Verão 2012 Trimestral €1 montepio MANUEL CARVALHO DA SILVA DE SINDICALISTA A INVESTIGADOR SOCIAL É ESSENCIAL QUE A SOCIEDADE SE ORGANIZE PARA ENFRENTAR OS NOVOS DESAFIOS SOCIAIS. AS NOVAS GERAÇÕES PODERÃO FAZER A DIFERENÇA número 06 série II Nesta altura, é bom viver num país cheio de sol. POUPE ATÉ 75% DA SUA FATURA DE AQUECIMENTO DE ÁGUA. Novos tempos pedem novas tecnologias para poupar sem preocupações. Aproveite as ótimas condições de exposição solar que Portugal tem. A Vulcano propõe soluções solares térmicas completas e versáteis, para água quente e apoio ao aquecimento da sua casa, de fácil e rápida instalação, com apoio e serviço especializado do primeiro ao último passo. Começar a poupar investindo no futuro é simples, basta falar com o seu especialista de sempre. www.vulcano.pt #06 SUMÁRIO VERÃO 2012 @6 Tema de fundo Os novos habitantes das aldeias 14 65 ADE CI D O MEU M ONT EP IO 89 82 rab mo alh .U o niã op rec isa -se HA 90 88 86 84 tór io T IN Finanças pessoais Crie o seu próprio emprego cria nça s Opinião Helena Sacadura Cabral 61 Edu caç ão fi nan ceir a 58 72 48 INHA ECON IA OM o rin to Vi AM 62 78 M A er end ov om aC e égi rat tricidad Est le e a a su deus? ois do a 74 A R nã om ora aqu O des P em i pe pre go ns pe a t i o v fu a Q tu ro uem em Po rt ug al ? 44 ID 40 V 4 32 a E dep Reform vas iati ação r c gin has Fic de ima S ia ór a SO st led i h ve om a A c s ad io u se int à l s u a Q P de da i C R C o iã in Op Verão Praias a não perder 1 DO ^8 M EU M U 5 A NH A MI astos Crónica Baptista-B O Inovação/Ambiente Realidade que parece ficção N de sc Con on As t cur s o sos cia os dos Fot ogr afia Parc e e eria Asso nsaio ciaçã Cresce o r Bem Responsa bilidade social Frota Solidári a ae ro es pa ci al 55 Be ne fíc ios e pe sq ui sa Reportagem 20 50 na #4 tá no prato o al tim oc úl Gl res ond eL os d pic lím y os O or Jog at os or nt ade ab e alid e L lvim Atu c en nvo ci e s S es d ar s M 06 o A verdade es Alimentaçã 10 %2 Lazer Planear é poupar COLABORADORES PAG. PAG. 50 PAG. 61 #06 série II VERÃO 2012 Nesta edição... Manuel Carvalho da Silva Vitorino Investigador Vitorino Salomé nasceu no Redondo, numa família de músicos, mas escolheu o curso de Belas-Artes, em Lisboa. Foi em Paris que iniciou a carreira musical e conheceu os músicos Sérgio Godinho e José Mário Branco. Em 1975 lançou o seu primeiro álbum, Semear Salsa ao Reguinho. É um dos principais cantautores portugueses e escreve sobre a sua cidade de eleição. Educação Helena Sacadura Cabral Músico Começou a trabalhar como eletricista aos 17 anos. No regresso da Guerra Colonial ingressou nos quadros da multinacional PREH e envolveu-se no movimento sindical. Foi um dos fundadores da CGTP, da qual foi secretário-geral. Com licenciatura e doutoramento pelo ISCTE, é investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Economista Licenciada em Economia pelo Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, Helena Sacadura Cabral foi a primeira mulher a integrar o Banco de Portugal. A economista, que colabora regularmente em jornais, rádio e televisão, escreve nesta edição sobre o cenário socioeconómico português em 2030. P R O P R I E D A D E C O L A B O R A Ç Õ E S Montepio Geral – Associação Mutualista, Rua do Ouro, 219-241 1100-062 Lisboa Tel. 213 249 828 Ana Ferreira, Baptista-Bastos, Bárbara Tavares, Cláudia Marina, Fátima Ferrão, Helena C. Peralta, Helena Sacadura Cabral, Helena V Viegas, João Manuel Ribeiro, Jorge Pires, Nuno Silva, Raquel Abrantes Amaral, Rita Penedos Duarte, Rute Marques, Susana Torrão, Vitorino R V (texto) Artur, Bruno Rascão (fotografia), Carlos Monteiro (ilustração), Cristiano Salgado (ilustração capa) D I R E T O R António Tomás Correia -ADJU Rita Pinho Branco D I R E T O R Esta revista foi redigida ao abrigo do novo Acordo Ortográfico Participe na próxima edição desta revista N T O C O O R D E N A Ç Ã O P U B L I C I D A D E Gabinete de Relações Públicas Institucionais Maria João Siqueira Tel. 213 804 010 | Fax 213 804 011 I M P R E S S Ã O LiderGraf - Artes Gráficas, SA Rua do Galhano, 15 (E.N. 13), Árvore 4480-089 Vila do Conde E D I T O R &HUWL¿FDGR3()& !"#$%&’()*#(% RULJHPHPÀRUHVWDV FRPJHVWmRÀRUHVWDO VXVWHQWiYHOHIRQWHV FRQWURODGDV ,!-./0121023 ZZZSHIFRUJ MONTEPIO VERÃO 2012 Plot - Content Agency Av. Conselheiro Fernando de Sousa, 19, 6º, 1070-072 Lisboa Tel. 213 804 010 E D I T O R Ana Ferreira D I R E T O R Inês Reis D E A R T E | Revista trimestral | Depósito Legal nº 5673/84 | Publicação periódica | registada sob o nº 120133 T I R A G E M 344 000 exemplares O Montepio é alheio ao conteúdo da publicidade externa. A sua exatidão e/ou veracidade é da responsabilidade exclusiva dos anunciantes e empresas publicitárias. ^ COMO SE SENTE AO VOLT LTAR A ESTUDAR? Porque a idade não conta quando se trata de aprender, conte-nos o que sente por voltar a estudar. Cidades ^ O QUE FAZ PARA MELHORAR A VIDA? Conhece ideias positivas que trazem bem-estar ou arrancam sorrisos entre a rotina do dia-a-dia? Partilhe-as connosco. Economia ^ SERÁ QUE O FUTURO DA ECONOMIA É VERDE? Segundo a Organização Internacional do Trabalho, nos próximos 20 anos a chamada “economia verde” pode gerar entre 15 a 60 milhões de novos empregos. O que pensa desta possibilidade? Aceite o desafio, participe na próxima edição e envie-nos as suas sugestões e comentários para revistamontepio@ montepio.pt ou, se preferir, para Revista Montepio, Gabinete de Relações Públicas Institucionais, Rua de Santa Justa, 109, 5º 1100-484 Lisboa ERRAT ATA Por lapso, na revista Montepio nº 4, Inverno 2011, no artigo Cidade à Lupa, foi publicada uma fotografia da Ilha do Pico num texto dedicado à Ilha de São Miguel. Pelo facto, pedimos desculpas aos leitores. EDITORIAL FINALISTA óscares da comunicação Rita Pinho Branco Diretora de Comunicação do Montepio “Decidimos submeter-nos à avaliação de um júri internacional e aceitar a comparação com os melhores. No final, soubemo-nos entre os melhores na categoria." Nem uma história, nem uma crónica. Esta é a memória partilhada da noite em que, em representação desta sua revista, participámos nos óscares da comunicação. Data – 11 de maio. Local – Cipriani Wall Street, em Nova Iorque, onde presenciámos a 47ª Gala da SPD – Society of Publications Designers e confirmámos que a revista Montepio integrou o lote dos seis melhores trabalhos de redesign do mundo. Num salão que congregou mais de 600 convidados, todos profissionais de comunicação e, em particular, responsáveis pela edição de publicações, encontrámo-nos com editores, diretores de arte… e estivemos com os melhores do mundo, partilhando a festa com quem comunica através de revistas como a New York Times, a Time, a Wired ou a Bloomberg Businessweek. O desafio era enorme, porquanto, após a reformulação que, em maio de 2011, imprimimos a esta sua publicação, tornando-a mais atual e mais alinhada com as melhores práticas de comunicação, decidimos submeter-nos à avaliação de um júri internacional e aceitar a comparação com os melhores. No final, entre sete mil trabalhos apresentados a concurso, originários de todo o mundo, constatámos que a revista Montepio era a única não vendida na “banca de jornais e revistas”, a única de natureza institucional e a única portuguesa. Trabalhámos em equipa, acreditámos que era possível e acabou por acontecer: em plena Big Apple, escutámos bem alto o nome da revista Montepio e saboreámos o momento sabendo-nos entre os melhores da categoria, o que equivale a dizer entre revistas como a Fast Company, a IL – – Intelligence in Lifestyle, a Red, a The New York Times Magazine e a Wired Itália. Mas este reconhecimento internacional não seria possível sem o seu apoio. Por isso, é momento de agradecer aos associados Montepio, a todos os que fortalecem este projeto associativo incontornável à escala ibérica e a todos os que nos leem e que, muito antes de termos vivido “uma noite nos óscares da comunicação”, nos haviam confirmado, entre mensagens de felicitações e sugestões, que estamos (mesmo) no bom caminho. MONTEPIO VERÃO 2012 GLOCAL G LOCAL SABER O QUE ESTARÁ PARA LÁ DA TERRA E PERCEBER SE EXISTE VIDA NOUTROS PLANETAS FORAM, DESDE SEMPRE, DESAFIOS A QUE O HOMEM QUIS RESPONDER. A CHEGADA À LUA FOI O PRIMEIRO GRANDE PASSO RUMO À CONQUISTA DO ESPAÇO. HOJE, NOVOS REPTOS SE LANÇAM COM MARTE E JÚPITER A SUSCITAREM ENORME CURIOSIDADE Investimento na indústria espacial Lançamentos para órbita 2011. Em milhares de milhões de dólares 2011 26,46 Rússia China Departamento de Defesa EUA Portugal no Espaço Outros Total Entra em vigor o Tratado de Lisboa, que reforça as atividades espaciais na Europa. O “Espaço” torna-se numa nova competência da União Europeia 84 2007 A Política Espacial Europeia é adotada pelo Conselho do Espaço 47,25 EUA É criado o Gabinete Português para o Espaço 31 0,86 Outros 18,49 2003 Portugal torna-se Estado-membro da ESA 1,44 NASA National Oceanic and Atmospheric Administration 2001 Portugal subscreve os programas ARTES (para o desenvolvimento de tecnologia de telecomunicações) e GNSS (conjunto de programas de navegação por satélite) 5,8 19 4,12 Agência Espacial Europeia (ESA) 2010 Rússia 2000 1997 Portugal torna-se Estado-membro cooperante da ESA 3,84 1996 3,08 Lançamento do PoSAT-1, o primeiro satélite português construído em colaboração com um consórcio de empresas e universidades nacionais 18 Japão China 1,49 Índia 1,11 1993 França 16 Missões de aterragem Sucesso Fracasso 9 10 19 14 O Homem deverá chegar ao planeta vermelho a partir de 2030 Lua 4 8 Sol Júpiter Mercúrio Vénus MONTEPIO VERÃO 2012 Terra Marte Lançamento do Mars Science Laboratory Altitude: 125 km Velocidade: 5 800 m/s Altitude: 10 km Velocidade: 470 m/s O último voo do Discovery A 17 de abril de 2012, duas mil pessoas reuniram-se no Centro Espacial Kennedy para assistirem à última descolagem do vaivém 5 628 246 31 38 Número de órbitas (230 003 477 km percorridos) Tripulantes Satélites lançados Total de voos Programa Mars Science Laboratory Peso: 900 kg Lançada a 26/11/11 é a maior e mais audaciosa missão a Marte conduzida pela NASA desde a década de 70 Separação do escudo térmico Separação do escudo superior Altitude: 1,8 km Velocidade: 100 m/s Descida assistida por foguetes Curiosity Está equipado com dez instrumentos capazes de localizar e analisar os elementos essenciais à vida: água, energia na forma de luz ou calor e materiais orgânicos 20 m Funcionará dia e noite e não dependerá do Sol, já que está equipado com um reator termonuclear que gera eletricidade a partir de material radioativo No futuro... “Juice” é o nome da missão com destino a Júpiter e partida prevista para junho de 2022. O objetivo é perceber se as luas deste planeta têm as condições Titã necessárias para suportar vida. A missão pode custar qualquer coisa como 830 milhões de euros 1 Plutão Saturno Urano Neptuno MONTEPIO VERÃO 2012 MONTEPIO VERÃO 2012 O MEUMUNDO TENDÊNCIAS NA ECONOMIA, SOCIEDADE, VIDA E CULTURA página 10 página 22 página 26 página 34 ATUALIDADE ENTREVISTA REPORTAGEM AMBIENTE Em ano de Jogos Olímpicos mostramos-lhe como Londres construiu uma nova cidade sustentável Manuel Carvalho da Silva, ex-líder sindical e atual investigador social, falou com a Montepio sobre os problemas da sociedade dos nossos dias Em França dois milhões de pessoas regressaram ao campo. Também em Portugal há quem aposte no interior para relançar a sua vida Já há alternativas ecológicas para a tecnologia de futuro. Conheça um avião solar, carros voadores e cargueiros movidos a parapente 1 o meu mundo ATUALIDADE JOGOS OLÍMPICOS 2012 RUMO A LONDRES 10 UM NOVO ESTÁDIO, UMA ALDEIA OLÍMPICA E TODA UMA MINI-CIDADE CONSTRUÍDA PARA ACOLHER AS COMPETIÇÕES QUE VÃO ENVOLVER MAIS DE 16 MIL ATLETAS AO LONGO DE DUAS SEMANAS E MEIA. LONDRES PREPARA-SE PARA RECEBER OS JOGOS OLÍMPICOS DE VERÃO DE 2012, COM 40 MIL POLÍCIAS DE SERVIÇO E UM PLANO DE SEGURANÇA QUE INCLUI A ATIVAÇÃO DE UM SISTEMA DE MÍSSEIS TERRA-AR POR HELENA VIEGAS Londres aguarda os jogos da XXV Olimpíada desde que, a 6 de julho de 2005, foi anunciada, em Singapura, como a cidade eleita para acolher a competição. No mesmo dia em que lhe era atribuído o epíteto de primeiro local a receber pela terceira vez os Jogos Olímpicos da Era Moderna (foi anfitriã em 1908 e 1948), começavam os trabalhos de preparação. A segurança foi desde sempre um dos itens mais importantes, mas não o único. Apesar da decisão de incluir espaços já existentes no plano de infraestruturas a utilizar (para evitar elefantes brancos como o Millenium Dome, que custava 1,8 milhões de libras por mês e recebeu uma única exposição no seu primeiro ano), houve muito trabalho a fazer. Agora está tudo a postos para receber os jogos de 27 de julho a 12 de agosto. A equipa do Comité Organizador dos Jogos Olímpicos de Londres (LOCOG) teve a sua primeira reunião há sete anos e decidiu que algumas das iniciativas decorreriam em locais históricos, como o Hyde Park e a Parada da Guarda. E tomou tam- MONTEPIO VERÃO 2012 bém outra importante decisão: a intervenção na zona do bairro de Statfford, local do Parque Olímpico, e zonas vizinhas do Loer Lea Valley seria pensada para que o legado fosse reaproveitado. Exemplos? Os 80 mil lugares dos estádios reformados e os 20 mil novos lugares serão transferidos para outros estádios do país; as 2 818 habitações (1 379 feitas a custos controlados) construídas para albergar a aldeia olímpica têm como investidor a realeza do Qatar e serão vendidas a famílias; e o parque que os atletas usarão para treinos, com cerca de 27 hectares, foi desenhado de forma sustentável e de modo a ser utilizado como espaço verde de uso público. 1 o meu mundo ATUALIDADE 2,5 MIL MILHÕES é o custo total das Olimpíadas de Londres, financiadas pelo Estado, Lotaria Nacional e poder local Apesar dos protestos de comerciantes e moradores desalojados das zonas intervencionadas, as autoridades garantem que os londrinos serão os principais beneficiários dos gastos previstos para comportar a afluência de mais oito milhões de pessoas à cidade. No final dos jogos, que incluem a realização dos Paralímpicos de Verão, entre 29 de agosto e 9 de setembro, as estruturas temporárias, como os recintos de pólo aquático e o Basquetebol Arena, um edifício totalmente desmontável e removível, desaparecem. Mas os investimentos feitos, como os oito mil milhões de euros aplicados na modernização dos transportes, incluindo a expansão e melhoria da rede de metro (a mais antiga do mundo) e 48 quilómetros de novas vias rodoviárias, permanecem como legado. O custo total dos jogos, estimado em 2,5 mil milhões de euros, será suportado a 63% pelo Estado, 23% pela Lotaria Nacional e 14% pelo poder local. O programa dos Jogos Olímpicos 2012 inclui 26 desportos, num total de 39 disciplinas. Após os Olímpicos de Pequim, foram retirados do programa o Basebol e o Softball – vagas que serão preenchidas pelo Golfe e Rugby de Sete, mas só em 2016, na edição do Rio de Janeiro. As principais novidades desta XXV Olimpíada estão sobretudo relacionadas com o aumento de oportunidade das atletas mulheres. Haverá mais três categorias no Boxe Feminino e, pela primeira vez, terão também direito a duas competições no Remo, com a entrada do K1 200 metros. No total, mais de 16 mil atletas entrarão em 300 competições, onde estarão representados atletas de 205 países. Nos Paralímpicos participam 147 nações. As estrelas do momento estão identificadas. FOTOGRAFIA GETTY ORGANIZAÇÃO Segurança - Preocupação nº 1 A segurança é uma prioridade para as autoridades britânicas, que querem antecipar qualquer tipo de problema. Por isso, de 27 de julho a 12 de agosto, além de 12 mil polícias fardados, circularão por Londres e arredores mais 13 500 agentes do Ministério da Defesa – em alerta total, mais um número indeterminado de agentes do FBI americano e 16 mil seguranças privados e voluntários de serviço. Muitos não estarão identificados, precisamente para poderem detetar algum indivíduo suspeito de preparar um ataque bombista suicida. Os ataques individuais perpetrados por “lobos solitários” são a maior preocupação das autoridades. A gigantesca operação envolve aviões em constante patrulha, dois navios, incluindo um porta-helicópteros, atracados no Tamisa, e a provável ativação do sistema de proteção antimísseis da cidade. Foram investidos 553 milhões de libras (662 milhões de euros) em segurança e realizados vários testes e simulações que envolveram marines e todo o pessoal da proteção civil londrina. Mas os organizadores prometem a discrição necessária para o desenrolar pacífico da competição. “Queremos que os visitantes se sintam em clima de celebração e não sufocados pela segurança”, disse recentemente ao jornal The Times Sebastian Coe, presidente do LOCOG. MONTEPIO VERÃO 2012 11 1 o meu mundo ATUALIDADE Jogos Olímpicos 12 Prevê-se que as atenções recaiam sobre o sprinter jamaicano Usain Bolt e o nadador Michael Phelps, que ganhou oito medalhas de ouro nas últimas Olimpíadas. Para marcar o início dos jogos haverá um concerto em Hyde Park, com quatro cabeças de cartaz a representarem as quatro nações do Reino Unido. Aos ingleses Duran Duran juntam-se os Snow Patrol, da Irlanda do Norte, os Stereophonics, originários do País de Gales, e o escocês Paolo Nutini. O concerto, que inclui ainda atuações dos New Order e The Specials, coincide com a cerimónia oficial de abertura da competição que, segundo a BBC, será emitida em ecrãs gigantes no intervalo dos concertos. A direção criativa dos espetáculos dos JO 2012 foi entregue a um comité que integra os realizadores Stephen Daldry (Billy Elliot, 2000) e Danny Boyle (que dirigiu filmes como Trainspotting, em 1996, e Quem Quer Ser Milionário, em 2008). As imagens da cerimónia de abertura serão transmitidas gratuitamente, não apenas em Hyde Park mas também no Victoria Park, em Tower Hamlets. Serão estes, aliás, os dois spots de transmissão televisiva em direto dos momentos altos das competições durante os 17 dias que duram os Jogos Olímpicos. No final, um outro concerto, desta vez dos Blur, marcará o encerramento da competição, igualmente em Hyde Park. ? O QUE SIGNIFICA Anfitrião dos jogos pela terceira vez, o Reino Unido apostou na sustentabilidade das estruturas. MONTEPIO VERÃO 2012 PORTUGAL Expetativas moderadas H á quatro anos, o País levava na comitiva 12 campeões mundiais e europeus. Este ano, o judoca João Pina é o único medalhado e está lesionado. As expetativas do Comité Olímpico de Portugal são moderadas no que toca a lugares no pódio. Uma projeção da empresa holandesa de estatística, Infostrada, citada pelo jornal Público, previa apenas uma medalha de prata a Portugal: Telma Monteiro, no Judo. Mas pode haver surpresas. As provas de qualificação decorreram até junho e Mário Santos, chefe de missão do Comité Olímpico de Portugal (COP), estima que a representação portuguesa possa ultrapassar os 70 atletas (em Pequim estiveram 77, sendo que os limites históricos se situam entre o recorde de Atlanta, em 1996, com 107 atletas, e os mínimos de Estocolmo 1912 e Los Angeles 1932, com seis). À Montepio recusou apontar as esperanças, embora todos saibam que as atenções estão concentradas em nomes como Joana Ramos, no Judo; João Silva e Bruno Pais, no Triatlo; ou Diogo Carvalho, Sara Oliveira e Carlos Almeida, na Natação. Mário Santos salienta as novidades e as valências coletivas. Portugal leva quatro atletas à Ginástica Artística, tem uma forte equipa na Vela e, pela primeira vez, vai ter quatro atletas femininas a competir na Canoagem. 18 mil PESSOAS é a capacidade total no interior do campus 49 % É A PERCENTAGEM de apartamentos da Aldeia Olímpica construídos a custo controlado 2 818 É O NÚMERO de apartamentos da Aldeia Olímpica, um espaço de 2,5 km2 1 3 5 mas ach 2 4 Jogos verdes O Complexo Olímpico tem um caráter ecológico. Os britânicos quiseram reduzir ao máximo os impactos e deixar aos londrinos um legado para o futuro 1 CENTRO AQUÁTICO Foi o primeiro dos seis edifícios permanentes a ser apresentado ao público, em julho de 2011, com um mergulho inaugural de Tom Daley, uma das esperanças olímpicas britânicas. É assinado pela arquiteta desconstrutivista britânica de origem iraquiana Zaha Hadid, que criou um edifício original, com uma cobertura ondulada, inspirada nas linhas geométricas da água em movimento. Tem uma piscina de competição, outra de treinos e uma dedicada ao mergulho e capacidade para acolher 17 500 pessoas. 2 ESTÁDIO OLÍMPICO Será a “pedra de toque” das competições. Foi pensado de forma ecologicamente sustentável pelo arquiteto inglês Peter Cook, que trabalhou em parceria com os técnicos da Populous, empresa especializada na área do desporto. O mural exterior do estádio, com 900 metros de perímetro e 20 de altura, foi construído em material descartável, à base de fibras de cânhamo, para permitir a biodegradação do entulho recolhido após a reestruturação do estádio. 13 3 ARCELOR MITTALORBIT Situa-se entre o centro aquático e o recinto. Misto de escultura e obra de arquitetura, a torre de aço e vidro, construída em forma de grade em loop, tem mais 114,5 metros (mais 22 que a Estátua da Liberdade) e é considerada a escultura mais alta do Reino Unido. A vista panorâmica de 20 quilómetros também será rentabilizada como atração turística. Os visitantes serão desafiados a descer através de escadas os 455 degraus da escultura assinada pelo arquiteto Anish Kapoor, em colaboração com a engenheira Cecil Balmond/Arup. Das duas mil toneladas de aço utilizadas no Arcelor MittalOrbit, sede do LOGOC, 60% são de aço reciclado. 4 MEDIA CENTRE Entre as inovações “verdes” do edifício está um sofisticado sistema de reutilização da água não potável usada em toda a Aldeia Olímpica e novos habitats para atrair vida animal, como o telhado com zonas de terra e os abrigos para pássaros. Parte do edifício funcionará temporariamente, mas o restante vai permanecer com o intuito de receber empresas. 5 VELÓDROMO É o edifício favorito dos ingleses, segundo uma sondagem recentemente divulgada. A pista, construída em madeira de pinho da Sibéria, protegida pelo edifício de cedro vermelho, foi concebida pelo arquiteto inglês Michael Hopkin que, para o efeito, consultou o campeão de ciclismo olímpico Chris Hoy. Depois dos jogos, a estrutura com seis mil lugares sentados será reconvertida num velódromo para alta competição e integrada num parque dedicado às bicicletas, com uma pista de BMX, espaços para a comunidade, café, locais de formação e lojas relacionadas com a modalidade. MONTEPIO VERÃO 2012 1 o meu mundo ANÁLISE ALIMENTAÇÃO 14 A VERDADE ESTÁ NO PRATO AO LONGO DO TEMPO, A ALIMENTAÇÃO HUMANA MUDOU. A GLOBALIZAÇÃO TROUXE ABUNDÂNCIA E VARIEDADE E HOJE JÁ NÃO INGERIMOS SÓ PRODUTOS LOCAIS E DA ÉPOCA. DE QUE FORMA ESTAS ALTERAÇÕES INFLUENCIAM A NOSSA VIDA? ESTAMOS MELHORES OU PIORES? POR RITA PENEDOS DUARTE Maio de 2012. A família Duarte Martins reúne-se para a primeira comunhão de Pedro. Comemora-se a fé e a vida. E que melhor maneira de o fazer senão com um jantar no qual se pode comer de tudo, independentemente do local ou da época? Devia haver favas, legume rico em proteínas, hidratos de carbono complexos, vitamina D e fibras, mas não as há na mesa. Por outro lado, apesar da seca severa, não faltam o pão e a carne. A terra não fornece, mas os supermercados asseguram a sua existência. MONTEPIO VERÃO 2012 “Até há pouco tempo a natureza escolhia por nós. Tínhamos a época do tomate, do feijão, das ervilhas. Mas hoje, para os nossos filhos, as ervilhas são tiradas do congelador o ano inteiro”, explica Rodrigo Abreu, nutricionista e responsável pelo Atelier de Nutrição. “O homem desenvolveu métodos de criar alimentos que permitem o acesso a quase todos os produtos o ano inteiro. Se não aprendermos a filtrar essa abundância e diversidade, estas vão funcionar contra nós”, continua. Apesar da alimentação ser uma necessidade básica, e aquela que deveríamos satisfazer com o máximo de atenção e informação, a maioria dos membros desta família – à semelhança do que acontece com a generalidade da população – não se preocupa com o que come. Há apenas exceções pontuais. Sara Duarte, de 34 anos, está a fazer um programa de reeducação alimentar há quatro meses e já perdeu 12 quilos. Ela sabe que todas as asneiras que fizer hoje terão um preço. A batalha tem sido árdua, mas seguida à risca. Tem um plano alimentar indicado pela nutricionista, que inclui seis refeições por dia, com um intervalo máximo de três horas entre cada uma, no qual a batata e o pão não entram e os legumes estão sempre presentes. O exercício físico foi igualmente contemplado e as diferenças são notórias. Alterar rotinas Para Sara o mais complicado foi alterar hábitos enraizados. “Nós não estamos habituados a programar o nosso dia em função da alimentação, embora o façamos em função dos nossos compromissos. Deixámos de nos preocupar com encontrar alimento porque está sempre disponível”, continua Rodrigo Abreu. Hoje, Sara pensa no que vai comer ao longo do dia e leva almoço para o trabalho. “O grande desafio que enfrentamos é conciliar uma rotina exigente com estes cuidados. Mas, feita a mudança, torna-se um hábito.” Ao ter peso a mais, Sara fazia parte de um imenso número de portugueses que sofrem de obesidade e poderia vir a integrar as fileiras dos cerca de um milhão de diabéticos existentes em Portugal. “Estes são números assustadores, sobretudo porque quase metade (perto de 400 mil) não estão diagnosticados”, informa Maria João Afonso, nutricionista na Associação Protetora dos FOTOGRAFIA GETTY MONTEPIO VERÃO 2012 15 1 o meu mundo ANÁLISE alimentação f O NUTRICIONISTA RODRIGO ABREU defende que devíamos programar o dia em função da alimentação 16 Diabéticos de Portugal (APDP). Não é o caso do tio Alberto, da família Duarte Martins. Aos 53 anos tem os níveis de açúcar controlados, mas demorou algum tempo a consegui-lo. A perda de peso e a medicação ajudaram, mas em dias de festa como este a sua resiliência é posta à prova. “O padrão alimentar que a maioria da população segue não é favorável para a sua saúde”, diz a especialista da APDP. “É necessário corrigir e educar a sociedade em geral, e não só as pessoas com o diagnóstico de diabetes, para iniciarem outro tipo de comportamento.” Esta especialista garante que “quando as pessoas conseguem alterar o seu estilo de vida, sentem que vale a pena, sentem-se melhor”. A mudança tem que começar já. Portugal é o terceiro país da OCDE com maior prevalência de diabetes, com custos para a saúde e para a economia. Na Europa, o problema tem um custo anual de 90 mil milhões de euros. A educação alimentar faz parte do plano de tratamento das pessoas com diabetes. É essencial informar, desmistificar e esclarecer dúvidas. Até porque as indicações gerais para um diabético deviam ser prática corrente. “Trata-se de fazer uma alimentação sau- dável, variada e com alimentos de todos os grupos da roda dos alimentos. É importante saber que alimentos estão lá, incluí-los em proporções saudáveis e variar”, indica Maria João Afonso. “O que nos interessa é promover a alimentação saudável, rica em vegetais, evitar gorduras em excesso, como as natas, os bolos e os produtos de pastelaria. Comer em menores quantidades e evitar o sal.” Mesmo os hidratos de carbono – os maiores responsáveis pelo aumento dos níveis de açúcar no sangue depois das refeições – devem ser consumidos. “Na quantidade certa são essenciais para termos a energia necessária para que o nosso organismo desempenhe as várias funções. É preciso saber quanto e quando. E atender à sua qualidade: um folhado não tem o mesmo valor que o pão, a massa ou a fruta.” PENSAR NO FUTURO Banco Português de Germoplasma Vegetal (BPGV) O s bancos de germoplasma colhem, conservam, caraterizam e promovem o uso do património genético vegetal, quer se trate de variedades tradicionais, obsoletas, modernas, ou linhas avançadas, importantes stocks genéticos, pool de genes (ou o conjunto completo MONTEPIO VERÃO 2012 de alelos únicos que podem ser encontrados no material genético de cada um dos organismos vivos de uma espécie) e parentes silvestres de espécies cultivadas. Em Portugal o BPGV surgiu em 1977, na Estação Agrária de Braga, com o objetivo de assegurar a proteção da diversidade biológica e a produção agrícola sustentável, de forma a prever a escassez de determinadas espécies e evitar os desequilíbrios que vão surgindo na cadeia alimentar. É, desde 2009, uma unidade do Instituto Nacional de Recursos Biológicos que assume ainda a responsabilidade de ser o Banco Mediterrânico do Milho. n MARIA JOÃO AFONSO DEFENDE uma alimentação variada que inclua todos os grupos da roda de alimentos A importância da família As crianças, mais curiosas, estão mais abertas à mudança mas dependem de quem as alimenta. “Temos que educar a família”, garante a nutricionista da APDP. “O truque é optar pelo saudável na hora da compra, reservando para as ocasiões especiais o que não é.” No caso dos adultos, é o emprego, local onde passam mais tempo, que determina a maioria dos seus hábitos. “As empresas começaram a entender a mais-valia que é darem aos seus colaboradores ferramentas para melhorar a sua saúde”, refere Rodrigo Abreu. Não se trata de altruísmo. “Um relatório da Organização Mundial do Trabalho indica que há uma relação muito próxima entre a obesidade do trabalhador e a diminuição da sua produtividade.” Alimentar as gerações futuras Há informação suficiente, associações e especialistas preparados para nos ensinar a comer, mas é importante garantir que podemos continuar a fazê-lo. É essencial criar planos de preservação das espécies. Esse é um dos objetivos do Banco Português de Germoplasma Vegetal, criado em 1977, cuja missão é assegurar a diversidade biológica e a produção agrícola sustentável. Há movimentos civis que também procuram a preservação, alertando DIETA ADAPTADA Doença celíaca H para os exageros dos nossos hábitos alimentares, como o “Meatless Monday” (as segundas-feiras sem carne). Nada a que a espécie humana não esteja habituada. Apesar de se ter iniciado como caçador, depressa o Homem aprendeu a pescar e a alimentar-se da natureza com bolotas, ervas ou frutos. Tal como aprendeu a fazer queijo e manteiga e a aproveitar os ovos e o mel. Se a carne é uma das presenças habituais na maioria das mesas, alturas houve em que a variedade era a nota dominante. À semelhança do que acontece na sociedade humana, a mesa da comunhão de Pedro é grande e aconchega muitas bocas. Mas nesta casa pensa-se que só os que foram diagnosticados com um problema devem pensar no que ingerem e é aqui que o erro começa e que deve ser atacado. á ocasiões em que o corpo recusa determinados alimentos, reagindo de forma mais ou menos violenta. É o caso da doença celíaca, doença auto-imune causada pela sensibilidade ao glúten. Esta proteína, presente no trigo, centeio, cevada e aveia, leva o organismo a desenvolver uma reação imunológica contra o próprio intestino delgado. A consequência são lesões na mucosa, que diminuem a capacidade de absorção dos nutrientes. “Há cerca de 100 mil celíacos em Portugal, mas a maioria não sabe porque os sintomas podem estar adormecidos”, alerta Rita Jorge, nutricionista da Associação Portuguesa de Celíacos. “É uma doença que pode ser identificada à nascença ou acordar no início da idade adulta por razões emocionais.” Hoje a alteração alimentar necessária já não é dramática. Existem substitutos para o glúten como o trigo sarraceno, quinoa, milho ou arroz integral. Só é necessário estar atento aos rótulos. Há alternativas para todos os gostos mas o doente celíaco tem que seguir uma dieta que compense a perda de nutrientes. 1 o meu mundo OBSERVATÓRIO TRABALHO E SINDICALISMO UNIÃO PRECISA-SE 20 APESAR DA FRACA TAXA DE SINDICALIZAÇÃO, OS SINDICATOS MANTÊM-SE ATIVOS. COM AS CONDIÇÕES DE TRABALHO A DETERIORAREM-SE, A SOCIEDADE NECESSITA DE RENOVAR A FORÇA DO SINDICALISMO OU DE CRIAR MOVIMENTOS SOCIAIS ALTERNATIVOS POR HELENA C. PERALTA ILUSTRAÇÃO CARLOS MONTEIRO Longe vão os tempos em que os homens colhiam o que natureza lhes dava. A humanidade evoluiu, agravaram-se os problemas e as relações de trabalho tornaram-se o centro da vida das sociedades. Os sindicatos, que emergiram de forma consistente após a Revolução Industrial, são hoje a forma mais perene de associação coletiva. Mas atravessam dias de crise. Como as sociedades. MONTEPIO VERÃO 2012 Seria impensável imaginarmos as condições de trabalho da Europa de hoje sem a intervenção sindical. Em Portugal, e na Europa, o sindicalismo tem perdido força e a sua ação está muito confinada à Concertação Social e à negociação coletiva da agenda política. Sindicalização caiu a pique A força dos sindicatos não se mede só pelo número de sindicalizados mas as estatísticas são claras: a taxa de sindicalização caiu na Europa. Em Portugal, passou de 61%, em 1978, para 19% em 2010, segundo a OCDE. Nem todos os países europeus têm o mesmo grau de desinteresse pelo sindicalismo. A Finlândia, por exemplo, passou de uma taxa de 69% em 1980 para 70% em 2007, e a Suécia apenas caiu dos 78% para os 70% no mesmo período. São estatísticas apresentadas por Henrique de Sousa, ativista social e investigador na área de Ciência Política, ligado ao Instituto Português de Relações Internacionais e ao Centro de Investigação de Ciências Sociais da Universidade do Minho, na sua dissertação de mestrado em Ciência Política, em 2009. Para o investigador, o fraco envolvimento na atividade sindical não traduz uma rejeição face aos sindicatos. Aliás, segundo um inquérito do International Social Survey Program, 66% dos inquiridos entendem que os sindicatos são importantes para a segurança do emprego por conta de outrem. Só a CGTP revela números para o triénio de 2008/2011. As novas sindicalizações cifram-se em 134 mil, das quais 70 mil são mulheres. Só 27 mil têm menos de 30 anos. Para Elísio Estanque, sociólogo e investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, a opção por modelos negociais, consignados na lei, e a alteração dos Números do trabalho em Portugal 42,4 mil À procura do primeiro emprego 551,9 mil no IEFP* 30% 509,5 mil À procura de novo emprego *dezembro 2011 Fonte: Pordata modelos de organização produtiva, foram causas para a quebra. Portugal tem particularidades muito próprias: começou a industrializar-se tarde, atravessou um período de ditadura e o sindicalismo só começou a estruturar-se após o 25 de abril. José Ernesto Cartaxo, ex-sindicalista, relembra que foi entre 1974 e 1975 que se conquistaram importantes direitos no trabalho. “Subsídio de férias, de Natal e ordenado mínimo foram resultado da ação sindical. O ordenado mínimo nacional passou a ser de 3 300 escudos (cerca de 16,5 euros) em 1974, beneficiando mais de 50% dos trabalhadores”, diz. Com a estabilização das condições de trabalho e a contratação coletiva consignada na lei, a atividade sindical desacelerou. A globalização e a lógica neoliberal trouxeram a precariedade, colocando o ativismo sindical em segundo plano. Um estudo encomendado pelo Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social sobre Emprego e Contratação Coletiva, em 2010, coordenado por António Dornelas, investigador do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES) do ISCTE-IUL, O sindicalismo na Europa A França têm os índices de sindicalização mais baixos: 7,6% e 7,7%. A Confederação Europeia de Sindicatos (CES), fundada em 1973, conta com sindicatos 35 Taxa de desemprego jovem em 2011 Inscritos EVOLUÇÃO pesar do mau momento económico da Europa, o movimento sindical tem ainda um peso relativo, sobretudo no Norte. Estónia e Média de horas semanais trabalhadas em 2011 de 36 países, num total de 85 organizações, que representam 56 milhões de trabalhadores sindicalizados. Desta confederação fazem parte a CGTP e a UGT. refere a dimensão da relação salarial sem vínculo permanente. Em Portugal esta situação atingiu 22% dos trabalhadores em 2009, enquanto a média da UE27 se situou nos 13,5% Menos condições de trabalho José Ernesto Cartaxo defende que estamos numa fase de retrocesso social. As atuais condições de trabalho estão em risco com as medidas tomadas na última década, sobretudo desde a revisão do Código de Trabalho, em 2003, o chamado Código de Bagão Félix. Desde então mantém-se a linha condutora, com a facilidade de despedimentos, redução de subsídios e indemnizações, em prol da flexibilidade e aumento da produtividade, situação agravada pela atual crise. Segundo o INE, entre 2004 e 2010 a taxa de desemprego aumentou 4,1 pontos percentuais e o número de trabalhadores com contrato sem termo diminuiu 2,3%. No final de 2011 a taxa de desemprego situava-se nos 14%. Dados do CIES mostram que o risco de pobreza dos trabalhadores em Portugal é de 12% – a média europeia é de 8% – e a distribuição dos rendimentos é das mais desiguais da Europa. Sindicatos e sociedade É porque fazem falta para equilibrar os poderes na negociação coletiva que os sindicatos necessitam de renascer. Para se renovarem têm que conseguir valorizar o trabalho, alargar a sua representatividade, integrar a diversidade de vínculos laborais, desenvolver agenda política própria e reforçar a sua autonomia e, sobretudo, ultrapassar as barreiras políticas. MONTEPIO VERÃO 2012 21 1 o meu mundo ENTREVISTA INVESTIGADOR DO CES E EX-LÍDER DA CGTP "A pobreza é demolidora para a democracia" 22 APESAR DO SINDICALISMO NÃO ESTAR NA MODA, A SOCIEDADE PRECISA DE SE ORGANIZAR PARA ENFRENTAR OS NOVOS DESAFIOS SOCIAIS. DESEMPREGO, PERDA DE DIREITOS E DEMOCRACIA ENFRAQUECIDA SÃO BONS MOTIVOS PARA O SURGIMENTO DE NOVOS MOVIMENTOS SOCIAIS POR HELENA C. PERALTA FOTOGRAFIA ARTUR Manuel Carvalho da Silva, 63 anos, teve uma juventude pacata e pouco contestatária mas acabou nas malhas do sindicalismo e da reivindicação. Foi sindicalista ativo durante quase quatro décadas e liderou a CGTP durante 25 anos. Graceja ao dizer que foi “ao engano” por três anos e acabou por ficar 37. Acredita que uma nova era mundial está a surgir e que as gerações mais jovens partem de um patamar mais alto para fazer face aos problemas sociais. E vão consegui-lo. Passaram três meses desde que deixou o sindicalismo de forma ativa. Custou-lhe iniciar este novo ciclo? Sempre encarei a função sindical na perspetiva de que se é sindicalista porque se trabalha por conta de alguém. O que aconteceu é que o meu retorno ao posto de trabalho não foi o normal porque estive muito tempo na direção da CGTP. No ano passado, já a preparar a minha saída, pus fim ao vínculo de trabalho que mantinha com a multinacional PREH, da Trofa, desde 1973. Desde o início dos anos 80 que já não exercia atividade pois estava no executivo da CGTP, em Lisboa. Fruto dessa mudança de vida e de alguma formação que fui fazendo, as possibilidades de trabalho agora não podiam ser as de origem. MONTEPIO VERÃO 2012 No final de 2009 comecei a ligar-me ao Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (CES). Estive no início da preparação do pólo do CES, em Lisboa, que agora coordeno, e a partir de março do ano passado passei a integrar os quadros da Lusófona, na área da Sociologia e Ciências da Educação. Foi uma fase da minha vida, a função terminou e não há em mim nenhum resquício, nenhuma frustração. A ligação ao CES é também uma forma de intervenção na sociedade? O CES é um centro de investigação prestigiado, com um enorme coletivo de investigadores, sendo um laboratório dedicado aos problemas sociais. Tem uma cultura que incorpora todas as áreas do pensamento mas que tem um forte sentido de análise crítica. Isso para mim é positivo porque o sindicalismo tem uma génese idêntica, de constante questionamento, e procuraremos ter alguma intervenção sociopolítica. Lançámos o Observatório da Crise e Alternativas, cuja coordenação me está atribuída, e recorremos a conferências que despertem a atenção da sociedade. O gosto pelas Ciências Sociais e a opção pela Sociologia são consequência da experiência como sindicalista? Acabou por ser. Em criança tinha o sonho de estudar na universidade. Não tive possibilidade porque comecei a trabalhar muito novo. Em 1993, depois de uma crise na CGTP, senti que precisava arrumar conhecimentos adquiridos e aprofundar outros. E foi isso que me levou a fazer uma formação superior. Hesitei entre Engenharia, Economia e Direito, mas alguns amigos influenciaram-me a favor da Sociologia. Candidatei-me ao ISCTE, preparei-me e entrei. O gosto pela Sociologia surgiu pela arrumação de conhecimentos e pela perceção de proximidade entre as minhas motivações em olhar para a sociedade. Foi difícil conciliar os estudos com a sua atividade na CGTP? Foi muito exigente. Tenho a sorte de ser organizado e fazer uma boa gestão do tempo. Um dos meus compromissos com a CGTP era não diminuir a atividade sindical. Fiz o curso entre 1995 e 2000. No quarto ano acabei por ser o melhor aluno da escola e iniciei o doutoramento. Estruturei o trabalho, apresentei-o a alguns professores, como Manuel Villaverde Cabral e José Madureira Pinto, e candidatei-me à Fundação Ciência e Tecnologia. Foi um doutoramento muito mediático. Sentiu alguma pressão por ser uma figura pública e um dos homens mais influentes do País? Não, não senti. Até tinha vantagem, pois estava habituado a falar em público. O problema foi a construção do trabalho, que foi muito moroso. O tema da tese é o lugar central do trabalho e é uma investigação sobre “Trabalho e Sindicalismo em Tempos de Globalização”. Não me limitei a ver a questão do trabalho pelo lado dos trabalhadores e analisei três empresas do ponto de vista da estratégia empresarial e estrutural ao longo de 35 anos: o atual grupo PT, o complexo Grundig/ Blaupunkt, atualmente Delphi/Bosh, 23 +1 O Estado Social está em risco? T emos que combater a ideia de que a democracia é cara ou de que se devem acabar os direitos sociais porque custam dinheiro. O Estado Social foi criado para permitir bem-estar e desenvolvimento à sociedade e com a consciência de que custa dinheiro. MONTEPIO VERÃO 2012 1 o meu mundo ENTREVISTA Manuel Carvalho da Silva 24 e a têxtil Nova Penteação, da Covilhã. Tive muitas ajudas, senão teria sido uma loucura. A tese tem 258 entrevistas e 1 496 questionários validados e devo ter consultado, além da bibliografia, cerca de quarenta mil páginas de documentos. Como surgiu no sindicalismo? A passagem pela Guerra Colonial, além de alguma revolta, criou em mim a perceção de que uma grande parte do que tinha construído na minha cabeça não correspondia à observação que fazia. Quando regressei, em 1972, começaram a ser evidentes muitas das explorações a que os trabalhadores eram sujeitos. Aí envolvi-me num processo reivindicativo pontual, de protesto, e acabei despedido. Entrei então na PREH e passados uns meses fui eleito para uma Comissão Mista, uma estrutura que conciliava trabalhadores e entidade patronal. Com o 25 de abril acabei por envolver-me mais, como delegado sindical. Participava nas reuniões do sindicato, em assembleias, reuniões de sócios, comecei a ser solicitado para ir aqui e acolá. Em 1975 fui para o secretariado da União dos Sindicatos do Porto. Já demonstrava características necessárias à atividade sindical? Não, sou o mais velho de seis irmãos e erámos crianças e jovens muito pacatos. O facto de ter surgido nas exigências do sindicalismo e das reuniões coletivas foi uma surpresa. Fui dando um passo de cada vez. Em 1976, quando começou a preparar-se o II Congresso da Intersindical, desafiaram-me para integrar a comissão organizadora. O sindicato apoiou-me e acabei por ser o representante. O coordenador da equipa do congresso, que deu origem à CGTP, era meu companheiro na União de Sindicatos no Porto, Armando Teixeira da Silva, e necessitava de alguém em quem confiasse e, por isso, convidou-me para fazer parte da CGTP. Eu costumo dizer, a brincar, que vim “ao engano” por três anos e afinal foram 37. O que se pretende com o Observatório sobre Crises e Alternativas? Este projeto foi muito pensado, muito ponderado. Desenvolve-se em quatro domínios: o estudo entre a finança e a economia; as dinâmicas do mundo do trabalho; o Estado Social e as políticas sociais; e, por último, o Estado, a governação e a democracia. Estamos na fase da instalação, a estruturar o programa de trabalho, a criar uma cultura de relação com as pessoas. O compromisso é que, uma vez por ano, o Observatório apresente um relatório de leitura da sociedade, das tendências e dos caminhos alternativos. Crise, Troika e austeridade são sinais de piores condições de trabalho. Esta situação exige uma maior, melhor e mais articulada intervenção dos sindicatos? Sim, sem dúvida. Há aqui três campos a distinguir. Primeiro os pro- BIOGRAFIA O Senhor Sindicalista M anuel Carvalho da Silva nasceu em Barcelos, em 1948, numa família de pequenos agricultores, e foi o primeiro de seis filhos – três rapazes e três raparigas. Aos 17 anos começou a trabalhar como eletricista numa empresa da região. Esteve na Guerra Colonial, no Norte de Cabinda, e após o regresso, em 1973, integrou os quadros da multinacional alemã PREH, na Trofa, com a função da Organização do Trabalho. Foi nesta empresa, com a qual manteve vínculo laboral até 2011, que se envolveu no movimento sindical. Foi secretário da União dos Sindicatos do Porto e esteve na fundação da CGTP. Foi coordenador da CGTP-IN entre junho de 1986 e 1999, passando a ter a nova designação de secretário-geral no fim do século. Manteve-se na liderança da central sindical até ao início de 2012, quando passou a pasta a Arménio Carlos. MONTEPIO VERÃO 2012 blemas do trabalho com que lidam os sindicatos, pois muitos deles tornam-se rapidamente problemas de caráter sociolaboral, socioeconómico e sociopolítico. Um exemplo é a precariedade do trabalho, que faz parte de um conjunto de instabilidades e inseguranças que marcam a sociedade e já não serão os sindicatos, só por si, a dar-lhe resposta. A segunda questão é que, neste contexto de grande transformação, estão em formação novas estruturas e organizações. E aos sindicatos coloca-se o desafio de articular a agenda social e a agenda política, que não é fácil. Em terceiro lugar, a dimensão da crise é múltipla, é financeira, económica, política, ambiental e, até, de valores. O trabalho tem um lugar central na sociedade, só que a sua centralidade ampliou-se e está hoje debaixo de vários problemas, como a manipulação do seu valor. Isto implica, da parte dos sindicatos, uma grande capacidade de articulação da ação com os movimentos sociais que vão surgindo. É a partir daqui que tem que se ver o futuro do sindicalismo. Os sindicatos têm novos desafios, sobretudo ligados ao tempo de trabalho, aos salários, à segurança e estabilidade e à contratação coletiva. A contratação coletiva foi o instrumento de trabalho mais útil e eficaz na distribuição da riqueza na segunda metade do século XX e hoje está a ser posta em causa. Os sindicatos acompanharam as alterações? Penso que não, há um grande enfraquecimento e por várias razões. Temos uma subversão dos poderes, por isso é difícil aos sindicatos lidarem com as multinacionais, que dominam as regras e até a estruturação de alguns órgãos de poder – há multinacionais com orçamentos mais importantes do que alguns países. Depois, os governos já não se preocupam com as reinvindicações das pessoas. Já não somos governados por um programa discutido e votado pelos portugueses, mas sim por um programa exterior. Há ainda o problema das precariedades, que são um obstáculo à organização coletiva. E os sindicatos sofrem de um outro problema: o coletivo não está na moda. Houve incapacidade para uma renovação geracional. Se encostarem os sindicatos à parede, o descalabro da sociedade vai ser muito maior. A pobreza traz consigo a perda de níveis de liberdade e a consequente diminuição da dimensão interventiva do ser humano. Esta faceta da crise económica coloca os sindicatos num momento de encruzilhada complicado Defendeu na sua tese que o movimento sindical é um fator de transformação da sociedade e que a democracia enfraquece sem um sindicalismo reivindicativo. Estamos agora a atravessar este limiar? Um dos elementos que mais amputa a democracia é a pobreza. Um homem que empobrece perde dimensões de liberdade, logo perde dimensões de cidadania e de atuação política. Estas limitações levam a que a sociedade fuja da vida. As pessoas, no seu dia-a-dia, já não encaram os problemas. Consideram-se impotentes para isso. A questão é que os sindicatos poderiam estar a perder força para outros movimentos no trabalho que os substituíssem, mas, na verdade, não os há. Não se encontrou outra função que substituísse a dos sindicatos. Estamos numa encruzilhada muito complicada. Quando olhamos para a evolução da taxa de sindicalização nas últimas três décadas em Portugal verifica-se um declínio acentuado. O que motivou tamanho desinteresse? O sindicalismo é o movimento social com maior perenidade desde o início da industrialização. Em várias fases do seu percurso a sindicalização é reduzida, mas não é por isso que perde importância. Quando os trabalhadores e os sindicatos forem mais valorizados não tenho dúvida alguma de que vamos sair do buraco. Há que recolocar o trabalho num lugar central. Como vê o futuro do trabalho e das condições de trabalho em Portugal? Estamos em retrocesso social e civilizacional. Não é possível fazer uma discussão séria, setor a setor, no País, sem utilizar os recursos privados e públicos. Por exemplo, não é possível fazer um debate sério no Turismo sem se considerar o valor do trabalho. Se não considerarmos a valorização do trabalho e do tempo das pessoas não é possível ter um país com uma atividade turística avançada. Isto aplica-se a todas as áreas. A segunda prioridade de resposta é o Estado Social. Não temos Estado Social sem valorização do trabalho. Com que armas? Todas as manifestações sociais são necessárias, mas nada substitui a intervenção organizada. O surgimento de movimentos diversos é muito importante, mas a questão-chave é a participação dos cidadãos. Nenhuma forma de luta é descartável. As novas gerações preocupam-se com o futuro da democracia, a liberdade e os direitos adquiridos? Uma das dimensões da crise é a disfunção entre as gerações. É um campo que tem sido manipulado para eliminar das pessoas perspetivas positivas do futuro e retrair a sua disponibilidade de ação. Evoluímos muito e as atuais gerações partem para o combate de um patamar mais alto. A formação é hoje muito maior, a capacidade de relacionamento é muito mais elevada e acredito que vamos ser capazes de dar a volta. Esta reorganização, a busca, por exemplo, de uma nova forma de financiamento da economia real, depende da nossa ação. MONTEPIO VERÃO 2012 25 1 EM FOCO OS NOVOS HABITANTES DAS ALDEIAS 26 O CAMPO É, PARA UNS, SINÓNIMO DE VIDA DURA. PARA OUTROS REPRESENTA UM MODO DE VIDA MAIS EQUILIBRADO. NOS ÚLTIMOS ANOS, FRANÇA ASSISTIU A UM REGRESSO EM FORÇA ÀS ALDEIAS. POR CÁ, NUM INTERIOR CADA VEZ MAIS DESERTIFICADO, AINDA HÁ QUEM APOSTE NO MEIO RURAL POR SUSANA TORRÃO FOTOGRAFIA ARTUR Em França, a primeira década do século XXI vai ficar para a História como um momento de viragem demográfica. Depois do êxodo do mundo rural, que durou até aos anos 80 do século XX, nos últimos cinco anos dois milhões de franceses partiram rumo a aldeias com menos de dois mil habitantes. Como resultado, o perfil destes lugares mudou: na cor política, na economia e até na demografia, com o rejuvenescimento da população. Um fenómeno que mereceu a atenção da revista MONTEPIO VERÃO 2012 Geo, que consagra o ano de 2012 à análise das aldeias francesas. Quem ruma às aldeias são famílias entre os 30 e os 40 e poucos anos, quadros superiores, na sua maioria, que optaram por mudar de vida depois da chegada dos filhos. Os motivos económicos também pesam na escolha: hoje viver nas cidades é mais caro e requer mais energia. O preço da habitação é superior, bem como a exposição ao stresse. De acordo com dados do IPSOS citados na Geo de fevereiro, as motivações que levam os franceses às aldeias são três: a procura de um novo começo (cerca de 38%), o reencontro com as raízes (25%) e habitar numa região da qual se gosta (24%). 1 o meu mundo TEMA DE FUNDO 27 1 2 1 Ana Cardoso Pires passou a trabalhar como freelancer 2 Paula Oliveira e Paulo Faria mudaram para Malaqueijo, Rio Maior 3 Mafalda Milhões “transportou” a livraria Histórias com Bicho para Óbidos 3 MONTEPIO VERÃO 2012 1 o meu mundo TEMA DE CAPA mudar de vida 1 28 2 1 Banon viu a população crescer 2 A Provença é dos locais mais cobiçados de França 3 4 Ana Cardoso Pires encontrou maior qualidade de vida em Boa Fé (Évora). A tradutora recuperou o lugar aos poucos, numa comunidade que a aceita e protege n REGENT'S CANAL, LONDRES São cada vez mais os britânicos que optam por viver num canal. Habitar um barco é confortável, dá liberdade e sai mais barato INGLATERRA Viver na água H á cada vez mais pessoas a escolherem viver num barco. Uma opção justificada pelas mais diversas motivações: há quem escolha viver num canal por querer maior proximidade com a natureza e procurar um maior sentido de comunidade e quem o faça apenas por motivos económicos. De acordo com a BBC, nos últimos anos a procura de barcos duplicou. O fenómeno levou mesmo a British Waterways – uma das entidades que explora os canais – a expandir a rede de canais adaptados aos barcos-casa. MONTEPIO VERÃO 2012 4 3 Novas velhas aldeias Há números que ilustram bem a mudança. Entre 1999 e 2007 a taxa de crescimento da população rural foi de 9% (contra 4,6% nos meios urbanos); por seu turno, entre 1962 e 1999 a taxa de agricultores nas aldeias caiu dos 33% para os 7%, ao passo que a dos quadros superiores passou de 4% para 20%. Por detrás deste “êxodo” estão mudanças estruturais. Nos últimos anos, França desenvolveu infraestruturas nos meios rurais que encurtaram as distâncias entre aldeia e cidade. Além do mais, a evolução da tecnologia potencia a opção pelo trabalho à distância – 65% das empresas gaulesas encorajam este tipo de opção – e os vários municípios são motivados a assumirem novas formas de governança, como a partilha de fundos para a criação de hospitais, creches ou escolas. Os bons exemplos franceses Por todo o hexágono multiplicam-se os casos de aldeias viradas do avesso nos últimos anos. Quem vai para as aldeias não volta à cidade )1 CORRENS, PROVENÇA Foi a primeira aldeia a passar integralmente à agricultura biológica. Tem 95% dos terrenos dedicados a este tipo de produção e apostou no mel, queijo de cabra, vinho, azeite e plantas aromáticas. Em 10 anos recebeu 125 novos habitantes. )2 Portugal litoral Em Portugal, a maioria dos cidadãos continuam a sair dos meios rurais e os últimos Censos mostram que a assimetria entre as regiões do litoral e interior é cada vez maior. Os dados do Pordata sobre a densidade populacional do País mostram a mesma realidade. Entre os 7 359 habitantes por quilómetro quadrado da Amadora e os cinco de Alcoutim, fica um país de contrastes. Renato Miguel do Carmo, sociólogo do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Universitário de Lisboa (CIES-IUL) que tem vindo a estudar as questões relacionadas com a ruralidade e as desigualdades regionais, garante que existem dinâmicas de povoamento do interior, apenas sem a intensidade suficiente para inverter a tendência de desertificação, sendo este um fenómeno específico da classe média. Mudar de vida Ana Cardoso Pires lembra-se do dia em que decidiu mudar de vida. “Estava parada frente a um semáforo e a minha filha, que na altura andava na primária, estava a mostrar-me um teste. BANON, PROVENÇA Joël Gattefossé escolheu-a para abrir Le Bleuet, aquela que ambiciona ser a maior livraria de França. Tem um espólio de 110 mil referências, emprega 13 pessoas (18 previstas para 2013) e vende uma média diária de 460 obras. )3 ALBY-SUR-CHÉRON, RHÔNE-ALPES Muito procurada por jovens casais, viu a população triplicar desde o início dos anos 70. Para evitar que a povoação de pouco mais de dois mil habitantes se transforme num dormitório, a autarquia está a renovar os edifícios antigos, que arrenda aos habitantes que ali queiram desenvolver comércio. n ANA CARDOSO PIRES Para ter luz, teve que pagar a instalação de postes de eletricidade desde a estrada principal até casa. Nos primeiros tempos, de cada vez que havia uma trovoada mais forte o modem deixava de funcionar )4 ITXASSOU, PAÍS BASCO FRANCÊS Depois de um grupo de agricultores ter, há 20 anos, relançado o cultivo da cereja beltxa, todas as primaveras as suas colinas assistem à floração de mais de quatro mil cerejeiras (há dez anos não ultrapassavam as mil) e, ao longo do mês de maio, a aldeia fervilha de atividade. MONTEPIO VERÃO 2012 29 1 o meu mundo TEMA DE CAPA mudar de vida HISTÓRIAS COM BICHO Um local idílico para uma livraria distinguida com o prémio Ler/Booktaylors MULTIFUNÇÕES Espaço para crescer A 30 Histórias com Bicho inclui uma galeria, espaço para dinamização da leitura, atelier e sofás confortáveis onde apetece ficar. Quem quiser pode acrescentar um cachecol gigante, que aconchegará a fantasia. Portugal vs França Motivações para a mudança Portugal Consegui ler a primeira pergunta e a resposta dela e, quando queria comentar alguma coisa, tive que lhe dizer: espera um bocadinho que tenho que arrancar. Foi aí que tive o clic… Não posso estar a discutir coisas importantes para os meus filhos no meio do trânsito!” Tomou a decisão: aos 40 anos já não estaria em Lisboa. Nos anos seguintes, preparou a mudança à procura do local ideal. A busca terminou em Boa Fé, freguesia do concelho de Évora. Saiu do diário onde trabalhava e passou a trabalhar como tradutora freelancer. Pegou nos filhos pré-adolescentes e partiu. Os filhos não iam muito entusiasmados, mas foram os primeiros a adaptar-se. “Tiveram muito mais autonomia que a maioria dos amigos de Lisboa”, assume Ana, a quem coube vencer algumas desconfianças iniciais. Foi a primeira mulher a entrar na taberna sozinha – para perguntar ao dono pormenores sobre a proprie- MONTEPIO VERÃO 2012 dade – e também uma pioneira na direção das obras que fez na quinta. “Por aqui ainda não é hábito ver uma mulher a mandar.” Passados 16 anos está perfeitamente integrada na comunidade que, apesar de dispersa, é solidária. Os exemplos de boa vizinhança são muitos. Como a vez em que, com fogo para os lados de Montemor-o-Novo, o fumo, visto à distância, parecia andar muito próximo do lugar da “D. Ana”, que estava sozinha. “Os vizinhos vieram a pé três quilómetros – como este é um caminho vicinal não trouxeram os carros para não atrapalhar os bombeiros – mas quando chegaram mais perto e perceberam que o fogo era longe, voltaram para trás sem me dizer nada, para não incomodar.” Ana quis ficar perto de Lisboa. “Não saí da cidade zangada com Lisboa. Sou uma pessoa muito sociável, precisava de um sítio onde os amigos me visitassem.” n Regresso às origens n Qualidade de vida n Motivos económicos França n Novo começo n Reencontro com as raízes n Gosto pela região j MAFALDA MILHÕES LEVOU TEMPO a adaptar-se. Foi necessário reconstruir a livraria do zero, readaptar ritmos, retomar o quotidiano, ganhar confiança. Mesmo quando voluntária, a mudança não é fácil Os filhos cresceram e partiram. A filha queria trabalhar na região mas o curso superior impede-a de encontrar emprego. “Como querem que as pessoas vão para o interior se não há condições?” interroga-se Ana. Mas não se arrepende. Na maior parte do tempo tem a companhia da mãe e a irmã e os amigos também aparecem amiúde. Não usa relógio e tem a vida que quer: levanta-se com o nascer do dia, trabalha no campo e às 10 horas senta-se ao computador. Organiza o dia em função do trabalho, mas quem chega tem sempre prioridade. Já Mafalda Milhões tem a meio o sonho de viver no campo… Trabalha na aldeia de Casais Novos, em Óbidos, mas ainda vive nas Caldas da Rainha. “Só vou considerar que mudei para o campo quando vier a pé para o trabalho e tiver duas ovelhas e umas galinhas”, afirma. Quando a livreira e designer decidiu abandonar as viagens pelo IC19 e mudar as instalações da livraria Histórias com Bicho da Fábrica da Pólvora, em Barcarena, recebeu uma missão dos clientes mais novos. “O novo sítio tinha que ficar no meio do nada, ter um castelo, ficar ao pé do mar e ter uma árvore do tamanho do edifício da livraria original.” A busca terminou, por acaso, em Óbidos. “O dia em que íamos receber a chave calhou a um sábado e, quando olhei para o lado, havia fila para entrar no café. Decidi que não podia ficar ali”, recorda. Preparavam-se para voltar quando passaram pela placa que indica Casais Brancos. Acabaram por seguir a estrada que serpenteia colina acima até chegar à aldeia. À vista da paragem de autocarro viraram à direita e, feita a curva, apareceu a antiga escola, com um pinheiro alto ao lado e um horizonte de campos que se espraiam até à lagoa de Óbidos e ao mar. Isolada e com o castelo a menos de cinco minutos de carro. Era o sítio. A autarquia cedeu-lhes o espaço e Mafalda e Pedro Maia investiram todas as suas economias. A mudança não foi fácil, levou tempo. Hoje, as duas filhas aproveitam ao máximo o espaço. “São verdadeiramente pé no chão”, afirma Mafalda. A Histórias com Bicho manteve os clientes de sempre – os clientes locais MONTEPIO VERÃO 2012 31 1 o meu mundo TEMA DE CAPA mudar de vida P&R Renato Miguel do Carmo Sociólogo 32 Em Portugal existe um regresso ao espaço rural? Existem dinâmicas nesse sentido, mas não são suficientemente expressivas para inverter a tendência de desertificação do interior. O que leva as pessoas para o interior? A questão da mobilidade é importante. A rede viária melhorou muito em Portugal e foram construídas várias infraestruturas. É um paradoxo: nunca o interior esteve tão bem equipado e é agora que está mais desertificado. A generalização da viatura própria permite viver nas aldeias e trabalhar nas cidades médias do interior. Podemos assistir a um fenómeno semelhante ao francês? O interior português tem um grande potencial mas, para existir um regresso ao interior, são necessárias estratégias públicas concertadas. O interior, neste momento, não tem mercado, não tem emprego. É preciso criar novas identidades para que as regiões se desenvolvam. Apostar em produtos, como fizeram Itália e França. MONTEPIO VERÃO 2012 são poucos. Mafalda divide-se entre o design, as dinamizações de leitura e o trabalho enquanto editora da Bichinho de Conto. Este ano a livraria foi distinguida com o prémio Ler/ Booktaylors, como melhor livraria independente. Nicole Esteves também ali trabalha. Psicóloga de formação, abandonou um call centre em Lisboa e concorreu ao lugar de animadora sociocultural, em Óbidos. Mais tarde juntou-se ao projeto de Mafalda. Hoje sente que não tem raízes... talvez seja da Histórias com Bicho. Já a livraria vai-se entranhando na população, que começa a visitar o espaço e a assistir ao cinema ao ar livre no verão. Paulo Oliveira e Paula Faria nasceram nos bairros lisboetas das Avenidas Novas e da Bica. Hoje vivem em Malaqueijo, concelho de Rio Maior, para onde mudaram há quatro anos. Para Paulo, fotógrafo de natureza, não é a primeira experiência de vida no campo. Para Paula, designer de interiores e instrutora de Chi-Kung, sim. “Queríamos mudar de ritmo e, sobretudo, construir uma coisa os dois.” n FUGA AO STRESSE, Paulo e Paula tratam da maioria dos assuntos à distância. Quando têm mesmo que ir a Lisboa, saem de madrugada e evitam o trânsito A quinta em ruínas do século XVII, numa curva do lugar das Milhariças, foi o local escolhido. Quatro anos passados, os antigos forno e estábulo transformaram-se na sua casa. O terreno até à ribeira foi limpo e os silvados deram origem a flores e à pequena horta biológica. É dali que retiram boa parte do que consomem, o resto vem do mercado semanal de Malaqueijo. No caso de Paulo e Paula o facto de lançarem mãos ao trabalho, recuperando o lugar, facilitou-lhes a integração na comunidade. “Há mais pessoas que vêm para o campo. Mas há quem chegue e faça uma horta e um pomar e há quem envenene tudo para se livrar de tudo o que é bicho”, comenta o fotógrafo. Prestes a partir para outra casa – também no campo – onde podem acolher familiares mais velhos, o casal está perfeitamente integrado no sítio que recuperou. Novos povoadores O projeto Novos Povoadores defende que numa sociedade global, cada vez mais baseada numa economia sem geografia, o interior – no caso o interior português – é uma opção viável para todos os que têm empregos relacionados com as TIC. À qualidade de vida proporcionada pela fraca densidade populacional somam- -se as infraestruturas realizadas nas últimas duas décadas. Para o projeto esta é a forma de contornar a falta de emprego que continua a assolar o interior do País. 1 o meu mundo REPORTAGEM INOVAÇÃO/AMBIENTE REALIDADE QUE PARECE FICÇÃO 34 A IMAGINAÇÃO DO SER HUMANO PERMITIU-LHE CHEGAR AOS ATUAIS NÍVEIS DE DESENVOLVIMENTO. POR VEZES, AS INVENÇÕES ESTÃO TÃO À FRENTE DO SEU TEMPO QUE PARECEM FICÇÃO. MUITAS TORNAM-SE REALIDADE POR FÁTIMA FERRÃO FOTOGRAFIA BRUNO RASCÃO Carros voadores, copos comestíveis, utensílios de plástico produzidos a partir de escamas de peixe, aviões movidos a energia solar, edifícios “vivos”, completamente auto-sustentáveis, que produzem a sua própria energia e eliminam os resíduos criados, baterias que produzem eletricidade a partir de pedaços de papel, são apenas alguns exemplos de projetos que apesar de parecerem irreais já existem e funcionam. MONTEPIO VERÃO 2012 Muitos destes projetos não são produzidos em massa. Seja porque o seu objetivo é apenas a mensagem que transmitem, porque não conseguem apoios ou, como acontece frequentemente, a indústria não tem interesse no seu desenvolvimento. O avião Solar Impulse, movido exclusivamente a energia solar, é um exemplo da primeira situação. Com nove anos de trabalho e investigação, e mais de 46 milhões de euros investidos no projeto, o avião, imaginado pelo aventureiro Bertrand Piccard, prepara-se para realizar uma viagem à volta do mundo, por etapas, sem combustível nem poluição, já que se move apenas com recurso ao carregamento solar das suas baterias. O objetivo é muito concreto: através de um projeto tecnológico inovador, pretende-se desenvolver e tornar fiáveis as energias alternativas, encontrando meios de economizar os recursos atuais e demonstrar a viabilidade de outras fontes energéticas. “E esta é também a mensagem”, explica Mário Branco, diretor de Comunicação e Relações Institucionais do grupo Solvay para Portugal, um dos principais apoiantes e parceiro tecnológico do projeto. A meta nunca seria transformar o Solar Impulse num avião comercial, mas esta aventura serve de base ao desenvolvimento de novas tecnologias e à aplicação das mesmas no futuro, tendo sempre em mente a sustentabilidade", reforça. P&R Mário Branco Diretor de Comunicação e Relações Institucionais da Solvay em Portugal 1 2 1 2 O Solar Impulse aproxima-se do "voo perpétuo" pois só depende da resistência do piloto No futuro, a aplicação de tecnologias desenvolvidas para o Solar Impulse é vasta. Mário Branco exemplifica: “Se pensarmos nos carrinhos metálicos que transportam as refeições a bordo e que, nos aviões de maior porte, chegam a ser mais de cem, e os substituirmos por outros, concebidos em plásticos ultraleves, estaremos a reduzir cerca de uma tonelada de peso transportado pelo avião. O que implica poupanças consideráveis em combustível.” n SOLAR IMPULSE Totalmente movido a energia solar, prepara-se para fazer uma viagem à volta do mundo em 2014, apenas com cinco escalas. Em 2010 realizou um voo de 26 horas, sem paragens 1 600 kg PESO TOTAL T do Solar Impulse sendo que um quarto deste peso corresponde às baterias de lítio O Solar Impulse é simbólico. Qual a mensagem que pretende transmitir? É um projeto que visa promover a sustentabilidade do planeta. Mostrar que com o conhecimento que a Humanidade tem hoje é possível enveredar por novos caminhos, recorrendo a tecnologias limpas, que nos garantem o futuro. É um alerta para fazer diferente porque é possível. Quais os desafios do projeto? Em termos operacionais, essencialmente, pôr no ar um avião que tem o peso de um automóvel, o motor de uma scooter e voa a uma velocidade pouco superior a 70 km/hora. Depois existe um sem-número de outros desafios, como estabelecer as rotas mais ajustadas às condições meteorológicas, não complicar os corredores aéreos comerciais ou manter saudável o piloto, que não pode sair do seu minúsculo cockpit. Ele tem que se alimentar, dormir, fazer as suas necessidades e exercitar-se sem sair do lugar. O que representa este projeto para a Solvay? É um exemplo e uma mensagem que queremos passar, interna e externamente. Dizer que não devemos cruzar os braços e resolver as questões que se nos colocam no dia-a-dia e ser uma inspiração para fazer diferente. Podemos construir um futuro sustentável já hoje. Para os colaboradores do grupo Solvay fazer parte deste projeto constitui um enorme orgulho. MONTEPIO VERÃO 2012 35 1 o meu mundo REPORTAGEM inovação/ambiente 1 2 SOLAR IMPULSE Voo limpo à volta do mundo 36 E m 2014 deverá ser feita a primeira volta ao mundo num avião solar tripulado. O aparelho, batizado como Solar Impulse, pode voar dia e noite, sem combustível nem poluição, armazenando energia limpa. Dez anos após o início do projeto, o protótipo HB-SIA fez, na primavera, o seu primeiro voo intercontinental, entre a Suíça e Marrocos, com paragem em Madrid. Em 201O, no primeiro voo “a sério”, o avião voou 26 horas sem paragens. Uma equipa de 70 técnicos realizou testes, simulações e alterações para chegar ao modelo atual: um avião solar do tamanho de um Airbus A380 mas com a carga de um Asa Delta. Para trans- portar uma carga útil de 160 quilos, incluindo o piloto e os equipamentos de sobrevivência e segurança, dois terços do peso do avião são dedicados aos sistemas de energia, controlo e baterias. O outro terço destina-se à estrutura. O avião tem mais de 200 metros quadrados de células fotovoltaicas de rendimento muito elevado (21%), o que equivale a 12 mil destas células, que transformam a energia solar em fonte de alimentação do avião. As células permitem a armazenagem de energia durante o dia subindo para a exposição máxima ao sol (8 500 metros de altitude). Durante a noite, as baterias mantêm-no a voar a 3 000 metros de altitude. MONTEPIO VERÃO 2012 À procura de financiamento Outra das razões pelas quais muitos projetos inovadores não são desenvolvidos é a falta de apoios. É o caso de ideias como a de Erik de Laurens, um designer inglês. O seu projeto de fim de curso na Royal College of Art previa a criação de objetos de plástico usando escamas de peixe. Apaixonado pelo mar, Laurens descobriu que as escamas têm propriedades que permitem o seu uso como plástico se submetidas a banhos de calor e alta pressão, criando produtos com menos impacto ambiental. Para o trabalho de final de curso criou copos, armações de óculos e objetos decorativos. Foi aprovado com louvor. Quem não esperou por financiamento foi Juan Muzzi, artista plástico que detém a primeira patente de bicicleta reciclável do mundo. Para a construir necessita apenas de garrafas de plástico pet e dez minutos de trabalho. “É a bicicleta mais resistente, flexível e barata.” Evitar o lixo No meio de uma discussão sobre a forma mais sustentável de ingerir líquidos, os designers da empresa norte-americana The Way We See The World conceberam um novo produto 100% reciclável: o Jelloware. Trata-se de um copo comestível, feito de ágar-ágar. Fabricados em três versões – nos sabores limão e manjericão, gengibre e hortelã, e alecrim e beterraba –, os Jellowares só exigem dois cuidados: serem consumidos de imediato ou guardados no frigorífico e controlada a quantidade que se ingere, devido às propriedades laxantes 3 1 Os copos da Jelloware são comestíveis 2 Em fase de testes, o cargueiro Aghia Marina aproveita a força do vento 3 O carro voador já está no mercado dos EUA e tem patente da Terrafugia do ágar-ágar. Podem ainda ser enterrados no jardim: são biodegradáveis. Outro produto que permite reutilizar o lixo é a bateria criada pela Sony. Apresentada em 2011 na feira Eco-Products em Tóquio, no Japão, a bateria produz eletricidade transformando papel em açúcar, que usa como combustível. Tem força suficiente para rodar um pequeno ventilador. Inovação académica É nas universidades que surgem muitas invenções que seduzem a indústria. É o caso do carro voador, do qual estão já no mercado as 100 primeiras unidades. A patente é da empresa americana Terrafugia, formada 1 o meu mundo Tecnologia do futuro REPORTAGEM inovação/ambiente TORRE VIVA Uma quinta na vertical P 38 7 000 m2 É A ÁREA existente na torre de hortas ao ar livre 63 TONELADAS DE TOMATES e 9 toneladas de morangos é a capacidade de produção anual desta torre por ex-engenheiros do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Com dois lugares, cauda e asas que se fecham em terra e abrem para levantar voo, os primeiros modelos custaram cerca de 250 mil euros. Portugal: País de inventores Até há cerca de dez anos o registo de patentes em Portugal era raro mas desde 2005 que a tendência se inverteu. Segundo o Instituto Nacional da Propriedade Industrial, Portugal é dos países da Europa com maior número de pedidos de registo de patentes, com uma média de dois inventos registados por dia. Os bons exemplos multiplicam-se. É o caso do Candlemaker, inventado por Mário Silva, aparelho que transforma óleo alimentar usado em velas aromáticas. Pedro Carradinha, inventor do Heat-It, equipamento para utiliza- MONTEPIO VERÃO 2012 rojetada pelo gabinete de arquitetura SOA, a torre é uma quinta vertical, de 30 andares, que convive com habitações e escritórios. A rega é garantida pela gestão de águas residuais internas. O edifício dispõe de torres eólicas e painéis solares. A água da chuva é filtrada e reutilizada nos escritórios e apartamentos. A primeira torre foi construída em Rennes (França). ção em fogões de montanha que permitem confecionar os alimentos em qualquer local ou circunstância, assume que a sua ideia surgiu da necessidade e que, inicialmente, não foi concebida numa perspetiva comercial. Com o alpinismo como hobbie, foi em plena natureza que imaginou o Heat-It, uma estrutura em tecido que protege o fogão do vento. Da ideia (em 1999) à comercialização passaram dez anos. Em 2005 foi registada a primeira patente e anos mais tarde a Ortik, empresa que comercializa o Heat-It. De início a indústria têxtil não se mostrou interessada, mas depois de enviar o projeto para a China, Pedro conseguiu ter o produto na mão. ? O QUE SIGNIFICA Imaginação e altruísmo estão, muitas vezes, na base de produtos totalmente inovadores e sustentáveis Cargueiros puxados por parapente, carros invisíveis e aviões com teto transparente deixaram de ser ficção e preparam-se para entrar no nosso quotidiano )1 CARRO INVISÍVEL O carro invisível poderá ser uma realidade já em 2014. Não liberta gases tóxicos na atmosfera e está coberto por telas LED, capazes de captar as imagens ao seu redor e reproduzi-las no carro dando um efeito de invisibilidade. )2 PONTE QUE GERA ENERGIA EÓLICA Criado pelos designers Francesco Colarossi, Giovanna Saracino e Luisa Saracino. Este prótotipo será capaz de gerar 11,2 milhões de kilowatts por ano, aproveitando a estrutura de uma ponte para instalar as turbinas geradoras. A ponte conta ainda com painéis solares. )3 AVIÃO COM TETO TRANSPARENTE Se depender do fabricante de aviões Airbus, as viagens serão uma experiência inesquecível em 2050. A ideia é fazer com que os aviões passem a ter um teto transparente para que os passageiros apreciem a paisagem. )4 CARGUEIRO MOVIDO A VENTO Puxado por um parapente, o cargueiro Aghia Marina transporta produtos agrícolas e industriais, numa carga máxima de 28 toneladas. Com o recurso ao parapente, o cargueiro consegue reduzir em cerca de 35% o consumo de combustível e, consequentemente, as emissões de gases para a atmosfera, desde que nas condições de navegação ideais. Este sistema tira o máximo partido do vento, criando a propulsão necessária para movimentar o navio. O projeto já está a ser testado. A MINHACIDADE CAMINHOS A PERCORRER EM MOBILIDADE, URBANISMO, SOLIDARIEDADE página 40 página 44 página 47 página 48 MINAS REPORTAGEM INICIATIVA FUTURO Portugal volta a estar na mira dos investidores internacionais. O regresso à exploração de ouro faz mexer várias regiões Conheça as autarquias que registam os mais baixos níveis de desemprego A Vidrorei instalou-se em Vila de Rei. À época era a única empresa do setor a operar no concelho A prospetiva ajuda a antecipar o futuro. Conheça os cenários que os especialistas traçaram para Portugal 2 a minha cidade REPORTAGEM MINAS CORRIDA AO OURO 40 VINTE ANOS DECORRIDOS SOBRE O ENCERRAMENTO DAS MINAS DE JALES, PORTUGAL REGRESSA À EXPLORAÇÃO AURÍFERA E ESTÁ NA MIRA DE INVESTIDORES INTERNACIONAIS. NO ALENTEJO OS RESULTADOS SÃO ANIMADORES POR BÁRBARA TAVARES FOTOGRAFIA ARTUR MONTEPIO VERÃO 2012 f PROSPEÇÃO no Alentejo. Amostras de rocha antes de irem para o laboratório, que avaliará a quantidade de ouro por tonelada 1 A Panasqueira explorou as suas jazidas de volfrâmio durante um século 2 3 Mineiros no interior das minas da Panasqueira 4 5 O passado da exploração mineira na Panasqueira 1 O ouro português sempre foi um tesouro cobiçado. No século XX, as minas de Jales, em Trás-os-Montes, produziam quase 50 quilos de ouro por mês, mas encerraram na década de 90 quando o metal deixou de ser rentável. Hoje o ouro volta a estar na ordem do dia e Portugal na mira dos investidores. A cotação duplicou nos últimos três anos e deu viabilidade económica às jazidas nacionais. No Alentejo os trabalhos de prospeção revelaram graus impressionantes de ouro perto da superfície, dando maior confiança à canadiana Colt Resources. No terreno, os trabalhos de prospeção aceleram e o Governo acredita que, até 2016, Portugal poderá voltar a produzir ouro, mais de 20 anos depois do encerramento das minas de Jales, em 1992. “Não temos grandes depósitos de ouro, mas temos reservas relevantes.” A garantia é dada por Luís Martins, responsável pelos Serviços de Minas e Pedreiras da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), sublinhando que, apesar do seu glamour, o ouro está longe de ser o protagonista da indústria mineira portuguesa, sendo o cobre o rei dos metais e as minas de Neves Corvo as segundas maiores da Europa (a seguir à Polónia), com exportações anuais na ordem dos 800 milhões de euros. Em pleno cenário de crise e resgate financeiro, o Governo português não ficou indiferente às oportunidades de negócio e apressou-se a lançar novos concursos orientados para a exploração de minérios em Portugal. “É um setor prioritário de enorme potencial. Portugal tem recursos geológicos muito importantes que, no setor mineiro, se estimam em torno dos 170 mil milhões de euros (o equivalente MUSEU Minas com nova vida S e gosta de minas tem agora uma ferramenta gratuita on-line que permite identificar os principais pontos de interesse turístico a nível mineiro e geológico no País. A funcionar desde 2011, o portal www. roteirodeminas.pt propõe uma nova abordagem ao património geológico. 2 3 4 41 5 ao PIB). Por isso, o potencial e o crescimento do setor intensificar-se-á nos próximos anos”, afirmou Álvaro Santos Pereira, ministro da Economia. Para Luís Martins a nova aposta do Governo no setor das minas deve-se ao cenário de crise, que obriga a um regresso aos setores primários. Prova disso é o concurso público internacional lançado recentemente para atribuição de direitos de prospeção, pesquisa e exploração em três áreas do Sul do País (concelhos de Alcoutim, Castro Marim, Aljustrel, Beja, Castro Verde e Mértola), inseridas na chamada Faixa Piritosa Ibérica, zona conhecida pelos seus grandes depósitos de cobre, volfrâmio, prata, ouro e zinco. Aqui, a aposta é clara: descobrir novas reservas de cobre e outros metais que permitam construir mais uma mina de dimensão mundial, à imagem de Neves Corvo, em Castro Verde. “Isso sim”, garante Luís Martins, “teria um enorme impacto na economia portuguesa”. O responsável da DGEG diz que “a principal aposta é na Faixa Piritosa, que tem um potencial elevado para novas descobertas”, capazes de multiplicar por dez o atual peso da indústria mineira no PIB português, de 0,5% para 5%. No capítulo dos minerais metálicos há também o volfrâmio, explorado há mais de 100 anos nas minas da Panasqueira, concelho do Fundão, e que tem despertado o interesse dos investidores estrangeiros. MONTEPIO VERÃO 2012 2 a minha cidade REPORTAGEM corrida ao ouro f OS ANTIGOS MINEIROS de Jales dividem-se quanto ao futuro da mina 42 “Mais do que o ouro, o que está na ordem do dia é, de facto, o cobre. E daí o interesse na Faixa Piritosa”, defende o engenheiro Corrêa de Sá, da empresa Sojitz Beralt Tin and Wolfram, responsável pela exploração das minas da Panasqueira. Com a atividade mineira a marcar a agenda económica, o Governo lançou, em abril, um concurso para a concessão de uma exploração em Jales/Gralheira, no concelho de Vila Pouca de Aguiar. Interessados não faltam e a DGEG já admitiu que poderá receber mais de dez propostas (algumas dispostas a investir cerca de 1,5 milhões de euros) para fazer prospeção e pesquisa de ouro na região. O vencedor foi anunciado a 5 de julho mas até voltar a produzir-se ouro há um longo caminho. Se os trabalhos de reconhecimento determinarem a reabertura das minas de ouro, os investimentos poderão ascender a 100 milhões de euros. Minas abandonadas Em Campo de Jales, uma enorme estrutura enferrujada é tudo o que resta das minas de ouro. Na memória mantém-se presente o abandono daquela que foi a maior exploração de ouro do País, que atirou centenas de pessoas para o desemprego e empobreceu Vila Pouca de Aguiar. Nos cafés, ninguém acredita que as minas vão MONTEPIO VERÃO 2012 f O AUTARCA DE ÉVORA espera que o simbolismo do ouro se traduza em riqueza para o concelho ser reabertas e que a aldeia vai regressar ao esplendor do passado, quando a corrida ao ouro empregava mais de 1 000 homens e rendia ao concelho 45 mil contos todos os meses. Quem o garante é Augusto Silva, 74 anos, 33 passados a trabalhar nas minas para garantir sustento à mulher, Luísa, e aos 12 filhos. Mais de uma década debaixo da terra, onde viu os filões de ouro que, jura, ainda lá continuam por explorar. “Dizem que querem reabrir as minas, mas está difícil. Para mim não faz falta, mas era importante para a terra. Era lucro para o País inteiro. Os estrangeiros têm dinheiro para investir aqui. Podia ser um tesouro para o País, uma reserva para tempos difíceis”, opina Augusto, em jeito de recado para o Governo. Menos positivo é Luís Delgado, 57 anos, que também trabalhou na exploração de ouro como responsável pela manutenção de viaturas: “Só vendo é que acredito.” Ouro em terras alentejanas Muito antes do regresso dos mineiros a Jales, será ouro que a empresa cana- O que dizem os autarcas Os autarcas encaram com otimismo o retomar da exploração mineira nos seus concelhos f DÉCADA DECISIVA em Vila Pouca de Aguiar. Os próximos anos serão fulcrais para o futuro das minas de ouro diana Colt Resources planeia extrair no Alentejo já em 2014, nas freguesias de Boa-Fé (Évora) e Escoural (Montemor-o-Novo), e colocar Portugal no mapa das principais potências mineiras. No final de 2011 o Governo assinou com sete empresas dez contratos para exploração de minérios metálicos, no valor de 8,6 milhões de euros, estando previsto que até meados de 2012 existam três concessões de ouro experimentais: Montemor-o-Novo e Évora; Banjas, concelho de Paredes (empresa Almada Mining); e Jales/ Gralheira (Vila Pouca de Aguiar). No Escoural, o irlandês Declan Costello é o anfitrião de serviço na base de operações da Colt Resources, empresa canadiana que, desde 2007, escolheu Portugal para concentrar os seus projetos de mineração. Com um sorriso, o chief operating officer recebe jornalistas, autarcas e investidores norte-americanos para uma visita guiada ao “Montemor Gold Project”. O ouro não está à vista, mas por todo o lado há pequenos cilindros de rocha, cuidadosamente armazenados em caixas de madeira, que são depois enviados para os laboratórios de Sevilha para determinar as quantidades de metal por tonelada. As máquinas da Colt Resources surgem no meio de sobreiros e porcos pretos, indiferentes aos trabalhos de perfuração que já chegaram aos 120 metros de profundidade. “Até agora, o nosso trabalho confirma o potencial de reservas de ouro na região. A questão é saber se estamos a falar de uma mina de classe mundial. É o que vamos descobrir com o tempo”, reforça o CEO Nikolas Perrault, anunciando um novo financiamento de 8,7 milhões de dólares que permitirá duplicar o atual projeto de perfurações. Na fase de prospeção a Colt Resources investirá entre dez e 15 milhões de dólares, somando mais de cerca de 100 milhões para construir a mina. Sobre Jales, Nikolas Perrault não confirma nem desmente o interesse da Colt Resources: “Estamos aqui para ficar e queremos aumentar a nossa presença em Portugal.” A Redcorp Ventures, originária do Canadá e em Portugal desde 2004, também está na corrida às antigas minas de Jales. João Barros, diretor da Redcorp em Portugal, garante que a empresa está também de olho no concelho de Boticas, nas antigas minas de ouro romanas de Poço das Freitas e Limarinho, que a antiga concessionária Kernow Resources abandonou e cujos estudos revelam um grande potencial de reservas de ouro. Mais a sul, diz o responsável, a Redcorp está a apostar na Lagoa Salgada, perto de Grândola, uma das áreas com maior potencial na Faixa Piritosa, com um depósito provado de aproximadamente cinco milhões de toneladas entre chumbo, zinco, ouro, prata e cobre. Tudo isto com recurso a capitais estrangeiros, imprescindíveis para a sobrevivência da indústria mineira, refere Luís Martins. “É um investimento de alto risco que mostra a confiança das empresas estrangeiras, não só no que respeita ao seu potencial mas também a nível político e social.” Domingos Dias Presidente Câmara Municipal de Vila Pouca de Aguiar “Aponto para um horizonte temporal de cinco/seis anos até se iniciar a exploração de ouro. Será um projeto para dez anos.” 43 José Ernesto d'Oliveira Presidente Câmara Municipal de Évora “O ouro traz uma carga simbólica, é associado a riqueza e espero que seja esse o caso aqui.” Carlos Pinto de Sá Presidente Câmara Municipal de Montemor-o-Novo “Se nos aparece uma área de negócio na qual há perspetivas de crescimento, de criação de postos de trabalho e de um efeito multiplicador em termos de economia, podemos dizer que é 'ouro sobre azul'.” MONTEPIO VERÃO 2012 PINHAL INTERIOR O DESEMPREGO NÃO MORA AQUI 44 ENQUANTO A MÉDIA NACIONAL DE DESEMPREGO RONDA OS 14%, HÁ CONCELHOS DO INTERIOR DO PAÍS QUE EXIBEM, ORGULHOSOS, SITUAÇÕES PRÓXIMAS DO PLENO EMPREGO. POPULAÇÕES REDUZIDAS, APOSTA NA INICIATIVA INDIVIDUAL, NAS PEQUENAS ESTRUTURAS E, SOBRETUDO, UM CONHECIMENTO PROFUNDO DAS NECESSIDADES REGIONAIS PARECEM SER OS INGREDIENTES DE UMA RECEITA DE SUCESSO POR SUSANA TORRÃO FOTOGRAFIA ARTUR No pinhal interior a contagem do tempo faz-se entre “o antes e o depois do fogo”. O incêndio que serve de marco temporal e obrigou as autarquias a reajustarem estratégias deflagrou em 2003. Hoje, com o verde de volta, a chegada a Oleiros faz-se pela estrada que serpenteia pela floresta. A feira de terça-feira dita a animação e dificulta o estacionamento. Há comércio e pessoas a cruzarem a praça. À cabeça dos concelhos nacionais com menor taxa de desemprego, Oleiros fervilha de vida. MONTEPIO VERÃO 2012 Dos 5 721 habitantes do concelho, apenas 3,1% não têm emprego. A maioria trabalha na floresta ou nos serviços. “Entre os homens não há muito desemprego. Os que não estão na área das madeiras ou serviços estão na construção civil, que ainda está a laborar normalmente”, explica José Marques, presidente da Câmara de Oleiros. O autarca destaca o facto de três empresas do concelho – José Afonso e Filhos, Pinorval e Pirotecnia Oleirense – estarem en- tre as 25 melhores empresas do distrito de Castelo Branco. O emprego feminino faz-se sobretudo em IPSS (Instituições Particulares de Solidariedade Social) e na empresa alemã Steiff – criadora do teddy bear –, cujos bonecos podem chegar às centenas de euros, em Oleiros há 20 anos. Nas serras giram parques eólicos. A sua construção foi determinante para reter população, com o arrendamento ou a venda de terrenos a dar uma nova oportunidade a várias famílias. 2 a minha cidade REPORTAGEM 3 1 PIROTECNIA Sucesso internacional O Na mesma altura, a Câmara prescindiu da derrama e dos 5% de IRS, práticas que mantém. Em oitavo lugar no ranking dos concelhos com melhor performance económica Oleiros tem boa saúde financeira, mas José Marques aponta dificuldades: “Não há emprego para os jovens licenciados.” A má acessibilidade a Castelo Branco é outro problema que urge resolver. s dois irmãos Ribeiro deram sangue novo ao negócio e colocaram a Pirotecnia Oleirense no mapa das melhores empresas do distrito de Castelo Branco e com projeção internacional. 4 Novos e velhos projetos Orvalho tem um projeto para a criação de uma central de biomassa, já com alvará. Se avançar, representa três dezenas de postos de trabalho e empregos indiretos na floresta. Narciso Guimarães nasceu em Guimarães e chegou a Oleiros em 1999 para assumir a direção da Steiff. Para este forasteiro “Oleiros tem a particularidade de ter poucos habitantes e ser complementar no que toca ao tecido empresarial. Aqui temos sobretudo mão-de-obra feminina. Nas empresas de madeira a mão-de-obra é masculina. Assim, muita gente fica por cá.” Trabalha-se ao som de música. Quer se borde um nariz ou se dê um retoque na pintura de um peluche, a regra é a mesma: qualidade máxima. As 103 trabalhadoras foram todas formadas na empresa. Foi esse um dos motivos para a escolha de Oleiros.“Tinha que ser um local onde não houvesse alternativa. Demora-se muito tempo a formar os colaboradores e se estivessem sempre a trocar de emprego não conseguíamos fazer isto.” Na Steiff os níveis de produtividade são superiores à média nacional, os tecidos são importados e a certificação feita por empresas alemãs. A mão-de-obra é nacional. “Temos muitos pedidos de emprego e começamos a encontrar pessoas que nem são de cá”, diz Narciso Guimarães. Amélia Ribeiro e João Paulo Ribeiro não tiveram que ir muito longe para revolucionarem o negócio de pirotecnia da família e o afirmarem à escala nacional e internacional. Nos escritórios, Santa Bárbara zela pelos 40 trabalhadores, mas a segurança não é uma questão de fé: “Estamos todos separados, não trabalham mais de duas pessoas juntas, cada divisão é construída com um objetivo. Nada é fruto do acaso”, explica Amélia Ribeiro. A Pirotecnia foi fundada em 1948 pela tia-avó dos proprietários e herdada pelo pai. Foi um pirotécnico de Santarém que passou a João Paulo contactos em Valência, Espanha, a que as Fallas deram fama. João Paulo foi a Valência, conheceu novos materiais e técnicas, participou nas Fallas e regressou a casa. A busca de novos clientes conduziu-o à Câmara de Cascais, que lançava a “Festa da Baía”. “Foi a rampa de lançamento. Vínhamos com todas as novidades de Espanha, já com disparo elétrico”, revela Amélia. Em 1997 criaram, com mais quatro empresas, o consórcio Lusopirotecnia, responsável pelos espetáculos de fogo-de-artifício da Expo ‘98. Hoje, agregadas ao grupo, têm empresas em Macau e Singapura. As câmaras municipais investem menos em pirotecnia e é o mercado externo que equilibra as contas. Em 2011 a faturação foi de 1,7 milhões de euros, uma quebra face a 2010. 2 45 1 2 A Vidrorei está implantada numa das zonas industriais de Vila de Rei 3 Os bonecos da alemã Steiff nascem em Oleiros 4 A Estrela da Beira abastece as grandes superfícies nacionais MONTEPIO VERÃO 2012 2 a minha cidade REPORTAGEM mercado de trabalho OBJETIVO Aposta no Turismo C om a paisagem recuperada, Vila de Rei volta a apostar no turismo. Além de ostentar o título de centro geodésico de Portugal, onde está instalado o Museu da Geodesia, o concelho tem 50 quilómetros de margem da barragem de população envelhecida e fixar a mão-de-obra feminina. Os lares da Misericórdia são os principais criadores de emprego. Foi, efetivamente, a abertura da unidade de cuidados continuados, em 2011, que fez baixar os níveis de desemprego para os 4,71% . A criação desta unidade veio trazer mão-de-obra especializada a Vila de Rei que, em dez anos, registou um aumento populacional de 2,8%. Com três zonas industriais, que acolhem projetos como a Vidrorei, e apoios às empresas, há uma preferência pelas pequenas e médias estruturas. “É mais fácil acudir a cinco ou a dez ao mesmo tempo do que a 50 ou a 200!”, assume o vereador Paulo César. INICIATIVA INDIVIDUAL Regresso às origens 46 N a Casa dos Hospitalários, além do sossego e da paisagem, a simpatia de Amélia Dias é garantida. Nascida em Álvaro, partiu depois de casar até que as saudades que o marido sentia da aldeia, no concelho de Oleiros, falaram mais alto. Recuperaram a casa dos avós de Amélia, onde esta passou grande parte da infância. Os tetos apainelados da sala de estar não puderam ser todos salvos, mas os painéis transformaram-se em quadros, espalhados pela casa. O exterior foi mantido com apoio da autarquia. A quem quiser aprender, Amélia ensina receitas, pontos de bordar e os percursos que levam aos meandros do Zêzere. A velha aldeia – onde o lar é o maior criador de emprego – já não fervilha de artes e ofícios mas o casal está satisfeito, se bem que Amélia sinta a falta do bulício citadino. Ganham os hóspedes, para quem se excede em simpatia, mimos, bolos e compotas para o pequeno-almoço. MONTEPIO VERÃO 2012 Castelo de Bode. Os verões quentes do centro do País podem ser atenuados em praias como Fernandaires (em plena barragem) ou Penedo Furado e Pego das Cancelas, que aliam paisagens verdejantes à frescura de regatos de montanha. f ÁLVARO, aldeia de xisto do concelho de Oleiros, foi o local onde Amélia Dias criou o seu turismo de habitação, a Casa dos Hospitalários Aposta na economia social Ao chegar a Vila de Rei tudo tem um ar recente, aliás a localidade cresceu exponencialmente nos últimos 20 anos. Pouco depois de Irene Barata assumir a presidência da Câmara, o fogo que assolou a região pôs no ar a ameaça da debandada da população. A solução foi apostar na economia social para responder às necessidades da Tradição em grande escala Na Estrela da Beira, em Milreu, sente-se o cheiro a lenha. Fornecedora dos enchidos das principais cadeias de distribuição, a empresa aposta na tradição como garantia de qualidade: o tempero inclui vinho e alho, o fumeiro é alimentado com azinho do Alentejo e os enchidos são feitos à mão. José Manuel Madeira, sócio fundador, está no negócio desde os anos 70. Na aldeia a fábrica não pode crescer mais. Tem projeto aprovado para mudar mas a construção não é para já. Outra preocupação foi acompanhar as exigências do mercado mas sem devaneios gastronómicos. “Um chouriço tem que ser sempre de porco, não há chouriço de peru ou bacalhau, pelo menos na Beira Baixa”, diz Francisco António, responsável pela qualidade. 2 a minha cidade ENTREVISTA COMUNIDADE O TRUNFO DA CERTIFICAÇÃO EM VILA DE REI DESDE 1995, A VIDROREI TEM APOSTADO NA TECNOLOGIA E NA CERTIFICAÇÃO PARA DISTINGUIR O SEU PRODUTO POR SUSANA TORRÃO FOTOGRAFIA ARTUR 47 Carlos Dias sócio Vidrorei Em destaque INVESTIMENTO CONSTANTE A empresa chegou há quase 20 anos a Vila de Rei, onde não havia outra estrutura do género. De então para cá, os sócios investiram em tecnologia e conseguiram a certificação do vidro Carlos Dias tem 49 anos e trabalha no setor do vidro desde 1981. Quando, em meados dos anos 90, saiu da empresa a que estava ligado, em Tomar, decidiu explorar novos mercados. “Fomos cinco a sair da empresa e procurávamos um local onde não existisse nenhuma vidreira”, recorda. A opção por relançar a vida profissional coincidiu com o momento em que a Câmara de Vila de Rei assumiu o propósito de desenvolver a autarquia criando, entre outras estruturas, zonas industriais que atraíssem novos empresários ao concelho. Como em todos os setores o negócio tem tido altos e baixos mas, embora regresse ao Ribatejo todas as noites, Carlos tenciona manter-se profissionalmente beirão. A empresa instalou-se em Vila de Rei em 1995. Nos primeiros cinco anos funcionou em instalações arrendadas, tendo a estrutura atual sido criada em 2000, na zona industrial, às portas da vila. Na altura o terreno foi barato devido aos apoios dados pela autarquia, sendo contudo necessário um grande investimento no desaterro e preparação do lote. Além da ausência de concorrência, Vila de Rei seduziu os sócios (hoje reduzidos a dois) pela localização: “É um ponto central. Ficamos próximos de Proença-a-Nova, Sertã, Abrantes, Tomar... Foi essa a análise que foi feita.” “Viemos para aqui quando se começou a gastar o vidro duplo em Portugal. Apostámos em investir numa linha de vidro. Comprámos uma máquina em 1997 e outra nova em 2000. O que nos tem mantido é a tentativa de acompanhar as tendências do mercado”, assume Carlos. O último investimento – na ordem dos 150 mil euros – foi realizado em 2011, numa bancada de corte laminado e na ampliação do pavilhão. Vidro certificado Além da experiência dos sócios no setor, outro dos trunfos da Vidrorei é a certificação do vidro que produz. Com as serralharias como principal cliente, os responsáveis da Vidrorei tentam agora diversificar o negócio para responder à conjuntura económica e à quebra no setor da construção, que começa a sentir-se. O volume de trabalho mantém-se mas os pagamentos demoram, pelo que Carlos e o sócio decidiram complementar a atividade com serviços de restauro e montagens. E, embora o grosso da faturação continue a resultar do fabrico do vidro duplo, o esforço conseguiu evitar quebras: depois de subidas de faturação constantes, há três anos o volume de negócios estagnou em valores na ordem dos 50 mil euros. Hoje a Vidrorei emprega 15 pessoas, todas residentes em Vila de Rei, à exceção dos dois sócios que todas as noites regressam a Tomar. A possibilidade de partir para um novo destino está posta de lado. “Fomos ficando e já não vamos sair daqui. Pelo menos não estamos com esse intuito.” MONTEPIO VERÃO 2012 QUEM PENSA NO FUTURO EM PORTUGAL? PROSPETIVA HÁ ESPECIALISTAS, FILÓSOFOS E DOCUMENTOS QUE AJUDAM A CRIAR CENÁRIOS POSSÍVEIS PARA O FUTURO DE PORTUGAL E NOS COLOCAM A FACA E O QUEIJO NA MÃO. COMO SERÁ O PAÍS DAQUI A 20 ANOS? POR RITA PENEDOS DUARTE 48 Procurar reconhecer o futuro nos dados fornecidos pelo presente não é uma arte, é uma ciência. Nos anos 60 surgiu em França uma metodologia científica – a prospetiva – que permite fazer uma previsão a longo prazo no domínio das ciências humanas. “Se pudéssemos definir, é uma forma estruturada, que deve ser sistemática e organizada, de pensar e agir sobre o futuro”, define Paulo Soeiro de Carvalho. A exercer funções como diretor municipal de Economia e Inovação na Câmara Municipal de Lisboa, tem cerca de 12 anos de experiência em projetos de prospetiva e cenários de âmbito nacional e regional e desenvolve atividades de docência, formação e investigação na área. “Uma das palavras-chave da prospetiva é o futuro, mas no sentido de antecipá-lo para sermos mais ágeis a reagir e também para identificar oportunidades.” Porém, hoje em dia enfrentamos novos desafios já que, “mesmo nos modelos macroeconómicos mais sofisticados, as previsões falham sistematicamente. Não porque o modelo esteja errado, a realidade é que se tem comportado de forma a que os modelos de previsão têm dificuldade em lidar com algumas questões”. Com base neste processo, em novembro de 2011 foi apresentado o documento “A Economia Portuguesa a Longo Prazo – um Processo de Cenarização”, elaborado no âmbito do Projeto HybCO2 e financiado por fundos MONTEPIO VERÃO 2012 nacionais, através do Departamento de Prospetiva e Planeamento e Relações Internacionais da Fundação para a Ciência e Tecnologia. Realizado por uma equipa multidisciplinar – que incluiu Paulo Soeiro de Carvalho –, apresenta dois futuros possíveis para Portugal até 2050. “Apesar do atual contexto de crise, assumiu-se deliberadamente que nenhum dos cenários seria catastrófico, existindo, em ambos, alguma capacidade de gerir as crises mais graves que Portugal enfrenta a curto e médio prazo”, indica. No primeiro cenário, designado por “Bem-vindos”, descreve-se um mundo instável no qual a Europa enfrenta crises cíclicas. Em Portugal observa-se a “coexistência entre indústrias/setores de produtos pouco diferenciados, com margens baixas, e produtos de elevado valor acrescentado e intensidade competitiva. A concentração no setor do Turismo, com vantagens para a ‘economia do mar’, agricultura de especialidades e produtos gourmet, contrasta com uma incapacidade de posicionamento face às novas vagas de investimento em áreas tecnológicas, com exceção do setor saúde/farmacêutico”. O segundo cenário, “Não podemos falhar”, prevê uma “forte aceleração e convergência tecnológica em torno das nanotecnologias, biotecnologias, tecnologias da informação e comunicação e cognociências. Encontra-se capacidade para antecipar novas necessidades globais e adequar recursos e funções às novas cadeias de valor; ascensão nas cadeias de valor das indústrias tradicionais; ligações a projetos de ponta internacionais no cluster aeronáutica/aeroespacial”; e, num segundo período, afirmação do País como exportador de veículos elétricos, produtor de hidrogénio e líder em nichos de mercado no pólo de saúde, conseguindo um elevado número de patentes e desenvolvimento 2 a minha cidade FUTURO Eduardo Lourenço Filósofo O filósofo, ensaísta e prémio Pessoa 2011 afirma que " já não estamos no ‘sei o que quero e para onde vou.’ Nem Portugal nem ninguém sabem para onde querem ir. O que é novo é isso” . Uma das razões para o desnorte vem do facto de o mundo ter sido apanhado de surpresa. “A Europa dominou o mundo durante 500 anos e tudo isso acabou. Éramos os reis do mundo e vivíamos na convicção de que não mudaria. "Mas porque ninguém o previu?" “Pensavam ter o poder diabólico de fabricar dinheiro a partir de dinheiro, como quem fabrica notas falsas. Um Alves dos Reis à escala planetária. Mas não dominavam a máquina. Fizeram tanta coisa e os efeitos de comunicação são tão rápidos que entrámos na fábula do Aprendiz de Feiticeiro”, continua. “Essa gente que nós pensávamos terem luzes e dominarem minimamente o futuro, de repente são eles próprios apanhados no vendaval.” Para Eduardo Lourenço a crise atual veio acentuar o que já estava latente e teve efeitos imediatos para a maioria dos países europeus, sobretudo para aqueles que têm mais dificuldade em assegurar um estatuto comparável ao modelo que a Europa tem dado. Para Portugal o efeito foi tanto mais surpreendente “porque estávamos convencidos de que o ingresso na Europa era uma entrada numa casa rica, em relação à qual sempre alimentámos um sonho, sendo o mais coletivo e famoso o da emigração – também ela quase coletiva – que os portugueses fizeram na década de 60”, acrescenta. E não deixa de fazer uma comparação com a situação atual: “Desta vez, a emigração não é dirigida às pessoas do Portugal profundo, ligadas à terra. É sim a da flor do País, da juventude que começa a ter grandes dificuldades em viver o presente e assegurar o seu futuro mais imediato. Esta classe social que não estava habituada a pensar na emigração é uma coisa nova, que provavelmente também acontece noutros países da Europa.” De qualquer forma, “se existe solução para Portugal, é no quadro de uma das duas europas existentes: aquela à qual pertencemos e a que é representada pela Inglaterra”. Um país com quem o nosso tem “uma ligação histórica – tirando o episódio desastroso do Ultimato. Há pessoas que pensam se, em vez de nos associarmos à Europa, não deveríamos ter apanhado o barco inglês que, depois de tantos séculos, ainda não naufragou”. Mas é para outra nação que as atenções devem estar viradas. “Toda a Europa está dependente da Grécia, mesmo a Alemanha. Se ela saísse ficaríamos numa confusão extrema e o sonho europeu, pelo qual temos lutado penosamente, acabaria.” Para este europeísta assumido, as eleições em França parecem trazer uma nova esperança. MONTEPIO VERÃO 2012 49 2 a minha cidade CRÓNICA VITORINO Esta cidade 50 QUE EU AMO, EM LETRA DE FADO CORRIDO 1º Andamento É fácil para um provinciano profissional localizar ou decidir qual é a sua cidade de eleição: normalmente será aquela onde nasceu, cresceu e vive, onde organizou um estável e confortável quotidiano, saboreando o lento passar dos dias, acompanhado dum salário sonante, empregozito com reforma assegurada e pouca emoção ao jantar. Já será mais difícil para quem tem trabalho precário e pesado e cresceu numa cidade onde lhe tocou na sorte a periferia, andou numa escola sem cantina, cresceu com pais muitas vezes desempregados, desorganizou a adolescência abandonado à sua sorte e não chegou a assentar os pés no chão. O provinciano profissional e quieto ama até às lágrimas e ao medo de perder o pé a cidadezinha onde nasceu, vive e não faz ondas. O outro desinquieto não sabe muito bem de que cidade é que gosta: se daquela onde nasceu e cresceu aos empurrões, ou da outra onde vive agora, porque foi lá que encontrou trabalho precário e onde a segurança social lhe tratou do desemprego, e se der pró pior virá meter os papéis para o rendimento de inserção social, versão minimalista do ministro da insegurança em exercício. MONTEPIO VERÃO 2012 2º Andamento Calha-me agora dizer qual é a cidade que eu amo, acompanhado à guitarra folk de 12 cordas. E é muito fácil, primeiro porque sou provinciano mas pouco profissional, e depois porque gosto de todas onde passei e vivi, muito especialmente daquelas onde assentei praça como hippy amador. Para muitas delas dirigi-me à boleia com uma mochila de lona, um saco de dormir colorido e uma guitarra de seis cordas para fazer género pois mal sei tocar. Depois, mais tarde, quando comecei a cantar mais a sério, é que foi abundância, pois corri muito mundo à custa do canto, e de avião, comboio e outros meios de transporte rápidos. E de tanto e bom mundo que corri, fui ficando aos bocados pelas cidades do Sul. É pra lá que as minhas lembranças voltam sempre, é lá que guardo a memória do calor, dos sons e da cor da água do mar. Também é do Sul a surpresa de um sorriso nunca desdenhado, ainda que passando mal, com um dia difícil, com arroz e feijão quase fora do alcance, e mesmo assim a generosidade de um sorriso escancarado e libertador. Final: “Não existe pecado do lado de lá do Equador” La Habana, Salvador da Baía, São Paulo, Rio de Janeiro, Buenos Aires, são todas minhas ou eu sou delas, não têm dono, nem eu. Lisboa olha pra mim desconfiada da minha nostalgia, mas sabe que é para ela que eu volto sempre. Évora está tão longe como daqui à minha adolescência tardia. Um dia destes ainda volto para o princípio e será lá que vou encontrar a minha cidade – esta cidade que eu amo (cantado). A MINHAECONOMIA PRODUTOS FINANCEIROS, SUGESTÕES E EMPREENDEDORISMO página 52 página 55 página 58 página 61 LAZER ESTRATÉGIA OPINIÃO Em ano de crise planeie as férias de verão de modo a poupar no orçamento Vender eletricidade pode revelar-se um bom investimento. Saiba como pode tornar-se produtor de energia FINANÇAS PESSOAIS Depois da reforma saiba o que fazer para beneficiar as suas finanças Helena Sacadura Cabral traça o retrato económico do País em 2030 3 a minha economia LAZER FÉRIAS DE VERÃO PLANEAR É POUPAR UMA VIAGEM TRANQUILA E SEM GASTAR MUITO DINHEIRO COMEÇA MUITO ANTES DO EMBARQUE. SAIBA O QUE NÃO PODE FALTAR NA SUA BAGAGEM POR RUTE MARQUES ILUSTRAÇÃO CARLOS MONTEIRO 52 As férias de verão estão quase a chegar e, por mais que estes dias sejam bem organizados, ninguém está livre de imprevistos que podem aumentar a conta final. Se não se viu forçado a abdicar deste período de lazer, é importante não esquecer que o segredo para não ter um percalço financeiro passa por levar os objetos certos na mala. Uma viagem tranquila começa muito antes do embarque e o segredo é um planeamento eficaz, capaz de prevenir imprevistos que possam pôr em causa as férias e o regresso à vida ativa. O primeiro passo é pagar as férias com dinheiro de um fundo de poupança. Se isso já não for possível, saiba como o planeamento pode ajudar a ter umas férias de sonho por um preço acessível. Poupar e planear são as palavras de ordem. MONTEPIO VERÃO 2012 01 03 Documentação No espaço Schengen as formalidades são poucas e o Bilhete de Identidade/ Cartão de Cidadão é suficiente para circular livremente. Fora deste espaço, não se esqueça do passaporte atualizado. Se for para os Estados Unidos da América, não necessita de um visto de entrada mas terá que preencher um formulário eletrónico, via internet, com 72 horas de antecedência em relação à data de embarque e esperar a autorização – que é válida por dois anos. DICA: Quando chegar ao destino deve depositar os documentos originais e os bilhetes de viagem nos cofres do hotel. Na maior parte dos países basta exibir fotocópias autenticadas pelos hotéis. Em caso de perda de documentos, tem que contatar imediatamente os postos consulares e embaixadas de Portugal no estrangeiro. Saúde CARTÃO DE CRÉDITO Este "pedaço de plástico" pode ser utilizado em lojas, restaurantes, hotéis, e servir como garantia em caso de aluguer de um automóvel e, em último caso, permite levantar dinheiro a crédito num ATM. Contudo, modere a sua utilização e não gaste mais do que o planeado. DICA: Pode sair dispendioso. Se viajar para um país da União Europeia, Noruega, Islândia, Liechtenstein, Suíça, Mónaco... – SEPA*, não tem custos ao fazer pagamentos com o cartão de crédito. Já se levantar dinheiro, paga 3,33% do valor do levantamento acrescido de 1,5 euros e comissão de serviço de 1,7%. Se as férias forem para fora de um destes territórios, fica ainda mais caro. Pagamentos Na Europa ou em qualquer outro continente não deve transportar muito dinheiro "vivo" consigo sob pena de ser assaltado. No entanto, precisa de ter algum dinheiro disponível para fazer face às pequenas despesas diárias e para casos de emergência, como a perda de um cartão bancário. DICA: Sempre que o destino for fora da Europa dirija-se a uma consulta de saúde do viajante. Poderá avaliar as condições de saúde antes e depois da viagem, obter conselhos médicos, medicamentos que deve levar e as vacinas necessárias. SEGURO DE VIAGEM CHEQUES DE VIAGEM 02 Se tiver um problema de saúde num país da União Europeia, Islândia, Liechtenstein ou Noruega, tem direito a receber tratamento mesmo que não tenha dinheiro, desde que peça o Cartão Europeu de Seguro de Doença antes de seguir viagem. Caso recorra ao serviço de saúde de um destes países conserve as faturas, receitas e recibos. Depois é só solicitar o reembolso no país de origem ou no de visita. Pode obter o cartão gratuitamente junto da Segurança Social. Caso o destino seja urbano este pode ser um meio seguro e fácil de fazer pagamentos, pois os cheques têm que ser todos assinados. Têm ainda a vantagem de permitir o reembolso em caso de perda ou roubo. A emissão dos cheques de viagem custa 1% do valor. DICA: Anote o número dos cheques e dê baixa dos que utilizar, pois será mais fácil cancelar se tiver algum azar. Guarde no hotel os cheques que não utilizar e assine-os só quando os descontar. O Cartão Europeu de Seguro de Doença não substitui o seguro de viagem, dado que nem sempre cobre todas as despesas médicas e nunca cobre as despesas de repatriamento nem os serviços de salvamento em zonas de montanha, pelo que é conveniente fazer um seguro de viagem específico para cobrir esses riscos. DICA: O Seguro Check in do Montepio protege a família em caso de acidente durante a viagem. Não tem período de carência, é válido durante 30 dias e tem cobertura em todo o mundo. 04 Cartão de crédito Um cartão de crédito é indispensável em viagem. A maior parte dos proprietários não sabe mas muitos têm seguros incorporados, como de proteção em acidentes pessoais em viagem ou assistência em viagem a veículos. É conveniente, flexível e oferece segurança. É mais prático do que andar com dinheiro e pode ser cancelado imediatamente em caso de roubo. Vale a pena ter alguns cuidados especiais: antes de sair verifique qual é o limite de pagamentos, a data em que expira e anote o número de emergência no estrangeiro. É ainda conveniente ter em atenção as taxas aplicadas em caso de cash advance para evitar despesas indesejáveis. DICA: Com o Cartão Sentidos, o Cartão de Crédito do Montepio, em cada utilização acumula pontos que lhe dão acesso a um mundo de novas experiências da Odisseias. Tem incorporado um seguro de proteção ao cartão em caso de extravio, perda, furto ou roubo, e o cartão de saúde SOS (consultas domiciliárias 24 horas por dia, atendimento médico telefónico e descontos em hospitais, clínicas e médicos convencionados). * SEPA (SINGLE EURO PAYMENT AREA/ÁREA ÚNICA DE PAGAMENTO EM EUROS) É UMA ZONA ECONÓMICA COMPOSTA POR 31 PAÍSES. OS CIDADÃOS PERTENCENTES A ESTA ÁREA PODERÃO EFETUAR E RECEBER PAGAMENTOS, DENTRO OU FORA DAS SUAS FRONTEIRAS, SOB AS MESMAS CONDIÇÕES, DIREITOS E DEVERES, SEJA QUAL FOR O DESTINO DE ORIGEM. MONTEPIO VERÃO 2012 53 3 a minha economia LAZER férias de verão FAÇA A LISTA A não esquecer 7 dicas para viajar tranquilo f RENOVAR A DOCUMENTAÇÃO Tem a certeza de que os seus documentos estão todos dentro da validade? Verifique com a antecedência devida para poder remediar a situação. 05 Transportes Vai de automóvel, de avião, de bicicleta ou a pé? Seja qual for o meio de transporte que escolheu para partir à aventura, é sempre importante que esteja preparado e não se esqueça de nenhum documento. AUTOMÓVEL 54 Se vai sair de Portugal de carro, fique a saber que a carta de condução nacional só é reconhecida nos países da União Europeia e em alguns estados de língua oficial portuguesa. As autoridades de cada país (embaixadas e postos consulares) informam sobre os documentos necessários para cada território. Assegure-se de que também tem o certificado de matrícula e a carta verde. AVIÃO f VACINAS Se optou por viajar no conforto do avião, tenha cuidado extra com a bagagem. Todas as malas devem estar bem fechadas e identificadas. Deve ainda definir o que vai na bagagem de mão e para o porão – só pode levar pequenas quantidades de líquidos na bagagem de mão (100 mililitros), embaladas num saco de plástico transparente. Antes de partir faça uma lista com o que vai levar mas tenha em atenção os artigos proibidos e o peso limite da bagagem. Uma vez excedido este peso é cobrada uma taxa extra. Os medicamentos, produtos dietéticos ou comidas de bebé para consumo durante a viagem só são permitidos na bagagem de mão mediante comprovativo médico da sua necessidade durante o voo. Regra geral, não se exigem vacinas nas deslocações dentro da UE. Contudo, há exigências ou recomendações para determinados territórios ultramarinos de países da UE. Antes de partir, consulte o seu médico ou o sítio da Organização Mundial de Saúde. DICA: Para evitar multas desnecessárias, quando estiver a planear a viagem de automóvel não se esqueça de pensar em aspetos como o aluguer do carro no país em questão, os limites de velocidade e as regras de segurança rodoviária. DICA: As condições de peso e dimensões de transporte de bagagem de mão variam consoante a operadora, principalmente entre as companhias low cost. Conte com esse valor quando estiver a fazer o plano de férias. f GUIAS E MAPAS DE VIAGEM Uma viagem bem planeada é a melhor solução para não gastar dinheiro desnecessariamente. Não se esqueça de levar os guias na bagagem. f TAXAS EXTRA DE VIAGEM Às vezes o barato sai caro. Esta dica é útil quando se compra a viagem de avião. O preço anunciado dos bilhetes já deve incluir tarifas, impostos, taxas e outros encargos. f MEDICAMENTOS Caso transporte medicamentos sujeitos a receita médica, leve também a receita. Não exceda as quantidades de que necessita durante a viagem porque grandes quantidades de medicamentos podem levantar suspeitas. f ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO PARA O ANO... Prepare as férias! ^ FAÇA UM PLANO Decida qual é o destino e quanto quer gastar. Este plano deve contemplar tudo, desde o preço do avião até às revistas que prevê comprar durante a estada. ^ POUPE PARA O LAZER Se as suas férias são de sonho e planeia gastar algum dinheiro, MONTEPIO VERÃO 2012 comece a fazer cortes nas despesas mensais para aumentar a fatia do orçamento familiar que será destinada às férias. ^ ABRA UMA CONTA POUPANÇA Uma vez estabelecido o valor mensal que pretende canalizar para as férias, o ideal é colocar esse dinheiro numa conta poupança. Não rende juros elevados mas permite reforços mensais. ^ CUMPRA O PLANO Alguns sacrifícios no presente irão compensá-lo no futuro. De nada adiantará o seu plano de férias se não fizer por cumpri-lo. Seja rigoroso e incuta esse pensamento na família. Quer levar o seu cão ou gato de viagem pela Europa? Basta tirar o “passaporte para animais de companhia”, emitido por qualquer veterinário. Para poderem viajar, os animais devem ainda ter um microchip ou uma tatuagem legível. Se não vai levá-los consigo, a escolha mais acertada é deixá-los com familiares, amigos ou num hotel para animais. f CÂMBIO Se precisar de trocar moeda, faça-o em Portugal, no seu banco, onde terá acesso a uma taxa de câmbio real e a comissões mais baixas. Acompanhe a taxa de câmbio de referência diária no Banco de Portugal e faça a troca numa altura em que seja favorável. INVESTIR COMO VENDER A SUA ELETRICIDADE 3 a minha economia ESTRATÉGIA O SOL NÃO É SÓ SINÓNIMO DE VERÃO. PODE SER A FONTE PARA INVESTIR NA SUA ELETRICIDADE POR NUNO SILVA Financiamento a pensar na energia limpa Alguma vez pensou que podia produzir energia elétrica na sua casa, a partir do Sol, e vendê-la a outros consumidores? Se nunca teve este sonho, a verdade é que muitas pessoas já o tornaram realidade. Entre 2008 e 2012 foram registadas mais de 19 mil unidades de microgeração em Portugal, isto é, unidades de produção de eletricidade através de fonte renovável de baixa potência e origem solar. Se não tem capacidade para adquirir o seu equipamento de energias renováveis, há soluções financeiras de crédito especificamente concebidas para apostar no seu “lugar ao sol”. O crédito de energias renováveis do Montepio permite o financiamento a 100%, podendo pagar até 120 meses (10 anos) e num montante máximo de 10 mil euros (30 mil euros, se destinado a microprodução de energia). Juntando o seu esforço financeiro ao apoio do Montepio, poderá financiar um planeta mais limpo e cobrir as prestações do empréstimo com as receitas da produção elétrica dos seus painéis solares. SAIBA MAIS www.montepio.pt 55 3 a minha economia dido e nos restantes sete do prazo de 15 anos seguirá a tarifa de referência estabelecida à partida. ESTRATÉGIA VOXPOP Sol para o futuro H 56 á três anos, Rui Borges apostou no Sol como investimento através de um empréstimo bancário destinado a energias renováveis. Hoje, o gerente de restauração está a colher os frutos dos painéis solares instalados “às portas” da serra da Estrela, em Seia. “O objetivo era investir no futuro através de energias renováveis”, justifica Rui Borges, que acredita que a sua aposta “compensa, mesmo no inverno”. São as faturas da EDP que ilustram os resultados deste microprodutor de eletricidade. Nos meses mais quentes do ano, como agosto, a fatura do que produz chega a ser quatro vezes superior à do que consome, enquanto nos meses mais frios as receitas da produção são praticamente o dobro das despesas de consumo. São estes números que suportam o otimismo deste que é um dos 894 microprodutores de eletricidade com fonte solar do distrito da Guarda. “Estou convencido que em cinco anos pago o aparelho", conclui. MONTEPIO VERÃO 2012 Apoio nos impostos O Estado dá uma ajuda neste esforço ecológico de mudança de paradigma energético: uma dedução em sede de IRS de 30% do montante do custo do equipamento, com um limite de 803 euros. Mas há mais incentivos para quem pretende vender eletricidade. Depois de instalado o equipamento, registado no Sistema de Registo de Microprodução (SRM) através do Portal Renováveis na Hora, realizadas as inspeções obrigatórias e emitido o certificado de exploração, poderá beneficiar de um regime bonificado na faturação da sua eletricidade vendida, isto é, de uma tarifa que incentiva os novos produtores em energias renováveis. Ou seja, nos primeiros 15 anos da sua unidade de produção comprará a eletricidade a um preço mais baixo do que aquele a que vende. Para conseguir tirar proveito de um regime bonificado (ver caixa) através dos seus painéis solares, tem que cumprir algumas regras de potência de ligação e do local de consumo e ficará com uma tarifa definida para os 15 anos seguintes. Nos primeiros oito anos existirá uma tarifa mais vantajosa por cada kWh (quilowatt-hora) ven- Fazer as contas Para fazer todos os cálculos associados à sua aposta na energia solar convém ser rigoroso a apontar os custos e os rendimentos. Antes de mais, tem que contabilizar os gastos com o equipamento fotovoltaico para produção de eletricidade (ronda os 20 mil euros), os custos com o registo no SRM (500 euros acrescidos de IVA) e fazer uma estimativa dos retornos. O valor da tarifa de referência que os produtores caseiros podem cobrar pela energia tem vindo a diminuir desde 2008 e em 2012 está nos 0,326 euros por kWh para os primeiros oito anos de microprodução (com uma redução estabelecida anualmente). Só para ter um termo de comparação, a tarifa no regime geral atual está nos 0,1393 euros por kWh, valor que qualquer consumidor paga pela eletricidade consumida. Contudo, se quer ser microprodutor de eletricidade, tenha em conta que se fizer este ano o seu registo e pedido de produção só terá possibilidade de entrar na quota de 2013 já que, segundo a Direção-Geral de Energia e Geologia, a quota de 2012 já foi superada pelos registos realizados. Se a sua ideia é vender energia a Portugal, então aponte este endereço: www.renovaveisnahora.pt COMO FAZER 6 etapas para ser produtor 1 Registar a unidade de produção no Sistema de Registo de Microprodução (SRM) através do portal Renováveis na Hora. O custo é de 500€ + IVA. 2 Assegurar a instalação do equipamento fotovoltaico por uma entidade autorizada. O custo pode oscilar entre os 23 e os 25 mil euros. 3 Garantir a inspeção à unidade de produção e o consequente certificado de exploração. 4 Celebrar o contrato de compra e venda entre o fornecedor e o produtor. 5 Começar a produzir. No regime bonificado, o preço que pode cobrar pela eletricidade fixa-se em: Ano 1 – Pode cobrar a tarifa de referência aplicável àquele ano. Ano 2 a 8 – Há uma redução anual dessa tarifa, publicada anualmente. Ano 9 – Aplica-se a tarifa estabelecida no momento do registo inicial. Ano 10 a 15 – A tarifa anterior reduz-se mediante um fator definido anualmente. 6 Na sua fatura de energia saem cruzados o custo do consumo e a receita do que produziu. A diferença entra na sua conta. 3 a minha economia FINANÇAS PESSOAIS BEM-VINDO À REFORMA E DEPOIS DO ADEUS? SER PENSIONISTA EQUIVALE A ESCREVER UM NOVO CAPÍTULO NA SUA VIDA QUE PODIA TER COMO TÍTULO “OS MELHORES ANOS”. AS SUAS FINANÇAS PODEM FAZER A DIFERENÇA 58 POR NUNO SILVA A expressão “velhos são os trapos” não deve ser estranha à maioria dos portugueses, mas para os quase dois milhões de residentes em Portugal que têm mais de 65 anos a expressão ganha outro relevo. Se todo o esforço e atenção se centraram, desde tenra idade, num bom planeamento financeiro para, na reforma, alcançar o descanso merecido, não deve ter motivo para deixar de pautar a sua vida por finanças pessoais saudáveis. Por si, pelos seus filhos e netos que asseguram a sua herança genética e podem herdar o melhor dos ensinamentos sobre poupança e dinheiro. O desafio de gerir um orçamento familiar para lá da reforma é, porventura, mais exigente que gerir um orçamento na meia-idade. Segundo o último estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) sobre reformas, MONTEPIO VERÃO 2012 “Pensions at a Glance”, o valor da primeira pensão de velhice que um trabalhador português de salário médio recebe é equivalente a cerca de 65% do valor líquido do último salário em idade ativa, o que significa que o poder de compra se reduz substancialmente. Se juntar a isto a incerteza quanto ao sistema de Segurança Social, ilustrada pela recente suspensão dos subsídios de férias e Natal na administração pública, há algumas regras de finanças pessoais que deve manter e reforçar. Por exemplo, fazer um orçamento familiar para acompanhar e controlar as suas despesas, estratégia que vale para todas as idades. ^ São quase dois milhões os portugueses com mais de 65 anos 65,5% É A TAXA de substituição entre o último salário de um trabalhador com vencimento médio em Portugal e a primeira pensão de reforma 83,2 É A ESPERANÇA média de vida aos 65 anos, segundo os últimos dados do INE Orçamentar com eficácia Imagine que juntou uma determinada quantia de dinheiro, digamos 25 mil euros, até à reforma. Quanto tempo levaria com o seu estilo de vida a gastar esse dinheiro se mantivesse o padrão de consumo anterior à aposentação? Por exemplo, se tivesse um salário igual ao salário médio em Portugal no final de 2011, 809 euros, e ficasse na reforma com apenas 530 euros (65,5%, como indica a OCDE) poderia ter que recorrer a uma percentagem das suas poupanças para ir enfrentando o dia-a-dia. Ao ritmo de 250 euros por mês gastaria os 25 mil euros em cerca de oito anos, o que o deixaria demasiado exposto às novas despesas que teria de enfrentar, especialmente com cuidados de saúde. Planear é a grande arma. Para tal, prever como será o novo padrão de despesas nas suas novas rotinas é fundamental para orçamentar os anos dourados da sua vida. Algumas despesas vão, provavelmente, crescer no orçamento, como as relacionadas com a sua saúde, mas outras podem reduzir, como as relacionadas com os combustíveis e transportes, até porque a idade é um posto em muitos serviços que têm um preço diferenciado e mais reduzido para aposentado. Calculadas as despesas-tipo durante um mês, avance para a elaboração do seu orçamento de reforma. Defina como pretende gastar os rendimentos SOLUÇÕES DE SAÚDE Produtos à medida da sua reforma ^ PROGRAMA DE BENEFÍCIOS VITALIDADE + Caraterísticas: Solução para seniores que agrega um programa de saúde e um cartão de saúde. Vantagens: Conjunto alargado e diversificado de cuidados domiciliários, nas áreas de saúde, acompanhamento e fisioterapia, entre outros. Avaliação periódica das necessidades de cada utente. Acesso prioritário às Residências Montepio. ^ CARTÃO TELE-VITALIDADE Caraterísticas: Cartão orientado para a proteção da saúde e bem-estar sénior. Vantagens: Assistência permanente 24 horas por dia, 365 dias por ano, incluindo aconselhamento médico telefónico e assistência ao lar. Cobertura nacional. Dispositivo de alerta portátil que o acompanha num raio de ação de 200m2, além do telefone especial instalado na sua residência. COMO FAZER Máximas para seguir na reforma ^ CORTAR NAS DESPESAS PARA AUMENTAR POUPANÇAS Como não se sabe o dia de amanhã, o melhor é não descurar o cuidado com as suas contas em casa. Aponte todas as despesas e verifique o que pode estar a fazer mal. ^ MAXIMIZAR OS DESCONTOS E BENEFÍCIOS A antiguidade é um posto, pelo menos em áreas como os transportes ou a cultura, por isso procure maximizar estes benefícios, minimizando as saídas do seu orçamento. ^ PROTEGER A SAÚDE A saúde é uma das áreas que deve salvaguardar e proteger, principalmente na reforma. Apesar dos custos com a proteção poderem ser mais elevados que nos seguros de saúde antes da reforma, a verdade é que para lá dos 65 anos é normal ter que recorrer a serviços médicos. ^ GERIR BEM A DÍVIDA Se tem créditos ou financiamento, mantenha níveis confortáveis de pagamento das prestações. Uma situação como a recentemente vivida por quem viu os subsídios de férias e de Natal serem suspensos pode constituir um forte risco para se conseguirem cumprir as obrigações. Previna-se contra o inesperado. MONTEPIO VERÃO 2012 59 3 a minha economia FINANÇAS PESSOAIS pós-reforma As poupanças na reforma (de pensões, de rendas ou de investimentos) e mantenha uma margem para continuar a poupar. Alice Pereira Reformada, 59 anos Alice Pereira reformou-se antecipadamente e confia no seu seguro de saúde para não ter surpresas quando precisar de auxílio. “Com um seguro sei que não preciso de esperar porque, na verdade, a saúde não espera, especialmente numa idade em que sabemos que precisamos mais.” 60 Continuar a procurar juros Existem soluções bancárias específicas para reformados, como as contas Poupança Reforma, que permitem uma isenção de pagamento de IRS para juros de saldos da conta até 10 500 euros, mas exigem que quem as constitui não tenha uma pensão superior a três vencimentos mínimos (1 455 euros). Se a sua pensão permitir cobrir as despesas mensais e ainda poupar uma parcela do rendimento, então pode encontrar contas bancárias que pagam juros na ordem dos 4% por ano (taxa anual nominal bruta). O importante é continuar a seguir as mesmas regras de disciplina que tinha antes de se reformar. REFORMA 3 perguntas no momento da reforma )1 COMO RESGAT ATAR UM PPR SEM PENALIZAÇÕES? O montante aplicado num PPR pode ser resgatado sem penalizações fiscais no momento da reforma por velhice; da reforma do cônjuge do participante no PPR, se for um bem comum do casal; por reforma a partir dos 60 anos ou a partir dos 60 anos do cônjuge do participante no PPR se o regime de bens do casal indicar que o PPR é um bem comum (só se podem resgatar sem penalização as entregas feitas há, pelo menos, cinco anos. Para resgatar a totalidade sem penalizações terá que ter entregue, pelo menos, 35% do valor MONTEPIO VERÃO 2012 do PPR R antes da metade da vigência do contrato de PPR). Situações de desemprego de longa duração, de doença grave no agregado familiar ou de morte do participante também podem permitir o resgate do montante do PPR R sem penalizações. )2 COMO PODE FAZER O REEMBOLSO DO PPR? Existem várias opções de reembolso: ^ receber o valor de uma só vez; ^ receber o valor do PPR como pensão mensal para o resto da vida; ^ receber o valor conjugando estas duas formas. )3 COMO PROTEGER A SAÚDE DEPOIS DOS 65? Muitos seguros de saúde são concebidos apenas para pessoas com idade inferior a 65 anos, por isso uma boa forma de se proteger depois dessa idade passa pelos cartões de saúde, que possibilitam descontos e acesso a uma rede de serviços. Assim, mediante o pagamento de uma mensalidade terá sempre à disposição cuidados médicos e apoio domiciliário com descontos. Escolha um cartão com descontos ajustados ao seu perfil. “Não ter tempo” não é desculpa para não poupar. Através dos canais de homebanking do Montepio pode subscrever o produto de poupança que mais lhe convém, sem sair do conforto da sua casa. Conheça as soluções abaixo e saiba mais através do Serviço Montepio 24 (Net24, Phone24 e Netmóvel24) ou em www.montepio.pt MONTEPIO SUPER POUPANÇA Depósito a prazo com pagamento anual de juros Prazo: 4 anos TANB Média: 4,10% (8ª Série, Julho de 2012) Mínimo: 2 500 € MONTEPIO POUPANÇA ESPECIAL Depósito a prazo com pagamento mensal de juros Prazo: 1 ano TANB Média: 2,92% Mínimo: 1 000 € MONTEPIO POUPANÇA ATIVA Depósito a prazo com plano de entregas mensais no 1.º ano, a partir de 25€. Prazo: 1 ano, renovável uma vez por igual período TANB (1º Ano): 2,25% Mínimo: 150 € CONTA POUPANÇA REFORMADOS Depósito a prazo com isenção fiscal de IRS sobre os juros para saldos até 10 500 euros Prazo: 6 ou 12 meses, renovável Mínimo: 250 € SAIBA MAIS www.montepio.pt 3 a minha economia OPINIÃO Helena Sacadura Cabral Economista terão que ir mais atrás, a um tempo para eles sem memória, que foi o da seRÃO O gunda ajuda externa* a Portugal, em 1983, com tudo o que representou para DIF FERE E o País, então sob governo EO OS S de Mário Soares. Em seguida a abordaComo é que, passados dezoito anos, se julgará “a crise dos anos 10” gem teria que colocar-se na perceção das razões que levaram à crise americana do subprime e no ou, de modo mais enfático, “a crise de 2008”? Sugiro que esse olhar seja o dos adolescentes que hoje têm doze papel que a banca e as agências de notação fianos. Em 2030 cada um deles terá três décadas de vida, um nível nanceira tiveram na mesma, deixando-a eclodir, escolar obrigatório razoável e, em princípio, estarão no mercado de por erro ou por considerarem que o mercado se trabalho e serão independentes. auto-regularia. Porque foi essa sistémica doença, Três tópicos me parece não devem deixar de estar presentes nes- esse vírus ganancioso de um dinheiro sem consa análise: o euro, a política e a economia. trapartida no mundo real, que alastrou à Europa Relativamente ao primeiro, poderá muito bem ter acontecido e a endividou com as mais nefastas consequênuma de duas situações. Ou o euro é, ainda, uma moeda de que eles cias, tirando-lhe a dignidade. se lembram, ou o euro que eles possuem é diferente daquele que E perceberão, enfim, que esse velho Contiusaram na juventude. Dito de outro modo, ou Portugal, entretanto, nente, que se dizia unido, continha afinal no abandonou o euro ou, apesar de se manter na sua zona de influên- seu seio os genes das patologias que o assolacia, usa um euro distinto, próprio dos países com uma economia ram. Com efeito, para além de uma moeda comais frágil. O milagre, a utopia, seria que possuíssemos o mesmo mum, as divergências entre os parceiros dessa dinheiro... comunidade eram enormes. Quanto ao segundo tópico, terão que lembrar como se implanAssim, essa Europa não federada, que pentou a democracia partidária no País, os custos e benefícios duma sou poder fazer face ao poder dos Estados Unirevolução que, nessa data, terá meio século de vida. E também dos da América, acabou dominada por um mal quais os partidos políticos interno: o poder que foram governo quandos mais fortes, do eclodiu a crise, os quais ou seja dos mais determinariam as opções poderosos, que, tomadas. sob as diretivas Ou seja, terão em conta do eixo franco que a crise rebentou num alemão, lhes digoverno de maioria absotaram o tratamento. luta PS, a que se sucedeOs PIGS, ou ria, até ao último trimestre de 2011 e após eleições, seja, Portugal, outro governo socialista de Itália, Grécia e maioria relativa. Este períEspanha, não puodo foi, assim, maioritariaderam sobremente gerido por governos viver sem uma com determinadas ideolonova ajuda exgias e esta questão está lonterna que, de alge de ser de somenos imgum modo, lhes portância! havia de consumir uma parte Finalmente, no terceiro ponto, abordarão a econodo seu atual premia. E aqui as recordações * A PR I M E IR A A J UDA EXTE R NA FO I PE DIDA EM 1977// 78 sente... A crise: um olhar em 2030 Ou o euro é uma moeda de que se lembram, ou o Euro que possuem é diferente do que usaram na juventude MONTEPIO VERÃO 2012 61 3 a minha economia FINANÇAS PESSOAIS EMPREENDEDORISMO CRIE O SEU PRÓPRIO EMPREGO 62 PERSIGA A SUA IDEIA E NÃO DESISTA DOS SONHOS. APESAR DE TODAS AS DIFICULDADES, TER O SEU PRÓPRIO NEGÓCIO É UM DESAFIO ALICIANTE E QUE PODE GARANTIR-LHE UM FUTURO RISONHO POR JORGE PIRES As Pequenas e Médias Empresas (PME) são bastante importantes para a economia portuguesa. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística relativos a 2008, as PME representavam 99,7% de todo o tecido empresarial nacional, empregavam 72,5% de todos os trabalhadores e realizavam 57,9% do volume de negócios nacional. vas oportunidades. Entendo que as PME devem ter coragem para investir em Portugal com os olhos postos no futuro.” Se está a pensar lançar o seu negócio e criar o seu emprego, conheça os principais aspetos que podem separar os casos de sucesso dos outros. Prós e contras Existem alguns fatores que podem influenciar a dinâmica do empreendedor, nomeadamente em relação às oportunidades e às ofertas. Do lado das oportunidades, a sua ideia poderá sempre fazer a diferença em contextos de baixos níveis de desenvolvimento económico, já que reflete um aumento do número de empreendedores no País, sobretudo devido ao aumento da taxa de desemprego. Além do desenvolvimento económico, também a evolução tecnológica é essencial para que o seu negócio avance com sucesso. A maioria das PME apresenta evoluções tecnológicas assinaláveis, o que as torna empresas com tecnologia de ponta. Neste aspeto a globalização ganha uma importância extrema, já que é possível ao empreendedor lançar o seu ^ SE QUER LANÇAR O SEU NEGÓCIO aproveite as ajudas das associações de apoio ao empreendedor RETRATO Perfil do empreendedor O perfil ideal resulta da junção de caraterísticas pessoais e profissionais. Para Paula Hespanhol, o perfil do empreendedor “não só é importante como essencial. Não existe uma fórmula para o empreendedor de sucesso. No entanto, existem algumas caraterísticas fundamentais das quais saliento: a aceitação do risco, a autoconfiança e automotivação, conhecimentos técnicos sobre a atividade, capacidade de decisão e responsabilidade, determinação, iniciativa, capacidade de liderança e não ter medo do fracasso”. Descubra as caraterísticas principais para o sucesso. Confiança ^ A confiança no projeto e nas 99,7% 99,7 % É A PERCENTAGEM de representação das PME no tecido empresarial nacional 1€ VALOR MÍNIMO de capital social para criar uma empresa 60% 60 % PERCENTAGEM DO VOLUME de negócios que as PME representam na economia suas capacidades é determinante para o sucesso. A sua autoconfiança permite-lhe gerir tudo da melhor forma, tanto ao nível da crença nas suas capacidades como da tranquilidade. Motivação ^ A motivação poderá ser um acrescento importante para que a sua ideia se desenvolva como mais deseja. Pode ser adquirida através da realização pessoal e profissional ou através dos vários momentos que ocorrem nas 24 horas do dia. Criatividade ^ A criatividade é a base do sucesso, sobretudo quanto à ideia que é a trave mestra do seu negócio. Tenha sempre a capacidade de encontrar respostas para os problemas que aparecem. Iniciativa ^ O espírito de iniciativa é um facilitador na gestão da sua empresa e pode contribuir para a resolução de alguns problemas. A capacidade de agir de maneira diferente e de antecipar situações pode conduzir a sua empresa ao sucesso. Integridade ^ A integridade é uma qualidade que mostra bem o seu caráter no dia-a-dia e em todas as situações. Siga os seus princípios, seja honesto e coerente. Liderança ^ “Respeite seus soldados como filhos e eles, de boa vontade, morrerão consigo.” (Sun Tzu, em A Arte da Guerra). Junte as “tropas” e lidere a sua empresa da melhor forma. Use a sua energia para mobilizar os outros e motive-os rumo ao mesmo objetivo. Negociação ^ O poder de comunicação aliado à negociação são determinantes para conseguir fazer acordos e contratos que se podem revelar essenciais ao futuro da sua empresa. A capacidade de negociação pode ser a peça-chave. Perseverança ^ Alie a integridade à perseverança e mantenha-se firme nos seus objetivos e coerente com os seus valores. Nunca desista à primeira dificuldade e tente perceber quais são os seus limites em todas as situações. Planeamento ^ Planear tudo da melhor maneira é essencial para atingir os objetivos. Seja a curto ou a longo prazo, o planeamento permite que a sua ideia entre em velocidade de cruzeiro. MONTEPIO VERÃO 2012 63 3 a minha economia FINANÇAS PESSOAIS empreendedorismo 64 produto em qualquer ponto do globo, usufruindo das enormes facilidades de transporte e de comunicação no mercado global. Não obstante, a globalização também permite às grandes multinacionais entrarem nos mercados, o que pode condicionar sobremaneira as empresas mais pequenas ou alguns setores. No que toca aos fatores que podem tornar o empreendedor mais relutante a iniciar o seu negócio, podemos destacar, por exemplo, setores relevantes como o agrícola ou o industrial, que têm vindo a perder importância, o que reduz grande parte das oportunidades das empresas. A elevada taxa de desemprego também pode funcionar como entrave ao empreendedorismo, na medida em que poderá haver demasiados investimentos por parte dos desempregados em criarem o seu próprio emprego, saturando o mercado. Para Paula Hespanhol, responsável da ANPME, além destes aspetos que podem influenciar o sucesso do negócio, “a principal dificuldade sentida por aqueles que nos procuram para criarem a sua empresa é a falta NÃO SE ESQUEÇA... links úteis IAPMEI Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação ANJE www.iapmei.pt www.anje.pt AEP ANE Associação Empresarial de Portugal Associação Nacional das Empresárias www.ane.pt www.aeportugal.pt AIP Associação Industrial Portuguesa www.aip.pt Associação Nacional de Jovens Empresários ANPME Associação Nacional das PME www.anpme.pt MONTEPIO VERÃO 2012 de capitais próprios e a dificuldade de acesso a financiamento. Outros pontos importantes a salientar são a falta de conhecimentos nas áreas de gestão e a falta de capacidade ou o medo de assumir riscos”. O investimento necessário Para abrir o seu negócio pode não precisar de um grande investimento. Até ao ano passado, o limite mínimo legal para criar uma empresa era de 5 mil euros. No entanto, a partir de abril de 2011 o Executivo decidiu eliminar esse capital social mínimo, passando para 1 euro, facilitando a criação da empresa. Na prática, e segundo o Observatório da Criação de Empresas do IAPMEI, o investimento médio para criar uma empresa era de 62 mil euros. Esse investimento pode ser realizado de várias formas, sendo que a esmagadora maioria prefere canalizar as suas poupanças (90% dos casos) para lançar a sua empresa, segundo os dados apresentados pelo INE. Os empréstimos bancários e as linhas de apoio aparecem no patamar seguinte. Poderá também recorrer às associações de apoio aos empresários e às PME. Estas associações ajudam os empreendedores em todo o processo do negócio, desde a ideia até à sua concretização. A ANPME, pela voz da vice-presidente, Paula Hespanhol,“tem contribuído para a criação de centenas de empresas, apoiando os empreendedores em todas as áreas que considera fundamentais para o sucesso do negócio a criar. Desde a construção de uma ideia de negócio, passando pela escolha do melhor local para a empresa, pelo plano de negócios e pela ajuda no financiamento, a ANPME ajuda todos aqueles que queiram entrar no mundo dos negócios. A formação é outra das áreas que a ANPME não descura e, por isso, oferece aos seus associados um Curso de Formação de Empresários que visa dotar os participantes de todos os conhecimentos básicos para a criação de um negócio”. Crie o seu negócio MICROCRÉDITO O Microcrédito Montepio existe desde 2006 e pretende, a partir de soluções várias, nomeadamente parcerias com instituições como a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, apoiar todos aqueles que não dispõem de meios financeiros para concretizar o seu projeto de negócio. Esta forma de financiamento apoia pequenos projetos de investimento viáveis, concedidos a pessoas que, tendo capacidade empreendedora e motivação, apresentam dificuldades acrescidas no acesso ao crédito e ao mercado de trabalho. Saiba mais através do e-mail [email protected] APOIO AO EMPREENDEDORISMO E À CRIAÇÃO DO PRÓPRIO EMPREGO Crie a sua empresa através do Programa de Apoio ao Empreendedorismo e à Criação do Próprio Emprego do Instituto de Emprego e Formação Profissional, que associa esta iniciativa ao Montepio. O programa permite às empresas acederem a produtos bancários, nomeadamente empréstimos com algumas bonificações. SAIBA MAIS www.montepio.pt Próxima edição COLECIONE AS FICHAS DO PROGRAMA DE EDUCAÇÃO FINANCEIRA E AJUDE AS SUAS CRIANÇAS A FAZEREM MAIS PELO SEU DINHEIRO A Montepio explica o que são as crises na economia, sem esquecer algumas das palavras que mais se têm ouvido ultimamente S e em Portugal a moeda em circulação é o euro, qual é a moeda aceite nos outros países? Provavelmente já sabes que em Espanha e em mais 15 países da União Europeia circula a mesma moeda, o euro. O euro e as outras moedas QUAL É A VANTAGEM? Por exemplo, se viajares para um destes países não tens que trocar a moeda nacional, o euro, por outra. Uma empresa que quer vender sapatos para Itália não tem que se preocupar se recebe o pagamento na mesma moeda que a do país comprador. Mas nem sempre as viagens são para países da União Europeia, que têm o euro como moeda oficial. Se o destino for os Estados Unidos da América (EUA), as coisas já não são tão simples. A moeda oficial deste país é o dólar norte-americano, por isso é necessário trocar os euros por dólares para fazer compras e outros pagamentos. 1 euro é igual a... DINHEIRO, ECONOMIA E A TUA CARTEIRA A B C F I N A N C E I R O 1,316 dólares americanos 125,17 De pequenino é que se marca a diferença. Aprende como se ganha o dinheiro, onde deves guardá-lo e como podes multiplicá-lo. Envia as tuas dúvidas para [email protected] kwanzas angolanos 8,27 iuans chineses 2,53 reais brasileiros 38,65 rublos russos 0,813 libras inglesas 69,7 rupias indianas TAXA DE CÂMBIO Imagina que vais viajar para Nova Iorque. Como sabes quantos dólares vale um euro?A resposta está na taxa de câmbio, a relação de uma moeda face à outra, que varia durante o dia. Isto é, hoje podes trocar o euro por 1,35 dólares, mas amanhã podes conseguir trocar por 1,30 dólares porque as moedas não valem sempre o mesmo. SUBIDAS E DESCIDAS O que faz variar a relação de troca de moedas é a confiança que existe em relação a cada economia e à procura de moeda. Uma maior confiança na economia dos EUA leva a uma subida do valor do dólar em relação ao euro (taxa de câmbio do euro em relação ao dólar baixa), porque há mais pessoas a quererem dólares. Se houver uma maior confiança nas economias europeias, pode ser o euro a ganhar valor. Quando o euro perde valor os turistas portugueses não conseguem comprar tantas coisas nos EUA, mas para as empresas o efeito é positivo. As vendas para o estrangeiro (exportação) ficam mais baratas e, por isso, conseguem vender mais. MONTEPIO VERÃO 2012 65 A MINHAVIDA IDEIAS E DESCOBERTAS EM LAZER, FAMÍLIA, SAÚDE, CULTURA página 68 página 72 página 74 página 78 LAZER CIDADE À LUPA PASSEIOS COM HISTÓRIA FÉRIAS Descubra Lagos. Com séculos de história, a cidade algarvia alia o charme ao ambiente cosmopolita Em 2011, a Quinta da Aveleda, na região do vinho verde, viu o seu trabalho premiado. Aproveite as férias para a descobrir Em Portugal, verão é sinónimo de praia. Fomos pela costa e pelos rios à procura dos melhores recantos para saborear as férias Conheça novas formas de manter as crianças entretidas sem sair de casa. Algum material e muita criatividade são a chave para dias bem passados 4 a minha vida ROTEIRO VERÃO PRAIAS A NÃO PERDER SO S À D V VER D EX X O OU ALG LGU UMAS SUGEST STÕE ÕES S 68 S Mais-valias Surff e Bodyboard Windsurff e Kitesurf Snorkeling Caminhada Canoagem Restaurante/bar Estacionamento Acesso a mobilidade reduzida LDAD DADE E Com vento, abrigadas, ideais para Surf, f acessíveis ou a exigirem algum exercício físico, para famílias ou desportistas. Ao longo da linha da costa ou no interior, a lista de praias adequadas a todos os gostos é imensa. De norte a sul, sem esquecer as regiões autónomas, antecipámos um percurso estival, sempre de chinelos, calções e toalha ao ombro. Além da beleza dos lugares, tivemos ainda em m co conta onta as infraestruturas, a qualidade das praias e a sua su versatilidade. PELA COSTA De norte a sul MOLEDO AFIFE > Uma das praias mais emblemáticas do Norte do País. Apesar do nevoeiro e da água fria, a areia rica em iodo deu-lhe fama. O vento forte torna-a apreciada por praticantes de Windsurf e Kitesurf. f > Praia de areias brancas e extenso areal, é famosa pelas águas frias. Muito procurada por surfistas e bodyboarders. Perto de Viana do Castelo e inserida na Rede Natura 2000, alia boa qualidade ambiental a bons acessos e apoios de praia. MONTEPIO VERÃO 2012 PRAIA DO REI CORTIÇO PORTINHO DA ARRÁBIDA > Vigiada por nadador salvador, a praia do Rei Cortiço, em Óbidos, oferece 11 quilómetros de areal que se estendem até ao Baleal. Rodeada de falésias de arenito branco, tem uma beleza particular. > No sopé da serra da Arrábida, é muito procurada não só pela sua beleza como pelas águas calmas e transparentes. A montanha abriga-a do vento. Melhor durante a semana, para evitar o trânsito. Lazer Benefícios exclusivos para associados Montepio A não perder j PORTINHO DA ARRÁBIDA Aninhada no sopé da serra, a praia do Portinho da Arrábida foi classificada como uma das maravilhas de Portugal j A ILHA DE PORTO SANTO, no arquipélago da Madeira, garante águas quentes mesmo no inverno. Graças à corrente do golfo é possível dar um mergulho em pleno mês de dezembro f PRAIA D'EL REY MARRIOTT GOLF & BEACH RESORT āŎŎ,!#J)ŎŎ#)-üŎ)-Ŏ associados do Montepio alojados no Marriott Hotel ou nas Holiday Residences Praia D’El Rey usufruem de 20% de desconto no alojamento e tratamentos SPA e de 10% nos restaurantes ou bar do resort (descontos aplicáveis a reservas feitas junto do Departamento de Reservas do Hotel e Resort e durante a estada). Mais informações em www.praia-del-rey.com/pt, [email protected] ou Tel. 262 905 100 f HOTÉIS VILA GALÉ āŎŎ*,)/,Ŏ&)$'(.)Ŏ para as férias, esteja atento. O Montepio assinou um acordo com os Hotéis Vila Galé que garante aos associados 10% de desconto, calculado sobre a Tarifa Promocional BAR publicada em www.vilagale.pt O desconto é válido em 23 unidades hoteleiras em Portugal Continental, Madeira e Brasil. As reservas terão que ser efetuadas através da Central de Reservas – Tel. 707 214 214 ou do e-mail das unidades. CARVALHAL > Numa enseada no fundo de um vale, que a torna bastante abrigada, na praia do Carvalhal, concelho de Odemira, misturam-se mar e campo com os rebanhos ali perto. O ambiente é quase selvagem mas tem bar e posto de primeiros socorros. PRAIA DA ABERTA NOVA > O areal estende-se entre Tróia e Sines, em muitas zonas num estado quase selvagem. Esta praia de Melides tem bar de apoio, estacionamento e como único contra o mar batido. ADRAGA > No Parque Natural Sintra-Cascais, a Adraga foi eleita pelos leitores do The Sunday Times como uma das 20 melhores praias europeias. Aqui pode visitar as grutas e fazer Rappel. Acessível a pessoas com mobilidade reduzida. f TIVOLI HOTELS & RESORTS āŎ-)(.)ŎŎòñIJŎ sobre a melhor tarifa do dia, disponível em www.tivolihotels.com e aplicável às unidades hoteleiras do Algarve, Coimbra, Lisboa e Sintra, āŎ-)(.)ŎŎòöIJŎ'Ŏ tratamentos nos SPA da Banyan Tree, disponíveis nos hotéis Tivoli Victoria e Tivoli Marina Vilamoura. Saiba mais em www.montepio.org MONTEPIO VERÃO 2012 69 4 a minha vida ROTEIRO praias a não perder j A PARTIR DE MOLEDO avista-se a ilha da Ínsua, onde estão as ruínas do antigo forte e do convento e, em dias com boa visibilidade, o Monte de Santa Tecla, já do outro lado da fronteira 70 MADEIRA PRAIAS FLUVIAIS Banhos em pleno inverno Mergulhos em água doce PORTO SANTO LOUÇAINHA > A corrente do golfo é responsável pelas águas tépidas que caracterizam Porto Santo – deve ser – a única praia nacional em que é possível tomar banho no pico do inverno. À calidez do mar juntam-se as propriedades terapêuticas da areia, ideais para aliviar dores reumáticas. São nove quilómetros de areal suave e mar calmo, visitáveis em qualquer época do ano. Ideal para uma escapadinha de início de outono, quando a nortada já refresca as praias do continente. > No concelho de Penela, renovou este ano a Bandeira Azul. As represas naturais e a vegetação garantem-lhe frescura, mesmo no verão. Tem piscinas naturais, parque de merendas, restaurante panorâmico e fluvioteca. FRAGAS DE SÃO SIMÃO > Entre duas fragas fica a praia de São Simão, a 15 minutos a pé da aldeia com o mesmo nome, em Figueiró dos Vinhos. As pedras planas são ideais para estender a toalha e mergulhar para as águas da ribeira de Alge. Adequada a desportos radicais (Rappel, Slide e Escalada). AÇORES São Jorge FAJÃ DA CALDEIRA DE SANTO CRISTO ALGARVE Barlavento e sotavento PRAIA DA MARINHA FÁBRICA > Conhecida pelas suas belas falésias, a praia de Lagoa foi usada em campanhas de promoção de Portugal no estrangeiro. Popular entre os amantes de Snorkeling, foi considerada uma das 100 mais belas praias da Europa e, segundo o Guia Michelin, umas das 100 mais belas do mundo. > Agosto no Algarve é sinónimo de tranquilidade se estiver na praia da Fábrica, integrada no Parque Natural da Ria Formosa. Estacione em Cacela Velha, junto ao sítio da Fábrica, e tome um dos barcos de pescadores. MONTEPIO VERÃO 2012 > Na freguesia da Ribeira Seca fica situada a Fajã da Caldeira do Santo Cristo, tida como a mais bonita daquela ilha açoreana. Classificada como Reserva Natural e Sítio de Importância Internacional, a Fajã, nomeadamente a sua bonita lagoa, destacam-se pela biodiversidade. As águas da lagoa são calmas e tépidas mas o acesso à Fajã não é fácil. Muito procurada por amantes de Surf e Bodyboard. MALHADAL > No sopé da serra de Alvéolos, Proença-a-Nova, fica a praia do Malhadal, ideal para um fim-de-semana em família. Com apoios de praia e parque de estacionamento. ALAMAL > No rio Tejo, a praia do Alamal, no Gavião, é uma das praias fluviais que, em 2012, apresenta Bandeira Azul, boas infraestruturas, águas calmas e o galardão de “praia acessível”. Quem a visita não esquece a sua beleza. 4 a minha vida VELA Testemunho TALL SHIPS RACE LISBOA A TODO O PANO Márcio Figueiredo Diretor Coordenador da LusitaniaMar n EM J JULHO, veleiros de todo o mundo chegam a Lisboa. Os jovens podem integrar tripulações ao longo das várias etapas E COMO PORT-SPONSOR P OR POR SUSANA FOTOGRAFIA © THE TALL SHIPS RACE Depois da última passagem por Lisboa, em 2006, a regata Tall Ships regressa à capital portuguesa entre os dias 9 e 22 de julho. Vinda de Saint-Malô, na Bretanha, a prova segue depois para Cádiz, Corunha e Dublin, onde termina, entre 23 e 26 de agosto. Esta é uma regata criada em 1956 e, logo na primeira edição, Lisboa foi um dos portos de paragem. Atualmente as regatas Tall Ships são anuais e contam com organização da britânica Sail Training International, que pretende promover o treino de mar assim como a convivência intercultural de jovens de todo o mundo. Foi o caráter didático da iniciativa que levou a Lusitania a associar-se ao evento. A Tall Ships permite que os jovens se inscrevam para participarem nas etapas da regata como membros da tripulação. Ainda assim, e tendo em conta a experiência única que uma viagem como esta representa, a Lusitania dará oportunidade a dez jovens utentes de IPSS apoiadas pela Fundação Montepio de embarcar num veleiro da regata LUSITANIAMAR Pioneira no setor H á dois anos a Lusitania – –Companhia de Seguros decidiu criar uma unidade especializada em seguros e serviços dedicados ao mar – a LusitaniaMar. A partir de uma nova forma de ver o mar, a LusitaniaMar diferenciou-se no mercado e atingiu um nível de especialização na produção, assistência e apoio a todas as atividades marítimas que, sustentada em plataformas tecnológicas inovadoras – Transportes e Microsite -, lhe permitem assegurar elevada qualidade de serviço. Líder nos segmentos especializados em que atua, a LusitaniaMar ocupa, no ranking da atividade, um dos primeiros lugares no ramo Transportes, sendo reconhecida a nível nacional e internacional. “A regata Tall Ships é um evento muito abrangente e importante na área da ligação ao mar. As pessoas querem ter estes barcos na sua cidade e por isso o evento é sempre dividido pelos vários países. Como não é muito frequente ter oportunidade de visitar estes veleiros, é um evento que atrai. Dos pais às crianças e escolas, há sempre muita procura. Enquanto companhia de seguros, envolvemo-nos como port-sponsor do evento. Houve um grande envolvimento no projeto por parte da Companhia.” MONTEPIO VERÃO 2012 71 4 a minha vida ^ CIDADE À LUPA ^ 72 ^ CASTELO DOS GOVERNADORES Paralelo à Avenida dos Descobrimentos, o Castelo dos Governadores é uma das referências de Lagos. Diz a lenda que terá sido ali que D. Sebastião assistiu à missa que precedeu a sua partida para Alcácer Quibir. No jardim, um painel de João Cutileiro evoca a batalha. MONTEPIO VERÃO 2012 ^ MURALHAS DA CIDADE A cerca virada para o mar data da presença cartaginesa ou romana na cidade. As restantes muralhas que envolvem Lagos foram construídas entre 1520 e o final do século XVI, para proteger os novos bairros. Dali observam-se bons panoramas sobre Lagos, a baía e a serra de Monchique. ^ ^ ^ ...NOS ARREDORES FONTE COBERTA GRUTAS DA PONTA DA PIEDADE ^ ...SE QUISER FAZER PRAIA... MEIA PRAIA por mais de quatro quilómetros até à barreira arenosa da ria de Alvor. Entre as dunas baixas da praia e as colinas suaves, é um local propício para mergulhos descontraídos ou para a prática de desportos náuticos, como o Windsurff ou o Esqui Aquático. A S S ETA S IN S E RI DA S N O ARTIG O S ÃO ILUS T RATI VA S E T Ê M PO R O BJ ETIVO S US CITA R A CUR IO S I DA DE P OR LO CA IS A VIS ITAR O U D ES CO B RIR . MONTEPIO VERÃO 2012 73 4 a minha vida PASSEIOS COM HISTÓRIA QUINTA DA AVELEDA À DESCOBERTA DO VERDE VENHA CONHECER UMA QUINTA SECULAR QUE ALIA HISTÓRIA, TRADIÇÃO, INOVAÇÃO E SUCESSO. OS VISITANTES SÃO ATRAÍDOS PELOS VINHOS E JARDINS REFERENCIADOS NOS GUIAS TURÍSTICOS DE TODO O MUNDO POR RAQUEL ABRANTES AMARAL FOTOGRAFIA ARTUR 74 SAIBA MAIS QUINTA DA AVELEDA Rua da Aveleda, nº 2 4560-570 PENAFIEL PORTUGAL Tel. 255 718 200 Fax. 255 711 139 [email protected] MONTEPIO VERÃO 2012 1 Casa senhorial, recuperada no século XIX 2 Pormenor dos jardins 3 A janela manuelina onde D. João IV terá sido aclamado rei de Portugal 4 A produção de vinho é a principal atividade da Quinta 5 Espaço interior 1 Os jardins A Quinta da Aveleda cheira a verde e a natureza. Aqui não falta água e a qualidade do solo faz florir e crescer o jardim exuberante. As árvores frondosas criam túneis de verdura e frescura que convidam ao passeio e ao descanso. Por aqui a natureza é possante e viva e podemos ver árvores raras e centenárias, como os exemplares do cedro japonês, do cipreste dos pântanos e da sequóia americana. Foi intenção da família Guedes, proprietária da Aveleda há 13 gerações, criar um jardim diversificado e enriquecido com espécies de várias partes do mundo e são bem visíveis as influências das inúmeras viagens que a família fez ao longo dos anos. Os vários tipos de camélias, azálias, glicínias, rosas e begónias garantem um jardim florido o ano inteiro, onde é visível a mudança de estação e a passagem do tempo: a folhagem verde assume lentamente incontáveis tons de laranja e vermelho. Os 25 hectares de floresta, um jardim quase selvagem mas cuidado e ordenado e a forte ligação entre o vinho e arquitetura, parques e jardins, valeram à Quinta da Aveleda o prémio internacional Best of Wine Tourism 2011 na categoria de Arquitetura, Parques e Jardins. As follies Elogio à arte e ao simbolismo, as follies são estruturas puramente decorativas, sem qualquer função. 2 SAIBA MAIS Quinta premiada O 3 No grande lago podem apreciar-se três pequenas ilhas, cada uma com uma folly. A janela manuelina do século XVI onde, segundo a tradição, D. João IV terá sido aclamado rei de Portugal, foi mais tarde oferecida a Manuel Pedro Guedes da Silva da Fonseca, que a transportou para os jardins da Quinta da Aveleda. A segunda ilha tem uma pequena fonte no meio do lago e a terceira ilha está ocupada com a pequena e singular cabana de chá. As cobras, tartarugas, sapos e águias de louça, no teto, dão-lhe um toque de magia. Um local cheio de encanto, mistério e tranquilidade. A Torre das Cabras, uma das follies presentes nos rótulos dos vinhos, é uma ode à natureza. A torre saber da Aveleda tem conquistado vários prémios nacionais e internacionais. Saiba quais as distinções que mereceu em 2011: > Melhor Produtor de Vinhos Tranquilos > PME Excelência 2011 > Prémio Internacional Best of Wine Tourism 2011 na categoria Arquitetura, Parques e Jardins > International Winery of the Year > Medalha de Ouro no Concurso a Melhor Vinha da Região dos Vinhos Verdes 2011 4 75 5 Visitas a não perder QUINTA DA AVELEDA ^ QUANDO Dia 4 de agosto às 10h30 ^ PREÇO 5,5 € ^ INSCRIÇÕES [email protected] MONTEPIO VERÃO 2012 4 a minha vida PASSEIOS COM HISTÓRIA Quinta da Aveleda de três andares foi edificada para albergar cabras anãs, símbolo de fertilidade e abundância. Em frente à casa senhorial, restaurada e ampliada no final do século XIX, fica a Fonte das Quatro Irmãs, datada de 1920. Nela estão gravados os perfis de quatro irmãs Guedes, um por cada estação do ano. Em pleno jardim, a Fonte de Nossa Senhora da Vandoma, do século XIX, em granito, é dedicada à padroeira da cidade do Porto. Na parte inferior da fonte podemos ver uma figura pagã, uma alusão à sabedoria popular que afirma que seria esta a zona do santuário das sacerdotisas celtas que prediziam o futuro, as chamadas Veledas, e que terão dado o nome à Quinta. A produção de vinho A principal atividade da empresa é a produção de vinho. Os 160 hectares 1 2 4 3 1 2 As follies são espaços de fantasia 3 Interior de uma das ilhas 4 Todo o espaço é incluído na visita que termina com uma prova de vinhos de vinhas da Aveleda estão situados no centro da Região Demarcada dos Vinhos Verdes, de onde são provenientes as castas Loureiro, Fernão Pires, Alvarinho, Arinto e Trajadura utilizadas na produção dos vinhos da Aveleda. A família Guedes apostou desde sempre na inovação tecnológica aliando-a à sustentabilidade ambiental. A Quinta da Aveleda produz entre 15 a 20 milhões de garrafas de vinho por ano e exporta cerca de 60 por cento da sua produção. Emprega 180 funcionários e tornou-se uma das três maiores empresas vitivinícolas portuguesas. O passeio inclui a visita ao jardim, ao engarrafamento e uma prova de vinhos e queijos, também produção da quinta, na belíssima varanda por cima das vinhas. Um fim de dia perfeito. ATIVIDADES PARA ASSOCIADOS MONTEPIO julho/agosto/setembro 76 JULHO f VISITAS ā Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves ā Farol da Ponta da Ferraria ORIENTADAS LISBOA ā Farol da Ponta das Contendas Ilha Terceira (R A Açores) Dia 21, sáb, 10h00, gratuito Dia 15, dom, 10h00, 3€ ILHA S. MIGUEL (R A AÇORES) ā Farol da Ponta do Arnel Ilha S. Miguel (R A Açores) Dia 28, sáb, 10h00, gratuito ā Farol da Ponta da Ilha Ilha do Pico (R A Açores) Dia 29, dom, 10h00, gratuito f PASSEIOS COM HISTÓRIA ā Museu da Cidade LISBOA Dia 14, sáb, 10h00, gratuito ā Castelo, Museu Municipal de Arqueologia e Sé Catedral Silves Dia 21, sáb, 9h00, 7,5€ AGOSTO f ATIVIDADES DE AR LIVRE ā Coasteering, Enseada da Mula SESIMBRA Dia 18, sáb, 9h00, 24€ ā Canoagem DESCIDA DO RIO LIMA Dia 26, dom, 10h00, 20€ f VISITAS ORIENTADAS ā Quinta da Aveleda PENAFIEL Dia 4, sáb, 10h30, 5,50€ ā Passeio Pedonal Funchal Meu (R A Madeira) Dia 14, sáb, 10h00, 5€ Dia 18, sáb, 10h00, gratuito ā Museu da Carris ā Museu D. Diogo de Sousa Braga Dia 25, sáb, 15h00, 3€ Até 14 anos: gratuito; Maiores de 65 anos: 1,50€ LISBOA SETEMBRO Dia 22, qua, 10h30, 2€ f ATIVIDADES DE AR LIVRE f CURSOS ā Iniciação à Internet Seniores Porto Dias 2 e 3, qui, sex, 9h00, gratuito f PASSEIOS COM HISTÓRIA ā Palácio da Pena Sintra Dia 19, dom, 9h30, 21,50€ Menores de 18 anos: 19€; Maiores de 65 anos: 19€ ā Museu dos Biscainhos Braga Dia 25, sáb, 10h00, 2€ Maiores de 65 anos: 1€ ā Passeio de Canoa na Ria Formosa Faro Dia 9, dom, 9h30, 3€ Parque Natural do Vale do Guadiana Dia 1, sáb, 9h30, 13€ ā Passeio Pedestre com Interpretação Ambiental “Os Garranos da Serra de Arga” Viana do Castelo Dia 29, sáb, 10h00, 7€ f VISITAS ORIENTADAS ā Auto Europa PALMELA ā Canoagem "Arrábida Mar" Parque Natural da Arrábida Dia 30, dom, 9h30, 20€ Dia 13, qui, gratuito (duas visitas: 9h30/15h30) ā Passeio Pedestre "Rota do Pão" Serra da Lousã Dia 22, sáb, 8h45, 7€ (inclui merenda tradicional) Dia 16, dom, 10h00, gratuito ā Passeio de barco “Descida do Guadiana – Do Pomarão a Alcoutim” ā Farol da Ponta do Topo ILHA S. JORGE (R A AÇORES) ā Visita às Grutas de Mira de Aire Serra de Aire Dia 29, sáb, 15h00 Entre os 5 e os 11 anos: 3,20€; Maiores de 12 anos: 5,40€ f CURSOS ā Iniciação à Internet Seniores Braga Dias 27 e 28, qui e sex, 9h00, gratuito f PASSEIOS COM HISTÓRIA ā Passeio pedonal – Funchal Meu R A MADEIRA Dia 8, sáb, 10h00, 5€ ā Museu do Relógio Serpa Dia 9, dom, 14h30, 1,5€ ā Visita ao Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota Batalha Dia 30, dom, 10h00, 6€ f WORKSHOPS ā Diários Gráficos À vista Lisboa, Lisboa avista Lisboa Dias 1 e 2, sáb., dom., 10h00, Associados: 35€; Não Associados: 40€ SAIBA MAIS | www.montepio.pt | Informações e inscrições f Gabinete de Dinamização Associativa/[email protected]/ T. 213 249 230/1 MONTEPIO VERÃO 2012 4 a minha vida FICHAS CRIATIVAS EM FÉRIAS S O S DE IMAGINAÇÃO AIS S MPL LO RO O RÕE ES PAP PEL POR ANA FERREIRA 1 DECORAR Máscaras 78 Imprima a máscara que o Montepio fornece no seu sítio na Internet e recorte. Pode usar um vulgar furador de papel para fazer os buracos nos quais inserirá o elástico ou até o bico de um lápis. O ideal é motivar a decoração da máscara com canetas e lápis, mas também com outro tipo de materiais como conchas, folhas ou até papel de jornal. MÁSCARA COELHO No sítio www.montepio.org encontra a máscara para imprimir e recortar n Uma tesoura, um furador, lápis para colorir e um elástico são quanto basta para criar uma personagem n O papel de cenário permite criar mbientes propriados cada rincadeira 3 ESTAMPAR 2 T-shirts PINTAR Teatro Compre um rolo de papel de cenário (que lhe vai dar para muitos, muitos meses) e não se espante se alguém gritar “Ação!” Vista a cada criança uma t-shirt velha ou um bibe e distribua pincéis. Caso tenha terraço pode colocar o papel na rua. Se as artes tiverem que ser desenvolvidas dentro de casa, nada como colocar o papel no chão. Antes de começarem a pintar, fixe o papel com fita-cola. Se quiser pode construir um cenário de- senhando-o primeiro e deixando as crianças pintarem. Também pode sugerir temas mais generalistas, como o céu ou a floresta, e ver o que acontece. Depois de pintado, o papel pode ser usado como cenário, como capa de um livro (cortando-o à medida), como um marcador de leitura, uma base de copo (terá de plastificar) ou ainda um porta-chaves (basta plastificar e, com um furador, fazer um buraco para passar um cordel ou fio de sisal). Lembra-se de como se fazem carimbos com batatas? Vai precisar de uma batata para dois carimbos. Corte-a ao meio e desenhe na batata o que quiser, com uma caneta de acetato ou um lápis. Contorne o desenho à volta com uma faca, a cerca de 1 cm de profundidade. Use tinta de tecido e ensope o carimbo. Com a t-shirt esticada e um cartão no meio da mesma, deixe as crianças carimbarem. Pode comprar as ferramentas numa loja de artes. n UTILIZE TINTA T de tecido e tenha atenção para escolher uma cor que se destaque na t-shirt Jardinar e reciclar 4 Terrariums Não há nada que uma criança mais adore do que mexer em terra (e regar, claro!) no fundo, tudo o que lhe permita sujar-se um bocadinho. Numa jarra ou pote de vidro transparente com “boca” larga, insira dois centímetros de carvão vegetal, de seguida areia de construção e terra até 1/3 da altura do pote. Com a ajuda do cabo de uma colher faça pequenas covas e plante o seu jardim. Carregue com a mão para eliminar bolsas de ar. Molhe as plantas com um borrifador e tape. O ideal é que o pote receba luz do sol, mas indirecta. Pode sempre animar o jardim com uns dinossauros em plástico ou até com leões e chimpanzés. 5 Latas recicladas Em vez de colocar as latas de salsichas, milho ou qualquer outro enlatado na reciclagem, dê-lhes nova vida. Depois de limpas e de lhes ter tirado o rótulo, prepare-se para as decorar. Com a ajuda de uma fita métrica ou de uma régua, meça o comprimento e a largura e recorte um molde à medida. Revistas velhas, tecidos antigos, fita-cola de cores ou até um papel pintado são fantásticos. Depois de decorada é só encher com terra e plantar! Uma ideia engraçada é fazer um minijardim aromático que depois pode servir para descobrir cheiros e sabores. n TENHA A ENÇÃO AT às arestas da abertura da lata e certifique-se de que não existe perigo para a criança mexer MONTEPIO VERÃO 2012 79 4 a minha vida CHAPÉU (PASSO A PASSO) FICHAS CRIATIVAS S O S de imaginação 1. Pequenos tesouros MATERIAIS ESSENCIAIS f Cola de tubo e de batom (a de batom é a ideal para crianças mais pequenas) f Tesoura f Furador f Lápis de cor, de cera e canetas de feltro f Papel manteiga f Guaches 2. 6 DECORAR 3. Chapéu invulgar Siga as instruções e faça um chapéu de papel. O ideal é utilizar papel manteiga (um dos papéis mais económicos) ou papel cavalinho. Decore sem limites, pintando e colando flores, pássaros, folhas de papel de jornal e muito mais. Pode ter alguns chapéus já feitos, o que é mais fácil quando precisar de entreter uma criança. 4. f Fio de sisal MATERIAIS QUE DÃO SEMPRE JEITO 7 f Carimbos f Ferramentas de esculpir f Tintas de tecido 80 MATERIAIS A GUARDAR f Revistas e jornais (antes de deitar fora, pode recortar as imagens que lhe interessam mais e guardar tudo numa caixa) f Papel de embrulho e de seda f Folhas para secar f Rolhas de cortiça f Pedacinhos de tecido f Fitas e cordel (não se esqueça de aproveitar as alças dos sacos ou o cordel das caixas dos bolos) Saiba mais em www.montepio.org MONTEPIO VERÃO 2012 5. PINTAR Pisa-papéis n Pedras e imaginação dão origem a material escolar Peixes, tartarugas, joaninhas e animais desconhecidos estão presentes no imaginário infantil. Usando pedras como base (que pode apanhar na praia ou em qualquer praia fluvial) é deixar a criatividade à solta com pincéis e guaches. Antes da atividade é sempre interessante folhear revistas com animais, oferecendo algumas ideias para a pintura. 5 dicas para desenvolver a imaginação 1 Defina uma caixa para arrumar todos os materiais. Cada vez que iniciar uma atividade, saberá sempre onde está tudo e não precisará de desarrumar a casa. O ideal é também ter um estojo com o material de pintura (lápis, tintas, borrachas). 2 Destine uma t-shirt velha ou um bibe para estas atividades. 3 Faça também. Qualquer criança adora ter companhia, por isso mostre interesse na atividade que está a desenvolver. 4 Não diga que não. Deixe as crianças desenvolverem o seu próprio raciocínio. Se quiserem pintar o céu de verde ou um gato de azul, está óptimo. 5 A criatividade não se ensina mas pode ser estimulada com um pouco de ajuda, paciência e materiais certos. 6. IGAMI DOBRAGENS EM PAPEL Escreva para revistamontepio@ montepio.pt se deseja que lhe forneçamos as instruções para fazer um barco, um “quantos queres” ou uma “bombinha” de papel. 8 COLAR n Com a Uma caixa especial Com uma caixa de sapatos, recortes de revistas, mapas antigos e alguns livros de banda desenhada velhos, a diversão está prestes a começar. A primeira tarefa é recortar. Para os mais pequenos uma tesoura de pontas redondas é o melhor. aplicação de uma ferragem os peixes estão prontos A segunda tarefa é colar todos os recortes na caixa, não deixando espaço em branco. Se quiser acelerar o processo, o ideal é colocar um papel como fundo (o papel kraft funciona sempre bem). Não se esqueça de plastificar a caixa. 9 PINTAR Peixes na parede n B sonho g peças d ou a da b pr É um carapau ou uma sardinha? Da próxima vez que for à praia, apanhar sol ou passear, entretenha as crianças com a tarefa de apanharem alguns pauzinhos, de preferência aqueles que já sofreram a erosão do mar e do sol. Quando chegarem a casa é só limpá-los com um pincel e pôr mãos à obra. Coloque à disposição das crianças não só os tons azuis associados aos peixes, mas também cores mais inusitadas como os laranjas, rosas e amarelos. 4 a minha vida CRÓNICA BAPTISTA-BASTOS SUITE DO GATO AO SOL Nos dias de sol gostava muito de se sentar naquele banco do jardim, mesmo ao lado de um ulmeiro. Lia pausadamente o jornal e observava, com discrição, o caminhar das raparigas. Estava naquela idade em que estas coisas do olhar têm de ser cuidadosas e reservadas. Quando algum amigo chamava a atenção para o facto, dizia, entre o malicioso e o desolado: “A afición nunca se perde.” O jardim formava um ligeiro declive e, à direita, um renque de flores silvestres parecia proteger as pessoas. No declive havia dois canteiros: um com cactos; outro com sardinheiras. O sol aquecia o homem e confortava-o. Além disso, no sítio onde ele se sentava, a mulher conseguia vê-lo, da janela do prédio onde viviam. Às vezes, acenava-lhe e ele ficava muito feliz. 82 Tudo ficava perto de tudo: a padaria do talho, o talho em frente do café; e, recentemente, mesmo ao lado da oficina de canalizador, um alfarrabista que alugava livros. Costumava levar volumes de História e trocar umas palavras com o alfarrabista. O alfarrabista não ocultava a indignação que lhe causava o Governo: era assim com todos os Governos. “Isto só dá para os ricos. O pobre só vai para a frente quando tropeça”, dizia. Adormeceu ligeiramente. Quando acordou, o gato estava a seus pés e observava-o com infinita curiosidade. Um gato ainda novo, cinzento-claro, olhos muito azuis. Ergueu uma das patas dianteiras, como se quisesse dizer algo ao homem. “Que raio quer este gato?” E ei-lo a saltar para o banco e a encostar-se à perna do homem. O gato estava muito contente e o homem muito perplexo. Quando se ergueu, o gato permaneceu no banco e ficou a olhá-lo. Depois, rápido, saltou e acompanhou-o, à distância, até o homem entrar na escada do prédio onde vivia. “Aquele gato parece gostar muito de ti”, disse-lhe a mulher, que assistira à cena, da janela. “É um gato estranho. Que raio quererá de mim?” E a mulher: “Apenas um pouco de amizade, talvez.” “Talvez.” “Mas não te atrevas a trazê-lo cá para casa.” O homem continuou a ir ao jardim e a sentar-se no mesmo banco. O gato não tardou a aparecer. MONTEPIO VERÃO 2012 Surgia do declive e, lento mas persistente, aproximava-se, saltava e encostava-se ao homem. Por vezes cerrava os olhos e ronronava mansamente. “Mas que raio de gato”, afagou-o na cabeça e o gato pareceu agradecer-lhe, inclinando-se na perna do homem. Havia mais três bancos no jardim e, por sinal, mais bem colocados para receber o sol; porém, o gato só queria aquele onde o homem se sentava. E todos os dias a mesma coisa. O homem até deixara de ler o jornal, só para aguardar o gato. E, sempre à mesma hora, o gato subia o declive, agora miava um pouco, acaso para chamar a atenção do homem, saltava e aninhava-se junto do amigo que, então, começava a leitura do jornal. Dias e dias repetidos. Certa tarde, o gato não apareceu. O homem esperou-o, impaciente e preocupado. Decidiu procurá-lo pelas redondezas. Nada. Revelou à mulher que o desaparecimento do gato o desassossegava seriamente. Passaram três dias. Até que o gato surgiu, vindo do outro lado do jardim. Estava ferido, o pêlo hirsuto e molhado e um dos olhos apresentava uma ferida, como se uma pedrada o houvesse atingido. Sentou-o no seu colo e acariciou-o, pesaroso, sem saber o que fazer. A mulher, da janela, vigiava todos os seus gestos. Com o indicador da direita avisou-o de que não queria o gato em casa. O gato que fosse à sua vida e deixasse em paz a vida dos outros. Aguardou uns instantes. A mulher era uma mulher autoritária e mal-humorada. Acedera sempre aos seus caprichos e imposições. A mulher, da janela, abanou com a cabeça, quando o viu pegar no gato e encaminhar-se para o prédio. “O gato é meu!”, gritou o homem, e entrou. NOTA: O autor é totalmente contrário ao assim denominado Novo Acordo Ortográfico, pelo que continua a escrever segundo a chamada norma antiga. FOTOGRAFIA GETTY O MEUMONTEPIO NOTÍCIAS INSTITUCIONAIS, INICIATIVAS, PROJETOS E COMUNICADOS página 84 página 86 página 88 página 90 FROTA SOLIDÁRIA AÇÃO SOCIAL FOTOGRAFIA A Associação Crescer Bem presta apoio domiciliário a famílias carenciadas assistidas no Hospital D. Estefânia e conta com o apoio do Montepio Solidariedade entre gerações foi o tema que inspirou a última edição dos concursos de Ensaio e Fotografia BENEFÍCIOS ASSOCIADOS A Fundação Montepio ofereceu 20 novas viaturas a 20 instituições de solidariedade social Fique a par dos novos acordos para associados do Montepio 5 o meu montepio RESPONSABILIDADE SOCIAL FROTA SOLIDÁRIA MAIS VINTE VIATURAS ENTREGUES NO PORTO O PORTO ACOLHEU, NO PASSADO MÊS DE MAIO, A CERIMÓNIA DE ENTREGA DA "FROTA SOLIDÁRIA", QUE BENEFICIOU 20 INSTITUIÇÕES DE SOLIDARIEDADE SOCIAL POR JOÃO MANUEL RIBEIRO 84 No âmbito do projeto “Frota Solidária”, da Fundação Montepio, foram entregues mais vinte viaturas, em maio, a instituições de solidariedade social, desta vez na Câmara Municipal do Porto. Rui Rio, presidente da autarquia portuense, abriu a cerimónia aludindo aos erros feitos no País no passado recente e que levaram “a uma situação excecional a exigir medidas excecionais”. Neste sentido, o edil elogiou a iniciativa da Fundação Montepio, agradecendo a “prática de solidariedade real”, bem como a escolha da cidade Invicta para esta cerimónia. “Não basta solidariedade tradicional, é preciso quebrar tabus para minorar o sofrimento destas pessoas, que vai bem para além do tolerável”, acrescentou. Em resposta, António Tomás Correia, presidente do Montepio, justifi- MONTEPIO VERÃO 2012 1 cou a escolha do Porto pela necessidade de uma cidade grande e central para albergar esta cerimónia, o que, aliado ao trabalho social desenvolvido por Rui Rio, tornou a escolha óbvia. O responsável agradeceu ainda a forma como a autarquia acedeu de imediato à iniciativa. Tomás Correia recordou a responsabilidade social do Grupo Montepio: “Somos uma instituição de dimensão humana. No campo da responsabilidade social procuramos a capacitação das organizações e das pessoas”, sublinhou, concluindo que “a crise está a levar-nos a preocuparmo-nos ainda mais com as instituições de solidariedade social”. E a verdade é que cada vez mais pessoas procuram e necessitam do apoio destas instituições para resolver os problemas crescentes no seio da sociedade portuguesa, o que levou o presidente do Montepio a concluir que “se não fossem estas instituições, a situação era ainda mais difícil”. A terminar, mostrou-se apreensivo com o facto de o peso social das instituições em Portugal ser ainda diminuto em comparação com os nossos congéneres europeus. No encerramento da cerimónia foram entregues, pelos presidentes da Câmara Municipal do Porto e do Montepio, placas alusivas à iniciati- 2 va a cada um dos representantes das vinte instituições sociais contempladas. No exterior, onde as viaturas se perfilavam frente ao edifício da autarquia, uma a uma, as respetivas chaves foram entregues aos seus proprietários. A “Frota Solidária”, projeto criado em 2008, tem como objetivo devolver à sociedade civil o valor atribuído à Fundação Montepio pelos contribuintes aquando da entrega da sua declaração de IRS. Importantes são também os parcerios para o desenvolvimento deste projeto, como é o caso da Ford Daro, da Auto Ribeiro e da Lusitânia – Companhia de Seguros. TESTEMUNHOS Palavra às instituições 3 5 4 1 As 20 viaturas parqueadas frente à Câmara Municipal 2 O projeto beneficiou 20 instituições sociais 3 4 Os presidentes da Câmara Municipal e do Montepio entregaram, uma a uma, as chaves das viaturas 5 Tomás Correia agradeceu o trabalho desenvolvido pelas IPSS 5ª EDIÇÃO 20 instituições apoiadas ^ Associação de Solidariedade Social, Cultural e Recreativa Coutoense (Viseu) ^ Associação para Apoio à Criança com Necessidades Educativas Especiais do Concelho de Velas (S. Jorge – Açores) ^ Associação de Serviço de Apoio Social (Lisboa) ^ Associação de Solidariedade Montejunto (Cadaval) ^ CASA – Centro de Apoio aos Sem Abrigo, delegação de Azeitão (Setúbal) ^ Centro Social, Cultural e Recreativo Bairro da Esperança (Beja) ^ Centro Social Paroquial de S. Bento e S. Francisco (Bragança) ^ Centro Social Paroquial Maris Stella da Guia (Pombal) ^ Centro Social Paroquial Padre Ricardo Gameiro (Almada) ^ Centro Social e Paroquial de São Vicente de Paulo (Lisboa) ^ CERCIG – Cooperativa de Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados (Guarda) ^ Domus Fraternitas – Fundação de Solidariedade Social (Braga) ^ Instituto Maria da Paz Varzim (Póvoa de Varzim) ^ Instituição de Solidariedade Social da Serra do Caldeirão (Loulé) ^ Lar Santa Ana (Lisboa) ^ Santa Casa da Misericórdia de Guimarães ^ Santa Casa da Misericórdia de Monção ^ Santa Casa da Misericórdia de Castelo Branco ^ Ser Alternativa – Associação de Apoio Social (Sintra) ^ Sorriso – Associação dos Amigos do Ninho dos Pequenitos (Coimbra) “A nossa instituição dá apoio a todos os níveis etários da população. Temos apoio domiciliário, centro de dia e lar de idosos, servimos cerca de 1 200 refeições por dia e apoiamos 700 utentes através de 160 funcionários. As carrinhas que temos não permitem o transporte de idosos com deficiência motora, o que nos obrigava a alugar ambulâncias. Agora já possuímos meios para isso.” Francisco Crespo, Presidente do Centro Social e Paroquial de São Vicente de Paulo “Temos uma carrinha antiga que já tinha dificuldades em passar na inspeção. Este apoio da Fundação Montepio permite-nos dar qualidade e dignidade, a nível de transporte, às cerca de 65 crianças que apoiamos e aos 300 menores do projeto ‘Risco’.” Odete Costa, Presidente da Direcção do Instituto Maria da Paz Varzim “Esta viatura tem grande importância para nós, pois as carrinhas com que operamos já estão completamente obsoletas e a assistência técnica já era incomportável. Esta instituição está situada numa zona muito deprimida da cidade de Beja, contando com uma população muito carenciada. A carrinha vem dar-nos um grande apoio.” José Baguinho, Presidente do Centro Social, Cultural e Recreativo Bairro da Esperança “É um grande apoio para quem, como nós, lida com pessoas com deficiências motoras. Vai beneficiar muito a vida dos 40 utentes em apoio domiciliário, bem como dos 30 do centro de dia. Vai ser usada diariamente das 7h da manhã às 10h da noite.” António Nogueira, Presidente do Centro Social Paroquial Maris Stella da Guia MONTEPIO VERÃO 2012 85 5 o meu montepio PARCERIA AÇÃO SOCIAL APOSTAR EM CRESCER BEM A ASSOCIAÇÃO CRESCER BEM EXISTE DESDE JULHO DE 2011, NO HOSPITAL D. ESTEFÂNIA, EM LISBOA. O OBJETIVO É AJUDAR FAMÍLIAS CARENCIADAS ATRAVÉS DE APOIO DOMICILIÁRIO POR SUSANA TORRÃO FOTOGRAFIA ARTUR 86 Isabel dos Santos já era voluntária quando, numa visita ao Hospital D. Estefânia, a assistente social do Hospital a desafiou a criar ali uma associação semelhante àquela com a qual colaborava noutra unidade e que também apostava no apoio domiciliário. Isabel aceitou sem pestanejar. Em pouco tempo nascia a Crescer Bem. Em julho de 2011 foi assinada a escritura e em dezembro a Associação já tinha o estatuto de IPSS. A Crescer Bem presta apoio domiciliário a famílias carenciadas, atuando quer ao nível da distribuição de bens – roupa, alimentos e produtos de higiene – quer ao nível da própria organização da casa e da resolução de problemas burocráticos. “No caso de famílias estrangeiras, por vezes deixam caducar a autorização de residência e têm receio de ir ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. Sem papéis acabam por não tratar da Segurança Social, do Cartão de Saúde, das vacinas dos filhos ou da inscrição das crianças na escola”, conta Isabel dos Santos. Outras vezes é a barreira da língua e a falta de conhecimento do meio que impede as famílias de atuar. “São famílias de tal forma carenciadas que aplicam toda a sua energia na sobrevi- APOSTA NA ESCOLARIZAÇÃO Filhos como educadores P ara a Crescer Bem é fundamental que as crianças das famílias apoiadas frequentem a escola. É através dos filhos que, por vezes, começa a reestruturação de uma família. São os mais novos que alertam para a necessidade de um espaço organizado para estudar, de uma casa limpa ou de cuidados de saúde. De momento a Associação apoia 12 crianças, num total de oito famílias. MONTEPIO VERÃO 2012 “São famílias de tal forma carenciadas que aplicam toda a sua energia na sobrevivência...” Isabel Soares dos Santos Associação Crescer Bem vência. Uma mãe que vive nos Anjos e não é de cá não sabe qual o agrupamento em que deve matricular os filhos na escola”, afirma Isabel. São os serviços sociais do Hospital D. Estefânia que fazem a sinalização das famílias, ao nível da consulta, internamento e urgência, sendo depois assinado um formulário de consentimento. “Nem sempre as pessoas aceitam. Afinal estamos a entrar na sua intimidade, a mudar os ritmos, a alterar a dinâmica familiar”, assume a voluntária. Graças a uma doação de produtos de limpeza é feita uma limpeza da casa. Na primeira visita, uma voluntária faz sopa com a mãe e ensina-a a congelar os alimentos para ter sempre comida pronta. As famílias também têm que responder ao investimento que é feito. Quando são visitadas, a casa deve estar limpa e arrumada e as crianças com o banho tomado. Aproveite o melhor das suas férias Lazer As parcerias recentemente firmadas pelo Montepio garantem aos associados vantagens em vários equipamentos culturais e de lazer um pouco por todo o País. A não perder Polvomania É também feita uma aposta na organização do espaço. Por vezes, estas famílias – portuguesas, mas também vindas de pontos tão distantes como a Roménia ou a Guiné – não têm mobiliário, armazenando os seus haveres em sacos de plástico. A Associação tenta encontrar soluções para que os haveres das famílias fiquem arrumados. “Insistimos também para que as crianças não durmam com os pais. Nem que seja num sofá-cambalhota, para que cada um tenha o seu espaço de repouso. No caso em que a família habita num só quarto, promovemos soluções através de beliches”, conta Isabel Soares dos Santos. A Crescer Bem garante apoio na procura de emprego ou na resolução de problemas como os de uma mãe moçambicana, licenciada em Gestão mas a trabalhar em Portugal numa empresa de limpezas, despedida assim que anunciou que estava grávida. Nestes casos, a Associação tenta agir de forma a que sejam respeitados os direitos do trabalhador. As 23 voluntárias da Crescer Bem não fazem apenas apoio domiciliário às famílias. No hospital faz-se a triagem da roupa e dos bens doados, que são devidamente organizados em dois armazéns. Roupa e calçado, depois de escolhidos, são lavados e recuperados pelas voluntárias nas suas casas. Juntam-se ainda os enxovais para bebé, dados a cada recém-nascido das famílias apoiadas, feitos por uma voluntária. À boa vontade individual junta-se a ação social de algumas empresas, entre as quais o Montepio. No Dia Mundial da Criança a Associação realizou várias ações, que também contaram com o apoio do Montepio, destinadas a divulgar e a recolher fundos a favor da Crescer Bem. Afinal, uma quota anual de 60 euros pode garantir o leite de uma criança. O Sea Life do Porto tem patente, até ao final do ano, a exposição Polvomania, que dá a conhecer um dos mais inteligentes seres marinhos que habita o planeta. Capaz de tarefas complexas, como distinguir padrões e formas ou desarrolhar frascos, o polvo está adaptado para viver em todos os oceanos, existindo atualmente cerca de 300 espécies conhecidas. Além desta exposição, o Sea Life tem nos seus 2 200 metros quadrados de área e 31 aquários cerca de 100 espécies marinhas de água doce que vale a pena ficar a conhecer neste verão. Os associados do Montepio beneficiam de um desconto de 30% nos bilhetes individuais (adulto e criança) adquiridos no Sea Life Porto Tardes de cinema U ma ida ao cinema numa tarde ou noite de verão é sempre uma boa aposta. Assim, é bom saber que os associados do Montepio têm direito a um preço especial na aquisição de bilhetes nos Cinemas City. Benefícios para associados Montepio f BADOCA SAFARI PARK Visite o Alentejo, desfrute de um dia em plena natureza, observe animais, integre um safari aventura e viva experiências únicas. Desconto de 10% nos ingressos. f FLUVIÁRIO DE MORA Aquele que é o primeiro grande aquário de água doce da Europa recria o habitat de um típico rio ibérico e dá a conhecer as espécies de água doce que habitam o nosso País. Desconto de 15% sobre o preço de entrada. f COOLPARK LEIRIA Depois da reabertura, em 2011, este parque de lazer está cada vez mais divertido. Quer se trate de uma festa de aniversário ou de um evento organizado por escolas ou empresas, os campos de jogos e as piscinas do Coolpark prometem sempre animação Desconto de 10%. Saiba mais em www.montepio.org Centro Cultural de Belém Os associados do Montepio têm direito a 20% de desconto na aquisição do cartão Amigo do CCB, a que acresce uma redução de 10% caso a adesão seja feita por débito direto em conta. CARTÃO AMIGO DO CCB A adesão ao cartão garante-lhe acesso privilegiado ao Centro Cultural de Belém e descontos de 20% a 30% no preço dos bilhetes de todos os espetáculos produzidos pelo CCB. MONTEPIO VERÃO 2012 87 5 o meu montepio SOLIDARIEDADE CONCURSOS ENCONTRO DE GERAÇÕES A 26 DE ABRIL, O MONTEPIO DISTINGUIU OS PREMIADOS DESTE ANO NO CONCURSO DE FOTOGRAFIA E ENSAIO. DEDICADOS AO TEMA “SOLIDARIEDADE ENTRE GERAÇÕES”, OS PRÉMIOS PROMOVERAM A REFLEXÃO SOBRE UM TEMA ATUAL 1 1 Os premiados receberam diplomas que destacaram a qualidade dos trabalhos 2 3 Os associados premiados POR SUSANA TORRÃO 88 “O tema da solidariedade entre gerações é de grande atualidade e há muita dificuldade na sua concretização.” Foi este o alerta lançado por António Tomás Correia na cerimónia de entrega da segunda edição dos prémios de Fotografia e Ensaio, realizada a 26 de abril, em Lisboa. A edição deste ano, que recebeu a concurso 81 fotografias e 32 ensaios, teve como tema “Solidariedade entre Gerações”, uma vez que 2011 foi assinalado como o Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e Solidariedade entre Gerações. Ao escolher este tema, o Montepio pretendeu não só estimular a criatividade dos associados como promover a reflexão sobre temas que são importantes tanto para a Associação como para a sociedade em geral. “Com o trabalho de solidariedade social damos um exemplo para que haja um trabalho efetivo contra a exclusão e um apoio aos que estão mais isolados, são mais velhos ou são portadores de deficiência”, afirmou An- MONTEPIO VERÃO 2012 FOTOGRAFIA 2011 Solidariedade entre Gerações 4 tónio Tomás Correia, que lembrou a existência de um cada vez maior número de idosos isolados, com dificuldades de locomoção ou abandonados em hospitais. Na cerimónia destacou-se a qualidade dos trabalhos com que os associados que participaram no concurso brindaram esta edição. O júri decidiu atribuir este ano três prémios na área da Fotografia e seis no Ensaio. Ainda para este ano, e prova de que o concurso não é uma iniciativa isolada, está prevista a realização de uma exposição itinerante com as fotografias apresentadas a concurso e um colóquio subordinado ao tema que inspirou a iniciativa. 1º Lugar ^ Susana Duarte Pereira de Jesus (Lisboa) 2º Lugar (ex aequo) ^ Alexandre Miguel Barros dos Santos (Lisboa) ^ Teresa Raquel do Carmo de Almeida Ramos (Carcavelos) ENSAIO 2011 1º Lugar ^ Carlos Manuel Meneses Moreira (Maia) 2º Lugar ^ Patrícia Alexandra Luciano da Costa Dias (Amadora) 3º Lugar ^ Manuel Fernando Machado de Sousa (Maia) 4º Lugar ^ Helena Dulce Mateus M. da Silva Nogueira (Santarém) 5º Lugar (ex aequo) ^Zélia Patrícia da Piedade Ferreira (Santarém) ^ Elina Maria Gillot Mendes de Carvalho (Caxias) 5 o meu montepio BREVES concurso de ensaio concur CONCURSOS 2012 so de ENSAIO E FOTOGRAFIA fotogr afia Regulamento dos Concursos Faça o download em www.montepio.org A saber é gratuita ”; VIDA DA A” Partindo do mundo para Portugal, este ano os temas dos Concursos Montepio pretendem incentivar a participação cívica e a criatividade através da reflexão e exposição escrita em torno das questões da cidadania e das desigualdades sociais, bem como através da captação de imagens sobre a água nos seus mais diversos estados e contextos. Abertos exclusivamente aos associados efetivos do Montepio, a escolha do tema de “Cidadania e Desigualdades Sociais” para o Concurso de Ensaio e “Água é Vida” para o Concurso de Fotografia resulta da sua importância e atualidade, bem como do potencial de expressão escrita ou visual. Além disso, os temas escolhidos fazem parte das agendas internacionais para o ano de 2013 – o próximo ano foi designado pela União Europeia “Ano Europeu dos Cidadãos” e pela Organização das Nações Unidas “Ano Internacional da Cooperação pela Água”. ^ Os concursos iniciam-se a 15 de julho de 2012, podendo as candidaturas ser enviadas até 31 de outubro de 2012 ^ A candidatura deve ser acompanhada pela respetiva ficha de inscrição, devidamente preenchida e assinada PRÉMIOS Em cada Concurso, por decisão do respetivo júri, serão atribuídos prémios aos trabalhos melhor classificados 1º Lugar - 2 000 € 2º Lugar - 1 500 € 3º Lugar - 1 000 € 4º Lugar - 750 € 5º Lugar - 500 € As três edições destes concursos contaram com a participação de 350 associados. Para saber mais sobre esta iniciativa: Gabinete de Dinamização Associativa Tel. 213 249 234/8 | [email protected] Revisitar a História A certo de Contas, da autoria do ex-jornalista e consultor de comunicação António de Sousa Duarte, Associado do Montepio, é uma oportunidade para conhecer melhor histórias de figuras marcantes da História recente portuguesa. Ao longo do seu percurso profissional – que incluiu a redação da Agência Lusa ao serviço da qual cobriu o conflito na antiga Jugoslávia – António de Sousa Duarte cruzou-se com nomes tão diversos como Álvaro Cunhal, Costa Gomes, Artur Jorge, D. Manuel Martins ou Paulo Teixeira Pinto. Os relatos que inclui em Acerto de Contas permitem ter uma nova visão sobre os protagonistas mas também sobre a própria história nacional. Autor António de Sousa Duarte Editora Âncora Editora Microcrédito Um projeto muito saudável A loja Joana Dietetic's é um projeto apoiado pelo Montepio através do Microcrédito. Assume-se como uma loja dietética com produtos sem glúten, sem açúcar e ainda complementos alimentares. Dispõe, ainda, de serviços de massagem (relaxante, anticelulite e para grávidas), estética e consultas de nutrição. Siga este projecto em http://vidasaudavelsg.blogspot.pt/ MONTEPIO VERÃO 2012 89 5 o meu montepio ESTA INFORMAÇÃO não dispensa a leitura das condições BENEFÍCIOS E DESCONTOS PARA ASSOCIADOS gerais de acesso e utilização destes benefícios, bem como das condições gerais e/ou particulares em vigor, definidas pelas instituições mencionadas para efeitos da comercialização dos seus produtos e/ou disponibilização dos seus serviços. Mais informação: www.montepio.org Novos acordos celebrados AUTOMÓVEL / MOTO Distrito de Lisboa EXPOPNEU – COMÉRCIO E SERVIÇO DE PNEUS LISBOA BEM-ESTAR Distrito de Portalegre SOL & CORPORE PORTALEGRE FORMAÇÃO ESCOLAS / CENTROS DE ESTUDO Distrito de Aveiro COBERTURA NACIONAL WALL STREET INSTITUTE Distrito de Lisboa COLÉGIO O PARQUE LISBOA ÓTICAS Distrito de Lisboa / Porto Distrito de Lisboa CENTRO DE ESTÉTICA DR. FERNANDO PÓVOAS LISBOA / PORTO ÓPTICA SANTANA TORRES VEDRAS CONSUMO ŎĔŎ OPTICLINIC SINTRA Distrito de Portalegre Distrito de Lisboa ALEXANDRES LISBOA OURIVESARIA SANTANA TORRES VEDRAS Distrito de Portalegre ELOI SANTOS - OURIVESARIA PORTALEGRE CULTURA E LAZER ESPETÁCULOS 90 Distrito de Lisboa CCB – CENTRO CULTURAL DE BELÉM LISBOA CINEMAS CITY LEIRIA / LISBOA CULTURA E LAZER PARQUES TEMÁTICOS Distrito de Évora FLUVIÁRIO DE MORA MORA Distrito do Porto SEA LIFE PORTO Distrito de Setúbal BADOCA SAFARI PARK SANTIAGO DO CACÉM MONTEPIO VERÃO 2012 SAÚDE wĔŎ ÓPTICA REIS II PORTALEGRE – PONTE DE SOR – ESTREMOZ (Évora) Distrito do Porto ESBOÇO D’OLHARES MAIA SAÚDE ŎŎŎĔŎ COBERTURA NACIONAL GERMANO DE SOUSA – CENTRO DE MEDICINA LABORATORIAL SAÚDE CENTRO DE ENFERMAGEM / REABILITAÇÃO FÍSICA Distrito de Coimbra CENTRO DE REABILITAÇÃO DE COIMBRA COIMBRA ECOMÉDICA – CENTRO MÉDICO DE DIAGNÓSTICO COIMBRA Distrito de Faro MAIS SAÚDE – CUIDADOS DE SAÚDE NO DOMICÍLIO Distrito de Lisboa CMR – CENTRO DE MEDICINA FÍSICA E DE REABILITAÇÃO CACÉM - SINTRA FISIOVAR – CLÍNICA MÉDICO – CIRÚRGICA DE OVAR OVAR TURISMO RESTAURAÇÃO Distrito de Portalegre RESTAURANTE CAVALINHO PORTALEGRE TURISMO UNIDADES HOTELEIRAS Distrito de Braga CLÍNICA DE MEDICINA DENTÁRIA DO CASTELO BRAGA CLÍNICA PRIVADA DE GUIMARÃES GUIMARÃES Distrito de Lisboa BIUTI ALVALADE – CLÍNICA MÉDICA E DENTÁRIA LISBOA CLÍNICA DR. FERNANDO PÓVOAS LISBOA COBERTURA NACIONAL TIVOLI HOTELS & RESORTS VILA GALÉ - HOTÉIS Distrito de Aveiro VALE DO RIO – HOTEL RURAL OLIVEIRA DE AZEMÉIS Distrito de Faro HOTEL SANTA CATARINA - ALGARVE PORTIMÃO Distrito da Guarda CLÍNICA DENTÁRIA DINIZ SALGUEIRO LISBOA Distrito do Porto ORAL CONCEPT MATOSINHOS CLÍNICA DR. FERNANDO PÓVOAS PORTO CMR – CLÍNICA MÉDICA DE CUIDADOS REGULARES VILA NOVA DE GAIA DENTAL CLINIC VILAR GAIA VILA NOVA DE GAIA Distrito de Setúbal CLÍNICA DA DIABETES BARREIRO Distrito de Vila Real CLÍNICA DICORPUS VILA REAL Região Autónoma dos Açores DRA. SOFIA MOTTA – CENTRO MÉDICO DO ALJUBE PONTA DELGADA ALBERGARIA SRA. DO ESPINHEIRO SEIA HOTEL QUINTA DOS CEDROS CELORICO DA BEIRA Distrito de Leiria MARRIOTT HOTEL PRAIA D’EL REI ÓBIDOS HOLIDAY RESIDENCES ÓBIDOS Distrito de Vila Real HOTEL DE CERVA RIBEIRA DE PENA Acordos anulados ASSOCIAÇÃO DE SOCORROS MÚTUOS DE PONTA DELGADA PONTA DELGADA CIBERNAU LISBOA FARMÁCIA DA MISERICÓRDIA DO CRATO CRATO