6to. Congreso Virtual de Cardiología - 6th Virtual Congress of Cardiology Inicio > 6CVC > Enfermería Cardiovascular Tema Libre Comportamento dos indicadores de resultados do Diagnóstico Padrão Respiratório Ineficaz em crianças com cardiopatias congênitas. 1 Beltrão, Beatriz Amorim 2; Silva, Viviane Martins da 3; Araújo, Thelma Leite de 4 Universidade Federal do Ceará. Fortaleza, Ceará. Brasil. INTRODUÇÃO: As cardiopatias congênitas podem ser definidas como anomalias estruturais do coração ou dos grandes vasos, que apresentam real ou potencial importância funcional(1). Por seu mau prognóstico, contribuem significativamente para a mortalidade infantil, tornando-se responsáveis por cerca de 10% dos óbitos infantis e metade das mortes por malformações congênitas(2). Os cuidados de enfermagem específicos para esta criança devem ser estabelecidos e executados tão logo se suspeite do diagnóstico de cardiopatias congênitas. Crianças com cardiopatias congênitas, em sua maioria, apresentam alterações hemodinâmicas significativas, representando um grupo de risco para desenvolvimento de problemas respiratórios diversos(3). Neste âmbito, a avaliação do padrão respiratório é fundamental para definir as condutas a serem implementadas pela equipe de enfermagem. Estudos têm identificado uma elevada prevalência do diagnóstico de enfermagem Padrão respiratório ineficaz em crianças com cardiopatias congênitas(3). Além disso, o referido diagnóstico esteve freqüentemente associado a outros diagnósticos de enfermagem como: Troca de gases prejudicada e Desobstrução ineficaz das vias aéreas(4). Deste modo, as características definidoras do diagnóstico de enfermagem Padrão respiratório ineficaz podem ser identificadas freqüentemente no contexto de crianças com cardiopatias congênitas, já que estas comumente apresentam dispnéia, com alterações no ritmo e freqüência respiratória, causadas pela hipoxemia e congestão pulmonar características da patologia presente(5). A ocorrência destes achados pode confirmar o comprometimento cardiorrespiratório neste grupo de crianças, decorrente das cardiopatias congênitas apresentadas pelas mesmas. Em estudo desenvolvido por Silva(6), foram construídas e avaliadas definições operacionais para 34 indicadores de três resultados de enfermagem da Classificação dos Resultados de Enfermagem(7) (NOC), que apresentam relação com os diagnósticos de enfermagem respiratórios, comumente encontrados no contexto da criança com cardiopatias congênitas. Os resultados identificados ajudaram a acumular evidências que sustentam um grau de validade e confiabilidade às definições criadas. Com base nestes achados se faz necessário que o enfermeiro conheça como se comportam os indicadores relacionados à função respiratória, apresentados por crianças com cardiopatias congênitas. OBJETIVOS: Identificar o comportamento dos indicadores de resultados do diagnóstico de enfermagem Padrão respiratório ineficaz em crianças com cardiopatias congênitas que apresentassem o referido diagnóstico. MÉTODOS: Estudo transversal desenvolvido junto a 45 crianças com idade até 2 anos internadas em um hospital de referência para doenças cardiopulmonares, e que apresentavam o diagnóstico médico de cardiopatia congênita e o diagnóstico de enfermagem Padrão respiratório ineficaz. Para avaliação das crianças, empregou-se o instrumento elaborado por Silva(6) composto por 34 indicadores operacionais relacionados aos resultados de enfermagem dos diagnósticos respiratórios, entre estes, Padrão respiratório ineficaz. Cada um dos indicadores possuía definições conceituais e operacionais. As definições operacionais que compuseram o instrumento estavam graduadas em cinco níveis de comprometimento, correspondendo o 1 ao nível mais comprometido e o 5 ao não comprometido. O instrumento foi preenchido pela pesquisadora por meio da realização de exame físico que incluía inspeção, palpação, percussão e ausculta torácica, mensuração dos sinais vitais e entrevista com o responsável pela criança, acerca do comportamento e sinais clínicos das mesmas frente às atividades realizadas. Medidas antropométricas (peso e altura) e radiografias foram obtidas por meio dos prontuários, adotando os valores da data mais próxima da avaliação. Os achados da entrevista, do exame físico e os dados registrados e coletados do prontuário foram analisados e comparados com as definições operacionais para a classificação dos níveis de comprometimento. O projeto foi desenvolvido após aprovação do Comitê de ética sobre pesquisa em seres humanos. RESULTADOS: As crianças avaliadas possuíam idade entre 1 a 24 meses, com média de 7,22 meses (desvio padrão de ±5,0) e a maior parte era do sexo masculino (68,8%). Foram avaliados 34 indicadores operacionais relacionados ao diagnóstico de enfermagem Padrão respiratório ineficaz. Destacou-se no presente estudo os dez itens que apresentaram resultados mais relevantes. Sete indicadores foram avaliados com notas até 4 em 25% das crianças: Freqüência respiratória, Expansão torácica simétrica, Respiração com lábios franzidos, Sons percutidos, Ruídos respiratórios anormais, Tosse e Asfixia. Este achado sugere que 25% das crianças apresentavam algum comprometimento relacionado a estes indicadores. Apenas o indicador Respiração com lábios franzidos obteve escores até quatro em 50% da amostra avaliada, indicando que metade das crianças apresentava alterações que variavam de grave comprometimento ao leve comprometimento deste indicador. Os demais itens apresentaram escores até cinco em 50% das crianças, sugerindo que metade destas não possuía nenhuma alteração relacionada a estes itens. Os indicadores Sonolência e Freqüência cardíaca apical obtiveram avaliações relacionadas ao nível 5 em 75% das crianças, indicando o não comprometimento desta função. O item Dificuldade respiratória foi avaliado em níveis 1 e 2 correspondente ao grave e substancial comprometimento em 25% das crianças. Este mesmo indicador apresentou avaliações em níveis menores que 4, variando do grave ao leve comprometimento, em 75% da amostra. Este achado sugere que a maior parte das crianças apresenta algum comprometimento desta função na presença do diagnóstico de enfermagem Padrão respiratório ineficaz. DISCUSSÃO: É importante ressaltar que as crianças avaliadas no presente estudo, apresentavam idade inferior a 24 meses, com média de 8 meses. Neste período, as crianças passam por alterações no desenvolvimento e amadurecimento de seu sistema imunológico, além de mudanças alimentares que podem colaborar para o comprometimento da imunidade. Por volta dos três meses as 6to. Congreso Virtual de Cardiología - 6th Virtual Congress of Cardiology imunoglobulinas recebidas da mãe se esgotam, e nesta idade a criança ainda não possui uma produção plena de suas células de defesas, o que as torna mais suscetíveis a contrair infecções expondo-as a alterações inclusive respiratórias(8, 9). Em um estudo realizado por Silva, Lopes e Araujo(10) que verificou sinais vitais em crianças com cardiopatias congênitas, encontrou-se que 75% das crianças apresentavam taquipnéia, resultado superior aos achados neste estudo, onde 50% da amostra foi avaliada com freqüência respiratória dentro dos valores de normalidade. Sinais de esforço respiratório são comuns em crianças com cardiopatias congênitas, como conseqüência dos mecanismos compensatórios que ocorrem em resposta ao desequilíbrio entre a oferta e a demanda de oxigênio. Deste modo, alterações na freqüência, ritmo e amplitude das incursões respiratórias podem ser freqüentemente encontradas nestas crianças, devido ao quadro de hipoxemia e congestão pulmonar secundários às cardiopatias de base apresentada(4, 11). Corroborando com estes achados, o indicador Respiração com lábios franzidos apresentou alteração em 50% das crianças, sugerindo que grande parte destas apresentam sinais de desconforto respiratório. O indicador Expansão torácica simétrica, por sua vez, mostrou menor comprometimento, estando alterado em menos da metade das crianças. O indicador Ruídos respiratórios anormais visa à avaliação da presença de sibilos ou estertores, causados pelo acúmulo de secreções na árvore traqueobrônquica. A ausculta destes ruídos adventícios e a tosse fazem parte das características definidoras do diagnóstico de enfermagem Desobstrução ineficaz das vias aéreas, freqüentemente apresentados em crianças com cardiopatias congênitas, e em muitos casos associado ao diagnóstico de enfermagem Padrão respiratório ineficaz(4). Entretanto, no presente estudo apenas 25% das crianças com o diagnóstico Padrão respiratório ineficaz apresentaram alguma alteração dos indicadores Tosse e Ruídos respiratórios anormais. A presença de certo nível de comprometimento do indicador Dificuldade respiratória em 75% das crianças avaliadas pode estar relacionado à falha na oxigenação inerente às cardiopatias congênitas. Esta falha provoca aumento do esforço cardíaco e trabalho respiratório, causando aumento do metabolismo e agravando desequilíbrio entre a oferta e a demanda de oxigênio. Desta forma, é esperado que estes pacientes apresentem freqüentemente algum grau de dificuldade respiratória, relacionado ao desequilíbrio entre a oferta e a demanda de oxigênio(5, 11). CONCLUSÃO: Alterações significantes no comportamento dos indicadores apresentados neste estudo podem ser explicadas pelo fato desses itens fazerem parte das características definidoras críticas do Diagnóstico de enfermagem Padrão respiratório ineficaz, ou por comporem o resultado de enfermagem Estado respiratório: ventilação, que está diretamente ligado ao referido diagnóstico. A aplicação do instrumento validado especificamente para o trabalho com crianças portadoras de cardiopatias congênitas, ajudou a determinar a presença e o comportamento das características que compõem o diagnóstico de enfermagem Padrão respiratório ineficaz nesta população específica. A escassa literatura acerca do diagnóstico Padrão respiratório ineficaz, e sua relação com crianças que apresentam cardiopatias congênitas, dificultou a discussão dos resultados por meio de comparações com outros estudos. Este fato levanta a importância de desenvolvimento de novos trabalhos que envolvam os diagnósticos de enfermagem respiratórios. BIBLIOGRAFIA: 1. Guitti JCS. Epidemiological Characteristics of Congenital Heart Diseases in Londrina, Paraná South Brazil. Arq Bras Cardiol 2000; 74:4004. 2. Hagemann LL, Zielinskyn P. Population screening of fetal cardiac abnormalities through prenatal echocardiography in low-risk pregnancies in the municipality of Porto Alegre. Arq Bras Cardiol2004; 82:320-6. 3. Silva VM, Araujo TL, Lopes MVO. Evolution of nursing diagnoses for children with congenital heart disease. Rev Latino-am Enfermagem 2006; 14:561-8. 4. Silva VM, Lopes MVO, Araujo TL. Razão de chance para diagnósticos de enfermagem em crianças com cardiopatia congênita. Inves Educ Enferm 2007a; 25:30-8. 5. Silva VM, Lopes MVO, Araujo TL. Nursing Diagnoses in Children With Congenital Heart Disease: A Survival Analysis. International Journal of Nursing Terminologies and Classifications 2007b; 18:131-41. 6. Silva VM. Padrão respiratório ineficaz em crianças portadoras de cardiopatias congênitas: validação de um instrumento de avaliação dos resultados de enfermagem [tese]. Fortaleza (CE): Universidade Federal do Ceará; 2007. 7. Johnson M. Classificação dos Resultados de Enfermagem. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed; 2004. 8. Kenner C, Lott JW. Neonatal Nursing Handbook. St. Louis: Saunders; 2004. 9. Wilson D. Promoção da saúde do lactente e da família. In: Hockenberry MJ, Winkelstein W. Wong fundamentos de enfermagem pediátrica. Rio de Janeiro: Elsevier; 2006. p.307-58. 10.Silva VM, Lopes MVO, Araujo TL. Signos vitales en niños con cardiopatías congénitas.Rev Cubana Enfermer 2006a; 22. 11.Silva VM, Lopes MVO, Araujo TL. Estudio longitudinal de los diagnósticos enfermeros identificados en niños com cardiopatias congénitas. Enferm Clin 2006b; 16:176-83. 1Este trabalho faz parte das pesquisas desenvolvidas pelo projeto Cuidado em Saúde Cardiovascular, registrado no CNPQ, n° 501662/2007-3. 2Enfermeira. Aluna de especialização em UTI pela Universidade Estadual do Ceará. Endereço: Rua Monsenhor Catão, 1491, Bairro: Aldeota. E-mail 3 Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Professora adjunta da Universidade Federal do Ceará. Endereço: Rua Esperanto, 1055, Bairro: Vila União. E-mail 4Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Professora associada da Universidade Federal do Ceará. Endereço: Rua Kasel, 35, Bairro: Água Fria. E-mail Publicación: Septiembre - Noviembre/2009 Preguntas, aportes y comentarios serán respondidos por el relator o por expertos en el tema a través de la lista de Enfermería Cardiovascular. Llene los campos del formulario y oprima el botón "Enviar" 6to. Congreso Virtual de Cardiología - 6th Virtual Congress of Cardiology Preguntas, aportes o comentarios: Nombre y apellido: País: Argentina Dirección de E-Mail: Confirmación Dirección de E-Mail: Enviar Borrar © 1994- 2009 2009 CETIFAC - Bioingeniería UNER - 6CVC ISBN 978-987-22746-1-0 Actualización: 21-Sep-2009 - DHTML JavaScript Menu By Milonic.com - Webmaster - HonCode - pWMC