Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
a revista do conhecimento humano publicada pela FACID
Teresina - PI
Semestral
ISSN 2358-3142
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As opiniões e artigos expressos aqui são de inteira
responsabilidade dos autores.
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Revista Facid
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Editor - responsável
Rômulo José Vieira
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Revisão
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Rosilândia Lopes de Amorim, Raimunda Celestina Mendes da Silva
Jornalista Responsável
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Impressão
Gráfica
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Catulo Coelho dos Santos
George Mendes Ribeiro Sousa
Juciara Freitas Ribeiro
(ex-alunos do Curso de Publicidade e Propaganda da FACID)
Revista Facid: Ciência & Vida / Faculdade Integral Diferencial.
V. 8, N. 1, 2012 / Teresina: FACID, 2012.
Semestral
ISSN 2358-3142
1. Pesquisa científica. 2. Desenvolvimento científico.
CDD 509
CDU 001.891
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FACID - Faculdade Integral Diferencial
Integral - Grupo de Ensino Fundamental, Médio,
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Diretor Presidente
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Diretora Acadêmica
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Vice-Diretora Acadêmica
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Coordenador de Pesquisa e Pós-Graduação
Conselho Editorial
Antonia Osima Lopes
Charllyton Luis Sena da Costa
Eliana Campelo Lago
Francisca Sandra Cardoso Barreto
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Maria Josecí Lima Cavalcante Vale
Rômulo José Vieira - Editor Responsável
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Bibliotecária
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EDITORIAL
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Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
EDITORIAL
A FACID, cumprindo seu mister, ter procurado contribuir,
sistematicamente, com o desenvolvimento do Piauí, assim seus programas de
extensão se expandem consideravelmente na área de sua abrangência, ora
promove o Integra FACID, ora atua na Semana da Responsabilidade Social,
mas sempre buscando o atendimento à comunidade vinculada aos seus cursos
de graduação.
No Ensino seus esforços têm sido recompensados com o
reconhecimento, hoje não só da comunidade piauiense mas também do próprio
Ministério de Educação e Cultura-MEC, quando este lhe confere a honrosa
qualificação de melhor faculdade privada do Piauí, tendo por base o Indice
Geral de Cursos (IGC). Além do reconhecimento estabelecido nesta Instituição
de Ensino Superior, que orgulha a todos que a vivenciam, a mesma agora buca
novos horizontes no Ensino da Graduação que se anuciam na ampliação da
oferta dos seus cursos.
Sem estabelecer fronteiras a FACID apresenta mais um salto de
qualidade, ofertando agora cursos de pós-graduação em nível de mestrado:
um interinstitucional, em parceria com a Universidade do Vale do Rio dos Sinos,
do Rio Grande do Sul -UNISINOS -RS, na área de Direito e outro uma proposta
arrojada à CAPES: um mestrado institucional em Biotecnologia e Atenção Básica
de Saúde, que sem dúvida, pela sua qualidade, deverá ser aprovada por aquele
órgão.
Assim a FACID progride em largos passos, ampliando o ensino de
graduação, implementando a pós-graduação em nível de mestrado e, por
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consequinte, incrementando a pesquisa institucional, favorecendo um ambiente
de pesquisa que, em atendimento as demandas locais, contribuem para o
desenvolvimento do Piauí. Suas Semanas Científicas são cada vez mais pretigiadas
pela comunidade acadêmica e profissional, não apenas institucional, mas de
diversas instituições superiores de ensino da região. Destaca-se ainda que a
mesma incrementa o desenvovimento regional, sem no entanto perder de vista
o foco nacional e até mesmo internacional do desenvolvimento científico e
tecnológico.
Neste número a Revista FACID Ciência & Vida tem o prazer de
apresentar a toda comunidade científica do Piauí alguns artigos mais recentes
de seus alunos, professores e de cientistas colaboradores da mesma e na
oportunidade deseja a todos um Feliz Final de Ano de 2012 e votos contínuos
de um mais promissor Ano Novo de 2013.
Saudações Facidianas!
Rômulo José Vieira
Editor - responsável
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SUMÁRIO
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SUMÁRIO
ARTIGOS
DISSOLUÇÃO CONJUGAL POR MULHERES NA
CONTEMPORANEIDADE: UM ENFOQUE PSICOLÓGICO.
Náira Ravanny de Souza Lima, Cyntia Maria de Miranda Araújo....... 19 - 32
ESTADO NUTRICIONAL E FORÇA MUSCULAR
RESPIRATÓRIA EM ESCOLARES DE OITO A DEZ ANOS
Diane Nogueira Paranhos, Adeildes Bezerra de Moura Lima............. 33 - 46
NÍVEL DE CONTROLE PRESSÓRICO E PREVALÊNCIA DE
LESÃO EM ÓRGÃOS-ALVO EM PACIEN TES COM
HIPERTENSÃO ARTERIAL
João Paulo de Araújo Carvalho; Récio Cronemberger Mangueira........ 47 - 57
PATOLOGIAS LOMBARES: PREVALÊNCIA E USO DE
MEDICAMENTOS EM PACIENTES DE CLÍNICAS DE
FISIOTERAPIA
Lia Medeiros Brandim, Cristina Cardoso da Silva, Fabrício Pires de
Moura do Amaral.............................................................................. 58 - 73
ANÁLISE DO COMPROMETIMENTO FUNCIONAL EM
PACIENTES COM LOMBALGIA CRÔNICA
Rosana de Carvalho Neiva, Ana Cristina de Carvalho Melo................. 74 - 89
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OS TRABALHOS ACADÊMICOS E A ÉTICA: GESTÃO DE
DESAFIOS E/OU DE COMPETÊNCIAS
Francisca Sandra Cardoso Barreto.............................................
90 - 99
FAT ORES A SSOCI A D OS À CO N V ER SÃ O D A
COLECI STECTOM IA L A PAROSCÓPI CA
Francisco Pedrosa da Silva, Viviane Chaib Gomes Stegun.......... 100 - 113
PO T EN C I A L
EN ER GÉT I CO
DE
PR OD U T OS
AL IM ENTÍCIOS DESCARTADOS
Thandara Carvalho Cipriano, Rosemarie Brandim M arques,
Charllyton Luis Sena da Costa....................................................... 114 - 125
OS L I M I T ES ÉT I COS D O PROFI SSI O N A L D E
FI SI OTERA PI A QUE ATUA NA S UTI 'S DE A LTO RISCO
Bruna Barros de Sousa M endes , Francisca Sandra Cardoso
Barreto ...................................................................................... 126 - 142
NORMAS EDITORIAIS ........................................................
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ARTIGOS
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DISSOLUÇÃO CONJUGAL POR MULHERES NA
CONTEMPORANEIDADE: UM ENFOQUE PSICOLÓGICO
MARITAL DISSOLUTION BY WOMEN IN CONTEMPORARY
SOCIETY
Náira Ravanny de Souza Lima1
Cyntia Maria de Miranda Araújo2
RESUMO
A concepção de família perpassou pela função de procriação para casamentos
com objetivos econômicos, até chegar à família moderna, com interesses voltado
a satisfação individual na relação. No Brasil as separações e divórcios têm sido
freqüentes. Dados do IBGE mostra que em 2007, para cada quatro casamentos
foi registrada uma dissolução. Esta pesquisa é do tipo qualitativa e exploratória.
Teve como objetivo principal compreender a experiência psicológica das
mulheres na maturidade quando da tomada de decisão pela separação, para
tanto, buscou-se investigar os fatores motivacionais presentes na decisão de
separação/divórcio; identificar os sentimentos predominantes durante o
casamento e separação/divórcio e apresentar as concepções das mulheres
participantes acerca de casamento, família e divórcio. As participantes foram
localizadas a partir da amostragem bola-de-neve. Aplicou-se questionário e
realizou-se entrevista semi-estruturada com 10 mulheres de 35 a 58 anos, as
quais decidiram se separar entre 15 a 29 anos de casamento. Os dados foram
analisados através da Hermenêutica de Profundidade. As categorias criadas
foram: Casamento, família e dissolução conjugal: O que elas têm a dizer?;
"Quando acaba o respeito...": motivos e motivações para a separação e/ou
divórcio; Da privação à liberdade: sentimentos vivenciados no casamento e
pós-casamento e Resquícios de "A Letra Escarlate". Concluiu-se que o
sentimento de insatisfação dentro da relação, aliada à falta de respeito aliada à
falta de respeito foram determinantes na decisão pela separação. Nesse processo,
percebeu-se das entrevistadas o sentimento de receio pelas reações da sociedade
____________________
1.
Aluna de graduação da Faculdade Integral da Diferencial - FACID. Teresina - PI.
2.
Professora da Faculdade Integral da Diferencial - FACID. Teresina - PI.
e-mail:
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em geral, mas também a mudança de paradigma social acerca de casamento e
divórcio.
Palavras-chave: Dissolução conjugal. Separação. Divórcio. Casamento.
Mulher.
ABSTRACT
The concept of family pervaded by the function of procreation to marriage with
economic goals, to reach the modern family, with interests focused on individual
satisfaction in the relationship. In Brazil, separations and divorces have been
frequent. IBGE survey shows that in 2007, for every four marriages were
recorded one dissolution. This research is qualitative and exploratory. Aimed
mainly at understanding the psychological experience of women at maturity when
the decision is taken by separation, for both sought to investigate the motivational
factors present in the decision of separation/divorce, identify the women
predominant feelings during the marriage and separation/divorce and provide
the concepts of the women about marriage, family and divorce. The participants
were located from a sampling snow-ball. A questionnaire was applied and held
semi-structured interviews with 10 women from 35 to 58 years, which decided
to break-up between 15 to 29 years of marriage. The data were analyzed by
Depth Hermeneutics. The created categories were: Marriage, family and marital
dissolution: What are they to say?; "When the respect ends...": reasons and
motivations for the separation and/or divorce; The freedom deprivation: feelings
experienced in marriage and after marriage and Remnants of "The Scarlet Letter"
It was concluded that the feeling of dissatisfaction within the relationship, coupled
with the lack of respect made them want to separate. In this process, in general
was noticed the feeling of respondents fear of the society reactions, but also the
social paradigm shift about marriage and divorce.
Keywords: Marital dissolution. Separation. Divorce. Marriage. Woman.
1 INTRODUÇÃO
Antes de discutir o término da relação conjugal é importante salientar
como se apresentou a construção de família no decorrer da história, a fim, de
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Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
contextualizar os fenômenos separação e divórcio nos dias atuais. Compreendese que existem tipos históricos de família construídos socialmente. Nesse sentido,
têm-se a concepção de família, pela qual perpassou em certo momento a função
de apenas procriação e transmissão da linhagem, para casamentos com objetivos
econômicos, até visualizar-se a família moderna e pós-moderna se moldando a
partir do amor romântico e satisfação pessoal e afetiva dos seus membros. Isso
foi possível devido as mudanças decorrentes do efeito pós 1ª e 2ª Guerra,
globalização e movimento feminista (PROST; VINCENT, 1992; HINTZ, 2001).
Dando enfoque às relações conjugais, Pincus e Dare (1981) apresentam
que o princípio que rege acerca das relações duradouras, é de que nessas relações
há uma reciprocidade e complementaridade das necessidades, anseios e medos
que fazem parte da vida a dois. Entretanto, ao observar dinâmica que os
casamentos foram tomando ao longo do século, tornou-se cada vez mais presente
o número de separações e divórcios.
No Brasil as separações e divórcios tem sido freqüentes. Pesquisa do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que em 2007,
embora tenham sido realizados 916.006 casamentos no Brasil, 2,9% a mais do
que em 2006 (889.828), o número de dissoluções (soma dos divórcios diretos
sem recurso e separações) chegou a 231.329, ou seja, para cada quatro
casamentos foi registrada uma dissolução. Féres-Carneiro (2003) apresenta
através de sua prática clínica como terapeuta de casal, que quase sempre as
mulheres manifestam o desejo de se separarem enquanto os maridos, na maior
parte das vezes, desejam manter o casamento. Surgiu então o interesse de
investigar as separações e divórcios após longos tempos de casamento tendo
como o enfoque a mulher contemporânea e sua subjetividade.
Buscou-se como objetivo principal compreender a experiência
psicológica das mulheres na maturidade quando da tomada de decisão pela
separação ou divórcio, a partir das propostas de investigar os fatores
motivacionais (sociais, econômicos, afetivos) presentes na decisão de separação/
divórcio, de identificar os sentimentos predominantes durante o casamento e
separação/divórcio e apresentar as concepções das mulheres participantes acerca
de casamento, família e divórcio.
Atualmente, dentro da psicologia, as questões de gênero ainda encontramse marginalizadas, apontando a relevância dessa pesquisa para a classe e a
necessidade de incentivo a pesquisas desse porte. Por meio dessa pesquisa
propôs-se acrescentar à literatura uma compreensão qualitativa da separação/
divórcio, da mulher e do casamento, de forma a contribuir para estudos
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Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
posteriores, ampliar concepções existentes e fomentar debates, tendo em vista
proporcionar aos profissionais da área da psicologia, meios de atualizar-se em
prol de uma atuação com mais qualidade tanto às mulheres como também à
sociedade como um todo.
2 MATERIAL E MÉTODOS
Esta pesquisa foi de abordagem qualitativa do tipo exploratória.
Participaram da pesquisa 10 mulheres localizadas entre a faixa etária de 35 a 58
anos, as quais tomaram a iniciativa pela separação/divórcio entre 15 a 29 anos
de casamento, conforme proposto nos critérios de participação. Esta
investigação teve como método de constituição da amostra, a bola-de-neve ou
snowball que se mostrou vantajosa por possibilitar identificar os elementos de
uma população indefinida e de difícil localização, como foi o caso da população
deste estudo. Desta forma, a partir da primeira participante, encontraram-se
outras por indicação desta e assim, sucessivamente até completar a quantidade
da amostra. A pesquisa foi realizada em duas cidades: Caxias, Maranhão e em
Teresina, Piauí. Os contatos com as participantes foram ocorridos em ambientes
acordados previamente entre participante-pesquisadora.
Após o projeto da pesquisa ser aprovado pelo Comitê de Ética e
Pesquisa da FACID (Protocolo CEP nº 117/10), foram identificadas as
participante e a elas, foi esclarecido os objetivos e justificativa da pesquisa,
bem como salientado os preceitos éticos como sigilo de informações
identificatórias e não-obrigatoriedade das participantes frente à pesquisa, sendo
garantido o direito de retirar o consentimento em qualquer momento da pesquisa,
sem prejuízos ou sanções. As mulheres que concordaram em participar do estudo
assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido - TCLE, em duas
vias de igual teor, elaborado de acordo com a resolução 196/96 do Conselho
Nacional de Saúde, que dispõe sobre a ética na pesquisa com seres humanos.
Foram marcadas as entrevistas individuais em datas de comum acordo
entre pesquisadora-participante e na ocasião, também fora aplicado o
questionário sócio-demográfico. Com o consentimento das participantes, as
entrevistas foram gravadas em aparelho MP4 e posteriormente transcritas. Para
a analise dos dados, foi feita tabulações com as informações colhidas com os
questionários e criadas categorias para as entrevistas que foram análisadas com
base na metodologia Hermenêutica de Profundidade.
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Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
3.1 Casament o, família e dissolução conj ugal: O que elas t êm a dizer ?
A maioria das participantes ressaltou a idéia de casamento como
instituição necessária para a formação de uma família sendo citados também o
respeito e o diálogo como pré-requisito para o casamento. Nas falas surgiram
também sentimentos de compreensão, companheirismo, cumplicidade, partilha
e parceria como essenciais para a manutenção do casamento. O que leva a
crer, que sentimentos de co-responsabilidade e troca são mais valorizados por
elas na relação a dois, até mais do que o amor, tendo em vista que apenas 01
das participantes citou o mesmo. Cabe ressaltar, que a visão de casamento
apresentada, indica um ideal de igualdade entre os cônjuges, em detrimento a
relações hierárquicas (HINTZ, 2001).
É uma instituição necessária. Pra mim é a base de toda a família
(SARA).
A DR famosa discutir a relação, pra mim é fundamental no
casamento. Chegar e dizer o que não gosta o que gosta, dizer "não
faça isso, isso é melhor". Sempre discutir a relação, foi uma coisa
que faltou no meu casamento, porque ele não gosta de conversar,
então eu sentia muita falta (NÚBIA).
O casamento é diálogo, é apoio (TÂNIA).
Em se tratando de família, foi observado em grande parte das falas das
participantes a expressão "família é base", e " família é tudo", como sendo uma
instituição essencial para a formação do sujeito, corroborando com diversos
autores que trazem a noção de família como mecanismo de transmissão de
valores morais e culturais além de atribuírem a ela função de protetora e cuidadora
(ARIÈS,1981).
É essencial, é a base para todo ser humano (JOYCE).
É o berço da sociedade (SARA).
As relações entre homem e mulher foram ganhando notoriedade nas
discussões sobre família e a dissolução conjugal passou a ser observada como
objeto de estudo pelas ciências humanas. Na maioria dos relatos, o divórcio
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Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
aparece como última opção de um relacionamento que não esta dando certo,
sendo ainda citado por três delas como "um mal necessário". Essa expressão
reflete um sentimento de frustração em relação ao final da relação conjugal. O
não dito é "preferia que tivesse dado certo", de acordo com o preceito social e
religioso de durabilidade que caracterizava o casamento até pouco tempo atrás,
considerando que o divórcio foi legalizado no Brasil em 1977, há exatos 30
anos.
Paralelamente, o divórcio trás o sentido de recomeço, citado por uma
delas, como uma oportunidade de refazer a vida, dando a si mesmas a
possibilidade de assimilação de novos projetos que possam "dar certo". Percebese aqui a conotação de satisfação pessoal atrelado ao casamento e presença de
um imaginário da idéia de casal, além dos papéis de marido e mulher, enfatizando
as relações entre os parceiros.
O divórcio é a oportunidade que a pessoa tem de refazer a sua vida,
a sua vida afetiva, principalmente (SARA).
O divórcio é um mal necessário, ele tem que acontecer quando não
dá mais pra viver, quando não dá mais para conciliar interesses
(BEATRIZ).
3.2 "Quando acaba o respeito...": motivos e motivações para a separação
e/ou divórcio.
Os motivos ligados à separação/divórcio citados pelas participantes
foram traição, agressões verbais, agressões físicas, desrespeito e insatisfação.
A traição apareceu em nove das dez falas, e foi apontada como motivo por seis
das participantes. Observou-se que nos relatos de agressões físicas, estavam
presentes também elementos de violência psicológica.
No meu caso foi traição, que eu não suporto, eu só deduzia, mas
não tinha a certeza, eu só consegui separar de verdade quando eu
tive a certeza, quando eu vi (NÍVEA).
Quando acabou o respeito entre a gente, porque amor já tinha
acabado, mas tava suportável a relação, mas quando acaba o respeito,
quando ele começou a me ignorar e a me tratar mal mesmo na frente
da família dele, dos amigos dele, não tinha mais condição (LEILA).
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Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
Começaram as agressões verbais, o desrespeito até de trazer
namoradas na minha casa, de muitas vezes tentar denegrir a minha
imagem profissional. [...]certa vez eu cheguei até a apanhar em
frente ao trabalho, saí do trabalho e ele me bateu, então isso aí é
uma forma de denegrir a imagem da pessoa (TÂNIA).
Já tinha caído a ficha de que não era pra viver daquele jeito né?
Trabalhando, me matando e no final, ser chamada de vagabunda,
disso, daquilo, que não podia existir (PAULA).
A dinâmica da tomada de decisão pela separação ou divórcio está atrelada
a fatores internos e externos ao indivíduo. Em relação aos fatores internos (fatores
externos serão mais amplamente discutidos na categoria 4) estão a autopercepção e a motivação. A auto-percepção reflete em como a pessoa está se
percebendo dentro da relação e a motivação é o que a impulsiona a fazer algo.
O conceito de motivação está relacionado às necessidades do indivíduo.
A Teoria das Necessidades Humanas de Maslow diferencia cinco tipos de
necessidades: as necessidades fisiológicas (respiração, comida, água, sono, sexo,
homeostase, excreção), necessidades de segurança (do emprego, da família,
da saúde, da propriedade), necessidades de amor e relacionamentos
(participação, amizade, família, intimidade sexual), as necessidades de estima
(auto-estima, confiança, respeito dos outros, respeito aos outros) e necessidades
de auto-realização (moralidade, espontaneidade, solução de problemas)
(CLONINGER,1999; SCHUSTACK; FRIEDMAN, 2003). Dessa forma,
considera-se que além do motivo é preciso estar motivado para separar-se.
De acordo com os dados analisados, observou-se que apesar de terem
pedido o divórcio, as participantes procuraram alternativas ao fim do casamento.
Fato que evidencia a percepção das mesmas em relação ao divórcio como
última opção de um relacionamento que não esta dando certo, apresentada na
primeira categoria.
Eu me doei muito, e eu não tive aquela resposta, retorno, dele,
então pra mim foi difícil (JOYCE).
Foi cinco anos eu avisando o tempo todo (CARLA).
Segundo a pesquisa realizada por Féres-Carneiro (2003) as mulheres
são as que mais solicitam a separação, considerando-se tanto a separação judicial
(72%) quanto o divórcio (53,4%). Outro aspecto ressaltado é o de que, mesmo
que a decisão de separação seja predominantemente feminina, são as mulheres
25
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
que tomam a maior parte das iniciativas de diálogo, buscando alternativas para
o relacionamento.
3.3 Da privação à liberdade: sentimentos vivenciados no casamento e
pós-casamento
Ao serem questionadas sobre como foi a experiência de terem se casado,
metade das participantes responderam a pergunta como tendo sido uma
experiência boa, sendo que, da outra metade, três apontaram como sendo ruim,
e duas como boa e ruim ao mesmo tempo. As lembranças boas foram associadas
aos filhos por todas elas. E as ruins, às agressões citadas na categoria anterior.
Pode-se perceber alguns sentimentos relativos à época de casamentos. Os mais
freqüentes foram o de privação e insatisfação, presentes em cinco falas cada.
Outros sentimentos associados surgiram a esses: o de desgaste, de dependência
e sofrimento, e ainda em menor escala o de revolta, medo, frustração,
afastamento e indiferença. A maioria das participantes disse sentir-se "livre" e
"feliz". O sentimento menos expressivos foram de mágoa, identificado em duas
falas, e ainda os de menos-valia, impotência e alívio, cada um com uma fala.
Foi muito bom, tudo faz parte do nosso crescimento. Aí vieram os
filhos, maravilhosos, taí uma coisa que você não se arrepende nunca
(NÍVEA).
Teve momentos bons, eu não vou negar, mas teve momentos
péssimos, talvez os piores que eu tenha passado na minha vida
(PAULA).
Eu posso associar meu casamento a uma prisão entre aspas
(BEATRIZ).
Eu me sinto livre, me sinto dona de mim, eu posso dizer que vou
fazer isso aqui ou não vou fazer isso aqui, não tenho que dar
satisfações a não ser a mim mesma (TÂNIA).
Nota-se pelos relatos das participantes que os sentimentos prevalecentes
durante o casamento eram negativos e que elas se sentiam insatisfeitas. É possível
considerar que a partir do momento que foi admitido pensar nas satisfações
individuais dentro da relação conjugal, esse sentimento de insatisfação impulsionou
à realização pessoal. Osório (2002) afirma que devido a conflitos interpessoais
dentro da relação conjugal, um dos membros pode ocorrer uma redução da
potencialidade, um "encolhimento" deste frente ao outro, comprometendo o
26
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
desenvolvimento pessoal e amadurecimento emocional. Pode-se comentar que
essa situação gerava uma angústia e insatisfação que acabou movendo-as no
sentido de buscarem meios de reverterem essa situação. Essa motivação leva o
indivíduo a atualizar-se e desenvolver-se. Entretanto a direção dessa tendência
dependerá de como ele percebe a si mesmo, suas experiências e sua relação
com os outros e com o mundo.
3.4 Resquícios de "A letra escarlate": as influências sócio-culturais
envolvendo casamento, separação e/ou divórcio
"A Letra Escarlate" é um filme baseado na obra norte-americana de
Nathaniel Hawthorne lançado no ano de 1995 e dirigido por Roland Joffé. O
filme conta a história de uma mulher que por ter cometido o pecado do adultério,
passa a ser socialmente marginalizada. Ela era obrigada a usar uma letra "A"
bordada em suas vestes para diferenciá-la de seus acusadores como símbolo
de sua vergonha. As atitudes de discriminação, preconceito, injustiça e
intolerância dos habitantes da cidade para com a personagem principal eram
justificadas pelo pecado da mesma. Nessa categoria são descritas as reações
positivas e negativas da família, amigos e filhos em relação à decisão de separarse bem como os sentimentos e receios das participantes diante dessa decisão.
Verificou-se uma média de seis anos entre o primeiro pensamento pelo
desejo de separar-se até a separação propriamente dita, sendo esses números
variantes de seis meses a vinte anos. Esse fato denota a necessidade de um
tempo de processamento e amadurecimento da escolha pela separação. A
maioria das participantes descreve a separação/divórcio como uma tomada de
decisão que aconteceu como um processo, como algo pensado, avaliado e reavaliado, da mesma forma que, encontra-se presente no relato da maioria das
participantes, a fala "não agüentei mais".
Questionadas sobre o que as levou manter o casamento mesmo quando
já insatisfeitas com o mesmo, três das respostas foram pelos e receio de criálos sozinha, o que se relaciona bem com a resposta da falta de autonomia
financeira, a segunda mais citada. Isto reflete o fato de ainda ser recente a
inserção da mulher no mercado de trabalho, visto que no Brasil, apenas com a
legislação de 1962, a mulher pôde trabalhar sem a permissão do marido. Antes
disso, seu papel era associado apenas aos cuidados do lar e sua ajuda no
orçamento familiar era dispensável (NARVAZ; KOLLER, 2006). Entende-se
que tais papéis sociais são construídos ideologicamente como cultura, nos quais
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Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
estão implícitas as desigualdades de gênero e introjetadas no imaginário social
(BASSANEZI, 1993).
Meus filhos, que eu esperei meus filhos crescerem pra entender
porque que eu tava me separando (CARLA).
Se eu tivesse uma autonomia financeira, muito provavelmente esse
casamento teria durado bem menos (BEATRIZ).
Hoebel e Frost (2003) afirmam que a cultura é produtora de maneiras
de ser, pensar e agir, e em se tratando de relacionamento conjugal, o que
prevalece para as religiões é a indissolubilidade do casamento. Uma vez atribuído
a indissolubilidade um caráter verídico, ele passa a ser interpretado como conduta
moral e o que fugir ao convencional, por vezes, será reconhecido como tal.
Esse caráter diferenciado pode ser interpretado como algo extraordinário
ou mau sobre o status moral de quem os apresenta, caracterizando-se, assim, o
estigma (GOOFFMAN, 1998). Nos relatos das participantes, foram observados
sentimentos associados ao estereótipo de ser divorciada ou separada, visto que
além das dificuldades econômicas que viessem a surgir com a separação, elas
pensavam também na questão de sair de uma condição que estava conforme o
padrão socialmente aceito para outra que não é bem vista pela sociedade.
Quanto à experiência de estar separada, os relatos da maioria refletem
o preconceito que vivenciaram e vivenciam, destacando que tal preconceito
aparece de duas formas: o que começa por si mesmas e também pelos outros,
denunciando que estar separada pode vir a tornar-se um estigma.
Eu tinha vergonha de, sabe? como eu fui criada por uma pessoa que
tinha preconceito, eu me sentia uma prostituta, como uma mulher
de vida livre, que eu imaginava que as pessoas, talvez fosse até do
meu imaginário, e depois eu perdi isso, entendeu? Então por conta
disso eu acho que eu imaginava o que as pessoas iam pensar que eu
agora ia ficar sem marido e que todo mundo ia tirar casquinha
(ANA).
Eu senti assim, às vezes numa roda de amigos, onde todas são
casadas, tem uma separada, eu não sei se elas vêem isso como
ameaça, "não, tá solteira", sabe? "Eu acho que, tá separada, então
tá acessível, qualquer um pode chegar, meu marido pode chegar"
[...] talvez seja até a gente mesmo, evito andar com casais (NÚBIA).
A gente sente assim, que para as amigas, amigas entre aspas, a gente
sente assim, é um perigo, você passa a ser vista como um perigo,
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Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
passa a ser vista de outra forma, você é uma bomba que esta ali
preste a explodir a qualquer hora (TÂNIA).
As pessoas mudam o pensamento com você, é impressionante [...]
as vezes eu me sinto mal, eu tento não ligar pra isso, mas, as vezes
tem certos comportamentos que me incomodam (BEATRIZ).
Quanto a reações da família, amigos e filhos em relação à decisão das
participantes em separar-se, foi de apoio pela maioria. A família foi quem mais
apoiou, tendo sido menos freqüente as reações de não-aceitação. Notou-se
essencial o apoio da família às participantes, que serviu tanto como suporte
financeiro, como emocional para elas. As reações de não-aceitação foram mais
presentes na fala acerca dos filhos. Foi relatado também reações de surpresa e
admiração em relação à reação dos amigos.
Meus pais foram maravilhosos [...] sempre tive o apoio deles
(LEILA).
Pra minha família foi péssimo, foi horrível, para minha mãe e meus
irmãos eu era a primeira pessoa que estava separando na família, e
não era correto, era errado (TÂNIA).
Todo mundo (amigos) teve a mesma reação da minha família. Todo
mundo disse "Ana, você demorou demais" Aí todo mundo disse,
"Ana você tem que viver agora, daqui pra frente, esqueça o que
passou e vá viver daqui pra frente" (ANA)
Ficaram admirados (os amigos) porque eles não acreditavam e ate
por causa dos anos de casado (NÚBIA).
O (filho) mais velho chegou e disse assim "mãe tá mais do que na
hora de você viver sua vida, pega meu pai, bota num baú, joga no
mar e vai ser feliz" (NÍVEA).
A (filha) mais nova resistiu um pouco [...] de vez em quando falava,
de voltar a família (SARA).
4 CONCLUSÃO
De acordo com a literatura, observou-se que dependendo do contexto
sócio-econômico do momento histórico em questão, o casamento obtém fins
diferenciados, bem como o papel da mulher frente à sociedade que vai se
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Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
modificando. O sentimento de individualidade e independência pós 1ª e 2ª
Guerra, a globalização e as conquistas do movimento feminista remeteram a
inserção da mulher na esfera pública, política e educacional, ocasionaram uma
reconfiguração no papel feminino, refletindo diretamente nas relações conjugais.
Os resultados desse estudo apontaram o casamento como uma instância
da sociedade que serve como base para a construção da família, sendo o
divórcio, um mal necessário, uma alternativa, dentre outras já cogitadas, quando
a relação homem-mulher se encontra não satisfatória. Os sentimentos vivenciados
durante o casamento foram de insatisfação e privação, que moveram as
participantes, à separação, de acordo com a percepção de si e da sua relação
com o outro, e dentro do que elas visualizaram como escolhas.
A partir dos resultados apresentados, conclui-se também, que a
experiência de mulheres na maturidade pela tomada de decisão de separar-se
após longos tempos de casamento, é permeada por uma história de vida de
frustrações individuais dentro do contexto da relação a dois. Os sentimentos
vivenciados após a separação foram descritos como de felicidade e liberdade.
Entretanto, embora houvesse a insatisfação, a separação aconteceu em
média, depois de seis anos a partir do primeiro desejo de separar-se.
Compreende-se então, que o amadurecimento pela escolha sofreu diversas
influências: as sociais, onde elas pesaram a reação da família, amigos e filhos
diante da decisão de separação, bem como nas concepções de indissolubilidade
do casamento, introjetadas a partir da religião e/ou educação obtida pela família;
as econômicas, na qual se verificou ser de grande valia o estudo e trabalho na
vida dessas mulheres no quesito amadurecimento pessoal e independência; e
afetivas, ligadas ao sentimento de manter a estrutura familiar (pai-mãe-filhos) .
Visto que essa decisão acontece como um processo, pode-se afirmar
que se apresentaram alguns questionamentos centrais antes de separar-se, dentro
dessa dimensão encontra-se o receio da reação dos amigos, famílias e filhos
diante de tal decisão e a insegurança ao pensar em manter-se sozinha e criar os
filhos. Nesse sentido, observou-se que o fato de elas terem tido o apoio da
família durante e após o processo de separação foi de suma importância servindo
tanto como suporte financeiro, como emocional às mesmas, destacando aqui
que essa situação pode vir a ser uma demanda à psicoterapia.
Cabe ressaltar que o contexto sócio-histórico atual começa a entender
o casamento como dissolúvel quando não há satisfação pessoal, uma mudança
ainda tímida do paradigma que cerca as relações conjugais, principalmente as
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de longa data, pois as participantes relataram situações de estereotipação. Nesse
viés, sugere-se que a Psicologia enquanto comprometida com a categoria,
compromisso social e sociedade, através de suas práticas e campos de estudo,
promova ações que identifique e desconstrua estruturas sociais e práticas pessoais
e profissionais que sustentem o sexismo e paradigmas inferiorizantes.
Dentro da psicologia são poucos os estudos na área da Psicologia de
gênero. Ressalta-se, portanto, a importância de que outras pesquisas sejam
realizadas, tendo em vista buscar um conhecimento mais aprofundado sobre as
relações conjugais, separações e divórcios, e reconfigurações familiares
organizadas a partir dessas dissoluções, e principalmente, compreender a ótica
subjetiva das partes, tanto do homem quanto da mulher. Tais conhecimentos
são válidos no campo de saber da Psicologia, pois, contribuem para o
entendimento do ser humano em suas novas formas de se relacionar,
acrescentando atualizações à prática psicoterápica individual, familiar e de grupos.
REFERÊNCIAS
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gerontológica. Apresenta dados sobre classificação de desenvolvimento
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ESTADO NUTRICIONAL E FORÇA MUSCULAR
RESPIRATÓRIA EM ESCOLARES DE OITO A DEZ ANOS
NUTRITIONAL STATUS AND RESPIRATORY MUSCLE
STRENGTH IN STUDENTS FROM EIGHT TO TEN YEARS
Diane Nogueira Paranhos1,
Adeildes Bezerra de Moura Lima2
RESUMO
Na infância, o estado nutricional (EN) tem uma notória importância. A
inadequação do EN torna a criança suscetível a várias alterações, podendo
afetar a força dos músculos respiratórios. O objetivo geral deste estudo foi
relacionar o EN de escolares de oito a dez anos com a força muscular respiratória.
Objetivos específicos: avaliar o EN, verificar se os escolares de Teresina estão
passando pelo processo de transição nutricional e mensurar a força muscular
respiratória. Amostra de 220 escolares de oito a dez anos. Foi preenchida uma
ficha com: gênero, data de nascimento e idade, em seguida, foi verificado o
peso e altura, e mensurada a PIMáx e PEMáx. Dentre os escolares, 17,3%
estavam obesos, 16,8% estavam com sobrepeso, 54% eutróficos, 6,4% com
risco nutricional e 5,5% com baixo peso. A maior PIMáx e PEMáx foi a dos
escolares masculinos com risco nutricional e baixo peso, respectivamente. A
Correlação de Pearson mostrou que há média correlação negativa entre o EN
e a PI Máx dos escolares masculinos de dez anos (r=-0,516), e entre a PIMáx
das escolares de nove anos do gênero feminino (r=- 0,485). Concluí-se que há
prevalência de sobrepeso e obesidade dentre os escolares, o que mostra que a
cidade de Teresina está passando pelo processo de transição nutricional e que
há uma média correlação negativa entre o EN e a PIMáx dos escolares
masculinos de dez anos, e entre a PIMáx das escolares de nove anos do gênero
feminino.
Palavras chaves: Estado Nutricional. Força Muscular. Saúde Escolar.
_____________
1
Fisioterapeuta pela Faculdade Integral Diferencial (FACID), Teresina- PI, [email protected]
2
Nutricionista pela Universidade Federal do Piauí, Professora Especialista da Faculdade Integral Diferencial (FACID),
Teresina- PI, [email protected]
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Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
ABSTRACT
In childhood, the nutritional status (NS) has considerable importance. The
inadequacy of nutritional status makes the child more susceptible to various
alterations, and may affect the strength of respiratory muscles. The general
objective of this study was to relate the nutritional status of students from eight
to ten years old with the respiratory muscle strength. Specific objectives: to
evaluate the NS, check whether the students in Teresina are going through the
nutritional transition process and measure the respiratory muscle strength of these
students. Sample of 220 students from eight to ten years old. It was filled a form
with: gender, date of birth, and student age, then, it was checked the weight and
height, and measured the MIP and MEP. Among the students, 17.3% were
obese, 16.8% were overweight, 54% were eutrophic, 6.4% with nutritional risk
and 5.5% with low weight. The highest MIP and MEP was found in male students
with nutritional risk and low weight, respectively. The Pearson Correlation Test
showed that there is an average negative correlation between nutritional status
and the MIP of school males of ten years (r = -0.516), and between MIP of
female children of nine years (r = - 0.485). It is concluded that there is a prevalence
of overweight and obesity among the students, which shows that the city of
Teresina is getting through the nutritional transition process and there is an average
negative correlation between nutritional status and the MIP of school males of
ten years, and between MIP of female children of nine years.
Key Words: Nutritional Status. Muscle Strength. Scholl Health.
1 INTRODUÇÃO
O estado nutricional expressa o grau no qual as necessidades fisiológicas
por nutrientes estão sendo alcançadas para manter a composição e funções
adequadas do organismo, resultando do equilíbrio entre ingestão e necessidade
de nutrientes (ACUNÃ; CRUZ, 2004).
Na infância, o estado nutricional tem uma notória importância, por
permitir o acompanhamento do processo de crescimento e desenvolvimento,
atentando precocemente para possíveis agravos à saúde e riscos de
morbimortalidade, segundo Silva et al.(2008).
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Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
O estado nutricional é detectado a partir de vários parâmetros, que
podem ser utilizados e avaliados de formas isolada ou associada. Dentre estes
parâmetros a antropometria tem se destacado como uma importante ferramenta
para a análise das condições de saúde e nutrição da criança (ORELLANA et
al, 2009).
A inadequação do estado nutricional leva ao baixo peso ou ao excesso
de peso, segundo Accioly, Saunders e Lacerda (2009), o que torna a criança
mais suscetível a alterações metabólicas, alterações imunológicas,
gastrointestinais, cardiovasculares e alterações respiratórias, tanto da função
pulmonar quanto da mecânica muscular, alterando inclusive a força respiratória.
De acordo com Azeredo (2002) os músculos respiratórios são
responsáveis diretos pelo adequado funcionamento do sistema respiratório. Em
diferentes situações patológicas, podem ocorrer alterações da força contrátil
desses músculos, inclusive nas alterações nutricionais.
Uma dessas alterações é o baixo peso, que de acordo com Mota (2002),
reduz a capacidade vital, a ventilação voluntária máxima, a força muscular
respiratória e a pressão inspiratória. Já o excesso de peso, provoca alterações
na mecânica respiratória reduzindo a complacência da caixa torácica e diminuindo
a excursão diafragmática, o que pode levar a um maior consumo de oxigênio
para a respiração (Santiago et al. 2008).
A avaliação funcional da força dos músculos respiratórios pode ser
realizadas através das pressões respiratórias máximas geradas durante o esforço
de inspiração (PIMáx.) e expiração (PEMáx.), utilizando um aparelho
denominado manuvacuômetro. Essas pressões produzidas na boca durante
esforços estáticos são consideradas um reflexo da força dos músculos
respiratórios, e assim a força dessa musculatura pode ser avaliada (MACHADO,
2008).
O Brasil e o mundo estão passando pelo processo de transição nutricional,
caracterizado pelo aumento da incidência de sobrepeso e obesidade e diminuição
do baixo peso. Deste modo, surgiu o interesse de fazer estudos para verificar se
essa realidade de transição nutricional se aplica aos escolares da cidade de
Teresina, e qual a influência que o estado nutricional pode causar nos músculos
respiratório nesta faixa etária.
O objetivo geral deste estudo foi relacionar o estado nutricional de
escolares de oito a dez anos com a força muscular respiratória. Os objetivos
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Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
específicos foram: avaliar o estado nutricional, verificar se os escolares da cidade
de Teresina estão passando pelo processo de transição nutricional e mensurar a
força muscular respiratória desses escolares.
A Hipótese primária da pesquisa é: crianças com o estado nutricional
inadequado sofrem alterações na força muscular respiratória. Hipóteses
secundárias: o número de crianças com alteração nutricional é maior do que o
número de crianças eutróficas; a força muscular respiratória está diminuída em
crianças com estado nutricional inadequado.
2 METODOLOGIA
O projeto de pesquisa foi elaborado de acordo com as normas para
pesquisa envolvendo seres humanos baseado na Resolução 196/96 do Conselho
Nacional de Saúde. Foi solicitada e concedida a autorização para a realização
da pesquisa à diretoria da Escola Pública escolhida para ser o cenário do estudo.
Os dados foram coletados mediante a assinatura do Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido pelos pais ou responsáveis dos sujeitos da
pesquisa. Esta pesquisa foi iniciada após submissão e aprovação pelo Comitê
de Ética e Pesquisa (CEP) da FACID, com o protocolo de número 040/11.
Trata-se de uma pesquisa descritiva, do tipo estudo de casos, com
abordagem quantitativa.
A pesquisa foi realizada em uma Escola Pública Municipal da cidade de
Teresina-Piauí, no período de agosto a novembro de 2011.
A escolha se deu de forma intencional, por estar localizada em um bairro
central da cidade de Teresina, pois é de conhecimento geral que a desnutrição
é mais comum nas periferias das cidades, por serem regiões de baixo poder
econômico, desse modo, uma escola localizada em uma área mais próxima ao
centro da cidade, ainda que pública, teria maior probabilidade de haver um
equilíbrio entre o número de crianças eutróficas, obesas e desnutridas.
A amostra foi composta por 220 escolares, selecionados de modo
intencional de acordo com os critérios de inclusão e exclusão.
Os participantes foram submetidos aos seguintes critérios de inclusão:
idade entre oito a dez anos e estar matriculado na escola onde foi realizado o
estudo. Foram excluídas da pesquisa crianças portadoras de síndromes genéticas,
portadores de deficiência ou de doenças crônicas.
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Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
No dia anterior da coleta de dados, foi entregue o Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido, com os devidos esclarecimentos sobre a
pesquisa, aos professores dos escolares, que o anexaram ao caderno de atividade
dos alunos que preenchiam os critérios de inclusão da pesquisa (previamente
comunicado aos professores), para que o pai ou responsável pudesse assinar e
autorizar a participação do mesmo na pesquisa.
Os dados foram coletados nas dependências da escola, em uma sala
de aula disponibilizada pela diretoria.
Inicialmente foi preenchida uma ficha com os seguintes dados: gênero,
data de nascimento e idade do escolar; os dados antropométricos e os valores
da PIMáx e PEMáx também foram registrados nesta mesma ficha.
Em seguida, ocorreu a verificação do peso e altura do participante, para
a realização desse tópico foi utilizada uma balança mecânica antropométrica da
marca Welmy com capacidade máxima de 150 kg. A seguir, utilizando-se o
estadiômetro acoplado à balança, era aferida a altura do participante.
Logo após, foi coletado os valores da PIMáx e PEMáx. O aparelho
utilizado para mensurar a força muscular respiratória foi o manuvacuômetro da
marca Comercial Médica, com variação de pressão de -120 a +120cmH2O,
com intervalos de 4 cmH2O.
Para obter a PIMáx e a PEMáx o participante foi orientado a ficar na
seguinte posição: sentado, com o tronco em um ângulo de 90º graus com as
coxas, braços relaxados na lateral do tronco, e com o nariz ocluído por um
clipe nasal, para evitar fuga do ar.
Foram realizadas três repetições em cada variável do teste (PIMáx e
PEMáx), foram aceitas somente as três repetições que não havia escapamento
de ar. De cada manobra foi considerado o resultado de maior valor alcançado.
O valor da PIMáx é expresso em cm de água (cmH²O), precedido por um sinal
negativo e o valor da PEMáx da mesma maneira, porém precedido por um sinal
positivo.
A análise dos dados foi realizada através de uma análise descritiva e
Teste de Correlação de Pearson.
Os dados acerca da condição nutricional das crianças foram analisados
de acordo com a classificação do Índice de Massa Corporal (IMC) percentil e
pela curva de crescimento desenvolvida pelo National Center for Health Statistics
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Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
- Organização Mundial da Saúde (2007). Os resultados foram expostos em
forma de tabelas e/ou gráficos para melhor compreensão dos resultados.
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Dentre os 220 escolares, houve um predomínio do gênero feminino e de
participantes com oito anos de idade. As figuras 1 e 2 mostram as características
da amostra estudada, quanto ao gênero e à idade.
Figura 1 - Caracterização dos escolares por gênero,
Teresina -PI, 2012
Fonte: Dados da pesquisa
Figura 2 - Caracterização dos escolares por idade,
Teresina -PI, 2012
Fonte: Dados da pesquisa
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Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
Com relação ao estado nutricional no gênero feminino, pode-se observar
no quadro 1 que a maior parte das escolares de oito, nove e dez anos está
eutrófica 55,6%, 60% e 61%, respectivamente. Após a eutrofia, nas escolares
de oito e dez anos a prevalência é de sobrepeso 22,2% e 19,5%,
respectivamente.
Quadro 1 - Estado nutricional dos escolares (gênero feminino)
segundo IMC,Teresina/PI, 2012
Fonte: Dados da pesquisa
No quadro 2, pode-se observar que a eutrofia também foi prevalente
no gênero masculino 48,5%. Após a eutrofia, o sobrepeso foi maior nos escolares
de oito anos 35%; já entre os meninos de nove e dez anos, a obesidade foi
maior 31,42% e 28,6% respectivamente.
Quadro 2 - Estado nutricional dos escolares (gênero masculino)
segundo IMC,Teresina/PI, 2012
Fonte: Dados da pesquisa
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Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
Observando os escolares como um todo, percebe-se na figura 3, a
prevalência da eutrofia 54%, porém 46% dos escolares apresenta inadequação
nutricional.
Figura 3 - Estado nutricional dos escolares segundo IMC,
Teresina/PI, 2012
Fonte: Dados da pesquisa
O alto índice de excesso de peso, encontrado neste estudo também foi
encontrado nos escolares da São Paulo, Koga (2005) em sua pesquisa com
escolares desta cidade encontrou um índice de 26,3% de excesso de peso e
apenas 4,5% de baixo peso. A pesquisa de Farias, Guerra Júnior e Petroski
(2008) também mostrou resultados semelhantes a esta pesquisa, 10% dos
escolares da cidade de Porto Velho (RO) estava com excesso de peso e 4%
com baixo peso.
Apesar da maior parte da amostra ser de eutróficos, o fato do número
de escolares com excesso de peso ser maior do que o de baixo peso mostra
que os escolares da cidade de Teresina, assim como o Brasil e o mundo, estão
passando pelo processo de transição nutricional.
O estudo realizado por Nogueira e Pessoa (2010) também na cidade
de Teresina, com escolares do ensino privado confirma este fato; dos 53 escolares
do gênero masculino, 24 (45,2%) apresentavam excesso de peso, já no gênero
feminino, das 63 avaliadas, este número foi de 26 (41,2%).
Nos escolares de Teresina, o sobrepeso e a obesidade foram maior no
gênero masculino, o que mostra que esta cidade está de acordo com o cenário
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nacional do excesso de peso infantil. A Pesquisa de Orçamentos Familiares
(POF) revelou que uma em cada três crianças tinha excesso de peso, atingindo
33,5% das crianças de cinco a nove anos (INSTITUTO BRASILEIRO DE
GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2009). Do total de meninos 16,6% era obeso;
entre as meninas, a obesidade apareceu em 11,8%.
Com relação à força muscular respiratória, a tabela 1 mostra os valores
das pressões respiratórias nos escolares de ambos os gêneros.
Tabela 1-Força muscular respiratória dos escolares de oito a dez anos,
Teresina/PI, 2012
Fonte: Dados da pesquisa
Wilson et al. (1984), em seus estudos sobre valores preditos das pressões
respiratórias em adultos e crianças concluíram que em crianças de ambos os
gêneros a PI Máx está diretamente relacionada com o peso; na presente pesquisa
apenas o gênero feminino se adequou a essa afirmação, pois nos escolares
masculinos, os grupos com pesos mais baixos obtiveram maiores valores.
Essa divergência pode ser justificada pelo tipo da amostra estudada.
Na pesquisa de Wilson et al. (1984) a idade das crianças era de sete a 17 anos,
além disso, o excesso de peso é uma epidemia relativamente recente, que na
época que os autores acima citados realizaram a pesquisa não era tão significativo,
logo, os mesmos não levaram em consideração os efeitos deletérios do excesso
de peso sobre a musculatura respiratória.
Além do mais, de acordo com Berg, Tymoczko e Styer (2008), na
perda de peso a glicose circulante é a primeira a ser perdida, em seguida vem o
tecido adiposo e só então as proteínas ou tecido muscular (sendo mais comum
em crianças com desnutrição energético-protéica); desse modo, crianças em
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Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
risco nutricional podem ter pouca massa de gordura, mas possuírem massa e
força muscular, principalmente o gênero masculino, que costumam praticar
atividades físicas, fortalecendo ainda mais a musculatura.
Comparando os valores obtidos por esta pesquisadora com os valores
padrões das pressões respiratórias validadas por Wilson et al. (1984), pode-se
observar na figura 4 que os valores da PI Máx encontrados nos escolares de
Teresina estão mais elevados.
Figura 4 - Comparação entre os valores da PIMáx encontradas e os
valores preditos para crianças de oito a dez anos segundo a Equação
Preditiva de Pressões Respiratórias Máximas, Teresina/PI, 2012
Fonte: Dados da pesquisa
Wilson et al. (1984) analisaram as pressões respiratórias encontradas
com relação à idade, estatura e peso dos participantes, obtendo, dessa forma
as equações dos valores preditos das pressões respiratórias.
Deve-se considerar que em 1984, o número de crianças com sobrepeso
e obesidade era consideravelmente menor, assim o peso das crianças estudadas
era relativamente mais baixo do que o das crianças atuais. Além disso, estes
autores não utilizaram a pinça nasal para mensurar a PIMáx e a PEMáx, então
pode ter havido vazamento de ar, levando a pressões respiratórias mais baixas.
Esses fatores podem ter gerado fórmulas que levem a baixos valores preditos.
Ainda de acordo com esse estudo, os autores seguiram afirmando que a
PEMáx. das crianças está diretamente relacionada com a idade em ambos os
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Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
gêneros, deste modo, não houve grande diferença entre a pressão expiratória
encontrada e a predita nas crianças de oito a dez anos (Figura 5).
Figura 5 - Comparação entre os valores da PEMáx encontradas e os
valores preditos para crianças de oito a dez anos segundo a Equação
Preditiva de Pressões Respiratórias Máximas
Fonte: Dados da pesquisa
Quanto à correlação entre o estado nutricional e a força muscular
respiratória, o Teste de Correlação de Pearson mostrou que há média correlação
negativa nos seguintes grupos: entre a PIMáx do gênero masculino dos escolares
de dez anos e o estado nutricional (r=-0,516), e entre a PIMáx do gênero
feminino das escolares de nove anos e o EN (r=- 0,485).
Houve ausência de correlação entre o EN e as pressões expiratórias.
Em concordância com este estudo, Santiago (2009) afirmou, que em crianças e
adolescentes os fatores de crescimento, os hormônios e o gênero podem ter
maior influência sobre a força muscular respiratória do que os valores
antropométricos.
4 CONCLUSÃO
Conclui-se que apesar da prevalência da eutrofia, o fato do número de
escolares com excesso de peso ser maior do que os com baixo peso mostra
que a cidade de Teresina está passando pelo processo de transição nutricional.
43
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
Há uma média correlação negativa entre o EN PIMáx dos escolares de
dez e nove anos dos gênero masculino e feminino, respectivamente.
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46
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
NÍVEL DE CONTROLE PRESSÓRICO E PREVALÊNCIA DE
LESÃO EM ÓRGÃOS-ALVO EM PACIENTES COM
HIPERTENSÃO ARTERIAL
LEVEL OF PRESSURE CONTROL AND PREVALENCE OF
LESIONS IN TARGET-ORGANS IN PATIENTS WITH ARTERIAL
HYPERTENSION
João Paulo de Araújo Carvalho1;
Récio Cronemberger Mangueira2
RESUMO
A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) vem se revelando como um dos maiores
problemas de saúde pública do país, afetando cerca de 1 bilhão de pessoas em
todo o mundo. A HAS não tem cura, e seu tratamento deve se prolongar por
toda a vida. Por este fato, os pacientes hipertensos apresentam grande
dificuldade de adesão ao tratamento, aumentando o risco de alterações tróficas
e vasculares, com destaque nas lesões em órgãos-alvo. O objetivo desta pesquisa
foi avaliar o nível de controle de pressão arterial dos pacientes atendidos em um
ambulatório de uma instituição de ensino superior privado, de acordo com os
prontuários de pacientes atendidos em 2009, na cidade de Teresina. Dos 150
prontuários analisados, 91 eram de pacientes hipertensos e estavam de acordo
com os critérios de inclusão e exclusão. Foi possivel pesquisar a epidemiologia
dos pacientes atendidos neste ambulatório, o nível de controle pressórico, a
prevalência de lesão em órgãos-alvo e desfechos cardiovasculares primários
de pacientes com hipertensão arterial atendidos neste ambulatório. Os dados
obtidos apontam que os pacientes hipertensos apresentam um nível de controle
pressórico adequado para a média brasileira (45,1%), que as lesões em órgãoalvo mais encontradas foram Hipertrofia Ventricular Esquerda (HVE) e Infarto
Agudo do Miocárdio (IAM) e que sua frequência aumenta proporcionalmente
com o tempo de diagnóstico de hipertensão no paciente.
Palavras-chave: Pressão Arterial. Hipertensão. Cardiopatias.
____________________________
¹ Estudante de Medicina da FACID, Teresina, PI - Brasil. e-mail: [email protected]
2
Médico. Especialista em Cardiologia. Professor de Cardiologia, Faculdade Integral Diferencial- FACID, Teresina,
PI - Brasil. e-mail: [email protected]
47
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
ABSTRACT
The Systemic Arterial Hypertension (SAH) has been revealed as one of the
major problems in public health in our country, affecting approximately 1 billion
people all over the world. Arterial Hypertension has no cure, and its treatment
must be prolonged throughout the patient's life. Due to this fact, the hypertensive
patient shows great difficulty in adhesion to the treatment, increasing the risk of
trophic and vascular changes, especially in lesions of target-organs. Given this
reality, has become theme of this study to evaluate the level of blood pressure
control attended at Ambulatório Escola da Facid. The research was gathered
using patient charts of those attended at Ambulatório Escola de Cardiologia da
Facid in 2009, in the city of Teresina, Piauí. The data collection occured during
the months of March and April 2010. From 150 charts collected, 91 were of
hypertensive patients, all in accordance with the
criteria of inclusion and exclusion. This work researched the epidemiology of
patients attending this ambulatory, the level of pressure control, the prevalence
of lesions of target-organs and primary cardiovascular outcomes of patients
with arterial hypertension who were attended at this ambulatory. The data obtained
shows that the hypertensive patients present a level of pressure control considered
good in relation to the Brazilian average (45.1%), that the most common occuring
lesions in target-organs were Left Ventricular Hypertrophy and Acute Myocardial
Infarction, and that its frequency increases proportionally with the time of diagnosis
of hypertension in the patient.
Key Words: Blood Pressure. Hypertension. Heart Diseases.
1 INTRODUÇÃO
A hipertensão arterial sistêmica (HAS) afeta cerca de 1 bilhão de pessoas
em todo o mundo. No Brasil a prevalência estimada de HAS varia de 20 a 30%
na população adulta, aumentando proporcionalmente com a idade, podendo
atingir cerca de 65% da população com idade acima de 60 anos existem no
Brasil cerca de 17 milhões de portadores de hipertensão arterial, acometendo
35% da população de 40 anos ou mais. Este número tende a aumentar e seu
aparecimento tornar-se cada vez mais precoce. Estima-se que cerca de 4%
48
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
das crianças e adolescentes também sejam portadoras. A carga de doenças
cardiovasculares representada pela morbimortalidade devido HAS é muito alta,
devido a isso, no Brasil trata-se de um problema de saúde pública
(BRASIL,2006).
As doenças cardiovasculares são a maior causa de óbito no Brasil, além
de que, com freqüência, podem acarretar a invalidez parcial ou total do indivíduo,
ocasionando grandes prejuízos para sua família e para a sociedade. Dessa forma,
é essencial o controle da pressão arterial visando à prevenção primária e
secundária dest as doenças (SOCIEDADE BRASILEIRA DE
HIPERTENSÃO, 2006).
A HAS é reconhecida como o mais importante fator de risco modificável
reconhecido para as doenças cardiovasculares, como acidente vascular
encefálico (AVE) e infarto agudo do miocárdio (IAM), contribuindo para a
morbidade e mortalidade precoces relacionadas a doenças cardiovasculares.
Estudos mostram que a elevação dos níveis pressão arterial (PA) aumentam o
risco de doenças coronarianas, doença vascular cerebral, insuficiência renal
crônica e insuficiência cardíaca congestiva (WONG et al., 2003). Assim, segundo
Lessa (2001), revela-se como um dos mais importantes problemas de saúde
pública de nosso país
Estatísticas americanas revelam que dos pacientes que tem o
conhecimento que possuem HAS, somente 50% aceitam e fazem o tratamento,
e destes apenas 25% conseguem manter a pressão sob controle usando como
limiar 140/90 mmHg (TIERNEY JR; MCPHEE; PAPADAKIS, 2006). No
Brasil, no Hospital Universitário de Ribeirão Preto, um estudo revelou que,
entre pacientes assíduos de uma unidade clínica de hipertensão, o controle da
hipertensão arterial atingiu 30%. Já no Rio Grande do Sul constatou-se que,
dos pacientes submetidos ao tratamento anti hipertensivo, apenas 10,4% se
encontravam com níveis pressóricos adequadamente controlados (COELHO
et al., 2005).
Pelo fato de que o tratamento deve ser feito por toda a vida, que
medicamentos têm custo elevado e podem produzir efeitos colaterais, muitos
pacientes preferem encarar a hipertensão como "episódica e sintomática",
prejudicando na aderência ao tratamento. Porém, os pacientes consideram sua
qualidade de vida global melhor quando controladas suas pressões arteriais
49
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
com terapia medicamentosa em relação a quando estavam descontrolados com
placebo (GOLDMAN, 2005).
A partir deste contexto, surgiu o interesse em investigar o nível de controle
pressórico, a prevalência de lesão em órgãos-alvo e desfechos cardiovasculares
primários como IAM e AVE de pacientes com hipertensão arterial atendidos no
ambulatório de uma instituição de ensino superior em 2010. Visava-se determinar
a epidemiologia dos pacientes hipertensos, correlacionar duração, em anos, da
HAS e prevalência de lesão de órgãos-alvo dos pacientes deste estudo, apontar
quais doenças cardiovasculares são mais frequentes dentre os pacientes
portadores de HAS e relacionar tempo de acompanhamento e controle de
hipertensão arterial.
2 METODOLOGIA
O estudo foi constituído num corte transversal sobre o controle pressórico
e seus riscos, sendo realizado em um ambulatório escola de Teresina-PI, nos
meses de março e abril de 2010. Nesse período 150 prontuários foram
analisados, e destes 91 estavam de acordo com os critérios de inclusão e exclusão.
Os critérios de inclusão para a pesquisa foram: paciente ter feito
acompanhamento regular por pelo menos seis meses e possuir hipertensão arterial
primária. Foram excluídos da pesquisa os pacientes que estavam participando
de algum protocolo clínico e os portadores de hipertensão arterial secundária.
Esta população foi calculada com base na equação do erro absoluto de uma
população finita, com erro abaixo de 3% e um intervalo de confiança de 95%.
Neste trabalho foram analisados parâmetros demográficos e clínicos.
Os dois primeiros incluíram gênero, a idade em anos, o peso em quilogramas
(kg) e a altura em metros (m). Derivado desses parâmetros foi calculado o
Índice de Massa Corpórea (IMC) pela fórmula: Peso (kg)/quadrado da altura
(m). A classificação de obesidade teve com base o índice de massa corpórea,
seguindo os critérios da Organização Mundial de Saúde(2002): abaixo do peso
normal (<18,5), normal (18,5-24,9), pré-obeso (25-29,9), obeso I (30-34,9),
obeso II (35-39,9) e obeso III (? 40). Os parâmetros clínicos estudados incluíram
os valores pressóricos sistólicos e diastólicos, sendo consideradas as médias
de duas ou mais medidas, na posição sentada.
50
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
Os critérios diagnósticos, de estratificação e de controle da hipertensão
arterial seguiram as recomendações do V Diretrizes Brasileiras de Hipertensão
Arterial. As lesões em órgãos-alvo da hipertensão arterial foram avaliadas através
de dados do exame clínico e exames complementares coletadas no prontuário
médico.
Foram consideradas lesões em órgãos-alvo: a hipertrofia ventricular
esquerda, baseado no eletrocardiograma ou ecocardiograma, insuficiência renal,
na creatinina > 1,4 mg/dl, acidente vascular encefálico e infarto agudo do
miocárdio, por história de evento prévio. A duração de hipertensão arterial
diagnosticada foi estratificada em três níveis, <1 ano, >1 a < 10 e >10 anos.
Para análise dos dados utilizou-se a estatística descritiva e inferencial,
que é explorar a relação entre nível de controle pressórico e prevalência de leão
em órgão-alvo focalizado no problema. Foram utilizadas figuras (gráficos) e
uma tabela para ilustrar e condensar os resultados de forma clara, organizada e
objetiva.
Esta pesquisa foi realizada após submissão e a aprovação do Comitê de
Ética e Pesquisa da FACID com número de protocolo 344/9. Foram observados
os critérios éticos da pesquisa de acordo com a resolução 196/96 do Conselho
Nacional de Saúde (CNS).
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os dados obtidos evidenciaram que desses pacientes portadores de
HAS , 45,1% estavam com suas pressões controladas. Este número aponta
para eficácia do atendimento realizado nesse ambulatório escola no controle
da Hipertensão Arterial. Este percentual de controle demonstra que o
acompanhamento feito por profissionais especializados desta instituição aumentou
significativamente a adesão ao tratamento, melhorando a qualidade de vida desta
população específica. Portanto, pode-se atribuir este resultado a este local de
atendimento onde estudantes seguem com mais rigor as recomendações da V
Diretrizes brasileiras de Hipertensão Arterial.
51
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
Figura 1 A - Nível de controle de pressão arterial
Fonte: Ambulatorio de Cardiologia da FACID, Teresina (PI), 2009
Independente da comparabilidade da metodologia dos estudos, em
outro estudo realizado nos Estados Unidos, apenas 27 a 31% dos pacientes
hipertensos que estão sob tratamento têm a sua pressão arterial controlada
(HYMAR; PAVLIK, 2001). Entre pacientes assíduos de Hospital Universitário
de Ribeirão Preto, em São Paulo, o controle da Hipertensão Arterial atingiu
30% e no Estado do Rio Grande do Sul constatou-se que apenas 10,4% dos
indivíduos submetidos ao tratamento anti-hipertensivo encontravam-se com níveis
pressóricos adequadamente controlados (COELHO et al., 2005). Segundo
Goldman (2005) pelo fato de a hipertensão primária não ter cura, seu tratamento
deve se prolongar por toda a vida, dificultando a manutenção do tratamento.
52
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
Figura 2 B - Classificação de peso, segundo OMS
3 9 ,56%
N ão co nsta
O besid ad e III
2 ,2%
O besida de II
21 ,9 8%
O besid a de I
S ob re p eso
23 ,0 8%
Pe so n orma l
A ba ixo do pe so
0
1 2 ,08%
1 , 1%
5
10
15
20
25
30
35
Fonte: Ambulatório de Cardiologia da FACID, Teresina (PI), 2009
De acordo com a Figura 2 B, ao lado da Hipertensão, o perfil clínico
dos pacientes mostrou média de IMC compatível com sobre peso e obesidade
tipo 1 e que apenas 12,08% da amostra possui peso normal, confirmando
achados na literatura, que relata também que o excesso de massa corporal
pode ser responsável por 20 a 30% dos casos de hipertensão (I DIRETRIZ
BRASILEIRA DE DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DA SÍNDROME
METABÓLICA, 2004).
Ademais, esse perfil clínico se associa ao alto risco de doença coronariana,
demandando intervenção adicional ao controle da pressão arterial. O controle
desses fatores de risco metabólicos diminui o risco global de doença coronariana,
além de contribuir para melhor controle da pressão arterial. Conforme Araújo e
Armênio(2007), nota-se que os achados impõem a melhoria e intervenção de
uma equipe multiprofissional na vida destes pacientes, com a inserção de
nutricionista e fisioterapeuta.
53
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
Figura 3 C - Lesões em órgão-alvo encontradas
61.5%
HVE IR
AVE
IA M
AVE +HV E
HVE +IR
Não A presenta
1.1%
3.3%
8.79%
2.2% 2.2%
20.9%
De acordo com Riera (2000) a HAS é uma patologia que eventualmente
se associa alterações tróficas miocárdicas e vasculares, com destaque nos
órgãos-alvo (cérebro, rins e coração). Neste estudo, como observado na figura
3 C, 38,5% dos pacientes atendidos possuem lesão em órgão-alvo associadas.
As lesões mais encontradas foram Hipertrofia ventricular esquerda (HVE), com
20.29%, seguida por Infarto Agudo do Miocárdio (IAM), com 8.79%. Apenas
2.2% apresentaram lesões de Insuficiência Renal(IR) e outros 2.2% Acidente
Vascular Encefálico(AVE). Observou-se, ainda, que 3.3% desses pacientes
apresentaram lesões associadas AVE mais HVE e 1.1% com HVE mais IR.
A HVE é a repercussão cardíaca mais comum na hipertensão arterial
sistólica. Estando presente em quase 50% dos pacientes hipertensos não tratados,
segundo o ecocardiograma e em cerca de 5 a 10% ao eletrocardiograma
(GOLDMAN, 2005).
Os dados da Figura 3C revelam o que os estudos epidemiológicos
indicam que níveis elevados de pressão arterial (PA) aumentam o risco de doença
vascular cerebral, doenças coronarianas, insuficiência cardíaca congestiva e
insuficiência renal crônica (WONG, THAKRAL, FRANKLIN, 2003). E é
exatamente por este fato que se faz necessário desenvolver e aplicar estratégias
populacionais, principalmente em países menos desenvolvidos, visando à
prevenção dos múltiplos fatores de risco relacionados a desfechos primários
54
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
(FRANCISCHETTI; SANJULIANI, 2005; NEGRÃO; BARRETO, 2006;
MILL, 2004). A adesão ao tratamento, como citou Cade (2001), é um fator
importante que colabora com a redução da pressão arterial e minimiza as
complicações em órgãos-alvo.
4 CONCLUSÃO
O nível de controle pressórico dos pacientes atendidos foi considerado
significante comparado a outros estudos, atingindo 45,8%. Tal índice demonstra
a grande contribuição deste Ambulatório para a vida de seus pacientes,
apresentando-se maior do que a média encontrada em outros estudos brasileiros
e no exterior. Destarte, constata-se a relevância do tempo de acompanhamento
para manutenção da pressão arterial, porquanto os pacientes que o fizeram por
mais de um ano neste Ambulatório apresentaram pressão mais controlada do
que os que fizeram tratamento por menos de um ano.
Alguns dados foram de difícil acesso devido à falta de critério no
preenchimento dos prontuários, como mostra o cálculo do IMC que não foi
possível de ser realizado em 39,56% dos pacientes. Assim, este estudo revela a
necessidade do desenvolvimento de fichas específicas para cada especialidade
a fim de melhor orientar os estudantes na anamnese e exame físico, permitindo
um acompanhamento mais detalhado destes pacientes e uma melhor avaliação
desta população em outros estudos.
Conclui-se que o diagnóstico, o tratamento e o controle adequados da
Hipertensão Arterial Sistêmica são medidas imprescindíveis para reduzir o fardo
das doenças cardiovasculares, resultando em melhores indicadores de saúde
da população deste estudo.
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FISIOTERAPIA
LUMBAR DISORDERS: PREVALENCE AND MEDICATION USE
IN PATIENTS OF PHYSIOTHERAPY
Lia Medeiros Brandim1,
Cristina Cardoso da Silva2,
Fabrício Pires de Moura do Amaral3
RESUMO
O segmento lombar suporta a maior descarga de peso da coluna, estando mais
suscetível a lesões que levam à inabilidade funcional. A fisioterapia e a terapia
medicamentosa são os alicerces para o tratamento eficaz. O objetivo desta
pesquisa foi quantificar a prevalência das patologias da coluna lombar e a
utilização de medicamentos no tratamento das mesmas em pacientes atendidos
em clinicas de fisioterapia de Teresina-PI. Trata-se de um estudo transversal,
retrospectivo, descritivo de caráter quantitativo, realizado em duas clínicas de
fisioterapia de Teresina-PI. Para isso foram analisados 274 prontuários de
pacientes com dor lombar do período de junho de 2009 a junho de 2011,
sendo observados os seguintes parâmetros: diagnóstico clínico, farmacoterapia,
gênero e idade. Os resultados revelaram predomínio diagnóstico das doenças
degenerativas 56,3%, sendo 71,18% do gênero feminino, com predomínio
masculino apenas no grupo com discopatias e 64,27% da faixa etária 30-60
anos, sendo que nos jovem predominaram os desvios posturais e no grupo de
idosos as doenças degenerativas. Em relação aos medicamentos 68% dos
pacientes faziam uso, sendo que 65,20% destes eram AINES. Concluiu-se
então que dores lombares são ocasionadas principalmente por doenças
_________________________
1
Aluna de graduação (10º período) do curso de Fisioterapia da Faculdade Integral Diferencial-FACID.
E-mail: [email protected]
2
Professora do curso de Fisioterapia da FACID, Especialista em Fisioterapia Aplicada à Ortopodia e Traumatologia.
E-mail: [email protected]
3
Professor do curso de Fisioterapia da FACID, Doutor em farmacologia pela Faculdade de Medicina da Universidade
Federal do Ceará.
E-mail: [email protected]
58
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
degenerativas, com predisposição em mulheres de idade produtiva e/ou elevada
e que a associação entre fisioterapia e tratamento medicamentoso, principalmente
os AINES, é amplamente utilizada na pratica clinica.
Palavras-chave: Dor lombar. Prevalência. Medicamentos.
ABSTRACT
The lumbar segment supports the largest unloading of weight of the backbone, it
is more susceptible to injuries that leads to functional disability. The physical
therapy and drug therapy are foundations for effective treatment. The objective
of this research was to quantify the prevalence of lumbar´s column pathologies
and the use of medicines in the treatment of these diseases in patients served in
physical therapy clinics of Teresina-PI. This is a study retrospective, crosssectional, descriptive with quantitative character in two physical therapy clinics
of Teresina-PI. Thereunto, 274 medical records of patients with lumbar pain in
the period from June 2009 to June 2011 were examined, the following parameters
were observed: clinical diagnosis, drug therapy, gender and age. The results
revealed the predominance of diagnosis of degenerative diseases 56.3%, with
71.18% of the female gender, with male predominance in the only group with
disc-related diseases and 64.27% with age 30-60 years, and postural deviations
predominated in young and degenerative diseases in the elderly group. In
medicines, 68% were using drugs, and that 65.20% of these were AINES. It
was concluded then that the pain is caused mainly by degenerative diseases,
with women of productive age predisposition in and/or high and that the association
between physical therapy and drug treatment, especially the AINES agents, is
widely used in clinical practice.
Keywords: Lumbar pain. Prevalence. Drugs.
1 INTRODUÇÃO
O ser humano adquiriu, devido a sua evolução anatômica e postural, a
sobrecarga do esqueleto axial. A ortostase e o bipedismo comprometeram o
corpo trazendo repercussões limitantes e imprevisíveis (SINÍZIO et al., 2003).
As dores lombares constituem grande causa de morbidade e incapacidade,
sendo que 50 a 80% das pessoas no mundo irão sofrer de dor lombar em
59
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
algum momento da vida (FUJII, 2008).
A lombalgia é uma dor localizada entre a parte mais baixa do dorso, em
nível de última costela, até a prega glútea; a lombociatalgia surge quando esta
dor se irradia para as nádegas e/ou membros inferiores (BRAZIL et al., 2004).
A lombalgia e a lombociatalgia são sintomas referidos em caso de
alterações nas estruturas músculo-esqueléticas-ligamentares da coluna lombar,
as chamadas patologias da coluna lombar (APPEL et al., 2002).
Dentre as patologias mais comuns que geram os quadros dolorosos
estão: artrose, problemas discais, alterações posturais, espondilolistese
(escorregamento de um corpo vertebral sobre o outro), fraturas de corpos
vertebrais (espondilólise) e doenças inflamatórias da região lombar (FUJI, 2008).
No que diz respeito à prevalência, segundo Barbosa (2007), 90% das
dores lombares são de origem mecânico-degenerativas e a ocorrência desses
distúrbios varia de acordo com a idade, sendo patologias como as discopatias,
mais comuns entre pacientes de 20 a 50 anos e processos degenerativos
acometem mais pacientes idosos. Em relação ao gênero, as mulheres apresentam
maior prevalência de lombalgia quando comparado aos homens, isso porque
tarefas domésticas, geralmente realizadas por elas, geram sobrecargas repetidas
na coluna (PONTE, 2005).
Carvalho et al. (2005) afirmaram que na reeducação do paciente com
afecções vertebrais, a fisioterapia e a terapia medicamentosa são os alicerces
para o tratamento.
O tratamento medicamentoso das dores lombares deve ser centrado no
controle sintomático da dor para propiciar a recuperação funcional o mais
rapidamente possível, sendo que, a farmacoterapia de primeira linha para a
lombalgia consiste de anti-inflamatórios não esteróides, de analgésicos opióides
e antidepressivos, sendo que, na prática clínica os antiinflamatórios não esteroides
(AINES), são os medicamentos mais empregados (BRAZIL et al., 2004;
GARCIA FILHO et al., 2006).
Diante do exposto elaborou-se o seguinte problema: Qual a prevalência
das patologias lombares e a utilização de medicamentos no tratamento das
mesmas em pacientes atendidos em clínicas de fisioterapia de Teresina-PI?
A pesquisa foi realizada pela necessidade de obter uma atualização de
dados na cidade de Teresina-PI acerca das doenças da coluna lombar, bem
como o perfil medicamentoso dos pacientes acometidos, visto que a população
teresinense vem se modificando ao longo dos anos, tanto pelo envelhecimento,
60
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
como pela mudança nos hábitos de vida, o que reflete diretamente nos tipos de
patologias que surgem. Baseado nesses novos levantamentos, profissionais de
diversas áreas da saúde poderão direcionar intervenções, na prevenção e
tratamento dessas doenças, buscando proporcionar ao paciente a melhoria de
sua capacidade funcional.
Este estudo, portanto, teve por objetivo geral quantificar a prevalência
das patologias da coluna lombar e a utilização de medicamentos no tratamento
das mesmas em pacientes atendidos em clínicas de fisioterapia de Teresina-PI,
objetivando especificamente identificar as patologias da coluna lombar que
acometem pacientes atendidos em clínicas de fisioterapia de Teresina-PI,
identificar a prevalência de cada patologia nos diferentes gêneros e faixas etárias
e verificar a prevalência dos principais grupos farmacológicos utilizados no
tratamento destas doenças.
2 MATERIAIS E MÉTODOS
O projeto foi elaborado e encaminhado ao Comitê de Ética e Pesquisa
- CEP, baseado na Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. Foi
solicitada autorização para a realização da pesquisa às Diretoras das instituições
pesquisadas. Solicitou-se também a assinatura do termo fiel depositário aos
responsáveis pela base de dados de cada clínica, a fim de possibilitar a análise
dos prontuários. Esta pesquisa iniciou após aprovação pelo Comitê de Ética e
Pesquisa acima mencionado, com protocolo nº 165/11.
Trata-se de um estudo transversal, retrospectivo, descritivo de caráter
quantitativo, realizado em duas clínicas de fisioterapia (A e B) localizadas em
Teresina-PI. Sendo A, uma clínica escola pertencente a uma instituição privada
de ensino superior localizada na zona leste e B uma clínica privada localizada no
centro da cidade.
A amostra foi do tipo aleatória simples composta de 274 prontuários,
segundo os seguintes critérios de inclusão: pacientes atendidos nas clínicas objetos
de estudo desta pesquisa no período de junho de 2009 a junho de 2011,
prontuários cuja queixa principal fosse dor lombar, com patologias da coluna
lombar evidenciadas no diagnóstico clínico. Foram excluídos prontuários de
pacientes com dores lombares resultantes de patologias em órgãos abdominais
e prontuários com ausência de diagnóstico clínico.
A coleta de dados se deu por análise de prontuários, com base no
61
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
diagnóstico clínico e na farmacoterapia dos pacientes. Foram levantados os
seguintes dados: os tipos de patologias da coluna lombar diagnosticadas, o
número de casos de cada uma, a quantidade de pacientes que fazia ou não uso
de medicação no tratamento destas patologias e os tipos de medicamentos
utilizados. Foram levantados também dados referentes à idade e gênero dos
pacientes.
A análise estatística foi realizada através de análise descritiva simples e
do programa Prisma 5.0. Calculou-se a média e o desvio padrão e fez-se uma
comparação entre os gêneros masculino e feminino, através do teste T student,
e entre os grupos etários de menos de 30, 30 a 60 e mais de 60 anos, utilizando
o teste one way ANOVA (TURKEY múltipla comparações), sendo considerados
estatisticamente significantes aqueles dados que obtiveram o valor de p<0,05.
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
O gráfico 1 mostra que dentre os pacientes atendidos nas clínicas de
fisioterapia pesquisadas, 30,8% obtiveram diagnóstico de espondiloartrose,
25,5% foram diagnosticados com alguma discopatia lombar, 18,8%
apresentaram lombalgia inespecífica, 13,3% tiveram como causa da dor algum
desvio postural, 7% tiveram relato diagnóstico de lombociatalgia e 5%
apresentaram outros diagnósticos.
Gráfico 1: Prevalência das patologias lombares em pacientes
atendidos em clínicas de fisioterapia de Teresina-PI, Teresina-PI, 2012
5%
OUTROS
7%
LOMBOCIATAL GIA
13,3 0%
DE SVIOS POS TURAIS
LOMBALGIA
18,80%
DISCOPATIAS LOMBARES
25,50%
E SPONDILOARTROSE
30 ,80%
FONTE: DADOS DA PESQUISA
62
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
Os dados apresentados acima revelaram uma alta prevalência de
patologias degenerativas da coluna lombar (espondiloartrose e discopatias
degenerativas) em pacientes atendidos em clinicas de fisioterapia de TeresinaPI, confirmando o estudo de Barbosa (2007) que afirmou ser a maioria das
dores lombares, 90%, de origem mecânico-degenerativa. Nesse mesmo sentido
Appel et al. (2002) afirmaram que a artrose é a causa mais comum de dor
lombar e Vialle (2010) relatou que a hérnia discal lombar é um dos diagnósticos
mais comuns dentre as alterações degenerativas da coluna lombar.
Os resultados obtidos divergem ainda de pesquisas da mesma natureza
realizadas anteriormente. Nos estudos de Deus (2007) e Silva (2011), o
diagnóstico lombalgia foi o mais prevalente. Isso pode ser atribuído ao fato de
que em anos anteriores havia uma menor preocupação por parte dos profissionais
de saúde em especificar a patologia geradora do quadro doloroso, banalizando
assim o termo lombalgia como diagnóstico, sem especificar a causa. Tendo em
vista que, nesta pesquisa houve uma menor prevalência dos diagnósticos
inespecíficos (lombalgia e lombociatalgia), pode-se perceber que atualmente há
uma maior preocupação por parte dos profissionais de saúde em estabelecer
diagnósticos mais precisos, onde se evidencie não apenas o quadro doloroso,
mas sim a patologia que o gerou.
O gráfico 2 mostra que 8,06% dos pacientes com dor lombar tinham
faixa etária <30 anos, 64,27% entre 30-60 anos e 27,67% pertenciam à faixa
etária >60 anos.
Gráfico 2: Frequências das patologias lombares de acordo com os
grupos etários, Teresina - PI, 2012
FONTE: DADOS DA PESQUISA
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Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
Observando os resultados expostos, é notório que o grupo 30-60 anos,
correspondente à faixa etária produtiva (classe trabalhadora) foi o mais afetado,
o que confirma os relatos de Andrade, Araújo e Vilar (2005), que em sua revisão
de literatura afirmou haver uma maior incidência de dores lombares em indivíduos
de fase economicamente ativa. Esse resultado pode ser atribuído ao fato de que
conforme relatou Baú (2005), o atual mercado de trabalho exige grande
produtividade a um custo competitivo, o que impõe, muitas vezes, ritmos intensos
e jornadas prolongadas, sendo que frequentemente o trabalho é realizado em
posturas e ambientes ergonomicamente inadequados, predispondo os
trabalhadores a lesões.
Nesse mesmo sentido Ney Filho (2010) relatou que a dor nas costas
tem sido responsável por uma elevada ocorrência de incapacidade para o
trabalho. Porto (2004) afirmou ainda que a partir dos 30 anos o excesso de
atividades, estresse e más posturas comuns neste período de vida, são os grandes
responsáveis pelo surgimento das dores lombares.
Os dados revelaram ainda ser a população idosa consideravelmente
afetada pelas dores lombares o que corrobora com a pesquisa de Reis et al.
(2008), onde houve uma prevalência de 33,6% de idosos com dores lombares,
afirmando ainda que há evidências da relação entre a dor lombar e a idade,
sendo que o risco de lombalgia aumenta com a idade, tendo elevada frequência
entre indivíduos com mais de 65 anos.
Analisando individualmente os grupos etários na Tabela 1, pode-se
perceber que apesar de haver prevalência do grupo 30-60 em todas as
patologias, na faixa etária mais jovem (<30) houve um predomínio dos desvios
posturais e no grupo referente aos idosos (>60) prevaleceram às doenças
degenerativas (espondiloartrose e discopatias).
Foram encontradas diferenças significativas entre os seguintes grupos
etários: <30 vs 30-60, p = 0,0001 e entre 30-60 vs >60, p = 0,0001. Não foi
encontrada diferença significativa entre <30 vs > 60. Para ANOVA (Turkey
comparações múltiplas).
64
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
Tabela 1 - Distribuição da prevalência das patologias lombares de
acordo com os grupos etários, Teresina - PI, 2012
PATOLOGIAS
Espondiloartrose
Discopatias
Lombalgia
<30
a (8,06 ± 14,8)
0,9%
3,1%
11%
30 – 6 0
a (64 ,27±11,63)
58,5%
65,6%
73%
>60
a (27,67 ± 9,40)
40,6%
31,3%
16%
Desvios posturais
Lombociatalgia
Outros
33,4%
---------
45,1%
78,3%
65,1%
21,5%
21,7%
34,9%
a = média e desvio padrão
Segundo Cabral et al. (2009), dados epidemiológicos apontaram para
alta prevalência de alterações posturais de coluna entre crianças e adolescentes.
Isso pode se dever ao fato de que essa época da vida corresponde à faixa
etária escolar. Pereira et al. (2005) afirmaram que, o excesso de peso e o
transporte inadequado do material escolar, a ausência de atividade física
específica, os mobiliários não adequados à necessidade do escolar e posturas
incorretas adotadas durante as aulas são fatores predisponentes ou agravantes
da escoliose.
No que diz respeito à prevalência das patologias degenerativas no grupo
dos idosos, os dados confirmam a afirmação de Reis et al. (2008) quando este
relatou que o maior tempo de exposição a sobrecargas ao longo da vida junto
ao envelhecimento tendem a desencadear processos degenerativos da coluna
vertebral.
O gráfico 3 mostra que 71,18% dos pacientes com dor lombar eram do
gênero feminino e 28,8% do gênero masculino.
65
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
frequência das patologias
por sexo
Gráfico 3 - Frequências das patologias lombares de acordo com o
gênero, Teresina - PI, 2012
p = 0 ,0 00 2
10 0
80
60
40
7 1 ,1 8 %
20
2 8 ,8 %
0
fe
m
in
in o
m
a
u
sc
li n
o
FONTE: DADOS DA PESQUISA
Os dados obtidos concordam com o estudo de Matos et al. (2008),
onde também houve maior prevalência 54,2% de dores lombares no gênero
feminino.
Esses resultados podem ser justificados pelo fato de que, segundo Ponte
(2005), comparado aos homens, as mulheres apresentam uma prevalência mais
elevada de lombalgia, isso porque as tarefas domésticas geralmente realizadas
pelo gênero feminino, geram sobrecargas repetidas na coluna.
Além disso, segundo Matos et al. (2008) o gênero feminino apresenta
algumas características anatomo-funcionais, como por exemplo, menor estatura,
menor massa óssea, menos massa muscular, articulações mais frágeis e menos
adaptadas ao esforço físico, que podem colaborar para o surgimento das dores
na coluna.
Em relação a distribuição da prevalência das patologias lombares de
acordo com o gênero, conforme mostra a tabela 2, as mulheres possuíam uma
maior frequência das mesmas, média 71,18 ± 13,86, enquanto os homens
apresentavam 28,82 ± 13,86. Ainda na Tabela 2, analisando individualmente os
grupos, pode-se perceber predomínio do gênero masculino apenas no grupo
de pacientes cm diagnóstico de discopatias degenerativas.
66
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
Tabela 2 - Distribuição da prevalência das patologias lombares de
acordo com o gênero, Teresina- PI, 2012
PATOLOGIAS
GÊNERO
FEMININO
MASCULINO
ESPONDILOARTROSE
65,5%
34,5%
DISCOPATIAS
48,4%
51,6%
LOMBALGIA
76,1%
23,9%
DESVIOS POSTURAIS
78,0%
22,0%
LOMBOCIATALGIA
69,6%
30,4%
OUTROS
89,5%
10,5%
P = 0,0002 (Te ste T student)
Esse resultado confirma o relato de Appel et al. (2002), de que a herniação
discal, é uma situação relativamente frequente, com discreta predominância do
gênero masculino.
Pode-se justificar o resultado apresentado na tabela pelo fato de que,
conforme afirmaram Pereira, Pinto e Sousa (2006), trabalhos pesados com
movimentação de cargas são desenvolvidos principalmente por homens, logo,
a exposição a forças compressivas intensas resultariam em uma maior tendência
a deformações e rupturas do disco intervertebral.
Em relação à utilização de medicamentos no tratamento das patologias
lombares: 68% utilizavam medicamentos e 32% não utilizavam medicamentos.
Os resultados mostraram que houve maior prevalência de pacientes que
utilizavam medicação em associação com o tratamento fisioterapêutico.
Esse fato pode ser explicado por ser a melhora dos pacientes mais efetiva
quando há uma associação do tratamento fisioterápico com o medicamentoso
conforme Carvalho et al. (2005), quando disseram que a fisioterapia e a terapia
medicamentosa são os alicerces para o tratamento da dor na coluna.
Em relação ao tratamento utilizado nos quadros de dor lombar, os
resultados desta pesquisa corroboram o estudo de Martinez et al. (2008), o
qual evidenciou em sua pesquisa que a modalidade mais utilizada é a
medicamentosa, uma vez que 100% dos pacientes apresentavam prescrição
para medicamentos.
O Gráfico 4 revela que os medicamentos mais utilizados pelos pacientes
67
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
com dor lombar foram: Anti-inflamatórios não esteróides 65,2%, Antidepressivos
10,3%, Suplemento de cálcio 10,3%, corticoides 7,3% e opióides 6,9%.
Gráfico 4 - Distribuição dos pacientes de acordo com os medicamentos
em uso, Teresina- PI, 2012
FONTE: DADOS DA PESQUISA
Em relação à prescrição das principais modalidades farmacêuticas, houve
um predomínio absoluto dos antiinflamatórios não esteróides, resultados estes
compatíveis com o estudo de Martinez et al (2008) onde houve predomínio de
87,5% dos AINES em relação às outras modalidades farmacêuticas encontradas.
Os AINES foram os mais utilizados, pois conforme afirmaram Brazil et
al (2004), esses medicamentos têm efeitos analgésicos e antiinflamatórios, sendo
mais efetivos porque comumente as alterações anatômicas degenerativas da
coluna lombar geram inflamação e dor. A menor prevalência de utilização dos
corticóides pode ser explicada pelo fato de que esses medicamentos geram
graves efeitos adversos, como aumento da pressão arterial e indução do diabetes,
assim como os analgésicos opióides possuem como fatores limitantes do seu
uso prolongado, a tolerância e a dependência física (WANNMACHER;
FERREIRA, 2004).
68
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
Em relação ao uso de medicamentos, se constatou neste estudo maior
utilização de medicamentos direcionados para o combate direto à dor (AINES,
corticóides e opióides). Este resultado reforça os achados de Brazil et al (2004)
de que o tratamento medicamentoso das dores lombares deve ser centrado no
controle sintomático da dor para propiciar a recuperação funcional o mais
rapidamente possível e que todas as classes de antiinflamatórios (AINEs e
corticoesteróides) podem ser úteis no tratamento da lombalgia, uma vez que
ambas foram encontradas nesta pesquisa.
Segundo o estudo de Garcia Filho et al. (2006) o tratamento
farmacológico de primeira linha para lombalgia consiste de anti-inflamatórios
não esteroides (AINES), de analgésicos opióides e antidepressivos. Os resultados
apresentados confirmam este estudo, pois todos os grupos farmacológicos
mencionados acima foram encontrados nos dados obtidos.
Observou-se ainda que os antidepressivos foram significativamente
utilizados pelos pacientes com dores lombares, evidenciando que a dor lombar
gera alterações psicocomportamentais, afetando negativamente a qualidade de
vida desses pacientes. Teixeira (2007) relatou que os antidepressivos podem
melhorar a analgesia, proporcionando relaxamento muscular e normalização do
sono, do apetite e do humor.
Apesar de não atuar no combate direto à dor, foi importante relatar a
prevalência do uso de suplementação de cálcio, uma vez que a mesma foi
significativa. Esse resultado pode levar a entender que a osteoporose é uma
doença sistêmica que comumente acompanha pacientes com quadro de
alterações patológicas da coluna, uma vez que a suplementação de cálcio é
caracteristicamente usada por pacientes com osteoporose.
Pandrini et al. (2002) afirmaram que a osteoporose vertebral está entre
as cinco afecções frequentes da clínica diária que se acompanham de lombalgia
crônica e Cecin (2002) que a suplementação de cálcio e vitamina D é
recomendada como tratamento nos casos de dor lombar associada à
osteoporose.
4 CONCLUSÃO
Concluiu-se que em pacientes atendidos em clínicas de fisioterapia de
Teresina-PI as dores lombares são ocasionadas principalmente por doenças
degenerativas, com predisposição em mulheres de faixa etária produtiva (classe
trabalhadora) e idade elevada, sendo que a associação entre fisioterapia e
69
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
tratamento medicamentoso, principalmente através da utilização de
antiinflamatórios não esteróides, é amplamente utilizada na prática clínica.
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Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
ANÁLISE DO COMPROMETIMENTO FUNCIONAL EM
PACIENTES COM LOMBALGIA CRÔNICA
ANALYSIS OF FUNCTIONAL IMPAIRMENT IN PATIENTS WITH
CHRONIC LOW
Rosana de Carvalho Neiva1,
Ana Cristina de Carvalho Melo2
RESUMO
Lombalgia pode ser definida como toda categoria de dor localizada nas regiões
lombares inferiores, lombossacrais e sacroilíacas da coluna vertebral. Representa
uma das pertubações físicas mais comuns na sociedade atual, e uma das
principais responsáveis por comprometimentos funcionais. O objetivo deste
estudo foi analisar o comprometimento funcional em pacientes com lombalgia
crônica. A pesquisa foi realizada com 30 (trinta) pacientes com diagnóstico de
dor lombar crônica, com faixa etária entre 18 a 80 anos, atendidos em uma
clínica de fisioterapia da cidade de Teresina-PI. Os instrumentos utilizados na
coleta de dados foram: Formulário estruturado, Questionário de Roland-Morris
e Escala Visual Analógica de dor. As informações colhidas foram submetidas à
análise estatística através dos softwares Origin 7.0, Microsof Office Excel e
Teste de correlação de Pearson. Os resultados revelaram incapacidade funcional
em 86,7% dos pacientes, com predominância do gênero feminino (66,7%),
com faixa etária entre 41-60 anos (46,7%), com escolaridade baixa, ensino
fundamental incompleto (60%), renda familiar de 1(um) salário mínimo (80%),
donas de casa (43,3%), e durante as atividade laborativas realizam posturas
dinâmicas (70,6%) e não realizam atividades físicas (76,7%). Ao correlacionar
a intensidade da dor com a incapacidade funcional, o coeficiente de Pearson
mostrou-se significativo (r=0,746*). Os resultados deste estudo apontam que a
lombalgia crônica ocasionou limitações em diversas atividades funcionais e a
incapacidade funcional ocorreu em número significativo da amostra estudada.
Resta clara a necessidade de se realizar mais pesquisas, que resultem em um
_____________________
1
Acadêmica do curso de Fisioterapia da Faculdade Integral Diferencial - FACID.
Email: [email protected] • Telefone: (86) 9998-1878
2
Professora especialista da disciplina Estágio Supervisionado em Fisioterapia Neurológica adulto
Email: [email protected] • Telefone: (86) 9981-3645
74
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
aprofundamento destas discussões a fim de proporcionar melhor compreensão
dos problemas identificados. Reforça-se o alerta de ações preventivas para
redução da incapacidade funcional.
Palavras-chave: Incapacidade. Lombalgia. Coluna lombar
ABSTRACT
Low back pain can be defined as any type of localized pain in the lower lumbar
region, sacroiliac and lumbosacral spine. Represents one of the most common
physical disturbance in society today, and is partly responsible for functional
impairment. The aim of this study was to assess functional impairment in patients
with chronic low back pain. This is a descriptive study with quantitative approach.
The survey was conducted with 30 (thirty) patients with low back pain chronic,
aged between 18 to 80 years old, attended a physiotherapy clinic in the city of
Teresina-PI. The instruments used in data collection were structured form, the
Roland-Morris Questionnaire and Visual Analog Scale of pain. The data collected
were subjected to statistical analysis using the Origin 7.0 softoware Microsof
Office Excel and Pearson correlation test. The results showed functional disability
(86.7%) patients, predominantly female (66.7%), aged between 41-60 years
old (46.7%), with low education, elementary education (60%), family income
of 1 (a) minimum wage (80%), homemakers (43.3%) during the activity observed
dynamic job-place (70.6%) and do not perform physical activity (76.7 %). By
correlating the intensity of pain with functional disability, the Pearson's coefficient
was significant (r = 0.746 *). The results of this study show that chronic back
pain caused several limitations in functional activities and functional disability
occurred in significant numbers from the study. There is a clear need for further
research, reinforcing of preventive alert for the reduction of disability.
Keywords: Disability. Low-back-pain (LBP). Lumbar spine.
1 INTRODUÇÃO
A coluna vertebral corresponde a principal estrutura de sustentação do
corpo humano, sendo composta por 33 vértebras sobrepostas no sentido
longitudinal. O equilíbrio da sua arquitetura óssea torna-se uma tarefa difícil
75
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
devido as forças de tensão, compressão e torção, expondo sua estrutura
morfofuncional a uma série de agravos, os quais contribuem para o acometimento
da coluna lombar com manifestações álgicas e alterações funcionais e estruturais.
Lombalgia pode ser definida como toda categoria de dor localizada nas
regiões lombares inferiores, lombossacrais ou sacroilíacas da coluna vertebral.
Pode ser classificada em aguda, subaguda ou crônica, de acordo com a duração
do seu quadro álgico. A dor lombar crônica, objeto desse estudo, é caracterizada
por quadro de dor que ultrapassa doze semanas, a contar do primeiro episódio
de dor aguda e pela gradativa instalação da incapacidade, comprometendo a
produtividade (CORDEIRO et al.,2010; TSUKIMOTO et al., 2006).
A dor lombar promove limitações e sofrimentos aos pacientes e familiares
em muitos aspectos da vida. Em decorrência da relevância da questão, o modelo
de Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF),
proposto pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2001, fornece uma
estrutura para melhor entendimento dos termos funcionalidade e incapacidade,
possibilitando, dessa forma, uma descrição mais completa e significativa de
saúde. (OCARINO et al., 2009).
No modelo da CIF, funcionalidade representa um componente de saúde,
que engloba todas as funções do corpo, a capacidade do indivíduo de realizar
atividades e tarefas cotidianas, bem como sua participação na sociedade. E o
termo Incapacidade envolve déficit na função do corpo, dificuldade em realizar
atividades diárias bem como desvantagem na interação do indivíduo com a
sociedade devido à dor (SAMPAIO et al., 2005).
Nessa linha de raciocínio, é comum verificar em pacientes com lombalgia,
prejuízos como: dor, fraqueza, desequilíbrios musculares, dificuldades em realizar
atividades da vida diária (AVD'S), dificuldade de deambulação, além de
restrições em atividades profissionais e sociais. Diante disso, as condições
incapacitantes, bem como o declínio da funcionalidade, são fatores primordiais
na alteração da qualidade de vida de pacientes com dor lombar crônica.
Este trabalho objetivou analisar o comprometimento funcional em
pacientes com lombalgia crônica, com intuito de identificar as limitações que os
mesmos possuem em desempenhar suas habilidades funcionais, contribuindo
assim para um melhor entendimento do processo saúde-doença vivenciado pelos
pacientes com lombalgia.
Para tanto, realizou-se uma pesquisa com trinta pacientes com
diagnóstico de lombalgia crônica, atendidos em uma clínica de fisioterapia da
76
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
cidade de Teresina-PI. Para obtenção dos resultados foram utilizados os
seguintes instrumentos de avaliação: Formulário estruturado, Escala Visual
Analógica de dor (EVA), Questionário de Roland-Morris
As informações obtidas possuem relevância para a sociedade por ampliar
a circulação de informação através do fornecimento de dados que irão reforçar
a gravidade do problema, o que evidencia maior necessidade de investimentos
em informação, prevenção e diagnósticos precoces, a fim de diminuir a
incidências desse quadro álgico e possíveis incapacidades.
2 MATERIAIS E MÉTODOS
Trata - se de uma pesquisa descritiva com abordagem quantitativa. Os
sujeitos da pesquisa foram 30 pacientes com diagnóstico de lombalgia crônica
atendidos em uma clínica de fisioterapia da cidade de Teresina-PI.
A seleção da amostra ocorreu entre os meses de outubro a fevereiro de
2011. Foram incluídos pacientes com queixas de dor lombar crônica e idade
entre 18 a 80 anos. Excluídos os pacientes com dor lombar em fase aguda,
doença ou infecção aguda.
Os pacientes foram informados sobre o caráter da pesquisa e objetivos,
e mediante procedimentos foram incluídos no estudo. Os pacientes tiveram
acesso ao Termo de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE) e posteriormente
concordaram em assina-lo, participando dessa forma da pesquisa.
A coleta de dados foi realizada através da aplicação de um formulário
estruturado. Este instrumento foi aplicado no intuito de obter informações que
pudessem melhor caracterizar a amostra estudada, contendo questões sóciodemográficas como: idade, gênero, escolaridade, renda, trabalho, além de outras
questões referentes à ergonomia e prática de atividade física.
Para analisar o comprometimento funcional da lombalgia foi utilizado o
questionário de atividade funcional de Roland-Morris. O mesmo é composto
de 24 questões selecionadas para cobrir uma amplitude de aspectos relacionados
às atividades de vida diária, a dor e a função.
Esse questionário tem como ponto de corte o escore "14", ou seja, os
indivíduos avaliados com um escore maior que 14 apresentam incapacidade e
quanto mais próximo à pontuação "24", maior a incapacidade; portanto maior
o comprometimento funcional do indivíduo com dor lombar crônica. A versão
em português traduzida, adaptada, possui sua validade e reprodutibilidade bem
77
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
estabelecidas na literatura (NUSBAUM et al., 2001).
No protocolo de avaliação também foi utilizada Escala Visual Analógica
de dor , utilizada e validada como um método de mensuração quantitativa da
dor, sua escala varia de 0-10 pontos, onde zero é a ausência de dor e dez é a
maior dor sentida pelo paciente (MAIA et al., 2008).
Após coletados, os dados foram organizados, analisados e interpretados
através das respostas obtidas dos instrumentos de avaliação supracitados. Os
mesmos foram organizados e submetidos à análise estatística através dos
programas de informática Origin 7.0 e Microsoft Office Excel 2007,
apresentados em forma de gráficos e tabela: A correlação entre as variáveis
estudadas foi realizada através do Teste de Comparação de Pearson.
A pesquisa foi projetada de acordo com as Diretrizes e Normas
Regulamentadoras de Pesquisa Envolvendo Seres Humanos (Resolução 196/
1996 do Conselho Nacional de Saúde - CNS) e aprovada pelo CEP (Comitê
de Ética em Pesquisa) da Faculdade Integral Diferencial - FACID e sob o
número de protocolo 170/10 para iniciação e realização desta pesquisa.
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
A pesquisa foi realizada com base nas respostas obtidas pelos
instrumentos de avaliação, aplicados em 30 pacientes com diagnóstico de dor
lombar crônica, com idades entre 18 a 80 anos.
Figura1 - Distribuição percentual dos pacientes quanto ao gênero,
Teresina-PI, 2011
3 3 .3 %
66 .7%
F e m in i n o
M a s c u li n o
78
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
A figura 1 mostra o gênero predominante dos pesquisados, o que revelou
que destes, 66,7% correspondiam ao gênero feminino e 33,3% correspondiam
ao gênero masculino.
Silva, Fassa e Vale (2004) indicaram que as mulheres estão expostas a
riscos maiores que os homens, devido a particularidades anátomo-funcionais
que, quando somadas, podem corroborar o surgimento de lombalgias, como:
menor estatura, menor massa muscular, menor densidade óssea, fragilidade
articular e menor adaptação ao esforço físico.
F r e q u ê n c ia a b s o l u t a
Figura 2 - Percentual dos pacientes de acordo com a faixa etária,
Teresina-PI, 2011
4 6 .7 %
14
12
3 3 .3 %
10
8
6
20%
4
2
0
18-40
4 1 -6 0
61-80
F a ix a e t á r ia
Na presente pesquisa a prevalência da lombalgia aumentou com a idade,
o que coincide com dados de outros estudos (figura 2).
Ponte (2005), em estudo realizado em cuidadores de saúde primários,
constatou que os grupos etários com maior prevalência de lombalgia foram 4049 e 50-59 ano. Já Loney e Estratford (1999), em um estudo populacional,
evidenciaram a prevalência de lombalgia crescente em indivíduos com faixa
etária de 40 a 60 anos, mostrando a aproximação e concordância com nossos
dados.
Tosato et al. (2006), revelaram em seus estudos a prevalência da
lombalgia com o aumento da idade. No qual, infere que o risco aumentado
deve-se ao fato de que os processos degenerativos, de um modo geral, podem
estar bem avançados, trazendo como conseqüências o desgaste das estruturas
ósteo musculares e orgânicas.
Para Silva, Fassa, Vale (2004), o estress mecânico durante as atividades
diárias, concomitantemente, as alterações ósseas decorrentes do início do
79
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
processo de envelhecimento, tornam as patologias degenerativas o principal
fator etiológico das lombalgias.
Em relação ao grau de escolaridade, 60% indicaram possuir ensino
fundamental incompleto, 20% ensino fundamental completo, 13,3% ensino médio
e 6,67% ensino superior. No presente estudo, quanto menor o nível de
escolaridade, maior foi a prevalência de lombalgia.
Salvetti (2010), considera que baixos níveis de educação estão
associados a maiores riscos para doenças crônicas como a lombalgia. Já Ribeiro
(2010), reforçou que a escolaridade determina diferentes inserções no trabalho
e que níveis de escolaridade menores implicam em trabalhos com maiores riscos
ergonômicos para o desenvolvimento de várias doenças ósteomusculares
tomando como referência a lombalgia.
Figura 3 - Distribuição percentual dos pacientes de acordo
com a renda, Teresina-PI, 2011
F r equ ênc i a A bs ol uta
25
80 %
20
15
10
16.7 %
5
3. 33%
0%
0
A té 1 S m
A té 2 S m
Até 3 S m
A té 4 S m
Re nda
A renda familiar média dos participantes da pesquisa era de um salário
mínimo, portanto, viviam situação financeira desfavorável (figura 3).
Arcanjo, Valdés e Silva (2008), acreditam que esta condição de vida
facilita a existência de ambientes inadequados, estilos de vida insatisfatórios,
alimentação incorreta e dificuldade de acesso na assistência a saúde, e, assim
podem ser considerados elementos significativos no agravo da dor. Em
contradição, pessoas com melhores condições financeiras geralmente possuem
melhor acesso à prevenção, tratamento, bem como reabilitação.
Quanto a situação de trabalho, 16,7% dos pacientes eram aposentados,
80
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
6,67% desempregados, 20% afastados, 13,3% estavam trabalhando com
remuneração e 43,3% estavam trabalhando sem remuneração (donas de casa).
Em nosso estudo a situação de trabalho prevalecente foi de donas de casa, este
talvez, tenha sido um dos fatores que interferiram no nosso baixo índice de
afastamento do trabalho devido à dor lombar.
Em relação aos dados ocupacionais, os resultados deste estudo se
assemelham com os de Tsukimoto et al. (2006), em que a categoria com maior
participação percentual foi a de mulheres com atividades de donas de casa.
Caraviello et al. (2005), em seu trabalho objetivando avaliar a dor e a
incapacidades em 30 pacientes tratados em programa de escola de coluna,
observaram a predominância de donas de casa, o que evidenciou também,
baixo índice de afastamento do trabalho.
Choratto e Estabille (2003), revelaram que se as tarefas diárias,
pertinentes aos serviços domésticos, fossem analisadas considerando o fato de
que muitos dos utensílios, equipamentos e móveis disponíveis para realização
das atividades domésticas, na maioria das vezes, não estão ergonomicamente
adequados ao tipo de serviço e ao indivíduo que realiza, fica fácil entender a
alta incidência de lombalgia em donas de casa no presente trabalho.
Em relação à postura durante as atividades laborativas, 11,8% dos
pacientes relataram ficar em pé, 17,6% relataram ficar sentados, 70,6% indicaram
realizar posturas dinâmicas. As realizações de movimentos repetitivos de
sobrecarga para a coluna vertebral foram as posturas predominantes. Esses
achados confiaram que vem sendo descrito na literatura.
Para Barreiras (1989), são as situações impostas à coluna vertebral que
constituem as causas mais freqüentes de lombalgia e dentre elas estão: esforço
em flexão, esforço excessivo e esforço inadequado. A autora relaciona também
situações de trabalho conhecidas como fatores de risco promotores de problemas
osteomusculares para a coluna vertebral, como a manutenção de uma postura
por períodos prolongados de tempo e a solicitação extraordinária imposta à
coluna.
81
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
Figura 4 - Distribuição percentual dos pacientes conforme a prática de
atividade física, Teresina-PI, 2011
2 3 .3 %
7 6 .7 %
N ã o f a z a t iv id a d e fís i c a
F a z a t i v i d a d e f í s ic a
Em relação à prática de atividade física, a figura 4 mostra que 76,7 dos
pacientes não praticaram nenhum tipo de atividade física. Apesar de numerosas
causas e fatores de risco que estão relacionados com a lombalgia, vários
pesquisadores a caracterizam como uma doença de pessoas com vida sedentária;
a inatividade física estaria relacionada direta ou indiretamente com dores na
coluna sendo assim, a dor lombar é considerada um subproduto da combinação
da aptidão músculo-esquelética deficiente e uma ocupação que force essa região
(HELFESTEIN; GOLDEINFUN; SIENA, 2010).
Figura 5 - Distribuição percentual dos pacientes conforme escore do
Questionário de Roland-Morris, Teresina-PI, 2011
8 6 .7 %
13 .3%
I n c a p a c i ta d o s F u n c i o n a l m e n t e
N ã o I n c a p a c it a d o s
De acordo com a Classificação Internacional de Funcionalidade,
Incapacidade e Saúde (CIF) proposta pela OMS em 2001, incapacidade
representa dificuldade ou a impossibilidade de realização de tarefas e atividades
em função da dor. Essas tarefas ou atividades incluem o auto-cuidado, tarefas
domésticas e de lazer, que podem estar prejudicadas ou mesmo inviabilizadas
82
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
pela dor (FARIAS, BUCHALA, 2005).
Em consonância com o nosso estudo, essa definição reforça a gravidade
da dor lombar, considerando a grande quantidade de limitações funcionais
ocasionadas por ela, revelando que 86,7% dos participantes apresentaram
incapacidade funcional (figura 5).
Porém, a elevada freqüência de pacientes com incapacidade funcional
encontrada no presente estudo, pode ser explicada pelo fato desta pesquisa ter
sido realizada em uma clínica de reabilitação, onde a amostra incluía
exclusivamente pacientes com diagnóstico de dor lombar crônica, síndrome
reconhecidamente incapacitante.
Tabela 1 - Correlação dos valores dos escores de Roland Morris e
EVA dos pacientes com lombalgia crônica incluídos na pesquisa,
Teresina - PI, 2011
Escore Roland Morris
Escore EVA
N
Mínimo
30
8
30
2
Mediana
16
6
Máximo
Média
23
16,03
10
6,50
Desvio Padrão
3,837
2,330
Erro
Pearson ( r )
0,7005
0,4255
0,746*
Os dados da Tabela 1 evidenciam que houve significativa correlação
entre a intensidade da dor (EVA) e incapacidade funcional (Roland Morris),
através do coeficiente de Pearson, que foi bastante significativo (r = 0, 746),
mostrando que quanto maior foi o comprometimento funcional, mais intensa foi
a dor.
Diversas pesquisas têm investigado a relação entre dor e incapacidade.
Maia et al. (2008), objetivando avaliar a incapacidade funcional associada à
lombalgia em cuidadores primários de criança com paralisia cerebral grave, de
maneira semelhante ao nosso trabalho, encontraram forte correlação entre
incapacidade e intensidade da dor, sugerindo que níveis mais altos de dor podem
83
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
ser um fator importante na manutenção da incapacidade.
Tabela 2 - Avaliação do Comprometimento Funcional dos pacientes
com lombalgia crônica, através das afirmativas de maior escore do
questionário de Roland-Morris, Teresina-PI, 2011
AFIRMATIVAS ASSINALADAS
ALTERAÇÃO DA ESTRUTURA E FUNÇÃO DO CORPO
As costas doem quase que o tempo todo
Fica irritado e mal humorado com as pesso as devido dor nas costas
Qualidade do sono alterada pela dor nas costas
RESTRINÇÕES PARA ATIVIDADES DE AUTO CUIDADO
Se veste mais devagar que o habitual devido dor nas costas
Dificuldade para calçar as meias devido dor nas costas
RESTRINÇÕES PARA ATIVIDADES DE MOBILIDADE
Dificuldade para se levantar de u ma cadeira devido dor nas costas
Não está fazend o nenhu m dos trabalhos que geralmente faz em casa
por causa da dor nas costas
Somente fica em pé po r p eríodos curtos de tempo por causa da do r
nas costas
Caminha apenas curtas distâncias devido dor nas costas
Anda mais devagar que o habitual devid o dor nas costas
ESTRATÉGIAS PARA LIDAR COM A INCAPACIDADE
Solicita ajuda de terceiros para realização de atividades por causa da
dor nas costas
Evita abaixar ou ajoelhar devid o dor nas costas
Muda d e posição co m freq üência a fim de deixas as costas
co nfortáveis
Usa corrimão para subir escad as po r causa da dor nas costas
Evita trabalho s pesados em casa devido dor nas costas
Busca descanso com mais freqüência por causa da dor nas costas
RESTRINÇÃO NA P ARTICIPAÇÃO
Fica em casa a maior parte do tempo devido dor nas costas
n
Sim
%
n
Não
%
20
26
25
66,7%
86,7%
83,3%
10
04
05
33,3%
13,3%
16,7%
21
22
70%
73,3%
09
08
30%
26,7%
23
17
76,7%
56,6%
07
13
23,3%
43,3%
23
76,7%
07
23,3%
25
24
83,3%
80%
05
06
16,7%
20%
22
73,3%
08
26,7%
25
24
83,3%
80%
05
06
16,7%
20%
22
25
18
73,3%
83,3%
60%
08
05
12
26,7%
16,7%
40%
19
63,3%
11
36,7%
No intuito de avaliar o comprometimento funcional causado pela
lombalgia, utilizou-se o questionário de Roland-Morris, tomando como referência
em nosso estudo, os domínios da funcionalidade proposto pela CIF (tabela 2).
A CIF, proposta pela OMS em 2001, fornece uma estrutura para o
melhor entendimento e classificação da funcionalidade e da incapacidade,
possibilitando, dessa forma, uma descrição mais completa e significativa da saúde
das pessoas. Além disso, a CIF possibilita a utilização de uma linguagem
universal, que facilita a comunicação interprofissional sobre questões relacionadas
à saúde (BATISTELA, 2009).
84
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
Farias e Buchala (2005), ao descrever a Classificação Internacional de
Funcionalidade, Incapacidade e Saúde da OMS, em seus Conceitos, Usos e
Perspectivas, apontaram que funcionalidade é definida pela CIF em três grandes
domínios de saúde, denominados: estrutura e função do corpo, atividade e
participação.
O domínio de estrutura e da função do corpo se caracteriza pela boa
função fisiológica e/ou psicológica dos sistemas corporais bem como suas partes
anatômicas. O domínio da função relacionado à atividade, descreve a habilidade
de um indivíduo em executar uma tarefa ou ação de sua rotina diária. O domínio
participação, a CIF o define como a interação do indivíduo no meio sociocultural.
Nessa linha de raciocínio, a Tabela 2 revela que pacientes com lombalgia,
apresentam prejuízos como: dor, alteração na qualidade do sono, alteração do
humor, dificuldades em realizar atividades da vida diária (AVD'S), que envolvem
auto cuidado a atividades de mobilidade, dificuldade de deambulação, além de
restrições em atividades sociais, comprometendo funcionalidade e
consequentimente causando incapacidade.
Sampaio et al. (2005) e Tsukimoto et al. (2006), consideraram que a
lombalgia crônica está associada não somente a sintomas como dor e fraquezas
musculares, mas principalmente à limitações de movimento e impacto na
realização de tarefas cotidianas, pois mostra que os indivíduos além da dificuldade
em executar as atividades funcionais, deixam de realizá-las em função da dor.
Reforça-se dessa maneira, as limitações encontradas nesta pesquisa.
As conseqüências advindas da lombalgia são diversas. Talvez a
conseqüência mais importante a ser lembrada seja as incapacidades funcionais
que afetam o cotidiano do indivíduo, comprometendo atividades diárias, trabalho,
lazer, bem como as inter-relações pessoais e sociais (RIBEIRO, 2010).
4 CONCLUSÃO
Este estudo mostra o comprometimento funcional em pacientes com
lombalgia crônica atendidos em uma clínica de fisioterapia da cidade de TeresinaPI, aplicando-se o Questionário de Rolland-Morris.
Conclui-se com esta pesquisa, que a lombalgia crônica ocasionou
limitações em diversas atividades funcionais levando à incapacidade, representada
por um número significativo da amostra estudada, 86,7%. O estudo revelou
também que a intensidade da dor mostrou maior força de correlação com
incapacidade, ou seja, com níveis mais altos de dor, houve maior impacto
85
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
funcional.
Pelos resultados do presente estudo, também pode-se concluir que as
variáveis sócio-demográficas mostraram nítida associação com a prevalência
da lombalgia, ao considerar que a maioria dos participantes pertence ao gênero
feminino, donas de casa, com faixa etária entre 41-60 anos, sedentárias, renda
mensal de um salário mínimo, escolaridade baixa e que durante as atividades
laborativas realizam movimentos repetitivos com posturas dinâmicas ou posturas
inadequadas de sobrecarga para a coluna vertebral, que podem desencadear a
lombalgia.
Ademais, com a elaboração deste trabalho não se buscou dirimir todas
as dúvidas a respeito do tema, haja vista sua profundidade. Resta clara a
necessidade de se realizar mais pesquisas, que resultem em um aprofundamento
destas discussões a fim de proporcionar melhor compreensão dos problemas
identificados. Reforça-se o alerta de ações preventivas para redução da
incapacidade funcional.
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Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
OS TRABALHOS ACADÊMICOS E A ÉTICA: GESTÃO DE
DESAFIOS E/OU DE COMPETÊNCIAS
THE ACADEMIC WORKS AND THE ETHICS: MANAGEMENT
OF CHALLENGES AND/OR ABILITIES
Francisca Sandra Cardoso Barreto1
RESUMO
Este artigo tem por objetivo expressar algumas reflexões oriundas das situações
acadêmicas e éticas decorrentes do processo de orientação e elaboração dos
trabalhos acadêmicos vivenciados na prática docente, em instituições de ensino
superior públicas e privadas. Embasou-se nas orientações de elaboração dos
trabalhos acadêmicos dos manuais de metodologia e de ética, primordialmente
nas experiências acadêmicas nas disciplinas Metodologia do Trabalho Científico,
Bioética e Filosofia, nos últimos dez anos, para pontuar alguns entraves no
processo de elaboração dos trabalhos. O processo de produção dos trabalhos
acadêmicos é perpassado por desafios tais como: maturidade do acadêmico,
leitura, disciplina e noções de ética. Conclui-se que as instituições de ensino
superior se deparam com um grande desafio que é fazer aflorar as competências
e despertar o espírito ético dos estudantes.
Palavras-chave: Trabalho acadêmico. Ética. Desafios. Competências.
ABSTRACT
This article has as objective express some deriving reflections of decurrently the
academic and ethical situations of the orientation process and elaboration of the
lived deeply academic works in the practical professor, in public and private
institutions university education. It was based in the advised of elaboration of
the academic works of ethics and methodology manuals, primordially in the
lived deeply academic experiences in them you discipline methodology of the
scientific work, bioethics and philosophy, in last the ten years, to mention some
______________________________
1
Graduada em Filosofia pela Universidade Federal do Piauí, Mestre em Bioética pela Universidade de Brasília, Professora
da Faculdade Integral Diferencial.
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impediments in the process of elaboration of the works. The process of production
of the academic works to consists of challenges such as: maturity of the academic,
reading, disciplines and ethics slight knowledge. One concludes that the institutions
of superior education if come across with a great challenge that is to make to
arise the abilities and to awake the ethical spirit of the students.
Key-words: Academic work. Ethics. Challenges. Abilities.
1 INTRODUÇÃO
O trabalho acadêmico é uma ferramenta importante no processo de
produção do conhecimento e maturidade intelectual, todavia atualmente se
configura como um grande desafio para as Instituições de Ensino e para os
professores, pois implica a presença de competências que nem sempre o
acadêmico possui. Assim sendo, os trabalhos acadêmicos devem ser a expressão
mais clara da capacidade de leitura, reflexão e utilização do raciocínio lógico,
bem como da capacidade de disciplina, organização e gestão do conhecimento.
O processo de produção dos trabalhos acadêmicos também demanda uma
virtude considerada essencial ao ser humano, a atitude ética.
Para o estudante de nível médio, atualmente o ingresso no curso superior
implica, infelizmente ainda, na "adaptação" à pedagogia bancária e, como
conseqüência de tal processo, o estudante não cultiva o hábito de ler, tampouco
escrever. O ranço do bancarismo ainda está presente no excesso de avaliações
com questões objetivas, que não permitem um contato maior com a leitura
reflexiva e pouco se busca estimular a produção de trabalhos que exijam leituras
mais aprofundadas. Além do bancarismo, registra-se o baixo nível de cobrança
nas etapas anteriores, sobretudo no que diz respeito à leitura e ao processo de
produção dos trabalhos. No curso superior, muitas instituições sequer cultivam
a prática mais rígida de cobrança na qualidade dos trabalhos apresentados no
final das disciplinas e dos cursos. Nem mesmo estimulam a prática constante de
leitura. Este contexto gera problemas mais graves, tais como: o plágio e compra
de trabalhos acadêmicos, inclusive pela internet.
Considerando-se as variáveis relatadas, pode-se observar que um outro
desafio se configura, a ética. Será que ao longo do processo de formação existe
a preocupação em fomentar as posturas éticas no processo de elaboração dos
trabalhos dos estudantes? Ética na acepção aqui mencionada refere-se à
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capacidade que o indivíduo tem de avaliar suas ações, é o móvel das ações no
sentido de dirigir e disciplinar. Dessa forma, apoiando-se na vertente das
competências acadêmicas e na da ética como princípio da ação, bem como nas
vivências acadêmicas como professora de Metodologia do Trabalho Científico,
Bioética e Filosofia em instituições públicas e privadas, nos últimos dez anos,
objetivou-se expressar algumas reflexões oriundas das situações acadêmicas e
éticas decorrentes do processo de orientação e elaboração dos trabalhos
acadêmicos.
2 OS DESAFIOS DA PRÁTICA DOCENTE
Os desafios pelo quais passam os professores do ensino superior situamse em três categorias: a disciplina e a organização, a leitura e a pesquisa e, a
produção de conhecimento e a ética.
A disciplina e a organização são elementos essenciais para o êxito
acadêmico, pois delas dependerão os resultados do processo ensino
aprendizagem, bem como a qualidade dos trabalhos. Com efeito, traçar e cumprir
horário de estudo, priorizar tempo e fazer uma rigorosa seleção das prioridades
de assimilação do conteúdo se constituem na condição sinequa nos para o êxito
acadêmico.
Para Teixeira (2005), assim como o pesquisador, o aluno deve possuir
competências transversais. As competências transversais são as atitudes e hábitos
que levam o aluno para o além de aprender para ter sucesso na escola. Isto
quer dizer que, não se deve estudar apenas para passar de ano. Não se deve
buscar apenas desenvolver a competência técnica, que muitas vezes, inclusive,
é negligenciada, pois muitos alunos limitam-se a decorar o conteúdo para fazer
as avaliações. De acordo ainda com a referida autora o desafio constitui-se
num conjunto de rotinas, nas quais se pode destacar: saber enfrentar o momento
da avaliação formal; elaborar trabalhos, executar exercícios individuais; fazer
pesquisa; participar das aulas e discussões coletivas.
Ao ingressar no curso superior o aluno deve despertar para as mudanças
e que elas demandarão tempo para estudar, preparação para as aulas, revisão
das aulas, pesquisa e estudo em grupo (RUIZ, 2002; SEVERINO, 2002, 2007).
É fato que muitos alunos não demonstram maturidade para lidarem com as
peculiaridades do ensino superior e, conforme Bastos e Keller (1998), tais
dificuldades podem ser nomeadas como: imaturidade cultural, que relaciona-se
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Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
à falta de leitura; imaturidade psicológica - falta de definição de objetivos e
aspirações com relação ao curso escolhido e; imaturidade lógica - dificuldade
em dar uma sequência lógica ao raciocínio formalizado na escrita.
2.1 Os Desafios de Minha Experiência Docente
Com relação a experiência docente por mim vivenciada nas disciplinas
Metodologia do Trabalho Científico, Bioética e Filosofia, foi possível estabelecer
a identificação dos seguintes pontos da literatura mencionada: a) a falta de
disciplina e organização nos estudos; b) a pouca leitura; c) a imaturidade e; d) a
pouca utilização do raciocínio lógico para formalizar o que se pensou com o
que se pesquisou.
Com relação à falta de disciplina e organização, percebi que as turmas
têm formação heterogênea nos aspectos idade e tempo disponível para o estudo.
Isto quer dizer que, se o aluno é bastante jovem, falta lhe a maturidade para
gerir o tempo dedicado ao estudo e, consequentemente, organizar-se melhor;
muitos deles entram num estado de "deslumbramento", pois "conquistaram" o
status de estudante de curso superior. Muitos não se preparam para as aulas e
só estudam na véspera das atividades avaliativas, inclusive deixam de assistir as
aulas que antecedem as provas para estudar. Aqueles com idade acima da média
ou que estão na segunda graduação já trabalham e dependem dele para manter
o curso, por isso precisam conciliar seu tempo de trabalho com o estudo. Na
categoria daqueles com idade acima da média, existem os que passaram muito
tempo longe dos bancos da escola e, que por questões de realização pessoal
ou para melhorar profissionalmente, resolvem voltar a frequentar o ambiente
acadêmico. Estes apresentam grandes dificuldades na organização da vida de
estudo, leitura, pesquisa e produção textual. Isto repercute no coeficiente de
aprendizado e na qualidade dos trabalhos.
No quesito leitura considerei em primeiro lugar que a maioria dos
acadêmicos espera respostas prontas e assuntos dissecados pelos professores,
uma vez que no nível de ensino anterior tudo era visto de forma bastante
racionalizada e o professor tinha sempre todas as respostas prontas para o
aluno. Em segundo lugar, que aqueles que por terem passado muito tempo fora
do ambiente acadêmico não cultivaram o hábito da leitura. Logo, se deve deixar
bem claro para o acadêmico recém ingresso na academia que o papel do
professor de agora em diante será de orientador, e que os temas constantes na
apostila, textos adotados, livros e demais elementos sugeridos, são apenas
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Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
norteadores para o aprofundamento no assunto. Com efeito, a leitura deve ser
uma exigência constante nas disciplinas que compõem a matriz curricular de
cada curso e demanda que todo o corpo docente cobre a leitura como prática
essencial para produzir trabalhos, assimilar conteúdo, produzir conhecimento e
de se posicionar no mundo de forma crítica e criativa.
Ainda considerando o quesito leitura é valido registrar que muitos alunos
não cultivaram o hábito de ler e pesquisar para elaborar seus trabalhos, bem
como estabelecer correlações do que foi lido, com o conteúdo estudado e
ideias a serem demonstradas. Muitos recorrem à técnica do "copia e cola" e,
geralmente, sequer sabem aplicar as regras de citações. Outros chegam ao
extremo de pagar para que outras pessoas façam seus trabalhos. Existem ainda
aqueles que não conseguem se concentrar na leitura porque acham que devem
obter um entendimento imediato e limitam-se a estudar pelos slides das aulas.
A imaturidade por sua vez, relaciona-se à idade, mas principalmente a
ausência do hábito de leitura, na opinião de que já ter um diploma de curso
superior é suficiente para ser dispensado do processo básico de formação
superior de um novo curso. Muitos equivocadamente pensam que devem limitarse a estudar apenas pelos fragmentos de textos indicados pelos professores, ou
só pelo livro adotado. Outros acham que é suficiente o que se ouviu nas aulas e
há ainda aqueles que julgam que fazer trabalho é simplesmente copiar trechos
dos livros, sem observar as rigorosas exigências dos trabalhos acadêmicos,
especialmente, não aplicam as regras de citações.
Para completar, há aqueles que julgam que a formação acadêmica exige
apenas dedicação para o desenvolvimento das habilidades técnicas, esquecendose da pesquisa e da capacidade de contribuir para uma sociedade melhor. Ou
seja, freqüentam o curso superior apenas porque o objetivo é obter um diploma
e se esquecem de cobrar um compromisso maior com o processo de formação
empreendido pela instituição na qual estudam e também se auto cobram.
No quesito a pouca utilização do raciocínio lógico para formalizar o que
se pensou com o que se pesquisou, relacionei à habilidade de escrita ou redação.
É necessário relembrar a importância do ato de ler como forma de se situar no
contexto, à medida que se produz o conhecimento da realidade e ao mesmo
tempo à capacidade de transformá-la, desconstruindo-a e reconstruindo.
Inicialmente, parece ser pretensiosa tal observação, mas ao longo do processo
percebi que é a única via, caso não queira transformar o aluno num mero
reprodutor de uma "ilustração verbalística". Aqui deixo claro que a produção
de trabalhos acadêmicos, ou seja, a produção de conhecimentos, deve ter como
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premissa essencial a relação teórico-prática e prático-teórica "temperada" pelo
constante ato de pesquisar. Isto demandará do aluno o esforço, a disciplina, a
responsabilidade e o comprometimento ético.
Com relação ao compromisso ético, procurei destacar a responsabilidade
em assumir as obrigações inerentes ao aluno de curso superior, obedecer ao
rigor disciplinar e de organização, o compromisso moral em não se apropriar
indevidamente daquele conhecimento que não produziu e ao uso correto de
regras de elaboração e redação dos trabalhos.
3 QUESTÕES ÉTICAS E O TRABALHO ACADÊMICO
A ética pode ser observada sob a ótica de duas acepções, a primeira
refere-se o fim para o qual a conduta dos homens deve ser orientada, a segunda
é o princípio norteador da ação humana (BARRETO, 2010). Tais acepções,
segundo Abbagnano (2001), estão presentes desde a antiguidade e permanecem
até os dias de hoje; a primeira refere-se ao ideal natural do homem e, a segunda
fala dos motivos e das causas da conduta humana. Aparentemente, ambas as
concepções apresentam noções idênticas de bem.
Tais acepções de bem foram definidas por Platão e Aristóteles em que,
para o primeiro está relacionada às virtudes como funções da alma e, para o
segundo, determina que o propósito da ação humana é a felicidade buscada
através das ações desenvolvidas de forma virtuosa. Entretanto, na
contemporaneidade a noção de valor substituiu a noção de bem, pois o valor
pode ser apreendido ou entendido independente da apetição (ABBAGNANO,
2001; ARISTÓTELES, 2004; PLATÃO, 2003). Transcendendo tais acepções,
será que o princípio da ação humana é o bem no sentido de virtude, ou ele se
transformou em mero interesse cujo "valor" relaciona-se ao suprir a necessidade
vinculada ao interesse imediato e inconseqüente?
Para Marski Filho (2005), físico que trabalha como analista de sistemas,
amante da filosofia e epistemologia da ciência, existe a sensação de que as
escolas de nível básico tem preparado pessimamente seus alunos e as instituições
de ensino superior não têm levado tão a sério a formação deles. Ambos os
níveis de ensino têm preparado exímios compiladores e não bons estudantes. A
prática de copiar ou comprar trabalhos prontos não é nova e com a utilização
das tecnologias tem se agravado. Isto é, a elaboração de trabalhos no ensino
básico e no ensino superior tem se mostrado cada vez mais nociva. Acrescentase a essa problemática a conivência dos educadores, pois é mais fácil avaliar
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Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
por meio de "trabalhos"; ficam "felizes" os pais e os alunos. Salvo algumas
exceções, muitos alunos sequer sabem o conteúdo dos trabalhos que acabaram
de fazer e muitos professores não conferem as fontes consultadas ou se houve
plágio. O autor finaliza expressando questionamentos tais como: que tipo de
adulto profissional a escola e a academia preparam com esse tipo de estímulo?
Formam-se pensadores ou hábeis plagiadores?
Em estudo exploratório sobre o tema a compra de trabalhos na internet,
Oliveira, Garcia e Juliari (2010) realizaram uma pesquisa com 585 professores
os quais relataram em sua maioria, já ter se deparado com trabalhos que não
foram elaborados por seus alunos; quando as fraudes e plágios são detectados
relataram aplicar como punição, em primeiro lugar a nota zero e, em segundo
lugar solicitam que o aluno refaça o trabalho; também afirmaram que a maneira
de evitar as fraudes e plágios é conhecer a capacidade e limitação do aluno.
Este estudo também constatou que é na internet que se verifica a maior evidência
de oferta de serviços para a elaboração de trabalhos.
Para os docentes, a prática de compra de trabalhos, plágio e fraude é
uma prática ilegal, imoral e não ética. A solução apontada por Oliveira, Garcia
e Juliari (2010) foi alertar os alunos sobre os perigos de comprar, fraudar ou
plagiar trabalho, sobre as conseqüências dessas práticas ao se tornarem
profissionais porque podem continuar a realizar práticas ilícitas que demonstrem
que seus valores morais e éticos estão deteriorados.
A incidência de plágio e fraudes nos trabalhos acadêmicos não está
relacionada à facilidade no acesso às informações, mas à crescente necessidade
dos alunos em encontrarem soluções imediatas para seus problemas de "elaborar
os trabalhos", isto porque elaborar trabalho exige do aluno tarefas trabalhosas e
cansativas. De acordo com a TAGATA (2008), a solução é fomentar o espírito
ético dos alunos.
3.1 As Questões Éticas Vivenciadas
Os autores Bastos e Keller (1998), Marski Filho (2005), Oliveira,
Garcia e Juliari (2010) e Tagata (2008) confirmam, as situações por mim
vivenciadas na prática docente em instituições públicas e privadas, pois foi
possível observar os seguintes pontos concordantes: a escola básica não inculca
nos alunos os valores éticos no processo de elaboração do trabalhos, tampouco
ensina como utilizar as fontes de pesquisa no processo de elaboração deles; no
ensino superior não há coerência e rigidez na cobrança da qualidade dos
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trabalhos elaborados e apresentados. Os alunos acham que seguir as normas é
cobrança desnecessária e, para os docentes dá trabalho corrigir os trabalhos
exigindo um padrão de elaboração e apresentação, pois leva tempo e esforço
para verificar todos os trabalhos.
Por outro lado Marsik Filho (2005) não considerou que as salas de aula
do ensino superior estão cada vez mais saturadas de alunos e, que muitos deles
não têm o hábito de leitura e escrita, impossibilitando assim que se possa realizar
um trabalho de cobrança com maior destreza. Tal procedimento poderia implicar
num atraso do programa de conteúdo definido para a disciplina. Sempre que na
minha prática nas aulas de Metodologia do Trabalho Científico me deparo com
esta particularidade, paro o conteúdo, tenho uma conversa franca com a turma
e pactuamos que só daremos continuidade ao assunto quando houver evidências
de que realmente se está colocando em prática a norma e se os padrões éticos
estão sendo respeitados. Nas disciplinas Bioética e Filosofia realizo o mesmo
procedimento. O aluno precisa perceber que o professor está interessado no
que ele produz, principalmente na qualidade, originalidade e prática dos deveres
éticos. O autor também não considerou que muito professores por necessidade
de sobrevivência têm que ministrar aulas em várias instituições, sobrando-lhes
pouco tempo para se dedicar de forma integral as atividades docentes. Se
houvesse uma política de maior valorização das atividades docentes muitos
desses problemas poderiam ser contornados.
Os achados da pesquisa realizada por Oliveira, Garcia e Juliari (2010)
estão em conformidade com a minha percepção. Acrescenta-se que, além das
facilidades da internet, existe o plágio dos trabalhos dos próprios colegas de
sala ou dos alunos de períodos anteriores; nos alunos de períodos mais adiantados
que vendem trabalhos, nas empresas especializadas em vender trabalhos que,
inclusive anunciam seus serviços nos jornais de grande circulação. Isto confirma
o que o Tagata (2008) afirmou sobre o desejo de satisfação imediata em realizar
tarefas que não se mostram muito atrativas, como é a elaboração dos trabalhos.
Também foi possível relacionar o imediatismo identificado na prática dos
estudantes com as imaturidades expressas por Bastos e Keller (1998).
Será que os alunos experimentaram ao logo de suas vidas de estudante
o prazer de ter uma ideia, pesquisar e demonstrá-la, e depois do trabalho pronto
enxergar-se nele? Será que nossa prática docente transcende ao conteudismo e
apatia moral e inculca valores morais no processo de formação dos alunos?
Concordo com Oliveira, Garcia e Juliari (2010) e Tagata (2008) que se
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deve ao longo da prática docente alertar sobre os perigos de plagiar e fraudar
trabalhos e que, nós professores, não devemos nos esquivar da discussão acerca
de tal problema cada vez mais presente. A falta de valores morais repercute em
todos os aspectos de nossas vidas.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Pode se depreender do que foi discutido que, os desafios da prática
docente são cada vez maiores, pois se enraízam na formação básica e atingem
os valores morais. Foram diagnosticados como principais desafios: o pouco
hábito de leitura e o baixo nível de qualidade na expressão do raciocínio lógico
na escrita; a falta de organização e disciplina; a imaturidade; o baixo
desenvolvimento das competências transversais; o baixo comprometimento
docente aliado ao baixo nível de cobrança e; a necessidade urgente dos docentes
realizarem cobranças constantes e rígidas nos trabalhos e atividades de leitura e
pesquisa desenvolvidas pelos alunos.
Com relação aos aspectos éticos demonstrou-se que a prática de plágio
e fraudes está cada vez mais constante. A essa prática relacionam-se a inversão
dos valores éticos atribuídos ao uso de fins e meios para satisfação das
necessidades de satisfazer as "exigências acadêmicas"; a facilidade em cada vez
mais se poder copiar, fraudar ou plagiar trabalho; a falta de integridade moral
daqueles que passam os trabalhos para os colegas copiarem ou daqueles que
vendem e compram os trabalhos; a conivência dos professores na cobrança da
qualidade dos trabalhos de formação básica e de graduação, bem como no
respeito ao cumprimento dos deveres éticos e, para completar, a negligência
em aplicar as sanções morais e legais em quem realiza e fomenta tal prática.
Em síntese, se o desafio de explorar bem as competências dos alunos
for exitoso, certamente a prevalência de práticas desvinculadas de valores éticos
deixará de existir, pois todos estarão empenhados em aplicar os deveres de
estudantes e de docentes com responsabilidade.
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99
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
FATORES ASSOCIADOS À CONVERSÃO DA
COLECISTECTOMIA LAPAROSCÓPICA
FACTORS ASSOCIATED WITH CONVERSION OF
LAPAROSCOPIC CHOLECYSTECTOMY
Francisco Pedrosa da Silva1,
Viviane Chaib Gomes Stegun2
RESUMO
Colecistectomia laparoscópica é o tratamento de escolha para colelitíase, porém
em 2 a 15% das cirurgias não é possível a sua finalização, tornando necessária
a conversão para a forma laparotômica. Algumas variáveis pré-operatórias são
identificadas como fatores preditores de conversão, ou seja, ajudam a prever o
grau de dificuldade da cirurgia. A fim de contribuir para o sucesso na realização
da cirurgia, analisou-se os fatores de risco implicados na conversão da
colecistectomia laparoscópica para a forma laparotômica. Foi realizada uma
análise retrospectiva e prospectiva dos prontuários de pacientes submetidos à
colecistectomia laparoscópica no período de janeiro de 2006 a setembro de
2010. Foram realizadas 943 colecistectomia laparoscópicas, com taxa de
conversão de 2,12%. Homens apresentaram maiores riscos de conversão, assim
como pacientes com idade acima de 60 anos. Baseado conceito da American
Society of Anesthesiology (ASA), pacientes classificados como ASA II e III
mostraram dificuldades tanto no intra como pós operatório e cirurgias em caráter
de urgência resultaram em complicações graves. Assim, constatou-se que idade
acima de 60 anos, sexo masculino, ASA acima de I e internações em caráter de
urgência são fatores preditores da necessidade de conversão de colecistectomia
laparoscópica.
Palavras-chave: Colecistectomia. Laparoscopia. Fatores de Risco. Conversão.
___ ____ ____ ____ __
1
Professor do Curso de Medicina da Faculdade Integral Diferencial - FACID, Residência Médica em Clínica Cirúrgica,
Especialista em Administração Hospitalar.
2
Aluna de graduação (12º período) do Curso de Medicina da Faculdade Integral Diferencial - FACID.
Email: [email protected]
Avenida Dom Severino, 524 - Bairro de Fátima
CEP: 64049-375 Teresina - PI
Telefone: (86) 3232-2659
100
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
ABSTRACT
The laparoscopic cholecystectomy is the treatment of choice for cholelithiasis,
however, in 2 to 15% of surgeries is not possible to finalise the procedure in this
way, making it necessary to convert to open cholecystectomy. Some preoperative
variables are identified as predictors of conversion, that is, they help to provide
the degree of difficulty of the procedure. Thus, in view of the importance of
these findings for success in the implementation of the surgery, it was examined
the risk factors involved in conversion of laparoscopic to open cholecystectomy.
It was both a retrospective and prospective analysis of the patient records
submitted to cholecystectomy from January 2006 to September 2010. 943
laparoscopic cholecystectomy were performed with a conversion rate of 2.12%.
Men have higher risk of conversion, as well as patients aged over 60. The patients
classified as ASA II and III had difficulties both in intra as post-operative and
surgeries on the basis of urgency resulted in serious complications. Thus, it was
noted that age above 60 years, males, ASA above I and admissions on the basis
of urgency are factors predictors of need for conversion laparoscopic
cholecystectomy.
Key words: Cholecystectomy. Laparoscopy. Risk Factors. Conversion.
1 INTRODUÇÃO
A colecistectomia laparoscópica está firmemente estabelecida como
padrão-ouro para o tratamento cirúrgico da litíase vesicular, no entanto, 2 a
15% das colecistectomias vídeolaparoscópicas necessitam de conversão para
colecistectomia laparotômica (LIMA et al., 2007).
Algumas variáveis pré-operatórias são identificadas como fatores de
risco para conversão, ou seja, são capazes de prever a probabilidade de
conversão de colecistectomia laparoscópica para laparotômica.
Desta forma, o presente estudo teve como objetivo geral, analisar quais
os fatores de risco associados a um maior índice de conversão de colecistectomia
laparoscópica para laparotômica. O objetivos específicos foram determinar a
taxa de conversão em colecistectomia laparoscópica, determinar os motivos da
interrupção da técnica de escolha, identificar quais os fatores de risco associados
à conversão da colecistectomia laparoscópica para a forma laparotômica,
identificar a taxa de conversão na colecistectomia laparoscópica e determinar o
101
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
perfil dos pacientes e os motivos que levaram à conversão.
A análise dos fatores intervenientes na conversão permite ao médico
prever a probabilidade de conversão de um procedimento e, assim, diminuir os
riscos e complicações para o paciente tanto no intra como no pós operatório.
Por se tratar de uma técnica relativamente nova e de maior complexidade,
necessita de uma curva de aprendizagem maior. Assim, de acordo com Bahten
et al. (2009), ao estimar o grau de dificuldade do procedimento, pode-se
contribuir para o planejamento de intervenções cirúrgicas mais seguras,
permitindo a participação de um cirurgião ou uma equipe cirúrgica mais experiente
em um procedimento de maior risco.
2 MATERIAL E MÉTODOS
Foi realizada uma análise retrospectiva dos prontuários de pacientes
que realizaram colecistectomia videolaparoscópica em um Hospital de Teresina
- Piauí, no período de janeiro de 2006 a julho 2010 e uma análise mensal,
prospectiva, de pacientes submetidos ao procedimento até setembro do corrente
ano.
O estudo foi quantitativo ao se calcular a taxa de conversão dos pacientes
submetidos à colecistectomia laparoscópica, e qualitativo ao se analisar as
variáveis: motivo da conversão, tempo cirúrgico, idade e sexo do paciente,
ASA, caráter da operação, motivo da indicação cirúrgica, complicações pósoperatórias, histopatológico, uso de antibióticos e tempo de internação hospitalar.
Encontrou-se um universo de 943 pacientes submetidos à
colecistectomia laparoscópica por uma determinada equipe cirúrgica neste
período e a amostra estudada foi composta por 20 pacientes que corresponde
a todos os pacientes que sofreram conversão de seu procedimento para a forma
laparotômica.
Foi utilizada uma ficha para coleta dos dados. A análise estatística foi
realizada através de médias e percentagens, além do uso do teste do QuiQuadrado (?2) para avaliação do nível de significância dos dados obtidos. A
apresentação dos resultados deu-se por meio de gráficos e tabelas.
Para coleta dos dados foi solicitado autorização tanto do Diretor Geral
do Hospital em questão, como do guardião dos prontuários. Este trabalho foi
aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da FACID - CEP/FACID, de
acordo com a Resolução 196/96, sob o protocolo 207/10.
102
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3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
A colecistectomia laparoscópica é o tratamento de escolha para a litíase
vesicular, sendo a técnica utilizada em 90% dos procedimentos realizados
atualmente. No entanto, Bahten et al. (2009) afirmaram que em uma determinada
proporção de casos não é possível o sucesso da cirurgia através desta via,
sendo necessária a conversão da cirurgia para a forma laparotômica.
A taxa de conversão descrita na literatura varia de 2 a 15 %, com média
aproximada de 5% (KAMA et al., 2001). O presente estudo registrou um total
de 943 colecistectomias laparoscópicas e, destas, 20 necessitaram de conversão
para a forma laparotômica. Isso representa uma taxa de conversão neste hospital
de 2,12%, (Figura 1).
Figura 1 Taxa de conversão de Colecistectomia
Laparoscópica para forma Laparotômica
2,12 %
(20)
Não Convertidas
97,88 %
Convertidas
(923)
A distribuição, por anos, foi de 7 casos de conversão (3,25%) em 2006;
5 (2,73%) em 2007; 2 (1,02%) em 2008; 4 (1,62%) em 2009 e 2 cirurgias
convertidas (1,96%) em 2010, (Figura 2).
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Figura 2 Distribuição por ano da taxa de conversão das
Colecistectomias Laparoscópicas realizadas
Tais dados demonstram, primeiramente, uma queda significativa da taxa
de conversão ao longo dos anos, seguida de um leve aumento, tendendo a
estabelecer um platô ao longo do tempo.
Estudos realizados por Santos e Neto (2010) explicaram que, com o
desenvolvimento da habilidade e ganho de experiência por parte do cirurgião,
os índices de conversões tornam-se menores. Porém, após determinado nível,
atinge um platô, mantendo-se em um patamar baixo relativamente constante.
Tal quadro demonstra que, inclusive nas cirurgias mais complexas, é
possível a sua finalização sem a necessidade de mudança de procedimento,
sugerindo uma eficácia e segurança cada vez maior da cirurgia laparoscópica.
Segundo Fonseca e Rocha (1999), as principais causas de conversão
de cirurgia laparoscópica para a forma laparotômica são a presença de
aderências e/ou processos inflamatórios intensos entre as estruturas do pedículo
biliar, coledocolitíase, vesícula escleroatrófica, hemorragia, lesão de vísceras
ocas, lesão da via biliar principal, dificuldades de acesso, dúvida na identificação
de estruturas e falha no equipamento utilizado.
Na análise dos 20 casos selecionados para estudo, observou-se que
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Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
em 11 (55%) a conversão ocorreu devido a colecistite aguda, ou seja, processo
inflamatório intenso. Outros motivos que levaram à conversão foram dificuldade
de visualização das estruturas do Triângulo de Calot com 3 casos (15%), 2
(10%) por coledocolitiase, 1 relato (5%) de vesicular escleroatrófica, 1 (5%)
de fistula colecisto-gástrica, fistula colecisto-duodenal com 1 caso (5%) e
apendicite aguda em 1 dos casos (5%), (Tabela 1).
Tabela 1 Motivo da conversão de Colecistectomia Laparoscópica
M OTIVO
Colecistite A guda
D ificuldade de V isua liza ção da s Estruturas do
Triângulo de Calot
Coledocolitiase
V esí cula escleroatrófic a
Fístula Coleci sto-Gá strica
Fístula Coleci sto-Duodenal
A pendicite A guda
O CO RRÊN CIAS
11
3
%
55
15
2
1
1
1
1
10
5
5
5
5
Em 14 (70%) dos casos analisados de colecistectomias laparoscópicas
convertidas, a causa foi inflamação e/ou aderência entre as estruturas do triângulo
de Calot já que estas frustram a visualização da anatomia ductal biliar à
laparoscopia, dado este de acordo com estudos realizados por Lima et al. (2007).
No universo estudado, 660 pacientes, ou seja, 70% eram do sexo
feminino e 30% ou 283 eram do sexo masculino. Dentre todas as mulheres
submetidas à colecistectomia laparoscópica, 12 (1,81%) necessitaram de
mudança para a forma laparotômica, enquanto 8 (2,82%) dos homens
submetidos a este procedimento sofreram conversão. Isto demonstra uma
relação homem/mulher de 1,5:1, o que significa que os homens possuem 1,5
vezes mais risco de sofrerem mudança de procedimento, ou seja, 50% a mais
de chance de sofrer conversão. Vários estudos realizados por Livingston et al.
(2004), identificaram o sexo masculino como fator de risco para conversão,
provavelmente pela associação mais freqüente com doenças mais graves, tanto
agudas quanto crônicas.
Analisando-se apenas as 20 colecistectomias convertidas para forma
laparotômica, 12 (60%) eram em mulheres e 8 (40%) em homens, havendo
diferença significativa entre eles (p < 0,05). Segundo Torres et al. (2005), a
prevalência de cálculos da vesícula biliar predomina no sexo feminino. Influências
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Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
hormonais parece ser um fator considerável nesta diferença, uma vez que os
anticoncepcionais duplicam a prevalência de litíase na mulher fértil e o estrogênio
pós-menopausa aumenta a incidência em duas e meia vezes. Uma vez que o
número de mulheres submetidas à colecistectomia é maior, a probabilidade de
conversão neste grupo aumenta proporcionalmente, (Figura 3).
Figura 3 Distribuição dos pacientes por sexo das Colecistectomias
Laparoscópicas convertidas
40% (8)
Feminino
60% (12)
Masculino
A idade média nos pacientes submetidos à colecistectomia
videolaparoscópica foi de 52,3 anos. Já nas cirurgias que necessitaram conversão,
a média de idade dos pacientes foi de 57,1 anos. Dividindo-se por faixa etária,
pôde-se observar um aumento na taxa de conversão nas faixas etárias mais
elevadas (Figura 4).
Idade acima de 60 anos tem sido consistentemente adotada na literatura
como um fator de risco pré-operatório para conversão. Lima et al. (2007)
mostrou que entre os pacientes com menos de 60 anos, 4,4% necessitaram de
conversão, em contraste com os pacientes acima desta faixa, com taxa de 11,1%.
Dentre os 943 pacientes analisados, 338 (35,8%) possuíam 60 anos ou
mais e, dentre estes, 9 (2,66%) sofreram conversão, em contraste com os 605
(64,2%) abaixo desta idade que realizaram a cirurgia apresentando taxa de
conversão de 1,81%, ou seja 11 casos. Isso representa um aumento de 1,46
vezes o risco de conversão em pacientes acima de 60 anos, ou seja, idosos
apresentam 46% mais chances de sofrer conversão do que as outras faixas
etárias. Analisando-se apenas os pacientes que tiveram sua cirurgia convertida,
observou-se que 45% estavam na faixa etária acima de 60 anos.
106
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
Figura 4 Distribuição dos pacientes que necessitaram de
conversão por faixa etária
25%
25%
(5)
20%
20%
(4)
(5)
( 4)
10%
(2)
< 40
40 - 49
50 - 59
60 - 69
> 70
anos
Dentre os 20 pacientes que sofreram conversão, 14 (70%) estavam
classificados como ASA I, 5 eram ASA II (25%) e apenas 1 paciente (5%)
ASA III, dado este com diferença significativa entre os grupos (p < 0,05).
Majeed et al. (1998) em seu estudo, verificaram que dos pacientes submetidos
a colecistectomia laparoscópica, 58% pertenciam à classificação ASA I, 39%
ASA II e apenas 3% dos pacientes eram ASA III (Figura 5).
Figura 5 Distribuição dos pacientes convertidos segundo risco
cirúrgico proposto pela American Society of Anesthesiology (ASA)
70%
(14)
25%
(5)
A SA I
5%
A SA II
(1)
A SA III
107
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
Porém, no presente estudo, dos 6 pacientes classificados como ASA II
e III, 2 (33%) apresentaram intercorrências durante o transoperatório e, das 4
complicações pós-operatórias observadas, 50% eram de pacientes nestas
classificações, demonstrando maiores dificuldades tanto no intra como pós
operatório destes pacientes. Houve um caso de óbito dentre os pacientes
convertidos, sendo este do grupo classificado como ASA II.
Segundo Tang e Cuschieri (2006), a colecistectomia é realizada,
preferencialmente, de maneira eletiva, particularmente em doentes sintomáticos
e com risco cirúrgico baixo, independentemente da idade. Dentre as cirurgias
realizadas, no presente estudo, que sofreram conversão, 60% (12 casos) foram
de caráter eletivo, devido à maior frequência deste tipo de procedimento, e
40% (8) foram de urgência, havendo diferença significativa (p < 0,05) (Figura
6).
Figura 6 Distribuição das colecistectomias laparoscópicas
convertidas segundo caráter da internação
40% (8)
Eletiva
Eletiva
60% (12)
Urgência
Urgência
A colecistectomia de emergência apresenta uma maior taxa de conversão
quando comparada com procedimentos eletivos, sendo 16% e 2,5%,
respectivamente (TANG; CUSCHIERI, 2006). O risco cirúrgico é maior
quando há uma crise mais aguda, elevando de 3 a 7 vezes a morbimortalidade
na cirurgia biliar de urgência. No pós-operatório da amostra estudada, foram
desenvolvidas 4 complicações graves, sendo que todas, ou seja, 100% delas
ocorreram em cirurgias em caráter de urgência e uma delas resultou em óbito
do paciente.
Dentre os pacientes que sofreram conversão, 12 (60%) foram internados
com diagnóstico pré-operatório de colelitíase, 7 (35%) com colecistite aguda e
108
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
apenas um (5%) com pólipo vesicular (Figura 9), o que aponta uma diferença
significativa entre eles (p < 0,05). Dos 12 pacientes com quadro sugestivo de
colelitíase, apenas em 2 (16,6%) deles o diagnóstico se manteve inalterado. Em
5 (42%) dos pacientes convertidos, observou-se quadros de colecistite aguda
no trans-operatório, 2 (16,6%) casos de vesícula escleroatrófica, 2 (16,6%) de
coledocolitíase, sendo um deles associado a vesícula escleroatrófica, e 1 caso
(8,2%) em que o diagnóstico pós-operatório foi alterado para fístula gastrobiliar (Figura 7)
Figura 7 Diagnóstico pré-operatório dos pacientes com
colecistectomia laparoscópica convertida
5% (1 )
35%
3 5% (7)
60%(12)
60%
(12)
Colelitíase
Colecistite Aguda
Pólipo Vesicula r
Todos os pacientes que realizaram colecistectomia tiveram a vesícula
enviada para análise histopatológica e, dentre os 20 pacientes que tiveram seu
procedimento cirúrgico alterado para a forma laparotômica, 4 (20%)
apresentavam alterações compatíveis com colecistite aguda, 9 (45%) com
colecistite crônica e 7 apresentaram alterações histológicas sugestivas de
colecistite crônica com agudização. Castro, Galindo e Bejarano (2008)
apontaram que cerca de 90 % das vesículas extraídas durante um quadro agudo
apresentaram alterações histológicas indicativas de inflamação crônica.
Correlacionando-se as intercorrências observadas no transoperatório
das cirurgias convertidas analisadas e a posterior interpretação dos resultados
obtidos através do histopatológico das vesículas extraídas nestas cirurgias, pôdese observar que todas as intercorrências (100%) observadas eram decorrentes
de vesículas cujo histopatológico mostrou processo inflamatório agudo intenso,
tanto por colecistite aguda como colecistite crônica agudizada.
109
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Analisando-se apenas os 11 pacientes com indícios de processo
inflamatório agudo intenso no histopatológico, 2 (18%) não apresentaram nenhum
dos 5 fatores de risco analisados no estudo e, em uma delas, foi identificado
quadro de coledocolitíase, no intra-operatório porém sem maiores repercussões
ou complicações pós-operatórias. Foram observados 2 pacientes com 1 fator
de risco, ambos com complicações durante o intra-operatório, sendo um quadro
de dilatação do ducto cístico e outro de vesícula escleroatrófica aderida ao
colédoco, porém ambas evoluíram sem qualquer intercorrência tanto no intra
como no pós-operatório.
Já nos 2 pacientes com 2 fatores preditores de conversão, ocorreram
imprevistos intra-operatórios em ambos, com presença de fístula
colecistoduodenal em uma e empiema de vesícula na outra sendo que apenas a
primeira resultou em prejuízos na recuperação pós-operatória do paciente, que
evoluiu com sepse abdominal tratado clinicamente. Na segunda houve
perfuração de veia porta, sendo reparada sem maiores repercussões.
Dos 3 pacientes (27%) com 3 fatores de risco associados, 2 evoluíram
sem intercorrências ou desconforto pós cirúrgico e um apresentava necrose de
vesícula biliar durante o ato cirúrgico, resultando em diversas complicações
para o paciente no pós-operatório como febre, hiperglicemia, picos hipertensivos,
derrame pleural culminando com insuficiência respiratória aguda tratada
clinicamente.
Foi observado 1 (9%) paciente com 4 fatores intervenientes identificados,
sem maiores obstáculos durante a cirurgia, porém com graves complicações
nas horas que se seguiram ao procedimento como peritonite evoluindo para
sepse, choque séptico, parada cardiorrespiratória, o que levou o paciente a
óbito. Em 1 caso pôde-se encontrar os 5 fatores de risco em análise, sendo
observado dificuldades na realização do ato cirúrgico pela presença de processo
inflamatório intenso no omento, repercutindo no pós-operatório do paciente
que evoluiu com distensão abdominal e íleo paralítico (Tabela 2).
110
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
Tabela 2 Correlação entre fatores de risco, complicações
intraoperatórias e intercorrência pós operatória em pacientes com
processo inflamatório agudo intenso observada no anatomopatológico
pós colecistectomia convertida
NÚMERO DE
PACIENTES
FATORES DE
RISCO
IDENTIFICADOS
2
2
2
3
1
1
Nenhum
1
2
3
4
5
INTERCORRÊNCIA
S
INTRAOPERATÓRI
AS
1
2
2
2
1
1
COMPLICAÇÕES
PÓSOPERATÓRIAS
Nenhuma
Nenhuma
Sepse Abdominal
Múltiplas
Complicações
Sepse e Óbito
Íleo paralítico
Desta forma, sugere-se que quanto mais fatores de risco forem
identificados nesses pacientes, maiores serão os obstáculos encontrados na
realização do ato cirúrgico e, consequentemente, pior o estado de recuperação
do paciente. Além disso, nestas cirurgias mais complexas e com maior chance
de conversão, maior é o grau de inflamação aguda observada posteriormente
através do anatomopatológico da vesícula biliar extraída.
4 CONCLUSÃO
A taxa de conversão identificada no estudo foi de 2,12%, comprovando
a eficácia de tal técnica inclusive em procedimentos de alta complexidade. O
principal motivo que levou à interrupção do procedimento proposto foi a
colecistite aguda, seguida de dificuldade de visualização de estruturas,
coledocolitíase, vesícula escleroatrófica e formação de fístulas.
A maioria dos pacientes que sofreram conversão apresentava sexo
feminino, idade média de 52,3 anos, classificação ASA I, com cirurgia realizada
de maneira eletiva por quadro confirmado de colelitíase.
Os fatores intervenientes na conversão estão diretamente relacionados
aos achados trans-operatório e histopatológico, de maneira que quanto maior o
número de fatores predisponentes, maior a complexidade e dificuldade na
realização da cirurgia.
A análise dos fatores de risco demonstrou que idade acima de 60 anos,
111
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sexo masculino, ASA acima de I e internações em caráter de urgência, são
fatores preditores da necessidade de conversão de colecistectomia
laparoscópica.
A quantificação dos fatores de risco observados em cada paciente é
fundamental na determinação do grau de dificuldade de um procedimento. Desta
forma, os resultados obtidos no estudo podem contribuir para o planejamento
de intervenções cirúrgicas mais seguras, permitindo a participação de um cirurgião
ou uma equipe cirúrgica mais experiente em um procedimento de maior risco.
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113
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
POTENCIAL ENERGÉTICO DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS
DESCARTADOS
ENERGY POTENTIAL OF FOOD DISCARDED
Thandara Carvalho Cipriano¹
Rosemarie Brandim Marques ²
Charllyton Luis Sena da Costa3
RESUMO
A problemática dos resíduos sólidos tem sido amplamente discutida dentro do
saneamento ambiental. Nos últimos tempos, observa-se que a grande geração
de resíduos é impulsionada principalmente pelo crescimento populacional
continuo e desordenado, aliado ao modo consumista de viver. As desvantagens
geradas pela dependência do petróleo, como a poluição, movem a procura por
fontes alternativas de energia limpa, onde podem ser citados os biocombustíveis.
Dentre os biocombustíveis que apresentam viabilidade tecnológica e comercial
encontram-se o bioetanol e o biodiesel, este último é gerado por processo de
transesterificação de óleos vegetais e gorduras animais. O bioetanol é um
biocombustível gerado pela fermentação alcoólica de açúcares diversos. O
trabalho teve por objetivo avaliar o potencial de aproveitamento de alimentos
descartados em central de abastecimento para a produção de materiais utilizáveis
na geração de energia limpa e definir um destino final mais nobre para esses
produtos alimentícios evitando danos ao meio ambiente. Foram realizados
processos de extração de óleos e carboidratos, sendo analisado e determinando
o potencial de açúcares livres e materiais ricos em matéria graxa. As espécies
selecionadas apresentaram rendimentos de açúcares e lipídeos, que permitem
projetar o aproveitamento energético do material analisado, de maneira que
suas utilizações em processos de geração de energia limpa e renovável possam
contribuir com um meio ambiente mais sustentável e redução dos desperdícios
de alimentos.
Palavras-chave: Produtos descartados. Reaproveitamento. Biodiesel.
Bioetanol. Energia limpa.
_________________________
¹ Aluna de graduação (7º período) do Curso de Farmácia e Bolsista/PIBIC da Faculdade Integral Diferencial
- FACID. Email: [email protected]
² Professora do Curso de Farmácia da FACID, Doutora em Biotecnologia.
Email: [email protected]
3
Professor do Curso de Farmácia da FACID, Doutor em Biotecnologia.
Email: [email protected]
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Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
ABSTRACT
The issue of solid waste has been widely discussed within the environmental
sanitation. In recent times, it is observed that the great waste generation is driven
primarily by population growth and still cluttered, plus the consumerist way of
living. The disadvantages generated by oil dependence, such as pollution, move
the search for alternative sources of clean energy, which may be cited biofuels.
Among these fuels that present technological and commercial viability are
bioethanol and biodiesel, the latter is generated by the process of
transesterification of vegetable oils and animal fats. Bioethanol is a biofuel
generated by fermentation of various sugars. The study aimed to evaluate the
potential use of discarded food in supply center for the production of usable
materials in clean energy generation and set a final destination for these nobler
food avoiding damage to the environment. Extraction processes were performed
oils and carbohydrates being analyzed and determining the potential of free sugars
and materials rich in fatty matter. The selected species present yields of sugars
and lipids, which allow you to design the energy use of the material analyzed so
that their use in processes for generating clean, renewable energy can contribute
to a more sustainable environment and reducing food waste.
Keywords: Products discarded. Reuse. Biodiesel. Bioethanol. clean Energy
1 INTRODUÇÃO
A problemática dos resíduos sólidos tem sido amplamente discutida
dentro do saneamento ambiental. Nos últimos tempos, observa-se que a grande
geração de resíduos é impulsionada principalmente pelo crescimento populacional
continuo e desordenado, aliado ao modo consumista de viver da sociedade
atual, bem como a falta de políticas de investimento e fiscalização para a coleta,
disposição e tratamento dos resíduos sólidos urbanos. Todos esses fatores têm
contribuído para tornar o acúmulo dos resíduos um grave problema social e
ambiental (MEDEIROS et al., 2005).
Segundo Albuquerque Neto et al. (2007), a solução para os problemas
que envolvem os resíduos sólidos orgânicos parte da implementação de ações
voltadas para um trabalho de sensibilização que envolva todos os participantes
do processo, tendo-se em mente a redução da geração desses resíduos. Num
115
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
segundo momento, na sua reutilização, ou seja, no reaproveitamento de tudo
aquilo que ainda está em bom estado. E, finalmente, na sua reciclagem, no
aproveitamento da matéria-prima para gerar novos produtos.
As desvantagens geradas pela dependência do petróleo, como a poluição,
movem a procura por fontes alternativas de energia limpa, onde podem ser
citados os biocombustíveis. Dentre os biocombustíveis que apresentam
viabilidade tecnológica e comercial encontram-se o bioetanol e o biodiesel, este
último é gerado por processo de transesterificação de óleos vegetais e gorduras
animais como substituinte a altura do petrodiesel (SILVA, FREITAS, 2008;
SUAREZ, et al., 2007). Já o bioetanol é um biocombustível gerado pela
fermentação alcoólica de açúcares diversos, e que no Brasil é produzido
principalmente a partir de cana-de-açúcar (Sacarum oficinarum) (SOBREIRO,
ARAÚJO, NAGANO, 2009; MELO, et al., 2008).
As projeções mundiais previstas para 2020 pela International Energy
Agency (IEA) assinalam crescente substituição das fontes de combustível de
origem fóssil pelas fontes de energia renováveis, como bioetanol e biodiesel
(SALVADOR, RIBAS, 2009).
O bioetanol é um composto orgânico utilizado no Brasil como combustível
automotivo. A qualidade e o rendimento do produto são dependentemente
consequentes de uma série de etapas que devem ser seguidas desde a obtenção
da matéria prima, e durante todo o processamento e armazenamento do produto
obtido. Sendo assim, alguns fatores desta etapa devem ser controlados, como
aeração, temperatura, pH, nutrientes, contaminação bacteriana, e a concentração
de etanol no meio fermentescível, porque interferem diretamente na fermentação
alcoólica (SOUSA, MONTEIRO 2012).
O biodiesel é um combustível produzido a partir das plantas (óleos
vegetais) ou de animais (gordura animal). É um combustível alternativo de queima
limpa, produzido de recursos domésticos, renováveis, é simples de ser usado,
biodegradável, não tóxico e essencialmente livre de compostos sulfurados e
aromáticos. Os fatores ambientais e o avanço dos preços do petróleo beneficiam
o desenvolvimento do mercado de produtos combustíveis derivados da biomassa
no mundo todo, prevalecendo o bioetanol e o biodiesel (SALVADOR, RIBAS,
2009).
O trabalho teve por objetivo avaliar o potencial de aproveitamento de
alimentos descartados em central de abastecimento, para a produção de materiais
utilizáveis na geração de energia limpa, e definir um destino final mais nobre
para esses produtos alimentícios evitando danos ao meio ambiente.
116
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
2 MATERIAL E MÉTODOS
Foi solicitado a autorização de um grande supermercado da cidade de
Teresina onde foram buscados os dados da administração da central de
abastecimento relativos às quantidades de material vegetal descartado mês a
mês, como os tipos de vegetais que mais contribuem para o descarte. Com
base nessa lista foi realizada a catalogação e seleção dos materiais descartados;
paralelamente a tal levantamento de dados foi realizada a análise direta por
amostragem das quantidades descartadas com o auxilio da balança portátil.
Foram avaliados os principais vegetais contribuintes para a massa total, estes
foram recolhidos levados ao laboratório de química da Faculdade Integral
Diferencial (FACID) onde tiveram seus potenciais de geração de energia
(biocombustíveis) determinados.
Os materiais vegetais selecionados (frutas, legumes e verduras) foram
separados por suas características de composição em materiais capazes de
gerar matéria graxa e materiais geradores de carboidratos. As espécies analisadas
foram abacate (Persea americana), abacaxi (Ananascomosus L), mamão
(Caricapapaya), manga (Mangifera indica), melão (Cucumis melo L), melancia
(Citrulluslanatus) e tomate (Solanumlycopersicum).
Posteriormente, foram realizados os procedimentos de extração, onde
para os materiais ricos em matéria graxa foi aplicado procedimento de extração
com hexano do material previamente triturado, homogeneizado e pesado. Após
a extração da mistura hexano o material graxo foi filtrado em papel filtro e então
submetido a processo de concentração sob pressão reduzida em evaporador
rotativo, onde o resíduo oleoso foi pesado e o rendimento em óleo do material
foi determinado pela relação: massa do óleo x 100/massa do material extraído
conforme a Figura 1.
Os materiais com potencial de geração de carboidratos fermentáveis
foram triturados e submetidos à extração com água destilada, à temperatura
ambiente. O extrato aquoso produzido foi submetido à Fermentação através da
levedura S. cerevisae, durante 24 horas na Estufa. Em seguida o concentrado
foi filtrado em papel filtro, sendo medido o pH e o º brix e em seguida submetido
ao soxhlet, os rendimentos foram determinados através, da relação massa x
100/massa do material extraído conforme a Figura 1.
117
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
Figura 1 - Esquema de extração de material graxo (A) e de material
hidrossolúvel (B)
(A)
(B)
Material vegetal
Triturado 50g
Material vegetal
Triturado 50g
Extração com Hexano
3 x 150mL
Filtração
Extração com água 3
x 150mL
Filtração
ExtratoHexânico
450 mL
ExtratoAquoso
450 mL
Concentração em
Evaporador Rotativo
Material Rico em
Carboidratos
Material Graxo (óleo)
pH
º brix
Fermentação (Estufa,
S. cerevisae, 24 h)
Avaliação de
Rendimento
Soxhlet
Avaliação de
Rendimento
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
As espécies analisadas por refratometria para determinação do potencial
de produção de carboidratos apresentaram os teores de açúcares livres, vistos
na figura 2ª na forma de º Brix (graus brix). A determinação do º Brix consiste
de um método físico para medir a quantidade de sólidos solúveis presentes em
uma amostra. Baseia-se em um sistema de graduação de aparelhos especialmente
para ser utilizado na indústria açucareira, mais precisamente na análise de açúcares
em geral que estejam em solução (MONTEIRO, SILVA, 2003).
118
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
Desta forma, as espécies mais promissoras para a utilização como fonte
de carboidratos foram respectivamente a melancia, o melão e o abacaxi. Apesar
de terem sido observados valores comparativamente mais baixos para os
produtos de fermentação (Gráfico 1) tendo como base os teores de açúcares
ideais para o processo fermentativo em torno de 14º Brix conforme Malta,
(2006). O potencial para o aproveitamento dessas espécies visando a produção
de bioetanol, através da fermentação alcoólica, é claramente reforçado pela
quantidade descartada por semestre desses materiais em razão de ficarem
disponíveis para comercialização na central de abastecimento de hortifrúti de
apenas uma unidade de uma rede de supermercados de Teresina (Quadro 1).
A concentração de substrato, pH, tempo e temperatura, presença de
microrganismos contaminantes, são fatores que podem afetar o rendimento da
fermentação, ou seja, a eficiência da conversão de açúcar em etanol. Geralmente,
há queda na eficiência do processo fermentativo ou na qualidade do produto
final. Na produção de álcool combustível, o substrato utilizado é a sacarose
proveniente do caldo de cana-de-açúcar. A levedura utiliza-se deste açúcar
após hidrólise e absorção de seus constituintes: a glicose e a frutose (SOUSA;
MONTEIRO, 2012).
Os nutrientes (sólidos solúveis) são necessários para o bom
desenvolvimento da fermentação, afetando a velocidade e a multiplicação da
levedura. A concentração adequada de nutrientes é de suma importância, pois
se presentes em quantidades insuficientes ou exageradas, podem refletir de forma
negativa sobre o processo fermentativo (CAMILI, 2007).
O pH deve estar em torno de 4,5 à 6,0 a fim de evitar o desenvolvimento
de bactérias indesejadas, e afetar o crescimento das leveduras. Os nutrientes
são importantes porque influenciam o desenvolvimento das leveduras e em
concentrações altas, podem inibir seu crescimento (SOUSA; MONTEIRO,
2012). Como pode ser visto na Figura 2B, todas as amostras das diferentes
espécies apresentaram valores de pH dentro da faixa ótima para o processo de
fermentação, não demandando correções do mosto como as que ocorrem no
processo de fermentação da cana-de-açúcar.
119
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
Figura 2 - Valores em graus brix dos sólidos solúveis (A) e pH (B) das
espécies ricas em carboidratos
Quadro 1- Quantidades de biomassa descartadas (Kg) das espécies
vegetais estudadas na central de hortifrúti durante o segundo
semestre em um hipermercado de Teresina no ano de 2012
.
Na análise dos materiais ricos em matéria graxa foram encontrados os
rendimentos em óleo das espécies analisadas apresentados na Figura 3. Todos
os óleos vegetais, enquadrados na categoria de óleos fixos ou triglicerídeos,
podem ser transformados em biodiesel (ésteres metílicos ou etílicos dos ácidos
graxos), desta forma todos os vegetais produtores de matéria graxa estudados
podem ser extraídos em conjunto sem necessidade de separação prévia por
120
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
espécie já que os mesmos ésteres de ácidos graxos são produzidos em todas
elas. Dentre as fontes para extração de óleo vegetal que podem ser utilizadas,
as principais são as plantas oleaginosas (SALVADOR; RIBAS, 2009).
Figura 3 - Rendimentos em óleo das espécies ricas em materia graxa
A origem dos ácidos graxos se dá através do processo de refino físico e
químico de óleo vegetal e/ou matéria graxa, bem como do processo de
transesterificação para a produção do biodiesel e através do tratamento da
glicerina. A sua composição e propriedade dependem do óleo utilizado no
processo, apresentando uma coloração levemente amarelada. Os Ácidos Graxos
são considerados como valiosa matéria-prima básica, pelo fato de serem
biodegradáveis renováveis e apresentarem contínua disponibilidade, tornando
vantajosa a utilização para processamento e industrialização. O processo de
extração de óleos vegetais tem evoluído constantemente com objetivo de
aumentar a eficiência, reduzir o consumo de energia e causar menor impacto
ambiental. O aumento na eficiência desta tecnologia ficou restrito à maximização
da remoção do óleo, à redução na perda de solvente para o meio ambiente e
minimização dos custos operacionais. Desta forma, mesmo a utilização de
espécies de baixo rendimento pode ser tornada economicamente viável pela
utilização de processos de extração mais eficientes aplicados a volumes cada
vez maiores de produtos descartados (Engenharia de Projetos Ltda - STCP,
2006).
121
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
O rendimento em óleo da espécie Persea americana (abacate), extraído
da polpa, foi maior dentre as espécies avaliadas (3,30%). O rendimento estimado
para uma tonelada deste material seria de 33L de óleo, que seriam suficientes
para fazer um gerador a diesel monofásico de 6 kva com potência de 5500W
por 31 h. Some-se a isto, o fato que em uma eventual utilização real todos os
produtos geradores de material graxo poderiam ser somados e o resultado final
poderia englobar também espécies não avaliadas pelo presente trabalho. Para
que se tenha uma ideia do que é desperdiçado no Brasil, de cada 100 caixas de
alimentos produzidas no campo, apenas nove chegam à mesa do consumidor.
Os supermercados desperdiçam 2,52% do seu faturamento, o que equivale
por volta de dois bilhões de reais por ano (MARCHETO et al., 2008).
4 CONCLUSÃO
Os resultados obtidos no presente trabalho permitem a projeção do
aproveitamento energético dos produtos vegetais descartados por uma central
de abastecimento de hortifrúti por meio da produção de óleos vegetais uteis na
geração de biodiesel e de açúcares para a geração de bioetanol, de maneira
que suas utilizações em processos de geração de energia limpa e renovável
possam contribuir com um meio ambiente mais sustentável e redução dos
desperdícios de alimentos.
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124
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
OS LIMITES ÉTICOS DO PROFISSIONAL DE FISIOTERAPIA
QUE ATUA NAS UTI'S DE ALTO RISCO
THE LIMITS OF ETHICAL PROFESSIONAL PHYSICAL
THERAPY THAT OPERATES IN ICU'S HIGH RISK
Bruna Barros De Sousa Mendes1
Francisca Sandra Cardoso Barreto ²
RESUMO
O objetivo principal da pesquisa foi analisar os limites éticos da atuação do
fisioterapeuta que trabalha nas UTI's de alto risco. Trata-se de uma pesquisa
de campo do tipo descritiva. A coleta de dados foi feita na UTI de um hospitalescola. Participaram 13 fisioterapeutas escolhidos intencionalmente e usou-se
um questionário com questões abertas e fechadas, tratadas pelo método
estatístico de proporção em percentagem. Resultados obtidos: 46% dos
fisioterapeutas afirmaram que não prolongariam a vida de um paciente por
insistência de sua família; quanto ao poder de decisão, 54% afirmaram responder
pela vida do paciente indigente; 46% comprariam uma sonda por conta própria
e realizariam a aspiração; observou-se que 100% dos fisioterapeutas
responderiam pela vida de uma paciente durante uma emergência cuja mãe tem
problemas mentais; 54% afirmaram não ter lido o Código de Ética nos últimos
5 anos; verificou-se que 100% se dão bem com seus colegas de equipe; 100%
tentariam convencer a família a aceitar determinado procedimento; a fonte de
atualização sobre ética médica foi a Internet, com 56%;verificou-se que 54%
deram nota 3 ao conhecimento sobre Bioética e 46% deram nota 4 à importância
da Bioética. Conclui-se que a Bioética permitiu entender que todos os
fisioterapeutas estudados agem de acordo com o Código de ética, porém,
evidenciou-se como falha a falta de atualização periódica em Bioética. São
necessários estudos com uma maior população sobre os limites da atuação da
_____________________
¹ Acadêmica do Curso de Fisioterapia da Faculdade Integral Diferencial - FACID.
² Graduada em Filosofia pela Universidade Federal do Piauí, Mestre em Bioética e Professora das disciplinas
da Metodologia do Trabalho Científico e Bioética.
125
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
fisioterapia nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI's).
Palavras-chave: Fisioterapia. Bioética. Unidade de Terapia Intensiva. Limites.
ABSTRACT
The main objective of the research was to analyze the ethical limits of performance
of the physiotherapist working in the ICU at high risk. It is a field survey of the
descriptive type . Data collection was performed in the ICU of a teaching hospital
. 13 physiotherapists participated intentionally chosen and used a questionnaire
with open and closed questions , addressed by statistical method of proportion
as a percentage . Results : 46 % of physiotherapists stated that they prolong the
life of a patient at the insistence of his family, as the power of decision , 54 %
said answer for the life of indigent patients , 46 % would buy a probe on its own
and would perform the aspiration , it was observed that 100 % of physiotherapists
respond by life of a patient during an emergency whose mother has mental
problems , 54% said they had not read the Code of Ethics in the last five years
; was found that 100 % get along with their teammates ; 100 % try to convince
the family to accept certain procedure , the update source on medical ethics was
the Internet , with 56 %, it was found that 54 % gave a grade 3 to knowledge
about bioethics and 46 % gave a grade 4 to importance of Bioethics . We
conclude , bioethics allowed to understand that all physiotherapists studied acting
in accordance with the code of ethics , however, showed up as failure to lack of
periodic updates on Bioethics . Studies are needed with a larger population on
the limits of physiotherapy in intensive care units ( ICUs ) .
Keywords: Physical Therapy. Bioethics. Intensive Care Unit. Limits.
1 INTRODUÇÃO
UTI significa unidade de terapia intensiva, ou seja, é o local onde ficam
internados os pacientes graves ou potencialmente graves. Nela trabalham diversos
profissionais, como médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, auxiliares de
enfermagem, psicólogos, nutricionistas, assistentes sociais e outros.
126
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
O fisioterapeuta é um profissional que vem ganhando cada vez mais
espaço dentro do ambiente de terapia intensiva pela sua multiplicidade de atuações
com o paciente e com os equipamentos disponíveis, particularmente os de
ventilação mecânica. A presença constante do fisioterapeuta na unidade de terapia
intensiva auxilia, decisivamente, em uma precoce recuperação respiratória, motora
e na própria motivação do paciente, o que, em termos gerais, leva a uma redução
no número de dias internados e dos custos hospitalares (FERRARI; LUZ, 2004).
Os profissionais de saúde devem ter preparo ético para saber lidar com
os desafios que surgirão no campo de trabalho. Para o dia-a-dia dentro de uma
UTI, é necessário que o profissional alie a competência técnico-científica a uma
competência humana e ética, vivenciando os verdadeiros valores da Bioética
para um agir competente, coerente e responsável (MACHADO; PESSINI;
HOSSNE, 2007).
Baseado no exposto, foi traçado o seguinte problema de pesquisa: quais
seriam os limites (ou falhas) éticos(as) enfrentados(as) pelos fisioterapeutas que
atuam nas UTI's de alto risco?
O presente estudo teve como objetivos analisar os limites éticos da
atuação do fisioterapeuta que trabalha nas UTI's de alto risco; identificar as
condutas realizadas pelos fisioterapeutas nesses locais; verificar dentro das
práticas dos profissionais da fisioterapia nas UTI's de alto risco as interferências
protocolares e dos demais profissionais, os principais limites de suas ações;
relacionar os limites das ações dos fisioterapeutas que atuam nas UTI's de alto
risco com as implicações do código de ética profissional e utilizar a Bioética
como ferramenta de reflexão acerca dos limites éticos implicados na prática do
profissional da fisioterapia nas UTI's de alto risco.
2 METODOLOGIA
Esse estudo é considerado uma pesquisa de campo, do tipo descritiva.
A pesquisa foi realizada em um hospital - escola da cidade de Teresina-PI, no
mês de julho de 2011. O critério de escolha foi intencional, com fisioterapeutas
intensivistas no número de treze (13), que eram concursados ou substitutos e
trabalhavam na UTI do hospital escolhido.
A coleta de dados foi baseada em um questionário com 10 perguntas
abertas e fechadas, referentes às suas atitudes perante situações de urgência e
127
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
sua atualização, grau de conhecimento e grau de importância da Bioética em
seu cotidiano.
Previamente foi solicitada a autorização do diretor do hospital escolhido
para a realização da pesquisa no local, por meio de uma declaração. A seguir,
o projeto de pesquisa foi submetido ao Comitê de Ética do Hospital- escola.
Mediante a aprovação do projeto, cujo número de protocolo foi 256/11, foi
entregue para cada fisioterapeuta um questionário junto com duas cópias do
termo de consentimento livre esclarecido, para provar que o mesmo estava
ciente da pesquisa. Após o término da maratona de respostas, iniciou-se a análise
dos dados.
A análise e interpretação dos dados foram realizadas após a aplicação
dos questionários. Os dados foram convertidos em porcentagem e apresentados
em gráficos e tabelas, com o uso da estatística simples.
Foram inclusos na pesquisa, profissionais graduados em fisioterapia que
possuíam registro no CREFFITO 6 e que realizavam atendimentos na UTI do
hospital-escola escolhido.
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Conforme a Resolução COFFITO 10 de 3 de julho de 1978, de acordo
com o Capítulo II, Artigo 7°, inciso I, é dever do fisioterapeuta e do terapeuta
ocupacional, nas respectivas áreas de atuação, exercer suas atividades com
zelo, probidade e decoro e obedecer aos preceitos da ética profissional, da
moral, do civismo e das leis em vigor, preservando a honra, prestígio e as tradições
de suas profissões (COFFITO,1978).
O fisioterapeuta tem por obrigação tratar todas as pessoas que realmente
dele precisam com equidade e respeito, prestando sempre um serviço de
qualidade. Para isso, se torna necessário a criação de mecanismos de avaliação
constante desse profissional, com o objetivo de prevenir, e assim evitar possíveis
desvios.
Os resultados obtidos nesse trabalho visam analisar quais as condutas
realizadas pelos fisioterapeutas que atuam nas UTI's de alto risco e se estas
estão de acordo com as citadas pelo Código de Ética da profissão.
A amostra foi composta por 13 indivíduos que atuavam na UTI do
hospital escola pesquisado, no serviço de fisioterapia, sendo 54% (7) do gênero
128
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
feminino e 46% (6) do gênero masculino. A Figura 1 apresenta os dados dos
referenciais antropométricos como idade, que foi uma média de 36,4 anos e de
tempo de atuação,que foi de 6,9 ano
Figura 1- Dados de referência antropométrica dos profissionais
estudados, em média de anos, Teresina, 2011
No questionário aplicado, quanto às questões éticas na atuação
profissional do fisioterapeuta, na questão 1, que continha uma situação cuja
resposta denotaria o nível de conhecimento ético na prática profissional, 46%
(6) dos profissionais responderam sim, que prolongariam a vida de um paciente
sem condições nenhuma de vida por causa da insistência de sua família. A mesma
porcentagem 46% (6) , responderam que não, e 8% (1) não opinou sobre a
pergunta.
Conforme Moritz et al. (2009), a promoção de cuidados aos pacientes
com doença terminal, fora das possibilidades terapêuticas curativas, depende
primordialmente da aceitação da finitude do ser humano e do reconhecimento
da incapacidade médica de "curar sempre". A partir desse fato, torna-se
importante a disponibilização de planos terapêuticos paliativistas, dos quais
sempre deverá ser priorizado o controle da dor e do desconforto do paciente e
129
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
a promoção do seu bem estar.
O profissional tem que estar ciente de que nem sempre se pode fazer
algo por um determinado paciente no que diz respeito ao prolongamento de sua
vida, sendo que a morte é uma conseqüência desta, ou seja, nem sempre ele
terá sucesso em seu tratamento e a morte sempre será inevitável. Nem ele nem
a família podem interferir prolongando e evitando este processo, porém o
profissional poderá proporcionar ao paciente terminal o máximo de conforto, a
fim de amenizar o seu sofrimento
A Resolução COFFITO 10, de 3 de julho de 1978, estabelece no
Capítulo II, Art. 7º, inciso II, que são deveres do fisioterapeuta e do terapeuta
ocupacional, nas respectivas áreas de atuação, respeitar a vida humana desde a
concepção até a morte, jamais cooperando em um ato que voluntariamente de
atente contra ela, ou que coloque em risco a integridade física ou psíquica do
ser humano (COFFITO,1978).
Em hipótese nenhuma o profissional deve atentar contra a vida de
qualquer paciente prolongando ou encurtando o seu tempo de vida, ou seja,
não poderá desrespeitar jamais os preceitos do seu Código de Ética.
Na questão 2, referente ao poder de decisão do fisioterapeuta frente a
alguma intercorrência que ponha em risco a vida de um paciente indigente, 54%
(7) responderam sim, responderiam pela vida do paciente indigente e 46% (6)
responderam não.
Segundo Nunes (2008), o respeito pela autonomia refere-se à liberdade
de ação com que cada pessoa escolhe. Respeitar a autonomia implica dizer que
a pessoa é livre e autônoma, que pode auto-governar-se e pode decidir por si
mesma. Para Moura (2008), a palavra "autonomia" significa, etimologicamente,
auto-imposição de leis. Em outros termos, é autônomo um ser capaz de agir
livremente. Para determinar se esse realmente é o caso, três condições devem
ser preenchidas: a pessoa deve agir intencionalmente (querer fazer algo), com
conhecimento do que faz (das conseqüências de suas ações) e livre de influências
externas (por exemplo,não ser impedido de agir).
Conforme a Resolução COFFITO 10, de 3 de julho de 1978, em sen
capítulo II, Art.7º, inciso III, são deveres do fisioterapeuta e do terapeuta
ocupacional, nas respectivas áreas de atuação, prestar assistência ao indivíduo,
respeitando a dignidade e os direitos da pessoa humana, de modo que a
prioridade no atendimento obedeça exclusivamente à razões de urgência.
Nos casos onde o paciente não tem quem responda por ele, o profissional
cuidador deve sempre optar pela sua vida, em toda e qualquer circunstância,
130
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
salvo se o paciente realmente não puder responder por sua pessoa e /ou não
tenha um responsável que possa fazê-lo. Os dados obtidos na questão 2,
portanto, evidenciam que, como o paciente não tem quem responda por ele, o
fisioterapeuta, como profissional que preza pela ética, tem o dever de prestar
assistência a este indivíduo, não deixando de lado o poder de autonomia desse
paciente, como preconiza o Código . Assim, foi evidenciado nos resultados que
a maioria dos participante optou por responder pela vida deste, fato que
demonstra a sensibilidade e respeito aos preceitos éticos do código de ética e
do respeito à dignidade humana.
Na questão 4, em relação à atitude do fisioterapeuta frente à iminência
de morte de uma paciente sem responsáveis que pudessem responder pela sua
vida,ou seja, sem boas condições mentais, 100% (13) responderam que sim,
que reanimariam a paciente cuja mãe tenha problemas mentais .
Para Rodrigues, França e Almeida, (2009), que realizaram um estudo
com o objetivo de identificar se o profissional na área de fisioterapia aplica seus
conhecimentos de sua formação ética em seu exercício da profissão, os
fisioterapeutas, como outros profissionais que atuam nas áreas de saúde, se
deparam com alternativas de tratamento ou condução de caso que tenham
justificativas técnicas, mas que tenham algum questionamento moral ou social.
Sendo assim, eles se deparam com conflitos éticos onde tomam decisões diante
de situações de incerteza, em que suas atitudes refletem seu conhecimento acerca
da ética profissional.
Deheinzelin (2006) afirmou que a ordem verbal de não reanimar o
paciente pode conflitar com os princípios da Bioética, no que diz respeito à
autonomia daquele. Esses princípios definem que todo ser humano tem o direito
de ser informado sobre as modalidades terapêuticas disponíveis para a sua
situação clínica e sobre seu prognóstico.
O fisioterapeuta intensivista durante o seu dia-a-dia lida bastante com
estes conflitos citados acima, sendo necessária uma boa bagagem ética em sua
formação, visando sempre optar, como já foi frisado, pela vida, fato este que se
confirmou no estudo, mostrando que a amostra estudada agiria eticamente em
situações como a da questão acima.
Os resultados obtidos na questão 4 mostraram que, todos os profissionais
optaram pela opção ética,ou seja, pela opção de "trazer de volta" um paciente
sem responsáveis que possam responder pela sua reanimação ou não durante
alguma emergência.
Com base na Resolução COFFITO e 10, de 3 de julho de 1978, o
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Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
capítulo II, Art. 8º, inciso I, é proibido ao fisioterapeuta e ao terapeuta
ocupacional, nas respectivas áreas de atuação, negar assistência ao paciente,
em caso de indubitável urgência.
Na pesquisa foi evidenciado que a atitude de todos os fisioterapeutas
pesquisados estava compatível com o Código de ética,o bom preparo desses
profissionais para lidar com questões de difícil solução, pelo dilema que na
maioria das vezes se faz presente. Isto denota que tal situação não se configura
em limite, pois os professores têm como norte o Código de ética.
A Tabela 1 expressa bem a relação entre situação, tomada de decisão e
observância aos preceitos éticos, referente às perguntas 1, 2 e 4. A Tabela 1,
apresenta resultados obtidos na questão 3, sobre a atitude do fisioterapeuta
diante de uma situação em que o paciente necessita de um procedimento urgente.
Tabela 1 - Questões éticas na atuação profissional,Teresina, 2011
Para Alves et al (2008), o conhecimento do Código de Ética da profissão
e o bom caráter moral são necessários para o comportamento profissional. O
Código de ética profissional é a base para a boa conduta e requisito mínimo de
132
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
incorporação dos valores da profissão.
Os achados no presente estudo mostraram que os profissionais têm
boas noções sobre ética, sendo que a maioria optou pelo bem-estar do paciente
independente da falta de material, tomando como base o seu Código de ética.
Nas respostas referentes à questão 03, sobre qual seria a atitude tomada
pelo fisioterapeuta diante da falta de recurso imprescindível para o procedimento
de aspiração endotraqueal (a sonda), pôde-se constatar que as atitudes tomadas
pelos fisioterapeutas foram bem distribuídas, do ponto de vista ético, sendo que
15% não realizariam a aspiração, 39% pediriam opinião a um colega e 46%
comprariam uma sonda por conta própria e realizariam a aspiração. Como a
pergunta referente à questão 3 é inédita, não se encontrou na literatura dados
que pudessem nos mostrar uma comparação entre as atitudes tomadas pelos
fisioterapeutas, embora se configure num limite à atitude de solidariedade e
respeito ao paciente. Porém, pode-se concluir que o fisioterapeuta deve ter
bom conhecimento ético em respeito à dignidade humana, pois todos merecem
ser tratados com o mínimo de respeito e a vida humana deve ser respeitada
desde sua concepção até a morte.
No trabalho de Braz, Martins e Vieira Junior (2009), cujo objetivo foi
analisar a atuação do fisioterapeuta em UTI's da cidade de Anápolis-GO, eles
afirmaram que fica explícita a complexidade do trabalho do fisioterapeuta diante
da cobrança pela efetividade de suas condutas e da necessidade de controlar
os riscos ao paciente. Desse modo, é imperativo a correta habilitação desse
profissional, para sua plena inserção junto à equipe multiprofissional atuante nas
UTI's.
A ação do fisioterapeuta em terapia intensiva, como membro efetivo da
equipe, é um fato incontestável, portanto, faz-se necessário que esta trabalhe
com respeito e ajuda mútuos. Caso contrário, tanto a efetividade da atuação
pode ficar comprometida quanto os riscos ao paciente podem aumentar de
forma proibitiva.
Isto portanto, pode se configurar como um limite ético, porque aguça
nesses profissionais a necessidade de manter o ambiente harmonioso e sociável
com seus colegas de equipe, para assim garantir um atendimento digno e humano
ao paciente.
Pôde- se observar na amostra estudada que a maioria dos profissionais,
diante da precisão de um determinado procedimento (aspiração brônquica) e
da falta de material para a realização deste, optou por comprar o material (no
caso, a sonda) por conta própria, para assim, poder proporcionar ao paciente
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Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
certo alívio, mesmo que temporário, de seus sintomas, evidenciando que existe
o respeito pelo paciente por parte destes profissionais. Respeito ao princípio da
responsabilidade e da solidariedade, isto é, os profissionais dessa forma
demonstraram boa formação ética e preparo para enfrentar as situações
dilemáticas.
A Figura 2, quantifica a questão 3
Figura 2 - Atitude tomada pelo fisioterapeuta diante da falta de
recurso imprescindível para o procedimento de aspiração
brônquica,Teresina, 2011
Na presente pesquisa, em relação às declarações quanto à sua atividade
profissional, sobre terem lido o Código de Ética profissional da fisioterapia nos
últimos 5 anos, na pergunta 5, responderam: 54% (7) que sim e 46% (6) que
não.
Os resultados apresentados demonstram que uma grande parcela dos
entrevistados não estão relendo o Código de Ética periodicamente, atitude que
é extremamente necessária para um bom exercício de sua profissão.
Almeida et al (2008), que realizaram um trabalho com o objetivo de
avaliar o interesse e o conhecimento sobre ética médica e bioética na graduação
médica de estudantes e professores do curso de medicina da Universidade
Federal da Bahia, constatou que uma parte significante dos professores e dos
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Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
acadêmicos não se atualiza em Bioética ou raramente o faz (38,1%, n= 37; e
69,6%, n= 229, respectivamente).
O estudo da amostra evidenciou que uma parte dos fisioterapeutas
entrevistados não estão se atualizando em relação a seu Código de Ética, fato
lamentável, visto que a atualização deve ser periódica, para que assim, as suas
tomadas de atitude estejam sempre de acordo com os princípios deste. Porém,
mesmo considerando este dado, os fisioterapeutas demonstraram atitudes éticas
em que predominaram o princípio do respeito à solidariedade e dignidade da
vida humana.
Em relação à questão 6, quando foi perguntado sobre a convivência
cordial do fisioterapeuta com seus colegas de equipe, 100% (13) responderam
que sim, todos convivem cordialmente.
Braz, Martins e Vieira Junior (2009) afirmaram que o relacionamento
da equipe de saúde tem se alterado devido a vários fatores, incluindo o avanço
tecnológico e a complexidade das ações médicas. Os membros da equipe
multiprofissional têm contribuições específicas para dar, e todos devem funcionar
em plena harmonia para que resulte na excelência do padrão de assistência.
Alves et al (2008) realizaram um trabalho visando verificar a capacidade
de tomar decisões éticas de alunos no último ano de fisioterapia de duas
universidades na cidade de São Paulo, das quais uma oferece no currículo a
disciplina Bioética e a outra não. Concluíram que, sobre o relacionamento do
fisioterapeuta com colegas de profissão ou outros profissionais da saúde, foi
evidenciado, na universidade 2 ( a que tinha a disciplina Bioética na matriz
curricular) os alunos mostraram um preparo melhor para o relacionamento
interprofissional. Na matriz curricular dessa instituição há um enfoque importante
sobre o relacionamento interprofissional, abordando-se conceitos como
interdisciplinaridade, que oferece base para a ação em equipe, respeitosa e
solidária.
Braz, Martins e Vieira Junior (2009) afirmaram, no trabalho de pesquisa
que teve por objetivo analisar a atuação do fisioterapeuta em Unidades de Terapia
Intensiva da cidade de Anápolis-GO, que, através de relatos dos entrevistados,
percebeu-se que a convivência é harmoniosa e que na maioria das vezes os
profissionais trabalham em equipe. No presente trabalho, estes dados foram
confirmados apenas em parte, pois a convivência entre eles é harmoniosa, porém
nem sempre eles trabalham em equipe.
Todos os profissionais entrevistados afirmaram conviver cordialmente e
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Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
amigavelmente tanto com seus colegas de profissão (fisioterapeutas) quanto
com o resto da equipe. Confirmam-se, portanto os achados do presente estudo
com a literatura consultada no que diz respeito à convivência profissional.
Tabela 2 - Declarações quanto à sua atividade como profissional,
Teresina, 2011
Na pergunta 7, 100% (13) concordaram em tentar convencer a família
de que o procedimento fisioterapêutico era necessário ao paciente, sendo
necessário a aplicação do princípio de autoridade para convencer a família sobre
a necessidade da realização deste.
Segundo Rodrigues e França (2009), cabe ao profissional informar ao
paciente não apenas sobre o tratamento, mas também sobre o diagnóstico e
prognóstico, como foi confirmado nesta pesquisa.
Todos os fisioterapeutas afirmaram que, numa situação como esta,
tentariam convencer a família sobre os benefícios que o procedimento em questão
traria ao paciente. Nesta questão, os entrevistados se preocuparam em respeitar
o princípio da não-maleficência, que é o de não causar mal ao paciente sob
nenhuma circunstância.
A Figura 3 mostra, a observância dos princípios bioéticos de respeito à
dignidade humana
136
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
Figura 3 - Atitude do fisioterapeuta perante a não aceitação da família
sobre determinado procedimento, Teresina, 2011
Na Resolução COFFITO 10 e de 3 de julho de 1978, o Capítulo II,
Art.7º, inciso VII, estabele que são deveres do fisioterapeuta e do terapeuta
ocupacional, nas respectivas áreas de atuação informar ao cliente quanto ao
diagnóstico e prognóstico fisioterapêutico e objetivos do tratamento, salvo
quando tais informações possam causar-lhe dano (COFFITO,1978). Isto quer
dizer que os achados desta pesquisa confirmam o que preconiza não só o Código
de Ética, mas os princípios da Bioética: autonomia, beneficência, justiça e nãomaleficência, que por sua vez os fisioterapeutas respeitam e praticam o repasse
dessas informações ao paciente, salvo quando tais informações possam causar
dano. Aí está o limite para o profissional, para que possa resolver qualquer
conflito ético que possa surgir.
Na pergunta 8, quanto à fonte de atualização a respeito de ética médica
e bioética, 6% (1) citou revistas leigas,11% (2) citaram revistas especializadas,
56% (10) citaram a Internet, 17% (3) citaram congressos, fóruns e afins, e 11%
(2) citaram outras fontes como instrumentos para sua atualização na área. Os
participantes poderiam optar por mais de uma opção.
137
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
No trabalho realizado por Almeida et al (2008), sobre a fonte de
atualização dos professores a respeito da ética médica e bioética, houve um
predomínio de revistas especializadas (66,0%) como fontes de atualização entre
os professores estudados, seguidas por eventos científicos (41,2%) e internet
(38,1%). Apenas 9,3% dos professores afirmaram utilizar revistas leigas como
fontes de atualização. Esses dados não confirmaram os achados da presente
pesquisa, pois observou-se que a fonte de atualização em ética mais usada foi a
Internet, com 56%, seguida de Congressos, fóruns e afins, com 17%, conforme
indica a figura 4.
Figura 4 - Fontes de Atualização ético-profissional do grupo estudado
com respostas cumulativas, podendo ter mais de uma fonte para um
profissional, Teresina, 2011
Na pergunta 9, quanto ao grau de conhecimento em respeito à ética
médica em geral, em uma escala de 1 (mínimo) a 5 (máximo), 8% (1) pontuou
seu conhecimento com a nota 2, 54% (7) deram nota 3 e 38% (5) deram nota
138
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
4. Na pergunta 10, quando perguntado sobre o grau de importância na formação
como fisioterapeuta, também em uma escala de 1 (mínimo) a 5 (máximo), 8%
(1) escolheu nota 3, 46% (6) deram nota 4 e 46% (6) deram nota 5.
No estudo de Almeida et al (2008), a auto-avaliação sobre o
conhecimento sobre ética médica em geral, também numa escala de 1 a 5, foi
de 3,4 (± 0,9) para os professores e de 3,2 (± 0,7) para os estudantes (p =
0,017). Além disso, foi observado que a autoavaliação do conhecimento sobre
ética médica foi inferior à importância dada ao tema tanto no grupo dos
professores (p < 0,001), quanto no grupo dos estudantes (p < 0,001).
A Figura 5 apresenta as respostas para as perguntas 9 e 10
Figura 5 - O entendimento e o grau de importância da ética na atuação
prática dos profissionais de fisioterapia estudados, Teresina, 2011
Pôde-se observar que, a maioria dos fisioterapeutas pontuou o seu
conhecimento em ética com a nota 3, mostrando que estes não estão totalmente
inteirados com o Código de Ética de sua profissão. Houve uma contradição
entre o que se declararam praticar e a autoavaliação e atualização.Também se
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Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
observou que o grau de importância dado à Bioética foi muito alto, sendo
imprescindível para uma boa formação como profissional da fisioterapia.
4 CONCLUSÃO
Conclui-se que todos os fisioterapeutas estudados agem de acordo com
o Código de Ética, porém evidenciou-se como falha a falta de atualização
periódica em Bioética.
A Bioética serviu para realizar as reflexões e ao mesmo tempo para
confirmar que sua presença na prática profissional é importante. Isso tudo faz
com que estes reflitam melhor sobre suas condutas e sua postura, favorecendo
o paciente e proporcionando um cuidar ético e responsável.
Portanto, nesse estudo, pôde-se observar que todos os fisioterapeutas
estudados agem eticamente em relação a seus pacientes. No entanto,
necessitamos de estudos mais aprofundados sobre o tema Bioética,
principalmente, dentro das Unidades de Terapia Intensiva (UTI's).
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Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
NORMAS EDITORIAIS
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A Revista FACID: Ciência & Vida objetiva a divulgação da produção científica
e técnica dos professores, alunos e técnicos da Faculdade Integral Diferencial,
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e resultados de pesquisas, experiências de vida e manifestações artísticoculturais, contribuindo para o desenvolvimento científico e cultural do País.
ARTIGOS – Texto que discute um tema investigado para publicação de autoria
declarada, que apresenta título em português e em inglês, nome dos autores,
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e métodos, resultados e discussão, conclusão, referências , apêndices e anexos
(opcionais). Serão considerados “artigos de revisão” os textos que discutam
temas com base em informações já publicadas. Quando se tratar de artigo de
revisão esta deverá ser, preferencialmente, do tipo sistemática e deverá
apresentar: título, autor, resumo, palavras chave, abstract, key-words, introdução,
discussão do tema com base na pesquisa bibliográfica, conclusão, e referências.
O artigo não deve ultrapassar 15 (quinze) laudas.
Título - Deve ser conciso, claro e objetivo, evitando-se excesso de palavras
ou expressões como: “Avaliação de...,” “Considerações acerca de.....” “Estudo
sobre ....”. Deve ter no máximo 15 palavras. Apenas a primeira letra da primeira
palavra deve ser maiúscula.
Título em inglês - Transcrição do título em português.
Nome dos autores - Devem ser apresentados os nomes completos, sem
abreviatura, abaixo do título com somente a primeira letra maiúscula, um após
outro, separados por vírgula e centralizados. Em nota de rodapé na primeira
página deve-se apresentar de cada autor a afiliação completa (Titulação/
vinculação, instituição, cidade e Estado, endereço eletrônico). O número de
autores não deverá ser maior que cinco. Os autores pertencentes a uma mesma
145
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
instituição devem ser mencionados em uma única nota, utilizando o sobrescrito
correspondente.
Resumo e Abstract - Devem ter no máximo 250 palavras, descrevendo o
objetivo, material e métodos, resultados e conclusão em um só parágrafo. O
Abstract deve ser a transcrição do resumo.
Palavras-chave e key-words - Devem ser no mínimo três e no máximo cinco
termos para indexação, que identifiquem o conteúdo do artigo, os quais não
deverão constar no título. Para a escolha dos termos para indexação (descritores)
na área de saúde, deve-se consultar a lista de “Descritores em Ciências da
Saúde – DECS” , elaborado pela BI REM E (disponível em http://decs.bus.br)
ou na lista da “Mesh-Medical Subject Headings” (disponível em http://
nlm.nih.gov/mesh/mbrowser.html).
Introdução - Deve ser compacta e objetiva, definindo o problema estudado,
demonstrando sua importância e lacunas do conhecimento que serão abordadas
no artigo. As citações presentes devem ser atualizadas e pertinentes ao tema,
adequadas à apresentação do problema, sendo empregadas para fundamentarem
a discussão. Os objetivos e hipóteses deverão ser contextualizados nesta sessão.
Não deve conter mais de 550 palavras.
Material e Métodos - Os métodos bem como os materiais devem ser
detalhados de modo que possam ser confirmados, incluindo os procedimentos
utilizados, universo e amostra. Indicar os testes estatísticos utilizados. As questões
éticas devem ser apresentadas nesta sessão.
Resultados e Discussão podem conter figuras e/ou tabelas, contudo os dados
nesta forma não devem ser repetidos no texto. Os resultados devem ser
apresentados em uma sequência lógica. As tabelas e figuras devem trazer
informações distintas ou complementares entre si. Os dados estatísticos devem
ser descritos nesta sessão. A discussão deve ser pertinente apenas aos dados
obtidos, evitando-se hipóteses não fundamentadas nos resultados. Deve-se
relacionar-se aos conhecimentos existentes e aos apresentados por outros
estudos relevantes. Deve, sempre que possível, incluir novas perspectivas de
pesquisas.
146
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
Conclusão - Deve estar fundamentada nas evidências disponíveis e pertinentes
ao objeto de estudo. As conclusões devem ser claras e precisas. Deve-se
relacionar os resultados obtidos com as hipóteses apresentadas. Podem ser
apresentadas sugestões para outras pesquisas que complementem o estudo ou
para outros problemas surgidos no desenvolvimento.
Referências - O artigo deverá apresentar no máximo 25 citações, sendo a
maioria, preferencialmente, em periódicos dos últimos cinco anos. No caso de
artigos de revisão, deverão ser apresentadas no máximo 35 citações. Devem
incluir todos os autores referenciados no texto.
Apêndice - Informações complementares produzidas pelo autor, como o
questionário aplicado, termo de consentimento livre e esclarecido, roteiro de
entrevistas. É opcional.
Anexos - Informações complementares, como documentos e ilustrações,
retiradas da bibliografia. Ítem opcional.
ENSAIOS – Texto que expõe estudos realizados com as conclusões a que se
chegou. Pode ser de caráter informal, no qual se destaca a liberdade e emoção
criadora do autor e pode ser caracterizado como formal, onde a brevidade,
serenidade e o uso da primeira pessoa podem ser utilizados. Neste tipo de
publicação é marcante a presença do espírito problematizador, sobressaindo o
espírito crítico e a originalidade do autor. Deve apresentar temas atuais e de
interesse coletivo. Pode ter até 10 (dez) páginas.
RESENHAS – resumo crítico de livros publicados ou no prelo que podem
suscitar no leitor o desejo de ler a obra integralmente. Este texto deve ter, no
máximo 5 laudas e deve ser escrito informando o título da obra, nome completo
do autor, editora e ano publicado.
Instruções aos Colaboradores
1 Os trabalhos devem ser preferencialmente inéditos e redigidos em língua
portuguesa, sendo seu conteúdo de inteira responsabilidade dos autores.
2
Os textos para publicação devem ser acompanhados de uma
correspondência ao Editor solicitando que o texto seja publicado. Uma vez
recebidos, os textos serão submetidos à apreciação do Conselho Editorial
e dois conselheiros, no mínimo, decidirão sobre sua aprovação para
147
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
publicação, podendo ocorrer que o texto seja devolvido ao seu autor para
alterações e/ou correções.
3
O texto deve ser digitado na fonte Times New Roman tamanho 12, espaço
1,5 entre linhas, margens superior e esquerda de 3 cm, margem inferior e
direita de 2 cm, papel formato A-4. No resumo e abstract o espaçamento
deverá ser simples.
4
A s t abelas para apresent ação de dados devem ser numeradas
consecutivamente com algarismos arábicos, encabeçadas pelo título, com
indicação da fonte após a linha inferior. Todas as tabelas inseridas devem
ser mencionadas no texto. O texto deve ser em fonte Times New Roman,
estilo normal e tamanho 12.
5
Para a inserção de ilustrações (quadros, gráficos, fotografias, esquemas,
algoritmos etc), deve-se numerá-las consecutivamente com algarismos
arábicos, com indicação do título na parte superior e da fonte após o seu
limite inferior e indicadas no texto em que devem ser inseridas. Gráficos,
fotografias, esquemas e ilustrações devem ser denominados como figuras.
O texto deve ser em fonte Times New Roman, estilo normal e tamanho
nove. Devem ser inseridas logo abaixo do parágrafo em que foram citadas
pela primeira vez. As figuras agrupadas devem ser citadas no texto como:
Figura 1A ; Figura 1B; Figura 1C; etc. A s figuras devem ter no mínimo
300dpi.
6
A s citações no texto devem ser organizadas de acordo com as normas
vigentes da Associação Brasileira de Normas Técnicas (A BNT - 10520) formato autor-data.
7
A lista de referências deve ser organizada em ordem alfabética e de acordo
com as normas A BNT – 6023 (espaço simples entre linhas e um espaço
simples entre uma referência e outra).
Modelos de referências bibliográficas
Livros (um autor)
SOARES, L. S. Educação e vida na República. 4.ed. São Paulo: Letras
Azuis, 2004.
148
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
Livros (dois autores)
ROCHA, B.; PEREIRA, L. H. Cuidando do enfermo. São Paulo: Manole,
2001.
Livros com mais de três autores
POUPART, J. et al. A pesquisa qualitativa: enfoques epistemológicos e
metodológicos. Rio de Janeiro: Vozes, 2008.
Capítulos de livros
OLIVEIRA, A. A. S. de; VILLAPOUCA, K. C. Perspectivas epistemológicas
da bioética brasileira a partir da teoria de Thomas Kuhn. In: GARRAFA, V.;
CORDÓN, J. (Orgs.). Pesquisa em bioética: bioética no Brasil hoje. São
Paulo: Gaia, 2006. p.35-50.
Artigos de periódicos empressos com mais de três autores
PEREIRA, Q. L. C. et al. Processo de (re)construção de um grupo de
planejamento familiar: uma proposta de educação popular em saúde. Texto e
Contexto Enferm, Florianópolis, v. 16, n. 2, p. 320-5, abr/jun. 2007.
Teses
ABBOTT, M.P. Modificações oxidativas de proteínas em presença de
complexos de cobre(II). 2007. 130f. Tese de doutorado (Programa de Pósgraduação em Química) Universidade de São Paulo, São Paulo, 2007.
Artigo de jornal assinado
DIMENSTEIN, G. Escola da Vida. Folha de São Paulo, São Paulo, 14 jul.
2002. Folha Campinas, p. 2.
Artigo de jornal não assinado
FUNGOS e chuva ameaçam livros históricos. Folha de São Paulo, São Paulo,
5 jul. 2002. Cotidiano, p. 2.
Artigo de periódico formato eletrônico
VRAKEN, M. V. Prevention and treatment of sexuality transmitted diseases: an
updates. American Family Physican. v. 76, n. 12, p. 1827-1832, dez. 2007.
Disponível em: < www.aafp.org/afp>. Acesso em: 29 de março de 2010.
149
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
Decretos, Leis
BRASIL. Decreto n. 2.134, de 24 de janeiro de 1997. Regulamenta o art. 23
da Lei n. 8.159, de 8 de janeiro de 1991, que dispõe sobre a categoria dos
documentos públicos sigilosos e o acesso a eles, e dá outras providências. Diário
Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF, n. 18, p. 14351436, 27. jan. 1997. Seção 1.
Constituição Federal
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do
Brasil. Brasília, DF: Senado Federal, 1988.
Trabalho publicado em Anais de Congresso
MARTINS, I. S.; SILVA FILHO, F. J. V.; ALVES NETO, F. E. Abordagem
cirúrgica em ginecomastia gigante em pseudo-hermafrodita masculino. In: I
JORNADA DE MEDICINA DA FACID, 2005, Teresina. Anais da I Jornada
de Medicina da FACID. Teresina, Gráfica do Povo, 2006, p.212.
8
Acompanha o texto uma folha com o título e nome completo do autor e/ou
autores com a filiação profissional e a qualificação acadêmica do(s)
autor(es), os endereços postal e eletrônico, inclusive o telefone (folha
modelo).
9
O original do trabalho a ser publicado deve ser entregue em uma via impressa
e em CD (processador Word for Windows), pelos correios ou via e-mail:
[email protected]. Ao Conselho Editorial é reservado o direito de publicar
ou não o trabalho.
10 A publicação do trabalho não implicará na remuneração de seus autores. O
autor responsável pela submissão do artigo receberá um exemplar do
fascículo por artigo publicado.
11 A revista não se obriga a devolver os artigos recebidos, publicados ou não.
12 O artigo a ser publicado deve ser entregue na FACID. O autor responsável
pela submissão do artigo deverá anexar e assinar os seguintes documentos:
Declaração de Responsabilidade e Transferência de Direitos Autorais.
150
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
Modelos de páginas (em separado) que devem acompanhar o artigo
Modelo 1
Modelo 2
DECLARAÇÃO DE RESPONSABILIDADE
TRANSFERÊNCIA DE DIREITOS AUTORAIS
Declaro que participei deste artigo para tornar
Declaro que, em caso de aceitação do meu artigo
pública minha responsabilidade pelo seu conteúdo, não
submetido à Revista FACID Ciência & Vida, esta passa a
omitindo nenhuma ligação ou acordo de financiamento entre os
ter os direitos autorais e propriedade exclusiva sobre o
seus autores e instituições que possam ter interesse na
mesmo.
publicação do mesmo.
Declaro ainda que o manuscrito é original e que
Teresina, ....... de .............. de 20.....
este artigo, em parte ou na íntegra, ou qualquer outro artigo
similar, de minha autoria, não fora enviado a outra revista e não
___________________________________
o será, enquanto estiver sob a análise da Revista FACID
Nome completo do (a) aluno (a)
Ciência & Vida, quer impresso ou eletronicamente.
Teresina, ........ de ................. de 20.....
___________________________________
___________________________________
Nome completo do (a) orientador (a)
Nome completo do (a) aluno (a)
____________________________________
Nome completo do (a) orientador (a)
TÍTULO
Modelo 3
Título do artigo
Nome completo do Autor 1
Qualificação acadêmica e Filiação
Exemplos: Aluno de graduação do Curso de Odontologia
da FACID; Especialista em _______, Professor(a) do
Curso de ___________ da FACID; Mestre em
__________, Professor(a) Adjunto da UFPI; Doutor em
________, Professor(a) da _________)
Endereço Postal
Rua das Estrelas, nº 000, apto 000
Bairro do Céu, Cidade – Estado
CEP – 00 000 - 000
Endereço eletrônico (e-mail)
Telefone(s) para contato
Nome completo do Autor 2
Qualificação acadêmica e Filiação
Endereço Postal
Endereço eletrônico (e-mail)
Telefone(s) para contato
OBS: Deve constar os dados de todos os autores respeitando o
limite máximo de 5 (cinco) para cada artigo, conforme a norma
editorial da Revista.
151
Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012
OBS: As submissões que não atenderem às normas acima apresentadas não
serão encaminhadas para análise dos consultores, sendo imediatamente recusadas
para publicação na Revista FACID Ciência & Vida.
Conselho Editorial da Revista FACID Ciência & Vida
A/C Esp. Cyntia Maria de Miranda Araújo
Rua Veterinário Bugyja Brito, 1354 - Horto Florestal.
Cep: 64049-410/ Teresina-PI.
Email: [email protected]
152
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Revista Volume 8