UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS DEPARTAMENTO DE SERVIÇO SOCIAL KARLA KATIELLE OLIVEIRA DA SILVA A INCLUSÃO SOCIAL DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA EM ESCOLAS PÚBLICA E PRIVADA DO MUNICÍPIO DE NATAL: uma reflexão sobre a atuação do assistente social na educação NATAL/RN 2013 KARLA KATIELLE OLIVEIRA DA SILVA A INCLUSÃO SOCIAL DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA EM ESCOLAS PÚBLICA E PRIVADA DO MUNICÍPIO DE NATAL: uma reflexão sobre a atuação do assistente social na educação Monografia apresentada ao Departamento de Serviço Social da Universidade Federal do Rio Grande do Norte como requisito parcial para obtenção do titulo de Bacharel em Serviço Social. Orientadora: DRA. MÁRCIA MARIA DE SÁ ROCHA NATAL/RN 2013 Catalogação da Publicação na Fonte. UFRN / Biblioteca Setorial do CCSA Silva, Karla Katielle Oliveira da. A inclusão social da pessoa com deficiência em escolas pública e privada do município de Natal: uma reflexão sobre a atuação o assistente social na educação/ Karla Katielle Oliveira da Silva. - Natal, RN, 2013. 65f. Orientadora: Prof.ª Drª. Márcia Maria de Sá Rocha. Monografia (Graduação em Serviço social) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Centro de Ciências Sociais Aplicadas. Departamento de Serviço social. KARLA KATIELLE OLIVEIRA DA SILVA A INCLUSÃO SOCIAL DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA EM ESCOLAS PÚBLICA E PRIVADA DO MUNICÍPIO DE NATAL: uma reflexão sobre a atuação do assistente social na educação Monografia apresentada ao Departamento de Serviço Social da Universidade Federal do Rio Grande do Norte como requisito parcial para obtenção do titulo de Bacharel em Serviço Social. Aprovado em 12 de dezembro de 2013. BANCA EXAMINADORA: ___________________________________________ Profª DrªMárcia Maria de Sá Rocha – Orientadora Universidade Federal do Rio Grande do Norte ___________________________________________ Profª Drª. Carla Montefusco de Oliveira – Professora examinadora Universidade Federal do Rio Grande do Norte ___________________________________________ Profª Drª. Ilka de Lima Souza – Professora examinadora Universidade Federal do Rio Grande do Norte AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus por me conceder o dom da vida, a coragem para avançar frente às dificuldades, por sua bondade e providência divina que sempre me surpreendeu e pelo seu amor infinito que cuidou de cada detalhe! E a Nossa Senhora por sua intercessão desde o início! Aos meus pais José Carlos da Silva e Kátia Regina Oliveira da Silva, irmã, Josicarla Oliveira e minha família pelo amor e dedicação, paciência, apoio, compreensão e por terem sido essenciais para a conclusão desta etapa. Aos meus amigos, pelo amor que me dedicam seja na alegria ou tristeza, pela cumplicidade, por compartilharem e acompanharem momentos significativos da minha vida, pela sinceridade, entendimento nas ausências devido a correria acadêmica e por serem instrumentos do amor de Deus por mim: Josinaldo Vidal, Hemilly Mendes, Diego Rebouças, Michelly Sales, Paulo Tonácio, Andressa Castro, Izael de Souza, Isaak Felipe, Eduardo Garcia e Cícero Cezino e dentre outros que me ajudaram de forma indireta. A Verônica Campos e Andrea Araújo que tiveram uma colaboração importante como revisoras desta monografia. As minhas colegas de turma e hoje de profissão que são amigas: Priscila Henriques, Rayssa Torres, Laércia Régis, Milena Monteiro e Railhany Godeiro. Obrigada por terem feito a diferença durante esses quatro anos no meu dia a dia na universidade! Com vocês aprendi a trabalhar em equipe através dos trabalhos acadêmicos e a superar as dificuldades! A equipe do Centro de Referência de Assistência Social- Pajuçara (CRAS) do Município de Natal por me conceder a primeira oportunidade de estágio em serviço social a qual considero de suma importância para a minha formação acadêmica através dos atendimentos do Programa Bolsa Família que me aproximou das diversas expressões da questão social. A APABB-RN e toda a sua equipe na pessoa de Clécia Maria de Brito Cortez e Alexsandra Romualdo de Souza, por me proporcionarem riquíssimos aprendizados na área do serviço social, orientações que colaboraram na minha formação enquanto profissional. A vocês meus sinceros agradecimentos pela oportunidade de estágio nessa instituição e pela confiança, acreditando no meu trabalho! Aproveito e estendo a gratidão também aos usuários, pessoas com deficiência que me inspiraram essa pesquisa e me ensinaram no dia a dia que o “normal é ser feliz!” A todos que compõe o Grupo de Pesquisa Seguridade Social e Serviço Social que colaborou para a minha aproximação com a área da pesquisa acadêmica nas viagens ao Município de São Paulo do Potengi, de modo particular a Profª Drª Márcia Maria de Sá Rocha, também minha orientadora, grata pelos debates e por ter aceitado o desafio de estudar a temática da pessoa com deficiência no ambiente escolar e o serviço social na educação. A todos da Comunidade Católica Shalom e aqueles que fazem parte do Setor de Universitários do Projeto Juventude, pois de forma ousada contribuíram para que dentro da própria UFRN eu redescobrisse o maior sentido da minha vida: Deus! A vocês minha gratidão pela oração, por avançarem diante dos desafios e não desistirem da evangelização! RESUMO A pesquisa monográfica destaca a atuação do assistente social na defesa por uma educação inclusiva. Apresenta a análise da inclusão social da pessoa com deficiência na educação pública e privada no município de Natal-RN tendo como recorte, duas escolas que foram cenários para o projeto de intervenção de estágio em serviço social que tinha o objetivo geral de estabelecer um estudo comparativo entre ambas. Para isso, a metodologia adotada fundamenta-se nas entrevistas semiestruturada, questionários e pesquisa bibliográfica. Menciona o perfil dos professores, os resultados da avaliação dos docentes e coordenadores pedagógicos quanto às escolas as quais trabalham, considerando os aspectos da acessibilidade na estrutura arquitetônica, salas de recursos multifuncionais, capacitação, a aproximação com a pessoa com deficiência, bem como o desenvolvimento da educação inclusiva no setor público e privado dado ao contexto do neoliberalismo e dos rebatimentos na área educacional. Relata as principais dificuldades enfrentadas pelas instituições de ensino no que se refere à inserção da pessoa com deficiência e o acompanhamento de seu desenvolvimento, contribuindo para a discussão acadêmica acerca do papel do assistente social na escola ressaltando suas atribuições, dentre elas, a mediação na relação entre família, professor e aluno. Afirma que sua prática deve ser pautada nos valores do projeto ético político, além de ter como norte o Código de Ética Profissional de 1993 e Lei de Regulamentação da Profissão (8662/93). Destaca a atuação da Subcoordenadoria de Educação Especial (SUESP-RN) frente às demandas relacionadas às pessoas com deficiência no ambiente escolar apresentando como o poder público na representação do Estado tem se organizado para inclui-las tendo como base as legislações. PALAVRAS-CHAVE: Serviço Social. Educação Inclusiva. Pessoa com Deficiência. ABSTRACT The purpose of this study is to identify the role of the social worker in defense for an inclusive education. This research shows the analysis of a social inclusion of the disabled person in a public and private school in a suburbs of St-Petersburg and clipping, two schools that have been scenery for intervention design internship in a social services that had the goal of establishing a comparative study between both. Mentions of teachers´ profiles, the teachers evaluation results and pedagogic coordinators as regards schools which they work, considering aspects of accessibility in the architectural structure, cross-functional resources, training rooms, the rapprochement with the disabled person, as well as the development of inclusive education in a public and private sector given the context of neoliberalism and of the implication into educational area. Reports the main difficulties faced by educational institutions with regard to the insertion of the disabled person and the monitoring of its development, contributing to the academic discussion about the role of the social worker at the school highlighting its tasks, among them, the mediation on the relationship between family, teacher and student. Claims that his practice should be based on the values of ethical political project, as well as North the professional code of ethics of 1993 and about Law´s Profession regulation (866293). Highlights the performance of special education Subcoordenadoria (SUESP-RN) front the demands related to persons with disabilities in the school environment showing how the public authority in representation of the State has organized to include them on the basis of the laws. KEY WORDS: Social Service. Inclusive Education. Person with a disability. LISTA DE SIGLAS APABB- Associação de Pais, Amigos e Pessoas com Deficiência, de Funcionários do Banco do Brasil e da Comunidade ABEPSS - Associação Brasileira de Pesquisadores em Serviço Social BPC- Benefício de Prestação Continuada CASSI- Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco de Brasil CEJA- Centro de Educação de Jovens e Adultos CFESS -Conselho Federal de Serviço Social CONADE - Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência CORDE-Subcoordenadoria para a Integração das Pessoas com Deficiência CRESS- Conselho Regional de Serviço Social ECA- Estatuto da Criança e do Adolescente IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística LDB- Lei de Diretrizes e Bases da Educação LIBRAS- Língua Brasileira de Sinais LOAS- Lei Orgânica de Assistência Social ONU-Organizações das Nações Unidas PNAS- Plano Nacional de Assistência Social RN- Rio Grande do Norte SENAI -Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SUAS – Sistema Único da Assistência Social SUESP- Subcoordenadoria de Educação Especial TDAH -Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade UFRN – Universidade Federal do Rio Grande do Norte UNESCO - Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura LISTA DE ANEXOS 1- TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO- FOLHA 1 2- QUESTIONÁRIOS- FOLHA 2 3- ROTEIRO DAS ENTREVISTAS-FOLHA 3 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO .................................................................................................... 12 1. O ASSISTENTE SOCIAL NA EDUCAÇÃO ........................................................ 18 2. A INCLUSÃO SOCIAL DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA ................................. 23 3. METODOLOGIA DOS RESULTADOS DA PESQUISA ...................................... 27 4.1 AMOSTRA DA APLICAÇÃO DOS QUESTIONÁRIOS COM OS PROFESSORES DO COLÉGIO CONTEMPORÂNEO .......................................... 27 4.2 APLICAÇÃO DOS QUESTIONÁRIOS COM OS PROFESSORES DO CENTRO DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS- CEJA ESCOLA PROFESSORA LIA CAMPOS ............................................................................... 33 4.3 ANÁLISE DA ENTREVISTA COM A COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA DO COLÉGIO CONTEMPORÂNEO (UNIDADE CIDADE VERDE) ............................. 39 4.4 ANÁLISE DA ENTREVISTA COM A COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA DO CENTRO DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS- CEJA PROFESSORA LIA CAMPOS. .............................................................................................................. 41 4.5 A ATUAÇÃO DA SUESP-RN – ANÁLISE DA ENTREVISTA COM A SUBCOORDENADORIA DE EDUCAÇÃO ESPECIAL. ......................................... 44 4.6 ANÁLISE COMPARATIVA PÚBLICO X PRIVADO: A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL. .......................................................................................... 48 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................. 55 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 58 ANEXOS ................................................................................................................... 61 12 1. INTRODUÇÃO O presente Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) apresenta, enquanto pesquisa, a temática sobre o Serviço Social na Educação de forma a ratificar a importância do assistente social no ambiente escolar, uma vez que, de acordo com a sua formação acadêmica, este profissional deve estar apto a intervir na efetivação da inclusão social de diversos segmentos, dentre eles, o da pessoa com deficiência. O interesse por essa temática mencionada surgiu a partir da minha aproximação na qualidade de discente, com a realidade prática do serviço social no estágio curricular obrigatório na Associação de Pais, Amigos e Pessoas com Deficiência, de Funcionários do Banco do Brasil e da Comunidade (APABB) e das atividades realizadas junto aos professores e alunos a partir do projeto de intervenção, cujos objetivos se voltavam para a revitalização do Projeto Caminhando com as Escolas dessa instituição, que atendem as demandas voltadas às pessoas com deficiências, e seus familiares, que estão inseridas nas escolas de ensino regular. O Projeto mencionado faz parte do Programa de Atenção às Famílias e às pessoas com Deficiência da APABB-RN, elaborado pelo serviço social da instituição em dezembro de 1998, com o início das atividades no ano de 1999. Surgiu diante da necessidade de acompanhamento da pessoa com deficiência no ambiente escolar expressa pelos pais, associados e beneficiários da CASSI (Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco de Brasil) estendendo-se posteriormente aos associados oriundos da comunidade. A experiência enquanto estagiária na APABB-RN colaborou para a aproximação com o ambiente escolar, através das visitas institucionais às escolas (pública e privada), além de reuniões da equipe com a coordenação pedagógica do Colégio Contemporâneo (Unidade Cidade Verde) e do Centro de Educação de Jovens e Adultos (CEJA) da Escola Professora Lia Campos. Essas experiências favoreceram o conhecimento sobre as dificuldades enfrentadas quanto à inserção da pessoa com deficiência na escola. O contato com os professores e o relato feito por eles mostrou a necessidade de uma educação inclusiva, fato, também, importante para a definição do tema trabalhado. Diante das orientações realizadas pela assistente social da APABB-RN no acompanhamento dos usuários (pessoas com deficiência), da mediação com os 13 familiares e profissionais e da educação nas escolas, que não contavam com o assistente social em seu quadro de funcionários, foi constatado o interesse pela pesquisa, uma vez que o acompanhamento refletiu de forma significativa no desenvolvimento e inclusão da pessoa com deficiência no ambiente escolar. É importante acrescentar ainda, como motivação as discussões em torno do papel do assistente social no ambiente escolar, levantadas por intermédio do CFESS (Conselho Federal de Serviço Social) e difundidas no ambiente acadêmico, tendo em vista que se faz necessário a sua articulação no contexto o qual a educação está inserida atualmente. Ou melhor, o contexto trazido com o Neoliberalismo tem desencadeado reformas na Política Educacional, bem como a restrição do conhecimento de forma parcial a alguns segmentos da população, considerando que dentro do sistema capitalista a educação também é “mercadoria”. Nessa perspectiva, o presente estudo trata mais precisamente aspectos como a inclusão social da pessoa com deficiência enquanto direito, destacando-se as principais legislações referentes à garantia da educação inclusiva de qualidade, além da sua concepção e algumas atribuições e competências do assistente social de forma a ressaltar sua atuação no ambiente escolar. Através da articulação entre CFESS/ CRESS (Conselho Federal de Serviço Social/ Conselho Regional de Serviço Social) identifica-se um histórico de debates a cerca da inserção dos assistentes sociais no âmbito da educação, tendo em vista que este profissional desde a década de 1930 está presente no Brasil. Além disso, atualmente no Brasil está em tramitação na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei nº 837/2003, do Deputado Federal Durval Orlato, que propõe a inserção dos assistentes sociais e psicólogos no quadro de funcionários das escolas pelo entendimento que a educação remete-se à política social. No Estado do Rio Grande do Norte há a Lei nº 8.804, de 24 de fevereiro de 2006, aprovada e promulgada, que institui o Serviço Social Escolar nas escolas públicas do estado e dá outras providências. Porém, atualmente diante da realidade pública da educação no Estado essa lei ainda não é cumprida, sendo notória a presença do serviço social escolar apenas em instituições escolares filantrópicas e federais (Universidade Federal do Rio Grande do Norte- UFRN e Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia). A Constituição Federal Brasileira de 1988 em seu artigo 205 ressalta que a educação é “direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e 14 incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. E quanto aos princípios do ensino, no artigo 206 dispõe que estes devem favorecer a “I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber”. Partindo do pressuposto que a educação se constitui um direito instituído pela Constituição de 1988 conforme visto anteriormente, e também se encontra inserida no cenário social, considera-se relevante a atuação do assistente social em escolas públicas e privadas, uma vez que, de acordo com a sua formação acadêmica, este profissional se aprofunda nos conhecimentos das políticas sociais, tornando-se apto a intervir no enfrentamento das diversas expressões da questão social, como também na mediação de conflitos, gerados pela contradição entre as classes sociais, além de defender os direitos já conquistados nas legislações, tendo como base os princípios norteadores da profissão expressos no projeto ético político. Nele, contem como valores centrais a liberdade, a defesa intransigente dos direitos humanos, o aprofundamento da democracia, a autonomia, o favorecimento da equidade e justiça social, a universalidade, emancipação, pluralismo e a eliminação do preconceito. É relevante acrescentar que a educação inclusiva proposta pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura), em 1994 a partir da Declaração de Salamanca, contribui para que as escolas proporcionem de forma qualitativa a aprendizagem, com o desenvolvimento de uma metodologia de acordo com as necessidades dos alunos, principalmente com as das pessoas com deficiência. Nessa perspectiva identifica-se a mudança da visão da sociedade para com a deficiência, visto que antes da década de 1980 esta era tratada como reabilitadora e integradora e, na atualidade, é vista pelo aspecto da inclusão, considerando que a sociedade deve se adaptar, passando a reconhecer e respeitar a diversidade, inclusive a das pessoas com deficiência. Nesse sentido, é necessário o estímulo para a independência e autonomia da pessoa com deficiência, através de ações de diversos segmentos, como a saúde, educação e assistência social. 15 De acordo com Souza (2012, p.73) o assistente social na educação poderá trabalhar articulado com outros profissionais, além de: “assistir os alunos, os que estão inseridos no Ensino Regular e na Educação Especial (conforme registro no documento). No caso da Intervenção na Educação Especial, especificamente no Núcleo de Atendimento Especializado”. A Convenção Internacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, adotada pela ONU (Organizações das Nações Unidas), no ano de 2006, em seus princípios destaca: aceitação e respeito à deficiência; a igualdade entre oportunidades e a não “infantilização” da pessoa com deficiência, respeitando cada fase de sua vida. No âmbito da educação, a Convenção garante subsídios como, por exemplo, salas de recursos multifuncionais e capacitação dos professores e cuidadores. Convém assinalar também, o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência - Viver sem Limites, lançado em 2011 pelo Governo Federal, que dentre os eixos, ressalta a educação estabelecendo metas a serem cumpridas até o ano de 2014 pelos municípios brasileiros, dentre elas: transporte acessível, adequação da arquitetura das escolas para a acessibilidade, ampliação de vagas nos cursos de nível federal e recursos multifuncionais. Essas ações serão fiscalizadas pelo CONADE (Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência). O plano Viver sem Limites pretende beneficiar 45 milhões de pessoas que declararam ter algum tipo de deficiência (visual, auditiva, motora e intelectual), representando 23,9% da população brasileira de acordo com o Censo/ IBGE 2010 (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Além disso, destaca-se que o Estado do Rio Grande do Norte foi o terceiro estado a assumir compromisso com os eixos do Plano Viver sem Limites. Segundo dados do último Censo constam-se que 882.022 potiguares declararam possuir algum tipo de deficiência, correspondendo a 27,8% da população do Estado. Frente a isso, o IBGE do RN declarou que este percentual tende a aumentar significativamente ao considerar que a população norte-riograndense encontra-se no processo de envelhecimento. É relevante acrescentar que no percentual declarado pelo censo 2010 referente às pessoas com algum tipo de deficiência que: 6.929 são cegas, 4.879 são surdas, 13.606 não conseguem se locomover e 52.028 apresentam algum tipo de limitação mental/intelectual. 16 Dentro dessa realidade, há várias instituições em Natal que trabalham na defesa dos direitos da pessoa com deficiência e sua inclusão no mercado de trabalho, na saúde, assistência e educação, como por exemplo, a CORDE (Subcoordenadoria para a Integração das Pessoas com Deficiência), o SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), o Ministério Público do RN, através do Fórum Pró Inclusão, (Fórum Estadual de Incentivo à Aprendizagem e Resgate dos Direitos das Pessoas com Deficiência e Outros Discriminados no Mundo do Trabalho Potiguar coordenado pela 21ª Procuradoria Regional do Trabalho com participação da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego/RN), e entidades do terceiro setor, dentre outras. Fundamentado nas reflexões sobre a atuação do assistente social na educação. Para tanto, procurou-se na realização da pesquisa encontrar os caminhos para a construção de uma análise mais reflexiva da realidade estudada, tendo como base o acompanhamento da APABB-RN, na orientação por parte da assistente social aos usuários que estão inseridos nas instituições educacionais inclusivas e participam das atividades da associação, a fim de estabelecer um diálogo entre os profissionais da educação e as famílias das pessoas com deficiência, bem como através de uma articulação entre os mesmos, contribuir para adequação no ambiente escolar como, por exemplo, acessibilidade na estrutura arquitetônica, como metodológica nas atividades, voltada a uma educação inclusiva de qualidade. Portanto, considerando o exposto, a Monografia pretende enquanto objetivo geral a análise em dados coletados no município de Natal sobre a inclusão social da pessoa com deficiência na educação pública e privada, com o intuito também de apresentar um estudo comparativo e de contribuir com a discussão sobre a importância da atuação do serviço social na educação, no que se refere aos seus saberes e competências. A pesquisa tem a finalidade específica descobrir se há “deficiência” na educação pública e privada do município de Natal-RN, concernente à capacitação dos profissionais da educação para lidar com a pessoa com deficiência, a partir de dados da Secretaria Estadual de Educação, considerando que a educação de qualidade é fundamental para que, posteriormente, seja efetivado o direito da inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho. A entrevista semiestruturada, foi um dos procedimentos metodológicos adotados com as coordenações pedagógicas do Colégio Contemporâneo e Centro 17 de Educação de Jovens e Adultos (CEJA) da Escola Professora Lia Campos (que foram cenários do Projeto de Intervenção do Estágio em Serviço Social), que autorizaram a divulgação de seus respectivos nomes institucionais nessa pesquisa para conhecimento das dificuldades do setor público e privado, respectivamente, e quais ações que estão sendo realizadas para a efetivação da inclusão social. Foram aplicados questionários com professores destas escolas regulares de ensino com o propósito de estabelecer um estudo comparativo. Além disso, foi realizada entrevista para obter dados com a Subcoordenadoria de Educação Especial-SUESP sobre o número de pessoas com deficiência inseridas nas escolas estaduais do município de Natal-RN e de profissionais da educação que foram capacitados, bem como quais ações estão sendo realizadas pelo poder público para a inclusão social da pessoa com deficiência na educação no município de Natal. Nesse sentido, a pesquisa teve um caráter quanti-qualitativo, considerando que os dados quantitativos que foram obtidos poderão ser analisados a partir da interpretação da pesquisadora em relação aos conteúdos expostos pelo discurso dos entrevistados a fim de diagnosticar a realidade vivenciada no que se refere à inclusão social da pessoa com deficiência no ambiente escolar e a percepção sobre o conceito de educação inclusiva, além de reflexões com base na pesquisa bibliográfica que será consultada e por meio das discussões já consolidadas durante o processo de ensino aprendizagem das disciplinas do curso de Serviço Social. Esta monografia encontra-se organizada de acordo com a seguinte sistematização: primeiro capítulo “o assistente social na educação”, o qual trata sobre a importância deste profissional no ambiente escolar, bem como suas atribuições e competências; segundo capítulo “a inclusão social da pessoa com deficiência” que relata as principais legislações e normatizações que garantem esse direito e terceiro capítulo, no qual será apresentada a análise dos resultados da pesquisa nas escolas selecionadas (pública e privada), além de o estudo comparativo entre ambas, ressaltando as principais dificuldades enfrentadas para a inserção da pessoa com deficiência, e o acompanhamento do seu desenvolvimento na educação inclusiva, destacando a atuação do assistente social. 18 1. O ASSISTENTE SOCIAL NA EDUCAÇÃO Primeiramente, é necessário destacar o debate acerca da inserção e prática interventiva do assistente social na educação. Nesse sentido, cabe perceber a compreensão desses profissionais, a partir da perspectiva da totalidade, como intuito de apreender as dimensões da realidade que perpassam o objeto em análise. O Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) destaca a definição de educação como “um complexo constitutivo da vida social, que tem uma função social importante na dinâmica da reprodução social, ou seja, nas formas de reprodução do ser social.” (2012, p.16). A partir desse conceito, compreende-se que para analisar a educação é necessário considerar o contexto social no qual ela está inserida e como tem sido conduzida dentro da sociedade. A Política de Educação é resultado “de formas historicamente determinadas de enfrentamento das contradições que particularizam a sociedade capitalista pelas classes sociais e pelo Estado, conformam ações institucionalizadas em resposta ao acirramento da questão social.” (CFESS, 2012, p.19). Ressalta-se que o assistente social deve ter conhecimento sobre a Política Nacional de Educação Brasileira de forma a lutar pela efetivação do que está previsto nas suas diretrizes. Sobre o início do serviço social no campo educacional no Brasil é importante mencionar os primeiros registros são identificados na década de 1930, no Estado do Rio Grande do Sul com o “Serviço de assistência escolar”. (AMARO 2011 apud SANTOS 2012, p.75). Nota-se que nesse período o assistente social tinha o intuito de “ajustar” o aluno e sua família à conduta escolar conforme assinalado por Silva (2012): [...] a atuação do Serviço Social ao exercício de aproximação com as famílias, visando modificar o aluno, para com isso, facilitar a tarefa educativa de “ajustamento social”. Esse primeiro registro, em toda sua historicidade revela, tanto com relação ao serviço social, quanto com relação à educação, concepções passadas. (SILVA 2012 p.63 apud PINHEIRO 1939). É notório, portanto, que a conduta do assistente social em “ajustar” o aluno remete-se à influência norte-americana do Funcionalismo Cristão que orientou à profissão com práticas conservadoras na década de 1940. 19 Na década de 1980 é perceptível o debate dentro da categoria dos assistentes sociais acerca da própria profissão e seu papel na sociedade. A “concepção, associada ao ajuste dos desajustados e ao mero assistencialismo, é questionada na ordem do dia a dia” (SILVA, 2012, p.65). É relevante dizer que esse debate não pode ser dissociado do contexto social e o favorecimento da época em que nota-se a maturidade intelectual da profissão proporcionou o repensar do próprio fazer profissional com o objetivo de superar o tradicionalismo em que se analisava o indivíduo externo às relações sociais gerando sua fragmentação face ao meio social. Portanto, percebe-se que a década de 1980 propiciou a revisão dos aspectos: teórico, metodológico e técnico, bem como a necessidade da criação do novo projeto ético político. Na década de 1990, segundo Silva (2012 p. 65) “entra em cena a garantia do acesso aos direitos como ação assegurada pela legislação aprovada em 1993 que define o perfil e os campos de atuação do assistente social.” Nesse período a profissão tem importantes conquistas, como o Código de Ética Profissional (1993), a Lei de Regulamentação da Profissão (8.662/1993) e Diretrizes Gerais para o Curso de Serviço Social baseada no currículo mínimo aprovado em Assembléia Geral extraordinária de 08 de novembro de 1996 pela ABEPSS (Associação Brasileira de Pesquisadores em Serviço Social). Destaca-se ainda no período de 1990 que o serviço social consolida o projeto ético político profissional reconhecendo a profissão como especialização do trabalho coletivo na sociedade. Discute-se o assistente social enquanto trabalhador assalariado e define a questão social como objeto de intervenção que será expressa posteriormente, na página 20. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB 1996) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA- 1990) se configuram avanços significativos tendo em vista o contexto da época e também para o assistente social como possibilidades de atendimento face às demandas das instituições educacionais. Nota-se que a década de 1980 e 1990, as políticas sociais tem sido um instrumento do Estado para o enfrentamento da questão social através da proteção social, porém elas têm sido reordenadas pelo sistema neoliberal ocasionando mudanças, por exemplo, no âmbito educacional, o qual sofre os rebatimentos desse sistema e tem apresentado novas demandas para o assistente social. 20 Tendo como base esse contexto, é de suma importância que a prática do assistente social dentro do espaço sócio ocupacional da educação, assim como as demais áreas seja fundamentada no Código de Ética Profissional (1993), na Lei de Regulamentação da Profissão (8.662/1993) e as Diretrizes Curriculares da ABEPSS (Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social 1996) uma vez que nelas estão contidos os princípios, direitos, deveres, atribuições e competências do profissional para que sua atuação não retroceda a aspectos do conservadorismo, conforme assinala Martins (2012) Assim, o assistente social, coerente com o projeto ético político profissional, assumirá em seu trabalho socioeducativo um caráter emancipatório, fortalecendo as lutas das classes subalternas e não um caráter de enquadramento disciplinador, próprio da perspectiva conservadora [...] (MARTINS, 2012, p.46). Por isso, o assistente social deve ter competências que colaborem no entendimento da conjuntura, como a: [...] apreensão crítica dos processos sociais de produção e reprodução das relações sociais numa perspectiva de totalidade; - análise do movimento histórico da sociedade brasileira, apreendendo as particularidades do desenvolvimento do capitalismo no país e as particularidades regionais; - compreensão do significado social da profissão e de seu desenvolvimento sócio histórico, no cenário internacional e nacional, desvelando as possibilidades de ação contidas na realidade; (CFESS, 2012, p.26). A autora Iamamoto (2011) reafirma as competências assinaladas pelo CFESS, ao tratar sobre os instrumentos de trabalho do assistente social quando ressalta: [...] Assim, o conhecimento não é só um verniz que se sobrepõe superficialmente a prática profissional, podendo ser dispensado; mas é um meio pelo qual é possível decifrar a realidade e clarear a condução do trabalho a ser realizado. Nessa perspectiva, o conjunto de conhecimentos e habilidades adquiridos pelo assistente social ao longo do seu processo formativo são parte do acervo dos seus meios de trabalho (IAMAMOTO, 2011, p.63). 21 Considerando que o objeto de intervenção do assistente social é a questão social nela, compreendida, segundo Iamamoto (2011, p.27), enquanto “conjunto das expressões das desigualdades sociais da sociedade capitalista madura” no cenário da educação podem ser evidenciadas situações de risco e vulnerabilidade social, além de negligências no que se refere aos direitos, pobreza e exclusão social, partindo do pressuposto que a escola serve de cenário para diversas expressões da questão social como, por exemplo, a violência e as drogas dado ao contexto em que os alunos estão inseridos: Outrossim, constata-se a séria presença de problemas que atingem diretamente a vida escolar: crianças e adolescentes que, por necessitarem trabalhar para ajudar no orçamento familiar, muitas vezes não apresentam um bom rendimento escolar e assim acabam se evadindo; estudantes que não podem frequentar a escola pela falta de segurança, em virtude da violência que vem atingindo tanto escolas públicas quanto particulares, e em alguns casos produzidas pelos próprios alunos; situações envolvendo o uso de drogas no interior da escola; professores e dirigentes que nem sempre sabem ou conseguem lidar com situações/ problemas que se relacionam a questões sociais mais amplas; a ausência de escolas públicas realmente efetivadoras do tão propalado ensino de qualidade. (SOUZA, 2003, p.56). De acordo com a autora percebe-se que as diversas expressões da questão social interferem diretamente no ambiente escolar e no desempenho dos alunos, por isso, é de fundamental importância a atuação do assistente social dado esse contexto. No âmbito educacional, no enfrentamento das diversas expressões da questão social, o assistente social deverá trabalhar na perspectiva da garantia dos direitos já conquistados nas legislações, como educação inclusiva através de: [...] uma abordagem que procura responder às necessidades de aprendizagem de todas as crianças, jovens e adultos, com um foco específico naqueles que são vulneráveis à marginalização e exclusão. Nesta perspectiva, entendemos que o desenvolvimento do sistema de educação inclusiva, no qual as escolas devem acolher todas as crianças, independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, linguísticas e outras, representam a possibilidade de combater a exclusão e responder às necessidades do aluno (BRASIL 2005 apud MARTINS 2012 p.40). 22 É válido acrescentar ainda que o assistente social não pode e nem deve substituir pedagogos e docentes, e sim, através de um trabalho interdisciplinar com esses profissionais, contribuir para que a inclusão seja efetivada, visto que atualmente tem se configurado como um desafio para a comunidade escolar conforme assinala Martins (2012): A “inclusão” tem, sido uma forte tendência dos discursos políticos, das legislações, invadindo todas as áreas e políticas públicas e os textos jurídicos. Porém, o contra ponto da “exclusão” não se efetiva como mágica. É preciso, portanto, um amplo debate para compreender as mediações que perpassam este discurso, visando construir estratégias para mobilizar a inclusão, confrontando a realidade em suas múltiplas determinações. (MARTINS 2012, p. 40) Portanto, a presença do assistente social na escola poderá ainda colaborar na “ampliação da rede de proteção social, para a organização em rede das demandas de saúde, assistência social, habitação e segurança, emprego e renda, dentre outras dimensões que vêm pressionando o interior desses espaços.” (SILVA, 2012, p.30). Além disso, através de uma dimensão educativa aproximar a família da escola por meio da mediação entre os profissionais, no acompanhamento do desenvolvimento do aluno, tendo em vista que uma das suas atribuições pauta-se na orientação a indivíduos e grupos, conforme o autor a seguir declara: Iniciando pelo contato com alunos e professores o Serviço Social deve extrapolar os muros da escola, atendendo a necessidades da comunidade que, a princípio, são sentidas imediatamente no espaço escolar. Se por um lado tal profissional pode criar meios para garantir acesso aos direitos, tais como uma educação de qualidade para todos, por outro lado, o Serviço Social escolar também pode ajudar a trazer a família para dentro da escola, atendendo a uma demanda e a um desejo antigo daqueles que hoje já se encontram envolvidos com o processo ensino-aprendizagem. (SILVA 2012, p.68). Em suma, tendo em vista os princípios do Código de Ética Profissional (1993) o assistente social deve lutar pela eliminação das formas de preconceito, defender a universalidade e equidade, colaborando para a inclusão social de todos os segmentos da população, inclusive a pessoa com deficiência, uma vez que, se trata de um direito garantido nas legislações, conforme será visto no capítulo seguinte. 23 2. A INCLUSÃO SOCIAL DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA A discussão sobre a inclusão social da pessoa com deficiência tem sido significativa no contexto atual brasileiro, levando-se em consideração as legislações aprovadas recentemente como o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência- Viver Sem Limites, lançado em 2011 pelo Governo Federal, embasado na Convenção Internacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Para um melhor entendimento em torno do processo historicamente construído da concepção de inclusão, a qual norteia as legislações, se faz necessário mencionar o conceito de integração social. Este surgiu com o intuito de romper com a exclusão social das pessoas com deficiência, tendo em vista que eram consideradas inválidas, sem nenhuma capacidade para a sociedade. Assim, apareceu com o objetivo de inserir a pessoa com deficiência, porém com a condição de que tal pessoa se adaptasse aos padrões impostos pela sociedade, isto é, “que esteja capacitado a superar as barreiras físicas, programáticas e atitudinais nela existentes.” (SASSAKI, 2003, p.34). Nesse sentido, segundo o autor, assinalado anteriormente, identifica-se na década de 1960 um aumento significativo de instituições especializadas no atendimento à pessoa com deficiência, uma vez que as famílias internavam tais pessoas com o propósito de tratar a “incapacidade” e/ou “invalidez” delas. Partindo-se desse pressuposto, tendo em vista que a concepção de integração social não atendia as necessidades das pessoas com deficiência, surge no final da década de 1980 o conceito de inclusão social o qual pode ser mencionado como um: Processo pelo qual a sociedade se adapta para poder incluir, em seus sistemas sociais gerais, pessoas com deficiência e, simultaneamente, estas se preparam para assumir seus papeis na sociedade. A inclusão social constitui, então, um processo bilateral no qual as pessoas, ainda excluídas, e a sociedade buscam, em parceria, equacionar problemas, decidir sobre soluções e efetivar a equiparação de oportunidade para todos. (SASSAKI, 2003, p.41). Convém assinalar, portanto, que na atualidade a sociedade enfrenta o desafio, segundo SASSAKI (2003): a transição da integração à inclusão social, 24 considerando que diante das legislações percebe-se o avanço significativo na perspectiva dos direitos das pessoas com deficiência como será explanado posteriormente. É importante ressaltar que o conceito de deficiência aqui explanado remete ao que está disposto na Política Nacional de Integração da Pessoa com Deficiência expressa na Lei Federal CORDE 7.853 (1989) - Regulamentada pelo Decreto 3.298 (1999) no art. 3º: I - deficiência – toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho de atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano; II - deficiência permanente – aquela que ocorreu ou se estabilizou durante um período de tempo suficiente para não permitir recuperação ou ter probabilidade de que se altere, apesar de novos tratamentos; III - incapacidade – uma redução efetiva e acentuada da capacidade de integração social, com necessidade de equipamentos, adaptações, meios ou recursos especiais para que a pessoa portadora de deficiência possa receber ou transmitir informações necessárias ao seu bem-estar pessoal e ao desempenho de função ou atividade a ser exercida. IV - deficiência mental – funcionamento intelectual significativamente inferior à média, com manifestação antes dos dezoito anos e limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas. Junto a isso, é válido acrescentar dentro dos direitos da pessoa com deficiência o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei Federal 8.069 1990 – ECA) o qual em seu artigo 11º no parágrafo 1º garante atendimento especializado a toda criança ou adolescente que possua algum tipo de deficiência. Destaca-se também a Lei e Diretrizes Bases da Educação (1996) em seu artigo 4º ao mencionar sobre o dever do Estado quanto à educação pública, em seu inciso II ressalta o “atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, transversal a todos os níveis, etapas e modalidades, preferencialmente na rede regular de ensino”. Acrescenta-se ainda o capítulo V na citada lei que dispõe sobre a educação especial e estabelece diretrizes para a sua efetivação mediante ao não atendimento as condições dos alunos nas classes regulares de ensino, além de profissionais 25 especializados, “acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares disponíveis para o respectivo nível do ensino regular.” (artigo 59º inciso V). Concernente sobre a acessibilidade enquanto direito da pessoa com deficiência menciona-se o Decreto 10.098 (2000) que estabelece normas gerais e critérios básicos para sua promoção. E para isso, conceitua acessibilidade como “possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos transportes e dos sistemas e meios de comunicação” (artigo 2º inciso I) visando eliminar as barreiras arquitetônicas urbanísticas, nas edificações, nos transportes e comunicação, além da atitudinal a qual pode ser mencionado como desafio no contexto atual. Convém assinalar ainda a Lei Federal 10.436 (2002) que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) que em seu parágrafo único conceitua como uma “forma de comunicação e expressão, em que o sistema linguístico de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, constitui um sistema linguístico de transmissão de ideias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil”. Vale salientar, portanto, que este é um direito da pessoa com deficiência principalmente no ambiente escolar, em que é primordial a comunicação dos professores com o aluno com deficiência auditiva de forma a colaborar no seu processo de aprendizado. Ressalta-se também o Decreto 6.094 (2007) que dispõe sobre a implementação do Plano de Metas que trata do compromisso de todos pela educação e no capítulo inciso IX garante “o acesso e permanência das pessoas com necessidades educacionais especiais nas classes comuns do ensino regular, fortalecendo a inclusão educacional nas escolas públicas”. É digno de nota destacar o Decreto 186 (2008) que aprova o texto da Convenção Internacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre os direitos da pessoa com deficiência no artigo 24 que ao tratar sobre a educação garante a não exclusão do aluno com qualquer tipo de deficiência no sistema educacional por alegar qualquer tipo de deficiência. 26 É importante acrescentar ainda a Lei 12.764, de 27 de dezembro de 2012, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, garantindo o acesso à educação e ao ensino profissionalizante, reconhecendo o autismo como deficiência. Além disso, é relevante mencionar também a Lei 8.014/10 que torna obrigatória a presença de cuidador em Escolas, e que atualmente encontra-se em fase de tramitação na Câmara dos Deputados. Esse projeto é de suma importância na inclusão do aluno com deficiência, pois facilitará o acesso a aprendizagem daqueles que necessitem do recurso do cuidador. No âmbito da assistência social, percebe-se a inclusão das pessoas com deficiência através do BPC (Benefício de Prestação Continuada) regulamentado pela Lei 8.742/93 (Lei Orgânica de Assistência Social- LOAS) que concede um salário mínimo mensal desde que atenda as seguintes condicionalidades: comprovação da própria deficiência, não possua outros meios para manter-se e nem auxílio financeiro de familiares, renda per capita bruta inferior a um quarto do salário mínimo. Ainda, sobre o BPC é relevante acrescentar que ele é individual, não vitalício e intransferível foi criado pela Constituição Federal de 1988 e integra a proteção social básica do Sistema Único de Assistência Social, o benefício também pode ser concedido aos idosos a partir de 65 anos e não é preciso ter contribuído com a previdência social para ter acesso. Na escola, o BPC faz parte de um programa instituído pela Portaria Interministerial nº18 de 24 de abril de 2007 com o intuito de garantir o acesso e a permanência de pessoas com deficiência na faixa etária de até dezoito anos com o objetivo de identificar as dificuldades que impedem o desenvolvimento destas pessoas de forma a desenvolver estratégias para efetivar a inclusão social. 27 3. METODOLOGIA DOS RESULTADOS DA PESQUISA 4.1 AMOSTRA DA APLICAÇÃO DOS QUESTIONÁRIOS COM OS PROFESSORES DO COLÉGIO CONTEMPORÂNEO Tendo em vista avaliar como se dá o processo da educação inclusiva no setor privado, foram aplicados questionários com dez professores do Ensino Médio do Colégio Contemporâneo (Unidade Cidade Verde). A pesquisa atingiu pelo menos um docente de cada área do conhecimento das disciplinas de: História, Educação Física, Geografia, Português, Matemática, Espanhol e Inglês. No que se refere ao tempo de atuação em sala de aula foi observado que a média é 12,5 (doze anos e seis meses) considerando a estimativa de que há professores que estão atuando a partir de 04 (quatro anos) até 45 (quarenta e cinco anos) em sala de aula conforme o gráfico abaixo. PERFIL DOS PROFESSORES ANOS DE ATUAÇÃO EM SALA DE AULA 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 Fonte: Coleta Direta de Dados MÉDIA 12,5 Concernente à experiência dos professores em relação ao aluno com deficiência em sala de aula, foi observado que 70% já tiveram a oportunidade de trabalhar com este público. Os professores que já tiveram a experiência com aluno com deficiência mencionaram que em alguns casos as escolas deram suporte de forma limitada e ineficiente, porém não detalharam que elementos de apoio obtiveram. 28 Além disso, este dado (conforme gráfico abaixo) demonstra a inserção da pessoa com deficiência nos estabelecimentos de ensino não somente no âmbito público, mas também no setor privado, denotando que isto não é incomum, tendo em vista os avanços significativos nas legislações que respaldam a inclusão da pessoa com deficiência no ambiente escolar principalmente após a Constituição Brasileira de 1988 e a transição da fase da integração para a inclusão. VOCÊ TEVE A OPORTUNIDADE DE TRABALHAR COM TURMAS ONDE ESTIVESSEM INSERIDAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA? SIM NÃO 30% 70% Fonte: Coleta Direta de Dados Os docentes avaliaram o Colégio Contemporâneo nos seguintes aspectos: acessibilidade na estrutura arquitetônica, salas de recursos multifuncionais e capacitação sobre educação inclusiva. Referente à acessibilidade na estrutura arquitetônica 80% do corpo docente julgaram como ótima, visto que a instituição tem investido em rampas de acesso, bem como em adaptações nos banheiros, dentre outros. Nesse sentido, é importante destacar que acessibilidade é direito da pessoa com deficiência conforme o Decreto 10.098 do ano 2000 que estabelece normas gerais e critérios básicos para a sua promoção. Sobre isso autora Amaro (2012) assinala: Tanto a constituição (art.205) quanto a LDB e leis específicas como a Lei nº 7.853 /89 e o Decreto nº3298/99 fazem referência à obrigatoriedade de os estabelecimentos de ensino eliminarem seus obstáculos arquitetônicos, como escadas, criarem “acessos”, como rampas e sinalizadores facilitadoras [...] ( AMARO, 2012, p.30) 29 ACESSIBILIDADE NA ESTRUTURA ARQUITETÔNICA: ÓTIMO BOM REGULAR PÉSSIMO 0% 0% 20% 80% Fonte: Coleta Direta de Dados No que se refere às salas de recursos multifuncionais, os professores avaliaram de forma positiva tendo em vista que 60% julgaram como ótima. Este dado demonstra os recursos próprios do setor privado para a manutenção dessas salas. Fonte: Coleta Direta de Dados Dando prosseguimento à avaliação da escola, os professores, quanto à capacitação sobre educação inclusiva, 78% julgaram-na como boa. Nesse sentido foi perceptível que embora a maioria do corpo docente já tenha adquirido algum conhecimento sobre a temática, a capacitação é necessária tendo em vista que ainda não atingiu o ideal. É importante acrescentar que dentre as principais dificuldades relatadas pelos professores em lidar com pessoas com deficiência no ambiente escolar foi mencionada a capacitação sobre educação inclusiva, considerando que esta possibilita a concretude da inclusão. Eles ainda relataram a adequação metodológica ao conteúdo para o aluno com deficiência o que implica diretamente 30 no conhecimento dos tipos de deficiências e das limitações de cada uma delas e orientação de como lidar com este público. Alguns docentes mencionaram sobre a dificuldade em conciliar a atenção ao aluno com deficiência com os demais estudantes de forma a agregá-lo ao grupo. Fonte: Coleta Direta dos Dados Nesse sentido foi observado que diante da capacitação sobre educação inclusiva, metade do corpo docente procurou outros meios para superá-la, porém não foram detalhados quais os instrumentais utilizados para este fim, conforme o gráfico a seguir. Fonte: Coleta Direta dos Dados O distanciamento da família foi mencionado como dificuldade no processo da inclusão da pessoa com deficiência o que implica diretamente no desenvolvimento da mesma. Este aspecto desperta para a atuação do assistente social, tendo em vista que este pode colaborar na mediação entre os educadores e a família, acompanhamento do aluno com deficiência, além de que “são os únicos profissionais que têm a família como objeto privilegiado de intervenção durante toda 31 sua trajetória histórica, ao contrário de outras profissões que a privilegiam em alguns momentos e, em outros, a tiram de cena.” (MIOTO, 2004, p.02 apud NEDER, 1996). É importante ainda acrescentar que o profissional de serviço social no trabalho junto às famílias deve compreender as relações familiares, bem como os fatores que interferem diretamente nestas relações, conforme assinala AMARO (2012): Contudo, entendemos que são, de fato, as incertezas econômicas, o desemprego, o estresse cotidiano, a luta por sobrevivência, a fragilização das relações e o racionamento dos afetos impostos pelo mundo moderno que normalmente trazem dano à família, deteriorando os vínculos ou mesmo as atitudes de mútua proteção entre seus pares. (AMARO, 2012, p.40). Quando questionados sobre se há algum familiar ou pessoa próxima com deficiência, 80% dos professores relataram não ter nenhum contato direto a não ser aqueles que tem aluno com deficiência inserido nas turmas. VOCÊ TEM ALGUM FAMILIAR OU PESSOA PRÓXIMA COM DEFICIÊNCIA? SIM NÃO 20% 80% Fonte: Coleta Direta de Dados Dentre as sugestões de ações inclusivas, os professores mencionaram: capacitação da equipe com profissionais de outras áreas no que se refere à educação inclusiva, o que denota coerência com a necessidade de conhecimento sobre esta temática conforme relatado anteriormente na avaliação da escola; uniformidade nas competências e habilidades esperadas pelo aluno com deficiência, ou seja, através de situações abordadas em sala de aula que estimulem o trabalho em grupo e colabore para a inclusão da pessoa com deficiência; palestras com os alunos sobre a inclusão; sala de atendimento exclusivo para o aluno com deficiência para suporte pedagógico nas atividades; elaboração de material específico. 32 É importante destacar dentro desta perspectiva a Lei de Regulamentação da Profissão 8.662/93 (p.45) a respeito das competências do assistente social “V orientar indivíduos e grupos de diferentes segmentos sociais no sentido de identificar recursos e de fazer uso dos mesmos no atendimento e na defesa de seus direitos”. Tendo como base esta legislação considera-se que o assistente social poderá trabalhar no acompanhamento da pessoa com deficiência e do seu desenvolvimento através da orientação aos seus familiares e profissionais da educação. Quanto à avaliação da criação de uma comissão (equipe multidisciplinar composta por psicólogo, assistente social, pedagogo, dentre outros) sobre inclusão na escola, os professores concordaram de forma unânime julgando como necessária, ótima, satisfatória e importante para o processo de aprendizagem, ressaltando que o aluno com deficiência precisa ser assistido e acompanhado. Os professores concordaram quanto à utilização de um instrumento de trabalho (relatório de acompanhamento, prontuário, questionário, dentre outros) que possibilite a aproximação da escola, família e entidades que acompanhem a pessoa com deficiência, considerando como viável e necessário para o conhecimento das habilidades e potencialidades do aluno com deficiência, favorecendo a parceria entre escola e família. Dentro desta perspectiva é importante mencionar a dimensão educativa do assistente social que articulada através de um trabalho interdisciplinar junto com os professores e coordenação pedagógica no ambiente escolar, poderá colaborar na efetivação dos direitos já conquistados nas legislações, como por exemplo, a educação inclusiva. Sobre tal dimensão educativa PIANA (2008) assinala: Dessa forma, é importante considerar que a função pedagógica e educativa do assistente social ocorre através dos vínculos estabelecidos pela profissão com as classes sociais e se materializa, especialmente, por meio dos efeitos do trabalho profissional na maneira de pensar e de agir dos sujeitos envolvidos nos processos da prática (PIANA, 2008, p.138) Levando-se em consideração o que foi mencionado anteriormente compreende-se que o projeto ético-político do serviço social colabora para a participação dos usuários, tendo em vista que estes possam refletir de forma crítica sobre o contexto no qual estão inseridos através da função educativa do assistente social favorecendo novas relações pedagógicas. 33 4.2 APLICAÇÃO DOS QUESTIONÁRIOS COM OS PROFESSORES DO CENTRO DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS- CEJA ESCOLA PROFESSORA LIA CAMPOS Tendo em vista avaliar como se dá o processo da educação inclusiva no setor público, foram aplicados questionários com nove professores do Ensino Médio do Centro de Educação de Jovens e Adultos- CEJA Professora Lia Campos. A pesquisa atingiu pelo menos um docente de cada área do conhecimento das disciplinas de: Língua Portuguesa, História, Física, Geografia, Sociologia, Biologia, Inglês, Química, Matemática e Filosofia. No que se refere ao tempo de atuação em sala de aula foi observado que a média é 10,4 (dez anos e quatro meses) considerando a estimativa de que há professores que estão atuando a partir de 01 (um ano) até 23 (vinte e três anos) em sala de aula conforme o gráfico a seguir. Fonte: Coleta Direta de Dados Concernente à experiência dos professores em relação ao aluno com deficiência em sala de aula, foi observado que 69% já tiveram a oportunidade de trabalhar com este público. Os professores que já tiveram a experiência com aluno com deficiência mencionaram que em alguns casos as escolas deram suporte de forma limitada, e outras não devido a falta de recursos e apoio governamental conforme o gráfico a seguir. 34 Fonte: Coleta Direta de Dados Como ocorreu na escola privada, os docentes da rede pública avaliaram a escola nos seguintes aspectos: acessibilidade na estrutura arquitetônica, salas de recursos multifuncionais e capacitação sobre educação inclusiva. Referente à acessibilidade na estrutura arquitetônica 33% dos professores julgaram como bom. É importante ressaltar o Decreto 10.098 do ano 2000 que conceitua acessibilidade como “possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos transportes e dos sistemas e meios de comunicação” (artigo 2º inciso I) visando eliminar as barreiras arquitetônicas urbanísticas, nas edificações, nos transportes e comunicação, além da atitudinal o qual pode ser mencionado como desafio no contexto atual. Fonte: Coleta Direta de Dados No tocante às salas de recursos multifuncionais, os professores avaliaram como bom, isto é, 45%. É importante mencionar que as SRM (salas de recursos multifuncionais) faz parte do conjunto de ações da Secretaria de Educação 35 Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão do Ministério da Educação de acordo com o Decreto 6.094 do ano de 2007 que dispõe sobre a implementação do Plano de Metas que trata sobre o compromisso de todos pela educação e no capítulo inciso IX que garante “o acesso e permanência das pessoas com necessidades educacionais especiais nas classes comuns do ensino regular, fortalecendo a inclusão educacional nas escolas públicas”. SALAS DE RECURSOS MULTIFUNCIONAIS: ÓTIMO BOM REGULAR PÉSSIMO 0% 11% 45% 44% Fonte: Coleta Direta de Dados Dando continuidade a avaliação da escola, 56% (cinquenta e seis por cento) dos professores julgaram a capacitação sobre educação inclusiva como boa. Este dado revela o acesso ao conhecimento da temática, além de que a atuação da SUESP-RN (Subcoordenadoria de educação especial) atinge os docentes, tendo em vista que dentre as suas atribuições no âmbito da Secretaria do Estado de Educação é capacitar gestores e docentes. É relevante ainda mencionar que dentre as dificuldades relatadas pelos professores em lidar com a pessoa com deficiência destaca-se a falta de capacitação sobre educação inclusiva, pois favorece uma maior fundamentação no trabalho desenvolvido junto ao aluno com deficiência. Isto denota a contradição, pois, se os docentes julgaram esta falta porque apontaram a capacitação como boa? Merece atenção este dado, pois, é preciso refletir qual o conceito de bom que os docentes se remetem. 36 Fonte: Coleta Direta de Dados Diante da falta de capacitação, a maioria, 56% (cinquenta e seis por cento) dos docentes não procurou outros meios para conhecimento sobre a educação inclusiva conforme gráfico a seguir. VOCÊ COMO EDUCADOR, JÁ PROCUROU SE CAPACITAR ATRAVÉS DE OUTROS MEIOS SOBRE TÉCNICAS DE EDUCAÇÃO INCLUSIVA? SIM NÃO 44% 56% Fonte: Coleta Direta de Dados Dentre as principais dificuldades dos professores quanto à inclusão da pessoa com deficiência, foram mencionadas: a falta de estrutura física adequada; acompanhamento da pessoa com deficiência por uma equipe multidisciplinar; conciliar a atenção ao aluno com deficiência e os demais em sala de aula, isto é, a falta de um professor auxiliar que demanda o aumento do quadro de efetivos; recursos e material adaptado no próprio ambiente escolar. Nesse sentido, é relevante mencionar que cabe ao poder público estimular a capacitação do professor como também de promove-la dentro do ambiente escolar. O relato do corpo docente revela que no âmbito público a dificuldade quanto à inclusão da pessoa com deficiência limita-se aos recursos financeiros que ainda não atendem todas as necessidades da escola, pois é perceptível, por exemplo, em 37 sua estrutura arquitetônica, por exemplo, expressa na falta de rampas de acesso e adaptações em todo o prédio. A falta de presença da família no processo de inclusão da pessoa com deficiência no ambiente escolar foi um dado que despertou atenção. Tendo em vista que o assistente social é um profissional que poderá no âmbito da educação, trabalhar como mediador entre a família e a escola de forma a colaborar no desenvolvimento do aluno com deficiência através de um acompanhamento, orientação quanto aos seus direitos previstos nas legislações que respaldam sua entrada e permanência na escola, é de fundamental importância a presença desse profissional na equipe multidisplinar na escola. Dentro deste contexto, é importante assinalar o Plano Nacional de Assistência Social (PNAS/2004, p.90) que conceitua a família como “núcleo social básico de acolhida, convívio, autonomia, sustentabilidade e protagonismo social”. A partir dessa concepção e da atitude investigativa e interventiva do serviço social, o profissional está apto a desempenhar: Portanto, as análises de seus estudos e pesquisas que precisam ser realizadas a partir de situações concretas e possuir utilidade social, não interessando o conhecimento realizado apenas com finalidade descritiva e contemplativa. Para que os estudos e pesquisas tenham utilidade social é fundamental, além da clareza do projeto ético- político construído coletivamente pela categoria, o domínio teórico metodológico e técnico-operativo, alicerçados pelo conjunto de conhecimentos, habilidades, atribuições, competências e compromissos necessários à realização dos processos de trabalho, em qualquer espaço ou âmbito de atuação onde o assistente social o realize. (FRAGA, 2010, p.46) Quando questionados se há algum familiar ou pessoa próxima com deficiência, 78% (setenta e oito por cento) dos professores relataram não ter nenhum contato direto a não serem aqueles que tenham aluno com deficiência inserido nas turmas conforme o gráfico a seguir. 38 Fonte: Coleta Direta de Dados Dentre as sugestões de ações inclusivas foram mencionadas pelo corpo docente: cursos de capacitação sobre educação inclusiva oferecida pela escola, isto denota que o conhecimento adquirido sobre a temática ainda não é suficiente para atender as necessidades que perpassam a questão da inclusão social da pessoa com deficiência; um projeto político efetivo, isto é, a efetivação dos direitos previstos nas legislações; aumento do quadro efetivo dos professores considerando que é necessário um professor auxiliar nas turmas em que estão inseridas pessoas com deficiência; recursos e materiais adaptados na escola de forma a garantir à acessibilidade à informação. No tocante a criação de uma comissão com equipe multidisciplinar sobre inclusão no ambiente escolar, todos os professores concordaram, considerando interessante e necessidade urgente, pois irá colaborar no desenvolvimento da pessoa com deficiência e na melhoria da educação inclusiva no âmbito público. Sobre a utilização de um instrumento de trabalho (relatório de acompanhamento, prontuário, questionário, entre outros exemplos) que possibilite a aproximação da escola, família e entidades que acompanhem a pessoa com deficiência, a maioria dos professores concordou por considerar que essa integração poderá trazer benefícios aos alunos. Nesta perspectiva, é importante refletir sobre a fala do Professor “E” que assinala: “acredito que devemos transcender aspectos teóricos e partirmos para a prática. Necessitamos agir e parar de acumular papel quantitativo”. Essa afirmação foi observada sobre duas óticas: a primeira remete-se a não efetivação das legislações que respaldam a inclusão da pessoa com deficiência no ambiente escolar, alguns direitos não chegam a se concretizarem, apenas permanecem no papel. E segundo, que dentro do contexto de reestruturação 39 produtiva em que o profissional é visto como polivalente, é necessário diminuir o tempo com teorias para obter resultados na prática. Sobre o trabalhador polivalente (IAMAMOTO, 2011, p.32) ressalta como “aquele que é chamado a exercer várias funções, no mesmo tempo de trabalho e com o mesmo salário, como conseqüência do enxugamento do quadro de pessoal das empresas”. Portanto, o profissional de serviço social ao adentrar o espaço sócio ocupacional da educação deverá ter clareza sobre suas atribuições e competências destacadas no Código de Ética Profissional (1993) e na Lei de Regulamentação da Profissão (8662/93) e as Diretrizes Curriculares da ABEPSS (Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social- 1996) uma vez que naqueles estão contidos os princípios, direitos, deveres, atribuições e competências do profissional. Assim, o assistente social deve ter competências que colaborem no entendimento da conjuntura como, por exemplo: “[...] apreensão crítica dos processos sociais de produção e reprodução das relações sociais numa perspectiva de totalidade; - análise do movimento histórico da sociedade brasileira, apreendendo as particularidades do desenvolvimento do capitalismo no país e as particularidades regionais.” (CFESS, 2012, p.26). 4.3 ANÁLISE DA ENTREVISTA COM A COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA DO COLÉGIO CONTEMPORÂNEO (UNIDADE CIDADE VERDE) Tendo em vista avaliar como a educação inclusiva tem sido desempenhada no setor privado e complementar a análise dos professores, foi realizada entrevista com a coordenação pedagógica do Colégio Contemporâneo. Na escola, em 2013 estão matriculados 13 alunos que apresentam algum tipo de deficiência dentre as quais se destaca: Dislexia, TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), Retardo mental moderado, Transtorno global, Síndrome de Asperger e Distúrbio do comportamento. A coordenação também avaliou a escola, assim como os professores, nos seguintes aspectos: acessibilidade na estrutura arquitetônica, salas de recursos multifuncionais e capacitação sobre educação inclusiva. No que se refere à acessibilidade foi assinalada como boa considerando que os banheiros e a escola como um todo estão em processo de adaptação em sua estrutura arquitetônica. Quanto às salas de recursos multifuncionais e capacitação 40 dos professores sobre educação inclusiva, foram julgadas como ótimas pela coordenação, considerando a intervenção da APABB nos encontros pedagógicos dos professores através do Projeto Caminhando com as Escolas e a adaptação do material didático à pessoa com deficiência elaborada pelos próprios docentes. Quanto às principais dificuldades enfrentadas pela coordenação pedagógica, no que se refere à inclusão da pessoa com deficiência no ambiente escolar e no acompanhamento do seu desenvolvimento foram mencionadas: a articulação entre a família e a escola dentro deste processo, considerando que a família participa pouco, evidenciando maior incidência no início do ano letivo; orientação aos professores no que se refere à elaboração de propostas diferenciadas considerando, por exemplo, a pessoa com deficiência e os demais alunos numa mesma turma; compreender as deficiências e trabalhar com cada uma delas; professores considerados tradicionais que são resistentes à inclusão. Dentro desta perspectiva convém assinalar a atribuição privativa do assistente social no que se refere à orientação e acompanhamento a indivíduos, grupos e famílias que dentro do ambiente escolar pode colaborar na aproximação da família no processo de inclusão da pessoa com deficiência, tendo em vista também que a escola estudada promove apenas ações pontuais que incentivem a participação familiar. Sobre isso é relevante destacar: Diante dessas afirmações, pode-se dizer que discutir orientação e acompanhamento significa discutir o caráter educativo dessas ações uma vez que interferem diretamente na formação e condutas e subjetividades de sujeitos que frequentam o cotidiano dos diferentes espaços sócio- ocupacionais do Serviço Social. (VASCONCELOS, 2000 apud MIOTO, 2009, p.499). As principais ações inclusivas no Colégio Contemporâneo eram realizadas de forma pontual com orientações aos professores, porém a partir da intervenção da APABB-RN através do Projeto Caminhando com as Escolas tem sido mais enfatizada com o acompanhamento do aluno, pessoa com deficiência que também é usuária da instituição. A coordenação pedagógica tem conhecimento acerca da atuação da SUESPRN e avalia de forma positiva e até o momento atual não foi necessária nenhuma aproximação com o órgão para orientar quanto à inclusão da pessoa com deficiência no colégio. 41 Quanto à possibilidade de atuação do assistente social no ambiente escolar a coordenação afirma que o profissional será muito bem vindo “porque ninguém ficaria sobrecarregado, não teria desvio de função e iria colaborar bastante na equipe”. Nesse sentido, é relevante destacar a interdisciplinaridade: É preciso ponderar, em particular, a importância da interdisciplinaridade no que tange ao atendimento de crianças e jovens com deficiências e Necessidades Educacionais Especiais, uma vez que, saberes estanques em nada colaboram com o desenvolvimento das potencialidades desses educandos. Assim, se faz absolutamente necessária a formação de redes interdisciplinares entre famílias, educandos, educadores, profissionais da saúde e de outras áreas envolvidos no trabalho, para que possa de fato ocorre uma ação conjunta de verdadeira troca de saber, onde todos os atores desta rede estejam unidos com um único objetivo, o progresso dessas crianças e jovens. (ASSIS et al., p.24,2008). Portanto, com base nos autores compreende-se que a interdisciplinaridade colabora no desenvolvimento da pessoa com deficiência e o assistente social poderá favorecer o fortalecimento “das redes interdisciplinares” com o intuito de que a ação conjunto esteja voltada a inclusão social do aluno com deficiência. 4.4 ANÁLISE DA ENTREVISTA COM A COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA DO CENTRO DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS- CEJA PROFESSORA LIA CAMPOS. Com o intuito de dar prosseguimento a avaliação de como tem sido desenvolvida a educação inclusiva no âmbito público e identificação das principais dificuldades enfrentadas pelas escolas no que se refere à inserção da pessoa com deficiência e o acompanhamento de seu desenvolvimento, foi realizada entrevista com a coordenadora pedagógica do turno matutino do Centro de Educação de Jovens e Adultos da Escola Prof.ª Lia Campos. Na escola, em 2013, estão matriculados 24 alunos com algum tipo de deficiência. A maioria desses alunos é de deficientes intelectuais, porém, também são identificadas: deficiência auditiva, baixa visão e física. Da mesma forma que os professores, a coordenadora também avaliou a escola nos seguintes aspectos: acessibilidade na estrutura arquitetônica, salas de 42 recursos multifuncionais e capacitação sobre educação inclusiva. Nesses três aspectos, foram julgados por ela como ótimo. É importante assinalar que os professores julgaram a mesma escola quanto à acessibilidade e salas de recursos multifuncionais como regular e capacitação sobre educação inclusiva como boa. Este dado revela, portanto, que na instituição os professores e coordenação pedagógica divergem quanto a estes aspectos remetendo-se a seguinte reflexão: qual a visão dos professores sobre a coordenação pedagógica? Como tem sido a aproximação entre os professores e a gestão da escola? É relevante dizer que o profissional de serviço social poderá colaborar no ambiente escolar para a articulação entre os professores e coordenação pedagógica na mediação entre estes profissionais trabalhando a interdisplinaridade de forma a contribuir no desenvolvimento da pessoa com deficiência. Sobre a interdisciplinaridade é relevante mencionar: Para que, de fato, a inclusão escolar e social possa ocorrer, a interdisciplinaridade se apresenta como um caminho que tem muito a contribuir. Ampliar a rede interdisciplinar envolvendo profissionais com diferentes formações nessa proposta e reconhecer o papel social e a importância de cada um nesse processo torna- se, portanto, fundamental na busca desse ideal. (ASSIS, et al., p.26-27, 2008). No que se refere às principais dificuldades enfrentadas pela coordenação pedagógica quanto à inclusão social da pessoa com deficiência no ambiente escolar e no acompanhamento do seu desenvolvimento, a coordenadora assinalou que apesar da infraestrutura física ter avançado significativamente ainda é necessária uma sinalização para deficientes visuais, tendo em vista auxiliá-los na mobilidade dentro da instituição. Além disso, é preciso uma articulação com outros profissionais e funcionários, como por exemplo, no ato da matrícula na identificação do aluno com deficiência e encaminhamento à coordenação pedagógica, bem como o fato de alguns professores não elaborarem atividades adaptadas considerando a limitação da pessoa com deficiência. Também é importante destacar acerca do direito à informação como um mecanismo fundamental na inclusão social da pessoa com deficiência. Sobre isso, Mioto (2009) assinala: 43 Ressalta-se nessas considerações que o direito à informação não está restrito apenas ao conhecimento dos direitos e do legalmente instituído nas políticas sociais. Inclui-se o direito dos usuários de usufruírem de todo conhecimento socialmente produzido, especialmente daqueles gerados no campo da ciência e da tecnologia, necessário para a melhoria das condições e qualidade de vida ou para que os usuários possam acessar determinados bens ou serviços em situações específicas. Acresce-se ainda que o direito à informação não se restringe ao acesso à informação. Ele pressupõe também a compreensão das informações, pois é ela que vai possibilitar seu uso na vida cotidiana. (MIOTO, 2009, p. 502- 503). A coordenação mencionou que a família participa pouco da vida escolar de seu dependente, limitando-se apenas quando é convocada pela escola, tendo em vista que na instituição são atendidos jovens e adultos, apenas, os familiares dos alunos com deficiência intelectual são mais presentes. Este dado revela a importância do trabalho do serviço social junto às famílias dentro da escola, considerando que o profissional poderá colaborar no “[...] uso da informação ou a incorporação da informação pelos sujeitos, torna-se um indicador importante de avaliação no processo de construção dos indivíduos [...]” (MIOTO, 2009. p.503). Quanto as principais ações inclusivas que tem sido desenvolvidas pelo CEJA Escola Prof.ªLia Campos, a coordenação pedagógica assinalou a discussão com os professores e pedagogos na sala da coordenação pedagógica sobre inclusão, tendo em vista que além do tempo em sala de aula, os profissionais também se dedicam ao planejamento ; a atuação articulada da coordenação com a direção da escola de forma ativa e integrada a fim de efetivar a inclusão através de recursos. Sobre a atuação da Subcoordenadora de Educação Especial (SUESP-RN), foi considerada pela coordenadora como relevante, tendo em vista, a orientação e direcionamento de como lidar com a pessoa com deficiência que são transmitidos pelo órgão aos coordenadores através dos cursos sobre educação inclusiva destinada aos gestores das escolas públicas. Considerando a Lei Estadual 8.804 de 24 de fevereiro de 2006 aprovada e promulgada que institui o Serviço Social Escolar nas escolas públicas do Estado do RN, a coordenação pedagógica avalia de forma positiva a possibilidade de atuação do assistente social na educação “é um profissional indicado para atuar na escola”. Nota-se que as experiências em torno do fazer profissional de Assistentes Sociais, em escolas de Natal, estão permeadas pelo 44 enfrentamento de questões que, para a escola e seus profissionais convencionais, surgem como problemas difíceis de serem encaminhados. Nestas escolas, o Assistente Social é observado como profissional dotado de uma base teórico-metodológica que lhe permite realizar uma leitura da realidade social, inerente aos usuários da escola (inclui-se entre estes os alunos e sua família), que muitas vezes vem interferir nas condições de ensino e aprendizagem do aluno. É a partir do conhecimento dessa realidade social composta de diversificadas necessidades social, que o Assistente Social auxilia a escola e, consequentemente, os agentes envolvidos no processo educacional, executando ações correspondentes a cada uma dessas necessidades. (SOUZA, 2003, p.162). É válido acrescentar ainda que demandas como: drogas, que na escola é algo expressivo na faixa etária dos alunos com quinze anos; violência doméstica com característica de cárcere privado, identificada através de depoimentos com professores; acompanhamento da pessoa com deficiência na orientação referente aos benefícios sociais como o BPC (Benefício de Prestação Continuada), foram pontuados pela coordenação como questões em que as famílias têm transferido a responsabilidade para a escola e que o assistente social iria contribuir junto com a equipe multidisciplinar no atendimento a essas demandas que chegam frequentemente à coordenação pedagógica. 4.5 A ATUAÇÃO DA SUESP-RN – ANÁLISE DA ENTREVISTA COM A SUBCOORDENADORIA DE EDUCAÇÃO ESPECIAL. Segundo dados da Subcoordenadoria de Educação Especial estão inseridos aproximadamente 12.000 alunos com algum tipo de deficiência nas escolas do Estado do RN e do município de Natal. Nas escolas estaduais atualmente é de 750 alunos identificados com todos os tipos de deficiência, porém a maioria possui deficiência intelectual. Da mesma forma que os professores e coordenação do CEJA- Profª Lia Campos avaliaram a escola no que se refere à acessibilidade da estrutura arquitetônica, salas de recursos multifuncionais e capacitação dos professores com relação à educação inclusiva, a SUESP-RN também avaliou as escolas do município de Natal que são de responsabilidade do Estado tendo como base esses três aspectos. 45 Segundo, a gestora da Subcoordenadoria o atual momento da educação inclusiva está próximo do ideal, ou seja, quase bom, tendo em vista que ocorreram avanços significativos observando os períodos de classes especiais, integração e inclusão. “A escola como um todo não está bem, tem fragilidades naturais, sofre também com situação econômica dos alunos, todas as mazelas que a sociedade vive hoje, deságuam nesse mar que é a escola.” Ressalta-se que a questão social interfere diretamente no processo de inclusão da pessoa com deficiência, atenta-se, portanto que o serviço social tem as suas diversas expressões como objeto de intervenção na atuação profissional: São situações vinculadas a distintas manifestações da questão social [...] como – desemprego, violência doméstica, violência contra a criança e o adolescente, entre outras. Questões que também vêm atingindo o ambiente escolar sendo, portanto, necessário o encaminhamento de ações direcionadas para o seu enfrentamento entre tantas outras que possam ser causadoras da repetência, da evasão escolar, do não desenvolvimento de crianças e adolescentes no processo ensino-aprendizagem. Nesta perspectiva, o Assistente Social, ao lado dos demais profissionais inseridos na escola, é um importante colaborador no encaminhamento, na orientação e nos esclarecimentos de tais questões, mediante sua formação técnica, ética e política [...] (SOUZA, 2003, p.104-1505). Foi observado que até o ano de 2007 no município de Natal tinham somente 10 salas de recursos multifuncionais (chamadas como sala de apoio) e atualmente identifica-se 44 escolas que tem salas deste tipo, professores atendendo os alunos no contra turno, evitando deslocamentos como por exemplo da Zona Norte para o Centrinho ou para a Clínica Heitor Carrilho, ou seja, a instituição escolar passa a atender demandas simples que depende unicamente do pedagógico, dando conta do próprio alunado. Porém é preciso estar atento apesar de avanços, para as fragilidades, ainda existentes, pois a inclusão é um processo histórico. Segundo a Subcoordenadoria “as barreiras a cada dia tem sido gradativamente superadas”. Atualmente são 400 escolas do Estado que têm acessibilidade e as demais estão no processo de implementação desse recurso, os colégios que têm salas de recursos multifuncionais recebem recursos do MEC (Ministério de Educação E Cultura) referente à “escola acessível”. Nesse sentido é preciso que o gestor e coordenador tenham um olhar diferenciado para com a inclusão da pessoa com deficiência de forma a destinar estes recursos para a eliminação de barreiras como, por exemplo da estrutura física. 46 O papel da SUESP-RN é apoiar o aluno com deficiência na escola em que ele estiver inserido e também a instituição educacional trabalhando de forma articulada. Nos tempos pretéritos, a visão era que o aluno com deficiência era de responsabilidade exclusiva da Subcoordenadoria. No que se refere à capacitação dos professores sobre educação inclusiva, a SUESP-RN desenvolve um trabalho de acompanhamento através do serviço de itinerância que atende aproximadamente 100 escolas localizadas em Natal e Região Metropolitana nos turnos matutino, vespertino e noturno, podendo a escola atender em vários turnos. Na SUESP-RN tem o serviço de tecnologia assistiva, núcleo de acessibilidade atendendo todos os tipos de deficiência. Segundo a gestora no que se refere à inclusão “a escola não está pronta, pois, cada vez surge uma demanda nova.” Além disso, a Subcoordenadoria tem parceria com a UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) para capacitação, com cursos para professores das salas de recursos multifuncionais e itinerantes e coordenadores, atingindo aproximadamente 500 profissionais, pois é necessário capacitar a escola como um todo focando no gestor, coordenador e professor para que estes trabalhem as famílias e atendam bem o aluno. Vale ressaltar que este trabalho começou sem nenhum recurso, apenas através de parceria. Quanto às dificuldades em relação à inclusão da pessoa com deficiência no ambiente escolar, falta apoio da saúde, pois alguns alunos não possuem somente à deficiência, mas também doença mental ou outras. Com base nessas informações, precisa haver uma articulação maior com a rede de parcerias e com profissionais, como por exemplo do psicólogo e assistente social, além de outros como psiquiatra e da rede de atendimento da saúde, pois alguns alunos encontram dificuldades de acesso ao profissional da medicina como o medicamento. A gestora da SUESP-RN destaca que “é necessário fazer uma inclusão com dignidade e não incluir por incluir.” Como dificuldade foi mencionada a falta do intérprete, instrutor de libras nas escolas. Sobre esse assunto, é válido destacar a Lei Federal 10.436 (2002) que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) em seu artigo 2º assinala que “deve ser garantido, por parte do poder público em geral e empresas concessionárias de serviços públicos, formas institucionalizadas de apoiar o uso e difusão da Língua Brasileira de Sinais - Libras 47 como meio de comunicação objetiva e de utilização corrente das comunidades surdas do Brasil”. As principais ações inclusivas da SUESP-RN são: serviço de itinerância, salas de recursos multifuncionais; formação permanente dos profissionais das escolas; acompanhamento do peso individual de cada aluno; no atendimento a deficiência visual, auditiva, dentre outras, destinando um núcleo específico para atender cada demanda. Sobre a possibilidade de atuação do assistente social na escola, a responsável pela SUESP-RN destaca como “um profissional bem vindo, pois só vem somar na escola”. É importante ressaltar a fala da gestora da SUESP-RN que o “assistente social não vai dar conta de toda a demanda da escola e não será aquele profissional que irá com a varinha de condão mágico resolver todos os problemas, mas será um profissional que terá uma atuação importante e significativa principalmente no atual contexto da sociedade. Hoje é necessária cada vez mais uma equipe multidisciplinar na escola.” Este dado remete-se a atenção para que no âmbito educacional o profissional de serviço social não tenha a visão messiânica e fatalista. Sobre isso, Iamamoto (2011) assinala: Mas é necessário, também evitar uma outra perspectiva, que venho chamando de messianismo profissional: uma visão heroica do Serviço Social que reforça unilateralmente a subjetividade dos sujeitos, a sua vontade política sem confrontá-la com as possibilidades e limites da realidade social. (IAMAMOTO, 2011, p.22). A SUESP-RN já recebeu solicitações de algumas escolas privadas para orientação de como lidar com aluno com deficiência, porém não é papel da Subcoordenadoria acompanhá-las, tendo em vista que se trata não somente de instituições educacionais, mas de empresas que lucram através da venda da mercadoria que é a educação. Foi ressaltado pela coordenadora que a Subcoordenadoria não se omitiu no que se refere à orientação dessas escolas, porém, o foco do trabalho do órgão é com as escolas públicas. 48 4.6 ANÁLISE COMPARATIVA PÚBLICO X PRIVADO: A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL. As naturezas do público e privado são distintas por isso, se faz necessário destacar o significado da atuação do assistente social dentro destes âmbitos, tendo em vista que terá características próprias dentro de cada espaço sócio ocupacional. Na esfera privada, segundo Iamamoto (2011): O assistente social não produz diretamente – riqueza valor e maisvalia-mas, é um profissional que é parte de um trabalhador coletivo, fruto de uma combinação de trabalhos especializados na produção, de uma divisão técnica do trabalho. É este trabalho cooperativo que, seu conjunto, cria as condições necessárias para fazer crescer o capital investido naquela empresa. (IAMAMOTO, 2011 p.69). Nesse sentido, compreende-se que na esfera pública a prática profissional possui um significado diferente, pois: [...] não existe criação capitalista de valor e mais-valia, visto que o Estado não cria riquezas ao atuar no campo das políticas sociais públicas. O Estado recolhe parte da riqueza social sob a forma de tributos e outras contribuições que formam o fundo público e redistribui parcela dessa mais-valia por meio das políticas sociais. (IAMAMOTO, 2011, p.70). Desse modo, é importante mencionar que o serviço social não é contraditório e sim a realidade a qual o profissional se insere, dentro do sistema capitalista, ou seja: O Serviço Social dispõe de um caráter contraditório que não deriva dele próprio, mas do caráter mesmo das relações sociais que presidem a sociedade capitalista. Nesta sociedade, o Serviço Social inscreve-se em um campo minado por interesses sociais antagônicos, isto é, interesses de classes distintos e em luta na sociedade. (IAMAMOTO, 2011, p.54) Tendo como base as considerações de Iamamoto (2011) e o objetivo geral da pesquisa em que consiste analisar a inclusão social da pessoa com deficiência na educação pública e privada nas escolas selecionadas (CEJA- Escola Prof.ª Lia 49 Campos e Colégio Contemporâneo) com o intuito de estabelecer um estudo comparativo ressaltando a importância da atuação do assistente social, foram identificadas semelhanças e diferenças quanto à educação inclusiva. Quanto à acessibilidade na estrutura arquitetônica 45% regular no âmbito público e 80% ótima na esfera privada, isto implica diretamente nos recursos que são destinados, além de que nas duas esferas a acessibilidade tem sido um processo gradativo, isto é, as escolas têm se organizado na medida em que recebem alunos com deficiência. Fonte: Coleta Direta de Dados No que se refere às salas de recursos multifuncionais 44% (quarenta e quatro por cento) classificaram como regular no âmbito público e 60% ótimo na esfera privada, isto implica a diferença expressiva nas duas esferas, conforme o gráfico a seguir. 50 Fonte: Coleta Direta de Dados Quanto à necessidade de capacitação sobre educação inclusiva, foi identificada uma semelhança, pois, tanto a escola pública quanto a privada classificaram como bom, ainda não atingindo a ideal. Foi observado também que as duas escolas apesar de terem acesso à capacitação do corpo docente, ainda tem necessidade de adequação metodológica que reflete diretamente no desenvolvimento da pessoa com deficiência no ambiente escolar. Dentro dessa perspectiva é relevante dizer o assistente social não irá substituir os profissionais da educação no que se refere à capacitação, mas irá colaborar através de suas atribuições e competências com orientações e acompanhamento, visando autonomia dos sujeitos face ao processo de inclusão social, por isso se faz necessário salientar a autora Souza (2003): 51 É viável salientar que a defesa da ampliação, do reconhecimento e da reafirmação de um espaço de trabalho na escola para os Assistentes Sociais não significa pensar que os mesmos atuam como substitutos dos profissionais convencionais da educação em suas atribuições. Defende-se sim, que os Assistentes Sociais podem concretamente auxiliar e subsidiar a escola e seus profissionais em questões particulares que se efetivam nesse espaço institucional, com o que lhes é específico, particular. (SOUZA, 2003, P.24-25) Fonte: Coleta Direta de Dados Concernente às dificuldades semelhantes foi identificada o distanciamento da família e falta de acompanhamento da pessoa com deficiência. Neste aspecto, remete-se a atuação do assistente social junto às famílias através de ações socioeducativas, sobre isso Mioto (2009) assinala: Quando um indivíduo participa de encontros com o assistente social, muito provavelmente ele está referenciado numa família ou num grupo. Ou, quando os indivíduos participam de grupos caracterizados por uma determinada situação (por exemplo: gestantes, idosos) além de estarem conectados entre si, também estão vinculados a diferentes famílias. (MIOTO, 2009, p.507). Na escola pública a maioria dos professores não procurou outros meios para capacitar-se. Na escola privada metade dos professores procuraram outros instrumentos de capacitação e metade não. Este dado remete-se ao contexto da reestruturação produtiva em que tem se exigido um profissional polivalente capaz de dar respostas as várias demandas ao mesmo tempo. 52 VOCÊ COMO EDUCADOR, JÁ PROCUROU SE CAPACITAR ATRAVÉS DE OUTROS MEIOS SOBRE TÉCNICAS DE EDUCAÇÃO INCLUSIVA? (COLÉGIO CONTEMPORÂNEO) SIM NÃO 50% 50% Fonte: Coleta Direta de Dados Nas duas escolas, foi notada a semelhança que a maioria do corpo docente não tem algum familiar ou pessoa próxima com deficiência, conforme o gráfico a seguir. Fonte: Coleta Direta de Dados Nas duas escolas, foi observado que a maioria dos professores teve a oportunidade de trabalharem com turmas onde estivessem inseridas pessoas com deficiência isso reflete a inclusão social deste público que através das legislações ocupam o ambiente escolar como direito. 53 Fonte: Coleta Direta de Dados Em suma, considerando a análise comparativa entre as escolas pública e privada, compreende-se no que se refere à inclusão da pessoa com deficiência que: É necessário lembrar que embora haja uma ênfase maior da discussão do Serviço Social Escolar em escolas públicas, isto não significa que o Assistente Social não possa estar atuando em escolas privadas. Afinal, não só as escolas da rede pública de ensino podem ser atingidas por diversas expressões da questão social. Situações envolvendo o uso de drogas e a violência no âmbito da escola são possíveis de ocorrer também nas escolas particulares exigindo-se a ação de profissionais especializados tais como o Assistente Social, o Psicólogo, entre outros. (SOUZA, 2003, p.97). É importante acrescentar ainda que o assistente social na educação deve ter como norte os princípios e valores do seu projeto ético político que é expresso na Lei de Regulamentação 8662/93 e o Código de Ética Profissional (1993), pois: Os princípios constantes no Código de Ética são focos que vão iluminando os caminhos a serem trilhados, a partir de alguns compromissos fundamentais acordados e assumidos coletivamente pela categoria. Então ele não pode ser um documento que se “guarda na gaveta”: é necessário dar-lhe vida por meio dos sujeitos que, internalizando o seu conteúdo, expressam-no por ações que vão tecendo o novo projeto profissional no espaço ocupacional cotidiano. (IAMAMOTO, 2011. p.78) 54 Concernente à atuação do profissional do serviço social no âmbito público é preciso considerar que segundo Iamamoto (2011 p.79) “o desafio é transformar espaços de trabalho, especialmente estatais, em espaços de fato públicos, alargando as possibilidades de apropriação da coisa pública por parte da coletividade”. Tendo em vista o que foi apresentado, reafirma-se a atuação do assistente social na educação seja ela pública ou privada uma vez que dentro do processo de inclusão social da pessoa com deficiência o profissional poderá contribuir com base na sua formação acadêmica na leitura da realidade social das escolas, orientar grupos, indivíduos e famílias e acompanhar o desenvolvimento do aluno com deficiência. 55 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Tendo em vista o exposto acerca dos questionários aplicados com os professores do Colégio Contemporâneo compreende-se que a acessibilidade na estrutura arquitetônica, salas de recursos multifuncionais e capacitação sobre educação inclusiva tem sido um processo gradativo na escola na medida em que tem recebido alunos com deficiência. No que se refere às demandas do setor privado conclui-se que a maior carência encontra-se no conhecimento dos tipos de deficiência e como lidar com cada uma delas dentro do ambiente escolar, além disso, evidencia-se dentre as principais dificuldades o distanciamento da família no processo de ensino e aprendizagem da pessoa com deficiência, nesse sentido, desperta a atenção para a atuação do assistente social, tendo em vista que este profissional pode colaborar dentro da equipe multidisciplinar favorecendo a inclusão social na mediação com a família e o corpo docente. Na análise dos dados da entrevista com a coordenação pedagógica da escola privada percebe-se similaridade com os professores concernente às dificuldades em aproximar a família do processo de inclusão do aluno com deficiência e conhecimento sobre a educação inclusiva. Destaca-se à atuação da APABB-RN com o Projeto Caminhando com as Escolas através da atuação da assistente social na orientação, acompanhamento e intervenção com o corpo docente, coordenação e família. Quanto à análise dos questionários aplicados com os professores do CEJALia Campos entende-se que a acessibilidade na estrutura arquitetônica e salas de recursos multifuncionais tem sido também um processo gradativo, porém ainda depara-se no limite dos recursos públicos. Os principais relatos dos professores da escola pública denotam um pouco do cenário da educação atual brasileira, tendo em vista que o professor é aquele que está na ponta de execução da política educacional e por isso este profissional tem sido cobrado a responder demandas que não são de sua competência, como a violência e as drogas que interferem diretamente na sala de aula. E no que tange à temática da inclusão social da pessoa com deficiência evidencia-se que os professores ainda encontram dificuldades para a realização deste processo, por 56 carência de capacitação sobre educação inclusiva e de uma equipe multidisciplinar para dar o suporte. Na análise dos dados da coordenação pedagógica da escola pública é evidenciada uma diferença na avaliação quando comparado aos professores, concernente à acessibilidade, salas de recursos multifuncionais e capacitação sobre educação inclusiva. Nesse sentido, remete-se à reflexão de como tem sido a aproximação da gestão da escola com os profissionais da educação, tendo em vista que isso caracteriza como um importante mecanismo na efetivação da inclusão social. Observa-se ainda através da coordenação pedagógica da escola pública que as dificuldades enfrentadas quanto ao distanciamento da família no processo de inclusão da pessoa com deficiência é o mesmo limite que a escola privada enfrenta atualmente. E que tanto o âmbito público, quanto o privado ressaltaram a importância da atuação do assistente social na educação para a mediação na aproximação da família com a escola. Na análise dos dados com a SUESP-RN foi observado que o número atual de doze mil alunos com deficiência inseridos nas escolas regulares em todo o Estado revela o avanço significativo da inserção da pessoa com deficiência no espaço escolar e também remete a reflexão de como tem sido desenvolvido o processo de inclusão social face às demandas da educação. Além disso, foi possível perceber que as escolas regulares de responsabilidade do Estado têm se organizado gradativamente para receber o aluno com deficiência, o que denota para o fato de que nenhuma escola ainda encontra-se devidamente preparada. É importante ainda destacar o trabalho de acompanhamento através do serviço de itinerância da SUESP-RN que atinge o CEJA- Prof.ª Lia Campos de forma positiva como foi destacado pela coordenação pedagógica. Como os professores e as coordenações pedagógicas da escola pública e privada aqui estudadas, a SUESP-RN também ressalta a atuação do assistente social na escola como um profissional apto a intervir dentro da equipe multidisciplinar e na orientação quanto ao processo de inclusão social da pessoa com deficiência e que é de fundamental importância da efetivação da Lei Estadual 8.804(oito mil, oitocentos e quatro) de 24 (vinte e quatro) de fevereiro de 2006 (dois mil e seis) aprovadas e promulgadas que institui o Serviço Social Escolar nas escolas públicas do Estado do RN. 57 Na análise comparativa entre o público e o privada foram identificadas semelhanças e diferenças no que se refere à educação inclusiva, o que denota para o assistente social na educação como limites e possibilidades na atuação profissional. Além disso, compreende-se que dentro do processo de acompanhamento e desenvolvimento da pessoa com deficiência, a APABB-RN através do Projeto Caminhando com as Escolas tem tido um papel relevante na orientação quanto à inclusão social tanto aos educadores, como as famílias dos usuários, através do serviço social, nesse sentido, revela que tem sido uma atuação significativa face à realidade das escolas aqui estudadas, uma vez que nenhuma possui em seu quadro de funcionários o assistente social, portanto reafirma-se a importância de um profissional deste tipo em cada escola de forma a trabalhar na efetivação da inclusão social. 58 REFERÊNCIAS AMARO, Sarita. Serviço Social na educação: bases para o trabalho profissional. Florianópolis: Ed. da UFSC, 2012. ARAÚJO, Clarissa Martins. Inclusão: construindo uma sociedade para todos. 2003. A prática docente inclusiva- o papel da escola na produção de saberes voltados ao aluno com deficiência. (p.145). In Múltiplos Olhares sobre a Inclusão. 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Natal: Edunp, 2012. . 61 ANEXOS 62 TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Declaro para os devidos fins, por meio deste termo, que concordei em ser entrevistado (a), para colaborar com o estudo intitulado, “A inclusão social da pessoa com deficiência em escola pública e privada do município de Natal-RN: uma reflexão da atuação do assistente social na educação”, desenvolvido pelo (a) discente (a) Karla Katielle Oliveira da Silva e orientado pelo (a) professor (a) Dra Márcia Maria de Sá Rocha. Esclareço que fui informado (a) em relação aos objetivos do estudo, que são estritamente acadêmicos, e afirmo que aceitei participar de livre e espontânea vontade, sem receber qualquer incentivo financeiro ou ter qualquer ônus, tendo como finalidade exclusiva a de colaborar para o bom termo da pesquisa. Estou ciente, ainda, que as minhas informações poderão ser incorporadas ao estudo, considerando e respeitando as normas relativas à Ética, minha colaboração será registrada a partir de entrevista, devidamente autorizada, gravada e assinada e autorizo a publicação dos dados coletados e a menção da instituição (__________________________) na pesquisa de Trabalho de Conclusão do Curso. Estou ciente de que, caso tenha dúvidas ou me sinta prejudicado (a), poderei contatar a pesquisadora responsável ou seus orientadores. Esclareço ainda que terei uma cópia assinada deste Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, conforme recomendação da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa - CONEP. Esclareço também que fui informado (a) de que posso me retirar dessa pesquisa a qualquer momento, sem sofrer quaisquer sanções ou constrangimentos. Natal, de de 2013. _________________________________________ Participante _________________________________________ Karla Katielle Oliveira da Silva Pesquisador(a) ________________________________________ Orientador(a) Márcia Maria de Sá Rocha 63 QUESTIONÁRIO DESTINADO AOS PROFESSORES: 1- Há quanto tempo você trabalha como professor? ______________________________________________________________________________ 2- Há quanto tempo você ensina nessa escola? ______________________________________________________________________________ 3- Qual a disciplina que você ministra nessa escola? ______________________________________________________________________________ 4-Você teve a oportunidade de trabalhar com turmas onde estivessem inseridas pessoas com deficiência? Se sim, como você avalia essa experiência? A escola deu suporte nesse aspecto? ________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________ 5- Como você avalia a escola a qual você trabalha no que se refere aos seguintes aspectos: 5.1- Acessibilidade na estrutura arquitetônica: ( ) Ótimo ( ) Bom ( ) Regular ( ) Péssimo 5.2- Salas de recursos multifuncionais: ( ) Ótimo ( ) Bom ( ) Regular ( ) Péssimo 5.3-Capacitação sobre educação inclusiva ( ) Ótimo ( ) Bom ( ) Regular ( ) Péssimo 6- Você tem algum familiar ou pessoa próxima com deficiência? ( ) Sim ( ) Não 7- Você como educador, já procurou se capacitar através de outros meios sobre técnicas de educação inclusiva? ( ) Sim ( ) Não 8- Quais são suas principais dificuldades em lidar com pessoas com deficiência no ambiente escolar? ________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________ 9 – Que sugestões você poderia apresentar para a implementação de ações inclusivas no seu ambiente de trabalho? ________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________ 10- Como você avalia a criação de uma comissão (com equipe multidisciplinar) sobre inclusão no ambiente escolar? ________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________ 11- Qual sua opinião sobre a utilização de um instrumento de trabalho (relatório de acompanhamento, prontuário, questionário, entre outros exemplos) que possibilite a aproximação da escola, família e entidades que acompanhem a Pessoa com Deficiência? ________________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ 64 ROTEIRO DE ENTREVISTA COM A COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA ESCOLA (________________________________________) 1- Atualmente, qual o número de pessoas com deficiência inseridas nessa escola? Quais os tipos de deficiência? 2- Como a coordenação pedagógica avalia a escola no que se refere aos seguintes aspectos: acessibilidade na estrutura arquitetônica, salas de recursos multifuncionais e capacitação dos professores sobre a educação inclusiva? 3- Quais as principais dificuldades enfrentadas pela coordenação pedagógica no que se refere à inclusão social da pessoa com deficiência no ambiente escolar e no acompanhamento do seu desenvolvimento? E a família como participa desse processo de inclusão? 4- Quais as principais ações inclusivas que tem sido desenvolvida pela escola? Como a coordenação pedagógica avalia a atuação da SUESP-RN? 5- Tendo em vista a lei estadual Lei nº 8.804, de 24 de fevereiro de 2006, aprovada e promulgada que institui o Serviço Social Escolar nas escolas públicas do Estado do RN e dá outras providências. Como a Coordenação Pedagógica avalia a possibilidade de atuação do assistente social no ambiente escolar? 65 ROTEIRO DE ENTREVISTA COM A SUBCOORDENADORIA DE EDUCAÇÃO ESPECIAL (SUESP-RN) 1- Atualmente, qual o número de pessoas com deficiência inseridas nas escolas regulares do munícipio de Natal-RN? Quais os tipos de deficiência? 2- Como a SUESP-RN avalia as escolas do município de Natal no que se refere aos seguintes aspectos: acessibilidade na estrutura arquitetônica, salas de recursos multifuncionais e capacitação dos professores sobre a educação inclusiva? 3- Quais as principais dificuldades enfrentadas pela SUESP-RN no que se refere à inclusão social da pessoa com deficiência no ambiente escolar e no acompanhamento do seu desenvolvimento? 4- Quais as principais ações inclusivas que tem sido desenvolvida pela SUESPRN? 5- Tendo em vista a lei estadual Lei nº 8.804, de 24 de fevereiro de 2006, aprovada e promulgada que institui o Serviço Social Escolar nas escolas públicas do Estado do RN e dá outras providências. Como a SUESP-RN avalia a possibilidade de atuação do assistente social no ambiente escolar?