1 UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE - BIGUAÇU CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM A ENFERMAGEM NO CUIDADO DA SAÚDE BUCAL EM PORTADORES DE DIABETES MELLITUS FLÁVIA DE SOUZA FERNANDES LEMONIE HEVELIN ALINE DA SILVA BIGUAÇU (SC) 2010 2 FLÁVIA DE SOUZA FERNANDES LEMONIE HEVELIN ALINE DA SILVA A ENFERMAGEM NO CUIDADO DA SAÚDE BUCAL EM PORTADORES DE DIABETES MELLITUS Trabalho de Conclusão do Curso de Graduação em Enfermagem apresentado como requisito parcial para obtenção de créditos curriculares do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade do Vale do Itajaí – Biguaçu. Orientadoras: Prof.ª Msc.ª Helga Regina Bresciani e Prof.ª Ana Cristina O. da S. Hoffmann. BIGUAÇU (SC) 2010 3 FLÁVIA DE SOUZA FERNANDES LEMONIE HEVELIN ALINE DA SILVA A ENFERMAGEM NO CUIDADO DA SAÚDE BUCAL EM PORTADORES DE DIABETES MELLITUS Esta Monografia foi julgada adequada para obtenção do título de Enfermeiro e aprovada em sua forma final pelo Curso de Enfermagem da Universidade do Vale de Itajaí, Centro de Educação Biguaçu. Biguaçu, dezembro de 2009. Banca Examinadora: Profª. Msc. Ana Cristina Oliveira da Silva Hoffmann UNIVALI – CE de Biguaçu Orientadora Prof.ª Msc. Helga Regina Bresciani UNIVALI – CE de Biguaçu Co-orientadora e Membro Profª. Mda Janelice de Azevedo Neves Bastiani UNIVALI – CE de Biguaçu Membro 4 Aos nossos familiares. Aos pacientes entrevistados, pela disposição e carinho. Aos amigos e mestres, que nos deram apoio nessa trajetória. 5 AGRADECIMENTOS Gerais: Queremos agradecer primeiramente a Deus por iluminar nossos caminhos e se fazer presente em nossos corações demonstrando o seu poder, pelo dom da vida dado por ele e por poder ter compartilhado este trabalho com pessoas que foram nossos heróis e nos deram grande apoio, carinho, companheirismo e amor! A todos os pacientes entrevistados, pelo acolhimento, disposição e carinho na participação da pesquisa. A todos os professores, nossos mestres que nos deram apoio nessa trajetória: em especial: • A Helga Bresciani, você foi muito mais que uma professora, foi amiga. Além de profissional excelente, é um ser humano maravilhoso, conviver com você nos fez querer o melhor de nós, te admiramos muito. • A Ana Hoffman, por sua competência profissional e parceria com os alunos e pelo acolhimento deste trabalho com dedicação e incentivo, obrigada! • A Janelice Bastiani, pela disponibilidade, contribuição e carinho demonstrado nesta etapa. • E a você, Maria Lígia, nossa querida coordenadora, pela sensibilidade, disponibilidade e atenção prestada em todos os momentos de nossa vida acadêmica. Muito Obrigada! De Flávia: Aos meus Pais Aníbal Costa Almeida e Terezinha de Souza Fernandes meu muito obrigado, pois vocês foram e sempre serão as pessoas que fizeram tudo para que eu me tornasse o que sou hoje. Aos meus queridos irmãos: Maria Aparecida de Souza Raimundo, Aníbal de Souza Fernandes e Flávio de Souza Fernandes Almeida que são mais, muito mais que um simples DNA semelhante. Amo muito vocês. As minhas lindas e amáveis filhas, Djully, Miriã e Sarah que me fazem acordar todos os dias com vontade de viver cada vez mais. Perdão pelas horas ausentes, mamãe só espera que vocês entendam o motivo de tudo isso. Vocês são a razão do meu viver. Aos meus familiares em especial a minha tia Maria das Dores Costa por me acolher em sua casa quando cheguei nesta cidade, a minha prima Clarice dos Santos por ser mais que uma prima e sim uma grande amiga e companheira nas horas mais difíceis e a minha cumadre Daniela por estar ao meu lado em todos os momentos. 6 A minha mais que amiga Márcia Rosani Farias Koerich. Incomparável é o sentimento que sinto por você, pois além de apoio, carinho, companheirismo e amor eu aprendi a ter serenidade, ética e acima de tudo aprendi a valorizar certas coisas que meus olhos não eram capazes de enxergar se não fosse você. Muito obrigada. As minhas amigas ACDs Marilini, Idevalda, Jezebel e Evania pelas trocas de plantões. A toda equipe da UPA pelo apoio e aprendizado e ao Rubens Toshio pela compreensão dos atrasos ao assumir os plantões. Você é um exemplo de ser humano. Quero muito agradecer também a todos os colegas de turma, especialmente a Jaqueline pela cumplicidade, Francielle pelas caronas, Valdecir pela amizade, Piera pelas risadas e Hevelin por ser alguém que chegou de mansinho e conquistou a todos com seu jeitinho. Você é admirável, companheira de verdade, mais que uma dupla. Foi bom conviver com vocês. Muito obrigado! De Hevelin: Ao meu pai Salesio, pelo esforço dedicado durante esses quatro anos de luta em nossas vidas, nunca vou conseguir lhe agradecer à altura, espero somente poder tido te orgulhar e continuar te orgulhando sempre. Muito obrigada, se não fosse você, eu não estaria concretizando esta realização, você é minha vida. Eu te amo! Ps. E a minha pai? A minha mãe Solange, por ter carregado junto o peso dessa trajetória, tendo que se abdicar de muitas coisas nessa fase por mim. Por se orgulhar de minha profissão e sempre acreditar em meu potencial. Você além de mãe é minha grande amiga. Eu te amo muito! Enfim aos dois, por esses longos quatro anos em que muitas vezes renunciaram dos seus sonhos em favor dos meus, MUITO OBRIGADA! Aos meus queridos irmãos Everton e Halisson e minhas cunhadas Analú e Mylene por estarem sempre presentes em minha vida tornando meus momentos inesquecíveis e alegres. Vocês são acima de tudo, meus amigos, amo de verdade! Ao Gil, por ter compartilhado de muitos momentos importantes de minha vida. Pelo apoio, incentivo e carinho em todo esse tempo. Obrigada por tudo que fez e ainda faz por mim! Eu te amo bum! A todos os meus familiares por vibrarem com minhas conquistas. Aos colegas de turma, de fases, de momentos incomparáveis. Obrigada a todos que participaram do início e do fim de minha trajetória e aqueles que me receberam de braços abertos. Em especial aos colegas de estágios, de estudos e de diversões, 7 principalmente Jaque, Karol e Flávia... ao longo de todo esse tempo, com certeza vocês conquistaram um espaço eterno no meu coração. Passamos por muitos momentos difíceis, mas hoje estamos aqui firme e forte! Obrigada por tudo, eu adoro vocês! 8 A ENFERMAGEM NO CUIDADO DA SAÚDE BUCAL EM PORTADORES DE DIABETES MELLITUS LEMONIE, Flávia de Souza Fernandes; 1 SILVA, Hevelin Aline da. 2 RESUMO Esta pesquisa tem como objetivo desvelar a adesão da população diabética atendida pela Enfermagem no contexto da Estratégia na Saúde da Família de um bairro no município de Biguaçu sobre o cuidado da saúde bucal. Indo ao encontro com a proposta teórica de Imogene King, onde o Enfermeiro deve informar aos pacientes os aspectos de cuidados à saúde para ajudá-los a tomar medidas e decisões conscientes. Sua estrutura se baseia no fato de que o foco da enfermagem é o cuidado de seres humanos. É uma pesquisa qualitativa de caráter descritivo exploratório, e como estratégia se utiliza a modalidade convergente assistencial. Nos dias atuais, a Diabetes Mellitus (DM) se traduz como uma epidemia mundial, sendo um grande desafio para o Sistema de Saúde. A relação entre DM e doença periodontal, tem sido estudada apenas considerando formas clínicas diretas, e não a percepção do indivíduo na contribuição dos cuidados de saúde bucal, desta forma, o estudo resultou na estruturação das seguintes categorias de análise: O Cuidado a Saúde Bucal e Limitações, onde percebemos o pouco conhecimento dos entrevistados e, além disso, evidenciamos que as orientações e os cuidados neste âmbito não foram realizadas durante a consulta de enfermagem, não apresentando uma forte relação na participação da manutenção da saúde bucal dos pacientes portadores dessa doença. Sendo assim, surge neste trabalho uma proposta para que o enfermeiro interaja no estabelecimento e alcance de metas de saúde propiciando o desenvolvimento de ações que facilitem o acesso á informação, controle e tratamento neste tema tão pouco abordado. Palavras-Chave: Enfermagem. Saúde bucal. Diabetes Mellitus. 1 2 Dados da autora 1 Dados da autora 2 9 NURSING AND THE ORAL CARE OF INDIVIDUALS WITH DIABETES MELLITUS LEMONIE, Flávia de Souza Fernandes; 3 SILVA, Hevelin Aline da. 4 ABSTRACT The purpose of this research is to unveil the participation of the diabetic population attended by the Nursing team on the context of Strategy for the Family Health program within a neighborhood in the municipality of Biguaçu with regards to oral care. The study meets the proposal of Imogene King, where the Nurse must inform the patients of the aspects of health care to help them take steps and conscious decisions. It is grounded on the fact that nursing is the care of the human being. It is a qualitative research with explorative character and the convergent assistance modality. In the modern days Diabetes Mellitus (DM) stands as a world epidemic, and a big challenge for the Health System. The relation between DM and periodontal disease has been studied only with regards to direct clinical forms and not the perception of the individual on the contribution with the oral care, thus, the study resulted in the structuring of the following analysis categories: The Oral Health Care and Limitations, where we perceived the little knowledge of the individuals interviewed and besides, we note that the guidance and care in this aspect haven’t been offered during the nursing consultation and it did not have a strong part in the maintenance of oral health for patients who have such disease. So a proposal arises in this work for the nurse to interact for the establishment and reach of health targets providing the development of actions that facilitate access to information, control and treatment of this theme which is so little approached. Key-words: Nursing. Oral Health. Diabetes Mellitus. 3 4 Author 1 Author 2 10 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO........................................................................................................12 2 OBJETIVOS............................................................................................................15 2.1 Objetivo Geral.......................................................................................................15 2.2 Objetivos Específicos...........................................................................................15 3 REVISÃO DE LITERATURA..................................................................................16 3.1 Diabetes Mellitus e Doença Periodontal...............................................................16 3.2 Saúde Bucal na Estratégia de Saúde da Família.................................................19 3.3 Cuidado e Orientação Adequada versus Percepção do Paciente.......................22 4 REFERENCIAL TEÓRICO......................................................................................25 4.1 Apresentando Imogene King................................................................................25 4.2 Pressupostos da Teoria do Alcance dos Objetivos..............................................26 4.3 Pressupostos das Autoras...................................................................................27 4.4 Conceitos..............................................................................................................27 5 METODOLOGIA.....................................................................................................30 5.1 Contexto da Pesquisa..........................................................................................30 5.2 Sujeitos da Pesquisa............................................................................................31 5.3 Coleta de Dados...................................................................................................32 5.4 Análise dos Dados:...............................................................................................32 5.5 Preceitos Éticos....................................................................................................33 6 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS DADOS..................................................34 7 RELAÇÃO DA PESQUISA COM A PROPOSTA DE IMOGENE KING.................43 8 PROPOSTA DE EDUCAÇÃO EM SAÚDE.............................................................44 9 CONSIDERAÇÕES FINAIS....................................................................................46 10 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.....................................................................48 11 APÊNDICES...............................................................................................................51 Apêndice A – Termo de Esclarecimento....................................................................52 Apêndice B – Questionário Semi-Estruturado............................................................54 Apêndice C – Solicitação de Autorização para Realização da Pesquisa...................55 ANEXOS....................................................................................................................56 Anexo 1 – Termo de Compromisso de Aceite de Orientação....................................57 Anexo 2 – Parecer de Aprovação pelo Comitê de Ética............................................58 12 1 INTRODUÇÃO Diabetes Mellitus (DM) é uma doença crônica caracterizada por deficiência parcial, total ou resistência à ação da insulina. Traz consigo alterações metabólicas, além de suas complicações crônicas como neuropatia, nefropatia e retinopatia. Também se associam a este elenco de questões os problemas bucais, sendo a doença periodontal uma complicação com grande prevalência e gravidade (ALVES et al, 2007). No âmbito epidemiológico, temos uma epidemia global que já atingiu 194 milhões de pessoas no mundo, sendo que estes podem ser indicadores do crescente impacto causado nas complicações da saúde bucal. Portanto, vários fatores de vida podem ser afetados por problemas de origem bucal, como a alimentação, vida social, atividades diárias, bem estar do indivíduo, afetando na sua qualidade de vida e até mesmo produzindo outras doenças derivadas (SANTANA, et al. 2007). Nos dias atuais, a DM se traduz como uma epidemia mundial, sendo um grande desafio para o Sistema de Saúde A relação entre DM e doença periodontal, tem sido estudada apenas considerando formas clínicas diretas, e não a percepção do indivíduo na contribuição dos cuidados de saúde bucal (BRASIL, 2006 A; SANTANA, et al. 2007). E é justamente nesta questão levantada, que queremos estudar em nossa pesquisa, avaliando não o tratamento clínico que é oferecido durante as consultas odontológicas, mas sim as informações oferecidas ao paciente relacionado ao seu problema e de que forma ocorre a adesão a essas orientações. Pois, acreditamos ser um compromisso social e profissional da Enfermagem quanto a responsabilidade de avaliar os efeitos dessas informações em âmbito domiciliar. Este profissional deve participar, como integrante da equipe de saúde, das ações que visem satisfazer as necessidades de saúde do ser humano na sua integralidade. Alves et al (2007) descrevem a doença periodontal como um processo inflamatório que ocorre na gengiva em resposta a antígenos bacterianos, e sua progressão e agressividade podem ser influenciadas a fatores associados a diabetes mellitus. Para Unfer e Saliba (2000), não só os fatores biológicos são capazes de influenciar o ritmo e a expansão de uma doença, pois existem outros fatores 13 interligados nesta questão, sendo eles fatores sociais, econômicos, educacionais, culturais, éticos e políticos do país. Com base na LDB – lei nº 9394/96, no contexto político cita-se apoio a ações que promovam o desenvolvimento social que possibilitem o acesso ao saneamento básico, incentivo a fluoretação das águas de abastecimento, garante o trabalho de combate ao fumo e uso de álcool (BRASIL, 2004). A Portaria 1.444 28 de Dezembro de 2.000, preconiza a ampliação do acesso da população brasileira às ações de promoção, prevenção e recuperação da saúde bucal. A necessidade de melhorar os índices epidemiológicos da saúde bucal da população e incentivar a reorganização da saúde bucal na atenção básica, por meio da implantação de suas ações da Estratégia de Saúde da Família, bem como incentivar financeiramente, qualificar e definir o trabalho e as relações em equipe (BRASIL, 2000). Ao tratar sobre ações educativas, deve-se fortalecer autonomia dos usuários no controle do processo saúde-doença, através do fornecimento de instrumento para condução de seus hábitos, respeitando a cultura local. O planejamento dessas ações deve ser feito em conjunto com a equipe multiprofissional, relacionado às condições de vida e aos fatores de risco para várias doenças. (BRASIL, 2006 A). O levantamento realizado pelo Ministério da Saúde em nível nacional, sobre saúde bucal no Brasil, finalizado em 2003, demonstrou a importância de agravos relacionados a DM e reforçou a necessidade de que os Serviços de Saúde estejam padronizados para intervir e controlá-los, sendo de fundamental importância e responsabilidade da equipe de saúde, a interferência positiva no quadro sanitário da saúde bucal brasileira. A integralidade das informações oferecidas e a avaliação de recebimento das mesmas, poderiam contribuir e muito para diminuição deste impacto social referente a saúde bucal. (BRASIL, 2006 C). Para Botazzo, citado por Unfer e Saliba (2000), é preciso inserir aspecto de natureza cultural e antropológico que determinam os comportamentos em relação a saúde bucal, sendo necessário superar a relação unívoca e autoritária, normalmente presentes nos programas de saúde em que a população é reduzida a objeto recebedor de serviços, sem expectativas ou vontades próprias. Os Serviços de Saúde devem ter consigo a responsabilidade de uma proposta humanista nas ações de saúde bucal, contribuindo com os usuários na forma de respostas à sua dor, angústia, problemas e aflições de modo a não 14 produzir apenas consultas e atendimentos sem um adequado conhecimento da realidade da saúde bucal do indivíduo de cada localidade, avaliando as condições de vida da população determinando um estado de permanente prevenção, promoção, e recuperação da saúde bucal (BRASIL, 2004). Oportuno se faz considerar a importância dos serviços públicos de saúde, tendo como suporte uma política de saúde em nível nacional que contemple os esforços das unidades locais na promoção da saúde bucal da população. Importa buscar viabilidade na medida em que os princípios e diretrizes que regem a implantação do Sistema Único da Saúde (SUS) no Brasil sejam definitivamente consolidados em todos os municípios brasileiros. Vale indicar a necessidade do desenvolvimento de programas específicos com estratégias que minimizem os efeitos negativos da doença periodontal em indivíduos portadores de DM (BRASIL, 2004). Portanto, se faz necessário na formação do profissional enfermeiro a competência que possibilite o desenvolvimento de seu espírito crítico e de seu papel de educador, além de uma capacidade humanizadora entre as relações do poder, do saber e do fazer, tendo como conseqüência à adesão correta da população diabética sobre o cuidado e a prevenção dos riscos a saúde que esta pode causar (SANTANA, et al. 2007). Diante da importância e relevância do tema do cuidado da saúde bucal do paciente diabético consubstanciamos as reflexões sobre os dados que embasam o presente estudo, formulamos a seguinte questão norteadora: Qual a adesão da população diabética atendida pela Enfermagem no contexto da Estratégia da Saúde da Família de um bairro do município de Biguaçu sobre o cuidado da saúde bucal? 15 2 OBJETIVOS 2.1 Objetivos Gerais: - Desvelar a adesão da população diabética atendida pela Enfermagem no contexto da Estratégia da Saúde da Família de um bairro do município de Biguaçu sobre o cuidado da saúde bucal. 2.2 Objetivos Específicos: - Identificar o portador de Diabetes Mellitus e as dificuldades encontradas com referência a saúde bucal da Estratégia da Saúde da Família de um bairro do município de Biguaçu. - Descrever as características do Serviço de Atenção Básica de Saúde relacionada ao cuidado da saúde bucal de pacientes diabéticos. - Propor referenciais apropriados no contexto das relações entre a abordagem profissional da Enfermagem e adesão da população diabética sobre o cuidado da saúde bucal através de práticas educativas. 16 3 REVISÃO DE LITERATURA 3.1 Diabetes Mellitus e Doença Periodontal Diabetes Mellitus é considerado pela Organização Mundial de Saúde e pela Federação Internacional de Diabetes como uma epidemia global, que atinge aproximadamente 194 milhões de pessoas no mundo. Estima-se que no Brasil, 7,6% da população, na faixa etária de 30 a 69 anos, sejam portadores dessa enfermidade sistêmica (SANTANA, et al. 2007). Enfermidade esta, que é considerada problema de saúde pública prevalente, em ascendência, oneroso do ponto de vista social e econômico e com potencial reconhecido para prevenção. Em países em desenvolvimento, como o Brasil, está previsto aumento da prevalência de DM de 170% no período 1995 a 2025, mesmo em países desenvolvidos, apesar do acesso fácil a cuidados contínuos de saúde e avanços tecnológicos, a prevalência do diabetes está aumentando e intervenções com a finalidade de prevenir tal condição, como atividade física e dieta, são sub utilizados (GEORG, et al, p. 453, 2005). Por ser considerada uma das principais doenças crônicas que afetam o homem moderno, sua importância nas últimas décadas vem crescendo, em decorrência de vários fatores, tais como: maiores taxas de urbanização, industrialização, sedentarismo, obesidade, aumento da esperança de vida e maior sobrevida dos diabéticos (CAMARGO et al, 2004). Acredita-se que a abordagem epidemiológica da condição periodontal e sua associação com doenças sistêmicas, como a DM, podem oferecer importante contribuição para previnir suas complicações (CAMARGO et al, 2004). Para Camargo et al. (2004), o paciente diabético tem mudanças do estado geral de saúde com complicações precoces e tardias próprias de seu estado sistêmico, tais como tendência a sangramento bucal, promoção, complicações em transtornos periodontais pré-existentes e pobre resposta cicatricial. Tais mudanças sistêmicas podem refletir no meio bucal. Além disso, a falta de cuidados com a higiene oral pode afetar a saúde bucal destes pacientes, resultando em mais cáries, doenças periodontais e lesões bucais. A doença periodontal, é a complicação mais comum no paciente com DM, trata-se da infecção localizada da gengiva e dos tecidos de sustentação dos dentes, 17 manifestando-se através de gengivas edemaciadas, hiperemiadas, dolorosas e sangrantes, como também halitose, amolecimento e perda dos dentes. Usualmente as periodontites relacionadas a doenças sistêmicas são causadas pela placa bacteriana e exacerbadas pela condição sistêmica. (BRASIL, 2006 B). Considera-se que o padrão de doença periodontal tem relação com a microbiota presente e é modificado pela situação sistêmica. Outro ponto de vista se refere ao fato da infecção periodontal poder dificultar o controle metabólico dos níveis glicêmicos em pacientes diabéticos, uma vez que o paciente diabético, frente a qualquer infecção no organismo, pode apresentar um descontrole metabólico. Adicionalmente, verificou-se que a DM pode influenciar não apenas a prevalência e gravidade da periodontite, como também a progressão da doença (CAMARGO et al, 2004). Os mecanismos pelo qual a DM pode contribuir para a periodontite incluem mudanças vasculares, disfunção de neutrófilos, síntese de colágenos e predisposição genética além de mudanças da microbiota da gengiva (CAMARGO et al, 2004). A DM aumenta significativamente a atividade bacteriana na boca. O filamento que conecta o dente com a mandíbula e o tecido epitelial que a cobre são gradualmente deteriorados pela placa dental, a camada de bactérias orais que a cobre, negligencia o dente. O processo indolor, eventualmente, leva a perda do dente. Altos níveis de açúcar no sangue aumentam o risco, progressão e severidade da doença periodontal. Níveis de açúcar no fluido periodontal, que se assemelha a saliva, mas é liberada pelas bolsas gengivais, esconde as células responsáveis pela manutenção e reparo da gengiva. Pequenos vasos sanguíneos na gengiva desenvolvem paredes espessas, acumulando colesterol e reduzindo o oxigênio fornecido ao tecido, assim promovendo inflamação em um ciclo vicioso (UNWIN et al, 2005). Segundo, Unwin et al. (2005), ao mesmo tempo, a doença periodontal pode impedir uma tentativa do diabético de equilibrar sua glicose/níveis de açúcar, assim tratando a doença da gengiva, o paciente pode melhorar o controle de sua glicemia. Sendo a doença periodontal um processo inflamatório na gengiva em resposta a antígenos bacterianos da placa dentária que se acumulam ao longo da margem gengival, diversos outros fatores associados a diabetes, também podem influenciar a agressividade e progressão da doença periodontal como: tipo de 18 diabetes (mais intensa no tipo um); idade do paciente (aumento do risco durante e após a puberdade); e maior duração da doença e controle metabólico inadequado (CASTILHO et al, 2007). A infecção que ocorre na cavidade bucal compreende uma entre as complicações crônicas do Diabetes Mellitus decorrente da macro e microangiopatias. A mais importante alteração bucal é a doença periodontal. Em decorrência deste fato a World Health Organization (1995) incluiu-a como a sexta complicação clássica do paciente diabético. Entretanto, a falta de orientação e controle da doença periodontal ocasionará em ultima instância a perda do elemento dental. Os profissionais de saúde devem incluir um olhar crítico a este fator e estarem atentos aos cuidados durante o tratamento odontológico nos diabéticos, principalmente quanto às alterações decorrentes da doença, bem como evitar desequilíbrios glicêmicos durante o atendimento, e auxiliar no controle da ansiedade relacionada a este problema (UNWIN et al, 2005). As medidas básicas gerais para prevenir esta doença são: manutenção de controle glicêmico adequado; higiene oral por escovação mais fio dental ao menos duas vezes ao dia particularmente e mais prolongado a noite; e acompanhamento constante para que não haja perda dental e hemorragias gengivais. O tratamento da gengiva, tanto para a doença periodontal diabética e não diabética é basicamente a mesma: o higienista oral ou periodontista remove mecanicamente a placa do dente e a parte superior das raízes, uma cirurgia pode ser necessária para eliminar as bolsas da gengiva. Os diabéticos são recomendados a visitar o dentista, assim que são diagnosticados para o exame e tratamento se necessário, e receber cuidado periodontal a cada dois ou três meses (UNWIN et al, 2005). Estas infecções podem afetar o equilíbrio açúcar/insulina e pode necessitar mudanças nas dosagens de medicamentos orais e aplicações de insulina. Quando o diabetes não esta sob controle, os pacientes estão propensos a sofrer da boca seca devido a insuficiência salivar, já que os altos níveis de açúcar impulsionam a poliúria e a pouca salivação promove cárie dentária e prejudica a gengiva, causando inflamação. Desde que os diabéticos são menos aptos a enfrentar tais invasões, é necessário um tratamento profissional urgente (UNWIN et al, 2005). 19 3.2 A Saúde Bucal na Estratégia de Saúde da Família: Os problemas endocrinometabólicos têm significância clínica a todos os profissionais de saúde, a estes é necessário que tomem, por vezes, modalidades terapêuticas especiais, observando restrições e considerações no manejo da saúde bucal do paciente diabético (CAMARGO et al, 2004). A Atenção Básica é caracterizada por um conjunto de ações de saúde, em âmbito coletivo e individual, que abrangem a promoção e proteção a saúde, a prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação e a manutenção da saúde. A portaria nº 648, de 28 de março de 2006, aprova a Política Nacional de Atenção Básica, estabelecendo normas para sua organização, assim como as responsabilidades dos gestores e as atribuições específicas dos profissionais que atuam nesse nível de atenção que deverão constar de normatização do município e do Distrito Federal, de acordo com as prioridades definidas pela respectiva gestão e as prioridades nacionais e estaduais pactuadas (BRASIL, 2006 A). A Saúde da Família é a estratégia priorizada pelo Ministério da Saúde para organizar a Atenção Básica e tem como principal desafio promover a reorientação das práticas e ações de saúde de forma integral e contínua, levando-as para mais perto da família e com isso, melhorar a qualidade de vida dos brasileiros. Incorpora e reafirma os princípios básicos do SUS – universalização, descentralização, integralidade e participação da comunidade – mediante o cadastramento e a vinculação dos usuários (BRASIL, 2006 A). O atendimento é prestado pelos profissionais das equipes: médicos, enfermeiros, auxiliares ou técnicos de enfermagem, agentes comunitários de saúde, dentistas, Técnico de Higiene Dental (THD) e auxiliar de consultório dentário na unidade de saúde ou nos domicílios. Essa equipe e a população acompanhada criam vínculos de co-responsabilidade, o que facilita a identificação, o atendimento e o acompanhamento dos agravos à saúde dos indivíduos e famílias na comunidade. Uma equipe tem sob sua competência uma população estimada de 4.000 pessoas, onde esta equipe deve atuar de forma integrada e com níveis de competência bem estabelecidos, na abordagem das peculiaridades da população de sua área de abrangência (BRASIL, 2006 B). A definição das atribuições da equipe no cuidado integral dos pacientes, especificamente aqueles portadores de DM deve responder às peculiaridades locais, 20 tanto do perfil da população sob cuidado como do perfil da própria equipe de saúde. A definição das responsabilidades para cada profissional dependerá do grau de capacitação de cada um dos membros da equipe (BRASIL, 2006 C). As atribuições sugeridas pelo Ministério da Saúde, em 2006, especificamente do profissional enfermeiro, no qual abrange este tema, que aborda a relação deste, com o cuidado do paciente diabético são as seguintes: • Desenvolver atividades educativas por meio de ações individuais e ou coletivas de promoção de saúde com todas as pessoas da comunidade; desenvolver atividades educativas individuais ou em grupo com pacientes diabéticos (BRASIL, 2006). • Capacitar os auxiliares/técnicos de enfermagem e os agentes comunitários e supervisionar de forma permanente, suas atividades (BRASIL, 2006). • Realizar consulta de Enfermagem com pessoas com maior risco para diabetes tipo 2 identificadas pelos agentes comunitários definindo claramente a presença de risco e encaminhando ao médico da unidade para rastreamento com glicemia de jejum quando necessário (BRASIL, 2006). • Realizar consulta de Enfermagem, abordando fatores de risco, estratificando risco cardiovascular, orientando mudanças no estilo de vida e tratamento nãomedicamentoso, verificando adesão e possíveis intercorrências ao tratamento, encaminhando o indivíduo ao médico quando necessário (BRASIL, 2006). • Estabelecer junto à equipe, estratégias para educação do paciente (BRASIL, 2006). • Programar, junto à equipe, estratégias para educação do paciente (BRASIL, 2006). • Solicitar, durante a consulta de Enfermagem os exames de rotina definidos como necessários pelo médico da equipe ou de acordo com protocolos ou normas técnicas estabelecidas pelo gestor municipal (BRASIL, 2006). • Orientar pacientes sobre a auto-monitorização (glicemia capilar) e a técnica de aplicação de insulina (BRASIL, 2006). • Repetir a medicação de indivíduos controlados e sem intercorrências (BRASIL, 2006). 21 • Encaminhar os pacientes portadores de DM, seguindo uma periodicidade, de acordo com a especificidade de cada caso (com maior freqüência para indivíduos não-aderentes, de difícil controle, portadores de lesões em órgãos alvo ou com co-morbidades) para consultas com o médico da equipe (BRASIL, 2006). • Acrescentar na consulta de Enfermagem o exame dos membros inferiores para identificação do pé em risco. Realizar também cuidados específicos nos pés acometidos e nos pés em risco (BRASIL, 2006). • Perseguir de acordo com o plano individualizado de cuidados estabelecidos junto ao portador de DM, os objetivos e metas do tratamento (estilo de vida saudável, níveis pressóricos, hemoglobina glicada e peso) (BRASIL, 2006). • Organizar junto ao médico, e com participação de toda a equipe de saúde, a distribuição das tarefas necessárias para o cuidado integral dos pacientes portadores de DM (BRASIL, 2006). • Usar os dados dos cadastros e das consultas de revisão dos pacientes para avaliar a qualidade do cuidado prestado em sua unidade e para planejar ou reformular as ações em saúde (BRASIL, 2006). Dentre todas essas atribuições, é importante ressaltar um trecho que está intimamente relacionado com o foco do nosso tema, que é a verificação da adesão e possíveis intercorrências no tratamento. Onde aí se encaixa nossa curiosidade em relação às orientações que são ou não prestadas pela Enfermagem durante sua consulta (além daquelas rotineiramente citadas), sobre a importância de orientar adequadamente aos indivíduos sobre os cuidados da saúde bucal, e caso exista essa orientação, se é verificado se a adesão pelo paciente foi ou não correta (SANTANA, et al. 2007). É importante ainda ressaltar neste referencial, a Portaria n.º1.444, de 28 de Dezembro de 2.000, que estabelece incentivo financeiro para a reorganização da atenção à saúde bucal prestada nos municípios por meio da Estratégia de Saúde da Família. Cada equipe de saúde bucal deverá atender em média 6.900 (seis mil e novecentos) habitantes e para cada equipe de saúde bucal a ser implantada, deverão estar implantadas duas equipes de saúde da família (BRASIL, 2000). Os municípios estabelecerão as formas de inserção das equipes e das ações de saúde bucal junto a Estratégia de Saúde da Família considerando a atual 22 capacidade instalada de equipamentos de odontologia e as modalidades inovadoras de reorganização da atenção à saúde bucal. Caso a equipe implantada seja desativada num prazo inferior a 12 (doze) meses, contados a partir do recebimento do incentivo adicional, o valor recebido será descontado de futuros valores repassados ao Fundo Estadual ou Municipal de Saúde (BRASIL, 2000). A qualificação dos municípios ao incentivo de saúde bucal deverá ser aprovada pela Comissão Intergestores Bipartite, que remeterá mensalmente, à Secretaria de Políticas de Saúde, do Ministério da Saúde, a Resolução contendo a relação dos municípios qualificados, com a discriminação da quantidade de equipes e sua composição. O banco de dados do Sistema de Informação de Atenção Básica – SIAB deverá ser alimentado mensalmente com as informações das ações desenvolvidas pela equipe de saúde bucal e fornecerá os dados necessários para o cálculo do incentivo de saúde bucal (BRASIL, 2000). 3.3 Cuidado e Orientação Adequada versus Percepção do Paciente: O acúmulo de informação parece também se apresentar contraditório no que diz respeito a realização de procedimentos de auto - cuidado à saúde bucal. Estes elementos tem sido objeto de estudo na pesquisa de Mello e Erdmann (2007, p. 146). [...] Possuir informação é considerado fundamento para a realização das práticas de cuidados, mas não constitui elemento suficiente. É necessário mais que informação disponível e de qualidade: a pessoa possuidora da informação precisa processá-la, incorporá-la, para que seja transformada em ação. Esse procedimento é conflituoso, à medida que outras variáveis, como educação formal e informal, renda, classe social, oportunidades de vida, estilos de vida, ambiente, consciência, necessidade, entre outras, jogam um papel igualmente relevante na adoção das práticas de auto cuidado. A informação disponível não se distribui nem é assimilada homogeneamente por todas as pessoas. Para tanto, são necessários o desenvolvimento de recursos prévios para possibilitar a aquisição da informação disponível e também o seu processamento e tradução em práticas [...]. (MELLO E ERDMANN, 2007, P. 146). Para Unfer e Saliba (2000), o que parece ser uma necessidade premente para o profissional nem sempre é assim entendido pelo paciente. O cuidado da saúde bucal quando não se faz ou deixa-se de fazer parte significativa do viver 23 cotidiano, torna-se uma idéia difusa, pois as pessoas não conseguem delimitar com precisão seus contornos e suas possibilidades. Não apresentam, não reconhecem os cuidados como um objeto passível de apreensão e controle para si. Desta forma torna-se algo distante, sem significado, sem sentido e de pouca utilidade. O cuidado à saúde bucal ora estudado, quando realizado por terceiros, é praticado por profissionais da área da saúde. Portanto, por pessoas que em algum momento e em diferentes níveis de formação obtiveram conhecimentos acadêmicos para desenvolvimento de habilidades específicas de cuidado em suas esferas de competência. Esta formação quando analisada pelo ângulo dos profissionais de Enfermagem, demonstra-se incompletas, não atendendo as necessidades cotidianas de cuidados à saúde bucal, tão quais estas pelos portadores de DM. (MELLO e ERDMANN, 2007). Interessante anotar que o conhecimento utilizado como base para fundamentar suas práticas de cuidado á saúde bucal é mais de caráter empírico, popular, do que caráter técnico-profissional. São muitas vezes conhecimentos com origem na própria família do profissional e nos meios de comunicação mais do que em espaços formais e acadêmicos, ou mesmo fruto de treinamento e capacitação específica (MELLO e ERDMANN, 2007). O cuidado de saúde bucal do pacientes diabéticos deve ocorrer nas esferas individuais e coletivas de ação/interação. Ele deveria ser individual por acontecer no momento em que a própria pessoa ou por ação do cuidador ou outro profissional de saúde, realiza passa a passo, de modo singular e de acordo com as necessidades, os procedimentos de cuidados. Também deveria ser coletivo na medida em que for planejado para a população diabética enquanto um coletivo, englobado todas as suas mais diferentes condições de renda, vida e saúde, sendo universalmente abrangente (MELLO e ERDMANN, 2007). A percepção de saúde bucal entendida como aspecto subjetivo e particular dos indivíduos e sua relação com outros aspectos do viver humano, merecem ser investigadas mais profundamente como também o modo como estas relações podem orientar comportamentos e atitudes particularmente no grupo populacional diabético. E para que isso ocorra adequadamente, se faz necessário o interesse do profissional enfermeiro em investigar e se aprofundar nas questões mais subjetivas de vida voltadas a saúde bucal do paciente diabético, tornando isto mais um fator 24 observatório no atendimento prestado a esta população (UNFER e SALIBA, 2000). 25 4 REFERENCIAL TEÓRICO As teorias de Enfermagem são construções, a partir de uma prática idealizada, que visa aperfeiçoar a assistência. Um modelo conceitual é um arcabouço ou quadro de conceitos e proposições gerais e abstratas, que fornece uma estrutura de referência ou perspectiva distinta em um domínio de investigação específico (BARNUM, 1998). Para realização de nossa pesquisa, que enfoca a Enfermagem no cuidado da saúde bucal de indivíduos portadores de diabetes mellitus buscamos como referencial teórico, a Teoria de Imogene King que aborda a comunicação como elo entre Enfermagem e cliente (GEORGE, 2000). Temos como preferência esta teórica, pelo fato da teoria trazer a relação interpessoal, onde observamos que a estrutura teórica fornece um arcabouço teórico-conceitual necessário ao cuidado de Enfermagem humanizado, estando atualizada e inserida no contexto atual de saúde. 4.1 Apresentando Imogene King Imogene M. King nasceu nos Estados Unidos em 1923. Recebeu sua educação básica em Enfermagem no St. John’s Hospital of Nursing, em St. Luis, Missuri, formando-se em 1946. Seu grau de Bacharel em ensino de Enfermagem (1948) e o mestrado em Enfermagem (1957) são da St. Luis University e seu EdD (1961) é do Teachers College, Columbia University, New York (GEORGE, 2000). King teve experiência na Enfermagem como administradora, educadora e praticante. Sua área de prática clinica é a Enfermagem médico-cirúrgica de adultos (GEORGE, 2000). Sua Teoria evoluiu a partir de 1960, relacionada às questões do papel do conhecimento em Enfermagem, proporciona um conjunto de conceitos como marco de referência para a prática de Enfermagem, partindo do pressuposto básico que enfermeiros são seres humanos que interagem com os clientes (ALMENAU; NASCIMENTO, VENTURA, 2006). No livro Toward a theory for Nursing, King acentua que está propondo uma estrutura conceitual à Enfermagem e não uma teoria de Enfermagem. Esses conceitos iluminaram a autora a evoluir em direção à teoria. Em 1981, ela publicou o livro A Theory for Nursing, onde assinala ter 26 ampliado e construído sobre a estrutura original uma estrutura conceitual, que ela identifica como Estrutura de Sistemas Abertos, que, pouco tempo depois, configurou sua teoria (MOREIRA; ARAUJO, 2002). 4.2 Pressupostos da Teoria do Alcance dos Objetivos A teoria de Imogene King evoluiu a partir da década de 1960, fruto de trabalhos publicados como resultado da percepção da autora sobre a enorme quantidade de conhecimentos disponíveis às enfermeiras e a dificuldade que isso traz na escolha dos fatos e conceitos, relevantes a uma determinada situação. Neste modelo conceitual, parte-se da suposição de que a meta da enfermagem é ajudar o indivíduo a manter sua saúde para que, dessa maneira, ele possa desempenhar bem seus papéis, ou seja, é, sobretudo, o cuidado de seres humanos, partindo do pressuposto que o enfermeiro é o ser humano que interage com o cliente, existindo os sistemas pessoais (enfermeiro/cliente), interpessoais (enfermeiro/cliente/ambiente) e sistemas sociais (sociedade) (GEORGE, 2000). Para King, os seus conceitos provem dos seguintes pressupostos: Os indivíduos são seres sociais, com sentimento, racionais, perceptivos, relativos, controladores, com propósitos e orientados para ação e no tempo (LEOPARDI, 1999). • O processo de interação é influenciado pela percepção, objetivos, necessidades e valores tanto do cliente quanto do enfermeiro (LEOPARDI, 1999). • É de responsabilidade do pessoal da saúde informar aos indivíduos dos aspectos de cuidados á saúde para ajudá-lo a tomar decisões conscientes (LEOPARDI, 1999). • Pode haver incongruências entre os objetivos dos fornecedores do cuidado e os receptores. As pessoas têm o direito tanto de aceitar quanto rejeitar qualquer aspecto de cuidado de saúde (LEOPARDI, 1999). • Os pacientes querem participar ativamente no processo de cuidado (LEOPARDI, 1999). • Os pacientes são consciente, ativa e cognitivamente capazes de participar na tomada de decisões (LEOPARDI, 1999). 27 4.3 Pressupostos das Autoras • Tudo que se refere á promoção, proteção ou recuperação da saúde ou reabilitação das pessoas, é função do enfermeiro. • A equipe multidisciplinar é fundamental para o sucesso no tratamento. Além disso, a cooperação do paciente é fundamental no controle, tanto do diabetes, como da doença periodontal. • São imprescindíveis as práticas educativas como: orientação adequada sobre a importância de uma alimentação saudável e equilibrada, o uso correto de medicamentos prescritos, para um melhor controle de sua patologia, assim como ensinar-lhe passo a passo, e mostrar-lhe a importância da técnica de escovação dental correta. 4.4 Conceitos 1. Ser humano: Para King os seres humanos são sistemas abertos, em constate interação com o seu ambiente, que o enfoque da enfermagem é a interação dos seres humanos com o seu ambiente e que a meta da enfermagem é ajudar os indivíduos e os grupos a manterem a saúde (GEORGE, 2000, p.103). Seres humanos são capazes de pensar, perceber, reagir e interagir com o meio. E a interação entre profissional e cliente se apresenta como elemento fortemente relacionado. A interação, através do olhar, do falar, do tocar, é um meio facilitador para que a troca de percepções e sentimentos aconteça. Ao se disponibilizar a esta interação, o enfermeiro expressa sua subjetividade, sua intencionalidade de cuidar, que acontecerá a partir do momento em que a pessoa também se sentir disposta e confiante para expressar a sua subjetividade, ou seja, suas necessidades de cuidado. 2. Enfermagem: A Enfermagem é definida por King como ‘’ um processo de ação, reação e interação pelo qual a enfermeira e o cliente compartilham informações sobre as suas percepções na situação de Enfermagem’’ e como ‘’um processo de interações humanas entre a enfermeira e o 28 cliente através do qual cada um percebe o outro e a situação e, através da comunicação, estabelecem metas, exploram meios e concordam sobre os meios para atingir as metas’’ (GEORGE, 2000, p.101). A Enfermagem é, assim, um processo de ação, reação (resposta), interação pelo qual são dadas informações sobre as condições de saúde e como preveni-las e evitá-las realizando os cuidados diretos, fazendo a indicação para a continuidade da assistência prestada, realizando a Consulta de Enfermagem, planejando ações preventivas e educativas com intuito de compatibilizar o processo do cuidado da saúde. 3. Ambiente e sociedade: São indicados como conceitos principais na estrutura de King, mais não são definidos especificamente em sua obra. A sociedade pode ser vista como a porção dos sistemas sociais da estrutura de sistemas abertos. Para King o ambiente é uma função de equilíbrio entre as interações internas e externas (GEORGE, 2000, p.101). O ambiente nessa pesquisa esta relacionada ao local e estrutura, onde os enfermeiros prestam assistência aos pacientes. É um local onde os profissionais de Enfermagem interagem com intuito de reabilitar o paciente que ali se estabelece utilizando a sua percepção, pensamento, relacionamento e ação, frente ao comportamento dos indivíduos que vêm ao ambiente imediato e à realidade espacial e temporal, que compõe uma situação de Enfermagem. Assim, a enfermeira e o paciente estabelecem uma relação de enfrentamento aos estados de saúde e ajuste as atividades de mudança na vida diária, se a situação exigir. 4. Interação: É definida por King como um processo que representa a seqüência de condutas verbais e não verbais dirigidas por dois ou mais indivíduos para um objetivo e isso só pode acontecer através da interação e transação entre enfermeiro e cliente, numa organização formada pelos sistemas pessoais, sistemas interpessoais e sistemas sociais (Leopardii, 1999, p.93). Interação é o processo de ação e reação entre profissionais de Enfermagem, no qual elas relatam suas percepções com relação às situações. Na interação entre profissionais de enfermagem á uma troca de experiências a fim de favorecer a construção do conhecimento individual e coletivo. Podemos dizer assim que interação é uma relação recíproca, única e dinâmica. 29 5. Saúde: King define saúde como “experiência dinâmica de vida do ser humano, que implicam o ajustamento constante aos estressores no ambiente interno e externo através do uso ideal dos próprios recursos para atingir o potencial Maximo para a vida diária” (GEORGE, 2000, p.102). Saúde é a condição em que um indivíduo ou grupo de indivíduos são capazes de satisfazer suas necessidades e mudar ou enfrentar o ambiente. A saúde é um recurso para a vida diária, e não um objetivo de vida; é um conceito positivo, enfatizando recursos sociais e pessoais, tanto quanto as aptidões físicas. É um estado caracterizado pela integridade anatômica, fisiológica e psicológica; pela capacidade de desempenhar pessoalmente funções familiares, profissionais e sociais; pela habilidade para tratar com tensões físicas, biológicas, psicológicas ou sociais com um sentimento de bem-estar e livre do risco de doença ou morte extemporânea. É um estado de equilíbrio entre os seres humanos e o meio físico, biológico e social, compatível com plena atividade funcional. 30 5 METODOLOGIA Optamos pela realização de uma pesquisa qualitativa de caráter descritivo exploratório, e como estratégia utilizamos a modalidade convergente assistencial. Onde esta requer participação ativa dos sujeitos da pesquisa, sendo orientada para resolução e minimização de problemas, como também para realização de mudanças ou inovações nas práticas de saúde (TRENTINI; PAIM, 2004). As autoras ainda descrevem a pesquisa convergente assistencial como uma estratégia que permite aos pesquisadores articularem o cotidiano da Enfermagem com a finalidade de subsidiar a prática profissional com o conhecimento teórico. E afirma ainda que os dados relevantes para o estudo de Enfermagem coincidem com dados requeridos dos pacientes e que os dados, relatórios e registros diários das situações dos clientes, podem ser utilizados como dados de pesquisa. (TRENTINI; PAIM, 2004). Adotamos este tipo de pesquisa para podermos compreender as causas e os efeitos dos fenômenos. E para conseqüentemente, identificarmos a extensão de respostas e opiniões que existem na população por nós escolhidos como sujeitos de pesquisa (CAETANO; BRUGGMANN, 2006). 5.1 Contexto da Pesquisa Esse estudo foi realizado na CIABS – Clínica Integrada de Atenção Básica à Saúde, mantida sob responsabilidade da Universidade do Vale do Itajaí, situada no município de Biguaçu e integra-se à rede municipal de Serviços de Saúde/SUS. A CIABS tem sua proposta de existência desde 17 de maio de 2000, teve suas atividades iniciadas em 03 de junho do mesmo ano. Caracteriza-se como órgão de prestações de ações e serviços de atenção básica a saúde, com vistas à promoção, proteção, recuperação e reabilitação à saúde da criança, do adolescente, da mulher, do adulto e do idoso e desenvolve atividades de ensinoaprendizagem na formação profissional de Enfermagem, Fisioterapia, Psicologia, com presença de docentes e discentes da UNIVALI. Tem como finalidade o atendimento de todas as pessoas de sua área de abrangência, indiscriminadamente, 31 além de promover a formação de profissional de saúde, através do desenvolvimento do ensino, pesquisa e extensão (RODRIGUES; HEBERLE; 2008). A área de extensão da CIABS compreende a população moradora dos Bairros Jardim Carandaí, Fundos, Bela Vista, Loteamento São Miguel, Rio Caveiras (RODRIGUES; HEBERLE; 2008). Dentre os trabalhadores da CIABS há três médicos, três enfermeiros e 30 agentes comunitários, divididos em três Equipes de Saúde da Família. O presente projeto ocupou o seu espaço de desenvolvimento, junto ao ESF, porquanto suas características de visitação domiciliar dos indivíduos portadores de Diabetes Melitus – usuários da CIABS assim o requerem. 5.2 Sujeitos da Pesquisa Foram escolhidos entre os pacientes cadastrados no Programa de Hipertensos e Diabéticos (HIPERDIA) do CIABS portadoras de Diabetes Mellitus domiciliados em Biguaçu e que por isso seus domicílios fazem parte do mapeamento de áreas das equipes dos referidos programas e aceitaram participar do estudo e assinaram o Consentimento Livre e Esclarecido (Apêndice A), sendo garantido o sigilo e anonimato destes indivíduos. Com relação a esta questão Trentini e Paim (2004) ressaltam que na modalidade convergente assistencial a amostra deverá ser constituída por sujeitos que tenham condições de contribuir para o processo e estejam envolvidos no problema. A seleção destes sujeitos foi realizada em caráter aleatório, através da ficha atualizada dos pacientes cadastrados no HIPERDIA, utilizando como critério de escolha somente os dados que estavam completos, como: nome, idade, endereço e número de telefone. Dentre estes foram selecionados quinze participantes, mas somente oito participaram da entrevista em visita domiciliar, pois não conseguimos contato com os demais. Para garantia do sigilo e anonimato das informações, foram utilizados pseudônimos relacionados a plantas medicinais utilizadas no tratamento fitoterápico para Diabetes Mellitus, que foi escolhido por nós acadêmicas pois além de ser algo muito trabalhado dentro da unidade do CIABS pela própria Universidade, foi também um método de orientação utilizado em nossas visitas domiciliares realizadas aos 32 pacientes, por sabermos de sua importância e sua real potencialidade nas diversas patologias. Escolhemos as seguintes espécies de plantas de acordo com a Apostila de Plantas Medicinais, elaboradas pela Profª Teresa Gaio e Fátima Farias (2006). São estas: Insulina, Erva Tostão, Dente de Leão, Vassourinha Doce, Bardana, Folha da Fortuna, Gervão Roxo e Yacon 5.3 Coleta de Dados Os dados foram coletados a partir de um questionário semi-estruturado com questões fechadas e abertas. (Apêndice B). Indo ao encontro do que preconiza a pesquisa convergente-assistencial, que como em qualquer outro tipo de pesquisa, cumpre o que se compatibilizem os objetos de estudo. E o enfermeiro precisa considerar as potencialidades de que já dispõem para aquilo que faz na prática do seu exercício profissional (TRENTINI; PAIM, 2004). Na pratica de pesquisa, alguns caracteres tipificam as estratégias para essas ações. Essa prática de acionar estratégias tem intencionalidade, limites e possibilidades, isso difere das estratégias de assistência que, além de previstas, podem ser colocadas em ação de acordo com o julgamento das situações que o enfermeiro assistencial faz (TRENTINI; PAIM, 2004). 5.4 Análise dos Dados: Optamos pela análise na modalidade convergente assistencial porque Trentini e Paim (2004) enfatizam como uma ação que, ao investigar os fenômenos no contexto da prática assistencial de Enfermagem, dá ênfase ao diálogo no processo de coleta e análise dos dados que acontecem concomitantemente. A análise dos dados ocorreu em quatro processos: apreensão, que consiste na coleta de dados; síntese, onde se analisa o que é comum agrupando as variáveis. A teorização, onde se estruturou a fundamentação teórica, conduzindo as estratégias que levam ao alcance dos objetivos. E por último o processo de transferência, onde se obteve os resultados deste processo para a melhora da prática assistencial (TRENTINI; PAIM, 2004). 33 Para apreensão desta pesquisa, a coleta de dados ocorreu com base no questionário semi-estruturado que foi aplicado aos sujeitos selecionados durante visitas domiciliares programadas com a unidade de saúde e agendadas com os pacientes. As respostas foram sendo descritas a mão por uma das pesquisadoras, enquanto outra conversava informalmente sobre o tema. Após todas as respostas estarem completas, partimos então para realização de orientações sobre o assunto e esclarecimento de dúvidas que foram surgindo no decorrer da pesquisa. 5.5 Preceitos Éticos A pesquisa convergente-assistencial em Enfermagem compreende os comportamentos que caracterizam a cultura de certo grupo profissional ao desenvolver investigação cientifica no âmbito da própria assistência, por fazer valer o uso de determinados valores reconhecidos como princípios morais, os que têm a vida como fundamental e o respeito á dignidade humana como o alicerce das relações profissionais com a pessoa que é cuidada (TRENTINI; PAIM, 2004). No Apêndice C apresenta-se o ofício de solicitação de Autorização para realizar a pesquisa na Instituição (CIABS – UNIVALI – Biguaçu) e no Anexo nº 1 apresenta-se o Termo de Compromisso e Aceite da professora e dos acadêmicos que assumem o compromisso no desenvolvimento desta pesquisa. Foi apresentado o presente projeto ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da instituição de ensino vinculada que é a Universidade de Vale do Itajaí comparecer de aprovação pelo CEP (Anexo 2). É necessário para realização da pesquisa, estar cientes da resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. Essa resolução incorpora, sob a ótica do individuo e da coletividade, os referenciais básicos da bioética: autonomia, não maleficência, beneficência e justiça visando assegurar os direitos e deveres que dizem respeito á comunidade cientifica, aos sujeitos da pesquisa e ao Estado. Visa fornecer a garantia de preservação dos dados, da confidencialidade e do anonimato dos indivíduos pesquisados (ALMENAU; NASCIMENTO; VENTURA., 2006). 34 6 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS DADOS Pudemos perceber que as relações de cuidado a saúde bucal dirigida aos diabéticos, são traduzidas numa série de contradições que se originam do significado elaborado pelos participantes do estudo. Essas contradições perpassam propriedades, estruturas e dimensões do cuidado à saúde bucal, sendo evidenciadas, no plano individual e coletivo, entre indivíduos e instituições que, de uma forma ou de outra, cooperam ou não para realização dessas práticas de cuidado. A análise das categorias constatou a presença de conceitos contraditórios, ambivalentes e antagônicos convivendo em harmonia conflituosa e convergindo para determinar os processos e as estruturas componentes do cuidado a saúde bucal desses indivíduos. Toda a riqueza e diversidade encontrada na coleta de dados estão ilustradas nas falas e percepções das pesquisadoras e participantes da pesquisa, que resultaram na estruturação das seguintes categorias: O Cuidado a Saúde bucal e Limitações no Cuidado a Saúde Bucal. O Cuidado da Saúde Bucal A DM é uma patologia que atingi pessoas das mais variadas fases do ciclo vital e geralmente tem evolução insidiosa e, por isso, muitas vezes quando o diagnostico é tardio as complicações são evidentes. Dentre as complicações crônicas que decorrem dessa patologia ressalta-se a doença periodontal (TANJI; CARVALHO, 2007). Essa doença acomete os tecidos de sustentação dos dentes tendo como conseqüência mais grave a perda do elemento dentário. O principal objetivo da manutenção da doença periodontal é estabelecer um equilíbrio das atividades dos microorganismos presentes na cavidade oral, evitando, desta forma o acúmulo de biomassa no elemento dentário. O tratamento da doença periodontal pode contribuir no controle dos níveis metabólicos (RIBEIRO DE MELLO; GEBARA, 2004). Faz parte desse tratamento o acompanhamento constante do paciente e a participação do enfermeiro no processo de manutenção da saúde, através das orientações passadas para o cliente, bem como motivar e esclarecer suas dúvidas referentes sua saúde bucal. A motivação, nessa etapa é fundamental para o 35 prognostico do tratamento, sendo esta dependente da habilidade do profissional em conseguir ter uma boa comunicação com o cliente durante a consulta, bem como contribuir e participar das atividades de educação na comunidade e educação permanente da equipe de enfermagem (BRASIL, 2006). A partir dos resultados obtidos nessa análise observamos que as maiorias das pessoas entrevistadas não sabiam ou não receberam orientações referentes à importância de manter uma higiene oral adequada relacionando com sua própria patologia. Como podemos constar nas seguintes falas: “Eu penso que sim, pois tem dias quando como açúcar me atrapalha ao falar, a garganta, lábios ficam secos” (Insulina). “Não sei do agravamento” (Erva tostão). “Pouco esclarecimento sobre isso” (Dente de leão). “Não sei” (Vassourinha doce). “Não tenho idéia, nem sabia que tinha haver” (Bardana). “Não sei, nunca ouvi falar” (Folha da Fortuna). “Acho que não, tem que saber comer. Mas isso não sei, não fui esclarecido” (Gervão roxo). ”Se eu tiver um ferimento na boca é mais difícil de cicatrizar” (Yacon). É possível então perceber que as orientações neste âmbito não estão sendo realizadas conforme atribuições estabelecidas, pois a participação do enfermeiro na manutenção da saúde bucal dos pacientes portadores dessa doença é passiva, visto que o profissional esta incumbido apenas em realizar sua rotina de trabalho sem se preocupar em informar e orientar os pacientes sobre sua higienização oral, quanto à forma correta de realizar essa técnica e quantos aos alimentos que deveriam ser evitados ao portador dessa patologia. Para King, a enfermagem em seu processo de ação, reação, interação pelo qual são dadas informações sobre as condições de saúde e como preveni-las e evitá-las deve realizar consulta de Enfermagem para planejar ações preventivas e educativas com intuito de compatibilizar o processo do cuidado da saúde (GEORGE, 2000). 36 Mas, dos oito participantes que responderam, seis indagaram que não haviam recebido orientações sobre saúde bucal nas consultas de Enfermagem e os que responderam afirmativamente as respostas são superficiais como podemos constatar nas falas: “Não me lembro, são tantas orientações” (Folha da fortuna). “Escovar após a alimentação e fazer uma boa higiene, aprendi através de vídeos e palestras que eles fizeram, acho que foi ali” (Dente de Leão). Outro agravante é a falta de conhecimento sobre seus direitos como usuários do SUS, pois as instituições de saúde devem atender aos critérios mínimos para o atendimento ás necessidades desse portador, assim como promover treinamento e capacitação dos profissionais á participarem/orientar os cuidadores e familiares bem como os grupos de auto-ajuda (OTERO MIYAR, 2003). O paciente, por vez, tenta ter uma auto - avaliação sobre a manutenção e controle da saúde bucal, pois sabe da necessidade de higienizar a cavidade oral, essa avaliação reflete na qualidade de vida, assim como os comportamentos relacionados aos cuidados com a saúde. Porém não há associação da doença periodontal com a DM e essa falta de conhecimento tanto do usuário como do profissional influencia e muito nos problemas sistêmicos que irão ocorrer com o passar dos anos (MATOS e LIMA COSTA, 2006). Os participantes da pesquisa quando perguntado sobre a técnica correta da higiene oral: quatro responderam que não sabiam, entretanto quatro responderam o seguinte: “Já escutei, disseram pra esfregar bastante” (Vassourinha doce). “De baixo, pra cima e de cima pra baixo, do tipo vai e vem” (Dente de leão). “De cima pra baixo, atrás circulares e no fundo fazer com a escova vai e vem” (Yacon). “Com a escova eu faço dos dois lados, pra cima e pra baixo, vai e vem” (Folha da fortuna). 37 É fato que a falta de conhecimento e informação dos pacientes portadores dessa patologia contribui de forma efetiva na etiopatogenia das várias doenças sistêmicas, tal como a DM, esse fator interfira de forma significativa na higienização adequada da flora bucal, desta forma abrindo caminho para entrada de bactérias que contribuirá para a infecção anaeróbica gram-negativa do periodonto (RIBEIRO DE MELLO e GEBARA, 2004). King enfatiza que a saúde é uma experiência dinâmica de vida do ser humano,e este ao adaptar-se aos estressores do cotidiano por meio da utilização ideal dos próprios recursos irá atingir o potencial máximo para a vida diária” (GEORGE, 2000). Sendo assim a enfermagem deve criar possibilidades de uma ação educativa abrangente na perspectiva da compreensão do ser humano, aliada ao conhecimento científico e á habilidade técnica. Pois a humanização na assistência implica em olhar o indivíduo como um todo, reconhecendo seu pensar e sentir, rompendo com a tendência de olhar, e centrar-se apenas na doença (MATOS; LIMA COSTA, 2006). O enfermeiro necessita conhecer as condições de saúde do paciente portador de DM para poder dar as informações corretas a cerca do tratamento adequado, sem tal informação o profissional feri os princípios éticos da profissão os quais incluem o oferecimento do melhor atendimento a todo e qualquer paciente. (RIBEIRO DE MELLO e GEBARA, 2004). As expectativas e melhora do pacientes variam de acordo com as necessidades individuais de cada um que procura a unidade a fim de solucionar seus problemas. Quando o acesso aos serviços de saúde é satisfatório diminui significativamente o número de usuários com problemas graves relacionados à higiene bucal e agravos sistêmicos, por estarem orientados adequadamente e possuir conhecimento o suficiente a cerca de sua saúde. (RIBEIRO DE MELLO; GEBARA, 2004). Pesquisas identificaram que a doença periodontal é um fator de risco qualitativo para doença cardiovascular, pacientes com periodontite avançada possuem risco muito maior de desenvolver infarto de miocárdio, arteriosclerose, endocardite bacteriana, infecções respiratórias, alterações na gravidez e derrame (RIBEIRO DE MELLO; GEBARA, 2004). 38 Portanto, ao perguntarmos aos participantes do estudo se eles sabiam qual a importância da escovação dentária para o Diabetes Mellitus, cinco responderam que não sabiam e três participantes fizeram as seguintes declarações: “Após as refeições, devo escovar a prótese superior e inferior com escova dental e creme” (Erva tostão). “Devo fazer a limpeza regularmente dos dentes” (Dente de leão). “Eu vejo muito dessas coisas na televisão. Uso prótese em cima e quero fazer implante, pois caiu um dente inteiro da boca. Faço higiene da boca toda vida, não durma com os dentes sujos” (Folha da fortuna). Todos esses problemas poderiam evitados ou amenizados caso houvesse uma maior interação entre Enfermeiro e paciente, pois é através do processo de ação, reação e interação, que um percebe o outro e a situação como forma de estabelecer metas e explorar meios. Limitações no Cuidado a Saúde Bucal Compreender o cuidado implica reconhecer processos auto organizadores no seu interior, portanto, ver mais que um sistema funcionalista, mais que um sistema organicista, enxergar um verdadeiro sistema organizacionista. O cuidado há que ser visto como um processo de relações, interações, associações, retroações entre os seres, em vários planos. É tanto auto-organizador por meio das práticas e atitudes, como organizador do sistema de saúde a que pertence. Ademais, coorganiza-se em simbiose com outros sistemas sociais. (Mello; Erdmann, 2007). Definir o que são estados de saúde ou doença bucal nos diabéticos constitui um desafio na contradição que se estabelece dentro de parâmetros que atualmente os configuram. Se o conceito de doença estiver meramente associado a presença de patologias, dor ou desconforto, então pode-se considerar saudável um diabético com ausência dessas condições. Como demonstrado na pesquisa, é assim que a maioria deles se apresenta devida a quase total ou por vezes total falta de elementos dentários: “Só perdi dentes por descuido, na parte debaixo, formou pustema e estourou” (Vassourinha doce). 39 “Na gestação dava muito infecção nos dentes, naquele tempo o dentista falava que tinha um saquinho nos dentes por isso que acumulava líquido e dava infecção” (Insulina). “Já tive cáries e gengivas pretas, mais na parte de trás” (Bardana). É onde se questiona, desfrutam essas pessoas de saúde bucal? Seriam consideradas saudáveis? Não apresentar elemento dental é para muitos desses pacientes sinais de alívio, visto que a perda dentária é considerada solução para os momentos de sofrimento vividos quando possuíam dentes? Pensando nas próteses, o próprio dispositivo que deve proporcionar benefício ao paciente, recuperando funções de mastigação e estética, ocasiona problemas caso não seja adequadamente higienizada. Seria melhor estarem sem as próteses dentárias, caso não seja cuidadas e acabem servindo de acúmulo de bactérias e fungos? Esses conceitos ainda são contraditórios se ampliarmos a visão e inserirmos a questão da necessidade de cuidados a saúde bucal. As necessidades normativas e sentidas são conceitos que geralmente estão em desarmonia e conflito entre profissionais de saúde e paciente portadores de DM. As práticas de cuidado à saúde bucal são entendidas tanto como meio como um fim em si mesmo. Ao significarem o modo pelo quais as pessoas, em geral, mantém, previnem ou recuperam sua saúde bucal e até mesmo aspectos mais abrangentes da sua saúde, elas são observadas como meio, todavia, ao não serem associadas a possibilidades futuras, ao se afastarem dos conceitos de saúde e cuidado, denota ausência de significado ou motivo pela ação, esgotam-se em si mesmas. Essa falta de sentido corrói progressivamente a atitude de cuidado. Daí ate a doença é um passo. Acreditamos que a saúde é caracterizada pela integridade anatômica, fisiológica e psicológica e, que o ser humano mantém sua capacidade de desempenhar pessoalmente funções familiares, profissionais e sociais com um sentimento de bem-estar e livre do risco de doença ou morte extemporânea. De um modo geral os participantes da pesquisa relacionam os cuidados da saúde bucal com hábitos, comportamentos, instituições e estruturas sociais, tornando esses cuidados um fazer próprio do seu modo de vista e trabalho, tornando-se distante o real sentido da utilidade. 40 A consciência, em maior ou menor grau, da importância do cuidado à saúde bucal dos diabéticos reflete-se sobre a realização de suas respectivas práticas de cuidado. 1X ao dia, escovo a dentadura, coloco a pasta na boca e faço gargarejo” (Insulina). “3X ao dia, embaixo da torneira com escova e creme” (Erva tostão). “3X ao dia, com escova e creme dental por 5 minutos, não uso fio dental” (Dente de leão). “2X ao dia, em cima eu tiro a prótese e escovo e embaixo passo o fio dental. Passo o fio dental perto dos pinos do implantes também, como o doutor me orientou” (Vassourinha doce). “3X ao dia, lavo e escovo com creme” (Bardana). “2X ao dia, ás vezes uso cepacol, mas na maioria das vezes uso a escova e a pasta mesmo” (Folha da fortuna). “3X ao dia, pego a escova com a pasta e escovo por tudo, em ziguezague e a língua também” (Gervão roxo). “3X ao dia, de manhã faço normal, à noite eu capricho um pouco mais, uso o fio dental” (Yacon). Ser consciente da necessidade, do valor do cuidado à saúde bucal e das conseqüências negativas que a falta de cuidado pode ocasionar na saúde e na vida dos pacientes é condição determinante da efetivação e da qualidade dos procedimentos. Nessa discussão, contrapõe-se a racionalidade instrumental na alocação de recursos públicos escassos para a saúde versus o valor intrínseco do cuidado permanente devido ao ser humano, especialmente a esta população, tão pouco falado. A contradição também se estabelece ante a intervenção necessária do profissional e a sua sujeição a falta de conhecimentos específicos proclamados por evidencias científicas. Tal fato diminui o poder de ação e de valor ao cuidado a saúde bucal do diabético. No bojo de suas responsabilidades, aparece a dicotomia do fazer/não fazer cotidiano, estando representadas pelos esquecimentos, omissões, imprecisão na delegação das tarefas, falta de materiais e instrumentos apropriados, falta de recursos e mesmo comportamentos negligentes e práticas ineficazes. 41 O cuidado a saúde bucal deveria ser praticado dentro de padrões de continuidade e constância, independentemente de fatores individuais ou coletivos, pessoais ou organizacionais, não devendo ser influenciado ou ficar vulnerável as circunstâncias ou contingências de vida dos próprios pacientes, das instituições ou dos serviços de saúde externos à instituição. Entretanto, a descontinuidade do cuidado é uma característica muito presente. Embora considerada ruim e não desejada, a descontinuidades é originada/justificada por comportamentos inconstantes dos pacientes, por posturas e atitudes não padronizadas dos cuidadores e outros profissionais da saúde, pela falta de comprometimento das instituições e pela ausência da intervenção do poder público para além de ações e normas eventuais, quando existentes. Os participantes da pesquisa confirmam ser necessários e indispensáveis as práticas de cuidados a saúde bucal. Todavia ela não ocupa lugar prioritário ou de destaque na pauta das atividades de higiene e conforto da instituição em que os pacientes estão cadastrados, da mesma forma que não é dada prioridade a resolução de problemas bucais, até o momento em que aparecem sintomas e queixas pelo paciente. As práticas de cuidados a saúde bucal não raro são dispensadas, substituídas ou deslocadas para o final do rol das prioridades. “Após as refeições, devo escovar a prótese superior e inferior com escova dental e creme” (Erva tostão). “Devo fazer a limpeza regularmente dos dentes” (Dente de leão). “Eu vejo muito dessas coisas na televisão. Uso prótese em cima e quero fazer implante, pois caiu um dente inteiro da boca. Faço higiene da boca toda vida, não durma com os dentes sujos” (Folha da fortuna). Os procedimentos de cuidado a saúde, no ambiente coletivo de viver, requerem persistência, programação e ordenamento. Desse modo, cria-se um código de conduta pelo qual a pessoa cuidada e o cuidador sabem o momento em que cumprirão suas responsabilidades, proporcionando ou recebendo cuidados. Se, de um lado, programação e disciplina permitem aos cuidadores e demais empregados saber o que e quando fazer, facilitando o seu trabalho, tornando-o mais eficiente, de outro tolhem a flexibilidade e a criatividade muitas vezes necessárias para que o cuidados, além de eficiente, se torne eficaz. Programação e disciplina podem prenunciar que todos os procedimentos básicos 42 (alimentação, higiene, conforto e administração de medicamentos, por exemplo) sejam realizados a contento. Porém, os casos especiais, as diferenças são mais difíceis de serem percebidas e satisfeitas. No que se refere ao cuidado a saúde bucal, os dados revelam uma desorganização das práticas. Prevalece a inexistência de uma programação de trabalho de promoção da saúde. Assim, embora os requisitos, plano, ordenação e disciplina, pudessem orientar as ações, estas resultam das circunstâncias e de mera repetição inconsciente. O modo particular de atuação não significa o protagonismo de uma ação flexível e adaptativa. Nesse caso, se trata de desorganização mesmo. Aqui nos referimos a contradição que se estabelece entre uma ação rotinizada tecnicamente e a necessidade de flexibilidade e adaptabilidade em face da diversidade de situações de cuidado com que o cuidador se defronta. 43 7 RELAÇÃO DA PESQUISA COM PROPOSTA DE IMOGENE KING Vimos até aqui que a falta de orientação referente aos cuidados de higiene oral que deveriam ser realizados pelos portadores de DM ou orientada pelo profissional Enfermeiro, vai de encontro com a proposta de Imogene King, pois para ela os conceitos derivam do seguinte pressuposto: o Enfermeiro deve informar aos pacientes os aspectos de cuidados à saúde para ajudá-los a tomar medidas e decisões conscientes (MOREIRA E ARAÚJO, 2002). Segundo a proposta do ESF, criado em 1994, pelo Ministério da Saúde que tem seu foco voltado para a relação direta com a comunidade, por ter o compromisso de prestar assistência universal, integral, equânime, contínua e resolutiva à população, constatamos que alguns fatores não estão caminhando em conformidade como as preconizadas pelo sistemas. Sendo assim, o enfermeiro, que atua particularmente na atenção básica de saúde, deve interagir para que haja o estabelecimento e alcance de metas de saúde propiciando o desenvolvimento de ações que facilitem o acesso á informação, controle e tratamento, agindo assim individualmente e em coletividade. Nesta pesquisa vimos que os cuidados de enfermagem não ocorrem como um processo de ação, reação e interação pelo qual são dadas as informações de forma a planejar ações preventivas e educativas a serem tomadas no âmbito da saúde bucal para prevenir e evitar os agravos conforme o desejado por Imogene King. O ideal seria a enfermeira e o paciente estabelecer uma relação de enfrentamento aos estados de saúde e ajuste a atividades de mudança na vida diária, ou seja, precisa prestar assistência de forma humanística por ter funções especificas de sua profissão, sendo elas: ensinar, aconselhar e guiar indivíduos e grupos, ajudando-lhes a manter sua saúde. Sua estrutura se baseia no fato de que o foco da enfermagem é o cuidado de seres humanos. Esses permanecem em contínua interação com o ambiente e com as pessoas que os cercam, onde cada sistema se encontra em interação com os demais, garantindo o equilíbrio ideal para o controle da saúde. 44 8 PROPOSTA DE EDUCAÇÃO EM SAÚDE Segundo Donato (2000), a educação em saúde é uma prática social, é um processo que contribui para a formação e desenvolvimento da consciência crítica das pessoas, a respeito de seus problemas de saúde, estimula a busca de soluções e a organização para a ação coletiva. Essa prática rejeita a concepção estatística de educação, entendida, apenas como transferência de conhecimentos, habilidade e destrezas. Este tema reflete a mudança do modelo em relação às práticas de saúde, antes fragmentadas e curativas e, atualmente, vistas numa concepção de assistência integral e inseridas no contexto da promoção à saúde, definida como um processo de capacitação da comunidade para atuar na melhoria da qualidade de vida e saúde, incluindo maior participação no controle desse processo (LERVOLINO, 2000). Para o desenvolvimento dessas práticas, há que se considerar a necessidade de definir campos de ação para a promoção da saúde. Dentre eles, estão: a construção de políticas públicas saudáveis; a criação de ambientes favoráveis; a reorientação dos serviços de saúde; o desenvolvimento de habilidades individuais; e o reforço da ação comunitária, por meio da responsabilidade social (SILVEIRA, 2000). Para L'Abbate et al, (1992), essa abordagem deve ser transformada, favorecendo o desenvolvimento da adesão, compromisso e autonomia dos sujeitos coletivos envolvidos. Neste sentido, a Educação em Saúde pretende colaborar na formação de uma consciência crítica, resultando na aquisição de práticas que visem à promoção, manutenção e recuperação da própria saúde e da saúde da comunidade da qual faz parte (FOCESI, 1992). Diante do exposto a realização da Educação em Saúde previne agravos e conscientiza os pacientes da responsabilidade com seu próprio corpo e com sua própria saúde. Fica como proposta então, que nos encontros realizados aos grupos do HIPERDIA, seja levantando questões voltadas a saúde bucal de forma a interagir com a equipe multidisciplinar, buscando apoio de todos os profissionais nessas ações. Bem como, que os acadêmicos que ali passam, possam instigar o interesse 45 da população em participar de forma ativa nessas mudanças de higiene, ou seja, onde não apenas em suas consultas ou visitas domiciliares de rotina, sejam levados informações referente a DM em sí, mas todos os cuidados que de alguma forma englobam este paciente em determinadas situações. Fazendo com que o interesse dos profissionais em tratar o paciente diabético como um todo, dentro de suas várias complicações, seja instigado já durante a academia, trazendo suas experiências de mudanças significativas para dentro da unidade, tornando-se assim uma assistência de enfermagem mais integral e humanizada. 46 9 CONSIDERAÇÕES FINAIS Esta pesquisa objetivou desvelar a adesão da população diabética atendida pela Enfermagem no contexto da Estratégia da Saúde da Família de um bairro do município de Biguaçu sobre o cuidado da saúde bucal, conhecendo assim, como é feito o tratamento e as orientações que são dadas aos usuários durante consulta de enfermagem e não o tratamento clínico que é oferecido durante as consultas odontológicas. Durante a análise dos dados, percebemos a falta de orientação e pouco conhecimento sobre a saúde bucal dos entrevistados, pois, quando perguntados sobre a técnica correta de escovação, grande parte dos entrevistados não sabia e quando perguntados sobre a importância da escovação dentária relacionado com o DM, cinco responderam que não tinham esse conhecimento. Além disso, evidenciou-se que as orientações e os cuidados neste âmbito não foram realizadas durante a consulta de enfermagem. Percebemos que a participação do enfermeiro na manutenção da saúde bucal dos pacientes portadores dessa doença não esta fortemente relacionada como o preconizado pelo Ministério da Saúde (2006), que diz que os profissionais de saúde devem ter a responsabilidade de uma proposta mais humanizada nas ações de saúde bucal, para melhor compreensão das orientações feitas para os usuários durante consulta, de modo a não produzir apenas consultas e atendimentos sem um adequado conhecimento da realidade da saúde bucal da população e que devem avaliar as condições de vida, determinando um estado de prevenção, promoção, e recuperação da saúde. Sabemos que a DM se traduz como uma epidemia mundial e esta intimamente relacionada com a doença periodontal. Vimos até aqui que falta de informação referente aos cuidados de higiene oral que deveriam ser realizados pelos portadores de DM ou orientada pelo profissional Enfermeiro vai ao encontro com a proposta de Imogene King (GEORGE, 2000). Segundo a autora o Enfermeiro deve informar aos pacientes os aspectos de cuidados à saúde para ajudá-los a tomar medidas e decisões conscientes e essa informação não foi visível durante as entrevistas. Objetivo da enfermagem é colocar o paciente na melhor condição para que a natureza atue sobre ele, descrevendo-a como uma arte e como uma ciência. O 47 profissional de enfermagem tem a responsabilidade de realizar seus papéis, de aderir à legislação de prática de enfermagem e ao código de ética da enfermagem. As necessidades dos pacientes variam, dependendo de seus problemas, circunstâncias associadas e experiências vividas. Uma das funções importantes do profissional na oferta de cuidado de saúde consiste em identificar as necessidades imediatas do usuário e empreender medidas para abordá-las. Sendo assim, o enfermeiro deve interagir para que haja o estabelecimento e alcance de metas de saúde propiciando o desenvolvimento de ações que facilitem o acesso á informação, controle e tratamento, agindo assim individualmente e em coletividade. Tais ações podem evitar uma série de complicações aos portadores dessa patologia, tornando-o um cidadão mais interessado acerca de sua saúde, fazendo com que este tenha um melhor conhecimento da importância da higienização e técnica correta e principalmente que ele encontre na equipe a atenção e cuidados que ele procura. Acreditamos então que a proposta levantada está voltada para a população e para a ação, onde seus objetivos são encorajar as pessoas a adotar e manter padrões de vida mais sadios, usando de forma judiciosa e cuidadosa os serviços de saúde colocados á sua disposição de forma á tomar suas próprias decisões, tanto individual como coletivamente. Visando melhorar a condição de saúde e de seu meio, a educação em saúde é um dos mais importantes elos entre os desejos e expectativas da população por uma vida melhor e as projeções e estimativas do governo ao oferecer programas de saúde mais eficientes, no sentido de garantir a qualidade de vida da população. 48 10 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: ALVES, Crésio; et al. Mecanismos Patogênicos da Doença Periodontal Associada ao Diabetes Melito. Arq. Bras. Endocrinol. Metab. São Paulo, v. 51, n. 7, 2007. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S000427302007000700005&lng=en&nrm=iso>. Acessado em: 25 de Março de 2008. ALMENAU. K; NASCIMENTO. R.M; VENTURA. R. P. Cuidado prestado por Familiar/Cuidador no Tratamento de úlceras de Pressão. Biguaçu: UNIVALI, 2006. BARNUM B. J. S. Nursing Theory: Analysis, Application, Evaluation. 5.ed. New York: Lippincott; 1998. BRASIL, PORTARIA N.º 1.444, DE 28 DE DEZEMBRO DE 2.000. Publicada no DOU de 29/12/00, seção 1, pg. 85 - JOSÉ SERRA. (Of. El. N.º 601/2000) BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Coordenação Nacional de Saúde Bucal. Diretrizes da Política Nacional de Saúde Bucal. Brasília, 2004. BRASIL A. Política de atenção básica GM/MS nº 648 de 28 de Março, Brasília/ DF, 2006. BRASIL B. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Coordenação Nacional de Saúde Bucal. Caderno de Saúde Bucal. Brasília, 2006. BRASIL C. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Caderno de Atenção Básica. Diabetes Mellitus. Brasília, 2006. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Atenção básica e saúde da família. Disponível em http://dtr2004.saude.gov.br/dab/abnumeros.php. Acessado em 17 de Agosto de 2009, às 15 horas e 44 minutos. CAETANO. K. S. S; BRUGGMANN. M. S. 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V. 9, n° 1, Jan./fev., 2005. 51 APÊNDICES 52 Apêndice A – Termo de Esclarecimento UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAI CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE - BIGUAÇU CURSO DE GRADUACAO EM ENFERMAGEM CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Estamos realizando um estudo de interesse para a melhoria da atenção que pode ser dispensada aos clientes da CIABS, Serviço de Saúde no qual você é atendido. O estudo quer verificar a adesão dos pacientes diabéticos, sobre os cuidados com a saúde bucal. O procedimento de coleta de dados poderá contar com sua participação no fornecimento de suas próprias informações contidas em, para isso o(a) senhor(a) receberá visita domiciliar que será feita pelos próprios pesquisadores: Flávia de Souza Fernandes e Hevelin Aline da Silva, alunos de Enfermagem da UNIVALIBiguaçu (Universidade do Vale do Itajaí) e terão a orientação e responsabilidade conjunta da professora Ana Cristina O. da S. Hoffmann. Durante a visita, escutaremos seu relato sobre o cuidado com sua saúde bucal e a relação deste com a Enfermagem. Estas observações não serão divulgadas com seu nome ou outra identificação, só serão interpretadas em conjunto com outras observações e difundidas sob anonimato e confidencialidade de seus dados individualizados. Saiba também que a qualquer momento o(a) senhor(a) pode desistir de sua participação na pesquisa, sem que isso traga qualquer desconforto na relação entre os pesquisadores e o(a) senhor(a), nem qualquer dificuldade à continuidade do seu atendimento em saúde. Os resultados dessa pesquisa serão comunicados ao senhor (a) e, garantidamente, comprometemo-nos influenciar os serviços de saúde na busca de maior qualidade no atendimento da saúde bucal de pacientes diabéticos. Nenhum de nós, nem os senhores receberão qualquer recompensa financeira pelas informações prestadas nesta pesquisa, nem terão despesas com a participação neste estudo. 53 TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE APÓS ESCLARECIDO Eu _____________________________________________, li o esclarecimento anteriormente registrado e compreendi para que serve o estudo e qual o procedimento em que participarei. A explicação dada pelos pesquisadores esclarece os riscos e benefícios do estudo. Entendi que sou livre para interromper minha decisão de participar sem justificar e que nada implicará em dificuldades ou desconforto de qualquer ordem para mim ou para os pesquisadores. Sei que meu nome ou minha imagem não serão divulgados e não terei despesas e não receberei qualquer vantagem financeira para participar do estudo. Eu concordo em participar do estudo intitulado: A ENFERMAGEM NO CUIDADO DA SAÚDE BUCAL DE INDIVÍDUOS PORTADORES DE DIABETES MELLITUS. Assinatura do participante da pesquisa: ______________________________ Documento de identidade: ____________________ Biguaçu:____/____/2008 Flávia de Souza Fernandes Hevelin Aline da Silva Acadêmica de Enfermagem Acadêmica Enfermagem PROFª.MSC. Hoffmann. Ana Cristina O. da S. de 54 Apêndice B – Questionário Semi – Estruturado Questionário Semi – Estruturado 1. Durante a consulta de Enfermagem, são abordados os cuidados que você deve ter com sua higiene oral? ( ) sim ( ) não Se a resposta for afirmativa, quais os cuidados foram abordados? 2. Você foi convidado ou já participou de algum grupo educativo sobre saúde bucal? ( ) sim ( ) não 3. Tem conhecimento sobre a importância da escovação dentária relacionado ao Diabetes? ( ) sim ( ) não Qual? 4. Pra você, como a DM (Diabetes Mellitus) pode interferir em sua saúde bucal? 5. Qual a periodicidade que você faz higiene oral? 6. Liste a maneira que realiza sua higiene oral. 7. Já foi orientado quanto a técnica correta de escovação? ( ) Sim ( ) Não Como? 8. Possui alguma dificuldade/desconforto em relação à saúde bucal/ou na realização da higiene oral? 9. Você já teve algum agravo ou lesão bucal/dentário. 55 ( ) sim ( ) não Se a resposta for afirmativa, que tipo de agravo ou lesão? Apêndice C - Solicitação de Autorização para a Realização da Pesquisa UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM Biguaçu, 15 de fevereiro de 2009. Solicitamos autorização da Direção da Clínica Integrada de Atenção Básica a Saúde, para realizar a pesquisa nesta instituição. Este projeto está sendo encaminhado para análise do Comitê de Ética da Universidade do Vale do Itajaí. Responsabilizamos-nos que a pesquisa somente será iniciada após a aprovação neste comitê. Esta pesquisa será realizada na unidade no município de Biguaçu: A ENFERMAGEM NO CUIDADO DA SAÚDE BUCAL DE INDIVÍDUOS PORTADORES DE DIABETES MELLITUS, sob a orientação da professora Ana Cristina O. da S. Hoffman e das acadêmicas: Flávia de Souza Fernandes Lemonie e Hevelin Aline da Silva, acadêmicas do Curso de Graduação de Enfermagem da Universidade do Vale do Itajaí, Campus Biguaçu. Ana Cristina O. da S. Hoffmann. Orientadora Flávia de Souza Lemonie Acadêmica de enfermagem Hevelin A. da Silva Acadêmica de enfermagem 56 ANEXOS 57 Anexo 1 – Termo de Compromisso e Aceite de Orientação TERMO DE ACEITE DE ORIENTAÇÃO Eu, Ana Cristina O. da S. Hoffmann, Professora do Curso de Graduação em Enfermagem, concordo orientar a monografia de conclusão de curso das acadêmicas: Flávia de Souza Fernandes Lemonie e Hevelin Aline da Silva tendo como tema: A ENFERMAGEM NO CUIDADO DA SAÚDE BUCAL DE INDIVÍDUOS PORTADORES DE DIABETES MELLITUS. A orientadora está ciente das Normas para elaboração do Trabalho Monográfico de Conclusão do Curso de Graduação em Enfermagem, bem como, do calendário de Biguaçu, 15 de julho de 2008. Ana Cristina O. da S. Hoffmann. Orientadora Flávia de Souza Lemonie Hevelin A. da Silva Acadêmica de enfermagem Acadêmica de enfermagem atividades proposto. 58 Anexo 2 – Parecer de Aprovação pelo Comitê de Ética.