330 Universidade Federal da Bahia Instituto de Letras Programa de Pós-Graduação em Letras e Lingüística Rua Barão de Geremoabo, nº147 - CEP: 40170-290 - Campus Universitário Ondina Salvador-BA Tel.: (71) 263 - 6256 – Site: http://www.ppgll.ufba.br - E-mail: [email protected] Caleidoscópio: Percurso intelectual e a estréia de Heron de Alencar como crítico literário no jornal A Tarde (1947-1952) por Carla Patrícia Bispo de Santana Orientadora: Profª Drª Ivia Iracema Duarte Alves V.2 Salvador 2003 Universidade Federal da Bahia Instituto de Letras Programa de Pós-Graduação em Letras e Lingüística Rua Barão de Geremoabo, nº147 - CEP: 40170-290 - Campus Universitário Ondina Salvador-BA Tel.: (71) 263 - 6256 – Site: http://www.ppgll.ufba.br - E-mail: [email protected] Caleidoscópio: Percurso intelectual e a estréia de Heron de Alencar como crítico literário no jornal A Tarde (1947-1952) por Carla Patrícia Bispo de Santana Orientadora: Profª Drª Ivia Iracema Duarte Alves V.2 Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Letras e Lingüística do Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia como parte dos requisitos para obtenção do grau de Mestre em Letras. Salvador 2003 332 SUMÁRIO V. 1 RESUMO 06 ABSTRACT 07 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS 08 INTRODUÇÃO 11 1 PERCURSO INTELECTUAL DE HERON DE ALENCAR 1.1 PEREGRINAÇÕES DE JOVEM ESTUDANTE 17 1.2 EM DEFESA DO MONOPÓLIO ESTATAL DO PETRÓLEO 20 1.3 ATUAÇÃO NA UNIVERSIDADE DA BAHIA 24 1.3.1 O ingresso como professor na Universidade da Bahia 24 1.3.2 O assessor de Edgar Santos 30 1.3.3 O IV Colóquio de Estudos Luso-Brasileiros 34 1.3.4 Participação na Reforma Universitária – Bahia 38 1.4 ATUAÇÃO NA SORBONNE 43 1.5 A CONSTRUÇÃO DA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA - 1.6 A EXPERIÊNCIA DO EXÍLIO 50 1.6.1 1.7 Os trabalhos no IRAM e as Universidades da Argélia 55 58 2 A ATUAÇÃO DE 2.1 O ESPAÇO DA LITERATURA NA IMPRENSA DO FINAL DA DÉCADA DE 40: 2.1.1 POLÊMICAS CRÍTICAS DO PERÍODO: CRÍTICA DE RODAPÉ E CRÍTICA ACADÊMICA 65 2.2 A DIVULGAÇÃO DA LITERATURA POR JORNAIS 69 2.3 ATUAÇÃO EM JORNAIS 72 2.3.1 A veia jornalística 72 2.3.2 2.3.3 Jornal A Tarde Jornal da Bahia, O povo e outros jornais 73 79 2.4 REDATOR DE REVISTAS 80 2.4.1 2.4.2 Caderno da Bahia 80 84 2.5 2.5.1 2.5.2 TEXTOS DIVERSOS DE HERON DE ALENCAR EM A UMA UTOPIA VETADA UM MEDIADOR ENGAJADO HERON DE ALENCAR NA IMPRENSA E NA MÍDIA BAIANAS Outras revistas Reportagem Artigos diversos 45 TARDE A TARDE 62 86 87 90 2.5.3 Literatura 92 2.6 TELEVISÃO: O CLUBE DE DEBATES 97 3 CALEIDOSCÓPIO: “MANIFESTAÇÕES DE ATITUDE CRÍTICA” DIANTE DA LITERATURA E DA CULTURA 3.1 3.2 O FORMATO DA COLUNA SOBRE OS MÉTODOS DE ANÁLISE DA PRODUÇÃO TEXTUAL EM CALEIDOSCÓPIO IMPRESSÕES DA COLUNA CALEIDOSCÓPIO: OS SUB-TÍTULOS MAIS FREQÜENTES 3.3 3.3.1 100 103 105 105 3.3.2 3.3.3 3.3.4 3.3.4.1 3.3.4.2 3.3.5 3.3.5.1 3.3.5.2 3.3.5.3 Biografia e Miniatura: do perfil de escritores ao exercício de um procedimento de análise crítica Depoimentos: mosaico de opiniões O discurso da responsabilidade política do intelectual Textos maiores de crítica nos quais discute concepção de literatura Produção em prosa Produção poética Um olhar sobre as variações Descrição e agrupamento das Variações Variações pensadas a partir da leitura de obras literárias Variações: Impressões do mundo 4 (IN)CONCLUSÃO 146 5 REFERÊNCIAS 149 114 116 120 121 125 128 128 130 136 ANEXOS ANEXO A Anexo A-1- Cronologia (acompanhada de álbum) 160 Anexo A-2 – Entrevistas (retiradas da versão final) 170 Anexo A-3 - Notas diversas em periódicos sobre Heron de Alencar 229 Anexo A-4 – Seleção: Textos de HA em A Tarde utilizados nesta dissertação 243 V. 2 ANEXO B 311 317 CATÁLOGO DE TODA A PRODUÇÃO EM A TARDE (1947-1952) Anexo B-1 - Índice Geral Anexo B-2 - Todos os textos por ordenamento cronológico – resumos e transcrições Anexo B-3 - Índice remissivo 331 Anexo B-4 - Índices onomásticos 540 Anexo B-5 - Índices das revistas 576 531 Anexo B 334 CATÁLOGO DE TODA A PRODUÇÃO EM A TARDE (1947-1952) Anexo B-1 Índice Geral ANEXO B-2: Todos os textos por ordenamento cronológico1 ANEXO B-3: Índice remissivo ANEXO B-4 Índices onomásticos (autores brasileiros e autores estrangeiros) ANEXO B-5: Índice das revistas ----------------------------------- 1. Esta parte do Anexo foi numerada em virtude da inclusão de um índice remisso. A intenção foi a de facilitar a consulta. Anexo B – 1 : ÍNDICE GERAL 336 ÍNDICE DE TEXTOS DE HERON DE ALENCAR Jornal A Tarde – 1947 a 1956 1. FALAM AS RELÍQUIAS DO POETA 14/3/47;2 2. ASSISTÊNCIA À MATERNIDADE E INFÂNCIA 26/7/47;3 3. DIÁLOGO DE RUA 27/9/47;5 4.SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 4.1 Variações 4.2 Olhai os lírios do campo 4.3 Marietta Martin - Mártir do nazismo 4.4 Biografia 4.5 Retrato de "Anacreonte" 4.6 "Le pour et le contre" 4.7 As mulheres que Castro Alves amou 4.8 Publicações estrangeiras 4.9 Na vitrina das livrarias 4.10 Próximas publicações 29/11/47;5 5. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 5.1Variações 5.2 Importância do homem de cor 5.3 A presença de uma desconhecida 5.4 Antoine de Saint-Exupéry 5.5 Biografia 5.6 A imortalidade de Zola 5.7 Goteira do coração 5.8 Flores...do mal 5.9. Tristan Bernard 5.10. Publicações estrangeiras 13/12/47; 5. 6. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 6.1.Variações 6.2.Biografia 6.3.Como escreve você 6.4 Gide e o prêmio Nobel 6.4 Gide e o prêmio Nobel 6.6 O tremendo Monteiro Lobato 03/01/48; 5. 7. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 7.1.Variações 7.2.Daphné de Maurier 7.3.As mulheres no cartaz 7.4.Biografia 7.5.Steinbeck em ação 7.6.Agraciado com a famosa "Ordem de mérito” 7.7.Les gens do Mogador 7.8.Condenado Knut Hansun 17/01/48; 5. 7.9.No prelo e nas vitrinas 8. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 8.1.Variações 8.2 Biografia 8.3 Profissão De Fé 8.4 Uma Grande Romancista Inglesa 8.5 Duro Com Duro 8.6 O Irreverente Sinclair Lewis 8.7 Música Ao Longe 8.8 Flagrantes 9. CAMINHOS CRUZADOS...E ERRADOS 31/01/48; 5. 21/02/48; 3. 10. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 10.1Variações 10.2. Inquisição literária 10.3. Correspondência de Boudelaire 10.4. Flagrantes 10.5. Enquanto ruge a tormenta 10.6. O imoralista 10.7. Pearl S. Buck e o Genocídio 10.8 Também James Joyce 21/02/48; 5. 11. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 11.1 Variações 11.2 biografia 11.3 Não me conte o final 11.4 Literatura de propaganda 11.5 A Manhã de nevontae, a bicicleta... é um grande livro 11.6 Uma das maiores obras do século 13/03/48; 5 12. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 12.1 Variações 12.2 O escritor e apolítica 12.3 Melodias do coração 12.4 Foi só mudar o editor 12.5 Literatura e cinema 12.6 Flagrantes 12.7 Poemas de Enoch Santiago Filho 12.8 Um livro que virou em grande editora 12.9 Lawrence e Ramphion 27/03/48; 5. OBS: exemplar sem condições de uso no IGHB, e página não encontrada no exemplar consultado na Biblioteca dos Barris. Sabe-se da existência da página deste dia porque a mesma foi consultada na microfilmagem do setor de arquivo do A Tarde, que suspendeu o acesso aos microfilmes. 13. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 13.1 Variações 13.2 O escritor e a política 13.3 Essas nossas sociedades!... 13.4. Flagrantes 13.5. Continuam a viver os personagens de Ibsen 10/04/48; 5 338 13.6. A vida é uma grande prisão 13.7. No prelo e nas vitrinas 14. NEM AS HONRAS DE UMA FALÊNCIA HONESTA 15. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 15.1. Variações 15.2. O escritor e a política 15.3. Miniatura 15.4. Anatole France 15.5. Uma floresta impenetrável 15.6. Flagrantes 15.7. Um quebra – quebra literário 16. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 16.1.Variações 16.2. O escritor e a política 16.3. Fora da vida 16.4. Destinos diferentes 16.5. Sartre e a poesia 16.6. Poeta e pintor 16.7. O derradeiro capítulo 16.8. Uma ousada aventura 16.9. Um suplemento 16.10. Autocrítica 16.11. No prelo e nas vitrinas 17. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 17.1.Variações 17.2. A cozinha bahiana 17.3. Miniatura 17.4. Roosevelt romancista 17.5. Cá e lá 17.6. Vigny e Kafka 17.7. Esses nossos concursos! 17.8. Solidariedade a Pablo neruda 17.9. Autores bahianos 18. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 18.3.Variações 18.2. Uma boa tradução para um bom livro 18.3. Debate em paris 18.4. Escritora e heroína belga 18.5. Prêmios literários 18.6. Luta difícil 18.7. Gide e os intelectuais negros 18.8. Flagrantes 19. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 19.1.Variações 19.2. Um livro de Contos 19.3. Cinqüentenário de Whos Who 19.4. Roteiros dos Candomblés Baianos 19.5. O julgamento de Hamsun 19.6. Novo livro de Wallace 29/04/48; 3. 08/05/48; 5. 22/05/48; 5. 05/06/48; 5. 19/06/48; 5. 03/07/48; 9 19.7. Sartre em maus lençóis 19.8. Face oculta 19.9. O Primeiro livro do Brasil 19.10. Chautebriand 19.11. Na vitrina das livrarias 20. BILHETE ÀS CRIANÇAS BAIANAS 21. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 21.1.Variações 21.2. Pavilhão de Mulheres – sobre Pearl S. Buck 21.3. Miniatura 21.4. Revistas 21.5. Um prêmio cobiçado 21.6. Atividades dos novos 21.7. Condições opostas 21.8. Ouvi-lo-emos? 21.9. Caderno da Bahia 21.10. Flagrantes 13/07/48; 3. 24/07/48; 9. 22. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 22.1.Variações 22.2. Um novo mundo para as crianças 22.3. Podem escrever, senhores! 22.4. Mais um título para 48 22.5. Os escritores e as leis ditatoriais 22.6. Suas sagas correm mundo 22.7. Livros e livrarias 22.8. Dona Bárbara 22.9. Flagrantes 07/08/48; 9. 23. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 23.1.Variações 23.2. Reedição de Rachel 23.3. As mãos sujas 23.4. O caminho da liberdade 23.5. Hamsun no cartaz 23.6. Gide, o julgador do “Rivarol” 23.7. No prelo e nas vitrinas 23.8. Sete anos de pastor 23.9. Correio 23.10. Flagrantes 21/08/48; 9. 24. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 24.1.Variações 24.2. Atividades na ABDE 24.3. Contraponto no cinema 24.4 Notícia do prêmio Nobel 24.5. Presente régio 24.6. Maquiavel e a dama 24.7. Miniatura 24.8. Autores novos 24.9. Major Graça vai julgar 24.10. Publicações 04/09/48; 5. 340 24.11. Flagrantes 25. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 25.1.Variações 25.2. Ciro dos Anjos na Bahia 25.3. Interpretação da Vírginia Woolf 25.4. Quem mudou? 25.5. Publicações baianas 25.6. Sapato florido 25.7. O outro intérprete do sul 25.8. Os intelectuais e a defesa da paz 25.9. Flagrantes 18/09/48; 11 26. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 26.1.Variações 26.2. Protesto da ABDE 26.3. O biográfo do século XX 26.4.O escritor e a sua responsabilidade histórica 26.5. Inglaterra e sua gente 26.6. Apassion 26.7. Retrato da Cultura 26.8. Um bom Policarpo Quaresma 26.9. Época 26.10. No prelo e nas vitrineas 26.11. Flagrantes 02/10/48; 9. 27. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 27.1.Variações 27.2. Conflitos modernos 27.3. Enquanto ruge a tormenta 27.4. "Angústia" em tcheco 27.5. Publicações 27.6. As edições Saraiva 27.7. A desintegração da Morte 27.8. Camus e o problema franco-alemão 27.9. Clubes Literários 27.10. O novo Malraux 30/10/48; 5. 28. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 28.1.Variações 28.2. Prêmio Nobel, 1948 28.3. Final de Jean Christophe 28.4. Decadência 28.5 Sem comentário 28.6. O novo livro de Mann 28.7. Mais um para o cinema 28.8. Flagrantes 13/11/48; 5 29. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 29.1.Variações 29.2. Vitrina do candomblé 29.3. Marcele Tynaire 29.4. Deposto Gallegos 29.5. Visita de Souza Dantas 29.6. História da guerra 27/11/48; 9. 29.7. Biografia de Gide 29.8. Traduções de Shaw 29.9. Cidade enferma 29.10. Ensaios de Huxley 29.11. Flagrantes 30. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 30.1.Variações 30.2. Presença de Condé 30.3. Eleição na ABDE 30.4. Sagas 30.5. Estudos na outra América 30.6. Longe da terra 30.7. Miniatura 30.8. A desintegração da morte 30.9. O poeta – editor 30.10. S/T 30.11. Atividades de Huxley 30.12. Seleção de dezembro 31/12/48; 7 31. UM GRAVE PROBLEMA SOCIAL 03/01/49; 3. 32. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 32.1.Variações 32.2. Posse na ABDE 32.3.Gabriela Mistral 32.4. Mais um livro de memórias 32.5. Exemplo e incentivo 32.6 A história dos nórdicos 32.7. Depoimento 32.8. Revistas 32.9. Impressões da Europa 32.10. Miniatura 32.11. Poesia em disco 32.12. Ladeira da Memória 32.13. No prelo e nas vitrinas 15/01/49; 5. 33. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 33.1.Variações 33.2. Bi-centenário de Goethe 33.3. Castro Alves – o Gênio 33.4. Seleção de fevereiro 33.5. Defoe e a medicina 33.6. Verlaine e o Brasil 33.7. Grande prêmio do romance 33.8. Repouso 33.9. Notas soltas 33.10. Eleito Morga 33.11. Miniatura 33.12. Autores baianos 29/01/49; 5 34. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 34.1.Variações 34.2. Poemas regionais 34.3. Contista baiano 12/02/49; 5 342 34.4. Ensaio sobre Rilke 34.5. Miniatura 34.6. A cidade do sul 34.7. Affaire Kravchenko 34.8. Goncourt – 48 34.9. Biografia de Machado de Assis 34.10. Otto Strasser, nazista 35. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 35.1 Variações 35.2. Empresa difícil 35.3. Confiteo 35.4. Os Corumbas no cinema 35.5. Elegias de Duino 35.6. Sartre e as traduções 35.7. Seleção de Abril 35.8. No prelo e nas vitrinas 35.9. Sherwood Anderson 35.10. Miniatura 35.11. Advertência 35.12. A Montanha Mágica 35.13. Correio 11/03/49; 5. 36. A CIDADE E SEU ROMANCISTA 18/04/49; 3 37. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 37.1.Variações 37.2. Estréia 37.3. Presença de Anita 37.4. Novo Livro 37.5. Judas o obscuro 37.6. A excluída 37.7. 40.000 exemplares 37.8. Produção em massa 37.9. O poeta laureado 37.10. Flagrantes 23/04/49; 5 38. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 38.1. Maeterlinck 38.2. Miniatura 38.3. novelista inglesa 38.4. Depoimento 38.5. Acredite que é verdade 38.6. Flagrantes 38.7. É a pedra no caminho 38. 8. Isaias Caminha 21/05/49; 5. 39. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 39.1. Edição de luxo 39.2. Miniatura 39.3. Jean Barois 39.4. Depoimento 39.5. Quem Se Habilita 39.6. Prêmios literários franceses 39.7. Flagrantes 04/06/49; 5 39.8. De Londres 39.9. Meus Verdes Anos 39.10. Um novo anita ? 39.11. Livro de Koestler 39.12. Pequeno mundo antigo 39.13. Quatro notas 40. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 40.1. Variações sobre a desonestidade 40.2. Chamado do mar 40.3. Carta aos americanos 40.4 Biografia de Goethe 40.5. Delegado da A.B.D.E. 40.6. Depoimentos 40.7. Sem título 40.8. Liberdade de viver 40.9. S/T 40.10. Os escritores e a paz 40.11. História de um exemplo 02/07/49; 5. 41. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 41.1. Conferência de Camus 41.2. Viagem Encantada 41.3. Novelista e poetisa 41.4. Depoimento 41.5. Existencialismo na Berlinda 41.6. S/T 41.7. Miniatura 41.8. Filósofo e matemático 41.9. Caderno da Bahia 41.10. Maugham Aposentado 41.11. Quo Vadis 16/07/49; 5. 42. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 42.1. Visita de um editor 42.2. Uma instituição inglesa 42.3. A outra face 42.4. De um grande escritor 42.5. Depoimento 42.6. Notícias do congresso de escritores e da ABDE 42.7. Ensaio de Gide 42.8. História econômica do Brasil 42.9. A primeira entrevista 42.10. Flagrantes 30/07/49; 5. 43. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 43.1. Contos da Bahia 43.2. Atividades do INL 43.3. Síntese de Ruy 43.4. Descobrimento 43.5. Depoimento 43.6. Prêmios franceses 43.7. Flagrantes 43.8. Revista Branca 43.9. Notícias de Gallegos 13/08/49; 5. 344 43.10. Mann em Weimar 43.11.Cartaz de James Hilton 44. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 44.1. Variações 44.2. A grande voz 44.3. Aconteceram-lhe os poemas 44.4. Gide candidato 44.5. Antologia de contos 44.6. Depoimento 44.7. Publicações da Prefeitura de Salvador 44.8. Flagrantes 44.9. Jornal de Letras 44.10. Festival G.B. Shaw 44.11. Os filhos do medo 44.12. Terra morta 45. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 45.1. S/T 45.2. Paratodos 27/08/49; 5. 17/09/49; 5. 45.3. Em surdina 45.4. Joyce e Dublin 45.5. O deserto e os números 45.6. Depoimento 45.7. Vitrina da jovem literatura 45.8. Flagrantes 45.9. Notícia de Lins do Rego 45.10. Boletim da ABDE 45.11. Novela de Brophy 45.12. Livro das Sinfonias 46. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 46.1. Concurso Monteiro Lobato 46.2. Centenário da morte de Poe 46.3. Superou a estréia 46.4. Depoimento 46.5. Flagrantes 46.6. Solidão nos campos 46.7. Crítica humanística 46.8. sem título 46.9. Nevoeiro inglês 46.10. Mar morto 08/10/49;5 47. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 47.1. Variações sobre a história da praieira 47.2. Tradução de Macbeth 47.3 Centenário de Ruy 47.4. Paratodos 47.5. Depoimento 47.6. O tacão de ferro 47.8. Flagrantes 47.9. De José Geraldo Vieira 47.10. A lenda de Madala Grey 47.11. Exposição de James Joyce 26/11/49;5 10.12. Homenagem a Zola 48. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 48.1. Variações sobre um livro 48.2. Concurso Monteiro Lobato 48.3. Moko 48.4. Notícia Histórica da Bahia 48.5. De Europe 48.6. Majupira 48.7. Depoimento 48.8. Flagrantes 48.9. Concurso literário 48.10. Miniatura 48.11. Autobiografia de um baronete 10/12/49;5 49. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 49.1. Poesia autêntica 49.2. Sobre Chamado do mar 49.3. Catalogação geral de livros novos 49.4. Do caderno de Memória 49.5. Ladeira da memória 49.6. Entrevista com Du Gard 49.7. Depoimento 49.8. Não se arrisca 49.9. Mais uma de Zelins 49.10. Panorama Norte-Americano 49.11. Flagrantes 21/01/50; 5 50. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 50.1. Variações sobre a guerra e a paz 50.2. O tempo e o vento 50.3. Prêmio Nobel, 1949 50.5. Carta de Thomas Mann 50.6. Flagrantes 50.7. Prosa de ficção 50.8. De Londres 50.9. Desaparece Putnam 50.10.Quatro Histórias 50.11. Protesto 28/01/50; 5 51. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 51.1. Fundamentos 51.2. Revista Branca 51.3. Prêmio Fabio Prado 51.4. depoimento 51.5. S/T 51.6. Estímulo à cultura 51.7. Novo livro 51.8. Povoamento da cidade do Salvador 51.9. Literatura infantil 51.10. Rolland e Gorki 11/02/50; 5. 52. UM MUNDO QUE NÃO SE ENTENDE... 15/02/50; 3 346 53. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 25/02/50; 5. 53.1. Homenagem ao Gênio 53.2. O pavilhão Flaubert 53.3. Ensaios e estudos 53.4. Poemas de Isgorogota 53.5. Cimarron 53.6. Miniatura 53.7. Depoimento 53.8 ABE – secção Bahia – Assembléia da Associação Brasileira dos Escritores 53.9 Atividades da UNESCO 53.10 J. B. Priestley 53.11. Versão de Miguel Torga 53.12. Sartre e os norte-americanos 53.13. Caderno da Bahia 54. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 54.1 Saltimbancos 54.2 MarK Twain 54.3 Poemas de Amor 54.4 Gide na Alemanha 54.5 Caderno da Bahia 54.6 III Congresso Brasileiro de Escritores 54.7 Depoimento 54.8 Febre de memórias 54.9 Premiado Augusto Meyer 54.10 Assembléia Geral da ABDE 54.11 A menina Morta 54.12 Na Academia Goncourt 54.13 “Stevenson House” 18/03/50;5 55. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 03/50 OBS: exemplar sem condições de uso no IGHB. No exemplar consultado na Bilbioteca Pública do Estado, nos Barris, faltam as páginas do dia 25 a 30 deste mês. 56. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 56.1. Biografia de um poeta esquecido 56.2. Literatura norte-americana 56.3. Cultura brasileira 56.4. Apoio ao III Congresso 56.5. Edições Caderno da Bahia 56.6. Presença de Lincoln 56.7. Depoimento 56.8. Flagrantes 08/04/50; 5. 57. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 57.1. A participação dos novos 57.2. Terra de Santa Cruz 57.3. O famoso barão 57.4. Grande figura 57.5. Revistas 57.6. O presidente do Congresso 05/05/50;5 57.7. Jovens em ação 57.8. A delegação baiana 57.9. Problemas da arte e literatura 57.10. Presença do “Major Graça” 57.11. Galeão Coutinho 58. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 58.1. Notas do Congresso 58.2. Fábio Prado – 1949 58.3. Reedição de Thomas Hardy 58.4. A história de Trapp 58.5. Três novelas 58.6. Opinião sobre Ruy! 58.7. Menino Felipe 58.8. Flagrantes 58.9. Tesouro de livros raros 20/05/50; 5. 59. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 59.1. Homenagem ao poeta 59.2. Outro sucesso 59.3. Lançamentos de “Caderno” 59.4. O poeta da Turquia 59.5. Depoimento 59.6. O drama de Eugene O’Neill 59.7. Flagrantes 59.8. Livro “Misterioso” 59.9. O Huxley místico 59.10. Edição Clã 03/06/50;5 60. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 08/07/50;5 60.1. Sem título 60.2. Pássaro sangue 60.3. Baiano premiado 60.4. Teatro de crianças 60.5. Depoimento 60.6. Sem título, trata-se notas de sobre lançamentos/ divulgação 60.7. A metade brasileira de Thomas Mann 60.8. Amostra de G.B. Shaw 60.9. Os escritores e a política 61. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 61.1. Euclides em Dinamarquês 61.2. O céu é meu destino 61.3. Kinfolk 61.4. A biblioteca de Afrânio Peixoto 61.5. Exposição de poesia 61.6. Depoimento 61.7. Flagrantes 61.8. O Nobel de 1950 61.9.Concurso de contos e novelas 61.10.As mulheres vencem 61.11. Poemas de amor 61.12. A morte de um grande poeta 15/07/50; 5. 348 62. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 62.1. Anuário Crítico de literatura 62.2. Candidato à Academia 62.3. Literatura e política 62.4. Major Bárbara 62.5. Depoimento 62.6. Flagrantes 62.7. Castro Alves e Mickiewicz 62.8. Os 10 maiores 62.9. A história de um caminhão 62.10.Biblioteconomia 62.11.A secreta mentira de Sherwood Anderson 29/07/50;5 63. G.B.S (George Bernard Shaw) 04/11/50;5 64. SEÇÃO CALEIDOSCÓPIO 64.1. Prêmio de poesia 64.2. Noel Coward 64.3. Episódios Históricos 64.4. Flagrantes 64.5. O otimismo de Anatole France 64.6. Um bom conselho 64.7. Ângulos 64.8. O que Sylvio Romero escreveu 28/04/51; 9 65. O MEU VELHO ARTUR DE SALLES 04/07/52;5 OBS: Meses sem condições de uso na Biblioteca Pública do Estado, nos Barris, e no IGHB: abr- jun e out-dez de 1952. Nos meses de jan-mar não foi encontrado nenhum texto assinado por Heron de Alencar. Anexo B – 2 : RESUMOS E TRANSCRIÇÕES 350 CALEIDOSCÓPIO, A TARDE (1947-1952) (RESUMO E TRANSCRIÇÃO) 1. Data 14/03/47;2 TÍTULO: Falam as relíquias do poeta Reportagem de Heron de Alencar Sua cabeleira é uma das principais características de sua personalidade física. Longa, muito longa, a cabeleira do gênio fascinava a todas as mulheres que o acentuava. Era como que um, poder mágico, irresistível, que mais lhe acentuavam os traços de indomável e altivo, a atrair e subjugar ‘as que dele se aproximavam. Tantas e quantas não sonharam acariciar os negros cabelos do Poeta, revoltos como a sua própria alma? Tantas e quantas não arderam por deitar ao colo aquela cabeça de gigante, grande como a própria arte que criava? Todas ternura e carinho, amansarem os revoltos cachos, com as mãos pequeninas e meigas, na esperança, talvez, de acalmarem os tormentos íntimos do Poeta dos Escravos?Que de inveja não sentiram, de Eugênia, a que lhe deu amor e a que lhe fez morrer? “Senti as asas de um arcanjo errante Roçar-me brandamente pela fronte” É o próprio Poeta quem revela, com a beleza dos seus versos, a delicada ternura com que acariciavam sua fronte e seus cabelos Possuíam eles um poder quase místico, terrível. Sempre em desalinho, soltos ao vento, os cabelo do gênio avassalavam as almas, seduziam os espíritos, quebravam o orgulho e a vaidade de quantas lhe acariciavam, perdidas de paixão. Nem mesmo a formosa e sedutora cabeleira de Liszt, emoldurando-lhe o perfil adorado por condessas e princesas, teria mais força e sedução que a do cantor de “Vozes d`África”. E se aquela andou o mundo inteiro, ao som da música do genial criador de “Revê d´amous” esta que outrora afogou os soluços suplicantes dos amores sem conta do Gênio, ainda hoje está aqui e ali, fragmentada, dividida, disputada pelos que ainda o amava – e o amarão sempre, 76 anos após sua morte. Dela, ficou esta madeixa, retirada por sua irmã Adelaide, no seu leito de morte. Dela, outras tantas, espalhadas aqui, em São Paulo, entre os que o adoravam como Poeta e como homem. È que seus versos não perderam a força: “Que tenda mais sutil que meus cabelos Estrelados nos prantos de teus olhos?...” Ainda hoje, ao olharmos os retratos do Gênio sentimos, como que viva, aquela expressão irresistível e sedutora, dos longos e negros cabelos que foram o sonho, o desejo, o martírio e o prazer de quantos o amaram. A pequena mesa preta Rebelde, indomável, filho do povo e cantor dos escravos, a mesa do Gênio era a Praça. Nela, é que sua imaginação rebolava as asas, nos vôos de condor. E somente na Praça, à frente do povo, poderia o Poeta clamar, gigante: “Deus, ó Deus! Onde estás que não respondes! Em que mundo, em qu´estrela tu t´escondes Embuçado nos céus?” E era ele próprio quem dizia: “A Praça é do Povo Como o céu é do Condor” As galerias dos Teatros viram-no, também, inúmeras vezes, cantar os seus amores, suas paixões, sua rebeldia jamais agriolhoada. E principalmente nessas circunstâncias , demonstrava o Gênio toda a força de sua arte. De improviso, brada: “Nós nos erguemos com soberba fé! A Lei sustenta o popular direito Nós sustentamos o Direito em pé!” Mas, nem sempre o Poeta cantava na Praça e nos teatros. Recolhido em seu quarto de estudante, solitário e com o mundo inteiro borbulhando em si, sentava-se diante de uma pequenina mesa de 3 pés, circular, simples e frágil. Sobre ela, o corpo ardendo em febre e a alma crepitando de paixão, escrevia: “Mas, por que tardas, querida?... Já tinha esperado assaz. Vem depressa, que eu deliro Oh! Minha amante, onde estás?...” Nessa pequena mesa, escreveu vários de seus poemas, sentindo toda a inquietude de espírito que lhe não abandonou um só instante. Sua vida, como a de todos os gênios, foi cheia de martírios, de dúvidas, de inquietação. E essa mesa foi seu abrigo muitas vezes. Pertence, hoje, ao Instituto geográfico e histórico, por oferta do prof. Prado Valadares. Nela há uma inscrição histórica, gravada em prata, de autoria do saudoso professor que a ofertou, e que é a seguinte: “Foram aqui escritas estrofes sublimes do maior poeta que jamais viram nascer terras americanas. A alma das coisas há de ser o conjunto quiçá eternamente vivedoiro das vibrações que lhe trafunda a energia superior e um pensamento forte. Quem puser os olhos neste móvel considere com emoção patriótica de justíssimo orgulho a espiritualidade altíssima que nele remanesce.” Prado Valadares 352 A jarra de flores É uma jarra como qualquer outra. Faiança portuguesa. Mas, tem uma história sua, própria, e pertence, hoje, ao Museu do Estado. Mas já esteve, no entanto, durante vários anos, no modesto quarto de estudante, juntamente com aquela mesinha de 3 pés, simples e frágil. Pertenceu ao quarto do Gênio, o quanto basta pertencer à História. Olhando-a, reparando-a bem, o observador vai, pouco a pouco, descobrindo a sua história. Cada detalhe, cada pormenor, sugere uma cadeia de pensamentos, relacionada aos amores do Gênio. Nela, o cantor de “2 de julho” colocava as flores que lhe enviavam as apaixonadas, as que o queriam, as que o desejavam. E contemplando os ramalhetes, sentindo o perfume que deles emanava, corria a pena sobre o papel, escrevendo páginas que o consagrariam como um dos maiores poetas do mundo, em todos os tempos. Um Gênio. Igual a Goethe e a Hugo. Maior que muitos, menor que nenhum. É uma jarra histórica, essa que todos olham na exposição. É necessário, todavia, olha-la com o pensamento voltado para o passado, para que a sua história se apresente clara à alma de quem a observa. Amor sem fronteiras Há uma outra jarra, um pouco parecida com aquela que adornou o quarto do revoltado estudante de Direito, esse homem que, ousadamente, gritou ao mundo: “Eu sinto em mim o borbulhar do gênio” E é gênio, realmente. Tanto quanto quem mais o for. A história dessa outra jarra poderá povoar, a quem ainda ousa duvidar. Pertenceu ela ao antigo Teatro São João. E era onde o jovem Poeta, apaixonado, costumava depositar flores para Eugênia, a atriz que se tornou famosa por ter sido a amante. Eugênia e tantas outras amantes do cantor da Abolição passaram à História, e seus retratos figuram ao lado dos retratos da família do Poeta. Ao lado de d. Clélia ou d. Adelaide. E isso só é permitido aos gênios. Goethe, grande como foi, mereceu, em Weimar, um Museu que leva o seu nome. Lá está tudo o que se relaciona com a vida mefistofélica do autor de “Wilhelm Meister” e “Wherther´s Leiden”. Foi necessário, no entanto, para que lá figurassem os retratos de suas amantes ao lado do de sua esposa, que se esmorecesse o rigorismo alemão, posto que se tratava e um Gênio. E o Gênio não conhece fronteiras, nem mesmo no amor. E é por isso que a História aceita, e até glorifica, todos os amores dos grandes homens, já que eles se tornam legais pela influência que exerceram em suas vidas. Tal é o caso do Gênio, idêntico ao de Goethe e do qual não conhecemos outros exemplos. Essa é a pequena história da jarra do Teatro São João, onde tantas e quantas vezes o Poeta da Liberdade cantou seus versos geniais, ora inflamado de idéias revolucionárias, ora abrasado ao imenso fogaréu das paixões, que ele bem soube viver e sentir sofrendo-as. O artista e a forma Aspecto interessante e pouco conhecido da vida do Poeta, é o que diz respeito ao desenho. Isso prova a inquietude do Gênio, sempre a procurar estereotipar, em forma artística todas as suas dúvidas, todos os seus sonhos. Foi assim que recorreu, algumas vezes ao desenho, procurando dar forma aos seus pensamentos inquietos e revoltos. O seu perfil, por ele próprio desenhado, revela a fina sensibilidade do artista, sempre ansioso de novos motivos. O receio, talvez, do pedantismo de fazer poemas a si próprio – como os “gênios” atuais, fez com que traçasse, ele mesmo, seu retrato. É um perfil significativo, e vale mais que o poema que não fez, dado o motivo que, talvez, o ensejou: o escrúpulo. A figura popular do tabaréu não escapou ao lápis do Gênio que ensaiou na pintura. Lá está ele, desleixadamente montado, o chapéu à cabeça e o indefectível gibão de couro. Uma paisagem sertaneja, talvez da mesma época que o Tabaréu, evidencia o contato íntimo que teve com os nossos motivos regionais. Dentre todos, no entanto, é justo salientar o “Paolo e Francesca”, motivo retirado da “Divina Comédia”, de Dante. Deixou o Gênio, aí, no motivo e na forma, um eloqüente retrato e suas íntimas tormenta E a quem quer que o examine será permitido observar, em cada traço, em cada linha aquela superior sensibilidade que sabe sentir e criar, característica do Gênio. Mensagem a um mundo novo Sua letra é firme, de traços inconfundíveis. Varia de ano para ano, como acontece com todos os jovens. A característica inicial, no entanto, é conservada, de princípio a fim. A mesma firmeza no escrever, como que a traduzir a convicção das idéias que tomavam forma e ganhavam vida na pena inigualável do Gênio. “O mundo perguntava erguendo um grito. Qual os gigantes morto, rolará?...” É o manuscrito de “Ode ao 2 de julho”. Lançado sem pretensão, numa folha de papel simples, sem pauta. A letra é firme e clara. Dela dimana um como que ar de eterno, de imortal. Sem esforço, espontaneamente, sente-se que a mão que escreveu aquelas linhas era a de um gigante do pensamento.Era a de um gênio. “Ó minha mãe! Ó martyr africana que morreste de dor no cativeiro!” É do poema “A cascata de Paulo Afonso”, copiado pelo Poeta no álbum de um grande, também: Aloísio de Carvalho. Este era, talvez, o maior admirador do Gênio. Seus olhos brilhavam de lágrimas, ao falar no Poeta Libertador. Sensível, como ele, Lulu Parola guardava, como adorada relíquia, esse álbum que, hoje, pertence ao senador Aloísio de Carvalho Filho. Agora, ao escrever “Menina e Moça”, sua letra é mais clara, mais repousada. Está no álbum de uma mulher. E o Gênio, mais que qualquer outro, sabia corteja-las e seduzi-las. E cuidava até na letra que para elas escrevia. É ela mesmo, um fino e delicado galanteio, impossível de recusado. Era o Gênio amando e sendo amado. Era o triunfo da Arte, na perfeita harmonia da forma e do conteúdo. Era o Gênio que se inscrevia na lista dos mais célebres amantes. Os manuscritos do Poeta são um testemunho de sua força, do gigantesco de seu pensamento. Estamos comemorando o centenário de seu nascimento, e sua letra, firme, 354 enérgica, ainda está bem viva. Parece escrita em nossos dias. É que o Gênio escreveu para os pósteros, o Tempo o respeita, admirando-o. 2. Data 26/07/47;3 TÍTULO Assistência à maternidade e infância Res Heron de Alencar elogia a Assembléia Legislativa por ter aprovado, por unanimidade, uma emenda que determinou a criação de um órgão de amparo e assistência à maternidade. De autoria do Sr. Augusto Publio, o dispositivo constitucional, segundo HA: “Poderá sanar a deplorável situação em que nos encontramos, neste importante setor de assistência social”. Critica o fato de algumas medidas não serem implementadas pelo governo, receia que esta medida não seja colocada em prática e, que se torne mais uma “obra de fachada”. Comenta que o Hospital Santa Terezinha vinha funcionando precariamente, assim como o Hospital do Pronto Socorro por conta da precariedade de verbas e pela má remuneração de seu corpo técnico. Afirma que a Bahia ocupa um dos primeiros lugares em mortalidade infantil. Apresentando também um número elevado de mães que morriam devido às causas diretamente ligadas ao parto: em cem parturientes, duas perdiam a vida. Tal situação poeria ser revertida se houvesse um trabalho de esclarecimento sobre a importância da higiene pré-natal, que deve ser feita com o pessoal especializado e o auxílio constante e imprescindível do laboratório de raio X. Além disso, havia uma única maternidade no estado. Ainda há outros problemas. O problema da mãe solteira, já solucionado ou em vias de solução em outros países, como a Argentina que havia criado maternidades de refúgio, secretas e que protegia, com leis especiais, essas mães. Além disso, aquele país instituiu escolas profissionais que encaminhavam a mulher para o mercado de trabalho nas oficinas ou nas fábricas, fazendo, desse modo, a profilaxia da prostituição. O governo deveria refletir sobre esses problemas e “estudá-los com cuidado a fim de que medidas que venham a ser tomadas não se tornem, na prática, inúteis ou prejudiciais”. 3.Data 27/09/47; 5 TÍTULO Diálogo de rua tr Não conheço quem haja tido a fortuna de viajar ao lado de duas distintas senhoras, como as minhas vizinhas de ontem num bonde de Nazaré, sem ser obrigado a ouvir uma irritante conversa entrecortada de gestos nervosos e risos sem cor. E o assunto predileto é sempre a vida alheia. A pretexto de discutirem uma simples receita de bolo ou um novo creme para disfarçar as rugas, certas mocinhas de quarenta anos desfiam um verdadeiro rosário de fatos e cenas que viram ou ouviram contar, a respeito da vizinha ou daquela que mora defronte e que é noiva há tantos anos... E por esse caminho enveredam durante toda a viagem, pouco importando quem esteja ao lado, obrigado a ouvir, com paciência e resignação, as intermináveis histórias que sempre têm para contar. E quando o comércio cerra as portas, então, é hora de voltar para casa e os bondes vêm cheios, juntam-se três ou quatro e descontam os atrasados. Falam de tudo e de todos, com uma naturalidade de espantar. Desconheço, até hoje, quem não haja sofrido um mau quarto de hora, ao lado dessas pouco agradáveis companheiras de bonde. Mas, devo confessar, eu tive essa ventura. As minhas companheiras de banco, quarentonas bem nutridas e bem pintadas, conversavam discretamente, com uma seriedade só comparável ao de certo deputado num discurso medíocre na Assembléia. Pareciam dois personagens de Huxley, debatendo complicados temas metafísicos no intervalo entre duas chávenas de chá. A mais gorda, e a mais desiludida das duas, afirmava que só havia um remédio para os que vivem neste mundo moderno e agitado por tantas crises. Na sua estranha opinião esse remédio era a morte. A outra, mais sonhadora, olhos perdidos num futuro que teimava em fugir, não queria por nada a pílula mortífera que lhe pretendia impingir a decepcionada companheira. Argumentava que ávida, por mais crítica que fosse a situação, sem leite, sem carne, sem verduras, sem pão e mesmo sem marido dava aos mortais magníficas compensações morais e materiais. Não! Não vale a pena morrer, é preciso lutar sem esmorecimentos – dizia, cerrando o sobreolho numa inapelável afirmativa. Procurei apurar o ouvido, a fim de conhecer qual o motivo de toda aquela conversa, que cheirava a círios ardendo e a uma mistura de flores já murchas. Julguei, a princípio, que debatessem um tema filosófico. Uma, a mais gorda, agarrando de unhas e dentes o amargo Schopenhauer a gritar, irritado, que se batêssemos na pedra dos túmulos para perguntar aos mortos se queriam ressuscitar, eles abanariam a cabeça num irrecorrível negativa. “A morte é o gênio inspirador”, berrava o grande pessimista nas garras da truculenta quarentona. A outra, mais calma e perdida num paraíso de sonhos, talvez de braços dados com um cínico e risonho filósofo chinês. Mas, qual não foi a minha surpresa, ao verificar que as duas respeitáveis senhoras, conversavam sobre... adivinhem sobre que? Discutiam a respeito de inflação e deflação. Por mais incrível que pareça, debatiam a nossa atual política econômica. Muito ao jeito de alguns trêfegos cidadãos, essas duas senhoras estavam seriamente preocupadas com a nossa situação, embora dela não tivessem um conhecimento mais sério e mais demorado. Discutiam, no entanto, como se pronunciassem a última palavra sobre o assunto, muito sérias e muito convictas do que estavam dizendo. Pelo menos, pensei, elas chegaram a alguma conclusão, encontraram a solução para toda essa lamentável situação que se criou no país. Uma, advogava a morte; a outra, pregava a espera sem desesperação. Há os que discutem, falam, gritam e jamais concluem coisa alguma. As duas quarentonas, ao contrário, encontraram a fórmula, e no curto espaço de uma viagem de bonde. Quando uma delas se virou para o lado em que eu estava, encolhi-me o mais que pude no meu canto, receoso de uma interpelação. E pretendia mesmo continuar a viagem, quando uma disse para a outra, a propósito da política deflacionista: - Não leu o que disse aquele deputado...Como é mesmo o nome dele? - Qual? – perguntou a sonhadora, deitando para a companheira um longo olhar de quem procura recordar. - Ora, esqueci o nome... aquele do Partido Trabalhista. Saltei imediatamente era demais. 356 4.Data 29/11/47; 5 TÍTULO Seção Caleidoscópio Coluna de crítica literária e política 4.1 Variações tr Quando a cidade adormece e as ruas se enchem desse sugestivo silêncio de madrugada, o Poeta começa a viver. Solitário e olhando a hesitante sombra das árvores projetada no asfalto, ele sente crescer no íntimo aquela irresistível vontade de compor para os que estão dormindo. Escutando a cadência monótona dos passos perdidos pelas vielas da lírica cidade, ele parece ouvir o ritmo torturado de seus versos carregados de angústia. Há um como que sentido de eternidade nas madrugadas solitárias do Poeta. Qualquer coisa que lhe sussurra palavras vindas de séculos perdidos nos longes do tempo. Fantasmas que bailam na sua frente e dança da inconformação. Sombras que se revelam, medrosas, na penumbra fria da madrugada que morre. E ele pára, acende um cigarro e pensa. Pensa que é difícil e inútil para os que estão dormindo. Eles não ouvirão seu canto, mensagem-apelo às consciências escravizadas. E a madrugada vai embora, levando a insatisfeita inspiração do Poeta. * Nada fica de permanente da leitura de Eurídice, senão a desenganada impressão de que o autor quis elevar um pouco mais e caiu, como caem as folhas secas de uma árvore sem selva. * Um dia, perguntei do fantasma de Keats, que se movimentava na inconsistência da fumaça do meu cigarro, se ele havia conhecido a beleza eterna e a constante alegria. - Por quê? Perguntou-me quase a sorrir. - Por que jamais consegui esquecer aquele verso seu, lembra-se? “A thing of beauty is a joy forever” E, quando o procurei na esperança de uma resposta, notei que ele estava se apagando, no rolo de fumaça. Mas, ainda pude notar o quanto é triste e dolorosa a máscara de um fantasma contrariado... 4.2 Olhai os lírios do campo (c/foto do escritor) tr Já foi apresentada, em Porto Alegre, a adaptação cinematográfica do romance de Érico Veríssimo, feita por uma produtora Argentina, à qual haviam sido vendidos os direitos de filmagem. À “premiere” de Olhai os lírios do campo, compareceu uma grande multidão, que lotou as dependências do Cinema marabá, e da qual participavam Erico Veríssimo, Silvana Roth, estrela do filme, membros da embaixada Argentina e jornalistas de Buenos Aires, os produtores do celulóide e figuras do mundo oficial. 4.3 Marietta Martin - Mártir do nazismo res “Lês Cahiers de Rhone” acabavam de publicar um poema místico de Marietta Martin intitulado “Adieu temps”, com um comentário de Fernando Baldonsperger. Escritora que fez parte da resistência francesa, foi presa em 1942 pelo nazismo e vagou por algumas prisões e hospitais; faleceu em 1944. Seus trabalhos escritos na prisão foram destruídos, aqueles eram assinados com o pseudônimo de François Captif. Obras inéditas foram encontradas em Paris, dentre as quais o poema citado. 4.4 Biografia tr José Geraldo Vieira é, atualmente, um dos maiores romancistas brasileiros. Nasceu no Rio de Janeiro, a 16 de abril de 1897 e é filho de pais portugueses, de Açores. Formado em medicina pela Universidade do Rio de Janeiro, estudou, também, na França e na Alemanha, onde se demorou algum tempo. Escreve desde os tempos de ginasiano e, quando ainda estudante, publicou “O triste epigrama”, que merece elogios dos maiores críticos brasileiros da época. Depois, lançou um livro de contos A ronda dos deslumbramentos, em 1936 publicou o romance Território humano, consagrado pelas críticas brasileira e portuguesa. Apareceu, posteriormente, A mulher que fugiu de Sodoma, considerado uma das melhores realizações da nossa literatura e, talvez, a sua melhor obra. Vieram, em seguida A quadragésima porta e A Túnica e os Dados. José Geraldo Vieira vive, hoje em dia, em Marília, no interior de São Paulo, onde exerce a medicina. Fala-se que dentre em pouco, publicará um novo romance, enriquecendo, assim, a nossa literatura para a qual tem contribuído de maneira decisiva. 4.5 Retrato de "Anacreonte" tr Este é título do livro de Fernando Diniz Gonçalves, jovem escritor baiano, sobre o “doce cantor de Téos”. O autor, que é, também, pintor e poeta, é uma das mais vivas afirmações da inteligência moça da Bahia, e já tem publicado um outro ensaio, Viena eterna, que mereceu da crítica elogiosas referências. 4.6 "Le pour et le contre" tr Jacques Lacretelle escreveu um romance, em dois volumes, com o título acima indicado. Trata-se dum relato de fundo histórico, que descreve o ambiente francês no período compreendido entre o fim da primeira guerra mundial e os primeiros capítulos da segunda. A ação do romance se desenvolve, sobretudo, nos círculos literários e, muito embora o autor afirme que no seu livro não há mistérios nem alusões a personagens reais, muitos dos seus personagens já foram identificados como escritores franceses, de diversas tendências. 358 4.7 As mulheres que Castro Alves amou tr Está sendo exposto nas livrarias da cidade o novo livro do sr. Archimino Ornellas – Vida sentimental de Castro Alves. O autor, que é um dos colaboradores das secções literárias da A Tarde, pertence à moderna geração dos intelectuais, dentre os quais se destaca, pelas qualidades que põe a serviço de seus trabalhos. Já escreveu, antes deste livro, outro volume – Caminhos do mundo, já esgotado. Em Vida sentimental de Castro Alves, ele traça o perfil, em cores delicadas e firmes, de cada um dos vultos de mulher que gozaram do amor do poeta. E vemos desfilar, numa sucessão de gentis figuras, Idalina, Sinny e Éster, as judias, Eugênia Câmara, Laura e Cândida, Eulália, Inês, Leonídia, Agnese e outras. Os estudos dessas personalidades femininas, feito com o conhecimento da bibliografia e depoimento pessoais, permitem que se veja melhor o aspecto humano de Castro Alves, o grande amoroso. É a contribuição de Archimino Ornellas para a definitiva biografia do poeta. 4.8 Publicações estrangeiras rs - Ten Stories, de Rudyard Kipling, lançado em Londres, editora Pan Books ltd; - Marlborough – his life and times, biografia de Winston S. Chuechill, em 4 volumes; lançamento em nova edição de 2 volumes pela Pan books ltda; - Great expectations, de Charles Dickens, lançado em nova edição pela Novel Library, introdução de Bernard Shaw; - Velászquez, nova biografia escrita por Arthur Stanley Riggs, autor de Titan e The magnificent. Há comentário. - Cartas do Papa Celestino VI aos homens, de Giovani Papini, autor de Gog, versão espanhola lançada pela Editora M. Aguilar. 4.9 Na vitrina das livrarias rs - Burocracia versus petróleo, de Sebastião Corain, na Livraria Progresso editora, edição do autor; - Vida sentimental de Castro Alves, de Archimino Ornellas, Livraria Progresso, edição da livraria; - Na Civilização Brasileira: - A rua, romance de Ann Petry, tradução Ligia J.Smith - Dias e noites, de Konstantin Simonaw, trad. Isa Silveira Leal - Caminho da liberdade, de Howard Fast, trad. Godofredo Rangel. 4.10. Próximas publicações res - Messalina, de H. Stadelmann, tradução de Percy Cardoso (jornalista baiano), capa de “Dorca”, de São Paulo; pela Progresso Editora. 5. Data 13/12/47;5 TÍTULO Seção Caleidoscópio 5.1Variações tr Uma vez, olhando várias reproduções de famosos quadros chineses, senti-me invadido por imensa tristeza. Eu não consegui entendê-los, embora sentisse que neles havia qualquer coisa de grandioso. O tempo passou e em mim cresceu a amargura de não haver compreendido os pintores de olhos oblíquos e sorrisos mansos. Nas suas paisagens, os seres humanos eram sombras ridículas, frágeis pinceladas que se me afiguravam sem maior importância. E em todo o quadro, a grandeza aterradora da natureza pontificando. Mas, conversando com um velho e bom amigo, um chinês de filosofia cínica e risonha, pode, enfim, desvendar o que, para a minha ignorância, parecia um mistério. - A natureza - disse o meu amigo – é por si mesma, e sempre, um sanatório. Mesmo que não possa curar outra coisa, pode curar o homem enfermo de megalomania. É preciso “por no seu lugar” o homem, e este sempre se vê posto em seu lugar ante o pano de fundo da natureza. Por isso é que nos quadros chineses se pintam sempre os homens tão pequenos no panorama. E é por isso, ainda, que os chineses acreditam que uma viagem às montanhas surta efeito catártico, pois limpa o peito de uma multidão de ambições tolas e desnecessárias preocupações. Agradeci do meu amigo Lin Yutang, com um cordial sorriso de despedida. Mas, levava a certeza de que nós, ocidentais, não passávamos de pretensiosas crianças, teimosas e maleducadas... 5.2 Importância do homem de cor (com foto) tr Edson Carneiro, conhecido escritor e etnólogo baiano, está nesta capital, recolhendo material para mais um de seus preciosos livros. Autor de várias obras, e dedicado ao estudo e investigação dos problemas e das coisas da gente negra. Edson Carneiro tem contribuído para um melhor esclarecimento e compreensão de certos fenômenos e fatos da nossa vida. Agudo e penetrante espírito de observação, com um senso crítico pouco comum o jovem etnólogo publicou Religiões negras (1936) e Negros Bantus (1937), trabalhos esses que são consultados, universalmente, pelos estudiosos do assunto. Além disso, realizou dois originais estudos sobre Castro Alves, revelando-o como o verdadeiro poeta revolucionário que foi. Seu último trabalho, lançado este ano, é Quilombo dos palmares, amplamente aceito como um dos melhores e mais completos estudos sobre a grande concentração de negros. Aproveitando a sua estada em nosso meio, a Liga de Intelectuais Antifascistas o convidou a fazer uma conferência, que se realizou quarta-feira passada, 10, e cujo tema foi: “O homem de cor e sua importância na vida nacional”. Nesta ocasião, Edison Carneiro revelou o quanto se acha capacitado, demonstrando profundo conhecimento das nossas raízes históricas e dos fatores que influenciaram em nosso desenvolvimento como povo. Realizou um estudo panorâmico, porém claro e lógico, das atividades do homem de cor em nosso país, desde a colonização aos nossos dias, documentando a importância dessas atividades na nossa realidade sócio-econômica. Demonstrou que, em todas as épocas e nos diferentes estágios da 360 evolução, o homem de cor esteve presente, como elemento indispensável de progresso e de civilização, não só lutando pela conquista das chamadas liberdades essenciais, como contribuindo, de modo decisivo, para o nosso desenvolvimento econômico. Sua conferência, embora a ela não houvesse comparecido um grande público, como era de desejar, correspondeu à expectativa dos que lá estavam, que já se acostumaram a ver em Edison Carneiro, um dedicado e inteligente estudioso de tais assuntos. 5.3 A presença de uma desconhecida rs É o título do livro de Jacqueline Marenis, nova geração francesa e considerada futura renovadora da literatura francesa. Chamada pelo público e crítica de “a nova Georges Sand” pelo traje e cabelos semelhantes. Heron de Alencar traça um breve perfil da escritora que ganhou o grande prêmio da Academia, ainda muito jovem. Esse seu novo livro é uma compilação de toda a sua obra. 5.4 Antoine de Saint-Exupéry res Anuncia a nova publicação, em Paris, de La citadelle, um manuscrito de Antoine de SaintExupéry que exprime o angustiado espírito do autor nos meses anteriores à sua morte. Comenta a angústia do escritor frente à situação do mundo: de desavença entre os homens. Inclui uma citação do autor pronunciada em um dos últimos eventos ao qual compareceu; a citação trata do tema da união em prol da paz. Ainda cita uma frase retomada do pensamento do padre Teilhard de Chardin: “ao ascender, tudo converge”. 5.5 Biografia (com caricatura) tr Dyonélio Machado nasceu em 1895, em Quarai, na fronteira do Rio Grande do Sul. Foi nessa região que passou os anos de infância e adolescência, testemunhando a agitação dos contrabandos, tropelias e revoluções, naquela época comuns ao Brasil e Uruguai. Veio para Porto Alegre aos 16 anos de idade, a fim de estudar medicina. A literatura, no entanto, o desvia de seu propósito inicial, só vindo a obter o diploma em 1929, especializando-se em psiquiatria. De 1922 a 1930 foi redator do Correio do povo, tradicional órgão de imprensa gaúcha, sendo, mais tarde, seu diretor interino. Em 1927 publicou um livro de contos Um homem pobre, que obteve algum sucesso. Daí em diante, sua atuação na literatura foi muito irregular, escrevendo com longos intervalos, em virtude de seus afazeres profissionais, o que justifica sua pouco volumosa bagagem literária. Em 1935, estreou no romance, com Os ratos, livro que alcançou extraordinário sucesso, obtendo prêmio em disputado concurso literário. È uma obra sombria e densa, que se desdobra no espaço de um dia e se movimenta em torno de um único acontecimento. Nesse livro, alguns críticos enxergaram “o momento culminante da literatura brasileira”. Depois de longo e lastimado silêncio, Dyonélio Machado voltou ao cartaz com O louco de Cati, em 1942. Esse novo livro foi bastante discutido, provocando debates literários, pois o próprio autor o considerava “aventura”. Como quer que seja, O louco de Cati, embora sendo um livro diferente e com um tema original, ficou aquém de Os ratos, seja em construção romanesca ou significação social ou psicológica. Dyonélio Machado é, indubitavelmente, uma figura de projeção do romance brasileiro. Fisicamente, é um homem grande, de rosto sem alegria, de temperamento seco, direto, positivo. Vive em porto alegre, onde exerce a profissão de médico num hospital de alienados. 5.6 A imortalidade de Zola (com foto) res Recorda o enterro, há 45 anos, de Émile Zola. A manifestação ocorrida na ocasião pelas ruas de Paris foi considerada mais política que literária em virtude de Affaire Dreyfus estar latente e ser recente “Eu acuso”. A recente peregrinação nas proximidades da casa do artista também foi considerada mais política que literária.O discurso foi proferido por Francis Jourdain, o qual destacou a poética de Zola. Também falou Gerard Bauer, presidente da Associação dos homens de Letras. Após os discursos houve uma visita à casa do escritor. 5.7 Goteira do coração tr Flávio Jarbas é um valor novo na literatura baiana, que estreou com um pequeno livro de quadras prefaciado por Fernando Diniz Gonçalves. Reunindo noventa e cinco quadras de sua autoria, jovem poeta editou Goteira do coração, cuja etapa alegórica foi desenhada por Assis, trazendo o volume, ainda, uma crônica de Nilo Pinto sobre o autor e sua obra, na qual se pode ler: “Estréia promissora de um jovem baiano, cem por cento de espontaneidade e real inspiração poética”. Das quadras de Flávio Jarbas, Fernando Diniz, em seu prefácio, selecionou cerca de 12, como os melhores. E a respeito da quadra, disse o autor de Retrato de Anacreonte: “tem a força do coração, e por isso, não envelheceu. Ainda canta, e cantará ainda, enquanto houver ouvidos amantes, capazes de ouvir e entender sua fala... prova disso tenho eu agora lendo em primeira mão, ainda inédito, Goteira do coração, de Flávio Jarbas, coleção de Quadras que lhe marcará auspiciosamente a estréia”. Isso indica que a nova geração baiana promete, e não promete pouco. Parece que um longo silêncio está sendo quebrado. E Flavo Jarbas contribui para isso, principalmente se nos continuar a dar quadras como a que se segue: Teus dentes, alvos e belos, São teclados de marfim Onde sorrisos singelos Tocam piano pra mim... 5.8 Flores...do mal (com foto) tr Charles Baudelaire, embora tenha sido um aluno medíocre durante os tempos de colégio, foi um dos maiores poetas da França. Sua pronunciada vocação literária desenvolveu-se, principalmente, após as viagens que realizou às ilhas de Maurice e de Bourbon e Madagascar. 362 À respeito desse grande poeta contam-se inúmeros episódios, a maior parte ligada aos seus versos iniciais, que eram um tanto escandalosos. Certa noite, por exemplo, Baudelaire travou conhecimento com uma jovem atriz, que convidou para ceiar em sua casa. Na biblioteca da moça, o poeta viu um exemplar de “Fleurs du mal”, sua famosa obra. Curioso, interroga: - Senhora, já leu este livro? - Ainda não – respondeu a atriz - mas estou bastante ansiosa... Disseram-me que é muito picante... O poeta levantou, apanhou o chapéu e a bengala, saiu sem dizer palavra. 5.9 Tristan Bernard tr A França está de luto. O mundo também. Morreu Paul Bernard, aquele irreverente Tristan Bernard de barba ducal e olhar de mongol, que os nazistas atiraram numa prisão de Drancy, tal era o seu amor pela liberdade. Era um homem raro, sem dúvida, um admirável tipo de cidadão e artista, que declamava de cor Ugo e Rimbaud, deamulando pelas ruas da misteriosa Paris. Tão íntimo de Rabelais, aponto de despertar a inveja de Leon Daudet, Tristan Bernard conquistou a glória sem conquistar a fortuna. Foi tudo na vida, e em tudo venceu. Nascido em Besaçon, em 1866, apareceu em 1900, como cronista esportivo, escrevendo a respeito de ciclismo e Box. Depois, foi o que se viu. Poeta, autor dramático, humorista e até romancista, além de comendador da Legião da honra. Honrou a França, que o consagrou como um de seus maiores, não só pela finura e graça de seu espírito, como pela requintada sensibilidade com que sabia ver e dizer as coisas. Escreveu várias obras dentre as quais, Os pés niquelados, Petit café, L´anglais tel qu´em se parle, alguns contos interessantes e um romance. Um marido pacífico, sendo que As memórias de um rapaz bem comportado é, indubitavelmente, a sua melhor obra. Possuía Tristan Bernard algumas particularidades, que o tornaram ainda mais conhecido. Trabalhava incessante durante uma existência inteira, demonstrava um singular interesse pelos indolentes e hesitantes, como afirma um de seus biógrafos. E o amor que tinha à sua braba decorativa, fez com que, certa feita, se espantasse de gastar um jornal tantas colunas sobre sua obra sem qualquer referência à sua longa e famosa barba. Durante o tempo em que passou na prisão, adquirindo amor pelas palavras cruzadas, vindo a ser respeitado decifrador e autor de inúmeras. Morre, agora, Tristan Bernard, com 81 anos de idade, com o honroso título de “humorista nacional de França”. 5.10 Publicações estrangeiras Res - Pavillon of Women, de Pearl S. Buck, novella, editora inglesa Methvenn; - The day before yesterday, de R.A. Scott James, edição inglesa de Frederik Muller; - Alicia en el pais de las maravillas, versão castelhana da editorial Sopena Argentina, por Monteiro Lobato; - Stone Up, de Marcia Brown, para crianças. 6. Data 03/01/48;5 Título Seção Caleidoscópio Obs: coluna no meio da página 6.1 Variações tr Visitei, ontem, um grande e sábio amigo. Há muito que não nos encontrávamos. Não me tem sobrado tempo para ir vê-lo, e ele não se abala para visitar ninguém. Mas, eu o estimo a ponto de não poder prescindir de sua presença. Ela como que dissipa minhas dúvidas, fortalece aquelas convicções que se tornam hesitantes e medrosas na grande luta, desfaz receios e anula temores. É que sua presença, por si mesma, é um imenso e irrecusável conselho de prudência, paz, tolerância, humildade e amor. E eu poderia dizer, sem mentir, que o meu amigo é tão velho quanto o mundo e tão moço quanto o segundo que acaba de nascer e já morreu. Mais ainda: que ninguém, ninguém o conhece completamente, embora alguns loucos ousem pretender essa glória. Com ele, vivem bem os que, como eu, lhe ouvem os conselhos sem procurar conhecê-lo profundamente. É que o meu amigo não gosta de quem tenta desvendar seus mistérios, e ele os têm em quantidade assustadora. Caprichos...caprichos do mar, meu grande e sábio amigo. * * * - Procure Erico Veríssimo e converse com ele, diariamente. Far-lhe-á bem... – disse eu a um conhecido, certa feita. O homenzinho me olhou com desdém, sorriu cético e decepcionado, e desapareceu no meio do povo, que se movimentava com indiferença e alheamento. A visão daquele sorriso irônico desenhado com superioridade no canto da boca era uma inapelável sentença aniquiladora. Dava-me, no entanto, a certeza de que o meu conhecido era um sujeito feliz, despreocupado, que nunca lera uma linha daquele “menino moreno” de Cruz Alta, como diz o grande Lobato. Far-lhe-ia bem a leitura de Pastoral, o último capítulo de Saga. Não conheço conversa mais humana e mais amiga. Ao terminá-la, uma única impressão domina a gente: a de que o autor é uma criatura profundamente humana e tolerante, homem simples e honesto, que deseja mais harmonia e compreensão nas relações humanas. 6.2 Biografia com foto tr Érico Veríssimo aparece, hoje no panorama literário do país, ocupando um lugar à parte, como nosso maior romancista, posto que ele mesmo criou e que não lhe foi dado por atuações políticas oportunistas nem por grupos de amigos interessados. Veio do nada, e venceu à custa do próprio esforço. Nenhuma nota biográfica sobre Érico, das divulgadas até agora, apresenta o interesse e abundância de informações que nos dá a leitura inteligente de seus livros, os últimos principalmente. Nasceu no interior do Rio Grande, em Cruz Alta, no ano de 1905, e lá viveu a infância e boa parte da adolescência, quando ainda tinha esperanças de cursar uma 364 escola de pintura na Escócia e fazer grandes quadros. Isso, no entanto, não se realizou. E, em lugar das paisagens escocesas, ficou a pintar letreiros nos sacos de feijões e batatas, no balcão de um armazém de secos e molhados. Com essa reviravolta brusca na existência, lançado repentinamente em contato com o claro-escuro da realidade cotidiana, vendo o desfilar de tipos vulgares e brutais e o drama dos simples e humildes, convivendo com “um sujeito de olhar frio que mascava alho” e que lhe chamava à vida sempre que procurava fugir e mergulhar nos livros, Érico começou a derivar. Ia descobrindo pinturas, autores, músicas, e isso o impedia de se deixar levar. Ele próprio confessa, nas palavras carregadas de angústia de Malazarte: “Não sei porque, eu julgava ver a sombra de Verlaine passeando por entre os plantanos da pracinha provinciana. Seguia-lhe os passos, sofrendo. E esse sofrimento me dava uma inexplicável felicidade. Eu era feliz por me sentir infeliz”. E mais adiante: “vendendo batatas e murmurando versos de Samain... O mundo era um mistério e uma promessa”. Foi nessa época que ele travou conhecimento com Swift e Shaw (“na coleção barata da Tanchnitz...”) Foi aí que encontrou Ibsen, que ficou “morando na sua admiração”, e com quem aprendeu o difícil manejo do diálogo simples e expressivo, no qual hoje é mestre com letras maiúsculas, E descobriu Oscar Wilde, “a mais inelutável de todas as influências literárias”, como disse mais tarde. Resolve, então, como que impelido por forças íntimas imperiosas, tentar a Capital. Trabalha durante o dia no comércio, e, à noite, prossegue lendo e escrevendo cumprindo seu inexorável destino de romancista. E o resultado desse esforço, foi uma enfermidade que quase o liquida. Volta, então, já noivo de sua atual esposa, para o interior; lê com sofreguidão os autores franceses e ingleses, em verso e prosa, e, curado, decide arriscar a sorte mais uma vez em Porto Alegre. Consegue uma máquina de escrever, cobra ânimo e parte. Passa a trabalhar na Livraria do Globo. Manoelito Ornelas descobre, na gaveta de Érico, e publica o Ladrão de gado, seu primeiro conto. Surge, depois, outro, assinado por um tal Denis Rent, que não era senão o autor de Olhai os lírios do campo. Começam a aparecer seus primeiros ensaios e contos. Vem A lâmpada mágica, surgem Fantoches e Clarissa, seus primeiros romances. Dizem que um outro livro seu teve toda a edição queimada num incêndio, e a indenização que lhe foi dada ensejou a publicação de novos. Apareceu, Música ao longe, que parece ser uma coleção de saudosas recordações dos dias do interior, com as cenas de sangue, marasmo e decadência que presenciou. Continua, no entanto, a ser quase um desconhecido para o público nacional, quando surge a tradução de Contraponto, de Huxley, o mais perfeito trabalho de tradução que conhecemos. Cresce o interesse em torno de seu nome. Seguem-se outras traduções e, pouco depois, novos romances. Caminhos cruzados, Um lugar ao sol, olhai os lírios do campo, Saga e O resto é silêncio. A glória lhe batia à porta. À maneira de Anatole, o que encontramos em seus livros é ele mesmo seus próprios pontos de vista, sua maneira de encarar as coisas e os homens. Seus romances são sinceros, pois ele não os escreve com o fim e ventilar idealismos políticos ou impingir preconceitos aos seus leitores. É um autor honesto. Pinta retratos à carvão das gentes simples, movimentando com maestria os elementos romanescos, dentro em uma técnica literária muito pessoal. Parece que é seu desejo quebrar os moldes convencionais do romance, dando-lhe processos mais convincentes. Não faz arte-torre-de-marfim, mas escreve pela mais justificável original das cousas: “por amor à vida”. Isso, objetivamente. Por dentro, como diz Tonio Santiago – esplêndido auto-retrato que traço em O resto é silêncio – é levado a escrever “por fatalismo biológico”. Erico trabalha ativamente. Ninguém o vê flanado nas ruas. Quando não está terminando a tradução de algum romance, entrega-se ao novo livro que está escrevendo, ou à sua esposa e aos filhos, para os quais conta histórias e pinta bonecos. Escreve preferencialmente à noite, algumas vezes a máquina nos joelhos, fazendo uso da caneta toda a vez em que um termo qualquer lhe foge à memória. Desenha também, mas afirma que deixou de nutrir esperanças nesse sentido, depois que viu as ilustrações de Zeuner para a livraria. Em matéria de música, tem uma religiosa admiração por Bach, fala com entusiasmo de Beethoven e da Nona Sinfonia, e acha a 4ª Sinfonia de Gustav Mahler a mais bela criação musical que já ouviu. Pouco se afasta de Porto Alegre, e já foi à América do Norte duas vezes. A primeira – quando da acusação que sofreu por parte de um fascista qualquer – em busca de um ambiente mais sadio, deixando o país num momento em que não se podia dizer ou escrever nada, sem incorrer perigo de ser chamado ao tribunal ou preso por vários meses, como aconteceu com Monteiro Lobato. A segunda, a fim de lecionar literatura brasileira numa Universidade Americana. Dessas viagens, surgiram três livros: os dois Gato preto e a reunião de conferências que lá realizou, este último editado em inglês. Erico tem um senso de humor invejável, e raramente conta qualquer coisa sem incluir uma anedota ou uma de suas observações cheias de espírito. Não é supersticioso; confessa que já tentou várias vezes, porque ser supersticioso dá sorte, mas tem fracassado sempre, infelizmente... É pouco afeito a divulgar detalhes sobre a vida íntima. Não tem preferências pelos tipos que criou, embora, sempre que interrogado a esse respeito, olhe para o retrato de Vasco pendurado à parede, pintado por Zeuner, confessando a grande analogia que existe entre as idéias do herói de Saga e as suas próprias. Ambos, aliás, o herói e o livro, são expoentes em nossas letras. Politicamente, não tem preconceitos ou inclinações por essa ou aquela ideologia. Entende, como Vasco, “que a vida é demasiado complexa variada para caber em qualquer programa de partido”. Atende a todos que o procuram, com tolerância e interesse, mas, quando um interlocutor pouco discreto começa a enfadar, ele ergue a sobrancelha direita, olhos perdidos num ponto vago e as idéias voando... É seu desejo reunir as qualidades de cada um de seus livros em um só romance, contado com as palavras de Saga, com a humanidade de Olhai os lírios do campo e com técnica de Caminhos cruzados. Talvez seja o próximo já anunciado, A jornada. É, atualmente, o autor mais lido do Brasil. Além dos romances e livros citados, possui vários outros, inclusive muitos de literatura infantil. Seus romances estão traduzidos em várias línguas e um deles já foi cinematografado, aliás de maneira não muito feliz. É diretor da Livraria do Globo e não exerce outra profissão além da de escritor. O conhecimento que tem da vida e dos homens, faz com que seus livros nos apresentem sempre soluções para problemas íntimos, pessoais. E é com esse objetivo, de resolve nossos “casos” ou reforçar nossas convicções e fé no elemento humano que nos atiramos aos seus romances, e dele saímos satisfeitos, com uma nova filosofia de vida, olhos abertos para situações e fatos que antes não enxergávamos. É um escritor honesto e realiza impiedosamente autocrítica de seus livros, a ponto de considerar Um lugar ao sol um livro frouxo. 6.3 Como escreve você (com foto) tr Cada escritor tem o seu método de escrever. Isso varia de acordo com o temperamento e as predileções de cada qual. Um dia, por exemplo, fizeram a Maurice Maeterlink a seguinte pergunta: - Como escreve você? - Nunca tenho inspiração – respondeu. Meu método de trabalho é muito simples. Sentome todos os dias, à mesa de trabalho, com papel e tinta; se as idéias chegam, escrevo; senão vêm, fumo o cachimbo. Mas, em qualquer hipótese, as três horas não falham... Como o autor de L`Oiseau Bleu, pensavam Victor Hugo, Baudelaire e Buffon. 366 6.4 Gide e o prêmio Nobel Com caricatura res Trata da conquista do Prêmio Nobel de 1947 por Andre Gide, fato que mereceu destaque da maioria dos diários parisienses. HAlencar cita trechos da crítica de alguns diários, dentre os quais o Populaire, Lê combat, Fígaro, liberation, Le parisien, L´aube. Comenta que, em outros momentos, o escritor chegou a ser duramente criticado, exemplifica um dos momentos: quando da publicação de Lês Cahiers D´andre Walter; transcreve trecho do autor sobre as críticas que sofreu na época, além de trechos a carta que escreveu a respeito das razões que o levou a aceitar o prêmio, para HAlencar esta carta “é um do mais sérios documentos de nossa época” 6.5 Obras completas de Pirandello com foto res Anuncia a futura publicação das Obras Completas de Luigi Pirandello pelo Ipê – Instituto editorial de São Paulo. José Geraldo Veira foi o encarregado da tradução de várias obras como A excluída, Moços e velhos e novelas para um ano. Para HAlencar aquele é um escritor que apresenta obras filosóficas. 6.6 O tremendo Monteiro Lobato com foto tr Monteiro Lobato, a maior figura da literatura brasileira, esteve há pouco nesta capital, onde veio assistir a opereta para crianças Narizinho, baseado em seu famosos livro. A adaptação, os ensaios e a direção foram do Sr. Adroaldo Ribeiro da Costa, que levou à cena cerca de cem crianças, numa representação inédita do Brasil. E monteiro gostou. E gostou da terra e do povo também. Visitou vários pontos, inclusive os nossos campos petrolíferos, dos quais voltou com o entusiasmo rejuvenecido. E não perdeu a oportunidade de por à mostra o seu espírito, dizendo: - terra privilegiada a Bahia! Já ganhou 3 sortes grandes: O Grande Prêmio Castro Alves, O Grande Prêmio Ruy Barbosa e o Grande Prêmio Petróleo!... Que tremendos são vocês! 7. Data 17/01/48;5 TÍTULO Seção Caleidoscópio 7.1 Variações tr A noite é densa, pesada, e eu fecho os olhos para escutar. E vejo. Fantasmas que se movimentam no silêncio da solidão branca, gelada. Ouço os “ulra’ falando embaixo da terra e sinto os passos de Thor, o gigante, passeando nas florestas... E esse canto que vem dali, daquele bosque? Será a feiticeira da beira dos lagos, seduzindo os jovens com seu canto mágico?... Mas agora o fogo estalou na lareira, e eu sei que é um gnomo brincalhão que desceu pela chaminé para se aquecer e guardar o sono das crianças... Enquanto isso, tilitam as campainhas de prata do trenó fantasma, que as renas brancas de São Nicolau puxam na neve pelas noites frias... E eu vejo a Finlândia que Sibelius me mostra, contando a história bonita de uma saga... * * * Descer à profundidade dos cérebros humanos... Ver angústias e tormentos alheios, que se ajuntam aos nossos, já tão numerosos e terríveis, por força de um teimoso e obstinado sentimento de solidariedade humana?... Para que, se as almas são como intrincadas e densas florestas? Difícil é conhecê-las profundamente e, vezes sem conta, nós próprios nos desconhecemos no curso tumultuoso da vida... 7.2 Daphné de Maurier com foto Res Sobre o romance Rebeca, 1938, da escritora francesa Daphné de Maurier. ressalta o fato “interessante” da mesma ter alugado a casa que havia descrito no texto. A casa fantástica denominada Menabelly tinha sido vista pela autora em Cornovailles foi alugada para moradia com seus filhos e marido e reformada a fim de tornar-se sua casa dos sonhos. Também escreveu recentemente o romance General do rei. Pensa em outro romance sobre a origem da Casa fantástica. 7.3 As mulheres no cartaz Res Françoise D´Eaubonne, escritora francesa que obteve o Prêmio das Leitoras pelo romance Comme un vol dês Gerfants. Em preparo um novo romance, histórico, L´eternité commience a´ la´homme. Iniciou sua carreira como redatora de jornal. O resenhista cita trecho da descrição da autora feita, a fim de traçar seu perfil, por Gisele D´Assily, redatora de Lês Nouve iles literaires. 7.4 Biografia com foto Tr Guilherme de Almeida é, incontestavelmente, uma das grandes figuras da poesia brasileira. Filho primogênito do jurisconsuto e professor de Direito, Estevam de Araújo Almeida, o poeta nasceu em Campinas, São Paulo, a 24 de julho de 1890. Cursou a Faculdade de Direito de sua terra natal, obtendo diploma em 1912. Ainda estudante, estreou nas letras, colaborando em jornais e revistas da época. Seu primeiro livro, no entanto, Nós, data de 1917. Convidado por Júlio Mesquita, nesse ano, para trabalhar na redação de O Estado de São Paulo, começou a publicar ininterruptadamente obras em verso e prosa, sendo a maioria em versos. Sua obra completa compreende 37 volumes e nela se destacam Nós, A dança das horas, Messidor, Livro de horas de Sóror Dolorosa e Você. Além disso, Guilherme de Almeida é um dos melhores tradutores de poesia que possuímos, sendo célebre a versão do famoso poema de Kipling, If. È membro das Academias Brasileira e Paulista de Letras. Para a Academia Paulista, foi eleito em 1928, ocupando a vaga de seu pai. Em 1930, 6 de março, entrou para a 368 Academia Brasileira, na vaga de Amadeu Amaral, poltrona nº 15, sob a invocação de Gonçalves Dias e fundada por Olavo Bilac. 7.5 Steinbeck em ação c/ foto Res Trata da obra mais recente do escritor norte-americano Steinbeck que tem como tema uma lenda popular mexicana sobre a história de uma pérola. Autor de Vinhas do Ira e Noites sem lua, diz que esse novo livro é uma parábola. Na resenha não há o título do livro. 7.6 Agraciado com a famosa "Ordem de mérito” (c/ foto) Res T. S. Eliot foi agraciado com a “Ordem do mérito” pelo rei da Inglaterra; a honraria era anualmente concedida a 23 figuras. Eliot, americano de nascença que fixou residência na Inglaterra, foi o segundo poeta vivo a receber o mérito. Autor do romance Passage to Índia, foi também dramaturgo da peça Murder in Cathedral, peça em versos que foi traduzida para o francês e português, sendo nesta língua pela Srª Saudade Cortesão. 7.7 Les gens do Mogador Res Elisabeth Berboir foi agraciada com o Prêmio Renovação Francesa. Este foi instituído em 1946 pelo sindicato dos escritores franceses em campanha pelo soerguimento da França. A obra Lês gens de Morgador foi considerada o melhor romance de 1948. 7.8 Condenado Knut Hansun Res O Prêmio Nobel da literatura, Knut Hansun, foi condenado pela corte civil de Grimstad, Noruega, a pagar uma multa por suas atividades a favor dos alemães, durante a última guerra. O autor de Fome e Um vagabundo toca em surdina foi membro do partido nazista, escreveu mais de 200 páginas de artigos de propaganda nazista divulgados em jornais; ele recorreu da decisão. 7.9 No prelo e nas vitrinas - Gaúchos e beduínos, de Manoelito de Ornelas, no prelo; - Margaret, romance de Margaret Slade, Livraria Progresso Editora, tradução de Percy Cardoso; - Bilan d´une nation, de John dos Passos; - Creatures of circunstances, de Somerset Maughan, editora Heinemann, Londres, coleção histórias e contos; - Vidas perdidas, de Carvalho Netto, nas livrarias, livraria progresso Editora; - Rainha das orças, livraria Progresso editora. 8. Data 31/01/48;5 Título Seção Caleidoscópio 8.1 Variações tr Leio Géraldy. Não há nada de poético no que me oferece a janela desconsolada, por onde entra uma noite agressiva e quente. Mas, impossível recusar as sugestões dessa conversa íntima delicada que é o Toi et Moi. Você não sabe... Estou tão só!...Parece morta. A alcova que você ordena e desordena. As coisas em que toco, os armários, as portas, Fazem ruído diferente, ou tímido, ou Estranho, que parece um queixume e persiste, E põe neste vazio uma presença triste. Como a chuva em redor do encontro que falhou... Deixo a leitura para olhar a rua. Tudo parado, quieto. Nenhuma folha balança. Nada. A Noite sufocante abafada. Mas, eu sinto que me envolve um gelo de morte. É a Carta, de Géraldy, que me da conta de uma ausência fria e torturante: Mando para você meu coração sedento de você, mais enfermo e triste cada dia, e mando minha vida inútil, meu tormento, minhas noites sem fim, minha dor, meus desejos, e, para acalentar sua noite vazia, mando-lhe beijos, e mais beijos, e mais beijos... 8.2 Biografia com foto tr Com das maiores bagagens do romance contemporâneo brasileiro, José Lins do Rego é uma curiosa figura da nossa literatura. Nasceu a 3 de junho de 1901, em Engenho Corregedor, Paraíba. Filho de uma família pertencente à melhor aristocracia rural, Lins do Rego é um escritor que se tem conservado fiel às suas origens humanas e literárias, como real representante de sua classe social e do ambiente físico em que foi criado. Sua infância, decorrida no ambiente dos velhos engenhos das casas grandes e das senzalas após a abolição, marcou, quase que de modo definitivo, sua arte de ficcionista. Seu livro de estréia, Menino de Engenho, é um relato desse tempo, tendo obtido o Prêmio Graça Aranha, em 1932. Fez seus estudos primários em Itabaiana, no I. Nossa senhora do Carmo, daí passando para João Pessoa, onde tirou os preparatórios, no Diocesano Pio X. Seus primeiros trabalhos literários foram publicados na revista estudantil desse último Colégio, a Arcádia. Transferindo-se para Recife, diplomou-se em Direito, mantendo-se em constante ligação com escritores pernambucanos de mais evidência, como Gilberto Freyre, Olívio Montenegro, Osório Borba e muitos outros. Com este último, Osório Borba, fundou um semanário de crítica política e 370 literária, em 1923. Nomeado promotor público em 1925, exerceu esse cargo em Minas Gerais, daí transferindo-se em 1926, para Alagoas, onde foi funcionar como fiscal de bancos. Conheceu então, Graciliano Ramos, Aurélio Buarque de Holanda e Valdemar de Oliveira. Seu segundo romance, publicado em 1933, Doidinho, é como o anterior, autobiográfico, pois relata a história de seu aprendizado no Diocesano Pio X. Esse traço de autobiografia poderá ser encontrado em quase todas as suas obras. Oscilando entre a memória e a imaginação, Lins do rego, como ficcionista, nos dá a imagem de um homem ligado à terra por raízes profundas e indestrutíveis. Fixando residência no Rio de Janeiro, em 1935, o romancista continuou a descrever o antigo panorama que tanto o deslumbrara na infância, só fugindo a isso em dois romances, um dos quais Eurídice, o mais recentemente publicado cuja primeira edição, de 16.000 mil exemplares, foi esgotado em dois meses. Esse sucesso, aliás, não corresponde ao êxito do livro como obra de arte de ficção. Escrito de modo fácil, com enormes concessões ao público, não tem profundidade social ou psicológica. É um livro que agrada pela excessiva leveza, capítulos curtos que despertam no leito comum a vontade de prosseguir na leitura, o enredo é atraente e so personagens se movimentam com facilidade, embora muitos sejam convencionais e falsos. Os problemas expostos, se chegam a ser problemas, são de uma superficialidade agradável e trazem um molho apimentado e sedutor, posto que mal preparado. De nível muito inferior a Bangüê (1934), Pureza (1937), Água Mãe (1941, Prêmio Sociedade Felipe de Oliveira) e Fogo Morto (1943), esse último romance passará, como têm passado tantas obras de sensação temporária, a exemplo da coqueluche, E o vento levou. Outros livros de Lins do Rego: Moleque Ricardo (1935), Usina (1936), Pedra Bonita (1938), Riacho doce (1939), Histórias da Velha Totonha (Literatura para criança) Gordos e magros (1943, ensaios), Pedro Américo (1944), Conferências no Prata (1946), Poesia e vida (ensaios, 1946). Lins do Rego vive na Capital Federal, onde exerce as funções de fiscal de imposto de consumo, além de cargos outros nas diversas entidades esportivas, como fan de futebol e apaixonado torcedor do flamengo. Escreve para vários jornais, inclusive para os Diários Associados, Jornal dos sports, do qual é colaborador diário, e o Globo. É casado e tem 3 filhas já moças. Sua obra tem grande importância para a literatura brasileira, principalmente a parte que compreende o chamado “Ciclo da cana-de-açúcar”. 8.3 Profissão De Fé com foto tr Theodore Dreiser, falecido há pouco mais de um ano, é hoje considerado como a mais expressiva força do romance norte-americano. Sua vida foi uma constante luta contra os preconceitos e as convenções sociais, daí relutando terrível campanha contra a sua obra e sua própria pessoa do escritor. Seu primeiro livro, Sister Carrie, corajoso e realíssimo panorama das misérias sociais norte-americanas, publicado em 1900, foi apreendido pela polícia no dia em que foi lançado. Era o início de uma violenta luta, que só terminaria com a morte de Dreiser. Seus livros foram sucessivamente criticados, condenados, por que, neles, Dreiser punha a nú, a descoberto, os terríveis dramas e as tremendas tragédias de uma sociedade que se ufanava de ser a mais poderosa e a mais justa de todo o mundo. Em 1925, quando lançou Uma tragédia americana, foi chamado à barra do tribunal de Boston, num dos maiores e mais ruidosos processos movidos contra um escritor, isso não impedindo, todavia, que o livro fosse adotado em várias universidades, nas classes de literatura norte-americana. Dreiser, porém, jamais hesitou, e sua obra é uma prova irrefutável de que aceitou a luta. O último documento de Dreiser, tido como o seu testamento político, é uma carta ao secretário do Partido Comunista Americano, pedindo seu ingresso nesse partido, e na qual diz entre outras coisas: “Caro Senhor Foster: escrevo-lhe para lhe comunicar o meu desejo de ingressar nas fileiras desse partido. Essa petição tem suas raízes em convicções que são minhas desde muito tempo e que os anos reforçaram e aprofundaram. Sempre acreditei que o povo americano, e, em primeiro lugar os trabalhadores – dos Estados Unidos e do mundo inteiro, são os guardiões de seu destino e os criadores de seu futuro. Procurei viver de acordo com essa crença, exprimi-la por meio de palavras e de símbolos, buscar a sua plena significação na vida dos homens e das mulheres. Parece-me que essa fé no povo é a realidade simples e profunda, que a crise mundial comprova”. “A crença na grandeza e na dignidade do homem tem sido o princípio que orienta a minha vida e a minha obra. A lógica de minha vida e de minha obra me conduz, conseqüentemente, a pedir minha adesão ao partido Comunista. Sinceramente. Theodore Dreiser. Hollywood. Califórnia. 20-7-1945” Esta carta, escrita aos setenta e quatro anos de idade e cinco meses antes de sua morte, foi tomada como profissão de fé do grande romancista norte-americano. 8.4 Uma Grande Romancista Inglesa com foto tr Virgínia Woolf vai sendo, pouco a pouco, divulgada no Brasil. Sua obra é extensa, pois atuou em todos os ramos da literatura, sempre com sucesso. È difícil afirmar em qual deles trabalhou melhor, se nos seus volumosos romances, se nos contos ou ensaios, ou se nos artigos de apenas uma coluna. A influência de Proust e Joyce em sua obra é marcante, muito mais acentuadamente do primeiro do que do último, do qual, talvez, tenha herdado esse admirável poder de nos libertar do tempo-convenção, de quebrar os elos que nos ligam à realidade tempo-presente, e que constitui o traço mais profundo e característico de seus romances. Na coleção Nobel, da Livraria do Globo, aparecerão, de Virgínia Woolf, As vagas e Ao farol, que virão figurar ao lado de Orlando, na mesma coleção, este último traduzido por Cecília Meireles. Em Londres, faz pouco tempo, foi lançado da mesma autora, The moment na other essays, pela hogard Press, editora fundada em 1917, por Virgínia e seu marido, Leonard Woolf. 8.5 Duro Com Duro com foto tr William Saroyan, o arrogante e audaz jovem do trapézio, ao visitar Londres, certa feita, resolveu procurar o incrível e célebre Bernard Shaw. A o ser atendido pelo mordomo de Mr. Shaw, Saroyan empertigou-se todo e disse: - Diga a Mr. Shaw que o maior escritor da América aqui está para visitá-lo. Pouco depois, voltava o impassível mordomo, com o seguinte recado: - Diga ao maior escritor da América que o maior escrito do mundo não pode atender no momento. 372 8.6 O Irreverente Sinclair Lewis com foto res Comenta a irreverência do escritor Sinclair Lewis que, apesar das críticas recebidas ao modo como pinta seus personagens, especialmente, tipo médio americano, continua a escrever sem se importar com isso e, inclusive, continua a falar mal dos políticos. Cita um fato singular ocorrido entre o escritor e o Ministro da Inglaterra Mac Donald, quando Lewis fingiu não conhecer o político. Sua atitude, fruto de um outro encontro em que ministro, decepcionando o escrito, afirmou, em meio à uma conversa, entre ambos, sobre os direitos da classes trabalhadoras, que o radicalismo era uma comédia. 8.7 Música Ao Longe com foto tr Dos escritores brasileiros, Érico Veríssimo tem sido o mais preferido pelos estudiosos argentinos. Seus romances, quase todos traduzidos para o castelhano, tem despertado invulgar interesse, não só ente o público, como nos meios cinematográficos. Assim é que Olhai os lírios do campo foi filmado e exibido no Brasil, e os produtores estão interessados na filmagem de vários outros. O estúdio San Miguel já assinou contrato com Érico, para um novo filme, baseado em Música ao longe. Depois desse, ao que parece, virá O resto é silêncio. 8.8 Flagrantes Res. - A mulher de cem rostos, novela esccrita por Thomas Mann, em colaboração de Louis bromfielo e maximilliam Ilyn. Em filmagem sua versão cinematográfica tendo como estrela Greta Garbo. Res. – Jean Louis Curtis, autor de Les Forets de la muit, com o qual obteve o Prêmio Goncourt, “o maior galardão que um escritor pode almejar”. Seus livros anteriores, Les jeunnes hommes e Siegfirend, o primeiro lançado em 1946. Trans. - Gilberto Freyre recusou o convite da ONU para desempenhar o cargo de Diretor do Departamento Cultural das Américas, alegando que a situação interna do nosso país exige a colaboração e a vigilância de todos os homens públicos. 9. Data 21/02/48;3 Caminhos cruzados...e errados O marechal que, ao ouvir falar em cultura, punha a mão na coronha do revólver, já não mais oferecia perigo aos homens de pensamento e a época de restrições à liberdade de pensar e dizer pareia ter ficado sepultada nos campos da segunda guerra mundial, de mistura de frangalhos das camisas negras, pardas e verdes. Pelo menos, era isso que apregoava aos quatro cantos do mundo, numa promessa de paz, que, desgraçadamente, logo se desfez. As restrições estão voltando, aqui e ali, por todo parte, perigosamente, numa ameaça mais terrível e mais imperdoável que as anteriores. Mais terrível e mais imperdoável, por isso que representa um embuste e uma traição aos povos que se empenharam na chamada guerra de libertação. A Associação do Livro Argentino já deu o exemplo, considerando imorais, e de cunho deliberadamente pornográfico, obras de literatura que merecem respeito e exigem dos homens meditação e estudo. Entre essas obras, estão o despretensioso Caminhos Cruzados, de Érico Veríssimo, e o confuso Ulysses, de James Joyce. Estranho e curioso conceito de imoralidade, esse, adotado pela infeliz Associação Argentina! Imoral e chocante, senhores juízes, é a própria vida. São os preconceitos hipócritas de uma sociedade enferma. São as contradições sociais, a opulência e a miséria vivendo uma defronte da outra, a fartura e a fome vizinhas da mesma rua, o saber e a ignorância viajando juntas no mesmo veículo. Imoral, respeitáveis julgadores, é a educação deseducadora e charlatanesca que damos às nossas crianças, mistificando e ocultando verdades, criando doenças e engendrando conflitos mentais. É a criminosa displicência com que tratamos os menores abandonados, como a indicar a esses inocentes pecadores o caminho da delinqüência. E imorais sobretudo, senhores donos da moral, são os homens que procuram ocultar essa realidade com escusos processos de condenação àqueles que buscam retrata-la em cores vivas, para que todos a enxerguem e condenem. As obras de arte – a literatura inclusive – aparecem como frutos de uma determinada época. Dessa forma, refletem a realidade social em que foram criadas, contendo os erros, efeitos, virtudes, imoralidade ou pornografia dessa realidade. Daí a sua função social, hoje não mais negada por qualquer pessoa de mediana inteligência. E os livros apontados como imorais, não fizeram mais do que espelhar a sociedade em que vivem ou viveram os seus autores, e têm, por isso mesmo, a sua função social, qual a de mostrar erros e sugerir soluções. Os tipos retratados em Ulysses e Caminhos cruzados, são homens do nosso tempo e que conosco convivem todos os dias. É possível que Bloom seja vizinho de Salú, e este poderá ser até um dos juízes da Associação condenadora. Daí, talvez a absurda atitude que foi tomada... Estou certo de que o público não levará a sério essa decisão. Verá que isso, ou é uma anedota, ou uma campanha pessoal contra determinados autores.. Do contrário, não se justificaria a condenação das obras indicadas, muito menos a do romance de Érico Veríssimo, onde não há nada de imoral ou de deliberadamente pornográfico. Aliás, Érico já tem sofrido outras campanhas. Aqui mesmo, no Brasil, sua literatura, no início, foi considerada “água de flor” sem que isso impedisse que o Sr. José Lins do Rego voltasse depois com um artigo de elogios, considerando Érico um dos maiores romancistas brasileiros. E note-se que, na época em que o consideraram “água com flor”, Caminhos cruzados já corria mundo de mão em mão. Que fazer, pois, diante de tão contraditórias opiniões? Eu aconselharia a que cada qual, principalmente os juízes da Associação Argentina, lesse cuidadosamente os livros de Érico, e visse o que há de humano e que admirável espírito de compreensão e tolerância ele é! Cada romance seu representa a solução de múltiplos problemas, e, e de todos eles a gente sai renovado, mais experiente e cheio de esperança. O resto... o resto é silêncio. E eu não duvido que muito romancista brasileiro deseje estar no lugar de Érico, isto é, considerado imoral ao lado de Joyce e Balzac. Aos juízes, aliás, eu aconselharia uma coisa mais: que seguissem o conselho do próprio Érico, e abrissem a Bíblia, no Cântico dos Cânticos. Talvez Salomão lhe convencesse do quanto andam trilhando caminhos cruzados, porém, errados, procurando classificar a alguns livros de imorais... 374 10. Data 21/02/48;5 TÍTULO Seção Caleidoscópio 10.1.Variações O trem avança na madrugada fria. De minha janela, contemplo o princípio misterioso das coisas. Nada vejo ao longe, senão a densa indefinição das coisas que apenas se pressentem. Adivinho sombras, pesadas sombras, escondidas pela cortina fantástica de um mundo desconhecido. Na terra próxima, vejo emergirem vultos pré-históricos, paralisados pela ação profanadora dos meus olhos, que procuram desvendar o começo misterioso desse mundo novo; Das águas, sobe uma fumaça constante, como se tudo fosse efervescência e germinação: e eu as vejo abraçarem a terra, em lentas ondulações de répteis gigantes como tentáculos de algum monstro das primeiras eras; O espaço é todo o quadro de um pintor desvairado, visionário procurando desesperadamente fixar a parturição do mundo, as coisas e dos homens; milhões de sombras e tons esquivos semelham toneladas de nuvens. Tudo é sombra e mistério indefinição e princípio. Súbito, um vivo zarcão suja uma nuvem, mais uma, outra, mais outra, num bárbaro crescendo de cores que sugerem sons. A natureza vem nascendo... 10.1. Inquisição literária com foto tr Caminhos cruzados um dos maiores sucessos de Érico Veríssimo foi considerado imoral, pela Associação do Livro Argentina, que o colocou no seu index, no plano das obras literárias, deliberadamente pornográficas. Ao lado do grande romancista nacional, figuram James Joyce, Balzac, Mirabeau e outros, do mesmo modo considerados imorais. O fato seria para estranhar se não estivéssemos acostumados a esses métodos tão do agrado dos regimes totalitários, que, receosos da livre manifestação do pensamento, procuram amordaçar as vozes que tentam, em suas obras de arte, uma análise mais séria das incoerências da vida humana. A melhor resposta àquele desesperada Associação Argentina, foi dada pelo próprio público argentino, que tem aceitado as obras de Érico, aproveitando-as, mesmo para o cinema, como já aconteceu com Olhai os lírios do campo, em breve acontecerá com Música ao longe e, possivelmente, com O resto é silêncio. Outras respostas foram dadas por escritores e críticos brasileiros, que repudiam a decisão da A Argentina. Eloy Pontes, por exemplo, disse: - Por esse critério, a Associação pode condenar Shakespeare, Goethe, Cervantes,B. Shaw, Voltaire, Zola, Flaubert, D´Annunzio, Eça, Raul Pompéia, Machado de Assis, Aluízio de Azevedo... enfim, todos os grandes escritores que produziram obras imperecíveis. Álvaro Lins, o conhecido crítico pernambucano, disse: - Nenhum dos autores de livros citados é imoral. E o gesto dessa Associação, para mim representa mais uma manifestação inquisitorial dos governos ditatoriais. Além desses, outros falaram, como Mucio Leão e Guilherme de Figueiredo, este último tendo iniciado suas declarações dizendo que imoral era a Associação. O grande julgamento, no entanto, é o que é feito pelo público. E os livros de Érico Veríssimo já não pertencem à literatura nacional, de vez que, traduzidos para vários idiomas, ganharam, ganharam vida própria como representantes da literatura internacional de sua época. E jamais deixarão de ser lidos, por isso que representam uma sadia mensagem aos homens de inteligência e um irrecusável convite a mais uma pista coerente compreensão da vida. 10.2 Correspondência de Boudelaire com foto res Sobre a publicação, em Paris, dos dois primeiros volumes de Correspondência de Baudelaire, de autoria de Jacques Crépet. A obra completa compreende quatro volumes; o primeiro corresponde às cartas que o poeta escreveu entre 1833 e 1856, e o segundo às de 1856 a 1859. Comenta os tormentos vividos pelo poeta em conseqüência das dívidas que contraiu. Para o resenhista sua correspondência é o melhor testamento da resistência de Baudelaire em salvar a dignidade e a liberdade. 10.3 Flagrantes Res – A escritora Lia Correia Dutra, autora de Navio sem porto, realizará, durante sua visita à capital, uma conferência sob o patrocínio da ABD, secção Bahia; Res - Adonias Filho prepara seu segundo romance As memórias de um Lázaro; Res - Alfredo Mesquita, escritor paulista, autor do romance Vidas Avulsas, em visita à capital. 10.4. Enquanto ruge a tormenta com foto tr Esse é o sugestivo título do novo livro da Sra. Lourdes Bacellar, a conhecida autora de Festa, e de Na sombra e no silêncio. No mesmo feitio dos anteriores, Enquanto ruge a tormenta certamente merecerá a melhor acolhida do público, que já se acostumou a ver, na Sra. Lourdes Bacellar, uma sensibilidade sempre disposta a reproduzir, em suas obras, as sugestões artísticas de sua realidade interior. Em prosa e em verso, o novo livro da poetisa baiana, pelo que o título indica, será mais um fruto da inquietação íntima em que vive a autora, de eterno conflito entre as realidades subjetiva e objetiva, na procura de uma fórmula de vida mais harmoniosa e mais justa. Os originais ainda estão em mãos da autora que trabalha nos últimos retoques, a fim de entregar o livro aos editores. 376 10.5. O imoralista com foto tr A livraria do Globo lançou, numa nova e mais artística apresentação da Coleção Nobel, O imoralista, de André Gide, traduzido por Theodomiro Tostes. Essa, como quase todas as obras de Gide, tem merecido da crítica contraditórias referências, e foi mesmo objeto de escândalo, quando da sua publicação, a exemplo do que acontecera com o célebre Lês cahiers de André Walter e o debatido Corydoni. A inclusão de Gide na Coleção Nobel da grande editora nacional, vem do fato de haver o romancista francês conquistado o Prêmio Nobel de Literatura, em 1947. O livro é precedido de um pequeno prefácio do autor, no qual ele expõe, de modo positivo, os seus propósitos. O herói gideano, Miguel, não aprece repugnante. Tem qualquer cosa de indomável rebelião, de grito de protesto contra a vontade escravizada e os instintos aprisionados. Através dele, Gide chicoteia impiedosamente o que a vida, o mundo, a civilização, enfim, têm de mais fraco e condenável. Mostrando-se rebelde, ao mesmo tempo que angustiado pela falsidade que há em tudo, Miguel busca viver sua própria realidade interior. E aí, então, na exteriorização dessa realidade, é que se manifesta o verdadeiro doente mental que ele é, possivelmente um maníaco cujo ego, totalmente libertado da coação do super-ego, satisfaz ou pensa satisfazer os impulsos do id, Miguel, pois, como um doente que é, deve ser um objeto de estudo e, jamais, de repugnação. Nem por isso, todavia, deve-se dar a um doente o direito de apregoar e impor aos demais, como normas de vida ou o único meio de libertação, sua própria doença. E Miguel é, positivamente, um enfermo numa sociedade também enferma. Sua doença, entretanto, é bem mais perigosa que a da própria sociedade da qual se derivou e se emancipou, suplantando-a. 10.6 Pearl S. Buck e o Genocídio com foto res Prêmio Nobel de Literatura em 1938, a escritora norte-americana, missionária que vive na China, tem escrito vários livros sobre a China e os chineses, nos quais analisa o panorama da sociedade chinesa, chegando a conclusões a favor das liberdades essenciais aos povos e aos diversos grupos sociais. Enviou, recentemente, uma carta ao Manchester Guardiam sobre o genocídio, advertindo o mundo contra esse crime, diz ela: “A destruição de quaisquer grupos raciais, nacionais, lingüísticos, religiosos ou políticos tende a aumentar consideravelmente, de vez que as nações, de diferentes níveis de civilização, por força das circunstâncias, são obrigadas a encontrar-se e a entrar em choque umas com as outras”. O resenhista cita outros trechos da carta e afirma que a autora de A boa terra conclui a carta por um maior e melhor entendimento entre os povos do mundo, para que o genocídio não avance em sua marcha criminosamente destruidora. 10.7 Também James Joyce com foto res A Associação do Livro Argentino, na secção que acaba de fazer das obras literárias francamente pornográficas, acusa de imoralidade o famoso Ulysses de Joyce, juntamente com outras obras de literatura estrangeira e um romance brasileiro de Érico Veríssimo: Caminhos cruzados. A acusação cega da Associação contra Caminhos cruzados não deve causar admiração aos leitores brasileiros, até certo ponto. Porque ela é apenas uma das inúmeras e variadíssimas condenações que tem sofrido o nosso maior romancista, atacado freqüentemente pelos seus próprios colegas de letras de menor valor. Mas, a denúncia do Ulysses é absolutamente inexplicável. O livro de Joyce sofreu repressão na Inglaterra, mas passou depois em traduções e no original a dezenas de literaturas e foi legalmente introduzido nos EE. Unidos. É oportuno citar o processo dirigido contra essa obra, pela corte de Nova York, e ainda mais intensamente o depoimento do próprio juiz John M. Woolsey, depois de analisar todo o livro: “As palavras criticadas como indecentes, no livro, são velhos termos saxônicos, conhecidos de quase todos os homens e, creio mesmo, da maioria das mulheres, e são expressões comumente usadas pelo povo que Joyce retrata no romance. Afirma, portanto, que Ulysses é um livro sincero e honesto e as acusações contra ele dirigidas inteiramente despropositadas”. Diante dessas declarações, pronunciadas pela corte literária mais rigorosa, talvez, do continente, somos levados a crer que se trata dum caso grave de alucinação coletiva, na junta da Associação Argentina. Mas, pode se também que o senso de moralidade e imoralidade admitido pelos componentes da junta seja diferente do que o mundo inteiro professe, nessa questão. De resto, eles são diferentes em muitas outras coisas... 11. Data 13/03/48;5 TÍTULO Seção Caleidoscópio 11.1 Variações tr Há na vida e nas coisas uma penumbra que entristece e faz medo. Movimentam-se as criaturas como fantasmas num mundo de sombras. Chove e é quase noite. Da janela de seu quarto, o homem contempla o cair da chuva e a dança esquisita das sombras. E não há como fugir à essa irresistível sensação de que é, apenas um prisioneiro sem esperanças e sem ambições. * * * Foi Ibsen quem disse que o homem solitário é o mais forte do mundo. Muitos quiseram ver na afirmativa, uma profunda manifestação de egoísmo, um convite a renúncia do social, para um ensimesmamento venenoso e mórbido. Bastará, no entanto, um simples instante de solidão contemplativa, para que aquela verdade aparecesse na imaginação do homem, decorrente do reconhecimento de sua pequenez ante as coisas universais. E o homem mais forte, sem dúvida, será aquele que reconhecer, humilde, essa irrecusável verdade interior, que só a solidão pode revelar. ** * Não há verdades eternas nem eternos conceitos. Tudo é transitório e passível de transformação. 378 11.2 Biografia c/foto tr O sr. Álvaro Lins escreveu que Jorge Amado seria um dos maiores criadores de ficção da nossa literatura, um dia em que apresentasse uma forma e um estilo correspondente à sua natureza espontânea de romancista. Mas, quando essa opinião foi escrita, em 1943, o sr. Álvaro Lins já havia dito que ao romance interessa mais a técnica do que o estilo, sendo este prescindível, e Jorge Amado já era, inegavelmente, um dos maiores criadores de ficção de nossa literatura. Andou acertado o crítico [-] todavia, quando falou de natureza espontânea de romancista em Jorge Amado. É, na realidade, uma grande vocação de contador de histórias. Nascido em Ilhéus, Bahia, no ano de 1912, Jorge Amado viveu toda a infância nas fazendas de cacau do sul do estado. Vem daí o traço característico de sua obra, essa incrível fidelidade à terra e ao drama de sua conquista, o sentido real da luta e dos problemas humanos. Após o curso secundário em Salvador, bacharelou-se em direito, no Rio de Janeiro. Com 19 anos publicava o primeiro romance, O país do carnaval, quando já havia sido publicada a novela Lenita, escrita em colaboração com Dias da Costa e Edson Carneiro. Nesse seu primeiro romance, Jorge Amado esboça o perfil de Pinheiro Viegas, seu antigo professor, que exerceu grande influência em sua vida. Foi uma estréia fraca, embora um livro promissor. Vem, a seguir, Cacau, de maior significação que o primeiro, cujo sucesso coloca Jorge Amado no caminho de melhores e mais sólidas realizações. Em 1934, aparece Suor, discutido, elogiado e condenado, onde o romancista jogou com a realidade nua e crua de todos os dias, sem que a subvertesse a um processo de transformação artística, necessário ao romance. Aparece, então, Jubiabá, obra de maior vulto, na qual o autor já se revela um grande romancista em pleno desenvolvimento. Segue-se Mar Morto, que lhe deu o Prêmio Graça Aranha em 1936, embora considerado por alguns críticos como um passo atrás, quer como técnica, quer como significação. É um poema em prosa, comovente, bonito, mas, está longe de ser um verdadeiro romance, pois nele predomina quase que exclusivamente a fantasia, a imaginação inquieta e sem rumo certo do autor, sem que a memória exerça influência, senão raríssimas vezes. Pouco depois, vem Capitães de Areia, o drama dos menores abandonados, aprendendo a vida do crime no cais e nas ruas de Salvador. Há, então, um grande silêncio, interrompido aqui e ali, por crônicas, artigos e conferências. O romancista vive no estrangeiro, perseguido pela ditadura estadonovista. É quando escreve a Biografia de Luis Carlos Prestes, editado em Castelhano. Com a guerra, volta ao Brasil e, na Bahia, trabalha na imprensa diária, no Imparcial. Lança O ABC de Castro Alves, recebido pela crítica com os melhores elogios. Sem ser, verdadeiramente, uma biografia o livro, em seus vinte e seis capítulos relata a vida e obra do gênio, um estilo agradável e atraente dentro do rigor histórico exigido a tais obras. Depois, surgiu os dois maiores romances de Jorge Amado, aqueles que lhe deram um lugar excepcional na nossa literatura: Terras do sem Fim e São Jorge dos Ilhéus. No primeiro desses o romancista se atém da realidade, estabelece convincente contato com a terra, e não fantasia desenfreiadamente, não solta a imaginação além do que é permitido soltar, como lhe acontecera em Mar Morto e alguns outros romances. Fiel aos fatos, aos homens, ao ambiente, Jorge Amado realizou, aqui, um romance mais denso, mais vasto, embora em certos aspectos, poucos, felizmente, fosse ainda o romancista de 19 anos. É o caso de análise de personagens mais complexos, mais requintados psicologicamente, na qual sempre falha. Ou, ainda, o traiçoeiro tema do amor, para o qual lhe faltou o certo senso psicológico e uma melhor e mais sugestiva linguagem descritiva. No entanto, não ofuscava o valor do livro, que tem trechos, como alguns do capítulo “A Mata”, que bem podem figurar em qualquer antologia. Em São Jorge de Ilhéus, o romancista reafirma suas qualidade de grande ficcionista num livro considerado por muitos como a sua melhor obra. Seu último romance, Seara Vermelho, não merece comentário. É um dos piores que já escreveu em toda sua vida. Além dessas obras, Jorge Amado escreveu A Descoberta do Mundo, juntamente com Matilde Garcia Rosa, um livro de poemas, A Estrada do Mar e uma peça teatral, O Amor de Castro Alves. Ingressado na política, Jorge Amado foi deputado comunista pelo estado de São Paulo, para onde transferira residência há algum tempo, atualmente, encontra-se na Europa, em Paris. 11.3 Não me conte o final c/foto Res Sobre o reconhecimento pela crítica norte-americana de Emil Ludwig como o maior biógrafo do século. Seu livro, produzido pela editora Globo, intitulado Memórias de um caçador de homens é, segundo o próprio autor, um olhar retrospectivo sobre o meio século de experiências preciosas e existência produtiva, Ludwig havia completado 68 anos naquele ano. O poeta e romancista publicou uma dúzia de dramas, poemas e ensaios antes de descobrir sua verdadeira vocação. Alencar cita alguns de seus livros e faz um breve resumo do seu percurso de vida. Sobre sua fuga aos Estados Unidos por conta da guerra e a “santa antisemita de Hitler”, além disso Alencar comenta o prestígio do escritor na Alemanha e os pedidos que recebeu, de governos estrangeiros, para que fizesse biografias de homens ilustres. Dentre as obras cita: Napoleão, Goethe, estes biográficos, e mais, Bismarck, Diana, Reise Nach Africa e Der Spiegel Von Snallot. 11.4 Literatura de propaganda c/foto Tr Está causando sensação o discutido livro do Sr. Arthur Koestler, O zero e o Infinito. E sensação, principalmente, nos meios políticos. Isso é, aliás, muito fácil de compreender, longe de ser romancista, o sr. Koestler é um político panfletário, que usa a literatura como veículo de suas intenções. Daí o seu sucesso, mais ruidoso que verdadeiro, num mundo que se está dividido, cada vez mais nitidamente, em dois campos políticos opostos. À literatura interessa a vida humana, os problemas dos homens e das coisas, como objeto de análise, de estudo sério e imparcial. Um romance investiga, avalia a vida real em termos artísticos, como um processo de transformação, com o simples intuito de contribuir para o bem estar do homem e da sociedade em qual, sem ter sucesso o compromisso de apresentar soluções ou sugerir fórmulas. Investiga e avalia para uma melhor compreensão da vida. Mas, quando se pretende transformar a literatura em porta voz dessa ou daquela ideologia, forjando argumentos e justificando atitudes, com o objetivo exclusivo de flagrante de defende um predeterminado ponto de vista, o resultado é essa coisa detestável e nada convincente, como a pseudoliteratura do sr. Koesltler. Nela, a vida humana é uma abstração, com a qual se joga de acordo com as circunstâncias previamente escolhidas, com discussões teóricas antecipadamente fabricadas contra isso ou favor disso. Desgraçadamente, essa pseudoliteratura corrompe, aos quanto nas livrarias, enganando a quantos não tenham uma consciência capas de discernir entre a literatura, a verdadeira, a real, essa que é feita para compreender a vida em seus diversos aspectos, dessa outra, contrafação ordinária, do qual o sr. Koestler é agora o autor em moda. Não há, no autor de O Zero e o infinito e Logi e o comissário, nada que o qualificasse como romancista. Falta-lhe o senso da realidade como lhe falta uma técnica superior. Não há nele, nenhum autêntico valor literário, o sentido honesto do dramático ou a intenção do 380 humano. É, tão somente, um político internacional, usando a literatura como meio de propagar suas idéias. Faz parte dessa tendenciosa literatura de propaganda. 11.5 A Manhã de nevontae, a bicicleta... é um grande livro c/foto Tr Nascido em 1800, em Lancashire, é James Hilton, inegavelmente, o escritor mais simpático que a Inglaterra possui. Com dezoito anos, aproximadamente, começou a escrever, e foi nesse período que produziu sua primeira novela, Catherine Herself. Por esse tempo, o Manchester Guardian, um dos jornais britânicos mais importantes, começou a aceitar colaboração literária sua. Durante mais de uma década, Hilton escreveu e leu vorazmente, enquanto se encarregava da crítica dos livros novos que surgiram na Inglaterra: confessa que chegou a ler cerca de vinte romances por semana... Os seus primeiros romances foram fracassos que ele mesmo não desconheceu: o próprio autor consumia mais do que lhe pagava o jornal, arrecadando em massa, nas livrarias, suas primeiras novelas, temeroso do que o público lesse trabalhos tão imperfeitos. Pouco depois, o British Weekly encomendou-lhe uma história longa para o suplemento do natal, com o prazo de duas semanas. Mas a inspiração não vinha... Numa manhã nevoenta, Hilton pulou da cama, pegou a bicicleta e saiu a percorrer os parques ingleses. Voltou para casa, sentou diante da cadeira de trabalho e começou a escrever. Quatro dias depois estava completo o Adeus Mister Chips; e alguns meses mais tarde era o maior sucesso literário do país. Posteriormente, Hollywood comprou a novela e produziu um filme que veio a crescer a lista enorme dos admiradores de Hilton, hoje lido no mundo inteiro, e recordista de histórias passadas para o cinema. É um dos escritores mais despretensiosos e modestos. Admira três coisas acima de tudo: cachorros, alpinismo e música. 11.6. Uma das maiores obras do século c/foto Tr Uma nova edição de Os Thibault, na coleção Nobel da Globo, é o acontecimento literário das últimas semanas. Agora em 3 volumes, pois a 1ª edição traduzida por Casemiro Fernandes, era somente em 2, esse romance de Roger Martin Du Gard é um dos mais sérios documentos de nossa época e, mesmo, considerado o maior romance da moderna literatura. Martin du Gard escreveu o primeiro dos onze volumes da edição original francesa, em 1922. ano após ano, apareciam os outros, antes que o último fosse publicado. A academia Sueca distinguiu Du Gard com o Prêmio Nobel de 1937, pela força artística com que, no seu romance Os Thibault, soube fixar os conceitos humanos e a razão do ser da vida. Raros escritores, embora premiados têm merecido tais palavras. Mas, é que esse magnífico livro é uma verdadeira obra de arte, apresentando a vida em seus flagrantes mais característicos, mais reais, e não apenas uma apagada e inexpressiva origem da vida. É uma obra de profunda análise social e psicológica, na qual o objetivo do autor é refletir, com honestidade, o mundo em que vivemos, o homem e seus problemas, desde o mais pessoais até os mais coletivos, tudo isso feito com um raro senso artístico e um quase inacreditável conhecimento da sociedade humana. E mais ainda: seguindo o curso de vida de uma família francesa durante toda uma geração, e apontando inclusive o período da 1ª Guerra Mundial, Martin du Gard realiza uma análise histórica dos acontecimentos mundiais da época, como bem poucos historiadores conseguirão fazê-lo. Escrita entre 1922 e 1940, os volumes dessa obra foram aparecendo parceladamente. Sabese que, durante alguns anos, houve uma interrupção. Chegou-se a pensar que o autor não completaria a obra, o que, felizmente, não aconteceu. Mas, há um fato que ainda será melhor esclarecido. Dizem que Du Gard levou todos aqueles anos sem publicar os outros volumes, em virtude de se haver desgostoso de sua própria obra, destruindo, então um volume que já havia escrito. Um outro escritor, seu amigo, afirmou que esse volume destruído era o mais importante de todos, sendo para lastimar que se houvesse perdido. Como quer que seja, a obra aí está, completa, embora aquele volume destruído seja substituído por outro. O valor da obra, ao que se parece, não sofreu com isso. Basta que se leia o final, “o diário de Antoins”, para que se conclua da importância e da seriedade desse verdadeiro documento da história humana. Érico Veríssimo, opinando sobre o livro, escreveu as seguintes palavras, que valem como a melhor das recomendações: “Raras vezes tenho lido um romance com tão completa e intensa aceitação do que ele representa como expressão de vida individual e social, e ao mesmo tempo como obra de arte. Que belo, que grande livro! Recomendo-o entusiasticamente a todos os meus amigos, como uma obra que não pode deixar de ser lida, não só porque é uma das mais altas realizações literárias do nosso século, como também porque junta com profunda beleza um grupo humano interessantíssimo e um momento decisivo da história de nossos dias”. 12. Data 27/03/48;5 TÍTULO Seção Caleidoscópio 12.10 Variações 12.11 O escritor e apolítica - Comenta Paris na pós-guerra e opinião de Èrico Veríssimo sobre o engajamento do escritor 12.12 Melodias do coração - Sobre Edgar Proença 12.13 Foi só mudar o editor - estudo crítico sobre o escritor norte-americano William Faulkner 12.14 Literatura e cinema - filmagem de Then and now de Maugham 12.15 Flagrantes - cita: Michel Simon, estudioso da arte popular baiana; José Lins do Rego; a visita de Marques Rabelo à Salvador; revista Região; e um concurso literário. 12.16 Poemas de Enoch Santiago Filho – estudo crítico sobre o escritor e sobre novos poetas 12.17Um livro que virou em grande editora – estudo crítico sonre Monteiro Lobato 12.18Lawrence e Ramphion – estudo crítico. OBS: exemplar sem condições de uso no IGHB, e página não encontrada no exemplar consultado na Biblioteca dos Barris. Sabe-se da existência da página deste dia porque a mesma foi consultada na microfilmagem do setor de arquivo do A Tarde, que suspendeu o acesso aos microfilmes. Por isso, apenas citou-se aqui apenas as poucas informações anotadas quando da primeira consulta. 382 13. Data 10/04/48;5 Título Seção Caleidoscópio 13.1 Variações tr Sugestões da leitura de Martin du Gard: o mundo é doido a vida uma burla e os homens uns animais ridículos. Mais vale contemplar a beleza da árvore solitária de uma praça qualquer, do que seguir o imenso rebanho de cegos. Antes de Roger, outros terão sugerido isso. Não tem importância. É uma alegria poder descobrir o tempo, nessa cabeça cheia de sabedoria, que é o “diário” de Antoins Thibault. * ** É doloroso discutir ou agir sempre em termos de utilidade e inutilidade. Não há valores fixos ou eternos, nem coisas úteis ou inúteis. Há, simplesmente, o que nos dá prazer e o que nos desagrada. *** A noite está cheia de ritmo monótono dos tambores sagrados. São lamentos que o vento arrasta pelos caminhos do mundo, enquanto os homens dançam nos terreiros negros, evocando humildes, os orixás favoritos. 13.2 O escritor e a política c/foto Tr Prosseguindo no intuito de divulgar, aqui, a opinião de vários intelectuais a respeito da questão que ora agita todos os círculos da inteligência, ou seja, da participação do escritor na política, daquilo que o francês chama e l’engagement de l’écrivain, transcrevemos, hoje, mais um depoimento. É o de Michel Simon, intelectual francês que esteve entre nós, faz pouco tempo, estudando a nossa arte popular. Foi a seguinte sua resposta à nossa pergunta: “o escritor deve tomar partido ou pode ele se conservar “au dessus de la méléé”, como Romain Rolland durante a outra guerra? Eu vou responder em normando (os normandos têm reputação, entre nós, de serem muito espertos, e de não responderem, jamais nem sim nem não, às perguntas que se lhes apresentam). Não em entendam assim; é, apenas, um meio de tornar claro o meu pensamento. Então: a) eu creio que o escritor, se ele é homem e se tem um coração, não pode se desinteressar dos problemas criados pela miséria e pela injustiça. O escritor deve, pois, tomar partido. Ele deve sair de sua torre de marfim, descer às ruas, olhar os semblantes, interrogar, se inclinar, se oferecer. É muito simples não tomar partido.(ademais será isso possível ainda hoje?) b) Mas, o escritor deve ser mobilizado de uma forma inteligente. Deve ser mobilizado de maneira a usar suas qualidade de vigia. Ele deve tentar dominar o problema contingente e olhar o futuro. Sua posição é, dessa forma, muito inconfortável, pois como que joga sobre dois quadros: é mobilizado e deve preservar, ao mesmo tempo, aquilo que Gide chama sua disponibilidade. Esta posição inconfortável, todavia, é a mais heróica. 13.3 Essas nossas sociedades!... (c/ caricatura) tr José Geraldo Vieira é, inegavelmente, um dos bons romancistas nacionais. O último livro que nos deu, no entanto, não corresponde às suas qualidades de ficcionista. Talvez fosse melhor dizer que ele abusou dessas qualidades, se ainda hoje, considerássemos o romance como obra apenas da imaginação. Em A Túnica e os Dados, seu último livro, ele nos dá a impressão de um artista cansado de sua arte, desesperadamente à procura de novas formas de composição e de técnica, oprimido por sua terrível ânsia de criação, mas, desgraçadamente, impotente para satisfazer essa ânsia. E o resultado foi esse livro que, pouco entendido, tem sido elogiado, inclusive pela “Sociedade do livro do mês”, que o premiou como um dos melhores romances da moderna literatura brasileira. Houve mesmo quem dissesse que ele obriga a ser lido de uma assentada, enquanto outros nele viram uma grande experiência de cultura e da vida, com amplas perspectivas no desenho do enredo, no retrato dos personagens, na experiência técnica, etc. Não há dúvida que se aproveita alguma coisa desse romance de José Geraldo Vieira. Quando nada, ele tem o mérito de haver sido escrito pelo autor de Território Humano, A mulher que fugiu da Sodoma e A quadragésima porta, livros que ficarão na nossa literatura, como obras de grande significação, e valor literário. No mais, ele é fraco ou confuso, ou apenas bem escrito, como é o caso da fuga do menino Jaiminho, que tantos elogios tem merecido, mas que não oferece nada de original ou particularmente digno de importância. Quanto à decantada questão da renovação da técnica, a impressão que se tem é a de que o autor, angustiado por um desejo imperioso de novidade, caiu, lamentavelmente, no fracassado processo exibicionista que surgiu, daquela longínqua “Semana da Arte Moderna”, em São Paulo. Veja-se, por exemplo o seguinte trecho do romance: “Por um tempo úmido e brumoso, chegava a toda velocidade a São Paulo, o rápido de Pederneiras. O nevoeiro era tão cerrado que, às sete e meia da manhã, não se podia distinguir à direita e à esquerda da via férrea, coisa alguma pelas janelas dos vagões. Desde o romper do dia estavam sentados um diante do outro, rentes à mesma janela, dois passageiros, ambos esquisitos e ambos desejosos de travar conversa. Que estranha casualidade se via posto um em frente ao outro, nessa carruagem de segunda classe” (Ora, todo o período, acima descrito é literalmente, exceto o nome da localidade da baldeação, e da cidade de destino, o começo traduzido do livro O Idiota, de Dostoievski. Mas, em vez de plagio, é mera coincidência!) As palavras contidas dentro dos parênteses, os parênteses e o grifo são nossos, são de José Geraldo Vieira, transcritos diretamente de A Túnica e os Dados. Isso é tão absurdo e denota um tão acentuado mau gosto, é tão ridículo, que dispensa comentários. Mas, se o leitor quiser, ainda encontrará no livro coisas parecidas, como os sonhos simultâneos de Phill e Absalão 384 Levineck, que trazem os títulos, respectivamente, “Tornando a subir os campos Elíseos” e “Baladas do infante nas Selvas da Nova Guiné”, distribuídos, nas mesmas páginas, um ao lado do outro, e, ainda, o de Jaiminho, mais adiante, “Um outro sonho ainda mais bonito”. E muitas outras coisas iguais, lamentavelmente escritas por um autor da responsabilidade intelectual de José Geraldo Vieira. Enfim, é um livro premiado e elogiado. Coisas da literatura brasileira... 13.4. Flagrantes Res - Publicação em Paris da peça extraída do romance de Kafka, Le Procés, idem título. Por André Gide e Jean- Louis Barrault. Tr- Corre, com insistência, a notícia de que o sr. Benedito Valadares, um dos muitos políticos do Brasil, não contente em agredir a política, vai agora agredir a literatura, escrevendo um romance. Esperidião, é o título, será, ao que se divulga, uma sátira ao meio político brasileiro. A surpresa é muito grande, pois o sr. Benedito Valadares foi, sempre, considerado um homem de poucas letras... Res – Nome de Anatole France dado, pela Cidade de Paris, à uma rua paralela à outra denominada Voltaire. Res- Lançamento do livro de Pedro Ivo, romance Caminho sem aventura. Res- Novo romance de Permino Àsfora, Fogueira verde. 13.5. Continuam a viver os personagens de Ibsen com foto tr É certo que podem haver divergências, quanto à análise do homem que Ibsen foi. Suas origens, as várias influências de sua formação, os sentimentos que o animaram, tudo isso pode ser analisado e interpretado de modo diverso, embora seguindo, sempre, um esboço do qual ninguém se pode afastar. Quanto à sua obra, a interpretação é quase sempre a mesma. Isso porque, gênio como foi, Ibsen escreveu dramas universais e eternos, como se possuído de uma estranha e singular força de penetração. Posto que restringindo o ambiente geográfico de seus dramas à Noruega, sua terra, seu cenário é o mundo, o universo inteiro, seus personagens tanto vivem nas noites frias do Norte misterioso e lendário, quanto habitam os quentes países dos trópicos, aqui ouvem estrelas e arremetem moinhos, ali esquenta, as sagas que correm os gelos eternos do Setentrião. Um dos maiores dramaturgos de todos os tempos, e o maior do século XIX, sua obra é eterna, indestrutível. E só poderá morrer com o derradeiro dos homens, quando, com ambos, desaparecerem também os problemas humanos. E essas são verdades tão simples e claras, que não há como fugir à sensação de desencanto e decepção que nos oferece a leitura de certos trechos, como um de Klabund, na sua História da Literatura. “Eu, quando ginasial, gostava de Ibsen, de seu mestre de obras Solnss, que construiu pelo céu adentro, do amigo do povo, de Nora, “a mulher incompreendida”, e da excêntrica Hedda Gaber. Mas, agora, quer parecer-me que todos os seus símbolos perderam um pouco do valor e somente o Fausto nórdico “Brand”, o “Peer Gynt” e seus últimos dramas “John Gabriel Borkmann” e “se nós mortos despertamos” ainda me falam à alma. Os problemas de que Ibsen trata, já não são mais problemas para nós. São problemas demasiadamente exteriores ao homem e que dele se aproximam, são corvos que voam em torno dele. Por que este não os enxota, antes que eles lhe arranquem os olhos? Os corvos costumam aproximar-se só de cadáveres.” Ao contrário de Ibsen, parece que Klabund, do tempo de ginasiano à maturidade, apenas regrediu, em lugar de evolver. E tanto regrediu, que não mais enxergou os muitos doutores Stockmann, os Peter Stockmann e os Aslaksen que ainda hoje, infelizmente, povoam o mundo, armados dos mesmos sentimentos contraditórios e aniquilados pelos mesmos problemas comuns. E tantos outros personagens e problemas ibsenianos, que encontramos em cada esquiva, a cada minuto, mas que inexistem para esse infeliz candidato a historiador da literatura, cuja afirmativa contida nas primeiras linhas do livro, parcial, inexpressiva e absurda como a crítica a Ibsen, é a prova provada da sua ausência de espírito crítico: “Como prova infalível da existência de Deus, eleva-se no espaço e no tempo, no sonho e na eternidade, o edifício místico da literatura universal” Quando muito, isso poderia ser um mau verso de um péssimo poeta modernista... 13.6. A vida é uma grande prisão c/caricatura res Pelo menos para Miguel de Cervantes. O resenhista discorre sobre as prisões de que foi vítima o escritor. A primeira se deu quando aquele era um soldado de regimento de Moncada, no retorno à Espanha o navio foi tomado por piratas e o escritor foi feito prisioneiro durante cinco anos em Algeria. Sua excomungão pela Inquisição por ter requisitado, como comissário de abastecimentos da “Armada Invencível”, forragens pertencentes à igreja e ter cometido irregularidades financeiras, esta foi a segunda. A terceira prisão foi em Sevilha quando era arrecadador de impostos em Andaluzia. A quarta prisão em Valladolid. A quinta quando ocorre um assassinato nas vizinhanças de sua residência e ele foi incriminado. Também citouse nesse texto suas tentativas de insurreição. 13.7. No prelo e nas vitrinas res - A condição humana, romance de André Malraux, tradução de Lívio de Almeida, edições Mundo Latino, venda: Livraria Progresso. - A Du Barry, biografia de Edmond e Jules de Goncourt, tradução de Modesto de Abreu, editora Vecchi, na vitrina da Livraria Progresso. - Luz do Pântano, poesia, de Bueno de Rivera, lançamento de Livraria Olympio. 14. Data 29/04/48;3 TÍTULO DO ARTIGO Nem as honras de uma falência honesta Está na ordem do dia do debate nacional o cabuloso problema do petróleo. Não apenas o governo discute o assunto, mas o próprio público o debate também, interessado que está numa solução o quando possível urgente. A questão, agora , não se prende, simplesmente, à existência do petróleo, como há algum tempo passado, quando muitos dos mesmos senhores 386 que hoje apregoam a entrega do minério aos monopólios estrangeiros negavam a sua existência em terras do Brasil. E como já é impossível negar essa existência ou dizer que o nosso combustível não é comerciável, vai sendo a questão colocada em outros termos, referente à exploração do ouro negro, com uma série mais ou menos longa de perguntas: quem deve explorar o nosso petróleo? O capital nacional ou estrangeiro? Ambos? O capital oficial ou misto? E nesse emaranhado de perguntas, feitas para atrapalhar e confundir, o debate vai assumindo um caráter pouco animador, como que a evidar os indisfarçáveis propósitos dos que, por maioria, se consideram os donos da decisão final, aliás, infeliz decisão final. Não se pode nem se deve por em dúvida a importância e a gravidade da questão. O petróleo nacional vem se arrastando há muitos anos, entre os protestos, a má vontade e a sabotagem de uns e a perseverança quase mística de uns pouquíssimos. Querendo, a todo custo, emergir de um solo incrivelmente rico e desgraçadamente abandonado, foi o petróleo de tantas vezes rechaçado para as profundezas da terra, com o criminoso entupimento de poços e o expediente tão em voga do retardamento burocrático. Sem se falar no desaparecimento de maquinário, em condições algo misteriosos, para as quais os interesses internacionais contribuíram de modo decisivo e definitivo... O aspecto mais sério do problema, não é o técnico nem o econômico, mas o moral. Este é o que deve assombrar e estarrecer aos que não estão habituados a contemplar o espetáculo, a um só tempo ridículo e triste, dos bastidores do palco político. E este aspecto é o referente à criação de novos obstáculos, que vão sendo inteligentemente arquitetados como o intuito de impedir, retardar ou tomar a exploração do cobiçado ouro negro. Isso significa que, mercê da graça de uns bons patrícios, estamos participando de uma batalha gigantesca, para a qual não estamos nem aparelhados, tendo como contendores hábeis veteranos, acostumados à luta sempre misteriosa em outros fronts. Nada disso, no entanto, teria maior importância, o problema praticamente não existiria, se os nossos homens públicos, em sua maioria, estivessem habituados a uma atmosfera de independência moral; se os nossos políticos não já se houvessem viciado ao cabresto e as esporas dos chefes e dos caudilhos, se eles fossem homens livres, capazes de sentir, pensar, agir, e dizer sem receios ou temores. Mas, a regra é a do rebanho dócil, que logo atende aos primeiros sons mágicos da flauta de prata. Parece incrível que homens afirmem a impossibilidade de nós próprios explorarmos o nosso petróleo. Não nos falta dinheiro para os palácios suntuosos, onde se instala a esterilizante burocracia. Não se medem despesas, quando se trata de ostentar nas recepções oficiais. Não se procura indagar da eficiência ou deficiência dos cofres públicos, quando se aumentam os subsídios dos ilustres deputados ou os vencimentos da magistratura e das forças armadas. Desaparecendo o escrúpulo, quando se trata de criar sinceras ou agraciar afilhados. Não há discussões nem processos, quando se desvia dinheiro oficial em misteriosas empreitadas. Mas, para explorar o petróleo, não temos dinheiro. Necessitamos apelar para quem nos namora por tudo, menos pelos nossos bons ou bonitos olhos... E logo corremos, ansiosos de um cabresto e saudosos de um chicote, em busca de um senhor onipotente e sádico que nos exige tudo e não nos dá coisa alguma. Nada mais humilhante e vergonhoso. Degrada e denigre que nos entreguemos tão facilmente, em prostituição mais lamentável do que a das mercenárias das beiras do cais. Não se concebe que os homens e o governo do Brasil não possam explorar suas próprias riquezas. E se somos um país pobre, esfarrapado e faminto, como se argumente, o de que necessitamos não será estender a mão, como esmoleiros incapazes e doentes que a outros entregam a decisão de seus próprios destinos. O problema se nos afigura, tão somente, como de honestidade e independência moral. Mas, a tal ponto chegou a sem-cerimônia e ganhou foros de rotina a desonestidade, que se não hesita em proclamar uma falsa incapacidade nacional, em troca de favores milionários. Já foi dito que esta é a pior época da nossa acidentada história. Homens da mais alta responsabilidade intelectual – raros hoje em dia – não se cansam de afirmar que estamos sufocados por tremenda crise de caráter. Afirmativa dolorosa e triste, que se comprova a cada hora e a todo instante, no ramerrão do cotidiano, com o servilismo dos homens que governam e dirigem, dispostos sempre a se curvarem beijando a mão de seus senhores poderosos. Apologistas da filosofia sedutora dos trinta dinheiros, esses homens fazem do caráter mercadoria barata e sem valor, que se vende em qualquer esquina, e o resultado é isso que aí está, uma crise maior e mais geral, que atinge a todos os setores da nossa vida. Em meio a ela, o petróleo o mesmo petróleo que fez a desgraça da Venezuela, escravizou povos, forjou e forjará guerras de rapina, para alimentar o polvo insaciável do monopólio. É possível que esse novo e mais vergonhoso capítulo da história do nosso petróleo ponha fim ao drama, com o epílogo que todos os homens honestos receiam: a intervenção do monopólio internacional na exploração do minério, o que significará, desgraçadamente, a nossa ruína econômica e o recibo melhor da nossa crise de caráter. Mas, se tal acontecer, será aconselhável que os vendilhões, uma vez feito o rendoso negócio, partam daqui para gastar o dinheiro nos cassinos que se inaugurarão em Wall Street. Antes, porém, fechem as portas do país, nas quais não poderemos colocar nem mesmo a animadora taboleta de “fechado para balanço”, de vez que estaremos falidos. E o que é muito pior, falidos sem as honras de uma falência honesta. 15. Data 08/05/48;5 TÍTULO Seção Caleidoscópio 15.1. Variações tr Naquela madrugada o vento era tão forte, que as acácias pareciam doidas bailarinas dançando na praça deserta. Aproximei-me mais da janela, e julguei ver, caminhado a passo lerdo e cansado, um vulto cabisbaixo, como que indiferente ao vento e à dança das acácias. Mãos cruzadas para trás, o vulto estacou e ficou olhando a esmo... Nunca mais esqueci isso e, não sei porque, tenho sempre a impressão de haver visto Verlaine compondo uma canção: Et je m´en vais Au vent manvois Qui m’emporte Deça, dela. Pareil á la Fenille morte. 15.2. O escritor e a política tr Aimé Petri, redator-chefe da revista Pary, opinou a respeito da discutida questão, lembrando o que o escritor Denis Rougement, que pôs a palavra engagé em voga antes da guerra, deve estar bem arrependido do uso abusivo que está se fazendo desse vocábulo. Diz 388 A. Petri “que ninguém poderá contestar ao intelectual o direito de pertencer ao seu tempo e ao seu país. Impõe-se-lhe esse dever, como homem e como cidadão, mas não como intelectual. Que coloque, antes de tudo, seu talento, se é que o tem, ao serviço de suas convicções, ninguém tem nada com isso, nem o pode censurar; é, antes pelo contrário, um fato muito admirável. O perigo – e grave perigo – consiste em confundir o talento com as convicções. O fato de termos escrito um bom romance, ou feito uma descoberta genial em matéria de ciência ou de filosofia, não nos qualifica mais do que qualquer outro homem, quando se trata de emitir uma opinião sobre o assunto. Não se devem confundir os méritos ou deméritos do escritor, com os do homem de partido. Referindo-se, depois aos erros da noção de engagement nos meios literários, cita o caso de André Gide “simultaneamente atacado pelos de vichy, porque participava da Resistência e pelos resistentes porque colaborava com vichy, e atacado por motivos semelhantes, o que constituiu grande exemplo... As grandes obras, quaisquer que elas sejam, não podem imunizar um homem perante a justiça de seu país”. Finalizando, diz M. Petri: “Seria de desejar que as polêmicas políticas fossem de encher as páginas literárias, que o clima moral da crítica, seja saneado e que não se agrave, sob o pretexto de engagement, a confusão de todos os valores” 15.3. Miniatura c/foto tr Nenhum outro escritor disputa com Graciliano Ramos a preferência do público. A crítica é unânime em reconhecer nele o maior romancista nacional e as constantes reedições de seus livros traduzem a franca aceitação que a sua obra tem merecido. Nascido em Quebrangulo, Alagoas, a 27 de Outubro de 1892, Graciliano, antes de se transformar no grande escritor que hoje é, foi comerciante, poeta fracassado, revisor de jornal e até prefeito do interior!... vem daí, talvez, seu grande conhecimento da vida, sua experiência longa e amarga das coisas e dos homens, fatos que se revelam a toda hora e todo instante em seus livros densos e bem trabalhados. Sua existência tem sido acidentada desde a infância. Seu pai, Sebastião, casado com a filha de um fazendeiro de gado, foi obrigado a deixar Quebrangulo quando Graciliano estava apenas com dois anos de idade, indo morar em Brique, Pernambuco, onde comprou uma fazenda, nela passando a viver com sua mulher e os filhos. Mas, veio a seca, o mesmo e eterno drama do nordeste, e Sebastião, morre seu gado e arrasadas suas plantações, montou na vila uma pequena loja. Aí viveu durante algum tempo Graciliano Ramos, passando depois a Viscosa, Maceió e Palmeira dos Índios, em cujas cidades seus olhos de criança e de rapaz viram a vida passar, feia, horrível, cheia de incoerências e absurdos, um sucessivo espetáculo de dramas e angústias que marcou definitivamente o espírito do escritor. Em 1914 foi para o Rio de Janeiro, de onde voltou para o nordeste. Foi depois que esteve como Prefeito em Palmeira dos Índios, Alagoas, durante dois anos, onde era o homem mais culto da terra, bodequeiro, o célebre major Graça. Aí aconteceu um dos curiosos fatos de sua vida. Findo o seu período na prefeitura, escreveu Graciliano um curiosíssimo relatório, que, publicado na íntegra no “Diário Oficial”, logo foi transcrito em vários jornais de Alagoas e do outros estados do nordeste. Eis alguns trechos desse nada burocrático relatório de um curioso prefeito, transcritos no “correio da manhã”, de 7-15-47: “Encontrei obstáculos dentro da Prefeitura e fora dela - dentro uma resistência mole, suave, de algodão em rama, fora, uma campanha soma, oblíqua, carregada de leis. Pensavam uns que tudo ia bem nas mãos do nosso senhor, que administrava melhor do que todos nós; outros me davam três meses para levar um tiro. Dos funcionários que encontrei em janeiro e do ano passado restam poucos: saíram os que faziam política e os que não faziam coisa nenhuma. Os atuais se metem onde não são necessários, cumprem as suas obrigações e, sobretudo, não se enganam em contas” “No cemitério enterrei $189,00 – pagamento ao coveiro e conservação” “Relativamente à quantia orçada, os telegramas custaram pouco. Dos ordinários vai para eles dinheiro considerável. Não há vereda aberta pelos matutos, forçados pelos inspetores, que a Prefeitura do Interior não punha alarme, proclamando que a coisa foi feita por ela: comunicou-se as datas históricas ao governo do estado, que não precisa disso; todos os acontecimentos políticos são badalados, porque se derrubou uma pedra na rua – um telegrama; porque o deputado esticou a caneta num telegrama. Dispêndio inútil. Toda a gente sabe que isso por aqui vai bem, que o deputado, morreu, que não choramos e que em 1556 D. Pedro Sardinha foi admitido pelos Caetés. Não favoreci ninguém. Devo ter cometido numerosos disparates, todos os meus erros, porém, foram erros de inteligência que é fraca. Perdi vários amigos, ou indivíduos que possam ter semelhante nome. Não me fizeram falta. Há descontentamento. Se a minha estrada na Prefeitura por esses dois anos dependesse de um plebiscito, talvez eu não obtivesse dez votos. Paz e prosperidade. a) Graciliano Ramos.” Esse relatório foi publicado nos jornais do Rio, e o editor-poeta Schimidt imaginou, então, que Graciliano devia ser autor, também de algum romance. E foi assim que Caetés, escrito em 1926, veio a ser publicado em 1933 marcando uma vitoriosa estréia para o mestre do romance nacional. Vieram, depois, São Bernardo, em 1934, Angústia, em 1936 e Vidas Secas, em 1938, além desses romances, Graciliano publicou Histórias de Alexandre, folclore, em 1944, Infância, memórias, em 1945, Dois Dedos, contos, 1945, Histórias incompletas, 1946 e Insônia, contos. A obra de Graciliano é de considerável importância para a literatura nacional, e Raquel de Queiroz já escreveu que, “se por uma catástrofe natural ou política, sumisse num incêndio toda a literatura brasileira e só sobrasse do fogo os livros de Graciliano Ramos, - bastariam esses romances para justificá-la! Sozinhos eles afirmariam que nos seus três séculos de vida a nossa literatura não existira em vão”. Seus personagens vivem, e vivem intensamente. Embora homens simples, algumas vezes rústicos, esses personagens, que se movimentam em ambientes vulgares da vida ordinária, são arruinados por sensações pouco comuns e sentimentos complexos. Parece que a preocupação maior do romancista é a de , pesquisando, estudando, analisando, exibir o caráter humano em toda sua rudeza. Pô-lo em, sem subterfúgios nem rodeios, com todos os seus defeitos, vícios, erros, virtudes, temores e receios. E, embora se afigure paradoxal, o juízo que faz dos homens é o pior e o mais frio possível, chegando mesmo ao ódio, ao desprezo, ou à indiferença. Sua humanidade é sempre miserável, quando não mesquinha. Preocupa-se demasiado com a paisagem interior, enquanto que a exterior somente chega aos seus personagens através das sugestões que oferece, como pontos de referências para uma análise da vida. Pessoalmente, Graciliano é um homem meio esquisito, esquivo, pouco dado à publicidade, chegando mesmo a ser malcriado. Vive atualmente no Rio de Janeiro, onde exerce a profissão de jornalista, e as funções de inspetor de ensino. Foi preso durante o Estado-novo, sob a acusação de comunista. Recolhido ao presídio de Ilha Grande, aí esteve durante algum tempo, distribuindo os cigarros que recebia com outros detentos e sempre observando e analisando a vida. Temperamento retraído, meio introvertido, Graciliano, sobre ser considerado o maior romancista brasileiro, é um dos mais curiosos tipos de escritor. Não produz apressadamente, como alguns fabricantes de livros e dizem mesmo que leva vários dias atormentado quando lhe foge algum termo, na redação de uma obra, não prosseguindo senão quando o encontra. E de tal forma é o temperamento de Graciliano que, certa feita, escreveu um crítico que havia no autor de Angústia uma profunda influência de Machado de Assis, ali denunciada não só pelo sentido de sua obra, como pelo 390 estilo em que é escrita, correto, quase clássico. O major Graça responde categórica e fulminantemente, que jamais havia lido antes Machado de Assis... 15.4. Anatole France c/foto Tr Além de romancista, Anatole France foi, também, poeta, historiador e crítico. Mas, inegavelmente, foram seus contos, admiráveis de serenidade mental e fina ironia, que lhe trouxeram a consagração e a glória. Extravasados num estilo aparentemente fácil mas que encobre dificuldades enormes, insuperáveis à grande maioria dos escritores, esses contos têm o dom misterioso de arrastarem o leitor da primeira à última página. Em cada frase, em casa palavra de Anatole, oculta-se uma negação, uma dúvida de sábio que tudo conhece e tudo penetra ceticamente. Suas expressões são coloridas, sutis, duma profunda delicadeza e perfeição. O processo mental de Anatole é o do escritor superior, versado em todas as literaturas e todas as ciências, ultra-civilizado, filho da mais variada, ampla e inquieta cultura que já floresceu. O autor de Silvestre Bonnard é um dos prosadores mais perfeitos, não somente de nosso tempo mas de todas as épocas e todas as nações. Entre seus livros de contos mais notáveis, figura L’estui de nacre. Como romances, avultam em valor literário e estilístico Thais le’lys rouge historie conuque, uma história trágica com um título ironicamente errado. Anatole aparece em todos os seus livros e um pouco em cada personagem, como, aliás, muitos outros escritores. Afeito à inatividade dos livros desde a infância (o pai era livreiro), ele manifestou logo grande curiosidade de saber, que continuava insatisfeita até quando morreu, em idade avançada. O estudo com que estreou nas letras, sobre Alfred de Vigny trouxe-lhe a consagração. É que Anatole sabe, como nenhum outro, imprimir colorido local às histórias que escreve ou estudos que realiza: quem lê Thais tem a impressão de estar diante dum manuscrito grego dos primeiros tempos da civilização cristã, isso principalmente pela informação histórica que se esconde através de suas páginas. A serenidade de Anatole provém da imensa quantidade de obras clássicas que andou lendo, por toda a vida, daquela cultura grega que ele assimilou na totalidade, pois lia Homero e Eurípides nos originais, desde a infância. No Pierre Noziere, sua autobiografia, não há indulgência nem estilização preconcebida, como acontece com muitos que escrevem na primeira pessoa. O livro é fácil, delicioso, e cheio das mais ingênuas e ao mesmo tempo sábias recordações da infância do escritor. O legado literário de Anatole France é enorme, não só à França, mas a todas as culturas. 15.5. Uma floresta impenetrável c/foto Tr Joyce é um dos mais discutidos através do século. Sua obra incita polêmicas no mundo inteiro, menos, talvez, pela sua importância e significação, do que pela confusão e incompreensão em que ela deixa os leitores. E as divergências recaem muito mais sobre o volumoso Ulysses que sobre qualquer outro livro seu. Denso, quase impenetrável, esse romance já motivou inúmeras interpretações, cujos números de páginas ultrapassam, de muito, as suas próprias: Joyce o escreveu entre os anos de 1914 e 1921, nas cidades de Trieste, Zurich e Paris. Ora considerado uma obra-prima, ora um livro vulgar e seu maior significação, acusado de imoral aqui e ali apontado como das melhores contribuições da literatura à vida humana, Ulysses é um livro difícil, complicado, muita vez absurdo, quer na técnica, quer no conteúdo, e para que bem se calculem as suas dificuldades, basta citar o caso da tradução para o castelhano, feita por J. Salas Subirat, cuja elaboração durou de 1940 a 1945! Acrescente-se que os nossos tradutores ainda não se atreveram a enfrentá-lo... 15.6. Flagrantes Tr- Esteve nesta Capital o escritor e jornalista Rafael Correa de Oliveira, que pronunciou admirável e bem documentada conferência sobre o petróleo nacional, condenando a intervenção do capital estrangeiro na exploração do nosso minério. Realizando expressivo estudo à luz da verdade histórica, Rafael Correa de Oliveira demonstrou o papel anticivilizador e até mesmo escravagista dos monopólios particulares. Rs – Refere-se ao estado de saúde de Monteiro Lobato. Rs – Sobre a filmagem de Os Irmãos Karamazov, de Dostoievski, pela M.G.M, cita os atores. Rs - Lançamento, para breve, de Suíte Brasileira nº2, de Marques Rabelo. 15.7. Um quebra – quebra literário c/desenho Tr Lêdo Ivo, jovem poeta e romancista alagoano, externou em “Argumento no Muro”, publicado na revista Província de São Pedro, uma curiosa opinião a respeito da poesia modernista brasileira. Diz Lêdo Ivo, textualmente: “Há um mal entendido acerca dos srs. Murilo Mendes, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e outros grandes poetas do modernismo. Os seus escritores deveriam tratar de torpedeá-los enquanto é tempo, libertando-se de sua magia prejudicial. O caminho deles vai ter a um muro, que está sempre atrás do infinito. Pensamos que nos construímos com o seu talento, mas em verdade estamos empatando o nosso tempo fagueiro. O maior escritor de minha geração será aquele que organizar uma romaria ao túmulo de Olavo Bilac e, regressando à noite do cemitério, dirigir um quebra-quebra literário, jogando uma pedra na vidraça da janela onde o sr. Drummond fita o mar, atiçando os vinte e sete cachorros que protegem a casa do sr. Murilo Mendes, surrando o sr. Lins do Rego e provando que toda a obra do sr. Manuel Bandeira posterior a “Ritmo Dissoluto” é indigna até de uma citação”. Aí está uma sugestão que não é das piores... É até muito boa. E seria ainda melhor, se incluísse o sr. Schmidt, com os seus poemas e as “páginas do galo branco...” 16. Data 22/05/48;5 TÍTULO Seção Caleidoscópio 16.1. Variações tr 392 Há no mundo uma tão clara manhã, tão alegre e feliz, que a gente como que encontra em cada canto e em cada coisa uma sugestão de paz. Mas, os homens que provam a vida só falam em guerra e em luta, e só adoram o sangue e só pedem a morte. E desde cedo dão aos filhos soldados e canhões de chumbo, para que brinquem de matar e de morrer. E ensinam que a vida é uma guerra, sem trégua, na qual vence quem matar melhor. * * * Anotações à margem da leitura: Zola foi tão grande que não coube no seu tempo. Risque-se; lugar comum inexpressivo e idiota. Preferível: Zola vive e tem finalidade. É um exemplo e um guia. 16.2. O escritor e a política c/foto tr Jorge Amado, um dos melhores romancistas brasileiros, é um ativo participante da política. Entende ele que ao escritor não é dado fugir aos problemas de seu tempo, do seu país, do seu povo, sem que se pratique um crime contra a paz da humanidade. Na sua opinião, devem os escritores participar intensamente da política, a fim de que possam melhor cumprir uma verdadeira missão. Falando a respeito, e em nome dos escritores antifascistas, no 2º Congresso Brasileiro de escritores, reunindo em Belo Horizonte, disse o seguinte: “Não nos cabe, ante as ameaças à paz e ao regime democrático, à Constituição, uma atitude de neutralidade ou de expectativa, sem que com isso faltássemos ao nosso mais elementar dever”. 16.3. Fora da vida c/ foto tr No atual panorama brasileiro, o conto vai ocupando um lugar cada vez mais apagado, em virtude do fato de certos escritores, incapazes de qualquer realização em outros gêneros literários, se lançarem à derradeira tentativa, fabricando contos. Entendem que, sem as proporções gigantescas do romance e sem as exigências caprichosas da verdadeira poesia, o conto seria, nesse caso, o gênero mais fácil e mais acessível. E daí, a decadência do conto brasileiro, que Machado de Assis e Monteiro Lobato, entre outros, elevaram a uma posição invejável de prestígio e de glória. Tais considerações vêm a propósito da leitura de um bom livro de contos, Fora da Vida de Vasconcelos Maia. Com esse livro, de estréia, o jovem escritor baiano realizou uma obra que merece atenção. É um trabalho que, se não é perfeito, como não o é, na realidade demonstra vocação, seriedade e estudo, fatores indispensáveis a qualquer realização literária. A literatura, como obra de arte não é uma simples aventura, a seduzir espíritos irresponsáveis ou a convocar aqueles que não sabem fazer coisa nenhuma. Arte, tanto quanto a pintura, e a música, a literatura exige vocação, estudo paciência. Tem uma função, ou muitas funções, e não deve ser confundida com o diletantismo de certos senhores desocupados. E Vasconcelos Maia é, sem dúvida, uma vocação literária. Necessita desenvolver essa vocação e aperfeiçoala, à custa de estudo e de trabalho. Seus contos revelam uma rara capacidade de sentir, embora sua maneira de traduzir o que sente ainda esteja eivada de erros e de falhas, lamentáveis, por isto que destoam do conjunto, mas perfeitamente desculpáveis pelo fato de se apresentarem um livro de estréia, e mais estréia de um jovem de vinte e poucos anos. Não se trata aqui, de erros de gramática, de falhas na colocação dos pronomes, mais sim, de erros de técnica e falhas de estilo, que Vasconcelos Mais evitará, por certo, em seus novos trabalhos, quando adquirir mais experiência e mais domínio no manejo de linguagem. Aí, então, fugirá a certas expressões de mau gosto literário alcançando, com estética, com senso artístico, o efeito desejado. Como quer que seja, todavia, Fora da vida revela uma grande vocação de contista. E o seu autor, com mais experiência, mais estudo, mais pesquisa literária poderá enriquecer esse gênero, desgraçadamente decadente, da nossa literatura. 16.4. Destinos diferentes tr Faleceu, faz pouco tempo, esquecido e quase sem glória, o poeta Jules Salusse, deixando uma bagagem poética mais ou menos volumosa. Destino diferente do seu, sem dúvida, tem o célebre soneto, Os Cisnes, de sua autoria, que ofuscou o resto de sua obra, e que figura em quais todas as antologias de língua portuguesa, coberto de glória e de fama, lido e relido, muitas vezes sem que os leitores saibam o nome do autor. Jules Salusse desapareceu aos 76 anos de idade na Capital Federal, onde exercia a profissão de advogado. O famoso soneto de sua autoria foi escrito há cinqüenta anos atrás, em Nova Friburgo, numa noite chuvosa, enquanto a solidão e o tédio enchiam a alma angustiada do poeta. Transcrevemo-lo abaixo, numa homenagem ao seu autor: A vida, manso lago azul algumas Vezes, algumas vezes mar fremente, Tem sido para nós, constantemente, Um lago azul sem ondas, sem espumas... Hoje ele quando, desfazendo as brumas Matinais, rompe um sol vermelho e quente, Nós dois vagamos indolentemente, Como dois cisnes de alvacentas plumas! Um dia um cisne morrerá, por certo; Quando chegar esse momento incerto, No lago, onde talvez a água se tisne, Que o cisne vivo, cheio de saudade, Nunca mais cante, nem sozinho nade, Nem nada nunca ao lado de outro cisne... 16.5. Sartre e a poesia c/foto Tr Jean Paul Sartre, o chefe da nova moda literária – o existencialismo – tem sido justamente acusado por diversos escritores e políticos, como Papini, Cecille Angrand e outros. Mas, Sartre não se dá por vencido, e prossegue no seu intuito de incutir no povo conceitos absurdos e confusos, os mais das vezes deturpações de velhos conceitos de escritores do passado. E quando tenta ser original, cai Sartre num ridículo detestável. Para ele, por exemplo, a poesia 394 está fora da literatura, é uma arte que não tem significação intelectual, como não seria, a seu ver, a escultura, a pintura, a música. No seu modo de pensar – e com suas próprias palavras – a poesia contemporânea não existe. E a escola poética mais atingida pela crítica de Sartre, é a surrealista, justamente a de maior reputação na França. “Esse tipo de poesia – diz Sartre – pretende desintegrar o indivíduo, reduzi-lo a um engodo inconsistente num universo objetivo, e o que é pior, trata de destruir a consciência que cada um de nós possa ter deste mundo, como não pode dinamitar todas as coisas, procura introduzir dinamite no seio da consciência do leitor, para que, doravante, ele duvide de tudo. A destruição é, com efeito, para os surrealistas, não somente um meio de abrirem caminho – meio clássico para as escolas novas, mas um fim em si mesmo”. A seguir, passa Sartre a fazer uma análise das relações da extrema esquerda literária com o comunismo, dizendo que o acordo entre ambos, feito quando a “extrema esquerda política se coloca, por fraqueza, numa fase deliberadamente destruidora, desfaz-se logo que a força política se sente bastante forte para mudar de ótica e se tornar partido governamental” conclui o chefe atual do existencialismo, fazendo uma tremenda crítica a André Breton, o teórico e pontífice do surrealismo. Respondendo a essa catilinaria de Sartre, Armand Hoog , numa curta, porém substancial nota da NEF, consagrada à “permanência do surrealismo”, rebate os argumentos do autor de O ser e o Nada, concluído que o “surrealismo tem um passado imemorial, e pelas suas forças e seus fracassos acaba de nos falar da espantosa grandeza do homem e dos riscos de seu destino” 16.6. Poeta e pintor tr Artigas Milans Martinez é um jovem poeta uruguaio, de muito pouca divulgação no Brasil. Na Bahia, então seria um desconhecido, não fosse a correspondência que mantém com os poetas nossos, Victor Aguiar e Camilo de Jesus Lima, Artigas que trabalha atualmente na elaboração de uma antologia poética, é, também um bom pintor. Recentemente, na “primeira Exposição Entrerriana de Artes Plásticas”, o jovem poeta de salto obteve, com os seus quadros, o primeiro prêmio da secção uruguaia, distinção que bem evidencia os méritos artísticos de Artigas Milans Martinez. 16.7. O derradeiro capítulo c/caricatura res O escritor Papini, criador do famoso Gog, antes tendo sido futurista, até anticatólico e acusado de comunista, é convertido ao catolicismo e aderido ao fascismo. Passou a escrever biografias de santos. Autor de Palavras e Sangue e Gog, está escrevendo seu derradeiro capítulo. 16.8. Uma ousada aventura c/foto Tr Ainda hoje Upton Sinclair é considerado um dos escritores mais lidos da América do Norte, não somente em virtude de ser muito grande a sua obra, como pelo fato de abordar os mais palpitantes problemas populares, sempre convencido de que a desigualdade social entre os homens é o grande único mal, do qual se originam todos os outros. Escritor de vanguarda, publicou estudos sobre política, sociologia, saúde, religião, literatura infantil, panfletos, ensaios, além das inúmeras novelas que escreveu. Uma delas, talvez a mais conhecida em todo o mundo, The jungle publicada aí por 1905 ensejou ao grande escritor socialista uma das mais curiosas e ousadas aventuras do século. Manteve-se essa novela, no balcão das livrarias, durante mais de meio ano, revolucionando os meios literários e a opinião pública norteamericana, sem que outro qualquer livro lhe ameaçasse, nem de perto, o record de vendas. E não demorou muito para que fosse traduzida em dezesseis idiomas. Isso significava, para Upton Sinclair, uma renda fabulosa. Foi , então, que recebeu e realizou o ousado empreendimento. Com o dinheiro obtido, criou, em 1906, em Nova Jersey, uma colônia socialista! Lá estiveram Sinclair Lewis, John Lewey e William James, entre outros amigos e companheiros de ideal. Vivia-se como deveriam viver todos os homens da terra. Em 1907, todavia, a colônia foi quase totalmente destruída por um incêndio. E Upton Sinclair, abatido, desgostoso, não quis recomeçar, ou não pôde, abandonando o seu incendiado paraíso da compreensão e da solidariedade. Continuou, no entanto, a escrever, faminto, algumas vezes, mas, sempre, um tremendo socialista, a criticar a sociedade contemporânea, com o seu espírito inquieto e idealista. 16.9. Um suplemento Tr O Diário de Notícias, desta Capital, está publicando, todos os domingos, um suplemento literário. É um bom empreendimento, o daquele jornal associado, procurando incentivar o movimento cultural em nossa terra. E isso tem maior importância, pelo fato de somente A Tarde de certo tempo para cá, vir mantendo [página] semanal, não havendo nenhuma outra publicação dessa natureza. A iniciativa do Diário de notícias,feliz e oportuna, vem trazer uma interessante contribuição as qualidades culturais da imprensa. 16.10. Autocrítica c/desenho tr Matthew Arnold é um dos grandes autores da era vitoriana na Inglaterra. Crítico penetrante, de espírito agudo, foi também poeta de fino gosto e disciplina artística, evidenciando a influência que recebeu das culturas helênicas e alemã. Logo ao início de sua carreira literária, abandonou a poesia pela prosa, deixando, todavia, naquela, uma produção que pode ser comparada à de seus dois grandes contemporâneos, Tennyson e Browning. Aqui, apaixonada e ardente, ali, fria e ascética, a poesia de Arnold ficou como um dos mais lúdicos documentos da tragédia que agitou a era vitoriana, e que foi o colapso de fé. Ao contrário do prosador – que tanto se bateu pela eliminação de superstição grega em política, literatura ou teologia – o poeta evocava os gregos, como que numa ânsia de alcançar um ideal de vida mais perfeito, mais belo e mais simples. Isso muito contribuiu para que sua poesia fosse considerada inferior à de Tennyson e Browning, e não conseguisse empolgar os homens de sem tempo. O próprio Arnold compreendeu isso, e, com um raro senso de autocrítica, escreveu, profeticamente: “os meus poemas representavam, ao todo, o movimento principal do espírito do último quarto do século, e, assim, eles terão provavelmente a sua época ,quando o público tiver 396 consciência do que seja o movimento do espírito e estiver interessado não em produções literárias que o refletem. Pode mesmo ser dito, desde já, que eu tenho menos sentimento político que Tennyson, menos abundância e vigor intelectual que Browning – talvez porque tenha mais visão que qualquer um dos dois, e provavelmente a possuo, como eles tiveram a sua oportunidade” 16.11. No prelo e nas vitrinas res - Luiz II da Baviera, a lenda e a verdade, de Aldo Oberdorfer, tradução Márcio Silva, editora Vecchi, no balcão Livraria Progresso. - Vida de Júlio Verne, biografia de uma imaginação, de George H. Waltz Jr, tradução José Cesio Requeira Costa, Livraria Progresso. - Nothing so strange, de James Hilton, pela Macmillan. - Villete, de Charlot Bronte, nova edição da Pilot Press, E.E.U.U, cm 380 páginas, novela, mesma autora de Jane Eyre. - Dickens Ilustrado, edição ilustrada das novelas de Dickens, pela Universidade de Oxford, em vários volumes. 17. Data 05/06/48;5 TÍTULO Seção Caleidoscópio 17.1. Variações tr Nada variou. Nem a vida, nem os homens, nem as coisas. Olhando do alto, o panorama é o mesmo, igual, plano como há mil anos passados. É que o mundo, doido, alucinado, parece assim uma pintura moderna, um aparentemente desordenado estudo de cores. Tanto faz um lado, quando de outro, espiado de cima ou de baixo, não faz diferença. Mas, há o detalhe, e esse é que difere. E o quadro é um conjunto de detalhes harmônicos, que se interdependem e se entrelaçam... Concepção absurda de uma noite de insônia... ** * Vejo, neste começo de tarde, uma leva de pequenos seminaristas. Pálidos, fundos, quase agônicos. Guia-lhes um adulto sinistro, de barbicha negra, suja, e olhar de cera. Vejo-os e fico triste, cismando. E não sei porque penso na juventude hitlerista, obediente, cega, intolerante... 17.2 A cozinha bahiana C/foto Tr Já está sendo anunciado o aparecimento, para breves dias, de um interessante livro sobre a cozinha baiana. Trata-se de um trabalho cuidadoso e paciente do jornalista Darwin Brandão, que reuniu várias de nossas receitas, agrupando-as num livro útil e singular. Nele figuraram todas as comidas afro-brasileiras, molhos, bolos e doces, bebidas, os condimentos que exigem e a exata maneira de prepará-los. O autor, que atua na imprensa diária desta Capital, é um jornalista ativo, trabalhador e inteligente, que vem, desde algum tempo, pesquisando os nossos costumes, focalizando nossos aspectos mais típicos, estudando o modo de vida das nossas diferentes classes, numa série de reportagens para a Revista O Globo, de Porto Alegre. Seu livro, que ora se anuncia, é o desdobramento de uma dessas reportagens, sua importância foi bem acentuada por Edson Carneiro, que o prefacia, lembrando a importância da cozinha baiana, “índice da cultura insular da Bahia”. É uma edição da livraria Universitária, que a Souza distribuirá. Traz ilustrações, fotografias de Pierre Verger, figurando na capa um desenho de Hélio Vaz. Será interessante, para os que estranharem um livro dessa natureza, transcrever as últimas palavras do prefácio de Edson Carneiro: “Daí que se possa dizer que este livro de Darwin Brandão talvez sirva de ilustração também para muitos baianos, como certamente servirá para gente de outros estados, estrangeiros e turistas. Nessas receitas de fabulosos quitutes se verifica a extraordinária vitalidade, a peculiaridade da cozinha baiana. Uma dor de cabeça para certos baianos roídos de preconceitos, uma satisfação enorme para muitos brasileiros amigos das tradições populares” 17.3. Miniatura c/desenho Tr A moderna poesia brasileira encontra em Manoel Bandeira um dos seus principais autores. É ele personagem central desse drama que se desenrola no país inteiro: a poesia à procura de seus verdadeiros e legítimos poetas, buscando ritmos naturais, forma, temas menos esotéricos, tentando angustiada, encontrar seu autêntico sentido. Manoel Bandeira é uma personagem desse drama, talvez a mais engalanada e a mais discutida. Nasceu o autor de Ritmo Dissoluto, na cidade do Recife, em 1886, bacharelando-se, no ano de 1902, em Ciências e Letras, pelo externato colégio D.Paulo II. Pretendeu, inicialmente ser engenheiro-arquiteto, matriculandose, para isso, na E. Politécnica de São Paulo. Mal iniciava o curso, todavia, no segundo ano, foi obrigado a abandonar os estudos, em virtude de uma doença que exigiu que permanecesse durante mais de um ano na Suíça, entre 1913 e 1914. Regressa, depois, ao Brasil, onde vive até hoje. Exerceu as funções de inspetor do ensino secundário durante o período de 1935 – 1938. Foi professor de literatura no colégio D.Pedro II, de 1938-1943. Passa, em 1943, a ensinar literatura hispano-americana na F. de Filosofia da Universidade do Brasil, cadeira que ainda ocupa. Bandeira é imortal desde 1940, ano que ingressou na Academia Brasileira, considerado um dos melhores, senão o melhor, dos nossos poetas modernos, pertence, ainda à sociedade Felipe d’Oliveira, ao Conselho Consultivo do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, tendo sido membro da extinta comissão de literatura infantil do M. da Educação. Sua posição na nossa literatura é, de certa forma, importante, embora haja quem negue isso, como quer que seja, sua obra é vasta e os críticos louvam os poemas e poetas. A. F.Schmidt, que acumulou funções de poeta e editor, chegou a dizer que “a luz da poesia de Manuel Bandeira é única nas letras nacionais”. E ao poema fez o elogio José Lins do Rego, escrevendo: “Eu sinto neste poeta um mestre da vida, no grande sentido da expressão”. São opiniões pessoais, afetivas e exageradas, quando não frases de efeito, vazias sem maior expressão. Mas, não se pode negar a alguns de seus poemas o valor que eles realmente tem, particularmente os de Ritmo dissoluto, que muitos querem considerar como um marco divisório entre as fases boa e má de sua poesia. Sua bibliografia compreende: A cinza das horas, Carnaval, Ritmo dissoluto, Libertinagem, Estréia da manhã, Lira dos Cinqüenta anos (Poesias completas), e Poemas traduzidos, Crônicas da província do Brasil, Guia de Ouro 398 Preto, Noções de história das literaturas, Antologia dos poetas brasileiros da fase romântica, Antologia dos poetas brasileiros da fase parnasiana, obras poéticas de Gonçalves Dias (edição crítica e comentada), Apresentação da poesia brasileira, Estudos Literários, Antologia dos Poetas bissextos contemporâneos. Principais fontes de estudo: Homenagem a Manuel Bandeira e Autores & Livros. 17.4. Roosevelt romancista c/foto Tr O mundo jamais sonharia em Roosevelt como romancista. Batalhador incansável durante toda a sua atribulada e proveitosa vida, o campeão das liberdades públicas tinha seus minutos cortados e medidos, tantos e tais eram os seus afazeres. Preocupavam-lhe os problemas de sua Pátria e do mundo. Seu pensamento estava sempre voltado para a harmonia entre os povos que se agridem e se matam mutuamente. Era-lhe curto o dia para tantas tarefas. Seu dinamismo e sua ânsia de compreensão a levaram a América do Norte a uma invejável posição no cenário internacional, embora, desgraçadamente seu sucessor a esteja levando por um caminho qual ele – Roosevelt – jamais desejou nem desejaria, porque amante da paz e defensor de todas as liberdades e direitos do homem. Pouco se lhe podem comparar. Raríssimos homens de poder terão sido tão humanos quanto ele, sua vida foi de trabalho contínuo, incessante. Parecerá, pois, incrível a quantos tenham acompanhado a trajetória de Roosevelt, a notícia que vem de ser divulgada: o Campeão da Democracia começará a escrever um romance, antes de morrer. Sim! um romance. Em meio a todas as inquietações, aos problemas intricados que tinha que resolver. Roosevelt , grande conhecedor da vida e dos homens, iniciou um romance, que, desventuradamente, não pode terminar. Cortou-lhe a morte a feliz iniciativa. Ainda aqui seria grande, certamente, como o foi no terreno político. Chegou a concluir o primeiro capítulo, deixando também , entre os papéis os esboços da história. Sabe-se que seu filho Eliot, aproveitando-se do material deixado pelo pai, está prosseguindo o romance, para lançá-lo ainda este ano. É significativo o fato de haver Roosevelt escolhido o romance, como forma de defender suas idéias e sua concepção de vida. É que os horizontes do romance são ilimitados, como os da própria vida. São as mesmas suas oportunidades. Pena que não tenha Roosevelt podido concluir sua obra literária, para que o mundo, ainda mais, respeitasse e venerasse sua memória. 17.5. Cá e lá c/foto Tr John dos Passos é um dos novos romancistas norte-americanos. O conteúdo social de seus livros deu-lhe fama e popularidade, e a técnica utilizada em Manhattan Tranfer fez com que fosse considerado um dos mestres do romance moderno. Mas, o autor de Paralelo 42 tem sofrido grandes golpes em sua vida. O último deles, há poucos meses havia sido um desastre de automóvel no qual Dos Passos perdeu a esposa e ficou inutilizado de uma das vistas. Agora, porém, chega a notícia de um novo desastre, dessa vez político. Embora socialista, jamais se filiara a qualquer agremiação política,costumando a dizer que era, apenas, “um crente à moda antiga”. E vem de provar que o é, realmente, declarando à imprensa norteamericana que participará ativamente de campanha presidencial do Estados Unidos, defendendo a candidatura do senador Robert Taft! A notícia é verdadeiramente espantosa, e significa mais um desastre na vida de Dos Passos, e um dos piores, de vez que ninguém desconhece a posição de Taft no cenário político, sendo declaradamente o mais reacionário dos candidatos à presidência dos Estados Unidos. 17.6. Vigny e Kafka c/desenho Res Comentário sobre a posição de Weiler, professor do Liceu Louis-Le-Grand, em apresentar analogias entre Alfred de Vigny, poeta, romancista e autor dramático francês (1797-1983) e o tcheco Kafka, autor de Le Proce’s. Trechos do estudioso que buscam comprovar a analogia são apresentados. Weiler, em carta ao jornal de Le Monde, transcreve partes do Livro de Vigny para demonstrar sua tese e estes também são transcritos nesta resenha. 17.7. Esses nossos concursos! c/foto res Sobre a demorada decisão de a quem deveria caber o prêmio Fábio Prado de 1947, São Paulo. Os preferidos eram José Geraldo Vieira, autor de A Túnica e os Dados, e Octávio de Faria, autor de Os Renegados. Mas, o premiado foi o livro Eurídice de José Lins do Rego, o qual, seria para o resenhista um dos piores livros do autor: “um romance frouxo, falso, muito aquém das possibilidades do autor” e compará-lo a Os Renegados, “romance trabalhado, obra de fôlego das mais sérias que possuímos” chega a ser “irrisório”, sendo tal fato apenas possível de acontecer em uma espécie de concurso padronizado pelo DASP. 17.8. Solidariedade a Pablo neruda c/desenho Tr Os intelectuais brasileiros, em fevereiro deste ano, promoveram uma homenagem de solidariedade e desagravo a Pablo Neruda, em virtude da perseguição que lhe move o governo antidemocrático de seu país. Senador do Chile, Pablo Neruda viu cassado se mandato e exilado. Atualmente, ninguém sabe de seu destino. O grande poeta, fora de sua Pátria, paga o crime de defender a liberdade. Os intelectuais brasileiros, em sua homenagem, aprovaram a seguinte moção: “os intelectuais brasileiros, plenamente conscientes dos seus deveres democráticos de defesa da liberdade e da cultura, reafirmam uma ativa vigilância aos ataques aos direitos de livre expressão de pensamento. Coerentes com a posição de participantes da luta social em defesa de democracia e da resistência aos governos que traem as aspirações de seus povos, declaram-se solidários com o grande poeta continental Pablo Neruda, pura expressão da arte posta a serviço dos mais nobres ideais de liberdade e independência, que animam historicamente os povos latino-americanos. Nossa solidariedade inspira-se no fato de ter sido o grande poeta ameaçado em sua vida e liberdade. Por ter denunciado ao mundo as manobras das forças de reação que tentam sufocar os anseios progressistas do povo chileno. O que sucede com Pablo Neruda adverte-nos, a todos nós, democratas e homens livres, sobre a necessidade da luta permanente em defesa dos ideais de paz e tranqüilidade para os povos livres de terra, ameaçados pelos avanços dos fazedores de guerra e remanescentes do nazi-fascismo” 400 17.9. Autores bahianos tr - Natur de Assis, um dos melhores poetas da geração moça da Bahia, estreará dentro de alguns meses , com uma coleção de poemas intitulada Harpa de Prata. - Já está sendo anunciado A história da vida e outros contos, de Guiseppe Mazzoni, uma edição do autor e distribuição Livraria Civilização Brasileira S/A, Bahia. - Abrolhos é o título do livro de versos do sr. André Monteiro, já publicado e a venda nas livrarias 18. Data 19/06/48;5 TÍTULO Seção Caleidoscópio 18.1. Variações tr Olhada do alto, assim sob a luz indecisa da noite, a rua enladeirada, para onde convergem três outras ladeiras tortuosas, parece o chão do mundo em miniatura, onde há de tudo e de todos. Mulheres que conversam nas portas e nas janelas, pedaços de músicas vagando à-toa, homens que passam, apressados uns, vagarosos outros, crianças que correm despreocupadas e gritando numa algazarra feliz, pares que caminham, olhares bêbados de vida, sem nenhuma consciência do que se passa em torno, das agonias que se agitam nessa rua igual a tantas outras, nessa noite mansa, lisa, sem arestas, nessa noite cúmplice... E nesse ambiente de chão de mundo em miniatura, a Valsa triste, de Sibelius, saúda do alto de uma janela solitária de estudante sem sentido especial, inconfundível, e vale como um grito melancólico de protesto universal... 18.2. Uma boa tradução para um bom livro tr Carolina Slade é um nome conhecido na América do Norte, pela sua atuação no campo da assistência social, tendo sido secretária do conselho Estadual de Assistência à Menores, de Saratoga e adida de um juízo de Menores. Casada com um advogado de renome, atuando, também no setor de educação e da assistência social, Carolina Slade foi sempre uma grande batalhadora em favor da legislação especial, que protegesse tanto a mulher quanto a criança. E como contribuição à essa causa, escreveu uma novela, Margaret, que o jornalista baiano Percy Cardoso traduziu para a livraria Progresso. Trata-se de um livro cuja leitura ninguém deve fugir. Ele relata um dos aspectos do imenso e insolúvel drama da sociedade capitalista: a delinqüência infantil. E o faz de um modo inegável, quando procura mostrar, com equilíbrio e magnífico senso da realidade, o ambiente social atuando desde cedo sobre as crianças, levando-as endeusarem o dinheiro como único objetivo da vida, a ser conquistado de qualquer forma. Em torno e em função disso, movimentam-se os personagens do livro, num clima de constante tragédia, que se intensifica com a prostituição de meigas criancinhas inocentes, conduzidas ao apetite de um grupo de degenerados por Margaret, que, como a avó é apelas vítima dos erros e defeitos da sociedade capitalista. E o leitor, nesse clima, vai vivendo o drama de Ana conformada, submetida à vontade de um marido brutal e avarento, um animal que come, dorme e trabalha e junta as moedas que a sociedade endeusa e adora; vai sentindo dor de Lizzie e Jim, pais da boa Sphie, adorável menina de doze anos que enlouquece pela agressão sexual que sofre de um degenerado. Depois, a luta entre a sra. Sleight, auto-retrato da autora, e o juiz de menores, procurando soluções antes de tudo humanas. E a autora vai mostrando como desenrola a vida numa sociedade degenerada, a multiplicação de presídios e casa de correção, a ilusão e a inutilidade das medidas até então adotadas. Finalmente, a solução individual, que Jim apenas pressente em saber qual seja, enquanto a mulher não arrasta para a religião, que consola, engana, mas não resolve. Tal é o livro que a Progresso está oferecendo ao público baiano, nada é necessário acrescentar aos méritos da tradução de Percy Cardoso que, antes, realizou um bom trabalho em Messalina, da mesma editora. Mantendo-se fiel ao texto original, mas procurando adaptar o pensamento da autora ao nosso idioma, Percy Cardoso fez uma excelente tradução da novela de Caroline Slade. A nossa edição está, pois, de parabéns pelo lançamento que acaba de fazer, embora a apresentação gráfica ainda não seja das melhores. 18.3. Debate em paris c/foto tr Sobre o problema da classificação da obra de Pascal, discutido em duas revistas literárias francesas, La Neef e Mercure de France. Na primeira há o depoimento de Paul Louis Couchoul que vem trabalhando com a classificação de manuscritos, fazendo pesquisas na Biblioteca Nacional. Na segunda revista, Louis Lafuma se propõe a indicar uma solução para classificação no próximo nº da revista e defende a necessidade de uma nova edição de Pensamentos de Pascal, tese de Vitor Cousin defendida em 1842 em relatório à Academia. 18.4. Escritora e heroína belga c/foto Tr Jeanne Verbracken é uma escritora belga, que sofreu horrores durante a ocupação alemã em seu país. Até hoje conserva a marca de ferro cadente sobre o braço direito e no espírito as cicatrizes das brutalidades da Gestapo. Ainda assim, Jeanne, atualmente no Brasil, confessa ser uma alma solar, que ama os aspectos alegres da vida, as paisagens cheias de sol e movimento, a própria vida em si mesma. Havendo participado ativamente da resistência belga, dolorosas conseqüências perturbaram sua vida, o que motivou uma viajem ao Brasil, que já conhecia de passagem, em 1933. Veio disposta a trabalhar em seus livros e, através de artigos, tornar conhecido o Brasil em seu país. Atualmente está concluindo seu romance, Assim é a vida, cuja ação iniciada na Europa, termina em fazendas do nosso “hinterland”. Não é pequena a obra dessa heróica escritora belga. Sendo poetisa, jornalista e romancista, começou a escrever desde cedo, quando ainda estava no colégio de Antuerpia, sua cidade natal. Antes da guerra, escrevia artigos e pequenas novelas para os jornais. Depois, quando da guerra civil espanhola, Jeanne lançou Dança, Juana!, seu primeiro trabalho em forma de livro. Vieram depois, A Corrente Partida, Confissões e Mai ou Mulher? Este último lançado durante o ano passado. No primeiro desses, a ação se passa na Europa, África e América; no segundo, Jeanne fixa a existência de uma desgraçada rapariga do campo, seduzida pelos encantos da 402 cidade, onde encontra, não a salvação sonhada, mas a irremediável perdição; o último segundo a crítica, é uma dramaticidade surpreendente e de um realismo chocante. Em Assim é a Vida, o romancista toma o nosso interior como palco para o personagem central, emigrante da Europa. Para isso, Jeanne está procurando reunir certa documentação, através da viagem que ora realiza. Vai conhecer, de perto, as plantações de algodão do nordeste, os garimpos de Minas e do Mato Grosso e virá à Bahia para ver as plantações de cacau, tudo isso no intuito de conhecer o ambiente, as atividades e condições do homem rural brasileiro. Um outro trabalho de poesia belga, será um pequeno caderno de poemas, no qual ficarão várias traduções de poetas nossos para o francês. Os livros de Jeanne Verbracken são editados na mais antiga editora belga, fundada em 1746, a “Snolck-Ducaju e Zoon”, de Grand. 18.5. Prêmios literários c/foto res Ruth Park ganhou o prêmio “Sydney Morning Journal” com a novela The harp in the south. A escrita de nova Zelândia foi louvada pela crítica. O livro foi lançado pr Michel Joseph e ilustrado por James Phillips. 18.6. Luta difícil Tr Nem sempre os novos encontraram facilidades. O início é sempre de dificuldades, um luta inglória, desigual, contra o que já está estabelecido, firmado no conceito do público. Esquecidos, mal tratados, os que tentam acesso à letras são obrigados a vencer, quando vencem, uma série enorme de dificuldades. É o mais comum é que não lhes queiram ouvir. Aí está porque divulgamos a carta de uma jovem poesia, endereçada a Raul Lima, que assina a secção Movimento Literário, do Diário de Notícias, da Capital Federal. Vale como um protesto honesto e justo, que merece a atenção. Publicou-a Raul Lima, dando a conhecer, também, dois poemas de sua autoria. Transcrevemos: “Rio, 16 de maio de 1948 – Prezado senhor Raul lima: - Acabo de ler o Diário de notícias, onde todos os domingos, o senhor escreve o “Movimento Literário”. A idéia que me assaltou, já há muito tempo vem me acompanhado, apenas por um natural receio de toda pessoa que nunca se aventurou a escrever para um jornalista, eu tenho estado acarinhado silenciosamente, o meu desejo. Este se resume: sou uma dessas jovens estudantes, que com as antenas ligadas para todo o mundo, entre o dinheiro e o estudo, se aventuram a falar na “boca do ouvido” das almas dos homens. Ouvi, de fonte bem informada, que o senhor é capaz de apreciar e aproveitar todo o trabalho daqueles ainda desconhecidos, uma vez que se revelam artistas puros. E está aí, a minha aspiração. Desejo que o senhor leia alguns dos meus poemas e minha maior alegria será a de vê-los publicados num cantinho do Diário de notícias. Escrevo modernamente, acompanhado um tempo inquieto e desorientado, por isso “o meu poema é sem rima, sem métrica, desalinhado, como um menino enjeitado”, porém conheço as regras do nosso e quero mostrar com isso, que não sou um doidivanas a copiar a forma ou modo de Bandeira ou Schimidt. Estudo, estudo muito e lembro que já escrevera, desde o quarto ano de ginásio. O meu livro está inédito, são 40 poemas falando das gentes, sem influência política, apenas sentindo como a gente, as dores de toda gente. A editora Pongetti aceitou a edição, porém eu não tenho dinheiro suficiente e... espero! Assim, senhor Raul Lima, com esta carta vai meu pedido pra uma chama trêmula e tímida, mas cheia de um desejo tão forte, de iluminar um pouco... 18.7. Gide e os intelectuais negros c/foto Tr As vitrinas das livrarias parisienses estão cheias de livro, Presence Africaine, o primeiro a ser publicado pela revista fundada pela intelectualidade negra de Paris. Isso significa que, ao lado de brilhantes representantes da cultura asiática, há, agora, na capital francesa, toda uma falange de intelectuais negros, trabalhando ativa e vitoriosamente. O movimento não é, apenas, dos numerosos estudantes da África, que se encontram freqüentemente nas ruas de Quartier Latin e nos pavilhões da Cidade Universitária. Trata-se de um amplo movimento, do qual participam escritores, professores e homens políticos, num ecletismo racial sem reticências, que revive as tradições da Sorbonne Medieval. E, como conseqüência disso, vários liceus parisienses possuem, hoje, professores de cor, numa completa ausência de preconceitos. O primeiro número de revista dos intelectuais negros de Paris é de interesse extremo, com um alto nível cultural. André Gide, a grande figura contemporânea, faz a apresentação de seus colegas negros, com as seguintes palavras: “Por muito rica e bela que seja a nossa civilização, temos de admitir, finalmente, que ela não é a única que existe... Esta revista pretende se dirigir aos negros, para lhes dizer o quanto nos cremos que deva ser dito. Mais e melhor ainda, pretende oferecer a esses povos o meio pelo qual eles se dirijam a nós.” 18.8. Flagrantes Rs – Foi reeditado o livro The Judge’s Story, de Charles Morgan por Macmillan e Co. Rs – Sobre o isolamento de José Geraldo Vieira para traduzir estes romances de Pirandello, lançados pela Ipê. Rs – Reedição da novela The Professor, de Charlotte Bronte, pela C.E.J. Temple, Londres, ilustração de Sylvia Green Tr – Sonata ao Luar é uma interessante novela de Dalton Trevisan, um dos valores da nova geração de escritores do Paraná. Sobre esta novela disso Lígia A. Correia num comentário: “Outra característica de Dalton Trevisan é sem dúvida uma grande facilidade para escrever, facilidade que lhe traz felizes achados expressionais, no poder de resumir em um adjetivo, em uma comparação curta o que só se explica em longas perífrases”. O próximo livro Dalton Trevisan é o volume de contos intitulado Sete anos de pastor. Rs – Le Meilleur Choix de poemes’est que L’on fait pour sol (1818-1918), de Paul Elnar. Seleção de poesias desde Marceline Desvordes – Valmore e Victor Hugo até Guillanme Apollinaire e Pierre Reverdy, publicado em Paris. Rs – Sobre o 80º aniversário do filósofo francês Alain (pseudômino de Emile Chartier). Citado por André Maurois em suas Memórias, como aquele que influenciou alguns dos melhores espíritos do nosso tempo. 404 Tr – Fala-se que a Revista Província de São Pedro, admirável iniciativa da Globo, vai interromper sua publicação. A ser verdadeira a notícia, o público perderá a sua melhore revista de literatura. Rs – Sobre a primeira encenação da peça de François Mauriac, Le Passage Du Malin, no Rio de janeiro pela Companhia Francesa de Maire Bell. Tr - Joaquim é a revista representativa da nova geração de escritores de Curitiba, um periódico que vem se impondo à apreciação dos círculos literários brasileiros. Joaquim obedece a direção de Dalton Trevisan e conta com valioso corpo de colaboradores e ilustradores da geração de vinte anos, entre os quais se destacam Temístocles Linhares, Yllen Kerr, Waltensir Dutra, Poty e outros que vêm emprestando relevantes prestígios às letras e artes paranaenses. Ampliando seu raio de ação. Joaquim iniciará uma série de edições próprias com um livro de contos de Dalton Trevisan, ilustrado por Poty. É correspondente de Joaquim nesta capital, o sr. Adalmir de Cunha Miranda. 19. Data 03/07/48;9 TÍTULO Seção Caleidoscópio 19.1. Variações tr Relidos Terras do sem fim e São Jorge dos Ilhéus. Concluída a leitura de Os servos da morte, de Adonias Filho. A diferença entre os dois primeiros e o terceiro é algo significativo. Naqueles, o leitor sente a presença de um grande escritor, para o qual o tempo não existe que justifique o dinheiro gasto com a edição. Aliás, essa é a característica de certos trêfegos escritores da última hora, como aquele inquieto e teimoso autor de Oscarina, Marques Rabelo, no dizer de Ledo Ivo “Um vulcão aposentado...” xxx Numa tarde de sol quente, subindo a ladeira, ouço sons de piano colorindo a paisagem. Paro e escuto. Pour Elyse, de Beethoven, lutando com a inexperiência de um principiante, que interrompe e recomeça, várias vezes, sem desanimar. Eu é que me desanimo, sinto a ladeira muito íngreme, a tarde muito quente e a vida muito desigual... 19. 2. Um livro de Contos (c/fotografia do autor) Tr A Livraria Civilização Brasileira dispensou uma das suas vitrinas para exposição do livro de contos de Guisepe Mazzoni, História da vida e outros contos. O autor, que é um jovem cirurgião dentista baiano, editou o livro, entregando a distribuição àquela livraria. Trata-se, como se vê, de uma obra de esforço pessoal. Isso não concede, todavia, o direito de aceitar o livro como trabalho de primeira qualidade. Inexperiente e sem conhecimento dos problemas técnicos, o autor comete erros comuns aos livros de estréia, quer na construção literária quer na escolha dos temas, que é pouco feliz. 19.3. Cinqüentenário de Whos Who res 50º aniversário do "Who in America", 5000 nomes foram incluídos naquela edição, que consta de resumos biográficos das pessoas mais importantes das Américas. O mais longo resumo é o que trata de Thomas J. Watson e os mais curtos são, a exemplo, os do Presidente Truman e o de Albert Einstein. 19.4. Roteiros dos Candomblés Baianos (c/fotografia do autor) tr Edson Carneiro, baiano de quatro costados, é hoje, o maior estudioso de assuntos afrobrasileiros. Com vários livros publicados, conferências e artigos, Edson tem todas as credenciais do verdadeiro pesquisador, do homem que vai analisar as questões e os problemas nas suas origens, nas suas fontes reais, evitando, por isso mesmo, os erros comuns aos pesquisadores de gabinete. Em permanente contato com o povo, sem jamais se desligar dos problemas que estuda e dos homens que sofrem esses problemas, Edson Carneiro tem justo prestígio junto ao público, que nele já se acostumou a ver o estudioso honesto e sem preconceitos de qualquer espécie. Daí a expectativa com que está sendo aguardado o seu novo livro sobre Candomblés da Bahia, uma publicação do Museu do Estado. Com cerca de 140 páginas, ilustrados com desenhos e fotografias de Paulo Fróes, contendo transcrições musicais de Maschall Levins, Candomblés da Bahia é um dos mais sérios e completos documentos sobre a religião negra, escrito pela pena brilhante e segura de Edson Carneiro. Este roteiro dos candomblés baianos, segundo o próprio autor, foi feito para o grande público, em linguagem acessível a todos aqueles que não tenham conhecimento do assunto. Esta edição do livro de Edson será a oitava de uma série de publicações do Museu do Estado da Bahia, sob a direção do Dr. José Valadares. 19.5. O julgamento de Hamsun (c/fotografia do autor) res Da continuidade do foco no julgamento do escritor norueguês Knut Hansun, acusado de haver colaborado em os nazistas, durante a guerra, e ter pertencido ao Partido Nazista. Condenado a pagar uma multa. 19.6. Novo livro de Wallace (c/fotografia) res Lançamento do novo livro de Henry Wallace, intitulado Rumo à paz mundial, o título anterior era Sejamos práticos. HAlencar afirma que o autor é um poeta da paz, tendo o caracter de apóstolo. O livro será lançado próximo às eleições presidenciais, Wallace é exvice-presidente dos EU e candidato do Terceiro Partido às eleições anunciadas. 406 19.7. Sartre em maus lençóis (c/ fotografia de Sartre) tr Faz pouco tempo que Jean Paul Sartre, o oportunista e confuso pai do existencialismo moderno, foi a Berlim, para um debate público com destacadas personalidades políticas e intelectuais alemães, sobre o tema "Que é o existencialismo". Uma hora e meia antes da discussão, às 9 horas, o preço de uma entrada era de 2.000 marcos, no mercado negro, ou seja, tanto quanto ganha, em média, por mês, um empregado no comércio de Berlim. às 10 horas, já não havia lugares vagos, e o público amontoava-se na entrada do salão. às 10 e 30 horas, chegava Sartre, iniciando-se, então, o esperado debate. O autor de O ser e o nada sentou-se diante de uma mesa cheia de microfones, em torno da qual se reuniam os seus impugnadores, à esquerda os marxistas e á direita os teológos. Um professor de teologia gritou-lhe – "Que quer o senhor fazer da liberdade? O senhor separa o homem de seu Criador, dizendo que tudo lhe é permitido, exatamente o que os nazis já disseram. para mim, Electra é a fuherine das mulheres nacional-socialistas". Sartre, evidenciando calma, retrucou – "O remorso é um sentimento puramente negativo e relativo ao passado. Condená-lo não significa condenar o sentimento de responsabilidade, sem o qual não há liberdade. Que se me cite um só acontecimento histórico que seja fruto do remorso". Rebateu-lhe, da esquerda, o prof. Steiniger, da Universidade de Berlim, dizendo – "Sou membro de um povo culpado pelos maiores crimes, e em Les Mouches o senhor se subleva contra o remorso. Entre nós, são hoje os nazi que combatem o remorso, porque não querem reconhecer seus crimes". E o debate continuou nesse tom, até o fim, quando Sartre saiu pouco satisfeito com o êxito do existencialismo na Alemanha. 19.8. Face oculta (c/ foto da capa do livro) tr A Bahia começa a sair do seu sono de vários anos, no tocante às atividades literárias. O livro de poesia de Carvalho Filho, Face oculta, representa um passo adiante nesse terreno. Numa edição "Confiteor" bem apresentada e de bom trabalho gráfico, com ilustrações de Oswaldo Goeldi, o poeta Carvalho Filho deu publicidade a mais 97 poemas de sua autoria, reunidos num livro de 262 páginas, com o seguinte plano: 1-poemas das horas claras; 2-hora obscura; 3- Invocação à luz esperada; 4-Ciclo da Morte; 5-Luz da Noite. Do valor da obra já disseram vários críticos, e os suplementos literários, como o do Correio da Manhã, do Rio têm registrado o aparecimento do livro com significativos elogios. Carvalho Filho, merece tais registros, porque é, realmente, um bom poeta, embora que, fiel ao meio físico que o rodeia, deslumbrado com a natureza, seu ambiente espiritual reflite a angústia da classe a que pertence, num desejo constante de fuga para a morte, como única solução para os problemas da vida. 19.9. O Primeiro livro do Brasil tr O primeiro livro publicado no Brasil, foi um folheto contendo aproximadamente 20 páginas, editado no recife, em 1647. Relativo às transações financeiras da Companhia Oriental Holandesa no Brasil. A primeira obra impressa no primeiro prelo brasileiro, foi publicada em holandês, sob o título Brasilische gelt-sack (Bolsa Brasileira de dinheiro). A história editorial brasileira, que aí começa, foi bastante acidentada. Pouco depois que os holandeses foram expulsos pelos colonos e pelos bravos negros africanos, os primeiros vicereis portugueses, obedecendo as ordens de Lisboa, suprimiram todos os prelos no Brasil. E somente após a fuga da família real portuguesa, para o Brasil motivada pela invasão do território luso pelos exércitos de Napoleão, é que se fundou uma imprensa oficial, como monopólio do Estado. 19.10. Chautebriand res Sobre o centenário da morte de François Auguste Chateubriand, em 4 de julho. 19.11. Na vitrina das livrarias - História do Brasil, 1º volume, de Robert Southey pela livraria progresso. HA elogia a obra. - Os Arábes, de Philip R. Hitti, tradução de Otávio da Costa Eduardo, edição da Companhia Editora Nacional. - A economia brasileira no alvorecer do século XX, de Rodrigues de Brito, na Coleção de estudos Brasileiros, da Livraria Editora Progresso com prefácio de Francisco Marques de Goes Calmon, na vitrina da Livraria Progresso. Obs. Indica, para todos, o local de venda. 20. Data 13/07/48;3 TÍTULO Bilhete às crianças baianas Dizem que vocês, como todas as crianças do Brasil, perderam um grande amigo. Isso seria mau. Numa época em que sentimento de amizade vai se tornando cada vez mais raro, e na qual as crianças merecem tanta atenção quanto o freguês da laranja ou o vendedor de batatas, a morte de um amigo como Monteiro Lobato seria qualquer coisa de desalentador... Daí a razão deste bilhete. Tenho o dever de ir até vocês, conversar um pouco, dizer que há um grande mal entendido em tudo isso. Sei que vocês estranharão que somente agora eu apareça, já decorridos alguns dias da anunciada morte de Lobato. É que não me foi possível aparecer antes. Andei temporariamente afastado de tudo; coisas da vida, motivos. Coisas que também tem relação com a morte, em si mesma. Nem mesmo domingo me foi possível ir à Hora da Criança, estar com vocês e com Adroaldo, como era de minha irrecusável obrigação. Não tem importância, vocês compreendem e sabem perdoar. O essencial é que esteja agora aqui, conversando. E são poucas as coisas que lhes quero dizer. 408 Quero dizer, por exemplo, que Lobato não morreu. É. Não morreu não, como andaram dizendo os jornais. Eu explico: essa história do sujeito andar no meio da rua, comer, dormir, ir ao trabalho e voltar para casa, e um belo dia ser deitado, mudo, numa quadra qualquer de sete palmos, nada disso tem a menor relação com a vida. Quem faz simplesmente isso, nasceu morto e continua morto. O que acontece é que, lá às tantas, perde a fala, fica mudo, não anda mais, nem come, nem vê, nem sente, torna-se totalmente imprestável, e os outros, que lutam por espaço, enterram-lhe numa cova qualquer. Agora, quando ele consegue realizar alguma coisa, quando se sobressai dos demais indivíduos, quando constrói uma obra que o tempo não derruba e os homens, sempre tentando, não conseguem destruir, aí, então, ele é vivo, permanecerá vivo, por mais que isso contrarie a vontade dos mortos, que sempre andarão soltos no mundo. Tal é o caso do nosso Monteiro Lobato, que não morreu nem morrerá nunca. Esse gosto os mortos não terão, vocês bem sabem disso. Lobato está vivo e muito forte, nos seus livros, no exemplo da sua coragem de homem livre. O que desapareceu foi a carcaça, que é sempre fraca e não merece maior importância depois de um certo tempo, principalmente quando se tenha realizado o que ele, Lobato, realizou. Vocês, que conhecem alguns dos seus bons livros, sempre o terão muito proximamente. E se viram Narizinho, que o Adroaldo fez o milagre de levar ao palco, então, ainda será melhor: jamais deixarão de julgar Lobato um dos melhores amigos, sempre presente e pronto a contar coisas que somente ele sabe contar. Mas, dirão vocês, nos cresceremos, a barba e as espinhas encherão o rosto e, homens feitos, já não nos lembraremos dessas histórias, ou, se as lembrarmos, elas estarão tão longe, perdidas em tamanha distância, que nada mais significarão. E Lobato terá, então, morrido para nós. Puro engano. É mais um mal entendido, nessa complicada história de viver ou de estar morto. Primeiro, porque essas coisas que Lobato lhes conta hoje, jamais ficarão perdidas nessa distância toda. Emília, Narizinho, Rabicó, Godofredo, todo esse mundo mágico dos personagens lobateanos viverá sempre em vocês, como ainda hoje vive em todos nós. Segundo, porque, barbas crescidas, vocês encontrarão muitos outros livros de Lobato, nos quais o pensamento, a coragem e o exemplo de um homem vivo estarão presentes, como a melhor lição a ser dada aos que desejam crescer e ser um homem como Lobato foi. E lendo esses livros, é que vocês se capacitarão de que aquele amigo da infância não terá sido maior do que esse outro, que o estudo virá a descobrir. E nenhum de vocês negará a Lobato o direito à vida, a ele, que sempre falou muito e lutou demais, sem essa preocupação imediata de se sobrepor ao tempo. Bem, mas que me propus, apenas, a escrever um simples bilhete a vocês, crianças baianas, que, como todas as crianças do Brasil e do continente, têm em Lobato o melhor dos amigos. E já vou passando do limite. Reconheço que não podia ser de outra forma, porque vocês, as crianças da Bahia, têm uma responsabilidade maior do que as outras. Vocês assistiram "Narizinho", tiveram esse privilégio de sentir Lobato de mais perto, graças ao trabalho de um outro grande amigo das crianças. E nunca deverão esquecer que o Lobato está vivo, nos livros que vocês ainda estão lendo e naqueles que vocês terão de ler amanhã. Termino. Acredito que lhes tenha dito alguma coisa de útil, não muito diferente daquilo que direi a alguns adultos a respeito de Lobato, nosso amigo comum. Acredito, ainda, que vocês, mercê do exemplo de Lobato, venham a ser vivos. E isso é, afinal, o que ele mais deseja. 21. Data 24/07/48;9 TÍTULO Seção Caleidoscópio 21.1. Variações Tr “Chega de terra. Venham os intermúndios. Morrer...Gaseificar-se... Tudo escuro, escuro – e tão doloroso...” Lobato escreveu isso quando os japoneses bombardearam traiçoeiramente Pearl Harbor. E é bem possível que tenha continuado a pensar nos intermúndios, na gaseificação, depois que os amarelos foram vencidos e houve muita promessa de paz. Atormentado, vivendo num mundo maluco, cheio de guerras e de brigas ridículas, ele ansiava a paz porque amava seu povo. “Quem sou eu? Uma árvore na floresta. Menos: uma folha. O vendaval tudo devasta. Vou ser apisoado, arrancado e jogado. E vão comigo as minhas folhas companheiras – purezinha, o coitadinho do Edgard. Fica o Rodrigo, nos seus três anos. Coitados de todos nós – do Hitler, do Tojo, de Roosevelt, do Rodriguinho...” Todos esses pensamentos invadiram o espírito de Lobato, quando do ataque nipônico. Provam o quanto ele era sensível aos problemas humanos sempre voltado para o mundo, na esperança de uma solução. E sua solução foi, afinal de contas, a morte, antes já anunciada naquele “Por quem os sinos dobram? Por mim também. Fui morto nalguma coisa com a morte daqueles 150 mil”. É que Lobato morria aos bocadinhos, cada vez que se matava alguma coisa da vida. A amargura de seus pensamentos é de uma significação inigualável. E bem sabia ele que nós também estávamos e estamos morrendo aos bocadinhos. E os sinos também dobram por nós, que fomos mortos nalguma coisa com a morte de Lobato. 21.2. Pavilhão de Mulheres (c/ fotografia da autora) Tr É o título do romance de Pearl S. Buck, que a Globo vem de lançar, na sua famosa “Coleção Nobel”, traduzido por Lino Valadares. Querem alguns considerar esse livro como obra-prima da autora de Good Earth sabendo-se mesmo que nele Pearl Buck trabalhou longa e cuidadosamente, enquanto realizava outras obras. O que há de mais interessante em Pavilhão de Mulheres, é que a grande romancista fixa novos tipos de chineses, acompanhando a vida de uma grande família, na qual se chocam os problemas e os interesses de três gerações. Nas relações desse tipo, a autora evidencia o mesmo interesse humano de seus romances anteriores, focalisando aqui, com mais segurança, o problema do amor mediante um bom estudo sobre o conflito entre os sexos. 21.3. Miniatura Tr Lúcia Miguel Pereira, é uma das escritoras brasileiras em maior evidência. Escrevendo romances, ensaios, crítica, históricas infantis e crônicas diversas, a autora de Maria Luiza vem tendo uma vida literária mais ou menos ativa, desde 1931, quando apareceu nas letras como colaboradora do Boletim de Ariel, escrevendo nessa revista até o ano em que ela deixou de circular, 1938. Nasceu na cidade de Barbacena, Minas Gerais, a 12 de dezembro de 1903, 410 mas, foi educada no Distrito Federal, onde até hoje reside. Sua primeira publicação em forma de livro foi, ao que parece, o romance Maria Luiza. Editado em 1933. No mesmo ano, lançou seu segundo romance, Em Surdina, não mais voltando a esse gênero, até o momento. Atuou como crítica literária durante um ano, 34-35, na Gazeta de Notícias. Colaborou, posteriormente, na Revista do Brasil, de1938 a 1943, com um artigo mensal. Atualmente escreve para o suplemento literário do Correio da manhã, onde publica crônicas, artigos e críticas semanais. Estudiosa de Machado de Assis, escreveu do mestre um estudo crítico e biográfico, em 1936, que lhe valeu o prêmio da Sociedade Felipe d’Oliveira. Dedicou-se depois, à Literatura infantil, iniciando em 1939 com A Fada Menina, premiada no concurso de literatura infantil do M. de Educação. Publicou, a seguir, no mesmo gênero, A filha do Rio verde, Na floresta mágica e Maria e seus bonecos, em 1942. Ainda de sua autoria é um estudo sobre a vida de Gonçalves Dias, publicado em 1943. 21.4. Revistas Tr Região, número de junho, dos novos de Pernambuco, contendo boas colaborações de Laurimio Lima, Otávio de Freitas Júnior, Wilson Rocha, Gastão de Holanda, Claúdio Tavares, Mário Sette, entre outros, e o manifesto do Epifacismo, assinado por vários intelectuais franceses. Há, ainda boas ilustrações com reprodução de Augusto Reinaldo e Hélio Feijó. É uma revista que vem melhorando sensivelmente, sendo sua tiragem, hoje, de 1500 exemplares. Joaquim, número 18, revista de letras e arte, da nova geração de escritores de Curitiba. Esse número apresenta colaboração de Daltan Trevisan, José Paulo Paes, Otto Maria Carpeaux, Temistocles Linhares, e ilustrações de Fayga Ostrower, Poty, Renina Katz etc. 21.5.Um prêmio cobiçado Res Trata do “Prêmio Somerset Maugham”. O prêmio de 1847 foi conferido a miss A.L. Baker, autora de Inocentes, um livro de pequenas histórias. Halencar apresenta três pré-requisitos do concurso. 21.6.Atividades dos novos Res Sabe-se que Wilson Rocha, o jovem autor de Poemes, publicará breve, um novo livro, Porto Inexistente. Essa notícia significa que novos valores literários não se estão descuidando da dura tarefa que têm de levar a efeito, ou seja, a renovação do movimento literário. Principalmente entre nós, onde houve um período da mais completa indiferença, essa renovação se está processando com certa intensidade, embora não se tenha podido, ainda, pela inexistência de amplos meios de divulgação, realizar aquilo que vem realizando Pernambuco, Ceará e outros estados. Como quer que seja, o nosso cenário literário vem sendo modificado, com o aparecimento dos novos valores. E Wilson Rocha, poeta de sensibilidade e gosto artístico é, inegavelmente, um deles. Sua poesia, ainda que repetida aqui e ali, e refletindo certa hesitação, talvez receio de se desprender de símbolos gastos, evidencia um singular deslumbramento, - cheio de uma saudade intraduzível – pela vida e pelas coisas da vida. Seu novo livro, certamente mostrará um poeta mais amadurecido, mais livre do convencional, mais realizado, mais realizador, o que será uma conquista para o movimento literário de renovação. 21.7 Condições opostas Res Nota sobre Tristan Bernard, o humorista nacional da Franca, HA comenta suas vestimentas despojadas 21.11. Ouvi-lo-emos? Res Sobre a visita, à América do Sul, do autor francês Albert Camus. O existencialista, a convite, teve como agenda uma série de conferências no Brasil, RJ, SP e Porto Alegre, sua vinda a Salvador é sugerida pelo crítico. 21.12. Caderno da Bahia Trans Finalmente a Bahia vai ter uma nova revista literária. Desde algum tempo que o nosso público vem sendo privado de um bom material de divulgação literária, lendo apenas o que lhe vem de fora, com vários meses de atraso. As iniciativas locais têm falhado sempre. Agora, um grupo de moços resolveu editar uma revista, Caderno da Bahia, à semelhança de Clã, Joaquim, Região, Província de São Pedro, etc. Dirigida por Vasconcelos Maia, Claudio Tavares, Wilson Rocha e Darwin Brandão, Caderno da Bahia, aparecerá no princípio do próximo mês e será vendida a dois cruzeiros. Esse primeiro número traz boas matérias, entre as quais: “Conceito função da poesia”, de Wilson Rocha, “Carlos Drummond até agora”, de Nilo Pinto, “A grande sogra”, conto de Vasconcelos Maia, “Edison Carneiros e os estudos afro-brasileiros”, de Darwin Brandão, “Artes plásticas no Ceará”, de Fran Martins, “Música popular e erudita”, de Paulo Jatobá, poemas de Manuel Bandeira e Claudio Tavares, notas sobre o jovem escultor baiano M. Cravo Filho e sobre o existencialismo, além de um artigo de Mota e Silva sobre a recente exposição de Aldo Bonadei. O Caderno será ilustrado com desenhos e reproduções de quadros, destacando-se as ilustrações de Bonadei. 21.13. Flagrantes Tr - Para 1948 os editores estão anunciando vários lançamentos, como de romances, A sombra do patriarca, de Alina Paim, Os filhos do medo, de Rute Guimarães, A chave dos abismos, de Guilhermino César, Fogueira verde, de Permino Asfóra e Solidão nos campos, de Raimundo de Souza Dantas. - A Pongetti lançou O mundo e a vida , um livro de reflexões de Alexandre Passos. 412 - Depois de um longo silêncio, o escritor Cornélio Pena reaparecerá com o romance Repouso. - Álvaro Lins, conhecido crítico literário, segue para a Europa, onde participará, juntamente com Oscar Niemeyer, Portinari e Gilberto Freire do Congresso Internacional de Escritores. - Em Portugal o movimento literário continua intenso. João Marmelo e Silva publicará, brevemente, a novela Adolescente; A “Terra Editora” está trabalhando numa importante obra, Cancioneiro do Ribatejo coligida, organizada e prefaciada por Alves Redol que será vendida aos fascículos; Porta de minerva, romance de Branquinho da Fonseca, vem sendo bem recebido pelo público; Judite Navarro, autora de Está é a minha história, já entregou à L. Guimarães o seu novo romance A azinhaga dos besouros; Manuel do Nascimento publicará um novo romance, cujo protagonista principal é uma aldeia, tendo como título O aço mudou de tempera..., ilustrado por Artur da Fonseca, aparecerá o novo livro de poemas de Alberto Uva, autor de Segredos de polichinelo. - O Diário de Notícias vem promovendo uma forte campanha contra certa espécie de literatura infantil, representada principalmente pelas publicações tipo Gibi e Globo Juvenil. Os especialistas e o público cooperam nessa campanha, e os editores dessas histórias em quadrinhos argumentaram que não modificavam os temas por falta de ilustradores nacionais. Mentira. Os nossos desenhistas chamados a depor disserem que os editores se recusavam a publicar suas produções com fundamentos no folclore e na História, preferindo aventuras importadas da América. Quanto ao fato de não haver desenhistas capazes, a prova em contrário são os prêmios que os nossos artistas têm ganho, e alguns deles até vêm ilustrando para companhias estrangeiras. 22. Data 07/08/48;9 TITULO Seção Caleidoscópio 22.1. Variações Tr O encanto não estava na manhã de sol, nem na sugestão que lhe oferecia o coqueiro caminhando para o alto. Nada disso importava. Poderia não haver sol, uma chuva triste emprestar à vida uma aparência de enterro e o coqueiro estar caído sobre a casa, lembrando doidices do tempo. O encanto vinha de si mesmo, manso e bom como a paz que vem dos campos. Vinha precisamente daquele instante em que se sentia vivo, como parte de alguma coisa maior que pressentia estar ali, um pouco adiante, mais longe, em toda parte. Isso lhe dava tranqüilidade, paz consigo próprio, e era o seu encanto. *** Quando, desprevenido, o gato trepou na varanda, o cachorro mal suspendeu as orelhas e olhou de soslaio. Foi só. Nem mesmo levantou o focinho do chão, não concedeu ao bichano a importância de um rosnado de ameaça. Certos homens merecem essa desmoralização. Considerá-los inexistentes é a única atitude coerente. *** Sentado no bonde, conversavam pouco, embora pensassem quase as mesmas coisas, vendo os homens e as casas que passavam. Foi quando um garoto de onze anos pulou na contra-mão, inesperadamente, e sorriu satisfeito da façanha. - Que tal se você voltasse a viver esse tempo? Um perguntou com desânimo. O outro deixou que seus olhos se perdessem no fundo das distâncias e não disse palavra. Qualquer resposta soaria falsa e sem propósito, diante daquela amarga expressão de seus olhos revivendo a infância. OBS.: em itálico e com ilustração referente aos dois primeiros blocos. 22.2. Um novo mundo para as crianças (c/ fotografia) tr Acontecimento marcante da semana, na Bahia, foi a conferência de Adroaldo Ribeiro Costa, sob o patrocínio da ABDE, no Instituto Geográfico e Histórico, na noite de quarta-feira passada, sobre Monteiro Lobato e a Literatura Infantil. Nada é necessário dizer a respeito dos méritos do conferencista. Quanto à conferência, o público que a ela compareceu poderá dizer muito bem. Mostrando quais as origens e os temas da nossa antiga literatura infantil, povoada de personagens horrorosos, do horripiante “bicho-papão” e outros tipos que aqui chegaram com os nosso colonizadores, Adroaldo Ribeiro Costa, provou, a mais não poder, a influência benéfica da obra de Monteiro Lobato, criando um novo mundo, maravilhoso e cheio de sol, para as crianças brasileiras, até então vítimas inocentes das histórias de assombração, das quais as historietas em quadrinhos de Gibi, Globo Juvenil e outras tantas revistas são a continuação aperfeiçoada e, desgraçadamente, mais difundida. Salientou o conferencista a necessidade urgente de tornar Lobato mais conhecido da criança brasileira, através de um amplo programa de divulgação de sua obra. É de esperar que essa conferência calou junto no espirito de todos, para uma compreensão maior desse grave problema, que tão pouca atenção tem merecido dos educadores brasileiros. E que ela seja o início de algo melhor e mais justo para a nossa literatura infantil, livrando-a da praga dos “quadrinhos” importados. 22.3. Podem escrever, senhores! Res O ministro das finanças da Grã-Bretanha revoga uma lei que vigorava há 3 séculos. Sir Starford Cripps comunica que os funcionários públicos ingleses poderão escrever novela policial, poesias ou cultivar outros gêneros quando desejarem. Também, os escritoresfuncionários não serão mais obrigados a entregar parte dos seus honorários aos cofres reais. Mas, não poderão utilizar o horário de trabalho, material nem experiência adquirida no trabalho 22.4. Mais um título para 48 Tr Na lista de novos livros para 1948, aparece mais um título. Trata-se de Cangaceiros, novo romance de Zé Lins do Rego, no qual o autor de Água Mãe está trabalhando desde algum tempo. Espera-se que esse romance ainda seja lançado este ano ou logo no início do próximo. Possivelmente, a julgar pelo título, Lins do Rego abandona a novela urbana. Sua segunda 414 tentativa, com Eurídice, constituiu um fracasso do ponto de vista literário, embora essa afirmativa não lhe agrade muito. 22.5. Os escritores e as leis ditatoriais tr Assinada pelo Sr. Álvaro Lins, presidente, e pelos demais membros da diretoria e integrantes do Conselho Fiscal, a “Associação Brasileira de Escritores (A.B.D.E.) enviou aos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado a seguinte moção, aprovada em Assembléia geral: “A Associação Brasileira de escritores vem ponderar a V. Exa. que julga o anteprojeto da lei de defesa do estado, apresentado à comissão de Leis Complementares da Constituição, ofensiva à liberdade de expressão de pensamento em nosso país. E, por intermédio V.Exa. faz um apelo aos representantes do povo, a fim de que não se permita transformar-se em lei um projeto que na realidade atenta contra o regime democrático e viria subverter os direitos fundamentais do indivíduo e do cidadão, garantidos pela Constituição Federal. A aprovação de semelhante lei, por isso mesmo, representaria um retrocesso nas nossas conquistas culturais, pois qualquer cerceamento ao direito da crítica e do livre debate de idéias e doutrinas impediria o progresso intelectual, moral e material do Brasil. Fiéis aos compromissos assumidos solene e unanimamente nos congressos de S.Paulo e Belo Horizonte, reiteram os escritores a sua repulsa a todos os atos e intenções que visem estabelecer restrições à “completa liberdade de expressão do pensamento da liberdade de culto, da segurança contra o temor da violência e do direito a um existência digna” (Declaração de princípios do 1º Congresso de Escritores). Sente-se a A B.D.E. no dever de apelar para o poder Legislativo, do qual espera o repúdio aos projetos de leis que ferem a dignidade do pensamento e da pessoa humana”. 22.6. Suas sagas correm mundo Res Sobre Selma Lagerlof, prêmio Nobel, Suécia. Traduzida em diversos idiomas, a exemplo do livro A saga de Costa Berling única mulher na Academia Sueca. Halencar comenta o livro As maravilhosasn aventuras de Nils, infantil. 22.7. Livros e livrarias res - Orlando, Virgínia Wolff; O muro, Jean Paul Sartre; O destino viaja de ônibus, Jonh Steinbeck; Nova antologia da poesia brasileira, J.G. de Araújo Jorge; A cozinha baiana, Darwin Brandão; A Inglaterra e os ingleses, Emerson, Tradução: Acácio França. 22.8. Dona Bárbara res Título da obra de Rômulo Gallegos, na época presidente da Venezuela. Resenha crítica. 22.9. Flagrantes res - Livro Heróis sem Armas, Heinrich Heine; livro mais lido na Alemanha; - Rachel de Queiroz vai escrever uma biografia do Pe. Cícero – Ceará; - Percurso literário de Célio Santiago, Ceará – existencialista falecido no mês anterior; - Núcleo cearense da ABDE realizou eleições. Duas chapas: 1- Mozar Soriano Aderaldo e 2- Aluízio de Medeiros, a última vendedora. Apresenta lista da nova diretoria e a polêmica do resultado. - Primeiro nº da revista Caderno da Bahia, editada nas oficinas gráficas dos monges beneditinos. Resenha crítica. 23. Data 21/08/48;9 TITULO Seção Caleidoscópio 23.1. Variações tr - Mãos ao alto! Suspendeu os braços ossudos e botou no rosto uma expressão que só mesmo ele sabia o que significava. Fora apanhado bobamente, estupidamente, e isso importaria no seu desprestígio para com os outros. Seria ridicularizado. Ninguém mais lhe trataria como “chefe”, nem lhe dariam nunca mais as honras de “mandão”. Parado, no meio da rua, as mãos para cima, imaginava a vaia que viria, tremenda, arrazadora... - Toca p’ra frente, seu besta! Nada podia dizer. A arma do agente ali estava, apontada para as suas costas, e o menor movimento lhe custaria a vida... Seus sonhos, suas aventuras, tudo perdido. Queria ser o maior matador do grupo e era respeitado porque engendrava os assaltos mais terríveis. Não dormia, de pensar no que lia para empregar com a turma. E agora, apanhado bestamente, pelo mais besta dos agentes da polícia, como o “maricas” daquela história de Jack Estripador. Desmoralização... Outra vez teria que apresentar uma grande folha de serviços: esquartejar trinta e dois gatos, enforcar dez cães, estrangular vinte galinhas e brigar e vencer os chefes dos outros grupos. Quanta pancada teria de tomar para conseguir tudo isso... E aquela exigência de atirar pedras no próprio pai, quando ele dobrasse a esquina... Mas ele queria ser novamente o chefe, e faria tudo para ganhar o posto. Sabia de outros que faziam pior dentro de casa. Por que não fazer também? * ** Quando o brinquedo acabou, o magro menino de onze anos saiu sozinho, triste, desmoralizado. Não soubera usar o revolve com agilidade, antes que o agente lhe rendesse. Na esquina do caminho de casa, baixou para apanhar o casaco, uma faca e dois números de 416 Gibi, onde haviam três histórias que ainda não conhecia. Elas talvez lhe ensinassem como matar e mais ligeiro, sem se deixar pegar. 23.2. Reedição de Rachel (c/ fotografia) tr Iniciando suas atividades, o Círculo Literário do Brasil – um novo clube do livro – escolheu os romances O Quinze, João Miguel e Caminhos de pedra, de Rachel de Queiroz, reunindo-os num só volume, cujo título será Três romances. Trata-se de uma excelente iniciativa do CLB, de vez que Rachel de Queiroz é uma das melhores escritoras do Brasil, quer como romancista, quer como cronista. Sua atividade literária começou muito cedo, desde os quinze anos quando era professora na escola Normal de Fortaleza, Ceará, e escrevia para a imprensa local. Aos 18 anos lançou seu primeiro romance, O Quinze, mal recebido pela crítica de sua terra. No Rio, entretanto, a obra fez sucesso, sendo premiada pela “Fundação Graça Aranha”, recebendo a autora uma sedutora proposta da Companhia Editora Nacional para uma nova edição. Daí por diante tudo foi mais fácil, vieram João Miguel, em 1932, Caminhos de pedra, em 1937, As três marias, em 1938, este último também premiado, já agora pela “Sociedade Felipe D’Oliveira”. De então para cá, a romancista cedeu lugar à cronista que, na imprensa carioca, vem atuando com invulgar destaque, publicando crônicas, algumas das quais já reunidas num volume. Atualmente Rachel de Queiroz prepara dois livros, uma biografia do Padre Cícero e um romance, Maria Barbara, além de um drama inspirado na vida de Lampeão. A seleção feita pelo CLB é, pois, das mais louváveis, porque faz reviver a grande romancista, já um tanto esquecida, dado o sucesso da cronista. 23.3. As mãos sujas (c/ fotografia) Res Última peça de Sartre, foi encenada em Londres, sem no entanto, a mesma acolhida que tivera na França. Halencar comenta o principal do texto e a crítica londrina. O Evening Standard escreveu: “Sartre escreveria melhor se esquecesse de que é culto”. 23.4.O caminho da liberdade (c/ fotografia) Tr Grande repercussão vem tendo a Carta aberta que Howard Fast, grande romancista norteamericano, dirigiu, da prisão, ao povo do seu país, conclamando-o a lutar pela urgente redemocratização da América do Norte, hoje ameaçada pelo desespero da reação fascista. Fast é o autor de alguns bons romances, dentre os quais o Fredom Road, editado no Brasil pela C. Editora nacional, numa tradução de Godofredo Rangel com o título de O caminho da liberdade, tem lugar de primeiro plano, pelo tema que aborda a vida dos negros no sul dos EE.UU., na época imediatamente posterior à guerra civil. Nele Howard Fast estuda o desajuste dos escravos libertados, transformados pela primeira vez, em homens livres, apesar da tremenda oposição dos brancos, analisando ainda o conflito que daí surgiu entre os grupos raciais e que até hoje perdura. Distanciando-se da rendosa, porém nefasta literatura dos “bestseler”, Fast enveredou, como outros bons escritores norte-americanos, pelo caminho da análise e da interpretação de problemas sociais agudos, tais os da desigualdade e injustiça sociais, na preocupação constante de encon trar uma melhor e mais justa forma de vida. seu potencial dramático, vem da observação diária e profunda das condições sociais de seu país, do estudo paciente da vida e dos problemas do povo nos seus diversos aspectos, E se isso lhe deu justa fama e popularidade nos EE. UU, trouxe-lhe, por outro lado alguns aborrecimentos e críticas. Recentemente, foi preso, em companhia e outros onze membros do Comitê de Ajuda aos Refugiados antifascistas, por determinação a já famosa Comissão de Investigação de Atividades antiamericanas, cuja atuação contra o cinema mereceu a mais viva repulsa do público e de certas autoridaes americanas. O senador Pepe, por exemplo, criticou severamente a Comissão dizendo que ela encerrava uma perigosa restrição às liberdades fundamentais do cidadão. Agora, voltando-se contra os escritores, essa mesma Comissão prendeu [Fast], que já se acha solto em vitude dos inúmeros protestos dirigidos contra sua prisão. Cosnciente de seus direitos e cidadão e de escritor. Fast, da prisão mesmo, endereçou ao povo norte-americano uma Carta Aberta, considerada um dos mais importantes documentos dos últimos tempos na América. 23.4. Hamsun no cartaz (c/ fotografia) Res Sobre Knut Hansun, escritor norteguês, e sua colaboração com os nazistas. Anuncia um livro do 200 páginas baseado nos diversos exames psiquiátricos a que foi submetido durante a guerra. 23.5 Gide, o julgador do “Rivarol” (c/ desenho) Res Prêmio literário, francês, intitulado Rivarol., a ser dado a obra de autor estrangeiro, escrita em francês. O nome do prêmio surge pelo fato de haver sido Rivarol o autor do “Discurso sobre a universalidade da língua francesa” 23.6. No prelo e nas vitrinas Res - A segunda Guerra mundial, de Winston Churchill. Tradução de Enio Silveira, Breuno Silveira e Leônidas Gontijo de Carvalho. - O tempo do desprezo, de Malraux. Tradução por Frederico dos Reys Coutinho. - O rei cavalheiro, de Pedro Calmon; - Pinguinho de gente, de Gilda de Abreu; - Cancioneiro da Bahia, de Doryval Caimmi; - Bahia de todos os santos, de Jorge Amado. 23.7. Sete anos de pastor (c/ desenho) Tr Acaba de aparecer o novo livro de contos de Dalton Trevisan, Sete anos de pastor, uma edição da revista Joaquim. O autor é um jovem intelectual do Paraná, sendo um dos fundadores e o diretor da já citada revista, havendo publicado, anteriormente, uma novela Sonata ao luar. Seu novo livro, que contém ilustrações de Poty (Potyguara Lazarroto), reúne 418 onze contos, todos vazados no estilo já evidenciado no livro de estréia, onde a nota predominante é a análise de estados subjetivos. 23.8.Correio Tr Roteiro de Aracaju, de Mário Cabral, um guia da capital de Sergipe, numa apresentação da Editora Regina, daquele estado. O autor, que já tem publicado outras obras, inclusive Caderno de crítica, é membro da Academia Sergipana de Letras e professor de literatura. 23.9. Flagrantes Res - Culpado, romance de estréia do jurista Souza Neto, panorama político do Brasil. - Artur Koestler, autor de O Zero e o Infinito, em visita aos E. Unidos. - Visitou o Brasil e anunciou livros o escritor italiano Dino Segri, médico, pseudônimo: Pittigrill. Está sendo processado sob acusação de espionagem facista. - Kin Blood Royan, novela de Sinclair Lewis, um ano de publicada, sendo um dos 50 livros mais vendidos nos EE.UU. - Harpa de prata, livro de Natur de Assis, leva o título do primeiro poema; - Revista Província de São Pedro, nº 10, ressurge após ameaça de desaparecer. Uma das melhores do Brasil – literatura. - Gilberto Freyre regressou da viagem à Europa a convite da Unesco. - Profº H.S.Nyberg, eleito membro da Academia Sueca de Letras. - Suplemento Literário do Correio da Manhã publica contos de um jovem autor, Ricardo Ramos, filho de “Major Graça”. - Querelas intelectuais na França. Aparecimento de um novo movimento literário e filosófico – o epifanismo – chefiado por Henri Perruchot. Bases: luta contra o “negativismo pessimista do existencialista” 24. Data 04/09/48;5 TÍTULO Secção caleidoscópio 24.1.Variações Tr Shelley infeliz, vagando pelas ruas de Londres, a repetir como uma ladainha sem fim: um coração como um bloco de gelo, como um bloco de gelo... A meiga e doce Harriet transformara-se numa hostil e seca criatura sem alma, tendo o coração como um bloco de gelo, nada mais que um bloco de gelo. Shelley desventurado continuava a lamentação pelas ruas frias e desertas: não passo mais de um inseto que se aquece um pouco, adejado num raio de sol; a primeira nuvem me tornará a mergulhar para sempre no inferno e no frio. Ao réves disso, todavia, do frio e do inferno, a doce e conformada compreensão de Mary, quente e mansa como a paz de um carinho. Ano bom da vida atormentada do insatisfeito Shelley. Assim são os homens, poetas que todos eles são. Vivem sempre a querer e a lamentar, esquecidos de que as mulheres também querem e lamentam com muito mais razão, embora nunca se façam ouvir, não porque lamentem e queiram em surdina. Simplesmente porque os homens são geralmente surdos a tudo aquilo que não vem de si mesmo. *** A queixa dos que têm fome é como o vai-e-vem da mares. Avança e recua, recua e avança mas não cessa nunca, nem mesmo quando é noite de lua. Pode amainar um pouco, parecer que cessou, para voltar mais forte, mais terrível e tremendamente denunciadora. *** Parece que tudo parou, quando o menino levou olhos para longe, espiando o sol se esconder debaixo da cama das montanhas. A vista pregada naquela beleza, a garota não via mais nada e nada dizia. Talvez aí lhe chegasse o fantasma de Goethe, para murmurar simplesmente: Oh! Para instante, porque és tão belo! 24.2. Atividades na ABDE tr A secção baiana da Associação Brasileira de Escritores está em franca atividade. Já realizou algumas conferências, entre as quais as de Adroaldo Ribeiro Costa e João Valadares, e estão programandas outras, movimentando, dessa forma, o nosso ambiente cultural. Sabe-se, por exemplo, que a ABDE convidou o monge brasileiro D. Rafael Wacker, para efetuar uma série de palestras sobre a origem e forma literária dos “Psalmos”. Dentro em pouco, pois, aceito que foi o convite, o público ouvirá essas palestras, e ninguém melhor para fazê-las do que D. Rafael, uma das reconhecidas culturas da comunidade a que pertence. Além dessas, teremos uma outra, do nosso grande poeta Artur de Salles, sobre Shakespeare, tema bastante familiar ao mestre de “Sub-umbra”, que traduziu para o nosso idioma, como ninguém, o “Macbeth” do gênio inglês. Movimenta-se a ABDE em outros setores, querendo dar a sua contribuição às comemorações do centenário de Ruy. Para isso, está organizando um concurso de ensaios sobre a vida e a obra de Ruy, esperando contar com a ajuda oficial para essa iniciativa. 24.3. Contraponto no cinema (c/ fotografia) tr Dificil tarefa Hollywood está tentando: filmar o famoso romance de Aldous Huxley, Contraponto, considerado uma das maiores obras literárias dos últimos tempos, não somente pela crítica que encerra à sociedade burguesa, como pela contribuição inestimável que troxe à técnica do romance em geral. Pesquisando novas formas, utilizando novos processos, Huxley chegou à uma arquitetura literária até então desconhecida e e resultados os mais positivos, quando usadas convenientemente. Ela foi o ponto de partida de novas experiências, que vieram dar ao romance rumos diferentes dos trilhados até então, já um tanto desmoralizados pela repetição exaustiva. Dabndo novo fôlego À ficção, Huxley contribuiu para que fosse vencida, em parte, a tão famosa “crise do romance”, ainda hoje no cartaz.. Nessas condições, não será trabalho fácil a filmagem dessa obra. Hollywood atravessa a fase mais crítica de sua existência, não sendo poucos os seus fracassos na adaptação da literatura ao cinema e bem 420 precária a sua situação no que diz respeito à própria técnica, carente de renovação. Ao que se anuncia, no entanto, a filmagem de Contraponto está bem adiantada, sendo de esperar que, dentro de poucos meses, o público tenha a oportunidade de assistir um filme tão revolucionário quanto o romance em que foi baseado. 24.4 Notícia do prêmio Nobel res Sobre as quantias a serem concedidas em 1948, sua partilha entre os premiados e a parte da administração. 24.5. Presente régio res Os Estados Unidos presentearam a Inglaterra com o manuscrito original de Alice no país das maravilhas, de Lewis Carrol, sátira deliciosa e profunda, do século XIX. Halencar comenta o valor da obra e a importância do original por conter ilustrações. 24.6. Maquiavel e a dama (c/ fotografia) res Título do romance de Somerset Maugham, traduzido por Érico Veríssimo, será lançado no mês a seguir, pelo Círculo Literário do Brasil. Lançamento anterior: Três romances, de Rachel de Queiroz; lançamento a seguir após o comentado acima: Água Mãe, José Lins do Rego. 24.7. Miniatura tr Uma das grandes figuras da nossa literatura, graças à suas qualidades e a seu espírito de luta, Álvaro Moreyra, tem uma tradição de trabalhos que o coloca em lugar de destaque no nosso ambiente. Gaúcho de P.Alegre, nascido a 23 de novembro de 1888, apareceu com o grupo simbolista daquela cidade, ao lado de Felipe D’Oliveira, Eduardo Guimarães, Homero Prates e alguns outros fundadores do movimento no Rio Grande. Mudando-se, desde cedo, para o Rio de Janeiro, onde vive até hoje, ai iniciou suas atividades dirigindo a revista ParaTodos. Daí por diante, não mais abandonou os periódicos de literatura e mesmo a imprensa diária, revelando, principalmente uma acentuada vocação de cronista, e por isso mesmo considerado, no gênero, o melhor de todos. Ainda hoje, apesar de sua longa e exaustiva atividade e das campanhas que sempre sofreu Álvaro Moreyra mantém sua fama entre o povo, que encontra em suas produções a tradução daquilo que pensa e sente. Sua bagagem literária é grande. Publicou Legenda de luz e de vida (1911) Um sorriso para tudo (1915) Legenda de rosas (1916) O outro lado da vida (1919) Cocaína (1925) A cidade mulher (1926) A boneca vestida de Arlequim (1927) Circo (1929) Adão, Eva e outros membros da família e O Brasil continua (1932), além de outros volumes. Como tradutor, Álvaro Moreyra realizou alguma coisa salientando-se a tradução de Lês Faux Monnayeux, de Gide. Espírito de combate, revolucionário no pensar, escreveu e agiu, Álvaro Moreyra fundou, em 1937, uma companhia de teatro de vanguarda, com a qual percorreu as principais cidades do Brasil levando ao povo a grande arte. Hoje em dia está mais ou menos afastado, ressentido ainda do choque que sofreu ultimamente, com a morte de sua companheira, a poetiza Eugênia Álvaro Moreyra. 24.8. Autores novos tr No panorama literário da Bahia está se processando um movilmento de renovação, com o aparecimento de jovens escritores. Raros todavia, têm livros publicados. A maior parte vem colaborando em jornais e revistas, deste e outros Estados, dando a sua cotribuição em artigos, conferências, poema, pequenos ensaios etc. Agora, chega a vez de Natur de Assis jovem estudante de Direiro, que vai lançar seu primeiro livro de poemas, Harpas de prata. Figura muito conhecida nas rodas literárias, com vários poemas publicados, Natur é um valor de mérito incontestável. Vocação poética natural tratando os temas com uma originalidade que surpreende, seus poemas têm ritmo espontâneo, próprios, que logo despertam no leitor a sensação de estar em contato com um autêntico poeta. 24.9. Major Graça vai julgar Tr A Editorial Vitória instituiu um prêmio para o melhor ensaio sobre a Insurreição Praeira, de 1848, cujo centenário será comemorado este ano. Foram convidados alguns escritores para integrarem a Comissão julgadora do concurso, que ficou assim constituída: Graciliano Ramos, - o célebre Major Graça Anibal Machado, Dalcídio Jurandir e Edison Carneiro. Os ensaios deverão abordar os seguintes temas: a)o ambiente revolucionário de Pernambuco em 1848; b)a composição de forças políticas no movimento armado da praia; c)a organização militar dos praeiros; d) a invasão do Recife pelos praeiros; e) o papel da imprensa no desenvolvimento do conflito da praia; f)personalidades do movimento; g)caracterização política do movimento praeiro. Devem conter quarenta páginas, no mínimo, e cinqüenta no máximo, de papel tamanho ofício, datilografadas em espaço 2, com 3 cópias. O autor deve usar pseudônimo, enviando o nome, por extenso, em envelope fechado. O prêmio será de cinco mil cruzeiros, havendo, ainda, 3 menções honrosas. O trabalho premiado será publicado pela Editorial Vitória, que ficará com os direitos da 1ª edição garantidos. Os trabalhos serão recebidos, até 15 de outubro, na Editorial Vitória, rua do Carmo, 6 – 13º andar, sala 1306, Rio de Janeiro. 24.10. Publicações Tr - Candomblés de Bahia, de Edison Carneiro, publicação do Museu do Estado, que também editou, de F. Edelweiss, “Tupis e Guaranis”. - Contemplacion, de Luis Vilaronga, edição de San Juan, Puerto Rico, 1947. - Ressureição de um suicida moral, de Silas Portugal, pela editora Era Nova ltd., Bahia, com um prefácio de João Mendonça 422 24.11. Flagrantes Res - Publicações em árabe do “Livro de San Michele”, Ayel Munthe - Edição de Bairro de liberdade, Manuel Martinho, cronista; - Prêmio dos Poetas Franceses foi para Alice Cluchier com o livro Au Rouet de L’Amur. - Nº 13 de Joaquim, com ilustrações de artistas do Paraná. - Revista 2 de julho, dirigida por universitários. - 20 novos nomes de poetas aparecem na Literatura Brasileira nos últimos 3 meses. E os romancistas? - Fonoteca nacional Francesa – um “Museu da Palavra”. - Adele Garrison, autora de El derrotero peligroso del amor reivindica o título de autora mais prolixa do mundo. 25. Data 18/09/48;11 TITULO Seção Caleidoscópio 25.1. Variações (c/ desenho do escritor) Tr Uma linda bonequinha de oito anos provou, como ninguém mais o fez, o quanto vale Lobato. Nenhum discurso, nenhum conferência, as lágrimas mais sentidas ou a saudade mais pungente, nada disso, nada, poderá ter tanta e tão espontânea significação do que esse oferecimento de quinhentos cruzeiros, que a menina Célia, um anjo de oito anos fez à companhia para o monumento ao grande e querido escritor do nosso povo. Possuindo o fabuloso tesouro guardado a sete chaves, não hesitou em de, espontaneamente, àquele bom amigo que, um dia lhe pegou pela mão, como a tantas outras crianças, conduzindo-a para o maravilhoso mundo das reinações de Emília e Narizinho E o fato é tanto mais expressivo, quando foi essa a primeira doação da Bahia, ao monumento de Lobato. Perguntar-se-á, então, porque o fez. Certamente que uns poucos logo pensarão que os pais, os irmãos, alguém que assim fizesse. Engano. Fiz porque quis e porque gosto da Emília, foi a resposta que Célia deu a quem lhe fez a pergunta. E Emília é Lobato. E a infância, da qual Célia é símbolo, ama Lobato pelo que ele lhe deu de bom e de novo, pelo sol límpido e pelo ar sadio com ele construiu o mundo mágico de suas reinações. Onde havia sombra e penumbra de medo, ele derramou a luz clara e alegre que espantou os fantasmas e assombrações da nossa literatura infantil. E criando todo uma gente boa e amiga que ri e brinca, ensinou às crianças e amarem a terra e a dignificarem a vida. Isso foi, de resto, o que Lobato mais fez. Ensinar. A grandes ou pequenos, ricos ou pobres, ele ensinou sempre, quer com o seu admirável exemplo de homem livre, quer com a sua consciência jamais corrompida de escritor fiel ao seu tempo e ao seu povo. As crianças jamais negaram o seu amor a Lobato e estão provando que aprenderam o que ele lhes ensinou. E os outros? E esses, para os quais ele tanto escreveu e pelos quais não fugiu de sofrer a humilhação das cadeias e a queima pública de seus livros?! Também não o esquecerão. Lobato vive em todos e em cada um, enquanto existirmos como povo livre, tão livre como ele sempre foi e nos ensinou a ser. OBS.: com desenho do escritor 25.2. Ciro dos Anjos na Bahia (c/ fotografia) Tr O autor de Amanuense Belmiro e Abdias está em Salvador, em missão ligada às suas funções do Diretor de Ipase. O romancista mineiro estreou na literatura nacional em 1937. Com o primeiro dos romances citados tendo a crítica, na ocasião, considerado a estréia como uma das mais promissoras dos últimos tempos. Houve mesmo quem colocasse Ciro dos Anjos na família literária de Machado de Assis, descobrindo outras marcantes influências de Proust na sua obra. Em 1945, a Livraria José Olympio lançou o seu segundo romance, Abdias, o qual, embora não se possa dizer que é um mau livro, não corresponde aos méritos da estréia. Ciro dos Anjos é formado em Direito pela Universidade de Minas Gerais (1932), e nasceu em Montes Claros, a 5 de outubro de 1906. Funcionário público, tem exercido funções de destaque, dentre as quais as de diretor da Imprensa Oficial, membro do Conselho Administrativo e posteriormente presidente do mesmo, em Minas Gerais, tendo sido também, secretário do Ministério da Justiça, quando ocupava o Ministério o Sr. Carlos Luz. Atualmente é diretor do Ipase e colabora na imprensa carioca. 25.3. Interpretação da Vírginia Woolf (c/ fotografia) Tr A Hogart Press lançou, de Bernard Blackstone, Vírginia Woolf, um livro de interpretação e análise da obra da grande romancista. O livro vem sendo considerado como o mais sério trabalho até agora realizado sobre a desventurada autora de Orlando, cujo fim trágico, suicidando em 1941, vencida por uma inelutável tormenta interior, fruto da sua visão do mundo, foi o ponto final de uma existência sempre em conflito com o meio ambiente. O autor desse trabalho é professor da “University College”, em Swansa. OBS.: ilustração da capa do livro 25.4. Quem mudou? (c/ fotografia) Res Trata da visita do Jonh dos Passos ao RJ, justificada pela incumbência de escrever artigos para a revista Life. Sugere, o crítico, que o autor talvez estivesse perdendo o prestígio junto ao público norte-americano. Acrescenta comentário de suas atitudes políticas, especificando a sua declaração de apoio a um candidato reacionário, senador Talt, quando seus livros faziam crítica ao “reacionarismo ianque” ganhou a antipatia de milhões de americanos. Transcreve trecho da entrevista dada por Dos passos ao repórter do Correio da manhã, na qual afirma não ter mudado e sim que havia mudado o que se chamava de esquerda, continuava a favor da liberdade, esta parecia estar aonde antes não se encontrava. Halencar coloca que é o fim de um escritor e cita outros, Howard Fast, Jonh Steibeck, Erskine Caldwell que são exemplos de bons escritores norte-americanos. 424 25.5. Publicações baianas tr O movimento literário na Bahia continua animado, com o aparecimento de algumas revistas de jovens, salientando-se o já conceituado Caderno da Bahia e a revista 2 de julho. E como esse movimento pretende continuar, como programa que os jovens traçaram, já está sendo anunciado o segundo número de Caderno, que conterá: Conceito e função da poesia – conclusão - de Wilson Rocha; Primeira parte da correspondência de Monteiro Lobato (cartas a Oscar Cordeiro, Vasconcelos Maia, Adroaldo Ribeiro da Costa e Wladimir Guimarães). Notas sobre artes plásticas na Bahia, de Motta e Silva; Música erudita e popular – II – de Paulo Jatobá; poemas de Nicolau Guillén e Fernando F. de Loanda; O homem da gravata grenat – peça de Luiz Henrique Dias; Tendências da nova geração, de Adalmir da Cunha Miranda; Manifesto do Congresso Mundial de Compositores, noticiário geral e comentários, com ilustrações de Manuel Martins, Carlos Frederico e Hélio Vaz. 25.6. Sapato florido (c/ desenho) Res Título do livro de Mário Quintana. Halencar elogia o estilo original do autor e a riqueza de sugestões do livro, especificamente tratando a forma como os temas são trabalhados. Inclui comentário de Érico Veríssimo sobre Quintana. 25.7. O outro intérprete do sul (c/ fotografia) res Sobre os intérpretes do Sul dos Estados Unidos, destaca Erskine Caldwell, suas obras, seu estilo e naturalidade. Nasceu na Georgia; além de comentar a proibição de veiculação de seu romance, da crítica agressiva a Tobacco road que impediu a encenação da peça em algumas cidades. Chega a notícia de uma nova edição de dois dos seus livros: God’s Little Acre e Trouble in July. 25.8. Os intelectuais e a defesa da paz Res Relata reunião em Wroclaw, Polônia, intitulada Congresso Mundial de Intelectuais em Defesa da Paz. Destaca as presenças de Jan Mukarovsky, reitor da Universidade de Praga e de Julien Huxley, cientista inglês e de Jorge Amado. Transcreve fala de Maurice Bedel na qual afirma o respeito às diferenças e às diferenças raciais. 25.9. Flagrantes res - Georges Duraud – recebe o prêmio da crítica francesa de cinema. Publicou As máscaras, ensaio no qual estuda o tema da máscara, livro premiado. - Condé – deixa de publicar no Suplemento Literário Letras e Artes, reprimido pelo governo por ter divulgado depoimentos que elogiavam Prestes. - Noruega – campanha que buscava dotar a Marinha mercante de bibliotecas. - Concursos de contos na Bahia – lançamento de dois concursos, um na Faculdade de Direito e outro pela revista Dois de Julho, esta última promove um concurso de poesia. - Revista Orfeu – em circulação, publicação do RJ e aparece em cada estação do ano. 26. Data 02/10/48;9 TÍTULO Caleidoscópio 26.1 Variações Trans Quando morre um poeta, parece que a vida fica de luto e qualquer coisa foi definitivamente perdida. Algo imponderável, que não se vê nem pega, mas se pressente diluído em tudo, no ar, na luz, nas coisas, uma grande angústia que não pede licença nem aceita recusas. *** Pouco conhecido do grande público, em virtude do afastamento em que vivia, Fernando de Salles era um nome de prestígio entre os intelectuais da Bahia e de alguns outros estados, que conheciam a sua obra e sabiam de seu valor. Fazendo da poesia sua constante preocupação, a ela sempre voltado numa como que desenganada procura de objetivos, deixa Fernando, ao morrer, uma obra ainda sem publicação, conhecida apenas dos amigos mais íntimos ou mercê de uma que outra divulgação em jornais e revistas, mas uma obra que merece ser conhecida de todos, amplamente divulgada, para que lhe seja dado o lugar que realmente merece em nossa literatura. Como seu pai, o mestre Artur tinha Fernando de Salles um carinhoso cuidado com a sua arte, trabalhando seus versos com extrema atenção e interesse permanente, apesar da imaginação franca e solta que lhe trazia insatisfeito sempre e sempre em busca de novos motivos. Moço ainda, mas vencido pela doença, não teve o poeta a oportunidade de editor; os dois livros que já preparara, uma antologia dos nossos poetas e uma série de produções suas. Seria o caso da ABDE entrar em entendimento com o governo, no sentido de editarem, em cooperação, os dois livros de Fernando de Salles, o que significaria uma valiosa contribuição para a cultura baiana, além de uma homenagem justa a um pobre, paupérrimo poeta, que morreu moço e sem glórias, quando possuía valor e méritos que lhe dariam fama invejável, se houvesse tido oportunidade. 26.2. Protesto da ABDE Res A propósito dos acontecimentos de Vigo na Espanha, quando foi preso pela polícia franquista, o estudante e escritor Emo Duarte, a secção estadual baiana da Associação Brasileira de escritores enviou o seguinte telegrama ao Ministro das Relações Exteriores do Brasil: “A Associação Brasileira de Escritores, secção da Bahia, profundamente ofendida e revoltada com o vergonhoso ato da polícia franquista, que, raptando do navio brasileiro 426 “Santarém”o jornalista e escritor conterrâneo Emo Duarte, deu mostra de desprezo e ofensa ao Brasil, ao povo e ao seu governo, vem por meio deste, lançar o seu enérgico protesto e hipotecar a V.S. inteira solidariedade às másculas e honrosas providências que decerto V.S. tomará exigindo a imediata liberdade do escritor patrício assim como procedendo o exame de corpo de delito, responsabilidade a quem de direito, isto é, a famigerada organização policial e ao ditador Franco por tamanha e insultuosa agressão. Cordiais saudações – Vasconcelos Maia – 1º secretario.” 26.7. O biográfo do século XX (c/ fotografia) Res Sobre o falecimento de Emil Ludwing, o fato é considerado um luto da Literatura Universal; Halencar traça alguns fatos de sua vida, nascimento, perseguição pelo hitlerismo que incinerou vários de seus livros em praça pública e sua fama pelas biografias que escreveu, dente as quais a de Goethe, Napoleão, Bismark, Bolívar, além das de alguns estadistas. 26.8 O escritor e a sua responsabilidade histórica (c/ fotografia) Trans Érico Veríssimo é um escritor que se tem mostrado independente, distanciado dos grupos e das igrejinhas literárias do Brasil sem perder, jamais, a consciência de suas responsabilidades de escritor e de cidadão. Nunca fugiu de se pronunciar sobre os problemas mais graves da atualidade, naturalmente por entender que o romancista como analista da vida não deve pairar au dessus de la mélee. Nessas condições, tem Érico atuado como um intransigente defensor da liberdade, externando sempre a sua opinião sobre aquelas questões que reclamam de todos uma decidida tomada de posição. Pronunciou-se contra a cassação do mandato de parlamentares, é membro da Comissão de Estudos e Defesa do Petróleo do Rio Grande de Sul, contra as concessões das nossas riquezas aos trustes, escravagistas, e recentemente, evidenciou seu ponto de vista a respeito do Estado de Israel, dizendo: “Simpatizo profundamente com a causa dos judeus. Acho que chegou a vez da Organização das Nações Unidas provar que de fato existe e tem força. E a melhor maneira de fazer isso é deter imediatamente os agressores do estado de Israel, não com discursos ou boas intenções mas com forças armadas.” Isso significa que o grande escritor brasileiro não se encontra, como muitos, preso às torres-de-marfim, medroso de levar sua contribuição à solução dos graves problemas de seu tempo. E tais atitudes é que fazem crescer seu prestígio, atraindo, ainda mais as simpatias do grande público, que nele encontra um dos romancistas de sua predileção. 26.7. Inglaterra e sua gente Res Divulga a iniciativa da Livraria Progresso que pôs à venda o célebre livro de R. Emerson, traduzido por Acácio França, escritor baiano, já falecido. 26.8. Apassion (c/ fotografia) Res Anuncia para breve, o lançamento da versão traduzida do romance de James Hilton, escritor inglês, autor de Horizonte perdido e Adeus, Mr. Cripps. 26.9. Retrato da Cultura (c/ fotografia) res Resumo bibliográfico do médico, filósofo e musicista Albert Scweitzer. A “Edições Melhoramentos” lança Decadência e Regeneração da cultura, de sua autoria com tradução, prefácio e notas de Pedro de Almeida Moura. São conferências nas quais “o autor procura esboçar um retrato da cultura”. Halencar afirma que apesar de alguns dos seus princípios serem inaceitáveis, não se pode negar o valor do livro pelo esforço e estudo objetivando orientar a vida para novos rumos. 26.10. Um bom Policarpo Quaresma Tr O Clube do Livro, entidade cultural que se propõe a distribuir gratuitamente de seis em seis meses, entre os seus associados, um livro encadernado de autor brasileiro, vem de lançar, ultimamente, Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto. É esse o quarto título a ser editado, sendo os 3 anteriores, Dom Casmurro, de Machado, Destinos, Umberto de Campos e Fruta do mato, de Afrânio Peixoto. Com essa iniciativa do Clube do Livro, parece que, finalmente, Lima Barreto teve a edição que merecia. É fato sabido a grande dificuldade que o inigualável romancistas dos subúrbios cariocas sempre encontrou para a divulgação de suas obras, tendo mesmo pago do próprio bolso duas edições de livros seus. Jamais teve a mesma sorte de Machado, que no particular sempre encontrou caminho fácil. E o fato de ter sido sempre mal editado, constitui, na opinião de alguns, um dos principais fatores para a má vontade com que lhe recebiam os contemporâneos. Atualmente sua obra tem chamado atenção do público e da crítica, sendo muitos que os comparam a Machado de Assis e ainda mais numerosos os que o colocam em lugar superior. E a razão parece estar com os últimos, de vez que o conteúdo da obra de Lima Barreto não se compara ao da de Machado, sendo bem mais importante e melhor. Ele, aliás, não via com bons olhos a comparação, chegando mesmo a dizer: “Machado escrevia com medo do Castilho e escondendo o que sentia, para não se rebaixar; eu não tenho medo da palmatória de Feliciano e escrevo com muito temor de não dizer tudo o que quero e sinto, sem calcular se me rebaixo ou me exalto. Sempre achei no Machado muita secura de alma, muita falta de simpatia, falta de entusiasmos generosos, uma porção de sestros pueris”. 26.11. Época Trans Manda-nos Sergipe uma boa revista de Cultura, elaborada por um grupo de jovens intelectuais. Época, em seu primeiro número, contém bons estudos sobre literatura nacional e internacional, demonstrando, assim, que nas províncias também se faz alguma coisa e se estuda. A iniciativa revela um louvável esforço dos intelectuais sergipanos, trazendo a sua 428 contribuição ao grande movimento de renovação cultural que se processa atualmente. A destoar, apenas, a nota redacional de apresentação, de vez que evidencia um como que desconhecimento mais profundo do verdadeiro sentido da luta que se processa no terreno da cultura contemporânea, quase sufocada por uma crise de vida e de morte. Embora, acreditamos bem intencionada a "apresentação" , confunde alhos com bugalhos, baralhando, aqui e ali, conceitos e definições que não podem e não devem ser confundidos. Isso poderia prejudicar a visão nítida da verdadeira posição da revista face aos problemas que preocupam a todos, principalmente aos intelectuais. O [registro], aliás, é uma contribuição á elogiável iniciativa dos moços de Sergipe, os quais, ainda que fazendo a confusão que acima indicamos, declaram: “A esta altura da nossa apresentação deve já estar bem claro que Época se situará no extremo progressivo do campo cultural. seu programa busque formas mais perfeitas de conhecimento e de expressão”. E esse é programa de todos aqueles que não se perdem no amaranhado dos acontecimentos, marchando lado a lado com o tempo, muita vez a ele se adiantando na luta por uma vida melhor. 26.12. No prelo e nas vitrineas res - O jovem José, de Thomas Mann, 2º volume de teatrologia - The essential James Joyce, de Henry Levin - Catalina, último romance de Somerset Maugham - O amor, as mulheres... e um filòsofo, de Maurice Dekobra, tradução de José Dauster. 26.13. Flagrantes res - Lançamentos, para breve, do novo livro de Lourdes Bacellar, autora de Festa, o livro que estará nas livrarias é Enquanto ruge a tormenta. - Alberto Silva publicou Glória e sofrimento de Castro Alves, 1º prêmio no concurso na ALB. - Comenta a revisão dos livros didáticos japoneses determinada pelo Supremo Comando Aliado, objetivando eliminar os apelos ultranacionalistas e ao militarismo. - Sra. Leandro Dupré está preparando um novo romance. - Silas Portugal, autor de Ressureição de um um suicida moral, é um presidiário. - Mário Quintana finalizando o livro de poesia, O aprendiz de feiticeiro - Tradução para o castelhano de Eurídice, de José Lins do Rego - Publicado o livro de B. For Ivan: English Literature Between the Wars, na Inglaterra, com estudos sobre Joyce, Forter, Lawrence, etc. - Filmagem em breve de Subterrâneos do vaticano, de Gide. 27. Data 30/10/48;5 TÍTULO Seção Caleidoscópio 27.1. Variações tr Pouco importa o colorido das acácias na praça cheia de sol, porque é o negro destino dos que não podem ver, embora não lhes faltem os olhos sadios e a vontade de enxergar. Pouco importa a sinfonia que apazigua e acalma o tumulto da vida e restitui o ânimo de prosseguir, porque há a desgraçada sorte daqueles que não ouvem, embora bons sejam os seus ouvidos e imensa a vontade de escutar... Pouco importa o livro que educa e abre teóricas perspectivas de um futuro melhor, porque bem poucos o sabem ler e menor ainda os que desejam para os outros um futuro melhor... Pouco importa que a ciência conquiste minuto a minuto, porque à grande maioria não chega os seus benefícios e as guerras continuam a ser feitas em nome da ciência e do progresso... Pouco importa... pouco importa tudo o mais, enquanto perdurarem as mesmas condições e os mesmos forem os objetivos... O que importa é que todos possam ver, possam escutar, que todos saibam ler e compreender... O que importa é que ninguém mais fale em nome da paz com um revólver na mão e não se diga porta-voz dos povos quando pretende levar esses povos à loucura da morte coletiva... O que importa é que as acácias sejam vistas na praça cheia de sol, as sinfonias sejam ouvidas, os livros sejam lidos, e haja em tudo e em todos, nas coisas e nos homens, um grande, um imenso desejo de paz... 27.2. Conflitos modernos (c/ fotografia) trans Na Bahia há vários dias, o poeta Murilo Mendes realizou, na noite de quinta-feira passada, no auditório da Secretaria de Educação, uma conferência sobre o tema: “Conflitos Modernos”. Abordando alguns dos problemas político-sociais do nosso tempo, traçou o poeta um quadro da nossa realidade, no qual os moços figuram com merecido destaque, procurando, no dizer do conferencista, uma posição de equilíbrio entre um e outro extremo. Concluindo , apontou Murilo Mendes aquilo que entendia ser o melhor caminho na discutida e discutível confusão da nossa época, o da influência católica. Foi grande a afluência à palestra de Murilo Mendes, que é atualmente, um dos intelectuais de mais projeção do Brasil. 27.3. Enquanto ruge a tormenta trans Numa edição da Imprensa Oficial do Estado, já está nas livrarias o novo livro de Lourdes Bacellar, Enquanto ruge a tormenta... A autora de Festa reuniu, nesse volume, várias crônicas e poemas, escritos naquele seu habitual de ao mesmo tempo encanto e desencanto com a vida hesitando sempre entre as sugestões que lhe são oferecidas pelo aspecto exterior das coisas e aqueles que vêm de dentro de si mesma. Logo no início do livro, o leitor encontrará várias 430 opiniões sobre Lourdes Bacellar, inclusive as de Carlos Chiachio e Camilo Jesus de Lima sobre um outro livro seu Na sombra e no silêncio, editado no ano passado. 27.4. Angústia em tcheco (c/ desenho) trans Se Graciliano Ramos é uma das grandes figuras da literatura brasileira seu romance Angústia é uma das mais importantes e significativas obras das nossas letras. Em nenhuma outra ocasião o drama pequeno-burguês de Luiz – que também se pode chamar de José, Joaquim, Manoel, etc. – foi tão bem fixado quanto nesse romance do major Graça que disseca todo um mundo de sofrimentos, de complexos, de fracassos, de sonhos impossíveis porque elaborados pela mente angustiada de um pobre-diabo funcionário público, sem horizontes e sem perspectivas de vida. A história de Luiz é a mesma de outros homens de todas as partes do mundo, porque os mesmos são os problemas econômico-sociais. Daí a oportunidade que sempre terá um livro como esse, quando traduzido para outros idiomas, como vai agora acontecer, com a versão para o tcheco do mais famoso romance do velho Graça. A edição está a cargo do “Sfinx Publischers ltd.” , de Praga, com a qual Graciliano vem de contratar a tradução de Angústia. 27.5. Publicações res - Psicotécnica, de Theobaldo Mirando dos Santos, livro de Orientação e Seleção Profissional – Organização do Trabalho e Prática do Ensino, processos técnicos e técnica de didática moderna. - Um pracinha paulista no inferno de Hitler, Altino Bondesan, um ex-expedicionário. - Antônio Torres, de João Dornas Filho, editora: Guaira. - A nuvem de fogo, de Santos Morais, poemas, baiano residente na Capital Federal. 27.6. As edições Saraiva res Publica livros com mesmo preço. HAlencar ressalta o fato mas, ressalva que poderia ter se feito uma melhor seleção dos livros, que “não adianta baixar o preço, baixando, também a qualidade da literatura” e que poderia ter lançado obras de romancistas nacionais contemporâneos. Cita os lançamentos de Rei Cavalheiro, de Pedro Calmon, e o quarto volume da coleção Os irmãos leme, romance histórico de Paulo Setubal e Bem-Hur, de Lewis Wallace. 27.7. A desintegração da Morte trans .É o título de uma novela de Orígenes Lessa, conhecido autor de Omelete em bombaim, que o “Círculo Literário do Brasil” está distribuindo como sua seleção do mês de outubro. Trata-se de uma sátira ao espírito guerreiro alimentado pela utilização da energia atômica como arma de destruição. Na novela estuda o autor o problema da escravização da humanidade, através de um cientista, o sábio Klesoptein, o qual, descobrindo a “desintegração da morte” , impõe ao mundo e aos homens o grande tributo, que é a pedra da liberdade. 27.8. Camus e o problema franco-alemão (c/ fotografia) res Anuncia a publicação, em Paris, da edição aumentada e prefaciada pelo próprio autor, de Letras a un ami allemand, de Albert Camus, existencialista divergente de Sartre. Livro escrito durante a guerra, no qual o autor estuda o problema da adesão ao nazismo, ligado ao amor à Alemanha. 27.9. Clubes Literários trans Uma das provas de que o movimento literário no Brasil vai ganhando mais força e crescendo de importância, atingindo, mesmo, um público maior, está no fato da multiplicação dos clubes ou círculos literários, que objetivam a difusão do livro em amplos setores. das nossas populações. E uma dessas associações é o Círculo Literário do Brasil, cujas seleções vêm sendo bem recebidas. A de novembro, foi Água Mãe, de Zé Lins do Rego, o romancista do ciclo da cana de açúcar. Esse romance obteve, em 1941, o Prêmio da Sociedade Felipe D ´Oliveira, como o melhor livro do ano. Há quem o considere uma das melhores obras do romancista paraibano, talvez porque tenha nele Zé Lins abandonado a história e os cenários dos banguês e das usinas, para descrever a vida do litoral fluminense, dando, assim, um novo aspecto aos seus livros, já que iam se repetindo no estudo dos mesmos temas. Como quer que seja, em Água Mãe o autor do inexpressivo Eurídice confirma as suas qualidades de ficcionista de grande capacidade imaginativa e de força poética, qualidades essas que lhe consagram como uma das figuras de maior relevo da nossa literatura contemporânea. 27.10. O novo Malraux res Anuncia um romance do escritor, elogiando o romancista já bastante conhecido no Brasil. Cita a obra, editada em Paris, Les noyers de l´altemgerg e comenta suas posições políticas, apesar de não especificar quais sejam. 28. Data 13/11/48;5 TÍTULO Seção Caleidoscópio 28.1. Variações trans Há, no pequeno baleiro que todos os dias passa, vagaroso e triste, pela rua onde moro, uma desencantada expressão de quem anda sempre com fome de chocolate... 432 *** A responsabilidade que, nos dias de hoje, cabe ao intelectual, seja ele escritor, pintor, músico, cientista, seja o que for, é daquelas que exigem pronunciamento imediato e nunca vacilante. Ou o intelectual participa do grande drama universal, contribuindo para que a paz no mundo e entre os homens seja cada vez mais firme, ou será ele posto à margem, como inútil, destituído de qualquer valor - voz que não se ouve, palavras que não são lidas. Não vai nisso nenhum exagero. Aliás, para ser mais exato, ninguém pode, hoje, deixar de participar da luta, seja pela paz, seja pela guerra. Ficar de cima, preso à torre-de-marfim, já não é mais possível. de tal forma se agravaram as condições do mundo, que todos os homens, por mais humildes e menores, são obrigados, mesmo sem que disso tenham consciência, de contribuir, de uma forma ou de outra. E o intelectual, mais do que qualquer outro, tem a obrigação de assim proceder, marchando à frente de seu povo e de seu tempo no caminho da paz, que não é de rosas... *** Há, na poesia, um toque de juventude eterna, e esse é o seu grande mistério. Daí ser falso todo o poeta que pretenda fazer a sua arte com símbolos velhos e cansados de épocas já perdidas nos longes. 28.2. Prêmio Nobel, 1948 (c/ desenho) res Comenta a concessão do prêmio a Thomas Stearns Eliot, cita as obras de Murder in cathedral e The waste land, além de tratar do conteúdo das suas poesias que se distanciam da função social, ressalta também a forma afirmando que Eliot era um revolucionário da técnica, “ escrevendo num tom de conversa simples". No entanto, conservador quanto ao conteúdo, apesar de seu mundo ser o das ruas, mansardas e cafés, fechou-se na “torre-de-marfim dos problemas abstratos". Cita seu nascimento, local de estudos e que fez parte do grupo imagista de Ezdra Pound. 28.3. Final de Jean Christophe (c/ fotografia) res Título do livro de Romain Rolland, Jean Christophe editado em cinco volumes, sendo o último editado pela "Globo", em 1948. Afirma ser o escritor uma das grandes figuras da Literatura contemporânea, foi perseguido por seus ideais pacifistas na guerra de 14 e pelos nazistas na de 39. Autor de Clerambault ou A história de uma consciência e da novela Pedro e Lúcia. 28.4. Decandência (c/ fotografia) res Sobre a publicação de A caminho de Swann, primeiro volume de A la recherche du temps perdu, de Marcel Proust, editado pela "Globo". Comenta a "febre de Proust" no Brasil, aparece nos suplementos literários, há clubes de Proust, caracterizando uma "moda". Segundo Halencar, apesar de inegavelmente ter sido um escritor fora do comum, se isolado do seu tempo, Proust pouco significa; sua obra não "vence o tempo, alcançando a imortalidade" e foi, o escritor, superado na forma e no conteúdo. O retorno a Proust parece significar uma tentativa de impedir o avanço da literatura no que se refere a novos processos de construção que se dá inclusive pela experiência deixada por escritores como Proust. Assim, conclui que esse fenômeno Proust no Brasil pode revelar a decadência da literatura, mas que seria passageiro. 28.5. Sem comentário (c/ fotografia) tr Sartre, o porta-voz falso desespero existencialista, continua no cartaz da literatura. E agora, então, parece que será mais lido do que anteriormente. É que o noticiário telegráfico da Cidade do Vaticano está informando um fato curioso, que trará publicidade ao discutido autor de O ser e o nada. E ele, que tanto persegue a publicidade, saberá, certamente, explorar esse fato. Trata-se do seguinte: A Congregação do Santo Ofício incluiu no Index de livros proibidos, todas as obras de Jean Paul Sartre... 28.6. O novo livro de Mann (c/ fotografia) res A última novela, até aquele momento, de Thomas Mann, Dr. Fausto, é considerada a mais difícil das de sua autoria, foi selecionada para o "Book-of-the-Club" , da América do Norte, junto com Catalina, de Maugham. Segundo HAlencar, se fosse feito um concurso entre os críticos literários do mundo inteiro, Mann obteria o primeiro lugar como maior novelista vivo, embora sem ser o mais lido; resenha o livro citado, considerando-o uma seqüência literária da Montanha Mágica, “a admirável e profunda análise do pensamento europeu de antes da primeira guerra mundial”; considera ainda o livro lançado a obra–prima do escritor, embora pareça enfadonha para alguns, a biografia escrita durante a 2ª guerra mundial. 28.7. Mais um para o cinema (c/ desenho) tr O cinema nacional vem sendo alvo de severas críticas, não apenas pelos defeitos técnicos que apresentam, como, e principalmente, pela falta de argumentos das que produz. A maior parte, a quase totalidade, é filme-revista, simples "shows" cinematográficos. Agora, no entanto, parece que isso vai mudar. Já há películas nacionais baseadas em obras de revistas dos nossos escritores. E foi em Os ratos, de Dyonélio Machado, um dos nossos bons escritores contemporâneos. Essa obra tem um lugar de destaque em nossa literatura, pela importante contribuição que trouxe ao romance moderno nacional. 28.8. Flagrantes Tr – Continua perdendo terreno, no Recife o romancista de Água Mãe, que o Sr. Permínio Ásfora, com certa razão, considera um ex-romancista. Zé Lins do Rego e o seu grupo não souberam conservar a devida compostura na polêmica aberta em virtude da nota depreciativa que o autor de Eurídice escreveu contra a revista Região e, posteriormente, contra Presença. Por outro lado, o revide não foi suave... 434 Tr. –Circulando o 5º número de Clã, a admirável publicação dos intectuais cearenses. Como das outras vezes, Clã traz um vasto material de estudo e de crítica literária, com algumas ilustrações. Rs – André Maurois realiza conferências na América do Norte. Rs.- Victor Kravchenko processa a revista Lettres Françaises. Rs. – Bibliotecas públicas da Grã-Bretanha aumentam o fornecimento de livros, comenta as colocações do Ministro da Educação Tomlinson. Inauguração da primeira escola internacional para bibliotecários, pela Unesco, na Grã-Bretanha. Tr.- José Geraldo Vieira, grande figura da literatura nacional, está escrevendo mais um romance, desta vez para a Coleção Saraiva. *** Rs.- Livro de Julien Green, Leviatã, traduzido e à venda no Brasil. Rs - Prêmio Les Nouvelles Litteraires, inscrições encerradas, prêmio de 1 milhão de francos. Rs – HA repudia a editora Modern Reading Library por lançar livros condensados. Rs.- Movimentação baiana para o centenário de 1949, com livros em elaboração, dentre os quais o romance de Nilo Pinto, Cinco escadas sobem para a morte. Rs.- Livro de poemas de Natur de Assis, Harpa da prata, esgotado. Tr.- Vem tendo a maior repercussão, em todo o país, a publicação dos jovens intelectuais baianos, Caderno da Bahia, cujo terceiro número está sendo anunciado. Tr.- Dois de Julho, outra revista de novos tem tido boa aceitação. Tr.- Vai entrar no prelo, dentro de poucos dias, Bahia de ontem e de hoje, roteiro de Bahia de Darwin Brandão e Motta e Silva. 29. Data 27/11/48;9 TÍTULO Seção Caleidoscópio 29.1. Variações tr Cada homem, ao sair para a vida, como que parte em busca de sua ilha do tesouro, perdida nos confins do mar. Sonha encontrar qualquer coisa que não lhe disseram bem o que era nem o que representava. Mas, sonha. Pensa que um dia, ao se alevantarem as nuvens da tormenta negra, verá ao longe, apenas esboçada, a silhueta indecisa da terra prometida. E assim ele parte, todos se vão, carregados de imagens de coisas que nunca viram, de pessoas que jamais conheceram, de terras que nunca pisaram. Viaja desprevenido as mais das vezes, leva consigo apenas esses sonhos e essas imagens e essa medrosa certeza de que algo terá de ser encontrado. Não sabe o que é nem onde está, mas vai à sua procura, joga-se para todas as distâncias, pisa todos os caminhos, como se uma irrecusável obrigação o fizesse escravo dessa busca desesperada. Oh! As minhas, as nossas, as vossas ilhas do tesouro, perdidas nos confins do mar... Como encontrá-las, senão sabeis como e onde procurá-las! Se não tendes o roteiro seguro, que seria a perfeita compreensão do vosso destino e dos vossos objetivos!... E tantas que vão ficando, tão perto de vós, enquanto partis desesperados, perseguindo ilusões vazias e esperanças frouxas – esses venenosos boitátas da vida... Obs.: com desenho no centro: um baú com uma bandeira rasgada, em uma praia e um barco/vela. 29.2. Vitrina do candomblé (c/ fotografia) tr A livraria Brasileira organizou uma artística vitrina, para expor Candomblés da bahia, de Edison Carneiro, editado pelo Museu do Estado. O livro, é sem favor, um dos melhores estudos já publicados no gênero. profundo conhecedor dos costumes, hábitos e religiões negras, ninguém melhor poderia informar a respeito dessas religiões, hábitos e costumes que o Edison Carneiro. A esse respeito, aliás, em oportunidade anterior, fizemos o nosso registro. Agora, no entanto, que aquela livraria oferece ao público esse livro, numa bela exposição, é justo insistirmos na sua importância, quer para o estudioso dos problemas afro-brasileiros, quer para o simples curioso ou leitor comum. Na vitrina exposta, estão as armas, insígnias, objetos, etc., utilizados no ritual africano, sob os quais Edison Carneiro fez um estudo completo nesse livro, que numa feliz iniciativa, e cumprindo o seu programa de divulgação cultural o Museu do Estado editou. 29.3. Marcele Tynaire res Sobre a notícia publicada por uma revista literária de Paris que tratou da morte da escritora francesa Marcele Tynaire, Halencar transcreve a notícia que cita as obras La rebelle e La maison du péché e elogia a escritora. 29.4. Deposto Gallegos res Comenta o fato do presidente da Venezuela, o romancista Romulo Gallegos ter sido deposto pelo exército. Considera-o um autor de relevo, conhecedor de seu povo e dos problemas da sua terra, cita o livro Dona Barbara e apesar da literatura ter readquirido um bom autor, com sua saída forçada da política, o fato não compensa. 436 29.5. Visita de Souza Dantas (c/ desenho) tr Esteve na Bahia, recentemente, o escritor Raimundo Souza Dantas, representando na visita o Presidente da República ao nosso estado o Diário Carioca, jornal onde trabalha. Ainda jovem, Raymundo Souza Dantas é um escritor ao qual a crítica dedica especial interesse. Seu romance, Sete palmos de terra, mereceu as melhores referencias dos suplementos literários, e é interessante registrar a opinião do linotipista que o compôs. Tão impressionado ficou com o livro, que escreveu ao autor o seguinte bilhete: “O linotipista que compôs este livro é milanês. Agradece ao autor pela brilhante personagem do Vitor Missano: verdadeiro tipo de proletário consciente e leal. O livro é interessantíssimo”. Raymundo Souza Dantas colabora em diversas revistas e suplementos literários, e é um dos diretores da Revista Branca, cujo próximo número será dedicado a Proust, e contém, entre outros materiais, uma crônica de Proust publicada em 1896 na " Revue Blanche", um poema de Paul Morand, dedicado ao autor de No caminho de swaan e uma entrevista de Mário Quintana. 29.6. História da guerra res Resenha o livro de Theodore Plievier, 60 anos, alemão, intitulado Stalingrado, sobre a II Guerra Mundial que relata a desintegração do exército germânico. O comentarista literário Pat Frank compara-o com Nada de novo na frente ocidental, de Remarque e com Por quem os sinos dobram, de Hemingway, considerando-o melhor. Vendeu mais de um milhão de exemplares na Europa. 29.7. Biografia de Gide (c/ fotografia) res De Klauss Nann, com prefácio de Thomas Mann e editado pela editora londrina Dennis Dobson ltd. A crítica considera o autor o mais indicado para escrever a biografia de Andre Gide 29.8. Traduções de Shaw (c/ fotografia) res Anuncia para breve, tradução das obras de Bernard Shaw pela “Edições Melhoramentos”, de São Paulo. HA elogia a iniciativa que irá beneficiar o público nacional. A equipe de tradutores que está sendo formada inclui os seguintes nomes: Moacyr Werneck de Castro, Misael Silveira, Vivaldo Coaracy e Genuíno Neto. 29.9. Cidade enferma (c/ fotografia) tr A nova editora paulista, "Rampa ltda", programou, para dezembro próximo, o lançamento do romance Cidade enferma, do escritor sergipano Paulo Dantas, atualmente residindo em São Paulo. Tendo publicado, anteriormente, Aquelas muralhas cinzentas, (Prêmio Afonso Arinos, da Academia B. de Letras) e As águas não dormem, novela que descreve a vida de um tuberculoso pobre e que despertou a atenção da crítica nacional. Paulo Dantas firmou-se como um dos expressivos escritores da nova geração brasileira. Daí a ansiedade com que o público e a crítica aguardam Cidade enferma. A respeito desse novo livro, o próprio autor confessa que as circunstancias especiais favoreceram o fenômeno da sua criação. Além disso, considerado o progresso geral que existe no seu segundo livro, em relação ao primeiro, podemos admitir que o romance em questão certamente constituirá um útil acréscimo à realização literária de Paulo Dantas. O jovem escritor já está elaborando planos para depois do aparecimento de Cidade enferma: pretende lançar um volume de contos e tentar a experiência de utilização do tema prostituição como material para um romance, com eles encerrando o ciclo inicial de sua obra de ficção. 29.10. Ensaios de Huxley (c/ fotografia) res Comenta a reedição, em Londres, de Aldous Huxley, escritor de romances e ensaios de alta qualidade, segundo HAlencar, que traça um breve comentário de seu percurso intelectual, cita o 1º livro de ensaios intitulado On the margim, de 1923, livro que até hoje guarda atualidade. 29.11. Flagrantes Tr. – Já estão no prelo os originais de Caderno da Bahia n.3, a vitoriosa revista da nova geração baiana, que os círculos literários do país vêm recebendo com os maiores elogios. Rs.- Livro de frei Mansueto Kohen, RJ, intitulado Síntese Histórico-Literária das Letras Germânicas, lit. alemã. Tr.- Em circulação o segundo número de Época, a revista dos jovens de Sergipe, com um bom material de divulgação. Rs.- Nomeação do escritor Rubens Borba de Morais a sub-bibliotecário da ONU, NY. Rs.- Minuano, livro de Lauro Rodrigues, poemas, foi o mais vendido em Porto Alegre na 2ª quinzena de outubro. Rs.- Dino Sergi, Pitigrilli é o seu pseudônimo, autor de A loura dolicocefala, exercendo a profissão de médico em Buenos Aires. Tr.- Chegou ás bancas o numero 5/4 de Fundamentos a excelente revista fundada por Monteiro Lobato e da qual, ele era redator-chefe. è uma das melhores publicações nacionais, no gênero. Rs.- Three soldiers, de John dos Passos, a ser lançado numa tradução de Eneias Camargo. Rs.- Srª Mônica Brillioth ganhou o prêmio: O Grande Prêmio dos novelistas escandinavos, pela novela De onde sopra o vento, uma descrição da vida senhorial sueca no século XIX. também premiada foi a Srtª Eva Jungell, autora da novela O cuco, estudo psicológico, também de escritora sueca. 438 30. Data 31/12/48;7 TÍTULO Seção Caleidoscópio 30.1. Variações (c/ desenho) tr Que se pode dizer de útil, de bom ou de qualquer outra coisa, quando vai um ano e outro vem? Nada. O tempo é o mesmo, sempre igual e monótono, fastidiosamente repetido numa seqüência de dias e noites, de horas e minutos, enquanto uns inúteis grãos de areia vão caindo num compasso que enerva e escraviza. E é só. O resto é convenção, como este dia em que todos nós, sem dizer palavra e sem fazer gesto, podemos refletir sobre o que passou e sonhar sobre o que está chegando, sem pagar imposto e sem pedir licença. Convenção agradável, é certo, que oferece aos desesperançados a oportunidade de resistir um pouco mais. É como se a noite de Ano Bom fosse um grande feriado da vida. A gente fecha as portas íntimas, descansa um pouco depois da trabalheira danada, e toca a sonhar coisas boas que devem chegar e que não chegam nunca. Mas, como sonhar mansamente é sempre bom, você, leitor, deve hoje sonhar o quanto puder. Não sonhe demais nem queira o impossível. Faça seus planos, trace seu programa, pense no que necessita fazer e no que pode fazer e, quando o Ano Bom (!) ( Feliz ano novo para você, que eu já ia esquecendo), e quando o Ano Bom chegar, você dê um piparote no velho, beba o que lhe aprouver, coma o que for de seu gosto e não esqueça de que uma nova vida, mesmo de mentira, vai começar. E começará, realmente, se você houver meditado com seriedade nos seus erros e nos seus fracassos para evitá-los de então por diante. E se você for pouco imaginoso para pensar alguma coisa bonita quando, entre risos, foguetes e música chegar o Tempo fantasiado de criança, diga pra você mesmo estes versos de Raul de Leoni. Os pinheiros pensavam cousas longas, Nas alturas dormentes e desertas... Estou certo de que você, como os pinheiros do parque antigo, indiferentes ao tempo, pensará coisas longas, sonhará com uma vida melhor e um mundo mais justo, e prometerá a si mesmo lutar para consegui-los. E se não houver perdido o bom costume da infância, que eu não tive peça, que ainda está em tempo, ao seu Papai Noel, seja ele quem for o seu presente de natal e de Ano Bom: paz, muita paz para você e para todos nós... 30.2. Presença de Condé tr João Condé Filho, o homem dos “arquivos implacáveis”, veio visitar a Bahia. É ele o responsável por uma secção literária em Letras e Artes, suplemento dominical de A manhã, e do qual, segundo afirmou Rubem Braga numa crônica, havia sido afastado, em virtude de duas entrevistas que fez, um tanto avançadas para a orientação do jornal. Condé é um nome de grande prestígio nos círculos literários. Os seus “Arquivos implacáveis" reúnem curiosidades e indiscrições de inúmeros autores nacionais, como uma carta do poeta Manuel Bandeira ao seu pai, quando tinha sete anos de idade; um retrato de Álvaro Lins com 12 anos; originais de cartas, artigos, poemas e até romances e muitos outros documentos do mesmo valor. Dividido e sub-dividido em inúmeras pastas, o seu arquivo é respeitado. Há, por exemplo, a pasta N.2, somente de cartas; a N.3, que é a dos poemas; a N.4, de preciosas fotografias; a N.6-A, repleta de curiosidades, inclusive o menú servido no banquete a Graciliano Ramos, e um outro, desenhado pelo pintor Guinard, para uma festa de natal; as de n. 7 e 8, dedicados, respectivamente, a Manuel Bandeira e José Lins do Rego. Álvaro Lins mereceu, também, uma pasta especial, pois é um dos melhores amigos de João Condé, do qual é conterrâneo e foi companheiro de estudos desde a infância. Não há dúvida quanto ao valor dos "Arquivos" de Condé, inesgotável fonte para a história da nossa literatura, e deles disse, certa feita, Carlos Drummond de Andrade: "Se um dia eu rasgasse os meus versos, por desencanto ou nojo da poesia, não estaria certo da sua extinção: restariam os arquivos implacáveis de João Condé." 30.3. Eleição na ABDE Tr A ABDE, procurando renovar a sua diretoria para o próximo ano, está divulgando, para conhecimento dos sócios e interessados, e seguinte proclamação: "A diretoria da Associação Brasileira de escritores, secção da Bahia, através desta proclamação convoca, para o dia 3 de janeiro de 1949, os seus associados escritores baianos, afim de que possam, participando do pleito a realizar-se, eleger a nova diretoria da entidade, cujo mandato, de acordo, de acordo com disposições estatutárias, terminará após um ano de exercício a contar da data de posse. A diretoria que será eleita no pleito já aludido, providenciará a realização, na Bahia, em 1949, do 3º Congresso de Escritores, conforme resolução tomada no 2ª Congresso levado a efeito em 1949, no estado de Minas Gerais”. Artur de Sales, presidente. 30.4. Sagas res Comenta a doação, a quatro Universidades suecas, de 700 contos populares suecos, durante o IX Congresso Nórdico de Folklore realizado em Estocolmo. Cita, como mais popular, o conto "A ratazana desposada". 30.5. Estudos na outra América res O prof. Manuel Peixoto, do Colégio Estadual da Bahia, reuniu as impressões e resultados do estudo desenvolvido no curso de aperfeiçoamento nos E.U, patrocinado pelo Governo do Estado, no volume intitulado Estudos na outra américa. HAlencar classifica o livro como sendo "uma valiosa informação sobre literatura, costumes, hábitos e cultura do povo norteamericano". 440 30.6. Longe da terra (c/ fotografia) Tr Nome bastante conhecido, como autor de Barro blanco e Banana brava, José Mauro de Vasconcelos teve um outro livro seu, Longe da terra, escolhido pelo “Círculo literário do Brasil” como seleção do mês de fevereiro. Escritor de grande poder de sugestão, tendo vivido grande parte das histórias que escreve, personagem mesmo do drama das salinas, José Mauro de Vasconcelos descreve-nos em Longe da terra, o panorama social e físico de uma das regiões ainda pouco ou nada exploradas pela literatura nacional – o Planalto Central. É a história de um moço que, desiludido e fatigado do ambiente dos grandes centros urbanos, ruma para o sertão goiano, onde os brancos e índios vivem misturados uns com os outros, quase em estado selvagem. Buscando, inquieto, recuperar energias e criar novo ânimo no convívio amigo das gentes simples e da terra rústica, o jovem acaba por verificar, desalentado, que lá, Longe da Terra, também há os mesmos problemas, a mesma incompreensão, as mesmas almas pequeninas e mesquinhas. Verdade é que o herói do livro, fugindo para onde quer que fosse, em qualquer parte sempre encontraria os mesmos problemas, sofreria as mesmas angústias, que não vêm do meio onde vive nem da gente que o cerca, mas parecem estar dentro de si mesmo. 30.7. Miniatura (c/ fotografia) Tr No movimento de renovação literária do Ceará, um dos mais fortes e sólidos dos que se processam atualmente no país, tendo como centro diretor a revista Clã, João Clímaco Bezerra é uma figura de relevo, pelo trabalho que vem realizando. Nascido, a 30 de março de 1913, na pequena cidade de Lavras, no Ceará, aí aprendeu as primeiras letras do alfabeto. Órfão desde muito cedo, cedo também começou a trabalhar, pulando de emprego a emprego, a começar pelo de caixeiro de loja, para o qual não parece ter muita vocação. Menino curioso e interessado pela literatura, andou lendo tudo o que lhe parecia, não importando fosse novela policial ou folhetim de capa e espada. Lia tudo, com interesse crescente. Mais tarde, mudando-se para Fortaleza, diplomou-se, como guarda-livros pela Escola de Comércio Padre Champagnat. E em Fortaleza ficou até hoje, onde tem exercido algumas funções públicas, inclusive a de Diretor Técnico de Educação do Estado. Seu primeiro livro foi o romance Não há estrelas no céu, ao qual se segue um outro, também romance, Sol posto. De sua autoria, ainda, uma História do ceará, para crianças. Sua obra, ainda em início, não apresenta caraterísticas marcantes, que a diferenciem do grosso de novos autores nacionais. Isso não significa que lhe faltem qualidades para ser considerada uma das mais promissoras. Costuma responder aos que desejam saber muito de sua vida: - Sou casado, reservista de 3º categoria, vacinado e eleitor. Não tive heroísmos, nunca matei nem roubei, mas sou desgraçadamente pobre... 30.8. A desintegração da morte (c/ fotografia) Tr Merece destaque especial, no panorama literário de 1948, o lançamento de novo livro de Orígenes Lessa, no qual estão reunidos A Desintegração da morte, que dá título ao volume, e vários contos do autor de Omelete em bombaim. Evidenciando, mais vez, o seu virtuosismo técnico, perigoso em que não possua outras qualidades, como ele as possui, Orígenes Lessa nos oferece, com este livro, uma das mais profundas sátiras da literatura brasileira à época em que vivemos. Trilhando o caminho nem sempre fácil da ficção pura, mercê de uma imaginação sempre disposta às mais arriscadas aventuras mas, sem nunca perder o senso de equilíbrio das coisas e dos homens. Orígenes Lessa como que desabafa, ao gosto dos melhores sátiros, todos os ressentimentos contra a realidade de guerras e mortes dos nossos dias. O sábio Kleptein, cientista que descobriu a desintegração da morte, é vingança do homem comum contra os fazedores de guerra, contra os aproveitadores da energia atômica como arma de destruição dos novos. O livro, é todo ele, escrito no estilo original do romancista de O feijão e o sonho, e contém outras sátiras não menos profundas, como a de “O Instituto Nacional do Amendoim”, impiedosa estocada na burocracia brasileira. 30.9. O poeta – editor (c/ fotografia) Tr Chegou à Bahia, há poucos dias, o poeta – editor Augusto Frederico Schimitd, que recentemente esteve no cartaz literário, com a publicação de um livro de memórias, Galo branco. Visitando o nosso estado, o poeta Shimitd, que dizem ter servido de modelo a José Geraldo Vieira para o poeta Michel de A quadragésima porta, tem recebido de seus amigos algumas manifestações de simpatia e, ao que se anuncia, pronunciará conferências sobre literatura. 30.10 [S/T] Tr Numa edição Melhoramentos, apareceu Caricatura dos tempos, do saudoso caricaturista Belmonte. Tendo, durante vários anos, exercido a sua arte nos jornais e revistas do país, Belmonte consagrara-se como um dos exímios artistas do gênero. O álbum que aquela editora vem de lançar, representa um documento da última guerra mundial, desde 1936 até 1946 e não apenas dos acontecimentos principais, como daqueles que, aparentemente de pequena importância, tiveram profunda significação na trama política contemporânea. Embora, muita vez, a interpretação política que o artista dá a certos fatos não seja rigorosamente verdadeira, não se poderá negar o valor que essas caricaturas possuem. A proximidade dos fatos históricos impede uma análise mais precisa e mais exata, principalmente àqueles que, desarmados de um senso político mais profundo, as enxergam como acontecimentos de superfície, e captam deles suas manifestações mais evidentes. Isso o que faltou a Belmonte: um senso político que seja, o seu livro de caricaturas, publicado numa espécie de homenagem à sua memória, é uma contribuição de valor inegável. 30.11 Atividades de Huxley (c/ fotografia) res Anuncia o lançamento, para breve, do livro Ape and essence, do famoso escritor Huxley, autor de Contraponto. No livro o autor analisa os efeitos da guerra atômica na vida das pessoas que vivem em uma comunidade vitimada. Segundo HA, o livro tem sido registrado de modo satisfatório pela crítica. 442 30.12. Seleção de dezembro (c/ fotografia) Tr O "Livro do Mês" selecionou, para este mês, o romance Pecado nos trópicos, de Cecílio J. Carneiro. Mineiro, filho de sírios, desde cedo residindo em São Paulo, Cecilio J. Carneiro diplomou-se em Medicina e, em 1935, estreou na literatura publicando O livro de sheherazade, uma coletânea de contos orientais. Posteriormente, em 1939, lançou Memórias de cinco, história de cinco internos de um hospital, um tanto autobiográfico, pelo que encerra de experiência do autor, quando interno da Santa Casa de São Paulo. De repente, seu nome foi projetado no panorama literário americano, com a conquista do primeiro lugar no concurso de romance do "Prêmio de Literatura Continental", promovido em Nova York pela Divisão de Cooperação intelectual pan-Americana. O livro premiado foi A fogueira, imediatamente traduzido para o inglês e editado sob o título The Bonfire. Agora, com Pecado nos trópicos, Cecilio J, Carneiro conta uma história de amor puro, sagrado, e o chamado amor profano, todo sexo e volúpia – o livro de Cecilio J. Carneiro poderá agradar pelo estilo em que é escrito, impressionante e vivo, inegavelmente a melhor qualidade do autor embora a que menos interessa ao romance, e em muitos casos mesmo prejudicial à obra. 30. Data 03/01/49;03 TÍTULO Grave problema social Tr Nestes atribulados tempos de fim de ano, em que a gente encontra, a cada passo, em cada canto, uma festinha de formatura quebrando a melancolia silenciosa das velhas ruas de quatrocentos anos; nestes tempos em que as noites de Salvador parecem mais misteriosas, mais cheias de doce encontro pela intensidade da vida que nelas fervilha, nestes tempos em que tantos moços, aos pares pelas ladeiras penumbrosas, derramam seus sonhos nos ouvidos nervosos das noivas e das namoradas; nestes tempos de tamanha esperança e tão boa ilusão, dá o que pensar a notícia que há poucos dias nos chegou do Rio, em meio à rotina do noticiário telegráfico; a condenação de um médico por crime de abortamento. Diz o despacho que o Dr. Vitor Hugo, acusado por esse crime numa jovem de quase vinte anos, e do qual resultou a morte da paciente, foi condenado, pelo Tribunal do Júri, a alguns anos de prisão celular e cassação do seu diploma de medico. Pouco sugestiva no laconismo de suas palavras, o telegrama oferece ao leitor mais curioso uma série de considerações oportunas. Quem quer que, como eu, tenha privado a intensidade do tremendo problema da maternidade e de suas variantes, principalmente da chamada maternidade ilegítima, não poderá receber com indiferença, sem certa reserva, a condenação do médico. A outros teóricos da moral não praticada, ortodoxos quanto ao julgamento da conduta alheia e os mais tolerantes sem preconceitos, quando se trata de sua própria conduta, a estes causará espanto e provocará arrepio a simples possibilidade de restrições à atitude do tribunal do Júri. Essa divergência de posições vem de duas posições mentais, absolutamente opostas; uma, que não enxerga os fatos senão através do primado falso dos dogmas e em função do que elas possam representar de perigoso para determinadas crenças ou filosofias; a outras, que procura analisar os fatos segundo a realidade que os criou e em função de soluções mais humanas e mais justas. Entre nós, infelizmente, predomina a primeira dessas atitudes mentais, sintoma patognomônico de atraso e incultura. Não procuraremos justificar nossas restrições à condenação de médicos por crime de abortamento, pelo fato de, para cada profissional condenado, ficaram impunes de cinqüenta a sessenta parteiras ou “curiosas”, as celebres “fazedoras de anjo” indústrias do abortamento criminoso. Este fato, embora não deixe dúvida quando à injustiça dessas condenações, de vez que é muito mais criminoso aquele que realiza a interrupção da gravidez sem conhecimento científico e sem recursos técnicos para fazê-lo, como é o caso das parteiras, esse fato repetimos, não constitui argumento convincente já que não desce às causa do problema. Tentamos um pouco mais longe. Estabelece o nosso Código Penal que o abortamento constitui crime, passível de pena, excluídos os casos especificados no art. 128e incisos. Art.128- Não se pune o aborto praticado por médico: I. Se não há outro meio de salvar a vida da gestante; II. Se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seus representante legal. Avançando um passo no sentido de contrariar o preceito “não matarás”, deixa o nosso Código sem nenhuma referência outros casos, desgraçadamente mais graves e mais freqüentes. E para estes é que os nossos legisladores deveriam voltar suas vistas atentas, esquecidos dos preconceitos e dos dogmas. Sempre me repugnou a idéia de, sem qualquer estudo prévio e sem levar em conta as condições de miséria moral e orgânica das gestantes, considerar o aborto um crime. Não vamos descer a detalhes, que este não é o lugar. Perguntamos apenas, o que fariam os nossos ilustres juristas se lhes aparecesse, carregada de filhos famintos, alguns tuberculosos de tanta fome, uma gestante a implorar a interrupção da gravidez? Alegando não ter recursos para subalimentar tantas crianças, sem ter mesmo onde dormir, de vez que um pequeno espaço cercado de quatro tábuas apodrecidas é a residência do casal e de nunca menos de 6 filhos, implora a gestante que lhe interrompam a gravidez. Entendem os juristas que seria crime contra a vida atender ao apelo. Bonito não há dúvida, e tanto mais bonito e heróico quando quem vai sofrer e vai morrer lentamente não é quem assim pensar. E assim nascido o filho desse heroísmo sem glória e absolutamente sentimental, graves e múltiplos problemas batem às portas daqueles juristas. Ou a mortalidade infantil, assustadora no seu crescendo terrível, ou a infância abandonada, na qual vão resultar os inúmeros “Mar recos” e “Amburás”, que a própria jurisprudência vai considerar criminosos e a opinião pública apelida de monstros. E mais: a prostituição e o alcoolismo, os desajustes sociais, os suicídios, crimes, etc... tudo isso é conseqüência daquela atitude rigidamente desumana de não se praticar o abortamento quando indiscutível é sua indicação social. Alguns poderão estranhar que o quadro seja assim tão negro, e hão de pensar que houve excesso nas tintas. Os que assim pensam ignoram que esta é que é a nossa realidade de todos os dias, e a outra, a que conhecem, não passa de um aspecto limitado do panorama geral. Os que dispõem de recursos, praticam o abortamento sob os mais diversos rótulos e aqui, sim, é que não há qualquer razão que o justifique, a não ser a vaidade de senhoras elegantes que não desejam a deselegância da gravidez e o martírio do parto. E as conseqüências não são menos desastrosas. Em primeiro lugar, a restrição da mortalidade, que não pesa no outro caso; depois, o drama dos filhos únicos, de casais ricos, problema gravíssimo a merecer estudo mais sério. E quantos outros cuja enumeração seria fastidiosa! Mas, vamos parar. Quisemos apenas registrar a contradição dos fatos: enquanto os jovens médicos partem cheios de esperança e de sonhos para o sacerdócio da profissão, outros 444 mais velhos e gastos pelos atritos com a realidade, vão dar com os costados no chão, pouco amigos das cadeias públicas. Não sabemos o que levou o médico condenado a praticar o abortamento. É possível que razões econômicas, e provavelmente num caso sem indicação justa, nem terapêutica, nem social. Muitos serão os casos da mesma natureza. Inúmeros os abortamentos criminosos, praticados quer por médicos, quer por parteiras. Isso nos faz pensar na solução sempre lembrada pelos que analisam o problema do ponto de vista de que seja justa, humana, em função das nossas condições de vida: o abortamento controlado e realizado pelo próprio estado, em qualquer de suas indicações. Somente assim poderíamos alcançar uma situação menos aflitiva para os médicos e os pacientes. Aqueles ficariam livres dos colegas que desonram a profissão e estes teriam resolvido o mais grave de seus problemas, ponto de partida de muitos outros não menos graves Como que seja, o fato desperta reflexões melancólicas daqueles que convivem intimamente com os problemas sociais desta época de guerras atômicas, criminosos abortamentos coletivos sem punição. 32. Data 15/01/49;5 TÍTULO Seção Caleidoscópio 32.1. Variações tr Aquele homem que sai de casa todo dia à mesma hora, consulta o relógio mal põe a cabeça na rua, passa pela igreja respeitoso e solene fazendo o sinal, toma o bonde no mesmo lugar todas as manhãs e, mal anoitece, volta cansado, sobrançando os jornais da tarde e o embrulho do pão, aquele homem me parece assim um peru ridiculamente preso em um simples círculo de giz. Dali não se afasta, por entender que nada mais existe além desse monótono passar e repassar de horas, nada mais vive além do que se movimenta no caminho de casa para o trabalho e do trabalho para casa. Quando muito, concede uma estrela distante, espiada da janela sem graça de uma sala-de-visitas formal, no intervalo entre o café da noite e a leitura religiosa dos jornais, concede a essa estrela distante a graça de um pensamento ousado e fora da rotina . Quem sabe se ali não há vida e homens como eu?... E olhando furtivo, medroso de que alguém lhe pressinta o pensamento cheio de pecado – mais felizes do que eu?!... E logo se alevanta, volta ao seu pequeno mundo, circunscrito por um círculo de giz. Que culpa tem ele, pobre diabo, de ser e de pensar assim? Já nasceu peru de roda, peru no mundo, peru na vida, eternamente preso a um simples círculo de giz... XXX A um canto, dois pirralhos de castigo, separados do resto da classe, que recitava a lição em voz alta. As pernas negras, amarelas de barro do caminho de casa. Que fizeram? Perguntei. Não quiseram ir à lição de catecismo – respondeu-me a mestra – O senhor vê, desde cedo começam a pecar... Se o velho voltasse, lanterna à mão, à procura do homem, ali encontraria dois em um lugar de um só... 32.2. Posse na A.B.D.E Tr Encontra-se nesta capital a escritora Lia Corrêa Dutra, autora de Navio sem porto, livro premiado pela Academia Brasileira de Letras, que aqui vem representar a ABDE do rio na sessão de posse da nova diretoria da ABDE local. A sessão será realizada na próxima terça – feira, na Associação dos Empregados no Comércio, as 20 e 30 horas, devendo falar o poeta Arthur de Sales, o prof. Adroaldo Ribeiro Caldas e a própria Lia Corrêa Dutra. 32.3.Gabriela Mistral res O colunista destaca a importância da poeta chilena Gabriela Mistral vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 1945, identificando-o como uma das maiores figuras da poesia contemporânea. Comenta a repercussão da palestra radiofônica realizada pela mesma em Fortim de Las Flores, México. 32.4. Mais um livro de memórias Tr Parece que pegou a moda dos livros de memórias de autores vivos. Agora, temos Segredos de Infância, memórias de Augusto Meyer, poeto e ensaísta de destaque entre os autores brasileiros da atualidade. Tendo, anteriormente, Gira –Luz, poemas, e A sombra da estante, um livro de ensaio, Augusto Meyer oferece, com o seu novo livro, um trabalho autobiográfico em que confirma as suas qualidades de estudante e hábil analista, tão elogiado pela crítica nacional. 32.5. Exemplo e incentivo Tr Raymundo Souza Dantas, que há pouco visitou a Bahia, é um escritor de origem humilde, tendo se alfabetizado a custa de muito esforço, de uma força de vontade jamais vacilante. Agora Souza Dantas vai contar aos leitores o seu processo de alfabetização, através de um livro, Caminho áspero, escrito para o Departamento Nacional de Educação. É um esboço de autobiografia, na qual o autor procura incentivar, com seu exemplo, aqueles que se encontram na mesma situação em que ele se encontrava, há alguns anos passados, antes de se tornar o jornalista e escritor que hoje é será., sem dúvida, uma valiosa contribuição à campanha nacional de alfabetização oferecida por quem, de muito perto, sofreu as limitações oriundas do analfabetismo. 446 32.6. A história dos nórdicos Res Fala a respeito de futura produção, pelo do sueco Dr. Ingvar Andersson, da história dos povos nórdicos. 32.7. Depoimento Tr A revista Leitura, do Rio, fez ao poeta Murilo Mendes a seguinte pergunta: “Julga inconveniente aos poetas, ou à poesia, que aqueles voltem a cultivar o soneto?” O poeta respondeu do seguinte modo: “Considero o soneto uma forma de representação poética das melhores, pela sua arquitetura própria, que permite um resumo lapidar. O soneto tem uma grande tradição, que vem de Pertrarca até os nossos dias. Convém não esquecer que os poetas revolucionários como Baudelaire, Rimbaude, Mallarmé, Rilka e outros, usaram o soneto. Mas há soneto e soneto... Creio que o soneto com chave de ouro e outras obrigações acadêmicas não corresponde mais a necessidade dos tempos”. 32.8. Revistas Tr - Está circulando o número 3 de Dois de Julho, uma revista de jovens da Bahia. Embora com um bom material este número quebrou um pouco o ritmo sustentado pelos dois primeiros. - Joaquim, n.21, de Curitiba já se encontra à venda, com uma variada colaboração sobre literatura e arte em geral, inclusive um artigo de Adalmir da Cunha Miranda, jovem intelectual baiano a respeito das tendências dos novos quadros da literatura brasileira. - Em circulação o último número de Região, revista do Recife, com uma boa documentação sobre o pintor Cícero Dias. - Em breves dias estará á venda o terceiro número de Cadernos da Bahia, contendo: “Fundamentos da Poesia Afro-Americana” - Walter da Silveira; “Literatura Proletária e Outra” - Otto Maria Carpeaux; “Elegia a Jacques Roumain no Céu de Haiti” - Nicolas Guillen (tradução de Manuel Bandeiras); “O Congresso de Wroclaw e a Tarefa de Escritores” –Luiz Henrique Dias Tavares; “Romances de Natal ”- conto de Vasconcelos Maia; “Bahia de Ontem e de Hoje” –Darwin Brandão e Mota e Silva; “Um Poeta Vítima do Regime Franquista”- F. Kelin; “Notas Folclóricas”- Ruth Guimarães; “Correspondência de Monteiro Lobato”- (a João Palma Neto); “ O Habitante Marítimo”- Wilson Rocha; “O Largo dos Aflitos”- Antônio dos Santos Moraes; “O Vento Carrega o Pesado Fardo da Fome” - José Goldoy de Garcia; “A megera está rondando”- Camillo de Jesus Lima; “A Biblioteca”- Maria José Passos; “Música”- Paulo Jatobá e Lorenzo Fernandez; N. R., “Cinema- O Herói Cinematográfico” – W.A; Seções de livros, revistas, noticiários; Ilustrações de Portinari, Carlos Frederic Bastos e Hélio Vaz. 32.9. Impressões da Europa Tr John Steinbeck, um dos maiores cartazes da moderna literatura norte- americana regressou recentemente de uma viagem à Europa, onde esteve visitando vários países durante muitos meses. Tendo estudado novas condições de vida desses países, conseqüentes à última guerra mundial, Steinbeck, ao que se anuncia, escreverá, além do livro que está planejando, uma série de artigos sobre o que viu no velho Continente, em virtude de ter Steinbeck sofrido, há poucos messes, em certos jornais e revistas, (no Brasil a revista O Cruzeiro) de algumas falsas reportagens a ele atribuídas. 32.10. Miniatura Tr Ex-locutor da Rádio Mineira, Bueno de Mineira é hoje um nome de certa projeção literária, como poeta de nova geração. Nascido em Santo Antônio do Monte, Minas, a 3 de Abril de 1915, fez o curso primário em sua cidade natal e o de humanidades em Belo Horizonte. Trabalhando como repórter em O Diário de Minas, diplomou-se em Química, submetendo-se, pouco depois, a um concurso de laboratorista instituído pela Diretoria de Saúde Pública de Minas. Classificado em primeiro lugar, ainda hoje exerce aquela função na Saúde Pública de seu Estado. Estreou em 1944, com Mundo submerso, editado pela “José Olympio”. Ainda pela mesma editora publicou Luz ao pântano, em 1948 reunindo seus últimos poemas. 32.11. Poesia em disco Tr Uma novidade surge para amantes de literatura, principalmente para os apaixonados de poesia. Vai ser editada uma série de álbuns de discos, intitulada Vozes da poesia brasileira. Em cada álbum o ouvinte encontrará as melhores produções de um poeta contemporâneo, gravadas por ele próprio. O primeiro álbum, ao que se anuncia, consta de 2 discos, nos quais Manuel Bandeira declama: Evocação do Recife, Vou me embora pra Passargada, Profundamente, Ultima canção do beco, A morte absoluta, Rondó dos Cavalinhos, Andorinha, Momento num café, O Rio, Parada de Lucas, Piscina, Pneumotórax, Estrela da manhã, O último poema, Temas e voltas, Canção do vento e da minha vida. 32.12. Ladeira da Memória Tr A “Coleção Saraiva” está programando várias publicações para este ano. E uma deles será o novo romance de José Geraldo Vieira, Ladeira da memória. O consagrado escritor, um dos nomes mais respeitados da nossa literatura, é um autor que a cada novo livro conquista um sucesso. E Ladeira de memórias, constituirá mais um êxito do romancista de A quadragésima porta, A mulher que fugiu de sodoma e outras obras. Além deste livro de José Geraldo Vieira, a “Coleção Saraiva” lançará, Recordações da casa dos mortos, de Dostoiewsky, tradução do próprio José Geraldo: O amanuense belmiro, de Ciro dos Anjos; Amanhecer, romance de Lúcia Miguel Pereira e outros. 448 32.13. No prelo e nas vitrinas Tr - Poemas traduzidos, de Manuel Bandeira, Livraria do Globo; - Viagem através do brasil, - Distrito Federal, de João Guimarães, “Edições Melhoramentos”, boa literatura para crianças e jovens. - Felizes para sempre, de Aldous Huxley, trad. de Merina Guaspari. - Navio ancorado, novo romance de Ondina Ferreira. - Suínas, de Pedro Uzzo, poeta santista. Edição Saraiva S/A. - Contos populares brasileiros, de Lindolfo Gomes, ilustrações de Santa Rosa, “Edições Melhoramentos”. - Uma aventura na floresta, literatura para crianças, de Pedro de Almeida Moura, ilustrações de P. de Lara, “Edições Melhoramentos”. - Viagens maravilhosas de Marco Polo, de Lúcia Machado de Almeida ilustrado por Osvaldo Antini. Concatenação das famosas aventuras de Marco Polo, num agradável estilo próprio para as crianças. Edições de “Melhoramentos”. 33. Data 29/01/49;5 TÍTULO Seção Caleidoscópio 33.1. Variações Tr A um homem rude sem nenhuma instrução, que ao meu lado, no café, espia o sol derramado nas ruas, na praça, no mundo, pergunto qual o maior prazer da vida: - Isso, seu moço – responde, apontando com os olhos a manhã em que estamos – A gente poder olhar isso, e ficar pensando... - Qual nada! – interrompe um outro, que ninguém chamou, respondendo a pergunta que lhe não foi feita – Prazer é a gente passar bem! Comer bem! Bons pratos, boa garrafa, isso sim. Agradeço a inesperada interferência, e silenciosamente peço desculpas ao outro. Não tenho culpa, evidentemente. Ele me compreende, sorri piedoso e segue seu caminho. Continuo espiando. E relembro Gide: “Quisera saborear este verão trago a trago, como se fora para mim o último. Os peixes morrem com o ventre para cima e sobem a superfície. É sua maneira de cair”. Olho para o “peixe” e o vejo tragando, inteiro, um bolo dormido. O sol, a manhã, a sombra da árvore naquele canto da praça, nada disso existe para ele. Só a realidade meio amarga de um estômago exigente. E uma vez satisfeito, tudo o mais está bem. Ainda é Gide quem chega, como oportuno consolo: “Saber libertar-se, não é nada; o difícil é saber-se livre”. Finco, mais uma vez, a fisionomia do “peixe”. Não há dúvida de que é difícil saber ser livre. E para a maioria, então, a grande, a enorme dificuldade é saber libertar-se. Libertar-se pelo menos do estômago. . . . Quem tem a ciência e a arte dispensa a religião, disse Goethe. Boa epígrafe para um livro sobre a estupidez humana. Sobre a nossa pretensiosa estupidez. OBS.: ilustração, uma casa na praia com dois coqueiros (ilustração recorrente nestas variações) 33.2. Bi-centenário de Goethe (c/ fotografia) res Sobre os preparativos para a comemoração do segundo centenário de Goethe em Frankfurt, Alemanha. O colunista atesta o grande valor literário/cultural da obra do escritor. 33.3. Castro Alves – o Gênio Tr Vem de ser publicada, pela Academia Baiana de Letras (edição da Imprensa Oficial), a monografia de Milton Vilas-Boas, Castro Alves – o Gênio, premiada com “Menção Honrosa” no concurso de trabalhos sobre a vida e a obra do grande cantor da liberdade. A publicação traz um prefácio do Profº Pinto de Carvalho, que diz bem do valor do estudo que o jovem intelectual baiano levou a efeito. Trata-se de um trabalho apreciável, quer pelo agradável estilo em que é escrito, quer pelo modo pelo qual o autor procurou fixar a vida tormentosa do Gênio, apreendendo-lhe, num bem sucedido esforço de síntese, os fatos mais significativos. Com esta monografia, projeta-se Milton Vilas-Boas no cenário da nossa literatura, como um dos seus novos valores, agora, com a responsabilidade de produzir mais e melhor. 33.4. Seleção de fevereiro (c/ fotografia) Tr O “Livro do mês” está anunciando, como seleção de Fevereiro, o novo livro de Dinah Silveira de Queiroz, Margarida la roque. A ilha dos demônios. A protagonista de história, uma francesa da época dos descobrimentos, é condenada a viver, em companhia do amante numa ilha deserta que os marinheiros da época diziam povoada apenas por almas de outro mundo. Dinah Silveira de Queiroz, cujo primeiro romance – Floradas na serra- obteve grande êxito, procurou dar ao novo livro um impressionante cunho de mistério, que a crítica registra como um verdadeiro milagre de imaginação. Margarida la roque foi editada pelo “José Olympio”, capa de Santa Rosa. 33.5. Defoe e a medicina (c/ fotografia) Res Além de várias obras de cunho literário (Robinson Crusoé, 1719; A aparição de mad veal, 1706; dentre outras), Defoe escreveu também Jornal do ano da peste, em 1722, uma dramática narrativa sobre os anos em que Londres foi invadida pela peste (em 1695), obra esta que já foi vista pela Medicina como uma das melhores contribuições para o estudo daquela epidemia. 450 33.6. Verlaine e o Brasil (c/ fotografia) Tr Verlaine tem influenciado várias gerações de poetas,, em diversos países. No Brasil mesmo, grande é sua influência, quer entre os poetas simbolistas, quer entre os modernos. Daí a procedência do título que Michel Simon deu à antologia por ele organizada, Verlaine e o Brasil. Reunindo poemas de Verlaine, ilustrados por vários artistas brasileiros, Michel Simon, realizou um trabalho de divulgação elogiável. A primeira parte do livro, editada pela “Agir Editora”, consta de poemas, com ilustrações de Noemia Cavalcanti, Maria Helena Vieira da Silva, Bela Paes Leme, Santa Rosa, Guinard, Athos Bulcão, Eros Gonçalves, Wladimir Alves de Souza e Vicente do Rego Monteiro. Na segunda parte, o leitor encontrará textos originais – poemas e estudos – muitos compostos especialmente para essa plaquette, por vários escritores brasileiros, como Tristão de Athayde, Alphonsus de Guimarães Filho, Álvaro Moreyra, A F. Schimidt, Manuel Bandeira, Mario de Andrade, Murilo Mendes, Olegário Mariano, Onestaldo Pennafort, Sergio Millet, Vinicius de Moraes e Roberto Alvim Correa. Além do prólogo de autoria de Michel Simon há, na parte final, uma bibliografia dos poemas de Verlaine traduzidos no Brasil, organizado por um dos seus bons tradutores nacionais Onestaldo Pennafort. 33.7. Grande prêmio do romance Res Realizado em Paris, nos salões do Círculo Interaliado, O Grande Prêmio Do Romance, foram escolhidas as seguintes obras e respectivos autores: Querelle avec la bete de Michel Mercier; Notre de la liberté de Gilles Buhet e LA meche de Lucie Marchal. 33.8. Repouso (c/ fotografia) tr O maior acontecimento literário nacional em 1940, foi até agora, o aparecimento do terceiro romance de Cornélio Pena, Repouso. Nome raramente citado nos suplementos literários, pouco escrevendo artigos ou concedendo entrevistas, o autor de Fronteira e Dois romances de Nico Horta, Cornélio Pena é um escritor retraído, nada amigo da publicidade e da crítica de encomenda. Alheio às intriguinhas da literatura da metrópole, suas produções não são antecipadas ou seguidas das fanfarras da crítica de compadres. Embora sua obra não tenha atingido ainda um posto de relevo no panorama literário, Cornélio Pena é um escritor que se dedica inteiramente à literatura, na ânsia de realizar alguma coisa de útil para os seus semelhantes. Daí a importância do aparecimento de seu novo livro, sobre o qual a crítica certamente vai se pronunciar dentro de pouco tempo. 33.9. Notas soltas (c/ desenho) tr Está para ser lançado o primeiro volume de um romance cíclico de Jean Paul Sartre, L’age de Raison, tradução de Sérgio Milliet. Almeida Sales escreveu e entregou aos editores um ensaio, André Gide. Herberto Sales, escritor baiano, já concluiu seu novo romance, Além dos marimbus. A Bolsa Nacional de Literatura (França) de 1948, de 60 mil francos, foi atribuída a André Figueiras, pelo seu livro de poesia, Castelos no azul. Foi traduzido Otelo um romance de Ludwig, há meses falecido. Cabracega é o título do novo romance de Lúcia Miguel Pereira. 33.10.Eleito Morgan (c/ fotografia) Res Charles Morgan, romancista inglês, foi eleito para a Academia das Ciências Morais e Política de Paris, como “associado estrangeiro”. No Brasil é conhecido através das obras: Retrato num espelho, Fonte e Sparkenbroke. 33.11.Miniatura (c/ fotografia) Tr Paulo Ronai é hoje um nome fixado em nossa literatura. Nascido em Budapeste, Hungria, em 1907, filho de um livreiro, estudou na Faculdade de Filosofia da U. de Budapeste, na [Universidade] Sorbonne, em França e na U. de Perugia, na Itália. Em 1940, por ser judeu, foi recolhido a um campo de concentração. Daí fugindo, veio para o Brasil, em 1941, a convite da divisão de cooperação intelectual do Itamarati. Naturalizando-se brasileiro em 1945, com dispensa do prazo de residência, em virtude dos serviços prestados à cultura nacional, Paulo Ronai aqui fixou residência, passando a trabalhar ativamente. Doutor em Letras e Lingüística neo-latinas, foi professor de um dos colégios de Budapest. Exerceu as funções de redator da revista Nouvelle revue de Hongriê, editada em francês. Publicou, quando no estrangeiro, vários livros, inclusive a tese de doutoramento A margem dos romances de mocidade de Balzac. No Brasil, em 5 anos, publicou Mar de histórias, antologia do conto mundial, em colaboração com Aurélio B. de Holanda: Tendências e figuras da literatura hungara e As cartas de fay e Sua vida, além de várias obras didáticas. Traduziu para o português as Cartas de um jovem poeta, de Rilke e do português para o francês as Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida. Atualmente, está dirigindo a edição brasileira da Comédia humana, de Balzac, para a qual escreveu uma biografia do romancista, 86 estudos introdutórios e cerca de 10 mil notas elucidativas do texto balzaquiano, além de um livro, Balzac e a comédia humana. Paulo Ronai colabora no suplemento literário do Correio da Manhã, do Rio, e em várias revistas literárias. Fala e escreve vários idiomas, e é considerado um intelectual de grande fecundidade. 33.12.Autores baianos Tr - Castro Alves, arauto da Democracia e da república, de Alexandre Passos, edição “Pongetti”, conferência pronunciada pelo autor em 1947, na ABAT, a convite da Sociedade de Homens de Letras do Brasil. - As 3 liras e as precilianas, de Pedro Serafim, livro de poemas. 452 34. Data 12/02/49;5 TÍTULO Seção Caleidoscópio 34.1. Variações Tr Ainda não tive notícias de um mundo mais doido do que este. Começou atirando pedras que soterravam cidades e, hoje, mercê de pactos, tratados e conferências, atira bombas atômicas com a mesma simplicidade de quem distribui brinquedos entre crianças. Atira e depois vai gastar milhões para discutir a paz, vai pagar a alguns homens para que eles, com a inutilidade das palavras, continuem a guerra fria, morna ou quente. Jamais chegam a um acordo e fazem mesmo questão de não se entenderem. Parecem desgraçadamente convencidos de que as bombas são o melhor argumento e de que a vida tem de ser mesmo esta escravidão idiota, cuja única finalidade não é outra senão a simples conquista do alimento. Daí toda a complicação, a maluquice do mundo, este mundo em que estamos soterrados vivos. . . . Chegam pela janela ruídos vindos de muito longe, de todas as distâncias e de todos os tempos. Chegam e entram pelo caminho de luz que o velho lampião, sentinela impertinente, obra rompendo o escuro tranqüilo do meu quarto. Ouço-os, incapaz de um protesto. Eles me dizem do que ocorreu e ocorre lá fora, na grande senzala do mundo. Trazem-me notícias que eu não queria ouvir... Contam-me histórias que eu desejava ignorar. Agridem esta insônia que me poderia ser um abandono voluntário e pacífico. E aí, então, é que neles distingo, à semelhança de um doce contraponto em surdina, a voz de Shelley, carregada de angústia, chorando a morte de Keates, chorando a minha, a sua, a morte de todos nós. Life, like a done of many-colored ‘glass Stains the white radiance of eternity obs.: Ilustrado com gravura de uma janela aberta, com um lampião do lado de fora 34.2 Poemas regionais (c/ desenho) tr É o título do livro que vem de ser lançado, na Bahia, sob o patrocínio da Sociedade Filinto Bastos, composto e impresso nas oficinas da “Era Nova”. Seu autor é o nosso velho e conhecido Artur de Sales, presidente da ABDE local, nome consagrado na literatura nacional como um dos mais autênticos poetas dos nossos tempos. No presente volume, ilustrado por Rômulo C. Serrano, mestre de Artur reuniu dois poemas sobre lendas e acontecimentos da nossa costa, Sangue mau e O ramo da fogueira. O primeiro deles, alias, já havia sido impresso pela I. Oficial, embora não divulgado, senão de modo muito precário em virtude dos defeitos que o autor nele encontrou. A publicação deste volume é, assim, um acontecimento de significação para as nossas letras. O velho Artur de Sales, embora produzindo muito, dá pouca divulgação aos seus trabalhos, deixando o público sempre ansioso de ler os seus poemas. Os dois que vêm de ser publicados foram escritos quando da permanência do grande poeta na vila de São Francisco, onde viveu muitos anos, como professor. Convivendo com as gentes simples da costa, utilizou suas lendas e supertições como temas para Sangue mau e O ramo da fogueira, que vale notar, passarão a figurar como uma das melhores contribuições a pequeníssima lista de poemas regionais brasileiros. Também de poeta de Sub-Umbra, a Jackson lançou uma tradução em verso de Macbeth de Shakespeare, considerada uma das melhores já feitas em nosso idioma. 34.3. Contista baiano (c/ fotografia) Tr O público vai ter a oportunidade de ler, brevemente, mais um livro de contos de Souza Martins, escritor baiano que se tornou conhecido com a publicação, em 1937 de Vozes da carne. Após um longo silêncio, Souza Martins, que atualmente reside na Capital Federal, volta a publicar livro, agora Rastros na areia, reunindo seus últimos contos, um dos quais transcrito por este suplemento, em edição passada, intitulado Sol de inverno. 34.4. Ensaio sobre Rilke (c/ fotografia) res Cresce o interesse do público brasileiro sobre a obra de Rainer Maria Rilke e os poetas brasileiros têm sofrido muitas influências deste. Um exemplo disto é o lançamento do livro de Cristiano Martins, Rilke – o poeta e a poesia, livro de ensaio em que o autor procura fixar os aspectos mais característicos da obra rilkeana. 34.5. Miniatura (c/ fotografia) Tr Como o livro [lividendo] de janeiro, cuja seleção foi Judas, o Obscuro, de Thomas Hardy, o “livro do mês” está distribuindo aos seus associados Luzia Homem, romance de Domingos Olimpio, que é considerado o marco do movimento renovador da ficção brasileira. Domingos Olimpio Braga Cavalcanti nasceu em Sobral, no Ceará, a 18 de setembro de 1851. Filho de tradicional família cearense, seus pais, Antônio Raimundo de Holanda Cavalcanti e d. Rita de Cássia Cavalcanti, mandaram-no, após o curso de preparatórios em Fortaleza, estudar Direito em Recife, onde se diplomou em 1873. Verifica-se o início de sua carreira literária em Recife, escrevendo para a imprensa local. Regressando à terra natal, aí passou a advogar, casando-se em primeiras núpcias em 1875, de cuja união teve dois filhos. Foi posteriormente, promotor em Sobral. O período seguinte à sua formatura é, quase todo, preenchida por intensa atividade jornalística, quer literária, quer política. Adversário dos políticos dominantes, foi obrigado a se afastar do seu estado, indo residir em Belém, onde continuou a advogar e a militar como jornalista e político, chegando a ser deputado à Assembléia Provincial. Vai para a Metrópole em [18?], passando a colaborar nos suplementos literários do O Comércio, Correio da Manhã, O País, Jornal do Comércio e outros. Dois anos depois, após a morte da primeira esposa, contrai novas núpcias. Exerce vários cargos oficiais importantes. Funda, em 1904, a revista Os Anais que dirigiu, tendo como secretário um seu amigo íntimo, Walfrido Ribeiro. Trabalhador infatigável, Domingos Olimpio não parava, nem mesmo nos seus últimos dias, 454 quando vitimado por uma moléstia nos rins. Embora literato de grande projeção em sua época, sua principal atividade foi a advocacia. A última causa que defendeu no foro do Rio, um processo de certa sensação, abreviou-lhe a vida, três dias depois. Fez uma das mais brilhantes defesas de sua carreira, perante o Supremo Tribunal Federal, esperando inquieto e excitado, a decisão, que lhe havia sido contrária em todas as suas instâncias. Três dias após, em 7-10-1906 vítima de um ataque de embolia às sete horas da manhã, quando fazia a refeição da manhã em companhia da esposa, falecia às 15 horas, em sua residência. Publicou os seguinte trabalhos: Luzia-Homem, em 1903; O Almirante, na revista "Os Anais", além de crônicas, contos, artigos e poemas. Inéditos deixou: Rochedos que choram, A perdição, Túnica de nessus, Tântalo; dramas: Um par de Galhetas, Os maçons e o bispo, História da missão especial em Washington, A questão do Acre, A loucura da política, Domitilia, O irapuru, O negro; comédias, episódios burlescos, política, além de muitos outros contos. Seu romance que está sendo distribuído pelo "Livro do mês", obteve grande sucesso e a seu respeito Lúcia Miguel Pereira escreveu: “Luzia-Homem é o primeiro dos romances da seca, antecessor de A bagaceira e de O Quinze. E Domingos Olimpio é, na verdade, um romancista da linhagem de José Américo de Almeida e Raquel de Queiroz”. 34.6. A cidade do sul (c/ fotografia) Tr Existe em Minas um grande movimento literário, agora reforçado com o aparecimento de uma editora, Movimento Editorial Panorama, departamento da revista Panorama. Graças a essa iniciativa, foi lançado a Cidade do sul, de Alponsus de Guimarães Filho, poeta e militante mineiro. Seu livro é o primeiro volume da "Coleção Marília de Dirceu" e reúne 56 trabalhos do poeta de Lume de estrelas (1940), segundo a crítica uma das personalidades mais característica da geração post-modernista. 34.7. Affaire Kravchenko (c/ fotografia) res Sobre processo aberto por Kravchenko contra a Lettres Francaise (publicação comunista de Paris) por ter a mesma afirmado que ele era agente do imperialismo norte-americano e incapaz de escrever qualquer coisa (dentre outras acusações). Ao ser inquirido durante o processo sobre um item dado que consta no livro que o mesmo diz ter escrito, A grande conspiração, Kravchenko demonstrou não ter conhecimento do assunto 34.8. Goncourt – 48 (c/ desenho) res Um dos maiores prêmios literários da França, o Goncourt de 1948, foi atribuído a Maurice Druon, autor de Les grandes familles; este livro fará parte de uma trilogia. 34.9. Biografia de Machado de Assis (c/ desenho) Tr Como primeiro livro-dividendo, o Círculo Literário do Brasil está distribuindo aos seus associados o estudo de Lúcia Miguel Pereira sobre Machado de Assis. Esta é, assim, a 4ª edição de Machado de Assis, estudo crítico e biográfico. Livro que a crítica nacional reputa o melhor e mais completo estudo biográfico sobre o autor de Dom Casmurro. Publicado pela primeira vez em 1936, este estudo de Lúcia Miguel Pereira foi premiado, posteriormente, pela Sociedade Fellipe D´Oliveira. 34.10. Otto Strasser, nazista. Tr O governo militar norte-americano de Berlim proibiu a circulação do livro Hitler e eu, de autoria de Otto Strasser. Seu autor foi o fundador do Grupo da Frente Negra do Partido Nazista, e uma nota oficial do governo militar, publicada em Nuremberg, diz que Strasser é um antigo nazista militante, sabendo-se que ele tem, de relação á Alemanha, planos políticos contrários aos interesses do governo. Seu livro foi considerado perigoso e ofensivo, embora o governo francês consinta a sua circulação na zona sob a sua guarda. 35. Data 11/03/49;5 TÍTULO Seção Caleidoscópio 35.1 Variações Tr Irrecusável a paz que vem dos campos. Mesmo aqueles espíritos que andam à procura de angústias, que perseguem desesperos, aqueles que não podem viver senão dentro de um clima carregado, em uma atmosfera de eterna embora inútil inquietação, até esses não podem recusar a sugestão de paz que lhes oferecem os [comdol] cheios de cor e de vida. Há neles um tal sentido de tranqüilidade e de harmonia, que nenhum homem, diante deles, poderá sentir outra coisa além de uma doce quietação a sugerir humildade e paz. Vão-se os problemas, morrem as angústias, acabam-se o desespero e uma enorme paz é a única e irrecusável presença na paisagem. Mesmo o tempo, "testemunha do universo inteiro", mesmo este parece "pateiro", mesmo este parece pados, como que vencido pelo que há de tranqüilo e calmo nos campos carregados de cores. Há, no entanto, um tipo de homem que se desespera diante das paisagens: o pintor. Ao vê-la, como que se embriaga de cor e de beleza. Depois, quando procura trazer para tela o que viu, quando tenta fixar todas aquelas sugestões, aí, então, a angústia e o desespero lhe invadem. E raros, raríssimos, são os que conseguem vencer este estado, captando e trazendo para a tela o que o homem comum sente e não sabe traduzir. 35.2. Empresa difícil (c/ fotografia) res O livro de James Joyce, ULYSSES, será traduzido para o português por Hamilcar de Garcia e Érico Veríssimo. 456 35.3. Confiteo Tr Numa bem apresentada edição, a "Saraiva" vem de publicar Confeitior, obra póstuma de Paulo Setúbal, o sexto volume da coleção de obras do conhecido autor de A Marquesa dos Santos. Aliás, no plano de obras de Setúbal, a “Saraiva” não incluiu A marquesa dos santos, em virtude do seu autor haver proibido, após sua conversão definitiva ao catolicismo, a reedição desse livro. Confiteor reúne confissões de Setúbal, principalmente as de caráter religioso. Escrevendo a respeito dessa obra, Orestes Barbosa disse que ela “foi a chave de ouro que fechou esplendidamente o tesouro literário de Paulo Setúbal”. 35.4. Os Corumbas no cinema (c/ fotografia) Tr Nesta nova fase do cinema brasileiro, a literatura tem contribuído com vários argumentos, embora nem sempre aproveitados do melhor modo. Agora, sabemos de mais um romance que vai ser levado à tela. Trata-se de Os corumbas, de Amando Fontes, que Lúcio Cardoso – romancista, poeta, teatrólogo e agora cineasta – vai filmar com sua equipe de técnicos. Os corumbas é um dos romances significativos da literatura post-modernista e deu fama e prestígio literário ao seu autor. 35.5. Elegias de Duino res Serão traduzidas para o português, Elegias de diuno, de Rainer Maria Rilke. 35.6. Sartre e as traduções (c/ desenho) res Sartre acusou os tradutores norte-americanos da sua peça, Luvas vermelhas, afirmando que a peça foi corrompida e transformou-se num melodrama comum e vulgar. 35.7. Seleção de Abril res Marcus Cheke, voltando suas atenções para a história e literaturas portuguêsas, publicou inicialmente uma biografia do Marquês de Pombal e, seu segundo livro, foi Carlota Joaquina, obra que o Livro do Mês selecionou para abril deste ano. 35.8. No prelo e nas vitrinas Tr - The life of sir Arthur Conan Doyle, de John Dickson Carr, primeira biografia oficial do famoso autor de Sherlock Holmes, editado pela John Murrag, Londres. - Retrato de uma cidade de província, de Ernani Silva Bruno, ensaio histórico e sociológico, concorrente ao "Fábio Prado – 1948". - The reign or queen victoria, de Hector Bolitho, autor de célebres reportagens de guerra, lançamento de Collius, Londres. - As confissões de Rowsseau, tradução de Wilson Lousada, edição da José Olympio. - Ursa maior, de Edison Carneiro. - A luz da estrela morta, de Josué Montelo, edição da José Olympio. - Human knowlwdge, de Bertrand Russel, lançado em Londres pela Allen &Unwin. - Padrão G, contos de José Carlos Cavalcanti Borges, autor de Neblina. 35.9. Sherwood Anderson (c/ fotografia) res Informações biobibliográficas de Sherwood Anderson, considerado pelo colunista como um dos grandes autores realistas da ficção norte-americana. 35.10. Miniatura (c/ desenho) Tr Roberto Alvim Corrêa, de cuja autoria foi lançado há pouco tempo, Anteu e a crítica, nasceu em Bruxelas, em 1901 e é filho de tradicional família brasileira. Licenciou-se na Faculdade de Letras de Genebra, tendo, também, estudado na Suíça. Estabelecendo-se em Paris, dedicou-se ao ramo editorial, no qual militou durante vários anos, tendo fundado, em 1928, uma editora própria a Editions Corrêa, por intermédio da qual lançou várias figuras da literatura francesa, amigos seus, como Charles Plisnier, prêmio Gonaurt, 1937. Editou, ainda, quase toda a obra de Chales Du Bos, livros de Maritain, Mauriac, Gabriel Marcel, Edmond Jaloux e Marcel Raymond. Colaborou em várias revistas literárias, como o Cahier do sud, Vendredi e alguns suplementos dos diários franceses. Regressou, definitivamente, ao Brasil em 1936, tendo, então, sido contratado, como professor de literatura francesa, pela Universidade do Distrito Federal, lecionando, ainda, a mesma matéria na Faculdade Nacional de Filosofia e na Faculdade de Filosofia da Universidade Católica. Foi crítico literário de A Manhã durante os anos de 1942 e 1944 e redator da secção de artes plásticas do Correio da Manhã. 35.11. Advertência Tr Pearl S. Buck, autora de vinte e um livros sobre a China, faz parte do Conselho Nacional contra o Serviço Militar, organização norte-americana que reúne grande número de intelectuais, escritores, artistas, cientistas, dentre os quais, Einstein, Bromfield e outros, com o objetivo de impedir a militarização dos Estados Unidos. Agora, o Conselho publicou um fascículo, no qual demonstra o perigo dessa militarização, e advertindo o público de que “jamais tantos oficiais ou antigos oficiais ocuparam postos governamentais”, e jamais os militares influíram tanto na elaboração de nossa política nacional. A economia da nação está inteiramente à mercê dos militares” 458 35.12. A Montanha Mágica (c/ fotografia) res Sobre lançamento de nova tradução de A montanha mágica de Thomas Mann pela Editora Globo. 35.13. Correio Tr - Inquietação, 2ª edição de Elpídio Bastos, volume que reúne cerca de cem sonetos do conhecido poeta baiano. - Rua de pedra, poesia de Valfrido Piloto, edição da Gráfica Mundial Ltda., de Curitiba. O autor, que tem publicado vários outros livros em prosa, estréia, agora, na poesia, com trabalhos produzidos em 1943. Obs.: gravura de um livro, iluminado por vela num castiçal. 36. Data 18/04/49;3 TÍTULO A cidade e seu romancista O Rio tem muito mais necessidade de um romancista do que de um Prefeito. É, pelo menos, a minha opinião, ao rever, entre decepcionado e triste, a ex-Cidade Maravilhosa. E explico: se o Prefeito é o homem que governa, dirige, resolve, o romancista é o homem que observa, sente, traduz e interpreta, para que os outros possam resolver, dirigir e governar. Lima Barreto foi, em outra época, o romancista carioca. Atropelando-se em escadas de martírio, embrenhando-se nos cômodos sórdidos das pensões do Catete, seguindo como um detetive, os passos trôpegos dos joão-ninguém, Lima Barreto fez o romance carioca de determinada época. Depois dele, enquanto a cidade crescia, nenhum outro, autêntico apareceu. Muitos tentaram, sem êxito. E atualmente, quando o Rio não perde um só instante do Tempo, que passa veloz, e faz de cada desses instantes uma história que é sempre a mesma e é sempre diferente, um romancista é a sua necessidade vital. Um homem que sinta todos os instantes, viva todos os detalhes, sofra todas as angústias. Um homem eternamente presente, sem ser notado, atuado pelos desastres que ocorrem na “Getúlio Vargas”, pelo ciúme de Jacarepaguá, pela hemoptise nas mesas de “café com leite”, pelo duplo suicídio no apartamento romanticamente anti-higiênico do Catête, pelo salto desesperado do décimo terceiro andar de um edifício qualquer, pelo passar e repassar sem fim dessa multidão que não sabe de onde vem, nem para onde vai, desse povo que acorda, trabalha e dorme sem consciência de si mesmo. Um homem que observa de todos os ângulos, ao mesmo tempo fotógrafo e poeta, sociólogo e psiquiatra. Disso é que necessita o rio, muito mais que de um prefeito. E o pior é que a gente olha e não enxerga qual é esse romancista. Dos muitos que habitam o rio, nenhum parece ter qualidade e fôlego para a empresa. O velho Graça, inexcedível, é o detalhista de profundidade, o homem que permite o mais íntimo das angústias, dissecando processos psicológicos com a simplicidade de quem descasca uma banana. Grande romancista, seria, talvez, o único capaz de apreender, vertical e horizontalmente, o drama contraditório e complexo da metrópole. Dificilmente o escreveria, porém, a julgar pelas características que dominavam a sua obra. O inquieto Lins do Rego fabricaria uma nova Eurídice. Estaria longe de conceber um Manhattan Tansfer carioca, ciclópico, vertiginoso e autêntico, como fez Dos passos de outro tempo. Não citemos mais. Para qualquer lado que se olhe, a mesma, a mesma ausência de um romancista da vida carioca atual. Ainda não surgiu o escritor capaz de realizar uma síntese do que vai pelas tumultuosas ruas do que se passa no claro-escuro das habitações suicidas. Um romancista capaz de seguir mil rumos diferentes ao mesmo tempo, entrecruzando-os na justa oportunidade, acompanhado-os atentamente na grande marcha para o desembocadouro comum. Um homem identificado com a multidão, com os transportes, com a trepidação de cada minuto, personagem, ele próprio, do imenso drama. Os escritores cariocas, e os que habitam o Rio, ainda não quiseram tomar essa posição de autor e personagem. Não quiseram ou não puderam. Preocupados uns com problemas de alta transcendência e outros enxergando apenas o que lhes agride os olhos, sem falar em que se perdem no emaranhado sedutor dos elogios mútuos e da vaidade incensada, esses escritores esqueceram de que pertencem à multidão, à massa anônima que não cessa de lutar e de sofrer na busca de uma vida melhor. E esquecidos disso, não percebem que a cidade necessita de um romancista que lhe analise a vida, seja o seu interprete. Esse romancista ainda não apareceu. Mas aparecerá, por certo. E já que os escritores de renome não se aventuram à empresa, é bem provável que ele surja, espontaneamente, da própria multidão. Um desconhecido qualquer, um anônimo, que jamais tenha escrito outra coisa, porém, que sinta o drama seu e de três milhões, sofra a angústia de uma cidade que se debate entre os caprichos extravagantes de “nouveauxriche” e a miséria que floresce nas ruas elegantes. Vivendo e sentindo a cidade, sofrendo suas dores e rindo suas alegrias, esse anônimo desesperado por não encontrar quem grite ao mundo por ele e pelos outros, escreverá o romance ciclópico do Rio tumultuário – grito que ficará revoando como autêntico testemunho de uma época. 37. Data 23/04/49;5 TÍTULO Caleidoscópio 37.1.Variações (c/desenho) tr Há, em certas passagens de Gide, uma pureza de pensamento rara de ser encontrada. Ele escreve como se estivesse argumentando consigo mesmo, uma intimidade confortante, esquecido dos preconceitos, das fronteiras e dos limites que restringem cada vez mais a vida do homem comum. E isso, principalmente isso, é que faz de Gide um dos mais expressivos e originais espetáculos do mundo contemporâneo: o de um homem puro, capaz de ser livre, de enfrentar os semelhantes e a vida sem máscaras e sem hipocrisia. É sempre ele mesmo, audaz, corajoso, paradoxal e perturbador, mas, Gide sempre. Sua prosa tem aquele toque de encantamento, uma irrecusável sugestão de sinceridade. E apenas sugestão, porque Gide não quer ser profeta. As palavras não podem ser substituídas por outras, porque nele as palavras têm o seu justo peso e valor, e adquirem força e expressão próprias: 460 “Expressar os pensamentos o mais sucintamente, e não o mais eloqüentemente. Mas é que a minha frase quer se fazer ouvida, quando, todavia, está inteiramente, viva, quando se agita e quando se a sente palpitar sobre as palavras. Essa palpitação, tão confundida com o dizer-bem, resulta-me cada dia mais insuportável... Qual a necessidade de fazer um artigo ou um livro?... Onde três linhas bastam, eu não colocaria uma quarta.” Realmente, esse senso de economia de palavras é uma nota dominante na obra gideana. Sua linguagem é depurada de tudo quanto não tem valor e significação. Não há, como em certos escritores, esse amor ao decorativo literário. Nele, o que tem beleza é o pensamento puro e simples do homem. E é por isso que ele pode dizer: “Com que felicidade me desembaraço daquilo que já não me instrui!” 37.2. Estréia (c/desenho) tr Anuncia-se o lançamento de Chamado do Mar, romance de estréia de James Amado. Antes de haver publicado qualquer livro, o nome de James Amado já era bastante conhecido do público, pelas colaborações divulgadas em revistas e suplementos literários de país e pelas várias traduções de livros de autores consagrados da ficção universal. Diplomado pela escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo, James Amado é tradutor e jornalista profissional, somente agora estreando no romance com esse livro, que mereceu de Otto Maia Carpeaux as mais elogiosas referências, principalmente pela originalidade e pelas experiências que encerra. James Amado é baiano filho de ilhéus e nasceu em 1922. 37.3. Presença de Anita (c/ fotografia) Tr Um dos mais ruidosos lançamentos dos últimos tempos, já em 5ª ou 6ª edição, Presença de Anita está muito longe de corresponder a esse sucesso de livraria. A não ser o sensacionalismo do tema gasto e serrado por milhares de autores, embora sempre atual – a inquietação do homem que não encontrou na esposa o seu correspondente sexual e se fragmenta aos poucos numa crise de desespero – o livro de Mario Donato nada apresenta que justifique esse record de tiragem. É verdade que os editores souberam explorar o público com uma propaganda intencionalmente dirigida, indo ao cúmulo, na quinta edição, de uma advertência que tem a malícia da chantagem: o livro não deveria ser lido senão por maiores de idade e, ainda assim, pelos que tivessem algum conhecimento de psicanálise..., A nossa opinião, em que passe a simpatia com que nos colocamos diante de Mario Donato, autor de literatura infantil, poeta e excelente jornalista, é a de que o seu livro é um romance mal realizado, de defeitos gravíssimos, imperdoáveis a um homem de sua responsabilidade intelectual. Estarrece a sua prodigalidade no uso dos lugares comuns, das frases feitas, e no mau gosto literário com que construiu a maior parte das cenas do livro. Nele, há coisas assim: “A vida não quer senão a sua própria continuação, custe o que custar, haja o que houver” Ou, então, “...era como o passar duma esponja gelada sobre a superfície levemente aquecida do seu gosto de viver”. São frases do próprio autor, no corpo do romance. Não pertencem a nenhum dos personagens, o que seria admissível, se se tratasse de alguém capaz de pronunciar semelhantes tolices. Iguais a essas, há muitas outras, a evidenciarem o pouco cuidado de Mário Donato na elaboração de Presença de Anita. Ali há um material que deveria ter sido mais trabalhado, depurado de quanta coisa falsa e injustificável existe em cada página, em cada linha. E a alegação de que o livro foi escrito em cerca de 90 dias, sob pressão, o autor cada vez mais empolgado pelo que ia escrevendo, não justifica os erros e as imperfeições. Um romance exige tempo, cuidado e estudo, entre outras coisas. E Presença de Anita, escrito de um fôlego, não poderia ser senão isso que está aí: um romance no qual um fantasma deixa marcas de uma unha no braço de um personagem. Esperemos que Mario Donato trabalhando com paciência os outros livros que diz ter prontos, ofereça ao público um trabalho que corresponda aos seus inegáveis méritos de escritor. 37.4. Novo Livro (c/ fotografia) Tr Permínio Asfóra, um dos mais destacados intelectuais pernambucanos, encontra-se em São Paulo, onde foi, como profissional de imprensa, participar do Congresso Nacional de Jornalistas. Aproveitando sua ida a São Paulo, o autor de Sapé, e Noite Grande entrou em entendimento com as editoras paulistas, para a publicação de um novo livro seu, romance escrito no mesmo estilo dos dois anteriores. Tudo indica que, daqui a alguns meses, seja lançado esse novo livro do conhecido diretor de Resenha Literária, uma das boas revistas do Recife. Permínio Asfóra trabalha na imprensa e revistas literárias e é colaborador de vários suplementos e revistas literárias. 37.5. Judas o obscuro (c/ fotografia) res Ao comentar o lançamento do livro Judas O Obscuro, de Thomas Hardy (1840-1928), pela Editora A Noite, numa tradução de Octávio Faria, o resenhista afirma que esse livro já foi uma das melhores produções na obra do autor. Esse romance apresenta uma amargura que provocou um choque na opinião pública, provocando o abandono da ficção por parte do escritor e fazendo-o enveredar pela poesia. Alencar considera o romance atual por contar a “história do homem ludibriado na sua vontade de viver e de crescer”, de forma triste e amarga, com desencanto. Outro livro do autor : Tess D’urbervilles. 37.6. A excluída (c/ fotografia) tr O círculo Literário do Brasil, que lançou este mês Recordações do Escrivão Isaias Caminha, de Lima Barreto, já esta anunciando a sua seleção p/o mês de maio: A Excluída, de Luigi Pirandello, edição da Ipê. Trata-se de uma das grandes obras do singular escritor italiano, que é das mais expressivas e originais figuras da literatura do nosso século. Esse seu romance conta a história, aparentemente banal, de uma mulher injustamente acusada de infidelidade. Descrevendo os acontecimentos posteriores a essa acusação, Pirandello, com ironia e malícia, analisa o meio social em que vive o personagem central de seu romance, objetivando os efeitos desastrosos da moral rigorista que preside os nossos destinos. 37.7. 40.000 exemplares (c/ fotografia) res 462 O Amanuense Belmiro, de Ciro dos Anjos, lançado, em 3ª edição, pela Coleção Saraiva, conseguiu uma tiragem surpreendente de 40.000 exemplares. Livro de estréia do escritor, esse romance recebeu uma boa acolhida do público e crítica, alçando o escritor o um dos destacados nomes da literatura nacional. Outro romance do escritor: Abdias. 37.8. Produção em massa (c/ fotografia) res O escritor José Mauro de Vasconcelos possui uma volumosa produção literária, acostumado a percorrer o país, vivendo as histórias que escrevia, formou-se assim, uma das mais curiosas personalidades da literatura brasileira àquela época. Autor de Barro Blanco e Longe da Feira, deixou, naquele ano, como editor os romances As pedras de Deus e Vazante, além de anunciar mais seis já prontos. Em entrevista a Valdemar Cavalcante, que assinava a secção Jornal Literário, do Jornal do Rio, afirmou que iria viajar para dentro do Brasil em estudo e, para o próximo ano, estava programando uma viagem para a Europa, com uma bolsa de estudos. 37.9. O poeta laureado (c/ fotografia) res Ao noticiar que o Poeta Laureado da Inglaterra, John Masefield, estava gravemente enfermo, o resenhista faz uma crítica à obra do poeta, “um dos mais respeitados nomes da literatura inglesa”. Esse poeta “voltou-se para a problemática de sua época identificando-se com os personagens anônimos e simples da tumultuária vida moderna”. Obteve o prêmio Poeta Laureado em 1930 com a poesia Reynard the Fox. Segundo a crítica suas Baladas renovaram a poesia inglesa, com novas experiências e processos e seu poema Consacration, livro dos heróis desconhecidos, deu-lhe prestígio ao representar a revolta contra os potentados e identificação com o povo: “nada de príncipes e dignitários com seus cocheiros de peruca Triunfalmente laureados, saboreando o fruto dos Anos Mas, sim, os homens escanercidos, recusados empunhando as suas lanças” 37.10. Flagrantes Rs – Lançamento de concurso de monografia sobre o 2 de julho, pela ABDE, secção Bahia Rs – A Unidade da Lavoura, do sr. Eusínio Lavigne, reunião de artigos e sugestões sobre a política cacaueira pelo cooperativismo. Rs – Antologia dos Novos a ser lançada pela Revista Branca, livro que reunirá contistas brasileiros. Vasconcelos Maia representará a Bahia, o contista é um dos diretores de Caderno da Bahia e autor de Fora da vida. 38. Data 21/05/49;5 TÍTULO Caleidoscópio 38.1. Maeterlinck (c/ fotografia) res A morte de Maurice Maeterlinck – Prêmio Nobel de Literatura, 1911 – conde belga, trouxe luto ao mundo das letras. Autor de Pelleas et Melisande, que foi transportada para a ópera por Debussy; de O Pássaro Azul, levado ao cinema; A Vida das Formigas e A Vida das Abelhas, suas obras são mais voltadas para as crianças e animais. O escritor belga, nascido em 29 de agosto de 1862 abandonou o desejo da família de ingressar nas ciências jurídicas para dedicar-se à literatura. 38.2. Miniatura (c/ fotografia) tr Escritor de grandes qualidades e possuindo longa experiência, Afonso Schimidt é considerado, com justiça, um dos pontos mais altos da ficção nacional. Percorrendo todos os gêneros literários, pois é poeta, jornalista, teatrólogo, ensaísta, romancista, cronista e contista, é principalmente nesse último gênero – o conto – que Afonso Schimidt se revela uma das grandes capacidades criadoras da nossa literatura. Também no romance, ao qual se tem dedicado ultimamente, essa mesma força se manifesta, como uma das mais impressionantes que possuímos. Nascido em 1890 Afonso Schimidt, mal chegava aos 16 anos, aventurava-se a uma acidentada viagem à Europa sem quaisquer outros recursos que a coragem e a ousadia do seu espírito, viagem essa que está fixada no livro A Primeira Viagem. Sua estréia ocorreu em 1912, com Janelas Abertas, publicando, em seguida, Mocidade, Garoa e Poesias. Ingressando no jornalismo, foi redator do Estado de São Paulo, onde ainda trabalha. Em 1921, reuniu seus primeiros contos em Brutalidade, lançando, em seguida, as novelas Os impunes, O Dragão e as virgens. Posteriormente Colônia Cecília e Zangala e o reino do céu. De contos são ainda os volumes Curiango, onde estão muitas de suas melhores produções no gênero, Pirapora e O tesouro Cananéia. Para o teatro escreveu As levianas, A história de fadas e Carne para canhão, um tremendo libelo antifascista, já traduzido para o espanhol e o italiano. Como romancista, publicou A marcha, A vida de Paulo Eiró, O assalto, Retrato de valentia e, recentemente, venceu o concurso literário de O cruzeiro, com o romance Menino Felipe. Não há nenhum exagero em dizer que Afonso Schimidt é uma das mais fortes e mais autênticas expressões da literatura brasileira contemporânea. Sua obra de autodidata está revestida de uma como que desenganada simpatia humana, sendo esse um dos seus traços dominantes. 38.3. novelista inglesa (c/ fotografia) res A escritora Elizabeth Bowen, dona de uma aguda sensibilidade e penetrante poder de investigação, alcançou uma grande projeção na novela inglesa contemporânea,. Autora de The house in Paris e The heath of the day, esta última, lançada paralelamente á publicação de suas obras completas, tem recebido elogios da crítica. O cenário do último livro é a Londres 464 convulsionada pela última guerra. Dentre os críticos que tem se ocupado da novelista, destaca-s O´Faolain. 38.4. Depoimento tr Mario Sette, escritor pernambucano, que lançou há pouco, Arruar, história pitoresca do Recife antigo, possui, uma vasta obra, que abrange quase todos os gêneros literários. Com 60 de idade, Mario Leite, está atualmente preparando um romance, e a esse respeito disse o seguinte: “O meu romance de sexagenário está cheio de minha ‘paisagem interior’ da velhice, desta minha velhice sem disfarces e sem pretensões de não ser velho,visto que não se amorrinhando de ‘rabugices’, antes sentindo o que me afigura ‘sentir’ nos tempos de agora, sem trair o meu tempo”. 38.5. Acredite que é verdade res - Anuncia o lançamento do já famoso romance The naked and the Dead, do escritor norteamericano Norman Mailer recebeu críticas e provocou “uma tempestade literária”. Considerando-o obsceno, o Sundy Times exigiu a suspensão do lançamento. Os críticos dividiam-se. O resenhista cita opiniões veiculadas em diferentes órgãos de imprensa: Sundy Times, News Chronide, e Daily Herald. – Uma Academia Ideal – apresentação, considerando os problemas, o resultado de enquete literária promovida pelo jornal O Combate, o qual solicitava que os entrevistados indicassem nomes de escritores franceses para comporem a Academia Ideal. Das 507 respostas escolhidas Gide obteve 423, Camus 342, Sartre 325; Malraux 298, dentre outros citados. 38.6. Flagrantes res - Revista Branca, nº 6, comemorativo ao 1º aniversário, edição de abril-maio, à venda; - Jules Romain foi convidado a escrever um romance a ser aproveitado para o cinema, cenário: Paris; - A Revista Resenha Literária, nº3, ano II em circulação, Recife; - Chegada da Paraíba, a Revista A União; - A Revista Clã vai publicar o livro de contos de Eduardo Campos, A Viagem Definitiva, colaboração com editora Fortaleza; - Tradução de Dentes do Dragão, de Upton Sinclair, por Wanda Murgel; - Les Hommes San Nom, de Jean Faurel, vol. II, de Gallimard; 1º volume Les Reposantes e 3º Les innocentes, este a ser lançado; - Lançado pela editora Self de Paris, Phisiologie du Parti Communiste Français, de A Rossi; - Anuncia: A grande Cidade, de Edmundo Amaral e Pequeno Burgês, de João Calazans. - Sons and Loves, de D.H. Laurence, 1ª edição de 1913, publicada pela Penguin Books de Londres. 38.7. É a pedra no caminho (c/desenho) tr João Clímaco Bezerra, escritor cearense, quando lançou o seu romance Não há estrelas no céu, enviou um exemplar ao poeta Carlos Drummond de Andrade. Nada mais natural. Estava estreando, e era justo que enviasse o seu livro aos “donos das letras”, inclusive a um dos nossos maiores poetas contemporâneos. Algum tempo depois, porém foi Braga Montenegro autor de um livro de contos, Uma Chama ao Vento e do mesmo grupo de João Clímaco Bezerra – a Revista Clã – quem recebeu a seguinte e curiosa carta de Carlos Drummond. “Meu prezado Braga Montenegro. Circunstâncias diversas não me permitiram, até agora, mandar-lhe uma palavra de cordial agradecimento pela oferta de seu livro, com as felicitações que você bem merece por uma estréia assim rica de interesse no campo da ficção. Certas cenas de Não há estrelas no céu, bem como o relevo que V. conseguiu dar à vida moral e às reações psicológicas do personagem central, revelam a existência de um romancista que muito poderá ainda dizer em obras futuras. Com votos de uma fecunda e brilhante carreira, abraça-o, amistosamente, Carlos Drummond de Andrade. Adianta-se que Braga Montenegro, não sendo o autor de Não há estrelas no céu, e embora tendo recebido a carta de Carlos Drummond, fez a esse livro uma severa crítica. 38. 8. Isaias Caminha (c/ fotografia) Tr Aparece mais uma edição de Recordações do escrivão Isaias Caminha, 4ª edição, editora Merite S.T., Rio, 1949, romance de estréia de Lima Barreto. A luta do grande romancista carioca é um exemplo que não deve ser perdido de vista. Enquanto Machado de Assis e os figurões da época tudo conseguiam das editoras, Lima Barreto era tremendamente sabotado. E a tal ponto chegou a “guerra fria” que lhe moveram que, cansado de esperar editores para o livro cujos primeiros capítulos já haviam sido divulgados pela sua fracassada Revista Floreal, Lima Barreto, por intermédio de amigos, mandou publicá-lo em Lisboa, em 1909, pela Livraria Clássica, Editora, sendo a revisão feita por Albino de Forjaz Sampaio. É famosa essa edição por dois fatos: o romance sofreu muitos cortes e o autor não recebeu um níquel de direitos autorais. Chegou mesmo, tão ansioso estava de ver o livro impresso, a escrever aos editores, antes que esses lhes respondessem afirmativamente, dizendo que concordava em não aceitar nada, conforme lhe dissera um amigo ser essa a exigência da editora. E acrescentava na carta: “sabendo eu de que modo a fortuna de um primeiro livro é arriscada, nada exijo pela publicação do meu, a não ser alguns exemplares, cinqüenta, para os oferecimentos de praxe. Julgo-me, meu caro sr. Teixeira, muito feliz por encontrar quem queira publicar-me e com a publicação fico satisfeito”. Para a segunda edição, paga de seu bolso, Lima Barreto teve de pedir empréstimos. Mas, queria ver o seu romance novamente em circulação e agora na íntegra. Acrescendo-se que esse livro é uma tremenda sátira ao jornalismo brasileiro e, particularmente, ao Correio da manhã, do Rio. Nele há muito da experiência pessoal desse grande nome da nossa literatura, o qual sofrendo hoje um reexame cuidadoso, vem construindo definitivamente o conceito que já lhe havia sido dado, de admirável escritor, um dos mais altos pontos do romance brasileiro. 466 39. Data 04/06/49;5 Título Caleidoscópio 39.1. Edição de luxo (c/ fotografia) tr Murilo Mendes é um dos mais conceituados poetas modernistas do Brasil, apesar das restrições que, à sua obra, faz certa parte da crítica nacional. Como quer que seja, o autor de As Metamorfoses é um dos intelectuais de maior projeção no Brasil e, mesmo, no estrangeiro, onde seus versos são conhecidos e admirados. Agora mesmo, notícias de Paris informam que a “Impremerie Union” lançará uma edição de luxo de seis poemas de Murilo Mendes, com ilustrações do conhecido pintor Picabeia. 39.2. Miniatura (c/ fotografia) tr Autor de uma considerável bagagem literária, Orígenes Lessa, embora tendo cursado as primeiras letras em São Luis do Maranhão, nasceu em Lençóis, São Paulo, a 12 de julho de 1903. A prova de que desde muito cedo teve inclinação para a literatura, é o fato de, aos oito anos de idade haver escrito uma história em grego, isto é, no alfabeto helênico, pensando que bastaria alinhar as estranhas letras desse alfabeto para construir uma história e estar no pleno domínio da língua que seu pai, então, ensinara no Liceu Maranhense. Durante o curso ginasial, feito já em São Paulo, distinguiu-se sempre, segundo ele mesmo declarou certa feita, como péssimo aluno. Cursou teologia num seminário protestante da capital paulista, e, no Distrito Federal, foi aluno da Faculdade de Filosofia e de uma escola dramática, de cujos estudos disse: “Não sai pastor protestante, nem filósofo, nem ator”. Diz-se, também que sua vocação para o jornalismo vem de muito longe: quando criança costumava redigir pequenos jornais, feitos à mão ou impressos, daí nasceu o jornalista que, em 1929, estreava na profissão, ingressando no Diário da Noite, época em que publicou seu primeiro livro de contos, O escritor proibido. Espírito combativo, Orígenes Lessa foi revolucionário constitucionalista em 1932, sendo preso pela ditadura. Escritor por vocação, não perdeu a oportunidade e escreveu dois livros de reportagens sobre a revolução paulista, Não há de ser nada, que obteve três edições, escrito a lápis, no presídio, onde “não havia nem tinta, nem caneta, nem pena, nem comida que prestasse...” e Ilha Grande, do jornal de um presídio de guerra, “a história de dois mil prisioneiros paulistas durante a mais dolorosa e difícil das suas batalhas: a dos braços cruzados”, publicado aquele em 1932 e este em 1933. Dedicando-se à publicidade, Orígenes Lessa tornou-se técnico no assunto, tendo escrito alguma coisa a respeito inclusive O Livro do Vendedor, teoria e prática comercial, publicado em 1ª edição em 1931. Escritor dotado de aguda imaginação e grandes recursos técnicos, sua obra é uma das mais originais de nossa literatura. Dedicando-se ao jornalismo, ao romance, à literatura infantil, à crônica, ao teatro e ao conto – gênero em que é considerado um dos melhores dos nossos contemporâneos – sua produção é grande, nela figurando, além dos livros já citados: Garçom, Garçonete, Garçonniere, contos, 1930, menção honrosa da Academia Brasileira de Letras, A cidade que o diabo esqueceu, contos, 1931, Passa três, aventuras e desventuras de um cavalo de pau, novela para crianças, 1932, O sonho de prequeté, novela infantil, 1934, O Joguete, novela, 1937, O feijão e o sonho, romance, Prêmio Antonio de Alcântara Machado, 1938, ultimamente publicado, em 3ª edição, pela Coleção Saraiva, O.K. América, notas de viagens ao estrangeiro, 1945, Omelete em Bombaim, contos, 1946, A desintegração da Morte, novela seguida de contos, selecionada pelo Círculo Literário do Brasil, 1948. para o teatro, escreveu ainda, Um homem passou e Nasceu um herói. Atualmente prepara um novo romance, cujo título deverá ser Rua do Sol. 39.3. Jean Barois tr Escrito há cerca de 36 anos, e agora publicado pela Livraria do Globo, Coleção Nobel, tradução de Vidal de Oliveira, este livro de Roger Martin du Gard desperta grande interesse e suscita as mesmas discussões já travadas em 1913, quando foi escrito. É que, sendo um romance de debate, fixando o conflito que dominava e domina ainda os homens – o dos espíritos científico e religioso – sua leitura não pode ser feita com indiferença. Acrescenta-se a isso o fato de ser um romance, de certo modo histórico, de vez que Martin du Gard colocou seus personagens imaginários em contato com a realidade histórica de determinada época, chegando mesmo a incorporar à narrativa documentos autênticos, como parte dos célebres panfletos de Lazare e provas taquigráficas do affaire Dreyfus. O grande romancista de Os Thibault é universalmente consagrado como um dos maiores escritores do nosso tempo e um dos mais brilhantes espíritos da França. Isso provém, em grande parte, do fato de ser Martin du Gard, além de um profundo pesquisador dos dramas individuais, aquele que melhor e mais objetivamente realiza o estudo dos dramas coletivos. E em O Drama de Jean Barois essas duas análises se completam. Feitas com aquele acentuado sentimento humano, que é uma dominante na obra de Du Gard, ofereceu ao leitor a rara oportunidade de participar da discussão de tema apaixonante e sempre atual. 39.4. Depoimento tr Apontado, por um jornalista que lhe entrevistava, como um dos nossos escritores que melhor manejavam o idioma, Graciliano Ramos, com a sua peculiar modéstia, respondeu: “Conversa. Talvez, se houvesse alguma verdade nisso, eu devesse muito aos caboclos do Nordeste, que falam bem. É lá que a língua se conserva mais pura. Num caso de sintaxe de regência, por exemplo, entra a linguagem de um doutor e a do caboclo, não tenha dúvida, vá pelo caboclo, e não erra. Note-se que me refiro ao caboclo do sertão. O do litoral vai se estrangeirando”. 39.5. Quem Se Habilita Res Curioso e pitoresco o anúncio que o escritor Léo Vaz, redator-chefe do O Estado de São Paulo, publicou no referido jornal à procura de um editor para três pequenos volumes de ensaios publicados esparsamente na imprensa. Seriam os títulos: Trololós seu tanto quanto estéticos com leves traços de filosofia, reunindo artigos sobre o modernismo na arte e na literatura, Escólios Bíblicos, sobre o livro das escrituras e Réplicas e Tréplicas, crônicas mais 468 ou menos polêmicas. O anúncio revela o espírito irônico e meio desencantado do autor que diz: “Cartas, se hipoteticamente as houver, dirigi-las a Leo Vaz, na redação dessa folha” 39.6. Prêmios literários franceses res A Societé des Gende Letres foi unânime ao conceder um dos seus prêmios a Mme. Germaine Beaumont, autora de Piege, Du Cote d’ou viendra le jour e La roue d’infortune, este prêmio com o Le guilde. O outro prêmio foi concedido a René Maran, autora de Batoula, romance, Le petit roi de Chimerie e Lês livres de la Brousse. 39.7. Flagrantes res - Lançado em Londres, em versão inglesa, Pureza, de José Lins do Rego, tradução por Lucie Maron, pela Hutchinson. Feiras de Livros na Bahia: no Depósito Internacional de Livros e, outra, na livraria Popular. Publicação de Pequenas Virgens, romance de Carlos de Oliveira, escritor português da nova geração, autor de Colheita perdida, poemas. 39.8. De Londres c/foto res O último trabalho de Rebeca West, (1892...), The Meaning of Treason, lançado recentemente, reúne depoimentos, dos quais foi testemunha ocular, dos julgamentos de que, nas cortes civil e marcial foram vítimas William Joyce, John Amery, Walter Purdy e outros. A poetisa, novelista, historiadora, comentadora política e também crítica escreveu vários estudos importantes, dentre os quais o de Henry James, 1916. 39.9. Meus Verdes Anos (c/ fotografia) Tr O sr. Zé Lins do Rego, cujo romance Pureza foi traduzido para o inglês e publicado em Londres, continua a trabalhar inquieta e ativamente, divulgando crônicas diárias na imprensa “Associada”, polemizando com os novos do grupo Orfeu e discutindo com alguns rapazes do Recife, sem esquecer o futebol. Embora trabalhando na elaboração de um novo romance, Cangaceiros, o sr. Zé Lins está redigindo as suas memórias. O título já anunciado, Meus verdes Anos, sugere qualquer coisa no estilo de Delly e Ardel e deixa os leitores numa dúvida tremenda: se as memórias dizem respeito à verde infância do menino ded engenho ou aos “verdes” anos do escritor. 39.10. Um novo anita ? (c/ fotografia) tr Mário Donato, o escritor e jornalista de São Paulo, que obteve um dos mais ruidosos sucessos de livraria em 1948, com o romance Presença de Anita, declarou ao ser entrevistado pela imprensa, que possuía outros romances já prontos. Agora, segundo notícias da capital, paulista, o redator-chefe da Folha da manhã, vai lançar um desses livros, o romance que leva o curioso título de Maria Vestida de Azul. É de esperar que esse romance nos apresente um Mario Donato mais amadurecido e mais senhor da difícil técnica do gênero que abraçou. E que Maria Vestida de Azul não seja um outro Presença de Anita, sucesso de livraria, elogiado por certos críticos, mas sem nenhuma dúvida, um livro de qualidade inferior e mal construído. 39.11. Livro de Koestler (c/ fotografia) Res Arthur Koestler, no livro Insigth and outlook, segundo os pareceres da crítica, procura estudar as causa que levam o homem a pensar, enveredando pelos domínios da biologia e da psicologia. O livro citado é uma tentativa de teoria sobre ética, estética e o pensamento criador. Autor de O Zero e o Infinito, Yogue e o Comissário, dentre outros livros. 39.12. Pequeno mundo antigo Res José Geraldo Vieira traduziu, e a Livraria Martins publicou, Pequeno Mundo Antigo, de Antônio Fogazzaro (1842-1911), escritor italiano. Esse escritor é considerado um dos continuadores de Manzoni e pertence àquela geração que refletiu na sua arte o conflito entre o misticismo e o racionalismo, sendo esse romance um dos mais equilibrados e melhor realizado como obra de arte. Publicou ainda Il Santo, livro condenado pela igreja. 39.13. Quatro notas c/foto(ñ indica de quem) Res - - José no Egito, de Thomas Mann, traduzido por Agenor Soares de Moura, pela Editora Globo; Em preparo uma História da poesia moderna brasileira, por Sergio Milliet, crítico paulista; John Lehmann, poeta, novelista, crítico e ensaísta, “um dos líderes da nova geração inglesa e um dos mais arrojados editores de seu país”, vem ao Brasil, onde proferirá conferência sobre a moderna literatura inglesa. Publicou, dentre outros livros, The Sphere os Glass. Recompensa, poemas, de Judas Isgorogota, pseudônimo de um poeta alagoano, residente em São Paulo. Livro em 4ª edição, pela Edição Saraiva. 470 40. Data 02/07/49;5 TÍTULO Caleidoscópio 40.1. Variações sobre a desonestidade Tr Dir-se–ia que as publicações feitas em um dos jornais desta capital, a respeito da dissidência havida na ABDE do Rio, teriam sido regidas por um investigador do estado novismo, daqueles que prendiam um comunista, em cada esquina, tal o caráter de que se revestiam. Ninguém ignora nem procurou esconder que houve dissidência na ABDE do Rio. É fato do domínio público, e o Brasil inteiro já tem ciência desse assunto, que anda fedendo de tão velho. Quer, porém, ressuscitá-lo para envolver a secção baiana da ABDE nessa, dissidência, e por ainda, pretender acusá-la de extremismo, é de um ridículo absolutamente original. É claro que alguns elementos se deixarão iludir, ou melhor dito, amedrontar por essas publicações. O medo do comunismo é um pretexto para a covardia e o comodismo de algumas pessoas. Covardia de contrariar alguém ou desgostar o governo e o comodismo de não fazer coisa nenhuma. Poucos, todavia, dos que lá estão, andarão a cata desse pretexto. E na história dessas publicações há uma verdade tão cruel quanto necessária de ser conhecida. É a vontade de sabotar o III Congresso Nacional de escritores, que aqui vai ser realizado este ano. É o firme propósito de impedir a reunião dos escritores. Porquê? Simplesmente por dois pequenos motivos que as publicações não esclarecem. Primeiro, por uma questão de vaidade de poetas, ressentimento de não fazer parte da uma comissão organizadora. Segundo, porque do Congresso foi retirado qualquer caráter político ou pessoal, e certa ala política entende que qualquer manifestação coletiva deve ser, obrigatoriamente, uma afirmação de seu prestígio, daí entendo que a presidência da honra do Congresso deveria caber a outro que não o governador Mangabeira e a presidência da Comissão organizadora a outro que não deputado Jorge Calmon. E, como ficaria feio declarar isso publicamente (embora particularmente esse segundo motivo fosse soprado em muito ouvido) o meio mais fácil de sabotar seria o espantalho do comunismo, do qual gregos e troianos se afastam rapidamente. Esquece o autor das publicações (vive no mundo da lua) de que esse negócio de a tudo acusar de comunista está inteiramente desmoralizado, mais ainda quando se sabe o interesse que atua por detrás da acusação. E depois, mesmo que assim não fosse, aí estão os nomes que integram a Comissão Organizadora e a própria diretoria da ABDE, a desmentirem, a priori, qualquer acusação dessa natureza. O curioso é que numa das explorações, porque um ou dois se afastarem, tem-se a coragem de convidar os outros escritores a abandonarem a ABDE! Mas, ora que tolice. Isso é tão repugnante quanto a má poesia de alguns falsos poetas, que somente têm esse nome à custa do regime de elogios mútuos. Os verdadeiros escritores, conscientes de sua responsabilidade, lá continuarão a trabalhar em prol de maior e mais estreita união entre os intelectuais, independente de suas convicções filosóficas ou fé religiosa, visando apenas o bem comum. E se não é do seu feitio capitular ou entregar a outros a decisão de seus problemas, muito menos será aceitar que uma reunião de escritores se transforme em arma de propaganda eleitoral de quem quer que seja. Ora, seu poeta, procure outra vida. Lembre-se também, que do alto daquelas pirâmides quarenta musaceas vos saúdam. 40.2. Chamado do mar Tr Já está a venda, lançado pela Martins, Chamado do mar, romance de James Amado, escritor baiano que o público nacional se acostumou a encontrar como tradutor profissional e colaborador de suplementos e revistas literárias. Seu livro de estréia revela um escritor amadurecido e no completo domínio da técnica novelística. É aspecto do drama do homem em luta com a natureza, com o mar e com a terra, e o autor soube fixar seus personagens com um vigor e uma expressão raramente encontrados em livros de estréia. Trabalhando um tema que já seduziu a escritores, mas, sabendo-o trabalhar com a sensibilidade e compreensão, James Amado nos deu um romance em que há uma densa atmosfera humana, pintada um singular toque de poesia, o que faz de algumas páginas de Chamado do mar algo digno das melhores antologias. E impossível será ao leitor deixar de participar da atmosfera do livro, sentindo a paisagem e vivendo os seus conflitos tal o poder de comunicação e sugestão, que há no estilo vivo, plástico de James Amado. 40.3. Carta aos americanos Res Após regressar à França, Jean Cocteau, que estivera nos Estados Unidos assistindo a “premiere” do seu novo filme, escreveu uma série de artigos intitulados ‘Carta aos americanos’, nos quais relata o que viu e sentiu na América do Norte. 40.4. Biografia de Goethe Res Sobre estudos que sugiram sobre Goethe, durante o período de comemoração do bicentenário do seu nascimento. 40.5. Delegado da A.B.D.E. Tr Encontra-se nesta Capital o conhecido escritor, sociólogo e historiador Edison Carneiro, que atualmente reside no Rio de Janeiro, onde é redator chefe da ‘Associated Press’. Figura de singular prestígio da literatura nacional, tendo, durante alguns anos, exercido a atividade de critico literário. Diretrizes e outras, e, hoje em dia, o maior pesquisador de assuntos afrobrasileiros e grande estudioso da nossa história, Edison Carneiro é fonte obrigatória pelos que se interessam por esses estudos, dada a probidade intelectual e ao cuidado com quão são escritos. Edison Carneiro veio à Bahia como delegado da ABDE do Distrito Federal, a fim de tratar de assuntos ligados ao III Congresso Nacional de Escritores, a ser realizado nesta capital, dentro de poucos meses. 40.6. Depoimentos Tr Escrevendo sobre o humanismo, afirmou Alceu Amoroso Lima: “Nossa posição perante os clássicos e particularmente a antigüidade grego- romana, tem necessariamente, de fugir dos 472 dois extremos - o da admiração que tolha o movimento ou o da repulsa que corte as raízes. São dois extremos iguais e contrários, o do Renascimento e o do século XVIII. Êxtase imitativo ou formal. Nada mais errado. O melhor meio de escolhermos o caminho da proporção entre os dois extremos e a verdade é sempre uma proporção como a beleza é um equilíbrio- é fazermos não o que os clássicos faziam, mas como os clássicos faziam se devemos conhecer bem os clássicos, não é para que eles nos tolham a liberdade de renovação, mas, para que, ao contrario, nos enriqueçam com o seu incomparável exemplo de vigor, de originalidade, de inteligência e sensibilidade do “humano.” 40.7. (Sem título) Tr Em circulação um novo número de Resenha Literária, revista de literatura e de arte dirigida pelo romancista pernambucano Permínio Asfóra. xxx Publicado pela “Martins”, aparece O Céu entre montanhas, romance de Jurandir Ferreira. 40.8. Liberdade de viver tr Jean Cassou (1911-...) é um nome pouco divulgado no Brasil. Grande, todavia, é o seu prestígio na Franca, Espanha e México, países que considera suas pátrias, já que é francês descendente de espanhóis e mexicanos. É nessa qualidade que divulgou entre os franceses ,muito da literatura hispano-americana, tendo traduzido Cervantes, Gomes de La Serna, Unamuno, Quevedo, Lope de Veja e outros. Autor de várias novelas e ensaios de crítica de literatura e de arte, dentre os quais um dos maiores, porém, mais profundos estudos sobre Cervantes, Cassou é uma das personalidades marcantes do mundo literário francês, tendo, também, ocupado vários cargos oficiais importante, como o de conservador do Museu de Luxemburgo. Espírito sensível às transformações que se processam no mundo, Cassou escreveu recentemente um artigo no qual diz: ‘Agora, que o nosso país começa a realizar os esforços necessários ao seu próprio renascimento, temos pela frente a brutal perspectiva de uma nova guerra. A esse abominável injução, nós respondemos com uma firme vontade de paz, com a recusa da ameaça de morte, e com uma vontade não menos apaixonada e imediata, concreta e militante de consagrar a nossa atenção àquela que nos parece a necessidade mais atual, substancial e organicamente indispensável do nosso país: aquela de viver .e reconstruir, imediatamente, as próprias forcas intelectuais, a própria atividade criadora. Assim como se pode provar o movimento movendo-se, prova-se a vida vivendo-se. Sabendo que o livre exercício do pensamento é a riqueza nacional mais preciosa e a garantia de todos os nossos bens, do pão, do vinho, da moeda e da força. É a garantia da independência nacional. Um povo, antes de qualquer consideração de superioridade materiais, é forte e livre pela própria cultura, esta cultura que não pode ser reservada a poucos, mas, aberta a todos os filhos do povo porque é a realidade mesma do povo. É necessário, pois, dar aos homens que têm missão a defesa e o desenvolvimento dessa cultura, todos os meios para que possam, dignamente, cumprir o seu trabalho.’’ 40.9. (sem título) Tr Anita Garibaldi é, sem dúvida, uma das maiores impressionantes figuras femininas da História do Brasil. E sua vida é um tema sugestivo e apaixonante, que Valentim Valente soube aproveitar na sua biografia romanceada, Anita Garibaldi, “heroína por amor”, editado pela Pongetti. Dispondo de poucos elementos, pois bem escassa é a biografia sobre a heroína brasileira, Valentim Valenti realizou um romance evocativo jogando com os poucos dados existentes, completando-os com a sua disciplina imaginação. Esse livro que é uma homenagem a Anita Garibaldi no transcurso do seu centenário, que este ano se comemora, foi, também, editado em italiano, e servirá de argumento para um filme a ser produzido pela Universali- film, de Roma. 40.10. Os escritores e a paz tr Um dos mais vigorosos escritores da moderna literatura norte-americana, Erskine Caldwell (Gerorgi, 1903-...) ganhou rápido prestígio pela sinceridade, muita vez agressiva, com que constrói suas histórias. Sua obra está, quase toda, fundamentada na realidade trágica do sul dos Estados Unidos, com suas terras esgotadas, seus poor whites linchados de negros não querendo enxergar e aceitar a decadência e a transformação das antigas condições. Esse é o ambiente característico de suas novelas e contos, muito bem fixado em Tobaco’s road e God’s litle acre. Foi essa atitude corajosa e renovadora, rompendo com a tradição das histórias bonitas e irreais, falsas, dos campos sulinos, que deu a Erskine Caldwell a grande celebridade de que hoje goza no seu e em outros países. Recentemente, representou os Estados Unidos no Congresso internacional de Intelectuais, realizado na Polônia. No curso de uma reunião na Associação de Escritores Poloneses, da qual participava, Erskine Caldwell, com a autoridade de escritor jamais distanciado da realidade e grande lutador da causa de paz entre os povos, declarou, a respeito da atualidade política internacional: “Se deixasse aos escritores o cuidado de resolver as dificuldades internacionais, a paz seria logo assegurada. O que não pude aprender durante muitos anos, aprendi rapidamente convosco”. 40.11. História de um exemplo Tr Raymundo Souza Dantas (Estância, Sergipe-1923-...) é um nome já conhecido do público, como autor de Sete palmos de terra e Agonia, colaborador de algumas revistas literárias e jornalista profissional. Poucos sabem, entretanto, que, de origem humilde, Souza Dantas exerceu os mais variados ofícios, foi tipógrafo e revisor, e somente em idade um tanto avançada foi que aprendeu a ler e escrever. Alfabetizou-se à custa de muito sacrifício e força de vontade. A história de sua alfabetização é um incentivo sobre ser um exemplo que a muitos poderá servir. É essa história a que ele próprio nos conta em seu novo livro, esboço de autobiografia, escrito, a convite do Ministério da Educação e Saúde, para a campanha de alfabetização de adultos. Já anunciado há algum tempo, com o título de Caminho áspero, esse livro vem de ser publicado, com o título pouco expressivo e nada original de Um começo de vida, e um prefácio do próprio ministro Mariani, que assim termina: “Recomendamos a leitura de Um começo de vida nas classes de ensino supletivo em todo o país, e também aos desalentos e descrentes de idéias de que cada homem possa construir o seu próprio destino, 474 pois que assim é, em grande parte, pelo menos. O Ministério da Educação agradece a Raymundo Souza Dantas haver aceitado a incumbência de escrever este livro, aparentemente tão simples, mas tão sério e profundo, pelo que representa da capacidade que tem o homem, criatura de Deus, de progredir e aperfeiçoar-se”. 41. Data 16/07/49;5 Título Caleidoscópio 41.1. Conferência de Camus Res Sobre a conferência a ser realizada na Bahia pelo escritor francês, existencialista, Albert Camus, a qual faz parte da viajem a América do Sul do mesmo. 41.2. Viagem Encantada Tr Um doce passeio à infância, ao ambiente cheio de poesia do bairro perdido na memória, onde as lembranças chegam como fantasmas amigos eis o despretensioso mas, admirável livro com o qual Hermano Requião encontra no mundo das letras. Menino de Itapagipe, filho de conhecida família baiana, o atual secretário do Diário de Noticias, do Rio, aqui estudou e se diplomou em professor pelo Instituto Normal, tendo aqui também exercido o magistério durante alguns anos além das atividades jornalísticas. Transferindo-se para o Rio, em 1933 ingressou na redação do já citado jornal onde até hoje trabalha e ao qual dedica todo o seu tempo. Em meio ao tumulto do seu trabalho assaltavam-lhe, aos quanto, as lembranças da terra distante, do bairro poético da infância despreocupada dos cenários e personagens que nunca mais vira porém que continuavam a viver em sua memória como ternas figuras de lenda. E um dia, cede à insistência dessas lembranças, fixando-as em páginas sem nenhuma pretensão literária, sem qualquer intenção de estilo, porém escritas tão naturalmente e com tanta sinceridade, que reunidas em livro se nos apresentam como páginas com uma pureza rara de ser encontrada. Com essa descida ao mundo mágico da infância, Hermano Requião oferece ao publico um livro simples, mas cheio de beleza e poesia cuja leitura é uma agradável viagem aos velhos tempos da península de Itapagipe, uma visita aos seus personagens populares, às ruas e ladeiras impregnadas de doce mistério, ao cineminha de dez tostões, às suas xarangas e a tudo o mais que compõe a vida pacata das províncias. E ao leitor de Itapagipe, Minha infância na Bahia uma impressão há de assaltar, mais do que estará sendo conduzido por hábil e precavido contador de histórias ao mundo encantado de reinações. Acrescente-se a isso tudo, o fato de ser Itapagipe uma das mais artísticas apresentações da José Olímpio Editora, com a capa de Santa Rosa e belas sugestivas ilustrações de Gonçalves. Esse livro já foi apresentado à Academia Brasileira de Letras, pelo prof.. Pedro Calmon . Seu autor está credenciado a futuras realizações literárias, cujo sucesso, a julgar pelo amadurecimento, sensibilidade e hábil manejo do idioma que agora apresentou parece garantido. Hermano Requião encontra-se, atualmente nesta capital aonde veio participar de um congresso, visitar amigos, rever a “boa terra”, e matar as saudades do seu bairro. 41.3. Novelista e poetisa Tr No mundo da ficção inglesa, as mulheres estão sendo bem representadas por algumas figuras realmente dignas de atenção. Dentre elas está Estella Gibbors (1902-‘’) que é também poetisa e jornalista, tendo sido educada no North London Collegiati School e University College. Seu primeiro livro de poema foi The mountain beast e sua primeira novela, Cold comfort farm, com a qual obteve, em 1933, o prêmio “Feminina Vie Heureuse”. A Longmars de Londres, publicou, recentemente, mais uma novela de Estella Gibbors, The matchmaker, que descreve a vida de uma pequena comunidade inglesa no após guerra. 41.4. Depoimento tr Garcia Lorca, barbaramente fuzilado pela polícia de Franco, quando da Revolução Espanhola, é uma das mais impressionante figura da literatura hispano-americana. Poeta de autêntico valor e de expressão eterna, seus conceitos sobre a arte e seus problemas são de indiscutível atualidade, razão porque os transcrevemos abaixo. “Nenhum homem verdadeiro, acredita nessas miudezas de arte pura, de arte pela arte. Neste momento dramático para o mundo, o artista deve chorar e rir com o seu povo. A criação poética é um mistério indecifrável como é um mistério o nascimento do homem. Nem o poeta nem ninguém guarda a chave do segredo do mundo. Quero ser bom como o burro e o filósofo. Creio firmemente que se há outro mundo, terei a agradável surpresa de encontrar nele(?). Mas a dor do homem e a injustiça constante que dimana do mundo, e um próprio corpo e pensamento impede que mude minha residência para junto das estrelas. Sou espanhol integral e me seria impossível viver fora de meus limites geográficos; porém odeio ao que é espanhol simplesmente por ser espanhol. Sou irmão de todos e detesto o que se sacrifica por uma abstrata idéia nacionalista, pelo simples fato de que ama a sua pátria com uma venda nos olhos” 41.5. Existencialismo na Berlinda Tr Antes mesmo de realizar-se, o Terceiro Congresso Pan-Americano de Filosofia, o qual foi convocado pela Universidade Autônoma do México, já causa uma série de polêmicas por parte de muitos filósofos que se negam a comparecer ao evento em protesto contra a expulsão de professores das universidades argentinas, como também, pelo fato de muitos deles serem contra o primeiro tema da discussão: A filosofia existencialista. 476 41.6. S/T Tr Galeão Coutinho é um nome já conhecido do público, autor que é de Vovó mornngaba, Memórias de Simão, o caôlho e outras curiosas novelas picarescas, as quais lhe deram grande prestígio literário, principalmente a última mencionada, já traduzida para o espanhol e o alemão. Agora, a “Coleção Saraiva” vem de publicar, como seu volume n.11, Confidências de Dona Marcolina, de Galeão Coutinho, novela em que o autor reproduz a conversa popular das ruas paulistanas, da qual dona Marcolina opina sobre seu marido, o popular Simão o Caôlho. xxx Raimundo de Menezes, que já nos deu, anteriormente, entre os livros, A vida boêmia de Paula Ney e Emílio de Menezes, o último boêmio, publicou, agora, mais um interessante livro de pequenos estudos biográficos sobre conhecidos escritores, reunindo abundante anedotário, os cacoetes, os vícios, os hábitos e os costumes de muitos dos nossos intelectuais. Tudo isso está em Escritores na intimidade, editado pela Martins, que é mais um livro a enriquecer a bagagem literária de Raimundo Mendes. xxx Aparece em Londres a primeira análise da poesia de Dylan Thomas, de autoria de um outro poeta, Herey Freece publicada por “Lindsay Drumond”. xxx “John Lehmann”, de Londres, publicou The grand design, de John dos Passos, novela que descreve a vida social e política em Washington, durante o “New Deal”. 41.7. Miniatura Res Dentre os participantes do Congresso de História da Bahia, destaca-se o diretor do Arquivo Municipal de Porto Alegre, também escritor e historiador, Walter Spalding. Nascido no Rio Grande do Sul é autor de várias obras: Farrapos (1931-1935), A luz da história (1933), A Revolução Farropilha (1939), A invasão paraguaia das fronteiras do brasil (1940), além de ser colaborador de suplementos e revistas literárias e também diretor do Boletim Municipal. 41.8. Filósofo e Matemático Tr Bertrand Arthur William Russel (1872-...) é descendente de uma das mais famosas famílias da aristocracia inglesa. Tendo cursado o “Trinity College”, graduou-se em Matemática e em Ciências Sociais, sendo hoje um dos filósofos de maior renome do nosso tempo. Antigo professor de Cambridge, foi dali demitido em virtude de suas idéias pacíficas, as quais ainda conserva. Espírito avançado e objetivo, quando mal iniciava sua trajetória brilhante, Russel assombrou o conservadorismo britânico, com suas opiniões a respeito do mundo ocidental, da educação, da sociedade privada, cuja origem são a violência e o roubo, é o grande mal. E diz: nenhum bem para a comunidade, de qualquer espécie que seja, resulta da apropriação privada da terra. Se os homens forem razoáveis, decretariam para amanhã o fim de um regime, sem nenhuma compensação mais do que uma taxa de renda vitalícia aos atuais detentores. “Autor de vários livros sobre os mais diversos assuntos, dele aparece agora, mais uma obra, editada por Aller e Urwin de Londres Sob o título Authrity and hte individuak, que reúne algumas palestras radiofônicas do conhecido filósofo e matemático”. 41.9. Caderno da Bahia Tr Caderno da Bahia, cujo 4ºnúmero está em véspera de circular, elaborou um grande programa cultural, parte do qual já vem sendo cumprido, com a realização de conferências, palestras e exposições de arte. Desse programa, consta a edição dos livros de literatura e de arte, de autores que aqui residem, baianos ou não. A primeira dessas edições será Descobrimento, o novo livro do poeta Carlos Eduardo, acreano já radicado na Bahia, autor de Este rumor que vai crescendo, presença e Canção dos que regressam. Ainda como ponto do seu programa, Caderno da Bahia, promoverá, breve uma exposição do jovem escritor baiano Mário Cravo Junior, e várias conferências culturais. 41.10. Maugham Aposentado Tr Ao completar 75 anos de idade, em 25 de Janeiro deste ano, Somerset Maugham declarou que se retiraria da profissão de escritor, passando a ser um literato amador, limitando-se a escrever pequenos ensaios, para gozo pessoal. Um dos mais famosos escritores contemporâneos, premiado muitas vezes, Maugham é autor de um grande número de livros de ficção. Destacando-se dentre eles Servidão humana, romance que, preparado em poucos meses, ficará na história da literatura como uma das maiores realizações do nosso tempo. De formação francesa, e sem esconder esse fato, esse inglês nascido em Paris não encontrou a fama com facilidade. Foi médico, espião do “Inteligence Service”, na Rússia, autor fracassado de uma dezena de peças teatrais e um mundo de outras coisas. Com Of human boundage vieram-lhe a fama, a glória, o prestígio a fortuna, e, desgraçadamente, talvez, a morte do grande escritor que nem existia começou a estudar o gosto do público, para escrever e ser lido pela maior parte. Começaram as concessões e Maugham passou a ser um industrial da literatura. Fabricava livros porque seu nome era garantia de que eles seriam bem vendidos. E as inúmeras novelas e os romances que nos deu depois disso, excetuando alguns excelentes contos, não valem a pena de ser citados. Talvez houvesse sido melhor que escrevesse menos e abrandasse mais cedo a difícil e perigosa profissão de escritor. Possivelmente haveria deixado livros do mesmo nível de Servidão humana, embora sendo sempre o Mestre do Cinismo, como classificou Chesteston. 41.11. Quo Vadis Tr Quo Vadis, livro de Henryk Sienkiewiecz, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1905, foi a obra escolhida para integrar a “Coleção Saraiva”. 478 42. Data 30/ 07/49;5 Título Caleidoscópio 42.1. Visita de um editor Res Visita à Salvador do editor Artur Neves, um dos fundadores da Editora Brasiliense, para divulgação e difusão da obra de Monteiro Lobato. O diretor palestrou a respeito da crise do livro nacional. 42.2. Uma instituição inglesa Res Aproveitando o lançamento aqui no Brasil, do livro Aventura de uma negrinha que procurava deus, HA cita aspectos biográficos de G. B. Shaw, dramaturgo inglês autor do referido livro, salientando traços de sua personalidade que o definem como uma figura ainda bastante polêmica apesar dos 93 anos e de uma inteligência brilhante e incomum. 42.3. A outra face Tr J. G. de Araújo Jorge, romancista, poeta, jornalista, professor e bacharel em Direito, tem uma bagagem literária desproporcional à idade. Estreiando com Meu céu interior, em 1934, agora reedita pela “Vecchi Editora. Araújo Jorge publicou mais alguns volumes de poesia, como Estrela da terra, O canto da terra e outros, além de romances, como Um besouro contra a vidraça, e uma Antologia da Nova Poesia Brasileira. Lançado pela “Vecchi” surge o último livro de poesia do conhecido lírico nacional, A outra face, sendo programa dessa casa a reedição de toda a obra do ativo escritor. 42.4. De um grande escritor Res Howard Fast é um dos grandes renovadores da ficção norte-americana. Em sua obra estão presentes os mais agudos problemas de seu país, os quais são dissecados com vigor e profundidade. Ao escrever o Caminho da liberdade, dedica-o “aos homens e mulheres pretos e brancos, amarelos e pardos, que devotaram suas vidas à luta contra o fascismo”; devido a isso atraiu para si o ódio do reacionarismo ianque. Sua mais nova obra é The american. 42.5. Depoimento Tr Em carta dirigida a Mauro Mota, Álvaro Lins, surpreendido com o domínio da poesia manifestado pelo autor de Balada do vento frio, escreveu, a respeito de Elegia n.2, daquele poeta, certas afirmações que, mesmo feitas em caráter pessoal, merecem cuidadosa observação e reparo. São elas: “O último verso é de uma beleza baudelairiana. Diga-se o seguinte: este soneto é um dos raros da língua portuguesa que podem ser colocados ao lado do soneto de Machado à Carolina, e este, por sua vez, é ao meu ver o mais belo e nobre soneto da língua, superior ao de Camões sobre o mesmo tema.” “Creio que eles podem construir um marco de retorno ao soneto e à tradução, depois da aventura necessária, mas já encerrada, da poesia modernista. Todos anseiam por esse retorno, e o seu soneto poderá ser o marco dessa tendência.” 42.6. Notícias do congresso de escritores e da ABDE res - Irá ao Rio, e possivelmente à São Paulo, o prof Adroaldo Ribeiro Costa para tratar de assuntos relativos ao III Congresso Nacional de Escritores; - Solicitam inscrição no quadro social da ABDE: Wilson Lins (escritor), Lafayette Spínola (jornalista) e Pacífico Ribeiro(poeta). - A Agir Editora lançou: Noções de história da filosofia (do falecido Pe. Leonel França) e, uma “infeliz” biografia de Ruy de Alencar; também pela mesma editora, Águia de haia do sr. Silo Gonçalves. - Maurice Levaillant, Yves Gandon e Yvone Pagnies foram os agraciados com os Grandes Prêmios da França de literatura e de romance. 42.7. Ensaio de Gide Res Surgimento de nova edição do ensaio de Gide sobre Dostoievsky, publicada pela Secker e Warbung, de Londres. 42.8. História econômica do Brasil Tr Nas livrarias a 2ª edição do notável estudo de Caio Prado Júnior, História econômica do Brasil, “Coleção Grandes Estudos Brasilienses”, Editora Brasiliense, São Paulo, 1949.332 pgs. Escrito especialmente para o Fundo de Cultura Econômica, México, este livro do grande sociólogo e historiador paulista, foi publicado no Brasil em 1945, reaparecendo agora, em 2ª edição, aumentado de um capítulo, “A guerra e suas conseqüências”, no qual o autor faz uma análise do que representou para nós a Segunda Guerra Mundial, com o agravamento de nossas precárias condições de vida e, consequentemente, aprofundamento da crise econômica em que nos estamos debatendo. Preenchendo um importante claro na literatura econômica do Brasil, cuja bibliografia é escassa em qualidade e, pode-se dizer, inexistente no que se refere à interpretação histórica. Caio Prado Júnior realizou uma obra de consulta obrigatória para todos aqueles que pretendiam conhecer algo sobre o nosso desenvolvimento. História econômica do Brasil é o primeiro sério e profundo estudo da nossa evolução econômica, elaborado por um pesquisador honesto que, munido de um instrumento científico de análise e de crítica – a dialética materialista – soube realmente fazer história, entendida esta, não como 480 simples relato de acontecimentos ou fatos, onde apenas se respeita a ordem cronológica, mas, como paciente trabalho de investigação e interpretação dinâmica de fatos, estudando-os nas suas relações recíprocas. Tal é o livro de Caio Prado Júnior, importante fonte para o conhecimento do Brasil. 42.9. A primeira entrevista tr Otto Maria Carpeaux é um nome amplamente conhecido no Brasil. Austríaco evadido do nazismo, hoje naturalizado brasileiro, há oito anos apareceu no jornalismo carioca apresentado por Álvaro Lins. Aqui fixou residência, passando a colaborar assiduamente nos suplementos literários e a estudar a nossa literatura, que hoje conhece como poucos. Embora as opiniões a seu respeito sejam de certo modo contraditórias, ninguém põe em dúvida a cultura e erudição do autor de A missão européia da Aústria, cujo trabalho de divulgação e de crítica tem sido dos mais apreciáveis. A excessiva densidade dos seus trabalhos foi, inclusive, tomada como uma atitude exibicionista. Essa opinião, todavia, não parece estar de acordo com o verdadeiro Carpeaux que jamais havia concedido uma entrevista ou deixado fotografar pelos repórteres curiosos. Esse encantamento foi, agora, quebrado com a entrevista que Homero Senna vem de divulgar na Revista do Globo, n. 483, na qual Carpeaux fala sobre vários problemas, sobre sua vida na Europa, sua atitude e suas convicções. Confessando-se influenciado pelas leituras de Hegel, Marx e Croce, e acreditando na “inevitabilidade do socialismo”, diz Carpeaux na sua primeira entrevista: “Estudei em Viena e em outras universidades européias. Poucos sabem que, antes de estudar letras, estudei, até o fim, Matemática, Química e Física. Nunca me aproveitei praticamente desses estudos. Mas ai aprendi algo do método e precisão de pensar, o que é vantajoso no mundo sempre vago das Letras.” 42.10. Flagrantes Res - Coleção Saraiva lançou Emílio de Menezes, “o último boêmio”, de Raimundo de Menezes. - A Melhoramentos, de São Paulo, publicou O neto dos reis, de Franz Treller. - Gustavo de Freitas estréia no romance com Fogos dos pântanos, cuja ação se passa no agreste pernambucano. - Cogumelos de Breno Accioly, livro de contos, sairá em agosto. - Lançado novo volume de contos de Lygia Fagundes Telles, O cacto vermelho. - Serão lançados pela Coleção Homens do Brasil: História da vida de Joaquim Nabuco, de José Montello e, uma biografia de João Simões Lopes [Neto] por Augusto Mayer. - Posteriormente Moacyr Félix de Oliveira, porá em circulação, Canto do homem só, novo livro de versos. - Cláudio de Araújo Lima traduziu o notável estudo de Emylio Myra y Lopes, Os quatro gigantes da alma. 43. Data 13/08/49;5 TÍTULO Seção Caleidoscópio 43.1. Contos da Bahia Tr Dentro de pouco tempo, começará a ser impresso um novo livro de contos de Vasconcelos Maia, jovem escritor baiano cuja a estréia com Força da vida, contos, Edições Elo, Bahia, 1946, foi uma das mais promissoras revelações da nova literatura baiana. E se antes já era colaborador de suplementos e revistas literárias, passou Vasconcelos Maia a neles colaborar com mais assiduidade, despertando na crítica e no público atenção fora do comum. Lobato, ao ler seu livro, não escondeu o entusiasmo que lhe motivaram certos contos ali publicados, enviando ao jovem escritor uma carta de incentivo e aplauso, por todos os títulos honrosa. Autêntica vocação de narrador, longe de se deixar dominar pela vaidade estéril tão do agrado dos falsos valores, após uma estréia feliz, Vasconcelos Maia põe-se ao trabalho e ao estudo. E seu novo livro é um resultante desse interesse crescente pela arte de contar. Nele, aparece-nos um contista mais experiente, mais seguro de sua técnica, fugindo à sugestão fácil e esquemática, por isso mesmo, desmoralizada, do conto tradicional. Com magníficas ilustrações de Carlos Bastos, Contos da Bahia, a ser lançado este ano, será mais uma edição de Cadernos da Bahia, revista de cultura e divulgação da nova geração baiana, que tanto sucesso vem obtendo em todo país. 43.2. Atividades do INL res Sobre as atividades do Instituto Nacional do Livro, o qual criou um Serviço de Assistência Regional às bibliotecas diretamente beneficiadas por ele; tendo sido indicado para diretor desse serviço, na Bahia, o dr. Osvaldo Imbassahy. 43.3. Síntese de Ruy Tr Archimino Ornelas concluiu o trabalho que vinha fazendo a alguns meses e o lançará dentro em pouco. Trata-se de um estudo sobre Ruy Barbosa, com o qual o autor de Caminhos do mundo e Vida sentimental de Castro Alves pretende render uma homenagem ao centenário do ilustre baiano. Archimino Ornelas pertence à moderna geração de intelectuais, faz parte da Comissão Organizadora do II Congresso Nacional de Escritores e, como colaborador da secção literária de A Tarde, tem escrito artigos nos quais deixa patente a sua capacidade de observação e seu poder de síntese. Tais qualidades fazem com que o público aguarde com ansiedade seu estudo sobre Ruy Barbosa, que certamente será mais uma afirmação de sua inteligência e de seu talento de escritor. 482 43.4. Descobrimento Tr A Bahia é um mundo inesgotável de sugestões. Os artistas, quais sejam as suas especialidades, sempre encontram na velha cidade do Salvador excelentes temas para as suas obras. Em cada canto, em cada coisa, há um motivo a ferir a sensibilidade do artista, como a chamá-lo para a realização, para o trabalho. Foi esse ambiente, impregnado de poesia, que Carlos Eduardo soube captar e transmitir no seu novo livro, Descobrimento, a primeira de uma série de edições que Caderno da Bahia pretende lançar. Com capa e ilustrações de Carlos Bastos, o livro de Carlos Eduardo constitui uma das melhores edições feitas na Bahia, nos últimos tempos, sendo a sua apresentação gráfica digna de referência. E se o autor de Este rumor que vai crescendo está de parabéns, por mais essa afirmação de sua poesia- simples porém sugestiva e cheia de ritmo- Caderno da Bahia, revista que vem se impondo no panorama literário nacional, merece louvores pelo trabalho que agora apresenta ao público, sendo de esperar que suas próximas edições se façam dentro do mesmo critério, ou seja, cuidado na escolha e bom gosto na apresentação. 43.5. Depoimento Tr Nelson Werneck Sodré, analisando o chamado movimento post-modernista, escreveu, em Literatura, n.2: “Uma literatura só pode aparecer com seus contornos bem presos, com fisionomia autônoma, quando se liga ao que há de peculiar na gente e na época em que se desenvolve. Nesse sentido, a bem dizer, a literatura brasileira começou em 1930- tudo o que ficou para trás é uma espécie de proto-história, confusa, desordenada, com valores isolados a que é necessário recorrer, sem dúvida, porém que, em conjunto, muito pouco representa, sendo a mais demorada gestação, a lentíssima preparação ao que fizemos depois do marco aqui estabelecido para definir o post-modernismo”. 43.6. Prêmios franceses Res - Foram premiados com o prêmio anual da Associação da Imprensa Latina da Europa e da América: Hervé Bazin, com la tete contre les murs; Monsieur Richard e Henri David com Teux de plomb. - A Academia Francesa conferiu a Jules Roy o “Prêmio Max Berthou” pelo livro Lies metier des armes e a Jean Bannerot o prêmio “Louis Barthou”. - Gustavo de Freitas, escritor pernambucano, estréia com Fogos dos pântanos. 43.7. Flagrantes Res - Publicado em Londres, por S. Evelgr Thomas, Princess Elizabeth wife and Mother. Selecionada e editada por B. G. Guerney, em Londres A treasury of russain literature. A ser publicada pela Revista Branca, Vigília da noite de Raymundo Souza Dantas. - Será lançado novo livro de Augusto Frederico Schimidt, Fonte invisível. De Lin Yutang, será lançado pela editora Hainemann, de Londres, Chinatown family. André Maurois informou que leu 120 livros sobre Marcel Proust para escrever A la recherche de Marcel Proust. Estreará com Elegia de sangue, o jovem poeta Da Costa e Silva Filho. Será traduzido para o português La pest e de Albert Camus. Foi lançada A casa das 3 meninas, livro de contos do mineiro Mário Matos. Aparece de B. for Evans, em Londres em nova edição A short history of english literature. 43.8. Revista Branca (caricatura de um dos citados) trans Nas nossas livrarias o número 7 da Revista Branca, a bem apresenta a publicação literária dirigida pelo grupo dos novos à cuja frente se encontra o contista Saldanha Coelho. Nesta edição, ilustrada por Alcélio, Orval, Illen Kerr e Sorosen, além de boas reproduções de quadros e esculturas, há colaborações de Bráulio Nascimento, Saldanha Coelho, Afonso Félix de Souza, Pedro Luiz Morais, Rocha Filho, Mauro Mota, Paulo Armando, George Matos, Da Costa e Silva Filho, Haroldo Bruno, Constantino Paleólogo, José Conde, Herberto Sales, Beatriz Rocha, Renato Jobim, Nataniel Dantas, Renato Linhares, Alzira Ferreira de Coimbra, Flávia da Silveira Lobo, Maurílio Bruno, Gasparino Damata e secções de registro crítico e bibliográfico e uma entrevista com John Lehmann. 43.9. Notícias de Gallegos Res Romulo Gallegos (Caracas, 1884) cuja ação democrática à frente do governo da Venezuela, contrariando os interesses do truste petrolífero da Standard Oil, declarou à imprensa que fixará residência no México, dedicando-se exclusivamente à literatura. (Segue com informações biobibliográficas do mesmo). 43.10. Mann em Weimar Res Thomas Mann foi à Alemanha, sua pátria, receber em Frankfurt e em Weimar o Prêmio Goethe de 1949. Foi recebido com honras por figuras de destaque da política local. 43.11.Cartaz de James Hilton Res Sobre o esquecimento por parte dos meios de comunicação do escritor James Hilton, autor do famoso Lost Horizon. Mesmo em face à edição de mais uma novela sua, So well remembered, as revistas literárias não dão maior destaque. 484 44. Data 27/08/49;5 TÍTULO Seção Caleidoscópio 44.1. Variações tr Bem fácil será ao leitor identificar Domingos Carvalho da Silva (São Paulo, 1915 -...), bacharel em Direito, jornalista e poeta, seu nome figura freqüentemente nas colunas do Correio Paulistano e do Jornal de Notícias, e seus dois livros já publicados, Bem-amada Ifigênia (1943) e Rosa extinta (1945), deram-lhe prestígio literário e, segundo Antônio Cândido, “uma irrecusável procedência” sobre os outros poetas aparecidos em São Paulo, nos últimos anos. Traduziu os 20 poemas de amor e uma canção desesperada, de Neruda, e ainda publicará Praia oculta, já no prelo. Articulista político muito acatado pelo equilíbrio de suas opiniões, escreveu um artigo para o Jornal de Notícias, edição de 7-8-49, no qual, procura com êxito, traçar o panorama político nacional, mostrando como, nos diversos setores de atividades, as forças revolucionárias tentam ganhar posição para a “Reabilitação da ditadura”, título do artigo. Dele é que retiramos o trecho que abaixo vai transcrito, a respeito da ABDE e do Congresso de Escritores, trecho esse que traz muita luz sobre o assunto, refutando certas explorações daqueles que Domingos Carvalho da Silva, muito acertadamente, denominou os “inocentes úteis da relação integralista” ou “fina flor do fascismo intelectual do país”: “Veja-se o que aconteceu recentemente na Associação Brasileira de Escritores do Distrito Federal: duas chapas concorreram, uma presidida pelo udenista Afonso Arinos de Melo Franco, outra pelo socialista Homero Pires. Vitoriosa a chapa do sr. Afonso Arinos, não se sentiram, porém, os seus integrantes, com disposição ou com tempo para cumprir suas promessas. Saíram então em massa da A.B.D.E., alegando que a mesma estava infiltrada pelos comunistas. Esperavam os dissidentes da A.B.D.E carioca que os acompanhassem as secções estaduais daquela associação. No entanto, tomaram quase sozinhos o bonde errado: apenas a inexpressiva A.B.D.E de Santa Catarina os prestigiou. A de São Paulo, presidida pelo sr. Sérgio Millet, nem sequer tomou conhecimento do manifesto assinado pela fina flor do fascismo intelectual do país e pelos liberais transformados em inocentes úteis da reação integralista. Fracassado o movimento divisionista e gorada a nova associação prometida no manifesto, voltaram-se os dissidentes contra a realização do III Congresso Brasileiro de Escritores, a ser promovido pela secção baiana da A.B.D.E. A técnica de luta é a mesma: denúncia política. Numa linguagem que nos faz lembrar a imprensa de Franco ou Mussolini, certos escritores, por meio de alguns jornais baianos, estão se servindo de uma argumentação que repugnaria o sr. Felinto Muller em 1938, para evitar que o congresso se realize. Ora, em 1947 houve em Belo Horizonte um congresso. Lá compareceu uma poderosa corrente comunista. E os comunistas foram derrotados, sempre que algumas de suas propostas ou atitudes feriam os pontos de vista da maioria democrática. A representação de São Paulo que tive a honra de integrar - distinguiu-se na sua posição contrária ao P.C.B., enquanto muitos atuais signatários do manifesto cortejaram a bancada vermelha. É uma lástima que o regime de delação seja reinstaurado no país exatamente por aqueles que deveriam defender a liberdade de pensamento e de ação política”. 44.2. A grande voz Res O poeta e senador Pablo Neruda acusou a embaixada britânica de “boicote ilegal”, devido ao fato da mesma, recusar um simples visto de trânsito em seu passaporte por ocasião de sua passagem em Londres. 44.3. Aconteceram-lhe os poemas Tr Manuel Bandeira (Pernambuco, 1886-...) é considerado por grande parte dos críticos e do público como o maior poeta vivo do Brasil. Da Academia Brasileira de Letras, professor da F. Nacional de Filosofia, onde leciona Literaturas Hispano-Americanas, é hoje um nome por demais conhecido e respeitado, sendo, na realidade, um dos nossos mais autênticos poetas. Arquiteto frustrado, e a arquitetura, segundo ele próprio, não parecia ser a sua vocação, pois vocação - ele mesmo acrescenta - foi coisa que infelizmente nunca teve. Bandeira ligou-se definitivamente à poesia, graças a doença que o levou a procurar inclusive a Suíça, onde conheceu Eluard, um dos maiores poetas da França. Falando, recentemente, a Homero Senna, numa entrevista publicada pela Revista do Globo, a respeito de como escreve seus poemas, disse Bandeira: “Acontecem-me os poemas inesperadamente. De tal modo que a minha impressão a posteriori é que não fiz o poema: ele é que se fez em mim. Mesmo o que parece mais composto. Assim, “A última canção do beco”. Repare que são sete estrofes, cada estrofe de sete versos, cada verso de sete sílabas. Não houve em mim intenção de fazer assim, e só dei conta disso depois de escrito o poema.” 44.4. Gide candidato Res André Gide será um dos candidatos à “Medalha Goethe”, por ocasião das festas comemorativas do bi-centenário do nascimento de Goethe. 44.5. Antologia de contos trans Anunciada há alguns meses, foi lançada no Rio, esta semana, uma Antologia de contos de escritores novos do Brasil, edição da Revista Branca prefaciada por Otto Maria Carpeaux, e com xilografuras de Yllen Kerr, essa Antologia apresenta contos dos seguintes escritores: Almeida Fiscker, Aluízio Medeiros, Aníbal Nunes Pires, Bernardo Gersen, Braga Montenegro, Breno Accioly, Carlos Castelo Branco, Cláudio Tavares Barbosa, Cleia Malheiros, Constantino Paleologo, Da Costa e Silva Filho, Dirceu Quintanilha, Domingos Félix de Souza, Eduardo Campos, Fran Martins, Francisco Brasileiro, Gasparino Damata, Gastão de Holanda, Herberto Sales, Herly Drummond, Ibrahim Abi-Ackell, J. C. Cavalcanti Borges, José Conde, José Stênio Lopes, Lêdo Ivo, Linnêo Séllos, Lygia Fagundes Teles, Marcos Rei, Mário Donato, Moreira Campos, Murilo Rubião, Nataniel Dantas, Pedro Luiz 486 Morais, Raymundo Souza Dantas, Renato Sérgio, Jobim, Roland Corbosier, Saldanha Coelho,, Vasconcelos Maia e Xavier Placer. 44.6. Depoimento Tr No início de uma apreciação crítica que fez à representação de Bodas de sangue, de Lorca, por Dulcina e Odilon, Álvaro Lins escreveu, a propósito do grande poeta espanhol: “Em 1936, nos primeiros dias da reação, os fascistas do “Caudilho” Franco assassinaram Frederico Garcia Lorca em Granada, em “Su Granada”. Foi um dos primeiros atos do franquismo, e serviu como aviso de que o movimento nacionalista espanhol seria uma sucessão de crimes. Do ponto de vista literário e artístico, trouxe para o nome de Garcia Lorca uma glória imediata e universal; ampliou, pelo sentimento, a zona de influência na arte dramática de vários países. Mas, está claro, o seu martírio em nada exagerou o que se vem julgando da sua obra, e seria diminuí-lo, quando nos achamos no plano da apreciação literária, aplaudir o homem sacrificado em lugar do artista admirável que ele foi. O artista, na verdade, era tão grande em Garcia Lorca, que de nenhum acontecimento exterior poderia depender o destino do seu teatro.” 44.7. Publicações da Prefeitura de Salvador trans Como parte do Programa Comemorativo do Quarto Centenário da Fundação da Cidade de Ssalvador, a prefeitura municipal fez publicar e está divulgando várias obras de caráter histórico e outras de informações turísticas das quais, gentilmente, nos enviou as seguintes – História da literatura baiana, Pero Calmon, vol II da “Coleção evolução histórica da Cidade do Salvador”; História política e administrativa da Cidade de Salvador, Afonso Ruy, vol I da “Coleção evolução histórica da Cidade do Salvador”; Documentos históricos do Arquivo Municipal, vols 2 e 3; Breves informações turísticas; Pequeno guia turístico da Bahia; Situação físico-demográfica, 1949; e Imagens da Bahia. 44.8. Flagrantes res - Lançamento de Histórias talvez de Guilherme de Almeida pela Melhoramentos, de São Paulo. Em circulação o 1º n. de Temário, revista dirigida por Reginaldo Guimarães e o poeta Solano Trindade. Publicação de Biosofia do sr. Pedro Deodato de Morais. Será publicado o primeiro livro de Mauro Mota, poeta pernambucano, Elegia e outros poemas. Fundado na França “Le courrier Balzacien”, mosaico destinado a divulgar a vida e a obra de Balzac. 44.9. Jornal de Letras (c/fotografia) trans Sob a direção dos irmãos Condé, José, José e Elyseo, está circulando mais um mensário de literatura e de artes, Jornal das Letras, que se edita na Capital Federal. É uma as melhores iniciativas levadas a efeito ultimamente no país, pelo que representa de contribuição ao movimento artístico nacional, onde já figuram excelentes revistas como Fundamentos, Clã, Caderno da Bahia, Revista Branca e outras. O número de Jornal das Letras, traz, entre diversas matérias, um artigo de Otto Maria Carpeaux sobre Camus, de Gilberto Amado sobre Goethe, de Carolina Giedion-Weicker sobre Joyce, de Paulo Ronái sobre Balzac, uma novela inédita de Gasparino Damata, parte das memórias de Afrânio Peixoto, uma entrevista de Álvaro Lins sobre o seu afastamento da crítica militante, além de várias secções redacionais, sobre cinema, teatro, artes plásticas e curiosidades literárias. Fartamente ilustrada e com uma boa apresentação gráfica, Jornal das Letras é uma publicação de consulta obrigatória no cenário de Literatura Brasileira. 44.10. Festival G.B. Shaw (c/fotografia) res Sobre o festival dramático a ser realizado em Malven em homenagem a G.B. Shaw. Com a representação várias peças do autor. 44.11. Os filhos do medo (c/fotografia) Tr Quando Amadeus Queiroz descobriu para a literatura brasileira o nome da paulista Ruth Guimarães, talvez não soubesse, ele mesmo, que estava contribuindo para uma das mais promissoras estréias do romance nacional e para o lançamento de uma das nossas maiores escritoras. Com Água Funda, Livraria do Globo, vol. 01 da Coleção Autores Brasileiros, já em segunda edição, Ruth Guimarães realizou uma obra fora do esquematismo que tanto agrada a certos de nossos autores, passando seu nome a ser objeto de viva curiosidade. Continuando a trabalhar e estudar – pois é aluna da Faculdade de Filosofia de São Paulo, funcionária do IPASE e assídua colaboradora da imprensa – a jovem romancista e grande estudiosa do folclore preparou seu segundo romance, Os filhos do medo, que vai ser editado pela livraria do Globo. 44.12. Terra morta Tr Iniciando a Coleção Gaivota, a Editora da Casa do Estudante do Brasil lançou o romance Terra morta, no qual o autor, Castro Soromenho, pinta a vida de Angola e fixa com propriedade e vigor a triste condição não só dos negros e dos mulatos como de muitos brancos daquela colônia. 488 O crítico Adolfo Casais Monteiro apontando essa como a melhor obra daquele romancista acentua que pela primeira vez um romance português desse gênero se nos impõe como de categoria universal. Deve-se essa publicação no Brasil, ao fato de haver o governo de Salazar proibido a edição em Portugal. 45. Data 17/09/49;5 TÍTULO Seção Caleidoscópio 45.1. (sem título) (c/fotografia) Tr O segredo da atualidade de Balzac está no fato de ter sido ele, apesar de sua formação absolutamente fiel ao seu tempo. Foi o escritor que mais fundamente, compreendeu a conjuntura social de sua época, e a sua obra monumental mostra e analisa de modo impiedoso as contradições da sociedade francesa, explicando-as principalmente pelos interesses materiais em jogo. Nisso é que deve ser procurada a chave da perenidade de sua obra. São esses interesses materiais as forças que realmente movimentam a História, e delas é que se originam, direta ou indiretamente, os dramas que servem de tema aos escritores. E grande escritor será aquele que, como Shakespeare, Goethe, Cervantes e outros, saibam ver e dissecar a realidade, descendo ao fundo de sua origem, para mostrá-la em todo o seu esplendor ou em toda a sua miséria, sem as interpretações de superfície que a deturpam e falseiam. E a Comédia Humana, de Balzac, outra coisa não é senão a compreensão conseqüente de uma sociedade cheia de erros e de contradições incapaz de solucionar os grandes problemas surgidos no curso da história do homem e por ela mesma tremendamente agravados. Trabalhando sem parar,, de 14 a 16 horas por dia, a fim de saldar os compromissos, as dívidas, Balzac construiu uma obra que perdura e há de perdurar, pelos autênticos valores sociais e humanos que contêm. E se dos seus contemporâneos recebeu acerbas e impiedosas críticas – tão impiedosas e acerbas como as suas próprias à sociedade em que vivia – tem recebido da posteridade e compreensão e a consagração de que se fez credor. Daí a oportunidade da publicação no Brasil, da Comédia Humana, que a Livraria do Globo, sob a direção e orientação de Paulo Rónai, vem fazendo na sua “Biblioteca dos Séculos”. Compreendendo o plano geral da obra 17 volumes, surge agora, após a edição dos 3 primeiros, o 4º volume, no qual estão O Pai Goriot, romance que é um dos pontos altos da obra de Balzac, as novelas o Coronel Chabert, A interdição, O contrato de casamento e outro estudo de mulher e o conto A missa do ateu, traduzido por Gomes da Silveira, Vidal de Oliveira e Berenice Xavier, e, além das notas explicativas e dos seis prefácios de Paulo Rónai, dos estudos sobre Balzac, um de Anatole France e outro de Fernand Baldeuspager, professor da Sorbone e um grande especialista em literatura comparada. Sobre O Pai Goriot, a última palavra ainda cabe a Balzac, que o considera uma obra prima. Em célebre carta à Condessa de Hanska, escreveu Balzac: “O Pai Goriot é uma obra bela, porém monstruosamente triste. Era preciso, para ser completo, mostrar um esgoto moral de Paris e este dá impressão de uma chaga nojenta”. E tão bela, triste e grande é essa obra, que ainda hoje serve de estudo obrigatório para os alunos de certos países, como na URSS. Acusada de imoral pelos críticos da época dado o caráter do amor de Goriot pelas filhas, e a certos detalhes das relações familiares, ela está hoje situada como um dos grandes momentos de Comédia Humana, não apenas pela técnica com que foi construída, mas, sobretudo, pelo seu alto conteúdo dramático. 45.2. Paratodos (c/fotografia) Tr A mais auspiciosa notícia que nos manda a metrópole, é o reaparecimento de Paratodos, aquele excelente semanário que Álvaro Moreyra fundou e dirigiu, há alguns anos. Nessa sua nova fase, Paratiodos, além da valiosa direção de Álvaro Moreyra, contará com um excelente corpo de redatores e colaboradores, no qual figuram nomes como Edison Carneiro, A Ramos, Graciliano Ramos, Dalcídio Jurandir e outros. Revista que marcou época, quando do seu anterior aparecimento, Paratodos está fadada ao maior sucesso, nessa hora em que a literatura brasileira se renova e se enriquece na busca de novos e maiores progressistas rumos, sendo de esperar que forme a vanguarda das centenas de publicações especializadas, com que hoje conta o nosso movimento literário. 45.3. Em surdina (c/fotografia) Tr Continua a Coleção Saraiva a cumprir o seu bom programa editorial, do qual consta a divulgação mensal, a preço módico, de livro de autores nacionais e estrangeiros. Essa coleção, apresenta, agora, o seu 15º volume, o romance Em surdina, de Lúcia Miguel Pereira, cujo aparecimento data de 1933 e que mereceu da crítica nacional elogiosos comentários, inclusive de Grieco, que viu na autora uma das nossas boas romancistas. Sobre Lúcia Miguel Pereira nada é necessário dizer, tão conhecida ela é do público, como ensaísta, romancista e biografa. A respeito do seu romance Em surdina, que narra a vida e o desmoronamento de uma família, basta reproduzir o que a própria autora escreveu para essa nova edição (os editores não fazem qualquer referência ao número da edição, que parece ser a segunda): “relendo agora este livro, escrito há 17 anos, achei-o muito distante da visão que hoje tenho do mundo. Se o fosse corrigir, talvez em grande parte o alterasse. Não o fiz porque não o renego: tal como está, corresponde ao que um dia pensei. Limitei-me por isso a contar-lhe os excessos próprios da inexperiência de autora noviça. Veja-se nele uma tentativa de reproduzir a vida de família em tempo que embora não muito remoto, parece todavia bastante antigo. A rapidez com que tudo mudou conferiu-lhe um inesperado valor documental. Oxalá, possa, sob esse aspecto, interessar os leitores.” 45.4. Joyce e Dublin (c/fotografia) Tr Patrícia Hutchins reuniu num curioso livro algumas interessantes opiniões de Joyce sobre sua terra natal, Dublin, inclusive trechos de artigos do autor de Retrato do artista quando era jovem, publicado na revista do Trinity College, dando a esse livro o título de Joyce`s dublin. 490 Publicado pela Grey Walls Press essa coletânea é uma boa fonte para o estudo de James Joyce, autor que tantas discussões motivou, pela complexidade de Ulysses, o mais famoso de seus livros 45.5. O deserto e os números Tr Edson Reis, diretor de “Correio das artes”, suplemento literário de “A União”, de João Pessoa, lançou um livro de poesia, O deserto e os números. Nesse volume que traz capa e ilustração de Yllen Kerr, estão reunidos 32 poemas do autor, cujo nome é bastante conhecido nos círculos literários, principalmente nos de Recife, onde as revistas e os suplementos encontram em Edson Regis um dos bons colaboradores. O deserto e os números é um lançamento da Revista Orfeu que nos promete edições especiais sobre Fernando Pessoa, Murilo Mendes, Cecília Meireles e outros. 45.6. Depoimento Tr O poeta Wilson Rocha, num artigo sobre conceito e função da poesia, escreveu: “É claro que, sendo a poesia ligada continuamente à vida em todos os seus movimentos, haja, sem dúvida, períodos menos favoráveis à sua criação. Todavia, em tais períodos de debilidade ou declínio da produção poética, é evidente que tal fenômeno não é devido às fontes de onde brota a poesia sem a responsabilidade é da poesia em si, mas do meio e da época. Se a decadência da sociedade burguesa se afigura pobre ou vazia, mais pobre e vazio pareceria o poeta burguês que não pressentiu ou fingiu não sentir essa decadência”. 45.7. Vitrina da jovem literatura Tr No panorama da jovem literatura brasileira, tornou-se prova que as revistas literárias não restringem suas atividades, apenas, à circulação periódica, mas realizem empreendimentos outros, como exposições de arte e edição das obras daqueles escritores que pertençam aos seus grupos. Esse amplo programa tem como principal objetivo a luta contra o “papismo”da metrópole, as províncias procurando uma certa independência em relação àquela, principalmente no que diz respeito à edição de livros. E a verdade é que alguma coisa as províncias têm conseguido. Prova disso é o movimento literário de norte a sul do país, desordenado aqui ou irresponsável ali, mas, como quer que seja, um movimento que já possibilitou e há de possibilitar ainda mais o aparecimento de excelentes publicações de arte, e de cultura, bem como o surgimento de novos valores para o enriquecimento de nossas letras. Aqui mesmo, o grupo de Caderno DA Bahia vem cumprindo o seu programa com um alto critério de honestidade artística. Se o Caderno é, por si mesmo, uma grande realização num meio reconhecidamente hostil e as referências elogiosas que lhe têm feito publicações de todo o país e mesmo do estrangeiro representam uma consagração invejável – suas outras atividades, como a organização de exposições de arte e lançamento de livros de escritores modernos, não ficam atrás em significação e valor. Em outros estados, o mesmo ocorre. E para que o nosso público tomasse maior contato com esse movimento de renovação artística, foi que a Unidade e Caderno da Bahia organizaram, na livraria Civilização Brasileira, uma vitrina da jovem literatura, na qual estão expostas com as respectivas direção e endereço, várias dezenas de revistas e algumas de suas edições mais recentes. O interesse que está à mostra tem despertado no público é o melhor elogio que pode e deve ser feito aos seus promotores. 45.8. Flagrantes Tr - Lançado pela Editora Nacional o volume 2 de A segunda guerra mundial, de Winston Churchil, numa tradução de Breno Silveira, Thomaz Newlands e Leônidas Gontijo de Carvalho. Esse segundo tomo, que é o volume 48-A, série 3, da Biblioteca do Espírito Moderno, está dividido em duas partes: “A queda da França” e “Sosinhos”. - Em circulação o n. 11 de Região, do Recife, com colaboração de Gasparino Damata, Otto Maria Carpeaux, Gilberto Freyre Costa, Carlos Davi, Murilo Mendes e outros. - Está sendo preparado o n. 3 de Cultura, revista do Centro de Estudo da Faculdade de Filosofia. 45.9. Notícia de Lins do Rego (c/ fotografia) Tr Escreveu o sr. Zelins do Rego, não faz muito, uma de suas tremendas crônicas diárias para um jornal carioca, a respeito de Joseph Burnichon, escritor francês que visitou o Brasil em 1907. Procurando mostrar a mediocridade desse escritor, disse o autor de Cangaceiros – romance que ainda vai ser ou está sendo escrito: “Ele (Burnichon) chegou até aos versos bem fracos, para nos louvar. A lira de Burnichon é bem mais vulgar que seus instrumentos de prosa. Mas, não fica mal transcrever a sua tentativa de poemas economiástico: C’est um pays splendide Que cette terre de Tupã, Depuis l’Amazone jusqu’au Rio de la Plata Do Rio Grande jusqu’au Pará Il a dês chaines de montagnes giantes Et dês forêts profondes Qui retentissent perpetuellement Des chants du sabia” Acontece que ainda há quem leia as crônicas do sr. Zelins. E um desses pacientes e teimosos leitores escreveu para um suplemento literário do Rio, mostrando que os versos fracos de Burnichon, citados pelo cronista Zélins, não são outra coisa que os versos célebres de Casimiro de Abreu, que aqui vão reproduzidos para o necessário cotejo: “É um país majestoso Essa terra de Tupã, Desde o Amazonas ao Prata, Do Rio grande ao Pará! - Tem serranias gigantes E tem bosques verdejantes Que repetem incessantes Os cantos do sabiá” 492 45.10. Boletim da ABDE Tr Em sua primeira reunião, logo após a posse, a diretoria da secção nacional da ABDE, sob a presidência do prof. Homero Pires aprovou o lançamento de um manifesto – programa do qual consta um plano de trabalho, com os 12 seguintes pontos: 1- Preparação do III Congresso Brasileiro de Escritores. 2-Constituição do Conselho nacional da ABDE, de acordo com os nossos Estatutos. 3- Publicação de uma revista de cultura, que se torne um órgão dos intelectuais brasileiros em geral; 4-Publicação de um boletim informativo, que interesse a todas as secções de ABDE e, bem assim, ao movimento editorial e bibliográfico do país; 5Instituição de prêmios e concursos literários e científicos; 6-Realização de uma série de conferências no Rio e nos estados com entradas pagas, devendo o seu produto líquido reverter em benefício dos corpos sociais da secção local onde se realizarem, pagando-se aos seus autores os direitos previamente estabelecidos; 7- Patrocínio, junto às casas editoriais existentes no país, de edições de obras de escritores que ainda não tenham publicado qualquer livro; 8Organização de um serviço de “copyright” de âmbito nacional; 9- Criação de uma biblioteca volante para os sócios, composta de obras básicas de estudo e consulta; 10- Estudo definitivo, por meio de uma comissão especial, da questão dos direitos autorais, tendo em vista o material recolhido pelo II Congresso Brasileiro de Escritores; 11- Início de intensificação de relações com as associações congêneres do exterior; e 12- Reforma dos estatutos. Desses pontos, alguns já foram cumpridos, outros estão em andamento e impossível será que uma só diretoria possa cumpri-lo inteiramente, como bem salienta o citado manifesto. E um dos pontos já postos em prática, é a publicação do primeiro número do boletim mensal, referente ao mês de agosto, o qual traz um bom material informativo. 45.11. Novela de Brophy (c/ fotografia) Tr John Brophy é um escritor inglês já bastante conhecido, como autor de Sarah, Gentle man of straford e outros livros. Agora, Brophy lança sua mais recente novela, Julian’s way, escrita na Palestina, durante o último período do mandato britânico. A novela de John Brophy foi lançada pela Collins de Londres, e compreendem 384 páginas de uma artística edição. 45.12. Livro das Sinfonias (c/ fotografia) Tr A Editora Globo vem apresentando bons livros de informação sobre os mais variados assuntos da vida humana, como é o caso de O livro das grandes sinfonias, de George Upton e Felix Borowski, agora editado, numa tradução de E. Carrera Guerra, e revista e atualizada pelo professor Luis Heitor. Esse livro explica o sentimento e o desenvolvimento de 70 grandes sinfonias e 330 peças sinfônicas, de autoria de 96 famosos compositores, com disposição de texto e índices que facilitam as consultas, contendo ainda uma nota de história e composição das orquestras e um dicionário de termos musicais. 46. Data 08/10/49;5 TÍTULO Seção Caleidoscópio 46.1 Concurso Monteiro Lobato res Pelo fato de ter recebido cartas de leitores indagando sobre a vida e a obra de Monteiro Lobato, Heron de Alencar, após comentar que há uma escassez de trabalhos críticos ou interpretativos a esse respeito, afirma que o concurso lançado por Caleidoscópio busca atender a curiosidade do público e a escassez de trabalhos. Dividido em duas seções, o concurso abarca trabalhos de crianças e adultos, sendo que na primeira seção- das crianças-, apresentar-se-ão trabalhos em equipe sobre a vida e a obra, por crianças de escolas públicas e/ou particulares, e a segunda seção, por adultos, artigos sobre a literatura para crianças de Lobato. Dentre os quesitos do regulamento, destacaram-se: os trabalhos poderiam abordar um ou vários aspectos da vida ou da obra, analisar os personagens; preferências pelos trabalhos com desenhos, caricaturas e manuais dos próprios alunos, os professores poderiam orientalos. A comissão dessa primeira seção foi formada por: Wilson Rocha, Walter da Silveira, Adroaldo Ribeiro da Costa, J. Palma Neto e Luiz Henrique Dias Tavares. O prêmio: 1ºlugar coleção completa das obras de literatura de Lobato, com encadernação de luxo; 2ª - idem, em edição popular; 3º - as escolas que enviassem trabalho receberiam um retrato em cores, tamanho grande de Lobato; 4º - todas as crianças que participassem também receberiam uma foto, tamanho reduzido. Para a segunda seção os artigos deveriam se assinados por pseudônimo; a comissão julgadora foi composta por: Jorge Calmon, Maneca Pedreira, Silvio valente, Adalmir da Cunha Miranda e o autor da seção; seriam seis os premiados, além da publicação dos trabalhos, receberiam: 1º - coleção completa da literatura geral com encadernação de luxo; 2º - idem, em brochura; 3º - seis livros; 4º - quatro livros; 5º - dois livros e 6º - um livro. 46.2. Centenário da morte de Poe res Comenta o primeiro centenário da morte do norte-americano Edgar Allan Poe, autor de O corvo, considerado um dos escritores que mais contribuíram para o tesouro literário mundial. 46.3. Superou a estréia (c/ fotografia) tr Alina Paim, escritora baiana cujo livro de estréia, Estrada da liberdade, foi uma promessa de melhores realizações, lançou agora seu segundo romance, Simão Dias, editado pela Livraria-Editora da Casa do Estudante do Brasil. Se, naquele, havia defeitos e as deficiências eram acentuadas, embora o conjunto representasse uma estréia auspiciosa, nesta, a julgar pelos depoimentos que sobre ele tem feito escritores e críticos, a autora superou aquelas deficiências e corrigiu aqueles erros naturais da estréia. O próprio Graciliano Ramos, sempre muito sóbrio e econômico nas palavras, disse, a respeito do Simão Dias, de Alina Paim: “As 494 suas personagens são criaturas que a fizeram padecer na infância ou lhe deram alguns momentos de alegria em cidadezinhas do interior. Nenhum excesso de imaginação”. Acentuando que no livro de Alina Paim os homens são vistos à distância e as mulheres aparecem com intensidade e vigor, a exemplo da criança atormentada, a melhor criação da autora e talvez ela própria, finaliza o “Major Graça”: “Vê-se bem que a romancista cochilou nas orações compridas, trocou bilros nas almofadas e agüentou muito puxão de orelha. Foi bem. Essas aventuras lhe fornecem hoje excelente material”. 46.4. Depoimento tr Escrevendo a Permínio Ásfora, a respeito de problemas de literatura, afirmou Octávio Brandão, entre outras coisas: “Há um realismo crítico e um realismo proletário, socialista. Uns tantos livros de escritores brasileiros ainda não ultrapassaram a etapa do realismo crítico, inerente à época de Balzac e Stendhal. No melhor dos casos, eles criticam a “realidade” atual, aspectos do semi-feudalismo dominante, mas não vêem as causas reais nem indicam uma solução. Só mostram tipos negativos e não apresentam uma única personalidade positiva, de combate, em luta contra o velho, pela criação do novo. Há mais de 40 anos, no começo do nosso século, Máximo Gorki, em A Mãe, já tinha ultrapassado essa etapa do realismo crítico e lançado os fundamentos do realismo proletário, socialista.” 46.5. Flagrantes res - Aníbal Machado está escrevendo uma novela e um volume de ensaios; Lançado Dois amores em uma vida, da Srª Almeida Moniz, pela Brasiliense ltda; O colar de esmeraldas, de Frances Sarah Moore, pela “Coleção Rosa”, da Saraiva; Resenha Literária, nº 5, e Letras da Província, pela Livraria Popular. 46.6. Solidão nos campos (c/ilustração) res Souza Dantas, jovem escritor sergipano, residindo no Rio, escreveu Solidão nos Campos, romance editado pela Globo. Os suplementos cariocas consideraram-no como o romance mais bem realizado de seus livros, conquistando lugar de destaque na ficção nacional. Ainda foi autor de Um começo de vida, novela na qual relatou sua experiência de alfabetização tardia e Sete palmos de terra. 46.6. Crítica humanística res Noticia o lançamento, pela livraria Martins, de Crítica humanística de autoria de Souza Filho (1900-1948), jornalista paulista e dono de um espírito de boa formação filosófica. O livro é uma reunião de seus rodapés de crítica publicados em A gazeta, de São Paulo. João Batista de Souza Filho, falecido repentinamente, foi organizador e diretor da primeira escola de Jornalismo, na qual exercia a cadeira de História das Artes. 46.8. (sem título) (c/desenho) res Os Diários Associados, ao divulgar os pormenores da memória do assassinato de Euclides da Cunha e de seu filho mais velho promovia uma “campanha de desrespeito” da figura do escritor. A “novela” do coronel Dilermando de Assis, publicada naquele periódico, injuriava a memória do autor. Intelectuais de São Paulo reagiram lançando um manifesto de repulsa pela exploração pública das circunstâncias da tragédia. Manifestações à memória do autor de Os Sertões, surgiram em outros pontos do país e Caleidoscópio manifestou solidariedade. 46.9. Nevoeiro inglês (c/desenho) res O escritor inglês Graham Greene, além de ser um escritor confuso, foi incapaz de enxergar a realidade de seu tempo. Em entrevista a Cecily Mackworth que formulou uma pergunta sobre a sua posição de escritor até então considerado “romancista católico”, afirmou que a literatura católica não existia, e disse que, em sua viagem ao México, pode amar a igreja porque a viu “perseguida e vilipendiada”. O autor de O poder e a glória, livro que tem sua ação desenrolada no México na época das perseguições religiosas, anunciou que pretendia escrever um livro psicológico, seguindo, assim, um caminho já gasto e abandonado pelos verdadeiros escritores, e que nenhuma contribuição traria ao homem, na sua luta diária por uma vida melhor. 46.10. Mar morto (c/fotografia) tr Pouco a pouco, com o conhecimento maior que vai adquirindo do Brasil e da América do sul, cresce o interesse da Europa pela nossa literatura, interesse que se concentra nos nossos mais representativos escritores, cujas melhores obras passam a ser traduzidas em vários idiomas europeus. E sendo o romancista baiano Jorge Amado, realmente, um dos pontos altos da ficção sul-americana, e tendo a sua longa permanência na Europa atraiu para si a atenção dos círculos literários, natural seria que sua obra passasse a ser objeto de maior curiosidade dos europeus. Como prova disso, chega-nos a notícia que uma editora parisiense já está traduzindo o seu romance Mar morto, que será lançado em Francês este ano. Jorge Amado encontra-se na Europa há mais de um ano, e a sua produção verdadeiramente literária tem sido escassa dedicando-se mais artigos e panfletos políticos. Além de uma novela, O primeiro dia de greve, já traduzida em quase toda a Europa, não se tem notícia de qualquer outro livro seu, a não ser o plano de um teatrologia, sobre o movimento político de 30 anos aos nossos dias. 496 47. Data 26/11/49;5 TÍTULO Seção Caleidoscópio 47.1. Variações sobre a história da praieira Tr Se é fato que não pode haver uma ciência social “imparcial”, numa sociedade fundada sob a luta de classes, verdadeiro, do mesmo modo, é o fato de que a História, refletindo essa luta através dos tempos, é sempre a defesa dessa ou daquela é sempre a História da classe em que o historiador estiver colocado. No Brasil, até bem pouco tempo, somente existia uma espécie de História, oficial ou oficiosa, que, defendendo ou enaltecendo os feitos dos diversos governos, procurava ocultar ou diminuir a significação e importância daqueles caracterizadamente populares, de que é exemplo a revolução praieira, tão pouco estudada pela maior parte dos nossos historiadores. Acontecimento de grande significação histórica, nas lutas do nosso povo pela sua libertação, a “praieira’ não tem merecido, na maioria das vezes, mais do que umas poucas palavras de registro, quando na sua importância justificaria a existência de uma imensa bibliografia sobre o seu conteúdo e os seus personagens centrais. Mas, como foi dito acima, começa a aparecer a outra História. E a ele pertence esse oportuno livro de Fernando Segismundo, História popular da Revolução Praieira, que obteve o Prêmio único do Concurso da “Editorial Vitória” e foi ela editado, com capa e ilustrações de Renato Silva. Escritor e jornalista de alta categoria, soube Fernando Segismundo estudar e analisar a “praieira”, - as suas origens, seu desenvolvimento,a sua significação e as suas conseqüências, - condensando tudo isso num precioso livro que é realmente história escrita para o povo, pois nele o povo encontrará a verdadeira história de uma das suas mais gloriosas lutas contra a escravidão. A “praieira” não foi, como se pretendeu fazer crer, uma luta de partidos políticos, mas, uma luta de classes, antes um movimento social do que um movimento político, como afirmou Nabuco. E isso, fundamentalmente, é o que nos mostra Fernando Segismundo, com a sua maneira sóbria, porém, agradável e acessível de escrever para ser entendido. Autor que nos deu, anteriormente, o ensaio, Castro Alves explicado ao povo, e recentemente premiado pelo III Congresso Nacional de Jornalistas, com a tese “Cypriano Barata, jornalista político”, Fernando Segismundo, pela exatidão de seu estilo e método, aliados a um justo conceito nas afirmações e análises apresenta-se com o seu último trabalho, um escritor de primeira linha na moderna literatura brasileira. 47.2. Tradução de Macbeth (c/fotografia) res Artur de Sales traduziu, em versos, o Macbeth, de Shakespeare. Lançado pela Jackson em volume X de sua Coleção de Clássicos , essa edição reuniu a tradução do Rei Lear por J. Costa Neves. Sales também publicou um estudo sobre a obra de Shakespeare que consta na introdução dessa edição. Sua tradução é uma das maiores expressões da nossa poesia. 47.3. Centenário de Ruy res Durante as comemorações do centenário de Ruy Barbosa, além das inúmeras homenagens nacionais, foram publicados os seguintes livros: Lições de Ruy, pela Imprensa Oficial; Ruy e a poesia nacional, coletânea de poetas brasileiros sobre Ruy, organizado por Epamiondas de Souza Pinho, contém dados biográficos dos autores. 47.4. Paratodos (c/ desenho) tr Está em circulação o primeiro número da nova fase de Paratodos datado de 20-X-49. O antigo semanário, hoje publicação quinzenal, que Álvaro Moreyra fundou e dirigiu há anos passados, reaparece numa hora em que o movimento cultural no Brasil carece de orientação que lhe dê sentido e conteúdo coerentes com o espírito da época. Se muitas vezes são as publicações de literatura e de arte, no Brasil, poucas, pouquíssimas, aquelas que sabem e que podem enxergar claro na confusão do mundo atual. Daí a oportunidade de ressurgimento de ParaTodos que, sob a direção de Álvaro Moreyra, tendo como redator-chefe Dalcídio Jurandir e redatores Astrogildo Pereira, E. Carrera Guerra, Floriano Gonçalves, Jorge Medanar, Lia Correa Dutra, Nair Batista, Osvaldino Marques e Yolandino Maia, certamente virá reforçar o trabalho daquelas pouquíssimas publicações a que nos referimos. O primeiro número, além de outras colaborações, contém uma pequena apresentação assinada por Álvaro Moreyra, artigos de Brasil Gerson, Jean Freville, Zora Braga, Dias da Costa, uma entrevista de Dalcídio Jurandir com o Barão de Itararé e um editorial, “caminho”, que contém o programa e os propósitos de ParaTodos, do qual extraímos esse significativo trecho. “estamos opostos às tendências dessa pequena arte espectral que domina em nossa vida literária, feita de exaltação do absurdo da covardia, da traição, da renegação do entusiasmo e da esperança, saturada de hipocrisia de tédio, de medo e da mentira, que se coloca, por isso mesmo, contra a própria marcha da cultura, contra a paz, contra o Brasil. Saibamos usar a palavra “povo” de modo largado e contente contra o nojo e o desprezo dos que evitam pronunciar o nome porque sabem que o estão traindo.” 47.5. Depoimento tr Há mais de onze anos passados, Astrogildo Pereira, tecendo considerações em torno de um romance de Graciliano Ramos, fez observações que tem hoje toda a oportunidade. São as seguintes: “Bem consideradas as coisas, os romancistas brasileiros, que fazem da miséria terrivelmente viva do nosso povo o tema central de suas obras, estão cumprindo o seu dever supremo. Vamos deixar de pabulagem. O problema da miséria é o mais importante, o mais urgente, o mais nadiável dos problemas que reclamam solução neste país. Fingir desconhecêlo é hipocrisia; desinteressar-se dele é cumplicidade. Está visto que os romances não vão resolvê-los, mas podem, mas devem contribuir para que ele seja resolvido. Contribuir evidentemente com os recursos próprios e específicos, suscitando nos leitores um estado emocional capaz de transformar-se em vontade de ação – direta ou indireta, imediata ou remota, máxima ou mínima – que venha integrar-se no esforço nacional pela abolição da miséria no território nacional” (Interpretações, Astrogildo Pereira, p. 153-154, junho de 1938) 498 47.6. O tacão de ferro res Jack London foi um dos mais poderosos escritores que a América já produziu, apesar de não ser reconhecido por certos historiadores e críticos. Seus livros, quase todos de sentido autobiográfico, destacam as situações sociais com o objetivo de servir aos menos favorecidos e de lutar contra a opressão. Em destaque o livro O tacão de ferro, 1907; leitura recomendada aos que desejam uma vida melhor e um mundo mais justo. 47.8. Flagrantes res – A musa e um poeta, de Luis Ferreira Pires, biografia romanceada de Paulo Eiró, pela Martins Editora. Eiró era pulista, foi abolicionista e republicano; - Revista Cultura, nº3, do Centro de estudos dos Alunos da Faculdade de Filosofia da Universidade da Bahia; - Poemas agrários, de Bueno Rivera e Wilson Figueiredo, poetas mineiros. 47.9. De José Geraldo Vieira (c/desenho) tr O movimento editorial argentino tem crescido bastante nos últimos anos, com um bom número de traduções e lançamentos de autores hispano-americanos. Agora, segundo se anuncia, uma editora rio-palatense, contratou com José Geraldo Vieira a publicação de todos os romances deste, em tradução castelhana. Nessas condições, o público dos países de língua espanhola vai tomar contato com uma das significativas obras da ficção brasileira contemporânea, a de José Geraldo Vieira, autor que a crítica não se cansa de estudar e analisar, para nela encontrar um dos pontos altos do nosso romance. Aliás, o interesse por José Geraldo Vieira não fica somente aí, pois, ao que se sabe, uma empresa cinematográfica de Buenos Aires apresentará no próximo ano, a versão de A mulher que fugiu de Sodoma, romance que não é, apenas, um dos mais bem trabalhados daquele autor, mas, um dos melhores da nossa ficção. 47.10. A lenda de Madala Grey tr A Globo acaba de lançar, em sua Coleção Nobel, A lenda de Madala Grey, de Clemence Dane. Esta romancista e autora de peças teatrais inglesa, ainda é pouco conhecida no Brasil, o seu verdadeiro nome é Winifred Ashton, sendo seu pseudônimo inspirado na famosa igreja londrina, “St. Clement Dane”, destruída pelas bombas nazistas, durante a última guerra. Clemence Dane fez seus estudos primários na Suíça, onde, aos 16 anos já era professora de francês. Voltando á Inglaterra, antes da primeira guerra mundial, foi por algum tempo atriz teatral, devendo, no entanto, sua notoriedade, mais ao fato de haver Katherine Cornell representado uma de suas peças. Sua atividade literária é muito intensa, já havendo escrito mais de 20 romances e peças de teatro, além e várias novelas policiais, em colaboração com Helen Simpson. A lenda de Madala Grey, cujo título original é Legend, foi publicada em 1919, e, na opinião de Erico Veríssimo, mereceu a honra de ser colocado ao lado de Servidão Humana e Os Thibault. Na lista de seus livros figuram Regiment of women, 1917, livro de estréia; The babyons, 1928, Brooms stages, 1928, The moon is feminine, 1928, The arrogant history of White Ben, 1939. 47.11. Exposição de James Joyce (c/fotografia) res A Livraria La Hune, de Paris, organizou uma exposição sobre James Joyce, autor de Ulysses. Seriam expostos os livros de Joyce e seus manuscritos, que poderão ser adquiridos pelos visitantes. Também se prevê, no mesmo mês, o lançamento de uma peça do autor, pela Gallimard, Les exiles. 47.12. Homenagem a Zola (c/fotografia) res Na passagem do 47º aniversário da morte de Zola, várias homenagens foram registradas, como de costume, na França. A mais famosa das homenagens foi a peregrinação a Medan, onde reisidu, estiveram presentes como oradores o advogado Maurice Garçon e o escritor Jean Rostand, filho de Edmond Rostand. 48. Data 10/12/49;5 Título Caleidoscópio 48.1. Variações sobre um livro tr É com máximo interesse que realizamos a leitura dos nove contos do livro de Breno Accioly, (Cogumelos, Editora A Noite, Rio, 1949, com capa de Luis jardim, ilustrações de Osvaldo Goeldi e prefácio de Gilberto Freire). Com ele, o autor confirma o êxito João urso, já esgotado, livro que obteve os prêmios “Graça Aranha” e “Afonso Arinos” da Academia Brasileira de Letras. Original em certos aspectos, criador e narrador de qualidades apreciáveis, revela-se o jovem contista alagoano, apesar disso, ou talvez por isso mesmo, um tanto fácil ou inexperiente em alguns ângulos, sem conseguir dominar inteiramente o material com que trabalha, incapaz de dar sentido e unidade à sua obra, unidade e sentido que para ele e para o leitor devem ser da maior importância. Perdidos em um mundo de insegurança e angústia, seduzidos pelo estranho e pelo sinistro, e no desespero que os personagens de Breno Accioly encontram, quase sempre, a solução de seus problemas. O marido de Hilda, do conto A valsa, é um bom exemplo: vagando sem perspectivas e sem horizontes, perdidos num emaranhado de conjecturas desesperadas, ouve o povo falar e protestar, pressente algo no protesto do povo, mas está longe de sentir realmente o que ele quer, e que forças o conduzem e para onde o conduzem. Em outro conto, um personagem recorre ao suicídio como solução para o drama que lhe armara o destino. E assim em muitos outros, em quase todo o livro, onde o desespero é uma dominante que enche de sombras todos os horizontes. É que no mundo desses 500 personagens shakesperianos, a última palavra ainda cabe ao azar, ao destino, e é ele o supremo árbitro. Talvez isso reflita, ou melhor, isso reflete, com segurança, a visão que Breno Accioly tem do mundo e dos seus problemas. E essa visão antes de tudo, é que precisa de ser corrigida ou reconsiderada. Essas observações, feitas à margem da leitura, refletem, não apenas o interesse pelo livro, mas, sobretudo, o interesse que temos no progresso de um escritor que possui qualidades e condições de avançar sempre. Elas não seriam feitas, por exemplo, se se tratasse de Os servos da morte, do sr. Adonias Filho. Já não há por onde fugir ao fato de ter a literatura, como qualquer outra arte, uma função. E esta não pode ser outra senão a de refletir situações e tendências da época em que é criada e das quais o artista participa dessa ou daquela forma – visando ajudar o povo na sua luta por uma vida melhor. E o artista honesto, consciente de sua função, é aquele que desenvolve a sua arte no sentido dessa ajuda, indicando ao seu público a justa solução dos problemas que formam o conteúdo da sua obra.. E é precisamente aqui nesse terreno que os dois campos se definem com absoluta precisão: de um lado, os artistas que receiam avançar, e, direta ou indiretamente, por incompreensão, omissão consciente ou clara definição de princípios, defendem a sobrevivência de uma estrutura social anacrônica; de outro lado, os artistas que compreendem o processo de desenvolvimento social e marcham com o tempo ou à frente dele, abrindo e indicando caminhos. E está claro que o desespero, o negativismo, não conduzem a nenhum progresso e são armas de luta próprias daquele primeiro campo. 48.2. Concurso Monteiro Lobato (c/fotografia) res Em estudo e julgamento os trabalhos da secção de adultos, pela Comissão Julgadora e para a secção infantil os prazos foram dilatados, a pedido de inúmeras cartas. 48.3. Moko (c/fotografia) tr Lança o sr. Teixeira Lobão o seu primeiro livro, Moko, impresso na Imprensa Oficial do Estado, com capa de Robespierre de Farias. Não sendo propriamente um estreante, pois seu nome já é bastante conhecido do nosso público, tendo publicado contos e poemas em nossos suplementos literários e já havendo dirigido uma secção de “Autores Novos” na A Tarde. É com esse livro que o autor realmente estréia no difícil terreno da ficção, no qual a Bahia tem dado vultos de grande projeção, como Xavier Marques e Vasconcelos Maia e de projeção inclusive internacional como Jorge Amado. Moko é o diário de um jovem militar morto em águas da Bahia nos operações da última guerra. 48.4. Notícia Histórica da Bahia res Thadeu Santos, Redator dos Debates do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, realizou pesquisas, desde 1948, sobre a magistratura na Bahia, como parte desse trabalho solicitou às famílias dos magistrados que lhe fornecessem dados sobre os mesmos. Essa pesquisa apresentou como resultado o Almanaque da Magistratura baiana, o qual foi dedicado ao centenário de Ruy Barbosa, no entanto, o lançamento não pode ser realizado na data prevista. O autor também escreveu publicou Notícia histórica da Bahia, destinado à apreciação do 1º Congresso de História do estado da Bahia, reunido por aqueles dias, na capital. 48.5. De Europe (c/fotografia) res O romance Fast, de Howard Fast, estava sendo publicado, em capítulos, na Revista Europe – revista mensal dirigida por Pierre Abraham, fundada em 1923 por Romain Rolland. Traduzido do americano por Renaud de Jouvenel, seu título em francês pe les Héros desesperes. No mesmo número da revista continha uma crônica de Aragon e uma peça de Paul Eluard. Fast foi o autor de Caminho da Liberdade e Citizan Tom Payne. 48.6. Majupira res Romance regional, Majupira, foi escrito por J.B. Mello e Souza. Esse livro foi publicado pela primeira vez em 1938. Mello é ainda autor de Uma viagem pelas estrelas e Estudantes de meu tempo. 48.7. Depoimento tr “O que mais impressiona em Raul de Leoni é a inteligência metafísica, uma nobre e alta feição da inteligência que parece ter sentido um dia arrepios ante o mistério das coisas. Do contato transcendente, porém, guardou ele uma sensação de medo e desorientação. Venceu-a aparentemente, procurou esquecê-la, naquela atitude de fim-de-século, de serenidade epicurista e dúvida amável. Mas o malogro íntimo e profundo deixou-lhe no espírito uma ferida aberta. Daí essa seiva ácida que ele entrevê no “fundo sombrio das Verdades”. Por toda a “luz mediterrânea”, o poeta narra o seu desencanto. Uma torre morta, ao pôr-do-sol lhe sugere a inutilidade de subir e superar-se. As árvores estéreis, de galhos tristes e vazios, que representam as “dolorosas utopias” de todos os filósofos do mundo... O poeta nos adverte sem cessar contra o enigma eterno e aconselha que nos deixemos viver na simplicidade amorável das coisas, tendo por guia o instinto e por filosofia o prazer.” (Carlos Dante de Morais, Raul de Leoni, poeta vesperal, Revista Província de São Pedro, n.4, p.74) 48.8. Flagrantes res – Abkar, a cidade dos gênios, de Chafic Maluf, poemas, versificação por Judas Isgorogata, edição do autor. – Praia oculta, de Domingos Carvalho, poemas, ilustrações de Aldemir Martins, Graciano, Marcy Penteado, Gruber Correia, Oswald de Andrade Filho e Otávio Araújo, lançado pela “Brasiliense”. – Jorge de Lima lançou livro de sonetos, o autor foi figura de projeção do movimento modernista de 22. 502 48.9. Concurso literário (c/desenho de Ruy Barbosa) res O Brasil e a Grã-Bretanha assinaram um Convênio Cultural, em 1947, comprometendo-se a conceder um prêmio literário à melhor obra escrita por nacional de cada um dos dois países sobre qualquer aspecto da cultura ou civilização do outro país. Prêmio Ruy Barbosa, título dado pelo governo britânico seria concedido às obras escritas até cinco anos antes de 1952, em primeira edição. Divulgou-se a configuração da comissão julgadora e o regulamento. 48.10. Miniatura (c/desenho) tr Possui Otávio Tarquínio de Souza, na literatura nacional, um lugar definitivo, pela seriedade com que estuda e escreve. Preferindo o setor histórico, nele se afirmou como estudioso inimigo das improvisações. Nasceu no Distrito Federal a 7 de setembro de 1889 e seu nome completo é Otávio Tarquínio de Souza Amaranto. Diplomado em Direito, foi diretor dos Correios e Telégrafos do Estado do Rio, durante o governo Nilo Peçanha, e posteriormente, Ministro do tribunal de Contas, cargo do qual já se aposentou. Dirigiu, de julho de 1938 a dezembro de 1943, a Revista do Brasil, na sua terceira fase, e foi crítico de O Jornal, durante alguns anos. Além de autor de vários livros, Otávio Tarquínio de Souza é um reputado tradutor, tendo vertido para o português entre outras obras O Rubaiyati, Omar Khaayyan. Dirige, para a José Olympio, a Coleção Documentos Brasileiros. É casado com a escritora Lúcia Miguel Pereira e tem publicado os seguintes livros: A mentalidade da Constituinte, Bernardo Pereira de Vasconcelos e seu tempo, Evaristo de Veiga, Diogo Antônio Feijó, História de dois golpes de estado e José Bonifpácio. Atualmente, está escrevendo uma biografia de D. Pedro I, cujas pesquisas, iniciadas há dois anos, ainda não terminaram. De sua autoria será também, o volume da História da Literatura Brasileira, período de 1830 a 1870, dirigida por Álvaro Lins. 48.11. Autobiografia de um baronete (c/fotografia) res Osbert Sitwell, poeta, ensaísta, crítico e novelista, herdou seu pai o título de 5º baronete, em 1943. Sua obra foi programada para cinco volumes, são três deles: Left hand, right hand; The scarlet tree e Great morning. Neste ano foi publicado o 4º volume: Laugther in the next room. 49. Data 21/01/50;5 TÍTULO Seção Caleidoscópio 49.1 Poesia autêntica Tr Uma das mais autênticas vozes da moderna poesia brasileira é, sem dúvida alguma, Wilson Rocha, que já nos deu, anteriormente, um livro de poemas editado aqui mesmo na Bahia. Poderosa expressão de artista, consciente, estudioso e honesto, Wilson Rocha cada vez mais se aprofunda nos domínios de sua arte, buscando realizar-se definitivamente, sem pressa e sem sensacionalismo. Produzindo pouco, divulgando menos e estudando mais, tem procurando fazer de sua poesia uma arma de luta, uma bandeira, uma como que mensagem de beleza e de amor, de compreensão e de paz em meio ao tumulto que os falsos valores procuram fazer para confundir. Tendo editado apenas um livro, há alguns anos, vai agora lançar o segundo, em edição de Caderno da Bahia. Com ilustrações de Aldo Bonadei e cerca de quinze a vinte poemas. O tempo no caminho - é o título – deverá aparecer em março próximo e certamente que figurará como um dos mais significativos das letras em 1950. 49.2 Sobre Chamado do mar Tr O livro com que James Amado estreou na ficção brasileira Chamado do mar, continua a despertar na crítica e no público o mais vivo interesse, suscitando opiniões, artigos, notas, em grande parte de elogios ao romance de jovem escritor. Dentre essas opiniões, tem grande significação a de Roger Bastide, o erudito professor da Universidade de São Paulo que em carta a James Amado, assim se expressou a respeito de Chamado do mar: “Eu lhe envio as mais cordiais felicitações. É um muito bom livro, bem construído, sólido, escrito com amor. E eu lhe felicito ainda mais, pelo modo feliz e seguro com que você brinca com as dificuldades técnicas. Com freqüência, joga com temas já tratados – pois são constantes no Nordeste chamados do mar, fazendas de cacau, candomblés, etc – e cada vez você os trata de maneira muito pessoal, sua. Sinto apenas que você tenha utilizado a repetição lírica. Mas, mestre de sua própria técnica, estou certo de que se libertará disso que tende a ser um “tic” do romance nordestino. Partirei para a França dentro de alguns dias, e não o queria fazer sem dizer, antes, o grande prazer que me deu a leitura de seu livro.” James Amado, em companhia de sua esposa, a poetisa Jacinta Passos Amado, está realizando uma “tournée” pelo norte e nordeste do Brasil. Ao regressar, retomará o trabalho de seu segundo livro, também romance, e ao que se sabe já bem adiantado, com vários capítulos prontos. 49.3 Catalogação geral de livros novos res Um novo e importante projeto literário foi discutido na conferência anual da Associação Britânica de Bibliotecário. O plano consistia na publicação semanal de uma catalogo de todas os livros impressos na Grã-Bretanha, sendo a primeira edição foi planejada para 1951. Ao Museu Britânico coube a responsabilidade de preparar e classificar as entradas. Um anuário seria lançado com todas as entradas semanais, que registrariam cerca de 300 livros novos e reedição. Sob o título Bibliografia Nacional Britânica, serviria a livreiros e bibliotecários de todo o mundo. 49.4 Do caderno de Memória tr Somerset Maugham vem de publicar mais um livro. Caderno de notas de um escritor, no 504 qual faz um balanço de seu estado físico e mental. Vive Maugham atualmente, na sua “vela nourisca”, em Cap Serrat, na Riviera Francesa, de lá é que nos manda esse livro, com o seguinte resumo dos seus setenta e cinco anos: “Dentes naturais: vinte e seis. Renda: o suficiente para viver com conforto e para satisfazer certos ‘caprichos’. Esperança de imortalidade: Nenhuma (‘estou contente em saber que minha alma se vai dissolver no nada’). Esperanças quanto à posteridade: algumas duas ou três peças de teatro e uma dúzia de contos meus podem sobreviver por muitos anos. Atitude para com a morte: ‘Estou perfeitamente disposto a desocupar meu pequeno nicho’. Atitude para comigo mesmo: ‘Fiz o mais que pude com os dons que a natureza me deu’. Atitude para com os outros: ‘Já não me importo mais... Podem aceitar-me ou negar-me...” 49.5 Ladeira da memória tr A Coleção Saraiva iniciou bem seu programa de 1950, com a publicação de Ladeira da memória, de José Geraldo Vieira, vol. 15 correspondente ao mês de janeiro. Após apresentar Majupira, de Mello e Souza, e Os últimos dias de Pompéia, de Lord Lytton, respectivamente em novembro e dezembro, inicia o novo com o livro de um dos maiores romancistas do Brasil, autor de A quadragésima porta, A mulher que fugiu de Sodoma, Território Humano e outros livros. Promete a Saraiva para este ano, ao lado de outras iniciativas, a publicação de romances inéditos de autores nacionais, com tiragens surpreendentes, como é o caso de Ladeira da memória, que inicia esta série com 45 mil exemplares! 49.6 Entrevista com Du Gard tr Entrevistado por Justino Martins, da Revista do Globo, Roger Martin du Gard, sem dúvida um dos maiores escritores do nosso tempo, conversa com o conhecido repórter brasileiro como raríssimas vezes terá feito com outros jornalistas. Fala de sua vida, de sua obra, de seus hábitos, de seus projetos. Referindo ao seu método de trabalho, o autor de Jean Barois: “ – Nunca me foi tão difícil escrever como atualmente, jamais corrigi tanto como agora. Veja o meu processo de início, tomo notas rápidas, a lápis sobre fichas amarelo-claro. É a idéia como ela vem, fresca e primitiva. Depois, passo tudo a tinta para as fichas azul-claro, retocando e estendendo o assunto dentro dos seus limites. Em seguida, levo o texto corrente e já muito alterado para folhas comuns, brancas, sobre as quais realizo um trabalho de ‘limpeza’ na escrita. É quando abandono a coisa por dois dias ou três meses, ao fim dos quais retomo para uma correção definitiva. É, sem dúvida, um trabalho penoso, que ainda continua sobre as provas de tipografia, mas eu o adoro. Creio que boa qualidade da minha obra se deva, sobretudo, a esse método, a essa paciência, se o senhor quiser a esse devotamento ‘obstinado’ como diz Gide.” Prosseguindo, Du Gard fala da América do Norte, dizendo que esse país não lhe pode interessar especialmente. E, a propósito, cita seu caso com o “Reader Digest”. “– Veja, recebi ontem essa carta do ‘Reader Digest’ (edição francesa) pedindo-me um artigo de seis páginas sobre o personagem mais interessante que eu conheci. E o diretor da revista acrescenta que se sente contente de poder oferecer dois mil dólares por um artigo de apenas seis páginas datilografadas. Eu não devo alar de alguma figura conhecida, mas de um caráter comum, cuja personalidade possa impressionar favoravelmente ao público. Para terminar, o homem me dá uma sugestão: O máximo possível de anedotas será aceitável...” Diz Justino Martins que Du Gard, lendo a carta e rindo, acrescentou: “- Eu não chamarei a isso de inconsciência, mas de ‘naivite’ (ingenuidade) tipicamente americana. No entanto, a oferta é daninha por causa dos dois mil dólares. Ela pode corromper a qualquer espírito mais fácil. Eu respondi esta manhã, dizendo que estou precisando de dois mil dólares agora, mas que não poderei escrever um tal artigo sob medida e com assunto pré-estabelecido. Quando escrevo, não poso ter um limite à minha frente, senão o que a minha própria razão de recomenda.” Essa atitude cem confirmar sua própria opinião, de que o último homem livre da França “sacrifico tudo, tudo, pela minha tranqüilidade e pela minha independência. Do contrário, eu nada poderia escrever...” 49.7 Depoimento tr Neste nosso mundo marcado por inúmeros crimes a guerra, os campos de concentração, as perseguições raciais, o terror policial, a mutilação de crianças e tantas outras calamidades – um crime há que a todos se deve sobrepor, por ter sido uma advertência, o ponto de partida das ações celeradas do tempo em que nós vivemos. Quero referir-me ao assassinato de Frederico Garcia Lorca, o admirável poeta que os soldados de Franco abateram estúpida e friamente. Nunca será bastante o clamor contra essa hedionda tragédia deliberadamente consumada pelos Fascistas espanhóis – esses mesmos que ainda hoje dominam a pátria do autor de Bodas de sangue e com os quais um cínico sugeria tivesse normalmente a humanidade relações e negócios, conforme se leu num dos últimos números das “Seleções do Reader´s Digest” (Mário da Silva Brito, Sobre Garcia Lorca, Jornal de Letras, n.6) 49.8. Não se arrisca tr Segundo notícias da América do Norte, Erskine Caldwell trabalha atualmente na elaboração de um novo romance Chão trágico e estrada de tobaco é um dos melhores escritores norte-americanos contemporâneos, e seu novo livro, A place called es therville está sendo aguardado com ansiedade. A respeito dessa romance, ele mesmo declarou: “Nesse livro proponho um grande número de problemas. Mas, não me arrisco a resolver um só deles, o que inda é melhor meio de contentar a todos”. 49.9. Mais uma de Zelins Tr O Sr. Zelins do Rego, que é o autor do Ciclo da cana-de-açúcar, tem se notabilizado mais pelas suas arruaças como torcedor e cronista de futebol. Ainda agora, a 6 deste mês, o conhecido e reputado cronista José Brigido, que assina a seção Pra ler no bonde, do Diário de Notícias do Rio publicou o trecho que abaixo vai transcrito sem comentários: “Nutrimos tanta admiração pelos homens decentes normais de moral sadia, quanto sentimos consideração sincera pelos rebotalhos da sociedade e repugnância ainda mais 506 profunda pelos desertores da dignidade. Ainda ontem, achavamo-nos, despreocupadamente, a ver livros expostos numa vitrine, quando de nós de cercou o medíocre e confuso José Lins do Rego conhecido em certas rodas por Zé da Vala. Pediu-nos que entrássemos, pois desejava falar-nos. Aqui viemos, quando inopinadamente, ele investiu contra nós, com a mesma covardia que o distinguia nas tocais do cais de Lingüeta, no Recife, onde deixou fama. Reagimos e plantamos a mão esquerda na face faioderma, uma vez que a nossa direita se achava ocupada com embrulhos. Não deve ter ficado marca, por ser escura a máscara do cafuzo, mas ele há de sentir sempre o calor dos nossos dedos, como lembrete de sua própria ignomínia. José Lins do Rego há muito tempo que se tornou gratuitamente nosso ofensor. Até hoje nada mais fizemos do que repetir suas mórbidas provocações. De uma feita, tomamos até a iniciativa de saúda-lo, na sede do Fluminense e estender-lhe fraternalmente a mão. Passou uns tempos sossegado, voltando, ultimamente, ao delírio antigo. Continuaremos na mesma posição em que sempre nos colocamos, ainda mesmo que José Lins do Rego por impulso atávico, deseje recorrer ao assassinato, não nos intimida o cafuzo. Se nos atacar, terá resposta. Pode estar certo disso. Há pouco antes, um estrangeiro que se refira pejorativamente ao Brasil preferiu ficar contra nós, não revelando a menor sensibilidade cívica. Cada qual dá que pode. Ele, se, capacidade para rebater nossos argumentos malgrado ter dois jornais a sua disposição, cedeu a voz interior, que pode ser sinal do que Machado de Assis denominou “nostalgia da lama”. Fiquemos por aqui. O assunto não merece mais espaço e o sujeito que o motivou, muito menos, pois teve no mesmo instante o tronco da sua insolência covarde, apesar da intervenção de terceiros. Continuaremos sem receio algum em nosso posto. Por sermos homens de responsabilidade, não desejamos nivelar-nos a um irresponsável, experimentado nas “espolas da Lingüeta da Gameleira ou do Pajeú...” 49.10. Panorama Norte-Americano res Em 1949, foram publicados mais de nove mil títulos nos Estados Unidos. Desses, cerca de 1500 seriam romances e o restante obras de todos os tipos. Harold Smith, comentarista de uma agência noticiosa, afirmou que o romance mais importante foi Point of no return (Não se pode voltar atrás), de John Phillips Marquand; segundo o comentarista, este livro apresenta uma análise da mentalidade dos norte-americanos da classe média. Smith continua comentando o movimento editorial e cita ainda outros escritores: Sinclair Lewis, John dos Passos, Ernest Hemingway, William Falkner e John Steinbeck. 49.11. Flagrantes - Rubem Braga publica mais um livro de crônicas O homem rouco... - O Goncourt de 1949 foi atribuído a Robert Merie pelo seu livro Week-end a zuy docofe. - A Brasiliense laça o erudito estudo de Ciro de Morais Vale, Civilização cristã. 50. Data 28/01/50;5 TÍTULO Seção Caleidoscópio 50.1. Variações sobre a guerra e a paz Tr Há quem defenda a cruel tese de que a guerra é sempre e fatalmente fator de progresso. Concluindo daí que nenhum mal há em que os povos, vez por outra, se estranhem como animais sem inteligência e se matem uns aos outros sem constrangimento. Não é necessário dizer que uma tal teoria é fruto de encomenda, sob medida, e os seus autores nada mais fazem do que interpretar e defender os desejos dos que vivem e enriquecem à custa das guerras e das mortes. E tanto é assim, que, se há pouco saímos de uma carnificina, na qual muitas mulheres de entes humanos perderam a vida, já hoje homens decididamente empenhados no deflagrar de uma nova hecatombe, e tudo fazem para convencer os povos de que ela é inevitável e necessária. Desencadeiam a mais tremenda campanha ideológica a favor da guerra, alugam escritores e jornais, fabricam livros em massa, arquitetam intrigas e forjam desentendimentos, condenam a palavra paz e prendem os que a defendem, tudo isso para que os povos se deixem arrastar na desumana, impiedosa aventura guerreira. Mais ainda bem que os povos do mundo inteiro se pronunciam a favor da paz, a mais bela e mais doce palavra de todas as línguas. E é em nome da paz e do amor entre nossos povos que reverenciamos a memória dos que morreram na última guerra. Aos escritores em particular cabe honrar e respeitar a memória dos escritores e intelectuais que desapareceram na luta ou em conseqüência da luta contra o ódio e a opressão. E Otakar Fisher, crítico e tradutor theco, que ao receber a notícia da ocupação da Áustria pelos nazistas caiu fulminando por um colapso cardíaco. E o refém de Lidice, Viadisiav Vantchura, romancista tcheco, autor de O padeiro marhoul, fuzilado desumanamente pelos nazistas em 1942, naquela qualidade de refém. E o historiador romeno Nicolas Torga, assassinado pela “Guarda-de-ferro”, de odiosa memória. São ainda os que morreram, É Nordhal Grieg, um dos mais famosos romancistas contemporâneos da Noruega, bravo aviador da RAF que não voltou de uma incursão aérea sobre Berlim, em 1943. ...É Saint-Exupery, águia que desapareceu dos céus da França no verão de 1944. É Sidney Keys e é Alun 1 Lewis, jovens poetas ingleses que a morte encontrou nas campanhas do mediterrâneo. É o soviético Afenogenov, dramaturgo que o mundo inteiro admirava, morto durante um dos bombardeios de Moscou pelos nazistas. É Hendrick Marsman, líder do movimento renovador de poesia na Holanda, tentando fugir de seu país para a Inglaterra e torpedeado junto com muitos outros perecendo afogado. É Kay Munk, heróico dramaturgo dinamarquês, coração e sangue da Resistência em seu país fuzilado pelos nazistas numa fria manhã de 1944. É o “maquis” Jean Prevost, desaparecido nas guerrilhas. Sabe como, nos campos de concentração, como o crítico polonês Zelenski, no campo de Dachau em 1942; o poeta francês Maz Jacob, em Drancy 1944; o velgo historiador norueguês Huizinda e o escritor tcheco Joseph Tchopek, em Belsen, 1945; o grande Jules Zuchik, autor de O testamento, sob a força, admirável exemplo de coragem e decisão revolucionárias, herói tchecolsvaco e símbolo de um novo mundo, que os nazistas enforcaram pelo crime de muito 1 Ou Akun Lewis esclarecer –procurar nome na internet ou em dicionário, assim como os nomes dos outros 508 amor à vida e os homens e por eles lutar. É ainda o suicida Walter Benjamim, evadido de sua pátria, a Alemanha, escorraçado pelos celerados soldados fascistas de franco, refugiando-se na França e aí preferindo suicidar-se a ser martirizado. São tantos outros cujos nomes não foram guardados, são milhares de anônimos que merecem o mesmo respeito e a mesma admiração. E é em nome deles, no nosso próprio e nos do que virão, que devemos lutar pela paz, harmonia e amor entre os povos, na busca de um mundo sem guerra e sem ódio. 50.2. O tempo e o vento Tr O acontecimento literário deste começo de ano é, sem sombra de dúvida, o lançamento do novo livro de Erico Veríssimo, O tempo e o vento, (1ª vol. O continente, editora globo, Porto Alegre, 689 p) com uma tiragem inicial de 20 mil exemplares. Autor que se impôs pelo hábil manejo da técnica novelística, pelo modo agradável e simples de escrever, aliados a uma grande dose de compreensão humana e de sentimentalismo, Erico Veríssimo era justamente considerado o melhor romancista da classe média brasileira, sendo sem favor um dos autores mais lidos do país. Com este seu novo livro, toma o escritor gaúcho um outro caminho, abandonando o cenário urbano e a vida de seus contemporâneos, vai às origens e ao desenvolvimento do continente de São Pedro, para lá encontrar os diversos fios das muitas histórias da formação do Rio Grande, desenrolando-os e conduzindo-os através de seiscentas e poucas páginas de O tempo e o vento, com uma habilidade realmente admirável, tecnicamente tão admirável que os diversos tempos, quadros, cenas e capítulos do livro, por mais diversa que sejam as épocas, são como partes de um todo, indispensáveis e interdependentes, atuando umas sobre as outras e produzindo no leitor essa nem sempre fácil impressão de unidade. Os personagens que povoam O continente são bem construídos, alguns marcantes outros inexpressivos, e pena é que o autor tenha procurado dar ao destino – ao azar, enfim – a força de conduzi-los, de guia-los através de suas vidas acidentadas, como se o destino lhe fosse anterior e exterior, quando se sabe que são as suas próprias condições de existência e de desenvolvimento que lhes traçam o destino. É a luta cega ela posse da terra, dominando todo o livro, são dramas dos emigrantes logrados pela má lei da corte, são os interesses antihumanos dos governistas pela conquista de mais terras e mais mercado, é tudo isso que traça o destino dos personagens deste novo livro de Erico Veríssimo, cujo segundo volume, O retrato, que já se encontra no prelo, traz a história de fins do século XI até nossos dias. 50.3. Prêmio Nobel, 1949 Tr O famoso prêmio Nobel de literatura não foi concedido a ninguém em 1949. nenhum escritor conseguiu obter essa glória que tantos almejam. Não é, aliás, a primeira vez que isso acontece. No último decênio, por exemplo, o Prêmio Nobel não foi distribuído cinco vezes: 1940, 1941, 1942 e 1949. Quando da Primeira Guerra Mundial, também não houve contemplados nos anos de 1914 e 1918, havendo nos anos de 1913, 1916 e 1917, sendo os seus detentores respectivamente, Romain Rolland, Von Reidenstan (sueco) e Gjellerup e Poutoppidan (dinamarquês). Os premiados nos últimos anos foram: Gabriela Mistral, grande voz poética do continente e único sul-americano já premiado, em 1945; Hermam Hesse, suíço, em 1946; André Gide, francês, em 1947 e T.S. Eliot, norte-americano naturalizado inglês, em 1948. 50.4. Depoimento Tr “No começo do séc. XVII Cervantes escreveu o Dom Quixote, a maior novela cômica de todas as literaturas. Nem Rabelais rivaliza com Cervantes porque para a grande “burlesca” Rabelais tomou como elemento vários gigantes absurdos ao passo que o escritor espanhol só jogou com seres humanos tirados do comum”. “se Cervantes não houvesse escrito o Dom Quixote teria ainda assim lugar de honra na literatura, como autor de várias peças e novelas. Mas, quando um homem se excede a si próprio numa obra de projeção universal, pode deitarse a dormir à sombra com todos os demais trabalhos na gaveta” (John Macy, História da literatura Mundial, p. 180 e 190). 50.5. Carta de Thomas Mann Tr Por ter sido agraciado com o Prêmio Goethe, o escritor Thomas Mann, alemão naturalizado norte-americano, foi convidado a visitar a Alemanha por ocasião das comemorações do centenário de Goethe, tendo, por esse fato, sofrido ataques do jornalista Paul Olberg. Através de uma carta aberta, marcada por uma independência de opinião e equilíbrio de espírito, respondeu àquele jornalista, são trechos da carta: “Não tenho em absoluto, a impressão de ‘haver-me rebaixado’ com o discurso que pronunciei em Francyort, e em Weimar, no aniversáro e Goethe, nem de haver negado com isso, minha condição de emigrado bem minha posição durante a guerra. Fui a Weimar porque lamento o ‘profundo abismo’ que, como diz você, separa as duas partes da Alemanha, e porque sou de opinião que não se deve aprofundar esse abismo, mas ao contrário, contribui para faze-lo desaparecer, na medida do possível, e nem que seja por um instante, por ocasião das festivas comemorações do aniversário de Goethe. A população da Zona Oriental soube agradecer-me pelo de eu não a ter esquecido e de não a haver tratado como filhos perdidos da Alemanha.” E mais adiante finaliza: “Contudo, o só fato de que me reserve o direito de estabelecer uma separação entre o comunismo como contribuição à ideologia humana, e a absoluta canalhice fascista, o fato de que me nego a participar da histórica campanha de perseguição aos comunistas, e de que me pronuncio em favor da paz num mundo cujo futuro já é inconcebível sem traços comunistas, tudo isso basta, parece, para que eu receba, na esfera daquele nascimento social, certa confiança que nunca reclamei e que, não estou convencido de que seja um mau sinal para minha saúde moral e espiritual.” 50.6. Flagrantes Rs - Confissões do meu tio Gonzaga, romance de Luis Jardim, pela José Olimpio; - Knut Hansun, romancista norueguês que foi acusado e condenado como colaborador dos nazistas, vai escrever um livro sobre a Segunda Guerra Mundial; - Collected poemes – 1909-1935, de Eliot, pela editora Faber e Faber, de Londres, edição artística; - Ruy e o vernáculo, de Fontenelle Ribeiro, jornalista de São Paulo. 510 50.7. Prosa de ficção Tr Desde 1944 que se anuncia a História da literatura brasileira, em quinze volumes e escrita por um grupo de colaboradores, sob a direção de Álvaro Lins, mas, somente agora é que aparece um de seus volumes, o 12º, o primeiro a ser publicado, de autoria de Lúcia Miguel Pereira e sobre o desenvolvimento da nossa ficção no período 1870-1920. É Lúcia Miguel Pereira um espírito inteligente, autora de um bom estudo sobre Machado de Assis, sendo de esperar que essa sua obra, Prosa de ficção, corresponda ao que dela de espera. Essa obra faz parte da coleção Documentos Brasileiros da Livraria José Olympio. 50.8. De Londres Tr Anuncia-se em Londres a publicação de duas uniformes e elegantes edições de Elizabeth Bowen, The house in papis e The cat jumps. A primeira dessas novelas mostra como pessoas jovens e inocentes podem ser corrompidas pelos que simultaneamente as adoram e odeiam. O outro volume The cat Jumps encerra alguns dos melhores contos de Elizabeth Bowen, escritora que é considerada a mais sutil e penetrante interprete da vida privada inglesa da classe média, nessas duas décadas, tendo por isso assegurado um permanente lugar na literatura de seu país. 50.9. Desaparece Putnam Tr Samuel Putnam, escrito norte-americano que aqui esteve em 1946, traduziu alguns dos nossos escritores e escreveu ele mesmo, o livro Viagem maravilhosa, pesquisa de quatro séculos através da literatura brasileira, foi recentemente agraciada com um prêmio da Fundação Guggnheim para preparar um novo livro, ampliando aquele primeiro, e que seria uma antologia das mais importantes páginas da literatura brasileira, desde 1918, o tomo não lhe seria possível voltar o Brasil, dado o seu estado de saúde. Putnam lançara um apelo aos autores e críticos nacionais, bem como aos estrangeiros residentes no Brasil, no sentido de que lhe enviassem publicações e recortes que auxiliassem a elaboração de seu livro. Seu apelo foi logo apoiado inclusive pelo jornalista norte-americano Charles Anderson Gould, que há muito reside no Brasil. Mas, noticias da América do norte anunciam o falecimento de Putnam, na cidade de Lambertville em Nova Jersey, onde vivia em companhia de sua esposa. Trata-se de uma perda lamentável, tanto para os estados Unidos como para o Brasil. Samuel Putnam foi um grande estudioso da nossa literatura, e a ele se devem boas versões para o inglês, como a de Os sertões, as de livros de Jorge Amado e Gilberto Freire. 50.10.Quatro Histórias Tr Na sua coleção “Word´s classic” a Oxford University Press laçou, em dois volumes Four tales de Joseph Conrad, incluindo The nigger of the narcissus, Youth, The secret sharer e Freya os seven isces. Esse foi considerado um dos melhores lançamentos do mês de novembro de 1949, em Londres, dada a popularidade de Conrad, embora alguns críticos pensem que o seu círculo de leitores seja reduzido, dada a sua pouco animadora concepção do mundo. Como quer que seja o chamado “romancista do mar” Josef Conrad (Josef Teodor Konrad Korzencowski. Polônia 1857-1924) inglês de formação é um dos melhores escritores da Inglaterra e a história trágica de seus personagens sempre desperta o maior interesse entre os leitores. 50.11. Protesto Tr Paris continua a ser o centro da cultura ocidental, oferecendo ao mundo as mais sensacionais notícias no particular. E é de lá que nos chega o protesto que Marcel Peguy, filho do famoso poeta Charles Peguy, fez contra as homenagens prestadas a seu pai, no dia 12 do corrente, na Sorbonne. Tratava-se de uma cerimônia oficial, com a presença do presidente da república, Sr. Vicent Aurid, pelo cinqüentenário de Fundação dos Cahiers de La Quinzaine, de Charles Peguy, Marcel, filho do poeta, enviou a todos os jornais um anota de protesto, declarando que na mesma hora em que se realizava a cerimônia ridícula os verdadeiros amigos de Peguy estavam reunidos no Café´Voltaire na praça de Odeon. 51. Data 11/02/50;5 TÍTULO Seção Caleidoscópio 51.1. Fundamentos Tr Desde o aparecimento de seu primeiro número Fundamentos, revista de cultura moderna fundada por um grupo de intelectuais paulistas tendo à frente Monteiro Lobato impôs-se no movimento cultural do país, como uma das melhores das mais sérias e das mais bem feitas publicações no seu gênero. Editados, porém, dez números, os responsáveis pela excelente revista tendo em vista as sugestões recebidas e a própria analise dos destinos e dos objetivos de Fundamentos, resolveram imprimir a esse órgão um outro aspecto, tornando-o mais acessível ao grande público em lugar de servir apenas a um reduzido número de privilegiados. E é assim que o nº 11 referente a janeiro deste ano e já à venda em nossas livrarias se apresenta como o primeiro dessa nova fase. De aspecto gráfico mais modesto, porém bem cuidado, com o preço reduzido a metade do anterior essa novo número de Fundamentos oferece aos leitores um farto material de leitura, sobre assuntos da maior atualidade e da maior importância, a exemplo do oportuno estudo do sociólogo Caio Prado Junior a respeito das Democracias Populares. E mais artigos de Edson carneiro sobre a “Significação Nacional da obra de Arthur Ramos”, de Artur Neves sobre “Posições Socialistas”, de Eduardo Corona sobre “Tiradentes de Portuária”, além de notas redacionais de contos e poemas de Guillen e Rossine Camargo Guarnieri. 512 51.2. Revista Branca Tr Nas livrarias da cidade o nº 9, relativo a outubro/novembro, da Revista Branca, publicação literária da Capital Federal, a cuja frente se encontra o contista Saldanha Coelho, recentemente convidado pelo governo de Pernambuco para ali realizar conferência. Encerra essa edição uma homenagem a Ruy Barbosa, trazendo, a respeito, um trecho do estudo literário de Ruy sobre Swift, documentação fotográfica e artigos de Américo Jacobina Lacombe, Homero Pires, Mario de Lima Barbosa e outros. Além disso, traz colaborações de Bernardo Gerson, Haroldo Bruno, Eustáquio Duarte, Herberto Sales, alguns contos e poemas e reproduções fotográficas de trabalhos do escultor baiano Mario Cravo Júnior. 51.3. Prêmio Fabio Prado Tr Encerradas que foram, em São Paulo, as inscrições para o disputado prêmio literário Fábio Prado, a ser concedido a obras de ficção e de teatro. Grande foi o número de candidatos inscritos, quer com os livros publicados, quer com livros inéditos, destacando-se entre eles no terreno da ficção, o bom romance do baiano James Amado Chamado do mar, lançado há pouco tempo pela Martins editora. Além desse inscreveram-se Confissões do meu tio Gonzaga, de Luis Jardim. Vazante, de José Mauro de Vasconcelos e outros mais. Na parte do teatro estão sendo destaque as seguintes inscrições: A mão e a aldraba, de Antônio D´Elia, a Ciméria, de Osvaldino Marques e três peças de Miroel Silveira. 51.4. Depoimento Tr Dreiser é, com toda a justiça, apontado como o introdutor do realismo na ficção norteamericana. Seu realismo é muito cru, é verdade, mas nunca perde um certo colorido poético. O mesmo que sucede em nossa literatura com Aluisio de Azevedo. Poderíamos realmente comparar Dreiser ao autor de O Cortiço – mas um Aloísio mais profundo, mais filosófico e, por isso mesmo, mais pesado e menos gostoso de se ler. A pesadez é ao meu ver o único defeito que se pode apontar na obra de Dreiser. Seu estilo é o pior dentre os de todos os grandes escritores do nosso tempo. Seus romances são, às vezes, fatigantes como relatórios, Uma coisa porém os salva. São relatórios da condição humana (Rolmes Barbosa. Escritos norte– americanos e outros. Liv. Do Globo, 1943, p.105) 51.5. (Nota sem título) Tr - Vultos e fatos da minha infância é o título do folheto de Theodomiro Jordão (Imprensa Glória Bahia, 1942); – Anuncia-se um novo romance de Cornélio Pena, autor que há pouco lançou Repouso. O título do seu novo livro será A menina morta. 51.6. Estímulo à cultura Res O deputado Osvaldo Gordilho apresentou à Assembléia Legislativa um projeto de lei criando prêmios de estimula às letras, artes e ciências. Incluiu nesta notícia a longa redação destacando o valor da premiação para escritor, compositor, interprete e escultor. Os concorrentes deveriam residir no estado há mais de dois anos. Para o comentarista, esse projeto tem uma função encorajadora da “nova geração que vem realizando um movimento de renovação e todos os setores da nossa cultura, embora não faltem os que tentam opor resistência a esse movimento por saberem o que ele representa e as conseqüências que ele acarreta”. Além disso, sugere algumas modificações a fim de dar ao projeto mais “objetividade”, são elas: deveria haver um prêmio para trabalhos de ficção, um para teatro e outro prêmio para ensaio; prêmios distintos para pintura e escultura; a inclusão de premiação para trabalhos inéditos considerando as dificuldades de para a edição de livros; criação de um prêmio anual para melhor revista de cultura publicada na Bahia e criação de um mecanismo que pudesse impedir a interferência de fatores políticos que viessem falsear os resultados. As sugestões visam complementar o projeto. 51.7. Novo livro Res A escritora parisiense Dephené de Maurier, autora de Rebecca, com o qual ganhou fama e notoriedade, o mesmo possui uma versão cinematográfica, e de The Lowing spirit, ainda não traduzido para o português, estava prestes a apresentar seu novo livro, um romance de costumes intitulado The roring porties 51.8. Povoamento da cidade do Salvador Res Dando continuidade à série intitulada “Evolução Histórica da Cidade do Salvador”, comemorativa ao IV centenário de Fundação da cidade, a Prefeitura editou a livro Povoamento da cidade do Salvador, de autoria do prof. Thales de Azevedo. O livro é elogiado pelo resenhista que, apesar de afirmar que o mesmo deve figurar na estante de todo estudioso da matéria, não deixa de considerar que algumas controvérsias e discussões poderiam resultar do relevo que o autor dá alguns dos fatores do nosso desenvolvimento. 51.9. Literatura infantil Res Repassa a noticia anunciada pelos jornais cariocas acerca da inauguração do I Salão de Ilustrações para o Livro Infantil, instalado na ABI, sob o patrocínio do SACI-Sociedade dos Amigos da Cultura Infantil. Para o evento, organizou-se algumas conferências; O escritor Mario Cordeiro: O livro infantil; o escritor Martins D´Alvarez: a poesia na literatura infantil; Darcy Evangelista: A criança e o livro; o escritor Paschoal Carlos Magno: teatro infantil e o escritor Vicente Guimarães; o livro para a infância. O resenhista lamenta o fato de não se dar a devida importância a esse tipo de literatura. 514 51.10. Rolland e Gorki Tr Oferecemos hoje, aos nossos leitores, as interessantes e justas opiniões que Gorki e Romain Rolland tinham um do outro, ambos escritores dignos desse título por isso que voltados para os grandes problemas humanos, ambos profundamente interessados no progresso e na paz entre os povos. Disse Romain Roland. “A fraternidade que me liga a Maximo Gorki é tanto mais digna de nota quanto viemos a encontrar-nos partindo de dois pontos opostos do oriente. Ele, da velha Rússia, e de raça popular robusto e calejado. Eu, da velha burguesia francesa, fraco de saúde mais de espírito inquebrantável. Ele aprendeu gastando a planta dos pés em todos os caminhos. Eu gastando meu assento e meus cotovelos nos bancos da Escola e das Universidades. E é fora de dúvida que materialmente Gorki levou a vida mais rude, mas não é tão certo que tenha tido, moralmente, vida mais dura, pois ambos tivemos que abrir caminho através de pântanos e florestas de preconceitos 52. Data 15/02/50;3 TÍTULO Um mundo que não se entende... Ontem, uma das emissoras da Capital federal divulgou, em caráter sensacional, a noticia de que já se encontrava completamente curado o cidadão que há cinco anos passados na América do Norte, assassinou sua esposa e foi considerado louco. E como poderia parecer para alegria de uns tolos sentimentais como eu, que a justiça mandara curar o assassino para devolver ao convício social, apressou-se o repórter radiofônico a acrescentar: Uma vez curado, conforme atestaram os médicos e o juiz sentenciou, o homem será executado na cadeira elétrica, como castigo pelo crime cometido há cinco anos. Durante cinco anos os médicos trabalharam na reconquista de uma consciência perdida, gastando o governo norte-americano, nesse cura cruel, parte do dinheiro arrecadado ao público por intermédio dos impostos. Concluída a cura em lugar de devolver-se o cidadão à coletividade, já que ele praticara o crime sem ter consciência disso, manda a justiça que ale seja executado em pleno uso da consciência, para que realmente sofra o castigo do crime que, conscientemente, não praticou. Em outras palavras manda a justiça que se assassine, fria e cruelmente, um homem que matou a esposa em reconhecido estado de loucura. Há quem possa defender o argumento de que não há nisso nenhuma maldade, que o cidadão merece morrer porque matou e que somente um perfeito e acabado ignorante pode estranhar e arrepiar os cabelos diante de fato tão simples. Quanto a mim, confesso que poucas das últimas noticias me terão tocado tão profundamente e nenhuma como essa, me terá dado a exata medida do absurdo, do cinismo desumano a que nós civilizados, estamos chegando. Em todo caso, não há dúvida de que é uma providencia de alta sabedoria, inclusive por que desopila o fígado de quantos andam aí amargurados com a tão falada destruição do mundo pelas bombas de hidrogênio ou com essa noticia de recuperação e assassínio posterior do matador de sua própria esposa, ou, ainda, com os sombrios destinos deste país que, afinal de contas, com a economia no cafezinho do Presidente, embora o do público continue sabendo cada dia mais, não vai tão mal assim... 53. Data 25/02/50;5 TÍTULO Seção Caleidoscópio 53.1. Homenagem ao Gênio Tr A Academia de Letras da Bahia vem de publicar o volume X de sua Revista, cujo diretor é o acadêmico Alfredo Pimentel. A particularidade desse número, é que ele encerra uma homenagem a Castro Alves, trazendo farta documentação das comemorações aqui levadas a efeito em março de 1947, quando do centenário do gênio. Essa edição comemorativa, que é um valioso documento histórico, foi organizada pelo diretor da revista com a colaboração e o auxílio de uma comissão composta dos seguintes acadêmicos: Pinto de Carvalho, João Américo Garcez Froés, Antônio Viana, Edith Gama e Abreu, Manuel Barbosa e Colombo Spinola. 53.2. O pavilhão Flaubert Res A Biblioteca Gustave Flaubert, contendo objetos pessoais e apresentando uma atmosfera do gabinete de trabalho, foi instalada no pequeno pavilhão à margem de Sena, neste lugar o autor de Madame Bovary escreveu quase todos os seus livros, onde também recebeu a visita de George Sand que lhe dedicou seu Dernier amouri e aí o ofereceu a Zola, e onde foi sepultado. 53.3. Ensaios e estudos Tr Abandonando a poesia, gênero em que estreou na literatura como o livro Moema (1928) Eugênio Gomes (Bahia, 1897...) transferiu suas atenções para a crítica, dedicando-se principalmente ao estudo da literatura inglesa, dela se tornando apaixonado estudioso e um dos mais elogiados conhecedores. Autodidata, nem por isso seus ensaios deixam de refletir um espírito objetivo e uma aguda sensibilidade, revelando método de análise e de interpretação de que é prova o seu H.D. Lawrence e outros (Editora Globo, 1937), livro que lhe trouxe renome e prestígio no mundo das letras. De sua autoria é o recente lançamento de IPE – Espelho contra espelho, estudos e ensaios, volume que reúne estudos sobre as influências estrangeiras em Machado de Assis e vários outros sobre reconhecidas figuras de literatura inglesa. Esse livro de Eugênio Gomes está considerado o mais importante lançamento editorial no setor da crítica e do ensaio. 53.4. Poemas de Isgorogota Tr Judas Isgorogota é o estranho pseudônimo de um poeta alagoano radicado em São Paulo 516 cujo nome verdadeiro é Agnelo Rodrigues de Melo. Transbordantes de um lirismo, que muitas vezes confunde com a pieguice, os livros de Judas Isgorogota trazem alguns bons poemas embora o poeta se mostre sempre cada vez mais um místico que não cessa de procurar seus horizontes ou realizar seus sonhos, sem que jamais consiga nem uma nem outra coisa, tais os caminhos que resolveu seguir. A Editora Saraiva de São Paulo, está lançando as obras de Judas Isgorogota, algumas já publicadas anteriormente, como é o caso de Fascinação, 2ª ed. edição Saraiva, S. Paulo, 1950, com ilustrações de Messias e Beppi Spolaor. 53.5. Cimarron Tr O volume XX da Coleção Saraiva, correspondente ao mês de fevereiro, é o romance Cimarron, de Edna Febber (Kalamazoo, Michigan, EE.UU – 1887-...). Autora que tem encontrado no cinema o maior divulgador de sua suas obras, inclusive com aversão desse romance agora selecionado pela Saraiva. Edna Feber descobriu uma vocação literária através do jornalismo, onde obrigada a trabalhar em virtude de ter o pai enfermo, começou como repórter do Dally Crescent, de Appleton, com 2 dólares semanais, indo depois para o Milwaukee journal e posteriormente para o Chicago Tribune. Com 23 anos escreveu seu primeiro trabalho literário, um conto e, um ano depois, veio editada sua primeira novela, Dawn Ohara. Daí em diante, seus triunfos foram sucessivos. Escritora aparentemente fácil e sem maior conteúdo, suas histórias entretanto, estão penetradas de uma certa dose de crítica social, segredo de seu sucesso, de que é exemplo So Big cuja tradução no Brasil Trigo e esmeralda tanto êxito alcançou. Seu romance Cimarron, traduzido por Nair Lacerda, é a história do estado de Okalahoma, com suas lutas pela posse de riqueza e de poder, escrita em estilo agradável e com necessário senso de observação e de análise. 53.6. Miniatura Tr Tendo publicado apenas um livro Vila Feliz (1944), seu nome é mais conhecido no Brasil do que o de muitos autores de dezenas de livros. Seu prestígio nos meios literários é um fenômeno que a muitos espanta, e à sua residência se fazem verdadeiras romarias. Isso vem do fato de ser Anibal Machado uma espécie de conselheiro e confidente de intelectuais e artistas. E escritores, poetas, homens de cinema, sambistas e cientistas o estimam e respeitam como um dos trabalhadores intelectuais mais honestos, esclarecidos e corajosos do Brasil. Nasceu Aníbal Machado em Salará, Minas Gerais, no ano de 1893, casado, com filhos, não é colaborador assíduo de jornais ou revistas, de quando em quando pronuncia um conferência, escreve um prefácio ou um conto. Há vários anos anuncia um romance João ternura. Lírico vulgar, e sua casa é tão freqüentada quanto o catete. 53.7. Depoimento tr “Castro Alves foi assim. Romântico e retórico: absuro e profético; genial e singular; na sua mocidade perturbada, o reflexo das idéias que iriam governar o mundo; mas tão brasileiro, poeta e estudante na vida e na obra. Que desta não lhe podemos separar o simbolismo em que se engrandece. E o Brasil de vinte anos que canta suas odes, padece as suas angústias, ri suas aventuras, e sonha com glorioso entusiamos os seus devaneios...” (Pedro Calmon. Prefácio à História de Castro Alves, p.71) 53.8. [S/T] (c/ fotografia de Adroaldo Ribeiro Costa) res Divulga o resultado da eleição da nova diretoria e do novo conselho fiscal da ABDE – secção Bahia. A composição foi a seguinte: presidente: Adroaldo Ribeiro Costa; vice-presidente: Antônio Loureiro; 1º secretário: Heron de Alencar; 2º secretário: Archimino Ornelas; tesoureiro: Luis Henrique Dias Tavares; Conselho Fiscal: Arthur de Salles, J. Palma Netto, Adalmir da Cunha Miranda, Vasconcelos Maia e Laura Austregésilo. Afirma que essa nova diretoria assumiria os trabalhos preparatórios para a realização do III Congresso brasileiro de escritores, iniciado pela diretoria anterior, tendo à frente o poeta Arthur de Salles e o então vice e atual presidente. Finaliza anunciando a data da realização do Congresso e convocando os escritores à participação. 53.9. Atividades da Unesco Tr Anuncia-se que representantes de 12 países e de suas organizações internacionais estiveram reunidas na Maison e I´Unesco, a fim de examinarem o programa de tradução dos clássicos estabelecidos pela Unesco. Já o diretor geral dessa organização Sr. Jaime Torres Bodet, na mensagem que endereçou ao Comitê, quando da abertura de seus trabalhos, tinha declarado que “após longos esforços preliminares, podia a Unesco, finalmente, realizar algo no domínio de tradução das obras-primas clássicas do mundo”. Seria interessante que os técnicos dos diversos países e organizações ali reunidas – Brasilm China, Egito, estados Unidos, França, Índia, Itália, Líbano, México, países baixos, Inglaterra, Suíça, a Liga árabe e a União Pan-americana – ao selecionarem as obras para traduzi-las tivessem em mira as palavras do diretor geral da Unesco, referente ao problema das traduções. 53.10. J. B. Priestley Tr John Boynton Priestley é um nome pouco divulgado no Brasil. Entretanto, a posição que ele ocupa na literatura inglesa justificaria um maior conhecimento de sua obra por parte da nossa crítica e do nosso público. Considerado um moderno Dickens, seu prestígio vem do fato de ser ele um escritor sempre interessado nos problemas de seu tempo e suas novelas são sempre o espelho sincero do caráter britânico atual. Nasceu Priestley em Bradford, no ano de 1894, tendo combatido na França durante a primeira Guerra Mundial, após a qual regressando à Inglaterra, cursou a Universidade de Cambridge. Durante a última guerra, J.B. Priestley escreveu histórias radiofônicas que muito contribuíram para levantar a moral dos soldados aliados. Ainda contribuindo para o esforço de guerra. 518 53.11. Versão de Miguel Torga Tr Com o título de Farrusco tha Blackbird, foi publicado em Londres um volume de contos do popular escritor português Miguel Torga, pseudônimo de Adolfo Rocha, nascido a 12 de agosto de 1907, em São Paulo, em S. Martinho da Anta, no distrito Trás-os-Montes. A versão para o inglês foi feita por Dennis Brás que também escreveu uma introdução sobre o grande escritor português, sendo a edição ilustrada pelo espanhol Gregotio Prieto, realizada por George Allen E Unwin ltda., de Londres. Miguel Torga é sem favor uma das mais importantes figuras da literatura portuguesa, tendo liderado sem eu país um movimento progressista, com base no humanismo e no realismo concreto contra o realismo subjetivo à moda de Proust que orientava as gerações de intelectuais portugueses. 53.12. Sartre e os norte-americanos Tr Escrevendo a respeito dos romancistas norte-americanos modernos como Steinbeck, Hemingway, Fast, Faulkner, Caldwell e outros, Sartre diz que a análise à maneira e Proust e James – processo referido pelos romancistas franceses – já não podia satisfazer nem convencer num mundo em que as guerras e os campos de concentração se multiplicaram a cada instante “Aquele processo, diz o papado existencialismo, não podia levar em conta a morte de um judeu em Ausehvitz ou o bombardeio de Madrid pelos aviões de Franco” E conclui afirmando que eram necessários novos métodos e novos temas. 53.13. Caderno da Bahia Tr Foram entregues à composição os originais de mais um número de Caderno da Bahia, revista de cultura e divulgação, dirigida por um grupo de jovens intelectuais de nossa terra. Esse número traz colaborações de Roger Bastide, Cerqueira Falcão, Luis Henrique, Cláudio Tavares, Walter Silveira e outros e ilustrações de Cravo Jr. 54. Data 18/03/1950;5 TÍTULO Seção Caleidoscópio 54.1 Saltimbancos (c/ fotografia) tr A Coleção Saraiva vai apresentar, como seleção do mês de março, o romance Saltimbancos, de Afonso Schimidt, o consagrado autor de O menino Felipe e tantos outros sucessos, mercê dos quais seu nome se fixou na história da nossa literatura, como um dos mais sérios e fecundos escritores nacionais. Saltimbancos aborda o sugestivo tema da vida dos artistas de circo e de teatro, mostrando a história de algumas das mais destacadas figuras da nossa ribalta, suas lutas, suas glórias e sua decadência, e a crítica o anuncia como um dos pontos mais altos da arte de Afonso Schimidt. Escritor conseqüente e sempre animado do propósito de bem servir ao seu povo, Afonso Schimidt tem sido alvo, algumas vezes, do ódio, não só de certos críticos literários, como de pessoas de outras esferas. Agora mesmo, o juiz de São José dos Campos, São Paulo, o sr. Ricardo Couto, está movendo um processo contra o popular escritor, julgando-se injuriado com uma frase publicada numa reportagem do jornal A crítica do qual é diretor Afonso Schimidt. A frase que motivou o processo é a seguinte: “Os juízes ou delegados ou são donos de terras ou parentes dos donos de terras, e por isso estão sempre a favor dos tatuíras, contra os camponeses”. O repórter escreveu essa frase, ao relatar o caso de um camponês que foi despejado da terra em que morava, perdendo sua roça d emilho e tendo seu rancho de sapé queimado sem que a Justiça o protegesse ou amparasse. Embora a frase não cite nominalmente o juiz, este se julgou ofendido e está movendo um processo contra o diretor do jornal. O fato sobre representar um deliberado propósito de atingir pessoalmente um escritor, em virtude da independência de suas idéias, é mais um exemplo de como se procura abafar a liberdade de pensamento no Brasil, a fim de que as vozes que discordam das injustiças e das arbitrariedades não se façam ouvir, esclarecendo o público. 54.2 Mark Twain (c/desenho) res Sobre a exposição, realizada pela Universidade da Califórnia, das páginas originais dos escritos de Mark Twain, pseudônimo de Samuel Larghone Clemens, jornalista e escritor norte-americano. O material, composto de 45 cadernos de notas e diários e mais de 400 manuscritos literários do autor que escreveu sobre sobre a vida dos desbravadores norteamericanos do século anterior, fora doado por sua filha, Clara Clemen Samossaud. Autor de Tom Sawyer e de Um ianque na corte do Rei Arthur, faleceu em 1910. 54.3 Poemas de Amor Ainda nesta semana deverá ir para o prelo, na tipografia beneditina, outra próxima edição de Caderno da Bahia. Trata-se, desta vez, de mais uam edição de luxo, limitada a 100 exemplares: Poemas de Amor, antologia de poetas brasileiros contemporâneos. Neste livro, dedicado a subescritores encontrar-se-ão algumas das mais belas peças literárias do gênero, de autoria de Alphonsus de Guimarães Filho, Aníbal Machado, Augusto Frederico Schimidt, Bueno de Rivera, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Dante Milano, Emílio Moura, Jamil Almansur Hadad, Joaquim Cardoso, Lêdo Ivo, Manuel Bandeira, Maira da Saudade Cortezão, Maria Izabel, Mário de Andrade, Mário Quintana, Murilo Mendes, Péricles Eugênio da Silva Ramos, Vinicius de Moraes e Wilson Rocha, cada qual comparecendo com um poema. O livro será impresso a duas cores em papel “west-ledger” e está enriquecido com ilustrações de Aldari Toledo, foi organizado por Pedro Moacir Maia, destacado elemento do grupo de Caderno. A iniciativa representa mais um elogiável esforço do grupo de jovens da Bahia, cujo movimento de renovação cultural tem repercutido em todo o país. 520 54.4 Gide na Alemanha (c/desenho) tr André Gide Completou, há pouco, oitenta anos de existência e nessa ocasião, declarou à imprensa que tinha “uma grande necessidade de silêncio”. Apesar de sua avançada idade Gide ainda se arrisca, devez em quando, a fazer viagens, embora seus médicos recomendem o maior repouco. O autor de Imoralista, recentemente foi à Alemanha, a fim de assistir à abertura do primeiro Congresso Internacional de estudantes realizado na Alemanha após a guerra. 12 países estiveram presentes à essa reunião, cujo ´principal tema era “Alemanha e França” e seu objetivo anunciado oficialmente, era o de “reforçar as relações entre os dois países”. 54.5 Caderno da Bahia tr Dentro de poucos dias estará à venda o número 5 de Caderno da Bahia, revista de cultura e divulgação da nova geração da Bahia. Do seu “sumário”, além do noticiário, de matéria sobre o III Congresso Brasileiro de Escritores e outras notas, fazem parte as seguintes matérias: História estético-musical da Bahia - Paulo Jatobá; latifúndio Devorante - Eliardo Farias; Aspectos Filosóficos - Cachaça José Calasans; O segredo das ervas Roger Bastide; Conflito ideológico na Biologia Vladimir Guimarães; Artes Plásticas na Bahia – 1949 – Wilson Rocha; Histórias da Literatura Bahiana – Adalmir da Cunha Miranda; Conto de Luiz Henrique Dias Tavares; ; Cinema - Walter da Silveira; poemas de Jacinta Passos; Aluízio Medeiros e Sosísgenes Costa; ilustrações de Mário Cravo Jr., Poty, Carlos Thiré, Lygia Sampaio, Jenner Augusto e outros. 54.6 III Congresso Brasileiro de Escritores res Notícias sobre a organização do Congresso a ser realizado entre 17 e 21 de abril daquele ano, em Salvador. Como ato preparatório realizavam-se conferências. A primeira paltesra foi a do escritor Achimino Ornelas, sobre “Ruy e as Liberdades”. 54.7 Depoimento tr “O romance brasileiro contemporâneo é, estou certo de escrevê-lo, um dos mais significativos do mundo atual. Entre os seus cultores está Jorge Amado, romancista que assinou o seu primeiro romance com dezoito anos e que aos vinte e cinco fechou, com Capitães de Areia, um ciclo: os seis “Romances da Bahia”. Embora afastado de sua ideologia social e política, aqui afirmo que Jorge Amado é, depois de Eça de Queiroz para cá, um dos maiores romancistas da língua portuguesa e, se excetuarmos algumas pequenas hesitações de quem não teve tempo, ainda, de adquirir uma experiência literária definitiva, aquele, de todos, que mais penetrou na intimidade do HUMANO. Por isso, lhe chamo, conscientemente, ARTISTA DO HUMANO e do PATÉTICO.” (Manuel Anselmo, In: Família literária Luso-Brasileira, p.281, Liv. José Olímpio, 1943) 54.8 Febre de memórias desenho) (c/ tr Uma febre de “memórias” está dominando certos círculos literários do país, como se a falta de temas ou a incapacidade de apreender e recriar a realidade objetiva estivessem a obrigar os escritores patrícios à elaboração de suas memórias pessoais, que pouca ou nenhuma contribuição podem trazer ao conhecimento exato e à solução dos vários problemas que a realidade nos oferece. A febre atingiu, também, a Graciliano Ramos, cujas “memórias”, em três volumes, já estão sendo anunciadas. Graciliano, segundo notícias que nos chegaram da Capital Federal, retomou a redação dessa obra, já em fase final, interrompido que fora, esse trabalho, por um longo período de repouso físico do grande romancista, a isso obrigado em virtude de moléstia. 54.9 Premiado Augusto Meyer (c/ desenho) res O Prêmio Filipe d´Oliveira foi concedido a Augusto Meyer, autor de “Segredos da Infância”, seu último livro, publicado no ano anterior. Ensaísta e poeta, Meyer exercia naquele ano as funções de Diretor do INL. 54.10 Assembléia Geral da ABDE res Anuncia a Assembléia para a eleição dos delegados baianos ao III Congresso Brasileiro de escritores. Reproduz o edital de convocação distribuído à imprensa. 54.11 A menina Morta desenho) (c/ tr Em 1943, Cornélio Pena publicou mais um romance, Repouso, reputado pela crítica como um dos melhores lançamentos daquele ano. O fato despertou maior interesse em virtude do longo silêncio literário de Cornélio Pena, escritor que trabalha com vagar, sem pressa, tendo editado até agora apenas uns quatro ou cinco livros. Não é sem certa surpresa, portanto, que os suplementos literários estão divulgando a notícia do próximo lançamento de mais um romance do autor de Nico Horta, cujo título será A menina Morta. 54.12 Na Academia Goncourt res Noticia a eleição do novo presidente da Academia Goncourt, Sr. Pierre Orlan, pseudônimo de Pierre Dumarchey (1883-?). Foi autor de Lês pattes eu l´air, seu primeiro livro, publicado em 1911. Algumas de suas obras foram ao cinema, dentre elas Quai dês Brumas e La Bandera. 522 54.13 “Stevenson House” (c/desenho) res Comenta a homenagem prestada, pela América do Norte, ao escritor escocês Robert Louis Stevenson (1850-1894), autor de A ilha do tesouro e O estranho caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde, este último levado ao cinema com o título de O médico e o monstro 55. Data: março/1950 TÍTULO Seção Caleidoscópio OBS: exemplar sem condições de uso no IGHB. No exemplar consultado na Bilbioteca Pública do Estado, nos Barris, faltam as páginas do dia 25 a 30 deste mês. 56. Data 08/04/50;5 TÍTULO Seção Caleidoscópio 56.1. Biografia de um poeta esquecido Tr O escritor baiano Antônio Loureiro de Souza, diretor do Arquivo Municipal e vicepresidente da secção baiana da ABDE, deverá lançar, dentro de poucos dias, o seu segundo livro. Tendo publicado Baianos Ilustres, já esgotado e com excelentes referências da crítica nacional, Antônio Loureiro de Souza vai editar, agora, uma apreciação biocrítica sobre o esquecido poeta baiano, Pedro Barros, um inspirado lírico quase que completamente desconhecido dos nossos contemporâneos. Sobre o poeta cuja obra se encontra esparsa, esse estudo de Loureiro de Souza é fruto de paciente trabalho de pesquisa, e, nas cem folhas de que se comporá, o autor focaliza a vida e a obra de Pedro Barros, transcrevendo os poemas que conseguiu reunir. 56.2. Literatura norte-americana res Sobre um inquérito promovido pela Universidade da Flórida a respeito de qual o melhor livro norte-americano da primeira metade deste século, o resultado foi o empate em 1º lugar dos livros Tragédia Americana, de Theodore Dreiser e E o vento levou de Margaret Mitchell, considerado honroso por HA já que, apesar da "diferença flagrante", Dreiser concorreu com a máquina cinematográfica. Para Halencar, Dreiser é de qualidade superior e o segundo livro é uma literatura fácil e superficial. Nesse mesmo inquérito, Sinclair Lewis foi considerado “o autor que fez a maior contribuição para a literatura norte-americana na primeira metade do século”. Para HA essa afirmação pode ser contestada mas é inquestionável que o autor de Babbit seja um dos bons romancistas da América do Norte. 56.3. Cultura brasileira res Sobre a tradução inglesa do livro de Fernando de Azevedo, intitulado Cultura Brasileira. Foi a tradução feita por William Rex Crawford, estudioso interessado no Brasil. O livro foi considerado por HA um sumário da cultura brasileira escrito com "inteligência e erudição" 56.4. Apoio ao III Congresso res Nota sobre a visita a Salvador e a conferência proferida por Saldanha Coelho e Haroldo Bruno a convite do Caderno da Bahia e da UEB. Prestaram declaração acerca do Congresso de escritores a ser realizado no mês corrente. Haroldo Bruno – ensaísta e crítico e Saldanha Coelho – contista; na nota estão inclusos trechos da conferência referente ao Congresso. 56.5. Edições Caderno da Bahia res Anuncia as edições para o ano corrente. São: Pássaro de sangue, poesia de Claúdio Tuiuti Tavares, ilustrações de Aldo Bonadei; Contos da Bahia, de Vasconcelos Maia; O tempo no caminho, poesia, de Wilson Rocha, ilustrações de Aldo Bondei; Poemas de Amor, antologia de poemas de amor de autores brasileiros contemporâneos, organizada por Pedro Moacir Maia, edição de luxo, ilustrações de Aldari Toledo; Momentos da literatura, de Adalmir da Cunha Miranda, e uma edição póstuma de um poema de Enoch Santiago Filho. 56.6. Presença de Lincoln res Sobre a publicação de The Lincoln Encyclopedia em comemoração anual do aniversário de seu nascimento, constando reunião de cartas, discursos e outros documentos. 56.7. Depoimento tr “O artista pode pensar que não serve à ninguém, que só serve à Arte, digamos assim. Aí está o erro, a ilusão. No fundo, o artista está sendo um instrumento nãso mãos dos poderosos. O pior é que o artista honesto, na sua ilusão de arte livre não se dá conta de que está servindo de instrumento, muitas vezes para coisas terríveis. E o caso dos escritores apolíticos, que são servos inconscientes do fascismo, do capitalismo, do quinta colunismo”. 524 Mário de Andrade 56.8. Flagrantes res Divulgação de eventos e lançamentos: - Passos cegos, de Milton Pedrosa; - a Revista Europe, francesa, publicou um poema de Solano Trindade, poeta negro do Brasil; - Introdução às poesias de Rodrigues de Abreu, de autoria de Domingos Carvalho da Silva, poeta; - Congresso da ABDE, seção Bahia: notas sobre a recepção baiana, o entusiasmo nos outros estados e as manifestações de apoio. 56.9. A nova diretoria res Eleição da nova diretoria da secção nacional da ABDE. eleitos: presidente – Álvaro Moreyra; vice – Carlos Sussekind Mendonça; 1º secretário – Fernando Segismundo; 2º secretário – Miécio Tati; tesoureiro – Ary de Andrade; Conselho fiscal – Cleto Seabra Veloso, Edison Carneiro, Edmar Morel, Graciliano Ramos e Moacir Werneck de Castro. 56.10. Joaquim Nabuco e os Universitários res Inquérito promovido pela Revista Branca indagando o contato que os jovens universitários tiveram com a obra de Nabuco e as influências recebidas. Destaca a resposta mais significativa, na visão da Revista, dada por um estudante de direito que abordou a questão política, aproveitando o inquérito para fazer uma crítica aos governantes e políticos do Brasil. As respostas, ou melhor, o resultado geral das respostas foi considerado negativo pelo fato de os estudantes demonstrarem ignorância em relação à questão. 56.11. Voz de fraternidade e de paz res Lançamento de The poetry and prose of Walt Whitman (EE.UU. 1819-1892). Considera-o revolucionário na forma e no conteúdo e um nome da literatura universal. 57. Data 06/05/50;5 TÍTULO Seção Caleidoscópio 57.1. A participação dos novos Tr Um dos fatos altamente significativos do Terceiro Congresso de Escritores, foi a ativa participação dos escritores novos, que formavam a maioria em quase todas as delegações que aqui vieram. Discutindo nas comissões, formando posição nos debates em plenário, contribuíram os escritores novos para maior vitalidade da reunião, fato que por si só falaria em favor da grande significação que o Congresso teve e tem para a literatura nacional. E está claro que um congresso de escritores não alcançaria plenamente seus objetivos, se dele não participassem aqueles que, jovens ainda, se iniciam na literatura atraídos por indeclinável vocação e, amanhã, serão os continuadores da obra dos que hoje trabalham para dar ao Brasil uma literatura à altura de suas gloriosas tradições de amor à cultura e à liberdade. Seria fastidioso citar o nome de todos os escritores novos que participaram do Congresso. Basta salientar os de Sãoo Paulo, entre os quais estavam André Carneiro, Cézar Nêmolo e o jovem Aca[i]aba, os de Minas, como Wilson Figueiredo e Edmur Fonseca, do Ceará como Eduardo Campos, e tantos outros de outros estados, cuja presença no Congresso foi um dos fatores de seu sucesso. 57.2. Terra de Santa Cruz Tr João Muniz, conhecido poeta baiano, foi um dos delegados da Bahia ao Terceiro Congresso de escritores. De sua autoria é o recente Terra de santa cruz, editado pela Imprensa Oficial do Estado, capa de Jaime Hora e ilustração de Fernando Diniz Gonçalves. Terra de santa cruz é um longo poema [ ? ] a acidentado história da Bahia, desde o "sonho do Infante Casarão de Sagres", até a epopéia grandiosa de Dous de Julho. Em versos de autêntica inspiração, em ritmos variados, João Muniz consegue reconstruir e fazer desfilar a civilização baiana, do seu nascimento à mais gloriosa de suas páginas, oferecendo-nos um belo poema histórico, realização que aumenta de muito o seu prestígio e o seu renome. 57.3. O famoso barão res Sobre a participação do Barão de Itararé no Congresso. Destaca o quanto foi requisitado durante o evento, suas conferências, entrevistas e autográfos, tendo destaque sua teoria do sono. HA não detalha o teor da teoria. 57.4. Grande figura res 526 Sobre a participação, atuação do poeta paulista Rossine Camargo Guarnieri no Congresso. Alvo de homenagens, classificado como inteligente e vivo por HA, autor da Voz do grande rio, livro de poesias, discursou sobre a poesia hermética a participante, tomando como exemplo Pablo Neruda, a quem o Congresso prestou moção de solidariedade. 57.5. Revistas res As revistas que noticiaram o Congresso: Caderno da Bahia, 5º número mais suplemento; Fundamentos, 13ºn., com artigos de Moacir Werneck de Castro: “Literatura de decadência”; Paratodos, 3º n. 57.6. O presidente do Congresso res A presença de Álvaro Moreyra no Congresso, comenta ainda seu "discurso-crônica" pronunciado na sessão de encerramento do Congresso. Considerado por HAlencar como "exemplo de síntese e propriedade no escrever". 57.7. Jovens em ação res Sobre a revista literária Tentativa, de São Paulo, editada por Cézar Nêmolo, que lançou um concurso de contos; HA inclui na matéria as bases do concurso apresentado em 10 tópicos. 57.8. A delegação baiana res Discorre sobre o trabalho das comissões do Congresso e da contribuição dos delegados baianos. Cita os seguintes com respectivas atuações: Adroaldo Ribeiro da Costa; Hélio Simões; Vasconcelos Maia; Wladimir Gumarães; Antônio Loureiro; James Amado; Luiz Henrique; Palma Netto; Adalmir da Cunha Miranda; Archimino Ornelas e Soares de Azevedo; Acácio Ferreira; Cravo Júnior. 57.9. Problemas da arte e literatura res Publica trechos da tese do romancista Dalcídio Jurandir, Problemas da arte e literatura. São trechos que abordam o debate sobre as tendências e perspectivas da literatura brasileira, perspectiva histórica; a busca "de temas populares e nacionais para a criação artística" que tem como fonte o povo. 57.10. Presença do "Major Graça" res Presença de Graciliano Ramos no Congresso. Considera-o um dos maiores romancistas do Brasil. destaca o fato de ter sido perseguido e preso. Para HA o “popular escritor está mais do que nunca intimamente ligado com os problemas de sua profissão e com os problemas de seu povo, ao contrário de muitos intelectuais que preferem a comodidade da torre de marfim e nada produzem”. 57.11. Galeão Coutinho res Lançamento de Conferências de D. Marcolina, pela Saraiva, de Galeão Coutinho. Outros livros: Vovó Morungaba e Simão o caolho; gênero predileto do escritor, a sátira, participou do Congresso. 58.Data 20/05/50;5 TÍTULO Seção Caleidoscópio 58.1. Notas do Congresso Tr Eggidio Squeff, ex-pracinha, correspondente de guerra brasileiro, é escritor e jornalista de renome em todo o país. Delegado do Distrito Federal ao terceiro Congresso, aqui também esteve como repórter do jornal a que pertence, fornecendo diariamente, noticiário sobre as atividades do Congresso. Ao regressar, Squeff escreveu uma série de "Notas do Congresso", que vêm sendo publicadas pela imprensa carioca. De uma dessas "notas", destacamos os seguintes trechos: "Os delegados paulistas têm o gosto intelectual do debate. Não há dúvida de que vão ajudar muito os trabalhos do Congresso. Caio Prado Júnior tem um perfil irrequieto de águia. A tarde, reuniu-se a Comissão de Assuntos políticos. Acácio Ferreira, professor da Faculdade de Filosofia da Bahia, discute com caio Prado, demoradamente, sobre o conhecimento e a consciência em face do problema da liberdade, " descemos a rua Chile. Um cidadão dirige-se para Alvaro Moreyra de braços abertos: - Então, que há de novo? Álvaro sorri cordial, passada a surpresa do primeiro instante, e respondeu: - O nosso conhecimento..." . 58.2. Fábio Prado – 1949 res O resultado do concurso de romance e novela patrocinado pela ABDE, seção São Paulo, denominado "Prêmio Fábio Prado", favoreceu Antônio Olavo Pereira (SP) com o romance Contra a mão. Comissão julgadora: José Geraldo Vieira, Carlos Burlamaqui Kopke e Osmar Pimentel. Menção honrosa para: Chamado do mar, de James Amado (BA); confissões do meu tio Gonzaga, de Luiz Jardim e Recuo do meridiano, inédito, de João Pacheco. 528 58.3. Reedição de Thomas Hardy trans Thomas Hardy (1840-1928) é considerado, sem nenhum favor, um dos maiores escritores da Inglaterra, sendo a sua obra, que compreene novelas, contos, drama e poesia, legítimo patrimônio das letras inglesas. Dentre os escritores classificados como “regionalistas”, é comum a citação de Hardy em primeiro lugar, como o maior de todos eles, quer pelo revolucionarismo de seu estilo e de sua técnica, quer pela coragem com que sabia enfrentar os temas que a realidade lhe oferecia, tratando-os com realismo que escandalizou seus contemporâneos. Grande é o interesse que a obra de Thomas Hardy desperta entre os leitores, razão porque a MacMillan resolveu reeditar todas as novelas de Hardy, em sua “Library Edition”. Já foram publicadas, Tess of the D´urbevilles e Jude the obscure, em outubro passado, The return, of native e Far from the maing crowd, em novembro, e, em princípios deste ano, The Woodlanders, The major of caster-bridge, The trumpet-major e Under the greenwood tree. 58.4. A história de Trapp res The story of the Trapp Family (A história da Família Trapp) livro de Maria Augusta Trapp, lançado nos EU. Grupo que forma o Côro Trapp, 11 membros da família. HA comenta o côro e o livro. 58.5. Três novelas res A editora Pan Books td., de Londres, reuniu em volume 3 novelas de J.B. Priestley, com o título geral Three time plays. HA escreve sobre o autor, "uma das marcantes figuras da ficção inglesa, embora ainda pouco conhecida no Brasil". 58.6. Opinião sobre Ruy! Tr A propósito do centenário de Ruy Barbosa, baiano que é patrimônio do Brasil, muita coisa se escreveu e se disse a respeito dessa grande figura do nosso pensamento. Ainda há pouco, o Sr. Rubem Nogueira, autor do livro O advogado Ruy Barbosa, recebeu do diretor da casa de Ruy a "medalha Ruy Barbosa", pela contribuição que emprestou às comemorações do centenário. E, como conversa puxa conversa, vale a pena transcrever um pequeno trecho da reportagem que, sob o título "Newton Cavalcanti integralista ainda é facista de 1937 até hoje", publicou a Tribuna da Imprensa, edição de 6 de abril deste ano, jornal cujo diretor é o sr. Carlos Lacerda. O trecho, à página 2, coluna 6ª, terço inferior é o seguinte: "Na 'a ofensiva', para a qual o general Newton Cavalcanti era o 'o condensável', um sr. Rubem Nogueira escrevia: Ruy Barbosa em confronto com o Plínio Salgado, mediocriza-se (15 de setembro de 1937)". 58.7. Menino Felipe Tr Classificado em primeiro lugar no concurso de romances patrocinado pela revista O Cruzeiro, (prêmio de sessenta mil cruzeiros) de cuja comissão julgadora faziam parte os escritores Álvaro Lins, Ciro dos Anjos e Marques Rabelo, o romance Menino Felipe, de Afonso Schimidt, aparece agora em primeira edição, após haver sido publicado em capítulos pelo semanário carioca patrocinador do concurso. Trata-se de um romance autobiográfico, no qual Afonso Schimidt focaliza sua infância numa cidade do interior paulista, dentro do estilo e na técnica que lhe tornaram um dos mais renomados escritores nacionais, desde sua estréia, com Janelas abertas, em 1912. Detentor de vários prêmios literários, Afonso Schimidt tem publicado numerosas obras, romances, contos, poesias, peças para o teatro e, recentemente, escreveu um argumento para um filme nacional. Afonso Schimidt foi um dos delegados de São Paulo ao Terceiro Congresso de Escritores aqui realizado no mês passado, e faz parte da Comissão de redação da revista Fundamentos. 58.8. Flagrantes Res - Distribuição do 22º volume de Coleção Saraiva: romance A borboleta azul (Lê petit chose), de Alphonse Dauret, tradução de José Geraldo Vieira - Mundos mágicos, de A L. Nobre de Melo: ensaios sobre Proust, Dostoievski, Gide e outros, pela editora José Olympio - Periódico Imprensa, nº 11, dirigido por Luiz Ernesto Machado Kawall. - Atualidades pedagógicas, revista, publicada pela Companhia Editora Nacional. - Aves de caça do estado de São Paulo, Emílio Varoli, publicado pela Saraiva. - 1º volume da trilogia Iremos longe demais, de Antoni di Monti, esse 1º livro tem o título Não sei se voltarei. - Memoriais de um Sargento de Malícias, a ser lançado, de Silvino Lopes, escritor pernambucano. - Auto do possesso, de Haroldo de Campos, publicação do Clube de Poesia de São Paulo. O clube já havia publicado Poemas, de Cyro Pimentel e Ângulo e Face, de André Carneiro. - Terra morta, de Castro Soromenha (Portugal) - The write horse, de Mervyn Savil (tradutora) – autora: Elsa Triolet 530 58.9. Tesouro de livros raros res A Biblioteca Nacional de França recebe a coleção de Henri de Rotchild, com cerca de cinco mil volumes. Halencar comenta a importância do fato e alguns livros da coleção. 59. Data 03/06/50;5 TÍTULO Seção Caleidoscópio 59.1. Homenagem ao poeta (c/ fotografia) Tr A “Associação Brasileira de Escritores”, secção Bahia, está organizando uma homenagem ao poeta Artur de Sales, seu presidente durante dois exercícios e uma das mais eminentes figuras das letras baianas. Inicialmente, a ABDE designou uma comissão, da qual fazem parte o Prof. Adroaldo Ribeiro da Costa, o poeta Hélio Simões, o escritor Walter da Silveira, o prof. Acácio Ferreira, o poeta Cláudio Tavares, o contista Luiz Henrique, o escritor Soares de Azevedo e outros, comissão que tem a incumbência de entrar em entendimento com outras agremiações culturais e com outros nomes da intelectualidade baiana, no sentido de que apóiem a participem da homenagem de inteira justiça que a Bahia vai prestar a Artur de Salles, lírico cantor do nosso povo e da nossa terra. A homenagem ao autor de Sangue mau, que representa o pagamento de uma dívida da Bahia a um dos seus filhos ilustres, será uma bela noite de festa dos poetas e escritores baianos. Sua data, local e programa serão oportunamente anunciados, a fim de que o público em geral dela participe, emprestando-lhe maior brilho e expressão. 59.2. Outro sucesso (c/ fotografia) Tr Depois do sucesso que obteve com a publicação de The harpin the sout, livro que lhe valeu o prêmio de duas mil libras no concurso promovido pelo Sydney Morning Journal, em 1948, Ruth Park lança, agora uma outra novela, em que continua a narrar, como na anterior, a melancólica vida de um subúrbio de Sydney, através do estudo da vida de uma família. Tratase de Pour Mans orange, editado por Angus & Robertson, Sydney, Austrália, livro que a crítica de Londres vem registrando com referências elogiosas. 59.3. Lançamentos de “Caderno” Tr Deverá estar pronta na próxima semana a Antologia – talvez a primeira no gênero a ser editada no Brasil – de poemas de amor, organizada por Pedro Moacir Maia para Caderno da Bahia que, ampliando sempre suas atividades culturais, lançará assim o primeiro volume de sua coleção “Dinamene”, de livros impressos a duas cores, em ótimo papel, formato grande, e ilustrados. Incluindo vinte poetas brasileiros contemporâneos e contando com preciosos desenhos de Aldari Toledo, Poemas de amor está sendo impresso na Tipografia Beneditina, desta cidade, sendo de notar que se foi totalmente composta a mão – coisa rara, hoje! -, com tipos “Garamond”, corpo 12. Mais valor terá essa edição, em virtude de sua tiragem reduzida. 100 exemplares dos quais apenas 70 serão adquiridos por subscritores, que, devido ao seu bom gosto disporão logo de uma verdadeira raridade bibliográfica. “Caderno da Bahia” pretende expor em local e data a serem anunciados as ilustrações oferecidas gentilmente por Aldari Toledo. Caderno tem programados, ainda, outros lançamentos de belos livros, como A canção de amor e morte da Porta Estandarte Cristóvão Rilke, de Rainer Maria Rilke (traduzido por Nathanael de Barros e ilustrado por Guignard); Cartas de amor a Sóror Mariana (a reconstituição feita por Jaime Cortezão e ilustradas por Remina Katz); e Sonetos, de Camões, com “Carvões” de Mário Cravo Jr. 59.4. O poeta da Turquia res Sobre a notícia de libertação do cidadão turco Nazim Hikmet, condenado pela ditadura Inonu. O Governo alegou erro judiciário à sua condenação. Nazim Hikmet, grande poeta da Turquia, considerado para a sua pátria como Neruda era para o Chile, Guilen para Cuba, Elard para a França e Albert para a Espanha, “uma vítima dos atentados à liberdade de opinião”. 59.5. Depoimento Res De Guilhermo de Torre, sobre a poesia militante ou política, sendo um gênero como qualquer outro, legítimo. Cita Victor Hugo, Maiakowski, Bérenguer, Carducci e Walt Whitman, além de Antônio Machado. Ensaio In: L aventura y el orden, (ensaio intitulado “Poesia y exemplo de Antonio Machado”, Losada, Buenos Ayres, 1942, p. 116 59.6. O drama de Eugene O’Neill Res Filho de atores, nascido no ano de 1888, em plena efervescência da Broadway, o destino do jovem Eugene O´Neill haveria de ser marcado pelas terríveis influências que recebeu desde o nascimento. Adolescente ainda, viu-se em luta com a morte, vítima da tuberculose. Aos 18 anos, expulso da Universidade de Princeton, entrega-se ao álcool com a volúpia de um apaixonado. Casa-se aos 20 anos, bebe demasiadamente nas núpcias, e três dias depois, já sua esposa requeria divórcio. Segue-se um breve período no jornalismo e na Universidade de Harwa, após o qual volta ao álcool, sendo outra vez expulso da Universidade. Procurando cumprir seus sonhos, faz-se embarcadiço e ruma para a América do Sul. Leva-lhe um naufrágio à ilha de Honduras, onde tenta fundar um Império. Sua vida é, então, um rosário de trágicas aventuras. O álcool e as rameiras dos portos do Atlântico e do Pacífico são os mais íntimos companheiros do jovem e magro marinheiro, que recita Baudelaire e fala em 532 Shakespeare nos boteqins mal iluminados e esfumaçados. Dois anos bastaram para que, um dia, em Buenos Aires, o sangue lhe chegasse à boca, vindo dos pulmões. Volta à América e é internado no sanatório. Aí começa a meditação, o desejo de contar ao mundo tudo o que sabia e o que havia conhecido. Dominado por essa irresistível vontad, sobrevive à moléstia, volta ao jornalismo e vai encontrar no teatro o melhor veículo de comunicação com o mundo. Vêm suas obras, nas quais é quase sempre o mar o personagem central. Além do horizonte e Anna Christie são consideradas obras primas. Seguem-se Estranho Intermédio e Enlutada torna-se Electra, pontos altos do trabalho e O´Neill, grandes marcos do teatro moderno da era capitalista. Sua visão de mundo é amarga e cruel. Como que envolto em denso nevoeiro, não enxerga, por um instante apenas, a salvação da espécie. Tudo caminha, inelutavelmente, para a destruição. Dada a sua origem, as circunstâncias de sua vida acidentada, não podia ser outro o caminho de seu pensamento. O mundo de O´Neill, ao qual ele mesmo pertencia de corpo e alma, é um mundo em decomposição, caminhando para o fim, e isso está em todas as suas peças. Visceralmente ligado a esse mundo, que se vai destruindo com as próprias forças que criou e não pôde dominar, O´Neill era inacapaz de ver, além do nevoeiro, a salvação, os novos horizontes, a nova vida. E porque fosse disso incapaz, e porque entendesse não haver salvação, foi obrigado a viver, ele mesmo seu próprio e desesperado drama, cujo final se iniciou desde 1946, quando foi estreada sua última peça, The iceman comet. Desde então acometido de “delirium tremens”, chega agora aos últimos instantes, sem qualquer esperança de salvação. Grande escritor, prêmios Nobel e Pulitzer, foi vítima, como tantos outros, de uma retrógrada concepção do mundo e da vida que encontra no desespero, no suicídio, as únicas soluções para os problemas do mundo. 59.7. Flagrantes Tr. – O poeta baiano Argileu Silva, autor de As pérolas, já entregou à Imprensa Oficial os originais de seu novo livro de poemas, intitulado Noite. Tr. – “Agir Editora” publicou Angústia e paz do religioso Fulton J. Sheen, um dos principais doutrinadores católicos da América de hoje. Rs. – Lançamentos: livro de Marques da Cruz: Eça de Queiroz, a sua psiquê; de Fernando Alegria, escritor chileno: Lautaro, jovem libertador e arauco; de Pe. Vieira: A arte de furtar. Rs – Tradução por Moacyr Werneck de Castro: Major Bárbara e Homem e Superhomem, de Bernard Shaw. Rs. - Lúcio Cardoso vai publicar: Reaparição de Inácio, romance, em capítulos em um vespertino carioca. 59.8. Livro “Misterioso” Res Lançamento do livro de Ernest Hemingway, conhecido autor de Por quem os sinos dobram, em NY, título do novo livro: Misterioso, dado o silêncio mantido pelo autor em torno do livro. HA comenta o percurso do autor. 59.9. O Huxley místico Res Sobre Aldous Huxley, nome projetado no cenário internacional, considerado um dos mais projetados escritores contemporâneos. Prêmio Nobel de Literatura. Anuncia o livro Themes and variations, já havia publicado antes o livro Contraponto. 59.10. Edição Clã Tr O movimento literário cearense é um dos mais fecundos do Brasil, e tem como centro de gravidade a revista Clã, que congrega os nomes mais expressivos da atual geração de escritores cearenses. De simples revista de cultura, Clã, passou a ser, também, editora, divulgando a obra de grande número de escritores, como Eduardo Campos, Aluízio Medeiros, Martins d’Alvarez, Mozart Spzinac Aderalo, Veríssimo de Melo, Raimundo Girão e Antônio Girão Barroso. Teatrólogos, ficcionista, folcloristas e poetas. 60. Data 08/07/50;5 TÍTULO Seção Caleidoscópio 60.1. [S/T] res Texto sem título sobre Monteiro Lobato. Coloca que é um nome que sempre existirá na literatura brasileira, nunca será esquecido. Cita personagens do sítio do Pica-pau amarelo e critica a falta de atividades ou referências que homenageiem seu nome. 60.2. Pássaro sangue Tr Já está em nossas livrarias, numa excelente apresentação, o livro de poemas de Cláudio Tavares, Pássaro Sangue, edição de Caderno da Bahia, com ilustrações de Aldo Bonadei. O jovem poeta, que nasceu em Timbauba, Pernambuco, a 24 de maio de 1922, reuniu nesse volume 31 poemas de sua autoria, desde os já produzidos há alguns anos até os dias mais recentes, como a conhecida Balada para Zélia. Jornalista profissional, destacado colaborador das revistas de cultura do país, Cláudio Tavares é um dos diretores de Caderno da Bahia, a jovem e já vitoriosa revista que aqui se edita, e dele disse Murilo Mendes: “Cláudio Tuiuti Tavares, poeta de fortes possibilidades, portador de marca pessoal, simpático tipo de lutador equilibrado”. Seu livro será, para muitos, uma surpresa. É que a poesia de Cláudio Tavares não é fácil de ser entendida. Acentuadamente hermética, escapa à compreensão do leitor comum, que dificilmente penetrará sua essência ocultada quase sempre por imagens e símbolos de difícil e trabalhosa apreensão. Nesse, e sem que isso constitua restrição absoluta à sua arte, deve Cláudio Tavares libertar-se das fortes influências que tem recebido de certos autores, que fazem da poesia, não um poderoso instrumento de comunicação com o povo, 534 mas, ao contrário disso, um jogo esotérico de palavras bem ou mal arrumadas, jogo que é uma deliberada tentativa de fuga da vida. 60.3. Baiano premiado Tr A Academia Brasileira de Letras vem de distinguir um escritor baiano, concedendo-lhe um dos prêmios que, periodicamente, distribui aos melhores escritores nacionais, nos diversos gêneros literários. Coube ao baiano Antônio Loureiro de Souza, nome já bastante conhecido em nosso meio, o prêmio “Carlos de Laet”, no valor de dez mil cruzeiros, pelo seu livro Baianos ilustres, que já se encontra esgotado e que, no Congresso de História da Bahia, merecera unânime parecer favorável do plenário. O escritor Antônio Loureiro de Souza é uma das mais destacadas figuras do nosso meio intelectual; jornalista, diretor do Arquivo Histórico, é, também, vice-presidente da Associação Brasileira de Escritores, secção da Bahia. A Academia Brasileira de Letras telegrafou ao escritor bahiano, comunicando-lhe à sessão solene da entrega da laurea. 60.4. Teatro de crianças tr Quando Adroaldo Ribeiro da Costa pretendeu levar ao palco a hoje famosa Narizinho, não faltou quem lhe quizesse tirar da cabeça a iéia. Entretento, a sua iniciativa marcou época, como uma das mais ousadas e bem sucedidas realizações já tentadas no Brasil, no campo de teatro de crianças. Tendo como arcabouço histórias de Monteiro Lobato, com música do próprio Adroaldo e do maestro Agenor Gomes, mais de uma centena de crianças viveu no palco do “Guarany” um admirável sonho de beleza, que o público não se cansou de apreciar. Agora, vai o professor Adroaldo Ribeiro Costa continuar aquela sua realização, apresentando à Bahia a revista Infância, de sua autoria, e para isso conta com uma excelente equipe de auxiliares, como o maestro Agenor Gomes, o professor Álvaro Zózimo, e outros do mesmo modo interessados no êxito dessa nova iniciativa. Infância será apresentada, nos próximos dias 15 e 16, no auditório do Instituto Normal, e nela atuarão cento e cinqüenta crianças. E a julgar pelo que se tem visto nos ensaios, o êxito será maior do que o de Narizinho. Não há dúvida de que realizações dessa natureza devem merecer o apoio de todos os quais se dizem e realmente são amigos da cultura. Mercê delas, são as crianças orientadas no sentido de melhor desenvolverem suas qualidades, sua inteligência, e de cultivarem as tradições artísticas de seu povo. A música de Infância, por exemplo, é toda folclórica, com algumas adaptações, pelo que por si só diz dos altos objetivos desse empreendimento. 60.5. Depoimento tr “O que sobretudo me chamou a atenção no sr. Dionélio Machado foi um traço que mais tarde haveria de acentuar-se consideravelmente – a preocupação de salientar o drama do homem, não na sua caracterização local, mas na sua expressão permanente. Era uma tendência realizada com modéstia, sem dúvida, mas bastante significativa como reação ao sentido localista que então ainda prevalecia na ficção rio-grandense. A nota psicológica entrava a ganhar terreno sobre as receitas já gastas, mas ainda teimosas, do regionalismo guachesco. Quaisquer que sejam as imperfeições que se possam observar na estrutura de seus contos, agita-se nas suas páginas, o pensamento de alguém que já sentiu na própria pele o contato com a vida e se dispõe a prestar o seu depoimento”. (Moisés Velhinho. Letras de Província. 1. ed. Globo, Porto Alegre, p. 80 e 81) 60.6. Sem título res - Conferências do escritor francês André Maurois que estará colhendo material para um livro sobre D. Pedro I, além de uma biografia de Matarazzo. - Miguel Torga com Paraíso – farsa em quatro atos e Portugal; - Romance de Edmond About intitulado O Homem da orelha rasgada, lançado pela Editora Saraiva no volume 24 de sua edição. - Bete Alan com o romance Alma de heroína, lançado no volume n. 9 da Coleção Rosa das edições Saraiva. 60.7. A metade brasileira de Thomas Mann res Afirma que muitos críticos vêem Thomas Mann como "o maior romancista vivo e maior homem das letras da Alemanha do nosso século". Destaca sua filiação materna, que é brasileira e faz um resumo do seu percurso intelectual. Transcreve trecho de uma carta enviada por Mann ao jornalista tcheco Carlos Lustig-Prean (SP), na qual coloca ter ouvido falar das belezas do Brasil por sua mãe, de ter sofrido a influência latino-americana e do seu desejo de visitar o Brasil. 60.8. Amostra de G.B. Shaw res Sobre o posicionamento de Shaw ao movimento liderado pelo comandante Oliver Locker contra a extração das amígdalas. A notícia foi retirada de um suplemento literário londrino. 60.9. Os escritores e a política Tr A política partidária continua a atrair escritores, que facilmente trocam “o estranho ofício de contador de história” pela cômoda porém nem sempre respeitável posição de políticos influentes mais ou menos desocupados. Tal não é o caso de Érico Veríssimo, um dos raros escritores brasileiros que se têm mantido fiel à literatura e vivendo exclusivamente às custas da profissão de escritor. Ainda agora, solicitando o seu pronunciamento a respeito do partido socialista brasileiro, Érico Veríssimo dirigiu ao Sr. Farias Guimarães, um dos dirigentes da seção gaúcha do PSB, uma interessante carta, da qual extraímos os seguintes trechos: "Atendendo ao seu pedido, quero manifestar-lhe nesta carta meu pensamento político e social sobre o partido Socialista Brasileiro. Há muito que acompanho com simpatia e admiração o pensamento político e social de Bertrand Russel, filósofo e matemático inglês, e um dos pensadores mais lúcidos do nosso tempo. Sua filosofia social me parece perfeitamente 536 consubstanciada no programa do Partido Socialista Brasileiro, que advoga socialismo sem o sacrifício da liberdade e da dignidade do indivíduo. Por tudo isso, estou ideologicamente com vocês. Só minha incapacidade para a disciplina partidária e mais os afazeres do meu estranho ofício de contador de história me impedem de ser membro militante do partido de João Mangabeira." 61. Data 15/07/50;5 TÍTULO Seção Caleidoscópio 61.1. Euclides em Dinamarquês Tr É fato sabido que a nossa literatura, por diversos motivos, é bem pouco conhecida no estrangeiro sobretudo na Europa. Raros são os escritores, como Jorge Amado, Érico Veríssimo e uns poucos mais, que têm seus livros traduzidos e editados em outros países. Daí a satisfação com que se deve receber a notícia de que Os Sertões, de Euclides da Cunha, indiscutivelmente uma das maiores, senão a maior obra da nossa literatura, foi publicada na Dinamarca, há poucos meses. Traduzido por Richard Hansen e ilustrado por Ib Anderson, o livro de Euclides foi editado pela Wesfermann, de Copenhague, e o sucesso desse lançamento tem sido registrado por quase todos os jornais dinamarqueses, tendo um deles observado: “A literatura e a vida intelectual do Brasil até o presente pareciam-nos bastante desconhecidas, mas, agora existe, em dinamarquês, uma das maiores obras em tempos modernos, em tradução primorosa.” 61.2. O céu é meu destino res A Editora Globo, cujo representante na Bahia passou a ser a Livraria Civilização Brasileira, acaba dde lançar, em sua coleção Nobel, numa tradução de Rolmes Barbosa, a admir´vale sátira Heaven´s my destination, de Thornton Wilder, (1897 - ...) novelista e dramaturgo norte-americano, do qual já havia sido traduzido anteriormente A Ponte de São Luiz Rei, livro que obteve nos Estados Unidos apreciável êxito. Dedicando-se mais ao teatro do que À novela, possivelmente em virtude dos espetaculares sucessos de suas peças, como Our Town em 1937 (Prêmio Pultizzer de Teatro, 1938) e The skin of our teeth, em 1943, Thornton Wilder publicou em 1935, o livro que agora a Globo fez traduzir e editou, com o título O céu é meu destino. Trata-se da curiosa e acidentada história de Jorge Brush, jovem caixeiro viajante cheio de fé, de virtudes e manias, espécie e D. Quixote do século XX que a todos assombra com as suas excêntricas idéias. Brush lembra Judas Fawloy, O obscuro, de Thomas Hardy, e sua história não pode ser lida com desinteresse ou indiferença. Thorton Wilder, mais próximo do fino huorismo inglês do que do realismo fotográfico de seus patrícios contemporâneos, oferece-nos cenas à altura de seu renome de dramaturgo, nas quais toda a tragi-comicidade da luta de um homem com a sua fé e com os seus semelhantes reponta com admirável precisão. Dono de um estilo sóbrio, porém elegante, o autor de O céu é meu destino consegue sugerir aos leitores toda a amarga ironia da vida de Jorge Brush, jovem intoxicado por uma fé absolutamente fora de seu tempo e de seu mundo, pacifista, pregador da pobreza voluntária e discípulo de Gandhi, incapaz de perceber a inutilidade de “sua” lógica diante da lógica da realidade em que vive. O céu é meu destino, pelo mundo de sugestões e de reflexões que nos oferece, é uma novela que vale a pena ser lida, e páginas como as referentes ao Tribunal e aos preparativos do casamento não são encontradas com muita freqüência. 61.3. Kinfolk res Título do livro de Pearl S. Buck, romancista londrina, que publicou Pavilhão de mulheres. A escritora, segundo Halencar, tem como tema predileto a China e seus problemas. O crítico resume o eixo central do romance. 61.4. A biblioteca de Afrânio Peixoto Tr Algumas das grandes bibliotecas brasileiras particulares têm sido dispersadas, após o desaparecimento de seus respectivos donos. Assim aconteceu com a de Eduardo Prado, com a de Cândido Mendes, e com a de outros nomes igualmente ilustres. Merece aplausos, pois, o gesto da viúva de Afrânio Peixoto, que acaba de doar a biblioteca do escritor e cientista baiano à Universidade do Brasil. Com essa atitude, presta a ilustre dama uma homenagem à memória de seu marido, resguardando a sua preciosa biblioteca. 61.5. Exposição de poesia Tr Informa-se que os poetas baianos estão cogitando de realizar, nesta Capital, a Primeira Exposição de Poesia, empreendimento que certamente despertará o maior interesse nos círculos intelectuais do Estado. Como se sabe, a primeira exposição de poesia no Brasil, foi realizada, há algum tempo, na cidade de Recife, em Pernambuco, tendo a iniciativa obtido ruidoso sucesso, repercutindo favoravelmente nos outros estados, que logo trataram de reproduzi-la. Agora, chegou a vez da Bahia. Os nosso poetas vão efetuar uma reunião preparatória, a fim de discutirem as bases para a organização da curiosa Exposição, esperando-se que, dentro de pouco tempo, o público possa apreciar essa inédita mostra de poesia. 61.6. Depoimento res Trecho do texto: Anselmo, Manuel. Família literária luso-brasileira. José Olympio, Rio, 1943.Pg.224. Sobre o romancista Ferreira de Castro, de Portugal. 61.7 Flagrantes res 538 - Romance de Érico Veríssimo, O tempo e o vento, 1º volume, em 2ª edição; - Ligia Fagundes Teles concluiu mais um romance; - Rosário Fusco procura editor para o romance Carta a Noiva; - Jamil Almansur Haddad traduziu Odes Anacreonticas; - Lúcia Benedetti ganhou o prêmio de teatro da ABL com a peça O casaco encantado; - Olegário Mariano com Últimas cigarras em 6ª edição, ilustrada por Noemia Guerra; - Ronaldo Hingley tem sua biografia de Chekow publicada pela editora londrina George Allen e Unwin ltda. 61.8 O Nobel de 1950 Res Observa a concorrência do prêmio ser grande pelo fato de que em 1949 nenhum escritor têlo adquirido. Cita um dos nomes cobiçados do prêmio: William Faulkner (1897), amigo e protegido de Sherwood Anderson. Halencar cita os elementos que fazem de Faulkner um bom candidato, inclusive ser considerado por Dickinson um dos mais expressivos nomes da ‘geração revolta’. Outro nome, candidato inscrito, é Ortega y Gasset, filosófo e ensaísta espanhol. 61.9 Concurso de contos e novelas Res Concurso internacional organizado pela New York Herald Tribune, com apoio da Unesco, garantido pelo diretor-geral Sr. Jaime T. Bodet. 61.10 As mulheres vencem res Dinah Silveira de Queiroz recebe o prêmio, pela ABL, “Afonso Arino de Melo Franco”, de 1950, destinado a contos e novelas. O livro premiado ainda está inédito: As noites do morro do encanto. A comissão era composta por Sr. Rodrigo Octávio Filho, relator, Celso Vieira e Clementino Fraga. 61.11 Poemas de amor Res Título de mais de uma edição do Caderno da Bahia; antologia organizada por Pedro Moacir Maia, reunindo 20 poemas de autores brasileiros contemporâneos, ilustrada por Aldari Toledo. 61.12 A morte de um grande poeta Tr A 29 de junho último, o Brasil perdeu um poeta, fato que para muitos não é motivo de tristeza. Entretanto a morte de um poeta é sempre uma coisa triste e lamentável num mundo louco como o nosso, e ainda mais quando o poeta é Da Costa e Silva e sua morte, aos 65 anos de idade, vem como dramático epílogo de uma vida pontilhada de infortúnios. Filho do Piauí, Da Costa e Silva surgiu no panorama da nossa literatura quando os chamados neo-simbolistas e os parnasianos, embora dominando a cena da poesia nacional, sentiam que uma nova tendência procurava abrir caminho na estrada gasta da poesia segundo fórmulas e receitas. Escritor provinciano, vinha armado de alguns contos e sonetos, entre os últimos figurando um que hoje tem lugar obrigatório em qualquer antologia, “Saudade”. Estreou com Sangue, em 1908, em 1917 publicou Zodíaco e uma plaquete dedicada ao belga Verhaeren, do qual recebeu fortes influências, em 1919 editou Pandora, em 1927 Verônica, e, daí por diante, somente em 1934 viria a aparecer a sua Antologia. A essa altura, porém, o poeta já se encontrava irremediavelmente enfermo, acometido de um mal que chegou a pressentir no “Canto do Bêbado, dizendo: “E temo certas vezes que endoudeço a minha triste e feissima cabeça coroada de estrelas e de rosas”. Recolhido ao seu retiro na Tijuca, onde faleceu, silenciou o poeta, nunca mais dele se ouvindo falar. Do antigo cidadão que pontificava nas rodas literárias que freqüentavam, no Rio ou em Belo Horizonte, para onde lhe levara a profissão de Funcionário da Fazenda nenhuma outra notícia, senão a de que vivia no tumulto interior de sua loucura, desamarrado dos homens e do mundo. Seu nome, mais ou menos desconhecido dos jovens, desperta, entretanto, nas gerações mais velhas, lembranças melancólicas. Sua morte vem como que ressuscitar a impressionante figura do poeta de há trinta anos passados, despreocupado boêmio que esbanjava talento noite apos noite nos bares por onde passava. E é possível, com a sua morte, retornem os críticos e públicos à sua obra, que indubitalvemente tem lugar de grande projeção em nossa literatura. OBS.: Na mesma página foram publicados dois poemas de Da Costa e Silva, são os que seguem abaixo Saudade Saudade, o olhar da minha mãe rezando, O pranto lento deslizando em fio. Saudade, amor da minha terra, o rio, Cantiga de águas claras soluçando. Noites de Junho o caboré com frio Ao luar, sobre o arvoredo, piando, piando, E ao vento as folhas lívidas cantando A saudade imortal de um sol de estio. Saudade – aza da dor do pensamento, Gemidos vãos dos canaviais ao vento E as mortalhas de névoa sobre a serra Saudade – o Parnaíba, velho monge, As barbas brancas alongando e ao longe O mugido dos bois de minha terra. A moenda Na remansosa paz da rústica fazenda 540 À luz quente do sol e à fria luz do luar, Vive, como a expiar uma culpa tremenda, O engenho de madeira a gemer e a chorar. Ringe e range, rouquenha, a rígida moenda E, ringindo e rangendo, acena a triturar, Parece que tem alma, advinha e desvenda A ruína, a dor, o mal que vai, talvez, causar... Movida pelos bois tardos e sonolentos, Geme, como a exprimir, em doridos lamentos, Que as desgraças por vir sabe-as todas de cor. Ai! dos teus tristes ais! Ai! Moenda arrependida! - Álcool! Para esquecer os tormentos da vida E a cavar, sabe Deus, um tormento maior! 62. Data 29/07/50;5 TÍTULO Seção Caleidoscópio 62.1. Anuário Crítico de literatura Tr Haroldo Bruno, jovem crítico literário e um dos diretores da Revista Branca, que aqui esteve há alguns meses, realizando conferências sob o patrocínio da Secretaria de Educação, está organizando um Anuário crítico de literatura, que deverá ser lançado em princípio de 1951. Tem essa publicação o objetivo de divulgar, coordenar e sistematizar as atividades literárias do país, trabalho realmente necessário, dada a nossa carência de informações, no particular. O plano desse trabalho compreende três partes, “Colaborações”, “Documentários” e “Bibliografia”e a sua execução contará com o auxílio de um Conselho Fiscal, no qual estarão presentes os críticos e ensaístas Álvaro Lins, Augusto Meyer, Eugênio Gomes e, possivelmente, Tristão de Atayde. A direção do Anuário crítico de literatura está solicitando às editoras, bem como aos autores que realizam suas próprias edições, que remetam as revistas ou os livros aparecidos, ou a aparecerem até dezembro do ano em curso, para a rua Santa Luzia, 732, sala 1105, D. Federal, a fim de que possam eles a ser registrados no Anuário. 62.2. Candidato à Academia res Com a morte do Profº Alberto de Assis cogita-se candidatos à vaga, na ALB, da cadeira cujo patrono é Marquês de Abrantes. Os inscritos até o momento são: Afonso Ruy e Elyowaldo Chagas de Oliveira. As inscrições já estão encerradas. Halencar faz um breve curriculum dos candidatos. 62.3. Literatura e política res Escritores que são candidatos a deputado: Adonias Aguiar Filho, autor de Os servos da Morte; Franklin de Oliveira, cronista – no prelo Concerto para piano e Josué Montelo de A luz da estrela Morta 62.4. Major Bárbara res Sobre a peça de G.B.Shaw encenada em Londres e que após a 1ª representação provocou reboliço, considerando-se um insulto ao Exército da Salvação. A obra teve tradução em português de Moacir Werneck de Castro para as Edições Melhoramentos. 62.5. Depoimento trans “E das nonas rimas de Spencer, dos versos de Warner, das páginas de Holinsched e de outras obras surgiu o Rei Lear de Shakespeare. Ficaria o velho rei bretão vagando de página em página, de cena em cena, de verso em verso, silencioso e esquecido, se o sopro do gênio não lhe insuflasse a vida poderosa com que há três séculos domina o teatro ocidental.” (SALES, Artur de. Prefácio ao vol X de “Clássicos Jackson”, Macbeth e Rei Lear de Shakespeare, tradução de Artur de Sales e J. Costa Neves, pgs. XXII e XXIII) 62.6. Flagrantes res - Lançamento de uma biografia de Afrânio Peixoto por Leonídio Ribeiro. Manuel Bandeira redigindo suas memórias, título previsto: Itinerário de Pasargada. Alberto Camus terá seu livro La Peste, traduzido e lançado pela editora José Olympio. John Gonto Fletcher suicidou-se, autor de Montanha em Fogo. 62.7. Castro Alves e Mickiewicz res A ABDE lança concurso de Ensaio e Poesia, sobre as afinidades existentes entre os dois autores. Objetivo: promover o intercâmbio entre o povo brasileiro e o povo polonês. Transcreve regulamento do concurso e premiação. 62.8. Os 10 maiores Tr 542 Paulo Rónai, o excelente tradutor e estudioso de Balzac, refugiado europeu e hoje naturalizado brasileiro, foi chamado a indicar, no suplemento literário do Correio da manhã, os dez maiores romances da literatura universal. Rónai apresentou a seguinte lista: 1Educação sentimental, de Flaubert; 2- O primo pons, Balzac; 3- Guerra e paz, de Tolstoi; 4Crime e castigo, de Dostoiewski; 5- O vermelho e o negro, de Stendhal; 6- Viagens de Gulliver, de Swift; 7- O progresso, de Kafka; 8- Os miseráveis, de Victor Hugo; 9- Ana Edef, de Kosztolanyi; 10- A família malavoglia, de Verga. 62.9. A história de um caminhão (c/desenho do autor) trans Richard Llewellyn tornou-se conhecido no Brasil principlamente em virtude da versão cinematográfica do seu famoso romance, Como era verde o meu vale. Agora, ao que se anuncia, Richard Llewellyn publicou outro romance, intitulado A Few flowers for shiner, cujo lançamento foi registrado peloas suplementos e revistas literárias com notas elogiosas. A Few flowers for shiner é a história de um caminhão de guerra e seus ocupantes, no final da campanha da Itália, e o próprio caminhão é um dos personagens mais curiosos do romance. 62.10.Biblioteconomia res A Biblioteca Central da Universidade de São Paulo, sob a direção da bibliotecária Maria Luiza Monteiro da Cunha, está coligindo material para a Bibliografia Bibliotecologia Brasileira, incluindo artigos e livros sobre biblioteconomia. Organizada com a cooperação do Inst. Nacional do Livro, que tem como diretor o poeta e ensaísta Augusto Meyer. 62.11.A secreta mentira de Sherwood Anderson trans A literatura norte-americana encontra em Sherwood Anderson (1876-1941) uma de suas notáveis figuras,s endo sua obra preciosa contribuição ao movimento de renovação que nela se processou, com o chamado período realista. Antes dele, poucos, como Dreiser à frente ousavam romper a tradição, o convencionalismo. A maior parte apegava-se à técnica e À temática do passado, sem sequer enxergar e muito menos interpretar a nova realidade, impressionante realidade da época do industrialismo. Sherwood Anderson, percebendo com indisfarçável melancolia o despontar dos novos tempos, e sentindo muito de perto os seus efeitos no desprevenido homem das ruas – era um deles – foi o escritor que, com voz mansa e desencantada, porém com vigor e independência, começou a falar dessa nova era, de suas conseqüências na psicologia do cidadão norte-americano. Tendo sido vendedor de jornais, de pipoca e amendoim, rapaz de estábulo e empregado num armazém de fumo, trabalhador de uma plantação de couve e funcionário de um hipódromo, foi nas ruas e nas praças públicas que recolheu a imensa experiência, mercê da qual viria a ser depois um grande escritor. Uma tarde, já homem feito, casado e gerente de uma fábrica de tintas em Elyria, Ohio, interrompe uma carta que está ditando para a secretária, sai do escritório e durante muito tempo dele não se teve notícias na cidade. Atendera ao irrecusável apelo de sua vocação de escritor, abandonando tudo a que até então estivera ligado. E é assim que, em 1916, aos quarenta anos de idade, estréia com Windy Mcpherson´s son, livro que levou Dreiser a encorajar o autor para a aventura literária. Em 1917 publica Marching men e em 1919 lança Winesburg, Ohio, considerado a sua maior obra e de cuja repercussão nasceu, principalmente, o seu enorme prestígio literário. Isso o animou a lançar, logo no ano seguinte, outro grande livro, de técnica mais amadurecida e agitando o problema dos brancos arruinados no sul, Poor White, ao qual se seguiram outros, inclusive um de poemas. De todos eles, porém a crítuca apponta como o mais expressivo Winesburg, Ohio, pelo vigoroso e sugestivo quadro que oferece da vida da sociedade do centro norte-americano. E é esse livro que a “Globo” oferece agora ao público brasileiro, como o volume 81 de sua Coleção Nobel.. A essa edição da “Globo”, traduzida por James Amado e Moacir Werneck de Castro, e com uma introdução de James Boyd, foi dado um outro título que não o original, Winesburg, Ohio. Resolveram os editores dar ao livro o título de um dos seus mais belos episódios, A secreta mentira, história que reflete toda a impressionante visão patética que do mundo tinha Sherwood Anderson. Se é condenável o fato de não se dar a um livro traduzido seu título original, pela confusão que isso pode trazer aos leitores menos avisados, a verdade é que nesse caso a mudança foi benéfica, pois o título de A secreta mentira, sobre pertencer ao próprio texto do livro, a ele empresta o verdadeiro sentio da notável obra de Sherwood Anderson, como talvez não o fizesse o original. A secreta mentira não é um romance e não pode ser rigorosamente classificado como um simples livro de contos. São fragmentos, episódios aparentemente dispersos e sem unidade da vida de Winesburg. Liga-os, porém, o mesmo sentimento de frustração, de malogro diante da “grande ilusão de industrialismo”. Escritas no original, suave e musicado estilo que caracteriza toda a obra de Sherwood Anderson, as histórias de A secreta mentira diferem daquelas que nos contam Dos Passos, Steinbeck, Caldwell, Fast e outros, pois nelas, ao contráriio do que acontece nestas, os dramas e as dores, os sofrimentos e as angústias, como já disse alguém, são contados “quase num murmúrio” 63. Data 04/11/50;5 TÍTULO GBS Tr No dia de Finados, como qualquer outro dia, em todas as partes do mundo, muitos homens terão morrido. Perto de Londres, porém, ainda era madrugada e o frio e a bruma não se tinham ido, morreu um homem que há algumas horas agonizava. Durante noventa e quatro anos viveu neste mundo, que nem sempre o compreendeu e nem sempre quis aceitá-lo. Contudo, ele era o mais autêntico representante de uma humanidade que não deseja nem merece perecer. E sua vida foi o mais surpreendente e um dos mais edificantes espetáculos dos nossos tempos. Foi, toda ela, um inteligente protesto. Uma original atitude de renovação. Um inigualável esforço de vencer o tempo e, com ele vencer os preconceitos, as convenções e as injustiças. Escrever era o seu ofício e era também o seu divertimento. Jamais, porém, escreveu sem estar seguro do que escrevia e sem estar certo de que, com o que escrevia, participava da vida e procurava engrandecê-la. Suas opiniões tinham o condão de perturbar e de comover. Irritavam tanto quanto sensibilizavam, porém, nunca foram nem poderiam ser recebidas com indiferença. Calavam fundo onde quer que chegassem. Sua ironia foi tornada lenda, e todos 544 reconhecem que ela se alicerça sempre na piedade, no amor ao próximo, e nunca no desprezo ou no ódio. Suas críticas, carregadas de sarcasmo e desencanto, representam a mais otimista esperança num mundo melhor e mais justo, numa vida mais digna de ser vivida. Irreverente e perturbador, esse homem era um irlandês, segundo ele próprio, “vegetariano, mentiroso, tagarela e socialista”.O que ele deixa para a humanidade, porém, não pode ser avaliado com facilidade. Seus livros e peças, seus artigos e conferências, são um tesouro de cuja grandeza, em toda a história do mundo, haverá raríssimos exemplos. Depois de Shakespeare, o teatro teve nele o seu maior nome. E os homens não têm notícias, após Swift e Voltaire, de uma ironia tão fina e tão sutil. Seus noventa e quatro anos de vida são a mais irrecusável afirmação de juventude e lucidez. Dele se dia que era contraditório e sem crenças definitivas. Nenhum outro elogio lhe poderia ser mais alto do que essa acusação. Por ser jovem, já ancião de barbas brancas e acreditar no progresso e na evolução como resultado da luta entre forças contrárias, é que era contraditório e não tinha crenças nem dogmas; era um constante receptivo às últimas verdades e, no momento mesmo de aceitá-las, já estava procurando as outras que os novos tempos iriam revelar. Esse homem morreu na madrugada do Dia de Finados e, de agora em diante, nesse dia, o mundo inteiro chorava algo mais do que a morte dos homens que se foram, em todos tempos. Chorará a morte de um homem que se chamou, que se chama e sempre se chamará GEORGE BERNARD SHAW. 64. Data 28/04/1951;9 TÍTULO Caleidoscópio 64.1. Prêmio de poesia Tr O nome de Enoch Santiago Filho (1920-1945) tem lugar de relevo na história da literatura contemporânea da Bahia. Embora filho do vizinho estado de Sergipe, foi aqui que iniciou sua formação cultural e aqui escreveu seus primeiros trabalhos, tendo sido aluno de nossa Faculdade de Direito. Roubou-lhe a morte, porém, inesperada e brutalmente, quando contava apenas 24 anos, uma insopitável destinação de poetas. E aí então, reunidos em livros por Zitelman de Oliva, os versos jamais revistos que escreveu sem qualquer preocupação, como a provarem que o tempo e a experiência dele fariam um poeta como poucos o podem ser. E parte de sua obra reflete a atitude dos moços de seu tempo, frente aos problemas políticos e sociais, frente à luta contra o nazi-facismo que então acendia a chama de uma guerra mundial. Sua poesia está cheia de entusiasmo revolucionário, de compreensão e de solidariedade humana, traduzindo com honestidade e coragem, os princípios que orientavam a luta dos jovens de sua geração. Nada mais justo, pois, que lhe preste a mocidade da Faculdade de Direito as homenagens de que é merecedor. E tanto mais significativa essa homenagem quanto se traduz na instituição do Prêmio Anual de Poesia Enoch Santiago Filho, prêmio cuja instituição é um dos pontos do programa de trabalho do candidato vitorioso à presidência do Centro Acadêmico Ruy Barbosa, da Faculdade o jornalista e escritor Adalmir da Cunha Miranda. 64.2. Noel Coward Res HA desculpa-se por ter informado erroneamente, no número anterior da coluna, que Noel Coward seria norte-americano, já que o mesmo é de origem inglesa. Apresenta dados da produção do referido escritor. 64.3. Episódios Históricos tr “A investigação da origem da propriedade privada de extensas terras sulinas de Mato Grosso, componentes do planalto da Cordilheira de Amambaí entre os rios Ivinheima e Iguatemi, como as do planalto ao norte do Ápa, estas e aquelas outrora disputadas ao domínio eminente do Brasil pelo governo do Paraguai, levou o autor a pesquisas históricas que se prolongaram por cerca de um decênio. Começadas em fevereiro de 1923, estenderam-se a dezembro de 1926, quando interrompidas para serem reencetadas em janeiro de 1944. agora ultimadas. A iniciativa não foi espontânea, nem tampouco estimuladas por pendores naturais. Cometera-se de começo ao autor a sua intervenção ocasional como advogado incumbido de recolher do direito de Mato Grosso em pleito judicial em que aquela propriedade fora controvertida. Posteriormente impôs-se a necessidade de completar as pesquisas outrora iniciadas.” Com essas palavras, inicia o sr. Mario Monteiro de Almeida o seu volumoso trabalho, agora editado sob o título Episódios históricos da formação geográfica do Brasil – fixação das raias com o Uruguai e o Paraguai – Pongetti, Rio, 1951, 630 (inclusive anexos, mapas e fac-símiles). Baiano, jornalista, militante, tendo atuado durante muitos anos na imprensa baiana, de onde se transferiu para a da Capital Federal, Mario Monteiro de Almeida é dono de um estilo fluente, o que torna acessível e de certo modo agradável a leitura de seu trabalho. Obra de pesquisa histórica, podendo, por isso mesmo estar sujeita a controvérsias de documentação e de interpretação, Episódios históricos da formação geográfica do Brasil é valiosa contribuição ao estudo do processo de desenvolvimento nacional, passando a figurar como uma das fontes obrigatórias de consulta para os interessados na matéria. O estudo de Mario Monteiro de Almeida, que traz à lume documentos ainda não divulgados sobre trechos dos nossos setores está dividido em três partes: a primeira de análise dos episódios históricos de nossa formação geográfica que o autor dividiu em 27; a segunda, sobre a disputa da propriedade privada, e a terceira, contendo a minuciosa história dos supostos latifundiários do barão de Antonina. 64.4. Flagrantes tr - Mormaços d’alma (Imprensa União, Bahia, 1951, 82 pgs.) é o título do livro de versos do sr. Geraldo Alves Martins, prefaciado pelo sr. Clodomir Morais, da Acad. de Letras de S. Paulo. O livro reúne 26 produções do autor. 546 - - De autoria de Vicente Brome e editada pela Longmans, de Londres, aparece uma biografia de H.G. Well, considerada pela crítica como uma das melhores contribuições do estudo da personalidade de Wells, desde o seu falecimento, em 1946. Acaba de sair o n. 37 da Revista brasileira de estudos pedagógicos, órgão de estudos e pesquisa do Ministério da Educação, editada pelo INEP. O novo número dessa publicação oferece um bom material de leitura e estudo, inclusive um ensaio de Félix Ibanez, sobre “Psicopatologia dos mitos e lendas dos contos infantis”. Já está publicada a 2ª edição de Cascalho, romance do baiano Herberto Sales, agora quase que totalmente reescrito, podendo mesmo ser considerado um novo livro. O jornalista e escritor norte-americano Edward Tamlinson realizou uma viagem de estudos ao Brasil, colhendo dados para uma obra sobre os nossos costumes e tradições. O livro Tomhinson está sendo anunciado na América para talvez ainda este ano. 64.5. O otimismo de Anatole France res Comentários sobre críticas que são feitas à obra de Anatole France, as quais falam das diferentes temáticas trabalhadas pelo autor. Quando jovem, críticas ferozes, quando idoso, atitude otimista diante da vida e do futuro – o que segundo as críticos faz parte de “um colapso de inteligência e lucidez” – reflexão, esta, não aceita pelo colunista. 64.6. Um bom conselho Res Elogio ao escritor norte-americano Jack London (1876-1916); informa, também, que apesar dele não ser bem aceito pela crítica sua obra é de grande importância para a arte. 64.7. Ângulos Tr Em circulação o segundo número da revista Ângulos, órgão de cultura do Centro Acadêmico Ruy Barbosa, de nossa Faculdade de Direito, cujo número de estréia alcançou grande êxito, não apenas nos círculos universitários, mas, nos meios intelectuais do nosso e de outros Estados. Dirigida por Adalmir da Cunha Miranda, jovem crítico já bastante conhecido do público e que durante muito tempo manteve uma secção literária no matutino Diário de Notícias, apresenta-se Ângulos com o seguinte sumário: “A participação política do estudante” (editoral) – Adalmir da Cunha Miranda. “A reforma do código comercial” - prof. Josaphat Marinho. “Minha formação” – Harold Laski. “A aurora da filosofia grega” - A. L. Machado Neto. “Considerações sobre o moderno conceito da taxa” - Sylvio Santos Faria. “Parecer” prof. Lafayette Ponde. “Poemas XIX” e “Maldições” – Enoch Santiago Filho. “Sobre Enoch Santiago Filho” - redação. “Amorosa” - Paul Elward – tradução de Jair Gramacho. “O avô Guiliano” – Antonieta Dias de Morais Silva. “A neve” – Jorge Guillén – tradução de Raymundo Mesquita. “Canto da tarde” - Eno Mendes de Carvalho. “O tempo no caminho” Otacilio Lopes. “Silvio Romero” - Adalmir da Cunha Miranda. Ilustrações de Carlos Bastos e Jenner Augusto. Notas sobre livros e revistas. 64.8. O que Sylvio Romero escreveu (c/ fotografia) Res A poesia contemporânea, 1869; Etnologia selvagem, 1973; Razões justificativas do art. 482 do Código Comercial, tese, 1875; A filosofia no Brasil, 1878; Contos do fim de século, 1878; A literatura brasileira e a crítica moderna, 1880; Contos populares do Brasil, 1882; O naturalismo em literatura, 1882; Contos populares do Brasil, 1883; Últimos Harpejos, 1883; Uma esperteza, 1884; Estudos e literatura contemporânea, 1885; Estudos sobre a poesia popular no Brasil, 1888; História da literatura brasileira, 2 vols. 1888; Etnografia Brasileira, 1888; Organização republicana, 1889; Luiz Murat, 1891; História do Brasil, 1891; Parlamentarismo e presidencialismo, 1893; Doutrina contra doutrina, 1894; A verdade sobre o caso de Sergipe, 1895; A vampiro do Vasa-Barris, 1895; Ensaios de filosofia do Direito, 1897; Machado de Assis,, 1897; Novos estudos de Filosofia contemporânea, 1897; Ensaios de sociologia e literatura, 1900; Livro do centenário, 1900; O elemento português no Brasil, 1902; O Duque de Caxias, 1903; Passe recibo, 1904; Discurso, 1904; Parnaso sergipano,, 2 vols. 1904; Vista sintética da literatura brasileira, 1904; Evolução do lirismo brasileiro, 1904; Outros estudos de literatura contemporânea, 1906; O allemanismo no sul do Brasil, 1906; A pátria portuguesa, 1906; Compêndio de história da literatura brasileira, 1906; A América latina, 1906; Da crítica, 1909; Zeverissimações inepta na crítica, 1909; Provocações e debates, 1910; Quadro sintético da evolução dos gêneros, 1911; O Brasil na primeira década do século vinte, 1911; A banca-rota do regime federal, 1912; O castelhismo, 1912; A geografia da politicagem, 1912; Minhas contradições, 1914; Prólogo aos estuso alemães, Prólogo aos estdos de Direito; de Tobias Barreto, 1892; de Tobias Barreto, 1892; Prólogo aos Dias e noites, de Tobias Barreto, 1893; Prólogo aos Vários escritos, de Tobias Barreto, 1900; Prólogo às Polêmcias, de Tobias Barreto, 1901; A união do Paraná e Santa Catarina, 1916; A prioridade de Pernambuco no movimento espiritual brasileiro, in. Revista Brás., tomo II, ano I, 1819; A questão o dia, a emancipação dos escravos, artigo, 1881; Introd. à História da literatura brasileira, 1882; Lucros e perdas, 1883; A filosofia e o ensino secundário, 1889; A migração e o futuro da raça portuguesa no Brasil, 1891; Pinheiro Chagas, conferência, 1904; Discurso à Euclides da Cunha, 1907; O Brasil social, 1907, idem, 1908; Da natureza dos cargos públicos nas democracias modernas, 1911; Carlos Frederico Von Martins, in. Rev. Acad. Bras. Letras, 3º, n.8, 1912; Novas contribuições ao folclore brasileiro, in. Rev. Acad. Bras. Letras, ano 2, n.4, 1911; Novas contribuições para o estudo do folclore brasileiro, in. Rev. Acad. Bras. Letras, ano 2, n.7, 1912. 65. Data: 04/07/52;5 TÍTULO O meu velho Artur de Salles Tr Já nem lembro bem como o conheci, tão permanente e contínua é a sua presença em minha memória. Lembro-me, porém, de sua bela cabeça de bronze de alvos cabelos longos, contemplando os velhos solares das ladeiras baianas. De seu magro e digno vulto parado no coração da cidade que tanto amava, o olhar perdido nas perspectivas surpreendentes dos campanários e telhados patinados de quatro séculos. De sua mansa voz anasalada, a repetir o solilóquio de Hamlet, os versos de seu irmão Castro Alves ou a dizer as estrofes candentes do 548 “Liberté” de Eluard. De seus olhos negros e cansados, cheios de confiança e de vida, quando, nas longas conversas que mantínhamos, recordava episódios de sua tranqüila vila de São Francisco, ou me dizia da sua ardente esperança no estabelecimento da paz entre os povos do mundo. Setenta e três vezes o calendário dos homens viu passar um primeiro de janeiro, e em nenhuma dela o tempo – que nada perdoa e não pára – conseguiu vencer o espírito do meu velho Artur de Salles, desse poeta jovem de cabelos brancos, cuja modesta morte junto à casa dos Alienados parece um irônico símbolo cheio de sugestiva verdade. Vivemos, infelizmente vivemos num mundo em que a lucidez vai se tornando a cada dia maior pecado, e uma quase sempre consciente alienação é a virtude dominante. A escala dos valores inverteu as medidas, e o que mais vale é sempre o que não vale. Esquecido ou ignorado, quase desconhecido dos habitantes do Estado que tanto engrandeceu, foi assim que morreu Artur de Salles, imensa voz de poesia, que se contentava em escancarar as janelas para a noite e fazer das águas do Lago Sagrado a mensageira melhor de seus versos, mas, nunca trocou sua autêntica poesia por vantagens e interesses impuros. Sabia, porém – e sei que o sabia como uma certeza rejuvenescedora – que esse mundo que não o ouvia, que não o queria ouvir, tinha as horas contadas no relógio da História. E essa era a certeza que fazia do velho Artur de Salles um moço como nós, os desta geração que, através do Caderno da Bahia, de Seiva, da ABDE e de tantos outros movimentos, vem procurando manter para a Bahia o prestígio que lhe deram um Gregório de Matos, um Castro Alves, o fluminense Euclides da Cunha, um Xavier Marques, um Artur de Salles e um Jorge Amado. O meu velho e bom Artur de Salles, debruçado na sua mesa da Biblioteca Pública, a repassar as páginas do mundo Shakespeariano ou ler o último poema do mais recente poeta da França. Meu bom amigo, permanentemente em mágoa com a vida – a morte do filho, a morte da esposa, a morte do outro filho – e a pensar e, mesmo, a contribuir para que o mundo dos vivos seja realmente dos vivos. Que belo e rico exemplo de poeta e de homem, esse que nos deu o cantor dos velhos casarões e grande companheiro do mar dos costeiros baianos! O coração da gente é uma fogueira acesa Arde, brilha, incendeia. E todo o céu da vida Fica cheio de luz e de beleza. Depois o fogo morre. A lenha consumida Não brilha mais. Não canta. Sim, meu velho Artur de Salles, a lenha consumida não brilha mais. Mas os teus versos continuarão cantando. Anexo B – 3 : ÍNDICE REMISSIVO 550 ÍNDICE REMISSIVO DESTE CATÁLOGO A A F. Schimidt, 431 A L. Nobre de Melo, 510 A Ramos, 470 Acácio Ferreira, 507 Acácio França, 395, 407 Achimino Ornelas, 501 Adalmir da Cunha Miranda, 405, 427, 474, 498, 501, 504, 507, 525, 527 Adele Garrison, 403 Aderalo, 514 Adolfo Casais Monteiro, 469 Adonias Aguiar Filho, 356, 385, 481522 Adroaldo Ribeiro Caldas, 426 Adroaldo Ribeiro Costa, 347,394, 400, 405, 460, 474, 498, 507, 515, 511, 515 Afonso Félix de Souza, 464 Afonso Ruy, 467, 521 Afonso Schimidt, 444, 499, 510 Afrânio Peixoto, 408, 468, 518, 522 Aimé Petri, 368 Albert Camus, 392, 412, 455, 464 Albert Einstein, 386 Albert Scweitzer, 408 Alberto Camus, 522 Alberto de Assis, 521 Alberto Silva, 409 Alberto Uva, 393 Alcélio, 464 Alceu Amoroso Lima, 452 Aldari Toledo, 500, 504, 512, 519 Aldemir Martins, 482 Aldo Bonadei, 392, 484, 504, 514 Aldo Oberdorfer, 377 Alexandre Passos, 392, 432 Alfred de Vigny, 371, 380 Alfredo Mesquita, 356 Alfredo Pimentel, 496 Alice Cluchier, 403 Alina Paim, 392, 474 Almeida Fiscker, 466 Almeida Moniz, 475 Almeida Sales, 431 Aloísio de Carvalho Filho, 334 Alphonse Dauret, 510 Alphonsus de Guimarães Filho, 431, 435,500 Altino Bondesan, 411 Aluízio de Medeiros, 396, 466, 501, 514 Álvaro Lins, 355, 359, 393, 395, 420, 459, 461, 467, 468, 483, 491, 510, 521 Álvaro Moreyra, 401, 431, 470, 478, 505, 507 Alzira Ferreira de Coimbra, 464 Amadeu Amaral, 349 Amadeus Queiroz, 468 Amando Fontes, 437 Américo Jacobina Lacombe, 493 Anatole France, 365, 371, 469, 527 André Carneiro, 506, 510 André Figueiras, 432 Andre Gide, 347, 357, 364,365, 369, 384, 398, 401, 409, 417, 429, 431, 440, 445, 460, 466, 485, 489, 501, 510 André Malraux, 366 André Maurois, 384, 415, 464, 516 André Monteiro, 381 Anibal Machado, 402, 497 Aníbal Nunes Pires, 466 Anita Garibaldi, 454 Ann Petry, 339 Antoine de Saint-Exupéry, 341 Antoni di Monti, 510 Antônio Cândido, 465 Antônio D´Elia, 493 Antônio dos Santos Moraes, 427 Antônio Girão Barroso, 514 Antônio Loureiro de Souza, 498, 503, 507, 515 Antônio Olavo Pereira, 508 Antônio Viana, 496 Aragon, 482 Archimino Ornelas, 339, 462, 498, 507 Argileu Silva, 513 Arthur de Sales, 420, 426, 433, 477, 498, 511, 522, 522, 528 Arthur Koestler, 360, 450 Arthur Stanley Riggs, 339 Artigas Milans Martinez, 375 Artur da Fonseca, 393 Artur Koestler, 399 Artur Neves, 459, 492 Ary de Andrade, 505 Astrogildo Pereira, 478 Athos Bulcão, 431 Augusto Frederico Schimidt, 422, 464, 500 Augusto Meyer, 426, 461, 502, 521, 523 Augusto Publio, 335 B B. for Evans, 464 Balzac, 354, 355, 432, 467, 468, 469, 475, 522 Barão de Itararé, 478, 506 Beatriz Rocha, 464 Bela Paes Leme, 431 Belmonte, 422 Benedito Valadares, 365 Bernard Blackstone, 404 Bernardo Gersen, 466, 493 Bertrand Arthur William Russel, 438, 457, 516 Bete Alan, 516 Braga Montenegro, 446, 466 Brasil Gerson, 478 Bráulio Nascimento, 464 Breno Accioly, 461, 466, 480 Breno Silveira, 472 Breuno Silveira, 398 Bueno de Mineira, 428 Bueno de Rivera, 366, 479, 500 C Caio Prado Júnior, 460, 508 Camillo de Jesus Lima, 411, 427 Cândido Mendes, 518 Carlos Bastos, 527 Carlos Burlamaqui Kopke, 508 Carlos Castelo Branco, 466 Carlos Chiachio, 411 Carlos Dante de Morais, 482 Carlos Davi, 472 Carlos de Oliveira, 449 Carlos Drummond de Andrade, 372, 420, 446, 500 Carlos Eduardo, 458, 463 Carlos Frederic Bastos, 427 Carlos Frederico, 405 Carlos Lacerda, 509 Carlos Luz, 404 Carlos Sussekind Mendonça, 505 Carlos Thiré, 501 Carolina Slade, 381 Carvalho Filho, 387 Carvalho Netto, 349 Casemiro Fernandes, 361 Castro Alves, 331, 339, 340, 347, 359, 360, 409, 430, 432, 462, 477, 496, 497, 498, 522, 528, 529 Castro Soromenho, 468, 510 Cecília Meireles, 352, 471, 500 Cecílio J. Carneiro, 423 Cecily Mackworth, 476 Cerqueira Falcão, 499 Cervantes, 490 Cézar Nêmolo, 506, 507 Ch Chafic Maluf, 482 Charles Baudelaire, 342 Charles Dickens, 339 Charles Morgan, 384, 432 Charles Peguy, 492 Charlotte Bronte, 377,384 C Cícero Dias, 427 Ciro de Morais Vale, 487 Ciro dos Anjos, 404, 428, 443, 510 Cláudio de Araújo Lima, 461 Cláudio Tavares Barbosa, 466 Cláudio Tuiuti Tavares, 392, 466, 499, 504, 511, 514 Cleia Malheiros, 466 Clemence Dane Winifred Ashton, 479 Cleto Seabra Veloso, 505 Clodomir Morais, 526 Colombo Spinola, 496 Condé, 406, 419, 468 Constantino Paleologo, 466 Cornélio Pena, 393, 431, 493, 502 Cravo Filho, 392 Cyro Pimentel, 510 D Da Costa e Silva, 464, 466, 519, 520 Da Costa e Silva Filho, 464, 466 Dalcídio Jurandir, 402, 470, 478, 507 Dalton Trevisan, 384, 385, 398 552 Dante, 334 Dante Milano, 500 Darcy Evangelista, 494 Darwin Brandão, 377, 378, 392, 395, 415, 427 Defoe, 430 Dephené de Maurier, 348, 494 Dias da Costa, 478 Dickens, 377, 498 Dinah Silveira de Queiroz, 430, 519 Dino Segri, 399, 418 Dirceu Quintanilha, 466 Domingos Carvalho da Silva, 465, 482, 505 Domingos Olimpio, 434, 435 Doryval Caimmi, 398 Dylan Thomas, 457 Dyonélio Machado, 341, 342, 414 Érico Veríssimo, 337, 344, 353, 354, 355, 356, 357, 362, 401, 405, 407, 436, 479, 489, 516, 517, 518 Ernani Silva Bruno, 438 Ernest Hemingway, 487, 513 Eros Gonçalves, 431 Erskine Caldwell, 404, 405, 454, 486 Estella Gibbors, 456 Euclides da Cunha, 517 Eugene O´Neill, 512 Eugênia Álvaro Moreyra, 402 Eugênio Gomes, 496, 521 Eusínio Lavigne, 443 Eustáquio Duarte, 493 Eva Jungell, 418 Ezdra Pound, 413 E F E. Carrera Guerra, 478 Edgar Allan Poe, 474 Edison Carneiro, 340, 341, 402, 416, 438, 452, 470, 505 Edith Gama e Abreu, 496 Edmar Morel, 505 Edmond About, 516 Edmond e Jules de Goncourt, 366 Edmond Rostand, 480 Edmur Fonseca, 506 Edna Febber, 497 Edson Carneiro, 340, 359, 378, 386 Edson Reis, 471 Eduardo Campos, 506, 514 Eduardo Prado, 518 Edward Tamlinson, 527 Eggidio Squeff, 508 Elisabeth Berboir, 349 Elizabeth Bowen, 444, 491 Elpídio Bastos, 439 Elsa Triolet, 510 Emerson, 395, 407 Emil Ludwig, 360, 407 Emile Chartier, 384 Émile Zola, 342, 355, 373, 480, 496 Emílio Moura, 500 Emílio Varoli, 510 Emo Duarte, 406 Emylio Myra y Lopes, 461 Enio Silveira, 398 Eno Mendes de Carvalho, 527 Enoch Santiago Filho, 504, 525, 527 Epamiondas de Souza Pinho, 478 Felix Borowski, 473 Félix Ibanez, 526 Fernando Alegria, 513 Fernando de Azevedo, 504 Fernando Diniz Gonçalves, 338, 342, 506 Fernando F. de Loanda, 405 Fernando Pessoa, 471 Fernando Segismundo, 477, 505 Ferreira de Castro, 518 Flávia da Silveira Lobo, 464 Flávio Jarbas, 342 Floriano Gonçalves, 478 Fontenelle Ribeiro, 490 Fran Martins, 392, 466 Frances Sarah, 475 Francisco Brasileiro, 466 Francisco Marques de Goes Calmon, 388 François Auguste Chateubriand, 388 François Mauriac, 385 Françoise D´Eaubonne, 348 Franklin de Oliveira, 522 Franz Treller, 461 Frederico dos Reys Coutinho, 398 Fulton J. Sheen, 513 G Gabriela Mistral, 426, 489 Galeão Coutinho, 457, 508 Garcia Lorca, 456, 467, 486 Gasparino Damata, 464, 466, 468, 472 Gastão de Holanda, 391, 466 Genuíno Neto, 417 George Bernard Shaw, 339, 352, 417, 459, 513, 516, 522, 524 George H. Waltz Jr, 377 George Matos, 464 George Sand, 496 George Upton, 473 Georges Duraud, 405 Georges Sand, 341 Geraldo Alves Martins, 526 Géraldy, 350 Gerard Bauer, 342 Germaine Beaumont, 449 Gilberto Amado, 468 Gilberto Freyre, 350, 353, 393, 399, 472, 480, 491 Gilda de Abreu, 398 Gilles Buhet, 431 Giovani Papini, 339 Gisele D´Assily, 348 Godofredo Rangel, 339, 397 Goethe, 333, 355, 360, 400, 407, 430, 452, 464, 466, 468, 469 Gonçalves Dias, 349, 379, 391 Graciano (ilustrador), 482 Graciliano Ramos, 351, 369, 370, 402, 411, 420, 448, 470, 474, 478, 502, 505, 507 Graham Greene, 476 Gruber Correia, 482 Guilherme de Almeida, 348, 467 Guilhermino César, 392 Guilhermo de Torre, 512 Guillen, 492 Guinard, 420, 431 Guisepe Mazzoni, 385, 381 Gustavo de Freitas, 461, 463 H H. Stadelmann, 339 H.S.Nyberg, 399 Harold Smith, 487 Haroldo Bruno, 464, 493, 504, 521 Haroldo de Campos, 510 Hector Bolitho, 438 Heinrich Heine, 396 Hélio Simões, 507, 511 Hélio Vaz, 378, 405, 427 Henri David, 463 Henri de Rotchild, 511 Henri Perruchot, 399 Henry Wallace, 386 Henryk Sienkiewiecz, 458 Herberto Sales, 431, 464, 466, 493, 527 Herly Drummond, 466 Hermano Requião, 455, 456 Homero Pires, 473, 493 Howard Fast, 339, 397, 404, 459, 482 Huxley, 336, 345, 400, 405, 418, 422, 429, 513 I Ib Anderson, 517 Ibrahim Abi-Ackell, 466 Ibsen, 345, 358, 365, 366 Illen Kerr, 464 Ingvar Andersson, 427 Isa Silveira Leal, 339 J J. C. Cavalcanti Borges, 466 J. G. de Araújo Jorge, 459 J. Palma Netto, 474, 498 J.B. Mello e Souza, 482 J.B. Priestley, 509 J.G. de Araújo Jorge, 395 Jacinta Passos, 484, 501 Jack London, 479, 527 Jacqueline Marenis, 341 Jacques Crépet, 356 Jacques Lacretelle, 338 Jaime Cortezão, 512 Jaime T. Bodet, 519 Jair Gramacho, 527 James Amado, 441, 452, 484, 493, 507, 508, 524 James Hilton, 361, 377, 408, 464 James Joyce, 352, 354, 355, 357, 358, 371, 409, 436, 468, 470, 471, 480 Jamil Almansur Hadad, 500, 519 Jan Mukarovsky, 405 Jean Bannerot, 463 Jean Cassou, 453 Jean Cocteau, 452 Jean Faurel, 445 Jean Freville, 478 Jean Louis Curtis, 353 Jean Paul Sartre, 374, 375, 387, 395, 397, 412, 414, 431, 437, 445, 499 Jean Rostand, 480 Jeanne Verbracken, 382 Jenner Augusto, 501, 527 João Américo Garcez Froés, 496 João Batista de Souza Filho, 476 João Clímaco Bezerra, 421, 446 João Dornas Filho, 411 João Guimarães, 429 554 João Marmelo e Silva, 393 João Muniz, 506 João Pacheco, 508 Joaquim Cardoso, 500 Joaquim Nabuco Nabuco, 461, 477, 505 Jobim, 467 John Boynton Priestley Priestley, 498 John Brophy, 473 John Dickson, 437 John dos Passos, 349, 379, 418, 457, 487 John Gonto Fletcher, 522 John Lehmann, 450, 457, 464 John Macy, 490 John Masefield, 443 Jonh dos Passos, 404 Jonh Steibeck, 404 Jorge Amado, 359, 360, 373, 398, 405, 476, 481, 491, 501, 517, 529 Jorge de Lima, 482 Jorge Guillén, 527 Jorge Medanar, 478 Josaphat Marinho, 527 José Calasans, 501 José Carlos Cavalcanti Borges, 438 José Cesio Requeira Costa, 377 José Conde, 464, 466 José Dauster, 409 José Geraldo Vieira, 338, 364, 380, 384, 415, 422, 428, 450, 479, 485, 508, 510 José Goldoy de Garcia, 427 José Lins do Rego, 350, 354, 378, 380, 394, 401, 409, 412, 414, 420, 449, 472, 486, 487 José Mauro de Vasconcelos, 421, 443, 493 José Montello, 438, 461, 522 José Stênio Lopes, 466 Joseph Burnichon, 472 Joseph Conrad, 491 Judas Isgorogota, 450, 496 Agnelo Rodrigues de Melo, 497 Jules Romain, 445 Jules Roy, 463 Jules Salusse, 374 Julien Green, 415 Jurandir Ferreira, 453 Justino Martins, 485 K Kafka, 365, 380, 523 Keats, 337 Klauss Nann, 417 Knut Hansun, 349, 386, 398, 490 Konstantin Simonaw, 339 Kravchenko, 435 L L. Machado Neto, 527 Lafayette Ponde, 527 Lafayette Spínola, 460 Laura Austregésilo, 498 Laurence, 445 Lauro Rodrigues, 418 Leandro Dupré, 409 Lêdo Ivo, 372, 466, 500 Léo Vaz, 448 Leônidas Gontijo de Carvalho, 398, 472 Lewis Carrol, 401 Lewis Wallace, 411 Lia Corrêa Dutra, 356, 426, 478 Lima Barreto, 408, 439, 442, 446 Lin Yutang, 340, 464 Lindolfo Gomes, 429 Linnêo Séllos, 466 Lívio de Almeida, 366 Lord Lytton, 485 Lourdes Bacellar, 356, 409, 410 Lúcia Benedetti, 519 Lúcia Machado de Almeida, 429 Lúcia Miguel Pereira, 390, 428, 432, 435, 436, 470, 483, 491 Lucie Marchal, 431 Lucie Maron, 449 Lúcio Cardoso, 437, 513 Ludwig, 360, 432 Luigi Pirandello, 347, 442 Luis Ferreira Pires, 479 Luis Heitor, 473 Luis Henrique Dias Tavares, 405, 427, 474, 498, 499,501, 507 Luis Jardim, 490, 493 Luis Vilaronga, 402 Luiz Ernesto Machado Kawall, 510 Lygia Fagundes Teles, 461, 466, 518 Lygia Sampaio, 501 M Machado de Assis, 355, 370, 371, 373, 391, 404, 408, 435, 436, 446, 448, 460, 475, 487, 491, 496, 497, 500, 512, 515, 528 Maira da Saudade Cortezão, 500 Major Graça, 399, 402, 475, 507 Malraux, 398, 412, 445 Manoel Bandeira, 378 Manoelito de Ornelas, 349 Manoelito Ornelas, 345 Mansueto Kohen, 418 Manuel Anselmo, 501, 518 Manuel Antônio de Almeida, 432 Manuel Bandeira, 372, 378, 379, 392, 420, 428, 429, 431, 466, 500, 522 Manuel Barbosa, 496 Manuel Martinho, 403 Manuel Martins, 405 Manuel Peixoto, 420 Marcel Proust, 413, 464 Marcele Tynaire, 416 Marcia Brown, 343 Márcio Silva, 377 Marco Polo, 429 Marcos Rei, 466 Marcus Cheke, 437 Marcy Penteado, 482 Margaret Slade, 349 Maria Augusta Trapp, 509 Maria Helena Vieira da Silva, 431 Maria Izabel, 500 Maria José Passos, 427 Maria Luiza Monteiro da Cunha, 523 Marietta Martin, 338 Mário Cabral, 399 Mario Cordeiro, 494 Mário Cravo Jr, 493, 458,499, 501, 507, 512 Mário da Silva Brito, 486 Mario de Andrade, 431,500, 504 Mario de Lima Barbosa, 493 Mário Donato, 441, 450, 466 Mário Matos, 464 Mario Monteiro de Almeida, 526 Mário Quintana, 405, 409, 417 Mario Sette, 445 Mark Twain, 500 Samuel Larghone Clemens, 500 Marques da Cruz, 513 Marquês de Abrantes, 521 Marques Rabelo, 372, 385, 510 Martins D´Alvarez, 494, 514 Matthew Arnold, 376 Maugham, 391, 401, 409, 414, 458, 484 Maurice Dekobra, 409 Maurice Druon, 435 Maurice Garçon, 480 Maurice Levaillant, 460 Maurice Maeterlinck, 346, 444 Maurílio Bruno, 464 Mauro Mota, 459, 464, 467 Maximo Gorki, 475, 495 Mello e Souza, 485 Mervyn Savil, 510 Michel Mercier, 431 Michel Simon, 363, 431 Miécio Tati, 505 Miguel de Cervantes, 366 Miguel Torga, 516 Adolfo Rocha, 499 Milton Pedrosa, 505 Milton Vilas-Boas, 430 Miroel Silveira, 493 Misael Silveira, 417 Moacyr Félix de Oliveira, 461 Moacyr Werneck de Castro, 417, 505, 507, 513, 522, 524 Modesto de Abreu, 366 Moisés Velhinho, 515 Mônica Brillioth, 418 Monsieur Richard, 463 Monteiro Lobato, 343, 346, 347, 372, 373, 388, 389, 394, 405, 418, 427, 459, 474, 481, 492, 514, 515 Moreira Campos, 466 Mota e Silva, 392, 405, 415, 427 Mozar Soriano Aderaldo, 396 Mozart Spzinac, 514 Murilo Mendes, 372, 410, 427, 431, 447, 471, 472, 500, 514 Murilo Rubião, 466 N Nair Batista, 478 Nataniel Dantas, 464, 466 Natur de Assis, 381, 399, 402, 415 Nazim Hikmet, 512 Nelson Werneck Sodré, 463 Nicolau Guillén, 405, 427 Nilo Pinto, 342, 392, 415 Noel Coward, 525, 526 Noemia Cavalcanti, 431 Norman Mailer, 445 O Octávio de Faria, 380 Olavo Bilac, 349, 372 Olegário Mariano, 431, 519 Ondina Ferreira, 429 Onestaldo Pennafort, 431 Orestes Barbosa, 437 Orígenes Lessa, 411, 421, 447 Orval, 464 Osbert Sitwell, 483 Oscar Cordeiro, 405 556 Oscar Niemeyer, 393 Oscar Wilde, 345 Osmar Pimentel, 508 Osvaldino Marques, 478, 493 Osvaldo Antini, 429 Osvaldo Gordilho, 494 Osvaldo Imbassahy, 462 Oswald de Andrade Filho, 482 Otacilio Lopes, 527 Otávio Araújo, 482 Otávio da Costa Eduardo, 388 Otávio Tarquínio de Souza, 483 Otto Maria Carpeaux, 391, 427, 461, 466, 468, 472 Otto Strasser, 436 P P. de Lara, 429 Pablo Neruda, 380, 466, 507 Pacífico Ribeiro, 460 Palma Netto, 507 Papini, 374, 375 Pascal, 382 Paschoal Carlos Magno, 494 Pat Frank, 417 Patrícia Hutchins, 470 Paul Elnar, 384 Paul Eluard, 482 Paul Elward, 527 Paul Louis Couchoul, 382 Paul Olberg, 490 Paulo Armando, 464 Paulo Dantas, 417 Paulo Eiró, 479 Paulo Jatobá, 392, 405, 427, 501 Paulo Ronai, 432, 468, 469, 522 Paulo Setubal, 437,411 Pe. Leonel França, 460 Pe. Vieira, 513 Pearl S. Buck, 343, 357, 390, 438, 518 Pedro Barros, 503 Pedro Calmon, 398, 411, 455, 498 Pedro de Almeida Moura, 408, 429 Pedro Deodato de Morais, 467 Pedro Ivo, 365 Pedro Luiz Morais, 464, 467 Pedro Moacir Maia, 500, 504, 511, 519 Pedro Serafim, 432 Pedro Uzzo, 429 Percy Cardoso, 339, 349, 381, 382 Percy Shelley, 399, 433 Péricles Eugênio da Silva Ramos, 500 Permínio Asfóra, 442, 453 Permínio Ásfora, 365, 392, 414, 475 Philip R. Hitti, 388 Pierre Orlan Pierre Dumarchey, 502 Pinto de Carvalho, 496 Portinari, 393, 427 Poty, 385, 391, 398, 501 Prado Valadares, 332 R Rabelais, 490 Rachel de Queiroz, 396, 397, 401 Rafael Correa de Oliveira, 372 Rafael Wacker, 400 Raimundo de Menezes, 457, 461 Raimundo de Souza Dantas, 392, 417,426, 454, 463, 467 Raimundo Girão, 514 Rainer Maria Rilke, 434, 437, 512 Raul de Leoni, 482 Raul Lima, 383, 384 Raymundo Mesquita, 527 Rebeca West, 449 Reginaldo Guimarães, 467 Remarque, 417 Remina Katz, 512 Renato Jobim, 464 Renato Linhares, 464 Renato Sérgio, 467 Ricardo Ramos, 399 Richard Hansen, 517 Richard Llewellyn, 523 Rivarol, 398 Robert Louis Stevenson, 503 Robert Merie, 487 Robert Southey, 388 Roberto Alvim Correa, 431,438 Robespierre de Farias, 481 Rocha Filho, 464 Rodrigues de Brito, 388 Roger Bastide, 484, 499, 501 Roger Martin du Gard, 361, 363, 448, 485 Roland Corbosier, 467 Rolmes Barbosa, 493, 517 Romain Rolland, 363, 413, 482, 489, 495 Romulo Gallegos, 396, 416, 464 Ronaldo Hingley, 519 Roosevelt, 379, 390 Rosário Fusco, 518 Rossine Camargo Guarnieri, 492, 506 Rubem Braga, 419, 487 Rubem Nogueira, 509 Rubens Borba, 418 Rudyard Kipling, 339 Ruth Guimarães, 427, 468 Ruth Park, 383, 511 Ruy de Alencar, 460 S S. Evelgr Thomas, 463 Salazar, 469 Saldanha Coelho, 464, 467, 493, 504 Samuel Putnam, 491 Santa Rosa, 429, 430, 431, 455 Santos Morais, 411 Saudade Cortesão, 349 Scott James, 343 Sebastião Corain, 339 Selma Lagerlof, 395 Sergio Millet, 43,1465, 450 Sherwood Anderson, 438, 519, 523, 524 Silas Portugal, 402, 409 Silo Gonçalves, 460 Silvana Roth, 337 Silvino Lopes, 510 Silvol Romero, 527 Sinclair Lewis, 353, 376, 399, 487, 503 Soares de Azevedo, 507, 511 Solano Trindade, 467, 505 Somerset Maughan, 349 Sorosen, 464 Sosísgenes Costa, 501 Souza Dantas, 475 Souza Martins, 434 Souza Neto, 399 Starford Cripps, 394 Steinbeck, 349, 395, 428, 487, 499, 524 Stendhal, 475, 522 Sylvio Santos Faria, 527 T T. S. Eliot, 349, 379, 413, 489, 490 Teilhard de Chardin, 341 Teixeira Lobão, 481 Thadeu Santos, 481 Thales de Azevedo, 494 Theobaldo Mirando, 411 Theodomiro Jordão, 493 Theodomiro Tostes, 357 Theodore Dreiser, 493, 351, 352, 503,523 Theodore Plievier, 417 Thomas Hardy, 434, 442, 509, 517 Thomas J. Watson, 386 Thomas Mann, 353, 409, 414, 417, 439, 450, 464, 490, 516 Thomaz Newlands, 472 Thorton Wilder, 517 Tristan Bernard, 343, 392 Tristão de Atayde, 431, 521 Truman, 386 U Umberto de Campos, 408 Upton Sinclair, 375, 445 V Valdemar Cavalcante, 443 Valfrido Piloto, 439 Vasconcelos Maia, 373, 392, 405, 407, 427, 443, 462, 467, 481, 498, 504, 507 Veríssimo de Melo, 514 Verlaine, 345, 368, 431 Vicente Brome, 526 Vicente do Rego Monteiro, 431 Vicente Guimarães, 494 Victor Hugo, 346, 384, 512, 523 Victor Kravchenko, 415 Vidal de Oliveira, 448, 469 Vinicius de Moraes, 431, 500 Virgínia Wolff, 395, 352 Vitor Cousin, 382 Vitor Hugo (médico), 423 Vivaldo Coaracy, 417 Vladimir Guimarães, 501 W Walfrido Ribeiro, 434 Walt Whitman, 505 Walter da Silveira, 427, 474, 501, 511 Walter Silveira, 499 Walter Spalding, 457 William Faulkner, 519 William Rex Crawford, 504 Wilson Figueiredo, 479, 506 Wilson Lousada, 438 Wilson Rocha, 391, 392, 405, 427, 471, 474, 484, 500, 501, 504 Winston Churchil, 339,398, 472 Wladimir Alves de Souza, 431 Wladimir Guimarães, 405 558 X Xavier Placer, 467 Y Yllen Kerr, 385, 466, 471 Yolandino Maia, 478 Yves Gandon, 460 Yvone Pagnies, 460 Z Zora Braga, 478 Índices Onomásticos Anexo B – 4 Autores brasileiros 560 ÍNDICE ONOMÁSTICO AUTORES BRASILEIROS COM RESPECTIVAS OBRAS DATADAS Autor Título Clasif. Ano Pub. 1. A. L. Nobre de Melo 2. Adalmir da Cunha Miranda 3. Adonias Aguiar Filho Mundos mágicos Momentos da literatura Os servos da morte 4. Adroaldo Ribeiro da Costa Terras do sem fim São Jorge dos Ilhéus As memórias de um Lázaro Narizinho – histórias de Monteiro Lobato Opereta - teatro infantil 1948 Revista infância Peça teatral infantil 1950 Romance autobiográfico 1950 1912 contos Novela Novela 1921 5. Afonso Ruy 6. Afonso Schmidt História política e administrativa a cidade do Salvador. v. 1 Menino Felipe Janelas abertas A Primeira Viagem Mocidade Garoa Poesias Brutalidade Os impunes O Dragão e as virgens Colônia Cecília Zangala e o reino do céu Curiango As levianas A história de fadas Carne para canhão Ensaios contos Teatro teatro teatro Ano Div. 20/05/1950 08/04/1950 03/07/1948 29/07/1950 03/07/1948 03/07/1948 21/02/1948 05/07/1950 03/01/1948 18/03/1950 05/07/1950 18/03/1950 1949 20/05/1950 20/05/1950 21/05/1949 21/05/1949 21/05/1949 21/05/1949 21/05/1949 21/05/1949 21/05/1949 21/05/1949 21/05/1949 21/05/1949 21/05/1949 21/05/1949 21/05/1949 562 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13. 14. 15. Alfredo Mesquita Alina Paim A marcha A vida de Paulo Eiró O assalto Retrato de valentia Saltimbancos Fruta do mato Glória e sofrimento de Castro Alves Segredos de polichinelo Castro Alves, Arauto da Democracia e da República O mundo e a vida Avulsas A sombra do patriarca Almeida Moniz (Srª) Almeida Sales Alphonsus Guimarães Estrada da liberdade Simão Dias Dois amores em uma vida André Gide LUME DE ESTRELAS Afrânio Peixoto Alberto Silva Alberto Uva Alexandre Passos romance romance romance romance romance Romance Poemas Conferência A ser reflexões 1948 romance A ser 1º Ensaio Poema POEMA CIDADE DO SUL 16. Altino Bondesan 17. Álvaro Moreyra 18. 19. Amando Fontes André Carneiro Um pracinha paulista no inferno de Hitler Legenda de luz e de vida Um sorriso para tudo Legenda das rosas O outro lado da vida Cocaína A cidade mulher A boneca vestida de arlequim Circo Adão, Eva e outros membros da família O Brasil continua Os corumbas Angulo e face A ser 1940 1949 1948 1911 1915 1916 1919 1925 1926 1927 1929 1932 1932 Romances 21/05/1949 21/05/1949 21/05/1949 21/05/1949 18/03/1950 02/10/1948 02/10/1948 24/07/1948 29/01/1949 24/07/1948 21/02/1948 24/07/1948 08/10/1949 08/10/1949 08/10/1949 29/01/1949 12/02/1949 12/02/1949 30/10/1948 04/09/1948 04/09/1948 04/09/1948 04/09/1948 04/09/1948 04/09/1948 04/09/1948 04/09/1948 04/09/1948 04/09/1948 11/03/1949 20/05/1950 20. 21. 22. André Figueiras André Monteiro Anibal Machado 23. 24. Antônio D´Elia Antônio Loureiro de Souza Castelos no azul Abrolhos Vila Feliz João ternura A mão e a aldraba Baianos ilustres 25. 26. Antônio Olavo Pereira Archimino Ornelas Pedro Barros ( título não confirmado) Contra a não SÍNTESE DE RUY (?) Poesias - Prêmio em 48 versos Estudo biocrítico romance Estudo sobre Ruy Barbosa romance Teatro 1948 (?) 1944 A ser 1950 A ser Prêmio49 A ser 1949 Vida sentimental de Castro Alves CAMINHOS DO MUNDO 27. Argileu Silva 28. Arthur de Sales 29. 30. Astrogildo Pereira Augusto Frederico Schimitd 31. Augusto Meyer 32. 33. Barão de Itararé Belmonte (caricaturista) SANGUE MAU Poemas poemas Poemas O RAMO DA FOGUEIRA Poemas As pérolas Noite A ser 29/01/1949 05/06/1948 25/02/1950 25/02/1950 11/02/1950 08/04/1950 05/07/1950 08/04/1950 20/05/1950 13/08/1949 29/11/1947 13/08/1949 29/11/1947 13/08/1949 03/06/1950 03/06/1950 12/02/1949 12/02/1949 POEMAS REGIONAIS 12/02/1949 SUB-UMBRA 12/02/1949 Livro de memórias Autobiografia 1948 1948 GIRA-LUZ Poemas <1948 26/11/1949 13/08/1949 31/12/1948 15/01/1949 18/03/1950 15/01/1949 A SOMBRA DA ESTANTE Ensaio <1948 15/01/1949 biografia de Simões Lopes Provável título A ser 30/07/1949 Caricatura dos tempos Álbum de caricaturas: 1936- 1948 31/12/1948 Interpretações Fonte invisível Galo branco SEGREDOS DA INFÂNCIA 1938 564 46 34. 35. 36. 37. 38. Benedito Valadares Bete Alan ? Braga Montenegro Branquinho da Fonseca Breno Accioly 39. Bueno de Rivera Bueno Rivera e Wilson Figueiredo 40. 41. Caio Prado Júnior Carlos Eduardo Esperidião Alma de heroína Uma Chama ao Vento Porta de Minerva Cogumelos João urso Mundo submerso Luz do pântano Poemas agrários História econômica do Brasil ESTE RUMOR QUE VAI CRESCENDO A ser Romance contos Contos A ser poemas 1944 1948 1949 PRESENÇA Canção dos que regressam Descobrimento 42. 43. 44. Carvalho Netto Carvalho Filho Cecílio J. Carneiro 45. 46. Ciro de Morais Vale Ciro dos Anjos 47. Cláudio Tuiuti Tavares Vidas perdidas Face oculta Livro de Scheherazade Memórias de cinco Pecado nos trópicos Fogueira Civilização cristã Amanuense Belmiro 1949 Poesias Contos Romance (autobiográfico) Romance 1948 1935 1939 1948 >1939 Romance 1937 Abdias Romance 1945 Pássaro sangue poesia 1950 10/04/1948 05/07/1950 21/05/1949 24/07/1948 30/07/1949 10/12/1949 10/12/1949 15/01/1949 15/01/1949 26/11/1949 30/07/1949 16/07/1949 13/08/1949 16/07/1949 16/07/1949 16/07/1949 13/08/1949 17/01/1948 03/07/1948 31/12/1948 31/12/1948 31/12/1948 31/12/1948 21/01/1950 18/09/1948 15/01/1949 23/04/1949 18/09/1948 23/04/1949 08/04/1950 05/07/1950 48. 49. 50. 51. Cornélio Pena Cristiano Martins Cyro Pimentel Da Costa e Silva 52. 53. 54. Da Costa e Silva Filho Dalcídio Jurandir Dalton Trevisan 55. Darwin Brandão 56. Darwin Brandão e Motta e Silva 57. Dinah Silveira de Queiroz 58. Domingos Carvalho da Silva 59. Domingos Olimpio Repouso Romance Fronteira Dois romances de NicoHorta Romance Romance Repouso A menina morta romance Rilke – o poeta e a poesia Poemas Zodíaco Pandora Verônica Antologia Sangue Elegia de sangue Problemas da arte e literatura Sonata ao luar Sete anos de pastor Ensaio Poema Sua própria antologia Poesia Tese novela contos 1940 1949 1917 1919 1927 1934 1908 a ser 1950 <48 1948 a ser A COZINHA BAIANA Roteiro a ser Margarida la roque. A ilha os demônios Floradas na Serra As noites do morro do encanto Bem-amada Ifigênia Rosa extinta Praia oculta Romance Romance Conto ou novela 1949 ? a ser 1943 1945 1949 Introdução às poesias de Rodrigues de Abreu Luzia-Homem poesia BAHIA DE ONTEM E DE HOJE 1903 24/07/1948 29/01/1949 18/03/1950 29/01/1949 29/01/1949 18/03/1950 29/01/1949 11/02/1950 18/03/1950 12/02/1949 20/05/1950 15/07/1950 15/07/1950 15/07/1950 15/07/1950 15/07/1950 13/08/1949 06/05/1950 19/06/1948 19/06/1948 21/08/1948 05/061948 07/08/1948 13/11/1948 29/01/1949 29/01/1949 15/07/1950 27/08/1949 27/08/1949 27/08/1949 10/12/1949 08/04/1950 12/02/1949 566 O Almirante Rochedos que choram A perdição Túnica de Ne´ssus Tântalo O negro UM PAR DE GALHETAS Inédito Inédito Inédito Inédito Drama Inédito drama Inédito 12/02/1949 12/02/1949 12/02/1949 12/02/1949 12/02/1949 12/02/1949 12/02/1949 OS MAÇONS E O BISPO Drama Inédito 12/02/1949 A QUESTÃO DO ACRE Drama Inédito 12/02/1949 A LOUCURA NA POLÍTICA Drama Inédito 12/02/1949 DOMITILIA Drama Inédito 12/02/1949 O IRAPURU Drama Inédito 12/02/1949 HISTÓRIA DA MISSÃO ESPECIAL EM Drama Inédito 12/02/1949 WASHINGTON 60. 61. Doryval Caimmi Dyonélio Machado 62. Edison Carneiro 63. 64. 65. 66. Edmundo Amaral Edson Reis Elpídio Bastos Emílio Varoli Cancioneiro da Bahia Um homem pobre Os ratos contos Romance 1927 1935 O louco de Cati Ursa maior Candomblés da Bahia 1942 1949 1948 Religiões negras Negros Bantus Quilombo dos palmares A grande Cidade O deserto e os números Inquietação Aves de caça do Estado de São Paulo 1936 1937 1947 Poesia Poema – soneto 1949 2ª edição 21/08/48 13/12/1947 13/12/1947 13/11/1948 13/12/1947 11/03/1949 03/07/1948 04/09/1948 27/11/1948 13/12/1947 13/12/1947 13/12/1947 21/05/1949 27/08/1949 11/03/1949 20/05/1950 67. Epamiondas de Souza Ponho Ruy e a poesia nacional 68. Érico Veríssimo Música ao longe Clarissa Coletânea de poetas brasileiros sobre Ruy 1949 26/11/1949 O tempo e o vento Romance 2ª ed 1948? 1928 03/01/1948 03/01/1948 21/02/1948 03/01/1948 03/01/1948 03/01/1948 29/11/1947 03/01/1948 21/02/1948 03/01/1948 03/01/1948 21/02/1948 21/02/1948 03/01/1948 03/01/1948 03/01/1948 31/01/1948 21/02/1948 28/01/1950 15/07/1950 11/03/1949 08/10/1949 15/07/1950 25/02/1950 Romance Fantoches Traduz: Contraponto, Huxley Lâmpada mágica Olhai os lírios do campo (primeira publicação em jornal) romance Ladrão de gado Caminhos cruzados Conto Pseudônimo: Denis Rent Romance Um lugar ao sol Saga O resto é silêncio 69. 70. Ernani Silva Bruno Euclides da Cunha Retrato de uma cidade de província Os sertões 71. Eugênio Gomes Moema Ensaio hist. e sociológico Publicação na Dinamarca, Trad. Richard Hansen Poemas H.D. Lawrence e outros Crítica 1937 25/02/1950 IPE – Espelho contra espelho Crítica e ensaio 1950 25/02/1950 A Unidade da Lavoura Psicopatologia dos mitos e lendas dos contos infantis Cultura brasileira Artigos e política Ensaio 1951 23/04/1949 28/04/1951 72. 73. Eusínio Lavigne Felix Ibanez 74. Fernando de Azevedo Traduzido p/ inglês por William Rex Crawford 08/04/1950 568 75. Fernando Diniz Gonçalves Viena eterna Retrato de Anacreonte 76. Fernando Segismundo CASTRO ALVES EXPLICADO AO POVO Ensaio Ensaio Ensaio 29/11/1947 29/11/1947 26/11/1949 tese 26/11/1949 26/11/1949 13/12/1947 77. Flávio Jarbas Cypriano Barata, jornalista político História popular da revolução praieira Goteira do coração 78. 79. 80. 81. 82. Fontenelle Ribeiro Franklin de Oliveira Frederico Edelwiss Frei Mansueto Kohen (RJ) Galeão Coutinho Ruy e o vernáculo Crônicas Concerto para piano Tupis e guaranis Síntese histórico-literária das letras germânicas. estudo Novela Vovó Morumba Prefaciaor Fernando Diniz Gonçalves No prelo MEMÓRIAS DE SIMIÃO O CAOLHO Novela CONFIDÊNCIAS [CONFERÊNCIA] DE DONA Novela 1949 Mormaços d´alma Pinguinho de gente Caetés São Bernardo Angústia Pref. Clodomir Morais 1951 romance Romance romance 1933 1934 1936 Vidas Secas Histórias de Alexandre Infância Dois Dedos Histórias incompletas Insônia Nós A dança das horas Messidor romance folclore memórias Contos Contos contos 1938 1944 1945 1945 1946 MARCOLINA 83. 84. 85. 86. Geraldo Alves Martins Gilda de Abreu Graciliano Ramos Guilherme de Almeida 1917 28/01/1950 29/07/1950 04/09/1948 27/11/1948 16/07/1949 06/05/1950 16/07/1949 06/05/1950 16/07/1949 06/05/1950 28/04/1951 21/08/1948 08/05/1948 08/05/1948 08/05/1948 30/10/1948 08/05/1948 08/05/1948 08/05/1948 08/05/1948 08/05/1948 08/05/1948 17/01/1948 17/01/1948 17/01/1948 87. 88. Guilhermino César Guisepe Mazonni Livro de horas de Sóror Dolorosa Você Histórias talvez A chave do abismo História da vida e outros contos 89. Gustavo de Freitas Fogos dos pântanos 90. 91. 92. Haroldo Bruno Haroldo de Campos Herberto Sales 93. 94. 95. Hermano Requião Jaime Cortezão (org) J. G. de Araújo Jorge Anuário crítico de literatura Auto do sossego Além dos Marimbus Cascalho Itapagipe, minha infância na Bahia Cartas de amor a Sóror Mariana Meu céu interior ESTRELA DA TERRA O CANTO DA TERRA UM BESOURO CONTRA A VIDRAÇA ANTOLOGIA DA NOVA POESIA BRASILEIRA A OUTRA FACE 1949 A ser Contos Romance 1949 A ser Romance Romance (reconstituição da obra) poesia Poesia A ser 2ª edição 1949 A ser 1934 Poesia 30/07/1949 romance 30/07/1949 Antologia poesia 30/07/1949 Poesia 1949 30/07/1949 07/08/1948 NOVA ANTOLOGIA DA POESIA BRASILEIRA 96. J.B. Mello e Souza Majupira Romance 1938 97. Uma viagem pelas estrelas Estudantes de meu tempo Chamado do mar Romance 1949 James Amado 17/01/1948 17/01/1948 27/08/1949 24/07/1948 05/06/1948 03/07/1948 30/07/1949 13/08/1949 29/07/1950 20/05/1950 29/01/1949 28/04/1951 16/07/1949 03/06/1950 30/07/1949 30/07/1949 30/07/1949 10/12/1949 21/01/1950 10/12/1949 10/12/1949 23/04/1949 02/07/1949 21/01/1950 11/02/1950 20/05/1950 570 98. 99. 100. 101. 102. 103. 104. 105. João Calazans João Clímaco Bezerra Pequeno Burguês Não há estrelas no céu João Dornas Filho João Guimarães João Marmelo e Silva João Muniz João Pacheco Jorge Amado Sol posto História do Ceará Antônio Torres Viagem através do Brasil Adolescente Terra de Santa Cruz Recuo do meridiano LENITA O PAÍS DO CARNAVAL Romance <1948 Romance Infantil <1948 Infanto-juvenil Novela Poema longo Romance Inédito Novela, escrita em colab. com Dias da Costa e Edson Carneiro Romance CACAU romance SUOR Romance JUBIABA Romance MAR MORTO Romance CAPITÃES DE AREIA Romance 1948 1949 A ser 21/05/1949 31/12/1948 21/05/1949 31/12/1948 31/12/1948 30/10/1948 15/01/1949 24/07/1948 06/05/1950 20/05/1950 13/03/1948 13/03/1948 13/03/1948 1934 13/03/1948 13/03/1948 1936 13/03/1948 08/10/1949 13/03/1948 13/03/1948 O ABC DE CASTRO ALVES TERRAS DO SEM FIM Romance 13/03/1948 SÃO JORGE DOS ILHÉUS Romance 13/03/1948 Colab. Matilde Garcia Rosa 13/03/1948 poemas 13/03/1948 O AMOR DE CASTRO ALVES teatro 13/03/1948 BAHIA DE TODOS OS SANTOS romance 21/08/1948 novela 08/10/1949 A Descoberta do Mundo A ESTRADA DO MAR O PRIMEIRO DIA DE GREVE 106. José Carlos Cavalcanti Borges 107. José Geraldo Vieira 108. José Lins do Rego PADRÃO G Neblina A ronda dos deslumbramentos Território humano Contos 1949 11/03/1949 contos 1949 1936 11/03/1949 29/11/1947 29/11/1947 10/04/1948 21/01/1950 29/11/1947 10/04/1948 15/01/1949 29/11/1947 10/04/1948 31/12/1948 15/01/1949 21/01/1950 29/11/1947 10/04/1948 15/01/1949 26/11/1949 21/01/1950 15/01/1949 21/01/1950 31/01/1948 31/01/1948 31/01/1948 31/01/1948 04/06/1949 31/01/1948 31/01/1948 31/01/1948 31/01/1948 31/01/1948 A Túnica e os Dados 1947 A quadragésima porta <1949 A mulher que fugiu de Sodoma <1949 Ladeira da memória Romance 1950 Menino de Engenho Doidinho Bangüê Pureza Romance Romance Romance Romance. Tradução por Lucie Maron Romance Romance Romance Romance Lit. infantil 1932 1933 1934 1937 Moleque Ricardo Usina Pedra bonita Riacho doce Histórias da Velha Totonha 1935 1936 1938 1939 ? 572 Água mãe Romance 1941 Fogo Morto Gordos e magro Pedro Américo Conferências no Prata Poesia e vida Eurídice Romance Ensaios 1943 1943 1944 1946 1946 1948 Ensaios Ensaios Romance Em preparo Cangaceiros 109. José Mauro de Vasconcelos Meus verdes anos BARRO BLANCO memória Banana brava Longe da terra romance As perdas e Deus Vazante romance romance 110. José Montello História da vida de Joaquim Nabuco A luz da estrela morta 111. Judas Isgorogota (Agnelo Rodrigues de Melo) 112. Judite Navarro Recompensa Fascinação Esta é a minha história A asinha dos besouros “Os Cisnes” 113. Jules Salusse 1948 (?) A ser Poemas Poema - (2ª ed) 1950 Soneto A ser 1898 31/01/1948 07/08/1948 04/09/1948 30/10/1948 13/11/1948 31/01/1948 31/01/1948 31/01/1948 31/01/1948 31/01/1948 31/01/1948 07/08/1948 02/10/1948 31/01/1948 07/08/1948 27/08/1949 04/06/1949 31/12/1948 23/04/1949 31/12/1948 23/04/1949 31/12/1948 23/04/1949 23/04/1949 23/04/1949 11/02/1950 30/07/1949 11/03/1949 29/07/1950 04/06/1949 25/02/1950 24/07/1948 24/07/1948 22/05/1948 114. 115. 116. 117. Jurandir Ferreira Lauro Rodrigues Leonídio Ribeiro Lia Correia Torres (ou Dutra) Céu entre montanhas Minuano Biografia de Afrânio Peixoto Navio sem porto Romance poemas Dúvida no título 118. Lima Barreto Triste fim de Policarpo Quaresma Recordações do Escrivão Isaias Caminha Romance romance 119. Lindolfo Gomes 120. Lourdes Bacellar Contos populares brasileiros Enquanto ruge a tormenta... Crônicas e poemas Contos 1949 121. Lucia Benedetti 122. Lúcia Machado de Almeida O casaco encantado VIAGENS MARAVILHOSAS DE MARCO POLO Teatro. Prêmio ABL Infantil 1949 02/07/1949 27/11/1948 29/07/1950 21/02/1948 15/01/1949 02/10/1948 23/04/1949 21/05/1949 15/01/1949 21/02/1948 02/10/1948 30/10/1948 21/02/1948 02/10/1948 30/10/1948 21/02/1948 30/10/1948 15/07/1950 15/01/1949 123. Lúcia Miguel Pereira Amanhecer Romance Romance >1949 1949 15/01/1949 29/01/1949 Machado de Assis Em surdina Estudo crítico e biográfico romance 1936 1933 Maria Luiza A fada menina A filha do rio verde Na floresta mágica Maria e seus bonecos Gonçalves Dias (possível título) romance Lit infantil Lit. infantil Lit. infantil Lit. infantil Estudo biográfico 1933 1939 1940 ? 1943 1943 1943 12/02/1949 24/07/1948 27/08/1949 24/07/1948 24/07/1948 24/07/1948 24/07/1948 24/07/1948 24/07/1948 lançado <1948 1949 1948 Festa 1947 Na sombra e no silêncio CABRACEGA 574 Prosa de ficção 124. Lúcio Cardoso 125. Luis Ferreira Pires Reaparição de Inácio A MUSA E UM POETA 1950 Historiografia 12º vol de História da Literatura Brasileira, dir. Álvaro Lins Folhetim – em vespertino A ser carioca A biografia romanceada de Paulo Eiró Romance 126. Luiz Jardim Confissões do meu tio Gonzaga 127. Lygia Fagundes Telles 128. Machado de Assis 129. Manoel Bandeira O cacto vermelho Dom Casmurro Ritmo Dissoluto. A cinza das horas Carnaval Libertinagem Estréia da manhã Lira dos Cinqüenta anos e Poemas traduzidos Crônicas da província do Brasil Guia de Ouro Preto Noções de história das literaturas Antologia dos poetas brasileiros da fase romântica Antologia dos poetas brasileiros da fase parnasiana obras poéticas de Gonçalves Dias Apresentação da poesia brasileira Estudos Literários Antologia dos Poetas bissextos contemporâneos Poemas traduzidos contos Romance Poemas 1949 Itinerário de pasargada Gaúchos e beduínos Memórias redigindo No prelo 130. Manoelito de Ornelas 1949 Poesias completas 28/01/1950 03/06/1950 26/11/1949 28/01/1950 11/02/1950 20/05/1950 30/07/1949 02/10/1948 05/06/1948 05/06/1948 05/06/1948 05/06/1948 05/06/1948 05/06/1948 05/06/1948 05/06/1948 05/06/1948 05/06/1948 05/06/1948 edição crítica e comentada 05/06/1948 05/06/1948 05/06/1948 05/06/1948 05/06/1948 15/01/1949 29/07/1950 17/01/1948 131. Manuel Anselmo 132. Manoel Bandeira 133. Mansueto Kohen 134. Manuel do Nascimento 135. Manuel Martinho 136. Manuel Peixoto 137. Marcus Cheke 138. Marcus Cheke 139. Mário Cabral 140. Mario Donato 141. Mário Matos 142. Mario Monteiro de Almeida 143. Mário Quintana 144. Mario Sette 145. Marques da Cruz 146. Marques Rabelo 147. Mauro Mota Família literária luso-brasileira Ritmo Dissoluto Síntese Histórico-Literária das Letras Germânicas O aço mudou de tempera... Bairro da liberdade Estudos na outra América Marquês de Pombal Carlota Joaquina Roteiro de Aracajú Caderno de crítica Presença de Anita Maria Vestida de Azul A casa das 3 meninas Episódios históricos da formação geográfica do Brasil- fixação das raias com o Uruguai e o Paraguai Sapato florido O aprendiz e o feiticeiro Arruar Eça de Queiroz, a sua psiquê Suíte Brasileira nº2 Oscarina BALADA DO VENTO FRIO ELEGIA Nº 2 148. 149. 150. 151. Michael Simon (?) Milton Pedrosa Milton Vilas-Boas Moacyr Félix de Oliveira Elegia e outros poemas Verlaine e o Brasil Passos cegos Castro Alves – o gênio Canto do homem só 1943 15/07/1950 05/06/1948 27/11/1948 Romance A ser Crônica Estudo de literatura e cultura norte-americana Biografia 24/07/1948 04/09/1948 31/12/1948 poemas Guia 1948 romance Romance contos A ser 1949 1951 11/03/1949 11/03/1949 21/08/1948 21/08/1948 23/04/1949 04/06/1949 04/06/1949 13/08/1949 28/04/1951 Poesia 18/09/1948 02/10/1948 21/05/1949 03/06/1950 08/05/1948 03/07/1948 30/07/1949 Poesia 30/07/1949 Poesia 1950 [talvez seja uma revista] Poesia – cita como 1º livro Antologia (org) poesia Monografia (publicação) Versos 1949 1949 A ser 27/08/1949 29/01/1949 08/04/1950 29/01/1949 30/07/1949 576 152. Monteiro Lobato (trad) Alicia en el pais de las maravillas 153. Murilo Mendes 154. Natur de Assis As metamorfoses Harpa de Prata 155. Nilo Pinho 156. 157. 158. 159. Octávio de Faria Olegário Mariano Ondina Ferreira Orígenes Lessa 160. Osvaldino Marques 161. Otávio Tarquínio de Souza versão castelhana da editorial Sopena Argent. 13/12/1947 Poemas 1948 CINCO ESCADAS SOBEM PARA A MORTE romance 1949 04/06/1949 05 /06/1948 04/09/1948 13/11/1948 13/11/1948 Os Renegados Últimas cigarras Navio ancorado O escritor proibido Garçom, Garçonete, Garçonniere A cidade que o diabo esqueceu O Livro do Vendedor, teoria e prática comercial Não há de ser nada Passa três, aventuras e desventuras de um cavalo de pau Ilha Grande, do jornal de um presídio de guerra O sonho de prequeté O Joguete O feijão e o sonho Romance Romance contos contos contos técnico Memória/reportagem novela para crianças 1947 (?) 6ª ed 1949 1929 1930 1931 1931 1932 1932 05/06/1948 15/07/1950 15/01/1949 04/06/1949 04/06/1949 04/06/1949 04/06/1949 04/06/1949 04/06/1949 Memória/reportagem novela para crianças Novela Romance 1933 1934 1937 1938 O.K. América Omelete em Bombaim Notas de viagens Contos 1945 1946 Desintegração da morte Novela seguida de contos 1948 Um homem passou Nasceu um herói Rua do Sol Ciméria A mentalidade da Constituinte teatro teatro romance Teatro 04/06/1949 04/06/1949 04/06/1949 31/12/1948 04/06/1949 04/06/1949 30/10/1948 31/12/1948 04/06/1949 30/10/1948 31/12/1948 04/06/1949 04/06/1949 04/06/1949 04/06/1949 11/02/1950 10/12/1949 A ser 162. P. Leonel França 163. Paulo Dantas Bernardo Pereira de Vasconcelos e seu tempo Evaristo de Veiga Diogo Antônio Feijó História de dois golpes de estado José Bonifpácio “Biografia de D. Pedro I” História da Literatura Brasileira, 1830 a 1870 Noções de história da filosofia CIDADE ENFERMA AQUELAS MURALHAS CINZENTAS 164. Paulo Ronai As águas não dormem Á margem dos romances de mocidade de Balzac MAR DE HISTÓRIAS Biografia em pesquisa Direção Álvaro Lins A ser A ser romance 1948 10/12/1949 10/12/1949 10/12/1949 10/12/1949 10/12/1949 10/12/1949 10/12/1949 30/07/1949 27/11/1948 Romance < 1948 27/11/1948 romance < 1948 Tese de doutorado Antologia do conto mundial, colab. com Aurélio B. de Holanda 27/11/1948 29/01/1949 29/01/1949 29/01/1949 TENDÊNCIAS E FIGURAS DA LITERATURA HÚNGARA 165. Paulo Setúbal 166. Pe. Vieira 167. Pedro Calmon 168. 169. 170. 171. Pedro de Almeida Moura Pedro Deodato de Morais Pedro Ivo Pedro Moacir Maia (org) As cartas do Padre Fay e sua vida Balzac e a comédia humana Confeitior A Marquesa dos Santos Os Irmãos Leme A arte de furtar Rei cavalheiro Confissões, obra póstuma Infantil Uma aventura na floresta Biosofia romance Caminho sem aventura Poemas de amor – antologia de poemas de amor poesias de autores brasileiros contemporâneos 1949 1949 1949 1948 A ser 29/01/1949 29/01/1949 11/03/1949 11/03/1949 30/10/1948 03/06/1950 21/08/1948 30/10/1948 15/01/1949 27/08/1949 10/04/1948 08/04/1950 03/06/1950 15/07/1950 18/03/1950 578 172. Pedro Serafim 173. Pedro Uzzo (Santos) 174. Perminio Ásfora 175. Rachel de Queiroz 176. Raimundo de Menezes As 3 liras e as prescilianas Suínas Fogueira verde Poemas Poesia romance Sapé Noite grande Maria Bárbara O quinze João Miguel Caminhos de Pedra As três marias Romance romance Romance romance Romance Romance romance A ser 1932 1937 1938 A ser Três romances A VIDA BOÊMIA DE PAULA NEY ESCRITORES NA INTIMIDADE 1949 1949 1948 Estudos biográficos 1949 EMÍLIO DE MENEZES - O ÚLTIMO BOÊMIO 177. Raimundo de Souza Dantas Solidão nos Campos UM COMEÇO DE VIDA A ser Autobiografia 1949 (TÍTULO INICIAL ANUNCIADO EM 48: CAMINHO 29/01/1949 15/01/1949 10/04/1948 24/07/1948 23/04/1949 23/04/1949 21/08/1948 21/08/1948 21/08/1948 21/08/1948 21/08/1948 04/09/1948 21/08/1948 16/07/1949 16/07/1949 16/07/1949 30/07/1949 24/07/1948 08/10/1949 15/01/1949 02/07/1949 08/10/1949 ÁSPERO) 27/11/1948 02/07/1949 08/10/1949 02/07/1949 SETE PALMOS DE TERRA AGONIA VIGILIA DA NOITE 178. 179. 180. 181. Roberto Alvim Corrêa Rodrigues de Brito Rosário Fusco Rossine Camargo Guarnieri Anteu e a crítica A economia brasileira no alvorecer do século XX Romance Carta de noiva Poesia Voz do grande rio a ser 13/08/1949 1948 A ser 11/03/1949 03/07/1948 15/07/1950 06/05/1950 182. Rubem Braga 183. Rubem Nogueira 184. Rute Guimarães 185. 186. 187. 188. Santos Morais Sebastião Corain Sergio Milliet Silas Portugal 189. Silo Gonçalves 190. Silvino Lopes 191. Souza Filho 192. Souza Martins 193. Souza Neto 194. Teixeira Lobão 195. Thadeu Santos 196. 197. 198. 199. 200. 201. 202. Thales de Azevedo Theobaldo Mirando dos Santos Theodomiro Jordão Umberto de Campos Valentim Valente Valfrido Piloto Vasconcelos Maia O homem rouco... O advogado Ruy Barbosa Os filhos do medo Crônicas Água funda Os filhos do medo romance romance 2ª ed a ser A nuvem de fogo Burocracia versus petróleo História da poesia moderna brasileira Ressurreição de um suicida moral Poemas Ensaio crítica Prefácio João Mendonça 1948 1947 A ser 1948 Crítica de rodapé 1949 A ser 1949 21/01/1950 20/05/1950 24/07/1948 27/08/1949 27/08/1949 24/07/1948 27/08/1949 30/10/1948 29/11/1947 04/06/1949 04/09/1948 02/10/1948 30/07/1949 20/05/1950 08/10/1949 VOZES DA CARNE Contos 1937 12/02/1949 RASTROS NA AREIA Contos 1949 12/02/1949 Política 1948 Didático/técnico 1948 1942 21/08/1948 10/12/1949 10/12/1949 10/12/1949 11/02/1950 30/10/1948 11/02/1950 02/10/1948 02/07/1949 11/03/1949 22/05/1948 13/08/1949 23/04/1949 13/08/1949 08/04/1950 Águia de Haia Memoraiss de um sargento de malícias CRÍTICA HUMANÍSTICA Culpado Moko Almanaque da Magistratura baiana Notícia histórica da Bahia Povoamento da cidade do Salvador Psicotécnica Vultos e fatos da minha infância Destino Anita Garibaldi Rua de pedra FORA DA VIDA CONTOS DA BAHIA 1949 P/ 1948 Romance Biografia romanceada Poema Conto 1949 1949 1946 contos A ser 580 203. Walter Spalding FARRAPOS 16/07/1949 A LUZ DA HISTÓRIA 16/07/1949 A REVOLUÇÃO FARROPILHA 16/07/1949 A INVASÃO PARAGUAIA NAS FRONTEIRAS DO 16/07/1949 BRASIL 204. Wilson Rocha 205. Zilteman de Oliva O tempo no caminho Poesia, ed. Caderno da Bahia Poemas Porto inexistente Reunião de versos de Enoch Santiago Filho A ser Poesia poesia Não cita o título A ser 21/01/1950 08/04/1950 24/07/1948 24/07/1948 04/11/1951 Autores brasileiros ÍNDICE ONOMÁSTICO DE AUTORES ESTRANGEIROS COM RESPECTIVAS OBRAS DATADAS Título Classif. Ano pub. Tradutor(es) 1647 1º livro publicado no Brasil Ano div. 03/07/1948 Autor 1. Por holandeses Barslische gelth-sack 2. Angústia e paz do religioso Fulton J. Sheen 03/06/1950 Bibliografia Nacional Britânica 21/01/1950 ? 3. 4. ? 5. A. L. Baker 6. A. Rossi 7. Adele Garrison 8. Affaire Kravchenko 9. Albert Camus Jamil Almansur Haddad Tradutor de Odes Anacreonticas 24/07/1948 Inocentes PHISIOLOGIE DU PARTI COMMUNISTE FRANÇAIS 21/05/1949 EL DERROTERO PELIGROSO DEL AMOR 04/09/1948 Autoria duvidosa A GRANDE CONSPIRAÇÃO Albert Schweitzer DECADÊNCIA Confer. Pedro de Almeida Moura 02/10/1948 REGENERAÇÃO DA CULTURA Confer. Pedro de A. Moura 02/10/1948 Provável título 1949 BIOGRAFIA DE GOETHE 11. Alberto Uva 12. Aldo Oberdorfer 13. Aldous Huxley 12/02/1949 13/08/1949 29/07/1950 30/10/1948 La pest LETRAS A UN ALLEMAND 10. 15/07/1950 SEGREDOS DE POLICHINELO poemas 24/07/1948 Márcio Silva LUIZ II DA BAVIERA - A LENDA E A VERDADE ON THE MARGIN ensaios APE AND ESSENCE Felizmente para sempre Themes and variations Contraponto 1923 27/11/1948 1948 31/12/1948 Marina Guaspari A ser romance 22/05/1948 15/01/1949 03/06/1950 04/09/1948 31/12/1948 03/06/1950 312 04/09/1948 14. Alice Cluchier 15. Alphonse Daudet LE PETIT CHOSE (A BORBOLETA AZUL) 16. Altino Bondesan UM PRACINHA PAULISTA NO INFERNO DE HITLER 30/10/1948 17. Alves Redol (org) CANCIONEIRO DO RIBATEJO 24/07/1948 18. Anatole France 19. Andre Gide AU ROUET DE L´AMOUR Silvestre Bonnard Thais le’lys rouge historie conuque Pierre Noziere Lês Cahiers D´andre Walter Romance Romance Romance autobiog Theodomiro Tostes O imoralista Corydoni Sobre Dostoievsky SUBTERRÂNEOS DO VATICANO 20. 21. 22. 23. André Malraux, André Maurois Ann Petry Antoni di Monti 24. Antoine de SaintExupéry 25. Antônio Fogazzaro 26. Arthur Koestler 08/05/1948 08/05/1948 08/05/1948 03/01/1948 21/02/1948 21/02/1948 18/03/1950 21/02/1948 30/07/1949 02/10/1948 Não cita título A ser filmado romance Lívio de Almeida romance trilogia Ligia J.Smith 1º vol: Iremos longe demais 10/04/1948 13/08/1949 29/11/1947 20/05/1950 La citadelle Manuscrito 29/11/1947 Pequeno Mundo Antigo José Geraldo Vieira 04/06/1949 A condição humana A la recherche de Marcel Proust A rua NÃO SEI SE VOLTAREI Il Santo 04/06/1949 O zero e o infinito 13/03/1948 21/08/1948 04/06/1949 13/03/1948 04/06/1949 04/06/1949 Insigth and outlook Arthur Stanley Riggs 20/05/1950 Ensaio Logi e o comissário 27. José Geraldo Vieira THE MAGNIFICENT. 29/11/1947 29/11/1947 TITAN VELÁSZQUEZ 28. Artigas Milans Martinez 29. Ayel Munthe 30. 32. B. for Evans Biografia 1947 22/05/1948 NÃO CITA OBRA Em árabe LIVRO DE SAN MICHELE Nova ed. A short history of England literature ENGLISH LITERATURE BETWEEN THE WARS Estudos CORONEL CHABERT novela Balzac A interdição Novela O contrato de casamento Novela Outro estudo de mulher novela A missa do ateu Conto 1948 O primo pons 33. Bernard Blackstone 34. G. Bernard Shaw 35. 36. 37. 38. 39. 29/11/1947 VIRGÍNIA WOLFF estudo Aventuras de uma negrinha que procurava Deus Major Barbára Homem e superhomem Bertrand A. W. Russel HUMAN KNOWLEADGE Authority and the individual Branquinho da Fonseca Porta de minerva Bueno de Rivera Luz do Pântano Carlos de Oliveira Pequenas Virgens Colheita perdida Carolina Slade Margaret 1948 ? 04/09/1948 13/08/1949 sobre Joyce, Fost, e outros 02/10/1948 Gomes da Silveira,Vidal de Oliveira e Berenice Xavier Gomes da Silveira,Vidal de Oliveira e Berenice Xavier Gomes da Silveira,Vidal de Oliveira e Berenice Xavier Gomes da Silveira,Vidal de Oliveira e Berenice Xavier Gomes da Silveira,Vidal de Oliveira e Berenice Xavier Os melhores p/ Paulo Ronai Interpretação e análise da obra da autora 27/08/1949 Moacyr Werneck de Castro Moacyr Werneck de Castro 1949 1949 romance Poesia romance Percy Cardoso 27/08/1949 27/08/1949 27/08/1949 27/08/1949 29/07/1950 18/09/1948 30/07/1949 03/06/1950 03/06/1950 11/03/1949 16/07/1949 24/07/1948 10/04/1948 04/06/1949 04/06/1949 19/06/1948 314 40. Castro Soromenho 41. Chafic Maluf 42. Charles Baudelaire 43. Charles Dickens GREAT EXPECTATIONS 44. Charles Morgan THE JUDGE’S STORY 45. 46. 47. 48. 49. 50. romance Terra morta FLORES DO MAL D.H. Laurence Daphné de Maurier Defoe Dino Segri Publicado no Brasil. versificação por Judas Isgorogata Comentário anedótico ABKAR, A CIDADE DOS GÊNIOS Poesias Nova edição, introdução de Bernard Shaw <1948 27/08/1949 20/05/1950 10/12/1949 13/12/1947 29/11/1947 19/06/1948 RETRATO NUM ESPELHO romance 29/01/1949 FONTE Romance 29/01/1949 SPARKENBROKE romance 29/01/1949 novela 22/05/1948 Charlot Bronte Clemence Dane 1949 VILLETE, A ser 1719 22/05/1948 19/06/1948 26/11/1949 26/11/1949 26/11/1949 26/11/1949 26/11/1949 26/11/1949 21/05/1949 17/01/1948 17/01/1948 11/02/1950 11/02/1950 29/01/1949 A APARIÇÃO DE MAD VEAL 1706 29/01/1949 JORNAL DO ANO DA PESTE 1722 29/01/1949 Jane Eyr The Professor Regiment of women A lenda de Madala Grey (Legend) The babyons Brooms stages The moon is feminine The arrogant history of White Ben Sons and Loves General do rei Rebeca The Lowing spirit The roring porties Robinson Crusoé A loura dolicocefala novela novela 1917 romance <1948 1919 1928 1928 1928 1939 1913 Pseud. de Winifred Ashton 1938 romance Romance pseud: Pittigril 27/11/1948 Os Irmãos Karamazov Recordações da Casa dos mortos Filmagem José Geraldo Vieira 08/05/1948 15/01/1949 Crime e castigo Os melhores por Paulo Ronai 29/07/1950 51. Edgar Allan Poe O corvo 52. Edmond About O homem da orelha rasgada romance A Du Barry biografia Modesto de Abreu 10/04/1948 Cimarron romance Nair Lacerda 25/02/1950 Dawn Ohara novela 25/02/1950 So Big (Trigo e esmeralda) novela 25/02/1950 53. Edmond e Jules de Goncourt 54. Edna Febber 55. Edward Tomlinson 56. Elisabeth Berboir 57. Elizabeth Bowen 58. Elsa Triolet 59. Emerson 60. Emil Ludwig 61. Emil Ludwig 08/10/1949 Anuncia livro sobre costumes e tradições do Brasil, não indica o título Romance LÊS GENS DE MORGADOR 05/07/1950 28/04/1951 1948 17/01/1948 THE HOUSE IN PARIS Novella 21/05/1949 THE HEATH OF THE DAY novela 21/05/1949 THE CAT JUMPS Contos 28/01/1950 THE WRITE HORSE A Inglaterra e os ingleses MEMÓRIAS DE UM CAÇADOR DE HOMENS Napoleão GOETHE Mervyn Savil 20/05/1950 Acácio França 07/08/1948 biografia 13/03/1948 Biografia 13/03/1948 biografia 13/03/1948 BISMARCK 13/03/1948 DIANA 13/03/1948 REISE NACH AFRICA 13/03/1948 DER SPIEGEL VON SNALLOT 13/03/1948 316 OTELO 62. 63. Emílio Myra e Lopez Ernest Hemingway Os quatros gigantes da alma Por quem os sinos dobram 64. Erskine Caldwell Misterioso (título hipotético) TOBACO´S ROAD 65. 66. 67. 68. 69. Estella Gibbors Eugene O´Neill Eva Jungell Fernando Alegria Gustave Flaubert Romance 29/01/1949 Estudo Cláudio de Araújo Lima GOD´S LITTLE ACRE Teatro TROUBLE IN JULY teatro 30/07/1949 27/11/1948 03/06/1950 03/06/1950 18/09/1948 02/07/1949 18/09/1948 02/07/1949 18/09/1948 A PLACE CALLED ES THERVILLE romance 21/01/1950 THE MOUNTAIN BEAST Poemas 16/07/1949 COLD COMFORT FARM Novela THE MATCHMAKER Novella A ser teatro 1933 16/07/1949 16/07/1949 ALÉM DO HORIZONTE 03/06/1950 ANNA CHRISTIE 03/06/1950 ESTRANHO INTERMÉDIO drama 03/06/1950 ENLUTADA TORNA-SE ELECTRA drama 03/06/1950 O cuco Lautaro, jovem libertador e arauco Educação sentimental Psicolog. lançamento Os melhores por Paulo Ronai 25/02/1950 MADAME BOVARY 70. 71. 72. 73. Frances Sarah Moore O colar de esmeraldas Françoise D´Eaubonne L´eternité commience a´ la´homme Comme un vol dês Gerfants François Mauriac Le Passage Du Malin Franz Freler O neto dos reis 27/11/1948 03/06/1950 29/07/1950 Romance romance Teatro A ser Encenada no Rio 08/10/1949 17/01/1948 17/01/1948 19/06/1948 30/07/1949 74. Frederico Garcia Lorca Bodas de sangue 75. Fulton J. Sheen 76. Germaine Beaumont 77. George Upton e Felix Borowski 78. Georges Duraud 79. George H. Waltz Jr ANGÚSTIA E PAZ 27/08/1949 21/01/1950 03/06/1950 religião PIEGE DU COTE D’OU VIENDRA LE JOUR 04/06/1949 LA ROUE D’INFORTUNE 04/06/1949 O LIVRO DAS GRANDES SINFONIAS música AS MASCARAS Ensaio E. Carrera Guerra. Rev. Luis Heitor 27/08/1949 18/09/1948 José Cesio Requeira Costa VIDA DE JÚLIO VERNE -, BIOGRAFIA DE UMA 22/05/1948 IMAGINAÇÃO 80. Gilles Buhet 81. Giovani Papini NOTRE DAME DE LA LIBERTE Romance 29/01/1949 GOG 29/11/1947 CARTAS DO PAPA CELESTINO VI AOS HOMENS 29/11/1947 PALAVRAS E SANGUE 22/05/1948 82. Godofredo Rangel 83. Graham Greene 84. Guilhermino de Torre 85. Hector Bolitho 86. Heinrich Heine 87. Henry Levin 88. 89. Henry Treece Henry Wallace Análise da poesia de Dylan Thomas Rumo à paz mundial 90. 91. 92. Henryk Sienkiewicz Herey Freece Hervé Bazin Quo Vadis? S/t (análise da poesia de Dylan Thomas) Teux de plomb 21/08/48 O CAMINHO DA LIBERDADE O PODER E A GLÓRIA POESIA Y EXEMPLO DE ANTÔNIO MACHADO THE REIGN OF QUENN VICTORIA romance Ensaio 08/10/1949 1942 In: La aventura y el orden 1949 03/06/1950 11/03/1949 07/08/1948 Heróis sem armas 02/10/1948 ESSECTIAL JAMES JOYCE Provável título 16/17/1949 03/07/1948 Nobel de 1905 16/07/1949 16/07/1949 13/08/1949 1948 318 93. Howard Fast O Caminho da liberdade (Fredom Road) Romance The american prosa Carta aberta Carta Godofredo Rangel 29/11/1947 21/08/1948 30/07/1949 10/12/1949 30/07/1949 escrita na prisão 21/08/1948 1949 Fast 10/12/1949 Citizan Tom Payne 10/12/1949 94. H. Stadelmann Messalina Percy Cardoso 29/11/1947 95. 96. Ingvar Andersson Jack London História dos povos nórdicos O TACÃO DE FERRO (possível título) 15/01/1948 26/11/1949 97. Jacqueline Marenis Compilação de sua obra 13/12/1947 98. J. B. Priestley THREE TIME PLAYS Reunião de 3 novelas 20/05/1950 99. Jacques Crépet CORRESPONDENCIA DE BAUDELAIRE 100. Jacques Lacretelle 101. James Ailton 102. James Joyce 103. Jeanne Verbracken 1907 A PRESENÇA DE UMA DESCONHECIDA LE POUR ET LE CONTRE novela 21/02/1948 Romance Em dois volumes 29/11/1949 Em conclusão 22/05/1948 13/03/1948 13/03/1948 02/10/1948 13/08/1949 02/10/1948 13/08/1949 21/02/1948 08/05/19482 6/11/1949 11/03/1949 27/08/1949 26/11/1949 19/06/1948 Nothing so strange Catherine Herself Adeus Mister Chips So well remembered Lost Horizon (horizonte perdido) Novela Romance Ulysses romance Les exiles ASSIM É A VIDA teatro romance 1948 DANÇA, JUANA! Romance 19/06/1948 A CORRENTE PARTIDA Romance 19/06/1948 CONFISSÕES romance 19/06/1948 MAI OU MULHER? romance 104. Jean Cocteau CARTA AOS AMERICANOS 105. Jean Faurel LES HOMMES SAN NOM 106. Jean Louis Curtis LES JEUNNES HOMMES 1947 19/06/1948 artigos 02/07/1949 21/05/1949 1946 31/01/1948 31/01/1948 31/01/1948 Siegfirend LES FORETS DE LA MUIT 107. Jean Paul Sartre L´AGE DE RAISON (VOL. I) LUVAS VERMELHAS Romance a ser Sérgio Milliet Teatro 11/03/1949 Novela Novela 22/05/1948 03/07/1948 13/11/1948 03/07/1948 07/08/1948 24/07/1948 17/01/1948 17/01/1948 27/11/1948 05/06/1948 05/06/1948 16/07/1949 27/08/1949 Novela 27/08/1949 O ser e o nada O muro 108. 109. 110. João Marmelo e Silva John dos Passos John Brophy Adolescente Bilan d´une nation Three soldiers Manhattan Tranfer Paralelo 42 The grand design SARAH, GENTLE MAN OF STRATFORD JULIAN´S WAY 111. John Dickson Carr 112. John Gonto Fletcher THE LIFE OF SIR ARTHUR CONAN DOYLE Montanha em fogo 29/01/1949 Novela Biografia A ser Portugal A ser Eneias Camargo 1949 11/03/1949 29/07/1950 320 113. John Lehmann The Sphere os Glass 114. John Macy História da literatura Mundial historiogr 115. John Masefield “Reynard the Fox” Consacration Point of no return (Não se pode voltar atrás) poesia 1930 romance 1949 116. John Phillips Marquand 117. John Steinbeck 118. Joseph Conrad 119. Judite Navarro 04/06/1949 120. 121. 122. Jules Roy Jules Zuchik Julien Green O destino viaja de ônibus Four tales Está é a minha história A azinhaga dos besouros Les metier des arms O testamento, sob a força LEVIATA 123. Kafka O progresso 124. Klauss Nann 125. Knut Hansun 126. 28/01/1950 23/04/1949 23/04/1949 21/01/1950 Portugal 07/08/1948 28/01/1950 24/07/1948 24/07/1948 13/08/1949 28/01/1950 13/11/1948 Os melhores por Paulo Ronai 29/07/1950 (provável título). Prefácio de Thomas Mann 27/11/1948 romance romance romance BIOGRAFIA DE GIDE Konstantin Simonaw Fome Um vagabundo toca em surdina Dias e noites Isa Silveira Leal 17/01/1948 17/01/1948 29/11/1947 127. Koszolanyi Ana edef Os melhores por Paulo Ronai 29/07/1950 128. Lewis Carrol 129. Lewis Wallace 130. 131. Lin Iutang Lord Lytton 132. Lucie Marchal 133. Luigi Pirandello ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS 04/09/1948 BEM-HUR 30/10/1948 13/08/1949 21/01/1950 Chinatown family OS ÚLTIMOS DIAS DE POMPÉIA LA MECHE OBRAS COMPLETAS A EXCLUÍDA 29/01/1949 Romance A ser romance José Geraldo Veira: A excluída, Moços e velhos e novelas para um ano 03/01/1948 23/04/1949 134. Luis Villaronga 135. Malraux 136. Malraux LES NOYERS DE L´ALTEMBURG romance O AÇO MUDOU DE TEMPERA... romance 1º vol de A La recherche du temps perdu LA REBELLE 13/11/1948 27/11/1948 27/11/1948 LA MAISON DU PECHE 27/11/1948 Marcia Brown 141. Margaret Mitchell 142. Margaret Slade 143. Maria Augusta Trapp 144. Marietta Martin “ADIEU TEMPS” 145. Matthew Arnold NÃO CITA TÍTULO DA OBRA 146. Maurice Dekobra O AMOR, AS MULHERES...E UM FILÓSOFO 147. Maurice Druon 148. Maurice Maeterlink Máximo Gorki 150. Michael Mercier 151. Miguel Torga (Adolfo Rocha) Literatura Infantil STONE UP E O VENTO LEVOU Romance THE STORY OF THE TRAPP FAMILY SINGERS 13/12/1947 08/04/1950 Percy Cardoso 17/01/1948 coral A história da família Trapp 20/05/1950 Poema Pseud: François Captif 29/11/1947 MARGARET 22/05/1948 José Dauster 02/10/1948 LES GRANDES FAMILLES 12/02/1949 L`OISEAU BLEU 03/01/1948 O PÁSSARO AZUL 21/05/1949 A VIDA DAS FORMIGAS 21/05/1949 A VIDA DAS ABELHAS 21/05/1949 A MÃE 08/10/1949 QUERELLE AVEC LA BETE Paraíso 30/10/1948 24/07/1948 140. 149. 21/08/1948 Ilustr. Artur da Fonseca A CAMINHO DE SWANN Marcele Tynaire 04/09/1948 Frederico dos Reys Coutinho O tempo do desprezo 137. Manuel do Nascimento 138. Marcel Proust 139. 1947 CONTEMPLACION Romance 29/01/1949 Farsa em 4 atos 05/07/1950 322 152. Mônica Brillioth 153. Monsieur Richard e Henri David 154. Norman Mailer Farrusco tha Blackbird De onde sopra o vento Latete contre les murs THE NAKED AND THE DEAD 155. Omar Khaayyan 156. Osbert Sitwell 157. Otto Maria Carpeaux 158. Otto Strasser 159. Patrícia Hutchins 160. Paul Elnar Le Meilleur Choix de poemes’est que L’on fait pour sol (1818-1918) 161. Pearl S. Buck Kinfolk Pavilhão de mulheres 162. Philip R. Hitti 163. R.A. Scott James 164. R. Emerson 165. Rainer Maria Rilke contos Novela romance LAUGTHER IN THE NEXT ROOM 10/12/1949 Obra 1949 4º vol 10/12/1949 A MISSÃO EUROPÉIA DA ÁUSTRIA 30/07/1949 HITLER E EU 12/02/1949 Dublin=terra natal de Joyce JOYCE´S DUBLIN antologia Romance Romance A boa terra Os árabes 1948 1948 INGLATERRA E SUA GENTE 13/12/1947 02/10/1948 11/03/1949 ELEGIAS DE DUINO THE MEANING OF TREASON 27/08/1949 Seleção de poesias desde 19/06/1948 Marceline Desvordes – Valmore e Victor Hugo até Guillanme Apollinaire e Pierre Reverdy 15/07/1950 Lino Valadares. Tb. em 50 13/121947 editora inglesa Methvenn 24/07/1948 15/07/1950 21/02/1948 Otávio da Costa Eduardo 03/07/1948 edição inglesa: Frederik Muller Acácio França THE DAY BEFORE YESTERDAY A ser ESTANDARTE CRISTÓVÃO RILKE Rebeca West 25/02/1950 27/11/1948 13/08/1949 21/05/1949 O RUBAIYATI A CANÇÃO DE AMOR E MORTE DA PORTA 166. Dennis Brás (p/ o inglês) depoimentos Nathanael de Barros e ilustr. Guignard 03/06/1950 04/06/1949 27/11/1948 167. Remarque 168. René Maran Batoula Le petit roi de Chimerie Lês livres de la Brousse romance 169. Richard Llewellyn Como era verde o meu vale A few flowers for chiner A ilha do tesouro O estrabho caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde Week-end a zuy docofe História do Brasil Os thibault O Drama de Jean Barois Romance Romance A ser história 1949 1948 Vol. I 1913 Vidal de Oliveira NADA DE NOVO NA FRENTE OCIDENTAL 174. Rolmes Barbosa ESCRITOS NORTE–AMERICANOS E OUTROS crítica 1943 04/06/1949 04/06/1949 29/07/1950 04/06/1949 29/07/1950 29/07/1950 18/03/1950 18/03/1950 21/01/1950 03/07/1948 13/03/1948 04/06/1949 21/01/1950 11/02/1950 175. Romain Rolland JEAN CHRISTOPHER 05 vol. 5º em 48 13/11/1948 170. Robert Louis Stevenson 171. Robert Merie 172. Robert Southey 173. Roger M.artin Du Gard Trad.: O médico e o monstro 13/11/1948 CLERRAMBAULT OU A HISTÓRIA DE UMA CONSCIÊNCIA 13/11/1948 PEDRO E LÚCIA 176. Rômulo Gallegos Dona Bárbara 177. 178. Ronald Hingley Rudyard Kipling Biografia de Chekow TEN STORIES 179. Ruth Park 180. Samuel Larghome Clemens 181. Samuel Putnam 182. S. Evelgr Thomas Dúvida no título POUR MANS ORANGE Novela THE HARP IN THE SOUT Novela Tom Sawyer Um ianque na corte do rei Arthur Viagem maravilhosa Princess Elizabeth wife and mother historiogr 1950 07/08/1948 27/11/1948 15/07/1950 29/11/1947 03/06/1950 Literatura brasileira 19/06/1948 03/06/1950 18/03/1950 18/03/1950 28/01/1950 13/08/949 324 183. Selma Lagerlof 184. Shakespeare 185. Sherwood Anderson A saga de costa berling As maravilhosas aventuras de Nils MACBETH Windy mcpherson´s son Marching men Winesburg, ohio. Título em português: A secreta mentira Lit. infan romance 1916 fragmentos Sinclair Lewis BABBIT KIN BLOOD ROYAN 187. 188. Somerset Maughan Steinbeck 1950 1917 1919 1920 Poor white 186. Arthur de Sales Creatures of circunstances Servidão humana Then and now Maquiavel e a dama Catalina romance 29/07/1950 29/07/1950 James Amado, Moacyr 29/07/1950 Werneck de Castro. Introd. James Boyd 29/07/1950 08/04/1950 novela 21/08/1948 Romance Romance Romance Érico Veríssimo 1948 1950 Caderno de notas de um escritor NOITES SEM LUA Stendhal Swift Theodore Dreiser 192. Theodore Plievier 193. Thomas Hardy Os melhores p/ Paulo Ronai Os melhores p/ Paulo Ronai O vermelho e o negro Viagens de Gulliver SISTER CARRIE UMA TRAGÉDIA AMERICANA 1900 Romance 1925 TESS OF THE D´URBEVILLES 29/07/1950 29/07/1950 31/01/1948 31/01/1948 08/04/1950 27/11/1948 STALINGRADO JUDAS, O ABSCURO 17/01/1948 16/07/1949 27/03/1948 04/09/1948 02/10/1948 13/11/1948 21/01/1950 03/01/1948 03/01/1948 VINHAS DO IRA 189. 190. 191. 07/08/1948 07/08/1948 26/11/1949 Romance Apenas citação 12/02/1949 23/04/1949 23/04/1949 20/05/1950 194. Thomas Mann THE RETURN Apenas citação 20/05/1950 OF THE NATIVE Apenas citação 20/05/1950 FAR FROM THE MADDING CROWD Apenas citação 20/05/1950 THE WOODLANDERS Apenas citação 20/05/1950 THE MAYOR OF CASTER-BRIDGE Apenas citação 20/05/1950 UNDER GREENWOOD TREE Apenas citação 20/05/1950 THE TRUMPET-MAJOR Apenas citação 20/05/1950 A MULHER DE CEM ROSTOS novela 31/01/1948 13/11/1948 11/03/1949 02/10/1948 13/11/1948 A MONTANHA MÁGICA Teatro O jovem José 2º vol DR. FAUSTO Agenor Soares de Moura JOSÉ NO EGITO 195. Thomas Stearns Eliot Romance 17/01/1948 Teatro THE WASTE LAND 17/01/1948 13/11/1948 13/11/1948 COLLECTED POEMES – 1909-1935 28/01/1950 PASSAGE TO ÍNDIA MURDER IN CATHEDRAL 196. Thornton Niven Wilder 197. Tristan Bernard (Paul Bernard) 198. Upton Sinclair 04/06/1949 A ponte de São Luiz Rei Our Town The skin of our teeth O céu é meu destino Os pés niquelados Petit café L´anglais tel qu´em se parle Um marido pacífico As memórias de um rapaz bem comportado The jungle peça Peça sátira 1937 1943 1935 Rolmes Barbosa-em50 Novella 1905 Wanda Murgel 15/07/1950 15/07/1950 15/07/1950 15/07/1950 13/12/1947 13/12/1947 13/12/1947 13/12/1947 13/12/1947 22/05/1948 326 199. 200. 201. 202. 203. 204. 205. 206. Verga Viadisiav Vantchura Vicente Brome Victor Hugo Vitor Cousin Virgínia Wolff Dentes do Dragão A família Malavoglia O padeiro marhoul Biografia de H.G. Wels Os miseráveis Pensamentos de Pascal Orlando Walt Whitman Winston Churchil As vagas Ao farol The moment na other essays The poetry and prose A segunda guerra mundial A Segunda guerra Mundial. Os melhores p/ Paulo Ronai romance 1951 tese Trad. Cecília Meireles Dúvida no título Os melhores p/ Paulo Ronai 1842 1950 Vol I 1949 Vol II Enio Silveira, Breuno Silveira e Leônidas Gontijo de Carvalho Breno Siveira, Thomas Newlands e Leônidas Gontijo de Carvalho 21/05/1949 29/07/1950 28/01/1950 28/04/1951 29/07/1950 19/06/1948 31/01/1948 07/08/1948 18/09/1948 31/01/1948 31/01/1948 31/01/1948 08/04/1950 21/08/1948 27/08/1949 Índice das revistas Anexo B – 5 ÍNDICE DE REVISTAS BRASILEIRAS CITADAS POR HERON DE ALENCAR Revista A imprensa A União Ângulos Local Ano Nº/fund. citação 1950 Nº 02 João Pessoa 1949 / Paraíba Salvador 1951 Nº02 Atualidades pedagógicas Boletim de Ariel 1950 Branca 1949 1948 Caderno da Bahia Bahia Clã Fortaleza Cultura Dois de Julho Época Fundamentos Fundamentos Bahia? Bahia Sergipe 1931 (?) fim: 1938 1948/19 1948 50 1949 1948 1948 1948 1950 Nº 03 /nº 03 (2º nº) nº4/5 Nº 13 Colaboradores/obs. Direção: Luiz Ernesto Machado Kawall Diretor do suplemento literário Correio das Artes deste periódico: Edson Reis Do Centro Acadêmico Ruy Barbosa da Faculdade de Direito Direção: Adalmir da Cunha Miranda Cita as publicações deste número: Josaphat Marinho, Harold Laski, A . L. Machado Neto, Sylvio Santos Faria, Lafayette Ponde, Enoch Santiago Filho Jair Gramacho, Antonieta Dias de Morais Silva, Raymundo Mesquita, Enio Mendes de Carvalho, Otacílio Lopes, Adalmir da Cunha Miranda Colab. Lúcia Miguel Pereira Org.: Saldanha Coelho; Diretores: Haroldo Bruno Nº = Bráulio Nascimento, Saldanha Coelho, Afonso Félix De Souza, Pedro Luiz Mais, Rocha Filho,, Mauro Mota, Paulo Armando, George Matos, Da Costa e Silva Filho, Haroldo Bruno, Constantino Paleólogo, José Conde, Herberto Sales, Beatriz Rocha, Renato Jobim, Nataniel Dantas, Renato Linhares, Alzira Ferreira de Coimbra, Flávia Silveira Lobo, Maurílio Bruno, Gasparino Damata. Entrevistado: John Lehmann. Ilustradores: Alcélio, Orval, Illen Kerr, Sorosen. 1950: nº 05 + suplemento Dir: Vasconcelos Maia, Cláudio Tavares, Wilson Rocha, Darwin Brandão. Cita os colaboradores do 1º número. João Climaco Bezerra (?) Em 1950 passa a ser também editora. Publicou os seguintes escritores: Eduardo campos, Aluízio Medeiros, Martins d´Alvarez, Mozart Sozinac Adderaldo, Veríssimo de Melo, Raimundo Girão, Antônio Girão Barroso Nº sendo preparado Fundador e redator-chefe: Monteiro Lobato Neste nº artigo de Moacir W. de Castro Comissão de redação: Afonso Schmidt 312 Joaquim Curitiba 1948 Nº 13 em Dir,: Dalton Trevisan 1948/nº 21 Publicou neste nº: Adalmir da Cunha Miranda Nº 18, Colab: Daltan Trevisan, José Paulo Paes, Otto Maria Carpeaux, Temistocles Linhares, e ilustrações de Fayga Ostrower, Poty, Renina Katz etc. Jornal das Letras Capital Federal 1949 Direção Dos Irmãos Conde, José, João E Elyseo. Neste Nº (ago/49) Colaboração: Otto Maria Carpeaux, Gilberto Amamdo, Carolina Giedion-Weicker, Paulo Ronai. Traz textos de: Gasparino Damata, Afrânio Peixoto. Entrevistado: Álvaro Lins Leitura Literatura O cruzeiro Orfeu Os anais RJ Panorama Paratodos Minas Presença Província Pedro Região 1949 1949 1949 de São Fundada em Fundador: Domingos Olimpio; secretário: 1904 Walfrido Ribeiro 1949 1949/19 reaparecime Fundador, desde a 1ªfase: Álvaro Moreyra . 50 nto Colaboradores e Redatores: Edison Carneiro, A. Ramos, Graciliano Ramos, alcídio jurandir 1948 Recife Nº 02 Nº 10 1948 último Retorna em 1949 Nº 11 Resenha Literária Revista brasileira de estudos pedagógicos Revista do Brasil Revista do Globo Temário Recife Tentativa Unidade (?) São Paulo Bahia ? 1949 1950 N º 37 1948 1949 1949 483 Nº01 1950 1949 Nº de junho/48: Laurimio Lima, Otávio de Freitas Júnior, Wilson Rocha, Gastão de Holanda, Claúdio Tavares, Mário Sette (anuncia como último nº) Nº 11/ 1949 - Colab: Gasparino Damata, Otto Maria Carpeaux, Gilberto Freyre Costa, Carlos Davi, Murilo Mendes e outros. Direção: Permínio Ásfora Órgão de estudos e pesquisa do Ministério da Educação Colab. Lúcia Miguel Pereira, de 1338-1943 Homero Senna( ?) Direção: Reginaldo Guimarães e Solano Trindade Editor Cezar Nêmolo