Pró-Reitoria de Graduação Curso de Psicologia Trabalho de Conclusão de Curso A COMUNICAÇÃO NO SISTEMA FAMILIAR- UMA REVISÃO DE LITERATURA Autora: Ângela Silva Maracaipe Orientadora: Msc. Maria Eveline Cascardo Ramos Brasília - DF 2014 ÂNGELA SILVA MARACAIPE A COMUNICAÇÃO NO SISTEMA FAMILIAR – UMA REVISÃO DE LITERATURA Artigo apresentado ao curso de graduação em Psicologia da Universidade Católica de Brasília, como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Psicologia. Orientadora: Msc. Maria Eveline Cascardo Ramos Brasília 2014 Artigo de autoria de Ângela Silva Maracaipe, intitulada “A COMUNICAÇÃO NO SISTEMA FAMILIAR- UMA REVISÃO DE LITERATURA”, apresentada como requisito parcial para a obtenção do grau de Bacharel em Psicologia da Universidade Católica de Brasília, em 21 de Novembro de 2014, defendida e aprovada pela banca examinadora abaixo assinada: _____________________________________________________ Prof. Msc. Maria Eveline Cascardo Ramos Orientador _____________________________________________________ Prof. Drª. Maria Alexina Ribeiro Brasília 2014 DEDICATÓRIA Dedico esse trabalho a Deus, meu Salvador, inspirador, que me deu forças e condições para alcançar esse título, me permitindo chegar até aqui. Aos meus pais que com amor incondicional me ensinaram a correr atrás dos meus sonhos e me motivaram a acreditar que é possível alcançá-los com dedicação e esforço. Aos meus irmãos que sempre me apoiaram e me deram forças. Aos meus familiares que direta ou indiretamente torciam por mim. E por fim, aos meus amigos e namorado que me apoiaram, ajudaram e me incentivaram a persistir diante das dificuldades que me deparei durante os cinco anos de graduação. AGRADECIMENTO À minha orientadora Maria Eveline, que me auxiliou na execução desse trabalho com tanta paciência, dedicação e disposição. Aos meus professores do curso de Psicologia, que me ensinaram a amar a atuação clínica e o estudo das relações humanas. Aos meus colegas de curso que foram agentes potenciais do meu aprendizado por meio do compartilhamento de ideias e discussões de cada conceito e informações dos conteúdos das disciplinas. Aos meus chefes e colegas de trabalho que me compreendiam em cada dia estressante de final de semestre. Aos meus amigos que aceitavam a minha ausência nos dias de provas e entregas de relatórios. À minha família que aguentava os dias de luzes acesas nas madrugadas de estudo. E a todos aqueles que sempre me direcionaram palavras de apoio e motivação, todas essas coisas tornaram-se fatores relevantes e memoráveis durante a minha graduação. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 6 2 MÉTODO.................................................................................................................. 8 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................................... 9 Comunicação Conjugal........................................................................................... 10 Comunicação Pais e Filhos .................................................................................... 11 Comunicação Intergeracional ................................................................................ 13 Comunicação da Família Extensa.......................................................................... 13 Comunicação Pais e Escola ................................................................................... 14 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................... 14 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 16 APÊNDICE A- TABELA COM AS INFORMAÇÕES DOS ARTIGOS DA AMOSTRA .................................................................................................................................. 20 5 A COMUNICAÇÃO NO SISTEMA FAMILIAR - UMA REVISÃO DE LITERATURA ÂNGELA SILVA MARACAIPE Resumo: Este trabalho é uma revisão bibliográfica sobre a comunicação por ela ser uma condição de convívio e de sustentação do sistema familiar, além de ser um importante fator de caracterização e expressão. No entanto, quando há barreiras e obstáculos à comunicação, há prejuízos que ocasionam instabilidade e desequilíbrio ao sistema. O presente estudo traz uma pesquisa do que tem sido publicado nas revistas científicas com classificação A1 e B2 - de psicologia em língua portuguesa com o tema comunicação. Os dados recolhidos foram separados por temas como: A comunicação conjugal, comunicação pais e filhos, comunicação intergeracional, comunicação na família extensa e comunicação pais e escola. Os resultados demonstram a importância da comunicação que flua em todos os subsistemas presentes no sistema familiar, pois o bem estar de seus membros depende de uma comunicação transparente e efetiva. Palavras Chaves: Família; Comunicação; Relacionamento. The Comunnication in Family- A Review Of The Literature Abstract: This coursework is a bibliographic review about communication, because it is a survival and maintenance family condition, besides being an important characterization and expression factor. However, when there are communication barriers, there are injuries creating instability and imbalance to the system. The current case study shows a research about what have been published in scientific magazines classified as A1 and B2 – of psychology in Portuguese language with communication subjects. Data were gathered and separated in themes like: Conjugal communication, children and parents’ communication, communications from generations to generations, large family’s communication and parents and school communication. Results show the communication importance in all current subsystems in the familiar system, inasmuch welfare members depends of a clear and effective communication Keywords: Family; Comunnication; Relationship 6 1 INTRODUÇÃO O tema do presente trabalho é a comunicação no contexto da família. Entendendo que a comunicação existe em todas as relações, e que a família é a matriz de identidade a desenvolver as relações, torna-se importante analisar o processo comunicacional neste sistema. Segundo Penteado (1997) comunicar vem do latim comunicare com a significação de pôr em comum. O autor afirma que comunicação é convivência, agrupamento caracterizado por forte coesão, baseada no consenso espontâneo dos indivíduos. E que seu grande objetivo é o entendimento entre os homens. Para entender o sentido da palavra comunicação, Crema (1985) diz que qualquer coisa que se faça ou não se faça é comunicação, pois toda conduta interacional tem valor de mensagem. Martino (2001) define que é através desta que se desenvolvem atividades como o ensino e o confronto de ideias; por outro lado, pode se depreender também a situação de diálogo, onde há a participação de duas pessoas (emissor- receptor) que conversam, trocando ideias ou informações. Para compreender a pragmática da comunicação humana Watzlawick, Beavin e Jackson (2013) propõe cinco axiomas, o primeiro afirma a impossibilidade de não comunicar, pois qualquer coisa que se faça ou não, é comunicação. Para Crema (1985) Todo comportamento gesto, silêncio, atividade ou inatividade, ou seja, toda conduta interacional tem valor de mensagem. O segundo e terceiro axiomas propõem que qualquer comunicação implica um compromisso e define um tipo de relação, ou seja, uma comunicação não só transmite informação, mas, ao mesmo tempo, impõe um comportamento. O quarto axioma fala da comunicação digital e analógica, Crema (1985) afirma que esse axioma postula que a natureza de uma relação está nas contingências da pontuação das sequências comunicacionais entre os comunicantes. Watzlawick, Beavin e Jackson (2013) diz que a comunicação digital é o uso da palavra, e que as palavras são sinais arbitrários que se manipulam de acordo com a sintaxe lógica da linguagem. O mesmo autor define a comunicação analógica como toda comunicação não verbal, que abrange postura, gestos, expressão facial, inflexão de voz, ritmo, sequência. Os seres humanos comunicam digital e analogicamente. A linguagem digital é uma sintaxe lógica sumamente complexa e poderosa, mas carente de adequada semântica no campo das relações, ao passo que a linguagem analógica possui a semântica, mas não tem uma sintaxe adequada para a definição não-ambígua da natureza das relações (WATZLAWICK, BEAVIN e JACKSON 2013,pág. 61) O quinto e último axioma é visto da seguinte forma: Todas as permutas comunicacionais ou são simétricas ou complementares, segundo se baseiam na igualdade ou na diferença. Watzlawick, Beavin e Jackson (2013) diz que a interação simétrica é baseada na igualdade, onde os parceiros tendem a refletir o comportamento um do outro. Na complementaridade há a maximização das diferenças, pois nesse caso, o comportamento do parceiro complementa o outro. 7 Todos esses axiomas explicam a pragmática da comunicação relacional. A partir dessa concepção, e entendendo que qualquer comunicação implica um compromisso, e define o ponto de vista do emissor de suas relações com o receptor Silva Filho (2010), torna-se importante analisar as relações (comunicação) que ocorrem e são desenvolvidas dentro do sistema familiar. Osório e Valle (2009) afirmam que à família são atribuídas duas qualidades essenciais como instituição: espaço de amor incondicional e união, além de ser considerado o espaço natural de referência pessoal e constituição de identidade. Os mesmos autores relatam que a capacidade de diálogo é uma qualidade desejável para manutenção e reorganização das relações familiares em todos os subsistemas (conjugal, parental e intergeracional). O modo como o processo comunicacional se desenvolve é fator determinante ao desenvolvimento pessoal e social de seus membros, e a sua integração com a sociedade. Sabe-se que a família, como sistema comunicacional, coopera para a construção de soluções integradoras dos seus membros no sistema como um todo. “Seja qual for o modelo de família ela é sempre um conjunto de pessoas consideradas como unidade social, como um todo sistêmico onde se estabelecem relações entre os seus membros e o meio exterior. Compreende-se que a família constitui um sistema dinâmico, contém outros subsistemas em relação, desempenhando funções importantes na sociedade, como sejam, por exemplo, o afeto, a educação, a socialização e a função reprodutora.” (DIAS, 2011, pág.141) Assim, o processo de comunicação que se dá na família, onde o comportamento de cada indivíduo é fator e produto do comportamento dos outros. Apresenta-se determinante para facilitar as relações entre os membros da família e o meio social. (DIAS 2011). Entendendo a família como um sistema e ao mesmo tempo um processo de interação e integração dos seus membros. A comunicação torna-se uma condição de convívio e de sustentação do sistema familiar. A comunicação familiar é um importante fator de caracterização e expressão do sistema familiar. Dias (2011) No entanto, quando há barreiras e obstáculos à comunicação, há prejuízos que ocasionam instabilidade e desequilíbrio ao sistema. Minicucci (1980) cita que há bloqueio na comunicação entre as pessoas quando a mensagem não é captada e a comunicação interrompida, e esse bloqueio perturba a percepção que você tem de si próprio e dos outros. E a consequência disso, é que as atitudes e comportamentos tornam-se falsos. Segundo o mesmo autor, os bloqueios que ocorrem quando a comunicação é interrompida ou não processada, as filtragens que ocorrem quando a mensagem é traduzida em dados e informações e não recebida ou compreendida em sua totalidade, e os ruídos que acontecem quando a comunicação é feita de forma mal conduzida, chegando ao receptor de forma errônea, ou seja, má interpretação das informações. Esses três fatores provocam ressentimentos que, às vezes, duram longo tempo, criando inimizades. Um dos problemas básicos em comunicação é que o significado que você captou de uma mensagem pode não ser exatamente aquilo que o emissor quis transmitir. Nossas necessidades e experiências tendem a colorir o que vemos e ouvimos, a dourar certas pessoas e enegrecer outras. As 8 mensagens que não desejamos aceitar são reprimidas. Outras são ampliadas, enegrecidas e comentadas. (MINICUCCI, 1980, pág. 47) As publicações científicas a respeito do tema comunicação explicam a forma, o conteúdo, o produto, o resultado e a importância do processo comunicacional. Todavia, pouco se tem divulgado sobre pesquisas científicas, a respeito da pragmática da comunicação. A partir do entendimento da relevância desse tema na interação e relação com o outro, e de que o relacionamento familiar pode ser analisado através da comunicação que existe entre os seus membros, pode-se questionar como o terapeuta ou profissional que trabalha as relações pode aplicar, ou desenvolver técnicas que minimizem os problemas comunicacionais que chegam aos consultórios e clínicas. O presente estudo pretende pesquisar o que tem sido publicado nas revistas científicas de psicologia em língua portuguesa com o tema comunicação. E tem por objetivo geral buscar na literatura e divulgações científicas, estudos que dão suporte e orientem o terapeuta a encontrar e desenvolver técnicas e instrumentos a fim de favorecer uma comunicação saudável, sobretudo no sistema familiar, e minimizar os problemas relacionais que se apresentam nesse sistema. Os objetivos específicos consistem em: identificar o que tem sido publicado a respeito do tema de comunicação e o que os artigos apresentam a respeito da sua influência nos relacionamentos familiares; discutir o que os artigos científicos propõem sobre o tema de comunicação relacional; evidenciar a importância do desenvolvimento de estudos e pesquisas que avaliem e proponham formas saudáveis de comunicação. 2 MÉTODO Revisão e análise da produção científica a respeito da comunicação no sistema relacional familiar. O método de pesquisa realizado é o de revisão bibliográfica exploratória e analítica. Gil (2012) afirma que uma leitura exploratória tem por objetivo verificar o quanto a obra consultada interessa à pesquisa. Realizase uma verificação da folha de rosto, dos índices da bibliografia, das notas de rodapé, o estudo da introdução, do prefácio e das conclusões. A partir desses elementos é possível perceber a utilidade dessa leitura para a pesquisa. E a leitura analítica tem por finalidade ordenar as informações obtidas nas fontes para que possibilitem a obtenção de respostas ao problema de pesquisa. A composição do presente artigo resultou de pesquisas no portal de periódicos do SCIELO nas revistas: Psicologia: Teoria e Pesquisa, Paideia, Psicologia Reflexão e Crítica e Aletheia que são consideradas revistas de classificação A1 e B2. A busca consistiu em pesquisar em todos os filtros a palavra chave : communication e, a partir da leitura exploratória de cada artigo, identificar o que tem sido publicado sobre a comunicação no sistema familiar. Na primeira revista obteve-se um total de sete artigos, na segunda seis artigos, na terceira oito e na última quatro artigos. Por meio da leitura analítica dessa amostra de 25 artigos , as informações foram ordenadas de acordo com o tipo de comunicação familiar predominante nas leituras, que são : Comunicação conjugal; comunicação família 9 extensa; comunicação intergeracional; comunicação pais-escola e comunicação pais-filhos. 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO Os dados obtidos foram organizados em uma tabela que está no apêndice contendo o nome da revista, título, autor, ano da publicação, tema e o resumo de cada artigo, que auxilia na interpretação e organização dos resultados. Além de um gráfico que indica o quantitativo de temas presentes na pesquisa, o gráfico demonstra que o tema com maior número na pesquisa representando 61% da amostra diz respeito à comunicação entre pais e filhos; em segundo lugar a comunicação conjugal com 19%. A comunicação na intergeracionalidade e entre pais e escola ocupam uma porcentagem de 8% da amostra cada uma. A menor porcentagem é relacionada à comunicação que envolve a família extensa: 4% do total. Os artigos analisados revelam que a comunicação é uma habilidade necessária a toda relação e que ela contribui para a criação de vínculos afetivos saudáveis além de ter um importante papel no exercício da parentalidade. Possibilita formas de enfrentamento e promoção da resiliência na família, evita o surgimento de problemas de comportamento em pré-escolares, propicia comportamentos de cidadania e a melhoria do processo de ensino-aprendizagem. Os resultados dos artigos pesquisados afirmam que a satisfação conjugal aumenta quando há boa habilidade de comunicação, pois esta é um instrumento efetivo à promoção da saúde, o que é importante para o desenvolvimento emocional do ser humano. Todos esses resultados ratificam o quanto a comunicação se faz elemento essencial nas relações, e que dela depende o bom relacionamento. Através dela é possível analisar as relações, pois se entende que comunicar é relacionar-se. Watzlawick, Beavin e Jackson (2013), e outros postulam que é impossível não comunicar, pois a comunicação se faz de várias formas que incluem o verbal o não verbal e o silêncio. Crema (1985) corrobora esta afirmação quando diz que, qualquer coisa que se faça ou não se faça é comunicação, pois toda conduta interacional tem valor de mensagem. Esses resultados trazem consigo a importância da prática de uma comunicação saudável, pois ela atravessa a forma como o ser humano interage consigo, com o outro e com o mundo. Segue abaixo gráfico que organiza as informações sobre os temas encontrados na amostra 10 Temas Da Comunicação Encontrados Na Pesquisa Gráfico 1. Porcentagem dos temas da comunicação encontrados na pesquisa 4% CONJUGAL 8% 19% PAIS - FILHOS 8% PAIS - ESCOLA FAMÍLIA EXTENSA 61% INTERGERACIONALIDADE Fonte: Do autor Comunicação Conjugal A comunicação interpessoal no contexto do matrimônio é uma condição que, por ser essencial para o casal, resulta em algo inevitável e indispensável, daí a importância do diálogo. Segundo Silva Filho (2010, p.46 apud LORENTE, 2002, p.9) “Existe uma relação direta entre a comunicação e o relacionamento dos cônjuges, pode promover maior satisfação e intimidade na vida conjugal, ou distanciamento dos parceiros que evitam falar de assuntos íntimos, mantendo uma relação baseada em assuntos cotidianos ou superficiais”. Os relacionamentos conjugais que não possuem uma comunicação franca dos desejos e insatisfações são mais propensos a distorções e conflitos (BEREZA 2005). A pesquisa revela a comunicação conjugal a partir das seguintes perspectivas: a primeira se refere à confrontação do casal pelo adoecimento dos filhos ou dos cônjuges. Nesse caso, há alterações no padrão comunicacional no qual a enfermidade e o tratamento são a ênfase nas conversas entre eles, e também afetam a expressão e a compreensão de sentimentos e ideias. Assim, a situação de tratamento e adoecimento torna-se fonte potencial de dificuldades para a comunicação conjugal. Rech, Silva e Lopes (2013) Os subsistemas existentes na organização familiar, como o sistema parental e conjugal, influenciam-se mutuamente e o adoecimento de um filho que é tido como um grande estressor no subsistema parental também influencia e traz impactos à relação conjugal de seus pais. (SILVA; LOPES 2011) A segunda perspectiva revela que pais que conversam sobre a educação dos filhos podem ser mais consistentes e participativos, prevenindo problemas de comportamento das crianças, uma vez que estas podem ser afetadas pelo tipo de relacionamento conjugal. As pesquisas apontam que a qualidade da interação 11 conjugal pode influenciar as interações pais-filhos. Bolsoni e Marturano (2010) Nenhum artigo se referiu à relação fraternal como também influenciada pelas relações parentais Quando há uma maior coesão familiar minimizam-se os problemas de comportamento e aumentam o repertório de habilidades sociais de seus membros. Os resultados apontam que quanto maiores os problemas familiares, mais frequentes os problemas de comportamento dos filhos. A terceira perspectiva aponta para a comunicação como um instrumento efetivo à manutenção de comportamentos preventivos de DST do casal, Oliveira e Gomes (2004), pois a comunicação verbal e não verbal entre o casal é um regulador emocional que envolve acordos conscientes e inconscientes. Silva Filho (2010) assinala que a não verbalização e os silêncios entre os casais têm o poder de desunir e distanciar um cônjuge do outro. É através do diálogo que o casal pode abrir espaço para o compartilhamento da sua intimidade. A quarta e última perspectiva diz respeito à importância de programas que auxiliem a transição da conjugalidade para a parentalidade, que têm ajudado os casais a lidar com aspectos da relação conjugal e do desenvolvimento do bebê. A pesquisa ressalta que a transição para a parentalidade afeta o subsistema conjugal, e os programas de orientação para a transição à parentalidade, proporciona conhecimento dos fatores de risco e de proteção para o desenvolvimento familiar e infantil, auxiliando na prevenção à depressão pós-parto, aos distúrbios do desenvolvimento do bebê e à violência intrafamiliar contra a criança e o cônjuge. Assim, esses programas são de extrema relevância no auxílio de casais para o manejo da ansiedade e dos estresses associados a essa fase da vida. (MURTA et al., 2012) Os aspectos mencionados demonstram, em sua maioria, que a comunicação conjugal tem uma função central na relação dos pais com os filhos, e dos filhos com os pais e define a relação entre pais e filhos e o impacto do subsistema conjugal sobre o parental. Percebe-se também que a função colaborativa do casal contribui para práticas de sexo saudáveis e que o diálogo é um instrumento precioso na expressão de sentimentos, ideias, satisfações e necessidades que existem na vida conjugal. Penteado (1997) diz que o grande objetivo da comunicação humana é o entendimento entre os homens, e só há entendimento quando os indivíduos que se comunicam compreendam-se mutuamente. Portanto, o casal só conseguirá obter relações saudáveis com os filhos e pares, quando houver uma comunicação clara, objetiva, transparente. Pode se concluir, assim, que a relação conjugal, em si, somente existe de maneira funcional quando há diálogo entre o casal. Comunicação Pais e Filhos A temática presente apareceu em quatorze artigos em 61 % do total da amostra, sendo, portanto, uma das temáticas mais presentes no estudo com famílias, sobretudo em famílias com crianças e adolescentes. As pesquisas revelam a comunicação como um importante papel no exercício da parentalidade, uma habilidade social de intervenção, que é um instrumento que possibilita a criação de formas de enfrentamento e promoção da resiliência na 12 família. Assinala ainda que, os déficits em comunicação parento-filial favorecem o surgimento de problemas no comportamento dos filhos em idade pré-escolar. (PORTUGAL; ALBERTO 2013) Os resultados revelam que os pais têm um papel fundamental no desenvolvimento global da criança e do adolescente. Dois artigos da amostra trouxeram a perspectiva da comunicação mãe-bebê e afirmam que um espaço de troca com o bebê desde o nascimento é fundamental para o bom funcionamento psíquico da criança principalmente na sua fase de desenvolvimento. (LYRA; ROAZZI 2008) Revelou-se a importância do diálogo entre pais e filhos adolescentes, sobretudo a respeito do tema de sexualidade, onde o bloqueio na comunicação dificulta a proteção dos adolescentes em situação de vulnerabilidade social. As pesquisas relatam que a falta de diálogo sobre sexualidade causa desamparo nos filhos e está presente na maioria dos casos de abuso. Os estudos afirmam que a família é a primeira unidade social que deve se responsabilizar pela proteção de seus membros sendo função dela educar seus filhos e protegê-los de situação que sozinhos não conseguiriam enfrentar. (SIQUEIRA; ARPINI; SARVEGNAGO 2011) As famílias e os fatores a elas associados como a religião e a cultura têm influência na educação, na socialização, na prestação de cuidados, na transmissão de crenças, regras e valores e, de um modo geral, na saúde e bem-estar dos seus elementos. Os artigos relatam, ainda, que os pais são a principal base de apoio para as questões de proteção, segurança e para problemas escolares e de saúde. Afirmam que a comunicação familiar é facilitadora da comunicação com os pares e que os filhos que mantem uma comunicação efetiva com seus pais, têm facilidade em estabelecer vínculos de confiança com os pares. (TOMÉ et. al., 2010) Revela ainda que os adolescentes fazem uso de estratégias para comunicar algo aos pais, tais como, esperar um momento oportuno e analisar o humor dos pais antes de informar, por exemplo, um fracasso escolar. O jeito de falar é considerado na hora de compartilhar com os pais. Outra estratégia bastante utilizada é a escolha do genitor para conversar. Nesse caso, a escolha se baseia no tipo de demanda que eles têm dos genitores. (CARPENEDO; MELO; SILVEIRA 2005) Outro aspecto relatado foi sobre estudos que têm demonstrado que viver em um ambiente alcoolista afeta negativamente os descendentes dos alcoolistas. Os filhos de alcoolistas apresentaram déficits em todas as dimensões de competência comunicativa, tais como clareza comunicativa e auto referência. (HILL; GAUER; GOMES, 1998) Esse tema relata os níveis de comunicação entre pais e filhos, destaca principalmente, a dificuldade no diálogo sobre a sexualidade, as estratégias que os filhos adotam para comunicar aos pais, e que a relação mais efetiva entre pais e filhos favorece a construção de habilidades sociais, expressão de sentimentos e facilidade em estabelecer vínculos afetivos. 13 Comunicação Intergeracional A relação intergeracional é revelada a partir dos aspectos de vinculação entre avós, pais e netos, a divisão de papéis e as relações de poder. Há também uma característica da comunicação divergente que resulta em conflitos e violências incorporadas a essa relação. A estrutura de poder entre as gerações revela-se por uma tendência maior de conflito entre pais e filhos, sendo a relação entre avós e netos caracterizada por uma dinâmica menos conturbada. (REGO; BASTOS; ALCÂNTARA, 2002). Os pesquisadores apontam uma convivência de maior distanciamento entre as gerações, pois a experiência cultural de geração para geração não ocorre de forma passiva. Há um conflito dos pais com os filhos, que é ocasionada pela luta pela estabilização da identidade das gerações mais velhas com as mais novas, para as quais os pais tentam transmitir seus valores e os filhos e netos buscam estabilizar seus próprios valores. (RUSCHEL; CASTRO, 1998) A mediação dos pais é essencial no relacionamento entre avós e netos; os limites entre serem pais e serem avós devem ser demarcados, sendo função dos pais a responsabilidade pelos filhos. Dessa forma, é importante o respeito a cada função dos membros familiares a fim de estruturar um contexto harmonioso, saudável e socialmente produtivo. Também, do ponto de vista de alguns pesquisadores, para que ocorra uma boa relação entre os avós e os pais das crianças, é necessário que os avós só deem conselhos e opiniões quando solicitados. (FALCÃO; SALOMÃO 2005, pág. 210) A pesquisa traz ainda alguns aspectos dos papéis dos avós, pais e filhos, revelando que a delimitação de papéis e responsabilidades são relevantes para ter uma relação familiar harmoniosa. Nesse sentido, Covey (2007) assinala que para manter relações ricas e gratificantes é necessário que haja uma verdadeira compreensão entre os seus membros; a autora coloca, ainda, que os relacionamentos podem ser superficiais quando há pouco envolvimento sem intensidade entre as partes, ou funcionais quando cumprem os papéis designados ou transacionais quando cumprem acordos e transações, mas só serão plenamente satisfatórios e transformadores se forem fundamentados em genuína compreensão. Comunicação da Família Extensa Apesar da importância e da proximidade da família extensa com a nuclear pouco se escreve sobre isso. Há um único artigo da pesquisa que ressalta o luto e não a importância das relações em si. O único artigo tem como ponto central a comunicação entre membros da família em situação de iminência de morte de um familiar, com o objetivo de se prepararem para a elaboração do luto. Toda morte de um ente querido dá início ao processo de luto, em que determinadas reações são esperadas. A intensidade com que alguns sintomas aparecem pode indicar que o processo não está seguindo seu curso natural e o luto pode vir a tornar-se complicado. (PASCOAL, 2012, p. 726) 14 Entendendo que o doente com iminência de morte pertence ao grupo social familiar, que sofre os impactos da terminalidade e busca formas de apoio. A pesquisa aponta que o diálogo e o compartilhamento dos sentimentos entre os membros da família favorece o enfrentamento do luto. A pesquisa ressalta que a morte é uma etapa do desenvolvimento do ciclo familiar, pelo que, não pode ser negligenciada. Comunicação Pais e Escola A comunicação dos pais com a escola esteve presente em 8% do total da amostra, portanto, com grande relevância para o entendimento do papel que a família exerce para o bom desempenho escolar das crianças e adolescentes. Soares, Souza e Marinho (2004) ressaltam que o papel parental diz respeito entre outras coisas, às interações dos pais na execução dos trabalhos escolares dos filhos, suporte das atividades diárias e monitoramento do progresso escolar. Ainda cumprem as idas à escola, participação em reuniões diversas e possibilitam à criança o acesso a materiais escolares e local apropriado para estudo. Por outro lado, Weber, Brandenburg e Viezzer (2003) afirmam que os filhos de pais negligentes estão sujeitos ao baixo rendimento escolar, podem ter desenvolvimento cognitivo atrasado, problemas afetivos e comportamentais. Portanto, a interação de pais e filhos gera consequências no comportamento da criança e também no seu desenvolvimento socioemocional. A pesquisa também aponta ser necessário conscientizar os pais da importância que eles exercem para o bom desempenho acadêmico do filho. . Os contextos da escola e da família são inquestionavelmente dois contextos de maior importância para o desenvolvimento das crianças, sendo necessária a comunicação e cooperação de todos os envolvidos para promover ambientes benéficos que assegurem o bom desenvolvimento escolar delas. A comunicação é um instrumento fundamental que viabiliza a relação dos pais com a instituição escola, os professores e os alunos. Mas é importante que haja uma comunicação clara e efetiva que possa oportunizar a troca de informações entre os diversos segmentos e a formação de parcerias. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS A comunicação está presente em toda ação do homem, e é considerado fator importante para a análise das relações do sistema familiar. Sendo assim, seu estudo é fundamental para o conhecimento das famílias e orientação das intervenções que precisam ser feitas neste contexto. Minuchin e Nichols (1995) relatam os desafios dos terapeutas familiares. Nós nos sentíamos como estrangeiros, visitando um grupo de pessoas com sua própria história e cultura comuns, sua própria maneira de comunicar-se, e suas próprias lealdades e rivalidades bem estabelecidas. Precisávamos a aprender a nos juntar a eles, conquistar sua confiança e demonstrar nossa utilidade. Acima de tudo, precisávamos desenvolver novas maneiras de 15 intervir que refletissem nosso novo entendimento. (MINUCHIN; NICHOLS 1995, pg. 31). Considerando Dias (2011) a família é o elemento mais firme, mais seguro e mais estruturante da personalidade dos seus membros; nela há lugar para o desenvolvimento do caráter dos filhos e das atitudes frente aos aspectos mais diversos da vida, função da assunção de valores, regras, cultura, crenças que a família lhes transmite. Nesse sentido, a comunicação é o fator principal que estrutura esse sistema, pois é a partir dela que se desenvolvem as práticas formativas, educacionais, relacionais de interação e integração social. Portanto, a prática da comunicação saudável permite o equilíbrio do sistema familiar. Esse estudo permitiu perceber que há poucas pesquisas e investimento científico no que tange à comunicação no sistema familiar enquanto essência da sociabilidade. Existem investimentos nas áreas específicas como relação conjugal, comunicação parento-filial, comunicação entre os pais e a escola, comunicação intergeracional e comunicação na família extensa. Entretanto, não há estudos que abrangem a família em sua totalidade. Durante a pesquisa e análise dos dados, tornou-se evidente que os problemas relacionais também têm associação aos déficits comunicacionais, como mensagens não claras entre emissor e receptor, bloqueios e dificuldade na expressão dos sentimentos e compreensão do sentimento dos comunicantes: emissor e receptor. Com relação à comunicação no relacionamento conjugal, revelou-se a importância do diálogo entre o casal para que haja compartilhamento de ideias e emoções, e que uma relação efetiva entre os cônjuges afeta diretamente o subsistema parental. Aos pais é atribuída a influência na educação, socialização, cuidado, transmissão de regras e valores, na saúde e bem estar de seus filhos. Os filhos que mantêm uma comunicação efetiva com seus pais têm facilidade em estabelecer vínculos de confiança com os pares. A relação intergeracional revela que a delimitação de papéis e responsabilidades são relevantes para manter uma relação harmoniosa. No que diz respeito à família extensa, coloca-se a situação de elaboração de luto da família e revela-se que a comunicação e o compartilhamento de sentimentos entre os membros favorecem o enfrentamento do luto. Por fim, é relevante apontar que a comunicação que flui constantemente e proporciona troca de informações e construção de parcerias entre pais e escolas foi um importante tema presente nessa pesquisa, pois mostra o importante papel que a família exerce para o bom desempenho escolar das crianças e dos adolescentes. Diante de tudo o que aqui foi exposto, pode-se afirmar a importância da comunicação no sistema familiar, e que o bem estar de seus membros depende de uma comunicação transparente, que flua em todos os subsistemas do sistema familiar. Isso ocorre quando o emissor consegue ser compreendido na sua expressão, tornando compreensível sua mensagem relacional, promovendo, assim, relações potencialmente saudáveis. Pois comunicação é relacionamento. 16 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BHERING, Eliana; DE NEZ, Tatiane Bombardelli. Envolvimento de pais em creche: possibilidades e dificuldades de parceria. Psicologia: Teoria e Pesquisa, v. 18, n. 1, p. 63-73, 2002. BOLSONI-SILVA, Alessandra Turini; MARTURANO, Edna Maria. Relacionamento conjugal, problemas de comportamento e habilidades sociais em préescolares. Psicologia: Teoria e Pesquisa, v. 26, n. 1, p. 67-75, 2010. CIA, Fabiana; DAFFONSECA, Sabrina Mazo; BARHAM, Elizabeth Joan. A relação entre o envolvimento paterno e o desempenho acadêmico dos filhos. Paidéia, v. 14, n. 29, p. 277-286, 2004. CIA, Fabiana; PAMPLIN, Renata Christian de Oliveira; DEL PRETTE, Zilda Aparecida Pereira. Comunicação e participação pais-filhos: correlação com habilidades sociais e problemas de comportamento dos filhos. Paidéia, v. 16, n. 35, p. 395-408, 2006. COVEY, Stephen R. Os 7 hábitos das famílias altamente eficazes: construindo uma bela cultura familiar num mundo conturbado. 7. ed. São Paulo, SP: Best Seller, 2007. 505 p. ISBN 9788571236721 CREMA, Roberto. Análise Transacional centrada na pessoa... e mais além. 3ªedição, São Paulo: Ágora, 1985 DIAS, Ana Cristina Garcia; GOMES, William B. Conversas, em família, sobre sexualidade e gravidez na adolescência: percepção das jovens gestantes. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2000. DE MEDINA, Carlos Alberto. A arte de viver em família: conversas com a família em crise, Universidade do Texas, Vozes, 1990 DIAS, Maria Olívia - Um olhar sobre a família na perspectiva sistémica – o processo de comunicação no sistema familiar. Gestão e Desenvolvimento. Viseu. ISSN 0872-0215. Nº 19 (2011), p. 139-156 FALCAO, Deusivania Vieira da Silva; SALOMAO, Nádia Maria Ribeiro. O papel dos avós na maternidade adolescente. Estudos de Psicologia (Campinas), Campinas v. 22, n. 2, June 2005 . Available from<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103166X2005000200010&lng=en&nrm=iso>. access on 08 Oct. 2014. http://dx.doi.org/10.1590/S0103-166X2005000200010. FINKLER, Lirene; OLIVEIRA, Manoela Ziebell de; GOMES, William B. HIV/AIDS e práticas preventivas em uniões heterossexuais estáveis. Aletheia, n. 20, p. 09-25, 2004. 17 FRIZZO, Giana Bitencourt et al. Conjugalidade em contexto de depressão da esposa no final do primeiro ano de vida do bebê. Aletheia, n. 31, p. 66-81, 2010. GIL, Antônio Carlos. Como Delinear uma Pesquisa Bibliográfica. In:___. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. 3 ed. São Paulo: Atlas, 1991. Cap.5, p. 63-80. LISBÔA, Márcia Lucrecia; CREPALDI, Maria Aparecida. Ritual de despedida em familiares de pacientes com prognóstico reservado. Paidéia (Ribeirão Preto), v. 13, n. 25, p. 97-109, 2003. HILL, Elizabeth; GAUER, Gustavo; GOMES, William B. Uma análise semióticofenomenológica das mensagens auto-reflexivas de filhos adultos de alcoolistas. Psicologia: reflexão e crítica, v. 11, n. 1, p. 93-115, 1998. LYRA, MCDP; ROAZZI, Antonio. A concepção das mães sobre o desenvolvimento da comunicação mãe-bebê. Psicologia: Teoria e Pesquisa, v. 24, n. 1, p. 019-028, 2008. LYRA, M. C. D. P. O modelo EEA: definições, unidade de análise e possíveis aplicações. Psicologia: Reflexão e Crítica, v. 20, n. 1, p. 87-95, 2007. LYRA, Maria CDP. Desenvolvimento de um sistema de relações historicamente construído: contribuições da comunicação no início da vida. Psicologia Reflexão e Crítica, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2000. MARTINO, Luiz C. De qual comunicação estamos falando. Teorias da comunicação: conceitos, escolas e tendências. Petrópolis: Vozes, p. 11-26, 2001. MARCONDES, Keila Hellen Barbato; SIGOLO, Silvia Regina Ricco Lucato. Comunicação e envolvimento: possibilidades de interconexões entre famíliaescola?. Paidéia (Ribeirão Preto), v. 22, n. 51, p. 91-99, 2012. MINICUCCI, Agostinho. Relações humanas: Psicologia das relações interpessoais. São Paulo: Atlas, 1980. 157p MINUCHIN, Salvador; NICHOLS, Michael P. A cura da família, Porto Alegre: Artes Médicas, 1995. 268p MURTA, Sheila Giardini et al . Direitos sexuais e reprodutivos na escola: avaliação qualitativa de um estudo piloto. Psicologia: Teoria e Pesquisa, Brasília , v. 28, n. 3, Sept. 2012 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010237722012000300009&lng=en&nrm=iso>. access on 17 Nov. 2014. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-37722012000300009. MURTA, Sheila Giardini et al. Avaliação de um programa psicoeducativo de transição para a parentalidade. Paidéia (Ribeirão Preto), v. 22, n. 53, p. 403-412, 2012. OSÓRIO, Luiz Carlos; VALLE, M. Manual de terapia familiar. São Paulo: Artmed, 2009. 18 PASCOAL, Melissa. Trabalho em grupo com enlutados. Psicologia em Estudo, Maringá , v. 17, n. 4, Dec. 2012 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141373722012000400019&lng=en&nrm=iso>. access on 11 Oct. 2014. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-73722012000400019. PENTEADO, Jose Roberto Whitaker. A técnica da comunicação humana. BPAN, São Paulo: Livraria Pioneira Editora, 1997. PORTUGAL, Alda Marques; ALBERTO, Isabel Marques. Caracterização da Comunicação entre Progenitores e Filhos em Idade Escolar: Estudo com uma Amostra Portuguesa. Psicologia: Teoria e Pesquisa, v. 29, n. 4, p. 381-391, 2013. PORTUGAL, Alda; ALBERTO, Isabel Marques. A comunicação parento-filial: estudo das dimensões comunicacionais realçadas por progenitores e por filhos. Psicologia Reflexão e Critica, v. 26, n. 3, p. 479-487, 2013. RECH, Bárbara Cristina Steffen; DA SILVA, Isabela Machado; SOBREIRA LOPES, Rita de Cássia. Repercussões do Câncer Infantil sobre a Relação Conjugal1. Psicologia: Teoria e Pesquisa, v. 29, n. 3, p. 257-265, 2013. RÊGO, Nayara Nascimento; DE SOUSA BASTOS, Ana Cecília; DE ALCÂNTARA, Miriã Alves Ramos. As mulheres da família: mundos partilhados, mundos em conflito. Paidéia (Ribeirão Preto), v. 12, n. 22, p. 27-37, 2002. RUSCHEL, Ângela Ester; DE CASTRO, Odair Perugini. O vínculo intergeracional: o velho, o jovem e o poder. Universidad Federal do Rio Grande do Sul, 1998. SILVA, Isabela Machado; LOPES, Rita de Cássia Sobreira. Relação conjugal no contexto da reprodução assistida: O tratamento e a gravidez. Psicologia: Teoria e Pesquisa, v. 27, n. 4, p. 449-457, 2011. SILVA FILHO, Francisco Dias da. Fatores que interferem na comunicação conjugal e suas repercussões na família. Recife. 2010, 136 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia Clínica) - Universidade Católica de Pernambuco, Recife, 2010. SIQUEIRA, Aline Cardoso; ARPINI, Dorian Mônica; SAVEGNAGO, Sabrina Dal Ongaro. Família e abuso sexual na perspectiva de adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Aletheia, n. 34, p. 109-122, 2011. SOARES, Maria Rita Zoéga; SOUZA, Sílvia Regina de; MARINHO, Maria Luiza. Envolvimento dos pais: incentivo à habilidade de estudo em crianças. Estudos de Psicologia (Campinas), Campinas , v. 21, n. 3, Dec. 2004 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103166X2004000300009&lng=en&nrm=iso>. access on 12 Oct. 2014. http://dx.doi.org/10.1590/S0103-166X2004000300009. TELLES, Josiane Cristina Coradi Prado; SEI, Maíra Bonafé; ARRUDA, Sérgio Luiz Saboya. Comunicação silenciosa mãe-bebê na visão winnicottiana: reflexões teórico-clínicas. Aletheia, n. 33, p. 109-122, 2010. 19 TOMÉ, Gina et al. A influência da comunicação com a família e grupo de pares no bem estar e nos comportamentos de risco nos adolescentes portugueses. Psicologia: Reflexão e Crítica, v. 24, n. 4, p. 747-756, 2011. WAGNER, Adriana et al. Estratégias de comunicação familiar: a perspectiva dos filhos adolescentes. Psicologia: Reflexão e Crítica, v. 18, n. 2, p. 277-282, 2005. WATZLAWICK, Paul; BEAVIN, Janet Helmick; JACKSON, Don D. Pragmática da comunicação humana: um estudo dos padrões, patologias e paradoxos da interação. São Paulo, SP: Cultrix, 2013. 263 p. ISBN 9788531603143 WEBER, Lidia Natalia Dobrianskyj; BRANDENBURG, Olivia Justen; VIEZZER, Ana Paula. A relação entre o estilo parental e o otimismo da criança. Psico-USF (Impresso), Itatiba , v. 8, n. 1, June 2003 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141382712003000100010&lng=en&nrm=iso>. access on 12 Oct. 2014. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-82712003000100010. 20 APÊNDICE A- TABELA COM AS INFORMAÇÕES DOS ARTIGOS DA AMOSTRA Tabela 1. Relações encontradas nos relatos sobre comunicação familiar. REVISTA ANO TÍTULO/ AUTOR TEMA RESUMO PSICOLOGIA: TEORIA E PESQUISA 2013 Caracterização da comunicação entre progenitores e filhos em idade escolar: estudo com uma amostra portuguesa. Pais-filhos Comunicação parento-filial com filhos em idade escolar Conjugal O diagnóstico de uma doença grave como o câncer, em um filho/a, influencia o padrão comunicacional dos cônjuges. Pais-filhos A importância de programas preventivos para adolescentes, professores e familiares sobre direitos sexuais e reprodutivos , resiliência e habilidades sociais assertivas. Os resultados demonstraram que tal programa melhorou o diálogo entre pais e filhos, principalmente sobre o tema sexualidade. A melhoria na comunicação entre pais e filhos é um instrumento que possibilita formas de enfrentamento e promoção da saúde na família. Conjugal Alterações no padrão comunicacional com ênfase na gravidez e no bebê nas conversas entre cônjuges. Pais-filhos/ conjugal O artigo indica que as variáveis do relacionamento conjugal e relacionamento pais e filhos podem afetar o comportamento das crianças. Os resultados demonstram que os déficits em comunicação são uma variável que favorece o surgimento de problemas no comportamento em préescolares. Esse artigo investiga a concepção das mães acerca do desenvolvimento da comunicação mãe-bebê a partir do modelo teórico metodológico EEA (estabelecimento extensão, abreviação) esse modelo está baseado na Autor: Alda Marques Portugal Isabel Marques Alberto PSICOLOGIA: TEORIA E PESQUISA 2013 Repercussões do câncer infantil sobre a relação conjugal Autor: Bárbara Cristina Steffen Rech Isabela Machado da Silva Rita de Cássia Sobreira Lopes PSICOLOGIA: TEORIA E PESQUISA 2012 Direitos sexuais e reprodutivos na escola: avaliação qualitativa de um estudo piloto. Autor: Sheila Giardini Murta Isabela Oliveira Rosa Jordana Calil Lopes de Menezes Marcella Regina Silva Ribeiro Ohary de Sousa Borges Silvia Guimarães de Paulo Verônica de Oliveira Danilo Cruvinel Ribeiro Almir Del Prette Zilda Del Prette PSICOLOGIA: TEORIA E PESQUISA 2011 Relação conjugal no contexto de reprodução assistida: o tratamento e a gravidez Autor: Isabela Machado Silva Rita de Cássia Sobreira Lopes PSICOLOGIA: TEORIA E PESQUISA 2010 Relacionamento conjugal, problemas de comportamento e habilidades sociais de préescolares. Autor: Alessandra Turini Bolsoni Silva Edna Maria Marturano PSICOLOGIA: TEORIA E PESQUISA 2008 A Concepção das Mães sobre o Desenvolvimento da Comunicação Mãe-Bebê Autor: Maria C. D. P. Lyra Antonio Roazzi Pais-filhos 21 PSICOLOGIA: TEORIA E PESQUISA 2002 Envolvimento de pais em creche: possibilidades e dificuldades de parceria Pais-escola observação longitudinal e na análise microgenética de estudos de caso a partir da perspectiva dos sistemas dinâmicos. Utilizando o procedimento de classificação múltipla, investigou como esses três períodos do desenvolvimento da comunicação (EEA) são conceituados pelas mães. Os resultados encontradas confirmam que o desenvolvimento da comunicação mãe bebê que ocorre nos primeiros 8 meses de vida fortalecem o modelo EEA, confirmando: a distinção entre as trocas face-a-face e aquelas mediadas pelo objeto (MOB); a diferenciação dos três períodos do desenvolvimento da comunicação (EEA) em ambas as trocas; e a distribuição ordenada (axial) desses três períodos. A comunicação é vista como um instrumento que viabiliza a relação creche-família, como um facilitador e promotor dessa relação. Autor: Eliana Bhering Tatiane Bombardelli De Nez ALETHEIA 2010 Comunicação silenciosa mãe-bebê na visão winnicottiana: reflexões teórico-clínicas. Pais-filhos Autor: Josiane Cristina Coradi Prado Telles; Maíra Bonafé Sei; Sérgio Luiz Saboya ArrudaI ALETHEIA 2011 Família e abuso sexual na perspectiva de adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Autor: Aline Cardoso Siqueira; Dorian Mônica Arpini; Sabrina Dal Ongaro Savegnago Pais-filhos Esse artigo analisa a comunicação mãe-bebê, sob a perspectiva de que essa comunicação é importante para se entender o desenvolvimento emocional e comunicacional do ser humano. Foi realizada uma pesquisa qualitativa baseada no método clínico de referencial psicanalítico, em um estudo de caso com uma criança de 08 anos de idade com dificuldades no desenvolvimento da fala, sem causa orgânica. Os resultados indicam que a dificuldade de expressão verbal da criança estava relacionada com a manutenção de uma comunicação silenciosa primitiva durante os primeiros meses de vida, que significaria a garantia da sobrevivência psíquica. Esse artigo apresenta as concepções e crenças sobre o abuso sexual, as relações e reações familiares de adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Os resultados indicaram que a ausência de disponibilidade de escutar os filhos a respeito do tema da sexualidade distancia pais e filhos, e pode gerar um sentimento de desamparo nos mesmos, e que essa ausência de comunicação entre pais e filhos é uma 22 ALETHEIA 2005 Conjugalidade em contexto de depressão da esposa no final do primeiro ano de vida do bebê. Conjugal das características presentes nos casos de abuso sexual. O estudo afirma que a satisfação conjugal também aumenta quando há boa habilidade de comunicação. Autor: Giana Bitencourt Frizzo; Ivani Brys; Rita de Cássia Sobreira Lopes; Cesar Augusto Piccinini ALETHEIA 2004 HIV/AIDS e práticas preventivas em uniões heterossexuais estáveis. Conjugal Nesse artigo a comunicação aparece como um instrumento efetivo à manutenção de comportamentos preventivos entre os cônjuges Pais- filhos A qualidade do envolvimento paterno e o impacto na vida acadêmica dos filhos. Esse estudo demonstra que quanto maior a frequência de comunicações entre pai e filho e quanto maior o envolvimento dos pais nas atividades escolares, culturais e de lazer do filho, melhor o desempenho acadêmico das crianças. Tais resultados demonstram a importância do pai para o desempenho acadêmico dos filhos e apontam para a necessidade de educar os homens para conhecerem as muitas ações que podem melhorar seu desempenho enquanto pais. Conjugal pais filhos A importância de programas que auxiliam casais na transição para a parentalidade. Levando em consideração o impacto sobre os subsistemas das relações do casal e das relações pais- bebê. Esse programa causa impactos positivos nas dimensões da conjugalidade, com melhor comunicação e solução de problemas interpessoais e da parentalidade, com a construção de conhecimentos sobre o desenvolvimento do bebê, mudanças em crenças sobre práticas educativas parentais violentas, responsividade na relação com o bebê e menor estresse parental. Pais- escola Esse estudo revela que a relação família-escola requer um envolvimento e uma comunicação efetiva, e que esses dois fatores resultam no bom desenvolvimento escolar das crianças. Autor: Lirene Finkler; Manoela Ziebell de Oliveira; William B. Gomes PAIDEIA 2004 A relação entre o envolvimento paterno e o desempenho acadêmico dos filhos Autor: Fabiana Cia Sabrina Mazo D´Affonseca Elizabeth Joan Barham PAIDEIA 2012 Avaliação de um programa psicoeducativo de transição para a parentalidade Autor: Sheila Giardini Murta Andreia Crispim Rodrigues Isabela de Oliveira Rosa Silvia Guimaraes de Paulo PAIDEIA 2012 Comunicação e Possibilidades de entre família-escola Envolvimento: interconexões Autor: Keila Hellen Barbato Marcondes 23 Silvia Regina Ricco Lucato Sigolo PAIDEIA 2006 Comunicação e participação paisfilhos: Correlação com habilidades sociais e problemas de comportamento dos filhos Pais-filhos Autor: Fabiana Cia Renata Christian de Oliveira Pamplin Zilda Aparecida Pereira Del Prette PAIDEIA 2002 As mulheres da família: Mundos partilhados, mundos em conflito. Intergeracional Autor: Nayara Nascimento Rego Ana Cecilia de Sousa Bastos Miriã Alves Ramos de Alcântara PAIDEIA 2003 Ritual de despedida em familiares de pacientes com prognóstico reservado Família extensa Autor: Márcia Lucrecia Lisboa Maria Aparecida Crepaldi PSICOLOGIA REFLEXÃO E CRÍTICA 2012 A comunicação parento-filial: Estudo das dimensões comunicacionais realçadas por progenitores e por filhos Pais – filhos Autor: Alda Portugal Alberto Marques Isabel PSICOLOGIA 2000 Conversas, em família, sobre Pais – filhos Os resultados também demonstram que a família e a escola devem trabalhar em colaboração, mas tal relação precisa ser reconstruída, pois se mostra assimétrica, não havendo entendimento e colaboração, estando repleta de preconceitos. Esse estudo revela que quanto mais expressiva é a comunicação entre os cônjuges e os filhos, melhor é o repertório de habilidades sociais das crianças. O artigo define habilidades sociais como o status social da criança entre seus colegas, o julgamento positivo por outros significantes e comportamentos adaptativos (rendimento acadêmico, estratégias de enfrentamento diante de situações de estresse ou frustração, autocuidado, independência para realizar tarefas e cooperação). Estudo multigeracional entre avó, mãe e neta, onde a divisão de papéis não é claramente delimitado, as responsabilidades não são claramente compreendidas. Revela que a comunicação divergente, que é aquela em que não há um entendimento e acordo mútuo ente o emissor e o receptor, e vice e versa gera conflitos e violência incorporados ás relações. Esse estudo revela a importância do ritual de despedida como prática que favorece o enfrentamento do luto pela família. E que a meta dos trabalhos com famílias que possuem doentes com prognóstico reservado deve ser ajudá-los a ficarem próximos, e estimulá-los a se comunicarem com os seus parentes que estão morrendo. A oportunidade de poder se despedir do paciente com este ainda em vida, parece fazer diferença na aceitação da morte, podendo-se cogitar que facilita também a elaboração do luto pós-óbito. O artigo traz a comunicação como elemento central para a qualidade do exercício da parentalidade, e que existem sete dimensões variáveis na comunicação entre pais e filhos. São elas: Metacomunicação, problemas comunicacionais, partilha de situações problemáticas, atitudes filiais, atitudes parentais, afeto e estabelecimento de regras e limites. Os resultados obtidos reafirmam a complexidade e a importância da comunicação entre progenitores e filhos. O estudo focalizou a função mediadora 24 REFLEXÃO E CRÍTICA sexualidade e gravidez na adolescência: percepção das jovens gestantes da comunicação familiar na regulação da iniciação sexual das filhas e no uso de práticas contraceptivas. Os resultados sugerem que o fortalecimento e instrumentação do diálogo entre mãe e filha, e entre a filha e os pais, pode prevenir a gestação na adolescência consequente de motivações inconscientes. Autor: Ana Cristina Garcia Dias William B. Gomes PSICOLOGIA REFLEXÃO E CRÍTICA 2010 A Influência da Comunicação com a Família e Grupo de Pares no BemEstar e nos Comportamentos de Risco nos Adolescentes Portugueses Pais – filhos Autor: Gina Tomé, Inês Camacho, Margarida Gaspar de Matosa, José Alves Diniza PSICOLOGIA REFLEXÃO E CRÍTICA 2000 Desenvolvimento de um sistema de relações historicamente construído: contribuições da comunicação no início da vida Pais-filhos Autor: Maria C. D. P. Lyra PSICOLOGIA REFLEXÃO E CRÍTICA 2005 Estratégias de comunicação familiar: A perspectiva dos filhos adolescentes Pais - filhos Autor: Adriana Wagner Caroline Carpenedo Lúcia Petrucci de Melo Paula Grazziotin Silveira PSICOLOGIA REFLEXÃO E CRÍTICA 2006 O Modelo EEA: Definições, Unidade de Análise e Possíveis Aplicações Pais - filhos Autor: Maria C. D. P. Lyra PSICOLOGIA REFLEXÃO E CRÍTICA 1998 O vínculo intergeracional: o velho, o jovem e o poder Autor: Ângela Ester Odair Perugini de Castro Ruschel Intergeracional O equilíbrio entre uma relação positiva com os pais e com os pares parece ser o fator essencial para um ajustamento positivo nos comportamentos de saúde e risco dos adolescentes portugueses. Os resultados revelaram que uma boa comunicação com os pais tem um maior efeito protetor sobre os comportamentos de risco do que uma boa comunicação com os amigos. Estudo longitudinal focalizando o desenvolvimento da comunicação no início da vida. Revela os aspectos da construção, e os fatores presentes na comunicação entre mãe-bebê, como ela se desenvolve na compreensão sócio-cultural, e as mudanças que ocorrem na compreensão e na forma de comunicar da mãe e do bebê. Esse estudo enfatizou as estratégias de comunicação que os adolescentes utilizam para com seus pais. Os adolescentes fazem uso de estratégias tais como falar em um momento oportuno, analisar o humor dos pais, antes de comunicar fatos negativos como, por exemplo, um fracasso escolar. O modelo EEA, que são padrões de organização do sistema de comunicação em estudo, denominados de estabelecimento, extensão e abreviação (EEA) propõe que o processo de comunicação mãe-bebê seja construído obedecendo a uma sequência de padrões organizacionais que se distinguem pelas diferentes características das trocas mãe-bebê. Esse artigo discute a problemática da comunicação na família entre filhos, pais e avós, fundamentando-se nos tópicos: interação e poder. Nota-se que há uma tendência maior de conflito entre pais e filhos, sendo a relação entre avós e netos caracterizada por uma dinâmica menos conturbada. A busca pelo poder, seja 25 PSICOLOGIA REFLEXÃO E CRÍTICA 1998 Uma análise semióticofenomenológica das mensagens auto reflexivas de filhos adultos de alcoolistas Autor: Elizabeth Hill Gustavo Gauer William B. Gomes Pais – filhos pelo "mando" ou por formas mais sutis de dominação, parece estar presente em ambos os casos (pais/filhos e avós/netos). Entretanto, para os jovens, os pais (no casal, principalmente a mãe) são percebidos como mais impositivos em relação as decisões a serem tomadas. Pode-se pensar que essa diferença entre as formas de dominação pais/avós em relação aos mais jovens, ocorre em função de um distanciamento maior entre avós e netos, o que possibilitaria outra dinâmica vincular, permitindo, assim, uma comunicação mais fácil e aberta entre as gerações mais distantes. Análise de estudos que têm demonstrado que viver em um "ambiente alcoolista" afeta negativamente os seus descendentes. Os filhos de alcoolistas apresentaram déficits em todas as dimensões de competência comunicativa, tais como clareza comunicativa e auto referência. 26