REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS ANO LXVII - Nº 011 - TERÇA-FEIRA, 07 DE FEVEREIRO DE 2012 - BRASÍLIA-DF MESA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS (Biênio 2011/2012) PRESIDENTE MARCO MAIA – PT-RS 1ª VICE-PRESIDENTE ROSE DE FREITAS – PMDB-ES 2º VICE-PRESIDENTE EDUARDO DA FONTE – PP-PE 1º SECRETÁRIO EDUARDO GOMES – PSDB-TO 2º SECRETÁRIO JORGE TADEU MUDALEN – DEM-SP 3º SECRETÁRIO INOCÊNCIO OLIVEIRA – PR-PE 4º SECRETÁRIO JÚLIO DELGADO – PSB-MG 1º SUPLENTE GERALDO RESENDE – PMDB-MS 2º SUPLENTE MANATO – PDT-ES 3º SUPLENTE CARLOS EDUARDO CADOCA – PSC-PE 4º SUPLENTE SÉRGIO MORAES – PTB-RS CÂMARA DOS DEPUTADOS SUMÁRIO SEÇÃO I 1 – ATA DA 2ª SESSÃO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS, ORDINÁRIA, DA 2ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA, DA 54ª LEGISLATURA, EM 06 DE FEVEREIRO DE 2012 * Inexistência de quorum regimental para abertura da sessão I – Abertura da sessão II – Leitura e assinatura da ata da sessão anterior III – Expediente OFÍCIOS Nº 296/11 – Da Federação Nacional dos Policiais Federais, apresentando sugestões para o fortalecimento e reestruturação da carreira Policial Federal................................................................... Nº 241/11 – Da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, que encaminha relatório parcial elaborado pela Subcomissão Especial que trata das ações desenvolvidas dentro do Programa Nacional de Banda Larga. ............... Nº 016/12 – Do Senhor Deputado Aguinaldo Ribeiro, que comunica afastamento do mandato parlamentar. ........................................................... IV – Pequeno Expediente AMAURI TEIXEIRA (PT – BA) – Falecimento do médico e militante político Marcos Antonio Jacobina Santos, do Município de Jacobina, Estado da Bahia.................................................................. MAURO BENEVIDES (PMDB – CE) – Visita da Presidenta Dilma Rousseff às obras do Metrô de Fortaleza e da ferrovia Transnordestina, no Estado do Ceará. Expectativa quanto à continuidade das obras de transposição de águas do Rio São Francisco................................................................ JAIR BOLSONARO (PP – RJ) – Anúncio de encontro do orador com o Ministro da Pesca e Aquicultura, Luiz Sérgio, para debate da apreensão por fiscais do IBAMA de materiais e embarcações de pescadores artesanais na baía de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro.......... VALMIR ASSUNÇÃO (PT – BA) – Realização de encontro nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST, em Aracaju, Estado de Sergipe.............................................................. LUIZ COUTO (PT – PB) – Posse do Deputado Aguinaldo Ribeiro no cargo de Ministro das Cidades. 00878 00880 00893 00895 00895 00895 00895 Contestação à matéria Couto distribui denúncias contra Aguinaldo, publicada pelo Portal Correio.... LUIZ COUTO (PT – PB – Pela ordem) – Desativação dos jornais Diário da Borborema e O Norte, no Estado da Paraíba. Matéria Justiça? Que Justiça? O Supremo rejeita o corporativismo no caso do CNJ, mas não afasta a crise do Judi‑ ciário, publicada pela revista CartaCapital. Acerto da manutenção, pelo Supremo Tribunal Federal, da prerrogativa de investigação de magistrados conferida ao Conselho Nacional de Justiça. .................. AMAURI TEIXEIRA (PT – BA – Pela ordem) – Repúdio à greve realizada por policiais militares no Estado da Bahia. .............................................. VALMIR ASSUNÇÃO (PT – BA – Pela ordem) – Greve de policiais militares no Estado da Bahia. Clima de insegurança instalado no seio da sociedade baiana. Importância do diálogo para o fim do movimento grevista................................................. JAIR BOLSONARO (PP – RJ – Pela ordem) – Defasagem salarial de policiais militares e integrantes das Forças Armadas brasileiras. Necessidade de melhoria salarial e de condições de trabalho nas instituições de segurança pública........................... MAURO BENEVIDES (PMDB – CE – Pela ordem) – Expectativa de aprovação, pela Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, de projeto de lei sobre a criação da Região Metropolitana de Sobral. Anúncio da visita da Presidenta Dilma Rousseff ao Estado..................................................................... V – Grande Expediente IZALCI (Bloco/PR – DF) – Recorrência de escândalos de corrupção no Governo do Distrito Federal. Publicação, pela revista Veja, de denúncias contra integrantes do Governo do Distrito Federal. Defesa de afastamento do Governador Agnelo Queiroz. Irregularidades na execução do Convênio nº 017, de 2005, celebrado entre a Organização Não Governamental Cata-Ventos Juventude e Cidadania e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – SEPPIR. Encaminhamento a instituições de auditoria realizada no Convênio nº 017, de 2005. ......................................................... Aparteantes: MAURO BENEVIDES (PMDB – CE), AMAURI TEIXEIRA (PT – BA)..................... VICENTINHO (PT – SP – Como Líder) – Truculência da ação policial do Governo do Estado de 00896 00896 00897 00899 00901 00901 00902 00904 00874 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS São Paulo no processo de desocupação do Bairro Pinheirinho, no Município de São José dos Campos. Imediata reparação dos danos causados às vítimas da ação policial. Apresentação à Presidência do Requerimento nº 4.151, de 2012, sobre a criação de Comissão Externa destinada à investigação do episódio. Matéria A legitimidade em xeque, a respeito do caso, publicado pela revista CartaCapital.... EMANUEL FERNANDES (PSDB – SP) – Privatização de aeroportos no Estado de São Paulo e no Distrito Federal. Importância da realização de investimentos na área de infraestrutura. Incoerência do discurso petista. Importância do empreendedorismo para o desenvolvimento econômico das nações, especialmente do Brasil. Desocupação do Bairro Pinheirinho, no Município de São José dos Campos, Estado de São Paulo. ............................. Aparteante: MAURO BENEVIDES (PMDB – CE).......................................................................... FRANCISCO ARAÚJO (PSD – RR – Pela ordem) – Saudações à população do Município de Arapoema, Estado do Tocantins. Apelo ao Governador do Estado da Bahia, Jaques Wagner, para atendimento do pleito de policiais militares. Importância da votação da Proposta de Emenda à Constituição nº 300, de 2008, sobre a criação do piso salarial nacional de policiais e bombeiros militares. Necessidade de revisão da Proposta de Emenda à Constituição nº 9.496, de 1997, sobre a dívida dos Estados brasileiros para com a União Federal....... SIMÃO SESSIM (PP – RJ – Como Líder) – Expectativa quanto à participação do Grêmio Recreativo Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis no desfile carnavalesco de 2012, no Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro........................................ BOHN GASS (PT – RS – Pela ordem) – Desempenho da economia brasileira. Excelência da atuação do Líder da bancada do PT na Câmara dos Deputados, Deputado Paulo Teixeira. Expectativa quanto à inclusão na pauta de relevantes proposições de interesse do País. Apoio ao Governo Dilma Rousseff.................................................................. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Associação da Presidência ao discurso do Deputado Bohn Gass.. AMAURI TEIXEIRA (PT – BA – Pela ordem) – Expectativa de continuidade do modelo de gestão adotado pelo Líder da bancada do PT na Casa, Deputado Paulo Teixeira. Balanço da atuação parlamentar do orador. Requerimentos apresentados pelo orador. Falecimento do Diretor de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, Duvanier Paiva Ferreira, e do médico e militante político Marcos Antonio Jacobina Santos........................................................................... DÉCIO LIMA (PT – SC – Pela ordem) – Balanço dos trabalhos realizados pela Casa no exercício de 2011. Elogio ao Deputado Paulo Teixeira pela atuação na Liderança do PT........................... 00906 00911 00913 00915 00915 00916 00917 00917 00918 Fevereiro de 2012 CHICO ALENCAR (PSOL – RJ – Como Líder) – Participação do orador em ato de protesto contra o despejo de moradores do Bairro Pinheirinho, no Município de São José dos Campos, Estado de São Paulo. Nota do PSOL intitulada Insatisfação nos quartéis é fruto da crise, a respeito do movimento grevista da Polícia Militar do Estado da Bahia, e de apoio à Proposta de Emenda à Constituição nº 300, de 2008, sobre a criação do piso salarial nacional dos policiais e bombeiros militares. Presença do Deputado Ivan Valente em Salvador para mediação do conflito entre policiais militares e o Governo Jaques Wagner. ..................................................... OSMAR TERRA (PMDB – RS – Pela ordem) – Prejuízos causados à indústria brasileira, especialmente ao Estado do Rio Grande do Sul, em decorrência da quebra de acordos comercias pela Argentina. Necessidade de adoção pelo Governo brasileiro de medidas cabíveis a respeito do assunto............................................................................. VI – Comunicações Parlamentares DOMINGOS DUTRA (PT – MA) – Importância da votação da Proposta de Emenda à Constituição nº 438, de 2001, que trata da desapropriação de terras em caso da constatação de prática de trabalho escravo. Justificativa da ausência do orador em ato de apoio à reforma agrária no Município de São Cristóvão, Estado de Sergipe. Realização do Encontro Brasileiro dos Programas de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas. Alerta à Governadora do Estado do Maranhão, Roseana Sarney, sobre a gravidade de conflitos pela posse da terra no Município de Paço do Lumiar............................ REGUFFE (PDT – DF – Pela ordem) – Contrariedade à utilização de critérios políticos para ocupação de cargos no Poder Executivo. Excesso de cargos comissionados no âmbito do Governo Federal. Defesa de valorização da polícia do Distrito Federal. Necessidade de apuração das denúncias de corrupção do âmbito do Governo do Distrito Federal. Realização de maiores investimentos do Governo brasiliense nas áreas de educação, saúde e segurança pública................................................ PAES LANDIM (Bloco/PTB – PI – Como Líder) – Descaso do Ministério Público com a apuração de responsabilidades pela morte de árvore histórica no Município de São João do Piauí, Estado do Piauí.. GERALDO RESENDE (PMDB – MS – Pela ordem) – Aquisição pelo Governador do Estado de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli, de veículos para os serviços de vigilância sanitária. Resultados positivos da atuação da bancada federal sul-mato-grossense e do Governo Estadual em prol do reconhecimento de Mato Grosso do Sul como área livre de febre aftosa................................................ OSMAR TERRA (PMDB – RS – Como Líder) – Reportagens publicadas pelo jornal Zero Hora a respeito de internos da Fundação de Atendimen- 00920 00921 00922 00923 00925 00926 Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS to Socioeducativo do Rio Grande do Sul – FASE. Excelência do trabalho realizado pelo Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente – CEDEDICA. Compromisso da Presidenta Dilma Rousseff de implantação de políticas públicas em defesa da primeira infância. ................................... JOÃO ARRUDA (PMDB – PR – Pela ordem) – Promoção, pelo Tribunal Regional do Trabalho do Estado do Rio de Janeiro, de investigação contra o servidor Rogério Figueiredo Vieira, suspeito de desvio de recursos públicos................................... AMAURI TEIXEIRA (PT – BA) – Necessidade de abertura de negociações entre o Governo do Estado da Bahia e policiais militares em greve. Editorial Quer morrer em hospitais públicos? Venha para Jacobina, veiculado pela Internet. Manifesto da União das Associações Rurais de Jenipapo da Lambança e Adjacências – UARJA acerca de dificuldades enfrentadas por beneficiários do Programa Caminho da Escola................................................. MOREIRA MENDES (PSD – RO – Pela ordem) – Falecimento do Deputado Moacir Micheletto em decorrência de acidente automobilístico. Excelência da atuação do Parlamentar. Nota da Associação Nacional de Defesa Vegetal – ANDEF sobre o assunto. Apresentação à Presidência de requerimento de realização de sessão solene em homenagem póstuma ao Deputado....................... JÚLIO CAMPOS (DEM – MT – Como Líder) – Necrológio do Presidente da Junta da Galícia e fundador do Partido Popular, na Espanha, D. Manuel Fraga Iribarne................................................. FRANCISCO ESCÓRCIO (PMDB – MA – Pela ordem) – Realização de aliança política entre o PT e o PMDB no Estado do Maranhão, com vistas às eleições municipais de 2012................................... Discursos encaminhados:............................. LEONARDO GADELHA (PSC – PB) – Realizações do Prefeito Veneziano Vital do Rêgo, do Município de Campina Grande, Estado da Paraíba.... VII – Encerramento DISCURSO PROFERIDO PELA SRA. DEPUTADA JANETE ROCHA PIETÁ NO PERÍODO DESTINADO AO PEQUENO EXPEDIENTE DA SESSÃO ORDINÁRIA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Nº 298, REALIZADA EM 26 DE OUTUBRO DE 2011 – RETIRADO PELA ORADORA PARA REVISÃO: (PT – SP) – Divulgação pela Organização Internacional do Trabalho – OIT de estudo sobre o perfil dos envolvidos com o trabalho escravo rural no Brasil. Defesa de aprovação da PEC 438, sobre combate ao trabalho escravo no País. Sanção, pela Presidenta Dilma Rousseff, da lei que institui o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego – PRONATEC. Alcance social do Programa. Importância da iniciativa popular na elaboração do Orçamento da União....................... 00926 00928 00929 00931 00933 00934 00934 00934 00957 Terça-feira 7 00875 DISCURSO PROFERIDO PELA SRA. DEPUTADA JANETE ROCHA PIETÁ (PT – SP) NO PERÍODO DESTINADO ÀS BREVES COMUNICAÇÕES DA SESSÃO EXTRAORDINÁRIA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Nº 300, REALIZADA EM 27 DE OUTUBRO DE 2011 – RETIRADO PELA ORADORA PARA REVISÃO: Engajamento no movimento popular Outubro Rosa, destinado ao combate ao câncer de mama. Transcurso do Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra. Lançamento de campanha com o slogan Saúde da População Negra é Direito, é Lei: racismo e discriminação fazem mal à saúde. Implantação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra. Participação na solenidade de posse da ex-Deputada Ana Arraes no cargo de Ministra do Tribunal de Contas da União – TCU. Defesa de participação de mulheres na lista preordenada das eleições proporcionais............................................ DISCURSO PROFERIDO PELA SRA. DEPUTADA JANETE ROCHA PIETÁ (PT – SP) NO PERÍODO DESTINADO AO PEQUENO EXPEDIENTE DA SESSÃO ORDINÁRIA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Nº 322, REALIZADA EM 16 DE NOVEMBRO DE 2011 – RETIRADO PELA ORADORA PARA REVISÃO: Distribuição aos Deputados e aos membros da Mesa Diretora de exemplares do livro Desaforismos, de Georges Najjar. Inauguração da sede própria da Agência de Desenvolvimento de Guarulhos —AGENDE, Estado de São Paulo. Implantação do Parque Tecnológico de Guarulhos. Participação na Romaria das Águas, como parte das homenagens à Nossa Senhora de Nazaré, Padroeira no Município de Nazaré Paulista............ DISCURSO PROFERIDO PELA SRA. DEPUTADA JANDIRA FEGHALI (Bloco/PCdoB, RJ) NO PERÍODO DESTINADO ÀS BREVES COMUNICAÇÕES DA SESSÃO EXTRAORDINÁRIA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Nº 323, REALIZADA EM 17 DE NOVEMBRO DE 2011 – RETIRADO PELA ORADORA PARA REVISÃO: Associação às manifestações de solidariedade ao ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Apoio ao posicionamento das bancadas federais dos Estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo pela manutenção da atual sistemática de distribuição dos royalties da exploração de petróleo........................................... DISCURSO PROFERIDO PELA SRA. DEPUTADA JANETE ROCHA PIETÁ (PT – SP) NO PERÍODO DESTINADO ÀS BREVES COMUNICAÇÕES DA SESSÃO EXTRAORDINÁRIA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Nº 331, REALIZADA EM 22 DE NOVEMBRO DE 2011 – RETIRADO PELA ORADORA PARA REVISÃO: Reiteração do convite aos Parlamentares para o ato de lançamento da coletânea Palavra de Mulher – Oito Décadas do Direito de Voto, no Salão Verde da Casa. ......... 00958 00958 00959 00960 00876 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS DISCURSO PROFERIDO PELA SRA. DEPUTADA JANETE ROCHA PIETÁ (PT – SP) NO PERÍODO DESTINADO AO PEQUENO EXPEDIENTE DA SESSÃO ORDINÁRIA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Nº 341, REALIZADA EM 29 DE NOVEMBRO DE 2011 – RETIRADO PELA ORADORA PARA REVISÃO: Realização de manifestações no Município de Guarulhos, Estado de São Paulo, por ocasião do transcurso do Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher. Ocorrência de crime de estupro contra anciã no Município de Cajazeiras, Estado da Paraíba. Doação à Deputada Romanna Remor de exemplar do livro Sobrevivi... Posso Contar, de autoria da biofarmacêutica Maria da Penha, ícone do movimento pelo fim da violência doméstica contra a mulher...................................... DISCURSO PROFERIDO PELO SR. DEPUTADO DANIEL ALMEIDA (Bloco/PCdoB, BA – Pela ordem) NO PERÍODO DESTINADO AO GRANDE EXPEDIENTE DA SESSÃO ORDINÁRIA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Nº 341, REALIZADA EM 29 DE NOVEMBRO DE 2011 – RETIRADO PELO ORADOR PARA REVISÃO: Transcurso do Dia Nacional de Combate ao Câncer e do Dia Nacional de Luta contra o Câncer de Mama. Elevação das taxas de mortalidade provocadas por câncer no País. Criação da Política Nacional de Atenção Oncológica. Apresentação do Projeto de Lei nº 843, de 2007, sobre a permissão aos trabalhadores da ausência ao serviço para a realização de exames preventivos do câncer............................................. 2 – PROPOSIÇÕES APRESENTADAS INDICAÇÕES 00960 Nº 111/2012 – Do Sr. Jair Bolsonaro – Contra a apreciação conclusiva da Comissão Especial da Câmara dos Deputados sobre o Projeto de Lei nº 7.672 de 2010......................................................... 00968 00969 00970 00971 00971 REQUERIMENTO DE INFORMAÇÃO 00960 Nº 1.625/2012 – Do Sr. Amauri Teixeira – Solicita ao Sr. Ministro de Estado da Justiça que forneça um relatório detalhado sobre a Ação de Reintegração de Posse realizada pela Polícia Federal no dia 01 de fevereiro, na Comunidade Indígena Tupinambá do Acuípe............................................. 00972 REQUERIMENTOS 00961 PROJETOS DE LEI Nº 3.122/2012 – Do Sr. Onofre Santo Agostini – Proíbe a fabricação, a importação, a distribuição e a comercialização de fraldas descartáveis que contenham em sua composição substância ou matéria não biodegradável.................................................. Nº 3.123/2012 – Do Sr. Alexandre Leite – Dispõe sobre privatização dos estabelecimentos penitenciários.......................................................... Nº 3.124/2012 – Do Sr. Luciano Castro – Dispõe sobre os meios de prova admitidos no processo cível e penal, quando a lide envolver o uso de sistema eletrônico, digital ou similares, de rede de computadores, ou que sejam praticadas contra dispositivos de comunicação ou sistemas informatizados e similares.................................................. Nº 2.458/2012 – Do Sr. Amauri Teixeira – Solicita à Ministra de Estado da Cultura a criação uma Representação Regional da Fundação Nacional das Artes – FUNARTE no Estado da Bahia. ................ Nº 2.459/2012 – Do Sr. Amauri Teixeira – Sugere a criação da Universidade Federal de Educação Indígena no Estado da Bahia e no Estado do Amazonas............................................................... Nº 2.460/2012 – Do Sr. Amauri Teixeira – Sugere a construção de habitação rural nos municípios Jacobina, Umburanas e Várzea Nova no Estado da Bahia....................................................................... Nº 2.461/2012 – Do Sr. Alexandre Leite – Sugere ao Ministro da Educação a implantação de novos polos de apoio presencial para educação superior à distância................................................ RECURSO PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO Nº 132/2012 – Do Sr. Reinaldo Azambuja – Acrescenta o art. 98 e parágrafo único aos Atos de Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal, que institui no “Âmbito do Poder Executivo Federal, Fundo Nacional de Atendimento e Recuperação Urgente de Comunidades Atingidas por Catástrofes Naturais.”....................................... Fevereiro de 2012 Nº 4.169/2012 – Do Sr. Sérgio Brito – Requer a inclusão na Ordem do Dia da Proposta de Emenda à Constituição nº 190/2007. .............................. Nº 4.170/2012 – Do Sr. Leonardo Monteiro – Requer a instalação na ordem do dia da Proposta de Emenda Constitucional nº 190/ 2007, que acrescenta o artigo 93-A a Constituição Federal, dispondo sobre o Estatuto dos Servidores do Poder Judiciário................................................................. 3 – DESPACHOS DO PRESIDENTE 00973 00973 AVISO Nº 1.826/Seses – Do Tribunal de Contas da União...................................................................... 00964 00964 00966 00973 PETIÇÃO Interessados: Jurandir Inácio Moreira e Alexander Marra Moreira............................................. PROPOSIÇÕES MSC 16/2012, PEC 131/2011, PLP 120/2011, PL 2902/2011, PL 2904/2011, PL 2913/2011, PL 2922/2011, PL 2927/2011, PL 2928/2011, PL 2942/2011, PL 2950/2011, PL 2956/2011, PL 2957/2011, PL 2962/2011, PL 2968/2011, PL 2974/2011, PL 2980/2011, PL 2981/2011, PL 00973 Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS 2988/2011, PL 2994/2011, PL 3000/2011, PL 3001/2011, PL 3006/2011, PL 3007/2011, PL 3012/2011, PL 3013/2011, PL 3018/2011, PL 3020/2011, PL 3026/2011, PL 3028/2011, PL 3032/2011, PL 3038/2011, PL 3040/2011, PL 3044/2011, PL 3046/2011, PL 3050/2011, PL 3052/2011, PL 3056/2011, PL 3058/2011, PL 3062/2011, PL 3064/2011, PL 3065/2011, PL 3067/2011, PL 3070/2011, PL 3072/2011, PL 3077/2011, PL 3084/2012, PL 3088/2012, INC 2271/2011, INC 2272/2011, INC 2273/2011, INC 2274/2011, INC 2275/2011, INC 2276/2011, INC 2277/2011, INC 2278/2011, INC 2279/2011, INC 2280/2011, INC 2281/2011, INC 2282/2011, INC 2283/2011, INC 2284/2011, INC 2285/2011, INC 2286/2011, INC 2287/2011, INC 2288/2011, INC 2289/2011, INC 2290/2011, INC 2291/2011, INC 2292/2011, INC 2293/2011, INC 2294/2011, INC 2295/2011, INC 2296/2011, INC 2297/2011, INC 2298/2011, INC 2299/2011, INC 2300/2011, INC 2301/2011, INC 2302/2011, INC 2303/2011, INC 2304/2011, INC 2305/2011, INC 2306/2011, INC 2307/2011, INC 2308/2011, INC 2309/2011, INC 2310/2011, INC 2311/2011, INC 2312/2011, INC 2313/2011, INC 2314/2011, INC 2315/2011, INC 2316/2011, INC 2317/2011, INC 2318/2011, INC 2319/2011, INC 2320/2011, INC 2321/2011, INC 2322/2011, INC 2323/2011, INC 2324/2011, INC 2325/2011, INC 2326/2011, INC 2327/2011, INC 2328/2011, INC 2329/2011, INC 2330/2011, INC 2331/2011, INC 2332/2011, INC 2333/2011, INC 2334/2011, INC 2335/2011, INC 2336/2011, INC 2337/2011, INC 2338/2011, INC 2339/2011, INC 2340/2011, INC 2341/2011, INC 2342/2011, INC 2343/2011, INC 2344/2011, INC 2345/2011, INC 2346/2011, INC 2347/2011, INC 2348/2011, INC 2349/2011, INC 2350/2011, INC 2351/2011, INC 2352/2011, INC 2353/2011, INC 2354/2011, INC 2355/2011, INC 2356/2011, INC 2357/2011, INC 2358/2011, INC 2359/2011, INC 2360/2011, INC 2361/2011, INC 2362/2011, INC 2363/2011, INC 2364/2011, INC 2365/2011, INC 2366/2011, INC 2367/2011, INC 2368/2011, INC 2369/2011, INC 2370/2011, INC 2371/2011, INC 2372/2011, INC 2373/2011, INC 2374/2011, INC 2375/2011, INC 2376/2011, INC 2377/2011, INC 2378/2011, INC 2379/2011, INC 2380/2011, INC 2381/2011, INC 2382/2011, INC 2383/2011, INC 2384/2011, INC 2385/2011, INC 2386/2011, INC 2387/2011, INC 2388/2011, INC 2389/2011, INC 2390/2011, INC 2391/2011, INC 2392/2011, INC 2393/2011, INC 2394/2011, INC 2395/2011, INC 2396/2011, INC 2397/2011, INC 2398/2011, INC 2399/2011, INC 2400/2011, INC 2401/2011, INC 2402/2011, INC 2403/2011, INC 2404/2011, INC 2405/2011, INC 2406/2011, INC 2407/2012, INC 2408/2012, INC 2409/2012, INC 2410/2012, INC 2411/2012, INC 2412/2012, INC 2413/2012, INC 2414/2012, INC 2415/2012, INC 2416/2012, INC 2417/2012, INC Terça-feira 7 00877 2418/2012, INC 2419/2012, INC 2420/2012, INC 2421/2012, INC 2422/2012, INC 2423/2012, INC 2424/2012, INC 2425/2012, INC 2426/2012, INC 2427/2012, INC 2428/2012, INC 2429/2012, INC 2430/2012, INC 2431/2012, INC 2432/2012, INC 2433/2012, INC 2434/2012, INC 2435/2012, INC 2436/2012, INC 2437/2012, INC 2438/2012, INC 2439/2012, INC 2440/2012, INC 2441/2012, INC 2442/2012, INC 2443/2012, INC 2444/2012, REQ 3276/2011, REQ 3383/2011, REQ 3791/2011, REQ 4076/2011, REQ 4129/2011. ................................. 00973 COMISSÕES 4 – ATAS Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, 32ª Reunião (Audiência Pública) em 13/09/11. .......................... Comissão de Direitos Humanos e Minorias, * 10ª Reunião (Ordinária), em 04.05.11, * 11ª Reunião (Extraordinária Audiência Pública), em 04.05.11, * 12ª Reunião (Ordinária Audiência Pública), em 11.05.11, * 13ª Reunião (Ordinária Audiência Pública), em 12.05.11, * Seminário, em 19.05.11, 14ª Reunião (Ordinária), em 01.06.11. ........................ *Atas com notas taquigráficas 00994 01024 SEÇÃO II 5 – ATOS DO PRESIDENTE Dispensar: Francisco das Chagas Leite Filho, Luiz Gonçalves Neto, Lyvia Fernanda Morais Guerra Lucas, Marcus Vinícius Cornetti da Fonseca, Maria Madalena Leal de Barros, Patrícia Cristina Borges Maciel, Reinaldo Sobrinho do Nascimento, Renata Skaf Nacfur............................................................. Designar: Luiz Gonçalves Neto, Lyvia Fernanda Morais Guerra Lucas, Marcus Vinícius Cornetti da Fonseca, Maria Madalena Leal de Barros, Patrícia Cristina Borges Maciel, Reinaldo Sobrinho do Nascimento, Renata Skaf Nacfur, Rosinei Dutra Cordeiro de Oliveira................................................ Designar (substitutos): Aline Moraes Machado, Ana Carla Silva da Silva, Bruna Cristina Souto Moura de Abreu, Bruna Cristina Souto Moura de Abreu, Cleide Lima de Castro da Silva, Erica Cardoso Danna, Gerson Ascânio da Silva, Jovenil Viana Marques, Maedes Jordão Santana Saldanha, Nilza Maria Ferreira Alves, Rubens Ferreira Guimarães Diniz, Sandra Dias de Morais, Simone Sarkis Teixeira Bergo......................................................... 6 – MESA 7 – LÍDERES E VICE-LÍDERES 8 – DEPUTADOS EM EXERCÍCIO 9 – COMISSÕES SUPLEMENTO Indicação para Líder do PP – sairá publicada em suplemento a este Diário 01150 01151 01152 00878 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Fevereiro de 2012 SEÇÃO I Ata da 2ª Sessão, em 6 de fevereiro de 2012 Presidência dos Srs.: Luiz Couto, Amauri Teixeira, Mauro Benevides, João Arruda, Moreira Mendes, nos termos do § 2º do artigo 18 do Regimento Interno O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Não havendo quorum regimental para abertura da sessão, nos termos do § 3° do art. 79 do Regimento Interno, aguardaremos até meia hora para que ele se complete. I – ABERTURA DA SESSÃO (Às 14 horas e 17 minutos) O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Havendo número regimental, declaro aberta a sessão. Sob a proteção de Deus e em nome do povo brasileiro iniciamos nossos trabalhos. O Sr. Secretário procederá à leitura da ata da sessão anterior. II – LEITURA DA ATA O SR. AMAURI TEIXEIRA, servindo como 2º Secretário, procede à leitura da ata da sessão antecedente, a qual é, sem observações, aprovada. III – EXPEDIENTE A POLÍCIA FEDERAL SOMOS NÓS! OFÍCIO Nº 296/2011/FENAPEF Brasília, 7 de dezembro de 2011 Ao Excelentíssimo Senhor Marco Maia Presidente da Câmara dos Deputados Palácio do Congresso Nacional Praça dos Três Poderes Brasília/DF Senhor Presidente, A Federação Nacional dos Policiais Federais – FENAPEF, representando 27 sindicatos (vinte e sete) de Policiais Federais, após a realização do “I Seminário Internacional sobre Segurança nas Fronteiras”, que fez promover na cidade de Foz do Iguaçu/PR, nos ainda recentes dias 30/06 e 01/07 de 2011, nutriu-se de marcada preocupação relativa às condições de evidente precariedade quanto ao cumprimento da missão policial federal em nossas Fronteiras, em alguns casos desfilando completo abandono de postos e instalações que deveriam atender a interesses estratégicos na seara da Segurança Pública. Como decorrência dessa moldura fática denunciada pela voz coletiva dos Policiais Federais que têm sua lotação nas Regiões de Fronteiras, e também aferida por visitas de campo empreendidas pela FENAPEF, refina-se a certeza de que a fragilidade do policiamento nas localidades envolvidas faz prosperar o narcotráfico que alimenta a verdadeira epidemia nacional significada pelo uso do crack, além do uso de outras substâncias derivadas da pasta de cocaína, bem como o largo uso da maconha. A realidade da presença de armas proibidas nos médios e grandes centros urbanos do País, instrumentalizando mais de 40 mil homicídios a cada ano, bem se sabe ser mais uma das nefastas consequências da falta de policiamento efetivo nas Fronteiras Brasileiras. Grassando o narcotráfico e o comércio ilegal de armas a partir das facilidades presentes nas áreas de Fronteira, é certo que o surgimento dos “Fernandinhos Beira Mar” e dos “Nens” nas cidades brasileiras será sempre objeto de renovação, documentada pela Imprensa, e prevista pelos valorosos servidores da Polícia Federal que atuam nas Fronteiras do Brasil. Bem se sabe que Governo Federal instituiu um “Plano Estratégico de Fronteiras”, conforme matéria publicada na revista Época, tendo por objetivo o fortalecimento, a prevenção, o controle, a fiscalização e repressão dos delitos denominados transfronteiriços. Governo lança Plano Estratégico de Fronteiras Objetivo é reforçar a segurança nos mais de 16 mil quilômetros de fronteiras com dez países. Brasil quer combater tráfico, o crime organizado e pretende fechar mais as fronteiras. O plano tem por base duas operações já executadas: a Sentinela e a Ágata. De acordo com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a Operação Sentinela “será remodelada e terá caráter permanente com elevação de 100% do efetivo empregado atualmente pelo MJ”. Nela, atuarão em conjunto as polícias Federal, Rodoviária Federal e a Força Nacional de Segurança com apoio logístico das Forças Armadas. Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Contudo, embora o anunciado “Plano Estratégico de Fronteiras” faça expressa referência a já existente “Operação Sentinela”, a realidade a que nada foi feito até o presente momento para remodelar essa Operação, sendo certo que seu efetivo de recursos humanos vem sendo reduzido mês a mês nas Delegacias envolvidas e nos CONFRONS. No cotidiano, a escassez de recursos humanos e materiais tem causado prejuízos a praticamente todas as ações da Polícia Federal. Em particular, a atuação nas Regiões de Fronteira, tem restado comprometida nos seus principais segmentos de prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes, o contrabando e descaminho, e exercer com eficiência as funções de polícia definidas pela Constituição. Diante do quadro exposto, a FENAPEF propõe medidas em curto e médio prazo a serem implementadas: 1 – Imediata realização de concurso público para seleção e recrutamento de Policiais Federais e, também, para a Carreira de Apoio, de forma a evitar a terceirização irregular de serviços, tanto na atividade-fim quanto na atividade de apoio, restringindo-se a contratação de funcionários terceirizados, apenas, para a realização de serviços de vigilância, limpeza e conservação de instalações prediais; 2 – A participação de Policiais Federais com conhecimento e experiência operacional, atuando na coordenação e implantação de todas as políticas e ações de segurança pública propostas pelo governo; 3 – Dotação específica de recursos orçamentários para investimento em equipagem de tecnologia, de inteligência de dados e de pessoal especializado, bem como a modernização das instalações prediais e mobiliárias existentes, para fazer frente ao combate do crescimento de crimes transnacionais, garantindo a segurança em Fronteiras em especial a Cidade de Foz do Iguaçu, em face da necessidade de enfrentamento prévio a possíveis ações terroristas – atentados, campanhas e etc. – tendo em conta a realização no Brasil da Copa do Mundo de Futebol de 2014, e dos Jogos Olímpicos Mundiais de 2016; 4 – Adoção de efetivas medidas de incentivo à permanência do Policial Federal e dos Servidores Administrativos do DPF nas Unidades Policiais de Fronteira, instituindo gratificação adicional de atividade penosa a todos Servidores em exercício em tais Unidades ou em localidades cujas condições de vida assim justifique. Terça-feira 7 00879 5 – Implementação de políticas de recrutamento, lotação e remoção, de forma a garantir que servidores lotados em regiões inóspitas possam ser transferidos, após cumprirem um período mínimo nessas localidades. 6 – Priorização de ações de capacitação, treinamento e reciclagem de Policiais que atuam em setores operacionais, em especial nas Unidades localizadas nas Fronteiras. 7 – Reativação de bases operacionais e postos de controle de imigração e criação de novas Unidades, nos pontos mais críticos das Fronteiras, com maior incidência de crimes como tráfico de drogas e contrabando de armas. 8 – Priorização de investimentos para reforma e/ou construção de instalações adequadas nas Delegacias localizadas em Regiões de Fronteiras, algumas em condições precárias, bem como implantação e/ou modernização, criando postos de controle de fronteira com rede de inteligência de dados os quais seriam centro de coleta de informações em parceria com os países vizinhos. 9 – Investimento em infraestrutura tecnológica (telefonia convencional fixa, telefone via sinal satelital-SIPAM, celular corporativo, Internet via satélite em alta velocidade, intranet, GPS de ponta que incorporam os receptores GPS SIRF de alta sensibilidade, equipamento de comunicação via rádio, viaturas ostensivas e descaracterizadas, embarcações adequadas para cada região, equipamentos de proteção individual, coletes balísticos, etc.) 10 – Expansão de bases de apoio à aviação operacional, atualmente centralizada em Brasília, e aumento da frota de helicópteros, de forma a permitir o suporte aéreo e o pronto emprego em operações da Polícia Federal, nos pontos mais críticos da fronteira. 11 – Construção de centros de detenção para os presos provisórios à disposição da Justiça Federal, a serem administrados pelo Departamento Penitenciário Nacional, com prioridade nas zonas de Fronteira, ou assinatura de convênios do governo federal com todos os estados para encaminhamento de todos presos aos estabelecimentos prisionais estaduais, de forma a desativar o serviço de custódia de presos nas unidades de Polícia Federal, liberando para a atividade-fim os policiais empregados para tal finalidade. 00880 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Por fim, o fortalecimento do papel de polícia preventiva e de ações de inteligência, através de reestruturação da Carreira Policial Federal, de forma a valorizar o trabalho dos Policiais que estão na linha de frente contra o crime, em detrimento de atividades cartorárias e burocráticas, que atualmente consomem grande parte dos recursos humanos e materiais da Polícia Federal, sem resultados práticos e imediatos para redução dos índices de criminalidade. Encaminhe-se à Comissão Especial competente para apreciar a matéria, tão logo seja ela instalada. Encaminhe-se por cópia, para conhecimento, à Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público. Publique-se. Oficie-se ao interessado. Arquive-se. Em 6-2-12. – Deputado Marco Maia, Presidente. COMISSÃO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA, COMUNICAÇÃO E INFORMÁTICA Of. nº 241/2011-CCTCI/S Brasília, 14 de dezembro de 2011 Fevereiro de 2012 SUMÁRIO Este relatório apresenta os resultados preliminares alcançados pela Subcomissão Especial da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados destinada a acompanhar as ações do Programa Nacional de Banda Larga. Em sua introdução (p.4 – p.5), descreve os motivos que levaram à constituição da Subcomissão. No Capítulo 2 (p.6 – p.13), são apresentados os trabalhos desenvolvidos até o momento pelo colegiado, com ênfase nas audiências públicas realizadas pela CCTCI em dezembro de 2011. O Capítulo 3 (p. 14 – p. 20) expõe uma análise sucinta sobre o andamento das ações do PNBL. Por fim, o capítulo 4 (p. 21 – p. 25) traz as considerações finais do relatório, apresentando os principais resultados da primeira fase dos trabalhos da Subcomissão e as propostas de ações a serem executadas em 2012. ÍNDICE 1. Introdução 2. Trabalhos da Subcomissão 2.1 Audiência Pública realizada em 6 de dezembro de 2011 2.2 Audiência Pública realizada em 7 de dezembro de 2011 Assunto: PNBL 3. Análise do andamento das ações do PNBL 3.1 Aperfeiçoamento dos instrumentos de governança 3.2 Ampliação das fontes de recursos para o PNBL 3.3 Desoneração fiscal sobre os serviços de banda larga 3.4 Continuidade dos trabalhos da Subcomissão Senhor Presidente, De ordem do presidente desta comissão, Deputado Bruno Araújo, encaminho a Vossa Excelência, para conhecimento, relatório parcial elaborado pela Subcomissão Especial que trata das ações desenvolvidas dentro do Programa Nacional de Banda Larga (PNBL) e aprovado nesta data. Atenciosamente, – Myriam Gonçalves Teixeira de Oliveira, Secretária. 4. Conclusões 4.1 Voto do Relator Anexo I – Composição dos membros da Subcomissão Anexo II – Proposta de Indicação a ser encaminhada ao Poder Executivo Anexo III – Proposta de Requerimento de Informações a ser enviado ao Executivo Anexo IV – Requerimento de prorrogação dos trabalhos da Subcomissão Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática 1. Introdução As tecnologias digitais têm sido responsáveis por uma verdadeira revolução na sociedade contemporânea. Assim como no século XIX as malhas de transporte foram determinantes para a transição da humanidade para a Era Industrial, as redes de banda larga representam hoje o principal elemento de suporte para a emergência da chamada “Sociedade da Informação”. Nesse novo mundo, as inovações tecnológicas permeiam as relações entre os indivíduos A Sua Excelência o Senhor Deputado Marco Maia Presidente da Câmara dos Deputados Relatório Parcial da Subcomissão Especial destinada a acompanhar as ações do Programa Nacional de Banda Larga Presidente: Deputado RUY CARNEIRO Relator: Deputado NEWTON LIMA Dezembro/2011 Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS e o nível de desenvolvimento das nações, com reflexos imediatos sobre o cotidiano de seus cidadãos. O Brasil, embora nos últimos anos tenha logrado avanços consideráveis nesse setor, ainda demonstra desempenho incompatível com a pujança de nossa economia. Além disso, a realidade brasileira demonstra a existência de significativas desigualdades sociais e regionais no acesso às tecnologias da informação e comunicação. Diante desse quadro, fica evidenciada a necessidade da adoção de medidas urgentes com o objetivo de superar o “hiato digital” no País. Em resposta a esse cenário, em maio de 2010 o Governo Federal anunciou a criação do Programa Nacional de Banda Larga – PNBL, que contempla inúmeras medidas de estímulo à massificação da Internet no Brasil. No seu curto tempo de existência, o programa já alcançou resultados expressivos, como a assunção do compromisso das concessionárias de telefonia fixa de ofertar o serviço de banda larga no varejo ao preço de R$ 35,00 mensais em todos os municípios do País até 2014. Em reconhecimento à importância do PNBL, em abril de 2011, a CCTCI aprovou o Requerimento nº 9, de 2011, com o objetivo de criar Subcomissão Especial destinada a acompanhar as ações do programa. Em outubro do mesmo ano, a Subcomissão foi instalada, tendo de pronto iniciado os trabalhos de prospecção sobre o estágio de evolução do programa e eventuais medidas de aperfeiçoamento do seu escopo. Já sob a presidência do Deputado Ruy Carneiro, a primeira atividade formal do colegiado foi propor e aprovar o roteiro de trabalho da Subcomissão para o ano de 2011. A proposta, de autoria deste relator, tinha o intuito de estabelecer a metodologia para a condução dos trabalhos do grupo e definir as datas para a realização das duas audiências públicas programadas para debater os principais aspectos do PNBL sob os pontos de vista de agentes públicos, privados e da sociedade civil afetos ao tema. As apresentações dos expositores desses eventos foram sintetizadas no segundo capítulo deste relatório. O principal mérito das audiências patrocinadas pela CCTCI foi dar conhecimento à sociedade brasileira e aos membros da Comissão sobre o andamento das ações do PNBL, bem como colher os subsídios necessários para a definição das linhas de atuação da Subcomissão em 2012. Ainda como desdobramento das atividades do colegiado em 2011, elaboramos uma breve análise sobre as principais ações em curso no âmbito do programa, consolidada no terceiro capítulo deste relatório. Por fim, no capítulo 4, oferecemos à apreciação desta Comissão algumas propostas que, em nosso entendimento, contribuirão para a melhoria do andamento das ações do PNBL. Terça-feira 7 00881 2. Trabalhos da Subcomissão Com o objetivo de conhecer o estágio de evolução do PNBL e obter os subsídios necessários para a elaboração de propostas para o aperfeiçoamento ao programa, a CCTCI promoveu em dezembro de 2011 duas audiências públicas com representantes da sociedade civil, operadoras de telecomunicações e instituições governamentais vinculadas à matéria. A síntese dos eventos realizados pela Comissão é apresentada a seguir. 2.1 Audiência Pública realizada em 6 de dezembro de 2011 Data e local da audiência: 6-12-11, às 14:30h, no Plenário 13. Convidados/expositores: • Sr. Cezar Santos Alvarez – Secretário-executivo do Ministério das Comunicações; • Sr. Caio Bonilha Rodrigues – Presidente da Telecomunicações Brasileiras S.A. (Telebras); • Sr. Roberto Pinto Martins – Superintendente de Serviços Públicos da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel); • Sr. Eduardo Levy – Diretor-executivo do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (SindiTelebrasil); • Sr. Demi Getschko – Conselheiro do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). Resumo da Audiência Pública: Em sua apresentação, o senhor Cezar Alvarez destacou que o objetivo do PNBL é massificar o acesso à internet em banda larga e alavancar sua penetração, alcançando 40 milhões de domicílios brasileiros em 2015. Segundo o Secretário, um dos principais desafios do programa é levar o serviço aos 12,75% da população que residem nas chamadas áreas não aglomeradas, que possuem baixa densidade populacional. No que diz respeito à Telebras, ressaltou que já há mais de 600 provedores cadastrados junto à empresa dispostos a prestar o serviço de banda larga de 1 Mbps ao usuário final a R$ 35,00 mensais, que é o preço de referência do PNBL. No que tange aos compromissos assumidos pelas concessionárias de telefonia fixa no âmbito do Terceiro Plano Geral de Metas de Universalização – PGMU III, o expositor salientou que em 544 municípios já há oferta de banda larga ao preço de referência, mas a meta é que todas as cidades brasileiras sejam atendidas até 2014. Destacou que a banda larga via satélite operará em sinergia com o backhaul 00882 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS terrestre do PNBL, viabilizando o atendimento a 1.283 municípios, sobretudo na região Norte e em regiões isoladas. Reafirmou ainda a disposição do Governo Federal em instituir o regime especial de tributação do PNBL – REPNBL, destinado a estimular a antecipação e ampliação dos investimentos em infraestrutura de banda larga e fomentar a indústria nacional de equipamentos. Finalizou sua exposição enfatizando a importância da aprovação do Regulamento de Gestão da Qualidade do SCM – RGQ-SCM, norma da Anatel que estabelece os requisitos de qualidade mínimos para os serviços de banda larga fixa e móvel. Em seguida, o senhor Caio Bonilha aproveitou a oportunidade da realização da audiência para prestar contas à sociedade brasileira sobre os resultados alcançados pela Telebras nos dezoito meses que se seguiram à sua recriação. Reiterou que, no período, a empresa passou por três etapas: reativação, início da implantação da rede e início da operação comercial. Em sua apresentação, Bonilha reforçou a existência de disparidades regionais no acesso à banda larga no País, e, como ilustração, citou o caso da região Norte, que possuiu apenas 2% entre todas as conexões. Salientou ainda a importância dos pequenos e médios provedores, que empregam mais mão de obra do que as seis maiores operadoras de banda larga, embora detenham apenas 20% desse mercado. Ressaltou que o nicho de atuação da empresa está focado no atendimento ao chamado “gap de acesso”, parcela da população de renda reduzida e cujo atendimento demanda elevado investimento em infraestrutura. Salientou que o papel da Telebras se exaure no fornecimento do backhaul, ofertando capacidade de dados de forma neutra para qualquer operadora interessada, independentemente do porte. Porém, a condição indispensável para o fornecimento do serviço é a oferta de banda larga ao usuário final no preço estabelecido pelo PNBL. O Presidente da estatal afirmou que a Telebrás já está interligada ao Cinturão Digital do Ceará e à Rede Nacional de Educação e Pesquisa – RNP, esta por meio de parceria firmada na semana anterior à audiência. O expositor apresentou o sítio na Internet da empresa, onde os interessados em contratar capacidade de dados podem cadastrar-se. Nesse contexto, assinalou que 3.174 pontos de governo e 720 provedores já manifestaram interesse em contratar 112 Gigabits para 1.395 municípios brasileiros. Também salientou que, hoje, a empresa possui setenta e dois canteiros de obras no País. Encerrou sua exposição ressaltando que o chamado “efeito Telebras” fez com que o preço do megabit caísse pela metade mesmo antes de a empresa ter iniciado sua operação comercial. Fevereiro de 2012 Por sua vez, o senhor Roberto Pinto Martins assinalou que, por força do PGMU II, mais de 3.500 municípios passaram a dispor de backhaul desde 2008. Asseverou que uma das principais conquistas do PNBL até o momento é a oferta de banda larga de 1 Mbps a R$ 35,00 mensais, preço que pode ser reduzido em R$ 5,00 nos catorze Estados que aderiram ao Convênio do Confaz nº 38/09. O superintendente também destacou a meta do programa de cobrir com banda larga todas as 64.879 escolas públicas urbanas brasileiras. Salientou ainda que o edital da licitação da faixa de frequência de 450 MHz, que será realizada em abril de 2012, demandará que as vencedoras ofereçam o serviço a todas as escolas públicas rurais. Ressaltou ainda a importância da utilização da comunicação via satélite para a cobertura de áreas remotas, visto que as novas tecnologias para banda ka permitem que se destine mais capacidade de dados para as localidades atendidas pelo serviço. O expositor enfatizou novamente a importância do RGQSCM, que foi aprovado pela Anatel em 2011 e exigirá que a prestadora garanta, em média, 60% da velocidade contratada pelo usuário. O senhor Eduardo Levy enalteceu o papel da iniciativa privada no PNBL, ao afirmar que as empresas são responsáveis pela ativação de um novo acesso em banda larga a cada segundo e pela instalação do serviço móvel de dados 3G em um novo município a cada dia. No que diz respeito ao RGQ-SCM, defendeu a tese de que o Brasil está na contramão dos países desenvolvidos ao estabelecerem regulamento a obrigação das operadoras de garantir ao assinante um percentual mínimo da capacidade contratada. Em relação ao papel do Estado no PNBL, destacou que a ação governamental deve se limitar às áreas onde não há viabilidade econômica. Também assinalou que, embora a demanda pelo serviço de comunicação móvel exija a instalação de um número crescente de antenas, diversas leis municipais impedem que as empresas atendam a essa necessidade. Por fim, segundo o executivo, não obstante o esforço do governo federal em reduzir a carga tributária sobre o setor de telecomunicações, as ações adotadas até o momento ainda não são suficientes para que a massificação dos serviços se dê na proporção almejada pelo Poder Público e pelas operadoras. Finalizando as exposições, o senhor Demi Getschko defendeu a aferição diferenciada da qualidade dos serviços de banda larga fixa e móvel, haja vista as distintas naturezas dessas tecnologias. Em sua apresentação, detalhou o sistema Simet, ferramenta de medição disponível gratuitamente na Internet para qualquer usuário que desejar aferir a qualidade do serviço de banda larga contratado. De acordo com o Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Conselheiro, o Simet é um software totalmente nacional desenvolvido pelo NIC.br, instituição privada neutra e imparcial, sem interesses comerciais. 2.2 Audiência Pública realizada em 7 de dezembro de 2011 Data e local da audiência: 7-12-11, às 10:30h, no Plenário 13. Convidados/expositores: • Sr. João Luiz Martins – Presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (ANDIFES); • Sr. Nelson Simões – Diretor Geral da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP); • Sr. Fernando Carvalho – Presidente da Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice); • Sra. Veridiana Alimonti – Advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC) / Comitê Gestor da Internet no Brasil / Campanha “Banda Larga É Um Direito Seu”; • Sr. Celso Augusto Schröder – Coordenador do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), que não compareceu ao evento. Resumo da Audiência Pública: O senhor João Luiz Martins iniciou sua exposição ressaltando a importância do PNBL para a expansão dos programas de educação a distância no País. Assinalou ainda que o programa será fundamental para auxiliar o trabalho de pesquisa no meio acadêmico, pois ampliará o acesso aos conhecimentos gerados em outras regiões do País e em instituições no exterior. Nesse sentido, contribuirá para a fixação dos profissionais de pesquisa no interior do País. Em seguida, o senhor Nelson Simões destacou que, no segmento científico, o principal desafio do PNBL hoje é a construção de uma autoestrada para educação e pesquisa que leve em consideração a necessidade da interiorização da disseminação do conhecimento. Nesse contexto, salientou que a proposta da RNP é definir as universidades e centros de pesquisa como âncoras do PNBL, para então prover 900 campi no interior do País com banda larga em velocidade mínima de 100 Mbps até 2014, bem como assegurar infraestrutura de rede nacional operando a 1 Gbps, ampliando, assim, a circulação de conteúdos nas diversas áreas do conhecimento científico. Outro desafio mencionado é a criação de uma rede de te- Terça-feira 7 00883 lemedicina e telessaúde. Segundo o Diretor-Geral da entidade, atualmente a rede da RNP já conecta seiscentas instituições de educação e pesquisa de vinte e quatro unidades da Federação, e, para tanto, conta com a parceria da Anatel e da Oi. Além disso, já estão conectados à rede 3,5 milhões de alunos, professores e pesquisadores. Informou, porém, que a infraestrutura pública de banda larga para uso em ensino e pesquisa ainda não chegou às capitais de três Estados do País. Por fim, salientou a necessidade da articulação de esforços entre as iniciativas federais e estaduais e a iniciativa privada, assim como a aprovação de normas de estímulo ao compartilhamento de redes e o estabelecimento de incentivos para operadoras que prestarem serviços em localidades remotas. Em consonância com o expositor que o antecedeu, o senhor Fernando Carvalho destacou a importância da aprovação no Brasil de uma legislação que priorize o compartilhamento de infraestruturas, a exemplo da norma norteamericana HR 1695 Broadband Conduit Deployment Act of 2011, mais conhecida como “Dig One”. Essa lei prevê que, nos projetos de construção de infraestrutura, seja aberto um prazo para manifestação dos interessados em fazer uso compartilhado do duto. O palestrante enfatizou o alcance do projeto Cinturão Digital, desenvolvido no Ceará. A rede administrada pelo Estado possui hoje 2.600 quilômetros de fibra ótica aérea e cobre 92 dos 184 municípios do Estado, tendo sido construída ao custo de 67 milhões de reais. Salientou que a intenção da Etice não é oferecer banda larga no varejo, mas prover o serviço para a administração pública e comercializar capacidade no atacado por meio de concessão pública para a iniciativa privada, que poderá prestar o acesso diretamente à população. No que diz respeito à oferta de serviços públicos, o projeto prevê aplicações de segurança pública, ensino a distância, fixação de pesquisadores no interior, estações meteorológicas, monitoramento de cargas e telessaúde. Ressaltou ainda a importância das parcerias da Etice com a Telebras, firmada em agosto deste ano, e com a RNP, no projeto GigaFOR-GOV,1 em Fortaleza. Finalizou sua exposição destacando que municípios como Tauá, que pagam hoje cerca de 7 mil reais mensais por megabit para as grandes operadoras, se passarem a contar com a infraestrutura estatal de fibra ótica, poderão passar a desembolsar cerca de R$ 200,00. 1. Rede de alta velocidade que interliga instituições de ensino superior e pesquisa e órgãos de governo em Fortaleza. 00884 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Finalizando a audiência pública, a senhora Veridiana Alimonti iniciou sua apresentação destacando que a Internet em banda larga no Brasil ainda é cara, lenta e para poucos. No que concerne aos preços praticados, o País ocupa a 56ª posição no ranking elaborado pela União Internacional de Telecomunicações – UIT, e, em relação ao acesso, apenas 26% da população brasileira dispõem do serviço de banda larga fixa. Dentre as deficiências do PNBL, apontou o fato de que o PPA 2012-2015 incluiu na meta de 40 milhões de domicílios a serem atendidos por banda larga os acessos efetuados mediante linha discada. Além disso, criticou o baixo limite de download dos pacotes de banda larga popular oferecidos pelas concessionárias; a prática da venda casada com o serviço de telefonia fixa; a possibilidade de conversão das multas aplicadas às operadoras em compromissos de investimento e a não obrigatoriedade da oferta do serviço de banda larga popular nas zonas rurais. Em suma, afirmou que a timidez dos termos de compromisso assumidos no âmbito do PGMU III ilustra a falta de audácia do Governo Federal nas políticas de universalização das telecomunicações no País. Defendeu a aplicação das regras do regime público à banda larga, pois só esse regime jurídico de prestação de serviço impõe às operadoras obrigações relativas à modicidade tarifária, universalização, continuidade e reversibilidade de bens. A expositora também lamentou a concessão de benefícios fiscais para a construção de infraestruturas que não serão revertidas futuramente para a União, bem como a recente mudança de postura da Telebras, que no início do seu processo de reativação havia se colocado na posição de futuro elemento indutor da competição nos grandes centros. Segundo a advogada, a empresa padece hoje com o contingenciamento orçamentário a ela imposto, que é superior inclusive ao aplicado a outras instituições públicas, e por esse motivo não tem conseguido desempenhar satisfatoriamente suas funções, dentre as quais o fornecimento de serviços para redes corporativas de governo. A palestrante também classificou como distorções a proposta de uso dos recursos do FUST em serviços prestados em regime privado e os benefícios concedidos às concessionárias de telefonia fixa pela nova lei de TV por assinatura sem o estabelecimento de contrapartidas. A representante do IDEC também manifestou insatisfação com a desativação do Fórum Brasil Conectado, que suprimiu importante veículo de participação da sociedade civil no acompanhamento do PNBL. Por outro lado, apontou entre as conquistas do PNBL a recente aprovação do RGQ-SCM. Ademais, Fevereiro de 2012 teceu elogios à condução democrática do processo de construção do marco civil da Internet, defendendo ainda que a neutralidade de redes seja garantida como princípio da legislação que será elaborada sobre a matéria. 3. Análise do andamento das ações do PNBL Não obstante a instalação da Subcomissão de acompanhamento do PNBL tenha ocorrido em outubro de 2011, a exiguidade do tempo destinado aos trabalhos do colegiado não impediu que os parlamentares da Comissão pudessem firmar entendimento sobre o estágio de evolução do programa e reconhecer as principais preocupações de agentes públicos e privados envolvidos com o tema. Os resultados da análise empreendida pela Subcomissão em sua primeira fase de trabalhos serão abordados a seguir. 3.1 Aperfeiçoamento dos instrumentos de governança Um dos principais questionamentos suscitados por parlamentares da Comissão e expositores das audiências públicas realizadas pela CCTCI diz respeito à governança do programa. Em primeiro lugar, a Subcomissão constatou a inexistência de um canal virtual de transparência para o PNBL, onde o cidadão possa, a qualquer tempo, consultar o andamento das ações do programa e o cronograma para sua implantação. Em adição, ainda não se encontra disponível para o público um sistema de indicadores que permita à sociedade reconhecer as metas do PNBL e avaliar a sua evolução. Além disso, as análises da Subcomissão apontaram que, como o Fórum Brasil Conectado2 não tem sido convocado pelo Poder Executivo desde o final de 2010, na prática, a sociedade civil deixou de contar com um espaço institucionalizado para propor, junto ao Governo Federal, o aperfeiçoamento das ações e a inclusão de novas metas ao PNBL. Como não há perspectiva iminente de reativação do Fórum, o receio é que a ausência de uma instância formal de interlocução cause o distanciamento entre as ações planejadas pelo Poder Público e os verdadeiros anseios da população brasileira. 2. De acordo com informações extraídas do sítio na Internet do Poder Executivo Federal em 9-12-11, o Fórum Brasil Conectado é a instância de diálogo e de participação do Comitê Gestor do Programa de Inclusão Digital – CGPID, das entidades de representação dos estados e municípios, do Poder Legislativo, das entidades de representação das operadoras, de fabricantes de equipamentos, de desenvolvedores de software, de produtores de conteúdo digital, de entidades de representação dos usuários e da sociedade civil. Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Terça-feira 7 00885 3.2 Ampliação das fontes de recursos para o PNBL A massificação do acesso à Internet no País depende, fundamentalmente, da realização de pesados investimentos em infraestrutura de banda larga, sobretudo nas regiões mais remotas e de menor densidade populacional. Nesse contexto, cumpre ressaltar que se encontra em tramitação na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei nº 1.481/07, que amplia a abrangência do leque de empresas e serviços de telecomunicações habilitados a receber recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações – FUST, fundo que arrecada, em média, 850 milhões de reais por ano. O Projeto, originário do Senado Federal, já foi aprovado por Comissão Especial na forma de Substitutivo, e, desde 2008, aguarda, em regime de prioridade, deliberação do Plenário da Câmara dos Deputados. Entendemos que a alteração da Lei do FUST de modo a permitir que serviços distintos da telefonia fixa possam ser completados com as verbas do Fundo poderá representar uma janela de oportunidade para a expansão de redes e serviços de comunicação em banda larga. O montante arrecadado anualmente pelo fundo, embora seja insuficiente para suprir as necessidades do País, pode contribuir substancialmente para o sucesso do PNBL, sobretudo no que concerne ao atendimento da demanda da rede pública de educação. Faz-se necessário, portanto, empreender gestões junto à Presidência da Câmara dos Deputados, às Lideranças Partidárias da Casa e aos Ministérios da área econômica do Governo Federal para que se dê maior celeridade à apreciação em Plenário do Projeto. de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe já foram autorizados pelo Confaz a conceder isenção de ICMS sobre o serviço de banda larga prestado no âmbito do Programa Internet Popular. Entretanto, nem todos esses Estados implementaram efetivamente o benefício, o que contribui para dificultar a adesão de novos usuários ao serviço. Por esse motivo, consideramos relevante a adoção de medidas que tenham por objetivo sensibilizar os governadores das unidades federativas que ainda não encamparam a isenção de ICMS do serviço de banda larga popular a tomar as providências cabíveis no sentido de oferecer esse benefício à população. 3.3 Desoneração fiscal sobre os serviços de banda larga Um aspecto de vital importância para o sucesso do PNBL é a redução do preço do serviço de banda larga. Segundo informações divulgadas pelo Ministério das Comunicações em abril de 2011, com a oferta ao usuário final de banda larga de 1 Mbps ao preço de R$ 35,00 mensais, o programa poderá alcançar a marca de 35 milhões de domicílios atendidos até 2014, o que representará uma adição de 15 milhões de acessos. Porém, se a negociação em curso com as secretarias estaduais de fazenda para a redução de tributos sobre o serviço se concretizar, há a expectativa de atendimento de cerca de 40 milhões de domicílios. No entanto, a desoneração fiscal sobre o serviço ainda não é uma realidade em diversas unidades da Federação. Até o momento, Acre, Amapá, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio O expressivo desequilíbrio na balança comercial brasileira no setor das tecnologias da informação e comunicação demanda do Poder Público a adoção de medidas de fomento à produção de equipamentos no País, bem como o incentivo à pesquisa e inovação no segmento. As Leis nº 14.431/11 e 12.349/103 são instrumentos de grande importância nesse cenário, pois concorrem para a expansão da indústria nacional de telecomunicações. Conforme salientado nas audiências realizadas pela Comissão, medidas dessa natureza têm sido responsáveis pela emergência de grandes empresas de capital nacional, como a Padtec, 3.4 Continuidade dos trabalhos da Subcomissão Não obstante o sucesso do trabalho empreendido pela Subcomissão em 2011, a natureza perene do PNBL demanda que os membros do colegiado permaneçam vigilantes na tarefa de acompanhamento das ações do programa. Além disso, a miríade de temas complexos suscitados durante as audiências públicas revela que a Subcomissão ainda tem muito a contribuir nesse debate. Dentre os assuntos de grande repercussão na esfera do PNBL que não se exauriram nas discussões promovidas pela CCTCI em 2011, e que certamente serão objeto de debate na próxima sessão legislativa, destacamos: 3.4.1 Políticas públicas de incentivo à indústria nacional e de estímulo à inovação, pesquisa e desenvolvimento de tecnologias nacionais no âmbito do PNBL 3. A Lei nº 14.431/11 reduz a zero as alíquotas do PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta de venda a varejo de modens, enquanto a Lei nº 12.349/10 possibilita que a contratação de sistemas de tecnologia da informação e comunicações considerados estratégicos sejam, por questões de segurança, restritas a bens e serviços com tecnologia desenvolvida no País e produzidos de acordo com o processo produtivo básico – PPB. 00886 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS bem como o retorno, ainda que gradual, de centros de pesquisa de companhias multinacionais que já há algum tempo haviam encerrado suas atividades no País. Outro fator de estímulo à indústria nacional consiste no estabelecimento de programas de crédito do BNDES para o financiamento das linhas de inovação tecnológica e bens de capital na esfera do PNBL. No que tange à área de serviços, merece destaque o debate sobre o financiamento de projetos de desenvolvimento de aplicativos para computadores, celulares e outros dispositivos digitais, bem como a instituição de incentivos fiscais para pequenas e médias prestadoras de serviços de banda larga, medidas que dispõem do potencial de alavancar a geração de milhares de empregos no setor. Por esse motivo, é imprescindível aprofundar o debate sobre a viabilidade da adoção de novas medidas de apoio à produção local, dando a oportunidade para que instituições como o IPEA, o BNDES e a Telebras possam expor seu posicionamento sobre as propostas em estudo pelo Governo Federal para alterar a regulamentação do setor. Nesse contexto, um dos instrumentos normativos que demanda maior atenção da Subcomissão é a Portaria MCT nº 950/06, que estabelece os requisitos necessários para que um produto seja considerado como de tecnologia nacional e possa, assim, desfrutar dos benefícios fiscais da Lei de Informática. Questões como essa serão fundamentais na definição dos parâmetros das licitações das faixas de frequência que serão outorgadas pela Anatel em 2012, e que movimentarão bilhões de reais em investimentos em redes de telecomunicações. 3.4.2 Regulamentos em elaboração e revisão pela Anatel Encontram-se em elaboração ou revisão pela Anatel normas da maior importância para o êxito do PNBL, como o Plano Geral de Metas de Competição – PGMC – e o Regulamento de Exploração Industrial de Linha Dedicada – EILD. Considerando o impacto no mercado de banda larga das medidas a serem estabelecidas por esses diplomas infralegais, é fundamental que a Subcomissão analise questões como a imposição de obrigações especiais para as operadoras que detenham poder de mercado significativo, a adoção do modelo de custos e a ampliação do número de pontos de troca de tráfego pelas grandes detentoras de infraestrutura, assuntos que têm sido objeto de grande polêmica entre representantes do Poder Público e das prestadoras. Fevereiro de 2012 3.4.3 Banda larga móvel Como as tecnologias de terceira e quarta gerações de telefonia celular permitem transmissão de dados em altas velocidades, as redes de comunicação móvel vêm desempenhando papel cada vez mais importante na promoção da inclusão digital no País. O edital das frequências de terceira geração consolidou essa perspectiva, ao estabelecer obrigações de cobertura da tecnologia 3G para as vencedoras do certame licitatório, com previsão de abrangência de pelo menos 60% dos municípios com menos de 30 mil habitantes até 2016. Ao final do processo, cerca de 3.800 municípios brasileiros disporão da infraestrutura básica para prestação de serviços de banda larga móvel. Em razão do sucesso da política pública de vinculação entre a autorização de uso de radiofrequências e o cumprimento de obrigações de cobertura, a Anatel já sinalizou que os editais de outorga para uso das faixas de 450 MHz, 2,5 GHz e 3,5 GHz deverão prever contrapartidas de oferta de banda larga em regiões de baixo apelo comercial. Considerando, pois, a aproximação do momento de definição desses editais, é essencial que a Subcomissão acompanhe de perto as regras que serão estabelecidas pela Anatel. Ainda no que diz respeito ao espectro de radiofrequências, outra questão que merece especial atenção do Parlamento brasileiro é o chamado “dividendo digital” – a faixa de frequências correspondente aos canais analógicos de televisão aberta que serão desativados ao final do processo de migração para a TV digital, em 2016. A indefinição sobre a destinação futura desse faixa é alvo de calorosas discussões, pois tais frequências são cobiçadas tanto pelo setor de telecomunicações quanto pelas emissoras de radiodifusão. 3.4.4 Norma MC nº 04/95 A revisão da norma do Ministério das Comunicações que dispõe sobre a atividade de provimento de acesso à Internet, embora já tenha sido discutida pela CCTCI em 2011, deverá retornar à pauta da Comissão em 2012. Nos debates já realizados, evidenciou-se a inexistência de estudos que comprovem o impacto econômico e social das medidas prospectadas, que preveem a transformação da natureza da atividade de serviço de valor adicionado – SVA – para modalidade de serviço de telecomunicações. Diante desse quadro, é fundamental que a Subcomissão mantenha uma postura vigilante em relação à matéria, assegurando a construção de uma solução que, ao mesmo em que proteja os direitos do consumidor, não cause distorções no mercado de acesso à Internet. Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS 3.4.5 Experiências internacionais de massificação de banda larga No atual estágio de evolução do PNBL, já é possível traçar um paralelo entre a experiência brasileira e os programas de massificação de banda larga que se encontram em curso em outras nações. Ao levar ao conhecimento de parlamentares e gestores públicos as medidas de sucesso que vêm sendo adotadas internacionalmente, abrem-se perspectivas para o aperfeiçoamento das metas e ações do programa brasileiro mediante a adaptação dessas experiências à realidade nacional. Dentre os projetos que podem ser objeto de estudo pela Subcomissão está o National Broadband Network, programa que vem sendo desenvolvido desde 2008 pelo governo da Austrália. O plano – orçado em 33 bilhões de dólares – previa a criação de uma parceira público-privada com participação majoritária do Estado, e tinha por objetivo implantar uma infraestrutura nacional de banda larga com cobertura de 90% dos domicílios do país. Outro projeto de grande interesse é o que se encontra em execução pelo governo norte-americano, que pretende oferecer acesso à Internet para mais de 25 milhões de cidadãos. Segundo informações divulgadas em novembro deste ano pela Federal Commu‑ nications Commission – FCC, o programa estabelece um desconto médio de 70% nos encargos dos serviços de acesso à Internet, oferecendo conexões de 1 Mbps ao preço de US$ 9,95 em todos os estados do país. 4. Conclusões A criação do Programa Nacional de Banda Larga, em 2010, representou um marco nas políticas públicas para a democratização das comunicações no País. Em seu curto período de vigência, o PNBL já produziu resultados significativos, como o lançamento, em 2011, da oferta do serviço de banda larga popular em 544 municípios do País, bem como o compromisso da extensão do serviço às demais cidades brasileiras até 2014. Em resposta à demanda da sociedade brasileira pela aceleração do processo de massificação da Internet, em outubro deste ano a CCTCI instalou a presente Subcomissão com o objetivo de acompanhar o andamento dos trabalhos do PNBL. Na primeira semana de dezembro, os membros do colegiado tiveram a oportunidade de participar de duas Audiências Públicas com representantes da sociedade civil, empresas de telecomunicações e instituições públicas afetas ao tema. Os debates realizados, além de tornarem público o atual estágio de evolução do PNBL, contribuíram para despertar os parlamentares da Comissão sobre a Terça-feira 7 00887 necessidade de aperfeiçoamento do programa. No que diz respeito à governança, ficou evidente a demanda pela ampliação dos canais de diálogo entre o Poder Público e a sociedade brasileira para discussão do plano, papel que até o final de 2010 era desempenhado com inegável sucesso pelo Fórum Brasil Conectado. Além disso, os expositores presentes às audiências foram unânimes em apontar a necessidade da alocação de recursos públicos adicionais para estimular a disseminação da banda larga no País, sobretudo nas localidades onde ainda não há interesse da iniciativa privada em ofertar o serviço. Torna-se imprescindível, portanto, reacender a discussão na Câmara dos Deputados sobre o PL nº 1.481/07 – o “Projeto do FUST”, que desde 2008 aguarda deliberação do Plenário. Para tanto, é necessário empreender gestões junto à Presidência da Casa, às Lideranças Partidárias e aos Ministérios da área econômica no sentido de que a proposição seja transformada, com a maior brevidade possível, em item prioritário da agenda política do Congresso Nacional. Em adição, considerando que um dos principais entraves para a expansão da Internet no Brasil consiste nos elevados preços cobrados pelo serviço de banda larga, revela-se fundamental a adoção de políticas públicas que contribuam para o barateamento do acesso. Essa solução vem sendo viabilizada em diversos Estados do País mediante a redução da carga tributária sobre o serviço, que proporciona uma diminuição de mais de R$ 5,00 na mensalidade da banda larga popular. No entanto, essa iniciativa ainda não foi implantada por algumas unidades da Federação, demandando a adoção de ações propositivas no sentido de sensibilizar os governadores desses Estados a tomar as providências cabíveis para oferecer o benefício na esfera local. Um balanço final dos trabalhos aponta que os resultados alcançados pela Subcomissão, se por um lado contribuíram para demonstrar a evolução das ações do PNBL, pelo outro, revelaram a imperiosa necessidade de continuidade da tarefa de acompanhamento do programa. Assuntos como as políticas públicas de incentivo à pesquisa e desenvolvimento de tecnologias nacionais no âmbito do PNBL; as regulamentações de grande impacto sobre o programa que se encontram em discussão pela Anatel; a disseminação da banda larga móvel; a revisão da norma do Ministério das Comunicações que regulamenta o serviço de provimento de acesso à Internet e as experiências internacionais de massificação da banda larga são matérias de que desde já reputamos essenciais para o aprofundamento dos debates da Subcomissão em 2012. 00888 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Além disso, não obstante a riqueza de detalhes das informações prestadas pelos gestores públicos responsáveis pela condução do PNBL, o exame dos questionamentos suscitados durante as audiências públicas promovidas pela CCTCI revela que ainda paira preocupação entre parlamentares e representantes da sociedade civil e da iniciativa privada em relação aos rumos do programa. Dentre os assuntos que causaram maior polêmica nos debates incluem-se os instrumentos de governança do programa, o papel da Telebrás no PNBL, os desafios da infraestrutura, a instituição de incentivos fiscais para empresas que investirem na pesquisa e desenvolvimento de tecnologias nacionais, a criação de linhas de financiamento para fomentar a produção industrial local e as soluções regulatórias que vêm sendo engendradas pela Anatel para estimular a democratização do acesso à Internet no País. Neste momento em que se aproxima o final da sessão legislativa de 2011, entendemos que a melhor forma de dirimir as dúvidas levantadas em relação a esses temas consiste no encaminhamento de um requerimento de informações ao Poder Executivo sintetizando os principais questionamentos manifestados a respeito da matéria. Avaliamos que o esclarecimento sobre essas indagações abrirá perspectivas para que os membros da CCTCI possam delinear as linhas de atuação da Subcomissão em 2012 e, a partir daí, elaborar propostas legislativas concretas que contribuam para a redução do chamado “hiato digital” no Brasil. Porém, para que não haja descontinuidade dos trabalhos que vêm sendo empreendidos pela Subcomissão, desde já registramos a necessidade da prorrogação dos trabalhos do colegiado na próxima sessão legislativa. Por fim, sintetizamos as propostas apresentadas neste relatório no voto que se segue. 4.1 Voto do Relator Considerando os argumentos elencados no presente relatório, nosso voto é pela aprovação das seguintes medidas: a) Indicação ao Poder Executivo recomendando a reativação do Fórum Brasil Conectado, nos termos do Anexo II deste Relatório; b) Requerimento de Informações a ser encaminhado ao Poder Executivo nos termos do Anexo III deste Relatório, contendo questionamentos a respeito dos seguintes temas: • Governança do PNBL; • Papel da Telebrás no programa; • Infraestrutura necessária para a consecução dos objetivos do PNBL; Fevereiro de 2012 • Questões regulatórias atinentes ao programa; • Incentivos tributários e financiamento no âmbito do PNBL. c) Encaminhamento de ofício da Presidência da CCTCI ao Presidente da Câmara dos Deputados, às Lideranças Partidárias na Câmara dos Deputados e aos Ministérios da área econômica solicitando a priorização do Projeto de Lei nº 1.481/07 na agenda política da Casa; d) Encaminhamento de ofício da Presidência da CCTCI aos governadores dos Estados que ainda não aderiram à isenção de ICMS sobre o serviço de banda larga prestado no âmbito do Programa Internet Popular recomendando que adotem as providências cabíveis para a concessão do benefício; e) Encaminhamento deste Relatório aos seguintes destinatários: • Ministério das Comunicações; • Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação; • Casa Civil da Presidência da República; • Presidência da Câmara dos Deputados; • Presidência da Anatel; • Expositores das Audiências Públicas realizadas pela CCTCI. f) Publicação deste Relatório na página da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática na Internet; g) Prorrogação dos trabalhos da presente Subcomissão, nos termos do Requerimento apresentado no Anexo IV, desde já com a sugestão da realização de audiências públicas na CCTCI sobre os seguintes assuntos: • Políticas públicas de incentivo à pesquisa e desenvolvimento de tecnologias nacionais na esfera do PNBL; • Regulamentações de grande impacto sobre o programa que se encontram em discussão na Anatel; • Políticas públicas para disseminação da banda larga móvel; • Revisão da norma MC nº 04/95; • Experiências internacionais de massificação da banda larga. Sala da Comissão, 13 de dezembro de 2011. – Deputado Newton Lima, Relator. Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Terça-feira 7 00889 Anexo I – Composição dos membros da Subcomissão COMISSÃO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA, COMUNICAÇÃO E INFORMÁTICA – CCTCI 54ª Legislatura – 1ª Sessão Legislativa Subcomissão Especial Subcomissão Especial destinada a acompanhar as ações do Programa Nacional de Banda Larga Atualizado em 4-10-11 Presidente: RUY CARNEIRO Relator: NEWTON LIMA TITULARES SUPLENTES PT Newton Lima PT/SP (Gab. 805 – IV) Carlinhos Almeida PT/SP (Gab. 613 – IV) Gilmar Machado (Gab.262 – IV) Sibá Machado (Gab. 421 – IV) PMDB Domingos Neto ( Gab. 546 – IV) Rogério Peninha Mendonça (656 – IV) Hugo Motta (Gab. 582 – III) Marllos Sampaio (Gab. 906 – IV) PSDB Ruy Carneiro (Gab. 565 – III) Manoel Salviano (Gab. 506 – IV) PP Sandes Júnior (Gab. 702 – IV) Waldir Maranhão (Gab. 541 – IV) PR José Rocha (Gab. 908 – IV) Izalci (Gab.284 – IV) PSB Paulo Foletto (Gab. 839 – IV) Luiza Erundina (Gab. 620 – IV) PDT Brizola Neto (Gab. 437– IV) Miro Teixeira (Gab. 270 – IV) DEM Arolde de Oliveira (Gab. 917 – IV) Secretária: Myriam Gonçalves Teixeira de Oliveira Local: Anexo II, Térreo, Ala A, sala 49 Telefones: 3216-6461, 6452 e 6460 FAX: 3216-6465 Júlio Campos (Gab. 524 – IV) 00890 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Anexo II – Proposta de Indicação a ser encaminhada ao Poder Executivo REQUERIMENTO (Da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) Requer o envio de Indicação ao Poder Executivo sugerindo à Casa Civil da Presidência da República a reativação do Fórum Brasil Conectado. Senhor Presidente: Nos termos do art. 113, inciso I e § 1º, do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, requeiro a V. Exa. que seja encaminhada ao Poder Executivo a Indicação em anexo, sugerindo à Casa Civil da Presidência da República a reativação do Fórum Brasil Conectado. Sala das Sessões, 13 de dezembro de 2011. – Deputado Bruno Araújo, Presidente da CCTCI. INDICAÇÃO Nº , DE 2011 (Da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) Sugere à Casa Civil da Presidência da República a reativação do Fórum Brasil Conectado. Excelentíssima Senhora Ministra da Casa Civil: O Fórum Brasil Conectado é o espaço público instituído pelo Governo Federal em 2010 para acompanhamento, discussão e proposição de ações e diretrizes no âmbito do PNBL. Em sua essência, o objetivo original do Fórum era funcionar como um canal permanente de interlocução entre as cerca de sessenta instituições que o compõem. Entre seus membros, todos vinculados diretamente às temáticas estruturantes do programa, encontram-se entidades de representação dos estados e municípios, do Poder Legislativo, das entidades de representação das operadoras, de fabricantes de equipamentos, de desenvolvedores de software, de produtores de conteúdo digital, de entidades de representação dos usuários e da sociedade civil. Não obstante o inegável mérito da proposta de promover a democratização dos debates na esfera do PNBL, o Fórum Brasil Conectado não tem sido convocado pelo Poder Executivo para reuniões plenárias presenciais desde novembro de 2010. Por conseguinte, a sociedade brasileira deixou de contar com um canal institucionalizado para propor, junto ao Governo Federal, o aperfeiçoamento das ações e a inclusão de novas metas ao PNBL. Como não há perspectiva iminente de reativação do Fórum, o receio é que a ausência de Fevereiro de 2012 uma instância formal de diálogo e concertação cause, a médio e longo prazo, o distanciamento entre as ações planejadas pelo Poder Público e os verdadeiros anseios da população brasileira. Essa preocupação foi revelada recentemente durante os trabalhos da Subcomissão Especial da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática destinada a acompanhar as ações do PNBL. Nas audiências públicas promovidas pela CCTCI, parlamentares e expositores apontaram, como uma das principais propostas para o aperfeiçoamento dos instrumentos de governança do programa, a revitalização dos trabalhos do Fórum Brasil Conectado, inclusive mediante a realização de seminários e workshops. Entendemos que a medida contribuirá para resgatar um dos mais importantes princípios do modelo de governança adotado pelo Poder Executivo quando do lançamento do PNBL, que é a promoção de um ambiente plural e democrático para a discussão de propostas para a massificação da Internet no Brasil. Por esse motivo, encaminhamos sugestão à Casa Civil da Presidência da República – a quem cabe presidir o Comitê Gestor do Programa de Inclusão Digital, ente legalmente responsável pela gestão do PNBL – no sentido de reativar, com a maior brevidade possível, os trabalhos do Fórum Brasil Conectado. Na certeza de que contaremos com a máxima atenção de V. Exa. para o acolhimento da sugestão apresentada, oferecemos a presente Indicação à sua elevada consideração. Sala das Sessões, 13 de dezembro de 2011. – Deputado Bruno Araújo, Presidente da CCTCI. Anexo III – Proposta de Requerimento de Informações a ser enviado ao Executivo REQUERIMENTO DE INFORMAÇÕES Nº , DE 2011 (Da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) Solicita informações ao Sr. Ministro de Estado das Comunicações a respeito do andamento das ações do Programa Nacional de Banda Larga. Senhor Presidente: Requeremos a V. Exa., com base no art. 50, §2º, da Constituição Federal, e nos arts. 115, inciso I e 116, do Regimento Interno que, ouvida a Mesa, sejam solicitadas informações ao Sr. Ministro das Comunicações a respeito do andamento das ações do Programa Nacional de Banda Larga. Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Justificação Em outubro de 2011, a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados instalou Subcomissão Especial destinada a acompanhar as ações do Programa Nacional de Banda Larga – PNBL. Como desdobramento dos trabalhos daSubcomissão, em dezembro deste ano foram realizadas duas audiências públicas na CCTCI com o objetivo de trazer ao conhecimento da sociedade brasileira o andamento das principais ações do programa e as perspectivas de realizações futuras do PNBL na visão de agentes públicos, instituições privadas e representantes da sociedade civil afetos ao tema. Não obstante a inestimável riqueza de detalhes das informações prestadas pelos gestores públicos responsáveis pela condução do programa, o exame dos questionamentos suscitados durante as audiências revela que ainda pairam preocupações em relação à matéria. Por esse motivo, na condição de relator da Subcomissão, selecionamos as principais dúvidas manifestadas por parlamentares e representantes da sociedade civil e da iniciativa privada. Nosso objetivo era reunir, em um único requerimento de informações, os principais questionamentos levantados sobre o andamento do programa, encaminhá-los ao Poder Executivo e, de posse das respostas recebidas, trabalhar na definição das linhas de atuação da Subcomissão em 2012. Em cumprimento a essa estratégica, as contribuições colhidas durante as audiências foram analisadas e organizadas de acordo com a temática tratada. A seguir, listamos os assuntos que foram objeto de questionamento pelos membros da Comissão e expositores dos debates, e a respeito dos quais solicitamos informações ao Poder Executivo: Governança do PNBL: 1. O Poder Executivo dispõe de indicadores para avaliar as ações do PNBL? Se sim, quais são? Qual é a evolução desses indicadores? 2. Existe previsão de implementação de um canal institucional de transparência para o PNBL, onde o cidadão possa, a qualquer tempo, consultar o andamento das ações do Programa e o cronograma para sua implantação? Telebrás: 3. De acordo com o planejamento estabelecido em 2010, quantas e quais localidades deveriam ter sido atendidas com infraestrutura de backhaul pela Telebrás em 2011? Quantas Terça-feira 7 00891 e quais foram efetivamente atendidas? Qual é o planejamento para 2012? Em quais regiões a Telebrás pretende instalar redes próprias para oferta de capacidade no atacado? Do orçamento previsto para a Telebrás para 2011, quanto foi efetivamente liberado pelo Tesouro para desembolso pela empresa? 4. Considerando que um dos objetivos da reativação da Telebrás era realizar o atendimento das redes corporativas do governo federal, como está o andamento dessa meta? Infraestrutura: 5. Quais serão as metas de cobertura de banda larga a serem cumpridas pelas vencedoras dos certames licitatórios para outorga do direito de uso das faixas de frequência de 450 MHz, 2,5 GHz e 3,5 GHz? 6. Quando será estabelecida a obrigatoriedade da implantação de dutos para redes de telecomunicações na construção de rodovias e ferrovias federais? 7. A meta estabelecida no PPA 20122015 de 40 milhões de domicílios com banda larga admite a inclusão de acessos via linha discada? Se sim, em que percentual? Regulação: 8. Qual é a previsão de prazo para aprovação do Plano Geral de Metas de Competição – PGMC – e da revisão do Regulamento de Exploração Industrial de Linha Dedicada – EILD? O PGMC estabelecerá a obrigatoriedade da ampliação do número de pontos de troca de tráfego? 9. Quais são as medidas regulatórias já adotadas e as que se encontram em estudo para aumentar a densidade de acessos e reduzir o preço dos serviços de banda larga na região Norte, em áreas rurais e em pequenas localidades? 10. Há perspectiva de revisão da Norma MC 04/95 no sentido de alterar a natureza da atividade de provimento de acesso à Internet de serviço de valor adicionado – SVA – para modalidade de serviço de telecomunicações? Se sim, já foi realizado estudo para avaliar o impacto da medida sobre o mercado de provimento de Internet? 11. No que tange às contrapartidas vinculadas ao Plano Geral de Metas de Universalização III, quais são os compromissos assumidos pelas concessionárias de telefonia 00892 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS fixa que possuem impacto sobre o PNBL? Como está o andamento dessas ações? Qual é o cronograma da implantação da oferta do serviço de banda larga de 1 Mbps a R$ 35,00 pelas concessionárias? O cronograma está sendo cumprido? Como está sendo feita a publicidade desse serviço? Está havendo fiscalização do Poder Executivo sobre a eventual venda casada do serviço com outros serviços de telecomunicações? Há previsão de ampliação da velocidade de 1 Mbps? Está em estudo pela Anatel a conversão de multas aplicadas às operadoras de telecomunicações em investimentos em infraestrutura? 12. Segundo a pesquisa TIC Provedores 2011, 30% das escolas públicas urbanas ainda não têm acesso à Internet, estatística que diverge dos números apresentados pela Anatel. Como se explica essa divergência? 13. Está em estudo pelo Poder Executivo a transformação do regime jurídico do serviço de banda larga para regime público? Financiamento/questões tributárias: 14. O convênio Confaz nº 38/09 admite a isenção de ICMS para o serviço de banda larga prestado no âmbito do Programa Internet Popular. O Governo Federal está negociando com os Estados e o Distrito Federal a instituição de instrumentos adicionais de desoneração tributária sobre a prestação de serviços de telecomunicações? Se sim, quais são as medidas em estudo? 15. Há previsão do estabelecimento de incentivos fiscais para as pequenas e médias prestadoras de serviços de banda larga? 16. Há previsão da criação de linhas de crédito governamentais específicas para projetos de cidades digitais? E para projetos de desenvolvimento de aplicativos para computadores, celulares e outros dispositivos digitais? Se sim, qual é o montante destinado para esses projetos em 2012? 17. Qual é o montante de recursos do BNDES destinado para financiamento das linhas de inovação tecnológica e bens de capital no âmbito do PNBL? Está havendo desembolso efetivo de recursos para essa finalidade? 18. Há perspectiva de desembolso dos recursos dos fundos setoriais na esfera do PNBL em 2012? Se sim, qual será o montan- Fevereiro de 2012 te destinado ao PNBL? O Poder Executivo estabelecerá política específica para impedir o contingenciamento dos recursos dos fundos setoriais relacionados ao PNBL? 19. Qual é o resultado prático das medidas de incentivo à pesquisa, desenvolvimento e inovação em telecomunicações estabelecidas pela Lei nº 14.431, de 2011, oriunda da Medida Provisória nº 517, de 2010, bem como pela Lei nº 12.349, de 2010, oriunda da Medida Provisória nº 495, de 2010? As informações solicitadas serão fundamentais para que os parlamentares deste colegiado firmem pleno entendimento sobre o atual estágio de evolução do PNBL e, a partir daí, apresentem propostas que contribuam para o aperfeiçoamento do programa, em consonância com os objetivos que nortearam a instalação da Subcomissão. Considerando, pois, que o atendimento ao pleito apresentado será imprescindível para o sucesso dos trabalhos da Subcomissão em 2012, entendemos ser de grande valia receber as informações solicitadas. Sala da Comissão, 13 de dezembro de 2011. – Deputado Bruno Araújo, Presidente da CCTCI. Anexo IV – Requerimento de prorrogação dos trabalhos da Subcomissão COMISSÃO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA COMUNICAÇÃO E INFORMÁTICA REQUERIMENTO Nº , DE 2011 (Do Sr. Deputado Newton Lima) Requer a prorrogação dos trabalhos da Subcomissão Especial destinada a acompanhar as ações do Programa Nacional de Banda Larga. Senhor Presidente: Nos termos regimentais, requeiro, ouvido o Plenário da Comissão, a prorrogação dos trabalhos da Subcomissão Especial destinada a acompanhar as ações do Programa Nacional de Banda Larga, com o objetivo de aprofundar os trabalhos do colegiado e elaborar o relatório final. Sala da Comissão, 13 de dezembro de 2011. – Deputado Newton Lima, Relator. Publique-se. Arquive-se. Em 6-2-12. – Deputado Marco Maia, Presidente. Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Ofício nº 016/2012 – GAR Brasília, 6 de fevereiro de 2012 Ao Excelentíssimo Senhor Deputado Marco Maia Presidente da Câmara dos Deputados Nesta Assunto: Comunica afastamento do mandato parlamentar Senhor Presidente, Nos termos do artigo 56, inciso I, da Constituição Federal, c/c o artigo 235, inciso IV, do RICD, Terça-feira 7 00893 comunico a Vossa Excelência o meu afastamento do mandato de Deputado Federal, a partir de 6 de fevereiro de 2012, a fim de exercer o cargo de Ministro de Estado, no Ministério das Cidades, conforme a publicação da nomeação no Diário Oficial da União, em anexo. Informo, ainda, que opto pela remuneração do mandato de Deputado Federal, de acordo com o artigo 56, § 3º, da Constituição Federal. Respeitosamente, – Deputado Aguinaldo Ribeiro, PP/PB. 00894 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Fevereiro de 2012 Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Passa-se ao IV – PEQUENO EXPEDIENTE Concedo a palavra ao Sr. Deputado Amauri Teixeira. O SR. AMAURI TEIXEIRA (PT-BA. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, hoje eu fui acordado às 5h30min da manhã – ainda tenso com a greve dos policiais da Bahia, que ainda perdura – com uma notícia que me deixou bastante triste. Faleceu, hoje, às 4h30min da manhã, em Jacobina, o amigo, o militante político do PSB, o suplente de Deputado Estadual, o ex-Vereador de Jacobina, o ex-candidato a Prefeito de Jacobina e um dos possíveis candidatos a Prefeito, talvez a Vice-Prefeito de Jacobina, o médico Marcos Jacobina. Marcos Jacobina era uma pessoa profundamente admirada por toda a nossa população, um dos melhores médicos da região, um dos corações mais limpos e mais humanos de Jacobina. Com profundo pesar, manifesto aqui a minha solidariedade a sua família e a seus amigos. Lamento profundamente a lacuna deixada em Jacobina e na região, uma lacuna na área médica e na área política – Marcos estava habilitado a exercer qualquer função –, e também uma lacuna afetiva, que nos deixa profundamente tristes e que não será preenchida. Muito obrigado, Sr. Presidente. O SR. MAURO BENEVIDES (PMDB-CE. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, nobre Deputado Luiz Couto, Sras. e Srs. Deputados, caros telespectadores da TV Câmara, o Ceará recebe, amanhã, a visita da Presidente Dilma Rousseff, que inspecionará obras federais e estaduais, numa comprovação de seu vivo interesse em conhecer, de perto, realizações que se efetivam ali com recursos da União, ao lado de iniciativas do Governo Estadual, confiado a Cid Ferreira Gomes, que cumpre, agora, seu segundo mandato, com desempenho considerado proficiente por todos os nossos coestaduanos. Na Capital, a Primeira Magistrada do País avaliará os trabalhos do metrô de Fortaleza, empreendimento que necessita ser ultimado, inclusive pela proximidade da Copa de 2014, com a natural afluência de turistas, além da própria comunidade local que buscará aquela alternativa de interligação entre o Estádio do Castelão e outras áreas de nossa urbe. Na quarta-feira, a Titular do Planalto deslocar-se-á para a região do Cariri, quando, a partir de Juazeiro do Norte, acompanhará, juntamente com os Governadores do Ceará, Pernambuco e Piauí, o andamento da construção da Transnordestina, cometimento sobre o qual me manifestei em longo discurso, no final da sessão Terça-feira 7 00895 legislativa passada, mostrando a imperiosa necessidade de ser a mesma concluída, com o término dos trabalhos entre Missão Velha e a cidade piauiense de Eliseu Martins, o que permitirá que, através dos Portos de Pecém e Suape, processe-se a exportação de produtos agrícolas originários do chamado Polígono das Secas, e abrirá, assim, perspectivas mais favoráveis para a expansão de nossas atividades produtivas. Aguarda-se, igualmente, que, no âmbito do Ministério da Integração, confiado ao Ministro Fernando Bezerra Coelho, sejam reajustados os cronogramas de desembolso para acelerar a Transposição do Rio São Francisco – grandioso sonho acalentado pela população brasileira, cujo início apontou para a concretização, sem retardamentos, daquela ousada proposta de gestões passadas. A bancada cearense estará atenta, para posterior comentário, nesta Casa e no Senado Federal, relativamente ao esforço do Poder Executivo para a efetivação, sem mais delongas, de empreendimento de tão marcante significação para todos nós, que aqui temos a responsabilidade de representar o povo cearense e de estimular a União a tornar realidade planos de reconhecida magnitude, como os que, modorrentamente, estão sendo levados a efeito naquela faixa territorial do País. O SR. JAIR BOLSONARO (PP-RJ. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, esta semana devo ter uma audiência com o Ministro Luiz Sérgio, da Pesca, para tratar de um assunto que até deve interessar muito a S.Exa. e à sua região, a Baía de Angra, entre Angra dos Reis e Paraty. Sr. Presidente, de forma truculenta, o IBAMA vai de encontro a pescadores que estão com vara na mão, ou pescando com linha de mão ou caniço, apreende seus materiais, autua-os e ainda apreende suas embarcações. Isso vem acontecendo desde ano passado na Baía de Angra. Esses pescadores precisam ter o direito de buscar o seu sustento. Não estou falando em pesca comercial, estou falando em pesca artesanal. Tenho certeza de que o Ministro Luiz Sérgio vai resolver esse problema, até porque eu tenho um requerimento de informações respondido pela então Ministra Ideli Salvatti autorizando esse tipo de pesca na região. Muito obrigado, Sr. Presidente. O SR. VALMIR ASSUNÇÃO (PT-BA. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, inicia-se hoje o Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra em Sergipe, precisamente em Aracaju. Na oportunidade, faremos um balanço da reforma agrária nesse último período, das ações da Presidente Dilma Rousseff no ano de 2011 00896 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS e das nossas perspectivas para 2012. Será, portanto, um importante encontro. Estará presente toda a militância dos Estados onde o Movimento dos Sem Terra está organizado, reafirmando sobretudo a necessidade de avançarmos na construção da reforma agrária. O Encontro se estenderá até sexta-feira e será um importante momento para o debate da construção de políticas públicas, sobretudo da reforma agrária. Muito obrigado, Sr. Presidente. Durante o discurso do Sr. Valmir Assun‑ ção, o Sr. Luiz Couto, § 2º do art. 18 do Regi‑ mento Interno, deixa a cadeira da Presidência, que é ocupada pelo Sr. Amauri Teixeira, § 2º do art. 18 do Regimento Interno. O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) – O próximo orador inscrito para o período dos discursos dados como lidos é o Deputado Padre Luiz Couto, do PT da Paraíba. S.Exa. dispõe de 1 minuto. O SR. LUIZ COUTO (PT-PB. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, assume hoje o Ministério das Cidades o Deputado Federal Aguinaldo Ribeiro, eleito pelo PP da Paraíba. A presença de Aguinaldo Ribeiro no Ministério das Cidades é importante. S.Exa. exerceu o cargo de Secretário de Ciência e Tecnologia no Governo Cássio Cunha Lima, de Secretário de Agricultura no Governo Zé Maranhão e de Secretário Municipal do Meio Ambiente no Governo do companheiro Ricardo Coutinho, ex-Prefeito de João Pessoa. Aguinaldo Ribeiro é, portanto, um homem preparado. Mas, Sr. Presidente, o Portal Correio publica uma matéria que tenta me jogar contra Aguinaldo, com a seguinte manchete: Couto distribui denúncias contra Aguinaldo. Não é verdade isso! Em dezembro, recebemos um telefonema do nosso Líder – não sabíamos, àquela época, que Aguinaldo seria o Ministro das Cidades. Ele nos pedia informações, e as informações que nós passamos eram positivas. Dissemos que Aguinaldo Ribeiro era um excelente técnico e um excelente político e que muito poderia contribuir para aquele Ministério. Parabenizo o PP pela importante indicação de Aguinaldo Ribeiro. Mas não tentem me jogar contra o Ministro. Somos aliados no Município de Pilar, onde sua mãe, Dona Virgínia, é Prefeita e tem recebido o nosso apoio através de emendas. Além disso, temos uma relação de amizade. Queremos dizer que estamos com Aguinaldo. Esperamos que S.Exa. tenha uma excelente atuação no Ministério das Cidades. Muito obrigado, Sr. Presidente. Fevereiro de 2012 O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) – Com a palavra, pela ordem, o Deputado Luiz Couto. S.Exa. dispõe de 5 minutos. O SR. LUIZ COUTO (PT-PB. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho hoje a esta tribuna para registrar que a Paraíba perdeu uma parte de sua história. Tivemos a triste notícia do fechamento dos periódicos O Norte e Diário da Borborema, jornais centenários do nosso Estado. Cerca de 500 profissionais da imprensa, entre repórteres, editores e diagramadores, foram demitidos. De acordo com o chefe de reportagem, demitido do jornal O Norte, Wagner Lima, pelo Twitter, a decisão foi de cunho empresarial, já que os periódicos eram deficitários e se mantinham com recursos enviados por Brasília e Minas Gerais. Depoimento da jornalista Célia Marques, no Facebook, fala do processo de falência de O Norte, que em 2004 já era evidente, ano em que foram demitidas 150 pessoas, entre jornalistas e pessoal de administração. Desde então o jornal passou por muitas dificuldades, tendo tido seu tamanho diminuído e demitido gradativamente muitos profissionais. Mas a perda é perda irreparável, Sr. Presidente. O jornal O Norte foi fundado pelos irmãos Oscar Soares e Orris Eugênio Soares, em João Pessoa, no dia 7 de maio de 1908. Na época, a Capital paraibana se chamava Parahyba. Foi criado dentro de padrões jornalísticos modernos para aquele período, com ótima qualidade gráfica e textual, revolucionando a imprensa do Estado naquele ano. O jornal foi fechado temporariamente nas décadas de 20 e 30. Em 1935, volta a circular nas ruas da cidade de João Pessoa. No ano de 1954, O Norte foi comprado por Assis Chateaubriand e desde então passou a integrar os Diários Associados. Já o Diário da Borborema foi fundado em Campina Grande, no dia 2 de outubro de 1957, por Assis Chateaubriand, que, natural do Município de Umbuzeiro, na Paraíba, viveu boa parte da sua juventude naquela cidade. O jornal chegou a ganhar o Prêmio Esso de Jornalismo em 2001. Sr. Presidente, quero registrar a minha solidariedade aos profissionais de imprensa demitidos do jornal O Norte e do Diário da Borborema, desejando que em breve todos voltem a ter oportunidade de trabalho. Peço também que seja revista essa decisão e que o Diário da Borborema e o jornal O Norte voltem a circular no Estado da Paraíba, onde nos davam boa informação. Mas, Sr. Presidente, aproveito o tempo que me resta para falar sobre outro assunto. Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS A revista CartaCapital desta semana traz a seguinte manchete: Justiça? Que Justiça? O Supremo rejeita o corporativismo no caso do CNJ, mas não afas‑ ta a crise do judiciário, o que de certa forma respalda o apoio e a solidariedade que nós demos à Corregedora, injustamente acusada. Agora o CNJ pode continuar investigando, analisando os processos, e nossa Corregedora também pode continuar cumprindo seu importante papel. Parabenizamos o Supremo Tribunal Federal por essa importante decisão. Consideramos fundamental o controle realizado pelo CNJ, para que os maus juízes sejam investigados. Aqueles que atuam corretamente devem ter toda a certeza de que o CNJ presta um importante trabalho, até porque a grande maioria dos seus membros é do Poder Judiciário. Era o que eu gostaria de expressar, Sr. Presidente. Espero que esta ação do CNJ continue, como também a da nossa Corregedora, que trabalha com denodo, dedicação e muita responsabilidade. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) – Os próximos oradores inscritos são os Deputado Átila Lins, do PSD do Amazonas; Francisco Escórcio, do PMDB do Maranhão; e Izalci, do PR do Distrito Federal. Devolvo a presidência dos trabalhos ao Sr. Luiz Couto. Eu serei o próximo orador. O Sr. Amauri Teixeira, § 2º do art. 18 do Regimento Interno, deixa a cadeira da Presi‑ dência, que é ocupada pelo Sr. Luiz Couto, § 2º do art. 18 do Regimento Interno. O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Com a palavra, pela ordem, o Deputado Amauri Teixeira, do PT da Bahia. S.Exa. dispõe de até 5 minutos. O SR. AMAURI TEIXEIRA (PT-BA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente Deputado Padre Luiz Couto, é um prazer voltar à tribuna sob a sua presidência. Vou tratar de um tema que V.Exa. tem abordado permanentemente, que é da sua área de atuação: a greve da Polícia Militar na Bahia. A Constituição garante amplamente o direito de manifestação e o direito de associação, mas, em seu art. 5º, que regula os direitos individuais, diz que a manifestação é garantida desde que seja pacífica, sem armas, e não frustre outras já previamente agendadas. A manifestação de parcela da Polícia Militar da Bahia – de parcela, porque a maioria tem tido uma conduta exemplar – é condenável. Essa parcela que se amotinou armada dentro da Assembleia Legislativa do Estrado e causou um clima de insegurança, de certa forma um clima de terror, principalmente em Salvador, Terça-feira 7 00897 não contribui para o aperfeiçoamento da democracia, não contribui para o aperfeiçoamento das entidades democráticas. Começo meu discurso escrito reforçando, reafirmando frase do Governador Jaques Wagner: “Não posso ser governado por policiais com arma em punho”. Imagine, Padre, que o Ministério Público da Bahia, instituição que tem a incumbência constitucional de fiscalizar a aplicação da lei e o funcionamento das instituições, fechou hoje suas portas. Não podemos deixar as instituições do Estado Democrático de Direito reféns de um grupo. O Ministério Público deveria, isto sim, abrir suas portas e corajosamente enfrentar a situação, assim como está fazendo o Governador Wagner. Não podemos ter uma Polícia Militar moldada na cultura da ditadura militar, uma Polícia que mais atua antipovo, uma Polícia que agride as comunidades quilombolas e as comunidades indígenas, uma Polícia que tem promovido o extermínio sistemático dos jovens negros das periferias. Uma Polícia com essa estrutura não pode colocar as instituições democráticas na parede, não pode fazer refém o Governador legitimamente eleito e o Presidente da Assembleia Legislativa, eleito Deputado Estadual pelo povo e conduzido à Presidência da Assembleia por seus pares. Lutamos duramente contra a ditadura militar. Lutamos duramente para conquistar a liberdade, para respirar a liberdade, para garantir ao povo brasileiro a liberdade. Não podemos agora aceitar o que faz essa minoria – diga-se de passagem que, de quatro associações, apenas uma insiste nesta tensão, insiste em não dialogar. O Governador Wagner tem demonstrado o tempo todo que é um homem democrático, que aceita o diálogo com os movimentos sociais. O tempo todo dialogou com os policiais civis e militares. Fez plano de carreira, abriu as negociações. A greve começou sem que estivesse exaurido o diálogo. Criou-se um mal-estar, um clima de insegurança, de certa forma um clima de terror na Bahia, principalmente em Salvador. Queremos apelar para o bom senso, para o equilíbrio. Esperamos que esta situação se resolva com o diálogo, na base da paz, não na base da força. Não cabe no Estado Democrático, Sr. Presidente, uma negociação com armas em punho, essa tentativa de intimidar, de amedrontar aqueles que têm a legitimidade do voto popular, de colocar as instituições democráticas em xeque. Isso não é aceitável. Faço um apelo a todos os policiais da Bahia, em especial aos de Jacobina, que têm mantido uma postura serena, tranquila, comandados pelo Major Moisés, aos de Salvador, de Juazeiro, do Senhor do Bonfim. Precisamos acabar com isso. Estamos às vésperas de 00898 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS um evento importante para a Bahia, que é o carnaval. Haverá uma série de shows, que atraem pessoas até de fora. E logo neste momento vemos acuadas, e de forma oportunista, as nossas instituições. Isso está desestabilizando a sociedade. Não é bom para a Bahia. Muito obrigado, Sr. Presidente. PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, venho a esta tribuna falar sobre um problema pelo qual passa meu Estado, a Bahia, e que diz respeito à greve dos policiais militares, que está acarretando uma série de transtornos para todos os cidadãos. Começo meu discurso com a seguinte frase: “Não posso ser governado por policiais com arma em punho”. Desta maneira resumiu o nosso Governador, Jaques Wagner, o atual cenário de terror promovido na Bahia por uma entidade sem qualquer compromisso com a democracia. Porque, meus amigos e minhas amigas, o que está em jogo na Bahia é a nossa democracia. É a nossa democracia que vem sendo mais uma vez pressionada por uma arma. E, numa democracia, não há diálogo perante uma arma. Portanto, reafirmo as palavras do Governador Jaques Wagner sobre o movimento liderado pela Associação dos Policiais, Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (ASPRA), que vem provocando medo na população e em nada tem contribuído para o avanço das negociações pelo fim da greve, pois que a Polícia Militar da Bahia como um todo é uma instituição séria e comprometida com a segurança e o bem-estar de nossa população. Pois bem, em uma democracia não se pode conviver com quem usa o terror como principal instrumento de convencimento. Uma democracia não pode conviver com quem, em nome de benefícios particulares, amedronta a população para obter qualquer tipo de vantagem. Mais do que criminosos, eles são inimigos da democracia, inimigos da liberdade. Liberdade pela qual eu lutei. Liberdade pela qual milhares de pessoas morreram. Liberdade da qual não abriremos mão. Liberdade à qual ninguém irá se submeter. Liberdade que ninguém tem o direito de cercear. A nossa liberdade é a liberdade da democracia, e a democracia garante que qualquer um – através do diálogo, da conversa, do argumento, das manifestações sem uso de violência – pode reivindicar seus direitos civis. Essa é a democracia que o Governador Jaques Wagner e o PT defendem. Portanto, o que ocorre em Salvador não é uma greve. De greve eu conheço bem. A greve é um ins- Fevereiro de 2012 trumento legítimo da classe trabalhadora, e o instrumento que essa organização criminosa usa é o terror. Não é a greve. O terror não é e nunca será um instrumento da classe trabalhadora. Quem ampara a classe trabalhadora é a população, e a população não pode ter medo da classe trabalhadora. Logo, o que essa Associação de falsos policiais faz é um retrocesso para a luta democrática em nosso País. Infelizmente, o motim da Polícia Militar reacende a chama do autoritarismo, porque afronta a soberania nacional. Afronta a República. Afronta a democracia. O motim desses falsos policiais reacende a sede de sangue dos setores mais conservadores do Brasil e da Bahia. Esses falsos policiais servem de justificativa para quem defende a vontade de um sobre todos. Reacendem a fome de pessoas que não aceitam as regras da democracia, setores que querem tomar o poder com a força da grana ou da violência. Esses falsos policiais desenterraram vozes sucumbidas pela democracia. Vozes que defendem o uso irrestrito da violência do Estado. Vozes que querem ver sangue. Vozes que não sabem o que é uma democracia plural, transparente e republicana. Felizmente, o Governador Jaques Wagner é um democrata irredutível. Um conciliador por excelência. Não irá recuar perante a truculência e a vontade de alguns. O nosso Governador foi eleito pela vontade dos baianos e não irá ajoelhar-se perante o terror. Nem a nossa Presidenta Dilma Rousseff, que enviou tropas da Força Nacional para a Bahia. Ela sabe bem o que significa o terror. Foi vítima dele. Mas também foi uma das suas mais aguerridas adversárias. A Presidenta Dilma Rousseff enviou tropas da Força Nacional para a Bahia para garantir o direito do povo brasileiro e baiano de ser livre, não apenas de ser ou sentir-se seguro, mas, principalmente, de ser livre. A nossa Presidenta é a principal guardiã da democracia brasileira. Não vai medir esforços para que essa democracia seja preservada. Mas não é a pacificação das ruas, nem a prisão dos policiais amotinados tão perto da realização do Carnaval que vai devolver ao nosso País a paz necessária. Por isso quero aproveitar esta ocasião em que a democracia brasileira é confrontada pela força das armas para defender a reformulação da atual estrutura da Polícia Militar. Esta Polícia tal como está hoje não nos serve mais. É impossível conviver com quem, por essência, não obedece à democracia mas obedece à ordem de um coronel. Ou, pior: obedece à ordem de quem não Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS foi escolhido legalmente por ninguém para representar a sua vontade, como é o caso do motim na Bahia. A PM tal como ela está hoje é antidemocrática por essência. Ela é antirrepublicana. Precisamos de uma nova Polícia. Queremos uma nova Polícia. Uma Polícia – legalmente – cidadã. Um Polícia que obedeça às regras da democracia. Queremos uma Polícia que nunca mais deixe nossa população à mercê dos criminosos. Uma Polícia que nunca mais seja a responsável pelo medo da população, seja enquanto braço do Estado, seja enquanto braço do crime organizado. Queremos uma Polícia com salário justo e igual para todo o Estado brasileiro. Mas não podemos admitir nunca mais que a Polícia aponte uma arma para a cabeça de um cidadão por causa da sua insatisfação. Definitivamente, isso não é greve, isso não é liberdade, isso não é democracia. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Concedo a palavra pela ordem ao Deputado Valmir Assunção. O SR. VALMIR ASSUNÇÃO (PT-BA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho nesta tarde falar e desenvolver um pensamento sobre a greve da Polícia Militar do Estado da Bahia. E quero desenvolver esse pensamento até porque fui Deputado Estadual e me lembro de que, na Bahia, Deputado Luiz Couto, em 2005 ou 2006, o salário inicial de um soldado da Polícia Militar era menor do que o salário mínimo. Na condição de Deputado Estadual, juntamente com outros Deputados Estaduais, lutamos para garantir o que estava na Constituição, que era o Governo pagar no mínimo o valor do salário mínimo aos policiais. Pois bem, nesses últimos 5 anos do Governo Wagner, os salários tiveram um ganho real de 35,5%, para sargento, e de 29,40%, para soldado. Foram conquistas da Polícia Militar e da Polícia Civil do Estado da Bahia, do povo da Bahia, sem dúvida nenhuma. E o Governo Wagner vem trabalhando ao logo dos anos no sentido de valorizar a polícia, de fortalecer a polícia, de valorizar a instituição Policia Militar como polícia de Estado e não como polícia do Governador. Então, S.Exa. estabeleceu esse processo democrático de relação com toda a polícia. O que me causou muita surpresa, sem dúvida nenhuma, foi o fato de somente uma associação, entre diversas existentes no Estado da Bahia, haver declarado greve, e todos irem se amotinar na Assembleia Legislativa. Criou-se um clima de terror na sociedade. Em Salvador, pessoas armadas, supostamente policiais militares, pararam ônibus e criaram terror na Capital. Terça-feira 7 00899 Houve uma posição forte e importante do Governador Jaques Wagner e da Presidenta Dilma. O Governador requisitou a Força Nacional, de maneira que foram imediatamente para Salvador mais de 3 mil homens da Força Nacional, para poder restabelecer a ordem e resguardar o direito de ir e vir dos cidadãos da cidade de Salvador e também do Estado da Bahia. Estou relatando isso porque há uma questão importante, Sr. Presidente: a Justiça considerou a greve ilegal e decretou a prisão de 12 de seus líderes. Também foi designado um efetivo da Polícia Federal para prendê-los e levá-los para presídios federais. Eu acredito que, mesmo depois de todo esse processo, é preciso ter bom senso, que deve prevalecer, porque não é possível que pessoas façam greve e, ao mesmo tempo, estejam com armas em punho. Isso não é possível. Também não é possível crer que uma greve desse tipo traga benefícios para a sociedade, haja vista o prejuízo que a cidade de Salvador está tendo com a greve da Polícia Militar. A Polícia Militar do Estado da Bahia sempre foi séria e da qual nos orgulhamos, mas não é por causa de meia dúzia – ou a quantidade que seja – de grevistas que tente de todas as formas fazer prevalecer a sua vontade sobre a do Estado de Direito que vamos recuar. Não é isso. Faço um apelo aos órgãos de segurança pública que estão comandando a operação hoje no Estado da Bahia, ao nosso Governador Jaques Wagner e aos líderes da greve, para que sentem e negociem. É na mesa de negociação que se resolve qualquer greve, em qualquer crise. Na minha opinião, neste momento, em Salvador, não cabe radicalismo de ambas as partes, nem por parte do Estado, nem por parte dos grevistas. O fundamental é construir, numa mesa de negociação, a solução para que a polícia e o Governo saiam fortalecidos, mas que o povo da Bahia saia ganhando. Então, espero que ainda na tarde de hoje se possa fazer essa construção, porque é importante para o povo da Bahia, para a cidade de Salvador, para todos nós. Quero concluir, Sr. Presidente, dizendo que o radicalismo não vai levar a lugar algum. É preciso negociar. Falo assim porque eu já vivi o outro lado. Já passei a minha vida fazendo ocupação de terra e muitas vezes a polícia não queria negociar, e nós estabelecíamos que a negociação era fundamental. Quando sentaram à mesa para negociar, encontramos o caminho, caminho este que para o sem-terra foi importante, assim como para o Governo e a Polícia Militar. Então, mesmo a Assembleia Legislativa da Bahia estando cercada pelo Exército, pela Força Nacional, mesmo com o clima tenso na cidade de Salvador, es- 00900 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS pero que possamos estabelecer um marco de negociação, e que se acabe, sem dúvida alguma, a greve de forma pacífica, ordeira, e que a Polícia Militar do Estado da Bahia seja cada vez mais fortalecida. Muito obrigado, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Quero me associar ao pronunciamento equilibrado de V.Exa., Deputado Valmir Assunção, bem como ao do Deputado Amauri Teixeira. Todos nós queremos que a polícia seja bem paga. Agora, a polícia não pode estar acima da lei. A lei tem que ser respeitada por todo cidadão. Não dá para se fazer greve e entrar armado no espaço do Poder Legislativo. É preciso, como V.Exa. chama a atenção, o bom senso e o diálogo, que são fundamentais. Agora, é preciso haver esse desarmamento, a fim de que as pessoas possam analisar. Como V.Exa. disse, e também o Deputado Amauri Teixeira, não é a maioria da polícia, mas, sim, um segmento que não quer negociar, quer expor cada vez mais a questão do Governador Jaques Wagner. Com certeza, temos a convicção de que esse problema será resolvido logo. PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, hoje a Bahia vive um clima inusitado, com a paralisação de parte da Polícia Militar e a ocupação das ruas por parte de tropas das Forças Armadas e da Força Nacional de Segurança. Digo clima inusitado porque não se trata de uma greve geral da Polícia Militar, mas sim de um grupo de policiais militares que, além de ocupar a sede do Poder Legislativo estadual, fez espalhar pela cidade ações de terror e medo, resultando em saques e homicídios diversos. O Governador Jaques Wagner, ciente das responsabilidades como gestor público do Estado, agiu rápido e, diante da gravidade da situação, solicitou – e teve apoio para isso – que a presidenta Dilma Rousseff autorizasse o envio, para a Bahia, de soldados das Forças Armadas e da Força Nacional de Segurança para restabelecer a ordem e a segurança em todo o Estado. Não se trata, como muitos podem pensar, de uma medida de uso da força para coibir as ações dos grevistas, mas sim de uma medida que salvaguarde o Estado Democrático de Direito, no qual os cidadãos têm o direito de ir e vir, a fim de que as instituições públicas e particulares possam funcionar normalmente. Trata-se, ainda, da manutenção do poder do Estado, através do pleno funcionamento das suas instituições públicas, que não podem ficar à mercê de um grupo de grevistas, independentemente do teor das suas reivindicações. Fevereiro de 2012 De forma democrática, mas com firmeza, pela autoridade que lhe foi outorgada nas urnas e garantida pela Constituição Federal, o Governador Jaques Wagner, ao tempo em que negocia com o grupo de policiais em greve, assegura o funcionamento do Estado de Direito na Bahia. Se, por um lado, negocia, entendendo que os policiais são também cidadãos e trabalhadores do serviço público, o que faz valer o preceito de que não se pode quebrar o Estado de Direito e o poder da autoridade constituída no regime democrático, por meio de eleição: o governador do Estado da Bahia, que, portanto, tem imensas responsabilidades com a vida dos cidadãos baianos e com suas instituições. Todo trabalhador, quer seja do setor público, quer seja da iniciativa privada, tem o direito de reivindicar melhorias salariais e das condições de trabalho. Suas reivindicações e o ato de reivindicar fazem parte da própria relação de trabalho entre empregado e patrão, mesmo que aqueles sejam do serviço público. Portanto, não se discute o direito que têm os policiais em greve de buscar essas melhorias através de uma pauta de reivindicações. Da mesma forma, é dever do empregador, quer seja da iniciativa privada, quer seja do setor público ou o próprio governo, nas suas diversas esferas de poder, ouvir e estar atento aos reclamos dos seus trabalhadores, procurando equacionar os problemas e encontrar as melhores soluções que satisfaçam ambos os interesses. E é por isso que o diálogo continua sendo o melhor caminho das negociações. Mas um diálogo sem imposições, sem radicalismos, de forma que a partir dessas negociações não haja vencidos e vencedores, mas sim cidadãos que discutem pontos de vistas contrários e, mediante o bom senso, chegam a um acordo. O que não pode acontecer é que parte de determinada categoria coloque os interesses do grupo acima dos interesses de toda uma população. E mais ainda: mediante a imposição da força, tente-se quebrar o Estado Democrático de Direito, negando ao cidadão as funções básicas como o direito de ir e vir, e ao poder público legalmente constituído, o poder de administrar. Por isso parabenizo o Governador Jaques Wagner pela firmeza como tem enfrentado a situação, sem, contudo, fechar as portas do entendimento aos que lutam por melhores condições de trabalho. Sr. Presidente, gostaria que este discurso fosse registrado no programa A Voz do Brasil e nos meios de comunicação da Casa. Muito obrigado. Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Com a palavra o Deputado Jair Bolsonaro, do PP do Rio de Janeiro, que disporá de até 5 minutos, por permuta com o Deputado Mauro Benevides. O SR. JAIR BOLSONARO (PP-RJ. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, pensava que fosse colocar no devido lugar apenas as palavras dos dois oradores do PT que me antecederam. Mas como V.Exa. os apoiou, coloco V.Exa. no mesmo rol também. Não estou apoiando ou criticando o que está acontecendo na Bahia. Eu quero ser isento. Lembro a V.Exa. que, em 2001, o nobre Jaques Wagner apoiava o movimento grevista da Polícia Militar daquele Estado, e apoiava, inclusive, financeiramente. Veja como são as coisas: “Pau que dá em Chico, dá em Francisco”. Eu, como Capitão do Exército, sei o que era aquilo, sei o que é disciplina. E sei o quanto era importante para a instituição. Agora, não podem, Sr. Presidente, os Chefes do Executivo, no caso, a Presidenta da República, os Governadores, ficarem de costas para essas instituições. Prevaleceram-se da disciplina delas para subjugá-las. Eu dou a V.Exa. um documento da então candidata Dilma Rousseff dizendo que ia manter a política de reposição salarial do Governo anterior para as Forças Armadas. Eu pergunto: o que foi votado ano passado sobre reposição para as Forças Armadas? Nada! O que está previsto no orçamento em execução este ano para as Forças Armadas? Nada! Agora, o salário das Polícias Militares do Brasil, agregados aí os bombeiros e policiais civis, é algo entristecedor. E eles não podem ter outra profissão – o bico é ilegal. Eles não podem fazer greve. Concordo com o que falaram aqui: não podem. Eles não podem se filiar a partidos políticos. Sim, não podem. Sabemos disso. Não lutamos por isso. Agora, como fica a família desse policial? Fizeram um estudo para ver a classe dos que têm entrado nas polícias militares ultimamente. A procura é pequena. São aqueles que vão atrás até de um prato de comida, vamos assim dizer. São aqueles que vão muitas vezes atrás de um porte de arma para exercer uma profissão paralela. E como combater isso? Tratando com dignidade o pessoal. No meu Estado, o Rio de Janeiro, está sendo votado por esses dias, na Assembleia Legislativa, o novo piso salarial regional. E o valor do vencimento dos mais humildes está muito acima do de um 1º Sargento da Polícia Militar daquele Estado. Ou seja, o Governador Cabral faz uma média com esses trabalhadores – acho até que deveriam ganhar mais, tudo bem –, mas se Terça-feira 7 00901 esquece do policial militar. E é um Estado que recebe por fora 9 bilhões de reais em royalties de petróleo todo ano! Para onde vai toda essa grana? Por isso, outros Estados estão de olho grande nesse percentual do petróleo. Já que Cabral não faz nada com esse dinheiro, vamos distribuir para outros Estados. Quem sabe a Bahia pague melhor o seu policial militar recebendo a parte do Rio. Eu sou contra, mas quem sabe não se faz isso. Então, Sr. Presidente, o Chefe do Executivo não pode se prevalecer da disciplina do militar para subjugá-lo. Vejam o que aconteceu no Rio de Janeiro. O Cabral foi eleito em primeiro turno graças ao trabalho das UPPs, que, na verdade, em grande parte, serviu para distribuir a bandidagem pelo Rio de Janeiro, pela Baixada Fluminense, pelo interior do Estado. A bandidagem saiu da Capital e foi distribuída. Foi reeleito graças a isso. Ele cometeu um erro muito grave em seu Governo. Abriu concurso para PM em várias regiões do Estado e, como faltou pessoal para as UPPs, ele pegou esses concursados de Campos e Resende, por exemplo, e levou para a Capital. Eles não têm direito a nada. São homens que estudaram, prestaram concurso, foram aprovados e agora abandonaram suas famílias e seus estudos para ficar cumprindo expediente em UPP. Tratam o policial militar e as Forças Armadas como lixo. E a Presidenta Dilma também nos trata com bastante desconsideração! Na hora do perigo, da necessidade, lembram das Forças Armadas. Lembram! Mas está lá o recruta recebendo abaixo do salário mínimo. O recruta recebe abaixo do salário mínimo! Um soldado engajado recebe em torno de 900 reais por mês. Não se pode continuar a ficar de costas para esses profissionais. Como eu sempre disse: está ruim com a PM? Pior sem ela. Olhem o problema na Bahia! Já tivemos problema semelhante em outros Estados do Nordeste no passado, quando a PM ficou nos quartéis. Então, Sr. Presidente, vamos tratar essas pessoas com dignidade, com respeito. Ora, o PT não pregava isso? Mudou agora por quê? Obrigado, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Todos nós queremos que, de fato, o diálogo seja um instrumento importante no sentido de que haja qualidade tanto no exercício dos serviços como também na melhoria dos salários dos policiais. O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Concedo a palavra ao nobre Deputado Mauro Benevides, do PMDB do Ceará. S.Exa. dispõe de até 5 minutos. O SR. MAURO BENEVIDES (PMDB-CE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, V.Exa. 00902 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS sabe que essa permuta é porque o nobre Deputado pelo Rio de Janeiro tem uma patente militar bem superior àquela minha de iniciante, nos quadros do Exército Brasileiro, em épocas passadas. Muito obrigado. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a Assembleia Legislativa do Ceará deverá deliberar, nos próximos dias, sobre projeto que cria a Região Metropolitana de Sobral e reúne 18 comunas, que se beneficiarão diretamente da inovação, a exemplo do que ocorreu com a região do Cariri, cuja repercussão, na época, contou com aplausos generalizados da população do sul do Estado. Detendo expressivo potencial econômico, aquela faixa territorial há contribuído, significativamente, para incrementar o crescimento e bem-estar social, tendo como carro-chefe a citada metrópole, celeiro de projetos grandiosos, os quais oferecem sustentação ponderável aos nossos anseios de progresso, com expansão das atividades produtivas do Ceará. Passarão a compor a nova região, prestes a ser instituída, depois da aprovação do projeto pela Assembleia Legislativa do Ceará, as seguintes cidades: Sobral, Massapê, Senador Sá, Uruoca, Santana do Acaraú, Forquilha, Coreaú, Moraújo, Groaíras, Reriutaba, Varjota, Cariré, Pacujá, Graça, Frecheirinha, Miraíma, Meruoca e Alcântaras. Ressalte-se, por oportuno, que a terra de D. José Tupinambá da Frota possui população já bem próxima de 200 mil habitantes, com um Produto Interno Bruto per capita de 9.453 reais, sendo o sétimo no cômputo geral de nossa Unidade Federada. Coube ao Deputado Estadual Professor José Teodoro Soares, um dos mais competentes membros daquela Casa, que presidi em décadas passadas, a louvável ideia, a qual, desde já, apoiamos entusiasticamente, convictos de que estamos para ser orientadores e estaremos dispostos a ser apoiadores de sua composição, voltada exclusivamente para os interesses do Ceará, a cuja frente se acha, hoje, o sobralense Cid Ferreira Gomes, que realiza uma proficiente gestão, assinalada por obras portentosas, que o situam entre os melhores gestores do País. O Prefeito Clodoveu Arruda, solidário com a proposição, certamente a ela emprestará a sua prestigiosa adesão, empenhando-se por sua imediata implantação. Aliás, Sr. Presidente, nesse sábado, na Princesa do Norte, quando ali estive, troquei ideias com o empresário Célio Vasconcelos, o Prof. Oscar Rodrigues e outros jornalistas do Sobral News sobre o significado dessa iniciativa que ora ressalto desta tribuna, por sua relevância socioeconômica em relação àquela faixa territorial do Estado. Fevereiro de 2012 Em Massapê, transmiti igualmente a auspiciosa notícia, durante comemorações da autonomia política daquela comuna, em conversa com o Prefeito João Pontes, com outros líderes que ali estavam e com a líder Odete Apoliano, todos expressando igualmente regozijo por essa iniciativa de extraordinária significação, como ressaltei, para a vida socioeconômica daquela importante região do interior do Estado. Era a comunicação que me senti no dever de fazer. Quero, inclusive, fazer um acréscimo ao discurso anterior que fiz no expediente com que nós iniciávamos os trabalhos da sessão de hoje, em que eu anunciara a presença amanhã, em Fortaleza, da Presidenta Dilma Rousseff. Há a expectativa de que ela não mais viaje amanhã, porque pessoa de sua família, mais precisamente a sua genitora, não se encontra em condições de permanecer aqui sem a sua assistência pessoal. Por isso, Sr. Presidente, faço esta comunicação na expectativa de que, passado esse momento, a Presidenta Dilma possa ir, quem sabe, quarta-feira ou quinta-feira ao Ceará, cumprir aquela agenda, na qual estão incluídas visitas a importantes iniciativas de interesse do nosso Estado e do Nordeste do País. O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Passa-se ao V – GRANDE EXPEDIENTE Concedo a palavra ao Sr. Deputado Izalci, do PR do Distrito Federal. S.Exa. dispõe de até 25 minutos na tribuna. O SR. IZALCI (Bloco/PR-DF. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, eu disse na sexta-feira passada que nós precisamos de um espaço maior para falar dos nossos projetos, mas, infelizmente, as revistas semanais realmente não deixam espaço para falarmos sobre os projetos, porque especialmente no Distrito Federal temos, a cada semana, um escândalo diferente. Na sexta-feira, eu falei sobre um acontecimento, objeto de denúncia da revista Veja. Agora, em todas as segundas-feiras, há um noticiário que se tornou comum nas revistas Veja, Época, IstoÉ, na mídia de modo geral. Mais uma vez, a Veja desse fim de semana traz a seguinte manchete: Até o próximo escândalo. A própria revista já reconhece que toda semana, em Brasília, surge um escândalo diferente. A revista Veja, Sr. Presidente, traz reportagem sobre os últimos escândalos que aconteceram no Distrito Federal. Diz: “Acusado de tentativa de suborno, o chefe da polícia de Brasília aparece em vídeo pre‑ vendo que o governador petista acabará preso”. Olhe quem afirmou isso, Sr. Presidente: o chefe da Polícia Civil do Distrito Federal, aquele que talvez hoje tenha Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS o maior número de informações no Distrito Federal, porque é a Polícia Civil que investiga. A Polícia Civil existe para investigar. Antes de ser Diretor-Geral, ele telefonou para o Chefe de Gabinete do Governador, que coincidentemente – são muitas as coincidências – era o mesmo Chefe de Gabinete do Ministro do Esporte, o Secretário Claudio Monteiro. Ele disse: “Olha, Cláudio, eu vou estar em casa aposentado e, se o camburão da Polícia Federal levar o Governador, não adianta me ligar, não. Eu vou pedir para ligar para a delegada Mailine Alva‑ renga. Ligue para ela para tirar o Governador”. Isso é que foi dito, Sr. Presidente, na gravação apresentada pela revista Veja na semana passada. Muito mais grave que isso é que ele diz também que está no Palácio do Buriti a “galinha dos ovos de ouro”: o Secretário de Saúde, Rafael Barbosa, que, também coincidentemente, era o Secretário Nacional de Esporte Educacional do Ministério do Esporte, envolvido em todos aqueles escândalos. Parabenizo o jornalista Gustavo Ribeiro, da revista Veja, que disse o seguinte: “Nas últimas duas déca‑ das, ele tem aproveitado bem todas essas facilidades para roubar, corromper e transformar Brasília numa vergonhosa vitrine reveladora do que existe de pior e mais degradante na política brasileira”. Sr. Presidente, no Natal eu pedi ao Governador que desse um presente aos moradores do Distrito Federal, a todos os cidadãos brasilienses: que ele se afastasse até a apuração dos fatos. São muitos fatos, muitas denúncias, muitas comprovações, no entanto ele teima em permanecer no Governo. O Senador Cristovam Buarque disse novamente aos jornais de hoje que, se um dia tiver de apoiar alguém, ele apoiará o PT, mas não o Governador Agnelo Queiroz. Eu disse na sexta-feira: “PT Nacional, as eleições municipais estão chegando”. O Governador do Distrito Federal, que é do PT do Distrito Federal, é referência nacional, não apenas em corrupção, mas também em incompetência. As pesquisas apontam que ele ocupa o último lugar no ranking de governadores, mas muito distante do penúltimo. É um Governador com 70% de reprovação do Governo. Hoje, este Governo não tem moral para continuar governando o Distrito Federal. Gostaria de reforçar novamente esse pedido, esse apelo, até mesmo à Presidente Dilma Rousseff, para que, diante de tantas denúncias e tantas comprovações, se manifeste e busque uma saída para o Distrito Federal. Nós somos a Capital de todos os brasileiros e não podemos continuar sendo referência – como consta nas páginas da Veja – do que existe de pior na política brasileira. Terça-feira 7 00903 Diz a revista, ainda: “O atual governador, o pe‑ tista Agnelo Queiroz, tem‑se esforçado para mostrar que isso é possível” – ou seja, continuar na corrupção, na roubalheira. “No quesito desfaçatez, ele já superou o antecessor” – para dizer, para desmentir, não comprova nada. Sr. Presidente, para comprovar, é muito simples. Comprovar qualquer acusação, seja de aumento de patrimônio, seja qualquer acusação, é simples. Na vida pública, esta é uma obrigação do político. Ele não está fazendo favor a ninguém. É obrigação dele chegar ao Congresso Nacional, ir às revistas e à televisão e mostrar as provas. A palavra de um Governador tem o mesmo valor da de qualquer cidadão. Disse isso na convocação do Ministro da Integração, Fernando Bezerra, quando esteve nesta Casa durante o recesso. O Ministro Fernando Bezerra disse que veio aqui no recesso parlamentar exatamente porque é obrigação do político colocar as coisas de forma transparente. Mas este Governo, não. O Governo Agnelo acha que a palavra do Governador é prova suficiente para isso. No entanto, a cada dia surgem mais denúncias. Eu espero que a Câmara Legislativa, que tem a obrigação de apurar os fatos, realmente os apure. Conforme o Correio Braziliense, há uma guerra pela chefia da Polícia Civil. O Presidente da Câmara Legislativa, o Deputado Cabo Patrício, também do PT, assumiu o compromisso de convocar o Delegado Onofre de Moraes para depor na Câmara Legislativa, mas, pelo que vejo, acho que isso não vai acontecer mais, porque o Onofre renunciou. Os jornais dizem que ele foi demitido, mas não foi demitido. Houve um acordo com o Governador, porque ele sabe demais. Isso, lamentavelmente, tem acontecido todas as semanas. Eu espero que o Governador não apenas comprove e justifique, de fato, o parecer do delegado da Polícia Civil dizendo que ele iria preso, mas também que o Governador e o Secretário da Saúde expliquem por que o delegado usou o termo “galinha dos ovos de ouro”. O Delegado tinha a obrigação de protegê‑lo, porque era ele que buscava os recursos para a distribuição. Há, ainda, algo mais grave. A saúde passou 1 ano sem licitação. Tudo se resolveu por emergência, sem licitação, exatamente com o homem chamado agora de “galinha dos ovos de ouro”. Portanto, nós precisamos continuar fiscalizando. Se a Câmara Legislativa não o fizer, vamos ter que buscar, porque grande parte dos investimentos em Brasília são do Fundo Constitucional, ou seja, provêm de recurso federal. Sr. Presidente, eu sei que teremos muitos assuntos a discutir daqui para a frente, mas eu não poderia deixar de comentar o que fiz no recesso parlamentar. 00904 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Ontem eu disse, Deputado Mauro Benevides, que não saí desta Casa, em nenhum momento, no recesso. Saí na véspera do Natal e do Ano-Novo tarde da noite, porque requisitei mais de 200 documentos, mais de 200 processos, nos Ministérios, e olhei cada um deles. Eu fiz diversas auditorias e vou falar de uma delas agora. A primeira auditoria que vou divulgar diz respeito ao Convênio nº 017/2005, da ONG Cata-Ventos Juventude e Cidadania, que recebeu recursos do Programa Brasil Quilombola, para dar um seminário de capacitação de gestores públicos. Se vocês conhecerem a ONG Cata-Ventos, pelas atividades que desempenha, por si só, ela jamais teria condições de receber dinheiro público para dar curso a gestores públicos, porque ela não é qualificada para isso. O Sr. Mauro Benevides – V.Exa. me permite, Deputado Izalci? O SR. IZALCI – Pois não, Deputado Mauro Benevides. O Sr. Mauro Benevides – Quando V.Exa. alega da tribuna que esteve permanentemente em Brasília durante o recesso parlamentar, eu ofereço meu testemunho de que, quando a Comissão Representativa, a que pertencemos, realizou sessão no plenário do Senado Federal para ouvir o Ministro da Integração, Fernando Bezerra, V.Exa. ali estava, como eu também me encontrava, distinguido pelo Presidente José Sarney para secretariar os trabalhos da nossa Comissão, que se reuniu para ouvir o titular da Pasta integracionista. Naquele momento, V.Exa. bem se recorda, procurei interpelar S.Exa. o Ministro sobre dois projetos fundamentais para a região: a transposição de águas do São Francisco e a construção da Transnordestina, para que, com isso, ele anunciasse diante de todos nós, Senadores e Deputados que compúnhamos aquela Comissão, à qual V.Exa. também estava presente, algo de fundamental importância para o chamado Polígono das Secas. Portanto, ofereço meu testemunho de que essa vigilância que se tornou realmente presente na sua atividade parlamentar se fez sentir durante a reunião da Comissão Representativa do Congresso Nacional. Muito obrigado. O SR. IZALCI – Sou eu que agradeço o aparte de V.Exa., Deputado Mauro Benevides. Sr. Presidente, solicito à Presidência que, após o discurso, todo este material – vou deixar uma cópia com a Presidência – seja não apenas publicado nos Anais da Casa, mas também divulgado, de preferência, ao Ministério Público, à OAB, à CNBB, à ABI e à fiscalização do Senado e da Câmara, para que todos tomem conhecimento das auditorias que realizei. Fevereiro de 2012 Mas esse convênio, em especial, Sr. Presidente, foi solicitado à SEPPIR – antigamente ainda não era Ministério, era da Casa Civil, da Presidência da República –, que é a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. Olhem só: uma ONG, a Cata-Ventos, que também tirou dinheiro do Segundo Tempo de crianças de Sobradinho – porque teoricamente seriam atendidas crianças carentes de Sobradinho –, essa mesma instituição vai à Casa Civil, à Secretaria da Igualdade Racial, e pede recursos – 500 mil reais –, para dar curso de gestão pública em vários Estados. Existe um parecer jurídico da área dizendo que essa ONG não poderia pegar esse recurso, porque no seu estatuto não estava prevista essa atividade. Mas ela imediatamente fez uma alteração no estatuto, permitindo então que pudesse receber esse tipo de recurso, e encaminhou à Casa Civil. Mas o mais estranho não é isso, Sr. Presidente. O mais estranho dessa ONG Cata-Ventos está aqui – e eu estava na Câmara. Foi aprovada a Lei nº 3.219, de 5 de novembro de 2003. O autor, Deputado Paulo Tadeu, apresentou um projeto, que foi aprovado, declarando a Associação Cata-Ventos Juventude e Cidadania uma entidade de utilidade pública. Foi após a aprovação dessa lei que pegaram recursos públicos e desviaram um grande volume de recursos. No caso específico desse projeto, por incrível que pareça, essa Cata-Ventos solicitou 532 mil, 943 reais, dos quais 476 mil reais eram da Secretaria da Igualdade Racial. Mas isso não é nada. O pior é que essa ONG Cata-Ventos contratou uma empresa chamada Estrelinha. Essa empresa Estrelinha, Sr. Presidente, não tinha como objeto social no seu contrato a prestação de serviços de eventos. Mas, mesmo assim, no dia em que saiu o dinheiro, dia 16, houve uma alteração contratual que mudava seus objetivos. Essa Estrelinha era uma empresa de comércio de móveis, de design, foi transformada em ONG, e solicitou ao Ministério, apresentando uma alteração contratual, justificando que tinha capacidade de fazer a gestão. Acontece que, durante as auditorias, percebeu-se que, quando iam pagar à Estrelinha, as notas fiscais eram sequenciais. Foram vários meses, mas as notas eram 7, 8, 9, 10, 11. Os auditores questionaram isto: como pode uma empresa prestar serviço e emitir notas sequenciais durante vários meses, como se ela fosse criada apenas para o projeto? O que fizeram? Solicitaram informações ao GDF. Deputado Amauri, sabe a resposta do GDF? Que essa empresa não estava recolhendo os impostos, que essa empresa não estava fazendo a declaração das notas fiscais. Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS E o pior: sabe quem são os sócios dessa Estrelinha? Os irmãos e o sobrinho do Deputado Paulo Tadeu, Secretário de Governo do Sr. Agnelo Queiroz. Quando foram prestadas as contas, tiveram a cara de pau de dizer que a empresa tinha obrigação somente de prestar os serviços e que a ONG não tinha capacidade de fiscalizar se estava emitindo nota fria ou não, não tinha capacidade de verificar se essa empresa existia ou não, bastaria prestar os serviços. Quando se vê, os sócios da empresa são exatamente o irmão e o sobrinho do Paulo Tadeu. E o mais grave: o restante, quase 60 mil reais, além dos 370 mil da Estrelinha, foi recebido através de recibo dado por outro irmão. E vai um Deputado desses... Eu me lembro muito bem de quando estive na Câmara e fui o 3º Secretário daquela Casa. Ele também fazia parte da Mesa, com aquele discurso demagógico, aquele discurso vazio. Hoje está provado que essa demagogia não passa de hipocrisia. São Deputados demagogos, que, na prática, quando vão agir, fazem o que está aqui, desviam recurso público. Nesse processo da SEPPIR, é evidente que não pode estar envolvida apenas a ONG. Como se admite alguém entregar 500 mil reais, quantia que parece não valer mais nada neste País, porque os desfalques, a roubalheira hoje é da ordem de 300 milhões, 400 milhões? Parece então que 500 mil reais não significam quase nada para ninguém. Na prática, esse é um projeto de capacitação de gestores públicos. Como uma ONG picareta como essa pode capacitar algum gestor público, sendo que não tinha ninguém capacitado para isso? Aí, colocam uma empresa fantasma, uma empresa que não recolheu imposto nenhum, uma empresa que não existe, é de fachada. E esse Deputado, Sr. Presidente, é o segundo mais votado aqui no Distrito Federal, com esse discurso demagógico. Então, acho que ainda cabe – não sei se dá tempo, o convênio é o de nº 17, de 2005 – entrar com processo, porque, evidentemente, se a população, se a comunidade, se os eleitores do Distrito Federal soubessem o tanto que essa quadrilha que está no Buriti e esse Deputado, que é Secretário de Governo, roubaram e continuam roubando, tenho certeza de que o resultado das eleições não seria esse. Duvido que o Senador Cristovam Buarque teria apoiado Agnelo, duvido que o Deputado Reguffe teria apoiado Agnelo se soubesse de tudo isso. Na prática, digo sempre que o Senador Cristovam e o Deputado Reguffe não foram responsáveis pela eleição, eles foram também culpados. Hoje eles têm culpa. Quem apoiou este Governo tem culpa, está maculado, porque são muitos os desvios. Terça-feira 7 00905 E eu não fiz, Sr. Presidente, só essa auditoria. Fiz várias e espero ter oportunidade de falar de cada uma delas. Fiz mais de 20. Está tudo encadernado, tudo marcado: onde há nota fria, onde há conivência dos superiores, seja no Ministério do Esporte, seja no Ministério do Trabalho, seja na Casa Civil. Sra. Presidente, esse convênio estava ligado à Casa Civil, não ao Ministério do Esporte. Então, nós exigimos, como representantes do Distrito Federal – nós exigimos! –, que o Governador se justifique. Eu quero fazer aqui algumas perguntas. Não sei se o Deputado Mauro Benevides pode respondê-las ou se ouviu falar a respeito. Deputado, V.Exa. saberia onde está João Dias? Eu digo para o senhor. Semana passada foi promovido – promovido! V.Exa. sabe onde está o Daniel, aquele que, segundo a revista Veja também, disse que depositou na conta do Governador, coincidentemente, no mesmo dia em que o Governador assinou a autorização para que a União Química produzisse e importasse remédios? Onde está o Daniel? Sumiu. O Sr. Amauri Teixeira – Deputado Izalci, V.Exa. me permite um aparte? O SR. IZALCI – Pois não, Deputado Amauri Teixeira. O Sr. Amauri Teixeira – João Dias. Que tipo de promoção ele teve? Ele foi promovido por antiguidade. O SR. IZALCI – Ele era soldado, agora é cabo. O Sr. Amauri Teixeira – Ele não foi promovido por mérito, mas por antiguidade, que é uma promoção automática, sem interferência de julgamento do seu comportamento. Como ele ainda não foi julgado e tem presunção de inocência, ele foi promovido por antiguidade. É bom que se diga. O Governador não o promoveu; é uma regra dos servidores públicos: quando completam determinado tempo, são promovidos. Não há interferência de mérito, não há promoção em função da sua vida pregressa, não há avaliação, na promoção por antiguidade, de vida pregressa. É bom que se esclareça que João Dias foi promovido por antiguidade. O SR. IZALCI – Foi bom o aparte do Deputado Amauri Teixeira, que talvez tenha acompanhado melhor o caso. Mas o Governador deveria explicar algumas coisas para a sociedade, como V.Exa. acabou de dizer. Eu posso dizer, por exemplo, que no processo da Federação de Kung Fu, que desviou mais de 3 milhões de reais, havia documentos de João Dias, que chegou a agredir fisicamente os servidores do Ministério do Esporte, forçando a barra para que eles desmentissem aquilo que já tinham enviado à Polícia Militar do Distrito Federal. Eu acredito, Deputado, que neste Governo Agnelo jamais teremos qualquer coisa esclareci- 00906 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS da, porque este Governo, além de corrupto, consegue comprar as pessoas, inclusive algumas instituições. Quero dizer que no processo da FEBRAK que veio para mim, não em documento, em papel, mas digitalizado, está faltando exatamente o documento encaminhado à Polícia Militar. Lá atrás, em 2005, o Comandante da Polícia Militar solicitou informações ao Ministério do Esporte, que respondeu para a Polícia Militar dizendo que, sim, João Dias estava devendo mais de 3 milhões de reais. Sob pressão, João Dias esteve no Ministério e agrediu fisicamente os servidores, como fez no Palácio do Buriti, com a secretária de Paulo Tadeu. O que fizeram? Substituíram a declaração e mandaram para a Polícia Militar um documento dizendo que João Dias teria pedido prorrogação de um convênio do qual há mais de 2 anos não prestava contas. O que acontece? O Governador tem medo do João Dias, tem medo do Daniel, tem medo do Onofre, tem medo do Glauco, outro que precisa também... Espero que possamos exigir esclarecimentos do Glauco sobre como foi a venda do terreno da casa dele para o Governador, como foi a consultoria dele na ANVISA, como foi a transferência das concessões das empresas instaladas nos shoppings, as franquias. Uma das maiores e melhores franquias hoje é da família do Governador. Existem outras obras de que vou falar também aqui. Espero que o Glauco possa justificar a origem desses recursos. O que quero dizer é que não há nenhuma prova concreta de que este Governador do Distrito Federal seja honesto, porque ele não tem a hombridade de demonstrar as provas desses desvios todos que aconteceram. Então, Sr. Presidente, como no Ministério do Esporte foram diversos desvios, vários projetos e convênios, espero que também esse da Casa Civil alguém possa explicar, porque desviaram 500 mil reais. Era isso, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Concedo a palavra ao Deputado Vicentinho, para uma Comunicação de Liderança, pelo Partido dos Trabalhadores. S.Exa. dispõe de até 10 minutos. O SR. VICENTINHO (PT-SP. Como Líder. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, neste primeiro dia de debates eu resolvi pedir ao meu Líder, Deputado Paulo Teixeira, para fazer uma exposição aqui a respeito do drama Pinheirinho. Sr. Presidente, não é preciso ir muito longe. Se lermos a revista CartaCapital, vamos verificar que, primeiro, há aqui alguns dizeres interessantes: “Após ações policiais violentas e sem respaldo humanitário ou social, o governo de São Paulo colhe os frutos: uma horda de desa‑ brigados e uma vergonhosa denúncia à OEA.” Fevereiro de 2012 E mostra-se a triste fotografia de gente internada. Mais ainda: diz Felippe, ex-Procurador-Geral do Governo Mário Covas, a respeito da truculência alckmista: “Mário Covas deve estar se revirando no túmulo”. Sr. Presidente, antes de mais nada, eu queria me penitenciar, mas, antes disso, também fazer alguns comentários, como parte do pronunciamento. Eu queria me penitenciar porque esse miserável acontecimento ocorreu no período em que muitos de nós, inclusive eu, estávamos de férias – eu, com meus filhos, minha filha – e vimos pela televisão a gravidade da situação. Vivi um drama desses em São Bernardo, quando ocorreu a desocupação na Vila Falcão, com traumas até hoje, apesar de fazer mais de 10 anos que isso aconteceu. Não estou falando aqui porque estou preocupado com votos. Eu me penitencio porque não pude estar lá. Mas também não fui lá posteriormente para não dizerem, como disseram, que aparecem lá os urubus atrás de votos. Não! Obtive muito poucos votos em São José dos Campos, por sinal; apenas cento e poucos votos. Fui o 66º Deputado mais votado, portanto quase fiquei fora dos 70. Tive o voto de 0,05% dos 438 mil eleitores ali. Não é por isso que estou falando do Pinheirinho, mas por causa do drama, do sofrimento, da violência, do desrespeito ocorrido. Quero mandar um abraço ao companheiro José Carlos, Presidente do sindicato dos motoristas de São José dos Campos e região, que ali ficou com o povo, acompanhando, ajudando, juntamente com outros sindicatos, a Central Única dos Trabalhadores, o Partido dos Trabalhadores. Saúdo todos os militantes que lá apoiaram essa importante luta na defesa da terra e na defesa da vida. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o conflito ocorrido em São José dos Campos, Município paulista administrado pelo PSDB, em área conhecida como Pinheirinho, tem a mesma gênese de muitos outros que já ocorreram; afinal, a luta pela terra no Brasil é antiga e institucional: são os índios lutando pela demarcação dos seus territórios, são os negros lutando por dignidade e o reconhecimento das terras quilombolas – e lá havia muitos negros –, são os camponeses expropriados tentando voltar à terra. Enfim, milhões de brasileiros lutaram e lutam por terra no País do latifúndio, em que 56% das terras estão nas mãos de apenas 1,5% do povo brasileiro. O desrespeito aos direitos humanos em São Paulo é a explicitação dessa luta. É mais um conflito por terra no qual o Estado interferiu e mostrou de que lado está, o mesmo Estado que gera e alimenta o latifúndio há mais de 5 séculos, ao defender a concentração da terra e o “sagrado direito à propriedade” em detrimento Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS do direito à vida, como foi em Canudos, Corumbiara, Eldorado do Carajás... Em alguns lugares eu acompanhei, como Eldorado do Carajás. Nesse episódio a truculência prevaleceu sobre o diálogo. Idosos, mulheres, crianças e animais domésticos foram sumariamente agredidos, muitas pessoas presas e hospitalizadas. Bens pessoais, adquiridos com muito esforço, foram destruídos sem chance de serem recuperados. Bombas, cassetetes, balas, socos, pontapés e muita truculência foi o tratamento dispensado aos moradores do Pinheirinho, como se humanos não fossem, como se expulsassem seres alienígenas declaradamente inimigos. Sr. Presidente, o direito à terra, o direito a viver é sagrado. E esse direito não foi assegurado nem na hora do conflito. Por que toda aquela truculência? A resposta só pode ser uma: é o Estado agindo covardemente. A covardia é uma característica perversa que perdura naqueles que se resguardam hipocritamente no conceito democrático e no Estado de Direito, como se a dignidade e o respeito ao ser humano não fizessem também parte desses mesmos princípios. Há quase uma década essas famílias lutam pelo direito à moradia. Quase uma década de inércia do Governo tucano, que faz vistas grossas para o desespero humano, mas não se furta de acatar imediatamente uma decisão judicial que beneficia apenas o interesse particular – às vezes nem tão justa a decisão judicial –, como se aguardassem ansiosos para também se beneficiarem da massa falida do especulador Naji Nahas, haja vista a Prefeitura daquele Município nunca haver pedido a desapropriação da área para fins sociais diante da inadimplência com os impostos devidos e sequer cobrados. É bom lembrar que em São Bernardo do Campo aconteceu o caso do Jardim Falcão, e hoje o Prefeito Luiz Marinho negocia a venda, a desapropriação daquele terreno para reparar minimamente as vítimas daquele período. Esse tipo de situação não pode mais perdurar. Essa falta de respeito ao ser humano e essa afronta à dignidade das pessoas não podem ficar impunes. A Justiça não pode ser injusta. Não pode tratar como igual o que é diferente. E a diferença está exatamente no que representam, de um lado, um especulador e, do outro, milhares de famílias desassistidas pelo Estado. Jamais deveriam conceder a reintegração de posse sem que o Estado apresentasse uma alternativa para aquelas famílias. Sr. Presidente, esse caso já foi denunciado na OEA, para a vergonha daqueles que não tiveram o devido cuidado. E o que mais precisaria ser ainda objeto de denúncia? Terça-feira 7 00907 O bloqueio do pagamento do Bolsa Família, por exemplo, já que muitas famílias não podem comprovar endereço e não tiveram naquele clima como manter os filhos na escola? E sobre esse caso já há denúncias divulgadas pela imprensa. E mais, em artigo divulgado recentemente, o Dr. Jorge Luiz Souto Maior, Juiz do Trabalho, titular da 3ª Vara do Trabalho de Jundiaí e membro da Associação dos Juízes para a Democracia, faz a seguinte indagação: “A questão mais relevante que se apre‑ senta é: o que fazer? Solidarizar-se com os ex-moradores do Pinheirinho é importante, mas não basta. É preciso que a autoridade do ordenamento jurídico, visto de forma integral, seja imediatamente recobrada. Há urgência na prevenção e na reparação dos direitos, que fo‑ ram desrespeitados, dos, agora, ‘ex-moradores’ do Pinheirinho.” Se o Estado se mostrou eficiente para preservar o direito de propriedade, cumpre‑ -lhe, presentemente, demonstrar a mesma presteza para garantir a essas pessoas uma moradia digna e para reparar as agressões de que foram vítimas. Essa eficiência, aliás, seria necessariamente antecedente à reintegração manus militaris operada, mas deve, enfim, ser operada. Assim, em razão de sua inércia perante o problema e por terem, pela própria inação, induzido os moradores do Pinheirinho a acreditarem na viabilidade do assentamen‑ to, e por terem sido completamente incapazes de construir uma solução para o problema, jogando tudo nas mãos do Judiciário, devem ser responsabilizados o Município de São José dos Campos, o Estado de São Paulo e mes‑ mo” – embora não tendo responsabilidade –, “o Governo Federal” – cuja representação esteve lá e foi vítima, levando tiro de borracha no mo‑ mento do confronto –, “sendo que o Judiciário, nas ações judiciais que venham a ser movidas, deve, mostrando que sua eficácia não tem lado, conceder liminar para obrigar os entes men‑ cionados a pagarem indenização aos desalo‑ jados pelos danos pessoais experimentados, considerando a forma como foram tratados, assim como para determinar às esferas de poder competentes a construção imediata de casas com, no mínimo, o mesmo padrão que essas pessoas possuíam, com todos os seus utensílios, garantindo-lhes, enquanto a obra não for concluída, ajuda de custo para moradia e alimentação, sob pena de multa e demais 00908 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS consequências legais por desobediência à or‑ dem judicial, mobilizando, para fazer cumprir a decisão garantidora dos Direitos Humanos, se necessário, o mesmo aparato policial utili‑ zado na ação de reintegração de posse. E o terreno para tanto? Bom, cumpre aos entes públicos encontrá-lo.” São essas as palavras desse grande Juiz do Trabalho, que tem essa responsabilidade. Sr. Presidente, diante dessa situação, eu apresentei, na abertura dos trabalhos desta Casa, no último dia 2, o Requerimento nº 4.151, de 2012, pedindo a criação de uma Comissão Externa da Câmara dos Deputados para apurar esse caso. E tão logo retornem as atividades normais das Comissões, apresentarei requerimento nas Comissões de Direitos Humanos e do Trabalho para debatermos esse assunto. Conclamemos a favor de todos os pinheirinhos, Sr. Presidente. O direito à moradia é um direito que até os animais, como passarinhos, têm. Seres humanos não moram em qualquer lugar por gozação, não moram em qualquer lugar por brincadeira. Ali estavam homens, mulheres e crianças, seres humanos que apenas queriam e querem o direito de morar em paz, o direito de morar com dignidade. E esse direito foi interrompido por uma ação insensível, por uma ação truculenta do Governo Geraldo Alckmin, do Estado de São Paulo. Eu chamo a atenção dos Deputados do PSDB da Casa: peçam explicação ao Governo Geraldo Alckmin, porque esse caso não ficará resolvido enquanto seres humanos não tiverem um lugar digno para morar e para viver, enquanto não forem reparados os danos causados à vida deles e de seus filhos. Coloquemo-nos, Srs. Deputados, Sr. Presidente, para concluir, no lugar das crianças que assistiram àquela violência; coloquemo-nos no lugar daqueles idosos empurrados, chutados; coloquemo-nos no lugar dos pais de família que apenas querem o direito de viver. Manifesto aqui a minha solidariedade e espero que a Câmara dos Deputados e o Congresso Nacional sejam capazes de dar palpites, opinar e decidir sobre o direito à moradia tendo como referência o drama Pinheirinho. Sr. Presidente, peço a transcrição das referências da revista CartaCapital nos Anais da Casa. Obrigado. O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – V.Exa. será atendido. MATÉRIA A QUE SE REFERE O ORA‑ DOR Fevereiro de 2012 A LEGITIMIDADE EM XEQUE DIREITOS HUMANOS Após ações policiais violentas e sem respaldo humanitário ou social, o governo de São Paulo colhe os frutos: uma horda de desabrigados e uma vergonhosa denúncia à OEA Por Rodrigo Martins e Willian Vieira* A despeito das denúncias de violações aos direitos humanos colecionadas nos últimos meses, o governo paulista conseguiu conquistar ao menos um mérito indiscutível: em termos cênicos, especializou-se na produção de cortejos humanos. Primeiro foi a procissão de viciados na Cracolândia paulistana, despertada pela truculenta intervenção da Polícia Militar no fim de 2011. Os craqueiros ainda continuavam a vagar, sem abrigos que os recebessem, com policiais a escorraçá-los de um lado para o outro, quando um novo cortejo ganhou as ruas, novamente por obra da cúpula de segurança pública tucana, desta vez em São José dos Campos. Após decisão da Justiça estadual, o governo mandou a PM executar uma reintegração de posse de um terreno onde viviam, desde 2004, cerca de 6 mil pessoas, às sh30 do domingo 22 de janeiro. Elas não tinham para onde ir. Prefeitura, estado e União não haviam providenciado a solução. Foi sob um calor de 35 graus, então, que 800 desabrigados caminharam por uma hora pelos 2,7 quilômetros que separam a Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, próxima à ocupação, de onde haviam sido expulsos também, e a escola do Jardim Morumbi. Muitas pararam no caminho. Descobriram que não havia vagas. O impacto humanitário foi tamanho que um grupo de juristas brasileiros, encabeçado por Fábio Konder Comparato, cansados da “ausência de diálogo” com o governo de Geraldo Alckmin, publicou uma denúncia-manifesto direcionada à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), para denunciar o estado por desrespeito a leis supranacionais. “Há uma escalada de violência estatal em São Paulo que deve ser detida”, diz, em tom de urgência, o documento assinado por mais de cem profissionais do Direito. “Estudantes, dependentes químicos e agora uma população de 6 mil pessoas já sentiram o peso de um estado que se torna mais e mais um aparato repressivo, voltado para esmagar qualquer conduta que não se enquadre nos limites estreitos, desumanos e mesquinhos daquilo que as autoridades estaduais pensam ser ‘lei’ e ‘ordem’.” No jogo de acusações e omissões das três esferas de governo do País, não coube espaço às pessoas. Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS “Mas não existe soberania nacional que se imponha sobre a dignidade humana”, diz o jurista Fábio Konder Comparato, ao justificar a proposta de denunciar o caso aos organismos internacionais. “Seis mil habitantes foram enxotados de suas casas como animais vadios, isso é um fato consolidado.” Cabe recurso ao Supremo, mas as famílias já perderam suas casas, diz Comparato. Os governos foram omissos e o Judiciário portou-se mal, ao privilegiar o direito civil, patrimonial, em detrimento do direito à moradia e à dignidade humana, opinião compartilhada pelo desembargador Wálter Fanganiello Maierovitch, colunista de Cartacapital. O pior é que o silêncio diante da barbárie continua. “O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, tem a atribuição de apurar e denunciar graves violações aos direitos humanos. Mas não o fez.” “Só resta apelar para cortes internacionais, porque o Estado brasileiro, inclusive o Judiciário, já se posicionou sobre o conflito,tomando o partido da especulação imobiliária”, afirma o procurador paulista José Damião de Lima Trindade. “Tendo-se em conta a ideologia autoritária, elitista e leniente com a truculência policial que perpassa o governo estadual e a maioria do Poder Judiciário, só se produziria um resultado diverso caso houvesse maior mobilização social em sentido contrário. O movimento dos juristas ganhou o apoio de organizações civis, como a ONG Justiça Global, que encaminhou, no início da semana, um relatório sobre os abusos cometidos no Pinheirinho para a OEA e três relatorias das Nações Unidas. “O objetivo é aumentar a pressão para que o Estado brasileiro encontre uma solução adequada às famílias”, explica o advogado da entidade, Eduardo Baker. Não se trata de ingerência externa, avalia José Henrique Rodrigues Torre, presidente da Associação Juízes pela Democracia. “Não temos mais um sistema judiciário que se esgota internamente.” Recentemente, diz Torres, uma pesquisa revelou que apenas 3% dos magistrados brasileiros conhecem tratados internacionais de direitos humanos. “É uma grave deficiência, porque o Brasil é signatário de vários desses tratados e reconhece a legitimidade deles. A gleba ocupada poderia ter sido desapropriada por interesse social, explica Trindade, recurso garantido pela Constituição, para assegurar o direito à moradia dos 6 mil cidadãos em questão. Mesmo sem desapropriação, poderiam, antecipadamente, ser erguidas habitações populares para abrigar tamanho contingente humano e, então, deslocá-lo pacificamente, não mediante tiros e bombas na escuridão da noite. “Mas houve, por parte do estado, forte empenho em defender o direito de propriedade privada, enquanto faltou empenho suficiente do governo federal na defesa dos habitantes pobres do Pinheirinho.” Na ausência de Terça-feira 7 00909 quem assuma o ônus do que foi feito e do que deverá ser daquelas pessoas, a OEA surgiu como último foro de discussão. “Essa escalada de violência estatal só será detida se a indignação social se fizer presente com manifestações de repúdio a essa política de higienização social em curso. Em nota, a Secretaria de Direitos Humanos afirmou ter constatado violações graves no local, como a ausência de condições de higiene e saúde nos abrigos, superlotação nos alojamentos, negligência psicológica, falha na comunicação entre brigados. “Encontramos 1.040 crianças sem alimentação adequada, sem garantia de que começariam o ano letivo, vivendo entre animais e restos de pertences jogados no chão”, revela Ivana Farina, conselheira do conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH). Foi em 2006, quando foi anunciada a primeira decisão judicial de desintegração de posse da favela, que ela colocou os pés pela primeira vez no Pinheirinho. “Mas, por parte do poder público, seja municipal, estadual ou federal, nada de concreto foi feito em seis anos”, afirma a conselheira, ao visitar a área a frente do CDDPH em uma força-tarefa nacional para apurar o caso. Quatro abrigos provisórios foram vistoriados. “É uma situação absolutamente insalubre, um retrato da total ausência do poder público se confirmou. Após o caso do Pinheirinho, o governo de Alckmin negou qualquer excesso. Em uma nota bastante distante dos relatos de todos os que testemunharam a intervenção, a Secretaria de Segurança Pública afirmou que “a reintegração de posse, em São José dos Campos, foi pacífica. Não houve resistência.Os policiais militares empregaram munição não letal. Os moradores concordaram em sair pacificamente do local. Os raros casos de confronto ocorreram em bairros vizinhos, depois da desocupação”. Cenário levemente diverso do descrito por David Furtado, de 30 anos, baleado nas costas, enquanto fugia do tumulto em frente a um dos abrigos da prefeitura, por um guarda civil metropolitano. Ou de uma das tantas grávidas que viviam na ocupação em casas de alvenaria com marido, filhos e uma vida construída com trabalho e que tiverem de correr, escorraçadas por policiais, sob a mira de armas, sem poder levar nada dos pertences e agora vivem sob toldos de plástico na rua ou em ginásios improvisados, às vésperas do início do ano escolar.”Eles chegaram gritando que a gente devia sair, porque favelado não tinha vez ali”, diz Vanessa, de 25 anos, três meses de gestação começando a se projetar na barriga e um olhar de desamparo no rosto. “Não pude tirar nada. Nada.” Da televisão às roupas, dos sonhos à dignidade, ficou tudo enterrado sob o monte de escombros e lixo, habitado por vira-latas perdidos, em que se transformou o Pinheirinho. 00910 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS A situação não é nova. O próprio senador Aloysio Nunes Ferreira, ao sair em defesa do modus operandi peessedebista e do respeito “vital ao Estado de Direito”, em artigo no jornal Folha de S. Paulo, afirmou que, só em 2011, a PM efetuou 164 reintegrações de posse. E disse ainda que o governo estadual milagrosamente entregaria 5 mil casas aos pobres de São José dos Campos, quando, “nos últimos anos”, foram construídas apenas 2,5 mil. Esqueceu-se, porém, de dizer que o déficit habitacional no estado continua na casa do 1,2 milhão de moradias e que levaria quase 60 anos para zerá-lo, evitando novas tragédias como a do Pinheirinho. Se entre 2003 e 2006 o governo tucano entregou 79 mil casas (61,5% das unidades prometidas), entre 2007 e 2010 entregou 39% do que anunciou. Na proposta do plano plurianual 2012-2015, o gasto com habitação previsto diminuiu para 0,98%. Em 2004, era de 1,61%. Mas o que chocou o País foi a brutalidade com que 6 mil pessoas foram arrancadas do pedaço de terra onde viviam e despejadas em abrigos sem estrutura, a despeito das tentativas, ainda que lentas, por parte do poder público, de consertar a situação. A pergunta que não quer calar é: por que a pressa? “Bastava o governador levantar o braço, pegar o telefone e dizer ao presidente do Tribunal de Justiça que cumpriria a ordem, mas que entre suas atribuições, além de cumprir ordens judiciais, estava cuidar do bem-estar de 6 mil paulistas”, afirma Marcio sorelo Felippe, que foi procurador-geral do estado de São Paulo de 1995 a 2000, no governo de Mário Covas. Ele ironiza: “Covas, aliás, deve estar se remexendo no túmulo”. A própria juíza de São José dos Campos, Márcia Loureiro, ao comemorar o sucesso da empreitada, declarou que a PM se preparou durante quatro meses para a operação. “Alckmin deve uma resposta: o que ele fez durante esses quatro meses?” I númeras decisões judiciais, inclusive do TJ paulista, negaram pedidos de reintegração similares, quando pessoas sem moradia corriam o risco do desabrigo, diz Felippe. “Escapa de qualquer critério de razoabilidade. É uma anomalia jurídica.” Em reunião fechada à parte do Fórum Social Mundial, Dilma Rousseff classificou o caso como “barbárie”. Presente no encontro, o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, disse algo semelhante. “É uma questão de método que se utiliza quando há um problema. Ou você parte para o método democrático de ouvir e resolver no diálogo ou vai para o enfrentamento armado sem respeitar a dignidade daquelas pessoas”, afirmou. “Não há politização. O que há é a necessidade de denúncia de um método equivocado.” O PSDB saiu em defesa própria, com artigos na imprensa. Editoriais de jornais refletiram Fevereiro de 2012 opinião semelhante. Em ambos os casos, criticou-se a omissão do governo federal e duvidou do relato de um servidor federal que acabou ferido com um disparo de bala de borracha na operação. “Presente no local, sem explicar se na condição de ativista ou de servidor público, Paulo Maldos, militante petista instalado numa sinecura chamada Secretaria Nacional de Articulação Social, disse ter sido atingido por uma bala de borracha. Não fez BO nem autorizou exame de corpo de delito”, escreveu Aloysio Nunes Ferreira na Folha. À CartaCapital Maldos disse que estava em missão oficial e apresentou a identificação da Presidência aos policiais antes de ser alvejado na perna esquerda, pelas costas. foi ao local sem medo, já que havia uma liminar da Justiça federal suspendendo a reintegração. Houve, segundo Maldos, uma reunião no Planalto que decidiu: a secretaria-geral ficou a cargo de dialogar como prefeito Eduardo Cury e a secretária nacional de Habitação, Inês Magalhães, com as autoridades estaduais. Ele deveria conversar com as lideranças comunitárias. Foi só quando chegou ao Pinheirinho, às 9 horas, que soube da intervenção policial. “Já estava cercado, ninguém podia entrar. Tentei dialogar com os policiais, mas eles me enxotaram dali. Então começou aquela chuva de bombas de efeito moral e balas de borracha contra curiosos de um bairro vizinho, eu entre eles. Uma agressão absolutamente gratuita contra civis desarmados”, comenta. “Agora, acusam o governo federal de omissão. É mentira. Acompanhamos o caso desde 2004, mas não podemos impor uma solução. Podemos negociar, propor alternativas. Mas estamos falando do estado mais rico da Federação e de uma cidade que está entre os 20 municípios com maior PIB do Brasil. Declarações esparsas à parte, o governo e especialmente o PT não abraçaram a causa como, em tese, poderiam para bater forte no PSDB alckmista. Tanto que, após as críticas feitas por Gilberto Carvalho, o ministro da Justiça tratou de colocar panos quentes na tentativa de encerrar a discussão. “Não cabe ao governo federal estabelecer qualquer análise, qualquer referência em uma ação que é estritamente estadual”, declarou o ministro José Eduardo Cardozo. “A cautela do governo federal nesta história deve-se ao fato de que a instrumentalização política de situações desse tipo pode parecer oportunismo político, o que pega muito mal junto ao eleitorado”, analisa o cientista político e pesquisador da Fundação Getulio Vargas Cláudio Couto. O quase silêncio petista se explicaria por um cálculo político: defender uma bandeira de justiça social que se oponha ao mantra da segurança e da lei parece já não vencer disputa alguma onde o eleitorado Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS tenda para a direita, caso de muitas cidades em São Paulo e nitidamente o de São José dos Campos. Seja em seu Twitter ou no Facebook, o candidato do PT à prefeitura local, Carlinhos Almeida, ignorou o assunto. Em seu blog, limitou-se a reproduzir o que foi publicado na imprensa. O que é inegável, afirma Couto, é que o olhar que o governo do PSDB lança sobre essas populações em situação de risco é elitista, o que reflete o pensamento de boa parte do eleitorado paulista. “A justificativa é uma só: eles estão ali ilegalmente, logo, para restabelecer a lei e a ordem, terão de ser sacrificados, paciência”, ironiza. “Malgrado ainda se denomine socialdemocrata, o PSDB converteu-se no principal partido do grande capital e assimilou completamente a velha ideologia autoritária de considerar a questão social como um caso de polícia”, diz Trindade. Outros juristas concordam, adicionando o elemento eleitoral ao caldo ideológico por trás das ações. “É uma questão de oportunismo eleitoral, de tentativa de ganhar apoio político nos setores mais conservadores e atrasados da sociedade, traindo ideais progressistas”, afirma Felippe. “Para esses setores da sociedade, o som abafado da pancada dos cassetetes na carne é música. Pinheirinho não foi a primeira nem será a última comunidade a ser arrancada do mapa por uma decisão da Justiça que não se preocupe com ações sociais futuras. Levantamento preliminar feito pelo Ministério das Cidades mapeou200 ocupações de sem-teto análogas à de São José dos Campos no País. Fontes do governo dizem que o Planalto planeja criar um grupo de trabalho interministerial para antecipar os diagnósticos de áreas urbanas passíveis de conflito e propor uma estratégia de atuação. Há o temor, porém, de que espertalhões se aproveitem da situação para criar uma “indústria da desapropriação”, isto é, estimular ocupações sem-teto de áreas desvalorizadas para depois cobrar indenizações milionárias. “É preciso encontrar soluções conciliatórias que respeitem o direito à moradia e à dignidade humana”, afirma o deputado estadual Simão Pedro (PT), autor de um projeto de lei para “humanizar os despejos” em São Paulo. Ele propõe a criação de uma comissão especial para acompanhar o cumprimento dos mandados de reintegração de posse no estado. Seria uma boa notícia para as 700 famílias da Favela Savoy, uma das ocupações sob ameaça de despejo, em Carapicuíba, na Grande São Paulo. Eles aguardam a execução de uma ordem de reintegração de posse agendada para 6 de março. O prefeito Sérgio Ribeiro, do PT, garante ter encontrado uma “solução segura” para evitar a repetição do caos. Ele desapropriou o terreno a tempo. O detalhe é que a prefeitura Terça-feira 7 00911 não tem o dinheiro para pagar por ele. “Um perito judicial avaliou a área em 6,5 milhões de reais, é muito para uma cidade pobre como a nossa”, lamenta. Ribeiro afirma ter um projeto para construir 1.081 moradias no local com a ajuda dos governos estadual e federal. Boa vontade não falta. Falta apenas a certeza de que a Justiça não correrá para defender os interesses privados, mais uma vez, em detrimento dos direitos humanos de 700 famílias, evitando a produção de mais um triste cortejo de sem-teto pelas ruas. *Colaboraram Daniella Cambaúva e Murilo Machado O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Dando continuidade ao Grande Expediente, concedo a palavra ao Deputado Emanuel Fernandes, do PSDB de São Paulo. S.Exa. dispõe de até 25 minutos. O SR. EMANUEL FERNANDES (PSDB-SP. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, neste início da nova Sessão Legislativa, tenho a oportunidade e o privilégio de falar para a população do Brasil, em particular para a de São Paulo e de São José dos Campos. Hoje os jornais estampam, Sr. Presidente, o início da privatização de três grandes aeroportos brasileiros: o aeroporto de Brasília, o aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, e o aeroporto de Viracopos, em Campinas. Nove anos depois de assumir o poder, nove longos anos depois, o Governo, que tanto falou mal da privatização, finalmente começa a enfrentar o problema da necessidade de expansão da infraestrutura no Brasil. Ganharam as eleições em 2002 e ganharam novamente em 2006 e em 2010 demonizando a privatização. Quanta volta para chegar até aqui. Que “duplipensar” para chegar até aqui. Privatização era ruim. Será que eles vão usar no dicionário de “novilíngua” a expressão “inruim”, porque privatizar é bom? De minha parte, acho que antes tarde do que nunca. O Brasil precisa desenvolver sua infraestrutura. Um Governo que oferece esta educação que nós temos, que presta serviços de saúde, embora universalizados – o que poucos países do mundo têm –, do jeito que aí está, não tem recurso para investir em infraestrutura. É preciso cuidar dessa parte, fazer bem feito. É assim que se equalizam as pessoas, é assim que se socializam as oportunidades. Mas antes tarde do que nunca. Espero que seja um sucesso essa privatização. Mas as pessoas que se elegeram discursando contra a privatização vão adotar que discurso daqui para frente? Essa ginástica para justificar a diferença Discurso (pensamento) e Ação é uma amostra do tempo, das oportunidades e da energia que estamos perdendo 00912 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS devido ao diagnóstico errado e, consequentemente, à direção errada do atual grupo de dirigentes do Brasil. Quanto tempo, quanta energia, quantas oportunidades ainda teremos que gastar para acabarmos com essa mistificação em torno da privatização, da globalização e do funcionamento da economia? Parece que já foi engolido o sapo da privatização. O da globalização está indo mais ou menos. A economia mundial vem se globalizando, e cada vez mais rápido. E por que ela está se globalizando? Certamente há muito interesse dos países mais desenvolvidos e de seus grandes capitalistas em expandir a produção, o comércio, em melhorar a vida dos cidadãos, e também em ganhar dinheiro. Mas por que nós não confrontamos esses interesses? Porque os consumidores, do mundo inteiro, querem produtos cada vez melhores e mais baratos. O consumidor tem baixa propensão ao patriotismo e ao nacionalismo. O consumidor quer compartilhar a produtividade dos outros. Platão era grego, mas o mundo inteiro o lia, como lia Sócrates. Quem não ouve Lennon e McCartney? Quem não usa produtos fabricados em outros países, remédios novos para o diabetes? Isto é compartilhar a produtividade dos outros, e é muito bom. Viver em sociedade tem o lado chato da privação da liberdade que o homem tinha em seu estado natural. Cada um produzia para comer, caçava, pescava. É chato perder a liberdade. Em compensação, podemos desfrutar do trabalho e do conhecimento dos outros. A sociedade tem melhorado as condições de vida nos últimos tempos devido à crescente organização racional do trabalho, e tem-se o privilégio de desfrutar da produção, da produtividade e da inventividade alheias. Se do lado da produção é complexo se organizar e valorizar os vários fatores, do lado do consumo as necessidades humanas são cada vez mais satisfeitas. Aliás, na quase totalidade dos países os cidadãos preferem a economia de mercado à economia socialista, porque o lado consumidor do homem prepondera sobre seu lado produtor. O consumo, em seu sentido mais amplo (comer, beber, ler, divertir-se), é a característica comunitária mais global. Não existe patriotismo nisso. As pessoas querem satisfazer suas necessidades, e elas são motivadas por desejos. A gente trabalha porque quer consumir. Em princípio, a gente consome. Depois trabalha. Aliás, o trabalho foi inventado para satisfazer as necessidades de consumo, de consumo no seu sentido mais amplo. O consumidor é por natureza um cidadão do mundo. Ele quer desfrutar a produtividade alheia. Lembro-me, Senador Mauro Benevides, de quando eu vivia na pequena Américo de Campos, uma cidade de 4 mil habitantes onde as oportunidades Fevereiro de 2012 de interação eram muito pequenas devido à falta de infraestrutura. Não havia estradas. Só três ou quatro pessoas tinham telefone, daquele de disco. Não havia biblioteca, não havia televisão, não havia Internet, etc. E a escala era muito pequena. Tinha-se contato com muito pouca gente. Vivi lá até os 18 anos. Sou um caipira e tenho orgulho disso. Mas, como sou um caipira e vivi a experiência de mudar para uma grande cidade, posso testemunhar, por experiência própria, as delícias de poder compartilhar o produto, a produtividade e o conhecimento alheios. Mas não quero aqui me estender sobre esse assunto, que é a história da divisão racional do trabalho. Eu o farei numa outra oportunidade. O que quero dizer aqui é que a globalização veio para ficar porque ela é um desejo dos consumidores do mundo inteiro. Quanto mais gente existe para compartilhar produtividade, mais haverá necessidades humanas satisfeitas. Quanto mais gente estiver produzindo, mais oportunidades haverá de desfrutar dessa produtividade. Não se trata, portanto, de ser a favor ou contra a globalização. Ela está havendo e haverá. Quanto tempo, quanta oportunidade e quanta energia não gastamos na mistificação da globalização! Ela está sendo construída, e a médio prazo haverá uma divisão do trabalho em escala global, queiram os povos ou não. Porque os consumidores querem essa globalização. É melhor para eles. Assim eles desfrutam da produtividade alheia. Ela virá. Os meios de comunicação e os meios de transporte a propiciam. Dos grandes países em desenvolvimento, a China e a Índia saíram na frente. O Brasil ainda está “nas aulinhas de inglês” – parafraseio as palavras de um poeta de Brasília. Quanta perda de tempo devido a uma elite com a cabeça do século XIX! Nós brasileiros que vivemos na entrada do terceiro milênio estamos urbanizando o Brasil. Coube a nós fazer essa transição do rural para urbano. Lá atrás, nossos bisavós e avós interiorizaram. Ainda existe gente interiorizando, mas o grosso da interiorização aconteceu no passado. As atuais gerações estão se mudando para as cidades. Mas mal acabamos de nos “mudar” para a cidades, e já estamos tendo de nos “mudar” para o mundo. Digo “mudar”, obviamente, em sentido figurado. Estamos é tendo que compartilhar as coisas do mundo. Quem tentar ser autárquico acabará parecido com a Albânia. Quando a Albânia se abriu, o máximo que produzia era galinha. Aquela foi uma experiência socialista e autárquica muito malsucedida. Até o atual grupo dirigente do Brasil acertar contas com a sua ideologia antiglobalização, ficaremos nesta semiautarquia, perdendo oportunidade melhor nesta Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS partilha global do trabalho. Corremos o sério risco de ser, no futuro mundo globalizado, uma das haciendas do mundo, um fornecedor de commodities. Outro aspecto em que percebo uma leve reorientação do atual grupo dirigente é o do papel do espírito empreendedor no desenvolvimento econômico. Digo “leve reorientação” porque o núcleo desse grupo dirigente tem que ter muito cuidado ao avisar a todos os passageiros do trem socialista que eles não estão mais indo rumo à estação Finlândia, e sim rumo à grande Estação Central de Nova Iorque. O Governo fala hoje, muito levemente, em espírito empreendedor, sociedade-oportunidades, em valorização do empreendedorismo. Quanto tempo, quantas oportunidades e quanta energia ainda teremos que gastar para este grupo terminar o século XIX e, depois, o século XX? Já é algum começo ouvir membros do Governo falar em país de oportunidades e espírito empreendedor. O caminho é por aí se quisermos partilhar o melhor da produtividade de todos. O grande problema é que os milhares de militantes acreditam e atuam no sentido contrário do espírito empreendedor e da sociedade de oportunidades. E eles acreditam e atuam nesse sentido contrário porque até nas últimas eleições o discurso era contrário: “Olha, precisamos de um bom Governo para governar a sociedade. Esse negócio de espírito em‑ preendedor é coisa do capitalismo, do neoliberalismo”. Seria “duplipensar” demais. Além disso, despertar o espírito empreendedor e valorizar a sociedade de oportunidades devem ser princípios da sociedade e não ações de governo. Eles fazem parte de um conjunto, digamos, ideológico, que deve ser apresentado via programas eleitorais, para, daí sim, gerarem ações de governo. Quando o atual Governo ganhou, ele passou uma mensagem clara: “Vamos eliminar os responsáveis pelo seu in‑ sucesso, ou seja, os tucanos privatistas. Nós iremos levá-los ao sucesso”. Essa mensagem tem um forte viés antiempreendedor, afinal, bastava eliminar o responsável pelo insucesso do Brasil e apresentar a nova “Salvadora da Pátria”. O Sr. Mauro Benevides – V.Exa. me permita um aparte, nobre Deputado? O SR. EMANUEL FERNANDES – Por favor. O Sr. Mauro Benevides – Desejo primeiro saudar a presença de V.Exa. na tribuna depois da ausência de que esta Casa se ressentiu. V.Exa. cumpria uma missão relevante no Governo do seu Estado, na condição de Secretário, e o fazia com o brilho e a competência habituais, já demonstrados na passada Legislatura. A Casa acompanha o discurso com que V.Exa. examina a fase de privatização ao tempo do Governo FHC e a privatização que se inicia neste Governo, de três ae- Terça-feira 7 00913 roportos brasileiros, privatizados na manhã de hoje, numa licitação. É um tema realmente polêmico o que V.Exa. traz à discussão neste momento mostrando que ao tempo da gestão passada esse procedimento representou algo de significativo para o País. Cumprimento V.Exa. pela abordagem de alto nível e, sobretudo, pela sua presença, que espero seja constante, como sempre foi, na tribuna e neste plenário, com manifestações que engrandecem os fatos historiográficos do Congresso brasileiro. O SR. EMANUEL FERNANDES – Muito obrigado, Deputado Mauro Benevides. O espírito empreendedor e sua irmã siamesa, a sociedade de oportunidades, aliados à construção de conhecimentos, cultura, know-how, tecnologias apropriadas (em resumo, educação), são os fundamentos para o desenvolvimento do Brasil e dos brasileiros. Se hoje o governo privatiza três importantes aeroportos, Guarulhos, Viracopos e Brasília – o que é bom sinal –, hoje também é uma data para lembrarmos o tempo perdido por motivações ideológicas e eleitoreiras. Para quem está na vida pública procurando ajudar a desenvolver nosso País, é angustiante essa perda de tempo, essa perda de oportunidades, esse gasto inútil de energia. É duro esperar o PT atravessar o longo século XIX. De minha parte, continuo a insistir em minha crença sobre a potencialidade das pessoas e em minha batalha contra a tutela castradora dos “bacanas” – entre aspas – das elites. Em primeiro lugar, creio na capacidade de protagonismo dos brasileiros. Por isso, reafirmo: 1) Toda criança deve sonhar e nenhum adulto deve castrar o seu sonho; 2) Se um jovem não quiser perseguir o seu sonho, esse é um problema dele, pois ele é livre. Porém, se um jovem quiser perseguir o seu sonho, esse é um problema nosso; 3) Se um adulto não quiser realizar o seu sonho, esse é um problema dele. Mas se ele quiser realizá-lo, esse tem de ser um problema nosso; 4) Se um idoso não quiser celebrar os seus sonhos realizados, esse é um problema dele. Mas se ele quiser celebrá-los, esse é um problema nosso. Em segundo lugar, creio na capacidade de aprendizagem e discernimento dos brasileiros. Devemos deixar os brasileiros decidirem, e para isso devemos dar o máximo de informações a cada brasileiro, e não tutelá-lo. 00914 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Sr. Presidente, eu gostaria de aproveitar esta oportunidade para tecer alguns comentários a respeito do que foi dito aqui sobre o Pinheirinho. Sou de São José dos Campos. Fui Prefeito lá por 8 anos, de 1997 a 2004. E, como foi dito aqui, é o pessoal do PSDB que governa lá. As considerações que aqui faço servem a que as pessoas saibam como se iniciou o Pinheirinho. Dúvida um: o Pinheirinho está lá há muito tempo? Ele foi formado assim, colocando-se uma casa aqui, outra ali, e o poder público não viu? O poder público não olha o que ocorre? Dúvida dois: o atual Pinheirinho surgiu quando algumas pessoas que estavam morando em favela e em beira de rio resolveram instalar-se numa gleba de terra e lá construir suas casas? A resposta para ambas as dúvidas é “não”. Eu era o Prefeito à época e posso dizer como começou o Pinheirinho. Ou melhor, o Pinheirinho começou um pouco antes. Eu herdei – aliás, do Governo do PT, que governava antes – uma cidade com muita gente morando em favelas, em encostas de morro, em beiras de córrego, correndo risco de vida. Muita gente morreu. Então convenci a sociedade joseense a fazermos um grande esforço para remover aquelas pessoas. Elas viviam ali por falta de casa. Havia um processo de urbanização acelerada no Brasil, é verdade, mas também não se construiu naquele tempo quase nenhuma casa. E convenci aqueles irmãos que moravam com seus parentes em edículas, em sub-habitações, em favelas, a esperar a construção de casas. Como Prefeito, eu iria garantir que ninguém passaria na frente delas. O que foi feito então? Na entrada de cada favela, para tornar público aquele ato, foi feito um desenho, uma espécie de planta da favela, com números e a indicação de quantas pessoas moravam ali. Isso foi feito para que as pessoas que estavam esperando na fila, morando com parentes – muitas vezes, três ou quatro famílias numa mesma casa –, pudessem sair da favela. Esse processo foi feito ano após ano, com muito recurso municipal. Tirou-se uma favela, tirou-se outra, tirou-se outra. Lembro-me de que 6 meses depois de tirarmos uma favela caiu na área um grande barranco. Não morreu ninguém porque todos já tinham saído. Pois bem. Quando eu estava no final do Governo, no ano eleitoral de 2004, de um lado da cidade estávamos construindo um conjunto residencial para as pessoas que moravam nas favelas daquela região, e do outro lado da cidade, outro conjunto residencial, para as pessoas daquela área. Por briga política, por interferência parti- Fevereiro de 2012 dária, na zona leste de São José, um grupo começou a brigar, com alguns assessores de gente do PT, e a dizer que não iria para as casas que o Prefeito estava construindo, que iria ficar lá no barranco. Há uma discussão até hoje. Mas disseram que iriam ficar lá, numa área imprópria. E estávamos construindo as casas. Do outro lado da cidade, outro grupo de pessoas, que originaram o Pinheirinho, esperava, como os outros, que acabassem as favelas, que corresse a fila de quem estava na demanda geral. Esse grupo passa a seguinte mensagem – obviamente houve orquestração de grupos políticos radicais – para as pessoas que estavam na fila dessa região sul, onde se originou o Pinheirinho: “O Prefeito está fazendo casas” – na zona leste, mas isso eles não diziam – “para as pessoas das favelas, mas essas pessoas não querem se mudar para lá. Já que elas não querem, vamos entrar nessas ca‑ sas”. Era um conjunto de aproximadamente 150 casas. Na noite de 31 de dezembro de 2003, invadiram as casas que a Prefeitura estava construindo para as pessoas que moravam em favelas da zona sul. Houve uma invasão de gente que não queria... Queriam as casas, obviamente. Todo mundo estava esperando. Mas as casas eram para quem morava em favela. Eu não estava na cidade. Era véspera de Ano Novo. Corri para lá e fui tentar segurar aquilo: “Gente, nós fizemos um trato aqui. Era para todo mundo espe‑ rar, e ninguém passaria na frente do outro. Ninguém iria invadir mais, e nós eliminaríamos o que já existia de invasão. Todos devem esperar a fila andar”. O drama nisso foi que a cidade acompanhou tudo pari passu. Houve uma briga enorme na Justiça. Eles saíram das casas que estavam sendo construídas? Sim, saíram. Para onde foram? Para um terreno, nesse mesmo bairro, chamado Campo dos Alemães. Passaram grupos radicais jogando bambu, com o claro propósito de municiar algumas pessoas para enfrentar a Guarda. A Guarda foi lá e procurou dialogar. Isso não aconteceu no Pinheirinho, não. As pessoas tinham saído das casas e ido para um terreno da Prefeitura, para uma praça. A Guarda foi lá tentar negociar, e de repente é dado um tiro para cima, porque um guarda havia tomado uma bambuzada, se não me engano no rosto. Quebrou um braço... Outros guardas ficaram feridos. Eu temi tentar segurar aquela ocupação inicial, pequena, e levei o caso à Justiça. Não queria que houvesse um confronto nessas circunstâncias. Batalhamos na Justiça, desde o primeiro dia, desde a primeira semana, desde o primeiro mês. Tentávamos explicar que não podíamos passá-los na frente dos outros porque todos estavam esperando. Se eles fossem atendidos, todos os que estavam esperando na fila iriam, com razão, invadir alguma área. E com Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS isso não haveria mais fila nenhuma. Em vez de um Pinheirinho, haveria 10, 20, 30 Pinheirinhos. E não houve sabem por quê? Porque a população confiou que uma hora a Justiça acabaria resolvendo isso. Essa é a origem do Pinheirinho. Tentou-se segurar, sim, até o ponto possível, antes que houvesse uma violência muito grande. O Pinheirinho surgiu porque um grupo, que também estava na fila, esperando o término da construção de casas para as pessoas que moravam em favela, esperando que rodasse a fila da demanda geral, invadiu um conjunto habitacional que estava quase pronto, destinado a atender pessoas que moravam em favelas em São José. É lamentável que tenha decorrido tanto tempo. É lamentável que tenha sido este o desfecho. Mas querer culpar o Governador Geraldo Alckmin pelo que aconteceu é, no mínimo, uma injustiça. Quem conhece o Governador como eu conheço sabe do seu humanismo e do seu esforço em negociar. Durante o discurso do Sr. Emanuel Fer‑ nandes, assumem sucessivamente a Presi‑ dência os Srs. Mauro Benevides, § 2° do art. 18 do Regimento Interno, e Luiz Couto, § 2° do art. 18 do Regimento Interno. O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Está encerrada a lista de oradores inscritos para o Grande Expediente. Passaremos a palavra aos Deputados para breves comunicações e, posteriormente, para Comunicações Parlamentares. Com a palavra, pela ordem, o Deputado Francisco Araújo. O SR. FRANCISCO ARAÚJO (PSD-RR. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Deputados presentes, quero agradecer a Deus. É o primeiro discurso que faço aqui este ano. Que Deus nos ilumine a todos. Que este ano seja promissor. Inicialmente, Sr. Presidente, quero dizer da importância da TV Câmara. Estive recentemente em Tocantins, em Arapoema. Aproveito para mandar um abraço ao povo que nos assiste agora, ao Zezinho do bar, ao Josimar, ao pessoal que está sempre ligado na TV Câmara. É muito importante saber que somos vistos nesses rincões afora. Fica um abraço a todo esse pessoal, em nome dos Deputados, à comunidade de Arapoema, ao Prefeito Tazinho. Mas o que me traz aqui, Sr. Presidente, são duas coisas que me preocupam. A primeira é a greve dos policiais militares na Bahia. Quero externar meu apoio a esses guerreiros e pedir ao Governador Jaques Wagner que atenda o pleito dos policiais, uma reivindicação justa. Chamo também a atenção da Presidente Dilma Terça-feira 7 00915 Rousseff para o fato de que o que está acontecendo na Bahia vai acontecer nos demais Estados brasileiros. Tendo isso em vista, faço um apelo ao Presidente Marco Maia, para que coloque logo em votação a PEC 300, de 2008. Se ela já tivesse sido votada nesta Casa, não estaria acontecendo a greve dos policiais na Bahia. Este apelo eu estendo a todos, para que esta Casa de leis faça justiça aos milhares de policiais civis e militares e de bombeiros militares que aguardam ansiosamente a votação da PEC 300. Em segundo lugar, aproveito para falar sobre um tema de grande importância para todos as Unidades da Federação, um tema que passa despercebido por muita gente: a dívida dos Estados com a União. A Lei nº 9.496, de 1997, em seuart. 3º, salvo engano, utiliza a Tabela Price para os contratos, aliás, para a dívida que União e Estados firmaram. Mas a Tabela Price é inconstitucional, até porque o próprio STF, na Súmula nº 121, proibiu o anatocismo, a cobrança de juros sobre juros. Destaco aqui o trabalho brilhante de um auditor fiscal do Rio Grande do Sul, João Pedro Casarotto, denominado A Dívida dos Estados com a União. Amanhã mesmo participarei, em Brasília, de seminário da FEBRAFITE, ao qual estarão presentes representantes das unidades federadas para discutir a dívida dos Estados. Os Governadores podem rever o contrato que firmaram após a edição da Lei nº 9.496, de 1997, esse contrato leonino que colocou em situação de miséria os Estados, que praticamente já pagaram sua dívida, mas ainda estão devendo muito. Tenho certeza de que essa lei foi aprovada na época do Governo Fernando Henrique Cardoso. Não sei como foi aprovada uma lei dessas, uma lei que coloca os Estados em situação de miséria. Apelo para Presidenta Dilma Rousseff, que vem fazendo um excelente trabalho, uma pessoa sensata, a fim de que ela proponha de imediato a revisão dessa lei e assim garanta a sustentabilidade dos Estados. O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Concedo a palavra ao nobre Deputado Simão Sessim, para uma Comunicação de Liderança, pelo PP. S.Exa. dispõe de até 5 minutos. O SR. SIMÃO SESSIM (PP-RJ. Como Líder. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o Carnaval 2012 está para acontecer nos próximos dias, e, como faço todos os anos nesta tribuna, volto a reiterar os meus votos de um feliz desfile, na passarela da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, à minha escola de samba do coração, a Beija-Flor de Nilópolis. A agremiação de Nilópolis, cidade que tenho a honra de representar nesta Casa do Povo, vai fazer 00916 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS uma justa homenagem ao povo maranhense, que festeja neste ano o 4º centenário de fundação da cidade de São Luís, sua Capital, também Patrimônio Cultural da Humanidade. Não tenho dúvida, Sr. Presidente, de que a Beija-Flor vai mexer com o imaginário, com o sentimento, com a sensibilidade e com o orgulho de um povo que merece todo o reconhecimento de seus irmãos brasileiros, pela sua história, por suas tradições culturais e por tudo mais que tem feito até agora para transformar a Capital maranhense em uma cidade sustentável e preparada para o futuro promissor que a espera. São Luís – O poema encantado do Maranhão, enredo idealizado pelos carnavalescos André Cezari, Fran Sérgio, Laíla, Ubiratan Silva, Vítor Santos e Bianca Behrends, vai ecoar nos quatro cantos do mundo, mostrando um enredo recheado de manifestações culturais, do bumba meu boi ao sacolejo da cacuriá, passando pelo ritmo do tambor de crioula, das quadrilhas juninas e do mais jamaicano de todos os reggaes. Será, sem dúvida alguma, mais um espetáculo de rara beleza, exibindo nas cores vivas das fantasias e na suntuosidade dos carros alegóricos da Beija-Flor a influência nativa, com sotaque português, francês e africano, do maranhense, que resultou em uma diversidade intrínseca aos seus costumes, na forma de ritmos e sabores que tanto nos encantam e nos seduzem. São Luiz – O Poema Encantado do Maranhão será uma viagem inesquecível na passarela do Sambódromo de volta ao passado, um passeio memorável pela cidade localizada abaixo da Linha do Equador, conhecida por suas lendas, músicas, grandes escritores, poetas e também como a nossa “Atenas Brasileira”. É a proposta da família Beija-Flor, na pessoa de seu Presidente de Honra, Aniz Abraão David, e de seu Presidente Administrativo, Nelsinho David, que aposta na garra da nação azul e branca para levar alegria, conforto e felicidade a quem necessita de carinho, apoio e solidariedade. É a festa do povo, que congrega sonhos e fantasias, com um enredo de determinação e glórias. Muito obrigado, Sr. Presidente. Até à vitória da nossa querida Beija-Flor de Nilópolis! O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – V.Exa., que é também um grande representante daquela região, Nilópolis, e sócio honorário do nosso Vasco da Gama, com certeza estará brilhante naquela manifestação cultural que trata da cultura do Maranhão. O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Vamos retomar agora as breves comunicações. Tem a palavra o Deputado Bohn Gass, do PT do Rio Grande do Sul. S.Exa. dispõe de até 3 minutos. Fevereiro de 2012 O SR. BOHN GASS (PT-RS. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. �������������������������������� Presidente, Sras. e Srs. Deputados e aqueles que nos acompanham pela TV Câmara, o Brasil está, mais um ano, numa situação, eu diria, muito positiva, muito privilegiada, do ponto de vista das outras nações do mundo. Enquanto nós vemos várias nações ricas em dificuldade, pelo seu modelo de gestão e administração e pelo próprio modelo de capitalismo, sucumbindo, tirando direitos dos trabalhadores, dificultando a vida dos trabalhadores, nós, felizmente, vemos o Brasil se afirmando como a sexta economia do mundo, portanto galgando graus importantes na parte econômica. Os outros vêm para o Brasil para conhecerem os nossos programas sociais, os programas de crescimento com distribuição de renda, os investimentos públicos, os programas que ajudam a população brasileira a ter melhores condições de vida, maior poder aquisitivo. Com isso, foi possível diminuir essa enorme e histórica distância que nós tínhamos no Brasil entre ricos e pobres. Com certeza, nós temos enormes desafios a debater nesta Casa, neste ano. Mas eu quero aqui, neste dia, colegas Deputados, principalmente os do Partido dos Trabalhadores, que é a maior bancada desta Casa, fazer nestes poucos minutos um destaque. No ano de 2011, nós tivemos como Líder da bancada do PT o companheiro Paulo Teixeira, que fez um trabalho exemplar de construção de unidade do nosso partido, o que resultou em uma vigorosa sustentação dos programas do Governo da Presidenta Dilma. Aprovamos aqui uma política salarial, uma política para a micro e pequena empresa, uma política para a agricultura, uma política para o setor de geração e emprego, de ciência e tecnologia, de avanços na área da educação, do PRONATEC, enfim, um conjunto de programas que nós votamos aqui. Foi necessária a postura articulada e qualificada da bancada do PT, sob a condução do nosso Líder Paulo Teixeira. Eu quero fazer esse destaque porque é importante. Eu já fui Líder da bancada estadual do PT, no Rio Grande do Sul, como Deputado Estadual. Eu sei da importância da unidade partidária, da distribuição de tarefas, da expressão de pluralidade do nosso partido, da sustentação política que demos ao Governo da Presidenta Dilma. Quero destacar a capacidade do Líder Paulo Teixeira de dialogar com as outras bancadas e de colocar numa condição positiva a nossa bancada. Nós estaremos, nos próximos dias, elegendo os novos Líderes da nossa bancada. Com certeza, eles darão continuidade a este modelo de capacitação, de unificação e de afirmação das nossas bandeiras históricas, bandeiras que nós precisamos. Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Em um ano de trabalho, eu tive o prazer de conviver com o Deputado Paulo Teixeira. Tenho certeza de que todos os meus colegas podem fazer essa afirmação e dizer que o nosso partido, o PT, se sente orgulhoso de ter na pessoa de Paulo Teixeira uma liderança que nos orientou e ao mesmo tempo prepara a nossa bancada para os desafios que estão postos este ano. Nós, com certeza, teremos a votação da PEC do Trabalho Escravo, que queremos concluir; a votação das 40 horas; a votação do projeto da reforma tributária, da reforma política, que tanto o nosso partido se empenha para termos no Brasil. Ou seja, temos que avançar em várias áreas. A nossa bancada está disposta, está presente. Sob a vigorosa condução do Líder Paulo Teixeira, o nosso partido galgou importantes posições políticas. Por último, a nossa bancada também está muito ligada nas pastorais, nos movimentos populares, nos movimentos ambientalistas, nos movimentos comunitários, nos movimentos sindicais, para que possamos ter este Parlamento como a expressão dos anseios da comunidade, para que possamos levar essas reivindicações aos Governos e, fundamentalmente, sustentar conjuntamente as políticas positivas que o Governo da Presidenta Dilma vem implantando em nosso País. Portanto, damos continuidade a esse grande projeto de afirmação do nosso partido. Um grande abraço, Paulo Teixeira, pela exemplar condução da nossa bancada! Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Quero fazer minhas, Deputado Bohn Gass, as suas palavras sobre a postura, como Líder do nosso partido, do Deputado Paulo Teixeira, um homem que trabalhou pela unidade da nossa bancada e também pela formação do debate permanente. V.Exa. traz essa homenagem, que, com certeza, é a homenagem de todos os Parlamentares petistas desta Casa, reconhecendo que Paulo Teixeira exerceu, na sua plenitude, a função de um líder, que é de agregar, de congregar, de fazer com que as pessoas trabalhem com prazer, com dedicação. Nesse sentido, quero me associar ao seu pronunciamento. PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR Sr. Presidente, caros colegas, caras colegas, uso este espaço, hoje, para um prosaico agradecimento. Quero aqui, agradecer ao meu Líder, Deputado Paulo Teixeira, que durante todo o ano de 2011 foi, para mim, um modelo de retidão, firmeza e vocação para o diálogo. Terça-feira 7 00917 Faço questão de registrar, aqui neste plenário, meu reconhecimento a este grande Líder partidário, que conduziu com sabedoria a maior bancada desta Câmara Federal, sem se afastar do principal que foi garantir ao Governo Federal as condições para seguir mudando o Brasil com crescimento e inclusão social. Algumas votações, como a política de reajuste do salário mínimo, e os programas sociais, como o PRONATEC, o Brasil Sem Miséria, o Brasil Maior e, ainda, o da Comissão da Verdade, foram exemplos da condução segura e democrática do Deputado Paulo Teixeira. Para quem, como eu, viveu o primeiro ano de Câmara dos Deputados, foi fundamental contar com um líder que, mesmo nos momentos mais complicados, soube manter a unidade da bancada sem romper com nenhum dos compromissos históricos do partido. No Rio Grande do Sul, liderei uma bancada de dez deputados estaduais. Sei, portanto, que esta é uma função que exige grandes doses de tolerância e enorme capacidade de diálogo. E tenho a convicção de que mesmo os Deputados de oposição reconhecem estas qualidades em Paulo Teixeira. Agora, em 2012, teremos grandes desafios: nós, do PT, queremos a redução da jornada de trabalho para 40 horas, queremos as reformas política e tributária. E, mais do que nunca, as figuras das lideranças serão fundamentais para que o Brasil alcance estas conquistas. E nossa bancada, tenho certeza, com as novas lideranças que estamos elegendo, continuará apoiando incondicionalmente o Governo Dilma, não apenas porque se trata de uma presidenta do nosso partido, mas porque temos a convicção de que o projeto que ela vem conduzindo é o melhor para o Brasil e para os brasileiros. O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Com a palavra o Deputado Amauri Teixeira, do PT da Bahia. S.Exa. dispõe de até 3 minutos. O SR. AMAURI TEIXEIRA (PT-BA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, eu também quero me somar ao Deputado Bohn Gass e a V.Exa. nessa manifestação. Não interessa quem vamos escolher como novo Líder do PT, o que interessa é que essa Liderança tenha a mesma prática democrática, aberta, descentralizadora do Deputado Paulo Teixeira. Paulinho inaugurou uma prática na bancada que nós achamos que tem de continuar, para que haja consolidação definitiva. É esse o compromisso que queremos do novo Líder, mesmo que, eventualmente, tenhamos opções diferentes. Os que se encontram aqui, parece-me, terão a mesma opção de Liderança, 00918 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS mas estão preocupados, fundamentalmente, com a continuação dessa prática de liderança democrática, transparente, aberta, descentralizadora. Sr. Presidente, eu aproveito este período de breves comunicações, que é curto, para prestar conta de algumas de nossas ações neste ano. Apresentamos à Mesa o Requerimento de Indicação nº 2.459, de 2012, que sugere a criação da Universidade Federal de Educação Indígena nos Estados da Bahia e do Amazonas. Queremos a preservação da cultura indígena, do conhecimento indígena, e sua valorização, o que é importante. Por isso nós estamos sugerindo a criação da universidade nesses dois Estados – evidentemente, pode haver outras – e, por sugestão de liderança específica do Alto Xingu, a criação da Universidade dos Povos Indígenas. Também estamos aqui, meu caro Deputado Chico Alencar, que já dialogou conosco, por telefone, sobre a greve dos PMs na Bahia, para informar que apresentamos requerimento de indicação à Ministra da Cultura, à querida Ana de Hollanda, solicitando a criação da FUNARTE em nosso Estado. Não é possível que os órgãos de cultura fiquem centralizados apenas no Rio de Janeiro e em São Paulo. A Bahia é importante polo cultural. Espero que seja criada essa fundação, para difundir e descentralizar a cultura, meu caro Deputado Osmar Terra. para a cultura sair do umbigo do Rio de Janeiro, precisamos da FUNARTE em outros Estados. Estou indicando a criação de um escritório da FUNARTE na Bahia. O Ministério da Cultura já começou a descentralizar, criou um escritório na Bahia – por isso quero parabenizá-lo –, mas isso não é suficiente para difundir a política de cultura. Sr. Presidente, fiz uma série de requerimentos, mas quero falar de mais um, direcionado especificamente ao Ministro da Justiça. Falo de requerimento de informação sobre a desastrosa ação da Polícia Federal na Bahia em relação aos índios tupinambás, agredindo e desrespeitando a liderança indígena daquela tribo. Também estou apresentando requerimento ao Ministro Afonso Florence para a construção de casas rurais. O programa Minha Casa, Minha Vida é importante? É, na cidade. Eu visitei uma série de comunidades, como Barrocão de Cima, Barrocão de Baixo, Cafelândia, fazendo um U lá em Jacobina, do Jenipapo da Lambança a Cachoeira dos Alves, e fiquei espantado com as condições de moradia rural. Ainda há choupanas completamente sem condições de habitação. Por isso estou pedindo a construção de habitações rurais, principalmente em comunidades quilombolas e de remanescentes de quilombos. Fevereiro de 2012 Quero, mais uma vez, reafirmar minha tristeza pela morte dos nossos amigos Duvanier Paiva e Marcos Jacobina. Duvanier faleceu durante o recesso parlamentar. Era um dos interlocutores da política com os servidores públicos. Lamentamos sua trágica morte. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Deputado Amauri Teixeira, convido V.Exa. a assumir a Presidência, uma vez que tenho que me retirar para a posse do paraibano Aguinaldo Ribeiro no Ministério das Cidades. O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Concedo a palavra ao Deputado Décio Lima. S.Exa. dispõe de 5 minutos. O SR. DÉCIO LIMA (PT-SC. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, agradeço a deferência e o carinho do Líder Chico Alencar. Trago, nesta tarde, registro dos números e dos fatos que marcaram, no meu entender, positivamente, o ano passado no Congresso Nacional. Em perfeita sintonia com este novo Brasil inaugurado pelo Presidente Lula, os números são realmente extraordinários, numa agenda que conduz o Brasil a uma situação histórica nunca registrada nos 512 anos de seu descobrimento, que vamos comemorar no dia 21 de abril, com desenvolvimento sustentável, levando o País a um novo paradigma. Quero também dizer da alegria de ver os colegas Deputados. No ano passado, tive o orgulho e a honra de, juntamente com meus colegas, ter sido liderado pelo querido Deputado Paulo Teixeira, um dos protagonistas da agenda positiva desta Casa, juntamente com a base aliada do Governo da Presidenta Dilma Rousseff, que compõe o sucesso desses resultados. No momento em que este Poder Legislativo iniciou seus trabalhos, a mensagem de S.Exa. a Presidenta da República revelou o entusiasmo inegável com o Brasil, na medida em que os números são incontestáveis, sobretudo porque o País, pela vez primeira, pode vir a ser a quinta economia do planeta, tendo, neste momento, a possibilidade de realizar uma nova fase para servir de espelho para a humanidade, crescendo, dividindo riquezas e preocupações com o planeta no tocante aos problemas ambientais. Portanto, solicito de V.Exa. que receba este pequeno relato que traz os números efetivados pela Câmara dos Deputados sob a Presidência do nosso querido Deputado Marco Maia. Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Volto a registrar nossa alegria, nosso contentamento com a grande liderança que teve nosso partido. E nós depositamos a confiança e este extraordinário resultado ao Deputado Paulo Teixeira. Obrigado, Deputado Paulo Teixeira. V.Exa. marcou presença na bancada do Partido dos Trabalhadores na Câmara dos Deputados. PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR Sr. Presidente, Srs. Deputados, Sras. Deputadas, retomamos, na quinta-feira passada, dia 2 de fevereiro, os trabalhos na Câmara dos Deputados. Uma Sessão Solene do Congresso Nacional marcou a abertura dos trabalhos da 2ª Sessão Legislativa da 54ª Legislatura. Antes de iniciarmos efetivamente as atividades do ano de 2012, gostaria de fazer uma retrospectiva do trabalho realizado no ano passado na Câmara dos Deputados. Em 2011 fechamos o ano com 370 sessões realizadas, entre sessões preparatórias, ordinárias deliberativas e não deliberativas, para debates e trabalho de Comissões, extraordinárias deliberativas, sessões solenes e Comissões Gerais. Essas sessões resultaram na aprovação de 463 matérias, das 464 proposições apreciadas pelo Plenário. Portanto, apenas uma delas foi rejeitada. Aprovamos quatro propostas de emenda à Constituição, sendo duas em primeiro turno; 37 medidas provisórias; 2 projetos de lei complementar; 35 projetos de lei; 55 projetos de decreto legislativo; 9 projetos de resolução; e 2 objetos de deliberação. Além disso, mais 319 outras matérias foram apreciadas pelo Plenário. A única proposta rejeitada foi uma representação. Nas 20 Comissões Permanentes, aconteceram, no ano passado, 1.401 reuniões. Já as 33 Comissões Temporárias, sendo 25 especiais e 8 externas, fecharam 2011 com 293 reuniões. Embora os números sejam significativos, mais ainda são os temas das matérias aprovadas. Entre os principais projetos aprovados estão a Lei 12.424/2011, que se refere ao extraordinário e único programa de habitação, o Minha Casa, Minha Vida. A lei trata da segunda etapa do programa, que vai garantir 2 milhões de moradias para famílias de baixa renda até 2014. Outro programa que merece destaque é o Brasil sem Miséria, que aplicará mais de R$1 bilhão para que o Brasil possa desenhar um Mapa Nacional de Oportunidades, identificando os meios mais eficientes para tirar da linha de pobreza extrema 16 milhões de pessoas, dando-lhes condições melhores de vida através de projetos de inclusão social. Terça-feira 7 00919 Na área de desenvolvimento econômico e social ainda foram aprovados: a Lei 12.382/2011, que trata da Política de Recuperação do Salário Mínimo; a MP 528/2011, que corrige a tabela do Imposto de Renda; a PEC 61/2011, sobre a Desvinculação das Receitas da União; a MP 529/2011, sobre o Programa Empreendedor Individual; a Lei 12.407/2011, que subsidia a indústria automotiva; a Lei 12.431/2011, que trata da Reserva Global de Reversão; a Lei 12.404/2011, que versa sobre o trem-bala; a Lei 12.397/2011, que aumenta a capacidade de financiamento através do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social; a Lei 12.431/2011, de incentivo à Energia Nuclear; a Lei 12.414/2011, que estabelece o cadastro positivo para dados sobre pagamentos em dia; além da ampliação da atuação dos Correios; do Programa de Inclusão Digital, com a implantação de tablets nas escolas; dos incentivos aos exportadores; do estímulo à inovação; da desoneração da folha de pagamentos; da ampliação dos limites da Lei do Super-SIMPLES, a Lei 12.529/2011 (Super-CADE); e a importante PEC da Música, pela qual tenho um carinho especial. Na área do meio ambiente e agricultura, o Plenário aprovou o PL 1.876/1999, que trata do Código Florestal; a Lei 12.512/2011, chamada de Bolsa Verde; e a Lei 12.384/2011, que concede crédito para garantir a safra. No que diz respeito à educação, outros importantes projetos foram aprovados pela Câmara, como a Lei 12.513/2011, que trata do PRONATEC – Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego; a Lei 12.425/2011, que versa sobre a contratação de professores; além de projeto que estabelece parceria com as lan houses na educação, recursos para o programa Brasil Escolarizado e o Plano Especial de Recuperação da Rede Física Escolar Pública. Na saúde, destaco a regulamentação da Emenda 29, por meio do PLP 306/2008; a MP 520/2010, que cria a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares; e a MP 521/2010, sobre o reajuste do valor da bolsa para médicos‑residentes. No que diz respeito às Olimpíadas de 2016 e à Copa do Mundo de Futebol de 2014, o Plenário da Câmara aprovou a MP 527/2011, que trata do regime diferenciado de contratações; a Lei 12.395/2011, a chamada Bolsa Atleta; e a MP 503/2010, que versa sobre a Autoridade Pública Olímpica. Na área do trabalho, apreciamos a PEC 270, o aviso prévio de até 90 dias, a criação de 137 Varas do Trabalho em 12 Estados e a proibição de revista íntima de funcionárias nos locais de trabalho. No combate à corrupção e aos crimes em geral, aprovamos o PL 3.443/2011, que reforça o COAF, 00920 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS combatendo a lavagem de dinheiro; a Lei 12.433/2011, de redução de pena ao presidiário estudante; a Lei 12.403/2011, que estabelece mudanças nas prisões preventivas; a Lei 12.408/2011, que proíbe a compra de spray por menores de 18 anos; a Lei 12.398/2011, que garante o direito de visita aos avós; e o PL 4.529/2004, que cria o Estatuto da Juventude. No quesito relações internacionais, criamos a UNASUL, por meio do PDC 2.600/2010; além de aprovarmos os acordos de Itaipu, com o PDC 1669/09, e do FMI. Feito este breve histórico, Sr. Presidente, quero destacar que esta Casa tem cumprido seu importante papel perante a sociedade brasileira, apresentando, discutindo e aprovando matérias importantes para que o nosso Brasil continue se desenvolvendo, crescendo econômica e socialmente e se fortalecendo em todos os setores. Era o que tinha a dizer. Muito obrigado. Durante o discurso do Sr. Décio Lima, o Sr. Luiz Couto, § 2° do art. 18 do Regimento Interno, deixa a cadeira da Presidência, que é ocupada pelo Sr. Amauri Teixeira, § 2° do art. 18 do Regimento Interno. O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) – Concedo a palavra ao nobre Deputado Chico Alencar, para uma Comunicação de Liderança, pelo PSOL. S.Exa. disporá de 5 minutos. O SR. CHICO ALENCAR (PSOL-RJ. Como Líder. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Deputado Amauri Teixeira, que nos comanda nesta sessão de segunda-feira, neste início de ano legislativo. O ano legislativo começa agora, mas o ano brasileiro, o ano das agonias e esperanças da nossa gente, já começou dentro do calendário, em 1º de janeiro, e revela a continuidade de lutas, de problemas e de sendas de esperança. Na quinta-feira passada, dia da sessão solene nesta Casa, estava eu com o nosso Presidente Nacional, Deputado Ivan Valente, em São José dos Campos, para protestar, com milhares de pessoas, contra aquele despejo abominável, contra a insensibilidade da Justiça, a mão forte e injusta do Governo Estadual, com sua Polícia Militar batendo naqueles trabalhadores; e, depois, o conluio – setores da Justiça, Governos, o empresariado da especulação imobiliária e nesse caso também da financeira, já que Naji Nahas era um dos proprietários daquela massa falida sobre a qual se ergueu o Bairro Popular de Pinheirinho, presente também com tratores, destruindo moradias, destruindo o sonho mínimo de vida de ter um teto. Fevereiro de 2012 O Brasil real estava ali. O Brasil que muitas vezes não aparece aqui, nesta Casa, não aparece nas políticas continuadas de saúde, Deputado Osmar Terra, não aparece, por exemplo, no cuidado com nossas crianças, que têm de ser a joia desta Coroa, que é a República brasileira, tantas vezes esquecidas, maltratadas, desatendidas. E agora nós vivemos uma situação absolutamente grave neste momento. Falei hoje com V.Exa., Deputado Amauri Teixeira, e também com o Deputado Nelson Pellegrino sobre isto: de novo o Brasil real se confrontando com o Brasil oficial. Os policiais militares da Bahia têm uma pauta de reivindicações antiga, inclusive de gratificações, que durante a campanha de reeleição o Governador Jaques Wagner se comprometeu a pagar, mas S.Exa. não vem cumprindo essas promessas, esses compromissos básicos mínimos. Por falta de negociação, a situação chegou a este ponto. Nosso Deputado Ivan Valente, Presidente Nacional do PSOL, está em Salvador buscando uma mediação, que significa o fim de qualquer violência contra os policiais militares e suas famílias. A Força Nacional e o Exército brasileiro, que minguam nas fronteiras, que passam enormes dificuldades para defender a soberania nacional, não têm de ser usados para reprimir movimentos reivindicatórios, atendimentos aos pleitos, anistia aos líderes do movimento, que têm uma base social real, tanto que já ocorreram greves de policiais militares no Ceará e em outros Estados da Federação. Há pouco, no Rio de Janeiro, depois de uma resistência maravilhosa dos bombeiros, há um movimento de grande insatisfação dos policiais militares. Quinta-feira haverá uma assembleia lá para discutir um diálogo com o Governador e propostas de condições dignas de trabalho para esses servidores fundamentais. Defendemos o monopólio da força pelo Estado Democrático de Direito, que tem como um de seus elementos a Polícia Militar e também a Polícia Civil. Daí o diálogo e a permanente conversa democrática são absolutamente fundamentais. Esta tensão não é interessante a ninguém. Registro, da tribuna, nota oficial do PSOL, da Direção Nacional do meu partido, lembrando que a insatisfação nos quartéis é fruto da crise. Nós temos o compromisso de votar o segundo turno da PEC 300, que não estipula valores – é bom lembrar isso –, foi pactuada ainda à época do Governo Lula, com o Líder Cândido Vaccarezza, para se fazer um texto que, claro, responsabilizasse também os Estados pelo atingimento de um patamar mínimo de remuneração. Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Não dá para a situação continuar como está, porque isso vai gerar tensão frequente e não será um problema exclusivamente da Bahia; outros Estados podem enfrentar a mesma situação, porque há uma enorme insatisfação e uma necessidade de dignificação desses servidores, os policiais militares. Fica o registro da nota do PSOL e a informação de que o nosso Deputado Ivan Valente, do PSOL, já está lá buscando a mediação, para que não tenhamos conflitos, mortes e nenhuma bomba mais. A Força Nacional e o Exército brasileiro têm mais o que fazer neste País. PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, eis a posição do PSOL sobre a crise envolvendo a PM e o Governo da Bahia: “Nota Oficial do PSOL: ‘Insatisfação nos quartéis é fruto da crise!’ O ano de 2012 começou com a fortíssima greve unificada dos policiais militares e bombei‑ ros do Estado do Ceará, e se aprofunda com a deflagração da greve da PM no Estado da Bahia. Além das mobilizações no Pará e Espí‑ rito Santo, possivelmente na próxima semana, os policiais civis, militares e bombeiros do Rio de Janeiro também devem parar. Ocorreu o despertar dos policiais para a luta por melhores salários e condições de tra‑ balho. A luta dos bombeiros no RJ deu exem‑ plo de resistência. A necessidade e a justeza desta luta se espelham na defesa do PSOL pela aprovação da PEC 300. Há um conluio do Governo Federal e dos Governos Estaduais para impedir a aprovação de um piso nacional para policiais militares, e, ao mesmo tempo, o Governo Dilma anuncia corte de 60 bilhões de reais no Orçamento de 2012. Tudo isso para satisfazer os interesses dos credores da dívida pública. É necessário afirmar que a crise nesta área afeta diretamente os mais pobres e sua resolução é dever dos Governos Estaduais e Federal. Uma das principais medidas neste sentido é a aprovação da PEC 300, garantindo salários dignos aos trabalhadores, acompa‑ nhada de uma profunda reflexão sobre o atual modelo da segurança pública brasileira, que hoje, infelizmente, criminaliza e persegue as maiorias excluídas, como a população LGBT, a juventude negra e o conjunto dos movimen‑ tos sociais em luta. Terça-feira 7 00921 Denunciamos a postura autoritária dos Governos Estaduais, que se juntam para re‑ primir os movimentos de greve. Neste caso tal atitude unifica PSDB, PT e PMDB. O PSOL é contra que os trabalhadores paguem pela crise. Continuamos batalhando pela auditoria da dívida pública e pelo fim do superávit primário. O PSOL exige abertura imediata de ne‑ gociações com grevistas da Bahia, do RJ e dos demais Estados, a mais breve aprovação da PEC 300 e o fim da criminalização dos mo‑ vimentos sociais! Brasília, 3 de fevereiro de 2012. – Dire‑ ção Nacional do PSOL.” Agradeço a atenção. O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) – Concedo a palavra, pela ordem, ao Deputado Osmar Terra, do PMDB do Rio Grande do Sul. S.Exa. disporá de até 5 minutos. O SR. OSMAR TERRA (PMDB-RS. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, eu gostaria de aproveitar este momento para continuar a manifestação que iniciei ontem sobre as atitudes repetidas de enfrentamento e de quebra de regras comerciais e até de regras de mercado que o Governo da Argentina vem tomando contra o Brasil. O Governo da Argentina está numa severa crise econômica, e tenta resolvê-la prejudicando as exportações brasileiras, prejudicando a produção das indústrias brasileiras, que têm na Argentina uma fatia importante do seu mercado. Em contrapartida, o Brasil, cuja maior fatia de automóveis importados vem da Argentina, não tem feito nenhuma retaliação a nenhum produto argentino. Este é um momento muito difícil para a indústria, principalmente para a indústria gaúcha que exporta para a Argentina, a indústria de calçados, a indústria moveleira, até para a indústria de máquinas agrícolas – colheitadeiras, tratores –, instalada na região da minha base política. A Argentina tem repetidas vezes oferecido resistência à entrada dos nossos produtos, tentando equilibrar sua balança de maneira totalmente artificial e ignorando as regras da competitividade de mercado. Uma das razões da desindustrialização da nossa produção é o dólar artificialmente desvalorizado, que cria uma dificuldade enorme para competirmos no mercado internacional. E hoje ainda temos o agravante do embargo da Rússia e do embargo da Argentina aos nossos produtos. Os embargos da Argentina estão agora formalizados, sendo tratados como uma política de Estado, o que cria toda sorte de dificuldades. E, pior, eles pres- 00922 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS sionam indústrias gaúchas importantes a transferir sua produção para a Argentina, de onde vendem para o mercado argentino e exportam para o mundo. Isso é muito sério, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, e exige uma posição muito firme, muito dura e urgente do Governo, do Ministério do Desenvolvimento, do Ministro Fernando Pimentel, do Ministro Guido Mantega. Nós devemos ter uma posição uniforme e firme diante da Argentina. Quarenta por cento das indústrias gaúchas de pequeno e médio porte já tiveram mais de 1 milhão de reais em prejuízo em razão das dificuldades de exportação para a Argentina. E as indústrias de maior porte tiveram, em média, 10 milhões de reais de prejuízo. Muitas indústrias fecharam por dificuldade de competir no mercado internacional, indústrias de calçado de alta qualidade que o Rio Grande do Sul produz. Foram fechadas este ano mais de seis grandes indústrias, Deputado Geraldo Resende, e outras serão fechadas se não conseguirmos melhorar essa situação. Já estou pedindo a presença dos Ministros Mantega e Pimentel na Comissão de Desenvolvimento Econômico, para podermos discutir a política cambial e a política de exportação. Não é possível que, a cada momento difícil para a balança comercial, o Brasil se socorra de medidas emergenciais. Deve haver uma política de longo prazo. É isso que estamos pedindo, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) – Vai-se passar ao horário de VI – COMUNICAÇÕES PARLAMENTARES Tem a palavra o Sr. Deputado Domingos Dutra, pelo PT. O Deputado disporá, além dos 3 minutos para breves comunicações, de mais 5 minutos – porque dividirá o tempo do partido comigo – do tempo de Comunicações Parlamentares. Portanto S.Exa. dispõe de 8 minutos na tribuna. O SR. DOMINGOS DUTRA (PT-MA. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, servidores desta Casa, todos aqueles e aquelas que nos assistem pela TV Câmara, todos aqueles e aquelas que nos acompanham pela Internet, em primeiro lugar quero desejar a S.Exa. o Sr. Presidente, aos demais Parlamentares, aos servidores desta Casa, à imprensa, um bom retorno. Que este ano, o segundo ano da Legislatura, seja produtivo para o povo brasileiro. Nós temos pela frente uma pauta bastante importante para o Brasil. Estou intimamente ligado a temas que considero cruciais para a cidadania brasileira. Por exemplo, a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição nº 438, de 2001, que pretende erradicar o trabalho escravo Fevereiro de 2012 no Brasil. Esperamos que o Presidente Marco Maia, ao deixar a Presidência da Câmara dos Deputados, faça registrar em seu currículo a aprovação da PEC 438. Enfim, espero que este ano o Parlamento produza as melhores leis, as melhores ações para o povo brasileiro. Sr. Presidente, eu queria fazer dois outros registros antes de passar ao assunto principal do meu discurso. Em primeiro lugar, quero justificar minha ausência ao ato de apoio à reforma agrária realizado hoje, pelo MST, no Estado de Sergipe, mais especificamente no acampamento Aprisco do Carneirinho, povoado Feijão, no tradicional, no histórico Município de São Cristóvão. Lamentavelmente, não pude atender ao convite para participar dessa luta que é brasileira, que é nacional, em defesa da reforma agrária. Eu estava no meu Estado. Acabo de chegar a Brasília. O segundo registro é que amanhã a Ministra Maria do Rosário, nossa companheira, abrirá o Encontro Brasileiro dos Programas de Proteção a Vítimas e Testemunhas. Programas como esses são fundamentais para inibir a criminalidade e coibir a impunidade neste País. Sr. Presidente, V.Exa. sabe que um dos entraves para se punir os que praticam crimes – crimes contra a mulher, crimes de corrupção, atuações do crime organizado, das organizações criminosas – é justamente a insegurança das vítimas e das testemunhas em colaborar com o Poder Judiciário. Há 5 anos o Brasil iniciou a experiência de programas específicos de proteção a vítimas e testemunhas da violência, da criminalidade. Portanto desejo a todos os que fazem esse trabalho meritório no Brasil – à companheira Maria do Rosário, aos maranhenses que organizam o programa, como o Dr. Pedrosa e a Dra. Joseane – sucesso ao apresentar suas contribuições para o aperfeiçoamento da legislação, de tal forma que esses programas sejam fortalecidos. Sr. Presidente, meu assunto principal diz respeito aos conflitos pela posse urbana no Brasil. Vou destacar o exemplo do Município de Paço do Lumiar, onde moro e faço política. V.Exa. e o Brasil ficaram horrorizados com a ação da Polícia Militar do Estado de São Paulo no dia 22 de janeiro, às 5h30min da manhã, um dia de domingo, quando 2 mil policiais, ambulâncias, dois helicópteros, carro do Corpo de Bombeiros, a Guarda Municipal de São José dos Campos cometeram a maior violência de que eu tenho notícia no Brasil: o despejo de mais de 9 mil pessoas, que moravam na área há 8 anos. Esse tema alcançou repercussão internacional porque a denúncia repercutiu na ONU e na OEA, tamanha foi a violência. Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Ainda vou voltar a esta tribuna para falar sobre esse episódio de Ourinhos, sobre a conivência do aparelho policial paulista e a posição do Poder Judiciário nesses conflitos pela posse da terra. Quero apenas, considerando esse fato, chamar a atenção da Governadora do Estado do Maranhão para a gravidade dos conflitos urbanos e semiurbanos no Município de Paço do Lumiar. Hoje existem 38 conflitos pela posse da terra no Município de Paço do Lumiar, um Município integrante da Região Metropolitana de São Luís. Neste instante, comunico a Governadora do Estado sobre a situação da ocupação Eugênio Pereira, que fica às margens da MA-213, sentido Raposo-São José dos Índios, onde 700 famílias estão ameaçadas de despejo por ordem judicial. O Comando da Polícia Militar, segundo informações, já fez todo um levantamento para iniciar o despejo dessas famílias, em cumprimento a uma ordem da Juíza da Comarca de Paço do Lumiar. Estive lá na sexta-feira. Dezenas de crianças, idosos, mulheres gestantes, que têm proteção jurídica, não podem ser desconsiderados no momento do cumprimento dessas famigeradas liminares, concedidas muitas das vezes sem justificação prévia, baseadas unicamente na versão do proprietário, em documentos fraudados de terras griladas. O juiz simplesmente concede a ordem judicial e requisita o aparelho policial do Governo do Estado. Ao invés de mobilizar sua máquina social para fazer um levantamento da situação das famílias e questionar títulos, determina uso de força policial para cumprir mandado de reintegração de posse. Chamo a atenção da Governadora do Estado porque Eugênio Pereira pode ser uma nova Pinheirinho. Não se concebe que em nome de uma propriedade massacrem crianças, que têm a proteção do Estatuto da Criança e do Adolescente, agridam pessoas idosas, que têm o amparo do Estatuto do Idoso, agridam mulheres gestantes, destruam igrejas, derrubem escolas, patrimônios que têm cobertura legal e constitucional e que precisam ser preservados. Neste retorno ao trabalho, quero dizer à Governadora Roseana Sarney que não queremos só fazer oposição, que não desejamos o “quanto pior, melhor”. Solicitamos desta tribuna à Governadora do Estado que mande o Instituto de Terras fazer os levantamentos necessários e que peça à Polícia Militar que não cumpra essas liminares, para evitar que haja violência e transtornos e prejuízos não só para os atingidos, mas para o próprio Estado do Maranhão. É este, Sr. Presidente, o meu registro e o meu apelo. Todas as terras de Paço do Lumiar são griladas. Ninguém é proprietário de absolutamente nada. As terras são públicas e merecem a atenção do Estado. Terça-feira 7 00923 O SR. PRESIDENTE (Deputado Amauri Teixeira) – Parabéns, Deputado Domingos Dutra, pela sua atuação, sempre comprometida. O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) – Vamos dar prosseguimento. Tem a palavra o próximo inscrito, Deputado Reguffe, do PDT do Distrito Federal. S.Exa. dispõe de 3 minutos para breves comunicações, mais 10 minutos referentes às Comunicações Parlamentares, totalizando 13 minutos. O SR. REGUFFE (PDT-DF. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, quero primeiro registrar a minha indignação pela forma como se ocupam os cargos públicos no Poder Executivo deste País. A Presidenta, na minha opinião, tinha e tem ainda uma oportunidade imensa de fazer uma grande revolução no Poder Executivo deste País. Não podem os Ministérios ser meras propriedades das cúpulas dos partidos políticos deste País. Ministério não é propriedade de um partido político. Ministério é propriedade da sociedade brasileira, do contribuinte brasileiro, a quem deveria servir e prestar contas. Não pode ser propriedade de um partido político! Aliás, a maior contribuição que os partidos políticos poderiam dar para a Presidenta é deixá-la à vontade para escolher os melhores para o País, independentemente de filiação partidária. Há muita gente neste País que não é filiada a partido nenhum e que daria uma grande contribuição para a sociedade. Aí os partidos se reúnem e dizem: “Não, tem que ser esse, senão nós não apoiamos seu Governo”. Ora, não é isso que preserva o interesse público maior. Política não pode ser isso. Política é algo sério. E ela tem que ser feita em prol do contribuinte, não pode ser feita, simplesmente, para a construção ou para a perpetuação de uma máquina política, porque não é para isso que existe o Estado. Parece que o Estado hoje existe não para servir ao contribuinte e sim para atender aos agentes políticos. Está errado! Seria uma oportunidade para a Presidenta reduzir o número de Ministérios – na década de 60 do século passado, nós tínhamos 12 Ministérios neste País, hoje nós temos 38 –, reduzir o número de cargos comissionados de forma brusca. Nós temos hoje 23.579 cargos comissionados no Governo Federal, de acordo com resposta que eu recebi ao meu requerimento de informações. Na França, são 4.800; nos Estados Unidos – fiz esse questionamento à Embaixada –, em 2009, eram 5.600, agora dizem que são 8 mil. Ainda que sejam 8 mil, representa um terço de 23.579 cargos comissionados, que é o que nós temos neste País. O que a população precisa é que o Estado devolva serviços públicos de qualidade nas áreas de 00924 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS educação, saúde, segurança, não que vire um cabide de emprego para apaniguados políticos. Desculpem-me, mas essa é minha opinião. E o Estado tem que existir para servir ao contribuinte. Os Ministérios não podem ser uma mera propriedade dos partidos políticos. É preciso resgatar o valor que a política tem. Os Ministérios pertencem à sociedade e ao contribuinte, a quem deveriam servir e prestar contas. Sr. Presidente, sei que, como Deputado Federal, devo cuidar mais das coisas de âmbito nacional, das coisas federais, mas quero também falar um pouco sobre o Distrito Federal. E nunca vou me furtar a falar do Distrito Federal todas as vezes em que achar que devo, mesmo sendo um Deputado Federal que deve cuidar mais, claro, das questões nacionais. É preciso acabar em Brasília com essa mistura entre polícia e política. Polícia é uma coisa, política é outra. Um policial pode fazer uma carreira política, tem todo direito, como qualquer cidadão. O que não pode é a polícia estar a serviço da política e não do cidadão. A polícia tem de estar a serviço do cidadão, não da política. A polícia tem de ser um órgão de Estado, não pode ser um órgão de Governo. Vez por outra ouvem-se coisas: “porque tem isso, a polícia é isso”. Há muita gente séria na polícia de Brasília, mas, às vezes, estão querendo passar uma imagem para o resto do Brasil como se fosse uma bagunça. Não, há muita gente séria na polícia de Brasília, que precisa ser valorizada e respeitada. É preciso separar isso. E espero que o Governador faça isso. Agora ele tem uma grande chance de fazê-lo, e espero que o faça. Vez por outra há escândalos, e escândalos têm de ser investigados pela polícia, pelo Ministério Público, e julgados pela Justiça, que são os órgãos responsáveis. Então, espero que a polícia e que o Ministério Público investiguem com profundidade, com rigor, doa a quem doer, e isso é o que o contribuinte quer que essas instituições façam. Cabe-me, como Parlamentar, cobrar que o Governo cumpra sua obrigação com a sociedade, devolvendo serviços públicos de qualidade nas áreas em que a população mais precisa, que são educação, saúde e segurança pública. E isso, infelizmente, o Governo não vem fazendo. O atual Governo do Distrito Federal não vem se saindo bem e não vem, na minha humilde opinião, cumprindo sua responsabilidade com a população do Distrito Federal nessas três áreas. Mas espero, Sr. Presidente, que, neste ano, as coisas sejam diferentes, isto porque sou um otimista e porque a população do Distrito Federal merece receber serviços públicos de qualidade pela quantidade de impostos que paga. Fevereiro de 2012 Quero dizer aqui, de forma pública, que o Governador Agnelo pode contar comigo nesta Casa para que o seu Governo dê certo. Esse é meu desejo sincero, não só como Deputado desta cidade, mas como cidadão. Ele deve reunir as pessoas de bem desta cidade, discutir com elas formas de melhorar este Governo, que não vem sendo bem avaliado pela população. Não tenho cargos no Governo. Não quero ter nenhum cargo no Governo, nem quero indicar ninguém para o Governo. Mas quero ajudar com ideias, ideias para melhorar esta cidade. Que o Governador saiba que pode contar com o meu mandato para o que precisar, para que seu Governo dê certo, porque a população merece isso. Os escândalos têm de ser apurados, sim, têm de ser investigados, sim. Eu espero que as instituições, os órgãos de controle, Ministério Público e Tribunal de Contas cumpram com a sua obrigação. A mim, sempre no que cabe, no âmbito federal, que é a Casa onde eu estou, sempre me posicionarei de forma clara. No ano passado, houve vários escândalos no âmbito federal, inclusive alguns envolvendo o meu próprio partido. Todos tiveram a minha assinatura para que fosse feita uma investigação nesta Casa. Todos contaram aqui com a minha assinatura, como também contou com a minha assinatura o pedido de investigação para a chamada CPI do Segundo Tempo. Fui, inclusive, o único Parlamentar da coligação que elegeu o atual Governador que assinou, nesta Casa, esse pedido de investigação. É a minha responsabilidade. Agora, eu penso que este Governo pode, sim, dar certo. E vejo uma sincera vontade de algumas pessoas por parte do Governo para que realmente dê certo e que esteja a serviço da população. Isso cabe ao Governador. E de minha parte ele pode contar com ideias, com sugestões e com apoio, para que seu Governo dê certo, porque, infelizmente, até agora não vem dando certo e a população está sendo prejudicada. Mas a população não merece isso. Eu, no entanto, como otimista, espero que este ano as coisas mudem. Penso, Sr. Presidente, que o resto do País também precisa entender que Brasília é uma cidade séria, com uma população formada, na grande maioria, de pessoas honestas, trabalhadoras, a maioria das quais, aliás, sem o menor vínculo com a política, que não pode ser achincalhada Brasil afora, como se corrupta fosse. Espero que esta Casa se posicione sempre a favor do contribuinte, e não dos conchavos políticos e dos interessantes menores. Com relação ao Distrito Federal, penso que o Governo deve investir seus recursos prioritariamente nas áreas-fim da atuação do Estado: educação, saúde e segurança pública. O Es- Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS tado, às vezes, gasta muito com as atividades-meio e pouco com as atividades-fim. Faço este apelo às pessoas sérias que estão neste Governo. Contem comigo para que este Governo dê certo! Por último, no que diz respeito à questão federal, quero dizer à Presidente Dilma Rousseff que ela teve a chance de ser Presidente da República, coisa que poucos brasileiros têm. Que ela faça as mudanças que todos os brasileiros esperam. Existem vários programas do Governo dela reconhecidos pela população como bons programas, mas a população não aguenta mais o balcão de negócios que se tornou a política nacional. Ela tem a chance de dar um basta a tudo isso com a força que tem; tem a chance de construir um governo voltado para o contribuinte, e não simplesmente para atender aos interesses políticos de A ou B. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) – O próximo orador inscrito, usando a precedência regimental do art. 89, para Comunicação de Liderança, é o Deputado Paes Landim, pelo Bloco Parlamentar PSB/PTB/ PCdoB. S.Exa. dispõe de 7 minutos. O SR. PAES LANDIM (Bloco/PTB. Como Líder.) – Sr. Presidente, o Diário do Povo, do meu Estado, em importante reportagem assinada pelo ambientalista, lutador das causas ambientais, competente repórter e excepcional fotógrafo André Pessoa, traz reportagem, nos últimos dias de janeiro, da maior gravidade. Vivemos num tempo de consciência ambiental. Na semana passada, visitei um velho amigo na Gávea e fiquei pensando o que seria daquela região do Rio de Janeiro não fora a previdência genial de estadista de D. João VI, que, logo ao chegar ao Brasil, determinou numa de suas primeiras medidas administrativas a criação do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Não fora o Jardim Botânico, que seria da Gávea? É a parte mais linda do Rio de Janeiro. Veja V.Exa., Sr. Presidente, que desmoronamentos não existem na Gávea, nem enchentes arrasadoras e tufões que avassalam outras regiões do Rio. Por quê? Porque a natureza é bem protegida. Foi o Jardim Botânico que educou aquela região, cheia de árvores. Uma área imensa do Jardim Botânico preservou aquela belíssima natureza, talvez um dos mais belos cenários escondidos do Rio de Janeiro. O Jardim Botânico do Rio de Janeiro é um orgulho do Brasil, talvez uma das melhores áreas de manutenção da natureza, da botânica e da floricultura do mundo. Fico penalizado quando vejo a ignorância de autoridades municipais que autorizam desmatamentos, desprezam a natureza e, ao invés de plantarem árvores, embelezando as cidades e festejando a natureza, Terça-feira 7 00925 destroem-nas, num verdadeiro atentado contra a natureza. Esquecem-se, talvez por incúria ou ignorância, de que, quanto mais árvores, mais chuvas, menos seca, ou menos enchentes imprevistas e torrenciais. De toda a reportagem de André Pessoa, Sr. Presidente, eu lastimei muito a destruição de uma árvore plantada há 54 anos na minha cidade de São João do Piauí, pelo Padre Solon Aragão, que criou o grande Ginásio Frei Henrique, onde se formaram várias gerações de são-joanenses que hoje ocupam os postos mais elevados em todos os recantos do País. É bem verdade que o ginásio hoje passa por uma séria crise de inviabilidade financeira, por miopia dos Governos Federal e Estadual, que não ajudam as boas escolas filantrópicas, religiosas ou laicas, que vêm prestando relevantes serviços à educação do nosso País, em substituição às escolas públicas destituídas ao longo do tempo da sua função pedagógica. Sr. Presidente, eu não quero debitar ao Prefeito a responsabilidade pela destruição da árvore. A responsável, com certeza, foi a ignorância do construtor. É preciso apurar essa empresa, se é de São Raimundo Nonato, se é de Picos, se é de Petrolina ou se é laranja de alguma outra empresa. O que me espanta, Sr. Presidente, é a omissão do Ministério Público, do Promotor Público da minha cidade, que não toma providência alguma nesse sentido. Vou denunciá-lo ao Conselho Nacional do Ministério Público pela sua inoperância, pela omissão em todos os sentidos, na minha região, na minha cidade, pelo descalabro administrativo de algumas comunidades municipais, pelo seu silêncio reticente e, quem sabe, até complacente com os desmandos administrativos. No caso dessa árvore destruída, que tinha 54 anos, uma árvore frondosa, plantada por um eminente sacerdote que, ao longo da vida, tivemos longas divergências partidárias, mas merecedor de todo meu respeito exatamente em face da sua grande ação educativa e social na minha cidade de São João do Piauí. Eu gostaria que o Promotor Público da minha cidade lesse o art. 127 da Constituição Federal. “Mi‑ nistério Público é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a de‑ fesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis”. Esse é o texto do art. 127 da Constituição Federal. O art. 129, Sr. Presidente, com a nova redação dada pela Emenda nº 45, assim reza, com muita propriedade: 00926 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS “São funções institucionais do Ministé‑ rio Público: III – promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos.” A destruição dessa árvore por essa empresa construtora, na revisão de uma praça sem nenhuma licença ambiental, sem nenhuma ciência arquitetônica possivelmente, sem nenhuma competência para tal, atingiu não só o patrimônio público, mas, sobretudo, o meio ambiente, um crime da maior gravidade, visto que toda a crise de hoje e do futuro da humanidade é exatamente a preservação do meio ambiente. Uma comunidade que não cuida do meio ambiente e não preserva suas árvores não está à altura do mundo em que vive. Portanto, Sr. Presidente, quero aqui culpar o Ministério Público da minha cidade e o seu Promotor Público pela omissão, ato este da maior irresponsabilidade, porque não tomou nenhuma providência a respeito desse fato. Nesse sentido, vou levar ao conhecimento do Conselho Nacional do Ministério Público da União. Muito obrigado pela atenção, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) – Concedo a palavra, pela ordem, ao Deputado Geraldo Resende. S.Exa. dispõe de 3 minutos. O SR. GERALDO RESENDE (PMDB-MS. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, nobres colegas Parlamentares, eu também gostaria de me associar às manifestações dos Deputados que me antecederam, desejando a todos que este seja um ano de bons debates. É fundamental que o interesse público do povo brasileiro sobressaia. Eu gostaria de me reportar a um evento do qual participamos na manhã de hoje, em Campo Grande, no palácio de convenções Rubens Gil de Camilo, onde o Governador André Puccinelli e toda a sua equipe, ao lado de vários Prefeitos e de pessoas ligadas às vigilâncias ambiental e sanitária no Estado, entregou cerca de 121 veículos para dar um novo impulso à vigilância sanitária em Mato Grosso do Sul. Credito esse trabalho à eficiência da equipe do Governador e à parceria do Governo do Estado com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, tão bem conduzido pelo nobre Deputado nosso colega Mendes Ribeiro Filho, que, com a Secretária Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias, possibilitou a entrega desses veículos hoje, na presença de vários Parlamentares e de servidores da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal – IAGRO, responsável pela vigilância sanitária em Mato Grosso do Sul. Fevereiro de 2012 Quero dizer também do contentamento do Governador com essa parceria. Foram utilizados quase 7 milhões de reais para a compra desses equipamentos. Recentemente, o Paraguai, país vizinho, teve mais um surto de aftosa. É lógico que há preocupação dos países importadores. Muitas vezes a penalização imposta aos países vizinhos reflete nos Estados limítrofes. Por isso, Sr. Presidente, acho importante reforçar o compromisso e o envolvimento do Governo do Estado do Mato Grosso do Sul com essa importante parceria e o empenho da bancada do Mato Grosso do Sul, da qual sou Coordenador, em fazer gestões no Ministério da Agricultura para que houvesse um desfecho tão favorável como o de hoje. Além da compra dos veículos, outros recursos estão possibilitando ações concretas para fazer do Mato Grosso do Sul área livre de aftosa. Ficarão no passado situações como as que vivemos, de prejuízo num dos principais ingredientes do PIB do Brasil e do Mato Grosso do Sul, a exportação de carne. Era essa a nossa intervenção. Esperamos que o debate no segundo ano desta Legislatura seja realmente frutífero e que tenhamos um ano bastante profícuo nesta Casa. O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) – Concedo a palavra ao próximo inscrito, nobre Deputado Osmar Terra, para uma Comunicação de Liderança, pelo PMDB, por 9 minutos. Passo a Presidência ao nobre Deputado João Arruda. O SR. OSMAR TERRA (PMDB-RS. Como Líder. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, gostaria de tratar de um tema extremamente relevante, que foi mostrado a toda a população do Rio Grande do Sul por meio de uma série histórica de reportagens do jornal Zero Hora: o destino dos meninos da FEBEM do Rio Grande do Sul. Trata-se de uma matéria da repórter Adriana Irion e do repórter José Luís Costa. Reputo que essa série de reportagens ficará na história do jornalismo. A reportagem acompanhou, com profundidade, por vários anos, um grupo de meninos internos na FEBEM, que lá se chama FASE. Esses meninos estavam na unidade CSE, em Porto Alegre, onde ficam os meninos mais problemáticos, com comportamento mais agressivo. Foram acompanhados 162 meninos, de janeiro de 2002, quando foram internados nessa unidade, e tudo o que aconteceu com eles nos 10 anos seguintes, até janeiro de 2012. É uma reportagem fantástica do ponto de vista de sensibilidade, de não ficar nos chavões, mostrando as evidências e o que acontece com esses meninos. Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Isso não deve ser diferente no restante do Brasil. Os números são assustadores. Dos 162 meninos, somente dois não tiveram reincidência, somente dois não foram presos novamente, não ficaram privados de liberdade novamente. Dos 162, 48 foram mortos e somente dois estão sem nenhuma ocorrência policial daquele período para cá. Então, é um retrato da realidade realmente dramático, que mostra como se organiza um comportamento transgressor, um comportamento de infrações repetidas e como falta capacidade do Governo do Estado. Não estou falando de um governo ou de outro. Não tenho crítica alguma, acho até que as políticas nessa área, nos governos anteriores e no atual Governo do Rio Grande do Sul, envolvem pessoas muito bem-intencionadas e com compreensão do problema para tentar resolver isso. Mas a realidade se sobrepõe à vontade das pessoas. E nós vemos aí meninos praticamente sem nenhum tipo de recuperação. Eu imagino que seja assim no restante do Brasil. É claro que esses 162 meninos não representam o universo dos meninos da FASE, lá no Rio Grande do Sul. Eles são do grupo mais problemático. Claro que há meninos que não são privados de liberdade, que transgridem, que cometem infrações, mas que cumprem penas que não são de privação de liberdade; e esses têm uma probabilidade maior de recuperação. Mas esses 162 dão uma ideia de como funciona. Esses são os futuros apenados do sistema prisional. Esses são os que cometem infrações e crimes como reincidentes. Na verdade, a maior parte dos homicídios, a maior parte dos crimes que são cometidos com maior violência, não é cometida por um universo grande de pessoas. É um universo pequeno: são alguns que reincidem sempre. E esses meninos poderiam ter sua condição diagnosticada lá atrás. Poderia ter sido feito um estudo mais aprofundado sobre a sua fragilidade, inclusive psíquica. Normalmente vêm de lares desestruturados, vêm de uma situação de pobreza, de miséria. Mas também é importante dizer que não é só a pobreza e a miséria que geram o infrator. Noventa e oito por cento das crianças pobres não são infratoras, como também existem infratores nas camadas mais ricas da população. Estamos aí cheios de exemplos no noticiário policial, na história policial, de jovens adolescentes que mataram os pais, mataram a família, num comportamento extremamente alterado. O que eu defendo, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, é que nós façamos primeiro um acompanhamento a longo prazo desses meninos. Eles não podem ficar privados de liberdade por um período, ser soltos depois e ficar sem nenhum tipo de apoio. Terça-feira 7 00927 Nós criamos no Rio Grande do Sul, quando eu estava na Secretaria de Saúde, em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Social – Deputado Amauri, o senhor é da área da saúde – equipes especiais de saúde da família, com psiquiatras, com psicólogos, para acompanhar os meninos da FASE em casa, acompanhar as famílias. Na verdade, eles têm um alto grau de parentesco entre si. Se nós formos reduzir isso, nós vamos ver que são algumas famílias, talvez centenas, talvez um milhar, dois milhares, 3 mil, 4 mil famílias, num universo de 2 milhões de famílias, das quais saem pessoas com comportamento transgressor e infrator. Se essas famílias tivessem uma assistência, mais apoio, se tivessem a oportunidade de ter a presença da mãe, do pai, quando têm pai – a maior parte, às vezes, não tem –, se elas tivessem apoio do Estado, se elas pudessem ter renda, se pudessem ter os filhos bem cuidados, se pudessem ter um acompanhamento do ponto de vista psicológico, psiquiátrico! Os transtornos de comportamento – déficit de atenção que leva a comportamentos violentos – e mesmo a psicopatia que acaba se desenvolvendo a partir disso são detectáveis, e, mesmo que algumas formas não tenham tratamento, se elas tiverem acompanhamento, diminui a reincidência, diminui o número de crimes. Lá no Rio Grande do Sul temos um trabalho maravilhoso feito pelo CEDEDICA, que foi criação de um casal, na verdade de um juiz que cuida da infância e da adolescência no Rio Grande do Sul, historicamente um juiz que nos ajudou muito na montagem do Estatuto da Criança e do Adolescente, Dr. João Batista Costa Saraiva. O CEDEDICA acompanha os meninos que estão cumprindo penas que não são de privação de liberdade – penas alternativas –, e, a partir desse trabalho, um grande número de meninos não volta a reincidir. Esse trabalho do CEDEDICA é notável, mas é um trabalho de acompanhamento. Na verdade, o ideal é que se previna isso, é que se tenha um acompanhamento, nas famílias de risco, das crianças pequenas, desde a gestação. Os programas de primeira infância têm provado, no mundo todo, que causam um impacto muito positivo. Eles diminuem os transtornos mentais, diminuem a incidência de comportamentos de infração nos meninos, diminuem as ocorrências policiais, causam, inclusive, uma economia muito grande para o Estado. Os programas realmente de prevenção são aqueles que cuidam do desenvolvimento humano desde a gestação, principalmente nos três, quatro primeiros anos de vida. Se nós tivéssemos integrados programas 00928 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS de cuidado com a primeira infância com programas de equipe de saúde da família, iniciando o acompanhamento quando a infração ocorre, quando é necessário privar de liberdade, eu acho que nós teríamos um resultado muito maior, um resultado muito mais eficiente. E é essa a tese que defendo hoje. Eu escrevi um artigo no Zero Hora cumprimentando o jornal pela grande reportagem, pela brilhante reportagem, e defendo isso como uma perspectiva para se trabalhar principalmente com os meninos mais frágeis psiquicamente, que são os que mais reincidem, pois é deles que sai o maior número de crimes, o maior número de infrações graves, que ocorrem depois, inclusive quando são adultos. Aí está a raiz da violência. Aí está um caminho para podermos enfrentar e diminuir a criminalidade. Isso precisa de uma ação como a que o ����������� Governo Federal está propondo como prioridade. Quero aqui cumprimentar mais uma vez a Presidente Dilma pela disposição que mostrou e comunicação que fez no início do ano legislativo de colocar como prioridade as políticas de primeira infância. As políticas de primeira infância previnem mesmo. O cérebro, a mente humana se organiza por janelas. No início da vida se organiza a capacidade de controlar os impulsos, a capacidade de entender, de ter empatia com o outro. Isso diminui muito o impulso agressivo e diminui muito a violência. Quero cumprimentar também o Ministro Moreira Franco, um dos defensores dessa ideia, que colocou como proposta estratégica a política de primeira infância no Governo Federal. Acho que é esse o caminho. Se conseguirmos integrar, ir muito além da FEBEM, ir muito além da FASE, acompanhando essas famílias, essas crianças, vamos ter bons resultados. Durante o discurso do Sr. Osmar Terra, assumem sucessivamente a Presidência os Srs. João Arruda, § 2° do art. 18 do Regimen‑ to Interno, e Moreira Mendes, § 2° do art. 18 do Regimento Interno. O SR. PRESIDENTE (Moreira Mendes) – Com a palavra o Deputado João Arruda, do PMDB do Paraná. O SR. JOÃO ARRUDA (PMDB-PR. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, ouvintes da Rádio Câmara e telespectadores da TV Câmara, venho a esta tribuna hoje para comentar uma investigação promovida pelo Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro envolvendo o analista judiciário Rogério Figueiredo Vieira. Esse nome não é estranho para nós, paranaenses. O Rogério Figueiredo é denunciado pela movimentação fraudulenta de mais de 282 milhões, conforme comuni- Fevereiro de 2012 cou o Conselho de Atividades Financeiras à Corregedora do Conselho Nacional de Justiça, Eliana Calmon. O meu pronunciamento é exatamente para contar a V.Exa., Presidente, e a todos os Deputados da Câmara de onde nós conhecemos Rogério Figueiredo. Ele é um velho conhecido da Polícia Federal. Em 2002 ele foi investigado porque movimentou em sua conta mais de 400 milhões de reais. Em abril de 2004, Rogério Vieira foi preso no Rio de Janeiro a mando da Justiça do Paraná. Nessa mesma operação, a Polícia Civil do meu Estado prendeu Ingo Hübert e também José Cid Campêlo Filho, ex-Secretários do Governo Jaime Lerner, sob suspeita de desvio de dinheiro público da COPEL no total de 16,8 milhões de reais. Pois bem, o processo ainda não foi julgado ou deve estar em instâncias superiores, as pessoas estão soltas. Nesta Casa uma Comissão está discutindo atos contra a administração pública. Nós estamos tentando encontrar penas mais duras contra as empresas que agem contra a administração pública. E aqui nós temos denúncias, fatos como esses acontecendo. Posso dizer ao TRT que esse sujeito deve ter alguma culpa. E quero dizer mais: nós estamos fazendo uma discussão com a COPEL, que hoje é patrimônio público, que hoje é pública, graças a esforço da Assembleia Legislativa do Paraná, porque ela quase foi privatizada pelo Governo do DEM, pelo Governo Lerner, na época. Hoje ela não serve como empresa pública, tenta coagir Prefeitos. Fizemos uma ampla discussão, na Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara, para prorrogar o prazo de transferência da iluminação pública aos Municípios. Ela pressiona os Prefeitos, age como uma empresa privada, faz negócios fora do Paraná, e o Senador Requião, que denunciou Cid Campêlo e o chamou de ladrão, foi processado e condenado. Eu só quero saber, se o sujeito agora for condenado e culpado, se a Justiça vai ressarcir o Senador por tê-lo chamado de ladrão à época. Então, são esses momentos que nós devemos marcar aqui na legislação, no Legislativo, no Congresso Nacional, para que os Deputados conheçam histórias como essa, para que possamos, sim, como bem disse o Deputado Reguffe aqui, estabelecer uma cultura de boas práticas, honestas e saudáveis, a fim de que possamos envolver e mobilizar a sociedade diariamente na fiscalização de dinheiro público, como já tem feito o Ministério Público, alguns veículos de comunicação, Deputados e políticos, para que este seja um ambiente também de contestar aquilo que nós acreditamos que esteja errado. Essa é a minha função hoje aqui. Volto do recesso cheio de energia para trabalhar, mas infelizmente trazendo notícias negativas: sujeito no TRT sendo in- Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS vestigado por desvio de mais de 200 milhões de reais, sujeito que já esteve envolvido em desvio de dinheiro da COPEL. Ou seja, o que ele estava fazendo lá, como ele foi parar lá, causando danos para o nosso País? Muito obrigado e um abraço a todos. O SR. PRESIDENTE (Moreira Mendes) – Concedo a palavra ao Deputado Amauri Teixeira, pelo PT. A Bahia, Estado de S.Exa., vem sofrendo muito com a greve dos policiais. Quero aqui deixar a minha solidariedade ao povo baiano. S.Exa. tem a palavra por 5 minutos. O SR. AMAURI TEIXEIRA (PT-BA. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Deputado Moreira Mendes, inicialmente eu quero abordar essa questão, mais uma vez fazer um apelo aos policiais militares da Bahia e aos verdadeiros líderes no sentido de que busquem uma solução dialogada, para que não inflijam à população da Bahia ainda mais sofrimento. A OAB está se dispondo a fazer uma mediação na negociação. Nós achamos que é importante a OAB e outras instituições de credibilidade fazerem essa mediação, porque nós não podemos achar que é normal uma instituição como a Polícia Militar, que a Constituição proíbe de fazer greve, paralisar de forma total suas atividades, criando o caos na Bahia. Nós sabemos que a paralisação não é total, mas eu quero fazer, mais uma vez, esse apelo ao bom senso. Sr. Presidente, eu também venho a esta tribuna agora, em Comunicações Parlamentares, para falar sobre a gestão da Prefeita Valdice, em Jacobina. Há uma série de denúncias em relação à sua gestão, há uma série de contestações, e eu quero deixar como lido aqui o importante editorial do Corino Urgente, que diz: “Quer morrer em hospitais públicos? Venha para Jacobina.” Ele relata o caso, Sr. Presidente, de um paciente, um jovem de 27 anos que morreu afogado em Itaitu. A pessoa que o socorreu também teve lesões e buscou socorro nos dois hospitais de Jacobina, mas não foi atendida em nenhum dos dois, como é comum. Em Jacobina, você busca um hospital, não há médico; busca o outro hospital, não há médico. Se uma pessoa enfarta, não há UTI. E não havendo UTI em Jacobina – o que é mais grave –, não há ambulância de UTI para transportar os pacientes, Sr. Presidente. Em Piritiba, do meu amigo Prefeito Bell, há ambulância de UTI com recurso próprio, um Município muito menor. Em Jacobina, não há UTI, não há condição de estabilização do paciente nem condição de transporte. Por isso as pessoas morrem à míngua, e eu quero deixar isso registrado. Também quero deixar registrado aqui, Sr. Presidente, o relato que recebi da União das Associações Terça-feira 7 00929 Rurais de Jacobina sobre a condição dos alunos do Barrocão, que andam por até 8 quilômetros na madrugada para pegar ônibus escolar e demoram até 4 horas para retornar às suas casas e chegar à escola. Falo de crianças entre 2 e 6 anos de idade, que precisam sair de casa às 11 horas para retornar às 19h30min, passando por riacho sem ponte, estrada enlameada, saindo de casa às vezes à noite, ainda na madrugada escura, crianças em idade tenra, porque a Prefeita não cria acessibilidade, não disponibiliza transporte para servir a essas crianças. Por isso, Sr. Presidente, quero também deixar registrada uma pesquisa feita pelo site Corino, que mostra que 60% dos jacobinenses reprovam a gestão da Prefeita Valdice, que tem desmantelado a saúde no Município, que tem fechado CAPS-AD, Centro de Especialidades Odontológicas – CEO, diversos postos de saúde da família, o que tem anulado praticamente a assistência de média e alta complexidades. A Prefeita de Jacobina, Valdice, está criando um caos na saúde pública. Eu tenho dito que saúde em Jacobina é uma questão de polícia. Mamografia, em Jacobina, até outro dia não se fazia, apesar de haver lá um mamógrafo. E eu disse que em Jacobina o problema não é o mamógrafo, mas quem está mamando, Sr. Presidente, na teta da Prefeitura. Muito obrigado. PRONUNCIAMENTOS ENCAMINHA‑ DOS PELO ORADOR Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, neste ano, a cidade de Jacobina, na Bahia, pode alterar o rumo da política local. Já é possível perceber que o cidadão jacobinense não suporta mais a ideia dos governos tiranos que estão controlando a cidade nos últimos anos. Uma prova desse desejo de mudança é o resultado de pesquisa feita pelo site Corino Urgente: mais de 60% dos que responderam à enquete consideram o Governo de Valcide péssimo ou ruim. Não há nenhuma área desse governo que se destaque positivamente, mas a saúde é a que mais sofreu. A saúde local é caso de polícia. Inclusive, em outra enquete feita pelo site do Corino, a saúde aparece como o pior problema da administração por 61,2% dos que responderam à pergunta. Os jacobinenses terão, este ano, a oportunidade de derrubar do poder um grupo que tem agredido a população local. O cidadão há muito já nota o estado em que Jacobina está. É um polo regional que precisa irradiar desenvolvimento, e não é o que vem acontecendo. Quando fui Subsecretário de Saúde do Estado da Bahia, levamos duas ambulâncias para o Municí- 00930 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS pio. Ainda colocamos Jacobina no mapa dos laboratórios públicos de caráter regional, além de garantirmos SAMU, UPA, Posto de Saúde da Família, construção e aparelhamento de dez leitos de UTI, mas a Prefeita se recusou a implantar. Também foi o Município que mais recebeu ambulâncias. Infelizmente, a Sra. Prefeita não implantou a UPA. Também não implantou o SAMU regional. Ela fez um “arremedo” de SAMU, uma imitação fajuta, correndo o risco de Jacobina perder as ambulâncias, pois o Ministério da Saúde as está pedindo de volta. Um outro problema grave, e que já denunciei nesta tribuna, é quanto à situação complicada por que estão passando alguns alunos do Município. Pedi que fossem tomadas as medidas necessárias para solucionar o problema de alunos que percorrem até 8 quilômetros para chegar ao ponto de ônibus. Aliás, nem ponto de ônibus existe: os alunos esperam o transporte embaixo de árvores. Apesar da solicitação, nenhuma medida foi tomada até agora. A denúncia foi enviada ao meu gabinete pela União das Associações Rurais de Jenipapo da Lambança e Adjacências – UARJA. No turno matutino, os alunos que têm entre 14 e 19 anos de idade saem de suas casas às 4 horas, ou seja, ainda de madrugada, e só retornam às 15 horas. E pasmem: no período de chuva, esses jovens têm que atravessar o rio a nado, pois não existem pontes para facilitar a vida deles. No período vespertino, os alunos que têm entre 6 e 12 anos de idade precisam sair de casa às 11 horas e retornam as suas casas às 19h30min, passando pelos mesmos problemas. Para desenvolver-se e desenvolver aos demais Municípios, é necessário que Jacobina se liberte do governo tirano de Valdice e Leopoldo. E tenho certeza de que, neste ano, o povo vai eleger quem quer uma Jacobina livre, democrática, republicana e transparente. Muito obrigado. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, venho a esta tribuna para trazer uma denúncia que chegou ao meu gabinete quanto a uma situação complicada por que estão passando alguns alunos do Município de Jacobina, minha cidade natal. Quero tornar público e gostaria que fossem tomadas a medidas necessárias para solucionar o problema, pois, de acordo a União das Associações Rurais de Jenipapo da Lambança e Adjacências – UARJA, os alunos beneficiários do Caminho da Escola percorrem até 8 quilômetros para chegar ao ponto de ônibus. Aliás, nem ponto de ônibus existe: os alunos esperam o transporte embaixo de árvores. No turno matutino, os alunos que têm entre 14 e 19 anos de idade saem de suas casas às 4 horas, ou seja, ainda de madrugada, e só retornam às 15 horas. Fevereiro de 2012 E pasmem: no período de chuva, esses jovens têm que atravessar o rio a nado, pois não existem pontes para facilitar a vida deles. No período vespertino, os alunos que têm entre 6 e 12 anos de idade precisam sair de casa às 11 horas e retornam às suas casas às 19h30min, passando pelos mesmos problemas. Portanto, Sr. Presidente, quero pedir que as autoridades municipais tomem providências urgentes para resolver os problemas dessas crianças e jovens. Aproveito para solicitar o registro nos Anais e que fosse publicado o mais amplamente possível nos meios de comunicação desta Casa o documento que recebemos da União das Associações Rurais de Jenipapo da Lambança e Adjacências – UARJA, com a relação de alunos que passam por esses transtornos. Muito obrigado. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, quero dar como lida a matéria de Corino Urgente, postada no site: http://www.pinicodeouro.com.br/corino-urgente/83725, que diz respeito à situação caótica em que se encontra a saúde em Jacobina, pela péssima administração da Prefeita Valdice. Muito obrigado. DOCUMENTOS A QUE SE REFERE O ORADOR EDITORIAL: QUER MORRER EM HOSPITAIS PÚBLICOS? VENHA PARA JACOBINA Postado por Corino Urgente em 29-1-2012 na Corino Urgente, Notícias 29/1/2012 0h40 – A saúde municipal, na Cidade do Ouro, é um verdadeiro caso de polícia devido à falta de compromisso e à esperteza de uma gestão comprometida com tudo, menos com a saúde da população. Jacobina, infelizmente, tem na prefeitura uma gestora perdulária e incompetente que responde pelo cargo de prefeita, dona Valdice Castro. Diante da omissão da Câmara de Vereadores, onde se percebe com muita clareza vereadores sem nenhum compromisso com o cargo que exercem, a exemplo da sua função primordial de fiscalizar a municipalidade que não é cumprida, a população sofre na pele os reflexos de uma política pública de saúde irresponsável e criminosa. Um exemplo, dentre tantos outros, ocorreu neste sábado, 28, em Itaitu, mais precisamente na cachoeira Véu de Noiva. Um jovem de 27 anos morreu mais de uma hora depois de ter se afogado, uma vez que a ambulância Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS do Samu (apenas uma fachada de um complexo de saúde que nunca foi implantado por capricho da prefeita e de seu marido inelegível) demorou uma hora ou mais para chegar ao local. Pior do que o atraso foi o empurra-empurra vivido por outro jovem, ferido ao tentar salvar a vítima de afogamento, ficando o sábado indo de um hospital para o outro – Antônio Teixeira Sobrinho e Regional Vicentina Goulart -, e ouvindo sempre a informação de que não tinha médico, aparelhos nem anestesista para o atendimento. Mais do que ludibriar a boa fé das pessoas, a gestão da prefeita Valdice Castro vem sendo responsável por mortes e mais mortes ao oferecer um sistema de saúde municipal preguiçoso, desestruturado, e, em consequência, assassino. Como os vereadores são omissos e umbilicalmente ligados às benesses oferecidas pela prefeita, espera-se que o Ministério Público e a Justiça ajam com eficácia e rapidez para pôr fim a esse quadro vexatório e criminoso que virou a saúde municipal em Jacobina. Se essas autoridades competentes, que são servidores públicos, que ganham salários para isso, não fizerem a sua parte, em quem o povo de Jacobina poderá confiar? A roleta-russa, que mata inocentes, continua mais viva do que nunca. A saúde pública de Jacobina, mais do que uma vergonha, virou um caso de polícia. Com a palavra as autoridades competentes. CORINO RODRIGUES DE ALVARENGA UNIÃO DAS ASSOCIAÇÕES RURAIS DE JENIPAPO DA LAMBANÇA E ADJACÊNCIAS – UARJA Endereço: Jenipapo da Lambança – Jacobina-BA CEP: 44700-000 Contatos: (74) 8121-6204 [email protected] RELAÇÃO DOS ALUNOS DE BARROCÃO VELHO QUE PERCORREM ATÉ 8KM PARA CHEGAR AO PONTO DO ÔNIBUS ESCOLAR: TURNO MATUTINO DE 14 A 19 ANOS DE IDADE, SAINDO DE SUAS CASAS ÀS 4H DA MANHà RETORNANDO ÀS 15H. NO PERÍODO DE CHUVA TEM QUE ATRAVESSAR RIO NADANDO, POIS NÃO EXISTE PONTES. • JOSEANE LOPES SILVA • TATIANE LOPES SILVA • JACIMARA DOS SANTOS PEDREIRA Terça-feira 7 00931 • IRANILDO SILVA DE ALMEIDA • EGNALDO DA SILVA • GENILDO DE JESUS SILVA • JEANE SILVA DE JESUS • GERALDO DA SILVA LOPES • MARIA FERNANDA DA SILVA • VANDERLANIA SILVA DOS SANTOS • JANE SILVA DE JESUS • CINTIA DA SILVA • RENE SILVA DE ALMEIDA • THIAGO LOPES SILVA • EDENILTON DA SILVA • MANOEL MESSIAS DOS SANTOS SANTANA • GEN1LDO SANTOS DA SILVA • RENATA DA SILVA • ALEX DA SILVA • NILTON DE JESUS SILVA TURNO VESPERTINO DE 6 A 12 ANOS DE IDADE, SAINDO DE SUAS CASAS ÀS 11H DA MANHà RETORNANDO PARA SUAS CASAS ÀS 19H30MIN, NO PERÍODO DE CHUVA TEM QUE ATRAVESSAR RIO NADANDO, POIS NÃO EXISTE PONTES. • JANE CLEIDE DA SILVA • SANDRO DA SILVA • JOANDERSON DA SILVA • VANESSA JESUS DA SILVA • MARIA RÚBIA DOS SANTOS PEDREIRA • MAURÍCIO JESUS DA SILVA • ANA CLAUDIA GOMES DE JESUS • JOCIMARA DOS SANTOS PEDREIRA • JOÃO GABRIEL DOS SANTOS PEDREIRA • EDINAILTON CAMPOS DA SILVA • AMANDO CAMPOS DA SILVA • ROSANGELA CAMPOS DA SILVA Tiago M Dias Ferreira, Presidente Associação. O SR. PRESIDENTE (Moreira Mendes) – Deputado Amauri Teixeira, solicito a V.Exa. que assuma a Presidência dos trabalhos, para que eu possa fazer uma comunicação. (Pausa.) O Sr. Moreira Mendes, § 2° do art. 18 do Regimento Interno, deixa a cadeira da Presi‑ dência, que é ocupada pelo Sr. Amauri Teixeira, § 2° do art. 18 do Regimento Interno. O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) – Com a palavra o Deputado Moreira Mendes, do PSD de Rondônia, para breve comunicação. S.Exa. tem 3 minutos. O SR. MOREIRA MENDES (PSD-RO. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, de volta a 00932 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS esta Casa, tudo que eu não queria era usar da palavra nesta tribuna para fazer o comentário que vou fazer. Tive conhecimento de que outros Parlamentares, na sessão ordinária da última sexta-feira, já prestaram aqui as homenagens devidas a este grande brasileiro e colega nosso que se foi, o Deputado Moacir Micheletto. Mas, na condição de Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, que sempre teve o Deputado Moacir Micheletto como um dos seus integrantes mais ilustres, tendo sido Presidente e Diretor que representava a sua região, Diretor de Relações Políticas, tenho que vir aqui novamente, com tristeza, lembrar deste fato doloroso. No último dia 30, há exatamente 7 dias, vítima de um acidente fatal, perdeu a vida nosso companheiro Deputado Moacir Micheletto, um homem que, pelo seu trabalho ligado à agricultura, à pecuária, ao pequeno produtor, à produção, deixou marcas indeléveis nesta Casa. Quero voltar ainda um pouco ao passado e me lembrar do tempo em que fui Senador. Lá estava Moacir Micheletto como Relator da Comissão que estudava a Medida Provisória nº 2.166, que tinha como Presidente outra figura ilustre do Mato Grosso, nosso saudoso Senador Jonas Pinheiro, também de imemorável lembrança na luta em defesa da produção e do produtor. Eu tive a honra de ser o Vice-Presidente daquela Comissão Especial. Foi uma luta tremenda. Andamos o Brasil todo, naquela ocasião, por conta daquela medida provisória, que tinha um rito diferenciado. Moacir Micheletto apresentou um projeto exemplar como Relator. Lembro-me de que ganhamos a matéria por 13 votos a 3. Mas, no dia seguinte, por determinação do então Presidente Fernando Henrique Cardoso, o então Ministro, hoje nosso colega Deputado Sarney Filho, reeditou a medida provisória, piorando mais as coisas para o produtor e a produção, com o engessamento da legislação ambiental brasileira. Não foi diferente agora na legislatura passada da Câmara dos Deputados. Quero também prestar homenagem ao nosso Vice-Presidente Michel Temer, que, sensibilizado, assumiu o compromisso com a bancada daqueles que defendem o agronegócio, a produção brasileira, e designou a Comissão Especial para tratar da reforma do Código Florestal. E lá estava novamente Moacir Micheletto, defendendo os interesses do produtor brasileiro, ao lado do não menos brilhante, nosso Ministro hoje e Deputado na época, Aldo Rebelo. Foi uma luta e uma votação que marcou história nos Anais da Câmara dos Deputados a votação do relatório do Deputado Aldo Rebelo. Infelizmente, Sr. Presidente, agora, nesta reta final, quando temos a data marcada de 6 e 7 de março próximos para analisarmos na Câmara dos Deputa- Fevereiro de 2012 dos as modificações introduzidas pelo Senado, não teremos a figura de Moacir Micheletto ajudando-nos nesse grande embate para tirar a melhor das propostas não só para o meio ambiente, mas também para o produtor e a produção. Peço a V.Exa. paciência e que me dê mais um tempo para ler uma nota da Associação Nacional de Defesa Vegetal – ANDEF, que retrata exatamente o sentimento de todas as entidades que representam o setor, de todos aqueles que defendem o agronegócio, que defendem a produção, o pequeno e o grande produtor. E peço que ela seja transcrita nos Anais da Casa: “A Associação Nacional de Defesa Ve‑ getal, ANDEF, em nome de suas empresas associadas, conselheiros e diretores, manifes‑ ta o seu pesar pelo falecimento do Deputado Federal Moacir Micheletto (PMDB), ocorrido no dia 30 de janeiro último. A valorização e o empenho em prol da agricultura sempre foram uma missão do líder e parlamentar. Nascido na cidade catarinense de Xan‑ xerê, em 1942, Micheletto conheceu cedo, com a família, a lida do campo. Aprimorou-a nos estudos, formando-se Engenheiro Agrô‑ nomo pela Universidade de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul. Trabalhou por anos como extensionista rural, levando o conhecimento aos produtores como funcionário da EMATER do Estado do Paraná. Foi na agricultura paranaense que iniciou sua trajetória política de defesa dos interesses do campo. Primeiramente, como dirigente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), cuja liderança o levou ao Congresso Nacional. Elegeu-se Deputado Federal pela primeira vez em 1990, reelegendo-se conse‑ cutivamente por seis mandatos. Na legislatura atual, Moacir Micheletto destacou-se como Presidente da Comissão Especial que analisou as mudanças do Código Florestal. Foi Micheletto quem advertiu que a atual legislação dificulta a produção e crimina‑ liza mais de 90% da população rural do Brasil, sem contribuir para preservar o meio ambiente. A proposta foi aprovada por 410 votos a favor e apenas 63 contra. Ao reconhecer a liderança e a dedicação de longos anos de Moacir Micheletto, a ANDEF expressa o sen‑ timento de que não apenas o Congresso Na‑ cional, mas a agricultura brasileira perde um valoroso representante.” Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Sr. Presidente, encerro minha manifestação, deixando aqui, mais uma vez, os nossos mais sinceros pêsames. E o fiz pessoalmente ao visitar a cidade dele no dia do enterro. Deixo à sua família, à sua esposa, que também convalesce, e aos seus filhos os nossos mais sinceros pêsames. Espero que Moacir Micheletto, ao lado de Jonas Pinheiro, possa continuar iluminando e protegendo todas as cabeças do Congresso Nacional que têm dever e responsabilidade com a produção e o produtor rural. Vou apresentar requerimento à Mesa no sentido de que façamos uma sessão de homenagem a esse ilustre brasileiro, a esse Deputado que sempre honrou os votos que recebeu no Paraná, sendo reconhecido em todo o Brasil por seu trabalho e sua luta na defesa da produção e do produtor. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) – Concedo a palavra ao nobre Deputado Júlio Campos, para uma Comunicação de Liderança, pelo DEM. O SR. JÚLIO CAMPOS (DEM-MT. Como Líder. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, ocupo a tribuna da Câmara dos Deputados na tarde de hoje para registrar também um voto de pesar e nossa solidariedade ao povo espanhol, ao povo galego, pelo falecimento do saudoso D. Manuel Fraga Iribarne, que foi Presidente da Junta de Galícia por cerca de 15 anos e um dos grandes fundadores do Partido Popular, que assumiu, recentemente, o Governo espanhol. Registram os Anais que Manuel Fraga Iribarne nasceu em Vilalba, na Espanha, em 23 de novembro de 1922, e morreu agora em Madrid no último dia 15 de janeiro de 2012, tendo sido um político brilhante. Foi Ministro da Informação e do Turismo de 1962 a 1969, durante o período do Presidente Franco, e importante nome da transição para a democracia no país irmão. Foi responsável pela elaboração da nova Constituição do Reino da Espanha. Foi também Presidente da Junta de Galícia durante 15 anos, de 1990 a 2005, e Senador das Cortes Gerais, eleito pelo Parlamento de Galícia. Quando Senador da República e Vice-Presidente do Senado Federal, tive oportunidade de participar de um evento lá na Galícia, e D. Manuel era seu Presidente. Pude testemunhar o apreço e o tratamento carinhoso que ele tinha pelo Brasil, principalmente pelo Estado da Bahia, onde há uma grande colônia de espanhóis descendentes da Galícia. Por isso, não poderia deixar de registrar nos Anais da Casa a lamentável perda desse grande espanhol. Licenciou-se em Direito e em Ciências Políticas e Econômicas e iniciou a atividade política em 1952, como Secretário-Geral do Instituto de Cultura Hispâ- Terça-feira 7 00933 nica. Ocupou em seguida vários cargos nas áreas da educação e da cultura. Em 1962, foi nomeado Ministro da Informação e do Turismo, época em que a Espanha se tornou uma das grandes potências do turismo mundial. Em 1973, foi nomeado Embaixador da Espanha no Reino Unido. Regressou a seu país 2 anos depois para integrar o Governo da reinstaurada Monarquia, como Vice-Presidente e responsável pelos Assuntos Internos. Entre 1977 e 1978, fez parte do grupo que redigiu a Constituição espanhola – Los Padres de la Consti‑ tución –, e fundou a Aliança Popular, antecessora do atual Partido Popular (PP), cuja liderança deixou em 1987, quando eleito deputado ao Parlamento Europeu. O Partido Popular é semelhante ao meu partido no Brasil, o Democratas, porque temos a mesma filosofia de luta em defesa da democracia no País. Desde a transição democrática, Fraga Iribarne apresentou-se a todas as eleições até 1986, tendo sido eleito deputado pela comunidade de Madrid nas eleições legislativas de 1977, 1979, 1982 e 1986. Em 1989, liderou a lista do Partido Popular às eleições regionais da Galícia, vencendo com maioria absoluta e tornando-se Presidente da Junta. O êxito eleitoral veio a repetir-se nas três eleições seguintes – 1993, 1997 e 2001. Aos 82 anos, nas eleições regionais galegas de junho de 2005, perde por um deputado a maioria absoluta, por meio da eleição, e, com isso, abandona a Presidência da Junta. Publicou mais de 87 livros em castelhano e 2 em galego. Ele foi um dos papas do Parlamento e da Constituição espanhola. Por isso, em meu nome pessoal, em nome do Estado do Mato Grosso, que tem uma afinidade muito grande com a Galícia também, como tem o Estado da Bahia, em nome do povo brasileiro, quero prestar uma homenagem de profundo pesar ao povo galego, ao povo espanhol, pela perda, pela morte deste grande líder político que foi D. Manuel Fraga Iribarne, falecido no último dia 15 de janeiro, em Madrid, na Espanha. Os meus respeitos e as minhas homenagens sinceras a este grande líder da política espanhola. O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) – V.Exa. tem inteira razão quanto à relação entre a Junta da Galiza e a Bahia. Nós testemunhamos isso, fomos palestrantes no Seminário Brasil 500 anos, promovido pela Junta da Galiza, na Universidade de Santiago de Compostela, onde fomos muito bem acolhidos, juntamente com toda a comunidade baiana. Então, quero me somar, em nome da Mesa Diretora desta Casa, a este voto de pesar. 00934 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) – Com a palavra, para uma breve comunicação, o Deputado Francisco Escórcio, do PMDB do Maranhão, que disporá de até 3 minutos na tribuna. O SR. FRANCISCO ESCÓRCIO (PMDB-MA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, Deputado Amauri Teixeira, até parece coincidência, mas vou dirigir-me a V.Exa., até porque V.Exa. é Deputado do PT, um grande representante do Estado da Bahia. Lembro-me de que, quando eu era assessor especial do Presidente da República, estando na Presidência o Presidente Lula, cansei de sair ao lado do Presidente, participando das reuniões, principalmente em que estava presente a bancada do PMDB, e o Presidente Lula tinha um sonho: juntar o PT com o PMDB. No meu Estado, o PT sempre divergiu do PMDB. Mas, graças a esse querer do nosso eterno Presidente Lula – e nós fomos por todo o Brasil e fizemos isso onde pudemos –, fizemos essa grande composição. E agora me orgulho de dizer que no meu querido Estado, o Maranhão, temos a Governadora Roseana Sarney, do PMDB, e o Vice, Washington, do PT – inclusive, o Washington foi Deputado Federal. Isso é motivo de nossa alegria, fazendo valer aquilo que era a vontade do Presidente Lula. Mas não parou por aí. Precisávamos ficar mais unidos, mais firmes nessa coalizão, exatamente para buscar a união do PT e do PMDB no meu Estado. Agora venho a esta Casa para dizer com grande orgulho e satisfação que temos como pré-candidato à Prefeitura de São Luís do Maranhão o nosso querido Washington, do PT, que vai ser tranquilamente apoiado pelo PMDB. Nós vamos fazer uma coalizão fantástica, se Deus quiser! Nós não viemos para brincar; viemos para ganhar. Nós vamos ser vitoriosos nesse pleito que se avizinha para a Prefeitura de São Luís. Era essa a boa notícia que, até em homenagem a V.Exa., como um grande Deputado do PT, eu queria dar para o PT e para o PMDB em âmbito nacional. Muito obrigado. PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO À MESA PARA PUBLICAÇÃO O SR. LEONARDO GADELHA (PSC-PB. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, hoje venho a esta tribuna em um de meus primeiros discursos no Parlamento Federal para me manifestar sobre a atuação do Prefeito Municipal de Campina Grande, Paraíba, o Sr. Veneziano Vital do Rêgo, em relação ao bom momento que Campina atravessa. Fevereiro de 2012 Em 2005, quando assumiu a Prefeitura, o Prefeito passou incessantemente a trabalhar para sanear as finanças municipais, e aliou isso ao início de obras fundamentais para o desenvolvimento econômico e social da cidade. Entre as obras já inauguradas, construídas pelo Prefeito Veneziano com recursos próprios do Município, eu gostaria de citar: A Vila Olímpica Plínio Lemos, que conta com os melhores equipamentos esportivos do Norte e Nordeste, o que significa a inclusão de muitos jovens paraibanos; A Feira da Prata. A Prefeitura de Campina Grande tornou realidade um megaprojeto de ampliação, modernização e completa reforma do Mercado da Prata, que beneficiou cerca de 700 feirantes, que atendem aproximadamente 30 mil pessoas; A Feira Central. Já está em andamento o projeto de revitalização, ampliação, modernização e reestruturação da Feira Central de Campina Grande, obra orçada em R$36 milhões que transformará o Mercado Central num ponto de encontro turístico e cultural; O Sistema Integrado de Transporte Público, que proporciona a quem precisa usar mais de um ônibus para chegar ao destino a facilidade de pagar uma única passagem. A implantação do sistema de bilhetagem eletrônica e a construção dos terminais de integração e de transbordo, centrais e setorizados, melhoraram a vida da população. O investimento foi superior a R$2,2 milhões, recursos da própria Prefeitura; A Vila do Artesão. A partir de dezembro de 2009, os artesãos de Campina Grande têm um espaço específico para a produção e comercialização do artesanato: a Vila do Artesão; Creches. Quase todas as 21 creches da cidade foram totalmente reconstruídas, modernizadas e reequipadas nos últimos anos. Outras 5 creches foram construídas recentemente, mais 3 estão em construção e outras 14 serão reformadas e ampliadas; Escolas. Desde 2005, já foram reconstruídas e modernizadas mais de 120 escolas municipais, com implantação de manutenção preventiva ou corretiva. Isso melhorou a vida de aproximadamente 33 mil jovens e adultos. Houve também qualificação na área de informática para o magistério, com mais de 500 netbooks entregues aos professores; Restaurantes Populares e Cozinhas Comunitárias. Campina Grande ganhou dois restaurantes populares e seis cozinhas comunitárias, que fornecem mais de 6 mil refeições/dia a uma população que proporcionou o índice de 95% de aprovação desse serviço e sua qualidade. A Prefeitura está construindo outras três cozinhas comunitárias; Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS O fortalecimento e apoio a eventos. Campina Grande deu um salto qualitativo no turismo de eventos, com o fortalecimento do Maior São João do Mundo, do Festival de Inverno e dos eventos religiosos do mês de fevereiro. A cada ano, o São João de Campina Grande bate todos os recordes: gera mais de 10 mil empregos temporários e tem receita superior a R$100 milhões; O Vias Abertas, primeiro programa de pavimentação e asfaltamento posto em prática em Campina Grande, que beneficiou todas as áreas da cidade, indistintamente. De 2005 até os dias atuais, já foram pavimentadas 520 ruas e avenidas da cidade, com asfalto ou paralelepípedo, num total de mais de 180 quilômetros de pavimento novo, com investimentos superiores a R$72 milhões; Moradias. Campina ganhou na atual administração, pela primeira vez em toda a sua existência, um projeto de habitação conduzido pelo Governo Municipal: o Programa Casa da Gente. Através de ações próprias e/ou integradas ao Governo Federal, a Prefeitura está construindo e entregando, permanentemente, casas e apartamentos para famílias que não tem onde morar. Até agora, cerca de 1.500 unidades já foram entregues. Até o final de 2012, a Prefeitura deve reduzir pela metade o déficit habitacional que a cidade tinha em 2005, de 16 mil moradias; Obras do PAC. O Programa de Aceleração do Crescimento beneficiou Campina com mais de R$100 milhões em ações de urbanização, saneamento básico, esgotamento sanitário, pavimentação, drenagem, canalização de córregos, instalação de redes de esgoto e de abastecimento d’água, construção de casas e remoção de residências em situação de risco e construção de áreas de lazer. No PAC 2, mais de R$40 milhões em obras de pavimentação, drenagem, esgotamento sanitário e melhorias habitacionais; Saúde – Atenção Básica. Enquanto a cobertura nacional da Estratégia Saúde da Família é hoje de 73%, Campina Grande tem mais de 80% de cobertura, o que corresponde a cerca de 300 mil habitantes. Também foi construída uma rede de unidades do Saúde da Família, com mais de 20 unidades já inauguradas; O Hospital da Criança e do Adolescente. A Prefeitura de Campina Grande vai implantar este ano o Hospital da Criança e do Adolescente, que funcionará na Avenida Floriano Peixoto, a principal da cidade. Os recursos para equipar o hospital e para seu funcionamento já foram garantidos pelo Ministério da Saúde. A expectativa é que o novo Hospital da Criança e do Adolescente passe a funcionar ainda no primeiro semestre deste ano; Conquistas do servidor. Uma das ações mais importantes da atual administração foi garantir conquistas para os servidores. Foram vários os avanços. Terça-feira 7 00935 Entre eles, a publicação do calendário de pagamento. Hoje, o servidor sabe com muita antecedência o dia em que vai receber o salário mensal e o 13º salário. A administração do Prefeito Veneziano, com muita seriedade, esteve voltada para o social, beneficiando os campinenses e as cidades que compõem o Complexo da Borborema, o que sem sombra de dúvidas aumentou a capacidade aquisitiva de sua população, com geração de empregos e melhora na qualidade de vida de muitos paraibanos. Parabéns a Campina Grande, aos campinenses, ao Prefeito Veneziano Vital do Rego e a todos os que contribuem para o crescimento da cidade com destaque na qualidade de vida. Muito obrigado. VII – ENCERRAMENTO O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) – Nada mais havendo a tratar, vou encerrar a sessão, lembrando que amanhã, dia 7, às 10 horas, haverá sessão solene em homenagem aos 80 anos da Festa Nacional da Uva. O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) – Encerro a sessão, antes designando para amanhã, terça-feira, dia 7 de fevereiro, às 14 horas, a seguinte ORDEM DO DIA URGÊNCIA (Art. 62, § 6º da Constituição Federal) Discussão 1 MEDIDA PROVISÓRIA Nº 544, DE 2011 (Do Poder Executivo) Discussão, em turno único, da Medida Provisória nº 544, de 2011, que estabelece normas especiais para as compras, as contratações de produtos, de sistemas de defesa, e de desenvolvimento de produtos e de sistemas de defesa, e dispõe sobre regras de incentivo à área estratégica de defesa e dá outras providências. Pendente de parecer da Comissão Mista. A Emenda de nº 29 foi indeferida liminarmente por versar sobre matéria estranha, nos termos do art. 4º, § 4º, da Resolução nº 1/2002-CN, c.c. art. 125 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados (Questão de Ordem nº 478/2009). COMISSÃO MISTA: 13-10-11 PRAZO NA CÂMARA: 27-10-11 PASSA A SOBRESTAR A PAUTA EM: 14-11-11 (46º DIA) PERDA DE EFICÁCIA: 8-3-12 00936 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS 2 MEDIDA PROVISÓRIA Nº 545, DE 2011 (Do Poder Executivo) Discussão, em turno único, da Medida Provisória nº 545, de 2011, que altera a Lei no 10.893, de 13 de julho de 2004, que dispõe sobre o Adicional ao Frete para a Renovação da Marinha Mercante – AFRMM e o Fundo da Marinha Mercante – FMM; altera a Medida Provisória no 2.228-1, de 6 de setembro de 2001, e as Leis no 11.434, de 28 de dezembro de 2006, no 11.196, de 21 de novembro de 2005, no 10.865, de 30 de abril de 2004, e no 8.685, de 20 de julho de 1993; altera a incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS na cadeia produtiva do café, institui o Programa Cinema Perto de Você, e dá outras providências. Pendente de parecer da Comissão Mista. As Emendas de nºs 48, 54, 55, 56, 57, 61 e 62 foram indeferidas liminarmente por versarem sobre matéria estranha, nos termos do art. 4º, § 4º, da Resolução nº 1/2002-CN, c.c. art. 125 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados (Questão de Ordem nº 478/2009). A Emenda nº 24 foi retirada pelo autor. COMISSÃO MISTA: 13-10-11 PRAZO NA CÂMARA: 27-10-11 PASSA A SOBRESTAR A PAUTA EM: 14-11-11 (46º DIA) PERDA DE EFICÁCIA: 8-3-12 3 MEDIDA PROVISÓRIA Nº 546, DE 2011 (Do Poder Executivo) Discussão, em turno único, da Medida Provisória nº 546, de 2011, que dispõe sobre a prestação de auxílio financeiro pela União aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, no exercício de 2011, com o objetivo de fomentar as exportações do País, altera a Lei nº 12.409, de 25 de maio de 2011, e dá outras providências. Pendente de parecer da Comissão Mista. As Emendas de nºs 6 e 7 foram indeferidas liminarmente por versarem sobre matéria estranha, nos termos do art. 4º, § 4º, da Resolução nº Fevereiro de 2012 1/2002-CN, c.c. art. 125 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados (Questão de Ordem nº 478/2009). COMISSÃO MISTA: 13-10-11 PRAZO NA CÂMARA: 27-10-11 PASSA A SOBRESTAR A PAUTA EM: 14-11-11 (46º DIA) PERDA DE EFICÁCIA: 8-3-12 4 MEDIDA PROVISÓRIA Nº 547, DE 2011 (Do Poder Executivo) Discussão, em turno único, da Medida Provisória nº 547, de 2011, que altera a Lei nº 6.766, de 19 de dezembro de 1979; a Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001, e a Lei nº 12.340, de 1º de dezembro de 2010. Pendente de parecer da Comissão Mista. As Emendas de nºs 42, 43, 45, 46, 47, 48, e 49 foram indeferidas liminarmente por versarem sobre matéria estranha, nos termos do art. 4º, § 4º, da Resolução nº 1/2002-CN, c.c. art. 125 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados (Questão de Ordem nº 478/2009). COMISSÃO MISTA: 26-10-11 PRAZO NA CÂMARA: 9-11-11 PASSA A SOBRESTAR A PAUTA EM: 27-11-11 (46º DIA) PERDA DE EFICÁCIA: 21-3-12 REPUBLICADA NO DOU EXTRA DE 13-10-11. 5 MEDIDA PROVISÓRIA Nº 548, DE 2011 (Do Poder Executivo) Discussão, em turno único, da Medida Provisória nº 548, de 2011, que abre crédito extraordinário, em favor do Ministério da Educação, no valor de R$ 460.530.000,00, para o fim que especifica. Pendente de parecer da Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização. COMISSÃO MISTA: 13-11-11 PRAZO NA CÂMARA: 27-11-11 PASSA A SOBRESTAR A PAUTA EM: 15-12-11 (46º DIA) PERDA DE EFICÁCIA: 8-4-12 Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS URGÊNCIA (Artigo 64, § 2º, da Constituição Federal c/c art. 204, II, do Regimento Interno) Discussão 6 PROJETO DE LEI Nº 1.992-C, DE 2007 (Do Poder Executivo) Continuação da discussão, em turno único, do Projeto de Lei nº 1.992-C, de 2007, que institui o regime de previdência complementar para os servidores públicos federais titulares de cargo efetivo, inclusive os membros dos órgãos que menciona, fixa o limite máximo para a concessão de aposentadorias e pensões pelo regime de previdência de que trata o art. 40 da Constituição, autoriza a criação de entidade fechada de previdência complementar denominada Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público Federal – FUNPRESP, e dá outras providências; tendo pareceres: da Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público pela aprovação deste e, parcial ou integralmente, das emendas de nºs 3, 11, 12, 13, 18, 20, 23, 24, 25, 30, 31, 32, 42, 44, 45, 46, 47, 49, 51, 54, 56 e 59, com substitutivo, e pela rejeição das demais emendas apresentadas na Comissão (Relator: Dep. Silvio Costa); da Comissão de Seguridade Social e Família, proferido em Plenário e entregue à Mesa, pela aprovação deste, das Emendas de n.ºs 4, 6, 18, 19 e 23 apresentadas na Comissão, e das Emendas de Plenário de n.ºs 8, 17 e 18, na forma do Substitutivo apresentado, e pela rejeição das Emendas de n.ºs 1 a 3, 5, 7 a 17, 20 a 22 e 24 a 27 apresentadas na Comissão, e das Emendas de Plenário n.ºs 1 a 7, 9 a 16, 19 e 20 (Relator: Dep. Rogério Carvalho); da Comissão de Finanças e Tributação, proferido em Plenário e entregue à Mesa, pela adequação financeira e orçamentária deste e, no mérito, pela aprovação na forma do Substitutivo da Comissão de Seguridade Social e Família (Relator: Dep. Ricardo Berzoini); da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, proferido em Plenário e entregue à Mesa, pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa deste e Terça-feira 7 00937 do Substitutivo da Comissão de Seguridade Social e Família (Relator: Dep. Chico D’Angelo). PASSA A SOBRESTAR A PAUTA EM: 18-11-11 (46º dia) URGÊNCIA (Art. 62, da Constituição Federal) Discussão 7 MEDIDA PROVISÓRIA Nº 549, DE 2011 (Do Poder Executivo) Discussão, em turno único, da Medida Provisória nº 549, de 2011, que reduz a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, da Contribuição para o PIS/PASEP – Importação e da COFINS – Importação incidentes sobre a importação e a receita de venda no mercado interno dos produtos que menciona. Pendente de parecer da Comissão Mista. COMISSÃO MISTA: 1º-12-11 PRAZO NA CÂMARA: 15-12-11 PASSA A SOBRESTAR A PAUTA EM: 12-2-12 (46º DIA) PERDA DE EFICÁCIA: 26-4-12 8 MEDIDA PROVISÓRIA Nº 550, DE 2011 (Do Poder Executivo) Discussão, em turno único, da Medida Provisória nº 550, de 2011, que altera a Lei nº 10.735, de 11 de setembro de 2003, que dispõe sobre o direcionamento de depósitos à vista captados pelas instituições financeiras para operações de crédito destinadas à população de baixa renda e a microempreendedores, e dá outras providências. Pendente de parecer da Comissão Mista. COMISSÃO MISTA: 1º-12-11 PRAZO NA CÂMARA: 15-12-11 PASSA A SOBRESTAR A PAUTA EM: 12-2-12 (46º DIA) PERDA DE EFICÁCIA: 26-4-12 9 MEDIDA PROVISÓRIA Nº 551, DE 2011 (Do Poder Executivo) Discussão, em turno único, da Medida Provisória nº 551, de 2011, que altera dispo- 00938 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS sitivos das Leis nº 7.920, de 12 de dezembro de 1989, nº 9.825, de 23 de agosto de 1999, nº 8.399, de 7 de janeiro de 1992, nº 6.009, de 26 de dezembro de 1973, nº 5.862, de 12 de dezembro de 1972, nº 12.462, de 5 de agosto de 2011; e dá outras providências. Pendente de parecer da Comissão Mista. COMISSÃO MISTA: 6-12-11 PRAZO NA CÂMARA: 20-12-11 PASSA A SOBRESTAR A PAUTA EM: 17-2-12 (46º DIA) PERDA DE EFICÁCIA: 1º-5-12 10 MEDIDA PROVISÓRIA Nº 552, DE 2011 (Do Poder Executivo) Discussão, em turno único, da Medida Provisória nº 552, de 2011, que altera o art. 4º da Lei nº 10.931, de 2 de agosto de 2004, e os arts. 1º e 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004. Pendente de parecer da Comissão Mista. COMISSÃO MISTA: 14-12-11 PRAZO NA CÂMARA: 7-2-11 PASSA A SOBRESTAR A PAUTA EM: 25-2-12 (46º DIA) PERDA DE EFICÁCIA: 9-5-12 AVISOS EMENDAS 2. PROJETO DE RESOLUÇÃO QUE ALTERA O RICD Prazo para apresentação de emendas: 5 Sessões (Art. 216, § 1º, do RICD). Nº 99/11 (Carlos Souza) – Altera o art. 91 e acrescenta o art. 254-A ao Regimento Interno da Câmara dos Deputados, dispondo sobre a participação de representantes de associações e órgãos de classe, sindicatos e outras entidades organizadas da sociedade civil nos trabalhos das comissões e do Plenário nas últimas quartas-feiras do primeiro e do terceiro trimestres. DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 10-2-12 RECURSOS 1. CONTRA APRECIAÇÃO CONCLUSIVA DE COMISSÃO – ART. 24, II, DO RICD INTERPOSIÇÃO DE RECURSO: art. 58, § 3º, c/c o art. 132, § 2º (PARECERES FAVORÁVEIS), ou com o art. 133 (PARECERES CONTRÁRIOS), todos do RICD. Prazo para apresentação de recurso: 5 sessões (art. 58, § 1° do RICD). Fevereiro de 2012 1.1 COM PARECERES FAVORÁVEIS PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº 1.027/2008 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Beneficente Vida Plena a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Garça, Estado de São Paulo. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 1.189/2008 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à Rádio São Francisco de Borja Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de São Borja, Estado do Rio Grande do Sul. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 1.362/2008 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Cultural de Difusão Comunitária Livre FM a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária na cidade do Núcleo Bandeirante, no Distrito Federal. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 1.479/2009 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a concessão outorgada à Rádio Atual Guairacá de Mandaguari Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em onda média no Município de Mandaguari, Estado do Paraná. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 1.590/2009 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Rádio Comunitária Paula Freitas – ARCOFREITAS a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Paula Freitas, Estado do Paraná. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 1.718/2009 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Cultural Rádio Comunidade FM – RADIOCOM a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Pelotas, Estado do Rio Grande do Sul. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Terça-feira 7 00939 Nº 1.774/2009 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação de Difusão Comunitária Viamonense do Bairro COHAB a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Viamão, Estado do Rio Grande do Sul. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 2.014/2009 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Comunitária Rádio Momento FM a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Osório, Estado do Rio Grande do Sul. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 1.839/2009 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Rádio Difusora Resplendor Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Resplendor, Estado de Minas Gerais. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 2.175/2009 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Cultural de Radiodifusão Comunitária a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Piraí do Sul, Estado do Paraná. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 1.892/2009 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Passofundense de Radiodifusão Comunitária a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Passo Fundo, Estado do Rio Grande do Sul. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 2.198/2009 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Comunitária Princesa da Lagoa a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Pelotas, Estado do Rio Grande do Sul. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 1.950/2009 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação do Movimento de Radiodifusão Alternativa de Horizontina a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Horizontina, Estado do Rio Grande do Sul. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 2.258/2009 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Cerrograndense de Cultura e Comunicação a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Cerro Grande, Estado do Rio Grande do Sul. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 1.954/2009 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Comunitária Beneficente Cultural Encantadense a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Encantado, Estado do Rio Grande do Sul. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 2.293/2009 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Centro Comunitário Nossa Senhora de Fátima a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Pelotas, Estado do Rio Grande do Sul. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 2.006/2009 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Comunitária de Radiodifusão de Dezesseis de Novembro – RS a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Dezesseis de Novembro, Estado do Rio Grande do Sul. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 2.297/2009 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Rádio Comunitária de Getúlio Vargas – RS a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Getúlio Vargas, Estado do Rio Grande do Sul. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 00940 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Nº 2.339/2009 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Comunitária e Cultural de Douradina a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Douradina, Estado do Paraná. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 2.341/2009 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação dos Moradores do Jardim Olidel e Adjacências a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Alumínio, Estado de São Paulo. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 2.660/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Rádio Comunitária Nova Visão a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Igrejinha, Estado do Rio Grande do Sul. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 2.677/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à S.R.S. Comunicações Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de São João Batista, Estado de Santa Catarina. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 2.743/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a concessão outorgada à Rádio Metrópole de Crissiumal Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em onda média, no Município de Crissiumal, Estado do Rio Grande do Sul. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 2.754/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Comunitária de Radiodifusão da Colônia Triunfo a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Pelotas, Estado do Rio Grande do Sul. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 2.756/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Cultural Comunitária Paraty a executar, Fevereiro de 2012 pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de São Bernardo do Campo, Estado de São Paulo. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 2.788/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a concessão outorgada à Rádio Sociedade Difusora a Voz de Bagé Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em onda média, no Município de Bagé, Estado do Rio Grande do Sul. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 2.854/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a concessão outorgada à Rádio Difusora de Cambé Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em onda média, no Município de Cambé, Estado do Paraná. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 2.860/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Rádio FM Norte Pioneira Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Jacarezinho, Estado do Paraná. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 2.884/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a concessão outorgada à Televisão Icaraí Ltda. para explorar serviço de radiodifusão de sons e imagens, no Município de Maringá, Estado do Paraná. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 2.888/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a concessão outorgada à Rádio Educadora de Laranjeiras do Sul Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em onda média, no Município de Laranjeiras do Sul, Estado do Paraná. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 2.890/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a concessão outorgada à Rádio Paranavaí Ltda para explorar serviço de radiodifusão sonora em onda média, no Município de Paranavaí, Estado do Paraná. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Nº 2.900/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação de Radiodifusão Comunitária Porto de Cachoeira de Santa Leopoldina a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Santa Leopoldina, Estado do Espírito Santo. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 2.901/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Comunitária Cultural Bom Jesus do Sul a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Bom Jesus do Sul, Estado do Paraná. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Terça-feira 7 00941 Nº 2.935/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Comunitária e Cultural Zona Sul Liberdade FM a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Pato Branco, Estado do Paraná. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 2.942/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Rádio Comunitária Nova Pinhais a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Pinhais, Estado do Paraná. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 2.919/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Rádio Paranaíba Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Itumbiara, Estado de Goiás. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 2.947/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Comunitária de Comunicação e Cultura de Campinaçú a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Campinaçú, Estado de Goiás. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 2.930/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Cultural e Educacional de Caldas Novas a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Caldas Novas, Estado de Goiás. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 2.961/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Rádio Verdes Campos Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Cascavel, Estado do Paraná. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 2.931/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação de Difusão Comunitária Central de Santiago a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Santiago, Estado do Rio Grande do Sul. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 2.963/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Rádio Panema Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Andirá, Estado do Paraná. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 2.934/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a ABRAQUA – Associação Brasileira de Qualificação e Ensino Pró-Rádio a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de São Paulo, Estado de São Paulo. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 2.986/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão ao Sistema Conquista de Radiodifusão Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Santo Antônio do Leverger, Estado de Mato Grosso. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 3.007/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Rádio Comunitária Clube FM 00942 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Buriti do Tocantins, Estado de Tocantins. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 3.013/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Rádio Barretos Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Colina, Estado de São Paulo. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 3.014/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Rádio Sociedade Difusora a Voz de Bagé Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Bagé, Estado do Rio Grande do Sul. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 3.023/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão ao Sistema Gois de Radiodifusão Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de São José do Rio Claro, Estado de Mato Grosso. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 3.039/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a concessão outorgada à Rádio Eldorado Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em onda média, no Município de São Paulo, Estado de São Paulo. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 3.041/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga concessão à Fundação Sociedade Comunicação Cultura e Trabalho para executar serviço de radiodifusão de sons e imagens, com fins exclusivamente educativos, no Município São Caetano do Sul, Estado de São Paulo. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 3.042/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Rede Comunitária de Comunicação de Pelotas Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Pelotas, Estado do Rio Grande do Sul. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Fevereiro de 2012 Nº 3.052/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Rádio Transamérica FM Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Ponta Porã, Estado de Mato Grosso do Sul. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 3.056/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a concessão outorgada à Rádio Voz de Itabaiana Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em onda média, no Município de Itabaiana, Estado de Sergipe. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 3.057/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a concessão outorgada ao Sistema de Comunicação Itália Viva S.A para explorar serviço de radiodifusão sonora em onda média, no Município de Flores da Cunha, Estado do Rio Grande do Sul. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 3.059/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a concessão outorgada à Rádio Guaçú de Toledo Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em onda média, no Município de Toledo, Estado do Paraná. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 3.062/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a concessão outorgada à Telecomunicações Campos Dourados Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em onda média, no Município de Cascavel, Estado do Paraná. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 3.066/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação de Radiodifusão e Cultura de Aurora a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Aurora do Tocantins, Estado do Tocantins. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 3.069/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Comunitária de Amigos de Bairros a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Alto Paraguai, Estado de Mato Grosso. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 3.081/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Cultural Cafelandense a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Cafelândia, Estado de São Paulo. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 3.084/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Rádio Comunicação FM Stéreo Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Bauru, Estado de São Paulo. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 3.088/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à FM Studio 96 Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Curitiba, Estado do Paraná. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 3.092/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Rádio Musical FM S/C Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Jacareí, Estado de São Paulo. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 3.093/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Rádio Integração Sul Ltda para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Santana do Livramento, Estado do Rio Grande do Sul. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 3.094/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Antena Um Radiodifusão Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, na cidade de Brasília, Distrito Federal. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Terça-feira 7 00943 Nº 3.106/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à Televisão Guararapes Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Cerro Azul, Estado do Paraná. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 65/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação de Radiodifusão Comunitária Pampeana do Bairro Martinica a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Viamão, Estado do Rio Grande do Sul. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 70/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a concessão outorgada à Rádio Cultura de Gravataí Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em onda média, no Município de Gravataí, Estado do Rio Grande do Sul. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 72/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Rádio Cultura de Arvorezinha Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Arvorezinha, Estado do Rio Grande do Sul. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 74/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Centro de Comunicação Alternativa de Acrelândia a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Acrelândia, Estado do Acre. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 75/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a concessão outorgada à Rádio Brasília Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em onda média, na cidade de Brasília, Distrito Federal. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 79/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Comunitária e Beneficente de Mães Nos- 00944 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS sa Senhora da Conceição a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Biritinga, Estado da Bahia. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 104/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a concessão outorgada à Rede Centro Oeste de Rádio e Televisão Ltda. para explorar serviço de radiodifusão de sons e imagens, no Município Campo Grande, Estado de Mato Grosso do Sul. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 115/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a concessão outorgada à Rádio e Jornais do Ceará S.A. para explorar serviço de radiodifusão sonora em onda média, no Município de Fortaleza, Estado do Ceará. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 117/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a concessão outorgada à Sociedade de Radiodifusão Padre Eduardo Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em onda média, no Município de Terra Rica, Estado do Paraná. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 124/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a concessão outorgada à Rádio Difusora Guarapuava Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em onda média, no Município de Guarapuava, Estado do Paraná. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 131/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a concessão outorgada à Rádio Itapuã de Pato Branco Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em onda média, no Município de Pato Branco, Estado do Paraná. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 138/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Rádio Graúna Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Cornélio Procópio, Estado do Paraná. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Fevereiro de 2012 Nº 139/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Rádio Liberdade de Sergipe FM Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Aracaju, Estado de Sergipe. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 140/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Rádio FM de Serra Branca Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Serra Branca, Estado da Paraíba. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 147/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Comunitária e Cultural de Comunicação do Chuí a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Chuí, Estado do Rio Grande do Sul. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 150/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Amigos da Cultura – AMIC a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Orós, Estado do Ceará. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 166/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Cultural de Difusão Comunitária Amigos da Terra de Paulo Frontin a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Paulo Frontin, Estado do Paraná. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 190/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Rádio Caiuá Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Paranavaí, Estado do Paraná. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 195/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que re- Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Terça-feira 7 00945 nova a permissão outorgada à Rádio FM Clube Um Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Tupanciretã, Estado do Rio Grande do Sul. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 do Carmo de Oscar Bressane a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Oscar Bressane, Estado de São Paulo. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 202/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Rádio Club de Palmas Ltda., para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Palmas, Estado do Paraná. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 265/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação dos Moradores da Comunidade de Marianópolis – AMCM a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Marianópolis do Tocantins, Estado do Tocantins. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 209/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Rádio Comercial de Presidente Prudente Ltda., para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Presidente Prudente, Estado de São Paulo. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 277/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Rádio Minuano de Alegrete Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Alegrete, Estado do Rio Grande do Sul. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 236/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a concessão outorgada à Fundação Aldeia SOS de Goioerê para explorar serviço de radiodifusão sonora em onda média, no Município de Goioerê, Estado do Paraná. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 278/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Rádio e Televisão Bandeirantes Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Porto Alegre, Estado do Rio Grande do Sul. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 245/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a concessão outorgada à Rádio Sociedade Tupanciretã Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em onda média, no Município de Tupanciretã, Estado do Rio Grande do Sul. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 279/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Rádio Transamérica de Curitiba Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Curitiba, Estado do Paraná. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 246/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a concessão outorgada à Fundação Educacional Dom Pedro Felipak para explorar serviço de radiodifusão sonora em onda média, no Município de Wenceslau Braz, Estado do Paraná. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 280/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Rádio Palmeira FM Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Palmeira dos Índios, Estado de Alagoas. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 259/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Comunitária Nossa Senhora Nº 287/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Rádio Marconi FM Ltda. para ex- 00946 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS plorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Açailândia, Estado do Maranhão. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 289/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Fundação Aperipê de Sergipe para executar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, com fins exclusivamente educativos, no Município de Aracaju, Estado de Sergipe. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 294/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a concessão outorgada à Rádio Pérola do Turi Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em onda média, no Município de Santa Helena, Estado do Maranhão. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 304/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à FM Corisco Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Boituva, Estado de São Paulo. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 307/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Empresa Jornalística Noroeste Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Santa Rosa, Estado do Rio Grande do Sul. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 308/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Fundação Nossa Senhora da Penha do Espírito Santo para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Vitória, Estado do Espírito Santo. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 318/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação dos Agropecuaristas Santa Clara a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Itacuruba, Estado de Pernambuco. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Fevereiro de 2012 Nº 326/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Rede Central de Comunicação Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, em Brasília, Distrito Federal. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 332/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Lagoa Radiodifusão Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Barra do Ribeiro, Estado do Rio Grande do Sul. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 341/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a concessão outorgada à Sistema Cumbica de Radiodifusão Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em onda média, no Município de Guarulhos, Estado de São Paulo. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 343/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a concessão outorgada à Rádio Clube de Jacareí Ltda para explorar serviço de radiodifusão sonora em ondas médias, no Município de Jacareí, Estado de São Paulo. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 347/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Rádio Marumby Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Campo Largo, Estado do Paraná. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 358/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à Rádio Cidade FM de Palhoça Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Joinville (Pirabeiraba), Estado de Santa Catarina. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 363/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à Sistema Itaunense de Radiodifusão Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Alto Rio Doce, Estado de Minas Gerais. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 373/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à Radiodifusão Assisense Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de São Francisco de Assis, Estado do Rio Grande do Sul. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 376/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga concessão à Fundação Educativa e Cultural Alternativa de Radiodifusão para executar serviço de radiodifusão de sons e imagens, com fins exclusivamente educativos, no Município de São Lourenço, Estado de Minas Gerais. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 380/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga concessão ao Sistema Maranhense de Radiodifusão Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em onda média no Município de São Luís, Estado do Maranhão. DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 10-2-12 Nº 382/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão ao Sistema de Comunicação São Miguel do Araguaia Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Nova Crixás, Estado de Goiás. DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 10-2-12 Nº 385/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à Palmital FM Stereo Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Palmital, Estado de São Paulo. DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 10-2-12 Nº 393/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à Cristo Rei Comunicações Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência Terça-feira 7 00947 modulada, no Município de São Domingos do Norte, Estado do Espírito Santo. DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 10-2-12 Nº 394/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à Cristo Rei Comunicações Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Santa Teresa, Estado do Espírito Santo. DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 10-2-12 Nº 397/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à Nossa Rádio de Teresina FM Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Abadiânia, Estado de Goiás. DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 10-2-12 Nº 409/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à CABLE-LINK OPERADORA DE SINAIS DE TV A CABO LTDA. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Jambeiro, Estado de São Paulo. DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 10-2-12 Nº 411/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à Rede Nova FM de Radiodifusão Ltda para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Morada Nova de Minas, Estado de Minas Gerais. DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 10-2-12 Nº 420/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à T.L. Comunicação Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Aramari, Estado da Bahia. DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 10-2-12 Nº 421/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à Chapada Radiodifusão Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Andaraí, Estado da Bahia. DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 10-2-12 00948 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Nº 430/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à Sociedade Montesionense de Radiodifusão Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de São João Nepomuceno, Estado de Minas Gerais. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 433/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à Rede Ello Brasil de Comunicação Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Mirangaba, Estado da Bahia. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 434/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à Plus Radiodifusão Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Xangri-lá, Estado do Rio Grande do Sul. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 435/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à Milano FM Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Telêmaco Borba, Estado do Paraná. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 460/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Rádio Cidade de Itu Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Itu, Estado de São Paulo. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 461/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Fundação Universidade do Estado de Santa Catarina para executar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, com fins exclusivamente educativos, no Município de Joinville, Estado de Santa Catarina. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 463/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à Camargo e Vassali – Empresa de Radiodifusão Ltda. para explorar serviço de radiodi- Fevereiro de 2012 fusão sonora em frequência modulada, no Município de Campinas do Sul, Estado do Rio Grande do Sul. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 464/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a concessão outorgada à Rádio Astorga Broadcasting Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em onda média, no Município de Astorga, Estado do Paraná. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 480/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a concessão outorgada à Rádio Difusora de Araçatuba Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em onda média, no Município de Araçatuba, Estado de São Paulo. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 482/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a concessão outorgada à Rádio Jornal de Assis Chateaubriand Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em onda média, no Município de Assis Chateaubriand, Estado do Paraná. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 483/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à Empresa de Comunicação Princesa do Vale Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de São Pedro do Sul, Estado do Rio Grande do Sul. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 484/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à Natureza FM Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Buritizal, Estado de São Paulo. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 485/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à Rádio Quiguay Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Palmas, Estado do Paraná. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Nº 489/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Comunitária de Comunicação Cultural de Salwanópolis a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Santa Maria das Barreiras, Estado do Pará. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 PROJETO DE LEI Nº 4.564/2004 (SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA) – Dispõe sobre a criação de cargos no quadro de pessoal do Tribunal Regional Federal da 2ª Região e dá outras providências. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 7.105/2006 (Senado Federal – José Jorge) – Altera o inciso I do § 4º do art. 80 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, para beneficiar a educação a distância com a redução de custos em meios de comunicação que sejam explorados mediante autorização, concessão ou permissão do Poder Público. ÚLTIMA SESSÃO: 7-2-12 Nº 5.273/2009 (Senado Federal – Pedro Simon) – Dá nova redação ao art. 3º da Lei nº 10.029, de 20 de outubro de 2000, que estabelece normas gerais para a prestação voluntária de serviços administrativos e de serviços auxiliares de saúde e de defesa civil nas Polícias Militares e nos Corpos de Bombeiros Militares e dá outras providências. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 5.672/2009 (Carlos Bezerra) – Obriga os hospitais de todo o país a manter em local visível de suas dependências aviso informando sobre o direito da parturiente a acompanhante. ÚLTIMA SESSÃO: 7-2-12 Nº 6.316/2009 (Marco Maia) – Dispõe sobre a instalação de Free Shopping nas faixas de fronteira. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 6.564/2009 (Marco Maia) – Amplia a legitimidade ativa do art. 14 da Lei nº 1.079, de 10 de abril de 1950, que define os crimes de responsabilidades e regula o respectivo processo de julgamento. DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 10-2-12 Nº 7.572/2010 (Senado Federal – Inácio Arruda) – Institui a Semana Nacional de Controle e Combate à Leishmaniose. ÚLTIMA SESSÃO: 7-2-12 Terça-feira 7 00949 Nº 7.672/2010 (Poder Executivo) – Altera a Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990, que dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente, para estabelecer o direito da criança e do adolescente de serem educados e cuidados sem o uso de castigos corporais ou de tratamento cruel ou degradante. DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 10-2-12 Nº 7.803/2010 (Senado Federal – Marcelo Crivella) – Altera o § 1º do art. 1.331 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), no que tange ao critério de fixação da fração ideal e às disposições sobre alienação e locação de abrigos para veículos em condomínios edilícios. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 1.2 COM PARECERES CONTRÁRIOS PROJETO DE LEI Nº 2.041/1996 (Jaime Martins) – Altera o art. 2º da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, que “dispõe sobre a regulamentação dos dispositivos relativos à reforma agrária, previstos no Capítulo III, Título VII, da Constituição Federal”. Apensados: PL 2042/1996 (Carlos Melles) PL 2112/1996 (Abelardo Lupion) PL 2284/1996 (Inocêncio Oliveira) PL 4658/1998 (Silas Brasileiro) PL 4857/2001 (Ricardo Ferraço) PL 620/1999 (Waldemiro Teixeira) DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 5.487/2001 (Senado Federal – ADEMIR ANDRADE) – Acrescenta parágrafos ao art. 2º da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, que dispõe sobre a regulamentação dos dispositivos constitucionais relativos à reforma agrária, previstos no Capítulo III,Título VII da Constituição Federal. Apensados: PL 828/2007 (Marcelo Serafim) DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 5.775/2009 (Senado Federal – Adelmir Santana) – Autoriza o Poder Executivo a criar a Escola Técnica Federal do Gama, no Distrito Federal. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 7.586/2010 (Senado Federal – Raimundo Colombo) – Altera a Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997, que “institui o Código de Trânsito Brasileiro”, para facultar o parcelamento do pagamento de multas de trânsito. Apensados: PL 7186/2010 (Clóvis Fecury) PL 815/2011 (Rubens Bueno) ÚLTIMA SESSÃO: 7-2-12 00950 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Nº 208/2011 (Sandes Júnior) – Acrescenta dispositivo à Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências, visando condicionar a paralisação ou desativação de empreendimentos ou atividades licenciados a parecer favorável do órgão ambiental ou outras providências por este julgadas pertinentes. DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 8-2-12 Nº 556/2011 (Weliton Prado) – Dispõe sobre os direitos e deveres dos estudantes e das entidades estudantis. ÚLTIMA SESSÃO: 7-2-12 Nº 1.106/2011 (Ricardo Quirino) – Estabelece que as salas de aulas do ensino médio e superior, com 40 ou mais alunos, deverão dispor de dispositivo de sonorização. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 1.721/2011 (Lauriete) – Autoriza o Poder Executivo a criar o Programa de Educação para as Populações Itinerantes e dá outras providências. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 2.057/2011 (Paulo Wagner) – Altera a Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997, que institui o Código de Trânsito Brasileiro, para estabelecer o bafômetro como equipamento obrigatório dos veículos. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 Nº 2.258/2011 (Alfredo Sirkis) – Altera o Anexo II da Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997, que institui o Código de Trânsito Brasileiro, para dispor sobre o formato da sinalização semafórica. ÚLTIMA SESSÃO: 7-2-12 Nº 2.405/2011 (Sandra Rosado) – Acrescenta parágrafo ao art. 62 da Lei nº 9.394, de 1996, de diretrizes e bases da educação nacional, para dispor sobre a formação para a docência na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 1.3 PROPOSIÇÕES COM TRAMITAÇÃO CONJUNTA QUE RECEBERAM PARECERES FAVORÁVEIS A UMAS E/OU CONTRÁRIOS A OUTRAS, NÃO DIVERGENTES; E/OU PELA INCONSTITUCIONALIDADE; E/OU INJURIDICIDADE PROJETO DE LEI PL Nº 7.504/2010 – Dispõe sobre a inscrição do nome do Padre Roberto Landell de Moura no Livro dos Heróis da Pátria. Fevereiro de 2012 COM PARECER FAVORÁVEL: PL 7504/2010, principal. COM PARECER CONTRÁRIO: PL 869/2011, apensado. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 2. CONTRA PARECER TERMINATIVO DE COMISSÃO – ART. 54 DO RICD C/C ART. 132, § 2º DO RICD (MATÉRIAS SUJEITAS A DELIBERAÇÃO DO PLENÁRIO EM APRECIAÇÃO PRELIMINAR, NOS TERMOS DO ART.144 DO RICD) INTERPOSIÇÃO DE RECURSO – Art. 58, § 3º, c/c o art. 132, §2º, do RICD. Prazo para apresentação de recurso: 5 sessões (art. 58, § 1° do RICD). 2.2 PELA INCONSTITUCIONALIDADE E/OU INJURIDICIDADE OU INADMISSIBILIDADE PROJETO DE LEI Nº 4.535/2008 (Walter Ihoshi) – Acrescenta o inciso XI ao art. 6º, da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003, que dispõe sobre o registro, posse e comercialização de armas de fogo e munição, sobre o Sistema Nacional de Armas – Sinarm, define crimes e dá outras providências. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 3. CONTRA DECLARAÇÃO DE PREJUDICIALIDADE – ART. 164, § 2º, DO RICD (SUJEITO A DELIBERAÇÃO DO PLENÁRIO, APÓS OUVIDA A CCJC, NOS TERMOS DO ART. 164, §§ 2º e 3º DO RICD) Prazo para apresentação de recurso: 5 sessões (Art. 164, § 2º, do RICD). PROJETO DE LEI Nº 6.490/2009 (Fábio Faria) – Institui o Projeto Computador Portátil para Alunos de Ensino Superior, Mestrado e Doutorado, no âmbito do Programa de Inclusão Digital e dá outra providências. DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 8-2-12 ORADORES SORTEADOS PARA O GRANDE EXPE‑ DIENTE DO MÊS DE FEVEREIRO DE 2012 Dia 7, 3ª-feira 15:00 PAUDERNEY AVELINO (DEM – AM) 15:25 ALFREDO KAEFER (PSDB – PR) Dia 8, 4ª-feira 15:00 ALESSANDRO MOLON (PT – RJ) 15:25 ACELINO POPÓ (PRB – BA) Dia 9, 5ª-feira 15:00 MAURO LOPES (PMDB – MG) 15:25 JOÃO PAULO LIMA (PT – PE) Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Dia 10, 6ª-feira 10:00 ROBERTO DE LUCENA (PV – SP) 10:25 DIMAS FABIANO (PP – MG) 10:50 JONAS DONIZETTE (PSB – SP) 11:15 PAULO TEIXEIRA (PT – SP) 11:40 JOSÉ LINHARES (PP – CE) Dia 13, 2ª-feira 15:00 CARLOS SAMPAIO (PSDB – SP) 15:25 FABIO TRAD (PMDB – MS) 15:50 ANTONIO CARLOS MENDES THAME (PSDB – SP) 16:15 CÂNDIDO VACCAREZZA (PT – SP) 16:40 ZENALDO COUTINHO (PSDB – PA) Dia 14, 3ª-feira 15:00 GILMAR MACHADO (PT – MG) 15:25 LOURIVAL MENDES (PTdoB – MA) Dia 15, 4ª-feira 15:00 PASTOR EURICO (PSB – PE) 15:25 HENRIQUE AFONSO (PV – AC) Dia 16, 5ª-feira 15:00 ALEXANDRE LEITE (DEM – SP) 15:25 CARLOS ZARATTINI (PT – SP) Dia 17, 6ª-feira 10:00 ÍRIS DE ARAÚJO (PMDB – GO) 10:25 LEONARDO MONTEIRO (PT – MG) 10:50 FERNANDO COELHO FILHO (PSB – PE) 11:15 CARLOS MAGNO (PP – RO) 11:40 DOMINGOS NETO (PSB – CE) Dia 20, 2ª-feira 15:00 MARCELO AGUIAR (PSD – SP) 15:25 JANETE CAPIBERIBE (PSB – AP) 15:50 FÉLIX MENDONÇA JÚNIOR (PDT – BA) 16:15 ELEUSES PAIVA (PSD – SP) 16:40 AROLDE DE OLIVEIRA (PSD – RJ) Dia 21, 3ª-feira 15:00 ROMÁRIO (PSB – RJ) 15:25 JOÃO BITTAR (DEM – MG) Dia 22, 4ª-feira 15:00 ALBERTO FILHO (PMDB – MA) 15:25 ROGÉRIO CARVALHO (PT – SE) Dia 23, 5ª-feira 15:00 EDMAR ARRUDA (PSC – PR) 15:25 RICARDO IZAR (PSD – SP) Dia 24, 6ª-feira 10:00 ANTÔNIO ROBERTO (PV – MG) 10:25 PAULO PEREIRA DA SILVA (PDT – SP) 10:50 JOSÉ AIRTON (PT – CE) Terça-feira 7 00951 11:15 DÉCIO LIMA (PT – SC) 11:40 JOÃO PIZZOLATTI (PP – SC) Dia 27, 2ª-feira 15:00 JAIME MARTINS (PR – MG) 15:25 JOSEPH BANDEIRA (PT – BA) 15:50 LUIZ NOÉ (PSB – RS) 16:15 BERINHO BANTIM (PSDB – RR) 16:40 ROSINHA DA ADEFAL (PTdoB – AL) Dia 28, 3ª-feira 15:00 SÉRGIO BARRADAS CARNEIRO (PT – BA) 15:25 AMAURI TEIXEIRA (PT – BA) Dia 29, 4ª-feira 15:00 ONYX LORENZONI (DEM – RS) 15:25 NELSON MEURER (PP – PR) ORDEM DO DIA DAS COMISSÕES I – COMISSÕES PERMANENTES COMISSÃO DE AGRICULTURA, PECUÁRIA, ABASTECIMENTO E DESENVOLVIMENTO RURAL AVISOS PROPOSIÇÕES EM FASE DE RECEBIMENTO DE EMENDAS (5 SESSÕES) DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 8-2-12 Projetos de Lei (Art. 119, I e §1º) PROJETO DE LEI Nº 2.670/11 – Do Sr. Jesus Rodrigues – que “dispõe sobre a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável da atividade exercida pelo Profissional Vazanteiros e dá outras providências”. RELATOR: Deputado ZÉ SILVA. PROJETO DE LEI Nº 2.767/11 – Do Senado Federal – Garibaldi Alves Filho – (PLS 423/2009) – que “altera a Lei nº 11.959, de 29 de junho de 2009, para equiparar a atividade pesqueira à atividade agropecuária e para dispor sobre os contratos de trabalho dos pescadores profissionais na atividade pesqueira industrial”. RELATOR: Deputado NATAN DONADON. COMISSÃO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA, COMUNICAÇÃO E INFORMÁTICA AVISOS PROPOSIÇÕES EM FASE DE RECEBIMENTO DE EMENDAS (5 SESSÕES) DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 10-2-12 00952 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Projetos de Lei (Art. 119, I e §1º) PROJETO DE LEI Nº 2.622/07 – Do Sr. Vanderlei Macris – que “dispoõe sobre a obrigatoriedade de os fabricantes de aparelhos de televisão alertarem o consumidor final sobre a compatibilidade do equipamento com o padrão de transmissão digital”. RELATOR: Deputado ANTONIO IMBASSAHY. PROJETO DE LEI Nº 5.867/09 – Do Sr. Luiz Carlos Hauly – que “regulamenta a participação de crianças e adolescentes nos meios de comunicação”. RELATOR: Deputado JOSÉ ROCHA. PROJETO DE LEI Nº 702/11 – Do Sr. Marcelo Matos – que “altera a Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990, restringindo a veiculação de propaganda de produtos infantis”. RELATOR: Deputado MANOEL JUNIOR. PROJETO DE LEI Nº 835/11 – Do Sr. Claudio Cajado – que “dispõe sobre normas para o registro de domínios de internet nas categorias sob o .br” RELATOR: Deputado AUGUSTO COUTINHO. Fevereiro de 2012 PROJETO DE LEI Nº 393/11 – Do Sr. Newton Lima – que “dispõe sobre a alteração do art. 20 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 – Código Civil, para ampliar a liberdade de expressão, informação e acesso à cultura”. (Apensados: PL 395/2011 e PL 1422/2011) RELATOR: Deputado ALESSANDRO MOLON. PROJETO DE LEI Nº 510/11 – Do Senado Federal – Cristovam Buarque – (PLS 306/2009) – que “institui o Dia Nacional do Compromisso com a Criança, o Adolescente e a Educação”. RELATOR: Deputado FÉLIX MENDONÇA JÚNIOR. PROJETO DE LEI Nº 1.787/11 – Do Sr. Antonio Bulhões – que “acrescenta parágrafo ao art. 115 da Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997, que institui o Código de Trânsito Brasileiro, para dispor sobre a identificação dos caminhões-baú”. RELATOR: Deputado CLEBER VERDE. DECURSO: 5ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 7-2-12 Substitutivo (Art. 119, II e §1º) COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E DE CIDADANIA AS PROPOSIÇÕES ABAIXO SOMENTE RECEBE‑ RÃO EMENDAS APRESENTADAS POR MEMBROS DESTA COMISSÃO AVISOS A – Da Análise da Constitucionalidade, Juridicidade e Mérito: PROJETO DE LEI Nº 6.702/09 – Do Sr. Hermes Parcianello – que “altera a Lei n° 9.099, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre os Juizados Especiais Cíveis e Criminais e dá outras providências”. RELATOR: Deputado OSMAR SERRAGLIO. PROPOSIÇÕES EM FASE DE RECEBIMENTO DE EMENDAS (5 SESSÕES) DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 13-2-12 A – Da Análise da Constitucionalidade e Juridicidade (art. 54, I): PROJETO DE LEI Nº 1.767/11 – Do Sr. Eli Correa Filho – que “dispõe sobre a pesagem de produto pré-medido”. RELATOR: Deputado FÁBIO RAMALHO. DECURSO: 3ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 9-2-12 Projetos de Lei (Art. 119, I e §1º) A – Da Análise da Constitucionalidade e Juridicidade (art. 54, I): PROJETO DE LEI Nº 4.404/08 – Do Senado Federal – Lobão Filho – (PLS 274/2008) – que “altera a Lei nº 9.427, de 26 de dezembro de 1996, para dispor sobre alteração do limite de potência que caracteriza as pequenas centrais hidrelétricas e ampliar incentivos e investimentos em geração de energia elétrica de outras fontes alternativas”. RELATOR: Deputado MAURÍCIO QUINTELLA LESSA. PROJETO DE LEI Nº 7.536/10 – Do Sr. Márcio Marinho – que “institui o Dia Nacional da Capoeira”. RELATOR: Deputado CLEBER VERDE. COMISSÃO DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO AVISOS PROPOSIÇÕES EM FASE DE RECEBIMENTO DE EMENDAS (5 SESSÕES) Projetos de Lei (Art. 119, I e §1º) PROJETO DE LEI Nº 2.691/11 – Do Sr. Ricardo Izar – que “altera o parágrafo único do art. 32 da Lei nº 8.078 de 11 de setembro de 1990, Código de Defesa do Consumidor, que dispõe sobre a oferta de componentes e peças de reposição por parte dos fabricantes e importadores”. RELATOR: Deputado ARMANDO VERGÍLIO. PROJETO DE LEI Nº 2.710/11 – Do Senado Federal – Gim Argello – (PLS 185/2010) – que “dispõe sobre a criação de Zona de Processamento de Exportação (ZPE) no Município de Cristalina, no Estado de Goiás”. RELATOR: Deputado JORGE CORTE REAL. Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS PROJETO DE LEI Nº 2.732/11 – Do Sr. Arnaldo Jardim – que “estabelece diretrizes para a prevenção da contaminação do solo, cria a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico sobre Substâncias Perigosas e o Fundo Nacional para a Descontaminação de Áreas Órfãs Contaminadas e altera art. 8º da Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010”. RELATOR: Deputado JOÃO MAIA. COMISSÃO DE DESENVOLVIMENTO URBANO AVISOS PROPOSIÇÕES EM FASE DE RECEBIMENTO DE EMENDAS (5 SESSÕES) DECURSO: 5ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 7-2-12 Projetos de Lei (Art. 119, I e §1º) PROJETO DE LEI Nº 2.725/11 – Do Sr. Romero Rodrigues – que “acrescenta dispositivo à Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001, que “regulamenta os arts. 182 e 183 da Constituição Federal, estabelece diretrizes gerais da política urbana e dá outras providências””. RELATOR: Deputado JOSÉ DE FILIPPI. COMISSÃO DE EDUCAÇÃO E CULTURA AVISOS PROPOSIÇÕES EM FASE DE RECEBIMENTO DE EMENDAS (5 SESSÕES) DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 10-2-12 Projetos de Lei (Art. 119, I e §1º) PROJETO DE LEI Nº 6.241/09 – Do Senado Federal – Renato Casagrande – (PLS 372/2007) – que “autoriza a União a criar a Escola Nacional de Segurança Pública e Proteção Social”. RELATOR: Deputado PAULO RUBEM SANTIAGO. PROJETO DE LEI Nº 977/11 – Do Sr. Fernando Jordão – que “torna obrigatório o treinamento dos funcionários que trabalhem no controle de entrada e saída das unidades de ensino”. RELATORA: Deputada ELIANE ROLIM. PROJETO DE LEI Nº 1.769/11 – Do Sr. Diego Andrade – que “denomina “Rodovia Presidente Itamar Franco” a Rodovia BR 267, no Estado de Minas Gerais”. RELATOR: Deputado EDUARDO BARBOSA. PROJETO DE LEI Nº 1.815/11 – Do Sr. Rubens Bueno – que “denomina o trecho da Rodovia BR-158 en- Terça-feira 7 00953 tre os municípios de Campo Mourão e Roncador, no Estado do Paraná, de “ESTRADA PREFEITO HORÁCIO AMARAL””. RELATOR: Deputado ANGELO VANHONI. PROJETO DE LEI Nº 2.194/11 – Do Sr. João Pizzolatti – que “denomina “Rodovia Prefeito Genésio Pasinato” o trecho da BR-163 compreendido entre os Municípios de Itapiranga e Dionísio Cerqueira, no Estado de Santa Catarina”. RELATOR: Deputado PAULO FREIRE. PROJETO DE LEI Nº 2.384/11 – Da Sra. Fátima Bezerra – que “altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional – LDB, para dispor sobre gestão democrática nas escolas”. RELATORA: Deputada ALICE PORTUGAL. PROJETO DE LEI Nº 2.635/11 – Do Sr. Pastor Eurico – que “dispõe sobre o reembolso de mensalidade escolar”. RELATORA: Deputada ROSANE FERREIRA. PROJETO DE LEI Nº 2.671/11 – Dos Srs. Newton Lima e Amauri Teixeira – que “inclui o art. 18-A na Lei nº 8.313, de 23 de dezembro de 1991 (Lei Rouanet)”. RELATORA: Deputada FÁTIMA BEZERRA. PROJETO DE LEI Nº 2.699/11 – Da Sra. Sandra Rosado – que “altera o parágrafo único do art. 56 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional; e os incisos II e III do art. 16 da Lei nº 5.540, de 28 de novembro de 1968, que fixa normas de organização e funcionamento do ensino superior e sua articulação com a escola média, e dá outras providências; para tratar do processo de escolha dos dirigentes universitários”. RELATOR: Deputado RUI COSTA. PROJETO DE LEI Nº 2.728/11 – Do Sr. Lourival Mendes – que “institui o dia 3 de dezembro como Dia do Delegado de Polícia”. RELATOR: Deputado JOAQUIM BELTRÃO. PROJETO DE LEI Nº 2.776/11 – Do Sr. Saraiva Felipe – que “institui a Política Nacional de Saúde Vocal”. RELATOR: Deputado ARTUR BRUNO. PROJETO DE LEI Nº 2.787/11 – Do Senado Federal – Flexa Ribeiro – (PLS 2/2011) – que “designa o açaí e o cupuaçu frutas nacionais”. RELATOR: Deputado NAZARENO FONTELES. PROJETO DE LEI Nº 2.792/11 – Do Sr. César Halum – que “institui o Programa “Circo do Povo” e estabelece normas para seu funcionamento, e dá outras providências”. RELATOR: Deputado TIRIRICA. 00954 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS PROJETO DE LEI Nº 2.806/11 – Do Sr. Márcio Macêdo – que “proíbe o uso de aparelhos eletrônicos portáteis nas salas de aula dos estabelecimentos de educação básica e superior”. RELATOR: Deputado NEWTON LIMA. DECURSO: 3ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 9-2-12 COMISSÃO DE FINANÇAS E TRIBUTAÇÃO AVISOS PROPOSIÇÕES EM FASE DE RECEBIMENTO DE EMENDAS (5 SESSÕES) DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 10-2-12 Projetos de Lei (Art. 119, I e §1º) A – Da Análise da Adequação Financeira e Orçamentária e do Mérito: PROJETO DE LEI Nº 5.485/09 – Do Sr. Leonardo Quintão – que “cria crédito para permitir a compensação do valor das contribuições para projetos culturais com outros tributos quando não houver imposto de renda apurado para efetuar a dedução de que trata o art. 26, da Lei nº 8.313, de 23 de dezembro de 1991”. RELATOR: Deputado PEDRO EUGÊNIO. PROJETO DE LEI Nº 1.119/11 – Do Sr. Lira Maia – que “cria Área de Livre Comércio no Município de Marabá, no Estado do Pará, e dá outras providências”. RELATOR: Deputado JOÃO DADO. PROJETO DE LEI Nº 1.384/11 – Do Sr. Beto Faro – que “dispõe sobre critérios complementares para a execução da política de estoques públicos vinculados ao programa de garantia dos preços mínimos e dá outras providências”. RELATOR: Deputado ASSIS CARVALHO. PROJETO DE LEI Nº 1.561/11 – Do Sr. Félix Mendonça Júnior – que “obriga a suspensão de cobrança de pedágio e a liberação da passagem de veículos na hipótese de haver retardo no atendimento”. (Apensados: PL 1926/2011 e PL 2105/2011) RELATOR: Deputado AUDIFAX. PROJETO DE LEI Nº 2.353/11 – Do Sr. Alceu Moreira e outros – que “acrescenta o § 9º ao art. 15 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, para vedar a aquisição de leite importado no âmbito da administração pública direta e indireta”. RELATOR: Deputado ANDRE VARGAS. Fevereiro de 2012 PROJETO DE LEI Nº 2.794/11 – Do Sr. Andre Moura – que “concede aos médicos isenção tributária nos proventos provenientes do SUS – Sistema Único de Saúde”. RELATORA: Deputada CARMEN ZANOTTO. PROJETO DE LEI Nº 2.829/11 – Do Sr. Ronaldo Zulke – que “institui crédito presumido em favor das empresas estaduais e municipais de abastecimento de água e de saneamento básico, correspondente ao valor dos investimentos realizados na prestação desses serviços e compensável com os valores devidos a título de Contribuição para o PIS/PASEP e Cofins”. RELATOR: Deputado CLÁUDIO PUTY. B – Da Análise da Adequação Financeira e Orçamentária (art. 54): PROJETO DE LEI Nº 7.274/10 – Do Senado Federal – Cristovam Buarque – (PLS 309/2006) – que “determina a cessão de salas de aula e demais instalações para funcionamento de classes de alfabetização de jovens e adultos”. RELATOR: Deputado JÚNIOR COIMBRA. PROJETO DE LEI Nº 784/11 – Do Sr. João Arruda – que “acrescenta o § 3º ao art. 3º da Lei nº 12.340, de 1º de Dezembro de 2010”. RELATOR: Deputado RUI COSTA. PROJETO DE LEI Nº 1.224/11 – Do Sr. Weliton Prado – que “institui o Programa Pequenos Escritores e dá outras providências”. RELATOR: Deputado FERNANDO COELHO FILHO. DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 8-2-12 Projetos de Lei (Art. 119, I e §1º) A – Da Análise da Adequação Financeira e Orçamentária e do Mérito: PROJETO DE LEI Nº 542/11 – Do Sr. Weliton Prado – que “dispõe sobre a política de apoio a projetos para geração de créditos de carbono e dá outras providências”. RELATOR: Deputado ANTONIO CARLOS MENDES THAME. PROJETO DE LEI Nº 576/11 – Do Sr. Onofre Santo Agostini – que “dispõe sobre o enquadramento das instituições educacionais oficiais criadas por lei estadual ou municipal, existentes na data da promulgação da Constituição Federal no que dispõem os arts. 157, I, e 158, I, da Constituição”. RELATOR: Deputado CELSO MALDANER. PROJETO DE LEI Nº 1.437/11 – Do Sr. Guilherme Mussi – que “dispõe sobre a criação da “Loteria Am- Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Terça-feira 7 00955 biental” destinada à conservação e proteção do meio ambiente, parques federais e promoção do desenvolvimento sustentável”. RELATOR: Deputado JEAN WYLLYS. COMISSÃO DE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL PROJETO DE LEI Nº 1.443/11 – Da Sra. Bruna Furlan – que “altera a Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997, que institui o Código de Trânsito Brasileiro, para dispor sobre isenção de cobrança de taxa relativa à inspeção de veículos de condução de escolares”. RELATOR: Deputado JOÃO DADO. PROPOSIÇÕES EM FASE DE RECEBIMENTO DE EMENDAS (5 SESSÕES) PROJETO DE LEI Nº 2.289/11 – Do Sr. Carlos Bezerra – que “limita a dois anos o prazo de análise das demonstrações de cumprimento de contrapartidas relativas aos benefícios aplicáveis ao setor de informática, e dá outras providências”. RELATOR: Deputado ANDRE VARGAS. PROJETO DE LEI Nº 2.713/11 – Do Senado Federal – José Sarney – (PLS 191/2006) – que “altera a Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, as Leis nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e nº 8.894, de 21 de junho de 1994, e a Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, para conceder isenções tributárias à Academia Brasileira de Letras, à Associação Brasileira de Imprensa e ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro; cancela os débitos fiscais dessas instituições; e dá outras providências”. RELATOR: Deputado PAUDERNEY AVELINO. B – Da Análise da Adequação Financeira e Orçamentária (art. 54): PROJETO DE LEI Nº 7.437/10 – Do Poder Executivo – que “cria o Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste, o Instituto Nacional de Pesquisa do Pantanal e o Instituto Nacional de Águas, altera a estrutura básica do Ministério da Ciência e Tecnologia, cria cargos em comissão do Grupo-Direção e Assessoramento Superiores – DAS, e dá outras providências”. RELATOR: Deputado AUDIFAX. PROJETO DE LEI Nº 965/11 – Do Sr. Romero Rodrigues – que “dispõe sobre a disponibilização em formato digital aos beneficiários dos livros distribuídos no âmbito do Programa do Livro Didático do Ministério da Educação”. RELATOR: Deputado AUDIFAX. PROJETO DE LEI Nº 2.199/11 – Do Ministério Público da União – que “dispõe sobre as carreiras dos Servidores do Ministério Público da União, fixa os valores de sua remuneração, revoga a Lei nº 11.415, de 15 de dezembro de 2006 e dá outras providências”. RELATOR: Deputado AELTON FREITAS. AVISOS DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 8-2-12 Projetos de Lei (Art. 119, I e §1º) PROJETO DE LEI Nº 6.403/09 – Dos Srs. Luiz Carlos Hauly e Antonio Carlos Mendes Thame – que “dispõe sobre compensação da emissão de dióxido de carbono e dá outras providências”. RELATOR: Deputado HOMERO PEREIRA. PROJETO DE LEI Nº 2.534/07 – Do Sr. Antonio Carlos Mendes Thame – que “regula a constituição e o funcionamento das entidades certificadoras de manejo florestal”. (Apensado: PL 7820/2010) RELATOR: Deputado BERNARDO SANTANA DE VASCONCELLOS. PROJETO DE LEI Nº 5.987/09 – Do Sr. Roberto Britto – que “dispõe sobre destinação para arborização urbana de parte dos recursos arrecadados por aplicação de multa por infração ambiental”. (Apensado: PL 6557/2009) RELATORA: Deputada REBECCA GARCIA. PROJETO DE LEI Nº 721/11 – Do Sr. Edson Pimenta – que “obriga as empresas e produtores de florestas plantadas a destinar no mínimo 5% da sua produção de madeira em toras para a construção civil, moveleira, construção naval, etc”. RELATOR: Deputado BERNARDO SANTANA DE VASCONCELLOS. PROJETO DE LEI Nº 868/11 – Do Sr. Giovani Cherini – que “dispõe sobre a criação de política de desenvolvimento do ecoturismo e do turismo sustentável em âmbito nacional, e dá outras providências”. RELATOR: Deputado IRAJÁ ABREU. PROJETO DE LEI Nº 2.163/11 – Do Sr. Irajá Abreu – que “altera a Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1991, dispondo sobre o licenciamento ambiental para a instalação, a ampliação e o funcionamento de empreendimentos agropecuários, florestais ou agrossilvipastoris” RELATOR: Deputado BERNARDO SANTANA DE VASCONCELLOS. PROJETO DE LEI Nº 2.491/11 – Do Sr. Manoel Junior – que “institui o Programa Lixo Reciclado na Escola, na rede pública de ensino”. RELATOR: Deputado NELSON MARCHEZAN JUNIOR. 00956 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS PROJETO DE LEI Nº 2.499/11 – Do Sr. Chico D’Angelo – que “institui a Política Brasileira de Atenuação do Aquecimento Global e dá outras providências”. RELATOR: Deputado IRAJÁ ABREU. COMISSÃO DE TRABALHO, DE ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇO PÚBLICO AVISOS PROPOSIÇÕES EM FASE DE RECEBIMENTO DE EMENDAS (5 SESSÕES) DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 8-2-12 Projetos de Lei (Art. 119, I e §1º) PROJETO DE LEI Nº 6.851/10 – Do Senado Federal – Paulo Paim – (PLS 228/2009) – que “altera a Lei nº 7.418, de 16 de dezembro de 1985, que institui o Vale-Transporte, para dispor sobre o seu custeio”. (Apensados: PL 4196/2008 e PL 985/2011) RELATOR: Deputado SILVIO COSTA. II – COMISSÕES MISTAS COMISSÃO MISTA DE PLANOS, ORÇAMENTOS PÚBLICOS E FISCALIZAÇÃO REUNIÃO ORDINÁRIA Local: Plenário 02, Anexo II Horário: 14h30 horas PAUTA A – Relatórios OFÍCIO Nº 35/2010-CN, que “encaminha ao Congresso Nacional o Relatório de Gestão do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO), referente ao exercício de 2009”. RELATOR: Deputado HEULER CRUVINEL. VOTO: Pelo arquivamento da matéria. OFÍCIO Nº 12/2011-CN, que “encaminha ao Congresso Nacional, em cumprimento ao art. 20, §§ 4º e 5º, da Lei nº 7.827, de 27.09.1989, o Relatório de Gestão do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO), referente ao 1º semestre de 2010”. RELATOR: Deputado HEULER CRUVINEL. VOTO: Pelo arquivamento da matéria. MENSAGEM Nº 93/2011-CN, que “encaminha nos termos do § 4º do art. 70 da Lei nº 12.309, de 9 de agosto de 2010, o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas, referente ao quarto bimestre de 2011”. RELATOR: Senador DELCÍDIO DO AMARAL. VOTO: Pelo arquivamento da matéria. Fevereiro de 2012 AVISO Nº 20/2011-CN, que “encaminha, nos termos do § 4º do art. 71 da Constituição Federal, o RELATÓRIO DAS ATIVIDADES do Tribunal de Contas da União referente ao 2º trimestre do exercício de 2011”. RELATOR: Deputado VAZ DE LIMA VOTO: Pelo arquivamento da matéria B – Requerimentos REQUERIMENTO Nº 16/2011-CMO, do Sr. Efraim Filho, que “requer a constituição de Grupo de Trabalho para promover o aprimoramento ao ciclo das operações de repasse da Caixa Econômica Federal, visando a eficácia e a efetividade da execução do objeto contratual pelo mandatário, assim como a celeridade na liberação financeira dos contratados”. REQUERIMENTO Nº 17/2011-CMO, dos Srs. Danilo Forte, Benjamin Maranhão e Wellington Roberto, que “requer a constituição de Grupo de Trabalho para, em caráter preventivo, acompanhar e fiscalizar o planejamento, a execução e o cumprimento dos compromissos financeiros assumidos pelos órgãos e entidades da Administração Pública Federal com vistas à execução do ‘Projeto de Integração do Rio São Francisco com as Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional’”. REQUERIMENTO Nº 23/2011-CMO, do Sr. Claudio Cajado, que “solicita seja convidado o Presidente da Petrobrás, Sr. José Sergio Gabrielli de Azevedo, para prestar esclarecimentos sobre os aportes financeiros referentes à construção da Refinaria Abreu e Lima, em Recife – PE, decorrentes de contrato firmado entre a Petróleo Brasileiro S/A – PETROBRAS e a Petróleos de Venezuela S/A– PDVSA.” REQUERIMENTO Nº 25/2011-CMO, do Sr. Vital do Rêgo, que “requer a realização de Audiência Pública para debater a atual crise econômica internacional e os reflexos na economia nacional e nos orçamentos, com a presença, do Excelentíssimo Senhor Ministro de Estado da Fazenda Guido Mantega”. REQUERIMENTO Nº 26/2011-CMO, do Sr. Marçal Filho, que “requer a realização de Audiência Pública para debater a implantação do Sistema de Pouso por Instrumento – Categoria 3, com a presença do Ministro de Estado da Defesa, da Ministra de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão e do Presidente da INFRAERO”.( (Ministro da Defesa, Senhor Celso Amorim; Ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão, Senhora Miriam Aparecida Belchior e o Presidente da Infraero, Senhor Gustavo do Vale). REQUERIMENTO Nº 29/2011-CMO, do Sr. Marçal Filho, que “requer a realização de Audiência Pública para debater questões relativas à Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste – SUDECO – ao Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste– FCO -, e ao projeto de criação do Banco de Desenvolvimento do Centro-Oeste, com a presença do Ministro de Estado da Integração Nacional, do Superintendente da SUDECO e do Presidente do Banco do Brasil S.A.”. REQUERIMENTO Nº 30/2011-CMO, do Sr. Marçal Filho, que “requer a realização de Audiência Pública para debater a denúncia do Jornal O Estado de São Paulo contida na matéria “Governo paga por projeto fantasma para a Copa”, com a presença do Ministro de Estado do Esporte e do Presidente da Autoridade Pública Olímpica”. REQUERIMENTO Nº 31/2011-CMO, do Sr. Marçal Filho, que “requer a realização de Audiência Pública para apresentação do Plano Brasil Sem Miséria, com a presença da Ministra Tereza Campelo, do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome”. REQUERIMENTO Nº 33/2011-CMO, do Sr. Claudio Cajado, que “solicita do Senhor Ministro de Estado de Minas e Energia informações sobre os aportes financeiros referentes à construção da Refinaria Abreu e Lima, em Recife – PE, decorrentes de contrato firmado entre a Petróleo Brasileiro S/A – PETROBRAS e a Petróleos de Venezuela S/A – PDVSA”. AVISOS PROPOSIÇÕES EM FASE DE RECEBIMENTO DE EMENDAS (6 DIAS) Decurso: 6º dia Último Dia: 7-2-12 MEDIDA PROVISÓRIA Nº 553/2011, que abre crédito extraordinário, em favor dos Ministérios de Ciência e Tecnologia e da Integração Nacional, no valor de R$ 553.581.700,00 (quinhentos e cinquenta e três milhões, quinhentos e oitenta e um mil e setecentos reais), para o fim que especifica.” (Encerra-se a sessão às 17 horas e 54 minutos.) DISCURSO PROFERIDO PELA SRA. DEPUTADA JANETE ROCHA PIETÁ NO PERÍODO DESTINADO AO PEQUENO EXPEDIENTE DA SESSÃO ORDINÁRIA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Nº 298, REALIZADA EM 26 DE OUTUBRO DE 2011 – RETIRADO PELA ORADORA PARA REVISÃO: A SRA. JANETE ROCHA PIETÁ (PT-SP. Sem revisão da oradora.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, em primeiro lugar, quero saudar a Presidenta Dilma Rousseff, que sancionou a lei que criou Terça-feira 7 00957 o PRONATEC, muito importante para expandir e qualificar a educação. Também quero apoiar todos os manifestantes que estão reivindicando 10% do PIB para a educação. Em segundo lugar, Sr. Presidente, quero que V.Exa. dê ampla divulgação a pronunciamento em que qual informo que a OIT divulgou espantoso estudo que traça o perfil das pessoas envolvidas no trabalho escravo. Nós exigimos que a PEC 438, que trata do trabalho escravo, seja rapidamente aprovada. E, nos dez segundos que me restam, gostaria de reforçar a importância da iniciativa popular no Orçamento da União. O SR. PRESIDENTE (Afonso Hamm) – Agradecemos à Deputada. PRONUNCIAMENTOS ENCAMINHA‑ DOS PELA ORADORA Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, no início desta semana, a Organização Internacional do Trabalho – OIT divulgou um estudo que traça o perfil das pessoas envolvidas no trabalho escravo rural no Brasil: as vítimas, os intermediários e os empregadores. De acordo com o levantamento, em geral, o trabalhador exposto à escravidão contemporânea no Brasil é homem, negro, analfabeto funcional, tem idade média de 31,4 anos e renda declarada mensal de 1,3 salário mínimo. A grande maioria (77%) nasceu no Nordeste. O levantamento da OIT mostra mais uma face perversa da exploração: que a escravidão contemporânea começa cedo, com o trabalho infantil. “Pratica‑ mente, todos os entrevistados na pesquisa de campo (92,6%) iniciaram sua vida profissional antes dos 16 anos. A idade média em que começaram a trabalhar é de 11,4 anos, sendo que aproximadamente 40% ini‑ ciaram antes desta idade”, relata a pesquisa. Não podemos, Sras. e Srs. Deputados, conviver com a realidade que esse estudo nos traz, eis que ele comprova a existência de trabalho análogo à escravidão em nosso País. Em razão disso, peço celeridade na aprovação da PEC 438. Com a aprovação dessa PEC, teremos o fim dessa triste exploração. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, hoje foi sancionada pela Presidenta Dilma Rousseff a Lei que institui o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (PRONATEC). O PRONATEC tem como objetivos expandir, interiorizar e democratizar a oferta de cursos de educação profissional técnica de nível médio em colaboração com Estados, o Distrito Federal e Municípios. O Programa deve fomentar e apoiar a expansão da rede física de atendimento da educação profissional 00958 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS e tecnológica e contribuir para a melhoria da qualidade do ensino médio público, por meio da articulação com a educação profissional. Até 2014, o Programa beneficiará 8 milhões de brasileiros. Ainda neste ano serão oferecidas 55 mil vagas para os beneficiários do Programa Brasil sem Miséria, em diversos cursos. DISCURSO PROFERIDO PELA SRA. DEPUTADA JANETE ROCHA PIETÁ NO PERÍODO DESTINADO ÀS BREVES COMUNICAÇÕES DA SESSÃO EXTRAORDINÁRIA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Nº 300, REALIZADA EM 27 DE OUTUBRO DE 2011 – RETIRADO PELA ORADORA PARA REVISÃO: A SRA. JANETE ROCHA PIETÁ (PT-SP. Sem revisão da oradora.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, em primeiro lugar, informo a todos que estou com um lenço rosa porque outubro é o mês rosa, o mês voltado para o tratamento e a prevenção do câncer de mama – e você, mulher que me assiste, procure uma unidade básica de saúde. A cor rosa significa que queremos promover a prevenção do câncer de mama. Em segundo lugar, também tratando de saúde, lembro que hoje, 27 de outubro, é o Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra 2011. A Deputada Benedita da Silva falou sobre a anemia falciforme, e eu gostaria de dizer que este dia de mobilização tem a finalidade de garantir a efetivação dos direitos à saúde da população negra brasileira, o direito humano à saúde. Essa campanha tem como slogan Saúde da População Negra é Direito, é Lei: racismo e discri‑ minação fazem mal à saúde. Temos de buscar fazer com que o SUS trate das questões da saúde da população negra. Quero lembrar ainda que a anemia falciforme, como muito bem disse a Deputada Benedita da Silva, não atinge somente os negros, os afrodescendentes. Pode haver incidência também em pessoas da cor branca que tiverem um ascendente afro. Para concluir, registro que estive ontem, a exemplo do Deputado Inocêncio Oliveira e de vários outros membros da Casa, na posse da nova Ministra do Tribunal de Contas, Ana Arraes. Aproveito para desejar à Ministra que, tal como disse no seu pronunciamento, tenha uma postura de equilíbrio e justiça, para cumprir a sua missão nesse setor que é fundamental. Elegemos a primeira mulher para o Tribunal de Contas da União – neste momento, S.Exa. é a única Fevereiro de 2012 mulher entre os nove Ministros daquela Corte. E estamos torcendo por S.Exa., que, com certeza, será muito competente na sua função. Finalizo, Sr. Presidente, dizendo que precisamos mesmo batalhar para que a reforma política garanta paridade no que se refere à presença da mulher na lista preordenada, com alternância. Muito obrigada. PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELA ORADORA Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, hoje, 27 de outubro é o Dia de Mobilização Pró‑Saúde da População Negra 2011, e sociedade civil e Governo debatem os impactos do racismo e da discriminação nas condições de saúde da população negra. Com a finalidade de garantir a efetivação dos direitos à saúde da população negra brasileira, sobretudo o direito humano à saúde, estão sendo intensificadas durante os meses de outubro e novembro, em diversas localidades do Brasil, atividades que fazem parte da Mobilização Nacional Pró-Saúde da População Negra 2011. E está sendo lançada hoje campanha que tem como slogan Saúde da População Negra é Direito, é Lei: racismo e discriminação fazem mal à saúde. O foco das ações dessa campanha será o enfrentamento do racismo institucional no SUS e no processo de implantação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN) nos Estados e Municípios deste País. Dessa forma, convoco os nobres colegas a apoiarem essa mobilização tão cara à população brasileira. Era o que tinha a dizer, Sr. Presidente. Muito obrigada. DISCURSO PROFERIDO PELA SRA. DEPUTADA JANETE ROCHA PIETÁ NO PERÍODO DESTINADO AO PEQUENO EXPEDIENTE DA SESSÃO ORDINÁRIA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Nº 322, REALIZADA EM 16 DE NOVEMBRO DE 2011 – RETIRADO PELA ORADORA PARA REVISÃO: A SRA. JANETE ROCHA PIETÁ (PT-SP. Sem revisão da oradora.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, em primeiro lugar, novembro é o mês da consciência negra, e vou parafrasear Georges Najjar: “Tire o seu racismo do caminho que eu quero passar com a minha dor”. A frase está no livro Desaforismos, que vou distribuir a todos os Deputados, especialmente a V.Exa. e aos demais membros da Mesa. Em segundo lugar, eu quero parabenizar a AGENDE Guarulhos e o seu presidente Danieli Pestelli. Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS A AGENDE, Agência de Desenvolvimento de Guarulhos, está fazendo um projeto muito importante com a Prefeitura e o setor privado, o projeto do Parque Tecnológico de Guarulhos, e eu quero dar ampla divulgação a isso, Sr. Presidente. Finalmente, eu estive no domingo na Romaria das Águas em Nazaré Paulista, no circuito de preparação do dia 21 de novembro. O dia 20 será o Dia da Consciência Negra. O SR. PRESIDENTE (Manato) – Muito obrigado, nobre Deputada. Serão divulgados em todos os órgãos o Estatuto da Igualdade Racial e a Lei nº 10.639/03. PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELA ORADORA Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, em primeiro lugar quero saudar o empresário Daniele Pestelli e toda a diretoria da Agência de Desenvolvimento de Guarulhos, a AGENDE, que inaugurou sua nova sede própria na última sexta-feira. Em segundo lugar, quero dizer que acompanho com especial atenção o projeto do Parque Tecnológico de Guarulhos, desde os primeiros estudos feitos pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – FAPESP. Desde então venho apoiando o projeto, mantendo-me informada quanto aos esforços da AGENDE e da Prefeitura Municipal de Guarulhos no sentido de transformá-lo em realidade. Senhores, considerando as características da forte e potente indústria de nossa cidade e observando os exemplos de parques como o de São José dos Campos e o de São Carlos, compreendi perfeitamente os argumentos do empresário Daniele Pestelli quanto à importância e à necessidade de implantação de um projeto que una esforços acadêmicos, governamentais e privados com o intuito de proteger nosso ativo econômico mais importante do processo de perda de competitividade com a agregação de valores que só a inovação tecnológica pode promover. O projeto do parque responde, portanto, a essa demanda, reconhecida por todos como uma necessidade, de geração de maior valor agregado aos processos produtivos da indústria, resultando em empresas mais fortes, empregos mais bem remunerados e um amplo aproveitamento da capacidade inovadora de nossos jovens empreendedores e da comunidade científica. Considero esse esforço fundamental para atrair para a nossa Guarulhos maiores investimentos, em forma de novas instituições universitárias, principalmente públicas, garantindo maiores oportunidades de formação acadêmica e qualificação profissional para nossa população, bem como a retenção em nossa cidade de Terça-feira 7 00959 valores a serem empregados pela iniciativa privada em laboratórios e centros de pesquisa e desenvolvimento. Para finalizar, quero deixar registrado que no domingo participei da Romaria das Águas, atividade que faz parte das comemorações em homenagem à padroeira da cidade de Nazaré Paulista, Nossa Senhora de Nazaré. Participei do traslado da imagem da santa, que saiu do Bairro Santa Luzia até a Matriz de Nossa Senhora de Nazaré. A trajetória foi feita pelas águas da represa de Nazaré, que fazem parte do Sistema Cantareira. As comemorações terão continuidade no próximo domingo, quando será comemorado antecipadamente o aniversário da cidade, que transcorre em 21 de novembro. DISCURSO PROFERIDO PELA SRA. DEPUTADA JANDIRA FEGHALI NO PERÍODO DESTINADO ÀS BREVES COMUNICAÇÕES DA SESSÃO EXTRAORDINÁRIA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Nº 323, REALIZADA EM 17 DE NOVEMBRO DE 2011 – RETIRADO PELA ORADORA PARA REVISÃO: A SRA. JANDIRA FEGHALI (Bloco/PCdoB-RJ. Sem revisão da oradora.) – Sr. Presidente, em primeiro lugar, quero associar-me a todos os colegas que já se solidarizaram com o ex-Presidente Lula, acreditando que, com a sua garra, energia e capacidade de superação, ele vai vencer mais esse desafio para estar entre nós na luta política e na luta pelo desenvolvimento do Brasil durante muito tempo. Em segundo lugar, quero também me associar aos Deputados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo que aqui já se pronunciaram em relação à distribuição dos royalties do petróleo. Longe de nós, das bancadas do Rio do Janeiro e do Espírito Santo, pretender criar um clima de polarização com os chamados Estados não produtores. Mais do que ninguém, temos defendido o equilíbrio federativo e a possibilidade real de que não se aprofunde no Brasil uma crise na Federação. Definitivamente, não queremos isso. Mas queremos deixar claro que o Rio de Janeiro tem contratos em vigor. E o futuro em relação aos percentuais a serem distribuídos em decorrência da exploração do pré-sal estão muito bem definidos no projeto encaminhado pelo ex-Presidente Lula, a respeito dos quais o Rio de Janeiro assim como o Espírito Santo já estabeleceram um consenso. O dinheiro imediato para 2012 não será encontrado retirando-se dos Estados produtores aqueles recursos com que eles contam para a implementação de suas políticas públicas. A propósito, convém lembrar, inclusive, que o Estado do Rio de Janeiro tem a sua dívida lastreada em antecipação de royalty. 00960 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Não é possível, portanto, que a crise da Federação tenha que ser superada por dois Estados. Quem tem de superar a crise da Federação é a União. Aliás, quero aqui reconhecer o esforço da Presidenta Dilma no sentido de chamar as partes envolvidas à conversa, de buscar uma solução que não viole nem Constituição, nem a legislação, nem tampouco os contratos em vigor e que possa apontar para a sociedade brasileira a superação da crise federativa. Não podemos aceitar o texto aprovado pelo Senado Federal, aberta e frontalmente inconstitucional, baseado em dados falsos, inverídicos, desmentidos pelos próprios dados oficiais da PETROBRAS. Não podemos, a partir de falsos dados, aprofundar uma crise federativa e sequestrar dos Estados recursos que hoje já existem para investimentos em políticas públicas. Quero inclusive dizer que sempre defendi um controle social sobre o uso do dinheiro do royalty, para que ele seja bem aplicado. Agora, tomaremos todas as medidas políticas e jurídicas pertinentes para evitar o sequestro de recursos dos Estados produtores e para ajudar a construir saídas que possibilitem o equilíbrio federativo. Muito obrigada, Sr. Presidente. DISCURSO PROFERIDO PELA SRA. DEPUTADA JANETE ROCHA PIETÁ NO PERÍODO DESTINADO ÀS BREVES COMUNICAÇÕES DA SESSÃO EXTRAORDINÁRIA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Nº 331, REALIZADA EM 22 DE NOVEMBRO DE 2011 – RETIRADO PELA ORADORA PARA REVISÃO: A SRA. JANETE ROCHA PIETÁ (PT-SP. Sem revisão da oradora.) – Sra. Presidenta, em primeiro lugar, quero reforçar o convite a todos os Parlamentares para assistirem hoje, às 16 horas, no Salão Verde, ao lançamento da coletânea Palavra de Mulher – Oito Décadas do Direito de Voto. Trata-se de ato muito importante, porque no ano que vem completaremos 80 anos da concessão do direito de voto à mulher e vamos registrar a atuação da primeira eleita Deputada Federal, Carlota Pereira de Queiroz, até à das Parlamentares de hoje. O painel, no início do Anexo II desta Casa, com fotos das Deputadas, é porque elas também fazem parte dessa história. Em segundo lugar, quero dizer que tudo nasceu de uma discussão ocorrida em Montevidéu sobre como compartilhar estratégias nos vários Parlamentos. Muito obrigada. Fevereiro de 2012 DISCURSO PROFERIDO PELA SRA. DEPUTADA JANETE ROCHA PIETÁ NO PERÍODO DESTINADO AO PEQUENO EXPEDIENTE DA SESSÃO ORDINÁRIA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Nº 341, REALIZADA EM 29 DE NOVEMBRO DE 2011 – RETIRADO PELA ORADORA PARA REVISÃO: A SRA. JANETE ROCHA PIETÁ (PT-SP. Sem revisão da oradora) – Deputada Benedita da Silva, Deputada Romanna Remor, Deputados, eu queria informar o que ocorreu na minha cidade no dia 25, Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher. Em Guarulhos, tivemos manifestações em Pimentas, um dos bairros onde há a maior incidência de violência contra a mulher, no Centro e no Cabuçu. Infelizmente, Deputadas e Deputados, na minha cidade, até setembro, houve 284 casos de estupro. Quero registrar também, com espanto, o que ocorreu na cidade de Cajazeiras, Paraíba: uma senhora de 72 anos foi violentada em sua casa. Nós precisamos de agilidade, de celeridade no acompanhamento da violência contra a mulher. Por isso, quero presentear a Presidenta e a Deputada Romanna com exemplares do livro de Maria da Penha. Quero também dizer que nós, mulheres, temos que nos manter na luta pela defesa do direito de todas as mulheres viverem em paz e não serem forçadas a nada, porque somos iguais perante a lei. Muito obrigada, Sra. Presidenta. DISCURSO PROFERIDO PELO SR. DEPUTADO DANIEL ALMEIDA NO PERÍODO DESTINADO AO GRANDE EXPEDIENTE DA SESSÃO ORDINÁRIA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Nº 341, REALIZADA EM 29 DE NOVEMBRO DE 2011 – RETIRADO PELO ORADOR PARA REVISÃO: O SR. DANIEL ALMEIDA (Bloco/PCdoB-BA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, meu pronunciamento é sobre o Dia Nacional de Combate ao Câncer, em especial sobre a prevenção ao câncer de mama. É muito importante fazer referência a esse dia, comemorado dia 27 de novembro, como é importante usar a informação como instrumento de combate a essa doença que vitima tantas pessoas no País. Em meu pronunciamento, destaco as ações da sociedade brasileira e as políticas de prevenção do Ministério da Saúde, que venho acompanhando. Unidades de combate ao câncer vêm sendo estruturadas por todo o País para minimizar a incidência e os efeitos dessa doença, que tem cura. Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a informação é arma essencial na prevenção e controle do câncer, o que justifica a escolha de datas específicas para difundir intensamente dados e recomendações sobre o assunto. Nessa estratégia se inserem o Dia Nacional de Combate ao Câncer e o Dia Nacional de Luta contra o Câncer de Mama, que transcorrem em 27 de novembro. Câncer é um termo usado genericamente em relação a mais de 100 doenças, cujo impacto global dobrou em três décadas, atingindo, no ano de 2008, cerca de 12 milhões de casos novos e 7 milhões de mortes. No Brasil, estimativas feitas pelo Instituto Nacional de Câncer – INCA indicam que em 2011 devem ocorrer quase 490 mil novos casos, sendo pouco mais de 236 mil entre os homens, e 253 mil entre as mulheres. O crescimento das taxas de mortalidade por câncer passou a preocupar os países desenvolvidos nas primeiras décadas do século passado, época em que aqui as políticas públicas estavam focadas nas endemias. Só em 1920 começaram a ser coletados no Rio de Janeiro – então Distrito Federal – os dados iniciais sobre a incidência da doença no País, que subsidiariam o primeiro plano anticâncer brasileiro, apresentado 2 anos depois. Hoje, existe uma Política Nacional de Atenção Oncológica, e os dados fornecidos pelo INCA e por outros órgãos subsidiam as ações de prevenção e controle. Também há consciência de que a população precisa ser bem informada, tanto sobre os riscos da doença como sobre as possibilidades de tratamento, que têm oferecido resultados cada vez melhores. O câncer de pele não melanoma constitui o de maior incidência no Brasil para ambos os sexos, devendo registrar 114 mil casos novos este anº Felizmente, sua letalidade é baixa, embora, havendo demora no diagnóstico, possa levar a ulcerações e deformidades físicas graves. Já o melanoma apresenta letalidade elevada, mas incidência baixa. Excetuado o câncer de pele não melanoma, os tipos mais incidentes este ano serão os tumores de próstata, com 52 mil novos casos, e o de mama feminina, com 49 mil novos casos. Ambos são considerados de bom prognóstico, ou seja, se diagnosticados e tratados oportunamente, as taxas de mortalidade se reduzem. No caso do câncer de mama, porém, a mortalidade continua alta no Brasil, provavelmente devido ao diagnóstico tardio. Para o controle, o Ministério da Saúde recomenda um exame mamográfico pelo menos a cada 2 anos para mulheres de 50 a 69 anos, e o exame clínico anual das mamas para mulheres de Terça-feira 7 00961 40 a 49 anos. Independente disso, o exame clínico de mama deve ser realizado em todas as mulheres que procuram os serviços de saúde. O câncer de próstata é apontado, mais do que qualquer outro, como uma doença da terceira idade, pois três quartos dos casos em todo o mundo ocorrem a partir dos 65 anos. Vale ressaltar que, em qualquer tipo da doença, são sempre fundamentais a prevenção e o diagnóstico precoce. Prevenir e controlar o câncer representam hoje dois dos mais importantes desafios científicos e de saúde pública no mundo todo, mas superá-los não é atribuição apenas dos pesquisadores e dos médicos. Cabe também à sociedade fazer sua parte, obtendo informação, seguindo as recomendações e não negligenciando a busca de diagnóstico e tratamento, quando for o caso. Pensando em contribuir para que essas estatísticas sejam cada vez menores, apresentamos, em 2007, para apreciação desta Casa, o Projeto de Lei nº 843/07, em tramitação na Comissão de Seguridade Social, a fim de permitir aos trabalhadores a ausência ao serviço para realização de exame preventivo de câncer do colo de útero, de câncer da mama ou de câncer da próstata. Muito obrigado. PROPOSIÇÕES APRESENTADAS PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO Nº 132, DE 2012 (Do Sr. Reinaldo Azambuja e outros) Acrescenta o art. 98 e parágrafo único aos Atos de Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal, que institui no “Âmbito do Poder Executivo Federal, Fundo Nacional de Atendimento e Recuperação Urgente de Comunidades Atingidas por Catástrofes Naturais.” Art. 1º Aos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal acrescenta-se o art. 98 e Parágrafo Único, que passará a viger com a seguinte redação: Art. 98. É instituído, no âmbito do Poder Executivo Federal, Fundo Nacional de Atendimento e Recuperação Urgente das Comunidades Atingidas por Catástrofes Naturais, a ser regulado por lei complementar com o objetivo de viabilizar atendimento urgente e prioritário às comunidades atingidas por catástrofes naturais. 00962 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Parágrafo único. O Fundo será constituído pelos recursos financeiros e materiais previstos na lei complementar que o regulamentar, que deverá ser editada no prazo de 30 (trinta) dias a contar da promulgação da presente Emenda. Justificação Desnecessário afirmar que a concessão de meios materiais e financeiros para as comunidades atingidas por catástrofes naturais passa por um demorado processo, sujeito a toda ordem de entraves burocráticos e legislativos. Exemplos da morosidade no atendimento de tais comunidades não faltam, já que é correntio na mídia a notícia de que existem municípios atingidos pelas chuvas em 2008 e até agora não receberam a necessária ajuda do Poder Central. A instituição do Fundo específico, com recursos orçamentários e extra-orçamentários (empresas, ONGs, sociedade civil organizada, etc.) poderá, se bem gerido e fiscalizado com rigor, atender, de pronto, as comunidades que dele precisarem. A importância e urgência na instituição do referido Fundo, dispensa qualquer fundamentação justificadora. Sala de Sessões, 6 de fevereiro de 2011. – Deputado Reinaldo Azambuja, PSDB/MS. CONFERÊNCIA DE ASSINATURAS (54ª Legislatura 2011-2015) Proposição: PEC 0132/12 Autor da Proposição: REINALDO AZAMBUJA E OUTROS Data de Apresentação: 06/02/2012 Ementa: Acrescenta o art. 98 e Parágrafo único aos Atos de Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal, que institui no Âmbito do Poder Executivo Federal, Fundo Nacional de Atendimento e Recuperação Urgente de Comunidades Atingidas por Catástrofes Naturais. Possui Assinaturas Suficientes: SIM Totais de Assinaturas: Confirmadas 185 Não Conferem 007 Fora do Exercício 001 Repetidas 009 Ilegíveis 000 Retiradas 000 Total 202 Assinaturas Confirmadas ABELARDO CAMARINHA 1 PSB SP 2 ADEMIR CAMILO PSD MG 3 AELTON FREITAS PR MG 4 AGUINALDO RIBEIRO PP PB Fevereiro de 2012 5 ALBERTO FILHO PMDB MA 6 ALBERTO MOURÃO PSDB SP 7 ALEX CANZIANI PTB PR 8 ALEXANDRE ROSO PSB RS 9 ALINE CORRÊA PP SP 10 ALMEIDA LIMA PPS SE 11 AMAURI TEIXEIRA PT BA 12 ANDRÉ FIGUEIREDO PDT CE 13 ANDRE MOURA PSC SE 14 ANDRE VARGAS PT PR 15 ANÍBAL GOMES PMDB CE 16 ANTÔNIO ANDRADE PMDB MG 17 ANTONIO BULHÕES PRB SP 18 ARIOSTO HOLANDA PSB CE 19 ARNON BEZERRA PTB CE 20 ARTHUR LIRA PP AL 21 ASDRUBAL BENTES PMDB PA 22 ASSIS DO COUTO PT 22 PR 23 AUGUSTO CARVALHO PPS DF 24 BENJAMIN MARANHÃO PMDB PB 25 BERINHO BANTIM PSDB RR 26 BERNARDO SANTANA DE VASCONCELL PR MG 27 BIFFI PT MS 28 BONIFÁCIO DE ANDRADA PSDB MG 29 CABO JULIANO RABELO PSB MT 30 CÂNDIDO VACCAREZZA PT SP 31 CARLAILE PEDROSA PSDB MG 32 CARLOS ALBERTO LERÉIA PSDB GO 33 CARMEN ZANOTTO PPS SC 34 CELSO MALDANER PMDB SC 35 CHICO LOPES PCdoB CE 36 CLEBER VERDE PRB MA 37 COSTA FERREIRA PSC MA 38 DAMIÃO FELICIANO PDT PB 39 DANIEL ALMEIDA PCdoB BA 40 DARCÍSIO PERONDI PMDB RS 41 DAVI ALVES SILVA JÚNIOR PR MA 42 DÉCIO LIMA PT SC 43 DEVANIR RIBEIRO PT SP 44 DILCEU SPERAFICO PP PR 45 DOMINGOS DUTRA PT MA 46 DOMINGOS SÁVIO PSDB MG 47 DR. JORGE SILVA PDT ES 48 DR. PAULO CÉSAR PSD RJ 49 DR. UBIALI PSB SP 50 DUDIMAR PAXIUBA PSDB PA 51 EDIO LOPES PMDB RR 52 EDMAR ARRUDA PSC PR 53 EDSON SANTOS PT RJ 54 EDSON SILVA PSB CE 55 EDUARDO CUNHA PMDB RJ 56 EDUARDO SCIARRA PSD PR 57 ELIANE ROLIM PT RJ Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS 58 ELIENE LIMA PSD MT 59 ENIO BACCI PDT RS 60 EUDES XAVIER PT CE 61 FABIO TRAD PMDB MS 62 FELIPE BORNIER PSD RJ 63 FELIPE MAIA DEM RN 64 FÉLIX MENDONÇA JÚNIOR PDT BA 65 FERNANDO COELHO FILHO PSB PE 66 FERNANDO MARRONI PT RS 67 FILIPE PEREIRA PSC RJ 68 FRANCISCO ESCÓRCIO PMDB MA 69 GABRIEL GUIMARÃES PT MG 70 GERALDO SIMÕES PT BA 71 GERALDO THADEU PSD MG 72 GIOVANNI QUEIROZ PDT PA 73 GIVALDO CARIMBÃO PSB AL 74 GLADSON CAMELI PP AC 75 HELENO SILVA PRB SE 76 HENRIQUE OLIVEIRA PR AM 77 HEULER CRUVINEL PSD GO 78 HOMERO PEREIRA PSD MT 79 JAIME MARTINS PR MG 80 JEAN WYLLYS PSOL RJ 81 JEFFERSON CAMPOS PSD SP 82 JÔ MORAES PCdoB MG 83 JOÃO ARRUDA PMDB PR 84 JOÃO DADO PDT SP 85 JOÃO MAGALHÃES PMDB MG 86 JOÃO PAULO LIMA PT PE 87 JOAQUIM BELTRÃO PMDB AL 88 JOSÉ AUGUSTO MAIA PTB PE 89 JOSÉ OTÁVIO GERMANO PP RS 90 JOSEPH BANDEIRA PT BA 91 JÚLIO CESAR PSD PI 92 JÚLIO DELGADO PSB MG 93 JÚNIOR COIMBRA PMDB TO 94 LÁZARO BOTELHO PP TO 95 LEANDRO VILELA PMDB GO 96 LELO COIMBRA PMDB ES 97 LEONARDO QUINTÃO PMDB MG 98 LEOPOLDO MEYER PSB PR 99 LIRA MAIA DEM PA 100 LUCIANO CASTRO PR RR 101 LÚCIO VALE PR PA 102 LUCIO VIEIRA LIMA PMDB BA 103 LUIZ FERNANDO FARIA PP MG 104 LUIZ FERNANDO MACHADO PSDB SP 105 LUIZ NISHIMORI PSDB PR 106 LUIZ NOÉ PSB RS 107 MAGDA MOFATTO PTB GO 108 MANATO PDT ES 109 MANOEL JUNIOR PMDB PB 110 MARCELO CASTRO PMDB PI Terça-feira 7 00963 111 MARCOS MEDRADO PDT BA 112 MÁRIO DE OLIVEIRA PSC MG 113 MAURÍCIO QUINTELLA LESSA PR AL 114 MAURO LOPES PMDB MG 115 MAURO NAZIF PSB RO 116 MENDONÇA FILHO DEM PE 117 MENDONÇA PRADO DEM SE 118 MIGUEL CORRÊA PT MG 119 NATAN DONADON PMDB RO 120 NEILTON MULIM PR RJ 121 NELSON BORNIER PMDB RJ 122 NELSON MEURER PP PR 123 NELSON PELLEGRINO PT BA 124 NILSON LEITÃO PSDB MT 125 NILTON CAPIXABA PTB RO 126 ODAIR CUNHA PT MG 127 ONOFRE SANTO AGOSTINI PSD SC 128 OSMAR JÚNIOR PCdoB PI 129 OSMAR SERRAGLIO PMDB PR 130 OTAVIO LEITE PSDB RJ 131 OTONIEL LIMA PRB SP 132 OZIEL OLIVEIRA PDT BA 133 PADRE JOÃO PT MG 134 PAES LANDIM PTB PI 135 PAULO ABI-ACKEL PSDB MG 136 PAULO CESAR QUARTIERO DEM RR 137 PAULO FREIRE PR SP 138 PAULO PEREIRA DA SILVA PDT SP 139 PAULO PIAU PMDB MG 140 PEDRO CHAVES PMDB GO 141 PEDRO NOVAIS PMDB MA 142 PEPE VARGAS PT RS 143 POLICARPO PT DF 144 PROFESSORA DORINHA SEABRA REZE DEM TO 145 RAIMUNDO GOMES DE MATOS PSDB CE 146 RATINHO JUNIOR PSC PR 147 RAUL HENRY PMDB PE 148 REBECCA GARCIA PP AM 149 REINALDO AZAMBUJA PSDB MS 150 RENAN FILHO PMDB AL 151 RICARDO BERZOINI PT SP 152 RICARDO IZAR PSD SP 153 RICARDO TRIPOLI PSDB SP 154 ROBERTO SANTIAGO PSD SP 155 RODRIGO DE CASTRO PSDB MG 156 ROGÉRIO PENINHA MENDONÇA PMDB SC 157 ROMERO RODRIGUES PSDB PB 158 SALVADOR ZIMBALDI PDT SP 159 SANDES JÚNIOR PP GO 160 SANDRO MABEL PMDB GO 161 SEBASTIÃO BALA ROCHA PDT AP 162 SÉRGIO MORAES PTB RS 163 SEVERINO NINHO PSB PE 00964 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS 164 SIBÁ MACHADO PT AC 165 STEPAN NERCESSIAN PPS RJ 166 TONINHO PINHEIRO PP MG 167 VALADARES FILHO PSB SE 168 VALDIR COLATTO PMDB SC 169 VALDIVINO DE OLIVEIRA PSDB GO 170 VALMIR ASSUNÇÃO PT BA 171 VANDERLEI MACRIS PSDB SP 172 VANDERLEI SIRAQUE PT SP 173 VICENTE ARRUDA PR CE 174 VICENTE CANDIDO PT SP 175 VICENTINHO PT SP 176 VIEIRA DA CUNHA PDT RS 177 VILSON COVATTI PP RS 178 VITOR PENIDO DEM MG 179 WASHINGTON REIS PMDB RJ 180 WELITON PRADO PT MG 181 WOLNEY QUEIROZ PDT PE 182 ZÉ GERALDO PT PA 183 ZENALDO COUTINHO PSDB PA 184 ZEQUINHA MARINHO PSC PA 185 ZOINHO PR RJ PROJETO DE LEI Nº 3.122, DE 2012 (Do Sr. Onofre Santo Agostini) Proíbe a fabricação, a importação, a distribuição e a comercialização de fraldas descartáveis que contenham em sua composição substância ou matéria não biodegradável. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º Esta lei proíbe a fabricação, a importação, a distribuição e a comercialização de fraldas descartáveis que contenham em sua composição substância ou matéria não biodegradável. Art. 2º Fica proibida a fabricação, a importação, a distribuição e a comercialização de fraldas descartáveis que contenham em sua composição substância ou matéria não biodegradável. § 1º Para serem vendidas, importadas, distribuídas e comercializadas em território nacional, as fraldas descartáveis devem atender aos seguintes requisitos: I – degradar ou desintegrar por oxidação em fragmentos em um período de tempo de até 18 (dezoito) meses; II – apresentar como únicos resultados da biodegradação dióxido de carbono (CO2), água e biomassa. § 2º As embalagens das fraldas descartáveis de que trata o caput devem conter, em lugar visível, informações referentes à composição e natureza biodegradável das fraldas. Fevereiro de 2012 Art. 3º O descumprimento desta Lei sujeita o infrator às sanções da Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. Art. 4º Esta lei entra em vigor após decorridos setecentos e vinte dias de sua publicação oficial. Justificação O uso de fraldas descartáveis tornou-se quase obrigatório nos dias atuais. A exemplo de outros itens de consumo que contêm plástico, as fraldas passaram a representar grave problema ambiental, pois, depositadas em aterros, levam algumas centenas de anos para se decomporem. Ressalte-se que até os 2 anos de vida, uma criança usa, em média, 6.000 fraldas descartáveis. A preocupação com essa questão suscitou alguns movimentos para incentivar a volta das tradicionais fraldas de tecido, aparentemente mais ecológicas. No entanto, ao considerar o ciclo de vida do produto, que inclui, entre outros aspectos, a água, energia e detergentes e branqueadores usados para sua lavagem, a conclusão é que também as fraldas de tecido apresentam impactos bastante negativos ao meio ambiente. Assim, uma alternativa mais adequada parece ser a adoção de fraldas descartáveis que sejam biodegradáveis. Este é o propósito do projeto de lei que ora apresentamos, contando com sua rápida aprovação pelos ilustres Pares. Sala das Sessões, 6 de fevereiro de 2012. – Deputado Onofre Santo Agostini. PROJETO DE LEI Nº 3.123, DE 2012 (Do Sr. Alexandre Leite) Dispõe sobre privatização dos estabelecimentos penitenciários. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º Esta Lei estabelece normas para a privatização de serviços penitenciários. Art. 2º A Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984 – Lei de Execução Penal, passa a vigorar acrescida dos seguintes artigos: “Art. 86 A. A União, os Estados e o Distrito Federal, de acordo com a conveniência pública da medida, poderão terceirizar para a iniciativa privada o cuidado com estabelecimentos penitenciários, desde que a guarda dos presos e o acompanhamento e avaliação da execução penal se faça exclusivamente por funcionários públicos. Parágrafo único. Os entes privados receberão remuneração a ser fixada pelo Estado, em função da complexidade dos serviços prestados, fixados em convênio os parâmetros do serviço e respectiva contraprestação financeira. Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Art. 86 B. A escolha do ente privado que deseje prestar serviços penitenciários será feita por licitação, atendendo a todos os requisitos da lei própria. Art. 86 C. São serviços penitenciários passíveis de terceirização à iniciativa privada: I– serviços de hotelaria – hospedagem, limpeza, alimentação e lavanderia II – cuidados de saúde; III – educação; IV – esportes; V– trabalho; VI – outros, de acordo com análise do Conselho Penintenciário e do Tribunal respectivo. § 1º. Em nenhuma hipótese serão passíveis de privatização a guarda e disciplina dos presos, bem como o acompanhamento e fiscalização da adequada execução da pena e avaliação do preso. § 2º. Na hipótese de organização de serviços de trabalho, a empresa terceirizada arcará com todos os direitos previstos nesta Lei ao preso trabalhador. Art. 86 D . Toda prestação de serviços penitenciários por particular será precedida de estudo de viabilidade pelo Conselho Penitenciário, pelo Tribunal respectivo, pelo Ministério Público e pela Ordem dos Advogados do Brasil. Art. 86 E. A fiscalização dos estabelecimentos penais terceirizados será permanente, não havendo limites ao poder fiscalizatório da autoridade competente. Art. 86 F. A entidade privada responsável por prestar sevriços penitenciários, deverá sempre que for requerido, enviar relatório de todas as suas atividades, bem como informações ao Poder Publico, resposável principal pelo indelegavel direito de punir (jus puniendi). Parágrafo único. Poderá o Judiciário, por intermédio dos juizes das respectivas varas de execuções penais, requerer, tanto a entidade privada como ao ente publico licitante, toda e quaisquer informação relacionadas ao cumprimento da pena, antecedentes carcerários e tudo o que julgar ser necessário para a instrução e acompanhamento da execução. Art. 86 G. A prestação de serviços penintenciários poderá cessar a qualquer tempo se forem constatadas irregularidades ou descumprimento das normas fixadas no convênio.” Art. 3º. Esta lei entra em vigor na data de sua publicação. Terça-feira 7 00965 Justificação De há muito se fala no direito brasileiro na necessidade de privatizar os presídios, como forma de solucionar a gravíssima questão penitenciária. Seguindo o exemplo de diversos países, a medida da privatização virá contribuir para desafogar da máquina estatal e desonerar os cofres públicos, tornando a execução das penas mais humanitárias, feita em condições mais dignas e, por conseguinte, atingindo um nível maior de ressocialização e reintegração do condenado, assim como demonstrado nos processos atualmente existente. Na década passada alguns estabelecimentos penitenciários experimentaram a gestão privada, mas não havia nenhuma lei que regulamentasse a matéria, tudo ficando ao alvedrio, tão somente ao livre-arbítrio do Poder Executivo daquelas localidades, sem uma tipificação legal a qual, dessem normas gerais ao assunto, tornando-os mais claros, diáfanos e seguros aos interesses e cofres Públicos. Cremos e vemos na prática que a idéia é adequada, apropriada, mas necessita urgentemente que se fixem por lei seus parâmetros, que originamos um diploma para resguardar a garantia de todos os direitos fundamentais e o couto das normas constitucionais sobre o tema. A construção de novas Penitenciárias, a par da readequação e reforma de outras, geram o problema de falta de servidores públicos treinados para o exercício das inúmeras funções necessárias para seu adequado funcionamento, nos termos do que estabelece a Constituição Federal e a Lei de Execuções Penais. O problema que se coloca perante o Poder Público se dá no aumento do número de cargos públicos necessários para o gerenciamento das Penitenciárias, aumentando, de conseqüência, o número de servidores públicos, e realizar concurso público para seu preenchimento ou delegar à iniciativa privada os serviços prestados nas Penitenciárias, passando a realizar licitações e contratações para tal desiderato. A execução penal deve ser abarcada como atividade intricada que “se desenvolve nos planos, jurisdicional e administrativo. Nem se desconhece que dessa atividade participam dois Poderes estatais: o Judiciário e o Executivo, por intermédio, respectivamente, dos órgãos jurisdicionais e dos estabelecimentos penais” 4. “A execução penal tem natureza híbrida, constituindo função administrativa e jurisdicional do Estado. Se por um lado a administra4. Grinover, Ada Pellegrini, Natureza Jurídica da Execução Penal, in Execução Penal (vários autores), Max Limonad, 1987, p. 7.1 00966 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS ção penitenciária compete ao Poder Executivo (Estado-administração), os incidentes da execução são da alçada do Poder Judiciário (Estado-juiz).” 5 Assim, para promover a concepção do tema, a expressão execução penal será utilizada para se referir, exclusivamente, à atividade do Estado-administração, enquanto gestor do sistema penitenciário e operador dos estabelecimentos penais, tanto como fator de garantia da sociedade, tanto quanto como garantia do próprio condenado. Logo, dúvida alguma pode existir quanto ao fato da execução penal se constituir serviço público típico, alusivo a atividade típica e exclusiva do Estado, sendo indelegável. Portanto, conclui-se de imediato, que de acordo com os ditames legais gerias por esta lei apresentado, determina atitude correta, eis que não concedeu o serviço à atividade privada, mas somente terceirizou alguns dos serviços que necessariamente devem ser prestados em uma Penitenciária, de acordo com os preceitos constitucionais. Art. 175 da CF/88, ao afirmar que “Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos”. É por esse motivo que propomos o presente Projeto de Lei, que modifica a Lei de Execução Penal, para estabelecer as normas gerais de como será possível a entes privados prestarem serviços penitenciários, sem atingir princípios constitucionais básicos. Tivemos o cuidado de resguardar nessa proposta aqueles serviços que de acordo com preceitos jurídicos penais, são por força da Constituição e de nosso sistema, reservados aos órgãos públicos. Assim, excluímos da possibilidade de privatização a guarda e avaliação do preso, que devem permanecer monopólio do Estado como garantia de todos. Cremos que o Projeto será de grande utilidade para nortear essa modernização de nosso sistema carcerário, e, pois, conclamamos nossos Nobres Pares a aprovarem a matéria. Sala das Sessões, 6 de fevereiro de 2012. – Deputado Alexandre Leite. Fevereiro de 2012 a lide envolver o uso de sistema eletrônico, digital ou similares, de rede de computadores, ou que sejam praticadas contra dispositivos de comunicação ou sistemas informatizados e similares. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º. Esta Lei altera a Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil – e o Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 – Código de Processo Penal, dispondo sobre os meios de prova admitidos, quando a lide envolver o uso de sistema eletrônico, digital ou similares, de rede de computadores, ou que sejam praticadas contra dispositivos de comunicação ou sistemas informatizados e similares. Art. 2º. Para os efeitos desta lei considera-se: Dispõe sobre os meios de prova admitidos no processo cível e penal, quando I – dispositivo de comunicação: qualquer equipamento com poder de processamento capaz de armazenar, receber ou transmitir dados utilizando-se de qualquer tecnologia; II – sistema informatizado: qualquer sistema com poder de processamento, capaz de capturar, armazenar ou transmitir dados digitalmente ou de forma equivalente; III – rede mundial de computadores: conjunto de dispositivos de comunicação e sistemas interligados entre si, que obedecem regras, parâmetros, códigos, formatos e outras informações agrupadas em protocolos, em nível local, regional, nacional ou mundial através dos quais é possível trocar informações; IV – código malicioso: conjunto de instruções representadas por linhas de comando inteligíveis aos dispositivos de comunicação ou outro sistema, desenvolvido para obter dados ou informações de forma indevida e executar ações danosas; V– dados informáticos: qualquer informação gerada nos meios eletrônicos que represente um fato ou conceito inteligível ao ser humano; VI – dados de tráfego: todas as informações registradas por um dispositivo de comunicação eletrônica, relacionadas ao acesso de um determinado dispositivo, pela captura do número de máquina, número de IP, localização, hora, data e a referência GMT da conexão efetuada, tais como origem da comunicação, o destino, o trajeto, a hora, a data, o tamanho, a duração ou o tipo do serviço. 5 2 Silva, Haroldo Caetano, Manual da Execução Penal, Bookseller, 2001, p. 41.2 Art.3º. Ficam os provedores de acesso à internet obrigados a: PROJETO DE LEI Nº 3.124, DE 2012 (Do Sr. Luciano Castro) Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS I – guardar em ambiente seguro, por 5 (cinco) anos, para atender a investigação pública, os dados de tráfego de que trata o inciso VI do art.2º da presente lei; II – atender no curso da investigação eventuais requisições, respondendo civil e penalmente pela sua absoluta confidencialidade e inviolabilidade; III – manter a autoridade competente informada, de denúncias ocorridas no âmbito de rede de computadores sob a sua responsabilidade, dos crimes que contenham indícios de ação penal incondicionada. § 1º Serão definidos por regulamento os procedimentos para coleta, segurança, e guarda dos dados de que trata o inciso I deste artigo. § 2º O responsável pelo procedimento que não cumprir a requisição judicial, estará sujeito ao pagamento de multa imposta pela autoridade judicial, variável de no mínimo 10 salários mínimos até o valor do dano causado, e em dobro em caso de reincidência, assegurada a oportunidade de ampla defesa e contraditório. § 3º A disponibilização dos dados a que se refere o inciso I, se dará após perícia técnica especializada que comprove o dano causado por invasão, contaminação por vírus, sabotagem de sistemas, destruição ou modificação do conteúdo de banco de dados, furto de informação, furto de propriedade intelectual e vandalismo cibernético. Art. 4º. Ficam os servidores de dados, comerciais ou não, obrigados a: I – guardar em ambiente seguro, por 5 (cinco) anos, para atender investigação pública, os dados hospedados em seus servidores e fornecê-los com exclusividade à autoridade investigatória mediante requisição judicial. § 1º Serão definidos por regulamento os procedimentos para coleta, segurança, e guarda dos dados de que trata o inciso I deste artigo. § 2º O provedor de dados que não cumprir a requisição judicial, estará sujeito ao pagamento de multa imposta pela autoridade judicial, variável de no mínimo 10 salários mínimos até o valor do dano causado, e em dobro em caso de reincidência, assegurada a oportunidade de ampla defesa e contraditório. § 3º Aplicam-se aos sujeitos mencionados no caput os incisos II e III, e §2º do artigo anterior. Art.5º. São admissíveis no processo penal as provas de que tratam os arts. 3º e 4º desta lei. Art. 6º. O art.341 da Lei nº 5869, de 11 de janeiro de 1973, passa a vigorar acrescido do seguinte parágrafo único: “Art. 341. Compete ao terceiro, em relação a qualquer pleito: ............................................................... Terça-feira 7 00967 Parágrafo único. Para todos os efeitos desta Lei, se equipara a coisa o dado ou informação, sendo o bit a menor quantidade de informação considerada (NR).” Art. 7º. O art. 356, da Lei nº 5869, de 11 de janeiro de 1973, passa avigorar acrescido do seguinte inciso IV: “Art. 356. O pedido formulado pela parte conterá: ............................................................... IV – perícia técnica especializada nos casos de invasão, contaminação por vírus, sabotagem de sistemas, destruição ou modificação do conteúdo de banco de dados, furto de informação, furto de propriedade intelectual e vandalismo cibernético (NR)”. Art. 8º. A Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 364-A: “Art. 364-A. Nos meios informáticos, fazem prova no processo: I – os relatórios dos provedores de acesso com os dados de número de máquina, número de IP, localização, hora, data e a referência GMT da conexão efetuada; II – as impressões de tela (cache), dos servidores de dados com data, hora e número de acessos do respectivo conteúdo, informando número IP e número de máquina de quem visualizou os arquivos.” Art. 9º. O art. 385 da Lei 5869, de 11 de janeiro de 1973, passa a vigorar acrescido do seguinte §3º: “Art. 385. A cópia de documento particular tem o mesmo valor probante que o original, cabendo ao escrivão, intimadas as partes, proceder à conferência e certificar a conformidade entre a cópia e o original. ............................................................... § 3º. Se a prova for uma fotografia publicada em sitio da internet, exigir-se-á a impressão de tela armazenada em cache do servidor do conteúdo nos termos do art. 364-A, II (NR).” Art. 10. O art. 232 do Decreto-Lei nº 3689, de 03 de outubro de 1941, passa avigorar com a seguinte radação: “Art. 232. Consideram-se documentos quaisquer escritos, instrumentos ou papéis, públicos ou particulares, e os dados informáticos. ...................................................... ”(NR) Art. 11. Esta Lei entrará em vigor cento e vinte dias após a data de sua publicação oficial. Justificação A jurisdição é considerada pela doutrina, como poder, função e atividade. É poder de dizer o direito no 00968 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS processo de conhecimento, de proclamá-lo, e quando necessário de realizá-lo coercitivamente no processo de execução. No entanto, a ideia de jurisdição não se restringe à declaração do direito, é necessário atuar firmemente e assegurar por medidas adequadas o resultado útil do processo. Nos ensinamentos de Humberto Theodoro Júnior, a jurisdição se apresenta como atividade estatal secundária, instrumental, declarativa ou executiva, desinteressada e provocada. É secundária, porque o estado age coercitivamente em atividade que, em princípio, deveria ter sido resolvida primariamente; é instrumental, porque é meio, instrumento de impor o direito ao cidadão; é declarativa, pois as leis estão preestabelecidas, ou seja, em regra, a lei já prevê a lide; é imparcial, vez que o estado “põe em prática vontades concretas da lei que não se dirigem ao órgão jurisdicional, mas aos sujeitos da relação jurídica substancial deduzida em juízo”; e por fim, deve ser provocada, vez que a jurisdição, versa quase sempre sobre interessses privados. Em nosso sistema processual, a ação é o direito de perseguir uma sentença sobre o mérito de uma determinada causa ou assegurar, por medidas adequadas, o resultado de um processo, calcado no postulado da verdade real. Para que a relação jurídica processual desenvolva-se e chegue a um termo final, é necessário que entre a propositura da demanda até a sentença de mérito, desenvolvam-se provas, que na sempre citada lição de De Plácido e Silva: “Do latim proba, de probare (demonstrar, reconhecer, formar juízo de), entender-se, assim, no sentido jurídico, a demonstração, que se faz, pelos meios legais, da existências ou veracidade de um ato material ou de um ato jurídico, em virtude da qual se conclui por sua existência ou se firma a certeza a respeito da existência do fato ou do ato demonstrado.” A prova é a forma pela qual se apura a verdade em juízo. É um meio usado pelas partes para atingir um resultado. A pretensão dos litigantes pode estar ancorada em fatos e ou normas jurídicas, ou somente em fatos, ou ainda, somente em normas jurídicas, o juiz resolve logo após a fase postulatória. No que tange ao projeto de lei, a sociedade vive em constantes mudanças evolutivas. Passamos da pedra talhada ao papel. Do Código Morse ao GPS (Global Positioning System), da carta ao e-mail e etc. A rede mundial de computadores – Internet – é inegavelmente a invenção do século, tendo mudado comportamentos, quebrado paradigmas, democratizou a informação, derrubou muros, desencadeando uma reviravolta nas relações sociais, humanas, políticas e econômicas. As novas tecnologias ensejaram o surgimento de uma nova maneira de se relacionar. Através do am- Fevereiro de 2012 biente virtual, as pessoas trocam informações de forma instantânea, resultando naquilo que hoje é comumente denominado de Sociedade Global de Informação. Na Administração Pública não é diferente. No Brasil, o conceito aplicado de Governo Eletrônico possibilitou o avanço da cidadania, democratizou o acesso à informação e deu mais transparência aos atos de Estado. É explícito o reflexo que toda essa mudança tem no mundo jurídico. Desafia legisladores, doutrinadores e operadores do direito na busca do novo. Há um leque de interpretações e alternativas que vem a tona quando este novo cenário atinge a será jurídica, como por exemplo, provar acontecimentos, atos ou fatos jurídicos ocorridos no mundo virtual. A presente proposta não pretende ser panaceia para eliminar o crime digital, más dificultar a ação dos vândalos de plantão e agilizar a ação persecutória do Estado, punindo o mau usuário de tecnologia, regulamentando a matéria. Sala das Sessões, 6 de fevereiro de 2012. – Deputado Luciano Castro. INDICAÇÃO Nº 2.458, DE 2012 (Do Sr. Amauri Teixeira) Solicita à Ministra de Estado da Cultura a criação uma Representação Regional da Fundação Nacional das Artes – FUNARTE no Estado da Bahia. Excelentíssima Senhora Ministra de Estado Cultura, Apesar de a cultura baiana carregar no receituário das suas tradições uma das mais ricas e diversificadas matrizes do Brasil, sendo o estado considerado um dos mais efervescentes centros culturais do país e berço das mais típicas manifestações populares, quer na culinária, na música, na dança, a Bahia, assim como todo o norte e o nordeste brasileiro, não possui nenhuma estrutura física ou simbólica do maior braço de fomento às artes do Ministério da Cultura: a Fundação Nacional de Artes (FUNARTE), que possui representações fora do estado sede, no Rio de Janeiro, apenas na região sudeste e centro-oeste do país: Minas Gerais, São Paulo e Brasília. A FUNARTE nasceu em 1975 com a finalidade de promover, estimular e desenvolver atividades culturais em todo o Brasil. No entanto, a ausência de um escritório verdadeiramente regional da instituição fora do eixo sul do país, impede que a FUNARTE cumpra o dever pelo qual a constituição federal estabeleceu no seu artigo de número 215 para a cultura, conforme prevê a emenda constitucional nº 48, de agosto de 2005, instituindo o Plano Nacional de Cultura, a tarefa de valorizar a diversidade étnica e regional. Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS O Estado brasileiro precisa reduzir a distância entre os entes federados e, principalmente, corrigir as distorções ao longo das décadas que reduziram as políticas públicas e, especialmente, as políticas públicas de cultura, a uma região especifica do país. Como diria o escritor baiano, João Ubaldo Ribeiro, na celebre obra “Viva o Povo Brasileiro” não é possível engolir mais a noção de que “a raça nos divide”, bem como, a noção exata de que não é difícil para uma pessoa menos esclarecida compreender que a cultura brasileira nasce baiana, a princípio, o indígena, o português e o negro. E a separação física da FUNARTE dos demais estados nordestinos e, especialmente, da Bahia, acaba reforçando um preconceito que se estende para além do campo simbólico, impregnando a estrutura administrativa do Estado de concepções e noções enviesadas do país, que não abarcam a enorme diversidade que configuram a verdadeira identidade nacional. É imprescindível que a Excelentíssimo Sr. Governador do Estado da Bahia Jaques Wagner através do Secretário Estadual de Cultura, Albino Rubim, não poupe esforços para avaliar junto a ilustríssima ministra Anna Maria Buarque de Hollanda, a referida indicação no sentido que a mesma endossa um pedido público realizado pela Rede Brasileira de Teatro de Rua, em carta de título “Carta Pororoca” encaminhada para o Ministério da Cultura e de domínio público a partir do dia 25 de julho de 2010, na cidade de Porto Velho, Rondônia, iniciando na Bahia o plano de expansão da FUNARTE para fora dos limites da região sudeste do Brasil, tendo a possibilidade deste escritório regional ocupar as dependências da Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) na Bahia, criada em 1937, como 2º Distrito do Sphan, com sede em Salvador, na Casa Berquó, imóvel do século XVII, tombado individualmente, situado no centro histórico de Salvador. Sala das Sessões, 6 de fevereiro de 2012. – Deputado Amauri Teixeira, PT/BA. INDICAÇÃO Nº 2.459, DE 2012 (Do Sr. Amauri Teixeira) Sugere a criação da Universidade Federal de Educação Indígena no Estado da Bahia e no Estado do Amazonas. Excelentíssimo Senhor Ministro da Educação, Os indígenas somam algo em torno de 480 mil vivendo em aldeias em todo o Brasil. Esse dado é reconhecido pela Fundação Nacional do Índio (Funai) e organizações não-governamentais, embora o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) tenha apontado cerca de 250 mil indígenas a mais do que a estatística oficial no último censo populacional em 2000, que leva em conta a auto-declaração como metodologia. Terça-feira 7 00969 Existem hoje 626 terras indígenas, de norte a sul do Brasil. Essas áreas ocupam uma extensão total de 109.778.741 hectares, ou 13% do território nacional, divididos por quase todos os estados brasileiros. Somente no Rio Grande do Norte, no Piauí não há registros de grupos indígenas. Recentemente, o governo federal reconheceu terras de grande simbolismo para a luta dos grupos indígenas: Nhanderu Marangatu, ligada aos Guarani-Kaiowá no Mato Grosso do Sul, e Raposa Serra do Sol, para os Macuxi, Ingarakó, Taurepang, Patamona e Wapixana no estado de Roraima. Os conflitos existentes nessas áreas são tão grandes e complexos que brigas judiciais se arrastam até hoje. No Brasil existem terras indígenas que buscam a sua identificação, o primeiro passo do processo de regularização do território indígena. Entre as grandes terras a espera de homologação, destaque para Trombetas-Mapuera, localizada em partes dos estados de Roraima, do Amazonas e do Pará, com quase 4 milhões de hectares demarcados em nome dos índios Hixkaryana, Katuena e Waiwai. As populações indígenas localizados na Bahia pertencem, em grande maioria, ao tronco linguístico macro-jê, dentre elas estão os grupos indígenas Pataxó, Pataxó-hã-hã-hãe, Quiriri e o extinto Camacã. Grande parte dos índios vem perdendo o hábito do idioma materno, passando a falar a língua portuguesa. As tribos e aldeias indígenas estão bastante distribuídas pela Bahia em áreas/terras e reservas indígenas. Existe ainda a presença dos tupinambás (Tamoios, Tupinambás-de-belmonte, de-crateús e de-olivença), geréns, trucás (Truká ou Tur-Ká), aticuns-umãs (Aticum ou Atikim-Umã), Xukuru-Kariris, Payayá, etc. O território baiano foi habitado ainda pelos sapuiás, camacãs, entre outros. No Amazonas, são 62 etnias diferentes, com aproximadamente 87.000 pessoas, as quais devem ser computados 12 grupos isolados (a maior parte na região do Vale do Rio Javari) e 52 “Terras Indígenas” sobre as quais não se tem registro, e ainda aqueles habitantes das três sedes municipais (os desaldeados), inclusive a capital, Manaus. A demarcação de terras, a saúde indígena, a manutenção de costumes dessa população são obstáculos que precisam ser vencidos, contudo outra questão que é preciso avançar é na área da educação. A preservação da cultura, costumes, do conhecimento e das tradições é tão importante quanto à cultura de todo o povo brasileiro, e, para garantir viva essa cultura é preciso promover e propagar o conhecimento aos povos indígenas, neste sentido, solicito ao Excelentíssimo Senhor Ministro de Estado da Educação crie a Universidade Federal de Educação Indígena no Estado da Bahia. Sala das Sessões, 6 de fevereiro de 2012. – Deputado Amauri Teixeira, PT/BA. 00970 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS INDICAÇÃO Nº 2.460, DE 2012 (Do Sr. Amauri Teixeira) Sugere a construção de habitação rural nos municípios Jacobina, Umburanas e Várzea Nova no Estado da Bahia. Excelentíssimo Senhor Ministro do Desenvolvimento Agrário, O déficit habitacional rural no Brasil é de cerca de 1,5 milhão de unidades. O Programa minha Casa Minha Vida veio para diminuir esses números. A falta de moradia, configura uma situação de sub-cidadania no campo e isso precisa ser combatido. A produção da moradia rural tem ainda custos indiretos adicionais devido a canteiros de obra dispersos, em geral com baixa escala, e custos adicionais de Município Jacobina Umburanas Várzea Nova Fevereiro de 2012 transportes de materiais, estocagem e deslocamento dos construtores – ou seja, maiores do que as obras concentradas nas cidades. O país está construindo política justa de moradia no campo, favorecendo a formação de cooperativas, a geração de renda local e o uso de tecnologias sustentáveis. Mesmo assim existe uma precariedade da moradia rural contribui para emperra a reforma agrária e da agricultura familiar e, consequentemente, com o aumento do êxodo dos pequenos agricultores para as periferias urbanas. Neste sentido ao Excelentíssimo Senhor Ministro de Estado do Desenvolvimento Agrário promova a construção de habitação rural nos conforme relação que segue: Localidade Quantidade Várzea 25 Santa Cruz do Matão 12 Barrocão Velho 20 Barrocão Novo 12 Barrocão de Baixo 01 José Domingos 10 Grota do Brito 02 Malhadinha e Baraunas de Dentro 03 Corea 05 Lagoa 05 Curral Velho 04 Timbó 05 Itaitu 10 Cachoeira Grande 05 Junco 03 Lagoa do Angico 08 Lagoinha 07 Barriguda dos Doutores 20 Verdadeira 05 Peguenta 05 Marreca 05 Embocâ 05 Barriguda Brasília 05 Umburanhas 15 Mulungu 10 Cincobaraunas 15 Tabua 10 Sala das Sessões, 6 de fevereiro de 2012. – Deputado Amauri Teixeira, PT/BA. Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS INDICAÇÃO Nº 2.461, DE 2012 (Do Sr. Alexandre Leite) Sugere ao Ministro da Educação a implantação de novos polos de apoio presencial para educação superior à distância. Excelentíssimo Senhor Ministro de Estado da Educação: É de se destacar o decisivo impulso dado pela gestão de V. Exª ao desenvolvimento e à consolidação da educação superior à distância no País. É preciso também ressaltar que esse estímulo foi acompanhado dos indispensáveis cuidados para a garantia da qualidade do ensino oferecido, como atestam as rigorosas normas regulatórias adotadas pelo Ministério da Educação, hoje consolidadas na Portaria Normativa nº 40, de 12 de dezembro de 2007. Os arts. 44 a 60 dessa Portaria tratam de disposições específicas para o credenciamento de instituições e autorização e reconhecimento de cursos para oferta de educação à distância. Aí se encontra prevista a hipótese de uma instituição pleitear, por aditamento ao ato de seu credenciamento, a ampliação da abrangência de sua área de atuação, mediante a implantação de novos polos de apoio presencial. Este dispositivo reconhece que a demanda pela educação superior à distância é dinâmica, requerendo, ao longo do tempo, alteração das fronteiras alcançadas pelas instituições envolvidas de modo a beneficiar mais localidades do território nacional. O interior do Estado de São Paulo apresenta necessidades concretas nesse campo. Uma delas, já identificada pela administração pública local e pelas instituições educacionais interessadas em dar-lhe atendimento, se situa no Município de Viradouro. Manifestação enviada pelo Prefeito do Município dá conta de que a comunidade local tem sido beneficiada pela existência de polo de apoio presencial da Universidade Anhanguera – UNIDERP, em associação com a Premier Educacional Ltda. Essas entidades, porém, há mais de um ano estão aguardando autorização do Ministério da Educação para implantar polos em outras localidades, estendendo a um maior número de comunidades os seus benefícios pedagógicos e formativos. Levando em conta o testemunho da administração municipal de Viradouro e a reputação das instituições envolvidas, venho sugerir a V. Exª que determine a adoção das providências necessárias para que seja viabilizada a implantação dos novos polos de apoio presencial solicitados. Terça-feira 7 00971 De forma mais abrangente, gostaria de sugerir ainda que, dada a autonomia das universidades, esse Ministério considerasse a possibilidade de edição de norma que lhes dispensasse do referido aditamento. Poderiam assim essas instituições atender mais rápida e adequadamente as demandas educacionais da sociedade, sem abrir mão de suas responsabilidades com relação à qualidade da educação oferecida. Estas são exatamente a contrapartida mais importante da referida autonomia que o status universitário lhes confere. Sala das Sessões, 6 de fevereiro de 2012. – Deputado Alexandre Leite. RECURSO Nº 111, DE 2012 (Do Sr. Jair Bolsonaro e outros) Contra a apreciação conclusiva da Comissão Especial da Câmara dos Deputados sobre o Projeto de Lei nº 7.672 de 2010. Senhor Presidente, Os Deputados abaixo assinados, com base no art. 132, § 2º, do RICD, recorrem ao Plenário contra a apreciação conclusiva do Projeto de Lei nº 7.672, de 2010, que dispõe sobre a alteração da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente, para estabeler o direito da criança e do adolescente de serem educados e cuidados sem o uso de castigos corporais ou de tratamento cruel ou degradante, pelas seguintes razões: a) trata-se de assunto polêmico, com entendimento não pacificado pela sociedade, no qual o Estado poderá intervir na dinâmica procedimental para que a família exerça sua autoridade com fins educativos, ainda que de forma moderada; b) a matéria, por sua peculiaridade, deve ser submetida, analisada e debatida pela composição plenária da Casa, para que represente, efetivamente, a vontade da maior parte da população brasileira. Sala das Sessões, 6 de fevereiro de 2012. – Deputado Jair Bolsonaro. Proposição: REC 0111/2012 Autor da Proposição: JAIR BOLSONARO E OUTROS Ementa: Recorre contra a preciação conclusiva da Comissão Especial da Câmara dos Deputados sobre o Projeto de Lei nº 7.672 de 2010. Data de Apresentação: 06/02/2012 Possui Assinaturas Suficientes: SIM 00972 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Totais de Assinaturas: Confirmadas 062 Não Conferem 009 Fora do Exercício 000 Repetidas 000 Ilegíveis 000 Retiradas 000 Total 071 Assinaturas Confirmadas 1 ADEMIR CAMILO PSD MG 2 ALEXANDRE ROSO PSB RS 3 ANDRE MOURA PSC SE 4 ANÍBAL GOMES PMDB CE 5 ANTÔNIO ANDRADE PMDB MG 6 ANTONIO BULHÕES PRB SP 7 ARNALDO FARIA DE SÁ PTB SP 8 AROLDE DE OLIVEIRA PSD RJ 9 ARTHUR LIRA PP AL 10 BERNARDO SANTANA DE VASCONCELL PR MG 11 CABO JULIANO RABELO PSB MT 12 CARLAILE PEDROSA PSDB MG 13 CÉSAR HALUM PSD TO 14 COSTA FERREIRA PSC MA 15 DAMIÃO FELICIANO PDT PB 16 DOMINGOS SÁVIO PSDB MG 17 DR. JORGE SILVA PDT ES 18 DR. UBIALI PSB SP 19 DUDIMAR PAXIUBA PSDB PA 20 EDMAR ARRUDA PSC PR 21 EDSON SILVA PSB CE 22 EDUARDO SCIARRA PSD PR 23 ELIENE LIMA PSD MT 24 FILIPE PEREIRA PSC RJ 25 GIVALDO CARIMBÃO PSB AL 26 GLADSON CAMELI PP AC 27 JAIR BOLSONARO PP RJ 28 JOÃO DADO PDT SP 29 JOÃO MAGALHÃES PMDB MG 30 JOÃO PAULO LIMA PT PE 31 JOAQUIM BELTRÃO PMDB AL 32 JÚLIO CESAR PSD PI 33 LAUREZ MOREIRA PSB TO 34 LEANDRO VILELA PMDB GO 35 LELO COIMBRA PMDB ES 36 LOURIVAL MENDES PTdoB MA 37 MANATO PDT ES 38 MARÇAL FILHO PMDB MS 39 MAURÍCIO TRINDADE PR BA 40 NELSON MARQUEZELLI PTB SP 41 NELSON MEURER PP PR 42 NILTON CAPIXABA PTB RO 43 ONOFRE SANTO AGOSTINI PSD SC 44 OZIEL OLIVEIRA PDT BA Fevereiro de 2012 45 PAES LANDIM PTB PI 46 PASTOR MARCO FELICIANO PSC SP 47 PAULO FEIJÓ PR RJ 48 PAULO FREIRE PR SP 49 PAULO PEREIRA DA SILVA PDT SP 50 PAULO PIAU PMDB MG 51 RAIMUNDO GOMES DE MATOS PSDB CE 52 ROBERTO BRITTO PP BA 53 RONALDO NOGUEIRA PTB RS 54 SALVADOR ZIMBALDI PDT SP 55 SANDES JÚNIOR PP GO 56 SANDRO MABEL PMDB GO 57 STEPAN NERCESSIAN PPS RJ 58 VALDIVINO DE OLIVEIRA PSDB GO 59 VITOR PENIDO DEM MG 60 WALDIR MARANHÃO PP MA 61 ZEQUINHA MARINHO PSC PA 62 ZOINHO PR RJ REQUERIMENTO DE INFORMAÇÃO Nº 1.625, DE 2012 (Do Sr. Amauri Teixeira) Solicita ao Sr. Ministro de Estado da Justiça que forneça um relatório detalhado sobre a Ação de Reintegração de Posse realizada pela Polícia Federal no dia 01 de fevereiro, na Comunidade Indígena Tupinambá do Acuípe. Senhor Presidente, Requeiro a Vossa Excelência, com fundamento no art. 50, § 2º, da Constituição Federal, e nos arts. 24, inciso V; 115, inciso I, e 116 do Regimento Interno, que, ouvida a Mesa, sejam solicitadas ao Senhor Ministro de Estado Justiça que forneça um relatório detalhado sobre a Ação de Reintegração de Posse do realizada pela Polícia Federal realizada no dia 01 de fevereiro, na Comunidade Indígena Tupinambá do Acuípe. Justificação Chegou ao nosso conhecimento que no início da manhã de hoje, 01 de fevereiro de 2012, a Polícia Federal, em Una, invadiu a Comunidade Indígena Tupinambá do Acuípe de Baixo (área de retomada), localizada a 30 km de Ilhéus para cumprir mandado de reintegração de posse. A terra Tupinambá de Olivença foi reconhecida como território tradicional pela FUNAI, abrangendo os municípios de Ilhéus, Buerarema e Una, em um total de 47.376 hectares, por relatório publicado no Diário Oficial da União, no dia 20 de abril de 2009. Não é possível que a intimidação, o racismo institucional e abuso de autoridade, sejam praticados em nossas instituições, pois, casas foram derruba- Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS das, e ainda há ameaça de que outras casas sejam derrubadas. Existe informações de que acontecerá intervenções em todas as áreas de retomada do Litoral Sul, a exemplo das Aldeias Tupinambá de Taba Jayry, Tupã, Itapoã e Syryíba, fato que agravará ainda mais a situação. Informamos que as instituições que tem atribuições constitucionais (FUNAI, MPF, AGU) não foram devidamente comunicadas sobre a ação para resguardar a integridade física, moral e também os seus direitos humanos. Neste sentido solicito a apuração dos fatos, e medidas são necessárias para que os prejuízos dos povos indígenas sejam ressarcidos, assim como a finalização do processo de demarcação da Terra Indígena de Olivença, e ainda a recondução da comunidade Tupinambá do Acuipe de Baixo para área desocupada. Portanto o requerimento de informação ora proposto tem o objetivo de esclarecer a Ação da Polícia Federal na Comunidade Tupinambá do Acuípe de Baixio, assim como garantir o direito daquela comunidade. Sala das Sessões, 6 de fevereiro de 2012. – Deputado Amauri Teixeira, PT/BA. REQUERIMENTO Nº 4.169, DE 2012 (Do Sr. Sérgio Brito) Requer a inclusão na Ordem do Dia da Proposta de Emenda à Constituição nº 190/2007, que acrescenta o art. 93 à Constituição Federal, dispondo sobre o Estatuto dos Servidores do Poder Judiciário. Senhor Presidente, Requeiro a V. Exª nos termos do art. 114, inciso XIV, do Regimento Interno, a inclusão na Ordem do Dia, da Proposta de Emenda à Constituição nº 190/2007, que “acrescenta o art. 93-A à Constituição Federal, dispondo sobre o Estatuto dos Servidores do Poder Judiciário”, por se tratar de matéria de grande relevância e urgência para o País. Sala das Sessões, 6 de fevereiro de 2012. – Deputado Sérgio Britto, PSD/BA. REQUERIMENTO Nº 4.170, DE 2012 (Do Sr. Leonardo Monteiro) Requer a instalação na ordem do dia da Proposta de Emenda Constitucional nº 190/2007, que acrescenta o artigo 93-A a Constituição Federal, dispondo sobre o Estatuto dos Servidores do Poder Judiciário. Senhor Presidente, Requeiro a Vossa Excelência, nos termos do art. 114, inciso XIV, do Regimento Interno desta Casa, a Terça-feira 7 00973 inclusão na Ordem do Dia, da Proposta de Emenda à Constituição nº 190/2007 que “Acrescenta o artigo 93-A a Constituição Federal”, dispondo sobre o Estatuto dos Servidores do Poder Judiciário, incluindo-se aí os agentes e servidores daquele Poder. Sala das Sessões, 6 de fevereiro de 2012. – Deputado Leonardo Monteiro. DESPACHOS DO PRESIDENTE AVISO PRESIDÊNCIA/SGM Aviso nº 1826-Seses-TCU-Plenário, do Exmo. Sr. Ministro Benjamin Zymler, Presidente do Tribunal de Contas da União. Encaminha cópia do Voto, do Relatório e do Acórdão proferidos nos autos do processo nº TC 034.820/2011-6, bem como cópia do processo nº TC 031.565/2010-7, excluídas as peças nº 61 e 62. Encaminhe-se, por cópia, ao Sr. Deputado Chico Alencar. Publique-se. Arquive-se. Em 6-2-12. – Deputado Marco Maia, Presidente. PRESIDÊNCIA/SGM Petição s/nº, protocolada em 18-1-2012. Interessados: Jurandir Inácio Moreira e Alexander Marra Moreira. Retirada dos nomes dos requerentes do relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito destinada a investigar o avanço e a impunidade do Narcotráfico. Deixo de atender ao pedido formulado no expediente em epígrafe tendo em vista que, nos termos do Regimento Interno, falece ao Presidente competência para alterar Relatório aprovado por Comissão Parlamentar de Inquérito. Publique-se. Oficie-se. Arquive-se. Em 1º-2-12. – Deputado Marco Maia, Presidente. PROPOSIÇÕES MENSAGEM Nº 16, DE 2012 (Do Poder Executivo) AV nº 49/2012 Comunica a Excelentíssima Senhora Presidenta da República que se ausentará do País, no período de 30 de janeiro a fevereiro de 2012, para realizar viagem oficial a Cuba, nos dias 30 e 31 de janeiro, e ao Haiti, no dia 1º de fevereiro (Publique-se e, após, Aquive-se.) 00974 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO Nº 131, DE 2011 (Do Sr. Nilson Leitão) Altera o § 4º do art. 184 e acrescenta inciso IX e §§ 3º e 4º ao art. 187 da Constituição Federal (À Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania Proposição sujeita à apreciação do Plenário Regime de tramitação: especial) PROJETO DE LEI COMPLEMENTAR Nº 120, DE 2011 (Do Sr. Anthony Garotinho) Acrescenta a Seção IV ao Capítulo IV da Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000, que estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal, a fim de limitar as despesas governamentais com publicidade e propaganda (Às Comissões de Finanças e Tributação (mérito e art. 54, RICD) e Constituição e Justiça e de Cidadania (art. 54 RICD) Proposição sujeita à apreciação do Plenário regime de tramitação: prioridade) PROJETO DE LEI Nº 2.902, DE 2011 (Do Poder Executivo) Altera o Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 – Código de Processo Penal, para dispor sobre a medida cautelar de indisponibilidade de bens, direitos e valores; altera o Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal; e altera as Leis nº 9.613, de 3 de março de 1998, e nº 11.343, de 23 de agosto de 2006 (Às Comissões de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado e Constituição e Justiça e de Cidadania (mérito e art. 54, RICD) Proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas Comissões – art. 24 II regime de tramitação: prioridade) PROJETO DE LEI Nº 2.904, DE 2011 (Do Sr. Roberto de Lucena) Autoriza o Poder Executivo a instalar câmeras de segurança em todas as escolas públicas do País (Apense-se à(ao) PL-2100/2011. Proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas Comissões – art. 24 II regime de tramitação: ordinária) Fevereiro de 2012 PROJETO DE LEI Nº 2.913, DE 2011 (Do Sr. Sandro Alex) Altera a Lei nº 6.194, de 19 de dezembro de 1974, que “Dispõe sobre Seguro Obrigatório de Danos Pessoais causados por veículos automotores de via terrestre, ou por sua carga, a pessoas transportadas ou não” (Apense-se à(ao) PL-632/2011. Proposição sujeita à apreciação do Plenário regime de tramitação: ordinária) PROJETO DE LEI Nº 2.922, DE 2011 (Da Comissão Especial destinada a promover estudos e proposições de políticas públicas e de Projetos de Lei destinados a combater e prevenir os efeitos do Crack e de outras drogas ilícitas.) Institui o Plano Nacional de Políticas sobre Drogas. (Apense-se ao PL-7663/2010. Em razão desta apensação, determino que o PL 7663/2010 e seus apensados passem a tramitar em regime de prioridade proposição sujeita à apreciação do Plenário regime de tramitação: prioridade .) PROJETO DE LEI Nº 2.927, DE 2011 (Da Comissão Especial destinada a promover estudos e proposições de políticas públicas e de Projetos de Lei destinados a combater e prevenir os efeitos do Crack e de outras drogas ilícitas.) Estabelece regras para comercialização de bebidas alcoólicas e dá outras providências (Apense-se ao PL-4745/2001. Proposição sujeita à apreciação do Plenário regime de tramitação: prioridade) PROJETO DE LEI Nº 2.928, DE 2011 (Da Comissão Especial destinada a promover estudos e proposições de políticas públicas e de Projetos de Lei destinados a combater e prevenir os efeitos do Crack e de outras drogas ilícitas.) Acrescenta o inciso VII ao art. 22 da Lei nº 11.343, de 23 de agosto de 2006, dispondo sobre a adoção de estratégias para a continuidade da trajetória de escolarização do usuário e do dependente de drogas (Apense-se ao PL-7894/2010. Proposição sujeita à apreciação do Plenário regime de tramitação: prioridade em razão desta apensação, determino que o PL 7894/2010 passe a tramitar em regime de prioridade e seja apreciado em Plenário.) Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS PROJETO DE LEI Nº 2.942, DE 2011 (Da Sra. Flávia Morais) Cria o Programa Federal de Incentivo ao Trabalho Educativo – PROJOVEM para assegurar estágio remunerado (Às Comissões de Seguridade Social e Família; Trabalho, de Administração e Serviço Público; Finanças e Tributação (art. 54 RICD) e Constituição e Justiça e de Cidadania (art. 54 RICD) Proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas Comissões – art. 24 II regime de tramitação: ordinária) PROJETO DE LEI Nº 2.950, DE 2011 (Do Sr. Eduardo Sciarra) Altera a redação dos arts. 23 e 81 da Lei nº 9.504, de 30 de setembro de 1997, para reduzir o valor das multas aplicáveis em virtude de doações eleitorais acima dos limites legais. (Apense-se ao PL-4263/2008. Proposição sujeita à apreciação do Plenário regime de tramitação: prioridade) PROJETO DE LEI Nº 2.956, DE 2011 (Do Sr. Zequinha Marinho) Dispõe sobre reserva de vagas nos cursos de graduação das instituições federais de educação superior, para estudantes egressos do ensino médio público (Apense-se ao PL-1644/2011. Proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas Comissões regime de tramitação: ordinária) PROJETO DE LEI Nº 2.957, DE 2011 (Do Sr. Zequinha Marinho) Dispõe sobre os estudos de Inventário Hidrelétrico de Bacias Hidrográficas e estabelece outras providências (Apense-se à(ao) PL-710/1988. Proposição sujeita à apreciação do Plenário regime de tramitação: ordinária) PROJETO DE LEI Nº 2.962, DE 2011 (Do Sr. Sarney Filho) Altera a Lei nº 11.520, de 18 de setembro de 2007, para conceder pensão especial aos filhos separados dos genitores atingi- Terça-feira 7 00975 dos pela hanseníase, isolados e internados compulsoriamente (Apense-se ao PL-2104/2011. Proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas Comissões – art. 24 II regime de tramitação: ordinária) PROJETO DE LEI Nº 2.968, DE 2011 (Do Sr. Gabriel Chalita) Altera a Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985, para incluir as entidades dedicadas à proteção dos direitos de crianças e adolescentes entre os agentes legitimados para propor a ação civil pública (Às Comissões de Seguridade Social e Família e Constituição e Justiça e de Cidadania (mérito e art. 54, RICD) Proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas Comissões – art. 24 II regime de tramitação: ordinária) PROJETO DE LEI Nº 2.974, DE 2011 (Do Sr. Aguinaldo Ribeiro) Regulamenta o processo de consulta pública para a criação de unidades de conservação da natureza. (Às Comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e Constituição e Justiça e de Cidadania (art. 54 RICD) Proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas Comissões – art. 24 II regime de tramitação: ordinária) PROJETO DE LEI Nº 2.980, DE 2011 (Do Sr. Francisco Praciano) Altera a Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, para estipular que o acompanhamento e a fiscalização da execução de contrato com valor acima de R$ 150.000,00 deverão ser realizados por servidor de carreira da Administração Pública (Apense-se à(ao) PL-1292/1995. Proposição sujeita à apreciação do Plenário regime de tramitação: prioridade) PROJETO DE LEI Nº 2.981, DE 2011 (Do Sr. Francisco Praciano) Acrescenta o art. 10-B à Lei nº 9.656, de 3 de junho de 1998, que dispõe sobre os planos e seguros privados de assistência à saúde, para estipular a obrigação das operadoras de plano de saúde de repara- 00976 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS rem lesões decorrentes de atos cirúrgicos realizados sob cobertura do plano (Apense-se ao PL-2934/2004. Proposição sujeita à apreciação do Plenário regime de tramitação: prioridade) PROJETO DE LEI Nº 2.988, DE 2011 (Do Sr. Mendonça Filho) Altera o art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, para autorizar a dedução do valor das despesas com material escolar da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física (Apense-se ao PL-3591/2008. Proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas Comissões regime de tramitação: ordinária) PROJETO DE LEI Nº 2.994, DE 2011 (Do Sr. Aguinaldo Ribeiro) Altera dispositivos das Leis n° 8.072, de 25 de julho de 1990 que dispõe sobre crimes hediondos, bem como inclui parágrafo único no art. 39 da Lei n° 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal (Apense-se à(ao) PL-704/1995. Proposição sujeita à apreciação do Plenário regime de tramitação: ordinária) PROJETO DE LEI Nº 3.000, DE 2011 (Do Sr. Aguinaldo Ribeiro) Estabelece prioridade na restituição do imposto de renda aos contribuintes maiores de sessenta e cinco anos de idade (Apense-se à(ao) PL-1465/2011. Proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas Comissões – art. 24 II regime de tramitação: prioridade) PROJETO DE LEI Nº 3.001, DE 2011 (Do Sr. Aguinaldo Ribeiro) Dispõe sobre a obrigatoriedade do Governo Federal, por meio do Programa Farmácia Popular do Ministério da Saúde, a disponibilizar gratuitamente aos Profissionais de Magistério que trabalham em ambiente aberto, como professores de Educação Física, Arte Educação, Práticas Agrícolas e outros, protetor solar com, no mínimo, fator de proteção 15 (Apense-se ao PL-4234/2008. Proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas Comissões regime de tramitação: ordinária) Fevereiro de 2012 PROJETO DE LEI Nº 3.006, DE 2011 (Do Sr. Aguinaldo Ribeiro) Altera a redação dos artigos 1.211-A e 1.211-B do Código de Processo Civil (Apense-se à(ao) PL-8046/2010. Proposição sujeita à apreciação do Plenário regime de tramitação: especial) PROJETO DE LEI Nº 3.007, DE 2011 (Do Sr. Aguinaldo Ribeiro) Obriga as pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas do Ministério da Fazenda – CNPJ/M.F – à contratação de seguro de vida para seus empregados (Às Comissões de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio; Seguridade Social e Família; Finanças e Tributação (mérito e art. 54, RICD) e Constituição e Justiça e de Cidadania (art. 54 RICD) Proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas Comissões – art. 24 II regime de tramitação: ordinária) PROJETO DE LEI Nº 3.012, DE 2011 (Do Sr. Aguinaldo Ribeiro) Dispõe sobre a unificação da data dos exames de seleção ao ensino superior. (Apense-se à(ao) PL-2590/2011. Proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas Comissões – art. 24 II regime de tramitação: ordinária) PROJETO DE LEI Nº 3.013, DE 2011 (Do Sr. Félix Mendonça Júnior) Institui o Selo Pró-Ar e a certificação dos níveis de emissão de dióxido de carbono (CO2) por veículos automotores (Às Comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e Constituição e Justiça e de Cidadania (art. 54 RICD) Proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas Comissões – art. 24 II regime de tramitação: ordinária) PROJETO DE LEI Nº 3.018, DE 2011 (Do Sr. José Guimarães) Altera a Lei nº 12.351, de 22 de dezembro de 2010, estabelecendo as instituições financeiras federais como agentes operadores do Fundo Social (Apense-se ao PL-1618/2003. Proposição sujeita à apreciação do Plenário regime de tramitação: prioridade) Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Terça-feira 7 00977 PROJETO DE LEI Nº 3.020, DE 2011 (Do Sr. Nelson Marchezan Junior) PROJETO DE LEI Nº 3.032, DE 2011 (Do Sr. Aguinaldo Ribeiro) Altera o caput do art. 4º da Lei nº 11.738, de 16 de julho de 2008, que Regulamenta a alínea “e” do inciso III do caput do art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, para instituir o piso salarial profissional nacional para os profissionais do magistério público da educação básica, a fim de viabilizar que Estados e Municípios não beneficiados pela complementação da União ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação – FUNDEB possam receber complementação da União para integralização do piso salarial profissional nacional para os profissionais do magistério público da educação básica (Às Comissões de Educação e Cultura; Finanças e Tributação (art. 54 RICD) e Constituição e Justiça e de Cidadania (art. 54 RICD) – art. 24, II Proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas Comissões – art. 24 II regime de tramitação: ordinária) Acrescenta o §5º ao art. 88 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, prevendo a atuação do Serviço Social nos hospitais Públicos (Às Comissões de Seguridade Social e Família e Constituição e Justiça e de Cidadania (art. 54 RICD) Proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas Comissões – art. 24 II regime de tramitação: ordinária) PROJETO DE LEI Nº 3.026, DE 2011 (Do Sr. Carlos Bezerra) PROJETO DE LEI Nº 3.038, DE 2011 (Do Sr. Aguinaldo Ribeiro) Acrescenta dispositivos à Lei nº 10.555, de 13 de novembro de 2002, a fim de autorizar condições especiais para o crédito de valores de que trata a Lei Complementar nº 110, de 29 de junho de 2001, nas contas vinculadas de que trata o art. 14 da Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990 (Apense-se ao PL-993/2011. Proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas Comissões – art. 24 II regime de tramitação: ordinária) PROJETO DE LEI Nº 3.040, DE 2011 (Do Sr. Aguinaldo Ribeiro) Altera a Lei nº 11.508, de 20 de julho de 2007, que “Dispõe sobre o regime tributário, cambial e administrativo das Zonas de Processamento de Exportação, e dá outras providências” (Apense-se ao PL-7605/2010. Proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas Comissões – art. 24 II regime de tramitação: ordinária) Permite ao contribuinte do Imposto de Renda, pessoa jurídica, deduzir como custo ou despesa operacional o salário pago a empregado com idade igual ou superior a quarenta e cinco anos, acrescido de dez por Cento (Apense-se à(ao) PL-838/2003. Proposição sujeita à apreciação do Plenário regime de tramitação: ordinária) PROJETO DE LEI Nº 3.028, DE 2011 (Do Sr. Aguinaldo Ribeiro) PROJETO DE LEI Nº 3.044, DE 2011 (Do Sr. Aguinaldo Ribeiro) Altera o inciso III do art. 44 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para definir validade legal de diploma de pós-graduação para o exercício profissional (Apense-se à(ao) PL-791/2011. Proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas Comissões – art. 24 II regime de tramitação: ordinária) Altera a redação do §2º do art. 9º da Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, para facultar a utilização dos recursos do FGTS para financiar a construção de templos religiosos (Às Comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público; Finanças e Tributação (art. 54 RICD) e Constituição e Justiça e de Cidadania (art. 54 RICD) Proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas Comissões – art. 24 II regime de tramitação: ordinária) 00978 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS PROJETO DE LEI Nº 3.046, DE 2011 (Do Sr. Aguinaldo Ribeiro) Altera a Lei nº 7.920, de 12 de dezembro de 1989, para dispor sobre isenção do pagamento da tarifa aeroportuária (Às Comissões de Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul.; Viação e Transportes e Constituição e Justiça e de Cidadania (art. 54 RICD) – art. 24, II Proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas Comissões – art. 24 II regime de tramitação: ordinária) PROJETO DE LEI Nº 3.050, DE 2011 (Do Sr. Aguinaldo Ribeiro) Altera o §2º do art. 10 da Lei 9.263, de 12 de janeiro de 1996, que trata do planejamento familiar, de forma a permitir a realização da laqueadura tubárea nos períodos de parto ou aborto em caso de cesária anterior (Apense-se ao PL-313/2007. Proposição sujeita à apreciação do Plenário regime de tramitação: prioridade) PROJETO DE LEI Nº 3.052, DE 2011 (Do Sr. Aguinaldo Ribeiro) Altera o § 2º do art. 48 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (Apense-se à(ao) PL-4212/2004. Proposição sujeita à apreciação do Plenário regime de tramitação: prioridade) PROJETO DE LEI Nº 3.056, DE 2011 (Do Sr. Aguinaldo Ribeiro) Acresce o artigo 30-A a Lei 6.015, de 31de dezembro de 1973 (Às Comissões de Seguridade Social e Família e Constituição e Justiça e de Cidadania (mérito e art. 54, RICD) Proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas Comissões – art. 24 II regime de tramitação: ordinária) PROJETO DE LEI Nº 3.058, DE 2011 (Do Sr. Aguinaldo Ribeiro) Altera a Lei nº 9.608, de 18 de fevereiro de 1998, que “Dispõe sobre o serviço voluntário e dá outras providências” (Às Comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público; Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e Constituição e Justiça e de Cidadania (art. 54 RICD) Proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas Comissões – art. 24 II regime de tramitação: ordinária) Fevereiro de 2012 PROJETO DE LEI Nº 3.062, DE 2011 (Da Comissão de Seguridade Social e Família) Altera a Lei nº 9.782, de 26 de janeiro de 1999, para atualizar os valores das taxas cobradas para avaliação e reavaliação toxicológica para registro de produtos (Às Comissões de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio; Finanças e Tributação (mérito e art. 54, RICD) e Constituição e Justiça e de Cidadania (art. 54 RICD) Proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas Comissões – art. 24 II regime de tramitação: ordinária) PROJETO DE LEI Nº 3.064, DE 2011 (Do Sr. Romero Rodrigues) Dispõe sobre a divulgação de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) em estabelecimentos públicos de Saúde (Às Comissões de Seguridade Social e Família e Constituição e Justiça e de Cidadania (art. 54 RICD) Proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas Comissões – art. 24 II regime de tramitação: ordinária) PROJETO DE LEI Nº 3.065, DE 2011 (Do Sr. Romero Rodrigues) Acrescenta artigo à Consolidação das Leis do Trabalho para dispor sobre a proibição de descontos dos salários dos empregados (Apense-se ao PL-2930/2008. Proposição sujeita à apreciação do Plenário regime de tramitação: prioridade) PROJETO DE LEI Nº 3.067, DE 2011 (Do Senado Federal) PLS nº 40/2011 Altera o art. 9º da Lei nº 8.019, de 11 de abril de 1990, e o art. 2º da Lei nº 8.352, de 28 de dezembro de 1991, para autorizar o acesso de instituições financeiras oficiais, agências de desenvolvimento oficiais, bancos de desenvolvimento oficiais, bancos cooperativos e confederações e centrais de cooperativas de crédito aos recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para fins de concessão de crédito rural (Às Comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; Trabalho, de Administração e Serviço Público; Finanças e Tributação (mérito e art. 54, RICD) Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS e Constituição e Justiça e de Cidadania (art. 54 RICD) Apense-se a este PL-7142/2002. Proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas Comissões – art. 24 II regime de tramitação: prioridade) PROJETO DE LEI Nº 3.070, DE 2011 (Do Sr. Aguinaldo Ribeiro) Proíbe a exposição da imagem de crianças e adolescentes doentes pelos veículos de comunicação social. (Às Comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; Seguridade Social e Família e Constituição e Justiça e de Cidadania (art. 54 RICD) – art. 24, II Proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas Comissões – art. 24 II regime de tramitação: ordinária) PROJETO DE LEI Nº 3.072, DE 2011 (Do Sr. Aguinaldo Ribeiro) Altera a Lei nº7.713, de 22 de dezembro de 1988, para equiparar o percentual incidente sobre o rendimento bruto do transportador autônomo de cargas para apuração da base de cálculo do imposto de renda pessoa física ao aplicado na legislação previdenciária. (Apense-se ao PL-2072/2011. Proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas Comissões – art. 24 II regime de tramitação: ordinária) PROJETO DE LEI Nº 3.077, DE 2011 (Do Senado Federal) PLS nº 351/2011 Dispõe sobre o regime de trabalho dos empregados nas atividades de operação e manutenção e em outras necessárias ao funcionamento das usinas Nucleoelétricas (Às Comissões de Minas e Energia; Trabalho, de Administração e Serviço Público e Constituição e Justiça e de Cidadania (art. 54 RICD) Proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas Comissões – art. 24 II regime de tramitação: prioridade) PROJETO DE LEI Nº 3.084, DE 2012 (Do Senado Federal) PLS nº 189/2010 Altera a Lei nº 12.340, de 1º de dezembro de 2010, para definir fonte de recursos Terça-feira 7 00979 para o Fundo Especial para Calamidades Públicas (Funcap), e dá outras providências (Às Comissões de da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional; Finanças e Tributação (mérito e art. 54, RICD) e Constituição e Justiça e de Cidadania (art. 54 RICD) – art. 24, II proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas Comissões – art. 24 II regime de tramitação: prioridade) PROJETO DE LEI Nº 3.088, DE 2012 (Do Senado Federal) PLS nº 415/2011 Dispõe sobre critérios e diretrizes a serem observados no âmbito dos programas federais de seleção, aquisição e distribuição de material didático-escolar para a educação básica (Às Comissões de Educação e Cultura e Constituição e Justiça e de Cidadania (art. 54 RICD) – art. 24, II. Apense-se a este o PL2460/2011. Proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas Comissões – art. 24 II regime de tramitação: prioridade) INDICAÇÃO Nº 2.271, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Damião (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.272, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Gado Bravo (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.273, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Gurjão (Publique-se. Encaminhe-se.) 00980 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS INDICAÇÃO Nº 2.274, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Igaracy (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.275, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Itabaiana (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.276, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Camalaú (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.277, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Caiçara (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.278, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Cacimba de Areia (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.279, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Conde (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.280, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura destinação de recursos para aqui- Fevereiro de 2012 sição de patrulha mecanizada para o município de Cubati (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.281, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Cuité (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.282, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Curral de Cima (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.283, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Cuité de Mamanguape (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.284, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Curral Velho (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.285, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Cruz do Espírito Santo (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.286, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Coxixola (Publique-se. Encaminhe-se.) Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS INDICAÇÃO Nº 2.287, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Condado (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.288, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Cacimba de Dentro (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.289, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Cacimbas (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.290, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Cuitegí (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.291, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Caturité (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.292, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Caraúbas (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.293, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aqui- Terça-feira 7 00981 sição de patrulha mecanizada para o município de Capim (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.294, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Campina Grande (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.295, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Cajazeirinhas (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.296, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Campo de Santana (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.297, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Ingá (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.298, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Imaculada (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.299, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Carrapateira (Publique-se. Encaminhe-se.) 00982 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS INDICAÇÃO Nº 2.300, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Dona Inês (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.301, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Duas Estradas (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.302, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Esperança (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.303, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Jacaraú (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.304, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Diamante (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.305, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Itapororoca (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.306, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aqui- Fevereiro de 2012 sição de patrulha mecanizada para o município de Desterro (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.307, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de João Pessoa (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.308, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Jericó (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.309, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Itaporanga (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.310, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Fagundes (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.311, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Frei Martinho (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.312, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Guarabira (Publique-se. Encaminhe-se.) Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS INDICAÇÃO Nº 2.313, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Gurinhém. (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.314, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Itatuba (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.315, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Casserengue (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.316, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Catolé do Rocha (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.317, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Catingueira (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.318, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Conceição (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.319, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aqui- Terça-feira 7 00983 sição de patrulha mecanizada para o município de Coremas (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.320, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Ibiara (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.321, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Caldas Brandão (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.322, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Congo (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.323, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Umbuzeiro (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.324, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Solânea (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.325, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Serra Redonda (Publique-se. Encaminhe-se.) 00984 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS INDICAÇÃO Nº 2.326, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Serra da Raiz (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.327, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Vista Serrana (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.328, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Uiraúna (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.329, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Triunfo (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.330, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Zabelê (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.331, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Emas (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.332, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aqui- Fevereiro de 2012 sição de patrulha mecanizada para o município de Várzea (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.333, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Serra Grande (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.334, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Sousa (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.335, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Sumé (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.336, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Vieirópolis (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.337, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Tavares (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.338, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Taperoá (Publique-se. Encaminhe-se.) Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS INDICAÇÃO Nº 2.339, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Sossego (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.340, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Sertãozinho (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.341, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Serraria (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.342, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Sobrado (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.343, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Juarez Távora (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.344, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a para sugerir destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de São Vicente do Seridó (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.345, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aqui- Terça-feira 7 00985 sição de patrulha mecanizada para o município de Tenório (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.346, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Teixeira (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.347, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Juru (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.348, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Juripiranga (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.349, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Junco do Seridó (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.350, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Juazeirinho (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.351, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Mãe D’’Água (Publique-se. Encaminhe-se.) 00986 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS INDICAÇÃO Nº 2.352, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Lucena. (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.353, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Logradouro (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.354, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Lagoa Seca (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.355, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Livramento. (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.356, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Lagoa de Dentro (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.357, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Lagoa (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.358, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aqui- Fevereiro de 2012 sição de patrulha mecanizada para o município de Pedra Lavrada (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.359, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Pedra Branca (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.360, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Paulista. (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.361, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Pedras de Fogo (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.362, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Patos. ((Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.363, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Passagem. (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.364, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Parari. (Publique-se. Encaminhe-se.) Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS INDICAÇÃO Nº 2.365, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Ouro Velho (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.366, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Olivedos. (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.367, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Olho D’’água. (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.368, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Nova Palmeira (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.369, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de São João do Rio do Peixe (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.370, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de São João do Cariri (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.371, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aqui- Terça-feira 7 00987 sição de patrulha mecanizada para o município de Nova Olinda. (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.372, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de São Francisco (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.373, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de São José de Caiana (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.374, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de São José da Lagoa Tapada (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.375, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de São João do Tigre (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.376, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Nova Floresta (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.377, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de São José de Princesa (Publique-se. Encaminhe-se.) 00988 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS INDICAÇÃO Nº 2.378, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de São José do Sabugi (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.379, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Nazarezinho (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.380, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de São José do Brejo do Cruz (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.381, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de São José do Bonfim (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.382, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Natuba. (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.383, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de São Mamede (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.384, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aqui- Fevereiro de 2012 sição de patrulha mecanizada para o município de São José dos Ramos (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.385, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de São José dos Cordeiros (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.386, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de São Sebastião do Umbuzeiro (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.387, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Mulungú. (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.388, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de São Sebastião de Lagoa de Roça (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.389, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de São Miguel de Taipu (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.390, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Monteiro. (Publique-se. Encaminhe-se.) Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS INDICAÇÃO Nº 2.391, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Serra Branca (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.392, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Sapé (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.393, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Monte Horebe (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.394, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Montadas (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.395, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Mogeiro. (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.396, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Maturéia (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.397, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aqui- Terça-feira 7 00989 sição de patrulha mecanizada para o município de Mato Grosso (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.398, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Matinhas. (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.399, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Mataraca. (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.400, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Massaranduba (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.401, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Marizópolis (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.402, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Mari. (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.403, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Manaíra. (Publique-se. Encaminhe-se.) 00990 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS INDICAÇÃO Nº 2.404, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Mamanguape (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.405, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de Malta. (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.406, DE 2011 (Do Sr. Wilson Filho) Sugere ao Ministro de Estado da Agricultura a destinação de recursos para aquisição de patrulha mecanizada para o município de São José de piranhas (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.407, DE 2012 (Do Sr. Leonardo Gadelha) Sugere ao Ministro de Estado da Fazenda, intermediação junto à Caixa Econômica Federal, objetivando a instalação de uma agência desta no município de Queimadas, no Estado da Paraíba (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.408, DE 2012 (Do Sr. Leonardo Gadelha) Sugere ao Ministro de Estado da Fazenda, intermediação junto à Caixa Econômica Federal, objetivando a instalação de uma agência desta no município de Conceição, no Estado da Paraíba (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.409, DE 2012 (Do Sr. Leonardo Gadelha) Sugere ao Ministro da Justiça a instalação de delegacia da Polícia Federal no município de Monteiro, no Estado da Paraíba (Publique-se. Encaminhe-se.) Fevereiro de 2012 INDICAÇÃO Nº 2.410, DE 2012 (Do Sr. Leonardo Gadelha) Sugere ao Ministro da Justiça a instalação de delegacia da Polícia Federal no município de Sousa, no Estado da Paraíba (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.411, DE 2012 (Do Sr. Leonardo Gadelha) Sugere ao Ministro da Saúde a instalação de mais um Centro de Atendimento Psicossocial para os Usuários de Álcool e outras Drogas – CAPS AD, no município de Bayeux, no estado da Paraíba. (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.412, DE 2012 (Do Sr. Leonardo Gadelha) Sugere ao Ministro da Saúde a instalação de mais um Centro de Atendimento Psicossocial para os Usuários de Álcool e outras Drogas – CAPS AD, no município de Campina Grande, no estado da Paraíba. (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.413, DE 2012 (Do Sr. Leonardo Gadelha) Sugere ao Ministro da Saúde a instalação de mais um Centro de Atendimento Psicossocial para os Usuários de Álcool e outras Drogas – CAPS AD, no município de João Pessoa, no estado da Paraíba. (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.414, DE 2012 (Do Sr. Leonardo Gadelha) Sugere ao Ministro da Saúde a instalação de mais um Centro de Atendimento Psicossocial para os Usuários de Álcool e outras Drogas – CAPS AD, no município de Monteiro, no estado da Paraíba. (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.415, DE 2012 (Do Sr. Leonardo Gadelha) Sugere ao Ministro da Saúde a instalação de mais um Centro de Atendimento Psicossocial para os Usuários de Álcool e outras Drogas – CAPS AD, no município de Piancó, no estado da Paraíba. (Publique-se. Encaminhe-se.) Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS INDICAÇÃO Nº 2.416, DE 2012 (Do Sr. Leonardo Gadelha) Sugere ao Ministro da Saúde a instalação de mais um Centro de Atendimento Psicossocial para os Usuários de Álcool e outras Drogas – CAPS AD, no município de Queimadas, no estado da Paraíba. (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.417, DE 2012 (Do Sr. Leonardo Gadelha) Sugere ao Ministro da Saúde a instalação de mais um Centro de Atendimento Psicossocial para os Usuários de Álcool e outras Drogas – CAPS AD, no município de Sousa, no estado da Paraíba. (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.418, DE 2012 (Do Sr. Leonardo Gadelha) Sugere ao Ministro de Estado da Educação, a possibilidade de o município de Piancó, no Estado da Paraíba, ser incluído no Plano de Expansão da Universidade Federal de Campina Grande – UFCG com vistas à instalação de um Polo Universitário na localidade (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.419, DE 2012 (Do Sr. Leonardo Gadelha) Sugere ao Ministro de Estado da Educação, a possibilidade de o município de Conceição, no Estado da Paraíba, ser incluído no Plano de Expansão da Universidade Federal de Campina Grande – UFCG com vistas à instalação de um Polo Universitário na localidade (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.420, DE 2012 (Do Sr. Leonardo Gadelha) Sugere ao Ministro de Estado da Educação, a possibilidade de o município de Esperança, no Estado da Paraíba, ser incluído no Plano de Expansão da Universidade Federal de Campina Grande – UFCG com vistas à instalação de um Polo Universitário na localidade (Publique-se. Encaminhe-se.) Terça-feira 7 00991 INDICAÇÃO Nº 2.421, DE 2012 (Do Sr. Leonardo Gadelha) Sugere ao Ministro de Estado da Educação, a possibilidade de o município de Itabaiana, no Estado da Paraíba, ser incluído no Plano de Expansão da Universidade Federal de Campina Grande – UFCG com vistas à instalação de um Polo Universitário na localidade (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.422, DE 2012 (Do Sr. Leonardo Gadelha) Sugere ao Ministro de Estado da Educação, a possibilidade de o município de Monteiro, no Estado da Paraíba, ser incluído no Plano de Expansão da Universidade Federal de Campina Grande – UFCG com vistas à instalação de um Polo Universitário na localidade (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.423, DE 2012 (Do Sr. Leonardo Gadelha) Sugere ao Ministro de Estado da Educação, a possibilidade de o município de Queimadas, no Estado da Paraíba, ser incluído no Plano de Expansão da Universidade Federal de Campina Grande – UFCG com vistas à instalação de um Polo Universitário na localidade (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.424, DE 2012 (Do Sr. Leonardo Gadelha) Sugere ao Ministro de Estado da Educação, a possibilidade de o município de Triunfo, no Estado da Paraíba, ser incluído no Plano de Expansão da Universidade Federal de Campina Grande – UFCG com vistas à instalação de um Polo Universitário na localidade (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.425, DE 2012 (Do Sr. Leonardo Gadelha) Sugere ao Ministério da Fazenda que envide esforços perante o Banco do Brasil com vistas à instalação de uma agência no município de Água Branca, no Estado da Paraíba (Publique-se. Encaminhe-se.) 00992 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS INDICAÇÃO Nº 2.426, DE 2012 (Do Sr. Leonardo Gadelha) Sugere ao Ministério da Fazenda que envide esforços perante o Banco do Brasil com vistas à instalação de uma agência no município de Aparecida, no Estado da Paraíba (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.427, DE 2012 (Do Sr. Leonardo Gadelha) Sugere ao Ministério da Fazenda, no sentido de envidar esforços perante o Banco do Brasil com vistas à instalação de uma agência no município de Areial, no Estado da Paraíba (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.428, DE 2012 (Do Sr. Leonardo Gadelha) Sugere ao Ministério da Fazenda, no sentido de se envidar esforços perante o Banco do Brasil com vistas à instalação de uma agência no município de Bom Sucesso, no Estado da Paraíba. (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.429, DE 2012 (Do Sr. Leonardo Gadelha) Sugere ao Ministério da Fazenda, no sentido de se envidar esforços perante o Banco do Brasil com vistas à instalação de uma agência no município de Cubati, no Estado da Paraíba (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.430, DE 2012 (Do Sr. Leonardo Gadelha) Sugere ao Ministério da Fazenda, no sentido de se envidar esforços perante o Banco do Brasil com vistas à instalação de uma agência no município de Ibiara, no Estado da Paraíba (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.431, DE 2012 (Do Sr. Leonardo Gadelha) Sugere ao Ministério da Fazenda, no sentido de se envidar esforços perante o Banco do Brasil com vistas à instalação de uma agência no município de Imaculada, no Estado da Paraíba (Publique-se. Encaminhe-se.) Fevereiro de 2012 INDICAÇÃO Nº 2.432, DE 2012 (Do Sr. Leonardo Gadelha) Sugere ao Ministério da Fazenda, no sentido de se envidar esforços perante o Banco do Brasil com vistas à instalação de uma agência no município de Juru, no Estado da Paraíba (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.433, DE 2012 (Do Sr. Leonardo Gadelha) Sugere ao Ministério da Fazenda, no sentido de se envidar esforços perante o Banco do Brasil com vistas à instalação de uma agência no município de Malta, no Estado da Paraíba (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.434, DE 2012 (Do Sr. Leonardo Gadelha) Sugere Ministério da Fazenda, no sentido de se envidar esforços perante o Banco do Brasil com vistas à instalação de uma agência no município de Marizópolis, no Estado da Paraíba (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.435, DE 2012 (Do Sr. Leonardo Gadelha) Sugere ao Ministério da Fazenda, no sentido de se envidar esforços perante o Banco do Brasil com vistas à instalação de uma agência no município de Massaranduba, no Estado da Paraíba (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.436, DE 2012 (Do Sr. Leonardo Gadelha) Sugere ao Ministério da Fazenda, no sentido de se envidar esforços perante o Banco do Brasil com vistas à instalação de uma agência no município de Nova Olinda, no Estado da Paraíba (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.437, DE 2012 (Do Sr. Leonardo Gadelha) Sugere ao Ministério da Fazenda, no sentido de se envidar esforços perante o Banco do Brasil com vistas à instalação de uma agência no município de Pilões, no Estado da Paraíba (Publique-se. Encaminhe-se.) Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS INDICAÇÃO Nº 2.438, DE 2012 (Do Sr. Leonardo Gadelha) Sugere ao Ministério da Fazenda, no sentido de se envidar esforços perante o Banco do Brasil com vistas à instalação de uma agência no município de Santa Cruz, no Estado da Paraíba (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.439, DE 2012 (Do Sr. Leonardo Gadelha) Sugere ao Ministério da Fazenda, no sentido de se envidar esforços perante o Banco do Brasil com vistas à instalação de uma agência no município de Santana dos Garrotes, no Estado da Paraíba (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.440, DE 2012 (Do Sr. Leonardo Gadelha) Sugere ao Ministério da Fazenda, no sentido de se envidar esforços perante o Banco do Brasil com vistas à instalação de uma agência no município de São José da Lagoa Tapada, no Estado da Paraíba (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.441, DE 2012 (Do Sr. Leonardo Gadelha) Sugere ao Ministério da Fazenda, no sentido de se envidar esforços perante o Banco do Brasil com vistas à instalação de uma agência no município de Seridó, no Estado da Paraíba (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.442, DE 2012 (Do Sr. Leonardo Gadelha) Sugere ao Ministério da Fazenda, no sentido de se envidar esforços perante o Banco do Brasil com vistas à instalação de uma agência no município de Serra Redonda, no Estado da Paraíba (Publique-se. Encaminhe-se.) INDICAÇÃO Nº 2.443, DE 2012 (Do Sr. Leonardo Gadelha) Sugere o envio de Indicação ao Ministério da Fazenda, no sentido de se envidar esforços perante o Banco do Brasil com vistas à instalação de uma agência no município de Triunfo, no Estado da Paraíba (Publique-se. Encaminhe-se.) Terça-feira 7 00993 INDICAÇÃO Nº 2.444, DE 2012 (Do Sr. Leonardo Gadelha) Sugere ao Ministério da Fazenda, envidar esforços perante o Banco do Brasil com vistas à instalação de uma agência no município de Vieirópolis, no Estado da Paraíba (Publique-se. Encaminhe-se.) REQUERIMENTO Nº 3.276, DE 2011 (Do Sr. Assis Melo) Requer a convocação de Sessão Solene da Câmara dos Deputados, em homenagem aos 80 anos da Festa Nacional da Uva. (Defiro. Publique-se.) REQUERIMENTO Nº 3.383, DE 2011 (Do Sr. Duarte Nogueira) Requer a apensação do PL 2.057/03, do Senado Federal ao PL 2.275/03, do Senhor Deputado Antonio Carlos Pannunzio (Defiro o Requerimento nº 3383/2011. Apensem-se o Projeto de Lei nº 2.057/2003, com seus apensados ao Projeto de Lei nº 2.275/2003, nos termos do art. 142, caput e parágrafo único, c/c o art. 143, inciso II, alínea a, ambos do Regimento Interno da Câmara dos Deputados. em consequência, transfira-se ao Projeto de Lei nº 2.275/2003 o despacho inicial aposto ao Projeto de Lei nº 2.057/2003. Publique-se. Oficie-se. [Atualização do despacho: Projeto de Lei nº 2.275/2003: decido pela criação de comissão especial, conforme determina o art. 34, inciso II, do RICD, tendo em vista a competência das seguintes comissões: CDEIC, CEC, CSSF, CME, CVT, CCTCI, CTASP, CFT (art. 54, RICD) e CCJC (art. 54, RICD). Proposição sujeita à apreciação do Plenário – regime de tramitação: urgência (art. 155, RICD)].) REQUERIMENTO Nº 3.791, DE 2011 (Do Sr. João Paulo Cunha) Requer a desapensação do PL 2.270/2011 (indefiro o pedido de desapensação contido no Requerimento nº 3791/2011, porquanto o Projeto de Lei nº 2.270/2011, o Projeto de Lei nº 1.439/1991, e os que a este foram apensados tratam de matéria correlata, nos termos do art. 142 do RICD. Publique-se. Oficie-se.) 00994 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS REQUERIMENTO Nº 4.076, DE 2011 (Do Sr. Lincoln Portela) Retirada de tramitação do Requerimento 3.534/2011, de minha autoria (Deixo de atender o pedido formulado no Requerimento nº 4.076/2011, haja vista o Requerimento nº 3.534/2011 já ter sua tramitação encerrada, em decorrência do despacho exarado em 7/12/2011. Publique-se. Oficie-se.) REQUERIMENTO Nº 4.129, DE 2011 (Do Sr. Valadares Filho) Solicita a inclusão de assinatura no Requerimento de Instituição de CPI com a finalidade de investigar denúncias de irregularidades e lavagem de dinheiro apresentadas pelo jornalista Amaury Ribeiro Júnior em seu livro, “A Privataria Tucana” (Indefiro, nos termos do art. 102, § 4º, do RICD. Publique-se. Oficie-se.) COMISSÕES ATAS COMISSÃO DE AGRICULTURA, PECUÁRIA, ABASTECIMENTO E DESENVOLVIMENTO RURAL 54ª Legislatura – 1ª Sessão Legislativa Ordinária Ata da trigésima segunda Reunião Ordinária (audiência pública) realizada em 13 de setembro de 2011 Às quatorze horas e quarenta e cinco minutos do dia treze de setembro de dois mil e onze, reuniu-se a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, no Anexo II, Plenário 5 da Câmara dos Deputados, com a presença dos Senhores Deputados Celso Maldaner – Vice-Presidente; Alceu Moreira, Carlos Magno, Dilceu Sperafico, Hélio Santos, Homero Pereira, Jesus Rodrigues, Josué Bengtson, Luis Carlos Heinze, Luiz Nishimori, Moacir Micheletto, Moreira Mendes, Nelson Padovani e Paulo Cesar Quartiero – Titulares; Diego Andrade, Edinho Araújo, Luiz Carlos Setim, Marcos Montes, Nilson Leitão, Onyx Lorenzoni, Raimundo Gomes de Matos e Valdir Colatto – Suplentes. Deixaram de comparecer os Deputados Abelardo Lupion, Arthur Lira, Assis do Couto, Beto Faro, Bohn Gass, Davi Alves Silva Júnior, Domingos Sávio, Edson Pimenta, Francisco Araújo, Heleno Silva, Jairo Ataíde, João Pizzolatti, José Nunes, Josias Gomes, Leandro Vilela, Lira Maia, Marcon, Nilton Capixaba, Paulo Piau, Pedro Chaves, Reinaldo Azambuja, Fevereiro de 2012 Reinhold Stephanes, Ronaldo Caiado, Vander Loubet, Vitor Penido e Zé Silva. Justificou ausência o Deputado Reinhold Stephanes. A Reunião foi objeto do Requerimento nº 26/2011, dos Deputados Moacir Micheletto e Abelardo Lupion, para “discutir os motivos pelos quais os registros de iscas formicidas para o controle de formigas cortadeiras, na Anvisa, se processam em desacordo com a legislação vigente e consequentemente o desvio daqueles produtos para a utilização na agricultura”. ABERTURA: Assumindo a Presidência, nos termos regimentais, o Deputado Celso Maldaner declarou abertos os trabalhos, cumprimentou todos, esclareceu as regras e procedimentos da Audiência, informando que a lista de inscrições para os debates estava à disposição dos deputados, e convidou para comporem a mesa os senhores: Girabis Evangelista Ramos, Diretor do Departamento de Fiscalização de Insumos Agrícolas da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; Antonio Carlos Fonseca, Coordenador da 3ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal; Márcio Freitas, Coordenador-Geral de Substâncias Químicas da Diretoria de Qualidade Ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Ibama, representando o Ministério do Meio Ambiente; Francisco Alexandre Shammass de Mancilha, especialista em Regulação e Vigilância Sanitária da Gerência Geral de Saneantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; Edson Dias da Silva, coordenador do Grupo de Trabalho Isca Legal do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola – Sindag; e Valdir Delarco, Consultor Jurídico da Associação Brasileira das Empresas Fabricantes de Iscas e Inseticidas – Abraisca. Prosseguindo, o Presidente concedeu a palavra ao palestrante Girabis Evangelista Ramos. Assumiu a presidência o Deputado Carlos Magno, que, em seguida, passou a palavra, em sequência, aos palestrantes Márcio Freitas, Francisco Alexandre Shammass de Mancilha, que se utilizou de audiovisual na sua exposição, Antonio Carlos Fonseca, Edson Dias da Silva e Valdir Delarco, servindo-se também, os dois últimos, de recursos audiovisuais para suporte às respectivas apresentações. Após falarem os expositores, o Presidente, Deputado Carlos Magno, fez comentários e passou a palavra aos deputados inscritos, nesta ordem: Moacir Micheletto, Luis Carlos Heinze e Alceu Moreira. Após comentários e indagações, falaram os expositores Valdir Delarco e Girabis Evangelista. Em seguida, o Presidente passou a palavra ao Deputado Valdir Colatto, que fez indagações, sucedidas por manifestações do expositor Márcio Freitas. Em seguida, fizeram comentários os Deputados Moacir Micheletto, Carlos Magno, Luis Carlos Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Heinze, Paulo Cesar Quartiero, às quais se seguiram as manifestações do palestrante Francisco Alexandre Shammass de Mancilha. O Deputado Homero Pereira assumiu a presidência da Mesa e passou a palavra ao palestrante Antonio Carlos Fonseca. Após, o Deputado Carlos Magno reassumiu a Presidência dos trabalhos e concedeu a palavra ao expositor Edson Dias da Silva, ao qual se seguiram comentários dos Deputados Carlos Magno, Moacir Micheletto e Valdir Colatto. Por fim, o Presidente, Deputado Carlos Magno, nada mais havendo a tratar, após agradecer a presença e participação de todos, encerrou a reunião às dezoito horas e sete minutos, antes, porém, convocando os senhores deputados membros da Comissão a participarem de Reunião Ordinária (Deliberativa), quarta-feira, dia quatorze de setembro de dois mil e onze, às dez horas, no plenário seis do Anexo dois da Câmara dos Deputados. O inteiro teor foi gravado, passando as notas taquigráficas a integrarem o acervo documental desta reunião. E para constar, eu, Moizes Lobo da Cunha, lavrei a presente Ata, que, por ter sido lida e aprovada, será assinada pelo Presidente em exercício, Deputado Celso Maldaner, e publicada no Diário da Câmara dos Deputados. O SR. PRESIDENTE (Deputado Celso Maldaner) – Senhoras e senhores, boa tarde. Declaro aberta a reunião de audiência pública da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados, convocada para discutir os motivos pelos quais os registros de iscas formicidas para o controle de formigas cortadeiras, na Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA, se processam em desacordo com a legislação vigente e, consequentemente, o desvio daqueles produtos para a utilização na agricultura. Esta audiência pública foi proposta pelos Deputados Moacir Micheletto, do PMDB do Paraná, e Abelardo Lupion, do DEM do Paraná. Foram convidados para participar desta audiência o Deputado Mendes Ribeiro Filho, atual Ministro de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA; Dra. Izabella Mônica Teixeira, Ministra de Estado do Meio Ambiente; Dr. Dirceu Brás Barbano, Presidente da ANVISA; Dr. Antônio Carlos Fonseca, Coordenador da 3ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal; Dr. Laércio Giampani, Presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola – SINDAG; Dr. Antônio Sérgio Alípio, Presidente da Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas – ABRAF; Dr. Edson Dias da Silva, Presidente da Associação Brasileira das Empresas Fabricantes de Iscas e Inseticidas – ABRAISCA. Terça-feira 7 00995 Confirmaram presença os Srs. Dr. Girabis Evangelista Ramos, Diretor do Departamento de Fiscalização de Insumos Agrícolas da Secretaria de Defesa Agropecuária do MAPA, representando o Ministro da Agricultura. Convido para tomar assento à mesa o Dr. Girabis; o Dr. Antonio Carlos Fonseca, Coordenador da 3ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal; o Dr. Márcio Freitas, Coordenador-Geral de Substâncias Químicas do IBAMA, representando a Ministra do Meio Ambiente; o Dr. Francisco Alexandre Shammass de Mancilha, Especialista em Regulação e Vigilância Sanitária da Gerência-Geral de Saneantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, representando o Presidente da ANVISA; o Dr. Edson Dias da Silva, Coordenador do Grupo de Trabalho Isca Legal, do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola, representando o Presidente do SINDAG; e o Dr. Valdir Delarco, Consultor Jurídico da Associação Brasileira das Empresas Fabricantes de Iscas e Inseticidas, representando o Presidente da ABRAISCA. Informo aos Parlamentares que os expositores terão um prazo de 20 minutos, prorrogáveis a juízo da Comissão, não podendo ser aparteados. Os Parlamentares inscritos para interpelar os expositores poderão fazê-lo estritamente sobre o assunto da exposição, pelo prazo de 3 minutos, tendo o interpelado igual tempo para responder, facultadas a réplica e a tréplica pelo mesmo prazo, vedado ao orador interpelar quaisquer dos presentes. Passo a palavra em seguida... O SR. DEPUTADO MOACIR MICHELETTO – Sr. Presidente, pela ordem. Peço a V.Exa. que, se possível, reduza o prazo de exposição para 15 minutos, porque eu acho que já é o suficiente. Não sei se os Srs. Parlamentares... O SR. PRESIDENTE (Deputado Celso Maldaner) – Consulto os expositores sobre essa possibilidade. Será que 15 minutos é um prazo bom? (Pausa.) Ótimo. Muito boa a sugestão, Micheletto. Passo a palavra ao Dr. Girabis Evangelista Ramos, Diretor do Departamento de Fiscalização de Insumos Agrícolas da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, representando o Ministro da Agricultura, pelo prazo de 15 minutos. O SR. GIRABIS EVANGELISTA RAMOS – Boa tarde. Primeiramente quero cumprimentar o Presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, Deputado Federal Celso Maldaner, e todos os Parlamentares presentes. Transmito a todos os Srs. Parlamentares e a todos os participantes desta plenária os cumprimentos 00996 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS do Ministro da Agricultura, Sr. Mendes Ribeiro Filho, e um cumprimento especial aos Deputados Moacir Micheletto e Abelardo Lupion, pela iniciativa de convocar esta audiência pública. Queremos ressaltar que sobre este tema temos duas leis: a de 1976, nº 6.360, e a Lei nº 7.802. Temos diferenças e semelhanças nesses dois dispositivos legais. A primeira semelhança é que os mesmos ingredientes ativos considerados pela Lei nº 7.802 como agrotóxicos são utilizados como saneantes domissanitários pela Lei nº 6.360. Esses são os mesmos pesticidas utilizados na agricultura, têm a mesma formulação e a mesma concentração. E têm também as diferenças. Esses produtos químicos pesticidas e os agrícolas são agrotóxicos fitossanitários. Os produtos químicos pesticidas utilizados nas nossas casas, nos ambientes em que se dorme, na cozinha e tudo o mais são produtos chamados saneantes domissanitários. As diferenças continuam como diferenças: a sistemática de registro. Os agrotóxicos de uso agrícola consistem de três avaliações, quais sejam, eficácia agronômica, impactos ambientais, saúde pública, toxicologia e resíduo. Já os saneantes domissanitários só passam por uma avaliação, que é a da ANVISA. Prosseguindo, a legislação tem definições completamente distintas. Os saneantes e os agrotóxicos a lei define como produtos de agentes de processos físicos, químicos e biológicas destinados ao uso no setor da produção, armazenamento, beneficiamento de produtos agrícolas nas pastagens, na proteção de florestas nativas e plantadas e outros ecossistemas e também, anotem, em ambientes urbanos, hídricos, industriais, com a finalidade de alterar a composição da flora ou da fauna, a fim de preservá-las da ação danosa de seres vivos considerados nocivos. Então, considera-se que aqueles saneantes domissanitários que estão excluídos pela Lei nº 6.360 estão dentro da Lei nº 7.802 e têm que passar por três avaliações. Este é o nosso entendimento. Depois vem a definição de saneantes domissanitários: substâncias ou preparações destinadas à higienização, desinfecção, desinfestação domiciliar em ambientes coletivos e/ou públicos em lugares de uso comum e no tratamento de água, compreendendo inseticidas destinados ao combate, à prevenção e ao controle de insetos em habitações, recintos, lugares de uso público e suas cercanias. Então, é um ambiente urbano. Jamais essa lei aqui tratou de ambiente rural. E vem a exclusão – a Lei nº 6.360 também é sensata: Fevereiro de 2012 “Excluem-se do regime desta Lei, visto se destinarem e se aplicarem a fins diversos dos nela estabelecidos, os produtos sanean‑ tes fitossanitários e zoossanitários, os de uso exclusivo veterinário e os destinados ao com‑ bate, na agricultura, a ratos e outros roedores.” Então, entendemos que esses produtos saneantes fitossanitários, aqui excluídos pela Lei nº 6.360, têm que ser remetidos ao regime da Lei nº 7.802. Prosseguindo: o risco à agricultura é à saúde pública. Para os saneantes domissanitários, o regime de avaliação e registro é mais simplificado. Então, o que acontece? Quem tem produtos na área de saneantes registra pelo mecanismo mais rápido, um fast tracking. Então, nesse caso, procuram registrar o produto como saneante domissanitário. Coloca-se em todo o meio de circulação da agricultura, e o produto é desviado para a agricultura. E sabemos, por exemplo, que há demandas do Ministério Público Federal, da Polícia Federal e da Polícia Civil e de outros setores da sociedade civil, denúncias para o Ministério da Agricultura apurar. Ora, Sr. Presidente, nós não fazemos o registro do produto, tampouco o cadastro das empresas que fabricam os produtos saneantes domissanitários. Então, fica difícil para o Ministério da Agricultura fiscalizar. Mesmo assim, o Ministério da Agricultura tem efetuado várias e várias fiscalizações apuratórias. E temos vários resultados em relação a produtos clandestinos utilizados na agricultura. Todos eles são registrados como saneantes domissanitários. É bom ressaltar que produtos como mata-barata e iscas formicidas... Temos também herbicidas registrados para uso domiciliar. Como é que eu vou aplicar um produto com toxicidade tão alta, para ser usado no campo, na minha casa ou no jardim da minha casa ou no meu apartamento? O risco para a agricultura e para a saúde da população é muito maior. Além do mais, sobre os produtos utilizados na agricultura há um controle muito rigoroso do limite máximo de resíduos daquele pesticida, daquele agrotóxico no alimento – numa verdura, num grão ou num legume liberado para o consumo da população. Providências: nós fomos instados várias vezes, não só pelo Ministério Público Estadual e Federal, mas também por organizações da sociedade civil e pelo Poder Legislativo. A Frente Parlamentar da Agricultura acionou o Ministro da Agricultura várias vezes. Então, encaminhamos para a ANVISA um documento, de minha autoria, em que requeremos ao então Diretor e hoje Presidente da ANVISA, Dr. Dirceu Barbano, algumas providências. Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS A primeira: o cancelamento dos registros de saneantes domissanitários, concedidos com base na Portaria nº 322/97 e na Resolução RDC 326/05, para produtos de ação inseticida, formicida, fungicida, nematicida, acaricida, herbicida, para uso ou controle de pragas e doenças em jardinagem amadora – isso não existe na lei – e em vegetais em geral. Isso não é assunto a ser tratado como agricultura. A segunda: a exclusão, dos rótulos dos saneantes domissanitários, de todas as recomendações técnicas e agronômicas de controle de formiga cortadeira – do gênero Atta e Acromyrmex – e a revogação dos dispositivos de normativas e portarias que versam sobre produtos fitossanitários para jardinagem amadora e plantas em geral. Isso é assunto a ser tratado no âmbito da Lei nº 7.802. Esse é o entendimento do Ministro da Agricultura. Agradeço, Sr. Presidente, o espaço que foi dado ao Ministério e me coloco à disposição para todo e qualquer esclarecimento. O SR. PRESIDENTE (Deputado Carlos Magno) – Obrigado, Dr. Girabis, aqui representando a Secretaria de Defesa Agropecuária do MAPA. Agora passo a palavra, por 15 minutos, ao Dr. Márcio Freitas, Coordenador-Geral de Avaliação e Controle de Substâncias Químicas do IBAMA, representando a Ministra do Meio Ambiente. O SR. MÁRCIO FREITAS – Boa tarde a todas e a todos. Em primeiro lugar, eu gostaria de agradecer a oportunidade de estar aqui, em nome do Ministério do Meio Ambiente e do próprio IBAMA, como órgão regulador, responsável pela avaliação ambiental para o registro de agrotóxico no âmbito do Governo Federal. Boa parte das considerações que eu faria aqui já foram feitas pelo Dr. Girabis. Eu ia destacar justamente a diferença entre as duas legislações e o fato de que não há conflito do ponto de vista regulatório ou do ponto de vista legal em relação a essa problemática que foi colocada aqui. Quer dizer, não entendemos que haja problema do ponto de vista regulatório. As leis são claras, ambas definindo a sua interface de atuação e não deixando margem para dúvida em relação a isso. Eu até destacaria um único artigo que talvez não tenha sido destacado com a devida importância pelo Dr. Girabis, que é o art. 96 do Decreto nº 4.074, onde é dito explicitamente: “Os agrotóxicos, seus componentes e afins registrados com base na Lei nº 6.360, de 23 de setembro de 1976, bem como as pesso‑ as físicas e jurídicas que exerçam atividades com os mesmos, deverão se adequar às dis‑ posições da Lei nº 7.802, de 1989.” Terça-feira 7 00997 Portanto, em ambos os dispositivos legais – naquela exclusão que o Dr. Girabis citou, dos produtos fitossanitários, e aqui, agora, da necessidade de adaptação não só dos produtos, mas também dos registrantes e dos registrados, digamos assim, ao novo instrumento legal – fica claro que não há problema do ponto de vista da normativa que estabelece os procedimentos para registro desses produtos. O problema que nos é trazido aqui é de desvio de uso. E, portanto, ele precisa ser abordado e enfrentado com essa característica. Naturalmente, há um problema de definição mais clara, do ponto de vista das Gerências da ANVISA – e destaco a Gerência de Saneantes e a GGTOX, que atua na área de agrotóxico –, em relação a essa delimitação, no âmbito da ANVISA, do seu papel como órgão regulador, tanto de produtos domissanitários quanto de agrotóxicos. Naturalmente, vou deixar isso para o meu colega da ANVISA, não vou entrar nessa seara. Mas quero dizer que, do ponto de vista ambiental, para nós é muito tranquilo: há necessidade, já destacada pelo Dr. Girabis, de avaliação desses produtos no âmbito da legislação de agrotóxicos, e, portanto, contemplando os aspectos ambientais necessários ao registro. Quero destacar também que a questão de desvio de uso, pela legislação federal, é uma atribuição dos órgãos ambientais estaduais e não do órgão federal – isso é importante ter em mente –, até por uma questão de logística, de facilidade de controle e de atuação mais próxima de onde ocorrem os desvios de uso. O nosso papel, no âmbito federal, no âmbito do IBAMA, se restringe ao registro e à avaliação ambiental para o registro de produtos, naquilo que a lei nos determine atribuição. Então, fico à disposição dos senhores e agradeço mais uma vez a oportunidade. Vou deixar mais tempo para que possamos debater o tema e fico à disposição para responder às questões que nos forem trazidas aqui. E mais uma vez agradeço a iniciativa aos Srs. Deputados e a esta Comissão, de trazer este assunto para discussão. Obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Carlos Magno) – Obrigado, Dr. Márcio Freitas. Passo a palavra ao Dr. Francisco Alexandre Mancilha, Especialista em Regulação e Vigilância Sanitária da Gerência-Geral de Saneantes da ANVISA, pelo prazo de 15 minutos. O SR. FRANCISCO ALEXANDRE SHAMMASS DE MANCILHA – Boa tarde. Agradeço a convocação, o convite para estar aqui esclarecendo os pontos em que pudermos ajudar. 00998 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Eu confesso que fiquei assustado quando vi a convocatória para a ANVISA explicar por que o registro se processa em desacordo com a legislação vigente. Estou achando até que vou sair algemado daqui. Espero que não. Nós somos uma agência estritamente técnica e procuramos atender à parte da saúde, mas, na parte regulatória, ou melhor, na parte jurídica, sempre consultamos a Procuradoria-Geral da União, exatamente para evitar conflitos legais. Eu trouxe uma apresentação. Espero que aí detrás seja possível enxergar. (Segue-se exibição de imagens.) Eu trabalho na Gerência-Geral de Saneantes da ANVISA. Nós avaliamos a segurança e a eficácia dos produtos saneantes e, com base nessa avaliação, concedemos ou não concedemos o registro desses produtos. Alguns exemplos de saneantes: odorizantes, desinfetantes, água sanitária, limpadores, raticidas, detergentes, alvejantes, inseticidas, produtos para jardins e outros produtos. Realmente é uma gama muito grande de produtos que nós registramos lá na ANVISA. Alguns números: hoje, cerca de 3 mil empresas fabricam ou importam produtos saneantes no Brasil; há cerca de 32 mil produtos registrados na ANVISA, hoje regularizados, notificados ou registrados na ANVISA; dessas 3 mil empresas, 24 empresas que trabalham com as iscas formicidas; e, desses 32 mil produtos, há 44 iscas formicidas registradas na ANVISA. O que são saneantes? Não podemos sair registrando produtos a torto e a direito. Precisamos de uma base legal para saber se vamos nos meter nisso ou não. Então, a Lei nº 6.360 define claramente o que são saneantes: substâncias ou preparações para higienização, desinfecção ou desinfestação – aí já entram inseticida, raticida e repelentes; não repelente de pele, mas o repelente do tipo espiral ou o repelente elétrico que ligamos na tomada –, em ambientes coletivos e/ ou públicos, em lugares de uso comum e no tratamento de água. E define o que são inseticidas: destinados ao combate, à prevenção e ao controle de insetos em habitações – incluem-se aí jardins, que fazem parte de uma habitação, recintos e lugares de uso público e suas cercanias; poderia ser até uma praça, teoricamente. O que não é saneante? A Lei 6.360, como bem disse Márcio – ele tem um pensamento muito parecido com o nosso; eu não conhecia o Dr. Márcio –, exclui os fitossanitários: não são considerados saneantes. A lei coloca o fitossanitário como produto para uso na agricultura; inclusive, cita ratos e outros roedores da agricultura. Porque os raticidas usados dentro de Fevereiro de 2012 casa ou em ambiente urbano são saneantes. Então, a definição de fitossanitário está bem ligada com o uso da agricultura. Não existe uma definição muito clara na legislação do que são fitossanitários, mas no Decreto nº 6.913, de 2009, há uma definição de fitossanitário para agricultura orgânica: “(...) contendo exclusivamente substâncias permitidas, em regulamento próprio, para uso na agricultura”. Isso reforça a definição de que fitossanitário é o produto para uso na agricultura e não para uso urbano. Bem, aí vem a pergunta: quem registra? A Lei 6.360 define: “Nenhum dos produtos de que trata esta Lei, inclusive os importados, poderá ser industrializa‑ do, exposto à venda ou entregue ao consumo antes de registrado no Ministério da Saúde.” Então, ela deixa bem claro: saneante, Ministério da Saúde. A Lei nº 7.802, a Lei dos Agrotóxicos, diz que os agrotóxicos, seus componentes e afins, só poderão ser produzidos se previamente registrados em órgão federal – não diz em que órgão federal –, de acordo com as diretrizes e exigências dos órgãos federais responsáveis pelos setores da saúde, do meio ambiente e da agricultura. Nós também ficamos preocupados, diante da publicação da Lei dos Agrotóxicos, com o saneante? Fizemos uma consulta à Procuradoria-Geral da União e obtivemos o Parecer nº 91: os saneantes não são agrotóxicos. Então, mesmo que fossem agrotóxicos, a lei aparenta ser contraditória com a Lei 6.360. Mas não é. Os saneantes, se fossem agrotóxicos, estariam sendo registrados em órgão federal – no Ministério da Saúde, na ANVISA –, e estariam seguidas as exigências dos setores da saúde, da agricultura e do meio ambiente. A ANVISA, quando avalia um princípio ativo usado num saneante, ela avalia junto com o IBAMA e com a Agricultura. Às vezes temos uma ideia simplificada, de que os registros na ANVISA são feitos muito rapidamente, sem base ou coisa desse tipo, mas grande parte foi feita em conjunto – Agricultura, IBAMA e Saúde –, para avaliar o princípio ativo. Só depois de feita essa avaliação o princípio ativo é liberado para uso como saneante. Então, fazemos só a etapa final, mas a etapa principal, de avaliação do princípio ativo, foi feita de acordo com a Lei dos Agrotóxicos, mesmo não precisando, mesmo com o parecer de que não é agrotóxico. E o Decreto nº 4.074 fala da adequação. Nós também fizemos uma consulta à Procuradoria e obtivemos esta resposta: “Nestas condições, a norma do Decreto 4.074 extravasa a lei regulamentada, não tem o poder de revogar a Lei 6.360.” Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Nós somos técnicos. Sobre a parte jurídica consultamos outros órgãos. E obtivemos esse parecer. Mesmo que necessitasse, o produto já está adequado, porque é registrado em órgão federal e recebe a avaliação dos três Ministérios, para liberação do princípio ativo. Então, não vemos conflito entre as normas. Parece-nos que as regras são bem claras, como diria Arnaldo Cezar Coelho. Como se registra uma isca formicida na ANVISA? A Portaria nº 322 só regulamenta a lei. Ela abrange os produtos denominados de inseticidas, fungicidas, formicidas e alguns outros, para uso em jardinagem amadora de venda direta ao consumidor. E os critérios que usamos para registrar esses produtos na ANVISA? Somente podem ser usados ativos já avaliados pela área de Toxicologia da ANVISA, IBAMA e MAPA. Eu discordo um pouco de quem disse que os ativos são os mesmos. Não são os mesmos da agricultura. Nós temos inúmeras monografias. Há centenas de produtos, mas apenas 5% são permitidos para uso urbano, como saneante, exatamente por causa da toxicidade. Nós só utilizamos produtos de Classe 3 para cima ou coisa assim, produtos que são menos tóxicos. E ainda limitamos a toxicidade – a DL50 oral é limitada –, de forma que não haja risco para a saúde. A preocupação da ANVISA é exatamente com a saúde da população. E a concentração não é a mesma dos produtos agrícolas. São concentrações muito limitadas, de níveis muito baixos. Isso foi definido quando da avaliação do princípio ativo, pelos três Ministérios – saneante, nível mais baixo. Nós avaliamos a rotulagem e a embalagem; fazemos teste de eficácia, conforme o manual de eficácia e os protocolos para avaliação de eficácia; fazemos estudo de estabilidade também; e avaliamos os limites quantitativos de embalagens. Isso é muito importante: nós limitamos as embalagens das iscas formicidas a 50 gramas, uma quantidade muito baixa, exatamente porque num jardim não é preciso usar 5 quilos de produto. Então, bastam sacos pequenos de 50 gramas para uso em jardim. É aí que ocorrem os grandes desvios. Desvio de finalidade mais comum: produtos de jardinagem amadora acondicionados em embalagens maiores que os limites permitidos, direcionados a aplicações agrícolas ou ambientais. O grande problema é exatamente o desvio. As empresas desviam para a agricultura produtos que deveriam ser acondicionados em embalagens pequenas e usados em jardinagem amadora. A ANVISA já empreendeu algumas ações para inibir isso. Publicamos orientações no site da ANVISA, deixando claro que produto para jardinagem amadora Terça-feira 7 00999 não serve para a agricultura, e empreendemos ações conjuntas com as Vigilâncias Sanitárias Estaduais. Como bem disse o Dr. Márcio, quem faz a fiscalização não é a ANVISA, mas as Vigilâncias Sanitárias. Isso é competência do Estado e do Município, embora possamos até dar apoio. E o que é mais comum encontrarmos? Ativos não permitidos colocados por empresas; venda de produtos por empresas que nem tem autorização de funcionamento junto à ANVISA; produtos sem registro; produtos com registro vencido; rotulagem em desacordo, com indicações agrícolas indevidas – para nós declaram o rótulo bonitinho, que o produto está todo certinho, mas, na hora de vender, colocam indicações para a agricultura; embalagem em desacordo, com volumes maiores do que o permitido e uso de registro de outros produtos, com número falso de registro. Outras ações nossas: também atuamos junto ao Ministério Público – a pedido dele apuramos denúncias – e empreendemos ações com a Polícia Federal para coibir esse tipo de desvio. Temos algumas propostas para o combate aos desvios de finalidade. Revisão da regulamentação: não temos nada contra a se revisar a legislação, só queremos seguir a lei. Se obtivermos pareceres da Procuradoria que determinem que o registro vai ser feito em outro órgão ou em outra área, nós vamos segui-lo. Não importa onde vai ser feito o registro, o importante é que a saúde da população esteja protegida. Então, concordamos que alguns ajustes precisam ser feitos na legislação e estamos à disposição para fazer a alteração que for necessária. Uma preocupação que temos é com a hipótese de estender muito esse tipo... Não foi dito aqui, mas o registro na Agricultura, pelo histórico que passaram os nossos colegas da ABRAISCA, leva 3 anos e custa cerca de 1 milhão de reais. Nós levamos 90 dias na ANVISA, e o valor é mais baixo. O que pode acontecer – e isso nos preocupa –, se se estender muito esse tipo de coisa, é abrangerem outros produtos desinfestantes. Nós temos, por exemplo, problema com a dengue. Imaginem se uma empresa for lançar produtos para combater a dengue e levar 3 anos para registrá-los e a um custo muito alto. Isso pode prejudicar. Mas tudo isso é discutível e dá para avaliar. Acho que seriam muito efetivas algumas ações conjuntas com o MAPA, porque ocorre muito de o fiscal do MAPA chegar a uma agropecuária e encontrar lá um produto em que está escrito “Ministério da Saúde”, ou seja, registrado no Ministério da Saúde. Ele se vê impossibilitado de agir e autuar. O vendedor diz que o produto está registrado no Ministério da Saúde e que o fiscal não tem competência para apreendê-lo. 01000 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Então, talvez falte, além dessas ações, um convênio com o MAPA, de forma que possamos agilizar a repressão e o combate a esse tipo de problema, que ocorre até em grandes atacadistas de produto agropecuário. Há uma série de coisas que precisam ser feitas, e nós estamos dispostos a trabalhar junto. Essa iniciativa da ABRAISCA... Reconhecemos que há mesmo muito desvio e precisamos resolver o problema. Faremos o que pudermos fazer para ajudar. Obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Carlos Magno) – Eu acredito que não haja risco nenhum de o Dr. Francisco sair algemado daqui, até porque há muita divergência entre os expositores, e o autor do requerimento, o Deputado Moacir Micheletto, com muita competência, vai saber fazer os questionamentos e levar as divergências para um debate mais profundo. Que nós possamos realmente servir de elemento para, se for o caso, até alterar a legislação, a fim de dar conformidade a esses processos e tranquilidade ao segmento. Agradeço ao Dr. Francisco a exposição. Convido o Dr. Antônio Carlos Fonseca, Coordenador da 3ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal, para usar da palavra pelo prazo de 15 minutos. O SR. ANTÔNIO CARLOS FONSECA DA SILVA – Srs. Deputados, eu agradeço a gentileza do convite ao Ministério Público para dar a sua contribuição e parabenizo a Casa por esta iniciativa. O Ministério Público Federal ainda não tem completa percepção do problema. Isso não quer dizer que nós não tenhamos algumas conclusões preliminares. Existe, por exemplo, da nossa parte, preocupação com o uso indevido de saneantes como agrotóxico. Sabemos que os efeitos são claros. Os efeitos existem na saúde do usuário, daquele manipula o produto, e até na dos seus familiares; também se fazem presentes na saúde do consumidor de produtos vegetais, frutas, etc., e também na contaminação ambiental – do solo, dos lençóis freáticos, dos corpos hídricos, etc. No pouco tempo que nós temos investigado o assunto, já percebemos que ele é mais complicado do que imaginávamos, primeiro, pelo fato de o Brasil ser um grande consumidor de agrotóxicos. Isso é dito pelo próprio Ministério da Agricultura. Talvez o País seja o maior consumidor. São mais ou menos 800 mil toneladas de produtos químicos na lavoura, por exemplo – dado de 2009 –, enquanto, nos Estados Unidos, o volume ficou abaixo de 800 mil toneladas. A cultura que mais consome é a soja. Temos aqui o caso específico do formicida para jardinagem, um exemplo claro de saneante, o domis- Fevereiro de 2012 sanitário. Já ficou claro para nós e todos sabemos que domissanitário é algo feito para os domicílios, para o meio urbano, e não para o meio rural. O uso indevido de saneantes na agricultura, portanto, com funções fitossanitárias, pode chegar – é uma sugestão que existe – a um terço de tudo o que é aplicado na agricultura. E como nós sabemos que é crucial hoje, quando falamos de agronegócio, a sustentabilidade do setor, o problema nos preocupa bastante. Grande parte dos usos indevidos ou são saneantes aplicados à agricultura ou, muitas vezes, são adulterações desses produtos. A eles são agregados outros princípios, outras substâncias para se buscar certa eficácia. E por trás de tudo isso existe o interesse econômico. Já está claro também que o saneante tem custo de registro muito inferior ao do agrotóxico. Leva-se, mais ou menos, 5 anos para um agrotóxico ser lançado no mercado. Isso significa um tempo bastante grande, um custo bastante grande, até se lançar o produto no mercado, enquanto que o saneante, como se viu aqui, por exemplo, pelo depoimento do representante da ANVISA, pode chegar em 90 dias. Então, é muito tentador para uma empresa que produz saneante dar destinação indevida ao produto feito, aprovado, registrado pela ANVISA para utilização no meio urbano e utilizá-lo, vendê-lo, comercializá-lo para a agricultura, porque ele consegue lançar o produto muito mais rapidamente do que se tivesse registrado como agrotóxico, porque o custo é muito maior. E muitas vezes ele não conseguiu aprovar o produto como agrotóxico. Existe, portanto, um interesse comercial muito grande. Quando se pega um saneante para utilizar na agricultura, transforma-se o produto em substituto do agrotóxico e, portanto, cria-se uma concorrência desleal. Pode ser uma concorrência desleal, se nós considerarmos os custos daquele que levou 5 anos ou mais para o registro, com testes mais rigorosos, feitos por três órgãos do Governo Federal, para ver aprovado. E o agrotóxico, geralmente, tem uma carga fiscal muito grande. Então, há um interesse muito maior, tentador mesmo, para a empresa produtora de saneante, em desviar o seu uso para a agricultura como produto fitossanitário. Agora, está muito claro aqui que saneante é da parte da ANVISA, registrado na ANVISA, e agrotóxico é do MAPA. Os especialistas me corrijam, se eu estiver equivocado. A princípio, são duas coisas diferentes, só que a Lei nº 6.360, no seu art. 86, já citado, fala de um tal produto saneante fitossanitário, isto é, o saneante com funções de agrotóxico. Quem registra isso? Eu não tenho a resposta. Eu não vi a resposta aqui também. Isso é um defeito da lei. Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS O art. 86 exclui da Lei nº 6.360, do dever de casa da ANVISA, esse saneante. Mas ocorre, pelo que pude entender até agora, que a ANVISA não aprova nenhum saneante com função fitossanitária. Então, esse artigo é intrigante. A legislação precisa ser melhorada, porque esse dispositivo cita esse produto, dizendo que a ele não se aplica a Lei nº 6.360, mas não diz, em lugar algum, quem registra esse produto. A princípio, se ele tem função fitossanitária, deve ser o MAPA, mas essa situação duvidosa, ambígua, só auxilia, só contribui para que aquelas empresas que não conseguem ter o seu produto aprovado como agrotóxico tentem aprová-lo como saneante, para dar a ele destinação indevida. Por isso, o Ministério Público, preocupado com essa irregularidade, percebeu que existe uma falha na regulação, e essa falha, para ser resolvida, pode passar pela melhoria da legislação, mas no nível da regulação já se pode fazer muitas coisas. O que se deve fazer são ações conjuntas. Uma atuação integrada dos três órgãos: ANVISA, MAPA e IBAMA é suficiente? Não. São necessárias ações conjuntas com respeito à fiscalização. Sabemos que, no setor regulado, a fiscalização nunca é eficiente. Uma das possibilidades de melhorá-la é criar a possibilidade de associações de segmentos produtores, devidamente autorizadas, seja pela regulação, seja até mesmo pela lei, certificarem o uso de certos produtos. Aliás, certificar o uso indevido. Isso o próprio produtor de agrotóxico tem todo o interesse de contribuir com a fiscalização, com os órgãos fiscalizadores, quando percebe o uso como agrotóxico de um produto saneante produzido por uma empresa que não produz agrotóxico – e, mesmo que produza, se o produto é saneante, e não agrotóxico, ela tem interesse na fiscalização. Então, esta pode ser uma contribuição extraordinária: a possibilidade de certas entidades representativas de segmentos do mercado certificarem situações indevidas junto aos órgãos fiscalizadores do Governo Federal – e pode ser até dos Governos Estaduais; dependendo de um bom acordo de cooperação, isso pode acontecer. A legislação também pode melhorar as sanções pelo uso indevido. Portanto, a coibição do uso indevido tanto pode vir do ponto de vista das sanções como também... porque as sanções hoje para quem utiliza indevidamente o saneante com funções fitossanitárias são muito baixas. São de tal nível que não são suficientes para frear o uso indevido. Então, essa coibição pode ser tanto do ponto de vista da penalidade, com o aumento da pena, como também do ponto de vista da melhoraria da regulação quanto à rotulagem e à propaganda. Se tenho um sa- Terça-feira 7 01001 neante, eu preciso deixar claro no rótulo que aquele produto tem uso proibido na agricultura. Eu gostaria muito que nesta Mesa estivessem presentes os produtores, o mercado, para trazerem suas experiências. Eu gosto muito. O Ministério Público hoje, na sua estratégia, está privilegiando muito o contato com o mercado, com quem sente as dificuldades na hora de colocar os seus produtos, na hora da competição, muitas vezes, desigual. A nossa estratégia é fortalecer a autoridade reguladora, para que ela cumpra, da melhor forma possível, o seu papel. Por último, pode-se melhorar a orientação do uso que hoje é feito e incentivar essa orientação, que pode ser feita tanto pelo Ministério Público quanto pelo próprio mercado. Ficamos preocupados com o uso indevido, mas devemos também orientar o uso devido. E novamente a certificação seria uma proposta mais ousada, porque ela parte do pressuposto de que nenhuma fiscalização vai ser suficientemente eficiente a ponto de impedir o uso indevido. Vai sempre haver uma certa margem de uso indevido. E ainda há o problema da importação ilegal. Portanto, é necessário que o Governo Federal, através dos seus órgãos incumbidos – ANVISA, IBAMA, Ministério da Agricultura – faça uma revisão da regulação. Se não chegarmos à legislação, que cheguemos, pelo menos, à regulação. Hoje é muito comum, nos meios mais avançados, considerar que a regulação deve ser revisada periodicamente, a fim de avaliar o seu impacto. O impacto proposto, ou pensado, ou avaliado, no momento em que a regulação é posta, é um, e, com o tempo, com as condutas dos atores, o impacto dessa regulação passa a ser outro, seu resultado passa a ser outro. Por isso, é necessária a avaliação periódica do impacto regulatório. O uso indevido cria um produto substituto, que passa a competir de forma desigual, existindo aí até uma conduta, uma atuação oportunista de certos produtores, que sabem da barreira regulatória que existe para o agrotóxico, por exemplo, e inclusive da carga fiscal que recai sobre os saneantes domissanitários, que é muito menor do que aquela que recai sobre o agrotóxico. Toda essa situação, todo esse cenário de uso indevido... Vejam os senhores que o volume, pelas informações que eu tenho, é grande, é um volume não desprezível, capaz de justificar a preocupação desta Casa, do Ministério Público e dos órgãos do Governo Federal responsáveis pela aplicação consistente da legislação. Era essa a contribuição que o Ministério Público Federal gostaria de trazer, explicando que existe 01002 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS uma boa participação do Ministério Público Estadual no tocante ao uso indevido. E o nosso dever de casa está mais naquele nicho do interesse federal, que é a melhoria da regulação. Por isso a minha ênfase nesse aspecto. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Carlos Magno) – Obrigado, Dr. Antônio Carlos. Agora eu passo a palavra ao Dr. Edson Dias da Silva, Coordenador do Grupo Trabalho Isca Legal, do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola – SINDAG, pelo prazo de 15 minutos. O SR. EDSON DIAS DA SILVA – Boa tarde a todos. Quero agradecer a oportunidade de estar presente. Agradeço ao Presidente da Mesa, aos Parlamentares e a todos os presentes. Vou tentar, de alguma forma, explicar um pouco a nossa visão do que seja um saneante, um fitossanitário e um domissanitário. É uma visão um pouco diferente da que foi colocada aqui. (Segue-se exibição de imagens.) Vou falar basicamente das iscas formicidas para controle de formigas cortadeiras, no tocante a uso irregular, desvio de uso, produtos irregulares e registros irregulares que causam ou podem trazer riscos imprevisíveis ao meio ambiente e à saúde humana. As formigas cortadeiras, como já foi dito pelo Dr. Girabis, pertencem a dois gêneros: Atta e Acromyrmex, as saúvas e as quenquéns, que são as mais importantes pragas da agricultura nacional. Elas trazem grandes prejuízos econômicos e causam – isso é importante – danos às plantas, cortando as folhas, destruindo os vegetais, causando danos de grande monta, podendo levar as plantas à morte. Então, elas são nocivas às plantas. Aí eu coloquei a diferença entre formiga cortadeira e formiga urbana, para tentarmos entender o que é um domissanitário e o que é um fitossanitário. As formigas cortadeiras, que são as saúvas, são cultivadoras de fungo e usam a folha como substrato para alimentar o fungo. Para isso, elas cortam as folhas, então são nocivas às plantas. As formigas urbanas, aquelas que aparecem em casa, as doceiras, aquelas que visitam os alimentos, não são cultivadoras de fungo, elas simplesmente são nocivas à saúde do homem porque, ao visitar o alimento, podem transmitir infecção – inclusive em hospitais, as infecções hospitalares. Então, elas são nocivas ao homem, diferentemente das cortadeiras, que são nocivas às plantas. Fevereiro de 2012 As iscas formicidas para controle de formiga cortadeira são específicas para as formigas cortadeiras. Elas não são usadas de forma nenhuma para formigas urbanas. São produtos diferentes, com finalidades diferentes. De novo, isca formicida é um produto fitossanitário, que tem como finalidade o controle da praga que tem efeito nocivo à planta. A definição de produtos fitossanitários, no nosso modo de entender – e isso está descrito em alguns dispositivos que provavelmente o Dr. Valdir vai apresentar –, é a de que são produtos destinados à prevenção, ao controle e ao combate a agentes nocivos aos vegetais. São produtos que têm como finalidade a preservação das plantas, de forma a assegurar seu pleno desenvolvimento, e têm como alvo determinadas pragas, revelando-se agronomicamente eficazes no combate aos efeitos nocivos da pragas, prestando-se àquilo a que se destinam. É o caso das iscas formicidas para o controle das formigas cortadeiras, ou seja, é um saneante fitossanitário, que é igual ao agrotóxico, de acordo com a Lei 7.802. O agrotóxico só veio a aparecer na Lei 7.802, mas na verdade é sinônimo de saneante fitossanitário. Isso é claro. Entre os domissanitários e os saneantes domissanitários há uma diferença grande. São substâncias destinadas à higienização, desinfecção ou desinfestação domiciliar, compreendendo os inseticidas destinados ao combate, à prevenção e ao controle dos insetos em habitações, recintos e lugares de uso público e cercanias dos lugares de uso público. São destinados ao combate, à prevenção e ao controle de insetos – isso é importante – que causam mal à saúde e ao bem-estar dos seres humanos. É o caso de inseticidas para o controle de baratas, formigas urbanas, moscas, etc. Então, são inseticidas para controle de pragas urbanas que causam dano à saúde do homem. Saneantes domissanitários são tratados na Lei 6.360, de 1976. Existe diferença entre o fitossanitário e o domissanitário. E são destinados a finalidades diferentes, como já disse; têm alvos diferentes. O domissanitário não tem por finalidade a preservação da lavoura ou da planta, diferentemente do fitossanitário, que tem esse fim. Na verdade, muito já foi dito nas apresentações. Vou procurar mostrar as dificuldades e facilidades dos dois registros: os registros no MAPA, ou registros pela Lei 7.802, e os registros na ANVISA. Os registros no MAPA passam pela Lei 7.802 e decretos. Há avaliação agronômica pelo Ministério da Agricultura; toxicológica pelo Ministério da Saúde, no Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS caso, pela GGTOX, que é a Gerência Geral de Toxicologia; e de periculosidade ambiental pelo IBAMA. Então, passam por três órgãos. Os registros na ANVISA, que são os registros concedidos para jardinagem amadora, são os da Lei 6.360, de 1976; do Decreto 79.094, de 1977; da portaria específica de jardinagem amadora, que é a 322, de 1997; e de uma Resolução RDC de 2005, para entidades especializadas, aplicadores e dedetizadores. E a avaliação e o registro são feitos exclusivamente pela GGSAN, que é a Gerência de Saneantes. Não existe uma avaliação pela GGTOX. Aqui listei o que é necessário para o registro pela Lei 7.802. Poderia ser registro no MAPA, poderia ser registro no IBAMA e poderia ser registro na ANVISA, também pela Lei 7.802. Teria que passar pelo teste de eficiência agronômica. No caso do MAPA, existe uma normativa recente para teste de eficiência agronômica. Testes toxicológicos agudos, subcrônicos e crônicos para avaliação e classificação toxicológica pela ANVISA. Inúmeros testes ecotoxicológicos exigidos pelo IBAMA. O tempo de apreensão é em média de 2 a 3 anos, após a execução dos testes exigidos. Só para o teste de eficiência, no caso de formiga cortadeira, são necessários 6 meses. O custo de obtenção é aproximadamente 50 vezes maior do que na ANVISA – em torno de 1 milhão de reais, ante os 20 mil reais de custo na ANVISA. Na ANVISA, os testes de eficiência agronômica devem seguir um protocolo de organização internacional, mas no caso de formiga cortadeira não existe, porque é uma praga que está praticamente no Brasil e na América Latina. Os testes toxicológicos exigidos são mínimos. É preciso apresentar simplesmente DL50 oral, no caso de produtos para jardinagem, e outros testes, no caso de vendas restritas para entidades especializadas. Não são exigidos os testes ecotoxicológicos do IBAMA, porque não passam por eles. A avaliação de eficiência agronômica, a avaliação toxicológica e a concessão de registros são feitas simplesmente por uma gerência. Fiz questão de dizer que não há avaliação pela GGTOX. Apesar de ter sido dito pelo apresentador da ANVISA, o Dr. Francisco, que havia uma avaliação na monografia que passa pelos três órgãos, quero deixar claro que a grande maioria dos produtos, ou do produto utilizado para a jardinagem amadora, utiliza o princípio ativo Fipronil, que é de um fabricante do nosso sindicato. Esse é um produto dessa empresa. Ela não vende absolutamente nenhum quilo, nada desse produto para essas empresas registrantes na ANVISA. E aí faço a pergunta. É avaliado? Sim, o produto inicial da BASF Terça-feira 7 01003 foi avaliado para gerar aquela monografia, só que a ANVISA não exige que a empresa registrante diga qual é o fabricante do produto e onde está sendo utilizado. E sabemos claramente que o produto Fipronil usado vem, ou de fontes duvidosas – nunca é da BASF –, ou as empresas adquirem um produto formulado que a BASF tem, que é o Regent 800 WG, que tem 80% de concentração, e fabricam às iscas. Então, aquela preocupação toda que deveria existir quanto ao princípio ativo que está sendo utilizado, qual a pureza daquele ativo, a GGTOX tem. Ela faz a fiscalização nas fábricas dos produtos registrados na agricultura. Mas isso não existe nos produtos registrados para a jardinagem amadora, o que é um risco tremendo, porque não se sabe exatamente qual é a origem desse produto utilizado. E o custo realmente é bem mais baixo, conforme já disse. Em função dessas menores dificuldades, do baixo custo, do tempo reduzido, e não havendo necessidade de atender às exigências em vigor da legislação de agrotóxicos, o que tem ocorrido? Como já foi dito, algumas empresas têm registrado as iscas formicidas para formigas cortadeiras somente na ANVISA, para jardinagem amadora ou para venda restrita a entidades especializadas, para fugir dessas exigências, destinando de forma irregular os produtos para uso na agricultura, expondo a população e o ambiente a riscos imprevisíveis. Realmente, a grande maioria dos produtos utilizados não têm origem; não se sabe de onde vêm. De onde vêm esses produtos não se sabe. E aí as irregularidades que estamos listando. Quer dizer, ele não passa por uma avaliação ambiental, não existe uma avaliação adequada de eficiência agronômica, colocando em risco a lavoura, o homem, os animais e o meio ambiente. São desviados para a agricultura, burlando o receituário agronômico, que é uma exigência da lei de agrotóxicos e é um instrumento importante para o uso correto dos agrotóxicos. Ao se desviar para a agricultura, é burlada a necessidade de recolhimento e destinação das embalagens. Isso está previsto na legislação de agrotóxicos. As embalagens não são recolhidas e são destinadas sabe-se lá para onde. A comercialização é feita para a agricultura, burlando a necessidade de cadastramento dos estabelecimentos comerciais, ou seja, os comerciantes não têm necessidade de pedir cadastramento. Não há nenhuma fiscalização nesses estabelecimentos. Há comercialização de embalagens contendo 500 gramas, quando a quantidade máxima permitida pelo ato regulatório é de 50 gramas. Há produtos registrados declarando um 01004 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS princípio ativo, mas é comprovado que contêm outro princípio ativo, e isso é fraude. Há produtos declarados como naturais, mas na verdade contêm produtos químicos. E há produtos registrados como destinados a empresa especializada, mas são comercializados normalmente para o consumidor final como se fossem agrotóxicos, com redução da alíquota de ICMS. Os domissanitários têm uma alíquota de ICMS cheia, ou seja, existe aí indício de sonegação fiscal, inclusive na comercialização desses produtos para jardinagem amadora. Eu coloquei por último, mas isto daqui é a irregularidade maior, no modo de entender SINDAG. Os registros estão sendo concedidos de forma irregular ou ilegal porque estão em desacordo com a própria Lei nº 6.360, que exclui os saneantes fitossanitários. Ou seja, as iscas formicidas para controle de formigas cortadeiras que estão sendo registradas na ANVISA são produtos fitossanitários, são produtos para proteção da planta. Portanto, não poderiam estar sendo registradas com base na lei de saneantes, que exclui dela os fitossanitários. Vou dar uma ideia do desvio de uso. Temos aqui a estimativa de que o desvio é em torno de 30% do mercado de isca formicida. Hoje, no Brasil, são comercializadas cerca de 10 mil toneladas, sendo que 3 mil toneladas são desses produtos registrados na ANVISA. E são registrados mesmo, não são produtos sem registro. Existem alguns produtos sem registro, como foi falado, mas a grande maioria são produtos registrados na ANVISA: 3 mil toneladas. Fiz aqui um breve exercício. Considerando a infestação de 4 formigueiros de 25 metros quadrados por hectare, seria necessário 1 quilo de isca para esse controle. Então, 3 mil toneladas seriam suficientes para 3 milhões de hectares de jardim. O que está sendo usado de produtos para jardinagem na agricultura daria para controlar 3 milhões de hectares de jardim. Fiz a conta inversa, considerando qual seria a necessidade de produtos para jardim. Isso me foi perguntando numa reunião que tivemos com o Dr. Dirceu Barbano. Considerando 57 milhões de residências no Brasil e considerando que cada uma tivesse um jardim de 10 metros quadrados, seriam necessários 57 toneladas de isca formicida para atender ao mercado de jardim. Conclui-se que 2.950 toneladas estão sendo desviadas para a agricultura. Hoje, temos em torno de 6 marcas registradas de produtos sendo comercializados na agricultura para atender a todo o mercado agrícola florestal do Brasil. Foram mostradas 44 marcas registradas para jardinagem amadora, ou seja, uma discrepância total em termo de mercado, de necessidade de produtos. Fevereiro de 2012 E há algo importante a ser dito. Este assunto que nós estamos discutindo hoje, dia 13 de setembro de 2011, começamos a discutir em meados de 2000. Desde 2000 o SINDAG e, mais recentemente, a ABRAISCA vêm tratando esse assunto com os órgãos regulamentadores, fazendo trabalhos de campanha educativa – temos a cartilha Isca Legal, para mostrar os problemas do mercado –, fiscalizações, mas isso nada adiantou. Só cresceu o número de empresas registradas porque, é claro, as vantagens são inúmeras. Se eu tiver mais 2 ou 3 minutos vou mostrar as embalagens existentes no mercado. São produtos com meio quilo, quando na verdade são 50 gramas. Esta aqui já está com 50 gramas, mas põem 10 pacotinhos de 50 gramas dentro de uma embalagem de meio quilo. Isso pode virar uma caixa de 20 quilos com várias embalagens de 50 gramas, e assim por diante. Esta é uma análise realizada que mostra não haver o princípio ativo declarado. Uma coisa importante. As iscas formicidas registradas na ANVISA para jardinagem amadora têm os mesmos princípios ativos registrados nas iscas formicidas para agricultura e nas mesmas concentrações. Isso é importante: sulfluramida 0,3%, aqui está sulfluramida 0,3%; fipronil 30 ppm, aqui está com 30 ppm. Então, as concentrações são as mesmas e os produtos são os mesmos. Na verdade, o que acontece é que se registra na ANVISA e depois leva-se para a agricultura, e assim por diante. Há produtos naturais registrados na ANVISA dizendo que é um produto natural e tem fipronil. Isso é uma fraude. E aqui temos um herbicida registrado para jardinagem amadora de um litro, claramente com a intenção de se vender na agricultura. Esse produto está registrado na ANVISA para jardinagem amadora, só que está sendo vendido em embalagem de um litro. Era isso, muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Carlos Magno) – Obrigado, Dr. Edson. Agora, vamos passar a palavra ao último palestrante, Dr. Valdir Delarco, Consultor Jurídico da Associação Brasileira das Empresas Fabricantes de Iscas e Inseticidas – ABRAISCA, pelo prazo de 15 minutos. O SR. VALDIR DELARCO – Muito boa tarde, Sr. Presidente, Srs. Parlamentares, demais presentes, pessoas convidadas, vou ser breve, porque muitas partes do tema já foram abordadas. Vou aproveitar apenas para fazer alguns comentários que acho importantes, inclusive abordando algumas palestras das apresentações já feitas. (Segue-se exibição de imagens.) Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Vou passando rapidamente. O Dr. Edson já mostrou o que são os produtos fitossanitários e domissanitários. acho que podemos avançar. As definições estão aqui. A definição da Lei nº 7.802, de 1989 – um parênteses apenas. O que acontece? Na verdade, até 1989, o termo agrotóxico não era usado. Usava-se saneantes fitossanitários e domissanitários. Todos nós já sabemos o que são. Só para estabelecer o parâmetro, ou seja, por que a legislação anterior a 1989 só falava em saneante fitossanitário e saneante domissanitário. Depois de 1989, passaram a chamar agrotóxicos. Daí vamos ver que a legislação posterior fala em agrotóxicos, inclusive quando fala em saneantes domissanitários. Então, temos domissanitários, substância e preparações destinadas à higienização. E temos aqui inseticidas destinados ao combate, à prevenção e ao controle dos insetos em habitações, recintos, lugares de uso público e suas cercanias. Até aqui também já passamos. Muito bem. Formigas cortadeiras, formigas urbanas, que se alimentam de açúcares. Temos na Lei nº 7.802 o art. 1º que diz que a pesquisa, experimentação, armazenamento e comercialização, exportação e o destino final dos resíduos e embalagens, o registro, a classificação, o controle, a inspeção e fiscalização de agrotóxicos, seus componentes e afins serão regidos por essa lei. Então, de novo, traçando o parâmetro, os saneantes fitossanitários ou agrotóxicos serão registrados sob os rigores da Lei nº 7.802, que é a lei de agrotóxicos. O.k.? Ali diz que os agrotóxicos, seus componentes e afins serão previamente registrados em órgão federal de acordo com as diretrizes e exigências dos órgãos federais responsáveis pelos setores da saúde, meio ambiente e agricultura. Para as formigas urbanas e outros insetos, como baratas e moscas, nocivos ao seres humanos, temos a Lei nº 6.360, que diz que ficam sujeitos às normas de vigilância sanitária instituídas por essa lei os medicamentos, as drogas, insumos farmacêuticos e correlatos bem como os produtos, cosméticos, perfumes, saniantes domissanitários, produtos destinados à correção estética e outros adiante. Somente poderão ser fabricados, armazenados, que é mais ou menos o texto da outra lei, nas empresas para tal fim autorizadas pelo Ministério da Saúde e cujo estabelecimento sejam licenciados pelo órgão sanitário das unidades federativas em que se localizam. De novo, vemos que essa lei é de 1976. Então, ela fala em saneantes domissanitários. Nenhum dos produtos de que trata esta lei, inclusive os importados, Terça-feira 7 01005 poderá ser industrializado e exposto à venda ou entregue ao consumo antes de registro no Ministério da Saúde. Portanto, já temos duas indicações de quem registra o que, até pegando um gancho da palestra do Dr. Fonseca. Então, sabemos que o registro de domissanitários é feito pela Lei nº 6.360, e de agrotóxico, pela Lei nº 7.802. Novamente aquele artigo que já ficou famoso entre nós nesta tarde que diz que excluem-se do registro desta lei, visto se destinarem e se aplicarem a fins diversos dos estabelecidos, os produtos saneantes fitossanitários, zoossanitários, os de exclusivo uso veterinário e os destinados ao combate na agricultura a ratos e a outros roedores. Nesse passo, permito-me discordar do Dr. Francisco aqui presente, quando ele diz que isso tudo se refere à agricultura. Eu digo o seguinte: esses produtos, na verdade, são saneantes fitossanitários. Portanto, destinam-se a pragas que atacam plantas. Pode, sim, ser até um jardim, porque uma formiga cortadeira, no meu estudo, na minha modesta conclusão, que come as roseiras de um jardim, está atacando uma planta e não o dono do jardim, o dono da casa. É claro que ele fica triste porque comeram suas rosas, mas não é a essa nocividade a que nos referimos. E aí, quando vemos aqui os de exclusivo uso veterinário e os destinados a combate, aí sim, na agricultura, a ratos e a outros roedores. Aí, sim, na agricultura, porque ratos nós sabemos que infestam domicílios também. A lei não deve conter palavras em vão, e ela fez questão de sublinhar isso, de chamar a nossa atenção para isso. Na agricultura, de ratos e outros roedores. Dr. Fonseca, temos o Decreto nº 4.074, de 2002. Ele dá, sim, as competências de registro. Então, ele diz, no art. 5º, que cabe ao Ministério da Agricultura conceder o registro, inclusive o RET – Registro Especial Temporário de agrotóxicos, porque esse decreto é de 2002, então ele já fala em agrotóxico, produtos técnicos, pré-misturas afins para uso nos setores de produção, armazenamento e beneficiamento de produtos agrícolas nas florestas plantadas e nas pastagens, atendidas as diretrizes e exigências do Ministério da Saúde e do Meio Ambiente. Então, o decreto diz que quem registra é o MAPA, mas ele tem de ouvir a Saúde e o IBAMA no âmbito das suas atribuições. Art. 6º. Ao Ministério da saúde cabe o quê? Conceder registro de produtos destinados ao uso em ambientes urbanos, industriais, domiciliares, públicos ou coletivos, ao tratamento de água e ao uso em campanhas de saúde pública, atendidas as diretrizes do Ministério da Agricultura e do Meio Ambiente, porque eles devem ser ouvidos. Finalmente, o art. 7º nos remete ao Ministério do Meio Ambiente. Cabe a ele 01006 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS conceder o registro de agrotóxicos. Vejam os senhores e as senhoras que ele sempre fala em agrotóxico, mesmo quando ele fala da competência do Ministério da Saúde. Conceder o registro de agrotóxicos para os produtos de uso em ambientes hídricos, na proteção de florestas nativas e de outros sistemas, atendidas as diretrizes e as exigências do Ministério da Agricultura e da Saúde. Vejam que aí o decreto de 2002 já dá as competências, ele diz quem registra o que e diz que têm que ser ouvidos os outros dois Ministérios. Então, a competência, por força de lei, está aqui. Existe um decreto regulamentando isso. Assim lembrando, sempre que estamos aqui tratando, e sou um representante convidado da Associação Brasileira das Empresas Fabricantes de Iscas Inseticidas, tratando de iscas formicidas para formigas cortadeiras, para as quais os agentes de combate e controle são os saneantes fitossanitários – e temos os formicidas para o controle das formigas, que causam danos às plantas, seja lavoura, floresta ou roseiras em um jardim –, como já vimos, devem ter seu registro efetuado segundo os dispositivos da Lei nº 7.802. Por quê? Porque essa lei e o decreto, como vimos, diz que se excluem da competência do Mistério da Saúde os produtos fitossanitários ou os agrotóxicos. Então, vejam, se existe uma definição do que é fitossanitários e ela também está na lei, diz que são produtos contra insetos, animais e pragas nocivos às plantas, dizemos que uma roseira é uma planta e, então, sim, o registro deve ser feito sob os rigores da Lei nº 7.802, de acordo com o decreto, no Ministério da Agricultura. Poderia ser, sim, no Ministério da Saúde, nada impede, desde que a lei a seguir fosse a Lei nº 7.802 de agrotóxicos. Claro, o decreto é uma norma legal, está vigente, e diz quem registra o quê. E ela já disse que seria o Ministério da Agricultura. Mas, nos meus estudos, cheguei à conclusão de que se houvesse uma mudança legislativa, como bem disse o Presidente da Mesa, que contribuísse para o fim do problema, nada impediria que o Ministério da Saúde fizesse esse registro desde que fosse a Lei nº 7.802. Essa, senhores, foi a conclusão a que cheguei estudando essa legislação. Para mim está muito claro. Toda a normativa esta aí, e eu concordo com o Dr. Francisco. A norma está aí e basta ser seguida. Inclusive a lei é exaustiva. O art. 96 do Decreto nº 4.074 diz que os produtos registrados sob a égide da Lei nº 6.360 devem se adequar à Lei nº 7.802, de 1989, posterior a ele. A lei de produtos saneantes domissanitários é de 1976. Até nisso a lei tomou cuidado. Portanto, se houve alguma falha ou se alguma etapa não foi cumprida, que se cumpra agora: que os produtos registrados adequem-se à Lei nº 7.802. Fevereiro de 2012 Então, como acabei de dizer, os produtos para controle das formigas domésticas e outros inseticidas, para o controle de insetos que causam danos ao bem-estar e à saúde do homem, devem ser efetuados segundo os dispositivos da Lei nº 6.360, a qual exclui expressamente, em seu art. 86, os saneantes fitossanitários. A que conclusão chego na qualidade de técnico? Se você tem o registro de produtos destinados ao controle de formigas cortadeiras concedido sob a égide da Lei nº 6.360, eles foram registrados de forma irregular, porque concedidos em afronta à própria lei. Se um artigo dessa lei diz que ela não se aplica àqueles insetos ou pragas, quando eu faço registro desses produtos invocando essa lei, estou afrontando a própria lei, estou agindo de maneira irregular, porque a lei exclui os fitossanitários ou agrotóxicos do âmbito de sua abrangência. Da mesma forma, por se tratar de agrotóxicos, os registros dessas iscas devem ser feitos então observando-se a Lei nº 7.802. Forçosa a conclusão da análise meramente jurídica, meramente legal, na qual os registros concedidos para iscas formicidas, destinados ao controle de formigas cortadeiras, com suporte ou supedâneo na Lei nº 6.360, são nulos de pleno direito e devem ser cancelados, por terem sido concedidos em afronta à própria lei. Se a lei diz que não se aplica àqueles isentos ou pragas, então eu não poderia jamais conceder o registro com base nela. Como a ANVISA vem concedendo registros para esses produtos hoje? Temos a Reunião da Diretoria Colegiada, RDC nº 326, de 2005, cujo alcance diz: “Este regulamento abrange os produtos desinfestantes destinados à apli‑ cação em domicílios e suas áreas comuns, no interior de instalações, edifícios públicos coletivos e afins para o controle de insetos, roedores e outros animais incô‑ modos ou nocivos à saúde.” Portanto, os registros para iscas formicidas para o controle de formigas cortadeiras, que são insetos nocivos às plantas e vegetais, não poderiam ter sido concedidos com base nessa resolução. Primeiro, por não estarem abrangidos por ela. Segundo, por estarem excluídos da Lei nº 6.360, uma vez que se trata de produto fitossanitário. Se temos uma resolução calcada numa lei que não se aplica àquela matéria, essa resolução foi editada de uma maneira, no mínimo, irregular. Nesse passo, como disse muito bem o Presidente da Mesa, eu acho que a legislação pode, sim, ajudar a resolvermos esse problema em sua gênese, sendo alterada. Isso é uma norma interna. Ela é calcada na Lei Ordinária Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS nº 6.360, mas é uma norma interna da ANVISA, que pode ser revogada ou modificada a partir do momento em que o órgão competente da ANVISA faça uma revisão disso ou se debruce sobre ela, e, no caso, seria a Diretoria Colegiada. O SR. PRESIDENTE (Deputado Carlos Magno) – Para concluir. O SR. VALDIR DELARCO – Então, para concluir, a Portaria nº 322 fala de jardinagem amadora. Refere-se àqueles inseticidas, fungicidas, formicidas. Ela concede registro para esses produtos que são fitossanitários e também é uma portaria ilegal, porque é calcada na Lei nº 6.360. Pela minha análise, acho que temos realmente que estudar essa legislação. Acho que a legislação que concede essas portarias está irregular e merece um estudo, talvez o seu cancelamento ou sua modificação. Muito obrigado pela atenção de vocês. O SR. PRESIDENTE (Deputado Carlos Magno) – Obrigado, Dr. Valdir Delarco. Passo a palavra ao autor do requerimento, Deputado Moacir Micheletto. V.Exa. dispõe de 5 minutos, prorrogáveis segundo o número de expositores e as divergências. O SR. DEPUTADO MOACIR MICHELETTO – Sr. Presidente, Carlos Magno, quero saudar Dr. Edson, Dr. Márcio Freitas, Dr. Girabis, Dr. Antônio, Dr. Francisco e o Dr. Valdir que completou sua explanação. Não é fácil estar aqui desde 14h30, sentado, ouvindo atentamente, visto a responsabilidade deste Parlamento, inclusive de achar uma solução para isso. Sr. Presidente, tenho aqui um requerimento de 14 de abril de 2009, de minha autoria, que trata desse mesmo assunto. Tenho aqui um requerimento aprovado por esta Casa, de 27 de abril de 2010, para tratar também desse mesmo assunto em uma audiência pública, com vários palestrantes. E tenho aqui agora o Requerimento nº 13, de setembro de 2011, para tratar do mesmo assunto. Ouvi atentamente o Dr. Girabis sobre o foco do Ministério da Agricultura, que é o legítimo fórum para falar de um assunto como esse e que traz tanta controvérsia. Ouvi também o Dr. Márcio Freitas, do IBAMA, chegar quase às mesmas conclusões de dois Ministérios importantes, falando da desorganização, em síntese, do não entendimento de uma legislação, que ouvi de todos aqui. Dr. Francisco Alexandre, o senhor é da ANVISA. Se fosse um cidadão comum e desobedecesse a três pedidos de um juiz de direito, de um promotor, talvez o senhor estivesse algemado. Não estamos dizendo que o senhor sairia daqui algemado. Eu, como brasileiro – Terça-feira 7 01007 sou engenheiro agrônomo e estou aqui no meu sexto mandato –, gostaria de lhe dizer que tenho vergonha de saber que, juntamente com uma entidade como a ANVISA, respeitada não somente no Brasil, mas no mundo inteiro, em três audiências públicas não encontramos uma solução para isso. Essa é a minha grande indignação. Não estou culpando o senhor, não. Outras pessoas passaram por aqui, convidadas por meio de outros requerimentos. O senhor não vai sair algemado daqui, não. O senhor fez sua explanação e viu a miscelânea que está existindo, inclusive na interpretação e na aplicação da própria lei. Ouvi o Dr. Antonio Carlos Fonseca. Como é bom escutar do Ministério Público – falo isso com os meus colegas que estão aqui – o seguinte: “Nós estamos ouvindo os produtores rurais”. Há 2 semanas, fiz uma palestra na Associação dos Magistrados do Paraná sobre os problemas do agronegócio. É importante que o Ministério Público, em se tratando de qualquer fonte, passe também a ouvir o produtor rural. Eu me senti muito feliz de ouvir do senhor essas palavras. O senhor propôs aqui a criação, inclusive, de uma associação de produtores. Fez sua explanação e mostrou os fatos, considerando a interpretação da lei. Eu acho que é esse o caminho. Tenho certeza absoluta de que nesta reunião temos de encontrar uma saída, Dr. Girabis, Dr. Márcio. Não é possível que, após três audiências públicas, ainda não tenhamos encontrado uma solução para esse assunto. Isso denigre a imagem do Parlamento, das instituições e nos faz sentir muito pequenos. Esta é a Casa do entendimento, é a Casa em que devemos encontrar a solução. Não estamos aqui para abater ninguém. Ouvimos as duas entidades. Os dois últimos palestrantes falaram em nome do produtor rural, em nome da indústria brasileira e mostraram indignação relativamente a todos esses fatos. Todos os senhores são talentosos, podem guardar na cabeça as perguntas que vou fazer, mas quem não puder fazer isso tome nota, por favor. Os registros das iscas. Isso já foi até falado aqui, mas os senhores, em três ou quatro palavras, vão repetir o que disseram, oficialmente, porque esta audiência pública está sendo gravada e está sendo transmitida ao vivo por meio da Internet. O Brasil inteiro está ouvindo o que está sendo dito aqui. Muitos brasileiros estão aqui hoje, com seu coração, com sua razão, com seu pensamento e com sua ação, como produtores rurais, assim como a própria indústria. Estou discutindo aqui a respeito da isca que vai comer a rosa do meu jardim, e estou preocupado é com a formiga que vai acabar com o meu reflorestamento. Há anos se dizia no Brasil: “Acabem com a saúva, ou a saúva acaba com o 01008 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Brasil”. Estamos no século XXI, e todos concordaram que há complexidade quanto ao entendimento da lei. Temos condições de fazer isso, mas não podemos realizar mais uma audiência pública sem que se encontre uma solução. Estão aqui representantes do Ministério Público, da ANVISA, do Ministério da Agricultura, do IBAMA, alguns representam os seus Ministros. Acho que isso é muito importante, sim. Por que os registros das iscas formicidas para o controle de formigas cortadeiras concedidos pela ANVISA estão em desacordo com a legislação vigente, como já foi falado aqui? Por exemplo, a Lei nº 6.360, no art. 86, estabelece o seguinte: “Art. 86. Excluem-se do regime desta Lei, visto se destinarem e se aplicarem a fins diversos dos nela estabelecidos, os produtos saneantes fitossanitários e zoossanitários” – o que foi muito falado aqui pelo Dr. Francisco, a respeito da confusão na interpretação e na própria lei –, “os de exclusivo uso veterinário e os destinados ao combate, na agricultura, a ratos e outros roedores”. Essa pergunta, que poderia ser respondida muito rapidamente, se dirige a todos os palestrantes, para ficar gravado aqui e possamos ter depois as nossas notas taquigráficas com o resultado desta audiência pública. A segunda pergunta é a seguinte: qual é a diferença entre – e isso já foi falado, mas agora é oficialmente – um saneante domissanitário e um saneante fitossanitário? Já foi explicado. Saneantes domissanitários são usados em residências para o controle de pragas com efeito nocivo à saúde do homem, exemplo, baraticida, mosquicita, raticida, etc.; e saneamento fitossanitário, controle de pragas, aquele roteiro todo que é feito pelo Ministério da Agricultura. A essa pergunta também nós gostaríamos de ouvir a resposta de todos. Terceira pergunta: uma isca formicida para formigas cortadeiras serve para formigas urbanas? Qual é a diferença entre essas formigas? Quarta pergunta para todos: por que as empresas registram as iscas formicidas para formigas cortadeiras na ANVISA e não no MAPA? Haveria vantagens nisso? Quinta pergunta: sonegação fiscal, produtos domissanitários, ICMS cheio, empresas vendam como agrícola, sonegando. Isso está aqui apenas como uma ideia. Gostaria de dizer aos senhores que provavelmente nós vamos fazer uma audiência pública com o Ministério da Fazenda, com a Receita Federal. Vamos fazer esse levantamento. Nós já temos gente inclusive com nota na mão. Há uma sonegação de ICMS em função do desvio do objetivo, e os senhores todos fa- Fevereiro de 2012 laram aqui a esse respeito. Foi muito mais explicitado aqui pelo Dr. Francisco, do Ministério Público. Essa pergunta fica meio no ar, mas nós queremos levantar isso. Esta Casa vai ter que levantar, porque há uma sonegação de impostos hoje em função do desvio do objetivo inclusive da lei. Sexta pergunta, para todos também: fiscalização efetiva por parte dos órgãos competentes resolveria esses problemas? Assunto discutido desde 2001, sem resultado. Sétima pergunta, só para as empresas: o que foi feito até o momento pelas associações das empresas para tentar resolver esses problemas? O que os senhores fizeram? Nós estamos discutindo isso aqui já na terceira audiência pública. Acho que os senhores não serão tão medrosos assim a ponto de não tentar resolver o problema. Esta pergunta é para as empresas também: qual é o posicionamento da ANVISA sobre esse assunto? As empresas vão ter que dizer isso aqui para nós. Outra pergunta também para as empresas: como pensa a gerência de toxicologia, uma vez que esses produtos não têm sido avaliados por vocês? Qual é o posicionamento do MAPA, Dr. Girabis, nesse sentido? Qual é o posicionamento do Ministério do Meio Ambiente, o IBAMA, uma vez que esses produtos não estão sendo avaliados quanto ao potencial da periculosidade ambiental? Essa é só para o Dr. Márcio. E a última: qual é o posicionamento das indústrias? Como isso poderia ser resolvido de vez? E agora apenas a minha, para fechar, Sr. Presidente Carlos Magno, que está presidindo esta audiência pública: que produto deve sair daqui para tentarmos solucionar o problema com a ANVISA, com o Ministério Público, com as indústrias, com as empresas, com o Ministério do Meio Ambiente, com o Parlamento, que aqui está, com o IBAMA e com os Ministérios da Saúde, da Agricultura. Não venham mais me pedir para fazer mais uma audiência pública, porque dois requerimentos desses foram assinados inclusive por mim. Eram essas as minhas indagações. Obrigado, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Deputado Carlos Magno) – Obrigado, Deputado Moacir Micheletto. Gostaria, conforme a proposta do Deputado Moacir Micheletto, que, no final da resposta às diferentes perguntas encaminhadas, vocês deixassem a sugestão de que produto podemos tirar dessa audiência pública para fazermos um encaminhamento na Comissão e começarmos um processo de identificação e solução do problema. Então, para sermos bastante objetivos... Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. DEPUTADO LUIS CARLOS HEINZE – Sr. Presidente, só há mais dois Parlamentares. O SR. PRESIDENTE (Deputado Carlos Magno) – Parece-me que as formigas cortadeiras estão no Sul do País, pela representatividade nesta Comissão. Então, passo a palavra ao próximo inscrito, o Sr. Deputado Luis Carlos Heinze, e, posteriormente, ao Deputado Alceu Moreira, pelo praz de 3 minutos. O SR. DEPUTADO LUIS CARLOS HEINZE – Sr. Presidente, colegas Parlamentares, ilustres debatedores, temos nos preocupado com essa questão há mais tempo. Para uma das questões já temos a resposta: o alto custo para registrar os produtos. A ANVISA cobre 20 mil reais, 50 mil reais, sei lá qual o valor. O registro do processo como um todo custa 1 milhão de reais e leva 3 ou 4 anos. Nem todas as empresas têm condições de suportar isso. Então, aí está o primeiro problema. Pergunto ao Marcos, do IBAMA, ao Girabis, da Agricultura, e ao Francisco, da ANVISA, o seguinte: há motivo técnico de saúde pública ou ambiental para que os registros das iscas formicidas sejam feitos pelos critérios da Lei de Agrotóxicos, se as monografias técnicas do fipronil e da sulfluramida autorizam o uso florestal, agrícola e domissanitário desses dois ingredientes ativos mais usados nas iscas do Brasil? Embora isso já esteja autorizado, tem-se que fazer o mesmo processo. Quanto custa? Nem todas as empresas podem arcar com essa despesa. A pergunta é a seguinte: o que pode ser feito pelo Executivo e pelo Legislativo, já que todos temos interesse em resolver essa questão? Logicamente, o pessoal do SINDAG e da ABRAISCA têm de ter o mesmo interesse, assim como o Ministério Público. Então, essa é uma questão bem prática e objetiva. Já houve denúncia sobre esse caso ao próprio Ministério da Agricultura, com cópias para o IBAMA e para a própria ANVISA, dizendo que há misturas do fipronil com sulfluramida, e não acontece nada. Não sei se há fiscalização específica desse processo, senão teria de ter chegado ao Ministério Público ou a quem quer de direito. Acho que podemos ajustar essas questões. Inclusive, tenho um projeto. sobre essa questão dos genéricos. No Senado, o Senador Waldemir Moka relatou-o recentemente. Todos os projetos estão apensados e estão voltando para esta Casa, Deputado Micheletto, onde podemos inclusive acertar um capítulo sobre a simplificação. Já conversamos até com o Ministério da Agricultura sobre a questão geral dos defensivos agrícolas, mas aqui podemos tratar especificamente dos formicidas. Regulamentaríamos a matéria e não ficaria essa situação dúbia ou de clandestinidade que temos hoje. Então, é essa a questão da simplificação. Terça-feira 7 01009 A pergunta é para todos. Não sei quando foi feito o último registro sobre esse assunto. Já se passaram mais de 10 anos sem um registro. Saiu um registro recentemente sobre o processo da forma do registro de um formicida, por exemplo. Se não foi feito, e só se existe esse simplificado da ANVISA, o que acontece? Temos de simplificar. Se as empresas que querem apresentar produtos novos e não apresentam, alguma razão existe. A proposta que ficaria, Deputado Carlos Magno, é que simplifiquemos essa questão. Existe forma? Se esses produtos são conhecidos, vamos testar o quê? Essa é a pergunta Uma questão de ordem geral. O que estamos vendo nesse particular questão é o seguinte: essas moléculas – trata-se de um grande problema que vamos ter de enfrentar aqui –, muitas vezes, são de domínio público, e muitas empresas se agarram adetalhes e vão para a Justiça. Isso não acontece na saúde, mas acontece na agricultura. Já se podia registrar, mas ainda não há um memorial, um laudo, um detalhamento sobre esse assunto. Qual a empresa que vai pagar para fazer todo esse procedimento para proceder ao registro? Temos que achar a fórmula dentro desse projeto, juntando os Ministérios envolvidos, para simplificar o trabalho da agricultura brasileira. Quem ganha com isso? A produção brasileira e as próprias empresas. Logicamente, algumas não vão gostar, porque têm interesses mais amplos. Não são as pequenas empresas que hoje têm essa situação. Essa é uma questão que preocupa. Tenho um dado para o Dr. Antônio Fonseca, do Ministério Público: os mais altos custos de defensivos estão no Brasil. Parte do custo hoje se deve aos registros. Quem paga isso? O consumidor final e o produtor. Se não consegue repassar no preço para o consumidor, acaba o produtor tendo que “micar” com essa diferença. Por isso, tudo o que pudermos fazer para simplificar, sem prejudicar a qualidade do produto, será positivo. As exigências feitas hoje, seja pela ANVISA, seja pelo IBAMA, seja pelo próprio Ministério da Agricultura, são extremamente complicadas. E acaba que os produtores e os consumidores têm que pagar essa conta. Deputado Carlos Magno, a proposta final que pode sair desta nossa reunião é a simplificação, juntando o que temos hoje. Os dois principais produtos – o fipronil e a sulfluramida – já são moléculas de domínio público, são conhecidas, especificamente para serem utilizadas nas iscas. Essa é a proposta final. Obrigado. 01010 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. PRESIDENTE (Deputado Carlos Magno) – Eu gostaria só de fazer um breve comentário. Os laboratórios nacionais puderam crescer no Brasil a partir do momento em que surgiu a legislação que oportunizou os genéricos para consumo humano, dando condições aos laboratórios nacionais de entrar nesse mercado. Hoje, temos grandes laboratórios, inclusive competindo com laboratórios do resto do mundo. O SR. DEPUTADO LUIS CARLOS HEINZE – Não temos para a agricultura, para a pecuária. O SR. PRESIDENTE (Deputado Carlos Magno) – Não. Há esse projeto em tramitação, e eu gostaria de saber se é aquele dos genéricos para consumo animal. O SR. DEPUTADO LUIS CARLOS HEINZE – Não, é outro. O SR. PRESIDENTE (Deputado Carlos Magno) – O genérico para consumo animal vem com o mesmo detalhe, através de uma emenda introduzida no Senado, onerando esse registro, no Ministério, praticamente para 2 milhões de reais. E pior ainda: é por embalagem, não por produto. Se ele tiver quatro ou cinco embalagens, é em torno de 1 milhão ou 2 milhões cada um. Então, já temos um outro problema que também para consertar. Com a palavra o Deputado Alceu Moreira, o último inscrito. O SR. DEPUTADO ALCEU MOREIRA – A primeira pergunta que eu quero fazer, cumprimentando as autoridades da Mesa, é se algum dia esses atores aqui presentes, cada um representando sua instituição, já se reuniram sem nós para debater esse tema. Quem sabe a solução está aí na Mesa, e não precisamos nem participar do processo. Porque cada um trabalhando no seu setor acaba achando fundamentação e argumentação para cumprir seu desiderato. Quando se reúnem, acabam percebendo que a ação de Governo é única e tem que gerar tal resultado. Pode-se perfeitamente ter uma agenda positiva com relação a isso, sem lesar quem quer que seja em qualquer sentido. Há uma questão importante nesse processo que está muito clara para nós. Ou definitivamente paramos de criminalizar, dificultar, colocar custos no lombo do produtor ou inviabilizamos completamente a competitividade nacional. O preço do registro e as dificuldades imensas para a utilização de um produto podem parecer um processo de qualificação, mas apenas oneram. Não pensem que, ao calcular pelo volume a ser vendido o lucro que vai ter, a empresa não vá colocar isso no custo. Quem paga é seguramente o homem da roça, ao combater as formigas. Não há outra alternativa, é sempre assim. Portanto, temos que pensar, do ponto de vista do Governo, em desonerar o máximo possível o produtor, Fevereiro de 2012 com garantias ambiental e fitossanitária. Não tenham dúvida disso. Com tudo isso concordamos. Mas é preciso trabalhar para transformar a agricultura brasileira em algo viável. Ilustre Deputado Micheletto, no parecer do Deputado Covatti, do Rio Grande do Sul, constava uma argumentação robusta de algumas instituições segundo a qual o Brasil é o país que mais consome agrotóxico. Fomos confirmar a informação, porque tínhamos que relatar a matéria. Não, não é verdade. O Brasil não é o país que mais consome, mas o que mais paga. Houve um tempo em que para nós, produtores de arroz do Rio Grande do Sul, o saco de arroz, que hoje está a preço de qualquer coisa, esteve a R$35,00, R$36,00. A molécula do Roundup subiu 60%. E sabem como se bota o preço para o produtor pagar? Pela cara do otário: “Acho que ele pode pagar tanto, eu boto o preço de tanto. Paga e pronto”. Então, é preciso perceber que, além de todos os controles técnicos que estão do lado do balcão, é preciso ter uma visão do conjunto, do todo, do interesse estratégico da agricultura. Se não tivermos isso, vamos acabar não tendo nem por que registrar. Além disso, cada vez se colocam milhares de empecilhos. Aquela emenda que veio a cavalo do Senado é bem desse tipo. Aquilo ali é encomenda de um lobby, que dificulta tudo o que pode, para só um grande poder fabricar. É um verdadeiro monopólio, com um ou dois fabricantes. Até negociam entre si: “Vamos cobrar quanto desses otários?” Pronto. É assim que fazem, porque não se pode entrar. Quando um produto já tem toda a regulamentação, toda a aplicação no mercado, qual é o problema de liberarmos a produção para outras empresas? Que dano ele pode causar? Por que vão exigir de novo todas as experiências farmacológicas, todos os danos que ele possa causar, se isso já foi feito no processo? Ora, podemos baratear o processo. Ficamos perplexos com isso. Temos certeza de que ninguém dessa Mesa faz por má fé. Todos gostariam de achar um meio de fazer. Cá para nós, há o País que anda no sonho de poucos, em gabinetes separados, e há o País real, que produz o que comer. Ou botamos o pé na terra do País real, ou vamos ter muita dificuldade: uma hora ambiental, outra hora sanitária, outra hora fitossanitária, outra hora de exportação. Vamos colocando uma série enorme de empecilhos. Quero, ao concluir, dizer para os senhores uma frase que nada tem de inteligente, mas é a realidade. O único cidadão brasileiro que não põe preço no que produz nem no que compra é o que está atrás da porteira. Em tudo o que ele produz e em tudo o que ele compra os outros põem preço. Ele, na verdade, passa a Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS ser um escravo sem carteira assinada, andando como se fosse uma pandorga ao sabor do vento. É hora de o Governo se interessar por ele. Senão, acabaremos um dia como o país das formigas, porque o veneno é mais caro que matá-las. Obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Carlos Magno) – Obrigado, Deputado Alceu Moreira. Vamos agora às respostas para as indagações feitas. Eu gostaria de determinar o tempo, mas quero que os senhores fiquem à vontade para se organizarem para responder. Não sei se poderia ser em sequência na Mesa. Haveria algum problema? O SR. VALDIR DELARCO – Vejo que algumas questões, por serem mais pertinentes a um ou outro órgão ou entidade, talvez com a resposta de um, se todos ficarem satisfeitos, economizamos o tempo, aspecto para o qual o Dr. Micheletto nos chamou a atenção. O SR. PRESIDENTE (Deputado Carlos Magno) – Então, obedecendo à ordem, passo a palavra ao Dr. Girabis. O SR. DEPUTADO MOACIR MICHELETTO – Só para um encaminhamento, Sr. Presidente. Dr. Girabis, não há necessidade de responder uma por uma, mas dar uma ideia geral do que foi feito. O SR. PRESIDENTE (Deputado Carlos Magno) – E gostaria de observar que, em relação à sugestão no final, que é a última pergunta, todos o fizessem da forma bem clara. O SR. GIRABIS EVANGELISTA RAMOS – Muito obrigado, Sr. Deputado. Foram várias perguntas, e vejo que algumas delas são complementares ou idênticas. Vou começar pelas não coincidentes. O Deputado Moacir Micheletto perguntou por que as iscas formicidas registradas na ANVISA estão em desacordo. Voltando a discussão. No art. 86 da Lei nº 6.360, aquelas iscas e aqueles produtos – não as iscas utilizadas no controle de pragas ou de plantas infestantes – não são domissanitários, mas, sim, fitossanitários, ou seja, saneantes fitossanitários. Então, têm que ser registradas no Ministério da Agricultura. Esse é o entendimento do Ministério da Agricultura. Qual a diferença entre saneantes domissanitários e fitossanitários? Em todas as pragas que ocorrem no ambiente domiciliar (barata, formiga doceira) ou num jardim que não tenha mais do que dez metros quadrados, não sei por que se vai aplicar um produto, por que vai aplicar um herbicida, por exemplo, um glifosato. Por que utilizar um litro para controlar uma planta infestante que não possa ser arrancada com a mão? A primeira forma é essa. Terça-feira 7 01011 Segundo, por que a empresa é registrada na ANVISA e não no MAPA? Esse é exatamente um problema, porque, pelo regime da Lei nº 7.802, ela é obrigada a cadastrar a fábrica no Ministério da Agricultura e no Estado, para se ter o controle tanto da produção quanto do que é vendido para o consumo. No caso desses produtos registrados na ANVISA, são as iscas formicidas para controle de formigas cortadeiras, as saúvas e as quem-quens, e os herbicidas. Há outros produtos também registrados: moluscicidas, nematicidas e outros fungicidas. Aí se pergunta: para que registrar na ANVISA um produto utilizado num jardim de dez metros quadrados? Eu não sei. Tem fiscalização efetiva? Eu posso dizer o seguinte: em relação aos agrotóxicos utilizados na agricultura, o Ministério da Agricultura faz fiscalização na indústria. Então, temos a cultura de fazer a fiscalização na indústria. Nos produtos registrados na ANVISA não temos ingerência. Não temos o cadastro das indústrias, não sabemos onde elas estão situadas e para onde vendem, qual o volume produzido e qual o volume comercializado. Não sabemos também qual a origem do produto técnico, a substância em grau técnico; se é comprado no mercado nacional ou no mercado internacional ou talvez de forma clandestina. Não sabemos. O Deputado Moacir Micheletto também perguntou qual a avaliação do MAPA em relação ao fato de os produtos não terem avaliação toxicológica. É porque são registrado pela Lei nº 6.360, em que pese a esses registros não seguirem nenhum regime da Lei nº 7.802. Então, eles correm numa tramitação, num sistema mais rápido, conforme falei aqui. Aí, já respondendo ao Deputado Luis Carlos Heinze, tem condição de simplificar? Tem, lógico que tem. Deputado, eu sou um dos maiores críticos, dentro do sistema regulatório brasileiro na área de agrotóxico, da burocracia estatal que foi gerada. Totalmente contraproducente e contra o produtor rural, que, como os Srs. Parlamentares estão vendo, é diferente de um saneante para uso urbano. Por exemplo: o glifosato, o produto mais utilizado na agricultura brasileira – fiquei sabendo agora que em jardins amadores também; nunca vi isso na minha vida, mas tudo bem. Vejam só: vamos dizer que eu tenha uma fábrica na China, Girabis Company, desse herbicida glifosato. Se eu chegar ao Brasil com o genérico desse produto, eu pego meu dossiê, porque tenho que seguir a lei brasileira, a equivalência química da FAO, e entrego para uma empresa do Sr. Márcio Freitas para registrar. Porém, o Deputado também quer registrar o produto. Eu tenho que seguir a mesma coisa: tenho que pagar taxas, tenho que passar por uma lista cronológica que demora anos e anos para registrar um produto genérico, o glifosato. 01012 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Então, isso pode ser efetuado com uma simplificação? Pode, Deputado, deve. O problema todo é que a transversalidade administrativa entre Agricultura, Saúde e Meio Ambiente é muito complicada. Outra coisa: em muitos casos – declaro em meu nome pessoal, não tenho medo –, tem um componente ideológico muito grande. Lamentavelmente tem, porque agricultura é um órgão de produção agrícola. O Meio Ambiente tem seu componente de preservação ambiental; e a Saúde tem o componente de saúde pública, que acha que todos os agrotóxicos são agentes de intoxicação humana. Ora, se temos as precauções voltadas para o produtor, se temos todas as orientações quanto as precauções que devem ser seguidas, esse produto vai ser perigoso em qualquer situação, se não se tomar os cuidados devidos. Se for assim, temos que proibir o cigarro, proibir o automóvel, porque eles têm risco. As moléculas de domínio público? Tem. Esse produto, sulfluramida, é produzida hoje por empresas muito pequenas, talvez eu não saiba dimensionar, mas creio que seis empresas que produzem a sulfluramida, manipulam isso em 0,3% para isca formicida. Quanto ao fipronil, esse, sim, há interesse de grandes empresas, inclusive multinacionais, que esse produto efetivamente tenha uma patente administrativa prorrogada, para impedir que esse produto seja registrado ou vendido por empresas pequenas ou de genéricos. O SR. DEPUTADO LUIS CARLOS HEINZE – Só outra pergunta, Dr. Girabis, já é de domínio público o fipronil, ou não? O SR. GIRABIS EVANGELISTA RAMOS – É. Já é de domínio público. O SR. DEPUTADO LUIS CARLOS HEINZE – Mas não posso usar ainda? Não posso registrar? O SR. GIRABIS EVANGELISTA RAMOS – As empresas que já registraram o produto devem estar começando a formulá-los, importá-los para colocá-los no mercado. O Deputado Alceu Moreira perguntou se já houve alguma reunião para resolver o problema? Houve, sim, Deputado, por iniciativa do Ministério da Agricultura. Chamamos a ANVISA, o IBAMA, o setor privado, os sindicatos e tudo o mais para resolver o problema. Acontece que a ANVISA, tanto ela quanto alguns outros órgãos, a exemplo da GGSAN, tem o entendimento de que esses produtos continuem a ser registrados pela Lei nº 6.360. Por isso, houve conflito. Não houve entendimento. E para não perder o fulcro da reunião, o tempo que foi gasto, propuseram uma fiscalização conjunta, que nunca existiu. Era o que tinha a dizer, e finalizo, Deputado Moacir Micheletto e Deputado Luis Carlos Heinze, dizendo Fevereiro de 2012 que o Ministério da Agricultura tem preocupação, sim, em procurar alternativas para simplificar o registro. Não cobramos taxas e temos um modelo simplificado. Hoje, se o Poder Executivo quiser reduzir o tempo do registro genérico, é só inverter o processo. Por exemplo, vou fazer uma pergunta aos Srs. Parlamentares – os meus colegas de Governo que estão aqui; se quiserem me bater lá fora pode bater, mas tenho que dizer: o produto mais estudado no mundo chama-se glifosato. Por que esse produto tem que passar pela avaliação da Agricultura, Saúde e Meio Ambiente? Não tem mais, porque não tem mais que ser estudado. Perdeu patente, é o produto mais estudado. O Poder Executivo tem que enfocar as moléculas novas que estão chegando e estão paradas há 6 anos nos órgãos públicos. O que eu tenho que estudar? Glifosato, 2.4-D, malathion, cobre, oxicloreto de cobre, enxofre. Isso não tem mais sentido. Muito obrigado. O SR. DEPUTADO LUIS CARLOS HEINZE – O senhor lembra quando foi o último registro – 10 anos, 15 anos atrás? O SR. GIRABIS EVANGELISTA RAMOS – Não, de isca formicida não existe. O último foi sulfluramida, em 1994, porque o dodecacloro foi proibido. E um pouquinho mais – isso é importante, porque existe um problema. Na pesquisa agrícola, compatibilizar uma isca formicida com um ingrediente ativo é uma coisa complicada. Mexer com formiga, hoje, é uma coisa extremamente difícil. Então, temos que fazer experimentações diversas. Talvez um dos produtos sobre que mais se pesquise hoje na agricultura é o produto adaptado para o controle de formiga cortadeira. Essas formigas do gênero Atta e Acromyrmex só existem em zonas tropicais. Querem proibir um produto lá fora? Temos que deixar, senão o problema acontece no Brasil. Qual é o produto que vamos utilizar para o controle da formiga? Nenhum. Como testamos um produto numa lavoura de soja ou num campo de produção de eucalipto? São perguntas que têm que ser feitas. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Carlos Magno) – Com a palavra o Deputado Valdir Colatto. O SR. DEPUTADO VALDIR COLATTO – Sr. Presidente, desculpe-me entrar aqui no meio da conversa, mas estava participando dos trabalhos de outra Comissão. Quero – acho que foi o Deputado Micheletto que fez o requerimento, e o Deputado Luis Carlos Heinze disse que ia brigar com ele para ver qual era o produto melhor aplicado –, aproveitando a presença do Dr. Girabis e dos demais debatedores, fazer um desafio. É preciso ter cuidado com esse negócio de combater Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS formiga, porque o IBAMA está aí. Daqui a pouco, eles vão nos multar porque matamos formiga. Não, não está longe disso, não. Eles estão multando no que se refere às abelhas etc. Daqui a pouco matar formiga é crime ambiental. Deixando a brincadeira de lado, temos um desafio a enfrentar, esta Casa e o Ministério da Agricultura. Eu ouço falar há muito tempo – já estou 20 anos nessa luta aqui nesta Casa e tenho 30 anos de profissão de agrônomo – que os registros dos nossos produtos não andam no Ministério da Agricultura – e aí entram o Meio Ambiente, a ANVISA etc. E nós estamos tendo custos maiores. Agora mesmo, estamos tentando fazer andar o projeto dos genéricos – nem o dos produtos veterinários, nem o dos agrícolas conseguimos fazer andar. Também temos a questão do glifosato, e até hoje não entendemos por que não está liberado. Eu ouço sempre dizerem: “Não, esse não é um produto genéri‑ co, é um produto técnico que tem que ser analisado”. Então, são dificuldades que nós temos. O desafio que eu quero colocar é o seguinte – temos aqui 4 agrônomos, 1 veterinário e 1 entendido da agricultura, o Homero: nós faremos um requerimento de informações ao Ministério da Agricultura para que nos dê o retrato do trâmite dos registros desses produtos no Ministério, quais são eles, quanto tempo estão lá, por que não saem. Eu acho que vamos fazer, Dr. Girabis, um requerimento oficial da Casa, com a participação do Presidente da Comissão, Deputado Carlos, para que possamos levantar esses dados. Nós precisamos ter conhecimento desses dados, e não ficar nesse negócio de que é assim, é assado. Seria enviado então para a Agricultura, para a Saúde, aí incluída a ANVISA, e para o Meio Ambiente. Sr. Presidente, vamos apresentar um requerimento de informação, por intermédio da Mesa da Casa, porque são informações oficiais, e, em cima disso, vamos buscar uma solução para isso. Faço um desafio. Eu já tenho 180, 190 assinaturas de Deputados para criar a Frente Parlamentar da Desburocratização. Uma das ações que queremos implementar se refere a isto, à desburocratização desses registros de produtos agropecuários. A “burrocracia” – com dois erres – está matando o País. Nós temos que buscar solução para isso. Eu sei que o Ministério da Agricultura já tem um trabalho sobre o SIF e outros registros e está começando um trabalho com os fiscais agropecuários, para retirar aquilo que é inútil, aquilo que é Custo Brasil, para que possamos avançar. Eu peço a colaboração dos técnicos do Ministério, a fim de que possamos, com esse requerimento, buscar uma solução para isso. Não é possível ficar- Terça-feira 7 01013 mos amarrados nessa “burrocracia”, nessas coisas que compõem o Custo Brasil e não têm explicação. Eu quero deixar essa sugestão ao Presidente Carlos, no sentido de encaminharmos, talvez pela Comissão, esse requerimento de informação, que está bem elaborado. Com a orientação dos técnicos, precisamos saber quais são os dados para podermos buscar saídas, até legislativas. Estão emperrando esse processo, e precisamos andar. Obrigado, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Deputado Carlos Magno) – Nobre Deputado, será atendido o seu pedido. Está registrado. Passo a palavra ao Dr. Márcio Freitas, do IBAMA. O SR. MÁRCIO FREITAS – Sr. Presidente, agradeço a oportunidade de mais uma vez estar aqui respondendo questões que foram levantadas. Eu não vou me repetir, tampouco vou repetir algumas questões que o Dr. Girabis já apresentou e com as quais concordo. Eu vou me permitir destacar o que não concordo. Ele disse que não tinha problema batermos lá fora, mas vou bater aqui dentro mesmo, na Câmara, que, é o lugar do debate. É exatamente nesta Casa que devemos discutir esses temas. Antes de mais nada, eu gostaria de destacar que sou otimista em relação a uma série de coisas neste País. Uma delas é o trabalho desta Casa. Se realizamos aqui uma discussão sobre processos legislativos que resultaram em duas leis aparentemente conflitantes, é preciso que consideremos que, de 1976, quando foi feita a lei de saneantes, até 1989, houve uma evolução, algo positivo. Eu acredito nisso. Quando sofisticamos o processo de registro de produtos químicos que têm impacto sobre a saúde, o meio ambiente e a eficiência agrícola e agronômica do País, eu só posso acreditar que estamos melhorando. Eu não posso acreditar que estamos piorando. Eu não gosto da utilização do termo “burrocracia” quando se trata de questões que não são simples. Se estivéssemos tratando aqui de coisas simples, eu concordaria com o termo utilizado. Mas simplificar o que não é simples é impossível. E a questão ambiental não é simples. Foi comentada a questão das abelhas. Eu não sou agrônomo, mas os agrônomos sabem qual é o valor da abelha como polinizador. Um estudo recente a que tive acesso mostra que para, a lavoura de café – não tem ela só polinização biológica, tem também polinização mecânica, por vento –, na ausência de polinizadores, na ausência de abelhas, a perda é da ordem de 60% da produção. Perder abelha ou formiga e achar que não está perdendo nada é uma visão muito antiga. Quando perdemos abelha e formiga, perdemos biodiversidade e perdemos competitividade. 01014 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS O Brasil é hoje um dos maiores produtores agrícolas. Não tenho dúvida ao dizer que somos hoje um dos maiores produtores agrícolas porque temos um meio ambiente preservado. Não é o contrário. A nossa biodiversidade é que vai ser o nosso futuro em termos de produção, e não o contrário. Se formos no mesmo caminho... (Intervenção fora do microfone. Ininte‑ ligível.) O SR. MÁRCIO FREITAS – Eu planto, sim, só não sou produtor agrícola. (Intervenção fora do microfone. Ininte‑ ligível.) O SR. MÁRCIO FREITAS – Eu acho engraçado. Permita-me, Deputado. Eu ouvi os comentários dos senhores. Agora vou fazer os meus comentários também. Vou permitir‑me concluir. O que avançamos e o que ainda podemos avançar em termos de legislação é o que nos distingue de outros países. Não vou nos comparar à Europa, que já não tem biodiversidade e talvez esteja perdendo produtividade e competitividade justamente por causa disso. Sem querer entrar na velha discussão meio ambiente versus bancada agrícola ou ruralista, vou me ater só às questões que foram levantadas, até porque há outros fóruns para isso e vamos ter oportunidade, se os senhores nos convocarem, de explicar exatamente o que está acontecendo, quais são os problemas e quais são as soluções que vemos do ponto de vista ambiental para os problemas que estão sendo considerados aqui, que, diga-se de passagem, são reais. Os problemas que os senhores estão apresentando são reais, concordamos. Quanto ao problema que o Dr. Girabis traz em relação à possibilidade de simplificação dos processos, eu discordo com o termo, mas não discordo do fato de que podemos ter mais agilidade em relação aos processos que desenvolvemos. Eu contesto é o termo “simples” versus “complexo”. Não é simples. Nós não estamos tratando de algo simples. Quando falamos em indústria química, não estamos falando de coisa simples. Quando falamos de processo de síntese de um ingrediente ativo, os senhores dizem que o glifosato já é conhecido. Que glifosato é conhecido? Qual glifosato é conhecido? O que tem 90% de concentração e foi fabricado na China ou o que tem 70% e foi fabricado em Taiwan? Eu não sei. São diferentes. São diferentes. Mostramos em nossos dossiês de análise que são diferentes. As impurezas geradas no processo de síntese de cada glifosato são diferentes. Alguns geram impurezas cancerígenas, impeditivas de registro pela legislação brasileira. É a mesma coisa? Não é Fevereiro de 2012 a mesma coisa. O genérico do medicamento não é a mesma coisa que o genérico do produto agrícola, do agrotóxico. Por que não é? Porque o ambiente em que o remédio é lançado – o corpo humano – é sempre o mesmo. O ambiente em que se lança o agrotóxico não é o mesmo, nem dentro do Brasil, que é diferente do Sul ao Norte, nem dentro do planeta como um todo. Eu citei as abelhas, mas outras espécies nos garantem produtividade, garantem a fertilidade do solo. São os organismos de solo. É para isso que o IBAMA entra no processo de registro de agrotóxico. Nós analisamos mais de 18 processos que ocorrem com as moléculas em relação ao meio ambiente, seja com minhoca, seja com microorganismos de solo, seja com abelha, com peixe, com insetos, que são os responsáveis pela nossa produtividade. Por favor, não vamos simplificar o que não é simples. Podemos simplificar os processos administrativos, otimizar as nossas rotinas administrativas, mas não vamos simplificar a biodiversidade que temos, porque é extremamente complexa e é a razão da nossa riqueza hoje. Acho engraçado, porque, se fôssemos atrás da conversa que está sendo apresentada aqui, acharíamos que o Brasil é o pior produtor agrícola do mundo, porque nós temos os maiores custos, as maiores dificuldades. Mas por que a economia básica do País hoje é a agricultura e por que exportamos para o mundo inteiro hoje? (Não identificado) – Por causa dos agricultores. O SR. MÁRCIO FREITAS – Deve ser. Então, quanto às perguntas especificamente, Deputado Micheletto, eu vou me permitir responder apenas esta, que considero crucial: “Por que os re‑ gistros de iscas formicidas concedidos pela ANVISA estão fora da lei?” Essa ideia de que estão fora da lei é uma conclusão de boa parte dos palestrantes aqui. Inclusive nosso posicionamento institucional é o de que deveria ser atendida a Lei nº 7.802, de 1989, e não a 6.360, de 1976. Mas a resposta foi dada pelo Dr. Francisco quando disse que existe um parecer jurídico da ANVISA que sustenta essa posição. Nós contestamos isso. Não é a nossa visão. Mas essa é a razão pela qual isso ainda está ocorrendo. Como bem disse o Dr. Girabis, nós já fizemos várias tentativas no sentido de encaminhar esse processo junto à ANVISA, e, a nosso ver, a bola está efetivamente com a ANVISA, que deve discutir internamente com a GGSAN e a GGTOX para se saber de quem é a competência pela participação no registro. Como já foi dito aqui, do ponto de vista dos três órgãos, eu não tenho muita dúvida de que, uma vez atendida a Lei nº 7.802, de 1989, não há muita discus- Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS são em relação a ser o produto registrado na ANVISA ou no MAPA. Para nós isso não faria muita diferença, desde que atendida a Lei nº 7.802. Relativamente à simplificação, eu já comentei a posição do Deputado Luiz Carlos Heinze. Com relação ao Deputado Alceu Moreira, eu diria a mesma coisa. Respondendo especificamente a questão dele, se já houve reunião dos três órgãos, eu lembraria que temos um fórum permanente, em que têm assento os três órgãos, o CTA, onde mensalmente discutem várias questões relativas ao registro de agrotóxico. Eu queria dizer que esses temas levantados pelos senhores são nossos temas de pauta mensal. A questão do registro dos produtos equivalentes – nós não os chamamos de genéricos – está passando especificamente por um processo de revisão quanto aos nossos procedimentos, com vista a dar mais agilidade a esse processo. Eu queria lembrar também que, primeiro, mesmo com todo o esforço concentrado feito desde 2004 até agora referente a mais moléculas, mais diversidade de fornecedores de produtos equivalentes no mercado, não houve a redução de custo que se esperava. Isso não aconteceu. Os preços foram nivelados por cima. Segundo, não houve comercialização de muitos produtos que foram registrados. Nós temos levantamentos que mostram que cerca de 80% dos produtos registrados não foram comercializados. Fizemos esforço para colocar produtos no mercado, e o mercado não os absorveu. Então, é preciso entender que existem outros fatores. E aí entra toda a questão de competição e estratégia de mercado que as empresas usam para se valer dos seus nichos de mercado. Agora, são questões, como eu disse, extremamente pertinentes as que estão sendo apresentadas aqui e discutidas por nós, principalmente a questão do registro por equivalência. Nós podemos anunciar com alguma antecedência que vamos ter novidade, sim, quanto à velocidade com que andam os processos nos três órgãos, graças a alguns esforços internos que fizemos de adequação da forma de trabalhar dos três órgãos no processo de equivalência. Já temos previsão de que, em 2012, a fila vai andar com muito mais velocidade. Finalmente, quero destacar que várias questões apresentadas pelos senhores, como já disse, são pontos de discussão. Uma delas eu gostaria até de abordar, aproveitando as observações feitas pelo Dr. Girabis. Como eu disse, eu discordo, mas concordo com muitas outras. Do ponto de vista da racionalidade administrativa, da forma como os três órgãos podem trabalhar para somar esforços e não complicar o processo, há muito o que avançar, sem que se perca a nossa especificidade. Terça-feira 7 01015 Aliás, eu queria só lembrar que o nosso procedimento de avaliação é o mesmo adotado pelos países desenvolvidos. Não é por acaso que nossos produtos têm boa aceitação lá fora, têm mercado internacional. É reconhecido que os processos que usamos para fazer avaliação são os mesmos que a EPA utiliza, que os órgãos europeus utilizam. Nós estamos participando de esforços conjuntos com a União Europeia para avaliar previamente moléculas novas que estão entrando no mercado. Eu acho que não devemos criticar aquilo em que avançamos. Retomando a minha fala inicial, eu gostaria que não fizéssemos críticas aqui ao que justamente conquistamos ao longo desses anos. De 1989 até agora, evoluímos muito em relação ao registro de agrotóxicos no País, com a atuação dos três órgãos em conjunto. Isso ocorreu com muitas dificuldades, mas também com muitos avanços, e avanços significativos, que estão trazendo resultados econômicos para o País. Quero destacar isso e lembrar o seguinte: uma das questões em que nós da área ambiental batemos sempre e que vai ao encontro dessa observação que os senhores estão fazendo é que hoje trabalhamos com uma fila cronológica. Isso eu considero uma “burrocracia”. Isso é uma burrice. Por que a ordem de registro é a ordem de entrada do produto na fila, se as empresas usam essa fila para garantir seus nichos de mercado também? Nesse caso, sim, pode‑se pensar em algumas formas de estabelecer outros critérios para ordenar essa fila de registro, que seriam os critérios de estratégia do ponto de vista da agricultura brasileira, considerando os produtos de que estamos precisando para a nossa agricultura. Esta é uma diretriz que pode vir tranquilamente do Ministério da Agricultura, em relação a quais são os produtos que nos interessam mais ter o registro antes de outros, até para ganharmos competitividade internacional e não ficarmos na fila indiana. Muitas vezes avaliamos o processo, e o produto não vai para o mercado, porque a empresa queria só atrapalhar mesmo o andamento da fila. Concordo com os senhores em relação a boa parte das críticas, mas não vamos cair na falácia de que estamos tratando de uma questão simples. Ela não é simples. Peço desculpas se me alonguei, mas foi inevitável. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Carlos Magno) – Eu gostaria que nos organizássemos, para que o debate não fuja ao tema. Desde que comecei meu mandato, em fevereiro, tenho participado da Comissão. Nos embates que tivemos, 01016 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS nas discussões, temos tido uma missão muito grande: tirar o rótulo de que o produtor é o destruidor de tudo. Na Comissão de Agricultura há profissionais competentes, que já desenvolveram atividades como pesquisadores, engenheiros, veterinários, agrônomos, técnicos de nível médio. Há conhecimento técnico, não só direcionamento político. Eu acho que essa é a ideia do requerimento do Deputado Moacir Micheletto. Parece-me que se vai buscando alternativa, como disse Márcio Freitas, como no caso dessa questão da ordem cronológica dos processos, dos interesses comerciais no processo. O SR. DEPUTADO MOACIR MICHELETTO – Sr. Presidente, peço 1 minuto, se possível, para fazer uma réplica. O SR. PRESIDENTE (Deputado Carlos Magno) – Tem a palavra o Deputado Micheletto. O SR. DEPUTADO MOACIR MICHELETTO – Sr. Presidente, quanto à avaliação que o Dr. Márcio faz, eu acho que temos de tentar equacionar isso. Primeiro, esta é a Casa do contraditório. Nós não viríamos aqui dizer amém nem estamos dizendo que queremos simplificar tudo. Nós estamos ouvindo. V.Sa., Sr. Márcio, como técnico de destaque do IBAMA, tem de entender que estamos fazendo o contraditório, não a crítica, sobre o que está sendo apresentado aqui. Esse é o papel do Parlamento. Segundo, quanto às abelhas, quero mencionar para o senhor um fato inédito ocorrido no meu Estado, o Paraná, em Guaíra, na Ilha Grande. Centenas de apicultores, hoje marginalizados, tiveram que tirar suas caixas de abelha de dentro de Ilha Grande por causa de determinada questão – não quero entrar no mérito. Quero somente colaborar. Isso é fato que todos conhecemos. O Deputado Valdir Colatto falou em termos de abelha, mas estou dizendo que esse foi um fato que nos alcançou. Não vou culpar o IBAMA como um todo. Foi uma situação que lá foi estabelecida. V.Sa. destacou que os procedimentos que os senhores fazem são mensais. No início, apresentei três requerimentos. V.Sa. disse que mensalmente se reúnem, mas até agora esse assunto não foi resolvido. Era essa a minha interpelação, sem critica à sua fala. O SR. PRESIDENTE (Deputado Carlos Magno) – Com a palavra o Deputado Luis Carlos Heinze. O SR. DEPUTADO LUIS CARLOS HEINZE – Nos Estados Unidos, na EPA, sabemos que, para que ocorram esses registros, são 5, 6 meses. (Intervenção fora do microfone. Ininte‑ ligível.) Fevereiro de 2012 O SR. DEPUTADO LUIS CARLOS HEINZE – São 2, 3 anos também? O pessoal ligado às empresas sempre nos disse que lá, para se fazer o registro, são 5, 6 meses, e aqui, 3 anos. Lá há mais gente? Qual é o esquema? Depois quero que os senhores me respondam. As perguntas valem também para a ANVISA e para a Agricultura. Uma das ideias que temos é a seguinte: criação de câmara técnica, para que a questão não tenha de passar por três Ministérios. Técnicos do Ministério da Agricultura, do IBAMA e da ANVISA analisariam o processo em um local só. Não precisaria haver um processo no Ministério do Meio Ambiente, outro no Ministério da Saúde e mais um no Ministério da Agricultura. A ideia de trabalho que temos neste nosso projeto é a de centralizar o processo numa câmara técnica, com representantes dessas áreas. Essa é uma das questões. Apresento nossa preocupação. Sou agrônomo, produtor rural, defendo esse segmento. O que vemos hoje é que todos esses itens aumentam o custo do produtor. A agricultura vai bem, muito obrigado, graças basicamente a esses produtores, à pesquisa, às universidades, às indústrias. Enfim, todo o segmento faz. Agora, a margem dos produtores é cada vez menor. Ao meio-dia estávamos numa reunião, e o Deputado Aldo Rebelo comentou que esteve em Alagoas, no final de semana, onde um produtor, na feira, vendeu 1.200 bananas – 1.200 bananas – por 46 reais! Dá dó. O sujeito vende um saco de 60 quilos de batata‑doce por 6 reais. Para arrancar, ele não paga isso. Essa é a agricultura que os senhores não conhecem. De certa forma, isso encarece os custos. Esse sujeito paga a conta, e nem sempre consegue colocar lá. A agricultura vai bem, obrigado. A agricultura vai bem, obrigado. Agora, o agricultor tem problema. Isso os senhores têm que ter em mente. E hoje a agricultura assombra o mundo. Eu estou nesse ramo desde 1974. Eu me formei em 1973. Desde 1974 estou agindo nessa área. Vi, nos anos 60 e 70 e início dos anos 80, a agricultura ganhando dinheiro. Hoje, a maioria paga para produzir. Considere o trigo no seu Estado, Deputado Micheletto, o Rio Grande do Sul. O sujeito, hoje, considerando o custo de produção, está lascado. Considere o arroz, Deputado Quartiero, na Ilha do Marajó, ou em Santa Catarina – sou do Rio Grande do Sul –, para ver como está vivendo esse pessoal. Está vendendo o produto por valor inferior ao custo de produção. Ninguém quer saber disso, porque, como disse outro colega aqui, as multinacionais estabelecem o preço que querem para os insumos. Se o produto tem bom valor, o preço do defensivo é um. Não é por custo de produção. Eu tenho que dizer quanto gastei de Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS óleo diesel, de mão de obra, de fertilizante. Eu tenho que fazer um custo completo, para a CONAB avaliar, e o Ministério fazer a definição. O custo é de 10, 20, 50, mas, se eu vender por esse preço... Não tenho condições de botar esse preço, como foi dito aqui. O produtor não pode dizer que quer tanto pelo quilo do boi, tanto pela saca de arroz. Ele não bota preço. Eu chego para comprar o defensivo, e quanto pago por litro de defensivo, por quilo de fertilizante? Nós temos os custos mais altos do mundo. A PETROBRAS é um orgulho nacional. Foi criada por um são‑borjense, Getúlio Vargas. Ela não nasceu agora, existe há mais de 50 anos. Nós pagamos o die‑ sel mais caro do mundo. Moro em São Borja. Do outro lado do Rio Uruguai está a cidade de Santo Tomé, na Argentina. Sabem quanto paga um produtor lá pelo litro do diesel? Um real. Sabem qual é o diesel? É o da PETROBRAS, que exportou, no ano passado, 1 bilhão de dólares em diesel para a Argentina. O produtor lá paga 1 real por litro. Sabem quanto eu pago em São Borja? Dois reais e 5 centavos, o dobro. O diesel mais caro do mundo, os defensivos mais caros do mundo são os nossos produtores que pagam, e nem sempre conseguem, Dr. Antonio, passar esse custo para o consumidor. Quando conseguem, é o consumidor que vai pagar o custo. Pagamos pelos fertilizantes mais caros também. A carga tributária mais alta do mundo está no Brasil. É imposto federal, estadual. Não há no mundo país que tenha produção tão taxada como a brasileira. Esse é o produtor. Mas ele é um herói, porque, mesmo assim, chegamos a 150 milhões de toneladas. O Brasil tem potencial, e produza a terça parte do que produzem os Estados Unidos. Só nos defensivos, para os senhores terem ideia, gastamos, no ano passado, 7 bilhões de dólares. Eles, com produção três vezes maior que a nossa – três vezes maior que a nossa! –, gastaram 6,5 bilhões de dólares. Não é que eles não usem tanto defensivo, usam, mas o custo deles é menor. Quer dizer, tudo isso aí é o produtor que paga. Muitas pessoas não sabem disso. Mas nós que vivemos no meio sabemos. Nós que estamos no dia a dia com o produtor sabemos da dificuldade dele. Vamos discutir, colegas Deputados, o endividamento. Ao meio‑dia estávamos com o Ministro Mendes Ribeiro. Como o pessoal consegue pagar as contas? Contraindo dívida. Essa é a agricultura que vivemos no dia a dia. É o que se enfrenta no Paraná, em Mato Grosso, no Tocantins, na Ilha de Marajó. O Deputado Colatto deve ter enfrentar isso em Santa Catarina. Essa é a dificuldade que essa gente vive. Isso nós conhecemos, é o nosso dia a dia. Todos os dias ouvimos esse choro. Terça-feira 7 01017 Esse cara é um Pelé. O Dr. Eliseu Alves conduziu esse assunto. Estes são dados da EMBRAPA, um órgão que merece todo o nosso respeito, e da Fundação Getulio Vargas, não há o que contestar: 74% dos 5,2 milhões dos produtores brasileiros têm faturamento bruto de 0,6 salário mínimo por mês. São 3.600 reais de renda bruta. É por isso que a Presidenta Dilma estabeleceu esse programa de combate à miséria, Deputado Carlos Magno, problema que existe também no Rio Grande do Sul. Não ocorre só no Nordeste ou no Norte do País. No Rio Grande do Sul existe essa gente. Hoje, desse povo, desse pessoal, dos famintos, como se está dizendo, cerca de 7 milhões estão no meio rural. Vão ganhar essa bolsa para completar a renda. É essa gente que, para produzir, paga o defensivo mais caro, paga o diesel mais caro. Este é o Brasil real que conheço e vivo todo santo dia. A nossa preocupação é como fazer esse custo diminuir. Outra assunto: concorrência desleal. Márcio Freitas, eu moro no Rio Grande do Sul, onde entra trigo da Argentina, arroz da Argentina e do Uruguai. Eles têm defensivos com preço 20% mais baixo que o nosso. E ninguém controla o defensivo deles. Agora, eu não posso trazer defensivo do Uruguai ou da Argentina. Eu não consigo trazer. A pessoa que faz isso é contrabandista, é presa, responde a processo. Já o arroz deles entra no Brasil, e o trigo também. Não há problema nenhum, é MERCOSUL. Pode‑se vender para lá automóvel, bicicleta, geladeira. Tudo bem, pode‑se vender. Agora, eles empurram as coisas deles, e vem então carne, vem leite, muitas vezes com dumping de outros países. Entram aqui e batem com os nossos produtores. Este é o Brasil que nós conhecemos. Este é o Brasil real, que algumas pessoas não conhecem. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Carlos Magno) – Vamos conceder a palavra ao Deputado Paulo Cesar Quartiero. Depois, os outros palestrantes responderão as perguntas. Com a palavra o Deputado Quartiero. O SR. DEPUTADO PAULO CESAR QUARTIERO – Sr. Presidente, mesmo atrasado, quero colaborar um pouco. Chego à conclusão, quando estou aqui, de que sou jurássico, de que estou ultrapassado, porque sou do tempo deste ditado: ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil. Esse ditado era muito usado. Hoje, superado o caso da saúva, ele seria assim: ou acabamos com a política do IBAMA, ou a política do IBAMA acaba com o Brasil. Não é possível trabalhar dessa maneira, com esse cipoal de leis, com esse cipoal de regulamentos. 01018 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Vemos a posição arrogante do nosso companheiro Márcio Freitas. Vem aqui nos explicar as coisas, dizer que as formigas e as abelhas vão aumentar a produtividade. Poxa, sou filho de agricultor, neto de agricultor. Toda a minha família é de agricultor, sempre foi. Estudei Agronomia, fui emancipado para ser agricultor, pois meu pai faleceu. Nós queimamos o cérebro em relação a esses temas – não apenas nós, porque, é lógico, nossa capacidade intelectual é pobre, mas também outros da EMBRAPA, colegas agrônomos –, estudamos como produzir de forma mais eficiente, usar os recursos naturais escassos e caros, de maneira a ter maior resultado. Essa foi a nossa vida, está sendo a nossa vida. Estou aqui agora por acidente de percurso, mas fui agricultor de lavoura até pouco tempo atrás. A nossa geração conseguiu o maior milagre preservacionista do mundo, que foi o plantio direto. Nós sucateamos, numa geração, o instrumento que possibilitou a civilização humana, que foi o arado, substituído por uma técnica mais moderna, preservacionista, que geralmente repovoa o campo de minhocas, de abelhas, favorecendo a biodiversidade. Voltaram as perdizes, as codornas... (Não identificado) – Os veados. O SR. DEPUTADO PAULO CESAR QUARTIERO – Também, muitos. (Risos.) Então, sinceramente, Dr. Freitas, eu, na minha vida – veja que já não sou tão novo –, fui criado na lavoura, participando de exposição, trocando ideias com produtores, fui Presidente da Associação dos Arrozeiros e, com isso, participei de encontros em outros países, pesquisando esses assuntos da área agrícola. Nunca vi um pesquisador do IBAMA vendo uma técnica nova de aumentar produção ou de baratear custos. Não vi. Agora, o que eu vejo são ações policialescas, circenses. Vão lá com helicóptero, com a Polícia Federal, com metralhadora apontada para o produtor, que está lá quase exangue por falta de renda, vão lá, multam o produtor, acabando com a vida dele. E o cara não tem como pagar um advogado para se defender, vai o nome dele para o órgão financiador, e ele não tira mais financiamento, está alijado da vida econômica. Eu respeito o senhor, Dr. Freitas, mas eu não vejo situação de o senhor vir me explicar nada aqui, não. Posso até ser muito ineficiente, mas eu não vejo eficiência da sua instituição. Se não fosse assim, onde estão as notícias sobre áreas de reserva queimando? Agora foi tudo largado para o outro instituto! Cadê? Vamos criminalizar o responsável por esses parques. Não sei se existe uma lei. Vamos ter que criar uma lei que criminalize os responsáveis pela queima de parques Fevereiro de 2012 e reservas ambientais. Tem que se colocar os responsáveis na cadeia, não só atazanar a vida do produtor. Criou-se aqui um ambiente através do qual se diz que nós vamos salvar o mundo. Pode até se dizer isso, mas nenhum país faz o que o Brasil faz, essas emendas. Eu fui para Roraima, onde não havia agricultura, fomos pioneiros. Vocês conhecem Roraima, é uma área degradada por natureza, não tem biodiversidade alguma, porque o solo está esgotado pelo excesso de chuvas, pelo excesso de ensolação e por queimadas propiciadas por alguns indígenas que por lá passaram. Nós recuperamos a fertilidade do solo, nós transformamos aquela área em um oásis, e aí, sim, apareceu a biodiversidade. Hoje, nós saímos de lá, e os indígenas que lá ficaram não têm nada para caçar porque tudo foi embora. Então, eu acho que cada um tinha que ter um pouquinho de humildade. Aliás, nós produtores pecamos por excesso de humildade. Nós deveríamos ser mais impositivos. Mas nesses órgãos, o cara coloca uma jaqueta do IBAMA e fica até parecendo o Rambo. Sai pelo meio do campo atropelando agricultor, passando por cima de vasilha, assustando crianças, fazendo mulheres grávidas perderem o filho. Então eu acho que nós temos que ter mais humildade, no sentido de que não vamos salvar o mundo com burocracia, perseguindo quem produz. Ao contrário, eu acho que nós temos é que fazer o que todos os países fazem e que está dando certo, sim. Os outros países também produzem e têm níveis de eficiência produtiva muito grandes. Estamos assim salientando porque nós temos espaço, tínhamos espaço. Eu acho que é isso. Não sei se contribuí com alguma coisa. Obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Carlos Magno) – Obrigado, Deputado Paulo. Pela ANVISA, está com a palavra o Dr. Francisco Alexandre. O SR. FRANCISCO ALEXANDRE SHAMMASS DE MANCILHA – O.k., voltando ao assunto das iscas fornecidas, é interessante que tudo começou, no caso das iscas, e o foco da ANVISA é sempre a saúde da população e a criação desse regulamento de produtos para jardinagem amadora foi necessária, porque estava havendo o caminho inverso, ou seja, produtos da agricultura sendo utilizados por donas de casa. Então, alguma coisa precisava ser feita para evitar intoxicação, problemas com a população. Só que parece que isso gerou outro problema. Então, toda ação sempre gera alguma outra coisa, mas a origem da jardinagem amadora foi exatamente o caminho oposto, ou seja, o produto da agricultura sendo desviado para uso urbano. Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Nós discutimos bastante aqui sobre o que é fitossanitário ou o que é saneante, se é agrotóxico ou não. Temos exemplos dos dois lados, se é ou não é. Mas, na ANVISA, somos muito técnicos e, quando chegamos a uma questão dessas, de dúvidas, nós recorremos realmente a quem entende, que, para nós, é o pessoal da Procuradoria. Então, para essas definições, nós temos que ter um pouco de humildade e chegar a ponto de dizer: “Olha, a legislação é dúbia e chegamos a um ponto em que temos de consultar algum especialista”. No caso, sempre recorremos à Procuradoria-Geral da União para não termos problema de base legal. Respondendo, portanto, à primeira pergunta, sobre os motivos por que os produtos estão sendo registrados em desacordo com a legislação, entendemos que não é bem assim. Sempre procuramos respeitar a legislação e por isso fazemos sempre essas consultas a quem é de conhecimento maior do que o nosso. Não queremos ter a arrogância de querer definir se o produto é ou não é e tirar as nossas próprias interpretações, quando chegamos a um ponto desses, em que a própria legislação é duvidosa. Com relação a produtos importados da China, achei muito interessante a colocação. São produtos que chegam, seja Glifosato, principalmente, ou outros produtos que não têm as mesmas características do produto original. Nós já estamos indeferindo processos, sim, de produtos. Nós solicitamos a origem para o fabricante, que anexa uma documentação de onde veio esse produto, e, se não for um produto que já foi avaliado toxicologicamente, com todos aqueles estudos, o processo é indeferido. Portanto, esse tipo de produto já está sendo indeferido. Inclusive já existe uma facilidade maior de ativos já registrados para registro por equivalência ou por fonte. Isso já é simplificado também, não é necessário apresentar todos aqueles testes exigidos. No caso de uma molécula nova, pode dar a impressão de que o registro na ANVISA é 90 dias, mas não é bem assim. Qualquer molécula nova que chega ou um novo princípio ativo passa por anos de avaliação na gerência de toxicologia e mais os 90 dias que exigimos com testes adicionais. Não é que um produtor chega com um ativo novo e em 90 dias está registrado. Não é isso. Ele tem os 3 ou 5 anos mais os 90 dias que solicitamos para fazer outra avaliação. A fiscalização conjunta é uma coisa interessante de fazermos. São apenas 24 fábricas no Brasil todo que fazem a isca formicida. Acho que não é uma coisa tão difícil que não possamos fazer em conjunto com a agricultura ou com as vigilâncias sanitárias. É só uma Terça-feira 7 01019 questão de articulação. Nós já fazemos algumas ações, mas acho que a participação conjunta é interessante. Como disse o Dr. Alceu, eu acho importante a gente se reunir, ter a boa vontade de trabalhar, todos juntos, seja mexendo na legislação, seja apertando na fiscalização. Eu acho que o começo de tudo é estarmos juntos, conversarmos, termos boas intenções de tocar o negócio para frente e finalizar. E nós estamos à disposição para isso. Obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Homero Pereira) – Obrigado, Dr. Francisco. Passo a palavra ao Dr. Antônio Carlos Fonseca, representante do Ministério Público Federal. O SR. ANTÔNIO CARLOS FONSECA – Deputado Micheletto, eu estava naquele evento de Curitiba e fui um dos palestrantes, apesar de não ser um especialista na área da agricultura. A minha formação é jurídica, mas tenho uma longa experiência na área da regulação econômica. Na área da agricultura, nós sabemos que o Brasil tem condições de dobrar a sua produção dentro de 20 anos. Isso é sabido por todos aqueles especialistas. Nós temos vários itens favoráveis. Um deles, por exemplo, é que nós temos DNA, isto é, quem está na agricultura é porque sabe o que está fazendo, não é aventureiro. Esse é um dos pontos positivos. Agora, nós temos pontos negativos também. Certamente, um dos pontos negativos são os custos, inclusive os custos dos defensivos agrícolas. O agronegócio tem crescido muito, mas quem fica com a maior parte do lucro... O agronegócio tem sido dividido em três partes: dentro da porteira, antes da porteira e depois da porteira. O maior lucro, a maior fatia não está dentro da porteira, mas fora da porteira, isto é, vai para aquele que vende o insumo, por exemplo. Saindo da porteira, quando você manufatura o produto, os lucros estão aí, não dentro da porteira. Com relação a isso, nós já temos essa sensibilidade. O SR. DEPUTADO LUIS CARLOS HEINZE – Dr. Antônio, só uma lembrancinha: quem mais fatura chama-se Governo, Federal, Estadual e Municipal. Mais de 30% de qualquer produto é do Estado brasileiro. O SR. ANTÔNIO CARLOS FONSECA – Está certo. Em termos de custos, os senhores concordam comigo em que o problema da logística, as perdas na agricultura, ao serem levados os produtos do local de origem até a mesa do brasileiro, são perdas muito grandes em função da logística, porque nós não temos uma infraestrutura de transportes, por exemplo, que gostaríamos de ter. Eu vou começar pelo final, Deputado Micheletto, sobre o que fazer para melhorar. Cito cinco itens. A 01020 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS primeira coisa: uma autoridade única para conceder o registro de saneante, ponto, seja ele saneante domissanitário ou saneante fitossanitário, ou seja, agrotóxico. Não há nenhum problema, por exemplo, que fique só no Ministério da Agricultura. Muita gente vai dizer que você corre o risco de estar aprovando um produto para a agricultura, mas que a dona da casa pode utilizar. Nesse caso, quem tem mais sensibilidade de avaliar o risco humano é a ANVISA. É simples, basta ter, dentro daquela autoridade única, vamos dizer, o Ministério da Agricultura, um órgão tripartite que pode funcionar muito bem. Não é verdade? Querem ver uma coisa? Nós já temos o registro do SECEX, que é formado pelos Ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, da Fazenda e das Relações Exteriores. O que é complexo não significa que possa simplificar. Quem estuda regulação sabe que todo registro geralmente tende a ser complicado, a ser de alto custo e tende a representar uma barreira criada pelo Estado muitas vezes à competição. Então, como resolver esse problema do registro? Eu tenho cinco sugestões. Item 2: a consolidação da regulação daqueles atos permanentes. Eu dou dois exemplos quando falo dessa consolidação. Não é juntar todas as resoluções ou portarias e está bom. Não. Estou me referindo à consolidação do tipo da CLT ou do tipo do CFR – Code of Federal Regulations. Nos Estados Unidos, você quer saber da regulação em determinado setor. Por exemplo, na agricultura, você tem tudo junto, dividido em capítulos, seções e subseções. Isso facilita, dá uma segurança jurídica para o mercado, para quem controla. Aí vem a terceira parte: impacto da regulação. Se eu tenho em mãos, se conheço que existe aquele cipoal de atos, se eu tenho aquilo transformado numa CLT do registro, vamos dizer assim, então posso fazer periodicamente uma avaliação de impacto. O que significa aquela regulação? O que está acontecendo com aquela regulação? Por que o registro está demorando tanto? Onde está pegando? Quem está ganhando e quem está perdendo? Pode-se fazer permanentemente uma avaliação a cada 5 anos. Hoje, nos Estados Unidos, na Europa, a novidade em regulação econômica é análise de impacto regulatório. Mas isso tem que ser sério, e ainda não é uma coisa séria no Brasil. Boas práticas do registro. Aí você vai agora baixando do macro para o micro. Na hora em que você conhece e tem uma oportunidade de fazer uma revisão, vai discutir boas práticas. Isso significa mesmo complexo, onde se pode otimizar? Sempre se pode otimizar. Agora, quando o registro é feito por mais de Fevereiro de 2012 um órgão, há dificuldades – no jargão de economês se fala em custo de transação. Uma coisa é algo ser decidido por uma pessoa, por uma autoridade, debaixo do Ministério da Agricultura; outra é o desenvolvimento de expertise em vários órgãos. Infelizmente, o serviço público não é colaborativo. Existe uma dificuldade de se encontrar colaboração dentro da própria burocracia estatal. Quanto maior o número de pessoas a decidir, maior a dificuldade em decidir. E o quinto item seria exatamente, como eu falei, a figura da certificação. Nunca a fiscalização vai ser a melhor possível. Então, vamos colocar segmentos que busquem o interesse público, mas que também tenham comprometimento com o mercado, com o interesse público, com uma parcela de responsabilidade na observância do cumprimento desse regulamento. Hoje, existe um problema de fiscalização. A ANVISA diz assim: “Quem fiscaliza é o outro”; o outro diz: “Não, quem fiscaliza é a ANVISA”. Exatamente para você ter mais de um podendo operar no campo dos saneantes, sejam eles fitossanitários ou agrotóxicos, sejam eles domissanitários. Então, essas cinco sugestões não é fácil de realizar, mas é possível, sim, realizá-las. O registro, em qualquer parte do mundo, tem alto custo e é difícil. O registro na área química ou na área de patentes é difícil, mas sempre se pode melhorar. Agora, qual é a grande dificuldade em desenvolver técnicas de melhoria? Primeiro, má condução dos interesses envolvidos. Por que os registros das iscas estão em desacordo com a legislação vigente? Bem, eu não tenho a resposta, porque eu conheço de regulação, mas não tenho informação suficiente para dar uma resposta bem informada, e eu não gosto de chutar. Mas o que se percebe, portanto, é que um diz: “Não, não existe nada errado”. O outro diz: “Está errado, porque aquilo é agrotóxico e não outra coisa”. Isso porque existem três autoridades envolvidas. Qual a diferença de domissanitário saneante para fitossanitário saneante? Na verdade, não existe diferença do ponto de vista de princípio. Vejam, eu não sou especialista, posso estar dizendo uma besteira, mas, de acordo com as informações que obtive até agora, parece que o princípio ativo do saneante fitossanitário é o mesmo. Agora, quando se pensa em uma aplicação no campo e uma aplicação doméstica, é que se tem o problema da variação. E haver uma única autoridade podendo fazer isso não é, ontologicamente, uma dificuldade intransponível. A isca serve para todas as formigas? Eu não saberia responder a essa pergunta. Registro na ANVISA e não no MAPA. A primeira sugestão acabaria com essa dificuldade. Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Fiscalização efetiva por todos os órgãos resolveria? Não existe fiscalização efetiva quando é feita por mais de um órgão. Um joga a responsabilidade para o outro; um acha que aquilo ali é mais, o outro que é menos. Na verdade, quando nós conseguimos resolver em conjunto, quando nós somos colaboradores, aí nós temos o melhor dos mundos. Mas, infelizmente, por questões ora institucionais, ora pessoais, da conduta humana, nós não conseguimos o melhor da colaboração dos órgãos envolvidos. Quem estuda a conduta dos executivos públicos percebe perfeitamente isso. O que foi feito até agora? Realmente, o Deputado Micheletto registrou, são 10 anos de luta. Então, por mais que tenha sido feito, não foi o suficiente, o necessário. E o Brasil tem vocação para ser protagonista na área do agronegócio, na área da agricultura, mas precisa ter um pouco mais de comprometimento. O que isso significa? Primeiro, ter sensibilidade no que estou fazendo; segundo, saber que os meus atos hoje como autoridade vão refletir daqui a 10, 11 anos, em 2022, quando este País completará 200 anos de independência. Qual é a minha ideia de independência? O senhor falou da grande dificuldade do agricultor. Hoje, nos Estados Unidos, os agricultores têm um poder enorme. Mas essa foi uma longa história, uma longa luta, uma trajetória muito grande, contada em livros, em teses de doutorado. Hoje eles conseguiram transformar aquele poder. Por volta de 1930, 1940, o Presidente Roosevelt chegou a dizer: “Queimem a cidade, que o campo vai reerguê-la”. Por quê? Porque o campo oferece a comida, oferece o alimento, produz o alimento. “Quei‑ mem o campo, e a cidade morrerá.” Ele estava falando exatamente disso, da importância do campo. Vejam a importância da agricultura, do agronegócio para este País realmente conquistar a sua independência. Mas vive realmente enrolado em burocracia, em coisas que podemos melhorar. Então, se eu concebo o registro como responsabilidade de uma única autoridade, isto é, do MAPA, e não da ANVISA, que é ligada a outro Ministério, por exemplo – pode ser o contrário –, não preciso discutir o posicionamento de um, o posicionamento de outro. Daí, numa única autoridade, temos as melhores condições para melhorar esse cenário de atraso na área do registro, inclusive dando possibilidade de participação pública das indústrias, do Ministério Público, na hora em que eu vou rever a regulação, criar uma regulação nova. Nós temos essa participação. Isso é normalíssimo na regulação da telefonia, do transporte. Por que não na agricultura? Então, a sociedade precisa se comprometer muito mais, já que existe impacto, por exemplo, no meio am- Terça-feira 7 01021 biente. E a Constituição diz que essa responsabilidade é da sociedade, portanto de todos os segmentos. A participação, então, é necessária, e só fica mais aceitável num ambiente regulatório aberto, mais transparente. E isso não tira a parcela de responsabilidade dos órgãos que tenham desenvolvido uma expertise, por exemplo, na defesa do ser humano, outra na defesa do produto, outra para matar formiga, matar ervas, etc. Nós temos diferentes expertises. Pode-se juntar essas diferentes expertises sob uma única autoridade. Portanto, as lições estão aí para nós aprendermos com o que foi desenvolvido lá fora, inclusive, abrindo a possibilidade dessa revisão periódica para a academia, para que ela possa também participar dessas análises a respeito de impacto para o homem, para o meio ambiente e sobre os produtos, e isso não ficar só como um monopólio, seja do MAPA, seja da ANVISA. Esta seria uma abertura. Parece-me que a regulação na área da agricultura sempre foi muito fechada. Para finalizar – e, por favor, não esqueçam aqueles cinco itens –, devo dizer que há um artigo na Constituição, 42 ou 43, que permite a esta Casa, a este Poder, suspender os efeitos de uma regulação. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Carlos Magno) – Como está havendo Ordem do Dia, peço objetividade ao último palestrante, o Dr. Edson, do SINDAG, a quem passo a palavra. O SR. EDSON DIAS DA SILVA – Bem, primeiro gostaria de dizer que as empresas fabricantes de iscas formicidas são nacionais. Pequenas empresas produzem exclusivamente esses produtos para formiga-cortadeira, utilizam, sim, o princípio ativo Fipronil ou Sulfluramida. A Sulfluramida, que é o principal produto utilizado para formiga-cortadeira, foi avaliada, sim, pelos órgãos quando trazida para o Brasil, só que com pureza de 98%, segundo o que é declarado no registro. Como eu disse em minha apresentação, os produtos utilizados por essas empresas que registram apenas na ANVISA não têm procedência, não se sabe o que está sendo utilizado, e não existe nenhuma avaliação do órgão que concede o registro, que é a GGSAN. Então, isso realmente preocupa, porque o agricultor está comprando um produto barato. A isca formicida é barata em relação a qualquer defensivo. Nós costumamos brincar dizendo que é o primo pobre dos defensivos. É um produto bastante barato na composição de custo da aplicação. O agricultor às vezes acaba comprando um produto que não tem eficiência, não tem procedência, pagando um preço muito próximo do de um produto que passou por uma avaliação, por todo um rigor, inclusive técnico, com relação à eficiência agronômica, que é importante. 01022 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Voltando às perguntas, eu gostaria de dizer o seguinte: consideramos que está em desacordo com a legislação vigente porque formiga-cortadeira é uma praga que ataca planta, e qualquer produto destinado ao controle desse tipo de praga é um fitossanitário. E o fitossanitário está excluído da Lei de Produtos Saneantes. Então, isso nos remete à Lei nº 7.802, que é a Lei de Agrotóxicos. As competências de cada órgão estão definidas no decreto. Não há uma lacuna, não há falta de entendimento jurídico, na minha opinião. Na verdade, está muito claro: tem-se a competência de cada órgão e quem vai registrar o quê. O ponto é: é um produto fitossanitário. Formiga-cortadeira ataca a planta, e o produto utilizado para esse fim é o fitossantário. Ponto. As vantagens eu procurei mostrar. É claro, existem diferenças de custo, mas não é só no registro que há vantagem. A vantagem é na comercialização desses produtos. Um produto registrado para jardinagem amadora não tem exigência de receituário agronômico, não tem exigência de recolhimento de embalagem. Isso, na verdade, está previsto na legislação de agrotóxico. E isso é uma proteção ao ambiente, à saúde do homem, a tudo. Quer dizer, existem vantagens que ocorrem na comercialização, tornando desleal a competição comercial inclusive. Volto à questão da ilegalidade. Foi dito pelo Dr. Francisco que existem os pareceres. Como são técnicos, eles consultaram a Procuradoria-Geral da própria ANVISA. Isso me estranha muito, porque eu tenho cópia de um parecer feito pela Gerência-Geral de Toxicologia – GGTOX e pela própria Advocacia-Geral da União, em que fica claro que deve ser aplicada a esses saneantes domissanitários a legislação federal de agrotóxico. Então, desculpem-me, mas eu acho estranho quando a GGSAN faz uma consulta, recebe uma resposta, e a GGTOX, que é outra gerência dentro da própria ANVISA, recebe uma resposta contraditória à que foi dada à GGSAN. Eu tenho cópia desse parecer. Falando sobre o que nós fizemos, o que associações e a indústria fizeram até hoje, nós promovemos inúmeras ações, inclusive educativas; colocamos no mercado um folheto orientativo aos produtores, aos consumidores, às revendas, para que comprassem a isca legalizada, correta, avaliada pelos três órgãos e que tivesse eficiência agronômica. Esse foi um ponto. Promovemos ações de repressão, inclusive envolvendo a Polícia Federal. A própria ANVISA publicou resoluções proibindo o uso de alguns produtos que estavam com embalagens irregulares. Só que as resoluções ficaram no papel, e nada aconteceu. Fevereiro de 2012 Então, de novo: fiscalização efetiva não vai resolver o problema. Eu entendo que o cerne do problema está na concessão de um registro que deveria ser feito pela Lei nº 7.802, e não pela Lei de Saneantes. Exatamente isso. O SR. PRESIDENTE (Deputado Carlos Magno) – Gostaria de agradecer a presença aos palestrantes e aos Deputados. Nada mais havendo a tratar, vou encerrar esta reunião. Antes, porém, convoco os Srs. Deputados... O SR. DEPUTADO MOACIR MICHELETTO – Sr. Presidente, peço só 1 minuto. O SR. PRESIDENTE (Deputado Carlos Magno) – Por favor. O SR. DEPUTADO MOACIR MICHELETTO – Eu gostaria, depois de nós aqui termos ouvido todos, que, como disse o Dr. Márcio, se reúnem mensalmente – o Dr. Girabis também está aqui, a ANVISA também está aqui; Dr. Antônio, peço-lhe desculpas, porque eu sei que o senhor fez uma excelente palestra para os nossos magistrados em Curitiba, só agora me lembrei –, que houvesse uma ação a curto prazo (Não é, Dr. Francisco?); que os senhores achassem uma solução para isso. Eu acho que há boa vontade de todos nesta mesa. E que nós possamos sair daqui, Presidente, sem outra convocação. Eu gostaria de fazer esse apelo, porque me parece, ao menos para mim, este é o meu sentimento, que há entendimento e focos diferenciados, mas, pontualmente, dá para resolver algumas coisas a curto prazo. E que possamos atender a nossa indústria. O SR. PRESIDENTE (Deputado Carlos Magno) – Bom, essa observação feita pelo autor do requerimento, o Deputado Micheletto, diz respeito diretamente ao MAPA, ao IBAMA e à própria ANVISA. Dr. Antônio, o Ministério Público Federal poderia participar também, pelo que o senhor expôs aqui, coordenar essa reunião. Nós já temos o ofício que a Comissão vai encaminhar aos órgãos, eu acho que foi o Deputado Luiz Carlos que fez o encaminhamento, solicitando as informações sobre o que tramita, desde quando, com datas... O SR. DEPUTADO VALDIR COLATTO – Sr. Presidente! O SR. PRESIDENTE (Deputado Carlos Magno) – Por favor. O SR. DEPUTADO VALDIR COLATTO – Só para reforçar: nós fizemos a proposta do pedido de informação pela Mesa da Casa. Inclusive, já rascunhei o requerimento, em conjunto, para que esta Comissão pudesse fazer esse esclarecimento. Porque eu vejo que, conversando com as pessoas... E o nosso Ministério Público deixou bem claro que quando há mais de um Ministério, é impossível haver algum acordo, alguma conversa de que saia um resultado. Então, é exatamente Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS isto, eu acho que aí está o nó da questão: se querem que a coisa não funcione aqui, juntem dois Ministérios. Eu conheço isso de cor e salteado – não é, Girabis? Então, não adianta. Quer dizer, um reclama do outro, porque o outro não fez, e as coisas não acontecem. É claro que nós temos culpa também. Eu estava falando para o Deputado Quartiero que nós tínhamos que começar a ser menos frouxos nesta Casa, menos covardes, e fazer a nossa parte também. Cada um neste País hoje está legislando, menos o Congresso Nacional. E a culpa é nossa. O senhor falou do decreto legislativo. Nós temos o poder, sim, de anular atos do Poder Executivo que exorbitam das suas prerrogativas. Só que esta Casa é covarde, não tem coragem de derrubar esses atos normativos. Apenas na questão do meio ambiente, são mais de 16 mil atos. Mais de dez projetos de decreto legislativo de minha autoria tramitam na Casa e não consigo aprovar. Há coisas absurdas, como o Decreto 6.514, por exemplo, que o então Ministro Carlos Minc empurrou goela abaixo deste País, e não conseguimos mexer. Então, eu acho muito mais fácil três Ministérios, três pessoas, do que os 513 aqui fazerem. Nós estamos pedindo no nosso requerimento, Sr. Presidente, os produtos para os quais estão sendo pedidos registros, a data do protocolo, os problemas que estão ocorrendo e também sugestões dos Ministérios. Queremos saber o que está pegando, se há problemas legislativos, se precisamos mudar a legislação, o que está pegando para que possamos agilizar esse processo. Nós precisamos nos ajudar. Nós temos de fazer a nossa parte, o Poder Executivo tem de fazer a dele, para podermos avançar, porque o Brasil não aguenta mais esta questão de ser tudo difícil, tudo complicado para se produzir. Se eu pego um taxi, o taxista diz: “Pelo amor de Deus, Deputado, não criem mais impostos, mais normas”. Lá em Roraima, quando fomos à terra do Deputado Paulo Quartiero, o cacique da Reserva Raposa Serra do Sol, Sílvio da Silva, que também esteve aqui nesta Casa, declarou: “Quando os agricultores ocupavam a Raposa Serra do Sol, tinha caça para nós caçarmos, tinha bicho para nós matarmos. Hoje, vocês saíram de lá e não tem mais caça para nós caçarmos, nem bicho para nós matarmos, nem boi para nós roubarmos.” Essa foi uma declaração do cacique. Ele disse que os índios estão lá na cidade passando fome. O Deputado Paulo Quartiero sabe muito bem. Acho que está na hora de nós fazermos uma parceria, não sermos contra quem produz e quem trabalha. Temos de ser a favor. Nós, Congresso e Governo, estamos aqui para resolver os problemas. Nós temos Terça-feira 7 01023 que apresentar as soluções. Não adianta criarmos problemas. Esse agricultor não sabe o nome técnico da isca, qual é o agrotóxico que está lá. Diferenciar um jardim que se pode plantar na cidade, como no campo: “Não, é porque essa isca foi criada para o campo. Agora veio para a cidade e tornou-se um problema da ANVISA, não mais da Agricultura.” Eu não vejo assim. Para mim se pode produzir alimento na cidade como no campo. O produto é o mesmo. O que precisa haver são os cuidados com aquele produto. Então, eu acho que é uma questão de trabalharmos fortemente nesses processos para resolvermos os problemas. Problema tem de ter solução! Nós estamos levando problema para o setor produtivo, mas temos de levar soluções. Acho que essa é a função do Poder Executivo, senão não precisa de Governo nem de Congresso. É para atrapalhar o pessoal? E o Governo está atrapalhando – está atrapalhando! Presidente, a cada três frangos que produzimos em Santa Catarina, a cada três suínos, entregamos um para o Governo. São 33%! E aí vem uma série de pressões e de exigências. O nosso produtor de lá diz: “Parem de fazer leis, de criar normas”. E quando se faz uma norma aqui, há o efeito dominó. Esse pessoal não está pensando o que acontece em todo o Brasil, o que acontece do Oiapoque ao Chuí, as consequências disso. Temos de ter cuidado! Parece que quando esse pessoal não tem o que fazer, num dia de chuva, sentam num ambiente com ar condicionado e falam: “Vamos fazer uma norma para ferrar aqueles caras?” E fazem. É o Ministério Público também. É o burocrata de plantão, é o Ministro, é o sujeito do quarto escalão que inventa uma IN, uma instrução normativa para ferrar um passarinheiro que cria um curió e estabelece uma multa de 300 mil reais para um cara que, mesmo vendendo sua própria casa, não consegue pagar. Temos de parar com isso. Nós temos de ver que o setor produtivo precisa de ajuda. Daqui a pouco esse pessoal vai dizer: “Venham cá, venham vocês plantar e produzir aqui. Venham aqui vocês.” Eu sempre digo àqueles que tanto perseguem os nossos agricultores que façam um teste, que troquem o seu salário, que deem o seu salário para o agricultor e vão lá tocar a propriedade dele por um ano. Só um ano, vão lá tocar! Com certeza isso vai mudar a cabeça das pessoas – com certeza! É o que estamos tentando apresentar a esta Casa. Somos poucos com direito de falar e não conseguimos chegar a uma conclusão. O SR. PRESIDENTE (Deputado Carlos Magno) – Deputado Valdir, o encaminhamento do seu requerimento é direto da Comissão ou teria que passar pelo Plenário? 01024 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS O DEPUTADO VALDIR COLATTO – Não, eu peço que a Comissão apresente ao Plenário, à Mesa da Casa, um requerimento oficial, que é constitucional, inclusive sob responsabilidade legal, aos Ministérios competentes para passarem informações oficiais para que nós possamos fazer esse trabalho. Depois vou fazer o esboço e gostaria que a Comissão o encaminhasse e que todos nós o assinássemos. O SR. PRESIDENTE (Deputado Carlos Magno) – Faça com a maior brevidade. Vou encerrar esta reunião, antes, porém, convoco os Srs. Deputados para participarem da reunião deliberativa a realizar-se amanhã, dia 14 de setembro, quarta-feira, às 10 horas, no Plenário 6. Está encerrada a presente reunião. Muito obrigado. COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS E MINORIAS 54ª Legislatura – 1ª Sessão Legislativa Ordinária Ata da 10ª Reunião Ordinária realizada em 4 de maio de 2011 Às quatorze horas e trinta e quatro minutos do dia quatro de maio de dois mil e onze, reuniu-se a Comissão de Direitos Humanos e Minorias, no Anexo II, Plenário 09 da Câmara dos Deputados, com a presença dos Senhores Deputados Domingos Dutra e Arnaldo Jordy – Vice-Presidentes; Chico Alencar, Edson Santos, Erika Kokay, Geraldo Thadeu, Manato, Ricardo Quirino e Walter Tosta – Titulares; Flávia Morais, Henrique Afonso, Íris de Araújo, Josué Bengtson, Keiko Ota, Luiz Couto, Luiza Erundina, Márcio Marinho e Paulo Magalhães – Suplentes.Deixaram de comparecer as Deputadas Janete Rocha Pietá, Liliam Sá e Manuela d’Ávila. Justificou a ausência a Deputada Manuela d’Ávila. ABERTURA: Havendo número regimental, o senhor Presidente declarou abertos os trabalhos e colocou à apreciação as Atas das reuniões realizadas nos dias 13 e 20 de abril de 2011. Em votação, as Atas foram aprovadas. EXPEDIENTE: ORDEM DO DIA: A – Matéria Sobre a Mesa: 1 – REQUERIMENTO Nº 70/11 – da Sra. Erika Kokay – que “requer a realização de audiência pública no âmbito desta Comissão, em data a ser definida oportunamente, com o objetivo de discutir políticas públicas para a preservação da cultura do povo cigano no Brasil e no Distrito Federal”. APROVADO. 2 – REQUERIMENTO Nº 71/11 – da Sra. Erika Kokay – que “requer a realização de audiência pública no âmbito desta Comissão, em data a ser marcada oportunamente, com o objetivo de discutir a localização de albergues destinados a moradia de pessoas carentes, tomando como referência a realidade do Dis- Fevereiro de 2012 trito Federal”. APROVADO. 3 – REQUERIMENTO Nº 72/11 – da Sra. Erika Kokay – que “requer a realização de audiência pública no âmbito desta Comissão, em data a ser marcada oportunamente, com o objetivo de discutir as precárias condições em que vivem as crianças e adolescentes em situação de rua nas grandes e médias cidades brasileiras, tomando como referência a experiência do Distrito Federal”. APROVADO. 4 – REQUERIMENTO Nº 73/11 – da Sra. Erika Kokay – que “requer a realização de audiência pública no âmbito desta Comissão, em data a ser marcada oportunamente, com o objetivo de discutir a participação de psicólogos na realização de exames criminológicos no âmbito do sistema prisional brasileiro”. APROVADO. B – Requerimentos: 5 – REQUERIMENTO Nº 46/11 – da Sra. Erika Kokay – que “requer a realização de audiência pública com o objetivo de discutir o tema: intolerância religiosa vivenciada no país referente às comunidades tradicionais de terreiros”. APROVADO. 6 – REQUERIMENTO Nº 47/11 – do Sr. Jean Wyllys – que “requer a realização de audiência pública para tratar sobre a situação dos terreiros de candomblé, dos centros de umbanda e de seus devotos”. APROVADO. O ASSUNTO SERÁ DISCUTIDO NA MESMA AUDIÊNCIA PÚBLICA, OBJETO DO REQUERIMENTO 46/2011. 7 – REQUERIMENTO Nº 48/11 – do Sr. Jean Wyllys – que “requer a realização de diligência às instituições presidiárias masculinas do Estado do Rio de Janeiro para apurar denúncia de violência contra gays, travestis e transexuais em presídios”. APROVADO. 8 – REQUERIMENTO Nº 49/11 – da Sra. Íris de Araújo – que “requer a aprovação de Moção de apoio ao Governo Brasileiro em face da posição do Brasil, expressada junto ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, mediante voto favorável à instalação de investigação sobre violações dos direitos humanos no Irã”. APROVADO. 9 – REQUERIMENTO Nº 50/11 – da Sra. Luiza Erundina – que “requer a realização de audiência pública destinada a discutir as responsabilidades do Estado Brasileiro no cumprimento da sentença proferida pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, no Caso Gomes Lund e outros”. APROVADO. 10 – REQUERIMENTO Nº 51/11 – da Sra. Manuela d’Ávila e outros – que “requerem a realização de audiência pública, conjunta com a Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público, para debater o tema das práticas antissindicais em desacordo com o previsto na Convenção n.º 98, da OIT”. APROVADO. 11 – REQUERIMENTO Nº 52/11 – dos Srs. Manuela d’Ávila e Luiz Couto – que “requerem a realização do Seminário CRIANÇAS E ADOLESCENTES: desafios contemporâneos à luz dos 21 anos do ECA, para se debater o Estatuto da Crian- Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS ça e do Adolescente, proposições de políticas públicas de enfrentamento às drogas, à violência, à exploração sexual e ao tráfico desses atores sociais”. APROVADO. 12 – REQUERIMENTO Nº 53/11 – dos Srs. Manuela d’Ávila e Luiz Couto – que “requerem a realização do 5º seminário Latino-Americano de Anistia e Direitos Humanos, para se debater as questões pertinentes ao cumprimento das leis de anistia pelo Estado Brasileiro e o resgate da Memória e da Verdade”. APROVADO. 13 – REQUERIMENTO Nº 54/11 – do Sr. Ricardo Quirino – que “requer a realização de audiência pública para debater e dialogar com a sociedade civil organizada e o Governo Federal a questão da violência nas escolas do DF e de todo o território nacional”. APROVADO. 14 – REQUERIMENTO Nº 55/11 – da Sra. Manuela d’Ávila – que “requer, nos termos regimentais, a realização de Audiência Pública, em conjunto com a Comissão Especial das Anistias – CEANISTI e com a Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público, para debater o assédio moral sofrido por anistiados da Lei 8.878/94, após seu retorno à Administração Pública Federal”. APROVADO. 15 – REQUERIMENTO Nº 56/11 – da Sra. Manuela d’Ávila – que “requer a realização de audiência pública, pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias, para debater políticas públicas destinadas a fortalecer os direitos humanos no planejamento da Copa Mundial de Futebol de 2014. Deverão ser convidados a participar representantes do Ministério do Esporte, Ministério do Turismo, Ministério Público Federal e Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente”. APROVADO. 16 – REQUERIMENTO Nº 57/11 – da Sra. Erika Kokay – que “requer a constituição de Grupo de Trabalho para tratar de temas relativos ao desarmamento”. APROVADO. 17 – REQUERIMENTO Nº 58/11 – da Sra. Manuela d’Ávila e outros – que “requerem a realização de Seminário sobre políticas públicas de combate à exploração sexual infantil e ao turismo sexual, evento a ser realizado em parceira com a Comissão de Turismo e Desporto no dia 25 de maio, com a presença de autoridades públicas e representações da sociedade civil”. APROVADO. 18 – REQUERIMENTO Nº 59/11 – do Sr. Walter Tosta – que “requer a realização de audiência pública para debater a acessibilidade no sistema de transporte aeroviário”. APROVADO. 19 – REQUERIMENTO Nº 60/11 – dos Srs. Geraldo Thadeu e Arnaldo Jordy – que “requerem a realização de audiência pública para discutir os assassinatos de brasileiras no exterior, relacionados ao tráfico de pessoas”. APROVADO. 20 – REQUERIMENTO Nº 61/11 – do Sr. Edson Santos – que “requer a realização de audiência pública para debater os dados do Relatório Anual de Desigualdade Raciais. REQUERI- Terça-feira 7 01025 MENTO Nº /2011 (Do Sr. Edson Santos) Propõe a convocação de audiência pública” APROVADO. 21 – REQUERIMENTO Nº 62/11 – do Sr. Luiz Couto – que “requer a participação da Comissão de Direitos Humanos e Minorias no I Seminário Paraibano sobre Segurança Pública, Proteção de Direitos e Participação Social, que se realizará em João Pessoa/Paraíba, nos dias 27 e 28 de maio do corrente ano”. APROVADO. 22 – REQUERIMENTO Nº 63/11 – do Sr. Arnaldo Jordy – que “requer a realização de audiência pública para debater sobre os aspectos econômicos, sociais ambientais e jurídicos da Usina Hidrelétrica de Belo Monte na Bacia do Rio Xingu”. APROVADO. 23 – REQUERIMENTO Nº 64/11 – da Sra. Erika Kokay – que “requer a realização de audiência pública para debater sobre o fenômeno da violência nas escolas da rede pública de ensino do Distrito Federal”. APROVADO. 24 – REQUERIMENTO Nº 65/11 – do Sr. Domingos Dutra – que “requer a constituição de uma representação da Comissão de Direitos Humanos e Minorias para diligenciar visitas ao Itamaraty, embaixada da Indonésia no Brasil e Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário da Indonésia pela libertação do instrutor de voo livre Marco Acher Cardoso Moreira, brasileiro, 49 anos, que se encontra preso e condenado à pena de morte naquele país”. APROVADO. 25 – REQUERIMENTO Nº 66/11 – do Sr. Domingos Dutra – que “requer a constituição de uma representação da Comissão de Direitos Humanos e Minorias para verificar a situação jurídica, processual e de assistência de presos estrangeiros na penitenciária do Município de Itaí, no Estado de São Paulo”. APROVADO. 26 – REQUERIMENTO Nº 67/11 – da Sra. Manuela d’Ávila – que “requer a realização, em parceria com a Secretaria de Direitos Humanos e a Embaixada da Suécia, no dia 19 de maio, na Câmara dos Deputados, do Seminário sobre Castigos Corporais, no marco do debate sobre o Projeto de Lei 7.672/2010”. APROVADO. 27 – REQUERIMENTO Nº 68/11 – da Sra. Manuela d’Ávila – que “requer a realização de audiência pública desta Comissão de Direitos Humanos e Minorias para debater os processos de reparação devida pelo Estado brasileiro às vítimas de torturas e perseguições das Forças Armadas por conta da Guerrilha do Araguaia, bem como a relevância da Comissão da Verdade para a conclusão desses processos”. APROVADO. 28 – REQUERIMENTO Nº 69/11 – da Sra. Manuela d’Ávila – que “requer a realização, por esta Comissão de Direitos Humanos, em parceria com a Frente Parlamentar contra o Trabalho Escravo e a Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo, de ato de lançamento da comunidade E-Democracia Pela Aprovação da PEC 438 – Contra o Trabalho Escravo, no dia 12 de maio (véspe- 01026 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS ra do aniversário da Lei Áurea)”. APROVADO. C – Proposições Sujeitas à Apreciação do Plenário: TRAMITAÇÃO ORDINÁRIA 29 – PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº 480/08 – do Sr. Valdir Colatto – que “susta os efeitos da Portaria nº 1.128 de 13 de agosto de 2003, do Ministério da Justiça, que homologa a demarcação da Terra Indígena Ibirama La-Klanô ou Duque de Caxias, nos Municípios de Vitor Meireles, José Boiteux, Itaiópolis e Doutor Pedrinho, Estado de Santa Catarina”. RELATOR: Deputado CHICO ALENCAR. PARECER: pela rejeição. NÃO DELIBERADO. 30 – PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº 2.396/10 – do Sr. Antonio Carlos Mendes Thame – que “susta a eficácia de dispositivo contido no Decreto nº 7.037, de 21 de dezembro de 2009, que aprova o Programa Nacional de Direitos Humanos – PNDH-3 e dá outras providências, em particular a alínea(c) da Diretriz 5, do Eixo Orientador II”. (Apensados: PDC 2550/2010, PDC 2552/2010, PDC 2399/2010, PDC 2398/2010 e PDC 2397/2010) RELATOR: Deputado CHICO ALENCAR. PARECER: pela rejeição deste, do PDC 2397/2010, do PDC 2398/2010, do PDC 2399/2010, do PDC 2550/2010, e do PDC 2552/2010, apensados. NÃO DELIBERADO. 31 – PROJETO DE LEI Nº 1.057/07 – do Sr. Henrique Afonso – que “dispõe sobre o combate a práticas tradicionais nocivas e à proteção dos direitos fundamentais de crianças indígenas, bem como pertencentes a outras sociedades ditas não tradicionais”. RELATORA: Deputada JANETE ROCHA PIETÁ. PARECER: Pela aprovação, com substitutivo. NÃO DELIBERADO. C – Apresentação e debate das propostas de plano de trabalho da CDHM para 2011. NÃO DELIBERADO. Nada mais havendo a tratar, a presente reunião foi encerrada às dezoito horas e sete minutos. E, para constar, eu, Clotildes de Jesus Vasco, secretária em exercício, lavrei a presente Ata, que por ter sido lida e aprovada, será assinada pelo Presidente, Deputado Domingos Dutra, e publicada no Diário da Câmara dos Deputados. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Havendo número regimental, declaro abertos os trabalhos desta Comissão de Direitos Humanos e Minorias. Há quorum mínimo para a abertura Leitura das atas das reuniões anteriores, realizadas nos dias 13 e 20 de abril de 2010. O SR. DEPUTADO LUIZ COUTO – Sr. Presidente, peço dispensa da leitura das atas. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Dispensada, a pedido, a leitura das atas. Quero informar os convidados que logo após a votação dos requerimentos nós daremos início à audiência pública. Fevereiro de 2012 Ordem do Dia. Item 1: Requerimento nº 46, de 2011, da Sra. Deputada Erika Kokay, que requer a realização de audiência pública com o objetivo de discutir o tema: “A intolerância religiosa vivenciada no País referente às comunidades tradicionais de terreiros”. Há alguém que possa subscrever o requerimento? O Deputado Luiz Couto subscreve o Requerimento nº 46, de 2011, da Deputada Erika Kokay. Em discussão o requerimento. Não havendo ninguém que queira discutir, em votação o requerimento. Os Deputados que são favoráveis permaneçam como estão. APROVADO. Item 2: Requerimento nº 47, de 2011, do Sr. Jean Wyllys, que requer a realização de audiência pública para tratar da situação dos terreiros de candomblé, dos centros de umbanda e dos seus devotos. O SR. DEPUTADO ARNALDO JORDY – Sr. Presidente, esse requerimento parece-me ter o mesmo conteúdo do anterior, já aprovado. Eu acho que se juntam. No mérito, já está... O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – O Deputado Jordy subscreve o Requerimento nº 47. Em discussão o requerimento. Não havendo ninguém que queira discutir, em votação. Os Deputados que são favoráveis permaneçam como estão. APROVADO. Ficam, portanto, anexados. Juntam-se os dois requerimentos e providencia-se uma só audiência. Item 3: Requerimento nº 48, de 2011, do Sr. Jean Wyllys, que requer a realização de diligência nas instituições presidiárias masculinas do Estado do Rio de Janeiro, para apurar denúncia de violência contra gays, travestis e transexuais em presídios. O Deputado Luiz Couto subscreve o requerimento. Em discussão. Não havendo quem queira discutir, em votação. Os Deputados que são favoráveis ao requerimento, Deputados e Deputadas, permaneçam como estão. APROVADO. Requerimento nº 49, de 2011, da Deputada Íris de Araújo, que requer a aprovação de moção de apoio ao Governo brasileiro em face da posição do Brasil expressada junto ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas mediante voto favorável à instalação de investigação sobre violação de direitos humanos no Irã. O Deputado Luiz Couto subscreve o Requerimento nº 49, de 2011, da Sra. Íris de Araújo. Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Em discussão. Não havendo quem queira discutir, em votação. Aqueles que são favoráveis permaneçam como estão. APROVADO. Requerimento nº 51, de 2011, da Sra. Deputada Manuela D’Ávila, do Sr. Assis Melo... Ah, desculpe. Desculpe, Deputada Erundina. Item 5: Requerimento nº 50/2011, da Sra. Deputada Luiza Erundina, que requer a realização de audiência pública destinada a discutir as responsabilidades do Estado brasileiro no cumprimento da sentença proferida pela Corte Interamericana de Direitos Humanos no caso Gomes Lund e outros. Em discussão. Com a palavra a Deputada Luiza Erundina. A SRA. DEPUTADA LUIZA ERUNDINA – Sr. Presidente, colegas Parlamentares, nobres visitantes, convidados para a próxima audiência pública, esse requerimento, Sr. Presidente, justifica-se porque a decisão da Corte, ou seja, a sentença da Corte já foi proferida no final de 2010, e sabe-se que o cumprimento das determinações dessa sentença tem prazo, o prazo de 1 ano, e nós estamos, pelo menos eu, pessoalmente, e a Casa, acredito, sem informações de quais os encaminhamentos, quais as providências que já foram encaminhadas nestes meses que já transcorreram após a promulgação, a definição daquela sentença. Então, nós estamos propondo a audiência até porque, por exemplo, uma das medidas seria a criação da Comissão da Verdade; tem-se notícia de que em maio entrou na Casa uma iniciativa de lei do Executivo propondo a criação da Comissão da Verdade, e até hoje não foi instalada. É preciso, evidentemente, instalar-se uma Comissão Especial para apreciar aquele projeto de lei, e até agora isso não ocorreu na Casa. Então, o que nos preocupa é que o tempo corre, os prazos estão extinguindo-se, e precisamos acompanhar as providências e as decisões do Governo, das autoridades diretamente responsáveis por essas providências, por essas medidas, por esses encaminhamentos que, a meu ver, já deveriam ter sido feitos, se é que não o foram. Então, no requerimento, proponho que se convidem: o Ministro Antonio Cezar Peluso, Presidente do Supremo Tribunal Federal; o Ministro José Eduardo Cardozo, do Ministério da Justiça; a Ministra Maria do Rosário Nunes, da Secretaria Especial de Direitos Humanos; o Ministro Antônio de Aguiar Patriota, do Ministério das Relações Exteriores; o Dr. Roberto Monteiro Gurgel Santos, Procurador-Geral da República; o Prof. Dr. Fábio Konder Comparato, Professor Emérito da Faculdade de Direito da Universidade de Terça-feira 7 01027 São Paulo; o Dr. Ophir Filgueiras Cavalcante Júnior, Presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil; e a Dra. Beatriz Affonso, Diretora do Centro pela Justiça e Direito Internacional – CEJIL. Então, é isso, Sr. Presidente. Essa audiência é para ouvirmos essas autoridades e esta Casa poder acompanhar as providências que se fazem necessárias no cumprimento daquela sentença. Era isso, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Em discussão o Requerimento nº 50, da Deputada Luiza Erundina. Encerrada a discussão. Em votação. Os Deputados e Deputadas que são favoráveis permaneçam como estão. APROVADO o requerimento. A Comissão vai agendar a audiência justa solicitada pela Deputada Luiza Erundina. Requerimento nº 51, de 2011, da Sra. Deputada Manuela D’Ávila, do Sr. Assis Melo e da Sra. Jô Moraes, que requerem a realização de audiência pública conjunta com a Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público para debater o tema das práticas antissindicais em desacordo com o previsto na Convenção nº 98 da OIT. O Deputado Luiz Couto subscreve o requerimento. Em discussão o requerimento. Encerrada a discussão. Em votação. Os Deputados e Deputadas que são favoráveis permaneçam como estão. APROVADO o Requerimento nº 51. Item 7: Requerimento nº 52, de 2011, da Sra. Deputada Manuela D’Ávila e do Sr. Luiz Couto, que requerem a realização do Seminário Crianças e Adolescentes: Desafio Contemporâneo à Luz dos 21 Anos do ECA, para debater o Estatuto da Criança e do Adolescente e proposições de políticas públicas de enfrentamento às drogas, à violência, à exploração sexual e ao tráfico desses atores sociais. Em discussão. Não havendo quem queira discutir, em votação. Os Deputados e Deputadas que são favoráveis permaneçam como estão. APROVADO. Item 8: Requerimento nº 53, de 2011, da Sra. Deputada Manuela D’Ávila e de Luiz Couto, que requerem a realização do V Seminário Latino-Americano de Anistia e Direitos Humanos, para debater as questões pertinentes ao cumprimento das leis de anistia pelo Estado brasileiro e o resgate da memória e da verdade. Em discussão. Não havendo quem o queira discutir, em votação. 01028 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Os Deputados e Deputadas que são favoráveis ao requerimento permaneçam como estão. Aprovado. Item 9: Requerimento nº 54, de 2011, do Sr. Deputado Ricardo Quirino, que requer a realização de audiência pública para debater e dialogar com a sociedade civil organizada e o Governo Federal a questão da violência nas escolas do DF e de todo o território nacional. O Requerimento nº 64, de autoria da Deputada Erika Kokay, trata do mesmo assunto. Portanto, em discussão os Requerimentos nºs 54 e 64. Com a palavra o Deputado Ricardo Quirino. O SR. DEPUTADO RICARDO QUIRINO – Boa tarde, Sr. Presidente Domingos Dutra. Sem nos alongarmos – a violência nas escolas é um tema muito fácil de ser debatido; qualquer um dos colegas aqui poderia pronunciar-se –, quero só fazer um registro: não nos baseamos no que aconteceu no Rio de Janeiro. Foi um trágico episódio, lamentável. Mas aqui no Distrito Federal, de 5 anos para cá, a violência nas escolas acentuou-se de tal forma que nós precisamos buscar uma resposta. É questão de segurança pública? É social? O que está por trás, qual é a causa dessa violência? Onde está o foco? Por que é que a violência nas escolas se tem acentuado e está saindo do controle das autoridades, em todos os sentidos? Nós perdemos aqui um professor, o Prof. Carlos Mota, que foi assassinado porque estava combatendo a violência que estava tentando entrar, tomar conta da sua escola, sua unidade escolar. O Prof. Valério, também aqui do Distrito Federal, foi espancado, violentamente espancado por alunos, e depois acabou dando uma declaração no sentido de que estava decepcionado e não mais seguiria na profissão. Então, é importante nós fazermos essa discussão, realizarmos essa audiência pública, para encontrarmos e darmos uma resposta à sociedade. Obrigado, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Em discussão. Encerrada a discussão. Em votação. Os Deputados e Deputadas que são favoráveis ao requerimento permaneçam como estão. APROVADO. Item 10 da pauta: Requerimento nº 55, de 2011, da Sra. Deputada Manuela D’Ávila, que requer, nos termos regimentais, a realização de audiência pública em conjunto com a Comissão Especial das Anistias – CEANIST e com a Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público para debater o assédio moral sofrido por anistiado da Lei nº 8.878, de 1994, após seu retorno à Administração Pública Federal. Fevereiro de 2012 O SR. DEPUTADO LUIZ COUTO – Subscrevo o requerimento, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – O Deputado Luiz Couto subscreve o Requerimento nº 55. Em discussão. Encerrada a discussão. Em votação. Os Deputados e Deputadas que são favoráveis permaneçam como estão. APROVADO. Requerimento nº 56, de 2011, da Sra. Deputada Manuela D’Ávila, que requer a realização de audiência pública pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias para debater políticas públicas destinadas a fortalecer os direitos humanos no planejamento da Copa Mundial de Futebol de 2014. Deverão ser convidados para participar representantes dos Ministérios do Esporte e do Turismo, da Polícia Federal e do Conselho Nacional de Direitos Humanos e do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente. O Deputado Luiz Couto subscreve o requerimento. Em discussão. Encerrada a discussão. Em votação. Os Deputados e Deputadas que são favoráveis permaneçam como estão. APROVADO. Requerimento nº 57, de 2011, da Sra. Deputada Erika Kokay, que requer a constituição de grupo de trabalho para tratar de tema relativo ao desarmamento. Em discussão o requerimento. Não havendo quem queira discutir, encerrada a discussão. Em votação. Os Deputados e Deputadas que são favoráveis permaneçam como estão. APROVADO. Item 13: Requerimento nº 58, de 2011, das Sras. Deputadas Manuela D’Ávila e Liliam Sá e do Sr. Deputado Luiz Couto, que requerem a realização de seminário sobre políticas públicas de combate à exploração sexual infantil e ao turismo sexual, evento a ser realizado em parceria com a Comissão de Turismo e Desporto, no dia 25 de maio, com a presença de autoridades públicas e representações da sociedade civil. Em discussão. Encerrada a discussão. Em votação. Os Deputados e Deputadas que são favoráveis permaneçam como estão. APROVADO. Item 14: Requerimento nº 59, de 2011, do Sr. Walter Tosta, que requer a realização de audiência pública para debater a acessibilidade do sistema de transporte aeroferroviário. Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. DEPUTADO LUIZ COUTO – Subscrevo. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – O Deputado Luiz Couto subscreve o Requerimento nº 59. Em discussão. Encerrada a discussão. Em votação. Aqueles que são favoráveis permaneçam como estão. APROVADO. Item 15: Requerimento nº 60, de 2011, do Srs. Deputados Geraldo Thadeu e Arnaldo Jordy, que requerem a realização de audiência pública para discutir os assassinatos de brasileiros no exterior relacionados ao tráfico de pessoas. Em discussão. Não havendo quem queira discutir, encerrada a discussão. Em votação. Os Deputados e Deputadas que são favoráveis permaneçam como estão. APROVADO. Item 17: Requerimento nº 62, de 2011, do Sr. Deputado Luiz Couto, que requer a participação da Comissão de Direitos Humanos e Minorias no I Seminário Paraibano sobre Segurança Pública, Proteção de Direitos e Participação Social, que se realizará em João Pessoa, Paraíba, nos dias 26, 27 e 28 de maio do ano em curso. Em discussão. (Intervenção fora do microfone. Inaudível.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Está bem. Desculpem, eu pulei para o item 17. Em discussão. Não havendo quem queira discutir... APROVADO. Requerimento nº 61, Sr. Deputado Edson Santos, que requer a realização de audiência pública para debater dados do Relatório Anual de Desigualdades Raciais. O SR. DEPUTADO LUIZ COUTO – Subscrevo. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – O Deputado Luiz Couto subscreve o requerimento. Em discussão. Não havendo quem queira discutir, encerrada a discussão. Em votação. Quem for favorável permaneça como está. APROVADO. Item 18: Requerimento nº 63, de 2011, do Sr. Deputado Arnaldo Jordy, que requer a realização de au- Terça-feira 7 01029 diência pública para debater os aspectos econômicos, sociais, ambientais e jurídicos da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, na Bacia do Rio Xingu. Em discussão. Não havendo quem queira discutir, encerrada a discussão. Em votação. Aqueles que são favoráveis permaneçam como estão. APROVADO. Eu peço ao Deputado Luiz Couto que assuma aqui a Presidência para eu defender meus dois requerimentos. O SR. DEPUTADO LUIZ COUTO – Há ainda um de Erika, não é? O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Ah, desculpe, Deputada Erika. É que me apressaram aqui, e eu estou apressando também a garganta. Item 19: Requerimento nº 64, de 2011, da Sra. Deputada Erika Kokay, que requer a realização de audiência pública para debater o fenômeno da violência nas escolas. Esse requerimento já foi aprovado lá atrás, junto com o requerimento do Deputado Quirino. Vamos ao Item 20. Eu passo a Presidência para o Deputado Luiz Couto. (Pausa.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Item 21... Não, Item 20: Requerimento nº 65, de 2011, do Sr. Domingos Dutra, que requer a constituição de uma representação da Comissão de Direitos Humanos e Minorias para diligenciar visitas ao Itamaraty, à Embaixada da Indonésia no Brasil e aos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário da Indonésia, pela libertação do instrutor de voo livre Marco Acher Cardoso Moreira, brasileiro de 49 anos que se encontra preso e condenado à pena de morte naquele país. Em discussão. O SR. DEPUTADO DOMINGOS DUTRA – Sr. Presidente, esse brasileiro – e tudo indica que é maranhense – Marco Acher Cardoso Moreira foi condenado na Indonésia à pena capital sob a acusação de tráfico de drogas. Ele foi pego com 5 quilos de cocaína na sua prancha. Já houve todos os trâmites no Judiciário. O Poder Judiciário manteve a pena capital. O Presidente Lula mandou uma carta pedindo perdão, e o governo indonésio não deu resposta. A Presidente Dilma refez o pedido. E na semana passada, na Comissão de Meio Ambiente, eu aproveitei que uma comissão de Parlamentares da Indonésia estava visitando o Brasil, com a presença do Embaixador, e o Embaixador deixou as portas as abertas, no sentido de que é possível que o Governo da Indonésia evite a execução dessa pena. Há alternativas. 01030 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Portanto, eu estou pedindo que a Comissão de Direitos Humanos priorize e aprove o requerimento, mas também com a agilidade necessária, para a gente diligenciar junto à Embaixada da Indonésia no País, junto ao Itamaraty, e, se for necessário, que uma comissão se desloque à Indonésia para evitar a execução desse brasileiro, que não tem antecedentes, praticou esse delito, e lá o tráfico de drogas leva a pena capital, mas há uma porta aberta, e nós podemos evitar a execução desse brasileiro. Já que em outras oportunidades nós fomos aqui contrários à execução de pena de morte no Irã e em outros países, eu acho que é mais justo do que nós façamos um esforço para salvar esse brasileiro dessa pena extrema lá na Indonésia. O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Continua em discussão. Não havendo quem queira discutir, em votação. Os que estiverem de acordo permaneçam como se encontram. APROVADO. Item 21: Requerimento nº 66, de 2011, do Sr. Domingos Dutra, que requer a constituição de uma representação da Comissão de Direitos Humanos e Minorias para verificar a situação jurídica, processual e de assistência de presos estrangeiros na penitenciária do Município de Itaí, no Estado de São Paulo. Em discussão. O SR. DEPUTADO DOMINGOS DUTRA – Sr. Presidente, eu, quando fui Relator da CPI, e aqui o Deputado Tadeu também, nós encontramos em vários Estados do Brasil estrangeiros presos, principalmente africanos, no maior abandono, sem intérprete, sem assistência jurídica, sem assistência material. O sistema penitenciário não garante assistência alguma nem aos nacionais, e quando se trata de estrangeiros, e principalmente africanos, que são muitos, o abandono é completo. Eu obtive informações de que todos os presos estrangeiros no Estado de São Paulo estão nessa Penitenciária de Itaí, no Estado de São Paulo. Por outro lado, eu estou pedindo ao Itamaraty informações sobre a situação dos brasileiros presos no exterior. Nós queremos saber onde estão, qual é a situação processual. Têm saído notícias reiteradas de brasileiros nos Estados Unidos que estão há 2 anos estão sem instrução processual. Eu recebi outros apelos de brasileiros no exterior que estão com irregularidade processual. Portanto, eu acho que, até pela questão de reciprocidade, vale a pena que a gente também cuide dos presos estrangeiros no Brasil, para a gente poder exigir tratamento legal, de acordo com os tratados, aos presos brasileiros – que são muitos – no exterior. Fevereiro de 2012 Mesmo na Guiana Francesa, aqui pertinho, há muitos presos, inclusive maranhenses. Portanto, o requerimento é de que esta Comissão faça uma diligência no Estado de São Paulo; se for verdade que todos os presos estrangeiros em São Paulo estão numa única penitenciária, é evidente que isso ajuda muito a gente a verificar a situação desses estrangeiros, e principalmente negros, que são envolvidos no tráfico de drogas e estão aí sem nenhuma assistência, principalmente na questão dos intérpretes. Não se garante intérprete; portanto, há uma falta assistência jurídica a esses presos. Portanto, o requerimento é nesse sentido. Peço a aprovação, e que a Comissão, que agora tem um pouco de autonomia financeira, rapidamente marque para irmos a São Paulo verificar a situação desses presos. O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Continua em discussão. Não havendo quem queira discutir, em votação. Os que estiverem de acordo permaneçam como se encontram. APROVADO. Vou devolver a Presidência ao Deputado Domingos Dutra. O Requerimento nº 67/2011 alguém tem de subscrever, porque Manuela não está presente. Com a subscrição do Deputado Jordy, Requerimento nº 67, de 2011, da Sra. Manuela D’Ávila e de Jordy, que requerem a realização, em parceria com a Secretaria de Direitos Humanos e a Embaixada da Suécia, no dia 19 de maio, na Câmara dos Deputados, do Seminário sobre Castigos Corporais, no marco do debate sobre o Projeto de Lei nº 7.672/2010. Em discussão. (Intervenção fora do microfone. Inaudível.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – É, é a Lei da Palmada. É que a rainha está aqui; então... Em discussão. Não havendo quem queira discutir, em votação. Os que estiverem de acordo permaneçam como se encontram. APROVADO. Item nº 23: Requerimento nº 68, de 2011, também subscrito pelo Deputado Jordy, da Sra. Manuela e de Jordy, que requerem a realização de audiência pública desta Comissão de Direitos Humanos e Minorias para debater os processos de reparação devida pelo Estado brasileiro às vítimas de torturas e perseguições das Forças Armadas por conta da guerrilha do Araguaia, bem como a relevância da Comissão da Verdade para a conclusão desses processos. Em discussão. Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS A SRA. DEPUTADA LUIZA ERUNDINA – Pela ordem, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Tem a palavra a Deputada Luiza Erundina. A SRA. DEPUTADA LUIZA ERUNDINA – É o mesmo objeto que está previsto em requerimento já aprovado, de minha iniciativa, que é o Requerimento nº 50/2011. O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Com certeza. Não há problema, nós faremos em conjunto. Ou seja, o princípio é o de que, naquelas coisas que são boas, o que abunda não prejudica, não é? Então, nós vamos continuar. Em discussão. Em votação. Os que estiverem de acordo permaneçam como se encontram. APROVADO. E agora, item 24: Requerimento nº 69, de 2011, da Sra. Manuela D’Ávila e do Sr. Domingos Dutra, que requerem a realização por esta Comissão de Direitos Humanos, em parceria com a Frente Parlamentar contra o Trabalho Escravo e a Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo, de ato de lançamento da Comunidade E-Democracia Pela Aprovação da PEC 438 – Contra o Trabalho Escravo, no dia 12 de maio, véspera do aniversário da Lei Áurea. Em discussão. O SR. DEPUTADO DOMINGOS DUTRA – Sr. Presidente, no dia 3 de maio completam-se 123 anos da abolição formal da escravatura, e vamos completar 23 anos da chamada Constituição Cidadã. Também completam-se 10 anos da PEC nº 438, que tem o objetivo de expropriar terras com prática de trabalho escravo. Essa PEC está aqui enganchada. Aprovou-se em primeiro turno, mas não há quem consiga colocá-la em segundo turno. Nós temos uma Frente Parlamentar Mista, Câmara e Senado, de Erradicação do Trabalho Escravo. Portanto, nesse dia, na véspera do dia 13, quer-se lançar essa comunidade para se tentar, pela pressão popular, sensibilizar o conjunto da Câmara para votar em segundo turno essa PEC, porque os números da prática de trabalho escravo no Brasil são crescentes, e é uma vergonha que em pleno Século XXI ainda haja uma minoria de empresários que continuam insistindo na prática da exploração brutal da mão de obra humana como forma de aumentar o seu lucro. Portanto, é procedente o requerimento, e eu peço a aprovação. O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Continua em discussão. Tem a palavra o Deputado Jordy. Terça-feira 7 01031 O SR. DEPUTADO ARNALDO JORDY – Deputado Luiz Couto, primeiro, quero parabenizar pela iniciativa a Deputada Manuela e o Deputado Domingos Dutra, que propõem esse ato em conjunto com a Frente Parlamentar e a Comissão de Erradicação do Trabalho Escravo. Realmente, não tem o menor sentido a gente ficar ainda digerindo essa questão. Essa matéria já foi exaustivamente discutida, a PEC já alcançou todos os seus objetivos materiais para a sua apreciação nesta Casa, e eu sugiro que nessa mesma data, ou numa outra data que os dois proponentes possam considerar mais conveniente, possa-se marcar uma audiência com o nosso Presidente da Casa, o Deputado Marco Maia, no sentido de tentar pautar essa representação coletiva e conjunta das três Comissões, Direitos Humanos, Frente da Erradicação do Trabalho Escravo e Frente Parlamentar, no sentido de buscar o entendimento para apreciação desta matéria. Realmente, os casos, principalmente no Estado do Pará, no Estado do Maranhão e em São Paulo são recorrentes, segundo notícias, e cada vez mais esses números de trabalho análogo a escravo se reproduzem e não são mais compatíveis, em absoluto, com a modernidade do Brasil do século XXI. Então, quero apenas sugerir aos autores que possamos acrescentar esse pedido de audiência ao Presidente da Casa no sentido de buscar uma solução institucional para a apreciação desta matéria. A SRA. DEPUTADA ERIKA KOKAY – Só para discutir, rapidamente, Sr. Presidente, inscrevo-me para concordar com o Deputado Jordy que se antecipou às minhas próprias palavras na perspectiva de que pudéssemos marcar uma reunião com o Presidente da Casa para que houvesse a apreciação da PEC em segundo turno. São 25 mil pessoas que entram em trabalho escravo por ano e 40 mil pessoas que já foram libertadas do trabalho escravo. Portanto, a escravidão ainda persiste. Direcionada, localizada, mas ainda persiste e essa medida é absolutamente fundamental para que nós possamos erradicar o trabalho escravo. O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Em votação. Os que estiverem de acordo com o requerimento permaneçam como se encontram. (Pausa.) Nós temos 3 requerimentos extrapauta com o número regimental de Parlamentares que o assinaram. Nós temos ainda uma audiência pública e já ultrapassamos o tempo que foi acordado. Todos estão aqui. Como são requerimentos que depois vamos debater durante a audiência, solicito que não haja discussão e nós possamos votá-los diretamente. 01032 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS O primeiro é da Deputada Erika Kokay, que requer a realização de audiência pública no âmbito desta Comissão, em data a ser definida oportunamente, com o objetivo de discutir políticas públicas para a preservação da cultura do povo cigano no Brasil e no Distrito Federal. Em discussão. (Pausa.) Não havendo quem queira discutir. Em votação. Os que estiverem de acordo com o requerimento permaneçam como se encontram. (Pausa.) Aprovado. Outro requerimento é o de nº 26/2011, da Deputada Erika Kokay, que requer a realização de audiência pública no âmbito desta Comissão, em data a ser marcada oportunamente, com o objetivo de discutir a localização de albergues destinados à moradia de pessoas carentes, tomando como referência a realidade do Distrito Federal. Em discussão. (Pausa.) Não havendo quem queira discutir. Em votação. Os que estiverem de acordo permaneçam como se encontram. (Pausa.) Aprovado. Requerimento nº 27/2011, da Deputada Erika Kokay, que requer a realização de audiência pública no âmbito desta Comissão, em data a ser marcada, com o objetivo de discutir as precárias condições em que vivem as crianças e adolescentes em situação de rua nas grandes e médias cidades brasileiras, tomando como referência a experiência do Distrito Federal. Em discussão. (Pausa.) Não havendo quem queira discutir. Em votação. Os que estiverem de acordo permaneçam como se encontram. (Pausa.) Requerimento nº 28/2011, da Sra. Deputada Erika Kokay, que requer a realização de audiência pública no âmbito desta Comissão, em data a ser marcada oportunamente, com o objetivo de discutir a participação de psicólogos na realização de exames criminológicos no âmbito do sistema prisional brasileiro. Em discussão. (Pausa.) Não havendo quem queira discutir. Em votação. Os que estiverem de acordo permaneçam como se encontram. (Pausa.) Aprovado. Nós tínhamos alguns projetos sujeitos à apreciação do plenário, projeto de decreto legislativo, mas nós vamos retirar de ofício, porque queremos começar a audiência pública. Fevereiro de 2012 Então, agora, concluída a votação, passamos ao Presidente em exercício, Domingos Dutra, para que ele possa coordenar os trabalhos desta audiência pública. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Encerrada a presente reunião ordinária da Comissão de Direitos Humanos. Declaro abertos os trabalhos da presente audiência pública, uma promoção desta Comissão em parceria com o Comitê Brasileiro de Direitos Humanos e Política Externa, que tem como finalidade debater o tema: Agenda do Estado Brasileiro em 2011 nos siste‑ mas ONU, OEA e MERCOSUL de Direitos Humanos. Essa audiência atende a requerimento de autoria da Deputada Manuela d’Ávila, que até o final dos trabalhos estará presente, e segue um hábito iniciado em 2006, quando foi criado o Comitê. Anualmente, esta Comissão reúne-se com representantes do Ministério das Relações Exteriores e da Secretaria de Direitos Humanos, juntamente com entidades que formam o Comitê Brasileiro de Direitos Humanos e Política externa para esse diálogo. O debate entre os Poderes Executivo e Legislativo e a sociedade civil em torno do posicionamento do Estado brasileiro no contexto internacional dos direitos humanos é relevante, na medida em que estamos tratando de uma temática estratégica capaz de afetar a vida de todos e influir no cenário internacional. A importância desse encontro se torna maior nesse começo de Governo da Presidenta Dilma Rousseff, que tem declarado sua intenção de conferir prevalência aos direitos humanos nas proposições brasileiras em fóruns multilaterais. Passemos então a compor a Mesa, convidando os expositores: Ministro Sílvio José Albuquerque e Silva, Diretor-Interino do Departamento de Direitos Humanos e Temas Sociais do Ministério de Relações Exteriores; Sra. Camila Asano, representante da Secretaria-Executiva do Comitê Brasileiro de Direitos Humanos e Política Externa; Dra. Gilda Pereira de Carvalho, Procuradora Federal dos Direitos do Cidadão do Ministério Público Federal; Sr. Fábio Balestro, representante da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República; Sr. Luís Emmanuel Cunha, representante da Secretaria-Executiva do Comitê Brasileiro de Direitos Humanos e Política Externa. A informação é de que ele, por motivos superiores, não está presente. E, por fim, convido o Sr. Carlos Eduardo da Cunha Oliveira, Chefe da Divisão de Direitos Humanos do Ministério de Relações Exteriores. O tempo para cada expositor é de 15 minutos. Antes, se algum Deputado quiser usar da palavra... Pois não, Deputado Chico Alencar. Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. DEPUTADO CHICO ALENCAR – Sr. Presidente, Deputado Domingos Dutra, por favor, quero até pedir desculpas aos nossos convidados que nos honram com a sua presença no debate desse tema fundamental, mas acabei de ser chamado lá na Presidência para discutir, de novo, as questões da colcha de retalhos chamada Código Florestal, quer dizer, a reformulação do Código. Eu pretendo voltar logo, porque tenho muitas indagações a fazer, mas peço desculpas e justifico a minha saída. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Compreensivo, Deputado Chico Alencar. Esse é um tema que interessa ao País. Está pautado para essa tarde. Tenha boa sorte e bom juízo. Esclareço que as imagens e som desta reunião estão sendo captados para transmissão ao vivo pela Internet e também para posterior registro de áudio e transcrição. Por isso, solicito que os nossos convidados falem bem próximo ao microfone e peço ao Serviço de Som que melhore a qualidade do som da Mesa e também do plenário. Concedo a palavra ao nosso convidado, o Ministro Sílvio Albuquerque e Silva, Diretor-Interino do Departamento de Direitos Humanos e Temas Sociais do Ministério das Relações Exteriores. V.Sa. tem 15 minutos. O SR. SÍLVIO ALBUQUERQUE E SILVA – Muito obrigado, Sr. Presidente. Em primeiro lugar, eu gostaria de saudar os Deputados, todos os representantes de organizações da sociedade civil, os representantes de embaixadas estrangeiras. É um prazer representar o Ministro Antonio Patriota nesta audiência. E estou aqui na qualidade Diretor-Interino do Departamento de Direitos Humanos e Temas Sociais; sou Chefe da Divisão de Temas Sociais do Itamaraty e me ocupo diretamente dos direitos humanos chamados de segunda geração por alguns doutrinadores. Farei uma exposição focada basicamente nos princípios que regem a política externa dos direitos humanos do Brasil e procurarei dar ênfase às questões ligadas à minha área. O meu colega Carlos Eduardo, Chefe da Divisão de Direitos Humanos, posteriormente falará mais precisamente sobre temas afetos à sua divisão e aos direitos humanos civis e políticos. Eu começaria dizendo que, na prática da política exterior, existem determinados e diferentes objetivos e situações de política externa que se podem revelar incompatíveis. Uma escolha deve ser feita entre alternativas, com consequências algumas vezes negativas. Ter que fazer difíceis e diferentes opções e estabelecer prioridades é parte do trabalho diplomático clássico. Eu diria que, em nenhum outro campo, esse leque de opções com possíveis consequências em ou- Terça-feira 7 01033 tros domínios é mais flagrante do que no campo dos direitos humanos. Isso resulta de dois fatores principais. Em primeiro lugar, a política de direitos humanos pode conflitar com a manutenção de relações diplomáticas amistosas com outros países. Isso é muito evidente no caso de manifestações sobre direitos humanos emitidas em situações de flagrante violação dos direitos humanos, não em foros multilaterais, mas manifestações feitas por chancelarias. O segundo fator deriva da noção superada, em termos legais e formais, de que as questões relacionadas a direitos humanos são questões que se encontram no domínio próprio da soberania dos Estados, e dizem respeito, portanto, às políticas internas desses estados. Essa também é, como eu disse, uma questão superada. Pelo menos desde a Conferência de Viena sobre direitos humanos, esse tema está superado, pelo reconhecimento da legitimidade internacional da crítica à situação de direitos humanos em qualquer País. Então, no plano internacional, uma política de direitos humanos significa sempre uma escolha entre um conjunto de prioridades. E, ao adotá-la, todo governo tem que decidir em que medida e em que circunstâncias os direitos humanos terão primazia em relação a outras considerações de política externa. Essas considerações de política externa são de várias naturezas, como, por exemplo, o comércio exterior, a segurança nacional, a cooperação para o desenvolvimento. Como o Brasil superou esse dilema de formular política externa em direitos humanos, tendo um potencial conflito com um país amigo que vem a ser criticado, ou então uma alegação legalmente improcedente de que, ao fazê-lo, o Brasil desrespeita a soberania do outro país criticado? A resposta sobre como o Brasil superou esse dilema está na Constituição brasileira. O que fundamenta – e eu já entro diretamente na fundamentação básica da política externa brasileira em direitos humanos – a ação externa brasileira no campo dos direitos humanos é a Constituição de 1988, porque ela produziu um avanço sem paralelo na consolidação dos direitos humanos e das liberdades fundamentais no Brasil. Ela acolhe o princípio da universalidade dos direitos humanos ao consagrar o valor da dignidade humana como princípio fundamental do constitucionalismo brasileiro. Quanto à indivisibilidade dos direitos humanos, ao caráter indivisível dos direitos humanos, a Constituição de 1988 é a primeira Constituição brasileira que integra ao elenco de direitos fundamentais os direitos sociais e econômicos, que, nas Constituições anteriores, estavam pulverizados no capítulo pertinente à Ordem Econômica e Social – inclusive na Constituição de 1934. 01034 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS No que diz respeito especificamente à formulação de política externa, interessa chamar a atenção para o que dispõe o art. 4º da Constituição, que trata dos princípios constitucionais que regem as relações internacionais do Brasil. Isto é algo absolutamente inovador, porque tais princípios estabelecem padrões, limites e balizam a ação externa do Brasil, com base em dois princípios principais que quero aqui ressaltar: a prevalência nos direitos humanos e o repúdio ao racismo. Pode parecer pouco mas não é. Ter uma Constituição Federal, que orienta, baliza e dá limites à ação externa do Brasil é algo que, para os diplomatas, para os formuladores de política externa, serve como um farol, como uma orientação clara dos limites que podemos alcançar e onde não podemos tocar ao tratar de temas relacionados à política externa. Então, a prevalência dos direitos humanos é claramente um dos principais princípios consagrados no art. 4º e é, sem sombra de dúvida, a luz maior que orienta a ação externa do Brasil ao formular políticas de direitos humanos. Eu ingressei na carreira diplomática em janeiro de 1986, no momento de redemocratização do País, e trabalho com o tema direitos humanos pelo menos ao longo de 15 anos da minha carreira. Diria que as ações externas que ganharam maior legitimidade no plano internacional e que se refletiram em mudanças no plano interno quanto ao respeito aos direitos humanos foram aquelas balizadas pela Constituição brasileira e, mais do que isso, pelo permanente cuidado do Itamaraty – e me refiro ao Itamaraty pós-redemocratização – em manter uma interlocução frequente com a sociedade civil e com o Parlamento. Talvez um dos exemplos mais marcantes na minha carreira tenha sido a definição da posição levada pelo Brasil a Durban em 2001 para a Conferência Mundial contra o Racismo. Ali ficou flagrante que havia uma tremenda desconfiança no processo de construção da posição do Brasil; havia uma tremenda desconfiança, em boa medida justificável, da comunidade brasileira em relação ao Itamaraty, em função de décadas de omissão da política externa brasileira em relação à realidade do racismo no País. Lembro às senhoras e aos senhores que o primeiro relatório encaminhado pelo Brasil ao Comitê para Eliminação da Discriminação Racial das Nações Unidas tinha apenas um parágrafo. Dizia que, tendo em vista o fato – isso no início dos anos 70 – de que vigia no Brasil uma perfeita e harmônica democracia racial, o Governo brasileiro não se sentia obrigado a apresentar um relatório ao Comitê de Monitoramento. Ao longo das décadas, a transformação que sofreu o Itamaraty foi extraordinária, produto de uma Fevereiro de 2012 autorreflexão dos próprios diplomatas em relação aos rumos da política externa brasileira, no campo dos direitos humanos, mas sobretudo em função da permeabilidade da política externa brasileira no campo dos direitos humanos, a opinião pública e a opinião manifestada pelo Parlamento brasileiro. Então, ser diplomata brasileiro e trabalhar com o tema direitos humanos, pelo menos desde o meu ingresso na carreira em 86, é algo reconfortante, mas é algo também extremamente difícil, que impõe sacrifícios pessoais, de carreira, que nos leva quase que diariamente a lidar com conflitos que dizem respeito à formulação de políticas de Estado que não necessariamente obedecem, e nem devem obedecer necessariamente, à visão maximalista e idealista que alimenta a atuação das organizações da sociedade civil. Por mais legítimas que sejam as opiniões manifestadas pela sociedade civil em temas de política externa no campo dos direitos humanos, cabe ao Estado brasileiro, cabe ao Itamaraty, cabe ao Governo brasileiro sopesar interesses manifestados pela sociedade civil a interesses nacionais definidos de acordo com uma série de prioridades outras que também instruem o formulador de política. Em última instância, o Itamaraty implementa política externa definida pelo Presidente da República, no caso pela Presidenta da República. Quais são os princípios gerais que orientam essa política? Em primeiro lugar, eu diria que o Brasil aborda o tema direitos humanos no plano internacional de modo essencialmente universalista, não seletivo e não politizado. Mas aqui eu qualifico a expressão “politizado”, porque é da natureza de qualquer órgão do sistema onuziano ser politizado, ou lidar com temas políticos, assim como esta Casa. Mas a referência à politização deve ser entendida no contexto da forma negativa como esse fenômeno se manifesta nos foros multilaterais, traduzida na escolha arbitrária de alvos de monitoramento internacional e dos países que terão sua situação examinada. Então, um dos principais discursos que o Brasil tem tido, tanto nas Nações Unidas, Conselho de Direitos Humanos, como também no Sistema Interamericano, é da busca constante de procurar despolitizar – de acordo com essa definição que eu acabei de dar – e desseletivizar o sistema, buscando torná-lo um sistema que aborde e trate igualmente a situação de direitos humanos em todos os países do mundo. O que percebemos com muita clareza – e aqui estão representantes de governos de países desenvolvidos – é que existem temas hoje no cenário internacional Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS que são frequentemente colocados de lado na análise feita pelo Sistema Internacional de Direitos Humanos. Há um clássico. Poucas situações são mais flagrantes de desrespeito aos direitos humanos nos dias atuais quanto a discriminação racial, étnica, sofrida pelos migrantes nos países desenvolvidos. Há manifestação de discriminação nos países em desenvolvimento contra migrantes? Também há. Mas é flagrante para o Brasil, para o Conselho de Direitos Humanos e outros órgãos do Sistema Internacional lidarem, com superficialidade, com um tema que diz respeito à situação de desrespeito flagrante vivenciada por milhares de seres humanos em função de sua raça, de sua cor, de sua etnia, de sua religião. Esse é um tema claramente evitado em foros internacionais com base na seletividade que em geral países desenvolvidos procuram imprimir e impingir a esses órgãos. O Brasil se insurge contra isso. O segundo item que eu gostaria de ressaltar, dentre os princípios que balizam nossa ação externa, é o reconhecimento, pelo Brasil, da legitimidade dos mecanismos internacionais de proteção dos direitos humanos. E o Brasil deles participa e busca reforçar sempre sua eficácia. Reitero aqui que, desde a sua redemocratização, o Brasil tem reafirmado o seu compromisso internacional com os direitos humanos. Somos signatários e ratificamos os mais importantes instrumentos internacionais de proteção dos direitos humanos, tanto no plano internacional, global, como no plano regional. Reconhecemos a jurisdição contenciosa da Corte, e o Brasil também é um dos poucos países do mundo que estendeu a todos os Relatores Especiais do Sistema ONU um convite permanente para que visitem o Brasil, a fim de averiguar in loco a situação dos direitos humanos no País. Digo que somos poucos porque, num universo de pouco mais de 190 países da ONU, apenas 72 Estados reconhecem esse direito dos Relatores de visitarem livremente o seu país para analisar a situação dos direitos humanos no mundo. Tenho apenas 1 minuto a mais. Concluo dizendo que, na minha opinião, uma das lacunas e um dos desafios maiores na evolução do Sistema Internacional dos Direitos Humanos está na busca do princípio da indivisibilidade dos direitos humanos como algo que poderá contaminar positivamente a proteção de direitos humanos no mundo. Eu me explico. Eu diria que a proteção de direitos humanos vai continuar a ser obstaculizada no mundo enquanto o direito ao desenvolvimento, à eliminação da pobreza extrema, à alimentação, à saúde, enfim, os direitos econômicos e sociais não forem seriamente considerados como questões cruciais, não apenas Terça-feira 7 01035 para os 4 bilhões de serem humanos que carecem desses direitos, ou da maioria deles, mas também para muitos seres humanos que vivem em países desenvolvidos e que também passam por situações de privação nessa área. A privação social e a exploração econômica devem ser consideradas graves violações de direitos humanos, no mesmo patamar da tortura, do desaparecimento forçado, da discriminação racial. Para o Brasil, apenas a indivisibilidade dos direitos humanos será capaz de reforçar a universalidade desses direitos. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Agradecemos ao Ministro Sílvio José Albuquerque e Silva e lamentamos ter de interrompê-lo por conta do tempo. Se V.Sa. puder nos remeter depois a exposição, vai ficar nos Anais da Casa e a distribuiremos aos Parlamentares. Concedo a palavra à Sra. Camila Asano, que representa aqui a Secretaria Executiva do Comitê Brasileiro de Direitos Humanos e Política Externa. V.Sa. tem 15 minutos. A SRA. CAMILA ASANO – Boa tarde a todos e a todas. Antes de mais nada, quero agradecer à Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados pela realização, pelo convite e, no fundo, pela parceria nesse Comitê Brasileiro de Direitos Humanos e Política Externa. No fundo, somos uma parceria, mas a Comissão de Direitos Humanos e Minorias é integrante deste Comitê. Então, é realmente um trabalho conjunto que tem sido feito desde 2006, quando o Comitê Brasileiro de Direitos Humanos e Política Externa foi estabelecido, e a partir de uma audiência pública aqui mesmo nesta Comissão, em que se discutiu por que havia tão pouco interesse por parte da sociedade civil com relação à política externa brasileira, no que diz respeito aos direitos humanos. Desde então, trabalhamos juntos. Esse Comitê é composto por organizações da sociedade civil, muitas delas estão presentes aqui, e também por alguns órgãos de Estado, o que faz com que o Comitê tenha uma natureza um pouco diferenciada e muito rica. Por exemplo, o fato de a Comissão de Direitos Humanos e Minorias fazer parte permite não só interação maior entre a sociedade e o poder público, mas também nos permite explorar estes canais de participação, como esta audiência pública, para discutir tema tão relevante como é o da política externa brasileira com impactos em direitos humanos tanto no Brasil como no mundo. 01036 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS O Ministro Sílvio mencionou o art. 4º, inciso II, da nossa Constituição Federal, que versa sobre os princípios que regem as relações internacionais do Brasil. O inciso II fala sobre a prevalência dos direitos humanos. Foi justamente com essa base normativa que o Comitê foi constituído, e ele trabalha justamente para buscar a prevalência dos direitos humanos na política externa. Quais foram as motivações? Um pouco a falta de acompanhamento, tanto da sociedade civil como também da própria mídia, sobre as atuações do Brasil. Isso gerava uma falta de debate; e falta de debate, por si só, numa democracia, é algo muito negativo. Mas também porque o Brasil cada vez mais tem conquistado papel proeminente no cenário internacional. Esse aumento do protagonismo brasileiro, o Brasil ocupando o papel de ator global, de fato, traz muitas responsabilidades. E acho que esta participação e esse acompanhamento por parte de outros órgãos, não só os que tradicionalmente conduzem a política externa, é algo valioso para o próprio processo democrático. Além disso tudo, há a questão da democracia como criação de ambientes e espaços de participação. Como eu disse, esta audiência pública, ou qualquer audiência pública, é um mecanismo que a nossa democracia já oferece aos cidadãos como forma de atuar no debate público no Brasil. Este Comitê, junto com a Comissão de Direitos Humanos, como foi apresentado na abertura dos trabalhos de hoje, já tem realizado, de forma tradicional, audiências para discutir com os representantes do Governo quais as prioridades do Brasil no tema direitos humanos nos fóruns internacionais – ONU, OEA, Organização dos Estados Americanos, e MERCOSUL –, e que não seja em detrimento de outros temas que possam surgir, como agendas bilaterais e outros. Bem, eu gostaria de focar este momento que foi concedido ao Comitê numa iniciativa que está nesse material que os senhores e as senhoras receberam. Trata-se de uma agenda mínima apresentada na época das eleições presidenciais do ano passado com dez compromissos em direitos humanos e política externa. Esses compromissos foram apresentados em audiência pública desta nossa parceira, que é a Comissão de Direitos Humanos e Minorias, que contou com a presença de representantes das campanhas presidenciais. Todos os representantes presentes assumiram publicamente os dez compromissos contidos aqui. Esta é uma forma de a sociedade brasileira ter ao menos um documento de referência para poder discutir com o novo Governo as ações comprometidas para a implementação da tão buscada prevalência dos direitos humanos na política externa. Fevereiro de 2012 Eu queria falar brevemente sobre alguns pontos dessa agenda mínima, aproveitando a oportunidade deste encontro com representantes do Governo para já levantar alguns exemplos concretos de informações que poderiam ser divulgadas melhor. E espero que, apesar do avançado da hora, ainda possa haver alguma intervenção do público, justamente porque, sobretudo esta semana, surgiram muitos casos no cenário brasileiro. Essa agenda mínima começa com as obrigações regionais e internacionais assumidas pelo Brasil em direitos humanos. Então um dos seus primeiros pontos é o cumprimento de decisões internacionais. O Brasil, como o Ministro Sílvio mencionou, reconhece a competência da Corte Interamericana de Direitos Humanos e com isso reforça sua obrigação de cumprimento de decisões internacionais, no caso das decisões regionais desse sistema interamericano. Um tema que foi pauta de debate e que sem dúvida devemos tratar nesta audiência pública é o caso de Belo Monte e das medidas cautelares que foram enviadas pelo sistema interamericano ao Brasil. Eu gostaria de pedir, em primeiro lugar, uma explicação sobre a reação do Brasil a essas medidas cautelares. Uma primeira pergunta é como vai se dar a implementação dessas medidas cautelares, uma vez que o Brasil reconhece a competência desse sistema. Foram veiculadas na mídia algumas notícias de reações do Governo brasileiro diante da decisão das medidas cautelares. Portanto, não apenas peço um esclarecimento a esse respeito nesta audiência pública, mas também já registro um pedido do Comitê Brasileiro de Política Externa e Direitos Humanos de esclarecimento formal e por escrito no site do MRE sobre a reação do Brasil e sobre os temas que foram veiculados recentemente na imprensa nacional. Outro caso de cumprimento de decisão é o caso do Araguaia. A propósito, a Deputada Luiza Erundina o apresentou à audiência; esse é um tema que realmente necessita ser discutido, sobretudo diante da decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a constitucionalidade da Lei da Anistia. Então aproveito este momento de debate para perguntar como será encaminhada a questão, dadas essas duas decisões: a decisão do Supremo, no Brasil, sobre a Lei da Anistia e a decisão sobre o caso do Araguaia. Ainda sobre o tema do cumprimento de decisões internacionais, meu último ponto seria o Programa Nacional de Direitos Humanos 3. Como sabem, o PNDH3 tem uma parte internacional – muitas organizações que estão aqui presentes trabalharam pela inclusão desse sistema internacional – que trata justamente da responsabilidade do Governo em implementar decisões e recomendações que venham de órgãos re- Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS gionais e internacionais. Sabemos que existe todo um processo de interlocução entre sociedade e Governo e inclusive um comitê interministerial trabalhando pela implementação do PNDH-3. O que nos preocupa é que as ações relativas à parte internacional não estavam contempladas nas ações prioritárias dos Ministérios, nem do Ministério das Relações Exteriores. Então temos de saber como está se dando a definição das ações prioritárias do Ministério das Relações Exteriores com relação ao PNDH-3 e das ações referentes à implementação de decisões internacionais. Bem, a agenda mínima com esses dez compromissos passa depois a tratar das ratificações e envios de relatórios pendentes ao Sistema ONU de Direitos Humanos. Como foi dito, realmente o Brasil tem um status avançado, se comparado com outros países, sobre ratificação, mas ainda faltam algumas ratificações. Uma delas encontra-se nesta Casa e trata da convenção da ONU sobre os direitos dos trabalhadores migrantes e suas famílias. Então, acho que a pergunta agora seria dirigida ao Deputado Domingos Dutra, a fim de sabermos como tem sido encaminhadas as discussões sobre essa ratificação, sabendo-se que depois da Emenda Constitucional nº 45 as convenções e tratados de direitos humanos que tiverem uma maioria qualificada nas duas Casas durante a sua ratificação recebem o status constitucional. Então, quero saber também quais são as perspectivas e o que a sociedade civil poderia fazer para contribuir para que isso aconteça, lembrando que, desde que a referida emenda foi aprovada, só houve um caso de um tratado sobre direitos humanos que foi aprovado com essa maioria qualificada e, consequentemente, alcançou status constitucional, qual seja a Convenção da ONU sobre o Direito das Pessoas com Deficiência. Então, seria extremamente importante que essa maioria fosse conseguida. Portanto, vamos trabalhar juntos para conseguirmos uma mobilização com vistas a essa maioria qualificada. Há outras ratificações ainda pendentes, não necessariamente de tratados, mas de protocolos facultativos que vão criar mecanismos para a sociedade poder acessar tanto o Sistema ONU de Direitos Humanos como o Protocolo Facultativo ao Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais. O Brasil tem um histórico e uma herança de atuação muito forte nesse tema, e ainda falta assinar esse protocolo. Terça-feira 7 01037 Acho que este é um bom momento para perguntar sobre o estado de assinatura. Não se trata ainda da ratificação, é o primeiro passo, a assinatura. Agora, com relação aos relatórios pendentes, devo dizer que há uma série deles. O Brasil esteve bem com relatórios especiais, recebendo missões e encontrando as portas abertas, além de ratificar uma série de instrumentos internacionais, mas tem pecado muito com relação ao envio de relatórios, inclusive temos aqui uma lista deles. Sabemos que existe um esforço, inclusive para um relatório da ONU para pessoas com deficiências, que foi colocado em consulta, apesar de ter havido um certo atraso. Mas agora já está colocado em consulta e se trata de um processo interessante, inclusive garante-se a acessibilidade ao site para que pessoas com deficiência possam participar desse processo formal de consulta. Mas queremos saber como está o calendário de envio dos relatórios, sobretudo porque o Sistema ONU permite que a sociedade civil atue diretamente, enviando relatórios alternativos, os chamados “relatórios sombras”. E qualquer forma de mobilização da sociedade civil depende dessa informação sobre a previsibilidade das datas de envio desses relatórios por parte do Governo brasileiro. Ainda neste ponto, minha última consideração seria com relação à revisão periódica universal. Como foi dito, essa revisão foi uma tentativa do Conselho de Direitos Humanos da ONU de garantir que todos os países fossem tratados de uma forma universal, sem a seletividade que o Ministro Sílvio comentou, que, de fato, prejudica o avanço internacional dos Direitos Humanos. E o Brasil passou pela Revisão Periódica Universal – RPU, no seu primeiro ciclo, em 2008. E, agora, em 2012, passará pelo segundo ciclo. Será um dos primeiros países a passar novamente pelo mecanismo. Mas, na verdade, 3 anos se passaram e ainda fica muito difícil para a sociedade brasileira saber quais são os esforços e recomendações que emanaram dessa RPU e que foram implementadas, sobretudo pela falta de informação mesmo de não sabermos como fazer esse tipo de monitoramento. E a sociedade civil, enfim, pelo menos o Comitê Brasileiro vai continuar atuando na segunda RPU do Brasil e seria fundamental termos já esse diálogo, que inclusive já foi estabelecido com algumas pessoas que estão nesta Mesa. Mas a ideia é aproveitar esse momento para tratar do tema, até porque o prazo de preparação para a RPU do Brasil já está correndo, e o evento vai acontecer em junho de 2012. 01038 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Passo agora, dentro a agenda mínima apresentada pelo comitê, para a parte sobre a prevalência dos direitos humanos na política externa. Um dos pontos de que tratamos aqui é sobre como o Brasil pode utilizar a sua capacidade de diálogo em prol dos direitos humanos. Um exemplo claro que tivemos foi a aprovação da resolução sobre o Irã no Conselho de Direitos Humanos da ONU, como já mencionado. O Brasil conseguiu, naquela ocasião, articular e utilizar a sua capacidade de diálogo com diferentes grupos de países em prol de uma resolução que criou um mecanismo de monitoramento de direitos humanos no Irã. Passando agora para a questão do fortalecimento de órgãos regionais e internacionais de direitos humanos, é inevitável falar sobre as reações do Governo Brasileiro às medidas cautelares com relação a Belo Monte. Como as únicas informações que tivemos foram aquelas veiculadas na mídia, seria importante saber quais são as reações oficiais do Governo e dizer que o Brasil tem esse compromisso e essa tradição de apoiar o fortalecimento desses órgãos. Então, muito nos espantou, inclusive, a retirada de uma candidatura muito forte do Brasil para ocupar um dos assentos de comissionados da Comissão Interamericana, um pouco como resposta à atuação do Sistema Interamericano em relação a Belo Monte. Ainda sobre o fortalecimento dos órgão de direitos humanos internacionais e regionais, há a questão da contribuição financeira do Brasil a esses órgãos. Foi também veiculado, por meio dessas notícias que circularam esta semana, o assunto e seria ótimo se o Governo pudesse trazer informações sobre como se dá a definição dessas contribuições, os valores e as pendências existentes na contribuição do Governo em relação aos órgãos de direitos humanos internacionais e regionais. Fechando este ponto, falarei sobre cargos internacionais de direitos humanos. O Brasil apoia e indica candidatos internacionais a cargos de direitos humanos, mas não há uma clareza sobre os critérios ou o processo adotado pelo Governo brasileiro na escolha dos candidatos que receberão o apoio oficial do País. Então, esse é um tema que nos preocupa e gostaríamos de ouvir do Governo se há um processo definido para o estabelecimento desses apoios a cargos. E quero dizer que estamos abertos para discutir e conversar sobre o tema. Tenho conversado com o Carlos Eduardo sobre isso e, sem dúvida, é um ponto para avançarmos em uma agenda comum. Fevereiro de 2012 Sobre os destaques dos direitos humanos nas agendas bilaterais – sei que tenho aqui mais um minuto, mas já estou concluindo –, quero dizer que esse documento apresentado pelo comitê aos candidatos que obtiveram a adesão à suas candidaturas da Presidenta Dilma fala sobre conceder destaque aos direitos humanos nas agendas bilaterais. Por exemplo, quando a Presidenta visita um outro País ou quando recebe a visita de uma autoridade. Então, analisando a calendário de atividades do Itamaraty, verificamos que em maio teremos uma visita do Presidente Hugo Chávez ao Brasil. Portanto, queremos perguntar qual será a agenda sobre direitos humanos a ser tratada durante essa visita oficial do Presidente da Venezuela ao País. E não quero falar apenas sobre visitas oficiais, pois também teremos a visita da Prêmio Nobel da Paz, Shirin Ebadi, a iraniana, e gostaríamos de saber do Governo quais seriam os temas prioritários a serem tratados com uma personalidade, uma defensora dos direitos humanos, como é a ganhadora do Nobel da Paz. Fechando a questão da participação social e do controle democrático, que é a grande bandeira deste Comitê, sugerimos uma melhora na forma de informação. Portanto, iremos manter, desde que o Comitê continue existindo – inclusive com essa forte parceria com a Comissão de Direitos Humanos e Minoria –, a realização de audiência pública. Trata-se de um momento interessante, mas esta audiência ocorre apenas uma vez ao ano. O importante seria termos um documento onde tudo isso que está sendo apresentado aqui, as prioridades do Brasil, pudessem estar registradas em um documento de referência. E esse documento, no seu Compromisso nº 8, coloca a proposta de confecção de um documento público de referência onde o Governo apresente quais são as suas prioridades para o ano, além de um relatório anual, no qual o Governo apresentará quais foram as suas posições e atuações nos fóruns internacionais e regionais de direitos humanos. Isso garantiria, sem dúvida, uma transparência maior e uma informação que permitisse a participação qualificada. Por fim, fortalecer a participação dos três Poderes. E essa parceria continua. Muito obrigada. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Obrigado, Sra. Camila Asano, que deixou aqui uma série de questionamentos para o Dr. Sílvio José Albuquerque. Acho que o debate vai esquentar e, portanto, peço brevidade aos próximos oradores, para facilitarmos os trabalhos. Em sequência, concedo a palavra à Dra. Gilda Pereira de Carvalho, Procuradora Federal dos Direitos Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS do Cidadão, do Ministério Público Federal. Informo que V.Sa. tem 15 minutos para proferir sua palestra. A SRA. GILDA PEREIRA DE CARVALHO – Obrigada, Sr. Presidente. Ilustrada Mesa, Sras. e Srs. Deputados, senhoras e senhores, vejo nesta audiência pública da Comissão de Direitos Humanos e Minorias uma oportunidade para a Procuradora Federal dos Direitos do Cidadão externar suas preocupações em relação a relevantes temas nacionais. Eu estava comentando com o meu colega de Mesa, o Carlos Eduardo, que quando cursamos a Faculdade de Direito ficamos logo imaginando que a carreira diplomática é a mais interessante. E aprendemos muito cedo, ainda na faculdade, a admirar esse corpo diplomático de tão alto nível que temos em nosso País. Mas é claro que queremos que esse corpo diplomático, que desempenha uma função de Estado, possa fazer ainda mais pelo Brasil. As minhas preocupações advêm principalmente de alguns casos como, por exemplo, o do Haiti. Estou indo para o Acre hoje à noite, onde participarei de audiência pública relacionada aos imigrantes haitianos que vêm para o Brasil, principalmente para Estados da Região Norte – Acre, Amazonas, Rondônia. E a preocupação que motiva a realização da referida audiência pública decorre de não se saber a que título estão vindo ao nosso País os haitianos. Então, gostaríamos de saber se há alguma política, se ela já pode ser revelada e qual será a forma dessa recepção. Será com um visto humanitário? Existe esse visto? Indago, ainda: será que o Brasil não pode, por meio de sua missão diplomática no Haiti e do importante papel que desempenha na Minustah, fazer ainda naquele país – digamos assim – uma “seleção humanitária” dos haitianos que receberemos no Brasil com muita distinção e carinho? Essa é uma preocupação. Aproveitamos, também, para falar sobre as implementações das decisões das cortes internacionais. Há, inclusive, uma recente decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos relacionada ao caso Gomes Lund e outros, da Guerrilha do Araguaia, com o seguinte teor: “Há uma necessidade iminente de que o Ministério Público possa implementar essa sentença condenatória do Brasil”. É evidente que temos um Ministério Público persecutório, mas tanto o Ministério Público Federal quanto o Ministério Público dos Estados devem fazer essa reflexão e adotar as medidas necessárias. Mas eu pergunto: de que forma o Itamaraty – órgão responsável pelas nossas relações internacionais, possuidor de um corpo diplomático da mais alta envergadura em Terça-feira 7 01039 questões de Direito Internacional – pode nos ajudar, pois temos várias dúvidas – as quais já ouvi de vários colegas membros do Ministério Público – sobre essa implementação? Deixo essa sugestão ao nosso Comitê e à PFDC, pois também podemos contribuir com essa discussão, no sentido de que o Itamaraty possa nos ajudar a encontrar esses caminhos, os quais parecem tão difíceis, haja vista que a nossa Corte Suprema já tem um pronunciamento a respeito, naturalmente externado antes da decisão, da sentença da Corte Interamericana. Portanto, há um fato novo. E esse fato novo é a implementação da referida sentença. Temos, em conjunto, o Comitê, o Ministério das Relações Exteriores e os demais órgãos que podem complementar essa discussão, que ver como vamos fazer para cumprir com as nossas obrigações internacionais, até porque subscrevemos as convenções internacionais, reconhecendo tanto a Corte Interamericana de Direitos Humanos como o Tribunal Penal Internacional. Tenho tido a grata satisfação de quase diuturnamente conversar, na maioria das vezes por meio de ofícios, com o MRE sobre a situação de brasileiros que estão residindo fora do Brasil. E eu queria, neste momento, dizer que tem sido uma conversa que tem gerado resultados muito satisfatórios, alguns imediatos. Temos sido atendidos em nossas solicitações. Quero destacar aqui, porque nada foi dito a respeito, o atendimento que vem sendo dado aos nossos patrícios no exterior no que diz respeito às mais variadas adversidades por que passam – o MRE tem prestado a essas pessoas uma assistência muito boa, e eu gostaria, nesta ocasião, de parabenizar o órgão por esse trabalho. Ao mesmo tempo, relativamente ao caso de Belo Monte, aqui trazido pela Diretoria do Comitê, quero destacar que há muito tempo os Procuradores Regionais dos Direitos do Cidadão do Estado do Pará e os procuradores que atuam na defesa da cidadania já se manifestaram através de inúmeras audiências públicas e ações judiciais, todas elas prevenindo a União de que a construção da Usina de Belo Monte passava por incontáveis problemas ambientais e sociais, e de que era necessário que as autoridades fizessem a implementação do Direito brasileiro. Eu tenho uma relação de quase 20 ações entre medidas cautelares, recomendações e ações judiciais propostas pela Ministério Público do Estado do Pará contra a construção da usina de Belo Monte. E o que tem o MRE com isso? Ora, o Brasil assume compromissos ambientais, compromissos com a defesa de direitos sociais, compromissos com a Plata- 01040 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS forma DHESCA, e, com a subscrição desses tratados, assume uma responsabilidade internacional. Eu recomendaria ao MRE que desse uma efetiva consultoria à nossa Presidenta e às nossas altas autoridades no sentido de que esses compromissos internacionais, muitas vezes, ficam acima dos interesses nacionais e acima dos interesses econômicos. (Palmas.) Sei que temos uma forte Advocacia-Geral da União, que defende os interesses brasileiros, da mesma forma que os defende, fora do País, o MRE, mas acho que cabe ao MRE não ser tímido e fazer chegar às autoridades a informação de que devem ser observadas as orientações e recomendações que emanam do Ministério Público, como instituição extra-Poder e independente. Por outro lado, eu gostaria de fazer par com a Camila com relação às 15 recomendações – 15 recomendações! – que o Brasil recebeu na Revisão Periódica de 2008. Creio que seria muito importante que se melhorasse a informação e a transparência do MRE. Antes de vir aqui, consultei o site do MRE para ver se essas recomendações estavam lá publicadas. Convenhamos, a Internet é hoje nosso maior instrumento de comunicação, de modo que, antes de fazer qualquer ofício pedindo informações, busco o portal das autoridades do Poder Executivo ou do Poder Judiciário para saber se a informação que quero está disponibilizada. E eu quero dizer que muitas vezes – aliás, na maior parte das vezes – eu fico frustrada porque não encontro essas informações, e tenho de expedir reiterados ofícios. O MRE tem me atendido muito bem, mas falta colocar no portal o que a sociedade civil quer saber. Não podemos nos esquecer em nenhum momento de que, assim como a Constituição fala na prevalência dos direitos humanos, o que aqui foi bem ressaltado, ela também fala da importância da participação popular em todos os destinos relevantes desta Nação. Então, a participação popular, como se dá? Ela se dá na participação das comissões, dos comitês, que são celebrados no âmbito dos vários Poderes, mas se dá principalmente pelo acesso fácil que ela deve ter aos portais da Internet. Nós precisamos saber como essas 15 recomendações estão tramitando aqui dentro e de que forma o MRE tem tratado essas relevantes questões. Sr. Presidente, eu tenho a impressão de que o meu tempo já se está esgotando, mas eu gostaria de dizer – não sei, Carlos Eduardo, se seria adequado – que eu tenho recebido aqui na PFDC reclamações, em relação às entidades diplomáticas de outros países que estão aqui, não só em Brasília, mas no Brasil inteiro, nos 27 Estados da Nação, de que os direitos Fevereiro de 2012 trabalhistas dos empregados dessas entidades não são respeitados, não há o depósito das parcelas, das quantias correspondentes aos direitos trabalhistas que deveriam ser recolhidos por essas entidades, que se julgam imunes ou julgam que as imunidades diplomáticas chegariam a tal suporte. Eu queria dizer que, antes de tomar alguma medida – esta foi a primeira ocasião, depois que eu recebi essa queixa, de me expressar sobre o assunto –, imaginei que talvez, antes que eu faça alguma intervenção, seja muito adequado o MRE fazer uma intervenção junto a esses organismos internacionais para que eles observem o ordenamento jurídico nacional. É isso, Sr. Presidente. Eu me ponho à disposição e agradeço pela atenção. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Obrigado, Dra. Gilda Pereira de Carvalho, Procuradora Federal dos Direitos do Cidadão. V.Sa. deixa um bom tema aqui para uma audiência nesta Comissão, com a Comissão do Trabalho, sobre os direitos trabalhistas dos nacionais nas embaixadas. Aproveito para responder à Dra. Camila Asano sobre a Convenção Internacional sobre a Proteção dos Trabalhadores Migrantes e Membros das suas Famílias: foi adotado em dezembro de 1990 pela ONU, chegou a esta Casa no dia 15 de dezembro de 2010. Ela vai tramitar pelas Comissões de Relações Exteriores, Trabalho e Administração e Constituição e Justiça. Neste momento essa convenção está na Comissão de Relações Exteriores, desde o dia 22 de março. O Relator é o Deputado Eduardo Azeredo, do PSDB de Minas Gerais. Dando sequência à audiência, concedo a palavra ao Dr. Fábio Balestro Floriano, representante da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, pelo tempo de 15 minutos. O SR. FÁBIO BALESTRO FLORIANO – Antes de mais nada, boa tarde a todas e a todos os integrantes da Mesa, às Sras. Deputadas e aos Srs. Deputados. Eu gostaria de agradecer a oportunidade de estar aqui, em nome da Ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência. Eu preparei para apresentar aos senhores uma breve explanação sobre o Sistema Interamericano de Proteção dos Direitos Humanos. Por que o foco no Sistema Interamericano? Primeiro, por ser um sistema com o qual nós, na Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, trabalhamos quotidianamente, visto que as respostas que são emitidas pelo Estado brasileiro são formuladas por nós, em conjunto com o Itamaraty e, por vezes, outros entes da Federação ou Poderes do Estado. Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Segundo, pelo que eu vejo na imprensa, parece-me que há muita desinformação sobre o sistema. A quantidade de notícias errôneas ou que induzem ao erro que saem são realmente assustadoras. Então, eu vou, na verdade, encurtar esta apresentação, porque eu também creio ser fundamental, de certa forma, aproveitar esta audiência pública para prestar contas também das indagações e colocações que as minhas companheiras da Mesa fazem. E aproveito para fazer isso numa audiência pública, transmitida ao vivo, por crer que é um elemento fundamental de transparência e de compromisso do Estado com os direitos humanos. Diante disso, tratando do Sistema Interamericano de Proteção aos Direitos Humanos, não vou me ater muito à parte histórica, basta dizer que ele teve início em 1948 e depois avançou com a nossa convenção em 1969. E o Brasil só aderiu a ele em 1992, quando promulgou os tratados reconhecendo a competência da Comissão, e de 1998 em diante passou a acatar a competência da Corte. Um ponto fundamental a se destacar é que o Brasil faz isso como um exercício de sua soberania. Às vezes ouvimos certas manifestações de que o Brasil não tem de cumprir nada, porque é soberano. Mas, na verdade, o Brasil, exercendo exatamente a sua soberania, decidiu reconhecer a competência desses órgãos internacionais. Então, na verdade, nada mais é do que um compromisso, uma obrigação assumida voluntariamente pelo Estado brasileiro. Diante disso, eu acho que é salutar lembrar que a Comissão e a Corte, embora estejam na Organização dos Estados Americanos, são órgãos autônomos e independentes. É fundamental dizer que, com base em um artigo veiculado por um periódico de grande circulação nacional, foi afirmado que o Brasil sairá da Comissão dos Direitos Humanos, que o Estado brasileiro não fez e nem nunca fará parte da Comissão pelo fato de que a representação é individual, que, embora os membros sejam eleitos em uma Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos, quem é eleita é uma pessoa física, que ocupa esse cargo autonomamente e sem vinculação de obrigação ou de deferência ao Estado brasileiro. Isso eu acho fundamental ser dito porque o Brasil, diferentemente do que essa manchete, por exemplo, dá a entender, não está se retirando do Sistema Interamericano de Proteção aos Direitos Humanos. O que há é que, a partir de 2012, não haverá um comissionado brasileiro, o que é perfeitamente compreensível quando nós pensamos que são sete comissionados para todos os países da Organização dos Estados Americanos. Então, não há nada de extremamente bizarro Terça-feira 7 01041 nisso. Nós temos sete posições para todos os países da Organização dos Estados Americanos. Da mesma forma funciona a Corte, que também é autônoma, ou seja, tem uma certa vinculação administrativa somente, mas ela tem autonomia e independência frente à Organização dos Estados Americanos. Isso é fundamental ser dito, justamente diante do fato de que às vezes vemos notícias, como: OEA condena Brasil. A OEA, como Assembleia de Estados, nunca fez isso em relação ao Brasil. A OEA suspendeu Cuba, e retirou essa suspensão, e suspendeu Honduras, após o episódio do golpe de estado, que nós sabemos. São os dois únicos casos em que a OEA condena Estados. Fora isso, a Comissão emite recomendações, tampouco condena. E a Corte, essa sim, condena, condenou o Brasil em quatro oportunidades, das quais a última foi em relação à guerrilha do Araguaia. Sobre isso vou tentar também prestar alguma satisfação à Deputada e aos demais presentes. As outras três sentenças estão em fase de acompanhamento e de cumprimento pleno. Para nós, representantes do Estado e militantes de direitos humanos, é fundamental lembrarmos que nós estamos tratando – sempre é uma preocupação que nós, Secretaria de Direitos Humanos, temos enquanto tratamos de casos do Sistema Interamericano –, que nós estamos lidando com vítimas, com pessoas que já passaram por toda sorte de sofrimentos e violações e que, justamente, devido a isso, conseguem acessar a Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Quando um caso chega à Comissão, significa que já houve uma série de tentativas dentro do Estado para lidar com o problema. Quando chega à Corte, é o último recurso. Nós sempre procuramos ter, na Secretaria de Direitos Humanos, a perspectiva de humanidade, a perspectiva de que estamos lidando com vítimas de violação. A participação do Estado ou não nessa relação é algo a ser discutido, mas é fundamental nos lembrarmos desse fato. Vou acelerar a apresentação. Eu só queria referendar, antes de passar à parte de esclarecimentos, a importância para o Estado brasileiro, reconhecida por nós da Secretaria de Direitos Humanos, de todo o Sistema Internacional de Promoção e Proteção dos Direitos Humanos. Muitos dos avanços que obtemos no Brasil advêm justamente da existência de um sistema que por vezes provoca, que por vezes instiga, mas que gera situações e conjunturas que nos permitem avançar nessas questões. Nós temos como exemplo claro relacionado ao Sistema Interamericano o nosso Plano Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo, que vem no bojo de um caso do Sistema Interamericano. A própria Lei Maria da Penha, da mesma forma, é um caso que está 01042 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS na Comissão Interamericana. A Lei Maria da Penha, um grande instrumento que nos permite combater a violência doméstica, também é fruto de uma mobilização gerada a partir de uma provocação do Sistema Internacional. Vou permitir que os meus colegas do Ministério das Relações Exteriores se aprofundem mais em algumas questões acerca do cumprimento ou de certos pactos e acordos internacionais, mas eu quero trazer alguns esclarecimentos e alguns anúncios por parte da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, a começar por uma iniciativa do Brasil que, assim como disse a Camila, é também, em muitos pontos, um exemplo internacional a ser seguido em termos de direitos humanos. A Ministra Maria do Rosário se comprometeu a envidar todos os esforços possíveis para que seja aprovado nesta Casa o quanto antes o Mecanismo de Combate à Tortura, fruto do protocolo adicional à Convenção de Prevenção à Tortura e Outros Tratamentos Desumanos e Degradantes. Esse mecanismo, se aprovado pelo Congresso Nacional, vai ser pioneiro no mundo. Não existe nenhum País hoje que tenha um mecanismo como esse, que permite combater de forma efetiva e referendada pelo Sistema Internacional a tortura em todos os estabelecimentos totais. Ou seja, nós estamos falando de penitenciárias, delegacias de polícia, manicômios, sistemas de internação socioeducativa. Isso é um avanço que está sendo promovido graças à existência do Sistema Internacional. Quanto à questão dos relatórios, de fato o Estado brasileiro estava com uma dívida imensa em relação aos relatórios internacionais. Nós tínhamos diversos relatórios atrasados há algum tempo. Nós já entregamos ao Itamaraty os que faltavam. Eu já comuniquei ao Carlos Eduardo, Chefe da Divisão de Direitos Humanos do Itamaraty. O relatório de pessoas com deficiência está para consulta pública, como disse a Camila. Nós ainda temos por fechar no cronograma do CAT o relatório de combate à tortura, justamente. Nós planejamos entregá-lo até o final do ano. Assim que conseguirmos estabelecer um calendário de execução mais detalhado, vamos divulgá-lo para conhecimento da sociedade civil porque, no nosso entendimento, a sociedade civil organizada é fundamental na execução de uma agenda de direitos humanos. E por que ela é fundamental? O Governo avançou até onde é possível, até onde a conjuntura nos permite avançar. O papel da sociedade civil é justamente o de nos pressionar para irmos além, para gerar uma conjuntura favorável para que possamos seguir avançando nessa temática. Fevereiro de 2012 Diante disso, e em reconhecimento a isso, por exemplo, o Estado brasileiro também adota o procedimento de consulta pública, que não é praxe no sistema das Nações Unidas, mas que é, de certa forma, o nosso reconhecimento de que a contribuição da sociedade civil em todos esses relatórios é crucial. O cronograma do Mecanismo de Revisão Periódica Universal já está em vias de ser finalizado. Creio que nas próximas semanas nós vamos divulgar o cronograma. Houve uma postergação, por parte das Nações Unidas, da apresentação desses relatórios. Nós não sabemos a data definitiva, mas muito provavelmente vamos apresentá-lo antes do fim desse período. Quanto ao caso Júlio Gomes Lund e outros, relacionado à Guerrilha do Araguaia, é uma prioridade não apenas da Ministra Maria do Rosário, mas da própria Presidenta Dilma a aprovação da criação da Comissão Nacional da Verdade nesta Casa. Estamos realmente empenhados nisso. A Comissão Nacional da Verdade é essencial para podermos acertar as contas com o nosso passado, acertar as contas com todo um legado histórico de violações dos direitos humanos no País. No bojo do cumprimento da sentença da Guerrilha do Araguaia, eu gostaria de anunciar em primeira mão para os senhores – está indo para a imprensa hoje à tarde – que amanhã, às 14h15min, na Secretaria de Direitos Humanos, que fica na Torre A do Edifício Parque Cidade Corporate, atrás do shopping Pátio Brasil, haverá a assinatura de uma portaria interministerial que altera a organização do que até então era conhecido como Grupo de Trabalho do Tocantins. É uma reivindicação antiga dos familiares de mortos e desaparecidos, que se queixavam – com razão, talvez, não vou aqui fazer uma crítica eventualmente pública a outros Ministérios – que a Defesa somente coordenava os trabalhos e que outras Pastas acompanhavam como observadoras. Isso foi levado à Ministra Maria do Rosário, que, em conversas com o Ministro Jobim, mostrou-se extremamente aberta e disponível. Conseguiram reformular esse grupo de trabalho e amanhã será assinada a nova portaria referindo-se ao GTAT —Grupo de Trabalho Araguaia Tocantins, com a presença da Ministra Maria do Rosário, do Ministro da Defesa, Nelson Jobim, do Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, do nosso Advogado-Geral, Luís Inácio Adams, e de representantes da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos. Isso já é uma demonstração do compromisso que nós temos no sentido de dar solução e resolver a questão da sentença no caso Júlia Gomes Lund e outros. Embora a nossa obrigação perante a comunidade internacional seja do Estado brasileiro como um todo, temos aqui, dentro do País, uma divisão e organiza- Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS ção de estrutura administrativa dos Poderes que nos permite avançar em diversos pontos e dificulta outros. É por isso que, no caso da Lei de Anistia, cabe muito mais ao Poder Legislativo e ao Poder Judiciário tomar as medidas cabíveis, com o total apoio da sociedade civil organizada. Nós, da mesma forma, vamos cumprir tudo aquilo que diz respeito na sentença ao Poder Executivo, mas não podemos nos imiscuir na competência dos outros Poderes. É para isso, justamente, que nós contamos com o papel da sociedade civil de cobrar e com o papel do Legislativo de avançar. Essa é uma discussão para um fórum mais amplo. O Poder Executivo muito pouco ou nada pode fazer no sentido de rever uma lei ou de rever uma decisão judicial que foi tomada com base em uma ADPF pela Ordem dos Advogados do Brasil. Eu gostaria de encerrar reiterando o compromisso do Governo Federal – não apenas da Secretaria de Direitos Humanos, mas creio que do Governo Federal como um todo, sob o comando da Presidente Dilma – com a agenda de direitos humanos, que, salvo engano, é pela primeira vez elevada à primeira grandeza, definitivamente, na agenda dos assuntos do País. Obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Obrigado, Dr. Fábio Balestro, representante da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Eu informo que, ante a carência de Deputados diplomados, em função da agenda do plenário, vamos designar Deputados e Deputadas ad hoc. Portanto, vai passar uma lista. As entidades presentes que quiserem se inscrever para participar do debate serão inscritas. Concedo a palavra ao último expositor, Dr. Carlos Eduardo da Cunha Oliveira, Chefe da Divisão de Direitos Humanos do Ministério das Relações Exteriores. O SR. CARLOS EDUARDO DA CUNHA OLIVEIRA – Obrigado, Deputado Domingos Dutra, a quem agradeço, em nome da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, pela possibilidade com que fui brindado, juntamente com o Ministro Sílvio Albuquerque, de participar desta audiência. Meu nome é Carlos Eduardo, sou Primeiro-Secretário, chefiei a divisão de direitos humanos do Ministério das Relações Exteriores e confesso aos senhores e senhoras que devo ter feito pelo menos dez anotações sobre pontos que mereceriam algum tipo de comentário após as intervenções feitas pelas pessoas que me antecederam. Eu vou tentar, de acordo com o tempo disponível, buscando ser o mais breve possível, abarcar todas e cada uma dessas questões. Antes de mais nada, eu não poderia deixar de recordar a minha primeira participação em uma au- Terça-feira 7 01043 diência pública, também convocada por iniciativa do Comitê Brasileiro de Direitos Humanos e Política Externa, em 2009. Esta é a terceira vez que eu participo desse exercício. Algo me ocorreu naquele momento, testemunhando o valor dos debates que ocorreram durante aquela audiência, algo que talvez espantasse, não era o fato de se realizar uma sessão sobre esses assuntos, mas, sim, de que se realizasse apenas uma sessão sobre esses assuntos. Talvez, em 2010, essa situação tenha melhorado. Eu mesmo participei de quatro reuniões colegiadas, incluindo esta audiência, com membros do Comitê Brasileiro de Direitos Humanos e Política Externa, três delas em Brasília e uma em Recife. Mas eu acredito que é da própria natureza do tema, que, por muito que nós nos esforcemos para tratá-lo de modo transparente, esse muito, depois de um certo momento, já não parecerá mais suficiente. Eu acho que tratar desses assuntos de uma forma tão aberta e transparente quanto possível é algo natural, legítimo, que reflete uma preocupação e uma política de Estado. Eu recordo de, em 1996, quando me preparava para o concurso de admissão na carreira diplomática, ter começado a ler a respeito de um conceito que então ganhava corpo e que se chamava diplomacia pública. Nós vivíamos, então, o período das grandes conferências, como a Conferência Mundial de Viena, em 1993, a Rio 92, conferências em Istambul e Copenhague e, na preparação brasileira para todas essas conferências, houve um esforço, talvez então pioneiro na nossa história diplomática, em mobilizar organizações do terceiro setor, entidades de classe, para que elas discutissem juntamente com o Ministério das Relações Exteriores os pontos que seriam objeto de debate em cada uma dessas reuniões. Houve situações em que membros dessas organizações não governamentais que puderam oferecer uma contribuição significativa à participação brasileira chegaram a integrar como membros oficiais as nossas delegações nessas conferências. Eu menciono este fato – o de que isso ocorreu na primeira metade da década de 90 – para reforçar a perspectiva de que isso não se trata de uma questão passadiça, que possa cambiar conforme os governos. Isso é uma questão de Estado e como tal deve ser tratada. O Ministro Sílvio, muito eloquentemente, mencionava uma série de compromissos e princípios que norteiam a nossa atuação no âmbito internacional e se pautava, antes de mais nada, pela Constituição Federal. O Brasil tem uma Constituição que protege um rol significativo de direitos e garantias fundamentais, considerou esses direitos cláusulas pétreas, insuscetíveis de emenda constitucional. Nós reconhecemos a 01044 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS possibilidade de que tratados internacionais de direitos humanos sejam incorporados ao nosso ordenamento jurídico com valor de emendas à Constituição. Já temos um primeiro exemplo feliz disso: a Convenção sobre os Direitos de Pessoas com Deficiência. Incluímos entre os princípios que norteiam a nossa política externa a prevalência à primazia dos direitos humanos. Além disso, nós ratificamos a quase totalidade dos instrumentos internacionais de proteção, reconhecemos a competência jurisdicional da Corte Interamericana, estendemos o convite permanente aos relatores temáticos e, embora estejamos, sim, em atraso no envio de relatórios, jamais poderíamos negar a nossa responsabilidade e tentar cobrir esse ato com a brevidade possível de uma maneira dialogada com organizações da sociedade civil. Se o Estado brasileiro afirma que esse é um conjunto mínimo de valores e de princípios que informam o seu relacionamento com os seus cidadãos, é mais do que compreensível que esses mesmos cidadãos queiram saber como esse conjunto mínimo de valores e de princípios baseiam e orientam a forma como o Estado representa no plano internacional o seu interesse nacional. Eu acho que esse é um interesse que se justifica por si só e, por mais que se faça um esforço de boa fé em prestar informações sobre a política externa em direitos humanos, em participar, por exemplo, de audiências como essas e de realizar outras reuniões similares, sempre nos faltará mais o que fazer. E nós temos que fazer isso. Enfim, esse interesse de organizações da sociedade civil legitima-se por si só. Mas há um outro valor decorrente disso e que já não tem implicações apenas no plano externo, mas também no plano interno. Isso foi mencionado, por exemplo, por algumas das pessoas que me antecederam. O Brasil se pauta por uma série de princípios que conferem, ou tentam conferir, uma perspectiva coerente à sua atuação no plano internacional. E é importantíssimo que outros órgãos de Estado e que organizações da sociedade civil e cidadãos possam se apropriar desses compromissos que o Brasil faz no plano internacional e das recomendações que nos são dirigidas por esses mecanismos internacionais para induzir mudanças no plano interno. Isso é um instrumento de pressão política para que organizações da sociedade civil, inclusive, possam cobrar do Estado a plena realização desses compromissos que ele afirma no plano internacional. Há essa dupla vertente, portanto. Então, seja por um lado, seja pelo outro lado, é importante que nós tratemos disso com transparência. Há um ponto importante. A Dra. Gilda Carvalho mencionava o uso das nossas famigeradas tecnologias da informação, de que maneira nós poderíamos nos Fevereiro de 2012 apropriar, por exemplo, de uma coisa hoje tão corriqueira como um sítio na Internet para divulgar informações sobre relatórios que o Brasil apresenta aos comitês internacionais de monitoramento, para divulgar, por exemplo, informações sobre o padrão de votações no Brasil no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas e na Assembleia Geral das Nações Unidas, para que nós possamos tornar facilmente acessíveis informações que sejam produzidas num diálogo com relatores especiais. Reproduzindo um comentário de um colega da Divisão de Direitos Humanos, essas informações existem e são públicas, falta “publicizá-las”, dar um tratamento sistemático a isso – em português, diga-se de passagem. Isso exige gestão. O Estado não é, talvez, muito facilmente permeável a esse tipo de novidade. Mas nós precisamos pensar em ferramentas de gestão da informação para que organizações da sociedade civil possam se apropriar eficazmente disso que nos demanda um trabalho enorme no diálogo com esses mecanismos internacionais de monitoramento, mas que, se não resultam em ações no plano interno, acabam, em parte, perdendo o seu valor. É, antes de mais nada, interesse do próprio Ministério das Relações Exteriores que os compromissos que o Brasil assumiu na esfera internacional tenham tratamento consequente, sejam capazes de produzir aquilo que desde o princípio inspirou a decisão brasileira a realizar esses compromissos no plano internacional. Essa é uma preocupação legítima, volto a repetir, bem registrada. Isso cria para nós uma obrigação de pensar diferentemente como nós gerimos a informação. Mas as razões por que esse pedido é feito nos são perfeitamente compreensíveis. A Camila comentava a questão da prevalência dos direitos humanos na política externa e citou como exemplo a decisão do Brasil de apoiar o restabelecimento do mandato do Relator Especial sobre a situação dos direitos humanos no Irã. Essa é apenas a ponta do iceberg de toda uma outra série de posições que o Brasil adotou no plano internacional, que buscam dar corpo, dar consequência a isso que chamamos de prevalência ou primazia dos direitos humanos em nossa política externa, aqui, no que diz respeito ao tratamento da situação dos direitos humanos em países. Esse é o tema que a Camila destaca ao apontar a situação iraniana. Pois bem, essa é uma preocupação que não data de hoje. O Brasil, já na antiga Comissão de Direitos Humanos, que foi substituída pelo Conselho de Direitos Humanos, em 2006, defendia, por exemplo, a necessidade de se criar um relatório global, um relatório que tratasse da situação dos direitos humanos de todos e Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS de cada um dos países membros da ONU. Essa proposta, posteriormente, se viu corporificada na criação de mecanismo de revisão periódica universal, que é o primeiro mecanismo criado na história de organismos internacionais que cumprirá esse trabalho, que é o de avaliar a situação dos direitos humanos em todo e em cada um dos países membros da ONU. Durante o processo de elaboração dar normas que regulamentariam a aplicação desse mecanismo, o Brasil defendeu a possibilidade de que mecanismos internacionais de monitoramento oferecessem subsídios para a realização dessas avaliações. Defendemos a possibilidade, que depois não foi inteiramente incorporada, de que organizações não governamentais participassem do exercício. Tenho mais três minutos e não passei do segundo ponto. Parece que precisamos de mais audiências como esta. O Brasil, durante os debates sobre a criação do marco institucional do Conselho de Direitos Humanos, defendeu a possibilidade de o Conselho continuar a tratar da situação dos direitos humanos em países. Nós sugerimos que esse tratamento estivesse lastreado em subsídios colhidos dos mecanismos internacionais de monitoramento. Nós, nas negociações do Código de Conduta, atuamos, em diálogo com o grupo africano, para que esse código não implicasse limitações que pusessem em risco a independência do exercício de mandatos pelo sistema de procedimentos especiais. E, já nas discussões sobre a revisão do Conselho de Direitos Humanos, o Brasil defendeu a utilização de mecanismos que permitiriam, se aplicados ao Conselho de Direitos Humanos, considerar situações de países que hoje escapam ao escrutínio do órgão, que hoje fogem da consideração do Conselho de Direitos Humanos. E não porque não merecessem essa consideração, mas porque países podem mobilizar seus recursos de poder para evitar serem expostos a esse tipo de escrutínio. No que diz respeito ao tratamento da situação de países, o Brasil apoiou a convocação de 14 das 16 sessões especiais do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, apoiou também todas as resoluções que emanaram dessas sessões especiais. Faço essa relação exaustiva apenas para destacar esse ponto. Essa preocupação da perspectiva do Estado brasileiro não é, em absoluto, algo novo. E, mesmo em relação à situação dos direitos humanos no Irã, o tratamento da situação iraniana, isso reflete decisões que o Brasil já havia anteriormente adotado sobre esse mesmo tema. O Brasil apoiou consecutivamente, de 1993 a 2001, a renovação do mandato Terça-feira 7 01045 do Relator Especial sobre a situação dos direitos humanos no Irã porque entendíamos haver então razões genuínas que justificavam essa preocupação. Em 2002 o Brasil se absteve. E por quê? Porque, naquele momento, o governo iraniano havia adotado uma série de medidas que indicavam uma abertura maior ao diálogo com os mecanismos internacionais de monitoramento. O Governo estendeu o convite permanente aos relatores especiais das Nações Unidas; recebeu a visita de seis relatores num espaço de tempo relativamente curto, dois anos e meio; apresentou relatórios a alguns órgãos internacionais, e começou a empreender um diálogo com organizações da sociedade civil no plano interno. Naquele momento, tomadas em consideração aquelas circunstâncias, já não nos pareceu necessário que essa matéria continuasse a ser objeto de atenção por meio de um mecanismo singular como é a renovação de um mandato de um Relator Especial. Agora, se isso ocorreu naquele momento... Enfim, o tratamento da situação de direitos humanos em qualquer país nunca ocorrerá necessariamente em número linear. Houve, depois disso, talvez um relativo desengajamento do governo iraniano no diálogo com o sistema internacional de direitos humanos, o que, a nosso juízo, nesse caso, justificou que a situação iraniana fosse objeto de atenção de um Relator Especial. Desde 2002, essa resolução não era mais apresentada à Comissão, hoje Conselho de Direitos Humanos; neste ano foi apresentada, e o Brasil, coerentemente com preocupações que havia adotado anteriormente, apoiou o restabelecimento desse mandato. Teria muitos pontos, Deputado, mas eu deixo às senhoras e senhores para que sinalizem se desejarem que eu trate de algum tema particular. Muito obrigado uma vez mais. Vamos continuar, certo, Camila, esse diálogo na sexta-feira. Na sexta-feira haverá uma reunião, agora entre o Comitê Brasileiro de Direitos Humanos e Política Externa, a Secretaria de Direitos Humanos e uma representante da Secretaria-Geral da Presidência, onde alguns desses pontos que não foram mencionados aqui poderão ser tratados. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Muito obrigado ao Dr. Carlos Eduardo da Cunha Oliveira. Lamentamos ter de interromper a exposição, mas nós aqui brigamos sempre com o tempo e com esse sinal, que já está quase nos chamando para a Ordem do Dia. No entanto, com certeza, haverá outras audiências. Como há seis inscritos, há uma possibilidade de que, nas respostas, o senhor possa ganhar mais alguns minutos para aprofundar a sua exposição. Com a palavra a Deputada Luiza Erundina. 01046 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS A SRA. DEPUTADA LUIZA ERUNDINA – E a luzinha também é para que eu veja que tenho que ir votar no plenário. É uma pena que se tenha de interromper esse diálogo tão rico, oportuno e necessário. Quero saudar, Deputado Dutra, a realização desta audiência pública, ressaltar o desempenho dos expositores, agradecer a presença das companheiras e companheiros e dizer que são mesas como esta, debates como este, que nos ajudam a avançar, inclusive nesta Casa. Mas pontuei algumas questões a partir das intervenções que foram feitas, lamentando o tempo evidentemente muito curto. Primeiro, qual o grau de articulação e de integração que existe entre os órgãos que atuam em relação à política de direitos humanos no plano internacional? Há de fato algum plano de ação conjunta, articulada, complementar entre si, que possa potencializar esses esforços e dar maior eficácia a eles no trato dessa questão? Outro ponto, que inclusive foi abordado por vários senhoras e senhores, que destacaram em suas falas a importância de envolver a participação popular, que a sociedade teria de trazer sua pressão, suas demandas, suas reivindicações, suas expectativas, para com isso conseguir que o empenho dos órgãos e da ação do Estado e do Governo se dessem em um tempo mais rápido e com maior eficiência e eficácia. Pergunto quais são os meios, os mecanismos, qual é a política na relação entre esses órgãos que atuam em relação aos direitos humanos internacionalmente e com a sociedade civil e se existe algum órgão que faça isso. Preocupada inclusive com o papel negativo que a mídia exerce em relação a isso, quer dizer, há preconceito na sociedade contra a questão dos direitos humanos e há preconceito dentro desta Casa contra os direitos humanos. É tido sempre como aquele que é prejudicial à sociedade, então ele tem de ser excluído da sociedade, ser eliminado da sociedade. E essa é até uma tendência da política, da cultura política e da cultura do nosso País, muito reforçada pelo poder da mídia, uma mídia sem controle – sem nem controle público�������������������������������������������� , nem ������������������������������������������ controle social. E uma mídia absolutamente e resistente a qualquer tipo de controle, sempre entendido por eles como sendo ameaça à liberdade de expressão, como se eles fossem os grandes timoneiros da defesa da liberdade de expressão. Então não há, de um lado, uma política de comunicação com a sociedade no sentido de trazer não só as informações e a ação do Governo e do Estado fora do País em relação ao enfrentamento à questão dos direitos humanos, e internamente não se reflete o mesmo esforço em termos da realidade brasileira do ponto de vista da violência, da criminalidade e de Fevereiro de 2012 flagrantes e permanentes desrespeitos aos direitos humanos em todos os seus aspectos, inclusive a violência institucional. Lembremos, por exemplo, do sistema prisional; do que acontece com os brasileiros que ficam sob a proteção do Estado nos presídios, nos distritos policiais; os jovens que são mortos diariamente nos grandes centros urbanos. E o Estado é no mínimo omisso, senão conivente, promovendo inclusive a violência institucional no caso, por exemplo, do sistema prisional no País. Quer dizer, como fazer uma articulação desses avanços que foram colocados aqui em relação à política de direitos humanos no plano internacional? Como combinar isso? Há um descompasso entre a preocupação com os direitos humanos, entre os compromissos do Estado brasileiro nas convenções, acordos, entendimentos com fóruns internacionais e o plano nacional, o plano interno, em que não há um correspondente do Estado e do Governo – de todos, não é só do atual Governo –, que não enfrenta de modo mais efetivo, de forma mais cultural do ponto de vista de reverter, inclusive, esse preconceito e essa desinformação ou até e���������������������������������������������� ssa deformação na compreensão dos direitos humanos, haja vista, por exemplo, a reação indignada de alguns setores da sociedade em relação ao Terceiro Plano Nacional de Direitos Humanos. Quer dizer, o que fazer diante disso? É ficarmos simplesmente assistindo? Aceitarmos reduzirem-se as expectativas que estão postas lá e diminuir aquilo que está proposto em fóruns nacionais, democráticos, plurais, que são as conferências nacionais? Esses são exemplos que indicam descompasso entre esse esforço que está sendo feito da política de relações exteriores em relação aos direitos humanos e a realidade triste, perversa, contundente contra os direitos humanos dentro do nosso País. Uma outra questão é a reação ou a posição do Supremo Tribunal Federal em relação aos limites da Lei da Anistia. Deixa-nos realmente em absoluto desconforto, nas relações internacionais e nas instâncias, nos fóruns internacionais e nas cortes internacionais, a reação do Supremo Tribunal Federal ou a sua posição a respeito da Lei da Anistia. É simplesmente dizer: essa é a leitura da Lei da Anistia, foram os senhores que fizeram, foi o Congresso que fez; estamos interpretando a lei e dando a nossa versão de como ela deve ser entendida e ser aplicada. E não ouvi nenhuma menção dos senhores em referência a esta Casa, a não ser esta Comissão, que é um ponto diferencial na Casa. Por isso que tem tanta dificuldade de existir e de sobreviver, porque é o único espaço, digamos assim, a que conseguimos trazer o Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Governo e pessoas da sociedade para que nos tragam essa visão dos direitos humanos e da política que está se dando em relação a elas. Tomei para mim a crítica do Supremo Tribunal Federal de que foi o Congresso que fez a lei. Sabemos como essa Lei da Anistia foi acordada. Ela foi negociada, ela foi absolutamente minimizada na sua condição de ser uma lei para reparar crimes do Estado e dos atores do Estado, em nome do Estado, contra os cidadãos brasileiros que lutavam pelas liberdades democráticas, pelo direito à vida, contra a tortura, por exemplo, os desaparecimentos, os exílios. Simplesmente lavam as mãos e dizem que foi o que saiu do Congresso. A gente sabe como é que se deu a transição de um regime para outro. Não foi um regime ditatorial para um regime democrático. Tanto é que o regime democrático não está completado ainda entre nós. A redemocratização ainda está inconclusa, na minha avaliação. Então, aquele momento de transição, que foi uma transição negociada, entre os que patrocinaram e se responsabilizaram pelo arbítrio, pelo respeito às liberdades democráticas em todas as suas expressões, foi uma transição de Governo militar para um Governo civil. E não é por acaso que nós temos essa pouca consolidação da democracia em nosso País. Como ainda preservam os atores da época que sustentaram a ditadura? São ainda os que têm poder e que exercem poder e que querem que se vire a página e esqueçam, a pretexto de dizer: não queremos revanche. Mas quem sofreu a ditadura militar sobre si mesmo, sobre os seus filhos, sobre os seus parentes, sobre os seus familiares, sobre a sociedade, sobre a cidadania, não quer virar a página; quer limpar a página. (Palmas.) Para limpar a página, nós temos que instalar – acho que nós estamos atrasados, a lei é de maio – a Comissão Especial, que ainda não se instalou pela resistência que existe nesta Casa. Não tenho ilusões de que aquilo que o Executivo avança em relação a esses últimos Governos – e tenho muita expectativa em relação à Presidenta Dilma de que vai avançar mais ainda –, quando chega, dependendo de outro Poder, esbarra, porque esta Casa é muito atrasada. Ela é muito reacionária, com as exceções honrosas e que ainda fazem com que a gente esteja aqui neste ambiente, discutindo com pessoas como vocês temas dessa natureza. Mas a minha angústia é que eu sou deste Poder e, quando as coisas chegam para cá elas se engavetam. O projeto de lei ainda está intocado, não foi criada a Comissão Especial. Eu entrei em fevereiro com um projeto de lei em reação à posição, à decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a Lei de Anistia. Entrei com o Projeto de Lei nº 573, de 2011, exatamente dan- Terça-feira 7 01047 do uma outra interpretação à Lei da Anistia e tentando suprir aqueles vazios que o Supremo Tribunal alega em relação aos crimes conexos, porque desapareceram pessoas, os torturadores, os atores do Estado mataram, torturaram e estão aí e, muitas vezes, ocupando lugares em órgãos públicos, em funções públicas. Então, nós estamos com um projeto de lei, que eu duvido que tramite. Ele está na Comissão de Constituição e Justiça e vai levar anos. Certamente não estarei mais aqui, quando... Quem sabe, um dia. A não ser que se instale a Comissão da Verdade que, por si só, crie uma tal força política na sociedade que crie condições políticas para que esses nós que existem aqui, as coisas que não acontecem, se rompam por força da cidadania que tem interesse nessas questões. Por último, eu queria dar mais destaque ao papel da mídia e à necessidade de se enfrentar o poder extraordinário dessa mídia, que é uma concessão do serviço público. Ele se faz contra a cidadania, se faz contra a democracia, se faz contra os direitos humanos, se faz contra tudo aquilo que se pretende seja uma sociedade civilizada e de fato uma democracia plenamente investida em todas as suas expressões pelos cidadãos deste País. Agradeço enormemente os senhores e as senhoras, que certamente serão chamados, convidados a nos ajudar aqui, porque nós vamos insistir nesses temas. Muito obrigada. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Agradeço à Deputada Luiza Erundina. Em função da agenda lá do plenário e em homenagem à resistência da Deputada Erundina em ter acompanhado toda a audiência, eu vou conceder aos expositores tempo para as respostas a fim de que ela possa ser liberada para ir à atividade em plenário. Em seguida, faremos o último bloco de perguntas, que eu estou chamando de Deputados e Deputadas ad hoc, nomeados aqui. Eu só queria também nas respostas reforçar aqui o que foi falado pela Sra. Camila sobre a questão de Belo Monte, que tudo o que a imprensa diz a gente tem que dar um desconto: O que de verdade a OEA encaminhou para o Brasil em relação a Belo Monte e que tipo de resposta o Governo deu? E se aquilo que a imprensa noticia, e o Sr. Fábio já disse que não vai haver a retirada do Brasil da comissão, mas o que de verdade fará o Brasil, que tipo de reação? Não vai pagar? E essa reação do Brasil não foi um pouco desproporcional e não conflita com o PNDH-3, que tem um capítulo dedicado a esses grandes empreendimentos, e não apenas no caso de Belo Monte, porque a produção de energia elétrica no País, via hidrelétricas, é uma continuação permanente de violação de direitos humanos? 01048 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Essas grandes empresas conflitam com a política da Presidenta Dilma, que é de acabar a pobreza no Brasil. As hidrelétricas que eu conheço estão sendo implantadas, estão transformando pobres em miseráveis. Portanto, eu gostaria que abordassem um pouco mais sobre essa questão de Belo Monte, porque há uma previsão de se instalar 62 hidrelétricas no País, e a gente acabou de assistir o que houve lá em Jirau e Santo Antônio e em outras obras do PAC com relação a direitos trabalhistas, um público visível. Imagine os invisíveis, que são ribeirinhos, pescadores, vazanteiros, que não contam nas estatísticas, e esses grupos econômicos fazem barbaridades. Então, eu quero também essa resposta, que os expositores pudessem se manifestar. (Palmas.) Concedo a cada um de três a no máximo cinco minutos para depois a gente ir para o último bloco, porque na hora que der o vermelho aqui eu vou ter que sair e nomear talvez um ad hoc para presidir a mesa também. Então, concedo a palavra ao Dr. Sílvio por no máximo cinco minutos. O SR. SÍLVIO JOSÉ ALBUQUERQUE E SILVA – Presidente, muito obrigado. Em primeiro lugar, eu quero agradecer as palavras à Deputada Luiza Erundina. Quando eu a conheci disse do meu orgulho em conhecê-la pela sua trajetória política. Então, pessoalmente, como diplomata brasileiro, é um orgulho muito grande conhecê-la e escutar aquilo que a senhora disse. O grau de integração entre os órgãos que tratam o tema de direitos humanos no plano internacional é muito grande. O Itamaraty, a Divisão de Direitos Humanos, a Divisão de Temas Sociais têm uma interlocução já histórica com a Secretaria de Direitos Humanos. Quando fui Subchefe da Divisão de Direitos Humanos, a interlocução com a então Secretaria Especial de Direitos Humanos, com o Dr. José Gregório e com o Prof. Paulo Sérgio Pinheiro, era intensa em temas ligados ao sistema interamericano, ao sistema global, e hoje também é da mesma forma. Então, tanto a SDH como a SEPPIR, a Secretaria de Políticas para as Mulheres, o Ministério do Trabalho e Emprego e também o Ministério da Saúde, todos esses órgãos públicos são interlocutores frequentes do Itamaraty na formulação de política externa sobre os mais diferentes assuntos que dizem respeito a cada uma dessas áreas. Eu acho que essa é uma das grandes vantagens que a nossa política externa, ter uma interlocução no âmbito dos órgãos públicos do Poder Executivo muito fluida, e ela, evidentemente, como disse na minha exposição, é suplementada pela interlocução, embora menos frequente do que nós gostaríamos, com o Parlamento brasileiro e com as organizações da sociedade civil. Fevereiro de 2012 Sobre Belo Monte eu vou pedir ao Carlos Eduardo que complemente, mas em primeiro lugar é preciso dizer que o Brasil não contesta a legalidade da Comissão Interamericana de Direitos Humanos em determinar a imposição de medidas cautelares. A resposta do Brasil às medidas cautelares se baseou em dois critérios: um que eu chamaria de legalista e um critério substantivo. Do ponto de vista legalista, é preciso entender que o sistema interamericano, como um sistema internacional de proteção dos direitos humanos, é um sistema subsidiário, um sistema que só é complementar, um sistema que só é acionado quando existem evidências de que o direito interno, que a situação interna não pode ser suprida pelos princípios básicos que estão protegidos pelo direito interno. Segundo a interpretação do Brasil, a precipitação da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, ao determinar essas medidas cautelares, se deveu à não obediência estrita, a requisitos que estão estipulados no regulamento da própria Comissão, que falam de urgência, e também em danos irreversíveis causados a seres humanos ou a pessoas que são objeto daquela proteção. No entendimento do Governo brasileiro, os requisitos não foram cumpridos. Com relação à parte substantiva, os argumentos apresentados pelo Brasil foram construídos a partir da interlocução do Itamaraty com diversos Ministérios. São argumentos apresentados pelo Ministério do Meio Ambiente, Secretaria de Direitos Humanos, e o Carlos Eduardo pode se estender sobre eles. Mas eu quero tocar num ponto importante suscitado pela Deputada Luiza Erundina, que diz respeito à superficialidade com que muitas vezes a imprensa trata de temas de política externa. Bom, esse é um caso típico. A matéria sobre a qual se falou aqui, publicada sábado num jornal de grande circulação de São Paulo, estava repleta de imprecisões. Em primeiro lugar, eu quero esclarecer que a reação do Governo brasileiro às medidas tomadas pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos não podem ser consideradas desproporcionais aos fatos. É legítimo e, na linguagem, na gramática diplomática, convocar-se o embaixador para consultas é algo que ocorre sempre que há uma insatisfação do Governo em relação a um procedimento adotado por um país ou um organismo internacional que o recebe. Esse embaixador é chamado para consultas para poder, no caso específico em questão, participar do processo de elaboração da respostas que o Brasil ofereceria e ofereceu ao Sistema Interamericano. A retirada da candidatura do ex-Secretário de Direitos Humanos, explicada já pelo Fábio Balestro, dá-se num contexto em que o Brasil entende que o Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Sistema Interamericano, importante que é, contou, ao longo dos últimos 8 anos, com a participação de um representante brasileiro, de um cidadão brasileiro, mas que atuava na sua capacidade pessoal, o Prof. Paulo Sérgio Pinheiro, e a não candidatura de um brasileiro não significa, de modo algum, uma sinalização de desprestígio do Sistema por parte do Governo brasileiro. Não há nenhuma intenção do Governo brasileiro de interromper o pagamento de contribuições regulares à OEA. Jamais houve. O que há, o que é verdade, é que o Ministro Celso Amorim, em 2010, encaminhou ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão um aviso ministerial solicitando que fosse autorizada a concessão, a título de contribuição voluntária, de 800 mil dólares ao Sistema Interamericano de Direitos Humanos. Bom, todas as contribuições voluntárias a todos os órgãos multilaterais, todos, insisto, estão congeladas por motivos não políticos, por motivos orçamentários. Então, na minha divisão, lido com uma série de órgãos multilaterais, e solicitamos nós, via Ministro de Estado, autorização para contribuições voluntárias. Nenhuma foi autorizada, nenhuma foi concedida. Então, os 800 mil dólares que o Brasil solicitou de contribuição voluntária ao Sistema Interamericano não foram autorizados pelo MPOG por motivos estritamente orçamentários. A contribuição regular do Brasil à OEA é uma outra coisa, e não tenho nenhuma informação com relação à suspensão do pagamento do Brasil. Até onde eu sei, o Brasil está em dia com o pagamento à Organização de Estados Americanos, e esse tipo de retaliação não houve. Uma última explicação que daria uma clara evidência da importância que o Brasil atribui ao Sistema Interamericano de Direitos Humanos se dá num fato histórico: o Brasil, em 31 de março de 1948, por intermédio do então Ministro das Relações Exteriores brasileiro, Neves da Fontoura, na Conferência Internacional Americana, que se realizou em Bogotá e que deu origem à Declaração Americana sobre Direitos e Deveres do Homem, defendeu a criação de uma corte internacional de proteção aos direitos humanos, algo absolutamente inovador naquele momento. Durante a ditadura militar no Brasil, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos teve um papel fundamental no avanço de políticas de direitos humanos, ainda que muito pequenas, no nosso País. O Brasil reconhece o papel relevante do Sistema Interamericano na transformação da realidade do respeito aos direitos humanos no País. O que ocorreu entre o Brasil e o Sistema Interamericano eu chamaria de rusga diplomática, produto de uma interpretação legítima do Estado brasileiro de que a Comissão Terça-feira 7 01049 Interamericana se precipitou ao emitir uma medida cautelar quando poderia perfeitamente ter acolhido uma petição; ouvido, com base no princípio do contraditório, o Estado brasileiro e deliberado, com base no seu próprio regulamento, sobre como proceder no caso em questão. Mas a nossa posição foi uma posição legalista e também substantiva. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Obrigado, Dr. Sílvio. Alguém mais da Mesa quer se manifestar sobre... O SR. DEPUTADO CHICO ALENCAR – Deputado Domingos... O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Pois não, Deputado. O SR. DEPUTADO CHICO ALENCAR – Pergunto ao Dr. Sílvio se houve uma resposta oficial do Itamaraty à OEA a esse respeito. O SR. SÍLVIO JOSÉ ALBUQUERQUE E SIILVA – Sim, já houve. O SR. DEPUTADO CHICO ALENCAR – E ela é pública, naturalmente? O SR. SÍLVIO JOSÉ ALBUQUERQUE E SIILVA – Sim. A resposta foi enviada à Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Eu não entendo que ela não possa ser transmitida ao Parlamento. Não veja nenhuma razão pela qual ela não seria encaminhada aos Srs. Deputados. O SR. DEPUTADO CHICO ALENCAR – Pois é. Então, eu solicitaria que a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados a recebesse. Tenho informações de que é um documento alentado de cinquenta e duas páginas, não é? O SR. SÍLVIO JOSÉ ALBUQUERQUE E SIILVA – Sim. O SR. DEPUTADO CHICO ALENCAR – Então, nós precisamos disso em nome da transparência democrática, porque senão fica sendo um factoide da imprensa: joga pra cá, joga pra lá. Não é por aí. O SR. SÍLVIO JOSÉ ALBUQUERQUE E SIILVA – Perfeitamente, Deputado. Eu não vejo nenhum inconveniente. É um documento elaborado com base em contribuições dos vários Mistérios que têm interesse no caso. Ao voltar ao Itamaraty, transmitirei ao gabinete do Ministro Patriota sua reivindicação. Mas antecipo-lhe, em princípio, que eu não vejo nenhum tipo de constrangimento. Ao contrário, acho que o Parlamento deve estar informado em relação à resposta oferecida pelo Estado brasileiro à Comissão Interamericana de Direitos Humanos. A SRA. DEPUTADA LUIZA ERUNDINA – Sr. Sílvio, permite-me um aparte? 01050 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Deputada Luiza Erundina. A SRA. DEPUTADA LUIZA ERUNDINA – Obrigada, Deputado. Para não ficar a versão da imprensa. A sociedade precisa ser informada a respeito da versão do Governo, a respeito dos fatos. Para além do Congresso, para além do Poder Legislação, que seja uma informação que dê a versão verdadeira dos fatos à sociedade diante, inclusive, daquele espírito, daquela demanda dos senhores de que a sociedade precisa se envolver no debate sobre essas questões e se posicionar a respeito delas. Obrigada. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – A Mesa acolhe o requerimento verbal do Deputado Chico Alencar e da Deputada Luiza Erundina e solicita aos representantes do Itamaraty que nos remeta, sem prejuízo, o requerimento formal, a ser apreciado pela Comissão na próxima sessão, de pedir informações sobre a resposta do Governo brasileiro. Alguém mais da Mesa quer se manifestar? O SR. FÁBIO BALESTRO FLORIANO – Eu. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Dr. Fábio Balestro. O SR. FÁBIO BALESTRO FLORIANO – Só para acrescentar. Eu gostaria de agradecer à Deputada Luiza Erundina a intervenção. Quanto ao grau de integração, quero frisar que nós trabalhamos juntos, lado a lado, nessa questão, tanto a Secretaria de Direitos Humanos quanto Itamaraty e outros órgãos sempre que necessário, visto que cada caso é um caso específico e vai envolver Ministérios específicos. Contamos também muitas vezes com a contribuição da AGU. Em relação ao nosso relacionamento com a sociedade civil, obviamente, há sempre muito espaço ainda para melhorá-lo, sem sombra de dúvida. Mas nós já mantemos, desde sempre, uma política de portas abertas em relação à sociedade civil. Tanto que a própria Ministra vem se reunindo regularmente com representantes da sociedade civil. Esteve no IBASE, no Rio de Janeiro, participou de uma reunião amplificada. A Camila também já se reuniu conosco na Secretaria de Direitos Humanos. Creio que o Itamaraty tem a mesma política de portas abertas, que permite interlocução. Outros dois instrumentos que me parecem possibilitar, grosso modo, o acesso da sociedade organizada a essas decisões, a esses documentos estão manifestados, por exemplo, na própria consulta pública que nós fazemos sobre os relatórios de tratados e, da mesma forma, através da participação da sociedade Fevereiro de 2012 civil nas nossas conferências nacionais, que são uma tecnologia social, por assim dizer, inovadora, implementada ao longo do governo do ex-Presidente Lula e que seguem acontecendo. Nós temos na Secretaria de Direitos Humanos, por exemplo, duas conferências nacionais previstas agora, para 2011. Por fim, em relação ainda ao caso de Belo Monte, só para ressaltar duas coisas: em nossa resposta houve inclusive a manifestação de que as medidas cautelares foram decretadas com base em situações sobre as quais não foram solicitadas informações ao Governo brasileiro. E pedia-se expressamente: “Suspendam-se as obras enquanto tais medidas não forem tomadas”. Na resposta, dissemos, entre outros, que pela primeira vez estávamos sendo perguntados sobre isso, mas que tais medidas já haviam sido tomadas. Ou seja, não houve sequer um conflito, uma rebeldia em relação à Comissão, senão o reconhecimento de que já fizemos o que vocês nos pediram. Portanto, não compreendemos necessário suspender as obras, como pedido. Pela primeira vez, o Governo brasileiro foi objeto desse pedido de informação; o anterior não abarcava os pontos que decretaram as medidas cautelares. Por fim, gostaria de ressaltar, em relação à contribuição voluntária, como muito bem frisou o Ministro, o Brasil contribuiu uma única vez com a comissão, com uma contribuição voluntária de 400 mil dólares, na época. Isso é só para deixar claro que, sem dúvida, elas são absolutamente extraordinárias. Repetidas vezes, tentamos, e não conseguimos, nos últimos anos, contribuir voluntariamente com o sistema. Por questões orçamentárias, isso não nos foi permitido. Obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Mais alguém da Mesa? (Pausa.) A Dra. Gilda. O SR. DEPUTADO CHICO ALENCAR – Deputado Domingos Dutra, para obedecer à ordem, se me permite, senão o tempo passa e a gente esquece, farei uma solicitação ao Dr. Fábio Balestro, não propriamente sobre o assunto da audiência, mas sobre algo que me preocupa sempre. Já conversei inclusive com o meu colega André Lázaro, conterrâneo. Entendo que a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência tem ficado absolutamente omissa quanto a ataques e deturpações de um membro desta Comissão, o Deputado Jair Bolsonaro, sobre o programa de combate à homofobia da própria Secretaria. Tenho em mão inclusive um texto, que ele distribuiu na reunião da Comissão de Direitos Humanos, na semana passada, em que mostra o programa. Tem a capa bem colorida. Secretaria de Direitos Humanos. E ele acrescenta a Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS uma série de iniciativas – todas corretas, no juízo da maioria dos membros desta Comissão – a interpretação dele sobre o que é bolsa para professores gays. E vai por aí, quer dizer, calúnia, difamação, inverdade. A Secretaria permanece totalmente silente, e isso é ruim para o próprio embate que travamos aqui. O SR. FÁBIO BALESTRO FLORIANO – Eu não estou a par dessa nota que o senhor mencionou. Se puder disponibilizar uma cópia, Deputado, vou levá-la ao conhecimento. E vou levar também a solicitação de que nos posicionemos a respeito, embora creia que nossa posição reste clara. Talvez queiramos justamente – essa é uma especulação minha, pessoal, e não uma resposta institucional – não dar ibope a esse sujeito, a essas declarações estapafúrdias que ele vem fazendo, dando-nos ao trabalho de valorizá-las, para que mais pessoas tenham conhecimento. Talvez. É uma hipótese minha. De qualquer forma, vou levá-la ao conhecimento. Eu realmente não sei o que tem havido. Ainda em relação a Belo Monte, quero dar um breve informe. A Ministra Maria do Rosário se reuniu com o consórcio do setor elétrico justamente para manifestar nossa preocupação em que violações de direitos humanos possam estar ocorrendo nas obras e, em acordo com ele, convocou o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana para que monitore Belo Monte, em princípio. A nossa ideia é criar uma força-tarefa que possa monitorar eventuais violações de direitos humanos que venham a ocorrer nessas obras, inclusive utilizando indicadores de direitos humanos específicos que estamos desenvolvendo na Secretaria, especialmente voltados para populações mais fragilizadas. Por exemplo, crianças e adolescentes, mulheres, pessoas como deficiência. Planejamos cobrir um sem-número de situações com esses indicadores e monitorá-las de perto, para que enfim tenhamos uma ferramenta institucional do Governo monitorando e acompanhando esses empreendimentos. Com certeza, nenhum de nós aqui presentes nesta sala quer ver violação de direitos humanos. Obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Obrigado, Dr. Fábio. Concedo a palavra à Dra. Gilda, para responder à Deputada Luiza Erundina. A SRA. GILDA PEREIRA DE CARVALHO – Gostaria apenas de acrescer um informe, Deputada, que muito nos honra com a sua presença do início até agora, sobre o Belo Monte. Eu queria dizer que, na condição de Procuradora Federal dos Direitos do Cidadão, entendo que há um vício de natureza quanto à questão Terça-feira 7 01051 de Belo Monte. A nossa Constituição expressamente diz que, quando for utilizada terra indígena, o Senado faça a oitiva dos povos indígenas afetados. Eu acho que há uma violação flagrante aos direitos dos povos indígenas. Todas essas tramitações que ocorrem atualmente são paliativas, são todas visando a dar um encaminhamento legal a algo que realmente tem um vício que é inconstitucional. E essa situação também está sob o discernimento do Supremo Tribunal Federal, que ainda não decidiu isso, pelo menos até a última vez que eu consultei. Então, acho que tudo ficaria sanado. Mas a essa altura me parece impossível ser sanado pelos meios judiciais, pois houve essa falta de o próprio Senado não ter ouvido os povos indígenas sobre a invasão de suas terras pela Usina de Belo Monte. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Obrigado. Dr. Carlos Eduardo. O SR. CARLOS EDUARDO DA CUNHA OLIVEIRA – Quantos minutos eu tenho, Deputado? Cinco minutos. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Isso aqui é bom porque a gente está olhando ali, transparente. (Risos.) O SR. CARLOS EDUARDO DA CUNHA OLIVEIRA – É, não tem desculpas. Enfim, 5 minutos é um tempo curto, mas eu não gostaria de deixar sem resposta um comentário que a Deputada Luiza Erundina fez e que merece, sim, um reparo elogioso, devo dizer, da minha parte. A Deputada Luiza Erundina aponta para o que parece ser um certo descolamento entre a atuação do Brasil, num plano internacional, no tratamento dessas questões e o cumprimento pelo Estado brasileiro desses compromissos, dessas obrigações. E aí eu faço a apologia do desconforto institucional. E devo dizer que muitas vezes o Ministério das Relações Exteriores o experimenta, porque se nós temos, sim, plena competência para representar o Estado no diálogo com esses mecanismos internacionais que elaboram instrumentos e mecanismos de proteção dos direitos humanos, nós, de outra parte, não temos mandato para implementar leis políticas ou aplicar medidas que correspondam ao cumprimento desses compromissos assumidos na esfera internacional. Para isso, e a senhora toca num ponto importantíssimo, é necessário que nós atuemos de maneira consertada com outros órgãos de Governo, os quais, estes sim, têm essa competência. E, por isso, nós nos valemos extensivamente da cooperação do diálogo com a Secretaria de Direitos Humanos, com a Secretaria de Políticas para as Mulheres, com o Ministério da Justiça, com a FUNAI, com a SEPIR e tantos outros órgãos. 01052 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Enfim, contamos, sim, com a colaboração desses órgãos. Há um esforço de nossa parte em fazer desse diálogo algo recorrente. Mas não há ainda a rigor um mecanismo plenamente institucionalizado para assegurar isso. De fato, esse é um ponto para o qual o Estado como tal, eu não falo aqui pelo Ministério das Relações Exteriores apenas, mas precisa atentar. Dizem que quem faz a pergunta certa já sabe metade da resposta. A senhora fez uma pergunta importante, Deputada. Mas eu queria mencionar um outro ponto também. Eu não me recordo agora quem foi que fez esse comentário, mas falou-se, em algum momento, da soberania, um caráter suplementar desses mecanismos internacionais de monitoramento, e isso remete a um ponto que a senhora menciona também. Em 2006, se não me falha a memória, o Brasil recebeu a visita de um Relator Especial das Nações Unidas contra a Tortura, Sir Nigel Rodley, que elaborou um informe sobre os resultados da sua visita. Eu posso estar me confundindo com a data, eu não me recordo exatamente o ano que a visita ocorreu, mas, na parte final, quando enumera as recomendações, cita algo como 20 recomendações, mas não deixa de colocar no caput dessas recomendações a observação de que a quase totalidade daquelas recomendações poderiam ser encontradas no Código Penal e na Lei de Execuções Penais do Brasil. Outro exemplo do que eu quero dizer. Falou-se de Belo Monte, e isso tem efeito sobre questões indígenas. Um caso que também trata de proteção dos povos indígenas e que mobilizou uma atenção muito grande da comunidade internacional sobretudo em 2008 foi a situação da terra indígena Raposa Serra do Sol. Por que faço esse reparo? Fala-se em soberania, e a soberania tem um atributo externo, mas também tem um atributo interno. O Estado é soberano no plano internacional porque exerce o monopólio da força sobre suas fronteiras, porque ele não submete a sua vontade, à vontade de nenhum outro ente soberano. Ele é capaz de garantir a sua integridade territorial. Esses são atributos da soberania no plano externo. Mas o Estado é também soberano no plano interno porque detém monopólio do uso legítimo da força. Ele é soberano porque ele formula e aplica o direito. Quais foram as solicitações apresentadas por membros de comunidades que habitam a terra indígena Raposa Serra do Sol à Comissão Interamericana? Que ela dirigisse ao Estado brasileiro uma exortação para que ele garantisse a vida e a integridade física dos membros daquelas comunidades, apurasse responsáveis por atos que tivessem atentado contra a Fevereiro de 2012 vida e a integridade física dos membros daquelas comunidades e aplicasse efetivamente o que dispõe a própria lei brasileira acerca da gestão de seu território. Nós tínhamos uma decisão que implicava a desintrusão da terra indígena Raposa Serra do Sol para ocupação de indígenas e que não havia sido aplicada em duas ocasiões por resistência de não indígenas que permaneciam na área. No fundo, o que se solicitava, então, à Comissão Interamericana? Que dirigisse ao Estado brasileiro um apelo para que o Estado cumprisse a sua lei, tão simples assim, e ao cumprir plenamente a sua lei exercesse integralmente a sua soberania. O ponto ao qual eu quero chegar é esse. No Brasil, a plena eficácia dos direitos humanos, o fortalecimento dos direitos humanos coincide no fundo com o fortalecimento do Estado de direito, coincide com a capacidade do Estado de garantir a lei e a ordem, simplesmente cumprindo o que dispõe a sua própria legislação. Muitas vezes as pessoas colocam esses dois pontos como disjuntivos. Ou bem aplica-se a lei, ou protege-se o direito humano. E isso vai em linha com o que a senhora mencionava: a percepção talvez entranhada e equivocada que se tem do tema. Mas não. Esses dois objetivos podem e devem caminhar juntos e é importante que isso seja manifestado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Obrigado, Dr. Carlos Eduardo. Vamos passar agora para os últimos 6 inscritos. O tempo de cada um será rigidamente de 3 minutos. A SRA. DEPUTADA LUIZA ERUNDINA – Sr. Presidente, permita-me um aparte bem rápido. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Pois não. Com a palavra a Deputada Luiza Erundina. A SRA. DEPUTADA LUIZA ERUNDINA – A partir da intervenção da Dra. Gilda dizendo do descumprimento da Constituição em relação aos direitos dos povos indígenas em Belo Monte, eu desconheço pelo menos a íntegra da posição da Corte Interamericana de Direitos Humanos sobre Belo Monte. O que se noticiou é que ela impõe e exige do Governo brasileiro medidas cautelares. Medidas cautelares não serão só em relação aos direitos trabalhistas, às condições de trabalho de quem está realizando a obra, implantando a obra? Não será precaução pelo impacto que a obra vai causar ambiental, social e culturalmente em relação aos povos indígenas, em relação ao interesse nacional do ponto de vista do impacto ambiental que vai causar ali? Quer dizer, não seriam medidas de precaução em relação ao impacto que vai vir e que já está tendo? A presença de trabalhadores em uma quantidade enorme no canteiro de obras que está sendo instalado, até mesmo antes do Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS investimento, já está causando impacto? Isso já está de uma certa forma ferindo os direitos humanos antecipadamente em relação ao que vai causar aquele investimento, aquele empreendimento e aquela obra naquela região? Será que a conotação dada, não sei porque não vi o documento, de medida cautelar é para evitar o pior que a obra vai causar aos povos indígenas e o impacto ambiental que a obra vai causar? Desculpe-me se me excedi, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Deputada Luiza Erundina, sua intervenção é sempre qualificada e útil para todos nós. Drª Gilda, quer fazer algum comentário? A SRA. GILDA PEREIRA DE CARVALHO – Deputada, por isso eu falei em paliativos, porque eu não conheço os termos da medida cautelar. Provavelmente, de acordo como o que a senhora elencou agora, essas medidas sejam protetivas em relação aos trabalhadores e aos habitantes daquela localidade. Mas, como eu estou numa Casa legislativa e conheço, desde o início, a atuação do Ministério Público em prol de assegurar os direitos dos indígenas, considerei-me à vontade para então trazer a lembrança de que essa questão de se construir ou não Belo Monte é uma notícia histórica. Ela se iniciou há muitos anos com um decreto que deveria ter sido emitido pelo Poder Legislativo e no qual havia necessidade, porque se tratava de terras indígenas, de uma oitiva dos povos que habitavam aquela região. O Senado Federal entendeu que essa oitiva poderia ser delegada para o órgão ambiental brasileiro, no caso o IBAMA, que diz que a fez. Então, essa oitiva está sendo questionada perante o Supremo Tribunal Federal porque é completamente inconstitucional, pois, ao se interpretar devidamente a Constituição, o próprio Parlamento é que teria de ouvir os indígenas. Essa seria uma atividade indelegável. Então, quando eu falo em essência e natureza, isso diz respeito a essa questão. Depois disso, muita coisa se passou, a usina já está sendo construída e existem trabalhadores. Há envolvimento de muitos outros direitos. Daí por que houve essa atuação. Provavelmente, esse assunto a que estou me reportando talvez não tenha sido levado em consideração por conta do estágio atual da obra. Mas eu trago um elemento histórico no sentido de acompanhar o sofrimento e as reivindicações dos povos indígenas. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Obrigado, Dra. Gilda. Gostaria de informar à Deputada Luiza Erundina e aos demais que hoje nós aprovamos o Requerimento nº 63 de minha autoria e do Deputado Jordy, que vai propiciar uma audiência pública sobre Belo Terça-feira 7 01053 Monte. Com certeza, nós vamos ter que trazer toda a documentação formal que levou o IBAMA a fazer as audiências e examinar se o Senado agiu bem. Além do mais, acho que esta Comissão vai ter a obrigação de acompanhar não só Belo Monte, mas todas as outras usinas hidrelétricas causadoras de danos ambientais e de violação a direitos humanos. O nosso receio aqui – eu falo também como Deputado do PT, do Governo – é de que deve haver um procedimento e, talvez, um órgão independente. Ainda bem que foi esclarecido que o Brasil não tomou nenhuma medida retaliatória contra a OEA por conta dessas recomendações, porque isso seria muito ruim para um governo popular e democrático. Eu estou pensando em também provocar a OEA sobre o CESTE, em Estreito, e fiquei com medo. Se eu retaliar uma organização internacional, eu vou ficar aqui só às tiras, como Deputado. Então, estou mais tranquilo no sentido de que é importante demandar, porque, na democracia, nesse conflito vai ter que existir uma mediação. Acho que o desafio desta Comissão é ter condições de ficar acompanhando esse processo de instalação de hidrelétricas, principalmente porque é danoso, pois o Estado, Deputada Erundina, transfere para grandes grupos econômicos competências que eu considero não poderiam ser delegadas, porque há uma montanha de dinheiro público com isenções tributárias fabulosas, para utilizar um bem comum da Nação, a água, para produzir energia vendida para nós a preços exorbitantes. São eles que desapropriam, cadastram. E o processo de coação sobre os ribeirinhos é muito violento. Portanto, é preciso que nós acompanhemos isso, porque eles estão violentando pessoas como pescadores. No caso de Estreito, quem está acima da barragem está passando fome porque foi interrompido o processo de reprodução do peixe. Os pescadores estão recebendo cesta básica, fornecida pelo Governo. E quem está abaixo tem pouco peixe, porque os peixes querem subir e morrem – cerca de 40 toneladas de peixes foram perdidas agora, há 30 dias. Há documentos que entreguei ao Ministro. Foi filmado. Ou seja, é uma violação muito grande. Portanto, acho que a Comissão de Direitos Humanos, juntamente com outros órgãos, tem que acompanhar esse processo de produção de energia que, para mim, não é limpa. Dizer que energia elétrica é limpa não é verdade, ela é uma energia suja. Muita gente está passando fome por conta dessa produção de energia. Passando para o plenário, concedo a palavra à Sra. Fernanda Brandão Lapa, que é do Comitê Brasileiro de Direitos Humanos e Política Externa, por 3 minutos. A SRA. FERNANDA BRANDÃO LAPA – Boa tarde a todas e todos. Cumprimento a Mesa. 01054 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Na verdade, eu havia pedido uma intervenção um pouco antes, exatamente para pedir esclarecimentos e informação sobre Belo Monte, porque não haviam sido levantados. Mas vou aproveitar esses 3 minutos e, na verdade, reforçar um pouco essa questão do acesso à informação. Todos aqui estão comentando sobre o Estado Democrático, que, obviamente, não prescinde de participação população. Para ter participação popular, temos que ter acesso à informação e, para isso, a transparência parece-me algo importante. Desde que saiu na imprensa que nós estamos comentando aqui que não devemos confiar tanto porque as informações não são precisas, parece-me que levou muito tempo. E ainda não houve uma resposta a essa imprensa de que a notícia foi equivoca. Nós, sociedade civil, ficamos sem poder responder tanto aos nossos colegas aqui quanto aos de fora, que trabalham inclusive no sistema e que ficavam perguntando: “Nos‑ sa, mas isso foi uma retaliação? O que o Brasil está querendo com essa notícia?” Por mais que a não indicação de um representante brasileiro na Comissão Interamericana seja possível, não foi comum nos anos passados. Então, obviamente causou estranheza o fato de isso ter acontecido em seguida à cautelar, assim como todas as informações, que foram muito próximas à decisão da cautelar. O Fábio tinha colocado a questão de como tem avançado – eu não tenho dúvida disso – essa participação da sociedade civil, com as conferências nacionais, com a consulta pública à Revisão Periódica Universal. Eu fiquei muito feliz de saber que isso vai sair em breve porque, na primeira Revisão Periódica Universal – era algo que eu iria até perguntar –, nós tivemos acesso à consulta pública em pleno carnaval, com e‑ -mails para enviar. Nós entendemos que foi a primeira participação do Brasil, que foi complicada, mas esperamos, exatamente com aquela ideia de que temos de puxar e avançar juntos, que isso realmente mude. Então, fiquei muito feliz porque é para junho de 2012 e nós já estamos falando que vamos ter acesso a essa consulta. Isso nos dá tempo também de contribuirmos melhor para essa informação. Então, na verdade, era mais para reforçar um pouco essa questão da resposta. Sobre essa nota oficial solicitada pelo Deputado, acho que todos nós poderíamos ter acesso a ela porque, sem sombra de dúvida, nós também queremos dar uma resposta de que o Brasil não está deslegitimando a Comissão Interamericana. É mais uma questão de solicitar o acesso a essa informação. Obrigada. Fevereiro de 2012 O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Obrigado, Sra. Fernanda Lapa, que cumpriu rigorosamente os 3 minutos. Em seguida, o Sr. Pedro Vilardi Renata Reis, representante da Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS. O SR. PEDRO VILARDI RENATA REIS – Boa tarde a todas e todos. Obrigado, Sr. Presidente da Mesa. Eu gostaria de ressaltar dois pontos que não apareceram nem durante as exposições nem durante o debate, que me parecem de muita importância no cumprimento de compromissos brasileiros em direitos humanos. O primeiro é em relação ao tratado de livre comércio negociado entre a União Europeia e o MERCOSUL. Ainda não se tem acesso a um rascunho do texto, mas, por experiências, principalmente pelo fato de o tratado estar sendo negociado com a Índia, a União Europeia vem realmente com muita força em medidas que poderiam afetar seriamente o acesso a medicamentos no Brasil, bem como sobre outros temas. Eu gostaria também de perguntar, em relação à Assembleia Mundial da Saúde que ocorrerá em pouco tempo, o posicionamento brasileiro acerca dos debates sobre governança e o posicionamento brasileiro acerca do debate sobre contrafação, vistos os acontecimentos dos últimos 2 anos sobre apreensão de medicamentos em portos europeus, medicamentos genéricos que tinham como destino países em desenvolvimento. Sem dúvida, é um tema muito importante porque prejudica fortemente o acesso a medicamentos nos países em desenvolvimento. Muito obrigado, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Obrigado. Eu quero informar que a Dra. Gilda, em função da viagem ao Acre, conforme ela já relatou, está pedindo licença para se retirar. Boa viagem, Dra. Gilda, e nos mande também o resultado desses estudos sobre os haitianos na Região Norte. Obrigado. Em seguida, a Sra. (ininteligível) da Embaixada da Noruega. Está aqui? (Pausa.) Saiu. Com a palavra a Sra. Dida Figueiredo, representante do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas – IBASE. A SRA. DIDA FIGUEIREDO – Eu queria primeiramente ressaltar que aquilo que vou dizer é no intuito de preservar o nosso diálogo, que é importante. Como o Fábio disse, a Ministra tem tentado manter esse diálogo. O Cadu também ressaltou todo esse intuito de manter o diálogo entre a sociedade civil e o Governo. Eu acho que nossa audiência pública é uma prova disso, mas temos que ressaltar alguns pontos. Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Essa questão de que, muitas vezes, não temos notícia do que está sendo cumprido pelo Brasil na seara internacional é muito complicada. Em outubro do ano passado, nós pedimos informações do Brasil em relação ao ONU, sobre vários tratados que estavam sendo devidos, mas nunca tivemos essas informações oficialmente, nunca houve resposta. Na verdade, nem precisava ter sido pedido oficialmente, pois elas poderiam simplesmente estar sendo colocados no sítio do Internet do MRE e da Secretaria. Então, é muito importante que tenhamos acesso a essas informações. Isso tudo, na verdade, está interligado. Vejam um outro ponto que trouxemos aqui, a questão da nomeação para órgãos internacionais. Como essa nomeação é feita? Quais são os critérios verificados na hora de se indicar alguém para ser nomeado para um determinado comitê, para uma determinada comissão na seara internacional? Não estão colocados em nenhum local, de modo, digamos, público, os critérios que são utilizados. Pode ser – acredito no que vocês disseram – que a retirada da candidatura do ex-Ministro Paulo Vannuchi não seja uma retaliação. Tudo bem. Mas, mais uma vez, pareceu uma retaliação. Por que pareceu uma retaliação? O Brasil tem representantes na Comissão, tem representantes na Corte que, inclusive, honram sua função em defesa dos direitos humanos, que não é uma defesa do Estado brasileiro, mas uma defesa da pauta de direitos humanos? Tem. Mas uma coisa é não enviar uma candidatura, outra coisa é retirar uma candidatura. Então, acho que isso precisa ser dito e precisa estar claro. Os critérios para se enviar uma candidatura ou se retirar uma candidatura têm que estar claros para que essa comunicação, esse diálogo entre a sociedade civil e o Governo seja realmente profícuo para a defesa da pauta dos direitos humanos, de que estamos aqui para falar. Era só isso. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Obrigado, Sra. Dida. Com a palavra o Sr. Alexandre Ciconello, do Instituto de Estudos Socioeconômicos – INESC. O SR. ALEXANDRE CICONELLO – Boa tarde a todos e todas. Eu sou do Instituto de Estudos Socioeconômicos; sou da Coordenação da Plataforma Brasileira de Direitos Humanos, Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais – Plataforma DhESCA Brasil; e também faço parte das outras redes de direitos humanos aqui presentes. Eu queria dizer, embora várias pessoas estejam colocando o mesmo tema, que realmente causou uma grande perplexidade às organizações da sociedade ci- Terça-feira 7 01055 vil, não só brasileiras, mas latino-americanas, da forma como o Brasil se posicionou na questão da decisão da Comissão Interamericana. Uma primeira coisa é considerar o sistema – como foi falado pelo representante do Itamaraty, Sr. Albuquerque – como subsidiário. Nós também concordamos com isso quando não há, no sistema de proteção interno, condições de vermos aquele direito cumprido. Mas há aqui, como a própria Dra. Gilda falou, um descumprimento flagrante dos direitos indígenas, possivelmente até um descumprimento constitucional; há relatórios do IBAMA que dizem que a obra não é viável; há mais de 20 ações civis do Ministério Público do Pará contra a obra. Houve uma reunião do CBDPH há uma ou duas semanas, que é um Conselho subordinado à Secretaria de Direitos Humanos, e o Vice-Presidente daquele colegiado, que é o representante da OAB, constatou a ausência absoluta do Estado em Belo Monte e, ainda, falou que os representantes dos consórcios são totalmente depreparados e se arvoram de representantes do Estado brasileiro. Também outras denúncias foram identificadas pelo CBDPH na região com relação à violação dos direitos das crianças e adolescentes e exploração sexual. O Ouvidor do MDA, outro órgão público presente nessa mesma reunião, contou a história de um pequeno proprietário que teve a sua casa invadida por um representante do consórcio. A representante do Ministério Público no Conselho, que é do Conselho Nacional de Procuradores do Estado, afirma que o Governo não está fazendo a checagem do cumprimento das condicionantes. Há uma aberração quanto à liberação de uma licença prévia de instalação, que nem existia em nossa legislação, pois só poderia ser liberada uma licença de instalação da obra quando todas as condicionantes tivessem sido cumpridas, o que não ocorreu. Então, justifica-se plenamente essa posição. Mas a gente não consegue, devido aos interesses políticos e econômicos em torno dessa obra, uma posição firme do Governo. E a única opção da sociedade civil foi procurar a OEA. E consideramos mais grave a posição, principalmente, do Ministério das Relações Exteriores e da Secretaria de Direitos Humanos, dois órgãos do Governo que têm atribuição institucional de fortalecer o sistema, de cumprir acordos e recomendações. E o MRE, dizendo-se perplexo, referiu-se à decisão como precipitada e injustificável. Também o Secretário-Executivo da Secretaria de Direitos Humanos, André Lázaro, classificou a decisão da OEA como uma “burrice”. A Ministra Ma- 01056 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS ria do Rosário, há 3 semanas, nesta Casa, disse que não iria cumprir a referida decisão, por isso e aquilo. Quanto à candidatura do Ministro Vannuchi, pelas informações que temos, ele mesmo ficou surpreso com a retirada de seu nome como indicação pelo Governo brasileiro. Então, o que a gente vê é uma imaturidade desse novo Governo de lidar com qualquer decisão internacional desfavorável aos seus interesses e prioridades políticas. O Ministério das Minas e Energia fazer uma declaração como essa, assim como a Casa Civil... Mas a Secretaria de Direitos Humanos, durante o Governo anterior, do Ministro Vannuchi, sempre foi um pouco um fiel da balança, pois fazia um contraditório dentro do Governo com relação a todas essas questões que são contraditórias – e não existe uma única posição de Governo. Houve uma unificação no sentido de entender essa posição como extremamente complicada, pois minimiza e enfraquece o sistema interamericano de proteção aos direitos humanos, que é um organismo fundamental, privilegiado, não só para o Brasil, mas para outros países da região para a proteção dos direitos humanos. Portanto, não se trata de um questionamento, pois os argumentos já foram colocados. É grave o Itamaraty não desmentir essa matéria publicada pela Folha de S. Paulo cabalmente. O Itamaraty não fez isso, e achamos que há um porquê dele não ter feito isso. A gente tem informações de Washington que os próprios comissionados estão se sentindo pressionados pelo Governo brasileiro. Quanto ao corte de recursos, eu recebi essa informação há duas semanas das fontes de Washington, no sentido de que o Governo brasileiro ameaçava cortar recursos, antes ainda da publicação da referida matéria pela Folha. Então, deve-se estabelecer boas relações no início de um novo Governo, principalmente com esses dois órgãos, que sempre foram parceiros da sociedade civil no campo dos direitos humanos. Mesmo não concordando politicamente com a decisão, não devem responder dessa forma, pois enfraquece um sistema que, para nós, é muito caro. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Obrigado. O último inscrito é o Sr. Darci Frigo, da Terra de Direitos. O SR. DARCI FRIGO – Sou da Coordenação Colegiada da Plataforma DhESCA Brasil. Fevereiro de 2012 Eu queria agradecer a oportunidade e reforçar o que foi colocado pela Camila Asano, no sentido de que o Governo brasileiro deveria dar segmento no processo de reconhecimento e implementação do Protocolo Facultativo ao PIDESC. Acho que a sociedade civil já se manifestou sobre essa matéria por várias vezes e seria importante entrar em pauta como uma nova possibilidade, que se insere dentro de outras possibilidades já colocadas aqui, pois o sistema internacional, de forma complementar, permite à sociedade brasileira buscar reparação ou proteção aos direitos humanos. Temos uma preocupação também com as nomeações feitas para cargos no âmbito da ONU, a exemplo da relatoria especial para a independência política de advogados e juízes, que, segundo consta, tratava-se de uma juíza mais ligada ao Ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. Fizemos uma denúncia sobre o caso de Belo Monte, no momento em houve pressão sobre o Judiciário local, quando o juiz estava para decidir, ou já havia decidido e concedido liminares. Além da presença da ABIN, fazendo pressão, houve também ameaças da Advocacia-Geral da União, pois diziam que iriam processar os procuradores. Portanto, havia uma série de pressões sobre o Magistrado local, que deu decisões importantes. E essa Relatora sequer respondeu essas manifestações. Na denúncia que oferecemos, explicitamente citamos os ataques feitos pelo próprio Ministro Gilmar Mendes ao Ministério Público local, acusando-o de ser um braço das ONGs, da sociedade civil e das organizações ambientalistas. O Ministro, na condição de Presidente da Corte Suprema, inclusive estava fazendo coro à violação dessas prerrogativas. No entanto, há uma representação no âmbito da ONU que sequer responde a essas questões. E há um problema. O Presidente do Tribunal Regional Federal, ao receber as liminares dadas nas 11 ações de autoria do Ministério Público Federal e da sociedade civil apresentadas no âmbito da Justiça local, cassou todas. E havia denúncias, sim. E há problemas em relação ao projeto de construção da hidrelétrica de Belo Monte. Mas o Presidente do Tribunal Regional Federal tem o poder especial de cassar as liminares. E, quando a Turma que analisará o mérito das referidas ações for realmente tomar uma posição, a barragem já estará em construção. Então, esse mecanismo que dá poderes a um Presidente de Tribunal Regional Federal, o mesmo que negocia o orçamento da Justiça Federal com o Poder Executivo, é um mecanismo que não garante a independência do Poder Judiciário em relação a demandas como essas, que colocam sérias questões de violação a direitos humanos. Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Então, em relação a Belo Monte, há vários problemas. E realmente é surpreendente a posição do Governo brasileiro. Eu diria que é legítimo que o Governo brasileiro responda à OEA – isso é legítimo, o Governo brasileiro pode responder –, mas o Governo brasileiro, por seus diversos órgãos, inclusive a Secretaria de Direitos Humanos, não querer reconhecer que há violação de direitos humanos no âmbito local, isso é mais grave. Isso é mais grave. O Governo poderia ter respondido à OEA no sentido de que aquela entidade poderia tê-lo ouvido. Tudo bem. É legítimo que o Governo assim o faça. Já se disse e sei que tem gente do Governo que reconhece que em Rondônia o Governo local não manda naquele empreendimento, pois quem manda naquele Estado hoje é o consórcio. E quem vai mandar na região de Altamira? É o consórcio. Então, há problemas graves de violações de direitos humanos, as quais deveriam ser tratadas de forma muito mais séria e equilibrada. Esperamos que o Governo brasileiro, além de responder à OEA, cumpra com os princípios constitucionais no âmbito interno, para garantir a dignidade às pessoas que estão sendo atingidas e, depois, para os trabalhadores que venham eventualmente trabalhar na obra – embora tenhamos esperança de que sejam respeitados os direitos humanos e, portanto, haverá problemas em relação à continuidade da construção daquela usina. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Obrigado, Sr. Frigo. Vamos passar a palavra aos componentes da Mesa, não só para responderem os questionamentos, mas para fazerem as considerações finais. Eu me permito, se houver concordância, inverter a ordem, para começar com o Dr. Carlos Eduardo e terminar com o Dr. Fábio Balestro. O tempo é de 5 minutos para cada. O SR. CARLOS EDUARDO DA CUNHA OLIVEIRA – Eu começaria por tocar em um ponto mencionado por vários participantes e que diz respeito à adoção de critérios ou mecanismos mais objetivos para a seleção e apresentação de candidatos brasileiros a vagas em órgãos internacionais ou mecanismos internacionais na área de direitos humanos. Eu gostaria de tomar como exemplo o comentário feito pelo representante da Terra de Direitos, Darci Frigo, apenas para esclarecer um ponto, pois é importante que tenhamos presente essa distinção. Quando o Brasil apresenta uma candidatura a um órgão internacional de monitoramento, com ênfase na palavra órgão, é apresentado pelo Estado brasileiro, em nome do Estado brasileiro, ainda que, no exercício de suas funções, ele deva necessariamente atuar de maneira independente. Terça-feira 7 01057 E nós já tivemos exemplos de vários candidatos brasileiros que foram eleitos nesses órgãos internacionais, tiveram uma candidatura exitosa e cumpriram, com grande isenção e com grande senso de responsabilidade e independência, suas atividades, vide o exemplo inequívoco de Antônio Augusto Cançado Trindade, Paulo Sérgio Pinheiro e Hélio Bicudo. Enfim, todos nomes que engrandeceram a indicação e o empenho que o Estado brasileiro dedicou em favor das suas candidaturas. Em relação aos procedimentos especiais, essa candidatura não depende do Estado. O procedimento é distinto. Basta que cada candidato individualmente até, se ele assim desejar, inscreva seu nome numa lista de peritos, que é avaliada por um mecanismo composto por um representante de cada grupo regional do Conselho de Direitos Humanos, os quais elaboram uma lista tríplice. Essa lista tríplice é elevada à atenção do Presidente do Conselho de Direitos Humanos, que fará consultas com organizações não governamentais e com os demais membros do Conselho, que extrairá a partir daí uma decisão. Nós temos o exemplo de uma relatora brasileira, relatora sobre o direito à moradia adequada, Raquel Rolnik, que foi eleita também de uma maneira independente, conforme esse procedimento. No pleno exercício do mandato que lhe foi investido para que ela atue como uma perita independente no tratamento dessas questões, dirige inclusive críticas e cobranças ao Brasil no âmbito internacional. É importante fazer essa distinção para entender em que medida a palavra do Estado ou a atuação do Estado pode ou não ter alguma implicação sobre a escolha de um representante internacional, seja por um órgão de tratado, seja para um procedimento especial das Nações Unidas. A Camila comentava que havia conversado conosco no Ministério das Relações Exteriores sobre esse assunto. E eu não resisto, sempre que eu recebo a visita de algum representante de algum outro país que submete a candidatura de um nacional seu, a perguntar quais critérios formaram aquela escolha. Até hoje eu não tive uma resposta. Ou seja, em outros países esse processo também, assim como no caso brasileiro, se dá em base discricionária. Espera-se que o Estado, no momento de apresentar um candidato seu, faça uma boa escolha, porque, do contrário, não sendo essa uma boa escolha, isso poderá ter alguma repercussão negativa sobre a imagem do próprio Estado. É legitimidade do Estado apresentar uma candidatura que se vê questionada. Não terá sido esse, em absoluta razão, o motivo pelo qual a candidatura do ex-Ministro Paulo Vannuchi foi retirada. Ele é um homem de enormes credenciais, 01058 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS que poderia perfeitamente ocupar essa função, mas entendeu-se que seria oportuno, nas condições atuais – nós temos um quadro enorme de candidaturas que são tratadas em fóruns internacionais –, retirar essa candidatura, o que não significa que o Brasil não possa futuramente voltar a submeter nomes seja à Comissão Interamericana, seja à própria Corte Interamericana de Direitos Humanos, que elegerá novos membros em 2012, por exemplo. Enfim, disso não decorre a desnecessidade de pensarmos, sim, em formas mais objetivas e transparentes de efetuar esse processo de seleção e indicação de candidatos, porque isso é um fato. Quanto mais transparente for esse processo, quanto mais um candidato apresentado pelo Estado contar com o respaldo e apoio de organizações da sociedade civil, maiores serão as chances de que essa seja uma candidatura exitosa. Então, nem que seja por uma preocupação de ordem utilitária, é importante que nós pensemos em formas de dar um tratamento mais objetivo a esse processo. Uma pergunta que foi feita por vários participantes diz respeito ao monitoramento da implementação das recomendações dirigidas ao Brasil, após a nossa avaliação pelo Mecanismo de Revisão Periódica Universal. E aqui eu já me permito fazer um gancho: é um trabalho que está sendo conduzido pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Essas recomendações são 15, no total. Neste exato momento, a Secretaria dos Direitos Humanos está em diálogo com várias outras entidades do Governo Federal e em diálogo também com organizações da sociedade civil, engajada que está na elaboração do Plano Nacional de Direitos Humanos, que dará seguimento às ações, às mais de 500 ações previstas no Programa Nacional, vinculando, enfim, a implementação dessas ações a uma ordem de prioridade, a prazos e recursos que serão designados para esse fim. Qualquer um que queira fazer uma comparação entre as 15 recomendações dirigidas ao Brasil no âmbito do RPU e as mais de 500 ações previstas no Programa Nacional de Direitos Humanos, fatalmente verá que o Programa abarca, e muito, as 15 medidas previstas no Mecanismo de Revisão Periódica Universal. Qual é o meu ponto? Nós deveríamos pensar, e bem, em formas de fazer com que essas recomendações emanadas dos órgãos internacionais de monitoramento sejam plenamente integradas, incorporadas a iniciativas empreendidas pelo Plano Nacional, como é este Plano Nacional de Direitos Humanos; ou isso é uma disjuntiva, pensar em mecanismos autônomos para zelar pelo seguimento e cumprimento de suas obrigações. Isso não significa que nós precisamos ter, Fevereiro de 2012 necessariamente, os dois ao mesmo tempo. Mas é importante que, de alguma forma, essas recomendações que nos são dirigidas não só no marco do RPU, mas pelos Comitês de Tratados, Comitês de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, Comitês de Direitos Humanos, Comitês contra a Tortura, sejam, de alguma maneira, apropriadas quando da elaboração de programas e planos que digam respeito à temática dos direitos humanos no plano interno. É isso. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Obrigado, Dr. Carlos Eduardo. Concedo a palavra à Dra. Camila Asano. A SRA. CAMILA ASANO – Bem, sem tomar muito tempo, até porque é importante ouvir a resposta dos representantes do Governo, primeiro, expresso minha satisfação de ver que vários dos temas colocados inicialmente foram respondidos, o que já resolve alguns casos; outros vão ficar ainda para uma agenda futura, como o Carlos Eduardo mencionou. O Comitê continua com uma agenda de trabalho junto à Secretaria de Direitos Humanos, ao Ministério de Relações Exteriores, e também à Secretaria-Geral da Presidência. E a ideia é compartilhar isso com as demais organizações de direitos humanos e redes também. Então, a ideia é continuar essa articulação também dentro do movimento de direitos humanos, ao lado da sociedade civil. Sobre o tema específico das candidaturas e de como se dá o processo, sem dúvida há essa distinção entre casos em que apenas os Estados podem apresentar candidaturas, como é o caso dos Comitês de Monitoramento de Tratados da ONU, e casos em que os candidatos podem apresentar sua própria candidatura, ou organizações da sociedade civil podem apresentá-las. (Intervenção fora do microfone. Inaudível) A SRA. CAMILA ASANO – Exatamente. Inclusive, as ONGs podem apresentar candidatos, como é o caso dos procedimentos especiais, ou as relatorias especiais da ONU. Mesmo quando essas candidaturas não são apresentadas pelos Governos, algumas delas contam com o apoio oficial dos Governos. Elas, inclusive, pedem esse apoio. Então, é saber, se já houve... Eu não tenho esse dado aqui, mas, se já houve, qual foi o critério usado? Eu já sei que não há uma definição de critérios, mas vejo a importância desta possibilidade, a de um governo apoiar oficialmente uma candidatura que não por ele introduzida. É essa a questão. E eu já adianto que o Comitê Brasileiro de Política Externa estará amanhã em planejamento, em atividade, e a gente se compromete – e falo em nome do Comitê porque eu Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS já articulei com os colegas que fazem parte dele – de apresentar uma proposta, no sentido de realmente tornar esse processo mais transparente. Inclusive, porque existe uma boa prática que foi, como o Carlos Eduardo mencionou, a criação de um novo processo de seleção dos relatores especiais da ONU. Antes, a própria ONU era extremamente pouco transparente, não tinha nenhum critério na escolha de quais seriam os relatores especiais. E, no contexto da transformação da Comissão de Direitos Humanos para o Conselho de Direitos Humanos, em 2006, houve um... É até pouco mencionado, mas é um grande ganho para a sociedade civil que esse processo se tornou transparente e inclusivo, porque a sociedade civil pode indicar candidatos. Então, olhando para as experiências exitosas – e essa é uma boa experiência para se usar –, vamos trabalhar numa proposta que em breve também será encaminhada para discussão junto com o Governo. Obrigada. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Obrigado, Dra. Camila. Concedo a palavra ao Dr. Fábio Balestro. O SR. FÁBIO BALESTRO FLORIANO – Eu gostaria, antes das considerações finais, de fazer um rápido esclarecimento. Antes de mais nada, que bom que teremos aqui uma audiência pública sobre Belo Monte! Porque Belo Monte sozinha, com certeza, dá tema para uma audiência pública. Diante disso, eu queria só esclarecer uma colocação feita pelo nosso colega de que o CDDPH é subordinado à Secretaria de Direitos Humanos. Não é assim. Aliás, nenhum dos conselhos que estão localizados, por questões administrativas, na Secretaria de Direitos Humanos, é a ela subordinada. Inclusive, três deles gerem fundos próprios autonomamente. O nosso trabalho é justamente de composição de trabalho conjunto em direção a um horizonte, que nos é único, de respeito e de avanço nas questões de direitos humanos. O CDDPH – Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana é o mais antigo conselho do País. Ele foi fundado em 15 de março de 1964, duas semanas antes do golpe militar que derrubou o Presidente João Goulart. E ele foi importante baluarte na resistência à ditadura, com um significativo grau de independência. Não é à toa que uma parte das violações aqui trazidas ao conhecimento do Plenário foi colhida e divulgada por integrantes do CDDPH em uma missão à Terra do Meio, em que se acabou tratando da questão de Belo Monte. Daí vem a preocupação da Ministra. Terça-feira 7 01059 Eu queria também só esclarecer que a Secretaria de Direitos Humanos em momento algum está dizendo que não há violação de direitos humanos em Belo Monte. O que ela dizendo é justamente isto: “Olha, estamos recebendo denúncias e queremos investigar”. Tivemos uma conversa com o pessoal do setor elétrico, o pessoal da ELETROBRAS, ELETRONORTE. E juntamente com eles acordamos que, então, nós enviaremos o CDDPH, enquanto órgão independente, para que ele possa, através das suas forças-tarefa organizadas, que contam inclusive com representantes da sociedade civil, monitorar a situação de direitos humanos, inicialmente em Belo Monte. A ideia é expandir isso para outros empreendimentos também, porque essa é uma situação que nos preocupa e nós não queremos simplesmente varrer para baixo do tapete uma denúncia de direitos humanos. Isso não seria compatível nem com a história da Ministra Maria do Rosário nem com a história da Presidenta Dilma. Na verdade, nós queremos justamente resolver; e, por isso, nós temos que monitorar e saber, de fato, o que está acontecendo. Nesse sentido, então, nós propusemos ao CDDPH que formasse essa comissão de acompanhamento, essa força-tarefa – e ele aceitou essa incumbência. Esse é o relacionamento que nós temos com todos os nossos conselhos. Nós fazemos propostas, levamos coisas ao conhecimento deles, para que eles, então, enquanto conselheiros, deliberem e decidam qual o encaminhamento a tomar. Para finalizar, eu gostaria de agradecer imensamente a presença de todos e de todas aqui. Esses debates são fundamentais, inclusive em relação ao próprio princípio da transparência. Acho que foi colocado por diversas pessoas aqui, quando se falava sobre acesso a informação, que isto é necessário. É um avanço que nós estamos tentando obter. Temos hoje um setor, na Secretaria dos Direitos Humanos, que está justamente encarregado de estruturar e de cuidar dessa área, não apenas no âmbito nacional, mas também em âmbito regional. Nós estamos colaborando no âmbito do MERCOSUL, com altas autoridades, para dar a público as decisões desse fórum, que hoje são extremamente de difícil acesso. Isso, com certeza, também está no nosso horizonte. Eu gostaria de reiterar, em nome da Ministra Maria do Rosário e da Presidenta Dilma, o compromisso que ambas têm com os direitos humanos. Quero cumprimentá-las também por terem elevado esta matéria Direitos Humanos a um patamar de primeira grandeza na política nacional. Muito obrigado. 01060 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Obrigado, Dr. Fábio. Quero registrar a presença do Deputado Eudes Xavier, pelo PT do Ceará, grande articulador da economia solidária no Congresso Nacional . Seja bem-vindo! Passo a palavra ao Dr. Silvio José Albuquerque e Silva, para as respostas e as considerações finais. Se V.Sa. puder, faça algum comentário sobre o caso de Alcântara, se for do seu conhecimento, que também está na Comissão Panamericana. O caso envolve um conflito entre as comunidades quilombolas e a Base Espacial de Alcântara. O SR. SILVIO JOSÉ ALBUQUERQUE E SILVA – Deputado, em primeiro lugar, gostaria de agradecer por participar de um evento desta relevância, que é mais uma oportunidade de diálogo entre o Governo brasileiro, o Itamaraty, a Secretaria de Direitos Humanos, a sociedade civil e o Parlamento brasileiro. Acho que isso fertiliza as reflexões de todos os membros do Governo, do Parlamento e da sociedade civil sobre temas relevantes da política externa. O Itamaraty não formula política externa a portas fechadas, entre quatro paredes. O alimento que vem desta Casa, especialmente desta Comissão, que é da maior relevância para legitimar nossa ação externa. Então, em nome do Ministro Patriota, eu agradeço o convite, e estarei à disposição dos senhores para, em outras oportunidades, comparecer a esta Casa a fim de prestar esclarecimentos . Fico muito feliz com a pergunta formulada pelo Pedro Vilardi, porque há uma tendência forte, por parte da sociedade civil também, de privilegiar direitos civis e políticos em detrimento de direitos econômicos e sociais. Eu atuo muito em fóruns multilaterais que lidam com direitos econômicos e sociais. Atuo muito na OMS. Então sua pergunta é muito bem-vinda e estimula muito a participação da sociedade civil brasileira no diálogo com o Itamaraty, quanto à formulação de políticas nesse campo. Acesso a medicamentos. Segundo a OMS, 30% da população mundial não têm acesso a medicamentos essenciais. O direito à saúde é que está no cerne dessa discussão. Segundo a Declaração Universal de Direitos Humanos, como vocês sabem, o direito à saúde é um direito humano fundamental. Mas quando a Declaração se desdobrou em duas convenções, em dois pactos obrigatórios aos Estados, o primeiro deles lidou com temas civis e políticos, e tem uma ratificação universal bastante grande; agora, com relação aos direitos econômicos e sociais, especialmente o direito à saú- Fevereiro de 2012 de, os países desenvolvidos tendem a não reconhecer o direito à saúde como direito humano fundamental. Começa aí o problema. Na OMS, a briga diplomática que lá se trava é ideológica – e eu diria que por uma questão de interpretação. Para os Estados Unidos e para a União Europeia, o direito à saúde não é um direito humano fundamental; para o Brasil, sim, é. E o que se percebe é que a OMS sofre dupla pressão. Uma delas, na discussão desse tema, da grande indústria farmacêutica; a outra, dos países desenvolvidos. Há uma tendência forte dos países desenvolvidos de apoiar as reivindicações da indústria farmacêutica, que ao longo dos últimos anos perdeu tremendamente os lucros proporcionados pelos medicamentos inovadores descobertos décadas atrás. Esgotaram-se as patentes; ou esgotam-se progressivamente as patentes. Então o que elas têm feito ultimamente são as chamadas “me-too drugs”, aqueles medicamentos que não têm na sua composição alteração inovadora que permita o patenteamento como um novo medicamento; e com isso há um ataque frontal, dentro da OMS, aos medicamentos genéricos. Mais especialmente, os países desenvolvidos buscam a confundir, propositalmente, o conceito de medicamento falsificado; o medicamento de marca diante do medicamento que não seja de marca. Ou seja, ignora-se o fato de que o medicamento genérico, que barateia tremendamente o preço do medicamento, é de igual qualidade e com o mesmo conteúdo que os de marca. E a confusão também se dá entre medicamentos falsificados e medicamentos contrafeitos, buscando-se confundir composição do medicamento com violação dos direitos de PI – propriedade intelectual. Ou seja, o que os países desenvolvidos de fato querem é reforçar na OMS uma agenda de fortalecimento de direitos de propriedade intelectual, que eles defendem em outros foros, e ignorar, por exemplo, avanços conceituais extraordinários, como o proporcionado pela Declaração de Doha, de 2001, sobre saúde pública e propriedade intelectual – que tem o Brasil com um dos seus principais propósitos, e que deixa claro que, em caso de conflito entre saúde pública e comércio, prevalecem os interesses de saúde pública. Como também buscam ignorar solenemente o grande avanço também conquistado com o protagonismo da diplomacia brasileira, que foi a aprovação da Estratégia Global de Saúde Pública, Inovação e Propriedade Intelectual, em 2008, na OMS. Simplesmente, essa Estratégia Global, que foi aprovada na Organização, não tem sido implementada porque não há o desejo da Organização Mundial da Saúde – pressionada que está pelos países de- Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS senvolvidos e pela grande indústria farmacêutica – de implementar uma estratégia global que busque trazer inovação na pesquisa em doenças negligenciadas, que são as doenças dos países pobres, como malária, esquistossomose, doenças típicas desses países. Então não há interesse da indústria farmacêutica em investir em doenças que não vão trazer para ela lucros, como os grandes blockbusters, os grandes medicamentos – e diversos tiveram a patente recentemente expirada. Mas não vou mencionar nenhum, especificamente. Então, é uma briga ideológica que se trava na OMS. Há um GT, um grupo de trabalho, sobre falsificação de medicamentos, do qual o Brasil participa, que é extremamente polarizado. Mas eu posso lhe assegurar que as posições do Brasil militam na defesa do acesso da população aos medicamentos. O Brasil se pauta no fato de que o direito à saúde é um direito universal. No Conselho de Direitos Humanos logramos aprovar, recentemente, uma resolução que considera também o acesso aos medicamentos como parte do direito universal à saúde, como direito humano fundamental. E aqui lanço um apelo para as ONGs: é fundamental que na próxima Assembleia Mundial da Saúde, que se realizará nos próximos dias, em maio ainda, em Genebra, Suíça, haja a presença de ONGs brasileiras – e raramente eu as vejo lá – na defesa dessa plataforma. Porque eu posso assegurar que o lobby da indústria farmacêutica, nesse tema, é opressivo – opressivo –, e condiciona o que o senhor chamou de governança do sistema. Um dos grandes problemas da governança da OMS hoje é a influência excessiva da grande indústria sobre as determinações do Secretariado. E um exemplo flagrante disso é a iniciativa Impacts. O Impact é uma força-tarefa que foi formada de maneira ilegítima, ilegal, sem o apoio dos Estados membros e que busca fazer com que a OMS tenha papel de polícia na repressão a medicamentos falsificados, o que definitivamente não é o papel da OMS. Então, posso lhe assegurar que o Brasil está atento. Eu não tenho conhecimento do TLC União Europeia/ América do Sul, no que diz respeito a esse tema, mas eu posso assegurar que, se esse tema surgir no TCL, nós, no Itamaraty, na Divisão de Temas sociais, estaremos atentos para que não haja nenhuma violação a princípios consagrados na nossa defesa dos interesses brasileiros. Uma última palavra, Deputado, em relação ao Sistema Interamericano – e é uma pena que os representantes de Embaixadas de países desenvolvidos já tenham deixado já esta sala pelo adiantado da hora: o Sistema Interamericano é um exemplo clássico de que, tanto no foro global como no Sistema Interamericano (o que eu vou dizer é verdadeiro), os países latino- Terça-feira 7 01061 -americanos, o chamado GRULA, que são os países latino-americanos e caribenhos, mais especialmente os latino‑americanos, são os grandes responsáveis pela defesa de causas que são causas nobres no campo dos direitos humanos. Dos 35 Estados membros da OEA, somente 25 ratificaram a Convenção. Estados Unidos e Canadá não a ratificaram. Vários caribenhos não a ratificaram. E, dos 25, só 22 reconhecem a jurisdição contenciosa da Corte. O Sistema Interamericano de Direitos Humanos é um patrimônio dos países latino-americanos, é um patrimônio do Brasil. Então, seria como dar um tiro no próprio pé o Brasil atentar contra o Sistema Interamericano, enquanto nós somos o que garante esse sistema. Não interessa nem aos Estados Unidos nem ao Canadá que esse sistema prospere, porque eles ignoram as Convenções Americanas sobre Direitos Humanos; eles não as ratificam, não as assinam e se dão ao luxo de criticar a não assinatura, a não ratificação delas por países da América Latina em seus relatórios, ilegítimos e unilaterais, que publicam anualmente. O Sistema Interamericano de Direitos Humanos é um patrimônio do Brasil. Assim o Itamaraty o enxerga. Obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Eu quero, em nome da Presidenta Manuela d’Ávila, que não pôde estar presente, e de toda a Comissão de Direitos Humanos, agradecer à Mesa, ao Ministro Silvio José Albuquerque, à Sra. Camila Asano, à Dra Gilda Pereira de Carvalho, ao Dr. Fábio Balestro e ao Dr. Carlos Eduardo da Cunha pela qualidade das exposições, pela contribuição nesse tema tão emergente para nós todos. Agradeço à Deputada Luiza Erundina, ao Deputado Chico Alencar, que ficaram até este momento. Agradeço à imprensa, às entidades presentes, aos assessores e também àqueles que nos acompanham pela Internet. Está encerrada a sessão. Boa noite a todos e a todas. (Palmas.) COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS E MINORIAS 54ª Legislatura – 1ª Sessão Legislativa Ordinária Ata da 11ª Reunião de Audiência Pública realizada em 4 de maio de 2011 Às quinze horas e três minutos do dia quatro de maio de dois mil e onze, reuniu-se a Comissão de Direitos Humanos e Minorias, no Anexo II, Plenário 09 da Câmara dos Deputados, com a presença dos Senhores Deputados Domingos Dutra e Arnaldo Jordy – Vice-Presidentes; Chico Alencar, Edson Santos, 01062 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Erika Kokay, Geraldo Thadeu, Manato, Ricardo Quirino e Walter Tosta – Titulares; Flávia Morais, Henrique Afonso, Íris de Araújo, Josué Bengtson, Keiko Ota, Luiz Couto, Luiza Erundina, Márcio Marinho e Paulo Magalhães – Suplentes. Deixaram de comparecer as Deputadas Janete Rocha Pietá, Liliam Sá e Manuela d’ávila. Justificada a ausência da Deputada Manuela d’ávila que se encontrava em missão oficial. ABERTURA: o Senhor Deputado Domingos Dutra, declarou abertos os trabalhos. ORDEM DO DIA: Reunião de Audiência Pública. TEMA: Agenda do Estado Brasileiro em 2011 nos sistemas ONU, OEA e Mercosul de Direitos Humanos. EXPOSITORES: Sr. Sílvio José Albuquerque e Silva – Diretor Iinterino do Departamento de Direitos Humanos e Temas Sociais do Ministério das Relações Exteriores; Sra. Camila Asano – Representante da Secretaria Executiva do Comitê Brasileiro de Direitos Humanos e Política Externa; Dra. Gilda Pereira de Carvalho – Procuradora Federal dos Direitos do Cidadão, do Ministério Público Federal; Sr. Fábio Balestro – Representante da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República; e Sr. Carlos Eduardo da Cunha Oliveira – Chefe da Divisão de Direitos Humanos do Ministério das Relações Exteriores. Dando início ao debate, os expositores fizeram uso da palavra. Ao término das explanações dos expositores, fizeram uso da palavra, por ordem de inscrição, a Deputada Luiza Erundina e o Deputado Chico Alencar e os senhores Pedro Vilardi, Fernanda Lapa, Olivia Figueiredo, Alexandre Schioconelly, Dacir Frigo. A seguir, os expositores apresentaram suas considerações finais. Nada mais havendo a tratar, a presente reunião foi encerrada às dezoito horas e sete minutos. O inteiro teor foi gravado, passando o arquivo de áudio a integrar o acervo documental desta reunião para degravação mediante solicitação escrita. E, para constar, eu, Márcio Marques de Araújo, lavrei a presente Ata, que por ter sido lida e aprovada, será assinada pelo Presidente, Deputado Domingos Dutra, e publicada no Diário da Câmara dos Deputados. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Havendo número regimental, declaro abertos os trabalhos desta Comissão de Direitos Humanos e Minorias. Há quorum mínimo para a abertura Leitura das atas das reuniões anteriores, realizadas nos dias 13 e 20 de abril de 2010. O SR. DEPUTADO LUIZ COUTO – Sr. Presidente, peço dispensa da leitura das atas. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Dispensada, a pedido, a leitura das atas. Fevereiro de 2012 Quero informar os convidados que logo após a votação dos requerimentos nós daremos início à audiência pública. Ordem do Dia. Item 1: Requerimento nº 46, de 2011, da Sra. Deputada Erika Kokay, que requer a realização de audiência pública com o objetivo de discutir o tema: “A intolerância religiosa vivenciada no País referente às comunidades tradicionais de terreiros”. Há alguém que possa subscrever o requerimento? O Deputado Luiz Couto subscreve o Requerimento nº 46, de 2011, da Deputada Erika Kokay. Em discussão o requerimento. Não havendo ninguém que queira discutir, em votação o requerimento. Os Deputados que são favoráveis permaneçam como estão. APROVADO. Item 2: Requerimento nº 47, de 2011, do Sr. Jean Wyllys, que requer a realização de audiência pública para tratar da situação dos terreiros de candomblé, dos centros de umbanda e dos seus devotos. O SR. DEPUTADO ARNALDO JORDY – Sr. Presidente, esse requerimento parece-me ter o mesmo conteúdo do anterior, já aprovado. Eu acho que se juntam. No mérito, já está... O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – O Deputado Jordy subscreve o Requerimento nº 47. Em discussão o requerimento. Não havendo ninguém que queira discutir, em votação. Os Deputados que são favoráveis permaneçam como estão. APROVADO. Ficam, portanto, anexados. Juntam-se os dois requerimentos e providencia-se uma só audiência. Item 3: Requerimento nº 48, de 2011, do Sr. Jean Wyllys, que requer a realização de diligência nas instituições presidiárias masculinas do Estado do Rio de Janeiro, para apurar denúncia de violência contra gays, travestis e transexuais em presídios. O Deputado Luiz Couto subscreve o requerimento. Em discussão. Não havendo quem queira discutir, em votação. Os Deputados que são favoráveis ao requerimento, Deputados e Deputadas, permaneçam como estão. APROVADO. Requerimento nº 49, de 2011, da Deputada Íris de Araújo, que requer a aprovação de moção de apoio ao Governo brasileiro em face da posição do Brasil expressada junto ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas mediante voto favorável à instalação Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS de investigação sobre violação de direitos humanos no Irã. O Deputado Luiz Couto subscreve o Requerimento nº 49, de 2011, da Sra. Íris de Araújo. Em discussão. Não havendo quem queira discutir, em votação. Aqueles que são favoráveis permaneçam como estão. APROVADO. Requerimento nº 51, de 2011, da Sra. Deputada Manuela D’Ávila, do Sr. Assis Melo... Ah, desculpe. Desculpe, Deputada Erundina. Item 5: Requerimento nº 50/2011, da Sra. Deputada Luiza Erundina, que requer a realização de audiência pública destinada a discutir as responsabilidades do Estado brasileiro no cumprimento da sentença proferida pela Corte Interamericana de Direitos Humanos no caso Gomes Lund e outros. Em discussão. Com a palavra a Deputada Luiza Erundina. A SRA. DEPUTADA LUIZA ERUNDINA – Sr. Presidente, colegas Parlamentares, nobres visitantes, convidados para a próxima audiência pública, esse requerimento, Sr. Presidente, justifica-se porque a decisão da Corte, ou seja, a sentença da Corte já foi proferida no final de 2010, e sabe-se que o cumprimento das determinações dessa sentença tem prazo, o prazo de 1 ano, e nós estamos, pelo menos eu, pessoalmente, e a Casa, acredito, sem informações de quais os encaminhamentos, quais as providências que já foram encaminhadas nestes meses que já transcorreram após a promulgação, a definição daquela sentença. Então, nós estamos propondo a audiência até porque, por exemplo, uma das medidas seria a criação da Comissão da Verdade; tem-se notícia de que em maio entrou na Casa uma iniciativa de lei do Executivo propondo a criação da Comissão da Verdade, e até hoje não foi instalada. É preciso, evidentemente, instalar-se uma Comissão Especial para apreciar aquele projeto de lei, e até agora isso não ocorreu na Casa. Então, o que nos preocupa é que o tempo corre, os prazos estão extinguindo-se, e precisamos acompanhar as providências e as decisões do Governo, das autoridades diretamente responsáveis por essas providências, por essas medidas, por esses encaminhamentos que, a meu ver, já deveriam ter sido feitos, se é que não o foram. Então, no requerimento, proponho que se convidem: o Ministro Antonio Cezar Peluso, Presidente do Supremo Tribunal Federal; o Ministro José Eduardo Cardozo, do Ministério da Justiça; a Ministra Maria do Rosário Nunes, da Secretaria Especial de Direitos Humanos; o Ministro Antônio de Aguiar Patriota, do Ministério das Relações Exteriores; o Dr. Roberto Terça-feira 7 01063 Monteiro Gurgel Santos, Procurador-Geral da República; o Prof. Dr. Fábio Konder Comparato, Professor Emérito da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo; o Dr. Ophir Filgueiras Cavalcante Júnior, Presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil; e a Dra. Beatriz Affonso, Diretora do Centro pela Justiça e Direito Internacional – CEJIL. Então, é isso, Sr. Presidente. Essa audiência é para ouvirmos essas autoridades e esta Casa poder acompanhar as providências que se fazem necessárias no cumprimento daquela sentença. Era isso, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Em discussão o Requerimento nº 50, da Deputada Luiza Erundina. Encerrada a discussão. Em votação. Os Deputados e Deputadas que são favoráveis permaneçam como estão. APROVADO o requerimento. A Comissão vai agendar a audiência justa solicitada pela Deputada Luiza Erundina. Requerimento nº 51, de 2011, da Sra. Deputada Manuela D’Ávila, do Sr. Assis Melo e da Sra. Jô Moraes, que requerem a realização de audiência pública conjunta com a Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público para debater o tema das práticas antissindicais em desacordo com o previsto na Convenção nº 98 da OIT. O Deputado Luiz Couto subscreve o requerimento. Em discussão o requerimento. Encerrada a discussão. Em votação. Os Deputados e Deputadas que são favoráveis permaneçam como estão. APROVADO o Requerimento nº 51. Item 7: Requerimento nº 52, de 2011, da Sra. Deputada Manuela D’Ávila e do Sr. Luiz Couto, que requerem a realização do Seminário Crianças e Adolescentes: Desafio Contemporâneo à Luz dos 21 Anos do ECA, para debater o Estatuto da Criança e do Adolescente e proposições de políticas públicas de enfrentamento às drogas, à violência, à exploração sexual e ao tráfico desses atores sociais. Em discussão. Não havendo quem queira discutir, em votação. Os Deputados e Deputadas que são favoráveis permaneçam como estão. APROVADO. Item 8: Requerimento nº 53, de 2011, da Sra. Deputada Manuela D’Ávila e de Luiz Couto, que requerem a realização do V Seminário Latino-Americano de Anistia e Direitos Humanos, para debater as questões 01064 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS pertinentes ao cumprimento das leis de anistia pelo Estado brasileiro e o resgate da memória e da verdade. Em discussão. Não havendo quem o queira discutir, em votação. Os Deputados e Deputadas que são favoráveis ao requerimento permaneçam como estão. Aprovado. Item 9: Requerimento nº 54, de 2011, do Sr. Deputado Ricardo Quirino, que requer a realização de audiência pública para debater e dialogar com a sociedade civil organizada e o Governo Federal a questão da violência nas escolas do DF e de todo o território nacional. O Requerimento nº 64, de autoria da Deputada Erika Kokay, trata do mesmo assunto. Portanto, em discussão os Requerimentos nºs 54 e 64. Com a palavra o Deputado Ricardo Quirino. O SR. DEPUTADO RICARDO QUIRINO – Boa tarde, Sr. Presidente Domingos Dutra. Sem nos alongarmos – a violência nas escolas é um tema muito fácil de ser debatido; qualquer um dos colegas aqui poderia pronunciar-se –, quero só fazer um registro: não nos baseamos no que aconteceu no Rio de Janeiro. Foi um trágico episódio, lamentável. Mas aqui no Distrito Federal, de 5 anos para cá, a violência nas escolas acentuou-se de tal forma que nós precisamos buscar uma resposta. É questão de segurança pública? É social? O que está por trás, qual é a causa dessa violência? Onde está o foco? Por que é que a violência nas escolas se tem acentuado e está saindo do controle das autoridades, em todos os sentidos? Nós perdemos aqui um professor, o Prof. Carlos Mota, que foi assassinado porque estava combatendo a violência que estava tentando entrar, tomar conta da sua escola, sua unidade escolar. O Prof. Valério, também aqui do Distrito Federal, foi espancado, violentamente espancado por alunos, e depois acabou dando uma declaração no sentido de que estava decepcionado e não mais seguiria na profissão. Então, é importante nós fazermos essa discussão, realizarmos essa audiência pública, para encontrarmos e darmos uma resposta à sociedade. Obrigado, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Em discussão. Encerrada a discussão. Em votação. Os Deputados e Deputadas que são favoráveis ao requerimento permaneçam como estão. APROVADO. Item 10 da pauta: Requerimento nº 55, de 2011, da Sra. Deputada Manuela D’Ávila, que requer, nos Fevereiro de 2012 termos regimentais, a realização de audiência pública em conjunto com a Comissão Especial das Anistias – CEANIST e com a Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público para debater o assédio moral sofrido por anistiado da Lei nº 8.878, de 1994, após seu retorno à Administração Pública Federal. O SR. DEPUTADO LUIZ COUTO – Subscrevo o requerimento, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – O Deputado Luiz Couto subscreve o Requerimento nº 55. Em discussão. Encerrada a discussão. Em votação. Os Deputados e Deputadas que são favoráveis permaneçam como estão. APROVADO. Requerimento nº 56, de 2011, da Sra. Deputada Manuela D’Ávila, que requer a realização de audiência pública pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias para debater políticas públicas destinadas a fortalecer os direitos humanos no planejamento da Copa Mundial de Futebol de 2014. Deverão ser convidados para participar representantes dos Ministérios do Esporte e do Turismo, da Polícia Federal e do Conselho Nacional de Direitos Humanos e do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente. O Deputado Luiz Couto subscreve o requerimento. Em discussão. Encerrada a discussão. Em votação. Os Deputados e Deputadas que são favoráveis permaneçam como estão. APROVADO. Requerimento nº 57, de 2011, da Sra. Deputada Erika Kokay, que requer a constituição de grupo de trabalho para tratar de tema relativo ao desarmamento. Em discussão o requerimento. Não havendo quem queira discutir, encerrada a discussão. Em votação. Os Deputados e Deputadas que são favoráveis permaneçam como estão. APROVADO. Item 13: Requerimento nº 58, de 2011, das Sras. Deputadas Manuela D’Ávila e Liliam Sá e do Sr. Deputado Luiz Couto, que requerem a realização de seminário sobre políticas públicas de combate à exploração sexual infantil e ao turismo sexual, evento a ser realizado em parceria com a Comissão de Turismo e Desporto, no dia 25 de maio, com a presença de autoridades públicas e representações da sociedade civil. Em discussão. Encerrada a discussão. Em votação. Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Os Deputados e Deputadas que são favoráveis permaneçam como estão. APROVADO. Item 14: Requerimento nº 59, de 2011, do Sr. Walter Tosta, que requer a realização de audiência pública para debater a acessibilidade do sistema de transporte aeroferroviário. O SR. DEPUTADO LUIZ COUTO – Subscrevo. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – O Deputado Luiz Couto subscreve o Requerimento nº 59. Em discussão. Encerrada a discussão. Em votação. Aqueles que são favoráveis permaneçam como estão. APROVADO. Item 15: Requerimento nº 60, de 2011, do Srs. Deputados Geraldo Thadeu e Arnaldo Jordy, que requerem a realização de audiência pública para discutir os assassinatos de brasileiros no exterior relacionados ao tráfico de pessoas. Em discussão. Não havendo quem queira discutir, encerrada a discussão. Em votação. Os Deputados e Deputadas que são favoráveis permaneçam como estão. APROVADO. Item 17: Requerimento nº 62, de 2011, do Sr. Deputado Luiz Couto, que requer a participação da Comissão de Direitos Humanos e Minorias no I Seminário Paraibano sobre Segurança Pública, Proteção de Direitos e Participação Social, que se realizará em João Pessoa, Paraíba, nos dias 26, 27 e 28 de maio do ano em curso. Em discussão. (Intervenção fora do microfone. Inaudível.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Está bem. Desculpem, eu pulei para o item 17. Em discussão. Não havendo quem queira discutir... APROVADO. Requerimento nº 61, Sr. Deputado Edson Santos, que requer a realização de audiência pública para debater dados do Relatório Anual de Desigualdades Raciais. O SR. DEPUTADO LUIZ COUTO – Subscrevo. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – O Deputado Luiz Couto subscreve o requerimento. Em discussão. Terça-feira 7 01065 Não havendo quem queira discutir, encerrada a discussão. Em votação. Quem for favorável permaneça como está. APROVADO. Item 18: Requerimento nº 63, de 2011, do Sr. Deputado Arnaldo Jordy, que requer a realização de audiência pública para debater os aspectos econômicos, sociais, ambientais e jurídicos da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, na Bacia do Rio Xingu. Em discussão. Não havendo quem queira discutir, encerrada a discussão. Em votação. Aqueles que são favoráveis permaneçam como estão. APROVADO. Eu peço ao Deputado Luiz Couto que assuma aqui a Presidência para eu defender meus dois requerimentos. O SR. DEPUTADO LUIZ COUTO – Há ainda um de Erika, não é? O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Ah, desculpe, Deputada Erika. É que me apressaram aqui, e eu estou apressando também a garganta. Item 19: Requerimento nº 64, de 2011, da Sra. Deputada Erika Kokay, que requer a realização de audiência pública para debater o fenômeno da violência nas escolas. Esse requerimento já foi aprovado lá atrás, junto com o requerimento do Deputado Quirino. Vamos ao Item 20. Eu passo a Presidência para o Deputado Luiz Couto. (Pausa.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Item 21... Não, Item 20: Requerimento nº 65, de 2011, do Sr. Domingos Dutra, que requer a constituição de uma representação da Comissão de Direitos Humanos e Minorias para diligenciar visitas ao Itamaraty, à Embaixada da Indonésia no Brasil e aos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário da Indonésia, pela libertação do instrutor de voo livre Marco Acher Cardoso Moreira, brasileiro de 49 anos que se encontra preso e condenado à pena de morte naquele país. Em discussão. O SR. DEPUTADO DOMINGOS DUTRA – Sr. Presidente, esse brasileiro – e tudo indica que é maranhense – Marco Acher Cardoso Moreira foi condenado na Indonésia à pena capital sob a acusação de tráfico de drogas. Ele foi pego com 5 quilos de cocaína na sua prancha. Já houve todos os trâmites no Judiciário. O Poder Judiciário manteve a pena capital. O Presidente Lula mandou uma carta pedindo perdão, e o governo indonésio não deu resposta. A Presidente Dilma refez o pedido. E na semana passada, na Comissão de Meio 01066 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Ambiente, eu aproveitei que uma comissão de Parlamentares da Indonésia estava visitando o Brasil, com a presença do Embaixador, e o Embaixador deixou as portas as abertas, no sentido de que é possível que o Governo da Indonésia evite a execução dessa pena. Há alternativas. Portanto, eu estou pedindo que a Comissão de Direitos Humanos priorize e aprove o requerimento, mas também com a agilidade necessária, para a gente diligenciar junto à Embaixada da Indonésia no País, junto ao Itamaraty, e, se for necessário, que uma comissão se desloque à Indonésia para evitar a execução desse brasileiro, que não tem antecedentes, praticou esse delito, e lá o tráfico de drogas leva a pena capital, mas há uma porta aberta, e nós podemos evitar a execução desse brasileiro. Já que em outras oportunidades nós fomos aqui contrários à execução de pena de morte no Irã e em outros países, eu acho que é mais justo do que nós façamos um esforço para salvar esse brasileiro dessa pena extrema lá na Indonésia. O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Continua em discussão. Não havendo quem queira discutir, em votação. Os que estiverem de acordo permaneçam como se encontram. APROVADO. Item 21: Requerimento nº 66, de 2011, do Sr. Domingos Dutra, que requer a constituição de uma representação da Comissão de Direitos Humanos e Minorias para verificar a situação jurídica, processual e de assistência de presos estrangeiros na penitenciária do Município de Itaí, no Estado de São Paulo. Em discussão. O SR. DEPUTADO DOMINGOS DUTRA – Sr. Presidente, eu, quando fui Relator da CPI, e aqui o Deputado Tadeu também, nós encontramos em vários Estados do Brasil estrangeiros presos, principalmente africanos, no maior abandono, sem intérprete, sem assistência jurídica, sem assistência material. O sistema penitenciário não garante assistência alguma nem aos nacionais, e quando se trata de estrangeiros, e principalmente africanos, que são muitos, o abandono é completo. Eu obtive informações de que todos os presos estrangeiros no Estado de São Paulo estão nessa Penitenciária de Itaí, no Estado de São Paulo. Por outro lado, eu estou pedindo ao Itamaraty informações sobre a situação dos brasileiros presos no exterior. Nós queremos saber onde estão, qual é a situação processual. Têm saído notícias reiteradas de brasileiros nos Estados Unidos que estão há 2 anos estão sem ins- Fevereiro de 2012 trução processual. Eu recebi outros apelos de brasileiros no exterior que estão com irregularidade processual. Portanto, eu acho que, até pela questão de reciprocidade, vale a pena que a gente também cuide dos presos estrangeiros no Brasil, para a gente poder exigir tratamento legal, de acordo com os tratados, aos presos brasileiros – que são muitos – no exterior. Mesmo na Guiana Francesa, aqui pertinho, há muitos presos, inclusive maranhenses. Portanto, o requerimento é de que esta Comissão faça uma diligência no Estado de São Paulo; se for verdade que todos os presos estrangeiros em São Paulo estão numa única penitenciária, é evidente que isso ajuda muito a gente a verificar a situação desses estrangeiros, e principalmente negros, que são envolvidos no tráfico de drogas e estão aí sem nenhuma assistência, principalmente na questão dos intérpretes. Não se garante intérprete; portanto, há uma falta assistência jurídica a esses presos. Portanto, o requerimento é nesse sentido. Peço a aprovação, e que a Comissão, que agora tem um pouco de autonomia financeira, rapidamente marque para irmos a São Paulo verificar a situação desses presos. O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Continua em discussão. Não havendo quem queira discutir, em votação. Os que estiverem de acordo permaneçam como se encontram. APROVADO. Vou devolver a Presidência ao Deputado Domingos Dutra. O Requerimento nº 67/2011 alguém tem de subscrever, porque Manuela não está presente. Com a subscrição do Deputado Jordy, Requerimento nº 67, de 2011, da Sra. Manuela D’Ávila e de Jordy, que requerem a realização, em parceria com a Secretaria de Direitos Humanos e a Embaixada da Suécia, no dia 19 de maio, na Câmara dos Deputados, do Seminário sobre Castigos Corporais, no marco do debate sobre o Projeto de Lei nº 7.672/2010. Em discussão. (Intervenção fora do microfone. Inaudível.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – É, é a Lei da Palmada. É que a rainha está aqui; então... Em discussão. Não havendo quem queira discutir, em votação. Os que estiverem de acordo permaneçam como se encontram. APROVADO. Item nº 23: Requerimento nº 68, de 2011, também subscrito pelo Deputado Jordy, da Sra. Manuela e de Jordy, que requerem a realização de audiência pública Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS desta Comissão de Direitos Humanos e Minorias para debater os processos de reparação devida pelo Estado brasileiro às vítimas de torturas e perseguições das Forças Armadas por conta da guerrilha do Araguaia, bem como a relevância da Comissão da Verdade para a conclusão desses processos. Em discussão. A SRA. DEPUTADA LUIZA ERUNDINA – Pela ordem, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Tem a palavra a Deputada Luiza Erundina. A SRA. DEPUTADA LUIZA ERUNDINA – É o mesmo objeto que está previsto em requerimento já aprovado, de minha iniciativa, que é o Requerimento nº 50/2011. O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Com certeza. Não há problema, nós faremos em conjunto. Ou seja, o princípio é o de que, naquelas coisas que são boas, o que abunda não prejudica, não é? Então, nós vamos continuar. Em discussão. Em votação. Os que estiverem de acordo permaneçam como se encontram. APROVADO. E agora, item 24: Requerimento nº 69, de 2011, da Sra. Manuela D’Ávila e do Sr. Domingos Dutra, que requerem a realização por esta Comissão de Direitos Humanos, em parceria com a Frente Parlamentar contra o Trabalho Escravo e a Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo, de ato de lançamento da Comunidade E-Democracia Pela Aprovação da PEC 438 – Contra o Trabalho Escravo, no dia 12 de maio, véspera do aniversário da Lei Áurea. Em discussão. O SR. DEPUTADO DOMINGOS DUTRA – Sr. Presidente, no dia 3 de maio completam-se 123 anos da abolição formal da escravatura, e vamos completar 23 anos da chamada Constituição Cidadã. Também completam-se 10 anos da PEC nº 438, que tem o objetivo de expropriar terras com prática de trabalho escravo. Essa PEC está aqui enganchada. Aprovou-se em primeiro turno, mas não há quem consiga colocá-la em segundo turno. Nós temos uma Frente Parlamentar Mista, Câmara e Senado, de Erradicação do Trabalho Escravo. Portanto, nesse dia, na véspera do dia 13, quer-se lançar essa comunidade para se tentar, pela pressão popular, sensibilizar o conjunto da Câmara para votar em segundo turno essa PEC, porque os números da prática de trabalho escravo no Brasil são crescentes, e é uma vergonha que em pleno Século XXI ainda haja uma minoria de empresários que continuam in- Terça-feira 7 01067 sistindo na prática da exploração brutal da mão de obra humana como forma de aumentar o seu lucro. Portanto, é procedente o requerimento, e eu peço a aprovação. O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Continua em discussão. Tem a palavra o Deputado Jordy. O SR. DEPUTADO ARNALDO JORDY – Deputado Luiz Couto, primeiro, quero parabenizar pela iniciativa a Deputada Manuela e o Deputado Domingos Dutra, que propõem esse ato em conjunto com a Frente Parlamentar e a Comissão de Erradicação do Trabalho Escravo. Realmente, não tem o menor sentido a gente ficar ainda digerindo essa questão. Essa matéria já foi exaustivamente discutida, a PEC já alcançou todos os seus objetivos materiais para a sua apreciação nesta Casa, e eu sugiro que nessa mesma data, ou numa outra data que os dois proponentes possam considerar mais conveniente, possa-se marcar uma audiência com o nosso Presidente da Casa, o Deputado Marco Maia, no sentido de tentar pautar essa representação coletiva e conjunta das três Comissões, Direitos Humanos, Frente da Erradicação do Trabalho Escravo e Frente Parlamentar, no sentido de buscar o entendimento para apreciação desta matéria. Realmente, os casos, principalmente no Estado do Pará, no Estado do Maranhão e em São Paulo são recorrentes, segundo notícias, e cada vez mais esses números de trabalho análogo a escravo se reproduzem e não são mais compatíveis, em absoluto, com a modernidade do Brasil do século XXI. Então, quero apenas sugerir aos autores que possamos acrescentar esse pedido de audiência ao Presidente da Casa no sentido de buscar uma solução institucional para a apreciação desta matéria. A SRA. DEPUTADA ERIKA KOKAY – Só para discutir, rapidamente, Sr. Presidente, inscrevo-me para concordar com o Deputado Jordy que se antecipou às minhas próprias palavras na perspectiva de que pudéssemos marcar uma reunião com o Presidente da Casa para que houvesse a apreciação da PEC em segundo turno. São 25 mil pessoas que entram em trabalho escravo por ano e 40 mil pessoas que já foram libertadas do trabalho escravo. Portanto, a escravidão ainda persiste. Direcionada, localizada, mas ainda persiste e essa medida é absolutamente fundamental para que nós possamos erradicar o trabalho escravo. O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Em votação. Os que estiverem de acordo com o requerimento permaneçam como se encontram. (Pausa.) 01068 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Nós temos 3 requerimentos extrapauta com o número regimental de Parlamentares que o assinaram. Nós temos ainda uma audiência pública e já ultrapassamos o tempo que foi acordado. Todos estão aqui. Como são requerimentos que depois vamos debater durante a audiência, solicito que não haja discussão e nós possamos votá-los diretamente. O primeiro é da Deputada Erika Kokay, que requer a realização de audiência pública no âmbito desta Comissão, em data a ser definida oportunamente, com o objetivo de discutir políticas públicas para a preservação da cultura do povo cigano no Brasil e no Distrito Federal. Em discussão. (Pausa.) Não havendo quem queira discutir. Em votação. Os que estiverem de acordo com o requerimento permaneçam como se encontram. (Pausa.) Aprovado. Outro requerimento é o de nº 26/2011, da Deputada Erika Kokay, que requer a realização de audiência pública no âmbito desta Comissão, em data a ser marcada oportunamente, com o objetivo de discutir a localização de albergues destinados à moradia de pessoas carentes, tomando como referência a realidade do Distrito Federal. Em discussão. (Pausa.) Não havendo quem queira discutir. Em votação. Os que estiverem de acordo permaneçam como se encontram. (Pausa.) Aprovado. Requerimento nº 27/2011, da Deputada Erika Kokay, que requer a realização de audiência pública no âmbito desta Comissão, em data a ser marcada, com o objetivo de discutir as precárias condições em que vivem as crianças e adolescentes em situação de rua nas grandes e médias cidades brasileiras, tomando como referência a experiência do Distrito Federal. Em discussão. (Pausa.) Não havendo quem queira discutir. Em votação. Os que estiverem de acordo permaneçam como se encontram. (Pausa.) Requerimento nº 28/2011, da Sra. Deputada Erika Kokay, que requer a realização de audiência pública no âmbito desta Comissão, em data a ser marcada oportunamente, com o objetivo de discutir a participação de psicólogos na realização de exames criminológicos no âmbito do sistema prisional brasileiro. Em discussão. (Pausa.) Não havendo quem queira discutir. Em votação. Fevereiro de 2012 Os que estiverem de acordo permaneçam como se encontram. (Pausa.) Aprovado. Nós tínhamos alguns projetos sujeitos à apreciação do plenário, projeto de decreto legislativo, mas nós vamos retirar de ofício, porque queremos começar a audiência pública. Então, agora, concluída a votação, passamos ao Presidente em exercício, Domingos Dutra, para que ele possa coordenar os trabalhos desta audiência pública. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Encerrada a presente reunião ordinária da Comissão de Direitos Humanos. Declaro abertos os trabalhos da presente audiência pública, uma promoção desta Comissão em parceria com o Comitê Brasileiro de Direitos Humanos e Política Externa, que tem como finalidade debater o tema: Agenda do Estado Brasileiro em 2011 nos siste‑ mas ONU, OEA e MERCOSUL de Direitos Humanos. Essa audiência atende a requerimento de autoria da Deputada Manuela d’Ávila, que até o final dos trabalhos estará presente, e segue um hábito iniciado em 2006, quando foi criado o Comitê. Anualmente, esta Comissão reúne-se com representantes do Ministério das Relações Exteriores e da Secretaria de Direitos Humanos, juntamente com entidades que formam o Comitê Brasileiro de Direitos Humanos e Política externa para esse diálogo. O debate entre os Poderes Executivo e Legislativo e a sociedade civil em torno do posicionamento do Estado brasileiro no contexto internacional dos direitos humanos é relevante, na medida em que estamos tratando de uma temática estratégica capaz de afetar a vida de todos e influir no cenário internacional. A importância desse encontro se torna maior nesse começo de Governo da Presidenta Dilma Rousseff, que tem declarado sua intenção de conferir prevalência aos direitos humanos nas proposições brasileiras em fóruns multilaterais. Passemos então a compor a Mesa, convidando os expositores: Ministro Sílvio José Albuquerque e Silva, Diretor-Interino do Departamento de Direitos Humanos e Temas Sociais do Ministério de Relações Exteriores; Sra. Camila Asano, representante da Secretaria-Executiva do Comitê Brasileiro de Direitos Humanos e Política Externa; Dra. Gilda Pereira de Carvalho, Procuradora Federal dos Direitos do Cidadão do Ministério Público Federal; Sr. Fábio Balestro, representante da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República; Sr. Luís Emmanuel Cunha, representante da Secretaria-Executiva do Comitê Brasileiro de Direitos Humanos e Política Externa. A informação é de que ele, por motivos superiores, não está presente. E, por Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS fim, convido o Sr. Carlos Eduardo da Cunha Oliveira, Chefe da Divisão de Direitos Humanos do Ministério de Relações Exteriores. O tempo para cada expositor é de 15 minutos. Antes, se algum Deputado quiser usar da palavra... Pois não, Deputado Chico Alencar. O SR. DEPUTADO CHICO ALENCAR – Sr. Presidente, Deputado Domingos Dutra, por favor, quero até pedir desculpas aos nossos convidados que nos honram com a sua presença no debate desse tema fundamental, mas acabei de ser chamado lá na Presidência para discutir, de novo, as questões da colcha de retalhos chamada Código Florestal, quer dizer, a reformulação do Código. Eu pretendo voltar logo, porque tenho muitas indagações a fazer, mas peço desculpas e justifico a minha saída. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Compreensivo, Deputado Chico Alencar. Esse é um tema que interessa ao País. Está pautado para essa tarde. Tenha boa sorte e bom juízo. Esclareço que as imagens e som desta reunião estão sendo captados para transmissão ao vivo pela Internet e também para posterior registro de áudio e transcrição. Por isso, solicito que os nossos convidados falem bem próximo ao microfone e peço ao Serviço de Som que melhore a qualidade do som da Mesa e também do plenário. Concedo a palavra ao nosso convidado, o Ministro Sílvio Albuquerque e Silva, Diretor-Interino do Departamento de Direitos Humanos e Temas Sociais do Ministério das Relações Exteriores. V.Sa. tem 15 minutos. O SR. SÍLVIO ALBUQUERQUE E SILVA – Muito obrigado, Sr. Presidente. Em primeiro lugar, eu gostaria de saudar os Deputados, todos os representantes de organizações da sociedade civil, os representantes de embaixadas estrangeiras. É um prazer representar o Ministro Antonio Patriota nesta audiência. E estou aqui na qualidade Diretor-Interino do Departamento de Direitos Humanos e Temas Sociais; sou Chefe da Divisão de Temas Sociais do Itamaraty e me ocupo diretamente dos direitos humanos chamados de segunda geração por alguns doutrinadores. Farei uma exposição focada basicamente nos princípios que regem a política externa dos direitos humanos do Brasil e procurarei dar ênfase às questões ligadas à minha área. O meu colega Carlos Eduardo, Chefe da Divisão de Direitos Humanos, posteriormente falará mais precisamente sobre temas afetos à sua divisão e aos direitos humanos civis e políticos. Eu começaria dizendo que, na prática da política exterior, existem determinados e diferentes objetivos e situações de política externa que se podem revelar incompatíveis. Uma escolha deve ser feita entre alter- Terça-feira 7 01069 nativas, com consequências algumas vezes negativas. Ter que fazer difíceis e diferentes opções e estabelecer prioridades é parte do trabalho diplomático clássico. Eu diria que, em nenhum outro campo, esse leque de opções com possíveis consequências em outros domínios é mais flagrante do que no campo dos direitos humanos. Isso resulta de dois fatores principais. Em primeiro lugar, a política de direitos humanos pode conflitar com a manutenção de relações diplomáticas amistosas com outros países. Isso é muito evidente no caso de manifestações sobre direitos humanos emitidas em situações de flagrante violação dos direitos humanos, não em foros multilaterais, mas manifestações feitas por chancelarias. O segundo fator deriva da noção superada, em termos legais e formais, de que as questões relacionadas a direitos humanos são questões que se encontram no domínio próprio da soberania dos Estados, e dizem respeito, portanto, às políticas internas desses estados. Essa também é, como eu disse, uma questão superada. Pelo menos desde a Conferência de Viena sobre direitos humanos, esse tema está superado, pelo reconhecimento da legitimidade internacional da crítica à situação de direitos humanos em qualquer País. Então, no plano internacional, uma política de direitos humanos significa sempre uma escolha entre um conjunto de prioridades. E, ao adotá-la, todo governo tem que decidir em que medida e em que circunstâncias os direitos humanos terão primazia em relação a outras considerações de política externa. Essas considerações de política externa são de várias naturezas, como, por exemplo, o comércio exterior, a segurança nacional, a cooperação para o desenvolvimento. Como o Brasil superou esse dilema de formular política externa em direitos humanos, tendo um potencial conflito com um país amigo que vem a ser criticado, ou então uma alegação legalmente improcedente de que, ao fazê-lo, o Brasil desrespeita a soberania do outro país criticado? A resposta sobre como o Brasil superou esse dilema está na Constituição brasileira. O que fundamenta – e eu já entro diretamente na fundamentação básica da política externa brasileira em direitos humanos – a ação externa brasileira no campo dos direitos humanos é a Constituição de 1988, porque ela produziu um avanço sem paralelo na consolidação dos direitos humanos e das liberdades fundamentais no Brasil. Ela acolhe o princípio da universalidade dos direitos humanos ao consagrar o valor da dignidade humana como princípio fundamental do constitucionalismo brasileiro. Quanto à indivisibilidade dos direitos humanos, ao caráter indivisível dos direitos humanos, a Constituição de 1988 é a 01070 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS primeira Constituição brasileira que integra ao elenco de direitos fundamentais os direitos sociais e econômicos, que, nas Constituições anteriores, estavam pulverizados no capítulo pertinente à Ordem Econômica e Social – inclusive na Constituição de 1934. No que diz respeito especificamente à formulação de política externa, interessa chamar a atenção para o que dispõe o art. 4º da Constituição, que trata dos princípios constitucionais que regem as relações internacionais do Brasil. Isto é algo absolutamente inovador, porque tais princípios estabelecem padrões, limites e balizam a ação externa do Brasil, com base em dois princípios principais que quero aqui ressaltar: a prevalência nos direitos humanos e o repúdio ao racismo. Pode parecer pouco mas não é. Ter uma Constituição Federal, que orienta, baliza e dá limites à ação externa do Brasil é algo que, para os diplomatas, para os formuladores de política externa, serve como um farol, como uma orientação clara dos limites que podemos alcançar e onde não podemos tocar ao tratar de temas relacionados à política externa. Então, a prevalência dos direitos humanos é claramente um dos principais princípios consagrados no art. 4º e é, sem sombra de dúvida, a luz maior que orienta a ação externa do Brasil ao formular políticas de direitos humanos. Eu ingressei na carreira diplomática em janeiro de 1986, no momento de redemocratização do País, e trabalho com o tema direitos humanos pelo menos ao longo de 15 anos da minha carreira. Diria que as ações externas que ganharam maior legitimidade no plano internacional e que se refletiram em mudanças no plano interno quanto ao respeito aos direitos humanos foram aquelas balizadas pela Constituição brasileira e, mais do que isso, pelo permanente cuidado do Itamaraty – e me refiro ao Itamaraty pós-redemocratização – em manter uma interlocução frequente com a sociedade civil e com o Parlamento. Talvez um dos exemplos mais marcantes na minha carreira tenha sido a definição da posição levada pelo Brasil a Durban em 2001 para a Conferência Mundial contra o Racismo. Ali ficou flagrante que havia uma tremenda desconfiança no processo de construção da posição do Brasil; havia uma tremenda desconfiança, em boa medida justificável, da comunidade brasileira em relação ao Itamaraty, em função de décadas de omissão da política externa brasileira em relação à realidade do racismo no País. Lembro às senhoras e aos senhores que o primeiro relatório encaminhado pelo Brasil ao Comitê para Eliminação da Discriminação Racial das Nações Unidas tinha apenas um parágrafo. Dizia que, tendo em vista o fato – isso no início dos anos 70 – de que Fevereiro de 2012 vigia no Brasil uma perfeita e harmônica democracia racial, o Governo brasileiro não se sentia obrigado a apresentar um relatório ao Comitê de Monitoramento. Ao longo das décadas, a transformação que sofreu o Itamaraty foi extraordinária, produto de uma autorreflexão dos próprios diplomatas em relação aos rumos da política externa brasileira, no campo dos direitos humanos, mas sobretudo em função da permeabilidade da política externa brasileira no campo dos direitos humanos, a opinião pública e a opinião manifestada pelo Parlamento brasileiro. Então, ser diplomata brasileiro e trabalhar com o tema direitos humanos, pelo menos desde o meu ingresso na carreira em 86, é algo reconfortante, mas é algo também extremamente difícil, que impõe sacrifícios pessoais, de carreira, que nos leva quase que diariamente a lidar com conflitos que dizem respeito à formulação de políticas de Estado que não necessariamente obedecem, e nem devem obedecer necessariamente, à visão maximalista e idealista que alimenta a atuação das organizações da sociedade civil. Por mais legítimas que sejam as opiniões manifestadas pela sociedade civil em temas de política externa no campo dos direitos humanos, cabe ao Estado brasileiro, cabe ao Itamaraty, cabe ao Governo brasileiro sopesar interesses manifestados pela sociedade civil a interesses nacionais definidos de acordo com uma série de prioridades outras que também instruem o formulador de política. Em última instância, o Itamaraty implementa política externa definida pelo Presidente da República, no caso pela Presidenta da República. Quais são os princípios gerais que orientam essa política? Em primeiro lugar, eu diria que o Brasil aborda o tema direitos humanos no plano internacional de modo essencialmente universalista, não seletivo e não politizado. Mas aqui eu qualifico a expressão “politizado”, porque é da natureza de qualquer órgão do sistema onuziano ser politizado, ou lidar com temas políticos, assim como esta Casa. Mas a referência à politização deve ser entendida no contexto da forma negativa como esse fenômeno se manifesta nos foros multilaterais, traduzida na escolha arbitrária de alvos de monitoramento internacional e dos países que terão sua situação examinada. Então, um dos principais discursos que o Brasil tem tido, tanto nas Nações Unidas, Conselho de Direitos Humanos, como também no Sistema Interamericano, é da busca constante de procurar despolitizar – de acordo com essa definição que eu acabei de dar – e desseletivizar o sistema, buscando torná-lo um sistema Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS que aborde e trate igualmente a situação de direitos humanos em todos os países do mundo. O que percebemos com muita clareza – e aqui estão representantes de governos de países desenvolvidos – é que existem temas hoje no cenário internacional que são frequentemente colocados de lado na análise feita pelo Sistema Internacional de Direitos Humanos. Há um clássico. Poucas situações são mais flagrantes de desrespeito aos direitos humanos nos dias atuais quanto a discriminação racial, étnica, sofrida pelos migrantes nos países desenvolvidos. Há manifestação de discriminação nos países em desenvolvimento contra migrantes? Também há. Mas é flagrante para o Brasil, para o Conselho de Direitos Humanos e outros órgãos do Sistema Internacional lidarem, com superficialidade, com um tema que diz respeito à situação de desrespeito flagrante vivenciada por milhares de seres humanos em função de sua raça, de sua cor, de sua etnia, de sua religião. Esse é um tema claramente evitado em foros internacionais com base na seletividade que em geral países desenvolvidos procuram imprimir e impingir a esses órgãos. O Brasil se insurge contra isso. O segundo item que eu gostaria de ressaltar, dentre os princípios que balizam nossa ação externa, é o reconhecimento, pelo Brasil, da legitimidade dos mecanismos internacionais de proteção dos direitos humanos. E o Brasil deles participa e busca reforçar sempre sua eficácia. Reitero aqui que, desde a sua redemocratização, o Brasil tem reafirmado o seu compromisso internacional com os direitos humanos. Somos signatários e ratificamos os mais importantes instrumentos internacionais de proteção dos direitos humanos, tanto no plano internacional, global, como no plano regional. Reconhecemos a jurisdição contenciosa da Corte, e o Brasil também é um dos poucos países do mundo que estendeu a todos os Relatores Especiais do Sistema ONU um convite permanente para que visitem o Brasil, a fim de averiguar in loco a situação dos direitos humanos no País. Digo que somos poucos porque, num universo de pouco mais de 190 países da ONU, apenas 72 Estados reconhecem esse direito dos Relatores de visitarem livremente o seu país para analisar a situação dos direitos humanos no mundo. Tenho apenas 1 minuto a mais. Concluo dizendo que, na minha opinião, uma das lacunas e um dos desafios maiores na evolução do Sistema Internacional dos Direitos Humanos está na busca do princípio da indivisibilidade dos direitos humanos como algo que poderá contaminar positivamente a proteção de direitos humanos no mundo. Terça-feira 7 01071 Eu me explico. Eu diria que a proteção de direitos humanos vai continuar a ser obstaculizada no mundo enquanto o direito ao desenvolvimento, à eliminação da pobreza extrema, à alimentação, à saúde, enfim, os direitos econômicos e sociais não forem seriamente considerados como questões cruciais, não apenas para os 4 bilhões de serem humanos que carecem desses direitos, ou da maioria deles, mas também para muitos seres humanos que vivem em países desenvolvidos e que também passam por situações de privação nessa área. A privação social e a exploração econômica devem ser consideradas graves violações de direitos humanos, no mesmo patamar da tortura, do desaparecimento forçado, da discriminação racial. Para o Brasil, apenas a indivisibilidade dos direitos humanos será capaz de reforçar a universalidade desses direitos. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Agradecemos ao Ministro Sílvio José Albuquerque e Silva e lamentamos ter de interrompê-lo por conta do tempo. Se V.Sa. puder nos remeter depois a exposição, vai ficar nos Anais da Casa e a distribuiremos aos Parlamentares. Concedo a palavra à Sra. Camila Asano, que representa aqui a Secretaria Executiva do Comitê Brasileiro de Direitos Humanos e Política Externa. V.Sa. tem 15 minutos. A SRA. CAMILA ASANO – Boa tarde a todos e a todas. Antes de mais nada, quero agradecer à Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados pela realização, pelo convite e, no fundo, pela parceria nesse Comitê Brasileiro de Direitos Humanos e Política Externa. No fundo, somos uma parceria, mas a Comissão de Direitos Humanos e Minorias é integrante deste Comitê. Então, é realmente um trabalho conjunto que tem sido feito desde 2006, quando o Comitê Brasileiro de Direitos Humanos e Política Externa foi estabelecido, e a partir de uma audiência pública aqui mesmo nesta Comissão, em que se discutiu por que havia tão pouco interesse por parte da sociedade civil com relação à política externa brasileira, no que diz respeito aos direitos humanos. Desde então, trabalhamos juntos. Esse Comitê é composto por organizações da sociedade civil, muitas delas estão presentes aqui, e também por alguns órgãos de Estado, o que faz com que o Comitê tenha uma natureza um pouco diferenciada e muito rica. Por exemplo, o fato de a Comissão de Direitos Humanos e Minorias fazer parte permite não só interação maior entre a sociedade e o poder público, mas 01072 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS também nos permite explorar estes canais de participação, como esta audiência pública, para discutir tema tão relevante como é o da política externa brasileira com impactos em direitos humanos tanto no Brasil como no mundo. O Ministro Sílvio mencionou o art. 4º, inciso II, da nossa Constituição Federal, que versa sobre os princípios que regem as relações internacionais do Brasil. O inciso II fala sobre a prevalência dos direitos humanos. Foi justamente com essa base normativa que o Comitê foi constituído, e ele trabalha justamente para buscar a prevalência dos direitos humanos na política externa. Quais foram as motivações? Um pouco a falta de acompanhamento, tanto da sociedade civil como também da própria mídia, sobre as atuações do Brasil. Isso gerava uma falta de debate; e falta de debate, por si só, numa democracia, é algo muito negativo. Mas também porque o Brasil cada vez mais tem conquistado papel proeminente no cenário internacional. Esse aumento do protagonismo brasileiro, o Brasil ocupando o papel de ator global, de fato, traz muitas responsabilidades. E acho que esta participação e esse acompanhamento por parte de outros órgãos, não só os que tradicionalmente conduzem a política externa, é algo valioso para o próprio processo democrático. Além disso tudo, há a questão da democracia como criação de ambientes e espaços de participação. Como eu disse, esta audiência pública, ou qualquer audiência pública, é um mecanismo que a nossa democracia já oferece aos cidadãos como forma de atuar no debate público no Brasil. Este Comitê, junto com a Comissão de Direitos Humanos, como foi apresentado na abertura dos trabalhos de hoje, já tem realizado, de forma tradicional, audiências para discutir com os representantes do Governo quais as prioridades do Brasil no tema direitos humanos nos fóruns internacionais – ONU, OEA, Organização dos Estados Americanos, e MERCOSUL –,e que não seja em detrimento de outros temas que possam surgir, como agendas bilaterais e outros. Bem, eu gostaria de focar este momento que foi concedido ao Comitê numa iniciativa que está nesse material que os senhores e as senhoras receberam. Trata-se de uma agenda mínima apresentada na época das eleições presidenciais do ano passado com dez compromissos em direitos humanos e política externa. Esses compromissos foram apresentados em audiência pública desta nossa parceira, que é a Comissão de Direitos Humanos e Minorias, que contou com a presença de representantes das campanhas presidenciais. Todos os representantes presentes assumiram publicamente os dez compromissos contidos aqui. Esta é uma forma de a sociedade brasileira ter ao menos Fevereiro de 2012 um documento de referência para poder discutir com o novo Governo as ações comprometidas para a implementação da tão buscada prevalência dos direitos humanos na política externa. Eu queria falar brevemente sobre alguns pontos dessa agenda mínima, aproveitando a oportunidade deste encontro com representantes do Governo para já levantar alguns exemplos concretos de informações que poderiam ser divulgadas melhor. E espero que, apesar do avançado da hora, ainda possa haver alguma intervenção do público, justamente porque, sobretudo esta semana, surgiram muitos casos no cenário brasileiro. Essa agenda mínima começa com as obrigações regionais e internacionais assumidas pelo Brasil em direitos humanos. Então um dos seus primeiros pontos é o cumprimento de decisões internacionais. O Brasil, como o Ministro Sílvio mencionou, reconhece a competência da Corte Interamericana de Direitos Humanos e com isso reforça sua obrigação de cumprimento de decisões internacionais, no caso das decisões regionais desse sistema interamericano. Um tema que foi pauta de debate e que sem dúvida devemos tratar nesta audiência pública é o caso de Belo Monte e das medidas cautelares que foram enviadas pelo sistema interamericano ao Brasil. Eu gostaria de pedir, em primeiro lugar, uma explicação sobre a reação do Brasil a essas medidas cautelares. Uma primeira pergunta é como vai se dar a implementação dessas medidas cautelares, uma vez que o Brasil reconhece a competência desse sistema. Foram veiculadas na mídia algumas notícias de reações do Governo brasileiro diante da decisão das medidas cautelares. Portanto, não apenas peço um esclarecimento a esse respeito nesta audiência pública, mas também já registro um pedido do Comitê Brasileiro de Política Externa e Direitos Humanos de esclarecimento formal e por escrito no site do MRE sobre a reação do Brasil e sobre os temas que foram veiculados recentemente na imprensa nacional. Outro caso de cumprimento de decisão é o caso do Araguaia. A propósito, a Deputada Luiza Erundina o apresentou à audiência; esse é um tema que realmente necessita ser discutido, sobretudo diante da decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a constitucionalidade da Lei da Anistia. Então aproveito este momento de debate para perguntar como será encaminhada a questão, dadas essas duas decisões: a decisão do Supremo, no Brasil, sobre a Lei da Anistia e a decisão sobre o caso do Araguaia. Ainda sobre o tema do cumprimento de decisões internacionais, meu último ponto seria o Programa Nacional de Direitos Humanos 3. Como sabem, o PNDH3 tem uma parte internacional – muitas organizações Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS que estão aqui presentes trabalharam pela inclusão desse sistema internacional – que trata justamente da responsabilidade do Governo em implementar decisões e recomendações que venham de órgãos regionais e internacionais. Sabemos que existe todo um processo de interlocução entre sociedade e Governo e inclusive um comitê interministerial trabalhando pela implementação do PNDH-3. O que nos preocupa é que as ações relativas à parte internacional não estavam contempladas nas ações prioritárias dos Ministérios, nem do Ministério das Relações Exteriores. Então temos de saber como está se dando a definição das ações prioritárias do Ministério das Relações Exteriores com relação ao PNDH-3 e das ações referentes à implementação de decisões internacionais. Bem, a agenda mínima com esses dez compromissos passa depois a tratar das ratificações e envios de relatórios pendentes ao Sistema ONU de Direitos Humanos. Como foi dito, realmente o Brasil tem um status avançado, se comparado com outros países, sobre ratificação, mas ainda faltam algumas ratificações. Uma delas encontra-se nesta Casa e trata da convenção da ONU sobre os direitos dos trabalhadores migrantes e suas famílias. Então, acho que a pergunta agora seria dirigida ao Deputado Domingos Dutra, a fim de sabermos como tem sido encaminhadas as discussões sobre essa ratificação, sabendo-se que depois da Emenda Constitucional nº 45 as convenções e tratados de direitos humanos que tiverem uma maioria qualificada nas duas Casas durante a sua ratificação recebem o status constitucional. Então, quero saber também quais são as perspectivas e o que a sociedade civil poderia fazer para contribuir para que isso aconteça, lembrando que, desde que a referida emenda foi aprovada, só houve um caso de um tratado sobre direitos humanos que foi aprovado com essa maioria qualificada e, consequentemente, alcançou status constitucional, qual seja a Convenção da ONU sobre o Direito das Pessoas com Deficiência. Então, seria extremamente importante que essa maioria fosse conseguida. Portanto, vamos trabalhar juntos para conseguirmos uma mobilização com vistas a essa maioria qualificada. Há outras ratificações ainda pendentes, não necessariamente de tratados, mas de protocolos facultativos que vão criar mecanismos para a sociedade poder acessar tanto o Sistema ONU de Direitos Humanos como o Protocolo Facultativo ao Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais. Terça-feira 7 01073 O Brasil tem um histórico e uma herança de atuação muito forte nesse tema, e ainda falta assinar esse protocolo. Acho que este é um bom momento para perguntar sobre o estado de assinatura. Não se trata ainda da ratificação, é o primeiro passo, a assinatura. Agora, com relação aos relatórios pendentes, devo dizer que há uma série deles. O Brasil esteve bem com relatórios especiais, recebendo missões e encontrando as portas abertas, além de ratificar uma série de instrumentos internacionais, mas tem pecado muito com relação ao envio de relatórios, inclusive temos aqui uma lista deles. Sabemos que existe um esforço, inclusive para um relatório da ONU para pessoas com deficiências, que foi colocado em consulta, apesar de ter havido um certo atraso. Mas agora já está colocado em consulta e se trata de um processo interessante, inclusive garante-se a acessibilidade ao site para que pessoas com deficiência possam participar desse processo formal de consulta. Mas queremos saber como está o calendário de envio dos relatórios, sobretudo porque o Sistema ONU permite que a sociedade civil atue diretamente, enviando relatórios alternativos, os chamados “relatórios sombras”. E qualquer forma de mobilização da sociedade civil depende dessa informação sobre a previsibilidade das datas de envio desses relatórios por parte do Governo brasileiro. Ainda neste ponto, minha última consideração seria com relação à revisão periódica universal. Como foi dito, essa revisão foi uma tentativa do Conselho de Direitos Humanos da ONU de garantir que todos os países fossem tratados de uma forma universal, sem a seletividade que o Ministro Sílvio comentou, que, de fato, prejudica o avanço internacional dos Direitos Humanos. E o Brasil passou pela Revisão Periódica Universal – RPU, no seu primeiro ciclo, em 2008. E, agora, em 2012, passará pelo segundo ciclo. Será um dos primeiros países a passar novamente pelo mecanismo. Mas, na verdade, 3 anos se passaram e ainda fica muito difícil para a sociedade brasileira saber quais são os esforços e recomendações que emanaram dessa RPU e que foram implementadas, sobretudo pela falta de informação mesmo de não sabermos como fazer esse tipo de monitoramento. E a sociedade civil, enfim, pelo menos o Comitê Brasileiro vai continuar atuando na segunda RPU do Brasil e seria fundamental termos já esse diálogo, que inclusive já foi estabelecido com algumas pessoas que estão nesta Mesa. Mas a ideia é aproveitar esse momento para tratar do tema, até porque o prazo de preparação para a RPU do Brasil já está correndo, e o evento vai acontecer em junho de 2012. 01074 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Passo agora, dentro a agenda mínima apresentada pelo comitê, para a parte sobre a prevalência dos direitos humanos na política externa. Um dos pontos de que tratamos aqui é sobre como o Brasil pode utilizar a sua capacidade de diálogo em prol dos direitos humanos. Um exemplo claro que tivemos foi a aprovação da resolução sobre o Irã no Conselho de Direitos Humanos da ONU, como já mencionado. O Brasil conseguiu, naquela ocasião, articular e utilizar a sua capacidade de diálogo com diferentes grupos de países em prol de uma resolução que criou um mecanismo de monitoramento de direitos humanos no Irã. Passando agora para a questão do fortalecimento de órgãos regionais e internacionais de direitos humanos, é inevitável falar sobre as reações do Governo Brasileiro às medidas cautelares com relação a Belo Monte. Como as únicas informações que tivemos foram aquelas veiculadas na mídia, seria importante saber quais são as reações oficiais do Governo e dizer que o Brasil tem esse compromisso e essa tradição de apoiar o fortalecimento desses órgãos. Então, muito nos espantou, inclusive, a retirada de uma candidatura muito forte do Brasil para ocupar um dos assentos de comissionados da Comissão Interamericana, um pouco como resposta à atuação do Sistema Interamericano em relação a Belo Monte. Ainda sobre o fortalecimento dos órgão de direitos humanos internacionais e regionais, há a questão da contribuição financeira do Brasil a esses órgãos. Foi também veiculado, por meio dessas notícias que circularam esta semana, o assunto e seria ótimo se o Governo pudesse trazer informações sobre como se dá a definição dessas contribuições, os valores e as pendências existentes na contribuição do Governo em relação aos órgãos de direitos humanos internacionais e regionais. Fechando este ponto, falarei sobre cargos internacionais de direitos humanos. O Brasil apoia e indica candidatos internacionais a cargos de direitos humanos, mas não há uma clareza sobre os critérios ou o processo adotado pelo Governo brasileiro na escolha dos candidatos que receberão o apoio oficial do País. Então, esse é um tema que nos preocupa e gostaríamos de ouvir do Governo se há um processo definido para o estabelecimento desses apoios a cargos. E quero dizer que estamos abertos para discutir e conversar sobre o tema. Tenho conversado com o Carlos Eduardo sobre isso e, sem dúvida, é um ponto para avançarmos em uma agenda comum. Fevereiro de 2012 Sobre os destaques dos direitos humanos nas agendas bilaterais – sei que tenho aqui mais um minuto, mas já estou concluindo –,quero dizer que esse documento apresentado pelo comitê aos candidatos que obtiveram a adesão à suas candidaturas da Presidenta Dilma fala sobre conceder destaque aos direitos humanos nas agendas bilaterais. Por exemplo, quando a Presidenta visita um outro País ou quando recebe a visita de uma autoridade. Então, analisando a calendário de atividades do Itamaraty, verificamos que em maio teremos uma visita do Presidente Hugo Chávez ao Brasil. Portanto, queremos perguntar qual será a agenda sobre direitos humanos a ser tratada durante essa visita oficial do Presidente da Venezuela ao País. E não quero falar apenas sobre visitas oficiais, pois também teremos a visita da Prêmio Nobel da Paz, Shirin Ebadi, a iraniana, e gostaríamos de saber do Governo quais seriam os temas prioritários a serem tratados com uma personalidade, uma defensora dos direitos humanos, como é a ganhadora do Nobel da Paz. Fechando a questão da participação social e do controle democrático, que é a grande bandeira deste Comitê, sugerimos uma melhora na forma de informação. Portanto, iremos manter, desde que o Comitê continue existindo – inclusive com essa forte parceria com a Comissão de Direitos Humanos e Minoria –,a realização de audiência pública. Trata-se de um momento interessante, mas esta audiência ocorre apenas uma vez ao ano. O importante seria termos um documento onde tudo isso que está sendo apresentado aqui, as prioridades do Brasil, pudessem estar registradas em um documento de referência. E esse documento, no seu Compromisso nº 8, coloca a proposta de confecção de um documento público de referência onde o Governo apresente quais são as suas prioridades para o ano, além de um relatório anual, no qual o Governo apresentará quais foram as suas posições e atuações nos fóruns internacionais e regionais de direitos humanos. Isso garantiria, sem dúvida, uma transparência maior e uma informação que permitisse a participação qualificada. Por fim, fortalecer a participação dos três Poderes. E essa parceria continua. Muito obrigada. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Obrigado, Sra. Camila Asano, que deixou aqui uma série de questionamentos para o Dr. Sílvio José Albuquerque. Acho que o debate vai esquentar e, portanto, peço brevidade aos próximos oradores, para facilitarmos os trabalhos. Em sequência, concedo a palavra à Dra. Gilda Pereira de Carvalho, Procuradora Federal dos Direitos Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS do Cidadão, do Ministério Público Federal. Informo que V.Sa. tem 15 minutos para proferir sua palestra. A SRA. GILDA PEREIRA DE CARVALHO – Obrigada, Sr. Presidente. Ilustrada Mesa, Sras. e Srs. Deputados, senhoras e senhores, vejo nesta audiência pública da Comissão de Direitos Humanos e Minorias uma oportunidade para a Procuradora Federal dos Direitos do Cidadão externar suas preocupações em relação a relevantes temas nacionais. Eu estava comentando com o meu colega de Mesa, o Carlos Eduardo, que quando cursamos a Faculdade de Direito ficamos logo imaginando que a carreira diplomática é a mais interessante. E aprendemos muito cedo, ainda na faculdade, a admirar esse corpo diplomático de tão alto nível que temos em nosso País. Mas é claro que queremos que esse corpo diplomático, que desempenha uma função de Estado, possa fazer ainda mais pelo Brasil. As minhas preocupações advêm principalmente de alguns casos como, por exemplo, o do Haiti. Estou indo para o Acre hoje à noite, onde participarei de audiência pública relacionada aos imigrantes haitianos que vêm para o Brasil, principalmente para Estados da Região Norte – Acre, Amazonas, Rondônia. E a preocupação que motiva a realização da referida audiência pública decorre de não se saber a que título estão vindo ao nosso País os haitianos. Então, gostaríamos de saber se há alguma política, se ela já pode ser revelada e qual será a forma dessa recepção. Será com um visto humanitário? Existe esse visto? Indago, ainda: será que o Brasil não pode, por meio de sua missão diplomática no Haiti e do importante papel que desempenha na Minustah, fazer ainda naquele país – digamos assim – uma “seleção humanitária” dos haitianos que receberemos no Brasil com muita distinção e carinho? Essa é uma preocupação. Aproveitamos, também, para falar sobre as implementações das decisões das cortes internacionais. Há, inclusive, uma recente decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos relacionada ao caso Gomes Lund e outros, da Guerrilha do Araguaia, com o seguinte teor: “Há uma necessidade iminente de que o Ministério Público possa implementar essa sentença condenatória do Brasil”. É evidente que temos um Ministério Público persecutório, mas tanto o Ministério Público Federal quanto o Ministério Público dos Estados devem fazer essa reflexão e adotar as medidas necessárias. Mas eu pergunto: de que forma o Itamaraty – órgão responsável pelas nossas relações internacionais, possuidor de um corpo diplomático da mais alta envergadura em Terça-feira 7 01075 questões de Direito Internacional – pode nos ajudar, pois temos várias dúvidas – as quais já ouvi de vários colegas membros do Ministério Público – sobre essa implementação? Deixo essa sugestão ao nosso Comitê e à PFDC, pois também podemos contribuir com essa discussão, no sentido de que o Itamaraty possa nos ajudar a encontrar esses caminhos, os quais parecem tão difíceis, haja vista que a nossa Corte Suprema já tem um pronunciamento a respeito, naturalmente externado antes da decisão, da sentença da Corte Interamericana. Portanto, há um fato novo. E esse fato novo é a implementação da referida sentença. Temos, em conjunto, o Comitê, o Ministério das Relações Exteriores e os demais órgãos que podem complementar essa discussão, que ver como vamos fazer para cumprir com as nossas obrigações internacionais, até porque subscrevemos as convenções internacionais, reconhecendo tanto a Corte Interamericana de Direitos Humanos como o Tribunal Penal Internacional. Tenho tido a grata satisfação de quase diuturnamente conversar, na maioria das vezes por meio de ofícios, com o MRE sobre a situação de brasileiros que estão residindo fora do Brasil. E eu queria, neste momento, dizer que tem sido uma conversa que tem gerado resultados muito satisfatórios, alguns imediatos. Temos sido atendidos em nossas solicitações. Quero destacar aqui, porque nada foi dito a respeito, o atendimento que vem sendo dado aos nossos patrícios no exterior no que diz respeito às mais variadas adversidades por que passam – o MRE tem prestado a essas pessoas uma assistência muito boa, e eu gostaria, nesta ocasião, de parabenizar o órgão por esse trabalho. Ao mesmo tempo, relativamente ao caso de Belo Monte, aqui trazido pela Diretoria do Comitê, quero destacar que há muito tempo os Procuradores Regionais dos Direitos do Cidadão do Estado do Pará e os procuradores que atuam na defesa da cidadania já se manifestaram através de inúmeras audiências públicas e ações judiciais, todas elas prevenindo a União de que a construção da Usina de Belo Monte passava por incontáveis problemas ambientais e sociais, e de que era necessário que as autoridades fizessem a implementação do Direito brasileiro. Eu tenho uma relação de quase 20 ações entre medidas cautelares, recomendações e ações judiciais propostas pela Ministério Público do Estado do Pará contra a construção da usina de Belo Monte. E o que tem o MRE com isso? Ora, o Brasil assume compromissos ambientais, compromissos com a defesa de direitos sociais, compromissos com a Plata- 01076 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS forma DHESCA, e, com a subscrição desses tratados, assume uma responsabilidade internacional. Eu recomendaria ao MRE que desse uma efetiva consultoria à nossa Presidenta e às nossas altas autoridades no sentido de que esses compromissos internacionais, muitas vezes, ficam acima dos interesses nacionais e acima dos interesses econômicos. (Palmas.) Sei que temos uma forte Advocacia-Geral da União, que defende os interesses brasileiros, da mesma forma que os defende, fora do País, o MRE, mas acho que cabe ao MRE não ser tímido e fazer chegar às autoridades a informação de que devem ser observadas as orientações e recomendações que emanam do Ministério Público, como instituição extra-Poder e independente. Por outro lado, eu gostaria de fazer par com a Camila com relação às 15 recomendações – 15 recomendações! – que o Brasil recebeu na Revisão Periódica de 2008. Creio que seria muito importante que se melhorasse a informação e a transparência do MRE. Antes de vir aqui, consultei o site do MRE para ver se essas recomendações estavam lá publicadas. Convenhamos, a Internet é hoje nosso maior instrumento de comunicação, de modo que, antes de fazer qualquer ofício pedindo informações, busco o portal das autoridades do Poder Executivo ou do Poder Judiciário para saber se a informação que quero está disponibilizada. E eu quero dizer que muitas vezes – aliás, na maior parte das vezes – eu fico frustrada porque não encontro essas informações, e tenho de expedir reiterados ofícios. O MRE tem me atendido muito bem, mas falta colocar no portal o que a sociedade civil quer saber. Não podemos nos esquecer em nenhum momento de que, assim como a Constituição fala na prevalência dos direitos humanos, o que aqui foi bem ressaltado, ela também fala da importância da participação popular em todos os destinos relevantes desta Nação. Então, a participação popular, como se dá? Ela se dá na participação das comissões, dos comitês, que são celebrados no âmbito dos vários Poderes, mas se dá principalmente pelo acesso fácil que ela deve ter aos portais da Internet. Nós precisamos saber como essas 15 recomendações estão tramitando aqui dentro e de que forma o MRE tem tratado essas relevantes questões. Sr. Presidente, eu tenho a impressão de que o meu tempo já se está esgotando, mas eu gostaria de dizer – não sei, Carlos Eduardo, se seria adequado – que eu tenho recebido aqui na PFDC reclamações, em relação às entidades diplomáticas de outros países que estão aqui, não só em Brasília, mas no Brasil inteiro, nos 27 Estados da Nação, de que os direitos Fevereiro de 2012 trabalhistas dos empregados dessas entidades não são respeitados, não há o depósito das parcelas, das quantias correspondentes aos direitos trabalhistas que deveriam ser recolhidos por essas entidades, que se julgam imunes ou julgam que as imunidades diplomáticas chegariam a tal suporte. Eu queria dizer que, antes de tomar alguma medida – esta foi a primeira ocasião, depois que eu recebi essa queixa, de me expressar sobre o assunto –,imaginei que talvez, antes que eu faça alguma intervenção, seja muito adequado o MRE fazer uma intervenção junto a esses organismos internacionais para que eles observem o ordenamento jurídico nacional. É isso, Sr. Presidente. Eu me ponho à disposição e agradeço pela atenção. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Obrigado, Dra. Gilda Pereira de Carvalho, Procuradora Federal dos Direitos do Cidadão. V.Sa. deixa um bom tema aqui para uma audiência nesta Comissão, com a Comissão do Trabalho, sobre os direitos trabalhistas dos nacionais nas embaixadas. Aproveito para responder à Dra. Camila Asano sobre a Convenção Internacional sobre a Proteção dos Trabalhadores Migrantes e Membros das suas Famílias: foi adotado em dezembro de 1990 pela ONU, chegou a esta Casa no dia 15 de dezembro de 2010. Ela vai tramitar pelas Comissões de Relações Exteriores, Trabalho e Administração e Constituição e Justiça. Neste momento essa convenção está na Comissão de Relações Exteriores, desde o dia 22 de março. O Relator é o Deputado Eduardo Azeredo, do PSDB de Minas Gerais. Dando sequência à audiência, concedo a palavra ao Dr. Fábio Balestro Floriano, representante da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, pelo tempo de 15 minutos. O SR. FÁBIO BALESTRO FLORIANO – Antes de mais nada, boa tarde a todas e a todos os integrantes da Mesa, às Sras. Deputadas e aos Srs. Deputados. Eu gostaria de agradecer a oportunidade de estar aqui, em nome da Ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência. Eu preparei para apresentar aos senhores uma breve explanação sobre o Sistema Interamericano de Proteção dos Direitos Humanos. Por que o foco no Sistema Interamericano? Primeiro, por ser um sistema com o qual nós, na Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, trabalhamos quotidianamente, visto que as respostas que são emitidas pelo Estado brasileiro são formuladas por nós, em conjunto com o Itamaraty e, por vezes, outros entes da Federação ou Poderes do Estado. Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Segundo, pelo que eu vejo na imprensa, parece-me que há muita desinformação sobre o sistema. A quantidade de notícias errôneas ou que induzem ao erro que saem são realmente assustadoras. Então, eu vou, na verdade, encurtar esta apresentação, porque eu também creio ser fundamental, de certa forma, aproveitar esta audiência pública para prestar contas também das indagações e colocações que as minhas companheiras da Mesa fazem. E aproveito para fazer isso numa audiência pública, transmitida ao vivo, por crer que é um elemento fundamental de transparência e de compromisso do Estado com os direitos humanos. Diante disso, tratando do Sistema Interamericano de Proteção aos Direitos Humanos, não vou me ater muito à parte histórica, basta dizer que ele teve início em 1948 e depois avançou com a nossa convenção em 1969. E o Brasil só aderiu a ele em 1992, quando promulgou os tratados reconhecendo a competência da Comissão, e de 1998 em diante passou a acatar a competência da Corte. Um ponto fundamental a se destacar é que o Brasil faz isso como um exercício de sua soberania. Às vezes ouvimos certas manifestações de que o Brasil não tem de cumprir nada, porque é soberano. Mas, na verdade, o Brasil, exercendo exatamente a sua soberania, decidiu reconhecer a competência desses órgãos internacionais. Então, na verdade, nada mais é do que um compromisso, uma obrigação assumida voluntariamente pelo Estado brasileiro. Diante disso, eu acho que é salutar lembrar que a Comissão e a Corte, embora estejam na Organização dos Estados Americanos, são órgãos autônomos e independentes. É fundamental dizer que, com base em um artigo veiculado por um periódico de grande circulação nacional, foi afirmado que o Brasil sairá da Comissão dos Direitos Humanos, que o Estado brasileiro não fez e nem nunca fará parte da Comissão pelo fato de que a representação é individual, que, embora os membros sejam eleitos em uma Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos, quem é eleita é uma pessoa física, que ocupa esse cargo autonomamente e sem vinculação de obrigação ou de deferência ao Estado brasileiro. Isso eu acho fundamental ser dito porque o Brasil, diferentemente do que essa manchete, por exemplo, dá a entender, não está se retirando do Sistema Interamericano de Proteção aos Direitos Humanos. O que há é que, a partir de 2012, não haverá um comissionado brasileiro, o que é perfeitamente compreensível quando nós pensamos que são sete comissionados para todos os países da Organização dos Estados Americanos. Então, não há nada de ex- Terça-feira 7 01077 tremamente bizarro nisso. Nós temos sete posições para todos os países da Organização dos Estados Americanos. Da mesma forma funciona a Corte, que também é autônoma, ou seja, tem uma certa vinculação administrativa somente, mas ela tem autonomia e independência frente à Organização dos Estados Americanos. Isso é fundamental ser dito, justamente diante do fato de que às vezes vemos notícias, como: OEA condena Brasil. A OEA, como Assembleia de Estados, nunca fez isso em relação ao Brasil. A OEA suspendeu Cuba, e retirou essa suspensão, e suspendeu Honduras, após o episódio do golpe de estado, que nós sabemos. São os dois únicos casos em que a OEA condena Estados. Fora isso, a Comissão emite recomendações, tampouco condena. E a Corte, essa sim, condena, condenou o Brasil em quatro oportunidades, das quais a última foi em relação à guerrilha do Araguaia. Sobre isso vou tentar também prestar alguma satisfação à Deputada e aos demais presentes. As outras três sentenças estão em fase de acompanhamento e de cumprimento pleno. Para nós, representantes do Estado e militantes de direitos humanos, é fundamental lembrarmos que nós estamos tratando – sempre é uma preocupação que nós, Secretaria de Direitos Humanos, temos enquanto tratamos de casos do Sistema Interamericano –,que nós estamos lidando com vítimas, com pessoas que já passaram por toda sorte de sofrimentos e violações e que, justamente, devido a isso, conseguem acessar a Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Quando um caso chega à Comissão, significa que já houve uma série de tentativas dentro do Estado para lidar com o problema. Quando chega à Corte, é o último recurso. Nós sempre procuramos ter, na Secretaria de Direitos Humanos, a perspectiva de humanidade, a perspectiva de que estamos lidando com vítimas de violação. A participação do Estado ou não nessa relação é algo a ser discutido, mas é fundamental nos lembrarmos desse fato. Vou acelerar a apresentação. Eu só queria referendar, antes de passar à parte de esclarecimentos, a importância para o Estado brasileiro, reconhecida por nós da Secretaria de Direitos Humanos, de todo o Sistema Internacional de Promoção e Proteção dos Direitos Humanos. Muitos dos avanços que obtemos no Brasil advêm justamente da existência de um sistema que por vezes provoca, que por vezes instiga, mas que gera situações e conjunturas que nos permitem avançar nessas questões. Nós temos como exemplo claro relacionado ao Sistema Interamericano o nosso Plano Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo, que vem no bojo de um caso do Sistema Interamericano. A própria Lei Ma- 01078 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS ria da Penha, da mesma forma, é um caso que está na Comissão Interamericana. A Lei Maria da Penha, um grande instrumento que nos permite combater a violência doméstica, também é fruto de uma mobilização gerada a partir de uma provocação do Sistema Internacional. Vou permitir que os meus colegas do Ministério das Relações Exteriores se aprofundem mais em algumas questões acerca do cumprimento ou de certos pactos e acordos internacionais, mas eu quero trazer alguns esclarecimentos e alguns anúncios por parte da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, a começar por uma iniciativa do Brasil que, assim como disse a Camila, é também, em muitos pontos, um exemplo internacional a ser seguido em termos de direitos humanos. A Ministra Maria do Rosário se comprometeu a envidar todos os esforços possíveis para que seja aprovado nesta Casa o quanto antes o Mecanismo de Combate à Tortura, fruto do protocolo adicional à Convenção de Prevenção à Tortura e Outros Tratamentos Desumanos e Degradantes. Esse mecanismo, se aprovado pelo Congresso Nacional, vai ser pioneiro no mundo. Não existe nenhum País hoje que tenha um mecanismo como esse, que permite combater de forma efetiva e referendada pelo Sistema Internacional a tortura em todos os estabelecimentos totais. Ou seja, nós estamos falando de penitenciárias, delegacias de polícia, manicômios, sistemas de internação socioeducativa. Isso é um avanço que está sendo promovido graças à existência do Sistema Internacional. Quanto à questão dos relatórios, de fato o Estado brasileiro estava com uma dívida imensa em relação aos relatórios internacionais. Nós tínhamos diversos relatórios atrasados há algum tempo. Nós já entregamos ao Itamaraty os que faltavam. Eu já comuniquei ao Carlos Eduardo, Chefe da Divisão de Direitos Humanos do Itamaraty. O relatório de pessoas com deficiência está para consulta pública, como disse a Camila. Nós ainda temos por fechar no cronograma do CAT o relatório de combate à tortura, justamente. Nós planejamos entregá-lo até o final do ano. Assim que conseguirmos estabelecer um calendário de execução mais detalhado, vamos divulgá-lo para conhecimento da sociedade civil porque, no nosso entendimento, a sociedade civil organizada é fundamental na execução de uma agenda de direitos humanos. E por que ela é fundamental? O Governo avançou até onde é possível, até onde a conjuntura nos permite avançar. O papel da sociedade civil é justamente o de nos pressionar para irmos além, para gerar uma conjuntura favorável para que possamos seguir avançando nessa temática. Fevereiro de 2012 Diante disso, e em reconhecimento a isso, por exemplo, o Estado brasileiro também adota o procedimento de consulta pública, que não é praxe no sistema das Nações Unidas, mas que é, de certa forma, o nosso reconhecimento de que a contribuição da sociedade civil em todos esses relatórios é crucial. O cronograma do Mecanismo de Revisão Periódica Universal já está em vias de ser finalizado. Creio que nas próximas semanas nós vamos divulgar o cronograma. Houve uma postergação, por parte das Nações Unidas, da apresentação desses relatórios. Nós não sabemos a data definitiva, mas muito provavelmente vamos apresentá-lo antes do fim desse período. Quanto ao caso Júlio Gomes Lund e outros, relacionado à Guerrilha do Araguaia, é uma prioridade não apenas da Ministra Maria do Rosário, mas da própria Presidenta Dilma a aprovação da criação da Comissão Nacional da Verdade nesta Casa. Estamos realmente empenhados nisso. A Comissão Nacional da Verdade é essencial para podermos acertar as contas com o nosso passado, acertar as contas com todo um legado histórico de violações dos direitos humanos no País. No bojo do cumprimento da sentença da Guerrilha do Araguaia, eu gostaria de anunciar em primeira mão para os senhores – está indo para a imprensa hoje à tarde – que amanhã, às 14h15min, na Secretaria de Direitos Humanos, que fica na Torre A do Edifício Parque Cidade Corporate, atrás do shopping Pátio Brasil, haverá a assinatura de uma portaria interministerial que altera a organização do que até então era conhecido como Grupo de Trabalho do Tocantins. É uma reivindicação antiga dos familiares de mortos e desaparecidos, que se queixavam – com razão, talvez, não vou aqui fazer uma crítica eventualmente pública a outros Ministérios – que a Defesa somente coordenava os trabalhos e que outras Pastas acompanhavam como observadoras. Isso foi levado à Ministra Maria do Rosário, que, em conversas com o Ministro Jobim, mostrou-se extremamente aberta e disponível. Conseguiram reformular esse grupo de trabalho e amanhã será assinada a nova portaria referindo-se ao GTAT – Grupo de Trabalho Araguaia Tocantins, com a presença da Ministra Maria do Rosário, do Ministro da Defesa, Nelson Jobim, do Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, do nosso Advogado-Geral, Luís Inácio Adams, e de representantes da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos. Isso já é uma demonstração do compromisso que nós temos no sentido de dar solução e resolver a questão da sentença no caso Júlia Gomes Lund e outros. Embora a nossa obrigação perante a comunidade internacional seja do Estado brasileiro como um todo, temos aqui, dentro do País, uma divisão e organiza- Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS ção de estrutura administrativa dos Poderes que nos permite avançar em diversos pontos e dificulta outros. É por isso que, no caso da Lei de Anistia, cabe muito mais ao Poder Legislativo e ao Poder Judiciário tomar as medidas cabíveis, com o total apoio da sociedade civil organizada. Nós, da mesma forma, vamos cumprir tudo aquilo que diz respeito na sentença ao Poder Executivo, mas não podemos nos imiscuir na competência dos outros Poderes. É para isso, justamente, que nós contamos com o papel da sociedade civil de cobrar e com o papel do Legislativo de avançar. Essa é uma discussão para um fórum mais amplo. O Poder Executivo muito pouco ou nada pode fazer no sentido de rever uma lei ou de rever uma decisão judicial que foi tomada com base em uma ADPF pela Ordem dos Advogados do Brasil. Eu gostaria de encerrar reiterando o compromisso do Governo Federal – não apenas da Secretaria de Direitos Humanos, mas creio que do Governo Federal como um todo, sob o comando da Presidente Dilma – com a agenda de direitos humanos, que, salvo engano, é pela primeira vez elevada à primeira grandeza, definitivamente, na agenda dos assuntos do País. Obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Obrigado, Dr. Fábio Balestro, representante da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Eu informo que, ante a carência de Deputados diplomados, em função da agenda do plenário, vamos designar Deputados e Deputadas ad hoc. Portanto, vai passar uma lista. As entidades presentes que quiserem se inscrever para participar do debate serão inscritas. Concedo a palavra ao último expositor, Dr. Carlos Eduardo da Cunha Oliveira, Chefe da Divisão de Direitos Humanos do Ministério das Relações Exteriores. O SR. CARLOS EDUARDO DA CUNHA OLIVEIRA – Obrigado, Deputado Domingos Dutra, a quem agradeço, em nome da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, pela possibilidade com que fui brindado, juntamente com o Ministro Sílvio Albuquerque, de participar desta audiência. Meu nome é Carlos Eduardo, sou Primeiro-Secretário, chefiei a divisão de direitos humanos do Ministério das Relações Exteriores e confesso aos senhores e senhoras que devo ter feito pelo menos dez anotações sobre pontos que mereceriam algum tipo de comentário após as intervenções feitas pelas pessoas que me antecederam. Eu vou tentar, de acordo com o tempo disponível, buscando ser o mais breve possível, abarcar todas e cada uma dessas questões. Antes de mais nada, eu não poderia deixar de recordar a minha primeira participação em uma au- Terça-feira 7 01079 diência pública, também convocada por iniciativa do Comitê Brasileiro de Direitos Humanos e Política Externa, em 2009. Esta é a terceira vez que eu participo desse exercício. Algo me ocorreu naquele momento, testemunhando o valor dos debates que ocorreram durante aquela audiência, algo que talvez espantasse, não era o fato de se realizar uma sessão sobre esses assuntos, mas, sim, de que se realizasse apenas uma sessão sobre esses assuntos. Talvez, em 2010, essa situação tenha melhorado. Eu mesmo participei de quatro reuniões colegiadas, incluindo esta audiência, com membros do Comitê Brasileiro de Direitos Humanos e Política Externa, três delas em Brasília e uma em Recife. Mas eu acredito que é da própria natureza do tema, que, por muito que nós nos esforcemos para tratá-lo de modo transparente, esse muito, depois de um certo momento, já não parecerá mais suficiente. Eu acho que tratar desses assuntos de uma forma tão aberta e transparente quanto possível é algo natural, legítimo, que reflete uma preocupação e uma política de Estado. Eu recordo de, em 1996, quando me preparava para o concurso de admissão na carreira diplomática, ter começado a ler a respeito de um conceito que então ganhava corpo e que se chamava diplomacia pública. Nós vivíamos, então, o período das grandes conferências, como a Conferência Mundial de Viena, em 1993, a Rio 92, conferências em Istambul e Copenhague e, na preparação brasileira para todas essas conferências, houve um esforço, talvez então pioneiro na nossa história diplomática, em mobilizar organizações do terceiro setor, entidades de classe, para que elas discutissem juntamente com o Ministério das Relações Exteriores os pontos que seriam objeto de debate em cada uma dessas reuniões. Houve situações em que membros dessas organizações não governamentais que puderam oferecer uma contribuição significativa à participação brasileira chegaram a integrar como membros oficiais as nossas delegações nessas conferências. Eu menciono este fato – o de que isso ocorreu na primeira metade da década de 90 – para reforçar a perspectiva de que isso não se trata de uma questão passadiça, que possa cambiar conforme os governos. Isso é uma questão de Estado e como tal deve ser tratada. O Ministro Sílvio, muito eloquentemente, mencionava uma série de compromissos e princípios que norteiam a nossa atuação no âmbito internacional e se pautava, antes de mais nada, pela Constituição Federal. O Brasil tem uma Constituição que protege um rol significativo de direitos e garantias fundamentais, considerou esses direitos cláusulas pétreas, insuscetíveis de emenda constitucional. Nós reconhecemos a 01080 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS possibilidade de que tratados internacionais de direitos humanos sejam incorporados ao nosso ordenamento jurídico com valor de emendas à Constituição. Já temos um primeiro exemplo feliz disso: a Convenção sobre os Direitos de Pessoas com Deficiência. Incluímos entre os princípios que norteiam a nossa política externa a prevalência à primazia dos direitos humanos. Além disso, nós ratificamos a quase totalidade dos instrumentos internacionais de proteção, reconhecemos a competência jurisdicional da Corte Interamericana, estendemos o convite permanente aos relatores temáticos e, embora estejamos, sim, em atraso no envio de relatórios, jamais poderíamos negar a nossa responsabilidade e tentar cobrir esse ato com a brevidade possível de uma maneira dialogada com organizações da sociedade civil. Se o Estado brasileiro afirma que esse é um conjunto mínimo de valores e de princípios que informam o seu relacionamento com os seus cidadãos, é mais do que compreensível que esses mesmos cidadãos queiram saber como esse conjunto mínimo de valores e de princípios baseiam e orientam a forma como o Estado representa no plano internacional o seu interesse nacional. Eu acho que esse é um interesse que se justifica por si só e, por mais que se faça um esforço de boa fé em prestar informações sobre a política externa em direitos humanos, em participar, por exemplo, de audiências como essas e de realizar outras reuniões similares, sempre nos faltará mais o que fazer. E nós temos que fazer isso. Enfim, esse interesse de organizações da sociedade civil legitima-se por si só. Mas há um outro valor decorrente disso e que já não tem implicações apenas no plano externo, mas também no plano interno. Isso foi mencionado, por exemplo, por algumas das pessoas que me antecederam. O Brasil se pauta por uma série de princípios que conferem, ou tentam conferir, uma perspectiva coerente à sua atuação no plano internacional. E é importantíssimo que outros órgãos de Estado e que organizações da sociedade civil e cidadãos possam se apropriar desses compromissos que o Brasil faz no plano internacional e das recomendações que nos são dirigidas por esses mecanismos internacionais para induzir mudanças no plano interno. Isso é um instrumento de pressão política para que organizações da sociedade civil, inclusive, possam cobrar do Estado a plena realização desses compromissos que ele afirma no plano internacional. Há essa dupla vertente, portanto. Então, seja por um lado, seja pelo outro lado, é importante que nós tratemos disso com transparência. Há um ponto importante. A Dra. Gilda Carvalho mencionava o uso das nossas famigeradas tecnologias da informação, de que maneira nós poderíamos nos Fevereiro de 2012 apropriar, por exemplo, de uma coisa hoje tão corriqueira como um sítio na Internet para divulgar informações sobre relatórios que o Brasil apresenta aos comitês internacionais de monitoramento, para divulgar, por exemplo, informações sobre o padrão de votações no Brasil no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas e na Assembleia Geral das Nações Unidas, para que nós possamos tornar facilmente acessíveis informações que sejam produzidas num diálogo com relatores especiais. Reproduzindo um comentário de um colega da Divisão de Direitos Humanos, essas informações existem e são públicas, falta “publicizá-las”, dar um tratamento sistemático a isso – em português, diga-se de passagem. Isso exige gestão. O Estado não é, talvez, muito facilmente permeável a esse tipo de novidade. Mas nós precisamos pensar em ferramentas de gestão da informação para que organizações da sociedade civil possam se apropriar eficazmente disso que nos demanda um trabalho enorme no diálogo com esses mecanismos internacionais de monitoramento, mas que, se não resultam em ações no plano interno, acabam, em parte, perdendo o seu valor. É, antes de mais nada, interesse do próprio Ministério das Relações Exteriores que os compromissos que o Brasil assumiu na esfera internacional tenham tratamento consequente, sejam capazes de produzir aquilo que desde o princípio inspirou a decisão brasileira a realizar esses compromissos no plano internacional. Essa é uma preocupação legítima, volto a repetir, bem registrada. Isso cria para nós uma obrigação de pensar diferentemente como nós gerimos a informação. Mas as razões por que esse pedido é feito nos são perfeitamente compreensíveis. A Camila comentava a questão da prevalência dos direitos humanos na política externa e citou como exemplo a decisão do Brasil de apoiar o restabelecimento do mandato do Relator Especial sobre a situação dos direitos humanos no Irã. Essa é apenas a ponta do iceberg de toda uma outra série de posições que o Brasil adotou no plano internacional, que buscam dar corpo, dar consequência a isso que chamamos de prevalência ou primazia dos direitos humanos em nossa política externa, aqui, no que diz respeito ao tratamento da situação dos direitos humanos em países. Esse é o tema que a Camila destaca ao apontar a situação iraniana. Pois bem, essa é uma preocupação que não data de hoje. O Brasil, já na antiga Comissão de Direitos Humanos, que foi substituída pelo Conselho de Direitos Humanos, em 2006, defendia, por exemplo, a necessidade de se criar um relatório global, um relatório que tratasse da situação dos direitos humanos de todos e Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS de cada um dos países membros da ONU. Essa proposta, posteriormente, se viu corporificada na criação de mecanismo de revisão periódica universal, que é o primeiro mecanismo criado na história de organismos internacionais que cumprirá esse trabalho, que é o de avaliar a situação dos direitos humanos em todo e em cada um dos países membros da ONU. Durante o processo de elaboração dar normas que regulamentariam a aplicação desse mecanismo, o Brasil defendeu a possibilidade de que mecanismos internacionais de monitoramento oferecessem subsídios para a realização dessas avaliações. Defendemos a possibilidade, que depois não foi inteiramente incorporada, de que organizações não governamentais participassem do exercício. Tenho mais três minutos e não passei do segundo ponto. Parece que precisamos de mais audiências como esta. O Brasil, durante os debates sobre a criação do marco institucional do Conselho de Direitos Humanos, defendeu a possibilidade de o Conselho continuar a tratar da situação dos direitos humanos em países. Nós sugerimos que esse tratamento estivesse lastreado em subsídios colhidos dos mecanismos internacionais de monitoramento. Nós, nas negociações do Código de Conduta, atuamos, em diálogo com o grupo africano, para que esse código não implicasse limitações que pusessem em risco a independência do exercício de mandatos pelo sistema de procedimentos especiais. E, já nas discussões sobre a revisão do Conselho de Direitos Humanos, o Brasil defendeu a utilização de mecanismos que permitiriam, se aplicados ao Conselho de Direitos Humanos, considerar situações de países que hoje escapam ao escrutínio do órgão, que hoje fogem da consideração do Conselho de Direitos Humanos. E não porque não merecessem essa consideração, mas porque países podem mobilizar seus recursos de poder para evitar serem expostos a esse tipo de escrutínio. No que diz respeito ao tratamento da situação de países, o Brasil apoiou a convocação de 14 das 16 sessões especiais do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, apoiou também todas as resoluções que emanaram dessas sessões especiais. Faço essa relação exaustiva apenas para destacar esse ponto. Essa preocupação da perspectiva do Estado brasileiro não é, em absoluto, algo novo. E, mesmo em relação à situação dos direitos humanos no Irã, o tratamento da situação iraniana, isso reflete decisões que o Brasil já havia anteriormente adotado sobre esse mesmo tema. O Brasil apoiou consecutivamente, de 1993 a 2001, a renovação do mandato Terça-feira 7 01081 do Relator Especial sobre a situação dos direitos humanos no Irã porque entendíamos haver então razões genuínas que justificavam essa preocupação. Em 2002 o Brasil se absteve. E por quê? Porque, naquele momento, o governo iraniano havia adotado uma série de medidas que indicavam uma abertura maior ao diálogo com os mecanismos internacionais de monitoramento. O Governo estendeu o convite permanente aos relatores especiais das Nações Unidas; recebeu a visita de seis relatores num espaço de tempo relativamente curto, dois anos e meio; apresentou relatórios a alguns órgãos internacionais, e começou a empreender um diálogo com organizações da sociedade civil no plano interno. Naquele momento, tomadas em consideração aquelas circunstâncias, já não nos pareceu necessário que essa matéria continuasse a ser objeto de atenção por meio de um mecanismo singular como é a renovação de um mandato de um Relator Especial. Agora, se isso ocorreu naquele momento... Enfim, o tratamento da situação de direitos humanos em qualquer país nunca ocorrerá necessariamente em número linear. Houve, depois disso, talvez um relativo desengajamento do governo iraniano no diálogo com o sistema internacional de direitos humanos, o que, a nosso juízo, nesse caso, justificou que a situação iraniana fosse objeto de atenção de um Relator Especial. Desde 2002, essa resolução não era mais apresentada à Comissão, hoje Conselho de Direitos Humanos; neste ano foi apresentada, e o Brasil, coerentemente com preocupações que havia adotado anteriormente, apoiou o restabelecimento desse mandato. Teria muitos pontos, Deputado, mas eu deixo às senhoras e senhores para que sinalizem se desejarem que eu trate de algum tema particular. Muito obrigado uma vez mais. Vamos continuar, certo, Camila, esse diálogo na sexta-feira. Na sexta-feira haverá uma reunião, agora entre o Comitê Brasileiro de Direitos Humanos e Política Externa, a Secretaria de Direitos Humanos e uma representante da Secretaria-Geral da Presidência, onde alguns desses pontos que não foram mencionados aqui poderão ser tratados. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Muito obrigado ao Dr. Carlos Eduardo da Cunha Oliveira. Lamentamos ter de interromper a exposição, mas nós aqui brigamos sempre com o tempo e com esse sinal, que já está quase nos chamando para a Ordem do Dia. No entanto, com certeza, haverá outras audiências. Como há seis inscritos, há uma possibilidade de que, nas respostas, o senhor possa ganhar mais alguns minutos para aprofundar a sua exposição. Com a palavra a Deputada Luiza Erundina. 01082 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS A SRA. DEPUTADA LUIZA ERUNDINA – E a luzinha também é para que eu veja que tenho que ir votar no plenário. É uma pena que se tenha de interromper esse diálogo tão rico, oportuno e necessário. Quero saudar, Deputado Dutra, a realização desta audiência pública, ressaltar o desempenho dos expositores, agradecer a presença das companheiras e companheiros e dizer que são mesas como esta, debates como este, que nos ajudam a avançar, inclusive nesta Casa. Mas pontuei algumas questões a partir das intervenções que foram feitas, lamentando o tempo evidentemente muito curto. Primeiro, qual o grau de articulação e de integração que existe entre os órgãos que atuam em relação à política de direitos humanos no plano internacional? Há de fato algum plano de ação conjunta, articulada, complementar entre si, que possa potencializar esses esforços e dar maior eficácia a eles no trato dessa questão? Outro ponto, que inclusive foi abordado por vários senhoras e senhores, que destacaram em suas falas a importância de envolver a participação popular, que a sociedade teria de trazer sua pressão, suas demandas, suas reivindicações, suas expectativas, para com isso conseguir que o empenho dos órgãos e da ação do Estado e do Governo se dessem em um tempo mais rápido e com maior eficiência e eficácia. Pergunto quais são os meios, os mecanismos, qual é a política na relação entre esses órgãos que atuam em relação aos direitos humanos internacionalmente e com a sociedade civil e se existe algum órgão que faça isso. Preocupada inclusive com o papel negativo que a mídia exerce em relação a isso, quer dizer, há preconceito na sociedade contra a questão dos direitos humanos e há preconceito dentro desta Casa contra os direitos humanos. É tido sempre como aquele que é prejudicial à sociedade, então ele tem de ser excluído da sociedade, ser eliminado da sociedade. E essa é até uma tendência da política, da cultura política e da cultura do nosso País, muito reforçada pelo poder da mídia, uma mídia sem controle – sem nem controle público�������������������������������������������� , nem ������������������������������������������ controle social. E uma mídia absolutamente e resistente a qualquer tipo de controle, sempre entendido por eles como sendo ameaça à liberdade de expressão, como se eles fossem os grandes timoneiros da defesa da liberdade de expressão. Então não há, de um lado, uma política de comunicação com a sociedade no sentido de trazer não só as informações e a ação do Governo e do Estado fora do País em relação ao enfrentamento à questão dos direitos humanos, e internamente não se reflete o mesmo esforço em termos da realidade brasileira do ponto de vista da violência, da criminalidade e de Fevereiro de 2012 flagrantes e permanentes desrespeitos aos direitos humanos em todos os seus aspectos, inclusive a violência institucional. Lembremos, por exemplo, do sistema prisional; do que acontece com os brasileiros que ficam sob a proteção do Estado nos presídios, nos distritos policiais; os jovens que são mortos diariamente nos grandes centros urbanos. E o Estado é no mínimo omisso, senão conivente, promovendo inclusive a violência institucional no caso, por exemplo, do sistema prisional no País. Quer dizer, como fazer uma articulação desses avanços que foram colocados aqui em relação à política de direitos humanos no plano internacional? Como combinar isso? Há um descompasso entre a preocupação com os direitos humanos, entre os compromissos do Estado brasileiro nas convenções, acordos, entendimentos com fóruns internacionais e o plano nacional, o plano interno, em que não há um correspondente do Estado e do Governo – de todos, não é só do atual Governo –,que não enfrenta de modo mais efetivo, de forma mais cultural do ponto de vista de reverter, inclusive, esse preconceito e essa desinformação ou até e���������������������������������������������� ssa deformação na compreensão dos direitos humanos, haja vista, por exemplo, a reação indignada de alguns setores da sociedade em relação ao Terceiro Plano Nacional de Direitos Humanos. Quer dizer, o que fazer diante disso? É ficarmos simplesmente assistindo? Aceitarmos reduzirem-se as expectativas que estão postas lá e diminuir aquilo que está proposto em fóruns nacionais, democráticos, plurais, que são as conferências nacionais? Esses são exemplos que indicam descompasso entre esse esforço que está sendo feito da política de relações exteriores em relação aos direitos humanos e a realidade triste, perversa, contundente contra os direitos humanos dentro do nosso País. Uma outra questão é a reação ou a posição do Supremo Tribunal Federal em relação aos limites da Lei da Anistia. Deixa-nos realmente em absoluto desconforto, nas relações internacionais e nas instâncias, nos fóruns internacionais e nas cortes internacionais, a reação do Supremo Tribunal Federal ou a sua posição a respeito da Lei da Anistia. É simplesmente dizer: essa é a leitura da Lei da Anistia, foram os senhores que fizeram, foi o Congresso que fez; estamos interpretando a lei e dando a nossa versão de como ela deve ser entendida e ser aplicada. E não ouvi nenhuma menção dos senhores em referência a esta Casa, a não ser esta Comissão, que é um ponto diferencial na Casa. Por isso que tem tanta dificuldade de existir e de sobreviver, porque é o único espaço, digamos assim, a que conseguimos trazer o Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Governo e pessoas da sociedade para que nos tragam essa visão dos direitos humanos e da política que está se dando em relação a elas. Tomei para mim a crítica do Supremo Tribunal Federal de que foi o Congresso que fez a lei. Sabemos como essa Lei da Anistia foi acordada. Ela foi negociada, ela foi absolutamente minimizada na sua condição de ser uma lei para reparar crimes do Estado e dos atores do Estado, em nome do Estado, contra os cidadãos brasileiros que lutavam pelas liberdades democráticas, pelo direito à vida, contra a tortura, por exemplo, os desaparecimentos, os exílios. Simplesmente lavam as mãos e dizem que foi o que saiu do Congresso. A gente sabe como é que se deu a transição de um regime para outro. Não foi um regime ditatorial para um regime democrático. Tanto é que o regime democrático não está completado ainda entre nós. A redemocratização ainda está inconclusa, na minha avaliação. Então, aquele momento de transição, que foi uma transição negociada, entre os que patrocinaram e se responsabilizaram pelo arbítrio, pelo respeito às liberdades democráticas em todas as suas expressões, foi uma transição de Governo militar para um Governo civil. E não é por acaso que nós temos essa pouca consolidação da democracia em nosso País. Como ainda preservam os atores da época que sustentaram a ditadura? São ainda os que têm poder e que exercem poder e que querem que se vire a página e esqueçam, a pretexto de dizer: não queremos revanche. Mas quem sofreu a ditadura militar sobre si mesmo, sobre os seus filhos, sobre os seus parentes, sobre os seus familiares, sobre a sociedade, sobre a cidadania, não quer virar a página; quer limpar a página. (Palmas.) Para limpar a página, nós temos que instalar – acho que nós estamos atrasados, a lei é de maio – a Comissão Especial, que ainda não se instalou pela resistência que existe nesta Casa. Não tenho ilusões de que aquilo que o Executivo avança em relação a esses últimos Governos – e tenho muita expectativa em relação à Presidenta Dilma de que vai avançar mais ainda –,quando chega, dependendo de outro Poder, esbarra, porque esta Casa é muito atrasada. Ela é muito reacionária, com as exceções honrosas e que ainda fazem com que a gente esteja aqui neste ambiente, discutindo com pessoas como vocês temas dessa natureza. Mas a minha angústia é que eu sou deste Poder e, quando as coisas chegam para cá elas se engavetam. O projeto de lei ainda está intocado, não foi criada a Comissão Especial. Eu entrei em fevereiro com um projeto de lei em reação à posição, à decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a Lei de Anistia. Entrei com o Projeto de Lei nº 573, de 2011, exatamente dando uma outra interpretação à Lei da Anistia e tentando Terça-feira 7 01083 suprir aqueles vazios que o Supremo Tribunal alega em relação aos crimes conexos, porque desapareceram pessoas, os torturadores, os atores do Estado mataram, torturaram e estão aí e, muitas vezes, ocupando lugares em órgãos públicos, em funções públicas. Então, nós estamos com um projeto de lei, que eu duvido que tramite. Ele está na Comissão de Constituição e Justiça e vai levar anos. Certamente não estarei mais aqui, quando... Quem sabe, um dia. A não ser que se instale a Comissão da Verdade que, por si só, crie uma tal força política na sociedade que crie condições políticas para que esses nós que existem aqui, as coisas que não acontecem, se rompam por força da cidadania que tem interesse nessas questões. Por último, eu queria dar mais destaque ao papel da mídia e à necessidade de se enfrentar o poder extraordinário dessa mídia, que é uma concessão do serviço público. Ele se faz contra a cidadania, se faz contra a democracia, se faz contra os direitos humanos, se faz contra tudo aquilo que se pretende seja uma sociedade civilizada e de fato uma democracia plenamente investida em todas as suas expressões pelos cidadãos deste País. Agradeço enormemente os senhores e as senhoras, que certamente serão chamados, convidados a nos ajudar aqui, porque nós vamos insistir nesses temas. Muito obrigada. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Agradeço à Deputada Luiza Erundina. Em função da agenda lá do plenário e em homenagem à resistência da Deputada Erundina em ter acompanhado toda a audiência, eu vou conceder aos expositores tempo para as respostas a fim de que ela possa ser liberada para ir à atividade em plenário. Em seguida, faremos o último bloco de perguntas, que eu estou chamando de Deputados e Deputadas ad hoc, nomeados aqui. Eu só queria também nas respostas reforçar aqui o que foi falado pela Sra. Camila sobre a questão de Belo Monte, que tudo o que a imprensa diz a gente tem que dar um desconto: O que de verdade a OEA encaminhou para o Brasil em relação a Belo Monte e que tipo de resposta o Governo deu? E se aquilo que a imprensa noticia, e o Sr. Fábio já disse que não vai haver a retirada do Brasil da comissão, mas o que de verdade fará o Brasil, que tipo de reação? Não vai pagar? E essa reação do Brasil não foi um pouco desproporcional e não conflita com o PNDH-3, que tem um capítulo dedicado a esses grandes empreendimentos, e não apenas no caso de Belo Monte, porque a produção de energia elétrica no País, via hidrelétricas, é uma continuação permanente de violação de direitos humanos? 01084 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Essas grandes empresas conflitam com a política da Presidenta Dilma, que é de acabar a pobreza no Brasil. As hidrelétricas que eu conheço estão sendo implantadas, estão transformando pobres em miseráveis. Portanto, eu gostaria que abordassem um pouco mais sobre essa questão de Belo Monte, porque há uma previsão de se instalar 62 hidrelétricas no País, e a gente acabou de assistir o que houve lá em Jirau e Santo Antônio e em outras obras do PAC com relação a direitos trabalhistas, um público visível. Imagine os invisíveis, que são ribeirinhos, pescadores, vazanteiros, que não contam nas estatísticas, e esses grupos econômicos fazem barbaridades. Então, eu quero também essa resposta, que os expositores pudessem se manifestar. (Palmas.) Concedo a cada um de três a no máximo cinco minutos para depois a gente ir para o último bloco, porque na hora que der o vermelho aqui eu vou ter que sair e nomear talvez um ad hoc para presidir a mesa também. Então, concedo a palavra ao Dr. Sílvio por no máximo cinco minutos. O SR. SÍLVIO JOSÉ ALBUQUERQUE E SILVA – Presidente, muito obrigado. Em primeiro lugar, eu quero agradecer as palavras à Deputada Luiza Erundina. Quando eu a conheci disse do meu orgulho em conhecê-la pela sua trajetória política. Então, pessoalmente, como diplomata brasileiro, é um orgulho muito grande conhecê-la e escutar aquilo que a senhora disse. O grau de integração entre os órgãos que tratam o tema de direitos humanos no plano internacional é muito grande. O Itamaraty, a Divisão de Direitos Humanos, a Divisão de Temas Sociais têm uma interlocução já histórica com a Secretaria de Direitos Humanos. Quando fui Subchefe da Divisão de Direitos Humanos, a interlocução com a então Secretaria Especial de Direitos Humanos, com o Dr. José Gregório e com o Prof. Paulo Sérgio Pinheiro, era intensa em temas ligados ao sistema interamericano, ao sistema global, e hoje também é da mesma forma. Então, tanto a SDH como a SEPPIR, a Secretaria de Políticas para as Mulheres, o Ministério do Trabalho e Emprego e também o Ministério da Saúde, todos esses órgãos públicos são interlocutores frequentes do Itamaraty na formulação de política externa sobre os mais diferentes assuntos que dizem respeito a cada uma dessas áreas. Eu acho que essa é uma das grandes vantagens que a nossa política externa, ter uma interlocução no âmbito dos órgãos públicos do Poder Executivo muito fluida, e ela, evidentemente, como disse na minha exposição, é suplementada pela interlocução, embora menos frequente do que nós gostaríamos, com o Parlamento brasileiro e com as organizações da sociedade civil. Fevereiro de 2012 Sobre Belo Monte eu vou pedir ao Carlos Eduardo que complemente, mas em primeiro lugar é preciso dizer que o Brasil não contesta a legalidade da Comissão Interamericana de Direitos Humanos em determinar a imposição de medidas cautelares. A resposta do Brasil às medidas cautelares se baseou em dois critérios: um que eu chamaria de legalista e um critério substantivo. Do ponto de vista legalista, é preciso entender que o sistema interamericano, como um sistema internacional de proteção dos direitos humanos, é um sistema subsidiário, um sistema que só é complementar, um sistema que só é acionado quando existem evidências de que o direito interno, que a situação interna não pode ser suprida pelos princípios básicos que estão protegidos pelo direito interno. Segundo a interpretação do Brasil, a precipitação da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, ao determinar essas medidas cautelares, se deveu à não obediência estrita, a requisitos que estão estipulados no regulamento da própria Comissão, que falam de urgência, e também em danos irreversíveis causados a seres humanos ou a pessoas que são objeto daquela proteção. No entendimento do Governo brasileiro, os requisitos não foram cumpridos. Com relação à parte substantiva, os argumentos apresentados pelo Brasil foram construídos a partir da interlocução do Itamaraty com diversos Ministérios. São argumentos apresentados pelo Ministério do Meio Ambiente, Secretaria de Direitos Humanos, e o Carlos Eduardo pode se estender sobre eles. Mas eu quero tocar num ponto importante suscitado pela Deputada Luiza Erundina, que diz respeito à superficialidade com que muitas vezes a imprensa trata de temas de política externa. Bom, esse é um caso típico. A matéria sobre a qual se falou aqui, publicada sábado num jornal de grande circulação de São Paulo, estava repleta de imprecisões. Em primeiro lugar, eu quero esclarecer que a reação do Governo brasileiro às medidas tomadas pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos não podem ser consideradas desproporcionais aos fatos. É legítimo e, na linguagem, na gramática diplomática, convocar-se o embaixador para consultas é algo que ocorre sempre que há uma insatisfação do Governo em relação a um procedimento adotado por um país ou um organismo internacional que o recebe. Esse embaixador é chamado para consultas para poder, no caso específico em questão, participar do processo de elaboração da respostas que o Brasil ofereceria e ofereceu ao Sistema Interamericano. A retirada da candidatura do ex-Secretário de Direitos Humanos, explicada já pelo Fábio Balestro, dá-se num contexto em que o Brasil entende que o Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Sistema Interamericano, importante que é, contou, ao longo dos últimos 8 anos, com a participação de um representante brasileiro, de um cidadão brasileiro, mas que atuava na sua capacidade pessoal, o Prof. Paulo Sérgio Pinheiro, e a não candidatura de um brasileiro não significa, de modo algum, uma sinalização de desprestígio do Sistema por parte do Governo brasileiro. Não há nenhuma intenção do Governo brasileiro de interromper o pagamento de contribuições regulares à OEA. Jamais houve. O que há, o que é verdade, é que o Ministro Celso Amorim, em 2010, encaminhou ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão um aviso ministerial solicitando que fosse autorizada a concessão, a título de contribuição voluntária, de 800 mil dólares ao Sistema Interamericano de Direitos Humanos. Bom, todas as contribuições voluntárias a todos os órgãos multilaterais, todos, insisto, estão congeladas por motivos não políticos, por motivos orçamentários. Então, na minha divisão, lido com uma série de órgãos multilaterais, e solicitamos nós, via Ministro de Estado, autorização para contribuições voluntárias. Nenhuma foi autorizada, nenhuma foi concedida. Então, os 800 mil dólares que o Brasil solicitou de contribuição voluntária ao Sistema Interamericano não foram autorizados pelo MPOG por motivos estritamente orçamentários. A contribuição regular do Brasil à OEA é uma outra coisa, e não tenho nenhuma informação com relação à suspensão do pagamento do Brasil. Até onde eu sei, o Brasil está em dia com o pagamento à Organização de Estados Americanos, e esse tipo de retaliação não houve. Uma última explicação que daria uma clara evidência da importância que o Brasil atribui ao Sistema Interamericano de Direitos Humanos se dá num fato histórico: o Brasil, em 31 de março de 1948, por intermédio do então Ministro das Relações Exteriores brasileiro, Neves da Fontoura, na Conferência Internacional Americana, que se realizou em Bogotá e que deu origem à Declaração Americana sobre Direitos e Deveres do Homem, defendeu a criação de uma corte internacional de proteção aos direitos humanos, algo absolutamente inovador naquele momento. Durante a ditadura militar no Brasil, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos teve um papel fundamental no avanço de políticas de direitos humanos, ainda que muito pequenas, no nosso País. O Brasil reconhece o papel relevante do Sistema Interamericano na transformação da realidade do respeito aos direitos humanos no País. O que ocorreu entre o Brasil e o Sistema Interamericano eu chamaria de rusga diplomática, produto de uma interpretação legítima do Estado brasileiro de que a Comissão Terça-feira 7 01085 Interamericana se precipitou ao emitir uma medida cautelar quando poderia perfeitamente ter acolhido uma petição; ouvido, com base no princípio do contraditório, o Estado brasileiro e deliberado, com base no seu próprio regulamento, sobre como proceder no caso em questão. Mas a nossa posição foi uma posição legalista e também substantiva. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Obrigado, Dr. Sílvio. Alguém mais da Mesa quer se manifestar sobre... O SR. DEPUTADO CHICO ALENCAR – Deputado Domingos... O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Pois não, Deputado. O SR. DEPUTADO CHICO ALENCAR – Pergunto ao Dr. Sílvio se houve uma resposta oficial do Itamaraty à OEA a esse respeito. O SR. SÍLVIO JOSÉ ALBUQUERQUE E SIILVA – Sim, já houve. O SR. DEPUTADO CHICO ALENCAR – E ela é pública, naturalmente? O SR. SÍLVIO JOSÉ ALBUQUERQUE E SIILVA – Sim. A resposta foi enviada à Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Eu não entendo que ela não possa ser transmitida ao Parlamento. Não veja nenhuma razão pela qual ela não seria encaminhada aos Srs. Deputados. O SR. DEPUTADO CHICO ALENCAR – Pois é. Então, eu solicitaria que a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados a recebesse. Tenho informações de que é um documento alentado de cinquenta e duas páginas, não é? O SR. SÍLVIO JOSÉ ALBUQUERQUE E SIILVA – Sim. O SR. DEPUTADO CHICO ALENCAR – Então, nós precisamos disso em nome da transparência democrática, porque senão fica sendo um factoide da imprensa: joga pra cá, joga pra lá. Não é por aí. O SR. SÍLVIO JOSÉ ALBUQUERQUE E SIILVA – Perfeitamente, Deputado. Eu não vejo nenhum inconveniente. É um documento elaborado com base em contribuições dos vários Mistérios que têm interesse no caso. Ao voltar ao Itamaraty, transmitirei ao gabinete do Ministro Patriota sua reivindicação. Mas antecipo-lhe, em princípio, que eu não vejo nenhum tipo de constrangimento. Ao contrário, acho que o Parlamento deve estar informado em relação à resposta oferecida pelo Estado brasileiro à Comissão Interamericana de Direitos Humanos. A SRA. DEPUTADA LUIZA ERUNDINA – Sr. Sílvio, permite-me um aparte? 01086 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Deputada Luiza Erundina. A SRA. DEPUTADA LUIZA ERUNDINA – Obrigada, Deputado. Para não ficar a versão da imprensa. A sociedade precisa ser informada a respeito da versão do Governo, a respeito dos fatos. Para além do Congresso, para além do Poder Legislação, que seja uma informação que dê a versão verdadeira dos fatos à sociedade diante, inclusive, daquele espírito, daquela demanda dos senhores de que a sociedade precisa se envolver no debate sobre essas questões e se posicionar a respeito delas. Obrigada. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – A Mesa acolhe o requerimento verbal do Deputado Chico Alencar e da Deputada Luiza Erundina e solicita aos representantes do Itamaraty que nos remeta, sem prejuízo, o requerimento formal, a ser apreciado pela Comissão na próxima sessão, de pedir informações sobre a resposta do Governo brasileiro. Alguém mais da Mesa quer se manifestar? O SR. FÁBIO BALESTRO FLORIANO – Eu. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Dr. Fábio Balestro. O SR. FÁBIO BALESTRO FLORIANO – Só para acrescentar. Eu gostaria de agradecer à Deputada Luiza Erundina a intervenção. Quanto ao grau de integração, quero frisar que nós trabalhamos juntos, lado a lado, nessa questão, tanto a Secretaria de Direitos Humanos quanto Itamaraty e outros órgãos sempre que necessário, visto que cada caso é um caso específico e vai envolver Ministérios específicos. Contamos também muitas vezes com a contribuição da AGU. Em relação ao nosso relacionamento com a sociedade civil, obviamente, há sempre muito espaço ainda para melhorá-lo, sem sombra de dúvida. Mas nós já mantemos, desde sempre, uma política de portas abertas em relação à sociedade civil. Tanto que a própria Ministra vem se reunindo regularmente com representantes da sociedade civil. Esteve no IBASE, no Rio de Janeiro, participou de uma reunião amplificada. A Camila também já se reuniu conosco na Secretaria de Direitos Humanos. Creio que o Itamaraty tem a mesma política de portas abertas, que permite interlocução. Outros dois instrumentos que me parecem possibilitar, grosso modo, o acesso da sociedade organizada a essas decisões, a esses documentos estão manifestados, por exemplo, na própria consulta pública que nós fazemos sobre os relatórios de tratados e, da mesma forma, através da participação da sociedade Fevereiro de 2012 civil nas nossas conferências nacionais, que são uma tecnologia social, por assim dizer, inovadora, implementada ao longo do governo do ex-Presidente Lula e que seguem acontecendo. Nós temos na Secretaria de Direitos Humanos, por exemplo, duas conferências nacionais previstas agora, para 2011. Por fim, em relação ainda ao caso de Belo Monte, só para ressaltar duas coisas: em nossa resposta houve inclusive a manifestação de que as medidas cautelares foram decretadas com base em situações sobre as quais não foram solicitadas informações ao Governo brasileiro. E pedia-se expressamente: “Suspendam-se as obras enquanto tais medidas não forem tomadas”. Na resposta, dissemos, entre outros, que pela primeira vez estávamos sendo perguntados sobre isso, mas que tais medidas já haviam sido tomadas. Ou seja, não houve sequer um conflito, uma rebeldia em relação à Comissão, senão o reconhecimento de que já fizemos o que vocês nos pediram. Portanto, não compreendemos necessário suspender as obras, como pedido. Pela primeira vez, o Governo brasileiro foi objeto desse pedido de informação; o anterior não abarcava os pontos que decretaram as medidas cautelares. Por fim, gostaria de ressaltar, em relação à contribuição voluntária, como muito bem frisou o Ministro, o Brasil contribuiu uma única vez com a comissão, com uma contribuição voluntária de 400 mil dólares, na época. Isso é só para deixar claro que, sem dúvida, elas são absolutamente extraordinárias. Repetidas vezes, tentamos, e não conseguimos, nos últimos anos, contribuir voluntariamente com o sistema. Por questões orçamentárias, isso não nos foi permitido. Obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Mais alguém da Mesa? (Pausa.) A Dra. Gilda. O SR. DEPUTADO CHICO ALENCAR – Deputado Domingos Dutra, para obedecer à ordem, se me permite, senão o tempo passa e a gente esquece, farei uma solicitação ao Dr. Fábio Balestro, não propriamente sobre o assunto da audiência, mas sobre algo que me preocupa sempre. Já conversei inclusive com o meu colega André Lázaro, conterrâneo. Entendo que a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência tem ficado absolutamente omissa quanto a ataques e deturpações de um membro desta Comissão, o Deputado Jair Bolsonaro, sobre o programa de combate à homofobia da própria Secretaria. Tenho em mão inclusive um texto, que ele distribuiu na reunião da Comissão de Direitos Humanos, na semana passada, em que mostra o programa. Tem a capa bem colorida. Secretaria de Direitos Humanos. E ele acrescenta a Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS uma série de iniciativas – todas corretas, no juízo da maioria dos membros desta Comissão – a interpretação dele sobre o que é bolsa para professores gays. E vai por aí, quer dizer, calúnia, difamação, inverdade. A Secretaria permanece totalmente silente, e isso é ruim para o próprio embate que travamos aqui. O SR. FÁBIO BALESTRO FLORIANO – Eu não estou a par dessa nota que o senhor mencionou. Se puder disponibilizar uma cópia, Deputado, vou levá-la ao conhecimento. E vou levar também a solicitação de que nos posicionemos a respeito, embora creia que nossa posição reste clara. Talvez queiramos justamente – essa é uma especulação minha, pessoal, e não uma resposta institucional – não dar ibope a esse sujeito, a essas declarações estapafúrdias que ele vem fazendo, dando-nos ao trabalho de valorizá-las, para que mais pessoas tenham conhecimento. Talvez. É uma hipótese minha. De qualquer forma, vou levá-la ao conhecimento. Eu realmente não sei o que tem havido. Ainda em relação a Belo Monte, quero dar um breve informe. A Ministra Maria do Rosário se reuniu com o consórcio do setor elétrico justamente para manifestar nossa preocupação em que violações de direitos humanos possam estar ocorrendo nas obras e, em acordo com ele, convocou o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana para que monitore Belo Monte, em princípio. A nossa ideia é criar uma força-tarefa que possa monitorar eventuais violações de direitos humanos que venham a ocorrer nessas obras, inclusive utilizando indicadores de direitos humanos específicos que estamos desenvolvendo na Secretaria, especialmente voltados para populações mais fragilizadas. Por exemplo, crianças e adolescentes, mulheres, pessoas como deficiência. Planejamos cobrir um sem-número de situações com esses indicadores e monitorá-las de perto, para que enfim tenhamos uma ferramenta institucional do Governo monitorando e acompanhando esses empreendimentos. Com certeza, nenhum de nós aqui presentes nesta sala quer ver violação de direitos humanos. Obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Obrigado, Dr. Fábio. Concedo a palavra à Dra. Gilda, para responder à Deputada Luiza Erundina. A SRA. GILDA PEREIRA DE CARVALHO – Gostaria apenas de acrescer um informe, Deputada, que muito nos honra com a sua presença do início até agora, sobre o Belo Monte. Eu queria dizer que, na condição de Procuradora Federal dos Direitos do Cidadão, entendo que há um vício de natureza quanto à questão Terça-feira 7 01087 de Belo Monte. A nossa Constituição expressamente diz que, quando for utilizada terra indígena, o Senado faça a oitiva dos povos indígenas afetados. Eu acho que há uma violação flagrante aos direitos dos povos indígenas. Todas essas tramitações que ocorrem atualmente são paliativas, são todas visando a dar um encaminhamento legal a algo que realmente tem um vício que é inconstitucional. E essa situação também está sob o discernimento do Supremo Tribunal Federal, que ainda não decidiu isso, pelo menos até a última vez que eu consultei. Então, acho que tudo ficaria sanado. Mas a essa altura me parece impossível ser sanado pelos meios judiciais, pois houve essa falta de o próprio Senado não ter ouvido os povos indígenas sobre a invasão de suas terras pela Usina de Belo Monte. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Obrigado. Dr. Carlos Eduardo. O SR. CARLOS EDUARDO DA CUNHA OLIVEIRA – Quantos minutos eu tenho, Deputado? Cinco minutos. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Isso aqui é bom porque a gente está olhando ali, transparente. (Risos.) O SR. CARLOS EDUARDO DA CUNHA OLIVEIRA – É, não tem desculpas. Enfim, 5 minutos é um tempo curto, mas eu não gostaria de deixar sem resposta um comentário que a Deputada Luiza Erundina fez e que merece, sim, um reparo elogioso, devo dizer, da minha parte. A Deputada Luiza Erundina aponta para o que parece ser um certo descolamento entre a atuação do Brasil, num plano internacional, no tratamento dessas questões e o cumprimento pelo Estado brasileiro desses compromissos, dessas obrigações. E aí eu faço a apologia do desconforto institucional. E devo dizer que muitas vezes o Ministério das Relações Exteriores o experimenta, porque se nós temos, sim, plena competência para representar o Estado no diálogo com esses mecanismos internacionais que elaboram instrumentos e mecanismos de proteção dos direitos humanos, nós, de outra parte, não temos mandato para implementar leis políticas ou aplicar medidas que correspondam ao cumprimento desses compromissos assumidos na esfera internacional. Para isso, e a senhora toca num ponto importantíssimo, é necessário que nós atuemos de maneira consertada com outros órgãos de Governo, os quais, estes sim, têm essa competência. E, por isso, nós nos valemos extensivamente da cooperação do diálogo com a Secretaria de Direitos Humanos, com a Secretaria de Políticas para as Mulheres, com o Ministério da Justiça, com a FUNAI, com a SEPIR e tantos outros órgãos. 01088 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Enfim, contamos, sim, com a colaboração desses órgãos. Há um esforço de nossa parte em fazer desse diálogo algo recorrente. Mas não há ainda a rigor um mecanismo plenamente institucionalizado para assegurar isso. De fato, esse é um ponto para o qual o Estado como tal, eu não falo aqui pelo Ministério das Relações Exteriores apenas, mas precisa atentar. Dizem que quem faz a pergunta certa já sabe metade da resposta. A senhora fez uma pergunta importante, Deputada. Mas eu queria mencionar um outro ponto também. Eu não me recordo agora quem foi que fez esse comentário, mas falou-se, em algum momento, da soberania, um caráter suplementar desses mecanismos internacionais de monitoramento, e isso remete a um ponto que a senhora menciona também. Em 2006, se não me falha a memória, o Brasil recebeu a visita de um Relator Especial das Nações Unidas contra a Tortura, Sir Nigel Rodley, que elaborou um informe sobre os resultados da sua visita. Eu posso estar me confundindo com a data, eu não me recordo exatamente o ano que a visita ocorreu, mas, na parte final, quando enumera as recomendações, cita algo como 20 recomendações, mas não deixa de colocar no caput dessas recomendações a observação de que a quase totalidade daquelas recomendações poderiam ser encontradas no Código Penal e na Lei de Execuções Penais do Brasil. Outro exemplo do que eu quero dizer. Falou-se de Belo Monte, e isso tem efeito sobre questões indígenas. Um caso que também trata de proteção dos povos indígenas e que mobilizou uma atenção muito grande da comunidade internacional sobretudo em 2008 foi a situação da terra indígena Raposa Serra do Sol. Por que faço esse reparo? Fala-se em soberania, e a soberania tem um atributo externo, mas também tem um atributo interno. O Estado é soberano no plano internacional porque exerce o monopólio da força sobre suas fronteiras, porque ele não submete a sua vontade, à vontade de nenhum outro ente soberano. Ele é capaz de garantir a sua integridade territorial. Esses são atributos da soberania no plano externo. Mas o Estado é também soberano no plano interno porque detém monopólio do uso legítimo da força. Ele é soberano porque ele formula e aplica o direito. Quais foram as solicitações apresentadas por membros de comunidades que habitam a terra indígena Raposa Serra do Sol à Comissão Interamericana? Que ela dirigisse ao Estado brasileiro uma exortação para que ele garantisse a vida e a integridade física dos membros daquelas comunidades, apurasse responsáveis por atos que tivessem atentado contra a Fevereiro de 2012 vida e a integridade física dos membros daquelas comunidades e aplicasse efetivamente o que dispõe a própria lei brasileira acerca da gestão de seu território. Nós tínhamos uma decisão que implicava a desintrusão da terra indígena Raposa Serra do Sol para ocupação de indígenas e que não havia sido aplicada em duas ocasiões por resistência de não indígenas que permaneciam na área. No fundo, o que se solicitava, então, à Comissão Interamericana? Que dirigisse ao Estado brasileiro um apelo para que o Estado cumprisse a sua lei, tão simples assim, e ao cumprir plenamente a sua lei exercesse integralmente a sua soberania. O ponto ao qual eu quero chegar é esse. No Brasil, a plena eficácia dos direitos humanos, o fortalecimento dos direitos humanos coincide no fundo com o fortalecimento do Estado de direito, coincide com a capacidade do Estado de garantir a lei e a ordem, simplesmente cumprindo o que dispõe a sua própria legislação. Muitas vezes as pessoas colocam esses dois pontos como disjuntivos. Ou bem aplica-se a lei, ou protege-se o direito humano. E isso vai em linha com o que a senhora mencionava: a percepção talvez entranhada e equivocada que se tem do tema. Mas não. Esses dois objetivos podem e devem caminhar juntos e é importante que isso seja manifestado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Obrigado, Dr. Carlos Eduardo. Vamos passar agora para os últimos 6 inscritos. O tempo de cada um será rigidamente de 3 minutos. A SRA. DEPUTADA LUIZA ERUNDINA – Sr. Presidente, permita-me um aparte bem rápido. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Pois não. Com a palavra a Deputada Luiza Erundina. A SRA. DEPUTADA LUIZA ERUNDINA – A partir da intervenção da Dra. Gilda dizendo do descumprimento da Constituição em relação aos direitos dos povos indígenas em Belo Monte, eu desconheço pelo menos a íntegra da posição da Corte Interamericana de Direitos Humanos sobre Belo Monte. O que se noticiou é que ela impõe e exige do Governo brasileiro medidas cautelares. Medidas cautelares não serão só em relação aos direitos trabalhistas, às condições de trabalho de quem está realizando a obra, implantando a obra? Não será precaução pelo impacto que a obra vai causar ambiental, social e culturalmente em relação aos povos indígenas, em relação ao interesse nacional do ponto de vista do impacto ambiental que vai causar ali? Quer dizer, não seriam medidas de precaução em relação ao impacto que vai vir e que já está tendo? A presença de trabalhadores em uma quantidade enorme no canteiro de obras que está sendo instalado, até mesmo antes do Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS investimento, já está causando impacto? Isso já está de uma certa forma ferindo os direitos humanos antecipadamente em relação ao que vai causar aquele investimento, aquele empreendimento e aquela obra naquela região? Será que a conotação dada, não sei porque não vi o documento, de medida cautelar é para evitar o pior que a obra vai causar aos povos indígenas e o impacto ambiental que a obra vai causar? Desculpe-me se me excedi, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Deputada Luiza Erundina, sua intervenção é sempre qualificada e útil para todos nós. Drª Gilda, quer fazer algum comentário? A SRA. GILDA PEREIRA DE CARVALHO – Deputada, por isso eu falei em paliativos, porque eu não conheço os termos da medida cautelar. Provavelmente, de acordo como o que a senhora elencou agora, essas medidas sejam protetivas em relação aos trabalhadores e aos habitantes daquela localidade. Mas, como eu estou numa Casa legislativa e conheço, desde o início, a atuação do Ministério Público em prol de assegurar os direitos dos indígenas, considerei-me à vontade para então trazer a lembrança de que essa questão de se construir ou não Belo Monte é uma notícia histórica. Ela se iniciou há muitos anos com um decreto que deveria ter sido emitido pelo Poder Legislativo e no qual havia necessidade, porque se tratava de terras indígenas, de uma oitiva dos povos que habitavam aquela região. O Senado Federal entendeu que essa oitiva poderia ser delegada para o órgão ambiental brasileiro, no caso o IBAMA, que diz que a fez. Então, essa oitiva está sendo questionada perante o Supremo Tribunal Federal porque é completamente inconstitucional, pois, ao se interpretar devidamente a Constituição, o próprio Parlamento é que teria de ouvir os indígenas. Essa seria uma atividade indelegável. Então, quando eu falo em essência e natureza, isso diz respeito a essa questão. Depois disso, muita coisa se passou, a usina já está sendo construída e existem trabalhadores. Há envolvimento de muitos outros direitos. Daí por que houve essa atuação. Provavelmente, esse assunto a que estou me reportando talvez não tenha sido levado em consideração por conta do estágio atual da obra. Mas eu trago um elemento histórico no sentido de acompanhar o sofrimento e as reivindicações dos povos indígenas. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Obrigado, Dra. Gilda. Gostaria de informar à Deputada Luiza Erundina e aos demais que hoje nós aprovamos o Requerimento nº 63 de minha autoria e do Deputado Jordy, que vai propiciar uma audiência pública sobre Belo Terça-feira 7 01089 Monte. Com certeza, nós vamos ter que trazer toda a documentação formal que levou o IBAMA a fazer as audiências e examinar se o Senado agiu bem. Além do mais, acho que esta Comissão vai ter a obrigação de acompanhar não só Belo Monte, mas todas as outras usinas hidrelétricas causadoras de danos ambientais e de violação a direitos humanos. O nosso receio aqui – eu falo também como Deputado do PT, do Governo – é de que deve haver um procedimento e, talvez, um órgão independente. Ainda bem que foi esclarecido que o Brasil não tomou nenhuma medida retaliatória contra a OEA por conta dessas recomendações, porque isso seria muito ruim para um governo popular e democrático. Eu estou pensando em também provocar a OEA sobre o CESTE, em Estreito, e fiquei com medo. Se eu retaliar uma organização internacional, eu vou ficar aqui só às tiras, como Deputado. Então, estou mais tranquilo no sentido de que é importante demandar, porque, na democracia, nesse conflito vai ter que existir uma mediação. Acho que o desafio desta Comissão é ter condições de ficar acompanhando esse processo de instalação de hidrelétricas, principalmente porque é danoso, pois o Estado, Deputada Erundina, transfere para grandes grupos econômicos competências que eu considero não poderiam ser delegadas, porque há uma montanha de dinheiro público com isenções tributárias fabulosas, para utilizar um bem comum da Nação, a água, para produzir energia vendida para nós a preços exorbitantes. São eles que desapropriam, cadastram. E o processo de coação sobre os ribeirinhos é muito violento. Portanto, é preciso que nós acompanhemos isso, porque eles estão violentando pessoas como pescadores. No caso de Estreito, quem está acima da barragem está passando fome porque foi interrompido o processo de reprodução do peixe. Os pescadores estão recebendo cesta básica, fornecida pelo Governo. E quem está abaixo tem pouco peixe, porque os peixes querem subir e morrem – cerca de 40 toneladas de peixes foram perdidas agora, há 30 dias. Há documentos que entreguei ao Ministro. Foi filmado. Ou seja, é uma violação muito grande. Portanto, acho que a Comissão de Direitos Humanos, juntamente com outros órgãos, tem que acompanhar esse processo de produção de energia que, para mim, não é limpa. Dizer que energia elétrica é limpa não é verdade, ela é uma energia suja. Muita gente está passando fome por conta dessa produção de energia. Passando para o plenário, concedo a palavra à Sra. Fernanda Brandão Lapa, que é do Comitê Brasileiro de Direitos Humanos e Política Externa, por 3 minutos. 01090 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS A SRA. FERNANDA BRANDÃO LAPA – Boa tarde a todas e todos. Cumprimento a Mesa. Na verdade, eu havia pedido uma intervenção um pouco antes, exatamente para pedir esclarecimentos e informação sobre Belo Monte, porque não haviam sido levantados. Mas vou aproveitar esses 3 minutos e, na verdade, reforçar um pouco essa questão do acesso à informação. Todos aqui estão comentando sobre o Estado Democrático, que, obviamente, não prescinde de participação população. Para ter participação popular, temos que ter acesso à informação e, para isso, a transparência parece-me algo importante. Desde que saiu na imprensa que nós estamos comentando aqui que não devemos confiar tanto porque as informações não são precisas, parece-me que levou muito tempo. E ainda não houve uma resposta a essa imprensa de que a notícia foi equivoca. Nós, sociedade civil, ficamos sem poder responder tanto aos nossos colegas aqui quanto aos de fora, que trabalham inclusive no sistema e que ficavam perguntando: “Nos‑ sa, mas isso foi uma retaliação? O que o Brasil está querendo com essa notícia?” Por mais que a não indicação de um representante brasileiro na Comissão Interamericana seja possível, não foi comum nos anos passados. Então, obviamente causou estranheza o fato de isso ter acontecido em seguida à cautelar, assim como todas as informações, que foram muito próximas à decisão da cautelar. O Fábio tinha colocado a questão de como tem avançado – eu não tenho dúvida disso – essa participação da sociedade civil, com as conferências nacionais, com a consulta pública à Revisão Periódica Universal. Eu fiquei muito feliz de saber que isso vai sair em breve porque, na primeira Revisão Periódica Universal – era algo que eu iria até perguntar –,nós tivemos acesso à consulta pública em pleno carnaval, com e‑ -mails para enviar. Nós entendemos que foi a primeira participação do Brasil, que foi complicada, mas esperamos, exatamente com aquela ideia de que temos de puxar e avançar juntos, que isso realmente mude. Então, fiquei muito feliz porque é para junho de 2012 e nós já estamos falando que vamos ter acesso a essa consulta. Isso nos dá tempo também de contribuirmos melhor para essa informação. Então, na verdade, era mais para reforçar um pouco essa questão da resposta. Sobre essa nota oficial solicitada pelo Deputado, acho que todos nós poderíamos ter acesso a ela porque, sem sombra de dúvida, nós também queremos dar uma resposta de que o Brasil não está deslegitimando a Comissão Interamericana. É mais uma questão de solicitar o acesso a essa informação. Obrigada. Fevereiro de 2012 O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Obrigado, Sra. Fernanda Lapa, que cumpriu rigorosamente os 3 minutos. Em seguida, o Sr. Pedro Vilardi Renata Reis, representante da Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS. O SR. PEDRO VILARDI RENATA REIS – Boa tarde a todas e todos. Obrigado, Sr. Presidente da Mesa. Eu gostaria de ressaltar dois pontos que não apareceram nem durante as exposições nem durante o debate, que me parecem de muita importância no cumprimento de compromissos brasileiros em direitos humanos. O primeiro é em relação ao tratado de livre comércio negociado entre a União Europeia e o MERCOSUL. Ainda não se tem acesso a um rascunho do texto, mas, por experiências, principalmente pelo fato de o tratado estar sendo negociado com a Índia, a União Europeia vem realmente com muita força em medidas que poderiam afetar seriamente o acesso a medicamentos no Brasil, bem como sobre outros temas. Eu gostaria também de perguntar, em relação à Assembleia Mundial da Saúde que ocorrerá em pouco tempo, o posicionamento brasileiro acerca dos debates sobre governança e o posicionamento brasileiro acerca do debate sobre contrafação, vistos os acontecimentos dos últimos 2 anos sobre apreensão de medicamentos em portos europeus, medicamentos genéricos que tinham como destino países em desenvolvimento. Sem dúvida, é um tema muito importante porque prejudica fortemente o acesso a medicamentos nos países em desenvolvimento. Muito obrigado, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Obrigado. Eu quero informar que a Dra. Gilda, em função da viagem ao Acre, conforme ela já relatou, está pedindo licença para se retirar. Boa viagem, Dra. Gilda, e nos mande também o resultado desses estudos sobre os haitianos na Região Norte. Obrigado. Em seguida, a Sra. (ininteligível) da Embaixada da Noruega. Está aqui? (Pausa.) Saiu. Com a palavra a Sra. Dida Figueiredo, representante do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas – IBASE. A SRA. DIDA FIGUEIREDO – Eu queria primeiramente ressaltar que aquilo que vou dizer é no intuito de preservar o nosso diálogo, que é importante. Como o Fábio disse, a Ministra tem tentado manter esse diálogo. O Cadu também ressaltou todo esse intuito de manter o diálogo entre a sociedade civil e o Governo. Eu acho que nossa audiência pública é uma prova disso, mas temos que ressaltar alguns pontos. Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Essa questão de que, muitas vezes, não temos notícia do que está sendo cumprido pelo Brasil na seara internacional é muito complicada. Em outubro do ano passado, nós pedimos informações do Brasil em relação ao ONU, sobre vários tratados que estavam sendo devidos, mas nunca tivemos essas informações oficialmente, nunca houve resposta. Na verdade, nem precisava ter sido pedido oficialmente, pois elas poderiam simplesmente estar sendo colocados no sítio do Internet do MRE e da Secretaria. Então, é muito importante que tenhamos acesso a essas informações. Isso tudo, na verdade, está interligado. Vejam um outro ponto que trouxemos aqui, a questão da nomeação para órgãos internacionais. Como essa nomeação é feita? Quais são os critérios verificados na hora de se indicar alguém para ser nomeado para um determinado comitê, para uma determinada comissão na seara internacional? Não estão colocados em nenhum local, de modo, digamos, público, os critérios que são utilizados. Pode ser – acredito no que vocês disseram – que a retirada da candidatura do ex-Ministro Paulo Vannuchi não seja uma retaliação. Tudo bem. Mas, mais uma vez, pareceu uma retaliação. Por que pareceu uma retaliação? O Brasil tem representantes na Comissão, tem representantes na Corte que, inclusive, honram sua função em defesa dos direitos humanos, que não é uma defesa do Estado brasileiro, mas uma defesa da pauta de direitos humanos? Tem. Mas uma coisa é não enviar uma candidatura, outra coisa é retirar uma candidatura. Então, acho que isso precisa ser dito e precisa estar claro. Os critérios para se enviar uma candidatura ou se retirar uma candidatura têm que estar claros para que essa comunicação, esse diálogo entre a sociedade civil e o Governo seja realmente profícuo para a defesa da pauta dos direitos humanos, de que estamos aqui para falar. Era só isso. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Obrigado, Sra. Dida. Com a palavra o Sr. Alexandre Ciconello, do Instituto de Estudos Socioeconômicos – INESC. O SR. ALEXANDRE CICONELLO – Boa tarde a todos e todas. Eu sou do Instituto de Estudos Socioeconômicos; sou da Coordenação da Plataforma Brasileira de Direitos Humanos, Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais – Plataforma DhESCA Brasil; e também faço parte das outras redes de direitos humanos aqui presentes. Eu queria dizer, embora várias pessoas estejam colocando o mesmo tema, que realmente causou uma grande perplexidade às organizações da sociedade ci- Terça-feira 7 01091 vil, não só brasileiras, mas latino-americanas, da forma como o Brasil se posicionou na questão da decisão da Comissão Interamericana. Uma primeira coisa é considerar o sistema – como foi falado pelo representante do Itamaraty, Sr. Albuquerque – como subsidiário. Nós também concordamos com isso quando não há, no sistema de proteção interno, condições de vermos aquele direito cumprido. Mas há aqui, como a própria Dra. Gilda falou, um descumprimento flagrante dos direitos indígenas, possivelmente até um descumprimento constitucional; há relatórios do IBAMA que dizem que a obra não é viável; há mais de 20 ações civis do Ministério Público do Pará contra a obra. Houve uma reunião do CBDPH há uma ou duas semanas, que é um Conselho subordinado à Secretaria de Direitos Humanos, e o Vice-Presidente daquele colegiado, que é o representante da OAB, constatou a ausência absoluta do Estado em Belo Monte e, ainda, falou que os representantes dos consórcios são totalmente depreparados e se arvoram de representantes do Estado brasileiro. Também outras denúncias foram identificadas pelo CBDPH na região com relação à violação dos direitos das crianças e adolescentes e exploração sexual. O Ouvidor do MDA, outro órgão público presente nessa mesma reunião, contou a história de um pequeno proprietário que teve a sua casa invadida por um representante do consórcio. A representante do Ministério Público no Conselho, que é do Conselho Nacional de Procuradores do Estado, afirma que o Governo não está fazendo a checagem do cumprimento das condicionantes. Há uma aberração quanto à liberação de uma licença prévia de instalação, que nem existia em nossa legislação, pois só poderia ser liberada uma licença de instalação da obra quando todas as condicionantes tivessem sido cumpridas, o que não ocorreu. Então, justifica-se plenamente essa posição. Mas a gente não consegue, devido aos interesses políticos e econômicos em torno dessa obra, uma posição firme do Governo. E a única opção da sociedade civil foi procurar a OEA. E consideramos mais grave a posição, principalmente, do Ministério das Relações Exteriores e da Secretaria de Direitos Humanos, dois órgãos do Governo que têm atribuição institucional de fortalecer o sistema, de cumprir acordos e recomendações. E o MRE, dizendo-se perplexo, referiu-se à decisão como precipitada e injustificável. Também o Secretário-Executivo da Secretaria de Direitos Humanos, André Lázaro, classificou a decisão da OEA como uma “burrice”. A Ministra Ma- 01092 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS ria do Rosário, há 3 semanas, nesta Casa, disse que não iria cumprir a referida decisão, por isso e aquilo. Quanto à candidatura do Ministro Vannuchi, pelas informações que temos, ele mesmo ficou surpreso com a retirada de seu nome como indicação pelo Governo brasileiro. Então, o que a gente vê é uma imaturidade desse novo Governo de lidar com qualquer decisão internacional desfavorável aos seus interesses e prioridades políticas. O Ministério das Minas e Energia fazer uma declaração como essa, assim como a Casa Civil... Mas a Secretaria de Direitos Humanos, durante o Governo anterior, do Ministro Vannuchi, sempre foi um pouco um fiel da balança, pois fazia um contraditório dentro do Governo com relação a todas essas questões que são contraditórias – e não existe uma única posição de Governo. Houve uma unificação no sentido de entender essa posição como extremamente complicada, pois minimiza e enfraquece o sistema interamericano de proteção aos direitos humanos, que é um organismo fundamental, privilegiado, não só para o Brasil, mas para outros países da região para a proteção dos direitos humanos. Portanto, não se trata de um questionamento, pois os argumentos já foram colocados. É grave o Itamaraty não desmentir essa matéria publicada pela Folha de S. Paulo cabalmente. O Itamaraty não fez isso, e achamos que há um porquê dele não ter feito isso. A gente tem informações de Washington que os próprios comissionados estão se sentindo pressionados pelo Governo brasileiro. Quanto ao corte de recursos, eu recebi essa informação há duas semanas das fontes de Washington, no sentido de que o Governo brasileiro ameaçava cortar recursos, antes ainda da publicação da referida matéria pela Folha. Então, deve-se estabelecer boas relações no início de um novo Governo, principalmente com esses dois órgãos, que sempre foram parceiros da sociedade civil no campo dos direitos humanos. Mesmo não concordando politicamente com a decisão, não devem responder dessa forma, pois enfraquece um sistema que, para nós, é muito caro. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Obrigado. O último inscrito é o Sr. Darci Frigo, da Terra de Direitos. O SR. DARCI FRIGO – Sou da Coordenação Colegiada da Plataforma DhESCA Brasil. Fevereiro de 2012 Eu queria agradecer a oportunidade e reforçar o que foi colocado pela Camila Asano, no sentido de que o Governo brasileiro deveria dar segmento no processo de reconhecimento e implementação do Protocolo Facultativo ao PIDESC. Acho que a sociedade civil já se manifestou sobre essa matéria por várias vezes e seria importante entrar em pauta como uma nova possibilidade, que se insere dentro de outras possibilidades já colocadas aqui, pois o sistema internacional, de forma complementar, permite à sociedade brasileira buscar reparação ou proteção aos direitos humanos. Temos uma preocupação também com as nomeações feitas para cargos no âmbito da ONU, a exemplo da relatoria especial para a independência política de advogados e juízes, que, segundo consta, tratava-se de uma juíza mais ligada ao Ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. Fizemos uma denúncia sobre o caso de Belo Monte, no momento em houve pressão sobre o Judiciário local, quando o juiz estava para decidir, ou já havia decidido e concedido liminares. Além da presença da ABIN, fazendo pressão, houve também ameaças da Advocacia-Geral da União, pois diziam que iriam processar os procuradores. Portanto, havia uma série de pressões sobre o Magistrado local, que deu decisões importantes. E essa Relatora sequer respondeu essas manifestações. Na denúncia que oferecemos, explicitamente citamos os ataques feitos pelo próprio Ministro Gilmar Mendes ao Ministério Público local, acusando-o de ser um braço das ONGs, da sociedade civil e das organizações ambientalistas. O Ministro, na condição de Presidente da Corte Suprema, inclusive estava fazendo coro à violação dessas prerrogativas. No entanto, há uma representação no âmbito da ONU que sequer responde a essas questões. E há um problema. O Presidente do Tribunal Regional Federal, ao receber as liminares dadas nas 11 ações de autoria do Ministério Público Federal e da sociedade civil apresentadas no âmbito da Justiça local, cassou todas. E havia denúncias, sim. E há problemas em relação ao projeto de construção da hidrelétrica de Belo Monte. Mas o Presidente do Tribunal Regional Federal tem o poder especial de cassar as liminares. E, quando a Turma que analisará o mérito das referidas ações for realmente tomar uma posição, a barragem já estará em construção. Então, esse mecanismo que dá poderes a um Presidente de Tribunal Regional Federal, o mesmo que negocia o orçamento da Justiça Federal com o Poder Executivo, é um mecanismo que não garante a Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS independência do Poder Judiciário em relação a demandas como essas, que colocam sérias questões de violação a direitos humanos. Então, em relação a Belo Monte, há vários problemas. E realmente é surpreendente a posição do Governo brasileiro. Eu diria que é legítimo que o Governo brasileiro responda à OEA – isso é legítimo, o Governo brasileiro pode responder –, mas o Governo brasileiro, por seus diversos órgãos, inclusive a Secretaria de Direitos Humanos, não querer reconhecer que há violação de direitos humanos no âmbito local, isso é mais grave. Isso é mais grave. O Governo poderia ter respondido à OEA no sentido de que aquela entidade poderia tê-lo ouvido. Tudo bem. É legítimo que o Governo assim o faça. Já se disse e sei que tem gente do Governo que reconhece que em Rondônia o Governo local não manda naquele empreendimento, pois quem manda naquele Estado hoje é o consórcio. E quem vai mandar na região de Altamira? É o consórcio. Então, há problemas graves de violações de direitos humanos, as quais deveriam ser tratadas de forma muito mais séria e equilibrada. Esperamos que o Governo brasileiro, além de responder à OEA, cumpra com os princípios constitucionais no âmbito interno, para garantir a dignidade às pessoas que estão sendo atingidas e, depois, para os trabalhadores que venham eventualmente trabalhar na obra – embora tenhamos esperança de que sejam respeitados os direitos humanos e, portanto, haverá problemas em relação à continuidade da construção daquela usina. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Obrigado, Sr. Frigo. Vamos passar a palavra aos componentes da Mesa, não só para responderem os questionamentos, mas para fazerem as considerações finais. Eu me permito, se houver concordância, inverter a ordem, para começar com o Dr. Carlos Eduardo e terminar com o Dr. Fábio Balestro. O tempo é de 5 minutos para cada. O SR. CARLOS EDUARDO DA CUNHA OLIVEIRA – Eu começaria por tocar em um ponto mencionado por vários participantes e que diz respeito à adoção de critérios ou mecanismos mais objetivos para a seleção e apresentação de candidatos brasileiros a vagas em órgãos internacionais ou mecanismos internacionais na área de direitos humanos. Eu gostaria de tomar como exemplo o comentário feito pelo representante da Terra de Direitos, Darci Frigo, apenas para esclarecer um ponto, pois é importante que tenhamos presente essa distinção. Quando o Brasil apresenta uma candidatura a um ór- Terça-feira 7 01093 gão internacional de monitoramento, com ênfase na palavra órgão, é apresentado pelo Estado brasileiro, em nome do Estado brasileiro, ainda que, no exercício de suas funções, ele deva necessariamente atuar de maneira independente. E nós já tivemos exemplos de vários candidatos brasileiros que foram eleitos nesses órgãos internacionais, tiveram uma candidatura exitosa e cumpriram, com grande isenção e com grande senso de responsabilidade e independência, suas atividades, vide o exemplo inequívoco de Antônio Augusto Cançado Trindade, Paulo Sérgio Pinheiro e Hélio Bicudo. Enfim, todos nomes que engrandeceram a indicação e o empenho que o Estado brasileiro dedicou em favor das suas candidaturas. Em relação aos procedimentos especiais, essa candidatura não depende do Estado. O procedimento é distinto. Basta que cada candidato individualmente até, se ele assim desejar, inscreva seu nome numa lista de peritos, que é avaliada por um mecanismo composto por um representante de cada grupo regional do Conselho de Direitos Humanos, os quais elaboram uma lista tríplice. Essa lista tríplice é elevada à atenção do Presidente do Conselho de Direitos Humanos, que fará consultas com organizações não governamentais e com os demais membros do Conselho, que extrairá a partir daí uma decisão. Nós temos o exemplo de uma relatora brasileira, relatora sobre o direito à moradia adequada, Raquel Rolnik, que foi eleita também de uma maneira independente, conforme esse procedimento. No pleno exercício do mandato que lhe foi investido para que ela atue como uma perita independente no tratamento dessas questões, dirige inclusive críticas e cobranças ao Brasil no âmbito internacional. É importante fazer essa distinção para entender em que medida a palavra do Estado ou a atuação do Estado pode ou não ter alguma implicação sobre a escolha de um representante internacional, seja por um órgão de tratado, seja para um procedimento especial das Nações Unidas. A Camila comentava que havia conversado conosco no Ministério das Relações Exteriores sobre esse assunto. E eu não resisto, sempre que eu recebo a visita de algum representante de algum outro país que submete a candidatura de um nacional seu, a perguntar quais critérios formaram aquela escolha. Até hoje eu não tive uma resposta. Ou seja, em outros países esse processo também, assim como no caso brasileiro, se dá em base discricionária. Espera-se que o Estado, no momento de apresentar um candidato seu, faça uma boa escolha, porque, do contrário, não sendo essa uma boa escolha, 01094 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS isso poderá ter alguma repercussão negativa sobre a imagem do próprio Estado. É legitimidade do Estado apresentar uma candidatura que se vê questionada. Não terá sido esse, em absoluta razão, o motivo pelo qual a candidatura do ex-Ministro Paulo Vannuchi foi retirada. Ele é um homem de enormes credenciais, que poderia perfeitamente ocupar essa função, mas entendeu-se que seria oportuno, nas condições atuais – nós temos um quadro enorme de candidaturas que são tratadas em fóruns internacionais –, retirar essa candidatura, o que não significa que o Brasil não possa futuramente voltar a submeter nomes seja à Comissão Interamericana, seja à própria Corte Interamericana de Direitos Humanos, que elegerá novos membros em 2012, por exemplo. Enfim, disso não decorre a desnecessidade de pensarmos, sim, em formas mais objetivas e transparentes de efetuar esse processo de seleção e indicação de candidatos, porque isso é um fato. Quanto mais transparente for esse processo, quanto mais um candidato apresentado pelo Estado contar com o respaldo e apoio de organizações da sociedade civil, maiores serão as chances de que essa seja uma candidatura exitosa. Então, nem que seja por uma preocupação de ordem utilitária, é importante que nós pensemos em formas de dar um tratamento mais objetivo a esse processo. Uma pergunta que foi feita por vários participantes diz respeito ao monitoramento da implementação das recomendações dirigidas ao Brasil, após a nossa avaliação pelo Mecanismo de Revisão Periódica Universal. E aqui eu já me permito fazer um gancho: é um trabalho que está sendo conduzido pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Essas recomendações são 15, no total. Neste exato momento, a Secretaria dos Direitos Humanos está em diálogo com várias outras entidades do Governo Federal e em diálogo também com organizações da sociedade civil, engajada que está na elaboração do Plano Nacional de Direitos Humanos, que dará seguimento às ações, às mais de 500 ações previstas no Programa Nacional, vinculando, enfim, a implementação dessas ações a uma ordem de prioridade, a prazos e recursos que serão designados para esse fim. Qualquer um que queira fazer uma comparação entre as 15 recomendações dirigidas ao Brasil no âmbito do RPU e as mais de 500 ações previstas no Programa Nacional de Direitos Humanos, fatalmente verá que o Programa abarca, e muito, as 15 medidas previstas no Mecanismo de Revisão Periódica Universal. Qual é o meu ponto? Nós deveríamos pensar, e bem, em formas de fazer com que essas recomendações emanadas dos órgãos internacionais de monito- Fevereiro de 2012 ramento sejam plenamente integradas, incorporadas a iniciativas empreendidas pelo Plano Nacional, como é este Plano Nacional de Direitos Humanos; ou isso é uma disjuntiva, pensar em mecanismos autônomos para zelar pelo seguimento e cumprimento de suas obrigações. Isso não significa que nós precisamos ter, necessariamente, os dois ao mesmo tempo. Mas é importante que, de alguma forma, essas recomendações que nos são dirigidas não só no marco do RPU, mas pelos Comitês de Tratados, Comitês de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, Comitês de Direitos Humanos, Comitês contra a Tortura, sejam, de alguma maneira, apropriadas quando da elaboração de programas e planos que digam respeito à temática dos direitos humanos no plano interno. É isso. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Obrigado, Dr. Carlos Eduardo. Concedo a palavra à Dra. Camila Asano. A SRA. CAMILA ASANO – Bem, sem tomar muito tempo, até porque é importante ouvir a resposta dos representantes do Governo, primeiro, expresso minha satisfação de ver que vários dos temas colocados inicialmente foram respondidos, o que já resolve alguns casos; outros vão ficar ainda para uma agenda futura, como o Carlos Eduardo mencionou. O Comitê continua com uma agenda de trabalho junto à Secretaria de Direitos Humanos, ao Ministério de Relações Exteriores, e também à Secretaria-Geral da Presidência. E a ideia é compartilhar isso com as demais organizações de direitos humanos e redes também. Então, a ideia é continuar essa articulação também dentro do movimento de direitos humanos, ao lado da sociedade civil. Sobre o tema específico das candidaturas e de como se dá o processo, sem dúvida há essa distinção entre casos em que apenas os Estados podem apresentar candidaturas, como é o caso dos Comitês de Monitoramento de Tratados da ONU, e casos em que os candidatos podem apresentar sua própria candidatura, ou organizações da sociedade civil podem apresentá-las. (Intervenção fora do microfone. Inaudível) A SRA. CAMILA ASANO – Exatamente. Inclusive, as ONGs podem apresentar candidatos, como é o caso dos procedimentos especiais, ou as relatorias especiais da ONU. Mesmo quando essas candidaturas não são apresentadas pelos Governos, algumas delas contam com o apoio oficial dos Governos. Elas, inclusive, pedem esse apoio. Então, é saber, se já houve... Eu não tenho esse dado aqui, mas, se já houve, qual foi o critério usado? Eu já sei que não há uma definição de critérios, Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS mas vejo a importância desta possibilidade, a de um governo apoiar oficialmente uma candidatura que não por ele introduzida. É essa a questão. E eu já adianto que o Comitê Brasileiro de Política Externa estará amanhã em planejamento, em atividade, e a gente se compromete – e falo em nome do Comitê porque eu já articulei com os colegas que fazem parte dele – de apresentar uma proposta, no sentido de realmente tornar esse processo mais transparente. Inclusive, porque existe uma boa prática que foi, como o Carlos Eduardo mencionou, a criação de um novo processo de seleção dos relatores especiais da ONU. Antes, a própria ONU era extremamente pouco transparente, não tinha nenhum critério na escolha de quais seriam os relatores especiais. E, no contexto da transformação da Comissão de Direitos Humanos para o Conselho de Direitos Humanos, em 2006, houve um... É até pouco mencionado, mas é um grande ganho para a sociedade civil que esse processo se tornou transparente e inclusivo, porque a sociedade civil pode indicar candidatos. Então, olhando para as experiências exitosas – e essa é uma boa experiência para se usar –, vamos trabalhar numa proposta que em breve também será encaminhada para discussão junto com o Governo. Obrigada. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Obrigado, Dra. Camila. Concedo a palavra ao Dr. Fábio Balestro. O SR. FÁBIO BALESTRO FLORIANO – Eu gostaria, antes das considerações finais, de fazer um rápido esclarecimento. Antes de mais nada, que bom que teremos aqui uma audiência pública sobre Belo Monte! Porque Belo Monte sozinha, com certeza, dá tema para uma audiência pública. Diante disso, eu queria só esclarecer uma colocação feita pelo nosso colega de que o CDDPH é subordinado à Secretaria de Direitos Humanos. Não é assim. Aliás, nenhum dos conselhos que estão localizados, por questões administrativas, na Secretaria de Direitos Humanos, é a ela subordinada. Inclusive, três deles gerem fundos próprios autonomamente. O nosso trabalho é justamente de composição de trabalho conjunto em direção a um horizonte, que nos é único, de respeito e de avanço nas questões de direitos humanos. O CDDPH – Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana é o mais antigo conselho do País. Ele foi fundado em 15 de março de 1964, duas semanas antes do golpe militar que derrubou o Presidente João Goulart. E ele foi importante baluarte na resistência à ditadura, com um significativo grau de independência. Terça-feira 7 01095 Não é à toa que uma parte das violações aqui trazidas ao conhecimento do Plenário foi colhida e divulgada por integrantes do CDDPH em uma missão à Terra do Meio, em que se acabou tratando da questão de Belo Monte. Daí vem a preocupação da Ministra. Eu queria também só esclarecer que a Secretaria de Direitos Humanos em momento algum está dizendo que não há violação de direitos humanos em Belo Monte. O que ela dizendo é justamente isto: “Olha, estamos recebendo denúncias e queremos investigar”. Tivemos uma conversa com o pessoal do setor elétrico, o pessoal da ELETROBRAS, ELETRONORTE. E juntamente com eles acordamos que, então, nós enviaremos o CDDPH, enquanto órgão independente, para que ele possa, através das suas forças-tarefa organizadas, que contam inclusive com representantes da sociedade civil, monitorar a situação de direitos humanos, inicialmente em Belo Monte. A ideia é expandir isso para outros empreendimentos também, porque essa é uma situação que nos preocupa e nós não queremos simplesmente varrer para baixo do tapete uma denúncia de direitos humanos. Isso não seria compatível nem com a história da Ministra Maria do Rosário nem com a história da Presidenta Dilma. Na verdade, nós queremos justamente resolver; e, por isso, nós temos que monitorar e saber, de fato, o que está acontecendo. Nesse sentido, então, nós propusemos ao CDDPH que formasse essa comissão de acompanhamento, essa força-tarefa – e ele aceitou essa incumbência. Esse é o relacionamento que nós temos com todos os nossos conselhos. Nós fazemos propostas, levamos coisas ao conhecimento deles, para que eles, então, enquanto conselheiros, deliberem e decidam qual o encaminhamento a tomar. Para finalizar, eu gostaria de agradecer imensamente a presença de todos e de todas aqui. Esses debates são fundamentais, inclusive em relação ao próprio princípio da transparência. Acho que foi colocado por diversas pessoas aqui, quando se falava sobre acesso a informação, que isto é necessário. É um avanço que nós estamos tentando obter. Temos hoje um setor, na Secretaria dos Direitos Humanos, que está justamente encarregado de estruturar e de cuidar dessa área, não apenas no âmbito nacional, mas também em âmbito regional. Nós estamos colaborando no âmbito do MERCOSUL, com altas autoridades, para dar a público as decisões desse fórum, que hoje são extremamente de difícil acesso. Isso, com certeza, também está no nosso horizonte. 01096 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Eu gostaria de reiterar, em nome da Ministra Maria do Rosário e da Presidenta Dilma, o compromisso que ambas têm com os direitos humanos. Quero cumprimentá-las também por terem elevado esta matéria Direitos Humanos a um patamar de primeira grandeza na política nacional. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Obrigado, Dr. Fábio. Quero registrar a presença do Deputado Eudes Xavier, pelo PT do Ceará, grande articulador da economia solidária no Congresso Nacional . Seja bem-vindo! Passo a palavra ao Dr. Silvio José Albuquerque e Silva, para as respostas e as considerações finais. Se V.Sa. puder, faça algum comentário sobre o caso de Alcântara, se for do seu conhecimento, que também está na Comissão Panamericana. O caso envolve um conflito entre as comunidades quilombolas e a Base Espacial de Alcântara. O SR. SILVIO JOSÉ ALBUQUERQUE E SILVA – Deputado, em primeiro lugar, gostaria de agradecer por participar de um evento desta relevância, que é mais uma oportunidade de diálogo entre o Governo brasileiro, o Itamaraty, a Secretaria de Direitos Humanos, a sociedade civil e o Parlamento brasileiro. Acho que isso fertiliza as reflexões de todos os membros do Governo, do Parlamento e da sociedade civil sobre temas relevantes da política externa. O Itamaraty não formula política externa a portas fechadas, entre quatro paredes. O alimento que vem desta Casa, especialmente desta Comissão, que é da maior relevância para legitimar nossa ação externa. Então, em nome do Ministro Patriota, eu agradeço o convite, e estarei à disposição dos senhores para, em outras oportunidades, comparecer a esta Casa a fim de prestar esclarecimentos . Fico muito feliz com a pergunta formulada pelo Pedro Vilardi, porque há uma tendência forte, por parte da sociedade civil também, de privilegiar direitos civis e políticos em detrimento de direitos econômicos e sociais. Eu atuo muito em fóruns multilaterais que lidam com direitos econômicos e sociais. Atuo muito na OMS. Então sua pergunta é muito bem-vinda e estimula muito a participação da sociedade civil brasileira no diálogo com o Itamaraty, quanto à formulação de políticas nesse campo. Acesso a medicamentos. Segundo a OMS, 30% da população mundial não têm acesso a medicamentos essenciais. O direito à saúde é que está no cerne dessa discussão. Segundo a Declaração Universal de Direitos Humanos, como vocês sabem, o direito à saúde é um direito humano fundamental. Mas quando a Declaração Fevereiro de 2012 se desdobrou em duas convenções, em dois pactos obrigatórios aos Estados, o primeiro deles lidou com temas civis e políticos, e tem uma ratificação universal bastante grande; agora, com relação aos direitos econômicos e sociais, especialmente o direito à saúde, os países desenvolvidos tendem a não reconhecer o direito à saúde como direito humano fundamental. Começa aí o problema. Na OMS, a briga diplomática que lá se trava é ideológica – e eu diria que por uma questão de interpretação. Para os Estados Unidos e para a União Europeia, o direito à saúde não é um direito humano fundamental; para o Brasil, sim, é. E o que se percebe é que a OMS sofre dupla pressão. Uma delas, na discussão desse tema, da grande indústria farmacêutica; a outra, dos países desenvolvidos. Há uma tendência forte dos países desenvolvidos de apoiar as reivindicações da indústria farmacêutica, que ao longo dos últimos anos perdeu tremendamente os lucros proporcionados pelos medicamentos inovadores descobertos décadas atrás. Esgotaram-se as patentes; ou esgotam-se progressivamente as patentes. Então o que elas têm feito ultimamente são as chamadas “me-too drugs”, aqueles medicamentos que não têm na sua composição alteração inovadora que permita o patenteamento como um novo medicamento; e com isso há um ataque frontal, dentro da OMS, aos medicamentos genéricos. Mais especialmente, os países desenvolvidos buscam a confundir, propositalmente, o conceito de medicamento falsificado; o medicamento de marca diante do medicamento que não seja de marca. Ou seja, ignora-se o fato de que o medicamento genérico, que barateia tremendamente o preço do medicamento, é de igual qualidade e com o mesmo conteúdo que os de marca. E a confusão também se dá entre medicamentos falsificados e medicamentos contrafeitos, buscando-se confundir composição do medicamento com violação dos direitos de PI – propriedade intelectual. Ou seja, o que os países desenvolvidos de fato querem é reforçar na OMS uma agenda de fortalecimento de direitos de propriedade intelectual, que eles defendem em outros foros, e ignorar, por exemplo, avanços conceituais extraordinários, como o proporcionado pela Declaração de Doha, de 2001, sobre saúde pública e propriedade intelectual – que tem o Brasil com um dos seus principais propósitos, e que deixa claro que, em caso de conflito entre saúde pública e comércio, prevalecem os interesses de saúde pública. Como também buscam ignorar solenemente o grande avanço também conquistado com o protagonismo da diplomacia brasileira, que foi a aprovação da Estratégia Global de Saúde Pública, Inovação e Propriedade Intelectual, em 2008, na OMS. Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Simplesmente, essa Estratégia Global, que foi aprovada na Organização, não tem sido implementada porque não há o desejo da Organização Mundial da Saúde – pressionada que está pelos países desenvolvidos e pela grande indústria farmacêutica – de implementar uma estratégia global que busque trazer inovação na pesquisa em doenças negligenciadas, que são as doenças dos países pobres, como malária, esquistossomose, doenças típicas desses países. Então não há interesse da indústria farmacêutica em investir em doenças que não vão trazer para ela lucros, como os grandes blockbusters, os grandes medicamentos – e diversos tiveram a patente recentemente expirada. Mas não vou mencionar nenhum, especificamente. Então, é uma briga ideológica que se trava na OMS. Há um GT, um grupo de trabalho, sobre falsificação de medicamentos, do qual o Brasil participa, que é extremamente polarizado. Mas eu posso lhe assegurar que as posições do Brasil militam na defesa do acesso da população aos medicamentos. O Brasil se pauta no fato de que o direito à saúde é um direito universal. No Conselho de Direitos Humanos logramos aprovar, recentemente, uma resolução que considera também o acesso aos medicamentos como parte do direito universal à saúde, como direito humano fundamental. E aqui lanço um apelo para as ONGs: é fundamental que na próxima Assembleia Mundial da Saúde, que se realizará nos próximos dias, em maio ainda, em Genebra, Suíça, haja a presença de ONGs brasileiras – e raramente eu as vejo lá – na defesa dessa plataforma. Porque eu posso assegurar que o lobby da indústria farmacêutica, nesse tema, é opressivo – opressivo –, e condiciona o que o senhor chamou de governança do sistema. Um dos grandes problemas da governança da OMS hoje é a influência excessiva da grande indústria sobre as determinações do Secretariado. E um exemplo flagrante disso é a iniciativa Impacts. O Impact é uma força-tarefa que foi formada de maneira ilegítima, ilegal, sem o apoio dos Estados membros e que busca fazer com que a OMS tenha papel de polícia na repressão a medicamentos falsificados, o que definitivamente não é o papel da OMS. Então, posso lhe assegurar que o Brasil está atento. Eu não tenho conhecimento do TLC União Europeia/América do Sul, no que diz respeito a esse tema, mas eu posso assegurar que, se esse tema surgir no TCL, nós, no Itamaraty, na Divisão de Temas sociais, estaremos atentos para que não haja nenhuma violação a princípios consagrados na nossa defesa dos interesses brasileiros. Uma última palavra, Deputado, em relação ao Sistema Interamericano – e é uma pena que os representantes de Embaixadas de países desenvolvidos já tenham deixado já esta sala pelo adiantado da hora: o Sistema Terça-feira 7 01097 Interamericano é um exemplo clássico de que, tanto no foro global como no Sistema Interamericano (o que eu vou dizer é verdadeiro), os países latino-americanos, o chamado GRULA, que são os países latino-americanos e caribenhos, mais especialmente os latino‑americanos, são os grandes responsáveis pela defesa de causas que são causas nobres no campo dos direitos humanos. Dos 35 Estados membros da OEA, somente 25 ratificaram a Convenção. Estados Unidos e Canadá não a ratificaram. Vários caribenhos não a ratificaram. E, dos 25, só 22 reconhecem a jurisdição contenciosa da Corte. O Sistema Interamericano de Direitos Humanos é um patrimônio dos países latino-americanos, é um patrimônio do Brasil. Então, seria como dar um tiro no próprio pé o Brasil atentar contra o Sistema Interamericano, enquanto nós somos o que garante esse sistema. Não interessa nem aos Estados Unidos nem ao Canadá que esse sistema prospere, porque eles ignoram as Convenções Americanas sobre Direitos Humanos; eles não as ratificam, não as assinam e se dão ao luxo de criticar a não assinatura, a não ratificação delas por países da América Latina em seus relatórios, ilegítimos e unilaterais, que publicam anualmente. O Sistema Interamericano de Direitos Humanos é um patrimônio do Brasil. Assim o Itamaraty o enxerga. Obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Domingos Dutra) – Eu quero, em nome da Presidenta Manuela d’Ávila, que não pôde estar presente, e de toda a Comissão de Direitos Humanos, agradecer à Mesa, ao Ministro Silvio José Albuquerque, à Sra. Camila Asano, à Dra Gilda Pereira de Carvalho, ao Dr. Fábio Balestro e ao Dr. Carlos Eduardo da Cunha pela qualidade das exposições, pela contribuição nesse tema tão emergente para nós todos. Agradeço à Deputada Luiza Erundina, ao Deputado Chico Alencar, que ficaram até este momento. Agradeço à imprensa, às entidades presentes, aos assessores e também àqueles que nos acompanham pela Internet. Está encerrada a sessão. Boa noite a todos e a todas. (Palmas.) COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS E MINORIAS 54ª Legislatura – 1ª Sessão Legislativa Ordinária Ata da 12ª Reunião Audiência Pública realizada em 11 de maio de 2011 Às quatorze horas e trinta e três minutos do dia onze de maio de dois mil e onze, reuniu-se a Comissão de Direitos Humanos e Minorias, no Anexo II, Plenário 09 da Câmara dos Deputados, com a presença dos Senhores Deputados Manuela D’ávila – Presidente; 01098 Terça-feira 7 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Arnaldo Jordy e Liliam Sá – Vice-Presidentes; Edson Santos, Geraldo Thadeu, Manato e Ricardo Quirino – Titulares; Flávia Morais, Íris de Araújo, Keiko Ota, Luiz Couto, Márcio Marinho e Marcon – Suplentes. Deixaram de comparecer os Deputados Chico Alencar, Domingos Dutra, Erika Kokay, Janete Rocha Pietá e Walter Tosta. ABERTURA: a senhora Presidente declarou abertos os trabalhos. ORDEM DO DIA: Reunião de Audiência Pública. TEMA: Anemia falciforme e sua incidência em todo o território nacional. EXPOSITORES: Sra. Silma Maria Alves de Melo – Consultora da Política Nacional da Doença Falciforme do Ministério da Saúde; Sra, Maria Elizabeth Correia Santos – Fisioterapeuta e Diretora Administrativa da Associação Brasiliense de Pessoas com Doença Falciforme no DF; Sra. Ilka Maria do Carmo – Representante do Grupo de Trabalho sobre a anemia falciforme no Rio de Janeiro; Sr. Altair Lira – Presidente da Associação Baiana de Portadores de Doença Falciforme. Dando início ao debate, os expositores fizeram uso da palavra. Ao término das explanações dos expositores, fizeram uso da palavra, por ordem de inscrição, os Deputados Edson Santos, Márcio Marinho, Keiko Ota, o senhor Elvis Magalhães – Presidente da Associação Brasiliense de Pessoas com Doença Falciforme – Abradfal, e a Dra. Margareth. A seguir os expositores apresentaram suas considerações finais. Nada mais havendo a tratar, a presente reunião foi encerrada às dezesseis horas e quarenta e oito minutos. O inteiro teor foi gravado, passando o arquivo de áudio a integrar o acervo documental desta reunião para degravação mediante solicitação escrita. E, para constar, eu, Márcio Marques de Araújo, lavrei a presente Ata, que por ter sido lida e aprovada, será assinada pela Presidente, Deputada Manuela D’ávila, e publicada no Diário da Câmara dos Deputados. A SRA. PRESIDENTA (Deputada Manuela D’ávila) – Declaro abertos os trabalhos da presente audiência pública, que tem como finalidade debater a anemia falciforme e sua incidência em todo o território nacional. Esta audiência é fruto do requerimento de autoria dos Deputados Ricardo Quirino e Márcio Marinho. Convido o Sr. Deputado Ricardo Quirino para compor a Mesa dos trabalhos e presidir esta audiência pública. A anemia falciforme é uma doença genética de maior incidência no Brasil, principalmente, embora não exclusivamente, entre a população de origem negra, sendo passível de controle se houver diagnóstico precoce e tratamento apropriado. Do ponto de vista dos direitos humanos, esse é um tema relevante, pois se trata de um problema de saúde que acomete em maior escala um segmento Fevereiro de 2012 racial. Dessa forma, é necessário que haja um foco específico por parte dos serviços de saúde para enfrentar essa doença. O tratamento dirigido, não unicamente, mas especialmente a um grupo diferenciado da população é capaz de levar à igualdade com os demais segmentos atingidos em proporções menores por essa enfermidade. Passo a compor a Mesa, convidando os seguintes expositores, a quem agradeço o atendimento ao convite da nossa Comissão de Direitos Humanos e Minorias, dando-lhes as boas vindas: Sr. Altair Lira, Presidente da Associação Baiana de Portadores de Doença Falciforme; Sra. Ilka Maria do Carmo, representante do Grupo de Trabalho sobre a Anemia Falciforme no Rio de Janeiro; Sra. Maria Elizabeth Correia Santos, fisioterapeuta e Diretora Administrativa da Associação Brasiliense de Pessoas com Doença Falciforme no Distrito Federal; Sra. Silma Maria Alves de Melo, consultora da Política Nacional da Doença Falciforme do Ministério da Saúde. Esclareço aos convidados que esta audiência acontece num ambiente bastante movimentado – para não dizer tumultuado – na Câmara. Nós temos dois eventos que movimentam muito a Câmara. O primeiro é a ocorrência de intensas negociações, que os senhores devem estar acompanhando pela imprensa, em torno do relatório do Código Florestal. Isso faz com que os Parlamentares que normalmente às quartas-feiras à tarde estão conosco na Comissão também estejam envolvidos nas negociações do Código. O segundo é o grande fluxo de Prefeitos. Quase a totalidade dos Prefeitos do País encontra-se, hoje, na Marcha dos Prefeitos a Brasília em Defesa dos Municípios. Então, os senhores acabaram pegando um dia bastante tenso, tumultuado e movimentado na Câmara dos Deputados. Esclareço que as nossas audiências públicas, além de serem documentadas e passadas aos demais Parlamentares, chegam a determinadas deliberações e dão autonomia para que a Comissão atue no sentido de tentar resolver determinados diagnósticos que serão traçados pelas senhoras e pelos senhores na tarde de hoje. Peço apenas que compreendam a situação da Câmara no dia de hoje. Nós preferimos manter a audiência para acelerar os trâmites a remarcá-la para daqui a 2 ou 3 meses, porque já temos cronograma completo. Portanto, não encarem como falta de vontade dos nossos colegas, Deputados Ricardo Quirino e Márcio Marinho, de participarem da discussão do tema, mas como um dia de múltiplas tarefas para todos nós. Fazemos desta audiência um espaço bastante especial porque debater o tema da saúde como um Fevereiro de 2012 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS direito humano é um dos desafios desta Comissão. Muitas vezes, as pessoas veem o debate dos direitos humanos restrito aos direitos políticos e civis da população. Mas é impensável que, em pleno 2011, não pensemos os direitos econômicos e sociais – saúde, acesso igualitário aos tratamentos de saúde para doenças diversas e percepção, por parte do Governo, de doenças diversas que atingem segmentos