1 Saúde Ambiental e Enfermagem: Conhecimento de funcionários dos serviços gerais1 Paula Marciana Pinheiro de Oliveira2 Gisele Mendes da Silva3 Maria Gleiciane Gomes Jorge4 Márcio Flávio Moura de Araújo5 Edmara Chaves Costa6 RESUMO Saúde e ambiente é temática trabalhada atualmente não somente com profissionais da área, mas com toda a humanidade, pois o impacto ambiental em consequência à degradação tem existido e significa ameaça aos sistemas de suporte à vida. Objetivou-se nesta pesquisa identificar o conhecimento de profissionais dos serviços gerais sobre saúde ambiental e meio ambiente. Tratou-se de pesquisa exploratória, descritiva com abordagem quantitativa, realizada com funcionários dos serviços gerais em Universidade Pública na região Nordeste. Para coleta de dados, utilizou-se instrumento e foi organizado encontro. Na análise, o programa epiinfo foi usado assim como literatura pertinente à temática. O projeto foi aprovado pelo Comitê de ética em Pesquisa. De acordo com os dados, as idades dos sujeitos variaram de 19 a 49 anos, com maioria do sexo feminino (58,18%). O maior número cursou ensino médio (50,91%), são casados/ união estável (52,73%), católicos (80,0%) e com renda familiar entre R$788,00 e R$2.364,00 (58,18%). Com relação aos questionamentos sobre conceito e descarte do lixo, além de possíveis doenças causadas pela contaminação da água e solo, os participantes demonstraram relativo conhecimento, porém percebe-se que educação e promoção da saúde a esses indivíduos devem ser realizadas. A enfermagem, enquanto profissão que busca promover saúde e prevenir doenças deve está inserida em diversos contextos trabalhando e realizando atividades educativas para diferentes públicos com o intuito de contemplar a saúde ambiental e a conscientização de todos. Palavras-chave: Saúde Ambiental. Enfermagem. Conhecimento. INTRODUÇÃO A relação entre saúde e ambiente tem sido trabalhada como assunto cada vez mais importante, não somente para profissionais que lidam diretamente com este tema, mas para toda a humanidade, pois a degradação ambiental tem existido e significa uma ameaça aos sistemas de suporte à vida. Esta destruição é também consequência de avanços científicos, econômicos e materiais (FREITAS; PORTO, 2006) e os seres humanos são os responsáveis diretos pelos danos causados à natureza, por isso é necessário o pensamento e reflexão sobre o bem-estar ecológico e consequentemente humano (BESERRA et al., 2010). 1 Trabalho de Extensão realizado na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia AfroBrasileira (UNILAB). 2, 5 Enfermeiros. Professores Adjuntos do curso de enfermagem da UNILAB. 3,4 Alunas do curso de Enfermagem da UNILAB. Bolsistas Pesquisa e Extensão, Arte e Cultura. 6 Médica Veterinária. Professora Adjunta do curso de Enfermagem da UNILAB. 2 Entre os efeitos globais mais discutidos na mídia e acompanhados pelos ambientalistas em consequência desta falta de harmonia entre o homem e a natureza são o “aquecimento global” e a “destruição da camada de ozônio”. Estes decorrentes da emissão contínua de gases poluentes na atmosfera já estão originando sérios danos. O primeiro é resultado do efeito estufa, pela emissão de gases como o monóxido (CO), dióxido de carbono (CO2) e outros derivados fósseis (petróleo, carvão e derivados) originados de veículos, indústrias retendo quantidade maior de calor na superfície e elevando a temperatura do planeta. O aquecimento global é um dos assuntos mais divulgados nos diferentes meios de comunicação atualmente e grande parte das informações que chegam às pessoas por meio da mídia, acaba passando a imagem de um fenômeno catastrofista e indiscutível. A camada de ozônio, por sua vez, também está sendo destruída pela influência principal de gases clorofluorcarbonos (CFC). Assim, compromete-se esta barreira localizada na estratosfera e que impede a passagem de raios ultravioletas (raios UVA e UVB) e no eficiente processo de fotossíntese das plantes, que remove CO2 do ar (BARSANO; BARBOSA, 2013). Na atualidade, o ambiente é visto numa perspectiva mais ampla e inovadora, como determinante de saúde, na busca pela promoção da saúde. Neste intuito, percebese que diferentes áreas de atuação interdisciplinar devem unir-se para alcançar medidas de conscientização sobre os problemas ambientais, pois estes estão cada vez mais presentes e interferem na saúde das pessoas. A Enfermagem, nesse âmbito, como profissão que aborda em seu cotidiano a educação e promoção da saúde, deve inserir-se nessa área efetivamente por meio de ações que capacitem o indivíduo e a comunidade. Deve mostrar ao sujeito a necessidade de reflexão crítica para uma mudança de comportamento comprometida com a saúde ambiental. Trata-se, então, do desafio de capacitar pessoas para concretizarem atividades consideradas ecologicamente corretas, uma vez que o desenvolvimento se encontra continuadamente estimulado e a degradação ambiental mais presente. O enfermeiro pode atuar, trabalhando conteúdos acerca da saúde ambiental e, consequentemente humana. As atividades educativas sobre a saúde ambiental devem seguir os eixos da Promoção da Saúde descritos na Carta de Otawa, consentindo a ampliação de habilidades pessoais para reforçar a ação comunitária numa articulação coletiva e rever a formulação de políticas públicas para criar ambientes saudáveis e livres de poluição (BESERRA et al., 2010). Ambientes estes tanto residenciais, de trabalhos, sociais, individuais e coletivos. 3 Finalmente, é imprescindível pensar em (re)discutir o conceito de meio ambiente, e incluir diferentes perspectivas a ele associadas (social, econômica, cultural, dentre outras), no intuito de buscar um olhar e ação para além do modelo biomédico. Deve-se pensar nos sujeitos, objeto de trabalho (pessoas, famílias, comunidades) dos profissionais de saúde, de uma forma mais holística, integral e menos medicalizada e biologicista, para valorizá-los enquanto seres humanos. É preciso acreditar que, enquanto trabalhadores da área da saúde, pode-se e deve-se, tomar decisões conscientes e agir responsavelmente com o meio ambiente, já que todos são atores sociais, que respondem pelos atos imediatos e futuros. Para isso, é indispensável uma relação de horizontalidade entre os seres humanos e os demais elementos do ambiente, como já preconizava Florence Nightingale, há mais de um século (CAMPONOGARA, 2012). Na presente pesquisa, objetivou-se identificar o conhecimento de profissionais dos serviços gerais sobre saúde ambiental e meio ambiente. Sabe-se que a partir da situação diagnóstica de determinada população, existe a possibilidade de intervenção e consequente importância do meio ambiente, manutenção do ambiente de trabalho, especificamente, limpo e sua relação com a prevenção de várias doenças. MÉTODO Tratou-se de uma pesquisa exploratória, descritiva, com abordagem quantitativa, realizada com a comunidade acadêmica (funcionários dos serviços gerais) da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), em seus três campus. Para execução das atividades foram reservadas salas de aulas, uma em cada campus. A coleta de dados foi concretizada em março e abril de 2015 e seguiu três etapas. Neste estudo, será contemplada a descrição das duas primeiras etapas: A primeira etapa, após anuência do Comitê de Ética em Pesquisa da Instituição, Diretor do Instituto de Ciências da Saúde (ICS) e Diretor da empresa terceirizada, do qual presta serviço para a Instituição (recursos humanos), foram reservadas salas, organizadas atividades e efetivado convite aos sujeitos do estudo (funcionários de serviços gerais - comunidade acadêmica). No mesmo momento, com o aceite de participação, efetivou-se a segunda etapa concernente à aplicação do instrumento de coleta de dados. 4 O instrumento que foi utilizado para coleta de dados contempla duas partes, além da identificação, perfil pessoal e profissional do sujeito participante. A primeira parte do instrumento aborda questões objetivas de múltipla escolha sobre a temática. A segunda parte, por sua vez, foi constituída por questões subjetivas relacionadas à opinião dos sujeitos sobre a realização da atividade e importância do conteúdo para cada participante. Como critérios de inclusão utilizados para os sujeitos: ser funcionário público ou terceirizado dos serviços gerais com idade acima de 18 anos e alfabetizado. Não houveram critérios de exclusão. Para análise dos dados foram elaboradas frequências relativas e absolutas utilizando o programa epiinfo, além da discussão à luz da literatura científica pertinente à temática. Para participação do sujeito na pesquisa, o mesmo preencheu e assinou o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) confirmando o conhecimento sobre vantagens e possíveis riscos da pesquisa. O estudo obedeceu à resolução 466/2012 que condiz com o respeito, à individualidade, privacidade e direito de desistência da pesquisa a qualquer momento se assim desejar. O projeto foi submetido à avaliação do Comitê de Ética em Pesquisa sendo aprovado com número do parecer 962.995. RESULTADOS O presente estudo foi concretizado com 55 sujeitos de uma Universidade Pública no interior do estado do Ceará. Abaixo estão apresentadas as tabelas com os resultados coletados. A primeira tabela apresenta a relação do perfil dos sujeitos com as variáveis idade, sexo, nível de escolaridade, estado civil, religião e renda familiar. As outras tabelas foram elaboradas a partir de questões do instrumento de coleta de dados. As mesmas estão relacionadas ao conceito e descarte do lixo, ecossistema e doenças causadas pela contaminação da água e solo. A seguir, apresenta-se a primeira tabela com a caracterização dos sujeitos da pesquisa. 5 Tabela 1: Distribuição do número de sujeitos segundo variáveis. Acarape, 2015. Variáveis Idade 19 a 30 anos 31 a 39 anos 40 a 49 anos Sexo Masculino Feminino Nível de Escolaridade Fundamental Incompleto Fundamental Completo Médio Incompleto Médio Completo Superior Incompleto Superior Completo Estado Civil Casado/União Estável Divorciado/Separado Solteiro Viúvo Religião Católica Protestante Ateu Católico/Umbanda Renda Familiar < R$ 787,00 Entre R$ 788,00 e 2.364,00 Entre R$ 2.365,00 e 3.940,00 Acima de R$ 3.941,00 n % Intervalo de Confiança 24 20 11 43,64% 36,36% 20,00% 30,30% - 57,68% 23,81% - 50,44% 10,43% - 32,97% 23 32 41,82% 58,18% 28,65% - 55,89% 44,11% - 71,35% 14 7 4 28 1 1 25,45% 12,73% 7,27% 50,91% 1,82% 1,82% 14,67% - 39,00% 5,27% - 24,48% 2,02% - 17,59% 37,07% - 64,65% 0,05% - 9,72% 0,05% - 9,72% 29 3 21 2 52,73% 5,45% 38,18% 3,64% 38,80% - 66,35% 1,14% - 15,12% 25,41% - 52,27% 0,44% - 12,53% 44 9 1 1 80,00% 1,82% 16,36% 1,82% 67,03% - 89,57% 7,77% - 28,80% 0,05% - 9,72% 0,05% - 9,72% 21 32 1 1 38,18% 58,18% 1,82% 1,82% 25,41% - 52,27% 44,11% - 71,35% 0,05% - 9,72% 0,05% - 9,72% De acordo com os dados, as idades dos sujeitos variaram de 19 a 49 anos, com maioria do sexo feminino (58,18%). O maior número cursou ensino médio (50,91%), são casados/ união estável (52,73%), católicos (80,0%) e com renda familiar entre R$788,00 e R$2.364,00 (58,18%). Abaixo está a tabela 2 com a distribuição dos sujeitos em relação ao conhecimento dos mesmos sobre o conceito de lixo. 6 Tabela 2: Distribuição do número de sujeitos segundo conhecimento sobre o conceito de lixo, Acarape, 2015. O que você entende por lixo? n % Intervalo de Confiança O que não utiliza mais 8 14,55% 6,50% - 26,66% Restos alimentares 7 12,73% 5,27% - 24,48% Quaisquer objetos que não tem mais utilidade 6 10,91% 4,11% - 22,25% O que causa sujeira 8 14,55% 6,50% - 26,66% Todas alternativas anteriores 21 38,18% 25,41% - 52,27% Outros 2 3,64% 0,44% - 12,53% Restos alimentares; Quaisquer objetos que não 2 tem mais utilidade 3,64% 0,44% - 12,53% Quaisquer objetos que não tem mais utilidade; 1 O que causa sujeira 1,82% 0,05% - 9,72% 55 100,00% Total Esta tabela 2 representa uma das questões presentes no instrumento de coleta de dados. Nesta o indivíduo poderia marcar mais de uma alternativa, pois todas estão corretas, no entanto, com a resposta todas alternativas anteriores ele englobaria a opção mais completa. Percebe-se, porém, que menos da metade 21 (38,18%) dos participantes atentou-se para tal escolha. É importante destacar também que duas pessoas tinham outra compreensão de lixo e que acreditavam não está sendo contemplada nas alternativas do instrumento, marcando o item outros como opção, sendo elas: material reciclável e aquilo que não se utiliza e polui o ambiente urbano, que não são degradáveis. Descrições estas que contemplam o conceito de lixo, porém de uma forma também restrita. A tabela 3, 4 e 5 que seguem abaixo apresenta, por sua vez, o conhecimento dos participantes da pesquisa em relação ao descarte do lixo, conhecimento sobre ecossistema e doenças causadas pela contaminação da água e lixo. 7 Tabela 3: Distribuição do número de sujeitos segundo conhecimento sobre descarte do lixo, Acarape, 2015. Onde deve ser descartado o lixo? n % Intervalo de Confiança Enterra 2 3,64% 0,44% - 12,53% Usa para outros fins/reutiliza 3 5,45% 1,14% - 15,12% Joga no lixo/Despreza em sacos próprios 14 25,45% 14,67% - 39,00% Joga em qualquer lugar 2 3,64% 0,44% - 12,53% Queima 2 3,64% 0,44% - 12,53% Separa material orgânico e inorgânico/recicla 11 20,00% 10,43% - 32,97% Total 55 100% Nesta tabela 3 apontam-se para as principais formas de descarte de lixo encontradas, sendo elas: Joga no lixo/Despreza em sacos próprios 14 (25,45%) e logo em seguida Separa material orgânico e inorgânico/recicla 11 (20,0%). Pode-se atribuir esse resultado também a crescentes e inúmeras propagandas esclarecendo e sensibilizando as pessoas a maior consciência ecológica para melhor vivência no planeta não só para hoje, mas conservação para gerações futuras. Importante mencionar que boa parte dos participantes 21 (38,18%) marcaram mais de uma opção. Isto podia ser feito, mas, deveriam marcar as opções corretas: usa para outros fins/reutiliza; Joga no lixo/Despreza em sacos próprios; Separa material orgânico e inorgânico/recicla. Isto aconteceu com 17 (30,9%) sujeitos. Tabela 4: Distribuição do número de sujeitos segundo conhecimento sobre Ecossistema, Acarape, 2015. O que você entende por ecossistema? n % Conjunto formado por todas as comunidades vivem e interagem em determinada região. 5 9,09% Sistema composto pelos seres vivos e o local onde eles vivem (onde estão inseridos todos os componentes não vivos do ecossistema como os minerais, as pedras, o clima, a própria luz solar, e etc.) e todas as relações destes com o meio e entre si. 41 74,55% Não entendo nada. 9 16,36% Total 55 100,00% Intervalo de Confiança 3,02% - 19,95% 61,00% - 85,33% 7,77% - 28,80% 8 Esta tabela descreve o resultado do questionamento relacionado ao conhecimento do público-alvo sobre ecossistema. Os mesmos em sua maioria marcaram a opção correta: Sistema composto pelos seres vivos e o local onde eles vivem (onde estão inseridos todos os componentes não vivos do ecossistema como os minerais, as pedras, o clima, a própria luz solar, e etc.) e todas as relações destes com o meio e entre si. Isto mostra que os participantes tinham conhecimento prévio do que é ecossistema. Antes de apresentar a tabela a seguir, que apontam as possíveis doenças causadas pela contaminação da água e solo, é importante ressaltar que uma das questões presentes no instrumento foi se o acúmulo de lixo pode ocasionar doenças. Com a seleção da alternativa sim, foram mostrados indicadores positivos, porque supõem-se que o público tem ciência que o contato do lixo com água e solo pode estar contaminando os mesmos e desses esperam-se uma atitude mais comprometida com a saúde da comunidade e do planeta. Tabela 5: Distribuição do número de sujeitos segundo conhecimento sobre doenças causadas pela contaminação da água/solo, Acarape, 2015. Doenças pela contaminação da água/solo Conhecimento Sim Não n % N % Diarreia 40 72,7 15 27,3 Hepatite A 17 31,0 38 69,0 Dengue 50 90,9 5 9,1 Leptospirose 31 56,4 24 43,6 Esquistossomose 29 52,7 26 47,3 Doenças dos olhos 20 36,4 35 63,6 Doenças da pele 50 90,9 5 9,1 Uma das perguntas realizadas no instrumento foi concernente a possibilidade de possíveis doenças causadas pela contaminação da água e solo. Como foi possível identificar ao observar a tabela, as doenças mais selecionadas como possíveis de contaminação são dengue e doenças de pele (90,0%) seguidas de diarreia (72,7%). 9 DISCUSSÃO Como pode ser observado na tabela um, homens e mulheres estão em número semelhantes, respectivamente 23 (41,82%) e 32 (58,18%), porém com ainda predominância feminina. Este fato deve-se possivelmente a relação das funções do profissional dos serviços gerais, que assemelha-se aos ofícios realizados na maioria dos casos pela mulher em seu lar. Na tabela 2 percebeu-se que a resposta “todas as alternativas anteriores” foi selecionada por 21 participantes (38,18%). Esta é a resposta mais correta, pois contempla todos os itens corretos. Porém, no geral, ficou claro que a maioria dos participantes tem compreensão limitada do que venha a ser lixo, por marcar somente uma opção. Conhecer o destino final do lixo é fundamental, pois este é um dos agravantes da degradação do meio ambiente. Atualmente, tem sido mais discutido a respeito da coleta seletiva e reciclagem de resíduos sólidos como possível solução para reduzir o volume de lixo a ser disposto em aterros ou lixões. A reciclagem é uma das maneiras que permite a diminuição do volume de lixo produzido e o reaproveitamento de diversos materiais, auxiliando a preservar elementos da natureza neste processo de reaproveitamento da transformação de materiais. A conscientização da sociedade em geral é fator relevante para que as políticas ambientais tenham sucesso e sejam efetivas (PERSICH; DJALMA, 2011). Nesta pesquisa, dentre àqueles indivíduos que marcaram ou somente esta opção separa material orgânico e inorgânico/recicla ou juntamente com outros itens, totalizaram 28 (51,0%) sujeitos, ou seja, quase metade dos participantes tem esta consciência. Número ainda pequeno considerado ao total de funcionários que trabalham com limpeza e ambiente. Na verdade, é importante se trabalhar a consciência ecológica. Termo este utilizado em literaturas especializadas e que tem sua origem historicamente no período pós-guerra quando setores da sociedade ocidental industrializada passam a propagar reações às destruições produzidas pelo desenvolvimento tecnocientífico e urbano industrial sobre o meio ambiente natural e estabelecido. Esta expressão significa o despertar de um entendimento e sensibilização da degradação do meio ambiente e das consequências dessas atitudes à qualidade da vida humana e para o futuro da espécie como um todo. Apregoa a dimensão da presente crise ecológica (SILVA et al., 2015). 10 Atualmente, vive-se em ambiente onde a natureza é profundamente agredida. Toneladas de matérias-primas, originadas de vários lugares no planeta são industrializadas e consumidas gerando rejeitos e resíduos, denominados lixo. Este definido como todo e qualquer material descartado, consequência das atividades humanas (pequena parte do que é produzido diariamente), composta pelos resíduos de outros setores, podem ser classificados em vários tipos a depender da origem de cada um: espaços públicos como ruas e praças, com folhas, terras, entulhos; estabelecimentos comerciais com restos de comida, embalagens, vidros, latas, papéis, plásticos; casas com papéis, embalagens plásticas, vidros, latas, restos de alimentos (orgânicos); rejeitos; fábricas com rejeitos sólidos e líquidos. A composição desses produtos é variada, que depende dos materiais e processos usados. Também tem os lixos hospitalares, das farmácias e casas de saúde, um tipo especial de lixo, contendo agulhas, seringas, curativos, que produz inúmeras doenças (ANDRADE, 2013). Impactos no ambiente não eram tão relevantes na pré- história, pensando nas características dos resíduos basicamente orgânicos, que se decompunham mais rapidamente. Também a produção per capita infinitamente menor. O avanço tecnológico atual, por sua vez, trouxe benefícios e melhorias para a qualidade de vida da população, porém causou degradação progressiva no meio ambiente e aumentou sobremaneira a produção de materiais residuais com atributos mais agressivos e tempo de decomposição maiores (MARCONDES, 2014). Na atualidade, o ideal é trabalhar com a sociedade de forma constante a possibilidade de “repensar” como reflete o Ministério do Meio Ambiente – MMA (BRASIL, 2012). Este termo exibe elementos substanciais para a gestão dos resíduos sólidos. Em primeiro lugar, pensa-se a não geração, que indiretamente engloba a atitude de repensar. Assim, seguem-se reduzir; reutilizar; reciclar; tratar; e dispor “adequadamente” os resíduos. Reduzir o consumismo e a consequente produção de resíduos após repensar é primordial. Quando não se consegue reduzir, tentar reutilizar alguns produtos para evitar a produção de mais lixo. Reciclar é fundamental. Neste, a pessoa tenta utilizar os resíduos para outros fins (OLIVEIRA et al., 2015). Na Tabela 3, observa-se que dentre as diversas formas de descarte do lixo, na qual se considerou umas mais e outras menos adequadas, seis pessoas indicaram enterra como opção e ainda nove selecionaram queimada, embora boa parte tenha marcado as opções corretas, por serem pessoas que moram em serra e interior, alguns falaram dessas formas de descarte do lixo como únicas ou por falta de informação mesmo. 11 As consequências da queimada podem ser prejudiciais à sociedade e aos ecossistemas. Para a sociedade devem ser observados os efeitos sobre a saúde humana e os de ordem econômicas e sociais. No sistema de saúde, elevado número de internações hospitalares por doenças do aparelho respiratório podem acontecer. Queimadas e incêndios florestais afetam a reciclagem de nutrientes, causa morte de plantas e animais, diminuindo a variedade das espécies e biodiversidade, eliminando predadores naturais de pragas, destroem nascentes, contribui negativamente para o aquecimento global, favorecendo o efeito estufa. A fumaça diminui a incidência solar e isto prejudica a fotossíntese, tem como consequências perdas de nichos ecológicos, que impacta negativamente a capacidade do meio ambiente em resistir às mudanças (SILVA; SOUZA, 2013). Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE 2010), cerca de 58% dos domicílios rurais queimam lixos devido a carência de serviços de coleta. Isto pode ser um risco à saúde da população no entorno pela liberação de dioxinas, substância química com potencial cancerígeno, resultante da queima de materiais plásticos. Segundo a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) do Brasil, são fundamentais a universalidade e eficiência do serviço de coleta seletiva formal. Porém, observa-se que desde a aprovação desta política houve poucos avanços na universalização do serviço, por meio do acréscimo de sua abrangência na maioria dos municípios. Grande parte desses ainda tem projetos piloto de baixa abrangência, pois encontram dificuldades de ordem técnica e econômica e pouca prioridade na agenda pública para a coleta seletiva (BESEN et al., 2014). Neste sentido, com resultados positivos neste estudo para esta pergunta do descarte do lixo, mas ainda existindo pessoas que queimam e enterram resíduos, sabe-se que a educação é fundamental e um direito universal. Trabalhar com o conhecimento voltado à realidade não se desvinculando da identidade e cidadania apresentada é o primeiro passo para transformar a história de cada um e da sociedade em geral (OLIVEIRA, 2014). Disponibilizar formas corretas de descarte do lixo explanando a este público a forma correta para tal instigará reflexões capazes de modificar fatos para melhor. Este aspecto deu continuidade à realização desse estudo. Na Tabela 4, foi apresentado o conceito de ecossistema no intuito de que os sujeitos também pudessem associar esta definição e a sua relação com os seres vivos e o habitar; e todas as relações destes com o meio e entre si. 12 Na Tabela 5, por sua vez, foi perceptível que as únicas doenças que foram selecionadas por menos da metade dos sujeitos foram hepatite A (31,0%) e Doenças de olhos (36,4%). Isso pode está associado à divulgação escassa da relação entre o aparecimento dessas doenças com o acúmulo de lixo na água e solo. Os riscos ambientais têm interconexão com os problemas de saúde tais como desnutrição e doenças associadas; doenças mentais, respiratórias, cardiovasculares, dermatológicas, infecciosas, cancerígenas e o mesmo contribuem para o ressurgimento de determinadas doenças, causados por alimentos contaminados com agrotóxicos, poluição hídrica, mudanças climáticas, poluição do ar e destruição de ecossistemas. (CAMPONOGARA, 2011). Diversas doenças infecciosas e parasitárias tem no meio ambiente uma fase de seu ciclo de transmissão. O controle dessas doenças é fundamental, além da intervenção em saneamento e cuidados médicos. Completa-se esta ação quando é promovida a educação sanitária, educação e promoção da saúde, mostrando a necessidade de adoção de hábitos higiênicos como utilização e manutenção adequadas das instalações sanitárias; e melhoria da higiene pessoal, doméstica e dos alimentos (RADICCHI; LEMOS, 2009). As principais doenças relacionadas com a água e pela falta de saneamento são doenças como diarreias e disenterias, cólera, giardíase, febre tifoide e paratifoide, leptospirose, amebíase, hepatite infecciosa, ascaridíase (lombriga), infecções na pele e nos olhos como o tracoma, e tifo, piolhos, escabiose, esquistossomose, malária, febre amarela, dengue, filariose (elefantíase), ascaridíase, tricuríase, ancilostomíase, teníase e cisticercose. Todas essas pertencentes a grupos de doenças com formas de transmissão e prevenção específicas. Além dessas doenças de origem biológica, a água pode, ainda, ser veículo de numerosas substâncias químicas capazes de provocar problemas graves à saúde do indivíduo que as consumir durante um período ou em quantidades elevadas (RADICCHI; LEMOS, 2009). Especificamente às hepatites virais, essas são doenças infecciosas originadas por diferentes agentes etiológicos com características epidemiológicas, clínicas e laboratoriais distintas. A hepatite viral é uma doença universal com variações a depender dos agentes determinantes. Os principais vírus são A, B, C, D e E, tendo o homem como único reservatório importante. Os vírus VHA e VHE tem transmissão fecal-oral, e os demais, VHB, VHC, VHD são transmitidos mais frequentemente por via sexual, parenteral percutânea e vertical (CRUZ et al., 2009). Sendo assim, para a doença 13 ora questionada neste estudo, percebe-se que o acúmulo de lixo e a contaminação de água e solo pode causar a infecção da Hepatite A. CONCLUSÕES Com a realização desse estudo, foi perceptível que existe algum conhecimento desses funcionários dos serviços gerais, mas também a intervenção e educação em saúde devem ser trabalhadas com os mesmos na perspectiva de modificar quaisquer pensamentos e percepções errôneas. Quando se retrata o conteúdo de saúde ambiental é muito importante questionar e relatar sobre o conceito e descarte do lixo, contaminação de água e solo, além de descrever sobre as principais doenças que podem ser adquiridas em decorrências desta contaminação. Isto, de fato, foi trabalhado e nesses questionamentos, nas suas individualidades, houveram respostas relativamente boas com aspectos a melhorar. Sobre o conceito de lixo, ainda há uma visão limitada sobre tal, com relação ao descarte do lixo, 42 (76,35%) sujeitos conseguiram responder de forma correta. E no que concerne às doenças, somente duas dessas foram selecionadas por menos da metade dos participantes, a hepatite A (31,0%) e Doenças de olhos (36,4%). Este projeto é de grande relevância, pois oferece colaboração significativa para os estudos relacionados à saúde ambiental e enfermagem, uma vez que foi realizado também revisão narrativa e poucas publicações foram encontradas a cerca desta temática e com o público de serviços gerais. A enfermagem, enquanto profissão que busca promover saúde e prevenir doenças deve está inserida em diversos contextos trabalhando e realizando educação em saúde para diferentes públicos com o intuito de contemplar a saúde ambiental e a conscientização de todos. Estudo em continuidade a este foi realizado na perspectiva de disponibilizar oficinas educativas a este público e melhorar o conhecimento prévio dos mesmos. 14 REFERÊNCIAS ANDRADE, J.R. de. Lixo: Uma questão de conscientização. Revista Brasileira De Educação e Saúde Rebes, v. 3, n. 4, p. 30-38, out./dez. 2013. BARSANO, P.R.; BARBOSA, R.P. Meio ambiente: guia prático e didático. 2.ed. São Paulo: Érica, 2013. 256p. BESEN, G.R. et al. 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