Pró-Reitoria de Graduação
Curso de Psicologia
Trabalho de Conclusão de Curso
A COMUNICAÇÃO NO SISTEMA FAMILIAR- UMA REVISÃO
DE LITERATURA
Autora: Ângela Silva Maracaipe
Orientadora: Msc. Maria Eveline Cascardo Ramos
Brasília - DF
2014
ÂNGELA SILVA MARACAIPE
A COMUNICAÇÃO NO SISTEMA FAMILIAR – UMA REVISÃO DE LITERATURA
Artigo
apresentado
ao
curso
de
graduação em Psicologia da Universidade
Católica de Brasília, como requisito
parcial para obtenção do título de
Bacharel em Psicologia.
Orientadora: Msc. Maria Eveline Cascardo
Ramos
Brasília
2014
Artigo de autoria de Ângela Silva Maracaipe, intitulada “A COMUNICAÇÃO NO
SISTEMA FAMILIAR- UMA REVISÃO DE LITERATURA”, apresentada como
requisito parcial para a obtenção do grau de Bacharel em Psicologia da
Universidade Católica de Brasília, em 21 de Novembro de 2014, defendida e
aprovada pela banca examinadora abaixo assinada:
_____________________________________________________
Prof. Msc. Maria Eveline Cascardo Ramos
Orientador
_____________________________________________________
Prof. Drª. Maria Alexina Ribeiro
Brasília
2014
DEDICATÓRIA
Dedico esse trabalho a Deus, meu
Salvador, inspirador, que me deu forças e
condições para alcançar esse título, me
permitindo chegar até aqui. Aos meus
pais que com amor incondicional me
ensinaram a correr atrás dos meus
sonhos e me motivaram a acreditar que é
possível alcançá-los com dedicação e
esforço. Aos meus irmãos que sempre me
apoiaram e me deram forças. Aos meus
familiares que direta ou indiretamente
torciam por mim. E por fim, aos meus
amigos e namorado que me apoiaram,
ajudaram e me incentivaram a persistir
diante das dificuldades que me deparei
durante os cinco anos de graduação.
AGRADECIMENTO
À minha orientadora Maria Eveline, que me auxiliou na execução desse
trabalho com tanta paciência, dedicação e disposição. Aos meus professores do
curso de Psicologia, que me ensinaram a amar a atuação clínica e o estudo das
relações humanas. Aos meus colegas de curso que foram agentes potenciais do
meu aprendizado por meio do compartilhamento de ideias e discussões de cada
conceito e informações dos conteúdos das disciplinas. Aos meus chefes e colegas
de trabalho que me compreendiam em cada dia estressante de final de semestre.
Aos meus amigos que aceitavam a minha ausência nos dias de provas e entregas
de relatórios. À minha família que aguentava os dias de luzes acesas nas
madrugadas de estudo. E a todos aqueles que sempre me direcionaram palavras de
apoio e motivação, todas essas coisas tornaram-se fatores relevantes e memoráveis
durante a minha graduação.
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 6
2 MÉTODO.................................................................................................................. 8
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................................... 9
Comunicação Conjugal........................................................................................... 10
Comunicação Pais e Filhos .................................................................................... 11
Comunicação Intergeracional ................................................................................ 13
Comunicação da Família Extensa.......................................................................... 13
Comunicação Pais e Escola ................................................................................... 14
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................... 14
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 16
APÊNDICE A- TABELA COM AS INFORMAÇÕES DOS ARTIGOS DA AMOSTRA
.................................................................................................................................. 20
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A COMUNICAÇÃO NO SISTEMA FAMILIAR - UMA REVISÃO DE LITERATURA
ÂNGELA SILVA MARACAIPE
Resumo:
Este trabalho é uma revisão bibliográfica sobre a comunicação por ela ser uma
condição de convívio e de sustentação do sistema familiar, além de ser um
importante fator de caracterização e expressão. No entanto, quando há barreiras e
obstáculos à comunicação, há prejuízos que ocasionam instabilidade e desequilíbrio
ao sistema. O presente estudo traz uma pesquisa do que tem sido publicado nas
revistas científicas com classificação A1 e B2 - de psicologia em língua portuguesa
com o tema comunicação. Os dados recolhidos foram separados por temas como: A
comunicação conjugal, comunicação pais e filhos, comunicação intergeracional,
comunicação na família extensa e comunicação pais e escola. Os resultados
demonstram a importância da comunicação que flua em todos os subsistemas
presentes no sistema familiar, pois o bem estar de seus membros depende de uma
comunicação transparente e efetiva.
Palavras Chaves: Família; Comunicação; Relacionamento.
The Comunnication in Family- A Review Of The Literature
Abstract:
This coursework is a bibliographic review about communication, because it is a
survival and maintenance family condition, besides being an important
characterization and expression factor. However, when there are communication
barriers, there are injuries creating instability and imbalance to the system. The
current case study shows a research about what have been published in scientific
magazines classified as A1 and B2 – of psychology in Portuguese language with
communication subjects. Data were gathered and separated in themes like: Conjugal
communication, children and parents’ communication, communications from
generations to generations, large family’s communication and parents and school
communication. Results show the communication importance in all current
subsystems in the familiar system, inasmuch welfare members depends of a clear
and effective communication
Keywords: Family; Comunnication; Relationship
6
1 INTRODUÇÃO
O tema do presente trabalho é a comunicação no contexto da família.
Entendendo que a comunicação existe em todas as relações, e que a família é a
matriz de identidade a desenvolver as relações, torna-se importante analisar o
processo comunicacional neste sistema.
Segundo Penteado (1997) comunicar vem do latim comunicare com a
significação de pôr em comum. O autor afirma que comunicação é convivência,
agrupamento caracterizado por forte coesão, baseada no consenso espontâneo dos
indivíduos. E que seu grande objetivo é o entendimento entre os homens.
Para entender o sentido da palavra comunicação, Crema (1985) diz que
qualquer coisa que se faça ou não se faça é comunicação, pois toda conduta
interacional tem valor de mensagem. Martino (2001) define que é através desta que
se desenvolvem atividades como o ensino e o confronto de ideias; por outro lado,
pode se depreender também a situação de diálogo, onde há a participação de duas
pessoas (emissor- receptor) que conversam, trocando ideias ou informações.
Para compreender a pragmática da comunicação humana Watzlawick, Beavin
e Jackson (2013) propõe cinco axiomas, o primeiro afirma a impossibilidade de não
comunicar, pois qualquer coisa que se faça ou não, é comunicação. Para Crema
(1985) Todo comportamento gesto, silêncio, atividade ou inatividade, ou seja, toda
conduta interacional tem valor de mensagem. O segundo e terceiro axiomas
propõem que qualquer comunicação implica um compromisso e define um tipo de
relação, ou seja, uma comunicação não só transmite informação, mas, ao mesmo
tempo, impõe um comportamento.
O quarto axioma fala da comunicação digital e analógica, Crema (1985)
afirma que esse axioma postula que a natureza de uma relação está nas
contingências da pontuação das sequências comunicacionais entre os
comunicantes. Watzlawick, Beavin e Jackson (2013) diz que a comunicação digital
é o uso da palavra, e que as palavras são sinais arbitrários que se manipulam de
acordo com a sintaxe lógica da linguagem. O mesmo autor define a comunicação
analógica como toda comunicação não verbal, que abrange postura, gestos,
expressão facial, inflexão de voz, ritmo, sequência.
Os seres humanos comunicam digital e analogicamente. A linguagem digital
é uma sintaxe lógica sumamente complexa e poderosa, mas carente de
adequada semântica no campo das relações, ao passo que a linguagem
analógica possui a semântica, mas não tem uma sintaxe adequada para a
definição não-ambígua da natureza das relações (WATZLAWICK, BEAVIN
e JACKSON 2013,pág. 61)
O quinto e último axioma é visto da seguinte forma: Todas as permutas
comunicacionais ou são simétricas ou complementares, segundo se baseiam na
igualdade ou na diferença. Watzlawick, Beavin e Jackson (2013) diz que a interação
simétrica é baseada na igualdade, onde os parceiros tendem a refletir o
comportamento um do outro. Na complementaridade há a maximização das
diferenças, pois nesse caso, o comportamento do parceiro complementa o outro.
7
Todos esses axiomas explicam a pragmática da comunicação relacional. A
partir dessa concepção, e entendendo que qualquer comunicação implica um
compromisso, e define o ponto de vista do emissor de suas relações com o receptor
Silva Filho (2010), torna-se importante analisar as relações (comunicação) que
ocorrem e são desenvolvidas dentro do sistema familiar.
Osório e Valle (2009) afirmam que à família são atribuídas duas qualidades
essenciais como instituição: espaço de amor incondicional e união, além de ser
considerado o espaço natural de referência pessoal e constituição de identidade. Os
mesmos autores relatam que a capacidade de diálogo é uma qualidade desejável
para manutenção e reorganização das relações familiares em todos os subsistemas
(conjugal, parental e intergeracional). O modo como o processo comunicacional se
desenvolve é fator determinante ao desenvolvimento pessoal e social de seus
membros, e a sua integração com a sociedade.
Sabe-se que a família, como sistema comunicacional, coopera para a
construção de soluções integradoras dos seus membros no sistema como um todo.
“Seja qual for o modelo de família ela é sempre um conjunto de pessoas
consideradas como unidade social, como um todo sistêmico onde se
estabelecem relações entre os seus membros e o meio exterior.
Compreende-se que a família constitui um sistema dinâmico, contém
outros subsistemas em relação, desempenhando funções importantes
na sociedade, como sejam, por exemplo, o afeto, a educação, a
socialização e a função reprodutora.” (DIAS, 2011, pág.141)
Assim, o processo de comunicação que se dá na família, onde o
comportamento de cada indivíduo é fator e produto do comportamento dos outros.
Apresenta-se determinante para facilitar as relações entre os membros da família e
o meio social. (DIAS 2011).
Entendendo a família como um sistema e ao mesmo tempo um processo de
interação e integração dos seus membros. A comunicação torna-se uma condição
de convívio e de sustentação do sistema familiar. A comunicação familiar é um
importante fator de caracterização e expressão do sistema familiar. Dias (2011) No
entanto, quando há barreiras e obstáculos à comunicação, há prejuízos que
ocasionam instabilidade e desequilíbrio ao sistema.
Minicucci (1980) cita que há bloqueio na comunicação entre as pessoas
quando a mensagem não é captada e a comunicação interrompida, e esse bloqueio
perturba a percepção que você tem de si próprio e dos outros. E a consequência
disso, é que as atitudes e comportamentos tornam-se falsos. Segundo o mesmo
autor, os bloqueios que ocorrem quando a comunicação é interrompida ou não
processada, as filtragens que ocorrem quando a mensagem é traduzida em dados e
informações e não recebida ou compreendida em sua totalidade, e os ruídos que
acontecem quando a comunicação é feita de forma mal conduzida, chegando ao
receptor de forma errônea, ou seja, má interpretação das informações. Esses três
fatores provocam ressentimentos que, às vezes, duram longo tempo, criando
inimizades.
Um dos problemas básicos em comunicação é que o significado que você
captou de uma mensagem pode não ser exatamente aquilo que o emissor
quis transmitir. Nossas necessidades e experiências tendem a colorir o que
vemos e ouvimos, a dourar certas pessoas e enegrecer outras. As
8
mensagens que não desejamos aceitar são reprimidas. Outras são
ampliadas, enegrecidas e comentadas. (MINICUCCI, 1980, pág. 47)
As publicações científicas a respeito do tema comunicação explicam a forma,
o conteúdo, o produto, o resultado e a importância do processo comunicacional.
Todavia, pouco se tem divulgado sobre pesquisas científicas, a respeito da
pragmática da comunicação.
A partir do entendimento da relevância desse tema na interação e relação
com o outro, e de que o relacionamento familiar pode ser analisado através da
comunicação que existe entre os seus membros, pode-se questionar como o
terapeuta ou profissional que trabalha as relações pode aplicar, ou desenvolver
técnicas que minimizem os problemas comunicacionais que chegam aos
consultórios e clínicas.
O presente estudo pretende pesquisar o que tem sido publicado nas revistas
científicas de psicologia em língua portuguesa com o tema comunicação. E tem por
objetivo geral buscar na literatura e divulgações científicas, estudos que dão suporte
e orientem o terapeuta a encontrar e desenvolver técnicas e instrumentos a fim de
favorecer uma comunicação saudável, sobretudo no sistema familiar, e minimizar os
problemas relacionais que se apresentam nesse sistema.
Os objetivos específicos consistem em: identificar o que tem sido publicado a
respeito do tema de comunicação e o que os artigos apresentam a respeito da sua
influência nos relacionamentos familiares; discutir o que os artigos científicos
propõem sobre o tema de comunicação relacional; evidenciar a importância do
desenvolvimento de estudos e pesquisas que avaliem e proponham formas
saudáveis de comunicação.
2 MÉTODO
Revisão e análise da produção científica a respeito da comunicação no
sistema relacional familiar. O método de pesquisa realizado é o de revisão
bibliográfica exploratória e analítica. Gil (2012) afirma que uma leitura exploratória
tem por objetivo verificar o quanto a obra consultada interessa à pesquisa. Realizase uma verificação da folha de rosto, dos índices da bibliografia, das notas de
rodapé, o estudo da introdução, do prefácio e das conclusões. A partir desses
elementos é possível perceber a utilidade dessa leitura para a pesquisa. E a leitura
analítica tem por finalidade ordenar as informações obtidas nas fontes para que
possibilitem a obtenção de respostas ao problema de pesquisa.
A composição do presente artigo resultou de pesquisas no portal de
periódicos do SCIELO nas revistas: Psicologia: Teoria e Pesquisa, Paideia,
Psicologia Reflexão e Crítica e Aletheia que são consideradas revistas de
classificação A1 e B2. A busca consistiu em pesquisar em todos os filtros a palavra
chave : communication e, a partir da leitura exploratória de cada artigo, identificar o
que tem sido publicado sobre a comunicação no sistema familiar. Na primeira revista
obteve-se um total de sete artigos, na segunda seis artigos, na terceira oito e na
última quatro artigos. Por meio da leitura analítica dessa amostra de 25 artigos , as
informações foram ordenadas de acordo com o tipo de comunicação familiar
predominante nas leituras, que são : Comunicação conjugal; comunicação família
9
extensa; comunicação intergeracional; comunicação pais-escola e comunicação
pais-filhos.
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os dados obtidos foram organizados em uma tabela que está no apêndice
contendo o nome da revista, título, autor, ano da publicação, tema e o resumo de
cada artigo, que auxilia na interpretação e organização dos resultados. Além de um
gráfico que indica o quantitativo de temas presentes na pesquisa, o gráfico
demonstra que o tema com maior número na pesquisa representando 61% da
amostra diz respeito à comunicação entre pais e filhos; em segundo lugar a
comunicação conjugal com 19%. A comunicação na intergeracionalidade e entre
pais e escola ocupam uma porcentagem de 8% da amostra cada uma. A menor
porcentagem é relacionada à comunicação que envolve a família extensa: 4% do
total.
Os artigos analisados revelam que a comunicação é uma habilidade
necessária a toda relação e que ela contribui para a criação de vínculos afetivos
saudáveis além de ter um importante papel no exercício da parentalidade. Possibilita
formas de enfrentamento e promoção da resiliência na família, evita o surgimento de
problemas de comportamento em pré-escolares, propicia comportamentos de
cidadania e a melhoria do processo de ensino-aprendizagem. Os resultados dos
artigos pesquisados afirmam que a satisfação conjugal aumenta quando há boa
habilidade de comunicação, pois esta é um instrumento efetivo à promoção da
saúde, o que é importante para o desenvolvimento emocional do ser humano.
Todos esses resultados ratificam o quanto a comunicação se faz elemento
essencial nas relações, e que dela depende o bom relacionamento. Através dela é
possível analisar as relações, pois se entende que comunicar é relacionar-se.
Watzlawick, Beavin e Jackson (2013), e outros postulam que é impossível não
comunicar, pois a comunicação se faz de várias formas que incluem o verbal o não
verbal e o silêncio. Crema (1985) corrobora esta afirmação quando diz que, qualquer
coisa que se faça ou não se faça é comunicação, pois toda conduta interacional tem
valor de mensagem. Esses resultados trazem consigo a importância da prática de
uma comunicação saudável, pois ela atravessa a forma como o ser humano interage
consigo, com o outro e com o mundo.
Segue abaixo gráfico que organiza as informações sobre os temas
encontrados na amostra
10
Temas Da Comunicação Encontrados Na Pesquisa
Gráfico 1. Porcentagem dos temas da comunicação encontrados na pesquisa
4%
CONJUGAL
8%
19%
PAIS - FILHOS
8%
PAIS - ESCOLA
FAMÍLIA EXTENSA
61%
INTERGERACIONALIDADE
Fonte: Do autor
Comunicação Conjugal
A comunicação interpessoal no contexto do matrimônio é uma condição que,
por ser essencial para o casal, resulta em algo inevitável e indispensável, daí a
importância do diálogo. Segundo Silva Filho (2010, p.46 apud LORENTE, 2002, p.9)
“Existe uma relação direta entre a comunicação e o relacionamento dos cônjuges,
pode promover maior satisfação e intimidade na vida conjugal, ou distanciamento
dos parceiros que evitam falar de assuntos íntimos, mantendo uma relação baseada
em assuntos cotidianos ou superficiais”. Os relacionamentos conjugais que não
possuem uma comunicação franca dos desejos e insatisfações são mais propensos
a distorções e conflitos (BEREZA 2005).
A pesquisa revela a comunicação conjugal a partir das seguintes
perspectivas: a primeira se refere à confrontação do casal pelo adoecimento dos
filhos ou dos cônjuges. Nesse caso, há alterações no padrão comunicacional no qual
a enfermidade e o tratamento são a ênfase nas conversas entre eles, e também
afetam a expressão e a compreensão de sentimentos e ideias. Assim, a situação de
tratamento e adoecimento torna-se fonte potencial de dificuldades para a
comunicação conjugal. Rech, Silva e Lopes (2013) Os subsistemas existentes na
organização familiar, como o sistema parental e conjugal, influenciam-se
mutuamente e o adoecimento de um filho que é tido como um grande estressor no
subsistema parental também influencia e traz impactos à relação conjugal de seus
pais. (SILVA; LOPES 2011)
A segunda perspectiva revela que pais que conversam sobre a educação dos
filhos podem ser mais consistentes e participativos, prevenindo problemas de
comportamento das crianças, uma vez que estas podem ser afetadas pelo tipo de
relacionamento conjugal. As pesquisas apontam que a qualidade da interação
11
conjugal pode influenciar as interações pais-filhos. Bolsoni e Marturano (2010)
Nenhum artigo se referiu à relação fraternal como também influenciada pelas
relações parentais Quando há uma maior coesão familiar minimizam-se os
problemas de comportamento e aumentam o repertório de habilidades sociais de
seus membros. Os resultados apontam que quanto maiores os problemas familiares,
mais frequentes os problemas de comportamento dos filhos.
A terceira perspectiva aponta para a comunicação como um instrumento
efetivo à manutenção de comportamentos preventivos de DST do casal, Oliveira e
Gomes (2004), pois a comunicação verbal e não verbal entre o casal é um regulador
emocional que envolve acordos conscientes e inconscientes. Silva Filho (2010)
assinala que a não verbalização e os silêncios entre os casais têm o poder de
desunir e distanciar um cônjuge do outro. É através do diálogo que o casal pode
abrir espaço para o compartilhamento da sua intimidade.
A quarta e última perspectiva diz respeito à importância de programas que
auxiliem a transição da conjugalidade para a parentalidade, que têm ajudado os
casais a lidar com aspectos da relação conjugal e do desenvolvimento do bebê. A
pesquisa ressalta que a transição para a parentalidade afeta o subsistema conjugal,
e os programas de orientação para a transição à parentalidade, proporciona
conhecimento dos fatores de risco e de proteção para o desenvolvimento familiar e
infantil, auxiliando na prevenção à depressão pós-parto, aos distúrbios do
desenvolvimento do bebê e à violência intrafamiliar contra a criança e o cônjuge.
Assim, esses programas são de extrema relevância no auxílio de casais para o
manejo da ansiedade e dos estresses associados a essa fase da vida. (MURTA et
al., 2012)
Os aspectos mencionados demonstram, em sua maioria, que a comunicação
conjugal tem uma função central na relação dos pais com os filhos, e dos filhos com
os pais e define a relação entre pais e filhos e o impacto do subsistema conjugal
sobre o parental. Percebe-se também que a função colaborativa do casal contribui
para práticas de sexo saudáveis e que o diálogo é um instrumento precioso na
expressão de sentimentos, ideias, satisfações e necessidades que existem na vida
conjugal. Penteado (1997) diz que o grande objetivo da comunicação humana é o
entendimento entre os homens, e só há entendimento quando os indivíduos que se
comunicam compreendam-se mutuamente. Portanto, o casal só conseguirá obter
relações saudáveis com os filhos e pares, quando houver uma comunicação clara,
objetiva, transparente. Pode se concluir, assim, que a relação conjugal, em si,
somente existe de maneira funcional quando há diálogo entre o casal.
Comunicação Pais e Filhos
A temática presente apareceu em quatorze artigos em 61 % do total da
amostra, sendo, portanto, uma das temáticas mais presentes no estudo com
famílias, sobretudo em famílias com crianças e adolescentes.
As pesquisas revelam a comunicação como um importante papel no exercício
da parentalidade, uma habilidade social de intervenção, que é um instrumento que
possibilita a criação de formas de enfrentamento e promoção da resiliência na
12
família. Assinala ainda que, os déficits em comunicação parento-filial favorecem o
surgimento de problemas no comportamento dos filhos em idade pré-escolar.
(PORTUGAL; ALBERTO 2013)
Os resultados revelam que os pais têm um papel fundamental no
desenvolvimento global da criança e do adolescente. Dois artigos da amostra
trouxeram a perspectiva da comunicação mãe-bebê e afirmam que um espaço de
troca com o bebê desde o nascimento é fundamental para o bom funcionamento
psíquico da criança principalmente na sua fase de desenvolvimento. (LYRA; ROAZZI
2008)
Revelou-se a importância do diálogo entre pais e filhos adolescentes,
sobretudo a respeito do tema de sexualidade, onde o bloqueio na comunicação
dificulta a proteção dos adolescentes em situação de vulnerabilidade social. As
pesquisas relatam que a falta de diálogo sobre sexualidade causa desamparo nos
filhos e está presente na maioria dos casos de abuso. Os estudos afirmam que a
família é a primeira unidade social que deve se responsabilizar pela proteção de
seus membros sendo função dela educar seus filhos e protegê-los de situação que
sozinhos não conseguiriam enfrentar. (SIQUEIRA; ARPINI; SARVEGNAGO 2011)
As famílias e os fatores a elas associados como a religião e a cultura têm
influência na educação, na socialização, na prestação de cuidados, na transmissão
de crenças, regras e valores e, de um modo geral, na saúde e bem-estar dos seus
elementos. Os artigos relatam, ainda, que os pais são a principal base de apoio para
as questões de proteção, segurança e para problemas escolares e de saúde.
Afirmam que a comunicação familiar é facilitadora da comunicação com os pares e
que os filhos que mantem uma comunicação efetiva com seus pais, têm facilidade
em estabelecer vínculos de confiança com os pares. (TOMÉ et. al., 2010)
Revela ainda que os adolescentes fazem uso de estratégias para comunicar
algo aos pais, tais como, esperar um momento oportuno e analisar o humor dos
pais antes de informar, por exemplo, um fracasso escolar. O jeito de falar é
considerado na hora de compartilhar com os pais. Outra estratégia bastante utilizada
é a escolha do genitor para conversar. Nesse caso, a escolha se baseia no tipo de
demanda que eles têm dos genitores. (CARPENEDO; MELO; SILVEIRA 2005)
Outro aspecto relatado foi sobre estudos que têm demonstrado que viver em
um ambiente alcoolista afeta negativamente os descendentes dos alcoolistas. Os
filhos de alcoolistas apresentaram déficits em todas as dimensões de competência
comunicativa, tais como clareza comunicativa e auto referência. (HILL; GAUER;
GOMES, 1998)
Esse tema relata os níveis de comunicação entre pais e filhos, destaca
principalmente, a dificuldade no diálogo sobre a sexualidade, as estratégias que os
filhos adotam para comunicar aos pais, e que a relação mais efetiva entre pais e
filhos favorece a construção de habilidades sociais, expressão de sentimentos e
facilidade em estabelecer vínculos afetivos.
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Comunicação Intergeracional
A relação intergeracional é revelada a partir dos aspectos de vinculação entre
avós, pais e netos, a divisão de papéis e as relações de poder. Há também uma
característica da comunicação divergente que resulta em conflitos e violências
incorporadas a essa relação. A estrutura de poder entre as gerações revela-se por
uma tendência maior de conflito entre pais e filhos, sendo a relação entre avós e
netos caracterizada por uma dinâmica menos conturbada. (REGO; BASTOS;
ALCÂNTARA, 2002).
Os pesquisadores apontam uma convivência de maior distanciamento entre
as gerações, pois a experiência cultural de geração para geração não ocorre de
forma passiva. Há um conflito dos pais com os filhos, que é ocasionada pela luta
pela estabilização da identidade das gerações mais velhas com as mais novas, para
as quais os pais tentam transmitir seus valores e os filhos e netos buscam estabilizar
seus próprios valores. (RUSCHEL; CASTRO, 1998)
A mediação dos pais é essencial no relacionamento entre avós e netos; os
limites entre serem pais e serem avós devem ser demarcados, sendo
função dos pais a responsabilidade pelos filhos. Dessa forma, é importante
o respeito a cada função dos membros familiares a fim de estruturar um
contexto harmonioso, saudável e socialmente produtivo. Também, do
ponto de vista de alguns pesquisadores, para que ocorra uma boa relação
entre os avós e os pais das crianças, é necessário que os avós só deem
conselhos e opiniões quando solicitados. (FALCÃO; SALOMÃO 2005, pág.
210)
A pesquisa traz ainda alguns aspectos dos papéis dos avós, pais e filhos,
revelando que a delimitação de papéis e responsabilidades são relevantes para ter
uma relação familiar harmoniosa. Nesse sentido, Covey (2007) assinala que para
manter relações ricas e gratificantes é necessário que haja uma verdadeira
compreensão entre os seus membros; a autora coloca, ainda, que os
relacionamentos podem ser superficiais quando há pouco envolvimento sem
intensidade entre as partes, ou funcionais quando cumprem os papéis designados
ou transacionais quando cumprem acordos e transações, mas só serão plenamente
satisfatórios e transformadores se forem fundamentados em genuína compreensão.
Comunicação da Família Extensa
Apesar da importância e da proximidade da família extensa com a nuclear
pouco se escreve sobre isso. Há um único artigo da pesquisa que ressalta o luto e
não a importância das relações em si. O único artigo tem como ponto central a
comunicação entre membros da família em situação de iminência de morte de um
familiar, com o objetivo de se prepararem para a elaboração do luto.
Toda morte de um ente querido dá início ao processo de luto, em que
determinadas reações são esperadas. A intensidade com que alguns
sintomas aparecem pode indicar que o processo não está seguindo seu
curso natural e o luto pode vir a tornar-se complicado. (PASCOAL, 2012, p.
726)
14
Entendendo que o doente com iminência de morte pertence ao grupo social
familiar, que sofre os impactos da terminalidade e busca formas de apoio. A
pesquisa aponta que o diálogo e o compartilhamento dos sentimentos entre os
membros da família favorece o enfrentamento do luto. A pesquisa ressalta que a
morte é uma etapa do desenvolvimento do ciclo familiar, pelo que, não pode ser
negligenciada.
Comunicação Pais e Escola
A comunicação dos pais com a escola esteve presente em 8% do total da
amostra, portanto, com grande relevância para o entendimento do papel que a
família exerce para o bom desempenho escolar das crianças e adolescentes.
Soares, Souza e Marinho (2004) ressaltam que o papel parental diz respeito entre
outras coisas, às interações dos pais na execução dos trabalhos escolares dos
filhos, suporte das atividades diárias e monitoramento do progresso escolar. Ainda
cumprem as idas à escola, participação em reuniões diversas e possibilitam à
criança o acesso a materiais escolares e local apropriado para estudo.
Por outro lado, Weber, Brandenburg e Viezzer (2003) afirmam que os filhos
de pais negligentes estão sujeitos ao baixo rendimento escolar, podem ter
desenvolvimento cognitivo atrasado, problemas afetivos e comportamentais.
Portanto, a interação de pais e filhos gera consequências no comportamento da
criança e também no seu desenvolvimento socioemocional. A pesquisa também
aponta ser necessário conscientizar os pais da importância que eles exercem para o
bom desempenho acadêmico do filho.
.
Os contextos da escola e da família são inquestionavelmente dois contextos
de maior importância para o desenvolvimento das crianças, sendo necessária a
comunicação e cooperação de todos os envolvidos para promover ambientes
benéficos que assegurem o bom desenvolvimento escolar delas. A comunicação é
um instrumento fundamental que viabiliza a relação dos pais com a instituição
escola, os professores e os alunos. Mas é importante que haja uma comunicação
clara e efetiva que possa oportunizar a troca de informações entre os diversos
segmentos e a formação de parcerias.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A comunicação está presente em toda ação do homem, e é considerado fator
importante para a análise das relações do sistema familiar. Sendo assim, seu estudo
é fundamental para o conhecimento das famílias e orientação das intervenções que
precisam ser feitas neste contexto. Minuchin e Nichols (1995) relatam os desafios
dos terapeutas familiares.
Nós nos sentíamos como estrangeiros, visitando um grupo de pessoas com
sua própria história e cultura comuns, sua própria maneira de comunicar-se,
e suas próprias lealdades e rivalidades bem estabelecidas. Precisávamos a
aprender a nos juntar a eles, conquistar sua confiança e demonstrar nossa
utilidade. Acima de tudo, precisávamos desenvolver novas maneiras de
15
intervir que refletissem nosso novo entendimento. (MINUCHIN; NICHOLS
1995, pg. 31).
Considerando Dias (2011) a família é o elemento mais firme, mais seguro e
mais estruturante da personalidade dos seus membros; nela há lugar para o
desenvolvimento do caráter dos filhos e das atitudes frente aos aspectos mais
diversos da vida, função da assunção de valores, regras, cultura, crenças que a
família lhes transmite. Nesse sentido, a comunicação é o fator principal que estrutura
esse sistema, pois é a partir dela que se desenvolvem as práticas formativas,
educacionais, relacionais de interação e integração social. Portanto, a prática da
comunicação saudável permite o equilíbrio do sistema familiar.
Esse estudo permitiu perceber que há poucas pesquisas e investimento
científico no que tange à comunicação no sistema familiar enquanto essência da
sociabilidade. Existem investimentos nas áreas específicas como relação conjugal,
comunicação parento-filial, comunicação entre os pais e a escola, comunicação
intergeracional e comunicação na família extensa. Entretanto, não há estudos que
abrangem a família em sua totalidade.
Durante a pesquisa e análise dos dados, tornou-se evidente que os
problemas relacionais também têm associação aos déficits comunicacionais, como
mensagens não claras entre emissor e receptor, bloqueios e dificuldade na
expressão dos sentimentos e compreensão do sentimento dos comunicantes:
emissor e receptor.
Com relação à comunicação no relacionamento conjugal, revelou-se a
importância do diálogo entre o casal para que haja compartilhamento de ideias e
emoções, e que uma relação efetiva entre os cônjuges afeta diretamente o
subsistema parental. Aos pais é atribuída a influência na educação, socialização,
cuidado, transmissão de regras e valores, na saúde e bem estar de seus filhos. Os
filhos que mantêm uma comunicação efetiva com seus pais têm facilidade em
estabelecer vínculos de confiança com os pares.
A relação intergeracional revela que a delimitação de papéis e
responsabilidades são relevantes para manter uma relação harmoniosa. No que diz
respeito à família extensa, coloca-se a situação de elaboração de luto da família e
revela-se que a comunicação e o compartilhamento de sentimentos entre os
membros favorecem o enfrentamento do luto.
Por fim, é relevante apontar que a comunicação que flui constantemente e
proporciona troca de informações e construção de parcerias entre pais e escolas foi
um importante tema presente nessa pesquisa, pois mostra o importante papel que a
família exerce para o bom desempenho escolar das crianças e dos adolescentes.
Diante de tudo o que aqui foi exposto, pode-se afirmar a importância da
comunicação no sistema familiar, e que o bem estar de seus membros depende de
uma comunicação transparente, que flua em todos os subsistemas do sistema
familiar. Isso ocorre quando o emissor consegue ser compreendido na sua
expressão, tornando compreensível sua mensagem relacional, promovendo, assim,
relações potencialmente saudáveis. Pois comunicação é relacionamento.
16
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http://dx.doi.org/10.1590/S1413-82712003000100010.
20
APÊNDICE A- TABELA COM AS INFORMAÇÕES DOS ARTIGOS DA AMOSTRA
Tabela 1. Relações encontradas nos relatos sobre comunicação familiar.
REVISTA
ANO
TÍTULO/ AUTOR
TEMA
RESUMO
PSICOLOGIA:
TEORIA
E
PESQUISA
2013
Caracterização da comunicação
entre progenitores e filhos em idade
escolar: estudo com uma amostra
portuguesa.
Pais-filhos
Comunicação parento-filial com filhos
em idade escolar
Conjugal
O diagnóstico de uma doença grave
como o câncer, em um filho/a,
influencia o padrão comunicacional dos
cônjuges.
Pais-filhos
A
importância
de
programas
preventivos
para
adolescentes,
professores e familiares sobre direitos
sexuais e reprodutivos , resiliência e
habilidades sociais assertivas. Os
resultados demonstraram que tal
programa melhorou o diálogo entre pais
e filhos, principalmente sobre o tema
sexualidade.
A
melhoria
na
comunicação entre pais e filhos é um
instrumento que possibilita formas de
enfrentamento e promoção da saúde
na família.
Conjugal
Alterações no padrão comunicacional
com ênfase na gravidez e no bebê nas
conversas entre cônjuges.
Pais-filhos/
conjugal
O artigo indica que as variáveis do
relacionamento
conjugal
e
relacionamento pais e filhos podem
afetar o comportamento das crianças.
Os resultados demonstram que os
déficits em comunicação são uma
variável que favorece o surgimento de
problemas no comportamento em préescolares.
Esse artigo investiga a concepção das
mães acerca do desenvolvimento da
comunicação mãe-bebê a partir do
modelo teórico metodológico EEA
(estabelecimento extensão, abreviação)
esse modelo está baseado na
Autor: Alda Marques Portugal
Isabel Marques Alberto
PSICOLOGIA:
TEORIA
E
PESQUISA
2013
Repercussões do câncer infantil
sobre a relação conjugal
Autor: Bárbara Cristina Steffen
Rech
Isabela Machado da Silva
Rita de Cássia Sobreira Lopes
PSICOLOGIA:
TEORIA
E
PESQUISA
2012
Direitos sexuais e reprodutivos na
escola: avaliação qualitativa de um
estudo piloto.
Autor: Sheila Giardini Murta
Isabela Oliveira Rosa
Jordana Calil Lopes de Menezes
Marcella Regina Silva Ribeiro
Ohary de Sousa Borges
Silvia Guimarães de Paulo
Verônica de Oliveira
Danilo Cruvinel Ribeiro
Almir Del Prette
Zilda Del Prette
PSICOLOGIA:
TEORIA
E
PESQUISA
2011
Relação conjugal no contexto de
reprodução assistida: o tratamento
e a gravidez
Autor: Isabela Machado Silva
Rita de Cássia Sobreira Lopes
PSICOLOGIA:
TEORIA
E
PESQUISA
2010
Relacionamento
conjugal,
problemas de comportamento e
habilidades
sociais
de
préescolares.
Autor: Alessandra Turini Bolsoni
Silva
Edna Maria Marturano
PSICOLOGIA:
TEORIA
E
PESQUISA
2008
A Concepção das Mães sobre o
Desenvolvimento da Comunicação
Mãe-Bebê
Autor: Maria C. D. P. Lyra
Antonio Roazzi
Pais-filhos
21
PSICOLOGIA:
TEORIA
E
PESQUISA
2002
Envolvimento de pais em creche:
possibilidades e dificuldades de
parceria
Pais-escola
observação longitudinal e na análise
microgenética de estudos de caso a
partir
da perspectiva dos sistemas dinâmicos.
Utilizando
o
procedimento
de
classificação múltipla, investigou como
esses três
períodos do desenvolvimento da
comunicação (EEA) são conceituados
pelas mães. Os resultados encontradas
confirmam que o desenvolvimento da
comunicação mãe bebê que ocorre nos
primeiros 8 meses de vida fortalecem o
modelo EEA, confirmando: a distinção
entre as trocas face-a-face e aquelas
mediadas pelo objeto (MOB); a
diferenciação dos três períodos do
desenvolvimento da comunicação
(EEA) em ambas as trocas; e a
distribuição ordenada (axial) desses
três períodos.
A comunicação é vista como um
instrumento que viabiliza a relação
creche-família, como um facilitador e
promotor dessa relação.
Autor: Eliana Bhering
Tatiane Bombardelli De Nez
ALETHEIA
2010
Comunicação silenciosa mãe-bebê
na visão winnicottiana: reflexões
teórico-clínicas.
Pais-filhos
Autor: Josiane Cristina Coradi
Prado Telles; Maíra Bonafé Sei;
Sérgio Luiz Saboya ArrudaI
ALETHEIA
2011
Família e abuso sexual na
perspectiva de adolescentes em
situação de vulnerabilidade social.
Autor: Aline Cardoso Siqueira;
Dorian Mônica Arpini; Sabrina Dal
Ongaro Savegnago
Pais-filhos
Esse artigo analisa a comunicação
mãe-bebê, sob a perspectiva de que
essa comunicação é importante para se
entender o desenvolvimento emocional
e comunicacional do ser humano. Foi
realizada uma pesquisa qualitativa
baseada no método clínico de
referencial psicanalítico, em um estudo
de caso com uma criança de 08 anos
de idade com
dificuldades no
desenvolvimento da fala, sem causa
orgânica. Os resultados indicam que a
dificuldade de expressão verbal da
criança estava relacionada com a
manutenção de uma comunicação
silenciosa
primitiva
durante
os
primeiros meses de vida, que
significaria a garantia da sobrevivência
psíquica.
Esse artigo apresenta as concepções e
crenças sobre o abuso sexual, as
relações e reações familiares de
adolescentes
em
situação
de
vulnerabilidade social. Os resultados
indicaram
que
a
ausência
de
disponibilidade de escutar os filhos a
respeito do tema da sexualidade
distancia pais e filhos, e pode gerar um
sentimento
de
desamparo
nos
mesmos, e que essa ausência de
comunicação entre pais e filhos é uma
22
ALETHEIA
2005
Conjugalidade em contexto de
depressão da esposa no final do
primeiro ano de vida do bebê.
Conjugal
das características presentes nos
casos de abuso sexual.
O estudo afirma que a satisfação
conjugal também aumenta quando há
boa habilidade de comunicação.
Autor: Giana Bitencourt Frizzo;
Ivani Brys; Rita de Cássia Sobreira
Lopes; Cesar Augusto Piccinini
ALETHEIA
2004
HIV/AIDS e práticas preventivas em
uniões heterossexuais estáveis.
Conjugal
Nesse artigo a comunicação aparece
como um instrumento efetivo à
manutenção
de
comportamentos
preventivos entre os cônjuges
Pais- filhos
A qualidade do envolvimento paterno e
o impacto na vida acadêmica dos filhos.
Esse estudo demonstra que quanto
maior a frequência de comunicações
entre pai e filho e quanto maior o
envolvimento dos pais nas atividades
escolares, culturais e de lazer do filho,
melhor o desempenho acadêmico das
crianças.
Tais
resultados
demonstram
a
importância do pai para o desempenho
acadêmico dos filhos e apontam para a
necessidade de educar os homens
para conhecerem as muitas ações que
podem melhorar seu desempenho
enquanto pais.
Conjugal
pais filhos
A importância de programas que
auxiliam casais na transição para a
parentalidade.
Levando em consideração o impacto
sobre os subsistemas das relações
do casal e das relações pais- bebê.
Esse
programa
causa
impactos
positivos
nas
dimensões
da
conjugalidade,
com
melhor
comunicação e solução de problemas
interpessoais e da parentalidade, com a
construção de conhecimentos sobre o
desenvolvimento do bebê, mudanças
em crenças sobre práticas educativas
parentais violentas, responsividade na
relação com o bebê e menor estresse
parental.
Pais- escola
Esse estudo revela que a relação
família-escola requer um envolvimento
e uma comunicação efetiva, e que
esses
dois
fatores
resultam no
bom desenvolvimento
escolar das crianças.
Autor: Lirene Finkler; Manoela
Ziebell de Oliveira; William B.
Gomes
PAIDEIA
2004
A relação entre o envolvimento
paterno
e
o
desempenho
acadêmico dos filhos
Autor: Fabiana Cia
Sabrina Mazo D´Affonseca
Elizabeth Joan Barham
PAIDEIA
2012
Avaliação
de
um
programa
psicoeducativo de transição para a
parentalidade
Autor: Sheila Giardini Murta
Andreia Crispim Rodrigues
Isabela de Oliveira Rosa
Silvia Guimaraes de Paulo
PAIDEIA
2012
Comunicação
e
Possibilidades de
entre família-escola
Envolvimento:
interconexões
Autor: Keila Hellen Barbato
Marcondes
23
Silvia Regina Ricco Lucato Sigolo
PAIDEIA
2006
Comunicação e participação paisfilhos: Correlação com habilidades
sociais
e
problemas
de
comportamento dos filhos
Pais-filhos
Autor: Fabiana Cia
Renata
Christian
de
Oliveira
Pamplin
Zilda Aparecida Pereira Del Prette
PAIDEIA
2002
As mulheres da família: Mundos
partilhados, mundos em conflito.
Intergeracional
Autor: Nayara Nascimento Rego
Ana Cecilia de Sousa Bastos
Miriã Alves Ramos de Alcântara
PAIDEIA
2003
Ritual de despedida em familiares
de pacientes com prognóstico
reservado
Família
extensa
Autor: Márcia Lucrecia Lisboa
Maria Aparecida Crepaldi
PSICOLOGIA
REFLEXÃO E
CRÍTICA
2012
A
comunicação
parento-filial:
Estudo
das
dimensões
comunicacionais
realçadas
por
progenitores e por filhos
Pais – filhos
Autor: Alda Portugal
Alberto Marques Isabel
PSICOLOGIA
2000
Conversas,
em
família,
sobre
Pais – filhos
Os resultados também demonstram
que a família e a escola devem
trabalhar em colaboração, mas tal
relação precisa ser reconstruída, pois
se mostra assimétrica, não havendo
entendimento e colaboração, estando
repleta de preconceitos.
Esse estudo revela que quanto mais
expressiva é a comunicação entre os
cônjuges e os filhos, melhor é o
repertório de habilidades sociais das
crianças. O artigo define habilidades
sociais como o status social da criança
entre seus colegas, o julgamento
positivo por outros significantes e
comportamentos
adaptativos
(rendimento acadêmico, estratégias de
enfrentamento diante
de situações de estresse ou frustração,
autocuidado,
independência
para
realizar tarefas e cooperação).
Estudo multigeracional entre avó, mãe
e neta, onde a divisão de papéis não é
claramente
delimitado,
as
responsabilidades não são claramente
compreendidas.
Revela
que
a
comunicação divergente, que é aquela
em que não há um entendimento e
acordo mútuo ente o emissor e o
receptor, e vice e versa gera conflitos e
violência incorporados ás relações.
Esse estudo revela a importância do
ritual de despedida como prática que
favorece o enfrentamento do luto pela
família. E que a meta dos trabalhos
com famílias que possuem doentes
com prognóstico reservado deve ser
ajudá-los a ficarem próximos, e
estimulá-los a se comunicarem com os
seus parentes que estão morrendo. A
oportunidade de poder se despedir do
paciente com este ainda em vida,
parece fazer diferença na aceitação da
morte, podendo-se cogitar que facilita
também a elaboração do luto pós-óbito.
O artigo traz a comunicação como
elemento central para a qualidade do
exercício
da
parentalidade,
e que existem sete dimensões variáveis
na comunicação entre pais e filhos. São
elas: Metacomunicação, problemas
comunicacionais, partilha de situações
problemáticas, atitudes filiais, atitudes
parentais, afeto e estabelecimento de
regras e limites. Os resultados obtidos
reafirmam a complexidade e a
importância da comunicação entre
progenitores e filhos.
O estudo focalizou a função mediadora
24
REFLEXÃO E
CRÍTICA
sexualidade
e
gravidez
na
adolescência: percepção das jovens
gestantes
da comunicação familiar na regulação
da iniciação sexual das filhas
e no uso de práticas contraceptivas. Os
resultados
sugerem
que
o
fortalecimento e instrumentação do
diálogo entre mãe e filha, e entre a filha
e os pais, pode prevenir a gestação na
adolescência
consequente
de
motivações inconscientes.
Autor: Ana Cristina Garcia Dias
William B. Gomes
PSICOLOGIA
REFLEXÃO E
CRÍTICA
2010
A Influência da Comunicação com a
Família e Grupo de Pares no BemEstar
e
nos
Comportamentos de Risco nos
Adolescentes Portugueses
Pais – filhos
Autor: Gina Tomé, Inês Camacho,
Margarida Gaspar de Matosa, José
Alves Diniza
PSICOLOGIA
REFLEXÃO E
CRÍTICA
2000
Desenvolvimento de um sistema de
relações historicamente construído:
contribuições da comunicação no
início da vida
Pais-filhos
Autor: Maria C. D. P. Lyra
PSICOLOGIA
REFLEXÃO E
CRÍTICA
2005
Estratégias
de
comunicação
familiar: A perspectiva dos filhos
adolescentes
Pais - filhos
Autor: Adriana Wagner
Caroline Carpenedo
Lúcia Petrucci de Melo
Paula Grazziotin Silveira
PSICOLOGIA
REFLEXÃO E
CRÍTICA
2006
O Modelo EEA: Definições, Unidade
de Análise e Possíveis Aplicações
Pais - filhos
Autor: Maria C. D. P. Lyra
PSICOLOGIA
REFLEXÃO E
CRÍTICA
1998
O vínculo intergeracional: o velho, o
jovem e o poder
Autor: Ângela Ester
Odair Perugini de Castro
Ruschel
Intergeracional
O equilíbrio entre uma relação positiva
com os pais e com os pares parece ser
o fator essencial para um ajustamento
positivo nos comportamentos de saúde
e risco dos adolescentes portugueses.
Os resultados revelaram que uma boa
comunicação com os pais tem um
maior efeito protetor sobre os
comportamentos de risco do que uma
boa comunicação com os amigos.
Estudo longitudinal focalizando o
desenvolvimento da comunicação no
início da vida. Revela os aspectos da
construção, e os fatores presentes na
comunicação entre mãe-bebê, como
ela se desenvolve na compreensão
sócio-cultural,
e as mudanças que ocorrem na
compreensão e na forma de comunicar
da mãe e do bebê.
Esse estudo enfatizou as estratégias de
comunicação que os adolescentes
utilizam
para
com
seus
pais.
Os adolescentes fazem uso de
estratégias tais como falar em um
momento
oportuno,
analisar o humor dos pais, antes de
comunicar fatos negativos como, por
exemplo, um fracasso escolar.
O modelo EEA, que são padrões de
organização
do
sistema
de
comunicação em estudo, denominados
de estabelecimento, extensão e
abreviação
(EEA)
propõe
que
o
processo
de
comunicação mãe-bebê seja construído
obedecendo a uma sequência de
padrões
organizacionais
que se
distinguem
pelas
diferentes
características das trocas mãe-bebê.
Esse artigo discute a problemática da
comunicação na família entre filhos,
pais
e
avós,
fundamentando-se
nos
tópicos:
interação
e
poder.
Nota-se que há uma tendência maior
de conflito entre pais e filhos, sendo a
relação
entre
avós
e
netos
caracterizada por uma dinâmica menos
conturbada. A busca pelo poder, seja
25
PSICOLOGIA
REFLEXÃO E
CRÍTICA
1998
Uma
análise
semióticofenomenológica das mensagens
auto reflexivas de filhos adultos de
alcoolistas
Autor: Elizabeth Hill
Gustavo Gauer
William B. Gomes
Pais – filhos
pelo "mando" ou por formas mais sutis
de dominação, parece estar presente
em ambos os casos (pais/filhos e
avós/netos). Entretanto, para os jovens,
os pais (no casal, principalmente a
mãe) são percebidos como mais
impositivos em relação as decisões a
serem tomadas. Pode-se pensar que
essa diferença entre as formas de
dominação pais/avós em relação aos
mais jovens, ocorre em função de um
distanciamento maior entre avós e
netos, o que possibilitaria outra
dinâmica vincular, permitindo, assim,
uma comunicação mais fácil e aberta
entre as gerações mais distantes.
Análise
de
estudos
que
têm
demonstrado que viver em um
"ambiente
alcoolista"
afeta
negativamente os seus descendentes.
Os filhos de alcoolistas apresentaram
déficits em todas as dimensões de
competência comunicativa, tais como
clareza comunicativa e auto referência.
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Ângela_Versão_Final 3 - Universidade Católica de Brasília