Universidade Presbiteriana Mackenzie
A RELAÇÃO ENTRE ARBITRAGEM DE FUTEBOL E A IMPRENSA ESPORTIVA
Amanda Silva Vieira da Costa (IC) Maria de Lourdes Bacha (Orientadora)
Apoio: PIBIC Mackenzie
Resumo
O artigo tem como objetivo desenvolver alguns pontos relevantes inerentes a relação da arbitragem
de futebol com a imprensa esportiva. Para verificar essas relevâncias foi analisado o período da Copa
do Mundo da África em 2010, dentro das publicações do jornal brasileiro Folha de São Paulo.
Palavras-chave: árbitro, futebol, imprensa
Abstract
The present essay aims to develop some important points of the relationship between football referee
and sportive press. To check this was analyzed the period of World Cup of Africa in 2010 inside the
publications of the Brazilian newspaper Folha de São Paulo.
Key-words: referee, soccer, press
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VII Jornada de Iniciação Científica - 2011
Introdução
Há um grande número de variáveis que podem determinar o alto ou o baixo rendimento de
uma equipe de futebol. Algumas variáveis abrangem aspectos de difícil controle, entre as
quais se destaca a arbitragem. Segundo Belissimo (2008), seria possível dizer que os
árbitros tomam decisões em uma partida, influenciados pela torcida, pelo mandante do jogo
ou por valores agregados como tradição da camisa, histórico de vitórias de cada time.
O árbitro de futebol dispõe importante função para o esporte, jogadores, clubes ou
campeonatos. A necessidade de um “juiz” em campo é tão antiga quanto o próprio futebol,
pois a este cabe interpretar a partida e evitar condutas antidesportivas ou atos que interfiram
no objetivo real do jogo.
É possível verificar que a relação entre imprensa e arbitragem de futebol nem sempre é
constituída de cordialidades e respeito. O comum são empresas jornalísticas dos mais
diversos meios contratarem ex-árbitros para comentarem suas partidas, o que representa
para o telespectador maior credibilidade na transmissão. Entretanto, alguns comentários
revelam falta de preparo por parte de alguns profissionais, e com isso as dezessete regras
do jogo de futebol se misturam com inúmeras outras ‘acrescentadas’ pelos profissionais do
ramo.
Por esse motivo, o presente estudo busca responder à seguinte questão: Como o jornal
Folha de S. Paulo descreveu as atuações dos árbitros de futebol na Copa do Mundo
FIFA de 2010.
A arbitragem brasileira não possui um cenário muito favorecedor de trabalho, entre os
fatores que dificultam a ação da arbitragem estão: a precária infra-estrutura do futebol, a
desonestidade de alguns dirigentes, a falta de conhecimento das regras por atletas, técnicos
e treinadores, e, infelizmente, o próprio despreparo de alguns árbitros (BARROS, 1990).
Assim, a imprensa falada, escrita e televisiva comenta durante todos os dias da semana a
atuação do árbitro, mas nem sempre levam em conta esses fatores. Mesmo que o intuito do
trio de arbitragem não seja o de ser perfeito, muito menos a imprensa ser livre de qualquer
tipo de erro ou injustiça, existe alguns mecanismos que tentam estreitar tais erros como
replay, a contratação de ‘especialistas’, entre outros fatores. Porém, o arbitro no momento
da partida está isento de qualquer tipo de processos que ajam com o objetivo de facilitar ou
isentar suas decisões de erros.
Considerando-se o Jornal Folha de S. Paulo, oficialmente publicado com esse nome em 1º
de janeiro de 1960. Já no começo dos anos 80 o jornal passou a desempenhar a liderança
entre as publicações brasileiras, sendo o jornal de maior circulação do Brasil. O caderno de
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Esportes do jornal começou a circular em 1972 somente às segundas-feiras, o que durou
até 1988 quando o jornal passou a publicar a editoria todos os dias.
Devido à contribuição desse veículo para a imprensa brasileira bem como pela influência
que o jornal desempenha até os dias, foi escolhido como objeto de análise o caderno de
Esportes do Jornal. Em sua especificidade, dentro do contexto deste trabalho, o jornal Folha
de S. Paulo, publicou em 2010 um suplemento especial sobre a Copa do Mundo de 2010 na
África do Sul. O qual será o objeto dessa análise para, após verificarmos o contexto do
jornalismo esportivo, bem como o da arbitragem de futebol, entender a relação entre ambas
as áreas durante o campeonato mais famoso do futebol que é a Copa do Mundo.
Embora a arbitragem brasileira seja corriqueiramente criticada, na última edição da Copa do
Mundo a qualidade da arbitragem surpreendeu negativamente os críticos e especialistas,
bem como os torcedores. Por esse motivo, o trabalho a seguir visa elaborar uma análise de
conteúdo baseada no teor dos comentários e matérias publicados pela Folha de S. Paulo
durante a Copa do Mundo de 2010.
Para tanto, foi analisado, secundariamente, alguns fatores que contribuem para a história da
arbitragem dentro da Copa do Mundo, bem como para o jornalismo esportivo, por exemplo,
a falta de mulheres como juízas oficiais na competição mundial.
Referencial teórico; Arbitragem: história, funções e contexto
Para atender aos objetivos propostos, o referencial teórico será desenvolvido utilizando-se
fundamentos do jornalismo esportivo (BARBEIRO, RANGEL, 2006; BURKETT, 1990;
COELHO, 2003; SOARES, 1994.
A profissão de árbitro de futebol é uma das áreas mais polêmicas e controvertidas do mundo
da bola. Entretanto, a prática não é entendida como profissão no Brasil, o que discutiremos
mais para frente. Assim muitos dos que gostam e acompanham o futebol acham que sabem
tudo e mais um pouco sobre as regras e que os árbitros deveriam ser isentos de erros na
hora de apitar uma partida, ainda mais se o meu time favorito está em campo em uma final,
ou um jogo decisivo.
O abnegado ser humano que se dedica a dirigir partidas de Futebol é alvo
fácil da mídia, dirigentes e do cidadão comum. Todos entendem das regras
no País do Futebol, e a ameaça tecnológica para controle do poder do
árbitro é tema sempre recorrente e caminha na direção do processo de
desumanização do desporto. Mas poucos conhecem o que cerca o tema de
profissionalização da atividade no Brasil e no exterior, os vínculos
desportivos, sistema remuneratório [...] em síntese, direitos e deveres que
incidem sobre a função de arbitro de futebol. (SCHMITT apud SCHEFFLER,
2008, p. 13)
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VII Jornada de Iniciação Científica - 2011
Sua função aparece na história como tendo surgido no século XIX. Os primeiros árbitros de
futebol intervinham na partida somente quando uma das equipes reclamava. Nesta época o
árbitro gritava para parar o jogo, no entanto o apito só começou a ser utilizado a partir de
1878. Hoje em dia, de acordo com o Sindicato dos Árbitros de Futebol do Estado de São
Paulo, existem cerca de setenta e seis mil árbitros em atuação nos mais diversos
campeonatos (SILVA, RODRIGUEZ-AÑEZ, ROMERO FRÓMETA, 2002).
O campo de atuação da arbitragem também já requer uma responsabilidade mais rígida,
pois se trata do esporte mais praticado no mundo, seja na forma amadora, seja na
profissional (SCHEFFLER, 2008). Além disso, é um dos esportes que mais movimenta a
economia mundial, trabalhando com altos valores que vai além do esporte e entra nos
campos da propaganda, indústria e comércio que possuem de alguma forma uma ligação
com o esporte em si.
Para conter todo esse mundo inerente ao futebol dentro de campo é disponibilizado o trio de
arbitragem – que atualmente já passou para cinco componentes em alguns campeonatos.
Tidos como autoridades máximas dentro das “quatro linhas” e no momento em que a partida
acontece, os arbitro e seus assistentes têm por finalidade aplicar as dezessete regras
simples instauradas pela FIFA (Fédération Internationale de Football Association) em
conjunto com a International Football Association Board, as quais devem ser estabelecidas e
seguidas por toda parte onde o esporte é praticado.
Suas funções são descritas e aplicadas na regra oficial. A regra de número 5 para árbitros e
a regra de número 6 para assistentes (International Football AssociationBoard, 2008). De
acordo com as regras dedicadas a estes, uma partida de futebol só poderá ser reconhecida
se tiver a presença do trio de arbitragem. Sendo o árbitro a autoridade total “para se fazer
cumprir as Regras do Jogo”. Além da tomada de decisões, intervenções e paralisações o
árbitro
somente poderá modificar uma decisão se perceber que a mesma é
incorreta ou, a seu critério, conforme uma indicação de um árbitro assistente
ou do quarto árbitro, sempre que ainda não tiver reiniciado o jogo ou
terminado a partida. (International Football AssociationBoard, Regra 5,
2008)
Entretanto, a referida atividade não possui regulamentação formal no Brasil. Ao contrário do
que muitos pensam, existem algumas leis como a lei Pelé e a lei Zico que abordam o futebol
como um todo e se referem assim sobre os árbitros nos quesitos associações,
recrutamentos e formação de árbitros. Isso acontece aqui e pela maioria dos outros países
do mundo, ainda que o futebol seja enxergado como algo profissional e de suma
importância para a economia de dados países.
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Em nosso país, a atividade é considerada amadora. Ainda que desde 1990 tenha existido
uma série de iniciativas legislativas sobre a profissionalização da atividade esses projetos
acabaram arquivados.
Essa discussão é muito importante até na leitura sobre a arbitragem que os comentaristas,
jornalistas e o próprio público manifestam sobre os mesmos. A falta de preparo, a dedicação
exclusiva e a preparação física, técnica e psicológica mudariam se os profissionais fossem
reconhecidos como tais e se pudessem ter a garantia de possuir no apito sua fonte primária
de renda e de trabalho. Talvez dessa forma os resultados mais favoráveis e mais positivos
apareceriam, contribuindo assim para uma “parceria” mais justa entre estes e os torcedores
e a imprensa.
Hoje o árbitro é um desportista, um amador no meio de profissionais
extremamente bem pagos. Para que possa ser exigido, tem de ser um
profissional, e bem pago. Você não pode exigir se não dá condições de
trabalho. (MARSIGLIA apud SCHEFFLER, 1995, p. 28)
Sendo assim, as condições de trabalho e da atividade exercida pelos árbitros no Brasil são
totalmente dissonantes do contexto em que os mesmo estão inseridos.
Mesmo com todas essas adversidades os árbitros brasileiros são reconhecidos como uma
das melhores classes por todo o mundo. Entretanto a qualidade no exercício dessa
atividade é de longe mais bem estruturada nos países europeus, por exemplo. De acordo
com SCHEFFLER (2008) nos países jurisdicionados pela UEFA a preocupação com a
formação, profissionalização e reciclagem dos árbitros de futebol tem crescido nos últimos
anos. A organização promove evento, cursos e medidas com vista no aperfeiçoamento
daqueles que desenvolvem a atividade, bem como melhorar e minimizar as polêmicas
dentro de campo.
Na Inglaterra, por exemplo, a profissionalização vem acontecendo desde 2001. Seus
árbitros são considerados os melhores do mundo e se dedicam exclusivamente a apitar
jogos da Federação Inglesa (FA). São em média 70 árbitros que possuem um contrato anual
com a FA e que recebem de acordo com o grau de importância da partida que apitam.
(Revista Placar, edição de novembro de 2005)
Gêneros e Arbitragem
O futebol ainda que tenha se modificado com o passar dos anos é um esporte que nos
remete rapidamente ao gênero masculino. Na atividade discutida não é diferente.
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VII Jornada de Iniciação Científica - 2011
Os árbitros são em sua maioria do sexo masculino e foi há pouco tempo que as mulheres
começaram a ganhar espaço nesse meio.
Na realidade são poucos os registros que trazem com fidelidade a quantidade de árbitras
mulheres, bem como dados oficiais sobre a ascensão dessa classe dentro da atividade de
arbitrar partidas de futebol.
Contudo, nem mesmo a FIFA possui tais números. A mesma entidade em 2006 passou a
permitir que as mulheres apitassem jogos de eliminatória para a Copa, antes elas só eram
vistas na atuação de assistentes. E para isso a exigência é possuir uma experiência de pelo
menos 5 anos de apito dentro das principais categorias masculinas do futebol (SILVA,
2008). No entanto, o gênero feminino ainda não foi visto em atuações nos jogos da Copa do
Mundo, em nenhuma função. Não há uma explicação oficial por parte dos membros
integradores da organização do mundial (SILVA, 2008).
Tanto em âmbito mundial como nacional o panorama é praticamente o mesmo. As
conquistas do gênero feminino nessa área são recentes.
No Brasil um trio totalmente feminino só foi permitido atuar no Campeonato
Brasileiro masculino Série A pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol)
em junho de 2003, onde a paulista Silvia Regina de Oliveira, pertencente ao
quadro da Fifa foi a árbitra designada para dirigir a partida, sendo as
árbitras Ana Paula de Oliveira e Aline Lambert, designadas como suas
assistentes. Segundo a Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (Anaf)
a primeira mulher árbitra reconhecida no mundo foi Asaléa de Campos
Michellim. Ela fez o curso de arbitragem em 1967 na Federação Mineira de
Futebol (FMF), mas só em 1971 seu diploma foi reconhecido pela Fifa. Em
2004, nas Olimpíadas de Atenas, pela primeira vez a Fifa recrutou somente
mulheres para arbitrar os jogos de futebol feminino desse evento. Portanto,
fica claro que a participação feminina no futebol de alto nível competitivo é
recente. (SILVA, 2008)
Na Argentina, a árbitra Florancia Romana teve que fazer uma greve de fome em frente a
Associação de Futebol Argertino para pode ter seu direito de atuação aceito. Já na Europa,
Nicole Petignat foi a primeira mulher a apitar um jogo da UEFA somente em 2003.
A árbitra assistente da Federação Paulista de Futebol, Elizangela Aparecida da Silva, em
entrevista concedida para tratar dos assuntos relacionados a esta pesquisa (íntegra da
entrevista disponível nos anexos do trabalho), diz que por mais que o presidente da FIFA
(Joseph Blatter) aponte para o crescimento das mulheres dentro do futebol em relação à
arbitragem esse tipo de espaço caminha mais devagar.
Elisangela acaba relacionando essa diferença com o preconceito, dizendo que por vezes
esse ato vem das próprias mulheres, o que ao invés de ajudar só piora a visão feminina do
mundo da bola.
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“O ambiente do futebol ainda é dominado por homens. E muitas vezes
homens que acham que lugar de mulher é na cozinha, que não aceitam que
uma mulher pode entender de futebol mais do que eles.
Lembro que o surgimento da mulher dentro dos gramados aconteceu por
volta de 1995, ou seja, ainda é muito recente. Mudar a concepção de que
futebol é coisa de homem vai ser demorado.
Além do mais, muitas vezes as próprias mulheres contribuem para esse
preconceito, pois muitas vezes são elas que vão para o campo nos xingar e
acabam falando coisas que uma mulher não deveria dizer para outra. É uma
análise interessante, uma relação de ciúmes e competição. Engraçado até.
Por isso acredito que a luta contra essa visão preconceituosa só está
começando”. (Elisangela Silva, 2011)
Copa do Mundo e Arbitragem
A Copa do Mundo de Futebol começou a ser disputada em 1930 no Uruguai. Desde sua
primeira exibição já contou com árbitros brasileiros. O que prova a qualidade da atividade
exercida por nós, mas que ainda tem muito para se melhorar - é verdade. A partir de então
em todos os anos em que a Copa do Mundo acontece existem árbitros brasileiros que
compõe o “time” escalado para conduzir a partida.
O campeonato analisado por esse trabalho foi exatamente essa celebração que se constitui
como o maior evento futebolístico do mundo e que atrai, por conta de seu tamanho, uma
das maiores audiências televisivas do mundo, bem como a venda de jornais esportivos
(MARQUES apud CAMARGO et al., 2005)
O modo de agir do mundo fica diferente durante a Copa. A simbologia inerente ao
campeonato transcende os aspectos sérios e corriqueiros da vida cotidiana: o horário de
comércios, bancos, repartições públicas são alterados; trabalhadores voltam mais cedo para
pode assistir aos jogos entre outras coisas. É como se o mundo parasse.
A imprensa por sua vez aproveita o evento que só acontece de quatro em quatro anos e
“embarca nessa mesma onda, tornando-se também agente do processe de construção de
uma pretensa “unidade nacional” em torno do futebol” (Marques, 2005).
Ou seja, o papel da imprensa em meio a esse campeonato é de suma importância para a
visão que os torcedores terão dos acontecimentos aos quais vão além de um jogo contra
sua seleção de coração e outro país. São detalhes que o público talvez não percebesse por
falta de censo critico ou até mesmo irrelevância, mas que nos jornais, páginas da internet e
televisão virão verdadeiras polêmicas envolvendo os mais diversos atuantes das Copas:
técnicos, jogadores, esposas e namoradas de jogadores, delegações, instituições, árbitros.
A preocupação dos jornais, então estava em repetir as noticias divulgadas
pelos meios eletrônicos, buscando porém maior grau de análise e maior
espírito crítico. E, ao se ver repetida nos jornais, a notícia passou a ser
digna de crédito. Aquilo que não era noticiado nos jornais acabava
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VII Jornada de Iniciação Científica - 2011
perdendo impacto e importância. (MARQUES apud CAMARGO et al., 2005,
p. 157)
Mas a última Copa do Mundo, na África, teve uma surpresa, a qual a imprensa realmente
destacou e polemizou: a arbitragem.
Os erros crassos foram nítidos e tanto seleções quanto torcedores e imprensa apontaram
tais erros como surpresa por nunca ter se visto tantas falhas juntas, no quesito arbitragem,
em uma única exibição da Copa do Mundo.
Na história das Copas do Mundo, o maior erro de arbitragem foi o episódio conhecido com
“Mano de Dios”, em que Maradona, atacante da Argentina ajeitou claramente a bola com as
mãos, dentro da grande área e fez o gol contra a Inglaterra. No momento os ingleses
começaram a levantar a mão tentando anula o gol, mas o ato foi ignorado pelo então árbitro
da partida Ali Naceur, da Tunísia, que correu pro meio de campo e validou o gol. O
acontecimento prejudicou diretamente a seleção inglesa na Copa de 1986. Após o jogo,
Diego Maradona disse que fez o gol com a mão de Deus.
Já em 2010, os erros e reclamações não aconteceram por conta de uma falha dessa
importância. Mas sim uma sequência de erros que envolviam diretamente a arbitragem. Um
episódio até parecido aconteceu neste ano com um gol do atacante Luís Fabiano, da
seleção brasileira, em que após ajeitar com a mão ele marga um gol incrível. Os telões ao
longo do estádio mostraram repetidamente a infração; e com um sorrisinho de canto o juiz
da partida, o francês Stephane Lannoy, pergunta ao brasileiro se o gol foi com uma ajudinha
ou não, mas também validou o gol. Bom para nós, ruim para os agentes do apito.
É nesse contexto que o jornal Folha de S. Paulo trabalha efusivamente no debate em
relação à arbitragem da Copa de 2010. Seus comentaristas, colunistas e jogadores
exploram ao máximo esse aspecto com matérias especiais, manchetes e capas que
colocam em xeque a atuação dos árbitros durante o campeonato mundial.
Tecnologia no futebol: um avanço ou mais um problema
A polêmica da modernização do futebol é mais um assunto que atinge diretamente a
atuação da arbitragem durante uma partida.
O que alguns defendem e outros se colocam contra é sobre o uso de aparatos tecnológicos
que visam melhorar a precisão da tomada de decisões que envolvem lances importantes
durante um jogo de futebol.
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O assunto é controverso, mas não poderia ser diferente já que estamos em uma era digital e
quase tudo atualmente tem girado em torno da tecnologia.
O que se pensa para o futebol são algumas modernizações que poderiam vir a minimizar os
erros cometidos pela arbitragem, que está longe de ser perfeita, até porque são seres
humanos, suscetíveis ao erro. Simões (2009) chama atenção para a interpretação do árbitro
durante uma partida: “a todo momento necessitam [os árbitros] obter dados que, por eles
interpretados, os levem à percepção correta do que esteja ocorrendo à sua volta para que
possam apitar corretamente.”
Interpretação está ligada com algo individual, cada um pode ter a sua. Esse é um dos
argumentos daqueles que defendem o uso de aparatos tecnológicos em campo.
Para evitar erros de interpretação, visão, mal posicionamento do árbitro durante a partida as
ideias são colocar chips dentro da bola que apontaria se ela ultrapassou a linha do gol, por
exemplo; ou então disponibilizar para os árbitros o sistema de replay para que estes possam
voltar atrás caso tenham cometido alguma injustiça.
Já para Scheffler (2008), o uso desses “equipamentos sofisticados” poderá representar uma
quebra na tradição do futebol como ele é em sua natureza.“[...] Recursos eletrônicos para
substituir ou subsidiar as decisões dos árbitros, certamente o transformará em esporte de
elites e poderá ser, quiça, a sentença de morte do futebol em muitos locais do planeta.”
Metodologia
Para Richardson (2007) a escolha da metodologia adequada seria imprescindível para que
os objetivos propostos sejam alcançados, isto é, a natureza do problema bem como o seu
nível de aprofundamento é que definem qual o método mais adequado. A classificação
utilizada por este autor é a divisão em duas abordagens: a quantitativa e a qualitativa.
Malhotra (2004, p.155) afirma: que a pesquisa qualitativa proporciona melhor visão e
compreensão do contexto do problema, enquanto a pesquisa quantitativa procura quantificar
os dados e aplica alguma forma da análise estatística. Assim, de acordo com o objetivo
proposto, foi escolhida a metodologia qualitativa, com uso de análise de conteúdo.
Segundo Flick (2004), o coração da pesquisa qualitativa é a interpretação dos dados, que
pode ser feita de diversas maneiras: gravações de situações cotidianas, interpretação
objetiva de textos, análise das conversas. A análise de documentos, textos, questionários
pode ser feita através da análise de conteúdo, que pode ser definida como a seguir:
Um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter, por procedimentos
sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores
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VII Jornada de Iniciação Científica - 2011
(quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições
de produção / recepção (variáveis inferidas) destas mensagens (BARDIN, 1977, p.37).
Principais Resultados
Foram analisados durante a pesquisa proposta 42 matérias no caderno especial da Folha de
S. Paulo para a Copa do Mundo de 2010, que continham informações, discussões e
opiniões diretamente relacionadas com os árbitros e suas respectivas atuações durante o
mundial entre os períodos de Maio de 2010 à Julho de 2010. Dessas matérias,
aproximadamente 64% já introduziam o tema arbitragem desde o título ou a linha fina,
conforme tabela abaixo:
Tabela 1: Manchetes específicas
Título da Matéria
Linha fina
Data
"Sexteto de arbitragem é analisado"
-
19/05/2010
"Técnico alemão crítica critérios de árbitro"
-
19/06/2010
"Malinês apita seu primeiro jogo em copa"
"Erro de juiz evita virada dos EUA"
Árbitro anula o que seria o gol da vitória
americana, após Eslovênia fazer 2 a 0 no
1o. Tempo
19/06/2010
19/06/2010
"Teixeira é vice do comitê de arbitragem"
21/06/2010
Árbitros se calam sobre erros cometidos por
"Telão com replay desagrada a juízes"
eles e reprisados durante os jogos nos
22/06/2010
estádios sul-africanos
22/06/2010
"Simulação tem indisciplina e até vuvuzela"
"Eles também são humanos, diz psicólogo"
-
22/06/2010
"Treinador sérvio põe culpa na arbitragem"
"Treinador bate nos árbitros e assopra"
-
24/06/2010
"Dentro"
"Inglaterra cai ante alemães com erro
crasso da arbitragem e final da copa de
1966 vem à tona subitamente na África do
Sul"
"Entidade põe imprensa na pele de
bandeirinha
"Fifa erra no gramado, na bola e na
arbitragem"
"Juiz ia anular o gol, diz mexicano"
"Maradona crítica jui, dá patada e, no fim,
sorri"
"Fifa pune o telão"
"Beneficiados por erro, alemães divergem
sobre tecnologia"
Melhores e ajudados pela arbitragem,
Alemanha e Argentina vão às quartas
-
O árbitro afirmou que era impedimento e
mudou de ideia depois', relata o atacante
Franco
Entidade se cala sobre erros de arbitragem,
mas diz que vai fiscalizar os replays para
evitar revolta de torcedores por marcações
equivocadas
Klose é favorável ao uso do chip na bola,
mas Khedira discorda
26/06/2010
28/06/2010
28/06/2010
28/06/2010
28/06/2010
28/06/2010
28/06/2010
29/06/2010
29/06/2010
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Universidade Presbiteriana Mackenzie
"Erramos"
"Árbitros se isolam e buscam união para
aguentar pressão"
"Fifa corta 2 juízes que erraram"
"Alemanha já reclama de catimba"
"Série B do apito"
Após dois erros crassos, Blatter volta atrás,
admite com parcimônia o uso da tecnologia
e ainda pede desculpas a mexicanos e
ingleses
30/06/2010
-
30/06/2010
30/06/2010
Schweinsteiger alerta para provocações dos
argentinos e pressão que exercem na
02/07/2010
arbitragem
Após excluir árbitros que erraram e ter de
evitar os da América do Sul, Fifa é obrigada
02/07/2010
a escalar juízes inexperientes para as
quartas
"Arbitragem faz técnico derrotado ironizar
FIFA"
"Inglês é o mais jovem a apitar final desde
1978"
-
04/07/2010
-
11/07/2010
"Prêmio Felipe Melo - as piores coisas da
Copa"
Arbitragem; Coletivas de Dunga; Cristiano
Ronaldo; Dancinha dos eslovenos; Seleção
francesa
12/07/2010
"Holanda repete posto Laranja mecânica e
da sua 2a. Versão, mas joga como time
pequeno e volta pra casa reclamando da
arbitragem
-
12/07/2010
Fonte: Autora
As matérias foram examinadas utilizando-se análise de conteúdo e técnica para o estudo de
documentos, que consiste em mecanismo metodológico aplicável aos mais diversos
discursos e plataformas de comunicação.
Sendo assim, verificou-se que dentre estas 27 matérias que continham manchetes
introdutórias ao assunto de arbitragem, 6 matérias possuíam uma abordagem grande e de
destaque, sendo que 5 destas eram as matérias principais da página, e todas possuíam
uma visão pejorativa em relação à arbitragem.
Tabela 2: Matérias de destaque
Título da Matéria
Destaque da Matéria
Qualificação
em relação à
arbitragem
"Telão com replay desagrada a juízes"
grande; intermediária
negativa
"Erro de juiz evita virada dos EUA"
"Inglaterra cai ante alemães com erro
crasso da arbitragem e final da copa de
1966 vem à tona subitamente na África do
Sul"
"Fifa pune o telão"
grande; principal
negativa
grande; principal
negativa
grande; principal
negativa
"Erramos"
grande; principal
negativa
"Série B do apito"
grande; principal
negativa
Fonte: Autora
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VII Jornada de Iniciação Científica - 2011
Dentre as outras matérias, 11 delas foram posicionadas no caderno como matérias
medianas. Dividas em matérias médias principais (2), secundárias (3) e intermediárias (6).
Sendo 6 matérias negativas e outras 5 neutras.
Tabela 3: Matérias médias
Título da Matéria
Destaque da Matéria
Qualificação
em relação à
arbitragem
"Alemanha já reclama de catimba"
"Arbitragem faz técnico derrotado ironizar
FIFA"
"Árbitros se isolam e buscam união para
aguentar pressão"
"Inglês é o mais jovem a apitar final desde
1978"
"Juiz ia anular o gol, diz mexicano"
média; intermediária
neutra
média; intermediária
negativa
média; intermediária
neutra
média; intermediária
neutra
média; intermediária
negativa
"Simulação tem indisciplina e até vuvuzela"
"Beneficiados por erro, alemães divergem
sobre tecnologia"
"Holanda repete posto Laranja mecânica e
da sua 2a. Versão, mas joga como time
pequeno e volta pra casa reclamando da
arbitragem
"Fifa erra no gramado, na bola e na
arbitragem"
média; intermediária
neutra
média; principal
neutra
média; principal
negativa
média; secundária
negativa
"Malinês apita seu primeiro jogo em copa"
"Maradona crítica juiz, dá patada e, no fim,
sorri"
média; secundária
negativa
média; secundária
negativa
Fonte: Autora
As demais matérias foram classificadas como matérias menores, tanto em relação aos seus
conteúdos quanto à disposição de página. Dentre essas matérias uma única foi encontrada
como matéria de capa qualificada como negativa, enquanto as outras como box de
informação adicional à matéria principal (5) - sendo apenas uma positiva, duas negativas e
outras duas positivas; gancho (2) – uma positiva e outra neutra; e pequena (2) – uma neutra
e outra negativa, conforme tabela abaixo:
Tabela 4: Matérias menores
Título da Matéria
Destaque da Matéria
Qualificação
em relação à
arbitragem
"Teixeira é vice do comitê de arbitragem"
box
negativa
"Treinador sérvio põe culpa na arbitragem"
"Treinador bate nos árbitros e assopra"
"Entidade põe imprensa na pele de
bandeirinha
"Prêmio Felipe Melo - as piores coisas da
Copa"
"Dentro"
box
positiva
box
neutra
box
neutra
box
negativa
capa
negativa
"Sexteto de arbitragem é analisado"
gancho
"Eles também são humanos, diz psicólogo" gancho
neutra
positiva
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Universidade Presbiteriana Mackenzie
"Técnico alemão critica critérios de árbitro"
"Fifa corta 2 juízes que erraram"
pequena; secundária
pequena; secundária
neutra
negativa
Fonte: Autora
Em uma análise geral em relação aos comentários da imprensa direcionados a arbitragem
da Copa do Mundo de 2010, no veículo pesquisado (Folha de São Paulo), é possível
observar que dentre estas 27 matérias com títulos diretamente ligados à arbitragem, 16
matérias possuem abordagem negativa, ou seja, aproximadamente 60% do total dessas
matérias classificam a arbitragem de maneira não satisfatória, de acordo com os jornalistas
e/ou comentaristas responsáveis pelas matérias. Desse modo, o restante de matérias
divide-se em neutras (9) e positivas (2), sendo que, como analisado nas tabelas anteriores,
a maioria das publicações classificadas entre neutras e positivas é de médio ou pequeno
destaque na página. A tabela abaixo sintetiza essas matérias e apresenta suas
qualificações.
Tabela 5: Qualificação das matérias em relação à arbitragem
Título da Matéria
"Malinês apita seu primeiro jogo em copa"
"Erro de juiz evita virada dos EUA"
"Teixeira é vice do comitê de arbitragem"
Linha fina
Árbitro anula o que seria o gol da vitória
americana,
após Eslovênia fazer 2 a 0 no 1o. Tempo
-
Qualificação
em relação à
arbitragem
negativa
negativa
negativa
"Telão com replay desagrada a juízes"
Árbitros se calam sobre erros cometidos por
eles e
negativa
reprisados durante os jogos nos estádios
sul-africanos
"Dentro"
Melhores e ajudados pela arbitragem,
Alemanha e
Argentina vão às quartas
"Inglaterra cai ante alemães com erro
crasso da arbitragem e final da copa de
1966 vem à tona subitamente na África do
Sul"
"Fifa erra no gramado, na bola e na
arbitragem"
"Juiz ia anular o gol, diz mexicano"
"Maradona crítica jui, dá patada e, no fim,
sorri"
"Fifa pune o telão"
"Erramos"
"Fifa corta 2 juízes que erraram"
-
negativa
negativa
O árbitro afirmou que era impedimento e
mudou de
ideia depois', relata o atacante Franco
negativa
Entidade se cala sobre erros de arbitragem,
mas diz que vai fiscalizar os replayes para
evitar revolta de torcedores por marcações
equivocadas
Após dois erros crassos, Blatter volta atrás,
admite com parcimônia o uso da tecnologia
e ainda pede desculpas a mexicanos e
ingleses
-
negativa
negativa
negativa
negativa
negativa
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VII Jornada de Iniciação Científica - 2011
"Série B do apito"
Após excluir árbitros que erraram e ter de
evitar os da América
do Sul, Fifa é obrigada a escalar juízes
inexperientes para as quartas
negativa
"Arbitragem faz técnico derrotado ironizar
FIFA"
-
negativa
"Prêmio Felipe Melo - as piores coisas da
Copa"
Arbitragem; Coletivas de Dunga; Cristiano
Ronaldo; Dancinha dos eslovenos; Seleção
francesa
negativa
"Holanda repete posto Laranja mecânica e
da sua 2a. Versão, mas joga como time
pequeno e volta pra casa reclamando da
arbitragem
-
negativa
"Sexteto de arbitragem é analisado"
-
neutra
"Técnico alemão crítica critérios de árbitro"
-
neutra
"Simulação tem indisciplina e até vuvuzela"
"Treinador bate nos árbitros e assopra"
"Entidade põe imprensa na pele de
bandeirinha
"Beneficiados por erro, alemães divergem Klose é favorável ao uso do chip na bola,
sobre tecnologia"
mas Khedira discorda
"Árbitros se isolam e buscam união para
aguentar pressão"
Schweinsteiger alerta para provocações dos
"Alemanha já reclama de catimba"
argentinos e pressão que exercem na
arbitragem
"Inglês é o mais jovem a apitar final desde
1978"
"Eles também são humanos, diz psicólogo"
"Treinador sérvio põe culpa na arbitragem"
-
neutra
neutra
neutra
neutra
neutra
neutra
neutra
positiva
positiva
Fonte: Autora
As publicações analisadas contêm algumas palavras-chave ou até mesmo discussões que
se repetem por diversas matérias.
Ao longo do material selecionado é possível perceber que esses comentários variam desde
manchetes de capa, passando por análises de jogos até chegarem às colunas dos principais
autores esportivos do jornal.
Mesmo que a busca do jornalismo seja por imparcialidade e relatos da verdade cotidiana do
mundo atual, é possível encontrar uma ordem muito uniformizada dos comentários
expressos da Folha de S. Paulo durante o período analisado. Se pararmos para pensar,
esse momento da Copa do Mundo de 2010 foi a oportunidade perfeita para que os
jornalistas e colunistas expressassem tudo que realmente pensam sobre a arbitragem, pois
de fato o comentário geral desde especialistas até leigos e fãs de futebol foi que realmente
aconteceram erros crassos e inadmissíveis por parte da arbitragem nesta Copa do Mundo.
Por esse motivo, foram selecionados alguns assuntos específicos e que remetem aos
comentários encontrados nas publicações do jornal, afim de verificar as discussões que
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Universidade Presbiteriana Mackenzie
mais estiveram em pauta e quais foram as ações mais comentadas durante esse período de
Copa do Mundo.
Expressões que diretamente citavam a arbitragem são as que mais foram publicadas e foi a
categoria de palavras que com destaque mais repetiu os termos e mais apareceu nas
publicações. Termos profissionais que nos remetem a arbitragem, ao trio de árbitros ou aos
auxiliares. Como pode-se verificar na tabela a seguir.
Tabela 6: Categoria Arbitragem
Palavra-chave
Quantidade
Arbitragem
59
Árbitro
58
Juiz
42
Erro de arbitragem
32
Assistentes
15
Bandeirinha
3
Auxiliar
1
Auxiliares extras
1
Fonte: Autora
Na sequência, a próxima categoria condiz com a segunda maior repetição das palavras
publicadas. Essas palavras dizem respeitos às penalidades, marcadas ou não pela
arbitragem, mas que possuem ligação direta com e trio de arbitragem nos jogos, ou mesmo
nos comentários de jogadores e técnicos.
Tabela 7: Categoria Penalidades
Palavra-chave
Quantidade
Anulação (gol)
12
Falta
11
Impedimento
11
Pênalti
9
Expulsão
5
Cartão Amarelo
4
Cartões
3
Cartão Vermelho
2
Fonte: Autora
Seguindo a mesma ordem, é possível observar a categoria “Tecnologias do Futebol”. Ainda
que não tenha aparecido tanto nas publicações, essa categoria esteja representando umas
das maiores discussões do futebol, relacionados a arbitragem, dos últimos tempos. Isto
porque em um mundo onde tudo tem se tornado digital e tem convergido para a agilidade e
precisão por meio das máquinas, se esse tipo de tecnologia fosse aplicado às regras do
futebol os resultados poderiam ser mais justos e até facilitaria o trabalho do trio de
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VII Jornada de Iniciação Científica - 2011
arbitragem. Portanto, as opiniões a cerca desses mecanismos que vão desde o replay e a
possibilidade de voltar na marcação após os árbitros verem no replay que foi ou não uma
falta passível de marcação, até o chip na bola pra dizer o que aconteceu veementemente
com ela quando os olhos humanos não são capazes de distinguir. Além disso, discussões
pertinentes a esse campo do esporte devem ser cada mais vez mais recorrentes devido a
demanda do mundo atual.
Tabela 8: Categoria Tecnologia no Futebol
Palavra-chave
Quantidade
Replay
13
Tecnologia
9
Chip na bola
2
Fonte: Autora
Por fim, a última categoria – Contestações – aparece com menos grau de notabilidade, mas
decidiu-se por compor essas categorias devido ao seu teor de discussão explicito, tanto por
parte de jogadores, comentaristas e os próprios torcedores.
Tabela 9: Categoria Contestações
Palavra-chave
Quantidade
Polêmicas
3
Protestos
2
Fonte: Autora
Considerações sobre os resultados
As matérias analisadas ao longo das publicações feitas pelo jornal Folha de S. Paulo em
seu caderno especial Copa do Mundo, trazem alguns aspectos marcantes no tocante à
Arbitragem e aos comentários em relação às atuações durante o mundial.
As discussões em torno da arbitragem começam, na verdade, antes mesmo do início da
Copa do Mundo. Na matéria intitulada “Fifa proíbe a ‘little stop’ brasileira na Copa de 2010” ,
em 19 de maio de 2010, o periódico já fornece algumas informações a cerca da arbitragem
para o mundial.
A partir de então o assunto começa a vir à tona. Mais expressivo, claro, quando o mundial
entre seleções começa.
Já no dia 19 de junho de 2010, após um erro da arbitragem no jogo entre Eslovênia e
Estados Unidos, em que o juiz malinês Koman Coulibaly anulou um gol da seleção
americana no dia anterior. A manchete da matéria aponta que foi o primeiro jogo em que
este juiz apitou em uma Copa do Mundo. A reportagem traz um breve panorama de sua
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Universidade Presbiteriana Mackenzie
carreira e seus principais jogos apitados, mas o destaque maior é para as citações dos
jogadores americanos.
Já o colunista Tostão, também no dia 19 de junho de 2010 assinalou que os árbitros
“continuam a influenciar nos resultados das partidas”.
A próxima matéria de efeito sobre os juízes data do dia 22 de Junho de 2010. A matéria
“Telão com replay desagrada juízes”, mostra um tema que será discutido por mais algumas
vezes pelo jornal e pela mídia em geral durante a Copa de 2010. Nessa matéria o foco está
na negligência dos árbitros em relação aos erros que todos conseguem rever no telão
durante os jogos.
Em 28 de Junho de 2010, o periódico dedica uma chamada de capa para a influência da
arbitragem no resultado e na classificação da Alemanha e da Argentina para as quartas de
final do campeonato (“Melhores e ajudados pela arbitragem, Alemanha e Argentina vão às
quartas”). As respectivas matérias dentro do caderno ressalvam os erros da arbitragem
desde a manchete, dentro do texto até boxes dentro das matérias.
Um destaque interessante é para uma pequena chamada, também do dia 28 de junho de
2010. A nota “Entidade põe imprensa na pele de bandeirinha”, mostra a tentativa da FIFA de
minimizar o peso que a imprensa esportiva joga sobre a arbitragem. Em um evento especial
a entidade convidou jornalistas para serem bandeirinhas por um dia: dentro de campo eles
seriam testados em impedimentos, com direito a treinamento físico, simulações de
exercícios e o exaustivo som das vuvuzelas durante a experiência.
A matéria “Fifa pune o telão”, de 29 de Junho de 2010, traz novamente a tona o assunto da
tecnologia no futebol. A entidade máxima FIFA se cala perante os erros cometidos pela
arbitragem, mas ressalva que irá fiscalizar os replays para evitar “revolta de torcedores por
marcações equivocadas”. Ou seja, ele escolherá a dedo o que vai reprisar para evitar que
um erro arbitrário seja colocado em debate pelos torcedores e comentaristas durante a
partida.
Talvez a próxima matéria seja a mais importante dentre todas as outras citadas, bem como
todas as publicações durante a Copa do Mundo no caderno especial da Folha de S. Paulo.
A matéria “Erramos” publica uma reportagem especial sobre os erros de arbitragem, os
depoimentos da FIFA sobre esse acontecimentos e ainda um quadro com os “principais
vilões da arbitragem na Copa de 2010”, com fotos e dados sobre esses árbitros. A página
dupla do dia 30 de junho de 2010 traz ainda uma matéria menor sobre a isolação e união
dos árbitros em si para agüentar toda essa pressão e por fim, uma matéria menor falando
que dois juízes foram cortados da Copa, pela FIFA, por conta de seus erros. A publicação
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VII Jornada de Iniciação Científica - 2011
de fôlego fornece um panorama sobre a atuação da arbitragem e esmiúça cada detalhe que
envolve esse assunto.
A partir disso, o colunista Juca Kfouri mostra sua opinião no dia 1º de Julho de 2010
comentando essas declarações da FIFA, bem como os erros da arbitragem.
A segunda matéria mais completa e direcionada aos árbitros é intitulada “Série B do apito”, o
trocadilho na chamada já demonstra o teor negativo da matéria, que mostra a falta de
qualidade dos árbitros para a Copa, comparando-os com a série secundária de
campeonatos, ou seja, aqueles que não são os melhorem jogam e apitam a série B.
Em um ranking chamando “Prêmio Felipe Melo” (por conta da sua má atuação nos jogos
pela seleção), a Folha de S. Paulo elenca as piores coisas da Copa: em primeiro lugar a
arbitragem, nas sequência: as coletivas de Dunga (técnico em 2010 da seleção brasileira;
Cristiano Ronaldo cuspindo para a câmera; dancinha dos eslovenos nas comemorações e
por fim a seleção francesa.
Dentre as 42 matérias analisadas, essas acima citadas foram as que mais tiveram
relevância em relação a direção da matéria ou das manchetes. Em ambas o teor das
matérias era negativo. Com exceção da primeira aqui citada, que possuía um caráter neutro
em relação a uma decisão da FIFA.
Entretanto, ao analisar as matérias e resultados coletados ao longo da pesquisa é possível
observar que a maioria das publicações do jornal Folha de S. Paulo são de caráter negativo.
Esses e mais alguns outros resultados serão mais aprofundados a seguir.
Conclusão
O que se pode concluir ao longo dessa análise foi uma forte tendência jornalística de
esmiuçar aquilo que se tem de negativo sobre um acontecimento.
Ao longo das análises feitas no jornal Folha de S. Paulo, que destinou um caderno exclusivo
em sua publicação durante o período da Copa do Mundo de 2010, foi possível observar que
o assunto Arbitragem estava presente em diversos textos e publicações. Não por uma
vontade própria do jornal. É claro que para aqueles que acompanham a rotina do futebol
aconteceram coisas na África do Sul relativas a arbitragem que realmente destoaram das
outras exibições do mundial no quesito à qualidade dos árbitros bem como no teor das
polêmicas que mantinham alguma relação com estes.
Ainda assim, dos dezenove trios de arbitragem que foram escalados para as oitavas de final
da Copa do Mundo (o que resultam em aproximadamente 57 profissionais só nas oitavas de
final) certamente não foram todos estes que cometeram erros tão relevantes que
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Universidade Presbiteriana Mackenzie
comprometeriam o resultado das partidas. No entanto, não foi possível encontrar em
nenhuma das publicações feitos positivos ou atuações descentes dos árbitros nas matérias
assinadas e disponibilizadas pela Folha de S. Paulo.
Observando o contexto histórico da atividade de árbitros no futebol é possível notar que os
desafios são quase que constantes nessa “profissão”, desde a luta da classe feminina para
entrar nesse ramo quanto à busca pela profissionalização e reconhecimento dos árbitros
demonstra que historicamente é um ramo do futebol que necessita de maior atenção e de
mais responsabilidade tanto para dignificar os profissionais quanto melhorar o nível e a
qualidade das exibições profissionais de futebol.
Contudo, existe uma batalha em que jogadores, mídia e torcedores jogam de um lado,
enquanto a arbitragem no geral fica do outro. Alguns veem a figura do árbitro como um
inimigo em campo, que ao invés de estar ali para ajudar estão lá para atrapalhar. Essa
concepção em parte é reforçada pela imprensa e não digo só a impressa, mas também os
outros tipos de mídia.
Essa visão e interpretação por parte desses grupos pode estar ligadas ao modo como a
imprensa nos fornece essa informações. De acordo com os autores Camargo, Marques e
Carvalho (2005) “o jornalismo esportivo, embora represente espaço privilegiado em nossa
mídia, não se caracteriza pela excelência profissional, nem se projeta como uma experiência
madura do ‘fazer jornalismo’”.
É possível concluir então que os árbitros são constantemente mal interpretados e por vezes
ultrajados por pessoas que nem sempre possuem um embasamento válido nas Regras do
Jogo; muitos que se dizem especialistas pouco entendem sobre a regra em si. Assim, os
recursos tecnológicos que deveriam ajudar o público, por vezes colocam em xeque a
integridade e seriedade da arbitragem e levam a discussões que muitas vezes nem eram
necessárias, mas que duram por tempos nos programas de debate futebolístico e nas
páginas dos jornais.
Essas atitudes e polêmicas geradas pela imprensa podem levar a torcida e até mesmo os
jogadores - que possuem um contato maior com o árbitro na hora da partida - a colocarem
em prática aquilo que ouviram por meio de xingamentos e provocações muitas vezes
equivocadas e desnecessárias. O que coloca ainda mais em destaque a complexidade da
atividade do árbitro de futebol junto com a dos seus assistentes.
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VII Jornada de Iniciação Científica - 2011
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Contato: [email protected] e [email protected]
20
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Amanda Silva Vieira da Costa