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UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU
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AVM FACULDADE INTEGRADA
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AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM: O SUPERVISOR
ALFABETIZAÇÃO.
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COMO PARCEIRO PARA VENCER OS DESAFIOS DA
Por: Patrícia da Silva Paiva Serapião
Orientador: Prof. Dr.Vilson Sergio de Carvalho
Queimados
2013
2
UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU
AVM FACULDADE INTEGRADA
AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM: O SUPERVISOR
COMO PARCEIRO PARA VENCER OS DESAFIOS DA
ALFABETIZAÇÃO.
PATRÍCIA DA SILVA PAIVA SERAPIÃO
Monografia apresentada ao Instituto A Vez do
Mestre como requisito parcial para a obtenção do
título de especialista em Supervisão Escolar.
Orientador: Prof. Dr. Vilson Sergio de Carvalho.
Queimados
2013
3
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente a Deus, que
sempre me orienta e capacita tornando
tudo possível. Ao meu esposo Marcelo,
filho Maxwell e aos meus pais, que
sempre me encorajam aos estudos e a
aprimorar minha carreira profissional.
4
DEDICATÓRIA
Dedico
às
crianças,
com
as
quais
trabalho. Aquelas que serão beneficiadas
pelos conhecimentos que adquiri após
esta pesquisa.
5
RESUMO
A presente monografia tem por finalidade analisar o retrato atual da escola,
especificamente voltado para a alfabetização. Observamos que muitos alunos
passam pela escola e concluem o primeiro segmento com déficit na
aprendizagem da leitura e da escrita. O que gera turmas de 5º ano com alunos
que mal sabem ler, interpretar e redigir seus próprios textos, e
consequentemente acarreta em problemas nas séries seguintes. Muitos
acabam evadindo. Com base nestes fatos observados cotidianamente,
analisamos as situações em busca de respostas: Por que as crianças não
aprendem? Por desinteresse ou por problemas orgânicos? Como intervir
nestes casos e contribuir para mudanças no quadro atual da educação?
Partindo de conhecimentos adquiridos com a prática e da pesquisa de
pensamentos de outros autores sobre o assunto, procuramos estudar estas
questões. Admitindo que as crianças não aprendem por falhas no processo
pedagógico ou por limitações de origem orgânica, passamos a estudar os
chamados “Distúrbios de Aprendizagem” a fim de conhecermos e lidarmos com
essas situações. Em seguida, já de posse destas informações, passamos a
refletir sobre que estratégias devemos empregar com esses alunos, levando
em consideração a importância dos estímulos para o alcance do objetivo
principal que é combater o analfabetismo e a evasão. E por fim, como o
supervisor interfere em todo esse processo de forma positiva e relevante.
6
METODOLOGIA
Esta pesquisa bibliográfica foi realizada após o estudo de dados já
publicados anteriormente através de pesquisas em sites, livros, revistas, artigos
de jornais, palestras, enfim, com o propósito de reunir informações de obras de
autores que abordaram o assunto para embasamento teórico, dentre os quais
posso citar Emilia Ferreiro, Paulo Freire e Lou Olivier.
Foram aplicados questionários para professores a fim de colher amostras
para o desenvolvimento de nossa pesquisa.
E por fim, foram pesquisadas estratégias para que o supervisor atuando em
parceria com o professor, possa aperfeiçoar sua metodologia de trabalho e
favoreça a inserção de todos os alunos no processo de aprendizagem,
diminuindo os casos de analfabetismo, evasão e fracasso escolar.
7
EPÍGRAFE
“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei,
porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço
e comunicar e anunciar a novidade”.
Paulo Freire
8
9
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
10
CAPÍTULO I - Um retrato da nossa realidade.
12
CAPÍTULO II - As Dificuldades de aprendizagem.
22
CAPÍTULO III – As estratégias para a intervenção.
34
CAPÍTULO IV – A ação do supervisor frente as demandas atuais.
39
CONCLUSÃO
51
BIBLIOGRAFIA
53
WEBGRAFIA
55
ANEXOS
51
10
INTRODUÇÃO
Esta pesquisa tem como tema: Os desafios da Aprendizagem. A questão
principal a ser abordada é o porquê de existirem muitas crianças em idade
avançada que ainda não foram alfabetizadas. Este é um questionamento de
grande relevância visto que na atualidade tem sido observada grande
preocupação por parte do governo que vem tendo várias iniciativas de combate
ao analfabetismo e a evasão escolar. A exemplo disso podemos citar o
PENAIC (Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa) que oferece aos
professores cursos de capacitação para trabalharem com as turmas do ciclo.
Partindo de conhecimentos adquiridos com a prática no cotidiano escolar e
experiências compartilhadas, fazendo um paralelo com o pensamento de
grandes autores estudiosos sobre o assunto abordado, realizarei esta pesquisa
tendo, portanto, como foco principal a análise das possíveis causas do fracasso
escolar a fim de repensar a prática pedagógica. Sendo assim procurarei
conhecer as principais dificuldades de aprendizagem e os embargos que fazem
com que crianças em idade avançada não estejam alfabetizadas. Pesquisarei
alternativas e estratégias que sejam favoráveis ao aprendizado e estudarei
meios
que viabilizem e fundamentem a ação do supervisor para oferecer
melhor suporte ao trabalho do professor visando vencer os desafios e contribuir
para a educação de qualidade.
O primeiro capítulo será uma exposição daquilo que vivenciei durante minha
caminhada na rede pública de ensino, como educadora nas classes de
alfabetização. Também será analisado o principal questionamento desta
pesquisa: Por que as crianças não aprendem? O segundo capítulo tem por
objetivo evidenciar situações adversas de origem orgânica que impedem ou
dificultam a aprendizagem. Vamos esclarecer o que acarreta atraso na
aprendizagem dos alunos que são portadores das chamadas “Dificuldades de
aprendizagem”. O terceiro capítulo aborda estratégias de intervenção, onde se
reflete sobre o que deve ser observado atentamente pelo professor e o
supervisor orientador, para tomarem iniciativas corretas. O quarto e último
capítulo tem por finalidade descrever as funções do supervisor nas situações
11
abordadas, justificando a importância da sua ação e atuação no contexto
pedagógico.
12
CAPÍTULO I
UM RETRATO DA NOSSA REALIDADE.
Tenho estudado sobre pensamentos e lido registros de diversos autores,
dentre eles posso citar Paulo Freire, Piaget, Emilia Ferreiro, Vygotsky e apesar
de compreender as ideias e estudos produzidos por esses autores, me
questiono com o objetivo de encontrar respostas para inquietações do meu
cotidiano, tais como: Por que crianças ingressam na escola, cheias de
entusiasmo e de expectativas e no entanto acabam se deparando com uma
grande dificuldade de compreender e reproduzir o sistema de leitura e escrita?
Será que isto é originado de distúrbios do organismo ou de outros fatores? Por
que tantos alunos fracassam nas classes de alfabetização?
Independente de apresentar ou não dificuldade de aprendizagem, toda
criança deve ter sua autoestima trabalhada, recebendo estímulos para
desenvolver seu potencial.
Em suma Ferrão(2007) escreve que:
“Quanto mais aprendemos sobre as relações
comportamento e cérebro-aprendizagem, melhor será
compreensão sobre como a criança aprende, seu
cognitivo a explorar e sobre as intervenções necessárias
com dificuldade de aprendizagem.” (p.11)
cérebroa nossa
potencial
à criança
Diante disto, percebemos a necessidade de mudança no que estabelecemos
nesta relação de ensinar e aprender. Para ter certeza do que optar diante das
necessidades do dia a dia é preciso estar constantemente aprendendo sobre
as pessoas, o meio em que vivem, as relações, as diversas culturas, para ter
mais habilidade na leitura de várias situações e também para revermos a nossa
prática pedagógica de forma consciente, inovadora, que proporcione uma
aprendizagem de qualidade para nossos alunos.
Compreendo que o papel do supervisor na atualidade não é mais aquele de
controlar, mas de acompanhar, discutir permanentemente o aproveitamento
escolar e a prática docente, buscando coletivamente conhecer e compreender
o processo ensino-aprendizagem e suas dificuldades, problematizando o
cotidiano escolar e elaborando propostas de intervenção.
13
Minha experiência na rede pública de ensino não me permite ignorar a
realidade do dia a dia, deixando de mencioná-la neste momento. É fato que a
vida do aluno interfere no modo como ele aprende ou constrói seus
conhecimentos. Por isso estarei refletindo e desejo compartilhar com o leitor.
1.1- Diferenças sócio econômicas e a aprendizagem (pobreza
= fracasso escolar?)
Observo que as crianças que passam por certas privações, as vezes perdem
a motivação pelo aprender, isso ocorre quando elas enfrentam rotina de
trabalho infantil para ajudar a suprir as necessidades da família ou quando
precisam assumir as tarefas domésticas enquanto os pais ou responsáveis
estão trabalhando. Algumas crianças até afirmam que não precisam estudar
porque sabem que vão trabalhar por ali mesmo, junto a seus pais. Há uma
resistência e se cria uma mentalidade de não almejar mudanças, ficando
acomodados com a situação. Vemos ainda que as próprias famílias não
valorizam o ensino com a perspectiva de melhorias na qualidade de vida.
Constatamos isso nos momentos em que convocamos um responsável na
escola para dialogarmos sobre as dificuldades dos alunos.
Entendemos que também vem de casa a motivação para a aprendizagem,
pois a participação e o incentivo dos responsáveis são grandes impulsos para o
trabalho do professor.
Não quero afirmar que a pobreza e a falta de
conscientização da família são os fatores que impedem as crianças de obterem
êxito nos estudos, mas obviamente, são fatores que somados a outros
contribuem para o elevado índice de analfabetismo em nosso país.
Além disso, temos crianças chegando mais cedo nas escolas, aos seis anos
de idade, que não tiveram assistência adequada das mães, ausentes pelo
trabalho ou por inúmeros outros motivos, que deixam de participar dessa fase
do desenvolvimento dos filhos, criando uma lacuna de carências e de base
familiar que a escola não consegue suprir. Temos com isso alunos rebeldes,
sem limites, sem afeto natural, baixa autoestima e sem noções básicas de
autonomia e cuidados consigo mesmo. E muitas das vezes, sem motivação
para aprender.
14
Vejamos o texto a seguir:
“Desde que surgiu a sociedade industrial que a mulher, ao ser
incorporada ao mundo do trabalho, fora do lar, passou a ter uma
dupla jornada: o trabalho remunerado e cuidar da família. As
mulheres pobres sempre trabalharam. A dificuldade de cuidar dos
filhos levou as mulheres a passar a educação dos filhos para as
escolas, creches e cuidadoras.
Sabe-se que toda aprendizagem começa em casa, com a família e
de forma espontânea, são aquisições importantes que vão
determinar o desenvolvimento de capacidades e habilidades não
somente na escola, como em toda sua vida.
É na família que os comportamentos infantis sedimentados pela
vida diária, repetidos e exemplificados, vão organizando o mundo
interno da criança, sua percepção da vida social, condutas e
hábitos que serão formalizados futuramente na escola.
O tempo atual, em permanente transformação social, está
modificando os costumes, valores, modos de pensar e modos de
aprender. As crianças, com a ausência das mães e o tempo que
necessitam delas, para assimilarem os conhecimentos
elementares, como: deixar de usar fraldas, tomar banho sozinho,
pentear os cabelos, se alimentarem... resumindo, adquirir
autonomia, estão com o desenvolvimento falho.” (Disponível em
<http://impactodapedagogiamoderna.blogspot.com.br/2011_09_01_
archive.html>)
O convívio com os pais é indispensável para o desenvolvimento global da
criança, pois estes momentos de rotina diária com os pais direcionam o
comportamento dos filhos para que sigam certos padrões ou princípios morais
que vão garantir comportamentos de autonomia, confiança, afetividade,
independência e responsabilidade. Para assegurar a criança mais tempo de
vida escolar, mais oportunidade de aprender e ensino de qualidade, o MEC,
estabeleceu o Ensino Fundamental de 9 anos. A intenção é que a criança aos
6 anos ingresse no primeiro ano do Ensino Fundamental e conclua esta etapa
com 14 anos. Mas, o que temos, cada vez mais são crianças entrando na
escola, sem passar por todo esse processo natural de desenvolvimento em
contato com seus pais: sem a maturidade e a autonomia que dão suporte para
a aprendizagem. As habilidades simples e concretas da vida diária são básicas
para o desenvolvimento de outros estágios mais avançados. Os processos de
aprendizagem mais complicados são construídos a partir dos mais simples,
suporte para os mais complexos e abstratos.
A pesquisadora da Universidade de São Paulo, Marília Pinto de Carvalho ao
apresentar uma palestra num grande evento que ocorreu em São Paulo entre
15
24 e 28 de março de 2003, envolvendo inclusive pesquisadoras e professoras
da Inglaterra, onde foi debatida a questão do fracasso escolar, publicou um
texto que dizia o seguinte:
“Temos, entre jovens, taxas de analfabetismo menores, devido
ao maior acesso à escola em comparação a adultos e idosos. Mas
considerando o recorte por sexo, nas faixas etárias acima de 40
anos vamos encontrar mais mulheres do que homens analfabetos,
ao passo que na faixa de 15 a 19 anos temos quase o dobro de
rapazes que moças analfabetas. Isso é preocupante porque a
grande maioria desses jovens analfabetos são pessoas que
passaram pela escola, que tiveram uma trajetória escolar marcada
pela repetência, pela evasão, que vão e voltam ao sistema de
ensino e não conseguem se apropriar da ferramenta da leitura e
da escrita. Esse é um indicador muito forte de que a escola está
fracassando.”(Disponível
em<www.scielo.br/scielo.php?script=sci_artext&pid=S151797022003000100013>)
TAXAS DE ANALFABETISMO POR IDADE/ 1996
(Vide gráficos em anexo 1)
Vejamos o gráfico de defasagem série e idade adequada de 1996 e outro
com dados mais atuais.
(Vide gráficos em anexo 2 e 3)
De acordo com a pesquisadora, o gráfico de 1996 se refere a defasagem
entre série e idade adequada e na época essa questão da repetência era mais
marcante do que hoje, pois na medida em que as políticas de ciclos e de
melhoria de fluxo escolar começaram a difundir-se pelas diferentes redes de
ensino do país, o quadro veio apresentando informações novas.
Isso nos leva a um novo questionamento. Os novos dados do gráfico nos
apontam mudanças, a ideia de implantação do sistema de ciclos, seria uma
tentativa de resolver a questão da defasagem série e idade e evasão escolar,
melhorando o fluxo de alunos na rede pública de ensino? Ou de camuflagem
da situação real em que se encontra a educação no país? Minha experiência
com o ciclo me leva a crer que foi implantado sem se discutir e amadurecer a
ideia, sem estudar e considerar junto aos profissionais da área, os efeitos da
não reprovação do aluno, a longo prazo. Ou seja, o aluno é matriculado por
16
idade, sem levar em conta seu grau de conhecimento (se já está alfabetizado,
se já tem escolaridade anterior ou não), é aprovado automaticamente,
independente do aproveitamento, sendo retido somente no 3º ano do ciclo.
Essa retenção só é admitida uma vez. Sim, esse aluno que chega ao 3º ano
sem se apropriar da leitura e da escrita, só poderá ser retido uma vez, então
chega, muitas das vezes ao 4º ano sem ser alfabetizado, pois esse aluno
pensa que vai ser promovido mesmo, para quê precisa ter esforço para
aprender. Além disso, sua base (as etapas anteriores) não foi trabalhada com
êxito, o aluno não se apropriou das habilidades necessárias para a aquisição
dos conteúdos mais complexos, o que gera um acúmulo, consequentemente
não se consegue dar conta dessas carências no 3º ano, criando um grande
funil nesta fase do ciclo. Em muitos desses casos, o aluno acaba indo para o 4º
ano levando ainda essas carências. Temos cada vez mais alunos que chegam
ao 6º e 7º ano sem saber ler e interpretar ou realizar satisfatoriamente
operações matemáticas básicas. Temos aí, que nos deparar novamente com a
evasão e com a realidade de turmas tão aquém dos objetivos previstos. Nesta
situação todos se culpam e todos ficam prejudicados. Nessa altura da situação
eu indago: Como ficam essas crianças e jovens que passam pela escola sem
serem alfabetizados? Estar frequentando a escola não significa estar em
processo de aprendizagem, estar sendo preparado para o exercício da
cidadania. E por quê?
Apesar das lutas e conquistas, das revoluções e das ideias libertárias contra
sistemas capitalistas opressores, continuamos a viver no sistema da exclusão,
perante a ineficácia e a inadequação das políticas adotadas no nosso sistema
de ensino.
As informações dos gráficos, na verdade estão disponíveis e vem sendo
apresentadas e discutidas por pesquisadores e pessoas preocupadas com a
situação. Mas esse debate não chega aos cursos de formação de professores,
aos formuladores das políticas educacionais e instituições de ensino superior.
Como resultado nós sabemos muito pouco sobre como vem se dando esses
processos e como explicar ou resolver essas situações. O que conhecemos é o
que vivenciamos em nossa rotina diária.
17
As políticas de melhoria do fluxo escolar: ciclos, promoção automática e as
diferentes formas de combate a repetência e atraso escolar que se espalham
pelo país, trouxeram sem dúvida, um saldo positivo ao garantir uma maior
permanência das crianças e jovens na escola, ante a elas, a defasagem entre
série e idade adequadas e o abandono escolar já não são boas medidas de
quem está tendo problemas na escola. Pouco se sabe sobre aquelas crianças
que estão sendo indicadas para aulas de reforço e recuperação, ou aquelas
que estão recebendo conceitos negativos como “insuficiente”. Esse tipo de
informação circula apenas no âmbito da escola e às vezes só da professora,
que decide que estratégias vai usar para contornar a situação, tendo turmas
lotadas e alunos que ainda não concluíram o processo de alfabetização.
Ainda acrescento que segundo Freitas(2003), em muitas redes de ensino a
pressão é muito grande para que não se atribua conceitos negativos, para que
não se retenha muitos alunos ao final do ciclo, só a um número pequeno, e
diga-se de passagem, às vezes predeterminado, de alunos por classe.
(FREITAS apud CARVALHO, 2003).
Por outro lado não podemos responsabilizar só os ciclos pela existência de
tantas crianças semianalfabetas no 4º ano do Ensino Fundamental, pois os
dados do SAEB, mostram que 51% dos estudantes matriculados no 1º ano não
sabem ler adequadamente no 4º ano. E essa alta porcentagem não se deve
exclusivamente aos ciclos.
Freitas ainda argumenta que no ciclo ou na progressão continuada, o
aluno que não sabe ler é mantido na escola, enquanto que no regime seriado
ele é expulso não sendo detectado nas séries seguintes. Sendo assim, no ciclo
esse aluno denuncia a qualidade do ensino.
Porém sabemos que a finalidade com a implantação dos ciclos não foi
de denunciar a qualidade do ensino mas de corrigir o fluxo de alunos,
diminuindo consideravelmente a reprovação e a evasão. Os sistemas de
avaliação monitoram os resultados das escolas de forma quantitativa e
comparativa, criam competição e reduzem gastos. O autor ainda continua da
seguinte maneira:
É possível que a ênfase no ajuste do fluxo (Programas de Correção
de Fluxos, Ciclos de Progressão Continuada, Recuperação de
Ciclos, etc) vise fazer uma ampla ‘faxina’ no sistema de ensino de
18
forma a corrigir seus custos econômicos e a preparar processos de
privatização por meio de terceirização, permitindo a internalização
da exclusão de forma mais dissimulada quanto aos custos políticos
e sociais e ao mesmo tempo a externalização dos custos
econômicos, com aumento do controle sobre o processo educativo.
Essa forma de operar dissimula a exclusão social que passa a ser
legitimada a partir da ideologia do esforço pessoal no interior da
escola, responsabilizando o aluno por seu próprio fracasso(...) O
processo de exclusão e submissão apenas mudou sua forma de
operar, a partir da inclusão formal de 95% das crianças na escola.
(Ibid, p.9)
Nesta pesquisa o objetivo principal é refletir sobre o porquê das crianças não
aprenderem e o quê nós, profissionais da educação, podemos fazer diante
desta situação, então, não pretendemos atribuir culpa ao sistema de ciclos, ao
professor ao aluno, etc. O fato é que, concluindo o raciocínio, o professor que é
o ator principal, não compreendeu bem a proposta nova do sistema de ciclos,
mantendo assim a antiga concepção de série intacta e a promoção automática
levando à acomodação na primeira série e sobrecarga na segunda ou o
engarrafamento ao fim do ciclo.
Além das falhas no preparo do professor e da equipe, ainda podemos
colocar situações que surgem de diálogos e discussões na tentativa de explicar
e justificar o problema dos alunos que não conseguem aprender: a violência
nas escolas, a falta de material didático, o apoio das famílias, falta de recursos
financeiros, falta de apoio por parte do governo, de merenda, de transporte, de
motivação que desperte o interesse pela aprendizagem.
De certo, todos esses fatores prejudicam a aprendizagem do aluno, mas se
avaliarmos no sentido geral, atualmente as escolas possuem mais salas de
aula, biblioteca, sala de reuniões, quadra, etc. Em comparação com as escolas
da década de 50, que só tinham os espaços básicos e nada atraentes e as
crianças aprendiam mesmo assim, então já não podemos afirmar que a culpa é
da estrutura física.
A merenda não tinha a qualidade de hoje, que vem
acompanhadas de
frutas e iogurte, em outros tempos era só angu com salsicha e macarrão, e as
crianças aprendiam.
Não tinha transporte escolar, as crianças iam a pé e andavam muito, no
entanto aprendiam.
19
Os professores não preparavam tantos cartazes, murais e jogos, era no
caderno, lápis, livro, quadro e giz. Mas as crianças aprendiam.
Se o questionamento é pela falta de recursos e material didático, me lembro
de quando tínhamos que comprar giz para dar aulas, e professoras criativas
alfabetizavam com cartilhas confeccionadas por elas mesmas no antigo
mimeógrafo. Hoje temos tantos recursos como aliados: a internet, as
impressoras, as copiadoras, as coleções didáticas, etc. E vemos alunos que
não aprendem.
Atualmente o estudante recebe mochila contendo o material didático
necessário, uniforme, calçado, livros, etc. Houve a implantação do horário
integral, fora do horário regular para aulas de artes, esportes, reforço escolar e
informática. Profissionais visitam a escola a fim de encaminhar o aluno para
fonoaudiólogos, neurologistas, exames de vista, exames laboratoriais e
acompanhamento com psicólogos. Têm sido inseridos elementos motivadores
e de intervenção, e mesmo assim, vemos crianças que não aprendem.
Se já houve melhora na merenda, no prédio, no material didático, nos
recursos, enfim, o que falta então? Por que as crianças aprendiam e não
aprendem mais? Precisamos estudar os fatos e verificar o que se perdeu.
A aprendizagem não ocorre só na escola. O ensino acontece a todo
momento e durante toda a vida. Mas será que o ensino na escola continua o
mesmo?
Magda Becker Soares é professora titular da Faculdade de Educação da
UFMG. Ela destaca que na alfabetização e letramento há um problema a ser
resolvido. Ela destaca o fato de que as cartilhas desapareceram do mercado.
Que atualmente, não se fala mais em cartilha. E com o desaparecimento das
cartilhas, desapareceu também o conceito de método. Comenta ainda, que há
poucos livros de alfabetização que tenham uma organização metodológica para
orientar os professores no processo de ensino e aprendizagem. Que os
professores acabam usando precariamente os livros de que dispõem ou
buscando as cartilhas nas prateleiras da biblioteca da escola. (SOARES, s/d)
Eu também já passei por momentos em que procurei desesperadamente
pelo auxílio das cartilhas. Concordo com essa colocação da educadora, mas
com uma ressalva, me recordo que haviam textos sem sentido nas cartilhas, e
20
esse foi o questionamento que as derrubou. Em 1984, a velha e boa cartilha
era o método empregado norteando a alfabetização. Já em 1985, a palavra
cartilha foi banida do nosso vocabulário, e aos poucos toda a prática
acumulada durante séculos foi sendo contestada pelas teoria de Emília
Ferreiro. Ela defende que é preciso alfabetizar letrando:
“Permitir aos pequenos entender as funções da língua escrita não é
antecipar o Ensino, é contribuir para que ele ingressem nas práticas
sociais pertinentes para a escrita. Alfabetização no século 21 inclui
todos os objetos em que circulam imagens e textos.” (FERREIRO in
Nova Escola, 2013, p.29)
Todos concordamos com a fala da doutora psicolinguista e pesquisadora
Emília Ferreiro de que os textos das cartilhas precisavam ser incrementados e
comunicar alguma coisa do mundo real, fugindo de frases sem sentido do tipo
“O boi baba” e “O bebê bebe”, porém a falta da cartilha criou uma dificuldade
enorme, e até hoje presencio os professores tentando se adequar, fazendo
alunos passarem por cobaias em experiências com métodos que são uma
mistura do tradicional com o moderno, na medida em que se veem como
alfabetizadores sem uma ferramenta tão importante. É o soldado indo para a
batalha impedido de usar sua arma e munição. O método que aprendeu
durante a sua formação.
As autoridades acataram as ideias afirmando que da maneira antiga, o
método
aplicado
produzia
clichês,
levando
alunos
a
estereotipar
conhecimentos, moldando-os todos pelo mesmo contorno, mesmo padrão. Que
cada aluno tinha que aprender coisas de acordo com suas necessidades, pois
o método acabava distanciando o aluno da sua realidade, obrigando-o a
estudar coisas irreais, distantes e sem aplicabilidade. Assim foram retirando as
cartilhas e modificando o método de ensino em nossas escolas, sem um
estudo profundo, sem um período de experiência, sem um bom preparo dos
educadores e sem previsão do que poderia acontecer.
Os professores aprendem a teoria, mas na prática faltam os parâmetros
metodológicos. Para que haja receptividade desejável de um conteúdo é
imprescindível que haja um jeito apropriado de dar a conhecer aquele assunto.
Um método de ensino.
O método de ensino é o conjunto de partes coordenadas entre si. Ele
obedece a ordem de trabalho dos conteúdos. Essa ordenação é importante por
21
vários motivos. A sistematização, ordenação, classificação e agrupamento dos
assuntos por grau de dificuldade favorece todo o processo, desde sua
exposição até sua fixação e aplicabilidade. O método inicia com assuntos mais
simples e vai abrangendo novos assuntos e situações mais complexas, até que
o aluno esteja capacitado a pesquisar sozinho, outros temas de seu interesse.
Isso é o que a cartilha nos ofertava: um apoio para a realização de etapas para
se chegar ao todo.
No momento da criação do método de ensino o autor exerce o raciocínio
levado pela experiência adquirida anteriormente. Neste momento acontece a
pesquisa de assuntos e termos afins, de exercícios e atividades, num aumento
progressivo dos graus de dificuldade que levam a aprendizagem, à retenção do
aprendido e ao seu uso no dia a dia.
Com um método o professor se sente seguro sabendo porquê, quando e
como agir. Os assuntos são agrupados por dificuldade e seguem uma
sequência que permite ao professor saber sempre de onde parou, reforçar o
que já foi trabalhado.
Usando método, o professor, sendo criativo ou não, fará sua aula caminhar.
Havendo um método de alfabetização em qualquer comunidade os alunos
recebem ensinamentos equivalentes. Os que precisarem ser transferidos de
uma escola para outra, conseguirão acompanhar as aulas sem prejuízo.
Por negligenciar a metodologia e se ater a teorias é que a criança deixou de
aprender.
Ensino é a essência do trabalho escolar. Ensinar é o que ocorre entre
professor e aluno. Ensinar é o que ocorre a nível mental, mesmo que não haja
escola, nem merenda, nem transporte, nem uniforme. Ensinar é a maneira de
se dar e conhecer um conteúdo, é trocar informações e produzir o
conhecimento. Por que será que as crianças não aprendem? Não seria a falta
do método de ensino adequado?
22
CAPÍTULO II
DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM
Dificuldade de Aprendizagem (DA), por vezes referida como desordem de
aprendizagem ou transtorno de aprendizagem, é um tipo de desordem pelo
qual um indivíduo apresenta dificuldades em aprender efetivamente. A
desordem afeta a capacidade do cérebro em receber e processar informação e
pode tornar problemático para o indivíduo o aprendizado em comparação ao de
outro, que não é afetado por ela.
Existe uma diferença entre os termos utilizados e há equívocos por
desconhecimento das definições: Dificuldades de aprendizagem ou Distúrbios
de aprendizagem.
França (1996) coloca que aparentemente a distinção feita entre os termos
“dificuldades” e “distúrbios” de aprendizagem esteja baseada na concepção de
que o termo “dificuldades” está mais relacionado à problemas de ordem
psicopedagógica e/ou socioculturais, ou seja, o problema não está centrado
apenas no aluno, sendo que essa visão é mais frequentemente utilizada em
uma perspectiva preventiva; por outro lado, o termo “distúrbios” está mais
vinculado
ao
aluno,
na
medida
em
que
sugere
a
existência
de
comprometimentos neurológicos em funções corticais específicas, sendo mais
utilizado pela perspectiva clínica.
Essas pessoas não aprendem por terem sua capacidade de assimilação
diminuída devido a um fator determinante ou uma disfunção no seu organismo,
que pode ser de ordem visual, auditiva, enfim. Isso não indica que essa pessoa
apresenta baixo QI, significa que ela está trabalhando abaixo da sua real
capacidade de realizar tarefas devido as alterações. Os próprios testes formais
de inteligência (que apuram o Quociente Intelectual - QI) não são suficientes
23
para identificar DA, pois há crianças e jovens superdotados, com QI superiores
à média, que revelam dislexias, disgrafias e discalculias, ou sejam, dificuldades
específicas
na
aprendizagem.
Pessoas
com
QI
abaixo
de
70
são
caracterizadas por terem problemas de retardamento mental, deficiência
mental ou dificuldades cognitivas. Nesses casos, estão ligadas diretamente ao
QI e não são, portanto, caracterizadas como dificuldades de aprendizagem.
O que quero deixar claro é que a dificuldade de aprendizagem não indica
baixo nível de inteligência, pois se estas pessoas forem acompanhadas,
assistidas, com uso das estratégias adequadas, elas podem superar essas
dificuldades e até ocuparem posições de destaque na escola e na sociedade
em relação aos demais, obtendo sucesso ao longo de suas vidas.
Abordaremos a seguir as dificuldades que se manifestam atualmente, com
mais frequência.
2.1-Dislexia
Segundo Olivier (2011) há sintomas que caracterizam a dislexia, e que pode
definir mais de um tipo de dislexia variando conforme a intensidade.
Segue abaixo a tabela de sintomas, segundo a doutora Olivier:
“Singular/primária: Apresenta desde a primeira infância um certo
atraso no desenvolvimento da fala e da linguagem e/ ou no
desenvolvimento visual. Dificuldade em aprender canções,
versinhos, pequenas estórias ou imediato esquecimento após
ouvi-los. Problemas com coordenação motora. Pode
apresentar dificuldades em leitura e soletração, não
reconhecendo letras e números.
Comum/ Correlata: Apresentar problemas nos processos de
linguagem (articulação, memória verbal a curto e longo prazos).
Problemas com lateralidade.
Específica/ Secundária: Caracteriza-se pelo baixo desempenho
em compreensão na leitura, dificuldade ou ausência de
alfabetização, não identificação de letras, diferenças no
movimento dos olhos durante a leitura ou tentativa de leitura.
Relativa/ Artificial: Problemas com a atenção e visórioespaciais.” (p.61)
Desde a infância os pais e profissionais da educação tem um importante
papel na vida de seus alunos em geral e dos portadores de dislexia e de outros
24
distúrbios, pois alguns sintomas já se mostram desde cedo, logo que a criança
ingressa na escola.
O professor, o orientador educacional e o supervisor também tem papel
fundamental na acessória ao aluno disléxico para estimulá-lo em aulas de
criatividade, não exigir bom desempenho em aulas muito teóricas, não
ridicularizá-lo nem permitir que seus colegas o ridicularizem por não
acompanhar a classe. Ao lidar com um disléxico, o professor deve tratá-lo com
a máxima dedicação e com muito incentivo à sua criatividade. O ideal seria
criar uma turma específica para esses alunos, mas por hora isso parece uma
utopia. Então, que nas aulas, a teoria seja menos importante e que a prática
ganhe mais força, pois sabemos que essa estratégia é melhor não só para
estes alunos, mas para todos em geral.
2.2-Quais seriam os sintomas prováveis da Dislexia?
Deve observar o comportamento do aluno no processo de alfabetização. Se
o aluno apresenta dificuldades de pronúncia, de articulação, se não consegue
aprender nomes das letras e das cores. Faz inversões em ditados e atividades
de escrita. Se confunde letras em geral, se para ele todas as letras parecem
apenas símbolos sem sentido algum. Também deve observar se ele tem
dificuldade para memorizar e lembrar-se de coisas simples como nomes, datas
de aniversário e de outras informações simples. Dificuldades em discernir
direita e esquerda. Diferenças no movimento dos olhos durante a leitura ou
tentativa de leitura (geralmente caracteriza a Dislexia Congênita ou Inata).
Logo que forem detectadas essas características o professor deve
encaminhar o aluno para uma avaliação com o psicopedagogo. Este vai avaliar
o paciente dos pontos de vista físico e orgânico, psicológico e mental e fatores
ambientais e externos. Somente após um estudo detalhado poderá ser
diagnosticado um distúrbio.
Se houver distúrbios fonoauditivos este aluno será encaminhado a um
fonoaudiólogo e a um otorrino. Provavelmente será encaminhado também a um
neurologista para que sejam feitos exames. Depois dos resultados dos exames
25
será confirmado se realmente tem dislexia. A partir de então será indicado o
melhor tratamento, adaptado às reais necessidades de cada paciente.
Se houver necessidade, o paciente também será encaminhado a um
psicólogo. E só então, o acompanhamento do disléxico será realmente iniciado,
unindo esses profissionais em um processo de tratamento, e em alguns casos,
re-alfabetização deste indivíduo.
É muito importante que o professor e os pais estejam cientes dos sintomas
do aluno disléxico para encaminhá-lo o quanto antes para uma avaliação com
um psicopedagogo, e iniciar, assim o tratamento para evitar que esse aluno
tenha um histórico difícil, passando a colher logo os resultados da superação.
Além do acompanhamento com a equipe multidisciplinar é importante que o
aluno disléxico pratique esportes que também irão desenvolver sua
coordenação motora, a sua concentração, o raciocínio, a agilidade, etc. O
esporte mais indicado é a natação e depois também os esportes com bola
(futebol, vôlei, etc.), o balé clássico e o teatro. Para cada paciente haverá uma
indicação mais benéfica e em alguns casos podem ser incluídos também
medicamentos para melhorar o desempenho, disponíveis na atualidade.
2.3-DDA (Desordem de Déficit de Atenção)
Baseando-me em pesquisas a DDA pode ser causada por anoxia perinatal e
por outros fatores que provocam uma descarga elétrica no cérebro.
O indivíduo que apresenta este distúrbio, não pode ser confundido com o
portador de TDAH. Existem sintomas que diferenciam um do outro.
Aquele que possui DDA apresenta geralmente um desenvolvimento normal e
QI, de médio a superior, mesmo assim tem baixo desempenho escolar, não
consegue fixar o que aprende e em casos mais graves, nem chega a aprender.
Pode até ter um bom aprendizado, mas ser disperso ou desatento, hiperativo
ou extremamente tímido ou então alternando hiperatividade e retração.
Os pacientes com DDA apresentam sintomas tais como:
•
Parece não ouvir ou não entender o que ouve.
•
Não consegue terminar uma tarefa, passa logo para outra, sem concluir
nada.
26
•
Tem dificuldades em seguir regras, esperar sua vez no grupo.
•
Não lê ou não ouve uma pergunta antes de respondê-la.
•
Tem dificuldades nas relações com o grupo, e as vezes pode ficar
irritado ou até mesmo agressivo.
•
Perde ou esconde materiais que precisará usar durante as tarefas (como
lápis, livros, cadernos, etc.)
•
Não mantém amizades por muito tempo, ou nem chega a iniciá-las.
•
Tem dificuldade em aceitar perdas (em jogos, brincadeiras).
•
Dificuldade para pensar a longo prazo.
•
Distrai-se com qualquer coisa alheia à tarefa que está realizando.
•
Comete erros por descuido em atividades escolares ou tarefas
domésticas, de trabalho dentre outras. Isso ocorre por deixar de prestar
atenção aos detalhes.
•
Tem dificuldades em seguir instruções e não termina seus deveres ou as
tarefas domésticas (não devido a comportamento de oposição ou
incapacidade de compreender instruções e memorizar os detalhes).
•
Com frequência evita, antipatiza ou reluta envolver-se em tarefas que
exijam esforço mental constante (prefere o que é automático, fácil).
•
Com frequência apresenta esquecimento em atividades em geral.
•
Foca-se em apenas uma área para se concentrar (se dedicar),
geralmente algo que lhe agrade (ex: computador, videogame, etc.).
•
Problemas para se expressar, para se fazer entender ou explicar seus
pontos de vista.
•
Problemas com organização e gerenciamento do tempo.
2.4- Tratamento ao portador de DDA
Novamente segue-se a recomendação que se o aluno (a criança) apresentar
no mínimo oito destes sintomas faz-se necessário encaminhá-la a um
psicopedagogo e em casos mais sérios a um psicólogo e/ou a um neurologista.
É indicado também além do acompanhamento multidisciplinar, realizar com
este aluno atividades de jogos de memória, xadrez, atividades de ditados
27
aliados a objetos, fugindo das aulas expositivas longas e ditados só auditivos.
Em certos casos, o tratamento também poderá ser medicamentoso.
Pesquisas apontam, segundo (Ibid,2011) que um terço dos portadores de
DDA tem possibilidade de cura na adolescência, mas um terço continuará
apresentando os mesmos sintomas e o terço restante com pioras, à medida
que vão se tornando adultos. Então, vemos aí a necessidade de um tratamento
bem realizado, a fim de evitar transtornos futuros para estes dois terços de
pacientes com sintomas piores (mais difíceis de remover) e até para aqueles
que têm possibilidades de melhora na fase adolescente, devendo ser
acompanhados a fim de evitar sequelas graves psicológicas que podem
complicar mais o quadro.
2.5- Como o supervisor e o professor podem ajudar o portador
de DDA?
Não somente os professores, orientadores, pedagógicos e supervisor
podem ajudar, como também os pais, que são os principais envolvidos na
busca pela superação do aluno. A parceria da família é importantíssima ou
melhor dizendo, é essencial, para a intervenção de qualquer dos distúrbios ou
transtornos aqui apresentados. Todos podem colaborar da seguinte forma, em
relação a este aluno:
•
Acompanhar as tarefas do aluno, ajudando-o a identificar e resolver
suas dificuldades.
•
Acomodá-lo sempre na primeira fileira e longe da janela, para evitar
distrações.
•
Oferecer aulas de apoio, onde receba atenção mais individualizada
para melhorar seu desempenho.
•
Fazer a criança entender e aceitar sua condição de aprendiz. Não
somente obrigando-a a cumprir as tarefas dizendo: Você tem que
fazer a lição. Diga que ela precisa fazer a lição porque será
importante para a sua vida, pode poder assinar seu nome em
documentos, se corresponder com as pessoas, para trabalhar.
28
Conquiste o interesse da criança pelas vantagens ou benefícios que
a criança vai ter.
•
Levar a criança a praticar atividades cada vez mais longas como:
jogos de memória, xadrez, ditados visuais, etc. As participações
iniciais devem ser de nível mais fácil e de curta duração para
incentivar a criança e aos poucos poderá ser ampliado e adquirir
regras mais complexas, sempre num nível adequado que possibilite
a participação da criança com DDA.
•
Incentivar a autoestima do aluno sempre fazendo questão de elogiar
os avanços, por menores que sejam.
•
Estabelecer horários específicos para estudar, brincar, se alimentar,
dormir, etc.
•
Os pais e professores podem adotar estratégias de recompensa pelo
bom desempenho, valorizando suas qualidades, mais do que punir
seus erros. E nunca a punição deve ser violenta, pois isso pode
tornar a criança mais agressiva, guardando rancor, medo, etc.
•
Incentivá-lo a participar de esportes e de artes de acordo com suas
aptidões.
•
Deve haver uma parceria entre a escola e os pais, de maneira
nenhuma deverá haver contradição entre as partes.
2.6-TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção / Hiperatividade)
Para uma melhor compreensão do que vem a ser o Transtorno do Déficit de
Atenção com Hiperatividade, cito palavras da doutora Olivier em seu livro:
“TDAH pode ser definido como DAAH (Déficit de Atenção e
Aprendizagem com Hiperatividade). Apresenta basicamente os
mesmos sintomas da DDA, mas é causado provavelmente por
alterações no desenvolvimento neuroemocional. Acredita-se que
possa ser genético e que possa ser também devido a alterações
nos neurotransmissores, afetando a atenção e a coordenação
motora.Pode também ser definido como transtorno multifatorial
associado a fatores ambientais e genéticos. Variações no tamanho
e na morfologia do cérebro, onde já estão presentes desde a tenra
idade com anormalidades no cerebelo, principalmente no
hemisfério direito, considerando responsável pela maioria dos
distúrbios de coordenação motora e por um programa subnormal
29
sensório-motor, além de outras causas possíveis, mas não muito
divulgadas.
Estudos demonstram uma diminuição no metabolismo na região
frontal/orbital. Este distúrbio, além dos sintomas descritos na DDA,
é caracterizado por uma hiperatividade exagerada, tornando a
criança irritada, impaciente para brincar, inclusive quebrando
constantemente seus brinquedos, muito chorona e com sono
irregular.” (Ibid, p.79).
A doutora recomenda que logo que forem observados indícios, o ideal é que
a criança seja encaminhada a um psicopedagogo para avaliar se ela apresenta
apenas a hiperatividade considerada normal para sua idade ou não. As vezes,
a DDA pode ser tratada pelo próprio psicopedagogo, mas se os sintomas forem
mais severos e estiverem comprometendo a criança com comportamentos de
desatenção, inquietude e hiperatividade em contextos diferentes (casa, escola,
etc.), necessitará então de avaliação psiquiátrica.
É muito importante neste ponto da intervenção, que se procure profissionais
mais experientes, pois não são raros os casos em que se diagnostica uma
criança como sendo portadora de TDAH precipitadamente. É preciso analisar
com extrema cautela e fazer todos os exames devido a facilidade de se
confundir entre um distúrbio e outro. Devido a linha tênue entre um e outro,
pode confundir até aos mais experientes.
Ainda sobre o TDAH, deve-se analisar também que apesar dos pacientes
apresentarem sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade,
existem algumas predominâncias e variações que diferenciam um tipo de
outro. Veremos as subdivisões:
•
TDAH com predomínio de desatenção (até simples desatenção
até grande alienação).
•
TDAH com predomínio de sintomas de hiperatividade e
impulsividade.
•
TDAH combinado, onde se igualam os sintomas em desatenção,
hiperatividade e impulsividade.
Segundo a OMS e a Associação Psiquiátrica Americana o TDAH é um
transtorno psiquiátrico que pelos seus sintomas pode levar o indivíduo a ter
30
dificuldades emocionais, de relacionamento, bem como a baixo desempenho
escolar e outros problemas de saúde mental. Embora a criança hiperativa
tenha muitas vezes uma inteligência normal ou acima da média, o estado é
caracterizado por problemas de aprendizado e comportamento. Os professores
e pais da criança devem aprender a lidar com esses sintomas na criança, até
mesmo durante os instantes de instabilidade emocional para que o próprio
portador aprenda a conviver bem, superar-se sem depender de medicamentos,
aprendendo
a
lidar
consigo
mesmo.
Para
isso
é
indispensável
o
acompanhamento com o psicólogo e o psicopedagogo, pois estes vão levando
a criança a refletir sobre suas atitudes, seus objetivos, seus ganhos e perdas. É
importante reconhecer cada avanço e estimular mais e mais.
Além dos sintomas já descritos em DDA (Déficit de Atenção), podemos
destacar outros que são características decorrentes da hiperatividade e/ou da
Impulsividade:
Hiperatividade:
Mãos e pés agitados;
Não para sentado em sua cadeira durante a realização das tarefas;
Muito agitado, conversa muito, mesmo quando a atividade necessita do
silêncio.
Impulsividade:
Responde antes da pergunta ter sido concluída;
Não consegue esperar sua vez de brincar e falar;
Reage com impulso para dar respostas e até mesmo nas brincadeiras, as
vezes, pode parecer agressivo.
Toma decisões precipitadas sem avaliar, sem pensar nas consequências.
2.7- Como o supervisor poderá orientar e toda a escola poderá
contribuir com o aluno portador de TDAH?
O passo inicial é o conhecimento do TDAH para ajudar o aluno. Quanto mais
informado o professor tiver a respeito do TDAH, suas implicações e seus
manejos, mais chances do aluno ter um bom desempenho escolar.
31
Para combater os sintomas relacionados à desatenção o professor pode
adotar medidas como alterar a posição em que a criança se encontra na sala,
sentando-o próximo ao quadro e próximo ao professor, longe das portas e
janelas para evitar possíveis distrações externas.
Estimular o aluno constantemente, chamando sua atenção para manter o
foco na atividade.
O professor pode criar um código ou contrato estabelecendo regras e
condições com bônus para evitar retomar a concentração do aluno sempre que
percebe que se encontra disperso. Pode regulamentar certa quantidade de
vezes que o aluno pode se levantar para que ele não fique em pé todo o
tempo. Esta combinação será importante para conscientizar o aluno sobre o
número de vezes que sente vontade de se movimentar e ajudá-lo a aprender a
se controlar. O ideal é que essa quantidade de vezes vá diminuindo com o
tempo até chegar ao ponto de não interferir no andamento da aula, na dinâmica
das atividades e no desempenho do próprio aluno.
Proponha atividades que saiam da rotina de ficar só sentado passivo,
alternando para que o aluno perceba que toda movimentação deve ter um bom
motivo, ou seja, só se movimentar para objetivos definidos.
Descrever previamente no quadro as atividades do dia para que o aluno
perceba o que deve ser alcançado, com regras pré-definidas e bem
organizadas.
Elogie o bom comportamento, incentive os colegas a elogiar suas
produções, desta forma a turma estará ajudando a elevar a autoestima e a
inserção deste aluno no grupo.
Acompanhar atentamente o progresso da criança, auxiliando-a a alcançar as
suas metas.
Ser tolerante para que ela possa se sentir aceita, tal como é.
Estar atento ao talento, a criatividade, a espontaneidade e as manifestações
de entusiasmo que ela manifesta. Essas crianças geralmente são generosas e
apresentam algo especial que enriquece e engrandece o ambiente onde estão
inseridas.
As aulas de educação física, artes e teatro são um ótimo auxílio para essas
crianças que parecem ter energia triplicada, portanto nunca podem ser
32
privadas de participarem, a não ser por motivos excepcionais em benefício das
mesmas.
Deve se criar um caderno exclusivo ou uma agenda de comunicação entre
pais e escola para evitar que as conversas se deem apenas em reuniões. Os
pais devem estar envolvidos, participantes e nunca usar linguagem diferente da
escola, contradizendo o trabalho que estiver sendo feito. Manter diálogo
constante e abertura para a participação da família.
Em casa, os pais podem estimular seus filhos a estabelecerem horários fixos
para estudar e reforçar a matéria dada.
2.8- Discalculia
Primeiramente, é preciso distinguir a discalculia (que é basicamente um
distúrbio neurológico, com causas diversas) de uma simples dificuldade no
aprendizado da matemática, que afeta a maioria dos estudantes e que
geralmente, é gerada pela deficiência do próprio sistema de ensino.
A discalculia é um distúrbio neurológico que afeta a habilidade com números.
É um problema de aprendizado independente, mas pode estar também
associado a dislexia. Tal distúrbio faz com que a pessoa se confunda em
operações
matemáticas,
conceitos
matemáticos,
fórmulas,
sequências
numéricas, formas geométricas, ao realizar contagens, sinais numéricos e até
na utilização da matemática no dia a dia.
A discalculia, assim como a maioria dos distúrbios de aprendizagem, são
causados por distúrbio neurológico. A discalculia pode ser causada por anoxia
perinatal ou por outros acidentes, que acabam afetando o funcionamento
normal do cérebro.
Se
houver
característicos,
suspeita
as
de
causas
alguma
biológicas
criança
e
que
apresente
psiconeurológicas
sintomas
devem
ser
diagnosticadas e tratadas por meio de exames específicos feitos por
profissionais qualificados.
As causas psicológicas são muitas e por demais complexas, devendo ser
tratadas por um psicopedagogo, geralmente em parceria com um psicólogo.
33
2.9-Como detectar um possível Discalculia?
Entre os três e os seis anos já se pode detectar. Devemos observar os
seguintes sintomas:
•
Problemas em diferenciar o esquerdo e o direito.
•
Problemas em reconhecer os números; acha que os números são
iguais, não consegue identificar quantas unidades estão dentro dos
números.
•
Não consegue dizer corretamente quantos anos tem.
•
Não consegue contar em sequência lógica.
•
Não consegue realizar as operações básicas, nem reconhece símbolos
matemáticos.
•
Fica ansioso ao participar das aulas de matemática.
Mesmo apresentando sintomas, o aluno precisará passar por exames e
testes que comprovarão a existência de distúrbio ou não.
2.10- Como o professor e o supervisor podem ajudar?
A solução depende de uma nova visão do ensino da matemática. É
necessário fazer uma ponte entre a matemática da escola com a matemática
inerente nas atividades da vida diária das crianças. Uma criança que participa
de atividades de comércio, cujos pais a levam para o trabalho, pode saber dar
o troco, calcular somas e, no entanto ter dificuldades para aprender na escola.
Uma maneira de fazer com que as crianças aprendam é tornar tudo o mais
real possível. Usar figurinhas, tampinhas, palitos ou qualquer outro material que
torne o aprendizado significativo. Os números, então, deixarão de ser apenas
sinais e terão um significado prático para a manipulação das crianças.
34
CAPÍTULO III
ESTRATÉGIAS E INTERVENÇÕES
Intervenção é um dos focos prioritários de Samuel Kirk. A intervenção se
baseia na precisão diagnóstica prévia no desenvolvimento de apoio e tarefas
ou atividades específicas. A intervenção acontece após uma avaliação e
embora se centre nos aspectos cognitivos sempre estaremos diante de uma
atividade específica (de leitura, de escrita, enfim).
A avaliação abrange alguns aspectos:
•
Deve
ser compreensiva,
obter conhecimento das necessidades
completas das crianças;
•
Deve ser diagnóstica através de testes de habilidades e déficits;
•
Análise dos padrões e perfis das diferenças individuais tanto de
interação com os outros quanto intra-individuais.
O diagnóstico deve seguir também critérios e corresponder as reais
necessidades do educando, e para tal será necessário:
1. Avaliação das necessidades especiais das crianças.
2. Determinar o foco educacional do desenvolvimento dos objetivos
anuais e de curto prazo.
3. Decidir como viabilizar o processo mediante a análise de
atividades estratégicas e técnicas educacionais especializadas.
4. Estudar o progresso das crianças para dar continuidade e
modificar os procedimentos e estratégias sempre que necessário.
5. O atendimento deve ser individualizado, já que cada caso tem
características e necessidades específicas. Por isso é preciso
lidar com os alunos com dificuldades de aprendizagem de forma
mais direta.
Para que a escolha das estratégias seja bem sucedida é preciso que estas
sejam apropriadas às necessidades. As estratégias devem oferecer resultados
que possam ser apreciados, os alunos devem conhecer seus avanços e
35
dificuldades e o professor deve ter o cuidado de apresentar os objetivos com
clareza e verificar constantemente se os alunos estão compreendendo o que
foi solicitado. Para tal é preciso que haja repetição frequente das instruções,
remover possíveis distrações que atrapalhem o desenvolvimento das
atividades e impeçam a concentração das crianças. Levá-las a reconhecerem
suas habilidades, seus talentos, e a testarem seus limites através de um
trabalho de autoconhecimento.
“Os alunos com dificuldades de aprendizagem geralmente
fracassam na escola por não saberem utilizar seus recursos
intelectuais ou cognitivos de maneira eficiente. Aqueles que
conhecem as estratégias disponíveis e que são capazes de avaliar
sua eficácia tem uma vantagem determinante sobre os que
persistem em utilizar procedimentos inadequados.” (VIANIN, 2013,
p.1)
O aspecto emocional deve ser considerado, pois compreende-se que
proporcionar um ambiente favorável à aprendizagem e trabalhar a autoestima,
a confiança, o respeito mútuo e a valorização do aluno, são condições
relevantes para o processo de aprendizagem. Sabemos que a dificuldade de
aprendizagem sempre causa um sofrimento. Este sofrimento muitas vezes está
camuflado por comportamentos que sugerem desinteresse, desatenção,
irresponsabilidade e imaturidade. A própria criança por não compreender a si
mesma (o que acontece consigo mesma) ou por desconhecer suas dificuldades
reais prefere acreditar e fazer os outros acreditarem, que vai mal na escola
porque não gosta de estudar ou se faz de desinteressado por não conseguir
aprender. Mas conscientemente ninguém sofre porque quer. Aceitar que não
entende a matéria, para essas crianças significa ser “burro”. Quando nos
sentimos assim, ferimos nossa autoestima e autoconfiança, ficamos sem
estímulos para prosseguir. No entanto, estudos mostram que na maioria dos
casos onde o aluno, o professor e a família buscam orientação, a situação
passa a ser diferente e a solução do problema se torna bem mais simples. Ao
contrário disso, quando o problema é negligenciado, se torna uma verdadeira
bola de neve, gerando consequências mais graves no futuro. Assim, logo que
observado qualquer indício, não deve ser ignorado.
Os professores, naturalmente, necessitam de capacitação e atualização para
aprimorarem a prática pedagógica e estarem bem preparados para atenderem
a clientela. Atualmente têm se mostrado grande a procura por informações nas
36
áreas de Educação Especial e Inclusiva. Hoje existem muitas instituições que
oferecem cursos de capacitação, literatura e pesquisas sobre inclusão, e até
mesmo informações disponibilizadas nas redes virtuais para manter tantos os
profissionais quanto os pais informados sobre o assunto. Porém é importante
que todo o diagnóstico e tratamento seja feito por profissionais habilitados
(como psicólogos, psiquiatras, neuropediatras) nos casos de crianças que
apresentam sintomas. Os pedagogos e o próprio professor atuam diretamente
com o aluno, mas estes não podem dar diagnóstico, nem tão pouco prescrever
tratamento, devem observar e encaminhar para o psicopedagogo. Nas escolas
existem os psicopedagogos que podem e devem orientar, encaminhar e atuar
em conjunto com os clínicos para que o tratamento adequado seja oferecido e
o educando prossiga avançando no processo de aprendizagem.
O diagnóstico de qualquer transtorno deverá ser realizado por profissional
que conheça profundamente o assunto, porque é necessário descartar outras
doenças e transtornos, para então indicar o melhor tratamento. Por exemplo: O
termo hiperatividade tem sido popularizado e muitas crianças e jovens
rotulados erroneamente. Por isso é preciso ter cautela ao caracterizar uma
criança como portadora de TDAH. Somente um médico, juntamente com o
psicólogo ou terapeuta especializado podem confirmar a suspeita de outros
profissionais de áreas afins.
Em contrapartida deve ser considerada a situação de que não é fácil para o
professor
encaminhar
um
determinado
aluno
para
a
avaliação
do
psicopedagogo, até porque é necessário preparo para lidar com a reação dos
pais ou responsáveis. O professor ou pedagogo que precisa comunicar a
necessidade de encaminhamento aos pais, antes de fazer o contato, precisa se
preparar para fazer as colocações certas não diagnosticando antecipadamente
a criança. É normal que a reação dos pais seja de desconfiança ou de ataque.
Isto porque de imediato os pais entendem que o professor esteja transferindo a
responsabilidade pelos problemas de aprendizagem toda para a família e para
o aluno. Aliás, é comum, os professores serem acusados de se isentarem de
sua culpa. O professor precisa auxiliar as famílias e os alunos, estar sempre
focado em promover situações que favoreçam a aprendizagem, apesar dos
37
entraves. Muitas vezes, vemos a própria família abandonando a situação sem
pesar as consequências e a relevância dos estudos na vida do aluno.
O professor necessita de parcerias e apoio de outros profissionais para
complementar e também auxiliar no trabalho realizado em sala de aula. Isso
não significa estar se isentando da responsabilidade e sim, mostra o quanto
este profissional está compromissado em fazer um bom trabalho e que se
preocupa com as crianças que não estejam conseguindo participar das
atividades. Os profissionais na escola precisam orientar e conscientizar a
família de que o professor sozinho não tem subsídios para realizar o trabalho
com a criança e somente um diagnóstico preciso do clínico pode nortear a
forma correta de viabilizar e inserir essa criança no processo de aprendizagem.
Essa troca é de vital importância e muito tem a contribuir para o avanço desses
alunos. Pelo que sabemos, a partir de experiências e das fontes de informação,
essa troca (esse diálogo) entre os profissionais não tem ocorrido e o ritmo de
aprendizagem da criança fica comprometido por negligência, burocracia ou por
omissão dos envolvidos, enfim. As falhas do nosso Sistema, a falta de
orientação dos pais e as dificuldades que existem, são reais, mas não
podemos nos conformar com este triste quadro e deixarmos de fazer de forma
consciente o que nos propomos a fazer, o nosso ofício. Nós educadores não
devemos desistir de procurar respostas e principalmente nunca subestimar a
nossa importância no processo de ensino-aprendizagem do aluno. O professor
não precisa afirmar o quê que o aluno “X” tem que o impede de aprender,
porém o professor é quem pode e deve observar seu aluno diariamente e
buscar informações e parcerias para melhor atendê-lo. Identificar dificuldades
requer observação do comportamento das crianças. O educador deve estar
atento ao conjunto de sinais contínuos e frequentes que a criança apresenta.
3.1- O que se deve observar nos alunos?
A organização espaço temporal (a capacidade de executar planos,
sequenciar), a coordenação motora (capacidade de recortar, escrever), a
linguagem falada ou escrita (capacidade de responder as perguntas, escrever
histórias e textos), a atenção e concentração (capacidade de agir depois de
pensar, capacidade de manter-se atento), a memória (recordar instruções e
38
nomes, aprender conceitos matemáticos), o comportamento social (interagir e
trabalhar em cooperação).
Na literatura pedagógica, muitas são as opiniões sobre como se caracteriza
um aluno que apresente dificuldades de aprendizagem no contexto escolar. A
tendência mais geral destaca os problemas socioculturais, ambientais,
econômicos, familiares e emocionais como diagnóstico.
Estudantes com dificuldade de aprendizagem podem ser tão inteligentes e
tão espertos quanto seus pares, já que, aprender envolve processos
complexos e determinado número de condições e oportunidades. Precisam
de ajuda e de intervenções que favoreçam a aprendizagem e o sucesso
escolar, pois muitas vezes a forma convencional não os alcança. São vítimas
de falhas Pedagógicas, principalmente na forma de ensino empregada.
A troca de informações entre os professores e profissionais na escola é de
suma importância, pois o que for proveitoso para atender as necessidades de
determinado aluno ou turma, também pode ser bom para outros casos em
outras turmas. Por isso é preciso estar sempre buscando e repassando
informações e solicitando ajuda sempre que surgir novos desafios. Para esta
finalidade também é importante promover os estudos dirigidos e as reuniões
pedagógicas, onde são expostas situações, abordados assuntos pertinentes e
são feitos os repasses de ações já experimentadas e bem sucedidas.
O grupo precisa atuar como equipe, compartilhar descobertas e informações
pertinentes aos alunos e em relação a prática pedagógica. O clima
organizacional da escola conta muito, pois é necessário que o grupo esteja em
sintonia e as decisões e ações sejam fruto de reflexão conjunta em prol dos
alunos e dos objetivos almejados.
Durante o processo de aprendizagem da escrita é imprescindível que o
professor faça uma sondagem para conhecer o nível de escrita em que o aluno
se encontra e para acompanhar seu progresso. A sondagem não somente é
utilizada em sala de aula, mas também no consultório, pois auxilia no
diagnóstico das dificuldades de leitura e escrita. Temos como exemplo uma
tabela de sondagem e algumas orientações. Vide anexo nº4.
39
CAPÍTULO IV
A AÇÃO DO SUPERVISOR
A supervisão escolar caracteriza-se por ser um trabalho profissional que tem
como compromisso garantir os princípios de liberdade e solidariedade humana,
pleno desenvolvimento do educando, e seu preparo para o exercício da
cidadania e sua qualificação para o trabalho, e para tanto assegurar a
qualidade no ensino, da educação, da formação humana.
Afirma Ferreira (1999) supervisor é aquele que:
“(...)assegura a manutenção de estrutura ou regime de atividades
na realização de uma programação/projeto. É uma influência
consciente sobre determinado contexto, com a finalidade de
ordenar, manter e desenvolver uma programação planejada e
projetada coletivamente.” (FERREIRA apud GIANCATERINO,
Disponível em < http://meuartigo.brasilescola.com>)
O supervisor escolar faz parte do corpo docente e tem como foco do seu
trabalho a coordenação das atividades didáticas e curriculares e a promoção e
o estímulo de oportunidades coletivas de estudo.
“Segundo Alarcão (1996), no contexto brasileiro, a supervisão
surgiu no cenário sócio-político-econômico, historicamente, com a
função de controle. A base para a estruturação e critérios que
nortearam a prática desta profissão tem como princípios os ideais
dessa época, por isso, hoje muito se confunde os aspectos técnicos
com os administrativos, até porque o contexto onde surgiu a
Supervisão Escolar, originou-se dessa época onde a preocupação
era de controlar o que foi planejado a nível central.” (ALARCÃO
apud GIANCATERINO)
Ainda podemos afirmar, com base no que estudamos que a supervisão
escolar veio sendo praticada no Brasil em condições que produziam o
ofuscamento e não a elaboração da vontade do supervisor. E esse mesmo o
objetivo
pretendido.
Para
uma
sociedade
controlada,
uma
educação
controlada; um supervisor controlador e também controlado.
Lima (in Rangel 2001), afirma que:
“Com a implantação dos Parâmetros Curriculares Nacionais (MEC,
1917), a supervisão educacional foi considerada uma grande aliada
do professor na implementação, associada à avaliação crítica,
desses parâmetros. Mas, para que se alcance esse objetivo.é
necessário que a supervisão seja vista de uma perspectiva
baseada na participação, na cooperação, na integração e na
flexibilidade. Nesse sentido, reconhece-se a necessidade de que o
supervisor e o professor sejam parceiros, com posições e
40
interlocuções bem definidas e garantidas na escola.” (LIMA apud
GIANCATERINO)
Dentre as atribuições do Supervisor Escolar podemos destacar e refletir:
•
Socializar as experiências docentes, estimulando essa troca entre os
professores e entre os segmentos da comunidade escolar de forma a
qualificar a prática pedagógica;
•
Discutir permanentemente o aproveitamento escolar e a prática docente,
pensando coletivamente, buscando compreender e superar dificuldades
do processo ensino-aprendizagem, problematizando e estudando novas
formas de intervenção para atender a demanda;
•
Assessorar individual e coletivamente o corpo docente no trabalho
pedagógico interdisciplinar;
•
Coordenar e participar dos Conselhos de Classe, juntamente com o
SOE, tendo em vista a análise do aproveitamento da turma como um
todo, do aluno e do professor, criando alternativas de intervenções
pedagógicas para superação das dificuldades e/ou qualificação do
trabalho;
•
Contribuir para a elaboração do horário escolar, cronograma de
atividades, listas de materiais e de outras questões curriculares;
•
Promover adaptação de alunos transferidos, partindo da análise do
currículo desses alunos e indicando procedimentos necessários para
adaptações curriculares;
•
Supervisionar o cumprimento dos dias letivos e horas/aula estabelecidos
por lei;
•
Elaborar o plano de ação do serviço de Supervisão Escolar;
•
Elaborar anualmente relatório síntese das ações realizadas na Escola;
•
Analisar o histórico escolar dos alunos para sempre que necessário
fazer adaptações, transferências, reingressos e recuperações;
•
Planejar e coordenar as reuniões pedagógicas, de Conselho de Classe e
reuniões com a comunidade com a finalidade de traçar objetivos e
avaliações visando promover melhorias constantes no processo ensinoaprendizagem;
41
•
Ministrar cursos, palestras ou aula de aperfeiçoamento e atualização do
corpo docente, realizando-as em serviço, com o intuito de contribuir para
o desenvolvimento qualitativo dos profissionais;
•
Assessorar o Conselho Escolar, direção e professores em assuntos
pertinentes à supervisão escolar;
•
Acompanhar e avaliar o aluno estagiário em supervisão escolar, junto a
instituição formadora;
•
Cumprir as demais atribuições contidas no Plano Anual da escola.
4.1-A importância do trabalho do supervisor
A presença do Supervisor tem por justificativa seu papel de favorecer o
desenvolvimento de competências e habilidades docentes e promover a
qualificação do trabalho.
O supervisor deverá:
•
Visar o acompanhamento do aluno com ajuda dos professores e a
disponibilização de materiais que enriqueçam e tornem as aulas mais
atraentes e também produtivas;
•
Refletir sendo mediador de soluções para situações e conflitos entre
professor e aluno;
•
Assegurar a reflexão sobre os métodos e estratégias utilizados para
garantir e promover atividades de recuperação paralela para os alunos
com dificuldades de aprendizagem;
•
Buscar promover a participação de todos os membros da comunidade
escolar nos momentos de planejamento, discutindo de forma construtiva,
buscando através de diálogo os caminhos para a intervenção e
promoção da qualidade do trabalho.
O supervisor atua de forma muito complexa na escola. A função do
supervisor se atrela a funções de orientador, assistente social, psicólogo,
42
visando prestar suporte às atividades dos professores no desenvolvimento do
currículo escolar.
O supervisor deverá partir de uma análise crítica voltada para o estudo e a
compreensão dos problemas e situações encontradas, discutindo todos esses
problemas com todos os membros da escola, buscando a melhor solução.
Boas(2006) comenta sobre esse aspecto afirmando que:
“Pensar a prática da supervisão é, sobretudo, examiná-la nas
grandes funções em que se desenvolva. É analisá-la desde o
planejamento do currículo procedido de adequada diagnose; ao
acompanhamento de sua execução, com tudo que representa de
orientação e controle, e ao seu aperfeiçoamento, considerados os
recursos humanos, materiais e técnicos empenhados.” (p.65).
A supervisão deveria ser feita pelo professor de Educação Especial, porque
é o que domina as áreas todas, a pedagógica e a da psicologia. Desta forma, a
a supervisão tem de ser imediatamente implementada, porque só assim se faz
uma orientação prévia e atempada, de forma a encontrar recursos e espaços
adequados para um trabalho contextualizado e adequado a cada criança.
Sendo assim, o supervisor deve partir do conhecimento da proposta da
escola, numa visão crítica e reflexiva, posicionando-se de forma coerente,
competente, compromissado e empenhado com a eficiência e a qualidade do
trabalho executado na escola como um todo. O papel do supervisor passa
então a ser redefinido com base em seu objeto de trabalho, e o resultado da
relação que ocorre entre o professor que ensina e o aluno que aprende passa a
ser definido como o núcleo do trabalho do supervisor na escola. Ao abdicar do
seu poder e controle sobre a prática docente, o supervisor é capaz de assumir
uma postura de problematizador, tornando-se parceiro político-pedagógico do
professor, portanto, devendo questionar, argumentar, participar, comunicar com
o professor, na busca por alternativas que auxiliem na aprendizagem do
educando. Comprometido com o processo de ensinar, aprender e educar.
O colunista do Blog ‘A Voz da Vitória’, faz a seguinte colocação:
“Saber ler e escrever já não é mais o único problema do
século 21, mas a compreensão daquilo que está lendo, este sim é
um mal que ainda deixa muitos na escuridão motivados pela
dificuldade de cumprir muitas vezes tarefas simples, como entender
uma carta, uma conta de luz ou um anúncio publicitário.
43
Esta competência de realizar tarefas básicas no âmbito pessoal ou
profissional acarreta também na dificuldade de sociabilidade pelo
motivo de muitas vezes afetar a autoestima do indivíduo, devido a
impossibilidade de comunicar-se com precisão. A escola é ainda o
principal aliado no combate a este tipo de analfabetismo: o então
chamado
Analfabetismo
Funcional.”
(Disponível
em
<http://www.avozdavitoria.com )
Compreendemos que as iniciativas do governo de combate ao analfabetismo
são boas, mas não resolve todo o problema, podemos dizer que acaba
camuflando esta percentagem da população que sai da escola sem conseguir
participar da vida social, por não interpretar a leitura.
Por isso é importante que todos na escola primem pelo atendimento a esses
casos, não optando por trabalhar os conteúdos curriculares de uma forma
engessada e negligente, mas que individualize o ensino. Não devemos estar
empenhados só em mostrar a queda nos índices de analfabetismo, evasão e
de repetência, mas em zelar, sim, pela qualidade do ensino oferecido.
O supervisor tem um papel fundamental ao analisar o Projeto Político
Pedagógico da escola: o de zelar para que a escola tenha um projeto que
envolva o estímulo a leitura e a escrita como forma de aprendizagem contínua,
levando em conta, claro, fatores culturais e sociais da comunidade.
Os projetos de incentivo à leitura precisam estar inseridos no Projeto Político
Pedagógico da escola, porque eles são veículos para a motivação e formação
de leitores e oferece condições favoráveis para a alfabetização e também para
a aprendizagem interdisciplinar. Bons leitores, serão bons aprendizes e bons
escritores. O gosto pelos livros em qualquer fase da vida da criança, até
mesmo em menor idade favorece o processo de aprendizagem. E o papel do
supervisor é primar para que projetos de incentivo à leitura sejam constantes
na escola.
O trabalho do supervisor, em suma, está diretamente ligado ao trabalho do
professor. Precisa estar comprometido com o trabalho pedagógico, dotado de
capacidade e sensibilidade, sempre apresentando conhecimentos e materiais
atualizados que levem a uma dinâmica contínua de reflexão sobre a prática
educativa.
Medina (1997) argumenta: “Nesse processo, o professor e supervisor
44
tem seu objeto próprio de trabalho: o primeiro, o que o aluno produz; e o
segundo, o que o professor produz.” ( p.75)
O supervisor também cria oportunidades de diálogo entre os vários
segmentos, e através do diálogo conhece as principais dificuldades e os
anseios e juntos refletem sobre medidas e metas que proporcionem soluções
para as situações e futuras melhorias. Ele também é considerado mediador,
pois promove o diálogo entre professor e aluno, problematizando e buscando
respostas para conflitos que surgem.
Cabe ainda mencionar que dentre as atribuições do supervisor está a de
promover estudos, cursos, formação continuada, palestras e encontros
pedagógicos para que se discuta e reflita sobre a prática, compartilhando
informações com outros profissionais a fim de aperfeiçoar, enriquecer e
atualizar
seus
conhecimentos,
norteando
ações
e
intervenções
na
aprendizagem. A prática precisa sempre ser repensada, por isso é essencial
que o supervisor seja um pesquisador constante e que o professor entenda que
ele não detém todo o conhecimento mas que ao mesmo tempo que ensina
também aprende.
Essa reflexão constante fará o professor valorizar o saber que produz em
seu trabalho cotidiano, empenhando-se em seu próprio aperfeiçoamento e terá
a consciência de sua dignidade como ser humano e de sua identidade como
profissional da educação. Portanto cabe ao supervisor trabalhar junto ao corpo
docente e discente para dinamizar a prática educativa.
Toda a prática do supervisor deve ser participativa articulando os membros
da escola em torno da proposta pedagógica, da filosofia e das demandas,
envolvendo a todos numa postura reflexiva, questionadora, comprometidos
com o aperfeiçoamento do ensino e com os propósitos da escola quanto ao
atendimento da comunidade na qual está inserida. Seu compromisso então é
mais amplo, não só consigo mesmo, enquanto profissional, ou com aqueles a
quem é subordinado, mas com a comunidade para qual presta serviços.
A educação precisa ser libertadora, produzir um efeito de mudança e
crescimento, de valorização do ser e do fazer, induzindo ações que
transformem a realidade das pessoas dessa comunidade, gerando iniciativas
45
organizadas e conscientes que tragam benefícios e melhorias na qualidade de
vida das pessoas.
Conforme está previsto na LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) cito
Lei 9.349/96, art. 2º: “A educação dever da família e do Estado, inspirada nos
princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por
finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício
da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.
Vemos mais uma vez a importância da presença do supervisor a fim de
impedir a conformidade e a acomodação, estimulando o pensamento crítico e
problematizador.
A escola precisa educar. Educar para o exercício da cidadania e não apenas
para se ter acesso ao mercado de trabalho, como era vista no passado remoto.
Na história da educação brasileira, notamos que a escola era responsável
politicamente pelo preparo dos indivíduos para exercer determinada profissão,
ser operário nas grandes indústrias, reproduzindo os interesses políticos
daquela época e os interesses da classe dominante. O supervisor, nessa
época, era aquele que exercia o papel controlador a fim de garantir a qualidade
e a produção. Atualmente, a atividade do supervisor adquire novas atribuições
e uma nova concepção de sua tarefa pois muito se tem debatido sobre o
assunto. A escola precisa preparar o aluno para a vida, a fim de que se aplique
no cotidiano e nas relações, os conhecimentos adquiridos através do
desenvolvimento de novas habilidades e de sua criatividade, possibilitando agir
e interagir em sociedade de forma critica, ao mesmo tempo que o capacite a
ingressar no mercado de trabalho e utilizar as novas possibilidades
tecnológicas e de comunicação de maneira eficiente, efetiva e significativa. Por
essa ótica, o supervisor deve ser o profissional atento e comprometido com o
fazer transformador, que faça valer o que é garantido por lei, e a educação
realmente proporcione aos jovens e as crianças o preparo para agirem de
forma relevante na sociedade, contribuindo para melhorar a qualidade de vida
de seus semelhantes e da sua comunidade.
Muitas mudanças ocorreram nessa nova concepção da atuação do
supervisor, dentre elas, pode se destacar que ele deva ser um pesquisador que
não se sinta absoluto, mas que se coloque como parceiro do professor e do
46
orientador. Que se ocupe não só com a parte burocrática na instituição mas
também com o pedagógico. O supervisor deve construir um clima de confiança,
estabelecendo junto ao professor uma parceria após um estudo do quadro
atual e das situações vivenciadas, propondo um trabalho diferenciado.
Oportunizando situações em que o aluno desenvolva sua autonomia na
aprendizagem e projetos que estimulem a criatividade e a disciplina na
construção do conhecimento. Promover ações para um ensino contextualizado,
valorizando a cultura formal e informal da comunidade local.
Sua intervenção é importante no ensino e também no processo de avaliação.
4.2- A intervençâo e influência do supervisor no processo de
avaliação.
A avaliação não deve ser excludente. Não é só o aluno que é avaliado. A
avaliação é constante, faz parte do dia a dia, e através dela todos devem
analisar o que precisa ser modificado, pois todos aprendem. A avaliação não é
um evento que se realiza a cada final de bimestre, mas um processo contínuo,
e todos precisam refletir e avaliar seu desempenho. O supervisor precisa
problematizar, questionar como vem sendo realizado esse processo de
avaliação na escola, para que esta venha a surtir seu efeito que é de dar novos
rumos as atividades quando isto se fizer necessário e encaminhar os
procedimentos. A avaliação então é essencial para nortear o trabalho.
O supervisor escolar desempenha uma tarefa técnico-científica e como tal
busca a melhoria da qualidade do ensino. Como função técnica, sua marca
essencial é a presença do dinamismo crítico capaz de construir com os
professores seu trabalho cotidiano. Como função científica sua atividade é
caracterizada por um estudo contínuo da realidade e pesquisa de estratégias,
planejamento de atividades combinado com uma busca por atualização
constante a fim de aprimorar seus conhecimentos e oferecer suporte adequado
ao trabalho do professor. Por isso pode-se afirmar que a prática do Supervisor
Escolar é essencialmente reflexiva, pois avaliação é reflexão.
47
Entendemos que a avaliação no modelo antigo, com as características de
julgamento, classificação, seleção, controle e exclusão não pode e nem deve
ser empregada. Vimos que seus efeitos não trazem resultados significativos
para o processo. São procedimentos incoerentes com as propostas
pedagógicas atuais, além dos prejuízos que estes podem causar. O progresso
do aluno não é acompanhado e o professor acaba por desconhecer não só a
importância de seu trabalho, como também deixa de ver a escola como um ato
de construção coletiva. Um dos momentos mais importantes para a
consolidação do ato de avaliar e aprimorar o trabalho educativo é a realização
do Conselho de classe.
4.3- Conselho de classe
Momento em que todos os trabalhadores da escola podem refletir, avaliar, e
tomar decisões conjuntas em relação ao trabalho desenvolvido. É um local de
questionamentos, de propostas de mudanças, de replanejamento. É um
momento de avaliação das turmas como grupos e dos alunos como indivíduos.
É um momento de reflexão dos professores, que como agentes do processo
educativo analisam sua prática e os resultados obtidos.
Faz parte da prática democrática na escola, na medida em que todos podem
e devem participar, opinar, respeitando a cada um e buscando uma forma
coletiva de resolvê-los. É também um momento de se reconhecer e valorizar os
esforços, as iniciativas e as conquistas individuais e dos grupos que podem ser
compartilhadas. É também um momento de chegar a um critério de unidade na
avaliação, de se discutir experiências didáticas.
Muitos são os ganhos obtidos com a realização dos Conselhos de Classe,
pois oferecem oportunidades de integração curricular, tanto na vertical
(disciplinas) como na horizontal (conteúdos) de maneira interdisciplinar.
Desde a implantação, a partir da Lei 5692/71 em nível nacional e do Parecer
1.367/72 do Conselho Estadual de Educação (CEE), o Conselho de Classe
vem desempenhando um importante papel na avaliação do aproveitamento
escolar como mecanismo de ação conjunta entre docentes, discentes e
pedagógico.
48
Quanto maior for a participação, mais irá gerar as mudanças no interior da
escola, possibilitando a todos uma influência real nas tomadas de decisão.
Os objetivos gerais da realização do Conselho de Classe explicitadas no
Parecer 1367/72 do CEE são:
•
Orientar o professor na avaliação permanentemente de cada aluno
através de dados e observação concretas, sem padrões préestabelecidos que rotulam o aluno de modo artificial.
•
Debater o aproveitamento global e individualizado das turmas,
analisando as causas do baixo rendimento.
•
Estabelecer o tipo de assistência especial para o aluno considerado pelo
COC com rendimento insuficiente.
•
Aperfeiçoar o desempenho do professor regente através da conjunção
das diferentes instâncias do ambiente escolar, supervisor, orientador
educacional e do diretor.
•
Conscientizar o professor de que é importante uma avaliação contínua
do seu próprio trabalho, e que seja replanejado a fim de promover essa
aprendizagem mais eficiente e construir uma escola mais dinâmica e
participativa.
Em resumo, a função avaliativa do COC: verificar o grau de integração
Escola-Comunidade; se o planejamento curricular está atendendo as
necessidades do aluno, o que é cobrado dele, os critérios de avaliação e as
atividades de recuperação.
4.4-
A
intervenção
do
supervisor
e
as
atividades
de
recuperação dos alunos com baixo rendimento.
É também atribuição do Supervisor, como já mencionamos, garantir e
promover atividades de recuperação paralela com vistas ao atendimento
individualizado direcionado aos alunos que tem o rendimento considerado
abaixo do esperado, e também para garantir que os objetivos sejam
alcançados proporcionalmente por todos.
49
Os estudos de recuperação previstos na Lei 5692/71, tinham por objetivo
oportunizar ao aluno revisão dos conteúdos programáticos em que teve maior
dificuldade. Estavam previstas recuperação interperíodos (ao final de cada
período letivo) e a recuperação paralela (ao longo do processo).
É importante salientar, entretanto, que não é oferecendo meia dúzia de aulas
que as dificuldades vão desaparecer.
Recuperação é um acompanhamento que se faz ao longo do processo,
oferecendo suporte diferenciado e atividades de acordo com as necessidades e
as dificuldades de assimilação dos conteúdos, considerando vias ou estímulos
diferentes dos empregados anteriormente para levar o aluno a construir seu
conhecimento.
A recuperação deve funcionar como uma das etapas do processo de ensinoaprendizagem. As dificuldades são diferenciadas de aluno para aluno e o
tempo para superá-las também. Cabe ao supervisor junto ao professor, estudar
essas dificuldades e orientar as atividades para desobstruir o caminho de
acesso ao conhecimento. Cabe ao supervisor/orientador/coordenador, numa
ação integrada enfatizar a importância da atividade de recuperação como um
elemento básico. O objetivo deve ser a avaliação qualitativa e significativa, e
partindo dessa avaliação, planejar a recuperação na escola em função do que
foi diagnosticado.
O supervisor deve acompanhar e orientar as atividades de
recuperação, de modo a subsidiar o professor na tarefa de avaliar, na sua
própria autoavaliação e nas melhorias dos mecanismos utilizados para a
recuperação. Cabe a escola, como um todo, explicitar a importância da
recuperação.
De acordo com as dificuldades dos alunos e os recursos materiais e
humanos disponíveis na escola, poderão ser empregadas técnicas na
recuperação: trabalho diversificado, monitoria, classe de apoio, módulos de
ensino, contrato de tarefa, etc.
4.5- Reuniões pedagógicas
Tem-se nessas reuniões a possibilidade de troca de experiências, a análise
das dificuldades, a busca por soluções, enfim, o compartilhar de todas as
50
ações em questão. Esses encontros devem ser enriquecidos com sugestões do
próprio grupo, por isso é importante que saibam datas com antecedência e
participem. Devem estar integrados numa ação coletiva e de compromisso com
o ato de educar.
As reuniões pedagógicas permitem acompanhar a aprendizagem dos
alunos, desenvolvendo, junto ao professor, as mais variadas formas possíveis
de controlar o processo de aprender e ensinar.
A reunião pedagógica pode ser para a integração curricular, troca de
experiências,
centros
de
estudos,
desenvolvimento
de
projetos
interdisciplinares ou para análise de gráficos de desempenho dos alunos com
maiores dificuldades.
Os encontros pedagógicos já devem constar no cronograma desde o início
do ano letivo e a periodicidade determinada já desde o planejamento.
51
CONCLUSÃO
Entre as causas de dificuldade escolar, pude concluir que na maioria dos
casos, citam-se fatores predominantemente extrínsecos ao indivíduo, sem
comprometimento orgânico, tais como: inadequação pedagógica e condições
socioculturais desfavoráveis ou pouco estimuladoras. Causas emocionais,
geralmente secundárias a fatores ambientais como desmotivação, baixa
autoestima e desinteresse, que também devem ser consideradas.
Muitas crianças não aprendem a ler e escrever, porém uma minoria é
diagnosticada (laudado) como portadora de distúrbios que bloqueiam a
aprendizagem. Todas elas são encaminhadas mas não obtemos o retorno das
famílias que muitas vezes se omitem ou não prosseguem o tratamento para
concluir o diagnóstico e assim não conseguimos acompanhar esse aluno para
atendê-lo em todos os aspectos necessários.
É preciso haver mudança no que tange ao envolvimento e conscientização
das famílias. A escola não trabalha sozinha. A sociedade precisa se
conscientizar da importância do trabalho em conjunto, da participação na vida
escolar de seus filhos e do respeito e valorização devido aos profissionais da
educação. O aluno precisa ser trabalhado no quesito respeito ao trabalho do
professor e motivação para a aprendizagem.
Observamos que existem profissionais da educação que trabalham sem
comprometimento, e “lavam as mãos” quando percebem que o aluno não
aprende, pensando que a causa é falta de interesse. Mas temos bons
profissionais que sentem prazer na profissão que escolheram, trabalhando com
afinco, buscando atender a todos.
Temos consciência que esse trabalho é muitas vezes árduo, que dispomos
de pouco tempo para dar atenção a tantos alunos, que o Sistema nos impõe
tantas burocracias que mais prejudicam do que ajudam, que as famílias
precisam valorizar e cooperar mais, que o governo deve “olhar” mais para a
educação, que as políticas públicas e as leis precisam ser reformuladas, que o
professor trabalha em mais de uma matrícula e sofre com o estresse e o
desgaste natural da profissão; porém precisamos dar conta do recado, do que
nós assumimos. Alunos não são cobaias, alunos são pessoas que estão na
52
escola para terem formação e trabalharem habilidades e conhecimentos que
levarão para suas vidas. Um ano que ele passa sem aprender, sem produzir,
são 365 dias perdidos. Cada aluno que sai da escola sem aprender a ler é mais
um propenso a ficar à margem da sociedade e isso vai afetar a nós e a nossos
filhos. Precisamos de encaminhá-los. Não podemos pensar que o problema é
só desse aluno. Que no próximo ano ele aprenderá. Que ele é só mais um
daqueles que não tem jeito. A educação não muda o mundo, mas muda o ser.
O professor precisa lançar mão das ferramentas e estratégias certas para
conquistar seus alunos. É preciso ter um método de ensino e não fazer testes
com métodos pouco conhecidos sem segurança.
Os governantes precisam atentar para prejuízos causados pela aprovação
automática e exigir das famílias não só a matrícula do aluno e a presença, mas
o bom rendimento que é mais importante. Turmas menos lotadas e recursos
para as escolas.
O supervisor precisa atender a menos escolas para ter mais envolvimento no
pedagógico, deixando de ficar ocupado somente com as documentações das
secretarias.
53
BIBLIOGRAFIA
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PLANAS, Mireia; ROSSEL, Montserrat; SEGUER, Manuel; VILELLA, Maria,
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Porto Alegre: Artmed, 1999.
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Piaget,Vygotsky, Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. 18 ed. São
Paulo: Summus, 1992. 117p
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inclusão. Curitiba: IESDE Brasil S.A.,2010. 178p
54
OLIVEIRA, Eloiza da Silva Gomes de; PLETSH, Márcia Denise; NOGUEIRA,
Mário Lúcio de Lima; BRAUN, Patrícia. Tópicos especiais em educação
inclusiva. Curitiba: IESDE, 2008. 124p.
Revista Nova Escola 263 , São Paulo: Abril,2013.
Revista Nova Escola 264, São Paulo: Abril,2013.
55
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2010/
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Disponível em < http:// www.gadif.pt/tabid/352/language/pt-PT/Default.aspx>
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GIANCATERINO.Roberto. Relevância e as contribuições do supervisor
educacional de uma escola estadual do município de São Bernardo do CampoSP. Disponível em< http//meuartigo.brasilescola.com/educação/relevância-asatribuicoes-supervisor-educacional-uma-htm> data de acesso 21/ 09/13.
SILVA,Carla.
Intervenções
psicopedagógicas
nas
Dificuldades
de
Aprendizagem.
Disponível
em
<
http:
//www.psicopedagogavaleria.com.br/site/índex.php?option=comcontent&view=category&id=1&Itemid=11> data de acesso: 22 nov.2013.
56
ANEXOS
Índice de anexos
Anexo 1 >> Taxas de analfabetismo por idade e sexo. Brasil,1995 e Taxas de
analfabetismo no Brasil,1940/2010;
Anexo 2 >> Gráfico do Índice de defasagem entre série e idade adequada.
Brasil- 1996;
Anexo 3 >> Taxa de defasagem entre a idade pontual e a série escolar.
Brasil,2000;
Anexo 4 >> Tabela de sondagens de alunos.
Anexo 5 >> Questionário de pesquisa e levantamento de dados.
57
ANEXO 1
Gráfico 1- Taxas de analfabetismo por idade e sexo.
Brasil,1995.
Gráfico 2- Taxas de analfabetismo no Brasil.
1940/2010.
58
ANEXO 2
Gráfico do Índice de defasagem entre série e idade
adequada. Brasil- 1996.
59
ANEXO 3
Fonte:IBGE
60
ANEXO 4
Tabela de sondagens
A sondagem inicial é a primeira, depois temos uma sondagem no final de
cada bimestre.
Caso o aluno, na primeira sondagem, esteja no nível pré-silábico, então será
preenchido o número 1 na cor vermelha, no local da sondagem inicial. Caso
este ou outro aluno esteja no nível silábico com valor sonoro, no 1º bimestre,
será preenchido o número 3 na cor azul. E assim por diante.
Ao verificar que a tabela apresenta muitas cores vermelhas fica claro que o
professor deverá intervir e fazer um trabalho de recuperação com esse aluno.
Fonte:http://carminatimaricato.blogspot.com.br/2010/04/o-principal-desafio-depais-e.html
61
ANEXO 5
Questionário de pesquisa e levantamento de dados.
Professores que trabalham em turmas do 1º ao 5º ano.
Turma analisada:______ano.
Data:___/___/___
1-Quantas crianças em idade avançada que ainda não sabem ler e escrever?
De acordo com a idade das crianças:
7 a 9 anos-_____________________
10 anos ou mais-________________
2- Quantos alunos que apresentam sintomas de algum distúrbio como dislexia,
discalculia, autismo, déficit de atenção, TDAH?
________________________
3- Você faz um trabalho diferenciado com esses alunos? Explique:
_____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
4- Desses alunos, quantos estão conseguindo avançar?
_____________________________________________________________________
5- Os alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem já fizeram (ou fazem) um
tratamento com especialistas do tipo: psicólogo, neurologista, fonoaudiólogo,
psicopedagogo, etc? ( )Sim ( )Não
Por quê?______________________________________________________________
_____________________________________________________________________
Caro professor, os dados observados serão utilizados para fins de pesquisa
monográfica. Obrigado por contribuir com esta pesquisa.
Download

Patrícia da Silva Paiva Serapião