Taquaritinga - SP Interface Tecnológica v. 9 v. esp. n. 1 p. 1 - 109 2012 Interface Tecnológica Publicação Anual Volume 9 (v. esp.), Número 1, 2012 Editora Responsável Elaine Therezinha Assirati Conselho Editorial Andreia da Silva Santos (Universidade Estadual da Paraíba) Carlos Roberto Regattieri (FATEC-Tq) Daniela Gibertoni (FATEC-Tq) Elaine Therezinha Assirati (FATEC-Tq) Filomena M. Cordeiro Moita (Universidade Estadual da Paraíba) João José Marques (Instituto de Educação da Universidade do Minho - Portugal) Luciana A. Casemiro (Univeridade de Franca) Luciana Maria Saran (UNESP – Jaboticabal) Mirley R. Moreira (UNESP – Rio Claro) Paula Pavarina (UNESP – Franca) Teresa Pombo (Universidade de Lisboa) Conselho Consultivo Ana Teresa Colenci Trevelin (FATEC – Tq) Andreza R. Lopes da Silva (Universidade Federal de Santa Catarina) Fernando Pimentel (Universidade Federal de Alagoas) Luiz Roberto Wagner (UNIESP – Taquaritinga) Mara Mellini Jabur (FATEC-Tq) Maria Jose Sosa Díaz (Universidade de Extremadura – Espanha) Martin Mundo Neto (FATEC-Tq / USP – São Carlos) Rosiris Maturo Domingues (SENAC – São Paulo) Thaís Tezani (UNESP – Bauru) Revisão de Inglês Elaine T. Assirati Kátia Cristina Galatti Mirela de Lima Piteli Apoio Tecnológico Diogo de Almeida Daniela Gibertoni Marco Antonio Alves Pereira Desenvolvedor Web Diogo de Almeida Projeto Gráfico e Capa Fábio José Moretti Plínio Nogueira de Arruda Sampaio Impressão e Encadernação Santa Terezinha gráfica & editora - Gráfica Multipress Ltda. Av. Carlos Berchieri, 1671 – N. Jaboticabal - 14890-200 – Jaboticabal – SP - Fone/Fax: (16) 3202-2246 www.graficasantaterezinha.com.br CENTRO PAULA SOUZA Faculdade de Tecnologia de Taquaritinga – FATEC-Tq Av. Dr. Flávio Henrique Lemos, 585 – Portal Itamaracá - 15.900-000 – Taquaritinga – SP – Brasil Fone: (16) 3252-5250 - (16) 3252-5152 - Fax: (16) 3252-5193 www.fatectq.edu.br APRESENTAÇÃO Caro leitor, Não são todos os dias que temos um motivo especial para comemorar. Por isso, aproveito este momento para fazê-lo. Em outras palavras, a Faculdade de Tecnologia de Taquaritinga está comemorando os seus 20 anos de existência. E, é claro, a revista Interface Tecnológica não poderia ignorar um fato tão significativo. Particularmente, quero prestar minhas homenagens à nossa querida FATECTq, dedicando-me à organização deste volume, que pretende ser especial, ao oferecer uma maior visibilidade do perfil de nossos profissionais, através da apresentação de trabalhos exclusivos, que revelam sua expertise, seu saber, enfim, sua ciência. Outras inovações são a inserção de um texto histórico, de autoria dos docentes Mara Regina Mellini Jabur, Miramaya Jabur e Luiz Rossato, que narra a trajetória da FATEC-Tq desde seu início até o presente, tornando possível a você, leitor, o conhecimento dos principais fatos que construíram a história desta faculdade; e a inclusão do logotipo comemorativo aos 20 anos da FATEC-Tq, desenvolvido pelo aluno do curso de Tecnologia em Processamento de Dados Luiz Fernando de Aquino Dias, que obteve o primeiro lugar no concurso para a criação do logotipo, realizado pelo grupo GPES, sob a coordenação da Profa. Dra. Daniela Gibertoni. Convido-o, então, a compartilhar comigo esta oportunidade singular. Que minhas intenções se realizem por meio de suas expectativas atendidas! Profa. Dra. Elaine T. Assirati Editora Responsável BREVE HISTÓRICO DA FATEC “PROFª. MARLENE MARIA MILETTA SERVIDONI” PELOS VINTE ANOS DE EXISTÊNCIA – 1992/2012 A Faculdade de Tecnologia de Taquaritinga – FATEC/Tq é uma unidade de Ensino Superior mantida pelo Centro Estadual de Educação Tecnológica “Paula Souza”, vinculada e associada à UNESP, Universidade Estadual “Julio de Mesquita Filho”. Diferenciada pela vocação tecnológica, a FATEC/Tq reúne o ensino de ciências aplicadas ao desenvolvimento da técnica para obtenção dos benefícios da tecnologia em favor da melhor qualidade de vida. Foi criada pelo DECRETO 35.236/92 de 02 de julho de 1992 e iniciou suas atividades em 03 de agosto do mesmo ano, com o Curso Superior de Tecnologia em Processamento de Dados. Programado para oferecer 40 vagas no período diurno e 40 vagas no período noturno, o curso conta hoje com alunos oriundos de várias cidades da região. Mantém um bom índice de empregabilidade, estando 95% deles empregados ou com o próprio negócio. A qualidade do ensino oferecido e a seriedade do trabalho desenvolvido têm atraído inúmeros candidatos aos vestibulares, realizados semestralmente, nos meses de julho e dezembro de cada ano. São eles provenientes de diversas regiões do Brasil. A Faculdade de Tecnologia de Taquaritinga tem como Órgão Colegiado Maior a Congregação, composta pelo Diretor, pelos Coordenadores, pelos representantes dos Professores Plenos, Associados e Assistentes, representantes dos Auxiliares Docentes e pelo representante dos funcionários. O Diretor Superintendente da Fundação Estadual de Educação Tecnológica “Paula Souza”, Prof. Oduvaldo Vendrametto recebeu, em agosto de 1988, um ofício (nº 760/88) do Senhor Antonio Carlos Nunes da Silva, Prefeito de Taquaritinga, cidade do interior do estado de São Paulo, distante 320 Km da capital pela rodovia Washington Luiz, na região administrativa de Ribeirão Preto, solicitando a instalação de uma Faculdade de Tecnologia. Anexas ao ofício do prefeito, havia correspondências na forma de ofícios, cartas e abaixo-assinados dos principais representantes da comunidade tais como Loja Maçônica, Lions Club, Rotary Club, Associação Comercial, Ordem dos Advogados, Associação de Engenheiros, Médicos, além de indústrias, Casas de Comércio e outros Clubes Sociais; todos assumindo um compromisso formal de colaborarem com a instalação da faculdade de maneira ativa para a aquisição não só de um local para a construção da faculdade, como também de equipamentos. Algumas prefeituras de cidades circunvizinhas, tais como Fernando Prestes, Santa Ernestina, Dobrada, Cândido Rodrigues enviaram correspondências à prefeitura de Taquaritinga manifestando apoio. Em 1989, o prefeito de Taquaritinga, senhor Mílton Arruda de Paula Eduardo, encaminhou o ofício nº 264/89, de 14 de abril de 1989, e este reforçava o pedido do prefeito anterior para que fosse criada a faculdade de tecnologia na área de informática junto à Escola Técnica Estadual de Vila Rosa, cuja justificativa reforçava a defendida pelo prefeito anterior de que se tratava de um prédio dotado de recursos básicos ao funcionamento desse espaço de ensino universitário, dadas as suas amplas instalações e o aspecto favorável de sua localização. Essa solicitação foi feita porque havia, por parte da Fundação, um projeto de instalação na cidade, para o ano de 1989, uma escola técnica de 2º grau, na área de informática cujo prédio contava com grande capacidade física: 33 classes, 7 laboratórios e 2 oficinas. Diante dessa realidade, o senhor prefeito alegava que haveria um grande espaço ocioso e para que fosse mais bem-aproveitado, ele solicitava ao Senhor Diretor Superintendente da Fundação um estudo sobre a possibilidade de criação uma faculdade tecnológica na cidade de Taquaritinga oferecendo, a princípio, oitenta vagas sendo quarenta para o período diurno e quarenta para o noturno por semestre, nos mesmos moldes dos cursos ministrados em São Paulo e Ourinhos. Colocava, ainda, o Poder Público Municipal à disposição para colaborar efetivamente na concretização dessa solicitação. Eis os termos do ofício: “Em nosso nome, no de toda a população, em especial, no dos jovens taquaritinguenses, recorremos aos valiosos préstimos de V. Exa. no sentido de que seja alcançada a Criação de uma Faculdade de Tecnologia, na área de informática, junto à Escola Técnica Estadual da Vila Rosa, vinculada a esse respeitável Centro Educacional, cujo prédio é dotado de recursos básicos ao funcionamento desse espaço de ensino universitário, dadas as suas amplas instalações e o aspecto favorável de sua localização. Desnecessário se torna discorrer sobre os inúmeros benefícios advindos dessa conquista, uma vez que a classe estudantil local necessita deslocar-se para outros centros urbanos, em busca de uma formação de nível superior, inclusive na área supra, pelo que esperamos contar com o total apoio dessa Digna Superintendência para a implantação da tão sonhada faculdade. Ao encerrarmos este expediente, damos ênfase ao louvável trabalho que V. Exa. Vem desenvolvendo à frente desse centro, responsável pela manutenção de renomados espaços educacionais, ao tempo em que antecipadamente agradecemos, juntamente com todos os munícipes, a acolhida e empenho dispensados, renovando reais protestos de estima e amizade. Cordiais cumprimentos, Mílton Arruda de Paula Eduardo” Atendendo a essa solicitação, o Senhor Diretor Superintendente do CEETEPS designa, em 17 de dezembro de 1990, por meio da Portaria CEETEPS nº 120/90, “Comissão destinada a desenvolver estudos para avaliar as possibilidades de criação e instalação de uma Faculdade de Tecnologia em Taquaritinga – SP”, nos seguintes termos: Artigo 1: designar os senhores Vera Lúcia Silva Camargo, da FATEC – SP; Helena Gemignani Peterossi, do CEETEPS; Hamílton Martins Viana, da FATEC - SP; e Marlene Maria Miletta Servidoni, de Taquaritinga, para, sob a presidência do primeiro, constituírem Comissão destinada a desenvolver estudos para avaliar a possibilidade de criação e instalação de uma Faculdade de Tecnologia em Taquaritinga – Estado de São Paulo. Artigo 2: A Comissão desenvolverá seu trabalho no prazo de 120 (cento e vinte) dias, a partir desta data. Artigo 3: os componentes da Comissão exercerão tais atividades sem ônus para o CEETEPS. Artigo 4: Esta Portaria entrará em vigor na data de sua publicação. Essa Comissão desenvolveu, num período de cento e vinte dias, estudo completo e detalhado sobre a cidade de Taquaritinga e toda a região que a FATEC poderia atender. Concluiu que havia grande possibilidade de instalação com um curso, inicialmente, de Tecnologia em Processamento de Dados, com o mesmo currículo da FATEC – SP, aprovado pela Resolução UNESP nº 18 de 23 de fevereiro de 1990. Diante desse parecer favorável, a Câmara Municipal de Taquaritinga aprova a Lei Municipal nº 2266 de 11 de abril de 1991, e é enviado um ofício do Senhor Prefeito Mílton Arruda de Paula Eduardo ao Superintendente Senhor Oduvaldo Vendrametto comunicando a aprovação da Lei Municipal e a cessão ao CEETEPS uma área de 32404,72 m2 e abrindo um crédito especial de Cr$ 80 milhões para a construção de um módulo constituído de seis salas de aula, quatro laboratórios, quatro sanitários e um “hall” de circulação, perfazendo uma área total de 843,75 m2, nos moldes de um projeto-padrão fornecido pelo CEETEPS. Compromete-se ainda com a abertura de um crédito suplementar no orçamento de 1992, caso o valor reservado não fosse suficiente. Enquanto tramitava esse processo, o Magnífico Reitor da UNESP, Professor Paulo Mílton Barbosa Landin, baseando-se na Indicação RUNESP nº 04/91, constante do Processo nº 267/50/01/91, recomendou que, em vez de se construírem novas faculdades, deveriam ser estudadas as criações de “Extensões de Câmpus” das unidades já estabelecidas. Essa sugestão surgiu porque as extensões de câmpus são consideradas uma alternativa ágil e flexível para atender mais rapidamente aos anseios da comunidade, no caso específico, a sociedade taquaritinguense e, após alguns anos transcorridos, ou seja, após efetiva consolidação do curso, a transformação da Extensão em Faculdade é facilitada e rápida. Dentro dessa orientação, a Superintendência encaminha um processo consultando sobre o interesse em ser criado o câmpus de Taquaritinga como extensão da FATEC – SP. A Diretoria da Faculdade submeteu o processo à apreciação do Departamento de Processamento de Dados, uma vez que a curso a ser implantado seria o de Tecnologia em Processamento de Dados. O Conselho do Departamento, após análise, concluiu que “Em função da possibilidade de ampliação do número de vagas, no ensino público, em área que apresente demanda de candidatos, e onde permite mobilidade de profissionais no mercado de trabalho, no setor de serviços, bem como, por meio dos dados analisados, pode receber alunos de três regiões administrativas do estado de São Paulo (São José do Rio Preto, Marília e Ribeirão Preto). Os professores presentes aprovaram, por unanimidade, a extensão de campus em Taquaritinga. A Prefeitura de Taquaritinga, por meio do ofício nº 590/91 encaminhado à Superintendência pelo então prefeito Senhor Mílton Arruda de Paula Eduardo, aceita que, num primeiro momento, seja instalado um campus da FATEC – SP na cidade, e a Câmara Municipal, por meio do ofício nº 776/91, assinado por todos os vereadores, também concorda com a nova posição do CEETEPS e reafirma seus compromissos anteriormente assumidos com a instalação da FATEC. Bloco administrativo e A 1 A Fatec funcionou no prédio da Etec “Dr. Adail Nunes da Silva” de 1992 a 1997 quando as obras do câmpus foram concluídas, e a inauguração ocorreu em maio de 1997 quando era governador do Estado o senhor Mário Covas, Emerson Kapaz, Secretário de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico; Professor Marcos Antonio Monteiro, Diretor Superintendente do CEETEPS; Professor Douglas Hamilton de Oliveira, Diretor da Unidade; Sérgio Schlobach Salvagni, Prefeito Municipal; Waldemar D’Ambrósio, Vice-Prefeito; Wilson Abdalla Mansur Zaquia, Presidente da Câmara. O envolvimento das autoridades e da comunidade de Taquaritinga na luta pela instalação do curso de Processamento de Dados foi de tal magnitude, que o CEETEPS não só confiou nas promessas feitas, como ainda sentiuse obrigado a atender à reivindicação de criação da FATEC na cidade de Taquaritinga. A Faculdade de Tecnologia “Profª. Marlene Maria Miletta Servidoni”, conhecida como FATEC – Taquaritinga, foi criada em 1º de julho de 1992, pelo Decreto nº 35.236, com atividades iniciadas em 1º de agosto do mesmo ano. Na época, oferecia à comunidade local e região o Curso Superior de Tecnologia em Processamento de Dados. A cada semestre, eram oferecidas quarenta vagas no período diurno e quarenta no noturno. O reconhecimento do curso ocorreu nos seguintes termos: “Portaria nº 851, de 21 de agosto de 1996. O Ministro de Estado da Educação e do Desporto, usando da competência que lhe foi delegada pelo Decreto nº 1845, de 28 de março de 1996 e tendo em vista o Parecer nº321/96, do Conselho Estadual de Educação de São Paulo, conforme consta do Processo nº 23000.010670/96-28, do Ministério da Educação e do Desporto, resolve: Art. 1º - Reconhecer o Curso Superior de Tecnologia em Processamento de Dados, ministrado pela Faculdade de Tecnologia de Taquaritinga, em Taquaritinga, mantida pelo Centro Estadual de Educação Tecnológica “Paula Souza”, autarquia vinculada à Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, com sede na cidade de São Paulo, ambas no Estado de São Paulo. Art. 2º - Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Paulo Renato Souza” Os profissionais formados na FATEC – Taquaritinga são rapidamente inseridos no mercado de trabalho devido às necessidades de mão de obra especializada e à demanda da região por tecnólogos. Por essa razão, a FATEC sentiu necessidade de criar novos cursos e, após uma pesquisa detalhada sobre essa demanda, no segundo semestre de 2002, foi criado o curso de Produção Industrial oferecido no período da manhã e noite; no segundo semestre de 2006, foi implantado o curso de Agronegócio nos períodos vespertino e noturno e, no segundo semestre de 2010, implantouse o curso de Sistemas para Internet no período matutino. Por conta do funcionamento do novo curso, foi construído um novo prédio de aulas (bloco A2). No primeiro semestre de 2010, o curso de Processamento de Dados foi reestruturado e atualmente, é Análise e Desenvolvimento de Sistemas e continua disponibilizando oitenta vagas quarenta no diurno e quarenta no noturno. Em 1º de maio de 2011, foi realizada a primeira aula magna do Curso de Pós-Graduação em Gestão da Produção. Atualmente, a FATEC – Taquaritinga conta com aproximadamente 1800 alunos matriculados nos quatro cursos de graduação e no de pós-graduação. O primeiro diretor da FATEC foi o Professor Décio Cardoso da Silva, cuja gestão compreendeu o período de agosto de 1992 a julho de 1994. O sucessor dele foi o Professor Antonio Manuel da Rocha Ribeiro que administrou ao FATEC de agosto de 1994 a fevereiro de 1997. Logo após, de março de 1997 a junho de 1998, a FATEC foi administrada pelo Professor Douglas Hamilton de Oliveira, gestão sucedida pelo Professor Francesco Artur Perrotti de julho de 1998 a maio de 2002. Em seguida, a FATEC esteve sob a administração do Professor José Alberto Seixas durante o período de maio de 2002 a maio de 2006. De junho de 2006 a junho de 2008, a FATEC esteve sob a administração do Professor Nelson José Peruzzi, sucedido pelo Professor Antônio João Cancian, durante o período de julho de 2008 a julho de 2010. Em agosto de 2010, assumiu a direção do câmpus a Professora Luciana Aparecida Ferrarezi. O primeiro corpo docente foi constituído pelos seguintes membros: Adriano Sunao Nakamura, Ana Cristina dos Santos, Antônio Paulo S. Misaka, Cláudio Shinji Matsumoto, Cláudio Tadeu Rozário Sobral, Cristina Dutra de Aguiar, Elaine Therezinha Assirati, Etore Antônio Maggiotto, Fábio Lúcio Meira, José Alberto Seixas, Júlio Fernando Lieira, Karen Kiomi Nakazato, Luciana Paula F. Fernandes, Luís Fernando Cozin, Luiz Rossato, Maria Aline L. S. Thobias, Mario Paioli Filho, Ricardo Corrêa de O. Ramos, Ricardo Rodrigues Ciferri, Silvely N. de A. Salomão e Simoni Maria de Morais. Os primeiros auxiliares docentes foram: André Ricardo Vieira, José Roberto Gagliardi, Luciana Aparecida Ferrarezi e Valdir Flores de Oliveira. O primeiro corpo técnico-administrativo contou com os seguintes funcionários: Claudenir Guedes, Lázaro Argeo, Márcia Aparecida Hisamatsu, Maria de Fátima Flores de Oliveira e Marlene Maria Miletta Servidoni. BREVE HISTÓRICO DO CENTRO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA PAULA SOUZA – CEETEPS O Centro Paula Souza (nome dado ao Centro em homenagem ao Professor Antônio Francisco de Paula Souza – fundador da Escola Politécnica de São Paulo) foi criado em 1969, por meio de decreto-lei que estabeleceu o então Centro Estadual de Educação Tecnológica de São Paulo como entidade autárquica, com a finalidade de articular, realizar e desenvolver a Educação Tecnológica no ensino Médio e Superior. Iniciou suas atividades em 1970, com a instalação de dois cursos superiores: Construção Civil e Mecânica. Nessa época, ainda não existiam as Faculdades de Tecnologia (FATECs). A primeira FATEC começou a funcionar em 1971, em Sorocaba. Em seguida, veio a Faculdade de Tecnologia de São Paulo, em 1972. Essas duas unidades passaram a operacionalizar os cursos superiores de tecnologia, e o Centro Paula Souza firmou-se como órgão mantenedor das mesmas. Em 10 de abril de 1971, a Instituição passou a ser denominada Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza-CEETEPS. O Centro Paula Souza dedicava-se exclusivamente ao ensino superior quando, entre 1981 e 1982, ampliou sua atuação, incorporando 12 unidades de ensino técnico de nível médio, as chamadas Escolas Técnicas Estaduais - ETECs. Em 1994, foram incorporadas outras 82 Unidades de Escolas Técnicas Estaduais, que eram ligadas diretamente à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico. Atualmente, após a criação e incorporação de várias Unidades de Ensino de nível Médio e Superior, o Centro Paula Souza mantém 208 Escolas Técnicas Estaduais (ETECs) e 55 Faculdades de Tecnologia (FATECs), além de classes descentralizadas em cidades, mantidas em convênio com empresas, prefeituras e com as Secretarias Municipais da Educação. FATECs – FACULDADES DE TECNOLOGIA Instituições públicas de ensino superior, as Faculdades de Tecnologia (FATECs) oferecem, nos municípios, cursos de graduação voltados para segmentos emergentes da atividade industrial e do setor de serviços. Os tecnólogos formados por essas instituições estão aptos a atuar no mercado de trabalho em função do sólido conhecimento acadêmico, adquirido de professores que atuam no setor produtivo. As atividades práticas são realizadas não apenas nos modernos laboratórios dos cursos, mas também nas próprias empresas parceiras, que requisitam os alunos para estágios e contratações. As FATECs são instituições públicas de ensino superior mantidas pelo Centro Paula Souza que oferecem cursos superiores de tecnologia, devidamente reconhecidos, concebidos e desenvolvidos para atender a segmentos atuais e emergentes da atividade industrial e do setor de serviços, tendo em vista a constante evolução tecnológica. O Ensino Superior é compromissado com o sistema produtivo. Com currículos flexíveis, compostos por disciplinas básicas e humanísticas, de apoio tecnológico e de formação específica na área de atuação do tecnólogo, seus cursos têm uma carga horária média de 2800 horas, incluindo estágio supervisionado e projeto de graduação, com três anos de duração. Estruturalmente, o ensino se apoia em projetos reais, estudos de caso e em laboratórios específicos aparelhados para reproduzir as condições do ambiente profissional, permitindo ao futuro tecnológico participar, de forma inovadora, dos vários trabalhos de sua área. Esse conceito de ensino exige um corpo docente formado por especialistas, bem como por professores que se dedicam integralmente ao desenvolvimento do ensino e da pesquisa tecnológica. Abaixo, segue tabela com os eixos tecnológicos com todas as graduações, de acordo com o Catálogo Nacional de Cursos Superiores de Tecnologia. Ambiente e Saúde Negócios Imobiliários Gestão Ambiental Processos Gerenciais Gestão Hospitalar Secretariado Hospitalidade e Lazer Oftálmica Radiologia Eventos Saneamento Ambiental Gastronomia Sistemas Biomédicos Gestão Desportiva e de Lazer Apoio Escolar Processos Escolares Controle e Processos Industriais Gestão de Turismo Hotelaria Informação e Comunicação Automação Industrial Análise e Desenv. de Sistemas Eletrônica Industrial Banco de Dados Eletrotécnica Industrial Geoprocessamento Gestão da Produção Industrial Gestão da Tecn. da Informação Manutenção de Aeronaves Gestão de Telecomunicações Manutenção Industrial Jogos Digitais Mecânica de Precisão Redes de Computadores Mecatrônica Industrial Redes de Telecomunicações Processos Ambientais Segurança da Informação Processos Metalúrgicos Sistemas de Telecomunicações Processos Químicos Sistemas para Internet Sistemas Elétricos Telemática Gestão e Negócios Infraestrutura Comércio Exterior Agrimensura Gestão Comercial Construção de Edifícios Gestão da Qualidade Controle de Obras Gestão de Cooperativas Estradas Gestão de Recursos Humanos Gestão Portuária Gestão Financeira Material de Construção Gestão Pública Obras Hidráulicas Logística Pilotagem Profissional de Aeronaves Marketing Sistemas de Navegação Fluvial Transporte Aéreo Transporte Terrestre Militar Produção Publicitária Produção Industrial Biocombustíveis Comunicações Aeronáuticas Construção Naval Fotointeligência Fabricação Mecânica Gerenciamento de Tráfego Aéreo Papel e Celulose Gestão e Manutenção Aeronáutica Petróleo e Gás Meteorologia Aeronáutica Polímeros Sistemas de Armas Produção de Vestuário Produção Alimentícia Produção Gráfica Agroindústria Produção Joalheira Alimentos Produção Moveleira Laticínios Produção Sucroalcooleira Processamento de Carnes Produção Têxtil Produção de Cachaça Agroecologia Viticultura e Enologia Agronegócio Produção Cultural e Design Aquicultura Comunicação Assistiva Cafeicultura Comunicação Institucional Horticultura Conservação e Restauro Irrigação e Drenagem Design de Interiores Produção de Grãos Design de Moda Produção Pesqueira Design de Produto Rochas Ornamentais Design Gráfico Silvicultura Fotografia Segurança Produção Audiovisual Gestão de Segurança Privada Produção Cênica Segurança no Trabalho Produção Cultural Segurança no Trânsito Produção Fonográfica Segurança Pública Produção Multimídia Serviços Penais TECNÓLOGO: UM PROFISSIONAL EMERGENTE NO AMBIENTE COMPETITIVO No ambiente das empresas, têm ocorrido profundas alterações nas formas de atuação, o que vem exigindo que os parâmetros sejam afins: inovação tecnológica, estrutura e pessoas com a própria matriz organizacional. A competitividade de uma empresa resulta da habilidade de seus dirigentes em administrar, de forma integrada, esses parâmetros em direção às crescentes e rigorosas exigências do mercado. Nesse contexto contemporâneo de atuação, consolida-se o papel do tecnólogo como um importante profissional, capaz de desenvolver a competitividade, pela melhoria da produtividade e da qualidade. A atuação do tecnólogo pode se estender desde a criação, o domínio e a absorção até a difusão dos conhecimentos, atingindo plenamente as necessidades estabelecidas. Trata-se de um profissional capaz de oferecer soluções criativas e de participar de equipes habilitadas para o planejamento e para o desenvolvimento de soluções. A interdisciplinaridade em sua formação e a polivalência em sua atuação facilitam sua inserção em equipes produtivas de trabalho. O tecnólogo é o agente capaz de colocar a ciência e a tecnologia a serviço da sociedade, no atendimento de suas necessidades. Nas circunstâncias atuais e projetadas, o tecnólogo é visto como o profissional que busca sistematicamente ampliar seus conhecimentos (know why e know how), suas habilidades (skill) e suas aptidões (feeling), não só no âmbito tecnológico, como no humanístico (comunicações e relações humanas), a fim de contribuir para o desenvolvimento holístico da sociedade em harmonia com o ambiente. Para tanto, ciência e tecnologia constituem embasamentos que esse profissional utiliza para a concepção e desenvolvimento de produtos, processos e materiais, objetivando a uma aplicação econômica e comprometida com o bem-estar social e do ambiente. Mara Regina Mellini Jabur: Mestre em Estudos Literários pela UNESP de Araraquara “Júlio de Mesquita Filho”. Docente das FATECs de Taquaritinga e Sertãozinho. E-mail: [email protected] Miramaya Jabur: Mestre em Geografia pela UNESP de Rio Claro “Júlio de Mesquita Filho”. Docente da Faculdade São Luís de Jaboticabal. E-mail: [email protected] Luiz Rossato: Docente da FATEC de Taquaritinga. Consultor Administrativo Financeiro. E-mail: [email protected] DIRETORES Prof. Décio Cardoso da Silva (1992-1994) Prof. Antonio Manuel da Rocha Ribeiro (1994-1997) Prof. Francesco Artur Perrotti (1998-2002) Prof. Nelson José Peruzzi (2006-2008) Prof. Antônio João Cancian (2008-2010) Profª. Luciana Aparecida Ferrarezi (2010- ) SUMÁRIO / SUMMARY Artigos 19 EDUCAÇÃO SUPERIOR TECNOLÓGICA: APLICAÇÃO DE UM MODELO DE QUALIDADE PARA ADOÇÃO DE PRÁTICAS ADEQUADAS DE FORMAÇÃO TECHNOLOGICAL GRADUATION: QUALITY MODEL APPLICATION FOR ADAPTING SUITABLE EDUCATION PRACTICES Ana Teresa Colenci Trevelin 29 CAMA MECANIZADA PARA PESSOAS TETRAPLÉGICAS MECHANIZED BED FOR QUADRIPLEGIC PEOPLE Carlos Roberto Regattieri 37 THE USE OF SANITARY LANDFIL GAS FOR THE THERMAL TREATMENT OF LEACHATE – A SIMULTANEOS REDUCTION OF TWO SOURCES OF POLLUTANTS OF AIR, SOIL AND WATER USO DO GÁS DE ATERRO SANITÁRIO PARA TRATAMENTO TÉRMICO DE CHORUME – UMA REDUÇÃO SIMULTÂNEA DE DUAS FONTES POLUENTES DE AR, SOLO E ÁGUA Carlos Roberto Regattieri 45 A CONTRIBUIÇÃO DA PESQUISA-AÇÃO PARA OBTENÇÃO DA INOVAÇÃO TECNOLÓGICA THE CONTRIBUTION OF ACTION-RESEARCH TO OBTAIN TECHNOLOGICAL INNOVATION Daniela Gibertoni 53 SERVIÇOS AMBIENTAIS PRESTADOS PELOS Espaços Territoriais Especialmente Protegidos ENVIRONMENTAL SERVICES PROVIDED BY SPECIALLY PROTECTED AREAS Fernando Frachone Neves 59 AS VARIEDADES DA LÍNGUA INGLESA E O SEU STATUS DE LÍNGUA MUNDIAL THE VARIETIES OF THE ENGLISH LANGUAGE AND ITS STATUS OF WORLD LANGUAGE Kátia Cristina Galatti 65 FORMAÇÃO PROFISSIONAL CONTINUADA: NECESSIDADES DA PRÁTICA DO PROFESSOR DE MATEMÁTICA CONTINUING PROFESSIONAL EDUCATION: THE NEEDS OF PRACTICE MATH TEACHER Luciana Aparecida Ferrarezi 71 METHODOLOGIES FOR CREATING ONTOLOGIES METODOLOGIAS PARA A CRIAÇÃO DE ONTOLOGIAS Marcus Rogério de Oliveira 81 USO DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO NO DIAGNÓSTICO EM MICROBACIAS HIDROGRÁFICAS PARA GERAR INFORMAÇÕES EM BANCO DE DADOS USE OF INFORMATION TECHNOLOGY IN THE DIAGNOSIS OF WATERSHEDS TO GENERATE INFORMATION IN DATABASE Maurício José Borges 87 A LEITURA EM FOCO: BREVE ANÁLISE DE UMA COMPLEXA E INTRIGANTE HABILIDADE LINGUÍSTICA READING ON FOCUS: BRIEF ANALYSIS OF A COMPLEX AND INTRIGUING LANGUAGE SKILL Mirela de Lima Piteli 95 Theoretical and Experimental Procedures in Design of the Pulse-forming Network for Driving Power Magnetron Valve Procedimentos Teórico e Experimental no Projeto de uma Linha Formadora de Pulsos para Operação de uma Válvula Magnetron de Potência Nivaldo Carleto 103 SIMULAÇÃO COMPUTACIONAL PARA O APOIO AO PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM DE PROGRAMAÇÃO LINEAR COMPUTING SIMULATION FOR THE SUPPORT TO THE TEACHING-LEARNING PROCESS OF LINEAR PROGRAMMING Paulo Francisco Sprovieri EDUCAÇÃO SUPERIOR TECNOLÓGICA: APLICAÇÃO DE UM MODELO DE QUALIDADE PARA ADOÇÃO DE PRÁTICAS ADEQUADAS DE FORMAÇÃO TECHNOLOGICAL GRADUATION: QUALITY MODEL APPLICATION FOR ADAPTING SUITABLE EDUCATION PRACTICES Ana Teresa Colenci Trevelin RESUMO A educação hoje é uma prioridade mundial, principalmente porque vive-se a era do Capital Intelectual, onde o conhecimento torna-se o item de maior importância na corrida pela busca de resultados otimizados. No Brasil, apesar de ser a educação superior tecnológica um tema da maior importância para o processo de inclusão social, pode-se constatar que ainda há muito que se fazer. Torna-se evidente que a aplicação de um modelo de qualidade nos níveis institucionais dos processos educacionais são essenciais para o desenvolvimento e para a modernidade. Este trabalho procura analisar a educação tecnológica sob um novo enfoque, através de um modelo de avaliação de qualidade em sua totalidade, apontando as lacunas do sistema que vão desde a relação professor-aluno e evasão escolar até marketing estratégico e empregabilidade. A aplicação do modelo permite identificar os princípios e estratégias que dão sustentação ao atual modelo educacional e estabelecer mecanismos que possam incrementar a qualidade na educação superior tecnológica, face às restrições hoje impostas e às demandas estabelecidas pela dinâmica do mercado e da tecnologia. PALAVRAS-CHAVE Educação superior tecnológica. Qualidade. Modelo de referência. Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 19-27, 2012 20 Trevelin, A. T. C. INTRODUÇÃO Com o processo de globalização e numa sociedade em acelerado processo de mudança, o modelo de educação tradicional está sofrendo revisões profundas. O aluno de hoje não sente dificuldade em acessar o conhecimento, mas sim de compreendê-lo, assimilando-o até o estágio de domínio, para a sequente difusão. O modelo transmissão-recepção torna-se obsoleto na medida em que faz apenas com que os alunos sejam receptáculos de conhecimento. Segundo Demo (1999), não dá para se reproduzir cultura, o ser humano só aprende na condição de sujeito, fazendo sua própria história. A aprendizagem é atividade social e cultural e o professor tem papel importante neste aspecto, não como simples repassador do conhecimento como o faz no modelo transmissão-recepção, mas como desenvolvedor do processo reconstrutivo. O papel do professor não é o de pensar pelo aluno, mas sim o de fazer o aluno pensar, conforme salienta Piaget (1969). O desafio em termos de qualidade da educação superior tecnológica está baseada em buscar um novo modelo que incorpore inovações social e economicamente produtivas e ofereça alternativas que valorizem o processo de ensino-aprendizagem. Mas o que vem a ser qualidade? Não há um consenso sobre esta definição. De maneira geral, qualidade é o resultado de ações competentes, implementadas institucionalmente, dentro de um planejamento global, sistemático e objetivo, segundo Gianesi e Corrêa (1994). Assim sendo, cabe às organizações comprometidas com o ensino tecnológico, empenharemse estrategicamente, canalizando atenção na busca da melhoria da sua qualidade institucional e da qualidade de seus esforços. No caso da educação superior tecnológica, a situação se reveste de alta complexidade, pois além do respeito humano, cabe a responsabilidade civil pelo seu pleno desenvolvimento educacional e profissional do estudante. As práticas pedagógicas e a experiência permitem estabelecer um conjunto de condições que sendo cumpridas asseguram uma certa qualidade nos resultados. O controle da qualidade “a posteriori”, conforme já exposto, é tardio e oneroso, pois não se pode simplesmente rejeitar um recém-formado ou colocá-lo na prateleira como estoque. O melhor é controlar preventivamente as condições sob as quais se realizam as tarefas Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 19-27, 2012 Educação superior tecnológica: aplicação de um modelo de qualidade para adoção de práticas adequadas de formação 21 e estabelecer uma organização competente para garanti-las. Neste caso, o primeiro ponto a se avaliar deve ser o estudo prévio das condições organizacionais que podem ensejar qualidade, isto durante o processo e o segundo ponto é analisar a forma como esta avaliação deve ser feita segundo um contexto estrategicamente estabelecido. Cabe lembrar que avaliação é um processo contínuo e não um evento pontual, e deve ocorrer ao longo de todo o processo de aprendizagem, conforme salienta Bordenave (1983). Segundo comunicado da UFMG (1982), a questão da qualidade do ensino, tem sido geralmente analisada levando-se em conta pontos fragmentados, pois ora se enfoca a perspectiva dos alunos, ora a perspectiva do professor, ora o conteúdo do ensino e ora a sua organização, o que é totalmente inadequado. Os trabalhos que avaliam a qualidade da educação através do corpo discente usam como indicadores notas de exames vestibulares, antecedentes escolares, frequência e evasão, desempenho escolar, aprovação e reprovação, entre outros. Outros trabalhos dão ênfase no corpo docente. Neste caso, os indicadores são titulação de professores, regime de trabalho, cursos de extensão e metodologia, etc. Há ainda os que salientam o próprio ensino, dos quais são indicadores os currículos e programas, carga horária, objetivos, etc. Estes trabalhos, no entanto, não atingem a essência da situação da qualidade da educação uma vez que apresentam visões parciais da questão. Em vista disso, questiona-se: um curso universitário oferece um ensino de boa qualidade com base na frequência dos alunos, nos títulos dos professores ou pela alta ou baixa carga horária? É possível afirmar que as respostas a estas questões, apesar de relevante importância, não são suficientes para garantir a qualidade da educação. Os elementos educacionais devem ser compreendidos em sua totalidade. A essência da qualidade não pode ser captada a partir de partes fragmentadas, em análises isoladas, a menos que estas partes fragmentadas façam parte do todo e permitam uma análise sintética de todas as partes. Assim sendo, cabe definir qualidade do processo educacional nas questões operacionais sob a ótica da eficiência e qualidade do produto, relativa ao resultado da Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 19-27, 2012 22 Trevelin, A. T. C. ação educacional, sob a ótica da eficácia. Neste caso, o trabalho procura analisar o ensino tecnológico sob um novo enfoque, através de um modelo de avaliação de qualidade e assim analisar o ensino em sua totalidade, e não mais em partes fragmentadas, apontando as lacunas do sistema. O modelo de referência escolhido foi o de Parasuraman, Zeithaml e Berry (1990), adaptado à educação por Colenci (2000) por ser considerado o mais consistente modelo de qualidade e recebe o nome de “modelo das cinco falhas” por ter identificado cinco falhas ou discrepâncias (gaps) entre o sistema de prestação de serviços e a qualidade esperada pelo beneficiário, redundando em problemas na percepção da qualidade, segundo Mendes (1998). Este modelo, será aplicado nos três níveis institucionais: o estratégico, o tático e o operacional para estudar a relação entre a sociedade e a faculdade (estratégico), entre o mercado e os cursos oferecidos (tático) e entre professores e alunos (operacional). Em cada nível, conforme explicação mais detalhada no item 4 deste trabalho, serão analisadas as falhas em cada uma das relações institucionais e em seguida serão propostas ações de melhoria para suas efetivas aplicações. O detalhamento da Cadeia de Valor de todas as fases significativas permitirá localizar pontos fortes, fracos e tomar as medidas de correção. 1. O Modelo de Qualidade Diante deste quadro, foi escolhido o modelo de referência de Parasuraman, Zeithaml e Berry (1990), adaptado à educação por Colenci (2000) para aplicação na unidade Fatec-Taquaritinga a fim de se verificar as lacunas existentes no atual modelo de ensino para em seguida propor e aplicar ações de melhoria. Este modelo é considerado como sendo o mais consistente modelo de qualidade e conforme já exposto recebe o nome de “modelo das cinco falhas” por ter identificado cinco falhas ou discrepâncias (gaps) entre o sistema de prestação de serviços e a qualidade esperada pelo beneficiário, redundando em problemas na percepção da qualidade, segundo Mendes (1998). Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 19-27, 2012 Educação superior tecnológica: aplicação de um modelo de qualidade para adoção de práticas adequadas de formação 23 Pela forma como foi concebido, esse modelo considera, de forma sistêmica, todas as variáveis que podem influenciar a qualidade e a interação entre elas. Para um melhor entendimento das relações complexas existentes na educação tecnológica, a estrutura de referência será aplicada em três níveis diferentes de relações: estratégico, tático e operacional, definidos na Figura 1. Figura 1. Diferentes níveis de relações educacionais (Colenci, 2000). O nível estratégico, segundo Belhot (1997) está envolvido com as interações das atividades da organização e seu ambiente. Assim, neste contexto, avalia-se a relação universidade/sociedade. Entende-se estratégia como o padrão das decisões e ações resultantes do desdobramento da visão de longo prazo da organização, influenciada por fatores internos e externos, levando-se em conta dois aspectos: • As escolhas estratégicas moldam a estrutura e os processos da organização; • A estrutura e os processos condicionam a estratégia. O nível tático é o nível intermediário, que coordena e integra as tarefas do nível operacional junto ao nível estratégico. Neste nível, integramse as entradas para o nível operacional. No caso, é a relação de determinada área de conhecimento com o mercado, com os professores e as disciplinas. O nível operacional refere-se à execução das atividades operacionais, isto é, está relacionado às atividades de transferência de conhecimento e de formação do aluno à partir dos recursos humanos, materiais e tecnológicos disponíveis. Segundo Colenci (2000), apesar de feita esta delimitação, nada impede que se analisem as relações entre os diferentes níveis, por exemplo, Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 19-27, 2012 24 Trevelin, A. T. C. da universidade com o aluno; da área tecnológica com o professor da disciplina, pois há sempre uma relação a ser analisada. O importante é que se determine, no momento da análise, quem está prestando o serviço e quem está se beneficiando, ou seja, quem é o beneficiário e quem é o prestador. Em seguida, deve-se especificar quais as expectativas do beneficiário, quais suas experiências, entre outros aspectos. Esperase que essa divisão possa identificar as ações a serem empreendidas a cada nível e assim contribuir para um melhor entendimento do processo educacional. 2. OBJETIVO Dado que há a crescente preocupação em melhorar a qualidade da educação superior tecnológica em aspectos que vão desde a relação professor-aluno e evasão escolar até marketing estratégico e empregabilidade, o presente trabalho tem por objetivo: utilizar a estrutura de referência proposta por Colenci (2000) que permita identificar os princípios e estratégias que dão sustentação ao atual modelo de educação e estabelecer mecanismos que possam incrementar a qualidade na educação superior tecnológica, face às restrições hoje impostas e às demandas estabelecidas pela dinâmica do mercado e da tecnologia. 3. METODOLOGIA Com a finalidade de atingir os objetivos propostos, está sendo realizado um trabalho de pesquisa qualitativa. A metodologia para esta pesquisa tem como base o levantamento de informações, a coleta de dados, análise e discussão de resultados e a proposição de ações. Segundo Thiollent (1986), a discussão dos resultados práticos à luz de um referencial teórico-conceitual, evita o excesso de empirismo, que corresponde à observação sem teoria, e ao mesmo tempo, evita o excesso de formalismo, que corresponde à teorização sem observação real. Uma ampla revisão bibliográfica, ao estudo da arte, deu início ao procedimento desta pesquisa. O estudo de caso está sendo realizado na Faculdade de Tecnologia de Taquaritinga. A amostra é composta pelo prefeito e empresários da cidade Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 19-27, 2012 Educação superior tecnológica: aplicação de um modelo de qualidade para adoção de práticas adequadas de formação 25 além da diretora, coordenadores, alunos e professores dos cursos de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas e do curso de Tecnologia em Produção Industrial do período matutino, do 1º semestre ao 5º semestre. A coleta de dados conforme exposto, está sendo feita através de questionários e entrevistas pessoais. A pesquisa de campo consta de três partes. A primeira, relacionada com o nível estratégico consiste em verificar a relação da faculdade com a cidade em questão. A segunda, relacionada com o nível tático consiste em verificar a relação dos cursos de Tecnologia em Produção e Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas com as empresas da região e a terceira parte consiste em pesquisar a relação professor-aluno nos cursos em questão. 4. ANÁLISE E COLETA DE DADOS A coleta de dados está sendo feita através de questionários elaborados pela autora, além da utilização de dados do Sistema de Avaliação Institucional, o SAI. A coleta está sendo feita pessoalmente. Após a fase da coleta, os resultados foram comparados a fim de se verificar quais gaps ou lacunas necessitam de maior intervenção. A análise consta de duas partes. A primeira estatística, baseada nos dados coletados e a segunda consta em uma análise qualitativa e de aplicação que apresentarão posteriormente melhoria na qualidade da educação superior tecnológica na unidade Fatec-Taquaritinga. 5. RESULTADOS ESPERADOS O intuito da pesquisa foi verificar se o modelo de referência proposto pela autora pode identificar as lacunas da instituição e ainda, se pode contribuir para que esta instituição tenha seus resultados otimizados. Objetiva-se, com essa pesquisa, apresentar uma melhoria na qualidade da educação superior tecnológica na unidade Fatec-Taquaritinga, dados estes que poderão ser medidos pela própria avaliação do Sistema de Avaliação Institucional – SAI. Com isso, não só a Unidade pesquisada, mas todas as Fatecs poderão contar com uma ferramenta eficiente no sentido de melhoria da qualidade da educação. Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 19-27, 2012 26 Trevelin, A. T. C. ABSTRACT We live in the moment of intellectual capital and the education has become a global priority. The knowledge has become the most important item in the race for searching optimized results. In Brazil, despite being the fact that higher education technology is an issue of major importance for the social inclusion process, it can be seen that there is still a lot to be done. It is evident that the application of a institutional model of quality is essential for the development and modernity. This paper analyzes the technological education under a new approach, using a model of quality assessment in its entirety, pointing out the shortcomings of the system ranging from student-teacher relationship and school dropout to strategic marketing and employability. The application of the model allows to identify the principles and strategies that support the current educational model and to establish mechanisms to improve quality in higher education technology, given the restrictions now imposed and the demands set by the market dynamics and technology. KEYWORDS Higher technology education. Quality. Reference model. REFERÊNCIAS BELHOT, R. V. Reflexões e Propostas sobre o “ensinar engenharia” para o século XXI. São Carlos. 113 p. Tese (Livre Docência). Escola de Engenharia de São Carlos EESCUSP – Universidade de São Paulo. 1997. BORDENAVE, J.E.D. Alguns Fatores Pedagógicos. Brasília: OPAS, 1983. COLENCI, A. T. O Ensino de Engenharia como uma Atividade de Serviços: a Exigência de Atuação em Novos Patamares de Qualidade Acadêmica. Dissertação (Mestrado). Escola de Engenharia de São Carlos EESC-USP - Universidade de São Paulo, 2000. DEMO, P. Educação e Qualidade. 3. ed. Campinas: Papirus, 1999. GIANESI, I. CORRÊA, H. Administração estratégica em serviços. São Paulo: Atlas. 1994. MENDES, G. H. S. O processo de desenvolvimento de novos serviços: o setor bancário. São Carlos. 165p. Dissertação (Mestrado). Engenharia de Produção – Universidade Federal de São Carlos, 1998. PARASURAMAN, A., BERRY, L. L. & ZEITHAML, V. A. Refinement and reassessment of the SERVQUAL scale. Journal of Retailing, 67 (winter), 1990. PIAGET, J. Seis Estudos de Psicologia. Rio de Janeiro: Forense, 1969. THIOLLENT, M. Metodologia da Pesquisa-Ação. São Paulo: Cortez.1986. UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS. Indicadores da qualidade do ensino: Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 19-27, 2012 Educação superior tecnológica: aplicação de um modelo de qualidade para adoção de práticas adequadas de formação 27 uma proposta. In. O PROPÓSITO da qualidade do ensino superior no Brasil: anais de dois encontros. Brasília, Ministério da Educação e Cultura. 1982. Ana Teresa Colenci Trevelin É professora pesquisadora com dedicação exclusiva do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza, unidade Fatec-Taquaritinga há dez anos. Possui graduação em Pedagogia, pela Universidade Federal de São Carlos (1997), graduação em Direito pela Faculdade de Direito de São Carlos (2001), mestrado em Engenharia de Produção pela USP (2000), especialização em Gestão Organizacional e de Recursos Humanos pela UFSCar (2004) e defendeu seu Doutorado em Engenharia de Produção pela USP (2007) com a tese intitulada: “A relação professor-aluno estudada sob a ótica dos estilos de aprendizagem: análise em uma Faculdade de Tecnologia – FATEC”. Tem concentrado suas pesquisas na Educação Superior Tecnológica e os aspectos investigados estão relacionados a geração de material didático, estilos de aprendizagem, trabalho em equipe e tecnologias da informação e comunicação (TICs). E-mail: [email protected] Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 19-27, 2012 CAMA MECANIZADA PARA PESSOAS TETRAPLÉGICAS MECHANIZED BED FOR QUADRIPLEGIC PEOPLE Carlos Roberto Regattieri RESUMO O papel do Tecnólogo no desenvolvimento de novas tecnologias para o barateamento de novos produtos tornou-se fundamental na sua formação. Este trabalho/pesquisa vem demonstrar que idéias simples podem ser aplicadas e voltadas ao bem comum. Trata-se de um produto voltado a pessoas com problemas tetraplégicos, de modo a facilitar a movimentação destas pessoas, em virtude de longos períodos acamados, evitando assim a formação de escaras. Os componentes são facilmente encontrados no mercado a um preço acessível, permitindo assim um acesso a um número maior de pessoas. A pesquisa realizada na elaboração foi através de observações e consultas a equipes médicas, bem como bibliografia técnica, para a compreensão de modo prático a necessidade e os critérios necessários, de maneira a não complicar o problema existente. De posse destas informações, foi escolhida a estrutura em ferro metalão, por ser facilmente encontrado, leve e de baixo custo. A construção teve como objetivo manter a pessoa na posição deitada, que se fundamente no princípio de movimentos atuados por sistemas mecânicos e eletroeletrônicos e que contêm um painel de acionamento elétrico para as posições de inclinação à direita e à esquerda. Além disso, esse projeto possui elementos que se torna possível à movimentação pelas dependências hospitalares ou até mesmo em casa. Suas dimensões são: comprimento: 203 cm, largura: 88 cm, altura: ajustável através de acionamento mecânico, perfazendo dimensões: mínima de 50 cm e máxima de 76 cm em relação ao chão. A Inclinação é realizada através de acionamento eletrônico, que proporciona Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 29-35, 2012 30 Regattieri, C. R. inclinações à direita e à esquerda, com intervalos de 5 em 5 graus, até 45 graus. A cabeceira terá inclinação de até 90 graus, sendo acionado por sistema mecânico através de manivela. A capacidade é de pessoas de até 150 kg. PALAVRAS-CHAVE Cama tetraplégico. Equipamento de apoio. Serviço social. 1. OBJETIVOS 1.1. Objetivo Geral O objetivo deste trabalho é desenvolver um projeto com objetivos que compreende em: • Envolver os alunos com a aplicação dos conceitos obtidos nas disciplinas ministradas, de maneira que conseguimos visualizar e praticar estes conceitos, aproximando a realidade de um chão de fábrica, com os problemas encontrados na execução, com a pesquisa acadêmica, quando da busca dos conceitos e suas aplicações. • Envolvimento com as questões sociais, e sua possível contribuição no desenvolvimento de um produto voltado a um público específico, buscando as especificidades do segmento. 1.2. Objetivo Específico O objetivo deste trabalho é desenvolver um projeto experimental com objetivos específicos que compreende em: • Desenvolvimento de um produto de apoio “Cama Mecanizada” que permita a melhora de vida de tetraplégicos, em relação aos longos períodos em que permanecem acamadas numa mesma posição, através de sistema mecânico e eletroeletrônico, inclinações que permitem o alívio da compressão, evitando assim a formação de ulceras por pressão conhecidas como escaras. • Aplicação e utilização de materiais de baixo custo no desenvolvimento de novos produtos, nesse caso específico a cama mecanizada para pessoas tetraplégicas, facilitando ao acesso de pessoas de baixa renda. Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 29-35, 2012 31 Cama mecanizada para pessoas tetraplégicas 1.3. Metodologia Todo trabalho científico nasce de uma dificuldade ou questionamento que deve ser cuidadosamente formulado através de uma pesquisa. A pesquisa deve contribuir para a formação de uma consciência crítica ou um espírito científico no pesquisador, apoiando-se em observações, análises e deduções interpretadas através de uma reflexão crítica, de maneira a formar o espírito científico. De acordo com Marconi e Lakatos (2006), o método é o conjunto das atividades sistemáticas e racionais que, com maior segurança e economia, permite alcançar o objetivo, os conhecimentos válidos e verdadeiros, traçando o caminho a ser seguido, detectando erros e auxiliando nas decisões do pesquisador. A pesquisa aplicada tem como característica seu interesse prático, de maneira que os resultados alcançados sejam aplicados de forma direta e imediata na solução de problemas em situação real. (APPOLINÁRIO, 2006). Segundo P. Marinho (1980:18), para que haja a pesquisa científica, é necessário que: se adote uma metodologia meticulosa, compreendendo uma série de etapas encadeadas segundo uma sequencia rigorosamente lógica, com certa rigidez quanto à seleção da amostra, quanto ao tamanho da amostra, e um controle sistemático e constante no que se refere à validade interna e externa na técnica operacional do trabalho. (MARINHO, 1980:18) 2. MATERIAL E MÉTODOS 2.1. Características do Projeto (Cama Mecanizada para Pessoas Tetraplégicas). Com base nas especificidades de pessoas portadoras de tetraplegia, foi desenvolvido um produto de apoio visando a utilização de materiais com qualidade e melhor custobenefício. A ilustração 1 abaixo apresenta e denomina as partes e componentes do projeto de maneira a facilitar sua compreensão. Ilustração 1 Fonte: Autor Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 29-35, 2012 32 Regattieri, C. R. Descrição: • A cama possui 2,03 metros de comprimento e 0,875 metros de largura. • A altura do leito é ajustável, com altura mínima de 0,5 metros e altura máxima de 0,76 metros, que possibilita facilidades na colocação do paciente na cama e funcionalidade das inclinações do leito, tendo como referencial o chão, onde que o acionamento para o ajuste da altura do leito será realizado com um macaco mecânico utilizado para algumas manutenções em automóveis, facilmente encontrado no mercado. • Através de um acionamento eletrônico, o leito da cama inclina-se à direita e a esquerda de 0° à 45°, obtendo-se intervalos de 5 em 5°, possibilitando com isso a mudança na pressão de decúbito do paciente. • A cabeceira é removível com 0,29 metros de altura e 0,875 metros de largura. • Pensando no conforto do paciente, o encosto das costas inclina-se de 0 até 90 graus, através de um acionamento mecânico. • A peseira possui altura de 0,39 metros de altura e 0,875 metros de largura. • As grades laterais de proteções possuem 0,39 metros de altura 1,350 metros de comprimento e são removíveis. • Possui capacidade de movimentação (rodízios), tracionado por terceiros (roda louca e travas). • Os acionamentos eletrônicos possuem indicações visuais quando o sistema estiver energizado por meio de luminoso no painel de comando. • Contém painel eletrônico portátil do controle das funções, ligado por meio de cabo, permitindo o acesso em qualquer lado da cama. • A cama possui facilidades de transporte. • A cama é alimentada a partir da rede elétrica de 110 V/ 60Hz. • O sistema eletroeletrônico é estruturado em corrente contínua. 2.2. Processos Utilizados na Fabricação da Cama Mecanizada para Pessoas Tetraplégicas O produto de apoio a tetraplégicos desenvolvido apresenta processos de fabricações simples e de baixo custo, fazendo com que a receita final do produto seja acessível a pessoas que passam por dificuldades financeiras, como o problema enfrentado pelos tetraplégicos, onde a sua manutenção diária traz vários tipos de custos, bem como, remédios, trabalhos dos enfermeiros e viagens constantes a médicos. Para a melhor compreensão dos processos utilizados na fabricação da cama, segue abaixo descrições dos processos utilizados montagem: Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 29-35, 2012 Cama mecanizada para pessoas tetraplégicas 33 • Estrutura da cama fabricada em metalão, cortadas nas dimensões de projeto através de uma policorte e unidas através do processo de soldagem, sendo o equipamento utilizado a máquina de solda MIG que é o processo mais indicado a trabalhar com esse tipo específico de material. • Torneamento de eixos para adaptação de um sistema de redução de rotação, para fazer o controle eletroeletrônico do motor utilizado, utilizando um torno convencional. • Furos executados, em vários pontos do equipamento na união de parafusos e rebites, utilizando uma furadeira de coluna. • Corte de matéria prima utilizando serra de fita. • Possui um sistema de redução de rotação do motor através de um conjunto de quatro engrenagens de bicicleta, especificamente desenvolvido de modo a fazer com que a rotação do motor reduza em aproximadamente vinte e cinco vezes. • A alimentação do sistema de rotação do leito é feito através de um motor Bosch modelo CEP, facilmente encontrado no mercado e de preço acessível. 3. ANÁLISES DOS RESULTADOS Após o sequenciamento de montagem da cama, podemos analisar que o funcionamento do mecanismo de inclinação funciona de maneira correta, não apresentando após uma sequencia de testes qualquer não conformidade. Quanto ao leito da cama, foi depositado peso simulando um corpo humano e não ocorreu qualquer tipo de ruptura e deslizamento do estrado de madeira. O sistema de elevação ficou super dimensionado, pois o objetivo de suportar 150 kg, tornou-se ínfimo em relação a capacidade do macaco mecânico, que comercialmente a menor potência encontrada no mercado é de duas toneladas. A finalidade de movimentação ficou demonstrada não só em ambientes hospitalares mas também em ambientes domésticos, devido ao sistema de rodízios. Este sistema também apresentou segurança quanto à inércia por conter freios. As grades laterais devido a facilidade de retirada e colocação permitem fácil acesso a cama. 4. PRINCIPAIS CONCLUSÕES A execução do projeto bem como os objetivos propostos demonstrou Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 29-35, 2012 34 Regattieri, C. R. que é possível a execução de um produto de baixo custo, utilizando-se matéria prima facilmente encontrada no mercado, proporcionando uma baixa receita financeira. A sequência de montagem, demonstra que em relação a mão de obra utilizada, não é necessário especialistas, tornando este item também de forma a não encarecer o produto final, visto que a execução foi realizada pelos próprios alunos em uma empresa que cedeu suas instalações. Quanto ao maquinário utilizado, também se trata de equipamentos de baixo custo, como, máquina de solda, torno convencional, furadeira, policorte e serra de fita. Pode-se observar que o produto acabado, possui mobilidade através dos rodízios que facilita sua movimentação, proporcionando também ao seu baixo peso próprio. Em relação a sua finalidade social, conclui-se que apesar de ainda não ter sido realizado testes com pessoas tetraplégicas, sabemos que existe no mercado produtos semelhante, porém de custo elevado que atende as especificidades. ABSTRACT The role of technology in the development of new technologies to lower cost of new products has become instrumental in its formation. This work / research demonstrates that simple ideas can be applied and oriented to the common good. It is a product aimed at people with quadriplegics, to facilitate the movement of these people, because of long periods in bed, thus avoiding the formation of scabs. The components are easily found on the market at an affordable price, thus allowing access to a larger number of people. The survey was conducted in the development through observations and consultations with medical staff, and technical literature, for a practical understanding of the need and the necessary criteria, so as not to complicate the existing problem. With this information, we chose the iron structure metaled, it is readily found, lightweight and low cost. The construction was intended to keep the person lying down, which is based on the principle of motion actuated by mechanical and electronic systems and which contain a panel of electric drive for the positions of tilt to the right and left. In addition, this project has elements that makes it possible to drive the hospital premises or even at home. Its dimensions are: length 203 cm, width: 88 cm, height: adjustable by mechanical drive, making dimensions: minimum 50 cm and a maximum of 76 cm from the floor. The inclination is achieved by electric drive, which provides the slopes right and left, at intervals of 5 by 5 degrees to 45 degrees. The head will tilt up Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 29-35, 2012 Cama mecanizada para pessoas tetraplégicas 35 to 90 degrees, the mechanical system being driven by the crank. The ability of people is up to 150 kg. KEYWORDS Bed quadriplegic. Support equipment. Social service. REFERÊNCIAS APPOLINÁRIO, F. Metodologia da ciência? filosofia e prática de pesquisa. Pioneira Thomson Learning: São Paulo, 2006. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Departamento de Atenção Básica. Manual de Condutas para Úlcera Neurotróficas e Traumáticas. Brasília: Ministério da Saúde, 2002. MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. V. Fundamentos de metodologia científica. 6ª. ed, Editora Atlas: São Paulo, 2006. POTTER, Patrícia A.; PERRY, Anne Griffin. Fundamentos de Enfermagem. 4ª ed. v. 2. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1999. PRITCHARD, Van. Calculating the risk. Nursing Times. London, v.19, p. 59-61, Feb. 1998. ROGENSKI, Noemi Marisa Brunet; SANTOS, Vera Lúcia Conceição de Gouveia. Estudo sobre a incidência de úlcera por pressão em um hospital universitário. Rev Latino Enfermagem, Ribeirão Preto, v.13, n. 3, p. 474-480, julho-agosto, 2005. SILVA, Roberto Carlos Lyra; FIGUEIREDO, Nébia Maria Almeida de; MEIRELES, Isabella Barbosa (Org). Feridas, fundamentos e atualizações em enfermagem. São Caetano do Sul: Yendis, 2007. SMELTZER, Suzanne C; BARE, Brenda G. Tratado de enfermagem médico-cirúrgico. 10ª ed. v.1. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005. Carlos Roberto Regattieri Doutor em Engenharia Mecânica pela Escola de Engenharia de São Carlos – EESC – USP, Especialista em Meio Ambiente pela Escola de Engenharia de São Carlos – EESC – USP, Professor Pleno II do Curso em Produção Industrial da FATEC Taquaritinga, Coordenador do Curso de Pós Graduação Lato Sensu – Especialização em Gestão da Produção da FATEC Taquaritinga, Coordenador do Grupo de Pesquisa em OEE – Overall Equipment Effetiveness. Ministra a Disciplina de Gestão e Controle de Processos Automatizados. E-mail: carlos. [email protected] Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 29-35, 2012 THE USE OF SANITARY LANDFIL GAS FOR THE THERMAL TREATMENT OF LEACHATE – A SIMULTANEOS REDUCTION OF TWO SOURCES OF POLLUTANTS OF AIR, SOIL AND WATER USO DO GÁS DE ATERRO SANITÁRIO PARA TRATAMENTO TÉRMICO DE CHORUME – UMA REDUÇÃO SIMULTÂNEA DE DUAS FONTES POLUENTES DE AR, SOLO E ÁGUA Carlos Roberto Regattieri ABSTRACT A research is being conduced in the sanitary landfil of Sao Carlos, Brazil, a city with 200,000 inhabitants to verify the feasibility of the thermal treatment of the leachate using the landfil gas as the energy source. The composition and flow rate of both the gas and chorume were determined experimentaly. To measure the gas flow rate at the wells a probe was developed and its measurements were compared with information obtained in the literature. Energy and chemical balances were made to verify the availability of energy and the process potential for emission of air pollutants. So far, the results show that there are enough energy to make the leachate incineration feasible, but more research is on the way, since the gas flow rate may have a large variation from well to well and not all of them were probed so far. The chemical balance showed that the air pollution potential for the thermal process is small and even with no gas treatment most of the emissions would be lower than required by the environmetal legislation. KEYWORDS Energy recovery. Energy conservation. Environment. Biogas. Climate change. Sanitary landfil. Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 37-44, 2012 38 Regattieri, C. R. INTRODUCTION We live in a society where consunption is still a sinonim of development. One way products and the excess of packing produce more and more wastes. In Brazil the waste production is relatively modest, aproximately 240,000 ton/day but grows 5%/year what means that it tends to double every 15 years. Today, the per capta production of waste is aproximately 1kg/person/day ( Pacey, J.G.,1986) and not all the sanitary landfils in the country have good control. The rate of waste production tends to grow, making the waste management and disposal a problem of difficult solution, and placing clearly the need for the research of alternatives that are acceptable from the environmental and economic points of view. Among the problems caused by the inadequate disposal of the waste are the spreading of diseases and soil and water contamination by the leachate, the air pollution caused by methane, that is a greenhouse gas (GHG), and the release of odorous compounds. Besides that, there is a crescent shortage of area to landfil the residues. Municipal waste is rich in organic compounds that in contact with air suffer a slow process of oxidation and decomposition. However, in the internal layers of the waste, anaerobic bacteria accelerate the process and the waste decomposition produces gases as methane (CH4), carbon dioxide (CO2) nitrogen (N2) and others in small quantities able to produce unpleasant odors. Methane and CO2 are the gases of most concern once they can upset the thermal balance of the Earth by absorbing infra-red radiation in the same range of wavelengths that the planet emits to space (emission window). This happens because: a) the fraction of this gas is quite large in sanitary landfills, about 50% in volume, and b) its Global Warming Potential (GWP) is about 23 times that of CO2 (mass basis) considering a time horizon of 100 years (IPCC, 2010). 1. Metodology The proposed processs is the thermal treatment of the leachate using the sanitary landfil gas as the energy source. To determine its feasibility it was necessary to make a balance of energy considering: a) the gas flow rate and its chemical composition (available energy) and b) the leachate’s flow rate, specific heat and latent heat of vaporization (energy required). The process should reach temperatures about 900ºC considered safe for avoiding the formation of most of the air pollutants (SINDIC, D. R., 2002). Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 37-44, 2012 The use of sanitary landfil gas for the thermal treatment of leachate... 39 To determine which air pollutants could be generated and what kind of treatment, if any, should be applied it was necessary to know the chemical composition of the leachate. At the typical combustion temperatures sulfur forms SO2 and SO3, Cl forms HCl and organoclorides, fluorine forms HF, heavy metals can be emmited as gases or adsorbed in the particulate matter (PM) and N can generate NOx (NO e NO2). To make the energy balance more favorable it was tried to reduce the leachate’s water content using microfiltration a low energy process. 1.1. Gas and Leachate Sampling During the year of 2002 leachate samples were regularly colected at the inlet of the storage ponds of the sanitary landfil. Glass bottles with hermetic plastic lids, previously washed with a solution of 50% of HCl were used for its storage, in a freezer at 4ºC, until the chemical and physical analisys could be carried out. Soon after collected the samples had their pH determined, showing values around 8. The leachate average temperature during the period of sampling was 24 ºC. Samplings of the gas were made as well. To extract the gas, some of the flares were turned off and a hose was introduced deep inside them to avoid any possible diluttion by air. The gas suction was carried out using a glass flask previously filled with water and equiped with one tap at each end to alow the water discharge and the gas suction. The hose was previoulsly purged of air by exposing it to the gas flow. 1.2. Leachate Properties 1.2.1. Flow Rate The leachate flow rate was determined several times along the year, using a vessel of 20 L to collect the liquid and measuring the time necessary to made it (Eq 1). (1) 1.2.2. Calorific Value To verify if the leachate could have any residual calorific value a 5000 – IKA Labortechncik calorimeter was used. The samples had a mass of 5g and the tests were carried out using untreated leachate, microfiltrated Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 37-44, 2012 40 Regattieri, C. R. leachate and a blend of leachate with etanol. 1.2.3. Heavy Metals For the heavy metal analisys it was used the atomic absorption spectrometry technique with the method of standards addition and a HITACHI, modelo Z 8100 device. 1.3. Gas Properties 1.3.1. Chemical Composition It was used a cromatografer Grow-Mac with a thermal conductivity detector and a Porapak Q (2m, 80 a 100 mesh) column. 1.3.2. Gas Flow Rate The gas flow rate was determined experimentaly trough the placement of a probe developed for this purpose in some of the wells after its flares bad been turned off and compared with calculations based on the daily mass of residues disposed in the landfil (CRISTENSEN,et al, 1996). The probe used parts of an early DISA 55M hot wire anemometry system that was modified to give spatial and temporal averages rather than the usual high resolution tipical of this type of equipment. Some details of the probe and its calibration set up are shown in Figure (1). Fig.1 – Schematics of the gas flow rate sampling probe Source: Author Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 37-44, 2012 The use of sanitary landfil gas for the thermal treatment of leachate... 41 2. Results 2.1. Leachate Flow Rate The leachate flow rate showed a strong variation along the year, with values as hight as 8 m3/h during the rainy season (December to March) and about 2 m3/h or bellow, during the rest of the year, Figure(2). Fig. 2 – Leachate’s flow rate from January to August 2002. Source: Author 2.2. Gas Flow Rate Measurements were carried out in 3 off the 20 wells of the landfil, showing little variation among them, Table (1). Table (1) - Gas flow rates for three wells 2.3. Leachate Properties The elements analized in the leachate for its potential to produce air pollutants, mainly metals, nitrogen (NOx) sulfur (SOx) clorine (HCl) and fluorine (HF). No calorific value was detected for the leachate, even after microfiltration that, with the system used produced negligible results. Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 37-44, 2012 42 Regattieri, C. R. 2.4. Chemical Composition of the Landfil Gas The chemical composition of the landfil gas and of the gas in the surface of the leachate ponds. In the landfill gas methane has a fraction of 51% in volume, what is a value often reported in the literature. With this composition, the low calorific value of the gas is about 35 MJ/kg. On the leachate ponds methane concentration is much smaller, about 5%, but still significant from the environmental point of view. 2.5. Availability of Energy For the energy balance it was admited that the reactants (air and gas) were at 25ºC and 0,1 MPa, all gases (reactants and products) had a perfect gas behavior and entalpy was a function only of the temperature, so it could be readly determined with the correlations available in the literature for specific heat at constant pressure. For the combustion process an excess of air of 10% was admitted as it is usualy hight enough to ensure good efficiency of the gas combustion without causing an excessive drop of the incinerator’s thermal eficiency. A mean combustion temperature of 900ºC was considered adequate once it is sufficiently high to avoid the formation of hazard organic compounds but low enough to avoid excessive NOx formation and waste of energy. Under these assumptions, the complete combustion of the biogas, considering one mol of methane, is given by Equation (2) and the energy conservation by Equation (3). (2) In Equation (3) the subscripts P and R are for products and reactants respectively, hf is the formation entalphy, h its correction from the reference state of 25ºC and 0.1 MPa to the condition considered and QA is the energy available for the leachate incineration. (3) An estimate of the landifil production of methane was made and compared to the measurements. In order to obtain a good agreement, the value for the ratio between gas production and waste disposed that should be used was: The daily load of the lanfil is: mRes = 130 t/dia what should produce at the present conditions of the sanitary landfil a flow rate of: Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 37-44, 2012 43 So, the leachate flow that could be incinerated is: VchI = 1.33 m3 leachate / h. This volume is close but not enough to incinerate all the leachate of the landfill, that have an annual average production of 2 m3/h. Removing some water by microfiltration or another low energy process or lowering the temperature of thre gases could help in the process. The use of sanitary landfil gas for the thermal treatment of leachate... 2.6. Potential for Emission of Air Pollutants During the leachate incineration some air pollutants might be formed and released. To evaluate the potential of these emissions, a calculation was made considering that all chemical species of interest in the leachate would be totally converted in some kind of poluent and released to the atmosphere. 3. Conclusions The landfil production of gas was measured in 3 of its 20 wells showing an average of 32.7 m3/h/well. That gives a total of 654 m3/h for the whole landfil or yet an average of 3*10-3 m3/h/m2. The mean ratio between methane and waste resulted in 61 Nm3 of CH4/ton of waste. More research is needed and is underway to make a saffer estimate. The energy represented for this volume should be close, although not enough, to that required for the leachate incineration at 900ºC. The annual average of leachate production was 2 m3/h with a four fold increase during the rainy season. The gas energy would be sufficient for about 1.3 m3/h. Some of the potential air pollutants that could be released by the process if their precurssors were totally converted and emitted by the stack would be above the legal limits. More acurate estimates are needed for this aspect of the process as it is unlike that that happens. RESUMO A pesquisa está sendo conduzida no aterro sanitário de São Carlos, Brasil, uma cidade com 200 mil habitantes, para verificar a viabilidade do tratamento térmico do chorume utilizando o gás de aterro como fonte de energia. A taxa de fluxo da composição e o gás e o chorume foram determinados experimentalmente. Para medir a taxa de fluxo de gás em poços uma sonda foi desenvolvido e as suas medições foram comparados com os dados obtidos na literatura. Balanços de energia e química foram feitos para verificar a disponibilidade de energia e o potencial processo de Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 37-44, 2012 44 Regattieri, C. R. emissão de poluentes atmosféricos. Até agora, os resultados mostram que não há energia suficiente para tornar a incineração de chorume viável, mas mais investigações estão sendo realizadas, uma vez que a taxa de fluxo de gás pode ter uma grande variação de poço a poço e nem todos eles foram sondados até o momento. O balanço químico mostrou que o potencial de poluição do ar para o processo térmico é pequeno e, mesmo sem tratamento de gás a maioria das emissões seria menor do que o exigido pela legislação ambiental. PALAVRAS-CHAVE Recuperação de energia. Conservação de energia. Meio ambiente. Biogás. Mudanças climáticas. Aterro sanitário. REFERENCES CHRISTENSEN, T.H.; COSSU, R.; STEGMANN, R. (1996). Landfilling of waste: biogas. London: E & FN Spon. PAGLIUSO, J.D.; PASSIG, F.H.; VILLELA, L.C.H. (2002). Odor treatment and energy recovery in anaerobic sewage treatment plants. In: TALLER Y SYMPOSIUM LATINO AMERICANO SOBRE DIGESTION ANAEROBIA, 7., 2002, Mérida. Proceedings... México: IWA. p.96-110. SINDICIC, D.R. (2002). Efeitos da adição de O2 puro sobre as emissões poluentes produzidas na incineração industrial de resíduos perigosos. 110p. Tese (Doutorado em Engenharia Mecânica – Orientador – PAGLIUSO, J.D.) – Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo, São Carlos, 2002. SONNTAG, R.E.; BORGNAKKE, C.; WYLEN, G.J.V. (1998). Fundamentos da termodinâmica. São Paulo: Edgard Blücher. USEPA (1998). Greenhouse gases emission of management of municipal solid waste. Available in:<http://www.epa.gov>. Access on August 14, 2010. Carlos Roberto Regattieri Doutor em Engenharia Mecânica pela Escola de Engenharia de São Carlos – EESC – USP, Especialista em Meio Ambiente pela Escola de Engenharia de São Carlos – EESC – USP, Professor Pleno II do Curso em Produção Industrial da FATEC Taquaritinga, Coordenador do Curso de Pós Graduação Lato Sensu – Especialização em Gestão da Produção da FATEC Taquaritinga, Coordenador do Grupo de Pesquisa em OEE – Overall Equipment Effetiveness. Ministra a Disciplina de Gestão e Controle de Processos Automatizados. E-mail: [email protected] Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 37-44, 2012 A CONTRIBUIÇÃO DA PESQUISA-AÇÃO PARA OBTENÇÃO DA INOVAÇÃO TECNOLÓGICA THE CONTRIBUTION OF ACTION-RESEARCH TO OBTAIN TECHONOLOGICAL INNOVATION Daniela Gibertoni RESUMO A inovação tecnológica continua a ser um desafio para as empresas e para o desenvolvimento do país. Este artigo traz uma discussão do uso do método da pesquisa-ação para alcançar e difundir a inovação tecnológica entre os pesquisadores interessados em aplicar tal método, além de apresentar os principais conceitos abordados na literatura acerca do tema pesquisa-ação e inovação tecnológica no Brasil. Na sequência, é apresentada a relação da utilização da pesquisa-ação como um meio para se alcançar a tão almejada inovação tecnológica. Palavras-chave Pesquisa-ação. Inovação tecnológica. Método de pesquisa. INTRODUÇÃO Ao fazer uma análise aprofundada sobre o tema pesquisa-ação na área de Engenharia de Produção, decorrente da tese desta autora, foi possível constatar que a pesquisa-ação é um método viável, confiável e estimulante no processo de contribuição para a inovação tecnológica do país. Esta inovação, acontecendo na área da Engenharia de Produção, especificamente, está diretamente relacionada às subáreas de Desenvolvimento de Produto, Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 45-52, 2012 46 Gibertoni, D. Ergonomia e desenvolvimento de Sistemas de Informação. Foi neste raciocínio que este artigo foi concebido, e como docente da Faculdade de Tecnologia de Taquaritinga, emergiu um pergunta de pesquisa: como a pesquisa-ação pode contribuir diretamente para a inovação tecnológica? Para responder esta questão foi realizada uma pesquisa bibliográfica. Gil (2001) afirma que a pesquisa bibliográfica é elaborada a partir de material já publicado, constituído de livros, artigos de periódicos e, atualmente, com material que se encontra disponível na internet. A pesquisa bibliográfica tem por objetivo fundamentar a autora quanto à pesquisa-ação e também quanto à inovação tecnológica e indicar quais são os fatores importantes que devem ser considerados para incentivar a prática da inovação TPP (Inovação Tecnológica em Produtos e Processos) por meio da pesquisa-ação. Este artigo apresenta inicialmente uma visão geral sobre as principais características da pesquisa-ação, para em seguida descrever como o Brasil se encontra em termos de inovação tecnologica para ao final apresentar como a pesquisa-ação pode contribuir efusamente para o aprimoramento de novas tecnologias. 1. Principais características da pesquisa-ação Bryman (1989) considera que a pesquisa-ação é uma abordagem da pesquisa social aplicada na qual o pesquisador e o cliente colaboram no desenvolvimento de um diagnóstico e para a solução de um problema, por meio das quais as descobertas resultantes irão contribuir para a base de conhecimento em um domínio empírico particular. Além disso, é preciso que a ação seja uma ação não trivial, uma ação problemática merecendo investigação para ser elaborada e conduzida. Para Coughlan e Coghlan (2002), a pesquisa-ação é um termo genérico, que cobre muitas formas de pesquisa orientada para a ação e indica uma diversidade na teoria e na prática entre os pesquisadores usuários desse método, fornecendo um leque amplo de opções para os potenciais pesquisadores para o que pode ser apropriado para suas questões de pesquisa. Como destaca Thiollent (2011, p. 97): “... para que uma ação seja realizável, não basta a vontade subjetiva de alguns indivíduos. A ação proposta tem que corresponder às exigências da situação”. E para o mesmo autor, em Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 45-52, 2012 A contribuição da pesquisa-ação para obtenção da inovação tecnológica 47 termos de contexto organizacional, a ação considerada visa frequentemente a resolver problemas de ordem aparentemente mais técnica, como, por exemplo, introduzir uma nova tecnologia ou desbloquear a circulação da informação dentro da organização. Trata-se de uma pesquisa metodológica sobre como conduzir uma pesquisa aplicada. Essa discussão não poderia deixar de ser abordada neste artigo, dada a relevância do tema. Na pesquisa aplicada, tem-se a elaboração de diagnósticos, identificação de problemas e busca de soluções para os mesmos. Os objetivos de uma pesquisa básica são diferentes: a produção de conhecimento através de verificação de hipóteses e elaboração de teorias. Segundo Thiollent (2009, p. 49), a pesquisa aplicada “exige conhecimentos, métodos e técnicas que são bastante diferentes dos recursos intelectuais mobilizados em pesquisa básica. Em particular, são exigidas maiores habilidades de comunicação e trato com pessoas e grupos”. Como forma de aprendizado, a pesquisa aplicada, neste caso a pesquisa-ação, contribui para a fixação dos conhecimentos na prática. Para conduzir a pesquisa-ação, é preciso objetivos claramente definidos. Igualmente importantes, também, são a participação e o domínio da linguagem. A participação é fruto do processo de pesquisa-ação e um indício de que a pesquisa está sendo conduzida da maneira correta. A linguagem deve ser comum entre todas as pessoas envolvidas. A pesquisa-ação busca alcançar objetivos de descrição - a situaçãoproblema é descrita “com base em verbalizações dos diferentes autores em suas linguagens próprias” (THIOLLENT, 2009, p. 34) - e de intervenção - “os conhecimentos derivados das inferências são inseridos na elaboração de estratégias ou ações”. A abordagem de Westbrook (1995) é que o mais importante na pesquisaação não é encontrar uma solução ótima, como em outros métodos, mas conseguir o compromisso com a mudança a ser feita para depois relatar a aplicação da teoria e também a resistência à aplicação de determinada técnica. Além disso, cabe ressaltar que existe uma meta bem maior que o resultado que se deseja alcançar: a geração e estruturação do conhecimento. Para Thiollent (2011) o ganho de conhecimento na pesquisa-ação é obtido através da observação e avaliação das ações (definidas com os Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 45-52, 2012 48 Gibertoni, D. participantes) e dos obstáculos encontrados. Esse conhecimento é passível de generalização parcial, uma vez que está fortemente ligado ao contexto da pesquisa. A qualidade do conhecimento, porém, está limitada pela eficácia da intervenção e pelo interesse da empresa no projeto. Para que o sucesso da pesquisa-ação seja alcançado, Westbrook (1995) enfatiza que tudo depende de como será administrado o conflito entre a imaginável liberdade da abordagem e a necessidade de clareza e foco. O excesso de foco priva o pesquisador de obter uma melhor compreensão do fenômeno estudado, enquanto no caso contrário, o pesquisador ficará confuso se não tiver seus objetivos definidos com clareza. Além disso, Westbrook (1995), afirma que a qualidade dos resultados depende do pesquisador, do projeto de pesquisa e da análise dos resultados. Um aspecto importante a ser lembrado é como a objetividade científica é atingida na pesquisa-ação. As pesquisas convencionais, normalmente, exigem princípios de objetividade do tipo: completa separação entre observador e observado, imparcialidade dos pesquisadores nos resultados práticos obtidos e quantificação das informações. Sem abandonar a cientificidade, a pesquisa-ação pode observar aspectos como compreensão do problema, priorização dos problemas, busca de soluções e aprendizagem de todos os participantes (tanto os autores quanto os atores). Na concepção de Thiollent (2011), estas características qualitativas não são consideradas anticientíficas. Por fim, o grande desafio para os pesquisadores é definir e encontrar padrões de rigor científico apropriado, sem sacrificar a real relevância do tema. Além disso, é preciso que a intervenção assuma o papel central na pesquisa e que os resultados possam ser avaliados para que seja possível gerar conhecimento por meio da participação de todos. 2. Inovação tecnológica no Brasil Algumas instituições brasileiras vêm estudando e analisando a inovação tecnológica nas organizações. A Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras (ANPEI), realizou pesquisas, cujo objetivo foi avaliar a inovação tecnológica nas empresas brasileiras até o ano de 2001, por meio de um questionário Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 45-52, 2012 A contribuição da pesquisa-ação para obtenção da inovação tecnológica 49 baseado no Manual Frascatti (1993) e no Manual de Oslo (1992), ambas as publicações da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com sede na França. Os manuais citados apresentam conceitos e indicadores de inovação tecnológica que são utilizados como referência em muitos países. No Brasil, atualmente, essa pesquisa sobre inovação tecnológica passou a ser realizada pela Pesquisa Industrial de Inovação Tecnológica (PINTEC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), órgão pertencente ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) com periodicidade de 3 (três) anos, utilizando a terceira edição do Manual de Oslo. Para a realização de tal pesquisa, a PINTEC utiliza também um questionário semelhante ao utilizado pela ANPEI. Atualmente, e de acordo com a PINTEC (2012), uma inovação tecnológica é definida pela introdução no mercado de um produto ou de um processo produtivo tecnologicamente novo ou substancialmente aprimorado. Ainda conforme a PINTEC (2012), a inovação tecnológica pode resultar de pesquisa e desenvolvimento (P&D) realizados no interior das empresas, de novas combinações de tecnologias existentes, da aplicação de tecnologias existentes em novos usos ou da utilização de novos conhecimentos adquiridos pela empresa. Segundo o mesmo Manual, uma empresa pode realizar vários tipos de mudanças em seus métodos de trabalho, seu uso de fatores de produção e os tipos de resultados que aumentam sua produtividade e/ou seu desempenho comercial. Esse Manual define quatro tipos de inovações que contemplam um amplo conjunto de mudanças nas atividades das empresas: inovações de produto, inovações de processo, inovações organizacionais e inovações de marketing. De modo resumido, as inovações de produto envolvem mudanças significativas nas potencialidades de produtos e serviços e incluem bens e serviços totalmente novos e aperfeiçoamentos importantes para produtos existentes. Já as inovações de processo representam mudanças significativas nos métodos de produção e de distribuição. Uma inovação tecnológica de processo pode ter por objetivo produzir ou entregar produtos novos ou substancialmente melhorados, os quais não podem ser produzidos ou distribuídos através de métodos convencionais já utilizados pela empresa, ou pode visar ao aumento da eficiência produtiva ou da entrega Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 45-52, 2012 50 Gibertoni, D. de produtos existentes. Métodos de entrega novos ou significativamente aperfeiçoados dizem respeito às mudanças na forma de preservar e acondicionar produtos, como também a mudanças na logística da empresa, que engloba equipamentos, software e técnicas de suprimento de insumos, estocagem e venda de bens ou serviços. As inovações organizacionais referem-se à implementação de novos métodos organizacionais, tais como: mudanças em práticas de negócios, na organização do local de trabalho ou nas relações externas da empresa. E por fim, as inovações de marketing envolvem a implementação de novos métodos de marketing, incluindo mudanças no design do produto e na embalagem, na promoção do produto e sua colocação, e em métodos de estabelecimento de preços de bens e de serviços. O requisito mínimo para se definir uma inovação é que o produto, processo, método de marketing ou organizacional sejam novos (ou tenham sido significativamente melhorados) para a empresa. Isso inclui produtos, processos e métodos em que as empresas são as pioneiras a desenvolver e aqueles que foram adotados de outras empresas ou organizações. Pode-se dizer que as atividades de inovação são etapas científicas, tecnológicas, organizacionais, financeiras e comerciais que conduzem, ou visam a conduzir, à implementação de inovações. É neste sentido que a pesquisa-ação surge: sendo as atividades de inovação etapas científicas, como pode a pesquisa-ação contribuir para esse avanço? 3. A pesquisa-ação e a inovação tecnológica A inovação tecnológica é considerada como fator propulsor do crescimento. Sendo assim, o processo de aprendizagem decorrente do processo de aplicação da pesquisa-ação é um benefício que pode ser obtido tanto pelos pesquisadores quanto pelos pesquisados, mas que muitas vezes, fica esquecido durante a pesquisa. Se for dado ênfase a esta questão, as pesquisasação desenvolvidas têm um forte potencial para colaborar e contribuir na construção da inovação tecnológica do país, uma vez que foi vivenciado toda a prática pela comunidade ou pela organização, caracterizando-se em uma inovação organizacional ou inovação de processos. É necessário registrar este conhecimento adquirido para que a empresa e o país possa se tornar mais competitivo. Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 45-52, 2012 A contribuição da pesquisa-ação para obtenção da inovação tecnológica 51 Outro aspecto relevante é que se trata de um método de pesquisa que pode contribuir amplamente nas pesquisas realizadas com foco em inovação, sobretudo porque são de grande utilidade quando se pretende desenvolver o conhecimento por meio da interação entre pesquisador e elemento pesquisado. Este método permite a alteração de rumo da pesquisa, haja vista que as idéias a serem pesquisadas inicialmente podem mudar ao longo do processo. A pesquisa-ação possibilita ainda estender o experimento por um período de tempo maior, o que facilita o tratamento de dados qualitativos, permitindo a criação de novas idéias em sua execução. O procedimento básico da pesquisa-ação consiste em deixar os participantes detectarem os problemas e procurar as soluções que lhes são mais apropriadas. As possíveis soluções e decorrentes ações são encontradas pelas pessoas e grupos envolvidos no processo de pesquisa-ação e elas são formuladas de acordo com as expressões da própria cultura. Conclusão As características da pesquisa-ação no que diz respeito à formação de teoria, são próximas da inovação tecnológica, em termos de construção de um novo saber. É indiscutível a importância da participação governamental no estabelecimento de um sistema nacional de inovação eficaz, capaz de gerar uma infraestrutura básica favorável à P&D empresarial. Outro ponto de destaque é a parceria produtiva que se deve estabelecer entre as faculdades de tecnologia e as empresas, pois esta contribuição torna-se importante para o fortalecimento do sistema nacional de inovação como um todo. Por fim, resumidamente, entende-se que o desenvolvimento do país passa necessariamente pela inovação tecnológica, a qual deveria ser compreendida como um fator estratégico para empresas. Do ponto de vista acadêmico e científico, a pesquisa-ação, por ser um método oriundo das ciências sociais, contribui no aspecto das inter-relações entre os atores envolvidos na inovação tecnológica. Portanto, faz-se necessário expandir os conceitos da inovação tecnológica entre os pares para se alcançar resultados positivos, uma vez que estes podem ser estes obtidos por meio da pesquisa-ação. Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 45-52, 2012 52 Gibertoni, D. ABSTRACT Technological innovation remains a challenge for companies and for the country’s development. This article presents a discussion of the use of the method of action research to achieve and disseminate technological innovation among researchers interested in applying this method, besides presenting the main concepts discussed in the literature on the subject action research and technological innovation in Brazil. We also present the relationship of the use of action research as a means to achieve the so desired technological innovation. KEYWORDS Action research. Technological innovation. Research method. REFERÊNCIAS BRYMAN, A. Research Methods and Organization Studies (Contemporary Social Research). Routledge, 1ed. London, 1989. COUGHLAN, P; COGHLAN D. Action Research. Action research for operations management. International Journal of Operations & Production Management, v.22, n2, p.220- 240, 2002. GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas, 2001. PINTEC. Pesquisa Industrial de Inovação Tecnológica. Disponível em http://www. pintec.ibge.gov.br/ Acesso em 08 jun. 2012. THIOLLENT, M. Pesquisa-ação nas organizações. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2009. THIOLLENT, M. Metodologia da Pesquisa-ação. 18. ed. São Paulo: Cortez, 2011. WESTBROOK, R. Action reserach: a new paradigm for research in production and operations management. International Journal of Operations & Production Management, v15, n12, p 6-20, 1995. Daniela Gibertoni Doutorado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de São Carlos. Profª Pleno II da Faculdade de Tecnologia de Taquaritinga há dezesseis anos. Ministra as disciplinas de Engenharia de Software e Interação Humano-Computador. Atualmente é Coordenadora, na mesma faculdade, do Grupo de Pesquisa em Engenharia de Software – GPES, atuando principalmente com o tema pesquisa-ação para o desenvolvimento de sistemas, voltados às teorias de usabilidade de interfaces. E-mail: [email protected] Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 45-52, 2012 SERVIÇOS AMBIENTAIS PRESTADOS PELOS Espaços Territoriais Especialmente Protegidos ENVIRONMENTAL SERVICES PROVIDED BY SPECIALLY PROTECTED AREAS Fernando Frachone Neves RESUMO A valoração dos serviços ambientais prestados por áreas especialmente protegidas requer a avaliação da riqueza de uso direto e indireto, bem como da riqueza futura e da riqueza de existência. Na medida em que tais riquezas estejam vinculadas a um benefício motivador da sadia qualidade de vida, conforme preconizado pela Constituição Federal de 1988, estas se qualificam por serem bens ambientais. Neste sentido, as políticas públicas ambientais vêm construindo o suporte jurídico para o reconhecimento e manutenção dos diferentes serviços ambientais prestados por áreas protegidas, aumentando a percepção do usuário dos benefícios, garantindo a sensação de bem estar público. Palavras-chave Serviços ambientais. Políticas públicas. Valoração. INTRODUÇÃO À luz da Constituição Federal de 1988, é competência do Poder Público definir e criar, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos (artigo 225, § 1º, I, Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 53-58, 2012 54 Neves, F. F. II, III e VI - CF/88), para que seja assegurada a efetividade do direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, com interesse na conservação do bem ambiental destinado à sadia qualidade de vida da presente e das futuras gerações. Neste sentido, a Política Nacional do Meio Ambiente (Lei 6.938/81), recepcionada pela Constituição de 1988, determinou que os espaços territoriais especialmente protegidos são instrumentos da referida política, podendo estar localizados em áreas públicas ou privadas, sujeitando-se a tratamento diferenciado e a regime jurídico de interesse público (Fiorillo, 2010). Sob o enfoque da hermenêutica jurídica, os espaços territoriais especialmente protegidos são aqueles sujeitos a um disciplinamento de uso por motivos de conservação e qualidade ambiental, como é o caso as Áreas de Preservação Permanente (APP) e as Áreas de Reserva Legal (RL), instituídas pela Lei 12.651/2012. Neste contexto, a Lei 9.985/2000 (Lei do SNUC), ao promover a necessária regulamentação do artigo 225, § 1º. e incisos I ao IV da Constituição Federal de 1988, instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza, definindo Unidade de Conservação (UC) como espaço territoriais e seus recursos ambientais, com características naturais relevantes, legalmente instituídos e protegidos, com o objetivo de conservação, além de regular categorias que a compõe: unidades de proteção integral e unidades de uso sustentável. No entanto, não se incluiu na Lei do SNUC o conceito de espaço territorial especialmente protegido (ETEP), fato que ainda gera discussões acerca da similitude entre estas áreas, do ponto de vista do objetivo colimado (GANEM; ARAÚJO, 2006). Já do ponto de vista do planejamento ambiental estratégico, a lei disciplina ou regra o uso das áreas especialmente protegidas como forma de delimitar e planejar seu uso, quando possível for (OLIVEIRA et al., 2009). Muito embora haja distinção jurídica entre as áreas protegidas por lei (UCs, RLs e APPs), do ponto de vista da ecologia e da biologia da conservação as áreas guardam similitude e relevância quanto à manutenção dos bens ambientais a serem considerados e protegidos. Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 53-58, 2012 Serviços ambientais prestados pelos espaços territoriais especialmente protegidos 55 DESENVOLVIMENTO Diametralmente oposto ao raciocínio da geração de riquezas pela exploração direta e exaustiva dos recursos ambientais, há a oportunidade de se conservar ou preservar as áreas fornecedoras de tais recursos, protegendo-se não somente os estoques naturais nestas áreas contidos, mas sobremaneira os serviços ambientais por ela prestados. Os serviços prestados por áreas protegidas, sejam estes na manutenção da capacidade de suporte do planeta, ou na manutenção da qualidade da água dos mananciais, na manutenção da biodiversidade ou como coeficiente absortivo de impactos da produção de bens de consumo, os quais, modelados pela resiliência do ambiente testado, podem não externalizar carência, restrição (ou ao menos aparente e imediata restrição) à disponibilidade dos recursos ambientais. Como exemplo de serviços ambientais prestados por espaços territoriais especialmente protegidos, Neves et al., (2006) demonstraram que o aporte de sedimentos, nitrogênio (N) e fósforo (P), aos mananciais da bacia hidrográfica do Rio Bonito, localizada em Descalvado (SP), é inversamente proporcional ao volume de áreas de florestas presentes, como é o caso da APA de Descalvado (Área de Proteção Ambiental de Descalvado-SP), uma Unidade de Conservação de Uso Sustentável dentro desta microbacia e, notadamente, em relação à presença das áreas de preservação permanente (APPs). Em se tratando da manutenção dos padrões de qualidade de água dos mananciais, preconizados pela Resolução CONAMA 357, os espaços territoriais especialmente protegidos prestam, diretamente e na razão da sua tipologia, densidade e extensão (OLIVEIRA, 1988; NEVES, 2006), o serviço ambiental de manutenção da riqueza e da biodiversidade faunística e florística da área associada. Muito embora haja concentração de esforços científicos na caracterização dos espaços territoriais especialmente protegidos quanto aos serviços ambientais prestados, os resultados estão dissociados da percepção da disposição do usuário em pagar por tais benefícios, bem como do valor estrito do serviço prestado, além da percepção da disponibilidade do recurso natural, em um cenário ambiental e econômico-mercadológico, contextualizado como valor social. Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 53-58, 2012 56 Neves, F. F. O valor econômico de qualquer tipo de serviço ambiental prestado pode ser alcançado pelos gastos potenciais com a mitigação dos desdobramentos da poluição, nos termos do inciso III, artigo 3º. da Lei 6.938/81, bem como, segundo Merico (1996), com os custos de reposição, os custos de relocação ou os custos com uma eventual substituição de algum serviço ambiental degradado. Para os destinatários dos serviços ambientais prestados pelos espaços territoriais especialmente protegidos, a percepção de tais benefícios traduz-se em um estado ou sensação de bem estar público o qual, não absolutamente, está vinculado a padrões de qualidade ambiental. Neste sentido, valorar o serviço ambiental prestado torna-se uma questão estratégica à eficácia das políticas públicas que instrumentalizam os mecanismos de pagamento, seja via incentivos fiscais ou tributários, seja via compensação ou indenização pecuniária. Proctor et al.(2009) destacam a importância da equidade nos esquemas de pagamento por serviços ambientais, incluindo não somente um único serviço prestado (como o seqüestro de carbono), mas uma diversidade de outros serviços que desdobram-se de práticas produtivas sustentáveis e em diferentes escalas. O estabelecimento de valores monetários para os recursos naturais é alvo de polêmicas em relação a qual ou quais métodos seriam os mais indicados para ser amplamente adotados (MERICO, 1996). CONCLUSÃO Os serviços ambientais prestados por espaços territoriais especialmente protegidos, sejam estes na manutenção da capacidade de suporte do planeta, ou na manutenção da qualidade da água dos mananciais, na manutenção da biodiversidade ou como coeficiente absortivo de impactos da produção de bens de consumo, são função da resiliência das diferentes tipologias de áreas protegidas, podendo não externalizar carência ou restrição (ou ao menos aparente e imediata restrição) quanto a disponibilidade dos recursos ambientais, fato que chama a atenção para a compreensão da função ecológica e de suporte à vida que tais áreas exercem, sendo salutar para o equilíbrio e sustentabilidade, ambiental e econômica, das áreas envolvidas, assumindo, inclusive, caráter de tutela preventiva. Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 53-58, 2012 Serviços ambientais prestados pelos espaços territoriais especialmente protegidos 57 ABSTRACT The valuation of environmental services provided by specially protected areas requires an assessment of the richness of direct and indirect use as well as the future wealth and the richness of existence. So far such richness is linked to an effective motivator for healthy quality of life, as recommended by the Federal Constitution of 1988, they are eligible as being environmental goods. In this sense, environmental policies have been building support for the legal recognition and maintenance of different environmental services provided by protected areas, increasing the user’s perception of the benefits, ensuring a sense of public welfare. Keywords Environmental services. Public policy. Valuation. REFERÊNCIAS BRASIL. Resolução CONAMA No. 237/97. Dispõe sobre licenciamento ambiental; competência da União, Estados e Munícipios; listagem de atividades sujeitas ao licenciamento; Estudos Ambientais, Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 22 dez. 1997. FIORILLO, C. A. P. Curso de Direito Ambiental Brasileiro. 11ª. Edição, Revista, Atualizada e Ampliada. Editora Saraiva, 2010. GANEM, R. S.; ARAÚJO, S. M. V. G. Reflexões acerca do conceito de espaços territoriais especialmente protegidos. Caderno ASLEGIS, 28, 2006. MERICO, L. F. K. Introdução à economia ecológica. Blumenau: Ed. da FURB, 1996. 160p. NEVES, F. F.; SILVA, F. G. B; CRESTANA, S. 2006. Uso do modelo AVSWAT na avaliação do aporte de nitrogênio (N) e fósfora (P) aos mananciais de uma microbacia hidrográfica contendo atividade avícola. Engenharia Sanitária e Ambiental, v.11, 4, p. 311-317, 2006. OLIVEIRA, I. S. D., MONTAÑO, M., SOUZA, M. P. Avaliação Ambiental Estratégica. São Carlos: Suprema, 2009. 220p. OLIVEIRA, L. M. Controle de fontes dispersas de poluição pela fixação de largura mínima de faixa de vegetação natural ou recomposta ao longo de corpos d’água. Dissertação (mestrado) - Escola de Engenharia de São Carlos, da Universidade de São Paulo. São Carlos (SP), 1998. PROCTOR, W.; KÖLLNER, T.; LUKASIEWICZ, A. Equity considerations and payments for ecosystem services. In: Kumar, P., Muradian, R. (Orgs). Payment for ecosystem services. Oxford Press, 2009. Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 53-58, 2012 58 Neves, F. F. Fernando Frachone Neves Biólogo, advogado, MBA em Administração de Empresas, Especialista em Direito Educacional, Mestre em Ciências da Engenharia Ambiental e Doutor em Biologia Comparada. É docente nos cursos de Tecnologia para o Agronegócio, Sistemas para Internet e Gestão Ambiental da FATEC. É docente de direito ambiental na graduação e na pós-graduação em outras instituições de ensino. Membro da Comissão de Meio Ambiente da Ordem dos Advogados do Brasil, 12ª Subsecção de Ribeirão Preto (SP). É representante titular da OAB 12ª Subseção, na Câmara de Fiscalização do Serviço de Tratamento de Esgoto - CAFIS. Representante suplente, da 12ª Subseção, na Câmara Técnica de Outorgas, Licenças, Assuntos Institucionais e Legais da Bacia Hidrográfica do Rio Pardo e representante suplente da OAB 12ª Subseção no COMDEMA (Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente). É membro titular do Comitê de Ética da Faculdade São Luis de Jaboticabal. É Pesquisador no Núcleo de Política e Ciência Ambiental – Agenda Ambiental (FFCLRP-USP). E-mail: [email protected] Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 53-58, 2012 AS VARIEDADES DA LÍNGUA INGLESA E O SEU STATUS DE LÍNGUA MUNDIAL THE VARIETIES OF THE ENGLISH LANGUAGE AND ITS STATUS OF WORLD LANGUAGE Kátia Cristina Galatti RESUMO Este artigo pretende destacar as diferentes variedades de sotaques da língua inglesa usadas por diferentes motivos, de acordo com o contexto social. Essas variedades foram desenvolvidas devido ao grande número de falantes de inglês, desde a época da colonização britânica dos séculos XVII e XVIII, fato que deu ao inglês o status de língua mundial, levando os mais conservadores a fazer uma redefinição do que seria a “língua padrão”. PALAVRAS-CHAVE Língua inglesa. Variedades. Língua mundial. Língua padrão. INTRODUÇÃO De acordo com Barber (1993), o inglês, uma das principais línguas do mundo, expandiu-se em número de falantes devido ao crescimento da população na Inglaterra, especialmente com a Revolução Industrial, iniciada em meados do século XVIII. Segundo o autor, o inglês se tornou uma língua mundial por causa da sua larga difusão das ilhas Britânicas para todos os continentes, devido ao comércio, à colonização e à conquista, dos séculos XVII e XVIII, quando os ingleses se estabeleceram na América do Norte. Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 59-64, 2012 60 Galatti, K. C. Já o inglês americano domina, desde o final do século XIX, as Filipinas e Porto Rico, ambos tirados da Espanha pelos Estados Unidos. E o crescimento da população nos Estados Unidos, devido à massiva imigração dos séculos XIX e XX deu ao inglês seu atual status no mundo (BARBER, 1993). Para Lacoste (2005), especialmente depois da Segunda Guerra Mundial, que foi de 1939 a 1945, a influência política e cultural dos Estados Unidos se propagou, por exemplo, através dos aparelhos mecânicos que vinham com manuais de instrução em inglês e das fábricas americanas abertas na Europa, obrigando os europeus a aprender inglês. Além disso, para Barber (1993) e para Lacoste (2005), a dominante posição do inglês no mundo hoje se deve ao poder político e econômico americano, mais do que à difusão do inglês pelas ex-colônias britânicas e dominações. A mundialização do inglês, segundo Lacoste (2005), também se faz pelos fenômenos culturais como o cinema e a música, que mantém na moda tudo o que é americano. Para Giblin (2005), depois da vitória dos países aliados na Segunda Guerra Mundial, em 1945, os Estados Unidos surgem como um modelo a imitar, principalmente pela juventude cheia de esperanças e aspirações que encontrara na cultura anglo-saxônica parte de sua identidade cultural e ideológica. É nessa época que surge o rock’n roll e com ele Beatles, Rolling Stones, entre outros grupos musicais. O inglês também se beneficiou da corrente “liberal” e, segundo Le Breton (2005), foi se tornando a língua de um povo vitorioso na economia e nas relações de poder, que avançava para as liberdades individual, intelectual e nacional, adquiriu foros de nobreza, é falado pelo gentleman e através dele veicula-se a imagem do sucesso, da riqueza, da inovação, do homem seguro que pode ser tomado como modelo, além de sua capacidade de se impor no mundo da pesquisa e da comunicação, principalmente por meio da Internet. Esta expansão do inglês pelo mundo significa que ele é hoje uma das línguas mais faladas do mundo (mais de quatrocentos milhões de nativos e quase o mesmo número de falantes como segunda língua) e, também, que há muitas variedades do inglês, usadas por diferentes motivos, dependendo do contexto social. “Por ser uma língua flexível, tanto em nível de sintaxe como de gramática, seu número de sotaques, portanto de sonoridades, é imenso” (GIBLIN, 2005, p.132). Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 59-64, 2012 As variedades da língua inglesa e o seu status de língua mundial 61 Cabe aqui então, destacar as diferentes variedades de sotaque da língua inglesa e fazer uma distinção entre o inglês falado como segunda língua e o inglês como língua estrangeira. AS VARIEDADES DA LÍNGUA INGLESA Segundo Rajagopalan (2003), quem domina uma língua estrangeira é considerada pessoa culta e distinta. Tanto é que a palavra “estrangeira” é usada para qualificar uma língua mais respeitada do que a materna. Já uma língua de menor prestígio é qualificada como “exótica” ou como um “dialeto”. A principal diferença entre uma língua “exótica” e uma língua “estrangeira” é que nosso interesse em estudar a primeira se resume a uma curiosidade científica, em conhecer o estranho e o mítico. Já, ao estudar uma língua estrangeira, somos impulsionados pela vontade de ampliar nossos conhecimentos culturais para atingirmos melhores níveis de vida (RAJAGOPALAN, 2003). Conforme Barber (1993), quando se aprende inglês como língua estrangeira, ele vai ser somente usado para a comunicação com estrangeiros, pois não há a tradição de se falar inglês dentro do país do aprendiz e este poderá aprender o inglês britânico ou o americano. Já quem aprende inglês como segunda língua espera usá-lo na comunicação dentro de seu próprio país, dentro de comunidades falantes por rotina e, frequentemente, aprendem uma variedade local da língua ensinada por quem fala essa variedade, que se difere de várias formas do inglês britânico ou americano, por causa da influência da língua materna do falante. Resumindo, uma segunda língua tem funções sociais dentro da comunidade onde ela é aprendida, enquanto uma língua estrangeira é aprendida principalmente para o contato fora de sua própria comunidade (LITTLEWOOD, 1984). Entretanto, essa distinção entre segunda língua e língua estrangeira, para Barber (1993), não é exata. Além disso, há uma considerável quantia de funções da segunda língua, por exemplo, na educação e nos negócios, no fato de dar prestígio ou poder. Mas, há também alguns lugares que usam o inglês no meio da família e amigos, colocando a língua no mesmo status de suas línguas oficiais. Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 59-64, 2012 62 Galatti, K. C. Portanto, apesar de ser uma distinção útil, muitas vezes o termo “segunda língua” é usado para se referir tanto à língua ‘estrangeira’ quanto à ‘segunda’ língua (LITTLEWOOD, 1984). Para Barber (1993), o desenvolvimento de tantas variedades de inglês gerou problemas e controvérsias a respeito da língua, principalmente nas ex-colônias britânicas, onde, durante o período colonial, o inglês foi imposto como a língua da administração. Também, com a independência, houve disputa em muitos desses países quanto ao fato do inglês ser retido como língua oficial e, caso fosse retido, se o inglês britânico padrão seria ensinado ou a variedade local do inglês seria adotada como padrão. Vários fatores como sentimento nacionalista, ligação à cultura tradicional, desejo de avanços científico e tecnológico e as necessidades por comunicação local e internacional fizeram parte desses argumentos. Muitos deles ainda existem, mas há no momento uma tendência em muitos países em continuar aceitando o inglês como língua oficial ou semi-oficial e reconhecer a variedade local como um modelo (BARBER, 1993). O desenvolvimento de um grande número de variedades que a língua inglesa adquiriu enquanto se espalhou pelo mundo nos últimos trezentos anos levanta, então, uma questão a respeito do inglês padrão: se existe esse padrão e qual é. Essa questão, tenta-se compreender a seguir. LÍNGUA PADRÃO Conforme Barber (1993), nos países onde o inglês é a primeira língua, há um uso comum que o torna possível falar em “inglês universal padrão” e que, provavelmente, continuará a constituir uma linguagem mais ou menos unificada como o principal meio das relações internacionais. Em entrevista à revista Hérodote, sobre o inglês como língua franca das instituições internacionais, a professora auxiliar de inglês, Hélène Gradiot-Renard, mencionou a vantagem de se dominar perfeitamente o inglês, pois quando ouvem a própria língua nos debates, os anglófonos passam a considerar todos como um dos seus, “esquecendo” que pode haver ali estrangeiros. E, se nas discussões, esses estrangeiros empregam uma expressão que não seja exata, podem levar os anglófonos a uma interpretação errada, deixando a impressão de serem pessoas medíocres, de Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 59-64, 2012 As variedades da língua inglesa e o seu status de língua mundial 63 baixo nível e que falseiam o teor do debate (GADRIOT-RENARD,2005). Por outro lado, segundo Jekins (2007), pesquisas mostram que o inglês do nativo e algumas características de sua pronúncia mais dificultam do que facilitam a comunicação nesses contextos. Então, poderia ser argumentado que os palestrantes nativos fossem capazes de se fazer entender e aceitarem que a maioria deles não fala um inglês que é internacionalmente entendido. De acordo com Rajagopalan (2005), estamos vivenciando uma nova língua, o World English, cujos usuários, que somam cerca de dois terços, seriam não-nativos. Esse novo fenômeno linguístico que serve hoje como meio de comunicação entre diferentes povos do mundo, não pode ser confundido com a língua que se fala nos Estados Unidos ou na Inglaterra. Contudo, é preciso apreciar o inglês de diferentes tipos, diferentes partes do mundo, diferentes grupos sociais e diferentes profissões, pois, “ao contrário do que muita gente pensa o World English é um espaço de contestação, de reivindicação dos direitos da periferia, de subversão e não de submissão” (RAJAGOPALAN, 2005, p.155). Ainda, haverá necessidade, principalmente por parte daqueles treinados em uma única forma da língua inglesa, de reconhecer tais mudanças, desligar-se de atitudes conservadoras e enxergar toda a comunidade falante com um distanciamento cientifico. Conforme cita Barber (1993), em um universo de mudança, é natural esperar por estabilidade, querer esclarecer coisas e fixá-las. Mas, toda a natureza e a vida humana estão em evolução. Então, “não é realmente muito bom se agarrar a margem: temos de lançarnos ao fluxo e nadar” (BARBER, 1993, p. 278)1. ABSTRACT This article aims to highlight the different varieties of English accents used for several reasons, according to social context. These varieties were developed due to the large number of English speakers, since the time of British colonization of the seventeenth and eighteenth centuries, a fact that gave the English language world status, taking the conservative ones to make a redefinition of what the “standard language” would be. ___________________________________ 1 It’s not really much good clinging to the bank: we have to push out into the flux and swim. Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 59-64, 2012 64 Galatti, K. C. KEYWORDS English language. Varieties. World language. Standard language. REFERÊNCIAS BARBER, C. L. The English Language: A historical introduction. Cambridge: University Press, 1993. GADRIOT-RENARD, H. Entrevista - O inglês: língua franca das instituições internacionais. In: LACOSTE, Y (Org.). A Geopolítica do Inglês. Trad. Marcos Marcionilo. São Paulo: Parábola Editorial, 2005. Original Francês, 2004, p. 27- 32. GIBLIN, R. O inglês por meio da música.In: LACOSTE, Y. (Org.). A Geopolítica do Inglês. Trad. Marcos Marcionilo. São Paulo: Parábola Editorial, 2005. Original Francês, 2004, p.127-132. JENKINS, J. Lashed by mother tongue. Disponível em: <http://www.timeshigher education.co.uk/story.asp?storycode=310394§ioncode=26>. Acesso em: 19 dez. 2010. LACOSTE, Y. Por uma abordagem geopolítica da difusão do inglês. In: LACOSTE, Y (Org.). A Geopolítica do Inglês. Trad. Marcos Marcionilo. São Paulo: Parábola Editorial, 2005. Original Francês, 2004, p. 7-12. Le BRETON, J.-M. Reflexões anglófilas sobre a geopolítica do inglês. In: LACOSTE, Y (Org.). A Geopolítica do Inglês. Trad. Marcos Marcionilo. São Paulo: Parábola Editorial, 2005. Original Francês, 2004, p.12-26. LITTLEWOOD, W. Foreign and second language learning- Language acquisition research and its implications for the classroom. Cambridge: University Press, 1994. RAJAGOPALAN, K. Por uma linguística critica: linguagem, identidade e a questão ética. São Paulo: Parábola Editorial, 2003 (Linguagem 4). RAJAGOPALAN, K. A geopolítica da língua inglesa e seus reflexos no Brasil- Por uma política prudente e propositiva. In: LACOSTE, Y (Org.). A Geopolítica do Inglês. Trad. Marcos Marcionilo. São Paulo: Parábola Editorial, 2005. Original Francês, 2004, p. 135-159. Kátia Cristina Galatti Possui graduação em Letras Licenciatura Plena (Inglês e Português) pela Faculdade São Luís (2003), graduação em Matemática pelo Centro Universitário de Araraquara (1998) e pós-graduação em Didática- Fundamentos Teóricos de Prática Pedagógica, nível de especialização Lato Sensu pela Faculdade de Educação São Luís (2002). É Mestre em Educação pelo Centro Universitário Moura Lacerda de Ribeirão Preto (2011). Atualmente, é professora de Inglês na Rede Pública do Estado de São Paulo, em escolas de idiomas e na Faculdade de Tecnologia de Taquaritinga (FATECTq). E-mail: [email protected] Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 59-64, 2012 FORMAÇÃO PROFISSIONAL CONTINUADA: NECESSIDADES DA PRÁTICA DO PROFESSOR DE MATEMÁTICA CONTINUING PROFESSIONAL EDUCATION: THE NEEDS OF PRACTICE MATH TEACHER Luciana Aparecida Ferrarezi RESUMO Este trabalho de pesquisa teve como objetivo identificar as necessidades formativas de professores de matemática participantes do Programa de Formação Continuada Teia do Saber. Os professores pesquisados pertencem à região de Taquaritinga, Jaboticabal e Catanduva. Os dados levantados apontam como necessidades principais dos professores a aprendizagem de conteúdos específicos de matemática com o propósito de ensiná-los e a apropriação de metodologias de ensino adequadas às clientelas e aos conteúdos. Em relação a demandas originárias da diversidade das características dos alunos, as necessidades detectadas referem-se ao trato com a indisciplina, às abordagens sobre as drogas, às doenças sexualmente transmissíveis, gravidez na adolescência e violência. Esse apontamento de necessidades poderá contribuir com processos de formação continuada que efetivamente auxiliem o professor a melhor se situar em sua tarefa profissional. PALAVRAS-CHAVE Saber docente. Formação continuada. Necessidades de formação. Matemática. INTRODUÇÃO As recentes transformações nas iniciativas de Formação Continuada Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 65-70, 2012 66 Ferrarezi, L. A. motivaram a busca dos diferentes fatores de necessidades formativas que contribuem para a estruturação de um processo eficaz no desenvolvimento de professores de Matemática e do sistema público de ensino. A Secretaria de Educação do Governo do Estado de São Paulo implementou, de 2003 a 2007, vários projetos de Educação Continuada para os professores da sua rede. Dentre eles destaca-se o Programa “Teia do Saber”, projeto abrangente com participação presencial dos professores, que envolveu diversas áreas do conhecimento, cujas preocupações metodológicas visavam a capacitação dos professores por meio de metodologias inovadoras que possibilitassem melhorar substancialmente a prática docente nas suas salas de aula. Por se tratar de um programa de formação continuada com tal envergadura, implementado por meio de cursos variados, escolhemos levantar dados sobre os professores que dele participaram, no sentido de averiguar sua eficácia em termos do atendimento às necessidades formativas que se colocam para os professores nestes tempos de mudança e de perene necessidade de adaptação. Nossa coleta de dados se ateve somente aos professores de Matemática e foi realizada por meio de questionários com a finalidade de registrar as concepções desses professores das escolas públicas estaduais da região de Taquaritinga, Jaboticabal e Catanduva. Numa análise preliminar dessas questões, detectamos um elenco de conteúdos que dizem respeito à formação inicial do professor de matemática, além de uma gama de elementos reveladores das inquietações dos professores em relação à prática docente. Nessa primeira análise, os professores demonstraram preocupações que tocam na problemática dos conteúdos curriculares em relação aos seguintes temas: operações com fração, divisão, geometria plana, geometria espacial, progressão aritmética, progressão geométrica, probabilidade, porcentagem, logaritmos, funções e trigonometria. Também, à primeira vista, os professores expressaram suas angústias e incertezas com relação aos problemas específicos do cotidiano escolar que transcendem os limites das disciplinas. Os apontamentos dos professores mostravam preocupações de ordem metodológica como o uso de tecnologias e de jogos, com o ensino via resolução de problemas, com o trabalho com oficinas e projetos e, também, preocupações com a necessidade de encontrar alternativas para lidar com a indisciplina dos alunos, com a necessidade de lidar com alunos especiais não alfabetizados, com a urgência de tratar questões relacionadas à sexualidade e às drogas, incluindo a preocupação com temas relacionados ao SARESP - Sistema Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 65-70, 2012 Formação profissional continuada: necessidade da prática do professor de matemática 67 de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo. As necessidades, portanto, variavam entre conteúdo, metodologia e demandas de socialização. NECESSIDADES FORMATIVAS Nesse contexto principal de necessidades formativas que afetam as atitudes dos professores, reconhecemos a necessidade de aprendizagem ao longo da vida numa sociedade em constante mudança, onde as próprias escolas têm um papel significativo a desempenhar no desenvolvimento contínuo dos professores. De acordo com essa perspectiva, Day (2001) identifica algumas metas que podem ser aplicadas à formação continuada de professores. A primeira é adaptação e desenvolvimento do repertório pedagógico e científico dos professores, a segunda, é com relação à aprendizagem, que parte da experiência, reflexão e teorização, além da observação e da discussão com colegas, ou seja, necessidades de abertura, feedback e colaboração dos colegas. As demais promovem uma integração entre as necessidades de conhecimentos da disciplina, que corresponde aos assuntos relevantes e atuais da disciplina e as formas de torná-los acessíveis para os alunos, e as necessidades de desenvolvimento intelectual como acesso contínuo a um novo pensamento educacional, relevante para a melhoria da qualidade da escola. Igualmente sobre as necessidades de conhecimentos, Fiorentini (2000), diz que, tradicionalmente, esses são privilegiados durante a formação inicial e continuada para a profissão docente, e são geralmente normativos e prescritivos, produzidos a partir de pesquisas teóricas e/ou empíricas das ciências da educação e das ciências disciplinares, como a Matemática. O que se observa é que ideias inovadoras e adequadas às mudanças não chegam até aos professores; se chegam, ou são incorporadas superficialmente ou recebem interpretações inadequadas sem provocar mudanças desejáveis (BRASIL, 1997). Os estudos contemporâneos, como é sabido, abordam o saber docente como plural, estratégico e constituído de saberes da experiência que são fundados no trabalho cotidiano e no conhecimento do meio em que este se constrói. Tardif (2002) ressalta a importância de se considerar os condicionantes e o contexto de trabalho que influenciam a construção do saber pedagógico. Reconhecendo a singularidade e a especificidade Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 65-70, 2012 68 Ferrarezi, L. A. do trabalho dos professores no seu campo próprio de ação, esse autor considera que o saber dos professores está relacionado com a sua pessoa e sua identidade, com sua experiência de vida e com sua história profissional, com suas relações com os alunos e com os outros atores escolares. A escola apresenta características sociais e culturais que a colocam como um novo espaço institucional, onde o desempenho do professor não mais pode ser relacionado apenas à formação teórica, como também o desempenho do aluno não mais pode ser considerado como uma simples questão de motivação e de esforços individuais. A escola atual tem uma ruptura com a escola do passado. Nesse sentido, a formação apenas na graduação, por seu caráter inicial, embora contribua sobremaneira na estruturação de um conjunto de concepções a respeito do conhecimento e dos processos de ensino e aprendizagem, não é mais suficiente para dar o preparo adequado ao professor, uma vez que este vive cercado de contingências, de solicitações variadas que requerem a sua constante atualização para lidar com as necessidades postas. Ludke (1994) em sua análise sobre a formação de professores no Brasil e, examinando algumas experiências em licenciaturas, indica a necessidade de se repensar o processo de formação do professor e as formas de articulação entre conteúdo e prática docente. Segundo a autora, a competência básica de todo e qualquer professor é o domínio do conteúdo específico, sem deixar de lado sua articulação com a área pedagógica. Nosso sistema escolar estruturou um modelo de formação, sequenciado e hierarquizado, que pressupunha a habilitação do indivíduo e o legitimava a atuar profissionalmente a partir do momento em que ele concluía a etapa última de sua preparação. Sem dúvida, essa noção de terminalidade está em crise, para dizer o mínimo, pois as mudanças introduzidas na sociedade alteraram, evidentemente, o modo de se atuar e de se relacionar com o trabalho a ser desenvolvido na atuação profissional. Há demandas insurgentes em intervalos de tempos cada vez mais reduzidos. As especificidades necessárias à prática profissional não cessam de se renovar. Os sistemas tradicionais de oferta de ensino cada vez apresentam mais dificuldades em cumprir seus propósitos formativos posto que eles se assentam em processos organizacionais e pedagógicos que já não respondem com eficácia às necessidades que surgem em profusão. Portanto, a terminalidade de qualquer formação profissional está profundamente abalada. Neste cenário, todas as iniciativas tomadas nas últimas duas décadas para Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 65-70, 2012 Formação profissional continuada: necessidade da prática do professor de matemática 69 a reforma da educação incorporaram a formação continuada como uma prioridade. Nas diretrizes emanadas dos setores responsáveis pela oferta da educação pública, a formação continuada dos professores mereceu destaque. Em todos eles há a observação, e também a recomendação, de que a formação continuada precisa se realizar em sintonia com as solicitações da prática profissional, isto é, o conhecimento a ser assimilado pelos formandos deve ter como inspiração a prática realizada, como ponto de partida, e a prática requerida, por vários critérios, como ponto de chegada. Neste sentido, as ofertas de preparação profissional não podem ser desvinculadas das demandas. Essas, para serem identificadas criteriosamente, precisam de investigações sistemáticas sobre todos os aspectos de atuação dos sistemas. As pesquisas acadêmicas, e mesmo outras, evidenciam que a formação continuada ainda trabalha com uma oferta superficial, tentando suprir conteúdos de conhecimento transmitidos de maneira unilateral, sem a devida inserção dos formandos. Os resultados até agora disponíveis mostram que, nesses moldes, a formação continuada pouco tem contribuído para alterar a prática profissional dos professores e tampouco tem melhorado a formação dos alunos que frequentam o ensino básico. Por sua natureza ainda pouco institucionalizada, abre-se um campo de pesquisa muito promissor para os estudos sobre os modos de se efetivar tal formação, partindo-se do princípio de que toda formação continuada deve estar assentada na prática profissional e que suas ofertas não podem prescindir da articulação entre as necessidades do sistema e as necessidades do sujeito em formação. Pode-se dizer, então, que a formação continuada tem assumido uma importância cada vez maior na nossa sociedade, sobretudo a formação continuada dos professores, posto que são eles ainda, institucionalmente, os responsáveis pela mediação entre o aluno e o conhecimento necessário para incluílo na sociedade contemporânea como cidadão. Mas também é fato que a formação continuada, no Brasil, ocorre de maneira pouco sintonizada com as mudanças da relação que se está estabelecendo entre o homem, sociedade e conhecimento. Os professores atualmente se deparam com múltiplas e complexas situações, que estão além de referenciais teóricos, científicos e técnicos, tendo que optar por outras formas de agir, construída a partir de suas reflexões, suas crenças, seus valores, saberes próprios e de suas experiências de vida. Assim, a formação deve estar articulada com as necessidades do professor e do sistema educacional para que possa ser veiculada à sua prática profissional. Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 65-70, 2012 70 Ferrarezi, L. A. ABSTRACT This research work had as objective identifies the mathematics participants’ of the Program of Formation Continued Tissue of the Knowledge teachers’ formative needs. The researched teachers belong to the area of Taquaritinga, jaboticabal and Catanduva. The lifted up data appear as the teachers’ main needs the learning of specific contents of mathematics with the purpose of teaching them and the appropriation of teaching methodologies adapted to the clienteles and the contents. In relation to original demands of the diversity of the students’ characteristics, the detected needs refer to the treatment with the indiscipline, to the approaches on the drugs, to the diseases sexually transmissible, pregnancy in the adolescence and violence. That note of needs can contribute with processes of continuous formation that indeed aid the teacher the best to locate in your professional task. KEYWORDS Teacher knowledge. Continuing education. Training needs. Mathematics. REFERÊNCIAS BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN): Matemática. Brasília: MEC/SEF, 1997. DAY, C. Desenvolvimento Profissional de Professores: os desafios da aprendizagem permanente. Porto: Portugal, 2001. FIORENTINI, D. Pesquisando com professores: reflexões sobre o processo de produção resignificação dos saberes da profissão docente. In: MATOS, J. F.; FERNANDES, E. Investigação Educação Matemática: perspectivas e problemas. Lisboa: APM, 2000. p.187-195 LUDKE, M. Formação de docentes para o ensino fundamental e médio: As Licenciaturas. Rio de Janeiro: CRUB, 1994. TARDIF, M. Saberes docentes e formação profissional. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002. Luciana Aparecida Ferrarezi Possui Graduação Matemática pelo Centro Universitário de Araraquara (1998), Mestrado em Educação Matemática pela UNESP Rio Claro (2005) e Doutorado em Educação Escolar pela UNESP Araraquara (2010). Atualmente, é Diretora das FATECs Taquaritinga e Catanduva, professora-autora e responsável pela área de Matemática Financeira do Curso de Processos Gerenciais em fase de implantação na modalidade de EAD do Centro Paula Souza. Membro da Agência INOVA Paula Souza. Membro da CPRJI Comissão Permanente de Regime de Jornada Integral do Centro Paula Souza. E-mail: [email protected] Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 65-70, 2012 METHODOLOGIES FOR CREATING ONTOLOGIES METODOLOGIAS PARA A CRIAÇÃO DE ONTOLOGIAS Marcus Rogério de Oliveira ABSTRACT Recording, transmitting and consulting the knowledge in computers with application of inferences and reasoning made by computerized agents requires knowledge structured in formals constructions and standardized constraints called Ontologies. The data representing the knowledge formalized in Ontologies must be organized in data structures with some software requirements. Many researchers have proposed and designed concepts, applications and tools for Ontologies with different requirements. This paper discusses a historical approach on ontology, its philosophical aspects and principles and addresses their main methodologies for creation. KEYWORDS Ontologies. Philosophy. Knowledge. Methodology. INTRODUCTION The knowledge must to be recorded, transmitted and consulted. The application of inferences and reasoning over the knowledge is the base for the evolution of all the Sciences. Because of this, the knowledge must be structured in formals constructions with standardized constraints. The Ontologies have this goal. Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 71-80, 2012 72 Oliveira, M. R. de Since Francis Bacon and Gottfried Leibniz, the intent of many philosophers and thinkers were to provide a language to disseminate ideas and to communicate without the natural ambiguities of the human language. As a consequent, the term Ontology was used for the first time in 1613, in an independent manner, by two Philosophers: Rudolf Göckel with his “Lexicon philosoficum” and Jacob Lorhard with his “Theatrum philosophicum” and, was definitively added to an English dictionary in 1721 (Bailey´s Dictionary) defined as “An account of being in the Abstract” (SMITH, et al., 2001). Today, the big deal of many researches, besides recording, transmitting and consulting the knowledge with the use of computers, is to apply inferences and reasoning on it with computerized agents. So, the history comes back again with Ontologies and many Computer Science researches have obtained yours inspirations in the late years of the philosophy and have tried to organize the knowledge using Ontologies in computers. Contributing to the convergence from Philosophy to Computer Science, Thomas Gruber, a research from Intelligence Artificial area, in 1993, defined ontology as “an explicit specification of a conceptualization” (GRUBER, 1993) and provided a vast explanation about it. Parallel to Gruber, Willian J. Clansey, a Knowledge Engineering research, in 1993, said that the knowledge is more appropriately represented by models and the models are not the knowledge by itself (CLANSEY, 1993). Ontologies are object of study of many areas. Nicola Guarino, in 1998, enumerated the following as areas with specific role for ontologies: Artificial Intelligence, Computational Linguistics, Database Theory and knowledge Engineering. As research field, the Ontologies, still according Guarino, are present in knowledge representation, qualitative modelling, language engineering, database design, information modelling, information integration, object-oriented analysis, information retrieval and extraction, knowledge management and organization and agent-based systems design. Concern to its use as applications, Ontologies have been applied in enterprise integration, natural language translation, medicine, mechanical, engineering, standardization of product knowledge, electronic commerce, geographic information systems, legal information systems, biological information systems (GUARINO, 1998). Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 71-80, 2012 Methodologies for creating ontologies 73 For all areas and applications that use ontologies in a computational environment, there is a common and fundamental feature inherent to the persistence aspect of the knowledge based on ontology: the need for methodology for ontology construction that must to respond adequately to the requisites of semantic and knowledge representation. 1. ONTOLOGY’S PRINCIPLES Present in many areas, as saw in the previous section, the term Ontology have different meanings. But its meanings tend to remain a common principle based on knowledge sharing. Guarino and Giaretta present the following interpretations for Ontology that are specific to its application area (GUARINO, et al., 1995): a) Ontology as a philosophical discipline: is the most general interpretation for the term and its meaning is related to the Aristotle concept in with ontology is the Science of the being as such; b) Ontology as an informal conceptual system: by this interpretation, Ontology is a conceptual system used to underly a specific knowledge base. Here, ontology has the intend of to be “not formal” in respect to the semantic level; c) Ontology as a formal semantic account: here, ontology is assumed to be the inspiration to a knowledge base and is expressed in terms of structures with the intend of to be formal at the semantic level; d) Ontology as a specification of a conceptualization: this interpretation was proposed recently by Gruber as shown in the previous section and will be discussed in detail later; e) Ontology as a representation of a conceptual system via a logical theory: here, ontology is considered to be a collection of assertions about something. In Logic, this is called Theory. So, Ontology is nothing else than a Logical Theory; f) Ontology as a vocabulary used by a Logical Theory: in this interpretation, the term Ontology is considered to be just a vocabulary used by Local Theory; g) Ontology as a meta-level specification of a Logical Theory: under this interpretation, Ontology is considered a specification of the architectural components used in a specific domain theory. The interpretation “d” is the most relevant to this paper. The other ones can Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 71-80, 2012 74 Oliveira, M. R. de be seen in details in (GUARINO, et al., 1995). Enumerated by Guarino and Giaretta, that interpretation is similar to the Gruber´s definition: Ontology is an explicit specification of a conceptualization (GUARINO, 1998). Fundamental to the validation of this definition, is the terms “explicit specification” and “conceptualization”. In a simplified way, a conceptualization is an abstract and simplified understanding of the world or of a domain of interest. According Genesereth and Nilsson (GENESERETH, et al., 1987), a conceptualization is the objects, concepts and others entities that are assumed to exist in some area of interest and the relationships among them. The shared knowledge queried by some kind of agent must be committed to some conceptualization. The term “explicit specification” represents the form in which the conceptualization becomes shared. To be explicit is to be precisely and clearly expressed or readily observable; leaving nothing obscure or implied. Specification is a detailed description expressed in some language or vocabulary. The definition made by Gruber and enumerated by Guarino and Giaretta, is very compatible with the premise utilized in this paper: “Ontology describes, characterizes, distinguishes, identifies and categorizes the entities of the world (like physical objects, peoples, events, places, documents, cells,…), using concepts, properties, qualities, states, roles, constraints and establishes the relationships between entities, categories and instances; all expressed by a formal language”. The computational purpose adopted in this paper is related to the persistent aspect of the Ontology and so, the definition given by Gruber is extended to attempt that purpose: “Ontology is an explicit specification of a conceptualization, persistent in computers and available for queries for some kind of agent”. This extended definition is the one in which the Database Group at Federal University of São Carlos have considered in their works with ontologies. In this aspect, Ontology can be considered as an application of the database system in with, not only the data is consulted, but the meaning of the data is considered during the consult. The schemas describe the data and the relations between the data. Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 71-80, 2012 Methodologies for creating ontologies 75 2. METHODOLOGIES FOR ONTOLOGY CONSTRUCTION There are several methodologies described in the literature for Design and Construction of ontologies. Some methodologies were built for some specific purpose, inside a specific project (like TOVE and CyC) and become widely considered in articles related to ontology construction. Others were specifically created for design purposes, but for some specific knowledge area, like Methondology that was created for the Chemical domain. All the methodologies, project or area specific driven, are developed over a motivation derived from the definitions and standardizations considered as a life cycle. These definitions and standardizations include since requirement definitions until tests and maintenance of the finished product and obey techniques that drive their development. 2.1. DESIGN CRITERIA FOR ONTOLOGY CONSTRUCTION One of the most important aspects related to ontologies is the design. The necessary phases to the creation of ontologies can be considered as an Ontology Life Cycle. As a life cycle, these phases should be outlined by some methodology. Uschold and King (USCHOLD, et al., 1995) say that a comprehensive methodology to create or develop ontology includes the stages: a) Purpose identification: is the definition of the ontology finality; is about why the ontology is necessary and what its users; b) Ontology Construction: includes ontology capture, ontology coding and ontology integration. The ontology capture is the identification of the domain of interest or the scope definition; the coding is the representation of the conceptualization in some formal language; the ontology integration is to determine the relationship between the ontology being created and the other already created; c) Evaluation: is about the quality of the ontology, derived from a technical judgment of it, its software and its documentation. In 2003, Corcho et al (CORCHO, et al., 2003) resumed the considerations about the several questions involving ontologies construction in three main aspects: the methods and methodologies to use; the tools that give support to the ontology development process and the language that supports adequately the representation of the conceptualization. Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 71-80, 2012 76 Oliveira, M. R. de Gruber (GRUBER, 1993), in a more general way, enumerates a set of design criteria to guide the design decisions for building formal ontologies. Gruber want say that, before to think in the life cycle, the ontology designer must to have in mind the following characteristics desirable in ontology: a) Clarity: all the defined terms should express their meaning in an unambiguous way; b) Coherence: all the inferences should be in harmony and agreement with the definitions; c) Extendibility: the designer must to consider that new facts may arise and the ontology must to be able to continue being applicable; d) Minimal encoding bias: encoding bias is the phenomenon associated to the problem in witch different agents are implemented in different representation system. The conceptualization must be represented without depending on a particular symbol encoding; e) Minimal ontological commitments: the ontology being designed must leave all its parts independent to extend, to specialize and instantiate. The terms defined by the ontology must be minimal, that is, they must be only the necessary to communicate the knowledge. 3. METHODOLOGIES FOR ONTOLOGY CONSTRUCTION 3.1. ENTERPRISE MODEL APPROACH Uschold and King (USCHOLD, et al., 1995), already cited in these paper, proposed a methodology based in their experience of developing the Enterprise Ontology consisting of following four approach: a) Purpose identification: is the definition of the level of formality in which the ontology should be described; b) Scope identification: is the specification of the problems that the ontology should solve, that is, the motivating scenarios; c) Formalization: is the use of some formal language to express the axioms and definition of the ontology; d) Formal evaluation: is the application of tests and analyses with the intent of to verify the competency questions. 3.2. TOVE Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 71-80, 2012 Methodologies for creating ontologies 77 The Tove methodology (GRUNINGER, et al., 1994) was created for specific purposes and based on experiences gained from the development of the Toronto Virtual Enterprise project. This methodology has the following approach: a) Motivating scenarios: are the problems that provide motives for the ontology construction; b) Ontology requirements: are the requisites that the ontology must meet; c) Specification of the terminology: is the formal description of the objects, relations and attributes of the ontology; d) Formal competency questions: the defined terminology is used to formalize the requirements of the ontology; e) Axiom specification: constructed using first-order logic, the axioms must be necessary and sufficient to denote or express the competency questions; f) Completeness theorem: is the definition of the conditions in which the competency questions are accomplished. 3.3. METHONDOLOGY Created by Gomes-Perez and Vicente (GOMES-PEREZ, et al., 1996), the Methondology has its principle based in the following activities related to the construction of ontologies: a) Specification: is the definition of the purpose and scope of the ontology expressed in natural language; b) Knowledge acquisition: it is the taking of knowledge from experts, texts and other sources using any elicitation method; c) Conceptualization: is the definition of the concepts, instances, relations and properties using a informal representation; d) Integration: is the effort to provide uniformity with the existing ontologies; e) Implementation: is the formal representation of the ontology expressed in some formal language; f) Evaluation: is the application of analyses and tests to verify inconsistencies, incompleteness and redundancies; g) Documentation: is the elaboration of documents for registering the actions and the results gained. Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 71-80, 2012 78 Oliveira, M. R. de 3.4. IDEF5 The objective of this methodology is to support not only the creation, but the modification and the maintenance of ontologies. The guidelines of the IDEF5 methodology are the following: a) Organization and scope definition: is the identification of the purpose and context of the ontology including objectives and requirements; b) Data collection: is the acquisition of the data needed for the development of the ontology. The data may be obtained by methods like interviews with experts and text analysis; c) Data analysis: is the definition of which elements of the data collection is necessary to be present in the ontology; d) Initial ontology development: is a prototype of the ontology in which the preliminary validations are made; e) Refinement and validation: is the application of tests with real data, that is, the instantiated data. CONCLUSION This paper presented a historical approach on Ontologies and addressed its philosophical aspects. It described the principles and the main methodologies for creation and representation of knowledge. After that, in a conclusive way, it can be observed that the creation of Ontologies is still an open problem. Although there are several methods of creating, there is no a single best solution neither a preferred approach. The choice for a methodology depends on the purpose of Ontology, the application in which the ontology will be used for and the real world aspects that the new ontology will be able to represent. Finally, the reader certainly had obtained a empirical evidence showing that the approach to representing and disseminating the knowledge is a effective role of the Ontologies. RESUMO A gravação, a transmissão e as consultas ao conhecimento armazenado em computadores com a aplicação de inferências e raciocínios feitos por agentes computadorizados requerem que o conhecimento esteja estruturado em construções formais chamadas Ontologias. Os dados Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 71-80, 2012 Methodologies for creating ontologies 79 que representam o conhecimento formalizado em Ontologias devem ser organizados em estruturas de dados que obedecem a um conjunto de requisitos. Muitos pesquisadores têm proposto e concebido conceitos, aplicações e ferramentas de ontologias com diferentes requisitos. Este artigo discute uma abordagem histórica sobre ontologias, seus princípios, seus aspectos filosóficos e ainda apresenta as principais metodologias para criação. PALAVRAS-CHAVE Ontologias. Filosofia. Conhecimento. Metodologia. REFERENCES CLANSEY, W. J. (1993). The Knowledge Level Reinterpreted: Modeling SocioTechnical Systems. Special issue of International Journal of Intelligent Systems . CORCHO, O., FERNANDEZ-LOPEZ, M., & GOMES-PEREZ, A. (2003). Methodologies, tools and languages for building ontologies: where is their meeting point? Data & Knowledge Engineering . GENESERETH, M. R., & NILSSON, N. J. (1987). Logical Foundations of Artificial Intelligence. San Mateo, CA: Morgan Kaufmann Publishers. GOMES-PEREZ, A., FERNANDEZ, M., & VICENTE, A. (1996). Towards a Method to Conceptualize Domain Ontologies. ECAI-96 Workshop on Ontological Engineering. GRUBER, T. R. (1993). A translation approach to portable ontologies. Knowledge Acquisition , pp. 5(2):199-220. GRUBER, T. R. (1994). Toward Principles for the Design of Ontologies Used for Knowledge Sharing. International Workshop on Formal Ontology . GRUNINGER, M., & FOX, M. (1994). The Design and Evaluation of Ontologies for Enterprise Engineering. Workshop on Implemented Ontologies, European Conference on Artificial Intelligence . GUARINO, N. (1998). Formal Ontology in Information Systems. Proceedings of FOIS’98 , pp. pp. 3-15. GUARINO, N., & GIARETTA, P. (1995). Ontologies and knowledge bases: towards a terminological clarification. Proceedings, Towards Very Large Knowledge Bases: Knowledge Building and Knowledge Sharing . SMITH, B., & WELTY, C. (2001). Ontology: Towards a new Synthesis. Proceedings of the international conference on Formal Ontology in Information Systems . USCHOLD, M., & KING, M. (1995). Towards a Methodology for Building Ontologies. IJCAI Workshop On Basic Ontological Issues In Knowledge Sharing. Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 71-80, 2012 80 Oliveira, M. R. de Marcus Rogério de Oliveira É professor da Faculdade de Tecnologia de Taquaritinga desde 1995 e professor de Graduação e Pós-Graduação da Uniara de Araraquara desde 2001. É formado em Bacharelado em Ciência da Computação e concluiu mestrado em Ciência da Computação na área de Banco de Dados pelo ICMC-USP. Defendeu doutorado em Biotecnologia na área de Ambientes Computacionais e Bancos de Dados para Proteômica pelo Biotec-UFSCar. Além da carreira acadêmica, é consultor de empresas em Sistemas e Internet e sócio proprietário de empresa de tecnologia.E-mail: [email protected] Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 71-80, 2012 USO DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO NO DIAGNÓSTICO EM MICROBACIAS HIDROGRÁFICAS PARA GERAR INFORMAÇÕES EM BANCO DE DADOS USE OF INFORMATION TECHNOLOGY IN THE DIAGNOSIS OF WATERSHEDS TO GENERATE INFORMATION IN DATABASE Maurício José Borges RESUMO A pesquisa foi desenvolvida com objetivo de realizar um diagnóstico em microbacia hidrográfica para gerar banco de dados, permitindo ao planejador desenvolver combinação de práticas para cada unidade mapeada. A microbacia do Córrego Palmital, Município Jaboticabal-SP, escolhida para estudo, localiza-se adjacente à cidade-sede. O diagnóstico da microbacia consistiu na elaboração de mapas georreferenciados com GPS e digitalizados em SIG – Geomedia. Concluiu-se que a microbacia Córrego Palmital é explorada majoritariamente pela cana-de-açúcar (87% da área total da bacia) enquanto áreas com vegetação natural (mata, capoeira e várzea) ocupam apenas 6% da área total da bacia, confirmando condição regional canavieira. A área total da bacia é 10.589 ha, sendo 236 ha em floresta, 466 ha em pastagem e 9.206 ha em agricultura. A integração das tecnologias SIG e GPS contribuíram para maior eficiência na confecção de mapas, gerando banco de dados que facilitaram realizar diagnóstico da microbacia do Córrego Palmital. PALAVRAS-CHAVE Fotointerpretação. Sistema de Informação Geográfica. Sistema de Posicionamento Global. Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 81-86, 2012 82 Borges, M. J. INTRODUÇÃO Experiências recentes em agricultura de precisão (MOLIN, 2001) apontam que a prática do gerenciamento por unidades de manejo, exige uma infraestrutura de base cartográfica. Em linhas gerais, um planejamento visando ao manejo sustentável inicia-se com a confecção de mapas da região e o traçado do limite das bacias hidrográficas. A integração das tecnologias de Sistemas de Informações Geográficas (SIG) e de posicionamento global por satélites (comumente expresso como Global Position System – GPS) possibilita aos usuários uma maior eficiência na capacidade de elaboração de análise, no gerenciamento e otimização dos trabalhos em todas as fases que integram atividades desenvolvidas no espaço geográfico (MONICO, 2000). A presente pesquisa foi conduzida tendo como um dos objetivos realizar um diagnóstico em microbacia hidrográfica para gerar informações em banco de dados, permitindo ao planejador desenvolver uma combinação de práticas para cada unidade de área mapeada. MATERIAL E MÉTODOS A área de estudo compreende a microbacia hidrográfica do Córrego Palmital, localizada no Município de Jaboticabal, na Região Administrativa de Ribeirão Preto, região Nordeste do Estado de São Paulo. O município de Jaboticabal ocupa uma área de 677,00 km2 (67.700 ha), apresenta uma população de 67.129 habitantes e tem o clima definido como “Cwa” (classificação de Köeppen), sendo subtropical mesotérmico, com verão úmido e inverno seco (JABOTICABAL, 2000). Fotografias aéreas verticais e cartas topográficas foram utilizadas como material básico para a elaboração dos mapas da área de estudo. As fotografias aéreas verticais, escala 1:30.000, são da coleção aerofotogramétrica de voos realizados na região de Ribeirão Preto no ano de 2000, pela BASE Aerofotogrametria e Projetos S/A. As cartas topográficas são da coleção de Cartas do Brasil (IBGE, 1971), em escala 1:50.000, de folhas SF22-XD-III-2 e 3, respectivamente, Quadrículas de Pitangueiras e Jaboticabal. Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 81-86, 2012 Uso da tecnologia da informação no diagnóstico em microbacias hidrográficas... 83 O levantamento de campo foi realizado pelo método semicinemático (MONICO, 2000), empregando-se o Sistema GPS Geodésico com pósprocessamento diferencial (DGPS). Receptores GPS TRIMBLE modelo 4.600 LS foram utilizados para georreferenciar os trabalhos de coordenação cartográfica. As posições dos 218 pontos em que os dados foram coletados foram estimadas num processamento posterior à coleta. O Programa GPSurvey foi utilizado para a correção diferencial dos dados obtidos no campo através dos receptores GPS. O Programa TDAT foi utilizado para transformação das coordenadas referenciadas ao Sistema Geodésico WGS-84 (utilizado pelo GPS) para o SGB – Sistema Geodésico Brasileiro – SAD-69. Posteriormente essas coordenadas foram transformadas para coordenadas plano retangulares segundo o sistema UTM – Universal Transverso de Mercator. O Programa Topograph foi utilizado para cálculos e desenhos de plantas topográficas. O Programa SIG – Geomedia (SISGRAPH, 1996/2000) foi utilizado para análise dos dados, mapeamento da área de estudo e geração das cartas temáticas. RESULTADOS E DISCUSSÃO A microbacia hidrográfica do Córrego Palmital apresenta uma área de 105,89 km2 (10.589 ha) e posição geográfica definida pelas latitudes 21º07’23”S e 21º14’24”S e longitudes 48º11’12”W Gr. e 48º21’51”W Gr. Os 218 pontos georreferenciados pelo Sistema DGPS (Tabela 1) foram locados no mapa base digital da microbacia hidrográfica do Córrego Palmital. (Figura 1). TABELA 1 - Pontos georreferenciados no Sistema GPS Geodésico com pós-processamento diferencial (DGPS), na microbacia do Córrego Palmital, Jaboticabal, SP. Descrição 1 2 3 4 5 Divisor topográfico Estrada asfaltada Rede de drenagem Marco de instalações Talhão amostrado* Total * Pontos coletados = 17 Número de pontos georreferenciados Individuais Sobrepostos Total 122 0 122 29 4 25 9 2 7 11 1 10 54 0 54 225 7 218 * Pontos estimados = 37 Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 81-86, 2012 84 Borges, M. J. FIGURA 1 - Cartografia básica – mapa base digital com os pontos georreferenciados na microbacia hidrográfica do Córrego Palmital, Jaboticabal, SP. A área de vegetação de várzea (Tabela 2 e Figura 2) compreende 4,8% da área total, estando associada à distribuição da rede de drenagem e apresentando maior largura nos últimos 8,56 km do curso d’água principal, correspondendo aos solos hidromórficos e ao segmento de maior vazão em direção à foz no Rio Mogi-Guaçu. As várzeas compreendem áreas de preservação permanente, porém, em diversos trechos, foi identificada a sua sistematização e a implantação de pastagem, descaracterizando o sistema de drenagem natural. TABELA 2 - Distribuição dos principais usos/ocupação dos solos da microbacia hidrográfica do Córrego Palmital, Jaboticabal, SP (FOTOS 2000). Uso/ocupação do solo Várzea Remanescente florestal (mata e capoeira) Eucalipto Frutífera arbórea Campo sujo Campo limpo Cana-de-açúcar Solo com palhada Solo exposto Estrutura urbana Açude/represa Total Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 81-86, 2012 ha 507 152 84 31 16 450 5.453 1.186 2.567 22 121 10.589 % parcial 4,8 1,4 0,8 0,3 0,2 4,3 51,5 11,2 24,2 0,2 1,1 100,0 % acumulada 4,8 6,2 7,0 7,3 7,5 11,8 63,3 74,5 98,7 98,9 100,0 Uso da tecnologia da informação no diagnóstico em microbacias hidrográficas... 85 FIGURA 2. Uso/ocupação do solo da microbacia hidrográfica do Córrego Palmital, Jaboticabal, SP (FOTOS 2000). Do total da área da microbacia, a várzea ocupa 4,8%, os remanescentes florestais (mata e capoeira) 1,4%, as pastagens (campo limpo e campo sujo) 4,5%, a cana-de-açúcar 51,5%, o solo com palhada 11,2%, o solo exposto 24,2%, a infraestrutura urbanizada 0,2% e as represa/açude 1,1%. A soma das áreas de cana-de-açúcar, de solo exposto e de solo com palhada corresponde a 86,9% da área total da bacia, confirmando a condição regional de monocultura canavieira. Do total da área da microbacia as formações vegetais de ocorrência natural (mata, capoeira e vegetação de várzea) ocupam 6,2%, as atividades de natureza agrícola (eucaliptal, frutífera arbórea, campos, culturas, solo exposto e solo com palhada) ocupam 92,4% e as áreas com infraestrutura urbanizada e represa/açude os restantes 1,4%. A área total da bacia é de 10.589 ha, sendo 236 ha em floresta, 466 ha em pastagem e 9.206 ha em agricultura. CONCLUSÕES A integração das tecnologias de Sistemas de Informações Geográficas (SIG) e de posicionamento global por satélites (comumente expresso como Global Position System – GPS) contribuíram para uma maior eficiência na confecção de mapas, gerando informações em banco de dados que facilitaram realizar um diagnóstico da microbacia hidrográfica do Córrego Palmital, Jaboticabal, SP. Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 81-86, 2012 86 Borges, M. J. ABSTRACT This research was developed in order to make a diagnosis in the catchment to generate information in the database, allowing the planner to develop a combination of practices for each unit of the mapped area. The watershed of the stream Palmital, in jaboticabal, SP, chosen for this study, is located adjacent to the city of jaboticabal. The diagnosis of the watershed consisted of mapping geo-referenced to global navigation system (GPS) and digitized in a geographic information system (GIS - Geomedia). It was concluded that the Palmital Creek watershed is mostly exploited by the culture of sugar cane (87% of the total area of the basin), while areas with naturally occurring vegetation (forest, scrub and vegetation on the floodplain) occupy only 6% of the total area of the basin, confirming the condition of regional sugarcane monoculture. The total area of the basin is 10,589 ha, 236 ha of forest, 466 ha of grassland and 9,206 ha in agriculture. The integration of GIS technologies and GPS contributed to greater efficiency in making maps, creating information in a database that facilitated a diagnosis of watershed stream Palmital, jaboticabal, SP. KEYWORDS Photointerpretation. Geographic information system. Global position system. REFERÊNCIAS IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia. Departamento de Cartografia. Carta do Brasil: Jabuticabal, Taiúva e Pitangueiras. São Paulo: Instituto, 1971. Escala 1:50.000. JABOTICABAL. Ante-Projeto de Lei Complementar: revisão do Plano Diretor de Jaboticabal. Jaboticabal, 2000. 173p. MOLIN, J. P. Agricultura de Precisão – O gerenciamento da variabilidade. Piracicaba: o autor, 2001, 83 p. MONICO, J.F.G. Posicionamento pelo NAVSTAR-GPS : descrição, fundamentos e aplicações. São Paulo : Editora UNESP, 2000. 287p. SISGRAPH. Software para processamento de imagem e geoprocessamento (Geomedia Professional Versão 4.0). Copyright, Intergraph Corporation, 1996/2000. Maurício José Borges Engenheiro Agrônomo graduado pela Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Universidade Estadual Paulista (FCAV/UNESP), Jaboticabal-SP; 1984. Mestre em Conservação e Manejo de Recursos, do Centro de Estudos Ambientais (CEA/UNESP), Rio Claro-SP; 2001. Doutor em Agronomia (Produção Vegetal), FCAV/UNESP, Jaboticabal-SP; 2005. Professor do Curso Superior de Tecnologia em Agronegócio da Faculdade de Tecnologia de Taquaritinga – FATEC-TQ, Taquaritinga, SP, atuando nas áreas de Agricultura de Precisão, Biocombustíveis, Associativismo e Cooperativismo, e Meio Ambiente. Engenheiro Agrônomo da Prefeitura Municipal de Jaboticabal-SP, atuando nas áreas Agricultura, Silvicultura, Abastecimento, Saneamento, Meio Ambiente, Educação Ambiental e Parques e Jardins. PRINCIPAIS AREAS DE ATUAÇÃO: Agricultura; Silvicultura; Manejo Florestal; Agricultura de Precisão; Topografia; Geografia; Cartografia e Mapeamentos; Ciência do Solo e da Água; Manejo de Resíduos; Conservação e Manejo de Recursos em Bacias Hidrográficas; Ecologia; Meio Ambiente; Educação Ambiental; Plano Diretor; Planejamento Urbano e Rural. E-mail: [email protected] Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 81-86, 2012 A LEITURA EM FOCO: BREVE ANÁLISE DE UMA COMPLEXA E INTRIGANTE HABILIDADE LINGUÍSTICA READING ON FOCUS: BRIEF ANALYSIS OF A COMPLEX AND INTRIGUING LANGUAGE SKILL Mirela de Lima Piteli RESUMO É senso comum entre educadores e pesquisadores da área educacional o fato de que a leitura é a causa de incontáveis problemas de aprendizagem, em qualquer área de conhecimento. Se tal situação ainda se faz presente em nossas instituções de ensino, temos aí um forte indício da necessidade de se conhecer e compreender a natureza e especificidades dessa complexa habilidade linguística. Assim, o objetivo deste artigo é apresentar um breve panorama das principais concepções de leitura encontradas na literatura, destacando sua peculiaridades, aspectos positivos e limitações, sempre estabelecendo relações com o processo de ensino e aprendizagem do ato de ler. PALAVRAS-CHAVE Leitura. Língua estrangeira. Processamento de informações. INTRODUÇÃO É possível constatar, em nossas escolas, que o tratamento dado ao texto em sala de aula se restringe à execução de tarefas repetitivas e desmotivadoras as quais, em sua maioria, falham em estimular um trabalho mental mais Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 87-94, 2012 88 Piteli, M. de L. elaborado e, como consequência, a atividade da leitura fica limitada ao reconhecimento de formas linguísticas e à busca de informações explícitas e já prontas no texto Se tal situação ainda é corrente nas aulas de língua materna (LM), quanto mais em uma situação de língua estrangeira (LE), na qual a competência linguística fica comprometida (SCARAMUCCI, 1999). Segundo Kleiman (1992), o ensino de leitura é fundamental para dar solução a problemas relacionados ao pouco aproveitamento escolar. Assim, a leitura deve ser vista não apenas como um conteúdo a mais a ser ensinado, mas em toda a sua abrangência, utilidade e funcionalidade, seja ela em LM ou LE uma vez que constitui uma das habilidades comunicativas que conduz ao engajamento discursivo do aluno. De acordo com Celani (1995), uma das principais justificativas sociais para a aprendizagem de LE no Brasil, especialmente o inglês, está relacionada ao seu uso como instrumento de leitura (op. cit). Nessa perspectiva, a leitura corresponde não somente à habilidade de reconhecer orações e seus significados enquanto elementos linguísticos, como também à capacidade de reconhecer como elas funcionam enquanto partes de um discurso. De maneira mais sucinta, a leitura seria um tipo de aquisição pela qual o discurso é criado na mente por um processo racional. Essas e outras questões são abordadas nessa breve revisão biliográfica acerca da natureza do processo de ler. PRINCIPAIS CONCEPÇÕES DE LEITURA As investigações acerca do processo de leitura tiveram grande desenvolvimento a partir dos anos 70. Segundo Carrell (1995), os primeiros estudos sobre leitura em segunda língua (L2), mais especificamente em inglês como L2, assumiam uma visão um tanto passiva desse tipo de atividade. Até a década de 70, ler em L2 “era visto, primordialmente, como um processo decodificador de reconstrução do sentido pretendido pelo autor feito através do reconhecimento de letras e palavras impressas (...)” (CARRELL, 1995, p. 2)1. Nesse modelo de decodificação, o sentido é inerente ao texto, considerado fonte única de sentido, e envolve uma concepção estruturalista, logocêntrica da linguagem (MOITA LOPES, 1996). A leitura é, pois, reduzida a uma habilidade passiva, receptiva na qual espera-se que o leitor decodifique ___________________________________ 1 No original: “(…) was viewed primarily as a decoding process of reconstructing the author’s intended meaning via recognizing the printed letters and words (…)”. Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 87-94, 2012 A leitura em foco: breve análise de uma complexa e intrigante habilidade linguística 89 o significado de cada palavra, tornando-se, assim, um receptáculo de um saber contido no texto (CORACINI, 1995). O fluxo de informações é visto de um só prisma, isto é, a leitura envolve exclusivamente o processamento de informações do tipo bottom-up ou ascendente (do texto para o leitor). Tal processamento ascendente, preconizado nos modelos estruturalistas de leitura, faz uso linear e indutivo das informações visuais lingüísticas, e sua abordagem é “composicional, isto é, constrói o significado através da análise e síntese do significado das partes” (KATO, 1995, p. 50). Diversos teóricos teceram críticas a essa concepção de leitura afirmando, principalmente, que o modelo decodificador era inadequado como um modelo do processo de leitura porque subestimava a contribuição do leitor; ele falhava em reconhecer que os alunos utilizam suas expectativas sobre o texto baseados em seu conhecimento de língua e de como esta funciona. Assim, diante das inadequações desse modelo decodificador, especialistas em leitura em L2 começaram a enxergar a leitura como um processo ativo no qual o leitor em L2 passa a ocupar a posição de processador ativo de informações, ou seja, alguém que faz predições enquanto lida com o texto (CARRELL et. alii, 1995). Assim, já no final da década de 70, começaram a surgir teorias cujo foco de atenção deslocou-se do texto para o leitor. Nessa perspectiva, como já mencionado, o leitor é participante ativo do processo de leitura, fazendo predições e processando informações com base em suas experiências anteriores com a língua. Além disso, o conhecimento linguístico que o leitor já traz consigo (seu “esquema” linguístico2), bem como seu conhecimento prévio acerca do assunto (“esquema” de conteúdo) e da estrutura retórica do texto (“esquema” formal) influem de forma direta na leitura (CARRELL, 1995). Aliás, nessa perspectiva, a aquisição de conhecimento e a compreensão de um texto só é possível a partir da ativação dos esquemas, que são “redes de informação armazenadas no cérebro as quais funcionam como filtros para a informação nova”3 (ALDERSON, 2000, p. 17). Embora seja abstrata e bastante abrangente, a teoria dos esquemas pode servir de base para a compreensão do processo de leitura, pois é uma teoria sobre o conhecimento, ou seja, ela procura descrever como o conhecimento é representado na mente e como essa representação facilita o uso do conhecimento de maneira particular. Esse conhecimento seria, ___________________________________ 2 No original: “schemata” (op. cit.) 3 No original: “(…) networks of information stored in the brain which act as filters for incoming information”. Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 87-94, 2012 90 Piteli, M. de L. portanto, armazenado em unidades, os esquemas, as quais direcionam o seu próprio uso. Vê-se, nessa concepção de leitura, que o processamento de informações dá-se, predominantemente, de maneira descendente ou top-down, ou seja, é uma visão de leitura que privilegia a ação do leitor e teve grande influência dos modelos de aprendizagem da psicologia cognitivista e da psicolinguística, “ciência interdisciplinar que se preocupa com a interrelação entre pensamento e linguagem” (GOODMAN, 1995, p. 11). Nela “a leitura não envolve apenas o input visual, mas também informações não-visuais, do universo cognitivo do leitor” (KATO, 1995, p. 80). Aliás, o leitor só é capaz de predizer ou levantar hipóteses sobre o que ele irá encontrar no texto porque há uma interação das pistas visuais com o conhecimento armazenado em sua memória. Essa perspectiva de leitura preconizada pelos modelos psicolinguísticos, a qual superprivilegiava a competência do leitor em detrimento da forma linguística, manteve-se até o início dos anos 80, quando começou a ser questionada por teóricos que apontaram limitações nesse modelo especialmente para leitores não fluentes, como no caso dos aprendizes de língua estrangeira (LE) (GRABE, 1995). Uma das maiores críticas às teorias psicolinguísticas dos esquemas incide sobre o fato de que elas não levam a definições explícitas ou predições acerca dos processos de compreensão, embora tenham fornecido um grande incentivo às pesquisas sobre os produtos da compreensão de leitores de ambas LM e L2 (ALDERSON, 2000). Braga e Busnardo (1993) ressaltam que, a partir dessas discussões, a questão da importância do conhecimento linguístico prévio para a compreensão dos textos em LE passa a ser recolocada uma vez que a confiança excessiva no processamento descendente podia promover construções inadequadas de sentido (CARRELL, 1995). Eskey e Grabe (1995) compartilham dessa opinião ao afirmar que a boa leitura depende muito do conhecimento linguístico e ainda destacam que a causa mais comum da dependência excessiva do processamento descendente para se chegar à compreensão de um texto é a falta de conhecimento específico das estruturas da LE para se utilizar no momento do processamento de informações. Com base nessas constatações e na ampliação das pesquisas sobre esquemas, surge uma nova orientação para os estudos da leitura: a visão interativa. Nessa nova perspectiva, ambos os tipos de processamento de informações, ascendentes e descendentes, coexistem de forma integrada Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 87-94, 2012 A leitura em foco: breve análise de uma complexa e intrigante habilidade linguística 91 e se complementam na leitura, a qual passa a ser vista como um processo dinâmico e interativo, um diálogo estabelecido entre o leitor e o autor, através do texto. Cabe, agora, ao leitor, acionar seus conhecimentos prévios (de mundo e linguístico) e confrontá-los com os dados do texto para construir significado. Em outras palavras, o leitor deve formular suas idéias, predizer, estabelecer suas hipóteses e buscar confirmação nas marcas linguísticas, formais do texto. Para que haja leitura eficiente e efetiva (seja ela em LM ou L2), ambas as estratégias descendentes e ascendentes devem operar interativamente. Assim, a leitura é vista como um tipo de diálogo, uma interação entre o leitor e o texto (CARRELL, 1995; GRABE, 1995). Essa visão interativa de leitura, a qual não privilegia um tipo de processamento em detrimento ao outro, é defendida por outros teóricos da área, tais como Cavalcanti (1989), Kato (1995) e Kleiman (1989). As três autoras também defendem a idéia de que o leitor pode usar informações prévias para levantar suas hipóteses, mas é necessário que essas hipóteses sejam confirmadas na estrutura linguística, caso contrário, a compreensão poderá ficar comprometida. Aliás, o conhecimento linguístico desempenha um papel central no processamento do texto (KLEIMAN, 1989 ). Entendese por processamento a “atividade pela qual as palavras, unidades discretas, distintas, são agrupadas em unidades ou fatias maiores, também significativas, chamadas constituintes da frase” (op. cit, p, 14). Assim, à medida que as palavras são percebidas, a nossa mente está ativa, ocupada em construir significados. No que diz respeito ao posicionamento do leitor frente ao texto, Kato (1995) aponta para a importância do leitor construtor-analisador, ou seja, aquele que faz uso apropriado de ambos os processamentos de informação, os quais são utilizados de modo complementar. A leitura é, portanto, vista como uma interação entre leitor e texto, “sem privilegiar ou depreciar o valor dos dados linguísticos, que teriam, entre outras, uma função restritiva em relação ao uso excessivo de predições” (KATO, op. cit, p. 67). Kleiman (op. cit), reforçando esse aspecto interativo da natureza da leitura, afirma que a construção do sentido de um texto só é possível a partir da interação de diversos níveis de conhecimentos, tais como o linguístico, o textual e o de mundo. Estabelecendo uma relação entre essa teoria e a prática do professor de LE, podemos nos apoiar em Braga e Busnardo (1993), as quais chamam a atenção para o fato de que o aluno, na sala de aula de leitura em LE, lê textos para aprender a L-alvo, e não apenas para compreender seu Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 87-94, 2012 92 Piteli, M. de L. sentido. Para esse aluno, segundo as autoras, a explicitação de questões metalinguísticas e metacognitivas pode ajudar a acelerar o processo de aprendizagem da LE. No caso de leitores iniciantes e falsos iniciantes de LE, como por exemplo, alunos de ensino regular que nunca frequentaram escolas de idiomas, o pouco (e muitas vezes inadequado) conhecimento prévio das diferentes normas que regem a L-alvo torna insuficiente o apoio pedagógico no processamento descendente isoladamente. Tais aprendizes necessitam, portanto, de orientação para que desenvolvam estratégias que os auxiliem na construção de sentido em ambos os processamentos ascendente e descendente. Braga e Busnardo (1993) sugerem que o professor deve propor atividades que tornem seus alunos mais conscientes acerca da natureza interativa da leitura, ou seja, atividades que mostrem ao aluno a importância tanto do seu conhecimento prévio de mundo como das informações veiculadas pelo texto. CONSIDERAÇÕES FINAIS Como pode ser observado, o ato de ler não está voltado apenas para a utilização de determinadas categorias linguísticas ou para o uso de habilidades cognitivas isoladas. Na verdade, essa visão de leitura demanda, do leitor, a consciência e o controle quanto aos processos cognitivos necessários para que ele possa utilizar recursos linguísticos e extralinguísticos na interpretação de um texto. A leitura, tanto em LM com em LE, deve ser concebida como um processo interativo caracterizado por dois tipos de interação: 1) entre os níveis de processamento ascendente e descendente por parte do leitor ao longo da construção de significado e 2) entre autor e leitor enquanto interlocutores determinados “pelo contexto num processo que se institui na leitura” (KLEIMAN, 1989, p. 39). Diante isso, é inevitável concluir que, ao professor que se proponha a trabalhar com textos, cabe a função de desenvolver, nos alunos, a consciência crítica de que a leitura é uma ferramenta que ajuda o indivíduo a interagir com o mundo (FAIRCLOUGH, 1989), seja ela realizada em LM ou em qualquer LE. ABSTRACT It is common sense among educators and educational researchers the fact Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 87-94, 2012 A leitura em foco: breve análise de uma complexa e intrigante habilidade linguística 93 that reading is the cause of countless learning problems in any field of knowledge. If such a situation is still present in our educational institutions, then we have a strong indication of the need to know and understand the nature and specificities of this complex language skill. Thus, the objective of this paper is to present a brief overview of the key concepts of reading in the literature, highlighting their peculiarities, strengths and limitations, always establishing relations with the teaching and learning process of the act of reading. KEYWORDS Reading. Foreign language. Data processing. REFERÊNCIAS ALDERSON, J. C. Assessing reading. Cambridge: Cambridge University Press, 2000. BRAGA, D. B.; BUSNARDO, J. Metacognition and foreign language reading: fostering awareness of linguistic form and cognitive processes in the teaching of language through text. Lenguas Modernas, v. 20, 1993. CARRELL, P. L. Second language reading: reading ability or language proficiency? Applied Linguistics, v. 12, n. 2, p. 159-179, 1991. CARRELL, P. L.; DEVINE, J.; ESKEY, D.E. (orgs.) Interactive approaches to second language reading. 6. ed. Cambridge: Cambridge University Press, 1995. CARRELL, P. L. Schema theory and ESL reading pedagogy. In: CARRELL, P.L.; DEVINE, J.; ESKEY, D.E. (orgs.) Interactive approaches to second language reading. 6. ed. Cambridge: Cambridge University Press, 1995. CAVALCANTI, M. C. Interação leitor e texto. Campinas: Editora da UNICAMP, 1989. CELANI, M. A. A. A Integração político-econômica do final do milênio e o ensino de língua(s) estrangeira(s) no 1º e 2º Graus. Trabalho apresentado na 47ª Reunião da SBPC, 1995. CORACINI, M. J. Leitura: decodificação, processo discursivo? In: ___. O jogo discursivo na aula de leitura: língua materna e língua estrangeira. Campinas: Pontes, 1995. FAIRCLOUGH, N. Language and power. Londres: Longman, 1989. GOODMAN, K.S. The reading process. In: CARRELL, P.L.; DEVINE, J.; ESKEY, D.E. (orgs.) Interactive approaches to second language reading. 6. ed. Cambridge: CUP, 1995. GRABE, W. Reassessing the term “interactive”. In: CARRELL, P.L.; DEVINE, J.; ESKEY, D.E. (orgs.) Interactive approaches to second language reading. 6. ed. Cambridge: CUP, 1995. KATO, M. O aprendizado da leitura. 4.ed. São Paulo: Martins Fontes, 1995. KLEIMAN, A. Leitura: ensino e pesquisa. Campinas, SP: Pontes, 1989. ______. Texto e leitor: aspectos cognitivos da leitura. Campinas, SP: Pontes, 1992. MOITA LOPES, L. P. Oficina de linguística aplicada: a natureza social e educacional dos processos de ensino/aprendizagem de línguas. Campinas: Mercado de Letras, 1996. Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 87-94, 2012 94 Piteli, M. de L. PITELI, M. L. A leitura em língua estrangeira em um contexto de escola pública : relação entre crenças e estratégias de aprendizagem. São José do Rio Preto, 2006, 208f. Dissertação (Mestrado em Estudos Linguísticos)- Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”. SCARAMUCCI, M. R. Vestibular e ensino de língua estrangeira (inglês) em uma escola pública. Trabalhos em Linguística Aplicada. Campinas- SP, v. 34, p. 07-20, 1999. Mirela de Lima Piteli Possui graduação em Letras - habilitação em Português e Inglês pela Universidade Federal de São Carlos - UFSCar e mestrado em Estudos Linguísticos pela Universidade Estadual Paulista - UNESP (São José do Rio Preto). Atualmente é docente de Língua Inglesa da Faculdade de Tecnologia de Taquaritinga (FATEC-Tq), onde atua nos Cursos Superiores de Tecnologia em Agronegócio, Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Produção Industrial e Sistemas para Internet. Tem experiência docente nas áreas de Linguística Aplicada e Língua Inglesa, Educação Básica (Ensino Fundamental e Médio), Ensino Superior e pós-graduação, com atuação nos seguintes temas: língua inglesa, formação de professores, ensino e aprendizagem de línguas e metodologia científica.Possui experiência em Educação a Distância, lidando com Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA - Moodle). E-mail: mirela. [email protected] Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 87-94, 2012 Theoretical and Experimental Procedures in Design of the Pulse-forming Network for Driving Power Magnetron Valve Procedimentos Teórico e Experimental no Projeto de uma Linha Formadora de Pulsos para Operação de uma Válvula Magnetron de Potência Nivaldo Carleto ABSTRACT Theoretical and experimental procedures to design a pulse-forming network (PFN) have been developed in order to drive a high power magnetron. The theoretical pulse-forming network design approach is based on the Guillemin network synthesis theory. The networks obtained using this approach were numerically simulated to supply 9kV and 0.7 µs pulses at 2kHz of pulse recurrence frequency (PRF) to 31W impedance level. An experimental setup was assembled to verify the performance of a PFN and the obtained results of the experiment are shown and discussed in this work. Keywords Pulse-forming network. Guillemin network. Valve magnetron. Introduction Pulsed microwave magnetrons require the use of pulse generators that are Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 95-102, 2012 96 Carleto, N. capable of producing a train of pulses of very sharp and short duration. The most important parameters of pulse generators are pulse width, pulse power, average power, pulse recurrence frequency (PRF), duty ratio, and impedance level. The pulse generators can be also divided in two types: those in which only a small fraction of the stored electric energy is discharged into the load during a pulse, called “hard-tube pulsers”, and those in which all of the stored energy is discharged during each pulse, called “line-type pulsers”. In this last, the energy-storage device is essentially a lumped-constant transmission line. Since this component of the line-type pulser serves not only as source of the electric energy during the pulse, but also as the pulse-shaping element, it became commonly known as pulse-forming network (PFN). (GLASOE; LEBASCQZ, 1948). The PFN in a line-type pulser consists of a set of inductors and capacitors which may be put together in any one of a number of possible configurations. The configuration chosen for a particular purpose depends on the ease which the network can be fabricated, as well as, on the specific pulser characteristic desired. The theoretical basis for calculate the values of the inductance and capacitance elements of various networks are given in this paper. (GLASOE; LEBASCQZ, 1948; GUILLEMIN, 1953). In this work, it is reported some results of PFN performance that has been developed to be used in a driving magnetron circuit. The PFN features are: 31W of impedance level, 2kHz of PRF, 0.7ms of pulse duration, and 11.4 nF of total energy-storage capacitance. 1. Theory Fundamentation The technique used by Guillemin´s theory on design of the PFN is based on the Fourier series expansion of the desired output pulse. The trigonometric Fourier series for the rectangular pulses, suitable to drive a magnetron contains only odd terms, and it may be found by: , (1) where i(t) is the electric current pulse, v represent the terms odd of the series, t is the pulse duration and bv are the coefficients which determine the amplitude of the pulse. Each term of the Fourier series at (1) consists of a sinuidal wave at each section of the PFN, and the electric current pulse can also be written as: , Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 95-102, 2012 (2) Theoretical and experimental procedures in design of the pulse-forming network... 97 where, VN, Lv, and Cv denote the PFN voltage, the inductance and the capacitance, respectively. These parameters may be determined by: , (3) and (4) The resulting network is shown in Fig. 1, known as the type-C Guillemin network, and consists of a series of resonant LC elements connected in parallel. (GLASOE; LEBASCQZ, 1948). Figure 1 – PFN type-C derived by Fourier-series analysis. Source: GUILLEMIN (1953) and GLASOE; LEBASCQZ (1948). . For a four section network type-C, the function impedance ZC(s) can be written as: . (5) where ai and bj are the polynomials coefficients. The PFN type-C is inconvenient for practical use, because the inductances have appreciable distributed capacitance and capacitors have a wide range of values which makes the manufacture difficult and expensive. Therefore, it is desirable to devise equivalent networks that have different ranges of values for capacitance and inductance. For instance, using the Foster’s theorem, the admittance function for network of Fig. 1 may be written, by inspection, by means of: . (6) or . (7) The function Z(s) may then be expanded in partial fractions about its poles, and an expression of the following form is obtained as: . (8) Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 95-102, 2012 98 Carleto, N. For a four section network, Z(s) can be written as: , (9) where Kn are the residues of ZA(s), wn are the resonance frequencies, and A0 is a constant. Equation (9) represents the impedance function for the network of Fig. 2. Figure 2 – PFN type-A derived by Foster’s theorem. Source: GUILLEMIN (1953) and GLASOE; LEBASCQZ (1948). . Thus, C0 is equal to the sum of the Cv’s shown Fig. 1, and L2n is equal to inductance of all the Lv’s in parallel. One additional form of physically realizable network may be found making continued-fraction expansion of the reactance or admittance functions and identifying the coefficients thus obtained with network elements. This procedure is known as Cauer’s theorem and represents a ladder network (10), resulting in the type-B Guillemin network, shown in Fig. 3. This PFN correspond the transmission-line equivalent. (GLASOE; LEBASCQZ, 1948). The (10) means a series arms expressed as impedances and the shunt arms as admittances. (MUSOLINO; RAUGI; BERNARDO, 1997; KUO, 1966). , (10) Figure 3 – PFN type-B derived by Cauer’s theorem. Source: GUILLEMIN (1953) and GLASOE; LEBASCQZ (1948). Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 95-102, 2012 Theoretical and experimental procedures in design of the pulse-forming network... 99 The essential PFN obtained by canonical network forms is the type-D of the Guillemin shown in Fig. 4, which has equal capacitances. In term of the manufacture, it is desirable because the capacitors for high voltage networks are difficult item to manufacture. The negative inductances are due to compensate the modified values of the capacitances of the PFN type-C. Figure 4 – PFN type-D having equal capacitances and negative inductances. Source: GUILLEMIN (1953) and GLASOE; LEBASCQZ (1948). The negative inductances, Fig. 4, can be realized physically by use of the mutual inductance concept (Fig. 5) known as network type-E of the Guillemin. This PFN is pratical because all the inductances may be provided by single winding coil, and the capacitors may be tapped in at proper points. To find the values of inductances the PFN type-E, it is used the procedure below. (GLASOE; LEBASCQZ, 1948). For instance, for a PFN type-E of the four sections: , (19) where LE1, LE2, LE3 and LE4 are inductances of the type-E. Figure 5 – PFN type-E having equal capacitances and mutual-inductances. Source: GUILLEMIN (1953) and GLASOE; LEBASCQZ (1948). Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 95-102, 2012 100 Carleto, N. 2. Material and Methods In order to investigate the characteristics of the PFN voltage-fed, a computer code to simulate the behavior of the circuits shown in Figs. 1 to 5 was developed. The circuit analysis was carried out using the state variables approach. So, the state equations for the type-A, B, C, D and E PFNs, written using the inductor currents and the capacitor voltages as state vector elements. The system was integrated using a fourth order Runge-Kutta algorithm and the computer code was written in Turbo Pascal 1.5 programming language. (PRESS et al. 1990; CARNAHAN; LUTHER; WILKES, 1972; DESOER; KUH, 1985). The output of 0.7µs and 11.4 nF PFN was connected to a 31Ω resistive load RL and the output pulse waveforms was obtained for a charging voltage of 9kV input. The output pulses obtained by simulation of four sections LC of PFN type-A and B with a resistive load RL are shown in Figs. 6 and 7, respectively. 3. Results and Discussion Figure 6 – Waveform pulse output of the type-A network with four-sections LC. Source: Developed by author (2012). Figure 7 – Waveform pulse output of the type-B network with four-sections LC. Source: Developed by author (2012). The results show that networks designed to simulate a lossless transmission line have some limitations. This is evident by overshoots near of the beginning of the pulse and the oscillations during the pulse. This effect is due the first four odd terms of a rectangular pulse Fouries series in the synthesis procedure. In order to verify the accuracy of the PFN simulated, an experimental set-up shown in Fig. 8 was assembled. The output waveforms, voltage and currents pulses, in a 31 W matched load in Fig. 9. These conditions are relevant to magnetron modulator design. The waveforms were recorded using an oscilloscope Tektronix TDS-210 connected to a computer. Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 95-102, 2012 Theoretical and experimental procedures in design of the pulse-forming network... 101 Figure 8 – Experimental assembling used for PFN performance measurements. Source: Developed by author (2012). Figure 9 shows a good agreement between the theoretical and experimental results and the matching impedance can be observed between the PFN type-E and the resistive load. Figure 9 – The output waveforms, voltage and current pulses, in a 31Ω matched load. Source: Developed by author (2012). Conclusions In this work the performance of five types of PFNs were simulated and investigated. The theoretical investigation was conducted using the Guillemin synthesis network theory and the state variable approach. The resulting equation differential system was integrated using a fourth order Runge-Kutta algorithms. A test circuit modulator based on the theoretical of PFNs was Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 95-102, 2012 102 Carleto, N. assembled and the results shown that it are suitable to driving high power magnetron. The networks obtained using this approach were numerically simulated to supply 9kV and 0.7 µs pulses at 2kHz of pulse recurrence frequency (PRF) to 31W impedance level. RESUMO Procedimentos teóricos e experimentais para projetar uma linha formadora de pulsos vêm sendo desenvolvidos para operar válvulas magnetrons de potência. O projeto teórico de uma linha formadora de pulsos é baseado na síntese teórica da rede de Guillemin. As redes obtidas neste trabalho utilizaram simulação numérica com fonte de 9kV, pulsos com largura de 0,7µs com frequência recorrente (PRF) de 2kHz e impedância de 31Ω. Um aparato experimental foi construído para verificar o desempenho da PFN e os resultados obtidos são discutidos e apresentados neste trabalho. PALAVRAS-CHAVE Linha formadora de pulsos. Redes de Guillemin. Válvula magnetron. REFERENCES CARNAHAN, B.; LUTHER, H. A.; WILKES, J. O. Applied numerical methods. New York: John Wiley & Sons, Inc., 1972. DESOER, C. A.; KUH, E. S. Basic circuit theory. New York: McGraw-Hill, 1985. GLASOE, G. N.; LEBASCQZ, J. V. Pulse generators. New York: McGraw-Hill, 1948. GUILLEMIN, E. A. Comunication networks: the classical theory of long lines, filters and related networks. New York: John Wiley & Sons, Inc., vol. 2, 1953. KUO, F. F. Network analysis and synthesis. New York: John Wiley, 1966. MUSOLINO, A.; RAUGI, M.; BERNARDO, T. Pulse-forming network optimal design for the power supply of emi launchers. IEEE Transactions on Magnetics. v. 33, n.1, p.480-483, 1997. PRESS, W. H. et al. Numerical recipes in pascal-the art of scientific computing. New York: Cambridge University Press, 1990. Nivaldo Carleto Graduação em Engenharia Elétrica – Universidade de Marília (1996). Licenciatura Plena (Esquema-I) – Centro Paula Souza (2000). Mestrado em Ciências (Área: Tecnologia Nuclear – Materiais) – IPEN/USP/ CNEN (2005). Especialização em Engenharia de Produção – UNESP (2001). Especialização em Sistemas de Informações Geográficas (Geoprocessamento) – UFSCar (2002). Especialização em Didática e Metodologia do Ensino Superior – AESA (2008). Doutorado em Educação Escolar – UNESP (2009). Docente da Faculdade de Tecnologia de Taquaritinga-SP (FATEC-TQ) e Coordenador do Grupo de Pesquisa/ NDE da AESA e da Faculdade Anhanguera de Matão. E-mail: nivaldo. [email protected]. Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 95-102, 2012 SIMULAÇÃO COMPUTACIONAL PARA O APOIO AO PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM DE PROGRAMAÇÃO LINEAR COMPUTING SIMULATION FOR THE SUPPORT TO THE TEACHING-LEARNING PROCESS OF LINEAR PROGRAMMING Paulo Francisco Sprovieri RESUMO Este artigo pretende apresentar um panorama geral do projeto de pesquisas, envolvendo o estudo de simulação computacional para o ensino e aprendizagem de programação linear de duas variáveis e de programação linear de múltiplas variáveis, desenvolvido pelo autor. Serão apresentadas as principais questões motivadoras do projeto e algumas estratégias para resolvê-las. Além disso, pretende-se apresentar algumas propostas, para o desenvolvimento futuro, resultantes do trabalho em andamento. Palavras-Chave Simulação computacional. Programação linear. Educação matemática. INTRODUÇÃO As pessoas em geral, os cientistas obrigatoriamente, utilizam modelos para representar seu entendimento sobre qualquer coisa, seja um fenômeno, um Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 103-109, 2012 104 Sprovieri, P. F. processo ou objetos. Assim sendo, existem diferentes tipos de modelos. Os modelos descritivos permitem que, através do uso da linguagem natural, uma pessoa possa transmitir aquilo que entende sobre alguma coisa. No caso deste modelo, isso é feito através de um texto. Porém, se for levada em consideração a característica de ambiguidade inerente às linguagens naturais, nem sempre tais modelos são satisfatórios. Nesse caso, pode-se utilizar outro tipo de modelo, o modelo gráfico. Por exemplo, supondo que alguém pretenda explicar a outrem como funciona um motor de combustão de quatro tempos, que equipa a maior parte dos veículos automotores conhecidos, isso poderia ser feito através de um modelo descritivo. Porém, exigiria muita dedicação por parte do leitor, na tentativa para entender o texto do modelo, se comparado ao modelo gráfico apresentado na Figura 1. Na verdade, para uma perfeita compreensão, poderão ser utilizados ambos os modelos simultaneamente. Figura 1 - Modelo gráfico para motores de combustão interna, ilustrando os quatro tempos: admissão, compressão, explosãoexpansão e descarga. Fonte: Prof. Fernando Lang da Silveira, IF/UFRGS. http://www.if.ufrgs.br/~lang/fisica%20 geral.html. Acesso em 20/09/2012. Portanto, existem inúmeros tipos de modelos. Em outra situação, a melhor maneira para representar as datas comemorativas do ano se dá através de modelos tabulares, ou seja, calendários. Finalmente, existem modelos para cada área do conhecimento, como: modelos de processos, modelos de produção, modelos matemáticos, estatísticos, financeiros, entre muitos outros. A simulação também implica em uma forma de abstração, isto é, de representação do conhecimento, sem envolvimento direto com o mundo real (ABREU; RANGEL, 1999). Ao fazer isso, com ou sem o uso de um computador, o homem pode avaliar no mundo virtual aquilo que ocorreria Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 103-109 2012 Simulação computacional para o apoio ao processo ensino-aprendizagem de programação linear 105 no mundo real, sem as limitações que a realidade implicaria, como custos, tempo ou riscos. Sendo assim, um simulador fundamentalmente baseiase em modelos. Porém, modelos são estáticos, enquanto que através de simuladores computacionais podem-se agregar aspectos dinâmicos como o tempo, refletindo dessa maneira o comportamento de um sistema a cada momento através da tela de um computador. Atualmente, os simuladores são utilizados para diversos propósitos, inclusive para a educação e treinamento e, até mesmo, para o entretenimento, a exemplo de inúmeros jogos digitais. Há jogos que envolvem tanto o caráter lúdico como o aspecto educativo. O interesse por simulação computacional partiu da observação do comportamento dos alunos expostos ao conteúdo programático das disciplinas pesquisa operacional, oferecida pelos cursos superiores de tecnologia em Agronegócio e Produção Industrial e programação linear e aplicações, oferecida pelo curso superior de tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, na Faculdade de Tecnologia de Taquaritinga, vinculada ao Centro Estadual de Educação Tecnológica “Paula Souza”, do governo do estado de São Paulo. A ideia é adequar os cursos de programação linear oferecidos pela faculdade ao estilo de aprendizagem dos alunos, através do auxílio do simulador computacional (TREVELIN; BELHOT, 2006). O texto a seguir irá apresentar fatores motivavionais para a resolução do problema de ensino e aprendizagem de programação linear de duas variáveis e de programação linear de múltiplas variáveis, além de apresentar algumas das soluções propostas para a resolução de tais problemas. SIMULAÇÃO E PROGRAMAÇÃO LINEAR DE DUAS VARIÁVEIS Grande parte da literatura que aborda a resolução de problemas de programação linear de duas variáveis adota uma solução composta pela combinação de dois tipos de resolução: a resolução gráfica e a resolução algébrica. Isso se deve ao fato de que, como são duas variáveis existentes nesse tipo de problemas, a resolução gráfica permite vislumbrar o ponto ótimo da função-objetivo do problema através do plano cartesiano, pela delimitação de um espaço solução bi-dimensional, denominado região viável. Por sua vez, a região viável abriga os pontos extremos que Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 103-109, 2012 106 Sprovieri, P. F. constituem, conforme a definição, os pontos de interseção, dentro da região viável, criados pelo cruzamento entre duas ou mais retas estabelecidas a partir das restrições impostas ao problema. Sendo assim, a resolução gráfica estabelece uma forma de solução, para os problemas de programação linear, estritamente qualitativa, na medida em que apenas indica o ponto ou pontos ótimos sem, no entanto, indicar o quanto representa a função-objetivo naquele ponto ótimo encontrado, ou segmento de reta entre dois pontos ótimos, em alguns casos. Para verificar essa afirmação é necessário traçar as retas denominadas vetor gradiente e curvas de nível. Essas retas apresentam uma relação geométrica importante: como seus coeficientes angulares são inversos e opostos, as curvas de nível são perpendiculares ao vetor gradiente. Isso pode ser observado na Figura 2. Figura 2. Resolução gráfica de um PPL de duas variáveis. Fonte: próprio autor. Gráfico elaborado através do software Graph, versão 4.4 (IVAN JOHANSEN, 19/06/2012). Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 103-109 2012 Simulação computacional para o apoio ao processo ensino-aprendizagem de programação linear 107 A recomendação que se faz ao aluno, no processo de resolução gráfica, é que se procure traçar duas ou até três curvas de nível para que se possa afirmar qual é o ponto ótimo do problema, partindo-se da premissa de que, caso o problema seja de maximização, “o ponto ótimo é o último ponto extremo a ser ultrapassado por sucessivas curvas de nível que partem da origem em direção ao máximo apontado pelo vetor gradiente”. Observou-se, ao longo da prática de ensino envolvendo programação linear, que muitos alunos têm dificuldade para “enxergar” o ponto ótimo. Verificando-se cuidadosamente a situação, percebeu-se que a dificuldade parecia estar vinculada ao fato de que o gráfico, tanto na lousa, elaborado pelo professor, quanto nas anotações feitas pelos alunos são representações estáticas. Porém, quando se observa cuidadosamente a definição de ponto ótimo, descrita anteriormente, verifica-se que esta é essencialmente dinâmica (“... em direção ao...”). A partir daí surgiu a ideia de se desenvolver um simulador computacional, para a resolução de problemas de programação linear de duas variáveis, que pudesse agregar o aspecto dinâmico apontado acima. Isso pode ser evidenciado pelo protótipo acessível através do link: http://youtu.be/jk6MFq-eQR4. SIMULAÇÃO E PROGRAMAÇÃO LINEAR DE MÚLTIPLAS VARIÁVEIS As dificuldades apresentadas pelos alunos em relação à resolução dos problemas de programação linear de múltiplas variáveis apresentam natureza completamente distinta daquela observada durante o estudo de programação linear de duas variáveis. Para a resolução envolvendo múltiplas variáveis, adota-se o algoritmo analítico, conhecido por método simplex analítico ou método dos dicionários (LACHTERMACHER, 2009). Tais dificuldades residem, principalmente, na manipulação algébrica envolvendo números fracionários. A proposta para um simulador envolvendo a resolução pelo método simplex analítico parte da premissa de que ao se diminuir a quantidade de manipulações algébricas, diminui-se também a probabilidade de que os alunos cometam erros de cálculo. Nesse caso, o simulador deverá expressar a habilidade do professor em transpor o saber científico para o saber a ser ensinado, de acordo com o processo de transposição didática formalizado por Yves Chevallard (CHEVALLARD, 1991). Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 103-109, 2012 108 Sprovieri, P. F. Tal proposta será viabilizada no ambiente do simulador através de um processo passo a passo, a ser exibido de acordo com a necessidade de cada aluno em particular. Sendo assim, o aluno que apresentar dúvidas de como o simulador computacional chegou a uma dada equação, o software poderá ilustrar o desenvolvimento passo a passo a partir da equação anterior. PERSPECTIVAS ENVOLVENDO SIMULAÇÃO COMPUTACIONAL E PROGRAMAÇÃO LINEAR Jogos digitais envolvem também simulação, sendo que a cada dia mais jogos invadem o mercado mundial, cujo tamanho estimado para este ano de 2012 deverá atingir cerca de 68 bilhões de dólares (GOMIDE, 2012), muitos deles com propostas educativas orientadas para o mercado de formação e treinamento profissional, além das escolas básicas e faculdades. Diante do panorama apontado, o interesse agora é canalizar esforços rumo à ideia de se desenvolver jogos digitais voltados para programação linear, começando pelo projeto de doutoramento apresentado ao Programa de Pós-Graduação em Educação Matemática da Universidade Estadual “Júlio de Mesquita Filho”, UNESP, em Rio Claro. Interessante notar que a tecnologia subjacente à construção, tanto do simulador computacional quanto dos jogos digitais, é a mesma, o que permitirá que avanços ocorridos em um dado projeto possam fornecer subsídios importantes para o outro. A integração destes produtos em um ambiente virtual de aprendizagem – AVA representará o ápice nesse processo de evolução tecnológica voltada para o ensino e aprendizagem de programação linear. Uma das inúmeras possibilidades que se pode antever é o envio, para os servidores da instituição de ensino, de arquivos contendo registros de todas as atividades realizadas pelos alunos, seja através dos simuladores ou dos jogos, permitindo-se que de maneira automatizada o aluno possa ser avaliado através de scripts de avaliação criados especificamente para a plataforma AVA adotada. ABSTRACT This article presents an overview of the research project, involving the study of computing simulation for teaching and learning of linear programming on two-variables and linear programming on multiple variables, developed by the author. The main motivating issues of the Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 103-109 2012 Simulação computacional para o apoio ao processo ensino-aprendizagem de programação linear 109 project and some strategies to solve them will be presented. Furthermore, some proposals resulting from the work in progress are supposed to be presented for future development. KEYWORDS Computing simulation. Linear programming. Math education. REFERÊNCIAS ABREU, A. M. M.; RANGEL, J. J. A. Simulação Computacional: Uma Abordagem Introdutória. Rio de Janeiro: Vértices 2(1): 28-32, Julho, 1999. CHEVALLARD, Y. La transposition didactique: du savoir savant au savoir enseigné. Paris: La Fenseé Sauvage, 1991. GOMIDE, J. V. B. Mercado de jogos digitais vai crescer explosivamente. Disponível em: http://www.radardofuturo.com.br/futuro/index.php/noticias-destaque/145-crescimentomercado-jogos-digitais. Acesso em: 26/09/2012. LACHTERMACHER, G. Pesquisa Operacional na Tomada de Decisões. São Paulo: Prentice Hall Brasil, 2009. TREVELIN, A. T. C.; BELHOT, R. V. A Relação Professor-Aluno estudada sob a Ótica dos Estilos de Aprendizagem: Um Estudo de Caso. In: XXVI ENEGEP – Encontro Nacional de Engenharia de Produção, Fortaleza – CE, 2006. Paulo Francisco Sprovieri Bacharel em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de São Carlos em 1988, Especialista em Computação pela Universidade de São Paulo em 1991, Mestre em Ecologia e Recursos Naturais pela Universidade Federal de São Carlos, em 1993, com a dissertação “Função Respiratória de Oreochromis niloticus, Tilápia do Nilo, sob variação do oxigênio ambiental, avaliada através de um sistema de software em tempo real”. Professor universitário, desde 1992, ministrou aulas de várias disciplinas nas áreas de programação de computadores, engenharia de software e banco de dados. Atualmente, na Fatec de Taquaritinga, é o responsável pelas disciplinas Pesquisa Operacional e Programação Linear e Aplicações. Lecionou as disciplinas Conceitos de Linguagens de Programação e Engenharia de Software na Universidade Estadual “Júlio de Mesquita Filho”, UNESP, de Rio Claro. E-mail: paulo.sprovieri@fatectq. edu.br Interface Tecnológica, v. 9 (v. esp.), n. 1, p. 103-109, 2012 DIRETRIZES PARA AUTORES A revista Interface Tecnológica publica artigos inéditos, científicos e de divulgação, cuja temática se situe nas grandes áreas da Informática, Produção Industrial, Agronegócio e Comunicação. Os trabalhos enviados à revista Interface Tecnológica devem ser obrigatoriamente inéditos e com destino exclusivo, não sendo permitida a divulgação do mesmo conteúdo em outros periódicos que não esta revista. Para tanto, os autores deverão assinar um termo de exclusividade que ratifique o compromisso de originalidade. Os artigos podem ser escritos em português ou inglês. Todas as contribuições são de responsabilidade exclusiva de seus autores. Os trabalhos devem ser enviados à editora responsável pela revista (ver endereço para contato ao final desta seção) em três vias impressas, sendo que em duas delas não deve haver qualquer identificação do autor; ao final do processo o autor deverá apresentar duas vias impressas e uma eletrônica - CD ROM), devidamente personalizadas, inclusive a eletrônica. Todas as contribuições submetidas à revista Interface Tecnológica são encaminhadas primeiramente a pelo menos dois pareceristas do Conselho Editorial, que observarão, além das diretrizes para autores e das normas para publicação, a relevância do conteúdo, a propriedade da exposição e a conformidade do texto aos princípios éticos, podendo aprová-las ou negá-las. Uma vez aprovadas, são avaliadas por pareceristas do Conselho Consultivo em sistema de duplo cego (blind review), isto é, os nomes dos pareceristas permanecerão em sigilo, bem como o nome dos autores. Os pareceristas do Conselho Consultivo poderão recomendar a publicação, preconizar ajustes na forma, estrutura ou conteúdo, ou negá-la. Ambos os conselhos são constituídos por comunidade científica especializada. O tempo máximo entre a submissão e a emissão do resultado final pelo conselho editorial é de 60 dias, podendo ser estendido em casos de solicitação de reformulação. Os trabalhos negados são devolvidos aos seus autores. O cronograma referente aos prazos fica estabelecido da seguinte forma: CRONOGRAMA Fase Procedimento Descrição 1 Chamada para submissão dos artigos Chamada para submissão dos artigos através do site da Instituição, de e-mails. Data A ser determinada pelo Conselho Editorial. O prazo entre as datas de início e término de submissões será de 30 dias Responsável Conselho Editorial 2 Análise dos trabalhos submetidos O Conselho Editorial analisará as contribuições submetidas, utilizando-se de critérios estabelecidos neste documento. Após, os trabalhos serão passados ao Consultivo. O Conselho Editorial terá um prazo de 10 dias para proceder à análise das submissões. Conselho Editorial 3 Análise dos trabalhos submetidos O Conselho Consultivo analisará as contribuições, fazendo as devidas alterações ou não. O Conselho Consultivo terá um prazo de 10 dias para proceder à análise dos trabalhos Conselho Consultivo 4 Devolução aos autores dos tabalhos revisados Os trabalhos revisados pelo CC serão devolvidos aos seus autores para as necessárias alterações ou não. Os autores terão um prazo de 05 dias para proceder às alterações ou não. Autores 5 Devolução das contribuições retificadas pelos autores ao Conselho Editorial As contribuições serão devolvidas ao CE pelos autores, já com as devidas alterações. 6 Avaliação realizada pelo CE dos trabalhos enviados pelos autores para publicação Os trabalhos serão avaliados pela última vez pelo CE, que os encaminhará para publicação ou não. 7 Publicação das contribuições Autores O CC terá 05 dias para proceder a essa avaliação. Conselho Editorial Conselho Editorial Direitos autorais e responsabilidade sobre o conteúdo publicado Os direitos autorais dos artigos publicados pertencem à revista Interface Tecnológica. É permitida a reprodução parcial ou integral dos artigos em outros meios de divulgação, com a condição da completa citação da fonte. Os artigos assinados expressam unicamente a opinião de seus autores. A submissão dos artigos à revista Interface Tecnológica pressupõe o conhecimento dos termos aqui explicitados e acarreta a aceitação de suas condições. CONDIÇÕES PARA SUBMISSÃO – NORMAS PARA PUBLICAÇÃO Todas as contribuições destinadas à Revista Interface Tecnológica devem estar rigorosamente baseadas nas regras da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Formatação do texto Os textos devem estar no formato Microsoft Word (.doc), papel branco A4, fonte Times New Roman, tamanho 12, com margens de 2,5. Todo texto deve ser digitado em blocos, com espaçamento simples, alinhados à esquerda e justificados à direita. Entre os blocos deverá haver um espaço a mais. Os títulos de cada subseção devem ser grafados em negrito e aparecerem à margem esquerda, separados do texto que os precede e que os sucede por um espaço de 1,5, na fonte Ottawa, tamanho 18 com espaçamento simples. Todas as páginas dos trabalhos devem ser numeradas em algarismos arábicos, no canto superior direito da lauda. Estrutura Os artigos devem ser apresentados da seguinte forma: • FOLHA DE ROSTO PERSONALIZADA: com a) título em português (grafado em negrito); b) título em inglês (equivalente ao título em português, grafado em negrito); c) nome de cada autor; • FOLHA DE ROSTO DESPERSONALIZADA: sem o nome do autor, contendo exclusivamente: a) título em português; b) título em inglês; • RESUMO: em português e acompanhado de, no máximo 5 palavraschave e, no mínimo, 3. Será apresentado em um só bloco, não havendo parágrafos; • ABSTRACT: resumo em inglês, equivalente ao resumo em português e acompanhado das Keywords. Os artigos podem conter ainda: • APÊNDICES E/OU ANEXOS : quando apresentarem informações indispensáveis à compreensão do texto. Devem constar no final do artigo, numerados de acordo com a ordem de apresentação; • TABELAS E/OU QUADROS: devem incluir legendas e serem numerados sequencialmente; • IMAGENS: os arquivos devem se enviados em alta resolução (300dpi) e, preferencialmente, no formato do programa em que foram originalmente gerados (Excel, Corel Draw, etc). Sistemas de chamadas (autor, data) • DE UM A TRÊS AUTORES: os nomes dos autores devem ser separados por ponto e vírgula: (BORBA; BIDERMAN; MONTI, 2005) • A PARTIR DE QUATRO AUTORES: cita-se o nome do primeiro autor seguido da expressão et al.: (OLIVEIRA et al., 2008) • AUTOR COM MAIS DE UMA PUBLICAÇÃO NO MESMO ANO: as obras devem ser diferenciadas por meio da adição de uma letra minúscula após a data, ordenadas de acordo com a lista da seção de referências: (SILVEIRA, 1998a), (SILVEIRA, 1998b) • VÁRIAS OBRAS DO MESMO AUTOR: os anos das publicações devem ser separados por vírgula: (GIL, 1999, 2005, 2008) Citações Citações diretas (transcrição textual de parte da obra do autor consultado) • CITAÇÕES DIRETAS CURTAS: com até 3 linhas, devem ser integradas ao texto, entre aspas, seguidas da chamada pelo sobrenome do autor, incluindo o número da página. “[...] definem quem pode negociar [...] sob as quais se processam as transações” (FLIGSTEIN, 2003, p. 195-7). • CITAÇÕES COM 4 LINHAS OU MAIS: devem ser deslocadas do corpo do texto, dispostas com recuo de 4 cm da margem esquerda, sem aspas e com espaçamento simples, seguidas da chamada pelo sobrenome do autor. Citações indiretas (texto baseado na obra do autor consultado) As citações indiretas devem ser seguidas da chamada pelo sobrenome do autor. A indicação do número da página é opcional: Segundo Martins (2010, p.38), em estudo realizado no Rio de Janeiro (UFRJ, 2007)... Citação de citação (texto não retirado de fonte original, mas de obra que a ele faz referência) Deve ser referida a fonte consultada e não a fonte original, usa-se a expressão apud (citado por) entre o autor original e o autor consultado. De acordo com Platão e Fiorin (1990, p.241 apud MEDEIROS, 2003, P.71), os pressupostos são ideias não expressas de maneira explícita [...] Notas e abreviaturas As notas devem figurar no rodapé da página, numeradas sequencialmente. As abreviaturas devem seguir as orientações da NBR 10522/88. Referências A seção de referências, no final do artigo, deve conter as referências completas, ordenadas, primeiro por ordem alfabética do sobrenome dos autores, depois, caso haja mais de uma obra do mesmo autor, por ordem alfabética do título da obra, conforme regra da ABNT (NBR 6023, ago. 2002). O elemento em destaque, a depender do tipo de referência, deve estar em negrito. Referências de livro • INTEGRAL: BALLOW, R.H. Logística empresarial: transportes, administração de materiais e distribuição física. 2.ed.São Paulo: Atlas, 1993. • PARTE DO LIVRO: PEREIRA, R.R. et al. Ladrões de sonhos e sabonetes: sobre os modos de subjetivação da infância na cultura do consumo. In: JOBIM E SOUZA, S. (Org.). Subjetividade em questões: a infância como crítica da cultura. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2000. Referências de revista • INTEGRAL: PSICOLOGIA: Teoria e Pesquisa. Brasília: Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília, v.22, n.1, jan./abr.2006. • ARTIGOS E/OU MATÉRIA: MOURA, M.L.S. Dentro e Fora da Caixa Preta: A Mente sob um Olhar Evolucionista. Psicologia: Teoria e Pesquisa, Brasília, v.21, n.2, p.141-147, maio/ago.2005. Dissertações e teses STRAFORINI, R. Ensinar geografia nas séries iniciais: o desafio da totalidade mundo. 2001. Dissertação (mestrado) – Instituto de Geociências, Universidade Estadual de Campinas, Campinas. Obras em mídias digitais A referência obedece o padrão indicado para o material impresso, acrescida da descrição do meio eletrônico e data de acesso, quando consultadas online: KOOGAN, A.;HOUAISS, A. (Ed.) Enciclopédia e dicionário digital 98. Direção geral de André Koogan Breikman. São Paulo: Delta: Estadão, 1998. 5 CD ROM. BICCA JUNIOR, R. L. Coisas nossas: a sociedade brasileira nos sambas de Noel Rosa. 2001. Dissertação (mestrado) – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. Disponível em: http://www.samba-choro.com.br/ print/debates/. Acesso em 21 ago. 2004. Formatação das referências A formatação da referência deve seguir rigorosamente os modelos supramencionados. Nenhum item da referência deve ser sublinhado. Todas as referências constantes no corpo do texto devem ser incluídas na seção de referências, bem como todas as referências listadas na seção devem estar presentes ao longo do texto. Os casos aqui não contemplados devem seguir as normas da ABNT (NBR 6023, ago. 2002), e aqueles não assistidos pelas normas apresentadas, nem pela ABNT, serão decididos pelo corpo técnico da revista. A correspondência e as contribuições para publicação devem ser encaminhadas a: Profa. Dra. Elaine T. Assirati (Editora Responsável) Faculdade de Tecnologia de Taquaritinga – FATEC/Tq – Centro Paula Souza Av. Dr. Flávio Henrique Lemos, 585 – Portal Itamaracá 15.900-000 Taquaritinga - SP - Brasil Fone: (16) 3252-5250 (16) 3253-5152 Fax: (16) 3252-5193 www.fatectq.edu.br/interfacetecnologica. GUIDELINES FOR AUTHORS Interface Tecnológica magazine publishes original scientific articles, as well as original ones on current themes, whose theme is located in the major areas of Information Technology, Industrial Production, Agribusiness and Communication. Papers submitted to this journal must not be published in other magazines, so it is not permitted to transfer the same content in other journals than this magazine. For this purpose, the authors must sign an exclusive term to ratify the appointment of originality. Articles may be written in Portuguese or English. All contributions are the sole responsibility of their authors. Entries must be submitted to the journal’s editor (see contact address at the end of this section) in triplicate (three printed copies – two of them without any identification of the author, and, at the end of the process, two printed and one electronic – CD-ROM, personalized properly). All contributions submitted to the journal Technological Interface are directed, primarily, at least at two referees on the Editorial Board, who shall observe, in addition to the guidelines for authors and for publication of standards, the content relevance, ownership of exposure and compliance with ethical principles of the articles and may approve or deny them. Once approved, they are evaluated by peer Advisory Board in the double-blind (blind review), that is, the names of referees will remain private, as well as the names of the authors. The peer Advisory Board may recommend publication, recommending adjustments to the shape, structure or content, or deny it. Both councils are made up of specialized scientific community. The maximum time between submission and issuance of the final result by the Editorial Board is 60 days and may be extended in cases of reformulated request. The works denied are returned to their authors. CONDITIONS FOR SUBMISSION - GUIDELINES FOR PUBLICATION All contributions for the Technological Interface journal must be grounded on the rules of ABNT (Brazilian Association of Technical Standards). Text Formatting Manuscripts should be in Microsoft Word format (. Doc) 2003 version, A4 white paper, Times New Roman, size 12, with margins of 2.5. All text must be typed in block, single spaced, aligned left and justified right. Between the blocks there should be a room for more. The titles of each subsection should be in bold and appear to the left margin, separated from the text that precedes and follows them by a space of 1.5. All pages of the work should be numbered in Arabic numerals at the top right of the page. Structure Articles should be submitted as follows: Cover sheet: a) title in Portuguese (written in bold) b) Title in English (equivalent to the title in Portuguese, written in bold), c) name of the author. Cover sheet depersonalized, without the author’s name, containing only: a) title in Portuguese, b) title in English; Summary: in Portuguese, accompanied by a maximum 5 keywords, at least 3. It will be presented in a single block, with no paragraphs; Abstract: in English, equivalent to the abstract in Portuguese and accompanied by 5 Keywords, at least 3. References The reference section at the end of the article should contain full references, in alphabetical order as a rule of ABNT (NBR 6023, ago. 2002). The element in focus, depending on the type of reference, should be in bold. Correspondence and contributions for publication should be sent to: Professor Dr. Elaine T. Assirati (Responsible Editor) Faculdade de Tecnologia de Taquaritinga - FATEC / Tq - Centro Paula Souza 585 Dr. Flávio Henrique Lemos Avenue Taquaritinga 15900-000 - SP - Brazil Phone numbers: (16) 3252-5250 (16) 3253-5152 Fax: (16) 3252-5193 www.fatectq.edu.br / interfacetecnologica