Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 a revista do conhecimento humano publicada pela FACID Teresina - PI Semestral ISSN 2358-3142 3 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 4 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 a revista do conhecimento humano publicada pela FACID Teresina-PI As opiniões e artigos expressos aqui são de inteira responsabilidade dos autores. Periodicidade Semestral Rua Veterinário Bugyja Brito, 1354 - Horto Florestal CEP: 64052-410 • Teresina (PI) • Brasil Fone: (086) 3216-7900 / 3216-7901 www.facid.com.br 5 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 Revista Facid http://www.facid.com.br [email protected] Editor - responsável Rômulo José Vieira Projeto Gráfico Castino Martins da Silveira Revisão Antonia Osima Lopes, Francisca Sandra Cardoso Barreto, Maria Rosilândia Lopes de Amorim, Raimunda Celestina Mendes da Silva Jornalista Responsável Marcos Sávio Sabino de Farias - MTB 1005 Impressão Gráfica Capa Amanda Paiva e Silva Martins Catulo Coelho dos Santos George Mendes Ribeiro Sousa Juciara Freitas Ribeiro (ex-alunos do Curso de Publicidade e Propaganda da FACID) Revista Facid: Ciência & Vida / Faculdade Integral Diferencial. V. 8, N. 1, 2012 / Teresina: FACID, 2012. Semestral ISSN 2358-3142 1. Pesquisa científica. 2. Desenvolvimento científico. CDD 509 CDU 001.891 6 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 a revista do conhecimento humano publicada pela FACID Teresina-PI FACID - Faculdade Integral Diferencial Integral - Grupo de Ensino Fundamental, Médio, Técnico e Superior do Piauí S/C Ltda. Paulo Raimundo Machado Vale Diretor Presidente Maria Josecí Lima Cavalcante Vale Diretora Acadêmica Iveline de Melo Prado Vice-Diretora Acadêmica Rômulo José Vieira Coordenador de Pesquisa e Pós-Graduação Conselho Editorial Antonia Osima Lopes Charllyton Luis Sena da Costa Eliana Campelo Lago Francisca Sandra Cardoso Barreto Giovana Ferreira Martins Nunes Santos Maria Josecí Lima Cavalcante Vale Rômulo José Vieira - Editor Responsável 7 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 Valéria de Deus Leopoldino de Arêa Leão Veruska Cronemberger Nogueira Conselho Consultivo Alexandre Henrique de Paulo Simplício - Ana Célia Sousa Cavalcante Benício Parentes de Sampaio - Divana Maria Martins Parente Lira Helder Ferreira de Sousa - Izânio Vasconcelos Mesquita José Guilherme Ferrer Pompeu - Judite Oliveira Lima Alburquerque José Carlos Formiga - Joseli Lima Magalhães Luis Nódgi Nogueira Filho - Maurício Batista Paes Landim Marcelino Martins - Morgana Moreira Sales Maria Helena Barros Araújo Luz - Neiva Sedenho de Carvalho Sérgio Ibiapina Ferreira Costa - Tony Batista Waldília Neiva de Moura Santos Cordeiro Conselho Consultivo Nacional Anke Bergmann (RJ) Álvaro Antonio Machado Ferraz (PE) Alfredo Carlos Banos (SP) Beatriz Azevedo (SP) Carlos Bezerra de Lima (DF) Fernando Pratti (RS) Ives Gandra da Silva Martins (SP) Ivo Korytowski (RJ) Liege Santos Rocha (DF) Luiz Airton Saavedra (SP) Maria Elena Bernardes (SP) Ruy Gallart de Meneses (RJ) Saul Goldenberg (SP) Samantha Buglione (SC) Valtencir Zucolotto (SP) Conselho Consultivo Internacional Uwe Torsten (Alemanha) Mario Rietjens (Itália) Bibliotecária Marijane Martins Gramosa Vilarinho - CRB/3 - 1059 8 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 EDITORIAL 9 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 10 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 EDITORIAL A FACID, cumprindo seu mister, ter procurado contribuir, sistematicamente, com o desenvolvimento do Piauí, assim seus programas de extensão se expandem consideravelmente na área de sua abrangência, ora promove o Integra FACID, ora atua na Semana da Responsabilidade Social, mas sempre buscando o atendimento à comunidade vinculada aos seus cursos de graduação. No Ensino seus esforços têm sido recompensados com o reconhecimento, hoje não só da comunidade piauiense mas também do próprio Ministério de Educação e Cultura-MEC, quando este lhe confere a honrosa qualificação de melhor faculdade privada do Piauí, tendo por base o Indice Geral de Cursos (IGC). Além do reconhecimento estabelecido nesta Instituição de Ensino Superior, que orgulha a todos que a vivenciam, a mesma agora buca novos horizontes no Ensino da Graduação que se anuciam na ampliação da oferta dos seus cursos. Sem estabelecer fronteiras a FACID apresenta mais um salto de qualidade, ofertando agora cursos de pós-graduação em nível de mestrado: um interinstitucional, em parceria com a Universidade do Vale do Rio dos Sinos, do Rio Grande do Sul -UNISINOS -RS, na área de Direito e outro uma proposta arrojada à CAPES: um mestrado institucional em Biotecnologia e Atenção Básica de Saúde, que sem dúvida, pela sua qualidade, deverá ser aprovada por aquele órgão. Assim a FACID progride em largos passos, ampliando o ensino de graduação, implementando a pós-graduação em nível de mestrado e, por 11 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 consequinte, incrementando a pesquisa institucional, favorecendo um ambiente de pesquisa que, em atendimento as demandas locais, contribuem para o desenvolvimento do Piauí. Suas Semanas Científicas são cada vez mais pretigiadas pela comunidade acadêmica e profissional, não apenas institucional, mas de diversas instituições superiores de ensino da região. Destaca-se ainda que a mesma incrementa o desenvovimento regional, sem no entanto perder de vista o foco nacional e até mesmo internacional do desenvolvimento científico e tecnológico. Neste número a Revista FACID Ciência & Vida tem o prazer de apresentar a toda comunidade científica do Piauí alguns artigos mais recentes de seus alunos, professores e de cientistas colaboradores da mesma e na oportunidade deseja a todos um Feliz Final de Ano de 2012 e votos contínuos de um mais promissor Ano Novo de 2013. Saudações Facidianas! Rômulo José Vieira Editor - responsável 12 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 SUMÁRIO 13 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 14 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 SUMÁRIO ARTIGOS DISSOLUÇÃO CONJUGAL POR MULHERES NA CONTEMPORANEIDADE: UM ENFOQUE PSICOLÓGICO. Náira Ravanny de Souza Lima, Cyntia Maria de Miranda Araújo....... 19 - 32 ESTADO NUTRICIONAL E FORÇA MUSCULAR RESPIRATÓRIA EM ESCOLARES DE OITO A DEZ ANOS Diane Nogueira Paranhos, Adeildes Bezerra de Moura Lima............. 33 - 46 NÍVEL DE CONTROLE PRESSÓRICO E PREVALÊNCIA DE LESÃO EM ÓRGÃOS-ALVO EM PACIEN TES COM HIPERTENSÃO ARTERIAL João Paulo de Araújo Carvalho; Récio Cronemberger Mangueira........ 47 - 57 PATOLOGIAS LOMBARES: PREVALÊNCIA E USO DE MEDICAMENTOS EM PACIENTES DE CLÍNICAS DE FISIOTERAPIA Lia Medeiros Brandim, Cristina Cardoso da Silva, Fabrício Pires de Moura do Amaral.............................................................................. 58 - 73 ANÁLISE DO COMPROMETIMENTO FUNCIONAL EM PACIENTES COM LOMBALGIA CRÔNICA Rosana de Carvalho Neiva, Ana Cristina de Carvalho Melo................. 74 - 89 15 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 OS TRABALHOS ACADÊMICOS E A ÉTICA: GESTÃO DE DESAFIOS E/OU DE COMPETÊNCIAS Francisca Sandra Cardoso Barreto............................................. 90 - 99 FAT ORES A SSOCI A D OS À CO N V ER SÃ O D A COLECI STECTOM IA L A PAROSCÓPI CA Francisco Pedrosa da Silva, Viviane Chaib Gomes Stegun.......... 100 - 113 PO T EN C I A L EN ER GÉT I CO DE PR OD U T OS AL IM ENTÍCIOS DESCARTADOS Thandara Carvalho Cipriano, Rosemarie Brandim M arques, Charllyton Luis Sena da Costa....................................................... 114 - 125 OS L I M I T ES ÉT I COS D O PROFI SSI O N A L D E FI SI OTERA PI A QUE ATUA NA S UTI 'S DE A LTO RISCO Bruna Barros de Sousa M endes , Francisca Sandra Cardoso Barreto ...................................................................................... 126 - 142 NORMAS EDITORIAIS ........................................................ 16 147 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 ARTIGOS 17 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 18 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 DISSOLUÇÃO CONJUGAL POR MULHERES NA CONTEMPORANEIDADE: UM ENFOQUE PSICOLÓGICO MARITAL DISSOLUTION BY WOMEN IN CONTEMPORARY SOCIETY Náira Ravanny de Souza Lima1 Cyntia Maria de Miranda Araújo2 RESUMO A concepção de família perpassou pela função de procriação para casamentos com objetivos econômicos, até chegar à família moderna, com interesses voltado a satisfação individual na relação. No Brasil as separações e divórcios têm sido freqüentes. Dados do IBGE mostra que em 2007, para cada quatro casamentos foi registrada uma dissolução. Esta pesquisa é do tipo qualitativa e exploratória. Teve como objetivo principal compreender a experiência psicológica das mulheres na maturidade quando da tomada de decisão pela separação, para tanto, buscou-se investigar os fatores motivacionais presentes na decisão de separação/divórcio; identificar os sentimentos predominantes durante o casamento e separação/divórcio e apresentar as concepções das mulheres participantes acerca de casamento, família e divórcio. As participantes foram localizadas a partir da amostragem bola-de-neve. Aplicou-se questionário e realizou-se entrevista semi-estruturada com 10 mulheres de 35 a 58 anos, as quais decidiram se separar entre 15 a 29 anos de casamento. Os dados foram analisados através da Hermenêutica de Profundidade. As categorias criadas foram: Casamento, família e dissolução conjugal: O que elas têm a dizer?; "Quando acaba o respeito...": motivos e motivações para a separação e/ou divórcio; Da privação à liberdade: sentimentos vivenciados no casamento e pós-casamento e Resquícios de "A Letra Escarlate". Concluiu-se que o sentimento de insatisfação dentro da relação, aliada à falta de respeito aliada à falta de respeito foram determinantes na decisão pela separação. Nesse processo, percebeu-se das entrevistadas o sentimento de receio pelas reações da sociedade ____________________ 1. Aluna de graduação da Faculdade Integral da Diferencial - FACID. Teresina - PI. 2. Professora da Faculdade Integral da Diferencial - FACID. Teresina - PI. e-mail: 19 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 em geral, mas também a mudança de paradigma social acerca de casamento e divórcio. Palavras-chave: Dissolução conjugal. Separação. Divórcio. Casamento. Mulher. ABSTRACT The concept of family pervaded by the function of procreation to marriage with economic goals, to reach the modern family, with interests focused on individual satisfaction in the relationship. In Brazil, separations and divorces have been frequent. IBGE survey shows that in 2007, for every four marriages were recorded one dissolution. This research is qualitative and exploratory. Aimed mainly at understanding the psychological experience of women at maturity when the decision is taken by separation, for both sought to investigate the motivational factors present in the decision of separation/divorce, identify the women predominant feelings during the marriage and separation/divorce and provide the concepts of the women about marriage, family and divorce. The participants were located from a sampling snow-ball. A questionnaire was applied and held semi-structured interviews with 10 women from 35 to 58 years, which decided to break-up between 15 to 29 years of marriage. The data were analyzed by Depth Hermeneutics. The created categories were: Marriage, family and marital dissolution: What are they to say?; "When the respect ends...": reasons and motivations for the separation and/or divorce; The freedom deprivation: feelings experienced in marriage and after marriage and Remnants of "The Scarlet Letter" It was concluded that the feeling of dissatisfaction within the relationship, coupled with the lack of respect made them want to separate. In this process, in general was noticed the feeling of respondents fear of the society reactions, but also the social paradigm shift about marriage and divorce. Keywords: Marital dissolution. Separation. Divorce. Marriage. Woman. 1 INTRODUÇÃO Antes de discutir o término da relação conjugal é importante salientar como se apresentou a construção de família no decorrer da história, a fim, de 20 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 contextualizar os fenômenos separação e divórcio nos dias atuais. Compreendese que existem tipos históricos de família construídos socialmente. Nesse sentido, têm-se a concepção de família, pela qual perpassou em certo momento a função de apenas procriação e transmissão da linhagem, para casamentos com objetivos econômicos, até visualizar-se a família moderna e pós-moderna se moldando a partir do amor romântico e satisfação pessoal e afetiva dos seus membros. Isso foi possível devido as mudanças decorrentes do efeito pós 1ª e 2ª Guerra, globalização e movimento feminista (PROST; VINCENT, 1992; HINTZ, 2001). Dando enfoque às relações conjugais, Pincus e Dare (1981) apresentam que o princípio que rege acerca das relações duradouras, é de que nessas relações há uma reciprocidade e complementaridade das necessidades, anseios e medos que fazem parte da vida a dois. Entretanto, ao observar dinâmica que os casamentos foram tomando ao longo do século, tornou-se cada vez mais presente o número de separações e divórcios. No Brasil as separações e divórcios tem sido freqüentes. Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que em 2007, embora tenham sido realizados 916.006 casamentos no Brasil, 2,9% a mais do que em 2006 (889.828), o número de dissoluções (soma dos divórcios diretos sem recurso e separações) chegou a 231.329, ou seja, para cada quatro casamentos foi registrada uma dissolução. Féres-Carneiro (2003) apresenta através de sua prática clínica como terapeuta de casal, que quase sempre as mulheres manifestam o desejo de se separarem enquanto os maridos, na maior parte das vezes, desejam manter o casamento. Surgiu então o interesse de investigar as separações e divórcios após longos tempos de casamento tendo como o enfoque a mulher contemporânea e sua subjetividade. Buscou-se como objetivo principal compreender a experiência psicológica das mulheres na maturidade quando da tomada de decisão pela separação ou divórcio, a partir das propostas de investigar os fatores motivacionais (sociais, econômicos, afetivos) presentes na decisão de separação/ divórcio, de identificar os sentimentos predominantes durante o casamento e separação/divórcio e apresentar as concepções das mulheres participantes acerca de casamento, família e divórcio. Atualmente, dentro da psicologia, as questões de gênero ainda encontramse marginalizadas, apontando a relevância dessa pesquisa para a classe e a necessidade de incentivo a pesquisas desse porte. Por meio dessa pesquisa propôs-se acrescentar à literatura uma compreensão qualitativa da separação/ divórcio, da mulher e do casamento, de forma a contribuir para estudos 21 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 posteriores, ampliar concepções existentes e fomentar debates, tendo em vista proporcionar aos profissionais da área da psicologia, meios de atualizar-se em prol de uma atuação com mais qualidade tanto às mulheres como também à sociedade como um todo. 2 MATERIAL E MÉTODOS Esta pesquisa foi de abordagem qualitativa do tipo exploratória. Participaram da pesquisa 10 mulheres localizadas entre a faixa etária de 35 a 58 anos, as quais tomaram a iniciativa pela separação/divórcio entre 15 a 29 anos de casamento, conforme proposto nos critérios de participação. Esta investigação teve como método de constituição da amostra, a bola-de-neve ou snowball que se mostrou vantajosa por possibilitar identificar os elementos de uma população indefinida e de difícil localização, como foi o caso da população deste estudo. Desta forma, a partir da primeira participante, encontraram-se outras por indicação desta e assim, sucessivamente até completar a quantidade da amostra. A pesquisa foi realizada em duas cidades: Caxias, Maranhão e em Teresina, Piauí. Os contatos com as participantes foram ocorridos em ambientes acordados previamente entre participante-pesquisadora. Após o projeto da pesquisa ser aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da FACID (Protocolo CEP nº 117/10), foram identificadas as participante e a elas, foi esclarecido os objetivos e justificativa da pesquisa, bem como salientado os preceitos éticos como sigilo de informações identificatórias e não-obrigatoriedade das participantes frente à pesquisa, sendo garantido o direito de retirar o consentimento em qualquer momento da pesquisa, sem prejuízos ou sanções. As mulheres que concordaram em participar do estudo assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido - TCLE, em duas vias de igual teor, elaborado de acordo com a resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde, que dispõe sobre a ética na pesquisa com seres humanos. Foram marcadas as entrevistas individuais em datas de comum acordo entre pesquisadora-participante e na ocasião, também fora aplicado o questionário sócio-demográfico. Com o consentimento das participantes, as entrevistas foram gravadas em aparelho MP4 e posteriormente transcritas. Para a analise dos dados, foi feita tabulações com as informações colhidas com os questionários e criadas categorias para as entrevistas que foram análisadas com base na metodologia Hermenêutica de Profundidade. 22 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO 3.1 Casament o, família e dissolução conj ugal: O que elas t êm a dizer ? A maioria das participantes ressaltou a idéia de casamento como instituição necessária para a formação de uma família sendo citados também o respeito e o diálogo como pré-requisito para o casamento. Nas falas surgiram também sentimentos de compreensão, companheirismo, cumplicidade, partilha e parceria como essenciais para a manutenção do casamento. O que leva a crer, que sentimentos de co-responsabilidade e troca são mais valorizados por elas na relação a dois, até mais do que o amor, tendo em vista que apenas 01 das participantes citou o mesmo. Cabe ressaltar, que a visão de casamento apresentada, indica um ideal de igualdade entre os cônjuges, em detrimento a relações hierárquicas (HINTZ, 2001). É uma instituição necessária. Pra mim é a base de toda a família (SARA). A DR famosa discutir a relação, pra mim é fundamental no casamento. Chegar e dizer o que não gosta o que gosta, dizer "não faça isso, isso é melhor". Sempre discutir a relação, foi uma coisa que faltou no meu casamento, porque ele não gosta de conversar, então eu sentia muita falta (NÚBIA). O casamento é diálogo, é apoio (TÂNIA). Em se tratando de família, foi observado em grande parte das falas das participantes a expressão "família é base", e " família é tudo", como sendo uma instituição essencial para a formação do sujeito, corroborando com diversos autores que trazem a noção de família como mecanismo de transmissão de valores morais e culturais além de atribuírem a ela função de protetora e cuidadora (ARIÈS,1981). É essencial, é a base para todo ser humano (JOYCE). É o berço da sociedade (SARA). As relações entre homem e mulher foram ganhando notoriedade nas discussões sobre família e a dissolução conjugal passou a ser observada como objeto de estudo pelas ciências humanas. Na maioria dos relatos, o divórcio 23 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 aparece como última opção de um relacionamento que não esta dando certo, sendo ainda citado por três delas como "um mal necessário". Essa expressão reflete um sentimento de frustração em relação ao final da relação conjugal. O não dito é "preferia que tivesse dado certo", de acordo com o preceito social e religioso de durabilidade que caracterizava o casamento até pouco tempo atrás, considerando que o divórcio foi legalizado no Brasil em 1977, há exatos 30 anos. Paralelamente, o divórcio trás o sentido de recomeço, citado por uma delas, como uma oportunidade de refazer a vida, dando a si mesmas a possibilidade de assimilação de novos projetos que possam "dar certo". Percebese aqui a conotação de satisfação pessoal atrelado ao casamento e presença de um imaginário da idéia de casal, além dos papéis de marido e mulher, enfatizando as relações entre os parceiros. O divórcio é a oportunidade que a pessoa tem de refazer a sua vida, a sua vida afetiva, principalmente (SARA). O divórcio é um mal necessário, ele tem que acontecer quando não dá mais pra viver, quando não dá mais para conciliar interesses (BEATRIZ). 3.2 "Quando acaba o respeito...": motivos e motivações para a separação e/ou divórcio. Os motivos ligados à separação/divórcio citados pelas participantes foram traição, agressões verbais, agressões físicas, desrespeito e insatisfação. A traição apareceu em nove das dez falas, e foi apontada como motivo por seis das participantes. Observou-se que nos relatos de agressões físicas, estavam presentes também elementos de violência psicológica. No meu caso foi traição, que eu não suporto, eu só deduzia, mas não tinha a certeza, eu só consegui separar de verdade quando eu tive a certeza, quando eu vi (NÍVEA). Quando acabou o respeito entre a gente, porque amor já tinha acabado, mas tava suportável a relação, mas quando acaba o respeito, quando ele começou a me ignorar e a me tratar mal mesmo na frente da família dele, dos amigos dele, não tinha mais condição (LEILA). 24 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 Começaram as agressões verbais, o desrespeito até de trazer namoradas na minha casa, de muitas vezes tentar denegrir a minha imagem profissional. [...]certa vez eu cheguei até a apanhar em frente ao trabalho, saí do trabalho e ele me bateu, então isso aí é uma forma de denegrir a imagem da pessoa (TÂNIA). Já tinha caído a ficha de que não era pra viver daquele jeito né? Trabalhando, me matando e no final, ser chamada de vagabunda, disso, daquilo, que não podia existir (PAULA). A dinâmica da tomada de decisão pela separação ou divórcio está atrelada a fatores internos e externos ao indivíduo. Em relação aos fatores internos (fatores externos serão mais amplamente discutidos na categoria 4) estão a autopercepção e a motivação. A auto-percepção reflete em como a pessoa está se percebendo dentro da relação e a motivação é o que a impulsiona a fazer algo. O conceito de motivação está relacionado às necessidades do indivíduo. A Teoria das Necessidades Humanas de Maslow diferencia cinco tipos de necessidades: as necessidades fisiológicas (respiração, comida, água, sono, sexo, homeostase, excreção), necessidades de segurança (do emprego, da família, da saúde, da propriedade), necessidades de amor e relacionamentos (participação, amizade, família, intimidade sexual), as necessidades de estima (auto-estima, confiança, respeito dos outros, respeito aos outros) e necessidades de auto-realização (moralidade, espontaneidade, solução de problemas) (CLONINGER,1999; SCHUSTACK; FRIEDMAN, 2003). Dessa forma, considera-se que além do motivo é preciso estar motivado para separar-se. De acordo com os dados analisados, observou-se que apesar de terem pedido o divórcio, as participantes procuraram alternativas ao fim do casamento. Fato que evidencia a percepção das mesmas em relação ao divórcio como última opção de um relacionamento que não esta dando certo, apresentada na primeira categoria. Eu me doei muito, e eu não tive aquela resposta, retorno, dele, então pra mim foi difícil (JOYCE). Foi cinco anos eu avisando o tempo todo (CARLA). Segundo a pesquisa realizada por Féres-Carneiro (2003) as mulheres são as que mais solicitam a separação, considerando-se tanto a separação judicial (72%) quanto o divórcio (53,4%). Outro aspecto ressaltado é o de que, mesmo que a decisão de separação seja predominantemente feminina, são as mulheres 25 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 que tomam a maior parte das iniciativas de diálogo, buscando alternativas para o relacionamento. 3.3 Da privação à liberdade: sentimentos vivenciados no casamento e pós-casamento Ao serem questionadas sobre como foi a experiência de terem se casado, metade das participantes responderam a pergunta como tendo sido uma experiência boa, sendo que, da outra metade, três apontaram como sendo ruim, e duas como boa e ruim ao mesmo tempo. As lembranças boas foram associadas aos filhos por todas elas. E as ruins, às agressões citadas na categoria anterior. Pode-se perceber alguns sentimentos relativos à época de casamentos. Os mais freqüentes foram o de privação e insatisfação, presentes em cinco falas cada. Outros sentimentos associados surgiram a esses: o de desgaste, de dependência e sofrimento, e ainda em menor escala o de revolta, medo, frustração, afastamento e indiferença. A maioria das participantes disse sentir-se "livre" e "feliz". O sentimento menos expressivos foram de mágoa, identificado em duas falas, e ainda os de menos-valia, impotência e alívio, cada um com uma fala. Foi muito bom, tudo faz parte do nosso crescimento. Aí vieram os filhos, maravilhosos, taí uma coisa que você não se arrepende nunca (NÍVEA). Teve momentos bons, eu não vou negar, mas teve momentos péssimos, talvez os piores que eu tenha passado na minha vida (PAULA). Eu posso associar meu casamento a uma prisão entre aspas (BEATRIZ). Eu me sinto livre, me sinto dona de mim, eu posso dizer que vou fazer isso aqui ou não vou fazer isso aqui, não tenho que dar satisfações a não ser a mim mesma (TÂNIA). Nota-se pelos relatos das participantes que os sentimentos prevalecentes durante o casamento eram negativos e que elas se sentiam insatisfeitas. É possível considerar que a partir do momento que foi admitido pensar nas satisfações individuais dentro da relação conjugal, esse sentimento de insatisfação impulsionou à realização pessoal. Osório (2002) afirma que devido a conflitos interpessoais dentro da relação conjugal, um dos membros pode ocorrer uma redução da potencialidade, um "encolhimento" deste frente ao outro, comprometendo o 26 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 desenvolvimento pessoal e amadurecimento emocional. Pode-se comentar que essa situação gerava uma angústia e insatisfação que acabou movendo-as no sentido de buscarem meios de reverterem essa situação. Essa motivação leva o indivíduo a atualizar-se e desenvolver-se. Entretanto a direção dessa tendência dependerá de como ele percebe a si mesmo, suas experiências e sua relação com os outros e com o mundo. 3.4 Resquícios de "A letra escarlate": as influências sócio-culturais envolvendo casamento, separação e/ou divórcio "A Letra Escarlate" é um filme baseado na obra norte-americana de Nathaniel Hawthorne lançado no ano de 1995 e dirigido por Roland Joffé. O filme conta a história de uma mulher que por ter cometido o pecado do adultério, passa a ser socialmente marginalizada. Ela era obrigada a usar uma letra "A" bordada em suas vestes para diferenciá-la de seus acusadores como símbolo de sua vergonha. As atitudes de discriminação, preconceito, injustiça e intolerância dos habitantes da cidade para com a personagem principal eram justificadas pelo pecado da mesma. Nessa categoria são descritas as reações positivas e negativas da família, amigos e filhos em relação à decisão de separarse bem como os sentimentos e receios das participantes diante dessa decisão. Verificou-se uma média de seis anos entre o primeiro pensamento pelo desejo de separar-se até a separação propriamente dita, sendo esses números variantes de seis meses a vinte anos. Esse fato denota a necessidade de um tempo de processamento e amadurecimento da escolha pela separação. A maioria das participantes descreve a separação/divórcio como uma tomada de decisão que aconteceu como um processo, como algo pensado, avaliado e reavaliado, da mesma forma que, encontra-se presente no relato da maioria das participantes, a fala "não agüentei mais". Questionadas sobre o que as levou manter o casamento mesmo quando já insatisfeitas com o mesmo, três das respostas foram pelos e receio de criálos sozinha, o que se relaciona bem com a resposta da falta de autonomia financeira, a segunda mais citada. Isto reflete o fato de ainda ser recente a inserção da mulher no mercado de trabalho, visto que no Brasil, apenas com a legislação de 1962, a mulher pôde trabalhar sem a permissão do marido. Antes disso, seu papel era associado apenas aos cuidados do lar e sua ajuda no orçamento familiar era dispensável (NARVAZ; KOLLER, 2006). Entende-se que tais papéis sociais são construídos ideologicamente como cultura, nos quais 27 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 estão implícitas as desigualdades de gênero e introjetadas no imaginário social (BASSANEZI, 1993). Meus filhos, que eu esperei meus filhos crescerem pra entender porque que eu tava me separando (CARLA). Se eu tivesse uma autonomia financeira, muito provavelmente esse casamento teria durado bem menos (BEATRIZ). Hoebel e Frost (2003) afirmam que a cultura é produtora de maneiras de ser, pensar e agir, e em se tratando de relacionamento conjugal, o que prevalece para as religiões é a indissolubilidade do casamento. Uma vez atribuído a indissolubilidade um caráter verídico, ele passa a ser interpretado como conduta moral e o que fugir ao convencional, por vezes, será reconhecido como tal. Esse caráter diferenciado pode ser interpretado como algo extraordinário ou mau sobre o status moral de quem os apresenta, caracterizando-se, assim, o estigma (GOOFFMAN, 1998). Nos relatos das participantes, foram observados sentimentos associados ao estereótipo de ser divorciada ou separada, visto que além das dificuldades econômicas que viessem a surgir com a separação, elas pensavam também na questão de sair de uma condição que estava conforme o padrão socialmente aceito para outra que não é bem vista pela sociedade. Quanto à experiência de estar separada, os relatos da maioria refletem o preconceito que vivenciaram e vivenciam, destacando que tal preconceito aparece de duas formas: o que começa por si mesmas e também pelos outros, denunciando que estar separada pode vir a tornar-se um estigma. Eu tinha vergonha de, sabe? como eu fui criada por uma pessoa que tinha preconceito, eu me sentia uma prostituta, como uma mulher de vida livre, que eu imaginava que as pessoas, talvez fosse até do meu imaginário, e depois eu perdi isso, entendeu? Então por conta disso eu acho que eu imaginava o que as pessoas iam pensar que eu agora ia ficar sem marido e que todo mundo ia tirar casquinha (ANA). Eu senti assim, às vezes numa roda de amigos, onde todas são casadas, tem uma separada, eu não sei se elas vêem isso como ameaça, "não, tá solteira", sabe? "Eu acho que, tá separada, então tá acessível, qualquer um pode chegar, meu marido pode chegar" [...] talvez seja até a gente mesmo, evito andar com casais (NÚBIA). A gente sente assim, que para as amigas, amigas entre aspas, a gente sente assim, é um perigo, você passa a ser vista como um perigo, 28 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 passa a ser vista de outra forma, você é uma bomba que esta ali preste a explodir a qualquer hora (TÂNIA). As pessoas mudam o pensamento com você, é impressionante [...] as vezes eu me sinto mal, eu tento não ligar pra isso, mas, as vezes tem certos comportamentos que me incomodam (BEATRIZ). Quanto a reações da família, amigos e filhos em relação à decisão das participantes em separar-se, foi de apoio pela maioria. A família foi quem mais apoiou, tendo sido menos freqüente as reações de não-aceitação. Notou-se essencial o apoio da família às participantes, que serviu tanto como suporte financeiro, como emocional para elas. As reações de não-aceitação foram mais presentes na fala acerca dos filhos. Foi relatado também reações de surpresa e admiração em relação à reação dos amigos. Meus pais foram maravilhosos [...] sempre tive o apoio deles (LEILA). Pra minha família foi péssimo, foi horrível, para minha mãe e meus irmãos eu era a primeira pessoa que estava separando na família, e não era correto, era errado (TÂNIA). Todo mundo (amigos) teve a mesma reação da minha família. Todo mundo disse "Ana, você demorou demais" Aí todo mundo disse, "Ana você tem que viver agora, daqui pra frente, esqueça o que passou e vá viver daqui pra frente" (ANA) Ficaram admirados (os amigos) porque eles não acreditavam e ate por causa dos anos de casado (NÚBIA). O (filho) mais velho chegou e disse assim "mãe tá mais do que na hora de você viver sua vida, pega meu pai, bota num baú, joga no mar e vai ser feliz" (NÍVEA). A (filha) mais nova resistiu um pouco [...] de vez em quando falava, de voltar a família (SARA). 4 CONCLUSÃO De acordo com a literatura, observou-se que dependendo do contexto sócio-econômico do momento histórico em questão, o casamento obtém fins diferenciados, bem como o papel da mulher frente à sociedade que vai se 29 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 modificando. O sentimento de individualidade e independência pós 1ª e 2ª Guerra, a globalização e as conquistas do movimento feminista remeteram a inserção da mulher na esfera pública, política e educacional, ocasionaram uma reconfiguração no papel feminino, refletindo diretamente nas relações conjugais. Os resultados desse estudo apontaram o casamento como uma instância da sociedade que serve como base para a construção da família, sendo o divórcio, um mal necessário, uma alternativa, dentre outras já cogitadas, quando a relação homem-mulher se encontra não satisfatória. Os sentimentos vivenciados durante o casamento foram de insatisfação e privação, que moveram as participantes, à separação, de acordo com a percepção de si e da sua relação com o outro, e dentro do que elas visualizaram como escolhas. A partir dos resultados apresentados, conclui-se também, que a experiência de mulheres na maturidade pela tomada de decisão de separar-se após longos tempos de casamento, é permeada por uma história de vida de frustrações individuais dentro do contexto da relação a dois. Os sentimentos vivenciados após a separação foram descritos como de felicidade e liberdade. Entretanto, embora houvesse a insatisfação, a separação aconteceu em média, depois de seis anos a partir do primeiro desejo de separar-se. Compreende-se então, que o amadurecimento pela escolha sofreu diversas influências: as sociais, onde elas pesaram a reação da família, amigos e filhos diante da decisão de separação, bem como nas concepções de indissolubilidade do casamento, introjetadas a partir da religião e/ou educação obtida pela família; as econômicas, na qual se verificou ser de grande valia o estudo e trabalho na vida dessas mulheres no quesito amadurecimento pessoal e independência; e afetivas, ligadas ao sentimento de manter a estrutura familiar (pai-mãe-filhos) . Visto que essa decisão acontece como um processo, pode-se afirmar que se apresentaram alguns questionamentos centrais antes de separar-se, dentro dessa dimensão encontra-se o receio da reação dos amigos, famílias e filhos diante de tal decisão e a insegurança ao pensar em manter-se sozinha e criar os filhos. Nesse sentido, observou-se que o fato de elas terem tido o apoio da família durante e após o processo de separação foi de suma importância servindo tanto como suporte financeiro, como emocional às mesmas, destacando aqui que essa situação pode vir a ser uma demanda à psicoterapia. Cabe ressaltar que o contexto sócio-histórico atual começa a entender o casamento como dissolúvel quando não há satisfação pessoal, uma mudança ainda tímida do paradigma que cerca as relações conjugais, principalmente as 30 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 de longa data, pois as participantes relataram situações de estereotipação. Nesse viés, sugere-se que a Psicologia enquanto comprometida com a categoria, compromisso social e sociedade, através de suas práticas e campos de estudo, promova ações que identifique e desconstrua estruturas sociais e práticas pessoais e profissionais que sustentem o sexismo e paradigmas inferiorizantes. Dentro da psicologia são poucos os estudos na área da Psicologia de gênero. Ressalta-se, portanto, a importância de que outras pesquisas sejam realizadas, tendo em vista buscar um conhecimento mais aprofundado sobre as relações conjugais, separações e divórcios, e reconfigurações familiares organizadas a partir dessas dissoluções, e principalmente, compreender a ótica subjetiva das partes, tanto do homem quanto da mulher. Tais conhecimentos são válidos no campo de saber da Psicologia, pois, contribuem para o entendimento do ser humano em suas novas formas de se relacionar, acrescentando atualizações à prática psicoterápica individual, familiar e de grupos. REFERÊNCIAS ARIÈS, P. História social da criança e da família. 2. ed. Rio de Janeiro: LCT, 1981. BASSANEZI, C. Revistas femininas e o ideal de felicidade conjugal (19451964). Cadernos Pagu, n. 1, p. 111-148, 1993. CLONINGER, S C. Teorias da personalidade. São Paulo: Martins Fontes, 1999. FÉRES-CARNEIRO, T. 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A inadequação do EN torna a criança suscetível a várias alterações, podendo afetar a força dos músculos respiratórios. O objetivo geral deste estudo foi relacionar o EN de escolares de oito a dez anos com a força muscular respiratória. Objetivos específicos: avaliar o EN, verificar se os escolares de Teresina estão passando pelo processo de transição nutricional e mensurar a força muscular respiratória. Amostra de 220 escolares de oito a dez anos. Foi preenchida uma ficha com: gênero, data de nascimento e idade, em seguida, foi verificado o peso e altura, e mensurada a PIMáx e PEMáx. Dentre os escolares, 17,3% estavam obesos, 16,8% estavam com sobrepeso, 54% eutróficos, 6,4% com risco nutricional e 5,5% com baixo peso. A maior PIMáx e PEMáx foi a dos escolares masculinos com risco nutricional e baixo peso, respectivamente. A Correlação de Pearson mostrou que há média correlação negativa entre o EN e a PI Máx dos escolares masculinos de dez anos (r=-0,516), e entre a PIMáx das escolares de nove anos do gênero feminino (r=- 0,485). Concluí-se que há prevalência de sobrepeso e obesidade dentre os escolares, o que mostra que a cidade de Teresina está passando pelo processo de transição nutricional e que há uma média correlação negativa entre o EN e a PIMáx dos escolares masculinos de dez anos, e entre a PIMáx das escolares de nove anos do gênero feminino. Palavras chaves: Estado Nutricional. Força Muscular. Saúde Escolar. _____________ 1 Fisioterapeuta pela Faculdade Integral Diferencial (FACID), Teresina- PI, [email protected] 2 Nutricionista pela Universidade Federal do Piauí, Professora Especialista da Faculdade Integral Diferencial (FACID), Teresina- PI, [email protected] 33 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 ABSTRACT In childhood, the nutritional status (NS) has considerable importance. The inadequacy of nutritional status makes the child more susceptible to various alterations, and may affect the strength of respiratory muscles. The general objective of this study was to relate the nutritional status of students from eight to ten years old with the respiratory muscle strength. Specific objectives: to evaluate the NS, check whether the students in Teresina are going through the nutritional transition process and measure the respiratory muscle strength of these students. Sample of 220 students from eight to ten years old. It was filled a form with: gender, date of birth, and student age, then, it was checked the weight and height, and measured the MIP and MEP. Among the students, 17.3% were obese, 16.8% were overweight, 54% were eutrophic, 6.4% with nutritional risk and 5.5% with low weight. The highest MIP and MEP was found in male students with nutritional risk and low weight, respectively. The Pearson Correlation Test showed that there is an average negative correlation between nutritional status and the MIP of school males of ten years (r = -0.516), and between MIP of female children of nine years (r = - 0.485). It is concluded that there is a prevalence of overweight and obesity among the students, which shows that the city of Teresina is getting through the nutritional transition process and there is an average negative correlation between nutritional status and the MIP of school males of ten years, and between MIP of female children of nine years. Key Words: Nutritional Status. Muscle Strength. Scholl Health. 1 INTRODUÇÃO O estado nutricional expressa o grau no qual as necessidades fisiológicas por nutrientes estão sendo alcançadas para manter a composição e funções adequadas do organismo, resultando do equilíbrio entre ingestão e necessidade de nutrientes (ACUNÃ; CRUZ, 2004). Na infância, o estado nutricional tem uma notória importância, por permitir o acompanhamento do processo de crescimento e desenvolvimento, atentando precocemente para possíveis agravos à saúde e riscos de morbimortalidade, segundo Silva et al.(2008). 34 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 O estado nutricional é detectado a partir de vários parâmetros, que podem ser utilizados e avaliados de formas isolada ou associada. Dentre estes parâmetros a antropometria tem se destacado como uma importante ferramenta para a análise das condições de saúde e nutrição da criança (ORELLANA et al, 2009). A inadequação do estado nutricional leva ao baixo peso ou ao excesso de peso, segundo Accioly, Saunders e Lacerda (2009), o que torna a criança mais suscetível a alterações metabólicas, alterações imunológicas, gastrointestinais, cardiovasculares e alterações respiratórias, tanto da função pulmonar quanto da mecânica muscular, alterando inclusive a força respiratória. De acordo com Azeredo (2002) os músculos respiratórios são responsáveis diretos pelo adequado funcionamento do sistema respiratório. Em diferentes situações patológicas, podem ocorrer alterações da força contrátil desses músculos, inclusive nas alterações nutricionais. Uma dessas alterações é o baixo peso, que de acordo com Mota (2002), reduz a capacidade vital, a ventilação voluntária máxima, a força muscular respiratória e a pressão inspiratória. Já o excesso de peso, provoca alterações na mecânica respiratória reduzindo a complacência da caixa torácica e diminuindo a excursão diafragmática, o que pode levar a um maior consumo de oxigênio para a respiração (Santiago et al. 2008). A avaliação funcional da força dos músculos respiratórios pode ser realizadas através das pressões respiratórias máximas geradas durante o esforço de inspiração (PIMáx.) e expiração (PEMáx.), utilizando um aparelho denominado manuvacuômetro. Essas pressões produzidas na boca durante esforços estáticos são consideradas um reflexo da força dos músculos respiratórios, e assim a força dessa musculatura pode ser avaliada (MACHADO, 2008). O Brasil e o mundo estão passando pelo processo de transição nutricional, caracterizado pelo aumento da incidência de sobrepeso e obesidade e diminuição do baixo peso. Deste modo, surgiu o interesse de fazer estudos para verificar se essa realidade de transição nutricional se aplica aos escolares da cidade de Teresina, e qual a influência que o estado nutricional pode causar nos músculos respiratório nesta faixa etária. O objetivo geral deste estudo foi relacionar o estado nutricional de escolares de oito a dez anos com a força muscular respiratória. Os objetivos 35 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 específicos foram: avaliar o estado nutricional, verificar se os escolares da cidade de Teresina estão passando pelo processo de transição nutricional e mensurar a força muscular respiratória desses escolares. A Hipótese primária da pesquisa é: crianças com o estado nutricional inadequado sofrem alterações na força muscular respiratória. Hipóteses secundárias: o número de crianças com alteração nutricional é maior do que o número de crianças eutróficas; a força muscular respiratória está diminuída em crianças com estado nutricional inadequado. 2 METODOLOGIA O projeto de pesquisa foi elaborado de acordo com as normas para pesquisa envolvendo seres humanos baseado na Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. Foi solicitada e concedida a autorização para a realização da pesquisa à diretoria da Escola Pública escolhida para ser o cenário do estudo. Os dados foram coletados mediante a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido pelos pais ou responsáveis dos sujeitos da pesquisa. Esta pesquisa foi iniciada após submissão e aprovação pelo Comitê de Ética e Pesquisa (CEP) da FACID, com o protocolo de número 040/11. Trata-se de uma pesquisa descritiva, do tipo estudo de casos, com abordagem quantitativa. A pesquisa foi realizada em uma Escola Pública Municipal da cidade de Teresina-Piauí, no período de agosto a novembro de 2011. A escolha se deu de forma intencional, por estar localizada em um bairro central da cidade de Teresina, pois é de conhecimento geral que a desnutrição é mais comum nas periferias das cidades, por serem regiões de baixo poder econômico, desse modo, uma escola localizada em uma área mais próxima ao centro da cidade, ainda que pública, teria maior probabilidade de haver um equilíbrio entre o número de crianças eutróficas, obesas e desnutridas. A amostra foi composta por 220 escolares, selecionados de modo intencional de acordo com os critérios de inclusão e exclusão. Os participantes foram submetidos aos seguintes critérios de inclusão: idade entre oito a dez anos e estar matriculado na escola onde foi realizado o estudo. Foram excluídas da pesquisa crianças portadoras de síndromes genéticas, portadores de deficiência ou de doenças crônicas. 36 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 No dia anterior da coleta de dados, foi entregue o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, com os devidos esclarecimentos sobre a pesquisa, aos professores dos escolares, que o anexaram ao caderno de atividade dos alunos que preenchiam os critérios de inclusão da pesquisa (previamente comunicado aos professores), para que o pai ou responsável pudesse assinar e autorizar a participação do mesmo na pesquisa. Os dados foram coletados nas dependências da escola, em uma sala de aula disponibilizada pela diretoria. Inicialmente foi preenchida uma ficha com os seguintes dados: gênero, data de nascimento e idade do escolar; os dados antropométricos e os valores da PIMáx e PEMáx também foram registrados nesta mesma ficha. Em seguida, ocorreu a verificação do peso e altura do participante, para a realização desse tópico foi utilizada uma balança mecânica antropométrica da marca Welmy com capacidade máxima de 150 kg. A seguir, utilizando-se o estadiômetro acoplado à balança, era aferida a altura do participante. Logo após, foi coletado os valores da PIMáx e PEMáx. O aparelho utilizado para mensurar a força muscular respiratória foi o manuvacuômetro da marca Comercial Médica, com variação de pressão de -120 a +120cmH2O, com intervalos de 4 cmH2O. Para obter a PIMáx e a PEMáx o participante foi orientado a ficar na seguinte posição: sentado, com o tronco em um ângulo de 90º graus com as coxas, braços relaxados na lateral do tronco, e com o nariz ocluído por um clipe nasal, para evitar fuga do ar. Foram realizadas três repetições em cada variável do teste (PIMáx e PEMáx), foram aceitas somente as três repetições que não havia escapamento de ar. De cada manobra foi considerado o resultado de maior valor alcançado. O valor da PIMáx é expresso em cm de água (cmH²O), precedido por um sinal negativo e o valor da PEMáx da mesma maneira, porém precedido por um sinal positivo. A análise dos dados foi realizada através de uma análise descritiva e Teste de Correlação de Pearson. Os dados acerca da condição nutricional das crianças foram analisados de acordo com a classificação do Índice de Massa Corporal (IMC) percentil e pela curva de crescimento desenvolvida pelo National Center for Health Statistics 37 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 - Organização Mundial da Saúde (2007). Os resultados foram expostos em forma de tabelas e/ou gráficos para melhor compreensão dos resultados. 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO Dentre os 220 escolares, houve um predomínio do gênero feminino e de participantes com oito anos de idade. As figuras 1 e 2 mostram as características da amostra estudada, quanto ao gênero e à idade. Figura 1 - Caracterização dos escolares por gênero, Teresina -PI, 2012 Fonte: Dados da pesquisa Figura 2 - Caracterização dos escolares por idade, Teresina -PI, 2012 Fonte: Dados da pesquisa 38 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 Com relação ao estado nutricional no gênero feminino, pode-se observar no quadro 1 que a maior parte das escolares de oito, nove e dez anos está eutrófica 55,6%, 60% e 61%, respectivamente. Após a eutrofia, nas escolares de oito e dez anos a prevalência é de sobrepeso 22,2% e 19,5%, respectivamente. Quadro 1 - Estado nutricional dos escolares (gênero feminino) segundo IMC,Teresina/PI, 2012 Fonte: Dados da pesquisa No quadro 2, pode-se observar que a eutrofia também foi prevalente no gênero masculino 48,5%. Após a eutrofia, o sobrepeso foi maior nos escolares de oito anos 35%; já entre os meninos de nove e dez anos, a obesidade foi maior 31,42% e 28,6% respectivamente. Quadro 2 - Estado nutricional dos escolares (gênero masculino) segundo IMC,Teresina/PI, 2012 Fonte: Dados da pesquisa 39 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 Observando os escolares como um todo, percebe-se na figura 3, a prevalência da eutrofia 54%, porém 46% dos escolares apresenta inadequação nutricional. Figura 3 - Estado nutricional dos escolares segundo IMC, Teresina/PI, 2012 Fonte: Dados da pesquisa O alto índice de excesso de peso, encontrado neste estudo também foi encontrado nos escolares da São Paulo, Koga (2005) em sua pesquisa com escolares desta cidade encontrou um índice de 26,3% de excesso de peso e apenas 4,5% de baixo peso. A pesquisa de Farias, Guerra Júnior e Petroski (2008) também mostrou resultados semelhantes a esta pesquisa, 10% dos escolares da cidade de Porto Velho (RO) estava com excesso de peso e 4% com baixo peso. Apesar da maior parte da amostra ser de eutróficos, o fato do número de escolares com excesso de peso ser maior do que o de baixo peso mostra que os escolares da cidade de Teresina, assim como o Brasil e o mundo, estão passando pelo processo de transição nutricional. O estudo realizado por Nogueira e Pessoa (2010) também na cidade de Teresina, com escolares do ensino privado confirma este fato; dos 53 escolares do gênero masculino, 24 (45,2%) apresentavam excesso de peso, já no gênero feminino, das 63 avaliadas, este número foi de 26 (41,2%). Nos escolares de Teresina, o sobrepeso e a obesidade foram maior no gênero masculino, o que mostra que esta cidade está de acordo com o cenário 40 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 nacional do excesso de peso infantil. A Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) revelou que uma em cada três crianças tinha excesso de peso, atingindo 33,5% das crianças de cinco a nove anos (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2009). Do total de meninos 16,6% era obeso; entre as meninas, a obesidade apareceu em 11,8%. Com relação à força muscular respiratória, a tabela 1 mostra os valores das pressões respiratórias nos escolares de ambos os gêneros. Tabela 1-Força muscular respiratória dos escolares de oito a dez anos, Teresina/PI, 2012 Fonte: Dados da pesquisa Wilson et al. (1984), em seus estudos sobre valores preditos das pressões respiratórias em adultos e crianças concluíram que em crianças de ambos os gêneros a PI Máx está diretamente relacionada com o peso; na presente pesquisa apenas o gênero feminino se adequou a essa afirmação, pois nos escolares masculinos, os grupos com pesos mais baixos obtiveram maiores valores. Essa divergência pode ser justificada pelo tipo da amostra estudada. Na pesquisa de Wilson et al. (1984) a idade das crianças era de sete a 17 anos, além disso, o excesso de peso é uma epidemia relativamente recente, que na época que os autores acima citados realizaram a pesquisa não era tão significativo, logo, os mesmos não levaram em consideração os efeitos deletérios do excesso de peso sobre a musculatura respiratória. Além do mais, de acordo com Berg, Tymoczko e Styer (2008), na perda de peso a glicose circulante é a primeira a ser perdida, em seguida vem o tecido adiposo e só então as proteínas ou tecido muscular (sendo mais comum em crianças com desnutrição energético-protéica); desse modo, crianças em 41 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 risco nutricional podem ter pouca massa de gordura, mas possuírem massa e força muscular, principalmente o gênero masculino, que costumam praticar atividades físicas, fortalecendo ainda mais a musculatura. Comparando os valores obtidos por esta pesquisadora com os valores padrões das pressões respiratórias validadas por Wilson et al. (1984), pode-se observar na figura 4 que os valores da PI Máx encontrados nos escolares de Teresina estão mais elevados. Figura 4 - Comparação entre os valores da PIMáx encontradas e os valores preditos para crianças de oito a dez anos segundo a Equação Preditiva de Pressões Respiratórias Máximas, Teresina/PI, 2012 Fonte: Dados da pesquisa Wilson et al. (1984) analisaram as pressões respiratórias encontradas com relação à idade, estatura e peso dos participantes, obtendo, dessa forma as equações dos valores preditos das pressões respiratórias. Deve-se considerar que em 1984, o número de crianças com sobrepeso e obesidade era consideravelmente menor, assim o peso das crianças estudadas era relativamente mais baixo do que o das crianças atuais. Além disso, estes autores não utilizaram a pinça nasal para mensurar a PIMáx e a PEMáx, então pode ter havido vazamento de ar, levando a pressões respiratórias mais baixas. Esses fatores podem ter gerado fórmulas que levem a baixos valores preditos. Ainda de acordo com esse estudo, os autores seguiram afirmando que a PEMáx. das crianças está diretamente relacionada com a idade em ambos os 42 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 gêneros, deste modo, não houve grande diferença entre a pressão expiratória encontrada e a predita nas crianças de oito a dez anos (Figura 5). Figura 5 - Comparação entre os valores da PEMáx encontradas e os valores preditos para crianças de oito a dez anos segundo a Equação Preditiva de Pressões Respiratórias Máximas Fonte: Dados da pesquisa Quanto à correlação entre o estado nutricional e a força muscular respiratória, o Teste de Correlação de Pearson mostrou que há média correlação negativa nos seguintes grupos: entre a PIMáx do gênero masculino dos escolares de dez anos e o estado nutricional (r=-0,516), e entre a PIMáx do gênero feminino das escolares de nove anos e o EN (r=- 0,485). Houve ausência de correlação entre o EN e as pressões expiratórias. Em concordância com este estudo, Santiago (2009) afirmou, que em crianças e adolescentes os fatores de crescimento, os hormônios e o gênero podem ter maior influência sobre a força muscular respiratória do que os valores antropométricos. 4 CONCLUSÃO Conclui-se que apesar da prevalência da eutrofia, o fato do número de escolares com excesso de peso ser maior do que os com baixo peso mostra que a cidade de Teresina está passando pelo processo de transição nutricional. 43 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 Há uma média correlação negativa entre o EN PIMáx dos escolares de dez e nove anos dos gênero masculino e feminino, respectivamente. REFERENCIAS ACUNÃ, K.; CRUZ, T. Avaliação do Estado Nutricional de Adultos e Idosos e Situação Nutricional da População Brasileira. Arquivo Brasileiro de Endocrinologia e Metabolismo, Salvador, v. 48, n. 3, p. 345-361, Jun. 2004. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/abem/v48n3/a04v48n3.pdf>. Acesso em: 15 fev. 2012. 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O objetivo desta pesquisa foi avaliar o nível de controle de pressão arterial dos pacientes atendidos em um ambulatório de uma instituição de ensino superior privado, de acordo com os prontuários de pacientes atendidos em 2009, na cidade de Teresina. Dos 150 prontuários analisados, 91 eram de pacientes hipertensos e estavam de acordo com os critérios de inclusão e exclusão. Foi possivel pesquisar a epidemiologia dos pacientes atendidos neste ambulatório, o nível de controle pressórico, a prevalência de lesão em órgãos-alvo e desfechos cardiovasculares primários de pacientes com hipertensão arterial atendidos neste ambulatório. Os dados obtidos apontam que os pacientes hipertensos apresentam um nível de controle pressórico adequado para a média brasileira (45,1%), que as lesões em órgãoalvo mais encontradas foram Hipertrofia Ventricular Esquerda (HVE) e Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) e que sua frequência aumenta proporcionalmente com o tempo de diagnóstico de hipertensão no paciente. Palavras-chave: Pressão Arterial. Hipertensão. Cardiopatias. ____________________________ ¹ Estudante de Medicina da FACID, Teresina, PI - Brasil. e-mail: [email protected] 2 Médico. Especialista em Cardiologia. Professor de Cardiologia, Faculdade Integral Diferencial- FACID, Teresina, PI - Brasil. e-mail: [email protected] 47 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 ABSTRACT The Systemic Arterial Hypertension (SAH) has been revealed as one of the major problems in public health in our country, affecting approximately 1 billion people all over the world. Arterial Hypertension has no cure, and its treatment must be prolonged throughout the patient's life. Due to this fact, the hypertensive patient shows great difficulty in adhesion to the treatment, increasing the risk of trophic and vascular changes, especially in lesions of target-organs. Given this reality, has become theme of this study to evaluate the level of blood pressure control attended at Ambulatório Escola da Facid. The research was gathered using patient charts of those attended at Ambulatório Escola de Cardiologia da Facid in 2009, in the city of Teresina, Piauí. The data collection occured during the months of March and April 2010. From 150 charts collected, 91 were of hypertensive patients, all in accordance with the criteria of inclusion and exclusion. This work researched the epidemiology of patients attending this ambulatory, the level of pressure control, the prevalence of lesions of target-organs and primary cardiovascular outcomes of patients with arterial hypertension who were attended at this ambulatory. The data obtained shows that the hypertensive patients present a level of pressure control considered good in relation to the Brazilian average (45.1%), that the most common occuring lesions in target-organs were Left Ventricular Hypertrophy and Acute Myocardial Infarction, and that its frequency increases proportionally with the time of diagnosis of hypertension in the patient. Key Words: Blood Pressure. Hypertension. Heart Diseases. 1 INTRODUÇÃO A hipertensão arterial sistêmica (HAS) afeta cerca de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo. No Brasil a prevalência estimada de HAS varia de 20 a 30% na população adulta, aumentando proporcionalmente com a idade, podendo atingir cerca de 65% da população com idade acima de 60 anos existem no Brasil cerca de 17 milhões de portadores de hipertensão arterial, acometendo 35% da população de 40 anos ou mais. Este número tende a aumentar e seu aparecimento tornar-se cada vez mais precoce. Estima-se que cerca de 4% 48 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 das crianças e adolescentes também sejam portadoras. A carga de doenças cardiovasculares representada pela morbimortalidade devido HAS é muito alta, devido a isso, no Brasil trata-se de um problema de saúde pública (BRASIL,2006). As doenças cardiovasculares são a maior causa de óbito no Brasil, além de que, com freqüência, podem acarretar a invalidez parcial ou total do indivíduo, ocasionando grandes prejuízos para sua família e para a sociedade. Dessa forma, é essencial o controle da pressão arterial visando à prevenção primária e secundária dest as doenças (SOCIEDADE BRASILEIRA DE HIPERTENSÃO, 2006). A HAS é reconhecida como o mais importante fator de risco modificável reconhecido para as doenças cardiovasculares, como acidente vascular encefálico (AVE) e infarto agudo do miocárdio (IAM), contribuindo para a morbidade e mortalidade precoces relacionadas a doenças cardiovasculares. Estudos mostram que a elevação dos níveis pressão arterial (PA) aumentam o risco de doenças coronarianas, doença vascular cerebral, insuficiência renal crônica e insuficiência cardíaca congestiva (WONG et al., 2003). Assim, segundo Lessa (2001), revela-se como um dos mais importantes problemas de saúde pública de nosso país Estatísticas americanas revelam que dos pacientes que tem o conhecimento que possuem HAS, somente 50% aceitam e fazem o tratamento, e destes apenas 25% conseguem manter a pressão sob controle usando como limiar 140/90 mmHg (TIERNEY JR; MCPHEE; PAPADAKIS, 2006). No Brasil, no Hospital Universitário de Ribeirão Preto, um estudo revelou que, entre pacientes assíduos de uma unidade clínica de hipertensão, o controle da hipertensão arterial atingiu 30%. Já no Rio Grande do Sul constatou-se que, dos pacientes submetidos ao tratamento anti hipertensivo, apenas 10,4% se encontravam com níveis pressóricos adequadamente controlados (COELHO et al., 2005). Pelo fato de que o tratamento deve ser feito por toda a vida, que medicamentos têm custo elevado e podem produzir efeitos colaterais, muitos pacientes preferem encarar a hipertensão como "episódica e sintomática", prejudicando na aderência ao tratamento. Porém, os pacientes consideram sua qualidade de vida global melhor quando controladas suas pressões arteriais 49 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 com terapia medicamentosa em relação a quando estavam descontrolados com placebo (GOLDMAN, 2005). A partir deste contexto, surgiu o interesse em investigar o nível de controle pressórico, a prevalência de lesão em órgãos-alvo e desfechos cardiovasculares primários como IAM e AVE de pacientes com hipertensão arterial atendidos no ambulatório de uma instituição de ensino superior em 2010. Visava-se determinar a epidemiologia dos pacientes hipertensos, correlacionar duração, em anos, da HAS e prevalência de lesão de órgãos-alvo dos pacientes deste estudo, apontar quais doenças cardiovasculares são mais frequentes dentre os pacientes portadores de HAS e relacionar tempo de acompanhamento e controle de hipertensão arterial. 2 METODOLOGIA O estudo foi constituído num corte transversal sobre o controle pressórico e seus riscos, sendo realizado em um ambulatório escola de Teresina-PI, nos meses de março e abril de 2010. Nesse período 150 prontuários foram analisados, e destes 91 estavam de acordo com os critérios de inclusão e exclusão. Os critérios de inclusão para a pesquisa foram: paciente ter feito acompanhamento regular por pelo menos seis meses e possuir hipertensão arterial primária. Foram excluídos da pesquisa os pacientes que estavam participando de algum protocolo clínico e os portadores de hipertensão arterial secundária. Esta população foi calculada com base na equação do erro absoluto de uma população finita, com erro abaixo de 3% e um intervalo de confiança de 95%. Neste trabalho foram analisados parâmetros demográficos e clínicos. Os dois primeiros incluíram gênero, a idade em anos, o peso em quilogramas (kg) e a altura em metros (m). Derivado desses parâmetros foi calculado o Índice de Massa Corpórea (IMC) pela fórmula: Peso (kg)/quadrado da altura (m). A classificação de obesidade teve com base o índice de massa corpórea, seguindo os critérios da Organização Mundial de Saúde(2002): abaixo do peso normal (<18,5), normal (18,5-24,9), pré-obeso (25-29,9), obeso I (30-34,9), obeso II (35-39,9) e obeso III (? 40). Os parâmetros clínicos estudados incluíram os valores pressóricos sistólicos e diastólicos, sendo consideradas as médias de duas ou mais medidas, na posição sentada. 50 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 Os critérios diagnósticos, de estratificação e de controle da hipertensão arterial seguiram as recomendações do V Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial. As lesões em órgãos-alvo da hipertensão arterial foram avaliadas através de dados do exame clínico e exames complementares coletadas no prontuário médico. Foram consideradas lesões em órgãos-alvo: a hipertrofia ventricular esquerda, baseado no eletrocardiograma ou ecocardiograma, insuficiência renal, na creatinina > 1,4 mg/dl, acidente vascular encefálico e infarto agudo do miocárdio, por história de evento prévio. A duração de hipertensão arterial diagnosticada foi estratificada em três níveis, <1 ano, >1 a < 10 e >10 anos. Para análise dos dados utilizou-se a estatística descritiva e inferencial, que é explorar a relação entre nível de controle pressórico e prevalência de leão em órgão-alvo focalizado no problema. Foram utilizadas figuras (gráficos) e uma tabela para ilustrar e condensar os resultados de forma clara, organizada e objetiva. Esta pesquisa foi realizada após submissão e a aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa da FACID com número de protocolo 344/9. Foram observados os critérios éticos da pesquisa de acordo com a resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde (CNS). 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO Os dados obtidos evidenciaram que desses pacientes portadores de HAS , 45,1% estavam com suas pressões controladas. Este número aponta para eficácia do atendimento realizado nesse ambulatório escola no controle da Hipertensão Arterial. Este percentual de controle demonstra que o acompanhamento feito por profissionais especializados desta instituição aumentou significativamente a adesão ao tratamento, melhorando a qualidade de vida desta população específica. Portanto, pode-se atribuir este resultado a este local de atendimento onde estudantes seguem com mais rigor as recomendações da V Diretrizes brasileiras de Hipertensão Arterial. 51 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 Figura 1 A - Nível de controle de pressão arterial Fonte: Ambulatorio de Cardiologia da FACID, Teresina (PI), 2009 Independente da comparabilidade da metodologia dos estudos, em outro estudo realizado nos Estados Unidos, apenas 27 a 31% dos pacientes hipertensos que estão sob tratamento têm a sua pressão arterial controlada (HYMAR; PAVLIK, 2001). Entre pacientes assíduos de Hospital Universitário de Ribeirão Preto, em São Paulo, o controle da Hipertensão Arterial atingiu 30% e no Estado do Rio Grande do Sul constatou-se que apenas 10,4% dos indivíduos submetidos ao tratamento anti-hipertensivo encontravam-se com níveis pressóricos adequadamente controlados (COELHO et al., 2005). Segundo Goldman (2005) pelo fato de a hipertensão primária não ter cura, seu tratamento deve se prolongar por toda a vida, dificultando a manutenção do tratamento. 52 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 Figura 2 B - Classificação de peso, segundo OMS 3 9 ,56% N ão co nsta O besid ad e III 2 ,2% O besida de II 21 ,9 8% O besid a de I S ob re p eso 23 ,0 8% Pe so n orma l A ba ixo do pe so 0 1 2 ,08% 1 , 1% 5 10 15 20 25 30 35 Fonte: Ambulatório de Cardiologia da FACID, Teresina (PI), 2009 De acordo com a Figura 2 B, ao lado da Hipertensão, o perfil clínico dos pacientes mostrou média de IMC compatível com sobre peso e obesidade tipo 1 e que apenas 12,08% da amostra possui peso normal, confirmando achados na literatura, que relata também que o excesso de massa corporal pode ser responsável por 20 a 30% dos casos de hipertensão (I DIRETRIZ BRASILEIRA DE DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DA SÍNDROME METABÓLICA, 2004). Ademais, esse perfil clínico se associa ao alto risco de doença coronariana, demandando intervenção adicional ao controle da pressão arterial. O controle desses fatores de risco metabólicos diminui o risco global de doença coronariana, além de contribuir para melhor controle da pressão arterial. Conforme Araújo e Armênio(2007), nota-se que os achados impõem a melhoria e intervenção de uma equipe multiprofissional na vida destes pacientes, com a inserção de nutricionista e fisioterapeuta. 53 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 Figura 3 C - Lesões em órgão-alvo encontradas 61.5% HVE IR AVE IA M AVE +HV E HVE +IR Não A presenta 1.1% 3.3% 8.79% 2.2% 2.2% 20.9% De acordo com Riera (2000) a HAS é uma patologia que eventualmente se associa alterações tróficas miocárdicas e vasculares, com destaque nos órgãos-alvo (cérebro, rins e coração). Neste estudo, como observado na figura 3 C, 38,5% dos pacientes atendidos possuem lesão em órgão-alvo associadas. As lesões mais encontradas foram Hipertrofia ventricular esquerda (HVE), com 20.29%, seguida por Infarto Agudo do Miocárdio (IAM), com 8.79%. Apenas 2.2% apresentaram lesões de Insuficiência Renal(IR) e outros 2.2% Acidente Vascular Encefálico(AVE). Observou-se, ainda, que 3.3% desses pacientes apresentaram lesões associadas AVE mais HVE e 1.1% com HVE mais IR. A HVE é a repercussão cardíaca mais comum na hipertensão arterial sistólica. Estando presente em quase 50% dos pacientes hipertensos não tratados, segundo o ecocardiograma e em cerca de 5 a 10% ao eletrocardiograma (GOLDMAN, 2005). Os dados da Figura 3C revelam o que os estudos epidemiológicos indicam que níveis elevados de pressão arterial (PA) aumentam o risco de doença vascular cerebral, doenças coronarianas, insuficiência cardíaca congestiva e insuficiência renal crônica (WONG, THAKRAL, FRANKLIN, 2003). E é exatamente por este fato que se faz necessário desenvolver e aplicar estratégias populacionais, principalmente em países menos desenvolvidos, visando à prevenção dos múltiplos fatores de risco relacionados a desfechos primários 54 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 (FRANCISCHETTI; SANJULIANI, 2005; NEGRÃO; BARRETO, 2006; MILL, 2004). A adesão ao tratamento, como citou Cade (2001), é um fator importante que colabora com a redução da pressão arterial e minimiza as complicações em órgãos-alvo. 4 CONCLUSÃO O nível de controle pressórico dos pacientes atendidos foi considerado significante comparado a outros estudos, atingindo 45,8%. Tal índice demonstra a grande contribuição deste Ambulatório para a vida de seus pacientes, apresentando-se maior do que a média encontrada em outros estudos brasileiros e no exterior. Destarte, constata-se a relevância do tempo de acompanhamento para manutenção da pressão arterial, porquanto os pacientes que o fizeram por mais de um ano neste Ambulatório apresentaram pressão mais controlada do que os que fizeram tratamento por menos de um ano. Alguns dados foram de difícil acesso devido à falta de critério no preenchimento dos prontuários, como mostra o cálculo do IMC que não foi possível de ser realizado em 39,56% dos pacientes. Assim, este estudo revela a necessidade do desenvolvimento de fichas específicas para cada especialidade a fim de melhor orientar os estudantes na anamnese e exame físico, permitindo um acompanhamento mais detalhado destes pacientes e uma melhor avaliação desta população em outros estudos. Conclui-se que o diagnóstico, o tratamento e o controle adequados da Hipertensão Arterial Sistêmica são medidas imprescindíveis para reduzir o fardo das doenças cardiovasculares, resultando em melhores indicadores de saúde da população deste estudo. 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O objetivo desta pesquisa foi quantificar a prevalência das patologias da coluna lombar e a utilização de medicamentos no tratamento das mesmas em pacientes atendidos em clinicas de fisioterapia de Teresina-PI. Trata-se de um estudo transversal, retrospectivo, descritivo de caráter quantitativo, realizado em duas clínicas de fisioterapia de Teresina-PI. Para isso foram analisados 274 prontuários de pacientes com dor lombar do período de junho de 2009 a junho de 2011, sendo observados os seguintes parâmetros: diagnóstico clínico, farmacoterapia, gênero e idade. Os resultados revelaram predomínio diagnóstico das doenças degenerativas 56,3%, sendo 71,18% do gênero feminino, com predomínio masculino apenas no grupo com discopatias e 64,27% da faixa etária 30-60 anos, sendo que nos jovem predominaram os desvios posturais e no grupo de idosos as doenças degenerativas. Em relação aos medicamentos 68% dos pacientes faziam uso, sendo que 65,20% destes eram AINES. Concluiu-se então que dores lombares são ocasionadas principalmente por doenças _________________________ 1 Aluna de graduação (10º período) do curso de Fisioterapia da Faculdade Integral Diferencial-FACID. E-mail: [email protected] 2 Professora do curso de Fisioterapia da FACID, Especialista em Fisioterapia Aplicada à Ortopodia e Traumatologia. E-mail: [email protected] 3 Professor do curso de Fisioterapia da FACID, Doutor em farmacologia pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará. E-mail: [email protected] 58 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 degenerativas, com predisposição em mulheres de idade produtiva e/ou elevada e que a associação entre fisioterapia e tratamento medicamentoso, principalmente os AINES, é amplamente utilizada na pratica clinica. Palavras-chave: Dor lombar. Prevalência. Medicamentos. ABSTRACT The lumbar segment supports the largest unloading of weight of the backbone, it is more susceptible to injuries that leads to functional disability. The physical therapy and drug therapy are foundations for effective treatment. The objective of this research was to quantify the prevalence of lumbar´s column pathologies and the use of medicines in the treatment of these diseases in patients served in physical therapy clinics of Teresina-PI. This is a study retrospective, crosssectional, descriptive with quantitative character in two physical therapy clinics of Teresina-PI. Thereunto, 274 medical records of patients with lumbar pain in the period from June 2009 to June 2011 were examined, the following parameters were observed: clinical diagnosis, drug therapy, gender and age. The results revealed the predominance of diagnosis of degenerative diseases 56.3%, with 71.18% of the female gender, with male predominance in the only group with disc-related diseases and 64.27% with age 30-60 years, and postural deviations predominated in young and degenerative diseases in the elderly group. In medicines, 68% were using drugs, and that 65.20% of these were AINES. It was concluded then that the pain is caused mainly by degenerative diseases, with women of productive age predisposition in and/or high and that the association between physical therapy and drug treatment, especially the AINES agents, is widely used in clinical practice. Keywords: Lumbar pain. Prevalence. Drugs. 1 INTRODUÇÃO O ser humano adquiriu, devido a sua evolução anatômica e postural, a sobrecarga do esqueleto axial. A ortostase e o bipedismo comprometeram o corpo trazendo repercussões limitantes e imprevisíveis (SINÍZIO et al., 2003). As dores lombares constituem grande causa de morbidade e incapacidade, sendo que 50 a 80% das pessoas no mundo irão sofrer de dor lombar em 59 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 algum momento da vida (FUJII, 2008). A lombalgia é uma dor localizada entre a parte mais baixa do dorso, em nível de última costela, até a prega glútea; a lombociatalgia surge quando esta dor se irradia para as nádegas e/ou membros inferiores (BRAZIL et al., 2004). A lombalgia e a lombociatalgia são sintomas referidos em caso de alterações nas estruturas músculo-esqueléticas-ligamentares da coluna lombar, as chamadas patologias da coluna lombar (APPEL et al., 2002). Dentre as patologias mais comuns que geram os quadros dolorosos estão: artrose, problemas discais, alterações posturais, espondilolistese (escorregamento de um corpo vertebral sobre o outro), fraturas de corpos vertebrais (espondilólise) e doenças inflamatórias da região lombar (FUJI, 2008). No que diz respeito à prevalência, segundo Barbosa (2007), 90% das dores lombares são de origem mecânico-degenerativas e a ocorrência desses distúrbios varia de acordo com a idade, sendo patologias como as discopatias, mais comuns entre pacientes de 20 a 50 anos e processos degenerativos acometem mais pacientes idosos. Em relação ao gênero, as mulheres apresentam maior prevalência de lombalgia quando comparado aos homens, isso porque tarefas domésticas, geralmente realizadas por elas, geram sobrecargas repetidas na coluna (PONTE, 2005). Carvalho et al. (2005) afirmaram que na reeducação do paciente com afecções vertebrais, a fisioterapia e a terapia medicamentosa são os alicerces para o tratamento. O tratamento medicamentoso das dores lombares deve ser centrado no controle sintomático da dor para propiciar a recuperação funcional o mais rapidamente possível, sendo que, a farmacoterapia de primeira linha para a lombalgia consiste de anti-inflamatórios não esteróides, de analgésicos opióides e antidepressivos, sendo que, na prática clínica os antiinflamatórios não esteroides (AINES), são os medicamentos mais empregados (BRAZIL et al., 2004; GARCIA FILHO et al., 2006). Diante do exposto elaborou-se o seguinte problema: Qual a prevalência das patologias lombares e a utilização de medicamentos no tratamento das mesmas em pacientes atendidos em clínicas de fisioterapia de Teresina-PI? A pesquisa foi realizada pela necessidade de obter uma atualização de dados na cidade de Teresina-PI acerca das doenças da coluna lombar, bem como o perfil medicamentoso dos pacientes acometidos, visto que a população teresinense vem se modificando ao longo dos anos, tanto pelo envelhecimento, 60 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 como pela mudança nos hábitos de vida, o que reflete diretamente nos tipos de patologias que surgem. Baseado nesses novos levantamentos, profissionais de diversas áreas da saúde poderão direcionar intervenções, na prevenção e tratamento dessas doenças, buscando proporcionar ao paciente a melhoria de sua capacidade funcional. Este estudo, portanto, teve por objetivo geral quantificar a prevalência das patologias da coluna lombar e a utilização de medicamentos no tratamento das mesmas em pacientes atendidos em clínicas de fisioterapia de Teresina-PI, objetivando especificamente identificar as patologias da coluna lombar que acometem pacientes atendidos em clínicas de fisioterapia de Teresina-PI, identificar a prevalência de cada patologia nos diferentes gêneros e faixas etárias e verificar a prevalência dos principais grupos farmacológicos utilizados no tratamento destas doenças. 2 MATERIAIS E MÉTODOS O projeto foi elaborado e encaminhado ao Comitê de Ética e Pesquisa - CEP, baseado na Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. Foi solicitada autorização para a realização da pesquisa às Diretoras das instituições pesquisadas. Solicitou-se também a assinatura do termo fiel depositário aos responsáveis pela base de dados de cada clínica, a fim de possibilitar a análise dos prontuários. Esta pesquisa iniciou após aprovação pelo Comitê de Ética e Pesquisa acima mencionado, com protocolo nº 165/11. Trata-se de um estudo transversal, retrospectivo, descritivo de caráter quantitativo, realizado em duas clínicas de fisioterapia (A e B) localizadas em Teresina-PI. Sendo A, uma clínica escola pertencente a uma instituição privada de ensino superior localizada na zona leste e B uma clínica privada localizada no centro da cidade. A amostra foi do tipo aleatória simples composta de 274 prontuários, segundo os seguintes critérios de inclusão: pacientes atendidos nas clínicas objetos de estudo desta pesquisa no período de junho de 2009 a junho de 2011, prontuários cuja queixa principal fosse dor lombar, com patologias da coluna lombar evidenciadas no diagnóstico clínico. Foram excluídos prontuários de pacientes com dores lombares resultantes de patologias em órgãos abdominais e prontuários com ausência de diagnóstico clínico. A coleta de dados se deu por análise de prontuários, com base no 61 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 diagnóstico clínico e na farmacoterapia dos pacientes. Foram levantados os seguintes dados: os tipos de patologias da coluna lombar diagnosticadas, o número de casos de cada uma, a quantidade de pacientes que fazia ou não uso de medicação no tratamento destas patologias e os tipos de medicamentos utilizados. Foram levantados também dados referentes à idade e gênero dos pacientes. A análise estatística foi realizada através de análise descritiva simples e do programa Prisma 5.0. Calculou-se a média e o desvio padrão e fez-se uma comparação entre os gêneros masculino e feminino, através do teste T student, e entre os grupos etários de menos de 30, 30 a 60 e mais de 60 anos, utilizando o teste one way ANOVA (TURKEY múltipla comparações), sendo considerados estatisticamente significantes aqueles dados que obtiveram o valor de p<0,05. 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO O gráfico 1 mostra que dentre os pacientes atendidos nas clínicas de fisioterapia pesquisadas, 30,8% obtiveram diagnóstico de espondiloartrose, 25,5% foram diagnosticados com alguma discopatia lombar, 18,8% apresentaram lombalgia inespecífica, 13,3% tiveram como causa da dor algum desvio postural, 7% tiveram relato diagnóstico de lombociatalgia e 5% apresentaram outros diagnósticos. Gráfico 1: Prevalência das patologias lombares em pacientes atendidos em clínicas de fisioterapia de Teresina-PI, Teresina-PI, 2012 5% OUTROS 7% LOMBOCIATAL GIA 13,3 0% DE SVIOS POS TURAIS LOMBALGIA 18,80% DISCOPATIAS LOMBARES 25,50% E SPONDILOARTROSE 30 ,80% FONTE: DADOS DA PESQUISA 62 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 Os dados apresentados acima revelaram uma alta prevalência de patologias degenerativas da coluna lombar (espondiloartrose e discopatias degenerativas) em pacientes atendidos em clinicas de fisioterapia de TeresinaPI, confirmando o estudo de Barbosa (2007) que afirmou ser a maioria das dores lombares, 90%, de origem mecânico-degenerativa. Nesse mesmo sentido Appel et al. (2002) afirmaram que a artrose é a causa mais comum de dor lombar e Vialle (2010) relatou que a hérnia discal lombar é um dos diagnósticos mais comuns dentre as alterações degenerativas da coluna lombar. Os resultados obtidos divergem ainda de pesquisas da mesma natureza realizadas anteriormente. Nos estudos de Deus (2007) e Silva (2011), o diagnóstico lombalgia foi o mais prevalente. Isso pode ser atribuído ao fato de que em anos anteriores havia uma menor preocupação por parte dos profissionais de saúde em especificar a patologia geradora do quadro doloroso, banalizando assim o termo lombalgia como diagnóstico, sem especificar a causa. Tendo em vista que, nesta pesquisa houve uma menor prevalência dos diagnósticos inespecíficos (lombalgia e lombociatalgia), pode-se perceber que atualmente há uma maior preocupação por parte dos profissionais de saúde em estabelecer diagnósticos mais precisos, onde se evidencie não apenas o quadro doloroso, mas sim a patologia que o gerou. O gráfico 2 mostra que 8,06% dos pacientes com dor lombar tinham faixa etária <30 anos, 64,27% entre 30-60 anos e 27,67% pertenciam à faixa etária >60 anos. Gráfico 2: Frequências das patologias lombares de acordo com os grupos etários, Teresina - PI, 2012 FONTE: DADOS DA PESQUISA 63 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 Observando os resultados expostos, é notório que o grupo 30-60 anos, correspondente à faixa etária produtiva (classe trabalhadora) foi o mais afetado, o que confirma os relatos de Andrade, Araújo e Vilar (2005), que em sua revisão de literatura afirmou haver uma maior incidência de dores lombares em indivíduos de fase economicamente ativa. Esse resultado pode ser atribuído ao fato de que conforme relatou Baú (2005), o atual mercado de trabalho exige grande produtividade a um custo competitivo, o que impõe, muitas vezes, ritmos intensos e jornadas prolongadas, sendo que frequentemente o trabalho é realizado em posturas e ambientes ergonomicamente inadequados, predispondo os trabalhadores a lesões. Nesse mesmo sentido Ney Filho (2010) relatou que a dor nas costas tem sido responsável por uma elevada ocorrência de incapacidade para o trabalho. Porto (2004) afirmou ainda que a partir dos 30 anos o excesso de atividades, estresse e más posturas comuns neste período de vida, são os grandes responsáveis pelo surgimento das dores lombares. Os dados revelaram ainda ser a população idosa consideravelmente afetada pelas dores lombares o que corrobora com a pesquisa de Reis et al. (2008), onde houve uma prevalência de 33,6% de idosos com dores lombares, afirmando ainda que há evidências da relação entre a dor lombar e a idade, sendo que o risco de lombalgia aumenta com a idade, tendo elevada frequência entre indivíduos com mais de 65 anos. Analisando individualmente os grupos etários na Tabela 1, pode-se perceber que apesar de haver prevalência do grupo 30-60 em todas as patologias, na faixa etária mais jovem (<30) houve um predomínio dos desvios posturais e no grupo referente aos idosos (>60) prevaleceram às doenças degenerativas (espondiloartrose e discopatias). Foram encontradas diferenças significativas entre os seguintes grupos etários: <30 vs 30-60, p = 0,0001 e entre 30-60 vs >60, p = 0,0001. Não foi encontrada diferença significativa entre <30 vs > 60. Para ANOVA (Turkey comparações múltiplas). 64 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 Tabela 1 - Distribuição da prevalência das patologias lombares de acordo com os grupos etários, Teresina - PI, 2012 PATOLOGIAS Espondiloartrose Discopatias Lombalgia <30 a (8,06 ± 14,8) 0,9% 3,1% 11% 30 – 6 0 a (64 ,27±11,63) 58,5% 65,6% 73% >60 a (27,67 ± 9,40) 40,6% 31,3% 16% Desvios posturais Lombociatalgia Outros 33,4% --------- 45,1% 78,3% 65,1% 21,5% 21,7% 34,9% a = média e desvio padrão Segundo Cabral et al. (2009), dados epidemiológicos apontaram para alta prevalência de alterações posturais de coluna entre crianças e adolescentes. Isso pode se dever ao fato de que essa época da vida corresponde à faixa etária escolar. Pereira et al. (2005) afirmaram que, o excesso de peso e o transporte inadequado do material escolar, a ausência de atividade física específica, os mobiliários não adequados à necessidade do escolar e posturas incorretas adotadas durante as aulas são fatores predisponentes ou agravantes da escoliose. No que diz respeito à prevalência das patologias degenerativas no grupo dos idosos, os dados confirmam a afirmação de Reis et al. (2008) quando este relatou que o maior tempo de exposição a sobrecargas ao longo da vida junto ao envelhecimento tendem a desencadear processos degenerativos da coluna vertebral. O gráfico 3 mostra que 71,18% dos pacientes com dor lombar eram do gênero feminino e 28,8% do gênero masculino. 65 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 frequência das patologias por sexo Gráfico 3 - Frequências das patologias lombares de acordo com o gênero, Teresina - PI, 2012 p = 0 ,0 00 2 10 0 80 60 40 7 1 ,1 8 % 20 2 8 ,8 % 0 fe m in in o m a u sc li n o FONTE: DADOS DA PESQUISA Os dados obtidos concordam com o estudo de Matos et al. (2008), onde também houve maior prevalência 54,2% de dores lombares no gênero feminino. Esses resultados podem ser justificados pelo fato de que, segundo Ponte (2005), comparado aos homens, as mulheres apresentam uma prevalência mais elevada de lombalgia, isso porque as tarefas domésticas geralmente realizadas pelo gênero feminino, geram sobrecargas repetidas na coluna. Além disso, segundo Matos et al. (2008) o gênero feminino apresenta algumas características anatomo-funcionais, como por exemplo, menor estatura, menor massa óssea, menos massa muscular, articulações mais frágeis e menos adaptadas ao esforço físico, que podem colaborar para o surgimento das dores na coluna. Em relação a distribuição da prevalência das patologias lombares de acordo com o gênero, conforme mostra a tabela 2, as mulheres possuíam uma maior frequência das mesmas, média 71,18 ± 13,86, enquanto os homens apresentavam 28,82 ± 13,86. Ainda na Tabela 2, analisando individualmente os grupos, pode-se perceber predomínio do gênero masculino apenas no grupo de pacientes cm diagnóstico de discopatias degenerativas. 66 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 Tabela 2 - Distribuição da prevalência das patologias lombares de acordo com o gênero, Teresina- PI, 2012 PATOLOGIAS GÊNERO FEMININO MASCULINO ESPONDILOARTROSE 65,5% 34,5% DISCOPATIAS 48,4% 51,6% LOMBALGIA 76,1% 23,9% DESVIOS POSTURAIS 78,0% 22,0% LOMBOCIATALGIA 69,6% 30,4% OUTROS 89,5% 10,5% P = 0,0002 (Te ste T student) Esse resultado confirma o relato de Appel et al. (2002), de que a herniação discal, é uma situação relativamente frequente, com discreta predominância do gênero masculino. Pode-se justificar o resultado apresentado na tabela pelo fato de que, conforme afirmaram Pereira, Pinto e Sousa (2006), trabalhos pesados com movimentação de cargas são desenvolvidos principalmente por homens, logo, a exposição a forças compressivas intensas resultariam em uma maior tendência a deformações e rupturas do disco intervertebral. Em relação à utilização de medicamentos no tratamento das patologias lombares: 68% utilizavam medicamentos e 32% não utilizavam medicamentos. Os resultados mostraram que houve maior prevalência de pacientes que utilizavam medicação em associação com o tratamento fisioterapêutico. Esse fato pode ser explicado por ser a melhora dos pacientes mais efetiva quando há uma associação do tratamento fisioterápico com o medicamentoso conforme Carvalho et al. (2005), quando disseram que a fisioterapia e a terapia medicamentosa são os alicerces para o tratamento da dor na coluna. Em relação ao tratamento utilizado nos quadros de dor lombar, os resultados desta pesquisa corroboram o estudo de Martinez et al. (2008), o qual evidenciou em sua pesquisa que a modalidade mais utilizada é a medicamentosa, uma vez que 100% dos pacientes apresentavam prescrição para medicamentos. O Gráfico 4 revela que os medicamentos mais utilizados pelos pacientes 67 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 com dor lombar foram: Anti-inflamatórios não esteróides 65,2%, Antidepressivos 10,3%, Suplemento de cálcio 10,3%, corticoides 7,3% e opióides 6,9%. Gráfico 4 - Distribuição dos pacientes de acordo com os medicamentos em uso, Teresina- PI, 2012 FONTE: DADOS DA PESQUISA Em relação à prescrição das principais modalidades farmacêuticas, houve um predomínio absoluto dos antiinflamatórios não esteróides, resultados estes compatíveis com o estudo de Martinez et al (2008) onde houve predomínio de 87,5% dos AINES em relação às outras modalidades farmacêuticas encontradas. Os AINES foram os mais utilizados, pois conforme afirmaram Brazil et al (2004), esses medicamentos têm efeitos analgésicos e antiinflamatórios, sendo mais efetivos porque comumente as alterações anatômicas degenerativas da coluna lombar geram inflamação e dor. A menor prevalência de utilização dos corticóides pode ser explicada pelo fato de que esses medicamentos geram graves efeitos adversos, como aumento da pressão arterial e indução do diabetes, assim como os analgésicos opióides possuem como fatores limitantes do seu uso prolongado, a tolerância e a dependência física (WANNMACHER; FERREIRA, 2004). 68 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 Em relação ao uso de medicamentos, se constatou neste estudo maior utilização de medicamentos direcionados para o combate direto à dor (AINES, corticóides e opióides). Este resultado reforça os achados de Brazil et al (2004) de que o tratamento medicamentoso das dores lombares deve ser centrado no controle sintomático da dor para propiciar a recuperação funcional o mais rapidamente possível e que todas as classes de antiinflamatórios (AINEs e corticoesteróides) podem ser úteis no tratamento da lombalgia, uma vez que ambas foram encontradas nesta pesquisa. Segundo o estudo de Garcia Filho et al. (2006) o tratamento farmacológico de primeira linha para lombalgia consiste de anti-inflamatórios não esteroides (AINES), de analgésicos opióides e antidepressivos. Os resultados apresentados confirmam este estudo, pois todos os grupos farmacológicos mencionados acima foram encontrados nos dados obtidos. Observou-se ainda que os antidepressivos foram significativamente utilizados pelos pacientes com dores lombares, evidenciando que a dor lombar gera alterações psicocomportamentais, afetando negativamente a qualidade de vida desses pacientes. Teixeira (2007) relatou que os antidepressivos podem melhorar a analgesia, proporcionando relaxamento muscular e normalização do sono, do apetite e do humor. Apesar de não atuar no combate direto à dor, foi importante relatar a prevalência do uso de suplementação de cálcio, uma vez que a mesma foi significativa. Esse resultado pode levar a entender que a osteoporose é uma doença sistêmica que comumente acompanha pacientes com quadro de alterações patológicas da coluna, uma vez que a suplementação de cálcio é caracteristicamente usada por pacientes com osteoporose. Pandrini et al. (2002) afirmaram que a osteoporose vertebral está entre as cinco afecções frequentes da clínica diária que se acompanham de lombalgia crônica e Cecin (2002) que a suplementação de cálcio e vitamina D é recomendada como tratamento nos casos de dor lombar associada à osteoporose. 4 CONCLUSÃO Concluiu-se que em pacientes atendidos em clínicas de fisioterapia de Teresina-PI as dores lombares são ocasionadas principalmente por doenças degenerativas, com predisposição em mulheres de faixa etária produtiva (classe trabalhadora) e idade elevada, sendo que a associação entre fisioterapia e 69 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 tratamento medicamentoso, principalmente através da utilização de antiinflamatórios não esteróides, é amplamente utilizada na prática clínica. REFERÊNCIAS ANDRADE, S. C.; ARAÚJO, A. G. R.; VILAR, M. J. P. Escola de coluna: revisão histórica e sua aplicação na lombalgia crônica. Rev. Bras. 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A pesquisa foi realizada com 30 (trinta) pacientes com diagnóstico de dor lombar crônica, com faixa etária entre 18 a 80 anos, atendidos em uma clínica de fisioterapia da cidade de Teresina-PI. Os instrumentos utilizados na coleta de dados foram: Formulário estruturado, Questionário de Roland-Morris e Escala Visual Analógica de dor. As informações colhidas foram submetidas à análise estatística através dos softwares Origin 7.0, Microsof Office Excel e Teste de correlação de Pearson. Os resultados revelaram incapacidade funcional em 86,7% dos pacientes, com predominância do gênero feminino (66,7%), com faixa etária entre 41-60 anos (46,7%), com escolaridade baixa, ensino fundamental incompleto (60%), renda familiar de 1(um) salário mínimo (80%), donas de casa (43,3%), e durante as atividade laborativas realizam posturas dinâmicas (70,6%) e não realizam atividades físicas (76,7%). Ao correlacionar a intensidade da dor com a incapacidade funcional, o coeficiente de Pearson mostrou-se significativo (r=0,746*). Os resultados deste estudo apontam que a lombalgia crônica ocasionou limitações em diversas atividades funcionais e a incapacidade funcional ocorreu em número significativo da amostra estudada. Resta clara a necessidade de se realizar mais pesquisas, que resultem em um _____________________ 1 Acadêmica do curso de Fisioterapia da Faculdade Integral Diferencial - FACID. Email: [email protected] • Telefone: (86) 9998-1878 2 Professora especialista da disciplina Estágio Supervisionado em Fisioterapia Neurológica adulto Email: [email protected] • Telefone: (86) 9981-3645 74 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 aprofundamento destas discussões a fim de proporcionar melhor compreensão dos problemas identificados. Reforça-se o alerta de ações preventivas para redução da incapacidade funcional. Palavras-chave: Incapacidade. Lombalgia. Coluna lombar ABSTRACT Low back pain can be defined as any type of localized pain in the lower lumbar region, sacroiliac and lumbosacral spine. Represents one of the most common physical disturbance in society today, and is partly responsible for functional impairment. The aim of this study was to assess functional impairment in patients with chronic low back pain. This is a descriptive study with quantitative approach. The survey was conducted with 30 (thirty) patients with low back pain chronic, aged between 18 to 80 years old, attended a physiotherapy clinic in the city of Teresina-PI. The instruments used in data collection were structured form, the Roland-Morris Questionnaire and Visual Analog Scale of pain. The data collected were subjected to statistical analysis using the Origin 7.0 softoware Microsof Office Excel and Pearson correlation test. The results showed functional disability (86.7%) patients, predominantly female (66.7%), aged between 41-60 years old (46.7%), with low education, elementary education (60%), family income of 1 (a) minimum wage (80%), homemakers (43.3%) during the activity observed dynamic job-place (70.6%) and do not perform physical activity (76.7 %). By correlating the intensity of pain with functional disability, the Pearson's coefficient was significant (r = 0.746 *). The results of this study show that chronic back pain caused several limitations in functional activities and functional disability occurred in significant numbers from the study. There is a clear need for further research, reinforcing of preventive alert for the reduction of disability. Keywords: Disability. Low-back-pain (LBP). Lumbar spine. 1 INTRODUÇÃO A coluna vertebral corresponde a principal estrutura de sustentação do corpo humano, sendo composta por 33 vértebras sobrepostas no sentido longitudinal. O equilíbrio da sua arquitetura óssea torna-se uma tarefa difícil 75 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 devido as forças de tensão, compressão e torção, expondo sua estrutura morfofuncional a uma série de agravos, os quais contribuem para o acometimento da coluna lombar com manifestações álgicas e alterações funcionais e estruturais. Lombalgia pode ser definida como toda categoria de dor localizada nas regiões lombares inferiores, lombossacrais ou sacroilíacas da coluna vertebral. Pode ser classificada em aguda, subaguda ou crônica, de acordo com a duração do seu quadro álgico. A dor lombar crônica, objeto desse estudo, é caracterizada por quadro de dor que ultrapassa doze semanas, a contar do primeiro episódio de dor aguda e pela gradativa instalação da incapacidade, comprometendo a produtividade (CORDEIRO et al.,2010; TSUKIMOTO et al., 2006). A dor lombar promove limitações e sofrimentos aos pacientes e familiares em muitos aspectos da vida. Em decorrência da relevância da questão, o modelo de Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF), proposto pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2001, fornece uma estrutura para melhor entendimento dos termos funcionalidade e incapacidade, possibilitando, dessa forma, uma descrição mais completa e significativa de saúde. (OCARINO et al., 2009). No modelo da CIF, funcionalidade representa um componente de saúde, que engloba todas as funções do corpo, a capacidade do indivíduo de realizar atividades e tarefas cotidianas, bem como sua participação na sociedade. E o termo Incapacidade envolve déficit na função do corpo, dificuldade em realizar atividades diárias bem como desvantagem na interação do indivíduo com a sociedade devido à dor (SAMPAIO et al., 2005). Nessa linha de raciocínio, é comum verificar em pacientes com lombalgia, prejuízos como: dor, fraqueza, desequilíbrios musculares, dificuldades em realizar atividades da vida diária (AVD'S), dificuldade de deambulação, além de restrições em atividades profissionais e sociais. Diante disso, as condições incapacitantes, bem como o declínio da funcionalidade, são fatores primordiais na alteração da qualidade de vida de pacientes com dor lombar crônica. Este trabalho objetivou analisar o comprometimento funcional em pacientes com lombalgia crônica, com intuito de identificar as limitações que os mesmos possuem em desempenhar suas habilidades funcionais, contribuindo assim para um melhor entendimento do processo saúde-doença vivenciado pelos pacientes com lombalgia. Para tanto, realizou-se uma pesquisa com trinta pacientes com diagnóstico de lombalgia crônica, atendidos em uma clínica de fisioterapia da 76 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 cidade de Teresina-PI. Para obtenção dos resultados foram utilizados os seguintes instrumentos de avaliação: Formulário estruturado, Escala Visual Analógica de dor (EVA), Questionário de Roland-Morris As informações obtidas possuem relevância para a sociedade por ampliar a circulação de informação através do fornecimento de dados que irão reforçar a gravidade do problema, o que evidencia maior necessidade de investimentos em informação, prevenção e diagnósticos precoces, a fim de diminuir a incidências desse quadro álgico e possíveis incapacidades. 2 MATERIAIS E MÉTODOS Trata - se de uma pesquisa descritiva com abordagem quantitativa. Os sujeitos da pesquisa foram 30 pacientes com diagnóstico de lombalgia crônica atendidos em uma clínica de fisioterapia da cidade de Teresina-PI. A seleção da amostra ocorreu entre os meses de outubro a fevereiro de 2011. Foram incluídos pacientes com queixas de dor lombar crônica e idade entre 18 a 80 anos. Excluídos os pacientes com dor lombar em fase aguda, doença ou infecção aguda. Os pacientes foram informados sobre o caráter da pesquisa e objetivos, e mediante procedimentos foram incluídos no estudo. Os pacientes tiveram acesso ao Termo de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE) e posteriormente concordaram em assina-lo, participando dessa forma da pesquisa. A coleta de dados foi realizada através da aplicação de um formulário estruturado. Este instrumento foi aplicado no intuito de obter informações que pudessem melhor caracterizar a amostra estudada, contendo questões sóciodemográficas como: idade, gênero, escolaridade, renda, trabalho, além de outras questões referentes à ergonomia e prática de atividade física. Para analisar o comprometimento funcional da lombalgia foi utilizado o questionário de atividade funcional de Roland-Morris. O mesmo é composto de 24 questões selecionadas para cobrir uma amplitude de aspectos relacionados às atividades de vida diária, a dor e a função. Esse questionário tem como ponto de corte o escore "14", ou seja, os indivíduos avaliados com um escore maior que 14 apresentam incapacidade e quanto mais próximo à pontuação "24", maior a incapacidade; portanto maior o comprometimento funcional do indivíduo com dor lombar crônica. A versão em português traduzida, adaptada, possui sua validade e reprodutibilidade bem 77 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 estabelecidas na literatura (NUSBAUM et al., 2001). No protocolo de avaliação também foi utilizada Escala Visual Analógica de dor , utilizada e validada como um método de mensuração quantitativa da dor, sua escala varia de 0-10 pontos, onde zero é a ausência de dor e dez é a maior dor sentida pelo paciente (MAIA et al., 2008). Após coletados, os dados foram organizados, analisados e interpretados através das respostas obtidas dos instrumentos de avaliação supracitados. Os mesmos foram organizados e submetidos à análise estatística através dos programas de informática Origin 7.0 e Microsoft Office Excel 2007, apresentados em forma de gráficos e tabela: A correlação entre as variáveis estudadas foi realizada através do Teste de Comparação de Pearson. A pesquisa foi projetada de acordo com as Diretrizes e Normas Regulamentadoras de Pesquisa Envolvendo Seres Humanos (Resolução 196/ 1996 do Conselho Nacional de Saúde - CNS) e aprovada pelo CEP (Comitê de Ética em Pesquisa) da Faculdade Integral Diferencial - FACID e sob o número de protocolo 170/10 para iniciação e realização desta pesquisa. 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO A pesquisa foi realizada com base nas respostas obtidas pelos instrumentos de avaliação, aplicados em 30 pacientes com diagnóstico de dor lombar crônica, com idades entre 18 a 80 anos. Figura1 - Distribuição percentual dos pacientes quanto ao gênero, Teresina-PI, 2011 3 3 .3 % 66 .7% F e m in i n o M a s c u li n o 78 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 A figura 1 mostra o gênero predominante dos pesquisados, o que revelou que destes, 66,7% correspondiam ao gênero feminino e 33,3% correspondiam ao gênero masculino. Silva, Fassa e Vale (2004) indicaram que as mulheres estão expostas a riscos maiores que os homens, devido a particularidades anátomo-funcionais que, quando somadas, podem corroborar o surgimento de lombalgias, como: menor estatura, menor massa muscular, menor densidade óssea, fragilidade articular e menor adaptação ao esforço físico. F r e q u ê n c ia a b s o l u t a Figura 2 - Percentual dos pacientes de acordo com a faixa etária, Teresina-PI, 2011 4 6 .7 % 14 12 3 3 .3 % 10 8 6 20% 4 2 0 18-40 4 1 -6 0 61-80 F a ix a e t á r ia Na presente pesquisa a prevalência da lombalgia aumentou com a idade, o que coincide com dados de outros estudos (figura 2). Ponte (2005), em estudo realizado em cuidadores de saúde primários, constatou que os grupos etários com maior prevalência de lombalgia foram 4049 e 50-59 ano. Já Loney e Estratford (1999), em um estudo populacional, evidenciaram a prevalência de lombalgia crescente em indivíduos com faixa etária de 40 a 60 anos, mostrando a aproximação e concordância com nossos dados. Tosato et al. (2006), revelaram em seus estudos a prevalência da lombalgia com o aumento da idade. No qual, infere que o risco aumentado deve-se ao fato de que os processos degenerativos, de um modo geral, podem estar bem avançados, trazendo como conseqüências o desgaste das estruturas ósteo musculares e orgânicas. Para Silva, Fassa, Vale (2004), o estress mecânico durante as atividades diárias, concomitantemente, as alterações ósseas decorrentes do início do 79 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 processo de envelhecimento, tornam as patologias degenerativas o principal fator etiológico das lombalgias. Em relação ao grau de escolaridade, 60% indicaram possuir ensino fundamental incompleto, 20% ensino fundamental completo, 13,3% ensino médio e 6,67% ensino superior. No presente estudo, quanto menor o nível de escolaridade, maior foi a prevalência de lombalgia. Salvetti (2010), considera que baixos níveis de educação estão associados a maiores riscos para doenças crônicas como a lombalgia. Já Ribeiro (2010), reforçou que a escolaridade determina diferentes inserções no trabalho e que níveis de escolaridade menores implicam em trabalhos com maiores riscos ergonômicos para o desenvolvimento de várias doenças ósteomusculares tomando como referência a lombalgia. Figura 3 - Distribuição percentual dos pacientes de acordo com a renda, Teresina-PI, 2011 F r equ ênc i a A bs ol uta 25 80 % 20 15 10 16.7 % 5 3. 33% 0% 0 A té 1 S m A té 2 S m Até 3 S m A té 4 S m Re nda A renda familiar média dos participantes da pesquisa era de um salário mínimo, portanto, viviam situação financeira desfavorável (figura 3). Arcanjo, Valdés e Silva (2008), acreditam que esta condição de vida facilita a existência de ambientes inadequados, estilos de vida insatisfatórios, alimentação incorreta e dificuldade de acesso na assistência a saúde, e, assim podem ser considerados elementos significativos no agravo da dor. Em contradição, pessoas com melhores condições financeiras geralmente possuem melhor acesso à prevenção, tratamento, bem como reabilitação. Quanto a situação de trabalho, 16,7% dos pacientes eram aposentados, 80 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 6,67% desempregados, 20% afastados, 13,3% estavam trabalhando com remuneração e 43,3% estavam trabalhando sem remuneração (donas de casa). Em nosso estudo a situação de trabalho prevalecente foi de donas de casa, este talvez, tenha sido um dos fatores que interferiram no nosso baixo índice de afastamento do trabalho devido à dor lombar. Em relação aos dados ocupacionais, os resultados deste estudo se assemelham com os de Tsukimoto et al. (2006), em que a categoria com maior participação percentual foi a de mulheres com atividades de donas de casa. Caraviello et al. (2005), em seu trabalho objetivando avaliar a dor e a incapacidades em 30 pacientes tratados em programa de escola de coluna, observaram a predominância de donas de casa, o que evidenciou também, baixo índice de afastamento do trabalho. Choratto e Estabille (2003), revelaram que se as tarefas diárias, pertinentes aos serviços domésticos, fossem analisadas considerando o fato de que muitos dos utensílios, equipamentos e móveis disponíveis para realização das atividades domésticas, na maioria das vezes, não estão ergonomicamente adequados ao tipo de serviço e ao indivíduo que realiza, fica fácil entender a alta incidência de lombalgia em donas de casa no presente trabalho. Em relação à postura durante as atividades laborativas, 11,8% dos pacientes relataram ficar em pé, 17,6% relataram ficar sentados, 70,6% indicaram realizar posturas dinâmicas. As realizações de movimentos repetitivos de sobrecarga para a coluna vertebral foram as posturas predominantes. Esses achados confiaram que vem sendo descrito na literatura. Para Barreiras (1989), são as situações impostas à coluna vertebral que constituem as causas mais freqüentes de lombalgia e dentre elas estão: esforço em flexão, esforço excessivo e esforço inadequado. A autora relaciona também situações de trabalho conhecidas como fatores de risco promotores de problemas osteomusculares para a coluna vertebral, como a manutenção de uma postura por períodos prolongados de tempo e a solicitação extraordinária imposta à coluna. 81 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 Figura 4 - Distribuição percentual dos pacientes conforme a prática de atividade física, Teresina-PI, 2011 2 3 .3 % 7 6 .7 % N ã o f a z a t iv id a d e fís i c a F a z a t i v i d a d e f í s ic a Em relação à prática de atividade física, a figura 4 mostra que 76,7 dos pacientes não praticaram nenhum tipo de atividade física. Apesar de numerosas causas e fatores de risco que estão relacionados com a lombalgia, vários pesquisadores a caracterizam como uma doença de pessoas com vida sedentária; a inatividade física estaria relacionada direta ou indiretamente com dores na coluna sendo assim, a dor lombar é considerada um subproduto da combinação da aptidão músculo-esquelética deficiente e uma ocupação que force essa região (HELFESTEIN; GOLDEINFUN; SIENA, 2010). Figura 5 - Distribuição percentual dos pacientes conforme escore do Questionário de Roland-Morris, Teresina-PI, 2011 8 6 .7 % 13 .3% I n c a p a c i ta d o s F u n c i o n a l m e n t e N ã o I n c a p a c it a d o s De acordo com a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) proposta pela OMS em 2001, incapacidade representa dificuldade ou a impossibilidade de realização de tarefas e atividades em função da dor. Essas tarefas ou atividades incluem o auto-cuidado, tarefas domésticas e de lazer, que podem estar prejudicadas ou mesmo inviabilizadas 82 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 pela dor (FARIAS, BUCHALA, 2005). Em consonância com o nosso estudo, essa definição reforça a gravidade da dor lombar, considerando a grande quantidade de limitações funcionais ocasionadas por ela, revelando que 86,7% dos participantes apresentaram incapacidade funcional (figura 5). Porém, a elevada freqüência de pacientes com incapacidade funcional encontrada no presente estudo, pode ser explicada pelo fato desta pesquisa ter sido realizada em uma clínica de reabilitação, onde a amostra incluía exclusivamente pacientes com diagnóstico de dor lombar crônica, síndrome reconhecidamente incapacitante. Tabela 1 - Correlação dos valores dos escores de Roland Morris e EVA dos pacientes com lombalgia crônica incluídos na pesquisa, Teresina - PI, 2011 Escore Roland Morris Escore EVA N Mínimo 30 8 30 2 Mediana 16 6 Máximo Média 23 16,03 10 6,50 Desvio Padrão 3,837 2,330 Erro Pearson ( r ) 0,7005 0,4255 0,746* Os dados da Tabela 1 evidenciam que houve significativa correlação entre a intensidade da dor (EVA) e incapacidade funcional (Roland Morris), através do coeficiente de Pearson, que foi bastante significativo (r = 0, 746), mostrando que quanto maior foi o comprometimento funcional, mais intensa foi a dor. Diversas pesquisas têm investigado a relação entre dor e incapacidade. Maia et al. (2008), objetivando avaliar a incapacidade funcional associada à lombalgia em cuidadores primários de criança com paralisia cerebral grave, de maneira semelhante ao nosso trabalho, encontraram forte correlação entre incapacidade e intensidade da dor, sugerindo que níveis mais altos de dor podem 83 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 ser um fator importante na manutenção da incapacidade. Tabela 2 - Avaliação do Comprometimento Funcional dos pacientes com lombalgia crônica, através das afirmativas de maior escore do questionário de Roland-Morris, Teresina-PI, 2011 AFIRMATIVAS ASSINALADAS ALTERAÇÃO DA ESTRUTURA E FUNÇÃO DO CORPO As costas doem quase que o tempo todo Fica irritado e mal humorado com as pesso as devido dor nas costas Qualidade do sono alterada pela dor nas costas RESTRINÇÕES PARA ATIVIDADES DE AUTO CUIDADO Se veste mais devagar que o habitual devido dor nas costas Dificuldade para calçar as meias devido dor nas costas RESTRINÇÕES PARA ATIVIDADES DE MOBILIDADE Dificuldade para se levantar de u ma cadeira devido dor nas costas Não está fazend o nenhu m dos trabalhos que geralmente faz em casa por causa da dor nas costas Somente fica em pé po r p eríodos curtos de tempo por causa da do r nas costas Caminha apenas curtas distâncias devido dor nas costas Anda mais devagar que o habitual devid o dor nas costas ESTRATÉGIAS PARA LIDAR COM A INCAPACIDADE Solicita ajuda de terceiros para realização de atividades por causa da dor nas costas Evita abaixar ou ajoelhar devid o dor nas costas Muda d e posição co m freq üência a fim de deixas as costas co nfortáveis Usa corrimão para subir escad as po r causa da dor nas costas Evita trabalho s pesados em casa devido dor nas costas Busca descanso com mais freqüência por causa da dor nas costas RESTRINÇÃO NA P ARTICIPAÇÃO Fica em casa a maior parte do tempo devido dor nas costas n Sim % n Não % 20 26 25 66,7% 86,7% 83,3% 10 04 05 33,3% 13,3% 16,7% 21 22 70% 73,3% 09 08 30% 26,7% 23 17 76,7% 56,6% 07 13 23,3% 43,3% 23 76,7% 07 23,3% 25 24 83,3% 80% 05 06 16,7% 20% 22 73,3% 08 26,7% 25 24 83,3% 80% 05 06 16,7% 20% 22 25 18 73,3% 83,3% 60% 08 05 12 26,7% 16,7% 40% 19 63,3% 11 36,7% No intuito de avaliar o comprometimento funcional causado pela lombalgia, utilizou-se o questionário de Roland-Morris, tomando como referência em nosso estudo, os domínios da funcionalidade proposto pela CIF (tabela 2). A CIF, proposta pela OMS em 2001, fornece uma estrutura para o melhor entendimento e classificação da funcionalidade e da incapacidade, possibilitando, dessa forma, uma descrição mais completa e significativa da saúde das pessoas. Além disso, a CIF possibilita a utilização de uma linguagem universal, que facilita a comunicação interprofissional sobre questões relacionadas à saúde (BATISTELA, 2009). 84 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 Farias e Buchala (2005), ao descrever a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde da OMS, em seus Conceitos, Usos e Perspectivas, apontaram que funcionalidade é definida pela CIF em três grandes domínios de saúde, denominados: estrutura e função do corpo, atividade e participação. O domínio de estrutura e da função do corpo se caracteriza pela boa função fisiológica e/ou psicológica dos sistemas corporais bem como suas partes anatômicas. O domínio da função relacionado à atividade, descreve a habilidade de um indivíduo em executar uma tarefa ou ação de sua rotina diária. O domínio participação, a CIF o define como a interação do indivíduo no meio sociocultural. Nessa linha de raciocínio, a Tabela 2 revela que pacientes com lombalgia, apresentam prejuízos como: dor, alteração na qualidade do sono, alteração do humor, dificuldades em realizar atividades da vida diária (AVD'S), que envolvem auto cuidado a atividades de mobilidade, dificuldade de deambulação, além de restrições em atividades sociais, comprometendo funcionalidade e consequentimente causando incapacidade. Sampaio et al. (2005) e Tsukimoto et al. (2006), consideraram que a lombalgia crônica está associada não somente a sintomas como dor e fraquezas musculares, mas principalmente à limitações de movimento e impacto na realização de tarefas cotidianas, pois mostra que os indivíduos além da dificuldade em executar as atividades funcionais, deixam de realizá-las em função da dor. Reforça-se dessa maneira, as limitações encontradas nesta pesquisa. As conseqüências advindas da lombalgia são diversas. Talvez a conseqüência mais importante a ser lembrada seja as incapacidades funcionais que afetam o cotidiano do indivíduo, comprometendo atividades diárias, trabalho, lazer, bem como as inter-relações pessoais e sociais (RIBEIRO, 2010). 4 CONCLUSÃO Este estudo mostra o comprometimento funcional em pacientes com lombalgia crônica atendidos em uma clínica de fisioterapia da cidade de TeresinaPI, aplicando-se o Questionário de Rolland-Morris. Conclui-se com esta pesquisa, que a lombalgia crônica ocasionou limitações em diversas atividades funcionais levando à incapacidade, representada por um número significativo da amostra estudada, 86,7%. O estudo revelou também que a intensidade da dor mostrou maior força de correlação com incapacidade, ou seja, com níveis mais altos de dor, houve maior impacto 85 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 funcional. Pelos resultados do presente estudo, também pode-se concluir que as variáveis sócio-demográficas mostraram nítida associação com a prevalência da lombalgia, ao considerar que a maioria dos participantes pertence ao gênero feminino, donas de casa, com faixa etária entre 41-60 anos, sedentárias, renda mensal de um salário mínimo, escolaridade baixa e que durante as atividades laborativas realizam movimentos repetitivos com posturas dinâmicas ou posturas inadequadas de sobrecarga para a coluna vertebral, que podem desencadear a lombalgia. Ademais, com a elaboração deste trabalho não se buscou dirimir todas as dúvidas a respeito do tema, haja vista sua profundidade. Resta clara a necessidade de se realizar mais pesquisas, que resultem em um aprofundamento destas discussões a fim de proporcionar melhor compreensão dos problemas identificados. Reforça-se o alerta de ações preventivas para redução da incapacidade funcional. REFERÊNCIAS BARREIRA, T. H. C. Um enfoque ergonômico para as posturas de trabalho. Rev Brasileira de Saúde Ocupacional, v. 17, n. 67, p. 61-71, 1989. Disponível em:<http://www.fundacent ro.gov.br/rbso/ rbso_edicoes.asp?SD=RBSO&M=98/0>Acesso em: 15 abril. 2011. BATISTELA et at., 2009. CORDEIRO et at., 2010. CORDEIRO, Q., et al. Lombalgia e cefaléia como aspectos importantes da dor crônica na atenção primária à saúde em uma comunidade da região amazônica brasileira. Acta Fisiátrica, São Paulo, v.15, n.2, p.101-105, 2008. 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O processo de produção dos trabalhos acadêmicos é perpassado por desafios tais como: maturidade do acadêmico, leitura, disciplina e noções de ética. Conclui-se que as instituições de ensino superior se deparam com um grande desafio que é fazer aflorar as competências e despertar o espírito ético dos estudantes. Palavras-chave: Trabalho acadêmico. Ética. Desafios. Competências. ABSTRACT This article has as objective express some deriving reflections of decurrently the academic and ethical situations of the orientation process and elaboration of the lived deeply academic works in the practical professor, in public and private institutions university education. It was based in the advised of elaboration of the academic works of ethics and methodology manuals, primordially in the lived deeply academic experiences in them you discipline methodology of the scientific work, bioethics and philosophy, in last the ten years, to mention some ______________________________ 1 Graduada em Filosofia pela Universidade Federal do Piauí, Mestre em Bioética pela Universidade de Brasília, Professora da Faculdade Integral Diferencial. 90 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 impediments in the process of elaboration of the works. The process of production of the academic works to consists of challenges such as: maturity of the academic, reading, disciplines and ethics slight knowledge. One concludes that the institutions of superior education if come across with a great challenge that is to make to arise the abilities and to awake the ethical spirit of the students. Key-words: Academic work. Ethics. Challenges. Abilities. 1 INTRODUÇÃO O trabalho acadêmico é uma ferramenta importante no processo de produção do conhecimento e maturidade intelectual, todavia atualmente se configura como um grande desafio para as Instituições de Ensino e para os professores, pois implica a presença de competências que nem sempre o acadêmico possui. Assim sendo, os trabalhos acadêmicos devem ser a expressão mais clara da capacidade de leitura, reflexão e utilização do raciocínio lógico, bem como da capacidade de disciplina, organização e gestão do conhecimento. O processo de produção dos trabalhos acadêmicos também demanda uma virtude considerada essencial ao ser humano, a atitude ética. Para o estudante de nível médio, atualmente o ingresso no curso superior implica, infelizmente ainda, na "adaptação" à pedagogia bancária e, como conseqüência de tal processo, o estudante não cultiva o hábito de ler, tampouco escrever. O ranço do bancarismo ainda está presente no excesso de avaliações com questões objetivas, que não permitem um contato maior com a leitura reflexiva e pouco se busca estimular a produção de trabalhos que exijam leituras mais aprofundadas. Além do bancarismo, registra-se o baixo nível de cobrança nas etapas anteriores, sobretudo no que diz respeito à leitura e ao processo de produção dos trabalhos. No curso superior, muitas instituições sequer cultivam a prática mais rígida de cobrança na qualidade dos trabalhos apresentados no final das disciplinas e dos cursos. Nem mesmo estimulam a prática constante de leitura. Este contexto gera problemas mais graves, tais como: o plágio e compra de trabalhos acadêmicos, inclusive pela internet. Considerando-se as variáveis relatadas, pode-se observar que um outro desafio se configura, a ética. Será que ao longo do processo de formação existe a preocupação em fomentar as posturas éticas no processo de elaboração dos trabalhos dos estudantes? Ética na acepção aqui mencionada refere-se à 91 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 capacidade que o indivíduo tem de avaliar suas ações, é o móvel das ações no sentido de dirigir e disciplinar. Dessa forma, apoiando-se na vertente das competências acadêmicas e na da ética como princípio da ação, bem como nas vivências acadêmicas como professora de Metodologia do Trabalho Científico, Bioética e Filosofia em instituições públicas e privadas, nos últimos dez anos, objetivou-se expressar algumas reflexões oriundas das situações acadêmicas e éticas decorrentes do processo de orientação e elaboração dos trabalhos acadêmicos. 2 OS DESAFIOS DA PRÁTICA DOCENTE Os desafios pelo quais passam os professores do ensino superior situamse em três categorias: a disciplina e a organização, a leitura e a pesquisa e, a produção de conhecimento e a ética. A disciplina e a organização são elementos essenciais para o êxito acadêmico, pois delas dependerão os resultados do processo ensino aprendizagem, bem como a qualidade dos trabalhos. Com efeito, traçar e cumprir horário de estudo, priorizar tempo e fazer uma rigorosa seleção das prioridades de assimilação do conteúdo se constituem na condição sinequa nos para o êxito acadêmico. Para Teixeira (2005), assim como o pesquisador, o aluno deve possuir competências transversais. As competências transversais são as atitudes e hábitos que levam o aluno para o além de aprender para ter sucesso na escola. Isto quer dizer que, não se deve estudar apenas para passar de ano. Não se deve buscar apenas desenvolver a competência técnica, que muitas vezes, inclusive, é negligenciada, pois muitos alunos limitam-se a decorar o conteúdo para fazer as avaliações. De acordo ainda com a referida autora o desafio constitui-se num conjunto de rotinas, nas quais se pode destacar: saber enfrentar o momento da avaliação formal; elaborar trabalhos, executar exercícios individuais; fazer pesquisa; participar das aulas e discussões coletivas. Ao ingressar no curso superior o aluno deve despertar para as mudanças e que elas demandarão tempo para estudar, preparação para as aulas, revisão das aulas, pesquisa e estudo em grupo (RUIZ, 2002; SEVERINO, 2002, 2007). É fato que muitos alunos não demonstram maturidade para lidarem com as peculiaridades do ensino superior e, conforme Bastos e Keller (1998), tais dificuldades podem ser nomeadas como: imaturidade cultural, que relaciona-se 92 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 à falta de leitura; imaturidade psicológica - falta de definição de objetivos e aspirações com relação ao curso escolhido e; imaturidade lógica - dificuldade em dar uma sequência lógica ao raciocínio formalizado na escrita. 2.1 Os Desafios de Minha Experiência Docente Com relação a experiência docente por mim vivenciada nas disciplinas Metodologia do Trabalho Científico, Bioética e Filosofia, foi possível estabelecer a identificação dos seguintes pontos da literatura mencionada: a) a falta de disciplina e organização nos estudos; b) a pouca leitura; c) a imaturidade e; d) a pouca utilização do raciocínio lógico para formalizar o que se pensou com o que se pesquisou. Com relação à falta de disciplina e organização, percebi que as turmas têm formação heterogênea nos aspectos idade e tempo disponível para o estudo. Isto quer dizer que, se o aluno é bastante jovem, falta lhe a maturidade para gerir o tempo dedicado ao estudo e, consequentemente, organizar-se melhor; muitos deles entram num estado de "deslumbramento", pois "conquistaram" o status de estudante de curso superior. Muitos não se preparam para as aulas e só estudam na véspera das atividades avaliativas, inclusive deixam de assistir as aulas que antecedem as provas para estudar. Aqueles com idade acima da média ou que estão na segunda graduação já trabalham e dependem dele para manter o curso, por isso precisam conciliar seu tempo de trabalho com o estudo. Na categoria daqueles com idade acima da média, existem os que passaram muito tempo longe dos bancos da escola e, que por questões de realização pessoal ou para melhorar profissionalmente, resolvem voltar a frequentar o ambiente acadêmico. Estes apresentam grandes dificuldades na organização da vida de estudo, leitura, pesquisa e produção textual. Isto repercute no coeficiente de aprendizado e na qualidade dos trabalhos. No quesito leitura considerei em primeiro lugar que a maioria dos acadêmicos espera respostas prontas e assuntos dissecados pelos professores, uma vez que no nível de ensino anterior tudo era visto de forma bastante racionalizada e o professor tinha sempre todas as respostas prontas para o aluno. Em segundo lugar, que aqueles que por terem passado muito tempo fora do ambiente acadêmico não cultivaram o hábito da leitura. Logo, se deve deixar bem claro para o acadêmico recém ingresso na academia que o papel do professor de agora em diante será de orientador, e que os temas constantes na apostila, textos adotados, livros e demais elementos sugeridos, são apenas 93 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 norteadores para o aprofundamento no assunto. Com efeito, a leitura deve ser uma exigência constante nas disciplinas que compõem a matriz curricular de cada curso e demanda que todo o corpo docente cobre a leitura como prática essencial para produzir trabalhos, assimilar conteúdo, produzir conhecimento e de se posicionar no mundo de forma crítica e criativa. Ainda considerando o quesito leitura é valido registrar que muitos alunos não cultivaram o hábito de ler e pesquisar para elaborar seus trabalhos, bem como estabelecer correlações do que foi lido, com o conteúdo estudado e ideias a serem demonstradas. Muitos recorrem à técnica do "copia e cola" e, geralmente, sequer sabem aplicar as regras de citações. Outros chegam ao extremo de pagar para que outras pessoas façam seus trabalhos. Existem ainda aqueles que não conseguem se concentrar na leitura porque acham que devem obter um entendimento imediato e limitam-se a estudar pelos slides das aulas. A imaturidade por sua vez, relaciona-se à idade, mas principalmente a ausência do hábito de leitura, na opinião de que já ter um diploma de curso superior é suficiente para ser dispensado do processo básico de formação superior de um novo curso. Muitos equivocadamente pensam que devem limitarse a estudar apenas pelos fragmentos de textos indicados pelos professores, ou só pelo livro adotado. Outros acham que é suficiente o que se ouviu nas aulas e há ainda aqueles que julgam que fazer trabalho é simplesmente copiar trechos dos livros, sem observar as rigorosas exigências dos trabalhos acadêmicos, especialmente, não aplicam as regras de citações. Para completar, há aqueles que julgam que a formação acadêmica exige apenas dedicação para o desenvolvimento das habilidades técnicas, esquecendose da pesquisa e da capacidade de contribuir para uma sociedade melhor. Ou seja, freqüentam o curso superior apenas porque o objetivo é obter um diploma e se esquecem de cobrar um compromisso maior com o processo de formação empreendido pela instituição na qual estudam e também se auto cobram. No quesito a pouca utilização do raciocínio lógico para formalizar o que se pensou com o que se pesquisou, relacionei à habilidade de escrita ou redação. É necessário relembrar a importância do ato de ler como forma de se situar no contexto, à medida que se produz o conhecimento da realidade e ao mesmo tempo à capacidade de transformá-la, desconstruindo-a e reconstruindo. Inicialmente, parece ser pretensiosa tal observação, mas ao longo do processo percebi que é a única via, caso não queira transformar o aluno num mero reprodutor de uma "ilustração verbalística". Aqui deixo claro que a produção de trabalhos acadêmicos, ou seja, a produção de conhecimentos, deve ter como 94 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 premissa essencial a relação teórico-prática e prático-teórica "temperada" pelo constante ato de pesquisar. Isto demandará do aluno o esforço, a disciplina, a responsabilidade e o comprometimento ético. Com relação ao compromisso ético, procurei destacar a responsabilidade em assumir as obrigações inerentes ao aluno de curso superior, obedecer ao rigor disciplinar e de organização, o compromisso moral em não se apropriar indevidamente daquele conhecimento que não produziu e ao uso correto de regras de elaboração e redação dos trabalhos. 3 QUESTÕES ÉTICAS E O TRABALHO ACADÊMICO A ética pode ser observada sob a ótica de duas acepções, a primeira refere-se o fim para o qual a conduta dos homens deve ser orientada, a segunda é o princípio norteador da ação humana (BARRETO, 2010). Tais acepções, segundo Abbagnano (2001), estão presentes desde a antiguidade e permanecem até os dias de hoje; a primeira refere-se ao ideal natural do homem e, a segunda fala dos motivos e das causas da conduta humana. Aparentemente, ambas as concepções apresentam noções idênticas de bem. Tais acepções de bem foram definidas por Platão e Aristóteles em que, para o primeiro está relacionada às virtudes como funções da alma e, para o segundo, determina que o propósito da ação humana é a felicidade buscada através das ações desenvolvidas de forma virtuosa. Entretanto, na contemporaneidade a noção de valor substituiu a noção de bem, pois o valor pode ser apreendido ou entendido independente da apetição (ABBAGNANO, 2001; ARISTÓTELES, 2004; PLATÃO, 2003). Transcendendo tais acepções, será que o princípio da ação humana é o bem no sentido de virtude, ou ele se transformou em mero interesse cujo "valor" relaciona-se ao suprir a necessidade vinculada ao interesse imediato e inconseqüente? Para Marski Filho (2005), físico que trabalha como analista de sistemas, amante da filosofia e epistemologia da ciência, existe a sensação de que as escolas de nível básico tem preparado pessimamente seus alunos e as instituições de ensino superior não têm levado tão a sério a formação deles. Ambos os níveis de ensino têm preparado exímios compiladores e não bons estudantes. A prática de copiar ou comprar trabalhos prontos não é nova e com a utilização das tecnologias tem se agravado. Isto é, a elaboração de trabalhos no ensino básico e no ensino superior tem se mostrado cada vez mais nociva. Acrescentase a essa problemática a conivência dos educadores, pois é mais fácil avaliar 95 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 por meio de "trabalhos"; ficam "felizes" os pais e os alunos. Salvo algumas exceções, muitos alunos sequer sabem o conteúdo dos trabalhos que acabaram de fazer e muitos professores não conferem as fontes consultadas ou se houve plágio. O autor finaliza expressando questionamentos tais como: que tipo de adulto profissional a escola e a academia preparam com esse tipo de estímulo? Formam-se pensadores ou hábeis plagiadores? Em estudo exploratório sobre o tema a compra de trabalhos na internet, Oliveira, Garcia e Juliari (2010) realizaram uma pesquisa com 585 professores os quais relataram em sua maioria, já ter se deparado com trabalhos que não foram elaborados por seus alunos; quando as fraudes e plágios são detectados relataram aplicar como punição, em primeiro lugar a nota zero e, em segundo lugar solicitam que o aluno refaça o trabalho; também afirmaram que a maneira de evitar as fraudes e plágios é conhecer a capacidade e limitação do aluno. Este estudo também constatou que é na internet que se verifica a maior evidência de oferta de serviços para a elaboração de trabalhos. Para os docentes, a prática de compra de trabalhos, plágio e fraude é uma prática ilegal, imoral e não ética. A solução apontada por Oliveira, Garcia e Juliari (2010) foi alertar os alunos sobre os perigos de comprar, fraudar ou plagiar trabalho, sobre as conseqüências dessas práticas ao se tornarem profissionais porque podem continuar a realizar práticas ilícitas que demonstrem que seus valores morais e éticos estão deteriorados. A incidência de plágio e fraudes nos trabalhos acadêmicos não está relacionada à facilidade no acesso às informações, mas à crescente necessidade dos alunos em encontrarem soluções imediatas para seus problemas de "elaborar os trabalhos", isto porque elaborar trabalho exige do aluno tarefas trabalhosas e cansativas. De acordo com a TAGATA (2008), a solução é fomentar o espírito ético dos alunos. 3.1 As Questões Éticas Vivenciadas Os autores Bastos e Keller (1998), Marski Filho (2005), Oliveira, Garcia e Juliari (2010) e Tagata (2008) confirmam, as situações por mim vivenciadas na prática docente em instituições públicas e privadas, pois foi possível observar os seguintes pontos concordantes: a escola básica não inculca nos alunos os valores éticos no processo de elaboração do trabalhos, tampouco ensina como utilizar as fontes de pesquisa no processo de elaboração deles; no ensino superior não há coerência e rigidez na cobrança da qualidade dos 96 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 trabalhos elaborados e apresentados. Os alunos acham que seguir as normas é cobrança desnecessária e, para os docentes dá trabalho corrigir os trabalhos exigindo um padrão de elaboração e apresentação, pois leva tempo e esforço para verificar todos os trabalhos. Por outro lado Marsik Filho (2005) não considerou que as salas de aula do ensino superior estão cada vez mais saturadas de alunos e, que muitos deles não têm o hábito de leitura e escrita, impossibilitando assim que se possa realizar um trabalho de cobrança com maior destreza. Tal procedimento poderia implicar num atraso do programa de conteúdo definido para a disciplina. Sempre que na minha prática nas aulas de Metodologia do Trabalho Científico me deparo com esta particularidade, paro o conteúdo, tenho uma conversa franca com a turma e pactuamos que só daremos continuidade ao assunto quando houver evidências de que realmente se está colocando em prática a norma e se os padrões éticos estão sendo respeitados. Nas disciplinas Bioética e Filosofia realizo o mesmo procedimento. O aluno precisa perceber que o professor está interessado no que ele produz, principalmente na qualidade, originalidade e prática dos deveres éticos. O autor também não considerou que muito professores por necessidade de sobrevivência têm que ministrar aulas em várias instituições, sobrando-lhes pouco tempo para se dedicar de forma integral as atividades docentes. Se houvesse uma política de maior valorização das atividades docentes muitos desses problemas poderiam ser contornados. Os achados da pesquisa realizada por Oliveira, Garcia e Juliari (2010) estão em conformidade com a minha percepção. Acrescenta-se que, além das facilidades da internet, existe o plágio dos trabalhos dos próprios colegas de sala ou dos alunos de períodos anteriores; nos alunos de períodos mais adiantados que vendem trabalhos, nas empresas especializadas em vender trabalhos que, inclusive anunciam seus serviços nos jornais de grande circulação. Isto confirma o que o Tagata (2008) afirmou sobre o desejo de satisfação imediata em realizar tarefas que não se mostram muito atrativas, como é a elaboração dos trabalhos. Também foi possível relacionar o imediatismo identificado na prática dos estudantes com as imaturidades expressas por Bastos e Keller (1998). Será que os alunos experimentaram ao logo de suas vidas de estudante o prazer de ter uma ideia, pesquisar e demonstrá-la, e depois do trabalho pronto enxergar-se nele? Será que nossa prática docente transcende ao conteudismo e apatia moral e inculca valores morais no processo de formação dos alunos? Concordo com Oliveira, Garcia e Juliari (2010) e Tagata (2008) que se 97 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 deve ao longo da prática docente alertar sobre os perigos de plagiar e fraudar trabalhos e que, nós professores, não devemos nos esquivar da discussão acerca de tal problema cada vez mais presente. A falta de valores morais repercute em todos os aspectos de nossas vidas. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Pode se depreender do que foi discutido que, os desafios da prática docente são cada vez maiores, pois se enraízam na formação básica e atingem os valores morais. Foram diagnosticados como principais desafios: o pouco hábito de leitura e o baixo nível de qualidade na expressão do raciocínio lógico na escrita; a falta de organização e disciplina; a imaturidade; o baixo desenvolvimento das competências transversais; o baixo comprometimento docente aliado ao baixo nível de cobrança e; a necessidade urgente dos docentes realizarem cobranças constantes e rígidas nos trabalhos e atividades de leitura e pesquisa desenvolvidas pelos alunos. Com relação aos aspectos éticos demonstrou-se que a prática de plágio e fraudes está cada vez mais constante. A essa prática relacionam-se a inversão dos valores éticos atribuídos ao uso de fins e meios para satisfação das necessidades de satisfazer as "exigências acadêmicas"; a facilidade em cada vez mais se poder copiar, fraudar ou plagiar trabalho; a falta de integridade moral daqueles que passam os trabalhos para os colegas copiarem ou daqueles que vendem e compram os trabalhos; a conivência dos professores na cobrança da qualidade dos trabalhos de formação básica e de graduação, bem como no respeito ao cumprimento dos deveres éticos e, para completar, a negligência em aplicar as sanções morais e legais em quem realiza e fomenta tal prática. Em síntese, se o desafio de explorar bem as competências dos alunos for exitoso, certamente a prevalência de práticas desvinculadas de valores éticos deixará de existir, pois todos estarão empenhados em aplicar os deveres de estudantes e de docentes com responsabilidade. REFERÊNCIAS ABAGNANNO, N. Dicionário de filosofia. 4. ed. 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Foram realizadas 943 colecistectomia laparoscópicas, com taxa de conversão de 2,12%. Homens apresentaram maiores riscos de conversão, assim como pacientes com idade acima de 60 anos. Baseado conceito da American Society of Anesthesiology (ASA), pacientes classificados como ASA II e III mostraram dificuldades tanto no intra como pós operatório e cirurgias em caráter de urgência resultaram em complicações graves. Assim, constatou-se que idade acima de 60 anos, sexo masculino, ASA acima de I e internações em caráter de urgência são fatores preditores da necessidade de conversão de colecistectomia laparoscópica. Palavras-chave: Colecistectomia. Laparoscopia. Fatores de Risco. Conversão. ___ ____ ____ ____ __ 1 Professor do Curso de Medicina da Faculdade Integral Diferencial - FACID, Residência Médica em Clínica Cirúrgica, Especialista em Administração Hospitalar. 2 Aluna de graduação (12º período) do Curso de Medicina da Faculdade Integral Diferencial - FACID. Email: [email protected] Avenida Dom Severino, 524 - Bairro de Fátima CEP: 64049-375 Teresina - PI Telefone: (86) 3232-2659 100 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 ABSTRACT The laparoscopic cholecystectomy is the treatment of choice for cholelithiasis, however, in 2 to 15% of surgeries is not possible to finalise the procedure in this way, making it necessary to convert to open cholecystectomy. Some preoperative variables are identified as predictors of conversion, that is, they help to provide the degree of difficulty of the procedure. Thus, in view of the importance of these findings for success in the implementation of the surgery, it was examined the risk factors involved in conversion of laparoscopic to open cholecystectomy. It was both a retrospective and prospective analysis of the patient records submitted to cholecystectomy from January 2006 to September 2010. 943 laparoscopic cholecystectomy were performed with a conversion rate of 2.12%. Men have higher risk of conversion, as well as patients aged over 60. The patients classified as ASA II and III had difficulties both in intra as post-operative and surgeries on the basis of urgency resulted in serious complications. Thus, it was noted that age above 60 years, males, ASA above I and admissions on the basis of urgency are factors predictors of need for conversion laparoscopic cholecystectomy. Key words: Cholecystectomy. Laparoscopy. Risk Factors. Conversion. 1 INTRODUÇÃO A colecistectomia laparoscópica está firmemente estabelecida como padrão-ouro para o tratamento cirúrgico da litíase vesicular, no entanto, 2 a 15% das colecistectomias vídeolaparoscópicas necessitam de conversão para colecistectomia laparotômica (LIMA et al., 2007). Algumas variáveis pré-operatórias são identificadas como fatores de risco para conversão, ou seja, são capazes de prever a probabilidade de conversão de colecistectomia laparoscópica para laparotômica. Desta forma, o presente estudo teve como objetivo geral, analisar quais os fatores de risco associados a um maior índice de conversão de colecistectomia laparoscópica para laparotômica. O objetivos específicos foram determinar a taxa de conversão em colecistectomia laparoscópica, determinar os motivos da interrupção da técnica de escolha, identificar quais os fatores de risco associados à conversão da colecistectomia laparoscópica para a forma laparotômica, identificar a taxa de conversão na colecistectomia laparoscópica e determinar o 101 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 perfil dos pacientes e os motivos que levaram à conversão. A análise dos fatores intervenientes na conversão permite ao médico prever a probabilidade de conversão de um procedimento e, assim, diminuir os riscos e complicações para o paciente tanto no intra como no pós operatório. Por se tratar de uma técnica relativamente nova e de maior complexidade, necessita de uma curva de aprendizagem maior. Assim, de acordo com Bahten et al. (2009), ao estimar o grau de dificuldade do procedimento, pode-se contribuir para o planejamento de intervenções cirúrgicas mais seguras, permitindo a participação de um cirurgião ou uma equipe cirúrgica mais experiente em um procedimento de maior risco. 2 MATERIAL E MÉTODOS Foi realizada uma análise retrospectiva dos prontuários de pacientes que realizaram colecistectomia videolaparoscópica em um Hospital de Teresina - Piauí, no período de janeiro de 2006 a julho 2010 e uma análise mensal, prospectiva, de pacientes submetidos ao procedimento até setembro do corrente ano. O estudo foi quantitativo ao se calcular a taxa de conversão dos pacientes submetidos à colecistectomia laparoscópica, e qualitativo ao se analisar as variáveis: motivo da conversão, tempo cirúrgico, idade e sexo do paciente, ASA, caráter da operação, motivo da indicação cirúrgica, complicações pósoperatórias, histopatológico, uso de antibióticos e tempo de internação hospitalar. Encontrou-se um universo de 943 pacientes submetidos à colecistectomia laparoscópica por uma determinada equipe cirúrgica neste período e a amostra estudada foi composta por 20 pacientes que corresponde a todos os pacientes que sofreram conversão de seu procedimento para a forma laparotômica. Foi utilizada uma ficha para coleta dos dados. A análise estatística foi realizada através de médias e percentagens, além do uso do teste do QuiQuadrado (?2) para avaliação do nível de significância dos dados obtidos. A apresentação dos resultados deu-se por meio de gráficos e tabelas. Para coleta dos dados foi solicitado autorização tanto do Diretor Geral do Hospital em questão, como do guardião dos prontuários. Este trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da FACID - CEP/FACID, de acordo com a Resolução 196/96, sob o protocolo 207/10. 102 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO A colecistectomia laparoscópica é o tratamento de escolha para a litíase vesicular, sendo a técnica utilizada em 90% dos procedimentos realizados atualmente. No entanto, Bahten et al. (2009) afirmaram que em uma determinada proporção de casos não é possível o sucesso da cirurgia através desta via, sendo necessária a conversão da cirurgia para a forma laparotômica. A taxa de conversão descrita na literatura varia de 2 a 15 %, com média aproximada de 5% (KAMA et al., 2001). O presente estudo registrou um total de 943 colecistectomias laparoscópicas e, destas, 20 necessitaram de conversão para a forma laparotômica. Isso representa uma taxa de conversão neste hospital de 2,12%, (Figura 1). Figura 1 Taxa de conversão de Colecistectomia Laparoscópica para forma Laparotômica 2,12 % (20) Não Convertidas 97,88 % Convertidas (923) A distribuição, por anos, foi de 7 casos de conversão (3,25%) em 2006; 5 (2,73%) em 2007; 2 (1,02%) em 2008; 4 (1,62%) em 2009 e 2 cirurgias convertidas (1,96%) em 2010, (Figura 2). 103 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 Figura 2 Distribuição por ano da taxa de conversão das Colecistectomias Laparoscópicas realizadas Tais dados demonstram, primeiramente, uma queda significativa da taxa de conversão ao longo dos anos, seguida de um leve aumento, tendendo a estabelecer um platô ao longo do tempo. Estudos realizados por Santos e Neto (2010) explicaram que, com o desenvolvimento da habilidade e ganho de experiência por parte do cirurgião, os índices de conversões tornam-se menores. Porém, após determinado nível, atinge um platô, mantendo-se em um patamar baixo relativamente constante. Tal quadro demonstra que, inclusive nas cirurgias mais complexas, é possível a sua finalização sem a necessidade de mudança de procedimento, sugerindo uma eficácia e segurança cada vez maior da cirurgia laparoscópica. Segundo Fonseca e Rocha (1999), as principais causas de conversão de cirurgia laparoscópica para a forma laparotômica são a presença de aderências e/ou processos inflamatórios intensos entre as estruturas do pedículo biliar, coledocolitíase, vesícula escleroatrófica, hemorragia, lesão de vísceras ocas, lesão da via biliar principal, dificuldades de acesso, dúvida na identificação de estruturas e falha no equipamento utilizado. Na análise dos 20 casos selecionados para estudo, observou-se que 104 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 em 11 (55%) a conversão ocorreu devido a colecistite aguda, ou seja, processo inflamatório intenso. Outros motivos que levaram à conversão foram dificuldade de visualização das estruturas do Triângulo de Calot com 3 casos (15%), 2 (10%) por coledocolitiase, 1 relato (5%) de vesicular escleroatrófica, 1 (5%) de fistula colecisto-gástrica, fistula colecisto-duodenal com 1 caso (5%) e apendicite aguda em 1 dos casos (5%), (Tabela 1). Tabela 1 Motivo da conversão de Colecistectomia Laparoscópica M OTIVO Colecistite A guda D ificuldade de V isua liza ção da s Estruturas do Triângulo de Calot Coledocolitiase V esí cula escleroatrófic a Fístula Coleci sto-Gá strica Fístula Coleci sto-Duodenal A pendicite A guda O CO RRÊN CIAS 11 3 % 55 15 2 1 1 1 1 10 5 5 5 5 Em 14 (70%) dos casos analisados de colecistectomias laparoscópicas convertidas, a causa foi inflamação e/ou aderência entre as estruturas do triângulo de Calot já que estas frustram a visualização da anatomia ductal biliar à laparoscopia, dado este de acordo com estudos realizados por Lima et al. (2007). No universo estudado, 660 pacientes, ou seja, 70% eram do sexo feminino e 30% ou 283 eram do sexo masculino. Dentre todas as mulheres submetidas à colecistectomia laparoscópica, 12 (1,81%) necessitaram de mudança para a forma laparotômica, enquanto 8 (2,82%) dos homens submetidos a este procedimento sofreram conversão. Isto demonstra uma relação homem/mulher de 1,5:1, o que significa que os homens possuem 1,5 vezes mais risco de sofrerem mudança de procedimento, ou seja, 50% a mais de chance de sofrer conversão. Vários estudos realizados por Livingston et al. (2004), identificaram o sexo masculino como fator de risco para conversão, provavelmente pela associação mais freqüente com doenças mais graves, tanto agudas quanto crônicas. Analisando-se apenas as 20 colecistectomias convertidas para forma laparotômica, 12 (60%) eram em mulheres e 8 (40%) em homens, havendo diferença significativa entre eles (p < 0,05). Segundo Torres et al. (2005), a prevalência de cálculos da vesícula biliar predomina no sexo feminino. Influências 105 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 hormonais parece ser um fator considerável nesta diferença, uma vez que os anticoncepcionais duplicam a prevalência de litíase na mulher fértil e o estrogênio pós-menopausa aumenta a incidência em duas e meia vezes. Uma vez que o número de mulheres submetidas à colecistectomia é maior, a probabilidade de conversão neste grupo aumenta proporcionalmente, (Figura 3). Figura 3 Distribuição dos pacientes por sexo das Colecistectomias Laparoscópicas convertidas 40% (8) Feminino 60% (12) Masculino A idade média nos pacientes submetidos à colecistectomia videolaparoscópica foi de 52,3 anos. Já nas cirurgias que necessitaram conversão, a média de idade dos pacientes foi de 57,1 anos. Dividindo-se por faixa etária, pôde-se observar um aumento na taxa de conversão nas faixas etárias mais elevadas (Figura 4). Idade acima de 60 anos tem sido consistentemente adotada na literatura como um fator de risco pré-operatório para conversão. Lima et al. (2007) mostrou que entre os pacientes com menos de 60 anos, 4,4% necessitaram de conversão, em contraste com os pacientes acima desta faixa, com taxa de 11,1%. Dentre os 943 pacientes analisados, 338 (35,8%) possuíam 60 anos ou mais e, dentre estes, 9 (2,66%) sofreram conversão, em contraste com os 605 (64,2%) abaixo desta idade que realizaram a cirurgia apresentando taxa de conversão de 1,81%, ou seja 11 casos. Isso representa um aumento de 1,46 vezes o risco de conversão em pacientes acima de 60 anos, ou seja, idosos apresentam 46% mais chances de sofrer conversão do que as outras faixas etárias. Analisando-se apenas os pacientes que tiveram sua cirurgia convertida, observou-se que 45% estavam na faixa etária acima de 60 anos. 106 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 Figura 4 Distribuição dos pacientes que necessitaram de conversão por faixa etária 25% 25% (5) 20% 20% (4) (5) ( 4) 10% (2) < 40 40 - 49 50 - 59 60 - 69 > 70 anos Dentre os 20 pacientes que sofreram conversão, 14 (70%) estavam classificados como ASA I, 5 eram ASA II (25%) e apenas 1 paciente (5%) ASA III, dado este com diferença significativa entre os grupos (p < 0,05). Majeed et al. (1998) em seu estudo, verificaram que dos pacientes submetidos a colecistectomia laparoscópica, 58% pertenciam à classificação ASA I, 39% ASA II e apenas 3% dos pacientes eram ASA III (Figura 5). Figura 5 Distribuição dos pacientes convertidos segundo risco cirúrgico proposto pela American Society of Anesthesiology (ASA) 70% (14) 25% (5) A SA I 5% A SA II (1) A SA III 107 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 Porém, no presente estudo, dos 6 pacientes classificados como ASA II e III, 2 (33%) apresentaram intercorrências durante o transoperatório e, das 4 complicações pós-operatórias observadas, 50% eram de pacientes nestas classificações, demonstrando maiores dificuldades tanto no intra como pós operatório destes pacientes. Houve um caso de óbito dentre os pacientes convertidos, sendo este do grupo classificado como ASA II. Segundo Tang e Cuschieri (2006), a colecistectomia é realizada, preferencialmente, de maneira eletiva, particularmente em doentes sintomáticos e com risco cirúrgico baixo, independentemente da idade. Dentre as cirurgias realizadas, no presente estudo, que sofreram conversão, 60% (12 casos) foram de caráter eletivo, devido à maior frequência deste tipo de procedimento, e 40% (8) foram de urgência, havendo diferença significativa (p < 0,05) (Figura 6). Figura 6 Distribuição das colecistectomias laparoscópicas convertidas segundo caráter da internação 40% (8) Eletiva Eletiva 60% (12) Urgência Urgência A colecistectomia de emergência apresenta uma maior taxa de conversão quando comparada com procedimentos eletivos, sendo 16% e 2,5%, respectivamente (TANG; CUSCHIERI, 2006). O risco cirúrgico é maior quando há uma crise mais aguda, elevando de 3 a 7 vezes a morbimortalidade na cirurgia biliar de urgência. No pós-operatório da amostra estudada, foram desenvolvidas 4 complicações graves, sendo que todas, ou seja, 100% delas ocorreram em cirurgias em caráter de urgência e uma delas resultou em óbito do paciente. Dentre os pacientes que sofreram conversão, 12 (60%) foram internados com diagnóstico pré-operatório de colelitíase, 7 (35%) com colecistite aguda e 108 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 apenas um (5%) com pólipo vesicular (Figura 9), o que aponta uma diferença significativa entre eles (p < 0,05). Dos 12 pacientes com quadro sugestivo de colelitíase, apenas em 2 (16,6%) deles o diagnóstico se manteve inalterado. Em 5 (42%) dos pacientes convertidos, observou-se quadros de colecistite aguda no trans-operatório, 2 (16,6%) casos de vesícula escleroatrófica, 2 (16,6%) de coledocolitíase, sendo um deles associado a vesícula escleroatrófica, e 1 caso (8,2%) em que o diagnóstico pós-operatório foi alterado para fístula gastrobiliar (Figura 7) Figura 7 Diagnóstico pré-operatório dos pacientes com colecistectomia laparoscópica convertida 5% (1 ) 35% 3 5% (7) 60%(12) 60% (12) Colelitíase Colecistite Aguda Pólipo Vesicula r Todos os pacientes que realizaram colecistectomia tiveram a vesícula enviada para análise histopatológica e, dentre os 20 pacientes que tiveram seu procedimento cirúrgico alterado para a forma laparotômica, 4 (20%) apresentavam alterações compatíveis com colecistite aguda, 9 (45%) com colecistite crônica e 7 apresentaram alterações histológicas sugestivas de colecistite crônica com agudização. Castro, Galindo e Bejarano (2008) apontaram que cerca de 90 % das vesículas extraídas durante um quadro agudo apresentaram alterações histológicas indicativas de inflamação crônica. Correlacionando-se as intercorrências observadas no transoperatório das cirurgias convertidas analisadas e a posterior interpretação dos resultados obtidos através do histopatológico das vesículas extraídas nestas cirurgias, pôdese observar que todas as intercorrências (100%) observadas eram decorrentes de vesículas cujo histopatológico mostrou processo inflamatório agudo intenso, tanto por colecistite aguda como colecistite crônica agudizada. 109 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 Analisando-se apenas os 11 pacientes com indícios de processo inflamatório agudo intenso no histopatológico, 2 (18%) não apresentaram nenhum dos 5 fatores de risco analisados no estudo e, em uma delas, foi identificado quadro de coledocolitíase, no intra-operatório porém sem maiores repercussões ou complicações pós-operatórias. Foram observados 2 pacientes com 1 fator de risco, ambos com complicações durante o intra-operatório, sendo um quadro de dilatação do ducto cístico e outro de vesícula escleroatrófica aderida ao colédoco, porém ambas evoluíram sem qualquer intercorrência tanto no intra como no pós-operatório. Já nos 2 pacientes com 2 fatores preditores de conversão, ocorreram imprevistos intra-operatórios em ambos, com presença de fístula colecistoduodenal em uma e empiema de vesícula na outra sendo que apenas a primeira resultou em prejuízos na recuperação pós-operatória do paciente, que evoluiu com sepse abdominal tratado clinicamente. Na segunda houve perfuração de veia porta, sendo reparada sem maiores repercussões. Dos 3 pacientes (27%) com 3 fatores de risco associados, 2 evoluíram sem intercorrências ou desconforto pós cirúrgico e um apresentava necrose de vesícula biliar durante o ato cirúrgico, resultando em diversas complicações para o paciente no pós-operatório como febre, hiperglicemia, picos hipertensivos, derrame pleural culminando com insuficiência respiratória aguda tratada clinicamente. Foi observado 1 (9%) paciente com 4 fatores intervenientes identificados, sem maiores obstáculos durante a cirurgia, porém com graves complicações nas horas que se seguiram ao procedimento como peritonite evoluindo para sepse, choque séptico, parada cardiorrespiratória, o que levou o paciente a óbito. Em 1 caso pôde-se encontrar os 5 fatores de risco em análise, sendo observado dificuldades na realização do ato cirúrgico pela presença de processo inflamatório intenso no omento, repercutindo no pós-operatório do paciente que evoluiu com distensão abdominal e íleo paralítico (Tabela 2). 110 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 Tabela 2 Correlação entre fatores de risco, complicações intraoperatórias e intercorrência pós operatória em pacientes com processo inflamatório agudo intenso observada no anatomopatológico pós colecistectomia convertida NÚMERO DE PACIENTES FATORES DE RISCO IDENTIFICADOS 2 2 2 3 1 1 Nenhum 1 2 3 4 5 INTERCORRÊNCIA S INTRAOPERATÓRI AS 1 2 2 2 1 1 COMPLICAÇÕES PÓSOPERATÓRIAS Nenhuma Nenhuma Sepse Abdominal Múltiplas Complicações Sepse e Óbito Íleo paralítico Desta forma, sugere-se que quanto mais fatores de risco forem identificados nesses pacientes, maiores serão os obstáculos encontrados na realização do ato cirúrgico e, consequentemente, pior o estado de recuperação do paciente. Além disso, nestas cirurgias mais complexas e com maior chance de conversão, maior é o grau de inflamação aguda observada posteriormente através do anatomopatológico da vesícula biliar extraída. 4 CONCLUSÃO A taxa de conversão identificada no estudo foi de 2,12%, comprovando a eficácia de tal técnica inclusive em procedimentos de alta complexidade. O principal motivo que levou à interrupção do procedimento proposto foi a colecistite aguda, seguida de dificuldade de visualização de estruturas, coledocolitíase, vesícula escleroatrófica e formação de fístulas. A maioria dos pacientes que sofreram conversão apresentava sexo feminino, idade média de 52,3 anos, classificação ASA I, com cirurgia realizada de maneira eletiva por quadro confirmado de colelitíase. Os fatores intervenientes na conversão estão diretamente relacionados aos achados trans-operatório e histopatológico, de maneira que quanto maior o número de fatores predisponentes, maior a complexidade e dificuldade na realização da cirurgia. A análise dos fatores de risco demonstrou que idade acima de 60 anos, 111 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 sexo masculino, ASA acima de I e internações em caráter de urgência, são fatores preditores da necessidade de conversão de colecistectomia laparoscópica. A quantificação dos fatores de risco observados em cada paciente é fundamental na determinação do grau de dificuldade de um procedimento. Desta forma, os resultados obtidos no estudo podem contribuir para o planejamento de intervenções cirúrgicas mais seguras, permitindo a participação de um cirurgião ou uma equipe cirúrgica mais experiente em um procedimento de maior risco. REFERÊNCIAS BAHTEN, L. C. V. et al. Colecistopatia aguda e crônica: análise comparativa das taxas e causas de conversão para laparotomia. Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, Rio de Janeiro, v. 36, n. 2, p. 135-138, abr. 2009. CASTRO, F.; GALINDO, J.; BEJARANO, M. Complicaciones de colecistitis aguda em pacientes operados de urgência. Revista Colombiana de Cirugía, Bogotá, v. 23, n.1, p. 16-21, mar. 2008. FONSECA, F. P.; ROCHA, P. R. S. Cirurgia Ambulatorial. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1999. KAMA, N. A. et al. Risck factors resulting in conversion of laparoscopic cholecystectomy to open surgery. Surg Endosc, v. 15, n. 9, p. 965-968, jun. 2001. LIMA, E. C. et al. Análise dos fatores implicados na conversão da colecistectomia laparoscópica. Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, Rio de Janeiro, v. 34, n. 5, p. 321-325, out. 2007. LIVINGSTON et al. A nationwide study of conversion from laparoscopic to open cholecystectomy. 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Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, v. 37, n.3, p. 184-189, 2010. 113 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 POTENCIAL ENERGÉTICO DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS DESCARTADOS ENERGY POTENTIAL OF FOOD DISCARDED Thandara Carvalho Cipriano¹ Rosemarie Brandim Marques ² Charllyton Luis Sena da Costa3 RESUMO A problemática dos resíduos sólidos tem sido amplamente discutida dentro do saneamento ambiental. Nos últimos tempos, observa-se que a grande geração de resíduos é impulsionada principalmente pelo crescimento populacional continuo e desordenado, aliado ao modo consumista de viver. As desvantagens geradas pela dependência do petróleo, como a poluição, movem a procura por fontes alternativas de energia limpa, onde podem ser citados os biocombustíveis. Dentre os biocombustíveis que apresentam viabilidade tecnológica e comercial encontram-se o bioetanol e o biodiesel, este último é gerado por processo de transesterificação de óleos vegetais e gorduras animais. O bioetanol é um biocombustível gerado pela fermentação alcoólica de açúcares diversos. O trabalho teve por objetivo avaliar o potencial de aproveitamento de alimentos descartados em central de abastecimento para a produção de materiais utilizáveis na geração de energia limpa e definir um destino final mais nobre para esses produtos alimentícios evitando danos ao meio ambiente. Foram realizados processos de extração de óleos e carboidratos, sendo analisado e determinando o potencial de açúcares livres e materiais ricos em matéria graxa. As espécies selecionadas apresentaram rendimentos de açúcares e lipídeos, que permitem projetar o aproveitamento energético do material analisado, de maneira que suas utilizações em processos de geração de energia limpa e renovável possam contribuir com um meio ambiente mais sustentável e redução dos desperdícios de alimentos. Palavras-chave: Produtos descartados. Reaproveitamento. Biodiesel. Bioetanol. Energia limpa. _________________________ ¹ Aluna de graduação (7º período) do Curso de Farmácia e Bolsista/PIBIC da Faculdade Integral Diferencial - FACID. Email: [email protected] ² Professora do Curso de Farmácia da FACID, Doutora em Biotecnologia. Email: [email protected] 3 Professor do Curso de Farmácia da FACID, Doutor em Biotecnologia. Email: [email protected] 114 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 ABSTRACT The issue of solid waste has been widely discussed within the environmental sanitation. In recent times, it is observed that the great waste generation is driven primarily by population growth and still cluttered, plus the consumerist way of living. The disadvantages generated by oil dependence, such as pollution, move the search for alternative sources of clean energy, which may be cited biofuels. Among these fuels that present technological and commercial viability are bioethanol and biodiesel, the latter is generated by the process of transesterification of vegetable oils and animal fats. Bioethanol is a biofuel generated by fermentation of various sugars. The study aimed to evaluate the potential use of discarded food in supply center for the production of usable materials in clean energy generation and set a final destination for these nobler food avoiding damage to the environment. Extraction processes were performed oils and carbohydrates being analyzed and determining the potential of free sugars and materials rich in fatty matter. The selected species present yields of sugars and lipids, which allow you to design the energy use of the material analyzed so that their use in processes for generating clean, renewable energy can contribute to a more sustainable environment and reducing food waste. Keywords: Products discarded. Reuse. Biodiesel. Bioethanol. clean Energy 1 INTRODUÇÃO A problemática dos resíduos sólidos tem sido amplamente discutida dentro do saneamento ambiental. Nos últimos tempos, observa-se que a grande geração de resíduos é impulsionada principalmente pelo crescimento populacional continuo e desordenado, aliado ao modo consumista de viver da sociedade atual, bem como a falta de políticas de investimento e fiscalização para a coleta, disposição e tratamento dos resíduos sólidos urbanos. Todos esses fatores têm contribuído para tornar o acúmulo dos resíduos um grave problema social e ambiental (MEDEIROS et al., 2005). Segundo Albuquerque Neto et al. (2007), a solução para os problemas que envolvem os resíduos sólidos orgânicos parte da implementação de ações voltadas para um trabalho de sensibilização que envolva todos os participantes do processo, tendo-se em mente a redução da geração desses resíduos. Num 115 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 segundo momento, na sua reutilização, ou seja, no reaproveitamento de tudo aquilo que ainda está em bom estado. E, finalmente, na sua reciclagem, no aproveitamento da matéria-prima para gerar novos produtos. As desvantagens geradas pela dependência do petróleo, como a poluição, movem a procura por fontes alternativas de energia limpa, onde podem ser citados os biocombustíveis. Dentre os biocombustíveis que apresentam viabilidade tecnológica e comercial encontram-se o bioetanol e o biodiesel, este último é gerado por processo de transesterificação de óleos vegetais e gorduras animais como substituinte a altura do petrodiesel (SILVA, FREITAS, 2008; SUAREZ, et al., 2007). Já o bioetanol é um biocombustível gerado pela fermentação alcoólica de açúcares diversos, e que no Brasil é produzido principalmente a partir de cana-de-açúcar (Sacarum oficinarum) (SOBREIRO, ARAÚJO, NAGANO, 2009; MELO, et al., 2008). As projeções mundiais previstas para 2020 pela International Energy Agency (IEA) assinalam crescente substituição das fontes de combustível de origem fóssil pelas fontes de energia renováveis, como bioetanol e biodiesel (SALVADOR, RIBAS, 2009). O bioetanol é um composto orgânico utilizado no Brasil como combustível automotivo. A qualidade e o rendimento do produto são dependentemente consequentes de uma série de etapas que devem ser seguidas desde a obtenção da matéria prima, e durante todo o processamento e armazenamento do produto obtido. Sendo assim, alguns fatores desta etapa devem ser controlados, como aeração, temperatura, pH, nutrientes, contaminação bacteriana, e a concentração de etanol no meio fermentescível, porque interferem diretamente na fermentação alcoólica (SOUSA, MONTEIRO 2012). O biodiesel é um combustível produzido a partir das plantas (óleos vegetais) ou de animais (gordura animal). É um combustível alternativo de queima limpa, produzido de recursos domésticos, renováveis, é simples de ser usado, biodegradável, não tóxico e essencialmente livre de compostos sulfurados e aromáticos. Os fatores ambientais e o avanço dos preços do petróleo beneficiam o desenvolvimento do mercado de produtos combustíveis derivados da biomassa no mundo todo, prevalecendo o bioetanol e o biodiesel (SALVADOR, RIBAS, 2009). O trabalho teve por objetivo avaliar o potencial de aproveitamento de alimentos descartados em central de abastecimento, para a produção de materiais utilizáveis na geração de energia limpa, e definir um destino final mais nobre para esses produtos alimentícios evitando danos ao meio ambiente. 116 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 2 MATERIAL E MÉTODOS Foi solicitado a autorização de um grande supermercado da cidade de Teresina onde foram buscados os dados da administração da central de abastecimento relativos às quantidades de material vegetal descartado mês a mês, como os tipos de vegetais que mais contribuem para o descarte. Com base nessa lista foi realizada a catalogação e seleção dos materiais descartados; paralelamente a tal levantamento de dados foi realizada a análise direta por amostragem das quantidades descartadas com o auxilio da balança portátil. Foram avaliados os principais vegetais contribuintes para a massa total, estes foram recolhidos levados ao laboratório de química da Faculdade Integral Diferencial (FACID) onde tiveram seus potenciais de geração de energia (biocombustíveis) determinados. Os materiais vegetais selecionados (frutas, legumes e verduras) foram separados por suas características de composição em materiais capazes de gerar matéria graxa e materiais geradores de carboidratos. As espécies analisadas foram abacate (Persea americana), abacaxi (Ananascomosus L), mamão (Caricapapaya), manga (Mangifera indica), melão (Cucumis melo L), melancia (Citrulluslanatus) e tomate (Solanumlycopersicum). Posteriormente, foram realizados os procedimentos de extração, onde para os materiais ricos em matéria graxa foi aplicado procedimento de extração com hexano do material previamente triturado, homogeneizado e pesado. Após a extração da mistura hexano o material graxo foi filtrado em papel filtro e então submetido a processo de concentração sob pressão reduzida em evaporador rotativo, onde o resíduo oleoso foi pesado e o rendimento em óleo do material foi determinado pela relação: massa do óleo x 100/massa do material extraído conforme a Figura 1. Os materiais com potencial de geração de carboidratos fermentáveis foram triturados e submetidos à extração com água destilada, à temperatura ambiente. O extrato aquoso produzido foi submetido à Fermentação através da levedura S. cerevisae, durante 24 horas na Estufa. Em seguida o concentrado foi filtrado em papel filtro, sendo medido o pH e o º brix e em seguida submetido ao soxhlet, os rendimentos foram determinados através, da relação massa x 100/massa do material extraído conforme a Figura 1. 117 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 Figura 1 - Esquema de extração de material graxo (A) e de material hidrossolúvel (B) (A) (B) Material vegetal Triturado 50g Material vegetal Triturado 50g Extração com Hexano 3 x 150mL Filtração Extração com água 3 x 150mL Filtração ExtratoHexânico 450 mL ExtratoAquoso 450 mL Concentração em Evaporador Rotativo Material Rico em Carboidratos Material Graxo (óleo) pH º brix Fermentação (Estufa, S. cerevisae, 24 h) Avaliação de Rendimento Soxhlet Avaliação de Rendimento 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO As espécies analisadas por refratometria para determinação do potencial de produção de carboidratos apresentaram os teores de açúcares livres, vistos na figura 2ª na forma de º Brix (graus brix). A determinação do º Brix consiste de um método físico para medir a quantidade de sólidos solúveis presentes em uma amostra. Baseia-se em um sistema de graduação de aparelhos especialmente para ser utilizado na indústria açucareira, mais precisamente na análise de açúcares em geral que estejam em solução (MONTEIRO, SILVA, 2003). 118 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 Desta forma, as espécies mais promissoras para a utilização como fonte de carboidratos foram respectivamente a melancia, o melão e o abacaxi. Apesar de terem sido observados valores comparativamente mais baixos para os produtos de fermentação (Gráfico 1) tendo como base os teores de açúcares ideais para o processo fermentativo em torno de 14º Brix conforme Malta, (2006). O potencial para o aproveitamento dessas espécies visando a produção de bioetanol, através da fermentação alcoólica, é claramente reforçado pela quantidade descartada por semestre desses materiais em razão de ficarem disponíveis para comercialização na central de abastecimento de hortifrúti de apenas uma unidade de uma rede de supermercados de Teresina (Quadro 1). A concentração de substrato, pH, tempo e temperatura, presença de microrganismos contaminantes, são fatores que podem afetar o rendimento da fermentação, ou seja, a eficiência da conversão de açúcar em etanol. Geralmente, há queda na eficiência do processo fermentativo ou na qualidade do produto final. Na produção de álcool combustível, o substrato utilizado é a sacarose proveniente do caldo de cana-de-açúcar. A levedura utiliza-se deste açúcar após hidrólise e absorção de seus constituintes: a glicose e a frutose (SOUSA; MONTEIRO, 2012). Os nutrientes (sólidos solúveis) são necessários para o bom desenvolvimento da fermentação, afetando a velocidade e a multiplicação da levedura. A concentração adequada de nutrientes é de suma importância, pois se presentes em quantidades insuficientes ou exageradas, podem refletir de forma negativa sobre o processo fermentativo (CAMILI, 2007). O pH deve estar em torno de 4,5 à 6,0 a fim de evitar o desenvolvimento de bactérias indesejadas, e afetar o crescimento das leveduras. Os nutrientes são importantes porque influenciam o desenvolvimento das leveduras e em concentrações altas, podem inibir seu crescimento (SOUSA; MONTEIRO, 2012). Como pode ser visto na Figura 2B, todas as amostras das diferentes espécies apresentaram valores de pH dentro da faixa ótima para o processo de fermentação, não demandando correções do mosto como as que ocorrem no processo de fermentação da cana-de-açúcar. 119 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 Figura 2 - Valores em graus brix dos sólidos solúveis (A) e pH (B) das espécies ricas em carboidratos Quadro 1- Quantidades de biomassa descartadas (Kg) das espécies vegetais estudadas na central de hortifrúti durante o segundo semestre em um hipermercado de Teresina no ano de 2012 . Na análise dos materiais ricos em matéria graxa foram encontrados os rendimentos em óleo das espécies analisadas apresentados na Figura 3. Todos os óleos vegetais, enquadrados na categoria de óleos fixos ou triglicerídeos, podem ser transformados em biodiesel (ésteres metílicos ou etílicos dos ácidos graxos), desta forma todos os vegetais produtores de matéria graxa estudados podem ser extraídos em conjunto sem necessidade de separação prévia por 120 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 espécie já que os mesmos ésteres de ácidos graxos são produzidos em todas elas. Dentre as fontes para extração de óleo vegetal que podem ser utilizadas, as principais são as plantas oleaginosas (SALVADOR; RIBAS, 2009). Figura 3 - Rendimentos em óleo das espécies ricas em materia graxa A origem dos ácidos graxos se dá através do processo de refino físico e químico de óleo vegetal e/ou matéria graxa, bem como do processo de transesterificação para a produção do biodiesel e através do tratamento da glicerina. A sua composição e propriedade dependem do óleo utilizado no processo, apresentando uma coloração levemente amarelada. Os Ácidos Graxos são considerados como valiosa matéria-prima básica, pelo fato de serem biodegradáveis renováveis e apresentarem contínua disponibilidade, tornando vantajosa a utilização para processamento e industrialização. O processo de extração de óleos vegetais tem evoluído constantemente com objetivo de aumentar a eficiência, reduzir o consumo de energia e causar menor impacto ambiental. O aumento na eficiência desta tecnologia ficou restrito à maximização da remoção do óleo, à redução na perda de solvente para o meio ambiente e minimização dos custos operacionais. Desta forma, mesmo a utilização de espécies de baixo rendimento pode ser tornada economicamente viável pela utilização de processos de extração mais eficientes aplicados a volumes cada vez maiores de produtos descartados (Engenharia de Projetos Ltda - STCP, 2006). 121 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 O rendimento em óleo da espécie Persea americana (abacate), extraído da polpa, foi maior dentre as espécies avaliadas (3,30%). O rendimento estimado para uma tonelada deste material seria de 33L de óleo, que seriam suficientes para fazer um gerador a diesel monofásico de 6 kva com potência de 5500W por 31 h. Some-se a isto, o fato que em uma eventual utilização real todos os produtos geradores de material graxo poderiam ser somados e o resultado final poderia englobar também espécies não avaliadas pelo presente trabalho. Para que se tenha uma ideia do que é desperdiçado no Brasil, de cada 100 caixas de alimentos produzidas no campo, apenas nove chegam à mesa do consumidor. Os supermercados desperdiçam 2,52% do seu faturamento, o que equivale por volta de dois bilhões de reais por ano (MARCHETO et al., 2008). 4 CONCLUSÃO Os resultados obtidos no presente trabalho permitem a projeção do aproveitamento energético dos produtos vegetais descartados por uma central de abastecimento de hortifrúti por meio da produção de óleos vegetais uteis na geração de biodiesel e de açúcares para a geração de bioetanol, de maneira que suas utilizações em processos de geração de energia limpa e renovável possam contribuir com um meio ambiente mais sustentável e redução dos desperdícios de alimentos. REFERÊNCIAS ALBUQUERQUE NETO, H. C. et al. Caracterização de resíduos sólidos orgânicos produzidos no restaurante universitário de uma instituição pública (estudo de caso).Associação brasileira de engenharia de produção. 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Resultados obtidos: 46% dos fisioterapeutas afirmaram que não prolongariam a vida de um paciente por insistência de sua família; quanto ao poder de decisão, 54% afirmaram responder pela vida do paciente indigente; 46% comprariam uma sonda por conta própria e realizariam a aspiração; observou-se que 100% dos fisioterapeutas responderiam pela vida de uma paciente durante uma emergência cuja mãe tem problemas mentais; 54% afirmaram não ter lido o Código de Ética nos últimos 5 anos; verificou-se que 100% se dão bem com seus colegas de equipe; 100% tentariam convencer a família a aceitar determinado procedimento; a fonte de atualização sobre ética médica foi a Internet, com 56%;verificou-se que 54% deram nota 3 ao conhecimento sobre Bioética e 46% deram nota 4 à importância da Bioética. Conclui-se que a Bioética permitiu entender que todos os fisioterapeutas estudados agem de acordo com o Código de ética, porém, evidenciou-se como falha a falta de atualização periódica em Bioética. São necessários estudos com uma maior população sobre os limites da atuação da _____________________ ¹ Acadêmica do Curso de Fisioterapia da Faculdade Integral Diferencial - FACID. ² Graduada em Filosofia pela Universidade Federal do Piauí, Mestre em Bioética e Professora das disciplinas da Metodologia do Trabalho Científico e Bioética. 125 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 fisioterapia nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI's). Palavras-chave: Fisioterapia. Bioética. Unidade de Terapia Intensiva. Limites. ABSTRACT The main objective of the research was to analyze the ethical limits of performance of the physiotherapist working in the ICU at high risk. It is a field survey of the descriptive type . Data collection was performed in the ICU of a teaching hospital . 13 physiotherapists participated intentionally chosen and used a questionnaire with open and closed questions , addressed by statistical method of proportion as a percentage . Results : 46 % of physiotherapists stated that they prolong the life of a patient at the insistence of his family, as the power of decision , 54 % said answer for the life of indigent patients , 46 % would buy a probe on its own and would perform the aspiration , it was observed that 100 % of physiotherapists respond by life of a patient during an emergency whose mother has mental problems , 54% said they had not read the Code of Ethics in the last five years ; was found that 100 % get along with their teammates ; 100 % try to convince the family to accept certain procedure , the update source on medical ethics was the Internet , with 56 %, it was found that 54 % gave a grade 3 to knowledge about bioethics and 46 % gave a grade 4 to importance of Bioethics . We conclude , bioethics allowed to understand that all physiotherapists studied acting in accordance with the code of ethics , however, showed up as failure to lack of periodic updates on Bioethics . Studies are needed with a larger population on the limits of physiotherapy in intensive care units ( ICUs ) . Keywords: Physical Therapy. Bioethics. Intensive Care Unit. Limits. 1 INTRODUÇÃO UTI significa unidade de terapia intensiva, ou seja, é o local onde ficam internados os pacientes graves ou potencialmente graves. Nela trabalham diversos profissionais, como médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, psicólogos, nutricionistas, assistentes sociais e outros. 126 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 O fisioterapeuta é um profissional que vem ganhando cada vez mais espaço dentro do ambiente de terapia intensiva pela sua multiplicidade de atuações com o paciente e com os equipamentos disponíveis, particularmente os de ventilação mecânica. A presença constante do fisioterapeuta na unidade de terapia intensiva auxilia, decisivamente, em uma precoce recuperação respiratória, motora e na própria motivação do paciente, o que, em termos gerais, leva a uma redução no número de dias internados e dos custos hospitalares (FERRARI; LUZ, 2004). Os profissionais de saúde devem ter preparo ético para saber lidar com os desafios que surgirão no campo de trabalho. Para o dia-a-dia dentro de uma UTI, é necessário que o profissional alie a competência técnico-científica a uma competência humana e ética, vivenciando os verdadeiros valores da Bioética para um agir competente, coerente e responsável (MACHADO; PESSINI; HOSSNE, 2007). Baseado no exposto, foi traçado o seguinte problema de pesquisa: quais seriam os limites (ou falhas) éticos(as) enfrentados(as) pelos fisioterapeutas que atuam nas UTI's de alto risco? O presente estudo teve como objetivos analisar os limites éticos da atuação do fisioterapeuta que trabalha nas UTI's de alto risco; identificar as condutas realizadas pelos fisioterapeutas nesses locais; verificar dentro das práticas dos profissionais da fisioterapia nas UTI's de alto risco as interferências protocolares e dos demais profissionais, os principais limites de suas ações; relacionar os limites das ações dos fisioterapeutas que atuam nas UTI's de alto risco com as implicações do código de ética profissional e utilizar a Bioética como ferramenta de reflexão acerca dos limites éticos implicados na prática do profissional da fisioterapia nas UTI's de alto risco. 2 METODOLOGIA Esse estudo é considerado uma pesquisa de campo, do tipo descritiva. A pesquisa foi realizada em um hospital - escola da cidade de Teresina-PI, no mês de julho de 2011. O critério de escolha foi intencional, com fisioterapeutas intensivistas no número de treze (13), que eram concursados ou substitutos e trabalhavam na UTI do hospital escolhido. A coleta de dados foi baseada em um questionário com 10 perguntas abertas e fechadas, referentes às suas atitudes perante situações de urgência e 127 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 sua atualização, grau de conhecimento e grau de importância da Bioética em seu cotidiano. Previamente foi solicitada a autorização do diretor do hospital escolhido para a realização da pesquisa no local, por meio de uma declaração. A seguir, o projeto de pesquisa foi submetido ao Comitê de Ética do Hospital- escola. Mediante a aprovação do projeto, cujo número de protocolo foi 256/11, foi entregue para cada fisioterapeuta um questionário junto com duas cópias do termo de consentimento livre esclarecido, para provar que o mesmo estava ciente da pesquisa. Após o término da maratona de respostas, iniciou-se a análise dos dados. A análise e interpretação dos dados foram realizadas após a aplicação dos questionários. Os dados foram convertidos em porcentagem e apresentados em gráficos e tabelas, com o uso da estatística simples. Foram inclusos na pesquisa, profissionais graduados em fisioterapia que possuíam registro no CREFFITO 6 e que realizavam atendimentos na UTI do hospital-escola escolhido. 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO Conforme a Resolução COFFITO 10 de 3 de julho de 1978, de acordo com o Capítulo II, Artigo 7°, inciso I, é dever do fisioterapeuta e do terapeuta ocupacional, nas respectivas áreas de atuação, exercer suas atividades com zelo, probidade e decoro e obedecer aos preceitos da ética profissional, da moral, do civismo e das leis em vigor, preservando a honra, prestígio e as tradições de suas profissões (COFFITO,1978). O fisioterapeuta tem por obrigação tratar todas as pessoas que realmente dele precisam com equidade e respeito, prestando sempre um serviço de qualidade. Para isso, se torna necessário a criação de mecanismos de avaliação constante desse profissional, com o objetivo de prevenir, e assim evitar possíveis desvios. Os resultados obtidos nesse trabalho visam analisar quais as condutas realizadas pelos fisioterapeutas que atuam nas UTI's de alto risco e se estas estão de acordo com as citadas pelo Código de Ética da profissão. A amostra foi composta por 13 indivíduos que atuavam na UTI do hospital escola pesquisado, no serviço de fisioterapia, sendo 54% (7) do gênero 128 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 feminino e 46% (6) do gênero masculino. A Figura 1 apresenta os dados dos referenciais antropométricos como idade, que foi uma média de 36,4 anos e de tempo de atuação,que foi de 6,9 ano Figura 1- Dados de referência antropométrica dos profissionais estudados, em média de anos, Teresina, 2011 No questionário aplicado, quanto às questões éticas na atuação profissional do fisioterapeuta, na questão 1, que continha uma situação cuja resposta denotaria o nível de conhecimento ético na prática profissional, 46% (6) dos profissionais responderam sim, que prolongariam a vida de um paciente sem condições nenhuma de vida por causa da insistência de sua família. A mesma porcentagem 46% (6) , responderam que não, e 8% (1) não opinou sobre a pergunta. Conforme Moritz et al. (2009), a promoção de cuidados aos pacientes com doença terminal, fora das possibilidades terapêuticas curativas, depende primordialmente da aceitação da finitude do ser humano e do reconhecimento da incapacidade médica de "curar sempre". A partir desse fato, torna-se importante a disponibilização de planos terapêuticos paliativistas, dos quais sempre deverá ser priorizado o controle da dor e do desconforto do paciente e 129 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 a promoção do seu bem estar. O profissional tem que estar ciente de que nem sempre se pode fazer algo por um determinado paciente no que diz respeito ao prolongamento de sua vida, sendo que a morte é uma conseqüência desta, ou seja, nem sempre ele terá sucesso em seu tratamento e a morte sempre será inevitável. Nem ele nem a família podem interferir prolongando e evitando este processo, porém o profissional poderá proporcionar ao paciente terminal o máximo de conforto, a fim de amenizar o seu sofrimento A Resolução COFFITO 10, de 3 de julho de 1978, estabelece no Capítulo II, Art. 7º, inciso II, que são deveres do fisioterapeuta e do terapeuta ocupacional, nas respectivas áreas de atuação, respeitar a vida humana desde a concepção até a morte, jamais cooperando em um ato que voluntariamente de atente contra ela, ou que coloque em risco a integridade física ou psíquica do ser humano (COFFITO,1978). Em hipótese nenhuma o profissional deve atentar contra a vida de qualquer paciente prolongando ou encurtando o seu tempo de vida, ou seja, não poderá desrespeitar jamais os preceitos do seu Código de Ética. Na questão 2, referente ao poder de decisão do fisioterapeuta frente a alguma intercorrência que ponha em risco a vida de um paciente indigente, 54% (7) responderam sim, responderiam pela vida do paciente indigente e 46% (6) responderam não. Segundo Nunes (2008), o respeito pela autonomia refere-se à liberdade de ação com que cada pessoa escolhe. Respeitar a autonomia implica dizer que a pessoa é livre e autônoma, que pode auto-governar-se e pode decidir por si mesma. Para Moura (2008), a palavra "autonomia" significa, etimologicamente, auto-imposição de leis. Em outros termos, é autônomo um ser capaz de agir livremente. Para determinar se esse realmente é o caso, três condições devem ser preenchidas: a pessoa deve agir intencionalmente (querer fazer algo), com conhecimento do que faz (das conseqüências de suas ações) e livre de influências externas (por exemplo,não ser impedido de agir). Conforme a Resolução COFFITO 10, de 3 de julho de 1978, em sen capítulo II, Art.7º, inciso III, são deveres do fisioterapeuta e do terapeuta ocupacional, nas respectivas áreas de atuação, prestar assistência ao indivíduo, respeitando a dignidade e os direitos da pessoa humana, de modo que a prioridade no atendimento obedeça exclusivamente à razões de urgência. Nos casos onde o paciente não tem quem responda por ele, o profissional cuidador deve sempre optar pela sua vida, em toda e qualquer circunstância, 130 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 salvo se o paciente realmente não puder responder por sua pessoa e /ou não tenha um responsável que possa fazê-lo. Os dados obtidos na questão 2, portanto, evidenciam que, como o paciente não tem quem responda por ele, o fisioterapeuta, como profissional que preza pela ética, tem o dever de prestar assistência a este indivíduo, não deixando de lado o poder de autonomia desse paciente, como preconiza o Código . Assim, foi evidenciado nos resultados que a maioria dos participante optou por responder pela vida deste, fato que demonstra a sensibilidade e respeito aos preceitos éticos do código de ética e do respeito à dignidade humana. Na questão 4, em relação à atitude do fisioterapeuta frente à iminência de morte de uma paciente sem responsáveis que pudessem responder pela sua vida,ou seja, sem boas condições mentais, 100% (13) responderam que sim, que reanimariam a paciente cuja mãe tenha problemas mentais . Para Rodrigues, França e Almeida, (2009), que realizaram um estudo com o objetivo de identificar se o profissional na área de fisioterapia aplica seus conhecimentos de sua formação ética em seu exercício da profissão, os fisioterapeutas, como outros profissionais que atuam nas áreas de saúde, se deparam com alternativas de tratamento ou condução de caso que tenham justificativas técnicas, mas que tenham algum questionamento moral ou social. Sendo assim, eles se deparam com conflitos éticos onde tomam decisões diante de situações de incerteza, em que suas atitudes refletem seu conhecimento acerca da ética profissional. Deheinzelin (2006) afirmou que a ordem verbal de não reanimar o paciente pode conflitar com os princípios da Bioética, no que diz respeito à autonomia daquele. Esses princípios definem que todo ser humano tem o direito de ser informado sobre as modalidades terapêuticas disponíveis para a sua situação clínica e sobre seu prognóstico. O fisioterapeuta intensivista durante o seu dia-a-dia lida bastante com estes conflitos citados acima, sendo necessária uma boa bagagem ética em sua formação, visando sempre optar, como já foi frisado, pela vida, fato este que se confirmou no estudo, mostrando que a amostra estudada agiria eticamente em situações como a da questão acima. Os resultados obtidos na questão 4 mostraram que, todos os profissionais optaram pela opção ética,ou seja, pela opção de "trazer de volta" um paciente sem responsáveis que possam responder pela sua reanimação ou não durante alguma emergência. Com base na Resolução COFFITO e 10, de 3 de julho de 1978, o 131 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 capítulo II, Art. 8º, inciso I, é proibido ao fisioterapeuta e ao terapeuta ocupacional, nas respectivas áreas de atuação, negar assistência ao paciente, em caso de indubitável urgência. Na pesquisa foi evidenciado que a atitude de todos os fisioterapeutas pesquisados estava compatível com o Código de ética,o bom preparo desses profissionais para lidar com questões de difícil solução, pelo dilema que na maioria das vezes se faz presente. Isto denota que tal situação não se configura em limite, pois os professores têm como norte o Código de ética. A Tabela 1 expressa bem a relação entre situação, tomada de decisão e observância aos preceitos éticos, referente às perguntas 1, 2 e 4. A Tabela 1, apresenta resultados obtidos na questão 3, sobre a atitude do fisioterapeuta diante de uma situação em que o paciente necessita de um procedimento urgente. Tabela 1 - Questões éticas na atuação profissional,Teresina, 2011 Para Alves et al (2008), o conhecimento do Código de Ética da profissão e o bom caráter moral são necessários para o comportamento profissional. O Código de ética profissional é a base para a boa conduta e requisito mínimo de 132 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 incorporação dos valores da profissão. Os achados no presente estudo mostraram que os profissionais têm boas noções sobre ética, sendo que a maioria optou pelo bem-estar do paciente independente da falta de material, tomando como base o seu Código de ética. Nas respostas referentes à questão 03, sobre qual seria a atitude tomada pelo fisioterapeuta diante da falta de recurso imprescindível para o procedimento de aspiração endotraqueal (a sonda), pôde-se constatar que as atitudes tomadas pelos fisioterapeutas foram bem distribuídas, do ponto de vista ético, sendo que 15% não realizariam a aspiração, 39% pediriam opinião a um colega e 46% comprariam uma sonda por conta própria e realizariam a aspiração. Como a pergunta referente à questão 3 é inédita, não se encontrou na literatura dados que pudessem nos mostrar uma comparação entre as atitudes tomadas pelos fisioterapeutas, embora se configure num limite à atitude de solidariedade e respeito ao paciente. Porém, pode-se concluir que o fisioterapeuta deve ter bom conhecimento ético em respeito à dignidade humana, pois todos merecem ser tratados com o mínimo de respeito e a vida humana deve ser respeitada desde sua concepção até a morte. No trabalho de Braz, Martins e Vieira Junior (2009), cujo objetivo foi analisar a atuação do fisioterapeuta em UTI's da cidade de Anápolis-GO, eles afirmaram que fica explícita a complexidade do trabalho do fisioterapeuta diante da cobrança pela efetividade de suas condutas e da necessidade de controlar os riscos ao paciente. Desse modo, é imperativo a correta habilitação desse profissional, para sua plena inserção junto à equipe multiprofissional atuante nas UTI's. A ação do fisioterapeuta em terapia intensiva, como membro efetivo da equipe, é um fato incontestável, portanto, faz-se necessário que esta trabalhe com respeito e ajuda mútuos. Caso contrário, tanto a efetividade da atuação pode ficar comprometida quanto os riscos ao paciente podem aumentar de forma proibitiva. Isto portanto, pode se configurar como um limite ético, porque aguça nesses profissionais a necessidade de manter o ambiente harmonioso e sociável com seus colegas de equipe, para assim garantir um atendimento digno e humano ao paciente. Pôde- se observar na amostra estudada que a maioria dos profissionais, diante da precisão de um determinado procedimento (aspiração brônquica) e da falta de material para a realização deste, optou por comprar o material (no caso, a sonda) por conta própria, para assim, poder proporcionar ao paciente 133 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 certo alívio, mesmo que temporário, de seus sintomas, evidenciando que existe o respeito pelo paciente por parte destes profissionais. Respeito ao princípio da responsabilidade e da solidariedade, isto é, os profissionais dessa forma demonstraram boa formação ética e preparo para enfrentar as situações dilemáticas. A Figura 2, quantifica a questão 3 Figura 2 - Atitude tomada pelo fisioterapeuta diante da falta de recurso imprescindível para o procedimento de aspiração brônquica,Teresina, 2011 Na presente pesquisa, em relação às declarações quanto à sua atividade profissional, sobre terem lido o Código de Ética profissional da fisioterapia nos últimos 5 anos, na pergunta 5, responderam: 54% (7) que sim e 46% (6) que não. Os resultados apresentados demonstram que uma grande parcela dos entrevistados não estão relendo o Código de Ética periodicamente, atitude que é extremamente necessária para um bom exercício de sua profissão. Almeida et al (2008), que realizaram um trabalho com o objetivo de avaliar o interesse e o conhecimento sobre ética médica e bioética na graduação médica de estudantes e professores do curso de medicina da Universidade Federal da Bahia, constatou que uma parte significante dos professores e dos 134 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 acadêmicos não se atualiza em Bioética ou raramente o faz (38,1%, n= 37; e 69,6%, n= 229, respectivamente). O estudo da amostra evidenciou que uma parte dos fisioterapeutas entrevistados não estão se atualizando em relação a seu Código de Ética, fato lamentável, visto que a atualização deve ser periódica, para que assim, as suas tomadas de atitude estejam sempre de acordo com os princípios deste. Porém, mesmo considerando este dado, os fisioterapeutas demonstraram atitudes éticas em que predominaram o princípio do respeito à solidariedade e dignidade da vida humana. Em relação à questão 6, quando foi perguntado sobre a convivência cordial do fisioterapeuta com seus colegas de equipe, 100% (13) responderam que sim, todos convivem cordialmente. Braz, Martins e Vieira Junior (2009) afirmaram que o relacionamento da equipe de saúde tem se alterado devido a vários fatores, incluindo o avanço tecnológico e a complexidade das ações médicas. Os membros da equipe multiprofissional têm contribuições específicas para dar, e todos devem funcionar em plena harmonia para que resulte na excelência do padrão de assistência. Alves et al (2008) realizaram um trabalho visando verificar a capacidade de tomar decisões éticas de alunos no último ano de fisioterapia de duas universidades na cidade de São Paulo, das quais uma oferece no currículo a disciplina Bioética e a outra não. Concluíram que, sobre o relacionamento do fisioterapeuta com colegas de profissão ou outros profissionais da saúde, foi evidenciado, na universidade 2 ( a que tinha a disciplina Bioética na matriz curricular) os alunos mostraram um preparo melhor para o relacionamento interprofissional. Na matriz curricular dessa instituição há um enfoque importante sobre o relacionamento interprofissional, abordando-se conceitos como interdisciplinaridade, que oferece base para a ação em equipe, respeitosa e solidária. Braz, Martins e Vieira Junior (2009) afirmaram, no trabalho de pesquisa que teve por objetivo analisar a atuação do fisioterapeuta em Unidades de Terapia Intensiva da cidade de Anápolis-GO, que, através de relatos dos entrevistados, percebeu-se que a convivência é harmoniosa e que na maioria das vezes os profissionais trabalham em equipe. No presente trabalho, estes dados foram confirmados apenas em parte, pois a convivência entre eles é harmoniosa, porém nem sempre eles trabalham em equipe. Todos os profissionais entrevistados afirmaram conviver cordialmente e 135 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 amigavelmente tanto com seus colegas de profissão (fisioterapeutas) quanto com o resto da equipe. Confirmam-se, portanto os achados do presente estudo com a literatura consultada no que diz respeito à convivência profissional. Tabela 2 - Declarações quanto à sua atividade como profissional, Teresina, 2011 Na pergunta 7, 100% (13) concordaram em tentar convencer a família de que o procedimento fisioterapêutico era necessário ao paciente, sendo necessário a aplicação do princípio de autoridade para convencer a família sobre a necessidade da realização deste. Segundo Rodrigues e França (2009), cabe ao profissional informar ao paciente não apenas sobre o tratamento, mas também sobre o diagnóstico e prognóstico, como foi confirmado nesta pesquisa. Todos os fisioterapeutas afirmaram que, numa situação como esta, tentariam convencer a família sobre os benefícios que o procedimento em questão traria ao paciente. Nesta questão, os entrevistados se preocuparam em respeitar o princípio da não-maleficência, que é o de não causar mal ao paciente sob nenhuma circunstância. A Figura 3 mostra, a observância dos princípios bioéticos de respeito à dignidade humana 136 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 Figura 3 - Atitude do fisioterapeuta perante a não aceitação da família sobre determinado procedimento, Teresina, 2011 Na Resolução COFFITO 10 e de 3 de julho de 1978, o Capítulo II, Art.7º, inciso VII, estabele que são deveres do fisioterapeuta e do terapeuta ocupacional, nas respectivas áreas de atuação informar ao cliente quanto ao diagnóstico e prognóstico fisioterapêutico e objetivos do tratamento, salvo quando tais informações possam causar-lhe dano (COFFITO,1978). Isto quer dizer que os achados desta pesquisa confirmam o que preconiza não só o Código de Ética, mas os princípios da Bioética: autonomia, beneficência, justiça e nãomaleficência, que por sua vez os fisioterapeutas respeitam e praticam o repasse dessas informações ao paciente, salvo quando tais informações possam causar dano. Aí está o limite para o profissional, para que possa resolver qualquer conflito ético que possa surgir. Na pergunta 8, quanto à fonte de atualização a respeito de ética médica e bioética, 6% (1) citou revistas leigas,11% (2) citaram revistas especializadas, 56% (10) citaram a Internet, 17% (3) citaram congressos, fóruns e afins, e 11% (2) citaram outras fontes como instrumentos para sua atualização na área. Os participantes poderiam optar por mais de uma opção. 137 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 No trabalho realizado por Almeida et al (2008), sobre a fonte de atualização dos professores a respeito da ética médica e bioética, houve um predomínio de revistas especializadas (66,0%) como fontes de atualização entre os professores estudados, seguidas por eventos científicos (41,2%) e internet (38,1%). Apenas 9,3% dos professores afirmaram utilizar revistas leigas como fontes de atualização. Esses dados não confirmaram os achados da presente pesquisa, pois observou-se que a fonte de atualização em ética mais usada foi a Internet, com 56%, seguida de Congressos, fóruns e afins, com 17%, conforme indica a figura 4. Figura 4 - Fontes de Atualização ético-profissional do grupo estudado com respostas cumulativas, podendo ter mais de uma fonte para um profissional, Teresina, 2011 Na pergunta 9, quanto ao grau de conhecimento em respeito à ética médica em geral, em uma escala de 1 (mínimo) a 5 (máximo), 8% (1) pontuou seu conhecimento com a nota 2, 54% (7) deram nota 3 e 38% (5) deram nota 138 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 4. Na pergunta 10, quando perguntado sobre o grau de importância na formação como fisioterapeuta, também em uma escala de 1 (mínimo) a 5 (máximo), 8% (1) escolheu nota 3, 46% (6) deram nota 4 e 46% (6) deram nota 5. No estudo de Almeida et al (2008), a auto-avaliação sobre o conhecimento sobre ética médica em geral, também numa escala de 1 a 5, foi de 3,4 (± 0,9) para os professores e de 3,2 (± 0,7) para os estudantes (p = 0,017). Além disso, foi observado que a autoavaliação do conhecimento sobre ética médica foi inferior à importância dada ao tema tanto no grupo dos professores (p < 0,001), quanto no grupo dos estudantes (p < 0,001). A Figura 5 apresenta as respostas para as perguntas 9 e 10 Figura 5 - O entendimento e o grau de importância da ética na atuação prática dos profissionais de fisioterapia estudados, Teresina, 2011 Pôde-se observar que, a maioria dos fisioterapeutas pontuou o seu conhecimento em ética com a nota 3, mostrando que estes não estão totalmente inteirados com o Código de Ética de sua profissão. Houve uma contradição entre o que se declararam praticar e a autoavaliação e atualização.Também se 139 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 observou que o grau de importância dado à Bioética foi muito alto, sendo imprescindível para uma boa formação como profissional da fisioterapia. 4 CONCLUSÃO Conclui-se que todos os fisioterapeutas estudados agem de acordo com o Código de Ética, porém evidenciou-se como falha a falta de atualização periódica em Bioética. A Bioética serviu para realizar as reflexões e ao mesmo tempo para confirmar que sua presença na prática profissional é importante. Isso tudo faz com que estes reflitam melhor sobre suas condutas e sua postura, favorecendo o paciente e proporcionando um cuidar ético e responsável. Portanto, nesse estudo, pôde-se observar que todos os fisioterapeutas estudados agem eticamente em relação a seus pacientes. No entanto, necessitamos de estudos mais aprofundados sobre o tema Bioética, principalmente, dentro das Unidades de Terapia Intensiva (UTI's). REFERÊNCIAS ALMEIDA, Alessandro de Moura et al. Conhecimento e Interesse em Ética Médica e Bioética na Graduação Médica. Rev. Brasileira de Educação Médica. v. 4, n. 32, p. 437- 444, 2008. Disponível em: <http://www.scielo.br/ pdf/rbem/v32n4/v32n4a05.pdf >. Acesso em: 12 nov 2011. ALVES, F. D. et al. O preparo bioético na graduação de Fisioterapia. Fisioterapia e Pesquisa, São Paulo, v. 15, n.2, p. 149-156. abr ./jun. 2008. BRAZ, Paula Regina Pereira; MARTINS, Joelene Onoelcie Samara de Oliveira Lima Martins; VIEIRA JUNIOR, Gilberto. Atuação do fisioterapeuta nas unidades de terapia intensiva na cidade de Anápolis. Anuário da produção acadêmica docente [online]. v. 3, n.4. p.119-129, 2009. Disponível em: <http:/ /sare.unianhanguera.edu.br/index.php/anudo/article/viewFile/1457/722>. Acesso em: 12 set 2010. COFFITO. Resolução n.10, de 3 de julho de 1978. Aprova o Código de Ética profissional do fisioterapeuta e do terapeuta ocupacional. Brasília. 140 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 Diário Oficial da União, 2008. DEHEINZELIN, D. Limitação e suspensão de tratamento: é hora de agir. Rev. Assoc. Med. v. 52, n. 6, 2006. FERRARI D.; LUZ, G. Fisioterapia Intensiva, nova especialidade e modelo educacional. Revista Intensiva, São Paulo, v.1, 2004. MACHADO,Karina Dias Guedes; PESSINI, Leo; HOSSNE, William Saade. A formação em cuidados paliativos da equipe que atua em unidade de terapia intensiva: um olhar da bioética. Rev. Bioethikos. Centro Universitário São Camilo. v. 54, n 01, p.34-42, 2007. Disponível em:<http://www.saocamilosp.br/pdf/bioethikos/54/A_cuidados_paliativos.pdf>. Acesso em: 15 ago 2010. MORITZ, Rachel Duarte et al. Avaliação das decisões médicas durante o processo do morrer. Rev Bras Ter Intensiva [online]. v. 21, n 2, p.141-147, 2009. 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Acesso em: 17 ago 2010. 141 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 142 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 NORMAS EDITORIAIS 143 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 144 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 NORMAS EDITORIAIS DA REVISTA FACID CIÊNCIA & VIDA A Revista FACID: Ciência & Vida objetiva a divulgação da produção científica e técnica dos professores, alunos e técnicos da Faculdade Integral Diferencial, bem como de profissionais da comunidade. A Revista tem periodicidade semestral e está aberta à publicação de trabalhos na forma de ARTIGOS, ENSAIOS e RESENHAS, os quais devem falar sobre temas nas áreas da Saúde, Ciências Humanas, Ciências Sociais, Tecnologia, dentre outros, fomentando a análise e reflexão de idéias, experiências e resultados de pesquisas, experiências de vida e manifestações artísticoculturais, contribuindo para o desenvolvimento científico e cultural do País. ARTIGOS – Texto que discute um tema investigado para publicação de autoria declarada, que apresenta título em português e em inglês, nome dos autores, resumo e abstract do texto, palavras-chave e key-words, introdução, material e métodos, resultados e discussão, conclusão, referências , apêndices e anexos (opcionais). Serão considerados “artigos de revisão” os textos que discutam temas com base em informações já publicadas. Quando se tratar de artigo de revisão esta deverá ser, preferencialmente, do tipo sistemática e deverá apresentar: título, autor, resumo, palavras chave, abstract, key-words, introdução, discussão do tema com base na pesquisa bibliográfica, conclusão, e referências. O artigo não deve ultrapassar 15 (quinze) laudas. Título - Deve ser conciso, claro e objetivo, evitando-se excesso de palavras ou expressões como: “Avaliação de...,” “Considerações acerca de.....” “Estudo sobre ....”. Deve ter no máximo 15 palavras. Apenas a primeira letra da primeira palavra deve ser maiúscula. Título em inglês - Transcrição do título em português. Nome dos autores - Devem ser apresentados os nomes completos, sem abreviatura, abaixo do título com somente a primeira letra maiúscula, um após outro, separados por vírgula e centralizados. Em nota de rodapé na primeira página deve-se apresentar de cada autor a afiliação completa (Titulação/ vinculação, instituição, cidade e Estado, endereço eletrônico). O número de autores não deverá ser maior que cinco. Os autores pertencentes a uma mesma 145 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 instituição devem ser mencionados em uma única nota, utilizando o sobrescrito correspondente. Resumo e Abstract - Devem ter no máximo 250 palavras, descrevendo o objetivo, material e métodos, resultados e conclusão em um só parágrafo. O Abstract deve ser a transcrição do resumo. Palavras-chave e key-words - Devem ser no mínimo três e no máximo cinco termos para indexação, que identifiquem o conteúdo do artigo, os quais não deverão constar no título. Para a escolha dos termos para indexação (descritores) na área de saúde, deve-se consultar a lista de “Descritores em Ciências da Saúde – DECS” , elaborado pela BI REM E (disponível em http://decs.bus.br) ou na lista da “Mesh-Medical Subject Headings” (disponível em http:// nlm.nih.gov/mesh/mbrowser.html). Introdução - Deve ser compacta e objetiva, definindo o problema estudado, demonstrando sua importância e lacunas do conhecimento que serão abordadas no artigo. As citações presentes devem ser atualizadas e pertinentes ao tema, adequadas à apresentação do problema, sendo empregadas para fundamentarem a discussão. Os objetivos e hipóteses deverão ser contextualizados nesta sessão. Não deve conter mais de 550 palavras. Material e Métodos - Os métodos bem como os materiais devem ser detalhados de modo que possam ser confirmados, incluindo os procedimentos utilizados, universo e amostra. Indicar os testes estatísticos utilizados. As questões éticas devem ser apresentadas nesta sessão. Resultados e Discussão podem conter figuras e/ou tabelas, contudo os dados nesta forma não devem ser repetidos no texto. Os resultados devem ser apresentados em uma sequência lógica. As tabelas e figuras devem trazer informações distintas ou complementares entre si. Os dados estatísticos devem ser descritos nesta sessão. A discussão deve ser pertinente apenas aos dados obtidos, evitando-se hipóteses não fundamentadas nos resultados. Deve-se relacionar-se aos conhecimentos existentes e aos apresentados por outros estudos relevantes. Deve, sempre que possível, incluir novas perspectivas de pesquisas. 146 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 Conclusão - Deve estar fundamentada nas evidências disponíveis e pertinentes ao objeto de estudo. As conclusões devem ser claras e precisas. Deve-se relacionar os resultados obtidos com as hipóteses apresentadas. Podem ser apresentadas sugestões para outras pesquisas que complementem o estudo ou para outros problemas surgidos no desenvolvimento. Referências - O artigo deverá apresentar no máximo 25 citações, sendo a maioria, preferencialmente, em periódicos dos últimos cinco anos. No caso de artigos de revisão, deverão ser apresentadas no máximo 35 citações. Devem incluir todos os autores referenciados no texto. Apêndice - Informações complementares produzidas pelo autor, como o questionário aplicado, termo de consentimento livre e esclarecido, roteiro de entrevistas. É opcional. Anexos - Informações complementares, como documentos e ilustrações, retiradas da bibliografia. Ítem opcional. ENSAIOS – Texto que expõe estudos realizados com as conclusões a que se chegou. Pode ser de caráter informal, no qual se destaca a liberdade e emoção criadora do autor e pode ser caracterizado como formal, onde a brevidade, serenidade e o uso da primeira pessoa podem ser utilizados. Neste tipo de publicação é marcante a presença do espírito problematizador, sobressaindo o espírito crítico e a originalidade do autor. Deve apresentar temas atuais e de interesse coletivo. Pode ter até 10 (dez) páginas. RESENHAS – resumo crítico de livros publicados ou no prelo que podem suscitar no leitor o desejo de ler a obra integralmente. Este texto deve ter, no máximo 5 laudas e deve ser escrito informando o título da obra, nome completo do autor, editora e ano publicado. Instruções aos Colaboradores 1 Os trabalhos devem ser preferencialmente inéditos e redigidos em língua portuguesa, sendo seu conteúdo de inteira responsabilidade dos autores. 2 Os textos para publicação devem ser acompanhados de uma correspondência ao Editor solicitando que o texto seja publicado. Uma vez recebidos, os textos serão submetidos à apreciação do Conselho Editorial e dois conselheiros, no mínimo, decidirão sobre sua aprovação para 147 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 publicação, podendo ocorrer que o texto seja devolvido ao seu autor para alterações e/ou correções. 3 O texto deve ser digitado na fonte Times New Roman tamanho 12, espaço 1,5 entre linhas, margens superior e esquerda de 3 cm, margem inferior e direita de 2 cm, papel formato A-4. No resumo e abstract o espaçamento deverá ser simples. 4 A s t abelas para apresent ação de dados devem ser numeradas consecutivamente com algarismos arábicos, encabeçadas pelo título, com indicação da fonte após a linha inferior. Todas as tabelas inseridas devem ser mencionadas no texto. O texto deve ser em fonte Times New Roman, estilo normal e tamanho 12. 5 Para a inserção de ilustrações (quadros, gráficos, fotografias, esquemas, algoritmos etc), deve-se numerá-las consecutivamente com algarismos arábicos, com indicação do título na parte superior e da fonte após o seu limite inferior e indicadas no texto em que devem ser inseridas. Gráficos, fotografias, esquemas e ilustrações devem ser denominados como figuras. O texto deve ser em fonte Times New Roman, estilo normal e tamanho nove. Devem ser inseridas logo abaixo do parágrafo em que foram citadas pela primeira vez. As figuras agrupadas devem ser citadas no texto como: Figura 1A ; Figura 1B; Figura 1C; etc. A s figuras devem ter no mínimo 300dpi. 6 A s citações no texto devem ser organizadas de acordo com as normas vigentes da Associação Brasileira de Normas Técnicas (A BNT - 10520) formato autor-data. 7 A lista de referências deve ser organizada em ordem alfabética e de acordo com as normas A BNT – 6023 (espaço simples entre linhas e um espaço simples entre uma referência e outra). Modelos de referências bibliográficas Livros (um autor) SOARES, L. S. Educação e vida na República. 4.ed. São Paulo: Letras Azuis, 2004. 148 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 Livros (dois autores) ROCHA, B.; PEREIRA, L. H. Cuidando do enfermo. São Paulo: Manole, 2001. Livros com mais de três autores POUPART, J. et al. A pesquisa qualitativa: enfoques epistemológicos e metodológicos. Rio de Janeiro: Vozes, 2008. Capítulos de livros OLIVEIRA, A. A. S. de; VILLAPOUCA, K. C. Perspectivas epistemológicas da bioética brasileira a partir da teoria de Thomas Kuhn. In: GARRAFA, V.; CORDÓN, J. (Orgs.). Pesquisa em bioética: bioética no Brasil hoje. São Paulo: Gaia, 2006. p.35-50. Artigos de periódicos empressos com mais de três autores PEREIRA, Q. L. C. et al. Processo de (re)construção de um grupo de planejamento familiar: uma proposta de educação popular em saúde. Texto e Contexto Enferm, Florianópolis, v. 16, n. 2, p. 320-5, abr/jun. 2007. Teses ABBOTT, M.P. Modificações oxidativas de proteínas em presença de complexos de cobre(II). 2007. 130f. Tese de doutorado (Programa de Pósgraduação em Química) Universidade de São Paulo, São Paulo, 2007. Artigo de jornal assinado DIMENSTEIN, G. Escola da Vida. Folha de São Paulo, São Paulo, 14 jul. 2002. Folha Campinas, p. 2. Artigo de jornal não assinado FUNGOS e chuva ameaçam livros históricos. Folha de São Paulo, São Paulo, 5 jul. 2002. Cotidiano, p. 2. Artigo de periódico formato eletrônico VRAKEN, M. V. Prevention and treatment of sexuality transmitted diseases: an updates. American Family Physican. v. 76, n. 12, p. 1827-1832, dez. 2007. Disponível em: < www.aafp.org/afp>. Acesso em: 29 de março de 2010. 149 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 Decretos, Leis BRASIL. Decreto n. 2.134, de 24 de janeiro de 1997. Regulamenta o art. 23 da Lei n. 8.159, de 8 de janeiro de 1991, que dispõe sobre a categoria dos documentos públicos sigilosos e o acesso a eles, e dá outras providências. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF, n. 18, p. 14351436, 27. jan. 1997. Seção 1. Constituição Federal BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal, 1988. Trabalho publicado em Anais de Congresso MARTINS, I. S.; SILVA FILHO, F. J. V.; ALVES NETO, F. E. Abordagem cirúrgica em ginecomastia gigante em pseudo-hermafrodita masculino. In: I JORNADA DE MEDICINA DA FACID, 2005, Teresina. Anais da I Jornada de Medicina da FACID. Teresina, Gráfica do Povo, 2006, p.212. 8 Acompanha o texto uma folha com o título e nome completo do autor e/ou autores com a filiação profissional e a qualificação acadêmica do(s) autor(es), os endereços postal e eletrônico, inclusive o telefone (folha modelo). 9 O original do trabalho a ser publicado deve ser entregue em uma via impressa e em CD (processador Word for Windows), pelos correios ou via e-mail: [email protected]. Ao Conselho Editorial é reservado o direito de publicar ou não o trabalho. 10 A publicação do trabalho não implicará na remuneração de seus autores. O autor responsável pela submissão do artigo receberá um exemplar do fascículo por artigo publicado. 11 A revista não se obriga a devolver os artigos recebidos, publicados ou não. 12 O artigo a ser publicado deve ser entregue na FACID. O autor responsável pela submissão do artigo deverá anexar e assinar os seguintes documentos: Declaração de Responsabilidade e Transferência de Direitos Autorais. 150 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 Modelos de páginas (em separado) que devem acompanhar o artigo Modelo 1 Modelo 2 DECLARAÇÃO DE RESPONSABILIDADE TRANSFERÊNCIA DE DIREITOS AUTORAIS Declaro que participei deste artigo para tornar Declaro que, em caso de aceitação do meu artigo pública minha responsabilidade pelo seu conteúdo, não submetido à Revista FACID Ciência & Vida, esta passa a omitindo nenhuma ligação ou acordo de financiamento entre os ter os direitos autorais e propriedade exclusiva sobre o seus autores e instituições que possam ter interesse na mesmo. publicação do mesmo. Declaro ainda que o manuscrito é original e que Teresina, ....... de .............. de 20..... este artigo, em parte ou na íntegra, ou qualquer outro artigo similar, de minha autoria, não fora enviado a outra revista e não ___________________________________ o será, enquanto estiver sob a análise da Revista FACID Nome completo do (a) aluno (a) Ciência & Vida, quer impresso ou eletronicamente. Teresina, ........ de ................. de 20..... ___________________________________ ___________________________________ Nome completo do (a) orientador (a) Nome completo do (a) aluno (a) ____________________________________ Nome completo do (a) orientador (a) TÍTULO Modelo 3 Título do artigo Nome completo do Autor 1 Qualificação acadêmica e Filiação Exemplos: Aluno de graduação do Curso de Odontologia da FACID; Especialista em _______, Professor(a) do Curso de ___________ da FACID; Mestre em __________, Professor(a) Adjunto da UFPI; Doutor em ________, Professor(a) da _________) Endereço Postal Rua das Estrelas, nº 000, apto 000 Bairro do Céu, Cidade – Estado CEP – 00 000 - 000 Endereço eletrônico (e-mail) Telefone(s) para contato Nome completo do Autor 2 Qualificação acadêmica e Filiação Endereço Postal Endereço eletrônico (e-mail) Telefone(s) para contato OBS: Deve constar os dados de todos os autores respeitando o limite máximo de 5 (cinco) para cada artigo, conforme a norma editorial da Revista. 151 Revista FACID: Ciência & Vida, Teresina, v. 8, n. 1, Maio 2012 OBS: As submissões que não atenderem às normas acima apresentadas não serão encaminhadas para análise dos consultores, sendo imediatamente recusadas para publicação na Revista FACID Ciência & Vida. Conselho Editorial da Revista FACID Ciência & Vida A/C Esp. Cyntia Maria de Miranda Araújo Rua Veterinário Bugyja Brito, 1354 - Horto Florestal. Cep: 64049-410/ Teresina-PI. Email: [email protected] 152