Jornal da população de rua de Curitiba Franciele Petry SCHRAMM (UFPR)1 Giulia Sbaraini FONTES (UFPR) 2 Toni André Scharlau VIEIRA (UFPR)3 Resumo: Relato da experiência e trabalho que o Núcleo de Comunicação e Educação Popular (NCEP/UFPR) está realizando com o Movimento Nacional da População de Rua (MNPR), que tem por finalidade a criação e produção do jornal impresso A Laje. O jornal, produzido pela própria população de rua com o auxílio do NCEP, tem por objetivo dar mais visibilidade para a luta por direitos dessa população. Para isso, o jornal busca retratar a realidade dos moradores de rua em Curitiba, mostrando as dificuldades e o descaso com que as autoridades tratam essas pessoas. Trata-se de um estudo de caso com uma intervenção na linha da pesquisa ação, onde os extensionistas estão diretamente envolvidos no assunto e participando ativamente das atividades. Os moradores de rua são protagonistas dessa experiência, que se apresenta como uma importante forma de acompanhar o desenvolvimento de uma organização social a partir da criação da sua fonte pública de informação, o jornal A Laje. A população é repleta de peculiaridades e vulnerabilidades que podem afetar a constância na participação do projeto, portanto, dificultando a execução pelos mesmos. Porém, percebe-se que o projeto vai aos poucos caminhando na direção de dar maior autonomia ao povo em situação de rua na elaboração do jornal. Primeiramente como projeto de extensão, o trabalho de produção do jornal A Laje é uma das principais atividades do Núcleo e, por isso é mantida com grande entusiasmo. . As pautas (temas do jornal) são levantadas durante as reuniões pelos participantes. O tema do editorial e o conteúdo dos textos são levantados durante as reuniões e escritos por um integrante do NCEP, sendo revisado pela população de rua durante a reunião. As figuras e fotos, pensadas pela população de rua durante as reuniões, são tiradas e desenhadas por pessoas que às vezes não tem envolvimento direto com o jornal. Há um espaço no jornal chamado “arte da rua”, que é constituído de poemas escritos pela população de rua, que são levados pelos próprios autores ou coletados por algum morador de rua que participa das reuniões do jornal. Palavras-chave: Comunicação Social; Movimento social; População em situação de rua; NCEP. O Movimento Nacional de População de Rua (MNPR) é um movimento social existente desde 2004. Ele é composto por pessoas em situação de rua ou que já estiveram em situação de rua, e tem como objetivo lutar pela conquista dos direitos a essa população. O Movimento está presente no Paraná desde 2007, tendo realizados ações como Fóruns Permanentes, Oficinas, capacitações e encontros artísticos. 1 Discente do terceiro período do curso de Comunicação-Jornalismo da Universidade Federal do Paraná e membro do NCEP-UFPR, e-mail: [email protected] 2 Discente do primeiro período do curso de Comunicação-Jornalismo da Universidade Federal do Paraná e membro do NCEP-UFPR, e-mail: [email protected] 3 Professor Doutor, coordenador do NCEP e chefe do Departamento de Comunicação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), e-mail: [email protected] Nos estados em que a luta da população de rua está mais consolidada, há jornais impressos voltados a esse público – alguns até mais antigos que o MNPR – como o Trecheiro, de São Paulo, o Boca de rua, de Porto Alegre, e o Aurora da Rua, de Salvador. Com a consolidação do Movimento no Paraná aprofunda-se a necessidade de se criar um jornal voltado à população de rua do estado. O desejo do jornal pôde ser realizado através do contato do Movimento com o Núcleo de Comunicação e Educação Popular da UFPR (NCEP), projeto de extensão existente desde 2003, que tem como um dos objetivos auxiliar movimentos sociais na criação de canais de comunicação. Desde o contato inicial do NCEP com o MNPR foram produzidas, de novembro de 2010 até maio de 2011, 18 edições do informativo “A Laje – a voz do povo da povo”, que é feito colaborativamente entre a população de rua de Curitiba, o Núcleo, e algumas entidades apoiadoras do MNPR-PR. Entendendo-se que os movimentos sociais são parte das transformações da sociedade contemporânea, que tentam “promover autonomamente valores democráticos, direitos humanos e a preservação da natureza” (HENRIQUES et alii, 2007, p.17), que “são fenômenos históricos decorrentes de lutas sociais” (GOHN, 1997, p.10-20), que combatem a desigualdade, a opressão e a exclusão é impossível não qualificar o MNPR como uma entidade e uma personalidade do movimento social. Nos últimos anos, a presença dos movimentos sociais é cada vez mais decisiva na construção histórica da sociedade, eles “assinalam uma profunda transformação na lógica e no processo que guiam as sociedades complexas” (MELUCCI apud GOHN, 1997, p.157), e “anunciam o que está tomando forma mesmo antes de sua direção e conteúdo tornarem-se claros. Os movimentos contemporâneos são os profetas do presente” (ibid 1997, p.157). Nesse sentido, é possível considerar os movimentos sociais como essenciais para intervir nos grandes debates da sociedade. O NCEP procura trabalhar através de parceria com as entidades envolvidas, cuja demanda é encontrada geralmente pela procura da própria entidade em que se deseja fazer o trabalho de Comunicação Popular. No caso em questão, a parceria foi formada através do contato de uma graduanda do curso de jornalismo, que fez um trabalho de conclusão do curso sobre mídia e população de rua, com o MNPR. A orientadora da aluna, professora doutora Kelly Prudêncio, à época vice coordenadora do NCEP, sabendo da vontade do Movimento em criar o jornal, marcou uma reunião entre o NCEP e o MNPR em setembro de 2010. Desse encontro decidiu-se que o NCEP se reuniria semanalmente com o Movimento, que possui reuniões todas as quartas, acrescentando um horário destinado à criação do jornal. Dessas reuniões faziam parte o líder do MNPR no Paraná, a população de rua, e representantes de entidades que apoiam o MNPR, como o Instituto de Defesa dos Direitos Humanos (IDDEHA), a Terra de Direitos e o Ministério Público do Paraná. Durante cerca de 1 mês, foi discutido como seria o jornal, questões relativas a formato, temas, nome, etc. O nome “A Laje” foi escolhido através da consulta que um morador de rua, integrante do MNPR, fez com a própria população de rua, sendo o “estar na laje” uma gíria muito usada que significa estar em uma situação ruim (não ter lugar para dormir, por exemplo, é “estar na laje”). Em relação ao formato, a ideia original era de um jornal com várias páginas, mas devido à questão dos recursos e de divergências quanto a possibilidade de se obter patrocínio, decidiu-se fazer o jornal de uma forma que ele fosse viável: uma folha A4 frente e verso em preto e branco, cuja impressão seria feita pelos apoiadores do Movimento, com periodicidade mensal. No início de novembro, estava pronta a primeira edição de “A Laje”, cujo tema central, definida pela população de rua que participava das reuniões, foi a apresentação do Movimento Nacional de População de Rua, contando sua história, eventos já realizados e algumas conquistas. A forma de construção do jornal permanece semelhante: são reuniões semanais em que são definidos os temas, distribuídas as tarefas e revisados os textos prontos. Os textos, que no início do projeto eram escritos em sua maioria pelos apoiadores e membros no NCEP, hoje são escritos pelos moradores de rua individualmente ou em conjunto durante as reuniões. As pautas (temas do jornal) são levantadas durante as reuniões pelos participantes. O tema do editorial e o conteúdo do texto são levantados durante as reuniões e escritos por um integrante do NCEP, sendo revisados pela população de rua também ao longo dos encontros. As figuras e fotos, pensadas em conjunto com essa população, são tiradas e desenhadas por pessoas que às vezes não têm envolvimento direto com o jornal. Há um espaço no jornal chamado “arte da rua”, que é constituído de poemas escritos pela população de rua, que são levados pelos próprios autores ou coletados por algum morador de rua que participa das reuniões do jornal. A impressão é feita por alguns apoiadores do MNPR; o número de exemplares varia de mês em mês, girando em torno de 1 mil. A distribuição é feita pela própria população de rua, de mão em mão, e a diagramação fica a cargo do NCEP. Com o aumento da necessidade de espaço, em razão do grande número de notícias, o jornal passou a ser impresso em formato A3, dobrado ao meio. Atualmente, 5 edições já foram impressas no novo formato, através de parceria com sindicatos apoiadores. As reuniões são conduzidas por 4 integrantes do Núcleo. Nos encontros, tenta-se conduzir as ideias visando ter o mínimo de influência possível sobre elas. Para isso, utiliza-se do questionamento, da problematização – perguntas como: o que vocês querem abordar nessa edição do jornal? De que forma? Poderiam ter imagens ilustrando a matéria? Em uma breve análise do conteúdo das edições já produzidas, encontramos: divulgações de eventos do MNPR (fóruns e seminários); divulgações de serviços de assistência (como o disque-denúncia – #100, que começou a funcionar durante o período de execução do período, sendo interessante sua divulgação); poesias na seção de arte; editoriais produzidos conjuntamente com a população de rua; denúncias de abusos, maus tratos e violência; críticas e sugestões quanto às políticas públicas; textos sobre o preconceito; matérias relativas à situação da população de rua em outras cidades paranaenses; entrevistas com militantes do Movimento e com outras figuras. Já na primeira edição4 o informativo traz uma apresentação e faz um chamamento para que mais pessoas se envolvam no processo comunicativo: "Movimento nacional de população de rua amplia diálogo com a sociedade" é a manchete principal. No segundo plano aparece o texto "conheça alguns marcos do MNPR". O jornal nascia ainda tímido, mas já apresentava a condição de representante do segmento ao destacar na página 2 "população em situação de rua e COHAB discutem políticas publicas de moradia". Coloca também algumas das conquistas do MNPR. Logo é possível observar que a comunicação para a mobilização possui um caráter dialógico, e “é também libertadora, já que um sujeito não tenta invadir ou manipular o outro, [...] mas tenta, com o outro, problematizar um conhecimento sobre uma realidade concreta, para melhor compreender esta realidade, explica-la e transformá-la” (BRAGA et alii, 2007, p.66). O MNPR parece partir dessa ideia apresentada por Braga, e investe na existência de um jornal periódico para dar voz à população em situação de rua. A ação tem produzido resultados interessantes do ponto de vista informativo. Um exemplo disso é a matéria publicada na edição de abril de 2012: "convivência pacífica entre lojistas e pessoas em situação de rua" (LAJE, abril de 2012, p.4). O texto destaca que muitos lojistas acreditam que os moradores de rua, que passam a noite sob as marquises da rua 15 de novembro (o calçadão), acabam fazendo uma espécie de vigilância do local. No mesmo texto ressalta-se, no entanto, que "(...) ainda há o que melhorar: cabe aos moradores evitar fazer sujeira nas portas das lojas para que o dia se inicie com o calçadão limpo, e a relação tão benéfica para os dois envolvidos se mantenha." (ibid) O jornal traz informações que são pouco percebidas nos veículos de grande circulação, e apresenta uma visão de mundo que é bem particular aos que vivem em situação de rua. O que pode ser visto apenas como sujeira, contravenção e exposição 4 Disponível em: <https://docs.google.com/viewer? url=http://jornalalaje.files.wordpress.com/2011/06/a-laje-edic3a7c3a3o11.pdf&chrome=true>. Acesso em: 02 de agosto de 2012, às 15h30min. dos "cidadãos de bem" a uma miséria não aceita, já que impacta a ideia de capital ecológica (entre outros slogans criados para Curitiba), acaba se tornando uma prova de que as pessoas que vivem nas ruas têm uma inserção contemporânea que vai muito além do simples pensamento de convívio entre diferentes classes ou raciocínios excludentes que não querem reconhecer a existência desse tipo de cidadãos nas vias públicas. A Laje também é um meio de denúncia contra maus tratos e das condições dessa população. Na edição 135 (2011, p. 2) a matéria "FAS devagarzinho entrando nos eixos" descreve a realidade do resgate social que, a partir das denúncias dos problemas enfrentados diariamente pela população, melhorou em alguns pontos. Assim, é possível dizer que o informativo atua como mais um “instrumento para auxiliar o movimento em seu processo de transformação da realidade” (HENRIQUES et alii, 2007, p.20). Essas conquistas se devem também ao fato de A Laje pautar alguns meios. Como no caso da matéria “S.O.S FAS”, presente na 7ª edição, que denunciou a má qualidade da janta servida no albergue. Através dessa notícia, inicialmente publicada na Laje, o jornal laboratório da Universidade Federal do Paraná, o Jornal Comunicação, deu destaque ao tema na capa de uma de suas edições. Logo em seguida, a repórter responsável pela matéria do Jornal Comunicação foi convidada pela Rádio CBN de Curitiba para falar sobre o tema em um programa ao vivo da rádio. Dessa forma, vemos que as notícias publicadas no jornal A Laje têm grande relevância, e são um ponto de partida para o início de grandes debates com a temática da população de rua. O jornal com distribuição gratuita, e uma tiragem de 1 mil exemplares, vem possibilitando, juntamente com outras ações promovidas pelo MNPR, o reconhecimento do movimento pela sociedade e também da população em situação de rua, atuando na conquista de direitos para esses cidadãos. O NCEP, em todas as suas parcerias, procura trabalhar visando a autonomia do grupo envolvido, ou seja, que o trabalho possa continuar no futuro sem a interferência do Núcleo. Esse ideal foi levado em conta no início da parceria com o MNPR, sendo que o pensamento, após a criação do jornal, seria a realização de oficinas de capacitação (sobre texto, fotografia, diagramação, etc) para que o jornal fosse totalmente produzido pela população de rua. Embora essa proposta já tenha sido sistematizada pelo Núcleo, a execução ainda não foi possível por motivos como infraestrutura e, principalmente, pelas especificidades da população envolvida. A dificuldade dos moradores de rua para se manterem no projeto, tendo em vista as peculiaridades e vulnerabilidades que podem 5 Disponível em: <https://docs.google.com/viewer? url=http://jornalalaje.files.wordpress.com/2012/05/a-laje-edic3a7c3a3o14.pdf&chrome=true>. Acesso em: 02 de agosto de 2012, às 16h30min. afetar a constância na participação do jornal, é um dos grandes obstáculos para a autonomia do “A Laje” em relação ao NCEP. Porém, percebemos que o projeto vai aos poucos caminhando na direção inicialmente proposta pelo Núcleo. Com o passar das edições, a participação da população da rua na produção do “A Laje” foi sendo gradativamente mais efetiva em relação aos apoiadores. Além dos temas, que sempre foram definidos prioritariamente pela população de rua participante, os textos começaram a ser escritos pelos seus integrantes, individualmente ou em conjunto durante as reuniões. Outro fator importante a ser mencionado é que o jornal foi, aos poucos, também, deixando de veicular matérias relativas ao âmbito político do Movimento para dar lugar aos assuntos levantados pela população de rua, que não é necessariamente integrante do MNPR. Um último aspecto que levamos em conta para buscar a conquista de uma autonomia da população de rua quanto ao jornal é a não substituição do Movimento. Um exemplo disso ocorreu nas reuniões dos dias 15 e 19 de maio de 2011, quando estiveram presentes somente membros do NCEP. Na ocasião nenhuma ação foi produzida pois ela só tem sentido se houver a participação efetiva dos envolvidos. A principal preocupação é a de que o periódico tenha um caráter menos formal e que seja próximo de seu público. A formalização excessiva poderia acarretar num distanciamento indesejável com população de rua. O posicionamento dos moradores que comparecem às reuniões e o do MNPR costuma estar alinhado, tratando-se, majoritariamente, da luta pelos direitos humanos, conscientização pela diminuição do preconceito, denúncias e utilidade pública. Quanto à linguagem, procuramos simultaneamente aproxima-la da linguagem dos moradores de rua, para que haja identificação, mas também exercer um formato e linguagem jornalística, para que o jornal possa ser lido com facilidade também por terceiros e fazer parte da representação política do MNPR em eventos e divulgações. A conscientização de outros públicos por meio do jornal também é importante. Tais fatos exigem uma atenção na elaboração de discurso, mas, diferente do que possa, primeiramente, ser pensado, os textos elaborados por habitantes de rua não costumam exigir grandes readequações. Portanto, conclui-se também que, embora existam dificuldades na produção do material pela população de rua, existe o interesse e prédisposição em participar e contribuir com um meio de comunicação alternativo, em que não apenas profissionais e técnicos de comunicação são aptos ao trabalho. Entre as repercussões que o jornal provocou na população de rua não podemos, ainda, mencionar nenhum dado qualitativo ou quantitativo que comprove a eficácia do meio de comunicação sobre o público de interesse. Nossas observações obtidas pelo contato direto com a população de rua, entretanto, permitem que tiremos algumas conclusões que mostram efeitos favoráveis do projeto sobre a população de rua, que não estão necessariamente ligados ao conteúdo do jornal em si. Percebemos, por exemplo, que o simples fato de, durante as reuniões, eles poderem expressar os seus problemas e serem ouvidos já cria um efeito positivo em relação à autoestima. É interessante também ressaltar que, nos encontros casuais com essas pessoas pela rua, é comum haver o agradecimento deles pelo nosso trabalho. A impressão que fica é que só o fato de haver pessoas externas ao seu meio e tê-las auxiliando em algo – e de maneira respeitável, algo que de acordo com seus depoimentos nem sempre ocorre no tratamento que recebem do poder público – lhes proporciona a esperança por melhores condições. Em relação ao jornal, percebemos que, embora a participação da população de rua esteja aumentando, ela ainda está aquém do esperado em um jornal que representa pelo menos 2800 pessoas no município. Durante todo o processo, dezenas de moradores de rua contribuíram em alguma parte da produção das edições, porém há apenas um deles que participa do jornal desde o início e que de alguma forma contribuiu em todos os exemplares. A ideia de se fazer um jornal de grande tamanho e tiragem ainda é mantida, porém a limitação não é apenas de recursos estruturais. Falta, principalmente, um maior envolvimento da população de rua para que o conteúdo de um jornal de grande porte possa representar cada vez mais e melhor a voz desse povo. Há enormes dificuldades em se produzir um jornal que seja a voz da população de rua. Aumentar o envolvimento do público com o veículo é um dos grandes desafios atuais. Nesse aspecto, será importante a criação de uma sede do Centro Estadual de Defesa dos Direitos Humanos da População de Rua e Catadores de Materiais Recicláveis - CEDDH em Curitiba. Um imóvel próximo à Praça Garibaldi, localizado no Largo São Francisco, será destinado ao CEDDH na cidade. Esse centro deverá contar com advogados, educadores populares, mobilizadores de ações sociais e outros profissionais, além de entidades apoiadoras, como o MNPR e o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis. O objetivo anunciado pelo Governo é o de ser referência na promoção dos direitos humanos e buscar a ampliação da cidadania e da participação popular desses indivíduos, através de ações de inclusão social, defesa e tutela dos direitos humanos. A partir da criação desse centro, a população em situação de rua terá uma porta aberta para a efetivação de seus direitos e um espaço para lutar pela implantação de políticas públicas que realmente possibilitem uma melhoria de sua condição social. As transformações destas pessoas que vivem nas ruas, muitas vezes à margem da sociedade, “inauguram e produzem a mobilização de diversos segmentos da sociedade que culminam em um reconhecimento particular por parte da sociedade civil e do Estado” (MELO, 2011, p.17), conferindo reconhecimento e legitimidade a estas pessoas enquanto sujeitos de direito na sociedade. 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