B1.1- Engenharia RELAÇÃO ENTRE VARIAÇÕES CLIMÁTICAS, FOCOS DE INCÊNDIO E OCORRÊNCIAS DE DOENÇAS DO APARELHO RESPIRATÓRIO NO MUNICÍPIO DE JI-PARANÁ ENTRE 2001 A 2010 1 2 3 4 Camila B. Ruezzene , Alan J. B. do Carmo , Aline de S. Coelho , Elisabete L. do Nascimento . 1. Estudante de Engenharia Ambiental da Universidade Federal de Rondônia – UNIR, *[email protected] 2. Estudante de Engenharia Ambiental da Universidade Federal de Rondônia – UNIR 3. Estudante da Fac. de Enfermagem CEULJI/ULBRA 4.Professora do Departamento de Engenharia Ambiental,UNIR, Ji-Paraná/RO. Palavras Chave: umidade relativa do ar, temperatura do ar, sazonalidade climática. Introdução A sazonalidade climática tem sido apontada como um dos principais fatores que influenciam a saúde respiratória. Alguns autores apontam que a saúde humana vem sido prejudicada pelas mudanças climáticas em vários lugares do mundo. Ondas de calor, seguidas de ondas de frio, umidade relativa do ar e temperatura, vêm sido apontadas como um dos possíveis agravantes a saúde das populações (Silva Renato, 2012). Como a interação entre a saúde e o clima é específica em relação à localização geográfica do local a ser estudado, o objetivo do estudo foi avaliar o efeito da sazonalidade climática na ocorrência de casos de internações por doenças do aparelho no município de Jiparaná, e correlacionar com focos de queimadas, variação da temperatura e umidade relativa do ar. Para tanto, os dados de internações por doenças do aparelho respiratório foram obtidos no banco de dados do site do Ministério da Saúde, na plataforma Datasus, os dados de queimadas no site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e os dados de unidade relativa do ar e temperatura no Programa de Grande-Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA). O período estudado compreendeu os anos de 2001 a 2010. Resultados e Discussão Umidade X Internações por doenças do aparelho Respiratório A umidade relativa do ar nos fornece a quantidade de vapor de água na atmosfera, desta maneira se tratando de doenças respiratórias, é importante que essa faixa de umidade se mantenha em equilíbrio. Os dados de umidade relativa do ar foram correlacionados com o número de internações de três maneiras, período chuvoso, período de seca e variação da umidade ao longo dos doze meses do ano, em nenhum dos casos foram obtidos valores de significância suficientemente forte, com valores 2 de r no período chuvoso de 0,016, na seca de 0,046 e os doze meses de todos os anos com 0,047 respectivamente. Focos de Calor X Internações por Doenças do Aparelho Respiratório A poluição causada pelas queimadas também é outro grande agravante nas doenças do aparelho respiratório. O município de Ji-Paraná apresentou ao longo dos dez anos a média de pouco mais de 29 focos por mês, está média tem um aumento significante quando considerado apenas a estação de seca com mais de 58 focos de calor no mês. Mesmo com esse significativo aumento, não foi encontrado correlação entre focos de calor com o número de internações. Temperatura X Internações por Doenças do Aparelho Respiratório O aumento da carga de alérgenos, que é dependente da temperatura e umidade, está associado ao aumento de descompensações por asma e rinite alérgica. A umidade elevada aumenta a concentração de fungos e pólen no ar (Packe & Ayres, apud Gonçalves, 2010). A temperatura média nos 10 anos foi de 24,9°C, com máxima de 26,7°C e Mínima de 23,3°C. Entretanto, na análise realizada, não foi encontrada correlação entre a 2 temperatura com os casos de internação (r =0,0134). Conclusões Apesar de o estudo proposto ter sido realizado em uma série histórica de 10 anos, não foi encontrado correlação entre o número de internações devido a problemas respiratórios, com as variáveis, umidade, temperatura do ar e queimadas. Para tal resultado, podem ser atribuídos fatores. A variável número de internações, apesar de estar facilmente disponível no banco de dados do Ministério da Saúde, não reflete a totalidade de pessoas que procuraram as unidades de saúde por problemas respiratórios, visto que são dados apenas de internação. As pessoas mais susceptíveis as complicações respiratórias são crianças e idosos, e pessoas que possuem doenças crônicas como renite, asma, pneumonia, entre outros, entretanto o banco de dados não permite realizar um filtro destas características. Sendo assim, tal correlação não deve ser descartada, visto que outros trabalhos na região amazônica já verificaram tal comportamento. Agradecimentos Agradecemos ao Programa de Grande Escala da BiosferaAtmosfera da Amazônia (LBA) pela disponibilidade dos dados. SILVA RENATO. O clima e as doenças respiratórias em patrocínio/Mg. Universidade Federal de Uberlândia. Revista Eletrônica de Geografia, v.4, n.11, p. 123-137, out 2012. SECRETARIA DE SAÚDE MUNICIPAL DE SÃO PAULO. – Informe Técnico sobre baixa umidade. SILVA AGEO. Quantificação dos efeitos na saúde da exposição à queima de biomassa: uma contribuição ao entendimento dos efeitos da exposição ao material particulado (PM2.5) em grupos populacionais sensíveis na Amazônia legal. – Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Rio de Janeiro, 2010. BRASIL.Ministério da Saúde. Portal da Saúde, DATASUS. Disponível em <http://www2.datasus.gov.br/DATASUS/index.php?area=0203> acesso em: 11 de novembro 2014. ____________________ 67ª Reunião Anual da SBPC