o exerciCiO do papel prohssio"al na Psicologia Organizacional e do Trabalho
o exercício do papel profissional
na Psicologia Organizacional e do Trabalho
Livia de Oliveira Borges
Andréa Carla Ferreira de Oliveira
La Thude Wolvua Almeida de Morais
Resumo
o artigo tem o objetivo de descrever a pesquisa realizada para
identificar as funções exercidas pelo psicólogo organizacional e
do trabalho e os enfoques aplicados (individualista, sistémico ou
político) no campo profissional. Parte-se de uma revisão sociohistórica do papel de tais profissionais. A pesquisa desenvolve-se
a partir da análise de conteúdo de uma amostra de relatórios de
estágios do Curso de Psicologia da Universidade Federal do Rio
Grande do Norte, referentes ao período de 1981 a 1999 e, em
seguida, da análise de oito entrevistas com profissionais de diferentes setores económicos. A análise de conteúdo dos relatórios
revela a predominância do enfoque sistémico nos estágios e um
aumento de freqüéncia da adoção do enfoque individualista no
início da década de 1990, com uma nova queda no final da mesma
década, quando começa a ocorrer estágio com transição para
um enfoque político. As entrevistas revelam, por sua vez, que a
transição para um enfoque político é mais forte entre os profissionais. Os resultados da pesquisa permitem também perceber
que, na década de 1980, eram mais comuns estágios em empresas
de economia mista e que, atualmente, são mais raros os empregos
desses profissionais em indústrias,
I 101
Palavras-chave: papel do psicólogo; Psicologia Organizacional
e do Trabalho; análise de conteúdo; abordagens; campo de atuação.
I Doutora em Psicologia pela Universidade de Brasília com estágio pós-doutoral em Psicologia
Social pela Universidade Complutense de Madri.
~ Mestre em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
"Psicóloga pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
2005
j
1
p.101.139
J
ü"ia de Oliveira Borges
Andréa Carla Ferreira de Oh""""
The development of professional role in
Organizational and Work Psychology
Abstract
102
I
o e.",dolo do papel prof'SSlonal na PSicologia Organi:<acional e do Trabalho
La Thude Wol ... ua Almeida de Morais
The article has the objective to describe a research that was carried
out to identify the functions ofwork and organizational psychology and the applied approaches (individualist, systemic ~r politi<;)
in the professional field. It begins from the soclOhlstoncal reVlsion about the role of such professionals. The research develops
through the content analysis about the sample ofpractice reports
in the Psychological Graduation of Federal University of Rio
Grande do Norte (Brazil) in the period since 1981 to 1999, and
it continues through the analysis of eight interviews with professionals in different economic branches. The content analysis of
reports reveals: the systemic approach is the most adopted, the
individualistic approach becomes more frequent at the beginning
of decade 1990 and it returns rare at the end of the same decade
when the change of practice to politic approach was beginning.
The interviews reveal that the transition to politic approach is
harder between the professionals. The results of research also
show that the practice was more frequent in the misted ecoriomic
enterprise in the decade of 1980, and that the job ofthe professionals is rarer in industry nowadays.
Key-word: role of psychologist; Work and Organizational Psychology; content analysis; approaches; professional field.
Introdução
A Psicologia Organizacional e do Trabalho (POT), como
um campo de atuação e formação profissional, bem como de
produção do conhecimento, tem ocupado a atenção de estudiosos I, e seus tópicos têm sido polemizados. É o caso de tópicos
como a relevância social do papel profissional, implicaçóes ideológicas da atuação e da produção do conhecimento no campo,
dificuldades de identificação do indivíduo com a profissão, necessidade de multidisciplinaridade e (ou) interseção do campo
do conhecimento com outras ciências. Segundo Zanelli (1994),
discursos que depreciam o psicólogo em atuação nesse campo se
tornaram bastante comuns, o que se associou a um baixo investimento na formação dos profissionais e na baixa produtividade do
conhecimento por algum tempo. Aliás,já em 1985, Gil assinalava
um descompasso do crescimento da atuação do psicólogo nesse
campo, quando comparado aos demais da Psicologia, ou quando
se considera o desenvolvimento econômico do país.
A despeito de tal fato, na década passada amplia-se, entre
os estudantes, a busca por estágio e por cursos de pós-graduação no referido campo bem como a migração do profissional
de Psicologia de outros campos para a POT O caso do Curso de
Psicologia da UFRN2 é ilustrativo do fenômeno: o curso começou
a funcionar em 1997 e, nas primeiras turmas de conc1uintes (a
partir de 1981), o número de estagiários na POT variava de 3
a 4, enquanto, em 1998, havia 7 estagiários, em 1999, 14, em
2000, 14 e em 2001, 15. A prática dos profissionais da POT diversificou-se (Zanelli e Bastos, 2004) e a pesquisa nesse campo
cresceu também. Esse fenômeno se manifesta, no país de variadas maneiras, como: aumento das apresentações em congressos
científicos (Borges, 2001), ampliação do número de grupos de
1Fica claro que tal ocupaçào da atcllçào dos estudiosos é um fato, considerando-se alguns exemplos
de publicações, como as de: Bastos cAchear (1994); Bastos e Martins (1990); Borges-Andrade
(1990), Borges-Andrade e Zanelli (2004); Borges (2001); Codo (1984); lema (1999); Minicucci
(1983); ~Ioura (1988); Schein (1982); Yamamoto (1987); Zanelli (1994); Zanelli e Bastos (2004).
~
O Curso de Psicologia da UFRN era o único mantido no estado do Rio Grande do Norte até
1999. Inicialmente, funcionava com 35 \'agas e, atualmente, tem oferecido 42 vagas ao ano. Desse
modo, até o início da pesquisa tratada neste artigo, ainda continuava sendo o único que contribuiu
na formação dos psicólogos que estavam atuando no mercado de trabalho.
I 103
Livia de Oliveira Borges
104
I
Andréa Carla FefT!!;ra de OlIVeira
o e_ .. rcicio do papel profiSSional na Psicologia Organizacional e do Trabal~
La Thude Wolvua Almeida de Morais
pesquisa, de programas de pós-graduação (Borges-Andrade
e Zanelli, 2004) e de publicações. Acrescente-se o surgimento,
em 200 I, de um periódico científico especializado de circulação
nacional, a Revista Psicologia, Organizações e Trabalho (rPOT)
e a criação de uma sociedade científica - Sociedade Brasileira de
Psicologia Organizacional e do Trabalho (SBPOT) - a qual, em
parceria com o Mestrado de Psicologia da UFBA (Universidade
Federal da Bahia), realizou o primeiro congresso específico em
âmbito nacional em 2004, e planeja o segundo para 2006.
Tal crescimento não significa que as velhas polêmicas estejam superadas. A complexidade dos temas e a dinamicidade do
mundo do trabalho ainda mantêm muitas questões sem responder,
ou as renovam, à medida que só é possível elaborar respostas com
uma validade sócio histórica limitada. Desenvolvemos, então,
a presente pesquisa, para descrever o papel que o Psicólogo
Organizacional e do Trabalho desempenha na Grande Natal, assumindo, como ponto de partida para levantamento dos dados,
as seguintes questões:
- Que funções o Psicólogo, em Natal, tem desempenhado
no contexto das organizações e do trabalho?
- Como realizam estas funções?
- Por que realizam tais funções?
Yamamoto, Câmara, Silva e Dantas (2001) levantaram as
atividades que os psicólogos (n=31O pessoas) têm desenvolvido
em Natal. Detectaram que, nas empresas ou organizações (35
psicólogos), as atividades mais freqüentes são: treinamento
e desenvolvimento de pessoal, aplicação de testes ou exames
psicotécnicos, seleção e orientação profissional, planejamento e
execução de projetos e aconselhamento psicológico; Revelaram
que psicólogos, nas clínicas, realizam seleção e orientação profissional, treinamento e desenvolvimento de pessoal e consultoria
organizacional, e que aqueles que atuam nas unidades básicas
de saúde realizam treinamento de pessoal. Os referidos autores
indicaram também a ocupação de novos espaços por psicólogos e
concluíram que, se mudanças estão acontecendo na atuação, elas
não se referem-às atividades desenvolvidas por esses profissionais.
Por isso, tomamos o levantamento das funções desempenhadas
pelos psicólogos organizacionais e do trabalho como ponto de
partida, mas nosso objetivo é revelar a evolução na maneira de
realizar o trabalho, ou seja, no enfoque teórico-metodológico
adotado. Por isso, entre nossas opções metodológicas, está a de
analisar documentos e conteúdo de entrevistas e não aplicar
questionários estruturados e (ou) padronizados.
Para darmos conta de nosso objetivo, organizamos o presente texto, que se inicia com uma apresentação sucinta de nossa
reflexão a partir da literatura revisada sobre a história de construção da POT. Tomamos esse caminho, posto ser a compreensão
da função social do psicólogo, situando-a na divisão social do
trabalho que evidencia os significados de seus atos (Yamamoto,
1987). Seguimos, então, relatando como desenvolvemos o estudo
e os resultados que encontramos.
1.1 A construção da psicologia organizacional
e do trabalho
I
l
A Psicologia Organizacional e do Trabalho, ao longo do
tempo, tem sofrido mudanças que se refletem inclusive na forma
de nominá-la: passou de Psicologia Industrial para Psicologia Organizacional e, mais recentemente, Psicologia Política do Trabalho
(como em Martin-Baró, 1988; Peiró, 1996) ou, simplesmente,
Psicologia do Trabalho (como em Goulart, 1998; Spink, 1996).
Essas denominações designam três conjuntos de conhecimentos
e práticas distintas. Para Martin-Baró (1988), esses conjuntos
não são excludentes, pois cada um, surgindo em períodos subseqüentes, busca superar as deficiências daquele que o antecede,
incorporando suas contribuições. Por isso, esse autor os trata como
enfoques, designando-os de individualista, sistêmico e político.
Quanto à designação do campo ela caminha atualmente para um
consenso em torno da denominação Psicologia Organizacional e
do Trabalho (peiró, Prieto e Roe, 2002).
As definições do que fazer, como fazer e por que fazer
do psicólog-o org-anizacional e do trabalho varia conforme o
enfoque adotado. Os três enfoques citados se diferenciam em
aspectos, como: (1) o contexto socioeconômico de surgimento,
com suas demandas; (2) o estilo de gestão e de organização
do trabalho aos quais se dirigem; (3) o tipo de organização
I 105
Li ... ,a de Olive"" Borges
Andréil Carla Ferreira de Oliveira
La Thude Wolvua Almeida de Morais
a que se aplica (por exemplo: indústria, serviços, etc.); (4) a
unidade de análise básica (indivíduo, grupos e organizações,
as organizações no meio e as ocupações); (5) conteúdos mais
focalizados e (6) as ações predominantes. Portanto, trataremos
aqui de trazer as contribuições da literatura e os fatos históricos
que nos ajudam a responder nossas questões, tendo em vista
cada um desses enfoques e segundo os aspectos enumerados.
1.2 O enfoque individualista
106
I
o enfoque individualista, mais antigo, está associado em
sua origem às características do modelo capitalista mais tradicional. A criação das grandes oficinas, a necessidade de padronizar
o processo fabril, visando à produção em massa, e o contrato de
trabalho são alguns dos fatos que demarcam o surgimento do
capitalismo (Marx, 1975). Esses mesmos fatos, implicando reunir
muitos empregados em um mesmo espaço e desapropriando-os
dos meios e dos modos de produzir, criaram a necessidade de
gerenciamento do trabalho (Anthony, 1977; Marx, 1975). Para
tanto, foi utilizado desde o início o parcelamento das tarefas em
operações e a aplicação do princípio da separação da concepção
da execução, de modo que todo o processo produtivo precisava
ser antecipadamente planejado por uma minoria diferenciada.
A obra de Adam Smith - A riqueza das nações - consagrou a organização da produção de alfinetes, dividida em 17 operações,
como exemplo de esforço em tal direção (Smith, 1983). Nessa
fase, ocorria a consolidação do setor industrial como vanguarda
da economia, a glorificação do trabalho e a produção em massa
junto com a exaltação de valores como a austeridade, a poupança,
o trabalho duro, entre outros, para o que o protestantismo contribui na sustentação ideológica (Anthony, 1977; Weber, 1967).
A produção da mais-valia era promovida pela extensão da
jornada de trabalho, pela aplicação dos princípios de organização
parcelada do trabalho (princípios já referidos anteriormente) e
pela mercantilização do trabalho, fenõmeno baseado no caráter
"descartável" do trabalho e do trabalhador por estarem fragmentados e desqualificados (Anthony, 1977; Braverman, 1974).
Os trabalhadores reagiam suscitando da gerência maior
o exercíCIO do P<lpel prof'SSional
r\(I
Psicologia Organizacional e do Trabalho
competência no controle do trabalho. Surgia mais tarde à administração científica, através da qual o taylorismo sistematizou
a aplicação dos seus princípios de organização do trabalho, por
meio da técnica dos tempos e movimentos (que consistia na busca
de identificação dos menores movimentos básicos da execução de
uma tarefa e sua cronometragem), a fim de eliminar os tempos
mortos e (ou) os movimentos desnecessários. O gerenciamento
do trabalho fundava-se numa concepção de ser humano que o
caracterizava como indolente, carente de controle e movido pelos incentivos econômicos (Anthony, 1977; Martin-Baró, 1988).
Naquele contexto, Taylor (1980) incluía as atividades de selecionar e treinar entre as funções básicas da administração de pessoal. Assim, o psicólogo era convocado para resolver problemas
da produção, como: Quais as aptidões básicas que devem ser
exigidas do trabalhador? Quem se adapta melhor a tal tipo de
produção? Como treinar habilidades? Como disciplinar o trabalhador? Como dosar as recompensas econômicas para manter
a produtividade?
Como escreve Schein (1982), tais problemas conduzem o
Psicólogo a focalizar sua análise no indivíduo e, por conseqüência, a atuar na indústria com o objetivo de ajustar o indivíduo às
tarefas e (ou) à empresa. Para isso, o psicólogo analisa as características básicas do trabalho, participando das pesquisas de tempos
e movimentos; avalia os indivíduos para escolher os melhores e
mais adequados à execução de cada operação (recrutamento e
seleção); treina as habilidades dos indivíduos e estuda sistemas
de recompensas e punições.
Martin-Baró (1988) pontua que esse conjunto de ações
do psicólogo pressupõe assumir que a organização é inquestionável e que o desempenho bem sucedido deriva diretamente das
qualidades individuais dos trabalhadores.
1.3 O enfoque sistêmico
A sustentação socioeconômica do enfoque individualista
iniciou seu esgotamento a partir das crises do começo do século
XX. Os índices de produtividade na indústria não encontravam
I 107
L;vi~
108
I
de Oliveira 80rges
Andr,,~
Carla Ferre"a de Oliveira
La Thude Wolvua Almeida de Morais
proporcionalidade de consumo. A organização trabalhista mais
avançada, o "medo vermelho" que se espalhava pelo mundo
ocidental, e a crítica fluente às más condições a que os trabalhadores eram submetidos punham em cheque o modelo de gestão.
Pinho (1983) sintetizou as explicações da crise, afirmando que
o "capitalismo 'atomizado' e concorrencial do início do século
XIX cedera lugar a um capitalismo 'molecular' ou de grande
concentrações econômicas, de forte tendência monopolista." (p.
13). A superação da crise partiu do surgimento do keynesianismo
(Pinho, 1983; Alexandre e Rizzieri, 1983), que incentivou a intervenção do Estado para regular o mercado, almejar o pleno
emprego e incentivar o consumo. Essas ações se materializavam
no mundo do trabalho, com a oferta de maior estabilidade no
emprego, benefícios e melhores condições para os trabalhadores,
criando os pilares de sustentação do que ficou conhecido como
"welfàre state". Cresceu o setor de serviços. As grandes guerras, por sua vez, que faziam rarear a mão-de-obra, terminaram
por fortalecer os movimentos trabalhistas e tornou necessário e
desafiante, ao empresário, reter o trabalhador e (ou) combater
a rotatividade, ao mesmo tempo em que precisava aprender a
lidar com o trabalhador organizado. Garantindo uma nova fase
de crescimento da economia, ao estilo taylorista de organização
do trabalho, adicionaram-se a mecanização fordista e as políticas
de pessoal protecionistas.
Segundo Lipietz (1991) e N effa (1995), a articulação da
abordagemmacroeconômica keynesiana e a de Ford com seus
desdobramentos na administração, oferecem novos parâmetros
à organização do trabalho, aos princípios do processo de trabalho às relações salariais e à acumulação do capital fundada no
círculo virtuoso (quanto mais produtividade, mais crescimento
da empresa, mais ganhos para o trabalhador e mais empregos).
O contexto socioeconômico e tecnológico, portanto,
renovava os problemas de gestão. O que oferecer ao trabalhador
para retê-lo? Como se comunicar? Por que as comunicações da
direção das empresas não fluem na mesma rapidez das notícias
trabalhistas? Como fazer o trabalhador se submeter ao trabalho
mecanizado? Como motivá-lo?
A Psicologia, mobilizada com as novas questões, construiu
o exercicio do papel profiSSional na Psicologia Organizacional e do Trabalho
um novo enfoque. Passou a estudar novos conteúdos, como liderança, motivação, relações interpessoais, processos de comunicação, identificação dos grupos informais, mudança organizacional
e estilos de gestão. Por esse caminho e sob a influência da teoria
de sistemas', entre outras razões, o foco de análise migra do individual para o grupal e organizacional. A organização passa a ser
estudada como um sistema com elementos inter-relacionados e
dinâmicos. As ações do psicólogo passam a objetivar o ajuste da
organização ao indivíduo e vice-versa. São exemplos de tais ações
o diagnóstico e o desenvolvimento organizacional, os controles
de rotatividade e os programas de valorização dos trabalhadores
(Schein, 1982; Martin-Baró, 1988).
Nesse enfoque, segundo Martin-Baró (1988), as explicações do sucesso no desempenho e (ou) do atraso tecnológico são
buscadas no sistema político, na cultura e nas relações interpessoais e macro-sociais. Portanto, a atribuição de causalidade ao
desempenho tornou-se mais complexa. Assumiu-se a pressuposição de que os incentivos econômicos, interpessoais e sociais
(por exemplo, status e inclusão social) deviam compensar a baixa
qualidade do conteúdo das tarefas. Corresponde à fase do gerencialismo (Anthony, 1977; Borges, 1999).
Tal contexto sociohistórico sustentou um período de
mais fertilidade da POT, quando comparado ao contexto anteriormente descrito. A reflexão desenvolvida por vários estudiosos
sobre o papel do psicólogo organizacional e do trabalho ora
sublinha tal fertilidade, ora desenvolve uma crítica radical.
De um lado, sublinhando a fertilidade da POT como campo
tanto de estudo quanto de atuação, está o artigo de Bastos e Martins
(1990), que sistematiza objetivos, funções e atividades exercidas
pelo profissional. Os objetivos são quatro (Bastos e Martins, 1990):
- Realizar estudos e pesquisas com vistas à produção de
conhecimento e tecnologias, planejamento ambiental e
políticas de recursos humanos nas organizações.
~ Tendo em vista o escopo deste artigo, não vamos discorrer mais detalhadamente sobre a tcoria
de sistemas. Existe, no entanto, larga literalUra sobre o assunto que o leitor pode consultar, caso
necessite. Sugerimos, no caso dos iniciamcs sobre o assunto, os seguintes textos: Churchman·
(197:1); Katz e Kahn (1978); Edler (1980); Foguel (1985) e Schcin (1972).
I 109
Uvia de Oliveira Borges
Andréa Carla Ferreira de Oliveira
La Thude WoI\IIJa Almeida de Morais
- Desenvolver ações relativas a avaliação, aperfeiçoamento, reciclagem e formação dos empregados.
-Desenvolver ações visando à adequada alocação e ao controle da vida funcional dos trabalhadores.
-Definir e implantar programas de saúde, proteção,
valorização e satisfação do trabalhador, garantindo o acesso a bens e serviços.
110
I
Esses objetivos são amplos, e os autores associam a eles 14
funções específicas, que se realizam por meio de inúmeras tarefas
(ou atividades), demonstrando que, em 1990,já havia clareza da
fertilidade e complexidade da atuação profissional.
Do outro lado, as críticas conduziam a uma percepção do psicólogo organizacional como perverso (Codo, 1984), associando-o à
idéia de que se constitui em instrumento de exploração das massas trabalhadoras.
Intermediando o contraste entre as críticas ao papel social do psicólogo e a fertilidade de sua atuação em tal contexto,
Borges-Andrade (1990) assinala contradições importantes na
auto-avaliação desses profissionais, quando comparados aos
demais psicólogos: são os que percebem mais adequação na remuneração e na disponibilidade de recursos para exercício da
profissão e, ao mesmo tempo, são os que mais desejam mudar de
área de atuação. Vários autores (Borges-Andrade, 1990; Bastos e
Martins, 1990; lema, 1999; Sampaio, 1998; Zanelli, 1994) tentam
explicar o fenômeno recorrendo à insuficiência da formação do
psicólogo, caracterizada, entre outros aspectos, pelo reduzido
número de disciplinas nos cursos e pela negligência quanto ao
caráter multidisciplinar da POT.
O exerciclO dO papel profissional na Ps,cologia OrganizaCional e do Trabalho
do trabalho, não conseguem mais adicionar ganhos de produtividade por eliminação de tempos mortos, o ciclo econômico
virtuoso (progressista) é rompido e o pacto da troca de tarefa sem
significado por recompensas econômicas, interpessoais e sociais
se inviabiliza4 ,
Sobre os anos 60, Heloani (1996), referindo-se aos países
desenvolvidos e (ou) aos setores avançados da economia, afirma
que a gerência enfrentou a "fuga ao trabalho", que consiste na
esquiva ao trabalho empobrecido de significado e na manipulação reativa dos controles exercidos pela gerência em relação à
produção (por exemplo: absenteísmo, rotatividade, sabotagens,
etc.).
A crise econômica evidencia-se, na década de 70, criando
ressonância às críticas à divisão social do trabalho nos moldes
taylorista-fordista. Assim, estudiosos" de diversas formações, fundamentando-se no marxismo, entendem que o homem se produz,
como pessoa, no seu trabalho, porém a organização do trabalho,
em conformidade aos moldes taylorista-fordistas, empobrece o
conteúdo da tarefa e afeta negativamente o desenvolvimento
das potencialidades humanas, alienando o trabalhador do seu
próprio trabalho. Marglin (1980) argumenta que as medidas que
despojaram os trabalhadores do controle sobre o produto e sobre
o processo de produção foram adotadas não por superioridade
técnica, mas visando à acumulação do capital. O autor sustenta
sua argumentação expondo que, onde não havia possibilidade de
o trabalhador exercer seu ofício autonomamente, como no caso
da exploração das minas de carvão, o modelo de parcelamento
taylorista das tarefas não foi implantado.
O processo de globalização da economia, associado aos
avanços na comunicação e ao processamento da informação, por
um lado, amplia a competividade entre as empresas e a volatilidade do capital a um âmbito internacional; por outro, enfraquece
as economias nacionais pela redução da capacidade dos governos
1.4 O enfoque político
o modelo econômico da sociedade do bem-estar (referido
anteriormente) e de gestão do trabalho começa a se esgotar quando a mecanização, aliada aos princípios tayloristas de organização
I No caso de o leitor desejar aprofundar-se sobre () assunto, sugerimos consultar outros textos,
entre os quais: Codo (1994; 199;'1); (;{l1111f'T (1999); Lipiet1: (199\); I\.lattoso (1995); Neffa (\990;
1995) e Ramos (1992).
.-, Por exemplo: Antunes (1995), Bra\'erman (1974), Bowles e Gintis (1976), Gorz (\980), i\Iarglin (\980), Moura (1988), Rebitzer (1993) e Tragtenberg (1974).
I 111
livra de Oliveira Borges
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I
Andr"'" Carla F<!rreira de Oliveir3
La Thude Wolvua Almeida de Morais
em controlá-Ias. As empresas passaram a apresentar maiores
dificuldades de garantir sua sobrevivência ao longo do tempo.
Entre as razões de tais dificuldades está o gigantismo que, fundado no modelo taylorista-fordista, conduziu as organizações a
um enrijecimento estrutural que inibe a inovação e (ou) renovação, reduzindo as condições de se responder adequadamente ao
desafio da competitividade (Rebitzer, 1993).
Ao mesmo tempo em que se vivencia a crise, criam-se os
elementos que fundam a Terceira Revolução Industrial (Mattoso, 1995). Os novos estilos de gestão (originados nas empresas
japonesas), na intenção de responder aos problemas motivacionais
e (ou) de envolvimento dos empregados, incentivam as empresas
a promoverem a participação dos empregados no processo decisório, a horizontalização da estrutura de poder e a recomposição
das tarefas. A necessidade de se avançar nessa direção está exposta desde a fase anterior, principalmente, pelas teorias sobre a
motivação ao trabalho que, se, de um lado, fortaleciam as táticas
do welfàre state (principalmente no que se refere às medidas de
proteção ao trabalhador e às recompensas sociais simbólicas), por
outro denunciavam a importância da identificação do indivíduo
com o produto do que faz e com o próprio processo de produzir.
A introdução desses novos estilos de gestão articula-se à adoção
de novas tecnologias (principalmente, informatização e automação), as quais facilitam a eliminação de tarefas repetitivas e braçais
(Leite, 1994). De tal articulação, nas organizações, originam-se,
de um lado, os principais ganhos de produtividade e, de outro,
a redução de postos de trabalho.
Ao mesmo tempo, cresce e prolifera o fenõmeno da terceirização, que, se, de um lado, ajuda as empresas a minimizarem
os problemas criados pelo gigantismo e ganharem flexibilidade
gerencial, de outro, contribui para a fragmentação das categorias
ocupacionais e para a diversificação dos vínculos de trabalho. Assim, a contrapartida do movimento de recomposição das tarefas
passa a ser a fragmentação e o enfraquecimento da organização
trabalhista por vários caminhos, entre eles: a diminuição do contingente das categorias ocupacionais, a instabilidade no emprego,
o aumento do desemprego e a terceirização. Observam-se trabalhadores menos organizados e (ou) com menor poder de barganha
o exercíCIO do papel profiSSional na Psicologia Organizacional e da Trabalho
e, por conseqüência, com condições de emprego mais precárias.
As exigências de mais qualificação, decorrentes da recomposição
das tarefas, da valorização da informação, das habilidades cognitivas dos trabalhadores, do crescimento da oferta de emprego
de alguns setores (por exemplo, processamento da informação,
pesquisa e serviços), não têm implicado valorização geral do emprego na forma de melhores salários, de melhores condições e
de mais estabilidade. Setores que representavam anteriormente
a vanguarda da economia retraem-se na oferta de emprego (por
exemplo, o setor industrial e o bancário).
Os postos criados nos setores de ponta não compensam
a eliminação dos demais, principalmente, no que diz respeito à
sua qualidade (estabilidade, condições ambientais de trabalho e
seguridade social)"' A configuração de tal quadro de mudança gera
evidências que contradizem crenças, entre as quais, aquela de que
o sucesso econômico da empresa implica o crescimento da oferta
de emprego, da estabilidade e de outros benefícios ao trabalhador,
ou aquela segundo a qual o desenvolvimento econõmico diminui
a exclusão social (Blanch, 2003).
De um lado, as transformações atuais do mundo do trabalho reduzem a alienação do trabalhador pela reapropriação
do saber fazer; por outro, submete-o a condições adversas de
trabalho por meio da ameaça do desemprego. Saber fazer, ter
mais autonomia, criar, buscar qualidade, ser proativo, entre outros aspectos, formam um conjunto de novas possibilidades que
funciona como uma sedução ao envolvimento no trabalho e ao
compromisso com o que se faz e (ou) com a organização (Heloani,
1996). As condições adversas, principalmente a instabilidade no
emprego, entretanto, reduzem o encanto da sedução. Criam
uma contradição difícil de resolver. Mas, quanto mais o sucesso
econõmico das organizações depende das contribuições cognitivas
e do envolvimento do 'trabalhador, mais a organização necessita
que esse trabalhador tenha uma vida equilibrada e possa vivenciar
bem-estar. Por conseqüência, observa-se que, sob a organização
do trabalho nos moldes taylorista-fordista, o bem-estar era uma
(; A Jileratllra sobre os efeitos sociais da terceira Revolução Industrial é bastante tinta. Sugerimos
aos interessados consultar: Antunes (1995); Banco ;\Iundial (1996); Codo (l999); Heloani (1996);
Leite (1994); Maltoso (l995); Malvezzi (1999; 2000); Oliveira (1993) e Ramos (l992).
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Livia de Oliveira 80rges
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La Thude Wolvua Almeida de Morais
recompensa pelo trabalho, enquanto, no novo contexto, bemestar e (ou) saúde são insurnos. Está aí uma razão de, nos novos
estilos de gestão, ser importante que o controle do trabalhador
passe a ser exercido pela incorporação dos valores e objetivos da
empresa (Heloani, 1996). Esse quadro de contradições traz à tona
as seguintes questões: Como contar com um trabalhador com tais
atitudes no contexto descrito? Como contar com o pensamento,
a proatividade e a saúde do trabalhador?
O contexto socioeconõmico atual define uma nova situação para as entidades de representação dos trabalhadores, as
quais não podem contar exclusivamente com a mobilização para
fortalecer seu poder de barganha. Como provar as perdas dos
trabalhadores? Como conduzir as lutas por melhores salários e
condições de trabalho?
O desemprego e o emprego precário são faces de uma
realidade que passa a atingir a muitos, os quais passam a formar
um segmento de baixo nível de organização política. A falta do
emprego e sua precarização são fenómenos que suscitam uma
abordagem coletiva, ações governamentais e dos demais setores
da sociedade organizada.
Para fazer frente às novas questões, o psicólogo organizacional e do trabalho tem precisado lidar com conceitos
mais abrangentes e dinâmicos de organização, compreender
os significados e (ou) sentidos atribuídos ao trabalho e (ou) ao
emprego, acrescentar ao foco de análise as ocupações e (ou)
profissões bem como as relações entre as organizações e o meio
(cada vez mais global). Portanto, precisa pensar, em um âmbito
estratégico, as políticas organizacionais e as políticas públicas de
trabalho e emprego. Em outras palavras, acrescentando focos de
análise, precisa articular vários níveis de análises (múltiplos níveis),
tendência essa que vem sendo assinalada por alguns estudiosos
(por exemplo: Alvaro, 1995; Katzell, 1994; Martin-Baró, 1988;
Rousseau e House, 1994). Ilustrativo é lembrar que a articulação
de níveis de análise aparece, por exemplo, na incorporação de
varáveis macro-económicas e (ou) sociológicas para a explicação
de tendências de comportaluenlo no trabalho, individuais ou
coletivas .. Tal fato ocorre, por exemplo, quando temos em conta
políticas trabalhistas, políticas de geração de emprego, políticas
o exercíCIO do papel profiSSional na Psicologia OrganizaCional e do Trabalho
de saúde no trabalho, ações públicas de controle de qualidade
das condições de trabalho e outras, para compreender o comportamento no trabalho. Ou, ao inverso, quando partimos de
construtos psicossociais - como comprometimento, motivação,
envolvimento, significado do trabalho e satisfação no trabalho
- para explicar reações à aplicação de uma política ·pública ou
de uma política organizacional. Associado à ampliação dos níveis
de análise, há um enriquecimento temático (Katzell, 1994; Peiró,
1996; Peiró e Munduate, 1994; Peiró, Prieto e Roe, 2002).
No Brasil, tais tendências se fazem presentes na caminhada para a consolidação do campo de estudo e de atuação e têm
implicado uma ampliação paulatina do trabalho dos profissionais
(Zanelli e Bastos, 2004). Os objetivos, que Bastos e Martins (1990)
apropriadamente sistematizaram anteriormente estão sendo redimensionados. Os objetivos relativos ao assessoramento, ao diagnóstico, à produção de conhecimento e ao planejamento passaram
a ser encarados também numa perspectiva estratégica, abarcando
o zelo pelos direitos de todos os atores do mundo do trabalho,
usuários, clientes e (ou) beneficiários Os relativos à avaliação,
ao aperfeiçoamento e à reciclagem da mão-obra são pensados e
planejados no contexto das profissões, ocupações e políticas de
recolocação de pessoal e não só no âmbito da integração a uma
organização. Aqueles relativos à alocação e ao controle funcional
são vinculados à perspectiva temporal da atividade, e aqueles relativos à promoção da saúde à proteção, à valorização e à satisfação
no trabalho são colocados dentro dos novos marcos teóricos sobre
qualidade de vida e como uma necessidade para a garantia de
produtividade e competitividade, não mais como oferta de acesso
a serviços. Os problemas de saúde do trabalhador começam ser
tratados dentro dos marcos epidemiológicos. Isso não quer dizer
que, anteriormente, reações como o embrutecimento no trabalho
não eram uma reação endêmica à organização do trabalho, mas
que não afetavam diretamente a produtividade. Hoje o estresse
acentuado, entre outras alterações, compromete o desempenho
das organizações, o que demanda soluções no plano coletivo'. Esse
I
115
; Corisultar, sobre eS5,l proposição: Borges e Argolo (2002); Codo (1998); Maslach e Leiter (1999);
Maslach, Schallfeli e Leiter (2001); Sampaio, Codo e Hitomi (1995); Seligman-Si1va (1986).
j
l
livia de Oliveira Borges
116
I
A~dféa
Carla Ferreira de Oliveira
La Thude Wolwa Almeida de Morais
redimensionando dos objetivos põe em voga não só novas ações
dos psicólogos, mas também novos temas, como cultura organizacional, comprometimento e envolvimento, valores e significado
do trabalho, aprendizagem organizacional, bem-estar stibjetivo,
estresse, síndrome de burnout, etc. Descortina-se um espaço de
trabalho para o psicólogo junto a entidades de classe e ao poder
público para o qual o psicólogo começa a despertar'.
Para Malvezzi (1999; 2000), o psicólogo, no contexto atual
do mundo do trabalho, deve exercer um papel social de agente
econômico reflexivo, devendo ser capaz de decisões artesanais,
dentro de um sistema gerencial que é menos fundamentado na
autoridade e na hierarquia e muito mais na criação e na coordenação das competências requeridas para a transformação de
necessidades, expectativas e valores em qualidade dos produtos
e serviços.
Para Martin-Baró (1988), o enfoque político na Psicologia do Trabalho deve implicar uma análise do comportamento
contextualizada e, por conseqüência, mediações políticas e (ou)
processos que influem na ordem política de um país. A designação
de enfoque político é do referido autor (1988) e, apesar de ser
usada por outros autores (por exemplo, Peiró, 1996), não é uma
designação aceita consensualmente. Estamos adotando porque
avaliamos que essa designação retrata adequadamente características diferenciais do enfoque: (1) o reconhecimento da necessidade de maior consideração dos aspectos referentes ao poder,
como um aspecto transversal que afeta a maioria dos processos
psicossociais no mundo do trabalho, principalmente considerando
as novas possibilidades de participação no processo decisório;
(2) a tendência de buscar fundamentos em análise multiníveis,
que abarcam políticas públicas e aspectos socioeconõmicos; (3) a
maior preocupação com a dimensão ético-social e de mais ampla
atenção à qualidade de vida e aos direitos essenciais dos atores
do mundo do trabalho.
Importa, por fim, recordar que o surgimento de cada
~ Obsen'amos as demandas sindicais pOI' lrás de trabalhos, como os de Barbosa (2001); Barbosa
e Borges (2001); Borges c Argolo (2000); Borges e Barbosa (2003); Carmo, Limara, Tavares e
Borges (2001); Codo (1998); Codo (I 994); Sampaio (19gB).
o exercíCiO do papel pro~sslonal na Psicologia Organiu>~ional e do Trabalho
enfoque ganha significação a partir do contexto histórico, produtor das demandas que o justificam. Entretanto, a variedade da
realidade brasileira (Mattoso, 1995), que engloba setores de ponta
da economia e outros extremamente arcaicos, além da permanente' convivência com a exclusão social e a má distribuição de
renda, fortalecem a tendência à manutenção tanto de demandas
de enfoques distintos, quanto de tipos de ação. Os enfoques mais
recentes, de uma maneira geral, não rejeitam as ações que já existiam no anterior, mas implicam diferenciada fundamentação e
modo de fazer, bem como um redimensionamento de objetivos.
2. O desenvolvimento
O presente estudo, iniciado em 2000, foi desenvolvido
em duas etapas: uma de análise documental e outra de campo. A
primeira consistiu na análise dos relatórios de estágios dos estudantes do Curso de Psicologia da UFRN, e a segunda, na análise
de entrevistas realizadas com psicólogos que atuam no contexto
das organizações na Grande Natal. Como já se comentou, o Curso
de Psicologia da UFRN vem vivenciando um crescimento no
número de estudantes que optam por realizar seus estágios em
POT Além disso, assinalamos que os estudantes do referido curso
realizam o estágio no último ano de curso, em um único campo
da Psicologia, sendo academic:;amente a atividade registrada como
Estágio I e II. Cada um tem para os alunos uma carga horária
mínima de 270 horas, totalizando um mínimo de 540 horas. Na
prática, são exceções os estágios que cumprem apenas essa carga
horária mínima, havendo concretamente uma variação acentuada
da quantidade de carga horária além da regulamentar. As turmas
de estágio são de, no máximo, seis alunos, de modo que o curso
tinha várias turmas de estágio (Estágio I ou II), cada uma com
um professor-supervisor. Os supervisores são professores, no
mínimo, com cinco anos de experiência no campo da Psicologia
no qual realiza a supervisão do estágio e com registro no Conselho
Regional de Psicologia. Cada um desses professores dedica seis
horas semanais de atenção direta à sua turma de estágio, além de
realizar visitas aos locais de estágio. Nas turmas de estágio em POT,
I"
Livia de Oliveira 80rges
118
I
Andréa Carla Ferreira de OINeira
o exercício do P<lpel proflSsionDI na Psicologia Organi2acional e do TraOOlho
L.3 Thude Wolvua Almeida de Mora,s
é prática comum intercalar sessões coletivas e sessões individuais
de supervisão a cada semana. O referido Curso de Psicologia não
exige monografia final. No entanto, é bastante exigente com os
relatórios de estágio, os quais, na realidade prática do curso,
têm cumprido o papel que as monografias de final de curso têm
para outros. Todos os relatórios, portanto, contêm uma parte
introdutória de contextualização teórico-metodológica, o plano
de estágio, a descrição crítica de cada atividade realizada, cada
uma delas em um capítulo, e uma avaliação do estágio tendo em
conta o plano inicial estabelecido. O professor-supervisor orienta
e revisa o relatório dos estudantes. Há uma tendência ao estabelecimento de vínculos acadêmicos relativamente estreitos entre
estudantes e professor-supervisor, o que se manifesta no curso,
por exemplo, pelas tensões existentes no processo de escolha
ou definição dos supervisores para os estudantes, bem como no
encerramento dos estágios e no evento de formatura. No caso
dos estágios na POT, o estudante entrega uma cópia do relatório
à organização que constituiu seu campo de estágio. Além disso,
no relatório, é incluída também uma declaração do supervisor
de campo ou de um gestor da organização (campo de estágio)
que comprova o cumprimento da carga horária do estágio. O
relatório permanece como uma responsabilidade do estudante
e do professor-supervisor. Dessa forma, os relatórios acumulados
desde a primeira turma do curso, constituem um manancial de
informações à disposição de psicólogos e professores de Psicologia.
Sabe-se que, devido ao fato de o curso da UFRN ser único por
um longo período em N atai, ele teve um papel forte na definição
do que faz o psicólogo na cidade. No entanto, os relatórios não
são documentos de profissionais em atuação, senão de estudantes
de Psicologia na finalização de sua formação básica (curricular).
Por isso, tomamos a análise dos referidos relatórios como uma
primeira etapa da pesquisa. No entanto, seus resultados foram
importantes na definição de critérios para a escolha dos profissionais a serem entrevistados na segunda etapa, como se verá
adiante.
Seguimos, então, descrevendo cada Ulna dessas etapas segundo os procedimentos metodológicos adotados e os resultados
encontrados. Em ambas as etapas, foram desenvolvidas análises
de conteúdo categóricas (Bardin, 1986).
2.1 Primeira etapa
A primeira turma concluiu o Curso de Psicologia na UFRN
em 1981. Desde aí e até 2000, formaram-se mais dezenove turmas. Para ter uma amostra dos relatórios disponíveis na UFRN,
decidimos analisar os relatórios das turmas que concluíram em
1981,1986,1991, 1996e 1999. Ou seja, analisamos as turmas que
concluíram com intervalos de cinco anos, mais a última turma
formada quando se iniciou este estudo, totalizando 33 relatórios e
39 locais de estágio distribuídos nas diferentes turmas, conforme
o crescimento da demanda de estágio em POT (2, 5, 7, 8 e 17
respectivamente)9.
Desenvolvemos as análises de conteúdo fundadas no
referencial teórico descrito e tendo em vista gerar respostas para
as questões apresentadas na introdução deste texto. Analisamos
cada relatório conforme os aspectos capazes de diferenciar os
três enfoques (individualista, sistêmico e político) enumerados
anteriormente, identificando como os aspectos diferenciadores
dos enfoques se revelavam no texto de cada relatório.
Para orientar o trabalho de análise de conteúdo, elaboramos um roteiro ou esquema (Quadro 1) que, de certa forma,
resumia o que expomos anteriormente sobre os três enfoques da
POT. Adotamos os aspectos diferenciadores dos enfoques citados
no início deste artigo como as categorias mais amplas de análise.
Alguns ajustes no referido quadro foram sendo realizados durante
o desenvolvimento do trabalho de análise de conteúdo, de forma
que tal quadro também registra os resultados. Usamosainda um
formulário que consistia basicamente no mesmo roteIro, sendo
que as células internas do quadro estavam em branco para as
anotações dos juízes. Primeiro analisávamos os relatórios individualmente (três juízes) e, no segundo momento, discutíamos
o número de relatórios niiocorresponde ao número de estágios ocorridos em cada ano, porque
há problemas como: estagiários que mudaram de locais de es[ági~, nâo localiz~ção de .a!gul1s
relatórios e relatórios com uma descriçào tão sucinta das ar,;ôcs realizadas que n;\o pen1l1tJa\1l a
amIlise.
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I 119
livia de Ol,""ira Borges
AIldnia Carla Ferreira de Oliveira
La Thude V\bwua AlmeidD de Morais
o e~erciclo do papel profissional na Psicologia Organizacional e do Trabalho
coletivamente até um consenso do julgamento de cada aspecto
e da classificação geral do relatório, segundo os enfoques da
POT.
120
I
Sobre os itens do Quadro I, é importante ressalvar que,
no último item, compreendíamos que as ações esperadas em um
enfoque não excluem a realização dos entoques surgidos anteriormente. Porém, quando identificávamos as ações realizadas,
elas eram classificadas no enfoque específico, de acordo com a
maneira como eram realizadas. No Quadro 1, as ações estão
classificadas conforme o enfoque a que se vinculavam quando
do surgimento. Nas análises de conteúdo, para incluir uma ação
como de um enfoque ou do outro, portanto, levávamos em conta
o modo de execução.
A classificação geral do enfoque adotado no relatório
decorria do debate dos juízes e da retlexão (qualitativa) sobre as
evidências de aproximação de um enfoque ou do outro, e não da
contagem dos aspectos (critérios) considerados. Procedemos de
tal forma, porque há critérios mais importantes ou centrais do
que outros na diferenciação dos enfoques e não temos recursos
metodológicos para quantificar tais diferenças.
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Uvia de Oliveira 80rges
122/
Andréo Carla Ferreira de Oliveira
La Thude Wolvua Almeida de Morais
Constatamos que a maioria dos estágios analisados aplica
um enfoque sistêmico (41 %), seguidos por aqueles que aplicam o
enfoque individualista (25,6%) e por aqueles em transição entre
um enfoque individualista e o sistêmico (23,1%). Um número
menor de relatórios de estágios apresenta um enfoque que se
situa na transição entre o sistêmico e o político (7,7%), e apenas
um dos relatórios analisados apresentou um enfoque claramente
político. Optamos por adotar esse, durante o processo de análise
de conteúdo, que elas eram coerentes com a literatura consultada,
tendo em vista que,e, Martin-Baró considera que os três enfoques
não são excludentes, mas antes um é a ampliação do outro. Isso
significa que há um dinamismo de evolução de um para outro.
Apesar das diferenças de estilo de redação, a singularidade de expressão de cada estagiário e a tendência a um maior
ou menor detalhamento, as informações contidas nos relatórios
revelavam o enfoque adotado pelo estagiário, bem como a situação em que o estagiário tentava aplicar um enfoque não coerente
com o contexto organizacional (modo de organização do trabalho,
gestão, relações trabalhistas, expectativas dos dirigentes sobre as
ações do setor de psicologia, etc). Nesses casos, as ações concretas
do psicólogo oscilavam entre dois enfoques.
Levantamos, então, a distribuição da aplicação desses
enfoques pelos estagiários por natureza jurídica da organização,
em cada ano selecionado para análise. Na tabela I, a primeira
observação a ser realizada é que o enfoque individualista não foi
aplicado nos dois primeiros anos analisados (1981 e 1986), mas
aumentou de freqüência em 1991 e passou a ser predominante
em 1996, caindo (em proporção) novamente de freqüência no
último ano analisado (1999). Nesse ponto, é importante observar que, em conformidade com a literatura analisada, apesar de
ser emergente o enfoque político e o sistêmico predominante, o
enfoque individualista não deixou de existir.
A segunda observação a ser feita é que a proporção de
estágios por natureza jurídica das organizações se inverte ao
longo do período analisado. Nos primeiros anos (1981 e 1986),
de 7 estágios, 5 foram realizados em organizações públicas e (ou)
empresas de economia mista. Desses, em quatro observou-se a
aplicação do enfoque sistêmico, e, em apenas 1, a transição entre
o exercício do papel profissional na Psicologia Organizacional e do Trabalho
o enfoque individualista e o sistêmico. Em 1991, de 7 estágios, 4
ocorrem em organizações privadas e, em 1996 e em 1999, de 25
estágios, 19 (76%) ocorreram em organizações privadas.
Portanto, nos primeiros dois anos analisados, há uma clara
associação entre mais oportunidades em organizações públicas e
de economia mista, com o desenvolvimento do estágio no enfoque
sistêmico. Essa tendência inicial está claramente associada à fase
mais promissora das organizações públicas e de economia mista, as
quais, no Estado, representavam o setor eco?ômico mais avança~o
e estavam comprometidas com o desenvolVimento de uma gestao
de pessoal provedora de bem-estar, nos moldes que sustentam o
enfoque sistêmico, como descrevemos anter~o.rmente.
~.
As informações levantadas na analise dos relatonos
daqueles dois anos nos esclarecem melhor tal idéia. Os dois
relatórios de 1981 descrevem estágios em empresas prestadoras
de serviços de utilidade pública, sendo uma de economia mista
e outra privada que exercia funções por concessão do governo
municipal. A primeira tinha uma administração profissional.
Contava com um Departamento de Recursos Humanos e com
políticas de pessoal traçadas de forma sistemática. Seu pessoal
era sindicalizado, e a empresa ofereCia um sofistICado e amplo
sistema de benefícios que incluíam assistência à saúde, ao lazer e
à cultura. O estagiário desenvolveu variadas atividades, entre as
quais seleção de pessoal, pesquisa de moral (clima organizacional), acompanhamento do processo de mudança, avaliação de
desempenho, divulgação das ações de administração de recursos
humanos em jornal interno. Todas as suas ações são descntas
no relatório de forma contextualizada na organização como um
todo. Na segunda empresa citada, o sistema de ampa~o ~o trabalhador é menos sofisticado, mas adota-se como referenCia essa
necessidade, e o departamento de RH está em implantação. As
ações são basicamente as mesmas do primeiro estagiário, mas a
forma de descrever focaliza mais o nível individual de análise do
que o organizacional. Por isso, consideramos em transição.
/123
livia de Oliveira Borges
Andréa Carla Ferreira de Oliveira
La Thude Wolvua Almeida de Morais
Tabela 1. Distribuição dos estágios pelos enfoques aplicados e
por natureza jurídica das organizações em cada ano considerado
no estudo
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Fonte: Ad,rptado de Coelho Jr. (2004).
Em 1986, os relatórios não trazem muitas novidades em
relação ao enfoque adotado. Como cresceram um pouco em
número, apenas se observa uma maior variedade de ativirlades,
como treinamento introdutório, além de atividades de dinâmica
de grupo inseridas nos treinamentos, no processo seletivo ou
diretamente no desenvolvimento das relações interpessoais. Importa destacar que, em tais anos, predominava uma tendéncia
a contextualizar ..as ações diante da realidade da organização e
a buscar fundamento em conteúdos estudados pela Psicologia,
como motivação, clima organizacional, satisfação no trabalho, etc.,
O exercicto do Pllpel prohsstonal na Psicologia Organt~acional e do Trab<llho
além da literatura mais técnica sobre os subsistemas de recursos
humanos, como cargos e salários, seleção, avaliação de desempenho e treinamento.
Os relatórios desses dois anos, por meio da contextualização de ações e da descrição sobre a organização, revelam que
os estagiários dispunham de um amplo acesso às informações,
A partir de 1991, quando aumentou a demanda por estágio na
área, as empresas de economia mista e a gestão pública entravam
nUlna nova fase, enfrentando mais diretamente a influência do
neoliberalismo, o que as conduzia à adoção de políticas poupadoras de mão-de-obra, terceirização de funções, etc. Tal fato
implicou que os estagiários começaram a encontra~ maiS raras
oportunidades no setor público para o desenvolvImento dos
estágios, Empurrados para o setor privado, depararam-se com
a realidade e com gestões internas das empresas que esperavam
ações concernentes a um enfoque individualista, Nessas empresas,
não havia setores de RH estruturados, nem políticas de pessoal
traçadas claramente. O amparo ao trabalhador aproximava-se ao
mínimo exigido pela legislação. Demandavam selecionar bem,
em um ambiente de elevada procura de emprego, Os estágios
prendem-se à idéia de adaptação do indivíduo ao cargo e desenvolvem, quase exclusivamente, seleção de pessoaL
Em tal ano, continuou a haver estágio com enfoque
sistémico e ocorreu avanço no sentido de aplicá-lo mais plenamente. Os estagiários aplicam Desenvolvimento Organizacional,
principalmente no que se refere à etapa de diagnóstico organizacional, fazendo largo uso do referencial teórico referente aos construtos do campo designado por comportamento organizacional
(liderança, comunicação, motivação e satisfação), Portanto, o que
é desenvolvido, embora no mesmo· enfoque dos dois primeiros
anos, é mais enriquecido. Nota-se ainda que, em 1991, ocorrem estágios em novos espaços, como um sindicato (na Tabela
1, organização privada com estágio no enfoque sistémico), uma
escola pública (na Tab. 1, com enfoque sistémico) e um serVIço
especializado de Psicologia. Esses novos espaços garantiram a
manutençao da vitalidade do enfoque sistémico. Lembramos que
o texto de Bastos e Martins (1990), que enumera a variedade
de funções do profissional no campo da POT, é desse período.
125
1
livia de Oliveira Bcxge"
126
I
André<> Carla Ferreira de Olrveira
La Thude Wolvua Almeida de Morais
Além disso, Yamamoto et aI. (2001) e Siqueira (2001) chamaram
a atenção para a importância dos novos espaços.
Notamos também que, em 1991, ocorreu um estágio em
uma empresa de economia mista, com enfoque individualista.
Segundo o relatório analisado, a empresa mantinha uma relação
com o trabalhador típica do modelo taylorista-fordista, oferecendo
um rico amparo tanto na forma de garantia de estabilidade quanto
de amplo leque de beneficios. No entanto, a estrutura organizacional, muito fragmentada e rígida, não permitia que as partes
funcionassem conjuntamente como sistema integrado. O estagiário propôs, com a aprovação da empresa, ações típicas de um
enfoque sistêmico, como diagnóstico ot:ganízacional. No entanto,
na operacionalização dessa atividade, não conseguiu um acesso
adequado, e a análise que desenvolve se tornou empobrecida,
além focalizar os indivíduos e partes isoladas da organização.
Em 1996 (Tab. 1), a proporção dos estagiários que aplicaram os enfoques individualista e sistêmico impressiona pela
vitalização do primeiro. O que, de fato, ocorreu? Aqueles estágios considerados no enfoque individualista revelaram que as
principais atividades desses estagiários foram seleções de pessoal
e treinamentos introdutórios. Nesses. últimos, havia atividades
que traziam o foco para o interpessoal (com a aplicação de técnicas de dinâmica de grupo e a busca de subsídio teórico em
socialização, relações interpessoais, comunicação, etc.), embora
tivessem sido desenvolvidas com O objetivo de integrar o indivíduo à organização. Ou seja, pressupunham uma organização
estática e perfeita, à qual o indivíduo deve se ajustar. Trazia como
novidade em relação aos estágios anteriores, uma interface com
o campo da Psicologia Clínica, no sentido de procurar assistir ao
indivíduo por meio de aconselhamento psicológico individual e
numa perspectiva não-diretiva. Compreendemos, na análise dos
relatórios, que a demanda organizacional de lidar com a saúde
e o bem-estar do trabalhador, oriunda na tentativa de modernização do estilo administrativo, não encontrou, nos estagiários,
um preparo para analisar a situação a partir de determinantes
contextuais e organizacionais, nel11 para propor alternativas de
ação de caráter coletivo. Por isso, há um retorno a um nível de
análise individual.
o exercício do papel pro~issional na Psicologia Organi2acional e do Trabalho
Naqueles relatórios, classificados como em transição,
observamos um desenvolvimento do estágio muito próximo
àqueles classificados como do enfoque individualista, sendo que,
neles, há uma intenção de adotar um enfoque sistêmico, o que
não se realiza. Em alguns relatórios, há, inclusive, depoimento
do estagiário sobre insatisfações com o estágio.
O único estágio com o enfoque sistêmico, em 1996, realizou-se em uma empresa privada de serviços. É uma organização
sem fins lucrativos, que atua no campo do ensino, do treinamento
ocupacional e da assistência social. É um espaço de trabalho
diferenciado dos demais descritos nos outros relatórios.
No último ano analisado, apesar da manutenção da
tendência ao predomínio de estágio no setor privado, diminui
proporcionalmente a freqüência da aplicação do enfoque individualista, embora ele continue presente. Os estagiários relatam
seleção de pessoal, tanto como a principal atividade, quanto desenvolvida numa perspectiva de ajustar o indivíduo à organização
tal como ela é lO. A novidade é que os estagiários demonstram
ter consciência da limitação do que estão fazendo, apresentando
uma reflexão crítica sobre o assunto. Dessa forma, fica claro que
o foco está sendo determinado pela organização que sedia o estágio. Essas organizações são uma indústria e duas prestadoras
de serviços de Psicologia. A indústria atua num setor econômico
sem concorrência na região, tendo como modelo a organização
taylorista do trabalho. As prestadoras de serviços de Psicologia
se limitam ao atendimento das solicitações de seleção (principalmente) das organizações-clientes, partindo apenas do perfil
profissiográfico exigido para o cargo. A postura mais crítica dos
estagiários se manifesta, inclusive, na inquietude do estagiário
da indústria, que muda de local de estágio, e, no segundo local,
realiza estágio com enfoque sistêmico (em trânsito para o enfoque
político), desenvolvendo um trabalho consistente de acompanhamento do processo de mudança organizacional e estimulando a atuação participativa no processo decisório de empregados de baixo nível de instrução.
1" Há um conceito implícito de organização estática. NflO se guia por objetivos voltados para o
futuro, mas pela manlltençào do statllS {filO.
I 127
LIVla de Oliveira Borges
128
I
André" Carla Ferreira de Olivei'a
La Thude Wolvua Almeida de Mora's
A novidade, em 1999, é realmente o surgimento de estágios que f,nem a transição para o enfoque político e de um estágio
em que se usa eminentelnente esse enfoque. Os três estágios em
transição para tal abordagem realizaram-se no setor privado. Um
deles na mesma organização sem fins lucrativos onde, em 1996,
foi realizado estágio com enfoque sistêmico. A diferenciação reside
no fato de que o estagiário acrescentou, às atividades voltadas
internamente para organização, atividades com a categoria ocupacional cliente da organização. Nos outros dois, realizados em
uma empresa de transporte coletivo, os relatórios dos estagiários
demonstram uma com preensão da vinculação de suas atividades
às relações estratégicas da empresa no setor econõmico e na relação com a clientela e com a comunidade em torno da sede da
empresa. Além disseo, os estagiários desenvolveram atividades
de caráter preventivo em saúde e bem-estar, numa perspectiva
coletiva, abrangendo determinantes organizacionais. O estágio no
enfoque político ocorreu em uma organização pública: um órgão
de prestação de serviços de psicologia. No relatório, há o relato
de diagnóstico ocupacional desenvolvido em atendimento a um
sindicato.
Retomando as nossas questões de estudo, concluímos que
os relatórios de estágio indicam que os psicólogos, no contexto
organizacional e do trabalho, têm oportunidades diferenciadas
de realização de suas funções, de acordo com o local onde atuam.
Quando estão em empresas de prestação de serviços especializados de Psicologia, é a formação e a visão de mundo do estagiário
que determinam o que fazer e como fazer. Quando inseridos na
empresa beneficiária do serviço, é a confluência da formação com
o estilo gerencial e a demanda da organização que determinam o
enfoque. Existem, pois, possibilidades concretas de se desenvolver
um trabalho nos três enfoques descritos. Esses resultados pontuam
que, se há o interesse da instituição formadora de incentivar mais
um enfoque que o outro, ela precisa oferecer tanto um trabalho
de acompanhamento ao estagiário na escolha do local de estágio
quanto incentivar a realização de estágios no setor público e em
novos espaços, considerando que, nesses setares, é que se iniciam
ações inovadoras no enfoque.
o e"ercíCio do papel profiSsional na PSicologia Organj~acional e do Trabalho
2.2 Segunda etapa
Concluída a análise dos relatórios de estágio, ficamos com
uma nova questão: o fenõmeno de persistência da aplicação dos
três enfoques ocorre entre os psicólogos formados? A posição de
profissional altera a atuação?
Planejamos e realizamos, então, 8 entrevistas com profissionais de Psicologia que atuam no contexto das organizações e
do trabalho, distribuídos nos seguintes locais de atuação: uma
indústria, duas empresas de prestação de serviço de utilidade
pública, dois órgãos de prestação de serviços de Psicologia (um
privado e um público), uma organização de prestação de serviços
educacionais sem fins lucrativos, um hospital público e uma organização pública da administração direta. A diversidade de locais
escolhidos visava a aumentar a probabilidade de serem encontrados profissionais que aplicam os diversos enfoques. Procuramos
voltar aos mesmOS locais onde, segundo os relatórios, ocorreram
os diversos enfoques em 1999.
Depois das entrevistas realizadas (gravadas) e transCl-itas, desenvolvemos a análise de conteúdo com os mesmos
procedimentos da etapa anterior. Entretanto, não encontramos
profissional algum que trabalhasse eminentemente com enfoque
individualista, mas localizamos dois profissionais que atuavam
com um enfoque que transita entre a perspectiva individualista
e a sistêmica. Um deles está na organização de prestação de serviços educacionais sem fins lucrativos, o que surpreende, posto
que não seja o enfoque observado nos relatórios de estágio na
mesma organização. Ocorre que, nesse contexto, predominam
ações baseadas em uma análise com foco na organização, embora,
diante de problemas de bem-estar dos trabalhadores clientes
da organização, ela responde com ações baseadas em um foco
de análise ora individual, ora interpessoal, oferecendo, assim,
serviços de acompanhamento individual, de desenvolvimento
de habilidades interpessoais e de aplicação de técnicas de controle do estresse". O outro profissional que aplica o enfoque na
mesma transição está na administração pública direta. Depara-se
com o mesmo problema e apresenta o mesmo tipo de resposta
profissional. É interessante observar que, em ambos os casos, é
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Uvia de Oliveira Borges
130
I
Andréa Carla Ferreira de Oliveira
La Thude Wolwa Almeida de MoraiS
O exercício do papel profissional na Psicologia Organizacional e do Trabalho
possível pensar uma transição para o enfoque político, mas isso
necessariamente exige mudança na formação do profissional, pois
não é possível atuar como "agente econômico reflexivo", conforme
sugere Malvezzi (1999 e 2000), sem uma formação que permita
desenvolver uma análise situacional em múltiplos níveis, ou multidisciplinar. Portanto, nesses casos, antes que uma transição do
enfoque individualista para o sistêmico, parece ocorrer muito mais
uma vacilação do profissional que, sem saber como responder às
novas demandas, recorre ao enfoque mais tradicional.
Na empresa privada de prestação de serviço especializado em Psicologia, o enfoque é claramente sistêmico, embora
o profissional entrevistado se dedique exclusivamente à atividade
de seleção. Entretanto, ele planeja essa atividade e estabelece
uma relação com as empresas clientes, focalizando sua análise
na mudança organizacional, além de desenvolver, associado aos
demais profissionais da prestadora de serviços, o seu trabalho de
seleção de pessoal, articulando-o à prestação de outros serviços
mais abrangentes oferecidos às mesmas empresas clientes.
O profissional lotado no órgão público de prestação de
serviços especializados de Psicologia adota claramente um enfoque político. Parte de múltiplos focos de análise: o indivíduo,
a organização, o grupo e a ocupação. Trata dos conteúdos numa
perspectiva social sobre integração pessoal, comportamento
organizacional, saúde mental do trabalhador, saúde organizacional, valores organizacionais, cultura, capacidade propositiva,
estratégia organizacional, contrato psicológico e desenvolvimento
interpessoal. Suas ações são definidas como diagnóstico organizacional e de saúde ocupacional, treinamentos, desenvolvimento
interpessoal e seminários.
Os demais profissionais entrevistados estão na transição
entre o enfoque sistêmico e político. Partem, em algumas ações, de
uma compreensão no nível estratégico e político da organização,
porém não é esse enfoque o que predomina. Importa destacar
11
Designam-se,
pOl"
técnicas de controle do estrcssc, as ações desenvolvidas por profissionais
gllC
se baseiam na descarga do estresse, pro\'ocando alívio temporário ao indivíduo, mas nao trazem
a preocupação de identificar a fonte estrcssora, nem de desenvolver habilidades para intervir
ou modificar os estressores. Sao exemplos das técnicas de controle, ati\·idades de relaxamento,
exercícios físicos, recreações, entre outras.
que foram difíceis a localização e o acesso a um profissional que
atue no setor industrial, o que provavelmente indica que o profissional de psicologia tem migrado desse setor econômico para
outros. Mas entrevistamos um psicólogo que atua em uma indústria de porte médio, que praticamente não enfrenta concorrente
no mercado regional, embora nunca tenha sido local de estágio
entre os relatórios analisados.
Tal psicólogo está desenvolvendo um trabalho que apresenta indícios de mudança para o enfoque político. A organização
é de gestão familiar, com o setor de recursos humanos não-estruturado. O psicólogo atua com base numa análise dos fenômenos
de múltiplo foco: o individual, o grupal e a relação da organização com o mercado, havendo preocupação da instituição com
a qualidade do produto. Os conteúdos abordados na indústria
são relações interpessoais, mudança, demanda da organização,
estilo de gerenciamento, liderança, segurança, prevenção de
acidentes, 5 "S", qualidade total, Iso 9001, qualificação, democratização da ocupação de postos e habilidades. Tais conteúdos são
trabalhados por meio das atividades de recrutamento e seleção,
mediação na administração de conflitos, treinamentos, auditoria
ISO, aconselhamento, socialização de empregados e outros. A
organização configura-se como dinâmica e atenta às tendências
da conjuntura.
Dentre os entrevistados nas empresas prestadoras de
serviços de utilidade pública, é possível perceber que avançam
para um enfoque político. Apresentam uma gestão participativa
e maior relação da empresa com o seu exterior. As organizações
foram vistas como abertas, dinâmicas e sensíveis à conjuntura. Os
conteúdos abordam temas de comunicação, motivação, envolvimento com o trabalho, significado do trabalho, saúde no trabalho,
globalização, 5"S" , segurança, aprendizagem e administração de
tempo. Em uma das instituições, a ação de recrutamento e seleção
é pouco desenvolvida, dando lugar a ações de treinamentos, programas de qualidade total e outros, ao passo que, na outra, ainda
se desenvolvem muito as atividades de recrutamento e seleção,
luas tan1bém de treinamentos, participação da estruturação de
eventos, diagnósticos organizacionais, aconselhamentos e outros,
ambas com foco no individual, grupal e no contexto.
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Andrêa Cada Ferreira de Oliveira
la Thude Wolvua Almeida de Morais
Com base nos resultados acima, percebemos que nenhum
dos profissionais da amostra desenvolve, integralmente, atividades
com as características do enfoque individualista. No entanto,
provavelmente, devem existir organizações cuja atuação só seja
possível nesse enfoque, embora o profissional de Psicologia não
tenha neles permanecido. Persiste uma tendência a recorrer a
tal enfoque quando o profissional não é capaz de propor ações
noutro nível, o que corrobora a necessidade de um investimento
mais contínuo na própria qualificação, como aqueles que vêm estudando o papel do psicólogo têm apontado (por exemplo: Bastos
e Martins, 1990; Borges-Andrade, 1990; Bastos e Achcar, 1994;
ZaneIli, 1994 e 2002). O avanço para o enfoque político parece
mais forte no setor público, mas os resultados mostram que ele
pode ocorrer em todos os setores, inclusive no industrial.
3. Considerações finais
132 J
Os resultados encontrados aqui chamam a atenção para
o fato de os estagiários da POT terem melhores oportunidades
nos setores públicos e nos novos espaços, o que vai de encontro
da tendência de se recomendar ao estagiário buscar vagas em
organizações que já tenham um setor estruturado de atuação. Isso
significa que é importante por parte do curso de formação, intervir
e acompanhar o estagiário na busca de estágio, bem como exigir
do professor-supervisor acompanhá-lo de forma dlreta, próxima
à atividade de um supervisor de campo. Isso também fortalece a
idéia de adequação da manutenção de serviço de POT na própria
universidade, com o atendimento a organizações-clientes que,
nesse caso, deveriam ser preferencialmente do setor público ou
representar os novos espaços.
Quanto aos profissionais, compreendemos aqui que as
oportunidades percebidas bem como as dificuldades de formação
enfrentadas por eles demandam um investimento contínuo em
oportunidades de reciclagem e de formação pós-graduada, as
quais devem enfatizar o desenvolvimento da capacidade reflexiva
e propositiva (pró-ativa), bem como uma abordagem multidisciplinar sobre o mundo das organizações e do trabalho.
O e.ereieio 0'0 papel profissional na Psicologia Organizacional e do Trabalho
Avaliamos que o objetivo de estudar as funções ou atividades desempenhadas pelos psicólogos a partir dos enfoques
adotados foi alcançado e demonstrou que as opções teórico-metodológicas adotadas foram produtivas, permitindo-nos revelar a
evolução do setor, assinalar as tensões existentes entre o enfoque
com o qual o psicólogo se identifica e o ambiente organizacional
no qual se insere, bem como entre demandas existentes no mundo
do trabalho e a sua qualificação. Além disso, mostrou que já há
ações do psicólogo organizacional e do trabalho em N atai distintas
daquelas levantadas por Yamamoto et ai. (2001).
Destacamos, por fim, que o número de relatórios examinados e de entrevistas realizadas, tendo em vista as técnicas
utilizadas de análise de conteúdo, é de difícil avaliação quanto
à sua suficiência. Independentemente disso, ele não permite
generalizações e não há como avaliar sua representatividade em
relação à população. Além disso, como toda análise de conteúdo,
por mais cuidadosa que seja e mesmo realizada por uma equipe de
juízes (nesse caso, os três autores do artigo), não é isenta de vieses
de interpretação, nem dos vieses e singularidade dos autores do
discurso (ou fala) em análise. Portanto, é preciso perceber essas
limitações e evitar generalizações inadequadas. Além disso, sugere-se que, em novas pesquisas, se envolva o professor-supervisor
por meio de entrevistas, pois muito provavelmente ele tem uma
influência muito forte no enfoque aplicado pelo estagiário, e tal
aspecto não foi explorado por nós.
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