menu ICTR20 04 | menu inic ial ICTR 2004 – CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA EM RESÍDUOS E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Costão do Santinho – Florianópolis – Santa Catarina A DESTINAÇÃO DOS RESÍDUOS URBANOS DA CIDADE DE JAÚ Manuel Joaquim Duarte da Silva Rosane Aparecida Gomes Battistelle PRÓXIMA Realização: ICTR – Instituto de Ciência e Tecnologia em Resíduos e Desenvolvimento Sustentável NISAM - USP – Núcleo de Informações em Saúde Ambiental da USP menu ICTR20 04 | menu inic ial A DESTINAÇÃO DOS RESÍDUOS URBANOS DA CIDADE DE JAÚ Manuel Joaquim Duarte da Silva 2 Rosane Aparecida Gomes Battistelle3 RESUMO Esta pesquisa objetiva mostrar as dificuldades atuais do gerenciamento de um lixo urbano, retratando um caso muito comum, ou seja, a utilização de erosões como a sua disposição final, visando tentar acabar erroneamente com a degradação do solo, procurando apresentar recomendações da correta disposição final dos resíduos, a partir da análise em cidades de médio porte, como é o caso de Jaú. Lixo é todo e qualquer material sólido ou semi-sólido proveniente das atividades humanas, ou gerado pela natureza e que não é mais considerado útil. Um dos maiores desafios que defronta a sociedade moderna é exatamente o equacionamento da questão do lixo urbano. Além do expressivo crescimento da geração de resíduos sólidos, sobretudo nos países em desenvolvimento, observou-se, ainda, ao longo dos últimos anos, mudança significativa em suas características. O crescimento populacional aliado à intensa urbanização acarreta a concentração da produção de imensas quantidades de resíduos e a existência cada vez menor de áreas disponíveis para a disposição dos mesmos. Observa-se com freqüência o uso de locais impróprios e sem controle como destino final desses resíduos, inclusive as erosões. É interessante que cada município apresente a sua solução para esses problemas, analisando sem artifícios a forma como se apresentam hoje e como poderão se apresentar no futuro. Mas, é importante também tomar muito cuidado com as alternativas que são apresentadas, pois muitas vezes garantem grandes vantagens econômicas, lucros e/ou simples eliminação dos impactos ambientais. A metodologia utilizada nesta pesquisa baseou-se em vistorias técnicas em processos erosivos no município de Jaú, sendo observado uma falta de planejamento, de infraestrutura e um descaso total com o meio ambiente. Palavras-chave: processos erosivos, lixo urbano, impacto ambiental. 2 3 Prof. do Departamento de Engenharia Civil da UNESP, campus de Bauru ([email protected] ) Prof. do Departamento de Engenharia Civil da UNESP, campus de Bauru ([email protected] ) 4531 anter ior próxima menu ICTR20 04 | menu inic ial 1. INTRODUÇÃO O planeta Terra possui cerca de 5,7 bilhões de pessoas vivendo e produzindo todo o tipo de resíduo, sendo que a grande maioria não se preocupa para onde ele vai ou o que fazer com ele. Plásticos, papéis, papelão, vidro, restos de comida, latas, metais, madeira, panos velhos, e uma outra infinidade de materiais se acumula sem um destino correto. Na natureza, sempre existiu a reciclagem, sendo que no caso das florestas: folhas, galhos, troncos e animais mortos se decompõe pela ação de microorganismos e acabam se transformando em solo e nutrientes para outras plantas e animais. Este ciclo vital é contínuo e está em permanente transformação. Porém o homem acabou inventando uma série de novos materiais difíceis de apodrecer ou degradar, sendo devolvido à natureza, contaminando e destruindo o solo, o subsolo, a água e o ar, sem contar os problemas sanitários. Segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas, ABNT (1987): resíduos sólidos são resíduos nos estados sólidos e semi-sólidos, que resultam de atividades da comunidade, de origem: industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Consideram-se também resíduos sólidos os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos, cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpo d’água, ou exijam para isso soluções técnicas e economicamente inviáveis em face de melhor tecnologia disponível. Desde 1993, o termo resíduo hospitalar, foi substituído por resíduo de serviço de saúde pela ABNT (NBR 10.004), a partir de dezembro de 1987, e, atualmente, encontra-se inserido entre as definições da NBR 12.807. Existem várias classificações para os resíduos sólidos, dependo da sua origem, classe, localização de sua geração e tipo, mas, de forma geral pode-se citar os urbanos, industriais, serviços de saúde (sépticos e assépticos), resíduos agrícolas, resíduos provenientes de construções civis (entulhos) e resíduos radioativos, dentre outros. Nos últimos vinte anos, o Brasil mudou muito, e o seu lixo também. O crescimento acelerado das cidades e, ao mesmo tempo, as mudanças no consumo dos cidadãos também são fatores comuns a esses municípios, o que vem gerando um lixo muito diferente daquele que as cidades produziam há trinta anos. O lixo atual é diferente em quantidade e qualidade, em volume e em composição. Hoje, cada vez mais, a população dos municípios brasileiros concentra-se nas cidades. Assim, é quase impossível encontrar uma cidade que já não tenha, por exemplo, uma grande quantidade de embalagens em seus lixos, cada vez mais volumosos. Os municípios pequenos incrustados dentro de regiões metropolitanas, vivem os mesmos problemas que as capitais e cidades como Nova Iorque e Tóquio. O lixo rural também se modificou nesses últimos anos, antes, era formado quase exclusivamente por restos orgânicos, que a criação miúda ou a natureza eliminava rapidamente. Mais recentemente vem-se transformando num volume crescente de frascos e sacos plásticos que se acumulam nas próprias fazendas ou se espalham ao longo das estradas. O proprietário rural sabe que esse lixo precisa de cuidados especiais. Embalagens de agrotóxicos podem causar graves danos ao ambiente e até mesmo, as embalagens plásticas mais “inocentes” como as de sal grosso, podem acabar sendo fatais para o gado que as encontra e as come. 4532 anter ior próxima menu ICTR20 04 | menu inic ial Pequenas cidades, que vivem da produção agrícola, e outras, com suas indústrias, vêm implantando novas políticas e medidas para lidar melhor com seus resíduos. Os quase cinco mil municípios brasileiros enfrentam como podem os seus problemas com o lixo. Sobram problemas ambientais e de saúde pública e, mesmo que cada Prefeitura Municipal não deseje, quase sempre ocorrem os desperdícios financeiros. A Figura 01 apresenta um panorama geral do destino do lixo nos municípios brasileiros no ano de 1991, segundo dados do IBGE. Figura 01- Disposição final do lixo no Brasil (Fonte- IBGE, 1991) Os dados apresentados na figura 01 estão defasados, mas apresentam uma noção de como estes são destinados. Atualmente, a produção de lixo nas cidades brasileiras é um fenômeno inevitável que ocorre diariamente em quantidades e composições que dependem do tamanho da população e do seu desenvolvimento econômico. Os sistemas de limpeza urbana, de competência municipal, devem afastar o lixo das populações e dar um destino ambiental e sanitariamente adequado. No entanto, esta tarefa não é fácil, sendo dificultada por problemas, tais como: inexistência de uma política brasileira de limpeza pública, limitação financeira (orçamentos inadequados, fluxo de caixa desequilibrado, tarifas desatualizadas, arrecadação insuficiente e inexistência de linhas de crédito), falta de capacitação técnica e profissional (do gari ao engenheiro chefe), descontinuidade da política administrativa em cada governo. Estes problemas resultam em degradação ambiental, deslizamentos, enchentes, desenvolvimento de transmissores de enfermidades, poluição das águas superficiais e subterrâneas e poluição do ar. Apesar da consciência dos municípios estar melhorando em relação ao destino do lixo urbano, ainda há ocorrências de armazenamento inadequado. Em muitos municípios o lixo é usado para aterrar erosões, o que inutiliza o local para a construção civil, com isso acarretando sérios problemas de fundações, contaminação dos mananciais superficiais e subterrâneos e, aparecimento de ratos e insetos, vetores de transmissão de doenças. Associando ainda, nestas áreas altamente indesejáveis pela população, a criação de animais, como os porcos. Erosão é definida como um processo de desprendimento e arrastamento acelerado das partículas do solo causado pela água e pelo vento, cuja origem está ligada principalmente à ocupação das terras pelo homem (ação antrópica). A erosão do solo constitui a principal causa do empobrecimento precoce das terras produtivas. 4533 anter ior próxima menu ICTR20 04 | menu inic ial As enxurradas, provenientes das águas que não foram retidas ou infiltradas no solo, transportam partículas de solo em suspensão e nutrientes necessários às plantas. Esse transporte de partículas também pode ocorrer através do vento e geleiras. Segundo BERTONI & LOMBARDI, o Brasil perde anualmente, pelo menos quinhentos milhões de toneladas de terra através da erosão, correspondendo à retirada de uma camada de 15 cm de espessura numa área de 2.800 quilômetros quadrados de terra. Essa perda de solo influencia diretamente a produtividade das culturas agrícolas, tendo-se em alguns casos de solos seriamente erodidos, a perda total da capacidade produtiva. Tentando conter o processo erosivo no perímetro urbano, quase todos os municípios brasileiros adotaram o método inadequado de utilizar o lixo para aterrar as erosões. Esta solução, além de não ajudar em nada no processo erosivo, pode acelerar seu processo ou ainda, reativar processos erosivos estabilizados, acarretando graves conseqüências ao meio físico, tais como: formação dos catadores de lixo, grave problema social; a área aterrada com lixo se torna inadequada para construção, pois sofre grandes recalques devido à decomposição de matéria orgânica; retomada do processo erosivo com maior intensidade. Observa-se então que em vez de resolver os problemas iniciais, o Poder Público apenas adia o enfrentamento de ambos, enquanto agrava a degradação ambiental na área da erosão e suas vizinhanças. 2. O LIXO NO MUNICÍPIO DE JAÚ A cidade de Jaú possui coleta domiciliar de lixo que abrange 100% da população. O serviço é realizado em dias alternados nos bairros divididos em bairros do lado esquerdo e do lado direito do rio Jaú, feito pela própria Prefeitura, Setor de Limpeza Pública que realiza também a operação cata-galhos (coleta dos galhos provenientes de podas de árvores de vias públicas), sendo que a municipalidade dispõe de uma frota de nove caminhões para realizar esse trabalho. Mesmo com a coleta domiciliar de lixo ocorre o depósito de lixo em locais impróprios, seja por deficiência no sistema de coleta, seja por falta de conscientização da população, nota-se em bairros da periferia quantidades de lixo atirado em erosões e baixadas. A cidade de Jaú possui 112.042 mil habitantes que produzem aproximadamente 650 gramas de lixo por dia, totalizando aproximadamente 70 toneladas de lixo por dia. O lixo produzido pelas indústrias totaliza 25 toneladas diárias e os resíduos de serviço de saúde, com cerca de 12 toneladas ao mês (200 kg /dia). O destino do lixo domiciliar coletado é um “vazadouro” localizado no Sítio Santo Antonio, com acesso em terra, distante 14 km da Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros, denominada SP-225, que atualmente apresenta um melhor controle, conforme mostram as Figuras 02 e 03. Observa-se na Figura 02, uma disposição de resíduos muito próxima a um corpo d’água superficial. A Cetesb está aprovando um projeto para a construção de um aterro sanitário que deverá estar pronto no próximo ano, e terá uma vida útil de 15 anos para os resíduos. O aterro sanitário já tem área definida e será instalado nas proximidades do vazadouro (Figura 03). Já os resíduos de serviços de saúde são incinerados diariamente. Sua coleta é diferenciada do lixo doméstico e transportada por veículos especiais que chegam a fazer diversas viagens ao dia. 4534 anter ior próxima menu ICTR20 04 | menu inic ial Apenas os bairros Jardim Alvitrados, Jardim Alvorada II, Vila Falcão, Vila Pires de Campos, Jardim Diamante e Jardim Ouro Verde contam com a coleta seletiva. A coleta seletiva consiste em separar o lixo seco (material reciclável) do lixo orgânico e inerte na sua fonte geradora (residências, comércio, locais de trabalho, etc). Essa coleta é feita em dias alternados, sendo que de segunda, quarta e sexta-feira é recolhido lixo orgânico e inerte e de terça-feira o lixo reciclável composto por papéis, plásticos, vidros e metais. Esse lixo deve ser separado em sacos diferente. Figura 02- Aspectos do lixão de Jaú, nas Figura 03- Depósito de lixo em vazadouro proximidades de um corpo d’água. no município de Jaú. A coleta seletiva é uma campanha nova, introduzida em dezembro de 2001. O lixo separado é doado para entidades carentes. O material reciclável é separado por 25 catadores de lixo associado ao ACAP (Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Material Reciclável de Jaú), que é uma entidade sem fins lucrativos, que tem por finalidade apoiar e defender os interesses de seus associados. Esses catadores coletam e separam sucata de papel (papelão, revistas, jornais, sacos de cimento, livros, caixas de embalagens em geral, papéis branco), plástico fino (embalagens em geral), alumínio (latas de refrigerante/cerveja, panelas, perfis) , cobre limpo queimado, cobre sujo, metais, PET’s (plástico duro, garrafas de refrigerante), palmilhas e também artefatos de plástico como o micro, utilizado na indústria calçadista. Já os plásticos voltam a ser sacolas, brinquedos, baldes, bacias, as palmilhas são refeitas placas para corte, conforme Figuras 04 e 05. Na cidade de Jaú temos ainda os entulhos, provenientes de demolições e da construção civil que são depositados em bolsões de entulho especialmente destinados para esse fim. Esses bolsões são lugares permitidos pela Prefeitura Municipal. Após algumas vistorias técnicas, realizadas em meados do ano de 2002, foram obtidos dados dos resíduos coletados, que somam aproximadamente, 43.641kg de sucata de papel, 2.256kg de plástico fino, 37kg de alumínio, 2kg de cobre limpo, 5kg de cobre sujo, 15kg de metais, e 574 kg de PET’s. Esses materiais vão para as indústrias de reciclagem e na sua grande maioria voltam a ser o mesmo material original. As PET’s são também transformadas em poliéster para a confecção de roupas. 4535 anter ior próxima menu ICTR20 04 | menu inic ial Figura 04- Prensagem de papel coletado em fardos. Figura 05- Fardo de garrafas PET para reciclagem. 3. O ATERRO SANITÁRIO DE JAÚ O Aterro Sanitário conta com uma área de quatro alqueires escolhida pela sua topografia, que é uma escavação natural em corte próxima a uma estrada ferroviária, que será aproveitada e fornecerá solos para a sua cobertura, com material do próprio local, ou seja, silte arenoso vermelho. O aterro sanitário, que está preste a ser construído, será constituído de sete patamares de resíduos compactados, sendo que para garantir a estabilidade de taludes, deverá ter no máximo quatro patamares numa mesma seção transversal e a altura mínima dos patamares será de cinco metros. Haverá a construção de 20 pontos de infiltração vertical distribuídos em toda a área do aterro e a taxa máxima de infiltração estimada é de 60 m³/dia. A infiltração horizontal terá tubos perfurados de PVC (diâmetro de 200mm), dispostos em valas (largura: 1m e profundidade: 2m) escavadas na massa de resíduos, preenchidas com material drenante. Uma camada impermeável (lona plástica) evitará que o fluxo ascendente do líquido chegue à superfície. No aterro sanitário de Jaú está previsto a colocação de drenos horizontais, distribuídos em 5 linhas de 12 metros cada uma, com infiltração estimada de 3m³/dia/m, totalizando uma capacidade máxima de infiltração de 180 m³/dia. Para que a recirculação não promova com o tempo, a infiltração mais rápida do percolado, os pontos de infiltração serão intercalados em intervalos de três a quatro dias. A infiltração mais rápida pode ocorrer pela abertura de canais internos com o carreamento de partículas, fazendo com que caminhos na massa de resíduos reduza o tempo de contato entre líquido e resíduo. O equipamento para evaporação da água contida no chorume gerado no aterro de Jaú foi projetado para operar em regime de batelada. O tanque de evaporação promove aquecimento do percolado por contato direto entre líquido e tubo aquecido. A dissipação de gases (como metano, dióxido de carbono e gás sulfídrico, os mais importantes) será feita através da coleta por tubos perfurados de concreto com diâmetro de 40 cm, preenchidos e envolvidos por 30 cm de “pedra de mão” ou pedra 4536 anter ior próxima menu ICTR20 04 | menu inic ial britada nº 3 ou 4, interligados ao sistema de drenagem dos líquidos percolados, pois serão destinados à evaporação ou queimados por dissipadores apropriados. Segundo ANDRADE (1977), por várias décadas os resíduos de serviços de saúde foram denominados, principalmente, de lixo hospitalar, numa referência claro de que, à época, somente os resíduos gerados por hospitais mereciam atenção. A definição para resíduo de serviço de saúde é dada por todo aquele gerado em qualquer serviço prestador de assistência médica, sanitária ou estabelecimentos congêneres, podendo, então, ser proveniente de: farmácias, hospitais, unidades ambulatoriais de saúde, clínicas e consultórios médicos e odontológicos, laboratórios de analises clínicas e patológicas, instituições de ensino e pesquisa médica, bancos de sangue, clínicas veterinárias e outros (ALMEIDA, 1999). Nos estabelecimentos hospitalares do município de Jaú, a coleta dos resíduos de serviços de saúde é feita de forma diferenciada objetivando: a destinação apropriada, evitar a contaminação de resíduos não-perigosos, o manejo seguro de resíduos infectantes e o gerenciamento da coleta dos resíduos de serviços de saúde, em especial dos resíduos perigosos (infectantes, químicos ou radioativos) é fundamental para evitar riscos à saúde publica. No manuseio desses resíduos da fonte geradora até a disposição para coleta, prevêem-se as seguintes etapas (CETESB, 1997): seleção e triagem; transporte interno; armazenagem interna; transporte externo e armazenagem externa. Para efeito de segurança, os materiais perfurantes e/ou cortantes, bolsas de sangue, placentas, restos de exames e material contaminado são separados, recebendo uma embalagem prévia, de material rígido, devidamente identificado, após, conforme a necessidade, passagem de pré-tratamento, como por exemplo, esterilização em autoclaves. Conforme a NBR-9191 (1985), o acondicionamento dos resíduos de serviços de saúde é feito em sacos plásticos branco - leitosos apropriados esses recipientes são preenchidos em até 1/3 de sua capacidade a fim de evitar vazamentos e possibilitar o fechamento adequado. Nas áreas criticas (centros cirúrgicos, centros obstétricos, centros de terapia intensiva, berçários de alto risco, isolamentos) e semicríticas (enfermarias e berçários) os resíduos são acondicionados em sacos duplos para a sua maior segurança. 4. CONCLUSÃO O desenvolvimento das sociedades modernas produz uma quantidade crescente de resíduos sólidos, industriais e urbanos, que poderá afetar a disponibilidade dos recursos naturais existentes, originando problemas ambientais que colocam em risco não só a natureza como crescimento e a qualidade de vida dessas mesmas sociedades. O sistema de limpeza urbana e, portanto o serviço de coleta e disposição final do lixo, é complexo. E certo que nada fará o lixo do município desaparecer, é preciso tomar consciência que os problemas existem e precisarão ser sempre enfrentados e, quanto mais cedo o município empenhar-se nessa árdua tarefa, mais fácil será lidar com as questões relativas ao tratamento e à disposição final dos resíduos sólidos. A implementação de programas que estimulem a diminuição de geração de resíduos é o primeiro dos grandes passos a seguir, como por exemplo, a implementação de pesquisas de tecnologia não-agressivas ao meio ambiente e compatível com a realidade socioeconômica latino-americana. 4537 anter ior próxima menu ICTR20 04 | menu inic ial O município de Jaú está adotando modelos adequados para a cidade. Pode-se dizer que o modelo em funcionamento vem dando certo, pois a nova administração, juntamente com entidades da cidade demonstra muita vontade para que a questão seja controlada. A coleta seletiva funciona em poucos bairros, juntamente com cursos de educação ambiental, distribuição de folhetos explicativos vem ganhando o apoio da FATEC (Faculdade de Tecnologia Fluvial), também instalada em Jaú, e principalmente, da população. Outra atividade importante é desenvolvida pela ACAP, com o reaproveitamento de muitos materiais, e ainda, oferecendo um comércio (destino e lucro) para o material coletado. Algumas cidades vizinhas de menor porte como o caso de Bariri já possui seu aterro sanitário e atualmente recebe as cinzas da incineração de Jaú, servindo de exemplo, de que não é impossível solucionar seus problemas, mesmo tendo menos recursos. Quanto ao incinerador de Jaú, pode-se citar que o mesmo está operando de forma adequada, sendo de grande valor para as entidades de saúde da cidade. Se cada gerador (hospital, clínica, etc) tivesse que destinar por si só esses resíduos, o custo e o esforço seriam elevados e com certeza não seriam tão bem tratados quanto no caso do incinerador. 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA LEITE, W.C., CASTRO, M.C.A.A, PADIM, A.F., Curso de práticas para o gerenciamento de resíduos de serviços de saúde. Fundação Dr. Amaral Carvalho. Jaú, 1999. ANDRADE, J.B.L.. Análise do fluxo e das características físicas, químicas e microbiológicas dos resíduos de serviços de saúde: proposta de metodologia para gerenciamento em unidades hospitalares. São Carlos, Tese (doutorado) – Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo,1997. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – NBR 10004. Resíduos sólidos: classificação. São Paulo, 1987. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – NBR 12807. Manuseio de resíduos de serviços de saúde: procedimento. São Paulo, 1993. CETESB/E-15011. Sistema de incineração de resíduos de serviços de saúde. Procedimento. Fevereiro, 1997 (Revisada). JARDIM, NIZA SILVA...et. al., Lixo Municipal: manual de gerenciamento integrado.1ª edição. São Paulo: Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT: CEMPRE, 1995 (publicação IPT 2163), 278p. SAITO, L.M.; LEÃO, M.L.G.; CASTRO NETO,P. Resíduos hospitalares. In: 12º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária Ambiental, Balneário Camboriú, 1983. ABSTRACT One of the bigger challenges that the modern society confronts is accurately solution of the question of urban garbage with the expressive growth of generation of urban solid residues. The population growth ally to the intense urbanization causes an increase of the production of residues, as also a lesser availability of areas for its disposal. Another preoccupying cause is the deforestation, or the occupation of the ground without one adjusted erosive planning, thus causing, processes. This research has as objective to present the difficulties of the management of the urban 4538 anter ior próxima residues, as observed in the city of Jaú, in the state of São Paulo, in Brazil. Jaú possess a system of selective garbage collection and landfill, where the refuse is spread and compacted and a cover of soil is applied in order to minimize effects on the environment; but the population most devoid still makes use of erosions for the discarding of its practically rejects domestic servant. Jaú, has only a dump land, where waste are discarded in a disorderly manner, being its discarded garbage in monitored ditches and a small parcel still uses the erosive processes. It was observed that in these cities to be able them Public they are defective had to a total lack of planning and mainly to the indifference with its environment. Keys words: Erosive processes, urban garbage and ambient impact. 4539