A ATUAÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL NA SAÚDE DO TRABALHADOR RURAL
Karina de Souza São José
Faculdade José Augusto Vieira – FJAV Lagarto–SE.
[email protected]
Soane Maria Santos Menezes Trindade Silva
Faculdade José Augusto Vieira - FJAV/SE:
[email protected]
RESUMO
A presente pesquisa propõe uma investigação na atuação do Serviço Social frente à saúde do
trabalhador rural, como profissão na perspectiva da totalidade e a luz das expressões das
questões sociais advindas dos avanços tecnológicos na vida dos trabalhadores rurais,
principalmente para a sua saúde. Propõe-se, pois, identificar o fazer profissional do Serviço
Social frente à saúde do trabalhador rural, composta pelas dimensões ético-político, teóricometodológico e técnico-operativo na prática profissional. É um estudo de caso do tipo
qualitativo, tendo como método o materialismo histórico dialético. O embasamento teórico
faz uma reprise do percurso do Serviço Social e a inserção profissional na área da saúde,
como também, o histórico da agricultura e os avanços tecnológicos nos modos de produção e
vida no mundo rural, abordado sobre a visão de diferentes autores como: Iamamoto (2005),
Estevão (2005), entre outros. Por conter algumas problemáticas referentes à saúde dos
trabalhadores e as atividades que estes exercem e por ser uma das áreas de abrangência da
atuação profissional, e na perspectiva de compreender o agir profissional frente à situação de
vida e saúde destes indivíduos, é que a pesquisa foi realizada no Povoado Olhos D´Àgua no
município de Lagarto/Se. Nessa realidade, a pesquisa apontou que a atuação do Serviço Social
na saúde do trabalhador rural tem como instrumento de mediação informar sobre as doenças e
agravos relacionados ao trabalho através de ações de orientação e encaminhamento dos
serviços prestados.
Palavras-chave: Saúde. Serviço Social. Trabalhador Rural.
ABSTRATC
This study proposes an investigation into the involvement of Social Services before the health
of rural workers, as a profession from the perspective of all expressions of light and social
issues arising from technological advances in the life of rural workers, especially for your
health. It is proposed therefore to identify the professional Social forward the health of rural
workers, composed of the ethical and political dimensions, theoretical, methodological and
technical-operational in professional practice; know the profile of rural workers from the
expressions of the conditions rural social workers. It is a case study of the qualitative, with the
method the historical and dialectical materialism. The theoretical basis of the route makes a
reprise of Social and professional integration in health, but also the history of agriculture and
technological advances in modes of production and life in rural areas, discussed on the
Eixo Temático: POLÍTICAS PÚBLICAS E AGRICULTURA FAMILIAR
viewpoint of different authors: Iamamoto (2005), Stephen (2005), among others. Because it
contains some issues regarding the health of workers and the activities they perform and for
being one of the areas of professional performance, and understand the perspective of
professional action against the situation of life and health of individuals, is that the research
was held at Village Eyes Water in the city of D'Lizard / If. In this reality, the survey indicated
that the performance of Social Work in the health of rural workers have mediation as a tool to
inform about diseases and health problems related to work through the actions of guidance
and referral services.
Key-word: Health. Social Service, Heard-Working.
1. INTRODUÇÃO
A modernização agrícola no Brasil, por ter sido progressiva e exata, proporcionou
diferenças estruturais no mundo rural, em especial na produção, pois os produtos mais
valorizados, de exportação, permitiu o processo de modernização no país, tornando o
crescimento econômico mais rápido, causando exclusão do homem do campo na geração de
emprego, diminuição de renda e consequentemente desordenamento no meio rural. Diante
disso, constitui-se como objeto de trabalho a atuação profissional do Serviço Social frente à
saúde dos trabalhadores rurais do povoado Olhos D`Àgua no município de Lagarto/Se e o uso
de agrotóxicos, buscando conhecer a instrumentalidade do atuar profissional diante das más
condições de vida e trabalho dos indivíduos.
A pesquisa traz como proposta a investigar a atuação do Serviço Social frente à saúde
do trabalhador rural e o uso de agrotóxico, bem como os objetivos específicos identificar o
fazer profissional do Serviço Social frente à saúde do trabalhador rural; identificar as
dimensões ético-político, teórico-metodológico e técnico-operativo na prática do Serviço
Social.
Para compreender tal problemática, surge a curiosidade e o interesse de recorrer a
algumas interpretações teóricas que constituem a base de atuação do profissional de Serviço
Social na área da saúde do trabalhador e o uso de agrotóxicos, questões estas que vem
crescendo desenfreadamente por grande parte do mundo, agravando a saúde dos
trabalhadores, como também de toda população e do meio ambiente.
De acordo com o que foi visto durante a pesquisa, foi possível identificar e
compreender os processos do trabalho profissional baseado na lei de reconhecimento da
profissão, no desenvolver das ações, buscando melhorar as condições de vida e saúde dos
trabalhadores em contato com o uso de agrotóxicos, uma que a profissão surge a partir das
expressões sociais.
Percebe-se que os agravos a saúde dos trabalhadores é um grande problema que deve
ser reconhecido e enfrentado pela sociedade, além dos órgãos governamentais, levando
melhoramento através de políticas públicas, com o intuito de prevenir e reduzir os agravos a
saúde dos trabalhadores, de modo a melhorar a qualidade de vida destes indivíduos,
fortalecendo e viabilizado seus direitos.
2. ENQUADRAMENTO TEÓRICO
Segundo IAMAMOTO (1998) as origens do Serviço Social estão relacionadas com a
assistência prestada aos pobres, onde a profissão era vista e definida por moças pagas pelo
governo para ter piedade dos pobres, que apesar de ter mudado de concepção, o Serviço
Social, continua sendo uma profissão essencialmente feminina.
Portanto, o Serviço Social devido às transformações surgidas nos modos de produção
capitalista, acarretaram inquietações por toda a população, prestando serviço e servindo como
canal de ligação entre instituições publica e privada, cidadãos, empregados e empregadores.
Para FALEIROS (1987, p. 51),
“a ruptura com o Serviço Social tradicional se inscreve na dinâmica de
rompimento das amarras imperialistas, de luta pela libertação nacional e de
transformações da estrutura capitalista excludente, concentradora,
exploradora”.
Desde que existem as desigualdades sociais, há pessoas que se interessam com a classe
vulnerável. Mas a partir do surgimento da sociedade capitalista, quando o lucro passou a ser a
peça chave, a preocupação com as “classes desfavorecidas” e as questões sociais e política
que esta população poderia criar, tornou-se uma necessidade de defesa da burguesia.
Estado e Igreja vão dividir tarefas: o primeiro impõe a paz política e as igrejas ficam
com o aspecto social: fazer caridade, coisa muito comum da época. A justificativa é todos
praticar o bem, sendo que, a burguesia deveria cumprir com os seus deveres com os
marginalizados. O modo pelo qual se pensava em resolver os problemas sociais era pela
reformulação dos costumes dos cidadãos.
A partir do século XIX, grupos de pessoas se organizaram para prestarem assistência
aos necessitados, procurando primeiramente conhecer as verdadeiras necessidades dos
indivíduos, visitar as casa dos desprovidos, outros meios para prevenir os problemas causados
pela vulnerabilidade, pois estudar e investigar o meio social dos indivíduos, através de
conversas informais, entrevistas, visitas domiciliares, etc., anotando e observando, fazendo
relatórios minuciosos, obteria um diagnóstico, na tentativa de descobrir as possibilidades dos
indivíduos para assim, conseguir a ajuda do meio social para a causa do problema.
Em meados dos anos 30 surge um novo tipo de atuação do Serviço Social: Serviço
Social de Grupo. Kurt Levin, um psicólogo alemão, judeu, exilado nos Estados Unidos,
elaborou uma teoria a respeito dos grupos: os grupos tem uma certa dinâmica que, sendo
trabalhada, poderia oferecer resultados práticos no tratamento psicológicos. Isso fez com que
a prática fosse utilizada em todos os campos.
Então, os assistentes sociais iniciaram o trabalho com grupos, sendo em 1934, que
inicia dentro do Serviço Social um movimento, cuja finalidade era definir a técnica e os
objetivos de trabalho. O assistente social podia, em determinadas instituições, montar os
grupos por tipo de problema apresentado, ou ser solicitado por algum grupo local sentado para
dar a orientação técnica necessária aos grupos.
O crescimento populacional era enorme, levando o desenvolvimento do Serviço de
grupo, à atuação profissional: O Serviço Social de Comunidade. Segundo ESTEVÂO (2005),
trata-se de um trabalho de organização de comunidade entendido como “a arte e o processo de
desenvolver os recursos potenciais e os talentos de grupos e de indivíduos e dos indivíduos
que compõem esses grupos”.
Na década de 60 o Serviço Social se expande ao assumir um método
desenvolvimentista. Sua atuação torna-se mais técnica, fundamentando-se na busca de
neutralidade, frieza e distanciamento dos problemas tratados e nos métodos utilizados. Para o
profissional trabalhar nesta perspectiva tinha que ser puro, inodoro, incolor e insípido.
“É no marco da reconceitualização que, pela primeira vez de forma aberta, a
elaboração do Serviço Social vai socorrer-se da tradição marxista – o fato
central é que, depois da reconceptualização, o pensamento de raiz marxiana
deixou de ser estranho ao universo profissional”. (NETTO, 1991, p. 148)
As questões sociais eram alarmantes, fazendo com quer mudassem todos os conceitos,
crenças, bases teóricas existentes, era preciso reformular e criar outros espaços profissionais,
o que os assistentes sociais faziam, estava vinculado por interesses burgueses. Trabalhar nas
instituições públicas significava fazer o jogo do sistema e trabalhar para reproduzir a
ideologia burguesa, capitalista e exploradora, sendo necessário dá uma nova roupagem na
profissão. O Serviço Social passou a se chamar Trabalho Social, dando espaço a uma
concepção “conscientizadora - revolucionária”.
O trabalho pautado no “materialismo histórico e dialético,” aonde para se chegar ao
Serviço Social, era preciso falar de luta de classes, de contradição, de tese, antítese e síntese,
como formas de ver e ler a realidade.
A profissão de Serviço Social é originada a partir das necessidades e possibilidades da
sociedade capitalista, pois sua ética, portanto, é entendida como produto histórico das
condições de trabalho determinada pela sociedade, objetivando-se através da prática moral, da
ação ética e da reflexão filosófica, sempre na garantia de sobrevivência na perspectiva
individual, segundo as necessidades sociais.
Ao comportar um código, a profissão precisa desenvolver e incorporar uma prática de
tolerância, no qual defenda a ética profissional. Isto é, construir uma codificação democrática,
assumindo as responsabilidades políticas e sociais, defendendo o exercício de direitos
reclamados para toda a sociedade: liberdade de pensamento e expressão, de escolha nas
diversas opções, de acesso as informações, enfim, a defesa dos direitos que permitam viver
plena e dignamente sua vida pessoal e profissional. Ao garantir os direitos pessoais aos
cidadãos, está a profissão realizando sua importante tarefa política em face de Justiça Social:
empenhar-se na luta de transformar possibilidades em afetividade. Portanto, o que liga
direitos, ética e política é a defesa do pluralismo, difícil, porém, necessário na profissão.
A funcionalidade do Serviço Social à ordem burguesa, como uma das direções da
intervenção, esta em eliminar os conflitos, modificar comportamentos, controlar as
contradições, abrandar as desigualdades, administrar recursos e/ou benefícios sociais,
incentivar a participação do usuário nos projetos governamentais ou no alcance das metas
empresariais. Neste caso, a profissão tem nos interesses da burguesia uma de suas bases de
legitimidade.
As políticas sociais, além de sua dimensão econômico-politica, constituem-se também
num conjunto de procedimentos técnicos-operativos, e necessitam de profissionais que atuem
em dois campos: o de sua formulação e o de sua implementação. “Com a instauração de um
mercado de trabalho, os assistentes sociais, passam a desempenhar papeis que lhes são
alocados por organismos e instâncias (...) próprios da ordem burguesa no estágio
monopolista” (NETTO, 1992, p.68), os quais são portadores da lógica do mercado. Assim, o
assistente social adquire a condição de trabalhador assalariado
condicionamentos que disso decorre.
com todos os
No entanto, no exercício profissional, o assistente social lança mão do acervo ideocultural disponível nas ciências sociais e o adaptado sócio- histórico da instrumentalidade
como condição de possibilidade do Serviço Social, resgatar a natureza e a configuração das
políticas sociais que, como espaços de intervenção profissional, atribuem determinadas
formas, conteúdos e dinâmica que se reflete no exercício profissional.
É nesse sentido que as políticas sociais contribuem para a produção e reprodução
material e ideológica da força de trabalho (melhor dizendo, da subjetividade do trabalhador
como força de trabalho) e para a reprodução ampliada do capital.
Para IAMAMOTO (2005), o Serviço Social é uma atividade que, para se realizar no
mercado, depende das instituições empregadoras, nas quais o assistente social dispõe de uma
relativa autonomia no exercício do seu trabalho.
No entanto, no que se refere à caracterização do projeto ético político do Serviço
Social, algumas considerações são fundamentais. Segundo REIS (2005) o termo projeto ético
político profissional se refere a uma construção ou esforço de construção, envolvendo sujeitos
individuais e coletivos, orientados por princípios éticos e profundamente relacionados a
projetos societários.
No contexto das discussões emergentes no Serviço Social, NETTO (1999) discute com
propriedade o projeto ético político da profissão ao apresentar as configurações que
direcionaram o Serviço Social, como profissão, para o compromisso com a classe
trabalhadora. Afirma que foi ao longo dos 1980 que o projeto ético-político do Serviço Social
no Brasil se converteu em sua estrutura básica atual, uma estrutura que se mantém aberta,
flexível, incorporando novas questões, enfrentando novos desafios, o que caracteriza um
projeto em processo de construção.
Em relação à profissão, especificamente:
“O projeto implica o compromisso com a competência, que só pode ter
como base o aperfeiçoamento intelectual do assistente social. Daí a ênfase
numa formação acadêmica qualificada, fundada em concepções teóricas
metodológicas críticas e sólidas, capazes de viabilizar uma análise concreta
da realidade social – formação que deve abrir a via à preocupação com a
(auto) formação permanente e estimular uma constante preocupação
investigativa”. (NETTO, 1999, p.16).
O Projeto Ético-Político da profissão, em sua fundamentação ontológica a partir da
perspectiva histórica, tendo o papel do Serviço Social na construção e dos modos de vida na
sociedade e, especificamente sobre sua dimensão pedagógica, a qual segundo Abreu (2004)
incide diretamente na formação cultural.
Então, as dimensões pertencentes ao Serviço Social de caráter emancipatório e
disciplinador, nem sempre seguiu uma mesma direção, pelo contrário, transformava-se
também conforme as variações de tempo e de contexto em que acontecia.
Dado isto, um ponto primordial para discutir a perspectiva de ação almejada para a
profissão, é reconhecer que o Serviço Social surgiu historicamente sob o caráter disciplinador,
voltado para a “moralização” da sociedade e para o atendimento assistencialista de
conformação pacificadora da classe trabalhadora.
A partir da segunda metade da década de 1970, numa inquietação interna da profissão,
que eclodiu no movimento de “ruptura com o conservadorismo” acontecido já na década de
1980, isso tudo ocorreu diante de um cenário político crítico e questionador, influenciado pela
luta para redemocratização política e pelo surgimento de diversos movimentos sociais,
passando a discutir no Serviço Social os valores éticos-políticos que deveriam orientar a
profissão, segundo os princípios da justiça social.
Neste sentido, é indispensável para o Serviço Social assumir veementemente a luta
pela superação das determinações históricas da classe trabalhadora.
Destarte, o acompanhamento e/ou assessoria técnica aos movimentos sociais ligados
ao campo – a exemplo do Movimento dos Trabalhadores Sem Terras (MST) é uma das
perspectivas que possibilitam resultados mais efetivos, já que atuam diretamente com os
indivíduos, famílias e grupos, num espaço que já tem como característica a formação política,
social e cultural crítica.
Então, o Serviço Social é uma profissão de caráter sócio-político, crítico e
interventivo, que se utiliza de instrumental científico multidisciplinar das Ciências Humanas e
Sociais para análise e intervenção nas diversas expressões da "questão social", isto é, no
conjunto de desigualdades que se originam do antagonismo entre a socialização da produção e
a apropriação privada dos frutos do trabalho, se inserido nas mais diversas áreas de atuação,
cujo papel é planejar, gerenciar, administrar, executar e assessorar políticas, programas e
serviços sociais, efetivando sua intervenção nas relações entre os homens no cotidiano da vida
social, por meio de uma ação global.
Desde a antiguidade, existem diversos olhares e conceitos sobre o mundo rural, sejam
eles sociológicos, históricos, econômicos e políticos, onde alguns são críticos, captam o
escondido e, nisto, enxergam o inquietante novo e outros são conservadores, no deseja de
manter o padrão natural.
O mundo rural por séculos vem se contextualizando como o modo de vida
preponderante na sociedade, pois desde a origem da humanidade, a agricultura foi uma das
primeiras atividades de produção do homem em torno da qual se organizou a vida social.
Passados os séculos, com o surgimento e desenvolvimento das manufaturas,
experimentou-se a primeira crise no mundo rural e, conseqüentemente, da industrialização.
Adveio então, a passagem do feudalismo para o capitalismo pré-industrial e, logo após,
industrial. Aos poucos os sujeitos rurais deslocavam-se para um espaço urbano, que aos
poucos ia inchando-se e extrapolando as condições de infraestrutura disponíveis.
Nisso, o horizonte das transformações rurais, assim como em outros movimentos
sociais, encontra-se a luta pela transformação societária, a qual perpassa pela mudança do
modo de produção capitalista para o socialista, a partir da perspectiva marxista, ideal que
passa a se configurar como o horizonte utópico que motiva todas as lutas e conquistas diárias,
necessárias para que se alcance uma situação que possibilite a transformação revolucionária.
Neste novo mundo rural, repleto de transformações, os agricultores parecem
coexistirem - sem serem percebidos – aspectos conseqüentes da modernização do campo com
aspectos do ethos camponês, tradicional e conservador, baseado em valores e costumes
construídos pelas gerações passadas e reproduzidos pelas gerações atuais no cotidiano rural.
Esta característica da coexistência do moderno com o tradicional expressa à
necessidade de um olhar voltado para a realidade atual do campo, a fim de reconhecer neste
espaço as demandas postas e, a partir delas, as possibilidades de respostas efetivas e eficazes
na vida dos trabalhadores, configurando-se um dos lugares de atuação do Assistente Social.
3. PROCEDIMENTO METODOLÓGICO
No entanto, este trabalho é um estudo de caso exploratório qualitativo, o qual não
emprega instrumento estatístico como base de analise, que de acordo com Gil (1991, p. 44-46)
é aquele que tem por finalidade “desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e idéias, com
vistas à formulação de problemas mais precisos ou hipóteses formuladas para estudos
posteriores”.
O universo da pesquisa foi composto por 01 Assistente Social do Centro de Referência
em Saúde do Trabalhador José Edézio Dias do Nascimento- CEREST do município de
Lagarto/SE. Tendo utilizado como instrumento de levantamento de dados para esta pesquisa a
entrevista e como técnica de análise dos dados a análise de conteúdo.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
A prática do Assistente Social na área da saúde tem inúmeros limites e obstáculos para
um agir comprometido com os princípios e diretrizes do Código de Ética Profissional. No
entanto, também traz possibilidades para uma prática inovadora e diferenciada daquela
tradicionalmente instituída no âmbito institucional.
IAMAMOTO (2001) ao analisar tal
questão afirma que: (...) um dos maiores desafios que o Assistente Social vive no presente é
desenvolver sua capacidade de decifrar a realidade e construir propostas de trabalho criativas
e capazes de preservar e efetivar direitos, a partir de demandas emergentes no cotidiano.
Enfim, ser um profissional propositivo e não só executivo.
A partir da entrevista realizada com a Assistente Social do Centro de Referência em
Saúde do Trabalhador – CEREST foi possível fazer uma análise das questões propostas na
entrevista, com o intuito de compreender a atuação profissional do Serviço Social no Centro
de Referência em Saúde do Trabalhador – CEREST.
PERGUNTA
RESPOSTA /ASSISTENTE SOCIAL
O que é o CEREST?
O Centro de Referência em Saúde do
Trabalhador é um órgão governamental que
objetiva atender o trabalhador, priorizando a sua
saúde no seu ambiente de trabalho. Os atendidos
pelo CEREST são trabalhadores formais,
informais, rurais e urbanos de toda região
Centro-Sul (Lagarto, Tobias Barreto, Riachão do
Dantas, Poço Verde, Simão Dias e Salgado).
Realizando ações que objetivam prevenir e
amenizar situações de riscos, acidentes e
doenças relacionadas ao trabalho. Para tanto há
o acolhimento, atendimento médico, social,
fisioterapêutica e outros, vigilância em saúde,
educação
em
saúde,
encaminhamentos,
elaboração e execução de projetos, e tantas
outras ações que possam oportunizar a saúde do
trabalhador”(AS)
Qual a demanda do CEREST?
“Trabalhadores em geral, empregadores,
gestores e ministério público do trabalho. A base
de toda e qualquer atribuição do assistente
social, é qualidade dos serviços prestados. No
CEREST as ações do serviço social são: acolher,
prestar orientações (individuais e coletivas) e /ou
encaminhamentos quanto aos direitos sociais da
população usuária, no sentido de democratizar
as informações; realizar vistorias e análise do
contexto social em que o trabalhador está
inserido; planejar e executar estudos e pesquisas
na área social; treinar, avaliar e supervisionar
estagiários de Serviço Social; propor solução
quanto ao atendimento (facilitar marcação de
consultas e exames, solicitação de internação,
alta e transferência); realizar educação em saúde
e outras” (AS)
Qual o papel do Assistente Social no “O trabalhador rural tem maior dificuldade em
ter acesso a orientações e informações, sendo
CEREST?
assim, realizam as suas atividades laborais sem
preocupar-se em usar equipamentos de proteção
individual (EPIS), nem mesmo em substituir o
agrotóxico por métodos sustentáveis como a
urina da vaca e a manipoeira. A orientação
inicial sobre a necessidade dos EPIS nem
sempre é bem vinda porque muitos acham
desnecessárias tais informações ou mesmo não
acreditam nos malefícios causados pelo
agrotóxico. Sendo necessário um processo
continuo de sensibilização. O acolhimento
inicial oportuniza conhecer e identificar a
relação existente entre a doença ou acidente e o
trabalho. Mas a prevenção de tais situações é a
melhor opção, por isso é que a educação em
saúde é tão importante. A pesquisa, através de
entrevista e conversas informais é bastante
favorável para um conhecimento da causa. A
seguir, através de projetos sociais, ha a execução
e a efetivação de ações voltadas para o bem
social do trabalhador. Conversas informais,
documentações,
reuniões,
observações,
entrevistas,
fichas
de
cadastro,
encaminhamentos, registros, acompanhamentos
sociais, projetos sociais, relatórios e visitas
domiciliares e institucionais, palestras, oficinas e
dinâmicas” (AS)
Qual o seu entendimento a cerca do “O trabalhador rural no povoado Olhos D`água
na sua maioria é orientado e informado sobre os
trabalhador rural e o uso do agrotóxico?
perigos do uso do agrotóxico e da necessidade
do uso de EPIS, no entanto, muitos ainda não
estão sensibilizados a usar os EPIS, ainda não
acreditam nos sérios riscos a saúde causados
pelo uso do agrotóxico. Alguns apresentam
problemas a sua saúde, como fadiga e
problemas respiratórios, mas não associam estes
a utilização de agrotóxicos” (AS)
Fonte: Entrevista realizada com a Assistente Social no Centro em Referência em Saúde do Trabalhador –
CEREST do município de Lagarto/SE no ano de 2012.
Fica evidenciado que o CEREST é um local de atendimento especializado para o
trabalhador, e que o trabalho dos assistentes sociais na área tem se situado nos diferentes
níveis de atenção, trabalhando na prestação de serviços a população usuária, seja na
promoção, proteção ou recuperação da saúde.
De acordo com Costa (2007) o serviço social na saúde interfere e cria um conjunto de
mecanismos que incidem sobre as principais contradições do sistema de saúde pública na vida
dos indivíduos.
Além disso, fica claro as precárias condições dos trabalhadores rurais, porém, os
profissionais são conscientes da falta de informação e conhecimento que estes tem, sendo
portanto um desafio para o Assistente Social nos dias de hoje, desenvolver propostas de
trabalho criativas e inovadoras, que sejam capazes de concretizar direitos sociais da
população usuária. Tal fato vai de encontro ao que preconiza o Código de Ética do
Assistente Social (1993), em seu 10º princípio: “Compromisso com a qualidade dos serviços
prestados à população e com o aprimoramento intelectual na perspectiva da competência
profissional”.
No entanto, sabe-se que o uso do agrotóxicos é uma incidência que vem crescendo ao
longo dos anos causando graves danos na saúde dos trabalhadores, bem como de toda
população e do meio ambiente. Cabe aos profissionais desta área, orientar e informar, como
meio de divulgação os danos que os agrotóxicos causam na saúde dos indivíduos, bem como
ao meio ambiente, demonstrando alternativas não poluentes.
Contudo, na realidade contemporânea, identifica-se os limites postos a profissão,
sendo necessário, alternativas de trabalho que procurem concretizar direitos sociais.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente estudo foi elaborado com base em pesquisas bibliográficas, bem como nos
conhecimentos adquiridos através das pesquisas realizadas, cujo propósito foi identificar a
atuação profissional do Serviço social e a saúde do trabalhador rural em contato com o uso de
agrotóxicos no povoado Olhos D Àgua no município de lagarto/Se.
O processo de construção deste estudo representou um continuo de desafios, muitas
das vezes de aparência intransponível, diante da complexidade que oenvolve a própria
discussão sobre o tema proposto.
O uso de agrotóxico é tido atualmente como um problema existente nas diversas
camadas sociais, onde esta atividade afeta toda a população, e principalmente o trabalhador
rural por ter contato direto com o insumo agrícola.
A modernização da agricultura possibilitou avanços nos meios de produção,
facilitando os manejos dos equipamentos, causando o aumento da produção, passando os
produtos a serem mais valorizados. Com isso, veio a necessidade de utilizar maquinarias
sofisticadas para preparo da terra, semeaduras, adubos e agrotóxicos.
Contudo, o processo de modernização tecnológico fez com que modificasse as
atividades agrícolas, gerando mudanças ambientais e sociais, deixando os trabalhadores rurais
expostos a diversos riscos.
Diante dessa problemática compreende que o trabalhador rural em contato com
o uso de agrotóxicos podem sofrer doenças que vai de uma simples dor de cabeça podendo
levá-los até a morte.
Nesse sentido, a pesquisa apontou a atuação do Serviço Social na saúde do trabalhador
rural que tem como instrumento de mediação informar sobre as doenças e agravos
relacionados ao trabalho através de ações de orientação e encaminhamento dos serviços
prestados, reforçando a concepção de que o profissional de Serviço social é mais do que um
técnico social, mas um profissional capaz de realizar sua intervenção social refletida na
construção dos fundamentos históricos, teóricos e metodológicos.
REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO
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GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas, 1991.
GUERRA, Yolanda. A Instrumentalidade do Serviço Social. São Paulo, Cortez, 1995.
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IAMAMOTO, M.V. O Serviço Social na contemporaneidade: trabalho e formação
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IAMAMOTO, Marilda Vilela. O Serviço Social na Contemporaneidade: trabalho e formação
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NETTO, José Paulo. Capitalismo monopolista e Serviço Social. São Paulo: Cortez, 1992.
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