SEM AULAS? E AGORA?... JOGOS MATEMÁTICOS COMO
ESTRATÉGIA DE VALORIZAÇÃO DO AMBIENTE ESCOLAR
Eliane Santana de Souza1 - UEFS
[email protected]
Nadson de Jesus Lima2-UEFS
[email protected]
Orientadora: Maria de Lourdes Haywanon Santos Araujo3-UEFS
Resumo: Este trabalho é resultado de um mini-projeto do PIBID/Matemática, e tem o
objetivo de valorizar o ambiente escolar, com estratégias através dos jogos matemáticos,
destacando a importância da educação matemática através dessa metodologia. Durante o
mini-projeto, selecionamos alunos monitores do ensino fundamental e médio, que estão
construindo jogos matemáticos e estão sendo orientados na utilização dos mesmos, para
que assim, apliquem esses jogos no turno oposto com alunos que estiverem em aula vaga.
Destarte, buscamos incentivar a aprendizagem dos alunos quando estiverem sem aulas e
enriquecer paralelamente nossa formação enquanto licenciandos em matemática na tríade
ensino, pesquisa e extensão.
Palavras-chave: Jogos; Ensino de matemática; Extensão.
Introdução
O presente trabalho, busca relatar a experiência do Projeto Institucional de Bolsa de
Iniciação a Docência (PIBID) - subprojeto de matemática - na Universidade Estadual de
Feira de Santana (UEFS). Financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de
Nível Superior (CAPES) e apoiado pelo Programa de Consolidação das Licenciaturas
(PRODOCENCIA/UEFS), “visa contribuir para elevar a qualidade dos cursos de
licenciatura, por meio de fomento a projetos institucionais, na perspectiva de valorizar a
formação e reconhecer a relevância social dos profissionais do magistério da educação
básica” (CAPES, 2011). O PIBID tem como objetivo incentivar o magistério superior e
elevar a qualidade das ações acadêmicas voltadas à formação inicial de professores nos
cursos de licenciatura.
1
2
Licencianda em matemática pela UEFS, bolsista do PIBID matemática.
Licenciando em matemática pela UEFS, bolsista do PIBID matemática.
Professora do departamento de educação da UEFS, e coordenadora do subprojeto PIBID
matemática. Email: [email protected]
3
Esse programa seleciona alunos-bolsistas de licenciatura para desenvolver diversas
atividades de pesquisa, ensino e extensão, criando novos espaços acadêmicos, e trazendo
para nós, alunos de graduação, a vivência da aprendizagem fora das paredes da academia,
resultando assim a nossa inserção na realidade concreta, tecendo relações sociais que
refletem em políticas públicas.
O PIBID tem funcionado como um elo entre a universidade e a sociedade, onde nós
bolsistas trabalhamos a fim de minimizar as carências apresentadas pela comunidade
escolar. Desse modo, a universidade junto ao programa, nos prepara para a realidade
profissional, percebendo assim, a importância da extensão no nosso processo de ensino e
aprendizagem. De acordo com o documento do Fórum de Pró-Reitores de Extensão das
Universidades Públicas Brasileiras (2001):
A Extensão Universitária é o processo educativo, cultural e científico que
articula o Ensino e a Pesquisa de forma indissociável e viabiliza a relação
transformadora entre Universidade e Sociedade. A Extensão é uma via de
mão-dupla, com trânsito assegurado à comunidade acadêmica, que
encontrará, na sociedade, a oportunidade de elaboração da praxis de um
conhecimento acadêmico. No retorno à Universidade, docentes e
discentes trarão um aprendizado que, submetido à reflexão teórica, será
acrescido àquele conhecimento.
Esse fluxo, que estabelece a troca de saberes sistematizados, acadêmico e
popular, terá como conseqüências a produção do conhecimento resultante
do confronto com a realidade brasileira e regional, a democratização do
conhecimento acadêmico e a participação efetiva da comunidade na
atuação da Universidade. (p. 05)
A construção do conhecimento na extensão deve ocorrer através de um diagnóstico
da comunidade estudada, onde assim a construção social acontece mais efetiva, pois, nós
estudantes de graduação, vamos desenvolver ações a partir da necessidade da comunidade,
trazendo como resultados, benefícios para ambos.
A idéia do projeto, surge como conseqüência do relatório diagnóstico (primeira
ação do PIBID na escola) o qual foi realizado através de entrevistas com a comunidade
escolar e observação das aulas e de todo o espaço, para que assim conseguíssemos ter uma
noção das necessidades e aspectos positivos do Colégio Estadual Governador Luiz Viana
Filho (CGLVF). A partir dessa realidade houve a criação de mini-projetos.
O mini-projeto apresentado nesse trabalho é O Uso dos Jogos no Ensino da
Matemática, que foi elaborado por dois motivos: a quantidade de alunos em aulas vagas no
colégio e a não utilização dessa metodologia no ensino de matemática.
Tem como
objetivos trabalhar conceitos matemáticos desenvolvendo o raciocínio lógico dos alunos,
despertar o interesse dos professores na utilização dos jogos na sala de aula, quebrar
paradigmas sobre os jogos em sala de aula e mostrar aos alunos ao decorrer do projeto que
o colégio é um ambiente de aprendizagem mesmo em aulas vagas, fazendo com que esses
alunos no momento das aulas vagas, em vez de ficar nos corredores, busquem
conhecimentos matemáticos através dos jogos.
Contextualizando
O projeto com o uso dos jogos traz o aluno à pesquisa, ao ensino e a extensão,
dando ao mesmo a oportunidade de descobrir novos caminhos para sua própria
aprendizagem, deixando claro que a mesma está além da sala de aula.
Os jogos propiciam aos alunos o conhecer os conteúdos matemáticos, analisarem
suas particularidades e transformar o que era visto como um conteúdo de difícil
aprendizagem, em algo fácil divertido e de bom entendimento.
[...] A idéia central do trabalho consiste em fazer com que o
jogador tenha uma atuação o mais consciente e intencional possível, de
modo que a possa produzir um resultado favorável ou, se isso não ocorre,
que aprenda a analisar os diferentes aspectos do processo que o
impediram de atingi-lo. Com isso, frequentemente o aluno é levado – por
si próprio ou por meio de intervenções de um profissional – a rever sua
produção e atitudes, sempre tendo como fim modificar o que é negativo à
realização da atitude como um todo ou melhorar aspectos que se
apresentam insuficientes. (MACEDO, PETTY, PASSOS, 2000, p. 13)
A utilização dos jogos não só no ensino, mas também em pesquisas e extensão
proporcionam uma formação inigualável, tanto para nós licenciandos quanto para os alunos
de educação básica, pois ajuda no desenvolvimento cognitivo e lógico, além de trabalhar
os conceitos matemáticos. Propicia também para nós licenciandos, uma vivência que nos
mostra que o que aprendemos e pesquisamos sobre os jogos se aplicam. Essa descoberta na
eficiência da metodologia, só é possível a partir do momento que saímos da Universidade e
vamos à busca da aplicação da metodologia por nós mesmos em um ambiente escolar,
onde podemos ver os resultados obtidos, enriquecendo ainda mais nossos conhecimentos
como futuros professores de matemática.
Silva e Kodama ratificam a importância dos jogos para o professor em:
O uso de jogos para o ensino representa, em sua essência, uma
mudança de postura do professor em relação ao o que é ensinar
matemática, ou seja, o papel do professor muda de comunicador de
conhecimento para o de observador, organizador, consultor, mediador,
interventor, controlador e incentivador da aprendizagem, do processo de
construção do saber pelo aluno, e só irá interferir, quando isso se faz
necessário, através de questionamentos, [...], mas nunca para dar a
resposta certa. (SILVA, KODAMA, 2004, p.05)
Daí, percebemos a importância do trabalho com jogos, para autonomia do aluno, a
partir do papel desenvolvido pelo professor. Entendemos que a partir das pesquisas
apresentadas é possível a mudança do modelo tradicional do ensino, para um ensino
diferenciado, trazendo o dinamismo para as aulas, mas sem perder o rigor matemático.
Assim, “[...] o uso de jogos implica uma mudança significativa nos processos de ensino e
aprendizagem, que permite alterar o modelo tradicional de ensino, o qual muitas vezes tem
no livro e em exercício seu principal recurso didático”. (SMOLE, DINIZ, CANDIDO,
2007, p.11).
A utilização de jogos pode ser analisada de diferentes perspectivas e principalmente
as contribuições do jogar. Quando trabalhados os conceitos matemáticos, a análise do jogo
e dos resultados ainda é mais rica. Segundo Giancaterino (2009) para o conhecimento se
tornar significativo para o aluno, este precisa fazer parte muitas vezes da construção do
jogo, manipulando objetos de estudos e contribuindo suas relações concretas, para que
assim eles consigam abstrair os conceitos matemáticos trabalhados.
Metodologia
No mini-projeto O Uso dos Jogos no Ensino da Matemática são desenvolvidas
construções de jogos matemáticos juntos com os alunos e orientação dos mesmos para uso
dos jogos construídos e dos jogos comprados prontos. O mini-projeto é destinado aos
alunos do colégio de todas as séries, desde o ensino fundamental até o ensino médio e foi
dividido em cinco fases, a saber:
• Na primeira fase houve um processo de inscrição de alunos no turno da
manhã, onde foi utilizado o critério de ordem de chegada para inscrição,
respeitando uma cota por série, para que assim o grupo de 26 monitores
fosse composto por alunos de diversas séries do matutino; Na segunda fase,
houve o treinamento desses 26 monitores onde os mesmo constroem e
aprendem a utilizar os jogos matemáticos. Há diversos tipos de jogos, nos
quais podem ser abordados os assuntos matemáticos, como batalha das
operações, trilha da multiplicação, dominó das frações, torre de Hanói, entre
outros;Na terceira fase houve a divulgação dos monitores e dos jogos
presentes no laboratório de ensino, em um evento de matemática do colégio
no qual divulgamos o projeto;A quarta fase–momento atual do projeto -, o
laboratório está aberto para todos os alunos do colégio do turno vespertino
que estiverem em aula vaga, para que assim possam participar e aproveitar
esse tempo vago com atividade que aumente seus conhecimentos
matemáticos. Assim, unimos diversão com a aprendizagem matemática,
para que os alunos percebam que o ambiente escolar é feito para adquirir
conhecimentos, mesmo fora da sala de aula; A ultima fase é um segundo
evento de socialização dos resultados obtidos para a escola e para os pais
desses alunos.
Resultados e Discussões
Em virtude do mini-projeto estar em andamento, há apenas alguns resultados já
visíveis, os quais são: o desempenho dos alunos monitores em matemática melhorou
bastante, segundo depoimentos deles e dos professores; a interação e cooperação em grupo
dos alunos melhoraram; alguns professores já mostraram o interesse em utilizar essa
metodologia em suas salas de aula; a direção da escola relatou que diminuiu o número de
alunos nos corredores no período de aulas vagas; os alunos que estão em aulas vagas
relataram um melhor desempenho em disciplinas de exatas devido ao trabalho com jogos
que envolvem matemática.
Há alguns resultados esperados ao desenvolver do mini-projeto a exemplo:
Socialização da experiência dos alunos que frequentam o laboratório em sua sala de aula
no intuito de influenciar os professores de matemática a utilizar os jogos nas suas aulas;
melhorar o desempenho dos alunos que também estão em aulas vagas nas disciplinas que
envolvam a matemática; aproximação dos alunos que não gostam da matemática a mudar o
seu conceito pela disciplina, e, principalmente, mostrar aos alunos que no colégio o nosso
maior intuito é aprender, então independente do espaço formal da sala de aula, podemos
sempre estar em busca de mais conhecimentos.
Conclusão
Percebe-se que, a ação dos mini-projetos no PIBID, proporciona uma experiência
inigualável para a formação do licenciando em matemática. Além disso, através do miniprojeto no colégio, alguns profissionais de matemática vêm despertando o interesse em
utilizar os jogos em suas aulas, devido à influência dos monitores, destacando assim a
importância da educação matemática. Destarte, esse trabalho mostra a relevância do PIBID
na escola pública, na interação da mesma com a universidade, melhorando assim a nossa
formação enquanto aluno do curso de licenciatura em matemática e nos oportunizando a
experiência de extensão onde pesquisamos e através das mesmas levamos benefícios para
comunidade escolar, e o entendimento para o aluno de seu papel quanto estudante na
escola, refletindo assim na nossa futura prática docente.
Referências
BRASIL. Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. - CAPES.
Secretaria de Educação Básica - PRODOCENCIA. Brasília. Disponível em:
<http://www.capes.gov.br/educacao-basica/prodocencia>. Acesso em 14/06/2011.
FÓRUM DE PRÓ-REITORES DE EXTENSÃO DAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS
BRASILEIRAS. Plano nacional de extensão universitária. Brasília, 2001. Disponível
em: http://proex.epm.br/projetossociais/renex/planonacionaldeextensao.doc. Acesso em 28
de dezembro de 2009.
GIANCATERINO, Roberto. A matemática sem rituais. Rio de Janeiro - RJ: Wak Ed.
2009.
MACEDO, Lino de, PETTY, Ana Lúcia S., PASSOS, Norimar C.. Aprender com jogos e
situações-problema. Porto Alegre – RS, Artmed, 2000.
SILVA, Aparecida F. da; KODAMA, Helia M. Y. Jogos no Ensino da Matemática. II
Bienal da Sociedade Brasileira de Matemática, UFBA. Disponível em:
www.bienasbm.ufba.br/OF11.pdf. (Acesso em: 15/06/2011).
SMOLE, Kátia S., DINIZ, Maria I. , CANDIDO, Patrícia. Caderno do Mathema: jogos
de matemática de 1º a 5º ano. Porto Alegre – RS, Artmed, 2007.
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