Conversando com os pais Motivos para falar sobre esse assunto, em casa, com os filhos 1. A criança mais informada, e de forma correta, terá mais chances de saber lidar com sua sexualidade e, no futuro, vivenciá-la sem culpa. 2. Conversar sobre esse assunto em casa ajuda a destruir mitos e a corrigir informações e conceitos errados. 3. Quando não tem um espaço para falar sobre sexo claramente e elaborar suas dúvidas, a criança cria fantasias que geram ansiedade e, muitas vezes, no futuro trazem prejuízos emocionais, de relacionamento e sexuais. 4. Possibilita maior intimidade e confiança entre pais e filhos: os filhos passam a ver os pais como pessoas com quem podem contar no caso de uma dúvida ou problema. 5. Aumento da afetividade. 6. Quando conversam, as crianças ficam mais tranquilas porque têm suas dúvidas sanadas. 7. As crianças conhecem melhor o próprio corpo. 8. Proteção contra o abuso sexual: informando e falando sobre sexo naturalmente com seu filho, ele terá melhores condições de se proteger de situações externas, sem se sentir culpado, com medo das ameaças muitas vezes impostas pelo agressor/abusador. Pense comigo: O ideal é que a família abra um espaço para a informação. Mas também para o diálogo. Dialogar é dar oportunidade para a criança aprender. E não só sobre sexo. A primeira grande curiosidade de uma criança é saber de onde vêm os bebês. Quando ela pergunta aos pais e eles respondem de forma clara e confiável, a criança deixa de lado sua curiosidade, já que tem sua dúvida sanada, e descobre um modelo de conhecimento que usará para o resto de sua vida. É perguntando que a criança descobre as coisas, como todos nós. Mas nós sabemos que a educação do seu filho cabe a você! Dicas para ajudar nessa conversa 1. O corpo fala Tão importante quanto o jeito e a naturalidade com que você fala, é a sua postura física. Não adianta dizer que sexo é algo natural se a expressão de seu rosto mostrar justamente o contrário. A criança vai assimilar muito mais o discurso não verbal (a linguagem do seu corpo) do que o que está sendo dito. 2. Faça o que eu digo, mas... Não adianta falar de um jeito e agir de outro. Você já viu cenas em que a mãe diz para o filho que é para ele não gritar e depois começa a discutir com o marido? Ou o pai, que apregoa aos quatro cantos que naquela casa todos são iguais, mas ele não “arreda o pé” para dividir o trabalho doméstico com sua esposa? “Os pais podem ensinar certos valores, mas as crianças absorvem o que é transmitido pelo comportamento, pelos sentimentos e pelas atitudes”, alerta a educadora americana Dorothy Law Nolte, em seu livro As crianças aprendem o que vivenciam (Ed. Sextante). 3. Cuidado com as atitudes Procurem sempre ter uma atitude positiva diante desse assunto. É por intermédio dessa vivência que a criança construirá sua visão da sexualidade. 4. Atenção ao que seu filho está perguntando... Fiquem atentos à pergunta das crianças. Procure saber o que elas já sabem sobre o assunto e depois complemente, se for o caso. Agindo assim, vocês estarão contribuindo também para o desenvolvimento do pensamento delas. 5. Linguagem Cada família tem um jeito diferente de falar; na verdade, dependendo da cidade do nosso país, as expressões são bem diferentes umas das outras. Não invente nem fale palavras que não sejam habituais: vai soar falso! Para facilitar, use primeiro a expressão comum, que seu filho usa e, depois, use os termos científicos para ele ir se acostumando. 6. Depois eu te respondo... Nada de deixar para o dia seguinte ou enrolar a criança e não responder. Seja objetivo, sucinto se for o caso, mas responda. Se não souber, diga que não sabe e que vai se informar para depois responder. Não se esqueça da resposta, nem demore dias para dá-la. Se simplesmente “esquecer”, seu filho perceberá que entrou num “espaço delicado”, que sexo naquela casa não é um assunto tratado com naturalidade e, muito pelo contrário, é algo que traz vergonha, ou é tratado como feio, sujo e pecaminoso. Isso não é bom. 7. Sinceridade Seja sempre sincero nas respostas. Se mentir, seu filho, mais cedo ou mais tarde, vai descobrir e perceber que não dá para conversar sobre sexo com você. Adianta alguma coisa? Claro que não! Você perde a credibilidade e, quando tiver dúvida, ele vai buscar as respostas (nem sempre corretas) com os colegas . 8. Responda ao que foi perguntado Responda exatamente ao que seu filho perguntou, sem aproveitar o momento para dar uma aula de sexo ou de ciências. 9. Ouça seu filho Estar pronto para ouvir seu filho, mesmo que pareça uma bobagem, é sinal importante de uma comunicação saudável entre vocês. O fato de estar atento ao que ele tem a dizer, aqueles minutos que você “perde” com ele ou os elogios que fez àquele desenho malfeito, têm um significado muito especial. 10. Cegonhas... Dizer que foi a cegonha quem o trouxe ou que o papai colocou uma sementinha na barriga da mamãe pode ser romântico, mas é irreal. Não nos cabe educar, ainda hoje, as crianças com essas fantasias. Quando pai e mãe criam respostas “fantásticas”, os filhos criam fantasias que dificultam o pensar sobre a realidade e impedem que conheçam o seu corpo. Professoras que trabalham em creches relatam casos em que a criança fica imaginando que a mãe tem uma planta crescendo dentro dela.