Taquaritinga - SP
Interface Tecnológica
v. 9
v. esp.
n. 1
p. 1 - 109
2012
Interface Tecnológica
Publicação Anual
Volume 9 (v. esp.), Número 1, 2012
Editora Responsável
Elaine Therezinha Assirati
Conselho Editorial
Andreia da Silva Santos (Universidade Estadual da Paraíba)
Carlos Roberto Regattieri (FATEC-Tq)
Daniela Gibertoni (FATEC-Tq)
Elaine Therezinha Assirati (FATEC-Tq)
Filomena M. Cordeiro Moita (Universidade Estadual da Paraíba)
João José Marques (Instituto de Educação da
Universidade do Minho - Portugal)
Luciana A. Casemiro (Univeridade de Franca)
Luciana Maria Saran (UNESP – Jaboticabal)
Mirley R. Moreira (UNESP – Rio Claro)
Paula Pavarina (UNESP – Franca)
Teresa Pombo (Universidade de Lisboa)
Conselho Consultivo
Ana Teresa Colenci Trevelin (FATEC – Tq)
Andreza R. Lopes da Silva (Universidade Federal de Santa Catarina)
Fernando Pimentel (Universidade Federal de
Alagoas)
Luiz Roberto Wagner (UNIESP – Taquaritinga)
Mara Mellini Jabur (FATEC-Tq)
Maria Jose Sosa Díaz (Universidade de Extremadura – Espanha)
Martin Mundo Neto (FATEC-Tq / USP – São
Carlos)
Rosiris Maturo Domingues (SENAC – São
Paulo)
Thaís Tezani (UNESP – Bauru)
Revisão de Inglês
Elaine T. Assirati
Kátia Cristina Galatti
Mirela de Lima Piteli
Apoio Tecnológico
Diogo de Almeida
Daniela Gibertoni
Marco Antonio Alves Pereira
Desenvolvedor Web
Diogo de Almeida
Projeto Gráfico e Capa
Fábio José Moretti
Plínio Nogueira de Arruda Sampaio
Impressão e Encadernação
Santa Terezinha gráfica & editora - Gráfica Multipress Ltda.
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CENTRO PAULA SOUZA
Faculdade de Tecnologia de Taquaritinga – FATEC-Tq
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APRESENTAÇÃO
Caro leitor,
Não são todos os dias que temos um motivo especial para comemorar. Por
isso, aproveito este momento para fazê-lo.
Em outras palavras, a Faculdade de Tecnologia de Taquaritinga está
comemorando os seus 20 anos de existência. E, é claro, a revista Interface
Tecnológica não poderia ignorar um fato tão significativo.
Particularmente, quero prestar minhas homenagens à nossa querida FATECTq, dedicando-me à organização deste volume, que pretende ser especial,
ao oferecer uma maior visibilidade do perfil de nossos profissionais, através
da apresentação de trabalhos exclusivos, que revelam sua expertise, seu
saber, enfim, sua ciência.
Outras inovações são a inserção de um texto histórico, de autoria dos
docentes Mara Regina Mellini Jabur, Miramaya Jabur e Luiz Rossato, que
narra a trajetória da FATEC-Tq desde seu início até o presente, tornando
possível a você, leitor, o conhecimento dos principais fatos que construíram
a história desta faculdade; e a inclusão do logotipo comemorativo aos 20
anos da FATEC-Tq, desenvolvido pelo aluno do curso de Tecnologia em
Processamento de Dados Luiz Fernando de Aquino Dias, que obteve o
primeiro lugar no concurso para a criação do logotipo, realizado pelo
grupo GPES, sob a coordenação da Profa. Dra. Daniela Gibertoni.
Convido-o, então, a compartilhar comigo esta oportunidade singular.
Que minhas intenções se realizem por meio de suas expectativas atendidas!
Profa. Dra. Elaine T. Assirati
Editora Responsável
BREVE HISTÓRICO DA FATEC
“PROFª. MARLENE MARIA MILETTA SERVIDONI”
PELOS VINTE ANOS DE EXISTÊNCIA – 1992/2012
A Faculdade de Tecnologia de Taquaritinga – FATEC/Tq é uma unidade de
Ensino Superior mantida pelo Centro Estadual de Educação Tecnológica
“Paula Souza”, vinculada e associada à UNESP, Universidade Estadual
“Julio de Mesquita Filho”.
Diferenciada pela vocação tecnológica, a FATEC/Tq reúne o ensino de
ciências aplicadas ao desenvolvimento da técnica para obtenção dos
benefícios da tecnologia em favor da melhor qualidade de vida. Foi criada
pelo DECRETO 35.236/92 de 02 de julho de 1992 e iniciou suas atividades
em 03 de agosto do mesmo ano, com o Curso Superior de Tecnologia em
Processamento de Dados. Programado para oferecer 40 vagas no período
diurno e 40 vagas no período noturno, o curso conta hoje com alunos oriundos
de várias cidades da região. Mantém um bom índice de empregabilidade,
estando 95% deles empregados ou com o próprio negócio.
A qualidade do ensino oferecido e a seriedade do trabalho desenvolvido têm
atraído inúmeros candidatos aos vestibulares, realizados semestralmente,
nos meses de julho e dezembro de cada ano. São eles provenientes de
diversas regiões do Brasil.
A Faculdade de Tecnologia de Taquaritinga tem como Órgão Colegiado
Maior a Congregação, composta pelo Diretor, pelos Coordenadores,
pelos representantes dos Professores Plenos, Associados e Assistentes,
representantes dos Auxiliares Docentes e pelo representante dos funcionários.
O Diretor Superintendente da Fundação Estadual de Educação Tecnológica
“Paula Souza”, Prof. Oduvaldo Vendrametto recebeu, em agosto de 1988,
um ofício (nº 760/88) do Senhor Antonio Carlos Nunes da Silva, Prefeito
de Taquaritinga, cidade do interior do estado de São Paulo, distante 320
Km da capital pela rodovia Washington Luiz, na região administrativa de
Ribeirão Preto, solicitando a instalação de uma Faculdade de Tecnologia.
Anexas ao ofício do prefeito, havia correspondências na forma de ofícios,
cartas e abaixo-assinados dos principais representantes da comunidade tais
como Loja Maçônica, Lions Club, Rotary Club, Associação Comercial,
Ordem dos Advogados, Associação de Engenheiros, Médicos, além de
indústrias, Casas de Comércio e outros Clubes Sociais; todos assumindo
um compromisso formal de colaborarem com a instalação da faculdade
de maneira ativa para a aquisição não só de um local para a construção
da faculdade, como também de equipamentos. Algumas prefeituras de
cidades circunvizinhas, tais como Fernando Prestes, Santa Ernestina,
Dobrada, Cândido Rodrigues enviaram correspondências à prefeitura de
Taquaritinga manifestando apoio.
Em 1989, o prefeito de Taquaritinga, senhor Mílton Arruda de Paula
Eduardo, encaminhou o ofício nº 264/89, de 14 de abril de 1989, e este
reforçava o pedido do prefeito anterior para que fosse criada a faculdade
de tecnologia na área de informática junto à Escola Técnica Estadual de
Vila Rosa, cuja justificativa reforçava a defendida pelo prefeito anterior de
que se tratava de um prédio dotado de recursos básicos ao funcionamento
desse espaço de ensino universitário, dadas as suas amplas instalações e o
aspecto favorável de sua localização.
Essa solicitação foi feita porque havia, por parte da Fundação, um projeto
de instalação na cidade, para o ano de 1989, uma escola técnica de 2º grau,
na área de informática cujo prédio contava com grande capacidade física:
33 classes, 7 laboratórios e 2 oficinas. Diante dessa realidade, o senhor
prefeito alegava que haveria um grande espaço ocioso e para que fosse
mais bem-aproveitado, ele solicitava ao Senhor Diretor Superintendente
da Fundação um estudo sobre a possibilidade de criação uma faculdade
tecnológica na cidade de Taquaritinga oferecendo, a princípio, oitenta
vagas sendo quarenta para o período diurno e quarenta para o noturno
por semestre, nos mesmos moldes dos cursos ministrados em São Paulo e
Ourinhos. Colocava, ainda, o Poder Público Municipal à disposição para
colaborar efetivamente na concretização dessa solicitação.
Eis os termos do ofício:
“Em nosso nome, no de toda a população, em especial, no dos jovens
taquaritinguenses, recorremos aos valiosos préstimos de V. Exa. no sentido
de que seja alcançada a Criação de uma Faculdade de Tecnologia, na área
de informática, junto à Escola Técnica Estadual da Vila Rosa, vinculada
a esse respeitável Centro Educacional, cujo prédio é dotado de recursos
básicos ao funcionamento desse espaço de ensino universitário, dadas as
suas amplas instalações e o aspecto favorável de sua localização.
Desnecessário se torna discorrer sobre os inúmeros benefícios advindos
dessa conquista, uma vez que a classe estudantil local necessita deslocar-se
para outros centros urbanos, em busca de uma formação de nível superior,
inclusive na área supra, pelo que esperamos contar com o total apoio dessa
Digna Superintendência para a implantação da tão sonhada faculdade.
Ao encerrarmos este expediente, damos ênfase ao louvável trabalho que V.
Exa. Vem desenvolvendo à frente desse centro, responsável pela manutenção
de renomados espaços educacionais, ao tempo em que antecipadamente
agradecemos, juntamente com todos os munícipes, a acolhida e empenho
dispensados, renovando reais protestos de estima e amizade.
Cordiais cumprimentos,
Mílton Arruda de Paula Eduardo”
Atendendo a essa solicitação, o Senhor Diretor Superintendente do
CEETEPS designa, em 17 de dezembro de 1990, por meio da Portaria
CEETEPS nº 120/90, “Comissão destinada a desenvolver estudos para
avaliar as possibilidades de criação e instalação de uma Faculdade de
Tecnologia em Taquaritinga – SP”, nos seguintes termos:
Artigo 1: designar os senhores Vera Lúcia Silva Camargo, da FATEC –
SP; Helena Gemignani Peterossi, do CEETEPS; Hamílton Martins Viana,
da FATEC - SP; e Marlene Maria Miletta Servidoni, de Taquaritinga,
para, sob a presidência do primeiro, constituírem Comissão destinada a
desenvolver estudos para avaliar a possibilidade de criação e instalação
de uma Faculdade de Tecnologia em Taquaritinga – Estado de São Paulo.
Artigo 2: A Comissão desenvolverá seu trabalho no prazo de 120 (cento e
vinte) dias, a partir desta data.
Artigo 3: os componentes da Comissão exercerão tais atividades sem ônus
para o CEETEPS.
Artigo 4: Esta Portaria entrará em vigor na data de sua publicação.
Essa Comissão desenvolveu, num período de cento e vinte dias, estudo
completo e detalhado sobre a cidade de Taquaritinga e toda a região que
a FATEC poderia atender. Concluiu que havia grande possibilidade de
instalação com um curso, inicialmente, de Tecnologia em Processamento
de Dados, com o mesmo currículo da FATEC – SP, aprovado pela Resolução
UNESP nº 18 de 23 de fevereiro de 1990.
Diante desse parecer favorável, a Câmara Municipal de Taquaritinga aprova
a Lei Municipal nº 2266 de 11 de abril de 1991, e é enviado um ofício
do Senhor Prefeito Mílton Arruda de Paula Eduardo ao Superintendente
Senhor Oduvaldo Vendrametto comunicando a aprovação da Lei Municipal
e a cessão ao CEETEPS uma área de 32404,72 m2 e abrindo um crédito
especial de Cr$ 80 milhões para a construção de um módulo constituído
de seis salas de aula, quatro laboratórios, quatro sanitários e um “hall”
de circulação, perfazendo uma área total de 843,75 m2, nos moldes de
um projeto-padrão fornecido pelo CEETEPS. Compromete-se ainda com
a abertura de um crédito suplementar no orçamento de 1992, caso o valor
reservado não fosse suficiente.
Enquanto tramitava esse processo, o Magnífico Reitor da UNESP, Professor
Paulo Mílton Barbosa Landin, baseando-se na Indicação RUNESP nº
04/91, constante do Processo nº 267/50/01/91, recomendou que, em vez
de se construírem novas faculdades, deveriam ser estudadas as criações
de “Extensões de Câmpus” das unidades já estabelecidas. Essa sugestão
surgiu porque as extensões de câmpus são consideradas uma alternativa
ágil e flexível para atender mais rapidamente aos anseios da comunidade,
no caso específico, a sociedade taquaritinguense e, após alguns anos
transcorridos, ou seja, após efetiva consolidação do curso, a transformação
da Extensão em Faculdade é facilitada e rápida.
Dentro dessa orientação, a Superintendência encaminha um processo
consultando sobre o interesse em ser criado o câmpus de Taquaritinga como
extensão da FATEC – SP. A Diretoria da Faculdade submeteu o processo à
apreciação do Departamento de Processamento de Dados, uma vez que a
curso a ser implantado seria o de Tecnologia em Processamento de Dados.
O Conselho do Departamento, após análise, concluiu que “Em função da
possibilidade de ampliação do número de vagas, no ensino público, em
área que apresente demanda de candidatos, e onde permite mobilidade de
profissionais no mercado de trabalho, no setor de serviços, bem como,
por meio dos dados analisados, pode receber alunos de três regiões
administrativas do estado de São Paulo (São José do Rio Preto, Marília
e Ribeirão Preto). Os professores presentes aprovaram, por unanimidade,
a extensão de campus em Taquaritinga. A Prefeitura de Taquaritinga, por
meio do ofício nº 590/91 encaminhado à Superintendência pelo então
prefeito Senhor Mílton Arruda de Paula Eduardo, aceita que, num primeiro
momento, seja instalado um campus da FATEC – SP na cidade, e a Câmara
Municipal, por meio do ofício nº 776/91, assinado por todos os vereadores,
também concorda com a nova posição do CEETEPS e reafirma seus
compromissos anteriormente assumidos com a instalação da FATEC.
Bloco administrativo e A 1
A Fatec funcionou no prédio da Etec “Dr. Adail Nunes da Silva” de 1992 a
1997 quando as obras do câmpus foram concluídas, e a inauguração ocorreu
em maio de 1997 quando era governador do Estado o senhor Mário Covas,
Emerson Kapaz, Secretário de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento
Econômico; Professor Marcos Antonio Monteiro, Diretor Superintendente
do CEETEPS; Professor Douglas Hamilton de Oliveira, Diretor da Unidade;
Sérgio Schlobach Salvagni, Prefeito Municipal; Waldemar D’Ambrósio,
Vice-Prefeito; Wilson Abdalla Mansur Zaquia, Presidente da Câmara.
O envolvimento das autoridades e da comunidade de Taquaritinga na luta
pela instalação do curso de Processamento de Dados foi de tal magnitude,
que o CEETEPS não só confiou nas promessas feitas, como ainda sentiuse obrigado a atender à reivindicação de criação da FATEC na cidade de
Taquaritinga.
A Faculdade de Tecnologia “Profª. Marlene Maria Miletta Servidoni”,
conhecida como FATEC – Taquaritinga, foi criada em 1º de julho de
1992, pelo Decreto nº 35.236, com atividades iniciadas em 1º de agosto
do mesmo ano. Na época, oferecia à comunidade local e região o Curso
Superior de Tecnologia em Processamento de Dados. A cada semestre,
eram oferecidas quarenta vagas no período diurno e quarenta no noturno.
O reconhecimento do curso ocorreu nos seguintes termos:
“Portaria nº 851, de 21 de agosto de 1996.
O Ministro de Estado da Educação e do Desporto, usando da competência
que lhe foi delegada pelo Decreto nº 1845, de 28 de março de 1996 e
tendo em vista o Parecer nº321/96, do Conselho Estadual de Educação
de São Paulo, conforme consta do Processo nº 23000.010670/96-28, do
Ministério da Educação e do Desporto, resolve:
Art. 1º - Reconhecer o Curso Superior de Tecnologia em Processamento
de Dados, ministrado pela Faculdade de Tecnologia de Taquaritinga, em
Taquaritinga, mantida pelo Centro Estadual de Educação Tecnológica
“Paula Souza”, autarquia vinculada à Universidade Estadual Paulista
“Júlio de Mesquita Filho”, com sede na cidade de São Paulo, ambas no
Estado de São Paulo.
Art. 2º - Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.
Paulo Renato Souza”
Os profissionais formados na FATEC – Taquaritinga são rapidamente
inseridos no mercado de trabalho devido às necessidades de mão de obra
especializada e à demanda da região por tecnólogos. Por essa razão, a
FATEC sentiu necessidade de criar novos cursos e, após uma pesquisa
detalhada sobre essa demanda, no segundo semestre de 2002, foi criado
o curso de Produção Industrial oferecido no período da manhã e noite; no
segundo semestre de 2006, foi implantado o curso de Agronegócio nos
períodos vespertino e noturno e, no segundo semestre de 2010, implantouse o curso de Sistemas para Internet no período matutino.
Por conta do funcionamento do novo curso, foi construído um novo prédio
de aulas (bloco A2).
No primeiro semestre de 2010, o curso de Processamento de Dados foi
reestruturado e atualmente, é Análise e Desenvolvimento de Sistemas e
continua disponibilizando oitenta vagas quarenta no diurno e quarenta no
noturno.
Em 1º de maio de 2011, foi realizada a primeira aula magna do Curso
de Pós-Graduação em Gestão da Produção. Atualmente, a FATEC –
Taquaritinga conta com aproximadamente 1800 alunos matriculados nos
quatro cursos de graduação e no de pós-graduação.
O primeiro diretor da FATEC foi o Professor Décio Cardoso da Silva,
cuja gestão compreendeu o período de agosto de 1992 a julho de 1994.
O sucessor dele foi o Professor Antonio Manuel da Rocha Ribeiro que
administrou ao FATEC de agosto de 1994 a fevereiro de 1997. Logo
após, de março de 1997 a junho de 1998, a FATEC foi administrada pelo
Professor Douglas Hamilton de Oliveira, gestão sucedida pelo Professor
Francesco Artur Perrotti de julho de 1998 a maio de 2002. Em seguida,
a FATEC esteve sob a administração do Professor José Alberto Seixas
durante o período de maio de 2002 a maio de 2006. De junho de 2006 a
junho de 2008, a FATEC esteve sob a administração do Professor Nelson
José Peruzzi, sucedido pelo Professor Antônio João Cancian, durante o
período de julho de 2008 a julho de 2010. Em agosto de 2010, assumiu a
direção do câmpus a Professora Luciana Aparecida Ferrarezi.
O primeiro corpo docente foi constituído pelos seguintes membros:
Adriano Sunao Nakamura, Ana Cristina dos Santos, Antônio Paulo S.
Misaka, Cláudio Shinji Matsumoto, Cláudio Tadeu Rozário Sobral, Cristina
Dutra de Aguiar, Elaine Therezinha Assirati, Etore Antônio Maggiotto,
Fábio Lúcio Meira, José Alberto Seixas, Júlio Fernando Lieira, Karen
Kiomi Nakazato, Luciana Paula F. Fernandes, Luís Fernando Cozin, Luiz
Rossato, Maria Aline L. S. Thobias, Mario Paioli Filho, Ricardo Corrêa de
O. Ramos, Ricardo Rodrigues Ciferri, Silvely N. de A. Salomão e Simoni
Maria de Morais.
Os primeiros auxiliares docentes foram: André Ricardo Vieira, José Roberto
Gagliardi, Luciana Aparecida Ferrarezi e Valdir Flores de Oliveira.
O primeiro corpo técnico-administrativo contou com os seguintes
funcionários: Claudenir Guedes, Lázaro Argeo, Márcia Aparecida Hisamatsu,
Maria de Fátima Flores de Oliveira e Marlene Maria Miletta Servidoni.
BREVE HISTÓRICO DO CENTRO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO
TECNOLÓGICA PAULA SOUZA – CEETEPS
O Centro Paula Souza (nome dado ao Centro em homenagem ao Professor
Antônio Francisco de Paula Souza – fundador da Escola Politécnica de São
Paulo) foi criado em 1969, por meio de decreto-lei que estabeleceu o então
Centro Estadual de Educação Tecnológica de São Paulo como entidade
autárquica, com a finalidade de articular, realizar e desenvolver a Educação
Tecnológica no ensino Médio e Superior. Iniciou suas atividades em 1970,
com a instalação de dois cursos superiores: Construção Civil e Mecânica.
Nessa época, ainda não existiam as Faculdades de Tecnologia (FATECs).
A primeira FATEC começou a funcionar em 1971, em Sorocaba. Em
seguida, veio a Faculdade de Tecnologia de São Paulo, em 1972. Essas duas
unidades passaram a operacionalizar os cursos superiores de tecnologia, e
o Centro Paula Souza firmou-se como órgão mantenedor das mesmas. Em
10 de abril de 1971, a Instituição passou a ser denominada Centro Estadual
de Educação Tecnológica Paula Souza-CEETEPS. O Centro Paula Souza
dedicava-se exclusivamente ao ensino superior quando, entre 1981 e 1982,
ampliou sua atuação, incorporando 12 unidades de ensino técnico de nível
médio, as chamadas Escolas Técnicas Estaduais - ETECs. Em 1994, foram
incorporadas outras 82 Unidades de Escolas Técnicas Estaduais, que eram
ligadas diretamente à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento
Econômico.
Atualmente, após a criação e incorporação de várias Unidades de Ensino
de nível Médio e Superior, o Centro Paula Souza mantém 208 Escolas
Técnicas Estaduais (ETECs) e 55 Faculdades de Tecnologia (FATECs),
além de classes descentralizadas em cidades, mantidas em convênio com
empresas, prefeituras e com as Secretarias Municipais da Educação.
FATECs – FACULDADES DE TECNOLOGIA
Instituições públicas de ensino superior, as Faculdades de Tecnologia
(FATECs) oferecem, nos municípios, cursos de graduação voltados para
segmentos emergentes da atividade industrial e do setor de serviços. Os
tecnólogos formados por essas instituições estão aptos a atuar no mercado
de trabalho em função do sólido conhecimento acadêmico, adquirido
de professores que atuam no setor produtivo. As atividades práticas são
realizadas não apenas nos modernos laboratórios dos cursos, mas também
nas próprias empresas parceiras, que requisitam os alunos para estágios e
contratações.
As FATECs são instituições públicas de ensino superior mantidas pelo
Centro Paula Souza que oferecem cursos superiores de tecnologia,
devidamente reconhecidos, concebidos e desenvolvidos para atender
a segmentos atuais e emergentes da atividade industrial e do setor de
serviços, tendo em vista a constante evolução tecnológica.
O Ensino Superior é compromissado com o sistema produtivo. Com
currículos flexíveis, compostos por disciplinas básicas e humanísticas,
de apoio tecnológico e de formação específica na área de atuação do
tecnólogo, seus cursos têm uma carga horária média de 2800 horas,
incluindo estágio supervisionado e projeto de graduação, com três anos
de duração.
Estruturalmente, o ensino se apoia em projetos reais, estudos de caso e
em laboratórios específicos aparelhados para reproduzir as condições
do ambiente profissional, permitindo ao futuro tecnológico participar,
de forma inovadora, dos vários trabalhos de sua área. Esse conceito de
ensino exige um corpo docente formado por especialistas, bem como por
professores que se dedicam integralmente ao desenvolvimento do ensino e
da pesquisa tecnológica.
Abaixo, segue tabela com os eixos tecnológicos com todas as graduações, de
acordo com o Catálogo Nacional de Cursos Superiores de Tecnologia.
Ambiente e Saúde
Negócios Imobiliários
Gestão Ambiental
Processos Gerenciais
Gestão Hospitalar
Secretariado
Hospitalidade e Lazer
Oftálmica
Radiologia
Eventos
Saneamento Ambiental
Gastronomia
Sistemas Biomédicos
Gestão Desportiva e de Lazer
Apoio Escolar
Processos Escolares
Controle e Processos Industriais
Gestão de Turismo
Hotelaria
Informação e Comunicação
Automação Industrial
Análise e Desenv. de Sistemas
Eletrônica Industrial
Banco de Dados
Eletrotécnica Industrial
Geoprocessamento
Gestão da Produção Industrial
Gestão da Tecn. da Informação
Manutenção de Aeronaves
Gestão de Telecomunicações
Manutenção Industrial
Jogos Digitais
Mecânica de Precisão
Redes de Computadores
Mecatrônica Industrial
Redes de Telecomunicações
Processos Ambientais
Segurança da Informação
Processos Metalúrgicos
Sistemas de Telecomunicações
Processos Químicos
Sistemas para Internet
Sistemas Elétricos
Telemática
Gestão e Negócios
Infraestrutura
Comércio Exterior
Agrimensura
Gestão Comercial
Construção de Edifícios
Gestão da Qualidade
Controle de Obras
Gestão de Cooperativas
Estradas
Gestão de Recursos Humanos
Gestão Portuária
Gestão Financeira
Material de Construção
Gestão Pública
Obras Hidráulicas
Logística
Pilotagem Profissional de Aeronaves
Marketing
Sistemas de Navegação Fluvial
Transporte Aéreo
Transporte Terrestre
Militar
Produção Publicitária
Produção Industrial
Biocombustíveis
Comunicações Aeronáuticas
Construção Naval
Fotointeligência
Fabricação Mecânica
Gerenciamento de Tráfego Aéreo
Papel e Celulose
Gestão e Manutenção Aeronáutica
Petróleo e Gás
Meteorologia Aeronáutica
Polímeros
Sistemas de Armas
Produção de Vestuário
Produção Alimentícia
Produção Gráfica
Agroindústria
Produção Joalheira
Alimentos
Produção Moveleira
Laticínios
Produção Sucroalcooleira
Processamento de Carnes
Produção Têxtil
Produção de Cachaça
Agroecologia
Viticultura e Enologia
Agronegócio
Produção Cultural e Design
Aquicultura
Comunicação Assistiva
Cafeicultura
Comunicação Institucional
Horticultura
Conservação e Restauro
Irrigação e Drenagem
Design de Interiores
Produção de Grãos
Design de Moda
Produção Pesqueira
Design de Produto
Rochas Ornamentais
Design Gráfico
Silvicultura
Fotografia
Segurança
Produção Audiovisual
Gestão de Segurança Privada
Produção Cênica
Segurança no Trabalho
Produção Cultural
Segurança no Trânsito
Produção Fonográfica
Segurança Pública
Produção Multimídia
Serviços Penais
TECNÓLOGO: UM PROFISSIONAL EMERGENTE NO
AMBIENTE COMPETITIVO
No ambiente das empresas, têm ocorrido profundas alterações nas formas
de atuação, o que vem exigindo que os parâmetros sejam afins: inovação
tecnológica, estrutura e pessoas com a própria matriz organizacional. A
competitividade de uma empresa resulta da habilidade de seus dirigentes
em administrar, de forma integrada, esses parâmetros em direção às
crescentes e rigorosas exigências do mercado.
Nesse contexto contemporâneo de atuação, consolida-se o papel do
tecnólogo como um importante profissional, capaz de desenvolver a
competitividade, pela melhoria da produtividade e da qualidade.
A atuação do tecnólogo pode se estender desde a criação, o domínio e
a absorção até a difusão dos conhecimentos, atingindo plenamente as
necessidades estabelecidas. Trata-se de um profissional capaz de oferecer
soluções criativas e de participar de equipes habilitadas para o planejamento
e para o desenvolvimento de soluções. A interdisciplinaridade em sua
formação e a polivalência em sua atuação facilitam sua inserção em
equipes produtivas de trabalho. O tecnólogo é o agente capaz de colocar
a ciência e a tecnologia a serviço da sociedade, no atendimento de suas
necessidades. Nas circunstâncias atuais e projetadas, o tecnólogo é visto
como o profissional que busca sistematicamente ampliar seus conhecimentos
(know why e know how), suas habilidades (skill) e suas aptidões (feeling),
não só no âmbito tecnológico, como no humanístico (comunicações e
relações humanas), a fim de contribuir para o desenvolvimento holístico da
sociedade em harmonia com o ambiente. Para tanto, ciência e tecnologia
constituem embasamentos que esse profissional utiliza para a concepção
e desenvolvimento de produtos, processos e materiais, objetivando a uma
aplicação econômica e comprometida com o bem-estar social e do ambiente.
Mara Regina Mellini Jabur: Mestre em Estudos Literários pela UNESP de Araraquara
“Júlio de Mesquita Filho”. Docente das FATECs de Taquaritinga e Sertãozinho. E-mail:
[email protected]
Miramaya Jabur: Mestre em Geografia pela UNESP de Rio Claro “Júlio de Mesquita Filho”.
Docente da Faculdade São Luís de Jaboticabal. E-mail: [email protected]
Luiz Rossato: Docente da FATEC de Taquaritinga. Consultor Administrativo Financeiro.
E-mail: [email protected]
DIRETORES
Prof. Décio Cardoso
da Silva
(1992-1994)
Prof. Antonio Manuel
da Rocha Ribeiro
(1994-1997)
Prof. Francesco
Artur Perrotti
(1998-2002)
Prof. Nelson José
Peruzzi
(2006-2008)
Prof. Antônio João
Cancian
(2008-2010)
Profª. Luciana
Aparecida Ferrarezi
(2010- )
SUMÁRIO / SUMMARY
Artigos
19
EDUCAÇÃO SUPERIOR TECNOLÓGICA: APLICAÇÃO DE UM
MODELO DE QUALIDADE PARA ADOÇÃO DE PRÁTICAS
ADEQUADAS DE FORMAÇÃO
TECHNOLOGICAL GRADUATION: QUALITY MODEL
APPLICATION FOR ADAPTING SUITABLE EDUCATION
PRACTICES
Ana Teresa Colenci Trevelin
29
CAMA MECANIZADA PARA PESSOAS TETRAPLÉGICAS
MECHANIZED BED FOR QUADRIPLEGIC PEOPLE
Carlos Roberto Regattieri
37
THE USE OF SANITARY LANDFIL GAS FOR THE THERMAL
TREATMENT OF LEACHATE – A SIMULTANEOS REDUCTION
OF TWO SOURCES OF POLLUTANTS OF AIR, SOIL AND WATER
USO DO GÁS DE ATERRO SANITÁRIO PARA TRATAMENTO
TÉRMICO DE CHORUME – UMA REDUÇÃO SIMULTÂNEA DE
DUAS FONTES POLUENTES DE AR, SOLO E ÁGUA
Carlos Roberto Regattieri
45
A CONTRIBUIÇÃO DA PESQUISA-AÇÃO PARA OBTENÇÃO DA
INOVAÇÃO TECNOLÓGICA
THE CONTRIBUTION OF ACTION-RESEARCH TO OBTAIN
TECHNOLOGICAL INNOVATION
Daniela Gibertoni
53
SERVIÇOS AMBIENTAIS PRESTADOS PELOS Espaços
Territoriais Especialmente Protegidos
ENVIRONMENTAL SERVICES PROVIDED BY SPECIALLY
PROTECTED AREAS
Fernando Frachone Neves
59
AS VARIEDADES DA LÍNGUA INGLESA E O SEU STATUS DE
LÍNGUA MUNDIAL
THE VARIETIES OF THE ENGLISH LANGUAGE AND ITS STATUS
OF WORLD LANGUAGE
Kátia Cristina Galatti
65
FORMAÇÃO PROFISSIONAL CONTINUADA: NECESSIDADES
DA PRÁTICA DO PROFESSOR DE MATEMÁTICA
CONTINUING PROFESSIONAL EDUCATION: THE NEEDS OF
PRACTICE MATH TEACHER
Luciana Aparecida Ferrarezi
71
METHODOLOGIES FOR CREATING ONTOLOGIES
METODOLOGIAS PARA A CRIAÇÃO DE ONTOLOGIAS
Marcus Rogério de Oliveira
81
USO DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO NO DIAGNÓSTICO
EM MICROBACIAS HIDROGRÁFICAS PARA GERAR
INFORMAÇÕES EM BANCO DE DADOS
USE OF INFORMATION TECHNOLOGY IN THE DIAGNOSIS OF
WATERSHEDS TO GENERATE INFORMATION IN DATABASE
Maurício José Borges
87
A LEITURA EM FOCO: BREVE ANÁLISE DE UMA COMPLEXA
E INTRIGANTE HABILIDADE LINGUÍSTICA
READING ON FOCUS: BRIEF ANALYSIS OF A COMPLEX AND
INTRIGUING LANGUAGE SKILL
Mirela de Lima Piteli
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Theoretical and Experimental Procedures in
Design of the Pulse-forming Network for Driving
Power Magnetron Valve
Procedimentos Teórico e Experimental no Projeto
de uma Linha Formadora de Pulsos para Operação de
uma Válvula Magnetron de Potência
Nivaldo Carleto
103
SIMULAÇÃO COMPUTACIONAL PARA O APOIO AO PROCESSO
ENSINO-APRENDIZAGEM DE PROGRAMAÇÃO LINEAR
COMPUTING SIMULATION FOR THE SUPPORT TO THE
TEACHING-LEARNING PROCESS OF LINEAR PROGRAMMING
Paulo Francisco Sprovieri
EDUCAÇÃO SUPERIOR TECNOLÓGICA:
APLICAÇÃO DE UM MODELO DE
QUALIDADE PARA ADOÇÃO DE
PRÁTICAS ADEQUADAS DE FORMAÇÃO
TECHNOLOGICAL GRADUATION: QUALITY
MODEL APPLICATION FOR ADAPTING SUITABLE
EDUCATION PRACTICES
Ana Teresa Colenci Trevelin
RESUMO
A educação hoje é uma prioridade mundial, principalmente porque vive-se
a era do Capital Intelectual, onde o conhecimento torna-se o item de maior
importância na corrida pela busca de resultados otimizados. No Brasil,
apesar de ser a educação superior tecnológica um tema da maior importância
para o processo de inclusão social, pode-se constatar que ainda há muito
que se fazer. Torna-se evidente que a aplicação de um modelo de qualidade
nos níveis institucionais dos processos educacionais são essenciais para
o desenvolvimento e para a modernidade. Este trabalho procura analisar
a educação tecnológica sob um novo enfoque, através de um modelo de
avaliação de qualidade em sua totalidade, apontando as lacunas do sistema
que vão desde a relação professor-aluno e evasão escolar até marketing
estratégico e empregabilidade. A aplicação do modelo permite identificar os
princípios e estratégias que dão sustentação ao atual modelo educacional e
estabelecer mecanismos que possam incrementar a qualidade na educação
superior tecnológica, face às restrições hoje impostas e às demandas
estabelecidas pela dinâmica do mercado e da tecnologia.
PALAVRAS-CHAVE
Educação superior tecnológica. Qualidade. Modelo de referência.
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 19-27, 2012
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Trevelin, A. T. C.
INTRODUÇÃO
Com o processo de globalização e numa sociedade em acelerado
processo de mudança, o modelo de educação tradicional está sofrendo
revisões profundas. O aluno de hoje não sente dificuldade em acessar o
conhecimento, mas sim de compreendê-lo, assimilando-o até o estágio de
domínio, para a sequente difusão.
O modelo transmissão-recepção torna-se obsoleto na medida em que faz
apenas com que os alunos sejam receptáculos de conhecimento. Segundo
Demo (1999), não dá para se reproduzir cultura, o ser humano só aprende
na condição de sujeito, fazendo sua própria história. A aprendizagem
é atividade social e cultural e o professor tem papel importante neste
aspecto, não como simples repassador do conhecimento como o faz no
modelo transmissão-recepção, mas como desenvolvedor do processo
reconstrutivo. O papel do professor não é o de pensar pelo aluno, mas sim
o de fazer o aluno pensar, conforme salienta Piaget (1969).
O desafio em termos de qualidade da educação superior tecnológica está
baseada em buscar um novo modelo que incorpore inovações social
e economicamente produtivas e ofereça alternativas que valorizem o
processo de ensino-aprendizagem.
Mas o que vem a ser qualidade? Não há um consenso sobre esta definição.
De maneira geral, qualidade é o resultado de ações competentes,
implementadas institucionalmente, dentro de um planejamento global,
sistemático e objetivo, segundo Gianesi e Corrêa (1994). Assim sendo, cabe
às organizações comprometidas com o ensino tecnológico, empenharemse estrategicamente, canalizando atenção na busca da melhoria da sua
qualidade institucional e da qualidade de seus esforços.
No caso da educação superior tecnológica, a situação se reveste de alta
complexidade, pois além do respeito humano, cabe a responsabilidade
civil pelo seu pleno desenvolvimento educacional e profissional do
estudante. As práticas pedagógicas e a experiência permitem estabelecer
um conjunto de condições que sendo cumpridas asseguram uma certa
qualidade nos resultados. O controle da qualidade “a posteriori”, conforme
já exposto, é tardio e oneroso, pois não se pode simplesmente rejeitar
um recém-formado ou colocá-lo na prateleira como estoque. O melhor é
controlar preventivamente as condições sob as quais se realizam as tarefas
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 19-27, 2012
Educação superior tecnológica: aplicação de um modelo de qualidade para adoção de práticas adequadas de formação
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e estabelecer uma organização competente para garanti-las.
Neste caso, o primeiro ponto a se avaliar deve ser o estudo prévio das
condições organizacionais que podem ensejar qualidade, isto durante o
processo e o segundo ponto é analisar a forma como esta avaliação deve
ser feita segundo um contexto estrategicamente estabelecido. Cabe lembrar
que avaliação é um processo contínuo e não um evento pontual, e deve
ocorrer ao longo de todo o processo de aprendizagem, conforme salienta
Bordenave (1983).
Segundo comunicado da UFMG (1982), a questão da qualidade do ensino,
tem sido geralmente analisada levando-se em conta pontos fragmentados,
pois ora se enfoca a perspectiva dos alunos, ora a perspectiva do professor,
ora o conteúdo do ensino e ora a sua organização, o que é totalmente
inadequado.
Os trabalhos que avaliam a qualidade da educação através do corpo discente
usam como indicadores notas de exames vestibulares, antecedentes
escolares, frequência e evasão, desempenho escolar, aprovação e
reprovação, entre outros. Outros trabalhos dão ênfase no corpo docente.
Neste caso, os indicadores são titulação de professores, regime de trabalho,
cursos de extensão e metodologia, etc. Há ainda os que salientam o próprio
ensino, dos quais são indicadores os currículos e programas, carga horária,
objetivos, etc.
Estes trabalhos, no entanto, não atingem a essência da situação da qualidade
da educação uma vez que apresentam visões parciais da questão.
Em vista disso, questiona-se: um curso universitário oferece um ensino
de boa qualidade com base na frequência dos alunos, nos títulos dos
professores ou pela alta ou baixa carga horária? É possível afirmar que
as respostas a estas questões, apesar de relevante importância, não são
suficientes para garantir a qualidade da educação.
Os elementos educacionais devem ser compreendidos em sua totalidade. A
essência da qualidade não pode ser captada a partir de partes fragmentadas,
em análises isoladas, a menos que estas partes fragmentadas façam parte
do todo e permitam uma análise sintética de todas as partes. Assim sendo,
cabe definir qualidade do processo educacional nas questões operacionais
sob a ótica da eficiência e qualidade do produto, relativa ao resultado da
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 19-27, 2012
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Trevelin, A. T. C.
ação educacional, sob a ótica da eficácia.
Neste caso, o trabalho procura analisar o ensino tecnológico sob um novo
enfoque, através de um modelo de avaliação de qualidade e assim analisar
o ensino em sua totalidade, e não mais em partes fragmentadas, apontando
as lacunas do sistema.
O modelo de referência escolhido foi o de Parasuraman, Zeithaml e Berry
(1990), adaptado à educação por Colenci (2000) por ser considerado o mais
consistente modelo de qualidade e recebe o nome de “modelo das cinco
falhas” por ter identificado cinco falhas ou discrepâncias (gaps) entre o
sistema de prestação de serviços e a qualidade esperada pelo beneficiário,
redundando em problemas na percepção da qualidade, segundo Mendes
(1998).
Este modelo, será aplicado nos três níveis institucionais: o estratégico, o
tático e o operacional para estudar a relação entre a sociedade e a faculdade
(estratégico), entre o mercado e os cursos oferecidos (tático) e entre
professores e alunos (operacional). Em cada nível, conforme explicação
mais detalhada no item 4 deste trabalho, serão analisadas as falhas em
cada uma das relações institucionais e em seguida serão propostas ações de
melhoria para suas efetivas aplicações. O detalhamento da Cadeia de Valor
de todas as fases significativas permitirá localizar pontos fortes, fracos e
tomar as medidas de correção.
1. O Modelo de Qualidade
Diante deste quadro, foi escolhido o modelo de referência de Parasuraman,
Zeithaml e Berry (1990), adaptado à educação por Colenci (2000) para
aplicação na unidade Fatec-Taquaritinga a fim de se verificar as lacunas
existentes no atual modelo de ensino para em seguida propor e aplicar
ações de melhoria.
Este modelo é considerado como sendo o mais consistente modelo de
qualidade e conforme já exposto recebe o nome de “modelo das cinco
falhas” por ter identificado cinco falhas ou discrepâncias (gaps) entre o
sistema de prestação de serviços e a qualidade esperada pelo beneficiário,
redundando em problemas na percepção da qualidade, segundo Mendes
(1998).
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Educação superior tecnológica: aplicação de um modelo de qualidade para adoção de práticas adequadas de formação
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Pela forma como foi concebido, esse modelo considera, de forma sistêmica,
todas as variáveis que podem influenciar a qualidade e a interação entre
elas.
Para um melhor entendimento das relações complexas existentes na
educação tecnológica, a estrutura de referência será aplicada em três
níveis diferentes de relações: estratégico, tático e operacional, definidos
na Figura 1.
Figura 1. Diferentes níveis de relações educacionais (Colenci, 2000).
O nível estratégico, segundo Belhot (1997) está envolvido com as interações
das atividades da organização e seu ambiente. Assim, neste contexto,
avalia-se a relação universidade/sociedade. Entende-se estratégia como
o padrão das decisões e ações resultantes do desdobramento da visão de
longo prazo da organização, influenciada por fatores internos e externos,
levando-se em conta dois aspectos:
• As escolhas estratégicas moldam a estrutura e os processos da
organização;
• A estrutura e os processos condicionam a estratégia.
O nível tático é o nível intermediário, que coordena e integra as tarefas
do nível operacional junto ao nível estratégico. Neste nível, integramse as entradas para o nível operacional. No caso, é a relação de
determinada área de conhecimento com o mercado, com os professores
e as disciplinas.
O nível operacional refere-se à execução das atividades operacionais, isto
é, está relacionado às atividades de transferência de conhecimento e de
formação do aluno à partir dos recursos humanos, materiais e tecnológicos
disponíveis.
Segundo Colenci (2000), apesar de feita esta delimitação, nada impede
que se analisem as relações entre os diferentes níveis, por exemplo,
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Trevelin, A. T. C.
da universidade com o aluno; da área tecnológica com o professor da
disciplina, pois há sempre uma relação a ser analisada. O importante é
que se determine, no momento da análise, quem está prestando o serviço
e quem está se beneficiando, ou seja, quem é o beneficiário e quem é
o prestador. Em seguida, deve-se especificar quais as expectativas do
beneficiário, quais suas experiências, entre outros aspectos. Esperase que essa divisão possa identificar as ações a serem empreendidas a
cada nível e assim contribuir para um melhor entendimento do processo
educacional.
2. OBJETIVO
Dado que há a crescente preocupação em melhorar a qualidade da educação
superior tecnológica em aspectos que vão desde a relação professor-aluno
e evasão escolar até marketing estratégico e empregabilidade, o presente
trabalho tem por objetivo: utilizar a estrutura de referência proposta por
Colenci (2000) que permita identificar os princípios e estratégias que dão
sustentação ao atual modelo de educação e estabelecer mecanismos que
possam incrementar a qualidade na educação superior tecnológica, face
às restrições hoje impostas e às demandas estabelecidas pela dinâmica do
mercado e da tecnologia.
3. METODOLOGIA
Com a finalidade de atingir os objetivos propostos, está sendo realizado
um trabalho de pesquisa qualitativa. A metodologia para esta pesquisa tem
como base o levantamento de informações, a coleta de dados, análise e
discussão de resultados e a proposição de ações.
Segundo Thiollent (1986), a discussão dos resultados práticos à luz de
um referencial teórico-conceitual, evita o excesso de empirismo, que
corresponde à observação sem teoria, e ao mesmo tempo, evita o excesso
de formalismo, que corresponde à teorização sem observação real. Uma
ampla revisão bibliográfica, ao estudo da arte, deu início ao procedimento
desta pesquisa.
O estudo de caso está sendo realizado na Faculdade de Tecnologia de
Taquaritinga. A amostra é composta pelo prefeito e empresários da cidade
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Educação superior tecnológica: aplicação de um modelo de qualidade para adoção de práticas adequadas de formação
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além da diretora, coordenadores, alunos e professores dos cursos de
Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas e do curso de
Tecnologia em Produção Industrial do período matutino, do 1º semestre
ao 5º semestre. A coleta de dados conforme exposto, está sendo feita
através de questionários e entrevistas pessoais. A pesquisa de campo
consta de três partes. A primeira, relacionada com o nível estratégico
consiste em verificar a relação da faculdade com a cidade em questão. A
segunda, relacionada com o nível tático consiste em verificar a relação
dos cursos de Tecnologia em Produção e Tecnologia em Análise e
Desenvolvimento de Sistemas com as empresas da região e a terceira
parte consiste em pesquisar a relação professor-aluno nos cursos em
questão.
4. ANÁLISE E COLETA DE DADOS
A coleta de dados está sendo feita através de questionários elaborados pela
autora, além da utilização de dados do Sistema de Avaliação Institucional,
o SAI. A coleta está sendo feita pessoalmente. Após a fase da coleta, os
resultados foram comparados a fim de se verificar quais gaps ou lacunas
necessitam de maior intervenção.
A análise consta de duas partes. A primeira estatística, baseada nos dados
coletados e a segunda consta em uma análise qualitativa e de aplicação que
apresentarão posteriormente melhoria na qualidade da educação superior
tecnológica na unidade Fatec-Taquaritinga.
5. RESULTADOS ESPERADOS
O intuito da pesquisa foi verificar se o modelo de referência proposto pela
autora pode identificar as lacunas da instituição e ainda, se pode contribuir
para que esta instituição tenha seus resultados otimizados. Objetiva-se, com
essa pesquisa, apresentar uma melhoria na qualidade da educação superior
tecnológica na unidade Fatec-Taquaritinga, dados estes que poderão ser
medidos pela própria avaliação do Sistema de Avaliação Institucional –
SAI. Com isso, não só a Unidade pesquisada, mas todas as Fatecs poderão
contar com uma ferramenta eficiente no sentido de melhoria da qualidade
da educação.
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 19-27, 2012
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Trevelin, A. T. C.
ABSTRACT
We live in the moment of intellectual capital and the education has become
a global priority. The knowledge has become the most important item in
the race for searching optimized results. In Brazil, despite being the fact
that higher education technology is an issue of major importance for the
social inclusion process, it can be seen that there is still a lot to be done. It
is evident that the application of a institutional model of quality is essential
for the development and modernity. This paper analyzes the technological
education under a new approach, using a model of quality assessment
in its entirety, pointing out the shortcomings of the system ranging from
student-teacher relationship and school dropout to strategic marketing
and employability. The application of the model allows to identify the
principles and strategies that support the current educational model and to
establish mechanisms to improve quality in higher education technology,
given the restrictions now imposed and the demands set by the market
dynamics and technology.
KEYWORDS
Higher technology education. Quality. Reference model.
REFERÊNCIAS
BELHOT, R. V. Reflexões e Propostas sobre o “ensinar engenharia” para o século XXI.
São Carlos. 113 p. Tese (Livre Docência). Escola de Engenharia de São Carlos EESCUSP – Universidade de São Paulo. 1997.
BORDENAVE, J.E.D. Alguns Fatores Pedagógicos. Brasília: OPAS, 1983.
COLENCI, A. T. O Ensino de Engenharia como uma Atividade de Serviços: a Exigência
de Atuação em Novos Patamares de Qualidade Acadêmica. Dissertação (Mestrado).
Escola de Engenharia de São Carlos EESC-USP - Universidade de São Paulo, 2000.
DEMO, P. Educação e Qualidade. 3. ed. Campinas: Papirus, 1999.
GIANESI, I. CORRÊA, H. Administração estratégica em serviços. São Paulo: Atlas.
1994.
MENDES, G. H. S. O processo de desenvolvimento de novos serviços: o setor bancário.
São Carlos. 165p. Dissertação (Mestrado). Engenharia de Produção – Universidade
Federal de São Carlos, 1998.
PARASURAMAN, A., BERRY, L. L. & ZEITHAML, V. A. Refinement and reassessment
of the SERVQUAL scale. Journal of Retailing, 67 (winter), 1990.
PIAGET, J. Seis Estudos de Psicologia. Rio de Janeiro: Forense, 1969.
THIOLLENT, M. Metodologia da Pesquisa-Ação. São Paulo: Cortez.1986.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS. Indicadores da qualidade do ensino:
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 19-27, 2012
Educação superior tecnológica: aplicação de um modelo de qualidade para adoção de práticas adequadas de formação
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uma proposta. In. O PROPÓSITO da qualidade do ensino superior no Brasil: anais
de dois encontros. Brasília, Ministério da Educação e Cultura. 1982.
Ana Teresa Colenci Trevelin
É professora pesquisadora com dedicação exclusiva do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza, unidade Fatec-Taquaritinga
há dez anos. Possui graduação em Pedagogia, pela Universidade Federal de São Carlos (1997), graduação em Direito pela Faculdade de
Direito de São Carlos (2001), mestrado em Engenharia de Produção
pela USP (2000), especialização em Gestão Organizacional e de Recursos Humanos pela UFSCar (2004) e defendeu seu Doutorado em
Engenharia de Produção pela USP (2007) com a tese intitulada: “A
relação professor-aluno estudada sob a ótica dos estilos de aprendizagem: análise em uma
Faculdade de Tecnologia – FATEC”. Tem concentrado suas pesquisas na Educação Superior
Tecnológica e os aspectos investigados estão relacionados a geração de material didático, estilos de aprendizagem, trabalho em equipe e tecnologias da informação e comunicação (TICs).
E-mail: [email protected]
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 19-27, 2012
CAMA MECANIZADA PARA PESSOAS
TETRAPLÉGICAS
MECHANIZED BED FOR QUADRIPLEGIC PEOPLE
Carlos Roberto Regattieri
RESUMO
O papel do Tecnólogo no desenvolvimento de novas tecnologias para o
barateamento de novos produtos tornou-se fundamental na sua formação.
Este trabalho/pesquisa vem demonstrar que idéias simples podem ser
aplicadas e voltadas ao bem comum. Trata-se de um produto voltado a
pessoas com problemas tetraplégicos, de modo a facilitar a movimentação
destas pessoas, em virtude de longos períodos acamados, evitando assim
a formação de escaras. Os componentes são facilmente encontrados
no mercado a um preço acessível, permitindo assim um acesso a um
número maior de pessoas. A pesquisa realizada na elaboração foi através
de observações e consultas a equipes médicas, bem como bibliografia
técnica, para a compreensão de modo prático a necessidade e os critérios
necessários, de maneira a não complicar o problema existente. De posse
destas informações, foi escolhida a estrutura em ferro metalão, por ser
facilmente encontrado, leve e de baixo custo. A construção teve como
objetivo manter a pessoa na posição deitada, que se fundamente no princípio
de movimentos atuados por sistemas mecânicos e eletroeletrônicos e que
contêm um painel de acionamento elétrico para as posições de inclinação
à direita e à esquerda. Além disso, esse projeto possui elementos que se
torna possível à movimentação pelas dependências hospitalares ou até
mesmo em casa. Suas dimensões são: comprimento: 203 cm, largura:
88 cm, altura: ajustável através de acionamento mecânico, perfazendo
dimensões: mínima de 50 cm e máxima de 76 cm em relação ao chão. A
Inclinação é realizada através de acionamento eletrônico, que proporciona
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Regattieri, C. R.
inclinações à direita e à esquerda, com intervalos de 5 em 5 graus, até 45
graus. A cabeceira terá inclinação de até 90 graus, sendo acionado por
sistema mecânico através de manivela. A capacidade é de pessoas de até
150 kg.
PALAVRAS-CHAVE
Cama tetraplégico. Equipamento de apoio. Serviço social.
1. OBJETIVOS
1.1. Objetivo Geral
O objetivo deste trabalho é desenvolver um projeto com objetivos que
compreende em:
• Envolver os alunos com a aplicação dos conceitos obtidos nas
disciplinas ministradas, de maneira que conseguimos visualizar e
praticar estes conceitos, aproximando a realidade de um chão de
fábrica, com os problemas encontrados na execução, com a pesquisa
acadêmica, quando da busca dos conceitos e suas aplicações.
• Envolvimento com as questões sociais, e sua possível contribuição
no desenvolvimento de um produto voltado a um público específico,
buscando as especificidades do segmento.
1.2. Objetivo Específico
O objetivo deste trabalho é desenvolver um projeto experimental com
objetivos específicos que compreende em:
• Desenvolvimento de um produto de apoio “Cama Mecanizada” que
permita a melhora de vida de tetraplégicos, em relação aos longos
períodos em que permanecem acamadas numa mesma posição,
através de sistema mecânico e eletroeletrônico, inclinações que
permitem o alívio da compressão, evitando assim a formação de
ulceras por pressão conhecidas como escaras.
• Aplicação e utilização de materiais de baixo custo no desenvolvimento
de novos produtos, nesse caso específico a cama mecanizada para
pessoas tetraplégicas, facilitando ao acesso de pessoas de baixa
renda.
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Cama mecanizada para pessoas tetraplégicas
1.3. Metodologia
Todo trabalho científico nasce de uma dificuldade ou questionamento que
deve ser cuidadosamente formulado através de uma pesquisa. A pesquisa
deve contribuir para a formação de uma consciência crítica ou um espírito
científico no pesquisador, apoiando-se em observações, análises e deduções
interpretadas através de uma reflexão crítica, de maneira a formar o espírito
científico.
De acordo com Marconi e Lakatos (2006), o método é o conjunto das
atividades sistemáticas e racionais que, com maior segurança e economia,
permite alcançar o objetivo, os conhecimentos válidos e verdadeiros, traçando
o caminho a ser seguido, detectando erros e auxiliando nas decisões do
pesquisador. A pesquisa aplicada tem como característica seu interesse prático,
de maneira que os resultados alcançados sejam aplicados de forma direta e
imediata na solução de problemas em situação real. (APPOLINÁRIO, 2006).
Segundo P. Marinho (1980:18), para que haja a pesquisa científica, é
necessário que: se adote uma metodologia meticulosa, compreendendo
uma série de etapas encadeadas segundo uma sequencia rigorosamente
lógica, com certa rigidez quanto à seleção da amostra, quanto ao tamanho da
amostra, e um controle sistemático e constante no que se refere à validade
interna e externa na técnica operacional do trabalho. (MARINHO, 1980:18)
2. MATERIAL E MÉTODOS
2.1. Características do Projeto (Cama Mecanizada para Pessoas
Tetraplégicas).
Com base nas especificidades
de pessoas portadoras de
tetraplegia, foi desenvolvido
um produto de apoio visando
a utilização de materiais com
qualidade e melhor custobenefício. A ilustração 1 abaixo
apresenta e denomina as partes
e componentes do projeto de
maneira a facilitar sua compreensão.
Ilustração 1
Fonte: Autor
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 29-35, 2012
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Regattieri, C. R.
Descrição:
• A cama possui 2,03 metros de comprimento e 0,875 metros de largura.
• A altura do leito é ajustável, com altura mínima de 0,5 metros e altura
máxima de 0,76 metros, que possibilita facilidades na colocação do
paciente na cama e funcionalidade das inclinações do leito, tendo como
referencial o chão, onde que o acionamento para o ajuste da altura do
leito será realizado com um macaco mecânico utilizado para algumas
manutenções em automóveis, facilmente encontrado no mercado.
• Através de um acionamento eletrônico, o leito da cama inclina-se
à direita e a esquerda de 0° à 45°, obtendo-se intervalos de 5 em 5°,
possibilitando com isso a mudança na pressão de decúbito do paciente.
• A cabeceira é removível com 0,29 metros de altura e 0,875 metros de
largura.
• Pensando no conforto do paciente, o encosto das costas inclina-se de 0
até 90 graus, através de um acionamento mecânico.
• A peseira possui altura de 0,39 metros de altura e 0,875 metros de largura.
• As grades laterais de proteções possuem 0,39 metros de altura 1,350
metros de comprimento e são removíveis.
• Possui capacidade de movimentação (rodízios), tracionado por terceiros
(roda louca e travas).
• Os acionamentos eletrônicos possuem indicações visuais quando o
sistema estiver energizado por meio de luminoso no painel de comando.
• Contém painel eletrônico portátil do controle das funções, ligado por
meio de cabo, permitindo o acesso em qualquer lado da cama.
• A cama possui facilidades de transporte.
• A cama é alimentada a partir da rede elétrica de 110 V/ 60Hz.
• O sistema eletroeletrônico é estruturado em corrente contínua.
2.2. Processos Utilizados na Fabricação da Cama Mecanizada para
Pessoas Tetraplégicas
O produto de apoio a tetraplégicos desenvolvido apresenta processos de
fabricações simples e de baixo custo, fazendo com que a receita final do
produto seja acessível a pessoas que passam por dificuldades financeiras,
como o problema enfrentado pelos tetraplégicos, onde a sua manutenção
diária traz vários tipos de custos, bem como, remédios, trabalhos dos
enfermeiros e viagens constantes a médicos.
Para a melhor compreensão dos processos utilizados na fabricação da
cama, segue abaixo descrições dos processos utilizados montagem:
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 29-35, 2012
Cama mecanizada para pessoas tetraplégicas
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• Estrutura da cama fabricada em metalão, cortadas nas dimensões
de projeto através de uma policorte e unidas através do processo de
soldagem, sendo o equipamento utilizado a máquina de solda MIG
que é o processo mais indicado a trabalhar com esse tipo específico de
material.
• Torneamento de eixos para adaptação de um sistema de redução de
rotação, para fazer o controle eletroeletrônico do motor utilizado,
utilizando um torno convencional.
• Furos executados, em vários pontos do equipamento na união de
parafusos e rebites, utilizando uma furadeira de coluna.
• Corte de matéria prima utilizando serra de fita.
• Possui um sistema de redução de rotação do motor através de um conjunto
de quatro engrenagens de bicicleta, especificamente desenvolvido de
modo a fazer com que a rotação do motor reduza em aproximadamente
vinte e cinco vezes.
• A alimentação do sistema de rotação do leito é feito através de um
motor Bosch modelo CEP, facilmente encontrado no mercado e de preço
acessível.
3. ANÁLISES DOS RESULTADOS
Após o sequenciamento de montagem da cama, podemos analisar que o
funcionamento do mecanismo de inclinação funciona de maneira correta,
não apresentando após uma sequencia de testes qualquer não conformidade.
Quanto ao leito da cama, foi depositado peso simulando um corpo humano
e não ocorreu qualquer tipo de ruptura e deslizamento do estrado de
madeira. O sistema de elevação ficou super dimensionado, pois o objetivo
de suportar 150 kg, tornou-se ínfimo em relação a capacidade do macaco
mecânico, que comercialmente a menor potência encontrada no mercado
é de duas toneladas. A finalidade de movimentação ficou demonstrada
não só em ambientes hospitalares mas também em ambientes domésticos,
devido ao sistema de rodízios. Este sistema também apresentou segurança
quanto à inércia por conter freios. As grades laterais devido a facilidade de
retirada e colocação permitem fácil acesso a cama.
4. PRINCIPAIS CONCLUSÕES
A execução do projeto bem como os objetivos propostos demonstrou
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 29-35, 2012
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Regattieri, C. R.
que é possível a execução de um produto de baixo custo, utilizando-se
matéria prima facilmente encontrada no mercado, proporcionando uma
baixa receita financeira. A sequência de montagem, demonstra que em
relação a mão de obra utilizada, não é necessário especialistas, tornando
este item também de forma a não encarecer o produto final, visto que
a execução foi realizada pelos próprios alunos em uma empresa que
cedeu suas instalações. Quanto ao maquinário utilizado, também se
trata de equipamentos de baixo custo, como, máquina de solda, torno
convencional, furadeira, policorte e serra de fita. Pode-se observar que
o produto acabado, possui mobilidade através dos rodízios que facilita
sua movimentação, proporcionando também ao seu baixo peso próprio.
Em relação a sua finalidade social, conclui-se que apesar de ainda não
ter sido realizado testes com pessoas tetraplégicas, sabemos que existe
no mercado produtos semelhante, porém de custo elevado que atende as
especificidades.
ABSTRACT
The role of technology in the development of new technologies to lower
cost of new products has become instrumental in its formation. This work
/ research demonstrates that simple ideas can be applied and oriented to
the common good. It is a product aimed at people with quadriplegics, to
facilitate the movement of these people, because of long periods in bed,
thus avoiding the formation of scabs. The components are easily found
on the market at an affordable price, thus allowing access to a larger
number of people. The survey was conducted in the development through
observations and consultations with medical staff, and technical literature,
for a practical understanding of the need and the necessary criteria, so as
not to complicate the existing problem. With this information, we chose the
iron structure metaled, it is readily found, lightweight and low cost. The
construction was intended to keep the person lying down, which is based
on the principle of motion actuated by mechanical and electronic systems
and which contain a panel of electric drive for the positions of tilt to the
right and left. In addition, this project has elements that makes it possible
to drive the hospital premises or even at home. Its dimensions are: length
203 cm, width: 88 cm, height: adjustable by mechanical drive, making
dimensions: minimum 50 cm and a maximum of 76 cm from the floor. The
inclination is achieved by electric drive, which provides the slopes right
and left, at intervals of 5 by 5 degrees to 45 degrees. The head will tilt up
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 29-35, 2012
Cama mecanizada para pessoas tetraplégicas
35
to 90 degrees, the mechanical system being driven by the crank. The ability
of people is up to 150 kg.
KEYWORDS
Bed quadriplegic. Support equipment. Social service.
REFERÊNCIAS
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Thomson Learning: São Paulo, 2006.
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10ª ed. v.1. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005.
Carlos Roberto Regattieri
Doutor em Engenharia Mecânica pela Escola de Engenharia de São
Carlos – EESC – USP, Especialista em Meio Ambiente pela Escola
de Engenharia de São Carlos – EESC – USP, Professor Pleno II do
Curso em Produção Industrial da FATEC Taquaritinga, Coordenador
do Curso de Pós Graduação Lato Sensu – Especialização em Gestão
da Produção da FATEC Taquaritinga, Coordenador do Grupo de Pesquisa em OEE – Overall Equipment Effetiveness. Ministra a Disciplina de Gestão e Controle de Processos Automatizados. E-mail: carlos.
[email protected]
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 29-35, 2012
THE USE OF SANITARY LANDFIL GAS FOR THE
THERMAL TREATMENT OF LEACHATE – A
SIMULTANEOS REDUCTION OF TWO SOURCES
OF POLLUTANTS OF AIR, SOIL AND WATER
USO DO GÁS DE ATERRO SANITÁRIO PARA TRATAMENTO
TÉRMICO DE CHORUME – UMA REDUÇÃO SIMULTÂNEA
DE DUAS FONTES POLUENTES DE AR, SOLO E ÁGUA
Carlos Roberto Regattieri
ABSTRACT
A research is being conduced in the sanitary landfil of Sao Carlos, Brazil,
a city with 200,000 inhabitants to verify the feasibility of the thermal
treatment of the leachate using the landfil gas as the energy source. The
composition and flow rate of both the gas and chorume were determined
experimentaly. To measure the gas flow rate at the wells a probe was
developed and its measurements were compared with information
obtained in the literature. Energy and chemical balances were made to
verify the availability of energy and the process potential for emission
of air pollutants. So far, the results show that there are enough energy to
make the leachate incineration feasible, but more research is on the way,
since the gas flow rate may have a large variation from well to well and
not all of them were probed so far. The chemical balance showed that the
air pollution potential for the thermal process is small and even with no
gas treatment most of the emissions would be lower than required by the
environmetal legislation.
KEYWORDS
Energy recovery. Energy conservation. Environment. Biogas. Climate
change. Sanitary landfil.
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 37-44, 2012
38
Regattieri, C. R.
INTRODUCTION
We live in a society where consunption is still a sinonim of development.
One way products and the excess of packing produce more and more
wastes. In Brazil the waste production is relatively modest, aproximately
240,000 ton/day but grows 5%/year what means that it tends to double
every 15 years. Today, the per capta production of waste is aproximately
1kg/person/day ( Pacey, J.G.,1986) and not all the sanitary landfils in
the country have good control. The rate of waste production tends to
grow, making the waste management and disposal a problem of difficult
solution, and placing clearly the need for the research of alternatives
that are acceptable from the environmental and economic points of view.
Among the problems caused by the inadequate disposal of the waste are
the spreading of diseases and soil and water contamination by the leachate,
the air pollution caused by methane, that is a greenhouse gas (GHG),
and the release of odorous compounds. Besides that, there is a crescent
shortage of area to landfil the residues. Municipal waste is rich in organic
compounds that in contact with air suffer a slow process of oxidation and
decomposition. However, in the internal layers of the waste, anaerobic
bacteria accelerate the process and the waste decomposition produces
gases as methane (CH4), carbon dioxide (CO2) nitrogen (N2) and others
in small quantities able to produce unpleasant odors. Methane and CO2 are
the gases of most concern once they can upset the thermal balance of the
Earth by absorbing infra-red radiation in the same range of wavelengths
that the planet emits to space (emission window). This happens because:
a) the fraction of this gas is quite large in sanitary landfills, about 50% in
volume, and b) its Global Warming Potential (GWP) is about 23 times
that of CO2 (mass basis) considering a time horizon of 100 years (IPCC,
2010).
1. Metodology
The proposed processs is the thermal treatment of the leachate using the
sanitary landfil gas as the energy source. To determine its feasibility it
was necessary to make a balance of energy considering: a) the gas flow
rate and its chemical composition (available energy) and b) the leachate’s
flow rate, specific heat and latent heat of vaporization (energy required).
The process should reach temperatures about 900ºC considered safe for
avoiding the formation of most of the air pollutants (SINDIC, D. R., 2002).
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 37-44, 2012
The use of sanitary landfil gas for the thermal treatment of leachate...
39
To determine which air pollutants could be generated and what kind of
treatment, if any, should be applied it was necessary to know the chemical
composition of the leachate. At the typical combustion temperatures sulfur
forms SO2 and SO3, Cl forms HCl and organoclorides, fluorine forms HF,
heavy metals can be emmited as gases or adsorbed in the particulate matter
(PM) and N can generate NOx (NO e NO2). To make the energy balance
more favorable it was tried to reduce the leachate’s water content using
microfiltration a low energy process.
1.1. Gas and Leachate Sampling
During the year of 2002 leachate samples were regularly colected at the
inlet of the storage ponds of the sanitary landfil. Glass bottles with hermetic
plastic lids, previously washed with a solution of 50% of HCl were used for
its storage, in a freezer at 4ºC, until the chemical and physical analisys could
be carried out. Soon after collected the samples had their pH determined,
showing values around 8. The leachate average temperature during the
period of sampling was 24 ºC. Samplings of the gas were made as well. To
extract the gas, some of the flares were turned off and a hose was introduced
deep inside them to avoid any possible diluttion by air. The gas suction was
carried out using a glass flask previously filled with water and equiped with
one tap at each end to alow the water discharge and the gas suction. The hose
was previoulsly purged of air by exposing it to the gas flow.
1.2. Leachate Properties
1.2.1. Flow Rate
The leachate flow rate was determined several times along the year, using
a vessel of 20 L to collect the liquid and measuring the time necessary to
made it (Eq 1).
(1)
1.2.2. Calorific Value
To verify if the leachate could have any residual calorific value a 5000
– IKA Labortechncik calorimeter was used. The samples had a mass of
5g and the tests were carried out using untreated leachate, microfiltrated
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 37-44, 2012
40
Regattieri, C. R.
leachate and a blend of leachate with etanol.
1.2.3. Heavy Metals
For the heavy metal analisys it was used the atomic absorption spectrometry
technique with the method of standards addition and a HITACHI, modelo
Z 8100 device.
1.3. Gas Properties
1.3.1. Chemical Composition
It was used a cromatografer Grow-Mac with a thermal conductivity
detector and a Porapak Q (2m, 80 a 100 mesh) column.
1.3.2. Gas Flow Rate
The gas flow rate was determined experimentaly trough the placement of
a probe developed for this purpose in some of the wells after its flares bad
been turned off and compared with calculations based on the daily mass
of residues disposed in the landfil (CRISTENSEN,et al, 1996). The probe
used parts of an early DISA 55M hot wire anemometry system that was
modified to give spatial and temporal averages rather than the usual high
resolution tipical of this type of equipment.
Some details of the probe and its calibration set up are shown in Figure (1).
Fig.1 – Schematics of the gas flow rate sampling probe
Source: Author
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 37-44, 2012
The use of sanitary landfil gas for the thermal treatment of leachate...
41
2. Results
2.1. Leachate Flow Rate
The leachate flow rate showed a strong variation along the year, with values
as hight as 8 m3/h during the rainy season (December to March) and about
2 m3/h or bellow, during the rest of the year, Figure(2).
Fig. 2 – Leachate’s flow rate from January to August 2002.
Source: Author
2.2. Gas Flow Rate
Measurements were carried out in 3 off the 20 wells of the landfil, showing
little variation among them, Table (1).
Table (1) - Gas flow rates for three wells
2.3. Leachate Properties
The elements analized in the leachate for its potential to produce air
pollutants, mainly metals, nitrogen (NOx) sulfur (SOx) clorine (HCl) and
fluorine (HF). No calorific value was detected for the leachate, even after
microfiltration that, with the system used produced negligible results.
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 37-44, 2012
42
Regattieri, C. R.
2.4. Chemical Composition of the Landfil Gas
The chemical composition of the landfil gas and of the gas in the surface
of the leachate ponds. In the landfill gas methane has a fraction of 51%
in volume, what is a value often reported in the literature. With this
composition, the low calorific value of the gas is about 35 MJ/kg. On the
leachate ponds methane concentration is much smaller, about 5%, but still
significant from the environmental point of view.
2.5. Availability of Energy
For the energy balance it was admited that the reactants (air and gas) were
at 25ºC and 0,1 MPa, all gases (reactants and products) had a perfect gas
behavior and entalpy was a function only of the temperature, so it could
be readly determined with the correlations available in the literature for
specific heat at constant pressure. For the combustion process an excess
of air of 10% was admitted as it is usualy hight enough to ensure good
efficiency of the gas combustion without causing an excessive drop of the
incinerator’s thermal eficiency. A mean combustion temperature of 900ºC
was considered adequate once it is sufficiently high to avoid the formation
of hazard organic compounds but low enough to avoid excessive NOx
formation and waste of energy. Under these assumptions, the complete
combustion of the biogas, considering one mol of methane, is given by
Equation (2) and the energy conservation by Equation (3).
(2)
In Equation (3) the subscripts P and R are for products and reactants
respectively, hf is the formation entalphy, h its correction from the
reference state of 25ºC and 0.1 MPa to the condition considered and QA is
the energy available for the leachate incineration.
(3)
An estimate of the landifil production of methane was made and compared
to the measurements. In order to obtain a good agreement, the value for the
ratio between gas production and waste disposed that should be used was:
The daily load of the lanfil is: mRes = 130 t/dia what should produce at the
present conditions of the sanitary landfil a flow rate of:
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 37-44, 2012
43
So, the leachate flow that could be incinerated is: VchI = 1.33 m3 leachate
/ h. This volume is close but not enough to incinerate all the leachate of
the landfill, that have an annual average production of 2 m3/h. Removing
some water by microfiltration or another low energy process or lowering
the temperature of thre gases could help in the process.
The use of sanitary landfil gas for the thermal treatment of leachate...
2.6. Potential for Emission of Air Pollutants
During the leachate incineration some air pollutants might be formed and
released. To evaluate the potential of these emissions, a calculation was
made considering that all chemical species of interest in the leachate would
be totally converted in some kind of poluent and released to the atmosphere.
3. Conclusions
The landfil production of gas was measured in 3 of its 20 wells showing
an average of 32.7 m3/h/well. That gives a total of 654 m3/h for the whole
landfil or yet an average of 3*10-3 m3/h/m2. The mean ratio between
methane and waste resulted in 61 Nm3 of CH4/ton of waste. More
research is needed and is underway to make a saffer estimate. The energy
represented for this volume should be close, although not enough, to that
required for the leachate incineration at 900ºC. The annual average of
leachate production was 2 m3/h with a four fold increase during the rainy
season. The gas energy would be sufficient for about 1.3 m3/h. Some of
the potential air pollutants that could be released by the process if their
precurssors were totally converted and emitted by the stack would be
above the legal limits. More acurate estimates are needed for this aspect of
the process as it is unlike that that happens.
RESUMO
A pesquisa está sendo conduzida no aterro sanitário de São Carlos,
Brasil, uma cidade com 200 mil habitantes, para verificar a viabilidade
do tratamento térmico do chorume utilizando o gás de aterro como fonte
de energia. A taxa de fluxo da composição e o gás e o chorume foram
determinados experimentalmente. Para medir a taxa de fluxo de gás em
poços uma sonda foi desenvolvido e as suas medições foram comparados
com os dados obtidos na literatura. Balanços de energia e química foram
feitos para verificar a disponibilidade de energia e o potencial processo de
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 37-44, 2012
44
Regattieri, C. R.
emissão de poluentes atmosféricos. Até agora, os resultados mostram que
não há energia suficiente para tornar a incineração de chorume viável, mas
mais investigações estão sendo realizadas, uma vez que a taxa de fluxo de
gás pode ter uma grande variação de poço a poço e nem todos eles foram
sondados até o momento. O balanço químico mostrou que o potencial de
poluição do ar para o processo térmico é pequeno e, mesmo sem tratamento
de gás a maioria das emissões seria menor do que o exigido pela legislação
ambiental.
PALAVRAS-CHAVE
Recuperação de energia. Conservação de energia. Meio ambiente. Biogás.
Mudanças climáticas. Aterro sanitário.
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Carlos Roberto Regattieri
Doutor em Engenharia Mecânica pela Escola de Engenharia de
São Carlos – EESC – USP, Especialista em Meio Ambiente pela
Escola de Engenharia de São Carlos – EESC – USP, Professor
Pleno II do Curso em Produção Industrial da FATEC Taquaritinga,
Coordenador do Curso de Pós Graduação Lato Sensu – Especialização em Gestão da Produção da FATEC Taquaritinga, Coordenador do Grupo de Pesquisa em OEE – Overall Equipment Effetiveness. Ministra a Disciplina de Gestão e Controle de Processos
Automatizados. E-mail: [email protected]
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 37-44, 2012
A CONTRIBUIÇÃO DA
PESQUISA-AÇÃO PARA OBTENÇÃO
DA INOVAÇÃO TECNOLÓGICA
THE CONTRIBUTION OF ACTION-RESEARCH TO
OBTAIN TECHONOLOGICAL INNOVATION
Daniela Gibertoni
RESUMO
A inovação tecnológica continua a ser um desafio para as empresas e para o
desenvolvimento do país. Este artigo traz uma discussão do uso do método
da pesquisa-ação para alcançar e difundir a inovação tecnológica entre os
pesquisadores interessados em aplicar tal método, além de apresentar os
principais conceitos abordados na literatura acerca do tema pesquisa-ação
e inovação tecnológica no Brasil. Na sequência, é apresentada a relação da
utilização da pesquisa-ação como um meio para se alcançar a tão almejada
inovação tecnológica.
Palavras-chave
Pesquisa-ação. Inovação tecnológica. Método de pesquisa.
INTRODUÇÃO
Ao fazer uma análise aprofundada sobre o tema pesquisa-ação na área
de Engenharia de Produção, decorrente da tese desta autora, foi possível
constatar que a pesquisa-ação é um método viável, confiável e estimulante
no processo de contribuição para a inovação tecnológica do país. Esta
inovação, acontecendo na área da Engenharia de Produção, especificamente,
está diretamente relacionada às subáreas de Desenvolvimento de Produto,
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 45-52, 2012
46
Gibertoni, D.
Ergonomia e desenvolvimento de Sistemas de Informação. Foi neste
raciocínio que este artigo foi concebido, e como docente da Faculdade
de Tecnologia de Taquaritinga, emergiu um pergunta de pesquisa: como
a pesquisa-ação pode contribuir diretamente para a inovação tecnológica?
Para responder esta questão foi realizada uma pesquisa bibliográfica. Gil
(2001) afirma que a pesquisa bibliográfica é elaborada a partir de material
já publicado, constituído de livros, artigos de periódicos e, atualmente, com
material que se encontra disponível na internet. A pesquisa bibliográfica
tem por objetivo fundamentar a autora quanto à pesquisa-ação e também
quanto à inovação tecnológica e indicar quais são os fatores importantes que
devem ser considerados para incentivar a prática da inovação TPP (Inovação
Tecnológica em Produtos e Processos) por meio da pesquisa-ação.
Este artigo apresenta inicialmente uma visão geral sobre as principais
características da pesquisa-ação, para em seguida descrever como o Brasil
se encontra em termos de inovação tecnologica para ao final apresentar
como a pesquisa-ação pode contribuir efusamente para o aprimoramento
de novas tecnologias.
1. Principais características da pesquisa-ação
Bryman (1989) considera que a pesquisa-ação é uma abordagem da
pesquisa social aplicada na qual o pesquisador e o cliente colaboram no
desenvolvimento de um diagnóstico e para a solução de um problema, por
meio das quais as descobertas resultantes irão contribuir para a base de
conhecimento em um domínio empírico particular. Além disso, é preciso
que a ação seja uma ação não trivial, uma ação problemática merecendo
investigação para ser elaborada e conduzida.
Para Coughlan e Coghlan (2002), a pesquisa-ação é um termo genérico,
que cobre muitas formas de pesquisa orientada para a ação e indica
uma diversidade na teoria e na prática entre os pesquisadores usuários
desse método, fornecendo um leque amplo de opções para os potenciais
pesquisadores para o que pode ser apropriado para suas questões de pesquisa.
Como destaca Thiollent (2011, p. 97): “... para que uma ação seja realizável,
não basta a vontade subjetiva de alguns indivíduos. A ação proposta tem
que corresponder às exigências da situação”. E para o mesmo autor, em
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 45-52, 2012
A contribuição da pesquisa-ação para obtenção da inovação tecnológica
47
termos de contexto organizacional, a ação considerada visa frequentemente
a resolver problemas de ordem aparentemente mais técnica, como, por
exemplo, introduzir uma nova tecnologia ou desbloquear a circulação da
informação dentro da organização.
Trata-se de uma pesquisa metodológica sobre como conduzir uma pesquisa
aplicada. Essa discussão não poderia deixar de ser abordada neste artigo,
dada a relevância do tema.
Na pesquisa aplicada, tem-se a elaboração de diagnósticos, identificação
de problemas e busca de soluções para os mesmos. Os objetivos de uma
pesquisa básica são diferentes: a produção de conhecimento através de
verificação de hipóteses e elaboração de teorias. Segundo Thiollent (2009,
p. 49), a pesquisa aplicada “exige conhecimentos, métodos e técnicas que
são bastante diferentes dos recursos intelectuais mobilizados em pesquisa
básica. Em particular, são exigidas maiores habilidades de comunicação
e trato com pessoas e grupos”. Como forma de aprendizado, a pesquisa
aplicada, neste caso a pesquisa-ação, contribui para a fixação dos
conhecimentos na prática.
Para conduzir a pesquisa-ação, é preciso objetivos claramente definidos.
Igualmente importantes, também, são a participação e o domínio da
linguagem. A participação é fruto do processo de pesquisa-ação e um
indício de que a pesquisa está sendo conduzida da maneira correta. A
linguagem deve ser comum entre todas as pessoas envolvidas.
A pesquisa-ação busca alcançar objetivos de descrição - a situaçãoproblema é descrita “com base em verbalizações dos diferentes autores em
suas linguagens próprias” (THIOLLENT, 2009, p. 34) - e de intervenção
- “os conhecimentos derivados das inferências são inseridos na elaboração
de estratégias ou ações”.
A abordagem de Westbrook (1995) é que o mais importante na pesquisaação não é encontrar uma solução ótima, como em outros métodos, mas
conseguir o compromisso com a mudança a ser feita para depois relatar
a aplicação da teoria e também a resistência à aplicação de determinada
técnica. Além disso, cabe ressaltar que existe uma meta bem maior que o
resultado que se deseja alcançar: a geração e estruturação do conhecimento.
Para Thiollent (2011) o ganho de conhecimento na pesquisa-ação é
obtido através da observação e avaliação das ações (definidas com os
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 45-52, 2012
48
Gibertoni, D.
participantes) e dos obstáculos encontrados. Esse conhecimento é passível
de generalização parcial, uma vez que está fortemente ligado ao contexto
da pesquisa. A qualidade do conhecimento, porém, está limitada pela
eficácia da intervenção e pelo interesse da empresa no projeto.
Para que o sucesso da pesquisa-ação seja alcançado, Westbrook (1995)
enfatiza que tudo depende de como será administrado o conflito entre a
imaginável liberdade da abordagem e a necessidade de clareza e foco. O
excesso de foco priva o pesquisador de obter uma melhor compreensão
do fenômeno estudado, enquanto no caso contrário, o pesquisador ficará
confuso se não tiver seus objetivos definidos com clareza.
Além disso, Westbrook (1995), afirma que a qualidade dos resultados
depende do pesquisador, do projeto de pesquisa e da análise dos resultados.
Um aspecto importante a ser lembrado é como a objetividade científica
é atingida na pesquisa-ação. As pesquisas convencionais, normalmente,
exigem princípios de objetividade do tipo: completa separação entre
observador e observado, imparcialidade dos pesquisadores nos resultados
práticos obtidos e quantificação das informações. Sem abandonar a
cientificidade, a pesquisa-ação pode observar aspectos como compreensão
do problema, priorização dos problemas, busca de soluções e aprendizagem
de todos os participantes (tanto os autores quanto os atores). Na concepção
de Thiollent (2011), estas características qualitativas não são consideradas
anticientíficas.
Por fim, o grande desafio para os pesquisadores é definir e encontrar
padrões de rigor científico apropriado, sem sacrificar a real relevância do
tema. Além disso, é preciso que a intervenção assuma o papel central na
pesquisa e que os resultados possam ser avaliados para que seja possível
gerar conhecimento por meio da participação de todos.
2. Inovação tecnológica no Brasil
Algumas instituições brasileiras vêm estudando e analisando a inovação
tecnológica nas organizações. A Associação Nacional de Pesquisa,
Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras (ANPEI),
realizou pesquisas, cujo objetivo foi avaliar a inovação tecnológica nas
empresas brasileiras até o ano de 2001, por meio de um questionário
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 45-52, 2012
A contribuição da pesquisa-ação para obtenção da inovação tecnológica
49
baseado no Manual Frascatti (1993) e no Manual de Oslo (1992), ambas
as publicações da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento
Econômico (OCDE), com sede na França.
Os manuais citados apresentam conceitos e indicadores de inovação
tecnológica que são utilizados como referência em muitos países. No
Brasil, atualmente, essa pesquisa sobre inovação tecnológica passou a ser
realizada pela Pesquisa Industrial de Inovação Tecnológica (PINTEC), do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), órgão pertencente
ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) com
periodicidade de 3 (três) anos, utilizando a terceira edição do Manual
de Oslo. Para a realização de tal pesquisa, a PINTEC utiliza também um
questionário semelhante ao utilizado pela ANPEI.
Atualmente, e de acordo com a PINTEC (2012), uma inovação tecnológica
é definida pela introdução no mercado de um produto ou de um processo
produtivo tecnologicamente novo ou substancialmente aprimorado. Ainda
conforme a PINTEC (2012), a inovação tecnológica pode resultar de
pesquisa e desenvolvimento (P&D) realizados no interior das empresas, de
novas combinações de tecnologias existentes, da aplicação de tecnologias
existentes em novos usos ou da utilização de novos conhecimentos
adquiridos pela empresa.
Segundo o mesmo Manual, uma empresa pode realizar vários tipos de
mudanças em seus métodos de trabalho, seu uso de fatores de produção e os
tipos de resultados que aumentam sua produtividade e/ou seu desempenho
comercial. Esse Manual define quatro tipos de inovações que contemplam
um amplo conjunto de mudanças nas atividades das empresas: inovações
de produto, inovações de processo, inovações organizacionais e inovações
de marketing.
De modo resumido, as inovações de produto envolvem mudanças
significativas nas potencialidades de produtos e serviços e incluem bens e
serviços totalmente novos e aperfeiçoamentos importantes para produtos
existentes. Já as inovações de processo representam mudanças significativas
nos métodos de produção e de distribuição. Uma inovação tecnológica
de processo pode ter por objetivo produzir ou entregar produtos novos
ou substancialmente melhorados, os quais não podem ser produzidos
ou distribuídos através de métodos convencionais já utilizados pela
empresa, ou pode visar ao aumento da eficiência produtiva ou da entrega
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 45-52, 2012
50
Gibertoni, D.
de produtos existentes. Métodos de entrega novos ou significativamente
aperfeiçoados dizem respeito às mudanças na forma de preservar e
acondicionar produtos, como também a mudanças na logística da empresa,
que engloba equipamentos, software e técnicas de suprimento de insumos,
estocagem e venda de bens ou serviços. As inovações organizacionais
referem-se à implementação de novos métodos organizacionais, tais como:
mudanças em práticas de negócios, na organização do local de trabalho ou
nas relações externas da empresa. E por fim, as inovações de marketing
envolvem a implementação de novos métodos de marketing, incluindo
mudanças no design do produto e na embalagem, na promoção do produto
e sua colocação, e em métodos de estabelecimento de preços de bens e de
serviços.
O requisito mínimo para se definir uma inovação é que o produto,
processo, método de marketing ou organizacional sejam novos (ou tenham
sido significativamente melhorados) para a empresa. Isso inclui produtos,
processos e métodos em que as empresas são as pioneiras a desenvolver e
aqueles que foram adotados de outras empresas ou organizações. Pode-se
dizer que as atividades de inovação são etapas científicas, tecnológicas,
organizacionais, financeiras e comerciais que conduzem, ou visam a
conduzir, à implementação de inovações.
É neste sentido que a pesquisa-ação surge: sendo as atividades de inovação
etapas científicas, como pode a pesquisa-ação contribuir para esse avanço?
3. A pesquisa-ação e a inovação tecnológica
A inovação tecnológica é considerada como fator propulsor do crescimento.
Sendo assim, o processo de aprendizagem decorrente do processo de
aplicação da pesquisa-ação é um benefício que pode ser obtido tanto
pelos pesquisadores quanto pelos pesquisados, mas que muitas vezes, fica
esquecido durante a pesquisa. Se for dado ênfase a esta questão, as pesquisasação desenvolvidas têm um forte potencial para colaborar e contribuir na
construção da inovação tecnológica do país, uma vez que foi vivenciado
toda a prática pela comunidade ou pela organização, caracterizando-se
em uma inovação organizacional ou inovação de processos. É necessário
registrar este conhecimento adquirido para que a empresa e o país possa se
tornar mais competitivo.
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 45-52, 2012
A contribuição da pesquisa-ação para obtenção da inovação tecnológica
51
Outro aspecto relevante é que se trata de um método de pesquisa que pode
contribuir amplamente nas pesquisas realizadas com foco em inovação,
sobretudo porque são de grande utilidade quando se pretende desenvolver
o conhecimento por meio da interação entre pesquisador e elemento
pesquisado. Este método permite a alteração de rumo da pesquisa, haja vista
que as idéias a serem pesquisadas inicialmente podem mudar ao longo do
processo. A pesquisa-ação possibilita ainda estender o experimento por um
período de tempo maior, o que facilita o tratamento de dados qualitativos,
permitindo a criação de novas idéias em sua execução.
O procedimento básico da pesquisa-ação consiste em deixar os participantes
detectarem os problemas e procurar as soluções que lhes são mais
apropriadas. As possíveis soluções e decorrentes ações são encontradas
pelas pessoas e grupos envolvidos no processo de pesquisa-ação e elas são
formuladas de acordo com as expressões da própria cultura.
Conclusão
As características da pesquisa-ação no que diz respeito à formação de
teoria, são próximas da inovação tecnológica, em termos de construção de
um novo saber.
É indiscutível a importância da participação governamental no
estabelecimento de um sistema nacional de inovação eficaz, capaz de gerar
uma infraestrutura básica favorável à P&D empresarial.
Outro ponto de destaque é a parceria produtiva que se deve estabelecer
entre as faculdades de tecnologia e as empresas, pois esta contribuição
torna-se importante para o fortalecimento do sistema nacional de inovação
como um todo. Por fim, resumidamente, entende-se que o desenvolvimento
do país passa necessariamente pela inovação tecnológica, a qual deveria
ser compreendida como um fator estratégico para empresas. Do ponto de
vista acadêmico e científico, a pesquisa-ação, por ser um método oriundo
das ciências sociais, contribui no aspecto das inter-relações entre os atores
envolvidos na inovação tecnológica. Portanto, faz-se necessário expandir
os conceitos da inovação tecnológica entre os pares para se alcançar
resultados positivos, uma vez que estes podem ser estes obtidos por meio
da pesquisa-ação.
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52
Gibertoni, D.
ABSTRACT
Technological innovation remains a challenge for companies and for the
country’s development. This article presents a discussion of the use of
the method of action research to achieve and disseminate technological
innovation among researchers interested in applying this method, besides
presenting the main concepts discussed in the literature on the subject
action research and technological innovation in Brazil. We also present
the relationship of the use of action research as a means to achieve the so
desired technological innovation.
KEYWORDS
Action research. Technological innovation. Research method.
REFERÊNCIAS
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v15, n12, p 6-20, 1995.
Daniela Gibertoni
Doutorado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de São Carlos. Profª Pleno II da Faculdade de Tecnologia de Taquaritinga há dezesseis anos. Ministra as disciplinas
de Engenharia de Software e Interação Humano-Computador.
Atualmente é Coordenadora, na mesma faculdade, do Grupo
de Pesquisa em Engenharia de Software – GPES, atuando principalmente com o tema pesquisa-ação para o desenvolvimento
de sistemas, voltados às teorias de usabilidade de interfaces.
E-mail: [email protected]
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 45-52, 2012
SERVIÇOS AMBIENTAIS PRESTADOS PELOS
Espaços Territoriais Especialmente
Protegidos
ENVIRONMENTAL SERVICES PROVIDED
BY SPECIALLY PROTECTED AREAS
Fernando Frachone Neves
RESUMO
A valoração dos serviços ambientais prestados por áreas especialmente
protegidas requer a avaliação da riqueza de uso direto e indireto, bem
como da riqueza futura e da riqueza de existência. Na medida em que tais
riquezas estejam vinculadas a um benefício motivador da sadia qualidade
de vida, conforme preconizado pela Constituição Federal de 1988, estas se
qualificam por serem bens ambientais. Neste sentido, as políticas públicas
ambientais vêm construindo o suporte jurídico para o reconhecimento
e manutenção dos diferentes serviços ambientais prestados por áreas
protegidas, aumentando a percepção do usuário dos benefícios, garantindo
a sensação de bem estar público.
Palavras-chave
Serviços ambientais. Políticas públicas. Valoração.
INTRODUÇÃO
À luz da Constituição Federal de 1988, é competência do Poder Público
definir e criar, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e
seus componentes a serem especialmente protegidos (artigo 225, § 1º, I,
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 53-58, 2012
54
Neves, F. F.
II, III e VI - CF/88), para que seja assegurada a efetividade do direito ao
meio ambiente ecologicamente equilibrado, com interesse na conservação
do bem ambiental destinado à sadia qualidade de vida da presente e das
futuras gerações.
Neste sentido, a Política Nacional do Meio Ambiente (Lei 6.938/81),
recepcionada pela Constituição de 1988, determinou que os espaços
territoriais especialmente protegidos são instrumentos da referida política,
podendo estar localizados em áreas públicas ou privadas, sujeitando-se a
tratamento diferenciado e a regime jurídico de interesse público (Fiorillo,
2010).
Sob o enfoque da hermenêutica jurídica, os espaços territoriais
especialmente protegidos são aqueles sujeitos a um disciplinamento de
uso por motivos de conservação e qualidade ambiental, como é o caso
as Áreas de Preservação Permanente (APP) e as Áreas de Reserva Legal
(RL), instituídas pela Lei 12.651/2012.
Neste contexto, a Lei 9.985/2000 (Lei do SNUC), ao promover a
necessária regulamentação do artigo 225, § 1º. e incisos I ao IV da
Constituição Federal de 1988, instituiu o Sistema Nacional de Unidades
de Conservação da Natureza, definindo Unidade de Conservação (UC)
como espaço territoriais e seus recursos ambientais, com características
naturais relevantes, legalmente instituídos e protegidos, com o objetivo
de conservação, além de regular categorias que a compõe: unidades de
proteção integral e unidades de uso sustentável. No entanto, não se incluiu
na Lei do SNUC o conceito de espaço territorial especialmente protegido
(ETEP), fato que ainda gera discussões acerca da similitude entre estas
áreas, do ponto de vista do objetivo colimado (GANEM; ARAÚJO, 2006).
Já do ponto de vista do planejamento ambiental estratégico, a lei disciplina
ou regra o uso das áreas especialmente protegidas como forma de delimitar
e planejar seu uso, quando possível for (OLIVEIRA et al., 2009).
Muito embora haja distinção jurídica entre as áreas protegidas por lei (UCs,
RLs e APPs), do ponto de vista da ecologia e da biologia da conservação
as áreas guardam similitude e relevância quanto à manutenção dos bens
ambientais a serem considerados e protegidos.
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Serviços ambientais prestados pelos espaços territoriais especialmente protegidos
55
DESENVOLVIMENTO
Diametralmente oposto ao raciocínio da geração de riquezas pela
exploração direta e exaustiva dos recursos ambientais, há a oportunidade
de se conservar ou preservar as áreas fornecedoras de tais recursos,
protegendo-se não somente os estoques naturais nestas áreas contidos, mas
sobremaneira os serviços ambientais por ela prestados.
Os serviços prestados por áreas protegidas, sejam estes na manutenção da
capacidade de suporte do planeta, ou na manutenção da qualidade da água
dos mananciais, na manutenção da biodiversidade ou como coeficiente
absortivo de impactos da produção de bens de consumo, os quais, modelados
pela resiliência do ambiente testado, podem não externalizar carência,
restrição (ou ao menos aparente e imediata restrição) à disponibilidade dos
recursos ambientais.
Como exemplo de serviços ambientais prestados por espaços territoriais
especialmente protegidos, Neves et al., (2006) demonstraram que o aporte
de sedimentos, nitrogênio (N) e fósforo (P), aos mananciais da bacia
hidrográfica do Rio Bonito, localizada em Descalvado (SP), é inversamente
proporcional ao volume de áreas de florestas presentes, como é o caso da
APA de Descalvado (Área de Proteção Ambiental de Descalvado-SP), uma
Unidade de Conservação de Uso Sustentável dentro desta microbacia e,
notadamente, em relação à presença das áreas de preservação permanente
(APPs).
Em se tratando da manutenção dos padrões de qualidade de água dos
mananciais, preconizados pela Resolução CONAMA 357, os espaços
territoriais especialmente protegidos prestam, diretamente e na razão da
sua tipologia, densidade e extensão (OLIVEIRA, 1988; NEVES, 2006), o
serviço ambiental de manutenção da riqueza e da biodiversidade faunística
e florística da área associada.
Muito embora haja concentração de esforços científicos na caracterização
dos espaços territoriais especialmente protegidos quanto aos serviços
ambientais prestados, os resultados estão dissociados da percepção da
disposição do usuário em pagar por tais benefícios, bem como do valor
estrito do serviço prestado, além da percepção da disponibilidade do
recurso natural, em um cenário ambiental e econômico-mercadológico,
contextualizado como valor social.
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56
Neves, F. F.
O valor econômico de qualquer tipo de serviço ambiental prestado pode ser
alcançado pelos gastos potenciais com a mitigação dos desdobramentos da
poluição, nos termos do inciso III, artigo 3º. da Lei 6.938/81, bem como,
segundo Merico (1996), com os custos de reposição, os custos de relocação
ou os custos com uma eventual substituição de algum serviço ambiental
degradado.
Para os destinatários dos serviços ambientais prestados pelos espaços
territoriais especialmente protegidos, a percepção de tais benefícios
traduz-se em um estado ou sensação de bem estar público o qual, não
absolutamente, está vinculado a padrões de qualidade ambiental.
Neste sentido, valorar o serviço ambiental prestado torna-se uma questão
estratégica à eficácia das políticas públicas que instrumentalizam os
mecanismos de pagamento, seja via incentivos fiscais ou tributários, seja
via compensação ou indenização pecuniária.
Proctor et al.(2009) destacam a importância da equidade nos esquemas
de pagamento por serviços ambientais, incluindo não somente um único
serviço prestado (como o seqüestro de carbono), mas uma diversidade de
outros serviços que desdobram-se de práticas produtivas sustentáveis e
em diferentes escalas. O estabelecimento de valores monetários para os
recursos naturais é alvo de polêmicas em relação a qual ou quais métodos
seriam os mais indicados para ser amplamente adotados (MERICO, 1996).
CONCLUSÃO
Os serviços ambientais prestados por espaços territoriais especialmente
protegidos, sejam estes na manutenção da capacidade de suporte do planeta,
ou na manutenção da qualidade da água dos mananciais, na manutenção
da biodiversidade ou como coeficiente absortivo de impactos da produção
de bens de consumo, são função da resiliência das diferentes tipologias de
áreas protegidas, podendo não externalizar carência ou restrição (ou ao
menos aparente e imediata restrição) quanto a disponibilidade dos recursos
ambientais, fato que chama a atenção para a compreensão da função
ecológica e de suporte à vida que tais áreas exercem, sendo salutar para o
equilíbrio e sustentabilidade, ambiental e econômica, das áreas envolvidas,
assumindo, inclusive, caráter de tutela preventiva.
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Serviços ambientais prestados pelos espaços territoriais especialmente protegidos
57
ABSTRACT
The valuation of environmental services provided by specially protected
areas requires an assessment of the richness of direct and indirect use
as well as the future wealth and the richness of existence. So far such
richness is linked to an effective motivator for healthy quality of life, as
recommended by the Federal Constitution of 1988, they are eligible as
being environmental goods. In this sense, environmental policies have been
building support for the legal recognition and maintenance of different
environmental services provided by protected areas, increasing the user’s
perception of the benefits, ensuring a sense of public welfare.
Keywords
Environmental services. Public policy. Valuation.
REFERÊNCIAS
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competência da União, Estados e Munícipios; listagem de atividades sujeitas ao
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58
Neves, F. F.
Fernando Frachone Neves
Biólogo, advogado, MBA em Administração de Empresas, Especialista em Direito Educacional, Mestre em Ciências da Engenharia
Ambiental e Doutor em Biologia Comparada. É docente nos cursos
de Tecnologia para o Agronegócio, Sistemas para Internet e Gestão
Ambiental da FATEC. É docente de direito ambiental na graduação
e na pós-graduação em outras instituições de ensino. Membro da
Comissão de Meio Ambiente da Ordem dos Advogados do Brasil,
12ª Subsecção de Ribeirão Preto (SP). É representante titular da OAB 12ª Subseção, na Câmara de Fiscalização do Serviço de Tratamento de Esgoto - CAFIS. Representante suplente,
da 12ª Subseção, na Câmara Técnica de Outorgas, Licenças, Assuntos Institucionais e Legais
da Bacia Hidrográfica do Rio Pardo e representante suplente da OAB 12ª Subseção no COMDEMA (Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente). É membro titular do Comitê de
Ética da Faculdade São Luis de Jaboticabal. É Pesquisador no Núcleo de Política e Ciência
Ambiental – Agenda Ambiental (FFCLRP-USP).
E-mail: [email protected]
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 53-58, 2012
AS VARIEDADES DA LÍNGUA INGLESA E
O SEU STATUS DE LÍNGUA MUNDIAL
THE VARIETIES OF THE ENGLISH LANGUAGE AND
ITS STATUS OF WORLD LANGUAGE
Kátia Cristina Galatti
RESUMO
Este artigo pretende destacar as diferentes variedades de sotaques da
língua inglesa usadas por diferentes motivos, de acordo com o contexto
social. Essas variedades foram desenvolvidas devido ao grande número de
falantes de inglês, desde a época da colonização britânica dos séculos XVII
e XVIII, fato que deu ao inglês o status de língua mundial, levando os mais
conservadores a fazer uma redefinição do que seria a “língua padrão”.
PALAVRAS-CHAVE
Língua inglesa. Variedades. Língua mundial. Língua padrão.
INTRODUÇÃO
De acordo com Barber (1993), o inglês, uma das principais línguas do
mundo, expandiu-se em número de falantes devido ao crescimento da
população na Inglaterra, especialmente com a Revolução Industrial,
iniciada em meados do século XVIII.
Segundo o autor, o inglês se tornou uma língua mundial por causa da sua
larga difusão das ilhas Britânicas para todos os continentes, devido ao
comércio, à colonização e à conquista, dos séculos XVII e XVIII, quando
os ingleses se estabeleceram na América do Norte.
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Galatti, K. C.
Já o inglês americano domina, desde o final do século XIX, as Filipinas e
Porto Rico, ambos tirados da Espanha pelos Estados Unidos. E o crescimento
da população nos Estados Unidos, devido à massiva imigração dos séculos
XIX e XX deu ao inglês seu atual status no mundo (BARBER, 1993).
Para Lacoste (2005), especialmente depois da Segunda Guerra Mundial,
que foi de 1939 a 1945, a influência política e cultural dos Estados Unidos
se propagou, por exemplo, através dos aparelhos mecânicos que vinham
com manuais de instrução em inglês e das fábricas americanas abertas na
Europa, obrigando os europeus a aprender inglês.
Além disso, para Barber (1993) e para Lacoste (2005), a dominante posição
do inglês no mundo hoje se deve ao poder político e econômico americano,
mais do que à difusão do inglês pelas ex-colônias britânicas e dominações.
A mundialização do inglês, segundo Lacoste (2005), também se faz pelos
fenômenos culturais como o cinema e a música, que mantém na moda tudo
o que é americano.
Para Giblin (2005), depois da vitória dos países aliados na Segunda
Guerra Mundial, em 1945, os Estados Unidos surgem como um modelo
a imitar, principalmente pela juventude cheia de esperanças e aspirações
que encontrara na cultura anglo-saxônica parte de sua identidade cultural
e ideológica. É nessa época que surge o rock’n roll e com ele Beatles,
Rolling Stones, entre outros grupos musicais.
O inglês também se beneficiou da corrente “liberal” e, segundo Le Breton
(2005), foi se tornando a língua de um povo vitorioso na economia e nas
relações de poder, que avançava para as liberdades individual, intelectual
e nacional, adquiriu foros de nobreza, é falado pelo gentleman e através
dele veicula-se a imagem do sucesso, da riqueza, da inovação, do homem
seguro que pode ser tomado como modelo, além de sua capacidade de se
impor no mundo da pesquisa e da comunicação, principalmente por meio
da Internet.
Esta expansão do inglês pelo mundo significa que ele é hoje uma das
línguas mais faladas do mundo (mais de quatrocentos milhões de nativos e
quase o mesmo número de falantes como segunda língua) e, também, que
há muitas variedades do inglês, usadas por diferentes motivos, dependendo
do contexto social. “Por ser uma língua flexível, tanto em nível de sintaxe
como de gramática, seu número de sotaques, portanto de sonoridades, é
imenso” (GIBLIN, 2005, p.132).
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As variedades da língua inglesa e o seu status de língua mundial
61
Cabe aqui então, destacar as diferentes variedades de sotaque da língua
inglesa e fazer uma distinção entre o inglês falado como segunda língua e
o inglês como língua estrangeira.
AS VARIEDADES DA LÍNGUA INGLESA
Segundo Rajagopalan (2003), quem domina uma língua estrangeira é
considerada pessoa culta e distinta. Tanto é que a palavra “estrangeira”
é usada para qualificar uma língua mais respeitada do que a materna. Já
uma língua de menor prestígio é qualificada como “exótica” ou como um
“dialeto”.
A principal diferença entre uma língua “exótica” e uma língua
“estrangeira” é que nosso interesse em estudar a primeira se resume a uma
curiosidade científica, em conhecer o estranho e o mítico. Já, ao estudar
uma língua estrangeira, somos impulsionados pela vontade de ampliar
nossos conhecimentos culturais para atingirmos melhores níveis de vida
(RAJAGOPALAN, 2003).
Conforme Barber (1993), quando se aprende inglês como língua estrangeira,
ele vai ser somente usado para a comunicação com estrangeiros, pois não
há a tradição de se falar inglês dentro do país do aprendiz e este poderá
aprender o inglês britânico ou o americano. Já quem aprende inglês como
segunda língua espera usá-lo na comunicação dentro de seu próprio país,
dentro de comunidades falantes por rotina e, frequentemente, aprendem
uma variedade local da língua ensinada por quem fala essa variedade, que
se difere de várias formas do inglês britânico ou americano, por causa da
influência da língua materna do falante.
Resumindo, uma segunda língua tem funções sociais dentro da
comunidade onde ela é aprendida, enquanto uma língua estrangeira é
aprendida principalmente para o contato fora de sua própria comunidade
(LITTLEWOOD, 1984).
Entretanto, essa distinção entre segunda língua e língua estrangeira, para
Barber (1993), não é exata. Além disso, há uma considerável quantia de
funções da segunda língua, por exemplo, na educação e nos negócios, no
fato de dar prestígio ou poder. Mas, há também alguns lugares que usam o
inglês no meio da família e amigos, colocando a língua no mesmo status
de suas línguas oficiais.
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62
Galatti, K. C.
Portanto, apesar de ser uma distinção útil, muitas vezes o termo “segunda
língua” é usado para se referir tanto à língua ‘estrangeira’ quanto à
‘segunda’ língua (LITTLEWOOD, 1984).
Para Barber (1993), o desenvolvimento de tantas variedades de inglês
gerou problemas e controvérsias a respeito da língua, principalmente
nas ex-colônias britânicas, onde, durante o período colonial, o inglês foi
imposto como a língua da administração.
Também, com a independência, houve disputa em muitos desses países
quanto ao fato do inglês ser retido como língua oficial e, caso fosse retido,
se o inglês britânico padrão seria ensinado ou a variedade local do inglês
seria adotada como padrão. Vários fatores como sentimento nacionalista,
ligação à cultura tradicional, desejo de avanços científico e tecnológico
e as necessidades por comunicação local e internacional fizeram parte
desses argumentos.
Muitos deles ainda existem, mas há no momento uma tendência em muitos
países em continuar aceitando o inglês como língua oficial ou semi-oficial
e reconhecer a variedade local como um modelo (BARBER, 1993).
O desenvolvimento de um grande número de variedades que a língua
inglesa adquiriu enquanto se espalhou pelo mundo nos últimos trezentos
anos levanta, então, uma questão a respeito do inglês padrão: se existe esse
padrão e qual é. Essa questão, tenta-se compreender a seguir.
LÍNGUA PADRÃO
Conforme Barber (1993), nos países onde o inglês é a primeira língua, há
um uso comum que o torna possível falar em “inglês universal padrão” e
que, provavelmente, continuará a constituir uma linguagem mais ou menos
unificada como o principal meio das relações internacionais.
Em entrevista à revista Hérodote, sobre o inglês como língua franca
das instituições internacionais, a professora auxiliar de inglês, Hélène
Gradiot-Renard, mencionou a vantagem de se dominar perfeitamente o
inglês, pois quando ouvem a própria língua nos debates, os anglófonos
passam a considerar todos como um dos seus, “esquecendo” que pode
haver ali estrangeiros. E, se nas discussões, esses estrangeiros empregam
uma expressão que não seja exata, podem levar os anglófonos a uma
interpretação errada, deixando a impressão de serem pessoas medíocres, de
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 59-64, 2012
As variedades da língua inglesa e o seu status de língua mundial
63
baixo nível e que falseiam o teor do debate (GADRIOT-RENARD,2005).
Por outro lado, segundo Jekins (2007), pesquisas mostram que o inglês
do nativo e algumas características de sua pronúncia mais dificultam
do que facilitam a comunicação nesses contextos. Então, poderia ser
argumentado que os palestrantes nativos fossem capazes de se fazer
entender e aceitarem que a maioria deles não fala um inglês que é
internacionalmente entendido.
De acordo com Rajagopalan (2005), estamos vivenciando uma nova língua,
o World English, cujos usuários, que somam cerca de dois terços, seriam
não-nativos. Esse novo fenômeno linguístico que serve hoje como meio de
comunicação entre diferentes povos do mundo, não pode ser confundido
com a língua que se fala nos Estados Unidos ou na Inglaterra.
Contudo, é preciso apreciar o inglês de diferentes tipos, diferentes partes do
mundo, diferentes grupos sociais e diferentes profissões, pois, “ao contrário
do que muita gente pensa o World English é um espaço de contestação, de
reivindicação dos direitos da periferia, de subversão e não de submissão”
(RAJAGOPALAN, 2005, p.155).
Ainda, haverá necessidade, principalmente por parte daqueles treinados
em uma única forma da língua inglesa, de reconhecer tais mudanças,
desligar-se de atitudes conservadoras e enxergar toda a comunidade falante
com um distanciamento cientifico. Conforme cita Barber (1993), em um
universo de mudança, é natural esperar por estabilidade, querer esclarecer
coisas e fixá-las. Mas, toda a natureza e a vida humana estão em evolução.
Então, “não é realmente muito bom se agarrar a margem: temos de lançarnos ao fluxo e nadar” (BARBER, 1993, p. 278)1.
ABSTRACT
This article aims to highlight the different varieties of English accents
used for several reasons, according to social context. These varieties
were developed due to the large number of English speakers, since the
time of British colonization of the seventeenth and eighteenth centuries, a
fact that gave the English language world status, taking the conservative
ones to make a redefinition of what the “standard language” would be.
___________________________________
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It’s not really much good clinging to the bank: we have to push out into the flux and swim.
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Galatti, K. C.
KEYWORDS
English language. Varieties. World language. Standard language.
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Kátia Cristina Galatti
Possui graduação em Letras Licenciatura Plena (Inglês e Português)
pela Faculdade São Luís (2003), graduação em Matemática pelo
Centro Universitário de Araraquara (1998) e pós-graduação em
Didática- Fundamentos Teóricos de Prática Pedagógica, nível de
especialização Lato Sensu pela Faculdade de Educação São Luís
(2002). É Mestre em Educação pelo Centro Universitário Moura
Lacerda de Ribeirão Preto (2011). Atualmente, é professora de
Inglês na Rede Pública do Estado de São Paulo, em escolas de
idiomas e na Faculdade de Tecnologia de Taquaritinga (FATECTq). E-mail: [email protected]
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 59-64, 2012
FORMAÇÃO PROFISSIONAL CONTINUADA:
NECESSIDADES DA PRÁTICA DO
PROFESSOR DE MATEMÁTICA
CONTINUING PROFESSIONAL EDUCATION:
THE NEEDS OF PRACTICE MATH TEACHER
Luciana Aparecida Ferrarezi
RESUMO
Este trabalho de pesquisa teve como objetivo identificar as necessidades
formativas de professores de matemática participantes do Programa de
Formação Continuada Teia do Saber. Os professores pesquisados pertencem
à região de Taquaritinga, Jaboticabal e Catanduva. Os dados levantados
apontam como necessidades principais dos professores a aprendizagem
de conteúdos específicos de matemática com o propósito de ensiná-los
e a apropriação de metodologias de ensino adequadas às clientelas e
aos conteúdos. Em relação a demandas originárias da diversidade das
características dos alunos, as necessidades detectadas referem-se ao trato
com a indisciplina, às abordagens sobre as drogas, às doenças sexualmente
transmissíveis, gravidez na adolescência e violência. Esse apontamento
de necessidades poderá contribuir com processos de formação continuada
que efetivamente auxiliem o professor a melhor se situar em sua tarefa
profissional.
PALAVRAS-CHAVE
Saber docente. Formação continuada. Necessidades de formação.
Matemática.
INTRODUÇÃO
As recentes transformações nas iniciativas de Formação Continuada
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Ferrarezi, L. A.
motivaram a busca dos diferentes fatores de necessidades formativas que
contribuem para a estruturação de um processo eficaz no desenvolvimento
de professores de Matemática e do sistema público de ensino.
A Secretaria de Educação do Governo do Estado de São Paulo
implementou, de 2003 a 2007, vários projetos de Educação Continuada
para os professores da sua rede. Dentre eles destaca-se o Programa “Teia
do Saber”, projeto abrangente com participação presencial dos professores,
que envolveu diversas áreas do conhecimento, cujas preocupações
metodológicas visavam a capacitação dos professores por meio de
metodologias inovadoras que possibilitassem melhorar substancialmente
a prática docente nas suas salas de aula.
Por se tratar de um programa de formação continuada com tal envergadura,
implementado por meio de cursos variados, escolhemos levantar dados
sobre os professores que dele participaram, no sentido de averiguar
sua eficácia em termos do atendimento às necessidades formativas que
se colocam para os professores nestes tempos de mudança e de perene
necessidade de adaptação. Nossa coleta de dados se ateve somente aos
professores de Matemática e foi realizada por meio de questionários com
a finalidade de registrar as concepções desses professores das escolas
públicas estaduais da região de Taquaritinga, Jaboticabal e Catanduva.
Numa análise preliminar dessas questões, detectamos um elenco
de conteúdos que dizem respeito à formação inicial do professor de
matemática, além de uma gama de elementos reveladores das inquietações
dos professores em relação à prática docente. Nessa primeira análise, os
professores demonstraram preocupações que tocam na problemática dos
conteúdos curriculares em relação aos seguintes temas: operações com
fração, divisão, geometria plana, geometria espacial, progressão aritmética,
progressão geométrica, probabilidade, porcentagem, logaritmos, funções e
trigonometria. Também, à primeira vista, os professores expressaram suas
angústias e incertezas com relação aos problemas específicos do cotidiano
escolar que transcendem os limites das disciplinas. Os apontamentos dos
professores mostravam preocupações de ordem metodológica como o
uso de tecnologias e de jogos, com o ensino via resolução de problemas,
com o trabalho com oficinas e projetos e, também, preocupações com a
necessidade de encontrar alternativas para lidar com a indisciplina dos
alunos, com a necessidade de lidar com alunos especiais não alfabetizados,
com a urgência de tratar questões relacionadas à sexualidade e às drogas,
incluindo a preocupação com temas relacionados ao SARESP - Sistema
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Formação profissional continuada: necessidade da prática do professor de matemática
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de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo. As
necessidades, portanto, variavam entre conteúdo, metodologia e demandas
de socialização.
NECESSIDADES FORMATIVAS
Nesse contexto principal de necessidades formativas que afetam as atitudes
dos professores, reconhecemos a necessidade de aprendizagem ao longo
da vida numa sociedade em constante mudança, onde as próprias escolas
têm um papel significativo a desempenhar no desenvolvimento contínuo
dos professores.
De acordo com essa perspectiva, Day (2001) identifica algumas metas
que podem ser aplicadas à formação continuada de professores. A primeira
é adaptação e desenvolvimento do repertório pedagógico e científico
dos professores, a segunda, é com relação à aprendizagem, que parte da
experiência, reflexão e teorização, além da observação e da discussão com
colegas, ou seja, necessidades de abertura, feedback e colaboração dos colegas.
As demais promovem uma integração entre as necessidades de conhecimentos
da disciplina, que corresponde aos assuntos relevantes e atuais da disciplina
e as formas de torná-los acessíveis para os alunos, e as necessidades de
desenvolvimento intelectual como acesso contínuo a um novo pensamento
educacional, relevante para a melhoria da qualidade da escola.
Igualmente sobre as necessidades de conhecimentos, Fiorentini (2000),
diz que, tradicionalmente, esses são privilegiados durante a formação
inicial e continuada para a profissão docente, e são geralmente normativos
e prescritivos, produzidos a partir de pesquisas teóricas e/ou empíricas das
ciências da educação e das ciências disciplinares, como a Matemática. O
que se observa é que ideias inovadoras e adequadas às mudanças não chegam
até aos professores; se chegam, ou são incorporadas superficialmente ou
recebem interpretações inadequadas sem provocar mudanças desejáveis
(BRASIL, 1997).
Os estudos contemporâneos, como é sabido, abordam o saber docente
como plural, estratégico e constituído de saberes da experiência que
são fundados no trabalho cotidiano e no conhecimento do meio em que
este se constrói. Tardif (2002) ressalta a importância de se considerar os
condicionantes e o contexto de trabalho que influenciam a construção
do saber pedagógico. Reconhecendo a singularidade e a especificidade
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Ferrarezi, L. A.
do trabalho dos professores no seu campo próprio de ação, esse autor
considera que o saber dos professores está relacionado com a sua pessoa e
sua identidade, com sua experiência de vida e com sua história profissional,
com suas relações com os alunos e com os outros atores escolares.
A escola apresenta características sociais e culturais que a colocam como um
novo espaço institucional, onde o desempenho do professor não mais pode
ser relacionado apenas à formação teórica, como também o desempenho
do aluno não mais pode ser considerado como uma simples questão de
motivação e de esforços individuais. A escola atual tem uma ruptura com
a escola do passado. Nesse sentido, a formação apenas na graduação, por
seu caráter inicial, embora contribua sobremaneira na estruturação de um
conjunto de concepções a respeito do conhecimento e dos processos de
ensino e aprendizagem, não é mais suficiente para dar o preparo adequado
ao professor, uma vez que este vive cercado de contingências, de solicitações
variadas que requerem a sua constante atualização para lidar com as
necessidades postas.
Ludke (1994) em sua análise sobre a formação de professores no Brasil e,
examinando algumas experiências em licenciaturas, indica a necessidade de
se repensar o processo de formação do professor e as formas de articulação
entre conteúdo e prática docente. Segundo a autora, a competência básica
de todo e qualquer professor é o domínio do conteúdo específico, sem
deixar de lado sua articulação com a área pedagógica.
Nosso sistema escolar estruturou um modelo de formação, sequenciado e
hierarquizado, que pressupunha a habilitação do indivíduo e o legitimava a
atuar profissionalmente a partir do momento em que ele concluía a etapa última
de sua preparação. Sem dúvida, essa noção de terminalidade está em crise,
para dizer o mínimo, pois as mudanças introduzidas na sociedade alteraram,
evidentemente, o modo de se atuar e de se relacionar com o trabalho a ser
desenvolvido na atuação profissional. Há demandas insurgentes em intervalos
de tempos cada vez mais reduzidos. As especificidades necessárias à prática
profissional não cessam de se renovar. Os sistemas tradicionais de oferta de
ensino cada vez apresentam mais dificuldades em cumprir seus propósitos
formativos posto que eles se assentam em processos organizacionais e
pedagógicos que já não respondem com eficácia às necessidades que surgem
em profusão. Portanto, a terminalidade de qualquer formação profissional
está profundamente abalada.
Neste cenário, todas as iniciativas tomadas nas últimas duas décadas para
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Formação profissional continuada: necessidade da prática do professor de matemática
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a reforma da educação incorporaram a formação continuada como uma
prioridade. Nas diretrizes emanadas dos setores responsáveis pela oferta
da educação pública, a formação continuada dos professores mereceu
destaque. Em todos eles há a observação, e também a recomendação,
de que a formação continuada precisa se realizar em sintonia com as
solicitações da prática profissional, isto é, o conhecimento a ser assimilado
pelos formandos deve ter como inspiração a prática realizada, como
ponto de partida, e a prática requerida, por vários critérios, como ponto
de chegada. Neste sentido, as ofertas de preparação profissional não
podem ser desvinculadas das demandas. Essas, para serem identificadas
criteriosamente, precisam de investigações sistemáticas sobre todos os
aspectos de atuação dos sistemas. As pesquisas acadêmicas, e mesmo
outras, evidenciam que a formação continuada ainda trabalha com uma
oferta superficial, tentando suprir conteúdos de conhecimento transmitidos
de maneira unilateral, sem a devida inserção dos formandos.
Os resultados até agora disponíveis mostram que, nesses moldes, a
formação continuada pouco tem contribuído para alterar a prática
profissional dos professores e tampouco tem melhorado a formação dos
alunos que frequentam o ensino básico. Por sua natureza ainda pouco
institucionalizada, abre-se um campo de pesquisa muito promissor para
os estudos sobre os modos de se efetivar tal formação, partindo-se do
princípio de que toda formação continuada deve estar assentada na prática
profissional e que suas ofertas não podem prescindir da articulação entre as
necessidades do sistema e as necessidades do sujeito em formação.
Pode-se dizer, então, que a formação continuada tem assumido uma importância
cada vez maior na nossa sociedade, sobretudo a formação continuada dos
professores, posto que são eles ainda, institucionalmente, os responsáveis
pela mediação entre o aluno e o conhecimento necessário para incluílo na sociedade contemporânea como cidadão. Mas também é fato que
a formação continuada, no Brasil, ocorre de maneira pouco sintonizada
com as mudanças da relação que se está estabelecendo entre o homem,
sociedade e conhecimento. Os professores atualmente se deparam com
múltiplas e complexas situações, que estão além de referenciais teóricos,
científicos e técnicos, tendo que optar por outras formas de agir, construída
a partir de suas reflexões, suas crenças, seus valores, saberes próprios e
de suas experiências de vida. Assim, a formação deve estar articulada com
as necessidades do professor e do sistema educacional para que possa ser
veiculada à sua prática profissional.
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Ferrarezi, L. A.
ABSTRACT
This research work had as objective identifies the mathematics participants’
of the Program of Formation Continued Tissue of the Knowledge teachers’
formative needs. The researched teachers belong to the area of Taquaritinga,
jaboticabal and Catanduva. The lifted up data appear as the teachers’
main needs the learning of specific contents of mathematics with the
purpose of teaching them and the appropriation of teaching methodologies
adapted to the clienteles and the contents. In relation to original demands
of the diversity of the students’ characteristics, the detected needs refer to
the treatment with the indiscipline, to the approaches on the drugs, to the
diseases sexually transmissible, pregnancy in the adolescence and violence.
That note of needs can contribute with processes of continuous formation
that indeed aid the teacher the best to locate in your professional task.
KEYWORDS
Teacher knowledge. Continuing education. Training needs. Mathematics.
REFERÊNCIAS
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1997.
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TARDIF, M. Saberes docentes e formação profissional. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002.
Luciana Aparecida Ferrarezi
Possui Graduação Matemática pelo Centro Universitário de Araraquara (1998), Mestrado em Educação Matemática pela UNESP Rio
Claro (2005) e Doutorado em Educação Escolar pela UNESP Araraquara (2010). Atualmente, é Diretora das FATECs Taquaritinga e
Catanduva, professora-autora e responsável pela área de Matemática
Financeira do Curso de Processos Gerenciais em fase de implantação
na modalidade de EAD do Centro Paula Souza. Membro da Agência
INOVA Paula Souza. Membro da CPRJI Comissão Permanente de
Regime de Jornada Integral do Centro Paula Souza. E-mail: [email protected]
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METHODOLOGIES FOR
CREATING ONTOLOGIES
METODOLOGIAS PARA A CRIAÇÃO DE ONTOLOGIAS
Marcus Rogério de Oliveira
ABSTRACT
Recording, transmitting and consulting the knowledge in computers with
application of inferences and reasoning made by computerized agents
requires knowledge structured in formals constructions and standardized
constraints called Ontologies. The data representing the knowledge
formalized in Ontologies must be organized in data structures with some
software requirements. Many researchers have proposed and designed
concepts, applications and tools for Ontologies with different requirements.
This paper discusses a historical approach on ontology, its philosophical
aspects and principles and addresses their main methodologies for creation.
KEYWORDS
Ontologies. Philosophy. Knowledge. Methodology.
INTRODUCTION
The knowledge must to be recorded, transmitted and consulted. The
application of inferences and reasoning over the knowledge is the base
for the evolution of all the Sciences. Because of this, the knowledge must
be structured in formals constructions with standardized constraints. The
Ontologies have this goal.
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Oliveira, M. R. de
Since Francis Bacon and Gottfried Leibniz, the intent of many philosophers
and thinkers were to provide a language to disseminate ideas and to
communicate without the natural ambiguities of the human language. As
a consequent, the term Ontology was used for the first time in 1613, in an
independent manner, by two Philosophers: Rudolf Göckel with his “Lexicon
philosoficum” and Jacob Lorhard with his “Theatrum philosophicum”
and, was definitively added to an English dictionary in 1721 (Bailey´s
Dictionary) defined as “An account of being in the Abstract” (SMITH, et
al., 2001).
Today, the big deal of many researches, besides recording, transmitting
and consulting the knowledge with the use of computers, is to apply
inferences and reasoning on it with computerized agents. So, the history
comes back again with Ontologies and many Computer Science researches
have obtained yours inspirations in the late years of the philosophy and
have tried to organize the knowledge using Ontologies in computers.
Contributing to the convergence from Philosophy to Computer Science,
Thomas Gruber, a research from Intelligence Artificial area, in 1993,
defined ontology as “an explicit specification of a conceptualization”
(GRUBER, 1993) and provided a vast explanation about it.
Parallel to Gruber, Willian J. Clansey, a Knowledge Engineering research,
in 1993, said that the knowledge is more appropriately represented by
models and the models are not the knowledge by itself (CLANSEY, 1993).
Ontologies are object of study of many areas. Nicola Guarino, in 1998,
enumerated the following as areas with specific role for ontologies:
Artificial Intelligence, Computational Linguistics, Database Theory and
knowledge Engineering. As research field, the Ontologies, still according
Guarino, are present in knowledge representation, qualitative modelling,
language engineering, database design, information modelling, information
integration, object-oriented analysis, information retrieval and extraction,
knowledge management and organization and agent-based systems
design. Concern to its use as applications, Ontologies have been applied in
enterprise integration, natural language translation, medicine, mechanical,
engineering, standardization of product knowledge, electronic commerce,
geographic information systems, legal information systems, biological
information systems (GUARINO, 1998).
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Methodologies for creating ontologies
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For all areas and applications that use ontologies in a computational
environment, there is a common and fundamental feature inherent to
the persistence aspect of the knowledge based on ontology: the need for
methodology for ontology construction that must to respond adequately to
the requisites of semantic and knowledge representation.
1. ONTOLOGY’S PRINCIPLES
Present in many areas, as saw in the previous section, the term Ontology
have different meanings. But its meanings tend to remain a common
principle based on knowledge sharing. Guarino and Giaretta present the
following interpretations for Ontology that are specific to its application
area (GUARINO, et al., 1995):
a) Ontology as a philosophical discipline: is the most general interpretation
for the term and its meaning is related to the Aristotle concept in with
ontology is the Science of the being as such;
b) Ontology as an informal conceptual system: by this interpretation,
Ontology is a conceptual system used to underly a specific knowledge
base. Here, ontology has the intend of to be “not formal” in respect to
the semantic level;
c) Ontology as a formal semantic account: here, ontology is assumed to
be the inspiration to a knowledge base and is expressed in terms of
structures with the intend of to be formal at the semantic level;
d) Ontology as a specification of a conceptualization: this interpretation
was proposed recently by Gruber as shown in the previous section and
will be discussed in detail later;
e) Ontology as a representation of a conceptual system via a logical theory:
here, ontology is considered to be a collection of assertions about
something. In Logic, this is called Theory. So, Ontology is nothing else
than a Logical Theory;
f) Ontology as a vocabulary used by a Logical Theory: in this interpretation,
the term Ontology is considered to be just a vocabulary used by Local
Theory;
g) Ontology as a meta-level specification of a Logical Theory: under this
interpretation, Ontology is considered a specification of the architectural
components used in a specific domain theory.
The interpretation “d” is the most relevant to this paper. The other ones can
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Oliveira, M. R. de
be seen in details in (GUARINO, et al., 1995). Enumerated by Guarino and
Giaretta, that interpretation is similar to the Gruber´s definition: Ontology
is an explicit specification of a conceptualization (GUARINO, 1998).
Fundamental to the validation of this definition, is the terms “explicit
specification” and “conceptualization”.
In a simplified way, a conceptualization is an abstract and simplified
understanding of the world or of a domain of interest. According
Genesereth and Nilsson (GENESERETH, et al., 1987), a conceptualization
is the objects, concepts and others entities that are assumed to exist in
some area of interest and the relationships among them. The shared
knowledge queried by some kind of agent must be committed to some
conceptualization.
The term “explicit specification” represents the form in which the
conceptualization becomes shared. To be explicit is to be precisely and
clearly expressed or readily observable; leaving nothing obscure or
implied. Specification is a detailed description expressed in some language
or vocabulary.
The definition made by Gruber and enumerated by Guarino and Giaretta,
is very compatible with the premise utilized in this paper: “Ontology
describes, characterizes, distinguishes, identifies and categorizes the
entities of the world (like physical objects, peoples, events, places,
documents, cells,…), using concepts, properties, qualities, states, roles,
constraints and establishes the relationships between entities, categories
and instances; all expressed by a formal language”. The computational
purpose adopted in this paper is related to the persistent aspect of the
Ontology and so, the definition given by Gruber is extended to attempt
that purpose: “Ontology is an explicit specification of a conceptualization,
persistent in computers and available for queries for some kind of
agent”. This extended definition is the one in which the Database Group
at Federal University of São Carlos have considered in their works with
ontologies.
In this aspect, Ontology can be considered as an application of the database
system in with, not only the data is consulted, but the meaning of the data
is considered during the consult. The schemas describe the data and the
relations between the data.
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Methodologies for creating ontologies
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2. METHODOLOGIES FOR ONTOLOGY CONSTRUCTION
There are several methodologies described in the literature for Design
and Construction of ontologies. Some methodologies were built for some
specific purpose, inside a specific project (like TOVE and CyC) and become
widely considered in articles related to ontology construction. Others were
specifically created for design purposes, but for some specific knowledge
area, like Methondology that was created for the Chemical domain.
All the methodologies, project or area specific driven, are developed over
a motivation derived from the definitions and standardizations considered
as a life cycle. These definitions and standardizations include since
requirement definitions until tests and maintenance of the finished product
and obey techniques that drive their development.
2.1. DESIGN CRITERIA FOR ONTOLOGY CONSTRUCTION
One of the most important aspects related to ontologies is the design.
The necessary phases to the creation of ontologies can be considered as
an Ontology Life Cycle. As a life cycle, these phases should be outlined by
some methodology. Uschold and King (USCHOLD, et al., 1995) say that
a comprehensive methodology to create or develop ontology includes the
stages:
a) Purpose identification: is the definition of the ontology finality; is about
why the ontology is necessary and what its users;
b) Ontology Construction: includes ontology capture, ontology coding
and ontology integration. The ontology capture is the identification
of the domain of interest or the scope definition; the coding is the
representation of the conceptualization in some formal language;
the ontology integration is to determine the relationship between the
ontology being created and the other already created;
c) Evaluation: is about the quality of the ontology, derived from a technical
judgment of it, its software and its documentation.
In 2003, Corcho et al (CORCHO, et al., 2003) resumed the considerations
about the several questions involving ontologies construction in three main
aspects: the methods and methodologies to use; the tools that give support
to the ontology development process and the language that supports
adequately the representation of the conceptualization.
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Oliveira, M. R. de
Gruber (GRUBER, 1993), in a more general way, enumerates a set of
design criteria to guide the design decisions for building formal ontologies.
Gruber want say that, before to think in the life cycle, the ontology designer
must to have in mind the following characteristics desirable in ontology:
a) Clarity: all the defined terms should express their meaning in an
unambiguous way;
b) Coherence: all the inferences should be in harmony and agreement with
the definitions;
c) Extendibility: the designer must to consider that new facts may arise
and the ontology must to be able to continue being applicable;
d) Minimal encoding bias: encoding bias is the phenomenon associated
to the problem in witch different agents are implemented in different
representation system. The conceptualization must be represented
without depending on a particular symbol encoding;
e) Minimal ontological commitments: the ontology being designed must
leave all its parts independent to extend, to specialize and instantiate.
The terms defined by the ontology must be minimal, that is, they must
be only the necessary to communicate the knowledge.
3. METHODOLOGIES FOR ONTOLOGY CONSTRUCTION
3.1. ENTERPRISE MODEL APPROACH
Uschold and King (USCHOLD, et al., 1995), already cited in these paper,
proposed a methodology based in their experience of developing the
Enterprise Ontology consisting of following four approach:
a) Purpose identification: is the definition of the level of formality in which
the ontology should be described;
b) Scope identification: is the specification of the problems that the
ontology should solve, that is, the motivating scenarios;
c) Formalization: is the use of some formal language to express the axioms
and definition of the ontology;
d) Formal evaluation: is the application of tests and analyses with the intent
of to verify the competency questions.
3.2. TOVE
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Methodologies for creating ontologies
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The Tove methodology (GRUNINGER, et al., 1994) was created for
specific purposes and based on experiences gained from the development
of the Toronto Virtual Enterprise project. This methodology has the
following approach:
a) Motivating scenarios: are the problems that provide motives for the
ontology construction;
b) Ontology requirements: are the requisites that the ontology must meet;
c) Specification of the terminology: is the formal description of the objects,
relations and attributes of the ontology;
d) Formal competency questions: the defined terminology is used to
formalize the requirements of the ontology;
e) Axiom specification: constructed using first-order logic, the axioms
must be necessary and sufficient to denote or express the competency
questions;
f) Completeness theorem: is the definition of the conditions in which the
competency questions are accomplished.
3.3. METHONDOLOGY
Created by Gomes-Perez and Vicente (GOMES-PEREZ, et al., 1996), the
Methondology has its principle based in the following activities related to
the construction of ontologies:
a) Specification: is the definition of the purpose and scope of the ontology
expressed in natural language;
b) Knowledge acquisition: it is the taking of knowledge from experts,
texts and other sources using any elicitation method;
c) Conceptualization: is the definition of the concepts, instances, relations
and properties using a informal representation;
d) Integration: is the effort to provide uniformity with the existing
ontologies;
e) Implementation: is the formal representation of the ontology expressed
in some formal language;
f) Evaluation: is the application of analyses and tests to verify
inconsistencies, incompleteness and redundancies;
g) Documentation: is the elaboration of documents for registering the
actions and the results gained.
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3.4. IDEF5
The objective of this methodology is to support not only the creation, but
the modification and the maintenance of ontologies. The guidelines of the
IDEF5 methodology are the following:
a) Organization and scope definition: is the identification of the purpose
and context of the ontology including objectives and requirements;
b) Data collection: is the acquisition of the data needed for the development
of the ontology. The data may be obtained by methods like interviews
with experts and text analysis;
c) Data analysis: is the definition of which elements of the data collection
is necessary to be present in the ontology;
d) Initial ontology development: is a prototype of the ontology in which
the preliminary validations are made;
e) Refinement and validation: is the application of tests with real data, that
is, the instantiated data.
CONCLUSION
This paper presented a historical approach on Ontologies and addressed
its philosophical aspects. It described the principles and the main
methodologies for creation and representation of knowledge. After that, in
a conclusive way, it can be observed that the creation of Ontologies is still
an open problem. Although there are several methods of creating, there is
no a single best solution neither a preferred approach. The choice for
a methodology depends on the purpose of Ontology, the application
in which the ontology will be used for and the real world aspects that the
new ontology will be able to represent. Finally, the reader certainly had
obtained a empirical evidence showing that the approach to representing
and disseminating the knowledge is a effective role of the Ontologies.
RESUMO
A gravação, a transmissão e as consultas ao conhecimento armazenado
em computadores com a aplicação de inferências e raciocínios feitos
por agentes computadorizados requerem que o conhecimento esteja
estruturado em construções formais chamadas Ontologias. Os dados
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que representam o conhecimento formalizado em Ontologias devem ser
organizados em estruturas de dados que obedecem a um conjunto de
requisitos. Muitos pesquisadores têm proposto e concebido conceitos,
aplicações e ferramentas de ontologias com diferentes requisitos. Este
artigo discute uma abordagem histórica sobre ontologias, seus princípios,
seus aspectos filosóficos e ainda apresenta as principais metodologias
para criação.
PALAVRAS-CHAVE
Ontologias. Filosofia. Conhecimento. Metodologia.
REFERENCES
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Methodologies, tools and languages for building ontologies: where is their meeting
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Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 71-80, 2012
80
Oliveira, M. R. de
Marcus Rogério de Oliveira
É professor da Faculdade de Tecnologia de Taquaritinga desde 1995 e professor de Graduação e Pós-Graduação da Uniara de Araraquara desde 2001. É formado em Bacharelado em
Ciência da Computação e concluiu mestrado em Ciência da
Computação na área de Banco de Dados pelo ICMC-USP.
Defendeu doutorado em Biotecnologia na área de Ambientes
Computacionais e Bancos de Dados para Proteômica pelo
Biotec-UFSCar. Além da carreira acadêmica, é consultor de
empresas em Sistemas e Internet e sócio proprietário de empresa de tecnologia.E-mail: [email protected]
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 71-80, 2012
USO DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO
NO DIAGNÓSTICO EM MICROBACIAS
HIDROGRÁFICAS PARA GERAR
INFORMAÇÕES EM BANCO DE DADOS
USE OF INFORMATION TECHNOLOGY IN THE
DIAGNOSIS OF WATERSHEDS TO
GENERATE INFORMATION IN DATABASE
Maurício José Borges
RESUMO
A pesquisa foi desenvolvida com objetivo de realizar um diagnóstico
em microbacia hidrográfica para gerar banco de dados, permitindo
ao planejador desenvolver combinação de práticas para cada unidade
mapeada. A microbacia do Córrego Palmital, Município Jaboticabal-SP,
escolhida para estudo, localiza-se adjacente à cidade-sede. O diagnóstico
da microbacia consistiu na elaboração de mapas georreferenciados com
GPS e digitalizados em SIG – Geomedia. Concluiu-se que a microbacia
Córrego Palmital é explorada majoritariamente pela cana-de-açúcar (87%
da área total da bacia) enquanto áreas com vegetação natural (mata, capoeira
e várzea) ocupam apenas 6% da área total da bacia, confirmando condição
regional canavieira. A área total da bacia é 10.589 ha, sendo 236 ha em
floresta, 466 ha em pastagem e 9.206 ha em agricultura. A integração das
tecnologias SIG e GPS contribuíram para maior eficiência na confecção
de mapas, gerando banco de dados que facilitaram realizar diagnóstico da
microbacia do Córrego Palmital.
PALAVRAS-CHAVE
Fotointerpretação. Sistema de Informação Geográfica. Sistema de
Posicionamento Global.
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 81-86, 2012
82
Borges, M. J.
INTRODUÇÃO
Experiências recentes em agricultura de precisão (MOLIN, 2001) apontam
que a prática do gerenciamento por unidades de manejo, exige uma
infraestrutura de base cartográfica. Em linhas gerais, um planejamento
visando ao manejo sustentável inicia-se com a confecção de mapas da
região e o traçado do limite das bacias hidrográficas.
A integração das tecnologias de Sistemas de Informações Geográficas
(SIG) e de posicionamento global por satélites (comumente expresso
como Global Position System – GPS) possibilita aos usuários uma maior
eficiência na capacidade de elaboração de análise, no gerenciamento
e otimização dos trabalhos em todas as fases que integram atividades
desenvolvidas no espaço geográfico (MONICO, 2000).
A presente pesquisa foi conduzida tendo como um dos objetivos realizar
um diagnóstico em microbacia hidrográfica para gerar informações em
banco de dados, permitindo ao planejador desenvolver uma combinação
de práticas para cada unidade de área mapeada.
MATERIAL E MÉTODOS
A área de estudo compreende a microbacia hidrográfica do Córrego
Palmital, localizada no Município de Jaboticabal, na Região Administrativa
de Ribeirão Preto, região Nordeste do Estado de São Paulo.
O município de Jaboticabal ocupa uma área de 677,00 km2 (67.700 ha),
apresenta uma população de 67.129 habitantes e tem o clima definido
como “Cwa” (classificação de Köeppen), sendo subtropical mesotérmico,
com verão úmido e inverno seco (JABOTICABAL, 2000).
Fotografias aéreas verticais e cartas topográficas foram utilizadas como
material básico para a elaboração dos mapas da área de estudo. As fotografias
aéreas verticais, escala 1:30.000, são da coleção aerofotogramétrica de
voos realizados na região de Ribeirão Preto no ano de 2000, pela BASE Aerofotogrametria e Projetos S/A. As cartas topográficas são da coleção
de Cartas do Brasil (IBGE, 1971), em escala 1:50.000, de folhas SF22-XD-III-2 e 3, respectivamente, Quadrículas de Pitangueiras e Jaboticabal.
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 81-86, 2012
Uso da tecnologia da informação no diagnóstico em microbacias hidrográficas...
83
O levantamento de campo foi realizado pelo método semicinemático
(MONICO, 2000), empregando-se o Sistema GPS Geodésico com pósprocessamento diferencial (DGPS). Receptores GPS TRIMBLE modelo
4.600 LS foram utilizados para georreferenciar os trabalhos de coordenação
cartográfica. As posições dos 218 pontos em que os dados foram coletados
foram estimadas num processamento posterior à coleta.
O Programa GPSurvey foi utilizado para a correção diferencial dos
dados obtidos no campo através dos receptores GPS. O Programa TDAT
foi utilizado para transformação das coordenadas referenciadas ao
Sistema Geodésico WGS-84 (utilizado pelo GPS) para o SGB – Sistema
Geodésico Brasileiro – SAD-69. Posteriormente essas coordenadas foram
transformadas para coordenadas plano retangulares segundo o sistema
UTM – Universal Transverso de Mercator. O Programa Topograph foi
utilizado para cálculos e desenhos de plantas topográficas. O Programa
SIG – Geomedia (SISGRAPH, 1996/2000) foi utilizado para análise dos
dados, mapeamento da área de estudo e geração das cartas temáticas.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A microbacia hidrográfica do Córrego Palmital apresenta uma área de
105,89 km2 (10.589 ha) e posição geográfica definida pelas latitudes
21º07’23”S e 21º14’24”S e longitudes 48º11’12”W Gr. e 48º21’51”W Gr.
Os 218 pontos georreferenciados pelo Sistema DGPS (Tabela 1) foram
locados no mapa base digital da microbacia hidrográfica do Córrego
Palmital. (Figura 1).
TABELA 1 - Pontos georreferenciados no Sistema GPS Geodésico com
pós-processamento diferencial (DGPS), na microbacia do Córrego
Palmital, Jaboticabal, SP.
Descrição
1
2
3
4
5
Divisor topográfico
Estrada asfaltada
Rede de drenagem
Marco de instalações
Talhão amostrado*
Total
* Pontos coletados = 17
Número de pontos georreferenciados
Individuais
Sobrepostos
Total
122
0
122
29
4
25
9
2
7
11
1
10
54
0
54
225
7
218
* Pontos estimados = 37
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 81-86, 2012
84
Borges, M. J.
FIGURA 1 - Cartografia básica – mapa base digital com os pontos
georreferenciados na microbacia hidrográfica do Córrego Palmital,
Jaboticabal, SP.
A área de vegetação de várzea (Tabela 2 e Figura 2) compreende 4,8%
da área total, estando associada à distribuição da rede de drenagem e
apresentando maior largura nos últimos 8,56 km do curso d’água principal,
correspondendo aos solos hidromórficos e ao segmento de maior vazão
em direção à foz no Rio Mogi-Guaçu. As várzeas compreendem áreas de
preservação permanente, porém, em diversos trechos, foi identificada a sua
sistematização e a implantação de pastagem, descaracterizando o sistema
de drenagem natural.
TABELA 2 - Distribuição dos principais usos/ocupação dos solos
da microbacia hidrográfica do Córrego Palmital, Jaboticabal, SP
(FOTOS 2000).
Uso/ocupação do solo
Várzea
Remanescente florestal (mata e capoeira)
Eucalipto
Frutífera arbórea
Campo sujo
Campo limpo
Cana-de-açúcar
Solo com palhada
Solo exposto
Estrutura urbana
Açude/represa
Total
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ha
507
152
84
31
16
450
5.453
1.186
2.567
22
121
10.589
% parcial
4,8
1,4
0,8
0,3
0,2
4,3
51,5
11,2
24,2
0,2
1,1
100,0
% acumulada
4,8
6,2
7,0
7,3
7,5
11,8
63,3
74,5
98,7
98,9
100,0
Uso da tecnologia da informação no diagnóstico em microbacias hidrográficas...
85
FIGURA 2. Uso/ocupação do solo da microbacia hidrográfica do
Córrego Palmital, Jaboticabal, SP (FOTOS 2000).
Do total da área da microbacia, a várzea ocupa 4,8%, os remanescentes
florestais (mata e capoeira) 1,4%, as pastagens (campo limpo e campo
sujo) 4,5%, a cana-de-açúcar 51,5%, o solo com palhada 11,2%, o solo
exposto 24,2%, a infraestrutura urbanizada 0,2% e as represa/açude 1,1%.
A soma das áreas de cana-de-açúcar, de solo exposto e de solo com palhada
corresponde a 86,9% da área total da bacia, confirmando a condição
regional de monocultura canavieira.
Do total da área da microbacia as formações vegetais de ocorrência natural
(mata, capoeira e vegetação de várzea) ocupam 6,2%, as atividades de
natureza agrícola (eucaliptal, frutífera arbórea, campos, culturas, solo
exposto e solo com palhada) ocupam 92,4% e as áreas com infraestrutura
urbanizada e represa/açude os restantes 1,4%. A área total da bacia é de
10.589 ha, sendo 236 ha em floresta, 466 ha em pastagem e 9.206 ha em
agricultura.
CONCLUSÕES
A integração das tecnologias de Sistemas de Informações Geográficas
(SIG) e de posicionamento global por satélites (comumente expresso como
Global Position System – GPS) contribuíram para uma maior eficiência
na confecção de mapas, gerando informações em banco de dados que
facilitaram realizar um diagnóstico da microbacia hidrográfica do Córrego
Palmital, Jaboticabal, SP.
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 81-86, 2012
86
Borges, M. J.
ABSTRACT
This research was developed in order to make a diagnosis in the catchment
to generate information in the database, allowing the planner to develop a
combination of practices for each unit of the mapped area. The watershed
of the stream Palmital, in jaboticabal, SP, chosen for this study, is located
adjacent to the city of jaboticabal. The diagnosis of the watershed
consisted of mapping geo-referenced to global navigation system (GPS)
and digitized in a geographic information system (GIS - Geomedia). It
was concluded that the Palmital Creek watershed is mostly exploited
by the culture of sugar cane (87% of the total area of the basin), while
areas with naturally occurring vegetation (forest, scrub and vegetation on
the floodplain) occupy only 6% of the total area of the basin, confirming
the condition of regional sugarcane monoculture. The total area of the
basin is 10,589 ha, 236 ha of forest, 466 ha of grassland and 9,206 ha in
agriculture. The integration of GIS technologies and GPS contributed to
greater efficiency in making maps, creating information in a database that
facilitated a diagnosis of watershed stream Palmital, jaboticabal, SP.
KEYWORDS
Photointerpretation. Geographic information system. Global position system.
REFERÊNCIAS
IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia. Departamento de Cartografia. Carta do Brasil:
Jabuticabal, Taiúva e Pitangueiras. São Paulo: Instituto, 1971. Escala 1:50.000.
JABOTICABAL. Ante-Projeto de Lei Complementar: revisão do Plano Diretor de
Jaboticabal. Jaboticabal, 2000. 173p.
MOLIN, J. P. Agricultura de Precisão – O gerenciamento da variabilidade. Piracicaba:
o autor, 2001, 83 p.
MONICO, J.F.G. Posicionamento pelo NAVSTAR-GPS : descrição, fundamentos e
aplicações. São Paulo : Editora UNESP, 2000. 287p.
SISGRAPH. Software para processamento de imagem e geoprocessamento
(Geomedia Professional Versão 4.0). Copyright, Intergraph Corporation, 1996/2000.
Maurício José Borges
Engenheiro Agrônomo graduado pela Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da
Universidade Estadual Paulista (FCAV/UNESP), Jaboticabal-SP; 1984. Mestre em Conservação e Manejo de Recursos, do Centro de Estudos Ambientais (CEA/UNESP), Rio
Claro-SP; 2001. Doutor em Agronomia (Produção Vegetal), FCAV/UNESP, Jaboticabal-SP; 2005. Professor do Curso Superior de Tecnologia em Agronegócio da Faculdade de
Tecnologia de Taquaritinga – FATEC-TQ, Taquaritinga, SP, atuando nas áreas de Agricultura de Precisão, Biocombustíveis, Associativismo e Cooperativismo, e Meio Ambiente. Engenheiro Agrônomo da Prefeitura Municipal de Jaboticabal-SP, atuando nas áreas
Agricultura, Silvicultura, Abastecimento, Saneamento, Meio Ambiente, Educação Ambiental e Parques e
Jardins. PRINCIPAIS AREAS DE ATUAÇÃO: Agricultura; Silvicultura; Manejo Florestal; Agricultura de
Precisão; Topografia; Geografia; Cartografia e Mapeamentos; Ciência do Solo e da Água; Manejo de Resíduos; Conservação e Manejo de Recursos em Bacias Hidrográficas; Ecologia; Meio Ambiente; Educação
Ambiental; Plano Diretor; Planejamento Urbano e Rural. E-mail: [email protected]
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 81-86, 2012
A LEITURA EM FOCO: BREVE ANÁLISE DE
UMA COMPLEXA E INTRIGANTE
HABILIDADE LINGUÍSTICA
READING ON FOCUS: BRIEF ANALYSIS OF
A COMPLEX AND INTRIGUING LANGUAGE SKILL
Mirela de Lima Piteli
RESUMO
É senso comum entre educadores e pesquisadores da área educacional o
fato de que a leitura é a causa de incontáveis problemas de aprendizagem,
em qualquer área de conhecimento. Se tal situação ainda se faz presente
em nossas instituções de ensino, temos aí um forte indício da necessidade
de se conhecer e compreender a natureza e especificidades dessa complexa
habilidade linguística. Assim, o objetivo deste artigo é apresentar um breve
panorama das principais concepções de leitura encontradas na literatura,
destacando sua peculiaridades, aspectos positivos e limitações, sempre
estabelecendo relações com o processo de ensino e aprendizagem do ato
de ler.
PALAVRAS-CHAVE
Leitura. Língua estrangeira. Processamento de informações.
INTRODUÇÃO
É possível constatar, em nossas escolas, que o tratamento dado ao texto em
sala de aula se restringe à execução de tarefas repetitivas e desmotivadoras
as quais, em sua maioria, falham em estimular um trabalho mental mais
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 87-94, 2012
88
Piteli, M. de L.
elaborado e, como consequência, a atividade da leitura fica limitada ao
reconhecimento de formas linguísticas e à busca de informações explícitas
e já prontas no texto Se tal situação ainda é corrente nas aulas de língua
materna (LM), quanto mais em uma situação de língua estrangeira (LE), na
qual a competência linguística fica comprometida (SCARAMUCCI, 1999).
Segundo Kleiman (1992), o ensino de leitura é fundamental para dar
solução a problemas relacionados ao pouco aproveitamento escolar.
Assim, a leitura deve ser vista não apenas como um conteúdo a mais a ser
ensinado, mas em toda a sua abrangência, utilidade e funcionalidade, seja
ela em LM ou LE uma vez que constitui uma das habilidades comunicativas
que conduz ao engajamento discursivo do aluno. De acordo com Celani
(1995), uma das principais justificativas sociais para a aprendizagem de
LE no Brasil, especialmente o inglês, está relacionada ao seu uso como
instrumento de leitura (op. cit). Nessa perspectiva, a leitura corresponde não
somente à habilidade de reconhecer orações e seus significados enquanto
elementos linguísticos, como também à capacidade de reconhecer como
elas funcionam enquanto partes de um discurso. De maneira mais sucinta,
a leitura seria um tipo de aquisição pela qual o discurso é criado na mente
por um processo racional. Essas e outras questões são abordadas nessa
breve revisão biliográfica acerca da natureza do processo de ler.
PRINCIPAIS CONCEPÇÕES DE LEITURA
As investigações acerca do processo de leitura tiveram grande
desenvolvimento a partir dos anos 70. Segundo Carrell (1995), os primeiros
estudos sobre leitura em segunda língua (L2), mais especificamente em
inglês como L2, assumiam uma visão um tanto passiva desse tipo de
atividade. Até a década de 70, ler em L2 “era visto, primordialmente,
como um processo decodificador de reconstrução do sentido pretendido
pelo autor feito através do reconhecimento de letras e palavras impressas
(...)” (CARRELL, 1995, p. 2)1.
Nesse modelo de decodificação, o sentido é inerente ao texto, considerado
fonte única de sentido, e envolve uma concepção estruturalista, logocêntrica
da linguagem (MOITA LOPES, 1996). A leitura é, pois, reduzida a uma
habilidade passiva, receptiva na qual espera-se que o leitor decodifique
___________________________________
1
No original: “(…) was viewed primarily as a decoding process of reconstructing the author’s
intended meaning via recognizing the printed letters and words (…)”.
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 87-94, 2012
A leitura em foco: breve análise de uma complexa e intrigante habilidade linguística
89
o significado de cada palavra, tornando-se, assim, um receptáculo de um
saber contido no texto (CORACINI, 1995). O fluxo de informações é visto
de um só prisma, isto é, a leitura envolve exclusivamente o processamento
de informações do tipo bottom-up ou ascendente (do texto para o leitor).
Tal processamento ascendente, preconizado nos modelos estruturalistas de
leitura, faz uso linear e indutivo das informações visuais lingüísticas, e
sua abordagem é “composicional, isto é, constrói o significado através da
análise e síntese do significado das partes” (KATO, 1995, p. 50).
Diversos teóricos teceram críticas a essa concepção de leitura afirmando,
principalmente, que o modelo decodificador era inadequado como um
modelo do processo de leitura porque subestimava a contribuição do leitor;
ele falhava em reconhecer que os alunos utilizam suas expectativas sobre
o texto baseados em seu conhecimento de língua e de como esta funciona.
Assim, diante das inadequações desse modelo decodificador, especialistas
em leitura em L2 começaram a enxergar a leitura como um processo ativo
no qual o leitor em L2 passa a ocupar a posição de processador ativo de
informações, ou seja, alguém que faz predições enquanto lida com o texto
(CARRELL et. alii, 1995). Assim, já no final da década de 70, começaram
a surgir teorias cujo foco de atenção deslocou-se do texto para o leitor.
Nessa perspectiva, como já mencionado, o leitor é participante ativo
do processo de leitura, fazendo predições e processando informações
com base em suas experiências anteriores com a língua. Além disso, o
conhecimento linguístico que o leitor já traz consigo (seu “esquema”
linguístico2), bem como seu conhecimento prévio acerca do assunto
(“esquema” de conteúdo) e da estrutura retórica do texto (“esquema”
formal) influem de forma direta na leitura (CARRELL, 1995). Aliás, nessa
perspectiva, a aquisição de conhecimento e a compreensão de um texto só
é possível a partir da ativação dos esquemas, que são “redes de informação
armazenadas no cérebro as quais funcionam como filtros para a informação
nova”3 (ALDERSON, 2000, p. 17).
Embora seja abstrata e bastante abrangente, a teoria dos esquemas
pode servir de base para a compreensão do processo de leitura, pois é
uma teoria sobre o conhecimento, ou seja, ela procura descrever como o
conhecimento é representado na mente e como essa representação facilita
o uso do conhecimento de maneira particular. Esse conhecimento seria,
___________________________________
2
No original: “schemata” (op. cit.)
3
No original: “(…) networks of information stored in the brain which act as filters for incoming
information”.
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 87-94, 2012
90
Piteli, M. de L.
portanto, armazenado em unidades, os esquemas, as quais direcionam o
seu próprio uso. Vê-se, nessa concepção de leitura, que o processamento
de informações dá-se, predominantemente, de maneira descendente ou
top-down, ou seja, é uma visão de leitura que privilegia a ação do leitor
e teve grande influência dos modelos de aprendizagem da psicologia
cognitivista e da psicolinguística, “ciência interdisciplinar que se preocupa
com a interrelação entre pensamento e linguagem” (GOODMAN, 1995,
p. 11). Nela “a leitura não envolve apenas o input visual, mas também
informações não-visuais, do universo cognitivo do leitor” (KATO, 1995,
p. 80). Aliás, o leitor só é capaz de predizer ou levantar hipóteses sobre o
que ele irá encontrar no texto porque há uma interação das pistas visuais
com o conhecimento armazenado em sua memória.
Essa perspectiva de leitura preconizada pelos modelos psicolinguísticos,
a qual superprivilegiava a competência do leitor em detrimento da forma
linguística, manteve-se até o início dos anos 80, quando começou a
ser questionada por teóricos que apontaram limitações nesse modelo
especialmente para leitores não fluentes, como no caso dos aprendizes de
língua estrangeira (LE) (GRABE, 1995). Uma das maiores críticas às teorias
psicolinguísticas dos esquemas incide sobre o fato de que elas não levam
a definições explícitas ou predições acerca dos processos de compreensão,
embora tenham fornecido um grande incentivo às pesquisas sobre os
produtos da compreensão de leitores de ambas LM e L2 (ALDERSON,
2000).
Braga e Busnardo (1993) ressaltam que, a partir dessas discussões, a questão
da importância do conhecimento linguístico prévio para a compreensão
dos textos em LE passa a ser recolocada uma vez que a confiança excessiva
no processamento descendente podia promover construções inadequadas
de sentido (CARRELL, 1995). Eskey e Grabe (1995) compartilham dessa
opinião ao afirmar que a boa leitura depende muito do conhecimento
linguístico e ainda destacam que a causa mais comum da dependência
excessiva do processamento descendente para se chegar à compreensão de
um texto é a falta de conhecimento específico das estruturas da LE para se
utilizar no momento do processamento de informações.
Com base nessas constatações e na ampliação das pesquisas sobre
esquemas, surge uma nova orientação para os estudos da leitura: a visão
interativa. Nessa nova perspectiva, ambos os tipos de processamento de
informações, ascendentes e descendentes, coexistem de forma integrada
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 87-94, 2012
A leitura em foco: breve análise de uma complexa e intrigante habilidade linguística
91
e se complementam na leitura, a qual passa a ser vista como um processo
dinâmico e interativo, um diálogo estabelecido entre o leitor e o autor,
através do texto. Cabe, agora, ao leitor, acionar seus conhecimentos
prévios (de mundo e linguístico) e confrontá-los com os dados do texto
para construir significado. Em outras palavras, o leitor deve formular suas
idéias, predizer, estabelecer suas hipóteses e buscar confirmação nas marcas
linguísticas, formais do texto. Para que haja leitura eficiente e efetiva
(seja ela em LM ou L2), ambas as estratégias descendentes e ascendentes
devem operar interativamente. Assim, a leitura é vista como um tipo de
diálogo, uma interação entre o leitor e o texto (CARRELL, 1995; GRABE,
1995). Essa visão interativa de leitura, a qual não privilegia um tipo de
processamento em detrimento ao outro, é defendida por outros teóricos da
área, tais como Cavalcanti (1989), Kato (1995) e Kleiman (1989). As três
autoras também defendem a idéia de que o leitor pode usar informações
prévias para levantar suas hipóteses, mas é necessário que essas hipóteses
sejam confirmadas na estrutura linguística, caso contrário, a compreensão
poderá ficar comprometida. Aliás, o conhecimento linguístico desempenha
um papel central no processamento do texto (KLEIMAN, 1989 ). Entendese por processamento a “atividade pela qual as palavras, unidades
discretas, distintas, são agrupadas em unidades ou fatias maiores, também
significativas, chamadas constituintes da frase” (op. cit, p, 14). Assim, à
medida que as palavras são percebidas, a nossa mente está ativa, ocupada
em construir significados.
No que diz respeito ao posicionamento do leitor frente ao texto, Kato
(1995) aponta para a importância do leitor construtor-analisador, ou seja,
aquele que faz uso apropriado de ambos os processamentos de informação,
os quais são utilizados de modo complementar. A leitura é, portanto, vista
como uma interação entre leitor e texto, “sem privilegiar ou depreciar o
valor dos dados linguísticos, que teriam, entre outras, uma função restritiva
em relação ao uso excessivo de predições” (KATO, op. cit, p. 67). Kleiman
(op. cit), reforçando esse aspecto interativo da natureza da leitura, afirma
que a construção do sentido de um texto só é possível a partir da interação
de diversos níveis de conhecimentos, tais como o linguístico, o textual e o
de mundo.
Estabelecendo uma relação entre essa teoria e a prática do professor de
LE, podemos nos apoiar em Braga e Busnardo (1993), as quais chamam
a atenção para o fato de que o aluno, na sala de aula de leitura em LE,
lê textos para aprender a L-alvo, e não apenas para compreender seu
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 87-94, 2012
92
Piteli, M. de L.
sentido. Para esse aluno, segundo as autoras, a explicitação de questões
metalinguísticas e metacognitivas pode ajudar a acelerar o processo de
aprendizagem da LE. No caso de leitores iniciantes e falsos iniciantes de
LE, como por exemplo, alunos de ensino regular que nunca frequentaram
escolas de idiomas, o pouco (e muitas vezes inadequado) conhecimento
prévio das diferentes normas que regem a L-alvo torna insuficiente o apoio
pedagógico no processamento descendente isoladamente. Tais aprendizes
necessitam, portanto, de orientação para que desenvolvam estratégias
que os auxiliem na construção de sentido em ambos os processamentos
ascendente e descendente. Braga e Busnardo (1993) sugerem que o
professor deve propor atividades que tornem seus alunos mais conscientes
acerca da natureza interativa da leitura, ou seja, atividades que mostrem ao
aluno a importância tanto do seu conhecimento prévio de mundo como das
informações veiculadas pelo texto.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como pode ser observado, o ato de ler não está voltado apenas para a
utilização de determinadas categorias linguísticas ou para o uso de
habilidades cognitivas isoladas. Na verdade, essa visão de leitura
demanda, do leitor, a consciência e o controle quanto aos processos
cognitivos necessários para que ele possa utilizar recursos linguísticos e
extralinguísticos na interpretação de um texto. A leitura, tanto em LM com
em LE, deve ser concebida como um processo interativo caracterizado por
dois tipos de interação: 1) entre os níveis de processamento ascendente e
descendente por parte do leitor ao longo da construção de significado e 2)
entre autor e leitor enquanto interlocutores determinados “pelo contexto
num processo que se institui na leitura” (KLEIMAN, 1989, p. 39).
Diante isso, é inevitável concluir que, ao professor que se proponha
a trabalhar com textos, cabe a função de desenvolver, nos alunos, a
consciência crítica de que a leitura é uma ferramenta que ajuda o indivíduo
a interagir com o mundo (FAIRCLOUGH, 1989), seja ela realizada em
LM ou em qualquer LE.
ABSTRACT
It is common sense among educators and educational researchers the fact
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 87-94, 2012
A leitura em foco: breve análise de uma complexa e intrigante habilidade linguística
93
that reading is the cause of countless learning problems in any field of
knowledge. If such a situation is still present in our educational institutions,
then we have a strong indication of the need to know and understand the
nature and specificities of this complex language skill. Thus, the objective
of this paper is to present a brief overview of the key concepts of reading
in the literature, highlighting their peculiarities, strengths and limitations,
always establishing relations with the teaching and learning process of the
act of reading.
KEYWORDS
Reading. Foreign language. Data processing.
REFERÊNCIAS
ALDERSON, J. C. Assessing reading. Cambridge: Cambridge University Press, 2000.
BRAGA, D. B.; BUSNARDO, J. Metacognition and foreign language reading: fostering
awareness of linguistic form and cognitive processes in the teaching of language
through text. Lenguas Modernas, v. 20, 1993.
CARRELL, P. L. Second language reading: reading ability or language proficiency?
Applied Linguistics, v. 12, n. 2, p. 159-179, 1991.
CARRELL, P. L.; DEVINE, J.; ESKEY, D.E. (orgs.) Interactive approaches to second
language reading. 6. ed. Cambridge: Cambridge University Press, 1995.
CARRELL, P. L. Schema theory and ESL reading pedagogy. In: CARRELL, P.L.;
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Mirela de Lima Piteli
Possui graduação em Letras - habilitação em Português e Inglês pela Universidade Federal de São Carlos - UFSCar e mestrado em
Estudos Linguísticos pela Universidade Estadual Paulista - UNESP
(São José do Rio Preto). Atualmente é docente de Língua Inglesa
da Faculdade de Tecnologia de Taquaritinga (FATEC-Tq), onde atua
nos Cursos Superiores de Tecnologia em Agronegócio, Análise e
Desenvolvimento de Sistemas, Produção Industrial e Sistemas para
Internet. Tem experiência docente nas áreas de Linguística Aplicada
e Língua Inglesa, Educação Básica (Ensino Fundamental e Médio),
Ensino Superior e pós-graduação, com atuação nos seguintes temas:
língua inglesa, formação de professores, ensino e aprendizagem de
línguas e metodologia científica.Possui experiência em Educação a
Distância, lidando com Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA - Moodle). E-mail: mirela.
[email protected]
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 87-94, 2012
Theoretical and Experimental
Procedures in Design of the
Pulse-forming Network for
Driving Power Magnetron Valve
Procedimentos Teórico e Experimental no
Projeto de uma Linha Formadora de Pulsos
para Operação de uma Válvula
Magnetron de Potência
Nivaldo Carleto
ABSTRACT
Theoretical and experimental procedures to design a pulse-forming network
(PFN) have been developed in order to drive a high power magnetron. The
theoretical pulse-forming network design approach is based on the Guillemin
network synthesis theory. The networks obtained using this approach were
numerically simulated to supply 9kV and 0.7 µs pulses at 2kHz of pulse
recurrence frequency (PRF) to 31W impedance level. An experimental setup
was assembled to verify the performance of a PFN and the obtained results
of the experiment are shown and discussed in this work.
Keywords
Pulse-forming network. Guillemin network. Valve magnetron.
Introduction
Pulsed microwave magnetrons require the use of pulse generators that are
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 95-102, 2012
96
Carleto, N.
capable of producing a train of pulses of very sharp and short duration. The
most important parameters of pulse generators are pulse width, pulse power,
average power, pulse recurrence frequency (PRF), duty ratio, and impedance
level. The pulse generators can be also divided in two types: those in which
only a small fraction of the stored electric energy is discharged into the load
during a pulse, called “hard-tube pulsers”, and those in which all of the stored
energy is discharged during each pulse, called “line-type pulsers”. In this
last, the energy-storage device is essentially a lumped-constant transmission
line. Since this component of the line-type pulser serves not only as source
of the electric energy during the pulse, but also as the pulse-shaping element,
it became commonly known as pulse-forming network (PFN). (GLASOE;
LEBASCQZ, 1948). The PFN in a line-type pulser consists of a set of
inductors and capacitors which may be put together in any one of a number
of possible configurations. The configuration chosen for a particular purpose
depends on the ease which the network can be fabricated, as well as, on the
specific pulser characteristic desired. The theoretical basis for calculate the
values of the inductance and capacitance elements of various networks are
given in this paper. (GLASOE; LEBASCQZ, 1948; GUILLEMIN, 1953).
In this work, it is reported some results of PFN performance that has been
developed to be used in a driving magnetron circuit. The PFN features are:
31W of impedance level, 2kHz of PRF, 0.7ms of pulse duration, and 11.4 nF
of total energy-storage capacitance.
1. Theory Fundamentation
The technique used by Guillemin´s theory on design of the PFN is based on
the Fourier series expansion of the desired output pulse. The trigonometric
Fourier series for the rectangular pulses, suitable to drive a magnetron
contains only odd terms, and it may be found by:
,
(1)
where i(t) is the electric current pulse, v represent the terms odd of the
series, t is the pulse duration and bv are the coefficients which determine
the amplitude of the pulse. Each term of the Fourier series at (1) consists
of a sinuidal wave at each section of the PFN, and the electric current pulse
can also be written as:
,
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 95-102, 2012
(2)
Theoretical and experimental procedures in design of the pulse-forming network...
97
where, VN, Lv, and Cv denote the PFN voltage, the inductance and the
capacitance, respectively. These parameters may be determined by:
,
(3)
and
(4)
The resulting network is shown in Fig. 1, known as the type-C Guillemin
network, and consists of a series of resonant LC elements connected in
parallel. (GLASOE; LEBASCQZ, 1948).
Figure 1 – PFN type-C derived by Fourier-series analysis.
Source: GUILLEMIN (1953) and GLASOE; LEBASCQZ (1948).
.
For a four section network type-C, the function impedance ZC(s) can be
written as:
.
(5)
where ai and bj are the polynomials coefficients. The PFN type-C is
inconvenient for practical use, because the inductances have appreciable
distributed capacitance and capacitors have a wide range of values which
makes the manufacture difficult and expensive. Therefore, it is desirable
to devise equivalent networks that have different ranges of values for
capacitance and inductance. For instance, using the Foster’s theorem, the
admittance function for network of Fig. 1 may be written, by inspection,
by means of:
.
(6)
or
. (7)
The function Z(s) may then be expanded in partial fractions about its poles,
and an expression of the following form is obtained as:
.
(8)
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 95-102, 2012
98
Carleto, N.
For a four section network, Z(s) can be written as:
,
(9)
where Kn are the residues of ZA(s), wn are the resonance frequencies, and
A0 is a constant. Equation (9) represents the impedance function for the
network of Fig. 2.
Figure 2 – PFN type-A derived by Foster’s theorem.
Source: GUILLEMIN (1953) and GLASOE; LEBASCQZ (1948).
.
Thus, C0 is equal to the sum of the Cv’s shown Fig. 1, and L2n is equal to
inductance of all the Lv’s in parallel. One additional form of physically
realizable network may be found making continued-fraction expansion
of the reactance or admittance functions and identifying the coefficients
thus obtained with network elements. This procedure is known as
Cauer’s theorem and represents a ladder network (10), resulting in the
type-B Guillemin network, shown in Fig. 3. This PFN correspond the
transmission-line equivalent. (GLASOE; LEBASCQZ, 1948). The (10)
means a series arms expressed as impedances and the shunt arms as
admittances. (MUSOLINO; RAUGI; BERNARDO, 1997; KUO, 1966).
,
(10)
Figure 3 – PFN type-B derived by Cauer’s theorem.
Source: GUILLEMIN (1953) and GLASOE; LEBASCQZ (1948).
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 95-102, 2012
Theoretical and experimental procedures in design of the pulse-forming network...
99
The essential PFN obtained by canonical network forms is the type-D of
the Guillemin shown in Fig. 4, which has equal capacitances. In term of the
manufacture, it is desirable because the capacitors for high voltage networks
are difficult item to manufacture. The negative inductances are due to
compensate the modified values of the capacitances of the PFN type-C.
Figure 4 – PFN type-D having equal capacitances and
negative inductances.
Source: GUILLEMIN (1953) and GLASOE; LEBASCQZ (1948).
The negative inductances, Fig. 4, can be realized physically by use
of the mutual inductance concept (Fig. 5) known as network type-E of
the Guillemin. This PFN is pratical because all the inductances may be
provided by single winding coil, and the capacitors may be tapped in at
proper points. To find the values of inductances the PFN type-E, it is used
the procedure below. (GLASOE; LEBASCQZ, 1948). For instance, for a
PFN type-E of the four sections:
,
(19)
where LE1, LE2, LE3 and LE4 are inductances of the type-E.
Figure 5 – PFN type-E having equal capacitances and mutual-inductances.
Source: GUILLEMIN (1953) and GLASOE; LEBASCQZ (1948).
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 95-102, 2012
100
Carleto, N.
2. Material and Methods
In order to investigate the characteristics of the PFN voltage-fed, a computer
code to simulate the behavior of the circuits shown in Figs. 1 to 5 was developed.
The circuit analysis was carried out using the state variables approach. So, the
state equations for the type-A, B, C, D and E PFNs, written using the inductor
currents and the capacitor voltages as state vector elements. The system was
integrated using a fourth order Runge-Kutta algorithm and the computer code
was written in Turbo Pascal 1.5 programming language. (PRESS et al. 1990;
CARNAHAN; LUTHER; WILKES, 1972; DESOER; KUH, 1985). The
output of 0.7µs and 11.4 nF PFN was connected to a 31Ω resistive load RL
and the output pulse waveforms was obtained for a charging voltage of 9kV
input. The output pulses obtained by simulation of four sections LC of PFN
type-A and B with a resistive load RL are shown in Figs. 6 and 7, respectively.
3. Results and Discussion
Figure 6 – Waveform pulse
output of the type-A network
with four-sections LC.
Source: Developed by author (2012).
Figure 7 – Waveform pulse
output of the type-B network
with four-sections LC.
Source: Developed by author (2012).
The results show that networks designed to simulate a lossless transmission
line have some limitations. This is evident by overshoots near of the
beginning of the pulse and the oscillations during the pulse. This effect
is due the first four odd terms of a rectangular pulse Fouries series in
the synthesis procedure. In order to verify the accuracy of the PFN
simulated, an experimental set-up shown in Fig. 8 was assembled. The
output waveforms, voltage and currents pulses, in a 31 W matched load
in Fig. 9. These conditions are relevant to magnetron modulator design.
The waveforms were recorded using an oscilloscope Tektronix TDS-210
connected to a computer.
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Theoretical and experimental procedures in design of the pulse-forming network...
101
Figure 8 – Experimental assembling used for PFN performance
measurements.
Source: Developed by author (2012).
Figure 9 shows a good agreement between the theoretical and experimental
results and the matching impedance can be observed between the PFN
type-E and the resistive load.
Figure 9 – The output waveforms, voltage and current pulses, in a 31Ω
matched load.
Source: Developed by author (2012).
Conclusions
In this work the performance of five types of PFNs were simulated and
investigated. The theoretical investigation was conducted using the Guillemin
synthesis network theory and the state variable approach. The resulting
equation differential system was integrated using a fourth order Runge-Kutta
algorithms. A test circuit modulator based on the theoretical of PFNs was
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102
Carleto, N.
assembled and the results shown that it are suitable to driving high power
magnetron. The networks obtained using this approach were numerically
simulated to supply 9kV and 0.7 µs pulses at 2kHz of pulse recurrence
frequency (PRF) to 31W impedance level.
RESUMO
Procedimentos teóricos e experimentais para projetar uma linha formadora
de pulsos vêm sendo desenvolvidos para operar válvulas magnetrons de
potência. O projeto teórico de uma linha formadora de pulsos é baseado
na síntese teórica da rede de Guillemin. As redes obtidas neste trabalho
utilizaram simulação numérica com fonte de 9kV, pulsos com largura de
0,7µs com frequência recorrente (PRF) de 2kHz e impedância de 31Ω. Um
aparato experimental foi construído para verificar o desempenho da PFN
e os resultados obtidos são discutidos e apresentados neste trabalho.
PALAVRAS-CHAVE
Linha formadora de pulsos. Redes de Guillemin. Válvula magnetron.
REFERENCES
CARNAHAN, B.; LUTHER, H. A.; WILKES, J. O. Applied numerical methods. New
York: John Wiley & Sons, Inc., 1972.
DESOER, C. A.; KUH, E. S. Basic circuit theory. New York: McGraw-Hill, 1985.
GLASOE, G. N.; LEBASCQZ, J. V. Pulse generators. New York: McGraw-Hill, 1948.
GUILLEMIN, E. A. Comunication networks: the classical theory of long lines, filters
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KUO, F. F. Network analysis and synthesis. New York: John Wiley, 1966.
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p.480-483, 1997.
PRESS, W. H. et al. Numerical recipes in pascal-the art of scientific computing. New
York: Cambridge University Press, 1990.
Nivaldo Carleto
Graduação em Engenharia Elétrica – Universidade de Marília (1996).
Licenciatura Plena (Esquema-I) – Centro Paula Souza (2000). Mestrado em Ciências (Área: Tecnologia Nuclear – Materiais) – IPEN/USP/
CNEN (2005). Especialização em Engenharia de Produção – UNESP
(2001). Especialização em Sistemas de Informações Geográficas (Geoprocessamento) – UFSCar (2002). Especialização em Didática e Metodologia do Ensino Superior – AESA (2008). Doutorado em Educação Escolar – UNESP (2009). Docente da Faculdade de Tecnologia de
Taquaritinga-SP (FATEC-TQ) e Coordenador do Grupo de Pesquisa/
NDE da AESA e da Faculdade Anhanguera de Matão. E-mail: nivaldo.
[email protected].
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 95-102, 2012
SIMULAÇÃO COMPUTACIONAL PARA O
APOIO AO PROCESSO
ENSINO-APRENDIZAGEM DE
PROGRAMAÇÃO LINEAR
COMPUTING SIMULATION FOR THE SUPPORT TO
THE TEACHING-LEARNING PROCESS OF LINEAR
PROGRAMMING
Paulo Francisco Sprovieri
RESUMO
Este artigo pretende apresentar um panorama geral do projeto de
pesquisas, envolvendo o estudo de simulação computacional para o ensino
e aprendizagem de programação linear de duas variáveis e de programação
linear de múltiplas variáveis, desenvolvido pelo autor. Serão apresentadas
as principais questões motivadoras do projeto e algumas estratégias para
resolvê-las. Além disso, pretende-se apresentar algumas propostas, para o
desenvolvimento futuro, resultantes do trabalho em andamento.
Palavras-Chave
Simulação computacional. Programação linear. Educação matemática.
INTRODUÇÃO
As pessoas em geral, os cientistas obrigatoriamente, utilizam modelos para
representar seu entendimento sobre qualquer coisa, seja um fenômeno, um
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 103-109, 2012
104
Sprovieri, P. F.
processo ou objetos. Assim sendo, existem diferentes tipos de modelos. Os
modelos descritivos permitem que, através do uso da linguagem natural,
uma pessoa possa transmitir aquilo que entende sobre alguma coisa. No
caso deste modelo, isso é feito através de um texto. Porém, se for levada
em consideração a característica de ambiguidade inerente às linguagens
naturais, nem sempre tais modelos são satisfatórios. Nesse caso, pode-se
utilizar outro tipo de modelo, o modelo gráfico. Por exemplo, supondo que
alguém pretenda explicar a outrem como funciona um motor de combustão
de quatro tempos, que equipa a maior parte dos veículos automotores
conhecidos, isso poderia ser feito através de um modelo descritivo. Porém,
exigiria muita dedicação por parte do leitor, na tentativa para entender o
texto do modelo, se comparado ao modelo gráfico apresentado na Figura 1.
Na verdade, para uma perfeita compreensão, poderão ser utilizados ambos
os modelos simultaneamente.
Figura 1 - Modelo gráfico para motores de combustão interna,
ilustrando os quatro tempos: admissão, compressão, explosãoexpansão e descarga.
Fonte: Prof. Fernando Lang da Silveira, IF/UFRGS. http://www.if.ufrgs.br/~lang/fisica%20
geral.html. Acesso em 20/09/2012.
Portanto, existem inúmeros tipos de modelos. Em outra situação, a melhor
maneira para representar as datas comemorativas do ano se dá através
de modelos tabulares, ou seja, calendários. Finalmente, existem modelos
para cada área do conhecimento, como: modelos de processos, modelos de
produção, modelos matemáticos, estatísticos, financeiros, entre muitos outros.
A simulação também implica em uma forma de abstração, isto é, de
representação do conhecimento, sem envolvimento direto com o mundo
real (ABREU; RANGEL, 1999). Ao fazer isso, com ou sem o uso de um
computador, o homem pode avaliar no mundo virtual aquilo que ocorreria
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 103-109 2012
Simulação computacional para o apoio ao processo ensino-aprendizagem de programação linear 105
no mundo real, sem as limitações que a realidade implicaria, como custos,
tempo ou riscos. Sendo assim, um simulador fundamentalmente baseiase em modelos. Porém, modelos são estáticos, enquanto que através de
simuladores computacionais podem-se agregar aspectos dinâmicos como
o tempo, refletindo dessa maneira o comportamento de um sistema a cada
momento através da tela de um computador.
Atualmente, os simuladores são utilizados para diversos propósitos,
inclusive para a educação e treinamento e, até mesmo, para o entretenimento,
a exemplo de inúmeros jogos digitais. Há jogos que envolvem tanto o
caráter lúdico como o aspecto educativo.
O interesse por simulação computacional partiu da observação do
comportamento dos alunos expostos ao conteúdo programático das
disciplinas pesquisa operacional, oferecida pelos cursos superiores
de tecnologia em Agronegócio e Produção Industrial e programação
linear e aplicações, oferecida pelo curso superior de tecnologia em
Análise e Desenvolvimento de Sistemas, na Faculdade de Tecnologia
de Taquaritinga, vinculada ao Centro Estadual de Educação Tecnológica
“Paula Souza”, do governo do estado de São Paulo. A ideia é adequar
os cursos de programação linear oferecidos pela faculdade ao estilo de
aprendizagem dos alunos, através do auxílio do simulador computacional
(TREVELIN; BELHOT, 2006).
O texto a seguir irá apresentar fatores motivavionais para a resolução
do problema de ensino e aprendizagem de programação linear de duas
variáveis e de programação linear de múltiplas variáveis, além de apresentar
algumas das soluções propostas para a resolução de tais problemas.
SIMULAÇÃO E PROGRAMAÇÃO LINEAR DE DUAS VARIÁVEIS
Grande parte da literatura que aborda a resolução de problemas de
programação linear de duas variáveis adota uma solução composta pela
combinação de dois tipos de resolução: a resolução gráfica e a resolução
algébrica. Isso se deve ao fato de que, como são duas variáveis existentes
nesse tipo de problemas, a resolução gráfica permite vislumbrar o ponto
ótimo da função-objetivo do problema através do plano cartesiano, pela
delimitação de um espaço solução bi-dimensional, denominado região
viável. Por sua vez, a região viável abriga os pontos extremos que
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 103-109, 2012
106
Sprovieri, P. F.
constituem, conforme a definição, os pontos de interseção, dentro da região
viável, criados pelo cruzamento entre duas ou mais retas estabelecidas a
partir das restrições impostas ao problema.
Sendo assim, a resolução gráfica estabelece uma forma de solução, para
os problemas de programação linear, estritamente qualitativa, na medida
em que apenas indica o ponto ou pontos ótimos sem, no entanto, indicar
o quanto representa a função-objetivo naquele ponto ótimo encontrado, ou
segmento de reta entre dois pontos ótimos, em alguns casos. Para verificar
essa afirmação é necessário traçar as retas denominadas vetor gradiente e
curvas de nível. Essas retas apresentam uma relação geométrica importante:
como seus coeficientes angulares são inversos e opostos, as curvas de nível
são perpendiculares ao vetor gradiente. Isso pode ser observado na Figura 2.
Figura 2. Resolução gráfica de um PPL de duas variáveis.
Fonte: próprio autor.
Gráfico elaborado através do software Graph, versão 4.4 (IVAN JOHANSEN, 19/06/2012).
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 103-109 2012
Simulação computacional para o apoio ao processo ensino-aprendizagem de programação linear 107
A recomendação que se faz ao aluno, no processo de resolução gráfica,
é que se procure traçar duas ou até três curvas de nível para que se possa
afirmar qual é o ponto ótimo do problema, partindo-se da premissa de que,
caso o problema seja de maximização, “o ponto ótimo é o último ponto
extremo a ser ultrapassado por sucessivas curvas de nível que partem da
origem em direção ao máximo apontado pelo vetor gradiente”.
Observou-se, ao longo da prática de ensino envolvendo programação
linear, que muitos alunos têm dificuldade para “enxergar” o ponto
ótimo. Verificando-se cuidadosamente a situação, percebeu-se que
a dificuldade parecia estar vinculada ao fato de que o gráfico, tanto na
lousa, elaborado pelo professor, quanto nas anotações feitas pelos alunos
são representações estáticas. Porém, quando se observa cuidadosamente
a definição de ponto ótimo, descrita anteriormente, verifica-se que esta
é essencialmente dinâmica (“... em direção ao...”). A partir daí surgiu a
ideia de se desenvolver um simulador computacional, para a resolução de
problemas de programação linear de duas variáveis, que pudesse agregar o
aspecto dinâmico apontado acima. Isso pode ser evidenciado pelo protótipo
acessível através do link: http://youtu.be/jk6MFq-eQR4.
SIMULAÇÃO E PROGRAMAÇÃO LINEAR DE MÚLTIPLAS
VARIÁVEIS
As dificuldades apresentadas pelos alunos em relação à resolução dos
problemas de programação linear de múltiplas variáveis apresentam
natureza completamente distinta daquela observada durante o estudo
de programação linear de duas variáveis. Para a resolução envolvendo
múltiplas variáveis, adota-se o algoritmo analítico, conhecido por método
simplex analítico ou método dos dicionários (LACHTERMACHER,
2009). Tais dificuldades residem, principalmente, na manipulação algébrica
envolvendo números fracionários.
A proposta para um simulador envolvendo a resolução pelo método
simplex analítico parte da premissa de que ao se diminuir a quantidade de
manipulações algébricas, diminui-se também a probabilidade de que os
alunos cometam erros de cálculo. Nesse caso, o simulador deverá expressar
a habilidade do professor em transpor o saber científico para o saber a ser
ensinado, de acordo com o processo de transposição didática formalizado
por Yves Chevallard (CHEVALLARD, 1991).
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 103-109, 2012
108
Sprovieri, P. F.
Tal proposta será viabilizada no ambiente do simulador através de um
processo passo a passo, a ser exibido de acordo com a necessidade de cada
aluno em particular. Sendo assim, o aluno que apresentar dúvidas de como
o simulador computacional chegou a uma dada equação, o software poderá
ilustrar o desenvolvimento passo a passo a partir da equação anterior.
PERSPECTIVAS ENVOLVENDO SIMULAÇÃO COMPUTACIONAL
E PROGRAMAÇÃO LINEAR
Jogos digitais envolvem também simulação, sendo que a cada dia mais
jogos invadem o mercado mundial, cujo tamanho estimado para este ano
de 2012 deverá atingir cerca de 68 bilhões de dólares (GOMIDE, 2012),
muitos deles com propostas educativas orientadas para o mercado de
formação e treinamento profissional, além das escolas básicas e faculdades.
Diante do panorama apontado, o interesse agora é canalizar esforços
rumo à ideia de se desenvolver jogos digitais voltados para programação
linear, começando pelo projeto de doutoramento apresentado ao Programa
de Pós-Graduação em Educação Matemática da Universidade Estadual
“Júlio de Mesquita Filho”, UNESP, em Rio Claro. Interessante notar que
a tecnologia subjacente à construção, tanto do simulador computacional
quanto dos jogos digitais, é a mesma, o que permitirá que avanços ocorridos
em um dado projeto possam fornecer subsídios importantes para o outro.
A integração destes produtos em um ambiente virtual de aprendizagem –
AVA representará o ápice nesse processo de evolução tecnológica voltada
para o ensino e aprendizagem de programação linear. Uma das inúmeras
possibilidades que se pode antever é o envio, para os servidores da instituição
de ensino, de arquivos contendo registros de todas as atividades realizadas
pelos alunos, seja através dos simuladores ou dos jogos, permitindo-se que
de maneira automatizada o aluno possa ser avaliado através de scripts de
avaliação criados especificamente para a plataforma AVA adotada.
ABSTRACT
This article presents an overview of the research project, involving
the study of computing simulation for teaching and learning of linear
programming on two-variables and linear programming on multiple
variables, developed by the author. The main motivating issues of the
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 103-109 2012
Simulação computacional para o apoio ao processo ensino-aprendizagem de programação linear 109
project and some strategies to solve them will be presented. Furthermore,
some proposals resulting from the work in progress are supposed to be
presented for future development.
KEYWORDS
Computing simulation. Linear programming. Math education.
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LACHTERMACHER, G. Pesquisa Operacional na Tomada de Decisões. São Paulo:
Prentice Hall Brasil, 2009.
TREVELIN, A. T. C.; BELHOT, R. V. A Relação Professor-Aluno estudada sob a Ótica
dos Estilos de Aprendizagem: Um Estudo de Caso. In: XXVI ENEGEP – Encontro
Nacional de Engenharia de Produção, Fortaleza – CE, 2006.
Paulo Francisco Sprovieri
Bacharel em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de São
Carlos em 1988, Especialista em Computação pela Universidade de
São Paulo em 1991, Mestre em Ecologia e Recursos Naturais pela
Universidade Federal de São Carlos, em 1993, com a dissertação
“Função Respiratória de Oreochromis niloticus, Tilápia do Nilo,
sob variação do oxigênio ambiental, avaliada através de um sistema
de software em tempo real”. Professor universitário, desde 1992,
ministrou aulas de várias disciplinas nas áreas de programação de
computadores, engenharia de software e banco de dados. Atualmente,
na Fatec de Taquaritinga, é o responsável pelas disciplinas Pesquisa
Operacional e Programação Linear e Aplicações. Lecionou as
disciplinas Conceitos de Linguagens de Programação e Engenharia de Software na Universidade
Estadual “Júlio de Mesquita Filho”, UNESP, de Rio Claro. E-mail: paulo.sprovieri@fatectq.
edu.br
Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 103-109, 2012
DIRETRIZES PARA AUTORES
A revista Interface Tecnológica publica artigos inéditos, científicos e de
divulgação, cuja temática se situe nas grandes áreas da Informática, Produção
Industrial, Agronegócio e Comunicação. Os trabalhos enviados à revista Interface
Tecnológica devem ser obrigatoriamente inéditos e com destino exclusivo, não
sendo permitida a divulgação do mesmo conteúdo em outros periódicos que não
esta revista. Para tanto, os autores deverão assinar um termo de exclusividade que
ratifique o compromisso de originalidade.
Os artigos podem ser escritos em português ou inglês. Todas as contribuições são
de responsabilidade exclusiva de seus autores. Os trabalhos devem ser enviados
à editora responsável pela revista (ver endereço para contato ao final desta seção)
em três vias impressas, sendo que em duas delas não deve haver qualquer
identificação do autor; ao final do processo o autor deverá apresentar duas vias
impressas e uma eletrônica - CD ROM), devidamente personalizadas, inclusive
a eletrônica.
Todas as contribuições submetidas à revista Interface Tecnológica são
encaminhadas primeiramente a pelo menos dois pareceristas do Conselho
Editorial, que observarão, além das diretrizes para autores e das normas
para publicação, a relevância do conteúdo, a propriedade da exposição e a
conformidade do texto aos princípios éticos, podendo aprová-las ou negá-las.
Uma vez aprovadas, são avaliadas por pareceristas do Conselho Consultivo
em sistema de duplo cego (blind review), isto é, os nomes dos pareceristas
permanecerão em sigilo, bem como o nome dos autores.
Os pareceristas do Conselho Consultivo poderão recomendar a publicação,
preconizar ajustes na forma, estrutura ou conteúdo, ou negá-la. Ambos os
conselhos são constituídos por comunidade científica especializada.
O tempo máximo entre a submissão e a emissão do resultado final pelo
conselho editorial é de 60 dias, podendo ser estendido em casos de solicitação
de reformulação. Os trabalhos negados são devolvidos aos seus autores. O
cronograma referente aos prazos fica estabelecido da seguinte forma:
CRONOGRAMA
Fase
Procedimento
Descrição
1
Chamada para
submissão dos
artigos
Chamada para
submissão dos artigos
através do site da
Instituição, de e-mails.
Data
A ser determinada pelo
Conselho Editorial. O
prazo entre as datas
de início e término de
submissões será de 30
dias
Responsável
Conselho
Editorial
2
Análise dos
trabalhos
submetidos
O Conselho
Editorial analisará
as contribuições
submetidas,
utilizando-se de
critérios estabelecidos
neste documento.
Após, os trabalhos
serão passados ao
Consultivo.
O Conselho Editorial terá
um prazo de 10 dias para
proceder à análise das
submissões.
Conselho
Editorial
3
Análise dos
trabalhos
submetidos
O Conselho
Consultivo analisará as
contribuições, fazendo
as devidas alterações
ou não.
O Conselho Consultivo
terá um prazo de 10 dias
para proceder à análise
dos trabalhos
Conselho
Consultivo
4
Devolução
aos autores
dos tabalhos
revisados
Os trabalhos
revisados pelo CC
serão devolvidos aos
seus autores para as
necessárias alterações
ou não.
Os autores terão um
prazo de 05 dias para
proceder às alterações
ou não.
Autores
5
Devolução das
contribuições
retificadas
pelos autores
ao Conselho
Editorial
As contribuições serão
devolvidas ao CE
pelos autores, já com
as devidas alterações.
6
Avaliação
realizada
pelo CE dos
trabalhos
enviados pelos
autores para
publicação
Os trabalhos serão
avaliados pela última
vez pelo CE, que os
encaminhará para
publicação ou não.
7
Publicação das
contribuições
Autores
O CC terá 05 dias para
proceder a essa avaliação.
Conselho
Editorial
Conselho
Editorial
Direitos autorais e responsabilidade sobre o conteúdo publicado
Os direitos autorais dos artigos publicados pertencem à revista Interface
Tecnológica. É permitida a reprodução parcial ou integral dos artigos em outros
meios de divulgação, com a condição da completa citação da fonte. Os artigos
assinados expressam unicamente a opinião de seus autores. A submissão dos
artigos à revista Interface Tecnológica pressupõe o conhecimento dos termos
aqui explicitados e acarreta a aceitação de suas condições.
CONDIÇÕES PARA SUBMISSÃO – NORMAS PARA PUBLICAÇÃO
Todas as contribuições destinadas à Revista Interface Tecnológica devem estar
rigorosamente baseadas nas regras da ABNT (Associação Brasileira de Normas
Técnicas).
Formatação do texto
Os textos devem estar no formato Microsoft Word (.doc), papel branco A4,
fonte Times New Roman, tamanho 12, com margens de 2,5. Todo texto deve ser
digitado em blocos, com espaçamento simples, alinhados à esquerda e justificados
à direita. Entre os blocos deverá haver um espaço a mais. Os títulos de cada
subseção devem ser grafados em negrito e aparecerem à margem esquerda,
separados do texto que os precede e que os sucede por um espaço de 1,5, na fonte
Ottawa, tamanho 18 com espaçamento simples. Todas as páginas dos trabalhos
devem ser numeradas em algarismos arábicos, no canto superior direito da lauda.
Estrutura
Os artigos devem ser apresentados da seguinte forma:
• FOLHA DE ROSTO PERSONALIZADA: com a) título em português
(grafado em negrito); b) título em inglês (equivalente ao título em
português, grafado em negrito); c) nome de cada autor;
•
FOLHA DE ROSTO DESPERSONALIZADA: sem o nome do autor,
contendo exclusivamente: a) título em português; b) título em inglês;
• RESUMO: em português e acompanhado de, no máximo 5 palavraschave e, no mínimo, 3. Será apresentado em um só bloco, não havendo
parágrafos;
• ABSTRACT: resumo em inglês, equivalente ao resumo em português e
acompanhado das Keywords.
Os artigos podem conter ainda:
• APÊNDICES E/OU ANEXOS : quando apresentarem informações
indispensáveis à compreensão do texto. Devem constar no final do artigo,
numerados de acordo com a ordem de apresentação;
• TABELAS E/OU QUADROS: devem incluir legendas e serem
numerados sequencialmente;
• IMAGENS: os arquivos devem se enviados em alta resolução (300dpi) e,
preferencialmente, no formato do programa em que foram originalmente
gerados (Excel, Corel Draw, etc).
Sistemas de chamadas (autor, data)
• DE UM A TRÊS AUTORES: os nomes dos autores devem ser separados
por ponto e vírgula:
(BORBA; BIDERMAN; MONTI, 2005)
• A PARTIR DE QUATRO AUTORES: cita-se o nome do primeiro autor
seguido da expressão et al.:
(OLIVEIRA et al., 2008)
• AUTOR COM MAIS DE UMA PUBLICAÇÃO NO MESMO ANO: as
obras devem ser diferenciadas por meio da adição de uma letra minúscula
após a data, ordenadas de acordo com a lista da seção de referências:
(SILVEIRA, 1998a), (SILVEIRA, 1998b)
• VÁRIAS OBRAS DO MESMO AUTOR: os anos das publicações devem
ser separados
por vírgula:
(GIL, 1999, 2005, 2008)
Citações
Citações diretas (transcrição textual de parte da obra do autor consultado)
• CITAÇÕES DIRETAS CURTAS: com até 3 linhas, devem ser integradas
ao texto, entre aspas, seguidas da chamada pelo sobrenome do autor,
incluindo o número da página.
“[...] definem quem pode negociar [...] sob as quais se processam as
transações” (FLIGSTEIN, 2003, p. 195-7).
• CITAÇÕES COM 4 LINHAS OU MAIS: devem ser deslocadas do corpo
do texto, dispostas com recuo de 4 cm da margem esquerda, sem aspas
e com espaçamento simples, seguidas da chamada pelo sobrenome do
autor.
Citações indiretas (texto baseado na obra do autor consultado)
As citações indiretas devem ser seguidas da chamada pelo sobrenome do autor. A
indicação do número da página é opcional:
Segundo Martins (2010, p.38), em estudo realizado no Rio de Janeiro (UFRJ,
2007)...
Citação de citação (texto não retirado de fonte original, mas de obra que a
ele faz referência)
Deve ser referida a fonte consultada e não a fonte original, usa-se a expressão
apud (citado por) entre o autor original e o autor consultado.
De acordo com Platão e Fiorin (1990, p.241 apud MEDEIROS, 2003, P.71), os
pressupostos são ideias não expressas de maneira explícita [...]
Notas e abreviaturas
As notas devem figurar no rodapé da página, numeradas sequencialmente.
As abreviaturas devem seguir as orientações da NBR 10522/88.
Referências
A seção de referências, no final do artigo, deve conter as referências completas,
ordenadas, primeiro por ordem alfabética do sobrenome dos autores, depois, caso
haja mais de uma obra do mesmo autor, por ordem alfabética do título da obra,
conforme regra da ABNT (NBR 6023, ago. 2002). O elemento em destaque, a
depender do tipo de referência, deve estar em negrito.
Referências de livro
• INTEGRAL: BALLOW, R.H. Logística empresarial: transportes,
administração de materiais e distribuição física. 2.ed.São Paulo: Atlas,
1993.
• PARTE DO LIVRO: PEREIRA, R.R. et al. Ladrões de sonhos e sabonetes:
sobre os modos de subjetivação da infância na cultura do consumo. In:
JOBIM E SOUZA, S. (Org.). Subjetividade em questões: a infância como
crítica da cultura. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2000.
Referências de revista
• INTEGRAL: PSICOLOGIA: Teoria e Pesquisa. Brasília: Instituto de
Psicologia da Universidade de Brasília, v.22, n.1, jan./abr.2006.
• ARTIGOS E/OU MATÉRIA: MOURA, M.L.S. Dentro e Fora da
Caixa Preta: A Mente sob um Olhar Evolucionista. Psicologia: Teoria
e Pesquisa, Brasília, v.21, n.2, p.141-147, maio/ago.2005.
Dissertações e teses
STRAFORINI, R. Ensinar geografia nas séries iniciais: o desafio da totalidade
mundo. 2001. Dissertação (mestrado) – Instituto de Geociências, Universidade
Estadual de Campinas, Campinas.
Obras em mídias digitais
A referência obedece o padrão indicado para o material impresso, acrescida da
descrição do meio eletrônico e data de acesso, quando consultadas online:
KOOGAN, A.;HOUAISS, A. (Ed.) Enciclopédia e dicionário digital 98. Direção
geral de André Koogan Breikman. São Paulo: Delta: Estadão, 1998. 5 CD ROM.
BICCA JUNIOR, R. L. Coisas nossas: a sociedade brasileira nos sambas de Noel
Rosa. 2001. Dissertação (mestrado) – Pontifícia Universidade Católica do Rio
Grande do Sul, Porto Alegre. Disponível em: http://www.samba-choro.com.br/
print/debates/. Acesso em 21 ago. 2004.
Formatação das referências
A formatação da referência deve seguir rigorosamente os modelos
supramencionados. Nenhum item da referência deve ser sublinhado. Todas
as referências constantes no corpo do texto devem ser incluídas na seção de
referências, bem como todas as referências listadas na seção devem estar
presentes ao longo do texto. Os casos aqui não contemplados devem seguir as
normas da ABNT (NBR 6023, ago. 2002), e aqueles não assistidos pelas normas
apresentadas, nem pela ABNT, serão decididos pelo corpo técnico da revista.
A correspondência e as contribuições para publicação devem ser encaminhadas a:
Profa. Dra. Elaine T. Assirati (Editora Responsável)
Faculdade de Tecnologia de Taquaritinga – FATEC/Tq – Centro Paula Souza
Av. Dr. Flávio Henrique Lemos, 585 – Portal Itamaracá
15.900-000 Taquaritinga - SP - Brasil
Fone: (16) 3252-5250 (16) 3253-5152 Fax: (16) 3252-5193
www.fatectq.edu.br/interfacetecnologica.
GUIDELINES FOR AUTHORS
Interface Tecnológica magazine publishes original scientific articles, as well as
original ones on current themes, whose theme is located in the major areas of
Information Technology, Industrial Production, Agribusiness and Communication.
Papers submitted to this journal must not be published in other magazines, so it
is not permitted to transfer the same content in other journals than this magazine.
For this purpose, the authors must sign an exclusive term to ratify the appointment
of originality.
Articles may be written in Portuguese or English. All contributions are the sole
responsibility of their authors.
Entries must be submitted to the journal’s editor (see contact address at the end
of this section) in triplicate (three printed copies – two of them without any
identification of the author, and, at the end of the process, two printed and one
electronic – CD-ROM, personalized properly).
All contributions submitted to the journal Technological Interface are directed,
primarily, at least at two referees on the Editorial Board, who shall observe, in
addition to the guidelines for authors and for publication of standards, the content
relevance, ownership of exposure and compliance with ethical principles of the
articles and may approve or deny them.
Once approved, they are evaluated by peer Advisory Board in the double-blind
(blind review), that is, the names of referees will remain private, as well as the
names of the authors. The peer Advisory Board may recommend publication,
recommending adjustments to the shape, structure or content, or deny it.
Both councils are made up of specialized scientific community. The maximum
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are returned to their authors.
CONDITIONS FOR SUBMISSION - GUIDELINES FOR PUBLICATION
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Text Formatting
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Structure
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to the title in Portuguese, written in bold), c) name of the author.
Cover sheet depersonalized, without the author’s name, containing only: a) title
in Portuguese, b) title in English;
Summary: in Portuguese, accompanied by a maximum 5 keywords, at least 3. It
will be presented in a single block, with no paragraphs;
Abstract: in English, equivalent to the abstract in Portuguese and accompanied
by 5 Keywords, at least 3.
References
The reference section at the end of the article should contain full references, in
alphabetical order as a rule of ABNT (NBR 6023, ago. 2002). The element in
focus, depending on the type of reference, should be in bold.
Correspondence and contributions for publication should be sent to:
Professor Dr. Elaine T. Assirati (Responsible Editor)
Faculdade de Tecnologia de Taquaritinga - FATEC / Tq - Centro Paula Souza
585 Dr. Flávio Henrique Lemos Avenue
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Volume 9 (v. esp.)