UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MONTES CLAROS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM BIOTECNOLOGIA
ESTRUTURA DA SEMENTE E GERMINAÇÃO DE
Mauritia flexuosa L.f. (ARECACEAE) – NOVA ABORDAGEM
SOBRE ASSOCIAÇÃO ENTRE RECALCITRÂNCIA E
DORMÊNCIA
Renata Santana da Silva
MONTES CLAROS, MG.
OUTUBRO DE 2013.
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MONTES CLAROS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM BIOTECNOLOGIA
RENATA SANTANA DA SILVA
ESTRUTURA DA SEMENTE E GERMINAÇÃO DE
Mauritia flexuosa L.f. (ARECACEAE) – NOVA ABORDAGEM
SOBRE ASSOCIAÇÃO ENTRE RECALCITRÂNCIA E
DORMÊNCIA
Dissertação apresentada à Universidade
Estadual de Montes Claros, como parte
das exigências do Curso de Mestrado
Profissional em Biotecnologia, área de
concentração em Uso Sustentável da
Biodiversidade, para a obtenção do título
de Mestre.
Orientador (a): Profª. Drª. Yule Roberta Ferreira Nunes
MONTES CLAROS, MG.
2013
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S586e
Silva, Renata Santana da.
Estrutura da semente e germinação de Mauritia flexuosa L.f.
(Arecaceae)[manuscrito]: nova abordagem sobre associação entre recalcitrância e
dormência / Renata Santana da Silva. – 2013.
65 f. : il.
Inclui Bibliografia.
Dissertação (mestrado) - Universidade Estadual de Montes Claros - Unimontes,
Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia /PPGB, 2013.
Orientadora: Profa. Dra. Yule Roberta Ferreira Nunes.
1. Anatomia da semente – Buriti - Mauritia flexuosa L.f. (Arecaceae). 2.
Palmeiras. 3. Plântulas. 4. Germinação. 5. Opérculo. 6. Ambientes pantanosos. I.
Nunes, Yule Roberta Ferreira. II. Universidade Estadual de Montes Claros. III.
Título. IV. Título: Nova abordagem sobre associação entre recalcitrância e
dormência.
Catalogação Biblioteca Central Professor Antônio Jorge
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RENATA SANTANA DA SILVA
ESTRUTURA DA SEMENTE E GERMINAÇÃO DE
Mauritia flexuosa L.f. (ARECACEAE) – NOVA ABORDAGEM
SOBRE ASSOCIAÇÃO ENTRE RECALCITRÂNCIA E
DORMÊNCIA
Dissertação apresentada à Universidade
Estadual de Montes Claros, como parte
das exigências do Curso de Mestrado
Profissional em Biotecnologia, área de
concentração em Uso Sustentável da
Biodiversidade, para a obtenção do título
de Mestre.
APROVADA EM 28 de outubro de 2013.
Dr. Leonardo Monteiro Ribeiro
Drª Maria Olívia Mercadante-Simões
Dr. Bruno Francisco Sant'anna dos Santos
Dr. Paulo Sérgio Nascimento Lopes
UNIMONTES
UNIMONTES
UFMG
UFMG
Profª Drª Yule Roberta Ferreira Nunes
Orientadora
MONTES CLAROS – MINAS GERAIS
OUTUBRO DE 2013
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AGRADECIMENTOS
A Deus, por conceder-me saúde e perseverança para concluir este trabalho.
À minha família, primeira e grande incentivadora, pelo seu apoio incondicional e orações
constantes.
Aos meus amigos, por compreenderem meus momentos de ausência.
À minha orientadora, Prof. Yule Roberta, pelos aconselhamentos, confiança, amizade e
disposição em ajudar.
Ao meu co-orientador, Prof. Leonardo Monteiro, pela dedicada orientação, pelo
extraordinário conhecimento transmitido, pela confiança e paciência.
À minha co-orientadora, Profª Maria Olívia, por tanta paciência e zelo em orientar, e pela
amizade.
A todos do Laboratório de Ecologia e Propagação Vegetal, pela boa vontade em ajudar, no
auxílio nas coletas, em especial: Gaby, Jefferson, Josi, Odirley, Saimo, Sabrina, Poliana e pela
amizade,
À Antonielle, Sabrina e Yule por gentilmente cederem material fotográfico de campo.
À Josi, por toda ajuda logística.
Ao Victor pelas correções do Abstract e por ouvir minhas lamentações.
Aos amigos do Laboratório de Micropropagação, Amanda, Ana Paula, Anne Caroline, Cleide,
Guilherme, Joyce, Ludmila, Vanessa, pela imprescindível ajuda na realização dos
experimentos e pelos momentos de feliz convivência, que tornaram o trabalho mais leve e
prazeroso.
Às sempre lanhenses, Daiane, Hellen, Isabella e Silma, pela amizade, pelos conhecimentos
compartilhados e por ajudarem nas inúmeras dúvidas.
À Vanessa, companheira de Mestrado e de aflições, pela disponibilidade em ajudar e pela
amizade.
A todas do Laboratório de Anatomia Vegetal, Ariadna, Daiane, Laud, Mayara, Priscilla,
sempre dispostas a ajudar, e pelos momentos de alegre convivência.
Aos funcionários Waldmar e Darlene, por todo o auxílio prestado e amizade.
Ao Programa de Pós-graduação em Biotecnologia pela oportunidade, especialmente Prof.
Dario pela disponibilidade em ajudar.
À secretária do Mestrado Sandra, por todo apoio logístico.
Aos queridos colegas de trabalho da Universidade Estadual de Montes Claros, por todo
incentivo e apoio em minhas decisões.
À Universidade Estadual de Montes Claros pela disponibilização de estrutura e materiais para
a realização das pesquisas.
Aos moradores de Bonito de Minas, especialmente Santino e Cris, pela calorosa recepção em
seu lar, pelos agradáveis momentos de conversa, apoio no acesso à área de pesquisa e
fornecimento das sementes.
A todos, que me incentivaram na conclusão dessa jornada,
Muito obrigada!
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Estrutura da semente e germinação de Mauritia flexuosa L.f. (Arecaceae) – nova
abordagem sobre associação entre recalcitrância e dormência
Renata Santana da Silva • Leonardo Monteiro Ribeiro • Maria Olívia Mercadante-Simões •
Paulo Sérgio Nascimento Lopes • Yule Roberta Ferreira Nunes
RESUMO
A associação entre recalcitrância e dormência é pouco comum e são escassas as
informações sobre a estrutura das sementes com este comportamento, além de suas
implicações ecológicas. Mauritia flexuosa é uma palmeira amplamente distribuída na
América do Sul que possui estreita relação com ambientes pantanosos, tanto nas florestas
pluviais da Amazônia, quanto no bioma Cerrado, que possui marcante sazonalidade climática.
Descreveu-se a estrutura e aspectos fisiológicos de sementes e plântulas com objetivos de
caracterizar a adaptação a ambientes pantanosos, definir o controle da germinação e relacionar
a associação entre recalcitrância e dormência com o sucesso reprodutivo da espécie. Avaliouse a morfoanatomia e a histoquímica de sementes e plântulas, por métodos usuais, e o efeito
da temperatura e do opérculo sobre a germinação. A presença de estômatos nos embriões e a
abundância de compostos secundários nas plântulas estão relacionados à adaptação a
ambientes pantanosos. A incapacidade do embrião em vencer a resistência dos tecidos do
opérculo determina a dormência do tipo fisiológica não profunda. O alongamento celular no
cotilédone promove a protrusão da plântula. A mobilização das reservas endospérmicas se dá
por fluxo simplástico e está associada à superação da dormência, devido ao enfraquecimento
dos tecidos adjacentes ao embrião. A associação entre recalcitrância, que favoreceu a
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especialização, e a dormência, que favoreceu a dispersão, foi determinante para o sucesso
reprodutivo da espécie e sua ampla distribuição em ambientes pantanosos.
Palavras-chave: Anatomia da semente, plântulas, germinação, opérculo, ambientes
pantanosos, palmeiras.
R. S. Silva
Pós-Graduação em Biotecnologia e Recursos Genéticos, Departamento de Biologia Geral,
Universidade Estadual de Montes Claros, Campus Universitário Prof. Darcy Ribeiro, Rua
Doutor Ruy Braga, s/n, Vila Mauriceia, Montes Claros, Minas Gerais 39401-089, Brasil
e-mail: [email protected]
L. M. Ribeiro (
) • M. O. Mercadante-Simões • Y. R. F. Nunes
Departamento de Biologia Geral, Unimontes, Campus Universitário Prof. Darcy Ribeiro,
Montes Claros, Minas Gerais 39401-089, Brasil.
e-mail:
[email protected][email protected][email protected]
P. S. N. Lopes
Laboratório de Propagação de Plantas, Instituto de Ciências Agrárias, Universidade Federal
de Minas Gerais, Avenida Universitária, 1000, Bairro Universitário, Montes Claros, MG
39404-547, Brasil
e-mail: [email protected]
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Seed structure and germination of Mauritia flexuosa L.f. (Arecaceae) – a new approach
on the association between recalcitrance and dormancy
ABSTRACT
The association between recalcitrance and dormancy is uncommon and there is little
information on the structure of seeds with this behavior, and its ecological implications.
Mauritia flexuosa palm is widely distributed in South America which has close relation with
swamps environments, both in the forests of Amazonia, as in the Cerrado biome that has
marked seasonality. Described the structure and physiological aspects of seed and seedlings
for the purposes of characterizing the adaptation to swamps environments, define the control
of germination and relate the association between recalcitrance and dormancy with the
reproductive success of the species. We evaluated the morphoanatomy and histochemistry of
seeds and seedlings by the usual methods, and the effect of temperature and operculum on the
germination. The presence of stomata in embryos and abundance of secondary compounds in
seedlings are related to adaptation to swamps environments. The inability of the embryo to
overcome the resistance of the tissue of the operculum determines not deep physiological
dormancy. The cell elongation in cotyledon promotes protrusion of the seedling. The
mobilization of reserves endospermic occurs by symplastic flow and is associated with
breaking dormancy, due to weakening of the tissues adjacent to the embryo. The association
between recalcitrance, which favored specialization, and dormancy, which favored the
dispersion was crucial for the reproductive success of the specie and its wide distribution in
swampy environments.
Keywords: Anatomy of seed, seedling germination, operculum, swampy environments, palm
trees.
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SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ................................................................................................................................................... 10
REFERÊNCIAS .................................................................................................................................................. 13
INTRODUÇÃO ................................................................................................................................................... 18
MATERIAL E MÉTODOS ................................................................................................................................ 21
COLETAS E PROCEDIMENTOS PRELIMINARES ............................................................................................................. 21
MORFOLOGIA DO FRUTO ......................................................................................................................................... 22
AVALIAÇÃO DA GERMINAÇÃO ................................................................................................................................... 22
MORFOLOGIA DE PLÂNTULAS ................................................................................................................................... 23
ANATOMIA DA SEMENTE E DAS PLÂNTULAS................................................................................................................ 23
HISTOQUÍMICA ........................................................................................................................................................ 24
RESULTADOS.................................................................................................................................................... 25
MORFOLOGIA DO FRUTO ......................................................................................................................................... 25
AVALIAÇÃO DA GERMINAÇÃO ................................................................................................................................... 25
MORFOLOGIA DE PLÂNTULAS ................................................................................................................................... 26
ANATOMIA DA SEMENTE E DE PLÂNTULAS ................................................................................................................. 28
HISTOQUÍMICA ........................................................................................................................................................ 33
DISCUSSÃO ........................................................................................................................................................ 34
REFERÊNCIAS .................................................................................................................................................. 39
APÊNDICES........................................................................................................................................................ 47
ANEXOS .............................................................................................................................................................. 61
CONSIDERAÇÕES FINAIS.............................................................................................................................. 70
10
Introdução
O buriti, Mauritia flexuosa L.f. (Arecaceae), é uma espécie dioica,
considerada a palmeira mais abundante do Brasil, de ocorrência em toda a Amazônia,
Brasil Central, Bahia, Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Piauí e São Paulo (Lorenzi et al.
2010). Suas grandes populações homogêneas ocorrem sobre terrenos baixos inundáveis,
como veredas em cursos de água de savanas (cerrado) e matas de galeria, e podem
formar densos buritizais (Storti 1993).
O solo pantanoso onde ocorre M. flexuosa é caracterizado pelo acúmulo de
matéria orgânica parcialmente decomposta, formada principalmente por espessa camada
de folhas mortas, inflorescências masculinas e infrutescências de buriti, em águas ácidas
(Kahn 1991). O buriti é uma espécie estratégica para a conservação da fauna, uma vez
que a grande quantidade de frutos produzidos constitui-se em recurso alimentar para
aves e mamíferos (Cymerys et al. 2005).
A espécie é uma árvore economicamente útil, com diversas partes
aproveitadas em inúmeros produtos de uso alimentício, medicinal, cosmético e artesanal
(Lorenzi et al., 2010). A polpa é consumida na forma de doces, geleias e sorvetes; é rica
em lipídios, caroteno e vitamina A (Albuquerque et al. 2003), podendo ser utilizada
como suplemento alimentar no combate à xeroftalmia (Mariath et al. 1989; Yuyama et
al. 1998). O óleo extraído da polpa tem diversas aplicações na culinária, no preparo de
cremes e loções cicatrizantes (Batista et al. 2012), sendo ainda usado como aditivo na
área tecnológica de polímeros (Durães et al. 2008). Estudos preliminares têm indicado o
potencial da espécie como alternativa às culturas tradicionais utilizadas na produção de
biodiesel, através do aproveitamento industrial do óleo vegetal como combustível
(Costa e Marchi 2008). A folha é utilizada na cobertura de habitações rústicas e a fibra
serve de matéria-prima para a produção de celulose kraft e produtos artesanais, tais
11
como cestos, bolsas e chapéus (Pereira et al. 2003). A árvore tem importância
ornamental, sendo usada na arborização de ruas e parques (Lorenzi et al. 2010). Além
disto, o buriti é o principal componente do estrato arbóreo das veredas, as quais
provêem recursos para populações tradicionais do Cerrado (Cymerys et al. 2005;
Boaventura 2007) e, devido a sua importância ecológica, são consideradas Área de
Preservação Permanente, conforme dispõe a Resolução Conama nº 303/2002, art. 2º,
inciso III (Conselho Nacional do Meio Ambiente, 2002).
A propagação do buriti, visando a produção de mudas para fins comerciais,
para a conservação de populações naturais ou recuperação de áreas degradadas é
limitada pela associação entre a recalcitrância e a dormência das sementes, conforme
sugere um estudo preliminar realizado por Spera et al. (2001). A recalcitrância é
definida como a baixa capacidade de manutenção da viabilidade das sementes,
relacionada à intolerância à dessecação e a baixas temperaturas (Hong e Ellis 1996). Em
ambientes tropicais úmidos a recalcitrância é comum em palmeiras dificultando o
manejo das sementes no armazenamento e programas de conservação ex situ (OrozcoSegovia et al. 2003; Costa e Marchi 2008).
A
dormência
também
é
comum
em
palmeiras,
embora
ocorra
predominantemente em espécies de clima seco ou sazonal, e compromete a germinação,
tornando-a lenta, irregular e frequentemente baixa (Meerow 1991; Orozco-Segovia et al.
2003). O fenômeno deve-se a restrições internas ou sistêmicas à germinação, causadas
por bloqueios na semente ou unidade de dispersão, os quais devem ser superados a fim
de que o processo germinativo ocorra (Finch-Savage e Leubner-Metzger 2006). A
dormência em Arecaceae frequentemente tem sido atribuída à estrutura peculiar do
diásporo, que pode conter endocarpo pétreo, endosperma córneo e poro germinativo
obstruído por fibras do endocarpo (Orozco-Segovia et al. 2003; Baskin e Baskin 2004;
12
Ribeiro et al. 2011; Neves et al. 2013). Além disto, o embrião na família é linear e
possui eixo embrionário microscópico e interno (DeMason e Thomson 1981; DeMason
1988), podendo demandar um período de crescimento no interior da semente antes de
adquirir capacidade de germinar, o que caracteriza a dormência morfológica (Baskin e
Baskin 1998). Contudo, estudos recentes realizados com as palmeiras do cerrado Butia
capitata (Fior et al. 2011; Magalhães et al. 2012; Oliveira et al. 2013), Acrocomia
aculeata (Ribeiro et al. 2011, 2012) e Attalea vitrivir (Neves et al. 2013), têm
demonstrado que a dormência presente é do tipo fisiológica não-profunda (Baskin e
Baskin 2004), relacionada à dificuldade do embrião em superar as restrições mecânicas
impostas pelos tecidos adjacentes (Finch-Savage e Leubner-Metzger 2006).
Os processos de germinação e dormência são ainda pouco esclarecidos para
a maioria das palmeiras (Orozco-Segovia et al. 2003). Além disto, não existem estudos
detalhados sobre a associação entre dormência e recalcitrância em espécies do Cerrado.
Apesar de existirem trabalhos que evidenciam a dormência e a recalcitrância em M.
flexuosa, (Spera et al. 2001; Seleguini et al. 2012), não existe uma definição do tipo de
dormência presente nem uma metodologia eficiente para a propagação da espécie.
O processo germinativo em Arecaceae é melhor compreendido quando se
considera características morfológicas e anatômicas de sementes e plântulas (Henderson
2006). Além disto, a associação entre avaliações morfoanatômicas e fisiológicas têm
proporcionado informações relevantes sobre a propagação seminal das palmeiras
(Neves et al. 2013; Oliveira et al. 2013). Deste modo, considerando a importância do
buriti e a escassez de informações sobre a sua reprodução, neste trabalho buscou-se, a
partir da avaliação da estrutura do diásporo e das plântulas e de aspectos fisiológicos
relacionados ao controle da germinação, contribuir para a ampliação dos conhecimentos
sobre sua propagação.
13
Referências
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18
Introdução
Mauritia flexuosa L.f. (Arecaceae), buriti, é a palmeira mais abundante do
Brasil (Fig. 1a) (Lorenzi et al. 2010) e apresenta ampla distribuição na América do Sul
(Passos et al. 2006; Bernal et al. 2011; Guevara et al. 2011; Horn et al. 2012; Endress et
al. 2013). No entanto, a espécie tem ocorrência restrita a ambientes pantanosos
constituídos por solos hidromórficos com grande deposição de matéria orgânica (Kahn
1991; Endress et al. 2013) (Fig. 1b-d), onde a grande quantidade de frutos produzidos
(Fig 1c) constitui-se importante recurso alimentar para aves e mamíferos (Cymerys et
al. 2005). M. flexuosa tem também importância social, por ser amplamente utilizada por
comunidades indígenas (Holm et al. 2008; Horn et al. 2012; Endress et al. 2013;
Gilmore et al. 2013) e populações tradicionais (Sampaio et al. 2008; Manzi et al. 2009;
Martins et al. 2012; Santos et al. 2012). Além disto, a espécie possui significativo
potencial de uso econômico relacionado à obtenção de alimentos (Bernal et al. 2011;
Martins et al. 2012), cosméticos (Zanatta et al. 2008, 2010; Koolen et al. 2013),
artesanato (Pereira et al. 2003; Bernal et al. 2011; Santos et al. 2012), medicamentos
(Mariath et al. 1989; Yuyama et al. 1998; Manhães et al. 2011; Batista et al. 2012;
Koolen et al. 2012, 2013; Santos et al. 2013) e biocombustíveis (Forero et al. 2003;
Sivakumar et al. 2010; Luz Jr et al. 2011; Bergmann et al. 2013). No entanto, a
implantação de cultivos comerciais e a conservação de populações naturais são
dificultadas por problemas reprodutivos relacionados à rápida perda da viabilidade e à
baixa germinabilidade das sementes (Spera et al. 2001).
A despeito da importância ecológica e econômica da família, conhecimentos
sobre a biologia de sementes de palmeiras são restritos (Orozco-Segovia et al. 2003).
Sementes de palmeiras de ambientes úmidos são comumente classificadas como
recalcitrantes devido à baixa tolerância à desidratação e a baixas temperaturas, o que
19
leva à perda da viabilidade ao longo do armazenamento (Orozco-Segovia et al. 2003;
Hong et al. 1997). A condição de recalcitrância está associada a características
estruturais e fisiológicas peculiares relacionadas à ausência da quiescência (Farnsworth
2000). Contudo, em Arecaceae há uma carência de informações que subsidiem o
entendimento sobre tais aspectos, uma vez que descrições detalhadas da estrutura estão
restritos às sementes ortodoxas, com exceção de Euterpe edulis (Panza et al. 2004), e
não existem relatos de estudos aprofundados sobre o processo germinativo em sementes
recalcitrantes.
Várias espécies de palmeiras apresentam dormência que é uma limitação
intrínseca à germinação em condições nas quais sementes não dormentes germinam
(Baskin e Baskin 2004; Finch-Savage e Leubner-Metzger 2006). A dormência em
Arecaceae frequentemente tem sido atribuída à estrutura peculiar do diásporo, no qual
pode estar presente endocarpo pétreo, endosperma córneo, ou poro germinativo
obstruído por fibras do endocarpo (Orozco-Segovia et al. 2003; Ribeiro et al. 2011;
Neves et al. 2013). Por outro lado, a dormência morfológica presente na família, é
relacionada à imaturidade do embrião (Baskin e Baskin 1998; Hartmann et al. 2002;
Orozco-Segovia et al. 2003). Contudo, estudos recentes realizados em palmeiras
brasileiras (Fior et al. 2011; Ribeiro et al. 2011, 2012; Magalhães et al. 2012; Neves et
al. 2013; Oliveira et al. 2013), indicam a ocorrência de dormência fisiológica nãoprofunda, causada pela dificuldade do embrião em superar as restrições impostas pelos
tecidos adjacentes (Finch-Savage e Leubner-Metzger, 2006). Embora existam relatos da
existência de dormência em M. flexuosa (Spera et al. 2001; Seleguini et al. 2012), não
estão definidas as causas e a classificação da dormência, sendo que, estudos sobre o
tema poderão contribuir para o desenvolvimento de tecnologias de sua propagação.
20
Sendo uma espécie de adaptação restrita a ambientes úmidos, M. flexuosa é
extremamente bem sucedida em relação à reprodução, tendo estendido sua distribuição
para além da Amazônia a ambientes pantanosos do bioma Cerrado, que possui marcante
sazonalidade climática (Fig. 1a). Nestes ambientes, a espécie domina o estrato arbóreo
de um ecossistema conhecido como veredas (Fig. 1a-d), que possui grande importância
ecológica. Estudos sobre a estrutura do diásporo e das plântulas da espécie poderão
contribuir para a ampliação dos conhecimentos sobre as estratégias reprodutivas
peculiares e a ainda pouco compreendida associação entre dormência e recalcitrância
(Tweddle et al. 2003).
Além do controle da germinação, os padrões de desenvolvimento de
plântulas envolvendo estruturas adaptativas e o acesso às reservas da semente são
determinantes para o sucesso reprodutivo das espécies (Baskin e Baskin 1998; FinchSavage e Leubner-Metzger 2006). A anatomia peculiar do embrião de palmeiras, no
qual o eixo embrionário é microscópico e inserido no pecíolo cotiledonar (DeMason e
Thomson 1981; DeMason 1988) e a grande diversidade na estrutura das plântulas fazem
com que estudos reprodutivos na família demandem avaliações anatômicas detalhadas
(Henderson 2006). Além disso, o acesso às reservas do endosperma é complexo e
envolve o desenvolvimento do maior e mais especializado haustório do reino vegetal
(DeMason e Thomson 1981; DeMason 1984). Estudos sobre a mobilização de reservas
em palmeiras estão restritos a poucas espécies (DeMason et al. 1983, 1985; DeMason
1988, 1988b; Oliveira et al. 2013), é possível que haja peculiaridades no processo em
M. flexuosa visto que, ao contrário das espécies estudadas, sua semente não é oleaginosa
(Lorenzi et al. 2010).
O objetivo deste trabalho foi caracterizar a estrutura do diásporo e das
plântulas e o processo germinativo de M. flexuosa, e responder as seguintes perguntas:
21
(i) Qual a relação entre as estruturas das sementes e das plântulas e adaptação ao
ambiente de ocorrência da espécie? (ii) Quais as funções da estrutura da semente no
controle da germinação? (iii) Qual a relação entre a associação entre recalcitrância e
dormência e o sucesso reprodutivo da espécie? (iv) Qual o padrão de desenvolvimento
das plântulas e de mobilização das reservas da semente?
Material e métodos
Coletas e procedimentos preliminares
Frutos foram coletados no solo, após a abscisão natural, em uma população
de Mauritia flexuosa L.f. na vereda Água Doce localizada na Área de Proteção
Ambiental do Rio Pandeiros (APA - Pandeiros), município de Bonito de Minas, estado
de Minas Gerais, Brasil (Fig. 1a-d). Os períodos de coleta compreenderam os meses de
setembro, outubro e dezembro de 2012 e janeiro de 2013. A coleta sempre antecedeu a
realização de cada experimento e foram coletados apenas frutos com a cicatriz de
abscisão com coloração amarelada (Fig. 2a), a fim de garantir o uso de frutos frescos.
A polpa foi removida manualmente sendo descartadas as sementes com
sintomas de deterioração microbiana e ou predação por insetos. Determinou-se o teor de
água das sementes e dos embriões isolados, por meio da proporção entre a massa seca,
após secagem a 105ºC em estufa por 24h, e a massa fresca, em quatro repetições de 10
sementes (Brasil, 2009). As sementes foram mantidas em caixa de isopor com água
trocada diariamente durante uma semana e, posteriormente, foram desinfestadas em
solução de hipoclorito de sódio 2% por 15 minutos, seguido de três lavagens em água
corrente, submetidas a tratamento em solução fungicida (Derosal Plus® 50%) e após
22
serem secas à sombra, foram acondicionadas em sacos plásticos com espessura de 500
µm e armazenadas a 20ºC até o uso.
Morfologia do fruto
Dez frutos foram seccionados longitudinalmente com auxílio de um facão e
utilizados para a caracterização morfológica. Fotografias digitais foram obtidas em
câmera digital Samsung DV300F.
Avaliação da germinação
Seiscentas sementes cujo opérculo foi retirado, com auxílio de estiletes
(Neves et al. 2013), e a mesma quantidade de sementes intactas foram dispostas em
recipientes plásticos contendo vermiculita esterilizada e umedecida com água destilada,
à 80% da capacidade de retenção. Cinco repetições de 20 sementes foram conduzidas a
germinadores ajustados para as temperaturas de 15°C, 20°C, 25°C, 30°C, 35°C e 40°C.
Após 60 dias, as temperaturas foram alteradas para 30ºC (temperatura que proporcionou
a maior germinação nominal, até 60 dias) em todos os germinadores, por mais 49 dias.
A germinação foi avaliada semanalmente, considerando-se a protrusão do pecíolo
cotiledonar (Ribeiro et al. 2011) e foram calculados o percentual de germinação aos 60
dias e ao final do experimento e o índice de velocidade de germinação até os 60 dias
(Maguire, 1962). Aos 60 dias, foi avaliada a emissão de pecíolo cotiledonar, lígula,
bainha foliar, raiz principal e raízes secundárias (Ribeiro et al. 2012), tendo os dados em
contagem sido transformados em percentuais. Utilizou-se análise de variância e teste de
Tukey, a 5% de probabilidade para comparação das médias.
23
Morfologia de plântulas
Cem sementes sem opérculo foram dispostas para germinar, conforme
descrito anteriormente. As sementes foram observadas diariamente por 30 dias e
descreveu-se a morfologia das plântulas mais precoces, segundo a nomenclatura
utilizada por Ribeiro et al. (2012). Fotografias foram obtidas em câmera digital
Samsung DV300F.
Para as avaliações biométricas de sementes e plântulas, 650 sementes, sendo
a metade sem opérculo, foram dispostas para germinar, conforme descrito para o
experimento anterior, a 30°C. Antes da semeadura e aos 2, 5, 10, 15, 20 e 30 dias de
cultivo, 50 sementes de cada tratamento foram retiradas e separadas em germinadas e
não germinadas, sendo avaliado o percentual de protrusão do pecíolo, emissão de raízes
e de bainhas foliares. As estruturas dos embriões (haustório e pecíolo cotiledonar) e das
plântulas (haustório, pecíolo cotiledonar, raízes e bainhas foliares) foram separadas com
auxílio de uma lâmina de barbear e, com um paquímetro digital, foram mensurados o
comprimento e diâmetro de cada uma delas. Em balança analítica, as massas frescas e
secas, após desidratação em estufa a 105°C por 24h, das estruturas citadas foram
determinadas, sendo calculado o teor de água.
Anatomia da semente e das plântulas
Duzentas sementes, sendo metade sem o opérculo, foram dispostas a
germinar, conforme descrito anteriormente. Para as avaliações anatômicas, foram
obtidos fragmentos do pecíolo cotiledonar, haustório e endosperma de três repetições
das sementes com opérculo na condição inicial e após 5, 30 e 100 dias de cultivo. De
três sementes sem opérculo, foram retirados fragmentos, na condição inicial, e após 5
dias de cultivo. Avaliou-se as plântulas mais precoces com início do alongamento do
24
pecíolo cotiledonar, emissão de raiz e início da emissão de bainhas foliares. O material
foi fixado em solução de Karnovsky (Karnovsky 1965), desidratado em série etílica e
incluído em 2(hidroxi-etil)-metacrilato (Leica®), seguindo o protocolo proposto por
Paiva et al. (2011). Secções transversais e longitudinais seriadas foram realizadas em
micrótomo rotativo, na espessura de 5 µm, coradas com vermelho de rutênio e
posteriormente com azul de toluidina, 0,05%, pH 4,7 (O’Brien et al. 1964) e montadas
em Entellan®. As secções foram analisadas e fotografadas com câmera digital acoplada
a um microscópio (Zeiss Lab AI / Axion Cam ICC 3, Jena, Alemanha).
Histoquímica
Em todas as fases descritas anteriormente, amostras adicionais, idênticas às
utilizadas para as avaliações anatômicas, foram incluídas em resina ou cortadas a fresco
e expostas a: reagente de Schiff/ácido periódico – PAS (O’Brien e McCully, 1981), para
identificação de polissacarídeos neutros; vermelho de rutênio (Johansen 1940) e azul de
toluidina (O’Brien et al. 1964), para pectinas e mucilagens; ácido tânico/cloreto de ferro
III para mucilagens (Pizzolato e Lillie 1973); azul de bromofenol (Mazia et al. 1953) e
xilidine Ponceau (Vidal 1970) para proteínas; lugol (Johansen 1940) para amido; Sudan
IV e Sudan Black (Pearse 1972) para detecção de lipídios totais; cloreto férrico
(Johansen 1940) para compostos fenólicos totais; reagente de Dittmar (Furr e Mahlberg
1981) para detecção de alcaloides; reagente Nadi (David e Carde 1964) para óleos
essenciais e oleorresinas. As secções foram observadas e fotografadas como descrito
para a anatomia.
25
Resultados
As sementes e os embriões isolados apresentaram teores de água médios de 50,1 e
72,2%, respectivamente.
Morfologia do fruto
O fruto de M. flexuosa é do tipo baga, de formato elipsoide-oblongo, cujo
pericarpo não desenvolve endocarpo lignificado (Fig. 2a-b). O exocarpo é coberto por
escamas castanho-avermelhadas, justapostas e em forma de losango. O mesocarpo
possui cor laranja e aroma adocicado, sendo de textura oleosa e consistência pastosa,
com inúmeras sementes abortadas aderidas à sua parede. O fruto contém de uma a três
sementes globosas ou semi-esféricas, com rafe disposta ao longo de seu eixo
longitudinal e opérculo evidente, formando uma pequena depressão na região
micropilar. O tegumento marrom-escuro é delgado e coberto por fibras. O endosperma
tem aparência não-oleosa, é não-ruminado, abundante, córneo e esbranquiçado (Fig.
2b). O embrião está inserido na cavidade seminal e estreitamente unido ao endosperma,
possui formato cilíndrico e basal e permanece aderido ao opérculo, possuindo duas
regiões distintas: a porção proximal, mais estreita e amarelada (correspondente ao
pecíolo cotiledonar) e a extremidade distal, amarelo-esbranquiçada, mais dilatada e
interna, conectada ao endosperma, o haustório (Fig. 2b-c).
Avaliação da germinação
Apenas uma semente com opérculo germinou. A germinação das sementes
sem opérculo iniciou-se no nono dia e ocorreu mais rapidamente nos tratamentos de 25,
30 e 35ºC (IVG maior, dados não apresentados) (Figura 3). A germinação alcançou
26
percentuais acima de 80% na maioria dos tratamentos aos 60 dias, e foi negativamente
afetada pelas temperaturas de 15 e 40°C. Após a submissão à temperatura constante de
30ºC, o tratamento de 15ºC apresentou significativa elevação do percentual de
germinação, o tratamento de 40ºC teve pequena elevação e os demais tratamentos não
apresentaram alteração. Os extremos de temperatura afetaram negativamente o
desenvolvimento das plântulas, enquanto que a temperatura de 30ºC, mostrou-se mais
favorável (Figura 4).
Morfologia de plântulas
Aos cinco dias de cultivo, o intumescimento e alongamento do pecíolo
cotiledonar fizeram com que o mesmo preenchesse toda a cavidade seminal, e o
haustório apresentasse nítida expansão (Fig. 5a-b). Aos dez dias, formou-se uma
saliência cônica e lateral à região opercular, correspondente à lígula expandida (Fig. 5c).
A partir da estrutura ocorreu a emissão da primeira bainha foliar (Fig. 5d-e). Em várias
sementes, a emissão da raiz ocorreu concomitantemente à emissão da bainha. A raiz
formou uma estrutura tubular e alongada, com uma coifa bem desenvolvida, ao emergir
a partir do botão germinativo no lado oposto à lígula. Nesta ocasião, ocorreu grande
aumento no volume do haustório, que passou a consumir o endosperma. Aos trinta dias
de cultivo, o pronunciado crescimento da bainha foliar e da raiz foi acompanhado pela
expansão do haustório que representa proporção significativa da semente (Fig. 5f).
Durante o processo de desenvolvimento das plântulas as paredes do endosperma
adjacentes ao haustório, antes com aparência maciça, assumiram aspecto esponjoso e
textura porosa (Fig. 5e-f).
27
Aos dez dias de semeadura, 90% das sementes apresentaram protrusão do
pecíolo cotiledonar, sendo que, no 15° dia ocorreu a emissão da raiz principal e das
bainhas (Fig. 6). Aos 30 dias de semeadura, mais de 80% das plântulas apresentaram
emissão de raízes e parte aérea.
Nas sementes sem opérculos ocorreu discreto aumento do comprimento e
diâmetro do embrião até os 5 dias após a semeadura e da massa seca, até 2 dias (Fig 7ac). Após o quinto dia as variações foram mais expressivas, até os 10 dias, quando se
iniciou a protrusão do pecíolo e foi possível estabelecer a distinção entre pecíolo e
haustório. Como a germinação é adjacente ligulada, o pecíolo teve crescimento restrito,
que se estabilizou aos 20 dias após a semeadura. Durante o período avaliado, o
crescimento do haustório foi maior em diâmetro que em comprimento. As raízes e
bainhas foliares tiveram expressivo crescimento a partir do início da emissão, aos 15
dias e até o final do período de avaliação. Enquanto o endosperma + tegumento
apresentou teores de água de 50,1 %, no embrião estes valores foram 82,3 % na ocasião
da semeadura (Fig. 7d). Os teores de água das estruturas das plântulas estiveram sempre
acima de 80% em todas as avaliações. Os teores de água das raízes foram maiores que
as demais estruturas das plântulas aos 15 dias, mas houve uma tendência de
aproximação das médias ao final do período de avaliação.
A germinação não foi observada em sementes que não tiveram seus
opérculos retirados e o comprimento, diâmetro e massa seca do embrião não
apresentaram alterações significativas ao longo do período avaliado (Fig. 7e-g). Os
teores de água do embrião, durante todo o período de avaliação, mantiveram- se
próximos dos valores observados para as sementes sem opérculo nas fases iniciais (Fig.
7d-h).
28
Anatomia da semente e de plântulas
O tegumento é composto por duas regiões distintas: externamente ocorre
quatro a sete camadas de esclereídes e, adjacente ao endosperma, três a cinco camadas
de células tabulares (Fig. 8a-c). As esclereídes, especialmente as mais externas,
apresentam paredes espessas e esclerificadas, com evidentes pontoações e grande
acúmulo de compostos fenólicos (Fig 8c). As células de formato tabular são pequenas,
muito menores que as esclereídes, têm disposição justaposta, apresentam paredes
delgadas não lignificadas e também grande acúmulo de fenólicos (Fig. 8c). As células
do endosperma apresentam tamanho e forma que variam com sua localização e possuem
formato irregular, paredes espessas ricas em mananos e vacúolos proeminentes (Fig. 8ae). Ocorre um decréscimo do tamanho das células na ordem: periferia da semente,
endosperma adjacente ao embrião e endosperma micropilar (Fig. 8b, c, e). Campos de
pontoação primários são numerosos em todo o endosperma (Fig. 8d). Na transição entre
o endosperma lateral e o micropilar ocorre uma região com células com formato
globular, muito menores que as demais e com paredes mais delgadas, ricas em
substâncias pécticas, que claramente estabelece uma linha de fraqueza que favorece o
deslocamento do opérculo (Fig. 8b-d). Adjacente ao embrião ocorre uma camada de
células endospérmicas colapsadas, indicando que o consumo do endosperma inicia-se
na fase anterior à abscisão (Fig. 8e).
O embrião de M. flexuosa é formado pelo eixo embrionário e pelo
cotilédone (Fig 8a). O eixo embrionário está incluído na região proximal do cotilédone,
tem disposição oblíqua em relação ao eixo longitudinal do embrião e é formado pela
radícula e pela plúmula (Fig. 8a). A radícula é bem diferenciada e projeta-se para a
extremidade proximal do embrião, em direção oposta e perpendicular ao nó cotiledonar
(Fig. 8a-f). Não existe protoderme diferenciada na radícula e o meristema fundamental
29
da estrutura é contíguo ao do cotilédone (Fig 8f). As células do meristema fundamental
são globulares na região próxima ao nó cotiledonar e alongadas na região distal,
apresentam paredes delgadas e são vacuoladas. O procâmbio forma um cone compacto
desde o nó cotiledonar até o promeristema e possui células mais alongadas e menores
que as células do meristema fundamental. O promeristema radicular é formado por
células diminutas, compactamente arranjadas, com núcleo proeminente e citoplasma
denso (Fig 8f). A plúmula ocupa a cavidade cotiledonar formada pela lígula (bainha
cotiledonar) que estabelece uma abertura para o meio externo, ou fenda cotiledonar
(Fig. 8g-h). A plúmula é composta por duas bainhas foliares e pelo promeristema
caulinar. A protoderme é diferenciada nas bainhas e é formada por células globulares,
diminutas e compactamente arranjadas (Fig 8g). As células do meristema fundamental,
do procâmbio e do promeristema têm estrutura semelhante as da radícula. O procâmbio
forma cordões que, a partir do nó cotiledonar, se distribuem pelas bainhas foliares (Fig.
8g-h). Na região do nó cotiledonar são evidentes elementos traqueais diferenciados (Fig.
8h). Na lígula, em posição adjacente à plúmula distingue-se ainda uma fenda interna,
que possivelmente auxilia na expansão da lígula durante a fase de crescimento da
plântula (Fig. 8g).
Existe uma correspondência entre o padrão de coloração externa do embrião
e a estrutura anatômica do cotilédone, que distingue o pecíolo cotiledonar e o limbo
cotiledonar, ou haustório (Fig 2c, 8a). O pecíolo cotiledonar compreende a região
proximal do embrião, se estendendo até o eixo embrionário, enquanto que o haustório
compreende a região distal. Protoderme, meristema fundamental e procâmbio podem ser
distinguidos no cotilédone, sendo as células de todos os tecidos maiores na região distal
do haustório (Fig. 8i-l). A protoderme é formada por células globulares e apresenta
idioblastos com acúmulo de compostos fenólicos na extremidade proximal do embrião,
30
em posição mais próxima à radícula (Fig. 8i). Também na extremidade proximal, mas
em posição periférica, ocorrem numerosos estômatos, com câmara subestomática
evidente, que se apresentam fechados (Fig. 8j). No haustório, as células protodérmicas
são alongadas radialmente, principalmente na região distal, onde também são maiores
(Fig. 8k-l). As células do meristema fundamental apresentam formato irregular,
tendendo a globular e, ao longo do embrião, são maiores na região central, apresentam
parede delgada e são muito vacuoladas. (Fig. 8i, k-l) Espaços celulares não são
evidentes no meristema fundamental, em todo o embrião.
As células do procâmbio são alongadas longitudinalmente e agrupam-se em
cordões que, emitidos a partir do nó cotiledonar, direcionam-se à região proximal do
pecíolo cotiledonar, onde aproximadamente 14-16 cordões vascularizam a lígula,
formando um laço em torno da plúmula e se fundem com outros cordões no haustório
(Fig. 8a, g-l). Em direção ao haustório, também a partir do nó cotiledonar, cerca de 18
cordões procambiais são emitidos e se ramificam, formando cerca de 42 cordões que
vascularizam a região periférica do haustório (Fig. 8a, k-l).
Aos cinco dias de cultivo (Fig. 5b), em sementes que tiveram seus opérculos
removidos, ocorreu evidente processo de alongamento e diferenciação dos tecidos
meristemáticos primários originados pelos tecidos do corpo primário da plântula. O
promeristema radicular apresentou intensa atividade (Fig. 9a). Na raiz e na plúmula
ocorreu diferenciação do parênquima e pronunciado alongamento de suas células,
concomitantemente à diferenciação de numerosos idioblastos com conteúdo fenólico
(Fig. 9a-b). Na plúmula ocorreu diferenciação de elementos traqueais nas bainhas
foliares e, em consequência do alongamento celular na estrutura, associada à expansão
das células parenquimáticas da lígula, ocorreu a abertura da fenda cotiledonar (Fig. 9b).
Na região proximal do pecíolo, células do parênquima apresentaram significativo
31
alongamento sendo que, em diversos pontos, células alinhadas longitudinalmente se
diferenciaram em idioblastos contendo ráfides, enquanto que nas regiões periféricas
ocorreu acúmulo de compostos fenólicos (Fig. 9c-d). Houve diferenciação da epiderme,
associada ao crescimento celular e vacuolização das células (Fig. 9d). A maioria dos
estômatos estava aberto, sendo evidente a ampliação das câmaras subestomáticas e dos
espaços intercelulares no parênquima adjacente à epiderme (Fig. 9d). Na transição entre
o pecíolo e o haustório ocorreu diferenciação dos feixes vasculares (Fig. 9e). No
haustório, as células da epiderme apresentaram significativo alongamento radial e
iniciaram o processo de consumo do endosperma, com a formação de uma zona de
digestão onde as células, após a mobilização, tiveram seus resíduos adicionados à
camada de células colapsadas adjacentes ao embrião (Fig. 9f). Ocorreram divisões
celulares em vários planos no parênquima do haustório e início da diferenciação dos
feixes vasculares (Fig. 9f).
Aos 12 dias após a semeadura, durante a fase da expansão da lígula (Fig
6d), ocorreram eventos que levaram a protrusão do eixo vegetativo. A raiz apresentou
pronunciado crescimento relacionado ao alongamento celular, associado à formação de
espaços e à atividade do promeristema radicular (Fig 9g). Em áreas adjacentes ao
promeristema ocorreu a formação de uma faixa meristemática periférica, cuja atividade
contribuiu, juntamente com aquela do promeristema, para a formação de uma coifa
ampla, onde se acumularam células com conteúdo fenólico. O crescimento da raiz
provocou a degeneração e colapso de células da extremidade proximal do pecíolo, o que
permitiu a protrusão do órgão (Fig 9g). O expressivo alongamento da lígula ocorreu
principalmente devido ao alongamento celular e esteve associado à formação de espaços
pela fusão de idioblastos contendo ráfides, que tiveram proliferação generalizada em
todo o eixo vegetativo (Fig. 9h). As bainhas foliares também apresentaram grande
32
alongamento forçando ainda mais a abertura da fenda cotiledonar, o que proporcionou a
protrusão (Fig 9h-i). No haustório ocorreu pronunciada expansão celular e continuidade
do processo de digestão do endosperma, com ampliação da camada de células
colapsadas adjacentes ao embrião (Fig 9j).
Aos 15 dias após a semeadura, a bainha recém emitida apresentava feixes
vasculares com calotas de fibras diferenciadas e grande proliferação de idioblastos com
conteúdo fenólico (Fig. 9k). Na raiz, que possui padrão sifonostélico, ocorreu ampliação
dos espaços na região medular e aumento dos idioblastos contendo ráfides no córtex
(Fig. 9l). A faixa meristemática periférica ainda apresentava atividade e na coifa as
células com conteúdo fenólico, bastante proliferadas, formavam uma extensa área
envolvendo o promeristema e regiões adjacentes (Fig. 9l).
As sementes em que o opérculo não foi retirado não germinaram, no
entanto, algumas características foram semelhantes ao observado em sementes
germinadas. Após cinco dias da semeadura, o promeristema radicular apresentou
divisões celulares e as células do meristema fundamental tiveram alongamento
conspícuo, associado à formação de espaços (Fig. 10a). Na região da plúmula ocorreu
expansão das células protodérmicas das bainhas foliares e da cavidade cotiledonar e
também das células do meristema fundamental (Fig. 10b). Após 30 dias da semeadura,
ocorreu diferenciação de elementos traqueais nos cordões procambiais das bainhas
foliares (Fig. 10c). Após 100 dias da semeadura, não foram evidentes alterações
significativas no embrião, além do alongamento discreto das células, porém, na linha de
fraqueza do opérculo, ocorreu evidente redução da espessura das paredes celulares,
enquanto que nas células próximas, pertencentes ao endosperma micropilar e ao
endosperma lateral, houve mobilização das reservas da parede celular, principalmente
em regiões adjacentes aos campos de pontoação primários (Fig. 10d).
33
Histoquímica
As paredes celulares espessadas do endosperma apresentam conteúdo de
reserva de natureza predominantemente não-celulósica, com armazenamento de manano
(Fig. 11a). O endosperma altamente vacuolado acumula mucilagens, assim como
compostos fenólicos, alcaloides e terpenoides, sendo os compostos secundários
concentrados especialmente na região adjacente ao haustório (Fig. 11b-f, Tab. 1). O
acúmulo de proteínas e corpos lipídicos no endosperma é moderado; a presença de
grãos de amido não foi detectada. Reservas proteicas com numerosas inclusões do tipo
globoide, distribuem-se de modo uniforme pelas células do embrião. Armazenam-se em
corpos proteicos de diversos tamanhos e densidades, presentes na protoderme e nas
células do pecíolo cotiledonar (Fig. 11g-h), onde começam a ser mobilizadas dos cinco
aos dez dias de cultivo, resultando na formação de vacúolos contendo apenas resíduos
de proteínas (Fig. 11i). A mobilização de reservas proteicas no haustório foi observada
nos cordões procambiais e diminuiu gradativamente durante o intumescimento do
embrião, quando foram convertidas em amido transitório aos cinco dias de plantio.
Reservas de amido circundam a plúmula do eixo embrionário, porém seu acúmulo foi
acentuado na região meristemática abaixo do nó cotiledonar, sob a forma de diminutos e
numerosos grãos de amido. O haustório concentrou grãos de amido nas células do
meristema fundamental adjacentes aos cordões procambiais. Na periferia de toda a
região haustorial, inclusive a protoderme, ocorreu acúmulo de amido. O consumo das
reservas do amido transitório foi verificado em regiões de crescimento como plúmula e
meristema apical da raiz (Fig. 11j). Em menor concentração, corpos lipofílicos foram
observados na parede celular do pecíolo e na protoderme da região mediana do
haustório. Compostos fenólicos e alcaloides aglomeram-se em locais equivalentes do
embrião aos cinco dias de cultivo, preferencialmente na região proximal do cotilédone,
34
bem como entre as bainhas foliares. Cordões procambiais da região distal do haustório
apresentaram discreto acúmulo de compostos fenólicos. Terpenoides acumulados em
gotas lipossolúveis no citoplasma distribuem-se pelo haustório e em grande quantidade
no pecíolo cotiledonar (Fig. 11k-n).
Discussão
As estruturas do diásporo e de plântulas de M. flexuosa possuem
particularidades relacionadas às condições de recalcitrância da semente e aos ambientes
pantanosos. Em ambientes úmidos é maior a diversidade de herbívoros e patógenos. O
buriti não é protegido por exocarpo ou endocarpo lenhosos comum em palmeiras
(Orozco-Segovia et al. 2003; Ribeiro et al. 2011; Neves et al. 2013; Oliveira et al.
2013), que dificultam a absorção de água e assim, a manutenção da viabilidade das
sementes recalcitrantes. Em contrapartida, a espécie possui semente com endosperma
extremamente rígido, devido às paredes celulares espessas ricas em mananos (Gong et
al. 2005), com elevada presença de compostos secundários com ação protetora contra
herbívoros e patógenos (Koolen et al. 2012, 2012b). Ocorre também expressivo
acúmulo de compostos secundários, especialmente fenólicos, na semente e na plântula.
A presença de células altamente vacuoladas no embrião, preenchidas com reserva
proteica, e a ausência de armazenamento de reservas insolúveis, foram associadas ao
comportamento recalcitrante da semente da palmeira E. edulis (Panza et al. 2004). A
presença de estômatos na protoderme facilita a difusão de gases para o embrião e reflete
a alta demanda de oxigênio em condições de hipoxia (Pech y Aké et al. 2004; Ribeiro et
al. 2012) existentes em ambientes pantanosos como as veredas. A ausência de ráfides no
embrião e a sua formação imediatamente após a germinação indicam função deterrente
oferecida pela presença das inclusões (Panza et al. 2004; Zona 2004). O registro de
35
elementos de vaso diferenciados durante o estado pré-germinativo da semente é inédito
para Arecaceae e reforça a proposta do contínuo desenvolvimento das sementes
recalcitrantes, que não passam pela fase de quiescência (Pammenter et al. 2000b;
Tweddle et al. 2003; Panza et al. 2004). A grande quantidade de reservas endospérmicas
de sementes de buriti e a maior expansão da parte aérea da plântula em detrimento da
raiz estão também relacionadas ao desenvolvimento da espécie em ambientes de densa
vegetação herbácea, raramente expostos ao estresse hídrico e com limitada
disponibilidade de oxigênio.
A dormência em M. flexuosa é do tipo fisiológica não-profunda,
determinada pela incapacidade do embrião em superar a resistência oferecida pelo
opérculo. A germinação na espécie não está associada a requerimentos estritos de
temperatura, uma vez que o processo germinativo ocorreu em faixas térmicas próximas
às condições climáticas observadas nas regiões de ocorrência da espécie. Além disto,
não ocorre crescimento significativo do embrião antes da germinação, o que caracteriza
a ausência de dormência morfológica (Oliveira et al. 2013). A restrição ao crescimento
do embrião está relacionada à existência de um opérculo espesso formado pelo
tegumento opercular esclerificado e pelo endosperma micropilar rico em mananos. A
restrição física imposta pelo opérculo, possivelmente, está relacionada, além do efeito
mecânico, à restrição ao fluxo de oxigênio, de disponibilidade limitada em ambientes
pantanosos e considerado especialmente importante para a germinação de palmeiras
(Hussey 1958; Pech y Aké et al. 2004; Ribeiro et al. 2012). A remoção do opérculo
(Neves et al. 2013; Oliveira et al. 2013) ou do tegumento opercular (Ribeiro et al. 2011;
Oliveira et al. 2013b; Rodrigues Junior et al. 2013), mostrou-se determinante para a
germinação de sementes de outras espécies de palmeiras de ocorrência no Cerrado. A
dormência é um caráter adaptativo importante para o sucesso reprodutivo de numerosas
36
espécies, por distribuir a germinação ao longo do tempo, favorecendo a germinação em
condições ambientais favoráveis ao estabelecimento de plântulas, diminuindo a
competição entre as plântulas e contribuindo para a formação de bancos de sementes
(Baskin e Baskin 1998; Hartmann et al. 2002; Tweddle et al. 2003; Baskin e Baskin
2004; Finch-Savage e Leubner-Metzger 2006). Como M. flexuosa tem frutificação com
sazonalidade variável e ocorre em ambientes sempre úmidos, além de possuir sementes
recalcitrantes com baixo potencial de formação de bancos de sementes, é possível que a
dormência na espécie tenha outro papel, extremamente relevante: o de favorecer a
dispersão.
Em palmeiras do Cerrado a dormência é, frequentemente, associada ao
comportamento ortodoxo da semente (Magalhães et al. 2012; Ribeiro et al. 2012; Neves
et al. 2013), sendo a associação entre dormência e recalcitrância, características
raramente atribuídas às demais palmeiras brasileiras. A sensibilidade à dessecação é um
estado ancestral, em que a tolerância evoluiu de forma independente uma série de vezes,
sendo que a recalcitrância impôs algumas limitações sobre os nichos de regeneração
abertos para espécies intolerantes à dessecação (Pammenter et al. 2000; Linkies et al.
2010). O desenvolvimento de estruturas no diásporo do buriti como tegumento
lignificado, endosperma pétreo e opérculo rígido e espesso promoveu a aquisição da
dormência, o que permite atribuir à espécie uma condição intermediária sob este aspecto
evolutivo. A abundância do buriti, inclusive em ambientes pantanosos do bioma
Cerrado, por outro lado, atesta o sucesso da associação entre as duas características:
enquanto a recalcitrância permitiu à espécie a especialização a ambientes pantanosos,
uma vez que restringe a ocorrência dos indivíduos a eles, a dormência, por favorecer a
dispersão, devido ao atraso na germinação, permitiu a grande expansão das populações
nestes ambientes.
37
O desenvolvimento inicial da plântula de buriti está relacionado à
predominância do alongamento sobre divisões celulares. O padrão de desenvolvimento
inicial, sensu Martius, de M. flexuosa é adjacente ligulado, em que não há um
crescimento acentuado do pecíolo cotiledonar, o que é considerado derivado e associado
à ausência de endocarpo rígido e à adaptação a ambientes úmidos (Orozco-Segovia et
al. 2003; Henderson 2006). Nesta situação, a protrusão da plântula é alcançada sem a
necessidade do desenvolvimento de meristemas específicos no pecíolo, ao contrário do
que ocorre no tipo de desenvolvimento remoto (Oliveira et al. 2013; Neves et al. 2013).
Outras peculiaridades na estrutura das plantas em relação a outras palmeiras estudadas
estão relacionadas à proliferação de espaços e acúmulo de idioblastos fenólicos na parte
aérea, formação de uma coifa muito ampla e ausência de aerênquima no haustório
(Ribeiro et al. 2012; Oliveira et al. 2013; Neves et al. 2013).
As características das reservas em M. flexuosa estão associadas à condição
de recalcitrância, e a mobilização de reservas endospérmicas ocorre por fluxo
simplástico e está relacionada à superação da dormência. A ocorrência restrita de
reservas lipídicas no embrião e endosperma, também relatada para as sementes
recalcitrantes da palmeira E. edulis (Panza et al. 2004), possivelmente está relacionada à
maior demanda de oxigênio para a mobilização e cuja disponibilidade é baixa nos solos
alagados (Gonçalves et al. 2010). A formação de uma zona de digestão no endosperma
adjacente ao haustório é típica de palmeiras e envolve um gradiente de mobilização,
onde inicialmente são mobilizadas as reservas do protoplasto e posteriormente da
parede celular (DeMason et al. 1985; DeMason 1988b; Oliveira et al. 2013). A
existência de parede celular rígida, rica em manano, a presença de numerosos e
proeminentes campos primários de pontoação nas células endospérmicas de M. flexuosa
e a observação da mobilização da parede em regiões contíguas aos campos, permite a
38
proposição que o transporte das reservas mobilizadas se dá por fluxo simplástico. A
observação do enfraquecimento das paredes celulares da linha de fraqueza do opérculo e
de células adjacentes indica que o processo, de ocorrência ampla em sementes
ortodoxas (Finch-Savage e Leubner-Metzger 2006), também é importante em palmeiras
e constitui mecanismo de superação da dormência em condições naturais.
Os resultados obtidos no presente trabalho permitem concluir que a
estrutura das sementes e das plântulas de M. flexuosa apresentam diversos mecanismos
de adaptação a ambientes pantanosos, como estômatos nos embriões e abundância de
compostos secundários nas plântulas; a dormência na espécie é fisiológica não
profunda, determinada pela limitação do embrião em vencer a resistência dos tecidos do
opérculo; a retirada do opérculo promove a rápida germinação e constitui metodologia
eficiente para a propagação da espécie; a associação entre recalcitrância, que favoreceu
a especialização, e a dormência, que favoreceu a dispersão, foi determinante para o
sucesso reprodutivo da espécie e sua ampla distribuição em ambientes pantanosos; o
alongamento celular no cotilédone promove a protrusão da plântula; a mobilização das
reservas endospérmicas se dá por fluxo simplástico e está associada à superação da
dormência, devido ao enfraquecimento dos tecidos adjacentes ao embrião.
39
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47
Apêndices
Fig. 1 Distribuição e características de populações e indivíduos de Mauritia flexuosa. a
Mapa do Brasil mostrando a localização bioma Cerrado (marrom) e dos limites
aproximados da ocorrência de populações de buriti, segundo Lorenzi et al. (2010) (linha
tracejada em vermelho), coordenadas do local de coleta (seta); b população natural de
M. flexuosa; c com cachos de frutos e d plântulas germinadas em ambiente de vereda.
48
Fig. 2 Frutos maduros e embrião de Mauritia flexuosa. a Frutos maduros, destacando a
cicatriz de abscisão (seta) e resquícios do perianto persistente (ponta de seta); b secção
longitudinal do fruto evidenciando regiões do pericarpo, cavidade entre mesocarpo e
tegumento (seta) e opérculo (ponta de seta); c embrião isolado da semente aderido ao
opérculo com indicação da fenda cotiledonar (seta). cp pecíolo cotiledonar, ed
endosperma, em embrião, ex exocarpo, ha haustório, me mesocarpo, my endosperma
micropilar, te tegumento, ot tegumento opercular.
49
15ºC
30ºC
20ºC
35ºC
variable temperatures
25ºC
40ºC
30ºC
100
Germination (%)
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15
Time (weeks)
Fig. 3 Percentuais de germinação de sementes sem opérculo de Mauritia flexuosa
dispostas a germinar em vermiculita, em diferentes temperaturas, por 60 dias e depois
mantidas à temperatura de 30°C. Os colchetes indicam agrupamento das médias pelo
teste de Tukey, ao nível de 5% de probabilidade, nas avaliações de 60 e 105 dias.
50
%
15ºC
100
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
20ºC
a
a a
a
a
25ºC
a
30ºC
35ºC
aa
40ºC
a
a
a
a
a
a
b
b
b
b
petiole
b
b
ligule
b
b
c
b c
c bbb
b
sheath main root lateral
roots
Structure emitted
Fig. 4 Percentuais de emissão de estruturas a partir de sementes sem opérculo de
Mauritia flexuosa dispostas a germinar em vermiculita, em diferentes temperaturas, por
60 dias. As letras diferentes indicam diferenças significativas entre as médias pelo teste
de Tukey, ao nível de 5% de probabilidade.
51
Fig. 5 Semente madura e plântulas de Mauritia flexuosa. b-f Seções longitudinais. a
semente madura, cujo opérculo foi retirado, evidenciando o embrião (seta); b semente
com cinco dias após a semeadura, destacando o intumescimento do pecíolo cotiledonar;
c sementes e plântulas aos dez dias após a semeadura, mostrando a protrusão do pecíolo
cotiledonar (seta) e a região de expansão da lígula (ponta de seta); d semente com 10
dias após a semeadura, mostrando a lígula expandida, emissão de bainha foliar (seta),
com destaque para a região do botão germinativo onde se inicia a protrusão da radícula
(ponta de seta); e semente e plântula aos quinze dias de cultivo evidenciando a raiz
principal com coifa desenvolvida (seta); f semente e plântula aos trinta dias de cultivo
destacando o crescimento do haustório e a grande quantidade de endosperma ainda não
consumido. ed endosperma, em embrião, ha haustório, li lígula, pt plântula, ro raiz
principal, sl bainha foliar, te tegumento. Barras de escala: 1 cm.
52
Protusion of the petiole
Roots
Sheaths
100
%
80
60
40
20
0
0
5
10
15
Time (days)
20
25
30
Fig. 6 Percentuais de protrusão do pecíolo cotiledonar e emissão de raízes e bainhas
foliares por plântulas de Mauritia flexuosa a partir de sementes sem opérculo dispostas
a germinar em vermiculita, a 30ºC, por 30 dias.
53
Fig. 7 Características de estruturas de embriões e plântulas de Mauritia flexuosa
oriundas de sementes sem (a-d) e com (e-h) opérculo dispostas a germinar em
vermiculita, a 30ºC, por 30 dias. (a, e) Comprimentos, (b, f) diâmetros, (c, g) matéria
seca e (d, h) teores de água das estruturas do embrião e das plântulas. A linha tracejada
indica o início da protrusão do pecíolo. n= 50. As barras representam o erro padrão da
média.
54
55
Fig. 8 Seções anatômicas de sementes maduras de Mauritia flexuosa. b-g, i-j Seções
longitudinais. h, k-l Seções transversais. a Esquema da região micropilar, indicando o
eixo embrionário, disposição dos cordões procambiais (linha pontilhada) e regiões
aproximadas representadas em (b-e) (quadrados em vermelho) e alturas aproximadas de
(h, k-l) (tracejados em vermelho); b região micropilar mostrando a linha de fraqueza do
opérculo (setas); c região periférica do opérculo, evidenciando as regiões do tegumento,
mostrando as pontoações (setas) e células do endosperma micropilar; d detalhe do
endosperma micropilar observado em microscopia de contraste de fase mostrando a
linha de fraqueza (elipse) com destaque para paredes celulares espessas (ponta de seta),
campos de pontoação primários e vacúolos proeminentes (asterisco); e região de contato
entre haustório (esquerda) e endosperma, mostrando cordões procambiais periféricos
(seta); f radícula, enfatizando o promeristema radicular (seta); g plúmula, com destaque
para a fenda interna (seta preta), cavidade cotiledonar (seta branca) e cordões
procambiais (ponta de seta); h plúmula e lígula, mostrando cavidade cotiledonar (seta
branca), fenda cotiledonar (seta preta), e detalhe de cordão procambial no nó cotiledonar
(tracejado) com elementos de vaso diferenciados (seta branca); i região proximal do
pecíolo cotiledonar destacando presença idioblastos com conteúdo fenólico na
protoderme (seta); j região proximal do pecíolo cotiledonar com presença de estômato,
destacando a câmara subestomática (seta); k região mediana do haustório mostrando
cordões procambiais (ponta de seta) e camadas de células colapsadas do endosperma
(seta preta); l região distal do haustório evidenciando cordões procambiais periféricos
(ponta de seta) e camadas de células colapsadas do endosperma (seta branca). cc
camadas de células colapsadas, cn nó cotiledonar, cp pecíolo cotiledonar, ed
endosperma, em embrião, gc células-guarda, gm meristema fundamental, ha haustório,
li lígula, me promeristema, my endosperma micropilar, pc procâmbio, pd protoderme, pl
plúmula, ra radícula, sc seed coat, sl camada de esclereídes, s1 primeira bainha foliar,
s2 segunda bainha foliar, tc camada de células tabulares.
56
Fig. 9 Seções anatômicas de sementes germinadas e plântulas de Mauritia flexuosa. a,
c-d, g-j, l Seções longitudinais. b, e-f, k Secções transversais. a-f Sementes com cinco
dias de cultivo. g-j Sementes com 12 dias de cultivo. k-l Sementes com 15 dias de
cultivo. a Raiz destacando idioblastos de conteúdo fenólico (ponta de seta); b região da
plúmula mostrando elementos traqueais diferenciados (ponta de seta) e abertura da
fenda cotiledonar (seta); c região proximal do pecíolo cotiledonar destacando acúmulo
de idioblastos contendo ráfides nas camadas subepidérmicas (seta); d epiderme do
cotilédone mostrando estômato com ostíolo (seta preta), espaços intercelulares (seta
branca) e acúmulo de compostos fenólicos (ponta de seta); e região mediana do
haustório mostrando feixe vascular com diferenciação de elementos traqueais e
57
elementos crivados; f região distal do haustório indicando divisões celulares do
parênquima (ponta de seta) e diferenciação de elementos traqueais (seta); g região
proximal do pecíolo na ocasião da protrusão da raiz, evidenciando a zona meristemática
periférica (ponta de seta branca), acúmulo de idioblastos com ráfides (ponta de seta
preta) e formação de espaços intercelulares na raiz (seta); h lígula e plúmula, destacando
espaços formados pela fusão de idioblastos contendo ráfides (ponta de seta); i lígula
expandida, na ocasião da protrusão da primeira bainha foliar, mostrando a fenda
cotiledonar (seta preta) e espaços na bainha, formados pela fusão de idioblastos com
ráfides (seta branca); j região mediana do haustório evidenciando alongamento das
células do parênquima e ampliação da camada de células colapsadas adjacentes ao
haustório; k bainha foliar mostrando diferenciação das calotas de fibras dos feixes
vasculares (seta) e idioblastos com conteúdo fenólico (ponta de seta); l raiz mostrando
zona meristemática periférica (ponta de seta branca), idioblastos contendo ráfides (ponta
de seta preta) e espaços na raiz (seta). cc células colapsadas, dz zona de digestão, ed
endosperma, ep epiderme, gc células-guarda, ic células intactas, li lígula, me
promeristema, pa parênquima, ph idioblastos de conteúdo fenólico, pc procâmbio, rc
coifa, sc câmara subestomática, se elementos de tubo crivado, s1 primeira bainha foliar,
s2 primeira bainha foliar, te elementos traqueais.
58
Fig. 10 Seções anatômicas longitudinais de sementes com opérculo não germinadas de
Mauritia flexuosa. a-b Sementes com cinco dias de cultivo. c Sementes com trinta dias
de cultivo. d Sementes com cem dias de cultivo. a Região proximal do pecíolo,
mostrando alongamento das células do meristema fundamental da radícula e formação
de espaços intercelulares (seta); b plúmula destacando expansão das células da
protoderme na fenda interna e cavidade cotiledonar (seta); c plúmula, mostrando
diferenciação de elementos traqueais na bainha foliar; d região micropilar indicando
linha de fraqueza do opérculo (elipse) e regiões com mobilização da parede celular em
células endospérmicas adjacentes à linha de fraqueza (ponta de seta). ed endosperma,
em embrião, gm meristema fundamental, li lígula, me promeristema, my endosperma
micropilar, pc procâmbio, pd protoderme, s1 primeira bainha foliar, s2 segunda bainha
foliar.
59
Fig. 11 Testes histoquímicos em sementes de Mauritia flexuosa (Arecaceae). a-i, k-n
Seções em material fresco. j Seção em material incluído em metacrilato. a, c-h
Sementes não germinadas. j Sementes com cinco dias de plantio. b, i, k-n Sementes
com dez dias de plantio. a-f Endosperma. g-n Embrião. a PAS, magenta indica
polissacarídeos neutros; b vermelho de rutênio, rosa indica polissacarídeos ácidos; c
cloreto férrico, marrom indica compostos fenólicos (seta); d reagente de Dittmar,
castanho indica alcaloides (seta); e Sudan IV, vermelho indica corpos lipofílicos
(terpenoides) (seta); f NADI, azul indica óleos essenciais (seta); g azul de bromofenol,
azul indica proteína (seta); h-i Xilidine Ponceau, vermelho indica proteína; notar
consumo aos dez dias; j Lugol, roxo indica amido; notar acúmulo transitório para suprir
demanda energética na germinação (seta); k cloreto férrico, marrom indica compostos
fenólicos (seta); l Reagente de Dittmar, castanho indica alcaloides (seta); m-n NADI,
lilás indica óleo-resina e azul indica óleos essenciais (seta). cw parede celular, ed
endosperma, em embrião, ep epiderme, gm meristema fundamental, ml lamela média, pa
parênquima, pc procâmbio, pd protoderme, pi campos de pontoação
60
Tabela 1. Compostos identificados por testes histoquímicos no embrião e endosperma
de sementes e plântulas de Mauritia flexuosa.
(+) presença / (-) ausência
Compound
Test
Sowing time (days)
Embryo
Colour
Endosperm
0
5
10
0
5
10
mercuric bromphenol blue
blue
++
+
-
-
-
-
xylidine Ponceau
red
++
+
-
-
-
-
Lugol reagent
purple
-
++
-
-
-
-
Sudan Black
dark blue
-
-
-
+
+
+
Sudan IV
red
-
-
-
+
+
+
mucilage
tannic acid
black
+
+
+
+
+
+
pectins
ruthenium red
rose
+
+
+
+
+
+
polysacchaderides
PAS
magenta
-
-
-
++
++
++
phenolic compounds
ferric trichloride
brown
++
++
++
+
+
+
phenolic compounds
toluidine blue
green color
++
++
++
+
+
+
alkaloids
Dittmar reagent
brown
++
++
++
+
+
+
essential oils
Nadi reagent
violet blue
+
+
+
+
+
+
protein
starch
lipids
61
Anexos
Periódico – Plant Reproduction
Tipos de artigos:
Plant Reproduction aceita revisões, artigos originais e notas científicas:
- artigos originais devem apresentar resultados científicos que sejam essencialmente novos e
devem ser estruturados de acordo com as orientações dadas abaixo.
- comunicações curtas não devem exceder duas páginas impressas (uma página impressa
corresponde aproximadamente: texto de 850 palavras, ou três ilustrações com suas legendas, ou
55 referências).
- atualizações de sequências serão consideradas comunicações curtas.
Disponibilidade de materiais
Publicação de um manuscrito em Plant Reproduction exige explicitamente que os autores
ofereçam pesquisa sem fins lucrativos de todos os materiais não disponíveis no mercado, que
são parte integrante dos resultados informados, i. e., necessários para sustentar as principais
reivindicações e permitir a sua verificação ou replicação. Tais materiais incluem, por exemplo,
mutantes, os estoques genéticos, plantas transgênicas, vetores, anticorpos, enzimas, as
sequências primer e software. Abordagens razoáveis para proteger os direitos de propriedade
são permitidas, se o fato de que os direitos de propriedade (incluindo pedidos de patentes) são
protegidos seja mencionado explicitamente na seção materiais e métodos. Quaisquer restrições
que possam afetar o compartilhamento dos materiais devem ser indicadas na carta de submissão,
bem como na seção materiais e métodos. Os revisores decidirão sobre a aceitabilidade dessas
restrições quando considerarem o manuscrito para publicação.
Submissão de manuscrito
Submissão de um manuscrito implica: que o trabalho descrito não tenha sido publicado antes;
que não esteja sob consideração para publicação em qualquer outro lugar; que sua publicação
tenha sido aprovada por todos os co-autores, se houver, assim como pelas autoridades
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responsáveis – tácita ou explicitamente – na instituição onde o trabalho tenha sido executado. A
editora não será considerada legalmente responsável por nenhum pedido de indenização.
Permissões
Autores que desejem incluir figuras, tabelas ou passagens de textos que já tenham sido
publicados em outro lugar devem requerer permissão do detentor dos direitos autorais, tanto
para o formato impresso ou on line e incluir provas de que tal permissão tenha sido concedida
quando submeter seu artigo. Todo material recebido sem tal evidencia será considerado como
original dos autores.
Submissão on line
Autores deverão submeter seus manuscritos on line. Submissão eletrônica reduz
substancialmente o processo editorial e tempo de revisão e reduz o tempo total de publicação.
Favor seguir o hiperlink “submit on line” à direita e faça o upload de todos os seus arquivos
manuscritos seguindo as instruções dadas na tela.
Página título
A página título deve incluir:
- nome(s) do autor(es);
- título conciso e informativo;
- afiliações e endereços dos autores;
- endereço eletrônico, telefone e numero de fax do autor correspondente
Resumo
Por favor, forneça de 150 a 250 palavras. O resumo não deve conter qualquer abreviação
indefinida ou referências não especificadas
63
Palavras-chave
Favor fornecer de 4 a 6 palavras-chave que possam ser usadas para fins de indexação
Formatação do texto
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- use uma fonte normal, simples (Times Roman 10, por exemplo) para o texto
- use itálico para dar ênfase
- use a função numeração automática de paginas para numerar paginas
- não use funções de campo
- use tabulações e outros comandos para recuos, e não barra de espaço
- use função tabela, e não planilhas eletrônicas, para fazer tabelas
- use o editor de equações ou mathtype para fazer equações
- salve seu documento no formato docx (word 2007 ou superior) ou formato doc (versão antiga
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Cabeçalhos
- favor não usar mais do que três níveis de cabeçalhos exibidos.
Abreviaturas
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Notas de rodapé
Podem ser usadas dando informação adicional, que deve incluir a citação de uma referência
incluída na lista de referências. Ela não deve consistir apenas de uma citação de referência e
nunca devem incluir os detalhes bibliográficos de uma referência. Também não contêm
qualquer figura ou tabela. Notas de rodapé são numeradas consecutivamente, para tabelas
devem ser indicadas por letras minúsculas em sobrescrito (ou asteriscos para valores
64
significativos ou outros dados estatísticos). Notas de rodapé para titulo ou autores não são dados
símbolos de referência.
Sempre use notas de rodapé em vem de notas finais.
Agradecimentos
Agradecimentos a pessoas, bolsas, fundos podem ser colocados em seção a parte antes da lista
de referências. Os nomes das organizações de financiamentos podem ser escritos na íntegra.
Estilo científico
Nomes de gêneros e espécies devem ser em itálico
Referências
Citar referências no texto pelo nome e ano em parênteses.
Exemplos:
-
Negotiation research spans many disciplines (Thompson 1990).
-
This result was later contradicted by Becker and Seligman (1996).
-
This effect has been widely studied (Abbott 1991; Barakat et al. 1995; Kelso and Smith
1998; Medvec et al. 1999).
A lista de referências deve incluir trabalhos citados no texto e que tenham sido publicados ou
aceitos para publicação. Comunicações pessoais e dados não publicados serão apenas
mencionados no texto. Não use notas de rodapé ou notas finais como substituição a uma lista de
referências.
Entradas na lista de referências devem ser em ordem alfabética pelo sobrenome do primeiro
autor de cada trabalho.
Exemplos:
- Journal article
- Gamelin FX, Baquet G, Berthoin S, Thevenet D, Nourry C, Nottin S, Bosquet L
(2009) Effect of high intensity intermittent training on heart rate variability in
65
prepubescent children. Eur J Appl Physiol 105:731-738. doi: 10.1007/s00421-0080955-8
- Preferencialmente, os nomes de todos os autores devem ser fornecidos, mas o uso de “et al”
em listas longas de autores, poderão também ser aceitas:
- Smith J, Jones M Jr, Houghton L et al (1999) Future of health insurance. N Engl J
Med 965:325–329
- Article by DOI
- Slifka MK, Whitton JL (2000) Clinical implications of dysregulated cytokine
production. J Mol Med. doi: 10.1007/s001090000086
- Book
- South J, Blass B (2001) The future of modern genomics. Blackwell, London
- Book chapter
- Brown B, Aaron M (2001) The politics of nature. In: Smith J (ed) The rise of modern
genomics, 3rd edn. Wiley, New York, pp 230-257
- Online document
- Cartwright J (2007) Big stars have weather too. IOP Publishing PhysicsWeb.
http://physicsweb.org/articles/news/11/6/16/1. Accessed 26 June 2007
- Dissertation
- Trent JW (1975) Experimental acute renal failure. Dissertation, University of
California
Sempre use padrão de abreviação de um nome de jornal de acordo com ISSN List of Title Word
Abbreviations.
Para autores que utilizam endnote, a editora fornece um estilo de saída que suporta a formatação
de citações no texto e lista de referência.
Tabelas
Todas as tabelas são enumeradas usando números arábicos
Tabelas sempre devem ser citadas no texto em ordem numérica consecutiva
66
Para cada tabela forneça uma legenda da tabela (título) explicando os componentes da tabela
Identificar qualquer material publicado anteriormente, dando a fonte original, na forma de uma
referência no final da legenda da tabela.
Notas de rodapé de tabelas devem ser indicadas por letras minúsculas sobrescritas (ou asteriscos
para valores de significância e outros dados estatísticos) e incluídas sob o corpo da tabela.
Orientações de Arte e Ilustrações
Para obter melhor qualidade do produto final, é altamente recomendável que você apresente
toda a sua obra – fotografias, desenhos, etc – em um formato eletrônico. Sua arte será produzida
nos mais altos padrões, com a maior precisão de detalhes. O trabalho publicado refletirá
diretamente a qualidade da obra fornecida.
Submissão de figuras eletrônicas
Forneça todas as figuras eletronicamente
Indique que programa de gráficos foi utilizado para criar a obra
Para gráficos vetoriais, o formato preferido é EPS, para meios-tons (reticulações), utilize o
formato TIFF. Arquivos do MS Office também são aceitáveis.
Os gráficos vetoriais contendo fontes devem ter as fontes incorporadas nos arquivos.
Nomeie seus arquivos de figura com "Fig" e o número da figura, por exemplo, fig1.eps
Definição: gráfico preto e branco, sem sombreamento.
Não use linhas e / ou letras fracas e verifique se todas as linhas e inscrições dentro das figuras
são legíveis no tamanho final.
Todas as linhas devem ter, pelo menos, 0,1 mm (0,3 pt) de largura.
Desenhos digitalizados e desenhos em formato bitmap devem ter uma resolução mínima de
1200 dpi.
Os gráficos vetoriais contendo fontes devem ter as fontes incorporadas nos arquivos.
67
Tratamento de imagem
Definição: fotografias, desenhos ou pinturas com fino sombreamento, etc
Se qualquer ampliação é usada nas fotografias, indicar isso usando barras de escala nas próprias
figuras.
Fotografias devem ter uma resolução mínima de 300 dpi.
Definição: uma combinação de meio-tom e arte de linha, por exemplo, meios-tons contendo
desenho, letras, diagramas, etc
Combinação da obra deve ter uma resolução mínima de 600 dpi.
Arte da cor
Arte da cor é gratuita para publicação online.
Se o preto e branco será exibida na versão impressa, certifique-se de que a informação principal
ainda será visível. Muitas cores não são distinguíveis uma da outra quando convertidas para
preto e branco. Uma maneira simples de verificar isso é fazer uma cópia xerográfica para ver se
as distinções necessárias entre as diferentes cores ainda são aparentes.
Se os números serão impressos em preto e branco, não se refira à cor nas legendas.
Ilustrações coloridas devem ser apresentadas como RGB (8 bits por canal).
Rótulo da Figura
Para adicionar rótulo, é melhor usar Helvetica ou Arial (sans serif).
Mantenha o tamanho do rótulo consistente em toda a sua obra final, geralmente cerca de 2-3
mm (8-12 pt).
Variância do tamanho do tipo dentro de uma ilustração deve ser mínima, por exemplo, não usar
o tipo 8-pt em um eixo e tipo 20-pt para a etiqueta do eixo.
Evitar efeitos como sombreamento, cartas esboço, etc
Não incluem títulos ou legendas dentro de suas ilustrações.
68
Numeração da figura
Todas as figuras devem ser numeradas com algarismos arábicos.
As figuras devem ser sempre citadas no texto em ordem numérica consecutiva.
Partes da figura devem ser denotadas por letras minúsculas ( a, b, c , etc.)
Se um apêndice aparece em seu artigo e que contém um ou mais números, continuar a
numeração consecutiva do texto principal. Não numerar as figuras do apêndice, "A1 , A2 , A3,
etc ". Valores em apêndices on-line (Electronic Material Suplementar) devem, entretanto, ser
numeradas separadamente.
Legendas das Figuras
Cada figura deve ter um título conciso descrevendo com precisão o que a figura mostra. Incluir
as legendas no arquivo de texto do manuscrito, não no arquivo de figura.
As legendas das figuras começam com o termo Fig. Em negrito, seguido do número da figura,
também em negrito.
Nenhuma pontuação deve ser incluída depois do número, nem qualquer pontuação de será
colocada no fim da legenda.
Identificar todos os elementos encontrados na figura na legenda da figura e usar caixas, círculos
etc, como pontos de coordenadas em gráficos .
Identificar previamente o material publicado, dando a fonte original, sob a forma de uma citação
de referência no final do subtítulo figura
Posicionamento e tamanho da figura
Ao preparar as suas figuras, figuras de tamanho para caber na largura da coluna.
Para a maioria dos jornais as figuras devem ser 39 mm, 84 milímetros, 129 milímetros ou 174
milímetros de largura e não superior a 234 milímetros.
Para livros e revistas do tamanho de livros, os números devem ser de 80 mm ou 122 milímetros
de largura e não superior a 198 milímetros.
69
Permissões
Ao incluir figuras que já foram publicados em outros lugares, deve-se obter permissão do
detentor dos direitos de autor (s), tanto para o formato impresso e online. Por favor, esteja ciente
de que alguns editores não concedem direitos eletrônicos de graça e que Springer não será capaz
de reembolsar todos os custos que podem ter ocorrido para receber essas permissões.
Em tais casos, o material a partir de outras fontes deve ser usado.
Acessibilidade
A fim de dar às pessoas de todas as habilidades e dificuldades de acesso ao conteúdo de suas
figuras, por favor, certifique-se de que:
Todos os valores têm legendas descritivas (usuários cegos poderiam, então, usar um software ou
um hardware de texto para Braille)
Os padrões são utilizados em vez de ou em adição a cores de informação de transporte (usuários
daltônicos seriam então capazes de distinguir os elementos visuais)
Qualquer rotulação de figura tem uma proporção de pelo menos 4.5:1
Conflito de interesses
Todos os benefícios de qualquer forma de uma parte comercial relacionada direta ou
indiretamente com o tema deste manuscrito ou qualquer um dos autores devem ser
reconhecidos. Para cada fonte de recursos deve ser dado, tanto o financiador de pesquisa e o
número de concessão. Esta nota deve ser adicionada em uma seção separada antes da lista de
referências.
Se não existe nenhum conflito, os autores devem declarar: Os autores declaram não haver
conflito de interesses.
70
Considerações finais
O presente trabalho contribuiu para a ampliação dos conhecimentos restritos
de palmeiras, com uma abordagem sobre a associação entre dormência e recalcitrância,
podendo colaborar para a propagação de uma espécie de importância ecológica e
hidrológica e de grande potencial econômico e social.
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- Laboratório de Micropropagação