XI Congresso Nacional de Engenharia Mecânica, Metalúrgica e Industrial 03 a 05 agosto de 2011, Porto Alegre - RS ID-12 ANÁLISE ENERGÉTICA E FINANCEIRA DE UM SISTEMA COM VAZÃO DE AR EXTERIOR VARIÁVEL E REGENERAÇÃO DE ENERGIA 1 Rodrigo Lopes – [email protected] 1 Laércio de S.Teixeira , – [email protected] 1,2 Raphael Gonzales – [email protected] 1, 2 João Pimenta – [email protected] 1 Universidade de Brasília, Núcleo de Projetos de Engenharia (NPEng) 2 Universidade de Brasília, Laboratório de Ar Condicionado e Refrigeração (LaAR) Resumo. No presente trabalho se estuda a aplicação de sistemas de condicionamento de ar de renovação por meio de vazão variável em função da concentração de CO2 bem como a recuperação térmica da corrente de ar rejeitado. Basicamente, parte-se de uma instalação de condicionamento de ar composto por um trocador de calor regenerador, uma rede de dutos de insuflamento e uma rede de dutos de retorno. A partir disso, é integrado o trocador regenerador junto a um duto de ar de renovação e de rejeição, onde o primeiro cede calor ao segundo. As vazões são controladas a partir de um damper motorizado em função de uma ação proporcional a leitura de um sensor de CO2 posicionado no ar de retorno. Como caso de estudo se considerou um auditório com capacidade para 142 pessoas, localizado no novo prédio da Engenharia Florestal do campus da UnB ainda em projeto pelo Laboratório de Projetos da UnB (LabPrj). Um modelo matemático é proposto e usado para a obtenção de resultados simulados em diferentes cenários mostrando o potencial de economia possível que chega a 60 %. Uma análise econômica é feita com base nos ganhos de eficiência energética, custos de instalação, manutenção e operacional, além do tempo de retorno do investimento. Palavras-chave: Regeneração de energia, Vazão de ar exterior variável, Climatização. 1 INTRODUÇÃO No cenário atual, diversas discussões acerca dos impactos ambientais causados pelo crescimento desenfreado da população e das cidades se tornaram mais constantes. Acredita-se que se nenhuma atitude for tomada para desacelerar os danos causados, o planeta será tomado por desastres naturais mais freqüentes, por escassez de recursos essenciais e outros fatores que mudarão drasticamente o meio de vida na Terra. Por causa disso, diversas pesquisas em várias áreas das ciências buscam tecnologias que aumentam a eficiência dos sistemas atuais e diminuam os impactos causados. Isso também se aplica na área de climatização, ainda mais com o crescente uso de sistemas de condicionamento de ar no mundo. Já é bastante notório o desenvolvimento de equipamentos e meios para diminuir e evitar maiores danos no ambiente, como por exemplo, a troca de fluidos refrigerantes por outros mais ecológicos, soluções alternativas como o resfriamento evaporativo, o aumento da eficiência de trocadores de calor, bombas, compressores e outros, demandando menor quantidade de energia. No entanto, tais equipamentos têm que ser selecionados dentro de um projeto também eficiente. Sabe-se que atualmente um projeto de climatização que não leva em consideração a variação das cargas térmicas em um ambiente e não se preocupa em modular o sistema para cargas mais baixas é um projeto Copyright © 2011 ABEMEC-RS - Reprodução proibida sem autorização prévia. XI Congresso Nacional de Engenharia Mecânica, Metalúrgica e Industrial 03 a 05 agosto de 2011, Porto Alegre - RS ineficiente, gera um alto consumo energético e, portanto um maior impacto ambiental, já que o sistema estará sempre atuando em carga máxima, mesmo que o ambiente não demande isso. Além da preocupação com a variação das cargas de climatização um projeto que visa um aumento da sustentabilidade ambiental deve conter meios de regeneração de energia com trocadores de calor. Esse é o caso dos regeneradores de calor alocados entre o ar de exaustão e a tomada de ar externo nos sistemas atuais. Esse equipamento tem como objetivo realizar uma troca de calor, por meio de condução indireta, do ar frio que é retirado da sala com o ar quente obtido do ambiente externo. Dessa forma o equipamento de climatização precisaria de um menor consumo energético para resfriar o ar. O presente trabalho tem como objetivo verificar por meio de análise econômica quatro cenários diferentes: o primeiro cenário um sistema sem nenhum cuidado com variação de vazões e regeneração de energia, o segundo utilizando vazão de ar exterior variável, o terceiro utilizando vazão de ar exterior fixa com um regenerador de energia, e por último um caso utilizando vazão de ar exterior variável e regeneração de energia. O ambiente escolhido para o diagnóstico dos sistemas é um auditório. Este foi escolhido, pois é um ambiente tipicamente de operação irregular onde tanto os horários quanto a taxa de ocupação variam. Esse aspecto permite uma melhor exploração dos efeitos da variação de ar exterior. CERTIFICAÇÃO LEED A certificação de Edifícios Verdes é realizada por entidades não governamentais como a USGBC (“United States Green Building Council”), que desenvolveu um sistema de classificação chamado LEED (“Leadership in Energy and Environmental Design”) que é mundialmente aceito e reconhecido. No Brasil, recentemente, foi criado o “Green Building Council Brasil” (www.gbcbrasil.org.br), entidade que será responsável pela adaptação dos critérios do LEED para as condições e realidades brasileiras. Para obter a certificação LEED de uma edificação, primeiramente, o projeto deve ser registrado junto ao USGBC para indicar se atenderá a todos os pré-requisitos exigidos para atingir uma determinada pontuação. A certificação só será efetivada após a construção do prédio e a confirmação de que os prérequisitos foram atendidos. De acordo com o número de pontos obtidos por uma determinada edificação, esta poderá ser certificada em uma das seguintes classificações: Platinum (“platina”), Gold (“ouro”) ou Silver (“prata”). ASHRAE 90.1 2010 A última atualização da ASHRAE 90.1 em 2010 apresentou um grande salto na evolução do padrão utilizado. No que compete a climatização, em uma abordagem simplificada, foram adotados novos critérios para alguns sistemas. Por exemplo, novos requisitos para fluxo de ar variável, recuperação de energia através do ar rejeitado, consumo e sistemas de exaustão, ventilação, controle de demanda, ventilação em garagem, entre outros. O ponto mais significativo desta nova versão é relativo ao volume de ar variável (VAV) sobre os sistemas de controle de zona única. Manipuladores de água gelada, ventiladores de 5 cv ou superiores Copyright © 2011 ABEMEC-RS - Reprodução proibida sem autorização prévia. XI Congresso Nacional de Engenharia Mecânica, Metalúrgica e Industrial 03 a 05 agosto de 2011, Porto Alegre - RS terão de possuir controle de velocidade através de inversores de freqüência (VFDs) ou duas velocidades pré-estabelecidas, quando a demanda for inferior a 50%. As disposições da nova norma foram ampliadas para melhor satisfazer as necessidades de controle dos níveis de vazamentos e de controle da ventilação. Também estão incluídas informações para as exigências do shut-off incluindo ventilação de ar exterior e exaustão / alívio. Há também adições prescritivas para sistemas multizone VAV, com controle digital direto (DDC) para reduzir automaticamente o consumo de ar exterior em resposta às mudanças nos requisitos do sistema de ventilação. Obriga-se a adição de um controle para a entrada de ar externo em sistemas multizone para equilibrar o aumento na demanda de ar interna, de acordo com o aumento de carga do ambiente ou a temperatura do ar exterior, a fim de redefinir automaticamente o suprimento de ar. 2 ESTUDO DE CASO 2.1 Auditório EFL/UnB O objeto de estudo é um auditório de 196 m² com capacidade para 142 pessoas, localizado no prédio da Engenharia Florestal do campus da Universidade de Brasília. No momento, o prédio se encontra em fase de projeto sendo executado pelo CEPLAN - Centro de Planejamento Oscar Niemeyer. O layout do projeto arquitetônico é representado na Fig. 1. Figura 1. Objeto de estudo – Auditório Departamento de Engenharia Florestal da UnB. Para o cálculo de carga térmica de um dia típico de projeto nas condições climáticas de Brasília e taxa de ocupação máxima, foi encontrado o seguinte perfil médio de carga térmica: Copyright © 2011 ABEMEC-RS - Reprodução proibida sem autorização prévia. XI Congresso Nacional de Engenharia Mecânica, Metalúrgica e Industrial 03 a 05 agosto de 2011, Porto Alegre - RS Figura 2. Variação de carga térmica no dia de projeto para o objeto de. Por se tratar de um espaço em ambiente acadêmico, foi considerado um regime de operação do auditório condizente com essa realidade. Os valores são simplificados e arredondados para fins de simplicidade nos cálculos. A tabela 1 apresenta um perfil semanal de uso com os horários e os respectivos percentuais relativos à ocupação máxima (142 pessoas). Tabela 1. Padrão assumido para a ocupação (%) em uso semanal do auditório em estudo. Horário 08:00 09:00 10:00 11:00 12:00 13:00 14:00 15:00 16:00 17:00 18:00 19:00 20:00 21:00 22:00 Seg 0 0 0 0 0 0 25 75 100 75 100 25 50 0 0 Ter 25 50 50 50 50 0 25 75 1 75 100 25 50 0 0 Qua 25 50 50 50 50 0 25 75 100 75 100 25 50 75 75 Qui 0 0 0 0 0 0 25 75 100 75 100 25 0 0 0 Sex 25 25 25 25 25 0 0 25 25 50 50 50 75 100 100 Sab 25 50 75 75 50 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 2.1.1 Solução Convencional Para a solução convencional do sistema, ou seja, sem regeneração e sem vazão de ar exterior variável foi utilizado um condicionador do tipo “splitão” com unidade condensadora a ar localizada sobre o telhado. A unidade evaporadora, localizada sobre o forro logo acima do palco, condiciona o ar, que é distribuído pelo ambiente através de uma rede de dutos e insuflado por meio de difusores de alta indução. Copyright © 2011 ABEMEC-RS - Reprodução proibida sem autorização prévia. XI Congresso Nacional de Engenharia Mecânica, Metalúrgica e Industrial 03 a 05 agosto de 2011, Porto Alegre - RS O retorno acontece por meio de 5 grelhas de retorno, localizadas acima do palco, e o ar é dutado até a caixa de mistura junto à unidade evaporadora. 2.1.2 Solução com vazão de ar exterior variável A solução descrita a seguir é a solução convencional com a adição de caixas VAV na admissão de ar exterior. Além das 5 grelhas de retorno, existem mais 2 que extraem o ar de rejeição. A vazão de ar de renovação varia de acordo com a concentração de CO2 do ambiente. Uma caixa VAV posicionada no duto de ar de rejeição e outra no de ar de renovação controlam, em sincronia, a vazão de ar de acordo com a leitura feita pelo sensor de CO2 posicionado no duto do ar de retorno. 2.1.3 Solução com regeneração térmica A solução descrita a seguir é a solução convencional com a adição do regenerador de energia. Além das 5 grelhas de retorno, existem mais 2 que extraem o ar (ar de rejeição) onde há a troca de calor no regenerador junto ao ar exterior. A vazão de ar é constante e igual à máxima calculada de 3410 m³/h. 2.1.4 Solução Completa de Projeto Esta solução contempla o uso de regeneração de energia e vazão de ar exterior variável. Existem duas grelhas extras para o ar de rejeição que, antes de ser descarregado na atmosfera, passa por um regenerador e troca calor com o ar de renovação. A vazão mínima do ar de renovação é de 800 m³/h por limitação das caixas VAV, e a máxima é de 3410 m³/h para o auditório cheio. 3. MODELO MATEMÁTICO A fim de efetuar a simulação do desempenho de um recuperador de calor, adotaremos uma representação como ilustrado esquematicamente pela Fig. 3. Essa representação apresenta o caso mais geral onde um trocador de calor recuperador térmico (ERV, energy recovery ventilator) é usado, juntamente com um sistema de controle da vazão de ar externo (CO2 Ctrl). Figura 3. Representação esquemática do sistema de condicionamento do ar externo em estudo. Admite-se o uso de um sensor de CO2 para o ar de retorno da zona ocupada com base no qual uma ação de controle proporcional é exercida cobre um damper que controla a vazão de ar externo ( ). A representação deste controle no modelo é simplesmente representada por uma vazão de ar externo variável de acordo com a seguinte equação, (1) Copyright © 2011 ABEMEC-RS - Reprodução proibida sem autorização prévia. XI Congresso Nacional de Engenharia Mecânica, Metalúrgica e Industrial 03 a 05 agosto de 2011, Porto Alegre - RS onde, é a vazão de ar externo recomendada por ocupante (adotou-se 27 m3/h-ocupante) numero de ocupantes na zona, definido pela fração de ocupação ( ( éo ) da capacidade da zona neste caso, 142 ocupantes), (2) No recuperador de energia (ERV), ocorre não apenas uma recuperação de calor sensível, mas também de calor latente. O desempenho nessa recuperação, é definido por efetividades sensível ( ) e latente ( ) dadas por, (3) (4) onde, temperatura do ar externo de renovação [oC] umidade absoluta do ar externo de renovação [kg/kg] temperatura do ar de renovação após o trocador recuperador [oC] umidade abs. ar ext. de renovação após o trocador recuperador [kg/kg] temperatura do ar rejeitado da zona [oC] umidade absoluta do ar rejeitado da zona [kg/kg] Então, das Eqs. (3) e (4) pode-se definir o estado psicrométrico do ar na saída do trocador recuperador fazendo, (5) (6) Destas equações, uma vez obtidos e , a entalpia do ar pode ser determinada e, com isso, é possível calcular o calor total transferido entre as correntes de ar graças ao recuperador de energia, como, (7) onde é a vazão mássica de ar calculada por, (8) Copyright © 2011 ABEMEC-RS - Reprodução proibida sem autorização prévia. XI Congresso Nacional de Engenharia Mecânica, Metalúrgica e Industrial 03 a 05 agosto de 2011, Porto Alegre - RS sendo a vazão volumétrica de ar dada pela Eq.(1). Um aspecto importante considerado pelo presente modelo é o fato das efetividades sensível e latente assumirem valores que dependem, basicamente, das propriedades do fluido e regime de escoamento. Valores típicos aproximados para equipamentos comerciais variam entre 70 e 80 % para a efetividade sensível e de 50 a 60 % para a efetividade latente. De acordo com resultados apresentados por alguns pesquisadores (Pastor, 2010, Nasif et al., 2005), tanto a efetividade latente quanto a efetividade sensível decrescem linearmente com o aumento da velocidade de escoamento da corrente de ar sobre a superfície de troca. Os resultados indicam, para a configuração em contra-corrente uma variação de -0,2 % por cada elevação unitária (m/s) na velocidade. No presente trabalho assumiremos uma correspondência direta entre velocidade e vazão de ar, fazendo então: (9) (10) onde ks e kl são constantes de proporcionalidade empíricas que, baseado nas considerações anteriores, serão assumidas da seguinte forma, (11) Outro ponto refere-se a necessidade de levar em conta um fator de by-pass do recuperador de energia, fbp. Tal fator considera situações em que as condições climáticas externas são similares às de conforto no ambiente. Tal by-pass da corrente de ar é, de fato, empregado pelos recuperadores de energia comerciais. Para considerar esse efeito, adotaremos a seguinte abordagem: fbp = 1 quando Ta,ext,in ≤Ta,indoor (12) fbp = 0 quando Ta,ext,in >Ta,indoor (13) 3.1 Simulação Computacional O modelo apresentado foi implementado computacionalmente através do programa EES (Engineering Equation Solver, FlowChart, 2008). Isso possibilitou simulações de desempenho do sistema de condicionamento do ar externo operando nas condições climáticas da cidade de Brasília/DF. O gráfico da Fig. 4 apresenta dados horários para a temperatura de bulbo seco e umidade relativa em Brasília de acordo com o disponível no arquivo climático padrão. Tais dados foram utilizados para determinar o estado psicrométrico da admissão do ar externo de renovação. Copyright © 2011 ABEMEC-RS - Reprodução proibida sem autorização prévia. XI Congresso Nacional de Engenharia Mecânica, Metalúrgica e Industrial 03 a 05 agosto de 2011, Porto Alegre - RS 35 Temperatura [oC] 30 25 20 15 10 5 0 0 720 1440 2160 2880 3600 4320 5040 Tempo (horas) 5760 6480 7200 7920 8640 0 720 1440 2160 2880 3600 4320 5040 Tempo (horas) 5760 6480 7200 7920 8640 1 Umidade Relativa 0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0 Figura 4. Dados meteorológicos anuais para Brasília: temperatura de bulbo seco e umidade relativa Como mencionado antes, as simulações efetuadas adotam como caso de estudo uma zona (auditório) com capacidade máxima para 142 ocupantes, cujo padrão de uso semanal é repetitivo ao longo de todo ano. O cronograma semanal de ocupação foi assumido como mostrado na Fig. 5. que reflete a variação pré-definido, tal que, assumida para o fator de ocupação (14) 1,00 Ocupação 0,75 0,50 0,25 0,00 0 24 48 72 96 120 144 168 Semana Figura 5. Padrão semanal de ocupação do auditório considerado como caso de estudo. Dado esse padrão de ocupação, no caso em que o sistema de controle da vazão de ar externo é usado, a Eq. (1) é aplicada. Na medida em que se pode ajustar a vazão de ar ao estritamente necessário. A carga térmica devido ao ar externo é dada pela Eq. (7). Tabela 2. Cenários avaliados. Copyright © 2011 ABEMEC-RS - Reprodução proibida sem autorização prévia. XI Congresso Nacional de Engenharia Mecânica, Metalúrgica e Industrial 03 a 05 agosto de 2011, Porto Alegre - RS Cenário 1 2 3 4 ERV 0 0 1 1 CO2 0 1 0 1 Para a geração de resultados foram definidos 4 cenários ou configurações de uso como mostrado na Tab. 2 onde ERV indica o recuperador térmico e CO2 indica o controle de ar externo por sensor de CO2. Quando um valor nulo é atribuído, o recurso não é usado enquanto um valor unitário indica que o recurso é empregado. A figura 6 apresenta o resultado dos valores médios diários de carga térmica devido ao ar externo de renovação, para as configurações estabelecidas. A curva em vermelho representa o caso usual onde nenhum recurso especial é usado, ou seja, não é utilizada recuperação térmica nem controle de ar externo. Em tal caso atingem-se valores máximos para a carga térmica devido ao ar externo. 15 ERV=0,CO2=0 13 Q_a [kW] ERV=0,CO2=1 ERV=1,CO2=0 10 ERV=1,CO2=1 8 5 3 0 0 720 1440 2160 2880 3600 4320 5040 5760 6480 7200 7920 8640 Tempo (horas) Figura 6. Valores médios diários da carga térmica devido ao ar externo para cada configuração. Conhecidos os valores de carga térmica podemos integrar hora-a-hora para obter os valores anuais em kWh para a carga térmica (Q), redução de carga térmica propiciada (Q), redução do consumo de energia (E) além dos correspondentes custos financeiros envolvidos para cada configuração. A Tabela 3 apresenta esses valores juntamente com uma estimativa do consumo de energia e economia gerada em cada caso. Para a estimativa da economia de energia assumiu-se um COP médio de 2,5 enquanto para a uma aproximação da economia anual gerada foi admitido uma tarifa de 0,30 R$/kWh. Valores distintos destes obviamente conduziriam a resultados quantitativos diferentes mas isso não invalidam a comparação entre as configurações em estudo pois modificações nos valores assumidos afetam igualmente cada configuração. Tabela 3. Resultados simulados para cada configuração. 1 2 3 4 VER=0,CO2=0 ERV=0,CO2=1 ERV=1,CO2=0 ERV=1,CO2=1 Q [kWh] 40762 23982 28376 15060 Q [kWh] 0 16781 12386 25702 E[kWh] 16305 9593 11351 6024 Copyright © 2011 ABEMEC-RS - Reprodução proibida sem autorização prévia. XI Congresso Nacional de Engenharia Mecânica, Metalúrgica e Industrial 03 a 05 agosto de 2011, Porto Alegre - RS E [kWh] R$/ano Economia 1 2 3 4 5 R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ 0 4.891 4.891 9.783 14.674 19.566 24.457 R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ 6712 2.878 2.014 2.878 5.756 8.633 11.511 14.389 R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ 4954 3.405 1.486 3.405 6.810 10.215 13.621 17.026 R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ 10281 1.807 3.084 1.807 3.614 5.422 7.229 9.036 Uma análise econômica simplificada pode ser feita utilizando os dados da tabela. Como pode ser visto, a maior vantagem é obtida pela utilização combinada do recuperador térmico com o controle de vazão de ar externo (ERV=1,CO2=1) que conduz a redução do consumo de energia devido à carga térmica anual do ar de renovação de 10.281 kWh ou seja, uma redução de mais de 60%. Em termos de custos, essa solução combinada permite uma economia anual superior a R$ 3.000,00. Após 5 anos, o custo do consumo de energia soma aproximadamente R$ 9.000,00 contra mais de R$ 24.000,00 na solução convencional (ERV=0,CO2=0). Um resultado interessante é observado na comparação entre a solução onde se faz uso apenas do controle de ar externo (ERV=0,CO2=1) contra aquela onde somente o recuperador de energia é usado com vazão de ar externo constante (ERV=1,CO2=0). Nota-se que a economia obtida com o controle de ar externo (2014 R$/ano) é maior que a obtida com o recuperador (1486 R$/ano). Essa vantagem do sistema com controle de ar externo será na verdade ainda maior se considerarmos a redução do custo devido ao ventilador, não incluído na presente análise. 4. ANÁLISE ECONOMICA Nesta seção é feita uma análise econômica mais profunda e detalhada a fim de comparar as diversas configurações do sistema e determinar qual seria a mais vantajosa. Os custos iniciais levam em consideração o custo dos materiais, o custo do transporte, o custo da mão-de-obra de instalação, custo de automação e o custo de comissionamento e balanceamento. O custo operacional leva em consideração o custo de energia elétrica (tarifação) e o custo de manutenção dos equipamentos. Os custos iniciais são calculados no mercado em função da carga térmica do empreendimento (R$/TR). Foi utilizado o método do custo benefício. Este indicador representa o quanto se paga pela energia utilizada em determinada situação de projeto. Em outras palavras, é o custo em reais por quilowatt hora (R$/kWh). Os parâmetros que necessita para o cálculo do custo benefício são: I: Investimento Inicial; CM: Custo de Manutenção e Operação; CC: Custo do Insumo Energético; VS: Valor do Subproduto; R: Valor Residual do Investimento ao fim da vida útil da Instalação; V: Vida útil da Instalação; Copyright © 2011 ABEMEC-RS - Reprodução proibida sem autorização prévia. XI Congresso Nacional de Engenharia Mecânica, Metalúrgica e Industrial 03 a 05 agosto de 2011, Porto Alegre - RS CT: Carga Térmica Total Anual; i: Taxa de Juros. Sabendo o valor de todos esses parâmetros os mesmos se enquadram na seguinte fórmula: onde, C/B é a relação custo benefício, obtendo o custo em R$/kWh de cada sistema de climatização em cada ano. 4.1 EFL/UnB Foram consideradas quatro situações. A primeira situação é a convencional, ou seja, sem a utilização do regenerador de energia e sem vazão de ar exterior variável. Na segunda situação é utilizado somente a vazão de ar exterior variável. Já na terceira situação utiliza apenas regenerador de energia e na quarta situação é utilizado o regenerador de energia e vazão de ar exterior variável. De acordo com a simulação numérica, apresentada no tópico 3.1, com os padrões de ocupação do auditório, se obteve uma economia de aproximadamente 40% utilizando apenas a vazão de ar exterior variável, de 30% utilizando apenas o regenerador e 63% utilizando o regenerador e vazão de ar exterior variável. Partindo dessas premissas e assumindo um COP médio de 2,5 se obtém valores dos parâmetros de custo benefício. Os parâmetros são definidos da seguinte forma: • Custos Iniciais: - Custo dos Materiais: R$ 4.050,00/TR; - Custo de Mão-de-Obra: R$ 2.700,00/TR; - Custo de Automação: R$ 1.500,00/TR; - Custo de Transporte: (Custo Inicial de Equipamentos)*0,03; - Custo de Comissionamento e Balanceamento: (Custo Inicial de Equipamentos)*0,05. O custo inicial é a soma de todos os parâmetros citados acima. • Custos Operacionais: - Tarifa de Energia Elétrica (R$/kWh): 0,27952; - Custo de Energia Elétrica: Pot*hdia*0,8*d*m*tarifa*0,9; - Custo de Manutenção Mensal: O custo Operacional é a soma dos parâmetros citados acima. • Potência dos Equipamentos: - Splitão de 15TR: 20,81 kW (nominal); - Regenerador de Calor 1000m3/h: 0,5 kW; - Caixa VAV com sensor de : 0,2 kW; Copyright © 2011 ABEMEC-RS - Reprodução proibida sem autorização prévia. XI Congresso Nacional de Engenharia Mecânica, Metalúrgica e Industrial 03 a 05 agosto de 2011, Porto Alegre - RS Esses parâmetros são descritos na tabela abaixo: Tabela 4. Parâmetros de Custo Benefício 1 VER=0,CO2= 0 2 VER=0,CO2= 1 3 VER=1,CO2= 0 4 VER=1,CO2 =1 Custo Inicial (Equipamentos) 23.530 28.252 55.490 60.212 I (Custo Inicial Total) 149.162 154.262 183.679 188.779 CC (custo anual de insumo energético – R$/ano) 21.286 11.424 14.055 7.010 CM (custo de manutenção e operação específico –R$/ano) 22.566 13.984 16.615 10.850 0 0 0 0 14.916 15.426 18.368 18.878 10 10 10 10 142.790 126.009 130.404 117.088 12,0 12,0 12,0 12,0 0,27952 0,27952 0,27952 0,27952 PI (potência Instalada em kW) 20,81 21,0 21,31 21,51 Potência Utilizada (em kW) 20,81 12,36 14,84 7,95 Consumo de Energia Anual (em kWh) 57.113 33.922 40.729 21.818 Fator de Capacidade 0,3133 0,3133 0,3133 0,3133 0,75 0,83 0,81 0,87 Variáveis/Situações VS (valor do subproduto) R (valor residual de I após vida útil) v (vida útil em anos) CT (carga térmica anual acumulada – em kWh)- com renovação I (taxa de juros a.a. %) PEE (tarifa de elétrica – R$/kWh) n (rendimento equipamento) energia do A partir desses parâmetros se obtém as curvas de custo benefício, considerando as quatro situações já com a economia de energia, para um período de dez anos. As curvas são mostradas na Fig. 7. Copyright © 2011 ABEMEC-RS - Reprodução proibida sem autorização prévia. XI Congresso Nacional de Engenharia Mecânica, Metalúrgica e Industrial 03 a 05 agosto de 2011, Porto Alegre - RS Figura 7. Variação da relação custo-benefício para cada solução. De acordo com o método de custo benefício, utilizando apenas o controle de vazão de ar externo, a recuperação de investimento inicial se acontece logo no primeiro ano. Já utilizando o controle de vazão de ar externo combinada com o regenerador de calor, se tem o retorno do investimento inicial em três anos. E, por último, utilizando apenas regeneradores, o retorno de investimento inicial será apenas depois de seis anos. 5. CONCLUSÕES Foi apresentado um estudo de caso com quatro soluções diferentes, a primeira convencional, a segunda apenas vazão de ar exterior variável, a terceira usando regeneração de energia, e a quarta com regeneração de energia e vazão de ar exterior variável. Foram levantados os custos iniciais e operacionais para cada solução, calculado o custo benefício e uma análise de retorno do investimento inicial da instalação. Os resultados simulados obtidos demonstram a expressiva economia potencial devido ao uso de uma solução combinada com o recuperador de energia e o controle da vazão de ar externo. Além disso, verificou-se que, no caso da adoção de uma ou outra solução, o controle de ar externo permite maiores economias que o uso de um recuperador de energia isoladamente. REFERÊNCIAS Pastor, R., 2010, Heat and Mass Transfer of a Countercurrent Flow Energy Recovery Ventilator (ERV), Engineering Project Submitted to the Graduate Faculty of Rensselaer Polytechnic Institute. Nasif, M. S., Morrison, G. L., Behnia, M., 2005, Membrane Based Enthalpy Heat Exchanger Performance in HVAC System, J. Applied Membrane Science & Technology, Vol. 2, Dec. 2005, 31– 46 Copyright © 2011 ABEMEC-RS - Reprodução proibida sem autorização prévia. 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