JAMIL ORLEI DE SOUZA FONSECA A AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL COMO SUBSÍDIO NO PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO: UM ESTUDO DE CASO EM INSTITUIÇÃO PRIVADA DE EDUCAÇÃO SUPERIOR MESTRADO EM EDUCAÇÃO PUCPR CURITIBA 2006 Livros Grátis http://www.livrosgratis.com.br Milhares de livros grátis para download. JAMIL ORLEI DE SOUZA FONSECA A AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL COMO SUBSÍDIO NO PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO: UM ESTUDO DE CASO EM INSTITUIÇÃO PRIVADA DE EDUCAÇÃO SUPERIOR Dissertação apresentada como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Educação no Programa de PósGraduação em Educação, Centro de Teologia e Ciências Humanas, Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Orientador: Profª. Drª. Ana Maria Eyng. CURITIBA 2006 RESUMO O estudo desenvolvido nessa dissertação articula a reflexão teórica ao questionamento pessoal propiciado pela vivência profissional na análise do processo de tomada de decisão. A busca por respostas para as inquietações que surgiram sobre a tomada de decisão a partir da avaliação institucional interna foi que originou o presente estudo. A investigação tem como pressuposto básico que as informações advindas do processo de avaliação institucional devem contribuir para a tomada de decisão num processo de mudança, nas instituições de educação superior. A reflexão propiciada pela práxis no decorrer da pesquisa ressalta o quão complexos e ricos são os processos de mudança. O trabalho tem como problema de pesquisa: em que medida as informações oriundas da avaliação interna contribuem para o processo de tomada de decisão na busca da melhora da qualidade institucional? Sendo seu objetivo analisar a relação existente entre a avaliação interna e a tomada de decisão ocorrida em uma instituição privada de educação superior. Trata-se, então, de um estudo de caso, pois esta metodologia possibilita a análise de inúmeros problemas de difícil abordagem por outros métodos e pela dificuldade de se isolá-los de seu contexto na vida real. Além disso, o estudo tem um enfoque qualitativo, uma vez que considera o processo e seu significado como enfoques principais de abordagem, ou seja, o objetivo maior está na compreensão dos fatos e não na sua mensuração. Esse processo se inicia na fase da pesquisa bibliográfica e segue pela pesquisa de campo, ou seja, acompanha toda a investigação. A reflexão, orientada pelo problema e nos objetivos propostos, articula a teoria à prática profissional vivenciada pelo pesquisador e se fundamenta nos estudos dos autores: tratando do histórico e do contexto atual das IES brasileiras: Dias Sobrinho (2003), Morosini (2000), Schwartzman (1976; 2002) Meyer Jr. (2003) e Dias (2001); abordando as atuais políticas educacionais e de educação superior: Gisi (2003), Martins (1993), Catani e Oliveira (2006) e Carvalho (2006); discutindo sobre os processos de mudança que ocorrem nas instituições e o desenvolvimento de uma cultura de antecipação nas IES: Motta (1991), Kotler (1997), Porter (1990), Tapscott e Caston (1995), Argyris e Schön (1996), Senge (1999), Kotter (1997) e Eyng (2004); discorrendo sobre a avaliação institucional e a tomada de decisão: Aguilar e Anderegg (1994), Dias Sobrinho (2003), Bueno, Sermann e Scherner (2003) e Trigueiro (2004); e analisando o PDI e o PPI como referência na avaliação: Eyng (2006) e Zainko (2004). Quanto à pesquisa de campo, juntamente com os dados coletados por meio dos questionários aplicados aos gestores da IES, analisaram-se também o Projeto de Avaliação Institucional e o Relatório Final. De modo abrangente, se pôde concluir que a avaliação é um processo gradativo e requer a criação de cultura de avaliação, e esse processo está em desenvolvimento na IES investigada. Na medida em que ela conhece seus problemas, suas limitações, suas condições físicas e humanas e suas potencialidades, a tomada de decisão deverá ter como rumo a mudança, na busca da melhoria. Mas, para isso, todos os envolvidos no processo educacional devem participar, construindo essa nova forma de conhecimento da IES, sabendo as reais necessidades da comunidade acadêmica, buscando soluções para os problemas e transformando a realidade. Palavras-chave: políticas educacionais, avaliação institucional, tomada de decisão, gestão de instituição, educação superior. ABSTRACT The study developed on this dissertation articulates the theoretical reflection to the personal questioning propitiated by the professional experience in the analysis of the decision taking process. The search for answers to the concerns that emerged on the decision taking through an internal institutional evaluation was the origin of this study. The investigation has a prior conjecture that the information brought up in the institutional evaluation process must contribute to the decision taking in a process of changes in higher education institutions. The propitiated reflection by theory into practice throughout the research highlights how complex and rich is the process of changes. The work has as its research problem: in what dimension the information brought up in the internal evaluation contributes to the decision taking process in the search of a better institutional quality? Being its objective to analyze the relation among the internal evaluation and the decision taking in a private higher education institution. Therefore, it is a case study because this methodology enables the analysis of innumerous problems of difficult approach by other methods and by the difficulty of secluding them from their context in real life. Furthermore, the study has a qualitative focus, since it considers the process and its meaning as main approach focus, in other words, the biggest objective is the comprehension of the facts and not their mensuration. This process initiates on the bibliographical research stage and follows the field research, in other words, it consorts all the investigation. The reflection, oriented by the problem and the objectives proposed, articulates the theory to the professional practice experienced by the researcher and it is grounded in the studies of the following authors: dealing with the history and the current context of the Brazilian IES (Higher Education Institutions): Dias Sobrinho (2003), Morosini (2000), Schwartzman (1976; 2002) Meyer Jr. (2003) and Dias (2001); approaching the current educational and higher education policies: Gisi (2003), Martins (1993), Catani and Oliveira (2006) and Carvalho (2006); discussing the processes of changes that take place in the institutions and the development of an anticipation culture in the IES: Motta (1991), Kotler (1997), Porter (1990), Tapscott and Caston (1995), Argyris and Schön (1996), Senge (1999), Kotter (1997) and Eyng (2004); discoursing the institutional evaluation and the decision taking: Aguilar and Ander-egg (1994), Dias Sobrinho (2003), Bueno, Sermann and Scherner (2003) and Trigueiro (2004); and analyzing the PDI (Institutional Development Plan) and the PPI (Political Institutional Project) as a reference in the evaluation: Eyng (2006) and Zainko (2004). As for the filed research, along with the data collected through the questionnaires applied to the IES managers, the Institutional Evaluation Project and the Final Report were also analyzed. In an omnibus way, it can be concluded that the evaluation is a progressive process and requires the creation of the evaluating culture, and this process is being developed in the investigated IES. At the time that it recognizes its problems, limitations, physical and human conditions and its potentialities, the decision taking must have as its route the changes, in search for improvement. However for that to happen, all involved in the educational process must participate, building up this new form of consciousness of the IES, knowing the real needs of the academic community, looking for solutions for the problems and transforming the reality. Key words: educational policies, institutional evaluation, decision taking, institutional management, higher education. LISTA DE ILUSTRAÇÕES GRÁFICO 1 – TAXA DE CRESCIMENTO DAS IES......................................... 21 GRÁFICO 2 – COMPOSIÇÃO DO CORPO DOCENTE DAS IES EM 2005..... 22 GRÁFICO 3 – TOTAL DE MATRÍCULAS EM 2004.......................................... 22 QUADRO 1 – INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO SUPERIOR............................ 21 QUADRO 2 – MÉTODOS PARA LIDAR COM A RESISTÊNCIA À MUDANÇA 41 QUADRO 3 – CARACTERIZAÇÃO DOS GESTORES DA AMOSTRA............ 61 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................. 5 2 A EDUCAÇÃO SUPERIOR NO BRASIL................................................................................... 14 2.1 Histórico e Contexto Atual......................................................................................................... 14 2.2 As Políticas de Educação Superior no Brasil...................................................................... 24 2.2.1 As Políticas de Avaliação Institucional............................................................................... 26 3 AS INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO SUPERIOR NUM CONTEXTO EM TRANSFORMAÇÃO....................................................................................................................... 32 3.1 Os Processos de Mudança: A Cultura de Antecipação................................................... 32 3.2 A Avaliação Institucional como Subsídio na Tomada de Decisão............................... 44 3.3 Plano de Desenvolvimento Institucional e Projeto Político Institucional como Referência na Avaliação e na Tomada de Decisão.................................................................. 49 3.4 A Avaliação Institucional como Estratégia Na Tomada de Decisão............................ 53 4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DE DADOS DO ESTUDO DE CASO.............................. 57 4.1 Caracterização do Contexto e dos Sujeitos Investigados............................................... 57 4.2 Os Dados Obtidos Mediante Questionário e Análise Documental.............................. 61 4.2.1 A Concepção de Avaliação.................................................................................................... 61 4.2.2 Os Objetivos da Avaliação..................................................................................................... 66 4.2.3 A Forma de Realização da Avaliação................................................................................. 70 4.2.4 Divulgação dos Resultados................................................................................................... 75 4.2.5 Tomada de Decisão a Partir dos Resultados................................................................... 76 4.2.6 Mudanças Implementadas a Partir da Avaliação............................................................ 80 4.2.7 Avaliação Interna, Resultados e Tomada de Decisão................................................... 83 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS........................................................................................................... 86 REFERÊNCIAS.................................................................................................................................... 90 APÊNDICES.......................................................................................................................................... 98 1 INTRODUÇÃO A velocidade com que se processam as mudanças na sociedade tem feito com que as instituições de educação superior (IES) busquem novas formas de se manterem atuantes e em condições de enfrentarem as pressões e desafios de um mundo em transformação. No entender de Meyer Jr. (2003, p. 174), essas mudanças causam impactos, “[...] alterando formas de organização e introduzindo novos paradigmas, processos de produção, padrões de comportamento, valores e formas de comunicação baseadas em tecnologia avançada”. Essas mudanças também ocorrem nas IES, instituições sociais que, como tal, exprimem “[...] a estrutura e o modo de funcionamento da sociedade como um todo [...]” e que carregam dentro de si “[...] a presença de opiniões, atitudes e projetos conflitantes que exprimem divisões e contradições [...]” dessa mesma sociedade (CHAUÍ, 2003, p. 1). Qualquer instituição que queira se manter atuando com qualidade no contexto atual deve estar aberta às mudanças, buscá-las e implementá-las no ambiente interno, desenvolvendo as estratégias mais adequadas para alcançar o sucesso, a fim de cumprir, com responsabilidade social, a realização das ações de ensino, pesquisa e extensão. Com a intensificação do processo de globalização, as IES têm sido levadas a repensar suas ações, pois, como instituições sociais, elas estão sujeitas às influências contextuais que, certamente, afetam suas estratégias e seu funcionamento. Como instituições sociais, suas mudanças “[...] acompanham as transformações sociais, econômicas e políticas” (CHAUÍ, 2003, p. 1). Tem-se ainda a recente expansão de instituições e cursos na área da educação superior, exigindo o enfrentamento de uma concorrência mais acirrada, um posicionamento mais articulado e uma “cultura da mudança” das instituições. Porém, como lembra Juliato no prefácio da obra de Meyer e Murphy (2003, p. 11), “[...] só se pode modificar aquilo que é conhecido, vivenciado, discutido e constantemente revisitado”. Com o propósito de se adequar a essa realidade, as IES têm sido forçadas pelo próprio contexto a reexaminarem suas estruturas e processos. Para isso, necessitam promover mudanças de forma a se integrarem às exigências do ambiente dinâmico em que estão inseridas, desenvolvendo estratégias para com elas lidar. Esse processo de aperfeiçoamento e melhoria institucional é analisado por Gairin (1999, apud EYNG, 2004b, p. 40): [...] as organizações mais capazes de enfrentar o futuro não crêem em si mesmas pelo que são, senão pela capacidade de deixar de ser o que são, isto é, não se sentem fortes pelas estruturas que têm, mas por sua capacidade de fazer-se com outras mais adequadas quando seja necessário. Para que as IES possam enfrentar o futuro, devem pressupor “[...] a capacidade de planejá-lo, antevê-lo e isso requer mudança não só de posicionamento, mas de cultura organizacional, ou seja, o desenvolvimento de uma cultura de antecipação” (EYNG, 2004a, p. 2). Duas ferramentas imprescindíveis para enfrentar o futuro, baseando-se em uma “cultura de antecipação”, são a avaliação e o planejamento. Com a ajuda dessas ferramentas, as instituições conseguem ser pró-ativas e tomar decisões que viabilizem a mudança com vistas à melhoria institucional. Cabe ressaltar que, para que as mudanças ocorram de forma adequada ao contexto institucional e social, não se pode desconsiderar a importância vital de sua análise contínua, mediante avaliação. Sem avaliar não é possível conhecer e, conseqüentemente, tomar decisões que atualizem e melhorem a ação institucional. É isso, justamente, que não tem ocorrido com as IES. Explica Meyer Jr. (2003, p. 175): “[...] observa-se uma certa apatia dos administradores universitários quanto aos desafios do ambiente externo, materializada por meio de comportamento conformista em relação a um status quo vigente”. O mesmo autor comenta que são vários os fatores que contribuem para essa postura organizacional, destacando-se entre eles o obsoletismo estrutural das IES, a administração universitária ineficiente e a resistência à mudança. E continua: [...] o quadro atual é preocupante, tanto no que se refere ao setor público quanto ao setor privado do ensino superior brasileiro e afeta, negativamente, a governabilidade das instituições de ensino superior brasileiras, cujos reflexos aparecem em seu desempenho (MEYER JR., 2003, p. 176). São em número reduzido as IES que fogem a essa realidade. A IES deste estudo pode ser tomada como exemplo. A instituição foi criada em 2002 para responder à elevada demanda brasileira por formação técnica e tecnológica. Iniciou suas atividades com cursos técnicos profissionalizantes na modalidade a distância1, oportunizando oferta qualitativa em diferentes áreas de ensino a jovens e adultos, viabilizando o estudo e a formação acadêmica nas próprias comunidades em que residem. Porém, para implantar e oferecer um ensino a distância de qualidade2, a IES passou por profundas mudanças, tanto estrutural como processual e comportamental. E algumas dessas mudanças foram planejadas a partir da análise da avaliação institucional. Nesse contexto, o problema que orienta a reflexão é: - Em que medida as informações oriundas da avaliação interna podem contribuir para o processo de tomada de decisão na busca da melhora da qualidade institucional? Objetivo geral: - Analisar a relação existente entre a avaliação interna e a tomada de decisão ocorrida em uma instituição privada de educação superior localizada em Curitiba, PR. Objetivos específicos: 1. Apresentar o histórico e o contexto atual das IES, incluindo as políticas de educação superior praticadas no Brasil, mais especificamente as que dizem respeito à avaliação institucional. 2. Examinar os fatores identificados na avaliação interna que indicam necessidade de mudanças. 3. Identificar as decisões que foram tomadas, a partir dos resultados da avaliação interna, para a implementação e o gerenciamento das mudanças, segundo os profissionais atuantes na IES investigada. 4. Analisar o potencial da avaliação interna para propiciar a tomada 1 A Educação a Distância no Brasil foi normatizada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei n.º 9394/96), pelo Decreto n.º 2494/98, Decreto n.º 2561/98 e pela Portaria Ministerial n.º 301/98. 2 Qualidade no sentido pensado por Libâneo (2001) de qualidade social ao invés da concepção administrativo-econômica de qualidade total. A qualidade social é aquela que promove para todos o domínio de conhecimentos e o desenvolvimento de capacidades cognitivas e sociais, necessários ao atendimento de necessidades individuais e sociais dos alunos, à inserção no mundo do trabalho, à constituição da cidadania. Significa a inter-relação entre qualidade formal e política baseada no conhecimento e na ampliação de capacidades (LIBÂNEO, 2001, p. 54-55). decisão, segundo a visão dos gestores. A reflexão, orientada pelo problema e pelos objetivos propostos, articula a teoria à prática profissional vivenciada pelo pesquisador e se fundamenta nos estudos dos seguintes autores: tratando do histórico e do contexto atual das IES brasileiras: Dias Sobrinho (2003), Morosini (2000), Schwartzmann (1976; 2002), Meyer Jr. (2003) e Dias (2001); abordando as atuais políticas educacionais e de educação superior: Gisi (2003), Martins (1993), Catani e Oliveira (2006) e Carvalho (2006); discutindo sobre os processos de mudança que ocorrem nas instituições e o desenvolvimento de uma cultura de antecipação nas IES: Motta (1991), Kotler (1997), Porter (1990), Tapscott e Caston (1995), Argyris e Schön (1996), Senge (1999), Kotter (1997) e Eyng (2004); discorrendo sobre a avaliação institucional e a tomada de decisão: Aguilar e Ander-egg (1994), Dias Sobrinho (2003), Bueno, Sermann e Scherner (2003) e Trigueiro (2004); e analisando o PDI e o PPI como referência na avaliação: Eyng (2006), Suñe (2005) e Zainko (2004). Procura-se avaliar a práxis a respeito do processo de mudança, mensurando como a avaliação institucional pode contribuir para a tomada de decisão e para a implementação de estratégias nesse processo. A avaliação institucional é, segundo o Programa de Avaliação Institucional das Universidades Brasileiras (PAIUB) (BRASIL, 1994, p. 4), “[...] um processo contínuo de aperfeiçoamento acadêmico, é uma ferramenta para o planejamento da gestão universitária e é um processo sistemático de prestação de contas à sociedade”. O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES) (BRASIL, 2004, p. 5) confirma aquela afirmação, afirmando que os principais objetivos da avaliação institucional são “[...] pôr em questão os sentidos do conjunto de atividades e finalidades cumpridas pela instituição, identificar as causas dos seus problemas e deficiências (...), além de prestar contas à sociedade”. Além disso, “[...] é um importante instrumento para a tomada de decisão”. A avaliação institucional propicia um excelente embasamento para o planejamento, faz com que a IES busque novas formas de implementar as mudanças que se façam necessárias. Explica Dias Sobrinho (2002, p. 103): [...] a avaliação não é somente uma dinâmica de conhecimento de determinados aspectos selecionados, mas também e sobretudo como um esforço coletivo de compreensão do todo, pela articulação das diversas dimensões da instituição, e de construção da integração onde esta não exista ou seja débil. A avaliação, principalmente como construtora da integração da instituição, apresenta inúmeras vantagens, mas uma delas é relevante para que o planejamento advindo dela tenha sucesso: os participantes da avaliação da IES se sentem mais comprometidos com “[...] as ações de melhoramento que ela engendra” (DIAS SOBRINHO, 2002, p. 132). Além disso, a avaliação se traduz em uma “[...] prática social de interesse da sociedade em geral” (DIAS SOBRINHO; RISTOF, 2000, p. 9). A avaliação é um tema de extrema relevância para estudo, tanto para as instituições como para a educação superior como um todo. Buscando respostas para as inquietações que surgiram sobre as necessidades de mudanças e as estratégias para sua efetivação, foi que se optou por trabalhar este tema no mestrado, visando a melhor compreendê-las. O processo de investigação se desenvolveu mediante estudo de caso. O estudo se caracteriza como um estudo de caso por analisar a realidade de uma instituição privada de educação superior. Segundo Yin (1989, p. 23), o estudo de caso é [...] uma inquirição empírica que investiga um fenômeno contemporâneo dentro de um contexto da vida real, quando a fronteira entre o fenômeno e o contexto não é claramente evidente e onde múltiplas fontes de evidência são utilizadas. De acordo com Vergara (2004, p. 47), estudo de caso é um estudo restrito “[...] a uma ou poucas unidades, entendidas como uma pessoa, uma família, um produto, uma empresa, um órgão público, uma comunidade ou até mesmo um país. Tem caráter de profundidade [...]”, em que uma situação é analisada com riqueza de detalhes. O estudo de caso oferece significativas oportunidades à gestão universitária e aos seus gestores, pois pode possibilitar a análise de inúmeros problemas de difícil abordagem por outros métodos e pela dificuldade de se isolá-los de seu contexto na vida real. Esse método, aliado à abordagem qualitativa, é recomendado quando o fenômeno a ser estudado é amplo e complexo, “[...] onde o corpo de conhecimentos existente é insuficiente para permitir a proposição de questões causais e quando um fenômeno não pode ser estudado fora do contexto no qual ele naturalmente ocorre” (BONOMA, 1985, p. 207). O estudo tem um enfoque qualitativo, uma vez que, para Triviños (1995, p. 139), a pesquisa é qualitativa por considerar o processo e seu significado como enfoques principais de abordagem, ou seja, o objetivo maior está na compreensão dos fatos e não na sua mensuração. Requer um processo contínuo de organização e interpretação das informações, que tem início na fase da pesquisa bibliográfica e seguida pela pesquisa de campo, ou seja, acompanha toda a investigação. O processo se completa na medida em que as informações são coletadas e o pesquisador procura identificar categorias e relações, construir interpretações e gerar novas questões e/ou aperfeiçoar as anteriores, o que, por sua vez, conduzem-no a buscar dados num processo que ocorre até o final da análise. As características principais da pesquisa qualitativa, indicadas por Bogdan e Biklen (1994, p. 11), são: “[...] a pesquisa qualitativa tem o ambiente natural como sua fonte direta de dados” e o pesquisador como instrumento-chave; “os dados coletados são predominantemente descritivos [...]”, sendo que todos os dados são importantes; os pesquisadores qualitativos preocupam-se muito mais “[...] com o processo do que com o produto [...]”, isto é, com o resultado; a análise dos dados tende a ser um processo indutivo, em que “[...] os pesquisadores não se preocupam em buscar evidências que comprovem hipóteses definidas antes do início dos estudos”; e o "[...] significado que as pessoas dão às coisas e à sua vida [...]” é a preocupação essencial na abordagem qualitativa. É essa pesquisa qualitativa que se procurou desenvolver. Quanto à população e amostra, Gil (1996, p. 112) comenta: “[...] no planejamento de um experimento é necessário determinar com grande precisão a população a ser estudada. Para isso devem ser consideradas aquelas características que são relevantes para a clara e precisa definição da população”. Tomando por base essa afirmação, a população desta dissertação foi definida como sendo uma instituição privada de educação superior da cidade de Curitiba, PR. Dois critérios levaram a essa definição: a localização, pelo fato de o pesquisador residir e trabalhar na cidade citada; e a área profissional do pesquisador, que é gestor de IES. A amostra trabalhada constituiu-se de treze gestores, divididos entre coordenadores de curso e participantes da Comissão Própria de Avaliação (CPA) da IES em questão. Por se tratar de um pequeno número de sujeitos, a amostra correspondeu à totalidade da população. Trata-se de amostragem do tipo não probabilística, isto é, aquela em que a seleção dos elementos da população para compor a amostra depende ao menos, em parte, do julgamento do pesquisador. A coleta dos dados primários foi realizada por meio de questionário com questões abertas, envolvendo a avaliação institucional e as mudanças ocorridas na IES a partir da avaliação. Para Fachin (1993, p. 121), o questionário “[...] consiste num elenco de questões que são apreciadas e submetidas a certo número de pessoas com o intuito de obter respostas para a coleta de informações”. O questionário permitiu que o pesquisador conhecesse como os gestores percebem a instituição, mais especificamente nos aspectos avaliação institucional e mudança. Foi elaborado a partir de sete questões, as quais foram estruturadas com base no referencial teórico, no problema e objetivos do trabalho. Em face da possibilidade de distorções dos objetivos de pesquisa, as perguntas foram avaliadas antecipadamente, mediante pré-teste do instrumento de levantamento de dados, evitando-se, desta forma, questões desnecessárias, ou mal formuladas, sobretudo a indução tendenciosa das respostas. Os questionários foram respondidos nas instalações da instituição, com horário marcado, sendo garantido o anonimato dos participantes. Segundo Selltiz et al. (1987, p. 17), uma das vantagens de se utilizar o questionário como procedimento para coletar dados é justamente esta: [...] os informantes poderão se sentir mais seguros com os mesmos em função de seu caráter anônimo e, com isto, se sentirem mais à vontade para expressar pontos de vista que temam colocá-los em situação problemática ou que julguem não ter aprovação. E ainda, para garantir que as respostas representassem o posicionamento individual, exprimindo as suas representações pessoais, o questionário foi aplicado na presença do pesquisador. Para tanto foram agendados os encontros, cujo tempo de duração foi de, no máximo, noventa minutos. Os encontros com os pesquisados seguiram procedimentos previamente definidos, objetivando deixá-los à vontade para se conseguir a profundidade necessária nas respostas. As etapas foram: a) sensibilização: que funcionou como um “quebra-gelo” inicial, deixando o questionado mais à vontade, percebendo o pesquisador não como alguém que poderia utilizar as informações obtidas de forma desleal, mas sim como participante efetivo no estudo de uma realidade. Nesta etapa o pesquisador informou os objetivos do questionário, os tipos de pergunta e o tratamento que seria dado a esta etapa, bem como garantiu o anonimato do questionado; b) aplicação do questionário: as perguntas, de caráter descritivo e explicativo, foram respondidas na presença do pesquisador. As questões descritivas, segundo Gil (1996, p. 46), ajudam a estudar "[...] as descrições das características de determinada população ou fenômeno, ou o estabelecimento de relações entre variáveis". As respostas ajudaram a descobrir as percepções dos questionados quanto ao tema. O processo de investigação propiciou a participação dos principais agentes institucionais responsáveis pela tomada de decisão nas mudanças que efetivem a melhora da IES. Dias Sobrinho (2003b, p. 87) afirma: “[...] só é possível executar transformações de qualidade se houver a participação ativa dos agentes que cotidianamente se envolvem com as situações educativas”. É essa participação ativa que este pesquisador busca na sua vivência como gestor de IES: o empenho para se traçar um caminho para que as IES funcionem de maneira eficaz e eficiente, vislumbrando principalmente a melhoria na qualidade da prestação dos serviços. Juntamente com os dados coletados por meio dos questionários, analisou-se o Projeto de Avaliação Institucional (também chamado de Programa) e o Relatório Final. Para este pesquisador, o tema escolhido para a dissertação tem relevância porque, sendo gestor de IES, convive com a tomada de decisão feita a partir da avaliação institucional interna, e com as mudanças decorrentes dela. Com a vivência mais longa e aprofundada nesse tipo de instituição social, tornou-se mais claro ao pesquisador o quão complexa e rica é essa área da IES. O trabalho foi pensado com o intuito de buscar um entendimento da relação entre os resultados da avaliação interna e a tomada de decisão. Quanto ao pesquisador, é nascido em Curitiba, PR. Graduou-se, em 1979, em Administração de Empresas pela Fundação de Estudos Sociais do Paraná. Possui MBA Global Business na área empresarial e é, atualmente, mestrando em Educação na Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Foi diretor administrativofinanceiro do Hospital Evangélico de Curitiba, da Faculdade Evangélica de Medicina e do Colégio Evangélico de Enfermagem. Desde 2000 atua como gestor no grupo Uninter, iniciando suas atividades no Instituto Brasileiro de Pós-Graduação e Extensão (IBPEX) e, a partir de 2004, na Faculdade Internacional de Curitiba (FACINTER). É casado, tem dois filhos e vive em Curitiba com sua família. Pode-se indicar de antemão que a avaliação é um processo gradativo e requer a criação de cultura de avaliação. 2 A EDUCAÇÃO SUPERIOR NO BRASIL Referindo-se ao primeiro objetivo específico, que é apresentar o histórico e o contexto atual das IES, incluindo as políticas de educação superior praticadas no Brasil, mais especificamente as que dizem respeito à avaliação institucional, este capítulo aborda o tema Educação Superior no Brasil, baseando-se nos autores Dias Sobrinho (2003), Morosini (2000), Schwartzmann (1976; 2002) Meyer Jr. (2003), Dias (2001), Gisi (2003), Martins (1993), Catani e Oliveira (2006), Carvalho (2006) e Eyng (2004). Como o problema de pesquisa foca a avaliação interna e o processo de tomada de decisão para melhoria da qualidade institucional de uma IES, entende-se essencial conhecer melhor o universo desse tipo de instituição. 2.1 Histórico e Contexto Atual As instituições de educação superior, sejam privadas, sejam públicas, são organizações de sistemas abertos. Morgan (1996, p. 43-45) usa a analogia com os seres vivos, afirmando que essas organizações também passam por processos de adaptação ao ambiente, por ciclos de vida, por fatores que influenciam a saúde e o desenvolvimento, apresentam diferentes espécies e se relacionam entre si e com o ambiente. Nessa interação de “ser vivo”, as instituições têm sentido a necessidade de se adaptar às transformações rápidas e intensas dos campos econômico, político, social, educacional e tecnológico para se manterem vivas e saudáveis no ambiente. A tecnologia transformou o mundo em uma “aldeia globalizada”3. A informação passou a viajar pelo planeta em milésimos de segundos, permitindo a intensificação da globalização, especialmente da economia, que passou de local a mundial e de física a virtual, exacerbando a competitividade entre as organizações. No campo político, tem-se destacado a gradativa incapacidade dos governos nacionais de controlar seus próprios destinos, dependendo muito mais uns dos outros, como tem se verificado nos blocos econômicos. Na área social, pode-se destacar a cooperação crescente da sociedade civil para dirimir as mazelas sociais, 3 Expressão criada pelo filósofo Marshall McLuhan no livro Os meios de comunicação como extensão do homem (DIXON, 2002, p. 96). como a fome e a doença, enfatizando a preocupação com o meio ambiente, principalmente a dependência mútua da natureza com o homem. No campo educacional as mudanças também são intensas. O conhecimento adquirido no sistema formal de ensino já não é mais suficiente. Os indivíduos precisam estudar durante toda a vida. O papel da educação passou a ser o de criar acessos a outras áreas, como a profissional, e contribuir para a construção constante do homem global, de aguçado senso crítico e democrático, responsável, autêntico e prático. O processo de aprendizagem passou a apresentar características de continuidade e flexibilidade, criando novas modalidades de educação, como a educação a distância. Além disso, o crescimento vertiginoso das matrículas na educação superior, as dificuldades de financiamento, a acirrada concorrência, a perda da autonomia, o controle versus a avaliação educativa também são tendências apontadas internacionalmente (DIAS SOBRINHO, 2003b, p. 70-71). A história das IES está calcada nas diferentes exigências que, a partir de seu nascimento, foram surgindo. De acordo com Fernandes (2002, p. 27), o surgimento dessas instituições “[...] teve o mérito de reunir os vários ramos do conhecimento e desenvolvê-los, aumentando a produtividade do acesso à informação e sua aplicação propriamente dita”. Segundo Rodrigues (2003, p. 15), “[...] o conhecimento é importante para o homem, pois é através dele criam-se formas de observação, que resultam em explicações, entendimentos, análises e estratégias para a ação”. É essa busca pelo conhecimento que norteia a instituição de educação superior. Antes de discorrer sobre o histórico4 das IES, bem como contextualizá-las, entende-se necessário citar os vários tipos de IES que o Decreto nº 3.860/01, em complemento a LDB nº 9394/96, apresenta. Segundo esse decreto, quanto à organização acadêmica as IES se dividem em universidades e nãouniversidades (art. 7º); quanto à dependência administrativa, em públicas e privadas (art. 1º). E de acordo com o Decreto nº 5773/06, as IES dividem-se em faculdades, centros universitários e universidades (art. 12). As universidades são instituições cujas funções, de acordo com a 4 “A universidade é uma idéia histórica. Somente a partir de sua criação e da identificação dos rumos que ela tomou, como parte de uma realidade concreta, historicamente condicionada e em íntima relação com os valores e demais instituições da sociedade, podemos chegar a apreender sua essência” (FÁVERO, apud DIAS SOBRINHO, 2003, p. 225). Lei nº 9394/96, são: desenvolver ensino, pesquisa e extensão (art. 43); ter autonomia didática, administrativa e financeira (arts. 53 e 54) e congregar um corpo docente com titulação acadêmica significativa de mestrado ou doutorado (art. 52). Descrevem Schwartzmann e Oliveira (1990, p. 1) que as universidades atuam em todas as grandes áreas do conhecimento (ciências exatas, ciências humanas e ciências sociais). Essa afirmação também é a da LDB que, no art. 53, diz que “[...] a educação superior tem por finalidade: (...) II - formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento [...]”, e no art. 44 afirma que “[...] a educação superior abrangerá os seguintes cursos e programas: I - cursos seqüenciais por campo de saber [...]”. No entanto, a LDB não especifica tais campos. Segundo Fachin (1993, p. 28), na Antigüidade já existia a preocupação com uma possível divisão por campos do saber: “[...] tal preocupação tem sua origem na necessidade que surgiu em virtude de os cientistas sentirem dificuldades no domínio de todas as ciências”. Foram diversas as divisões, iniciandose com a de Aristóteles, que os agrupou conforme o critério ou finalidade de cada uma das ciências da época. Atualmente não existe uma classificação propriamente dita, mas uma das divisões mais utilizadas nos meios universitários é a de Lakatos (apud FACHIN, 1993, p. 32), que afirma que os campos do saber estão divididos em formais, compostos pela lógica e pela matemática, e factuais, subdivididos em naturais (física, química, biologia entre outros) e sociais (antropologia, economia, direito, serviço social entre outros). Quanto à autonomia das universidades, essa implica na liberdade de criar novos cursos superiores, independentemente de autorização federal, enquanto que as não-universidades dependem dessa autorização, que ora apresenta maior ou menor flexibilidade. Das não-universidades fazem parte os centros universitários, instituições que desenvolvem ensino de excelência, atuam em uma ou mais áreas do conhecimento e têm autonomia para abrir e fechar cursos e vagas de graduação sem autorização. Já as faculdades representam um conjunto de instituições em diferentes áreas do conhecimento, que oferecem ensino e, às vezes, pesquisa e extensão. Esses estabelecimentos dependem do Conselho Nacional de Educação (CNE) para criar cursos e vagas (MOROSINI, 2000, p. 14). De acordo com o Decreto nº 5773/06, art. 13: o § 1 A instituição será credenciada originalmente como faculdade. o § 2 O credenciamento como universidade ou centro universitário, com as conseqüentes prerrogativas de autonomia, depende do credenciamento específico de instituição já credenciada, em funcionamento regular e com padrão satisfatório de qualidade. o § 3 O indeferimento do pedido de credenciamento como universidade ou centro universitário não impede o credenciamento subsidiário como centro universitário ou faculdade, cumpridos os requisitos previstos em lei. o § 4 O primeiro credenciamento terá prazo máximo de três anos, para faculdades e centros universitários, e de cinco anos, para universidades. Historicamente falando, é difícil traçar a evolução da educação superior brasileira. Mendonça (2000, p. 1) afirma que traçar uma linha histórica do ensino superior no Brasil, com um mínimo de consistência e organicidade, exige que se estabeleça um recorte na dita abordagem. Tal recorte foi feito a partir da chegada da família real portuguesa ao Brasil, que entendeu necessário elevar os padrões de qualificação da elite, criando, para isso, escolas superiores e instituições de pesquisa no país. Podem-se citar os colégios médico-cirúrgicos da Bahia e do Rio de Janeiro (1808), o Horto do Rio de Janeiro (1809), a Biblioteca Pública (1810), o Real Gabinete de Mineralogia (1810), a Academia Militar do Rio de Janeiro (1811) e o Museu Nacional do Rio de Janeiro (1818) (SCHWARTZMAN; PAIM, 1976, p. 1). Porém, num formato que se pode chamar “universitário”, segundo Moreira (1997, p. 19), foi apenas em 1909 que foi criada a primeira instituição, a de Manaus5, e em 1911 foi fundada a Universidade de São Paulo. Em 1912 foi inaugurada a Universidade do Paraná6. Mas essas universidades não subsistiram, devido ao Decreto nº 11.530/1915, chamado Reforma de Maximiliano, sendo desmembradas em várias faculdades (MOREIRA, 1997, p. 19). Com a denominação “universidade”, a primeira criada pelo governo federal foi a do Rio de Janeiro, em 1920. Em 1927 inaugurou-se a universidade de Minas Gerais. Em 1934, a de São Paulo e, em 1935, a de Porto Alegre (MOREIRA, 1997, p. 19). A partir daquele momento as instituições de educação superior, públicas e privadas, foram surgindo em todas as regiões do país. Com esse 5 Com o declínio do ciclo da borracha, a instituição entrou em crise por falta de alunos, sendo dissolvida e dividida em três faculdades: Engenharia, Agronomia e Medicina (1926). 6 Em 1913, a Universidade começou a funcionar como instituição particular. Por causa de uma lei federal que fechava as universidades (Reforma Maximiano), a instituição buscou alternativas para evitar este desenlace. A forma encontrada na época para driblar a lei e continuar funcionando, foi desmembrar a instituição em faculdades. Durante mais de trinta anos buscou-se novamente a restauração da Universidade, acontecida em 1950, quando as faculdades foram crescente aumento, verificou-se a necessidade de uma regulamentação (leis e políticas educacionais) mais apropriada para essas instituições, inclusive no que diz respeito à formação de professores de educação superior. Segundo Garcia (1994, p. 40), até o final da Primeira República “[...] não havia professores preparados para ministrar aulas no ensino superior, exceto para as profissões liberais. Foi uma época marcada pelo autodidatismo e pela improvisação”. As tentativas de modernização da educação superior brasileira tiveram início na década de 1940, baseadas no modelo norte-americano7 de universidade, que defendia a modernização do ensino, a privatização e a desmobilização do movimento estudantil. A partir do golpe de Estado de 1964, o Ministério da Educação contratou norte-americanos para organizar essa área (SCHROEDER, 2001, p. 47). Predominavam, nessa época, as IES voltadas à transmissão do conhecimento, quase sem vínculos com as necessidades sociais. A sociedade não usufruía dos benefícios desenvolvidos pelas IES. Após inúmeras manifestações estudantis, principalmente contra a situação das universidades no país, o governo sancionou a Reforma Universitária de 1968 (Lei nº 5.540) que, na realidade, foi apenas uma forma encontrada pelo governo para “acomodar” a situação, que não mudou em nada no período ditatorial brasileiro, tanto que, vinte anos depois, as conclusões para o período eram as mais negativas possíveis. O Relatório Final da Comissão Nacional para Reformulação da Educação Superior concluía: [...] a lei da reforma universitária de 1968 supunha que todo o ensino do país deveria se organizar na forma de universidades que teriam todas estruturas semelhantes, com seus departamentos, sistemas de crédito e colegiados de curso, e combinariam de forma indissolúvel o ensino, a pesquisa e a extensão. Quase 20 anos depois constata-se que a maior parte dos estudantes se encontra em instituições isoladas e privadas, que as antigas faculdades ainda subsistem, que os novos formatos organizacionais nem sempre funcionam como esperado, que a pesquisa se distribui de maneira extremamente desigual pelo país e que a extensão é muitas vezes inexistente (BRASIL, 1985). Naquele mesmo ano se iniciaram no país os preparativos para elaborar uma nova Constituição Federal, que foi promulgada em 1988, trazendo reunidas e novamente foi formada a Universidade do Paraná, agora federalizada (UFPR, 2006). 7 Isso ocorreu devido ao fato de a vitória dos aliados ter sido creditada aos cientistas das universidades norte-americanas, elevando-os a um status de sucesso. novas orientações para a educação superior. O art. 207 da Constituição Federal prevê a autonomia universitária tanto para o setor privado quanto para o setor público. O substitutivo à Emenda Constitucional nº 370/96 dá a seguinte redação ao art. 207 da CF/88: “As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão”. O § 1º reconhece as universidades federais como entidades de direito público, com as seguintes características: I - atendimento das peculiaridades de sua estrutura e organização; II - fiscalização, avaliação e financiamento do poder público; III - autonomia orçamentária, assegurados o livre remanejamento e a transferência de recursos entre categorias de programação, não se aplicando o disposto no art. 167, VI; IV regime próprio de pessoal, de contrato de emprego, não se aplicando o disposto no caput e § 1º do art. 39, no art. 41, e no inciso V do art. 206; V - sistema próprio de previdência, não se aplicando o disposto no art. 40; VI - autonomia na definição do quadro de pessoal, na fixação de sua remuneração e na política de contratação e demissão, não se aplicando o disposto no inciso X do art. 37, no inciso X do art. 48 e nas alíneas "a" e "c" do inciso II do § 1º do art. 61, observadas as limitações de orçamento; VII - autonomia na utilização de recursos diretamente arrecadados, independentemente de autorização legislativa. O § 2º cria o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Superior, constituído por 75% dos recursos vinculados à educação pelo caput do art. 212, por meio do qual serão transferidos recursos orçamentários às instituições de ensino superior. O § 5º diz que a liberdade de ensino e pesquisa é assegurada a todas as instituições de ensino superior, independentemente de sua denominação ou forma organizacional. O § 8º afirma que a lei poderá estabelecer mecanismos específicos de financiamento pelo Poder Público para as instituições de pesquisa científica e tecnológica, e o § 9º reza que o Poder Executivo destinará, anualmente, para fins de crédito educativo na forma da lei, o equivalente a, no mínimo, sete e meio por cento dos recursos vinculados à educação. Anos mais tarde, em 1996, foi elaborada a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº 9394, vigente até hoje. O comentário de Dias Sobrinho (2003b, p. 75) mostra aspectos relevantes dessa legislação, que propôs [...] medidas que legitimavam as diferenças: fim da indissociabilidade ensino-pesquisa; diferenciação de instituições; autonomia como forma de diminuir a participação do Estado nos custos e investimentos; avaliação como controle de gastos. Contudo, Dias Sobrinho (2003b, p. 75) compreende que “[...] na prática, a política do MEC em relação às IES também foi mantida: a indissociabilidade e a autonomia permaneceram ‘letra morta’ e as instituições públicas continuaram a sofrer e a denunciar a drástica redução de verbas”. Mendonça (2000, p. 149) afirma que, com o advento da Lei nº 9394/96 e outros documentos legais complementares, a situação das universidades, principalmente as federais, se deteriorou, propiciando [...] uma política de congelamento de salários dos docentes das universidades federais, de cortes de verbas para a pesquisa e a pósgraduação, de redirecionamento do financiamento público, com efeitos preocupantes, especialmente para as universidades públicas. Essas medidas tiveram um efeito fortemente desmobilizador sobre o movimento docente universitário (MENDONÇA, 2000, p. 149). No entender de Carvalho (2006, p. 1), a educação superior, especialmente a pública, tem caminhado para o sucateamento, [...] devido à redução drástica do financiamento do governo federal e à perda de docentes e funcionários técnico-administrativos, associados à compressão de salários e orçamentos. Esse cenário torna-se ainda mais crítico, pois o crescimento da produtividade do sistema público tem ocorrido, por meio de abertura de turmas no período noturno e do aumento do contingente de alunos em sala de aula, sem a reposição adequada do quadro funcional. De acordo com Carvalho (2006, p. 1), essa situação estimulou as parcerias entre as IES públicas e as IES privadas, ocorrendo a complementação salarial docente e a oferta de cursos pagos de especialização. Quanto às IES particulares, [...] a alteração legislativa mais significativa foi a diferenciação institucional intra-segmento privado. Até 1997, todos os estabelecimentos particulares de ensino usufruíram imunidade tributária sobre a renda, os serviços e o patrimônio. A partir de então, as instituições passaram a ser classificadas em privadas strito sensu e sem fins lucrativos (confessionais, comunitárias e filantrópicas). As primeiras deixaram de se beneficiar diretamente de recursos públicos e indiretamente da renúncia fiscal, enquanto que as demais permaneceram imunes ou isentas da incidência tributária (CARVALHO, 2006, p. 1). No intuito de contextualizar a educação superior brasileira na atualidade, apresentam-se, inicialmente, alguns dados estatísticos do setor, compilados pelo INEP (BRASIL, 2004/2006). QUADRO 1 – INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO SUPERIOR 2003 2004 2005 Total de IES 1859 2013 2314 Públicas 207 224 236 Privadas 1652 1789 2078 FONTE: INEP (BRASIL, 2004/2006). Com esses números verifica-se uma variação no ritmo de criação de novas instituições de educação superior. A taxa de crescimento de 2003 para 2004 subiu 8,28%; de 2004 para 2005, o percentual foi de 14,95 (Gráfico 1). GRÁFICO 1 – TAXA DE CRESCIMENTO DAS IES 14,95% 16% 14% 12% 10% 8% 6% 4% 2% 0% 8,28% 2003-2004 2004-2005 FONTE: INEP (BRASIL, 2004/2006). Quanto ao corpo docente, em 2005 havia 230.784 docentes atuando na educação superior. Desse número, 22,7% (52.376) eram doutores, pós-doutores ou livre-docentes; 35% (80.787) eram mestres; 29,4% (67.822) especialistas; e 11,8% (27.334) apenas graduados. Somados, os mestres e doutores representavam 57,7% do total dos docentes de educação superior trabalhando no país. GRÁFICO 2 – COMPOSIÇÃO DO CORPO DOCENTE DAS IES EM 2005 40% 30% 20% 10% G ra du ad os Es pe ci al is ta s M es tr es D ou to re s 0% FONTE: INEP (BRASIL, 2004/2006). Outro dado interessante está relacionado à eficiência dessas instituições. O INEP (BRASIL, 2004/2006) mostra que o número de concluintes cresceu mais de 34% entre 2001 e 2004, enquanto o número de ingressantes permaneceu praticamente estável no período. Esse panorama pode estar refletindo uma redução na taxa de evasão dos alunos, que é um dos critérios técnicos para se medir a eficiência de um sistema educacional. Ao mesmo tempo, o total de matrículas nessas instituições cresceu quase 55% desde 2001, sendo que em 2004 foram registrados 4.163.733 alunos matriculados: 1.178.328 no setor público (28,3%) e 2.985.405 no setor privado (71,7%). GRÁFICO 3 – TOTAL DE MATRÍCULAS EM 2004 90% 60% 30% 0% Privado Público FONTE: INEP (BRASIL, 2004/2006). Na realidade, esses dados mostram que o Brasil tem procurado se adequar à nova ordem mundial, em que o desenvolvimento da tecnologia e a conseqüente globalização são os itens que mais se destacam. Nas palavras de Meyer Jr. e Mugnol (2004, p. 154), [...] a globalização intensificou o comércio mundial, rompendo fronteiras e barreiras internas dos países. Conhecimento, competitividade, agilidade, informação, qualidade e preço são fatores estratégicos nesse novo mundo cada vez mais interdependente em que vivemos. Esse contexto faz com que as organizações passem a conviver e atuar num ambiente altamente competitivo, para o qual muitas delas ainda não estão preparadas. Outro fator crucial gerado pela tecnologia é a Internet, que vem crescendo em proporções jamais vistas na história da humanidade, interligando o mundo desde o campo científico, por meio dos centros de desenvolvimento e pesquisa, até outros campos, como educação, indústria e comércio (FERNANDES, 2002, p. 42). A Internet é a maior rede de computadores do mundo. Desenvolvida na década de 1959 a 1969 por militares e engenheiros, teve como objetivo maior criar um sistema informatizado de comunicações que sobrevivessem a ataque nuclear. A invenção da interface gráfica, chamada de World Wide Web (www), desenvolveu-se a partir de 1989, como parte de um experimento levado a cabo para transferir imagens e sons entre os médicos da comunidade científica. O uso da Web tornou-se bastante popular no mundo inteiro por sua disponibilidade gratuita e facilidade de operacionalização (AZEVEDO, 2000, p. 12). Para Fernandes (2002, p. 42), [...] a Internet é um turbilhão de conexões sem fronteiras, onde cada cidadão do mundo escolhe o que quiser numa economia de mercado totalmente livre (...), onde as tecnologias disponíveis estão redefinindo as novas formas de registro e transmissão de conhecimento das organizações. Além desses fatores, outros de âmbito interno influenciam a área de educação superior brasileira, como, por exemplo, a demanda vivenciada pelo mercado das IES. Meyer Jr. e Mugnol (2004, p. 156) explicam que [...] há uma demanda que oscila nos últimos anos, mas com características ascendentes, por vagas nas instituições de ensino superior. Fatores como maior retenção de alunos na educação fundamental e média, aumento de alunos matriculados no segundo grau e o aumento significativo de concluintes nos níveis anteriores de ensino tem contribuído para o crescimento da demanda no ensino superior em geral e, em particular, no setor privado. Uma outra característica é a existência de uma demanda bem diversificada. Há o perfil tradicional dos jovens vindos dos níveis anteriores de ensino e com idade na faixa de 18-24 anos; porém, já se observa um novo perfil de aluno, de classe social mais baixa, e mais carente, ingressando no ensino superior. Existe também uma outra demanda representada por profissionais formados que necessitam não só se atualizar, mas também ampliar seu conhecimento para poder enfrentar o mercado de trabalho. Nesse caso, o diploma universitário já não é mais o principal critério para admissão nas organizações, mas sim o capital intelectual. Esse é representado por competências profissionais, criatividade, domínio de língua estrangeira, cultura geral e habilidades interpessoais, constituindo assim os elementos críticos para o sucesso profissional. Hoje, a educação superior transformou-se num grande negócio e num grande mercado que atrai capital privado nacional e internacional. Todas essas mudanças acarretaram uma mudança de paradigma, no sentido de entender a educação em face das mudanças sociais, isto é, a estabilidade e a durabilidade que se tinha nos primeiros tempos das IES brasileiras se transformaram em incerteza nos tempos atuais. Isso porque as transformações decorrentes do processo de globalização têm novas características, como, por exemplo, a intensa produção de conhecimento ligada à velocidade da tecnologia. Com isso, valores e crenças já estabelecidos entraram em crise, trazendo para a educação momentos de incerteza e hesitação, mas também a perspectiva de mudança. Dias (2001, p. 5) aponta que, com essa mudança de paradigma, as IES se renovam, vivendo um processo de auto-renovação sistêmica para compatibilizar a sua concepção de missão, bem como a redefinição de seus objetivos, com o compromisso de formar cidadãos capazes de pensar claramente, de analisar os problemas, de fazer opções e decidir, de agir eticamente e de assumir suas responsabilidades. As mudanças passam a exigir dos gestores das IES, além das habilidades tradicionais, outras que permitam alcançar pelo menos quatro atributos fundamentais: eficiência, eficácia, relevância e efetividade. Para Meyer Jr. e Murphy (2003, p. 16), as mudanças que estão ocorrendo no contexto do ensino superior afetam de forma diferente cada uma das IES, mas certamente todas elas precisam garantir “[...] a sobrevivência institucional [...]” e também fortalecer “[...] a capacidade de enfrentar uma inevitável competição”. 2.2 As Políticas de Avaliação da Educação Superior no Brasil Com transformações contextuais tão velozes e profundas, novas formas de regulação social vão se formando, afetando as políticas públicas, especialmente as educacionais8 – mais voltadas ao social. Para Gisi (2003, p. 91), [...] as políticas públicas passam a ser foco de maior interesse a partir da década de 70, quando as funções do Estado, de intervenção na economia, são colocadas em questão em decorrência das crises enfrentadas pelo modo de acumulação capitalista e das medidas adotadas para a sua superação. As políticas brasileiras de educação superior são regidas por dois instrumentos legais principais: a Constituição Federal de 1988 e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº 9394/96. Quanto à educação superior, a CF/88 a trata de modo abrangente, nomeando-a “universidade”. Diz o texto constitucional, em seu art. 207, que “[...] as universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão”. O art. 209, inciso II, afirma que a educação superior “[...] é livre à iniciativa privada, atendidas as seguintes condições: (...) II autorização e avaliação de qualidade pelo poder público”. Essa condição da avaliação também é tratada pela LDB. O art. 46 trata da autorização e do reconhecimento de cursos, cujos prazos são limitados e dependem de “[...] processo regular de avaliação”, cujos resultados podem gerar “[...] intervenção na instituição, suspensão temporária de prerrogativas de autonomia ou descredenciamento” (art. 46, § 1º). Como bem argumenta Oliveira (2000, p. 32), “[...] na ótica governamental as avaliações do rendimento acadêmico dos alunos, ao final dos cursos, e das instituições de educação superior devem indicar as mudanças necessárias”. E Cury (1997, p. 18) complementa, afirmando que “[...] o princípio da avaliação, em tese, conduziria a um estado permanente de aperfeiçoamento”. Há que se lembrar que, antes da promulgação da LDB, mais precisamente em 1993, o Estado criou o Programa de Avaliação das Universidades Brasileiras (PAIUB)9, que privilegiava um sistema de avaliação institucional 8 “A política educacional é um processo que só existe quando a educação assume uma forma organizada, seqüencial, ditada e definida de acordo com as finalidades e os interesses que se têm em relação aos aprendizes envolvidos nesse processo” (MARTINS, 1993, p. 8). 9 O PAIUB não foi formalmente extinto, ele foi relegado a um segundo plano pelo MEC, quando da adoção do Provão (1997). Os novos procedimentos de avaliação das IES foram implantados gradualmente por outros atos legislativos (ROTHEN; SCHULZ, 2006, p. 5). adaptável a cada IES, mas com parâmetros de âmbito nacional. A partir do PAIUB, as IES começaram a auto-avaliação. E pela LDB ocorreu [...] a vinculação do credenciamento e do recredenciamento das instituições a uma avaliação de qualidade, que implica em rendimento dos alunos, mérito dos professores e qualidade da instituição como um todo” (MOROSINI, 2000, p. 13). Destaca-se ainda, como política de educação superior, o Plano Nacional de Educação (PNE) 2001, que deveria nortear a reestruturação da educação superior do país por dez anos. Por meio do diagnóstico, das diretrizes, dos objetivos e das metas, verifica-se que o PNE busca uma expansão acelerada desse setor por intermédio da diversificação da oferta, do crescimento das matrículas no setor privado e da racionalização dos recursos nas IES, permitindo a ampliação de vagas a custo zero, sobretudo nas universidades federais. Objetiva-se, também, maior articulação dos currículos de formação com as demandas do mercado e maior controle da educação superior por meio de amplo e diversificado sistema de avaliação, que ordene as tomadas de decisão em termos de gestão e do estabelecimento de políticas governamentais (CATANI; OLIVEIRA, 2006, p. 1). Schwartzman e Schwartzman (2002, p. 5) lembram que, além daquelas legislações, [...] existe um grande número de Medidas Provisórias, Decretos, Resoluções e Pareceres do Conselho Nacional de Educação, Conselhos Profissionais e outros órgãos e Portarias Ministeriais que são promulgadas com grande freqüência, visando a regulamentar e a implementar as normas constitucionais e da LDB. Destaca-se, dentre elas, a Lei nº 10.861/04, que regulamenta o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES). 2.2.1 As Políticas de Avaliação Institucional A Lei nº 10.861/04, conhecida como SINAES, define a atual política educacional de avaliação institucional. A proposta de avaliação defendida pelo SINAES iniciou-se com os estudos e reflexões da Comissão Especial de Avaliação (CEA). Essa Comissão apresentou a proposta original do SINAES ao Ministro de Estado da Educação, em 27 de agosto de 2003, e o documento foi subtitulado Bases Para Uma Proposta de Avaliação da Educação Superior, resultante de ampla consulta à comunidade acadêmica e à sociedade civil organizada. O texto foi submetido a inúmeros debates no MEC, nos fóruns de reitores e pró-reitores, nos sindicatos, nas sociedades científicas, na mídia, na academia, no parlamento e na sociedade em geral. Desse debate surgiram contribuições que alteraram algumas das orientações e sistemáticas operacionais propostas, sem, no entanto, ferir os princípios e diretrizes fundamentais. Tal Lei, aprovada na Câmara dos Deputados por unanimidade e no Senado por ampla maioria é, pois, resultado da convergência do texto da CEA com as preocupações da comunidade acadêmica, da sociedade e dos seus representantes no parlamento e no governo (INEP, 2004, p. 7). Para o INEP (BRASIL, 2004, p. 84), o SINAES busca assegurar, entre outras coisas, a integração das dimensões internas e externas, particular e global, somativa e formativa, quantitativa e qualitativa das IES. Resguardadas as especificidades, os graus de autoridade e as responsabilidades de cada grupo de agentes, o sistema de avaliação é uma construção a ser assumida coletivamente, com funções de informação para tomada de decisão de caráter político, pedagógico e administrativo, melhoria institucional, auto-regulação, emancipação e elevação da capacidade educativa. Ainda de acordo com o INEP (BRASIL, 2006, p. 1), o SINAES avalia todos os aspectos que giram em torno de três eixos: o ensino, a pesquisa e a extensão, englobando a responsabilidade social, o desempenho dos alunos, a gestão da instituição, o corpo docente, as instalações e vários outros aspectos. É composto por instrumentos como auto-avaliação, avaliação externa, Enade e instrumentos de informação (censo e cadastro). Os resultados de suas avaliações possibilitam traçar um panorama da qualidade dos cursos e das IES nacionais. As informações obtidas são utilizadas pelas IES para orientação da sua eficácia institucional e efetividade acadêmica e social; pelos órgãos governamentais para orientar políticas públicas e pelos estudantes, pais de alunos, instituições acadêmicas e público em geral, para orientar suas decisões quanto à realidade dos cursos e das instituições. De acordo com o art. 1º, o SINAES inclui as instituições, os cursos de graduação e o desempenho acadêmico de seus estudantes. O § 1º desse artigo apresenta as finalidades do SINAES: § 1º - O SINAES tem por finalidades a melhoria da qualidade da educação superior, a orientação da expansão da sua oferta, o aumento permanente da sua eficácia institucional e efetividade acadêmica e social e, especialmente, a promoção do aprofundamento dos compromissos e responsabilidades sociais das instituições de educação superior, por meio da valorização de sua missão pública, da promoção dos valores democráticos, do respeito à diferença e à diversidade, da afirmação da autonomia e da identidade institucional. O art. 2º, inciso I, afirma que, ao promover a avaliação das IES, o SINAES pretende assegurar “[...] a avaliação institucional, interna e externa, contemplando a análise global e integrada das dimensões, estruturas, relações, compromisso social, atividades, finalidades e responsabilidades sociais [...]” dessas instituições. E o art. 3º, inciso VIII, trata do objetivo do SINAES, que é identificar o perfil e o significado da atuação das IES, [...] por meio de suas atividades, cursos, programas, projetos e setores, considerando as diferentes dimensões institucionais, dentre elas obrigatoriamente as seguintes: (...) VIII – planejamento e avaliação, especialmente os processos, resultados e eficácia da auto-avaliação institucional. Porém, na análise do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior - ANDES-SN (BRASIL, 2006) , apesar de o SINAES apresentar uma concepção de avaliação educacional defendida pelos docentes, isto é, “[...] diagnóstica, formativa, processual, emancipatória e voltada para a melhoria das condições de oferta da educação superior [...]”, um exame mais acurado “[...] revela continuidade com as políticas heteronômicas vigentes na última década, que se valem da avaliação para conformar o sistema educacional aos preceitos utilitaristas [...]” do Estado. O ANDES-SN (BRASIL, 2006) ressalta alguns pontos, apresentados aqui de forma resumida: • primeiro, não se vê necessidade de serem considerados verbas, salários, insumos materiais, instalações e condições sociais, econômicas e políticas, porque se sabe da crise vivenciada nas IES públicas, o que as coloca em desigualdade com as IES privadas. “A ausência de uma política consistente de financiamento público há muito tempo vem sendo denunciada pelos (...) gestores dessas IES, que é a drástica redução de verbas para o funcionamento dessas instituições” (BRASIL, 2006, p. 1). • Segundo, quanto à avaliação institucional interna e externa, há uma certa confusão quando o SINAES diz que a avaliação interna das instituições deve ser feita envolvendo os membros da comunidade interna e da comunidade externa, e a avaliação externa deve ser feita por “especialistas em avaliação” que “visitarão” as IES para “checar” (BRASIL, 2006, p. 1) as informações encaminhadas ao MEC. O mais adequado seria que a avaliação das IES fosse realizada em duas etapas: avaliação interna, realizada pela própria comunidade interna; avaliação externa, realizada pela comunidade externa por meio dos conselhos sociais. • Terceiro, quando o SINAES diz que a finalidade da avaliação da educação superior é de elaborar diagnósticos gerais com o intuito de “[...] fornecer elementos para a reflexão e propiciar melhores condições de desenvolvimento [...]” (BRASIL, 2006, p. 1), questiona-se: o que se fará com o resultado do diagnóstico feito? Quem se responsabilizará por propiciar as melhorias necessárias para que a instituição promova um trabalho acadêmico de qualidade e de relevância social? Na realidade, é responsabilidade do governo prover a melhoria da educação superior, destinando às IES públicas mais verbas, melhores condições de trabalho e salário, melhoria da qualificação dos docentes e dos técnico-administrativos, melhoria dos laboratórios, bibliotecas, melhoria da infra-estrutura física e do material. No caso das IES privadas, exigir que as mantenedoras se responsabilizem pela melhoria da oferta da educação superior, considerando os mesmos aspectos anteriormente citados. As IES brasileiras precisam ser bem avaliadas, porém, por meio de um processo que estabeleça a legitimidade. Carvalho (2006, p. 16) defende que as políticas educacionais são pensadas e formalizadas à sombra das políticas econômicas, especialmente as condizentes com a produção industrial e com a reforma do Estado, como querem os organismos financeiros internacionais, isto é, essas políticas apontam para a dependência econômico-financeira do Brasil e mostram o descaso para com a educação, direito duramente conquistado pelo cidadão brasileiro. Carvalho (2006, p. 16) argumenta: No que tange à política educacional, diversas iniciativas parciais de reforma do ensino superior têm sido constantemente debatidas no meio acadêmico e no poder legislativo, ou seja, a ação dos atores sociais e políticos conformam uma implementação política diferenciada àquela constante dos textos oficiais (...). A vitória presidencial de um governo de origem popular 10 não promoveu mudança de rumo na política pública para o setor . Cabe as IES aproveitarem da melhor forma possível os instrumentos legais que ora vigem, principalmente no que diz respeito à avaliação institucional, visando, sobretudo, à melhoria da qualidade da instituição. Para isso, utilizar a avaliação interna para diagnosticar pontos fortes e fracos e para promover a implementação de estratégias para as mudanças necessárias, é ponto vital às IES. Por que fazer a auto-avaliação somente por imposição do Estado? Mais do que uma lei, ela deve servir como instrumento de gestão em instituições que exigem uma postura gerencial avançada, como é o caso daquelas instituições. Bennis (apud JULIATO, 2005, p. 186) criou o conceito de aprendizagem organizacional justamente para descrever a capacidade que a organização deve ter para encontrar caminhos e meios por meio dos quais ela possa monitorar o seu desempenho, comparando os resultados alcançados com os objetivos estabelecidos. É exatamente isso que a avaliação institucional propicia; por isso, ela é um importante instrumento de gestão. De acordo com Juliato (2005, p. 188), a auto-avaliação “[...] tende a criar mecanismos condizentes com a sua realidade específica, para verificar o grau de eficácia na consecução dos seus propósitos e da sua missão”. Pode-se dizer que a avaliação se caracteriza como um “julgamento” sobre um determinado plano ou projeto que, conseqüentemente, leva à tomada de decisão sobre a sua continuidade, reformulação ou extinção. Isso é importante, porque a avaliação acaba se traduzindo em um exercício institucional, comprometido com os objetivos do projeto ao longo de sua execução. É um procedimento técnico de acompanhamento sistemático das ações da gestão. Catani, Oliveira e Dourado (2002, p. 111) afirmam que a avaliação vem incrementando [...] novos processos de gestão universitária, de organização do trabalho docente e de formação profissional (...), delineando para o campo da educação superior os parâmetros de perfis institucionais adequados, produtividade acadêmica satisfatória e modelo de formação profissional ajustado às exigências do mercado de trabalho. Nesse sentido, pode-se dizer que o sistema de avaliação reorganiza as instituições e educa os professores para uma nova performance. 10 Em publicação oficial do Ministério da Fazenda (2003), o debate sobre a extinção da gratuidade do ensino oficial nas instituições públicas se recoloca. O MEC estuda a proposta de cobrança, dos ex-alunos dos estabelecimentos públicos, de uma taxa anual que seria paga junto com a declaração de imposto de renda. Para esses autores, a avaliação não cumpre apenas o papel de mensuração da eficiência institucional, mas “[...] apresenta-se como lógica indutora do desenvolvimento institucional (...); a avaliação assume uma perspectiva formativa, buscando a melhoria da instituição e dos processos de gestão” (CATANI; OLIVEIRA; DOURADO, 2002, p. 100). 3 AS INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO SUPERIOR NUM CONTEXTO EM TRANSFORMAÇÃO Este capítulo se relaciona ainda ao primeiro objetivo, quando aborda o contexto atual das IES, e já procura cumprir com o segundo objetivo específico, que é examinar se a teoria aponta os fatores identificados na avaliação interna que indicam necessidade de mudanças. Os principais autores referenciados são: Motta (1991), Kotter (1997), Argyris e Schön (1996), Senge (1999), Eyng (2004) e Machado (2003), que ajudam a compreender melhor o que é mudança, o que ocorre nesse processo e como utilizar a cultura de antecipação nesse contexto; Dias Sobrinho (2003), Bueno, Sermann e Scherner (2003) e a legislação do SINAES concorrem para mostrar a importância da avaliação nas tomadas de decisão; Xavier (1999) e Zainko (2004) abordam mais especificamente o PDI e o PPI e como esses documentos servem de referência na avaliação institucional e nas tomadas de decisão para a mudança. 3.1 Os Processos de Mudança: a Cultura de Antecipação Planejar implica antecipação de conhecimentos e habilidades necessárias para administrar o processo de mudanças, verificando se a equipe tem conhecimentos e habilidades e, caso contrário, treiná-los nessas habilidades. Eyng (2004a, p. 2) fala em uma “cultura de antecipação”, explicando que “[...] enfrentar o futuro pressupõe a capacidade de planejá-lo, antevê-lo e isso requer mudança não só de posicionamento, mas de cultura organizacional” (EYNG, 2004a, p. 2). Antecipar (do latim anticipare) está assim definido por Ferreira (2005, p. 1): 1. Fazer, dizer, sentir, fruir, fazer ocorrer, antes do tempo marcado, previsto ou oportuno; precipitar: Sabedor das manobras inimigas, o general antecipou o ataque. 2. Chegar antes de; anteceder. Só chegaram ontem, a tua carta os antecipou. 3. Comunicar com antecipação: Antecipou-lhe a decisão que pretendia tomar. 4. Tomar a dianteira: Antecipou-o no intento caridoso. 5. Ocorrer antes do tempo marcado, previsto ou oportuno; adiantar-se: Teria esperado, se pudesse prever que o acontecimento acabaria por antecipar. 6. Dizer ou fazer alguma coisa antes do tempo oportuno; antecipar-se. 7. Agir ou proceder com antecipação; adiantar-se: Antecipou-se ao sócio na escolha do nome da firma. 8. Ir ou vir com antecipação; adiantar-se, antecipar. 9. Tomar a dianteira; colocar-se antes. O significado de antecipação não deve ser considerado de uma forma denotativa, indicando apenas uma ação realizada antes do convencional: segundo Machado (2003, p. 2), deve, sim, assumir o significado de identificação de aspectos que possam comprometer os processos e as operações em termos da qualidade e produtividade esperadas. Para esse autor, [...] posteriormente, envolvem a determinação de ações gerenciais a serem realizadas, de modo a evitar (ou prevenir) que um aspecto negativo aconteça e prejudique o fluxo da produção, ou que um aspecto positivo deixe de acontecer (MACHADO, 2003, p. 4). Machado (2003, p. 70) cita Laufer para explicar que a antecipação serve à tomada de decisão para orientar a execução de ações em função de eventos futuros, e configura-se como um importante componente do processo de planejamento e controle. Segundo o mesmo autor, a implementação do plano é a etapa de maior importância no processo de planejamento. E para gerar resultados satisfatórios a implementação deve incluir, dentre outras atividades complementares, a tomada de decisões preventivas e orientadoras, destinadas a evitar que erros sejam cometidos. Eyng (2004a, p. 3) enfatiza que as atividades citadas por Laufer (apud MACHADO, 2003, p. 70) serão mais completas se utilizarem a avaliação como ferramenta para a tomada de decisão. A questão da avaliação se relaciona diretamente à tomada de decisão no âmbito das organizações. A tomada de decisão requer diagnósticos pautados na análise de dados representativos do conjunto e atualizados que a subsidiem adequadamente. O processo que permite recolher informações, elaborar juízos e tomar decisões de melhora se chama avaliação. De acordo com Bertelli e Eyng (2004, p. 14), a avaliação favorece e consolida a cultura de antecipação. O processo reflexivo provocado pela avaliação favorece em curto prazo e consolida em médio prazo a cultura de antecipação, em que a gestão educacional deixa de ser reativa e passa a agir, orientando-se em decisões e estratégias emancipatórias, passa a ser pró-ativa. A avaliação é um elemento fundamental que incide no desenvolvimento, aperfeiçoamento, mudança e inovação da própria organização, contribuindo na melhora da qualidade de seu funcionamento, no aperfeiçoamento curricular e no desenvolvimento pessoal e profissional. A avaliação deve ser o princípio e o fim da gestão das IES (MARBACK NETO, 2005, p. 10). Como princípio, [...] concerne ao diagnóstico da situação, que é valioso para o planejamento institucional (...). Como fim, ela é um instrumento que pode, com base no planejamento, abalizar os resultados da instituição, para que se possa observar a eficiência e a eficácia organizacional, aspectos essenciais à consecução da meta de qualidade desejada. O gestor tem o papel de administrar os resultados advindos da avaliação para criar uma cultura de antecipação, pois, para atingir o alinhamento desejado da instituição, precisa saber onde estão os entraves à sua meta para proceder às mudanças necessárias. Quando o processo de mudança se alinha, surgem os benefícios da avaliação, por exemplo, desenvolvimento de nova cultura, que mantenha os melhores valores passados, ao mesmo tempo focalizando a atenção em novas formas de fazer as coisas, novos relacionamentos e novos padrões de serviços; crescimento individual e da organização no momento atual e durante todo o tempo que atenderá à expectativa e ao direito de cada empregado; continuidade dos mais altos padrões de serviço ao consumidor, sustentada durante e após o processo de mudança, independentemente de quaisquer problemas que poderiam e poderão surgir por meio dos novos sistemas e idéias; aperfeiçoamento da força de trabalho, comprometida, qualificada, auto-confiante e segura, com autonomia efetiva em todos os níveis da organização. Obviamente que mudanças sempre trazem problemas, até porque esse período de transição leva a algo novo, desconhecido. Mesmo quando a mudança é positiva, esse processo pode afetar as pessoas e a instituição. Um dos erros mais freqüentes na gestão de mudanças é subestimar o efeito que elas têm. A mudança envolve um processo de desordem e torna-se essencial compreender que a instituição como um todo necessita de tempo para adaptação. Envolve também algumas perdas, e cabe ao gestor conduzi-las a uma direção positiva. Mudança organizacional tornou-se sinônimo de competitividade e sucesso. O sucesso tem sido atribuído à habilidade com que as organizações mantêm e sustentam as estratégias de mudança; entretanto, essa maneira de pensar a mudança como receituário acaba se tornando simplista, ao retirar a complexidade e a sofisticação analítica necessária para caracterizar o assunto (BRITO; ALVES, 2003, p. 112). As instituições contemporâneas estão situadas em um ambiente conturbado por constantes mudanças, que as fazem aperfeiçoar seus processos de planejamento, de gerência, para se manterem alertas sobre possíveis modificações futuras. Como instinto natural de sobrevivência, as instituições devem buscar sempre mecanismos que as façam responder às pressões internas e externas (MOTTA, 1991, p. 125). O verbo mudar tem significados diferentes de acordo com o contexto em que é usado. Assim, quando o é em relação às organizações, mudar pode ser “deslocar-se de uma determinada posição para outra”. Para isso, é necessário que a instituição conheça a posição em que se encontra e, melhor ainda, conheça a nova posição para a qual pretende se deslocar como parte de uma sociedade ou de um sistema específico ao qual pertence, ou do mercado. Significa, também, “dispor os elementos presentes de um modo diferente”, alterando, assim a configuração dos mesmos elementos sem o fazer com seu papel ou qualidade intrínseca. Isso implica o conhecimento de cada elemento estrutural e funcional, seu valor e potencial, presente e futuro, dentro de um processo de reorganização (KISIL, 1998, p. 6). Assim, substituir uma coisa por outra, dar outra direção, implica que a instituição tome uma nova direção estratégica, com mudança eventual em sua missão, estabelecimento de prioridades programáticas e uso de recursos, incluindo novas tecnologias. As ações de modificar, transformar, tornar-se diferente do que era no que tange à própria cultura da instituição ou à sua estrutura, implicam que a mudança deve acontecer na forma como se organiza o processo de produção de bens ou serviços, incluindo níveis de autoridade e responsabilidade, meios de supervisão, controle e adequação dos recursos. Argumenta Kotter (1997, p. 3) que [...] os principais esforços de mudança ajudaram algumas organizações a se adaptarem de forma significativa às condições de transformação, aprimoraram a posição competitiva de outras e prepararam algumas para um futuro melhor. Em muitas situações, porém, as melhorias foram decepcionantes e o quadro final aterrador, com recursos desperdiçados e funcionários dispensados, apreensivos ou frustrados. Para Chiavenato (1999, p. 324), “[...] a mudança organizacional é um conjunto de alterações interdependentes e que se interpenetram intimamente (...), significa a absorção de uma nova idéia ou comportamento por uma organização”. Wood (1995, p. 190) é mais explícito em seu conceito: “[...] é qualquer transformação de natureza estrutural, estratégica, cultural, tecnológica, humana ou qualquer outro componente, capaz de gerar impacto em partes ou no conjunto da organização”. E, citando o pensamento de Lewin, Chiavenato (1999, p. 324) descreve a mudança como “[...] resultado da competição entre forças impulsionadoras e forças restritivas”. É a teoria do campo de forças, que defende que para implementar a mudança é necessário analisar as forças impulsionadoras e restritivas que estão atuando na mudança, a fim de se remover ou neutralizar as restritivas que a impedem e incentivar as impulsionadoras. Chiavenato (1999, p. 326) aponta algumas forças positivas e negativas, defendidas por Lewin, que interferem na mudança: positivas, como o desejo de mudar, vontade de melhorar, novas idéias, criatividade, inovação, inconformismo com o presente; negativas, como o desejo de ficar, vontade de manter o status quo, velhas idéias, conservantismo, rotina, conformismo com o presente. Pode-se perceber que são forças antagônicas. Para aquele autor, “[...] a mudança somente ocorre quando as forças impulsionadoras e favoráveis [...]”, isto é, as forças positivas “[...] forem maiores do que as forças restritivas e impeditivas [...]”, isto é, as forças negativas (CHIAVENATO, 1999, p. 326). Porter (1990, p. 75) trata a mudança como sinônimo de inovação, avaliando que as organizações “[...] atingem a vantagem competitiva por meio de atos de inovação. Elas chegam à inovação em seu mais amplo sentido, incluindo ambos, novas tecnologias e novas maneiras de fazer as coisas”. Porém, uma definição mais completa é encontrada em Bressan (2006, p. 12): [...] mudança organizacional pode ser também entendida como: qualquer modificação (planejada ou não) nos componentes organizacionais, formais e informais mais relevantes (pessoas, estrutura, produtos, processos e cultura), que seja significativa, atinja a maioria dos membros da organização e tenha por objetivo a melhoria do desempenho organizacional – ou sua sustentabilidade - em resposta às demandas internas e externas. Qualquer que seja a definição adotada, toda instituição está sempre sujeita a situações de mudança. O mundo se caracteriza por apresentar um ambiente em constante mudança. O ambiente que envolve as instituições é extremamente dinâmico, exigindo delas uma elevada capacidade de adaptação como condição básica de sobrevivência. O processo de mudança institucional começa com o aparecimento de forças que vêm de fora ou de algumas partes da organização; podem ser endógenas ou exógenas à organização. As forças exógenas provêm do ambiente, como as novas tecnologias, mudanças dos valores da sociedade e novas oportunidades ou limitações do ambiente (econômico, político, legal e social); as forças endógenas, que criam a necessidade de mudança estrutural e comportamental, provêm da tensão nas atividades, interações, sentimentos ou resultados de desempenho no trabalho. Essas forças provocam impactos, alterando formas de organização e introduzem novos paradigmas, processos de produção, padrões de comportamento, valores e formas de comunicação baseada em tecnologia avançada. Tapscott e Caston (1995, p. xxii) acreditam que as mudanças organizacionais ocasionam uma modificação maior que a soma delas independentemente. O resultado é que tal mudança ocorre principalmente na forma de pensar, um novo esquema para compreensão da realidade, isto é, muda o paradigma, “[...] uma nova maneira de ver alguma coisa (...); importantes mudanças de realidade requerem a realização de modificações em conceituação”. Para lidar com as pressões internas e externas, as instituições necessitam de ajustes. As formas que esses ajustes assumem podem ser múltiplas e variadas. Em geral, eles ocorrem em um ou mais dos seguintes elementos: tarefas individuais, realizadas pelos recursos humanos; processos organizacionais; direção estratégica e cultura organizacional (normas, valores e costumes). Como “as revoluções” não podem ser desaceleradas, para se conviver com esse ambiente de instabilidade é necessário fazer as escolhas adequadas e assumir a responsabilidade por elas. No âmbito pessoal, os valores devem ser constantemente avaliados, e trabalhadas as inevitáveis ambigüidades que despontam. Nas instituições, a segurança das pessoas passa a depender de sua competência em conduzir o processo de mudanças, o que compreende audácia e coragem de correr riscos, como indivíduo e como equipe. Compreende, ainda, a capacidade de aprendizagem dos indivíduos e da equipe. Argyris e Schön (1996, p. 28) afirmam que a aprendizagem acontece justamente quando “[...] os membros da organização agem como agentes de aprendizagem, respondendo a mudanças nos ambientes internos, externos, detectando e corrigindo erros”. Anteriormente, Argyris (1992, p. 132) já defendia: “[...] aprendizagem organizacional é um processo de detectar e corrigir erros. O erro é visto como um desvio cometido entre nossas intenções e o que de fato ocorreu”. Nonaka e Takeuchi (1997, p. 77) entendem que a aprendizagem organizacional deve passar pela internalização, [...] processo de incorporação do conhecimento explícito no conhecimento tácito. É intimamente relacionado ao aprender fazendo. Quando são internalizados nas bases do conhecimento tácito dos indivíduos sob a forma de modelos mentais ou know-how técnico compartilhado, as experiências pela socialização, externalização e combinação tornam-se ativos valiosos. Para Kolb (1997, p. 312), essa “capacidade de aprender” é “[...] a base da capacidade de se adaptar às circunstâncias em constante mudança e de dominá-las; essa capacidade é, portanto, a base da estratégia eficaz”. É essa capacidade de aprender que as organizações devem buscar. Argyris e Schön (1996, p. 79) ressaltam que, num mundo de mudanças turbulentas, as instituições devem vivenciar um sistema perpétuo de aprendizagem. Baseado na teoria de Argyris e Schön, Calmon (1999, p. 30-31) explica a aprendizagem organizacional baseada na “volta simples” (single loop) e na “volta dupla” (double loop). Segundo essa autora, a aprendizagem single loop [...] consiste na aprendizagem instrumental que acarreta mudanças nas estratégias de ação sem alterar a teoria aplicada da instituição. Os indivíduos detectam e corrigem os erros (discrepância entre as expectativas da organização e os resultados alcançados) e agem de acordo com os sistemas de valores e padrões organizacionais existentes. No aprendizado single-loop, a estrutura de conhecimento existente na instituição (objetivos, metas, políticas, regras, entre outros) é mantida. A aprendizagem double loop, por sua vez, [...] consiste na aprendizagem que resulta em mudanças nos valores da teoria aplicada da instituição, que inclui suas estratégias, valores, percepções do seu ambiente e compreensão de suas próprias competências. Refere-se a dois loops que conectam os efeitos observados da ação com as estratégias e com os valores que estão por trás dessas estratégias. No aprendizado double-loop, a estrutura de conhecimento é fundamentalmente questionada. Tal aprendizado leva a organização a refletir sobre seus objetivos, suas políticas ou sua forma de operar e podem ocorrer mudanças estruturais profundas. De acordo com Kofman (1996, p. 41), ao contrário do aprendizado de um loop, o aprendizado de dois loops “[...] procura trazer à tona e questionar premissas e normas de uma organização que possam levar à reformulação do problema”. Sintetizando, quando os esquemas da instituição permanecem constantes, então, o comportamento é obviamente dirigido pelas mesmas regras e é ajustado somente à luz de suas conseqüências. Um agente age, descobre como outros agentes respondem e se a resposta for favorável a ele, repete a ação. Se a resposta não for favorável, o comportamento será modificado. Em outras palavras, os desvios entre o desejado e as conseqüências são modificados pelas ações corretivas. Essa é a aplicação do aprendizado simples ou single-loop. Porém, quando o esquema que dirige o comportamento é alterado à luz da resposta que o comportamento provoca, então a regra comportamental será alterada e, mais ou menos ao mesmo tempo, o comportamento será alterado também. Essa é a aprendizagem complexa ou double-loop. As instituições movemse em torno da descoberta e da ação, evoluindo por meio desses dois tipos de aprendizado. O processo produz uma corrente de ações, cujo propósito é o de sobrevivência da instituição por meio do aprendizado. Para Bolívar (2000, p. 1), [...] una organización aprende cuando, por haber optimizado el potencial formativo de los procesos que tienen lugar en su seno, adquiere una función cualificadora para los que trabajan en ella, al tiempo que está atenta para responder a las demandas y cambios externos. En este sentido, institucionaliza la mejora (aprendizaje organizativo) como un proceso permanente, creciendo como organización. É isso que as IES precisam buscar: um processo permanente de aprendizagem organizacional, visando à adaptação à mudança, a transformação. Eyng (2004b, p. 32) enfatiza que essa aprendizagem deve se dar de forma coletiva: “[...] a organização há que se transformar em organização que age e aprende coletivamente. A ação e a aprendizagem coletiva estará viabilizando o fortalecimento da identidade institucional”. Senge (1999, p. 14) defende que a sustentação de qualquer processo de mudança profunda requer uma mudança inicial, porém fundamental, na maneira de pensar da organização. É necessário compreender a natureza dos processos de crescimento e saber catalisá-los. Torna-se necessário compreender as forças e os desafios que impedem o progresso e desenvolver estratégias viáveis para lidar com esses desafios. Para Senge (1999, p. 15), à medida que se definem as deficiências, implementam-se soluções. A performance total da organização começa a melhorar e a melhoria nas atitudes, percepções, valores e motivação causam impacto na aceitação, o que contribui para o sucesso do gerenciamento por parte dos gestores. Pelo menos uma vez a cada quatro ou cinco anos as grandes organizações passam por mudanças profundas e a todo instante estão acontecendo pequenas mudanças no ambiente, no processo e nas pessoas (KOTTER; SCHLESINGER, 1986, p. 8). Para esses autores o aprendizado contínuo é o impulso que leva à mudança, e mais do que em qualquer outra época, a função precípua do gestor é planejar e implementar as mudanças. Os esforços bem-sucedidos de mudança organizacional são sempre caracterizados pela aplicação inteligente de algumas abordagens, freqüentemente em combinações muito diferentes. Kotter e Schlesinger (1986, p. 16-22) desenvolveram seis métodos para lidar com a resistência às mudanças, mostrando onde comumente são empregados, e ainda as vantagens e desvantagens de cada método. No quadro 2 se apresentam os métodos de Kotter e Schlesinger (1986), incluindo uma possível interface desses com a avaliação institucional das IES. Podese antecipar que, ao implementar tal avaliação, as IES também se deparam com resistências. Tais métodos, então, podem ser úteis para lidar com elas dentro das IES. QUADRO 2 – MÉTODOS PARA LIDAR COM A RESISTÊNCIA À MUDANÇA Abordagem Educação + Comunicação: “uma das formas mais comuns de superar resistência é educando as pessoas nesse sentido, antecipadamente. A comunicação de idéias ajuda as pessoas a perceber a necessidade para a mudança e a lógica nela contida” (p. 16). Participação + Envolvimento: “quando os iniciadores envolvem os resistentes em algum aspecto do projeto e da implementação da mudança, eles muitas vezes conseguem neutralizar a resistência” (p. 16). Vantagens Uma vez persuadidas, as pessoas geralmente ajudarão na implementação da mudança. Desvantagens Pode consumir muito tempo se um número muito grande de pessoas for envolvido. As pessoas que participam estarão comprometidas com a implementação da mudança, e qualquer informação relevante que possuam será incorporada ao plano de mudança. Facilitação + Apoio: Nenhuma outra abordagem “os gerentes podem lidar com a resistência, concedendo funciona tão bem com apoio (...) que pode incluir treinamento nas novas problemas de ajustamento. especializações (...) ou simplesmente ouvir os empregados e dar-lhes apoio emocional” (p. 18). Negociação + Acordo: Algumas vezes constitui uma é particularmente apropriado “quando fica claro que alguém maneira relativamente fácil vai sair perdendo com o resultado da mudança e seu poder de evitar resistências de resistência é significativo” (p. 19). importantes. Pode consumir muito tempo se os participantes projetarem uma mudança inadequada. Pode consumir muito tempo, ter alto custo, e ainda assim, fracassar. Pode ser de custo muito elevado em muitos casos se alertar outras pessoas para negociarem a concordância. Manipulação + Cooptação: Pode constituir uma solução Pode levar a problemas manipulação “consiste na utilização muito seletiva da relativamente rápida e futuros se as pessoas se informação para influenciar outras pessoas”, e cooptação barata para problemas de sentirem manipuladas. “consiste em dar ao indivíduo um papel desejável no projeto resistência. ou na implementação da mudança” (p. 20). Coerção Explícita + Implícita: É rápida e pode superar Pode ser muito arriscada os gerentes “geralmente forçam as pessoas a aceitarem a qualquer tipo de resistência. se deixar as pessoas mudança, ameaçando-as explícita ou implicitamente (com a irritadas com os perda de cargos, de possibilidades de promoção, e assim por iniciadores. diante) ou efetivamente, demitindo-as ou transferindo-as” (p. 22). FONTE: Adaptado de Kotter e Schlesinger (1986, p. 24). Quanto ao método Educação + Comunicação, conectado com a avaliação, pode-se dizer que avaliação inculca ceticismo, gera desconforto porque gera mudança. Esse dilema há de ser aceito e gerenciado dentro da instituição (JULIATO, 2005, p. 187) e isso pode ser feito por meio da educação e da comunicação. Segundo a CONAES (Brasil, 2004, p. 10), no processo de autoavaliação, a sensibilização busca o envolvimento da comunidade acadêmica na construção da proposta avaliativa por meio da realização de reuniões, palestras, seminários, entre outros. Cabe ressaltar que a sensibilização deve estar presente tanto nos momentos iniciais quanto na continuidade das ações avaliativas, pois sempre haverá sujeitos novos iniciando sua participação no processo, sejam estudantes, sejam membros do corpo docente ou técnico-administrativo. No método Participação + Envolvimento, os membros da instituição que estão realmente comprometidos com os objetivos da instituição aceitam a situação de desconforto que as mudanças advindas com a avaliação podem trazer, e convencem-se de que as mudanças virão para a melhora da instituição (JULIATO, 2005, p. 187). Participam do processo, envolvendo-se nas diversas atividades inerentes a ele. Com relação ao método Facilitação + Apoio, quando há a garantia de cumprimento de critérios conjuntamente acordados, os diversos grupos também ficam mais seguros de que a avaliação produzirá efeitos positivos em termos dos interesses comuns (DIAS SOBRINHO, 2003a, p. 126). No método Negociação + Apoio, pode-se aliar a avaliação afirmando-se que a negociação é parte essencial da avaliação democrática e formativa e deve fazer parte de todo o processo. Entretanto, é imprescindível que os indivíduos e grupos envolvidos obtenham acordos sobre os aspectos essenciais que constituirão a avaliação. Isso cria um vínculo moral ou um comprometimento com os procedimentos e a aceitação dos efeitos que se produzirão (DIAS SOBRINHO, 2003a, p. 126). Com relação à avaliação, Leite (2005, p. 88) entende que a participação pode se transformar em uma tirania, por exemplo, quando os participantes não têm plena noção dos porquês de se avaliar e compreendem que participar do processo é “perda de tempo”. O envolvimento que a IES busca acaba sendo visto como “[...] uso de poder com o objetivo de atingir determinados fins por meio da participação". Leite (2005, p. 88) diz que, nesse caso, deve-se “[...] construir estratégias que envolvam a comunidade, como um processo de convencimento, incluindo a avaliação permanente [...]”, e não apenas de forma pontual. A utilização desses métodos depende principalmente da situação de mudança organizacional, da rapidez do esforço, do montante de pré-planejamento, do envolvimento de outras pessoas e da ênfase relativa a cada abordagem. Com relação ao processo de avaliação, entende-se que toda forma de aprimoramento da instituição é válida. Se há resistência a esse aprimoramento, os métodos disponíveis para modificar isso devem ser utilizados, sendo que, no entender deste pesquisador, os métodos Educação e Comunicação e Participação e Envolvimento são os mais adequados para aplicação em uma IES. Afirma Trigueiro (2004, p. 27) que nenhuma IES tem condições de prosseguir num processo de avaliação “[...] sem um comprometimento mais efetivo do conjunto dos membros e setores da instituição, como um todo”. Nesse sentido, os métodos para lidar com a resistência às mudanças, de Kotter e Schlesinger (1986, p. 16-22), podem ser válidos. Kotter (1997, p. 99) afirma ainda que [...] nas bem-sucedidas iniciativas de mudança, a visão e estratégias não ficam trancadas numa sala com a equipe de orientação. A direção da mudança é amplamente comunicada, difundida em toda a organização, para que seja bem compreendida e realmente ‘comprada’ por todos, no nível mais profundo das pessoas. Objetivo: conseguir que tanta gente quanto possível se empenhe para converter a visão em realidade. Nas IES também deve ocorrer desse modo. Quando a CONAES (BRASIL, 2004, p. 6-7) afirma que a avaliação interna é um processo por meio do qual a IES “[...] constrói conhecimento sobre sua própria realidade, buscando compreender os significados do conjunto de suas atividades para melhorar a qualidade educativa [...]”, estabelecendo “[...] estratégias de superação de problemas [...]”, ela afirma que a avaliação serve para promover mudanças, no intuito da melhora institucional. O desenvolvimento institucional deve ocorrer como resultado de uma mudança planejada e não pode se restringir à solução de problemas específicos, conjunturais ou atuais. A idéia é buscar nova aprendizagem e maneiras de enfrentar problemas presentes e futuros. É um esforço complexo, destinado a mudar a instituição para melhor adaptar-se às novas conjunturas, tecnologias e necessidades. As mudanças acontecem na estrutura, na cultura, na tecnologia, no ambiente e nas pessoas. Por mudanças de estrutura se entende alterar a relação de autoridade, mudar o organograma, os cargos e as tarefas. Para a mudança de cultura se “[...] exige a reformulação dos valores centrais da organização” (ROBBINS, 2002, p. 466). Para mudar a tecnologia é necessário mudar os processos de execução e os equipamentos utilizados. Quando se muda a disposição dos móveis, e até as paredes, fala-se de mudança de ambiente. Contudo, o mais importante da instituição são as pessoas e essas têm que mudar as atitudes, habilidades, funções, expectativas, percepções ou comportamentos (ROBBINS, 2002, p. 465-466). Nas instituições de educação superior as mudanças deveriam ser constantes, pois essas organizações necessitam se adaptar às transformações de oportunidades e ambientes para se manterem competitivas e para oferecerem qualidade na formação que ofertam. Mas para elas também é difícil mudar, pois as pessoas, quando se familiarizam com o “sistema governante”, ficam mais intolerantes à mudança. Mudar significa criar novos hábitos, modelos de comportamento e atitude das pessoas que executam as funções; significa mexer na estrutura e nos processos da instituição, razão porque mudar é um procedimento complexo, pois nem sempre as pessoas e organizações estão dispostas a se sujeitarem à nova realidade. Nas IES, o processo de mudança organizacional deve conter os seguintes elementos básicos: conhecer as razões da mudança; realizar um diagnóstico da situação da instituição; definir a direção da mudança e gerenciar o processo de mudança. 3.2 A Avaliação Institucional como Subsídio na Tomada de Decisão De acordo com o SINAES (2004, p. 9), a avaliação institucional das instituições de educação superior [...] tem caráter formativo e visa ao aperfeiçoamento dos agentes da comunidade acadêmica e da instituição como um todo. Tal ocorre, em especial, quando conta com a participação efetiva de toda a comunidade interna e, ainda, com a contribuição de atores externos do entorno institucional. Verifica-se que a avaliação institucional tem dois momentos: a avaliação interna, ou auto-avaliação, e a avaliação externa. A avaliação interna, segundo a CONAES (BRASIL, 2004, p. 17), tem por objetivos [...] comparar o projeto da IES com a realidade institucional, ou seja, melhorar a qualidade acadêmica significa, no contexto de cada instituição, diminuir a distância entre ambos; construir uma proposta de auto-avaliação voltada para a globalidade da instituição, buscando dimensionar a relação entre o projeto institucional e sua prática, para reformulá-lo no planejamento e nas ações futuras da instituição; e elaborar uma metodologia que organize as atividades dos diferentes atores envolvidos no processo avaliativo, buscando a construção de um sistema integrado. Bueno, Sermann e Scherner (2003, p. 28) afirmam que a avaliação interna se desenvolve com a participação de pessoas que pertencem à própria instituição. Porém, o SINAES, em seu art. 11, afirma que devem ser obedecidas as seguintes diretrizes: I - constituição por ato do dirigente máximo da instituição de ensino superior, ou por previsão no seu próprio estatuto ou regimento, assegurada a participação de todos os segmentos da comunidade universitária e da sociedade civil organizada, e vedada a composição que privilegie a maioria absoluta de um dos segmentos. E a Portaria do MEC nº 2.051/04, em seu art. 7º, § 2º, afirma que [...] a forma de composição, a duração do mandato de seus membros, a dinâmica de funcionamento e a especificação de atribuições da CPA deverão ser objeto de regulamentação própria, a ser aprovada pelo órgão colegiado máximo de cada instituição de educação superior, observando-se as seguintes diretrizes: I - necessária participação de todos os segmentos da comunidade acadêmica (docente, discente e técnico-administrativo) e de representantes da sociedade civil organizada, ficando vedada a existência de maioria absoluta por parte de qualquer um dos segmentos representados; II - ampla divulgação de sua composição e de todas as suas atividades. Portanto, nesse tipo de avaliação, as próprias pessoas envolvidas nas instituição são responsáveis pela análise dos objetivos que eles mesmos propuseram para as suas atividades acadêmicas ou administrativas, mas também contam com o apoio e a crítica de outros participantes, como os da sociedade civil. Nessa avaliação interna, as pessoas envolvidas têm a vantagem de conhecer o que está sendo avaliado. No entanto, também têm a desvantagem de agir, simultaneamente, como juiz e como julgado, podendo tendenciar os resultados. Há um certo preconceito que inclui a própria avaliação qualitativa, em que o sujeito faz parte do objeto avaliado. Talvez seja por isso que a própria legislação tenha previsto o envolvimento de pessoas externas às IES para o processo de avaliação interna e também tenha previsto sanções, conforme o art. 12 do SINAES (BRASIL, 2004): Art. 12. Os responsáveis pela prestação de informações falsas ou pelo preenchimento de formulários e relatórios de avaliação que impliquem omissão ou distorção de dados a serem fornecidos ao SINAES responderão civil, penal e administrativamente por essas condutas. Segundo a CONAES (BRASIL, 2004, p. 8), [...] uma visão externa à IES pode corrigir eventuais erros de percepção produzidos pela dos agentes internos, atuando como um instrumento cognitivo, crítico e organizador das ações da instituição e do MEC. Na fala da CONAES (Brasil, 2004, p. 7), a avaliação interna “[...] é um processo contínuo por meio do qual uma instituição constrói conhecimento sobre sua própria realidade [...]” e busca entender os significados de suas atividades no intuito de “[...] melhorar a qualidade educativa e alcançar maior relevância social”. Corresponde às atividades relacionadas ao diagnóstico da realidade institucional, a análise dos problemas identificados nesse diagnóstico e a conseqüente tomada de decisão, direcionada à melhoria de qualidade. Compreende a avaliação do ensino (cursos, docentes e egressos), da pesquisa, da extensão, dos serviços de apoio e da gestão institucional (MENDES, 2006, p. 3). Para bem encaminhar essa avaliação, as IES necessitam, de acordo com a CONAES (BRASIL, 2004, p. 7), sistematizar informações, analisar coletivamente os significados de suas realizações, desvendar as formas de organização, administração e ação, identificar pontos fracos e fortes, ameaças e potencialidades, e estabelecer estratégias de superação de problemas. Ressaltam-se, ainda, os seguintes requisitos da avaliação interna: (a) equipe de coordenação, para planejar e organizar as atividades, manter o interesse pela avaliação, sensibilizando a comunidade e fornecendo assessoramento aos diferentes setores da IES, e refletir sobre o processo; (b) participação dos integrantes da instituição, pois o envolvimento dos atores – por diferentes que sejam entre si – auxilia na construção do conhecimento gerado na avaliação; (c) compromisso explícito dos dirigentes das IES em relação ao processo avaliativo. No entanto, isto não significa que os dirigentes devam ser os principais membros das comissões instaladas. O importante é ficar evidenciado que há um apoio institucional para que o processo ocorra com a profundidade e seriedade necessárias; (d) informações válidas e confiáveis, pois sendo a informação fidedigna, o elemento fundamental do processo avaliativo, sua disponibilização pelos órgãos pertinentes da instituição é prioritária. Nesse sentido, a coleta, o processamento, a análise e a interpretação de informações são essenciais para alimentar as dimensões que a auto-avaliação quer indagar; (e) uso efetivo dos resultados. O conhecimento que a avaliação interna proverá à comunidade institucional deve ter uma finalidade clara de planejar ações destinadas à superação das dificuldades e ao aprimoramento institucional. Para isso, é importante priorizar ações de curto, médio e longo prazo, planejar de modo compartilhado e estabelecer etapas para alcançar metas simples ou mais complexas (CONAES, BRASIL, 2004, p. 7). A CONAES (2004, p. 10-11) explica também sobre o desenvolvimento da avaliação interna, dizendo que as IES devem buscar a “[...] construção da proposta avaliativa por meio da realização de reuniões, palestras, seminários, entre outros”. Este documento apresenta, ainda, as atividades norteadoras da realização da avaliação institucional interna: 1. realização de reuniões ou debates de sensibilização; 2. sistematização de demandas/idéias/sugestões oriundas dessas reuniões; 3. realização de seminários internos para: apresentação do SINAES, da proposta do processo de avaliação interna da IES, das sistematizações dos resultados e discussões internas; 4. definição da composição dos grupos de trabalho, atendendo aos principais segmentos da comunidade acadêmica; 5. construção de instrumentos para coleta de dados: entrevistas, questionários, grupos focais e outros; 6. definição da metodologia de análise e interpretação dos dados; 7. definição das condições materiais para o desenvolvimento do trabalho: espaço físico, docentes e técnicos com horas de trabalho dedicadas a essa tarefa e outros; 8. definição de formato de relatório de auto-avaliação e de reuniões sistemáticas de trabalho; 9. elaboração de relatórios; 10. organização e discussão dos resultados com a comunidade acadêmica e publicação das experiências. Com relação à elaboração, divulgação e análise do relatório final, a CONAES (2004, p. 11) explica que na elaboração do relatório final é fundamental “[...] a clareza na comunicação das informações e o caráter analítico e interpretativo dos resultados obtidos”. Além disso, é desejável que o relatório final “[...] apresente sugestões para ações de natureza administrativa, política, pedagógica e técnicocientífica a serem implementadas”. Para a divulgação “[...] podem ser utilizados diversos meios, tais como: reuniões, documentos informativos (impressos e eletrônicos), seminários e outros”. E no que diz respeito à análise, essa “[...] permitirá planejar ações futuras”, proporcionando “o auto-conhecimento institucional”. Quanto à avaliação externa, é encaminhada por avaliadores que não possuem nenhum vínculo com a instituição avaliada e é da competência do MEC/INEP, que estima, valora e julga os produtos (os alunos) e os processos. A CONAES (BRASIL, 2004, p. 6) afirma que [...] a apreciação de comissões de especialistas externos à instituição, além de contribuir para o auto-conhecimento e o aperfeiçoamento das atividades desenvolvidas pela IES, também traz subsídios importantes para a regulação e a formulação de políticas educacionais. Mediante análises documentais, visitas in loco, interlocução com membros dos diferentes segmentos da instituição e da comunidade local ou regional, as comissões externas ajudam a identificar acertos e equívocos da avaliação interna, apontam fortalezas e debilidades institucionais, apresentam críticas e sugestões de melhoramento ou, mesmo, de providências a serem tomadas seja pela própria instituição, seja pelos órgãos competentes do MEC. Apesar de a mídia nacional dar maior ênfase aos resultados da avaliação externa que dizem respeito ao desempenho acadêmico dos formandos dos cursos de graduação (ENADE), outros aspectos são considerados, como: dados provenientes do Censo e dos Cadastros da Educação Superior, Avaliação das Condições de Ensino, Relatórios CAPES e Currículos Lattes, bem como entrevistas e outras atividades realizadas pelo MEC/INEP. Dias Sobrinho (2003a, p. 125) fala em uma avaliação institucional subjetiva, participativa, que “[...] busca envolver os agentes internos de todos os níveis e categorias e representantes da comunidade externa com uma intencionalidade educativa e procedimentos fundados em princípios democráticos”. E o autor continua, enfatizando a intersubjetividade: [...] a relação entre os participantes não é de autoridade, mas de intersubjetividade, ou seja, entre sujeitos que, baseados na responsabilidade, se expressam livremente sobre os dados e processos que devem ser interpretados e avaliados (DIAS SOBRINHO, 2003a, p. 125). Mendes (2006, p. 2) alia a avaliação à qualidade e à tomada de decisão, argumentando que a avaliação desempenha papel relevante na identificação dos fatores da qualidade e fornece elementos muito claros para a tomada de decisão, tendo em vista as formulações de ações pedagógicas e administrativas com essa finalidade. A avaliação institucional deve ser como um subsídio para a tomada de decisões. No entender de Aguilar e Ander-Egg (1994, p. 69), [...] se ela é um subsídio para intervenção no sistema, isto quer dizer que a avaliação só deve ocorrer quando houver ‘plena aceitação dos responsáveis políticos, técnicos e administrativos que têm faculdades para tomar as decisões e introduzir correções’. Isto significa que as IES devem pesar sobre o momento certo para se avaliarem, para que os resultados sejam os melhores possíveis e realmente ajudem na tomada de decisão. Dias Sobrinho (2003a, p. 131) comenta que, na Universidade de Granada, na Espanha, um dos objetivos da avaliação institucional é justamente a tomada de decisões: “[...] formular um julgamento por parte de todos os implicados sobre a qualidade do serviço educativo prestado pela faculdade para melhorar a tomada de decisões”. Para Bueno, Sermann e Scherner (2003, p. 35), os tipos de decisões para as quais o processo avaliativo pode contribuir incluem: - modificações em projetos universitários que estão sendo postos em prática e, inclusive, eventualmente, interrompê-los; - melhoria de métodos e técnicas utilizadas na prática e nos procedimentos empregados na consecução dos objetivos; - modificação ou inovação estrutural do funcionamento da instituição, se ficar constatado que a forma de funcionamento cria obstáculos à prestação do serviço educacional, científico, social; e - aplicação de estratégias de desenvolvimento. Contudo, é interessante citar as palavras finais de Dias Sobrinho (2003b, p. 87) no artigo Políticas de avaliação, reformas do Estado e da educação superior: “[...] só é possível executar transformações de qualidade se houver a participação ativa dos agentes que cotidianamente se envolvem com as situações educativas”. É essa participação ativa que deve permear o Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) e o Projeto Pedagógico Institucional (PPI). 3.3 O Planejamento Institucional como Referência na Avaliação e na Tomada de Decisão A avaliação deve se fundamentar nos aspectos tanto quantitativos como qualitativos do desempenho institucional das IES. Os princípios que sustentam esses aspectos também podem ser encontrados no Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) e no Projeto Pedagógico Institucional (PPI). O Parecer CNE/CES nº 1366 (BRASIL, 2001, p. 3) já destacava, em 2001, a importância do PDI para as IES: [...] reforça-se no presente Parecer a importância e a relevância do plano de desenvolvimento institucional, que determina a missão de cada instituição e as estratégias que as mesmas livremente elegem para atingir metas e objetivos. Em 2002, a Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação (BRASIL, 2002, p. 2) definia o PDI como o documento que identifica as IES no que diz respeito à sua filosofia de trabalho, à missão a que se propõem, às diretrizes pedagógicas que orientam suas ações, à sua estrutura organizacional e às atividades acadêmicas que desenvolvem e/ou que pretendem desenvolver. Ao final desse mesmo ano, a Resolução CNE/CES nº 23 (BRASIL, 2002) afirmava, no art. 2º, que o PDI é um instrumento de planejamento e avaliação, e que o recredenciamento das IES deve estar centrado na avaliação do PDI e nos critérios vigentes da avaliação institucional, [...] promovendo-se equilíbrio entre critérios objetivos e subjetivos de avaliação de qualidade, de modo a contemplar agilidade no processo, progressividade nas metas fixadas e eficácia e eficiência nas análises construtivas dos desempenhos institucionais (SEGENREICH, 2005, p. 153). Verifica-se que essa Resolução claramente atrela o PDI à avaliação institucional, colocando-o como referência para a avaliação. De acordo com a Resolução MEC nº 10 (BRASIL, 2002), o PDI é um documento que traduz um compromisso das instituições com o MEC, devendo ser apresentado para um período de cinco anos, incluindo, segundo o art. 6º: I. plano de implantação e desenvolvimento de seus cursos superiores, de forma a assegurar o atendimento aos critérios e padrões de qualidade para o corpo docente, inclusive eventuais substituições, infra-estrutura geral e específica e organização didático-pedagógica, bem como a descrição dos projetos pedagógicos a serem implantados até sua plena integralização, considerando as diretrizes curriculares nacionais aprovadas pelo CNE e homologadas pelo Ministro de Estado da Educação; II. critérios e procedimentos editados pelo MEC, reguladores da organização, supervisão e avaliação do ensino superior; III. descrição e cronograma do processo de expansão da instituição a ser credenciada, em relação ao aumento de vagas, abertura de cursos superiores, ampliação das instalações físicas e, quando for o caso, abertura de cursos fora de sede; IV. projeto de qualificação da instituição, contendo, pelo menos, a descrição dos procedimentos de auto-avaliação institucional, bem como os de atendimento aos alunos, incluindo orientação administrativa, pedagógica e profissional, acesso aos laboratórios e bibliotecas e formas de participação dos professores e alunos nos órgãos colegiados responsáveis pela condução dos assuntos acadêmicos. É um documento tão importante para as IES que a Lei nº 10.861, que institui o SINAES (BRASIL, 2004), diz, no art. 3º, que a primeira dimensão a ser objeto da avaliação é exatamente “o plano de desenvolvimento institucional”. Podese dizer que o PDI é a linha mestra a ser seguida no processo de avaliação, porque não se pode avaliar algo que não se conhece. Segundo Segenreich (2005, p. 151), o PDI espelha “[...] a tradução, em médio prazo, das propostas de uma instituição de ensino superior no sentido de consolidar sua trajetória [...]”, atendendo ao objetivo proposto pelo SINAES (BRASIL, 2004), que é o de “[...] identificar o seu perfil e o significado de sua atuação, por meio de suas atividades, cursos, programas, projetos e setores” (art. 3º). No entender de Marback Neto (2005, p. 290), a avaliação e o PDI têm uma estreita ligação. Conforme esse autor, a avaliação constitui o princípio e o fim da gestão, e o princípio concerne justamente “[...] ao diagnóstico da situação, que é valioso para o planejamento institucional, atualmente denominado PDI (Plano de Desenvolvimento Institucional)”. Outro documento importante para as IES é o Projeto Pedagógico Institucional (PPI) que é, na visão de Suñe (2005, p. 1), uma projeção de longo prazo que “[...] define as utopias, os compromissos políticos e orienta a comunidade universitária. É a grande referência institucional. O ponto de partida do PPI é a identidade das instituições. Devem ser reconhecidas pelo conjunto dos seus atores”. Aquela autora enfatiza o compromisso social que as IES devem confirmar no PPI, em detrimento do lucro, da produção, do mercado: “[...] a universidade não deve ficar atrelada e refém do mercado de trabalho, das demandas produtivas, mas deve adequá-las e conduzi-las”. Suñe (2005, p. 1) ainda complementa, afirmando que o PPI é [...] um instrumento político, teórico, metodológico que norteará as ações educacionais da IES para a consecução de sua missão e dos seus objetivos. É o documento central da ação institucional e educativa. Expressão da vontade explícita da instituição. É o credo da instituição educacional. Não deve mudar constantemente. Para Eyng (2007, p. 2), o PPI pode ser considerado como uma estratégia primordial na gestão da ação institucional, objetivando “[...] a conquista de uma maior autonomia com vistas à construção da sua identidade”. De acordo com essa autora, a definição dessa identidade [...] inicia-se, pois, na compreensão clara da missão da instituição educativa, que se consubstancia mediante ações intencionais e integradas de ensino, pesquisa e extensão definidas no projeto pedagógico institucional e aperfeiçoados pelo processo de avaliação institucional (EYNG, 2007, p. 2). Ainda segundo Eyng (2007, p. 2), avaliação e PPI também estão ligados, pois o PPI é “[...] a estratégia que estabelece a identidade pretendida [...]” e a avaliação “[...] é a estratégia que viabiliza a consolidação e o aperfeiçoamento da identidade institucional”. Além disso, das funções do PPI se destacam “[...] a capacidade de apresentar as características particulares e diferenciadoras da IES, orientar e guiar suas ações, bem como ser referência interna e externa na avaliação dos processos que desenvolve e dos resultados que alcança” (EYNG, 2007, p. 4). Zainko (2004, p. 20) explica que a avaliação se baliza pelo PDI e pelo PPI, porque são neles que as instituições colocam claramente suas propostas, sua missão, seus valores e objetivos. E, ao avaliar, é necessário estabelecer critérios de análise em relação a alguma idéia ou formulação, justamente o PDI e o PPI. Neles, as instituições mostram o que estão propondo para si, e a avaliação mostra se essa proposta está sendo colocada em prática e, se não está, propicia diretrizes para que isso possa ocorrer. “A avaliação aprofunda as análises, ressaltando os pontos fortes e ajuda a comunidade acadêmica a melhorar, a compreender e a buscar na reavaliação uma visão positiva de seu PDI” (ZAINKO, 2004, p. 12). A avaliação vai ajudar a dar consistência ao PDI e ao PPI. Tanto o PDI quanto o PPI trazem em seu bojo o que as instituições pretendem realizar no futuro, no sentido de transformar em realidade a missão, os objetivos, os princípios e as práticas institucionais, tanto administrativas como pedagógicas. Porém, com uma diferença: o PDI é um compromisso das IES, é um documento exigido por lei e é o plano para concretizar a atuação das IES; o PPI é um ideário, é o referencial a direcionar a atuação das universidades (PAULA; AZEVEDO, 2004, p. 68). Para que se desenvolvam a contento, o PDI e o PPI exigem inicialmente reflexão e debate entre os vários segmentos das IES sobre: a visão de mundo contemporâneo e o papel da educação superior em face da nova conjuntura globalizada e tecnológica; o ensino, a pesquisa e a extensão como componentes para a formação crítica do futuro profissional e cidadão; a produção e a socialização dos conhecimentos na busca da articulação entre a situação real e a desejada dos diferentes atos operacionais e administrativos, conceituais e pedagógicos (XAVIER, 1999, p. 1). Por serem marcos conceituais, o PDI e o PPI contêm em si as estratégias a serem seguidas pelas instituições. 3.4 A Avaliação Institucional como Estratégia na Tomada de Decisão Estratégia se traduz na prática de alocar os recursos das organizações, interagindo ativamente com as realidades e cenários ambientais, de modo que todos possam alcançar seus objetivos. Baseada na estratégia, tem-se a direção estratégica, isto é, a liderança, a influência e a motivação que os superiores exercem sobre seus subordinados de forma interativa com os fatores ambientais, para a realização de suas atividades. Ou seja, “[...] é a capacidade de transmitir aos outros a imagem do futuro que pretendemos criar" (SENGE, 1990, p. 18). É o planejamento estratégico, que leva em consideração o ambiente externo às organizações para identificar suas crises e suas oportunidades. A importância da estratégia para as organizações é no sentido de ser um exercício contínuo para melhorar, buscando alcançar um futuro “escolhido”. A administração estratégica é isto: a forma como é visto o processo como um todo da estratégia. Num sentido mais amplo, ela consiste em decisões e ações administrativas que auxiliam a assegurar que as organizações formulam e mantêm adaptações benéficas com seu ambiente. Mintzberg e Quinn (2001, p. 20) argumentam que a estratégia é como um padrão ou plano que integra as principais metas, políticas e seqüência de ações de uma organização em um todo coerente. Portanto, uma estratégia bem formulada ajuda a ordenar e alocar os recursos de uma organização para uma postura singular e viável, com base em suas competências e deficiências internas relativas, mudanças no ambiente antecipadas e providências contingentes realizadas por oponentes inteligentes. O processo de formulação da estratégia estabelece as direções gerais, nas quais a posição das organizações crescerá e se desenvolverá. A estratégia deve ser usada para gerar projetos estratégicos por um processo de busca. Para Alday (2002, p. 17), o papel da estratégia nessa busca primeiro focaliza a atenção em áreas definidas pela estratégia e, em segundo lugar, a exclusão das possibilidades não identificadas que sejam compatíveis com a estratégia. Mintzberg et al (2000, p. 19) defendem que estratégia é olhar para o futuro (estratégia pretendida), baseando-se no comportamento passado (estratégia realizada). Assim, as organizações desenvolvem planos para o seu futuro e também extraem padrões do seu passado. A pergunta importante a fazer seria: as estratégias realizadas devem sempre ter sido pretendidas? (Na prática sabe-se que as estratégias pretendidas nem sempre são realizadas). A implementação da estratégia é composta de uma série de subatividades basicamente administrativas. As principais sub-atividades da formulação estratégica, para Mintzberg e Quinn (2001, p. 21), incluem a identificação das oportunidades e ameaças no ambiente das organizações, adicionando-se alguma estimativa, ou risco às alternativas discerníveis. Antes de ser feita uma escolha, os pontos fortes e fracos devem ser avaliados com recursos disponíveis. Especificamente no campo das IES, com o aumento numérico das instituições privadas de educação superior em um mercado competitivo, essas instituições são forçadas a encontrar alternativas para se desenvolver e sobreviver à instabilidade de ambientes em mudanças constantes. Para Meyer Jr. e Mugnol (2004, p. 158), a palavra estratégia, no contexto das IES, possui vários significados: refere-se a um conjunto de políticas, decisões, objetivos e ações, de médio e longo prazo, que caracterizam o posicionamento de uma instituição num determinado contexto. As estratégias tornam-se fundamentais para as IES, uma vez que essas atuam num ambiente em permanente transformação. Assim, a escolha das estratégias pelas instituições constitui-se em elemento crucial para o seu bom desempenho. Quanto ao gestor estratégico, Mota (1986, p. 40) procura mostrar que, por detrás do "super-homem gerencial", está a imagem de um indivíduo alicerçado na racionalidade decisória, no planejamento sistemático e na eficiência da supervisão e controle, o que se choca frontalmente com a realidade contemporânea das IES, marcada pela crescente complexidade e mutabilidade. A necessidade das IES se adequarem aos fatores ambientais é visível e, ao mesmo tempo, premente. As mudanças na ordem econômica mundial, induzidas pela globalização e pelo desenvolvimento acelerado das tecnologias da informação e comunicação, vêm gerando mudanças em todos os níveis. E como enfatiza Shirley (1976, p. 37), são as forças exógenas às IES que criam a necessidade de mudança organizacional interna. A demanda organizacional é por flexibilidade e inovação, o que conduz a novas formas de gestão. As conseqüências para a área educacional refletem-se na necessidade de "[...] reformular radicalmente a formação inicial, de desenvolver ações integradas de formação contínua [...]” (BELLONI, 1999, p. 22) e de transformar as IES em organizações que aprendem e mudam. A nova ordem mundial requer indivíduos capazes de selecionar, interpretar e utilizar informações que desenvolvam uma série de habilidades, como a auto-gestão, a resolução de problemas, que assumam responsabilidades e que trabalhem em grupo, de modo cooperativo e pouco hierarquizado. Nesse sentido, as IES necessitam estar preparadas para colaborar na formação desses indivíduos, redimensionando seus objetivos enquanto organização e os papéis dos vários agentes que participam dessa organização (gestores, funcionários, alunos, professores e outros). Por outro lado, como organizações que são, as IES fazem parte de um ambiente de negócios cada vez mais competitivo, em que um dos caminhos para o sucesso é justamente se diferenciar da concorrência, utilizando, para isso, modernos métodos e técnicas de gestão empresarial, incluindo estratégias de mudança organizacional. As IES, como organização, desempenham um papel fundamental no cenário econômico, tecnológico e social do mundo globalizado, pois formam profissionais para atuarem nas mais diversas áreas, produzem conhecimento e o aplicam na solução de problemas e, mais ainda, as IES nacionais, num momento em que o Brasil vem buscando alternativas para impulsionar seu desenvolvimento. Nesse contexto é primordial a gestão da mudança, escolhendo as estratégias mais adequadas à realidade das IES, que “[...] necessitam saber adequar objetivos, recursos, capacidade instalada e identificar as oportunidades para atuar estrategicamente num ambiente cada vez mais competitivo” (MEYER JR.; MUGNOL, 2004, p. 165). Para isso, segundo esses autores, os gestores devem aliar criatividade e estratégias “[...] de forma a garantir a sobrevivência da instituição”. A avaliação institucional é um campo fértil em idéias para criar estratégias de mudança. Morosini e Leite (apud MARBACK NETO, 2005, p. 8) afirmam: “[...] ela é vista prioritariamente como ponto de partida para as mudanças necessárias na instituição e no próprio sistema educacional. É um ‘organizador’ das idéias dispersas e fragmentadas sobre os males que afligem a instituição”. Segundo Marback Neto (2005, p. 9), a avaliação institucional é [...] um instrumento gerencial e pedagógico que envolve aferição, revisão e construção. Além disso, revela a adequação e a qualidade do desempenho (...), gerando insumos para os processos de tomadas de decisões e implantação de resultados, isto é, gerando insumos para que se criem estratégias de mudança. 4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DE DADOS Este capítulo está ligado aos objetivos específicos 3 e 4, que são: identificar as decisões que foram tomadas, a partir dos resultados da avaliação interna, para a implementação e o gerenciamento das mudanças, segundo os profissionais atuantes na IES investigada; e analisar o potencial da avaliação interna para propiciar mudanças, segundo a visão dos gestores. Está dividido em duas etapas, sendo que a primeira apresenta a caracterização do contexto investigado, composta do perfil da instituição pesquisada e da caracterização dos gestores que compuseram a amostra. A segunda etapa apresenta a análise dos dados obtidos mediante aplicação dos questionários e análise do Projeto e do Relatório Final da Avaliação Institucional. 4.1 Caracterização do Contexto e dos Sujeitos Investigados As informações que permitem caracterizar a instituição e os sujeitos investigados foram obtidas na pesquisa de campo realizada com base em documentos e nos questionários aplicados. A instituição de educação superior pesquisada surgiu da necessidade que a sociedade sentia de maior apoio ao ensino profissionalizante de nível médio, bem como de educação tecnológica superior. Recebeu do MEC autorização para funcionamento em 20 de novembro de 2002, com quatro Cursos Superiores de Tecnologia, na modalidade presencial (Portarias nºs. 3615/16/17/18): Comércio Exterior, Gestão de Negócios de Pequeno e Médio Porte, Gestão de Sistemas Produtivos Industriais e Marketing e Propaganda. Mais recentemente, em 24 de julho de 2003, o MEC autorizou à instituição o funcionamento do Curso Superior de Tecnologia em Comércio Exterior, na modalidade a distância (Portaria nº 1993). É o primeiro Curso Superior no Brasil autorizado nessa modalidade, por transmissão de sinal digital via satélite, tendo duração média de dois anos. Segundo o MEC, a base dessa modalidade é garantir continuamente melhorias na criação, aperfeiçoamento, divulgação de conhecimentos culturais, científicos, tecnológicos e profissionais que contribuam para superar os problemas regionais, nacionais e internacionais e para o desenvolvimento sustentável dos seres humanos, sem exclusões, nas comunidades e ambientes em que vivem (http://www.mec.gov.br/seed.shtm. Acesso em: 11 mar 2006). Seguindo as orientações do MEC, a IES em questão tem como diretriz que a formação profissional por meio da modalidade a distância não é um aligeiramento educacional ou uma ação compensatória: ela inclui modernos posicionamentos pedagógicos e exige a atenção especial a cada estudante matriculado, que pode organizar o seu tempo e o espaço de estudos de acordo com suas possibilidades, além de integrá-lo, direta e rapidamente, ao mercado de trabalho. Estruturados por módulos, os cursos permitem, inclusive, a certificação de cada módulo, que encerra uma parte conclusiva da formação. Seguindo a orientação da LDB, Lei nº 9.493/96, a instituição se enquadra na categoria Faculdades Integradas, Faculdades, Institutos Superiores ou Escolas Superiores, instituições com propostas curriculares em mais de uma área de conhecimento, organizadas para atuar com regime comum e comando unificado. Atualmente vem se estruturando para se enquadrar na categoria Centros Universitários, instituições de ensino superior pluri-curriculares, que se caracterizam pela excelência do ensino oferecido, comprovada pelo desempenho de seus cursos nas avaliações coordenadas pelo MEC, pela qualificação de seu corpo docente e pelas condições do trabalho acadêmico oferecido à comunidade. A entidade mantenedora é pessoa jurídica de direito privado. É regulamentada por um Regimento Institucional, pelo Estatuto e pela legislação de ensino em vigor. Desenvolve atividades de ensino, pesquisa e extensão, primando pela construção do conhecimento por meio de trabalho científico e investigador, realizado no âmbito de especialidades concretas, articuladas a metodologias que privilegiam a formação de equipes de pesquisas multi e transdisciplinares, cujo principal objetivo é a expansão do saber, dimensionando a significação dos problemas a detectar, pesquisar, intervir e solucionar, relacionando a vida plena ao equilíbrio da Terra, da sociedade e do homem. Os objetivos específicos da instituição são os seguintes: intervir na sociedade ou em seu modo de vida, estudando seus costumes e usos, questionando-os e criticando-os para que sejam, então, discutidos pela sociedade; gerar tecnologia em todas as áreas do conhecimento em que atuam as IES, necessária à melhoria da qualidade de vida da sociedade; servir como base para a produção do conhecimento necessário ao ensino superior, melhorando a qualidade de ensino nas IES; qualificar o seu corpo discente para a pós-graduação, como também para o mercado de trabalho; formar profissionais mais críticos e preparados para intervir no processo produtivo e social; inserir-se na comunidade científica, atraindo recursos e ampliando a sua inserção em atividades para a comunidade; desenvolver a estrutura necessária para que possa prestar serviços à sociedade por meio de suas instalações e técnicos de alto nível; promover o crescimento institucional por meio do desenvolvimento da pesquisa e pós-graduação; desenvolver a pesquisa e a pós-graduação, aproveitando as oportunidades oferecidas pelo ambiente externo e interno; incluir grupos de pesquisa e pesquisadores no Sistema Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação; tornar-se significativa no contexto regional e referência em determinados campos científicos, possibilitando estabelecer o diálogo entre o local e o global; oferecer programas permanentes de pós-graduação lato e stricto sensu. A visão institucional é identificada pelo princípio da diversidade na totalidade, privilegiando atividades pedagógicas pluricurriculares, atuando em áreas específicas do conhecimento, trabalhadas de forma interdisciplinar. A comunidade que forma a instituição tem à sua disposição instalações físicas próprias para atividades de ensino, salas de aula com mobiliário de alto padrão, alto fator de conforto e ergonomia, bibliotecas informatizadas com grande acervo, atualizado constantemente, além de acesso à base de dados disponível na Web, laboratórios de informática com equipamentos de última geração e com computadores interconectados em rede de alta velocidade, Internet de alta velocidade em todos os computadores por meio de provedor próprio, conectado com link de fibra óptica ao backbone e centro de idiomas conveniado com instituições de ensino nacionais e internacionais. Na modalidade presencial, com duração de 2 a 3 anos, os cursos ofertados são os seguintes: Tecnologia em Comércio Exterior, Tecnologia de Processos Gerenciais, Tecnologia em Gestão Financeira, Tecnologia em Gestão da Produção Industrial, Tecnologia em Gestão de Logística, Tecnologia em Secretariado, Tecnologia em Marketing, Tecnologia em Gestão Pública, Tecnologia em Gestão Comercial e Tecnologia em Segurança no Trabalho. Nessa modalidade a IES conta com 1.100 alunos. Na modalidade a distância os cursos ofertados são os seguintes: Tecnologia em Comércio Exterior, Tecnologia de Processos Gerenciais, Tecnologia em Gestão da Produção Industrial, Tecnologia em Marketing, Tecnologia em Gestão Financeira, Tecnologia em Gestão de Logística, Tecnologia em Secretariado, Tecnologia em Gestão Pública e Tecnologia em Gestão Comercial. Nessa modalidade a IES conta com 30.000 alunos e com 336 tele-centros associados em todo o território nacional. Por meio da Metodologia de Educação a Distância da EDSAT Rede Brasileira de Educação via Satélite e dos Centros Associados credenciados, a disseminação do conhecimento ocorre de forma interativa, em tempo real, ao vivo e a cores. É uma tecnologia de última geração, possibilitando que o aluno possa ter acesso aos melhores cursos de graduação do país. As aulas são ministradas por professores titulados, com ampla visão acadêmica, experiência prática e vivência na área. A missão é conduzir e orientar o aluno para que ele atinja o objetivo: atuar como especialista na gestão empresarial e na área de educação. Com a possibilidade de interação, eventuais dúvidas podem ser dirimidas durante o transcurso da aula, via 0800. A participação do aluno chega até o professor por meio de uma equipe especializada, operando call-center, fax ou e-mail. Assim, os questionamentos podem ser respondidos como se o professor estivesse presente na própria unidade escolar. Outros questionamentos adicionais são usualmente respondidos pelo professor via tutoria on-line ou por e-mail. A instituição dispõe de uma avançada estrutura tecnológica com uplinks de sinais de satélite, permitindo a transmissão de cursos em vários níveis, além de seminários e palestras, por meio de teleconferência com qualidade de vídeo digital de última geração. A partir de suas instalações, essa tecnologia educacional de alto desempenho via satélite, cobre 100% do território nacional, democratizando o acesso ao conhecimento. Essa expertise se vale de outras tecnologias inovadoras aplicadas à educação, como o vídeo streaming e outros recursos de multimídia, visando a maximizar a relação ensino/aprendizagem. Relativamente à caracterização dos gestores (coordenadores de curso) que compuseram a amostra, a descrição consta no quadro a seguir, desenvolvido a partir dos dados obtidos na pesquisa de campo já referida. QUADRO 3 – CARACTERIZAÇÃO DOS GESTORES DA AMOSTRA Sujeito Idade Formação Graduação 1 50 Economia 2 39 Pedagogia 3 49 Economia 4 35 Administração 5 45 Administração 6 27 Administração 7 66 Pedagogia 8 45 Administração 9 60 Administração 10 46 Engenharia Civil 11 46 Administração 12 60 Filosofia 13 37 Ciências Sociais FONTE: Dados da pesquisa de campo. Especialização Sim Sim Sim Sim Não Não Não Não Não Não Não Não Sim Tempo na IES Mestrado Sim Não Sim Não Não Sim Não Não Não Sim Não Não Não Doutorado Sim Não Não Não Não Não Sim Sim Não Sim Sim Sim Não 3 anos 4 anos 1 ano 4 meses 4 anos 4 anos 4 anos Tempo de atuação na função 1 ano 4 anos 4 meses 1 ano 1 ano 4 meses 4 anos 1 ano 1 ano 1 ano 7 meses 2 anos 2,5 anos 4.2 O Potencial da Avaliação na Tomada de Decisão, Segundo os Dados Coletados Antes de iniciar a análise dos dados, cruzando-os com o referencial teórico, isto é, avaliando o que a prática mostra e o que a teoria expõe sobre cada item, entende-se importante lembrar que foram investigados treze gestores, pertencentes a três áreas: Educação Presencial, Educação a Distância e Comissão Própria de Avaliação e os documentos analisados foram o Projeto e o Relatório Final da Avaliação Institucional. Optou-se por apresentar os dados coletados em quadros (apêndices 1 a 7). As respostas dos sujeitos 1 a 13 foram transcritas dos questionários para a primeira coluna de cada quadro e o mesmo foi feito com os dados obtidos por meio da análise documental do Projeto e do Relatório Final, transcritas na segunda coluna de cada quadro. As análises estão divididas em subitens, expostos a seguir, cada um correspondendo a uma questão da pesquisa. 4.2.1 Concepções de Avaliação A reflexão desenvolvida a partir da fundamentação teórica permitiu a análise de diferentes ênfases nas concepções sobre a avaliação institucional: a) processo de aperfeiçoamento institucional; b) estratégia de gestão; c) uma política educacional para a educação superior; d) processo de auto-conhecimento; e) processo de prestação de contas à sociedade; f) ação coletiva de compreensão do todo; g) ênfase na tomada de decisão; h) subsídio para intervenção no sistema. Percentualmente, as respostas dos sujeitos ficaram assim distribuídas: processo de aperfeiçoamento institucional: 30,76%; estratégia de gestão: 30,76%; política educacional para a educação superior: 15,38%; processo de auto-conhecimento: 7,7%; processo de prestação de contas à sociedade: 7,7%; ação coletiva de compreensão do todo: 7,7%. Os itens ênfase na tomada de decisão e subsídio para intervenção no sistema não foram opção de nenhum dos sujeitos. Além disso, do total de sujeitos da pesquisa, 15,38% não se posicionou em nenhuma ênfase. a) Processo de aperfeiçoamento institucional. Verificou-se que a maior ênfase das respostas está na compreensão da avaliação como processo de aperfeiçoamento institucional. Isso pode ser constatado nos posicionamentos dos sujeitos da pesquisa, que ilustram essa escolha: “Instrumento pelo qual observamos a instituição e seu papel perante a sociedade, que poderá ser o ponto para mudanças e melhorias” (SUJ. 2); “O processo de desenvolvimento contínuo da IES” (SUJ. 3); “está relacionada à melhoria da qualidade da educação superior” (SUJ. 11); e “identificação da qualidade institucional, tendo em vista o redimensionamento de seu desempenho” (SUJ. 12). Nos documentos analisados também se observa uma tendência para essa concepção de avaliação institucional. O Projeto afirma que a IES pretende, com a avaliação, “um ensino de qualidade sempre maior” e o Relatório Final explica que a IES tem sua preocupação voltada para “conhecer suas potencialidades”. Analisando as respostas dos sujeitos e o conteúdo dos documentos citados com a fundamentação teórica, pode-se dizer que a opinião dos sujeitos é semelhante à de Eyng (2004a, p. 3), que define avaliação como “[...] o processo que permite recolher informações, elaborar juízos e tomar decisões de melhora [...]”, e a de Marback Neto (2005, p. 290), que pontua a avaliação como instrumento utilizado para “[...] a consecução da meta de qualidade desejada”. Marback Neto (2005, p. 10) enfatiza ainda a busca pela qualidade da instituição por meio da avaliação institucional e Eyng (2007, p. 2) ressalta que ela concorre para “[...] o aperfeiçoamento da identidade institucional“. Catani, Oliveira e Dourado (2002, p. 100) também falam em avaliação para melhoria da instituição. Decisões de melhora, meta de qualidade desejada, busca pela qualidade, aperfeiçoamento e melhoria remetem a aperfeiçoamento institucional, característica apoiada pelo PAIUB (BRASIL, 1994, p. 4), quando diz que a avaliação institucional “[...] é um processo contínuo de aperfeiçoamento [...]”, e pelo SINAES (BRASIL, 2004, p. 9), que afirma que a avaliação visa “[...] ao aperfeiçoamento (...) da instituição como um todo”. b) Estratégia de gestão. Com relação à ênfase estratégia de gestão, os sujeitos que se identificaram com ela foram: sujeito 1, dizendo que avaliação é “medir e analisar os pontos-chave estabelecidos como parâmetros de desempenho”; sujeito 6, respondendo que ela é a “análise das potencialidades e pontos fracos da instituição na visão do aluno. Identificação do perfil do aluno da faculdade”; sujeito 8, afirmando que a avaliação é o “instrumento utilizado com vistas a contribuir com o processo de gestão da instituição, de forma positiva e efetiva”; e o sujeito 13, entendendo que a avaliação institucional é “um processo pelo qual a instituição coloca todas as suas atividades em perspectiva e analisa pontos fracos e fortes, ou seja, suas fragilidades e potencialidades”. A análise documental revelou que o Projeto se refere a “apoio aos recursos humanos” e o Relatório Final cita que a IES está preocupada em “conhecer suas potencialidades e deficiências”, corroborando a fala dos sujeitos da pesquisa. Marback Neto (2005, p. 10) afirma justamente que a avaliação pode “[...] abalizar os resultados da instituição para que se possa observar a eficiência e a eficácia organizacional”. Zainko (2004, p. 12) explica que ela “[...] aprofunda as análises, ressaltando os pontos fortes [...]”, buscando “[...] uma visão positiva” do PDI da IES. E Juliato (2005, p. 188) entende que ela é “[...] um procedimento técnico de acompanhamento sistemático das ações da gestão”. A CONAES (BRASIL, 2004, p. 8) fecha esse raciocínio afirmando que a avaliação é o “[...] instrumento cognitivo, crítico e organizador das ações da instituição e do MEC”. c) Política educacional para a educação superior. Com relação à política educacional para a educação superior, dois sujeitos se identificaram com essa ênfase. O sujeito 11 entende que o processo de avaliação é “um dos componentes do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES), e o sujeito 10 afirma que a avaliação é “o processo estabelecido e padronizado para avaliação comparativa entre instituições de ensino”, opinião semelhante ao que define o SINAES, atual política educacional de avaliação da educação superior. O Projeto não trata desse aspecto e o Relatório Final afirma que a avaliação é um instrumento “para tomar ciência da situação real vivenciada pelas instituições”. Morosini e Leite (apud MARBACK NETO, 2005, p. 8) explicam: “[...] é um ponto de partida para as mudanças necessárias (...) no próprio sistema educacional”. d) Processo de auto-conhecimento. No processo de auto-conhecimento, o sujeito 5 se posicionou, afirmando que a avaliação é “uma ferramenta de auto-conhecimento organizacional contínuo, com o propósito de aperfeiçoamento e adaptação”. Essa opinião é corroborada pela CONAES (BRASIL, 2004, p. 6-7), que se refere a um processo por meio do qual a IES “[...] constrói conhecimento sobre sua própria realidade”. A análise documental não pontua sobre essa ênfase. e) Processo de prestação de contas à sociedade. No processo de prestação de contas à sociedade, a fala do sujeito 11 inclui o social: “orientação da expansão de sua oferta e ao aumento permanente da sua eficácia institucional e efetividade acadêmica e social”. Assim também é a opinião encontrada no PAIUB (1994, p. 4): “[...] é um processo sistemático de prestação de contas à sociedade”. Os documentos não pontuam sobre essa ênfase. f) Ação coletiva de compreensão do todo. O sujeito 7 se posicionou nessa ênfase: “é um processo de avaliação que envolve todos os aspectos do processo ensino-aprendizagem, assim como as demais atividades de extensão, pesquisa, enquanto funções essenciais de uma instituição de ensino superior. Nesse contexto também se inserem as condições físicas e administrativas decorrentes daquele processo, bem como os aspectos relacionados à gestão institucional”. Como afirma Dias Sobrinho (2002, p. 103), a avaliação promove a “[...] compreensão do todo, pela articulação das diversas dimensões da instituição e de construção da integração onde esta não exista ou seja débil”. Os documentos não pontuam sobre essa ênfase. g) Ênfase na tomada de decisão. Nesta ênfase ocorreu um fato interessante, pois a tomada de decisão é amplamente defendida pelos autores e nenhum dos sujeitos pontuou sobre ela, e nem o Projeto e o Relatório Final. Por exemplo, Eyng (2004a, p. 3) entende a avaliação como “[...] a ferramenta para a tomada de decisão [...] ”; Juliato (2005, p. 188) diz que a avaliação “[...] conseqüentemente leva à tomada de decisão” e Mendes (2006, p. 2) afirma que ela “[...] fornece elementos muito claros para a tomada de decisão”. Inclusive o INEP (BRASIL, 2004, p. 84) ressalta que a avaliação institucional assume “[...] funções de informação para tomadas de decisão de caráter político, pedagógico e administrativo [...]”, envolvendo todas as áreas da IES. h) Subsídio para intervenção no sistema. Esta ênfase está ressaltada na afirmação de Aguilar e Ander-Egg (1994, p. 69): “[...] se ela é um subsídio para intervenção no sistema, isso quer dizer que a avaliação só deve ocorrer quando houver ‘plena aceitação dos responsáveis políticos, técnicos e administrativos que têm faculdades para tomar as decisões e introduzir correções’”. Nenhum dos sujeitos da pesquisa se posicionou a esse respeito e nem os documentos analisados. As respostas dos sujeitos da pesquisa 4 e 9 não remetem a nenhuma das ênfases analisadas: “é um dos instrumentos do Sistema de Avaliação da Educação Superior (SINAES)” (SUJ. 4); “é uma forma de obter resultados do aprendizado do aluno” (SUJ. 9). A opinião do sujeito 4 depõe contra dois requisitos propostos pela CONAES (BRASIL, 2004, p. 7), que ressaltam que a equipe de coordenação da avaliação deve sensibilizar a comunidade e fornecer assessoramento aos diferentes setores da IES para que possam refletir sobre tal processo, e conclama a participação dos integrantes da instituição, pois o envolvimento dos atores auxilia na construção do conhecimento gerado na avaliação. O sujeito 9 interpretou de modo errôneo a questão, entendendo que se tratava de avaliação do aprendizado do aluno: ”é uma forma de obter resultados do aprendizado do aluno”. 4.2.2 Os Objetivos da Avaliação O item fundamentação teórica favoreceu também a percepção dos vários objetivos da avaliação institucional: a) provocar a melhora contínua da instituição; b) organizar as atividades dos diferentes atores da instituição; c) melhorar a qualidade da educação superior; d) questionar as atividades e finalidades da instituição; e) sistematizar as informações; f) identificar problemas e deficiências; g) subsidiar a tomada de decisão; h) comparar o projeto da IES com a realidade institucional; i) estabelecer estratégias de superação de problemas; j) prestar contas à sociedade. Os percentuais daquele item são os seguintes, considerando que algumas respostas dos sujeitos da pesquisa contêm mais de um objetivo e alguns sujeitos não se encaixaram em nenhum objetivo: provocar a melhora contínua da instituição: 29,41%; organizar as atividades dos diferentes atores da instituição: 17,65%; melhorar a qualidade da educação superior: 17,65%; questionar as atividades e finalidades da instituição: 11,76%; sistematizar as informações: 11,76%; identificar problemas e deficiências: 5,88%; subsidiar a tomada de decisão: 5,88%. Comparar o projeto da IES com a realidade institucional, estabelecer estratégias de superação de problemas e prestar contas à sociedade foram ênfases que não obtiveram percentual. a) Provocar a melhora contínua da instituição. No que se refere a provocar a melhora contínua da instituição, os seguintes posicionamentos ilustram essa escolha: “processo contínuo de melhoria da instituição de ensino superior” (SUJ. 1); “melhorias da função da IES” (SUJ. 2); “identificar pontos para melhorias futuras” (SUJ. 6); “incrementar o que está positivo” (SUJ. 8); e “o objetivo principal é o aperfeiçoamento institucional por meio do autoconhecimento” (SUJ. 13). Os documentos analisados apontam inúmeros objetivos, dos quais alguns coincidem com os propostos na fundamentação teórica. Por exemplo, o Projeto apresenta os seguintes objetivos: “despertar nos professores e alunos uma conscientização dos fatores determinantes para a qualidade” e “apontar o nível de qualidade do ensino-aprendizagem”. O Relatório Final não aponta esses objetivos. Analisando as respostas dos sujeitos e o conteúdo dos documentos citados com a fundamentação teórica, pode-se dizer que a opinião dos sujeitos é semelhante à dos autores. Catani, Oliveira e Dourado (2002, p. 100) afirmam que um dos objetivos da avaliação institucional é buscar “[...] a melhoria da instituição e dos processos de gestão” e Zainko (2004, p. 12) coloca como objetivo ajudar “[...] a comunidade acadêmica a melhorar”. b) Organizar as atividades dos diferentes atores da instituição. Os seguintes sujeitos corroboram este objetivo: sujeito 3, “acompanhar a aprendizagem do acadêmico, adequando-a ao perfil do egresso que se deseja formar”; sujeito 5, “subsidiar de forma clara e específica os setores, departamentos ou estruturas que devem ou merecem sofrer alterações para maximizar os resultados organizacionais”; sujeito 12, “sensibilizar a comunidade universitária sobre o seu envolvimento no desempenho e finalidade institucional”. O Projeto afirma: “encarar a avaliação como um questão otimista e necessária, tendo em vista a dignificação das funções docente, técnica e administrativa”; “levar o pessoal técnico e administrativo a perceber a real responsabilidade que lhe cabe como agente propiciador de condições e de apoio”; “promover uma atitude mais participativa e responsabilizada dos alunos”; “oportunizar aos professores elementos que lhes facilitem o reajuste de conteúdos e de métodos de ensino”; “elencar os principais agentes de promoção e de entrave de um ensino de qualidade”. O Relatório Final apresenta quatro objetivos da avaliação institucional, sendo que o primeiro concorda com o objetivo de organizar as atividades dos diferentes atores da instituição: “cobrir a instituição nos seus aspectos de ensino, pesquisa, extensão, gestão, serviços administrativos e de intervenção social, dando apoio à mantenedora e a seus agentes administrativos para o melhor planejamento e implementação das funções”. Com relação a esse objetivo, a CONAES (BRASIL, 2004, p. 17), afirma que o objetivo da avaliação é “[...] elaborar uma metodologia que organize” essas atividades, “buscando a construção de um sistema integrado”. c) Melhorar a qualidade da educação superior. O sujeito 4 afirma que o objetivo da avaliação é a “melhoria da qualidade da educação superior”; o sujeito 10 fala em “estabelecer um comparativo entre IES e considerar os parâmetros mais elevados da qualidade existente” e o sujeito 11 diz que “a avaliação institucional tem como objetivos o aprofundamento dos compromissos e responsabilidades sociais das instituições de educação superior, bem como a orientação da expansão de sua oferta e ao aumento permanente da sua eficácia institucional e efetividade acadêmica e social”. Quanto aos documentos analisados, esse objetivo não é mencionado nem no Projeto nem no Relatório Final. Com relação a esse objetivo, o art. 1º, § 1º, do SINAES (BRASIL, 2004) propõe como objetivo da avaliação institucional “[...] a melhoria da qualidade da educação superior [...]” e Catani e Oliveira (2006, p. 1) citam como objetivo “[...] ordenar as tomadas de decisão em termos (...) do estabelecimento de políticas governamentais [...]” para a educação superior. d) Questionar as atividades e finalidades da instituição. O sujeito 2 e o sujeito 12 responderam, respectivamente, que o objetivo da avaliação é “servir de termômetro de funcionamento” e “identificar a finalidade institucional”, corroborando com o objetivo questionar as atividades e finalidades da instituição. O Projeto indica que um dos objetivos da avaliação da IES é “conclamar a comunidade institucional (...) para uma permanente reflexão, autocrítica e participação no desenvolvimento acadêmico e social”; no Relatório Final não há nenhum objetivo condizente com esse. Os autores que entendem que o objetivo da avaliação institucional é questionar as atividades e finalidades das IES são: Dias Sobrinho (2002, p. 103), que cita o objetivo de promover a “[...] compreensão do todo, através da articulação das diversas dimensões da instituição [...]”, e a CONAES (BRASIL, 2004, p. 7), que defende o objetivo de “[...] analisar coletivamente os significados de suas realizações”. e) Sistematizar as informações. Quanto a esse objetivo, o sujeito 7 emite opinião semelhante, respondendo “produzir elementos, dados e informações”, bem como o sujeito 2: “levantar formas e procedimentos”. O Projeto se refere a “oportunizar aos professores elementos que lhes facilitem o reajuste de conteúdos e de métodos de ensino” e o Relatório Final não traz conteúdo referente a essa ênfase. A CONAES (BRASIL, 2004, p. 7) é a primeira a tratar de sistematizar informações, mesma opinião de Eyng (2004a, p. 3), que cita como objetivo oferecer “[...] diagnósticos pautados na análise de dados representativos do conjunto”. f) Identificar problemas e deficiências. O sujeito 8 respondeu que o objetivo da avaliação é “vislumbrar os desvios e indicar as distorções para correção e melhorar a gestão”, concordando com o objetivo identificar problemas e deficiências. O Projeto e o Relatório Final não falam nesse objetivo. A fundamentação teórica afirma, por meio da CONAES (BRASIL, 2004, p. 7), que um dos objetivos da avaliação institucional é “[...] estabelecer estratégias de superação de problemas [...]”, texto que se aproxima do SINAES (BRASIL, 2004, p. 5) quando diz que um dos objetivos é “[...] identificar as causas dos seus problemas e deficiências”. g) Subsidiar a tomada de decisão. O sujeito 7 afirmou que o objetivo da avaliação é “auxiliar e orientar o processo de tomada de decisões institucionais tanto administrativas quanto acadêmicas”, posicionando-se semelhantemente a esse objetivo. O Projeto propõe “despertar nos professores e alunos uma conscientização dos fatores determinantes para a qualidade e o sucesso” da IES, o que certamente concorre para que a avaliação subsidie a tomada de decisão. O Relatório Final não aborda essa ênfase. Explica Dias Sobrinho (2003a, p. 131) que um dos objetivos da avaliação é “[...] formular um julgamento, por parte de todos os implicados, sobre a qualidade do serviço educativo prestado pela faculdade, para melhorar a tomada de decisões”. h) Comparar o projeto da IES com a realidade institucional. Este objetivo não condiz com as respostas dadas pelos sujeitos da pesquisa, mas o Projeto fala em “identificar a qualidade e a quantidade dos serviços ofertados” e o Relatório Final, em “averiguar a consecução dos objetivos da IES, considerando os objetivos propostos que vêm sendo alcançados, os objetivos propostos ainda a serem atingidos, os obstáculos que dificultam o cumprimento dos objetivos propostos e o relacionamento de rumos pretendidos para a instituição”. Ambos tem relação com o objetivo de comparar o projeto da IES com a realidade institucional e também com o objetivo proposto pela CONAES (BRASIL, 2004, p. 7) de “[...] analisar coletivamente os significados de suas realizações”. i) Estabelecer estratégias de superação de problemas. Este objetivo, proposto pela CONAES (BRASIL, 2004, p. 7), não foi citado nem pelos sujeitos da pesquisa e nem no Projeto ou no Relatório Final. j) Prestar contas à sociedade. Este objetivo, proposto pelo SINAES (BRASIL, 2004, p. 5), não foi citado nem pelos sujeitos da pesquisa e nem no Projeto ou no Relatório Final. A resposta do sujeito 9, “analisar o aprendizado do aluno e o envolvimento do professor no processo de ensino”, não se encaixou em nenhum dos objetivos. 4.2.3 A Forma de Realização da Avaliação Esta questão contemplou a metodologia, os procedimentos e as estratégias realizadas para a consecução da avaliação. É o caminho tomado pela IES para proceder à avaliação. A base para a análise dessa questão vem da CONAES (BRASIL, 2004, p. 10), a qual explica que “no desenvolvimento da auto-avaliação é fundamental assegurar a coerência entre as ações planejadas e as metodologias adotadas”. As atividades que norteiam a forma de realização da avaliação, expostas pela CONAES (BRASIL, 2004, p. 10), são as adotadas para a análise das respostas dos sujeitos da pesquisa, do Projeto e do Relatório Final, corroboradas pela fundamentação teórica, a saber: a) construção de instrumentos para coleta de dados: entrevistas, questionários e outros; b) definição da composição dos grupos de trabalho, atendendo aos principais segmentos da comunidade acadêmica; c) organização e discussão dos resultados com a comunidade acadêmica e publicação das experiências; d) realização de reuniões ou debates de sensibilização; e) sistematização de demandas, idéias e sugestões oriundas das reuniões; f) definição da metodologia de análise e interpretação dos dados; g) realização de seminários internos para apresentação do SINAES, exposição da proposta do processo de avaliação interna da IES, discussões internas e demonstração das sistematizações dos resultados; h) definição das condições materiais para o desenvolvimento do trabalho: espaço físico, docentes e técnicos com horas de trabalho dedicadas a essa tarefa e outros; i) definição de formato de relatório de auto-avaliação e de reuniões sistemáticas de trabalho; j) elaboração de relatórios. Nessa questão algumas respostas coincidiram com mais de um item das atividades que norteiam a forma de realização da avaliação. Considerando esse fato, percentualmente os sujeitos ficaram assim distribuídos: construção de instrumentos para coleta de dados: entrevistas, questionários e outros: 40%; definição da composição dos grupos de trabalho, atendendo aos principais segmentos da comunidade acadêmica: 20%; organização e discussão dos resultados com a comunidade acadêmica e publicação das experiências: 20%; realização de reuniões ou debates de sensibilização: 6,67%; sistematização de demandas, idéias e sugestões oriundas das reuniões: 6,67%; definição da metodologia de análise e interpretação dos dados: 6,67%. As outras ênfases não foram encontradas nas falas dos sujeitos. a) Construção de instrumentos para coleta de dados: entrevistas, questionários e outros. Foi a ênfase mais contemplada pelos sujeitos da pesquisa. Grande número de sujeitos apontou a forma como são coletados os dados para a avaliação. Isso pode ser constatado nas seguintes respostas: “pesquisa oficial da IES” (SUJ. 1); “por meio de pesquisas com alunos, professores e funcionários, on-line” (SUJ. 5); “on-line, dividida em perfil do aluno, estrutura organizacional e professores” (SUJ. 6); “por meio de questionários e outros instrumentos especialmente elaborados para as pesquisas” (SUJ. 7); “em nossa IES a avaliação institucional é efetivada por meio de instrumento on-line (SUJ. 11); “informatizada” (SUJ. 8). O Projeto confirma esse item no qual consta que “a dimensão quantitativa envolve principalmente um levantamento de dados (...) da instituição com relação a alunos, professores, pessoal técnico e administrativo, dados de infra-estrutura e apoio, levantamento de dados quantitativos da educação”, dados esses retirados dos documentos da IES. E “quanto à dimensão qualitativa, foram confeccionados quatro questionários com questões fechadas” para avaliar o desempenho do ensino de graduação: um para alunos, outros para professores e outro para coordenadores, além do questionário que identifica o perfil sócio-educacional dos alunos. O Relatório Final trata apenas do “levantamento de dados e informações”. b) Definição da composição dos grupos de trabalho, atendendo aos principais segmentos da comunidade acadêmica. Esta ênfase pode ser ilustrada com os seguintes posicionamentos: “processual, com estudos por meio de CPA” (SUJ. 2); “é realizada por meio de uma Comissão Própria de Avaliação, com a participação de todos os coordenadores dos diferentes cursos e de professores especialistas em avaliação” (SUJ. 7); “é realizada por meio da CPA, que coordena todas as atividades avaliativas” (SUJ. 13). O Projeto não pontua sobre esta ênfase e o Relatório Final afirma que “foram desenvolvidas as seguintes atividades: constituição da Comissão Própria de Avaliação”. De acordo com o SINAES (2004, p. 9), art. 11, “cada instituição deve constituir uma CPA com as funções de coordenar e articular o seu processo interno de avaliação e disponibilizar informações”. c) Organização e discussão dos resultados com a comunidade acadêmica e publicação das experiências. Nesta ênfase destacam-se o sujeito 5, que respondeu “os dados tabulados são estudados e tomadas as intervenções pertinentes a cada situação”, o sujeito 7, afirmando que “por meio de questionários e outros instrumentos especialmente elaborados para as pesquisas, avaliam todas as dimensões da instituição” e o sujeito 10, que diz “sendo agrupados e totalizados ao sistema”. O Projeto não engloba essa ênfase e o Relatório Final apresentou a seguinte redação: “análise das informações e emissão de relatórios parciais” e “é emitido o Relatório Final, feita a divulgação para a comunidade acadêmica e feito o balanço crítico do processo de auto-avaliação e dos resultados obtidos”. Com relação a essa ênfase Dias Sobrinho (2003a, p. 125) comenta que a avaliação deve ser participativa, isto é, os resultados precisam ser apresentados a todos e discutidos com todos; deve “[...] envolver os agentes internos de todos os níveis e categorias e representantes da comunidade externa com intencionalidade educativa e procedimentos fundados em princípios democráticos”. Trigueiro (2004, p. 27) complementa afirmando que nenhuma IES tem condições de prosseguir num processo de avaliação “[...] sem um comprometimento mais efetivo do conjunto dos membros e setores da instituição, como um todo”. d) Realização de reuniões ou debates de sensibilização. Apenas o sujeito 12 se posicionou nesta ênfase, respondendo que “a comunidade universitária é conclamada a se pronunciar/posicionar a respeito do desenvolvimento/desempenho institucional”. Nem o Projeto nem o Relatório Final contemplam essa ênfase. e) Sistematização de demandas, idéias e sugestões oriundas das reuniões. O sujeito 2 respondeu que “está sendo um lento caminhar, mas acertado e com buscas sempre de sugestões”, mostrando, com sua opinião, que a instituição está buscando o aprimoramento da metodologia da avaliação. O Projeto e o Relatório final não contemplam essa ênfase. f) Definição da metodologia de análise e interpretação dos dados. Nesta ênfase pode-se citar o posicionamento do sujeito 13: as atividades de avaliação “compreendem as dez dimensões de avaliação indicadas pelo SINAES”. Segundo esta Lei, as dez dimensões são: 1) a missão e o Plano de Desenvolvimento Institucional; 2) a política para o ensino, a pesquisa, a pós-graduação, a extensão e as respectivas normas de operacionalização, incluídos os procedimentos para estímulo à produção acadêmica, as bolsas de pesquisa, de monitoria e demais modalidades; 3) a responsabilidade social da instituição, considerada especialmente no que se refere à sua contribuição em relação à inclusão social, ao desenvolvimento econômico e social, à defesa do meio ambiente, da memória cultural, da produção artística e do patrimônio cultural; 4) a comunicação com a sociedade; 5) as políticas de pessoal, de carreiras do corpo docente e corpo técnicoadministrativo, seu aperfeiçoamento, desenvolvimento profissional e suas condições de trabalho; 6) organização e gestão da instituição, especialmente o funcionamento e representatividade dos colegiados, sua independência e autonomia na relação com a mantenedora, e a participação dos segmentos da comunidade universitária nos processos decisórios; 7) infra-estrutura física, especialmente a de ensino e de pesquisa, biblioteca, recursos de informação e comunicação; 8) planejamento e avaliação, especialmente em relação aos processos, resultados e eficácia da auto-avaliação institucional; 9) políticas de atendimento aos estudantes; 10) sustentabilidade financeira, tendo em vista o significado social da continuidade dos compromissos na oferta da educação superior. Entende-se que esse sujeito compreende as dez dimensões, como o caminho para analisar e interpretar os dados coletados com a avaliação. O Projeto e o Relatório final não contemplam essa ênfase. g) Realização de seminários internos para apresentação do SINAES, exposição da proposta do processo de avaliação interna da IES, discussões internas e demonstração das sistematizações dos resultados. Não houve nenhuma resposta condizente com essa ênfase, e nem citação no Projeto ou no Relatório Final. h) Definição das condições materiais para o desenvolvimento do trabalho: espaço físico, docentes e técnicos com horas de trabalho dedicadas a esta tarefa e outros. Essa ênfase também não obteve respostas e nem citações no Projeto ou no Relatório Final. i) Definição de formato de relatório de auto-avaliação e de reuniões sistemáticas de trabalho. Essa ênfase também não obteve respostas e nem citações no Projeto ou no Relatório Final. j) Elaboração de relatórios. Para essa ênfase apenas o Relatório Final afirma que, na terceira etapa da avaliação, “é emitido o relatório final”. Os sujeitos 3, 4 e 9 não concordaram com nenhuma das ênfases. O sujeito 3 respondeu que “no meu curso, é realizada semestralmente. Agora, no curso de Secretariado EAD, que é modular, realizaremos no final de cada módulo”. O sujeito 4 afirmou: “é realizada anualmente pelos alunos, professores e demais profissionais da instituição”. O sujeito 9 informou que é realizada “por meio de perguntas na forma de resposta direta, como também por um trabalho no final de cada módulo para assim formalizar o todo do conhecimento do aluno”. Verifica-se que esses sujeitos focaram a época em que a avaliação é feita e não a forma como o é. 4.2.4 Divulgação dos Resultados Com relação à divulgação dos resultados da avaliação institucional interna, a reflexão se fez sobre o documento do INEP (BRASIL, 2004), intitulado Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior: Da Concepção à Regulamentação, que apresenta as seguintes formas de divulgação: a) reuniões; b) documentos informativos (impressos e eletrônicos); c) seminários. Analisando a fala dos sujeitos da pesquisa, verificou-se que eles se dividiram entre duas ênfases: reuniões e documentos informativos. Por isso, a percentagem ficou assim: 50% para as reuniões e 50% para os documentos informativos. A forma seminários não foi citada nas respostas dos sujeitos. a) Reuniões. Quanto à ênfase reuniões, os sujeitos responderam: “neste momento está sendo de forma indireta em reuniões” (SUJ. 2); “através da coordenação geral em reuniões pedagógicas e administrativas” (SUJ. 5); “as avaliações específicas de algumas dimensões como, por exemplo, a docente individual, são tratadas em caráter individual em reunião do docente com o coordenador do curso” (SUJ. 7); “busca-se a melhoria em conjunto por meio de reuniões departamentais” (SUJ. 4). A resposta do sujeito 3 também pode ser encaixada nessa ênfase, apesar de não falar especificamente em reuniões: “divulga no encontro semanal com tutores”. Nem o Projeto nem o Relatório Final tratam de reuniões para a divulgação dos resultados da avaliação institucional interna. b) Documentos informativos (impressos e eletrônicos). A opinião dos seguintes sujeitos ilustram essa ênfase: sujeito 1, “formulário próprio”; sujeito 7, “são divulgados em seu conjunto no site da instituição e em publicações próprias colocadas nas pastas dos professores, coordenadores e pessoal técnico-administrativo e de apoio”; sujeito 10, “são divulgados por meio de relatórios disponibilizados aos diversos setores da organização”; sujeito 12, “os resultados da avaliação institucional são postos a público por meio de relatório circunstancial”; sujeito 13, “são divulgados por meio do envio do relatório de autoavaliação para todos os responsáveis por setores e os resultados globais são publicados no site da IES”. Segundo citação do INEP (BRASIL, 2004, p. 11-12), os resultados fazem parte da terceira etapa, a consolidação, que se refere justamente à “elaboração, divulgação e análise do relatório final”. Esse relatório “deve expressar o resultado do processo de discussão, de análise e interpretação dos dados advindos, principalmente, do processo de auto-avaliação (...) são fundamentais à clareza na comunicação das informações e ao caráter analítico e interpretativo dos resultados obtidos”. O Projeto e o Relatório Final são vagos a respeito da divulgação dos resultados. Apenas o Projeto concorda com a segunda ênfase, documentos informativos, dizendo que “a comissão responsável pela avaliação elaborará um relatório final, indicando os aspectos positivos e as deficiências acadêmicas ou institucionais identificadas, e propondo medidas de superação”. Quatro sujeitos deram respostas que não se encaixam em nenhum dos itens. São elas: “primeiro para coordenadores, três pontos de análise; segundo para professores, apenas a sua avaliação. Não há para alunos, que eu saiba” (SUJ. 6); “os resultados são disponibilizados aos coordenadores de cada área, que procederão às correções e ajustes, com vistas a maximizar o resultado global” (SUJ. 8); “por meio de uma nota para as perguntas formuladas e outra nota para atividade (trabalho de conclusão do módulo)” (SUJ. 9); “os resultados são encaminhados aos respectivos setores, tais como supervisão pedagógica, tutoria central e coordenações de curso, para que os responsáveis possam analisar e balizar seus procedimentos” (SUJ. 11). 4.2.5 Tomada de decisão a partir dos resultados Antes de iniciar a análise dessa questão, quer-se evidenciar, com uma citação da CONAES (BRASIL, 2004, p. 7), a importância do questionamento, pois um dos requisitos da auto-avaliação é justamente o [...] uso efetivo dos resultados. O conhecimento que a avaliação interna proverá à comunidade institucional deve ter uma finalidade clara de planejar ações destinadas à superação das dificuldades e ao aprimoramento institucional. Para isso, é importante priorizar ações de curto, médio e longo prazos, planejar de modo compartilhado e estabelecer etapas para alcançar metas simples ou mais complexas. Nessa questão as ênfases destacadas a partir da fundamentação teórica são: a) aprimoramento institucional; b) melhoria de métodos e técnicas utilizadas na prática; c) ações destinadas à superação das dificuldades; d) formulações de ações pedagógicas e administrativas; e) modificações em projetos universitários; f) melhoria de métodos e técnicas utilizadas nos procedimentos empregados na consecução dos objetivos; g) aplicação de estratégias de desenvolvimento; h) modificação ou inovação estrutural do funcionamento da instituição. Percentualmente, as respostas ficaram assim distribuídas, sempre considerando que as respostas dos sujeitos se posicionam em mais de uma ênfase: aprimoramento institucional: 20%; melhoria de métodos e técnicas utilizadas na prática: 20%; ações destinadas à superação das dificuldades: 13,33%; formulações de ações pedagógicas e administrativas: 13,33%; modificações em projetos universitários: 13,33%; melhoria de métodos e técnicas utilizadas nos procedimentos empregados na consecução dos objetivos: 13,33%; aplicação de estratégias de desenvolvimento: 6,68%. A ênfase modificação ou inovação estrutural do funcionamento da instituição não alcançou percentual. a) Aprimoramento institucional. Verificou-se que a maioria das respostas dos sujeitos se posiciona nesta ênfase: “a partir destes são criados mecanismos para corrigir o processo” (SUJ. 2); “busca-se a melhoria da educação e dos serviços da instituição” (SUJ. 4); “os resultados são comparados com os objetivos e metas estabelecidas, bem como os resultados das duas últimas avaliações, com o objetivo de verificação do progresso alcançado no desempenho” (SUJ. 7). Essa fala dos sujeitos está de acordo com a concepção de avaliação que eles mesmos citaram, por exemplo, “instrumento pelo qual observamos a instituição e seu papel perante a sociedade, que poderá ser o ponto para mudanças e melhorias” (SUJ. 2). Os documentos analisados também apontaram para essa ênfase, por exemplo, “um ensino de qualidade sempre maior” (PROJETO). O Relatório Final não se posiciona a esse respeito. A fundamentação teórica apresenta a mesma linha de raciocínio. Eyng (2004a, p. 3) afirma que a avaliação é “[...] o processo que permite recolher informações, elaborar juízos e tomar decisões de melhora [...]” e Marback Neto (2005, p. 290) pontua a avaliação como instrumento utilizado para “[...] a consecução da meta de qualidade desejada”. Quer dizer, o aprimoramento institucional faz parte da concepção da avaliação e é um dos principais focos para a tomada de decisão a partir dos resultados obtidos com a avaliação. Está no início e no final do processo. b) Melhoria de métodos e técnicas utilizadas na prática. Outra ênfase mais citada pelos sujeitos é a melhoria de métodos e técnicas utilizadas na prática. Basta observar as respostas que corroboram essa escolha: “elaboração de instrumentos para obtenção real da situação” (SUJ. 2); “melhoramento do que está positivo” (SUJ. 8); “os resultados indicam aos dirigentes quais os pontos devem ser destacados e reforçados e quais precisam de ação no sentido da correção” (SUJ. 13). Na análise documental, o Relatório Final afirma que “as melhorias recomendadas e aprovadas são implementadas por meio de grupos de trabalho ou pelas próprias unidades organizacionais da IES”. O Projeto não pontua sobre essa ênfase. Um dos objetivos da avaliação mais citados diz respeito justamente à melhoria: a) provocar a melhora contínua da instituição. Catani, Oliveira e Dourado (2002, p. 100) afirmam que um dos objetivos da avaliação institucional é buscar “[...] a melhoria da instituição e dos processos de gestão [...]” e Zainko (2004, p. 12) coloca como objetivo ajudar “[...] a comunidade acadêmica a melhorar”. Na questão sobre a tomada de decisão a partir dos resultados, a melhoria foi a opção em que os sujeitos mais se encaixaram. Novamente se vê o início e o fechamento de um raciocínio: a melhoria é um dos objetivos buscados pela IES e é um ponto importante na tomada de decisão. c) Ações destinadas à superação das dificuldades. De acordo com o sujeito 7, “no planejamento de soluções dos problemas detectados e, especialmente, na tomada de decisões relacionadas ao desempenho das dimensões avaliadas”; para o sujeito 8, “são procedidos os ajustes e as análises necessários à resolução de problemas”. O Projeto e o Relatório Final não abordam essa ênfase. d) Formulações de ações pedagógicas e administrativas. Para o sujeito 3, “é realizado um direcionamento para melhoria dos pontos necessários ao desenvolvimento do perfil do egresso que desejamos formar” e, segundo o sujeito 5, são “desenvolvidos planos de contingência”. Quanto aos documentos analisados, apenas o Projeto fala em “elaboração de novas metas e propostas para o seu desenvolvimento”, concordando com a ênfase formulações de ações pedagógicas e administrativas. e) Modificações em projetos universitários. Na fala do sujeito 10, “os resultados balizam a tomada de decisões dos setores envolvidos e outros para a melhoria e oportunidades” o sujeito 12 afirma que “pontualmente são tomadas medidas de redimensionamento do desempenho institucional, onde preciso for e quando elas se tornarem necessárias”. O Projeto e o Relatório Final não abordam essa ênfase. f) Melhoria de métodos e técnicas utilizadas nos procedimentos empregados na consecução dos objetivos. O sujeito 1 se posicionou a esse respeito, dizendo que são feitos “ajustes sobre procedimentos a serem melhorados (incrementos)”, e o sujeito 7 afirmou que isso pode ser verificado “no estabelecimento de novas estratégias para alcance dos objetivos e metas”. O Projeto e o Relatório Final não abordam essa ênfase. g) Aplicação de estratégias de desenvolvimento. Segundo o sujeito 7, as estratégias são utilizadas “no planejamento de soluções dos problemas detectados”. O Projeto e o Relatório Final não abordam essa ênfase. h) Modificação ou inovação estrutural do funcionamento da instituição. Essa ênfase não foi pontuada pelos sujeitos e nem pelos documentos, significando que a estrutura não está entre as preocupações dos mesmos. Alguns sujeitos não se posicionaram em nenhuma das ênfases. São eles: sujeito 6, “análise dos três tópicos, divulgação para professores”; sujeito 9, “não há um seguimento após o resultado finalizado. Quanto aos alunos, se o aprendizado foi atingido, a nota obtida finaliza o processo”; sujeito 11, “os respectivos responsáveis pelos setores se orientam a partir de informações da avaliação para seus procedimentos e tomada de decisões”. 4.2.6 Mudanças Implementadas a Partir da Avaliação Pode-se iniciar a análise deste item explicando que de nada adianta fazer a avaliação do modo mais correto possível se seus resultados não servirem à tomada de decisão e à mudança de cenários e de estratégias para se alcançar os objetivos institucionais. O mundo se caracteriza por apresentar um ambiente em constante mudança, contexto esse em que as IES estão inseridas. Por isso, “[...] necessitam saber adequar objetivos, recursos, capacidade instalada e identificar as oportunidades para atuar estrategicamente num ambiente cada vez mais competitivo” (MEYER JR.; MUGNOL, 2004, p. 165). A fundamentação teórica aponta as seguintes ênfases para as mudanças implementadas a partir da avaliação: a) modificações nos componentes organizacionais mais relevantes, como pessoas, estrutura, processos e cultura; b) modificações em conceituação, isto é, na forma de pensar; c) inovação: novas tecnologias e novas maneiras de se fazer as coisas; d) fortalecimento da identidade institucional; e) mudança de posicionamento. Percentualmente, as respostas ficaram assim distribuídas, sempre levando em consideração que algumas respostas dos sujeitos correspondem a mais de uma ênfase: modificações nos componentes organizacionais mais relevantes, como pessoas, estrutura, processos e cultura: 71,43%; modificações em conceituação, isto é, na forma de pensar: 21,43%; inovação: novas tecnologias e novas maneiras de se fazer as coisas: 7,14%. As ênfases fortalecimento da identidade institucional e mudança de posicionamento não apresentaram percentual. a) Modificações nos componentes organizacionais mais relevantes, como pessoas, estrutura, processos e cultura. O maior número de respostas está nessa ênfase. Isso pode ser constatado nos seguintes posicionamentos dos sujeitos da pesquisa, divididos conforme cada componente: • Pessoas: "perfil profissional e (...) diminuição da heterogeneidade entre alunos” (SUJ. 3); “capacitação dos professores, estímulo à profissionalização, treinamento dos funcionários” (SUJ. 4); “melhoria da qualidade docente (...), maior valorização dos envolvidos no processo” (SUJ. 5); “conhecimento para professores do que pode ser mudado (...) e perfil do aluno” (SUJ. 6); “desempenho docente e desempenho dos coordenadores” (SUJ. 7); “perfil do professor” (SUJ. 8); “tendências existentes no curso do desenvolvimento dos alunos” (SUJ. 10); “definição do perfil dos alunos, bem como a identificação de suas aspirações e dificuldades” (SUJ. 11). Robbins (2002, p. 466) afirma que o mais importante da instituição são as pessoas e essas, muitas vezes, precisam mudar as atitudes, habilidades, funções, expectativas, percepções ou comportamentos para que a instituição alcance a melhoria, a qualidade. Argyris e Schön (1996, p. 28) entendem que a aprendizagem acontece justamente quando as pessoas da organização atuam como “[...] agentes de aprendizagem para a organização, respondendo a mudanças nos ambientes internos, externos, detectando e corrigindo erros”. • Estrutura: “investimento em equipamentos” (SUJ. 4); “mudanças estruturais” (SUJ. 5); “quanto aos equipamentos: laboratórios e a infra-estrutura em geral” (SUJ. 7); “infra-estrutura” (SUJ. 12); “maiores investimentos em tecnologia de informática, bibliotecas” (SUJ. 13). • Processos: “melhor aprimoramento das aulas” (SUJ. 3); “mudança na didática e pesquisa no mercado” (SUJ. 4); “melhoria das práticas de ensino” (SUJ. 5); “ajustes em sala de aula” (SUJ. 6); “revisão de conteúdos (SUJ. 8); “cursos de nivelamento” (SUJ. 13). • Cultura: “maior comprometimento” (SUJ. 5); “no comportamento dos avaliados e dos avaliadores” (SUJ. 7). De acordo com Eyng (2004a, p. 2), para que uma IES possa enfrentar o futuro deve pressupor “[...] a capacidade de planejá-lo, antevêlo e isso requer mudança (...) de cultura organizacional, ou seja, o desenvolvimento de uma cultura de antecipação”. Segundo Argyris e Schön (1996, p. 16), uma das formas de desenvolver a cultura na instituição é por meio da comunicação de idéias, que “[...] ajuda as pessoas a perceberem a necessidade para a mudança e a lógica nela contida”. O Projeto e o Relatório Final não abordam essa ênfase. b) Modificações em conceituação, isto é, na forma de pensar. A segunda ênfase, na visão dos sujeitos, é a que remete a modificações em conceituação, isto é, na forma de pensar, pontuada pelos seguintes sujeitos: “sensibilização que está gradativamente gerando frutos para o amadurecimento da IES” (SUJ. 2); “comunhão de idéias” (SUJ. 5); “entendimento conceitual do processo de avaliação” (SUJ. 7). Senge (1999, p. 14) defende que a sustentação de qualquer processo de mudança profunda requer uma mudança inicial, porém fundamental, na maneira de pensar da instituição. Novamente os documentos analisados não pontuam sobre essa ênfase. c) Inovação: novas tecnologias e novas maneiras de se fazer as coisas. Apenas um sujeito se posicionou nessa ênfase: “implementação de novos processos” (SUJ. 8). Porter (1990, p. 75) afirma a importância da inovação, dizendo que mudança é sinônimo de inovação: “[...] as organizações atingem a vantagem competitiva por meio de atos de inovação”. De acordo com Robbins (2002, p. 466), para mudar a tecnologia é necessário mudar os processos de execução e os equipamentos utilizados. A análise documental constatou que nem o Projeto, nem o Relatório Final contemplam essa ênfase. d) Fortalecimento da identidade institucional. Essa ênfase não foi pontuada pelos sujeitos da pesquisa e nem nos documentos analisados. e) Mudança de posicionamento. Essa ênfase não foi pontuada pelos sujeitos da pesquisa e nem nos documentos analisados. Alguns sujeitos não se posicionaram em nenhuma ênfase. São eles: “início de processos de melhoria, porém há que se incrementar ainda mais” (SUJ. 1); “aperfeiçoamento contínuo, pois ainda não atingimos a fórmula adequada” (SUJ. 9). 4.2.7 Resultados da Avaliação Interna e Tomada de Decisão O objetivo dessa questão era compreender como os sujeitos vêem a avaliação interna, para que os resultados obtidos com ela orientem a tomada de decisão, ou melhor, como poderia ser feita a avaliação institucional interna para que os seus resultados realmente subsidiassem a tomada de decisão, isso na visão dos gestores. Pouco mais da metade dos sujeitos respondeu que a avaliação interna deve seguir as regras do SINAES, pois eles entendem que o exposto nesta lei é o suficiente para que os resultados obtidos com a avaliação subsidiem a tomada de decisão: “Na forma como o SINAES aponta está correta, basta os gestores utilizarem os seus resultados para a sua gestão” (SUJ. 1); “como indica o SINAES” (SUJ. 4); “o SINAES ensina como fazer a avaliação, os gestores têm que pegar esses resultados e usá-los na instituição” (SUJ. 5); “o SINAES tem bons indicadores de avaliação, é só os gestores utilizarem esses resultados para a sua tomada de decisão” (SUJ. 6); “baseada nos preceitos dispostos no SINAES” (SUJ. 8); “a avaliação interna tem que ser feita como indica o SINAES, e os seus resultados servem para que o gestor possa tomar as decisões corretas” (SUJ. 9); “o pressuposto descritivo poderá se basear nas ‘dimensões de avaliação’, apontadas pelo SINAES, e os pressupostos numéricos em instrumentos próprios criados pela Comissão Própria de Avaliação – CPA, da instituição” (SUJ. 12). O § 1º do art. 1º do SINAES (BRASIL, 2004) aponta as finalidades dessa Lei, citadas pelos sujeitos como a ideal para a avaliação institucional interna: § 1º - O SINAES tem por finalidades a melhoria da qualidade da educação superior, a orientação da expansão da sua oferta, o aumento permanente da sua eficácia institucional e efetividade acadêmica e social e, especialmente, a promoção do aprofundamento dos compromissos e responsabilidades sociais das instituições de educação superior, por meio da valorização de sua missão pública, da promoção dos valores democráticos, do respeito à diferença e à diversidade, da afirmação da autonomia e da identidade institucional. Entende-se que os sujeitos indicam o SINAES para o processo de avaliação interna porque concordam com as finalidades dessa Lei e acham que, se forem levadas a termo, essas finalidades trarão os resultados esperados para subsidiar a tomada de decisão. O sujeito 13 vai além do SINAES, dizendo que é necessário que os gestores entendam que a avaliação não pode ser “uma mera obrigação formal imposta pelo MEC”. Ela deve, sim, ser “um instrumento de gestão” e deve “incluir indicadores de resultados e não apenas os de qualidade”. Afirmam Catani e Oliveira (2006, p. 1) que o sistema de avaliação necessita ser amplo e diversificado e seu maior objetivo é ordenar as tomadas de decisão em termos de gestão. O sujeito 8 entende que deve existir uma “integração plena nos processos de gestão acadêmica e administrativo-financeira” para que os resultados subsidiem a tomada de decisão. O sujeito 10 afirma que a tomada de decisão deve ser voltada principalmente para o aluno, isto é, para o cliente da instituição. Segundo esse sujeito, a avaliação poderia ocorrer “de duas formas: a primeira delas é a análise da colocação do egresso, se o mesmo trabalha na área do curso ou em áreas correlatas com a utilização dos conhecimentos adquiridos no decorrer do curso, comparação entre a posição hierárquica que ocupava antes do curso e a que ocupa agora. A segunda análise é a referente à opinião do aluno nas diversas fases do curso, identificando necessidades dos mesmos e transformando-as em oportunidades de ensino dentro dos padrões oferecidos pela IES. Nesse caso, as avaliações poderão ser realizadas para os próprios alunos, para os professores e também para os trabalhadores da educação”. O sujeito 11 apontou alguns itens que considera essenciais para que a IES alcance seus objetivos em relação à avaliação: “1. estruturar equipe de coordenação para planejar e organizar as atividades, manter o interesse pela avaliação, sensibilizando a comunidade e fornecendo assessoramento aos diferentes setores da IES, e refletir sobre o processo; 2. envolver os integrantes da IES, pois o envolvimento dos atores, por diferentes que sejam entre si, auxilia na construção do conhecimento gerado na avaliação; 3. ocorrer o compromisso explícito dos dirigentes da IES em relação ao processo avaliativo; 4. as informações sejam válidas e confiáveis, pois sendo a informação fidedigna, o elemento fundamental do processo avaliativo, sua disponibilização pelos órgãos pertinentes da instituição é prioritária; nesse sentido, a coleta, o processamento, a análise e a interpretação de informações são essenciais para alimentar as dimensões que a auto-avaliação quer indagar; 5. os conhecimentos que a avaliação interna proverá à comunidade institucional deve ter uma finalidade clara de planejar ações destinadas à superação das dificuldades e ao aprimoramento institucional”. O sujeito 2 alerta para a mudança que deve ocorrer quanto à avaliação. Segundo esse sujeito, os gestores precisam utilizar os resultados obtidos com a avaliação para a melhoria da gestão da IES e não apenas para “crescimento da qualidade de ensino”. O sujeito 3 apenas informa que “não se pode fazer uma avaliação interna de primeira grandeza se os resultados não forem utilizados para a tomada de decisão”. O sujeito 7 lembra que “os resultados são de grande valia” para orientar a “tomada de decisão”. Em geral, verificou-se que os sujeitos estão satisfeitos com a forma de avaliação proposta pelo SINAES, porém eles entendem que os gestores da IES poderiam fazer mais mudanças, baseando-se nos resultados da avaliação. Para melhor ilustrar esse entendimento, verifique-se a fala do sujeito 6: “O SINAES tem bons indicadores de avaliação, é só os gestores utilizarem esses resultados para a sua tomada de decisão”. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Esta investigação apresentou como objetivo analisar a relação existente entre a avaliação interna e a tomada de decisão ocorrida em uma instituição privada de educação superior, localizada em Curitiba, PR. O estudo envolveu consulta aos gestores e análise do Projeto e do Relatório Final da IES. Os dados obtidos foram analisados à luz do referencial teórico que integrou esse estudo, tendo permitido as conclusões apresentadas a seguir, como resposta ao problema de pesquisa. O problema que orientou a reflexão questionava: em que medida as informações oriundas da avaliação interna podem contribuir para o processo de tomada de decisão na busca da melhora da qualidade institucional? Buscando essa resposta, verificou-se, por meio das respostas dos sujeitos e da análise documental, que os propósitos da avaliação podem não estar claros na IES investigada, ou as orientações da política de avaliação institucional interna precisam ser mais específicas. Outro aspecto visualizado é que a IES tem efetivado mudanças, ainda que tímidas, a partir dos resultados da avaliação. Isso pode estar ocorrendo porque a prática de avaliação ainda é recente na instituição. Mas já se percebe um maior desenvolvimento de uma cultura de avaliação, envolvendo pessoas, processos e produtos. Os sujeitos apontam que as mudanças têm se efetivado no sentido de fazer diferente para fazer melhor, buscando antecipar o futuro. Porém, é importante lembrar que a cultura de avaliação é um processo lento e gradual. Por ser a prática avaliativa algo recente na IES, notou-se um certo desconhecimento por parte de alguns sujeitos quanto ao processo de avaliação institucional interna. Mas essa realidade já está se modificando, pois a instituição tem investido na disseminação da cultura avaliativa, por meio de reuniões, seminários, documentos, enfim, tem se trabalhado mais a sensibilização da comunidade que forma a IES. Alguns sujeitos da pesquisa têm uma noção mais clara do que é avaliação para uma IES, quais seus objetivos, sua metodologia e o que fazer com seus resultados. Mas isso pode ser devido ao maior tempo de trabalho nesse tipo de instituição. Como se pôde observar na caracterização dos sujeitos, há os que têm quatro meses de experiência em IES e há os que têm quatro anos de experiência. Além disso, é praxe na IES investigada trazer profissionais atuantes no mercado de trabalho de cada um dos cursos para aliar a prática à teoria, e não o contrário. Com respeito às concepções de avaliação, pode-se afirmar que antes de implementar tal instrumento de gestão, essencial à IES para a tomada de decisão e também uma exigência legislativa, todas as pessoas envolvidas, principalmente os gestores, deveriam ter claramente definidas as concepções da avaliação, ou, ao menos deveriam conhecer a concepção do SINAES. E não foi o que se constatou na fala dos sujeitos. Nem mesmo o Projeto e o Relatório Final seguem uma mesma linha de definição de avaliação. Quanto a essas concepções, verificou-se que são duas as ênfases escolhidas pelos sujeitos, com um percentual de 30,76% para cada uma: compreensão da avaliação como processo de aperfeiçoamento institucional e como estratégia de gestão, perfazendo a maioria das respostas, ou seja, 61,52%. Nos documentos analisados também se observou uma tendência para essas concepções de avaliação institucional. Para os objetivos, os sujeitos se identificaram mais com o objetivo provocar a melhora contínua da instituição, que alcançou 29,41%, seguido dos objetivos organizar as atividades dos diferentes atores da instituição e melhorar a qualidade da educação superior, ambos com 17,65%. Os documentos analisados também conclamaram esses objetivos. Para alcançar resultados consistentes com a avaliação os objetivos devem ser conhecidos e compreendidos por todos. Na forma de realização da avaliação, a ênfase mais contemplada pelos sujeitos foi a construção de instrumentos para coleta de dados: entrevistas, questionários e outros, com 40%, seguida das ênfases definição da composição dos grupos de trabalho, atendendo aos principais segmentos da comunidade acadêmica e organização e discussão dos resultados com a comunidade acadêmica e publicação das experiências, ambas com 20%, respectivamente. Principalmente essas duas últimas ênfases têm sido muito trabalhadas na IES, devido à cultura de avaliação que se tem procurado desenvolver. Na análise documental, o Projeto confirmou apenas a primeira ênfase, enquanto que o Relatório Final englobou as três ênfases mais apontadas pelos sujeitos. Na divulgação dos resultados da avaliação institucional interna os sujeitos se dividiram entre duas ênfases: reuniões e documentos informativos, sendo que a ênfase seminários não teve nenhum posicionamento. Quanto à análise documental, nem o Projeto nem o Relatório Final tratam de reuniões para a divulgação dos resultados da avaliação institucional interna. Quanto aos documentos informativos, apenas o Projeto citou essa ênfase. Com relação à tomada de decisão a partir dos resultados da avaliação, duas ênfases foram mais apontadas: a do aprimoramento institucional e a da melhoria de métodos e técnicas utilizadas na prática, cada uma com 20%. Contudo, as outras respostas dos sujeitos se distribuíram igualitariamente pelas ênfases, cada uma com 13,33%: ações destinadas à superação das dificuldades, formulações de ações pedagógicas e administrativas, modificações em projetos universitários e melhoria de métodos e técnicas utilizadas nos procedimentos empregados na consecução dos objetivos, mostrando que a tomada de decisão tem sido diversificada. Os documentos apontam algumas ênfases, como o aprimoramento institucional, que é citado no Projeto, e a melhoria de métodos e técnicas utilizadas na prática, que é conteúdo do Relatório Final. Quanto às mudanças implementadas a partir da avaliação, os sujeitos se posicionaram mais na ênfase modificações nos componentes organizacionais mais relevantes, como pessoas, estrutura, produtos, processos e cultura, com 71,43%, seguida da ênfase modificações em conceituação, isto é, na forma de pensar, com 21,43%. Os documentos analisados não falam em nenhuma dessas ênfases, porque as mudanças ocorreram após a emissão do Relatório Final, que traz justamente os resultados da avaliação para serem analisados e subsidiarem as mudanças a partir da tomada de decisão. Finalmente, a última questão da pesquisa de campo teve por objetivo compreender como os sujeitos viam a avaliação interna para que os resultados obtidos com ela orientassem a tomada de decisão. A maioria deles entendeu que o SINAES é o melhor caminho para promover a avaliação institucional interna. Os sujeitos afirmaram também que, se melhor trabalhado, o SINAES poderia apresentar resultados ainda melhores dentro do processo de avaliação da IES, subsidiando a tomada de decisão. Um sujeito da pesquisa foi mais além, afirmando que a avaliação deve transcender a abrangência do SINAES, com os gestores da IES desenvolvendo uma consciência avaliativa que utilize a avaliação como instrumento de gestão. Segundo o que os sujeitos pontuaram, os gestores poderiam fazer mais com os resultados da avaliação. O que se conclui é que a avaliação institucional interna realmente é um processo que requer a criação de cultura de avaliação, e esse processo está em andamento na IES investigada. Trata-se, certamente, de um processo lento e gradual, com avanços e retrocessos para qualquer instituição de ensino superior; contudo, a avaliação é um caminho seguro para a melhoria da qualidade institucional. Certamente, se a IES investigada conhecer seus problemas, suas limitações, suas condições físicas e humanas e suas potencialidades, a tomada de decisão terá como rumo a mudança, na busca da melhoria. Mas, para isso, todos os envolvidos no processo educacional devem participar, construindo essa nova forma de conhecimento da IES, conhecendo as reais necessidades da comunidade acadêmica, buscando soluções para os problemas e transformando a realidade. REFERÊNCIAS AGUILAR, M. J.; ANDER-EGG, E. 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Pretende-se com a “Instrumento pelo qual observamos a instituição e seu papel perante a sociedade, que avaliação a dignificação da função docente, técnica e administrativa, bem como um poderá ser o ponto para mudanças e melhorias” (SUJEITO 2). ensino de qualidade sempre maior” (PROJETO). “O processo de desenvolvimento contínuo da IES” (SUJEITO 3). “É um dos instrumentos do Sistema de Avaliação da Educação Superior (SINAES)” “A IES, preocupada em conhecer suas potencialidades e deficiências, aplica, desde (SUJEITO 4). o início de suas atividades, instrumentos “Uma ferramenta de autoconhecimento organizacional contínuo, com o propósito de avaliativos para tomar ciência da situação aperfeiçoamento e adaptação. Seja no capital humano, processos administrativos ou real vivenciada pelas instituições. Esses instrumentos não eram tão completos como estruturais” (SUJEITO 5). a avaliação proposta pelo SINAES, mas já “Análise das potencialidades e pontos fracos da instituição na visão do aluno. permitiam avaliar os seguintes aspectos: identificação da realidade sócio-educacional Identificação do perfil do aluno da faculdade” (SUJEITO 6). dos alunos; avaliação da infra-estrutura da “É um processo de avaliação que envolve todos os aspectos do processo ensino- instituição; avaliação do(a) coordenador(a) aprendizagem, assim como as demais atividades de extensão, pesquisa, enquanto do curso; desempenho do corpo docente; funções essenciais de uma instituição de ensino superior. Nesse contexto também se auto-avaliação do aluno; avaliação da inserem as condições físicas e administrativas decorrentes daquele processo, bem secretaria e de recursos humanos; entre outros aspectos. Os principais instrumentos como os aspectos relacionados à gestão institucional” (SUJEITO 7). que compõem o processo de avaliação do “Instrumento utilizado com vistas a contribuir com o processo de gestão da instituição, programa avaliativo institucional que já é feito pela instituição procura: a) identificar da de forma positiva e efetiva” (SUJEITO 8). realidade sócio-educacional dos alunos, que nada mais é do que um mapeamento da “É uma forma de obter resultados do aprendizado do aluno” (SUJEITO 9). realidade social, econômica e cultural dos “É o processo estabelecido e padronizado para avaliação comparativa entre instituições alunos que se encontram na Instituição; b) avaliar do desempenho do ensino de de ensino e elementos internos dos mesmos” (SUJEITO 10). graduação, avaliação esta feita por “Como parte integrante do processo de avaliação institucional, tenho claro que esse coordenadores, professores e alunos” processo é um dos componentes do Sistema Nacional de Avaliação da Educação (RELATÓRIO FINAL). Superior (SINAES) e está relacionada à melhoria da qualidade da educação superior, bem como à orientação da expansão de sua oferta e ao aumento permanente da sua eficácia institucional e efetividade acadêmica e social” (SUJEITO 11). “Identificação da qualidade institucional, tendo em vista o redimensionamento de seu desempenho, quando necessário” (SUJEITO 12). “A avaliação institucional é um processo pelo qual a instituição coloca todas as suas atividades em perspectiva e analisa pontos fracos e fortes. Ou seja, suas fragilidades e potencialidades” (SUJEITO 13). FONTE: Dados da pesquisa de campo APÊNDICE 2 - OBJETIVOS DA AVALIAÇÃO Segundo os Gestores Segundo os Documentos “Processo contínuo de melhoria da instituição de ensino superior” “Os objetivos se dividem em dois momentos. Na avaliação do desempenho dos serviços administrativos, os objetivos são: (SUJEITO 1). identificar a qualidade e a quantidade dos serviços ofertados; “Levantar formas e procedimentos para as melhorias da função da IES averiguar a respeito da atualidade dos serviços, tendo em vista sua eficiência e eficácia; e apontar a realidade da infrae servir de termômetro de funcionamento” (SUJEITO 2). estrutura em que os serviços são realizados e em que nível “Acompanhar a aprendizagem do acadêmico, adequando ao perfil do ela lhes serve de apoio. Na avaliação do desempenho do ensino de graduação por alunos e professores, os objetivos egresso que se deseja formar” (SUJEITO 3). são: conclamar a comunidade institucional, a sociedade e os ex-alunos para uma permanente reflexão, autocrítica e “Melhoria da qualidade da educação superior” (SUJEITO 4). participação no desenvolvimento acadêmico e social; encarar “Subsidiar-se de forma clara e específica nos setores, departamentos a avaliação como uma questão otimista e necessária, tendo ou estruturas que devem ou merecem sofrer alterações para em vista a dignificação das funções docente, técnica e administrativa; despertar nos professores e alunos uma maximizar os resultados organizacionais” (SUJEITO 5). conscientização dos fatores determinantes para a qualidade e “Identificar pontos para melhorias futuras e maior satisfação do aluno” o sucesso do ensino e do projeto pedagógico; levar o pessoal técnico e administrativo a perceber a real responsabilidade (SUJEITO 6). que lhe cabe como agente propiciador de condições e de “Produzir elementos, dados e informações que sejam capazes de apoio para a implementação de ensino, pesquisa e extensão auxiliar e orientar o processo de tomada de decisões institucionais de qualidade; promover uma atitude mais participativa e tanto administrativas quanto acadêmicas e, ao mesmo tempo, medir o responsabilizada dos alunos no desenvolvimento do processo desempenho da instituição em todas as suas dimensões, inclusive de ensino-aprendizagem; oportunizar aos professores elementos que lhes facilitem o reajuste de conteúdos e de quanto à sua estrutura física” (SUJEITO 7). métodos de ensino; incentivar a comunidade acadêmica para “Vislumbrar os desvios e indicar as distorções para correção e uma permanente reflexão e autocrítica em sua participação a nível da instituição; apontar o nível de qualidade do ensinomelhorar a gestão e incrementar o que está positivo” (SUJEITO 8). aprendizagem; e elencar os principais agentes de promoção e “Analisar o aprendizado do aluno e o envolvimento do professor no de entrave de um ensino de qualidade” (PROJETO). processo de ensino” (SUJEITO 9). “Os componentes avaliativos objetivam cobrir a instituição nos “Estabelecer um comparativo entre IES e considerar os parâmetros seus aspectos de ensino, pesquisa, extensão, gestão, serviços mais elevados da qualidade existente” (SUJ. 10). administrativos e de intervenção social, dando apoio à mantenedora e seus agentes administrativos para o melhor “Além dos já mencionados, a avaliação institucional tem como planejamento e implementação das funções de ensino, pesquisa, objetivos o aprofundamento dos compromissos e responsabilidades extensão e de intervenção social. Para a identificação do nível de sociais das instituições de educação superior, bem como a orientação desempenho, no que concerne à gestão, deve-se: a) averiguar a da expansão de sua oferta e ao aumento permanente da sua eficácia consecução dos objetivos da IES considerando: os objetivos institucional e efetividade acadêmica e social” (SUJEITO 11). propostos que vêm sendo alcançados; os objetivos propostos ainda a serem atingidos; os obstáculos que dificultam o “Sensibilizar a comunidade universitária sobre o envolvimento seu no cumprimento dos objetivos propostos; o redirecionamento de desempenho e finalidade institucional; identificar a finalidade rumos pretendidos para a instituição; b) verificar o nível de institucional, tendo em vista o seu redimensionamento” (SUJEITO 12). qualidade dos serviços administrativos em apoio à gestão e ao bom desempenho educacional; c) averiguar o nível de qualidade “O objetivo principal é o aperfeiçoamento institucional por meio do dos serviços gerais, tendo em vista sua eficiência e eficácia” auto-conhecimento” (SUJEITO 13). (RELATÓRIO FINAL). FONTE: Dados da pesquisa de campo APÊNDICE 3 - METODOLOGIA DA AVALIAÇÃO Segundo os Gestores “Pesquisa oficial da IES” (SUJEITO 1). “Processual, com estudos, através de CPA; está sendo um caminhar, lento mas acertado e com buscas sempre de sugestões” (SUJEITO 2). “No meu curso é realizada semestralmente. Agora, no curso de Secretariado EAD, que é modular, realizaremos no final de cada módulo” (SUJEITO 3). “É realizada anualmente pelos alunos, professores e demais profissionais da instituição” (SUJEITO 4). “Semestralmente, através de pesquisas com alunos, professores e funcionários, on-line. Os dados tabulados são estudados e tomadas as intervenções pertinentes a cada situação” (SUJEITO 5). “On-line, dividida em perfil do aluno, estrutura organizacional e professores” (SUJEITO 6). “É realizada por meio de uma Comissão Própria de Avaliação, com a participação de todos os coordenadores dos diferentes cursos e de professores especialistas em avaliação e que, através de questionários e outros instrumentos especialmente elaborados para as pesquisas, avaliam todas as dimensões da instituição” (SUJEITO 7). “Informatizada” (SUJEITO 8). “Através de perguntas na forma de resposta direta, como também por um trabalho no final de cada módulo para assim formalizar o todo do conhecimento do aluno” (SUJEITO 9). “Para o ensino a distância segue os padrões do SINAES, com os integrantes preenchendo os quesitos “on-line”, sendo agrupados e totalizados ao sistema” (SUJ. 10). Segundo os Documentos A avaliação deve ser desenvolvida numa metodologia que considera duas grandes dimensões: a quantitativa e a qualitativa. A dimensão quantitativa envolve principalmente um levantamento de dados de ordem numérica da instituição com relação a alunos, professores, pessoal técnico e administrativo, dados de infra-estrutura e apoio, levantamento de dados quantitativos da educação. A dimensão qualitativa, por sua vez, compreende quatro componentes: avaliação do desempenho dos serviços administrativos, identificação da realidade sócio-educacional dos alunos da instituição, avaliação do desempenho do ensino por alunos e professores e avaliação do desempenho da instituição por representantes da sociedade. Com relação à dimensão quantitativa, os dados serão levantados por meio de análise documental da própria instituição. Quanto à dimensão qualitativa, foram confeccionados quatro questionários com questões fechadas, para atender os três componentes analisados nesta dissertação. O primeiro questionário é o de avaliação, pelos alunos, do desempenho do ensino de graduação, avaliando a infra-estrutura, o coordenador do curso, o curso, o corpo docente e o próprio aluno. O segundo questionário é o de avaliação, pelos professores, do desempenho do ensino de graduação, avaliando a infra-estrutura, o coordenador do curso, o corpo discente e o próprio professor. O terceiro questionário é o de avaliação, pelos coordenadores, do desempenho do ensino de graduação, avaliando a infra-estrutura, o curso e o corpo discente. E o quarto questionário identifica a realidade sócio-educacional dos alunos da instituição, sendo respondido por eles mesmos. Quanto às estratégias, todos os questionados responderão aos seus respectivos questionários pelo modo on-line (intranet), através do portal da instituição. Duas semanas antes de se colocar os questionários à disposição serão distribuídos avisos pelos murais da instituição, conclamando os envolvidos a respondê-los. Além disso, os professores e os coordenadores também alertarão os alunos para a importância da participação, alegando que, através das respostas obtidas, a instituição conhecerá melhor seus pontos fracos e fortes e poderá tomar as decisões cabíveis para, cada vez mais, melhorar a qualidade do ensino da instituição. Ressalta-se, ainda, que cada pessoa poderá responder ao questionário somente uma vez, porque cada pessoa que compõe a instituição, seja do corpo discente ou docente, possui um número de identificação para acessar a intranet. Depois de respondido, o questionário ficará indisponível para aquela identificação.” (PROJETO). “Em nossa IES a avaliação institucional é efetivada por meio de instrumento on-line, onde os alunos manifestam suas opiniões sobre todos os aspectos envolvidos no processo de “As atividades relacionadas com a auto-avaliação da IES são realizadas de acordo com o processo demonstrado na figura 1. formação superior” (SUJEITO 11). Na primeira etapa, Preparação: foram desenvolvidas as seguintes “São descritas as atividades e funções da instituição; a atividades: constituição da Comissão Própria de Avaliação, início do comunidade universitária é conclamada a se processo de sensibilização para o Programa de Auto-Avaliação e pronunciar/posicionar a respeito do elaboração do Projeto de Avaliação. Na segunda etapa, Desenvolvimento: desenvolvem-se as seguintes desenvolvimento/desempenho institucional” (SUJ. 12). atividades: continuação do Processo de Sensibilização, levantamento “É realizada por meio da CPA, que coordena todas as de dados e informações, e análise das informações e emissão de atividades avaliativas. Essas atividades compreendem as dez relatórios parciais. Para o desenvolvimento destas atividades são dimensões de avaliação indicadas pelo SINAES” (SUJEITO constituídos Grupos de Trabalho, compostos por Coordenadores de Curso, Gerentes de Unidades, Docentes e Profissionais Técnico13). Administrativos, assim distribuídos: Grupo 1 – dimensões 1 e 6; Grupo 2 – dimensão 2; Grupo 3 – dimensões 3, 4 e 9; Grupo 4 – dimensões 5 e 10; Grupo 5 – dimensão 7; Grupo 6 – dimensão 8. Na terceira etapa, Consolidação: é emitido o Relatório Final, feita a divulgação para a comunidade acadêmica e feito o balanço crítico do processo de auto-avaliação e dos resultados obtidos” (REL. FINAL). FONTE: Dados da pesquisa de campo FIGURA 1 – PROCESSO DE AUTO-AVALIAÇÃO º ETAPA – PREPARAÇÃO ? Constituição da CPA ? Sensibilização ? Elaboração do Projeto de Avaliação IES Fase 1 Fase 2 Fase 3 Fase 4 Fase 5 Fase 6 Fase 7 Fase .. 2º ETAPA – DESENVOLVIMENTO ? Ações ? Levantamento de Dados e Informações ? Análise de Informações. Relatórios parciais IES 3º ETAPA – CONSOLIDAÇÃO ? Relatório ? Divulgação ? Balanço Crítico FONTE: Relatório Final da IES. APÊNDICE 4 - DIVULGAÇÃO DOS RESULTADOS Segundo os Gestores “Formulário próprio” (SUJEITO 1). Segundo os Documentos “A comissão responsável pela avaliação elaborará um relatório final, indicando os aspectos positivos e as “Ainda estamos elaborando formas mais eficazes que relato; neste deficiências acadêmicas ou institucionais identificadas, e momento, está sendo de forma indireta em reuniões e em pequenos propondo medidas de superação” (PROJETO). grupos” (SUJEITO 2). “Os resultados finais ficam, primeiramente, à disposição “Após tabulação dos dados, divulga no encontro semanal com tutores e no dos sujeitos da avaliação e, posteriormente, da instituição início de cada módulo ao aluno” (SUJEITO 3). para uma possível tomada de decisão com relação ao redimensionamento de estratégias e eventuais ações que “São divulgados por relatórios, analisados os pontos fortes e fracos e visem a uma maior qualidade institucional” (RELATÓRIO busca-se a melhoria em conjunto através de reuniões departamentais” FINAL). (SUJEITO 4). “Através da coordenação geral em reuniões pedagógicas e administrativas. No que se refere à didática de ensino, é encaminhado à supervisão pedagógica” (SUJEITO 5). “Primeiro para coordenadores – três pontos de análise; segundo para professores, apenas a sua avaliação. Não há para alunos, que eu saiba” (SUJEITO 6). “São divulgados em seu conjunto no site da instituição e em publicações próprias colocadas nas pastas dos professores, coordenadores e pessoal técnico-administrativo e de apoio. As avaliações específicas de algumas dimensões, como, por exemplo, a docente individual, são tratadas em caráter individual em reunião do docente com o coordenador do curso, no caso de haver privacidade no tratamento e publicação dos resultados. É também feita e publicada uma síntese da avaliação do desempenho, comparando-o com o desempenho anterior e com as metas estabelecidas anteriormente, bem como as decisões propostas para os dois respectivos momentos das avaliações (atual e anterior), com comentários e críticas pertinentes” (SUJEITO 7). “Os resultados são disponibilizados aos coordenadores de cada área, que procederão às correções e ajustes, com vista a maximizar o resultado global” (SUJEITO 8). “Através de uma nota para as perguntas formuladas e outra nota para atividade (trabalho de conclusão do módulo)” (SUJEITO 9). “São divulgados através de relatórios disponibilizados aos diversos setores da organização” (SUJEITO 10). “Os resultados são encaminhados aos respectivos setores tais como Supervisão Pedagógica, Tutoria Central e Coordenações de Curso, para que os responsáveis possam analisar e balizar seus procedimentos” (SUJEITO 11). “Os resultados da avaliação institucional são postos a público por meio de relatório circunstancial (demonstrativo)” (SUJEITO 12). “São divulgados por meio do envio do relatório de auto-avaliação para todos os responsáveis por setores e os resultados globais são publicados no site da IES” (SUJEITO 13). FONTE: Dados da pesquisa de campo APÊNDICE 5 - TOMADA DE DECISÃO A PARTIR DOS RESULTADOS Segundo os Gestores “Ajustes sobre procedimentos a serem melhorados (incrementos)” (SUJ. 1). Segundo os Documentos “Os resultados das avaliações e as análises serão discutidos com a comunidade “A partir destes são criados mecanismos para corrigir o processo. Elaboração de acadêmica, para reflexão sobre a situação em que se encontra a instituição e para a instrumentos para obtenção real da situação” (SUJEITO 2). elaboração de novas metas e propostas para “É realizado um direcionamento para melhoria dos pontos necessários ao o seu desenvolvimento” (PROJETO). desenvolvimento do perfil do egresso que desejamos formar. Também através dela podemos verificar que pontos o acadêmico incorporou à sua vida diária. Por exemplo, “As melhorias recomendadas e aprovadas incentivamos nas aulas via satélite ao aluno de Secretariado assistir menos telenovela e são implementadas por meio de Grupos de ver mais o telejornal. Verificamos na avaliação que somente 4% vêem telenovelas e Trabalho ou pelas próprias unidades organizacionais da IES, de acordo com os 95% vêem telejornal” (SUJEITO 3). prazos estabelecidos e os recursos alocados. O prazo máximo para a realização “Busca-se a melhoria da educação e dos serviços da instituição” (SUJEITO 4). desta fase pode ser de até quatro meses, “Análises, comparações, confrontações em cada área específica e desenvolvidos contados a partir do término da fase de Desenvolvimento. Ao término da fase de planos de contingência” (SUJEITO 5). Consolidação a comunidade acadêmica é informada sobre o andamento dos trabalhos “Análise dos três tópicos, divulgação para professores” (SUJEITO 6). realizados, por meio de seminários de “Os resultados são comparados com os objetivos e metas estabelecidas, bem como os acompanhamento destes” (RELATÓRIO resultados das duas últimas avaliações, com o objetivo de verificação do progresso FINAL). alcançado no desempenho, no estabelecimento de novas estratégias para alcance dos objetivos e metas, no planejamento de soluções dos problemas detectados e, especialmente na tomada de decisões relacionadas ao desempenho das dimensões avaliadas” (SUJEITO 7). “São procedidos os ajustes e análises necessários para resolução de problemas e melhoramento do que está positivo. As medidas elencadas são objeto de discussão e são efetivamente aplicadas” (SUJEITO 8). “Não há um seguimento após o resultado finalizado. Quanto aos alunos, se o aprendizado foi atingido, a nota obtida finaliza o processo” (SUJEITO 9). “Os resultados balizam a tomada de decisões dos setores envolvidos e outros para a melhoria e oportunidades” (SUJEITO 10). “Os respectivos responsáveis pelos setores se orientam a partir de informações da avaliação para seus procedimentos e tomada de decisões” (SUJEITO 11). “Pontualmente são tomadas medidas de redimensionamento do desempenho institucional, onde preciso for e quando elas se tornarem necessárias” (SUJEITO 12). “Os resultados indicam aos dirigentes quais os pontos devem ser destacados e reforçados e quais precisam de ação no sentido da correção. Alguns pontos, como, por exemplo, a pouca participação de docentes em órgãos colegiados, começam a ser corrigidos” (SUJEITO 13). FONTE: Dados da pesquisa de campo APÊNDICE 6 - MUDANÇAS IMPLEMENTADAS A PARTIR DA AVALIAÇÃO Segundo os Gestores Segundo os Documentos a proposta avaliativa “Sim, início de processos de melhoria, porém há que se incrementar ainda mais” (SUJEITO 1). “Com institucionalizada, o programa de “Sim, caminhos novos para discussões, trocas de experiências e uma sensibilização que está avaliação institucional poderá firmarse mais e mais e criar a devida gradativamente gerando frutos para o amadurecimento da IES” (SUJEITO 2). consistência na instituição como “Sim, melhor aprimoramento das aulas, abordar temas necessários ao perfil profissional, agente definitivo e indispensável de identificação e de promoção de uma diminuição da heterogeneidade entre alunos” (SUJEITO 3). qualidade sempre mais necessária. “Sim, capacitação dos professores, estímulo à profissionalização, treinamento dos Além disso, com a avaliação funcionários, investimentos em equipamentos, mudança na didática e pesquisa no mercado” institucional sendo desenvolvida de forma periódica, estabelecer-se-á uma (SUJEITO 4). história comparativa do nível de sua “Sim, melhoria da qualidade docente (ex.: contratação de profissional somente através de evolução qualitativa. Assim, a partir banca), melhoria das práticas de ensino, maior comprometimento, mudanças estruturais, maior dos indicadores de qualidade tornar-se-á mais valorização dos envolvidos no processo, melhoria na comunicação interna, comunhão de identificados, facilmente possível a implementação idéias, etc.” (SUJEITO 5). do necessário redimensionamento das “Sim, conhecimento para professores do que pode ser mudado; perfil do aluno e ajuste em funções da instituição” (PROJETO). sala de aula; metas da coordenação” (SUJEITO 6). “As mudanças estão ocorrendo no “Sim, a avaliação institucional provocou e sempre provoca mudanças, especialmente quanto processo conforme estão acontecendo a: desempenho docente; desempenho dos coordenadores e do processo decisório; quanto aos as discussões. As mais emergenciais, equipamentos, laboratórios e a infra-estrutura em geral; no comportamento dos avaliados e como a formação de Comissão de dos avaliadores, quanto ao entendimento conceitual do processo de avaliação. No Avaliação Institucional, já foram desempenho de toda a instituição, especialmente quanto ao planejamento, o implementadas, e as demais dependem de aprovação do acompanhamento e o controle acadêmico e administrativo de sua execução” (SUJEITO 7). colegiado” (RELATÓRIO FINAL). “Sim, perfil do curso e do professor; implementação de novos processos; revisão de conteúdo; aprimoramento da gestão da instituição” (SUJEITO 8). “Sim, aperfeiçoamento contínuo, pois ainda não atingimos a fórmula adequada” (SUJEITO 9). “Sim, permitiu e permite uma análise do público existente, direcionando ações. Entre elas podemos citar as tendências existentes no curso do desenvolvimento dos alunos” (SUJEITO 10). “Sim, a melhoria substancial do processo de gerenciamento dos cursos a distância em função da definição do perfil dos alunos, bem como a identificação das suas aspirações e dificuldades, pois os processos avaliativos devem constituir um sistema que permita a integração das diversas dimensões da realidade avaliada, assegurando as coerências conceitual, epistemológica e prática, bem como o alcance dos objetivos dos diversos instrumentos e modalidades” (SUJEITO 11). “Sim, melhor visualização do desempenho da instituição, em suas funções de ensino, pesquisa e extensão, infra-estrutura” (SUJEITO 12). “Sim, o melhor conhecimento institucional e a sistematização deste, corporificado no relatório institucional, permitiram mudanças como a indicada na questão acima, além de maiores investimentos em tecnologia de informática, bibliotecas, cursos de nivelamento, etc” (SUJEITO 13). FONTE: Dados da pesquisa de campo APÊNDICE 7 - RESULTADOS DA AVALIAÇÃO INTERNA E TOMADA DE DECISÃO Segundo os Gestores “Na forma como o SINAES aponta está correta, basta os gestores utilizarem os seus resultados para a sua gestão” (SUJEITO 1). “A IES tem utilizado os resultados para crescimento da qualidade de ensino. Precisa utilizar estes mesmos resultados para a melhoria da sua gestão” (SUJEITO 2). “Não se pode fazer uma avaliação interna de primeira grandeza se estes resultados não forem utilizados para a tomada de decisão” (SUJEITO 3). “Como indica o SINAES” (SUJEITO 4). “O SINAES ensina como fazer a avaliação, os gestores têm que pegar estes resultados e usá-los na instituição” (SUJEITO 5). “O SINAES tem bons indicadores de avaliação, ´só os gestores utilizarem estes resultados para a sua tomada de decisão” (SUJ. 6). “A avaliação institucional interna tenta melhorar a qualidade acadêmica e administrativa, pois os seus resultados servem para que o gestor possa verificar onde estão os pontos fortes e fracos da instituição. Sendo estes resultados de grande valia orientando a tomada de decisão” (SUJEITO 7). “1. Baseada nos preceitos dispostos no SINAES (Comissão Interna de Avaliação Institucional); 2. Para consistir o processo, a gestão administrativa e financeira tem de conhecer profundamente o processo acadêmico; 3. Integração plena nos processos de gestão acadêmica e administrativa financeira” (SUJEITO 8). “A avaliação interna tem que ser feita como indica o SINAES, e os seus resultados servem para que o gestor possa tomar as decisões corretas” (SUJEITO 9). “Poderiam ser instruídas de duas formas: a primeira delas é a análise da colocação do egresso. Se o mesmo trabalha na área do curso ou em áreas correlatas com a utilização dos conhecimentos adquiridos no decorrer do curso. Comparação entre a posição hierárquica que ocupava antes do curso e a que ocupa agora. A segunda análise é a referente à opinião do aluno nas diversas fases do curso, identificando necessidades dos mesmos e transformando-as em oportunidades de ensino dentro dos padrões oferecidos pela IES. Neste caso, as avaliações poderão ser realizadas para os próprios alunos, para os professores e também para os trabalhadores da educação” (SUJEITO 10). “A avaliação institucional interna (AVI) deve ser contínua, pois é fundamental que a IES compreenda que por meio dela será construído o conhecimento sobre a sua própria realidade, que serão compreendidos os significados do conjunto das suas atividades e permitirá melhorar a qualidade das suas ações e alcançar maior relevância social, por meio do processo de tomada de decisões. A AVI deve possibilitar a sistematização das informações, a análise coletiva dos significados de suas realizações, bem como desvendar formas de organização, administração e ação, a identificação dos pontos fracos e dos pontos fortes e potencialidades, e permitir à IES estabelecer estratégias de superação de seus problemas. A AVI deve ser, portanto, um processo cíclico, criativo e renovador de análises, interpretações e sínteses das dimensões que definem a IES, permitindo-lhe tomar decisões de forma eficaz. Para que a IES atinja seus objetivos em relação à AVI deve: 1. estruturar equipe de coordenação para planejar e organizar as atividades, manter o interesse pela avaliação, sensibilizando a comunidade e fornecendo assessoramento aos diferentes setores da IES, e refletir sobre o processo; 2. envolver os integrantes da IES, pois o envolvimento dos atores, por diferentes que sejam entre si, auxilia na construção do conhecimento gerado na avaliação; 3. ocorra o compromisso explícito dos dirigentes da IES em relação ao processo avaliativo; 4. as informações sejam válidas e confiáveis pois, sendo a informação fidedigna, o elemento fundamental do processo avaliativo, sua disponibilização pelos órgãos pertinentes da instituição é prioritária. Nesse sentido, a coleta, o processamento, a análise e a interpretação de informações são essenciais para alimentar as dimensões que a auto-avaliação quer indagar; 5. os conhecimentos que a avaliação interna proverá à comunidade institucional deve ter uma finalidade clara de planejar ações destinadas à superação das dificuldades e ao aprimoramento institucional. Para isso, é importante priorizar ações de curto, médio e longo prazos, planejar de modo compartilhado e estabelecer etapas para alcançar metas simples ou mais complexas” (SUJEITO 11). “Por experiência colhida desde o ano de 1993, em avaliação institucional, a avaliação interna da IES deveria ter dois pressupostos: descritivo (qualitativo) e numérico (quantitativo). Que o pressuposto descritivo seja resultado de análise de grupo de trabalho e o pressuposto numérico resulte de avaliação a partir de opinião de todos os segmentos da instituição. O pressuposto descritivo poderá se basear nas ‘dimensões de avaliação’ apontados pelo SINAES e os pressupostos numéricos em instrumentos próprios criados pela Comissão Própria de Avaliação – CPA, da instituição. Tanto o pressuposto descritivo quanto o numérico devem incluir a avaliação interna e a externa, com vistas a uma ‘fotografia’ universal a respeito da filosofia e do desempenho da instituição” (SUJEITO 12). “A principal é que os gestores entendam a avaliação como um instrumento de gestão e não uma mera obrigação formal imposta pelo MEC. Neste sentido, os instrumentos de avaliação devem incluir os utilizados pelos gestores da IES, ou seja, deve incluir indicadores de resultados e não apenas os de qualidade” (SUJEITO 13). FONTE: Dados da pesquisa de campo. 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