Verão 2012 Trimestral €1
montepio
MANUEL
CARVALHO
DA SILVA
DE SINDICALISTA A
INVESTIGADOR SOCIAL
É ESSENCIAL QUE
A SOCIEDADE SE ORGANIZE
PARA ENFRENTAR OS NOVOS
DESAFIOS SOCIAIS.
AS NOVAS GERAÇÕES
PODERÃO FAZER
A DIFERENÇA
número
06
série
II
Nesta altura,
é bom viver num
país cheio de sol.
POUPE ATÉ 75% DA SUA FATURA DE AQUECIMENTO DE ÁGUA.
Novos tempos pedem novas tecnologias para poupar sem preocupações.
Aproveite as ótimas condições de exposição solar que Portugal tem.
A Vulcano propõe soluções solares térmicas completas e versáteis,
para água quente e apoio ao aquecimento da sua casa, de fácil
e rápida instalação, com apoio e serviço especializado do primeiro
ao último passo.
Começar a poupar investindo no futuro é simples, basta falar com
o seu especialista de sempre.
www.vulcano.pt
#06 SUMÁRIO
VERÃO
2012
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Tema de fundo
Os novos habitantes
das aldeias
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Finanças
pessoais
Crie o seu próprio emprego
cria
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Opinião Helena Sacadura Cabral
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Verão
Praias
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Crónica Baptista-B
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Inovação/Ambiente
Realidade que
parece ficção
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Reportagem
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COLABORADORES
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50
PAG.
61
#06
série
II
VERÃO 2012
Nesta edição...
Manuel
Carvalho
da Silva
Vitorino
Investigador
Vitorino Salomé
nasceu no
Redondo, numa
família de
músicos, mas
escolheu o curso
de Belas-Artes,
em Lisboa.
Foi em Paris
que iniciou a
carreira musical
e conheceu os
músicos Sérgio
Godinho e José
Mário Branco. Em
1975 lançou o seu
primeiro álbum,
Semear Salsa ao
Reguinho. É um
dos principais
cantautores
portugueses
e escreve sobre
a sua cidade
de eleição.
Educação
Helena
Sacadura
Cabral
Músico
Começou a
trabalhar como
eletricista aos 17
anos. No regresso
da Guerra Colonial
ingressou nos
quadros da
multinacional
PREH e envolveu-se no movimento
sindical. Foi um
dos fundadores
da CGTP, da qual
foi secretário-geral. Com
licenciatura e
doutoramento
pelo ISCTE,
é investigador do
Centro de Estudos
Sociais
da Universidade
de Coimbra.
Economista
Licenciada em
Economia pelo
Instituto Superior
de Ciências
Económicas
e Financeiras,
Helena Sacadura
Cabral foi a
primeira mulher
a integrar o Banco
de Portugal.
A economista,
que colabora
regularmente em
jornais, rádio e
televisão, escreve
nesta edição
sobre o cenário
socioeconómico
português em
2030.
P R O P R I E D A D E
C O L A B O R A Ç Õ E S
Montepio Geral – Associação
Mutualista, Rua do Ouro, 219-241
1100-062 Lisboa
Tel. 213 249 828
Ana Ferreira, Baptista-Bastos, Bárbara
Tavares, Cláudia Marina, Fátima Ferrão,
Helena C. Peralta, Helena Sacadura
Cabral, Helena V
Viegas, João Manuel
Ribeiro, Jorge Pires, Nuno Silva, Raquel
Abrantes Amaral, Rita Penedos Duarte,
Rute Marques, Susana Torrão, Vitorino
R
V
(texto) Artur, Bruno Rascão (fotografia),
Carlos Monteiro (ilustração), Cristiano
Salgado (ilustração capa)
D I R E T O R
António Tomás Correia
-ADJU
Rita Pinho Branco
D I R E T O R
Esta revista foi redigida ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
Participe na
próxima edição
desta revista
N T O
C O O R D E N A Ç Ã O
P U B L I C I D A D E
Gabinete de Relações Públicas
Institucionais
Maria João Siqueira
Tel. 213 804 010 | Fax 213 804 011
I M P R E S S Ã O
LiderGraf - Artes Gráficas, SA
Rua do Galhano, 15 (E.N. 13), Árvore
4480-089 Vila do Conde
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,!-./0121023
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MONTEPIO VERÃO 2012
Plot - Content Agency
Av. Conselheiro Fernando de Sousa, 19,
6º, 1070-072 Lisboa
Tel. 213 804 010
E D I T O R
Ana Ferreira
D I R E T O R
Inês Reis
D E
A R T E
| Revista trimestral |
Depósito Legal nº 5673/84
| Publicação periódica |
registada sob o nº 120133
T I R A G E M
344 000 exemplares
O Montepio é alheio ao conteúdo da
publicidade externa. A sua exatidão e/ou
veracidade é da responsabilidade exclusiva
dos anunciantes e empresas publicitárias.
^ COMO SE SENTE
AO VOLT
LTAR A ESTUDAR?
Porque a idade não conta
quando se trata de aprender,
conte-nos o que sente por
voltar a estudar.
Cidades
^ O QUE FAZ PARA
MELHORAR A VIDA?
Conhece ideias positivas
que trazem bem-estar
ou arrancam sorrisos
entre a rotina do dia-a-dia?
Partilhe-as connosco.
Economia
^ SERÁ QUE
O FUTURO DA ECONOMIA
É VERDE?
Segundo a Organização
Internacional do Trabalho,
nos próximos 20 anos
a chamada “economia
verde” pode gerar entre
15 a 60 milhões de novos
empregos. O que pensa
desta possibilidade?
Aceite o desafio, participe
na próxima edição
e envie-nos as suas
sugestões e comentários
para revistamontepio@
montepio.pt ou, se preferir,
para Revista Montepio,
Gabinete de Relações
Públicas Institucionais,
Rua de Santa Justa, 109, 5º
1100-484 Lisboa
ERRAT
ATA
Por lapso, na revista
Montepio nº 4, Inverno 2011,
no artigo Cidade à Lupa, foi
publicada uma fotografia
da Ilha do Pico num texto
dedicado à Ilha de São
Miguel. Pelo facto, pedimos
desculpas aos leitores.
EDITORIAL
FINALISTA
óscares da comunicação
Rita Pinho Branco
Diretora de Comunicação
do Montepio
“Decidimos
submeter-nos à avaliação
de um júri internacional
e aceitar a comparação
com os melhores. No final,
soubemo-nos entre os
melhores na categoria."
Nem uma história, nem uma crónica.
Esta é a memória partilhada da noite em
que, em representação desta sua revista,
participámos nos óscares da comunicação.
Data – 11 de maio. Local – Cipriani Wall
Street, em Nova Iorque, onde presenciámos a 47ª Gala da SPD – Society of Publications Designers e confirmámos que
a revista Montepio integrou o lote dos seis
melhores trabalhos de redesign do mundo.
Num salão que congregou mais de 600
convidados, todos profissionais de comunicação e, em particular, responsáveis pela edição de publicações, encontrámo-nos
com editores, diretores de arte… e estivemos com os melhores do mundo, partilhando a festa com quem comunica através de revistas como a New York Times, a
Time, a Wired ou a Bloomberg Businessweek.
O desafio era enorme, porquanto, após
a reformulação que, em maio de 2011, imprimimos a esta sua publicação, tornando-a mais atual e mais alinhada com as
melhores práticas de comunicação, decidimos submeter-nos à avaliação de um júri
internacional e aceitar a comparação com
os melhores. No final, entre sete mil trabalhos apresentados a concurso, originários
de todo o mundo, constatámos que a revista
Montepio era a única não vendida na “banca de jornais e revistas”, a única de natureza institucional e a única portuguesa.
Trabalhámos em equipa, acreditámos
que era possível e acabou por acontecer:
em plena Big Apple, escutámos bem alto
o nome da revista Montepio e saboreámos
o momento sabendo-nos entre os melhores da categoria, o que equivale a dizer entre revistas como a Fast Company, a IL –
– Intelligence in Lifestyle, a Red, a The New
York Times Magazine e a Wired Itália.
Mas este reconhecimento internacional não seria possível sem o seu apoio.
Por isso, é momento de agradecer aos associados Montepio, a todos os que fortalecem este projeto associativo incontornável à escala ibérica e a todos os que nos
leem e que, muito antes de termos vivido
“uma noite nos óscares da comunicação”,
nos haviam confirmado, entre mensagens
de felicitações e sugestões, que estamos
(mesmo) no bom caminho.
MONTEPIO VERÃO 2012
GLOCAL
G LOCAL
SABER O QUE ESTARÁ PARA LÁ DA TERRA E PERCEBER SE EXISTE VIDA
NOUTROS PLANETAS FORAM, DESDE SEMPRE, DESAFIOS A QUE O HOMEM
QUIS RESPONDER. A CHEGADA À LUA FOI O PRIMEIRO GRANDE PASSO
RUMO À CONQUISTA DO ESPAÇO. HOJE, NOVOS REPTOS SE LANÇAM
COM MARTE E JÚPITER A SUSCITAREM ENORME CURIOSIDADE
Investimento na indústria espacial
Lançamentos para órbita
2011. Em milhares de milhões de dólares
2011
26,46
Rússia
China
Departamento
de Defesa
EUA
Portugal no Espaço
Outros
Total
Entra em vigor
o Tratado de Lisboa,
que reforça as atividades
espaciais na Europa.
O “Espaço” torna-se
numa nova competência
da União Europeia
84
2007
A Política Espacial
Europeia é adotada
pelo Conselho do Espaço
47,25
EUA
É criado o Gabinete
Português para
o Espaço
31
0,86
Outros
18,49
2003
Portugal torna-se
Estado-membro da ESA
1,44
NASA
National Oceanic
and Atmospheric
Administration
2001
Portugal subscreve
os programas ARTES
(para o desenvolvimento
de tecnologia de
telecomunicações) e GNSS
(conjunto de programas
de navegação por satélite)
5,8
19
4,12
Agência Espacial Europeia
(ESA)
2010
Rússia
2000
1997
Portugal torna-se
Estado-membro
cooperante da ESA
3,84
1996
3,08
Lançamento do PoSAT-1,
o primeiro satélite
português construído
em colaboração com
um consórcio de
empresas e
universidades nacionais
18
Japão
China
1,49
Índia
1,11
1993
França
16
Missões de
aterragem
Sucesso Fracasso
9 10
19 14
O Homem deverá
chegar ao planeta
vermelho a partir
de 2030
Lua
4 8
Sol
Júpiter
Mercúrio
Vénus
MONTEPIO VERÃO 2012
Terra
Marte
Lançamento do
Mars Science Laboratory
Altitude: 125 km
Velocidade: 5 800 m/s
Altitude: 10 km
Velocidade: 470 m/s
O último voo do Discovery
A 17 de abril de 2012, duas mil pessoas reuniram-se no Centro
Espacial Kennedy para assistirem à última descolagem do vaivém
5 628
246
31
38
Número de órbitas
(230 003 477 km
percorridos)
Tripulantes
Satélites lançados
Total de voos
Programa
Mars Science
Laboratory
Peso:
900 kg
Lançada a 26/11/11
é a maior e mais audaciosa
missão a Marte conduzida
pela NASA desde
a década de 70
Separação
do escudo
térmico
Separação do
escudo superior
Altitude: 1,8 km
Velocidade: 100 m/s
Descida assistida
por foguetes
Curiosity
Está equipado com
dez instrumentos
capazes de localizar
e analisar os elementos
essenciais à vida: água,
energia na forma de luz
ou calor e materiais
orgânicos
20 m
Funcionará dia e noite
e não dependerá do Sol,
já que está equipado com
um reator termonuclear
que gera eletricidade
a partir de material
radioativo
No futuro...
“Juice” é o nome da missão com
destino a Júpiter e partida
prevista para junho de 2022.
O objetivo é perceber se as luas
deste planeta têm as condições
Titã
necessárias para suportar vida.
A missão pode custar qualquer
coisa como 830 milhões de euros
1
Plutão
Saturno
Urano
Neptuno
MONTEPIO VERÃO 2012
MONTEPIO VERÃO 2012
O MEUMUNDO
TENDÊNCIAS NA
ECONOMIA, SOCIEDADE,
VIDA E CULTURA
página 10
página 22
página 26
página 34
ATUALIDADE
ENTREVISTA
REPORTAGEM
AMBIENTE
Em ano de Jogos Olímpicos
mostramos-lhe como
Londres construiu uma
nova cidade sustentável
Manuel Carvalho da Silva,
ex-líder sindical e atual
investigador social, falou
com a Montepio sobre os
problemas da sociedade
dos nossos dias
Em França dois milhões
de pessoas regressaram
ao campo. Também em
Portugal há quem aposte
no interior para relançar
a sua vida
Já há alternativas
ecológicas para a tecnologia
de futuro. Conheça um
avião solar, carros voadores
e cargueiros movidos
a parapente
1
o meu mundo
ATUALIDADE
JOGOS
OLÍMPICOS 2012
RUMO A LONDRES
10
UM NOVO ESTÁDIO, UMA ALDEIA OLÍMPICA
E TODA UMA MINI-CIDADE CONSTRUÍDA
PARA ACOLHER AS COMPETIÇÕES QUE
VÃO ENVOLVER MAIS DE 16 MIL ATLETAS
AO LONGO DE DUAS SEMANAS E MEIA.
LONDRES PREPARA-SE PARA RECEBER OS
JOGOS OLÍMPICOS DE VERÃO DE 2012, COM
40 MIL POLÍCIAS DE SERVIÇO E UM PLANO
DE SEGURANÇA QUE INCLUI A ATIVAÇÃO
DE UM SISTEMA DE MÍSSEIS TERRA-AR
POR HELENA VIEGAS
Londres aguarda os jogos da XXV
Olimpíada desde que, a 6 de julho de
2005, foi anunciada, em Singapura,
como a cidade eleita para acolher a
competição. No mesmo dia em que
lhe era atribuído o epíteto de primeiro local a receber pela terceira vez os
Jogos Olímpicos da Era Moderna (foi
anfitriã em 1908 e 1948), começavam
os trabalhos de preparação. A segurança foi desde sempre um dos itens
mais importantes, mas não o único.
Apesar da decisão de incluir espaços já existentes no plano de infraestruturas a utilizar (para evitar elefantes brancos como o Millenium Dome,
que custava 1,8 milhões de libras por
mês e recebeu uma única exposição
no seu primeiro ano), houve muito
trabalho a fazer. Agora está tudo a
postos para receber os jogos de 27 de
julho a 12 de agosto.
A equipa do Comité Organizador dos Jogos Olímpicos de Londres
(LOCOG) teve a sua primeira reunião há sete anos e decidiu que algumas das iniciativas decorreriam em
locais históricos, como o Hyde Park
e a Parada da Guarda. E tomou tam-
MONTEPIO VERÃO 2012
bém outra importante decisão: a intervenção na zona do bairro de Statfford,
local do Parque Olímpico, e zonas
vizinhas do Loer Lea Valley seria
pensada para que o legado fosse reaproveitado. Exemplos? Os 80 mil lugares dos estádios reformados e os 20
mil novos lugares serão transferidos
para outros estádios do país; as 2 818
habitações (1 379 feitas a custos controlados) construídas para albergar
a aldeia olímpica têm como investidor a realeza do Qatar e serão vendidas a famílias; e o parque que os atletas usarão para treinos, com cerca de
27 hectares, foi desenhado de forma
sustentável e de modo a ser utilizado
como espaço verde de uso público.
1
o meu mundo
ATUALIDADE
2,5
MIL MILHÕES é o custo total
das Olimpíadas de Londres,
financiadas pelo Estado, Lotaria
Nacional e poder local
Apesar dos protestos de comerciantes e moradores desalojados das
zonas intervencionadas, as autoridades garantem que os londrinos serão
os principais beneficiários dos gastos
previstos para comportar a afluência de mais oito milhões de pessoas
à cidade. No final dos jogos, que incluem a realização dos Paralímpicos
de Verão, entre 29 de agosto e 9 de
setembro, as estruturas temporárias,
como os recintos de pólo aquático e o
Basquetebol Arena, um edifício totalmente desmontável e removível,
desaparecem. Mas os investimentos
feitos, como os oito mil milhões de
euros aplicados na modernização dos
transportes, incluindo a expansão e
melhoria da rede de metro (a mais
antiga do mundo) e 48 quilómetros de
novas vias rodoviárias, permanecem
como legado. O custo total dos jogos,
estimado em 2,5 mil milhões de euros, será suportado a 63% pelo Estado,
23% pela Lotaria Nacional e 14% pelo
poder local.
O programa dos Jogos Olímpicos
2012 inclui 26 desportos, num total de
39 disciplinas. Após os Olímpicos de
Pequim, foram retirados do programa o Basebol e o Softball – vagas que
serão preenchidas pelo Golfe e Rugby
de Sete, mas só em 2016, na edição do
Rio de Janeiro. As principais novidades desta XXV Olimpíada estão sobretudo relacionadas com o aumento
de oportunidade das atletas mulheres. Haverá mais três categorias no
Boxe Feminino e, pela primeira vez,
terão também direito a duas competições no Remo, com a entrada do
K1 200 metros. No total, mais de 16
mil atletas entrarão em 300 competições, onde estarão representados atletas de 205 países. Nos Paralímpicos
participam 147 nações. As estrelas do
momento estão identificadas.
FOTOGRAFIA GETTY
ORGANIZAÇÃO
Segurança - Preocupação nº 1
A
segurança
é uma
prioridade para
as autoridades
britânicas, que
querem antecipar qualquer
tipo de problema.
Por isso, de 27
de julho a 12 de
agosto, além de
12 mil polícias
fardados, circularão por Londres
e arredores mais
13 500 agentes
do Ministério
da Defesa – em
alerta total, mais
um número indeterminado de
agentes do FBI
americano e 16
mil seguranças
privados e voluntários de serviço.
Muitos não estarão identificados,
precisamente
para poderem
detetar algum indivíduo suspeito
de preparar um
ataque bombista
suicida. Os ataques individuais
perpetrados por
“lobos solitários”
são a maior
preocupação das
autoridades.
A gigantesca
operação
envolve aviões
em constante
patrulha, dois
navios, incluindo
um porta-helicópteros, atracados no Tamisa,
e a provável
ativação do sistema de proteção
antimísseis da
cidade.
Foram investidos
553 milhões de
libras (662 milhões de euros)
em segurança e
realizados vários
testes e simulações que envolveram marines
e todo o pessoal
da proteção civil
londrina. Mas
os organizadores prometem a
discrição necessária para o desenrolar pacífico
da competição.
“Queremos que
os visitantes se
sintam em clima
de celebração e
não sufocados
pela segurança”, disse
recentemente ao
jornal The Times
Sebastian Coe,
presidente do
LOCOG.
MONTEPIO VERÃO 2012
11
1
o meu mundo
ATUALIDADE
Jogos Olímpicos
12
Prevê-se que as atenções recaiam
sobre o sprinter jamaicano Usain
Bolt e o nadador Michael Phelps, que
ganhou oito medalhas de ouro nas
últimas Olimpíadas.
Para marcar o início dos jogos
haverá um concerto em Hyde
Park, com quatro cabeças de cartaz
a representarem as quatro nações do
Reino Unido. Aos ingleses Duran
Duran juntam-se os Snow Patrol, da
Irlanda do Norte, os Stereophonics,
originários do País de Gales, e o escocês Paolo Nutini. O concerto, que
inclui ainda atuações dos New Order
e The Specials, coincide com a cerimónia oficial de abertura da competição que, segundo a BBC, será emitida em ecrãs gigantes no intervalo
dos concertos.
A direção criativa dos espetáculos dos JO 2012 foi entregue a um
comité que integra os realizadores
Stephen Daldry (Billy Elliot, 2000) e
Danny Boyle (que dirigiu filmes como Trainspotting, em 1996, e Quem
Quer Ser Milionário, em 2008).
As imagens da cerimónia de abertura serão transmitidas gratuitamente, não apenas em Hyde Park mas
também no Victoria Park, em Tower
Hamlets. Serão estes, aliás, os dois
spots de transmissão televisiva em direto dos momentos altos das competições durante os 17 dias que duram
os Jogos Olímpicos. No final, um outro concerto, desta vez dos Blur, marcará o encerramento da competição,
igualmente em Hyde Park.
? O QUE SIGNIFICA
Anfitrião dos jogos pela terceira
vez, o Reino Unido apostou na
sustentabilidade das estruturas.
MONTEPIO VERÃO 2012
PORTUGAL
Expetativas moderadas
H
á quatro
anos,
o País
levava na comitiva 12 campeões
mundiais e europeus. Este ano,
o judoca João
Pina é o único
medalhado e está
lesionado.
As expetativas do
Comité Olímpico
de Portugal são
moderadas no
que toca a lugares no pódio.
Uma projeção da
empresa holandesa de estatística, Infostrada,
citada pelo jornal
Público, previa
apenas uma
medalha de prata
a Portugal: Telma
Monteiro, no
Judo. Mas pode
haver surpresas. As provas
de qualificação
decorreram até
junho e Mário
Santos, chefe
de missão do
Comité Olímpico de Portugal
(COP), estima que
a representação
portuguesa possa
ultrapassar os 70
atletas (em Pequim estiveram
77, sendo que os
limites históricos
se situam entre
o recorde de
Atlanta, em 1996,
com 107 atletas,
e os mínimos de
Estocolmo 1912
e Los Angeles
1932, com seis).
À Montepio
recusou apontar
as esperanças,
embora todos
saibam que as
atenções estão
concentradas
em nomes como
Joana Ramos, no
Judo; João Silva
e Bruno Pais, no
Triatlo; ou Diogo
Carvalho, Sara
Oliveira e Carlos
Almeida, na
Natação. Mário
Santos salienta
as novidades e as
valências coletivas. Portugal leva
quatro atletas à
Ginástica Artística, tem uma forte
equipa na Vela e,
pela primeira vez,
vai ter quatro
atletas femininas
a competir na
Canoagem.
18 mil
PESSOAS é a capacidade total
no interior do campus
49
%
É A PERCENTAGEM de
apartamentos da Aldeia Olímpica
construídos a custo controlado
2 818
É O NÚMERO de apartamentos
da Aldeia Olímpica, um espaço
de 2,5 km2
1
3
5
mas ach
2
4
Jogos verdes
O Complexo Olímpico tem um
caráter ecológico. Os britânicos
quiseram reduzir ao máximo os
impactos e deixar aos londrinos
um legado para o futuro
1
CENTRO
AQUÁTICO
Foi o primeiro
dos seis edifícios
permanentes a ser
apresentado ao
público, em julho
de 2011, com um
mergulho inaugural
de Tom Daley, uma
das esperanças
olímpicas britânicas.
É assinado
pela arquiteta
desconstrutivista
britânica de origem
iraquiana Zaha Hadid,
que criou um edifício
original, com uma
cobertura ondulada,
inspirada nas linhas
geométricas da água
em movimento.
Tem uma piscina
de competição,
outra de treinos
e uma dedicada
ao mergulho e
capacidade para
acolher 17 500
pessoas.
2
ESTÁDIO
OLÍMPICO
Será a “pedra
de toque” das
competições. Foi
pensado de forma
ecologicamente
sustentável pelo
arquiteto inglês Peter
Cook, que trabalhou
em parceria com
os técnicos da
Populous, empresa
especializada na área
do desporto.
O mural exterior do
estádio, com 900
metros de perímetro
e 20 de altura, foi
construído em
material descartável,
à base de fibras
de cânhamo,
para permitir a
biodegradação do
entulho recolhido
após a reestruturação
do estádio.
13
3
ARCELOR
MITTALORBIT
Situa-se entre o
centro aquático e
o recinto. Misto de
escultura e obra de
arquitetura, a torre de
aço e vidro, construída
em forma de grade em
loop, tem mais 114,5
metros (mais 22 que a
Estátua da Liberdade)
e é considerada a
escultura mais alta
do Reino Unido.
A vista panorâmica
de 20 quilómetros
também será
rentabilizada como
atração turística.
Os visitantes serão
desafiados a descer
através de escadas
os 455 degraus da
escultura assinada
pelo arquiteto
Anish Kapoor, em
colaboração com
a engenheira Cecil
Balmond/Arup. Das
duas mil toneladas
de aço utilizadas no
Arcelor MittalOrbit,
sede do LOGOC, 60%
são de aço reciclado.
4
MEDIA
CENTRE
Entre as inovações
“verdes” do edifício
está um sofisticado
sistema de
reutilização da água
não potável usada
em toda a Aldeia
Olímpica e novos
habitats para atrair
vida animal,
como o telhado
com zonas de terra
e os abrigos para
pássaros. Parte do
edifício funcionará
temporariamente,
mas o restante vai
permanecer com
o intuito de receber
empresas.
5
VELÓDROMO
É o edifício
favorito dos
ingleses, segundo
uma sondagem
recentemente
divulgada. A pista,
construída em
madeira de pinho da
Sibéria, protegida
pelo edifício de
cedro vermelho,
foi concebida pelo
arquiteto inglês
Michael Hopkin
que, para o efeito,
consultou o campeão
de ciclismo olímpico
Chris Hoy. Depois
dos jogos, a estrutura
com seis mil lugares
sentados será
reconvertida num
velódromo para
alta competição
e integrada num
parque dedicado
às bicicletas, com
uma pista de BMX,
espaços para a
comunidade, café,
locais de formação
e lojas relacionadas
com a modalidade.
MONTEPIO VERÃO 2012
1
o meu mundo
ANÁLISE
ALIMENTAÇÃO
14
A VERDADE
ESTÁ
NO PRATO
AO LONGO DO TEMPO, A
ALIMENTAÇÃO HUMANA
MUDOU. A GLOBALIZAÇÃO
TROUXE ABUNDÂNCIA
E VARIEDADE E HOJE
JÁ NÃO INGERIMOS SÓ
PRODUTOS LOCAIS E DA
ÉPOCA. DE QUE FORMA
ESTAS ALTERAÇÕES
INFLUENCIAM A NOSSA
VIDA? ESTAMOS
MELHORES OU PIORES?
POR RITA PENEDOS DUARTE
Maio de 2012. A família Duarte
Martins reúne-se para a primeira
comunhão de Pedro. Comemora-se a
fé e a vida. E que melhor maneira de
o fazer senão com um jantar no qual
se pode comer de tudo, independentemente do local ou da época? Devia
haver favas, legume rico em proteínas, hidratos de carbono complexos,
vitamina D e fibras, mas não as há na
mesa. Por outro lado, apesar da seca
severa, não faltam o pão e a carne.
A terra não fornece, mas os supermercados asseguram a sua existência.
MONTEPIO VERÃO 2012
“Até há pouco tempo a natureza escolhia por nós. Tínhamos a época do tomate, do feijão, das ervilhas. Mas hoje,
para os nossos filhos, as ervilhas são tiradas do congelador o ano inteiro”, explica Rodrigo Abreu, nutricionista e
responsável pelo Atelier de Nutrição.
“O homem desenvolveu métodos de
criar alimentos que permitem o acesso a quase todos os produtos o ano inteiro. Se não aprendermos a filtrar essa abundância e diversidade, estas vão
funcionar contra nós”, continua.
Apesar da alimentação ser uma
necessidade básica, e aquela que deveríamos satisfazer com o máximo de
atenção e informação, a maioria dos
membros desta família – à semelhança do que acontece com a generalidade
da população – não se preocupa com
o que come. Há apenas exceções pontuais. Sara Duarte, de 34 anos, está a
fazer um programa de reeducação alimentar há quatro meses e já perdeu
12 quilos. Ela sabe que todas as asneiras que fizer hoje terão um preço.
A batalha tem sido árdua, mas seguida
à risca. Tem um plano alimentar indicado pela nutricionista, que inclui seis
refeições por dia, com um intervalo
máximo de três horas entre cada uma,
no qual a batata e o pão não entram e
os legumes estão sempre presentes.
O exercício físico foi igualmente contemplado e as diferenças são notórias.
Alterar rotinas
Para Sara o mais complicado foi alterar hábitos enraizados. “Nós não estamos habituados a programar o nosso
dia em função da alimentação, embora
o façamos em função dos nossos compromissos. Deixámos de nos preocupar
com encontrar alimento porque está
sempre disponível”, continua Rodrigo
Abreu. Hoje, Sara pensa no que vai comer ao longo do dia e leva almoço para
o trabalho. “O grande desafio que enfrentamos é conciliar uma rotina exigente com estes cuidados. Mas, feita a
mudança, torna-se um hábito.”
Ao ter peso a mais, Sara fazia parte
de um imenso número de portugueses
que sofrem de obesidade e poderia vir a
integrar as fileiras dos cerca de um milhão de diabéticos existentes em Portugal. “Estes são números assustadores,
sobretudo porque quase metade (perto de 400 mil) não estão diagnosticados”, informa Maria João Afonso, nutricionista na Associação Protetora dos
FOTOGRAFIA GETTY
MONTEPIO VERÃO 2012
15
1
o meu mundo
ANÁLISE
alimentação
f O NUTRICIONISTA
RODRIGO ABREU
defende que devíamos programar
o dia em função da alimentação
16
Diabéticos de Portugal (APDP). Não é
o caso do tio Alberto, da família Duarte Martins. Aos 53 anos tem os níveis
de açúcar controlados, mas demorou
algum tempo a consegui-lo. A perda
de peso e a medicação ajudaram, mas
em dias de festa como este a sua resiliência é posta à prova.
“O padrão alimentar que a maioria
da população segue não é favorável para a sua saúde”, diz a especialista da
APDP. “É necessário corrigir e educar
a sociedade em geral, e não só as pessoas com o diagnóstico de diabetes, para iniciarem outro tipo de comportamento.” Esta especialista garante que
“quando as pessoas conseguem alterar
o seu estilo de vida, sentem que vale a
pena, sentem-se melhor”.
A mudança tem que começar já.
Portugal é o terceiro país da OCDE
com maior prevalência de diabetes,
com custos para a saúde e para a economia. Na Europa, o problema tem um
custo anual de 90 mil milhões de euros.
A educação alimentar faz parte do
plano de tratamento das pessoas com
diabetes. É essencial informar, desmistificar e esclarecer dúvidas. Até porque
as indicações gerais para um diabético deviam ser prática corrente. “Trata-se de fazer uma alimentação sau-
dável, variada e com alimentos de todos os grupos da roda dos alimentos.
É importante saber que alimentos estão
lá, incluí-los em proporções saudáveis
e variar”, indica Maria João Afonso.
“O que nos interessa é promover a alimentação saudável, rica em vegetais,
evitar gorduras em excesso, como as
natas, os bolos e os produtos de pastelaria. Comer em menores quantidades
e evitar o sal.” Mesmo os hidratos de
carbono – os maiores responsáveis pelo
aumento dos níveis de açúcar no sangue depois das refeições – devem ser
consumidos. “Na quantidade certa são
essenciais para termos a energia necessária para que o nosso organismo desempenhe as várias funções. É preciso
saber quanto e quando. E atender à sua
qualidade: um folhado não tem o mesmo valor que o pão, a massa ou a fruta.”
PENSAR NO FUTURO
Banco Português de Germoplasma Vegetal (BPGV)
O
s bancos de
germoplasma colhem,
conservam, caraterizam
e promovem o uso do
património genético
vegetal, quer se trate de
variedades tradicionais,
obsoletas, modernas,
ou linhas avançadas,
importantes stocks genéticos, pool de genes
(ou o conjunto completo
MONTEPIO VERÃO 2012
de alelos únicos que podem ser encontrados no
material genético de cada um dos organismos
vivos de uma espécie)
e parentes silvestres de
espécies cultivadas.
Em Portugal o BPGV surgiu em 1977, na Estação
Agrária de Braga, com o
objetivo de assegurar a
proteção da diversidade
biológica e a produção
agrícola sustentável,
de forma a prever a
escassez de determinadas espécies e evitar os
desequilíbrios que vão
surgindo na cadeia alimentar. É, desde 2009,
uma unidade do Instituto
Nacional de Recursos
Biológicos que assume
ainda a responsabilidade de ser o Banco Mediterrânico do Milho.
n MARIA JOÃO AFONSO
DEFENDE uma alimentação
variada que inclua todos os
grupos da roda de alimentos
A importância da família
As crianças, mais curiosas, estão mais
abertas à mudança mas dependem de
quem as alimenta. “Temos que educar
a família”, garante a nutricionista da
APDP. “O truque é optar pelo saudável
na hora da compra, reservando para as
ocasiões especiais o que não é.”
No caso dos adultos, é o emprego, local onde passam mais tempo, que determina a maioria dos seus hábitos.
“As empresas começaram a entender
a mais-valia que é darem aos seus colaboradores ferramentas para melhorar a sua saúde”, refere Rodrigo Abreu.
Não se trata de altruísmo. “Um relatório
da Organização Mundial do Trabalho
indica que há uma relação muito próxima entre a obesidade do trabalhador
e a diminuição da sua produtividade.”
Alimentar as gerações futuras
Há informação suficiente, associações
e especialistas preparados para nos ensinar a comer, mas é importante garantir que podemos continuar a fazê-lo.
É essencial criar planos de preservação
das espécies. Esse é um dos objetivos
do Banco Português de Germoplasma
Vegetal, criado em 1977, cuja missão é
assegurar a diversidade biológica e a
produção agrícola sustentável.
Há movimentos civis que também
procuram a preservação, alertando
DIETA ADAPTADA
Doença celíaca
H
para os exageros dos nossos hábitos
alimentares, como o “Meatless Monday” (as segundas-feiras sem carne).
Nada a que a espécie humana não esteja habituada. Apesar de se ter iniciado como caçador, depressa o Homem
aprendeu a pescar e a alimentar-se da
natureza com bolotas, ervas ou frutos. Tal como aprendeu a fazer queijo
e manteiga e a aproveitar os ovos e o
mel. Se a carne é uma das presenças
habituais na maioria das mesas, alturas houve em que a variedade era a nota dominante.
À semelhança do que acontece na
sociedade humana, a mesa da comunhão de Pedro é grande e aconchega
muitas bocas. Mas nesta casa pensa-se que só os que foram diagnosticados com um problema devem pensar
no que ingerem e é aqui que o erro começa e que deve ser atacado.
á ocasiões
em que
o corpo recusa
determinados
alimentos, reagindo de forma
mais ou menos
violenta. É o
caso da doença
celíaca, doença auto-imune
causada pela
sensibilidade ao
glúten. Esta proteína, presente
no trigo, centeio,
cevada e aveia,
leva o organismo a desenvolver uma reação
imunológica
contra o próprio
intestino delgado. A consequência são lesões
na mucosa, que
diminuem a
capacidade de
absorção dos
nutrientes.
“Há cerca de 100
mil celíacos em
Portugal, mas
a maioria não
sabe porque
os sintomas
podem estar
adormecidos”,
alerta Rita Jorge,
nutricionista
da Associação
Portuguesa de
Celíacos. “É uma
doença que pode
ser identificada
à nascença ou
acordar no início
da idade adulta
por razões
emocionais.”
Hoje a alteração alimentar
necessária já
não é dramática. Existem
substitutos para
o glúten como o
trigo sarraceno,
quinoa, milho ou
arroz integral.
Só é necessário
estar atento aos
rótulos. Há alternativas para
todos os gostos
mas o doente
celíaco tem que
seguir uma dieta
que compense
a perda de nutrientes.
1
o meu mundo
OBSERVATÓRIO
TRABALHO
E SINDICALISMO
UNIÃO PRECISA-SE
20
APESAR DA FRACA TAXA DE SINDICALIZAÇÃO,
OS SINDICATOS MANTÊM-SE ATIVOS.
COM AS CONDIÇÕES DE TRABALHO
A DETERIORAREM-SE, A SOCIEDADE NECESSITA
DE RENOVAR A FORÇA DO SINDICALISMO
OU DE CRIAR MOVIMENTOS SOCIAIS
ALTERNATIVOS
POR HELENA C. PERALTA
ILUSTRAÇÃO CARLOS MONTEIRO
Longe vão os tempos em que os homens colhiam o que natureza lhes
dava. A humanidade evoluiu, agravaram-se os problemas e as relações
de trabalho tornaram-se o centro da
vida das sociedades. Os sindicatos,
que emergiram de forma consistente após a Revolução Industrial, são
hoje a forma mais perene de associação coletiva. Mas atravessam dias de
crise. Como as sociedades.
MONTEPIO VERÃO 2012
Seria impensável imaginarmos as
condições de trabalho da Europa
de hoje sem a intervenção sindical.
Em Portugal, e na Europa, o sindicalismo tem perdido força e a sua ação
está muito confinada à Concertação
Social e à negociação coletiva da agenda política.
Sindicalização caiu a pique
A força dos sindicatos não se mede só
pelo número de sindicalizados mas as
estatísticas são claras: a taxa de sindicalização caiu na Europa. Em Portugal, passou de 61%, em 1978, para 19%
em 2010, segundo a OCDE.
Nem todos os países europeus têm
o mesmo grau de desinteresse pelo
sindicalismo. A Finlândia, por exemplo, passou de uma taxa de 69% em
1980 para 70% em 2007, e a Suécia
apenas caiu dos 78% para os 70% no
mesmo período. São estatísticas apresentadas por Henrique de Sousa, ativista social e investigador na área de
Ciência Política, ligado ao Instituto
Português de Relações Internacionais e ao Centro de Investigação de
Ciências Sociais da Universidade do
Minho, na sua dissertação de mestrado em Ciência Política, em 2009.
Para o investigador, o fraco envolvimento na atividade sindical não traduz uma rejeição face aos sindicatos.
Aliás, segundo um inquérito do International Social Survey Program, 66%
dos inquiridos entendem que os sindicatos são importantes para a segurança do emprego por conta de outrem.
Só a CGTP revela números para o
triénio de 2008/2011. As novas sindicalizações cifram-se em 134 mil, das
quais 70 mil são mulheres. Só 27 mil
têm menos de 30 anos.
Para Elísio Estanque, sociólogo e
investigador do Centro de Estudos
Sociais da Universidade de Coimbra, a opção por modelos negociais,
consignados na lei, e a alteração dos
Números do trabalho em Portugal
42,4 mil
À procura
do primeiro
emprego
551,9
mil
no IEFP*
30%
509,5 mil
À procura de novo emprego
*dezembro 2011
Fonte: Pordata
modelos de organização produtiva,
foram causas para a quebra.
Portugal tem particularidades
muito próprias: começou a industrializar-se tarde, atravessou um período de ditadura e o sindicalismo só
começou a estruturar-se após o 25 de
abril. José Ernesto Cartaxo, ex-sindicalista, relembra que foi entre 1974
e 1975 que se conquistaram importantes direitos no trabalho. “Subsídio
de férias, de Natal e ordenado mínimo foram resultado da ação sindical.
O ordenado mínimo nacional passou
a ser de 3 300 escudos (cerca de 16,5
euros) em 1974, beneficiando mais de
50% dos trabalhadores”, diz.
Com a estabilização das condições
de trabalho e a contratação coletiva
consignada na lei, a atividade sindical desacelerou. A globalização e a
lógica neoliberal trouxeram a precariedade, colocando o ativismo sindical em segundo plano.
Um estudo encomendado pelo Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social sobre Emprego e Contratação Coletiva, em 2010, coordenado
por António Dornelas, investigador
do Centro de Investigação e Estudos
de Sociologia (CIES) do ISCTE-IUL,
O sindicalismo na Europa
A
França têm os índices
de sindicalização mais
baixos: 7,6% e 7,7%.
A Confederação Europeia de Sindicatos
(CES), fundada em 1973,
conta com sindicatos
35
Taxa de
desemprego
jovem em 2011
Inscritos
EVOLUÇÃO
pesar do mau
momento
económico da
Europa, o movimento
sindical tem ainda um
peso relativo, sobretudo no Norte. Estónia e
Média de horas
semanais trabalhadas
em 2011
de 36 países, num total
de 85 organizações, que
representam 56 milhões de trabalhadores
sindicalizados. Desta
confederação fazem
parte a CGTP e a UGT.
refere a dimensão da relação salarial
sem vínculo permanente. Em Portugal esta situação atingiu 22% dos trabalhadores em 2009, enquanto a média da UE27 se situou nos 13,5%
Menos condições de trabalho
José Ernesto Cartaxo defende que estamos numa fase de retrocesso social.
As atuais condições de trabalho estão em risco com as medidas tomadas na última década, sobretudo desde a revisão do Código de Trabalho,
em 2003, o chamado Código de Bagão Félix. Desde então mantém-se a
linha condutora, com a facilidade de
despedimentos, redução de subsídios
e indemnizações, em prol da flexibilidade e aumento da produtividade,
situação agravada pela atual crise.
Segundo o INE, entre 2004 e 2010
a taxa de desemprego aumentou 4,1
pontos percentuais e o número de trabalhadores com contrato sem termo
diminuiu 2,3%. No final de 2011 a taxa de desemprego situava-se nos 14%.
Dados do CIES mostram que o risco de pobreza dos trabalhadores em
Portugal é de 12% – a média europeia é
de 8% – e a distribuição dos rendimentos é das mais desiguais da Europa.
Sindicatos e sociedade
É porque fazem falta para equilibrar
os poderes na negociação coletiva que
os sindicatos necessitam de renascer.
Para se renovarem têm que conseguir valorizar o trabalho, alargar a
sua representatividade, integrar a
diversidade de vínculos laborais, desenvolver agenda política própria e
reforçar a sua autonomia e, sobretudo, ultrapassar as barreiras políticas.
MONTEPIO VERÃO 2012
21
1
o meu mundo
ENTREVISTA
INVESTIGADOR DO CES E EX-LÍDER DA CGTP
"A pobreza é
demolidora para
a democracia"
22
APESAR DO SINDICALISMO NÃO ESTAR NA MODA,
A SOCIEDADE PRECISA DE SE ORGANIZAR PARA
ENFRENTAR OS NOVOS DESAFIOS SOCIAIS.
DESEMPREGO, PERDA DE DIREITOS E DEMOCRACIA
ENFRAQUECIDA SÃO BONS MOTIVOS PARA
O SURGIMENTO DE NOVOS MOVIMENTOS SOCIAIS
POR HELENA C. PERALTA
FOTOGRAFIA ARTUR
Manuel Carvalho da Silva, 63 anos, teve uma juventude pacata e pouco
contestatária mas acabou nas malhas do sindicalismo e da reivindicação.
Foi sindicalista ativo durante quase quatro décadas e liderou a CGTP
durante 25 anos. Graceja ao dizer que foi “ao engano” por três anos e acabou
por ficar 37. Acredita que uma nova era mundial está a surgir
e que as gerações mais jovens partem de um patamar mais alto
para fazer face aos problemas sociais. E vão consegui-lo.
Passaram três meses desde que deixou o sindicalismo de forma ativa.
Custou-lhe iniciar este novo ciclo?
Sempre encarei a função sindical
na perspetiva de que se é sindicalista porque se trabalha por conta
de alguém. O que aconteceu é que
o meu retorno ao posto de trabalho
não foi o normal porque estive muito
tempo na direção da CGTP. No ano
passado, já a preparar a minha saída, pus fim ao vínculo de trabalho
que mantinha com a multinacional
PREH, da Trofa, desde 1973. Desde
o início dos anos 80 que já não exercia atividade pois estava no executivo da CGTP, em Lisboa. Fruto dessa
mudança de vida e de alguma formação que fui fazendo, as possibilidades de trabalho agora não podiam
ser as de origem.
MONTEPIO VERÃO 2012
No final de 2009 comecei a ligar-me
ao Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (CES). Estive
no início da preparação do pólo do
CES, em Lisboa, que agora coordeno, e a partir de março do ano passado passei a integrar os quadros da
Lusófona, na área da Sociologia e
Ciências da Educação. Foi uma fase
da minha vida, a função terminou e
não há em mim nenhum resquício,
nenhuma frustração.
A ligação ao CES é também uma forma de intervenção na sociedade?
O CES é um centro de investigação
prestigiado, com um enorme coletivo
de investigadores, sendo um laboratório dedicado aos problemas sociais.
Tem uma cultura que incorpora todas
as áreas do pensamento mas que tem
um forte sentido de análise crítica.
Isso para mim é positivo porque o sindicalismo tem uma génese idêntica,
de constante questionamento, e procuraremos ter alguma intervenção sociopolítica. Lançámos o Observatório
da Crise e Alternativas, cuja coordenação me está atribuída, e recorremos
a conferências que despertem a atenção da sociedade.
O gosto pelas Ciências Sociais e a opção pela Sociologia são consequência
da experiência como sindicalista?
Acabou por ser. Em criança tinha o
sonho de estudar na universidade.
Não tive possibilidade porque comecei a trabalhar muito novo.
Em 1993, depois de uma crise na
CGTP, senti que precisava arrumar conhecimentos adquiridos e aprofundar
outros. E foi isso que me levou a fazer
uma formação superior. Hesitei entre
Engenharia, Economia e Direito, mas
alguns amigos influenciaram-me a favor da Sociologia. Candidatei-me ao
ISCTE, preparei-me e entrei. O gosto
pela Sociologia surgiu pela arrumação
de conhecimentos e pela perceção de
proximidade entre as minhas motivações em olhar para a sociedade.
Foi difícil conciliar os estudos com a
sua atividade na CGTP?
Foi muito exigente. Tenho a sorte de
ser organizado e fazer uma boa gestão
do tempo. Um dos meus compromissos com a CGTP era não diminuir a
atividade sindical. Fiz o curso entre
1995 e 2000. No quarto ano acabei por
ser o melhor aluno da escola e iniciei
o doutoramento. Estruturei o trabalho, apresentei-o a alguns professores, como Manuel Villaverde Cabral
e José Madureira Pinto, e candidatei-me à Fundação Ciência e Tecnologia.
Foi um doutoramento muito mediático. Sentiu alguma pressão por
ser uma figura pública e um dos
homens mais influentes do País?
Não, não senti. Até tinha vantagem,
pois estava habituado a falar em público. O problema foi a construção do
trabalho, que foi muito moroso.
O tema da tese é o lugar central do trabalho e é uma investigação sobre “Trabalho e Sindicalismo em Tempos de
Globalização”. Não me limitei a ver a
questão do trabalho pelo lado dos trabalhadores e analisei três empresas do
ponto de vista da estratégia empresarial e estrutural ao longo de 35 anos: o
atual grupo PT, o complexo Grundig/
Blaupunkt, atualmente Delphi/Bosh,
23
+1
O Estado Social
está em risco?
T
emos que combater a
ideia de que a democracia
é cara ou de que se devem
acabar os direitos sociais porque
custam dinheiro. O Estado Social
foi criado para permitir bem-estar
e desenvolvimento à sociedade
e com a consciência de que custa
dinheiro.
MONTEPIO VERÃO 2012
1
o meu mundo
ENTREVISTA
Manuel Carvalho da Silva
24
e a têxtil Nova Penteação, da Covilhã.
Tive muitas ajudas, senão teria sido
uma loucura. A tese tem 258 entrevistas e 1 496 questionários validados
e devo ter consultado, além da bibliografia, cerca de quarenta mil páginas
de documentos.
Como surgiu no sindicalismo?
A passagem pela Guerra Colonial,
além de alguma revolta, criou em
mim a perceção de que uma grande
parte do que tinha construído na minha cabeça não correspondia à observação que fazia.
Quando regressei, em 1972, começaram a ser evidentes muitas das explorações a que os trabalhadores eram
sujeitos. Aí envolvi-me num processo reivindicativo pontual, de protesto,
e acabei despedido. Entrei então na
PREH e passados uns meses fui eleito para uma Comissão Mista, uma estrutura que conciliava trabalhadores e
entidade patronal. Com o 25 de abril
acabei por envolver-me mais, como
delegado sindical. Participava nas reuniões do sindicato, em assembleias,
reuniões de sócios, comecei a ser solicitado para ir aqui e acolá. Em 1975
fui para o secretariado da União dos
Sindicatos do Porto.
Já demonstrava características necessárias à atividade sindical?
Não, sou o mais velho de seis irmãos
e erámos crianças e jovens muito pacatos. O facto de ter surgido nas exigências do sindicalismo e das reuniões coletivas foi uma surpresa.
Fui dando um passo de cada vez.
Em 1976, quando começou a preparar-se o II Congresso da Intersindical,
desafiaram-me para integrar a comissão organizadora. O sindicato apoiou-me e acabei por ser o representante.
O coordenador da equipa do congresso, que deu origem à CGTP, era meu
companheiro na União de Sindicatos
no Porto, Armando Teixeira da Silva, e necessitava de alguém em quem
confiasse e, por isso, convidou-me para fazer parte da CGTP. Eu costumo
dizer, a brincar, que vim “ao engano”
por três anos e afinal foram 37.
O que se pretende com o Observatório sobre Crises e Alternativas?
Este projeto foi muito pensado, muito
ponderado. Desenvolve-se em quatro
domínios: o estudo entre a finança e
a economia; as dinâmicas do mundo
do trabalho; o Estado Social e as políticas sociais; e, por último, o Estado, a
governação e a democracia. Estamos
na fase da instalação, a estruturar o
programa de trabalho, a criar uma
cultura de relação com as pessoas.
O compromisso é que, uma vez por
ano, o Observatório apresente um relatório de leitura da sociedade, das tendências e dos caminhos alternativos.
Crise, Troika e austeridade são sinais
de piores condições de trabalho. Esta
situação exige uma maior, melhor e
mais articulada intervenção dos sindicatos?
Sim, sem dúvida. Há aqui três campos a distinguir. Primeiro os pro-
BIOGRAFIA
O Senhor Sindicalista
M
anuel Carvalho da Silva nasceu em Barcelos, em 1948, numa família
de pequenos agricultores, e foi o primeiro de seis filhos – três rapazes
e três raparigas. Aos 17 anos começou a trabalhar como eletricista
numa empresa da região. Esteve na Guerra Colonial, no Norte de Cabinda,
e após o regresso, em 1973, integrou os quadros da multinacional alemã PREH,
na Trofa, com a função da Organização do Trabalho. Foi nesta empresa, com a
qual manteve vínculo laboral até 2011, que se envolveu no movimento sindical.
Foi secretário da União dos Sindicatos do Porto e esteve na fundação da CGTP.
Foi coordenador da CGTP-IN entre junho de 1986 e 1999, passando a ter a nova
designação de secretário-geral no fim do século. Manteve-se na liderança
da central sindical até ao início de 2012, quando passou a pasta a Arménio Carlos.
MONTEPIO VERÃO 2012
blemas do trabalho com que lidam
os sindicatos, pois muitos deles tornam-se rapidamente problemas de
caráter sociolaboral, socioeconómico
e sociopolítico. Um exemplo é a precariedade do trabalho, que faz parte
de um conjunto de instabilidades e
inseguranças que marcam a sociedade e já não serão os sindicatos, só
por si, a dar-lhe resposta. A segunda
questão é que, neste contexto de grande transformação, estão em formação novas estruturas e organizações.
E aos sindicatos coloca-se o desafio de
articular a agenda social e a agenda
política, que não é fácil. Em terceiro
lugar, a dimensão da crise é múltipla,
é financeira, económica, política, ambiental e, até, de valores.
O trabalho tem um lugar central na
sociedade, só que a sua centralidade ampliou-se e está hoje debaixo de
vários problemas, como a manipulação do seu valor. Isto implica, da parte dos sindicatos, uma grande capacidade de articulação da ação com os
movimentos sociais que vão surgindo. É a partir daqui que tem que se
ver o futuro do sindicalismo. Os sindicatos têm novos desafios, sobretudo ligados ao tempo de trabalho, aos
salários, à segurança e estabilidade e
à contratação coletiva. A contratação
coletiva foi o instrumento de trabalho
mais útil e eficaz na distribuição da
riqueza na segunda metade do século
XX e hoje está a ser posta em causa.
Os sindicatos acompanharam as alterações?
Penso que não, há um grande enfraquecimento e por várias razões.
Temos uma subversão dos poderes,
por isso é difícil aos sindicatos lidarem com as multinacionais, que dominam as regras e até a estruturação de
alguns órgãos de poder – há multinacionais com orçamentos mais importantes do que alguns países. Depois,
os governos já não se preocupam com
as reinvindicações das pessoas. Já não
somos governados por um programa
discutido e votado pelos portugueses,
mas sim por um programa exterior.
Há ainda o problema das precariedades, que são um obstáculo à organização coletiva. E os sindicatos sofrem de
um outro problema: o coletivo não está na moda. Houve incapacidade para
uma renovação geracional. Se encostarem os sindicatos à parede, o descalabro da sociedade vai ser muito maior.
A pobreza traz consigo
a perda de níveis de
liberdade e a consequente
diminuição da dimensão
interventiva do ser
humano. Esta faceta da
crise económica coloca
os sindicatos num
momento de encruzilhada
complicado
Defendeu na sua tese que o movimento sindical é um fator de transformação da sociedade e que a democracia
enfraquece sem um sindicalismo reivindicativo. Estamos agora a atravessar este limiar?
Um dos elementos que mais amputa a
democracia é a pobreza. Um homem
que empobrece perde dimensões de
liberdade, logo perde dimensões de cidadania e de atuação política. Estas
limitações levam a que a sociedade
fuja da vida. As pessoas, no seu dia-a-dia, já não encaram os problemas.
Consideram-se impotentes para isso.
A questão é que os sindicatos poderiam estar a perder força para outros
movimentos no trabalho que os substituíssem, mas, na verdade, não os há.
Não se encontrou outra função que
substituísse a dos sindicatos. Estamos
numa encruzilhada muito complicada.
Quando olhamos para a evolução da
taxa de sindicalização nas últimas
três décadas em Portugal verifica-se
um declínio acentuado. O que motivou tamanho desinteresse?
O sindicalismo é o movimento social
com maior perenidade desde o início
da industrialização. Em várias fases
do seu percurso a sindicalização é reduzida, mas não é por isso que perde
importância.
Quando os trabalhadores e os sindicatos forem mais valorizados não tenho
dúvida alguma de que vamos sair do
buraco. Há que recolocar o trabalho
num lugar central.
Como vê o futuro do trabalho e das
condições de trabalho em Portugal?
Estamos em retrocesso social e civilizacional. Não é possível fazer
uma discussão séria, setor a setor, no
País, sem utilizar os recursos privados
e públicos. Por exemplo, não é possível fazer um debate sério no Turismo
sem se considerar o valor do trabalho.
Se não considerarmos a valorização do
trabalho e do tempo das pessoas não é
possível ter um país com uma atividade
turística avançada. Isto aplica-se a todas
as áreas. A segunda prioridade de resposta é o Estado Social. Não temos Estado Social sem valorização do trabalho.
Com que armas?
Todas as manifestações sociais são necessárias, mas nada substitui a intervenção organizada. O surgimento de
movimentos diversos é muito importante, mas a questão-chave é a participação dos cidadãos. Nenhuma forma
de luta é descartável.
As novas gerações preocupam-se
com o futuro da democracia, a liberdade e os direitos adquiridos?
Uma das dimensões da crise é a disfunção entre as gerações. É um campo
que tem sido manipulado para eliminar das pessoas perspetivas positivas
do futuro e retrair a sua disponibilidade de ação. Evoluímos muito e as atuais
gerações partem para o combate de
um patamar mais alto. A formação é
hoje muito maior, a capacidade de relacionamento é muito mais elevada e
acredito que vamos ser capazes de dar
a volta. Esta reorganização, a busca,
por exemplo, de uma nova forma de
financiamento da economia real, depende da nossa ação.
MONTEPIO VERÃO 2012
25
1
EM FOCO
OS NOVOS HABITANTES
DAS ALDEIAS
26
O CAMPO É, PARA UNS, SINÓNIMO
DE VIDA DURA. PARA OUTROS
REPRESENTA UM MODO DE VIDA MAIS
EQUILIBRADO. NOS ÚLTIMOS ANOS,
FRANÇA ASSISTIU A UM REGRESSO
EM FORÇA ÀS ALDEIAS. POR CÁ,
NUM INTERIOR CADA VEZ MAIS
DESERTIFICADO, AINDA HÁ QUEM
APOSTE NO MEIO RURAL
POR SUSANA TORRÃO
FOTOGRAFIA ARTUR
Em França, a primeira década do século XXI
vai ficar para a História como um momento
de viragem demográfica. Depois do êxodo
do mundo rural, que durou até aos anos 80
do século XX, nos últimos cinco anos dois
milhões de franceses partiram rumo a aldeias
com menos de dois mil habitantes. Como
resultado, o perfil destes lugares mudou: na
cor política, na economia e até na demografia,
com o rejuvenescimento da população.
Um fenómeno que mereceu a atenção da revista
MONTEPIO VERÃO 2012
Geo, que consagra o ano de 2012 à análise das
aldeias francesas.
Quem ruma às aldeias são famílias entre os
30 e os 40 e poucos anos, quadros superiores,
na sua maioria, que optaram por mudar de
vida depois da chegada dos filhos. Os motivos económicos também pesam na escolha:
hoje viver nas cidades é mais caro e requer
mais energia. O preço da habitação é superior, bem como a exposição ao stresse.
De acordo com dados do IPSOS citados na
Geo de fevereiro, as motivações que levam os
franceses às aldeias são três: a procura de um
novo começo (cerca de 38%), o reencontro com
as raízes (25%) e habitar numa região da qual
se gosta (24%).
1
o meu mundo
TEMA DE FUNDO
27
1
2
1 Ana Cardoso
Pires passou a
trabalhar como
freelancer
2 Paula Oliveira
e Paulo Faria
mudaram para
Malaqueijo, Rio
Maior
3 Mafalda Milhões
“transportou” a
livraria Histórias
com Bicho para
Óbidos
3
MONTEPIO VERÃO 2012
1
o meu mundo
TEMA DE CAPA
mudar de vida
1
28
2
1 Banon viu a
população crescer
2 A Provença
é dos locais mais
cobiçados de
França
3 4 Ana Cardoso
Pires encontrou
maior qualidade
de vida em
Boa Fé (Évora).
A tradutora
recuperou o lugar
aos poucos, numa
comunidade que
a aceita e protege
n REGENT'S CANAL, LONDRES
São cada vez mais os britânicos que
optam por viver num canal. Habitar
um barco é confortável, dá liberdade
e sai mais barato
INGLATERRA
Viver na água
H
á cada
vez
mais
pessoas a
escolherem viver
num barco.
Uma opção
justificada
pelas mais
diversas
motivações:
há quem escolha
viver num canal
por querer maior
proximidade
com a natureza
e procurar um
maior sentido
de comunidade
e quem o
faça apenas
por motivos
económicos.
De acordo
com a BBC,
nos últimos
anos a procura
de barcos
duplicou.
O fenómeno
levou mesmo
a British
Waterways – uma
das entidades
que explora os
canais – a
expandir a
rede de canais
adaptados
aos barcos-casa.
MONTEPIO VERÃO 2012
4
3
Novas velhas aldeias
Há números que ilustram bem a mudança. Entre 1999 e 2007 a taxa de
crescimento da população rural foi
de 9% (contra 4,6% nos meios urbanos); por seu turno, entre 1962 e 1999
a taxa de agricultores nas aldeias caiu
dos 33% para os 7%, ao passo que a dos
quadros superiores passou de 4% para 20%.
Por detrás deste “êxodo” estão mudanças estruturais. Nos últimos anos,
França desenvolveu infraestruturas
nos meios rurais que encurtaram
as distâncias entre aldeia e cidade.
Além do mais, a evolução da tecnologia potencia a opção pelo trabalho à
distância – 65% das empresas gaulesas encorajam este tipo de opção – e
os vários municípios são motivados
a assumirem novas formas de governança, como a partilha de fundos para a criação de hospitais, creches ou
escolas.
Os bons
exemplos
franceses
Por todo o hexágono
multiplicam-se os casos de
aldeias viradas do avesso nos
últimos anos. Quem vai para
as aldeias não volta à cidade
)1
CORRENS,
PROVENÇA
Foi a primeira aldeia a passar
integralmente à agricultura
biológica. Tem 95% dos
terrenos dedicados a este tipo
de produção e apostou no
mel, queijo de cabra, vinho,
azeite e plantas aromáticas.
Em 10 anos recebeu 125 novos
habitantes.
)2
Portugal litoral
Em Portugal, a maioria dos cidadãos
continuam a sair dos meios rurais e os
últimos Censos mostram que a assimetria entre as regiões do litoral e interior
é cada vez maior. Os dados do Pordata
sobre a densidade populacional do País
mostram a mesma realidade. Entre os
7 359 habitantes por quilómetro quadrado da Amadora e os cinco de Alcoutim, fica um país de contrastes.
Renato Miguel do Carmo, sociólogo do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Universitário de Lisboa (CIES-IUL) que tem
vindo a estudar as questões relacionadas com a ruralidade e as desigualdades regionais, garante que existem
dinâmicas de povoamento do interior,
apenas sem a intensidade suficiente
para inverter a tendência de desertificação, sendo este um fenómeno específico da classe média.
Mudar de vida
Ana Cardoso Pires lembra-se do
dia em que decidiu mudar de vida.
“Estava parada frente a um semáforo
e a minha filha, que na altura andava na primária, estava a mostrar-me
um teste.
BANON,
PROVENÇA
Joël Gattefossé escolheu-a
para abrir Le Bleuet, aquela
que ambiciona ser a maior
livraria de França. Tem um
espólio de 110 mil referências,
emprega 13 pessoas (18
previstas para 2013) e vende
uma média diária de 460 obras.
)3
ALBY-SUR-CHÉRON,
RHÔNE-ALPES
Muito procurada por jovens
casais, viu a população
triplicar desde o início dos anos
70. Para evitar que a povoação
de pouco mais de dois mil
habitantes se transforme num
dormitório, a autarquia está a
renovar os edifícios antigos,
que arrenda aos habitantes
que ali queiram desenvolver
comércio.
n ANA CARDOSO PIRES
Para ter luz, teve que pagar
a instalação de postes
de eletricidade desde a
estrada principal até casa.
Nos primeiros tempos, de
cada vez que havia uma
trovoada mais forte o modem
deixava de funcionar
)4
ITXASSOU,
PAÍS BASCO FRANCÊS
Depois de um grupo de
agricultores ter, há 20 anos,
relançado o cultivo da cereja
beltxa, todas as primaveras
as suas colinas assistem à
floração de mais de quatro mil
cerejeiras (há dez anos não
ultrapassavam as mil) e, ao
longo do mês de maio, a aldeia
fervilha de atividade.
MONTEPIO VERÃO 2012
29
1
o meu mundo
TEMA DE CAPA
mudar de vida
HISTÓRIAS COM BICHO
Um local idílico
para uma livraria
distinguida com o prémio
Ler/Booktaylors
MULTIFUNÇÕES
Espaço para
crescer
A
30
Histórias
com
Bicho
inclui uma
galeria, espaço
para dinamização
da leitura, atelier
e sofás
confortáveis
onde apetece
ficar. Quem quiser
pode acrescentar
um cachecol
gigante, que
aconchegará
a fantasia.
Portugal
vs França
Motivações
para a mudança
Portugal
Consegui ler a primeira pergunta e
a resposta dela e, quando queria comentar alguma coisa, tive que lhe dizer: espera um bocadinho que tenho
que arrancar. Foi aí que tive o clic…
Não posso estar a discutir coisas importantes para os meus filhos no
meio do trânsito!” Tomou a decisão:
aos 40 anos já não estaria em Lisboa.
Nos anos seguintes, preparou a
mudança à procura do local ideal.
A busca terminou em Boa Fé, freguesia do concelho de Évora. Saiu do diário onde trabalhava e passou a trabalhar como tradutora freelancer. Pegou
nos filhos pré-adolescentes e partiu.
Os filhos não iam muito entusiasmados, mas foram os primeiros
a adaptar-se. “Tiveram muito mais
autonomia que a maioria dos amigos
de Lisboa”, assume Ana, a quem coube vencer algumas desconfianças iniciais. Foi a primeira mulher a entrar
na taberna sozinha – para perguntar
ao dono pormenores sobre a proprie-
MONTEPIO VERÃO 2012
dade – e também uma pioneira na
direção das obras que fez na quinta.
“Por aqui ainda não é hábito ver uma
mulher a mandar.”
Passados 16 anos está perfeitamente integrada na comunidade
que, apesar de dispersa, é solidária.
Os exemplos de boa vizinhança são
muitos. Como a vez em que, com fogo
para os lados de Montemor-o-Novo, o
fumo, visto à distância, parecia andar
muito próximo do lugar da “D. Ana”,
que estava sozinha. “Os vizinhos vieram a pé três quilómetros – como este é um caminho vicinal não trouxeram os carros para não atrapalhar os
bombeiros – mas quando chegaram
mais perto e perceberam que o fogo
era longe, voltaram para trás sem me
dizer nada, para não incomodar.”
Ana quis ficar perto de Lisboa.
“Não saí da cidade zangada com Lisboa. Sou uma pessoa muito sociável,
precisava de um sítio onde os amigos
me visitassem.”
n Regresso às origens
n Qualidade de vida
n Motivos económicos
França
n Novo começo
n Reencontro com as raízes
n Gosto pela região
j MAFALDA
MILHÕES
LEVOU TEMPO
a adaptar-se. Foi necessário reconstruir
a livraria do zero,
readaptar ritmos,
retomar o quotidiano, ganhar confiança.
Mesmo quando voluntária, a mudança
não é fácil
Os filhos cresceram e partiram.
A filha queria trabalhar na região
mas o curso superior impede-a de
encontrar emprego. “Como querem
que as pessoas vão para o interior se
não há condições?” interroga-se Ana.
Mas não se arrepende. Na maior parte do tempo tem a companhia da mãe
e a irmã e os amigos também aparecem amiúde. Não usa relógio e tem a
vida que quer: levanta-se com o nascer do dia, trabalha no campo e às 10
horas senta-se ao computador. Organiza o dia em função do trabalho, mas
quem chega tem sempre prioridade.
Já Mafalda Milhões tem a meio
o sonho de viver no campo… Trabalha na aldeia de Casais Novos, em
Óbidos, mas ainda vive nas Caldas
da Rainha. “Só vou considerar que
mudei para o campo quando vier a
pé para o trabalho e tiver duas ovelhas e umas galinhas”, afirma.
Quando a livreira e designer decidiu abandonar as viagens pelo
IC19 e mudar as instalações da livraria Histórias com Bicho da Fábrica da Pólvora, em Barcarena,
recebeu uma missão dos clientes
mais novos. “O novo sítio tinha que
ficar no meio do nada, ter um castelo, ficar ao pé do mar e ter uma árvore do tamanho do edifício da livraria
original.” A busca terminou, por acaso, em Óbidos. “O dia em que íamos
receber a chave calhou a um sábado
e, quando olhei para o lado, havia fila para entrar no café. Decidi que não
podia ficar ali”, recorda. Preparavam-se para voltar quando passaram pela placa que indica Casais Brancos.
Acabaram por seguir a estrada que
serpenteia colina acima até chegar
à aldeia. À vista da paragem de autocarro viraram à direita e, feita a
curva, apareceu a antiga escola, com
um pinheiro alto ao lado e um horizonte de campos que se espraiam até
à lagoa de Óbidos e ao mar. Isolada
e com o castelo a menos de cinco minutos de carro. Era o sítio.
A autarquia cedeu-lhes o espaço
e Mafalda e Pedro Maia investiram
todas as suas economias. A mudança não foi fácil, levou tempo. Hoje, as
duas filhas aproveitam ao máximo o
espaço. “São verdadeiramente pé no
chão”, afirma Mafalda.
A Histórias com Bicho manteve os
clientes de sempre – os clientes locais
MONTEPIO VERÃO 2012
31
1
o meu mundo
TEMA DE CAPA
mudar de vida
P&R
Renato Miguel do Carmo
Sociólogo
32
Em Portugal existe um
regresso ao espaço rural?
Existem dinâmicas
nesse sentido, mas não
são suficientemente
expressivas para inverter a
tendência de desertificação
do interior.
O que leva as pessoas para
o interior?
A questão da mobilidade
é importante. A rede
viária melhorou muito
em Portugal e foram
construídas várias infraestruturas. É um paradoxo:
nunca o interior esteve
tão bem equipado
e é agora que está mais
desertificado.
A generalização da viatura
própria permite viver nas
aldeias e trabalhar nas
cidades médias do interior.
Podemos assistir a um
fenómeno semelhante ao
francês?
O interior português tem
um grande potencial mas,
para existir um regresso
ao interior, são necessárias
estratégias públicas
concertadas. O interior,
neste momento, não tem
mercado, não tem emprego.
É preciso criar novas
identidades para que as
regiões se desenvolvam.
Apostar em produtos, como
fizeram Itália e França.
MONTEPIO VERÃO 2012
são poucos. Mafalda divide-se entre
o design, as dinamizações de leitura e o trabalho enquanto editora da
Bichinho de Conto. Este ano a livraria foi distinguida com o prémio Ler/
Booktaylors, como melhor livraria independente.
Nicole Esteves também ali trabalha. Psicóloga de formação, abandonou um call centre em Lisboa e
concorreu ao lugar de animadora
sociocultural, em Óbidos. Mais tarde juntou-se ao projeto de Mafalda.
Hoje sente que não tem raízes... talvez seja da Histórias com Bicho. Já
a livraria vai-se entranhando na população, que começa a visitar o espaço e a assistir ao cinema ao ar livre no verão.
Paulo Oliveira e Paula Faria nasceram nos bairros lisboetas das Avenidas Novas e da Bica. Hoje vivem em
Malaqueijo, concelho de Rio Maior,
para onde mudaram há quatro anos.
Para Paulo, fotógrafo de natureza, não
é a primeira experiência de vida no
campo. Para Paula, designer de interiores e instrutora de Chi-Kung, sim.
“Queríamos mudar de ritmo e, sobretudo, construir uma coisa os dois.”
n FUGA AO STRESSE,
Paulo e Paula tratam da maioria
dos assuntos à distância.
Quando têm mesmo que ir
a Lisboa, saem de madrugada
e evitam o trânsito
A quinta em ruínas do século XVII,
numa curva do lugar das Milhariças, foi o local escolhido. Quatro anos
passados, os antigos forno e estábulo
transformaram-se na sua casa. O terreno até à ribeira foi limpo e os silvados deram origem a flores e à pequena
horta biológica. É dali que retiram boa
parte do que consomem, o resto vem
do mercado semanal de Malaqueijo.
No caso de Paulo e Paula o facto de
lançarem mãos ao trabalho, recuperando o lugar, facilitou-lhes a integração na comunidade.
“Há mais pessoas que vêm para o
campo. Mas há quem chegue e faça
uma horta e um pomar e há quem envenene tudo para se livrar de tudo o que
é bicho”, comenta o fotógrafo. Prestes
a partir para outra casa – também no
campo – onde podem acolher familiares
mais velhos, o casal está perfeitamente
integrado no sítio que recuperou.
Novos povoadores
O
projeto Novos
Povoadores
defende que
numa sociedade global,
cada vez mais baseada
numa economia sem
geografia, o interior
– no caso o interior
português – é uma
opção viável para todos
os que têm empregos
relacionados com as
TIC. À qualidade de
vida proporcionada
pela fraca densidade
populacional somam-
-se as infraestruturas
realizadas nas últimas
duas décadas. Para o
projeto esta é a forma
de contornar a falta
de emprego que
continua a assolar
o interior do País.
1
o meu mundo
REPORTAGEM
INOVAÇÃO/AMBIENTE
REALIDADE
QUE PARECE FICÇÃO
34
A IMAGINAÇÃO DO SER HUMANO
PERMITIU-LHE CHEGAR AOS ATUAIS
NÍVEIS DE DESENVOLVIMENTO.
POR VEZES, AS INVENÇÕES ESTÃO
TÃO À FRENTE DO SEU TEMPO
QUE PARECEM FICÇÃO. MUITAS
TORNAM-SE REALIDADE
POR FÁTIMA FERRÃO
FOTOGRAFIA BRUNO RASCÃO
Carros voadores, copos comestíveis,
utensílios de plástico produzidos
a partir de escamas de peixe,
aviões movidos a energia solar,
edifícios “vivos”, completamente
auto-sustentáveis, que produzem
a sua própria energia e eliminam
os resíduos criados, baterias que
produzem eletricidade a partir de
pedaços de papel, são apenas alguns
exemplos de projetos que apesar
de parecerem irreais já existem e
funcionam.
MONTEPIO VERÃO 2012
Muitos destes projetos não são produzidos em massa. Seja porque o seu objetivo é apenas a mensagem que transmitem, porque não conseguem apoios
ou, como acontece frequentemente, a
indústria não tem interesse no seu desenvolvimento.
O avião Solar Impulse, movido exclusivamente a energia solar,
é um exemplo da primeira situação.
Com nove anos de trabalho e investigação, e mais de 46 milhões de euros
investidos no projeto, o avião, imaginado pelo aventureiro Bertrand Piccard,
prepara-se para realizar uma viagem à
volta do mundo, por etapas, sem combustível nem poluição, já que se move
apenas com recurso ao carregamento
solar das suas baterias.
O objetivo é muito concreto:
através de um projeto tecnológico inovador, pretende-se desenvolver e tornar fiáveis as energias alternativas,
encontrando meios de economizar os
recursos atuais e demonstrar a viabilidade de outras fontes energéticas.
“E esta é também a mensagem”, explica Mário Branco, diretor de Comunicação e Relações Institucionais do grupo
Solvay para Portugal, um dos principais apoiantes e parceiro tecnológico
do projeto. A meta nunca seria transformar o Solar Impulse num avião comercial, mas esta aventura serve de
base ao desenvolvimento de novas tecnologias e à aplicação das mesmas no
futuro, tendo sempre em mente a sustentabilidade", reforça.
P&R
Mário Branco
Diretor de Comunicação e Relações
Institucionais da Solvay em Portugal
1
2
1 2 O Solar Impulse
aproxima-se do "voo perpétuo"
pois só depende da resistência
do piloto
No futuro, a aplicação de tecnologias desenvolvidas para o Solar Impulse é vasta. Mário Branco exemplifica:
“Se pensarmos nos carrinhos metálicos
que transportam as refeições a bordo e
que, nos aviões de maior porte, chegam
a ser mais de cem, e os substituirmos
por outros, concebidos em plásticos ultraleves, estaremos a reduzir cerca de
uma tonelada de peso transportado pelo avião. O que implica poupanças consideráveis em combustível.”
n SOLAR IMPULSE
Totalmente movido a energia
solar, prepara-se para fazer
uma viagem à volta
do mundo em 2014,
apenas com cinco escalas.
Em 2010 realizou um voo
de 26 horas, sem paragens
1 600 kg
PESO TOTAL
T
do Solar Impulse
sendo que um quarto deste peso
corresponde às baterias de lítio
O Solar Impulse é simbólico.
Qual a mensagem que pretende
transmitir?
É um projeto que visa promover
a sustentabilidade do planeta.
Mostrar que com o conhecimento
que a Humanidade tem hoje
é possível enveredar por
novos caminhos, recorrendo
a tecnologias limpas, que nos
garantem o futuro. É um alerta
para fazer diferente porque é
possível.
Quais os desafios do projeto?
Em termos operacionais,
essencialmente, pôr no ar um
avião que tem o peso de um
automóvel, o motor de uma scooter
e voa a uma velocidade pouco
superior a 70 km/hora. Depois
existe um sem-número de outros
desafios, como estabelecer as
rotas mais ajustadas às condições
meteorológicas, não complicar
os corredores aéreos comerciais
ou manter saudável o piloto, que
não pode sair do seu minúsculo
cockpit. Ele tem que se alimentar,
dormir, fazer as suas necessidades
e exercitar-se sem sair do lugar.
O que representa este projeto
para a Solvay?
É um exemplo e uma mensagem
que queremos passar, interna
e externamente. Dizer que não
devemos cruzar os braços e
resolver as questões que se nos
colocam no dia-a-dia e ser uma
inspiração para fazer diferente.
Podemos construir um futuro
sustentável já hoje. Para os
colaboradores do grupo Solvay
fazer parte deste projeto constitui
um enorme orgulho.
MONTEPIO VERÃO 2012
35
1
o meu mundo
REPORTAGEM
inovação/ambiente
1
2
SOLAR IMPULSE
Voo limpo à volta do mundo
36
E
m 2014
deverá
ser feita a
primeira volta ao
mundo num avião
solar tripulado.
O aparelho, batizado como Solar
Impulse, pode
voar dia e noite,
sem combustível
nem poluição,
armazenando
energia limpa.
Dez anos após o
início do projeto,
o protótipo HB-SIA
fez, na primavera,
o seu primeiro voo
intercontinental,
entre a Suíça e
Marrocos, com paragem em Madrid.
Em 201O, no
primeiro voo “a
sério”, o avião
voou 26 horas
sem paragens.
Uma equipa de 70
técnicos realizou
testes, simulações
e alterações para
chegar ao modelo
atual: um avião
solar do tamanho
de um Airbus
A380 mas com a
carga de um Asa
Delta. Para trans-
portar uma carga
útil de 160 quilos,
incluindo o piloto
e os equipamentos
de sobrevivência e segurança,
dois terços do
peso do avião
são dedicados
aos sistemas de
energia, controlo
e baterias. O outro
terço destina-se à
estrutura. O avião
tem mais de 200
metros quadrados de células
fotovoltaicas de
rendimento muito
elevado (21%), o
que equivale a 12
mil destas células,
que transformam
a energia solar em
fonte de alimentação do avião.
As células
permitem a
armazenagem de
energia durante
o dia subindo
para a exposição
máxima ao sol
(8 500 metros de
altitude). Durante
a noite, as baterias
mantêm-no a voar
a 3 000 metros de
altitude.
MONTEPIO VERÃO 2012
À procura de financiamento
Outra das razões pelas quais muitos
projetos inovadores não são desenvolvidos é a falta de apoios. É o caso de
ideias como a de Erik de Laurens, um
designer inglês. O seu projeto de fim de
curso na Royal College of Art previa a
criação de objetos de plástico usando
escamas de peixe.
Apaixonado pelo mar, Laurens
descobriu que as escamas têm propriedades que permitem o seu uso como plástico se submetidas a banhos
de calor e alta pressão, criando produtos com menos impacto ambiental.
Para o trabalho de final de curso criou
copos, armações de óculos e objetos
decorativos. Foi aprovado com louvor.
Quem não esperou por financiamento foi Juan Muzzi, artista plástico
que detém a primeira patente de bicicleta reciclável do mundo. Para a construir
necessita apenas de garrafas de plástico
pet e dez minutos de trabalho. “É a bicicleta mais resistente, flexível e barata.”
Evitar o lixo
No meio de uma discussão sobre a
forma mais sustentável de ingerir líquidos, os designers da empresa norte-americana The Way We See The
World conceberam um novo produto
100% reciclável: o Jelloware.
Trata-se de um copo comestível,
feito de ágar-ágar. Fabricados em três
versões – nos sabores limão e manjericão, gengibre e hortelã, e alecrim e
beterraba –, os Jellowares só exigem
dois cuidados: serem consumidos de
imediato ou guardados no frigorífico
e controlada a quantidade que se ingere, devido às propriedades laxantes
3
1 Os copos da Jelloware são
comestíveis
2 Em fase de testes, o cargueiro
Aghia Marina aproveita a força
do vento
3 O carro voador já está no
mercado dos EUA e tem patente
da Terrafugia
do ágar-ágar. Podem ainda ser enterrados no jardim: são biodegradáveis.
Outro produto que permite reutilizar o lixo é a bateria criada pela
Sony. Apresentada em 2011 na feira
Eco-Products em Tóquio, no Japão, a
bateria produz eletricidade transformando papel em açúcar, que usa como combustível. Tem força suficiente para rodar um pequeno ventilador.
Inovação académica
É nas universidades que surgem muitas invenções que seduzem a indústria. É o caso do carro voador, do qual
estão já no mercado as 100 primeiras unidades. A patente é da empresa americana Terrafugia, formada
1
o meu mundo
Tecnologia
do futuro
REPORTAGEM
inovação/ambiente
TORRE VIVA
Uma quinta
na vertical
P
38
7 000 m2
É A ÁREA existente na torre
de hortas ao ar livre
63
TONELADAS DE TOMATES
e 9 toneladas de morangos
é a capacidade de produção
anual desta torre
por ex-engenheiros do Massachusetts Institute of Technology (MIT).
Com dois lugares, cauda e asas que se
fecham em terra e abrem para levantar voo, os primeiros modelos custaram cerca de 250 mil euros.
Portugal: País de inventores
Até há cerca de dez anos o registo de
patentes em Portugal era raro mas
desde 2005 que a tendência se inverteu. Segundo o Instituto Nacional da
Propriedade Industrial, Portugal é dos
países da Europa com maior número
de pedidos de registo de patentes, com
uma média de dois inventos registados por dia. Os bons exemplos multiplicam-se. É o caso do Candlemaker,
inventado por Mário Silva, aparelho
que transforma óleo alimentar usado
em velas aromáticas.
Pedro Carradinha, inventor do
Heat-It, equipamento para utiliza-
MONTEPIO VERÃO 2012
rojetada
pelo
gabinete
de arquitetura
SOA, a torre é uma
quinta vertical,
de 30 andares,
que convive com
habitações e
escritórios.
A rega é garantida
pela gestão de
águas residuais
internas.
O edifício dispõe
de torres eólicas
e painéis solares.
A água da chuva
é filtrada e
reutilizada nos
escritórios e
apartamentos.
A primeira torre
foi construída em
Rennes (França).
ção em fogões de montanha que permitem confecionar os alimentos em
qualquer local ou circunstância, assume que a sua ideia surgiu da necessidade e que, inicialmente, não foi concebida numa perspetiva comercial.
Com o alpinismo como hobbie, foi
em plena natureza que imaginou
o Heat-It, uma estrutura em tecido que protege o fogão do vento.
Da ideia (em 1999) à comercialização passaram dez anos. Em 2005 foi
registada a primeira patente e anos
mais tarde a Ortik, empresa que comercializa o Heat-It. De início a indústria têxtil não se mostrou interessada, mas depois de enviar o projeto
para a China, Pedro conseguiu ter o
produto na mão.
? O QUE SIGNIFICA
Imaginação e altruísmo estão,
muitas vezes, na base de produtos
totalmente inovadores e sustentáveis
Cargueiros puxados por
parapente, carros invisíveis
e aviões com teto transparente
deixaram de ser ficção
e preparam-se para entrar
no nosso quotidiano
)1
CARRO INVISÍVEL
O carro invisível poderá
ser uma realidade já em 2014.
Não liberta gases tóxicos na
atmosfera e está coberto por
telas LED, capazes de captar
as imagens ao seu redor
e reproduzi-las no carro dando
um efeito de invisibilidade.
)2
PONTE QUE GERA
ENERGIA EÓLICA
Criado pelos designers Francesco
Colarossi, Giovanna Saracino e
Luisa Saracino. Este prótotipo
será capaz de gerar 11,2
milhões de kilowatts por ano,
aproveitando a estrutura de uma
ponte para instalar as turbinas
geradoras. A ponte conta ainda
com painéis solares.
)3
AVIÃO COM TETO
TRANSPARENTE
Se depender do fabricante de
aviões Airbus, as viagens serão
uma experiência inesquecível
em 2050. A ideia é fazer com
que os aviões passem a ter um
teto transparente para que os
passageiros apreciem a paisagem.
)4
CARGUEIRO MOVIDO
A VENTO
Puxado por um parapente,
o cargueiro Aghia Marina
transporta produtos agrícolas
e industriais, numa carga
máxima de 28 toneladas. Com o
recurso ao parapente, o cargueiro
consegue reduzir em cerca de
35% o consumo de combustível e,
consequentemente, as emissões
de gases para a atmosfera, desde
que nas condições de navegação
ideais. Este sistema tira
o máximo partido do vento,
criando a propulsão necessária
para movimentar o navio.
O projeto já está a ser testado.
A MINHACIDADE
CAMINHOS A PERCORRER EM
MOBILIDADE, URBANISMO,
SOLIDARIEDADE
página 40
página 44
página 47
página 48
MINAS
REPORTAGEM
INICIATIVA
FUTURO
Portugal volta a estar na
mira dos investidores
internacionais. O regresso
à exploração de ouro faz
mexer várias regiões
Conheça as autarquias
que registam os mais
baixos níveis
de desemprego
A Vidrorei instalou-se
em Vila de Rei. À época era
a única empresa do setor
a operar no concelho
A prospetiva ajuda
a antecipar o futuro.
Conheça os cenários
que os especialistas
traçaram para Portugal
2
a minha cidade
REPORTAGEM
MINAS
CORRIDA
AO OURO
40
VINTE ANOS DECORRIDOS
SOBRE O ENCERRAMENTO DAS
MINAS DE JALES, PORTUGAL
REGRESSA À EXPLORAÇÃO
AURÍFERA E ESTÁ NA
MIRA DE INVESTIDORES
INTERNACIONAIS. NO
ALENTEJO OS RESULTADOS
SÃO ANIMADORES
POR BÁRBARA TAVARES
FOTOGRAFIA ARTUR
MONTEPIO VERÃO 2012
f PROSPEÇÃO
no Alentejo.
Amostras de rocha
antes de irem
para o laboratório,
que avaliará a
quantidade de ouro
por tonelada
1 A Panasqueira
explorou as suas
jazidas de volfrâmio
durante um século
2 3 Mineiros
no interior das minas
da Panasqueira
4 5 O passado
da exploração mineira
na Panasqueira
1
O ouro português sempre foi um
tesouro cobiçado. No século XX, as
minas de Jales, em Trás-os-Montes,
produziam quase 50 quilos de ouro
por mês, mas encerraram na década
de 90 quando o metal deixou de ser
rentável. Hoje o ouro volta a estar na
ordem do dia e Portugal na mira dos
investidores. A cotação duplicou nos
últimos três anos e deu viabilidade
económica às jazidas nacionais.
No Alentejo os trabalhos de
prospeção revelaram graus
impressionantes de ouro perto da
superfície, dando maior confiança
à canadiana Colt Resources.
No terreno, os trabalhos de prospeção
aceleram e o Governo acredita que,
até 2016, Portugal poderá voltar a produzir ouro, mais de 20 anos depois do
encerramento das minas de Jales, em
1992. “Não temos grandes depósitos de
ouro, mas temos reservas relevantes.”
A garantia é dada por Luís Martins,
responsável pelos Serviços de Minas
e Pedreiras da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), sublinhando
que, apesar do seu glamour, o ouro está longe de ser o protagonista da indústria mineira portuguesa, sendo o
cobre o rei dos metais e as minas de
Neves Corvo as segundas maiores da
Europa (a seguir à Polónia), com exportações anuais na ordem dos 800
milhões de euros.
Em pleno cenário de crise e resgate financeiro, o Governo português
não ficou indiferente às oportunidades de negócio e apressou-se a lançar
novos concursos orientados para a
exploração de minérios em Portugal.
“É um setor prioritário de enorme potencial. Portugal tem recursos geológicos muito importantes que, no setor
mineiro, se estimam em torno dos 170
mil milhões de euros (o equivalente
MUSEU
Minas com
nova vida
S
e gosta
de minas
tem agora
uma ferramenta
gratuita on-line
que permite
identificar os
principais pontos
de interesse
turístico a
nível mineiro e
geológico no País.
A funcionar
desde 2011,
o portal www.
roteirodeminas.pt
propõe uma
nova abordagem
ao património
geológico.
2
3
4
41
5
ao PIB). Por isso, o potencial e o crescimento do setor intensificar-se-á nos
próximos anos”, afirmou Álvaro Santos Pereira, ministro da Economia.
Para Luís Martins a nova aposta do
Governo no setor das minas deve-se
ao cenário de crise, que obriga a um
regresso aos setores primários.
Prova disso é o concurso público
internacional lançado recentemente
para atribuição de direitos de prospeção, pesquisa e exploração em três
áreas do Sul do País (concelhos de Alcoutim, Castro Marim, Aljustrel, Beja, Castro Verde e Mértola), inseridas
na chamada Faixa Piritosa Ibérica,
zona conhecida pelos seus grandes
depósitos de cobre, volfrâmio, prata,
ouro e zinco. Aqui, a aposta é clara:
descobrir novas reservas de cobre e
outros metais que permitam construir mais uma mina de dimensão
mundial, à imagem de Neves Corvo,
em Castro Verde. “Isso sim”, garante
Luís Martins, “teria um enorme impacto na economia portuguesa”.
O responsável da DGEG diz que
“a principal aposta é na Faixa Piritosa, que tem um potencial elevado
para novas descobertas”, capazes de
multiplicar por dez o atual peso da
indústria mineira no PIB português,
de 0,5% para 5%. No capítulo dos minerais metálicos há também o volfrâmio, explorado há mais de 100 anos
nas minas da Panasqueira, concelho
do Fundão, e que tem despertado o interesse dos investidores estrangeiros.
MONTEPIO VERÃO 2012
2
a minha cidade
REPORTAGEM
corrida ao ouro
f OS ANTIGOS
MINEIROS de Jales
dividem-se quanto ao
futuro da mina
42
“Mais do que o ouro, o que está na
ordem do dia é, de facto, o cobre.
E daí o interesse na Faixa Piritosa”,
defende o engenheiro Corrêa de Sá,
da empresa Sojitz Beralt Tin and
Wolfram, responsável pela exploração das minas da Panasqueira.
Com a atividade mineira a marcar a agenda económica, o Governo
lançou, em abril, um concurso para
a concessão de uma exploração em
Jales/Gralheira, no concelho de Vila
Pouca de Aguiar. Interessados não
faltam e a DGEG já admitiu que poderá receber mais de dez propostas
(algumas dispostas a investir cerca de
1,5 milhões de euros) para fazer prospeção e pesquisa de ouro na região.
O vencedor foi anunciado a 5 de julho mas até voltar a produzir-se ouro
há um longo caminho. Se os trabalhos
de reconhecimento determinarem a
reabertura das minas de ouro, os investimentos poderão ascender a 100
milhões de euros.
Minas abandonadas
Em Campo de Jales, uma enorme
estrutura enferrujada é tudo o que
resta das minas de ouro. Na memória mantém-se presente o abandono
daquela que foi a maior exploração de
ouro do País, que atirou centenas de
pessoas para o desemprego e empobreceu Vila Pouca de Aguiar. Nos cafés,
ninguém acredita que as minas vão
MONTEPIO VERÃO 2012
f O AUTARCA
DE ÉVORA espera
que o simbolismo
do ouro se traduza
em riqueza para
o concelho
ser reabertas e que a aldeia vai regressar ao esplendor do passado, quando
a corrida ao ouro empregava mais de
1 000 homens e rendia ao concelho 45
mil contos todos os meses. Quem o garante é Augusto Silva, 74 anos, 33 passados a trabalhar nas minas para garantir sustento à mulher, Luísa, e aos
12 filhos. Mais de uma década debaixo
da terra, onde viu os filões de ouro que,
jura, ainda lá continuam por explorar.
“Dizem que querem reabrir as minas, mas está difícil. Para mim não
faz falta, mas era importante para a
terra. Era lucro para o País inteiro.
Os estrangeiros têm dinheiro para investir aqui. Podia ser um tesouro para o País, uma reserva para tempos
difíceis”, opina Augusto, em jeito de
recado para o Governo. Menos positivo é Luís Delgado, 57 anos, que também trabalhou na exploração de ouro
como responsável pela manutenção
de viaturas: “Só vendo é que acredito.”
Ouro em terras alentejanas
Muito antes do regresso dos mineiros
a Jales, será ouro que a empresa cana-
O que dizem
os autarcas
Os autarcas encaram
com otimismo o retomar
da exploração mineira
nos seus concelhos
f DÉCADA
DECISIVA em Vila
Pouca de Aguiar.
Os próximos anos serão
fulcrais para o futuro
das minas de ouro
diana Colt Resources planeia extrair
no Alentejo já em 2014, nas freguesias
de Boa-Fé (Évora) e Escoural (Montemor-o-Novo), e colocar Portugal no
mapa das principais potências mineiras. No final de 2011 o Governo assinou com sete empresas dez contratos
para exploração de minérios metálicos, no valor de 8,6 milhões de euros,
estando previsto que até meados de
2012 existam três concessões de ouro experimentais: Montemor-o-Novo
e Évora; Banjas, concelho de Paredes
(empresa Almada Mining); e Jales/
Gralheira (Vila Pouca de Aguiar).
No Escoural, o irlandês Declan
Costello é o anfitrião de serviço na
base de operações da Colt Resources,
empresa canadiana que, desde 2007,
escolheu Portugal para concentrar os
seus projetos de mineração. Com um
sorriso, o chief operating officer recebe jornalistas, autarcas e investidores norte-americanos para uma visita
guiada ao “Montemor Gold Project”.
O ouro não está à vista, mas por
todo o lado há pequenos cilindros de
rocha, cuidadosamente armazenados
em caixas de madeira, que são depois
enviados para os laboratórios de Sevilha para determinar as quantidades
de metal por tonelada.
As máquinas da Colt Resources
surgem no meio de sobreiros e porcos
pretos, indiferentes aos trabalhos de
perfuração que já chegaram aos 120
metros de profundidade. “Até agora,
o nosso trabalho confirma o potencial de reservas de ouro na região. A
questão é saber se estamos a falar de
uma mina de classe mundial. É o que
vamos descobrir com o tempo”, reforça o CEO Nikolas Perrault, anunciando um novo financiamento de 8,7
milhões de dólares que permitirá duplicar o atual projeto de perfurações.
Na fase de prospeção a Colt Resources investirá entre dez e 15 milhões
de dólares, somando mais de cerca de
100 milhões para construir a mina.
Sobre Jales, Nikolas Perrault não
confirma nem desmente o interesse
da Colt Resources: “Estamos aqui para ficar e queremos aumentar a nossa
presença em Portugal.” A Redcorp
Ventures, originária do Canadá e em
Portugal desde 2004, também está
na corrida às antigas minas de Jales.
João Barros, diretor da Redcorp em
Portugal, garante que a empresa está
também de olho no concelho de Boticas, nas antigas minas de ouro romanas de Poço das Freitas e Limarinho,
que a antiga concessionária Kernow
Resources abandonou e cujos estudos
revelam um grande potencial de reservas de ouro. Mais a sul, diz o responsável, a Redcorp está a apostar na
Lagoa Salgada, perto de Grândola,
uma das áreas com maior potencial
na Faixa Piritosa, com um depósito
provado de aproximadamente cinco
milhões de toneladas entre chumbo,
zinco, ouro, prata e cobre.
Tudo isto com recurso a capitais estrangeiros, imprescindíveis para a sobrevivência da indústria mineira, refere Luís Martins. “É um investimento
de alto risco que mostra a confiança
das empresas estrangeiras, não só
no que respeita ao seu potencial mas
também a nível político e social.”
Domingos Dias
Presidente
Câmara Municipal de
Vila Pouca de Aguiar
“Aponto para um horizonte
temporal de cinco/seis anos
até se iniciar a exploração
de ouro. Será um projeto
para dez anos.”
43
José Ernesto d'Oliveira
Presidente
Câmara Municipal de Évora
“O ouro traz uma carga
simbólica, é associado
a riqueza e espero que
seja esse o caso aqui.”
Carlos
Pinto de Sá
Presidente
Câmara Municipal
de Montemor-o-Novo
“Se nos aparece uma área
de negócio na qual há
perspetivas de crescimento,
de criação de postos de
trabalho e de um efeito
multiplicador em termos de
economia, podemos dizer
que é 'ouro sobre azul'.”
MONTEPIO VERÃO 2012
PINHAL
INTERIOR
O DESEMPREGO
NÃO MORA AQUI
44
ENQUANTO A MÉDIA NACIONAL
DE DESEMPREGO RONDA OS 14%,
HÁ CONCELHOS DO INTERIOR DO
PAÍS QUE EXIBEM, ORGULHOSOS,
SITUAÇÕES PRÓXIMAS DO
PLENO EMPREGO. POPULAÇÕES
REDUZIDAS, APOSTA NA INICIATIVA
INDIVIDUAL, NAS PEQUENAS
ESTRUTURAS E, SOBRETUDO,
UM CONHECIMENTO PROFUNDO
DAS NECESSIDADES REGIONAIS
PARECEM SER OS INGREDIENTES
DE UMA RECEITA DE SUCESSO
POR SUSANA TORRÃO
FOTOGRAFIA ARTUR
No pinhal interior a contagem do tempo faz-se entre “o antes e o depois do
fogo”. O incêndio que serve de marco
temporal e obrigou as autarquias a
reajustarem estratégias deflagrou em
2003. Hoje, com o verde de volta, a
chegada a Oleiros faz-se pela estrada
que serpenteia pela floresta. A feira de
terça-feira dita a animação e dificulta
o estacionamento. Há comércio e pessoas a cruzarem a praça. À cabeça dos
concelhos nacionais com menor taxa de
desemprego, Oleiros fervilha de vida.
MONTEPIO VERÃO 2012
Dos 5 721 habitantes do concelho, apenas 3,1% não têm emprego.
A maioria trabalha na floresta ou
nos serviços. “Entre os homens não
há muito desemprego. Os que não
estão na área das madeiras ou serviços estão na construção civil, que
ainda está a laborar normalmente”,
explica José Marques, presidente da
Câmara de Oleiros. O autarca destaca o facto de três empresas do concelho – José Afonso e Filhos, Pinorval
e Pirotecnia Oleirense – estarem en-
tre as 25 melhores empresas do distrito de Castelo Branco.
O emprego feminino faz-se sobretudo em IPSS (Instituições Particulares
de Solidariedade Social) e na empresa
alemã Steiff – criadora do teddy bear –,
cujos bonecos podem chegar às centenas de euros, em Oleiros há 20 anos.
Nas serras giram parques eólicos.
A sua construção foi determinante para reter população, com o arrendamento ou a venda de terrenos a dar uma
nova oportunidade a várias famílias.
2
a minha cidade
REPORTAGEM
3
1
PIROTECNIA
Sucesso
internacional
O
Na mesma altura, a Câmara prescindiu
da derrama e dos 5% de IRS, práticas
que mantém.
Em oitavo lugar no ranking dos
concelhos com melhor performance
económica Oleiros tem boa saúde financeira, mas José Marques aponta
dificuldades: “Não há emprego para
os jovens licenciados.” A má acessibilidade a Castelo Branco é outro problema que urge resolver.
s dois
irmãos
Ribeiro
deram sangue
novo ao negócio
e colocaram
a Pirotecnia
Oleirense no
mapa das
melhores
empresas do
distrito de
Castelo Branco
e com projeção
internacional.
4
Novos e velhos projetos
Orvalho tem um projeto para a criação
de uma central de biomassa, já com alvará. Se avançar, representa três dezenas de postos de trabalho e empregos
indiretos na floresta.
Narciso Guimarães nasceu em
Guimarães e chegou a Oleiros em
1999 para assumir a direção da Steiff.
Para este forasteiro “Oleiros tem a particularidade de ter poucos habitantes e
ser complementar no que toca ao tecido empresarial. Aqui temos sobretudo
mão-de-obra feminina. Nas empresas
de madeira a mão-de-obra é masculina. Assim, muita gente fica por cá.”
Trabalha-se ao som de música.
Quer se borde um nariz ou se dê um
retoque na pintura de um peluche,
a regra é a mesma: qualidade máxima. As 103 trabalhadoras foram todas formadas na empresa. Foi esse um dos motivos para a escolha de
Oleiros.“Tinha que ser um local onde
não houvesse alternativa. Demora-se
muito tempo a formar os colaboradores e se estivessem sempre a trocar de
emprego não conseguíamos fazer isto.”
Na Steiff os níveis de produtividade são superiores à média nacional,
os tecidos são importados e a certificação feita por empresas alemãs.
A mão-de-obra é nacional. “Temos
muitos pedidos de emprego e começamos a encontrar pessoas que nem
são de cá”, diz Narciso Guimarães.
Amélia Ribeiro e João Paulo Ribeiro não tiveram que ir muito longe para
revolucionarem o negócio de pirotecnia da família e o afirmarem à escala
nacional e internacional. Nos escritórios, Santa Bárbara zela pelos 40
trabalhadores, mas a segurança não
é uma questão de fé: “Estamos todos
separados, não trabalham mais de duas pessoas juntas, cada divisão é construída com um objetivo. Nada é fruto do acaso”, explica Amélia Ribeiro.
A Pirotecnia foi fundada em 1948 pela tia-avó dos proprietários e herdada pelo
pai. Foi um pirotécnico de Santarém que
passou a João Paulo contactos em Valência, Espanha, a que as Fallas deram fama. João Paulo foi a Valência, conheceu
novos materiais e técnicas, participou
nas Fallas e regressou a casa. A busca
de novos clientes conduziu-o à Câmara
de Cascais, que lançava a “Festa da Baía”.
“Foi a rampa de lançamento. Vínhamos
com todas as novidades de Espanha, já
com disparo elétrico”, revela Amélia.
Em 1997 criaram, com mais quatro
empresas, o consórcio Lusopirotecnia,
responsável pelos espetáculos de fogo-de-artifício da Expo ‘98. Hoje, agregadas ao grupo, têm empresas em Macau
e Singapura.
As câmaras municipais investem menos em pirotecnia e é o mercado externo que equilibra as contas.
Em 2011 a faturação foi de 1,7 milhões
de euros, uma quebra face a 2010.
2
45
1 2 A Vidrorei está implantada numa
das zonas industriais de Vila de Rei
3 Os bonecos da alemã Steiff nascem
em Oleiros
4 A Estrela da Beira abastece as
grandes superfícies nacionais
MONTEPIO VERÃO 2012
2
a minha cidade
REPORTAGEM
mercado de trabalho
OBJETIVO
Aposta no Turismo
C
om a
paisagem
recuperada, Vila de Rei
volta a apostar no
turismo. Além de
ostentar o título de
centro geodésico
de Portugal, onde
está instalado
o Museu da
Geodesia, o
concelho tem
50 quilómetros
de margem da
barragem de
população envelhecida e fixar a mão-de-obra feminina. Os lares da Misericórdia são os principais criadores de
emprego. Foi, efetivamente, a abertura
da unidade de cuidados continuados,
em 2011, que fez baixar os níveis de desemprego para os 4,71% .
A criação desta unidade veio trazer mão-de-obra especializada a Vila
de Rei que, em dez anos, registou um
aumento populacional de 2,8%. Com
três zonas industriais, que acolhem
projetos como a Vidrorei, e apoios às
empresas, há uma preferência pelas pequenas e médias estruturas.
“É mais fácil acudir a cinco ou a dez ao
mesmo tempo do que a 50 ou a 200!”,
assume o vereador Paulo César.
INICIATIVA INDIVIDUAL
Regresso às origens
46
N
a Casa dos
Hospitalários, além
do sossego e da
paisagem, a simpatia
de Amélia Dias é garantida.
Nascida em Álvaro, partiu
depois de casar até que as
saudades que o marido sentia
da aldeia, no concelho de
Oleiros, falaram mais alto.
Recuperaram a casa dos avós
de Amélia, onde esta passou
grande parte da infância.
Os tetos apainelados da sala
de estar não puderam ser
todos salvos, mas os painéis
transformaram-se
em quadros, espalhados
pela casa. O exterior
foi mantido com apoio
da autarquia.
A quem quiser aprender,
Amélia ensina receitas,
pontos de bordar e
os percursos que levam aos
meandros do Zêzere. A velha
aldeia – onde o lar é o maior
criador de emprego – já não
fervilha de artes e ofícios
mas o casal está satisfeito,
se bem que Amélia sinta
a falta do bulício citadino.
Ganham os hóspedes, para
quem se excede em simpatia,
mimos, bolos e compotas
para o pequeno-almoço.
MONTEPIO VERÃO 2012
Castelo de Bode.
Os verões quentes
do centro do
País podem ser
atenuados em
praias como
Fernandaires (em
plena barragem)
ou Penedo
Furado e Pego
das Cancelas, que
aliam paisagens
verdejantes
à frescura de
regatos
de montanha.
f ÁLVARO,
aldeia de xisto
do concelho de
Oleiros, foi o local
onde Amélia
Dias criou o
seu turismo de
habitação, a Casa
dos Hospitalários
Aposta na economia social
Ao chegar a Vila de Rei tudo tem um
ar recente, aliás a localidade cresceu
exponencialmente nos últimos 20
anos. Pouco depois de Irene Barata
assumir a presidência da Câmara, o
fogo que assolou a região pôs no ar a
ameaça da debandada da população.
A solução foi apostar na economia social para responder às necessidades da
Tradição em grande escala
Na Estrela da Beira, em Milreu, sente-se o cheiro a lenha. Fornecedora dos
enchidos das principais cadeias de distribuição, a empresa aposta na tradição como garantia de qualidade: o tempero inclui vinho e alho, o fumeiro é
alimentado com azinho do Alentejo e
os enchidos são feitos à mão.
José Manuel Madeira, sócio fundador, está no negócio desde os anos 70.
Na aldeia a fábrica não pode crescer
mais. Tem projeto aprovado para mudar mas a construção não é para já.
Outra preocupação foi acompanhar
as exigências do mercado mas sem devaneios gastronómicos. “Um chouriço tem que ser sempre de porco, não
há chouriço de peru ou bacalhau, pelo
menos na Beira Baixa”, diz Francisco
António, responsável pela qualidade.
2
a minha cidade
ENTREVISTA
COMUNIDADE
O TRUNFO DA
CERTIFICAÇÃO
EM VILA DE REI DESDE
1995, A VIDROREI TEM
APOSTADO NA TECNOLOGIA
E NA CERTIFICAÇÃO PARA
DISTINGUIR O SEU PRODUTO
POR SUSANA TORRÃO
FOTOGRAFIA ARTUR
47
Carlos
Dias
sócio
Vidrorei
Em destaque
INVESTIMENTO
CONSTANTE
A empresa chegou
há quase 20 anos
a Vila de Rei, onde
não havia outra
estrutura
do género.
De então para
cá, os sócios
investiram em
tecnologia
e conseguiram a
certificação
do vidro
Carlos Dias tem 49 anos e
trabalha no setor do vidro
desde 1981. Quando, em meados dos anos 90, saiu da empresa a que estava ligado, em
Tomar, decidiu explorar novos mercados. “Fomos cinco a
sair da empresa e procurávamos um local onde não existisse nenhuma vidreira”, recorda. A opção por relançar
a vida profissional coincidiu
com o momento em que a Câmara de Vila de Rei assumiu
o propósito de desenvolver a
autarquia criando, entre outras estruturas, zonas industriais que atraíssem novos empresários ao concelho. Como
em todos os setores o negócio
tem tido altos e baixos mas,
embora regresse ao Ribatejo todas as noites, Carlos tenciona manter-se profissionalmente beirão.
A empresa instalou-se em
Vila de Rei em 1995. Nos primeiros cinco anos funcionou
em instalações arrendadas,
tendo a estrutura atual sido
criada em 2000, na zona industrial, às portas da vila.
Na altura o terreno foi barato
devido aos apoios dados pela
autarquia, sendo contudo necessário um grande investimento no desaterro e preparação do lote. Além da ausência
de concorrência, Vila de Rei
seduziu os sócios (hoje reduzidos a dois) pela localização:
“É um ponto central. Ficamos
próximos de Proença-a-Nova, Sertã, Abrantes, Tomar...
Foi essa a análise que foi feita.”
“Viemos para aqui quando se começou a gastar o vidro duplo em Portugal. Apostámos em investir numa linha de vidro. Comprámos
uma máquina em 1997 e outra nova em 2000. O que nos
tem mantido é a tentativa de
acompanhar as tendências
do mercado”, assume Carlos.
O último investimento – na ordem dos 150 mil euros – foi realizado em 2011, numa bancada de corte laminado e na ampliação do pavilhão.
Vidro certificado
Além da experiência dos sócios no setor, outro dos trunfos da Vidrorei é a certificação do vidro que produz.
Com as serralharias como
principal cliente, os responsáveis da Vidrorei tentam agora diversificar o negócio para
responder à conjuntura económica e à quebra no setor
da construção, que começa a
sentir-se.
O volume de trabalho mantém-se mas os pagamentos demoram, pelo que Carlos e o
sócio decidiram complementar a atividade com serviços de restauro e montagens.
E, embora o grosso da faturação continue a resultar do fabrico do vidro duplo, o esforço conseguiu evitar quebras:
depois de subidas de faturação constantes, há três anos o
volume de negócios estagnou
em valores na ordem dos 50
mil euros.
Hoje a Vidrorei emprega
15 pessoas, todas residentes
em Vila de Rei, à exceção dos
dois sócios que todas as noites
regressam a Tomar. A possibilidade de partir para um novo destino está posta de lado.
“Fomos ficando e já não vamos
sair daqui. Pelo menos não estamos com esse intuito.”
MONTEPIO VERÃO 2012
QUEM PENSA NO FUTURO
EM PORTUGAL?
PROSPETIVA
HÁ ESPECIALISTAS, FILÓSOFOS
E DOCUMENTOS QUE AJUDAM
A CRIAR CENÁRIOS POSSÍVEIS
PARA O FUTURO DE PORTUGAL
E NOS COLOCAM A FACA
E O QUEIJO NA MÃO.
COMO SERÁ O PAÍS
DAQUI A 20 ANOS?
POR RITA PENEDOS DUARTE
48
Procurar reconhecer o futuro nos
dados fornecidos pelo presente não
é uma arte, é uma ciência. Nos anos
60 surgiu em França uma metodologia científica – a prospetiva – que permite fazer uma previsão a longo prazo no domínio das ciências humanas.
“Se pudéssemos definir, é uma forma
estruturada, que deve ser sistemática
e organizada, de pensar e agir sobre o
futuro”, define Paulo Soeiro de Carvalho. A exercer funções como diretor
municipal de Economia e Inovação
na Câmara Municipal de Lisboa, tem
cerca de 12 anos de experiência em
projetos de prospetiva e cenários de
âmbito nacional e regional e desenvolve atividades de docência, formação e investigação na área. “Uma das
palavras-chave da prospetiva é o futuro, mas no sentido de antecipá-lo para sermos mais ágeis a reagir e também para identificar oportunidades.”
Porém, hoje em dia enfrentamos
novos desafios já que, “mesmo nos
modelos macroeconómicos mais
sofisticados, as previsões falham sistematicamente. Não porque o modelo
esteja errado, a realidade é que se tem
comportado de forma a que os modelos de previsão têm dificuldade em lidar com algumas questões”.
Com base neste processo, em novembro de 2011 foi apresentado o documento “A Economia Portuguesa a
Longo Prazo – um Processo de Cenarização”, elaborado no âmbito do Projeto HybCO2 e financiado por fundos
MONTEPIO VERÃO 2012
nacionais, através do Departamento
de Prospetiva e Planeamento e Relações Internacionais da Fundação
para a Ciência e Tecnologia. Realizado por uma equipa multidisciplinar –
que incluiu Paulo Soeiro de Carvalho
–, apresenta dois futuros possíveis para Portugal até 2050. “Apesar do atual
contexto de crise, assumiu-se deliberadamente que nenhum dos cenários
seria catastrófico, existindo, em ambos, alguma capacidade de gerir as
crises mais graves que Portugal enfrenta a curto e médio prazo”, indica.
No primeiro cenário, designado
por “Bem-vindos”, descreve-se um
mundo instável no qual a Europa
enfrenta crises cíclicas. Em Portugal observa-se a “coexistência entre
indústrias/setores de produtos pouco
diferenciados, com margens baixas, e
produtos de elevado valor acrescentado e intensidade competitiva. A concentração no setor do Turismo, com
vantagens para a ‘economia do mar’,
agricultura de especialidades e produtos gourmet, contrasta com uma incapacidade de posicionamento face às
novas vagas de investimento em áreas
tecnológicas, com exceção do setor saúde/farmacêutico”.
O segundo cenário, “Não podemos
falhar”, prevê uma “forte aceleração
e convergência tecnológica em torno
das nanotecnologias, biotecnologias,
tecnologias da informação e comunicação e cognociências. Encontra-se capacidade para antecipar novas
necessidades globais e adequar recursos e funções às novas cadeias de
valor; ascensão nas cadeias de valor
das indústrias tradicionais; ligações
a projetos de ponta internacionais
no cluster aeronáutica/aeroespacial”;
e, num segundo período, afirmação
do País como exportador de veículos
elétricos, produtor de hidrogénio e líder em nichos de mercado no pólo de
saúde, conseguindo um elevado número de patentes e desenvolvimento
2
a minha cidade
FUTURO
Eduardo Lourenço
Filósofo
O
filósofo,
ensaísta e
prémio Pessoa
2011 afirma
que " já não
estamos no ‘sei
o que quero e
para onde vou.’
Nem Portugal
nem ninguém
sabem para
onde querem ir.
O que é novo é
isso” . Uma das
razões para o
desnorte vem
do facto de o
mundo ter sido
apanhado de
surpresa. “A Europa dominou o
mundo durante
500 anos e tudo
isso acabou.
Éramos os
reis do mundo
e vivíamos
na convicção
de que não
mudaria.
"Mas porque
ninguém
o previu?"
“Pensavam
ter o poder
diabólico de
fabricar dinheiro a partir de
dinheiro, como
quem fabrica
notas falsas.
Um Alves dos
Reis à escala
planetária. Mas
não dominavam a máquina.
Fizeram
tanta coisa e
os efeitos de
comunicação
são tão rápidos
que entrámos
na fábula do
Aprendiz de
Feiticeiro”,
continua. “Essa
gente que nós
pensávamos
terem luzes
e dominarem
minimamente
o futuro, de
repente são
eles próprios
apanhados
no vendaval.”
Para Eduardo
Lourenço a
crise atual veio
acentuar o que
já estava latente e teve efeitos
imediatos para
a maioria dos
países europeus, sobretudo
para aqueles
que têm mais
dificuldade
em assegurar
um estatuto
comparável
ao modelo que
a Europa tem
dado. Para
Portugal o
efeito foi tanto
mais surpreendente “porque
estávamos
convencidos de
que o ingresso
na Europa era
uma entrada
numa casa rica,
em relação à
qual sempre
alimentámos
um sonho,
sendo o mais
coletivo e
famoso o da
emigração
– também
ela quase
coletiva – que
os portugueses
fizeram na
década de 60”,
acrescenta.
E não deixa de
fazer uma comparação com a
situação atual:
“Desta vez,
a emigração
não é dirigida
às pessoas do
Portugal profundo, ligadas
à terra. É sim a
da flor do País,
da juventude
que começa
a ter grandes
dificuldades em
viver o presente
e assegurar o
seu futuro mais
imediato. Esta
classe social
que não estava
habituada
a pensar na
emigração é
uma coisa nova,
que provavelmente também
acontece
noutros países
da Europa.”
De qualquer
forma, “se
existe solução
para Portugal,
é no quadro
de uma das
duas europas
existentes:
aquela à qual
pertencemos
e a que é
representada
pela Inglaterra”.
Um país
com quem o
nosso tem “uma
ligação histórica – tirando
o episódio
desastroso
do Ultimato.
Há pessoas
que pensam se,
em vez de nos
associarmos
à Europa, não
deveríamos
ter apanhado
o barco inglês
que, depois de
tantos séculos,
ainda não
naufragou”.
Mas é para
outra nação
que as atenções
devem estar
viradas. “Toda
a Europa está
dependente da
Grécia, mesmo
a Alemanha.
Se ela saísse
ficaríamos
numa confusão
extrema e o
sonho europeu,
pelo qual
temos lutado
penosamente,
acabaria.” Para
este europeísta
assumido,
as eleições
em França
parecem trazer
uma nova
esperança.
MONTEPIO VERÃO 2012
49
2
a minha cidade
CRÓNICA
VITORINO
Esta cidade
50
QUE EU
AMO,
EM LETRA
DE FADO
CORRIDO
1º Andamento
É fácil para um provinciano profissional localizar ou decidir qual é a sua cidade de eleição:
normalmente será aquela onde nasceu, cresceu e vive, onde organizou um estável e confortável quotidiano, saboreando o lento passar
dos dias, acompanhado dum salário sonante,
empregozito com reforma assegurada e pouca
emoção ao jantar.
Já será mais difícil para quem tem trabalho precário e pesado e cresceu numa cidade
onde lhe tocou na sorte a periferia, andou numa escola sem cantina, cresceu com pais muitas vezes desempregados, desorganizou a adolescência abandonado à sua sorte e não chegou
a assentar os pés no chão.
O provinciano profissional e quieto ama até
às lágrimas e ao medo de perder o pé a cidadezinha onde nasceu, vive e não faz ondas.
O outro desinquieto não sabe muito bem de
que cidade é que gosta: se daquela onde nasceu
e cresceu aos empurrões, ou da outra onde vive agora, porque foi lá que encontrou trabalho
precário e onde a segurança social lhe tratou
do desemprego, e se der pró pior virá meter os
papéis para o rendimento de inserção social,
versão minimalista do ministro da insegurança em exercício.
MONTEPIO VERÃO 2012
2º Andamento
Calha-me agora dizer qual é a cidade que eu
amo, acompanhado à guitarra folk de 12 cordas.
E é muito fácil, primeiro porque sou provinciano mas pouco profissional, e depois porque
gosto de todas onde passei e vivi, muito especialmente daquelas onde assentei praça como
hippy amador.
Para muitas delas dirigi-me à boleia com
uma mochila de lona, um saco de dormir colorido e uma guitarra de seis cordas para fazer
género pois mal sei tocar.
Depois, mais tarde, quando comecei a cantar mais a sério, é que foi abundância, pois corri muito mundo à custa do canto, e de avião,
comboio e outros meios de transporte rápidos.
E de tanto e bom mundo que corri, fui ficando
aos bocados pelas cidades do Sul. É pra lá que
as minhas lembranças voltam sempre, é lá que
guardo a memória do calor, dos sons e da cor
da água do mar.
Também é do Sul a surpresa de um sorriso
nunca desdenhado, ainda que passando mal,
com um dia difícil, com arroz e feijão quase fora do alcance, e mesmo assim a generosidade
de um sorriso escancarado e libertador.
Final: “Não existe pecado do lado de lá
do Equador”
La Habana, Salvador da Baía, São Paulo, Rio de
Janeiro, Buenos Aires, são todas minhas ou eu
sou delas, não têm dono, nem eu.
Lisboa olha pra mim desconfiada da minha
nostalgia, mas sabe que é para ela que eu volto
sempre. Évora está tão longe como daqui à minha adolescência tardia. Um dia destes ainda
volto para o princípio e será lá que vou encontrar a minha cidade – esta cidade que eu amo
(cantado).
A MINHAECONOMIA
PRODUTOS FINANCEIROS,
SUGESTÕES E
EMPREENDEDORISMO
página 52
página 55
página 58
página 61
LAZER
ESTRATÉGIA
OPINIÃO
Em ano de crise
planeie as férias de verão
de modo a poupar no
orçamento
Vender eletricidade
pode revelar-se um bom
investimento. Saiba como
pode tornar-se produtor
de energia
FINANÇAS
PESSOAIS
Depois da reforma saiba
o que fazer para beneficiar
as suas finanças
Helena Sacadura Cabral
traça o retrato económico
do País em 2030
3
a minha economia
LAZER
FÉRIAS
DE VERÃO
PLANEAR
É POUPAR
UMA VIAGEM TRANQUILA
E SEM GASTAR MUITO
DINHEIRO COMEÇA MUITO
ANTES DO EMBARQUE.
SAIBA O QUE NÃO PODE
FALTAR NA SUA BAGAGEM
POR RUTE MARQUES
ILUSTRAÇÃO CARLOS MONTEIRO
52
As férias de verão estão quase a
chegar e, por mais que estes dias
sejam bem organizados, ninguém
está livre de imprevistos que podem
aumentar a conta final.
Se não se viu forçado a abdicar deste
período de lazer, é importante não esquecer que o segredo para não ter um
percalço financeiro passa por levar os
objetos certos na mala. Uma viagem
tranquila começa muito antes do embarque e o segredo é um planeamento
eficaz, capaz de prevenir imprevistos
que possam pôr em causa as férias e
o regresso à vida ativa.
O primeiro passo é pagar as férias
com dinheiro de um fundo de poupança. Se isso já não for possível, saiba
como o planeamento pode ajudar a
ter umas férias de sonho por um preço acessível. Poupar e planear são as
palavras de ordem.
MONTEPIO VERÃO 2012
01
03
Documentação
No espaço Schengen as
formalidades são poucas
e o Bilhete de Identidade/
Cartão de Cidadão é suficiente para circular livremente. Fora deste espaço,
não se esqueça do passaporte atualizado. Se for
para os Estados Unidos
da América, não necessita de um visto de entrada
mas terá que preencher
um formulário eletrónico,
via internet, com 72 horas
de antecedência em relação à data de embarque
e esperar a autorização –
que é válida por dois anos.
DICA: Quando chegar
ao destino deve depositar
os documentos originais
e os bilhetes de viagem
nos cofres do hotel.
Na maior parte dos países
basta exibir fotocópias
autenticadas pelos hotéis.
Em caso de perda de documentos, tem que contatar
imediatamente os postos
consulares e embaixadas
de Portugal no estrangeiro.
Saúde
CARTÃO
DE CRÉDITO
Este "pedaço de plástico"
pode ser utilizado em
lojas, restaurantes, hotéis,
e servir como garantia
em caso de aluguer de
um automóvel e, em último
caso, permite levantar
dinheiro a crédito num
ATM. Contudo, modere
a sua utilização e não gaste
mais do que o planeado.
DICA: Pode sair dispendioso. Se viajar para um país
da União Europeia, Noruega,
Islândia, Liechtenstein,
Suíça, Mónaco... – SEPA*,
não tem custos ao fazer
pagamentos com o cartão
de crédito. Já se levantar dinheiro, paga 3,33%
do valor do levantamento
acrescido de 1,5 euros
e comissão de serviço
de 1,7%. Se as férias forem
para fora de um destes
territórios, fica ainda
mais caro.
Pagamentos
Na Europa ou em qualquer
outro continente não
deve transportar muito
dinheiro "vivo" consigo
sob pena de ser assaltado.
No entanto, precisa de ter
algum dinheiro disponível
para fazer face às pequenas
despesas diárias e para
casos de emergência,
como a perda de um cartão
bancário.
DICA: Sempre que o
destino for fora da Europa
dirija-se a uma consulta de
saúde do viajante. Poderá
avaliar as condições de
saúde antes e depois da
viagem, obter conselhos
médicos, medicamentos
que deve levar e as vacinas
necessárias.
SEGURO DE VIAGEM
CHEQUES
DE VIAGEM
02
Se tiver um problema de
saúde num país da União
Europeia, Islândia, Liechtenstein ou Noruega,
tem direito a receber tratamento mesmo que não
tenha dinheiro, desde que
peça o Cartão Europeu de
Seguro de Doença antes
de seguir viagem. Caso recorra ao serviço de saúde
de um destes países conserve as faturas, receitas
e recibos. Depois é só solicitar o reembolso no país
de origem ou no de visita.
Pode obter o cartão gratuitamente junto da Segurança Social.
Caso o destino seja urbano este pode ser um meio
seguro e fácil de fazer pagamentos, pois os cheques
têm que ser todos assinados. Têm ainda a vantagem
de permitir o reembolso em
caso de perda ou roubo.
A emissão dos cheques de
viagem custa 1% do valor.
DICA: Anote o número dos
cheques e dê baixa dos que
utilizar, pois será mais fácil cancelar se tiver algum
azar. Guarde no hotel os
cheques que não utilizar
e assine-os só quando os
descontar.
O Cartão Europeu de Seguro
de Doença não substitui
o seguro de viagem, dado
que nem sempre cobre
todas as despesas médicas
e nunca cobre as despesas
de repatriamento nem os
serviços de salvamento em
zonas de montanha, pelo
que é conveniente fazer um
seguro de viagem específico
para cobrir esses riscos.
DICA: O Seguro Check
in do Montepio protege
a família em caso de
acidente durante a viagem.
Não tem período de
carência, é válido durante
30 dias e tem cobertura
em todo o mundo.
04
Cartão
de crédito
Um cartão de crédito
é indispensável em
viagem. A maior parte
dos proprietários não
sabe mas muitos têm
seguros incorporados,
como de proteção em
acidentes pessoais em
viagem ou assistência
em viagem a veículos.
É conveniente, flexível
e oferece segurança.
É mais prático do que andar com dinheiro e pode
ser cancelado imediatamente em caso de roubo.
Vale a pena ter alguns
cuidados especiais: antes de sair verifique qual
é o limite de pagamentos,
a data em que expira e
anote o número de emergência no estrangeiro.
É ainda conveniente ter
em atenção as taxas aplicadas em caso de cash
advance para evitar despesas indesejáveis.
DICA: Com o Cartão Sentidos, o Cartão de Crédito do
Montepio, em cada utilização acumula pontos que
lhe dão acesso a um mundo de novas experiências
da Odisseias.
Tem incorporado um seguro de proteção ao cartão
em caso de extravio, perda, furto ou roubo, e o cartão de saúde SOS (consultas domiciliárias 24 horas
por dia, atendimento
médico telefónico e descontos em hospitais,
clínicas e médicos convencionados).
* SEPA (SINGLE EURO PAYMENT AREA/ÁREA ÚNICA DE PAGAMENTO EM EUROS) É UMA ZONA ECONÓMICA COMPOSTA POR 31 PAÍSES. OS CIDADÃOS PERTENCENTES A ESTA ÁREA PODERÃO
EFETUAR E RECEBER PAGAMENTOS, DENTRO OU FORA DAS SUAS FRONTEIRAS, SOB AS MESMAS CONDIÇÕES, DIREITOS E DEVERES, SEJA QUAL FOR O DESTINO DE ORIGEM.
MONTEPIO VERÃO 2012
53
3
a minha economia
LAZER
férias de verão
FAÇA A LISTA
A não esquecer
7 dicas para viajar tranquilo
f RENOVAR A DOCUMENTAÇÃO
Tem a certeza de que os seus
documentos estão todos dentro
da validade? Verifique com a
antecedência devida para poder
remediar a situação.
05
Transportes
Vai de automóvel, de avião, de bicicleta ou a pé? Seja qual for o meio de
transporte que escolheu para partir
à aventura, é sempre importante que
esteja preparado e não se esqueça de
nenhum documento.
AUTOMÓVEL
54
Se vai sair de Portugal de carro, fique
a saber que a carta de condução
nacional só é reconhecida nos países
da União Europeia e em alguns
estados de língua oficial portuguesa.
As autoridades de cada país
(embaixadas e postos consulares)
informam sobre os documentos
necessários para cada território.
Assegure-se de que também tem
o certificado de matrícula e a
carta verde.
AVIÃO
f VACINAS
Se optou por viajar no conforto do
avião, tenha cuidado extra com a
bagagem. Todas as malas devem estar
bem fechadas e identificadas. Deve
ainda definir o que vai na bagagem
de mão e para o porão – só pode levar
pequenas quantidades de líquidos
na bagagem de mão (100 mililitros),
embaladas num saco de plástico
transparente.
Antes de partir faça uma lista com o
que vai levar mas tenha em atenção
os artigos proibidos e o peso limite
da bagagem. Uma vez excedido
este peso é cobrada uma taxa extra.
Os medicamentos, produtos dietéticos
ou comidas de bebé para consumo
durante a viagem só são permitidos
na bagagem de mão mediante
comprovativo médico da sua
necessidade durante o voo.
Regra geral, não se exigem vacinas nas
deslocações dentro da UE. Contudo,
há exigências ou recomendações para
determinados territórios ultramarinos
de países da UE.
Antes de partir, consulte o seu médico
ou o sítio da Organização Mundial
de Saúde.
DICA: Para evitar multas desnecessárias, quando estiver a planear a
viagem de automóvel não se esqueça de pensar em aspetos como o aluguer do carro no país em questão, os
limites de velocidade e as regras de
segurança rodoviária.
DICA: As condições de peso e dimensões de transporte de bagagem de mão
variam consoante a operadora, principalmente entre as companhias low
cost. Conte com esse valor quando estiver a fazer o plano de férias.
f GUIAS E MAPAS DE VIAGEM
Uma viagem bem planeada é a melhor
solução para não gastar dinheiro
desnecessariamente. Não se esqueça
de levar os guias na bagagem.
f TAXAS EXTRA DE VIAGEM
Às vezes o barato sai caro. Esta dica
é útil quando se compra a viagem de
avião. O preço anunciado dos bilhetes
já deve incluir tarifas, impostos, taxas
e outros encargos.
f MEDICAMENTOS
Caso transporte medicamentos sujeitos
a receita médica, leve também a
receita. Não exceda as quantidades de
que necessita durante a viagem porque
grandes quantidades de medicamentos
podem levantar suspeitas.
f ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO
PARA O ANO...
Prepare as férias!
^ FAÇA UM PLANO
Decida qual é o destino e
quanto quer gastar. Este
plano deve contemplar
tudo, desde o preço do
avião até às revistas que
prevê comprar durante
a estada.
^ POUPE PARA
O LAZER
Se as suas férias são
de sonho e planeia
gastar algum dinheiro,
MONTEPIO VERÃO 2012
comece a fazer cortes
nas despesas mensais
para aumentar a fatia
do orçamento familiar
que será destinada às
férias.
^ ABRA UMA CONTA
POUPANÇA
Uma vez estabelecido
o valor mensal que
pretende canalizar
para as férias, o ideal é
colocar esse dinheiro
numa conta poupança.
Não rende juros
elevados mas permite
reforços mensais.
^ CUMPRA O PLANO
Alguns sacrifícios
no presente irão
compensá-lo no futuro.
De nada adiantará o seu
plano de férias se não
fizer por cumpri-lo. Seja
rigoroso e incuta esse
pensamento na família.
Quer levar o seu cão ou gato de viagem
pela Europa? Basta tirar o “passaporte
para animais de companhia”, emitido
por qualquer veterinário. Para poderem
viajar, os animais devem ainda ter um
microchip ou uma tatuagem legível. Se
não vai levá-los consigo, a escolha mais
acertada é deixá-los com familiares,
amigos ou num hotel para animais.
f CÂMBIO
Se precisar de trocar moeda, faça-o
em Portugal, no seu banco, onde terá
acesso a uma taxa de câmbio real e a
comissões mais baixas. Acompanhe
a taxa de câmbio de referência diária
no Banco de Portugal e faça a troca
numa altura em que seja favorável.
INVESTIR
COMO VENDER
A SUA ELETRICIDADE
3
a minha economia
ESTRATÉGIA
O SOL NÃO É SÓ SINÓNIMO
DE VERÃO. PODE SER
A FONTE PARA INVESTIR
NA SUA ELETRICIDADE
POR NUNO SILVA
Financiamento
a pensar na
energia limpa
Alguma vez pensou que podia produzir energia elétrica na sua casa, a partir do Sol, e vendê-la a outros consumidores? Se nunca teve este sonho, a
verdade é que muitas pessoas já o tornaram realidade. Entre 2008 e 2012
foram registadas mais de 19 mil unidades de microgeração em Portugal,
isto é, unidades de produção de eletricidade através de fonte renovável de
baixa potência e origem solar.
Se não tem capacidade
para adquirir o seu equipamento de energias
renováveis, há soluções
financeiras de crédito especificamente concebidas
para apostar no seu “lugar
ao sol”. O crédito de energias renováveis do Montepio permite o financiamento a 100%, podendo
pagar até 120 meses (10
anos) e num montante
máximo de 10 mil euros
(30 mil euros, se destinado a microprodução de
energia).
Juntando o seu esforço financeiro ao apoio do Montepio, poderá financiar um
planeta mais limpo e cobrir as prestações do empréstimo com as receitas
da produção elétrica dos
seus painéis solares.
SAIBA MAIS
www.montepio.pt
55
3
a minha economia
dido e nos restantes sete do prazo de
15 anos seguirá a tarifa de referência
estabelecida à partida.
ESTRATÉGIA
VOXPOP
Sol para o futuro
H
56
á três anos, Rui
Borges apostou
no Sol como
investimento através de
um empréstimo bancário
destinado a energias
renováveis. Hoje, o gerente
de restauração está a
colher os frutos dos painéis
solares instalados “às
portas” da serra da Estrela,
em Seia.
“O objetivo era investir no
futuro através de energias
renováveis”, justifica Rui
Borges, que acredita que
a sua aposta “compensa,
mesmo no inverno”.
São as faturas da EDP que
ilustram os resultados
deste microprodutor de
eletricidade. Nos meses
mais quentes do ano,
como agosto, a fatura do
que produz chega a ser
quatro vezes superior à do
que consome, enquanto
nos meses mais frios as
receitas da produção são
praticamente o dobro das
despesas de consumo.
São estes números que
suportam o otimismo
deste que é um dos 894
microprodutores de
eletricidade com fonte
solar do distrito da Guarda.
“Estou convencido que
em cinco anos pago o
aparelho", conclui.
MONTEPIO VERÃO 2012
Apoio nos impostos
O Estado dá uma ajuda neste esforço
ecológico de mudança de paradigma
energético: uma dedução em sede de
IRS de 30% do montante do custo do
equipamento, com um limite de 803
euros. Mas há mais incentivos para
quem pretende vender eletricidade.
Depois de instalado o equipamento, registado no Sistema de Registo
de Microprodução (SRM) através do
Portal Renováveis na Hora, realizadas
as inspeções obrigatórias e emitido o
certificado de exploração, poderá beneficiar de um regime bonificado na
faturação da sua eletricidade vendida,
isto é, de uma tarifa que incentiva os
novos produtores em energias renováveis. Ou seja, nos primeiros 15 anos da
sua unidade de produção comprará a
eletricidade a um preço mais baixo do
que aquele a que vende.
Para conseguir tirar proveito de
um regime bonificado (ver caixa) através dos seus painéis solares, tem que
cumprir algumas regras de potência
de ligação e do local de consumo e ficará com uma tarifa definida para os
15 anos seguintes. Nos primeiros oito
anos existirá uma tarifa mais vantajosa por cada kWh (quilowatt-hora) ven-
Fazer as contas
Para fazer todos os cálculos associados à sua aposta na energia solar convém ser rigoroso a apontar os custos e
os rendimentos. Antes de mais, tem
que contabilizar os gastos com o equipamento fotovoltaico para produção
de eletricidade (ronda os 20 mil euros), os custos com o registo no SRM
(500 euros acrescidos de IVA) e fazer
uma estimativa dos retornos. O valor da tarifa de referência que os produtores caseiros podem cobrar pela
energia tem vindo a diminuir desde
2008 e em 2012 está nos 0,326 euros
por kWh para os primeiros oito anos
de microprodução (com uma redução
estabelecida anualmente). Só para ter
um termo de comparação, a tarifa no
regime geral atual está nos 0,1393 euros por kWh, valor que qualquer consumidor paga pela eletricidade consumida.
Contudo, se quer ser microprodutor
de eletricidade, tenha em conta que
se fizer este ano o seu registo e pedido de produção só terá possibilidade de entrar na quota de 2013 já que,
segundo a Direção-Geral de Energia e Geologia, a quota de 2012 já foi
superada pelos registos realizados.
Se a sua ideia é vender energia a Portugal, então aponte este endereço:
www.renovaveisnahora.pt
COMO FAZER
6 etapas para ser produtor
1 Registar a unidade
de produção no
Sistema de Registo
de Microprodução
(SRM) através do portal
Renováveis na Hora.
O custo é de 500€ + IVA.
2 Assegurar a
instalação do
equipamento
fotovoltaico por uma
entidade autorizada.
O custo pode oscilar
entre os 23 e os 25 mil
euros.
3 Garantir a
inspeção à unidade
de produção e
o consequente
certificado de
exploração.
4 Celebrar o contrato
de compra e venda
entre o fornecedor
e o produtor.
5 Começar a produzir.
No regime bonificado,
o preço que pode cobrar
pela eletricidade fixa-se em:
Ano 1 – Pode cobrar
a tarifa de referência
aplicável àquele ano.
Ano 2 a 8 – Há uma
redução anual dessa
tarifa, publicada
anualmente.
Ano 9 – Aplica-se
a tarifa estabelecida
no momento do registo
inicial.
Ano 10 a 15 – A tarifa
anterior reduz-se
mediante um fator
definido anualmente.
6 Na sua fatura de
energia saem cruzados
o custo do consumo
e a receita do que
produziu. A diferença
entra na sua conta.
3
a minha economia
FINANÇAS PESSOAIS
BEM-VINDO
À REFORMA
E DEPOIS
DO ADEUS?
SER PENSIONISTA
EQUIVALE A ESCREVER
UM NOVO CAPÍTULO
NA SUA VIDA QUE PODIA
TER COMO TÍTULO
“OS MELHORES ANOS”.
AS SUAS FINANÇAS PODEM
FAZER A DIFERENÇA
58
POR NUNO SILVA
A expressão “velhos são os trapos”
não deve ser estranha à maioria
dos portugueses, mas para os quase
dois milhões de residentes em
Portugal que têm mais de 65 anos
a expressão ganha outro relevo.
Se todo o esforço e atenção se centraram, desde tenra idade, num bom
planeamento financeiro para, na reforma, alcançar o descanso merecido, não deve ter motivo para deixar
de pautar a sua vida por finanças
pessoais saudáveis. Por si, pelos seus
filhos e netos que asseguram a sua
herança genética e podem herdar o
melhor dos ensinamentos sobre poupança e dinheiro.
O desafio de gerir um orçamento familiar para lá da reforma é, porventura, mais exigente que gerir um
orçamento na meia-idade. Segundo
o último estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento
Económico (OCDE) sobre reformas,
MONTEPIO VERÃO 2012
“Pensions at a Glance”, o valor da primeira pensão de velhice que um trabalhador português de salário médio
recebe é equivalente a cerca de 65%
do valor líquido do último salário em
idade ativa, o que significa que o poder de compra se reduz substancialmente.
Se juntar a isto a incerteza quanto ao sistema de Segurança Social,
ilustrada pela recente suspensão dos
subsídios de férias e Natal na administração pública, há algumas regras
de finanças pessoais que deve manter
e reforçar. Por exemplo, fazer um orçamento familiar para acompanhar e
controlar as suas despesas, estratégia
que vale para todas as idades.
^ São quase
dois milhões
os portugueses
com mais
de 65 anos
65,5%
É A TAXA de
substituição entre
o último salário de
um trabalhador com
vencimento médio
em Portugal e a
primeira pensão
de reforma
83,2
É A ESPERANÇA
média de vida aos
65 anos, segundo
os últimos dados
do INE
Orçamentar com eficácia
Imagine que juntou uma determinada quantia de dinheiro, digamos
25 mil euros, até à reforma. Quanto
tempo levaria com o seu estilo de vida a gastar esse dinheiro se mantivesse o padrão de consumo anterior à
aposentação? Por exemplo, se tivesse
um salário igual ao salário médio em
Portugal no final de 2011, 809 euros,
e ficasse na reforma com apenas 530
euros (65,5%, como indica a OCDE)
poderia ter que recorrer a uma percentagem das suas poupanças para ir
enfrentando o dia-a-dia. Ao ritmo de
250 euros por mês gastaria os 25 mil
euros em cerca de oito anos, o que o
deixaria demasiado exposto às novas
despesas que teria de enfrentar, especialmente com cuidados de saúde.
Planear é a grande arma. Para
tal, prever como será o novo padrão
de despesas nas suas novas rotinas
é fundamental para orçamentar os
anos dourados da sua vida. Algumas
despesas vão, provavelmente, crescer no orçamento, como as relacionadas com a sua saúde, mas outras
podem reduzir, como as relacionadas com os combustíveis e transportes, até porque a idade é um posto em
muitos serviços que têm um preço diferenciado e mais reduzido para aposentado.
Calculadas as despesas-tipo durante um mês, avance para a elaboração
do seu orçamento de reforma. Defina
como pretende gastar os rendimentos
SOLUÇÕES DE SAÚDE
Produtos à medida da sua reforma
^ PROGRAMA DE BENEFÍCIOS VITALIDADE +
Caraterísticas: Solução para seniores que agrega
um programa de saúde e um cartão de saúde.
Vantagens: Conjunto alargado e diversificado
de cuidados domiciliários, nas áreas de saúde,
acompanhamento e fisioterapia, entre outros.
Avaliação periódica das necessidades de cada
utente. Acesso prioritário às Residências Montepio.
^ CARTÃO TELE-VITALIDADE
Caraterísticas: Cartão orientado para a proteção
da saúde e bem-estar sénior.
Vantagens: Assistência permanente 24 horas por
dia, 365 dias por ano, incluindo aconselhamento
médico telefónico e assistência ao lar. Cobertura
nacional. Dispositivo de alerta portátil que o
acompanha num raio de ação de 200m2, além do
telefone especial instalado na sua residência.
COMO FAZER
Máximas
para
seguir na
reforma
^ CORTAR NAS
DESPESAS PARA
AUMENTAR POUPANÇAS
Como não se sabe o dia de
amanhã, o melhor é não
descurar o cuidado com
as suas contas em casa.
Aponte todas as despesas
e verifique o que pode
estar a fazer mal.
^ MAXIMIZAR OS
DESCONTOS
E BENEFÍCIOS
A antiguidade é um posto,
pelo menos em áreas como
os transportes ou a cultura,
por isso procure maximizar
estes benefícios,
minimizando as saídas do
seu orçamento.
^ PROTEGER A SAÚDE
A saúde é uma das áreas
que deve salvaguardar
e proteger, principalmente
na reforma. Apesar dos
custos com a proteção
poderem ser mais
elevados que nos seguros
de saúde antes da reforma,
a verdade é que para lá
dos 65 anos é normal ter
que recorrer a serviços
médicos.
^ GERIR BEM A DÍVIDA
Se tem créditos
ou financiamento,
mantenha níveis
confortáveis de
pagamento das
prestações.
Uma situação como
a recentemente vivida
por quem viu os subsídios
de férias e de Natal serem
suspensos pode constituir
um forte risco para
se conseguirem cumprir
as obrigações.
Previna-se contra
o inesperado.
MONTEPIO VERÃO 2012
59
3
a minha economia
FINANÇAS PESSOAIS
pós-reforma
As poupanças
na reforma
(de pensões, de rendas ou de investimentos) e mantenha uma margem
para continuar a poupar.
Alice Pereira
Reformada, 59 anos
Alice Pereira reformou-se
antecipadamente e confia
no seu seguro de saúde para
não ter surpresas quando
precisar de auxílio. “Com
um seguro sei que não
preciso de esperar porque,
na verdade, a saúde não
espera, especialmente numa
idade em que sabemos que
precisamos mais.”
60
Continuar a procurar juros
Existem soluções bancárias específicas
para reformados, como as contas Poupança Reforma, que permitem uma
isenção de pagamento de IRS para juros de saldos da conta até 10 500 euros,
mas exigem que quem as constitui não
tenha uma pensão superior a três vencimentos mínimos (1 455 euros).
Se a sua pensão permitir cobrir
as despesas mensais e ainda poupar
uma parcela do rendimento, então
pode encontrar contas bancárias que
pagam juros na ordem dos 4% por ano
(taxa anual nominal bruta). O importante é continuar a seguir as mesmas
regras de disciplina que tinha antes
de se reformar.
REFORMA
3 perguntas no momento da reforma
)1
COMO RESGAT
ATAR
UM PPR SEM
PENALIZAÇÕES?
O montante aplicado
num PPR pode ser
resgatado sem
penalizações fiscais no
momento da reforma por
velhice; da reforma do
cônjuge do participante
no PPR, se for um bem
comum do casal; por
reforma a partir dos
60 anos ou a partir dos
60 anos do cônjuge do
participante no PPR
se o regime de bens
do casal indicar que o
PPR é um bem comum
(só se podem resgatar
sem penalização as
entregas feitas há, pelo
menos, cinco anos. Para
resgatar a totalidade
sem penalizações terá
que ter entregue, pelo
menos, 35% do valor
MONTEPIO VERÃO 2012
do PPR
R antes da metade
da vigência do contrato
de PPR). Situações de
desemprego de longa
duração, de doença
grave no agregado
familiar ou de morte
do participante também
podem permitir o
resgate do montante
do PPR
R sem
penalizações.
)2
COMO PODE
FAZER O
REEMBOLSO DO PPR?
Existem várias opções
de reembolso:
^ receber o valor de
uma só vez;
^ receber o valor do
PPR como pensão
mensal para o resto
da vida;
^ receber o valor
conjugando estas duas
formas.
)3
COMO PROTEGER
A SAÚDE
DEPOIS DOS 65?
Muitos seguros de
saúde são concebidos
apenas para pessoas
com idade inferior a 65
anos, por isso uma boa
forma de se proteger
depois dessa idade
passa pelos cartões de
saúde, que possibilitam
descontos e acesso
a uma rede de serviços.
Assim, mediante
o pagamento de uma
mensalidade terá
sempre à disposição
cuidados médicos
e apoio domiciliário
com descontos.
Escolha um cartão com
descontos ajustados
ao seu perfil.
“Não ter tempo” não é desculpa para não poupar. Através
dos canais de homebanking
do Montepio pode subscrever o produto de poupança
que mais lhe convém, sem
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3
a minha economia
OPINIÃO
Helena Sacadura Cabral
Economista
terão que ir mais atrás, a
um tempo para eles sem
memória, que foi o da seRÃO
O
gunda ajuda externa* a
Portugal, em 1983, com tudo o que representou para
DIF
FERE
E
o País, então sob governo
EO
OS
S
de Mário Soares.
Em seguida a abordaComo é que, passados dezoito anos, se julgará “a crise dos anos 10” gem teria que colocar-se na perceção das razões
que levaram à crise americana do subprime e no
ou, de modo mais enfático, “a crise de 2008”?
Sugiro que esse olhar seja o dos adolescentes que hoje têm doze papel que a banca e as agências de notação fianos. Em 2030 cada um deles terá três décadas de vida, um nível nanceira tiveram na mesma, deixando-a eclodir,
escolar obrigatório razoável e, em princípio, estarão no mercado de por erro ou por considerarem que o mercado se
trabalho e serão independentes.
auto-regularia. Porque foi essa sistémica doença,
Três tópicos me parece não devem deixar de estar presentes nes- esse vírus ganancioso de um dinheiro sem consa análise: o euro, a política e a economia.
trapartida no mundo real, que alastrou à Europa
Relativamente ao primeiro, poderá muito bem ter acontecido e a endividou com as mais nefastas consequênuma de duas situações. Ou o euro é, ainda, uma moeda de que eles cias, tirando-lhe a dignidade.
se lembram, ou o euro que eles possuem é diferente daquele que
E perceberão, enfim, que esse velho Contiusaram na juventude. Dito de outro modo, ou Portugal, entretanto, nente, que se dizia unido, continha afinal no
abandonou o euro ou, apesar de se manter na sua zona de influên- seu seio os genes das patologias que o assolacia, usa um euro distinto, próprio dos países com uma economia ram. Com efeito, para além de uma moeda comais frágil. O milagre, a utopia, seria que possuíssemos o mesmo mum, as divergências entre os parceiros dessa
dinheiro...
comunidade eram enormes.
Quanto ao segundo tópico, terão que lembrar como se implanAssim, essa Europa não federada, que pentou a democracia partidária no País, os custos e benefícios duma sou poder fazer face ao poder dos Estados Unirevolução que, nessa data, terá meio século de vida. E também dos da América, acabou dominada por um mal
quais os partidos políticos
interno: o poder
que foram governo quandos mais fortes,
do eclodiu a crise, os quais
ou seja dos mais
determinariam as opções
poderosos, que,
tomadas.
sob as diretivas
Ou seja, terão em conta
do eixo franco
que a crise rebentou num
alemão, lhes digoverno de maioria absotaram o tratamento.
luta PS, a que se sucedeOs PIGS, ou
ria, até ao último trimestre de 2011 e após eleições,
seja, Portugal,
outro governo socialista de
Itália, Grécia e
maioria relativa. Este períEspanha, não puodo foi, assim, maioritariaderam sobremente gerido por governos
viver sem uma
com determinadas ideolonova ajuda exgias e esta questão está lonterna que, de alge de ser de somenos imgum modo, lhes
portância!
havia de consumir uma parte
Finalmente, no terceiro
ponto, abordarão a econodo seu atual premia. E aqui as recordações * A PR I M E IR A A J UDA EXTE R NA FO I PE DIDA EM 1977// 78
sente...
A crise: um olhar em 2030
Ou o euro é
uma moeda de
que se lembram,
ou o Euro que
possuem é
diferente do
que usaram na
juventude
MONTEPIO VERÃO 2012
61
3
a minha economia
FINANÇAS PESSOAIS
EMPREENDEDORISMO
CRIE O
SEU PRÓPRIO
EMPREGO
62
PERSIGA A SUA IDEIA E
NÃO DESISTA DOS SONHOS.
APESAR DE TODAS AS
DIFICULDADES, TER O SEU
PRÓPRIO NEGÓCIO É UM
DESAFIO ALICIANTE E
QUE PODE GARANTIR-LHE
UM FUTURO RISONHO
POR JORGE PIRES
As Pequenas e Médias Empresas
(PME) são bastante importantes
para a economia portuguesa.
Segundo dados do Instituto Nacional
de Estatística relativos a 2008,
as PME representavam 99,7% de todo
o tecido empresarial nacional,
empregavam 72,5% de todos os trabalhadores e realizavam 57,9% do
volume de negócios nacional.
vas oportunidades. Entendo que as
PME devem ter coragem para investir em Portugal com os olhos postos
no futuro.”
Se está a pensar lançar o seu negócio e criar o seu emprego, conheça
os principais aspetos que podem separar os casos de sucesso dos outros.
Prós e contras
Existem alguns fatores que podem
influenciar a dinâmica do empreendedor, nomeadamente em relação às
oportunidades e às ofertas. Do lado
das oportunidades, a sua ideia poderá sempre fazer a diferença em contextos de baixos níveis de desenvolvimento económico, já que reflete
um aumento do número de empreendedores no País, sobretudo devido
ao aumento da taxa de desemprego.
Além do desenvolvimento económico, também a evolução tecnológica
é essencial para que o seu negócio
avance com sucesso. A maioria das
PME apresenta evoluções tecnológicas assinaláveis, o que as torna empresas com tecnologia de ponta. Neste aspeto a globalização ganha uma
importância extrema, já que é possível ao empreendedor lançar o seu
^ SE QUER LANÇAR
O SEU NEGÓCIO
aproveite as ajudas das
associações de apoio ao
empreendedor
RETRATO
Perfil do empreendedor
O perfil ideal resulta da junção
de caraterísticas pessoais e
profissionais. Para Paula Hespanhol,
o perfil do empreendedor “não
só é importante como essencial.
Não existe uma fórmula para
o empreendedor de sucesso.
No entanto, existem algumas
caraterísticas fundamentais das
quais saliento: a aceitação do risco,
a autoconfiança e automotivação,
conhecimentos técnicos sobre a
atividade, capacidade de decisão
e responsabilidade, determinação,
iniciativa, capacidade de liderança
e não ter medo do fracasso”.
Descubra as caraterísticas principais
para o sucesso.
Confiança
^ A confiança no projeto e nas
99,7%
99,7
%
É A PERCENTAGEM
de representação
das PME no tecido
empresarial
nacional
1€
VALOR MÍNIMO de capital social
para criar uma empresa
60%
60
%
PERCENTAGEM
DO VOLUME
de negócios que as
PME representam
na economia
suas capacidades é determinante
para o sucesso. A sua autoconfiança
permite-lhe gerir tudo da melhor
forma, tanto ao nível da crença
nas suas capacidades como da
tranquilidade.
Motivação
^ A motivação poderá ser um
acrescento importante para que a
sua ideia se desenvolva como mais
deseja. Pode ser adquirida através
da realização pessoal e profissional
ou através dos vários momentos que
ocorrem nas 24 horas do dia.
Criatividade
^ A criatividade é a base do
sucesso, sobretudo quanto à ideia
que é a trave mestra do seu negócio.
Tenha sempre a capacidade
de encontrar respostas para os
problemas que aparecem.
Iniciativa
^ O espírito de iniciativa é um
facilitador na gestão da sua empresa
e pode contribuir para a resolução de
alguns problemas.
A capacidade de agir de maneira
diferente e de antecipar situações
pode conduzir a sua empresa ao
sucesso.
Integridade
^ A integridade é uma qualidade
que mostra bem o seu caráter no
dia-a-dia e em todas as situações.
Siga os seus princípios, seja honesto
e coerente.
Liderança
^ “Respeite seus soldados como
filhos e eles, de boa vontade, morrerão
consigo.” (Sun Tzu, em A Arte da
Guerra). Junte as “tropas” e lidere
a sua empresa da melhor forma. Use
a sua energia para mobilizar os outros
e motive-os rumo ao mesmo objetivo.
Negociação
^ O poder de comunicação aliado
à negociação são determinantes
para conseguir fazer acordos e
contratos que se podem revelar
essenciais ao futuro da sua empresa.
A capacidade de negociação pode
ser a peça-chave.
Perseverança
^ Alie a integridade à perseverança
e mantenha-se firme nos seus
objetivos e coerente com os seus
valores. Nunca desista à primeira
dificuldade e tente perceber quais
são os seus limites em todas as
situações.
Planeamento
^ Planear tudo da melhor maneira
é essencial para atingir os objetivos.
Seja a curto ou a longo prazo,
o planeamento permite que
a sua ideia entre em velocidade
de cruzeiro.
MONTEPIO VERÃO 2012
63
3
a minha economia
FINANÇAS PESSOAIS
empreendedorismo
64
produto em qualquer ponto do globo,
usufruindo das enormes facilidades
de transporte e de comunicação no
mercado global. Não obstante, a globalização também permite às grandes multinacionais entrarem nos
mercados, o que pode condicionar
sobremaneira as empresas mais pequenas ou alguns setores.
No que toca aos fatores que podem
tornar o empreendedor mais relutante a iniciar o seu negócio, podemos
destacar, por exemplo, setores relevantes como o agrícola ou o industrial, que têm vindo a perder importância, o que reduz grande parte das
oportunidades das empresas. A elevada taxa de desemprego também
pode funcionar como entrave ao empreendedorismo, na medida em que
poderá haver demasiados investimentos por parte dos desempregados
em criarem o seu próprio emprego,
saturando o mercado.
Para Paula Hespanhol, responsável da ANPME, além destes aspetos
que podem influenciar o sucesso do
negócio, “a principal dificuldade sentida por aqueles que nos procuram
para criarem a sua empresa é a falta
NÃO SE ESQUEÇA...
links úteis
IAPMEI
Instituto de Apoio
às Pequenas
e Médias
Empresas e
à Inovação
ANJE
www.iapmei.pt
www.anje.pt
AEP
ANE
Associação
Empresarial
de Portugal
Associação
Nacional das
Empresárias
www.ane.pt
www.aeportugal.pt
AIP
Associação
Industrial
Portuguesa
www.aip.pt
Associação
Nacional
de Jovens
Empresários
ANPME
Associação
Nacional
das PME
www.anpme.pt
MONTEPIO VERÃO 2012
de capitais próprios e a dificuldade de
acesso a financiamento. Outros pontos importantes a salientar são a falta
de conhecimentos nas áreas de gestão e a falta de capacidade ou o medo
de assumir riscos”.
O investimento necessário
Para abrir o seu negócio pode não
precisar de um grande investimento. Até ao ano passado, o limite mínimo legal para criar uma empresa era de 5 mil euros. No entanto,
a partir de abril de 2011 o Executivo decidiu eliminar esse capital social mínimo, passando para 1 euro,
facilitando a criação da empresa.
Na prática, e segundo o Observatório
da Criação de Empresas do IAPMEI,
o investimento médio para criar uma
empresa era de 62 mil euros.
Esse investimento pode ser realizado de várias formas, sendo que a
esmagadora maioria prefere canalizar as suas poupanças (90% dos casos)
para lançar a sua empresa, segundo os dados apresentados pelo INE.
Os empréstimos bancários e as linhas de apoio aparecem no patamar
seguinte. Poderá também recorrer às
associações de apoio aos empresários
e às PME. Estas associações ajudam
os empreendedores em todo o processo do negócio, desde a ideia até à sua
concretização.
A ANPME, pela voz da vice-presidente, Paula Hespanhol,“tem contribuído para a criação de centenas de
empresas, apoiando os empreendedores em todas as áreas que considera
fundamentais para o sucesso do negócio a criar. Desde a construção de
uma ideia de negócio, passando pela escolha do melhor local para a empresa, pelo plano de negócios e pela
ajuda no financiamento, a ANPME
ajuda todos aqueles que queiram entrar no mundo dos negócios.
A formação é outra das áreas que
a ANPME não descura e, por isso, oferece aos seus associados um
Curso de Formação de Empresários
que visa dotar os participantes de todos os conhecimentos básicos para a
criação de um negócio”.
Crie o seu negócio
MICROCRÉDITO
O Microcrédito Montepio
existe desde 2006 e pretende,
a partir de soluções várias,
nomeadamente parcerias
com instituições como a
Santa Casa da Misericórdia
de Lisboa, apoiar todos
aqueles que não dispõem
de meios financeiros para
concretizar o seu projeto de
negócio.
Esta forma de financiamento
apoia pequenos projetos
de investimento viáveis,
concedidos a pessoas
que, tendo capacidade
empreendedora e motivação,
apresentam dificuldades
acrescidas no acesso
ao crédito e ao mercado
de trabalho.
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à Criação do Próprio Emprego
do Instituto de Emprego
e Formação Profissional,
que associa esta iniciativa
ao Montepio. O programa
permite às empresas
acederem a produtos
bancários, nomeadamente
empréstimos com algumas
bonificações.
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edição
COLECIONE AS FICHAS DO PROGRAMA DE EDUCAÇÃO FINANCEIRA E AJUDE AS SUAS CRIANÇAS A FAZEREM MAIS PELO SEU DINHEIRO
A Montepio explica
o que são as crises na
economia, sem esquecer
algumas das palavras
que mais
se têm ouvido
ultimamente
S
e em Portugal a moeda em circulação
é o euro, qual é a moeda aceite nos outros países?
Provavelmente já sabes que em Espanha e em mais 15 países
da União Europeia circula a mesma moeda, o euro.
O euro
e as outras
moedas
QUAL É A
VANTAGEM?
Por exemplo, se
viajares para um
destes países não
tens que trocar a
moeda nacional,
o euro, por outra.
Uma empresa que
quer vender sapatos
para Itália não tem
que se preocupar se
recebe o pagamento
na mesma moeda
que a do país
comprador.
Mas nem sempre
as viagens são para
países da União
Europeia, que têm o
euro como
moeda oficial.
Se o destino for os
Estados Unidos da
América (EUA), as
coisas já não são
tão simples.
A moeda oficial
deste país é o
dólar norte-americano, por
isso é necessário
trocar os euros por
dólares para fazer
compras e outros
pagamentos.
1 euro é igual a...
DINHEIRO,
ECONOMIA
E A TUA
CARTEIRA
A
B
C
F
I
N
A
N
C
E
I
R
O
1,316
dólares
americanos
125,17
De pequenino é que se
marca a diferença. Aprende
como se ganha o dinheiro,
onde deves guardá-lo e
como podes multiplicá-lo.
Envia as tuas dúvidas para
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kwanzas angolanos
8,27
iuans
chineses
2,53
reais brasileiros
38,65
rublos russos
0,813
libras inglesas
69,7
rupias indianas
TAXA DE CÂMBIO
Imagina que vais viajar para
Nova Iorque. Como sabes
quantos dólares vale um
euro?A resposta está na taxa
de câmbio, a relação de uma
moeda face à outra, que varia
durante o dia. Isto é,
hoje podes trocar o euro por
1,35 dólares, mas amanhã
podes conseguir trocar
por 1,30 dólares porque
as moedas não valem sempre
o mesmo.
SUBIDAS E DESCIDAS
O que faz variar a relação de
troca de moedas é a confiança
que existe em relação a cada
economia e à procura de
moeda. Uma maior confiança
na economia dos EUA leva a
uma subida do valor do dólar
em relação ao euro (taxa de
câmbio do euro em relação ao
dólar baixa), porque há mais
pessoas a quererem dólares.
Se houver uma maior
confiança nas economias
europeias, pode ser o euro
a ganhar valor.
Quando o euro perde valor
os turistas portugueses
não conseguem comprar
tantas coisas nos EUA, mas
para as empresas o efeito é
positivo. As vendas para o estrangeiro (exportação) ficam
mais baratas e, por isso,
conseguem vender mais.
MONTEPIO VERÃO 2012
65
A MINHAVIDA
IDEIAS E DESCOBERTAS EM
LAZER, FAMÍLIA,
SAÚDE, CULTURA
página 68
página 72
página 74
página 78
LAZER
CIDADE
À LUPA
PASSEIOS COM
HISTÓRIA
FÉRIAS
Descubra Lagos.
Com séculos de história,
a cidade algarvia alia
o charme ao ambiente
cosmopolita
Em 2011, a Quinta da
Aveleda, na região do vinho
verde, viu o seu trabalho
premiado. Aproveite as férias
para a descobrir
Em Portugal, verão
é sinónimo de praia.
Fomos pela costa e pelos
rios à procura dos melhores
recantos para saborear
as férias
Conheça novas formas
de manter as crianças
entretidas sem sair de
casa. Algum material
e muita criatividade são
a chave para dias bem
passados
4
a minha vida
ROTEIRO
VERÃO
PRAIAS
A NÃO PERDER
SO
S
À
D
V
VER
D
EX
X
O
OU
ALG
LGU
UMAS SUGEST
STÕE
ÕES
S
68
S
Mais-valias
Surff e Bodyboard
Windsurff e Kitesurf
Snorkeling
Caminhada
Canoagem
Restaurante/bar
Estacionamento
Acesso a mobilidade reduzida
LDAD
DADE
E
Com vento, abrigadas, ideais para Surf,
f acessíveis ou
a exigirem algum exercício físico, para famílias ou
desportistas. Ao longo da linha da costa ou no interior,
a lista de praias adequadas a todos os gostos é imensa.
De norte a sul, sem esquecer as regiões autónomas,
antecipámos um percurso estival, sempre de chinelos,
calções e toalha ao ombro.
Além da beleza dos lugares, tivemos ainda em
m co
conta
onta
as infraestruturas, a qualidade das praias e a sua
su
versatilidade.
PELA COSTA
De norte a sul
MOLEDO
AFIFE
> Uma das praias mais
emblemáticas do Norte
do País.
Apesar do nevoeiro e da
água fria, a areia rica em
iodo deu-lhe fama. O vento
forte torna-a apreciada
por praticantes de Windsurf
e Kitesurf.
f
> Praia de areias brancas e
extenso areal, é famosa pelas
águas frias. Muito procurada
por surfistas e bodyboarders.
Perto de Viana do Castelo
e inserida na Rede Natura
2000, alia boa qualidade
ambiental a bons acessos e
apoios de praia.
MONTEPIO VERÃO 2012
PRAIA
DO REI CORTIÇO
PORTINHO
DA ARRÁBIDA
> Vigiada por nadador
salvador, a praia do Rei
Cortiço, em Óbidos, oferece
11 quilómetros de areal que
se estendem até ao Baleal.
Rodeada de falésias de
arenito branco, tem uma
beleza particular.
> No sopé da serra da
Arrábida, é muito procurada
não só pela sua beleza
como pelas águas calmas e
transparentes. A montanha
abriga-a do vento.
Melhor durante a semana,
para evitar o trânsito.
Lazer
Benefícios exclusivos
para associados
Montepio
A não perder
j PORTINHO
DA ARRÁBIDA
Aninhada no sopé
da serra, a praia do
Portinho da Arrábida
foi classificada
como uma das
maravilhas
de Portugal
j A ILHA DE
PORTO SANTO,
no arquipélago da
Madeira, garante
águas quentes
mesmo no inverno.
Graças à corrente
do golfo é possível
dar um mergulho
em pleno mês de
dezembro
f PRAIA D'EL REY
MARRIOTT GOLF &
BEACH RESORT
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Hotel ou nas Holiday
Residences Praia D’El
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aplicáveis a reservas feitas
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Galé que garante aos
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O desconto é válido em
23 unidades hoteleiras em
Portugal Continental,
Madeira e Brasil.
As reservas terão que
ser efetuadas através
da Central de Reservas
– Tel. 707 214 214 ou
do e-mail das unidades.
CARVALHAL
> Numa enseada no fundo
de um vale, que a torna
bastante abrigada, na praia
do Carvalhal, concelho de
Odemira, misturam-se mar
e campo com os rebanhos
ali perto. O ambiente é quase
selvagem mas tem bar e
posto de primeiros socorros.
PRAIA
DA ABERTA NOVA
> O areal estende-se
entre Tróia e Sines, em
muitas zonas num estado
quase selvagem. Esta
praia de Melides tem bar
de apoio, estacionamento
e como único contra o mar
batido.
ADRAGA
> No Parque Natural
Sintra-Cascais, a Adraga foi
eleita pelos leitores do The
Sunday Times como uma
das 20 melhores praias
europeias. Aqui pode visitar
as grutas e fazer Rappel.
Acessível a pessoas com
mobilidade reduzida.
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hoteleiras do Algarve,
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MONTEPIO VERÃO 2012
69
4
a minha vida
ROTEIRO
praias a não perder
j A PARTIR
DE MOLEDO
avista-se a ilha da
Ínsua, onde estão
as ruínas do antigo
forte e do convento
e, em dias com
boa visibilidade,
o Monte de Santa
Tecla, já do outro
lado da fronteira
70
MADEIRA
PRAIAS FLUVIAIS
Banhos em pleno
inverno
Mergulhos
em água doce
PORTO SANTO
LOUÇAINHA
> A corrente do golfo
é responsável pelas
águas tépidas que
caracterizam Porto Santo
– deve ser – a única praia
nacional em que
é possível tomar banho
no pico do inverno.
À calidez do mar juntam-se as propriedades
terapêuticas da areia,
ideais para aliviar dores
reumáticas. São nove
quilómetros de areal
suave e mar calmo,
visitáveis em qualquer
época do ano. Ideal para
uma escapadinha de
início de outono, quando
a nortada já refresca as
praias do continente.
> No concelho de Penela,
renovou este ano a
Bandeira Azul. As represas
naturais e a vegetação
garantem-lhe frescura,
mesmo no verão. Tem
piscinas naturais, parque
de merendas, restaurante
panorâmico e fluvioteca.
FRAGAS DE SÃO
SIMÃO
> Entre duas fragas fica
a praia de São Simão, a
15 minutos a pé da aldeia
com o mesmo nome, em
Figueiró dos Vinhos.
As pedras planas são ideais
para estender a toalha e
mergulhar para as águas da
ribeira de Alge. Adequada a
desportos radicais (Rappel,
Slide e Escalada).
AÇORES
São Jorge
FAJÃ DA CALDEIRA
DE SANTO CRISTO
ALGARVE
Barlavento e sotavento
PRAIA DA MARINHA
FÁBRICA
> Conhecida pelas
suas belas falésias, a
praia de Lagoa foi usada
em campanhas de
promoção de Portugal no
estrangeiro. Popular entre
os amantes de Snorkeling,
foi considerada uma das
100 mais belas praias da
Europa e, segundo o Guia
Michelin, umas das 100
mais belas do mundo.
> Agosto no Algarve
é sinónimo de
tranquilidade se
estiver na praia da
Fábrica, integrada
no Parque Natural
da Ria Formosa.
Estacione em Cacela
Velha, junto ao sítio
da Fábrica, e tome
um dos barcos
de pescadores.
MONTEPIO VERÃO 2012
> Na freguesia da Ribeira
Seca fica situada
a Fajã da Caldeira do
Santo Cristo, tida como
a mais bonita daquela
ilha açoreana.
Classificada como
Reserva Natural e
Sítio de Importância
Internacional, a Fajã,
nomeadamente a sua
bonita lagoa, destacam-se pela biodiversidade.
As águas da lagoa são
calmas e tépidas mas
o acesso à Fajã não é
fácil. Muito procurada
por amantes de Surf
e Bodyboard.
MALHADAL
> No sopé da serra de
Alvéolos, Proença-a-Nova,
fica a praia do Malhadal,
ideal para um fim-de-semana em família.
Com apoios de praia e
parque de estacionamento.
ALAMAL
> No rio Tejo, a praia do
Alamal, no Gavião, é uma
das praias fluviais que, em
2012, apresenta Bandeira
Azul, boas infraestruturas,
águas calmas e o galardão
de “praia acessível”. Quem
a visita não esquece a sua
beleza.
4
a minha vida
VELA
Testemunho
TALL SHIPS
RACE
LISBOA A
TODO O PANO
Márcio
Figueiredo
Diretor
Coordenador
da LusitaniaMar
n EM J
JULHO,
veleiros de
todo o mundo
chegam a
Lisboa. Os jovens
podem integrar
tripulações ao
longo das várias
etapas
E
COMO PORT-SPONSOR
P
OR
POR SUSANA
FOTOGRAFIA © THE
TALL SHIPS RACE
Depois da última passagem por Lisboa, em 2006, a regata Tall Ships regressa à capital portuguesa entre os
dias 9 e 22 de julho. Vinda de Saint-Malô, na Bretanha, a prova segue depois para Cádiz, Corunha e Dublin,
onde termina, entre 23 e 26 de agosto.
Esta é uma regata criada em 1956
e, logo na primeira edição, Lisboa foi
um dos portos de paragem. Atualmente as regatas Tall Ships são anuais e contam com organização da britânica Sail Training International,
que pretende promover o treino de
mar assim como a convivência intercultural de jovens de todo o mundo.
Foi o caráter didático da iniciativa que levou a Lusitania a associar-se ao evento.
A Tall Ships permite que os jovens se inscrevam para participarem
nas etapas da regata como membros
da tripulação. Ainda assim, e tendo
em conta a experiência única que
uma viagem como esta representa,
a Lusitania dará oportunidade a dez
jovens utentes de IPSS apoiadas pela Fundação Montepio de embarcar
num veleiro da regata
LUSITANIAMAR
Pioneira no setor
H
á dois anos a
Lusitania –
–Companhia de
Seguros decidiu criar uma
unidade especializada
em seguros e serviços
dedicados ao mar – a
LusitaniaMar.
A partir de uma nova forma
de ver o mar, a LusitaniaMar
diferenciou-se no mercado
e atingiu um nível de
especialização na produção,
assistência e apoio a todas
as atividades marítimas que,
sustentada em plataformas
tecnológicas inovadoras
– Transportes e Microsite
-, lhe permitem assegurar
elevada qualidade de
serviço. Líder nos segmentos
especializados em que atua,
a LusitaniaMar ocupa, no
ranking da atividade, um
dos primeiros lugares no
ramo Transportes, sendo
reconhecida a nível nacional
e internacional.
“A regata Tall
Ships é um
evento muito
abrangente e
importante na
área da ligação
ao mar. As
pessoas querem
ter estes barcos
na sua cidade
e por isso o
evento é sempre
dividido pelos
vários países.
Como não é
muito frequente
ter oportunidade
de visitar estes
veleiros, é um
evento que
atrai. Dos pais
às crianças
e escolas,
há sempre
muita procura.
Enquanto
companhia
de seguros,
envolvemo-nos como port-sponsor
do evento.
Houve um
grande
envolvimento no
projeto por parte
da Companhia.”
MONTEPIO VERÃO 2012
71
4
a minha vida
^
CIDADE À LUPA
^
72
^ CASTELO DOS
GOVERNADORES
Paralelo à Avenida dos
Descobrimentos, o Castelo
dos Governadores é uma
das referências de Lagos.
Diz a lenda que terá sido ali
que D. Sebastião assistiu à
missa que precedeu a sua
partida para Alcácer Quibir.
No jardim, um painel de João
Cutileiro evoca a batalha.
MONTEPIO VERÃO 2012
^ MURALHAS DA CIDADE
A cerca virada para o mar
data da presença cartaginesa
ou romana na cidade.
As restantes muralhas que
envolvem Lagos foram
construídas entre 1520 e
o final do século XVI, para
proteger os novos bairros.
Dali observam-se bons
panoramas sobre Lagos, a
baía e a serra de Monchique.
^
^
^
...NOS ARREDORES
FONTE COBERTA
GRUTAS DA PONTA
DA PIEDADE
^
...SE QUISER FAZER
PRAIA...
MEIA PRAIA
por mais de quatro
quilómetros até à
barreira arenosa
da ria de Alvor.
Entre as dunas
baixas da praia e
as colinas suaves,
é um local propício
para mergulhos
descontraídos ou
para a prática de
desportos náuticos,
como o Windsurff ou
o Esqui Aquático.
A S S ETA S IN S E RI DA S
N O ARTIG O S ÃO
ILUS T RATI VA S E T Ê M
PO R O BJ ETIVO S US CITA R
A CUR IO S I DA DE P OR
LO CA IS A VIS ITAR O U
D ES CO B RIR .
MONTEPIO VERÃO 2012
73
4
a minha vida
PASSEIOS COM HISTÓRIA
QUINTA DA AVELEDA
À DESCOBERTA
DO VERDE
VENHA CONHECER UMA QUINTA
SECULAR QUE ALIA HISTÓRIA,
TRADIÇÃO, INOVAÇÃO
E SUCESSO. OS VISITANTES
SÃO ATRAÍDOS PELOS VINHOS
E JARDINS REFERENCIADOS
NOS GUIAS TURÍSTICOS
DE TODO O MUNDO
POR RAQUEL ABRANTES AMARAL
FOTOGRAFIA ARTUR
74
SAIBA MAIS
QUINTA DA AVELEDA
Rua da Aveleda, nº 2
4560-570 PENAFIEL
PORTUGAL
Tel. 255 718 200
Fax. 255 711 139
[email protected]
MONTEPIO VERÃO 2012
1 Casa senhorial,
recuperada no
século XIX
2 Pormenor dos
jardins
3 A janela
manuelina onde
D. João IV terá
sido aclamado rei
de Portugal
4 A produção de
vinho é a principal
atividade da
Quinta
5 Espaço interior
1
Os jardins
A Quinta da Aveleda cheira a verde
e a natureza. Aqui não falta água e a
qualidade do solo faz florir e crescer o
jardim exuberante. As árvores frondosas criam túneis de verdura e frescura
que convidam ao passeio e ao descanso.
Por aqui a natureza é possante e
viva e podemos ver árvores raras e
centenárias, como os exemplares do
cedro japonês, do cipreste dos pântanos e da sequóia americana.
Foi intenção da família Guedes,
proprietária da Aveleda há 13 gerações, criar um jardim diversificado e
enriquecido com espécies de várias
partes do mundo e são bem visíveis
as influências das inúmeras viagens
que a família fez ao longo dos anos.
Os vários tipos de camélias, azálias, glicínias, rosas e begónias garantem um jardim florido o ano inteiro, onde é visível a mudança de
estação e a passagem do tempo: a folhagem verde assume lentamente incontáveis tons de laranja e vermelho.
Os 25 hectares de floresta, um jardim
quase selvagem mas cuidado e ordenado e a forte ligação entre o vinho e arquitetura, parques e jardins, valeram à
Quinta da Aveleda o prémio internacional Best of Wine Tourism 2011 na categoria de Arquitetura, Parques e Jardins.
As follies
Elogio à arte e ao simbolismo, as
follies são estruturas puramente decorativas, sem qualquer função.
2
SAIBA MAIS
Quinta
premiada
O
3
No grande lago podem apreciar-se três
pequenas ilhas, cada uma com uma
folly. A janela manuelina do século
XVI onde, segundo a tradição, D. João
IV terá sido aclamado rei de Portugal, foi mais tarde oferecida a Manuel
Pedro Guedes da Silva da Fonseca,
que a transportou para os jardins da
Quinta da Aveleda. A segunda ilha
tem uma pequena fonte no meio do
lago e a terceira ilha está ocupada com
a pequena e singular cabana de chá.
As cobras, tartarugas, sapos e águias
de louça, no teto, dão-lhe um toque
de magia. Um local cheio de encanto,
mistério e tranquilidade.
A Torre das Cabras, uma das
follies presentes nos rótulos dos vinhos, é uma ode à natureza. A torre
saber da
Aveleda
tem
conquistado
vários prémios
nacionais e
internacionais.
Saiba quais as
distinções que
mereceu em 2011:
> Melhor
Produtor
de Vinhos
Tranquilos
> PME
Excelência 2011
> Prémio
Internacional
Best of Wine
Tourism 2011
na categoria
Arquitetura,
Parques e
Jardins
> International
Winery of the
Year
> Medalha de
Ouro no Concurso
a Melhor Vinha
da Região dos
Vinhos Verdes
2011
4
75
5
Visitas
a não perder
QUINTA
DA AVELEDA
^ QUANDO
Dia 4 de agosto
às 10h30
^ PREÇO 5,5 €
^ INSCRIÇÕES
[email protected]
MONTEPIO VERÃO 2012
4
a minha vida
PASSEIOS COM HISTÓRIA
Quinta da Aveleda
de três andares foi edificada para albergar cabras anãs, símbolo de fertilidade e abundância.
Em frente à casa senhorial, restaurada e ampliada no final do século XIX, fica a Fonte das Quatro Irmãs,
datada de 1920. Nela estão gravados
os perfis de quatro irmãs Guedes, um
por cada estação do ano.
Em pleno jardim, a Fonte de Nossa
Senhora da Vandoma, do século XIX,
em granito, é dedicada à padroeira da
cidade do Porto. Na parte inferior da
fonte podemos ver uma figura pagã,
uma alusão à sabedoria popular que
afirma que seria esta a zona do santuário das sacerdotisas celtas que prediziam o futuro, as chamadas Veledas, e
que terão dado o nome à Quinta.
A produção de vinho
A principal atividade da empresa é a
produção de vinho. Os 160 hectares
1
2
4
3
1 2 As follies são
espaços de fantasia
3 Interior de uma
das ilhas
4 Todo o espaço é
incluído na visita
que termina com
uma prova de vinhos
de vinhas da Aveleda estão situados no centro da Região Demarcada
dos Vinhos Verdes, de onde são provenientes as castas Loureiro, Fernão
Pires, Alvarinho, Arinto e Trajadura utilizadas na produção dos vinhos
da Aveleda.
A família Guedes apostou desde sempre na inovação tecnológica
aliando-a à sustentabilidade ambiental. A Quinta da Aveleda produz entre 15 a 20 milhões de garrafas de vinho por ano e exporta cerca de 60
por cento da sua produção. Emprega
180 funcionários e tornou-se uma das
três maiores empresas vitivinícolas
portuguesas.
O passeio inclui a visita ao jardim,
ao engarrafamento e uma prova de vinhos e queijos, também produção da
quinta, na belíssima varanda por cima
das vinhas. Um fim de dia perfeito.
ATIVIDADES PARA ASSOCIADOS MONTEPIO julho/agosto/setembro
76
JULHO
f VISITAS
ā Casa-Museu Dr.
Anastácio Gonçalves
ā Farol da Ponta da
Ferraria
ORIENTADAS
LISBOA
ā Farol da Ponta
das Contendas
Ilha Terceira (R A
Açores)
Dia 21, sáb, 10h00,
gratuito
Dia 15, dom, 10h00, 3€
ILHA S. MIGUEL (R A
AÇORES)
ā Farol da Ponta do
Arnel
Ilha S. Miguel (R A
Açores)
Dia 28, sáb, 10h00,
gratuito
ā Farol da Ponta da
Ilha
Ilha do Pico (R A
Açores)
Dia 29, dom, 10h00,
gratuito
f PASSEIOS COM
HISTÓRIA
ā Museu da Cidade
LISBOA
Dia 14, sáb, 10h00,
gratuito
ā Castelo, Museu
Municipal de
Arqueologia e Sé
Catedral
Silves
Dia 21, sáb, 9h00, 7,5€
AGOSTO
f ATIVIDADES DE AR
LIVRE
ā Coasteering,
Enseada da Mula
SESIMBRA
Dia 18, sáb, 9h00, 24€
ā Canoagem
DESCIDA DO RIO LIMA
Dia 26, dom, 10h00,
20€
f VISITAS
ORIENTADAS
ā Quinta da Aveleda
PENAFIEL
Dia 4, sáb, 10h30,
5,50€
ā Passeio Pedonal
Funchal Meu (R A
Madeira)
Dia 14, sáb, 10h00, 5€
Dia 18, sáb, 10h00,
gratuito
ā Museu da Carris
ā Museu D. Diogo
de Sousa
Braga
Dia 25, sáb, 15h00, 3€
Até 14 anos: gratuito;
Maiores de 65 anos:
1,50€
LISBOA
SETEMBRO
Dia 22, qua, 10h30, 2€
f ATIVIDADES DE AR
LIVRE
f CURSOS
ā Iniciação à Internet
Seniores
Porto
Dias 2 e 3, qui, sex,
9h00, gratuito
f PASSEIOS COM
HISTÓRIA
ā Palácio da Pena
Sintra
Dia 19, dom, 9h30,
21,50€
Menores de 18 anos:
19€; Maiores de 65
anos: 19€
ā Museu dos
Biscainhos
Braga
Dia 25, sáb, 10h00, 2€
Maiores de 65 anos:
1€
ā Passeio de Canoa na
Ria Formosa
Faro
Dia 9, dom, 9h30, 3€
Parque Natural do
Vale do Guadiana
Dia 1, sáb, 9h30, 13€
ā Passeio Pedestre
com Interpretação
Ambiental
“Os Garranos da Serra
de Arga”
Viana do Castelo
Dia 29, sáb, 10h00, 7€
f VISITAS
ORIENTADAS
ā Auto Europa
PALMELA
ā Canoagem
"Arrábida Mar"
Parque Natural
da Arrábida
Dia 30, dom, 9h30,
20€
Dia 13, qui, gratuito
(duas visitas:
9h30/15h30)
ā Passeio Pedestre
"Rota do Pão"
Serra da Lousã
Dia 22, sáb, 8h45,
7€ (inclui merenda
tradicional)
Dia 16, dom, 10h00,
gratuito
ā Passeio de barco
“Descida do Guadiana
– Do Pomarão a
Alcoutim”
ā Farol da Ponta do Topo
ILHA S. JORGE (R A
AÇORES)
ā Visita às Grutas de
Mira de Aire
Serra de Aire
Dia 29, sáb, 15h00
Entre os 5 e os 11 anos:
3,20€; Maiores de 12
anos: 5,40€
f CURSOS
ā Iniciação à Internet
Seniores
Braga
Dias 27 e 28, qui e sex,
9h00, gratuito
f PASSEIOS COM
HISTÓRIA
ā Passeio pedonal
– Funchal Meu
R A MADEIRA
Dia 8, sáb, 10h00, 5€
ā Museu do Relógio
Serpa
Dia 9, dom, 14h30,
1,5€
ā Visita ao Centro
de Interpretação
da Batalha de
Aljubarrota
Batalha
Dia 30, dom, 10h00, 6€
f WORKSHOPS
ā Diários Gráficos
À vista Lisboa,
Lisboa avista
Lisboa
Dias 1 e 2, sáb., dom.,
10h00,
Associados: 35€;
Não Associados: 40€
SAIBA MAIS | www.montepio.pt | Informações e inscrições f Gabinete de Dinamização Associativa/[email protected]/ T. 213 249 230/1
MONTEPIO VERÃO 2012
4
a minha vida
FICHAS CRIATIVAS
EM FÉRIAS
S O S DE
IMAGINAÇÃO
AIS
S
MPL
LO
RO
O
RÕE
ES
PAP
PEL
POR ANA FERREIRA
1
DECORAR
Máscaras
78
Imprima a máscara que o Montepio fornece no seu sítio na Internet e recorte.
Pode usar um vulgar furador de papel
para fazer os buracos nos quais inserirá o elástico ou até o bico de um lápis.
O ideal é motivar a decoração da máscara com canetas e lápis, mas também
com outro tipo de materiais como conchas, folhas ou até papel de jornal.
MÁSCARA
COELHO
No sítio
www.montepio.org
encontra a máscara
para imprimir
e recortar
n Uma tesoura,
um furador, lápis
para colorir e
um elástico são
quanto basta
para criar uma
personagem
n O papel
de cenário
permite criar
mbientes
propriados
cada
rincadeira
3
ESTAMPAR
2
T-shirts
PINTAR
Teatro
Compre um rolo de papel de
cenário (que lhe vai dar para
muitos, muitos meses) e não se
espante se alguém gritar “Ação!”
Vista a cada criança uma t-shirt
velha ou um bibe e distribua
pincéis. Caso tenha terraço pode
colocar o papel na rua. Se as artes tiverem que ser desenvolvidas dentro de casa, nada como
colocar o papel no chão. Antes
de começarem a pintar, fixe o
papel com fita-cola. Se quiser
pode construir um cenário de-
senhando-o primeiro e deixando
as crianças pintarem. Também
pode sugerir temas mais generalistas, como o céu ou a floresta,
e ver o que acontece. Depois de
pintado, o papel pode ser usado
como cenário, como capa de
um livro (cortando-o à medida),
como um marcador de leitura,
uma base de copo (terá de plastificar) ou ainda um porta-chaves (basta plastificar e, com um
furador, fazer um buraco para
passar um cordel ou fio de sisal).
Lembra-se de como se fazem
carimbos com batatas? Vai
precisar de uma batata para dois carimbos. Corte-a ao
meio e desenhe na batata o
que quiser, com uma caneta
de acetato ou um lápis. Contorne o desenho à volta com
uma faca, a cerca de 1 cm de
profundidade. Use tinta de
tecido e ensope o carimbo.
Com a t-shirt esticada e um
cartão no meio da mesma,
deixe as crianças carimbarem. Pode comprar as ferramentas numa loja de artes.
n UTILIZE
TINTA
T de tecido
e tenha atenção
para escolher
uma cor que
se destaque
na t-shirt
Jardinar e reciclar
4 Terrariums
Não há nada que uma
criança mais adore do
que mexer em terra (e
regar, claro!) no fundo,
tudo o que lhe permita
sujar-se um bocadinho.
Numa jarra ou pote de
vidro transparente com
“boca” larga, insira dois
centímetros de carvão
vegetal, de seguida
areia de construção e
terra até 1/3 da altura
do pote. Com a ajuda
do cabo de uma colher
faça pequenas covas
e plante o seu jardim.
Carregue com a mão para
eliminar bolsas de ar.
Molhe as plantas com um
borrifador e tape. O ideal
é que o pote receba luz do
sol, mas indirecta. Pode
sempre animar o jardim
com uns dinossauros em
plástico ou até com leões
e chimpanzés.
5 Latas recicladas
Em vez de colocar
as latas de salsichas,
milho ou qualquer outro
enlatado na reciclagem,
dê-lhes nova vida. Depois
de limpas e de lhes ter
tirado o rótulo, prepare-se
para as decorar.
Com a ajuda de uma fita
métrica ou de uma régua,
meça o comprimento
e a largura e recorte um
molde à medida. Revistas
velhas, tecidos antigos,
fita-cola de cores ou até
um papel pintado são
fantásticos. Depois de
decorada é só encher
com terra e plantar! Uma
ideia engraçada é fazer
um minijardim aromático
que depois pode servir
para descobrir cheiros
e sabores.
n TENHA
A ENÇÃO
AT
às arestas
da abertura
da lata e
certifique-se de que
não existe
perigo para
a criança
mexer
MONTEPIO VERÃO 2012
79
4
a minha vida
CHAPÉU
(PASSO A PASSO)
FICHAS CRIATIVAS
S O S de imaginação
1.
Pequenos
tesouros
MATERIAIS
ESSENCIAIS
f Cola de tubo
e de batom (a de batom
é a ideal para crianças
mais pequenas)
f Tesoura
f Furador
f Lápis de cor, de cera
e canetas de feltro
f Papel manteiga
f Guaches
2.
6
DECORAR
3.
Chapéu invulgar
Siga as instruções e faça um chapéu de papel. O ideal é
utilizar papel manteiga (um dos papéis mais económicos)
ou papel cavalinho. Decore sem limites, pintando e colando
flores, pássaros, folhas de papel de jornal e muito mais.
Pode ter alguns chapéus já feitos, o que é mais fácil quando
precisar de entreter uma criança.
4.
f Fio de sisal
MATERIAIS
QUE DÃO SEMPRE
JEITO
7
f Carimbos
f Ferramentas de
esculpir
f Tintas de tecido
80
MATERIAIS
A GUARDAR
f Revistas e jornais
(antes de deitar
fora, pode recortar
as imagens que lhe
interessam mais e
guardar tudo numa
caixa)
f Papel de embrulho
e de seda
f Folhas para secar
f Rolhas de cortiça
f Pedacinhos de
tecido
f Fitas e cordel
(não se esqueça de
aproveitar as
alças dos sacos ou
o cordel das caixas
dos bolos)
Saiba mais em
www.montepio.org
MONTEPIO VERÃO 2012
5.
PINTAR
Pisa-papéis
n Pedras e
imaginação dão
origem a material
escolar
Peixes, tartarugas, joaninhas e animais desconhecidos estão presentes no imaginário
infantil. Usando pedras como base (que pode
apanhar na praia ou em qualquer praia fluvial)
é deixar a criatividade à solta com pincéis e
guaches. Antes da atividade é sempre interessante folhear revistas com animais, oferecendo algumas ideias para a pintura.
5 dicas para desenvolver a imaginação
1 Defina uma
caixa para
arrumar todos os
materiais. Cada
vez que iniciar
uma atividade,
saberá sempre
onde está tudo e
não precisará de
desarrumar a casa.
O ideal é também
ter um estojo
com o material
de pintura (lápis,
tintas, borrachas).
2 Destine uma
t-shirt velha ou
um bibe para
estas atividades.
3 Faça também.
Qualquer criança
adora ter companhia, por isso
mostre interesse
na atividade que
está a desenvolver.
4 Não diga
que não. Deixe
as crianças
desenvolverem
o seu próprio
raciocínio.
Se quiserem
pintar o céu de
verde ou
um gato de azul,
está óptimo.
5 A criatividade
não se ensina
mas pode ser
estimulada
com um pouco
de ajuda, paciência e materiais
certos.
6.
IGAMI
DOBRAGENS
EM PAPEL
Escreva para
revistamontepio@
montepio.pt se deseja
que lhe forneçamos
as instruções para
fazer um barco, um
“quantos queres” ou
uma “bombinha”
de papel.
8
COLAR
n Com a
Uma caixa especial
Com uma caixa de sapatos,
recortes de revistas, mapas
antigos e alguns livros de
banda desenhada velhos,
a diversão está prestes a
começar. A primeira tarefa é recortar. Para os mais
pequenos uma tesoura de
pontas redondas é o melhor.
aplicação de
uma ferragem
os peixes
estão prontos
A segunda tarefa é colar todos os recortes na caixa, não
deixando espaço em branco. Se quiser acelerar o processo, o ideal é colocar um
papel como fundo (o papel
kraft funciona sempre bem).
Não se esqueça de plastificar a caixa.
9
PINTAR
Peixes na parede
n B
sonho
g
peças d
ou a
da b
pr
É um carapau ou uma sardinha? Da próxima vez que for
à praia, apanhar sol ou passear, entretenha as crianças
com a tarefa de apanharem alguns pauzinhos, de preferência aqueles que já sofreram a erosão do mar e do sol.
Quando chegarem a casa é só limpá-los com um pincel e
pôr mãos à obra. Coloque à disposição das crianças não
só os tons azuis associados aos peixes, mas também
cores mais inusitadas como os laranjas, rosas e amarelos.
4
a minha vida
CRÓNICA
BAPTISTA-BASTOS
SUITE
DO GATO
AO SOL
Nos dias de sol gostava muito de se sentar naquele banco do jardim,
mesmo ao lado de um ulmeiro. Lia pausadamente o jornal e
observava, com discrição, o caminhar das raparigas. Estava naquela
idade em que estas coisas do olhar têm de ser cuidadosas e reservadas.
Quando algum amigo chamava a atenção para o facto, dizia, entre o
malicioso e o desolado: “A afición nunca se perde.” O jardim formava
um ligeiro declive e, à direita, um renque de flores silvestres parecia
proteger as pessoas. No declive havia dois canteiros: um com cactos;
outro com sardinheiras. O sol aquecia o homem e confortava-o. Além
disso, no sítio onde ele se sentava, a mulher conseguia vê-lo, da janela
do prédio onde viviam. Às vezes, acenava-lhe e ele ficava muito feliz.
82
Tudo ficava perto de tudo: a padaria do talho, o
talho em frente do café; e, recentemente, mesmo ao lado da oficina de canalizador, um alfarrabista que alugava livros. Costumava levar volumes de História e trocar umas palavras com
o alfarrabista. O alfarrabista não ocultava a indignação que lhe causava o Governo: era assim
com todos os Governos. “Isto só dá para os ricos.
O pobre só vai para a frente quando tropeça”, dizia.
Adormeceu ligeiramente. Quando acordou,
o gato estava a seus pés e observava-o com infinita curiosidade. Um gato ainda novo, cinzento-claro, olhos muito azuis. Ergueu uma das
patas dianteiras, como se quisesse dizer algo ao
homem. “Que raio quer este gato?” E ei-lo a saltar para o banco e a encostar-se à perna do homem. O gato estava muito contente e o homem
muito perplexo.
Quando se ergueu, o gato permaneceu no
banco e ficou a olhá-lo. Depois, rápido, saltou e
acompanhou-o, à distância, até o homem entrar
na escada do prédio onde vivia. “Aquele gato parece gostar muito de ti”, disse-lhe a mulher, que
assistira à cena, da janela. “É um gato estranho.
Que raio quererá de mim?” E a mulher: “Apenas
um pouco de amizade, talvez.” “Talvez.” “Mas
não te atrevas a trazê-lo cá para casa.”
O homem continuou a ir ao jardim e a sentar-se no mesmo banco. O gato não tardou a aparecer.
MONTEPIO VERÃO 2012
Surgia do declive e, lento mas persistente, aproximava-se, saltava e encostava-se ao homem.
Por vezes cerrava os olhos e ronronava mansamente. “Mas que raio de gato”, afagou-o na cabeça e o gato pareceu agradecer-lhe, inclinando-se
na perna do homem. Havia mais três bancos no
jardim e, por sinal, mais bem colocados para receber o sol; porém, o gato só queria aquele onde o
homem se sentava. E todos os dias a mesma coisa. O homem até deixara de ler o jornal, só para
aguardar o gato. E, sempre à mesma hora, o gato subia o declive, agora miava um pouco, acaso
para chamar a atenção do homem, saltava e aninhava-se junto do amigo que, então, começava a
leitura do jornal.
Dias e dias repetidos. Certa tarde, o gato não
apareceu. O homem esperou-o, impaciente e preocupado. Decidiu procurá-lo pelas redondezas.
Nada. Revelou à mulher que o desaparecimento
do gato o desassossegava seriamente. Passaram
três dias. Até que o gato surgiu, vindo do outro lado do jardim. Estava ferido, o pêlo hirsuto e molhado e um dos olhos apresentava uma ferida, como se uma pedrada o houvesse atingido.
Sentou-o no seu colo e acariciou-o, pesaroso,
sem saber o que fazer. A mulher, da janela, vigiava todos os seus gestos. Com o indicador da direita avisou-o de que não queria o gato em casa.
O gato que fosse à sua vida e deixasse em paz a
vida dos outros. Aguardou uns instantes. A mulher era uma mulher autoritária e mal-humorada. Acedera sempre aos seus caprichos e imposições. A mulher, da janela, abanou com a cabeça,
quando o viu pegar no gato e encaminhar-se para o prédio. “O gato é meu!”, gritou o homem, e
entrou.
NOTA: O autor é totalmente contrário ao assim
denominado Novo Acordo Ortográfico, pelo que
continua a escrever segundo a chamada norma
antiga.
FOTOGRAFIA GETTY
O MEUMONTEPIO
NOTÍCIAS INSTITUCIONAIS,
INICIATIVAS,
PROJETOS E COMUNICADOS
página 84
página 86
página 88
página 90
FROTA
SOLIDÁRIA
AÇÃO SOCIAL
FOTOGRAFIA
A Associação Crescer Bem
presta apoio domiciliário
a famílias carenciadas
assistidas no Hospital
D. Estefânia e conta com
o apoio do Montepio
Solidariedade entre
gerações foi o tema que
inspirou a última edição
dos concursos de Ensaio
e Fotografia
BENEFÍCIOS
ASSOCIADOS
A Fundação Montepio
ofereceu 20 novas viaturas
a 20 instituições de solidariedade social
Fique a par dos novos
acordos para associados
do Montepio
5
o meu montepio
RESPONSABILIDADE SOCIAL
FROTA SOLIDÁRIA
MAIS VINTE
VIATURAS
ENTREGUES
NO PORTO
O PORTO ACOLHEU, NO
PASSADO MÊS DE MAIO, A
CERIMÓNIA DE ENTREGA
DA "FROTA SOLIDÁRIA",
QUE BENEFICIOU
20 INSTITUIÇÕES DE
SOLIDARIEDADE SOCIAL
POR JOÃO MANUEL RIBEIRO
84
No âmbito do projeto “Frota Solidária”, da Fundação Montepio, foram
entregues mais vinte viaturas, em
maio, a instituições de solidariedade
social, desta vez na Câmara Municipal do Porto.
Rui Rio, presidente da autarquia
portuense, abriu a cerimónia aludindo aos erros feitos no País no passado
recente e que levaram “a uma situação excecional a exigir medidas excecionais”. Neste sentido, o edil elogiou
a iniciativa da Fundação Montepio,
agradecendo a “prática de solidariedade real”, bem como a escolha da
cidade Invicta para esta cerimónia.
“Não basta solidariedade tradicional,
é preciso quebrar tabus para minorar
o sofrimento destas pessoas, que vai
bem para além do tolerável”, acrescentou.
Em resposta, António Tomás Correia, presidente do Montepio, justifi-
MONTEPIO VERÃO 2012
1
cou a escolha do Porto pela necessidade de uma cidade grande e central
para albergar esta cerimónia, o que,
aliado ao trabalho social desenvolvido
por Rui Rio, tornou a escolha óbvia.
O responsável agradeceu ainda a forma como a autarquia acedeu de imediato à iniciativa.
Tomás Correia recordou a responsabilidade social do Grupo Montepio:
“Somos uma instituição de dimensão humana. No campo da responsabilidade social procuramos a capacitação das organizações e das pessoas”, sublinhou, concluindo que
“a crise está a levar-nos a preocuparmo-nos ainda mais com as instituições de solidariedade social”. E a
verdade é que cada vez mais pessoas
procuram e necessitam do apoio destas instituições para resolver os problemas crescentes no seio da sociedade portuguesa, o que levou o presidente do Montepio a concluir que
“se não fossem estas instituições, a situação era ainda mais difícil”. A terminar, mostrou-se apreensivo com o
facto de o peso social das instituições
em Portugal ser ainda diminuto em
comparação com os nossos congéneres europeus.
No encerramento da cerimónia
foram entregues, pelos presidentes
da Câmara Municipal do Porto e do
Montepio, placas alusivas à iniciati-
2
va a cada um dos representantes das
vinte instituições sociais contempladas.
No exterior, onde as viaturas se perfilavam frente ao edifício da autarquia,
uma a uma, as respetivas chaves foram
entregues aos seus proprietários.
A “Frota Solidária”, projeto criado
em 2008, tem como objetivo devolver à sociedade civil o valor atribuído à Fundação Montepio pelos contribuintes aquando da entrega da sua
declaração de IRS. Importantes são
também os parcerios para o desenvolvimento deste projeto, como é o caso
da Ford Daro, da Auto Ribeiro e da
Lusitânia – Companhia de Seguros.
TESTEMUNHOS
Palavra
às instituições
3
5
4
1 As 20 viaturas
parqueadas frente
à Câmara
Municipal
2 O projeto beneficiou 20 instituições sociais
3 4 Os presidentes da Câmara
Municipal e do
Montepio entregaram, uma a uma,
as chaves das
viaturas
5 Tomás Correia
agradeceu
o trabalho
desenvolvido
pelas IPSS
5ª EDIÇÃO
20 instituições apoiadas
^ Associação
de Solidariedade
Social, Cultural
e Recreativa
Coutoense
(Viseu)
^ Associação
para Apoio à
Criança com
Necessidades
Educativas
Especiais do
Concelho de Velas
(S. Jorge – Açores)
^ Associação de
Serviço de Apoio
Social (Lisboa)
^ Associação
de Solidariedade
Montejunto
(Cadaval)
^ CASA – Centro
de Apoio aos
Sem Abrigo,
delegação de
Azeitão (Setúbal)
^ Centro Social,
Cultural e
Recreativo Bairro
da Esperança
(Beja)
^ Centro Social
Paroquial de
S. Bento e
S. Francisco
(Bragança)
^ Centro Social
Paroquial Maris
Stella da Guia
(Pombal)
^ Centro Social
Paroquial Padre
Ricardo Gameiro
(Almada)
^ Centro Social e
Paroquial de São
Vicente de Paulo
(Lisboa)
^ CERCIG
– Cooperativa
de Educação
e Reabilitação
de Cidadãos
Inadaptados
(Guarda)
^ Domus
Fraternitas
– Fundação de
Solidariedade
Social (Braga)
^ Instituto Maria
da Paz Varzim
(Póvoa
de Varzim)
^ Instituição de
Solidariedade
Social da Serra
do Caldeirão
(Loulé)
^ Lar Santa Ana
(Lisboa)
^ Santa Casa
da Misericórdia
de Guimarães
^ Santa Casa da
Misericórdia de
Monção
^ Santa Casa da
Misericórdia de
Castelo Branco
^ Ser Alternativa
– Associação
de Apoio Social
(Sintra)
^ Sorriso
– Associação
dos Amigos
do Ninho dos
Pequenitos
(Coimbra)
“A nossa instituição dá apoio a todos os níveis etários da população.
Temos apoio domiciliário, centro
de dia e lar de idosos, servimos
cerca de 1 200 refeições por dia e
apoiamos 700 utentes através de
160 funcionários. As carrinhas que
temos não permitem o transporte
de idosos com deficiência motora,
o que nos obrigava a alugar
ambulâncias. Agora já possuímos
meios para isso.”
Francisco Crespo,
Presidente do Centro Social
e Paroquial de São Vicente
de Paulo
“Temos uma carrinha antiga
que já tinha dificuldades em
passar na inspeção. Este apoio da
Fundação Montepio permite-nos
dar qualidade e dignidade, a nível
de transporte, às cerca de 65
crianças que apoiamos e aos 300
menores do projeto ‘Risco’.”
Odete Costa,
Presidente da Direcção do
Instituto Maria da Paz Varzim
“Esta viatura tem grande
importância para nós, pois as
carrinhas com que operamos já
estão completamente obsoletas
e a assistência técnica já era
incomportável. Esta instituição
está situada numa zona muito
deprimida da cidade de Beja,
contando com uma população
muito carenciada. A carrinha vem
dar-nos um grande apoio.”
José Baguinho,
Presidente do Centro Social,
Cultural e Recreativo
Bairro da Esperança
“É um grande apoio para quem,
como nós, lida com pessoas com
deficiências motoras. Vai beneficiar muito a vida dos 40 utentes
em apoio domiciliário, bem como
dos 30 do centro de dia. Vai ser
usada diariamente das 7h da
manhã às 10h da noite.”
António Nogueira,
Presidente do Centro Social
Paroquial Maris Stella da Guia
MONTEPIO VERÃO 2012
85
5
o meu montepio
PARCERIA
AÇÃO SOCIAL
APOSTAR
EM CRESCER
BEM
A ASSOCIAÇÃO CRESCER
BEM EXISTE DESDE JULHO
DE 2011, NO HOSPITAL
D. ESTEFÂNIA, EM LISBOA.
O OBJETIVO É AJUDAR
FAMÍLIAS CARENCIADAS
ATRAVÉS DE APOIO
DOMICILIÁRIO
POR SUSANA TORRÃO
FOTOGRAFIA ARTUR
86
Isabel dos Santos já era voluntária quando, numa visita ao Hospital D. Estefânia, a assistente social do Hospital a desafiou a criar ali uma associação semelhante àquela com a qual colaborava
noutra unidade e que também apostava no apoio domiciliário. Isabel aceitou
sem pestanejar. Em pouco tempo nascia a Crescer Bem. Em julho de 2011 foi
assinada a escritura e em dezembro a
Associação já tinha o estatuto de IPSS.
A Crescer Bem presta apoio domiciliário a famílias carenciadas, atuando
quer ao nível da distribuição de bens –
roupa, alimentos e produtos de higiene
– quer ao nível da própria organização
da casa e da resolução de problemas burocráticos. “No caso de famílias estrangeiras, por vezes deixam caducar a autorização de residência e têm receio de ir
ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.
Sem papéis acabam por não tratar da
Segurança Social, do Cartão de Saúde,
das vacinas dos filhos ou da inscrição
das crianças na escola”, conta Isabel dos
Santos. Outras vezes é a barreira da língua e a falta de conhecimento do meio
que impede as famílias de atuar. “São
famílias de tal forma carenciadas que
aplicam toda a sua energia na sobrevi-
APOSTA NA ESCOLARIZAÇÃO
Filhos como educadores
P
ara a Crescer Bem é fundamental
que as crianças das famílias
apoiadas frequentem a escola.
É através dos filhos que, por vezes, começa
a reestruturação de uma família. São os
mais novos que alertam para a necessidade
de um espaço organizado para estudar,
de uma casa limpa ou de cuidados de
saúde. De momento a Associação apoia
12 crianças, num total de oito famílias.
MONTEPIO VERÃO 2012
“São famílias
de tal forma carenciadas que
aplicam toda a sua energia na
sobrevivência...”
Isabel Soares dos Santos
Associação Crescer Bem
vência. Uma mãe que vive nos Anjos e
não é de cá não sabe qual o agrupamento em que deve matricular os filhos na
escola”, afirma Isabel.
São os serviços sociais do Hospital
D. Estefânia que fazem a sinalização
das famílias, ao nível da consulta, internamento e urgência, sendo depois assinado um formulário de consentimento.
“Nem sempre as pessoas aceitam. Afinal estamos a entrar na sua intimidade,
a mudar os ritmos, a alterar a dinâmica
familiar”, assume a voluntária.
Graças a uma doação de produtos
de limpeza é feita uma limpeza da casa.
Na primeira visita, uma voluntária faz sopa com a mãe e ensina-a a congelar os alimentos para ter sempre comida pronta.
As famílias também têm que responder ao investimento que é feito.
Quando são visitadas, a casa deve estar
limpa e arrumada e as crianças com o
banho tomado.
Aproveite o melhor
das suas férias
Lazer
As parcerias recentemente
firmadas pelo Montepio garantem
aos associados vantagens em
vários equipamentos culturais e
de lazer um pouco por todo o País.
A não perder
Polvomania
É também feita uma aposta na organização do espaço. Por vezes, estas
famílias – portuguesas, mas também
vindas de pontos tão distantes como a
Roménia ou a Guiné – não têm mobiliário, armazenando os seus haveres em
sacos de plástico. A Associação tenta
encontrar soluções para que os haveres
das famílias fiquem arrumados.
“Insistimos também para que as
crianças não durmam com os pais.
Nem que seja num sofá-cambalhota,
para que cada um tenha o seu espaço
de repouso. No caso em que a família
habita num só quarto, promovemos soluções através de beliches”, conta Isabel
Soares dos Santos.
A Crescer Bem garante apoio na
procura de emprego ou na resolução de
problemas como os de uma mãe moçambicana, licenciada em Gestão mas
a trabalhar em Portugal numa empresa
de limpezas, despedida assim que anunciou que estava grávida. Nestes casos, a
Associação tenta agir de forma a que
sejam respeitados os direitos do trabalhador.
As 23 voluntárias da Crescer Bem
não fazem apenas apoio domiciliário
às famílias. No hospital faz-se a triagem da roupa e dos bens doados, que
são devidamente organizados em dois
armazéns. Roupa e calçado, depois de
escolhidos, são lavados e recuperados
pelas voluntárias nas suas casas. Juntam-se ainda os enxovais para bebé,
dados a cada recém-nascido das famílias apoiadas, feitos por uma voluntária.
À boa vontade individual junta-se a
ação social de algumas empresas, entre as quais o Montepio.
No Dia Mundial da Criança a Associação realizou várias ações, que também contaram com o apoio do Montepio, destinadas a divulgar e a recolher
fundos a favor da Crescer Bem. Afinal,
uma quota anual de 60 euros pode garantir o leite de uma criança.
O Sea Life do
Porto tem patente,
até ao final do
ano, a exposição
Polvomania, que
dá a conhecer
um dos mais
inteligentes seres
marinhos que
habita o planeta.
Capaz de tarefas
complexas,
como distinguir
padrões e formas
ou desarrolhar
frascos, o polvo
está adaptado para
viver em todos os
oceanos, existindo
atualmente cerca
de 300 espécies
conhecidas.
Além desta
exposição, o Sea
Life tem nos seus
2 200 metros
quadrados de área
e 31 aquários cerca
de 100 espécies
marinhas de
água doce que
vale a pena ficar
a conhecer neste
verão.
Os associados do Montepio beneficiam
de um desconto de 30% nos bilhetes
individuais (adulto e criança)
adquiridos no Sea Life Porto
Tardes de cinema
U
ma ida ao cinema numa tarde
ou noite de verão é sempre uma
boa aposta. Assim, é bom saber
que os associados do Montepio têm
direito a um preço especial na aquisição
de bilhetes nos Cinemas City.
Benefícios para
associados Montepio
f BADOCA
SAFARI PARK
Visite o Alentejo,
desfrute de um dia em
plena natureza, observe
animais, integre um
safari aventura e viva
experiências únicas.
Desconto de 10% nos
ingressos.
f FLUVIÁRIO
DE MORA
Aquele que é o primeiro
grande aquário de água
doce da Europa recria
o habitat de um típico
rio ibérico e dá
a conhecer as espécies
de água doce que
habitam o nosso País.
Desconto de 15% sobre
o preço de entrada.
f COOLPARK LEIRIA
Depois da reabertura,
em 2011, este parque
de lazer está cada
vez mais divertido.
Quer se trate de uma
festa de aniversário
ou de um evento
organizado por escolas
ou empresas, os campos
de jogos e as piscinas
do Coolpark prometem
sempre animação
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Centro Cultural de Belém
Os associados do Montepio têm direito a 20%
de desconto na aquisição do cartão Amigo do CCB,
a que acresce uma redução de 10% caso a adesão
seja feita por débito direto em conta.
CARTÃO AMIGO DO CCB
A adesão ao cartão garante-lhe acesso privilegiado
ao Centro Cultural de Belém e descontos de 20% a
30% no preço dos bilhetes de todos os espetáculos
produzidos pelo CCB.
MONTEPIO VERÃO 2012
87
5
o meu montepio
SOLIDARIEDADE
CONCURSOS
ENCONTRO
DE GERAÇÕES
A 26 DE ABRIL, O
MONTEPIO DISTINGUIU
OS PREMIADOS DESTE
ANO NO CONCURSO DE
FOTOGRAFIA E ENSAIO.
DEDICADOS AO TEMA
“SOLIDARIEDADE ENTRE
GERAÇÕES”, OS PRÉMIOS
PROMOVERAM A
REFLEXÃO SOBRE UM
TEMA ATUAL
1
1 Os premiados
receberam
diplomas que
destacaram
a qualidade
dos trabalhos
2
3
Os associados
premiados
POR SUSANA TORRÃO
88
“O tema da solidariedade entre gerações é de grande atualidade e há
muita dificuldade na sua concretização.” Foi este o alerta lançado por
António Tomás Correia na cerimónia de entrega da segunda edição
dos prémios de Fotografia e Ensaio,
realizada a 26 de abril, em Lisboa.
A edição deste ano, que recebeu a
concurso 81 fotografias e 32 ensaios,
teve como tema “Solidariedade entre Gerações”, uma vez que 2011 foi
assinalado como o Ano Europeu do
Envelhecimento Ativo e Solidariedade entre Gerações. Ao escolher este
tema, o Montepio pretendeu não só
estimular a criatividade dos associados como promover a reflexão sobre
temas que são importantes tanto para a Associação como para a sociedade em geral.
“Com o trabalho de solidariedade
social damos um exemplo para que
haja um trabalho efetivo contra a exclusão e um apoio aos que estão mais
isolados, são mais velhos ou são portadores de deficiência”, afirmou An-
MONTEPIO VERÃO 2012
FOTOGRAFIA 2011
Solidariedade entre Gerações
4
tónio Tomás Correia, que lembrou a
existência de um cada vez maior número de idosos isolados, com dificuldades de locomoção ou abandonados
em hospitais.
Na cerimónia destacou-se a qualidade dos trabalhos com que os associados que participaram no concurso brindaram esta edição. O júri decidiu atribuir este ano três prémios
na área da Fotografia e seis no Ensaio. Ainda para este ano, e prova de
que o concurso não é uma iniciativa
isolada, está prevista a realização de
uma exposição itinerante com as fotografias apresentadas a concurso e
um colóquio subordinado ao tema
que inspirou a iniciativa.
1º Lugar
^ Susana Duarte Pereira de Jesus
(Lisboa)
2º Lugar (ex aequo)
^ Alexandre Miguel Barros dos
Santos (Lisboa)
^ Teresa Raquel do Carmo de
Almeida Ramos (Carcavelos)
ENSAIO 2011
1º Lugar
^ Carlos Manuel Meneses Moreira
(Maia)
2º Lugar
^ Patrícia Alexandra Luciano da
Costa Dias (Amadora)
3º Lugar
^ Manuel Fernando Machado de
Sousa (Maia)
4º Lugar
^ Helena Dulce Mateus M. da Silva
Nogueira (Santarém)
5º Lugar (ex aequo)
^Zélia Patrícia da Piedade Ferreira
(Santarém)
^ Elina Maria Gillot Mendes de
Carvalho (Caxias)
5
o meu montepio
BREVES
concurso
de ensaio
concur
CONCURSOS 2012
so de
ENSAIO E
FOTOGRAFIA
fotogr
afia
Regulamento
dos Concursos
Faça o download em
www.montepio.org
A saber
é gratuita
”;
VIDA
DA
A”
Partindo do mundo para Portugal, este ano os
temas dos Concursos Montepio pretendem incentivar a participação cívica e a criatividade
através da reflexão e exposição escrita em torno
das questões da cidadania e das desigualdades
sociais, bem como através da captação de imagens sobre a água nos seus mais diversos estados e contextos.
Abertos exclusivamente aos associados efetivos do Montepio, a escolha do tema
de “Cidadania e Desigualdades Sociais” para o Concurso de Ensaio e “Água é Vida” para o Concurso de Fotografia resulta da sua
importância e atualidade, bem como do potencial de expressão escrita ou visual. Além
disso, os temas escolhidos fazem parte das
agendas internacionais para o ano de 2013
– o próximo ano foi designado pela União Europeia “Ano Europeu dos Cidadãos” e pela Organização das Nações Unidas “Ano Internacional
da Cooperação pela Água”.
^ Os concursos iniciam-se
a 15 de julho de 2012, podendo
as candidaturas ser enviadas até
31 de outubro de 2012
^ A candidatura deve ser
acompanhada pela respetiva
ficha de inscrição, devidamente
preenchida e assinada
PRÉMIOS
Em cada Concurso, por decisão
do respetivo júri, serão atribuídos
prémios aos trabalhos melhor
classificados
1º Lugar - 2 000 €
2º Lugar - 1 500 €
3º Lugar - 1 000 €
4º Lugar - 750 €
5º Lugar - 500 €
As três edições destes concursos
contaram com a participação
de 350 associados.
Para saber mais sobre esta iniciativa:
Gabinete de Dinamização Associativa
Tel. 213 249 234/8 | [email protected]
Revisitar a História
A
certo de
Contas, da
autoria do ex-jornalista e consultor
de comunicação
António de Sousa Duarte,
Associado do Montepio,
é uma oportunidade
para conhecer melhor
histórias de figuras
marcantes da História
recente portuguesa.
Ao longo do seu percurso
profissional – que incluiu
a redação da Agência
Lusa ao serviço da qual
cobriu o conflito na antiga
Jugoslávia – António de
Sousa Duarte cruzou-se
com nomes tão diversos
como Álvaro Cunhal,
Costa Gomes, Artur Jorge,
D. Manuel Martins ou
Paulo Teixeira Pinto.
Os relatos que inclui
em Acerto de Contas
permitem ter uma nova
visão sobre os protagonistas mas também
sobre a própria história
nacional.
Autor António de Sousa
Duarte
Editora Âncora Editora
Microcrédito
Um projeto muito saudável
A loja Joana Dietetic's é um projeto apoiado pelo Montepio através do
Microcrédito. Assume-se como uma loja dietética com produtos sem
glúten, sem açúcar e ainda complementos alimentares. Dispõe, ainda,
de serviços de massagem (relaxante, anticelulite e para grávidas),
estética e consultas de nutrição.
Siga este projecto em http://vidasaudavelsg.blogspot.pt/
MONTEPIO VERÃO 2012
89
5
o meu montepio
ESTA INFORMAÇÃO não dispensa a leitura das condições
BENEFÍCIOS E DESCONTOS PARA ASSOCIADOS
gerais de acesso e utilização destes benefícios, bem como das
condições gerais e/ou particulares em vigor, definidas pelas
instituições mencionadas para efeitos da comercialização dos
seus produtos e/ou disponibilização dos seus serviços.
Mais informação: www.montepio.org
Novos acordos celebrados
AUTOMÓVEL / MOTO
Distrito de Lisboa
EXPOPNEU – COMÉRCIO
E SERVIÇO DE PNEUS
LISBOA
BEM-ESTAR
Distrito de Portalegre
SOL & CORPORE
PORTALEGRE
FORMAÇÃO
ESCOLAS / CENTROS DE
ESTUDO
Distrito de Aveiro
COBERTURA NACIONAL
WALL STREET INSTITUTE
Distrito de Lisboa
COLÉGIO O PARQUE
LISBOA
ÓTICAS
Distrito de Lisboa / Porto
Distrito de Lisboa
CENTRO DE ESTÉTICA
DR. FERNANDO PÓVOAS
LISBOA / PORTO
ÓPTICA SANTANA
TORRES VEDRAS
CONSUMO
ŎĔŎ›
OPTICLINIC
SINTRA
Distrito de Portalegre
Distrito de Lisboa
ALEXANDRES
LISBOA
OURIVESARIA SANTANA
TORRES VEDRAS
Distrito de Portalegre
ELOI SANTOS
- OURIVESARIA
PORTALEGRE
CULTURA E LAZER
ESPETÁCULOS
90
Distrito de Lisboa
CCB – CENTRO CULTURAL
DE BELÉM
LISBOA
CINEMAS CITY
LEIRIA / LISBOA
CULTURA E LAZER
PARQUES TEMÁTICOS
Distrito de Évora
FLUVIÁRIO DE MORA
MORA
Distrito do Porto
SEA LIFE
PORTO
Distrito de Setúbal
BADOCA SAFARI PARK
SANTIAGO DO CACÉM
MONTEPIO VERÃO 2012
SAÚDE
wĔŎ›
ÓPTICA REIS II
PORTALEGRE – PONTE DE
SOR – ESTREMOZ (Évora)
Distrito do Porto
ESBOÇO D’OLHARES
MAIA
SAÚDE
ŎŎ›ŎĔŎ
›
COBERTURA NACIONAL
GERMANO DE SOUSA –
CENTRO DE MEDICINA
LABORATORIAL
SAÚDE
CENTRO DE ENFERMAGEM /
REABILITAÇÃO FÍSICA
Distrito de Coimbra
CENTRO DE REABILITAÇÃO
DE COIMBRA
COIMBRA
ECOMÉDICA – CENTRO
MÉDICO DE DIAGNÓSTICO
COIMBRA
Distrito de Faro
MAIS SAÚDE – CUIDADOS
DE SAÚDE NO DOMICÍLIO
Distrito de Lisboa
CMR – CENTRO DE
MEDICINA FÍSICA
E DE REABILITAÇÃO
CACÉM - SINTRA
FISIOVAR – CLÍNICA MÉDICO
– CIRÚRGICA
DE OVAR
OVAR
TURISMO
RESTAURAÇÃO
Distrito de Portalegre
RESTAURANTE CAVALINHO
PORTALEGRE
TURISMO
UNIDADES HOTELEIRAS
Distrito de Braga
CLÍNICA DE MEDICINA
DENTÁRIA DO CASTELO
BRAGA
CLÍNICA PRIVADA
DE GUIMARÃES
GUIMARÃES
Distrito de Lisboa
BIUTI ALVALADE – CLÍNICA
MÉDICA E DENTÁRIA
LISBOA
CLÍNICA DR. FERNANDO
PÓVOAS
LISBOA
COBERTURA NACIONAL
TIVOLI HOTELS & RESORTS
VILA GALÉ - HOTÉIS
Distrito de Aveiro
VALE DO RIO – HOTEL
RURAL
OLIVEIRA DE AZEMÉIS
Distrito de Faro
HOTEL SANTA CATARINA
- ALGARVE
PORTIMÃO
Distrito da Guarda
CLÍNICA DENTÁRIA DINIZ
SALGUEIRO
LISBOA
Distrito do Porto
ORAL CONCEPT
MATOSINHOS
CLÍNICA DR. FERNANDO
PÓVOAS
PORTO
CMR – CLÍNICA MÉDICA
DE CUIDADOS REGULARES
VILA NOVA DE GAIA
DENTAL CLINIC VILAR GAIA
VILA NOVA DE GAIA
Distrito de Setúbal
CLÍNICA DA DIABETES
BARREIRO
Distrito de Vila Real
CLÍNICA DICORPUS
VILA REAL
Região Autónoma dos Açores
DRA. SOFIA MOTTA
– CENTRO MÉDICO
DO ALJUBE
PONTA DELGADA
ALBERGARIA
SRA. DO ESPINHEIRO
SEIA
HOTEL QUINTA
DOS CEDROS
CELORICO DA BEIRA
Distrito de Leiria
MARRIOTT HOTEL PRAIA
D’EL REI
ÓBIDOS
HOLIDAY RESIDENCES
ÓBIDOS
Distrito de Vila Real
HOTEL DE CERVA
RIBEIRA DE PENA
Acordos
anulados
ASSOCIAÇÃO DE SOCORROS
MÚTUOS DE PONTA
DELGADA
PONTA DELGADA
CIBERNAU
LISBOA
FARMÁCIA
DA MISERICÓRDIA
DO CRATO
CRATO
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carvalho da silva