Cartas do leitor: o caráter histórico da revista “a par” em revista.
Cláudia Cristina da Silva
Susana Oliveira Vieira
7º período de jornalismo
Comunicação Social (Habilitação em jornalismo)
Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais
As revistas estão cada vez mais personalizadas para atender a um público específico e,
nesse sentido, ajuda a construir identidades, cria identificações e proporciona a sensação de
pertencimento a um segmento. Este conceito é coerente com a proposta do jornalismo
regional que assume a identidade de um determinado grupo, isto é, uma produção
jornalística voltada para a cultura local, valorizando o potencial de cada região.
Neste contexto, a revista “a par”, pioneira no Oeste de Minas Gerais, destaca-se por
valorizar a cultura, a história e dar voz aos anseios dos moradores da cidade de Formiga e
região. Lançada no dia primeiro de maio de 2004, essa revista já foi mensal. Hoje é
quinzenal e abrange sete cidades: Formiga, Campo Belo, Pains, Itapecerica, Córrego
Fundo, Arcos e Piumhi. Assim, o artigo traz uma análise da seção “Cartas do leitor”, o qual
confirma a representação da revista “a par” como documento histórico e como resgate da
memória coletiva, à medida que os leitores enviam cartas e e-mails à redação que contém
críticas, elogios e sugestões.
Palavras-chaves – Revista regional, história, memória, cartas do leitor
As revistas estão em toda parte: na sala, na cozinha, no quarto e até no banheiro.
Entram sem pedir licença, pois são consideradas como alguém da família. Imagens, ícones,
símbolos e escritas se misturam e interagem com um único objetivo: prender a atenção do
receptor.
Atualmente, vêem-se, nas bancas, revistas para todos os gostos e para todo tipo de
público: masculino, decoração, unhas, culinária, crianças, Internet, artesanato, carros, etc.
Este veículo de comunicação torna-se cada vez mais segmentado e direcionado a um
determinado grupo.
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Para a autora do livro Jornalismo de revista, Marília Scalzo (2003), a revista é um
veículo de comunicação, um produto, um negócio, uma marca, um objeto, um conjunto de
serviços, uma mistura de jornalismo e entretenimento.
Já o editor espanhol Juan Cano, citado por Scalzo, define revista “como uma história de
amor com o leitor”. Como toda relação, essa também é feita de confiança, credibilidade,
expectativas, idealizações, erros, pedidos de desculpas, acertos, elogios, brigas e
reconciliações.
Para Scalzo, revista também é um encontro entre um editor e um leitor, um contato que
se estabelece, um fio invisível que une um grupo de pessoas e, nesse sentido, ajuda a
construir identidades, ou seja, cria identificações, possibilita a filiação e/ou pertencimento a
um determinado grupo.
Assim, o conceito de revista é coerente com a proposta do jornalismo regional que é
aquele que assume a identidade de um determinado grupo, isto é, uma produção jornalística
voltada para uma comunidade específica.
Não dá para esquecer também que revistas são impressas e o que é impresso,
historicamente, parece mais verdadeiro do que aquilo que não é. Isso pode até mudar com o
tempo e com a chegada de novas tecnologias, mas, por enquanto, permanece assim. A
durabilidade da revista também é outro quesito que afirma a sua posição enquanto
documento. É comum ver pessoas lendo revistas de dois anos atrás e gostarem do que estão
lendo, apesar de a publicação ser antiga. Esse veículo de comunicação transcende as noções
de “velho” e “novo” no jornalismo.
Embora o atual e veloz desenvolvimento das tecnologias de informação e da cultura
audiovisual, a palavra escrita é o meio mais eficaz para transmitir informações complexas.
Quem quer informações com profundidade deve, obrigatoriamente, buscá-las em livros,
jornais, revistas, folhetos, pois quem quer saber mais tem de ler. Além disso, a palavra
escrita dá ao leitor a oportunidade de ele voltar ao texto e fazer uma nova leitura sobre
determinado assunto que não tenha sido entendido. Entretanto, fica a pergunta: o que mais
chama a atenção do leitor: uma revista? Ou um jornal?
Marília Scalzo afirma que a revista pode chamar mais atenção pelo formato. A forma
que mistura entretenimento, educação, cultura e lazer, torna-se mais atrativa. Ainda, é fácil
de carregar, de guardar, de colocar numa estante e de colecionar. Seu papel e impressão,
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além de não sujarem as mãos como os jornais, garantem qualidade do conteúdo
informacional e das imagens.
Conforme Scalzo, na última década, os jornais fizeram um nítido esforço para se
tornarem cada vez mais parecidos com revistas - seja nos temas, na linguagem ou na
divisão em cadernos. No entanto, não obtiveram o sucesso esperado com tal metamorfose,
por uma simples questão de formato e de público.
Os jornais descobriram, por exemplo, que precisavam falar para os
jovens - e trataram de criar suplementos específicos para esse tipo de
publico. No entanto para ler o suplemento dedicado especialmente a ele,
o jovem precisa comprar o jornal inteiro Revista tem foco no leitor conhece seu rosto, fala com ele diretamente. Trata-o por “você”
(SCALZO, 2003, p.15).
Esta proximidade que a revista proporciona ao leitor revela a importância dela como
documento histórico. Ao contrário do jornal que é publicado num dia e, no outro, é usado
para embrulhar objetos, as revistas são guardadas pelos seus donos entre os objetos de
maior valor.
Isso acontece porque a maioria das matérias de revista é atemporal, e, por terem seus
conteúdos apurados em profundidade, servem como material de pesquisa. Além disso, as
revistas oferecem muitos recursos gráficos para se contar uma história, como por
exemplo, a fotografia e a infografia. Um texto será bem compreendido se estiver
acompanhado de uma boa ilustração. Além de chamar mais a atenção do leitor, a matéria
fica mais clara.
No caso de uma revista regional, o veículo de comunicação se torna ainda mais
próximo do leitor, pois este se reconhece à medida que lê e vê a sua cultura, os problemas
sociais e a sua realidade local refletida nas matérias. Essa revista proporciona visibilidade
às características do cidadão do interior do Brasil, enquanto as nacionais veiculam fatos
relacionados aos estados de Brasília, do Rio de Janeiro e de São Paulo.
O leitor sabe que a revista regional é para ser guardada, porque ela, além de informálo, servirá de legado para os descendentes que queiram saber da cidade e da origem de
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sua família. Então, surge a importância da revista regional para a documentação histórica
e para o resgate da memória coletiva.
1. Linguagem, pensamento e memória
Através da palavra somos capazes de nos situar no tempo, lembrando o que ocorreu no
passado e antecipando o futuro pelo pensamento.
A linguagem, por meio da representação simbólica e abstrata, permite o distanciamento
do homem em relação ao mundo, mas também é o que possibilitará seu retorno ao mundo
para transformá-lo.
A linguagem é o instrumento graças ao qual o homem modela seu
pensamento, seus sentimentos, suas emoções, seus esforços, sua vontade
e seus atos, o instrumento graças ao qual ele influencia e é influenciado, a
base mais profunda da sociedade humana. (HJELMSLEV, citado por
Marilena Chauí, 2002, p.137)
Portanto, se não tem oportunidade de desenvolver e enriquecer a linguagem, o homem
torna-se incapaz de compreender e agir sobre o mundo que o cerca.
Por isso, a linguagem fixa o homem no tempo. Através dela, o homem deixa de
reagir somente ao presente, ao imediato; passa a poder pensar o passado e o futuro e, com
isso, a construir seu projeto de vida.
A imprensa torna-se extremamente relevante, porque contribui para a construção de
um arquivo das histórias de um povo. A palavra escrita grafa o presente no papel, dando a
oportunidade ao homem de poder rememorar fatos e resgatar a sua memória. Nas palavras
de Pierre Lévy (1993): “Tendo o papel como suporte, a memória coletiva começa o lento
abandono do espaço para inscrever-se no tempo”.
Para Marilena Chauí (2002), como consciência da diferença temporal – passado,
presente, futuro, a memória é uma forma de percepção interna chamada introspecção, cujo
objetivo é interior ao sujeito do conhecimento: As coisas lembradas, o próprio passado do
sujeito e o passado relatado ou registrado por outros em narrativas orais e escritas. A autora
diz que, além dessa dimensão pessoal e introspectiva (interior) da memória, é preciso
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mencionar sua dimensão coletiva ou social, isto é, a memória objetiva, gravada nos
monumentos, nos documentos e nos relatos da história de uma sociedade.
Para Jacques Le Goff (1992), a memória coletiva se deu a partir da característica
arquivista do sistema midiático, desde o surgimento da escrita. O autor destaca que esta
memória assume até então duas formas emblemáticas: a primeira delas é a comemoração
por meio das inscrições nos monumentos, a segunda é em forma de documento que a
memória escrita pôde assumir, pois se destina a suportes específicos: osso, pele, bambu,
papiro, papel. Falar em memória é resgatar o passado. “O nome, ou a palavra, ou objeto
retém na nossa memória, enquanto idéia, aquilo que já não está ao alcance dos nossos
sentidos”. (PIERCE, citado por Maria Lúcia Aranha, 1993, p.29).
A escrita foi encarada pelo homem como maneira única de se conservar lembranças,
visto que “as palavras e os pensamentos morrem, mas os escritos permanecem”
(HALBWACHS, 1990, p.80). Desse modo, tendo em vista a importância da narrativa
escrita na construção da história de uma sociedade, não há como descartar o valor do
jornalismo como documento histórico.
Nelson Tranquina (1999) diz que o jornalismo é entendido como uma prática social
que estabelece relações com o mundo simbólico e com o mundo material dos indivíduos.
Esta constituição de relações simbólicas e de materiais acontece enquanto memória, história
e linguagem. História, porque são relações que se constituem a partir das exterioridades do
jornalismo, sendo que este se encontra inserido dentro do processo de produção,
transformação e manutenção da sociedade tecnológica para a qual a informação virou
mercadoria sofisticada e o jornalismo transformou-se em atividade industrial.
Assim, a memória jornalística e diplomática surge como “a entrada em cena da
opinião pública, nacional e internacional, que constrói também a sua própria história” (Le
Goff, 1994, p.461).
O jornalismo regional torna a cidade verdadeiramente conhecida pelos próprios
habitantes. Faz com que os leitores conheçam a história e a importância do município, em
relação às outras regiões do país. Preservar costumes e culturas é um papel a ser
desempenhado pela mídia regional. É preciso investimento na qualidade das redações e, por
conseqüência, o resultado final é encarado como um trabalho sério e eficiente que faz a
diferença.
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A valorização da produção regional é mais do que a preservação da cultura é uma
estratégia de fomento a democracia cultural e respeito às características regionais.
Para Halbwachs (1990), pertencer a um determinado grupo é condição primordial
para o registro da memória que é tratada pelo autor como um fenômeno de natureza social.
A coletividade vai influir na formação da memória individual que sofre mudanças
conforme o lugar que o indivíduo ocupa, por ser um ponto de vista sobre a memória
coletiva. Assim, cada sociedade recorta o espaço a seu modo, de forma a constituir um
quadro fixo onde encerra e localiza suas lembranças.
E é por meio da linguagem, da palavra escrita, que tal realidade se mostra mais
evidente e clara. A linguagem é, assim, um dos principais instrumentos na formação do
mundo cultural, pois ela nos permite transcender a nossa experiência. “No momento em
que damos nome a qualquer objeto da natureza, nós o individuamos, o diferenciamos do
resto que o cerca, ele passa a existir para a nossa consciência”. (PIERCE, citado por Maria
Lúcia Aranha, 1993, p.29).
Neste contexto, surge a necessidade de se falar da revista “a par”, publicação regional
pioneira, destacando suas devidas peculiaridades.
3. O surgimento da revista “a par”
A revista regional “a par”, lançada no dia primeiro de maio de 2004, iniciou-se com
periodicidade mensal, com uma média de 40 a 60 páginas. Elaborada em Formiga, pertence
à empresa jornalística Laudares e Fonseca.
À época de lançamento, a equipe de produção era formada por: Káthia Maria Leal
(diretora de redação e repórter), Maria Aparecida Leal (repórter), Jania do Carmo
Rodrigues (repórter), e Márcio Camargo (diagramação).
A revista surgiu a partir do desejo do proprietário da empresa jornalística
Laudares e Fonseca, Manoel Gandra Fonseca, de criar um veículo de
comunicação regional, após a tentativa frustrada de regionalizar o jornal de
propriedade dele, o diário “O Pergaminho”, de Formiga. O projeto editorial da “a
par” foi baseado em algumas revistas informativas nacionais de grande circulação,
como Veja, Isto é e Época, sendo que as características destas foram adaptadas
para a realidade local.
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Assim como todas as revistas informativas nacionais, a “a par” tem a seção
de frases, formada pelas declarações retiradas do jornal “O Pergaminho”, a seção
de entrevistas com personalidades políticas, colunas sociais, matéria de capa e
matérias secundárias, que geralmente são duas, e artigos. Outra seção é a
enquete cujo objetivo é saber a opinião dos formiguenses sobre temas atuais.
Duas partes da revista merecem destaque especial devido à necessidade
de valorizar a cultura regional e de resgatar a história local. A primeira é a seção
“Vindos de Longe” que relata a história de imigrantes que se mudaram para
Formiga, e o porquê de eles terem escolhido o município como ponto de
residência. A matéria mostra as disparidades culturais do país de origem do
entrevistado, em relação ao Brasil, e especialmente em relação à cidade de
Formiga; também traz informações adicionais sobre o continente, o país e a cidade
do imigrante. A segunda é uma editoria que se chama “História em Fotos” que
reconstitui a história da cidade através de fotos antigas de colecionadores do
município.
A “a par” valoriza a produção artística local, ao veicular, também,
reportagens sobre músicos, artesãos, artistas plásticos e escritores formiguenses.
A revista traz ainda artigos sobre opiniões de especialistas que têm como
objetivo a prestação de serviços, como artigos de direito e saúde, além de uma
página dedicada à culinária. Na penúltima página publica-se uma crônica escrita
pelo escritor formiguense Wilson Liberato, residente em São Paulo, sobre fatos
ocorridos em sua cidade natal.
A revista manteve essas colunas fixas em todas edições até o momento que
ela se tornou quinzenal e passou por uma reestruturação gráfica e editorial, em
que se alternaram as seções e acrescentaram outras.
Em 19 de fevereiro de 2005, a “a par” tornou-se quinzenal, com 32 páginas.
Porém, foi no dia 19 de março, depois de 10 edições mensais e 3 quinzenais, que
a “a par” alcançou o seu objetivo original: tornou-se de fato regional. A
regionalização teve início a partir de quatro cidades vizinhas de Formiga: Pains,
Campo Belo, Córrego Fundo e Itapecerica. No dia 16 de abril, o periódico
começou a circular em Arcos e, no dia 02 de julho, em Piumhi, outros dois
municípios próximos a Formiga.
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Em cada uma dessas cidades, possui um correspondente que, em geral,
são jornalistas ou produtores culturais, nativos da cidade. A equipe de redação é
formada por: Manoel Gandra Fonseca (Diretor e Jornalista responsável), Karla
Luciana Oliveira de Souza (Diretora de Redação e repórter), Lenir da Silva
Campos (repórter), Jania do Carmo Rodrigues (repórter) e Maxuel Cruz (ilustração
e diagramação).
A inovação da revista “a par” é o link no site www.flashoeste.com.br que
possibilita ao internauta ler a sinopse das principais matérias da edição, antes de a
revista começar a circular.
A “a par” destaca-se por ser uma revista pioneira, regional e de variedades
que têm como objetivo inteirar a população de Formiga e região acerca dos fatos
locais e regionais. Além disso, tem o intuito de resgatar a história da cidade onde a
mídia impressa surgiu há 122 anos, com o primeiro jornal impresso, o “O
Democrata”, publicado em 1881.
Conforme a ex-Diretora de Redação, Káthia Maria Leal, que fez parte da
equipe de criação do projeto da revista, a “a par” é peculiar até no que diz respeito
à produção de notícias. O repórter, quando sai para a rua para apurar uma
matéria, não sai sem informações prévias sobre o assunto, porque conhece a
localidade e as necessidades do seu povo. Esse fato o capacita a realizar um
processo de apuração mais verossímil, pois o jornalista tem maiores condições de
ouvir as fontes que estão próximas e de tratar de assuntos que vão interferir
diretamente na realidade da população.
Outra particularidade da “a par” é a proximidade geográfica entre a revista e
o leitor. Isto permite que a equipe de redação saiba da dimensão da repercussão
das matérias na sociedade e da discussão social causada por elas.
Káthia Leal ressalta também a importância de a revista constituir-se como
um documento histórico. A jornalista conta que a coluna “História em Fotos”,
coletânea de fotos antigas de um mesmo assunto, tem uma boa recepção, porque
remete ao passado dos formiguenses. Então, surge o caráter documental, pois
muitos assuntos publicados servirão de base para resgatar o passado, explicar o
presente e projetar o futuro.
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4- A afirmação do caráter histórico de “a par” através da seção “Carta do leitor”
A perspectiva do receptor tem sido recentemente retomada por autores dos mais
diversos campos do conhecimento, evidenciando uma tendência cultural de se buscar as
diferentes formas de interpretação e interação social. Visto que cada leitor pode ter opiniões
diferentes sobre o mesmo assunto publicado em determinado veículo de comunicação.
Saber a opinião do leitor e o que ele pensa é muito importante para a credibilidade
de qualquer veículo de comunicação, pois o receptor contribui para a transformação,
evolução dos veículos a medida que criticam, sugerem mudanças e elogiam as publicações.
Na imprensa, a Seção “Carta do leitor” é o espaço reservado para que o leitor
participe desse processo, no entanto como diz Bahia (1990), a correspondência dos leitores,
não é por si só fielmente representativa de valores como penetração, credibilidade,
honestidade, prestigio ou autoridade do veículo, porque há sempre um grande número deles
que nunca se manifestam, há um número expressivo dos que só opinam sobre determinados
assuntos, e há também um ponderável número dos que escrevem demais, são
desinformados ou fazem julgamentos apressados.
O grande trunfo da “Carta do Leitor”, conforme diz Juarez Bahia, é que elas são
indicadores ideais para, em certos momentos, traduzir níveis de receptividade a
determinadas posições ou matérias; para testar formulas de estilo e linguagem do veículo e
para aferir legibilidade ou alcance do conteúdo.
Em princípio, o leitor está presente em todo veículo, nas reportagens,
entrevistas, nos editoriais, nos editoriais, nas notícias de utilidade
pública, nas informações de serviço, nos classificados e na publicidade
em geral. Porém são as cartas que fornecem o modo comum, simples,
espontâneo de manifestação do leitor, tenha ele ou não acesso ao
noticiário. (BAHIA, 1990, p.108).
Nesse sentido, é coerente a análise da Seção “Carta do Leitor” de “a par” como
afirmação dos objetivos da revista que são: resgatar a historia, contribuir com a formação
da memória coletiva e dar visibilidade à cultura local. Por meio desse espaço democrático
reservado ao leitor, pode-se perceber a “voz” do receptor que elogia, critica e sugere
mudanças e até reivindica ações do poder público. O leitor se mostra motivado quando
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existe a possibilidade de ele não ser apenas um receptor passivo no processo de
comunicação, mas também um emissor com voz ativa.
Na segunda edição, publicada no primeiro de junho de 2004, duas cartas relataram a
satisfação dos formiguenses com a chegada da primeira revista regional. Uma das
correspondências foi enviada por alunos da 4º série da Escola Honorato de Castro, que
conheceram o periódico por meio da professora Fátima. Eles parabenizaram a equipe de
redação pela iniciativa e por estarem contribuindo com o desenvolvimento de Formiga.
Na segunda carta, o vereador Aluísio Veloso Cunha relata o quanto ficou orgulhoso de
ser formiguense, ao folhear a primeira edição de “a par” e ver a riqueza cultural de seu
povo retratada nas páginas da revista.
A peculiaridade da revista “a par” é de não ser apenas uma revista informativa, mas
também de ser um documento histórico, portanto, grande porcentagem dos entrevistados da
seção “Entrevista” são idosos que participaram e acompanharam o desenvolvimento da
cidade. A coluna “História em Fotos”, também resgata fatos por meio de fotografias.
A carta do leitor Marcos Paulo Faria pode comprovar o citado acima. O vendedor
revela o quanto foi bom rever as fotos do carnaval formiguense na década de 80, publicadas
na décima primeira edição. Ele faz também um apelo ao poder público que incentive e
designe verbas para que atividades como esta voltem a ser realizada com sucesso.
A carta também é uma forma de aproximação entre o veículo de comunicação e seu público
alvo.
Todo veículo e não só o escrito, nos quais as cartas por sua própria
natureza encontram um leito próprio, deve procurar e consolidar uma
aproximação com seu público. Pois, na prática parece difícil manter uma
ligação verdadeiramente estreita, embora nada impeça um contato vivo e
recíproco. (BAHIA, 1990, p.108).
O fato de a revista ter se tornado regional agradou muitos leitores de cidades vizinhas
que tiveram a felicidade de ver sua terra natal estampada nas páginas de “a par”. A leitora
Carla de Faria residente em Pains foi uma delas. Ela disse que sempre teve vontade de ver
imagens de seu município e de outras cidades como Itapecerica e Córrego Fundo
publicadas nas páginas da revista.
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Outra leitora que ficou contente com a regionalização da revista foi a arcoense Laura
Monteiro, residente em Belo Horizonte. Ela diz ter ficado feliz por ler reportagens que
valorizam os aspectos culturais de Arcos.
Conforme Bahia (1990), quanto maior for o grau de participação dos leitores maior
será a intensidade do debate que elas costumam provocar. Por isso é importante que o leitor
tenha consciência desse espaço reservado para ele para criticar o que precisa ser criticado e
elogiar o que deve ser elogiado.
O leitor precisa ter consciência de que ao emitir sugestões ele pode interferir no
processo de escolha e produção de matérias. Ele pode sugerir pautas, enfoques e apontar
erros, fazendo com que haja interação entre emissão e recepção. Conforme Bahia (1990), a
imprensa não se afasta nunca da convicção de que os anseios dos leitores, ouvintes e
telespectadores são bem refletidos pelo veículo, pois, do contrário, ele não seria aceito. “A
seção é eficaz, porque as cartas se bem avaliadas servem justamente para confirmar ou
desmentir esse sentimento, ou apontar brechas na sua formulação”.
5. Um breve histórico da mídia formiguense
A cidade de Formiga está localizada na região oeste de Minas Gerais, está a 197
quilômetros de Belo Horizonte. O município tem 147 anos de emancipação políticoadministrativa e uma população estimada em 66.000 habitantes, conforme registros do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).
A cidade tem cinco emissoras de rádio, um canal de televisão (TV Oeste), dois
jornais semanários, um diário e a revista “a par”.
O Pergaminho, produzido pela mesma empresa da revista, Laudares e Fonseca, é o
único jornal diário de Formiga. A primeira edição foi experimental e circulou no dia 03 de
agosto de 1991. Permaneceu durante um ano e meio com circulação mensal. De 1993 a
1995 foi quinzenal e depois se tornou semanal. Em 2000, passou a ser diário. Tem uma
tiragem de 2.500 exemplares e 2.500 assinantes em mais de 100 cidades. A linha editorial é
extremamente política. Tem gráfica própria, possui 51 funcionários e é o terceiro jornal do
Brasil a ter a figura do ombudsman.
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O jornal Tribuna Formiguense é o mais antigo em circulação e foi publicado a mais
de 25 anos. Fundado em agosto de 1979 pelo formiguense Jésus Ferreira da Silva e depois
foi herdado pela filha Glaydes Silva. Quando começou a circular, tinha periodicidade
quinzenal e uma tiragem de 1.000 exemplares. Hoje de propriedade de outra família,
tornou-se semanal, com uma tiragem de 2.500 exemplares. É de circulação regional (cinco
cidades). Atualmente, em cada cidade que abrange, há um correspondente, totalizando 8
funcionários. O jornal tem uma linha editorial voltada para a política e para o social.
O Nova Imprensa foi fundado, em janeiro de 1997, pelo vice-presidente da
Federação Brasileira de jornais do interior e circulou até 31 de março de 2000, com o nome
de Gazeta do Oeste.
Com periodicidade semanal, circula as sextas-feiras. Tem uma tiragem de 2.500
exemplares e cerca de 1.500 assinantes.
É um jornal de opinião que desenvolve o trabalho de jornalismo investigativo.
Publica assuntos em níveis estaduais e nacionais, relacionados à política brasileira. É o
segundo jornal do estado a ter a edição completa na versão on-line. A página existe há
quatro anos e recebe cerca 4.000 visitas semanais. Tem um total de 10 funcionários e cerca
de 15 colaboradores.
A TV Oeste (Fundação Educacional e Cultural de Integração do Oeste de Minas)
foi criada em 1989 e levou 11 anos para conseguir concessão de funcionamento. Começou
a funcionar em outubro de 2001 em caráter experimental.
O sinal da TV chega atualmente a 11 cidades do oeste mineiro: Piumhi, Pimenta,
Pains, Doresopólis, Arcos, Iguatama, Lagoa da Prata, Bambuí, Candeias, Campo Belo e
Formiga. A emissora é geradora e é transmitida no canal Rede Minas, emissora de Belo
Horizonte filiada à TV Cultura.
A diretoria da TV Oeste é composta por três pessoas: Alessandro Pieroni
(presidente); Márcio Gato (vice-presidente) e o diretor financeiro Maurílio Arantes. O
único telejornal produzido pela emissora é o “Oeste Notícias”. É apresentado pela estudante
Graziela Faria, aluna do curso de Gestão da Comunicação Integrada da PUC Minas Arcos.
O jornalismo apresentado tem uma proposta comunitária e quase que totalmente voltado
para atender os interesses das comunidades. Um dos problemas enfrentados pela emissora é
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que, apesar de ser regional, as notícias são predominantemente produzidas sobre fatos que
ocorrem em Formiga. A cidade fica com 20% da cobertura total do telejornal.
A rádio Líder FM pertence a Geraldo União de Negócios e filiada à Rede mineira
de rádio (Global Comunicação e marketing holding do Brasil). A freqüência é de 102,5
FM, e a rádio de maior abrangência em Formiga chega a atingir 100 municípios. Além da
programação musical, a rádio conta com programação jornalística, valorizando as notícias
de Formiga e região. A rádio tem também correspondentes diretos de Belo Horizonte direto
da central de noticias. Além do noticiário, a rádio conta também com programas esportivos
regionais e nacionais.
A rádio 93.FM pertence a Antônio Leão da Silva e existe desde 1986. Com uma
freqüência de 93.3 FM, atinge aproximadamente 20 cidades da região. A rádio conta com
agência Rádio Brasil de notícias para transmitir informações aos ouvintes.
A maioria das notícias divulgadas é nacional e pouco sobre a região. Não há
programação jornalística específica, porque as agências mandam as notícias via Internet, e
os locutores a divulgam.
A rádio Difusora Formiguense AM pertence a Antônio Leão da Silva e existe
desde 1941. Com uma freqüência de 93.3 AM e 850 MHZ, atinge aproximadamente 20
cidades. Apresenta programação musical e popular quando o ouvinte pode conversar ao
vivo com o locutor. Não há programação jornalística específica, sendo algumas produzidas
pela Agência rádio Brasil de Brasília.
A rádio Divinal AM pertence a Jaime Ribeiro de Mendonça e existe há 13 anos.
Com uma freqüência de 91.1 MHz, atinge aproximadamente 30 cidades. A programação é
de cunho informativo e social com notícias da cidade e da região.
O programa “Jaime Mendonça” que vai ao ar de sete da manha ao meio dia é o
programa de maior audiência. Tem como objetivo ajudar moradores de Formiga e da
região, os quais estejam passando por dificuldades financeiras. O locutor pede aos ouvintes
que doem roupas e alimentos para quem tem necessidade.
A rádio Realidade 87.9 pertence à associação comunitária de ação social, cultural e
de comunicação. Licenciada desde 27 de maio de 2004, a rádio tem uma freqüência de
87.9. Por ser comunitária, atinge apenas a região de Formiga. Além da programação
musical, a rádio tem serviço de utilidade pública para atender a comunidade.
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6. Referências Bibliográficas

BAHIA, Juarez. Jornal, história e técnica: as técnicas do jornalismo. 4ª ed. São
Paulo: Ática. 1990. 253 p.

CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. 12ª ed. São Paulo: Ática, 2002, pp.125 a
144.

HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. 2ª ed, São Paulo: Vértice, 1990,
189p.

LE GOFF. História e memória. 4ª ed. Campinas (SP):Editora da UNICAMP,
1996, 423p.

LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da
informática. 1ª ed., Rio de Janeiro: Editora 34, 1993, 208 p.

NUNES, Mônica Rebecca F. A memória na mídia: a evolução dos memes de
afeto. São Paulo: Annablume: Fapesp, 2001. pp.20 a 21.

SCALZO, Marília. Jornalismo de revista. São Paulo: Contexto, 2003, pp.12 a 15.

TRANQUINA, Nelson. Jornalismo: questões, teorias e estória. Lisboa: Vega,1993
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