A ATUAÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL NA SAÚDE DO TRABALHADOR RURAL Karina de Souza São José Faculdade José Augusto Vieira – FJAV Lagarto–SE. [email protected] Soane Maria Santos Menezes Trindade Silva Faculdade José Augusto Vieira - FJAV/SE: [email protected] RESUMO A presente pesquisa propõe uma investigação na atuação do Serviço Social frente à saúde do trabalhador rural, como profissão na perspectiva da totalidade e a luz das expressões das questões sociais advindas dos avanços tecnológicos na vida dos trabalhadores rurais, principalmente para a sua saúde. Propõe-se, pois, identificar o fazer profissional do Serviço Social frente à saúde do trabalhador rural, composta pelas dimensões ético-político, teóricometodológico e técnico-operativo na prática profissional. É um estudo de caso do tipo qualitativo, tendo como método o materialismo histórico dialético. O embasamento teórico faz uma reprise do percurso do Serviço Social e a inserção profissional na área da saúde, como também, o histórico da agricultura e os avanços tecnológicos nos modos de produção e vida no mundo rural, abordado sobre a visão de diferentes autores como: Iamamoto (2005), Estevão (2005), entre outros. Por conter algumas problemáticas referentes à saúde dos trabalhadores e as atividades que estes exercem e por ser uma das áreas de abrangência da atuação profissional, e na perspectiva de compreender o agir profissional frente à situação de vida e saúde destes indivíduos, é que a pesquisa foi realizada no Povoado Olhos D´Àgua no município de Lagarto/Se. Nessa realidade, a pesquisa apontou que a atuação do Serviço Social na saúde do trabalhador rural tem como instrumento de mediação informar sobre as doenças e agravos relacionados ao trabalho através de ações de orientação e encaminhamento dos serviços prestados. Palavras-chave: Saúde. Serviço Social. Trabalhador Rural. ABSTRATC This study proposes an investigation into the involvement of Social Services before the health of rural workers, as a profession from the perspective of all expressions of light and social issues arising from technological advances in the life of rural workers, especially for your health. It is proposed therefore to identify the professional Social forward the health of rural workers, composed of the ethical and political dimensions, theoretical, methodological and technical-operational in professional practice; know the profile of rural workers from the expressions of the conditions rural social workers. It is a case study of the qualitative, with the method the historical and dialectical materialism. The theoretical basis of the route makes a reprise of Social and professional integration in health, but also the history of agriculture and technological advances in modes of production and life in rural areas, discussed on the Eixo Temático: POLÍTICAS PÚBLICAS E AGRICULTURA FAMILIAR viewpoint of different authors: Iamamoto (2005), Stephen (2005), among others. Because it contains some issues regarding the health of workers and the activities they perform and for being one of the areas of professional performance, and understand the perspective of professional action against the situation of life and health of individuals, is that the research was held at Village Eyes Water in the city of D'Lizard / If. In this reality, the survey indicated that the performance of Social Work in the health of rural workers have mediation as a tool to inform about diseases and health problems related to work through the actions of guidance and referral services. Key-word: Health. Social Service, Heard-Working. 1. INTRODUÇÃO A modernização agrícola no Brasil, por ter sido progressiva e exata, proporcionou diferenças estruturais no mundo rural, em especial na produção, pois os produtos mais valorizados, de exportação, permitiu o processo de modernização no país, tornando o crescimento econômico mais rápido, causando exclusão do homem do campo na geração de emprego, diminuição de renda e consequentemente desordenamento no meio rural. Diante disso, constitui-se como objeto de trabalho a atuação profissional do Serviço Social frente à saúde dos trabalhadores rurais do povoado Olhos D`Àgua no município de Lagarto/Se e o uso de agrotóxicos, buscando conhecer a instrumentalidade do atuar profissional diante das más condições de vida e trabalho dos indivíduos. A pesquisa traz como proposta a investigar a atuação do Serviço Social frente à saúde do trabalhador rural e o uso de agrotóxico, bem como os objetivos específicos identificar o fazer profissional do Serviço Social frente à saúde do trabalhador rural; identificar as dimensões ético-político, teórico-metodológico e técnico-operativo na prática do Serviço Social. Para compreender tal problemática, surge a curiosidade e o interesse de recorrer a algumas interpretações teóricas que constituem a base de atuação do profissional de Serviço Social na área da saúde do trabalhador e o uso de agrotóxicos, questões estas que vem crescendo desenfreadamente por grande parte do mundo, agravando a saúde dos trabalhadores, como também de toda população e do meio ambiente. De acordo com o que foi visto durante a pesquisa, foi possível identificar e compreender os processos do trabalho profissional baseado na lei de reconhecimento da profissão, no desenvolver das ações, buscando melhorar as condições de vida e saúde dos trabalhadores em contato com o uso de agrotóxicos, uma que a profissão surge a partir das expressões sociais. Percebe-se que os agravos a saúde dos trabalhadores é um grande problema que deve ser reconhecido e enfrentado pela sociedade, além dos órgãos governamentais, levando melhoramento através de políticas públicas, com o intuito de prevenir e reduzir os agravos a saúde dos trabalhadores, de modo a melhorar a qualidade de vida destes indivíduos, fortalecendo e viabilizado seus direitos. 2. ENQUADRAMENTO TEÓRICO Segundo IAMAMOTO (1998) as origens do Serviço Social estão relacionadas com a assistência prestada aos pobres, onde a profissão era vista e definida por moças pagas pelo governo para ter piedade dos pobres, que apesar de ter mudado de concepção, o Serviço Social, continua sendo uma profissão essencialmente feminina. Portanto, o Serviço Social devido às transformações surgidas nos modos de produção capitalista, acarretaram inquietações por toda a população, prestando serviço e servindo como canal de ligação entre instituições publica e privada, cidadãos, empregados e empregadores. Para FALEIROS (1987, p. 51), “a ruptura com o Serviço Social tradicional se inscreve na dinâmica de rompimento das amarras imperialistas, de luta pela libertação nacional e de transformações da estrutura capitalista excludente, concentradora, exploradora”. Desde que existem as desigualdades sociais, há pessoas que se interessam com a classe vulnerável. Mas a partir do surgimento da sociedade capitalista, quando o lucro passou a ser a peça chave, a preocupação com as “classes desfavorecidas” e as questões sociais e política que esta população poderia criar, tornou-se uma necessidade de defesa da burguesia. Estado e Igreja vão dividir tarefas: o primeiro impõe a paz política e as igrejas ficam com o aspecto social: fazer caridade, coisa muito comum da época. A justificativa é todos praticar o bem, sendo que, a burguesia deveria cumprir com os seus deveres com os marginalizados. O modo pelo qual se pensava em resolver os problemas sociais era pela reformulação dos costumes dos cidadãos. A partir do século XIX, grupos de pessoas se organizaram para prestarem assistência aos necessitados, procurando primeiramente conhecer as verdadeiras necessidades dos indivíduos, visitar as casa dos desprovidos, outros meios para prevenir os problemas causados pela vulnerabilidade, pois estudar e investigar o meio social dos indivíduos, através de conversas informais, entrevistas, visitas domiciliares, etc., anotando e observando, fazendo relatórios minuciosos, obteria um diagnóstico, na tentativa de descobrir as possibilidades dos indivíduos para assim, conseguir a ajuda do meio social para a causa do problema. Em meados dos anos 30 surge um novo tipo de atuação do Serviço Social: Serviço Social de Grupo. Kurt Levin, um psicólogo alemão, judeu, exilado nos Estados Unidos, elaborou uma teoria a respeito dos grupos: os grupos tem uma certa dinâmica que, sendo trabalhada, poderia oferecer resultados práticos no tratamento psicológicos. Isso fez com que a prática fosse utilizada em todos os campos. Então, os assistentes sociais iniciaram o trabalho com grupos, sendo em 1934, que inicia dentro do Serviço Social um movimento, cuja finalidade era definir a técnica e os objetivos de trabalho. O assistente social podia, em determinadas instituições, montar os grupos por tipo de problema apresentado, ou ser solicitado por algum grupo local sentado para dar a orientação técnica necessária aos grupos. O crescimento populacional era enorme, levando o desenvolvimento do Serviço de grupo, à atuação profissional: O Serviço Social de Comunidade. Segundo ESTEVÂO (2005), trata-se de um trabalho de organização de comunidade entendido como “a arte e o processo de desenvolver os recursos potenciais e os talentos de grupos e de indivíduos e dos indivíduos que compõem esses grupos”. Na década de 60 o Serviço Social se expande ao assumir um método desenvolvimentista. Sua atuação torna-se mais técnica, fundamentando-se na busca de neutralidade, frieza e distanciamento dos problemas tratados e nos métodos utilizados. Para o profissional trabalhar nesta perspectiva tinha que ser puro, inodoro, incolor e insípido. “É no marco da reconceitualização que, pela primeira vez de forma aberta, a elaboração do Serviço Social vai socorrer-se da tradição marxista – o fato central é que, depois da reconceptualização, o pensamento de raiz marxiana deixou de ser estranho ao universo profissional”. (NETTO, 1991, p. 148) As questões sociais eram alarmantes, fazendo com quer mudassem todos os conceitos, crenças, bases teóricas existentes, era preciso reformular e criar outros espaços profissionais, o que os assistentes sociais faziam, estava vinculado por interesses burgueses. Trabalhar nas instituições públicas significava fazer o jogo do sistema e trabalhar para reproduzir a ideologia burguesa, capitalista e exploradora, sendo necessário dá uma nova roupagem na profissão. O Serviço Social passou a se chamar Trabalho Social, dando espaço a uma concepção “conscientizadora - revolucionária”. O trabalho pautado no “materialismo histórico e dialético,” aonde para se chegar ao Serviço Social, era preciso falar de luta de classes, de contradição, de tese, antítese e síntese, como formas de ver e ler a realidade. A profissão de Serviço Social é originada a partir das necessidades e possibilidades da sociedade capitalista, pois sua ética, portanto, é entendida como produto histórico das condições de trabalho determinada pela sociedade, objetivando-se através da prática moral, da ação ética e da reflexão filosófica, sempre na garantia de sobrevivência na perspectiva individual, segundo as necessidades sociais. Ao comportar um código, a profissão precisa desenvolver e incorporar uma prática de tolerância, no qual defenda a ética profissional. Isto é, construir uma codificação democrática, assumindo as responsabilidades políticas e sociais, defendendo o exercício de direitos reclamados para toda a sociedade: liberdade de pensamento e expressão, de escolha nas diversas opções, de acesso as informações, enfim, a defesa dos direitos que permitam viver plena e dignamente sua vida pessoal e profissional. Ao garantir os direitos pessoais aos cidadãos, está a profissão realizando sua importante tarefa política em face de Justiça Social: empenhar-se na luta de transformar possibilidades em afetividade. Portanto, o que liga direitos, ética e política é a defesa do pluralismo, difícil, porém, necessário na profissão. A funcionalidade do Serviço Social à ordem burguesa, como uma das direções da intervenção, esta em eliminar os conflitos, modificar comportamentos, controlar as contradições, abrandar as desigualdades, administrar recursos e/ou benefícios sociais, incentivar a participação do usuário nos projetos governamentais ou no alcance das metas empresariais. Neste caso, a profissão tem nos interesses da burguesia uma de suas bases de legitimidade. As políticas sociais, além de sua dimensão econômico-politica, constituem-se também num conjunto de procedimentos técnicos-operativos, e necessitam de profissionais que atuem em dois campos: o de sua formulação e o de sua implementação. “Com a instauração de um mercado de trabalho, os assistentes sociais, passam a desempenhar papeis que lhes são alocados por organismos e instâncias (...) próprios da ordem burguesa no estágio monopolista” (NETTO, 1992, p.68), os quais são portadores da lógica do mercado. Assim, o assistente social adquire a condição de trabalhador assalariado condicionamentos que disso decorre. com todos os No entanto, no exercício profissional, o assistente social lança mão do acervo ideocultural disponível nas ciências sociais e o adaptado sócio- histórico da instrumentalidade como condição de possibilidade do Serviço Social, resgatar a natureza e a configuração das políticas sociais que, como espaços de intervenção profissional, atribuem determinadas formas, conteúdos e dinâmica que se reflete no exercício profissional. É nesse sentido que as políticas sociais contribuem para a produção e reprodução material e ideológica da força de trabalho (melhor dizendo, da subjetividade do trabalhador como força de trabalho) e para a reprodução ampliada do capital. Para IAMAMOTO (2005), o Serviço Social é uma atividade que, para se realizar no mercado, depende das instituições empregadoras, nas quais o assistente social dispõe de uma relativa autonomia no exercício do seu trabalho. No entanto, no que se refere à caracterização do projeto ético político do Serviço Social, algumas considerações são fundamentais. Segundo REIS (2005) o termo projeto ético político profissional se refere a uma construção ou esforço de construção, envolvendo sujeitos individuais e coletivos, orientados por princípios éticos e profundamente relacionados a projetos societários. No contexto das discussões emergentes no Serviço Social, NETTO (1999) discute com propriedade o projeto ético político da profissão ao apresentar as configurações que direcionaram o Serviço Social, como profissão, para o compromisso com a classe trabalhadora. Afirma que foi ao longo dos 1980 que o projeto ético-político do Serviço Social no Brasil se converteu em sua estrutura básica atual, uma estrutura que se mantém aberta, flexível, incorporando novas questões, enfrentando novos desafios, o que caracteriza um projeto em processo de construção. Em relação à profissão, especificamente: “O projeto implica o compromisso com a competência, que só pode ter como base o aperfeiçoamento intelectual do assistente social. Daí a ênfase numa formação acadêmica qualificada, fundada em concepções teóricas metodológicas críticas e sólidas, capazes de viabilizar uma análise concreta da realidade social – formação que deve abrir a via à preocupação com a (auto) formação permanente e estimular uma constante preocupação investigativa”. (NETTO, 1999, p.16). O Projeto Ético-Político da profissão, em sua fundamentação ontológica a partir da perspectiva histórica, tendo o papel do Serviço Social na construção e dos modos de vida na sociedade e, especificamente sobre sua dimensão pedagógica, a qual segundo Abreu (2004) incide diretamente na formação cultural. Então, as dimensões pertencentes ao Serviço Social de caráter emancipatório e disciplinador, nem sempre seguiu uma mesma direção, pelo contrário, transformava-se também conforme as variações de tempo e de contexto em que acontecia. Dado isto, um ponto primordial para discutir a perspectiva de ação almejada para a profissão, é reconhecer que o Serviço Social surgiu historicamente sob o caráter disciplinador, voltado para a “moralização” da sociedade e para o atendimento assistencialista de conformação pacificadora da classe trabalhadora. A partir da segunda metade da década de 1970, numa inquietação interna da profissão, que eclodiu no movimento de “ruptura com o conservadorismo” acontecido já na década de 1980, isso tudo ocorreu diante de um cenário político crítico e questionador, influenciado pela luta para redemocratização política e pelo surgimento de diversos movimentos sociais, passando a discutir no Serviço Social os valores éticos-políticos que deveriam orientar a profissão, segundo os princípios da justiça social. Neste sentido, é indispensável para o Serviço Social assumir veementemente a luta pela superação das determinações históricas da classe trabalhadora. Destarte, o acompanhamento e/ou assessoria técnica aos movimentos sociais ligados ao campo – a exemplo do Movimento dos Trabalhadores Sem Terras (MST) é uma das perspectivas que possibilitam resultados mais efetivos, já que atuam diretamente com os indivíduos, famílias e grupos, num espaço que já tem como característica a formação política, social e cultural crítica. Então, o Serviço Social é uma profissão de caráter sócio-político, crítico e interventivo, que se utiliza de instrumental científico multidisciplinar das Ciências Humanas e Sociais para análise e intervenção nas diversas expressões da "questão social", isto é, no conjunto de desigualdades que se originam do antagonismo entre a socialização da produção e a apropriação privada dos frutos do trabalho, se inserido nas mais diversas áreas de atuação, cujo papel é planejar, gerenciar, administrar, executar e assessorar políticas, programas e serviços sociais, efetivando sua intervenção nas relações entre os homens no cotidiano da vida social, por meio de uma ação global. Desde a antiguidade, existem diversos olhares e conceitos sobre o mundo rural, sejam eles sociológicos, históricos, econômicos e políticos, onde alguns são críticos, captam o escondido e, nisto, enxergam o inquietante novo e outros são conservadores, no deseja de manter o padrão natural. O mundo rural por séculos vem se contextualizando como o modo de vida preponderante na sociedade, pois desde a origem da humanidade, a agricultura foi uma das primeiras atividades de produção do homem em torno da qual se organizou a vida social. Passados os séculos, com o surgimento e desenvolvimento das manufaturas, experimentou-se a primeira crise no mundo rural e, conseqüentemente, da industrialização. Adveio então, a passagem do feudalismo para o capitalismo pré-industrial e, logo após, industrial. Aos poucos os sujeitos rurais deslocavam-se para um espaço urbano, que aos poucos ia inchando-se e extrapolando as condições de infraestrutura disponíveis. Nisso, o horizonte das transformações rurais, assim como em outros movimentos sociais, encontra-se a luta pela transformação societária, a qual perpassa pela mudança do modo de produção capitalista para o socialista, a partir da perspectiva marxista, ideal que passa a se configurar como o horizonte utópico que motiva todas as lutas e conquistas diárias, necessárias para que se alcance uma situação que possibilite a transformação revolucionária. Neste novo mundo rural, repleto de transformações, os agricultores parecem coexistirem - sem serem percebidos – aspectos conseqüentes da modernização do campo com aspectos do ethos camponês, tradicional e conservador, baseado em valores e costumes construídos pelas gerações passadas e reproduzidos pelas gerações atuais no cotidiano rural. Esta característica da coexistência do moderno com o tradicional expressa à necessidade de um olhar voltado para a realidade atual do campo, a fim de reconhecer neste espaço as demandas postas e, a partir delas, as possibilidades de respostas efetivas e eficazes na vida dos trabalhadores, configurando-se um dos lugares de atuação do Assistente Social. 3. PROCEDIMENTO METODOLÓGICO No entanto, este trabalho é um estudo de caso exploratório qualitativo, o qual não emprega instrumento estatístico como base de analise, que de acordo com Gil (1991, p. 44-46) é aquele que tem por finalidade “desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e idéias, com vistas à formulação de problemas mais precisos ou hipóteses formuladas para estudos posteriores”. O universo da pesquisa foi composto por 01 Assistente Social do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador José Edézio Dias do Nascimento- CEREST do município de Lagarto/SE. Tendo utilizado como instrumento de levantamento de dados para esta pesquisa a entrevista e como técnica de análise dos dados a análise de conteúdo. 4. RESULTADOS E DISCUSSÕES A prática do Assistente Social na área da saúde tem inúmeros limites e obstáculos para um agir comprometido com os princípios e diretrizes do Código de Ética Profissional. No entanto, também traz possibilidades para uma prática inovadora e diferenciada daquela tradicionalmente instituída no âmbito institucional. IAMAMOTO (2001) ao analisar tal questão afirma que: (...) um dos maiores desafios que o Assistente Social vive no presente é desenvolver sua capacidade de decifrar a realidade e construir propostas de trabalho criativas e capazes de preservar e efetivar direitos, a partir de demandas emergentes no cotidiano. Enfim, ser um profissional propositivo e não só executivo. A partir da entrevista realizada com a Assistente Social do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador – CEREST foi possível fazer uma análise das questões propostas na entrevista, com o intuito de compreender a atuação profissional do Serviço Social no Centro de Referência em Saúde do Trabalhador – CEREST. PERGUNTA RESPOSTA /ASSISTENTE SOCIAL O que é o CEREST? O Centro de Referência em Saúde do Trabalhador é um órgão governamental que objetiva atender o trabalhador, priorizando a sua saúde no seu ambiente de trabalho. Os atendidos pelo CEREST são trabalhadores formais, informais, rurais e urbanos de toda região Centro-Sul (Lagarto, Tobias Barreto, Riachão do Dantas, Poço Verde, Simão Dias e Salgado). Realizando ações que objetivam prevenir e amenizar situações de riscos, acidentes e doenças relacionadas ao trabalho. Para tanto há o acolhimento, atendimento médico, social, fisioterapêutica e outros, vigilância em saúde, educação em saúde, encaminhamentos, elaboração e execução de projetos, e tantas outras ações que possam oportunizar a saúde do trabalhador”(AS) Qual a demanda do CEREST? “Trabalhadores em geral, empregadores, gestores e ministério público do trabalho. A base de toda e qualquer atribuição do assistente social, é qualidade dos serviços prestados. No CEREST as ações do serviço social são: acolher, prestar orientações (individuais e coletivas) e /ou encaminhamentos quanto aos direitos sociais da população usuária, no sentido de democratizar as informações; realizar vistorias e análise do contexto social em que o trabalhador está inserido; planejar e executar estudos e pesquisas na área social; treinar, avaliar e supervisionar estagiários de Serviço Social; propor solução quanto ao atendimento (facilitar marcação de consultas e exames, solicitação de internação, alta e transferência); realizar educação em saúde e outras” (AS) Qual o papel do Assistente Social no “O trabalhador rural tem maior dificuldade em ter acesso a orientações e informações, sendo CEREST? assim, realizam as suas atividades laborais sem preocupar-se em usar equipamentos de proteção individual (EPIS), nem mesmo em substituir o agrotóxico por métodos sustentáveis como a urina da vaca e a manipoeira. A orientação inicial sobre a necessidade dos EPIS nem sempre é bem vinda porque muitos acham desnecessárias tais informações ou mesmo não acreditam nos malefícios causados pelo agrotóxico. Sendo necessário um processo continuo de sensibilização. O acolhimento inicial oportuniza conhecer e identificar a relação existente entre a doença ou acidente e o trabalho. Mas a prevenção de tais situações é a melhor opção, por isso é que a educação em saúde é tão importante. A pesquisa, através de entrevista e conversas informais é bastante favorável para um conhecimento da causa. A seguir, através de projetos sociais, ha a execução e a efetivação de ações voltadas para o bem social do trabalhador. Conversas informais, documentações, reuniões, observações, entrevistas, fichas de cadastro, encaminhamentos, registros, acompanhamentos sociais, projetos sociais, relatórios e visitas domiciliares e institucionais, palestras, oficinas e dinâmicas” (AS) Qual o seu entendimento a cerca do “O trabalhador rural no povoado Olhos D`água na sua maioria é orientado e informado sobre os trabalhador rural e o uso do agrotóxico? perigos do uso do agrotóxico e da necessidade do uso de EPIS, no entanto, muitos ainda não estão sensibilizados a usar os EPIS, ainda não acreditam nos sérios riscos a saúde causados pelo uso do agrotóxico. Alguns apresentam problemas a sua saúde, como fadiga e problemas respiratórios, mas não associam estes a utilização de agrotóxicos” (AS) Fonte: Entrevista realizada com a Assistente Social no Centro em Referência em Saúde do Trabalhador – CEREST do município de Lagarto/SE no ano de 2012. Fica evidenciado que o CEREST é um local de atendimento especializado para o trabalhador, e que o trabalho dos assistentes sociais na área tem se situado nos diferentes níveis de atenção, trabalhando na prestação de serviços a população usuária, seja na promoção, proteção ou recuperação da saúde. De acordo com Costa (2007) o serviço social na saúde interfere e cria um conjunto de mecanismos que incidem sobre as principais contradições do sistema de saúde pública na vida dos indivíduos. Além disso, fica claro as precárias condições dos trabalhadores rurais, porém, os profissionais são conscientes da falta de informação e conhecimento que estes tem, sendo portanto um desafio para o Assistente Social nos dias de hoje, desenvolver propostas de trabalho criativas e inovadoras, que sejam capazes de concretizar direitos sociais da população usuária. Tal fato vai de encontro ao que preconiza o Código de Ética do Assistente Social (1993), em seu 10º princípio: “Compromisso com a qualidade dos serviços prestados à população e com o aprimoramento intelectual na perspectiva da competência profissional”. No entanto, sabe-se que o uso do agrotóxicos é uma incidência que vem crescendo ao longo dos anos causando graves danos na saúde dos trabalhadores, bem como de toda população e do meio ambiente. Cabe aos profissionais desta área, orientar e informar, como meio de divulgação os danos que os agrotóxicos causam na saúde dos indivíduos, bem como ao meio ambiente, demonstrando alternativas não poluentes. Contudo, na realidade contemporânea, identifica-se os limites postos a profissão, sendo necessário, alternativas de trabalho que procurem concretizar direitos sociais. 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente estudo foi elaborado com base em pesquisas bibliográficas, bem como nos conhecimentos adquiridos através das pesquisas realizadas, cujo propósito foi identificar a atuação profissional do Serviço social e a saúde do trabalhador rural em contato com o uso de agrotóxicos no povoado Olhos D Àgua no município de lagarto/Se. O processo de construção deste estudo representou um continuo de desafios, muitas das vezes de aparência intransponível, diante da complexidade que oenvolve a própria discussão sobre o tema proposto. O uso de agrotóxico é tido atualmente como um problema existente nas diversas camadas sociais, onde esta atividade afeta toda a população, e principalmente o trabalhador rural por ter contato direto com o insumo agrícola. A modernização da agricultura possibilitou avanços nos meios de produção, facilitando os manejos dos equipamentos, causando o aumento da produção, passando os produtos a serem mais valorizados. Com isso, veio a necessidade de utilizar maquinarias sofisticadas para preparo da terra, semeaduras, adubos e agrotóxicos. Contudo, o processo de modernização tecnológico fez com que modificasse as atividades agrícolas, gerando mudanças ambientais e sociais, deixando os trabalhadores rurais expostos a diversos riscos. Diante dessa problemática compreende que o trabalhador rural em contato com o uso de agrotóxicos podem sofrer doenças que vai de uma simples dor de cabeça podendo levá-los até a morte. Nesse sentido, a pesquisa apontou a atuação do Serviço Social na saúde do trabalhador rural que tem como instrumento de mediação informar sobre as doenças e agravos relacionados ao trabalho através de ações de orientação e encaminhamento dos serviços prestados, reforçando a concepção de que o profissional de Serviço social é mais do que um técnico social, mas um profissional capaz de realizar sua intervenção social refletida na construção dos fundamentos históricos, teóricos e metodológicos. REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO ABREU, Marina Maciel. A dimensão pedagógica do Serviço Social: bases históricoconceituais e expressões particulares na sociedade brasileira. In: Serviço Social & Sociedade, São Paulo: Cortez, nº. 79, 2004. BRASIL, CFESS - Conselho Federal de Serviço Social. Código de ética profissional do assistente social. 1993/1994. BRASIL. Conselho Federal de Serviço Social. Parâmetros para atuação de assistentes sócias na Política de Assistência Social. 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