i DIANA NASCIMENTO LINS & ROBERTO PIMENTEL DE SOUSA JÚNIOR FABRICAÇÃO DE BLOCOS DE CONCRETO UTILIZANDO RESÍDUOS DA INDÚSTRIA DE ARTEFATOS DE CIMENTO Artigo apresentado ao curso de graduação em Engenharia Civil da Universidade Católica de Brasília, como requisito parcial para a obtenção de Título de Bacharel em Engenharia Civil. Orientador: Profª Msc. Luciana Nascimento Brasília 2014 ii Artigo de autoria de Diana Nascimento Lins e Roberto Pimentel de Sousa Júnior, intitulado ”FABRICAÇÃO DE BLOCOS DE CONCRETO UTILIZANDO RESÍDUOS DA INDÚSTRIA DE ARTEFATOS DE CIMENTO”, apresentado como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Engenharia Civil da Universidade Católica de Brasília, em 10 de junho de 2014, defendido e aprovado pela banca examinadora abaixo assinada: __________________________________________________ Profª MSc. Luciana Nascimento Lins Orientador Curso de Engenharia Civil – UCB __________________________________________________ Prof MSc. Robson Donizeth Gonçalves Da Costa Examinador Curso de Engenharia Civil – UCB Brasília 2014 iii AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus, pois tenho certeza que Ele foi fundamental nesta caminhada. Agradeço à minha orientadora, pela disponibilidade, paciência e dedicação que tornaram possível a conclusão deste trabalho. Agradeço à empresa Premotecno Indústria de Artefatos de Cimento Ltda., que disponibilizou toda infraestrutura para a realização das pesquisas. Agradeço aos meus pais, Luciana e Robson, por serem a minha base inabalável, por serem meus melhores exemplos de pessoa e profissional, e pelo amor e apoio incondicional que sempre me deram. À minha irmã, Ísis, que me apoiou mesmo que involuntariamente, me fazendo rir até nos momentos difíceis, e me trazendo agradáveis responsabilidades para o futuro. Às minhas avós, Vera e Carol, que mesmo de longe torceram por mim. À minha família como um todo, que apesar da distância, é parte fundamental da minha vida. Aos meus amigos, Gustavo Catunda e Robert Rosselló, que estiveram ao meu lado durante todos os momentos bons e ruins destes últimos anos, que presenciaram as minhas constantes mudanças de humor em véspera de prova, e programaram comigo as tais viagens de última hora. Agradeço por todo apoio, amor, compreensão e cumplicidade. Que essa amizade dure para sempre, pois hoje, vocês são parte fundamental da minha vida. À Isabela Albuquerque, que surgiu em uma das etapas mais importantes da minha vida, que acompanhou de perto os meus últimos momentos de aflição, que suportou os momentos de estresse, e retribui com muito apoio e compreensão, sempre estando ao meu lado para dizer que tudo iria dar certo, e me fazendo ter forças para continuar. À minha amiga, Carina Vidal, que esteve presente para dividir lembranças engraçadas, e me fazer rir à todo momento. Diana Nascimento Lins Agradeço a Deus por me dar forças para me manter firme em meus planos, e por me conduzir em meio a tantas idas e vindas durante este período de curso. Agradeço à minha mãe, pela carinhosa recepção durante todos finais de semana, por todo seu carinho, interesse e excelente culinária. Agradeço ainda por todo tempo dedicado iv durante minha infância, à acompanhar meus estudos e fazer impecavelmente seu papel de mãe. Agradeço a meu pai, pela educação por diversas rígida, baseada em seu exemplo de homem honesto e forte. Por seu total apoio em minhas decisões, mesmo naquelas que fugiam do seu entendimento e você já não sabia dar seus sábios conselhos. A meus amigos, pelas diversas horas de alegrias, viagens, lembranças, companheirismo e torcida cultivados há anos. Aos amigos que fiz na Universidade, pelas conversas jogadas fora. Quase sempre para reclamarmos de como os prazos estão apertados. Pelas noites mal dormidas, para cumprimos nossos deveres de estudantes, e pelo excelente grupo de trabalhos que tive nesses últimos dois anos de curso. À Mariá Leite por toda sua calma e compreensão durante os momentos de angustia e por sua inocente alegria em meio a minhas conquistas e descobertas. Mesmo que momentos, cargas e apoios não lhes faça muito sentido. À Equipe Premotecno Indústria de Artefatos de Cimento Ltda., por nos ceder suas instalações e até mesmo força bruta, para que pudéssemos desenvolver este trabalho. Aos professores, por todo apoio, conversa, exemplo e conselho, em especial ao Professor Nielsen Dias Alves, pela sua amizade e ajuda na realização deste trabalho. A minha orientadora, pelo imenso interesse. Aos amigos que fiz no estágio durante estes dois anos. Que todas as tardes davam continuidade à minha formação iniciada em sala de aula. Pela paciência e pelo brilhante papel de professores. A minha família, no geral, por toda torcida. E por fim à minha irmã Luana, que acompanhou nestes últimos meses de perto esta etapa de finalização de curso e compartilhou de toda preocupação e de todas horas de estudo. Roberto Pimentel de Sousa Júnior 1 FABRICAÇÃO DE BLOCOS DE CONCRETO UTILIZANDO RESÍDUOS DA INDÚSTRIA DE ARTEFATOS DE CIMENTO DIANA NASCIMENTO LINS & ROBERTO PIMENTEL DE SOUSA JÚNIOR RESUMO Com o alerta do aquecimento global e a rigorosidade das políticas públicas de proteção ao meio ambiente vigentes, passou-se a dar maior relevância à sustentabilidade. Por este motivo, este artigo tem como princípio a ecoeficiência, visando um produto de qualidade, de preço competitivo, e que também respeite o meio ambiente. O objetivo deste estudo é a análise do desempenho técnico de blocos vazados de concreto simples para alvenaria, fabricados a partir da reutilização de material oriundo da reciclagem de blocos rompidos em ensaios de resistência à compressão, ou com algum dano ou trinca resultante das etapas de produção, além do material residual mais fino que é encontrado no chão do pátio onde ocorre a produção e o processo de paletização dos blocos. Para a realização deste estudo, o projeto foi apoiado pela empresa Premotecno Indústria de Artefatos de Cimento Ltda., que desperdiça aproximadamente 60 Kg de cimento e 1050 Kg de agregados a cada 10.000 blocos produzidos. A fim de obter um estudo comparativo, foram executados quatro traços experimentais, variando a quantidade de resíduo utilizada em cada um deles. Posteriormente a etapa de produção, os blocos foram submetidos a testes laboratoriais, onde foi possível analisar o desempenho de cada produto e compará-lo ao produto padrão, por meio de ensaios de resistência à compressão, análise dimensional, absorção e aderência. Foi realizada também uma avaliação visual, já que os blocos apresentaram aparências bem diferentes umas das outras, variando de acordo com a quantidade de resíduo utilizada. Todos os blocos atenderam as determinações da NBR 6136/2007, porém os blocos que tinham em sua mistura uma determinada quantidade de resíduo obtiveram resultados de resistência à compressão superiores, em até 56%, quando comparados aos resultados obtidos na ruptura dos blocos produzidos a partir do traço padrão utilizado na fábrica. Palavras-chave: Sustentabilidade. Resíduos da Construção Civil e Demolição (RCD). Reciclagem. Blocos vazados de concreto simples para alvenaria. 2 CONCRETE BLOCKS MANUFACTURE USING WASTE FROM ARTIFACTS CEMENT INDUSTRY ABSTRACT The warning global warming and the current stricktness public environment protection politics, started to attach importance to sustainability. For this motive, this article has the ecoefficiency as principle, looking for a quality product, with competitive price, that respects the environment. This study objective is analyze the technical performance of simple concrete hollow blocks for masonry, manufactured from reuse of recycled material derived from blocks broken in testing of compressive strength, or with some damage or crack resulting from production stages. For realize this study, the project was supported by Santa Alice Constructions and Incorporation Ltda. group, which produces ten thousand concrete blocks per day, wasting around 60 kg of cement and 1050 kg of aggregate at production. In order to obtain a comparative study, it was produced four experimental concrete mixes by varying the amount of residue used in each one. Subsequently the production stage, the blocks were subjected to laboratory tests, where it was possible to analyze the performance of each product and compare it to the standard product, by testing compressive strength, dimensional analysis and adherence. It was also performed an evaluation of coating adhesion of mortar on the blocks, since the substrates had quite different visual characteristics, varying with the amount of residue used. All blocks attended the determinations of NBR 6136/2007, but the blocks that had in their mix a certain amount of residue, produced superior resistance results to compression, up to 56%, when compared to results obtained in blocks produced from concrete mix pattern used in the factory. KEYWORDS: Sustainability. Residue from Civil Construction and Demolition (RCD). Recycling. Hollow blocks of simple concrete masonry. 3 1. INTRODUÇÃO A construção civil tem crescido cada vez mais no nosso País, sendo que a produção de resíduos sólidos gerados pela mesma cresce de forma diretamente proporcional. De acordo com o Panorama de Resíduos Sólidos no Brasil, divulgado em 2011, pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), no ano de 2010 o Brasil produziu cerca de 60,8 milhões de toneladas de lixo sólido, sendo que dados apontam que quase 30,1 milhões foram provenientes de novas construções e demolições. A geração de resíduos de construção e demolição (RCD) cresce a cada ano. Ainda de acordo com dados fornecidos pela Abrelpe, de 2011 para 2012 houve um aumento de 5,3% atingindo-se um total de 35 milhões de toneladas. Diante desses números que há anos são apresentados pelo Brasil, instituiu-se a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), a partir de lei sancionada em 2010, que determina que todos os municípios brasileiros devem adotar medidas que impeçam que estes materiais sejam depositados em locais indevidos, tendo como prazo limite o ano de 2014. Porém, de acordo com artigo publicado pelo site Planeta Sustentável, apenas 60% do lixo será descartado de forma correta neste ano. Apesar dos problemas acarretados pela indústria da construção civil, seu crescimento faz parte do desenvolvimento do nosso País e não deve ser freado diante de tais adversidades. Contudo, é necessário e indispensável que haja uma destinação correta para os resíduos de concreto provenientes de construções e demolições, sendo que a melhor alternativa é a reutilização dos mesmos. De acordo com o trabalho realizado por Buttler (2003), os resíduos de concreto apresentam grande potencial de reciclagem, decorrente da quantidade de partículas não hidratadas de cimento, que podem atribuir um ganho de resistência à compressão. Desta forma, reciclando esses tipos de resíduos torna-se possível, viável e vantajoso do ponto de vista ambiental e econômico a sua reutilização. Logo, esta pesquisa tem como finalidade a análise do comportamento dos blocos de concreto simples para vedação, produzidos a partir da utilização de resíduos da indústria de pré-fabricados. Serão analisados especificamente nestes blocos, as características de resistência à compressão, absorção, análise dimensional e aderência de argamassa de reboco. 4 2. MATERIAIS E MÉTODOS 2.1 Materiais e equipamentos Os materiais e equipamentos utilizados neste trabalho estão listados abaixo: 2.1.1 Materiais a) Resíduos provenientes de blocos de concreto b) Cimento CP V c) Areia artificial d) Pó de brita e) Brita 0 f) Areia de rio g) Aditivo Plastificante para blocos de concreto h) Cola à base de resina epoxídica 2.1.2 Equipamentos a) Vibroprensa VP500-H3 b) Câmara úmida c) Umidificador de ambiente d) Empilhadeira e) Rolo compressor f) Estufa g) Frasco de Chapman h) Caixa de volume conhecido b) Peneiras c) Agitador de peneiras d) Prensa hidráulica 100 Ton. e) Dinamômetro de tração f) Célula de carga de leitura digital g) Furadeira acoplada com serra copo h) Pastilhas de seção circular de 50 mm 5 2.2 Métodos 2.2.1 Considerações Iniciais A fim de conhecer o processo produtivo de blocos de concreto, foi realizada uma visita à fábrica de artefatos de cimento Premotecno. Nesta visita foi observada uma grande quantidade de resíduos, os quais são gerados no processo de produção e controle tecnológico dos artefatos de cimento, sendo posteriormente descartados. No presente trabalho, para a avaliação da possibilidade de uso desses resíduos, foram produzidos 55 blocos, sendo os mesmos ensaiados de acordo com as normas. De acordo com a NBR 6136/2007 devem ser coletados 11 blocos para serem ensaiados e outros 11 para contraprova. Desses 11 blocos, 8 são utilizados para avaliação da análise dimensional e resistência à compressão e ou outros 3 para ensaios de absorção. Foram estabelecidos quatro traços para a produção dos blocos, nos quais parte dos agregados foi substituída por resíduo. A grande maioria do resíduo utilizado nessa pesquisa é proveniente dos blocos fabricados com resistência de projeto de 2,0 à 4,0 MPa. O resíduo é composto por blocos com algum tipo de fissura ou deformidade decorrente do seu manuseio e/ou fabricação, pelo material fino acumulado nas tábuas que servem de suporte para os blocos durante a sua produção, além dos blocos danificados durante o processo de paletização e restos de blocos provenientes dos ensaios de laboratório. Para este estudo não serão utilizados pisos intertravados e/ou pavigramas fissurados e/ou defeituosos, pois são peças de resistência à compressão de no mínimo 35,0 MPa, bem superior à resistência dos blocos de concreto. Porém a quantidade deste material contida nas tábuas é irrisória, logo não se viu necessidade de descartá-los. O bloco escolhido para ser fabricado nesta etapa de testes foi o de dimensões 14x19x39 cm, sendo este o de maior demanda segundo dados da empresa. 2.2.2 Obtenção e preparo dos resíduos O processo para obtenção e preparação dos resíduos utilizados para a produção dos blocos foi realizado em três etapas: coleta, armazenamento e cominuição. 6 2.2.2.1 Coleta e armazenamento Durante a produção, diversos blocos são quebrados ou classificados como não conformes, como mostra a Figura 1. Para a realização dos estudos referentes à reutilização do resíduo, estes blocos, que naturalmente seriam descartados, foram separados no pátio à medida que eram classificados como impróprios para comercialização. Ao fim do dia, os blocos rejeitados, juntamente com os resíduos mais finos provenientes das tábuas da produção, formaram um grande aglomerado no pátio, fato que ocorre diariamente na fábrica e pode ser visualizado na figura 2. Para a caracterização do material e produção dos blocos, estes resíduos foram recolhidos e armazenados em tambores, devidamente protegidos de qualquer agente externo, principalmente água, assim como os resíduos provenientes dos ensaios realizados no laboratório. Figura 1 – Blocos descartados durante a produção Fonte: Autor 7 Figura 2 – Aglomerado de resíduos Fonte: Autor 2.2.2.2 Cominuição Os tambores contendo resíduos foram levados ao pátio da empresa, em contra piso plano, limpo e livre de materiais que pudessem contaminar a amostra. Posteriormente o material foi espalhado de maneira uniforme e em seguida fragmentado. Na figura 3 pode ser visualizado o processo de fragmentação, que foi realizado com o auxílio de um rolo compressor. Figura 3 – Cominuição dos resíduos Fonte: Autor 8 O critério de parada para cominuição das partículas foi a inspeção visual. Devido à variedade de rolos compressores, para padronização do processo se faz necessário estudos mais aprofundados nesta etapa. O processo de cominuição foi interrompido após a constatação de que o resíduo adquirira características granulométricas semelhantes a dos agregados utilizados na produção de blocos de concreto, como pode ser visto na Figura 4. Figura 4 - Resíduo obtido pela cominuição do material Fonte: Autor 2.2.3 Caracterização do resíduo Após a etapa de cominuição, a fim de caracterizar o material, realizaram-se os ensaios de granulometria, massa específica, massa unitária e material pulverulento, cujos resultados estão apresentados na Tabela 1. Tabela 1- Características Físicas do Resíduo Características Módulo de Finura Dimensão Máxima (mm) Massa Específica (g/cm³) Massa Unitária (g/cm³) Material Pulverulento (%) 3,58 9,5 2,65 1,52 4,27 Fonte: Autor Com o intuito de comparar as características físicas do resíduo com as características da mistura de agregados utilizada na produção do bloco padrão, também foi realizado um ensaio granulométrico da mistura. Após o ensaio obteve-se um valor de módulo de finura 9 igual a 4,05, e dimensão máxima de 9,5 mm. Diante dos valores apresentados na tabela 1, referente ao ensaio granulométrico realizado no resíduo, pode-se observar grande similaridade das características físicas, que foram posteriormente confirmadas pela comparação das curvas granulométricas do resíduo e da mistura de agregados utilizada na produção do bloco padrão, conforme mostrado no Gráfico 1. A curva granulométrica do resíduo também apresentou característica contínua, o que confere menor número de vazios, originando traços mais econômicos pela menor necessidade de pasta de cimento para preenchimento destes vazios. Gráfico 1- Curva Granulométrica – Agregado Percentagem de Material Retido Acumulado Curva Granulométrica - Agregado 0,1 1 10 100 0,00 10,00 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00 70,00 80,00 90,00 100,00 Abertura ABNT (mm) Curva Granulométrica do Resíduo Curva Granulométrica do Traço Padrão Fonte: Autor 2.2.4 Definição dos traços a serem utilizados Utilizando os resultados obtidos em (BORGES et al., 2013), optou-se pela realização de quatro traços experimentais, onde estes seriam comparados com o traço padrão que é utilizado na produção industrial da fábrica. O traço padrão utilizado na produção dos blocos está apresentado na Tabela 2, sendo que para o mesmo se utiliza 50 kg de cimento. Esta batelada produz cerca de 75 blocos de concreto, de dimensões 14,0x19,0x39,0 cm, denominado segundo a NBR 6136/2007, “M15”. 10 A quantidade utilizada na produção dos blocos experimentais foi um terço da normalmente utilizada, com a qual se produziu cerca de 25 blocos experimentais. Tabela 2 – Traço padrão e traço reduzido Traço / Materiais Padrão (75 blocos) Reduzido (25 blocos) Cimento (kg) Areia Pó de Artificial brita (kg) (kg) Areia Natural (kg) Água (l) Aditivo (ml) Brita 0 (kg) 50,00 48 1100 241,40 135,00 239,40 208,00 16,67 16 366,66 80,47 45,00 79,80 69,33 Fonte: Autor De acordo com a tabela acima é possível verificar que o traço reduzido contém 16,67 kg de aglomerante e 274,59 kg de agregado. Ainda com base no Trabalho “Reaproveitamento dos resíduos industriais de bloco de concreto” e analisando a aparência de um bloco moldado pelo grupo autor do estudo, optou-se por partir de uma mistura de 40% de resíduo e 60% de brita 0. Posteriormente aumentou-se a quantidade de resíduo, de 20 em 20%, retirando-se a mesma quantidade de brita 0, até que por fim fosse realizada a substituição de 100% dos agregados por resíduo, conforme apresentado na Tabela 3: Tabela 3 – Traços Experimentais Traço/Materiais 40% resíduo / 60% brita 0 60% resíduo / 40% brita 0 80% resíduo / 20% resíduo 100% resíduo Cimento (kg) 16,67 16,67 16,67 16,67 Água (l) 15 16 16 17 Fonte: Autor Resíduo (Kg) 109,84 164,76 219,68 274,59 Brita 0 (kg) 164,76 109,84 54,92 0 11 2.2.4.1 Produção dos Blocos Experimentais Para a produção dos blocos experimentais, os materiais constituintes dos quatro traços foram pesados em laboratório, em uma balança de precisão devidamente aferida. Posteriormente, iniciou-se o processo de produção dos blocos referentes a cada traço experimental, conforme processo produtivo dos blocos padrão. A adição de água durante a mistura dos materiais foi realizada de maneira empírica, cessando-a quando se observou uma consistência hidratada, homogênea e firme, conforme mostra a Figura 5, possibilitando a devida confecção dos blocos. Esta etapa foi a mesma para os diferentes tipos de traço.. Figura 5 – Mistura mecanizada (Esquerda) e Critério de parada de adição de água (Direita) Fonte: Autor Para a produção dos blocos, tanto para o padrão como para os experimentais, utilizouse aditivo plastificante apropriado para blocos. A etapa de moldagem foi realizada na vibroprensa VP500-H3, equipamento que comprime o material através da descida do “castelo”, conforme mostra a Figura 6. Posteriormente, os blocos foram finalizados com um acabamento fino na sua superfície, retirando-se com o auxílio de uma escova giratória os materiais que deixavam a superfície do bloco irregular. 12 Figura 6 – Vibroprensa VP500-H3 Fonte: Autor 2.2.4.2 Cura dos Blocos Após a produção dos blocos estes foram encaminhados para a câmara de cura úmida, conforme mostra a Figura 7, onde passaram 72 horas. É importante salientar que todos os blocos passaram pelo mesmo processo e período de cura. Figura 7 – Câmara Úmida de cura com aspersão de gotículas de água Fonte: Autor 13 2.2.5 Análise Técnica dos Blocos 2.2.5.1 Considerações Iniciais Segundo a NBR 6136/2007, os ensaios obrigatórios para aceitação ou rejeição dos lotes são os seguintes: Análise Dimensional Absorção de água e área líquida Resistência à compressão Diante da exigência dos ensaios optou-se por não realizar os ensaios de área líquida, dado que a variação dos agregados não influencia essa característica, e o ensaio de retração, visto que este tem caráter facultativo indicado pela norma. A fim de se obter maiores conclusões a cerca do produto, resolveu-se fazer análise de sua aparência bem como a aderência de argamassa de reboco utilizando os blocos como substrato. 2.2.5.1.1 Análise Dimensional Realizou-se o ensaio de análise dimensional através da medição de largura, altura e comprimento dos blocos, segundo a NBR 12118/2013. Para a realização do ensaio, utilizou-se um paquímetro, obtendo três medidas em cada uma das dimensões, conforme Figura 8. Posteriormente chegou-se a uma média, que será apresentada nos resultados. 14 Figura 8 - Ensaio de Análise Dimensional Fonte: Autor 2.2.5.1.2 Absorção de Água Realizou-se o ensaio de absorção de água em três blocos de cada um dos traços experimentais, além do bloco padrão, conforme metodologia de ensaio apresentada na NBR 12118/2013. Para a realização do ensaio os blocos foram mantidos em estufa à 110ºC, durante 24 horas, depois foram pesados e retornaram à estufa por mais 2 horas. Posteriormente realizouse uma segunda pesagem para garantir a estabilização da massa dos blocos. Garantida a estabilização, estes foram resfriados em contato com o ar, em temperatura ambiente. Já resfriados, os blocos foram imersos em um tanque com água a temperatura de 21 à 25 graus Célsius. Após 24 horas retiraram-se os corpos de prova do tanque, os mesmos foram colocados sobre uma tela com abertura de 9,5 mm durante 60 segundos, em seguida utilizouse um pano úmido para a retirada da água superficial, para que desta forma os blocos fossem pesados na condição de saturação com a superfície seca (condição sss). A partir dos valores obtidos na pesagem dos blocos, pode-se chegar ao resultado final de absorção através da equação (1), abaixo: 15 (1) Onde: – absorção total, expressa em porcentagem; – massa do corpo de prova seco em estufa, expressa em gramas; – massa do corpo de prova saturado, expressa em gramas; 2.2.5.1.3 Resistência à Compressão Os ensaios de resistência à compressão dos blocos foram realizados de acordo com a metodologia de ensaio descrita na NBR 12118/2013. Para a realização dos ensaios, 8 corpos de prova de cada traço passaram pelo processo de capeamento com argamassa, conforme é apresentado na Figura 9. Este procedimento visa regularizar a superfície dos blocos que receberão a pressão exercida pela prensa, a fim de evitar que haja falsa ruptura, resultante de irregularidades na superfície, que impossibilitam que a carga seja igualmente exercida em toda área do bloco. Figura 9 - Processo de capeamento Fonte: Autor A pasta, composta de cimento, areia e água, foi distribuída uniformemente em folhas de jornal, localizadas sobre uma placa de vidro devidamente nivelada. Posteriormente os blocos foram posicionados, cada um em uma folha já coberta de argamassa, fazendo com que 16 a mesma formasse uma camada de no máximo 3 mm de espessura, regularizando toda a superfície do bloco. No dia seguinte realizou-se o processo novamente, para que fosse capeado o outro lado dos blocos. Para determinação do fbk , valor característico de resistência à compressão do bloco, utilizou-se a Equação (2) extraída da norma NBR 6136/2007. Tal método é utilizado quando o valor do desvio-padrão da fábrica não é conhecido. fb(1) fb(2) ... fb(i 1) fbk , est 2 fbi i 1 (2) Onde: fbk , est . – Resistência à compressão característica estimada do lote. fb(1), fb(2),..., fbi – Resistência à compressão dos blocos da amostra, em ordem crescente i = n/2 – Se n for par. i = (n+1)/2 – Se n for ímpar. n – Número de blocos da amostra. A NBR 6136/2007 recomenda que a resistência do bloco a ser adotada deva seguir os seguintes requisitos: Subitem 6.5.1.2 Para determinação da resistência característica da amostra ( fbk ), o valor do fbk deve ser igual a fbk , est. , não sendo admitido valor de fbk inferior a ψ fb(1) ou seja, se o resultado for inferior, adota-se para fbk o valor ψ fb(1) . Os valores de ψ estão indicados na tabela 4, figura 11 e fb(1) é o menor valor individual da amostra. Assim, se fbk , est. < (ψ x fb(1) ), então: fbk = (ψ fb(1) ); Ou fbk = fbk , est. 17 Tabela 3 - Valores de ψ em função da quantidade de blocos Quantidade de blocos Ψ 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 18 0,89 0,91 0,93 0,94 0,96 0,97 0,98 0,99 1,00 1,01 1,02 1,04 Fonte: NBR 6136-2007 2.2.5.1.4 Análise Visual dos Blocos Para realização da análise visual, buscou-se comparar os blocos experimentais com os blocos produzidos utilizando o traço padrão, a fim de analisar a possível aceitação destes no mercado, considerando que a característica visual é de grande importância para os consumidores. 2.2.5.1.5 Ensaio de aderência Foi observada uma grande disparidade na textura e na aparência dos blocos, decorrente da proporção resíduo/brita 0. Diante da discrepância existente, optou-se por realizar um ensaio de aderência utilizando cada um dos blocos como substrato, a fim de comparar e constatar se tais diferenças poderiam resultar em alterações significativas na aderência de argamassa, que é de extrema necessidade para os métodos construtivos. Para a realização do ensaio de aderência, foram separados 15 blocos, sendo 3 referentes a cada traço experimental e mais 3 referentes ao traço padrão. O procedimento iniciou-se com a aplicação da argamassa na face dos blocos, para isso, posicionou-se sobre a lateral destes uma fôrma de madeira dimensões de 14x39 cm e altura de 2,5 cm. Em seguida o interior da forma foi preenchido com argamassa de traço 1 : 6 em massa (aditivada) rodada em laboratório. Posteriormente efetuou-se o processo de sarrafeamento da superfície, finalizando o procedimento que pode ser visualizado na Figura 10. 18 Figura 10 - Blocos com argamassa aplicada Fonte: autor Após período de quatorze dias, para ganho de resistência da argamassa, realizou-se o ensaio de aderência, de acordo com a NBR 13528/2010. Para a realização do procedimento de arrancamento foram efetuados, com auxílio de uma serra copo de 50 mm de diâmetro acoplada em uma furadeira, 4 furos na camada de argamassa de cada bloco, como pode ser visualizado na Figura 11. Figura 11 – Furo na argamassa, utilizando serra copo Fonte: Autor É importante salientar que se faz necessário que o furo chegue até o início do substrato. Tal manobra é sentida pela mudança de vibração na furadeira. Depois que os 15 blocos passaram pela etapa de perfuração, as superfícies circulares foram escovadas, a fim de retirar impurezas que influenciam negativamente na aderência. Posteriormente foram coladas, 19 com cola à base de resina epóxi, pastilhas de 50 mm de diâmetro sobre os furos anteriormente limpos, como mostra a Figura 12. Para que fosse realizado o arrancamento das pastilhas, foi aguardado o período de uma hora e trinta minutos, para que estas estivessem bem fixadas pela cola. Então executou-se o arrancamento de todas as pastilhas, utilizando um dinamômetro de tração e uma célula de carga de leitura digital. Figura 12 – Pastilhas coladas na argamassa para o ensaio de arrancamento Fonte: Autor 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO De acordo com a NBR 12118/2013, foram realizados os ensaios de análise dimensional, absorção de água e resistência à compressão dos blocos. Também foram realizados ensaios de aderência conforme NBR 13528/2010. Segue abaixo a análise final dos resultados de acordo com os parâmetros especificados por norma. 3.1 Análise Dimensional Foram verificadas as dimensões de quarenta blocos, sendo oito blocos referentes a cada traço executado. Todos os resultados apresentados na Tabela 4 se mostraram conformes, de acordo com o parâmetro estabelecido por norma. Não se observou nenhuma influência 20 entre a proporção resíduo/brita e as dimensões dos blocos, haja vista que este parâmetro está principalmente relacionado à boa conservação das formas e não do material empregado na produção do concreto. Tabela 4 – Resultado dos Ensaios de Análise Dimensional CP Nº 1 2 3 4 5 6 7 8 Limites CP Nº 1 2 3 4 5 6 7 8 Limites Largura (mm) 142,0 142,0 141,0 142,0 142,0 142,0 142,0 142,0 ±2 Largura (mm) 142,0 142,0 141,0 142,0 142,0 142,0 141,0 140,0 ±2 100 % Resíduo Altura (mm) 190,0 190,0 189,0 190,0 189,0 190,0 189,0 190,0 ±3 80% Resíduo + 20% Brita 0 Altura (mm) 191,0 190,0 189,0 190,0 190,0 192,0 191,0 192,0 ±3 Comprimento (mm) 393,0 393,0 393,0 393,0 393,0 393,0 393,0 393,0 ±3 Comprimento (mm) 393,0 392,0 393,0 392,0 393,0 393,0 390,0 391,0 ±3 21 CP Nº 1 2 3 4 5 6 7 8 Limites 60% Resíduo + 40% Brita 0 Largura Altura (mm) (mm) 142,0 191,0 141,0 193,0 141,0 189,0 141,0 190,0 142,0 191,0 142,0 190,0 141,0 191,0 141,0 192,0 ±2 ±3 CP Nº 1 2 3 4 5 6 7 8 Limites Largura (mm) 142,0 142,0 141,0 142,0 141,0 142,0 142,0 141,0 ±2 CP Nº 1 2 3 4 5 6 7 8 Limites Largura (mm) 142,0 142,0 141,0 142,0 140,0 140,0 141,0 142,0 ±2 40% Resíduo + 60% Brita 0 Altura (mm) 188,0 189,0 189,0 188,0 192,0 190,0 191,0 191,0 ±3 Padrão Altura (mm) 191,0 192,0 191,0 191,0 190,0 191,0 190,0 192,0 ±3 Fonte: Autor Comprimento (mm) 393,0 393,0 393,0 393,0 393,0 393,0 393,0 393,0 ±3 Comprimento (mm) 393,0 393,0 393,0 393,0 393,0 393,0 393,0 393,0 ±3 Comprimento (mm) 393,0 393,0 393,0 393,0 393,0 393,0 393,0 393,0 ±3 22 3.2 Absorção Apesar da não linearidade entre os resultados de absorção e a proporção entre os materiais empregados apresentados na tabela 5, verifica-se que para qualquer quantidade de resíduo utilizada a absorção não ultrapassa o valor de 10% estabelecido pela norma. Tabela 5 – Resultados dos Ensaios de Absorção Traço / Massa (100% Resíduo + (80% Resíduo + (60% Resíduo (40% Resíduo + 0% Brita 0) 20% Brita 0) + 40% Brita 0) 60% Brita 0) (g) Bloco Seco Bloco Saturado Absorção Padrão 10990 10730 11015 11175 11775 10880 10485 11200 11025 11300 10655 10900 11400 11130 11735 11820 11665 11730 11790 12455 11615 11475 11905 11635 12030 11435 11850 12170 11740 12440 7,21 8,96 6,51 5,51 6,08 Fonte: Autor 3.3 Resistência à compressão Para fins de estudos comparativos, observa-se uma variação de quase 2,0 MPa em alguns resultados de fbk obtidos de acordo com a quantidade de resíduo utilizada. Observamse também os desvios padrões obtidos, como apresentado na Tabela 6. 23 Tabela 6 - Resultados de resistência à compressão média das misturas 80% resíduo + 60% resíduo + 40% resíduo + 20% brita 0 40% brita 0 60% brita 0 Exemplares 100% resíduo Padrão Bloco 1 Bloco 2 Bloco 3 Bloco 4 Bloco 5 Bloco 6 Bloco 7 Bloco 8 fbk (MPa) Média (MPa) Desvio Padrão 5,4 5,4 4,4 6,3 4,3 6,4 5,8 5,4 6,4 4,3 6,7 6,1 6,1 6,8 4,5 6,6 6,0 6,1 7,0 4,7 6,7 6,2 6,2 7,2 4,8 6,7 6,3 6,2 7,2 5 6,9 7,1 6,5 7,2 5,4 7,1 7,1 7,3 7,5 6,2 5,7 5,4 4,4 6,0 4,1 6,6 6,2 6,0 6,9 4,9 0,5 0,6 0,85 0,41 0,63 Fonte: Autor Para uma segunda análise, optou-se por eliminar o maior e o menor resultado de cada uma das famílias ensaiadas, obtendo-se novos valores de resistência à compressão e desvio padrão, conforme apresentado na Tabela 7. Tabela 7 - Traço x Fbk corrigido (MPa) 100% Resíduo 80% Resíduo + 20% Brita 0 60% Resíduo + 40% Brita 0 40% Resíduo + 60% Brita 0 Fbk Corrigido (MPa) 6,4 5,7 5,4 6,2 Padrão 4,1 Traço Desvio Padrão Corrigido 0,15 0,45 0,38 0,31 0,36 Fonte: Autor Nesta segunda análise verifica-se uma diminuição significativa dos desvios padrões, bem como um aumento dos valores de fbk, quando se diz respeito aos quatro traços contendo resíduos em sua composição. Para o bloco padrão o fbk não apresentou diferença, porém o desvio padrão também diminuiu. As variações, de acordo com as duas análises apresentadas, podem ser visualizadas nos Gráficos 2 e 3. 24 Gráfico 2: Traço x fbk (MPa) - (Primeira Análise e Segunda Análise) Traço x fbk (MPa) fbk (MPa) 7 6,4 5,7 5,4 5,7 6 5 4 3 6,0 6,2 5,4 4,4 4,1 4,1 2 1 0 100% Resíduo + 0% Brita 0 80% Resíduo + 20% Brita 0 60% Resíduo + 40% Brita 0 40% Resíduo + 60% Brita 0 Padrão Traços Fbk norma Fbk corrigido Fonte: Autor Gráfico 3: Traço x Desvio Padrão - (Primeira Análise e Segunda Análise) Traço x Desvio Padrão Desvio Padrão 0,51 0,5 0,45 0,4 0,35 0,3 0,25 0,2 0,15 0,1 0,05 0 0,61 0,86 0,63 0,45 0,42 0,38 0,36 0,31 0,15 100% Resíduo + 0% Brita 0 80% Resíduo + 20% Brita 0 60% Resíduo + 40% Brita 0 40% Resíduo + 60% Brita 0 Padrão Traços Desvio Padrão norma Desvio Padrão corrigido Fonte: Autor Utilizando-se os resultados anteriores à exclusão dos valores extremos, pode-se observar que o traço 40% resíduo + 60% Brita 0, apresentou melhor resultado quando 25 comparado aos demais traços, com valor de fbk igual a 6,0 MPa, superando em aproximadamente 46% a resistência à compressão obtida no traço padrão. Posteriormente à eliminação dos valores extremos, a fim de diminuir o desvio padrão, obteve-se um maior resultado para o traço com 100% de resíduo, apresentando um valor de fbk de 6,4 MPa, o que caracteriza um aumento de 56% quando comparado ao traço padrão. Vale ressaltar que independentemente da proporção, todos os blocos que apresentavam resíduo em sua composição, apresentaram resultados de resistência à compressão superiores aos obtidos nos ensaios realizados nos blocos originalmente produzidos (traço padrão), conforme apresentado nas Tabelas 8 e 9. Tabela 8: Incremento de resistência em relação ao traço padrão, sem a exclusão dos maiores e menores resultados de resistência Traço Experimental 100% resíduo 80% resíduo + 20% brita 0 60% resíduo + 40% brita 0 40% resíduo + 60% brita 0 Aumento em relação ao traço padrão 39,0% 31,7% 7,3% 46,3% Fonte: Autor Tabela 9: Incremento de resistência em relação ao traço padrão, após a exclusão dos valores extremos Traço Experimental 100% resíduo 80% resíduo + 20% brita 0 60% resíduo + 40% brita 0 40% resíduo + 60% brita 0 Aumento corrigido em relação ao traço padrão 56,1% 39,0% 31,7% 51,2% Fonte: Autor Para análise desta pesquisa, trabalhar-se-á com os valores extremos descartados. A fim de aprofundar a análise, procurou-se estabelecer uma relação entre a proporção da mistura e a resistência à compressão, para tal excluiu-se o traço padrão. No Gráfico 4 estão apresentados os valores obtidos. 26 Gráfico 4: Traço x fbk (MPa) Traço - fbk (MPa) Resistência à Compressão (MPa) 6,5 y = 0,375x2 - 1,965x + 8,025 R² = 0,961 6,4 6,25 6,2 6 5,75 5,7 Fbk (Mpa) Polinômio (Fbk (Mpa)) 5,5 5,4 40% Resíduo + 60% Brita 0 60% Resíduo + 40% Brita 0 80% Resíduo + 20% Brita 0 100% Resíduo + 0% Brita 0 5,25 Traço Fonte: Autor A curva gerada apresentou um R² (coeficiente de variação) de valor igual a 0,961, taxa próxima do ideal (R² = 1,0). Desta maneira pode-se inferir que a resistência foi explicada de maneira confiável pela proporção Resíduo / Brita 0. A partir da curva comparativa, pode-se inferir que, com a diminuição da quantidade de resíduo a resistência também diminui, porém observou-se um pico de resistência com a combinação 40% resíduo + 60% Brita 0. Diante da nova análise dos resultados, o traço composto por 100% resíduo obteve o melhor desempenho no que se refere à resistência a compressão. Diante dos resultados observados, pode-se relacionar a alta resistência do traço 100% resíduo com a quantidade de material inerte, em função do cimento que não foi hidratado durante a sua primeira utilização na produção dos blocos. Observando-se a curva, nota-se uma diminuição na resistência a compressão à medida que a proporção de resíduo também diminui, porém para o último traço analisado (40% resíduo + 60% brita 0) houve um pico de resistência, atribuído à sua relação a/c reduzida quando comparada à dos outros traços, decorrente da menor quantidade de água utilizada na mistura em função da quantidade de finos existentes. 27 Todos os blocos rompidos, sendo oito de cada traço, obtiveram resistência à compressão satisfatória, atendendo a determinação mínima de 2,0 MPa, da classe D de blocos de concreto simples para vedação, para a qual o traço padrão foi dosado. 3.4 Análise da Aparência dos blocos Para a comercialização dos blocos, um quesito analisado e correlacionado à boa qualidade, é a aparência. Comparando-se os blocos do traço padrão com os blocos dos traços experimentais, percebe-se que a boa aparência, entendida como superfície lisa e não rugosa, decresce à medida que a proporção de resíduo diminui e a de brita 0 aumenta, conforme mostra a Figura 13, abaixo. 28 Figura 13 - Aparência dos blocos Fonte: Autor 3.5 Ensaio de Aderência Diante da diferença observada na textura e aparência dos blocos, esperava-se obter uma proporcionalidade direta entre a rugosidade e a aderência, porém os resultados não apresentaram uma variação significativa que se relacionasse com o padrão esperado, obtendo, desta forma, os maiores valores de aderência nos blocos de aparência mais lisa (100% resíduo e traço padrão), como se pode observar na tabela 10. A fim de obter um comparativo mais real, para o cálculo das médias optou-se por classificar alguns valores como nulo, pois estes obtiveram resultados extremamente baixos, o que os caracterizou como falha de execução. 29 Tabela 10: Resistência de aderência à tração Traço Bloco 1 Bloco 2 Bloco 3 Média total Resistência de aderência à tração 80% 60% 40% resíduo + resíduo + resíduo + 100% resíduo 20% brita 40% brita 60% brita 0 0 0 0,51 0,10 0,46 0,48 0,29 -0,12 0,46 0,47 0,25 0,22 0,37 0,28 0,28 0,17 0,23 0,17 0,17 0,23 0,38 0,31 0,12 0,36 -0,14 0,29 0,36 0,15 0,24 0,31 0,26 0,45 0,19 0,36 0,25 0,34 0,44 0,33 0,12 0,39 0,38 0,36 -0,12 0,33 0,21 0,25 0,15 0,31 0,25 0,25 Fonte: Autor 0,32 Padrão 0,32 0,30 0,45 0,32 0,47 0,56 0,48 0,72 0,31 0,48 0,26 0,56 0,43 30 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES A pesquisa realizada em prol do meio ambiente, visando à sustentabilidade e o princípio da ecoeficiência, a partir da reciclagem de resíduos provenientes de blocos de concreto, e a sua reutilização para a produção de novos blocos, mostrou-se extremamente satisfatória em relação aos seus objetivos, alcançando resultados que atenderam a todas as especificações e parâmetros determinados por norma. Além de atender os requisitos mínimos diante dos resultados de resistência à compressão, observou-se uma superioridade significativa dos blocos que substituíram na sua composição parte de seus agregados por resíduos, quando comparados aos blocos de traço padrão produzidos pela fábrica de pré-moldados, tendo um aumento que variou de 31 a 56%. Este aumento considerável na resistência à compressão está atribuído à teoria inicial de que a não hidratação dos grãos de cimento manteria o material inerte e dessa forma, a partir de sua reutilização, ocorreria a sua hidratação e consequentemente haveria um ganho de resistência. Diante dos resultados obtidos verificou-se, através de uma análise de custos da empresa Santa Alice Construções e Incorporações, a economia e a viabilidade da implementação dos processos de reciclagem e reutilização dos resíduos. Foi estimado que 3,3 m³ de resíduos que seriam descartados diariamente, poderiam ser reutilizados, originando por dia, uma média de 400 novos blocos, que teriam um custo reduzido de produção de até 40%. Desta forma, estima-se que seriam economizados mensalmente R$1.500,00, que são atualmente utilizados para a retirada e deposição dos resíduos. Estima-se que mensalmente poderiam ser produzidos 10.000 blocos provenientes da reutilização dos resíduos, gerando uma economia de R$2.200,00 decorrente da não retirada de resíduos da fábrica e da não utilização de agregados na produção, além de um faturamento de aproximadamente R$ 18.000,00 proveniente da venda destes blocos. Tendo em vista os resultados positivos que favoreceram, de uma forma geral, tanto o meio ambiente quanto a qualidade dos blocos, reduzindo praticamente a zero os resíduos que seriam descartados, iniciou-se um projeto na fábrica onde foram realizados os estudos, visando pôr em prática, e em grande escala, o processo executado durante a elaboração deste trabalho, incluindo a construção de uma baia exclusiva para armazenamento dos resíduos. Porém, para que o procedimento seja totalmente padronizado, indica-se um estudo mais aprofundado com relação ao processo de cominuição dos resíduos, podendo este, ser realizado com equipamentos mais indicados e eficientes, como por exemplo, um britador. 31 O estudo em longo prazo da inserção dos resíduos provenientes dos blocos de concreto na fabricação de novos blocos mostrou-se promissor e visa alcançar um futuro que insere, no seu dia-a-dia, a sustentabilidade como caminho de crescimento. 32 REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Agregados – determinação da composição granulométrica: NBR NM 248. Rio de Janeiro, 2003. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Agregado em estado solto determinação da massa unitária: NBR 7251.. Rio de Janeiro, 1982. 3 p. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. concreto: Especificação: NBR 7211. Rio de Janeiro, 2009. 9p. Agregados para ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Blocos vazados de concreto simples para alvenaria: Métodos de ensaio: NBR 12118. Rio de Janeiro, 2013. 12 p. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Blocos vazados de concreto simples para alvenaria: Requisitos: NBR 6136. Rio de Janeiro, 2007. 9p. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Edificações habitacionais desempenho: Sistemas de vedações verticais internas e externas – SVVIE: NBR 155754.. Rio de Janeiro, 2013. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Revestimento de parede e tetos de argamassas inorgânicas – Determinação da resistência de aderência à tração: NBR 13528.. Rio de Janeiro, 2010. 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