UNIFAVIP | Devry
CENTRO UNIVERSITÁRIO DO VALE DO IPOJUCA
COORDENAÇÃO DE ENGENHARIA CIVIL
CURSO DE BACHARELADO EM ENGENHARIA CIVIL
CLEBYANNE FEITOSA PONTES
OBSERVAÇÃO DA INCIDÊNCIA DE SALINIDADE EM REVESTIMENTOS
ARGAMASSADOS EM ALGUNS BAIRROS DA CIDADE DE CARUARU/PE
CARUARU
2014
CLEBYANNE FEITOSA PONTES
OBSERVAÇÃO DA INCIDÊNCIA DE SALINIDADE EM REVESTIMENTOS
ARGAMASSADOS EM ALGUNS BAIRROS DA CIDADE DE CARUARU/PE
Trabalho de Conclusão de Curso II,
apresentado ao Centro Universitário do Vale
do Ipojuca, como requisito parcial para
obtenção do título de Bacharel em Engenharia
Civil.
Orientadora: Profª Drª Simone Peruci Galvão
Co-orientador: Prof Dr. José Orlando Vieira
Filho
CARUARU
2014
Catalogação na fonte Biblioteca da Faculdade do Vale do Ipojuca, Caruaru/PE
P814oPontes,
Clebyanne
Feitosa.
Observação da incidência de salinidade em revestimentos
argamassados em alguns bairros da cidade de Caruaru-PE /
Clebyanne Feitosa Pontes. – Caruaru: UNIFAVIP | DeVry 2014.
47 f.: il.
Orientador(a) : Simone Peruci Galvão.
Trabalho de Conclusão de Curso (Engenharia Civil) Centro Universitário do Vale do Ipojuca | DeVry
1. Umidade. 2. Salinidade. 3. Revestimento. I. Título
CDU 624[14.2]
Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário: Jadinilson Afonso CRB-4/1367
CLEBYANNE FEITOSA PONTES
OBSERVAÇÃO DA INCIDÊNCIA DE SALINIDADE EM REVESTIMENTOS
ARGAMASSADOS EM ALGUNS BAIRROS DA CIDADE DE CARUARU/PE
Trabalho de Conclusão de Curso II,
apresentado ao Centro Universitário do Vale
do Ipojuca, como requisito parcial para
obtenção do título de Bacharel em Engenharia
Civil.
Orientadora: Profª Drª Simone Peruci Galvão
Co-orientador: Prof Dr. José Orlando Vieira
Filho
Aprovada em: 30/06/2014.
BANCA EXAMINADORA
__________________________________
Profª Drª Simone Peruci Galvão
__________________________________
Prof Me. Jônatas Elim Maciel Frutuoso do Nascimento
__________________________________
Profª Ma. Iracleide de Araujo Silva Lopes
CARUARU
2014
“Precisamos dar um sentido humano às
nossas construções. E, quando o amor ao
dinheiro, ao sucesso nos estiver
deixando cegos, saibamos fazer pausas
para olhar os lírios do campo e as aves
do céu.” (Érico Veríssimo).
RESUMO
O presente trabalho mostra a constatação da alta incidência de salinidade em revestimentos
argamassados em alguns bairros na cidade de Caruaru/PE. O estudo baseia-se em diversas
publicações de autores da área de materiais de construção a cerca de conceitos dos
componentes da argamassa de revestimento, assim como de patologias desencadeadas por sais
solúveis. O uso de revestimentos argamassados é grande e por isso tem-se observado uma
série de patologias, as quais provocam prejuízos por interferir em aspectos estéticos e de
durabilidade. Nesse contexto, tem-se como hipótese norteadora a necessidade de
conhecimento quanto à presença de sal em revestimentos argamassados com foco nos
principais fatores que estão relacionados a essa patologia e, que interferem no desempenho e
durabilidade da argamassa de revestimento. Para subsidiar este estudo foi realizada uma
investigação científica desenvolvida pelo método dedutivo com pesquisa acadêmica com
documentação indireta (inspeção das residências e acervo bibliográfico), apresentando
características qualitativa e explicativa. Dentre várias análises concretizadas no estudo
conclui-se que o êxito na aplicação e prevenção de patologias em revestimentos argamassados
está diretamente condicionado a um conjunto de fatores, os quais abrangem dentre outros
aspectos o tipo e proporção dos materiais constituintes, a forma de execução, o local de
aplicação, o nível de agressividade do meio e principalmente a umidade, sendo imprescindível
a conscientização dos construtores e dos proprietários a cerca de qualidade nas construções.
Palavras-chave: Umidade. Salinidade. Revestimento. Durabilidade. Patologia.
ABSTRACT
This paper shows the realization of the high incidence of salinity in coatings argamassados in
some neighborhoods in the city of Caruaru / PE. The study is based on various publications of
authors in the field of building materials to some concepts of the components of the mortar
coating, as well as diseases triggered by soluble salts. The use of coatings argamassados is
great and so has seen a number of diseases, which cause damage by interfering with aesthetics
and durability. In this context, it is thought hypothesis guiding the need for knowledge about
the presence of salt in coatings argamassados focusing on key factors that are related to this
disease and that interfere with the performance and durability of the mortar coating. To
support this study, a scientific research developed by the deductive method with academic
research with indirect documentation (inspection of homes and bibliographic) presenting
qualitative and explanatory characteristics was performed. Among various analyzes
implemented in the study concluded that successful implementation and prevention of
diseases in argamassados coatings is directly linked to a set of factors, which include among
other things the type and proportion of the constituent materials, the form of execution, the
application site, the level of aggressiveness of the environment and especially the humidity, it
is imperative to raise awareness of builders and homeowners about quality in buildings.
Keywords: humidity. Salinity. Coating. Durability. Pathology.
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 – Classificação das argamassas.................................................................................15
Tabela 2 – Classificação das argamassas segundo suas funções na construção......................15
Tabela 3 – Espessuras Admissíveis para o Revestimento de Argamassa................................18
Tabela 4 – Propriedades da Argamassa...................................................................................20
Tabela 5 – Origens da Umidade nas Construções...................................................................29
Tabela 6 – Natureza Química da Eflorescência.......................................................................33
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 – Umidade em Paredes Externas da Residência A (Jardim Boa Vista) na Cidade de
Caruaru......................................................................................................................................38
Figura 2 – Umidade em Paredes Internas da Residência A (Jardim Boa Vista) na Cidade de
Caruaru......................................................................................................................................38
Figura 3 – Presença de Sal (depósitos brancos) em Revestimento de Alvenaria com
Argamassa na Residência A (Jardim Boa Vista) na Cidade de Caruaru..................................39
Figura 4 – Desagregação do Revestimento Argamassado em Parede Interna, sem Pintura com
Partes Esbranquiçadas, na Residência B (Boa Vista I).............................................................39
Figura 5 – Formação de Bolhas no Revestimento Argamassado com massa PVA e tinta
acrílica, na Residência B (Boa Vista I).....................................................................................40
Figura 6 - Descolamento do Revestimento Argamassado em Parede Externa, sem Pintura, na
Residência C (Boa Vista I).......................................................................................................41
Figura 7 – Presença de Sal (eflorescência) em Parede Externa com Revestimento de
Alvenaria com Argamassa em Residência D (Centro) na Cidade de Caruaru.........................42
Figura 8 - Formação de Bolhas no Revestimento Argamassado com massa PVA e tinta
acrílica, na Residência D (centro).............................................................................................42
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO....................................................................................................................10
1.1 Contextualização do problema da pesquisa....................................................................10
1.2 Objetivos...........................................................................................................................11
1.2.1 Geral.................................................................................................................................11
1.2.2 Específicos.......................................................................................................................11
1.3 Justificativa e importância do tema................................................................................11
1.4 Estrutura organizacional do trabalho.............................................................................12
2 FUNDAMENTO TEÓRICO...............................................................................................14
2.1 As Argamassas e suas caracterizações............................................................................14
2.1.1 Argamassa de revestimento.............................................................................................16
2.1.1.1 Propriedades das argamassas de revestimento..............................................................19
2.1.1.1.1 Propriedades no estado fresco....................................................................................20
2.1.1.1.2 Propriedades no estado endurecido............................................................................22
2.2 Aglomerantes.....................................................................................................................24
2.2.1 Cimento Portland.............................................................................................................24
2.2.2 A cal hidratada................................................................................................................26
2.3 Agregado miúdo................................................................................................................28
2.4 Umidade e salinidade em paredes....................................................................................29
2.5 Eflorescência......................................................................................................................32
3 MÉTODO E DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA...................................................34
4 ANÁLISE E RESULTADOS..............................................................................................36
4.1 Casos observados em Caruaru/PE..................................................................................36
4.2 Resultados e conclusões....................................................................................................43
REFERÊNCIAS......................................................................................................................46
10
1
INTRODUÇÃO
1.1 Contextualização do problema da pesquisa
Atualmente a construção civil mostra uma grande evolução em relação aos materiais e
processos empregados nas obras, predominando os materiais produzidos na indústria e
procedimentos estudados e ensaiados, os quais proporcionam vantagens técnicas e
durabilidade, minimizando a possibilidade da ocorrência de patologias na obra. No entanto,
ainda existem muitas atividades artesanais, principalmente em obras de pequeno porte sem
acompanhamento de profissionais habilitados da área de construção.
Observa-se que além das características dos materiais empregados nas obras a forma
de execução de determinadas construções muitas vezes não são as mais adequadas e geram
patologias a curto e a longo prazo.
Nessa premissa, faz-se necessários estudos das causas que possam está promovendo a
elevada incidência de salinidade em diversas edificações em alguns bairros da cidade de
Caruaru/PE. Neste trabalho o estudo principal será subsidiado por pesquisas bibliográficas
pertinentes as argamassas de revestimento, nas quais estão desencadeadas as patologias
afetadas pela presença de sais na aparição de umidade.
Verifica-se que muitas das construções populares e residenciais da Região de Caruaru
geralmente são construídas por pedreiros ou mestres de obras, não tendo na maioria das vezes
projeto e muito menos as orientações e acompanhamento de engenheiros. Ultimamente, se
observa uma maior oferta de engenheiros no mercado, em consequência uma maior atuação;
mas, ainda é bastante preocupante o quantitativo de obras sem os projetos e
acompanhamentos necessários. Portanto, dentro deste contexto o emprego impróprio de
materiais e procedimentos torna-se mais propício à patologias, aumentando os riscos e
consequentemente reduzindo a durabilidade das edificações.
Este trabalho faz uma abordagem sobre a incidência de sal em revestimentos de
argamassas em algumas residências de três bairros da cidade de Caruaru/PE, com repercussão
em seus aspectos estéticos e de durabilidade desses revestimentos. Foi baseado na observação
dos casos de patologias no revestimento apresentada através de registro fotográfico,
correlacionando-os com as possíveis causas, como: o fenômeno da umidade; a lixiviação; a
eflorescência; a aplicação incorreta das argamassas.
11
1.2 Objetivos
1.2.1 Geral
Analisar como se dá a incidência de salinidade em revestimentos argamassados em
alguns bairros na cidade de Caruaru/PE, seu mecanismo e seus efeitos, a fim de se evitar ou
reduzir a ocorrência dessas patologias, contribuindo com esse conhecimento para um aumento
da durabilidade desses revestimentos.
1.2.2 Específicos

Investigar a causa da alta incidência de salinidade nas residências em alguns
bairros na cidade de Caruaru;

Verificar formas de execução dos processos construtivos;

Conhecer em que materiais de construção, componentes da argamassa, estão os
sais;

Sugerir boas práticas construtivas que inibam o surgimento da salinidade em
argamassas de revestimento.
1.3 Justificativa e importância do tema
A ocorrência de salinidade em revestimentos argamassados tem causado uma série de
transtornos, especialmente nas edificações de pequeno porte, em alguns bairros da cidade de
Caruaru/PE. Esses transtornos são bem abrangentes e dentre eles pode-se enfatizar tanto os
aspectos técnicos quanto aos de economia, de estética e de durabilidade.
As técnicas construtivas governam a qualidade do revestimento, pois é com o uso
delas que são determinados os materiais de construção, a forma de execução, o nível de
12
conhecimento da mão de obra. Nas questões de saúde há grande influência na salubridade do
ambiente, principalmente para pessoas propensas a desencadear problemas respiratórios,
alergias e outros. Quanto à economia, o usuário da edificação terá que realizar manutenções
periódicas com maior frequência devido ao desenvolvimento da patologia no revestimento,
sem contar com a desvalorização do imóvel. Já na parte da estética a patologia deixa o
ambiente com aspecto de deterioração e bastante desagradável por apresentar manchas,
desagregação do revestimento e consequentemente danos sérios na pintura.
Ambientes úmidos em edificações propiciam proliferação de micro-organismos
tornando-os insalubres, além de produzir poeira de resíduos dos compostos da argamassa,
reduzindo a vida útil e a função do revestimento, onerando custos com manutenção.
Assim, resolveu-se trabalhar o presente tema, com fins socioeconômicos e acadêmico,
com o intuito de entender e estimular novas práticas construtivas e/ou de materiais eficazes,
cuja função seja não facilitar a aparição de patologias derivadas da salinidade em
revestimentos argamassados.
Ressaltando-se a importância da qualidade dos revestimentos argamassados e seus
benefícios, caso sejam executados de forma eficaz, é imprescindível a divulgação dessas
novas técnicas e a capacitação de profissionais da área de construção, bem como a
conscientização dos contratantes dessa mão de obra específica.
1.3 Estrutura organizacional do trabalho
Este estudo foi desenvolvido por meio de pesquisa qualitativa, sendo dividido em
quatro capítulos, os quais discorreram sobre a apresentação, importância e objetivos do tema
na parte pré-textual, a pesquisa bibliográfica com assuntos significativos para subsidiar a
problemática proposta, os métodos desenvolvidos no estudo, observações da incidência de
casos em alguns bairros da cidade de Caruaru/PE e as considerações finais com a conquista de
resultados e alcance dos objetivos indicados.
No Capítulo 1, foram feitas algumas considerações a respeito da ocorrência da
salinidade em revestimentos argamassados, as quais abordam a necessidade de estudo da
problemática, os objetivos da pesquisa, além de enfatizar a importância e contribuições de
tema para a sociedade, bem como os malefícios desenvolvidos pela patologia.
13
O Capítulo 2 abrangeu a fundamentação teórica dos fatores de maior influência na
patologia da salinidade através da pesquisa bibliográfica com foco nas argamassas e suas
caracterizações, com ênfase na argamassa de revestimento e suas propriedades. Foram
estudados também conceitos dos componentes das argamassas como os aglomerantes
(cimento Portland e cal) e os agregados miúdos, além dos fenômenos da umidade e
salinidade.
Para concepção e desenvolvimento deste estudo foram escolhidos métodos para
facilitar na construção do conhecimento, discorridos no Capítulo 3. Nessa pesquisa,
predominantemente bibliográfica, buscou-se embasamento com base em artigos técnicos,
teses, dissertações, livros, trabalhos acadêmicos, em anais de Congressos, dentre outros.
Este trabalho foi elaborado com a observação da salinidade em rebocos em
residências em três bairros da cidade de Caruaru/PE, de acordo com o Capítulo 4, que mostra
o registro de diversos casos de manifestações patológicas referente à salinidade devido à
presença de umidade, de sal e a desagregação do reboco.
De acordo com a observação da salinidade, os objetivos propostos no estudo e os
resultados obtidos com o mesmo, foram elaboradas as conclusões, ainda no Capítulo 4, o qual
concluiu a importância do trabalho e sua contribuição para engenharia civil.
14
2
FUNDAMENTO TEÓRICO
2.1
As argamassas e suas caracterizações
A argamassa é empregada na construção civil há bastante tempo e nos dias atuais seu
uso é bem frequente, principalmente as argamassas industrializadas que estão sendo
desenvolvidas para aplicações diversas. A indústria da construção investiu na diversidade para
atender o mercado com maior rapidez, com facilidade e eficiência no uso, além de agregar
qualidade aos produtos devido aos controles tecnológicos.
A argamassa é um material muito importante em qualquer construção feita com
pedras, tijolos ou blocos cerâmicos, pois tem a função de juntar as diversas unidades
desses materiais entre si. A outra função básica das argamassas é o revestimento, de
modo a propiciar uma maior proteção aos vários elementos construtivos.
Consequentemente, uma boa argamassa tem grande parcela de colaboração na
durabilidade das edificações. (SANTIAGO, 2007, p. 24).
Para Santiago (2007), a definição adotada antigamente para as argamassas é restritiva
e incompleta quando diz que a argamassa é apenas uma mistura de agregados miúdos,
aglomerante e água. Tal definição não é a mais usada atualmente nos livros específicos sobre
os materiais de construção e por isso deve-se abordar as argamassas por definições diversas,
as quais possuem variadas composições e consequentemente com diversas aplicações nos dias
atuais.
Em suma, as argamassas são materiais de construção compostos por aglomerante
(cimento Portland, cal hidratada), agregado miúdo (areia natural), água, podendo ter ou não a
presença de aditivo (redutor de permeabilidade, incorporador de ar, hidrofurgantes) e podendo
ter ou não adições (pó calcário, pozolanas), formando uma mistura homogênea com
capacidade de aderência e endurecimento. (MOTA, 2012).
Há muitas definições da argamassa, mas de acordo com a observação bibliográfica
entende-se que a essência e/ou características básicas da argamassa são decorrentes da mistura
de aglomerante, agregado miúdo e água, cuja evolução permite o melhoramento para cada
aplicação através de suas variadas composições da mistura com complementos.
Existem diversas classificações da argamassa, as quais estão dispostas nas tabelas 1 e
2.
15
Tabela 1 – Classificação das argamassas.
CRITÉRIO DE CLASSIFICAÇÃO
Quanto à natureza do aglomerante
TIPO
 Argamassa aérea
 Argamassa hidráulica
Quanto ao tipo de aglomerante
 Argamassa de cal
 Argamassa de cimento
 Argamassa de cimento e cal
 Argamassa de gesso
 Argamassa de cal e gesso
Quanto ao número de aglomerantes
 Argamassa simples
 Argamassa mista
Quanto à consistência da argamassa
 Argamassa seca
 Argamassa plástica
 Argamassa fluida
Quanto à plasticidade da argamassa
 Argamassa pobre ou magra
 Argamassa média ou cheia
 Argamassa rica ou gorda
Quanto à densidade de massa da argamassa
 Argamassa leve
 Argamassa normal
 Argamassa pesada
Quanto à forma de preparo ou fornecimento
 Argamassa preparada em obra
 Mistura semipronta para argamassa
 Argamassa industrializada
 Argamassa dosada em central
Fonte: Carasek, (2010, p. 895).
Tabela 2 – Classificação das argamassas segundo as suas funções na construção.
FUNÇÃO
TIPOS
Argamassa de assentamento (elevação da alvenaria)
Para construção de alvenarias
Argamassa de fixação (ou encunhamento) – alv. De
vedação
Argamassa de chapisco
Argamassa de emboço
Para revestimento de paredes e tetos
Argamassa de reboco
Argamassa de camada única
Argamassa para revestimento decorativo monocamada
Argamassa de contrapiso
Para revestimento de pisos
Argamassa de alta resistência para piso
Argamassa de assentamento de peças cerâmicas –
colante
Para revestimentos cerâmicos (parede / pisos)
Argamassa de rejuntamento
Para recuperação de estrutura
Argamassa de reparo
Fonte: Carasek, (2010, p. 895).
O emprego das argamassas determina o seu tipo, isto é, a sua composição com um ou
a mistura de vários aglomerantes. Normalmente, emprega-se argamassa de cimento em locais
onde exigem bom desempenho na resistência como em alvenarias de alicerce, em chapiscos,
em revestimentos, no interior de reservatórios, em pisos cimentados e outros. Já a argamassa
de cal, é usada em locais que exigem maior plasticidade como no emboço e reboco, assim
como no assentamento de alvenaria de vedação. No caso da argamassa mista, de cimento e
16
cal, é utilizada em serviços como alvenarias estruturais ou não, em assentamento de
revestimento cerâmico, e, contrapisos, etc. (FIORITO, 2010).
Fiorito (2010, p. 29) aponta que “as argamassas de cimento são mais resistentes,
porém de mais difícil trabalhabilidade. Adiciona-se cal para torná-las mais plásticas e facilitar
o acabamento”.
A execução de revestimentos, assim como a qualidade do acabamento está diretamente
ligada a trabalhabilidade, entretanto quanto mais trabalhável maior a facilidade de aplicação,
tornando o revestimento melhor executável e consequentemente com propriedades
incrementadas. Fiorito (2010) e Mota (2006) definem claramente a interferência da cal na
trabalhabilidade.
As argamassas mistas de cimento e cal têm uma maior capacidade de extensão de
aderência a nível microscópico. Observa-se que, na interface, sua estrutura é mais
densa e contínua, bem como apresenta diminuição de microfissuras nesta região.
Portanto, as argamassas mistas à base de cimento e cal podem ser consideradas
ideais por proporcionarem as qualidades complementares dos dois materiais.
(MOTA, 2006, p. 25).
Ainda de acordo com a análise de Fiorito (2010) e Mota (2006) a adição de cal nas
argamassas de cimento enriquece consideravelmente as propriedades das argamassas,
principalmente na trabalhabilidade, aderência e diminuição de causas de microfissuras,
atribuindo características mais aperfeiçoadas no uso desse material e resultando num melhor
desempenho das suas diversas funções.
2.1.1 Argamassas de revestimento
A argamassa de revestimento, como o nome já sugere, é aplicada para revestir e
proteger os elementos de vedação e estrutura de uma edificação, ou seja, impedir infiltrações
de quaisquer agentes agressivos à estrutura, além de permitir isolamento acústico e regularizar
o substrato para receber outros revestimentos e acabamento final, conforme Baía e Sabbatini
(2008). O uso de revestimentos argamassados é muito grande atualmente na construção civil e
ainda assim observa-se a alta incidência de patologias que envolvem o mesmo.
Dentre a variedade de argamassas a de maior importância para o presente estudo é a
de revestimento. Para Mota (2006), um dos fatores mais importantes nos revestimentos são o
desempenho e a durabilidade, os quais podem ser afetados diretamente pela forma de
17
execução, pela característica dos materiais, pelo processo de amassamento e mistura da
argamassa, pelo microclima, pelo tratamento e cura do substrato, etc.
O ponto principal que atribui a durabilidade ao revestimento é a capacidade de
aderência entre o substrato e a argamassa, isto é, o travamento ou fixação da argamassa na
superfície. A preparação da superfície de aplicação da argamassa é fundamental para o
alcance de uma boa aderência, podendo ser umedecido, ser aplicado o chapisco ou uma
solução de cal, ou ainda a aderência química. (SCARTEZINI, CARASEK, 2003 apud
MOTA, 2006).
De acordo com a NBR 7200 – Execução de revestimento de paredes e tetos de
argamassas inorgânicas – Procedimento (1998, p. 5), “a aderência do revestimento está
relacionada com o grau de absorção da base, que propicia a microancoragem, e com a
rugosidade superficial, que contribui para a macroancoragem”.
O projeto de revestimento deve contemplar especificações , segundo Yagizi (2008),
como o tipo de revestimento: camada única de argamassa ou emboço (massa grossa aplicada
sobre o chapisco) e reboco (massa fina aplicada sobre o emboço), o tipo de argamassa:
industrializada ou preparada na obra, a técnica de execução, o acabamento superficial, etc.
Para que o revestimento tenha qualidade se faz necessário o preparo da base, o qual é
função do tipo e do estado de substrato, para que atribua capacidade de aderência no sistema
argamassa-base. Para Yagizi (2008), o preparo da base deve deixar o substrato livre de
sujeiras ou incrustações, após deve-se preencher todos os vazios originários de quebras ou
rasgos nos blocos.
Estudos revelaram que a aplicação da solução de cal no substrato é o preparo que
mais aumenta a aderência, no entanto o chapisco (traço de 1:3 ou 1:4) é o mais usual, formado
por uma camada de argamassa fluida com no máximo 0,5 cm, a qual necessita de uma cura de
72 horas para poder receber o revestimento. (CICHINELLI, 2009 e LALANE; NAPPI, 2010).
Segundo NBR 7200/1998 – Execução de revestimento de paredes e tetos de
argamassas inorgânicas – Procedimento, define que o chapisco como composto de argamassa
de cimento e areia grossa, projetado sobre a base, com acabamento bastante áspero e irregular,
proporcionando ancoragem mecânica para aderência da camada seguinte. Conforme Yazigi
(2008), o chapisco deve ser aplicado com projeção enérgica, de baixo para cima, em toda
superfície que receberá o revestimento argamassado e essa superfície necessita ser molhada
anteriormente para que a base não absorva a água de constituição da argamassa. É válido
ressaltar que o chapisco é aplicado de igual forma tanto para o revestimento em camada única
quanto para o emboço e reboco.
18
A forma de execução dos revestimentos argamassados é um dos fatores mais
importantes para o bom desempenho do revestimento, essenciais para a durabilidade das
edificações e de acordo com Cichinelli (2009) o nível de absorção de deformações no sistema
de revestimento é fruto da execução, ou seja, para Cichinelli (2009, p. 55), “quando o
revestimento interno de argamassa é bem feito ele serve também para absorver as tensões de
cisalhamento do conjunto, e assim evitando o seu descolamento”.
É importante salientar que a execução de revestimentos com argamassa deve seguir
as recomendações da norma NBR-7200 (Execução de revestimento de paredes e tetos de
argamassas inorgânicas – Procedimento), a qual fixa procedimentos de execução como o
preparo e aplicação dos diversos tipos de argamassas inorgânicas, o preparo da base de
revestimento, o acondicionamento das argamassas e os cuidados de aplicação (ABNT, 1998).
Os revestimentos com argamassas classificam-se segundo o número de camadas
aplicadas (única ou em duas camadas), o ambiente de exposição, a proteção da umidade
(porosidade), a proteção radiológica e do calor, como também ao acabamento de substratos.
(BAÍA; SABBATINI, 2008).
De acordo com Baía; Sabbatini (2008), a NBR 13749/1996 estabelece que as
espessuras totais dos revestimentos devam seguir a recomendação da Tabela 3.
Tabela 3 – Espessuras Admissíveis para o Revestimento de Argamassa
REVESTIMENTO
ESPESSURA (mm)
Parede interna
5 ≤ e ≤ 20mm
Parede externa
20 ≤ e ≤ 30mm
Tetos
e ≤ 20mm
Fonte: Baía; Sabbatini (2008, p. 44).
A espessura do revestimento define o número de camadas a ser aplicado, pois
interfere na aderência ao substrato. Então, Yazigi (2008) afirma que não se devem ultrapassar
as seguintes espessuras: o emboço – 2,0 cm, o reboco – 0,5 cm, camada única – 2,5 cm, com
no mínimo 1,5 cm. O mesmo autor, afirma ainda que quando necessário que a espessura do
revestimento exceda os 2,5 cm, deve-se executá-lo em duas camadas para que a aderência não
seja comprometida.
A argamassa de revestimento tem características diferentes conforme a função, sendo
aplicada em paredes como o chapisco, o emboço e o reboco ou apenas chapisco e camada
única. O emboço e o reboco normalmente são executados com argamassas com teor de cal,
19
por que tem o papel de incrementar a resistência mecânica, propiciar elasticidade, plasticidade
e acabamento regular e auxilia na retenção da água. (MOTA, 2006).
Para aplicação do emboço tem que esperar pelo menos a cura mínima do chapisco e a
face a ser sobreposta tem que está úmida, devendo resultar em superfície áspera para receber
o reboco, de acordo com Yazigi (2008). Para Mota (2006), na dosagem do emboço e do
reboco geralmente adota-se o traço de cimento, cal e areia com proporções de 1:[0,5-1,3]:[48,3] e de 1:(0,4 a 2,7):(6,4 a 16), respectivamente.
É Recomendado por Yazigi (2008), que o tempo mínimo para aplicação do reboco é
de 24 horas após a finalização da pega do emboço e em locais onde houver incidência de sol
e/ou do vento tem que proteger o reboco para não ocorrer evaporação da água rapidamente.
Ainda conforme afirmações de Yazigi (2008, p. 545) “toda argamassa que apresentar
vestígios de endurecimento deverá ser rejeitada para aplicação” e que “a argamassa contendo
cimento deverá ser aplicada dentro de 2,5 horas a contar do primeiro contato do cimento com
a água”. Ele ainda complementa que na execução faz-se necessário o emprego de “faixasmestras, de forma a garantir o desempeno perfeito do emboço”.
2.1.1.1 Propriedades das argamassas de revestimento
Há diversos tipos de argamassas, as quais se classificam pela convenção do seu
emprego, composição e função de acordo com a natureza, tipo e quantidade de aglomerante.
Outras formas de classificação referem-se à forma de preparo ou disponibilidade no mercado
(industrializada), bem como pelas propriedades específicas como as argamassas colantes, com
aderência melhorada, as termoisolantes, as hidrofugas, as para proteção radiológica, as de
assentamento, dentre outras. (MOTA, 2012).
Basicamente, o traço da argamassa, indica o quantitativo de seus componentes, é um
dos fatores que governam o comportamento, a qualidade e o consumo da argamassa. Portanto,
deve ser realizado de forma bastante cuidadosa. Conforme indicações de Fiorito (2010), nas
obras o traço das argamassas é tradicionalmente em volumes.
Para obtenção de êxito com o uso correto das argamassas se faz necessário o
conhecimento de suas propriedades tanto no estado fresco quanto no endurecido. No caso da
20
argamassa de revestimento, Baía e Sabbatini (2008) citam propriedades no estado fresco e no
estado endurecido, como na Tabela 4.
Tabela 4 – Propriedades da Argamassa
ESTADO FRESCO
ESTADO ENDURECIDO
Massa específica e teor de ar
Aderência
Trabalhabilidade
Capacidade de absorver deformações
Retenção de água
Resistência mecânica
Aderência inicial
Resistência ao desgaste
Retração na secagem
Durabilidade
Fonte: Baía; Sabbatini (2008, p. 15).
As propriedades da argamassa de revestimento devem trabalhar em conjunto para
que a mesma tenha bom desempenho, uma vez que essas propriedades são interdependentes e
gerenciam a qualidade e consequentemente a durabilidade como um todo da argamassa.
2.1.1.1.1 Propriedades no estado fresco
A massa específica é a relação entre a massa pelo volume, sendo absoluta (não
considera os vazios) ou relativa (massa unitária – que considera os vazios). E o teor de ar
significa a quantidade de ar em um determinado volume de argamassa. Portanto, a massa
específica relativa e o teor de ar interferem na trabalhabilidade, ou seja, quanto menor a massa
específica e maior o teor de ar melhor será a trabalhabilidade. (BAÍA; SABBATINI, 2008).
Os aditivos incorporadores de ar tem a função de aumentar o teor de ar nas
argamassas, tornando-a mais trabalhável. Vale salientar que o uso desse aditivo deve ser na
dosagem correta, pois uma dosagem alta prejudica o desempenho da argamassa, como
exemplo baixa da resistência mecânica e da aderência. (BAÍA; SABBATINI, 2008).
A cerca da trabalhabilidade, Carasek (2010, p. 905) afirma que “uma argamassa é
chamada trabalhável quando permite que o pedreiro ou aplicador execute bem o seu trabalho,
ou seja, no caso de revestimento, por exemplo, que ele possa executar o serviço com boa
produtividade, garantindo que o revestimento fique adequadamente aderido à base e apresente
o acabamento superficial especificado”.
A trabalhabilidade é definida de forma qualitativa a depender da tarefa que irá
empregá-la, estando diretamente ligada a fatores como consistência e coesão, que torna a
21
argamassa não trabalhável quando muito consistente e com a trabalhabilidade comprometida
quando pouco consistente, devido à alta fluidez e ausência de coesão, de acordo com Recena
(2007). Para Carasek (2010), além da coesão e consistência, a trabalhabilidade está ligada
com a plasticidade, densidade de massa, exsudação, retenção de água e aderência inicial.
De acordo com estudo de Recena (2007), o teor de água na dosagem da argamassa é
que determina a trabalhabilidade, com exceção do uso de aditivos. A grande quantidade de
água, quando ultrapassa o limite de coesão, deixa a argamassa muito fluida comprometendo
seu desempenho. Outro fator que compromete o desempenho da argamassa de revestimento e
afeta propriedades no estado endurecido como a aderência, segundo Carasek (2010), é a
aplicação e por isso deve-se ter bastante atenção na trabalhabilidade, pois caso ela esteja
inadequada provavelmente a aplicação não será satisfatória.
A aderência ao substrato é a ancoragem (fenômeno mecânico), a qual depende das
demais propriedades da argamassa, assim como do estado do substrato (rugosidade,
porosidade, limpeza), devendo manter-se aderida e em revestimentos tem que ter resistência
suficiente para suportar movimentações diferenciadas, deformações, choques térmicos, dentre
outras solicitações, segundo Recena (2007). Conforme Carasek (2010) a aderência inicial
(estado fresco) está ligada a trabalhabilidade e tem que se prender seguidamente à aplicação
ao substrato sem escorrer ou soltar-se.
Segundo a alusão de Baía e Sabbatini (2008), a perda de água de amassamento de
forma acelerada compromete o desenvolvimento da reação de hidratação do cimento, tendo a
perda de resistência, além de comprometer a aderência e a capacidade de absorver
deformações e isso resulta na perda de durabilidade. “A retenção de água representa a
capacidade da argamassa de reter a água de amassamento contra a sucção da base ou contra a
evaporação” (BAÍA; SABBATINI, 2008, p. 17).
Para Recena (2007), a retenção da água na argamassa também deve ocorrer de forma
que a evaporação seja lenta e o substrato não absorva água constituinte dessa argamassa, para
que não seja prejudicada a água de amassamento. Caso contrário, existirão problemas e/ou
patologias que minimizam a durabilidade da edificação.
Fatores como a dosagem, a espessura da camada do revestimento, o intervalo entre a
aplicação das camadas e o tempo para o sarrafeamento e o desempeno influenciam na
velocidade da evaporação da água de amassamento e nas reações de hidratação e
carbonatação dos aglomerantes, que consequentemente interferem na ocorrência da retração
por secagem, que é a aparição de fissuras no revestimento. (BAÍA; SABBATINI, 2008).
22
Outro fator importante no aparecimento de fissuras, como também no descolamento
devido à retração por secagem é se a argamassa estiver com alto teor de cimento. (BAÍA;
SABBATINI, 2008).
2.1.1.1.2 Propriedades no estado endurecido
No estado endurecido, algumas propriedades da argamassa tem maior importância do
que outras por conta das características do local (parede ou teto), da exposição (interno ou
externo) e da base (pintura ou cerâmica) a ser aplicada no revestimento. (BAÍA;
SABBATINI, 2008).
No caso da aderência final, principal propriedade no estado endurecido, que é
capacidade do revestimento manter-se fixo ao substrato, ainda conforme Baía e Sabbatini
(2008), é dada pela ancoragem da argamassa no substrato, a qual é função do ingresso da
pasta nos poros, sendo firmada pelo endurecimento gradativo da mesma. Essa ancoragem está
ligada ao comportamento da argamassa no estado fresco, a maneira de execução, o tipo e o
estado do substrato, assim como a trabalhabilidade e a retenção de água.
Quanto à absorção de deformações, o revestimento deve suportar as tensões normais
e tangenciais na interface base-revestimento sem romper, sem provocar fissuras maléficas que
permitem o acesso dos agentes deletérios, sem perder a aderência e está relacionada com o
módulo de elasticidade e resistência mecânica, conforme Carasek (2010).
Baía e Sabbatini (2008), diz que não é função do revestimento absorver grandes
deformações como as de um recalque, por exemplo. A capacidade de suporte de deformações
depende do módulo de elasticidade da argamassa, da espessura das camadas, da presença de
juntas no revestimento, bem como da técnica de execução.
A resistência mecânica da argamassa, segundo Carasek (2010), deve resistir a ações
mecânicas de origens variadas, como tensões de tração, compressão e cisalhamento ao mesmo
tempo, a abrasão superficial, o impacto, a movimentação higroscópica, isto é, não se romper
diante dessas solicitações para não causar danos à aderência, à estanqueidade e por fim a
durabilidade.
Para Baía e Sabbatini (2008), a resistência mecânica é função do consumo e natureza
do agregado e aglomerante, assim como da forma de execução. Entretanto, quanto menor o
quantitativo de agregado e água na argamassa maior a resistência mecânica.
23
A permeabilidade é a propriedade referente à estanqueidade, devendo ser garantida
pelo revestimento e de acordo com Carasek (2010, p. 903) “caso contrário, a umidade
infiltrada pelas paredes causará problemas que comprometem tanto a higiene e a saúde dos
usuários, como a estética do edifício, além de estar associada às manifestações patológicas
como eflorescências, deslocamentos e manchas de bolor e mofo”.
A permeabilidade depende diretamente do tipo da base-revestimento, da dosagem da
argamassa, da técnica de execução, da espessura da camada do revestimento e do acabamento
final, os quais definem o nível de porosidade do conjunto. Caso haja fissuras no revestimento
a permeabilidade fica deficiente, reduzindo a vida útil desse revestimento. (BAÍA;
SABBATINI, 2008).
O período de uso, no qual a edificação atende as condições de funcionalidade e
desempenho ao longo do tempo, desde que mantida as condições de projeto, é chamado de
durabilidade. Dentre os fatores que comprometem a durabilidade como a espessura excessiva,
as fissuras, o ataque de microorganismos e outros agentes deletérios, a falta de manutenção
tem grande potencial para minimizar a durabilidade. (BAÍA; SABBATINI, 2008).
Todas as propriedades da argamassa de revestimento devem ser conhecidas para
tornarem-se propícias ao local de aplicação da mesma. Então, esse conjunto de propriedades
deve ser adequado para assegurar a durabilidade do revestimento, isto é, a manutenção das
características do revestimento argamassado ao longo do tempo.
Recena (2007) discorreu que a durabilidade de uma argamassa ocorre quando a
mesma possui estabilidade química e física ao decorrer do tempo dentro das solicitações as
quais ela foi projetada, cumprindo suas funções. O mesmo autor afirma que o nível de
agressividade do meio, o tipo de solicitação (física ou mecânica) e o comportamento próprio
da argamassa condicionam sua durabilidade.
Recena (2007, p. 41) define que a “Estabilidade química pode ser entendida como a
manutenção das características originais de uma argamassa ao longo do tempo, não devendo
ocorrer reações deletérias nos aglomerantes e em sua interação com os agregados”.
Para Carasek (2007) apud Ferreira (2010) a durabilidade dos argamassados está
ligada a processos físicos, mecânicos, químicos e biológicos, sendo importante considerar a
frequência e interação desses processos. As manifestações de deterioração se dão por efeitos
físicos ruinosos como fissuração, vesículas, aumento da porosidade, descolamento e outros.
24
2.2 Aglomerantes
Os aglomerantes são aglutinantes de origem mineral de grande importância, pois são
largamente utilizados na construção civil. Usualmente tem-se a classificação de aglomerantes
aéreos e hidráulicos, definidos conforme a explanação seguinte:
Aglomerante hidráulico: aglomerante cuja pasta apresenta a propriedade de
endurecer apenas pela reação com a água e que, após seu endurecimento, resiste
satisfatoriamente quando submetida a ação desta. Aglomerante aéreo: aglomerante
cuja pasta apresenta a propriedade de endurecer por reações de hidratação ou pela
ação química do anidro carbônico (CO2) presente na atmosfera, e que após seu
endurecimento, não resiste satisfatoriamente quando submetida a ação da água.
(YAGIZI, 2008, p. 211)
2.2.1 Cimento Portland
O cimento Portland é um material bastante empregado na construção civil e é
composto por misturas de minerais com porcentagens e componentes variáveis, que lhe
proporcionam diversos tipos de cimento, isto é, cada um com suas características próprias.
Portanto, é muito importante que sejam conhecidas as principais propriedades dos
componentes de cada tipo de cimento para auxiliar na escolha mais adequada técnica e
economicamente para cada tipo de serviço e uso do ambiente. (ABCP, 2002).
Para Cincotto (2011), o cimento Portland comum é constituído por clínquer e sulfato
de cálcio e já os cimentos Portland compostos são formados pela adição ou até mesmo filer
calcário, por materiais pozolânicos e escória de alto forno. O teor desses compostos é bem
peculiar a cada produtor e cada composto tem suas particularidades na interação com a água,
tornando as reações de hidratação bem complexas.
A função dos cimentos em mistura com a água é aglomerar partículas (agregados
quaisquer) e ligá-las pela formação de produtos hidratados com desenvolvimento de
resistência mecânica e, após endurecimento resistir à sua ação, daí a denominação
recebida de ligante hidráulico. No estado fresco a mistura deve ser coesa e ter a
capacidade de ser trabalhada e moldada em argamassa ou concreto (CINCOTTO,
2011, p. 381).
25
Dentre os materiais empregados na argamassa de revestimento, o cimento Portland
normalmente é o de menor peso por causa do controle tecnológico e muitas vezes algumas
patologias surgem devido a falhas na dosagem. No caso de eflorescências, sabe-se que podem
ser desencadeadas caso o cimento contenha alto teor de álcalis (N2O e K2O), que durante o
processo de hidratação do cimento “esses óxidos transformam-se em hidróxidos e, em contato
com o CO2 da atmosfera, transformam-se em carbonatos de sódio e potássio, altamente
solúveis em água”, de acordo com Carasek (2010, p. 933). Logo, os hidróxidos, em especial o
de cálcio (menos estável), são carreados facilmente para a superfície do revestimento
argamassado, resultando em depósitos brancos.
O desenvolvimento da tecnologia do concreto, principalmente com adições,
proporcionou uma série de vantagens e expandiu a escala de uso do cimento. Tendo em vista
que, atualmente, o uso de cimentos especiais tem aumentado por satisfazerem necessidades
não obtidas pelos cimentos Portland comum.
Os cimentos são largamente empregados na construção civil devido ao seu amplo
emprego nos serviços mais básicos da construção como na alvenaria (assentamento de
blocos), chapisco, emboço, reboco, concreto para diversos fins, bem como nas diferentes
etapas.
Todos os tipos de cimentos podem ser empregados nas mais diversas etapas e serviços
da construção civil, porém há algumas vantagens em determinadas situações, em função do
que se deseja ou até mesmo da forma a ser executada, segundo informações da ABPC (2002).
O cimento de uso mais comum é o CP II, apesar de ter três tipos por causa da
composição em detrimento da disponibilidade da região, tem a mesma função e
comportamento. O CP III e CP IV são mais empregados em peças de grandes dimensões na
fundação, em pilares, devido as reações de hidratação inicial ocorrerem mais lentamente,
liberando calor aos poucos e com isto evitando as fissuras. O CP V é bem mais caro se
comparado aos demais, é empregado para adquirir resistência rapidamente, como o nome já
diz. (ABPC, 2002).
A durabilidade, atualmente, é um dos fatores mais importantes devido às exigências da
demanda de construções, as quais requerem adequações nas características dos materiais,
aperfeiçoando sua aplicabilidade para com isso obter maior rendimento e otimizar a relação
qualidade-preço.
26
Para manter a durabilidade nos serviços realizados com cimento deve ser observada
rigorosamente as dosagens adotadas para cada tipo de serviço, principalmente na relação
água/cimento, a qual governa a resistência mecânica.
Quanto maior o teor de cimento maior será a aderência para a tração, porém aumentase a probabilidade de ocorrer fissuras e posteriormente reduzir a durabilidade. (CINCOTTO;
SILVA & CASCUDO, 1995 apud MOTA, 2006).
Para Carasek (2010), aspectos importantes que devem ser levados em consideração
quanto a durabilidade na relação do cimento com patologias em revestimentos argamassados
é a finura, pois cimentos muito finos como o CP V – ARI podem provocar retração plástica,
causando fissuras que permitem o acesso da água e cimentos para altas resistências também
são mais finos.
2.2.2 A Cal hidratada
A cal é um aglomerante normalmente proveniente de rochas calcárias (carbonato de
cálcio – CaCO3), com atributos dependentes do tipo de matéria-prima, assim como da forma
de beneficiamento. Para chegar ao estado de uso na construção civil, a cal passa por um
processo de calcinação resultando em óxidos de cálcio e anidridos carbônicos. Bauer (2005)
argumenta ainda que o óxido de cálcio puro é obtido pela calcinação de rocha calcária pura e
já a calcinação da rocha calcária natural obtém proporções variadas de carbonato de
magnésio, além da sílica, de óxidos de ferro e de alumínio, considerados impurezas vindas
com os carbonatos na formação da rocha.
Em suma, o processo de obtenção da cal hidratada é descrito por Bauer (2005) e se
dá pela calcinação da rocha calcária (CaCO3 + calor → CaO + CO2), que produz
predominantemente óxido de cálcio, chamado também de cal viva (estrutura porosa e idêntica
a rocha original), o qual passa por um processo de hidratação ou extinção (CaO + H2O →
Ca[OH2]), no qual resulta no hidróxido de cálcio, conhecido como cal extinta se produzido
em obra ou cal hidratada se produzida em indústria.
Normalmente a cal hidratada é a utilizada na composição de argamassas em variados
teores e de acordo com Bauer (2005) estas argamassas endurecem pela presença do gás
carbônico (presente na atmosfera) ao combinar-se com o hidróxido de cálcio, obtendo
estrutura cristalina ligada permanentemente ao agregado utilizado. O processo de
27
endurecimento é lento e exige certo nível de porosidade para proporcionar a evaporação da
água em excesso e a penetração de gás carbônico.
Segundo estudo sobre os aglomerantes em argamassa, Santiago (2007, p. 22)
discorreu que “O gesso, que consiste em sulfato de cálcio, nas suas diversas versões, é que é
um sal. A cal, a depender da forma sob a qual seja usada, é um óxido (cal virgem, ou cal viva)
ou um hidróxido (cal extinta)”.
A cal é classificada como um aglomerante aéreo, conferindo maior plasticidade e
coesão, melhor aderência e menor retração nas argamassas mistas. (CARNEIRO, 2005 apud
MOTA, 2006). Possui elevada finura, preenchendo melhor os vazios do substrato e
proporciona maior coesão entre as partículas sólidas, assim como aumenta a resistência
mecânica. (CARASEK; CASCUDO & SCARTEZINI, 2001, RAGO & CINCOTTO, 2005
apud MOTA, 2006).
Cincotto, Quarcione e John (2010), afirmam que a cal tem baixa resistência quando
sujeita a água continuamente, possui endurecimento lento devido necessitar da difusão do
CO2 para dentro do produto, proporciona menor resistência do que o cimento Portland por
causar maior porosidade e reduz o módulo de elasticidade das argamassas e
consequentemente reduz a rigidez, contribuindo para maior durabilidade das argamassas.
Nas asseverações de Carasek (2010), apesar das cales, no Brasil, terem excelente
qualidade em muitos lugares não se tem o controle tecnológico merecido no processo de
fabricação da cal hidratada, tornando-a de baixa qualidade, o que faz necessário a atenção
redobrada no uso. Em destaque, tem-se o problema da presença excessiva de óxidos não
hidratados completamente na fabricação da cal hidratada, ocorrendo a hidratação na reação
com a umidade quando a argamassa já está endurecida, ocasionando patologias (vesículas e
desagregação) no revestimento por conta da expansividade do óxido de cálcio (CaO) e de
magnésio (MgO).
De acordo com Cincotto, Quarcione e John (2010, p. 720) tem-se que:
O principal mercado da cal hidratada atualmente é a confecção de argamassas,
produto cuja elevada área específica auxilia no comportamento no estado fresco
(reologia e retenção de água) e contribui para o endurecimento no momento em que
a argamassa já não apresenta mais retrações significativas.
28
2.3 Agregados miúdos
As areias, conhecidas como agregados miúdos, empregadas na construção civil em
sua maioria são naturais, mas podem ser artificiais também. As areias naturais são
encontradas na natureza em rios, mar ou jazidas e já as artificiais são produzidas a partir da
trituração de diversos tipos de solo. Para Santiago (2007) o fato da areia possuir origem
diversa, consequentemente ela terá coloração e composição mineralógica variada.
Atualmente, sabe-se que a origem das areias é a fragmentação de diversos tipos de
rochas, basicamente por ação do intemperismo, processo para o qual concorrem os
animais e vegetais, o gelo-degelo, as variações de temperatura, as águas e os
deslizamentos, dentre outros fatores naturais menos comuns (SANTIAGO, 2007, p.
113).
É sabido que podem ocorrer algumas reações deletérias com o agregado, causando
instabilidade química em decorrência de estarem contaminados com elementos reagentes
constituintes da argamassa, formando compostos expansivos, os quais geram tensões internas,
deformações, rupturas, fissuras e os descolamentos dos revestimentos. (RECENA, 2007).
Sabe-se hoje que a areia, de maneira geral, é um material formado por sílica (SiO2).
Logo, não é, nem contém obrigatoriamente sal. A presença deste último composto
só é naturalmente constatada em areias de origem marinha, ou areias fluviais
próximas da foz dos rios, pois se estas não forem lavadas, ficam impregnadas por
diversos sais, principalmente o cloreto de sódio (SANTIAGO, 2007, p. 22).
Sabe-se que o desempenho da aderência também é afetado pela quantidade da areia
na dosagem bem como sua qualidade, sendo a parte indeformável da massa reduzindo a
retração. Uma areia com granulometria contínua incrementa a aderência. (KAMPF, 1963;
LAMANA et al. 1970; RENSBURG et al. 1978; LAWRENCE & CAO, 1987 apud MOTA,
2006).
O aspecto geral da areia é de extrema importância e não deve conter impurezas,
torrões de argila, matéria orgânica e segundo Yazigi (2008, p. 545), “a dimensão máxima
característica da areia tem de ser de: 5 mm para chapisco; 3 mm para emboço; 1mm para
reboco”.
29
2.4 Umidade e salinidade em paredes
Este estudo propõe observar a incidência de salinidade em revestimentos
argamassados, presente nas paredes de algumas residências na cidade de Caruaru/PE e
conforme observações à umidade e salinidade são fatores de extrema interferência na
ocorrência e desenvolvimento de patologias.
São muitas as causas de umidade nas edificações, mas o tipo de argamassa assim
como a sua porosidade e as possíveis fissuras no estado endurecido determinam o potencial
do transporte de água e consequentemente a velocidade da agressão aos materiais. A umidade
pode advir da falta de impermeabilização da fundação, do terreno, de precipitações (chuva),
de instalações defeituosas, dentre outros. (MOTA, 2006).
Em muitos casos, após um reparo ou recuperação o problema reaparece rapidamente
por conta da adoção do recurso incorreto. Portanto, é imperativo estabelecer as causas, para, a
um só tempo, discorrer as soluções.
Para Bauer (2012, p. 923, 2 v.) aparecimento da água ocorre por vários caminhos,
dentre eles os mais comuns são “umidade do solo; da água de chuva, acumulada antes da
cobertura da obra ou infiltrada através das alvenarias, aberturas ou fissuras; de vazamentos de
tubulações de água, esgoto, águas pluviais; da água utilizada na limpeza e de uso constante
em determinados locais”. Ainda nas observações de Bauer, a condução da água pelos
materiais poderá propiciar a cristalização dos sais solúveis na superfície por meio de
“capilaridade, infiltração em trincas ou fissuras, percolação sob o efeito da gravidade,
percolação sob pressão por vazamentos de tubulações de água ou de vapor, pela condensação
de vapor de água dentro das paredes, ou pelo efeito combinado de duas ou mais dessas
causas”.
No estudo de Silva (2011) são mostradas as várias causas da umidade conforme tabela
5.
Tabela 5 – Origens da Umidade nas Construções
ORIGENS
Umidade proveniente da execução da construção
PRESENTES NA(O)
Confecção do concreto, da argamassa, execução de pinturas
Umidade oriunda das chuvas
Umidade trazida por capilaridade (umidade
ascensional)
Cobertura (telhados), paredes, lajes de terraços
Terra, através do lençol freático
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Umidade resultante da rede de água e de esgotos
Umidade de condensação
Paredes, telhados, pisos, terraços
Paredes, forros, pisos, peças com pouca ventilação,
banheiros, cozinhas, garagens
Fonte: Adaptada de Klein (1999 apud Souza, 2008) apud Silva (2011, p. 22).
Nas afirmações de Yazigi (2008, p. 514), “há uma série de mecanismos que podem
gerar umidade nos materiais de construção, sendo os mais importantes os relacionados com a
absorção de água: capilar; de infiltração ou de fluxo superficial; higroscópica; por
condensação capilar; por condensação. Nos fenômenos de absorção capilar e por infiltração
ou fluxo superficial de água, a umidade atinge os materiais de construção na forma líquida e,
nos demais casos, a umidade é absorvida na fase gasosa”.
Recena (2007) diz que em condições normais de solicitação mecânica, a durabilidade
dos revestimentos está diretamente atrelada a umidade e a salinidade (sais solúveis), podendo
ocorrer à lixiviação. Entretanto, quanto maior a umidade maior deve ser o teor de cimento
Portland (aglomerantes hidráulicos) na dosagem da argamassa, uma vez que a resistência à
umidade é diretamente proporcional ao quantitativo de cimento. O autor ainda complementa
que para revestimentos argamassados em paredes externas o teor de cimento deve ser
aumentado se comparado com os revestimentos internos, devido à exposição maior da ação
danosa da umidade.
Um grande indício da umidade em revestimentos argamassados é a falha com a
presença de manchas, as quais podem ter várias causas. As manchas presentes em
revestimentos devido à umidade, segundo Bauer (2012), causadas por microorganismos
apresentam colorações pretas ou verdes e já as causadas por ferrugem exibem normalmente
coloração marrom.
Sabe-se que, a água é responsável por diversas patologias em revestimentos por
proporcionar reações químicas degradantes aos materiais, servindo de transporte tanto na
forma líquida quanto na de vapor. Entretanto, se faz necessário impedir a umidade nas
alvenarias. Existem evidências que o problema da umidade nas paredes seja decorrente
principalmente da deficiência ou até mesmo inexistência da impermeabilização da fundação,
que permite a passagem da água para a alvenaria e o reboco através do processo da
capilaridade e percolação. (NAPPI; LALANE, 2010).
A capilaridade é a capacidade de migração da água através dos poros decorrente da
pressão que a edificação faz sob o solo saturado. Já a percolação é a passagem da água
através de vazios entre grãos, umedecendo toda a parede. (NAPPI; LALANE, 2010).
31
Nessa premissa, tem-se incluído nas edificações projeto de impermeabilização, no qual
especificam todas as áreas a serem impermeabilizadas, com observações técnicas, detalhes
construtivos integrados com os demais projetos e até mesmo indicação dos materiais a serem
empregados. A impermeabilização tem a função de preservar e aumentar a vida útil das
estruturas, de proteger as superfícies contra umidade, manchas, fungos e outros, tornando o
ambiente salubre e com boa estética. (NAPPI; LALANE, 2010).
Para Yazigi (2008), em locais da construção em contato direto com terreno como
numa fundação sem impermeabilização, a umidade ocorre por absorção capilar da água, a
qual é conduzida pelos poros do material. Ainda conforme Yazigi (2008, p. 514) a água
capilar quando não evaporada vai sendo absorvida e subindo pela parede e “esse é o
mecanismo típico de umidade ascendente e o método mais eficaz de combater umidade
ascendente em paredes é por meio de impermeabilização horizontal eficaz (de difícil
execução se a obra já estiver concluída)”.
Pode-se dizer que um problema comum e sério que causa a degradação das
argamassas de reboco é a salinidade. O sal pode ser definido como uma substância iônica,
resultante de uma reação química entre o ácido e uma base, que promove a dissociação iônica
com agressividade nas edificações. (NAPPI; LALANE, 2010).
Os sais solúveis são encontrados nos materiais de construção, sejam decorrentes dos
componentes mineralógicos, da forma de fabricação ou até mesmo por contaminação no
transporte e/ou no local de armazenamento.
Segundo Carasek (2010, p. 938) a água de amassamento pode ser fonte para gerar
eflorescências devido à presença de sais solúveis, “assim não se pode empregar água do mar e
outras águas com alto teor de sais solúveis e outras substâncias nocivas. Deve-se, portanto
utilizar a água potável da rede pública de abastecimento ou no caso da necessidade de
utilização de água não tratada realizar testes para verificar sua qualidade”.
De acordo com as afirmações de Bauer (2012), a solução (sais-água) migra para a
superfície da parede devido à presença de pressão hidrostática suficiente para transportá-la,
cristalizando os sais solúveis na superfície. Essa cristalização modifica o aspecto da superfície
deixando o pó (sais) esbranquiçado agarrado na superfície da parede e nas asseverações de
Bauer (2012, p. 921, 2 v.) “em determinados casos os sais constituintes podem ser agressivos,
causando desagregação profunda, como no caso dos componentes expansivos”.
Portanto, fatores como o grau de solubilidade (capacidade de dissolução em meio
aquoso) e o nível de higroscopicidade (condição em que o sal adsorve a água do meio
ambiente) interferem diretamente no estado maléfico dos prédios. A temperatura e a umidade
32
influenciam na quantidade de água retida no sal, que por sua vez aumenta de volume e
consequentemente gera uma pressão nos poros das argamassas, podendo rompê-la, resultando
na lixiviação e posterior eflorescência. (NAPPI; LALANE, 2010 e MOTA, 2006).
Deve-se evitar a presença da acidez nos locais de manejo com os materiais de
construção componentes da alvenaria e revestimento argamassado, segundo afirmação de
Bauer (2012), por que a mesma aumenta a solubilização dos sais alcalinos. Como exemplo de
interferência da acidez, Bauer (2012, p. 923, 2 v.) discorre que “o anidro sulforoso, gás
residual da queima de combustíveis, pode se transformar em contato com a chuva em ácido
sulfúrico, o qual reage com os compostos do tijolo e da argamassa para formar sais solúveis”.
Com base na bibliografia estudada, entende-se que para evitar a salinidade nos
revestimentos argamassados é preciso selecionar materiais de qualidade e especialmente
executar as etapas da construção de forma adequada, de acordo com as normas e técnicas
pertinentes. Tem que ter cuidados redobrados em tubulações e especificamente na
impermeabilização das fundações, garantindo estanqueidade, ou seja, evitando a umidade por
percolação e consequentemente a eflorescência e a lixiviação, além de atenção para tornar o
revestimento mais impermeável possível, seja com pintura ou revestimento cerâmico, para
evitar a infiltração pela chuva.
2.5 Eflorescência
Para Carasek (2010, p. 938), as “eflorescências são manchas de sais precipitados na
superfície ou em camadas superficiais dos revestimentos que, além de comprometerem o
aspecto estético, contribuem para a desagregação do revestimento” e ela também define a
eflorescência como a cristalização de sais na superfície do revestimento “caso exista uma rede
de capilares bem formada na argamassa endurecida, quantidade de água suficiente para levar
os sais e condição de evaporação moderada”. Segundo Rosello (1976) apud Carasek (2010. p.
939), “as eflorescências podem ser devidas a qualquer sal solúvel, mas as mais frequentes são
produzidas por sulfatos, nitratos e cloretos”.
Nas considerações de Bauer (2012. p. 921, 2 v.) “a eflorescência é decorrente de
depósitos salinos principalmente de sais de metais alcalinos (sódio e potássio) e alcalinos
terrosos (cálcio e magnésio) na superfície de alvenarias, provenientes da migração de sais
solúveis presentes nos materiais e/ou componentes da alvenaria”.
33
Para Bauer (2012), a ocorrência da eflorescência só é possível com a existência
concomitante de certo teor de sais solúveis presente nos materiais que compõem a alvenaria
revestida, com a presença da água e com pressão hidrostática suficiente para levar a solução
para a superfície. As condições que propiciam a eflorescência são variadas e a composição
química dos sais mais corriqueiros, suas evidenciáveis fontes e as solubilidades estão
dispostas conforme tabela 6, a seguir.
Tabela 6 – Natureza Química da Eflorescência
COMPOSIÇÃO
QUÍMICA
Carbonato de Cálcio
Carbonato de Magnésio
Carbonato de Potássio
Carbonato de Sódio
Hidróxido de Cálcio
Sulfato de Cálcio
Desidratado
Sulfato de Magnésio
Sulfato de Cálcio
Sulfato de Potássio
Sulfato de Sódio
Cloreto de Cálcio
Cloreto de Magnésio
Nitrato de Potássio
Nitrato de Sódio
Nitrato de Amônia
Cloreto de Alumínio
Cloreto de Ferro
FONTE PROVÁVEL
Carbonatação da cal lixiviada da
argamassa ou concreto e de
argamassa de cal não carbonatada
Carbonatação da cal lixiviada de
argamassa de cal não carbonatada
Carbonatação dos hidróxidos
alcalinos de cimento com elevado
teor de álcalis
Carbonatação dos hidróxidos
alcalinos de cimento com elevado
teor de álcalis
Cal liberada na hidratação do
cimento
Hidratação do sulfato de cálcio do
tijolo
Tijolo, água de amassamento
Tijolo, água de amassamento
Reação tijolo-cimento, agregados,
água de amassamento
Reação tijolo-cimento, agregados,
água de amassamento
Água de amassamento
Água de amassamento
Solo adubado ou contaminado
Solo adubado ou contaminado
Solo adubado ou contaminado
Limpeza com ácido muriático
Limpeza com ácido muriático
Fonte: Bauer, 2012, p. 922.
SOLUBILIDADE EM
ÁGUA
Pouco solúvel
Pouco solúvel
Muito solúvel
Muito solúvel
Solúvel
Parcialmente solúvel
Solúvel
Parcialmente solúvel
Muito solúvel
Muito solúvel
Muito solúvel
Muito solúvel
Muito solúvel
Muito solúvel
Muito solúvel
Solúvel
Solúvel
34
3
MÉTODO E DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA
O despertar do tema foi decorrente da observação da grande incidência de diversas
residências em alguns bairros da cidade de Caruaru/PE apresentarem o mesmo problema da
salinidade no revestimento da alvenaria, do desconforto dos residentes, dos vários transtornos
causados, assim como do mau aspecto na estética, deterioração do bem e dispêndio de custos
com manutenção.
Este estudo teve como objetivo encontrar os porquês da incidência de salinidade em
revestimentos argamassados em alguns bairros na cidade de Caruaru/PE e para sua validação
foram adotados alguns métodos, os quais serviram como base para investigação científica.
De acordo com as afirmações de Fialho, Souza e Otani (2007, p. 24) “Método é o
caminho pelo qual se atinge um determinado objetivo, é um modo de proceder ou uma
maneira de agir”, complementado por “Método científico é o conjunto de processos ou
operações mentais que se devem empregar na investigação. É a linha de raciocínio adotada no
processo de pesquisa. Os métodos que fornecem as bases lógicas à investigação são: dedutivo,
indutivo, hipotético-dedutivo, dialético e fenomenológico” (GIL, 1995; LAKATOS,
MARCONI, 1993 apud FIALHO, SOUZA, OTANI, 2007, p. 24).
Neste trabalho foi desenvolvido o método dedutivo, o qual é definido por “explicar o
conteúdo das premissas, por intermédio de uma cadeia de raciocínio em ordem decrescente,
de análise do geral para o particular, chega a uma conclusão” (GIL, 1995; LAKATOS,
MARCONI, 1993 apud FIALHO, SOUZA, OTANI, 2007, p. 25).
Foram trabalhados conceitos lógicos a partir de caracterizações da argamassa com
foco no revestimento, os componentes da mesma, suas propriedades até chegar à
problemática, ou seja, na observação da patologia da salinidade em revestimentos
argamassados em alguns bairros na cidade de Caruaru/PE, para explicar possíveis causas.
Constituiu o estudo qualitativo observando a patologia apresentada em quatro
edificações, localizadas em alguns bairros na cidade de Caruaru/PE. A saber, foram chamadas
de Residência A (bairro Jardim Boa Vista), Residência B (Boa Vista I), Residência C (Boa
Vista I) e Residência D (Centro), nas quais foi observada a patologia da salinidade, presente
em revestimentos argamassados.
Pela descrição de Souza, Fialho e Otani (2007), pesquisa é um artifício de construção
do conhecimento que produz novos conhecimentos ou pelo menos confirma e/ou contribui
35
com conhecimentos já existentes, agregando valor intelectual para o pesquisador e para a
sociedade.
A pesquisa possui várias classificações e dentre elas esta foi classificada como uma
pesquisa meramente acadêmica. Quanto à técnica empregada foi baseada em documentação
indireta, tendo como fonte primária a inspeção de algumas residências em bairros da cidade
de Caruaru/PE e como fonte secundária o acervo bibliográfico (artigos, teses, dissertações,
livros, anais de Congressos, etc.). Já quanto à natureza a pesquisa é aplicada, devido ser
conduzida ao entendimento de problema específico da incidência de salinidade em
revestimentos argamassados.
Nessa compilação dos textos pesquisados, procurou-se estabelecer uma integração
entre as concepções dos diversos autores sobre os assuntos relacionados ao tema em estudo,
acrescentando-se as análises pertinentes ao mesmo.
Nas edificações visitadas foram observadas e fotografadas as paredes com a patologia
de salinidade e/ou fenômenos da umidade, lixiviação, eflorescência, além de visualizar os
cômodos de ocorrência e possíveis causas externas de influência.
Em relação aos objetivos a pesquisa classificasse em explicativa, pois busca os
porquês e as contribuições para a ocorrência do fenômeno da salinidade. Na abordagem do
problema a pesquisa é qualitativa e conforme Souza, Fialho e Otani (2007, p. 40), “A
interpretação dos fenômenos e a atribuição de significados são básicas no processo de
pesquisa qualitativa. Não requer o uso de métodos e técnicas estatísticas. O ambiente natural é
a fonte direta para coletar dados e o pesquisador é o instrumento chave”.
Em relação aos procedimentos técnicos, esta pesquisa classifica-se em bibliográfica
com base em um estudo de caso, por aprofundar o caso da salinidade em revestimentos
argamassados em alguns bairros na cidade de Caruaru/PE.
Estudo de caso é a pesquisa que se caracteriza por um estudo aprofundado e
exaustivo de um caso específico, que seja relevante pelo potencial de abrangência,
de forma a permitir um amplo e detalhado conhecimento do caso, fato ou fenômeno
estudado, através do processo de análise e interpretação (SOUZA, FIALHO E
OTANI 2007, p. 42).
36
4
ANÁLISES E RESULTADOS
4.1 Casos observados em alguns bairros na cidade de Caruaru/PE
Foram observadas quatro residências na cidade de Caruaru/PE distribuídas nos bairros,
sendo uma no Jardim Boa Vista, duas no Boa Vista I, uma no Nossa Senhora das Dôres
(centro), as quais se enquadravam na patologia da salinidade em revestimentos argamassados.
Esses bairros foram escolhidos devido à observação das patologias e ao fácil acesso ás
residências por conhecer os proprietários e desenvolver a maturidade do trabalho por meio de
conversas a respeito do estudo.
A residência do bairro Jardim Boa Vista, chamada de Residência A, é uma edificação
que iniciou sua construção no ano de 2007 e foi sendo construída em etapas, mas o
revestimento argamassado das paredes foi realizado em uma só etapa, concluído em fevereiro
de 2013. A morada está em fase de acabamento e ainda não recebeu a pintura nas paredes. Na
Residência A foram utilizados no revestimento argamassado: cimento Portland do tipo CPII
(aglomerante), areia lavada e areia fina (agregados miúdos) e água, sendo aplicado o chapisco
e reboco em camada única. Para a alvenaria de vedação foram usados blocos cerâmicos e
segundo o proprietário não foi realizada impermeabilização no radier.
No caso das duas residências, no bairro Boa Vista I, classificadas como B e C, foram
construídas no ano de 1983, no projeto de COHAB (Companhia Habitacional Regional),
erguidas em uma só etapa. De acordo com os proprietários, os mesmo não acompanharam a
construção das moradas e, portanto não tem como afirmar se houve impermeabilização do
radier, porém afirmam que a COHAB tem realizado vistorias em algumas residências nos
bairros, as quais foram identificadas algumas falhas construtivas no que diz respeito a essas
patologias ligadas a umidade no revestimento argamassado.
Na edificação B, tem-se áreas com paredes que apresentam acabamentos em massa
PVA e pintura. Nas intervenções e manutenções realizadas pelo proprietário foram utilizados
no revestimento argamassado cimento Portland, não sendo identificado o tipo, areia grossa
lavada, areia fina e água, sendo aplicado o chapisco, a camada única e na alvenaria de
vedação foram usados blocos cerâmicos.
Na edificação C, observa-se apenas pintura direta no revestimento argamassado e nas
manutenções feitas pelo proprietário foram empregados no revestimento argamassado o
37
cimento Portland, não sendo identificado o tipo, areia grossa lavada, areia fina e água, sendo
aplicado o chapisco, a camada única e na alvenaria de vedação foram utilizados os blocos
cerâmicos.
Já na residência do centro da cidade de Caruaru/PE, classificada como Residência D,
com data de construção no ano de 1975, foram observadas paredes com revestimento
cerâmico, com acabamentos em massa PVA e pintura, com pintura direta no revestimento
argamassado. Na Residência D, o revestimento argamassado foi preparado com cimento
Portland, não sendo identificado o tipo, areia grossa lavada e areia fina (agregados miúdos) e
água, sendo aplicado o chapisco e camada única. Para a alvenaria de vedação foram usados
blocos cerâmicos e segundo o proprietário não foi realizada impermeabilização no radier.
Todas as residências analisadas neste estudo são térreas e em todas elas foram
observadas umidades em paredes com histórico de patologia no revestimento argamassado.
Segundo os proprietários a aparição da patologia tem frequências, pois as edificações já
passaram por algumas manutenções, porém o dano reaparece.
Nas quatro residências supracitadas foram mencionadas manutenções no revestimento
argamassado, realizadas praticamente da mesma forma nas áreas afetadas pela salinidade e
consequentemente o descolamento e desagregação do reboco, a qual envolveu a retirada e a
raspagem do revestimento até o bloco cerâmico e posteriormente foi feita a limpeza e
execução de novo revestimento argamassado, usando novamente o cimento Portland, areias
grossas e finas e água.
A presença de umidade nas paredes é um problema corriqueiro em alguns bairros
observados na cidade de Caruaru/PE e isso torna o ambiente muitas vezes insalubre e acelera
consideravelmente a ruína dos materiais não tendo como pré-requisito apenas edificações
velhas, sendo desgastadas também edificações recentes, como mostrado na Figura 1, a qual
mostra uma faixa de umidade com altura média de 40 cm e presença de depósitos brancos,
conforme mostrado em destaque.
38
Figura 1 – Umidade em Paredes Externas da Residência A (Jardim Boa Vista) na Cidade de Caruaru.
Fonte: Registro Fotográfico da autora, 2014.
Na Figura 2, pode-se verificar também a presença da umidade por capilaridade e
devido à exposição externa da parede no lado do terreno vizinho, que possuía uma fenda entre
as edificações, permitindo o livre acesso e infiltração da água, atingindo a parede numa altura
média de 90 cm.
Figura 2 – Umidade em Paredes Internas da Residência A (Jardim Boa Vista) na Cidade de Caruaru.
Fonte: Registro Fotográfico da autora, 2014.
39
Os sais solúveis (com prováveis fontes: hidróxido de alumínio, nitratos alcalinos,
carbonatos de cálcio, sulfatos, sais de ferro sulfoaluminato) são carregados pela água vinda da
umidade das paredes e tendem a alojar-se onde ocorre a evaporação, assumindo forma de um
pó esbranquiçado nas paredes, conforme Figura 3. Daí a ocorrência da eflorescência, dada
como a cristalização do sal, e as forças expansivas geradas nesse processo torna-se um
problema grave de deterioração, pois a lixiviação facilita a ascensão da água, aumentando o
descolamento do reboco. (NAPPI; LALANE, 2010).
Deve-se combater a eflorescência, pois essa patologia é extremamente degenerativa
nas argamassas. É entendida como o resultado da formação de manchas
normalmente esbranquiçadas que ocorrem pelo trânsito da água que carreia sal do
meio poroso, seja por capilaridade (absorção) ou pressão (permeabilidade). (MOTA,
2006, p. 43).
Figura 3 – Presença de Sal (depósitos brancos) em Revestimento de Alvenaria com Argamassa na Residência A
(Jardim Boa Vista) na Cidade de Caruaru.
Fonte: Registro Fotográfico da autora, 2014.
Já na Figura 4, mostra o descolamento do revestimento argamassado devido às ações
de expansão provocadas pelas reações químicas dos sais com a água, quebrando as ligações
de ancoragem, deixando a parede mais exposta a agentes deletérios, mais permeável e, por
conseguinte retirando de revestimento o cumprimento do desempenho desejado.
40
Figura 4 – Desagregação do Revestimento Argamassado em Parede Interna, sem Pintura com Partes
Esbranquiçadas, na Residência B (Boa Vista I).
Fonte: Registro Fotográfico da autora, 2014.
Após certo tempo da manutenção, dada pelo corte, raspagem, limpeza e nova
execução da área comprometida pela salinidade, observa-se no mesmo local a ocorrência de
saliências. É bastante provável que seja decorrente do mesmo problema da salinidade, que
ainda não ocorreu à eflorescência devido à dificuldade da passagem da umidade, atribuída
pela presença de massa PVA na parede, após o novo revestimento de argamassa, conforme
mostrado na Figura 5.
Figura 5 – Formação de Bolhas no Revestimento Argamassado com massa PVA e tinta acrílica, na Residência
B (Boa Vista I).
Fonte: Registro Fotográfico da autora, 2014.
41
Uma das principais causas para a desagregação (Figura 6) de revestimentos
argamassados é a cristalização de sais em locais que afetam a ancoragem e para Carasek
(2010, p. 939), caso os sais solúveis “fiquem depositados na zona de interface argamassasubstrato se cristalizem, o fenômeno pode causar o descolamento da camada de
revestimento”.
Figura 6 - Descolamento do Revestimento Argamassado em Parede Externa, sem Pintura, na Residência C (Boa
Vista I).
Fonte: Registro Fotográfico da autora, 2014.
Na Figura 7, é exposta também a ocorrência da eflorescência numa parede externa da
Residência D (centro), que comprova a influência da umidade neste processo, que carreia os
sais dos materiais de construção componentes da alvenaria (blocos) e do revestimento com
argamassa (cimento, areia e água).
42
Figura 7 – Presença de Sal (eflorescência) em Parede Externa com Revestimento de Alvenaria com Argamassa
em Residência D (Centro) na Cidade de Caruaru.
Fonte: Registro Fotográfico da autora, 2014.
Posteriormente a determinado tempo da manutenção, dada pelo corte, raspagem,
limpeza e nova execução da área comprometida pela salinidade, verifica-se no mesmo local a
ocorrência de saliências. É bastante provável que seja advindo do mesmo problema da
salinidade, que ainda não ocorreu o depósito branco devido à dificuldade da passagem da
umidade para a superfície, atribuída pela presença de massa PVA na parede, após o novo
revestimento de argamassa, conforme mostrado na Figura 8.
Figura 8 - Formação de Bolhas no Revestimento Argamassado com massa PVA e tinta acrílica, na Residência
D (centro).
Fonte: Registro Fotográfico da autora, 2014.
43
Dentro das observações da salinidade e suas influências, pode-se perceber nas
residências deste estudo que a maior evidência da patologia se dá por falta de
impermeabilização do radier, conforme inspeção in loco e informações construtivas afirmadas
pelos proprietários, que permite a ascensão capilar da água do terreno até as paredes com
determinada pressão, capaz de transportar os sais para a superfície e após a evaporação da
água apresentar os depósitos salinos. Esses depósitos salinos muitas vezes são deletérios para
as argamassas e provocam sua desestruturação com aspecto de desintegração.
Como foi dito anteriormente, a principal causa da salinidade foi a ausência de
impermeabilização na fundação, que deixa livre a passagem da água nos elementos
construtivos. Neste caso não há como corrigir o problema definitivamente e sim paliativos
que podem minimizar os impactos desta falha construtiva como refazer o revestimento na área
afetada e até mesmo aplicar produtos impermeabilizantes. Conforme Lalane e Nappi (2010),
deve ser retirado o reboco antigo e fazer um novo com argamassa impermeabilizante,
devendo ser avaliada toda estrutura podendo ser necessário ainda dar um tratamento na
estrutura.
Atualmente, há uma grande oferta na indústria da construção de produtos relacionados
a impermeabilização e reparos de patologias em revestimentos argamassados, dentre eles
pode-se citar impermeabilizantes líquidos e flexíveis, argamassas industrializadas e outros,
que dependem de cada patologia e local de aplicação. Vale salientar que deve ser realizada
uma análise cuidadosa das matérias primas utilizadas para evitar a presença de sais muito
solúveis como os álcalis (Na2 e K2).
4.2 Resultados e conclusões
A falta de impermeabilização do radier de casas na cidade de Caruaru/PE, acarretando
dissolução dos sais solúveis do revestimento argamassado, sua lixiviação e consequente
deposição dos sais solúveis no revestimento, tem comprometido a estética e condições de
salubridade do ambiente de muitas residências na cidade. Sabe-se que é bastante usual o
emprego de revestimentos argamassados nas construções, o qual possui funções importantes
para a estrutura como um todo com destaque na alvenaria, além de receber outros
revestimentos, valorizando a estética. Daí a necessidade de alertar os construtores para boas
44
práticas de projetos, uma vez que após instalado um problema como este, medidas paliativas
são as únicas existentes, gerando custos elevados.
Contudo, diante das observações deste estudo para investigar as causas da ocorrência
da salinidade ficou evidente que a eflorescência e a lixiviação tem como fator principal de
influência a umidade, proveniente de diversos lugares e situações como defeitos em
tubulações de água e esgoto, água de chuvas e principalmente falhas construtivas que deixam
deficientes ou até mesmo ausentes a impermeabilização e nos casos avaliados
especificamente, não contemplaram a impermeabilização da fundação. E para evitar a
salinidade, primeiramente deve-se evitar a umidade.
Embora a umidade seja a principal causadora da patologia em questão, sabe-se que os
materiais de construção tem também um potencial para desenvolver a salinidade por
apresentarem sais solúveis nas suas composições, como os cimentos, as areias, as águas para
composição e amassamento e com destaque os blocos cerâmicos, os quais segundo pesquisa
de Silva (2011), apresentaram maiores teores de sais em função da forma de fabricação e
armazenamento.
Na fundamentação teórica foram citadas algumas práticas construtivas como
espessuras de camadas do revestimento, dosagens para composição da argamassa preparada
na obra, formas e cuidados importantes na execução, armazenamento e transporte de materiais
constituintes da argamassa, escolha de materiais com qualidade, etc. Essas citações são
consideradas eficazes, as quais constatam bom desempenho no revestimento argamassado.
Então, conclui-se que a qualidade, os cuidados com o transporte e armazenamento dos
materiais empregados nas edificações, assim com a forma de execução dos sistemas
construtivos governam o potencial para o desenvolvimento de patologias. Esta pesquisa deixa
suas contribuições para engenharia civil por despertar uma série de questionamentos
intrínsecos da área a fim de cuidar de aspectos estéticos e de durabilidade.
De acordo com a pesquisa sugere-se que as obras tenham um planejamento mínimo,
que contemple projetos funcionais, obedeçam aos requisitos fixados por normas para obter
qualidade nas edificações através de boas práticas construtivas.
Para esclarecer e despertar a conscientização para boas práticas construtivas tanto para
os construtores quanto para os proprietários das obras, fazem-se necessárias ações civis e
públicas que contemplem a divulgação de normas e procedimentos, as orientações por
palestras, minicursos, cartilhas, as fiscalizações por meio de órgão competentes de prefeituras
e conselhos regionais como o CREA (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia) e o
CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo), ou seja, informar para promover a qualidade e
45
a durabilidade nas edificações, veiculando por TV, rádio, internet, redes sociais, visitas nas
obras, dentre outros.
46
REFERÊNCIAS
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Utilização do Cimento Portland. São Paulo, 2002.
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