PROJETO NATUREZA DIVERTIDA Janilson Sales da silva oliveira. Curso de Pedagogia. Faculdade de Formação de Professores da Mata Sul-FAMASUL Pernambuco – Brasil [email protected] Eixo Temático: Alfabetização e Infância Resumo O presente trabalho tem caráter experiencial, uma vez que busca inserir na educação do campo alguns jogos, brinquedos e recursos didáticos elaborados a partir de materiais extraídos da natureza, elementos estes bem conhecidos na vida do aluno, uma vez que compõe o seu meio natural. No fazer pedagógico do campo, a questão do contexto, que pode ser inserido numa situação-problema, e desta forma este suporte permite serem trabalhos uma infinidade de conteúdos. Palavras-chave: campo, jogos e recursos. ABSTRACT This work is experiential character, as it seeks to enter the field of education some games, toys and teaching resources developed from materials extracted from nature, these elements well known in the student's life, since that makes up the natural surroundings . In pedagogical practice field, the question of context, which can be inserted into a problem situation, and thus this support enables be work a multitude of content. Keywords: field, games and resources OBJETIVOS DE ENSINO Identificar as implicações didático pedagógicas decorrentes das especificidades da Educação do Campo para a Educação Matemática. Conhecer a importância do uso de jogos e brincadeiras a partir dos materiais do meio no processo de Alfabetização Matemática, a fim de que sejam incluídos como recursos didáticos; Reproduzir jogos e recursos didáticos já utilizados em sala a partir de materiais extraídos da natureza e que são localizados no campo. A EDUCAÇÃO DO CAMPO NO PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO MATEMÁTICA Como delineamos em nosso objetivo, este projeto procura inserir na educação do campo jogos e brinquedos elaborados a partir de materiais extraídos da natureza e que são bem conhecidos do aluno, bem como reproduzir com estes mesmos materiais, recursos didáticos industrializados já utilizados em sala. Com esse material poderemos aplicar com maior propriedade o que nos é sugerido no caderno 08 do PNAIC, nas páginas 9,10 e 11. Nas explicações ali contidas percebe-se o quanto pode ser valorizada, com o fazer pedagógico do campo, a questão do contexto, que pode ser inserido numa situação-problema, e desta forma serem trabalhos uma infinidade de conteúdos. Com esta prática além de se buscar meios facilitadores para a ação pedagógica, valoriza-se a educação no campo. Como afirma LEITE (1999, p. 28) em seu estudo sobre a educação rural: “a sociedade brasileira somente despertou para a educação rural por ocasião do forte movimento migratório interno dos anos 1910/20, quando um grande número de rurícolas deixou o campo em busca das áreas onde se iniciava um processo de industrialização mais amplo”. Acima disso, também temos embasamento legal que, além de validar esta prática nos estimula. A LDB em seu artigo 28 estabelece as seguintes normas para a educação do campo: Na oferta da educação básica para a população rural, os sistemas de ensino proverão as adaptações necessárias à sua adequação, às peculiaridades da vida rural e de cada região, especialmente: I- conteúdos curriculares e metodologia apropriada às reais necessidades e interesses dos alunos da zona rural; II- organização escolar própria, incluindo a adequação do calendário escolar às fases do ciclo agrícola e às condições climáticas; III- adequação à natureza do trabalho na zona rural (BRASIL, 1996). Sendo assim, “promovemos as adaptações”, segundo o exemplo: No CONTEXTO JOGOS, BRINQUEDOS E BRINCADEIRAS, problematizamos com jogos de tabuleiros e memória e aplicamos os conteúdos: lógica, regras, contagem e pontuação, operações básicas, probabilidade, geometria. No CONTEXTO DA NATUREZA, problematizamos com formato das plantas, medidas na natureza, distâncias, altitudes, profundidades e aplicamos os conteúdos: classificação, simetria, medidas. No CONTEXTO CAMPO problematizamos com quantidades de animais, cálculo de produtividade e aplicamos os conteúdos: distâncias, noção de área, quantidades, custo e operações. Para bem entendermos esta visão de aproximar os recursos a realidade do aluno do campo, nossa proposta encontra eco nas palavras de Roseli Caldart: A Educação do Campo é um projeto educacional compreendido a partir dos sujeitos que tem o campo como seu espaço de vida. Nesse sentido, ela é uma educação que deve ser no e do campo – No, porque “ o povo tem o direito a ser educado no lugar onde vive”; Do, pois, o povo tem direito a uma educação pensada desde o seu lugar e com a sua participação (Caldart, 2002, p.26) Claramente discutem-se as particularidades entre campo no sentido educacional e educação na zona urbana. São as especificidades inerentes ao perfil de cada ambiente. Mas se apenas constata-se estas diferenças e nada é proposto no sentido educação com seus mecanismos de efetivação, fica-se apenas no teórico vazio de ações concretas que possibilite mudanças, avanços e porque não dizer valorização. Para Arroyo: Um primeiro desafio que temos é perceber qual educação está sendo oferecida ao meio rural e que concepção de educação está presente nesta oferta. Ter isto claro ajuda na forma de expressão e implementação de nossa proposta. A educação do campo precisa ser uma educação específica e diferenciada, isto é, alternativa. Mas, sobretudo deve ser educação, no sentido amplo de processo de formação humana, que constrói referências culturais e políticas para intervenção das pessoas e dos sujeitos sociais na realidade, visando a uma humanidade mais plena e feliz (ARROYO, 2004, p.23). Não é nada novo no sentido de recurso existente, porém é algo, diríamos inusitado, pois trabalha com uma ideia já conhecida concretizando-se com recursos que automaticante apontam para o saber do lugar, o modo de vida do meio. E isto, é o foco de nosso projeto experiencial, demonstrar que facilita a aprendizagem, acelera a absorção dos conteúdos. A identidade da escola do campo é definida pela sua vinculação às questões inerentes a sua realidade, ancorando-se na sua temporalidade e saberes próprios dos estudantes, na memória coletiva que sinaliza futuros, na rede de Ciência e Tecnologia disponível na Sociedade e nos Movimentos Sociais em defesa de projetos que associem as soluções por essas questões à qualidade social da vida coletiva no país (MEC, 2002, p.37) Que sentido teria para uma escola conhecer fauna e flora, rios e montanhas de uma região distante, sem nunca olhar ao redor e perceber que o lugar onde está inserida pode ser enquadrado no currículo. O papel desta escola estaria inadequado para uma proposta que se diz “libertadora”.Quando se conhece o meio automaticamente este meio é defendido, preservado.Pois não se conhece o aspecto geográfico e sim percebe-se os problemas, os entraves que impedem esta região de dar passos largos e alcançar novos patamares. Uma tendência de pensamento articulada por alguns intelectuais que formularam ideias que já vinham sendo discutidas desde a década de 1920 e que resumidamente consistiam na defesa de uma escola adaptada e sempre referida aos interesses e necessidades hegemônicas no setor rural. Esse pensamento privilegiava o papel da escola na construção de um "homem novo", adaptado à nova realidade brasileira e de uma relação “homem rural escola" pretensamente nova (Prado, 2000, p. 50). Sendo o contrário, o que se espera do aluno assistido num ambiente que encontra no seu espaço elementos com uma carga cultural significativa, com uma utilidade usual, mas que agora, na sala de aula facilita a absorção de um conteúdo ou proporciona um momento lúdico? STAINBACK responde a seu modo: Na verdade, o envolvimento dos alunos em suas próprias experiências da aprendizagem e no planejamento e na implementação de experiências de aprendizagem intencionais e significativas para seus colegas é considerado fundamental para as turmas inclusivas. Os alunos podem propor atividades, reunir materiais e organizar e implementar qualquer ajuda de que algum deles necessite (STAINBACK, S, W, 1999, p.246).. INSTRUÇÕES SOBRE O MODO DE JOGAR; O projeto iniciou com a coleta de materiais da natureza e adequação para uso como jogo ou recurso didático, sem sofrer, no entanto, alterações que os descaracterize. Alguns jogos ou brinquedos trarão instruções básicas de uso, inscritas em pedaço de papel que fica próximo ao recurso a fim de ser consultado pelo aluno e, a partir daí aprender com diversão. Em relação a outros recursos não trabalhamos instruções específicas visto que a nossa proposta é reproduzir recursos didáticos já utilizados no meio escolar, mas pelo menos é acompanhado por uma ficha descritiva, com informes científico, histórico e utilidade usual. 1- CUIA DE COITÉ APLICAÇÃO - INSTRUMENTO DE MEDIDA FICHA DESCRITIVA - COITÉ - Fruto ovóide da árvore de mesmo nome; estando maduro, é colhido e depois de cerrado ao meio e limpo é utilizado na forma de cuias, como se fossem vasilhas domésticas. Etimologia - "Cuia" vem do termo tupi ku'ya. "Coité", "cuieté", "cuietê", "cuité" e "cuitê" vem da expressão tupi kuya e'tê, que significa "cuia verdadeira". "Cabaça"No Nordeste do Brasil, a cuia é uma unidade de medida de secos, equivalente a 1/32 do alqueire (com cerca de 13 litros este último, equivalendo portanto a cerca de 400 mililitros). A cuia era muito utilizada no interior do nordeste brasileiro como vasilhame para se armazenar água e alimentos, como colher e como objeto de decoração. 2- SABUGUEIRO ( ábaco adaptado) APLICAÇÃO - Pequenos pedaços de sabugo para trabalhar contagem e sequência numérica FICHA DESCRITIVA - Significado de Sabugo- Espiga de milho debulhada. O miolo do sabugueiro. O mesmo que sabugueiro. Existem centenas de utilidades, vamos tentar relacionar algumas. a) servir de "bainha" para agulha de costurar sacos. b) como combustível na churrasqueira. c) como tampa de garrafão. d) moer e acrescentar à ração dos animais. Monteiro lobato aproveitou uma para fazer o "Visconde de Sabugosa. 3- JOGO DAS CABAÇAS APLICAÇÃO - Cabaças numeradas para serem alcançadas com argolas. Ideal para trabalhar contagem, operações e registro. FICHA DESCRITIVA - Cabaça - Planta da família das cucurbitáceas "cabaceira".Fruto de uma planta da família das cucurbitáceas, que tem aproximadamente a forma de uma pera.Cabaça (do árabe kara bassasa, "abóbora lustrosa") é a designação popular dos frutos das plantas dos gêneros Lagenaria e Cucurbita. Outros nomes incluem porongo ou poranga (do quíchua poronco, "vaso de barro com o gargalo estreito e comprido", através do espanhol rioplatense),cuia (do tupi antigo (e)kuîa), jamaru (do tupi yama'ru) etc.O fruto que é oco é amplamente utilizado como moringa para por água, porta objetos ou como instrumento musical como o berimbau e chocalho. 4- CONTANDO FEIJÃO APLICAÇÃO - Vários tipos de feijões, onde pode explorar-se contagem e seleção. FICHA DESCRITIVA - INFORMAÇÕES - O feijão é uma semente com alto valor nutritivo, principalmente ferro. Existem vários tipos de feijão, sendo que os mais comuns no Brasil são: carioquinha, preto, de corda, jalo, branco, rosado, fradinho, rajado e bolinha. - É um alimento rico em proteínas vegetais, possui também um alto valor calórico, sendo que 100 gramas de feijão apresentam 330 calorias. No Brasil, é muito consumido em combinação com o arroz e também para fazer a feijoada. - Possui uma boa quantidade de fibras (cada 100 gramas de feijão apresenta, em média, 19 gramas de fibras). Além do ferro, possui os seguintes sais minerais (potássio, fósforo e cálcio). - Ele é produzido durante todos os meses do ano. 5- CONTANDO FAVAS APLICAÇÃO - Tipos diferentes de fava, ideal para contagem seleção e classificação. FICHA DESCRITIVA - Fava ou feijão-fava é a denominação de um ou mais espécies de plantas da família das Fabaceae em especial da espécie Vicia faba. ou ainda o nome da vagem seca de qualquer planta. Nome comum à várias plantas da família das Leguminosas , de vagem e sementes comestíveis. 6- CAVALO DE MANGARÁ APLICAÇÃO Brinquedo típico da área rural que estimula a criatividade FICHA DESCRITIVA - Histórico – Bananeira - é originária da Ásia meridional, de onde se difundiu para a África e a América. É a fruta das frutas. É própria de clima quente e úmido, preferindo as planícies próximas ao mar e resguardadas dos ventos. Os terapeutas e médicos recomendam a banana contra enfermidades além de grande valor nutritivo. É ligeiramente diurética e laxativa. Conhece-se no Brasil mais de 30 variedades de banana. As mais comuns são: prata, nanica, ouro, maçã, d’água, São Tomé, figo, da terra, cacau, abóbora, chocolate, manteiga, etc. Da bananeira tudo é aproveitado, tanto na culinária, medicina natural, como nas artes e no artesanato.: raiz, pseudo caule, folhas, frutos e o MANGARÁ. (Umbigo, flor, coração ou mangará da banana) Da parte inferior do cacho da banana ainda imaturo, sai um pendão e, em seu extremo, destaca-se um cone de coloração e consistência diferenciadas, que é a flor da bananeira. Popularmente, a flor da bananeira é chamada de umbigo [do cacho] da banana, coração da bananeira, mangará ou apenas umbigo da banana, que, cozido e preparado com outros ingredientes, é comestível de requintado sabor e alto valor nutricional. 7- CORDÃO DE FRADE GIRA, GIRA APLICAÇÃO - Brinquedo típico da área rural que estimula a criatividade FICHA DESCRITIVA - Conhecida mundialmente como Leonotis nepetifolia, o Cordão de frade é uma planta tropical da família da menta (Lamiaceae) que tem origem na África tropical e Índia meridional, embora possa ser encontrada também em certas regiões subtropicais da Ásia, África e América. No Brasil ela ocorre em quase todas as regiões, com exceção do Sul, por ser muito frio e a planta não se adaptar e tais condições. O cordão de frade é muito utilizado em certos casos de doenças nas vias respiratórias.O cordão de frade ainda tem outros usos além do medicinal, como na culinária, pois as folhas podem ser usadas em saladas. 8- MULTIPLICANDO CHICHÁ APLICAÇÃO - Jogo da multiplicação com casca e caroço do chichá. FICHA DESCRITIVA - Chicha, chixá ou xixá, é o nome popular de uma árvore da família das Malváceas, subfamília das Sterculioideas. Trata-se de uma árvore de grande porte, com até 25 metros de altura, tronco reto, com casca castanho-amarelado, copa arredondada, muito densa. Folhas grandes, caducifólias e cobertas de pêlos na face inferior (tomentosa). Seus frutos são cápsulas lenhosas, de cor marrom, com pêlos interna-mente. Ocorre do estado do Espírito Santo à São Paulo.Também é chamada de araxixá, arachichá, axixá, bóia, pau-debóia, etc.O nome científico da chichá é : Sterculia Chixa ou também Sterculia Carthaginensis.O nome do fruto, de nome xixá (não confundir com o nome da árvore, que é chichá), termo Indígena, que significa "Fruto semelhante a mão ou punho fechado". 9- CONTANDO COM CASTANHA DE CAJU APLICAÇÃO - Ideal para contagem,comparar tamanhos, formas. FICHA DESCRITIVA - O caju (do tupi-guarani acayu ou aca-iu, que significa ano, uma vez que os indígenas contavam a idade a cada safra) é muitas vezes tido como o fruto do cajueiro (Anacardium occidentale) quando, na verdade, trata-se de um pseudofruto (pseudo significa falso). O que entendemos como caju na verdade são duas partes: - a fruta propriamente dita, que é a castanha de caju; - o pedúnculo floral, geralmente reconhecido como o fruto, o caju.O caju é a parte comestível na forma crua e fresca. Bem carnudo e suculento, apresenta variedades nas cores amarelo, rosado ou vermelho. 10- CONTANDO COM SEMENTE DE GIRASSOL APLICAÇÃO - Ideal para contagem, comparar tamanhos, formas. FICHA DESCRITIVA - Sendo uma das maiores fontes de nutrientes para a saúde emocional e mental. A semente é uma excelente fonte de fibras e proteínas. Possui minerais como: cálcio, potássio, magnésio, cobre, fósforo e selênio. Tem um alto teor de vitaminas do complexo B, vitamina E, K e Vitamina A. Possui um óleo benéfico para nosso organismo, além das gorduras poli-insaturadas – ômegas 6 e 9. Há mais de 5 mil anos tem sido usada pelos índios americanos, e foram levadas para outros países pela Espanha.As sementes são as que dão origem à flor Girassol. Ao mesmo tempo em que se pretende utilizar os recursos da natureza como facilitadores de aprendizagem, busca-se uma consciência ecológica enraizada nos princípios éticos de cuidar do meio para cuidar de se mesmo. Se a pedagogia atinge este duplo papel estamos diante de uma contribuição valiosa nos âmbitos educacionais, culturais e ecológicos. REFERÊNCIAS ARROYO, Miguel Gonzales. Imagens quebradas Petrópolis: Vozes, 2004. BÍBLIA. O livro de Jó. Português. Bíblia sagrada. Tradução por João Ferreira de BRASIL. LDB, Lei 9394/96 Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília: Corde, 1996. CALDART, Roseli S. Por uma educação do campo: traços de uma identidade em construção. In: Educação do campo: identidade e políticas públicas – Caderno 4. Brasília: Articulação Nacional “ Por Uma Educação Do Campo” 2002. Diretrizes Operacionais para Educação Básica das Escolas do Campo. CNE/MEC, Brasília, 2002. LEITE, S. C. Escola rural: urbanização e políticas educacionais. São Paulo: Cortez, 1999. PRADO, Adonia Antunes. Ruralismo pedagógico no Brasil do Estado STAINBACK, Susan, William. Inclusão Um guia para Educadores: Envolvimento dos Colegas. Porto Alegre: Artmed, 1999.