As montanhas são ecossistemas delicados, que precisam de cuidados especiais para continuarem a nos fornecer água, biodiversidade e terra fértil. No entanto, o homem em suas atividades de produção e ocupação das montanhas, muitas vezes não percebe que está perdendo o solo e outros recursos naturais, por uso inadequado de técnicas não adaptadas para nossa região. E com isso, sem perceber, aos poucos, de geração em geração, vai tornando inviável economicamente seu próprio trabalho e a continuidade de suas famílias no campo. Mas ainda há tempo de buscarmos soluções.Quem não gostaria de produzir mais, com menos custos e menos esforços? E ainda conservar a beleza das paisagens de nossa região, podendo agregar valor a sua propriedade com o turismo e a venda direta de seus produtos para um mercado cada vez mais ávido por qualidade biológica dos alimentos e por conhecer lugares bonitos e sustentáveis? Pois é disso que trata o Caderno de Agroecologia de Montanha “Uma Mudança de Altitude”. Fruto do 1º Encontro Regional de Agroecologia de Montanha das Terras Altas da Mantiqueira-MG, realizado no vale do Matutu, Aiuruoca, em outubro de 2007, esse primeiro caderno busca uma mudança de atitude, mais apropriada para nossa altitude para unir pessoas como você, produtor de nossa região, em torno da proposta de, juntos, fazermos dessas montanhas um pólo de sustentabilidade rural e de prosperidade social. R E A L I Z A Ç Ã O : A P O I O : E S TA E D I Ç Ã O FA Z PA R T E D O P R O G R A M A D E D E S E N V O LV I M E N T O S U S T E N T Á V E L D A S E R R A D O PA PA G A I O Fundação Matutu Emater Caxambu Reserva Matutu – Aiuruoca, MG Rua João Pessoa S/Nº - Centro Caixa Postal 11 CEP:37440-000 Telefone: (35) 3341- 1761 Telefone/ Fax: (35) 3341-3966 Site: www.matutu.org E-mail: [email protected] e-mail: [email protected] Emater Itamonte SEBRAE - MG Macrorregião Sul Rodovia BR 354, s/nº Parque de Exposições Rua Coronel Herculano Cobra, 145 - Centro, Pouso Alegre, MG CEP: 37466-000 CEP 37550-000 Telefone: (35) 3363-1582 Telefone: (35) 3449- 7200 E-mail: [email protected] Site: www.sebraemg.com.br E-mail: [email protected] Emater Itanhandu Rua João Batista, 666 - Centro EMATER-MG Unidade Regional de Lavras CEP: 37464-000 Campus Histórico da UFLA S/N - Centro Lavras - MG Telefone: (35) 3361-2322 CEP: 37200-000 E-mail: [email protected] (35)3821-0010 - (35)3821-0020 E-mail: [email protected] Emater Passa Quatro Rua Sabóia Lima, 63 - Centro Escritórios do Núcleo Terras Altas da Emater CEP: 37460-000 (mais Caxambu e Baependi) Telefone: (35) 3371 2544 Emater Aiuruoca E-mail: [email protected] Rua Jonas Benfica, 126 - Centro CEP: 37450-000 Emater Pouso Alto Telefone: (35) 3344-1465 Pça Desembargador Ribeiro da Luz, 190 - Centro E-mail: [email protected] CEP: 37468-000 Telefone: (35) 3364-1206 ou (35) 3364-1763 Emater Alagoa E-mail: [email protected] Rua Cap. Manoel Borges Pinto 201 A - Centro CEP: 37458-000 Emater São Sebastião do Rio Verde Telefone: (35) 3366- 1318 Rua Dr. André Sarmento, 272 E-mail: [email protected] CEP: 37467000 E-mail: [email protected] Emater Baependi Rua Coronel José Eugênio Ferreira, 189 - Loja 1 - Centro Rede de agroecologia de Pedralva CEP: 37443-000 Emater Pedrava Telefone: (35) 3343-1323 E-Mail: [email protected] E-mail: [email protected] A P R E S E N TA Ç Ã O Segundo a Agenda 21, documento assinado por todas as nações Essas informações foram organizadas neste Caderno, buscando do mundo, as montanhas são um dos mais frágeis ecossistemas do disseminá-las e chamar mais produtores a se tornarem parceiros planeta e um dos mais importantes para produção de águas e da natureza, produzindo com menos custos e esforços. proteção de florestas e animais silvestres. Somada a essa importância ambiental, nas montanhas costuma habitar uma população que tradicionalmente guarda um conhecimento agrícola lapidado ao longo de séculos de ocupação. Esses conhecimentos, com seu caráter artesanal e de subsistência, podem receber maior qualificação, tornando-se ainda mais compatíveis com a proteção e a regeneração dos ecossistemas de altitude, gerando produtos saudáveis e naturais, com uma qualidade biológica cada vez mais reconhecida no mercado consumidor. Nas páginas iniciais, falamos sobre o agroecossistema e sobre como ele acontece no ambiente de montanha. Logo depois, registramos o que chamamos de histórias de lavrador, experiências que aconteceram na região e que testemunham os bons resultados que a agroecologia está obtendo na Mantiqueira. As ferramentas agroecológicas, que atraem tanto os agricultores e surpreendem a todos por suas soluções simples e eficientes, merecem um lugar de destaque neste Caderno. Atualmente a Serra da Mantiqueira guarda todo potencial para Fechando a edição, um relato sobre o 1º Encontro Regional de desenvolver esse novo conceito: a agroecologia de montanha, Agroecologia de Montanha das Terras Altas da Mantiqueira conta gerando um conhecimento específico para áreas de altas altitudes, como foram esses dois dias de bom convívio e troca de ainda pioneiro nas montanhas do Brasil. informações, em que se reuniram agricultores de 9 municípios Foi com essa visão que aconteceu o 1º Encontro de Agroecologia de Montanha nas Terras Altas da Mantiqueira, no Vale do Matutu, em Aiuruoca, tendo como proposta um primeiro reconhecimento vizinhos, no vale do Matutu, em Aiuruoca. O principal motivo desse relato é poder inspirar a você e a outros agricultores a se juntarem a nós em encontros futuros. das experiências e práticas na região, bem como o fortalecimento do conceito de agroecologia de montanha. Espera-se que esse seja o primeiro passo para a formação de uma rede local de agroecologia, já que os participantes são, em sua maioria, jovens agricultores familiares, muitos dos quais já orientados pela extensão rural da EMATER - MG. Com a publicação desse primeiro Caderno de Agroecologia de Montanha: uma Mudança de Altitude, a Fundação Matutu e a EMATER, com o apoio do SEBRAE, esperam contribuir para o surgimento de um novo cuidado com o solo nas práticas agrícolas, além de um aprendizado contínuo em relação à natureza das Terras Altas da Serra da Mantiqueira. O Encontro, nesse sentido, pretendeu ser um fórum que registrasse como a agroecologia vem se estabelecendo e gerando conhecimentos na Serra da Mantiqueira. A partir de suas atividades, o Encontro levantou uma série de informações para divulgação, intercâmbio e ensino na região. Luiz Midéa Marco Antônio Canestri Leonardo Cardoso Ivo Fundação MATUTU EMATER - MG SEBRAE - MG 01 EXPEDIENTE e SUMÁRIO Apresentação Agroecologia de Montanha: Uma mudança de altitude . . . . . . . . . . 02 O Agroecossistema . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 04 O Agroecossistema de Montanha . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 06 O que é Agroecologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 08 EXPEDIENTE Coordenação Editorial: Karla Oddone Ribeiro. Pesquisa e Texto: André Cesar Henriques, Luiz Fernando de Mello Midéa e Mariana Marcon. Ferramentas Agroecológicas: André Cesar Henriques Colaboração: Gisele Freitas Vilela, Leonardo Cardoso Ivo. Projeto Gráfico e Ilustrações:Telma Cavallieri. Produção Editorial, Diagramação: Telma Cavallieri. Produção de horticultura para o comércio local: O caso do Manoel de Caxambu . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 A mudança é possível: O caso do café agroecológico em Baependi . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12 Plantando perto da Floresta: Fruticultura em Itamonte . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14 Novas perspectivas para a agricultura na Região: Oliveiras e Candeia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16 Ecoturismo: Revisão de Texto: Marcela Guasque Stinghen. Cultivando Paisagens . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18 Tiragem: 5.000 exemplares. Ferramentas Agroecológicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20 Ferramentas Agroecológicas para Pecuária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23 1º Encontro de Agroecologia de Montanha . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26 C A D E R N O S D E A G R O E C O LO G I A D E M O N TA N H A Nº 1 ELEMENTOS DO AGROECOSSISTEMA O solo é a base da saúde de todo o agroecossistema. É onde as plantas encontram suporte e nutrientes. Entretanto, o solo não é apenas um reservartório. Ele também tem vida própria. Assim, não basta ter grande quantidade de adubo. É preciso que o solo esteja saudável para todo o sistema estar saudável. A saúde do solo depende da existência de poros para o ar e a água entrarem. Depende também da presença de diversos tipos de nutrientes e da existência de diversos microorganismos. O solo, para ser saudável, precisa de uma cobertura vegetal para não ressecar nem ser levado pela chuva. Nosso planeta e nosso corpo são compostos por 3/4 de água. A água em um ecossistema é essencial para diversas reações. A cobertura vegetal sobre o solo, principalmente com árvores e arbustos, ajuda a diminuir o impacto das gotas de chuva sobre a terra, facilitando assim a sua penetração no solo e o abastecimento das nascentes. Quem tem mais árvores em sua propriedade, tem mais água! Os nutrientes são elementos orgânicos e inorgânicos que, embora não possam ser vistos a olho nú, são fundamentais como alimento para as plantas. Entretanto, não basta que eles estejam presentes no solo, é preciso que o solo seja saudável para que eles estejam disponíveis para as plantas. O vento é o ar em movimento. Se não houver proteção, o vento pode levar embora a umidade e o gás carbônico, fazendo diminuir consideravelmente o crescimento das culturas. Elas transformam a energia solar em energia química, em matéria, em substâncias que fornecem nossos alimentos. As plantas não são indivíduos isolados, mas fazem parte de sistemas. É por isso que algumas plantas podem ajudar ou atrapalhar outras. Além disso, as plantas ajudam na saúde do solo, suas folhas e ramos alimentam os microorganismos e disponibilizam nutrientes, além de fazer uma cobertura contra sol e chuva. No nosso ambiente tropical, as árvores são elos fundamentais para a manutenção da fertilidade do agroecossistema. São elas que fornecem a melhor matéria orgânica para a vida do solo. Elas barram o vento, dão sombra aos animais, protegem as encostas, topos de morro e margens dos rios. Ao priorizar a utilização de alimentos produzidos nas árvores, para nós e para os animais, estamos tornando o nosso agroecossistema mais duradouro e sustentável a longo prazo. Os animais são seres vivos que também fazem parte do ciclo da natureza. Eles ajudam na polinização das plantas e na adubação do solo. Quando fazemos os animais se sentirem bem e cuidamos de sua saúde, eles produzem mais e vivem por mais tempo. Chuva e temperatura regulam os ciclos da natureza por que podem retardar ou acelerar as reações. Nos agroecossistemas, o homem é um componente ativo, que organiza e gerencia os recursos da natureza. Além da forma como o homem trata a natureza, sua auto-estima, felicidade e a maneira como se relaciona com os outros seres humanos influencia imensamente o sistema como um todo. A ética é muito importante para o equilibrio do sistema. É a nossa fonte de energia, base de toda a vida na Terra. O sol é também por onde nos ligamos ao cosmo. A NATUREZA FUNCIONA COMO UMA TEIA: MEXENDO EM UM DOS PONTOS, PODE-SE DESTRUIR TODA A TEIA. A ESSA TEIA, CHAMAMOS ECOSSISTEMA. AO SISTEMA QUE PRODUZ ALIMENTOS, CHAMAMOS AGROECOSSISTEMA. C A D E R N O S D E A G R O E C O LO G I A D E M O N TA N H A Nº 1 Na produção de alimentos, a influência da lua sobre as plantas é tradicionalmente conhecida pelos agricultores. É comum o conhecimento de que entre a lua minguante e a nova deve ser plantado tudo o que dá “abaixo do solo” (raízes, tubérculos, rizomas e bulbos comestíveis) e de que, entre a lua crescente e a cheia, deve-se plantar tudo o que dá “acima do solo” (folhas, flores e frutos comestíveis). Outras atividades como podas e coleitas também são orientadas pelas fases da lua. Não apenas o sol e a lua, mas as estrelas e outros astos do espaço sideral influenciam nosso planeta e nossa agricultura. Acreditar nisso pode parecer difícil, mas, desde a antigüidade, muitas civilizações consideravam essa influência. 05 A G R O E C O S S I S T E M A D E M O N TA N H A NAS MONTANHAS, OS AGROECOSSISTEMAS TÊM CARACTERÍSTICAS ESPECIAIS, PRINCIPALMENTE POR CAUSA DE SEU RELEVO. OBSERVE, NA SUA PROPRIEDADE: O RELEVO É MAIS ACENTUADO. POR ISSO: • A água das chuvas escoa mais rápido. Quando o solo está sem • As altitudes variam muito. Com isso, também varia muito a • A declividade dos terrenos; ou com pouca vegetação, a água escorre pela superfície, causando temperatura e a profundidade do solo. Conforme as altitudes vão se • A direção das encostas em relação ao sol; enxurradas, enchentes, erosão e assoreamento dos rios. elevando, as rochas vão aflorando e vai diminuindo a camada do solo. • Existe direção principal do vento? • Onde estão os cursos d’água e nascentes? • Como o terreno é irregular, formam-se pequenas bacias de • O relevo acaba também favorecendo certas faces do terreno, captação de água, que alimentam os lençóis freáticos. ao direcioná-las para o norte, sul, leste ou oeste, devido à maior ou menor exposição à insolação que essas condições oferecem • Por causa das barreiras naturais das montanhas, penhascos e (faces voltadas para o norte, por exemplo, recebem um maior colinas, a exposição ao vento varia muito. Isso faz com que número de horas de sol por dia e são mais favoráveis para culturas diferentes regiões de um mesmo território possam ter vento exigentes em insolação). • Em quais lugares o solo é mais raso e em quais é mais profundo? JUNTE TODOS ESSES FATORES E IDENTIFIQUE QUAIS ÁREAS E PROCEDIMENTOS SÃO MAIS ADEQUADOS PARA CADA TIPO DE CULTIVO. constante ou serem protegidas. A direção constante dos ventos NAS MONTANHAS, TEMOS QUE DESENVOLVER FORMAS ESPECÍFICAS DE PLANTAR. MUITOS AGRICULTORES em uma região pode ser observada pela direção em que os troncos JÁ DÃO VÁRIAS DICAS. AÍ VÃO ALGUMAS DELAS: das árvores se inclinam. • Os barra-vento podem ser feitos utilizando-se a própria variação dos terrenos, juntamente com barreiras vegetais; NA AGROECOLOGIA, ESSES FATORES PODEM SER USADOS A NOSSO FAVOR. PARA ISSO, É NECESSÁRIA MUITA OBSERVAÇÃO E ATENÇÃO! C A D E R N O S D E A G R O E C O LO G I A D E M O N TA N H A Nº 1 • As águas das chuvas podem ser contidas plantando-se em curvas de nível e construindo-se pequenas valas contrárias à direção da enxurrada; • As pequenas bacias de captação podem ser drenadas para irrigação, aproveitando-se assim a gravidade dos desníveis; • Nos terrenos rochosos, é importante cultivar espécies nativas adaptadas a esse tipo de solo, para elevar a disponibilidade de matéria orgânica. 07 O QUE É AGROECOLOGIA O QUE É O QUE NÃO É AGROECOLOGIA AGROECOLOGIA POR QUE AGROECOLOGIA? Fotos: Luiz Midéa Agroecologia não é um novo “pacote de técnicas”. Não esta- A produção a partir desses princípios tem menor custo. mos falando de tirar os agrotóxicos ou fertilizantes químicos e Além disso, é mais saudável para o homem e para a natureza. apenas substituí-los por fertilizantes biológicos. A agroecologia é uma maneira de ver a natureza. Na agroecologia, buscamos ter uma visão geral do sistema nat- AGROECOLOGIA DE MONTANHA: UMA MUDANÇA DE ALTITUDE ural. Buscamos a consciência de que todos os elementos se relacionam e são igualmente importantes para a saúde das plantas e dos homens. Mudar para essa nova forma de pensar não é algo que se faça Paciência e atenção na natureza são os ingredientes mais impor- de uma hora para outra. É preciso experimentar e aprender. tantes para mudarmos para essa forma mais saudável e mais bara- Experimentar novamente e continuar aprendendo. ta de produzir nossos alimentos. O QUE É AGROECOLOGIA A agroecologia diz respeito a formas de produção agrícola que: f) valorizem e respeitem o conhecimento que os produtores têm a) dependam pouco de insumos comerciais; sobre a natureza e seus ciclos de vida; b) utilizem os recursos da própria fazenda ou sítio; g) busquem compreender e aceitar as condições locais, ao invés c) utilizem ferramentas naturais para promover saúde ao solo, como: de buscar alterar e controlar excessivamente o ambiente; biomassa, cobertura dos solos, rotação de culturas e barra-ventos; h) procurem soluções coletivas para produção, processamento d) mantenham a produtividade do solo ao longo de muito tempo; e venda dos produtos; e) preservem as florestas, águas e a cultura dos povos das montanhas; i) busquem beneficiar a sociedade como um todo. C A D E R N O S D E A G R O E C O LO G I A D E M O N TA N H A Nº 1 09 HISTÓRIA DE LAVRADOR-1 VALE A PENA EXPERIMENTAR Ele experimentou as técnicas, inicialmente, num pé de abobrinha d’água, muito afetado com a doença “mildio”, e, ao notar que a doença regrediu em questão de poucos dias, o agricultor resolveu usá-las em toda a produção. Como resultado, Manoel dobrou sua produtividade. Com as aplicações intercaladas de calda de mamona e solução de urina de vaca, até os estaqueamentos de bambu duravam o dobro do normal. Manoel chegou a apurar R$185,00 com um único pé de pimentão, que vem dando frutos sem parar há nove meses. E mais: as suas mercadorias passaram a ser muito procuradas por toda a cidade, graças à qualidade dos produtos. Utilizando os recursos internos da propriedade, Manoel vem aumentando as áreas de plantio e recebeu a qualificação de produção agroecológica da EMATER-MG, que permite identificar e valorizar a sua produção no comércio local. Manoel insiste em dizer que vale a pena plantar, cuidando da saúde do proprietário e da saúde do consumidor.Q A N O TA E S S A : A urina de vaca é uma das mais valiosas ferramentas ao desenvolvimento de uma agricultura sustentável. Ela controla naturalmente inúmeras pragas e doenças das plantas, sendo excelente fonte de nutrientes, principalmente potássio (K), nitrogênio (N) e boro (B). Saiba mais na página 22 Fotos: André César Henriques O AGRICULTOR FAMILIAR MANOEL CARLOS SOBREVIVE DA PRODUÇÃO DE HORTALIÇAS E DA PEQUENA CRIAÇÃO DE GADO LEITEIRO, EM SUA PROPRIEDADE DE 15 ALQUEIRES, O SÍTIO MOMBAÇA, EM CAXAMBU. Depois de aplicar vários tipos de agrotóxicos para combater as pragas e doenças das suas lavouras, percebeu que, em vez de cederem, elas voltavam cada dia mais destruidoras. Foi então que Manoel procurou a EMATER-MG de Caxambu em busca de novos agrotóxicos, para tentar solucionar os inúmeros problemas de pragas e doenças que atingiam as hortaliças cultivadas. Entretanto, pelo contrário, o agricultor foi orientado a adotar tecnologias alternativas, como a aplicação de solução de urina de vaca e a calda de mamona, ambas recomendadas como fonte de importantes nutrientes para as plantas e como poderosas aliadas no controle das pragas e doenças. No começo, Manoel relutou em substituir os agrotóxicos por urina de vaca e calda de mamona, mas, depois que sua mãe passou mal, indo parar no hospital após lavar as roupas que ele havia usado nas aplicações, resolveu tirar as técnicas da gaveta e experimentá-las. C A D E R N O S D E A G R O E C O LO G I A D E M O N TA N H A Nº 1 11 HISTÓRIA DE LAVRADOR-2 A MUDANÇA É POSSÍVEL Atualmente, produz mudas de diversas cultivares de café especiais, desenvolvidas pela Funcafé, além de mudas destinadas à Marcos Rosental foi então orientado pela EMATER-MG a aplicar a arborização do cafezal, como a Acacia mangium e a A. auriculiformes, solução de urina de vaca na concentração de 2%. Ficou surpreendido que, além de servirem de adubação verde, vão proporcionar um quando percebeu que, após duas semanas da aplicação da solução excelente quebra-ventos para a lavoura. com a urina de vaca, surgiram mais de 30% de folhagens novas, em pleno período de seca. Os excelentes resultados vegetativos da lavoura, principalmente no controle da ferrugem e do bicho-mineiro, fizeram o produtor repensar todo o sistema de condução do cafezal. Passou a utilizar técnicas alternativas nos talhões e a avaliar os resultados. Além disso, começou a produzir e a aplicar biofertilizantes à base de excrementos frescos de bovinos e calda de mamona. Hoje, Marcos está muito satisfeito com a mudança e tem o desafio de produzir as ferramentas agroecológicas em escala suficiente para sua lavoura.Q DÊ NOME AOS BOIS Adubação verde: é uma prática utilizada para a fertilização do solo que consiste no cultivo de determinada planta, normalmente uma leguminosa, gramínea, crucífera e outras com a finalidade de proteger e melhorar o solo. Biofertilizante: fertilizante orgânico constituído por macrominerais e microminerais essenciais ao desenvolvimento das culturas vegetais. Quebra-Vento: São árvores e arbustos plantados com o objetivo de deter ou, pelo menos, diminuir a ação dos ventos fortes. Fotos: André César Henriques O CAFEICULTOR MARCOS JOSÉ DE SOUZA ROSENTAL É ARRENDATÁRIO DE 20 HECTARES DE LAVOURA DE CAFÉ NA FAZENDA RIBEIRÃO VALE FORMOSO, LOCALIZADA NA ZONA RURAL DE BAEPENDI. O ESTOPIM PARA A MUDANÇA Marcos acreditava que, mantendo o café “no limpo” e utilizando agrotóxicos e herbicidas, estaria protegendo a sua produção. Na primeira aplicação de agrotóxicos e adubos químicos, houve um pico na produção e ele ficou muito satisfeito com os resultados. Porém, logo depois, muitos novos problemas começaram a acontecer. Como se não bastasse, quanto mais Marcos tirava o “mato” do cafezal, surgiam diversas doenças, forçando o produtor a gastar uma verdadeira fortuna tentando controlar as doenças e pragas que explodiram em suas talhas. Insatisfeito com os baixos rendimentos econômicos e os elevados custos de insumos do cafezal, passou a se interessar por técnicas alternativas e procurou a EMATER-MG de Caxambu. Orientado, começou a pôr em prática técnicas alternativas agroecológicas, no início do ano de 2006. C A D E R N O S D E A G R O E C O LO G I A D E M O N TA N H A Nº 1 13 HISTÓRIA DE LAVRADOR-3 DESAFIOS E NOVOS CAMINHOS A proprietária rural enfrentou durante muito tempo o desafio de produzir, transportar e comercializar individualmente, assumindo todo o desgaste físico, além do ônus financeiro a que esse processo induz. Atualmente, Dulce aposta no associativismo e participa de um grupo de produtores orgânicos, que se formou com o apoio do SEBRAE, a Associação dos Produtores Orgânicos Montanhas da Mantiqueira (APOMM). Atualmente a APOMM dispõe de um espaço comum no Mercado Municipal de São Lourenço, onde Dulce vende seus produtos.Q CONHECENDO NOSSO AGROECOSSISTEMA - Além disso, Dulce e outros produtores estão iniciando o processo de certificação em grupo, que é bem mais econômico que aquele feito individualmente. Ela nos assegura que trabalhar em grupo facilita etapas de todo o processo: produção, transporte e comercialização e nos demonstra com sua experiência, a real possibilidade de equilíbrio entre a preservação da floresta e a agricultura. SAIBA MAIS... A APOMM se reune mensalmente na Associação de Comércio e Indústria de São Lourenço, na Rua Ariosto Francia, 588, São Lourenço - MG. Tel.:(35) 3332 2528 Foto: SXC Foto: Luiz Midea LOCALIZADA NO MUNICÍPIO DE ITAMONTE, MG, ENTRE O PARQUE ESTADUAL DA SERRA DO PAPAGAIO E O PARQUE NACIONAL DE ITATIAIA, ENCONTRA-SE A FAZENDA GUATAMBU, DA PROPRIETÁRIA RURAL DULCE BAHIA DINIZ ARTHUR. CERCA DE 70% DA PROPRIEDADE DE DULCE É COBERTA POR FLORESTA NATIVA E FOI FAVORECENDO-SE DESSE COMPLEXO ECOSSISTEMA QUE A PROPRIETÁRIA RURAL INTRODUZIU NAS SUAS TERRAS POMARES DE PÊSSEGO, AMEIXA, MAÇÃ, CAQUI, AMORA, FRAMBOESA, FIGO, NECTARINA, PÊRA, CITRUS E MORANGO. O PRINCÍPIO PLANTANDO PERTO DA FLORESTA Dulce, antes mesmo de implantar os pomares frutíferos, Dulce diz que além da floresta servir de quebra-vento, sua preocupou-se em desenvolver manejos voltados para a melhoria preservação é fundamental para manter o equilíbrio nos pomares, da fertilidade do solo. Primeiramente, trabalhou o solo plantando auxiliando no controle das moscas-das-frutas e de diversas gramíneas (como milho, aveia e trigo) e leguminosas (como trevo, doenças, gerando um bom controle de pragas. esvilhaca, feijão e ervilhas), o que gerou alimentos e o incremento Outra grande vantagem da floresta segundo ela é a grande da saúde do solo. Os manejos adotados nos pomares eram baseados em princípios agroecológicos de produção, sendo as adubações realizadas quantidade de matéria orgânica que desce para as áreas mais baixas, dispensando o uso de grandes quantidades de esterco animal. com composto orgânico e adubação verde, e as pulverizações para controle de doenças feitas com calda bordalesa e sulfocálcica. C A D E R N O S D E A G R O E C O LO G I A D E M O N TA N H A Nº 1 15 NOVAS PERSPECTIVAS Fotos: André César Henriques A PESQUISADORA IVONEZI SILVA ANDRADE, DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS (UFLA), VEIO ATÉ O I ENCONTRO DE AGROECOLOGIA DE MONTANHA PARA FALAR SOBRE O PROJETO DA CANDEIA. O OBJETIVO DO PROJETO, SEGUNDO ELA, É TIRAR A CANDEIA DA CLANDESTINIDADE. Ela contou aos presentes que em Carrancas, Baependi, Morro do Pilar e Barão dos Cocais já existe um grande número de proprietários NOVAS PERSPECTIVAS que se interessam pela possibilidade de fazer um plano de manejo sustentável da Candeia. A Candeia que eles utilizam por lá é a Eremanthus erythropappus, para a extração de óleo, e a Eremanthus incanus, para gerar o moirão. OS PROPRIETÁRIOS RURAIS ANDERSON MIGNAC DOS SANTOS, BRENO MONTEIRO DOS SANTOS E CLÁUDIO ALVAREZ FERREIRA UNIRAM-SE NO CULTIVO AGROECOLÓGICO DE OLIVEIRAS NA PROPRIEDADE LOCALIZADA NA COMUNIDADE DO GAMARRA, NO MUNICÍPIO DE BAEPENDI. alternativa, a possibilidade de explorar e tirar o seu sustento da Fazenda Experimental da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Os agricultores presentes no encontro foram alertados para a A Oliveira é uma das plantas mais antigas cultivadas pelo homem. Da Bacia do Mediterrâneo, onde tem sua origem, espalhou-se para o resto do mundo. No Brasil, a árvore chegou há muitos séculos, trazida por imigrantes europeus. Apesar de certas regiões do país possuírem as condições ideais para o desenvolvimento da olivicultura – a temperatura média Estado de Minas Gerais – EPAMIG de Maria da Fé. Ivonize disse que o projeto da UFLA oferece ao produtor uma Candeia, coisa que, sem um plano de manejo, seria impossível. possibilidade do aumento da área com Candeia. Isso pode ser Os cultivadores de oliveiras do Gamarra apostam no poder da feito para aqueles que não têm quantidade suficiente da árvore azeitona e do puro azeite de Minas. Eles estimulam o cultivo da em suas terras. Deve-se arar ao redor de qualquer pequena fileira oliveira na região e a criação de um cinturão verde na região de de Candeia. Ali, a semente vai se instalar e germinar. entorno do Parque da Serra do Papagaio. Q anual oscilando entre 17 e 22oC é a principal –, ela não possui No plano de manejo da candeia, tem-se o cuidado de repovoar A N O TA E S S A : • Na Mantiqueira, acima de 1.000 metros de altitude, se encontram nenhuma árvore de outra espécie poderá ser derrubada dentro abastecimento interno. as condições ideais para o plantio de oliveiras. da área de manejo.Q De acordo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do • Cada oliveira, se bem cuidada, é capaz de produzir de 40 a 50 quilos de fruto por safra. Brasil gastou, só no ano passado, US$ 61 milhões com a importação de azeite de oliva e outros US$ 26,8 milhões com a de azeitonas. De olho no mercado favorável e motivados pelas condições ideais do lugar, os proprietários rurais plantaram 1.000 mudas certificadas das variedades arbequina e grappolo, adquiridas na C A D E R N O S D E A G R O E C O LO G I A D E M O N TA N H A Nº 1 • Hoje, paga-se de R$70,00 (setenta reais) a R$90,00 (noventa reais), por dúzia de moirão. • O óleo bruto é comercializado a US$40,00 (quarenta dólares) o quilo. • O alfa bisabolol natural: US$70,00 (setenta dólares) o quilo. DÊ NOME AOS BOIS Alfa bisabolol natural: subproduto da candeia utilizado em cosméticos. a área após a extração de parte das árvores de candeia, além disso, tradição no Brasil. Hoje, o país depende da importação para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o COMERCIALIZAÇÃO SAIBA MAIS... COORDENAÇÃO DO PROJETO: José Roberto Scolforo Telefone: (35) 3829-1421 e-mail: [email protected] www.ufla.nucleoestudo.br/nemaf/candeia A portaria nº 01, de 5/01/2007 do Instituto Estadual de Floresta (IEF) que dispõe sobre normas para realização do plano de manejo da Candeia, pode ser encontrada na internet, no endereço: http://www2.ief.mg.gov.br/legislacao/portariasief/portaria_ief_2007_1.pdf" SAIBA MAIS... EPAMIG Fazenda Experimental em Maria da Fé - Bairro Vargedo Cep: 35517-000 - Maria da Fé, MG Telefax: (35)3662-1227 E-mail: [email protected] Para poder fazer um plano de manejo da Candeia, é necessário que a propriedade esteja com sua reserva legal averbada (pergunte ao técnico da Emater do seu município quais são os passos para fazer isso A N O TA E S S A : • Você sabia que o mel da Candeia é muito comercializado atualmente? • Você sabia que a forma mais rentável de explorar a Candeia é comercializar o moirão e vender o que sobrar da produção para a empresa de óleo? 17 CULTIVANDO PAISAGENS Fotos: Luiz Midea Porém, pouco a pouco, essa apreensão foi passando, na medida em que os moradores foram se unindo e cuidando juntos do turismo que estava chegando. Criaram uma associação de moradores e um antigo casarão, na chegada do vale, começou a funcionar como centro de informações aos visitantes. Ali instalaram um estacionamento único para os carros que chegavam. Depois, fizeram um “Manual do Visitante”, com orientações para os turistas e começaram a oferecer guias para os passeios. Isso deu uma certa tranqüilidade para lidar com todo aquele movimento e tornou evidente como o turismo ordenado favorece a comunidade. Passados 12 anos do começo desse trabalho, ainda há muito para se fazer, mas o turismo local já é a atividade que mais traz recursos CULTIVANDO PAISAGENS para os moradores. Existem novas pousadas, algumas lojas de artesanato, pontos de alimentação e grupos de guias para caminhadas e cavalgadas nas trilhas. ANÁLISE DA EXPERIÊNCIA • A atividade turística torna a PAISAGEM uma base de desenvolvimento econômico e isso é um bom motivo para a comunidade começar a cultivá-la e protegê-la mais, integrando práticas como a agroecologia, apicultura, brigadas de incêndios florestais e arquitetura harmoniosa. ESCONDIDO ENTRE AS MONTANHAS, REPLETO DE GRAMADOS E CACHOEIRAS, RODEADO POR MAJESTOSOS PICOS E CAMPOS DE ALTITUDE, O VALE DO MATUTU, EM AIURUOCA, MINAS GERAIS, FAZ A GENTE LEMBRAR UM PARAÍSO PERDIDO EM ALGUM LUGAR DO TEMPO. • Comunidades que valorizam sua cultura e conhecimentos próprios são mais atrativas e interessantes para o visitantes do que aquelas que vão se igualando na mesmice da cultura massificada e consumista. O Vale guarda uma atmosfera de paz e é habitado tradicional- • Quanto mais a comunidade percebe essa valorização da natureza e da cultura pelo visitante, mais preparada ela fica para desenvolver o local e aí o turismo pode se tornar sustentável e benéfico para todos. mente por uma gente hospitaleira, que cultiva a terra, de olhar tranqüilo e fala mansa. Nos últimos 20 e poucos anos, o vale vem sendo ocupado, também, por novos moradores, vindos de fora, trazendo novas habilidades e interessados em partilhar com os antigos habitantes um modo de vida diferente da cidade grande. No vale do Matutu, foi possível organizar o turismo quando as Era natural que, com o tempo, outras pessoas descobrissem esse “paraíso”. Assim, pouco a pouco, começou o turismo a acontecer no vale. E, ao longo dos anos, os moradores foram assistindo o movimento crescer, feriado após feriado. Com o tempo, com o fluxo de visitantes cada vez aumentando mais, começou-se a pensar aonde tudo aquilo ia dar. É verdade que os visitantes começaram a comprar os artesanatos, a procurar alimentação e isso melhorou a economia local. Mas, ao mesmo tempo, tinha-se uma preocupação de que o lugar se tornasse igual a tantos outros pelo Brasil, destruídos pelo turismo intenso e desordenado. C A D E R N O S D E A G R O E C O LO G I A D E M O N TA N H A Nº 1 pessoas se uniram para pensar o que era melhor para o lugar, aprendendo, na prática, que, juntas, podiam planejar e decidir sobre o turismo que queriam, porque cada morador tem um pedaço do vale e, unidos, podiam vê-lo como um só território, com seus atrativos e belezas. Todo esse cuidado agrada o visitante, que, além de respeitar a organização dos moradores, volta sempre e gosta de ajudar no esforço dos habitantes em cuidar do lugar. Q SAIBA MAIS... Diagnóstico é um levantamento que pode ser feito no seu lugar, procurando reunir todas as informações locais (atrativos naturais, trilhas, habilidades e talentos). Planejamento participativo ocorre quando os moradores se associam para eleger suas prioridades, decidir como receber os visitantes e como valorizar e conservar as riquezas naturais e culturais da comunidade. 19 F E R R A M E N TA S A G R O E C O L Ó G I C A S M A M O N A - Ricinus communis L.. SUA HISTÓRIA: A mamona era cultivada desde a antigüidade. Os egípcios a idolatravam como planta milagrosa e, na Índia ela era usada para os mais diversos fins. Sementes de mamona foram encontradas em urnas funerárias de múmias notáveis, principalmente de sacerdotes egípcios. Os relatos do cientista e historiador romano AS FERRAMENTAS AGROECOLÓGICAS SÃO INSTRUMENTOS PARA LIDARMOS DE FORMA NATURAL COM PROBLEMAS QUE APARECEM NAS NOSSAS PLANTAÇÕES E CRIAÇÕES. MESMO SENDO NATURAIS, É IMPORTANTE OBSERVARMOS SEUS EFEITOS, BUSCANDO SEMPRE O EQUILIBRIO DO SISTEMA. Plínio, datados do início do primeiro século da era Cristã, evidenciam os proveitos que, desde aquela época, eram tirados desse vegetal. Foto: Luiz Midea No Brasil, a mamoneira é conhecida desde a era colonial, quando se extraía o óleo de mamona para lubrificar os engenhos de A R AU C Á R I A - Araucaria angustifolia.. cana-de-açúcar. Acredita-se que as sementes tenham chegado ao V E T I V E R - Vetiveria zizanioides L. Nash. SUA HISTÓRIA: O Vetiver é uma planta bastante conhecida desde os tempos mais remotos da antigüidade. Cultivado há pelo menos seis mil anos, foi propagado pelo mundo inteiro por sua importância na produção de óleo essencial aromático e por seus “poderes mágicos”. A origem do Vetiver é ainda desconhecida. Segundo alguns autores, ele vem das regiões pantanosas do subcontinente indiano FORMA DE CULTIVO E INTERVENÇÃO: • Para produzir mudas: Espaçamento de 50 cm entre plantas e linhas. • Para intervenções ambientais: Espaçamento de 10 a 15 cm entre plantas. Plantar as mudas em curvas de nível, de forma a “cortar as águas” O espaçamento entre as fileiras pode variar de dois a cinco metros, conforme a declividade do terreno. (Vietnã, Sri Lanka e Sul da Índia). Atualmente é muito cultivado na Brasil no século XVI trazidas pelos escravos africanos. SUA HISTÓRIA: Existente há mais de um milhão e quinhentos O Brasil foi, durante décadas, o maior produtor mundial de bagas anos, a Araucária é nativa do Brasil e chegou a cobrir 20 milhões de de mamona e o maior exportador do seu óleo. hectares do Paraná à Minas Gerais. Com a devastação das florestas A presença da planta nos terrenos baldios é uma excelente de araucária, hoje em dia só restam dois por cento da área original. ferramenta como repelente de pragas domésticas, como mosquitos e moscas. FUNÇÃO NO AGROECOSSITEMA: A calda feita com água e folhas maceradas é utilizada como adubação foliar, além de controlar formigas, insetos, fungos, bactérias e vírus. FUNÇÃO NO AGROECOSSITEMA: A Araucária é muito importante para o ecossistema por ser uma espécie pioneira e por produzir como frutos o “pinhão”, que serve de importante alimento à fauna. As suas folhas possuem diversas propriedades como ferramentas agroecológicas. Indonésia e nas Índias Ocidentais. ATENÇÃO (cuidados especiais): O Vetiver é considerado uma ATENÇÃO (cuidados especiais): Deve ser intensamente explorada, brimento, pois ela é encontrada por toda a parte desde a das plantas mais seguras do mundo para utilização como ferramenta pois espalha-se facilmente, podendo comprometer outras Amazônia até São Paulo. ecológica. Fora de seu habitat natural o Vetiver não oferece plantações. O controle ou erradicação de uma espécie exótica qualquer risco de se transformar em erva invasora. Cultivado há com alto poder de multiplicação é bastante difícil, quase impossível. séculos em várias partes do mundo, inclusive há 500 anos no A semente é bastante tóxica (ricina), não podendo ser ingerida. A introdução no Brasil deve ter ocorrido logo depois do desco- O Vetiver é uma planta que pode vegetar durante séculos. A espécie é constituída por touceiras de arquitetura ereta, com folhas e hastes longas, delgadas e bastante resistentes e consistentes. FUNÇÃO NO AGROECOSSISTEMA: A espécie é considerada uma das plantas mais úteis à Humanidade: • Estabiliza os solos e controla a erosão dos solos; • Proteje os mananciais; • Contém encostas localizadas em áreas frágeis habitadas; • Filtra a água contaminada, destruindo patógenos; • Considerada uma das plantas mais medicinais do mundo. Brasil, nunca houve qualquer registro de que qualquer planta tivesse “escapado” das áreas de cultivo. O Vetiver nunca é agressivo, raramente produz sementes férteis, nunca produz rizomas, nem estolões, nem qualquer outra estrutura reprodutiva, só podendo ser multiplicado por subdivisões de touceiras. Para a total eliminação do Vetiver basta arrancá-lo e FORMA DE CULTIVO: Plantar a Araucaria angustifolia é bastante simples, mas alguns cuidados são necessários. A espécie é reproduzida através dos seus frutos, o pinhão. O pinhão deve ser novo, pois perde rapidamente a capacidade de germinação. Para a produção de mudas o pinhão deve ser posicionado com a sua parte mais fina enterrada na parte central da sacolinha e o restante da semente deve inclinada exposta a flor da terra. O melhor período para o plantio do pinhão é no início das águas. Cuidado para não plantar próximo a residências e instalações, pois a árvore tem grande porte e a sua arquitetura em forma de guardachuva faz com que possa ser arrancada e arrastada por ventos fortes á longas distâncias. deixá-lo exposto ao tempo. ATENÇÃO (cuidados especiais): Não há qualquer registro de problemas causados pelo utilização racional das folhas de Araucária. C A D E R N O S D E A G R O E C O LO G I A D E M O N TA N H A Nº 1 21 F E R R A M E N TA S A G R O E C O L Ó G I C A S F E R R A M E N TA S A G R O E C O L Ó G I C A S PA R A A G R O P E C U Á R I A U R I N A D E VAC A FUNÇÃO NO AGROECOSSITEMA: A urina de vaca é uma das mais valiosas ferramentas ao desenvolvimento PARA AGROPECUÁRIA de uma agropecuária sustentável. Subproduto da pecuária leiteira, a urina de vaca é facilmente obtida. B E R N E , M O S C A- D O S - C H I F R E S Excelente fonte de nutrientes, principalmente Potássio (K), Nitrogênio (N) e Boro (B), elementos minerais dos mais requeridos pelas plantas, controla naturalmente inúmeras pragas e doenças. Além disso, a aplicação de solução de urina de vaca faz com que as plantas produzam as fitoalexinas, valiosas substâncias da defesa natural dos vegetais. COMO COLETAR? A urina de vaca pode ser facilmente coletada durante os períodos de ordenhas. A vaca só “solta” o leite depois de urinar. Quando a vaca está deitada, um leve toque C A R R A PAT O S E M O S C A D O S E S T Á B U LO S 1. FOLHAS DE ARAUCARIA ANGUSTIFOLIA 3. FOLHAS DE ARAUCARIA ANGUSTIFOLIA (Pinheiro Brasileiro, Pinheiro-do-Paraná, Pinheiro do Pinhão). (Pinheiro Brasileiro, Pinheiro-do-Paraná, Pinheiro do Pinhão). Ingrediente: 200 g de folhas verdes / cabeça/ semana. Ingrediente: 1 Kg de folhas verdes. 20 litros d’água. Tratamento: Triturar as folhas e misturá-las ao trato dos animais. Tratamento: Picar as folhas e misturar na água. Descansar por 7 Durante uma semana fornecer aos animais infestados de carrapatos. dias em local escuro e a temperatura ambiente. Peneirar a solução Repetir o tratamento quando os animais se reinfestarem de carrapatos. e banhar os animais. Foto: André César Henriques faz com que ela levante e, em seguida, urine. C A R R A PAT O S E M O S C A- D O - C H I F R E A urina de vaca pode ser armazenada em garrafas plásticas fechadas por um longo tempo. Entretanto, obtemos os melhores 4. EXTRATO VEGETAL DE MELIA AZEDARACH resultados quanto mais rápidas forem coletadas e aplicadas. (Santa Bárbara, Cinamomo, Árvore do Paraíso, etc) Ingrediente: 500 gramas de folhas verdes ou secas; COMO USAR? 20 gramas de sabão vegetal; 20 litros d’água. Diluir 1 litro de urina de vaca (de preferência recém colhida) Tratamento : Macerar as folhas, deixa-las de molho na água por com 50 litros de água e banhar as plantas. cerca de 12 horas em local escuro. Coar, dissolver o sabão e banhar os animais. MAS LEMBREM SEMPRE (cuidados especiais): Nunca banhe as lavouras em períodos quentes. Além do risco da CONTROLE DE MAMITE queima das folhas, isso reduz a eficiência da aplicação, pois a planta fecha os seus poros, se defendendo da perda d’água. OBSERVAÇÃO: O fornecimento de folhas de Araucária não Em plantas de folhas sensíveis, como o alface e o almeirão, a causa abortos, nem deixa gosto no leite. A tecnologia tem aplicação só deve ser feita no canteiro (antes do plantio ou apresentado excelentes resultados no controle de berne, replantio). No caso da alface, a urina de vaca antecipa a mosca-do-chifre e de bicheiras. Foto: SXC C A D E R N O S D E A G R O E C O LO G I A D E M O N TA N H A Nº 1 (Bidens sp./ Baccharis genistelloides) A prevenção é sempre o melhor remédio. O local de ordenha deve estar sempre limpo, seco e arejado. Desinfetar as tetas colheita em cerca de 20 dias. ATENÇÃO (cuidados especiais): Só utilize a urina de animais sadios. 5. CHÁ DE FOLHAS DE PICÃO E CARQUEJA após a ordenha e manter as vacas em pé pelo menos 1 hora 2. SORO DE LEITE E SAL após a ordenha para evitar a contaminação dos tetas. Ingrediente: 10 litros de soro de leite; 3 Kg de sal comum. Tratamento: Ferver 1 litro de água filtrada com 30 gramas de Tratamento: Dissolver o sal no soro de leite e banhar todas as folhas verdes de carqueja e 30 gramas de folhas verdes de picão. áreas infestadas dos animais. Esfriar e aplicar 20 ml dentro de cada teta durante 5 dias. 23 F E R R A M E N TA S A G R O E C O L Ó G I C A S PA R A A G R O P E C U Á R I A DIARRÉIA E CONTROLE DE VERMES RETENÇÃO DE URINA TIRIRICA 6. FOLHAS DE BANANEIRA (Musa sp). 9. CABELO DE MILHO OU FOLHAS DE PICÃO 13. FOLHAS DE ARAUCARIA ANGUSTIFOLIA (Zea mays/ Bidens sp.) (Pinheiro Brasileiro, Pinheiro-do-Paraná, Pinheiro do Pinhão). aos animais doentes. Nos animais jovens devem ser retirados os Tratamento: Ferver 1 litro d’água com 50 gramas de cabelo de A tiririca é considerada a planta daninha mais disseminada e agressiva talos, antes de picar as folhas de bananeira. milho. Esfriar e fornecer aos animais durante 5 dias. Ou misturar de todo o mundo, provocando reduções quantitativas e qualitativas 100 gramas de picão/cabeça no trato ou na ração. na produção mundial das principais culturas. Tratamento: Fornecer folhas de bananeira picadas (à vontade) Foto: SXC Foto: André César Henriques As culturas de milho e feijão, assim como para a maioria das TRISTEZA EM BEZERROS demais, não existem no mercado herbicidas que sejam seletivos e garantam controle aceitável da tiririca. No entanto, em razão da não 10. EXTRATO AQUOSO DAS FOLHAS DE CARQUEJA disponibilidade de herbicidas seletivos para culturas de milho e feijão (Baccharis genistelloides) que sejam eficientes no controle da tiririca, observa-se rápida Tratamento: Triturar as folhas da carqueja e misturá-las na água. Durante 7 dias dar de beber aos animais doentes. reinfestação dessas culturas com essa planta daninha. Preparo: Triturar 500 gramas de folhas de Araucaria angustifolia (Bertoloni) Otto Kuntze. Misturar em 20 litros de água e deixar descansar cerca de 24 horas em local escuro. Banhar as áreas CONTROLE DE PAPILOMASTOSE infestadas por tiririca. 11. HEMOTERAPIA Foto: SXC Tratamento: Retirar sangue da veia de animal e aplicar no músculo do animal. FORMIGAS-CORTADEIRAS E DE CUPINS C O N T R O L E D E M A M I T E S A N G U I N O L E N TA 12. EXTRATO DE MAMONA AQUOSO 7. VINAGRE OU LEITE. Ingrediente: 4 folhas de mamona para cada litro de água. Tratamento: Misturar 10 ml de água limpa e fervida + 5 ml de Preparo: Retirar os talos das folhas, e triturá-las. Deixar de vinagre. Aplicar 10 ml da solução na teta doente, durante 5 dias. molho na água em local escuro por cerca de 12 horas. Ou injetar 20 ml do leite colhido da teta doente, no músculo do Tratamento formigas: Regar com fartura os olheiros animal durante 3 dias. dos formigueiros. Tratamento cupim de montículo: Faz-se a perfuração CONTROLE DE EDEMA E INFLAMAÇÃO DO ÚBERE auxílio de um cano de ferro chanfrado na extremidade) até que se atinja a câmara celulósica (percebe-se facilmente que se 8. GENGIBRE. (Zingiber officinalis) Tratamento: Ferver 500 ml de água e misturar um pedaço de 5 cm de gengibre ralado. Fazer compressas durante 10 minutos durante 3 dias. C A D E R N O S D E A G R O E C O LO G I A D E M O N TA N H A vertical e central do cupinzeiro (que pode ser feito com Nº 1 atingiu a câmara celulósica, uma vez que não se constata mais resistência na penetração). Despejar, com fartura, o Extrato de Mamona Aquoso (EMA) dentro do orifício perfurado. 25 O ENCONTRO 1. FORMAÇÃO DA REDE LOCAL Temas: certificação, troca de contatos e intercâmbios, desenvolvimento de mercado interno e comercialização. 2. ATIVIDADES AGROECOLÓGICAS NAS MONTANHAS Temas: desenvolvimento territorial das montanhas, ecoturismo, pagamento pelos serviços ambientais, técnicas agroecológicas de montanha e pecuária. 3. VISÃO DO SISTEMA Temas: nutrição do solo, controle de pragas, uso do solo e BUSCAR A CONSTRUÇÃO COLETIVA DO CONCEITO DE AGROECOLOGIA DE MONTANHA, A PARTIR DE EXPERIÊNCIAS PRÁTICAS DE TÉCNICOS E PRODUTORES RURAIS DA REGIÃO, FOI O QUE MOTIVOU O 1º ENCONTRO DE AGROECOLOGIA DE MONTANHA DAS TERRAS ALTAS DA MANTIQUEIRA. planejamento das propriedades. 4. ÉTICA Com a publicação deste primeiro Caderno, a rede tem agora um meio de disseminação desses resultados e dos conhecimentos levantados ao longo do encontro. Para apoiar a continuidade da troca de experiências e a construção desse conhecimento, a EMATER - MG propôs-se a ser a articuladora da rede a partir de seus escritórios regionais e a Fundação Matutu disponibilizou espaço virtual no endereço: www.matutu.org/agroecologia. Conheça o escritório da EMATER-MG de seu município e acesse o site. Vamos continuar esse movimento para melhores relações entre seres humanos e entre seres humanos e natureza! Fotos: Luiz Midea e Manno França Temas: consumo consciente, educação, reciclagem de lixo, resgate Os ecossistemas de montanha são considerados um dos mais PRIMEIRO DIA: No primeiro dia, a Dra Ana Primavesi frágeis e mais importantes em relação a sua biodiversidade e aos seus ministrou a palestra de abertura, trazendo a simplicidade do pensar recursos naturais, especialmente a água. A Agenda 21, um importante agroecológico para os presentes. Com o auditório repleto, Primavesi documento firmado entre vários países para preparar o mundo para brindou a todos com sua serenidade e sabedoria, deixando a os desafios do novo século, trata da importância de desenvolvermos síntese de sua mensagem gravada: novas formas, mais sustentáveis, de ocupar e cultivar nas montanhas. O Encontro nasceu de um convite da EMATER-MG de Aiuruoca à Fundação Matutu para apoiar um evento de um dia com agricultores da região. A parceria foi então estabelecida, por meio do Programa de As pessoas então se reuniram por interesse a cada grupo, traçando estratégias e ações para darem continuidade às ações: 1. Formação de rede: • Criar comunitariamente um selo agroecológico regional; ”Solo saudável, plantas saudáveis. Plantas saudáveis, Homem saudável. Homem saudável, sociedade saudável. Cuidem dos solos”. COMO TUDO COMEÇOU: do conhecimento tradicional e valorização da identidade rural. O dia encerrou-se com um encontro cultural, com teatro, bingo, poesias e a narração de “causos”, em que adultos e crianças celebraram juntos sob as grandes tendas armadas para o evento. Desenvolvimento Sustentável da Serra do Papagaio, que conta com • Estimular o consumo interno através da merenda escolar; • Divulgar a qualidade dos produtos sustentáveis para o consumidor; • Ter espaço nos supermercados da região como produtor certificado; • Formar comitê municipal de certificação (técnicos, produtores, comunidades). 2. Atividades agroecológicas nas montanhas: apoio do SEBRAE-MG. As parcerias firmadas com a Secretaria de SEGUNDO DIA: No dia seguinte, houve uma manhã de Desenvolvimento Social e Ambiental e a Secretaria de Educação do exposição de experiências locais, algumas delas apresentadas município de Aiuruoca foram muito importantes para materializar neste primeiro Caderno da Agroecologia de Montanha. Foi um algumas das estruturas necessárias ao encontro. momento muito rico de trocas e aprendizados. • Levantar atividades agroecológicas na região; • Articular as experiências a partir da EMATER-MG. 3. Visão do sistema: • Formar grupo de estudos; A idéia acabou se transformando em um encontro de dois dias, No período da tarde foi formada uma grande roda para levantar que contou com a presença de 160 pessoas, entre produtores os principais aprendizados do encontro. Foi então aberta a palavra • Produzir material que sistematize esses conhecimentos práticos. rurais, professores e estudantes de nove municípios (Aiuruoca, para que todos se expressassem sobre seus interesses e motivações Alagoa, Baependi, Caxambu, Itamonte, Itanhandu, Passa Quatro, 4. Ética: em relação à agroecologia de montanhas. Muitas questões impor- Pouso Alto e São Sebastião do Rio Verde), que foram mobilizados • Criar grupo de estudo; tantes foram levantadas e agrupadas em quatro grandes temas: • Identificar experiências demonstrativas; pelos extensionistas da EMATER- MG e acolhidos pelos moradores do Vale do Matutu. C A D E R N O S D E A G R O E C O LO G I A D E M O N TA N H A Nº 1 • Identificar experiências demonstrativas; • Produzir material que sistematize conhecimentos práticos. 27 EXPOSITORES DO ENCONTRO (ordem alfabética de expositores): 1. Associação de produtores de queijo parmesão de Alagoa Associativismo e organização social no município de Alagoa 2. Associação para o ecodesenvolvimento - Broto Brasilis (Aiuruoca e Carvalhos) Associativismo de mulheres para a promoção do Ecodesenvolvimento- Broto Brasilis 3. EMATER MG Escritório Caxambu O Papel do Vertiver na Agroecologia 4. EMATER-MG Escritório Pedralva A rede de agroecologia de Pedralva 5. Fazenda Guatambu (Itamonte) Fruticultura temperada perto da floresta 6. Fazenda Ribeirão Vale Formoso (Caxambu) Café agroecológico 7. Fundação Matutu (Aiuruoca) Valorizando Paisagens – o Turismo Ecológico no Matutu 8. Hélène Arthur Delmonte (Itamonte) Plantas Medicinais 9. Olival Santa Maria/ Instituto Alma da Terra Produção agroecológica de oliveiras 10. Rose Rosental As bases da Permacultura 11. Sítio Mombaça (Caxambu) Horticultura agroecológica 12. Universidade Federal de Lavras Manejo sustentável da Candeia PARTICIPANTES DO ENCONTRO Adnilson José de Faria, Adreia Noronha, Adriana Medina, Adriano Felipe Vieira, Alan Ribeiro Halfeld, Alex Mendes de Carvalho, Alexandre Mattar, Alice Michaelis de Souza Campos, Allan Sene de Carvalho, Alzira Martins Noronha, Amadeu Marcelino, Amana Bahia Arthur, Ana Cristina Flaeschen, Ana Maria da Silva, Ana Noronha, Anderson Alberto Marçal, Anderson Manuel, André da Silva Rodrigues, André Guerra de Mello França, Andrea Nogueira J. Carvalho, Andresa Maria Campos da Cunha, Angela Apª Arantes, Antônio Santo Líquido, Arnaldo Costa Júnior, Atha Andrade França, Aton A. Wilches, Austílio Felipe Vieira Neto, Autieres Donizete, Beatriz Moreno Pegorim, Bruno de Souza Tabacco, Carlos Adalberto Pila, Cassimiro Soares, Celina Apª da Silva, Cláudio Fraenkel, Cristiane R. de Campos Magalhães, Damião Ribeiro da Cruz, Danilo Francisco Sant'ana, Darnício Assis, Dayane Francisca da Rocha, Dener José Rigotte Chaves, Djay Paris Campos, Dulce Bahia Arthur, Édem Correa da Silva, Eder Maciel Nogueira, Elaine Cristina Maciel, Eliana Moraes, Eliano Ribeiro da Cunha, Eliete de Campos da Silva, Elisson de Campos da Silva, Endy Bahia Arthur, Erly Silva, Everaldo Xavier Diniz Campos, Felipe Maciel da Silva, Felipe Mauro Filho, Fernanda Cougo Mendonça, Flávia Cristina Barbosa, Flávio Chueire, Francisco de Neto, Francisco Samuel da Silva, Gabriel de Mendonça Domingues, Gayati das Delavy, Geliane Apª da Silva, Gladson Dias Natal, Guilherme Cordeiro, Guilherme de Mello França, Guilherme Fonseca de Luca, Gustavo Geraldo da Silva, Hara Flaeschen de Campos, Helene Arthur Delmonte, Hélio Harmonia, Irena Shutova, Isaías Gonçalves da Silva, Ismael Rodrigues da Cunha, Javan dos Santos Senador, Jeberson José da Silva, João Américo Inácio, Joelma Auxiliadora Pereira de Souza, José Carlos Guimarães, José Custódio Pinto, José Edimundo de Noronha, José Rafael Soares, José Sarto de Carvalho, Júlio César da Silva, Karla Oddone Ribeiro, Kênia Barbosa, Lázaro A., Leal Carlho de Castro, Lenadro Costta Silva, Lidia B. Zorrella Berrella, Lourenço L. Dalmasso, Luan C.dos Santos Fonseca, Lúcia Helena Silveira, Luciana Munhoz Ferraz, Lucinéa Cristiane de Faria Marques, Luis Gustavo M. dos Santos, Luiz Fernando de Melo Midea, Magali W. Rodrigues, Maira Helena da Silva, Manno Andrade França, Manuel Carlos Moreira Gomes, Marcelino Ribeiro Caetano, Marceu Correa da Silva, Márcia Arreguey Campos, Marcia Max Ferreira, Marcos Gadben, Marcos J. S. Rosental, Marcos Ribeiro dos Santos, Marcos Roberto da Silva, Mariaelisa Nervanti, Mariana Marcon, Mariana Mendonça Pires Trigo, Mariano José Dirube,Marilza Faria Pereira, Marinilsa Costa Fávaro, Maristela de Macedo Dertoni, Marlene Diniz Campos, Marta Maria de Noronha,Michele Apª da Silva Sobrinho, Michele Apª dos Santos, Miguel A. D., Miguel Arcanjo Robeiro, Murilo Fonseca Bortolozzi, Natalino D. P. de C. Júnior, Newton Avarez Rodruiguez Filho, Ney Teixeira, Nílcea Correa de Paula, Nina Michaelis, Odenildo Carlos Ribeiro, Omar do Nascimento, Otacil Rodrigo da silva, Patrícia Vaz, Pedro Felipe Junqueira Carvalho, Priscila Cibele Rocha Guimarães, Rafael da Silva Mendes, Rafael Rodrigues Pedemonte, Rafaela Apª Gonçalves, Regina A. Guerra, Rita de Cássia A. Prado Perim, Rodrigo Campos Camara, Rodrigo Mendes Pinto, Roseni Maria da Silva, Rosileli Pereira Neves, Rute Kimy Misaki, Samuel Midám Levy França, Sereno Junqueira Carvalho, Silmara Bustamante Noronha, Silvana de Cássia Gonsalves, Simone Leny, Sofia Arreguy Campos Sluss, Solange Apª Nogueira, Solange Apª O. Carvalho, Solange Maria de S. Machado, Susiane Amélia Castro, Talita Arthur Delmonte, Thais Maria de Almeida, Valdilene Apª Silva, Vanise Passos maciel, Vera Lúcia B. de Souza, Vera Lúcia Mendes da Silva, Vitor Bicalho Pontedeiro, Vitório Marçolla, Xairon Misaki Raeder. C A D E R N O S D E A G R O E C O LO G I A D E M O N TA N H A Nº 1