UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ MBA EM GESTÃO DA COMUNICAÇÃO PÚBLICA E EMPRESARIAL MARINA DE SOUZA DOMINGUES JULIANO LUTZ ANTUNES CWB: CAPITAL DO ROCK CURITIBA 2014 MARINA DE SOUZA DOMINGUES JULIANO LUTZ ANTUNES DIFICULDADES DAS BANDAS DE ROCK INDEPENDENTES CURITIBANAS FRENTE À COMUNICAÇÃO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao MBA em Gestão da Comunicação Pública e Empresarial, da Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas, da Universidade Tuiuti do Paraná, como requisito para obtenção do grau especialista. Orientadora: Prof.ª Denise Stacheski CURITIBA 2014 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 2 1.1 CWB: CAPITAL DO ROCK ................................................................................. 2 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ............................................................................ 5 2.1 O BERÇO CURITIBANO EMBALADO À MUSICA ............................................. 6 2.1.1 NOVOS JORNAIS ACOMPANHAM O MOVIMENTO CULTURAL ................... 8 2.1.2 CURITIBA MODERNA ENGATINHA NAS BATIDAS DO ROCK AND ROLL .... 9 2.2 NASCE O ROCK CURITIBANO E A MÍDIA QUER OUVÍ-LO CANTAR ........... 12 2.3 IDENTIDADE ROQUEIRA....................................................................................13 2.4 ESPAÇO NA MÍDIA CURITIBANA.......................................................................14 2.5 PESQUISA: DVD CWB: Capital do Rock.............................................................15 2.6 CONCLUSÃO 3 METODOLOGIA DE PESQUISA ......................................................................... 18 3.1 DELINEAMENTO DA PESQUISA ..................................................................... 18 3.2 POPULAÇÃO E AMOSTRA ............................................................................. 18 3.3 COLETA DE DADOS ........................................................................................ 18 3.4 TRATAMENTO E ANÁLISE DOS DADOS ....................................................... 19 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 20 2 1 INTRODUÇÃO 1.1 CWB: CAPITAL DO ROCK “No meu caminho tenho mais de quatro nortes Pra iludir uma só morte se pensar em me segurar Lá no meu campo nunca tive bandeira Se preciso dou rasteira vou cantar noutro lugar” Blindagem Curitiba é considerada a capital do rock brasileiro pela quantidade de bandas de garagem que surgem todos os dias, é o que dizem os músicos dessa categoria. Ainda sim, há quem diga que a cidade, na verdade, é um grande túmulo para o estilo musical. Berço de grandes bandas que marcaram época, como Blindagem, Flaicheclares, Black Maria, Firecracker, Relespública e muitas outras, poucas delas chegaram perto de alcançar o sucesso nacional, cativado apenas por um publico seleto de apreciadores do rock e da boa música regional. O sentimento de pesar dos artistas curitibanos aponta as grandes dificuldades de todos os artistas do ramo: Ter reconhecimento nacional, apoio do público, locais que abram espaço para a música autoral e divulgação na mídia. Ainda sim, entre os músicos paranaenses não se discute a qualidade musical das nossas bandas locais independentes, mas sim, as hipóteses sobre os obstáculos que criam hoje esse cenário tão nefasto. Entre tantas possíveis respostas, os próprios artistas atribuem, principalmente, ao público curitibano parte da responsabilidade dessa situação. Se Curitiba por um lado, é reconhecida mundialmente por suas ações inovadoras - como em aspectos urbanos e ecológicos -, por quê ainda esbarra na aprovação dos próprios habitantes que resignam-se a um comportamento provinciano de consumo e valorização das obras externas e massificadas? Profissionais da área indagam se o público curitibano não conhece o 3 trabalho das bandas locais ou apenas não se identifica com o gênero musical que insiste em crescer e, ainda sim, esbarrar no insucesso. Então, se a consolidação do trabalho regional estiver condicionado a aprovação da grande massa consumidora, questionamos nesse trabalho se a divulgação midiática está cumprindo o seu papel de propagador e provedor de identidade cultural. O jornalista e músico Fernando Tupan diz acreditar que “Curitiba vive uma efervescência musical e a mídia ainda não se tocou”, e que apesar de existir o cenário musical na cidade, não há interesse por parte da mídia em divulgálo. Não obstante, podemos aludir inúmeros artistas paranaense que alcançaram o ápice do sucesso nacional, conhecidos e reconhecidos pela massa brasileira, contudo não carregam a bandeira da “nossa terra” e perpetuam o estigma que assombra essa classe. Exemplos como Chitãozinho e Xororó, Michel Teló, Marjorie Estiano, Luís Mello, Letícia Sabatela, Grazi Massafera, Herson Capri certamente carregam consigo o orgulho de serem paranaenses, todavia são ícones que não se construíram nos pilares de uma identidade regional. Sendo assim, este trabalho pretende apontar através de pesquisa quais dificuldades enfrentam os artistas das bandas de rock independentes curitibanos no que se refere à divulgação do seu trabalho, pretendendo responder a seguinte problemática: será possível encontrar em Curitiba apoio da mídia e consolidar-se regionalmente e nacionalmente como banda de rock independente? 4 1.2 OBJETIVOS O desafio deste trabalho é buscar informações que traduzam as dificuldades encontradas pelas bandas de rock independentes curitibanas em se consolidarem no mercado musical, seja regional como nacional, encontrando na mídia local alavanca ou propulsor cultural para consolidar o melhor do rock paranaense. 1.2.1 OBJETIVO GERAL Identificar as dificuldades que as bandas encontram em relação à imprensa curitibana. 1.2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS - Apresentar teoricamente e brevemente a história da construção musical no Paraná e Curitibana, acompanhado do seu movimento cultural e apresentar o caminho das bandas de rock curitibanas, a partir do seu surgimento até os dias atuais; - Entrevistar músicos, integrantes ou ex-integrantes de bandas de rock curitibanas e usar seus relatos sobre as dificuldades enfrentadas no campo musical e comercial. 5 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Faremos uma pequena viagem ao tempo, relembrando o primeiro movimento cultural do estado e por consequência da capital, relatando pequenos sinais de como a imprensa abordava com importância o tema noutra época, em consonância com o movimento artístico, todos engajados na consolidação da identidade cultural da nossa região. Após, adentramos na história do rock curitibano que surge, ainda dentro do movimento de identidade cultural, mas que acaba por perder força há pouco mais de duas décadas. Finalizamos com entrevistas das bandas locais que fizeram sucesso, ou as que ainda insistem neste mercado que se apresenta tão pouco promissor. 6 2.1 O BERÇO CURITIBANO EMBALADO À MUSICA Cosmopolita, do grego kosmopolítes, sendo kosmós=mundo e epolites=cidadão, é a palavra usada para definir pessoa que se julga cidadã do mundo inteiro. Era assim o perfil dos cidadãos curitibanos, no final do século XIX e início do XX, em razão da presença de migrantes e imigrantes de todas as partes: “(...) um visitante que chegasse a Curitiba pretendendo encontrar na cidade as características gerais das cidades históricas do país, se surpreenderia encontrando nela austríacos, franceses, alemães, húngaros, belgas, suecos, irlandeses, holandeses, russos, dinamarqueses, italianos, polacos, sírios etc., cujas características não se ajustam em conjunto, mas se agrupam em núcleos distintos.” (MARTINS, Romário,1946, p.92) Desde a emancipação oficial do Paraná, em 1853, crescia a expectativa para a construção de uma identidade própria e da autonomia da nova província. O ciclo de expansão da erva-mate financiou a construção da identidade paranaense e o desenvolvimento desta economia gerou a renda necessária para a transformação urbana da capital, formando em Curitiba, a primeira geração importante de escritores, pintores, artistas, etc. (PEREIRA, Luis Fernando Lopes, 2009) Na busca e afirmação de uma identidade própria, os veículos de comunicação deste período fizeram-se de extrema importância, documentando toda atividade artística da época, difundindo e disseminando a cultura regional: “Curitiba atravessava uma fase de intensa atividade artística. As exposições individuais e coletivas sucediam-se encontrando por parte da imprensa fartos comentários. Sempre as colunas de todos os jornais editados na Capital estavam abertas para os acontecimentos artísticos: os redatores escreviam artigos, os repórteres faziam entrevistas, os críticos, estudos pormenorizados”. (MORRETES, 1944, p.5) A música em Curitiba, acompanhando todo movimento artístico da época, teve seu devido destaque, na data de 19 de dezembro de 1853, no Palácio 7 Presidencial, quando Dna. Maria da Glória Sá Sotto-maior cantou, acompanhada do coro de vozes infantis, o “Hino à Província do Paraná” ou “Hino da Emancipação”. Boletins informativos e jornais documentavam toda movimentação musical, mesmo as músicas cantadas em igrejas, pelas figuras importantes da época e eram noticiadas como notório acontecimento. Grandes nomes configuraram-se nesta época, entre eles Brasílio Itiberê, foi reconhecido como o primeiro compositor brasileiro que realmente compôs música brasileira, ao utilizar temas melódicos do nosso folclore na peça pianística “A Sertaneja” e representou o Brasil em capitais americanas e europeias (RODERJAN, 1997). O irmão do compositor, João Itiberê junto com Andrade Muricy, consolidaram carreira no setor e em jornalismo, com críticas musicais. A partir daí, outros nomes paranaenses foram se consolidando nesse campo, reconhecidos nacionalmente e internacionalmente, carregando consigo o folclore paranaense. Segundo Rodejan, a música popular era uma herança familiar e tinha tanto valor entre as famílias que orquestras e bandas fundadas nessa época, tocavam em todas ocasiões como bailes, reuniões, comemorações cívicas e religiosas. O início do século XX já portava um passado musical carregado de talento e trabalho, para ele, negar a música desta época seria desconhecer as raízes que ela criou e que ainda temos possibilidades de ver frutificar mais abundantemente no futuro. O novo século chegava já carregado das grandes transformações políticas, como o movimento da abolição da escravatura, da proclamação da República, a revolução federalista de 1894, com forte participação dos curitibanos, alimentando na sociedade o sentimento cívico e ideais românticos de liberdade e igualdade. Apoiadas nas teorias de progresso e ciência, a elite curitibana construiu as características fundamentais da região, projetado para o futuro. 8 “Os jornais e revistas literárias monopolizaram o entusiasmo dos intelectuais que deram na prosa e no verso nomes de grande valor para a literatura nacional. (…) A encomenda de partituras e importações de instrumentos musicais, feitas diretamente dos centros europeus até os portos de Paranaguá e Antonina, é cada vez maior. Não se compreende porque a prática da música de banda decaiu tanto entre nós.” (RODEJAN, 1997, p.11) Não obstante, percebe-se que a música nasceu em Curitiba instituída no desejo de uma identidade própria e que, num curto espaço de tempo, consolidase no país e no mundo ocupando lugar de destaque, tamanho o talento de seu povo. Portanto, os jornais da época “caminhavam” no mesmo sentido, buscando fortalecer o regionalismo e conquistar à atenção da sua população no resguardo da sua própria cultura. Noticiavam o orgulho de ser curitibano, produtores de conteúdo artístico inigualável e precursores de um novo imaginário social (LOPES, Luis Fernando, 2009, p.160). 2.1.1 NOVOS JORNAIS ACOMPANHAM O MOVIMENTO CULTURAL A forma escrita é entendida pela sociedade como maneira singular de se guardar lembranças, uma vez que “as palavras e os pensamentos morrem, mas os escritos permanecem” (HALBWACHS, Maurice, 1990, p.80). Desse modo, tendo em vista a importância da narrativa escrita na construção da história de uma sociedade, não há como descartar o valor do jornalismo impresso como documento histórico. “O livro existe para dar expressão literária aos valores culturais ideológicos. Seu aspecto gráfico é o encontro da estética com a tecnologia disponível. Sua produção requer a disponibilidade de certos produtos industriais (…) Sua venda constitui um processo comercial condicionado por fatores geográficos, econômicos, educacionais, sociais e políticos.” (HALLEWELL, 1085, p.43) 9 No Paraná, segundo Lopes, antes da emancipação, os jornais em destaque eram paulistas, como: O Governista, O Ypiranga, O Nacional, O Paulista Oficial e o jornal com uma forte repercussão no estado, Verdadeiro Paulista – como comarca de São Paulo, as notícias paulistas interessavam a todos. Entretanto, logo após a separação política, o governo paranaense passa a ter uma verba destina à publicação dos editais públicos, o que possibilita o surgimento da imprensa local. O primeiro jornal publicado no Paraná foi o Dezenove de Dezembro e o início de sua circulação foi no dia 1º de abril de 1854. Após o surgimento da imprensa diária, foram abertas seções para a literatura, artes, ciências, indústrias e variedades “Do surgimento d'O dezenove de Dezembro até a Proclamação da República, cerca de oitenta jornais foram editados, impressos nas mais diversas tipografias que se espalhavam pela cidade na virada do século”, relata o autor. E, apesar no número de analfabetos no final do século – 18,5%, em 1890 – o número de novos jornais e revistas aumentavam e aqueciam o meio cultural da época. (LOPES, Luis Fernando, 2009, p. 51) 2.1.2 CURITIBA MODERNA ENGATINHA NAS BATIDAS DO ROCK AND ROLL Na década de 50, Curitiba já era palco de profundas transformações urbanas, reconhecida como ícone da modernidade. Entretanto, quando um novo estilo musical, o rock'n'roll, que mundo afora era conhecido como “evolução dos meios de comunicação” adentrou o território paranaense, não fora recebido de forma amigável pela imprensa regional. No início da década de 50, a América se recuperava da ressaca do período pós-guerra e o poder aquisitivo do norte-americano melhorava a cada dia e 10 despontava a chamada “geração do consumo”, para quem tudo era novidade e prazer. Os jovens não queriam mais ouvir as canções românticas e orquestras apreciadas por seus pais, e se apropriavam de um estilo todo novo, desde os penteados, as roupas que usavam, a maneira de falar, tudo o que pudesse diferenciá-los de outros segmentos da sociedade. De uma fusão de estilos musicais (country music e rhythm'n'blues) surgiu o Rock and Roll, trazendo consigo a ideia de rebeldia e carregando consigo, até o tempo de hoje, a ideia de “atitude”, numa eterna busca de referências que ultrapassam as barreiras do diálogo (VINIL, 2008, p. 13) No Brasil, o rock tornou-se conhecido devido ao cinema: No ano de 1956, foi lançado nos EUA o filme Rock Around the Clock e exibido no Brasil com o nome “Ao Balanço das Horas”. O filme trazia de abertura a música com o mesmo nome e embora não tenha sido o primeiro rock'n'roll, foi o primeiro sucesso do gênero (SANTOS, 1990). Todavia, enquanto o novo estilo ascendia ao sucesso em terras norte-americanas, no Brasil, os jornais abordavam o tema destacando o medo que existia por parte da sociedade a respeito da ligação do rock com a delinquência juvenil. Santos descreve que quando anunciado em Curitiba a estreia do mesmo filme, alguns jornais questionaram se os mesmos eventos bárbaros que estavam ocorrendo em outras capitais, como São Paulo, seriam também verificados aqui. Traz em seu livro, um trecho de um periódico, que dizia o seguinte: Clima pouco favorável ao “Rock” em nossa capital Observações da reportagem em torno da exibição do filme “Ao Balanço das Horas”. Por que a inclinação ao ritmo Rock and Roll? Em Nossa Capital “Há uma semana anuncia o Cine Palácio o discutido filme “Ao Balanço das Horas” com um cartaz que bem demonstra o incentivo à festa musical alucinadora: 11 “Acontecerá o mesmo aqui?” E logo a seguir reproduz uma mocidade “coca-cola” entregue às manifestações do novo ritmo e, sempre com o mesmo trejeito tão comum para uma geração que perdeu seu tempo escutando o falso jazz que constitui uma aberração da música popular norte-americana. Ontem à tarde, quando ainda se encontrava o cartaz do filme Rock and roll, nossa reportagem pôde verificar o pouco interesse da mocidade a propalada película. É possível que dentre os jovens da velha e tradicional Curitiba, com lutas memoráveis na vida universitária e que tanto contribuíram para o progresso de nosso nível cultural, haja elementos tendentes a tais exibições. Mas sem dúvidas será uma minoria inexpressiva. É o que pode nossa reportagem verificar nos diversos contatos e na longa espera ouvindo comentários de todos que olhavam o cartaz de Ao Balanço das Horas. Durante horas permaneceu o repórter ao lado do grande programa e apenas sentiu uma coisa: há grande curiosidade em torno da exibição de “Rock and Roll”. Nada mais que isso. Entretanto, vale ressaltar, que apesar do novo estilo ser apontado no seu início pela imprensa de maneira pouco amigável, o rock'n'roll não fora ignorado pela juventude curitibana. No período, apresentava-se muito mais conservadora a reportagem do que o público leitor que a consumia. Segundo Santos, tamanho foi o sucesso do estilo musical, que este foi incorporado aos hábitos dos curitibanos, sendo apresentado em alguns clubes e boites da cidade, ocorrendo a propagação do estilo. Segundo o autor, “à aceitação do rock'n'roll em Curitiba, pode-se afirmar somente aconteceu porque o ritmo chegou domesticado e sem a rebeldia anunciada à cidade”. Não demorou muito para que os veículos de comunicação se rendessem ao estilo e começassem a dar-lhe o devido destaque. Após a popularização do rock entre a elite curitibana, foi a vez das camadas mais baixas se identificarem com o novo ritmo, por sua simplicidade de construção musical. Com a chegada dos Beatles e da Jovem Guarda surgia um novo rock nacionalizado e com ideias próprias. Nesse período, as rádios paranaenses estavam nos seus “anos dourados” e tiveram mais tarde, papel muito importante na consolidação do estilo. A programação que antes era exclusivamente voltada à música regional, anunciava em 1957, a estreia do primeiro programa de rock em Curitiba. 12 Sábado próximo, será iniciada nova programação dentro do programa “SUCESSOS DA SEMANA”, da rádio emissora (15,05hs). Podemos adiantar o script a ser apresentado, será inédito e irá revolucionar o rádio paranaense, nas programações do gênero. Irá ao ar, dentro de uma montagem técnica e artística perfeita, a “História do Rock'n'Roll”, o ritmo norte-americano que está causando um efeito extraordinário. (GAZETA DO POVO: 09/11/1957) Apesar da população paranaense não ser descrita como preparada para o Rock'n'Roll, um estilo roque caipira, comportado, domesticado foi ganhando o coração dos curitibanos, e, principalmente ganhando um lugar na mídia e nas emissoras de rádio paranaense (NETO, p.149) 2.2 NASCE O ROCK CURITIBANO E A MÍDIA QUER OUVÍ-LO CANTAR Em 1958, a rádio Tingui apresentava um show de calouros e os candidatos Paulo Hilário e Vitório dos Santos, de apenas 13 anos, se conheceram e descobriram que tinham o rock'n'roll em comum. Mais tarde, formaram um grupo com Célio Malgueiro, surgindo Litle Devils, e se apresentando em festinhas de amigos, show de calouros e colégios. Pouco mais de um ano, segundo NETO, o encontro do trio com Dirceu Graeser, cantor e apresentador de rádio, mudou definitivamente a história do rock local, ganhando espaço na rádio Guairacá, com o programa “Ídolos da Juventude” e abrindo assim, as portas para artistas locais em rádio, gravadoras e tvs. Outro artista local que se consolidou no mesmo período foi Paulo Roberto que chegou a apresentar o primeiro programa de TV local dedicada ao estilo, na TV Paranaense, mas não conseguiu seguir carreira devido a desaprovação familiar. Esses primeiros programas favoreceram a carreira de diversos roqueiros curitibanos e paranaenses. De 1966 a 1970, o canal 12 TV Paranaense, no antigo estúdio na rua Emiliano Perneta, havia criado um espaço ao vivo para 13 aproveitar a mídia mostrando a produção local. Alguns nomes que se destacam na época eram Os Carcarás, Os Frajolas, Gold Fingers, Os Milionários, Os Peraltas, Os Sputinicks, Os Novatos, Os Príncipes e The Jatsons (banda que se tornou A Chave, em 1969). 2.3 IDENTIDADE ROQUEIRA Uma mistura de sons feitas de equipamentos próprios (influencia dos Mutantes) foi a origem da banda Os Vondas, que ficaram conhecidos no estado por serem os primeiros a apresentar as suas próprias composições na TV. Em 1968, em pleno período de recessão – AI-5 – o grupo compôs uma música que apontava diretamente os conflitos relacionados à ditadura militar. Depois disso, a emissora foi repreendida e passou a ser censurada, tirando da banda oportunidade de apresentar as suas próprias composições, fato que, segundo Neto, virou estigma das bandas e se repete até hoje. “(...) o grupo compôs “Ponha as Barbas de molho”, música que antecipava conflitos no governo central por causa da ditadura militar. O refrão, perigoso para a época, dizia “cabeças vão rolar...” A primeira cabeça foi justamente a da banda”. (NETO, 1990, p. 300) Em 1970, Paulo Leminski, que já era respeitado como poeta e pensador, passou a escrever músicas e firmou uma parceria com a banda A Chave formada por Ivo, Paulo, Orlando e Carlão. A Chave foi a primeira banda a apostar em suas próprias composições e tornou-se referência de rock no sul do país. A partir dessa referência, fortemente influenciada por Leminski, outras passaram a compor, carimbando em Curitiba o título que carrega até hoje, de “berço” do rock alternativo nacional. 14 “Pode-se afirmar que nesses acontecimentos teve início o rock curitibano, com características locais próprias e um estilo que marca a cidade até hoje: estético e criativo, fora dos padrões comerciais. Surgiu nesse período, ainda uma maneira de compor de forma coletiva e verbal (…) este rock curitibano nunca estará no centro do estilo no Brasil, mas deixou a sua marca, influenciando mais de uma geração de roqueiros brasileiros”. (NETO, 1990) Muitas bandas que surgiram neste período, não sobreviveram até o final na década de 70. Principalmente, ao se considerar as dificuldades da época, como aquisição de instrumentos musicais, acesso a estúdios e valores de fabricação de CDs. Ainda sim, a banda A Chave parece que conseguiu superar adiante os obstáculo e permanecer no ramo, tornando mais tarde a mais importante banda de rock curitibana, chegando mais perto do que qualquer outro ao sucesso nacional, deixando a sua marca na história do rock nacional, consolidando-se principalmente nas décadas de 80 e 90, com o novo nome, como ainda é conhecida e reconhecida “Blindagem”. 2.4 ESPAÇO NA MÍDIA CURITIBANA Depois dos anos 90, surgiram ainda muitas outras bandas, fundamentando o título curitibano de “Capital do Rock”, porém, sem nenhuma ascensão, quando comparado com a história de Blindagem. Entre 1986 e 1995, somente a rádio Estação Primeira (90,1 MHz) destacava-se por inserir na programação as músicas de bandas locais, fugindo propositalmente dos estilos massificados que compunham as “paradas” de sucesso nacional. Entre a década de 90 e os dias atuais, existe uma lacuna no espaço midiático que não valoriza a cultura local, e, o rock regional curitibano virou uma sombra para o público curitibano. 15 Atualmente, alguns veículos de comunicação tentam conquistar esse mercado, mas esbarram na dificuldade de encontrar audiência. É o que acontece com, a rádio Mundo Livre FM (93,9), que abre espaço para bandas locais, no programa Geração Mundo Livre, todos os domingos, das 22h às 23h. A TV Transamérica, canal 59, exibe um programa diário, às 19h, chamado Upload somente para estes artistas locais. Rádios webs são bastante requisitadas pelas bandas, e, a Rádio Bairro Alto Online e Rádio 13 estão abrindo este espaço em sua programação. Já os jornais impressos não apresentam editorias específicas e raramente produzem conteúdo sobre rock regional. O maior conteúdo sobre o rock regional está na internet, seja pela produção de conteúdo dos próprios integrantes de bandas, disseminados pelas redes sociais, ou através de blogs, como o Metal CWB e Curitiba Undeground, que abrem espaço de divulgação de clipes, shows e curiosidades sobre o cenário do rock curitibano. 2.5 PESQUISA: DVD CWB: Capital do Rock Mesmo sendo considerada a capital do rock, as bandas curitibanas passam por dificuldades, que vão desde questões financeiras até conseguir locais para apresentação. Segundo as entrevistas relatadas no DVD anexo, os músicos dizem acreditar que não conseguem encontrar locais para shows, espaço na mídia e conquistar audiência. Uma das principais referências do Rock curitibano, Blindagem, não está livre dessas dificuldades. Segundo Paulo Juk, baixista da banda, o movimento autoral sempre existiu, mas sempre da maneira solitária, sem muita expressão e ressalta como diferencial regional a falta de união entre as bandas. Ele afirma que 16 as dificuldades encontradas antigamente são praticamente as mesma de hoje.. “As novas tecnologias geram um certo “comodismo” na bandas atuais. Entretanto, se fossem exploradas melhor, as ferramentas sócias disponíveis pela internet, por exemplo, poderiam ser alavancas de sucesso”, afirma. Há um consenso entre os músicos entrevistados de que um dos fatores cruciais para desgaste das bandas é a falta de espaço, principalmente por parte das casas noturnas ou culturais, que acabam priorizando bandas covers. Eles afirmam que a participação do rock autoral curitibano acaba ficando em segundo plano. Eles dizem acreditar que existe um público consumidor, porém não estão conseguindo atingi-lo. Todos concordam sobre a importância de contratação de uma Assessoria de Imprensa para realizar o trabalho de divulgação com a mídia, porém, não vêm condições financeiras de contratação. 2.6 CONCLUSÃO Embora os veículos de comunicação curitibanos não estejam divulgando o trabalho das bandas locais de rock independente, historicamente pode-se perceber que há interesse por parte do público em valorizar a cultura local. Entretanto, a comunicação das bandas, que pretendem consolidar-se a priori no mercado regional, apresenta-se fraca e sem profissionais adequados. Para alcançar o sucesso e conquistar um público apreciador de rock regional, há necessidade de entender que a música também é um produto de consumo, mesmo que neste caso, não seja massificado. A facilidade, embora que cara, de se gravar um CD, montar clipes e realizar a própria propaganda, ainda que amadora, parece causar entre os 17 músicos, uma falsa sensação de conhecimento sobre a comunicação. Assim como o próprio baixista do Blindagem relatou, que desde o início da banda eles tinham um Assessor de Comunicação para abrir espaço na mídia local. Falta às bandas buscarem profissionais adequados e, talvez nem precise de uma fórmula mágica de sucesso, afinal, veículos de comunicação visam lucro, e passarão a abrir “portas” quando visualizarem que existe um público cativo. 18 3 METODOLOGIA DE PESQUISA 3.1 DELINEAMENTO DA PESQUISA A fim de alcançar os objetivos propostos serão desenvolvidos 2 tipos de pesquisa: 1ª Qualitativa em profundidade: Pesquisa histórica dos veículos que abriam espaço para a música regional e pesquisa atual para localizar quais veículos de comunicação divulgam o trabalho das bandas de rock regional de músicas autorais. 2ª Qualitativa Exploratória: Através de entrevista individual em profundidade realizada com músicos que pertencem ou pertenceram a bandas curitibanas de rock independentes. 3.2 POPULAÇÃO E AMOSTRA 1ª Qualitativa em profundidade: pesquisa de veículos de comunicação. 2º Qualitativa Exploratória Entrevista em Profundidade: com vários músicos que tocam ou tocaram em Curitiba, em bandas locais, que compõem a própria música, afim de levantar as dificuldades em comum das bandas em relação à divulgação do trabalho realizado. 3.3 COLETA DE DADOS 19 2ª Quantitativa Exploratória: a entrevista em profundidade será previamente agendada com as bandas, todas as entrevistas serão gravadas e servirão de base para um "vídeo depoimento". 3.4 TRATAMENTO E ANÁLISE DOS DADOS 1ª Qualitativa Exploratória: os dados qualitativos serão tratados por meio de análise de conteúdo e no caso da entrevista em profundidade quando julgar-se necessário serão utilizadas citações literais do entrevistado para enriquecimento da análise 20 REFERÊNCIAS MARTINS, Romário. Paranística. A divulgação. Curtiba, fev-mar 1946, p.92. Caput. PEREIRA, LUÍS FERNANDO LOPES, 2009. O Espetáculo dos Maquinismos Modernos – Curitiba na virada do século XIX ao XX. p20 HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. São Paulo: Vértice, 1990, 189p. MORRETES, Lange. Uma árvore bem brasileira. Curitiba. 1944, p5. Caput. PEREIRA, LUÍS FERNANDO LOPES, 2009. O Espetáculo dos Maquinismos Modernos – Curitiba na virada do século XIX ao XX. p. 34 RODEJAN, Roselys Vellozo. Meio Século de Música em Curitiba. Curitiba. 1967. LOPES, Luis Fernando. O Espetáculo dos Maquinismos Modernos – Curitiba na virada do século XIX ao XX. Curitiba. 2009. NETO, Manoel J. de Souza. A [des]Construção da Música na Cultura Paranaense. Capítulo II - Diversidade Musical. 2004. MELO, José. A [des]Construção da Música na Cultura Paranaense. Capítulo II Diversidade Musical. 2004. SANTOS, Marcio José W. A [des]Construção da Música na Cultura Paranaense. Capítulo I - Histórias e Memórias. 2004. VINIL, Kid. Almanaque do Rock. Histórias e Curiosidades do Ritmo que Revolucionou a Música. 2008. 21 APÊNDICE A – QUESTIONÁRIOS 1ª Qualitativa Exploratória: Com base em informações analisadas nos veículos de informação: 1. Quais veículos impressos, rádio, tvs em Curitiba divulgam informações sobre música? 2. Dentre esses, quais abrem espaço para bandas de rocks independentes? 3. Qual a frequência da divulgação ? 2ª Qualitativa Exploratória: Com base em entrevista das bandas de rock independentes curitibanas: 1. Quando a sua banda foi formada? 2. Quais os integrantes que formaram a banda, que já tocaram nela e que pertencem ao quadro atual? 3. Quais as principais dificuldades encontradas pela banda no quesito divulgação do trabalho artístico, em Curitiba? 4. Existe espaço na mídia Curitibana para divulgação de músicas próprias? 5. Vocês conseguem tocar as músicas de autoria da banda no bares? 6. Qual a aceitação do público? 7. Os donos dos bares deixam vocês tocarem? 8. Qual foi a situação mais difícil que a banda já passou? 9. Que meios de comunicação a banda utiliza pra divulgar o trabalho autoral? 10. Existe uma assessoria de imprensa por trás da banda? 11. Concorda que Curitiba é um túmulo para as bandas locais? 12. É possível sobreviver da música em Curitiba? 13. Qual banda curitibana você conhece que saiu do anonimato para o Brasil? 22