Contabilidade e Gestão, n.º 3, 7-32 Impacto da adopção das International Financial Reporting Standards: factores explicativos do nível de informação divulgada pelas empresas portuguesas cotadas Marta Alexandra Silva Guerreiro Escola Superior de Tecnologia e Gestão Instituto Politécnico de Viana do Castelo [email protected] (Recebido em 5 de Maio de 2006; Aceite em 26 de Julho de 2006) Resumo Após a emissão do Regulamento N.º 1606/2002 da Comissão Europeia que impõe a adopção das International Financial Reporting Standards (IFRS) às empresas cotadas dos Estados membros a partir de 2005, o Committee of European Securities Regulators (CESR) emitiu uma Recomendação, encorajando a divulgação de informação quantitativa nas suas demonstrações financeiras de 2004, relativa ao impacto da adopção destas normas na sua informação financeira. Neste estudo pretende-se aferir se as empresas portuguesas cotadas seguiram a Recomendação e analisar quais as características das empresas que apresentaram maiores níveis de divulgação. Para tal, foram realizadas análises univariadas, bivariadas e multivariadas. Os resultados indicam que apenas uma minoria das empresas seguiu a Recomendação, tendo a larga maioria optado por fornecer informação qualitativa sobre o impacto das IFRS. Concluiu-se ainda que são as empresas com maior dimensão, maior nível de internacionalização comercial, auditadas por empresas multinacionais de auditoria e com menores rácios de endividamento, aquelas que apresentam maiores níveis de divulgação. As conclusões do estudo contribuem para a identificação do tipo de empresas menos empenhadas no processo de transição para as IFRS, realçando a importância da existência de mecanismos de enforcement em Portugal, que garantam que todas as empresas cotadas seguem de modo efectivo as normas à luz das quais informam estar elaboradas as suas demonstrações financeiras. Palavras-chave: Harmonização contabilística; Divulgação; Cumprimento; IFRS; Portugal. 7 Impact of the International Financial Reporting Standards Adoption: Motivations for Information Disclosure by Portuguese Listed Companies Abstract After the publication of the European Commission Regulation No 1606/2002, which requires the adoption from 2005 onwards of International Financial Reporting Standards (IFRS) by the listed companies of the European Union (EU) member states, the Committee of European Securities Regulators (CESR) published a Recommendation, which encouraged companies to disclose the necessary quantitative information on the impact of the change to IFRS in their 2004 financial statements. This paper seeks to verify if Portuguese listed companies followed the Recommendation and to uncover the characteristics that are associated with their disclosure level. Univariate, bivariate and multivariate analyses were made for that purpose. Results show that few companies followed the Recommendation, and that the majority chose to disclose qualitative information. The disclosure level of Portuguese listed companies concerning the impact of the change to IFRS was found to be related to size, level of commercial internationalization, auditor type and leverage. The findings of this research help to identify the characteristics of the companies that are less motivated in the transition process to IFRS and that are in demand for stronger attention. The findings also enhance the importance of enforcement mechanisms to ensure IFRS are applied in a correct way. Keywords: Accounting Harmonization, Disclosure, Compliance, IFRS, Portugal. 8 1. INTRODUÇÃO O processo de globalização, caracterizado pelo aumento das transacções internacionais comerciais e financeiras e pela crescente interdependência entre os agentes económicos de todo o mundo, está na origem da actual tendência para adoptar um núcleo de normas de contabilidade internacionalmente aceites. Esta tendência reflecte a necessidade de informação financeira harmonizada a nível internacional. O conceito de harmonização contabilística pode ser definido como um processo que visa reduzir as diferenças nas práticas contabilísticas aplicadas nos diversos países, de modo a atingir a comparabilidade da informação financeira. As demonstrações financeiras podem ser harmonizadas através de normas contabilísticas que estabeleçam limites às diferenças que podem existir. Deste modo, as normas são um meio para alcançar a harmonização contabilística (Van der Tas, 1988, 1992; Tay e Parker, 1990). As mudanças que estão em curso nos sistemas normativos de vários países no sentido da harmonização contabilística, designadamente, nos países da União Europeia, são o resultado da actuação de dois organismos fundamentais: o International Accounting Standards Board (IASB) e a Comissão Europeia. O IASB surgiu em 1973, e desde então tem procurado manter uma melhoria contínua das suas normas, assente numa estrutura conceptual orientadora dos princípios básicos a seguir. Em 2000, a International Organization of Securities Commission (IOSCO) recomendou aos seus membros a aceitação de demonstrações financeiras elaboradas de acordo com trinta normas do IASB, reconhecidas como de elevada qualidade, dotando-as assim de poder coercivo. A influência da IOSCO no trabalho do IASB evidencia a orientação das IFRS1 para a protecção dos interesses dos investidores e para um sistema global de divulgação de informação financeira que facilite o acesso a capitais. Com a reestruturação interna que realizou em 2001, o IASB procurou alcançar uma maior legitimidade das suas normas, aumentando a participação dos diversos interessados em informação financeira harmonizada. Desta forma, o IASB é actualmente o principal organismo privado emissor de normas internacionais de contabilidade, sendo a preponderância da sua actuação globalmente reconhecida (Volker, 2002). A União Europeia começou por emitir Directivas Comunitárias na década de setenta, com o objectivo de alcançar uma informação financeira harmonizada entre os seus Estados-Membros, necessária à concretização de um 9 mercado comum. São de salientar a Quarta e a Sétima Directivas, que foram emitidas com o intuito de harmonizar as leis nacionais relativas às normas contabilísticas e que orientam a elaboração das demonstrações financeiras individuais e consolidadas, respectivamente. No entanto, a sua adaptação às leis nacionais dos Estados-Membros foi significativamente influenciada pelas tradições contabilísticas locais. Assim, apesar de nesta primeira fase ter ocorrido um aumento da harmonização formal na União Europeia, principalmente dos requisitos de divulgação, o efeito das directivas foi bastante inferior ao esperado (Archer et al., 1995; Cañibano e Mora, 2000; Emenyonu e Gray, 1992; Van der Tas, 1992). Em 1995, reconhecendo a insuficiência da sua actuação e a complexidade do processo de harmonização contabilística, a União Europeia optou por uma aproximação ao IASB. Em 2002, a União Europeia emitiu um Regulamento que marcou o início da concretização da estratégia definida ao nível da harmonização contabilística europeia: o Regulamento (CE) N.º 1606/2002 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 19 de Julho de 2002 (CCE, 2002). Este regulamento impõe a obrigatoriedade das sociedades, cujos valores mobiliários estejam cotados num mercado regulamentado de qualquer Estado-Membro, de utilizarem as normas do IASB na elaboração das suas demonstrações financeiras consolidadas a partir de 2005. Este prazo poderia ser alargado até 2007 em duas situações: 1) quando as sociedades estão cotadas em simultâneo num mercado regulamentado em qualquer país terceiro e que, à data da publicação do Regulamento, aplicavam outro conjunto de normas internacionalmente aceites; e 2) quando as empresas apenas tenham à cotação títulos de dívida. O Regulamento permite ainda a cada Estado-Membro a opção de alargar a obrigatoriedade da utilização das IFRS à elaboração das contas anuais individuais das empresas cotadas e/ou às contas consolidadas e individuais das empresas não cotadas. Em 2003, o CESR emitiu uma Recomendação (CESR, 2003), encorajando as empresas cotadas a divulgar informação relativa ao processo de transição para as IFRS. Este documento propõe que as empresas cotadas incluam no Relatório e Contas relativo a 2003 uma descrição de como pretendem efectuar a transição para as IFRS e no Relatório e Contas de 2004 elementos quantitativos sobre o impacto da adopção destas normas na informação financeira desse ano. O objectivo era dotar os investidores da informação necessária à correcta percepção do impacto da adopção das IFRS. No presente artigo, pretende-se aferir se as empresas portuguesas cotadas se comportaram de modo idêntico na forma como comunicaram com o mercado bolsista durante o período de preparação para a adopção das IFRS. 10 Mais especificamente, os objectivos são: 1) averiguar se as empresas seguiram a Recomendação do CESR na elaboração das suas demonstrações financeiras de 2004, e 2) caracterizar o tipo de empresas que cumpriram a Recomendação e que divulgaram informação mais pormenorizada relativa ao impacto da adopção das IFRS na sua informação financeira. Diversos estudos constataram que empresas com determinadas características tendem a adoptar determinados comportamentos na forma como lidam com as IFRS. Ao nível das empresas cotadas portuguesas, Guerreiro e Rodrigues (2004) analisaram o seu grau de preparação para a adopção das IFRS em 2005, tendo concluído que um maior grau de preparação estava relacionado com maior dimensão, maior internacionalização comercial, menor rendibilidade e auditorias realizadas por empresas multinacionais. Com este artigo, pretende-se colmatar o vazio que actualmente existe na literatura, no que respeita a estudos que analisem o comportamento das empresas ao nível da divulgação de informação sobre a adopção das IFRS. Compreender as características das empresas que procuram cumprir as disposições nesta matéria, e se interessam por informar os utilizadores da sua informação financeira sobre a forma como a adopção das IFRS afectará essa informação, fornece uma indicação sobre o tipo de empresas portuguesas que estão à partida mais comprometidas em proceder correctamente no âmbito dessa adopção. Nos próximos anos, inúmeras empresas adoptarão as IFRS (ver Deloitte, 2006). Os Estados Unidos, o Canadá, a China e muitos outros países estão a aproximar as suas normas às normas do IASB. A Nova Zelândia estabeleceu a obrigatoriedade das empresas cotadas adoptarem as IFRS na elaboração das suas demonstrações financeiras cotadas, a partir de 2007. A Bélgica prevê a adopção das IFRS na elaboração das demonstrações financeiras consolidadas das empresas não cotadas e a aproximação do seu normativo às normas do IASB. O presente estudo pretende contribuir para a compreensão do tipo de empresas que se interessa por divulgar a informação necessária à percepção do impacto das IFRS nas suas demonstrações financeiras, durante o período que antecede a sua adopção. O artigo é composto por seis secções. Na secção seguinte expõe-se resumidamente a evolução do sistema contabilístico português. No ponto 3 apresenta-se o enquadramento teórico e as hipóteses do estudo. O universo, a amostra do estudo e a metodologia encontram-se descritos no ponto 4. No ponto 5 é apresentado o estudo empírico realizado, o qual é composto por três análises complementares: análise univariada, bivariada e multivariada. As conclusões são apresentadas no ponto 6. 11 2. A EVOLUÇÃO EM PORTUGAL DA HARMONIZAÇÃO CONTABILÍSTICA O sistema contabilístico português é tradicionalmente classificado como pertencente ao grupo de países com influência continental europeia com uma estrutura baseada no Direito Romano (Gernon e Bindon; 1992; Jarne, 1997; Mueller et al., 1997; Nobes e Parker, 1998; Salter e Doupnik, 1992). O primeiro Plano Oficial de Contabilidade (POC) português surgiu em 1977, o qual denotava uma forte influência francesa. Este POC foi alterado em virtude da introdução na lei nacional do disposto na Quarta Directiva, o que conduziu a uma nova versão, aprovada pelo Decreto-lei n.º 410/89, de 21 de Novembro. Posteriormente, o disposto na Sétima Directiva conduziu à introdução de dois novos capítulos no POC (capítulos 13 e 14), introduzidos pelo Decreto-Lei n.º 238/91, de 2 de Julho. Desde então, Portugal tem vindo a acompanhar os desenvolvimentos internacionais no âmbito da harmonização contabilística através da introdução de Directrizes Contabilísticas no seu normativo. Estas normas, emitidas pela Comissão de Normalização Contabilística, têm por objectivo colmatar as lacunas existentes no POC, tendo a maioria origem nas normas do IASB e, reflectindo portanto, uma influência anglo-saxónica. Simultaneamente, têm sido publicados diversos Decretos-Lei com o intuito de diminuir as divergências entre o sistema contabilístico português e as normas do IASB. O mais recente, o Decreto-Lei n.º 35/2005 de 17 de Fevereiro, estabeleceu as condições em que as IFRS são adoptadas em Portugal, no âmbito do Regulamento (CE) N.º 1606/2002, transpondo para a ordem jurídica interna a Directiva 2003/51/CE. Assim, foram efectuadas diversas alterações no POC que visam a eliminação de determinadas divergências com as IFRS, nomeadamente ao nível das provisões e da contabilização de eventos subsequentes à data do fecho de contas. Este Decreto-Lei contém também diversas disposições que definem quais as demonstrações financeiras que devem seguir as normas do IASB, das quais se destacam 1) a obrigatoriedade da adopção das IFRS na elaboração das contas consolidadas das empresas cotadas, deixando de ser exigido que estas demonstrações financeiras sigam a regulamentação nacional, e 2) a obrigatoriedade das empresas que optem por utilizar as IFRS na elaboração das suas demonstrações financeiras individuais, manterem a sua contabilidade organizada de acordo com o normativo contabilístico nacional, de modo a calcularem o resultado contabilístico que serve de base ao apuramento do lucro tributável. Em Portugal, tal como na maioria dos países europeus, a relutância em adoptar as IFRS na elaboração das contas individuais é justificada pela for12 te ligação que existe entre a contabilidade e a legislação fiscal. Um dos principais objectivos das normas do IASB é responder às necessidades de informação dos mercados de capitais. Essas necessidades diferem das necessidades das autoridades fiscais, sendo de extrema importância o reconhecimento das diferenças existentes entre os objectivos da informação financeira e os objectivos da informação que deve servir de base à tributação das empresas (Guenther e Hussein, 1995). Simultaneamente, o sistema contabilístico português continua a reflectir a influência continental europeia que está na sua génese. Apesar da aproximação do sistema contabilístico português às normas do IASB (Fontes et al., 2005; Pereira et al., 2001), a adopção das IFRS exige às empresas portuguesas um esforço adicional para se adaptarem a normas cuja estrutura conceptual é eminentemente anglo-saxónica. De acordo com Abd-Elsalam e Weetman (2003) o problema da “não familiarização” com as normas do IASB é maior em países em que a abordagem das IFRS é bastante diferente da tradição local, tendo uma relação significativa com a atitude que as empresas têm perante estas normas2. No contexto actual, as empresas portuguesas cotadas poderão limitar-se a alterar as contas individuais nas divergências mais evidentes entre o normativo nacional e as IFRS, efectuando a consolidação de contas com base nesses valores ajustados. Todavia, a estrutura conceptual do IASB e a influência anglo-saxónica presente nas IFRS exige outro tipo de abordagem à contabilidade, para que as demonstrações financeiras sejam coerentes à luz das normas com as quais dizem estar de acordo. 3. ENQUADRAMENTO TEÓRICO E HIPÓTESES DO ESTUDO A literatura que relaciona a adopção das IFRS e as características das empresas é bastante extensa (e.g. Abd-Elsalam e Weetman, 2003; Ashbaugh, 2001; Dumontier e Raffounier, 1998; El-Gazzar et al., 1999; Leventis e Weetman, 2004; Murphy, 1999; Street e Gray, 2002). Esta literatura baseia-se em diversas teorias, nomeadamente, na teoria da agência, na teoria dos custos políticos e na teoria da sinalização, para justificar as opções tomadas pelas empresas ao nível da divulgação financeira, voluntária e obrigatória. Dumontier e Raffounier (1998), El-Gazzar et al. (1999) e Murphy (1999) são alguns dos autores que procuraram identificar as motivações das empresas para adoptarem voluntariamente as IFRS. Estes estudos analisaram a associação existente entre a adopção voluntária das normas do IASB e determinadas características empresariais, tais como a dimensão, a interna13 cionalização comercial, o tipo de auditor, a rendibilidade, o nível de endividamento ou a cotação em mercados internacionais. Estes autores concluíram que determinadas características empresariais estão significativamente relacionadas com uma maior propensão para adoptar as IFRS, influenciando portanto a escolha do núcleo de normas utilizadas pelas empresas. Street e Gray (2002) analisaram a relação existente entre determinadas características empresariais, como a dimensão, a cotação internacional, a rendibilidade, a indústria, o tipo de auditor, o país de origem, entre outras, e o cumprimento das IFRS por empresas de diversos países que referiam utilizar estas normas nas suas demonstrações financeiras. As conclusões apontam para maiores níveis de cumprimento por parte de empresas cotadas internacionalmente, auditadas por empresas multinacionais de auditoria, que pertencem às indústrias de transportes, telecomunicações e electrónica, que referiam utilizar exclusivamente as IFRS, e que pertencem a determinados países, como a China e a Suíça. Diversos autores defendem ainda que as empresas utilizam o Relatório e Contas como um mecanismo para disseminar informação financeira discricionária, sendo uma parte importante do processo de criação de uma determinada imagem de modo a influenciar stakeholders externos (e.g. Botosan, 1997; Leventis e Weetman, 2004). Com efeito, a teoria positiva da contabilidade enunciada por Watts e Zimmerman (1978) argumenta que empresas com características diferentes adoptam práticas distintas de mensuração e de divulgação. Neste contexto, pretende-se analisar quais as características das empresas portuguesas cotadas que apresentam maiores níveis de divulgação de informação sobre a transição para as IFRS, entendendo-se por nível de divulgação, a quantidade de informação divulgada. Em Portugal, a adopção das normas do IASB implica alterações na estrutura das demonstrações financeiras assim como no reconhecimento e na mensuração de diversos elementos das demonstrações financeiras. Assim, as empresas portuguesas cotadas deveriam incluir nas suas demonstrações financeiras de 2004 dados sobre o impacto quantitativo nas suas contas das várias alterações que a adopção das IFRS provoca, nomeadamente, no reconhecimento de activos intangíveis, na mensuração dos instrumentos financeiros ou na mensuração do “goodwill”3. A divulgação de informação adicional sobre estas alterações deverá auxiliar os utilizadores da informação financeira a compreender melhor todo processo de transição para as IFRS. De seguida apresentam-se as hipóteses do estudo e a sua justificação 14 de acordo com os argumentos utilizados pela literatura sobre práticas de divulgação. Dimensão A influência da dimensão nas práticas de divulgação das empresas está relacionada com diversos argumentos. As empresas com maior dimensão têm custos políticos mais elevados (Watts e Zimmerman, 1978), pelo que tendem a divulgar mais informação financeira para aumentar a confiança na empresa e reduzir esses custos políticos4. Simultaneamente, as empresas de grande dimensão possuem maiores recursos, quer financeiros quer humanos, o que lhes permite elaborar informação mais detalhada. O custo de divulgar informação pormenorizada é inferior para as empresas de grande dimensão, uma vez que a produziriam à partida para fins internos (Singhvi e Desai, 1971). No processo de transição para as IFRS este argumento assume uma importância especial, uma vez que a complexidade das empresas de grande dimensão exige que possuam um plano bem delineado para efectuar a transição e que realizem com antecedência uma avaliação dos impactos da alteração, nomeadamente, uma avaliação das necessidades de formação dos recursos humanos, das alterações nos sistemas de informação e das alterações nas demonstrações financeiras. Assim, divulgar a informação que produziram para fins internos não implica custos de divulgação adicionais muito elevados. Por fim, as empresas com maior dimensão tendem a divulgar mais informação, uma vez que a sua competitividade é menos afectada do que a das empresas de pequena dimensão, cuja informação financeira constitui uma das mais importantes fontes de informação para a concorrência. H1: O nível de divulgação sobre o processo de transição para as IFRS aumenta com a dimensão das empresas. Internacionalização comercial Quanto maior é a internacionalização comercial das empresas maior é a diversidade dos utilizadores da sua informação financeira. Como as empresas com maior grau de internacionalização comercial têm maior visibilidade no mercado internacional, o nível de divulgação deve ser mais elevado de modo a diminuir o risco de interpretações incorrectas por parte desses utilizadores (Dumontier e Raffounier, 1998; El-Gazzar et al., 1999; Murphy, 1999). Simultaneamente, de acordo com Cooke (1989), as empresas que 15 operam no espaço internacional tendem a possuir melhores sistemas de gestão devido à complexidade das suas operações. Assim, estas empresas terão necessidade de avaliar as alterações implícitas no processo de transição para as IFRS e, consequentemente, divulgarão mais facilmente informação nesse âmbito. H2: O nível de divulgação sobre o processo de transição para as IFRS aumenta com a internacionalização comercial das empresas. Endividamento Diversos autores (El-Gazzar et al., 1999; Murphy, 1999; Zarzeski, 1996) advogam que as empresas com rácios de endividamento elevados transmitem informação aos seus credores, que são primordialmente bancos, através de canais informais. Por outro lado, quando as empresas se financiam prioritariamente com capitais próprios, têm necessidade de transmitir a informação financeira através da sua divulgação pública, tendo maior propensão para utilizar as IFRS. No entanto, esta opinião não é consensual. Dumontier e Raffounier (1998), com base na teoria da agência (Jensen e Meckling, 1976), defendem o argumento inverso. Estes autores consideram que as empresas mais endividadas podem ver as IFRS como uma forma de melhorar as relações de agência existentes entre os credores e os accionistas, uma vez que estas normas dificultam o alisamento dos resultados. Assim, de acordo com estes autores, as empresas com maiores rácios de endividamento têm uma atitude mais favorável perante as IFRS, comparativamente às empresas que se financiam prioritariamente através de capitais próprios, dado que os seus principais financiadores beneficiam com a utilização das IFRS. Por conseguinte, nesta hipótese não é definido o sentido da relação existente entre o rácio de endividamento e o nível de divulgação sobre a transição para as IFRS. H3 : O nível de divulgação sobre o processo de transição para as IFRS está relacionado com o endividamento das empresas. Rendibilidade De acordo com Watts e Zimmerman (1978), as empresas que apresentam maiores níveis de rendibilidade estão sujeitas a maiores custos políticos. Empresas com rendibilidades elevadas têm necessidade de conferir credibilidade 16 a esses valores, pelo que tendem a divulgar mais informação para que o mercado compreenda como foram alcançados esses níveis de rendibilidade. H4: O nível de divulgação sobre o processo de transição para as IFRS aumenta com a rendibilidade das empresas. Tipo de auditor As empresas multinacionais de auditoria têm acompanhado de perto o processo de harmonização contabilística internacional até aos dias de hoje. Os seus recursos humanos e as suas metodologias adaptaram-se à utilização das IFRS. Simultaneamente, estas empresas têm uma reputação de qualidade e independência que pretendem manter. Por estes motivos, e para evitar custos de reputação, as empresas multinacionais de auditoria tendem a exigir aos seus clientes maiores níveis de divulgação (Singhvi e Desai, 1971; Chalmers e Godfrey, 2004). Assim, pode-se depreender que as empresas que são auditadas pelas “Big-Four” tendem a divulgar mais informação financeira de um modo geral, e em particular, mais informação sobre a transição para as IFRS. H5: O nível de divulgação sobre o processo de transição para as IFRS aumenta quando as empresas são auditadas por uma empresa multinacional de auditoria (“Big-Four”). Cotação internacional As empresas cotadas em mercados financeiros estrangeiros têm necessidade de fornecer informação pormenorizada aos utilizadores da sua informação financeira desses mercados. Assim, estes podem compreender mais facilmente as empresas estrangeiras e ter informação que de outro modo dificilmente conseguiriam. Se os níveis de divulgação forem reduzidos, os investidores podem associar às empresas um risco maior do que aquele em que realmente incorrem, por não compreenderem as suas demonstrações financeiras. Assim, níveis de divulgação mais elevados estão associados à redução do custo de capital (Botosan, 1997; Cooke, 1989). No momento de transição para as IFRS, em que as demonstrações financeiras terão várias alterações no seu conteúdo e estrutura, a divulgação de informações sobre este processo assume especial relevância. H6: O nível de divulgação sobre o processo de transição para as IFRS aumenta quando as empresas são cotadas em mercados financeiros estrangeiros. 17 Sector de actividade Watts e Zimmerman (1990) defendem que os custos políticos estão relacionados com o sector de actividade, uma vez que este, por sua vez, está relacionado com a dimensão. Assim, pertencer a um determinado sector de actividade conduz as empresas a determinadas práticas de divulgação de modo a lidarem com estes custos. Esta ideia é partilhada por Rahman et al. (2002) que argumentam que a influência do sector de actividade nas práticas de divulgação pode estar associada a outras características das empresas, como a dimensão e as perspectivas de crescimento. De acordo com a teoria da sinalização (Ross, 1977), a informação divulgada pelas empresas reduz a assimetria de informação, o que pode ser interpretado como um bom sinal pelo mercado. Assim, as empresas que pertencem ao mesmo sector de actividade estão interessadas em divulgar pelo menos o mesmo nível de divulgação das empresas concorrentes de modo a não serem prejudicadas na avaliação efectuada pelo mercado. H7: O nível de divulgação sobre o processo de transição para as IFRS está relacionado com o sector de actividade da empresa. 4. O UNIVERSO, A AMOSTRA E A METODOLOGIA As empresas em estudo consistem nas empresas com acções cotadas na Euronext Lisbon em 31 de Dezembro de 2004, no Mercado de Cotações Oficiais – 49 empresas e no Segundo Mercado – 7 empresas, as quais totalizam 56 empresas. Todavia, não foi possível aceder às demonstrações financeiras de uma empresa cotada no Segundo Mercado, e duas das empresas do Mercado de Cotações Oficiais já utilizavam as IFRS na elaboração das suas demonstrações financeiras. A amostra do estudo ficou constituída pelas restantes 53 empresas. No sentido de conhecer algumas características das empresas da amostra, apresenta-se na Tabela 1 dados descritivos do valor do activo total (em milhares de euros), do volume de negócios (em milhares de euros) e do número de empregados, para o exercício de 2004. Da análise da tabela depreende-se que as empresas da amostra apresentam valores com uma amplitude bastante elevada em termos de activo total, volume de negócios e número de trabalhadores, indicando que a dimensão das empresas em análise varia significativamente. 18 Tabela 1: Dados descritivos da amostra Activo total (Milhares de euros) Volume de negócios (Milhares de euros) Número de empregados Média 9.604.793 978.763 5.181 Mediana 402.928 245.658 1.550 Desvio Padrão 30.598.294 1.682.040 9.797 Mínimo 5.120 355 107 Máximo 203.207.349 6.699.294 52.799 A análise empírica incidiu sobre as demonstrações financeiras das empresas cotadas relativas ao exercício de 20045. Em primeiro lugar, foi efectuada uma análise descritiva para aferir o número de empresas que cumpriram a Recomendação do CESR no âmbito da divulgação do processo de transição para as IFRS. Posteriormente, foram realizadas três análises complementares para compreender quais as características das empresas que divulgaram mais informação sobre o processo de transição: • Análise univariada: as empresas foram divididas em duas amostras (as que divulgaram informação sobre o processo de adopção das IFRS e as que não fizeram qualquer referência), tendo-se aferido a existência de diferenças entre estas duas amostras ao nível das características das empresas. Tal foi realizado através dos testes de Mann-Whitney e do Qui-Quadrado; • Análise bivariada: definido o nível de divulgação como uma variável ordinal (que oscila de zero a três), analisou-se a correlação existente entre esta variável e as características das empresas através dos coeficientes de correlação não paramétricos ρ (rho) de Spearman e τ - b (tau – b) de Kendall; • Análise multivariada: para aferir se as características das empresas explicam no seu conjunto os níveis de divulgação apresentados, procedeuse à estimação de regressões ordinais, com o nível de divulgação como variável dependente, e as características das empresas como variáveis independentes. 5. ANÁLISE EMPÍRICA 5.1 Análise da divulgação nos Relatórios e Contas de informação quantitativa sobre a transição para as IFRS A análise dos Relatórios e Contas das empresas da amostra revelou que 15 empresas (28%) não divulgaram qualquer informação relativamente ao 19 processo de adopção das IFRS, tendo as restantes 38 empresas divulgado informação. De acordo com a Recomendação do CESR, as empresas deveriam divulgar nas suas demonstrações financeiras de 2004 quais as rubricas que têm alterações nos seus valores quando são adoptadas as IFRS em vez das normas nacionais, assim como quantificar o impacto dessa mudança. No entanto, constata-se que as 38 empresas que divulgaram informação fizeram-no de formas diversas. Neste sentido, procedeu-se à classificação da informação divulgada de acordo com a sugestão de Aisbitt e Walton (2005): – Mínima: menciona o processo de transição sem referir quais as rubricas que terão alterações ao nível do reconhecimento e mensuração; – Média: identifica as rubricas que vão ter alterações ao nível do reconhecimento e mensuração; – Detalhada: identifica as rubricas que terão alterações e quantifica o impacto da adopção das IFRS. Apesar desta classificação ser subjectiva, mostrou-se de extrema utilidade na análise do tipo de informação divulgada, uma vez que as empresas mencionaram o assunto das mais diversas formas, mas a utilidade da informação divulgada enquadra-se na classificação utilizada. Relativamente às empresas que optaram por divulgar informação sobre o processo de transição para as IFRS, 18 empresas (34%) divulgaram o mínimo de informação relativamente a este processo. Este tipo de divulgação normalmente refere os procedimentos de preparação que estão a ser empreendidos, nomeadamente, a formação dos recursos humanos, identificação das principais diferenças nas políticas contabilísticas e alteração dos sistemas de informação. Relativamente às empresas que divulgaram um nível médio de informação (9 empresas, 17%), é de salientar que as explicações fornecidas relativas às alterações que ocorrerão nas rubricas são bastante detalhadas, principalmente nos Relatórios e Contas das instituições financeiras. Este tipo de divulgação explica por diversas vezes o procedimento utilizado de acordo com o normativo contabilístico nacional, o procedimento a utilizar de acordo com as normas do IASB e como serão efectuadas as alterações. 20 Por fim, 21% das empresas (11) divulgaram informação detalhada (de acordo com a Recomendação do CESR). Estas empresas identificaram as rubricas que têm alterações com a adopção das IFRS, divulgando os seus valores em concordância com o normativo nacional, e que constam nas demonstrações financeiras de 2004, e os seus valores de acordo com as IFRS, tendo em conta as disposições previstas na IFRS 1 (2003) – Adopção pela Primeira Vez das Normas Internacionais de Relato Financeiro. 5.2 Caracterização das empresas face aos níveis de divulgação De acordo com o objectivo estabelecido de aferir a existência de uma relação entre os níveis de divulgação no âmbito da adopção das IFRS e determinadas características das empresas, apresentam-se de seguida as variáveis do estudo, de acordo com as hipóteses definidas. 5.2.1 Definição das variáveis A variável dependente do estudo consiste no nível de informação divulgado pelas empresas relativamente ao seu processo de transição para as IFRS. Como referido anteriormente, os níveis de divulgação apresentados podem ser quatro, aos quais corresponde um valor: – nenhuma informação: 0; – divulgação mínima: 1; – divulgação média: 2; – divulgação detalhada: 3. Neste sentido, a variável dependente consiste numa variável ordinal [DIV], que pode assumir os valores inteiros 0, 1, 2 e 3. Ou seja: DIV = i, com i = 0, 1, 2, 3 As características empresariais constituem as variáveis independentes do estudo, de acordo com as hipóteses estabelecidas, sendo apresentadas na Tabela 2. 21 Tabela 2: Variáveis independentes Variável Medida Influência esperada DIM – Dimensão Activo total ou volume de negócios total + INTC - Internacionalização comercial Volume de negócios com o estrangeiro / Volume de negócios total + END – Endividamento Passivo / Activo ---- REND – Rendibilidade Resultado líquido / Capital próprio + AUD - Tipo de auditor 1 – Multinacional de auditoria (“Big Four”) 0 – Não “Big-Four” + COT - Cotação em mercados financeiros estrangeiros 1 – Cotada em mercados estrangeiros 0 – Cotada apenas em Portugal + SACT - Sector de actividade6 1 – Financeira 0 – Não-financeira ---- Antes de realizar testes estatísticos, aferiu-se a existência de outliers, isto é, de valores extremos nas variáveis e de casos extremos (casos com combinações de valores não usuais). Ao nível das variáveis, verificámos a presença de valores extremos na variável DIM, medida pelo volume de negócios, e na variável END. Ao nível dos casos, constatámos a presença de dois casos extremos. Nas variáveis, o problema foi ultrapassado através da sua transformação de acordo com a sugestão de Tabachnick e Fidell (2001) (calculando a raiz quadrada das variáveis consegue-se reduzir/eliminar o número de outliers e interpretar os resultados de forma similar às variáveis originais). Simultaneamente, os dois casos foram eliminados. Assim, a variável DIM será medida pelo activo total ou pela raiz quadrada do volume de negócios, e a variável END será medida pela raiz quadrada do endividamento. A amostra final é constituída por 51 casos. 5.2.2 Distinção entre as empresas que divulgaram informação e as empresas que não divulgaram informação Pretendeu-se compreender, em primeiro lugar, se existem diferenças nas características das empresas que divulgaram informação no âmbito do processo de transição para as IFRS, comparativamente às empresas que não o fizeram. Assim, foi criada uma variável dicotómica, designada por “DIVa”. Esta variável tem dois valores possíveis: 0, se a empresa não divulgou informação e 1, se a empresa divulgou informação. A análise de diferenças entre duas amostras (a amostra das empresas que divulgaram informação e a amostra das empresas que não divulgaram 22 informação) ao nível das variáveis independentes, pode ser realizada através do teste T-Student, quando as variáveis independentes são contínuas e seguem uma distribuição normal, ou através do teste de Mann-Whitney quando são contínuas mas não seguem uma distribuição normal, e através do teste do Qui-Quadrado quando se trata de variáveis dicotómicas (Hill e Hill, 2000). Assim, começou-se por aferir a normalidade da distribuição das variáveis DIM, INTC, ENDV e REND através dos testes Komolgorov-Smirnov e Shapiro-Wilk. Os resultados dos testes indicam que nenhuma das variáveis segue uma distribuição normal (p-value = 0.000). Como tal, as diferenças existentes ao nível da variável DIVa foram avaliadas usando o teste de Mann-Whitney para as variáveis contínuas e o teste do Qui-Quadrado para as variáveis dicotómicas. Os resultados da análise univariada são apresentados na Tabela 3. Tabela 3: Resultados da análise univariada Variável Teste Estatística Activo Mann-Whitney Z = -2,406 P-value=0,016** √ Vol. Neg. Mann-Whitney Z = -2,470 P-value=0,014** INTC Mann-Whitney Z = -2,394 P-value=0,017** END: √ Endividamento Mann-Whitney Z = -1,435 P-value=0,151 REND Mann-Whitney Z = -1,469 P-value=0,142 AUD Qui-quadrado x = 3,110 P-value=0,099* COT Qui-quadrado x2 = 2,098 P-value= 0,305 SACT Qui-quadrado x2 = 0,706 P-value=0,657 DIM 2 ** Estatística significativa a um nível de 0,05 (bilateral) * Estatística significativa a um nível de 0,10 (bilateral) Analisando a tabela pode-se concluir que, para um nível de significância estatística de 5%, existem diferenças entre as empresas que divulgaram informação relativamente às empresas que não divulgaram informação, em termos de dimensão e do nível de internacionalização comercial. Para um nível de significância estatística de 10%, o tipo de auditor também constitui uma característica distintiva. É de salientar que, apesar desta análise confirmar que as empresas que optaram por divulgar informação são diferentes das empresas que optaram por não divulgar informação, não fornece qualquer indicação sobre a tendência da relação. A análise bivariada complementa assim estes resultados. 23 5.2.3 Análise bivariada da relação entre o nível de divulgação e cada característica empresarial Com o intuito de aferir qual a relação existente entre o nível de divulgação de informação das empresas sobre o processo de transição para as IFRS e as suas características, de acordo com as hipóteses estabelecidas, procedeu-se a uma avaliação das correlações individuais entre a variável DIV e as variáveis representativas das características empresariais. Uma vez que se trata da correlação entre uma variável ordinal e uma variável contínua ou dicotómica, é necessário recorrer a testes não paramétricos. Assim, foram calculados o coeficiente de correlação ρ de Spearman e o coeficiente de correlação τ - b de Kendall. Os resultados são apresentados na Tabela 4. Tabela 4: Resultados da análise bivariada Tau-b de Kendall Variável DIM Activo Coeficiente de correlação P-value Rho de Spearman Coeficiente de correlação P-value 0,166 0,122 0,221 0,119 √ Vol. Neg. 0,202 0,059* 0,277 0,049** INTC 0,210 0,053* 0,279 0,047** END: √ Endividamento -0,202 0,059* -0,256 0,069* REND 0,062 0,559 0,093 0,516 AUD 0,266 0,040** 0,291 0,038** COT -0,141 0,278 -0,154 0,282 SACT 0,105 0,418 0,115 0,423 ** Estatística significativa a um nível de 0,05 (bilateral) * Estatística significativa a um nível de 0,10 (bilateral) Os resultados da análise bivariada confirmam os resultados da análise univariada, mostrando que existem diferenças no comportamento de divulgação das empresas em função de determinadas características, quando este comportamento é classificado ordinalmente numa escala de zero a três. As características distintivas são idênticas às identificadas na análise univariada, designadamente, a dimensão (medida pela raiz quadrada do volume de negócios), a internacionalização comercial e o tipo de auditor. Para um nível de significância estatística de 10%, esta análise acrescenta ainda outra característica distintiva: o nível de endividamento. 24 Os sinais dos coeficientes de correlação indicam que são as empresas com maior dimensão, maior internacionalização comercial e auditadas por uma empresa multinacional, que apresentam maiores níveis de divulgação relativamente ao processo de transição para as IFRS. As empresas com menores rácios de endividamento são também aquelas que divulgam mais informação no que respeita a esta matéria. As análises univariada e bivariada são complementadas com a análise multivariada, apresentada de seguida. 5.2.4 Análise multivariada da relação entre o nível de divulgação e as características empresariais Pretendendo-se analisar se as características das empresas explicam no seu conjunto o nível de divulgação apresentado, no âmbito das hipóteses definidas, utilizou-se uma regressão ordinal, dado que a variável dependente DIV consiste numa variável ordinal. As variáveis independentes da regressão identificam-se com as características das empresas. Assim, o modelo definido à partida é o seguinte: Modelo 1: DIV i = β0 + β1 DIM i + β2 INTC i + β3 END i + Β4 REND i + Β5 AUD i + β6 COT i + Β7 SACT i + ε i Uma vez que a variável DIM pode ser medida pelo Activo total ou pela raiz quadrada do Volume de negócios, o modelo original foi divido em duas regressões. Os dois modelos a analisar são os seguintes: Modelo 2: DIV i = β0 + β1 DIM AT i + β2 INTC i + β3 END i + Β4 REND i + Β5 AUD i + β6 COT i + Β7 SACT i + ε i Modelo 3: DIV i = β0 + β1 DIM RQVN i + β2 INTC i + β3 END i + Β4 REND i + Β5 AUD i + β6 COT i + Β7 SACT i + ε i É de salientar que este tipo de regressão, tal como a regressão linear, exige que as variáveis independentes não estejam correlacionadas, ou seja, que não haja problemas de multicolinearidade7 (Garson, 2005). Para aferir o grau em que uma variável independente é explicada por todas as outras variáveis independentes, Garson (2005) sugere que se realize inicialmente uma regressão linear, com as mesmas variáveis independentes que são utilizadas no modelo de regressão ordinal, apenas com o objectivo de calcular duas estatísticas de diagnóstico de multicolinearidade: o Variance Inflation 25 Factor (VIF) e a Tolerância. Concluindo-se sobre a não multicolinearidade, então poder-se-á avançar para a regressão ordinal com segurança. Neste sentido, foi realizada uma regressão linear para o Modelo 2 e outra regressão linear para o Modelo 3, tendo-se verificado a não existência de multicolinearidade – valores de Tolerância inferiores a 1 e VIF inferiores a 10 (Pestana e Gagueiro, 2003). De seguida procedeu-se à estimativa das regressões ordinais dos Modelos 2 e 3. Os resultados são apresentados na Tabela 5. Tabela 5: Resultados das regressões ordinais Modelo 2 Estimativa Sig. Modelo 3 Limites Estimativa Sig. Limites DIV = 0 -6,775 0,003*** DIV = 0 -7,224 0,003*** DIV = 1 -4,982 0,025** DIV = 1 -5,398 0,019** DIV = 2 -3,948 0,071* -4,365 0,055* 5,505E-04 0,268 1,142 0,284 -8,898 0,002*** Variáveis independentes DIM: Activo total DIV = 2 Variáveis independentes -4,867E-09 0,861 DIM: √ Vol. Neg. INTC 1,459 0,170 INTC END: √ Endividamento -8,178 0,003*** END: √ Endividamento REND ,645 0,480 REND 0,879 0,354 AUD 1,064 0,108 AUD 0,796 0,259 COT -,105 0,914 COT -0,369 0,710 SACT 1,620 0,192 SACT 1,563 0,097* Pseudo-R2 Cox e Snell 0,283 Pseudo-R2 Cox e Snell 0,302 *** Estatística significativa a um nível de 0,01 (bilateral) ** Estatística significativa a um nível de 0,05 (bilateral) * Estatística significativa a um nível de 0,10 (bilateral) Analisando os resultados do Modelo 2, e em particular o nível de significância dos limites, pode-se concluir que existem diferenças significativas entre as empresas que não divulgam informação, que divulgam o mínimo de informação, que divulgam um nível médio e que divulgam informação detalhada sobre a transição para as IFRS (para um nível de significância estatística de 10%). As diferenças do nível de divulgação são significativas para empresas com diferentes níveis de endividamento. 26 Os resultados do Modelo 3 são consistentes com os resultados do Modelo 2, no que respeita à existência de diferenças significativas para todos os tipos de divulgação, entre empresas com diferentes níveis de endividamento. Os resultados indicam ainda que o sector de actividade é um factor distintivo no nível de divulgação, para um nível de significância estatística de 10%. O sinal das estimativas mostra que as empresas com menor rácio de endividamento e que pertencem ao sector financeiro divulgam mais informação relativa à transição para as IFRS, comparativamente às empresas com maior endividamento e que não pertencem ao sector financeiro. Nenhuma das restantes características empresariais se evidencia significativa. 6. CONCLUSÕES E INVESTIGAÇÃO FUTURA Neste artigo pretendeu-se aferir como as empresas portuguesas cotadas cumpriram a Recomendação do CESR (2003) e quais as empresas que apresentaram maiores níveis de divulgação. Relativamente aos impactos da adopção das IFRS nas demonstrações financeiras divulgados nos Relatórios e Contas de 2004, 38% das empresas da amostra divulgou com um nível de detalhe médio (17%) e pormenorizado (21%) esses impactos. Todavia, uma parte significativa das empresas divulgou informação mínima (34%), mencionando apenas os procedimentos de preparação que estavam a ser empreendidos. Por fim, 28% das empresas não fez qualquer referência ao processo de transição para as IFRS. Uma vez que são as últimas demonstrações financeiras anuais antes da adopção das IFRS, estes números mostram que a maioria das empresas cotadas não divulgou a informação que deveria. Tal pode ser justificado pelo atraso, por parte das próprias empresas, na averiguação do impacto das IFRS nas suas demonstrações financeiras, ou pela reduzida importância que consideram que os utilizadores da sua informação financeira possam atribuir a esta informação. No que concerne às características das empresas que divulgaram mais informação, as análises realizadas demonstraram que são as empresas com maior dimensão e mais internacionalizadas comercialmente que apresentam maiores níveis de divulgação. Com efeito, este tipo de empresas cotadas enquadra-se no perfil que muitas vezes é referido como beneficiário das vantagens atribuídas ao processo de harmonização contabilística (ver Joshi, 1998). Simultaneamente, o tipo de auditor parece influenciar o nível de divulgação, o que é consistente com a maior familiarização que as empresas multinacionais de auditoria têm com as IFRS, e com a reputação de qualidade que pretendem manter numa fase de transição que exige conhecimentos especializados. 27 Quando analisadas as características empresariais em conjunto, o nível de endividamento destaca-se na explicação dos níveis de divulgação das empresas. Maiores rácios de endividamento estão relacionados com menores níveis de divulgação, o que confirma a relação de proximidade que as empresas portuguesas mantêm com os seus principais financiadores - os bancos, e a prevalência da transmissão informal de informação sobre a divulgação pública. As empresas portuguesas cotadas que se financiam mais com capitais próprios parecem reconhecer a importância acrescida das IFRS e da comunicação através do relato financeiro com os seus investidores. Os resultados do estudo contribuem para auxiliar as autoridades reguladoras a identificar o tipo de empresas que estão menos empenhadas no processo de transição para as IFRS e que precisam de maiores incentivos e de maiores medidas de enforcement para adoptar correctamente estas normas. Este perfil de empresas caracteriza-se por empresas sem dimensão significativa, pouco internacionalizadas comercialmente, auditadas por empresas locais e que se financiam priormordialmente em bancos. As conclusões retiradas para a amostra podem ser extrapoladas para o universo das empresas em estudo, dado que o número de empresas da amostra (51) representa 91% das empresas do universo, concluindo-se portanto pela sua representatividade. Todavia, os resultados do estudo estão limitados à realidade portuguesa, não se pretendendo efectuar a sua extrapolação para outros países. Tal, não elimina a possibilidade de poderem ser encontrados resultados idênticos nos países tradicionalmente identificados com a corrente continental europeia. Os resultados do estudo decorrem da metodologia utilizada e das opções tomadas no seu decurso. Neste estudo optou-se por não dividir a amostra em empresas financeiras e empresas não financeiras, e por analisar o efeito de pertencer ao sector financeiro no nível de divulgação. Outra abordagem possível sería dividir a amostra principal em empresas financeiras e não financeiras, conduzindo as análises estatísticas apropriadas à dimensão dessas amostras. Tal pode ser realizado em futuras investigações. A adopção das IFRS surge assim como um fenómeno que afecta de modo diverso as empresas, sendo também diversa a forma como estas lidam com todo o processo de mudança que lhe é implícito. Estudos futuros podem analisar se, após 2005, as empresas portuguesas cotadas terão também um comportamento diverso na forma como cumprem as IFRS e qual o papel dos mecanismos de enforcement utilizados em Portugal na garantia da divulgação financeira harmonizada. A compreensão dos factores que influenciam o comportamento das empresas não cotadas no âmbito da adopção voluntária das IFRS também constitui um possível tema para investigação futura. 28 Referências Abd-Elsalam, O. e Weetman, P. (2003). Introducing International Accounting Standards to an Emerging Capital Market: Relative Familiarity and Language Effect in Egypt. Journal of International Accounting, Auditing and Taxation, 12, 63-84. Aisbitt, S. e Walton, P. (2005). Preparing for IFRS: Disclosures by FTSE 100 Companies. Comunicação apresentada na 28ª Conferência Anual da European Accounting Association, Gutemburgo. Archer, G. S. H., Devaille, P. e McLeay, S. J. (1995). 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Neste artigo, é utilizada a designação IFRS como sinónimo desse núcleo de normas. 2 Abd-Elsalam e Weetman (2003) verificaram que o nível de cumprimento das IFRS é maior quando as empresas estão familiarizadas com os requisitos de divulgação das IFRS. 3 Para mais informações sobre as diferenças entre o sistema contabilístico português e as normas do IASB consultar Morais e Lourenço (2005) e Rodrigues e Guerreiro (2004). 4 Certos grupos de eleitores conseguem exercer pressões sobre as forças políticas para que estas procedam a expropriações, emitam regulamentos para determinados sectores de actividade (como a indústria do tabaco ou petrolífera), etc. As empresas procuram reduzir este tipo de intervenções políticas através, nomeadamente, da não divulgação de lucros muito elevados que captam muita atenção e são associados a situações menos éticas (Watts e Zimmerman, 1978). 5 Disponíveis no site da CMVM (http://web3.cmvm.pt/sdi2004/emitentes/contas_anuais.cfm). 6 A literatura não sugere qualquer divisão para o sector de actividade. No entanto, analisando os Relatórios e Contas notam-se diferenças significativas na forma como as empresas financeiras divulgam a informação comparativamente às empresas não financeiras, o que é consistente com o facto de usarem normativos contabilísticos diferentes. Assim, a distinção utilizada no estudo na variável sector de actividade consiste em pertencer ou não ao sector financeiro. 7 Não há multicolinearidade num modelo se as variáveis explicativas forem independentes pois cada coeficiente de regressão estimado resulta das observações de apenas uma variável. Assim, se outra variável for acrescentada ou retirada do modelo não se verificam modificações nas estimativas dos restantes parâmetros do modelo (Pestana e Gagueiro, 2003). 32