição pela TV ou
pelas fotos dos jornais. Outra, muito diferente, é estar
no local, ver a verdadeira extensão do que aconteceu,
falar com pessoas que foram atingidas.
Lá confirmei muitas coisas que já sabia e que
até comentei em artigo do domingo passado. Grande
parte das casas atingidas era de classe média, bem
construídas, não estavam em encostas. Os pequenos
rios que causaram aquele “tsunami” de água doce
nunca haviam transbordado assim.
Os deslizamentos de terra ocorreram na parte
alta dos morros, onde havia vegetação nativa. Mas, na
estreita várzea, impressiona ver a quantidade imensa
de grandes pedras que ficaram à mostra, casas em que
vemos a marca da água no segundo pavimento, condomínios arrasados, carros que só são identificados no
meio dos detritos por causa de suas rodas. Casas, lojas
e até um supermercado que não desabaram estão com
lama em altura considerável ao redor e em seus interiores.
Nas partes laterais mais altas do vale, onde a
correnteza não passou, continuam os belos jardins, os
gramados caprichados, passando-nos a visão de como
era bonito tudo aquilo anteriormente.
Certamente ali ainda devem existir muitos
mortos que não foram encontrados e que talvez jamais
o sejam.
Como doeu ver um homem sentado em uma
pedra diante de sua bela casa quase totalmente destruída e inundada, examinando papéis, livros - tudo
enlameado – que tirava de um pequeno móvel. Que
emoção ouvir histórias do dia da tragédia. Pessoas que
tudo perderam, mas que se salvaram. Outras que não
tinham notícias de parentes, vizinhos, amigos. Entre as
pessoas, mais simples, que tinham pequenos negócios
ou eram apenas empregados, muitas querem ir para
bem longe, voltar à sua terra natal, mas outras dizem
que vão recomeçar do zero, que só o fato de não terem
perdido a vida era uma bênção. E não ouvi palavras
de revolta, somente de tristeza e, muitas vezes, de
esperança, de fé.
Por outro lado é impressionante a quantidade
de pessoas mobilizadas: bombeiros, policiais, membros das forças armadas, técnicos; a grande quantidade de veículos especiais, escavadeiras, caminhões; o
esforço dos médicos e enfermeiros, dos voluntários
anônimos, incansáveis: igrejas e outras entidades abarrotadas de donativos e os caminhões que chegam sem
parar dos mais variados lugares.
E as igrejas, evangélicas e católicas, mobilizadas dia e noite.
O que há pela Vila
A
partir de amanhã nossa igreja retoma as
atividades que foram suspensas durante o
mês de janeiro. O Rev. Ronan retorna de seu período de férias e muitos irmãos também. Então,
agora, é trabalhar. É certo que sendo o carnaval
somente em março, e com o forte calor reinante, o
mês que se inicia ainda é muito convidativo a
algumas viagens e a mais um pouco de descanso.
Veja o que volta a funcionar na Vila.
N
a próxima terça-feira a Sociedade de Mulheres terá a reunião da Mesa às 13h30min e a
de Negócios às 14h30min. Em atividade o Círculo
da Paz.
A
inda na terça, porém às 20 horas, haverá a
reunião do MAAD. Entre os assuntos a serem abordados está o estudo de um projeto de
segurança para nossa igreja.
às 15 horas, retornam as reuniões
Quarta-feira,
de oração no templo e, no mesmo dia, às 20
horas, teremos a reunião mensal da CLAM. Em
pauta ainda o planejamento para 2011, a reserva
de datas para as diversas organizações e outros
assuntos importantes.
N
o sábado, das 8 às 10horas, teremos a Vigília
do Coração Aquecido. Os que puderem devem vir em jejum. Café da manhã ao final. E a
partir das 8h30min, iniciaremos o Curso de Formação de Evangelistas e de Obreiros para a Escola Dominical. Inscrições com Suely Mattos.
N
a segunda-feira, dia 7, recomeçam as aulas
do Reforço Escolar, com turmas pela manhã
e à tarde. E no dia 14, também uma segunda-feira,
voltam as aulas da educação de adultos.
E
N
todos os grupos de discipulado voltam a ter
suas reuniões nos dias, horários e locais costumeiros.
osso irmão Jorge Marques pede que registremos os agradecimentos da Igreja Metodista do Catobira e do Pastor Paulo Kappaun ao
Josias Gonçalves e família, que foram de Chiador
com o carro carregado de colchonetes e roupas.
Também a José da Cruz Alves e Heloisa que remeteram uma quantia em dinheiro para compra
de alimentos e roupas para que a Igreja distribua
às vítimas da catástrofe ocorrida em Itaipava.
N
ossa irmã Nara do Espírito Santo está internada no Hospital Barra D’Or e necessita de
doadores de sangue, de qualquer tipo. As doações podem ser feitas na Santa Casa da Misericórdia - Rua Santa Luzia, 206, das 8 às 13 h. Também na Rua Conde de Irajá, 183 – Botafogo, de 2ª.
a 6ª., das 8 às 18 horas.
Testemunho:
Carta de um pastor
metodista à Igreja
Irmãos e irmãs,
.
As orações, o apoio e o carinho de vocês estão sendo
de grande importância nessas horas difíceis que enfrentamos. O nosso filho Heldai (que no hebraico significa
sonho duradouro) estará eternamente em nossos corações e com o Senhor Deus na glória. Com apenas 12 anos,
era um menino cheio de sonhos, cristão honesto e convicto, servo, carinhoso, amigo e companheiro. No ano de
2010 nossa igreja Metodista em Vila Virgínia realizou
vários eventos e ele participou de quase todos, por ser
apaixonado pelo Senhor Jesus e por gostar de servir a
Deus. Era um apaixonado pelo PROJETO MISSIONÁRIO
UMA SEMANA PARA JESUS, do qual participou nos
últimos dois anos, dando apoio as irmãs da EBF.
.
Meu filho faleceu na madrugada do dia 12 de janeiro com outros seis familiares nossos, que, como ele, foram soterrados, mesmo estando em um lugar até então
seguro, sem encostas e morros em volta. Local em que eu,
minha esposa e filha costumávamos também ficar durante as férias. Seu corpo, os dos tios (padrinhos e metodistas de Nova Friburgo-RJ) e do primo foram achados sexta-feira à tarde. Não houve sepultamento com a presença
dos familiares no sábado; os caixões estiveram lacrados e
não nos deixaram sequer vê-los e foram colocados nos
túmulos dos nossos familiares em Nova Friburgo.
.
O que houve em Nova Friburgo, além das fortes
chuvas, foram tremores de terra que também resultaram
em deslocamentos de relevos, não respeitando as matas
ciliares nativas (eu estava lá e ouvi!). Diante dessa tragédia em que além do Heldai, perdemos mais seis outros
membros da família, nunca deixamos de crer na soberania e nos desígnios de Deus. Ele resolveu levar o Heldai
para Si. Por ele ser amigo do pai e da mãe, mesmo tendo
o senso bíblico-teológico da eternidade de Deus, a saudade, a falta e ausência ainda é muito forte dentro de nós.
Além do acompanhamento incondicional do Bispo
Adonias, que esteve no local da tragédia em Nova Friburgo em todo tempo e do Bispo Paulo Lockmann, tivemos apoio das nossas Igrejas Metodistas em Catalão-GO
e Vila Virgínia, com o envio de irmãos até o local. E, principalmente, as orações dos colegas pastores e as demais
igrejas da Quinta Região, que foram fundamentais. Sem
isto, não sei o que seria de nós.
Estamos sendo acompanhados por profissionais da
área médica, pelo Bispo Adonias e pelo carinho dos irmãos da nossa igreja local. Nossas vidas jamais serão as
mesmas; mas a graça de Deus, com seu amor e as orações
de vocês, nos ajudarão a prosseguir, a caminhar e a nos
refazer como família.
.
Muito obrigado por tudo!
Em Cristo Jesus,
Rev. Márcio Ramos da Silva
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Igreja Metodista auxilia vítimas da catástrofe serrana