Organização e Realização IBRACON - Instituto Brasileiro de Concreto Comitê Técnico – 206 Meio Ambiente Promoção ANAIS EEM –Escola de Engenharia Mauá EPUSP –Escola Politécnica da USP – PCC/PMI IPEN –Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares – MQA IPT –Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo – DIGEO UNESP –Universidade Estadual Paulista UNITAU –Universidade de Taubaté São Paulo – SP 06 de junho de 2000 I Ficha Catalográfica _______________________________________________________________ III Seminário "Desenvolvimento Sustentável e Reciclagem na Construção Civil: Práticas Recomendadas" CT206 Meio Ambiemte São Paulo SP Junho 2000 1. Sustentabilidade ambiental – Mineração 2. Aterros de inertes. 3. Usos para areias contaminadas 4. Reciclagem na Construção Civil 5. Resíduos de Fibras 6. Pavimentos e Meio Ambiente 7. Entulhos 8. Eventos V. 142Pg. _______________________________________________________________ Comissão Organizadora Aldo Siervo de Amorim - MQA - IPEN Antonia Jadranka Suto - ABCP Arlene Regnier de Lima Ferreira - IBRACON Cássia S. de Assis - E.E. Mauá Eliane I. Barral B. Vilarinho - EMURB Emilio Y. Onishi - Landmark Levy Rezende - ABESC Lindolfo Soares - E. Politécnica PMI - USP Márcio J. Estefano de Oliveira - UNESP/UNITAU Maria Aparecida F. Pires -MQA - IPEN Mirian Cruxên B. Oliveira - DIGEO - IPT Rosemary S. I. Zamataro - ABRA Salomon Mony Levy - E. Politécnica PCC - USP http: www.ibracon.org.br e e-mail: [email protected] Apoio Administrativo IBRACON – Instituto Brasileiro de Concreto Edição Salomon Mony Levy – Coordenador do CT-206 SUMÁRIO III Seminário “Desenvolvimento Sustentável e a Reciclagem na Construção Civil: Práticas Recomendadas” PALESTRAS ......................................................................................................................................... 1 DURABILIDADE DE CONCRETOS PRODUZIDOS COM RESÍDUOS MINERAIS DE CONSTRUÇÃO CIVIL LEVY, SALOMON M. (1); HELENE, PAULO R.L. (2).................................. 3 RESÍDUOS GERADOS PELA CONSTRUÇÃO CIVIL: ATERRO DE INERTES – PRÁTICAS RECOMENDADAS SCHMIDT, MARIA JUDITH M. SALGADO (1); SILVA, ORLANDO HONORATO DA (2)................................................................................................................................. 15 BACIAS DE CAPTAÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS –INSTRUMENTO PARA UMA GESTÃO SUSTENTÁVEL PINTO, TARCÍSIO DE PAULA (1) .......................................................................... 25 “PEDREIRA ITAQUERA: METAMORFÓSE DA MINERAÇÃO” UMA BREVE HISTÓRIA SOBRE A “PEDREIRA DE ITAQUERA”. DE BAPTISTI, EDSON (1); HACHEN, FLAVIO (2).....35 DISPOSIÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS NA INDÚSTRIA DE COMPÓSITOS CARVALHO A.; FILHO (1) .................................................................................................................................................. 43 O EMPREGO DE REJEITOS DA INDÚSTRIA DE FREIOS EM HARMONIA COM O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL CENTURIONE, SÉRGIO LUIZ (1); ZAMATARO, ROSEMARY S.ISHII (2); SUTO, ANTONIA JADRANKA (3).............................................................. 51 FINOS DE PEDREIRA PARA CONFECÇÃO DE CONCRETO ESTRUTURAL PRÁTICAS RECOMENDADAS TERRA, LUIZ EULÁLIO MORAES (1)............................................................. 65 O EMPREGO DE FINOS DE PEDREIRA EM PAVIMENTOS DE CONCRETO COMPACTADO A ROLO MENDES, KLEBER DA SILVA (1); SOARES, LINDOLFO (2) ......................................... 73 SESSÃO TÉCNICA I RESÍDUOS GERADOS PELA CONSTRUÇÃO CIVIL .. 83 RESÍDUO DE CONCRETO RECICLADO OLIVEIRA, MÁRCIO J. ESTEFANO (1); ASSIS, CÁSSIA SILVEIRA (2) ............................................................................................................................ 85 RECICLAGEM DE ENTULHO PARA A PRODUÇÃO DE ARGAMASSAS E CONCRETOS: UMA ALTERNATIVA VIÁVEL ANGULO, SÉRGIO CIRELLI (1); MIRANDA, LEONARDO F. R. (2); SELMO, SILVIA M.S. (3); JOHN, VANDERLEY MOACYR (4) ................................................... 87 PRODUÇÃO DE ARGAMASSAS COM ADIÇÃO DE ENTULHO RECICLADO DE SALVADOR CARNEIRO, ALEX PIRES (1); GOMES, ADAILTON DE OLIVEIRA (2); SAMPAIO, TAÍS SANTOS (3); ALBERTE, ELAINE PINTO V. (3); COSTA, DAYANA BASTOS (3); .......................................... 89 A MINIMIZAÇÃO DAS PERDAS DE MATERIAIS NA CONSTRUÇÃO COMO CAMINHO PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: O CASO DOS REVESTIMENTOS DE PAREDES INTERNAS COM ARGAMASSA SOUZA, U. E. L. (1); PALIARI, J. C. (2); ANDRADE, A. C. (3); MAEDA, F. M. (4); SILVA, L. L. R.(4) ................................................................................... 91 I EMPREGO DE RESÍDUO DE CONCRETO E DE REJEITO DA INDUSTRIA DA CERVEJA NA PRODUÇÃO DE BLOCOS E TIJOLOS OLIVEIRA, MÁRCIO J. ESTEFANO (1); ASSIS, CÁSSIA SILVEIRA (2); MONTEIRO, CAMILO DE LELIS (3) ........................................................................... 93 RESÍDUO DE CONSTRUÇÃO CIVIL UTILIZADO COMO MATERIAL DE CONSTRUÇÃO CIVIL NO LOCAL ONDE FOI GERADO GRIGOLI, ADEMIR SCOBIN (1)................................. 95 CARACTERIZAÇÃO DO ENTULHO DE SALVADOR VISANDO SUA RECICLAGEM COMO MATERIAL DE CONSTRUÇÃO BRUM, IRINEU ANTÔNIO S. (1); CARNEIRO, ALEX PIRES (2); COSTA, DAYANA BASTOS (3); SAMPAIO, TAÍS SANTOS (3); ALBERTE, ELAINE PINTO VARELA (3)................................................................................................................................. 97 FABRICAÇÃO DE TIJOLOS DE SOLO E ENTULHO RECICLADO DE SALVADOR ESTABILIZADOS COM CIMENTO CIMENTO BRUM, IRINEU ANTÔNIO S. (1); CARNEIRO, ALEX PIRES (2); COSTA, DAYANA BASTOS (3); SAMPAIO, TAÍS SANTOS (3); ALBERTE, ELAINE PINTO VARELA (3).................................................................................................................. 99 PROPOSTA DE METODOLOGIA PARA RECICLAGEM DE RESÍDUOS COMO MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO ZORDAN, SÉRGIO EDUARDO (1); JOHN, VANDERLEY MOACYR (2) .......................................................................................................................................... 101 DESENVOLVIMENTO DE EQUIPAMENTO PARA LIMPEZA DE FERRAMENTAS DE OBRAS SEM CONTAMINAÇÃO DA REDE COLETORA POR RESÍDUOS SÓLIDOS PERA, PATRÍCIA FERNANDES (1); PIOVEZAN, LUÍS HENRIQUE (2) ..................................................... 103 UTILIZAÇÃO DO ENTULHO RECICLADO DE SALVADOR NA EXECUÇÃO DE BASES E SUB-BASES DE PAVIMENTOS CARNEIRO, ALEX PIRES (1); ALBERTE, ELAINE PINTO VARELA (2); BURGOS, PAULO (3); COSTA, SOLANGE BASTOS (4); COSTA, DAYANA BASTOS (2); SAMPAIO, TAÍS SANTOS (2)........................................................................................................ 105 RECICLAGEM DE ENTULHO PRADO, ZILDÉTE TEIXEIRA FERRAZ DO (1)........................ 107 REUTILIZAÇÃO DE RESÍDUO VÍTREO (PÓ DE VIDRO TIPO SODA-CAL) NA FABRICAÇÃO DE CONCRETO ARRUDA, MARIA DE FÁTIMA DE OLIVEIRA (1); PAMPLONA, HILDA DE CASTRO (2); PAMPLONA, AFRODÍZIO DURVAL GONDIM (3); OLIVEIRA, ALDO DE ALMEIDA (4) .................................................................................................. 109 RECICLAGEM DE RESÍDUOS FERROSOS EM ELEMENTOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL UTILIZANDO TÉCNICAS DE ESTABILIZAÇÃO/SOLIDIFICAÇÃO AMORIM, ALDO SIERVO(1) PIRES, MARIA APARECIDA FAUSTINO(1); ORTIZ, NILCE (1); FIGUEIREDO, PAULO MIRANDA (1) .......................................................................................................................... 111 CODISPOSIÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS ASSIS, CÁSSIA SILVEIRA (1); OLIVEIRA, MÁRCIO J. ESTEFANO (2) .............................................................................................. 113 SESSÃO TÉCNICA II RESÍDUOS GERADOS PELA INDUSTRIA DE MATERIAIS FIBROSOS .......................................................................................... 115 USO DOS RESÍDUOS TERMOPLÁSTICOS NA EXECUÇÃO DE FORMAS PARA CONCRETO ARMADO PARENTE, NELSON JUNIOR.(1)..................................................................................... 117 PRODUÇÃO DE PAPÉIS ARTESANAIS COMO ABSORVEDORES ACÚSTICOS MACIEL, CÂNDIDA DE ALMEIDA (1); CLÍMACO, ROSANA STOCKLER CAMPOS(2)............................. 119 II SESSÃO TÉCNICA III RESÍDUOS GERADOS PELA MINERAÇÃO............ 121 RECUPERAÇÃO E UTILIZAÇÃO NA CONSTRUÇÃO CIVIL DE AREIAS FINAS DESCARTADAS COMO REJEITOS SOARES, LINDOLFO (1); ARNEZ, FERNANDO IVAN VÁSQUEZ (2) BRAGA, JOÃO MANOEL STEVENSON (3) .............................................................. 123 PÓ DE PEDRA: PRODUÇÃO NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO (RMSP) E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS CUCHIERATO, GLÁUCIA (1) ; SANT’AGOSTINO, LÍLIA MASCARENHAS (2).............................................................................................................................. 125 USO DE AREIAS RESULTANTES DA BRITAGEM DE ROCHA NA ELABORAÇÃO DE ARGAMASSAS ZANCHETTA, L. M. (1); SOARES, L. (2).............................................................. 127 ATERRO DE INERTES ITAQUERA, EM SÃO PAULO, SP - MONITORAMENTO GEOTÉCNICO E AMBIENTAL DE JORGE, FRANCISCO NOGUEIRA (1); DE BAPTISTI, EDSON (2); BISORDI, MAURÍCIO STURLINI (3); FERNANDES, FERNANDO (4) ....................... 129 IMPLICAÇÕES RADIOLÓGICAS DO USO DO FOSFOGESSO COMO MATERIAL DE CONSTRUÇÃO NO BRASIL MAZZILLI, BARBARA PACI (1); SAUEIA, CATIA (2); SANTOS, ADIR JANETE GODOY (2) ................................................................................................................... 131 III IV APRESENTAÇÃO O III Seminário “Desenvolvimento Sustentável e a Reciclagem na Construção Civil: Práticas Recomendadas”, organizado pelo Comitê Técnico do IBRACON CT 206 – Meio Ambiente, vem dar continuidade aos estudos sobre a possibilidade do emprego de diferentes resíduos na Construção Civil. A grande quantidade de resíduos gerados por alguns setores produtivos tem levado os pesquisadores a buscar soluções adequadas com o intuito de atender as questões técnicas, econômicas, sociais e ambientais. O grande consumo de matérias-primas os mais diversos usos, associado sustentável, conduz às pesquisas descartados pelas obras civis com a seguro em novos produtos. pela indústria da Construção Civil, para aos princípios do desenvolvimento sobre a reciclagem dos materiais finalidade do seu emprego racional e Algumas práticas, resultado destas pesquisas e da tecnologia desenvolvida para reciclagem de resíduos, já podem ser recomendadas com o objetivo de difundi-las aos meios produtivos e consumidores. Os trabalhos do Comitê tem contado com o apoio da Escola Politécnica da USP, UNESP, IPT, IPEN, UNITAU, ABRA, Escola de Engenharia Mauá, ABCP, ABESC e do IBRACON. Este esforço conjunto é que tem permitido o avanço das pesquisas na direção da reciclagem e desenvolvimento de novos materiais. O Comitê Técnico 206 – Meio Ambiente, convidou a apresentarem as práticas recomendadas, renomados técnicos e pesquisadores, ligados às Universidades, Institutos de Pesquisas, ao setor Público, à Iniciativa Privada e às Instituições Fiscalizadoras do Meio Ambiente. Assim, espera-se que, com este novo encontro, o CT 206 do IBRACON, juntamente com os convidados, esteja contribuindo para fomentar a troca de experiências e informações técnicas que favoreçam o desenvolvimento sustentável com consideráveis benefícios à sociedade e ao setor da construção civil de nosso país. O Comitê CT 206 – Meio Ambiente agradece aos participantes deste evento, aos patrocinadores e às entidades que nos apoiaram na realização de mais esse Seminário. São Paulo, 06 de junho de 2000 O COMITÊ TÉCNICO CT 206 – MEIO AMBIENTE V VI PALESTRAS 1 III Seminário “Desenvolvimento Sustentável e a Reciclagem na Construção Civil: Práticas Recomendadas” IBRACON CT- 206 MEIO AMBIENTE DURABILIDADE DE CONCRETOS PRODUZIDOS COM RESÍDUOS MINERAIS DE CONSTRUÇÃO CIVIL LEVY, Salomon M. (1); HELENE, Paulo R.L. (2) (1) Doutorando Pesquisador no Departamento Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica, PCC-EPUSP. Cx. Postal 61548. São Paulo-SP. CEP 05424-970. e-mail [email protected] (2) HELENE, Paulo R.L. Prof. Titular, Universidade de São Paulo, Departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica, PCC/USP. Caixa Postal 61.548, São Paulo, SP 05424-970. Brasil. e-mail [email protected] Palavras-chave: minerais. concreto reciclado, durabilidade, reciclagem, resíduos RESUMO: Os dados aqui apresentados, são parte de uma tese de doutorado que tem por objetivo estudar a durabilidade de concretos produzidos com resíduos minerais provenientes de concretos e alvenarias. Do amplo estudo elaborado na tese analisaram-se apenas os resultados de três famílias de concreto, uma de referência produzida apenas com agregados naturais e outras duas com agregados graúdos contendo 50% de agregados naturais e 50% de agregados reciclados, medidos em massa, sendo uns de alvenaria e outros de concreto. Para os traços produzidos,1:3; 1:4,5 e 1:6, manteve-se a consistência fixa de 70 ± 20 mm. Foram analisadas para as três famílias a evolução da resistência mecânica nas idades de 28, 91 e 182 dias, bem como a absorção por imersão, índice de vazios, resistividade e profundidade de carbonatação. Os resultados obtidos indicaram não haver diferença na resistência mecânica quando os agregados naturais foram substituídos por reciclados de concreto e uma redução de 20 a 30% quando foram utilizados agregados de alvenaria. A absorção por imersão, e o índice de vazios, tiveram grande influência do 3 agregado utilizado, fato que não ocorreu em relação ao avanço da frente de carbonatação e da resistividade, muito mais dependentes do traço. Nas condições do experimento pode-se concluir que os agregados reciclados de concreto não apresentaram restrições em termos de resistência mecânica nem de durabilidade, fato que não foi repetido quando se utilizou agregados reciclados de alvenaria. 1 INTRODUÇÃO A construção civil é uma das atividades mais antigas que se tem conhecimento e desde os primórdios da humanidade foi executada de forma artesanal, gerando como subproduto grande quantidade de entulho mineral. Tal fato despertou atenção dos construtores já na época da edificação das cidades do Império Romano e desta época datam os primeiros registros de reutilização de resíduos minerais da construção civil na produção de novas obras. Entretanto, só a partir de 1928, começaram a ser desenvolvidas pesquisas de forma sistemática para avaliar o consumo de cimento, a quantidade de água e o efeito da granulometria dos agregados, oriundos de alvenaria britada e de concreto. Porém, a primeira aplicação significativa de entulho reciclado, só foi registrada após o final da 2a Guerra Mundial, na reconstrução das cidades Européias, que tiveram seus edifícios totalmente demolidos e o escombro ou entulho resultante, foi britado para produção de agregados visando atender à demanda na época (WEDLER; HUMMEL, 1946). Assim, pode-se dizer, que a partir de 1946 teve início o desenvolvimento da tecnologia de reciclagem do entulho de construção civil. Embora as técnicas de reciclagem dos resíduos minerais de construção civil tenham evoluído, não se pode afirmar com absoluta convicção que a reciclagem tenha se tornado uma idéia amplamente difundida. (LEVY-1997) Para isso acredita-se que ainda haja necessidade de um esforço por parte de todos os segmentos sociais preocupados com uma política de desenvolvimento sustentável. 2 JUSTIFICATIVA E IMPORTÂNCIA DO TEMA Hoje encontram-se diversas pesquisas que foram elaboradas no País e no Exterior, as quais dão suporte à produção e à utilização de concreto com agregado reciclado do ponto de vista técnico econômico. As aplicações consideradas ideais para tal finalidade, seriam: pavimentos rodoviários, estruturas de concreto armado com resistência característica inferior a 25 MPa e a fabricação de elementos pré-moldados para a indústria da construção civil. Todavia, não se tem conhecimento de qualquer pesquisa que aborde o aspecto de durabilidade deste material, tornando assim este projeto um assunto inédito e de suma importância técnica, para evitar a repetição de erros cometidos no passado recente. Tais erros ocorreram na produção de concreto com agregados naturais, largamente utilizado desde o início do século, quando estruturas de concreto foram produzidas sem o devido conhecimento dos fenômenos que interferiam em sua durabilidade, e em diversas ocasiões 4 ocorreu a redução da vida útil de grandes obras de engenharia, levando a graves prejuízos materiais e algumas vezes, lamentavelmente, até com vítimas fatais. A importância deste estudo está justamente em analisar e conhecer a influência de dois dos principais resíduos de construção civil, provenientes de concreto e alvenaria, na durabilidade de novos concretos produzidos com agregados reciclados destes materiais. Desta forma, poderia ser adquirido conhecimento tecnológico suficiente para produzir um concreto durável, utilizando material reciclado, e adequado às necessidades da maioria das obras usualmente executadas no território nacional, cuja resistência à compressão requerida varia de 15,0 MPa a 25,0 MPa. Pode-se considerar que a sociedade, como um todo, e o meio ambiente, em particular, seriam os grandes beneficiados devido à utilização de concreto com agregado reciclado. A utilização destes resíduos seria uma solução para alguns problemas como a escassez de áreas para deposição de entulhos, elevados recursos gastos na desobstrução de córregos e vias públicas por parte das autoridades municipais, problemas bem atuais nas grandes metrópoles. Isto posto, entende-se que a realização deste projeto proporcionará elementos necessários à produção de concretos duráveis e a baixo custo, segundo a ótica do conceito de desenvolvimento sustentável. 3 OBJETIVO Este trabalho tem por objetivo estudar a durabilidade de concretos produzidos com dois diferentes tipos de resíduos minerais. Para isto foram produzidos concretos com as duas principais categorias de agregado reciclado (os proveniente de concreto, e os provenientes de alvenaria) os dados obtidos são comparados àqueles obtidos de concretos produzidos exclusivamente com agregados naturais. Sendo este trabalho parte de uma tese de doutorado, foram selecionadas algumas das propriedades estudadas na referida tese e consideradas mais representativas para o estudo da durabilidade do concreto, as propriedades selecionadas para esta finalidade foram: absorção de água por imersão, índice de vazios, resistividade e carbonatação. Além das propriedades representativas da durabilidade, analisou-se a evolução da resistência à compressão nas idades de 28, 91 e 182 dias. De posse destes dados comparou-se todos os resultados disponíveis entre concretos produzidos 4 METODOLOGIA A metodologia utilizada para elaborar a parte experimental deste trabalho, consistiu em preparar três famílias de concreto utilizando-se, cinco traços distintos, e diferentes agregados graúdos, reciclados e naturais. 5 Uma destas famílias foi preparada exclusivamente com agregados naturais e adotada como referência, e as outras duas, foram preparadas com agregados graúdos reciclados, de concreto e de alvenaria. As proporções dos agregados utilizados na preparação das três famílias ensaiados estão indicadas na Tabela 1 Tabela 1 Composição dos agregados utilizados na preparação dos concretos ensaiados Descrição da família de concreto designação Composição do agregado graúdo utilizado família de referência Referência (exclusivamente naturais) família 1 RCG 50% - 50% (50% reciclados de concreto + 50% naturais), família 2 RAG 50% - 50% 50% reciclados de alvenaria + 50% naturais), 4.1 Preparação dos agregados reciclados. Preparou-se um concreto com o qual foram moldados 320 corpos-de-prova de (10 x 20) cm, que após terem sido curados por 30 dias e atingirem resistência à compressão de 25 MPa foram britados em britador de mandíbula e posteriormente submetidos a um peneiramento para seleção granulométrica. Apos este processo foram considerados agregados reciclados de concreto e posteriormente foram utilizados como agregados para produção de uma das famílias ensaiadas. Painéis de alvenaria revestida foram construídos e posteriormente demolidos para serem encaminhados ao britador de mandíbula e assim serem transformados em agregados reciclados de alvenaria, que posteriormente foram utilizados como agregados nas famílias de concreto ensaiadas. A seguir são detalhadas as diversas etapas para obtenção dos agregados reciclados. 4.1.1 Características do concreto utilizado na produção de agregado reciclado. Para moldagem dos corpos-de-prova a serem britados, utilizou-se o concreto a seguir : traço 1:6.0, teor de argamassa = 56%, a/c ⇒ 0,66 Optou-se por utilizar um concreto perfeitamente caracterizado para posteriormente britá-lo, com a finalidade de reduzir a influência de variáveis. 4.1.2 Características dos painéis de alvenaria utilizada na produção agregados reciclados de alvenaria. de Painéis de alvenaria: compostos por blocos cerâmicos revestidos com massa única em uma face. 6 Elementos de vedação: blocos cerâmicos sem função estrutural fabricados com argila da região de Itú (SP) preparada com as seguintes proporções: • Taguá (argila sem beneficiamento com alto teor de óxido de ferro) ± 80% • Varvito (argila terciária muito coMPacta, com altos teores de sílica e feldspato) ± 15% • Xamota (reaproveitamento de blocos quebrados, material já queimado) ± 5% Argamassa de assentamento e revestimento: argamassa industrializada, fabricada pela Serrana, composta por calcário calcítico e dolomítico, cimento Portland mais aditivos. Também aqui, optou-se por definir exatamente a fonte de matéria prima que servirá para produção dos agregados, justamente para reduzir a influência dos agregados nos resultados que serão obtidos. 4.2 Realização do experimento As diversas famílias de concreto foram produzidas utilizando-se betoneira de eixo vertical com fluxo contra corrente, com descarga pelo fundo. A seguir apresenta-se a descrição das etapas transcorridas na preparação, cura e ensaios realizados. 4.2.1 Preparação dos concretos utilizados Os traços indicados na Tabela 2, foram utilizados na preparação de cada família de concreto a ser ensaiada. Fixou-se a consistência e posteriormente manteve-se as relação a/c, alterando-se o slump, que no caso do concreto fluido sempre foi maior que 24 e no caso do concreto seco inferior a 20 mm Tabela 2 Traço, consistência e relação a/c, dos concretos a serem ensaiados. Traço 1:3 1:4,5 1:6 1:4,5 1:4,5 Slump 70± 20 mm 70 ± 20 mm 70 ± 20 mm < 20 mm > 240 mm do traço 1:3 (seco) do traço 1:6 a/c a determinar a determinar a determinar (fluido) 4.2.2 Condição de cura Vinte e quatro horas após a moldagem os corpos de prova foram desformados e conduzidos à câmara úmida, onde permaneceram por 14 dias, após este período, foram mantidos no ambiente de laboratório até o dia do ensaio. 4.2.3 Propriedades pesquisadas Foram selecionadas as propriedades mais relevantes para a caracterização da durabilidade de um concreto, estas propriedades estão indicadas na Tabela 3. 7 Tabela 3 Relação dos ensaios a executar e respectivos corpos-de-prova utilizados no experimento ENSAIOS A EXECUTAR número de CP Medidas dos CP(cm) resistência à compressão 2 ou 3 10 x 20 absorção capilar 2 10 x 20 carbonatação 2 10x10x10 resistividade 2 20x20x8 4.3 Caracterização do agregados Nesta fase foram determinadas as características individuais de todos os agregados utilizados, a seguir na Tabela 4, são indicadas as que mais teriam influído no comportamento dos concretos ensaiados. Tabela 4 Carateristicas dos agregados utilizados na preparação das três famílias de concreto Valores obtidos para os agregados graúdos e miúdos Caracteristicas Unid dos materiais Areia natural Granito natural Graúdo de Alvenaria Graúdo de Concreto B1 B2 B1 B2 B1 B2 Metodo logia de Ensaio Módulo de finura * 2,6 6,40 7,70 6,64 7,65 7,68 6,94 NBR 7217 Massa específica aparente kg/ dm³ 1,375 1,430 1,410 0,984 0,987 1,208 1,285 NBR 7251 Absorção % * 0,8 0,8 13,0 12,4 5,6 3,7 NBR 9937 Teor de materiais pulverulentos % 1,85 0,54 0,55 4,1 2,3 0,3 0,2 NBR 7219 Impureza orgânica ppm < 300 5 NBR 7220 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS E DISCUSSÃO A seguir apresenta-se a síntese dos resultados obtidos tanto no estado fresco como no estado endurecido, os resultados serão comentados à medida que forem apresentados. 5.1 Relação a/c, consistência, massa unitária e ar incorporado. Na Tabela 5 a seguir, apresenta-se os resultados obtidos no estado fresco para os concretos ensaiados. 8 Tabela 5 Relação água/cimento para consistência constante e propriedades no estado fresco Ar incorporado % traço Ref. a/c 1:3 0,40 0,44 0,51 * 2,31 2,31 * 1,80 2,20 1:4,5 0,51 0,55 0,69 70±20 * 2,33 2,28 * 2,30 2,70 1:6 0,75 0,72 0,89 * 2,30 2,26 * 2,50 3,10 5.2 RCG 50-50 RAG 50-50 Massa unitária Slump a/c a/c kgf/dm³ Resistência à compressão Para as famílias de concreto selecionadas é apresentada a evolução da resistência à compressão nas idades de 28, 91 e 182 dias tanto na Tabela 6, assim como nos gráficos das Figuras 1, 2, 3 Tabela 6 Evolução da resistência à compressão em função dos agregados e do traço utilizado Concreto 50%-50% RCG Concreto de referência 1:4,5 a/c=0,40 1:4,5 a/c=0,44 1:4,5 a/c=0,75 1:4,5 a/c=0,72 1:3 a/c=0,40 1:3 a/c=0,44 1:4,5 a/c=0,51 1:4,5 a/c=0,55 1:6 a/c=0,72 1:6 a/c=0,75 0 28 dias 10 20 91 dias 30 182 dias 40 50 60 ( MPa) Figura 1 Evolução da resistência em função dos agregados, da idade e do traço utilizado 0 10 28 dias 20 91 dias 30 40 182 dias 50 60 (MPa) Figura 2 Evolução da resistência em função dos agregados, da idade e do traço utilizado 9 Concreto RAG 50%-50% 1:4,5 a/c=0,51 1:4,5 a/c=0,89 1:3 a/c=0,51 1:4,5 a/c=0,68 1:6 a/c=0,89 0 10 28 dias 20 91 dias 30 40 182 dias 50 60 (MPa) Figura 3 Evolução da resistência em função dos agregados, da idade e do traço utilizado Analisando-se os gráficos de resistência à compressão e os dados da Tabela 6, é fácil comprovar a influência do tipo de agregado na resistência à compressão do concreto. Nos traços mais ricos é importante ressaltar que esta variação se torna percentualmente maior, indicando que a ruptura passa a ocorrer no agregado e não mais na pasta ou na interface. No estado fresco, nota-se que houve necessidade de aumento da relação a/c para manter a consistência previamente estabelecida quando são substituídos os agregados naturais por reciclados de concreto e posteriormente por reciclados de alvenaria, fato que pode ser atribuído à angulosidade dos agregados uma vez que estes foram obtidos em britadores de mandíbulas. Outro ponto fundamental a ser observado é o fato de que quando foram utilizados concretos fluídos, com a mesma relação a/c de concretos plásticos no caso 1:6 e 1:4,5 obteve-se uma queda de resistência substancial da ordem de 20 a 30% na misturas com agregados reciclados e chegou a 40% no concreto de referência, todavia no caso de concretos secos esta tendência se inverte mesmo que em proporções muito menores. 5.3 Absorção por imersão Os dados obtidos no ensaio de absorção por imersão apresentam uma tendência de crescimento da massa de água absorvida e do índice de vazios muito maior em função do agregado utilizado do que da pasta existente no concreto. A massa específica real, aparentemente não sofre variação sensível nem em função do traço nem em função do agregado utilizado. 10 Tabela 7 Absorção, índice de vazios e massa específica real dos concretos ensaiados 1:6 a/c= 0,75 1:4,5 a/c=0,51 1:3 a/c=0,40 1:4,5 a/c=0,40 1:4,5 a/c=0,75 Absorção imersão(%) 6,92 5,75 5,92 4,70 7,50 Índice de vazios (%) 17,74 14,75 15,28 12,11 19,59 Massa esp. (kg/dm³) 2,564 2,567 2,579 2,578 2,610 1:6 a/c= 0,72 1:4,5 a/c=0,52 1:3 a/c=0,44 1:4,5 a/c=0,44 1:4,5 a/c=0,72 Absorção imersão (%) 7,32 6,22 6,91 5,68 8,40 Índice de vazios (%) 18,77 15,83 17,73 14,58 21,77 Massa esp. (kg/dm³) 2,564 2,546 2,567 2,568 2,592 1:6 a/c= 0,89 1:4,5 a/c= 0,69 1:3 a/c= 0,51 1:4,5 a/c= 0,51 1:4,5 a/c= 0,89 Absorção imersão (%) 11,20 9,79 8,86 6,82 10,3 Índice de vazios(%) 28,54 24,90 22,82 17,43 25,93 Massa esp. (kg/dm³) 2,548 2,543 2,575 2,556 2,517 Ref. RCG 50-50% RAG 50-50% 5.4 Carbonatação Os valores apresentados na Tabela 8 foram medidos após os corpos de prova terem sido expostos à condição de carbonatação acelerada durante duas semanas numa concentração de 12% de CO2, a variação dos valores encontrados para o avanço da frente de carbonatação sinaliza para o fato que a variação desta propriedade é muito mais influenciável pela qualidade da pasta e pela sua quantidade, do que pelo tipo de agregado. É fácil de perceber que independentemente do agregado utilizado, nas condições do experimento, a profundidade de carbonatação quase sempre foi a mesma nos traços com mesmo teor de cimento, como na Tabela 8 e Figura 4. Outros autores pesquisaram a carbonatação acelerada e os resultados que obtiveram após duas semanas variaram entre 5 a 10 mm dependendo do concreto ensaiado (BARRA-1996) Tabela 8 Carbonatação em função do traço e do agregado (CO2 12%) 14 dias Ref. Profundidade de carbonatação (mm) RCG 50-50% Profundidade de carbonatação (mm) RAG 50-50% Profundidade de carbonatação (mm) 1:6 a/c= 0,75 1:4,5 a/c=0,51 1:3 a/c=0,40 1:4,5 a/c=0,40 1:4,5 a/c=0,75 7,2 3,7 2,0 1,3 5,2 1:6 a/c= 0,72 1:4,5 a/c=0,52 1:3 a/c=0,44 1:4,5 a/c=0,44 1:4,5 a/c=0,72 5,9 3,4 1,8 2,2 6,2 1:6 a/c= 0,89 1:4,5 a/c= 0,69 1:3 a/c= 0,51 1:4,5 a/c= 0,51 1:4,5 a/c= 0,89 7,6 4,2 1,5 1,0 4,9 11 Profundidade de carbonatação 12% CO2 (14 dias) 50-50% RCG 50-50% RAG 1,4,5a/c=0,75 1,4,5a/c=0,72 1,4,5a/c=0,89 1,4,5a/c=0,40 1,4,5a/c=0,44 1,4,5a/c=0,51 1:3a/c=0,40 1:3a/c=0,44 1:3a/c=0,51 1,4,5a/c=0,51 1,4,5a/c=0,55 1,4,5a/c=0,68 1:6 a/c=0,75 1:6a/c=0,72 1:6a/c=0,89 profundidade em (mm) referencia 8 7 6 5 4 3 2 1 0 traços e relação a/c Figura 4 Profundidade de carbonatação em função do agregado, traço e de a/c 5.5 Resistividade Analisando-se os dados da Tabela 9, depreende-se que os concretos com baixa relação água/materiais secos foram aqueles que apresentaram os maiores resultados para resistividade, chegando a ser três vezes superiores a aqueles registrados nos concretos fluídos, já nos concretos plásticos a relação água/cimento não influenciou o resultado obtido e os agregados utilizados também não ocasionaram uma diferença sensível no valor encontrado. Tabela 9 Valores de resistividade para concretos ensaiados Ref. 1:6 a/c= 0,75 1:4,5 a/c=0,51 1:3 a/c=0,40 1:4,5 a/c=0,40 1:4,5 a/c=0,75 Resistividade KΩ/cm 16,45 19,13 24,73 29,48 9,58 RCG 50-50% 1:6 a/c= 0,72 1:4,5 a/c=0,52 1:3 a/c=0,44 1:4,5 a/c=0,44 1:4,5 a/c=0,72 Resistividade KΩ/cm 17,45 19,20 15,58 19,05 12,43 RAG 50-50% 1:6 a/c= 0,89 1:4,5 a/c= 0,69 1:3 a/c= 0,51 1:4,5 a/c= 0,51 1:4,5 a/c= 0,89 Resistividade KΩ/cm 15,65 15,25 16,18 29,1 11,23 12 R e s is t i v i d a d e referencia 50-50% RCG 50-50% RAG 35 30 (KΩ/cm) Resistividade 25 20 15 10 5 0 1:6 a/c=0,75 1:6a/c=0,72 1:6a/c=0,89 1,4,5a/c=0,51 1,4,5a/c=0,55 1,4,5a/c=0,68 1:3a/c=0,40 1:3a/c=0,44 1:3a/c=0,51 1,4,5a/c=0,40 1,4,5a/c=0,44 1,4,5a/c=0,51 1,4,5a/c=0,75 1,4,5a/c=0,72 1,4,5a/c=0,89 relação a/c e agregados utilizados Figura 5 Evolução da resitividade em função dos agregados e do traço 6 CONCLUSÕES Analisando-se os resultados obtidos pode-se afirmar que: No estado fresco para manter a consistência de 70 ± 20 mm a demanda de água não é sensivelmente afetada quando se substitui agregados naturais por agregados reciclados de concreto. Todavia quando a troca de agregados naturais se dá por agregados reciclados de alvenaria é visível a necessidade maior de água para se manter a consistência, fato que pode ser atribuído à maior absorção de água do agregado de alvenaria e sua maior lamelaridade. Essa lamelaridade provém do fato da alvenaria possuir uma resistência inferior à do concreto e sua passagem pelo britador de mandíbulas produz uma quantidade muito maior de material lamelar. Os concretos produzidos com agregados reciclados de concreto apresentaram resistências mecânicas equivalentes aos concretos de referência. Quando se utilizou agregados reciclados de alvenaria houve redução de 25% de fcj . Quanto ao avanço da frente de carbonatação ficou evidente a maior influência exercida pela baixa relação água/cimento do que pela substituição dos agregados, embora esta conclusão não pareça ser unânime internacionalmente, pois outros autores afirmam que para iguais relações água/cimento a velocidade de carbonatação nos concretos com agregados reciclados parece maior do que nos concretos convencionais (HANSEN - 1992) Inversamente, os resultados da absorção de água e índice de vazios, quando nos concretos com agregados reciclados de alvenaria foram maiores. A resistividade, nos concretos plásticos, praticamente não apresentou diferença com a variação do traço utilizado, e com a substituição dos agregados, todavia os concretos secos (baixa relação água/materiais secos) apresentaram valores para resistividade até 3 vezes superiores aos dos concretos fluidos (alta relação água/materiais secos) Considerando-se que a durabilidade de uma estrutura é preponderantemente determinada pela sua capacidade de dificultar a penetração do CO2, sua capacidade de absorção de água de intempéries e sua resistividade elétrica, 13 pode-se afirmar que um concreto produzido com agregados graúdos reciclados, de concreto, na proporção de 50%-50% em massa, seria tão durável quanto o concreto de referência, pelos resultados muito similares apresentados. 7 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARRA, Marilda Estudio de la Durabilidad del Hormigón de Arido Reciclado en su Aplicación como Hormigón Armado. Barcelona 1996. Tese (Doutorado) - Escola Tècnica Superior d’EngiinyersmdemCamins, Canals i Ports Universidade Politécnica de Catalunya HANSEN T. C. RILEM Report of Technical Committee 7 DRC Demolition and reuse of Concrete Recycling of Demolished Concrete and Masonry, London, E&FN Spon na imprint of Chapman & Hall, 1992. 305p. LEVY, Salomon M. Reciclagem do entulho de construção civil, para utilização como agregado de argamassas e concretos. São Paulo 1997. Dissertação (Mestrado) - Escola Politécnica da Universidade de São Paulo PCC/USP. WEDLER,B.; HUMMEL Trümmerverwertung und Ausbau von Brandruinen. Wilhelm Ernest & Sohn, Berlin, 1946. 8 AGRADECIMENTOS: Os autores agradecem a Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo que financiou o desenvolvimento de toda a pesquisa para Estudo da Durabilidade de Concretos Produzidos com Resíduos Minerais Reciclados pelo processo 99-01444-0 e àqueles que pelo apoio e incentivo tornaram este projeto viável, HOLDERCIM, ENGEMIX e IPT, Instituto de Pesquisas Tecnológicas. 14 III Seminário “Desenvolvimento Sustentável e a Reciclagem na Construção Civil: Práticas Recomendadas” IBRACON CT- 206 MEIO AMBIENTE RESÍDUOS GERADOS PELA CONSTRUÇÃO CIVIL: ATERRO DE INERTES – PRÁTICAS RECOMENDADAS SCHMIDT, Maria Judith M. Salgado (1); SILVA, Orlando Honorato da (2) (1) Msc. Engª Civil e Sanitarista, Agência Ambiental de Taubaté da CETESB, Av. Itambé, 38,Taubaté-SP, CEP 12091-200. e-mail [email protected] (2) Engº Ind. Químico, Agência Ambiental de Taubaté da CETESB, Av. Itambé, 38, Taubaté-SP, CEP 12091-200. e-mail [email protected] Palavras-chave: resíduos sólidos, construção civil, disposição final, prevenção à poluição. RESUMO Este trabalho aborda as questões referentes aos resíduos sólidos da construção civil quanto à sua geração, reutilização, reciclagem, tratamento e disposição final, bem como, ações preventivas objetivando minimizar o problema da geração de resíduos sólidos. São abordados também alguns aspectos ambientais de poluição ambiental, recomendações e situações que devem ser evitadas, bem como, temas ligados à legislação ambiental e à ação da CETESB. 1 INTRODUÇÃO GERAL Resíduo é todo material ou substâncias restantes de qualquer atividade humana, que não se prestem para o uso, consumo ou reincorporação no circuito produtivo em seu estado original. Resíduos sólidos são resíduos nos estados sólido ou semi-sólido, resultantes de atividades da comunidade, de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, de serviços, de varrição, agrícola, assim como os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água e esgoto, e qualquer outro líquido gerado no sistema de controle de poluição, cujas características tornem inviável seu lançamento na rede pública coletora ou corpo d’água. 15 Para que um resíduo receba tratamento e/ou disposição final é necessário que suas características sejam conhecidas. Tecnicamente, deve-se classificá-lo quanto ao seu potencial de poluição. Dependendo de suas características físico-químicas e biológicas, a norma NBR 10004 da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) classifica os resíduos em: a) resíduos classe I – perigosos; b) resíduos classe II – não inertes e c) resíduos classe III – inertes. Para esta classificação, são utilizadas outras normas da ABNT, as quais encontram-se descritas nas fontes bibliográficas. Um resíduo será classificado após análise de uma amostra, efetuada conforme norma acima citada, da sua composição mássica ( exemplo: 100mg de Fe por quilo de resíduo amostrado), do lixiviado ( exemplo: 0,005 mg de Cr por litro de lixiviado) e do solubilizado (exemplo: 200 mg sais de Fe por litro de solubilizado). Os resultados da composição mássica e do teste de lixiviação, após coMParação com alguns valores pré-fixados na norma NBR 10004, vão definir se um resíduo é perigoso ou não, da mesma forma, a solubilização de resíduo é realizada para determinar se o mesmo enquadra-se como classe II ou III, após coMParações com valores tabelados. Após a caracterização do resíduo deve-se, então, buscar forma e local adequados para seu tratamento e disposição, que não poluam o meio ambiente e não causem inconvenientes ao bem-estar público. 2 RESÍDUOS SÓLIDOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL Conforme normas da ABNT, Resíduos Classe III (inertes), são quaisquer resíduos que, quando amostrados de forma representativa, segundo NBR 10.007 – Amostragem de resíduos, e submetidos a um contato estático ou dinâmico com água destilada ou deionizada, à temperatura ambiente, conforme teste de solubilização, segundo NBR 10.006 – Solubilização de resíduos, não tenham nenhum de seus constituintes solubilizados a concentrações superiores aos padrões de potabilidade de água, excetuando-se os padrões de aspecto, cor, turbidez e sabor. Como exemplo destes materiais, podem-se citar rochas, tijolos, vidros e certos plásticos e borrachas que não são decompostos prontamente. Normalmente, os resíduos gerados pela construção civil são considerados Classe III (Resíduos Inertes), porque sua composição e características são conhecidas. Deste modo, as análises são dispensadas, já que são relativamente caras e desnecessárias para a definição do tratamento e/ou disposição final desses resíduos. Logo, se um resíduo gerado pela construção civil é resíduo classe III (inerte), algumas práticas de manipulação, transporte e disposição final dos mesmos serão discutidos, bem como, recomendações e procedimentos de prevenção à poluição que porventura possam causar. Atualmente, os municípios necessitam de áreas para disposição de resíduos sólidos inertes. Muitas vezes, a preocupação maior dos administradores 16 municipais é afastar os resíduos das vistas dos munícipes, resultando em soluções imediatistas equivocadas, geralmente fundamentadas no simples lançamento dos resíduos a céu aberto. A legislação em vigor estabelece que as formas de tratamento e/ou disposição final de quaisquer resíduos sólidos devem ser licenciados pela CETESB, devendo conter exigências técnicas específicas para cada hipótese. Na prática, as formas de tratamento e/ou disposição final de resíduos inertes (classe III) não tem sido objeto de licenciamento desta Companhia. Apenas em alguns casos tem sido feito o licenciamento, porém a ação de fiscalização pode e deve ser exercida a qualquer momento independente da atividade estar sendo licenciada ou não. 3 PREVENÇÃO À POLUIÇÃO Alguns princípios de técnicas de prevenção à poluição, devem ser difundidos entre todos os envolvidos na obra, pois tais pessoas são as mais qualificadas em criar alternativas visando a redução de resíduos sólidos (desperdícios) e consequentemente a redução de custos com sua destinação. Então, recomenda-se estabelecer um Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos, que se refere aos aspectos tecnológicos e operacionais da questão, envolvendo fatores administrativos, gerenciais, econômicos, ambientais e de desempenho, produtividade e qualidade, relacionados à prevenção, redução, segregação, reutilização, acondicionamento, coleta, transporte, recuperação de energia e destinação final dos resíduos sólidos. Os exemplos citados a seguir em sua maioria são bem evidentes. O uso eficiente de recursos, evita o desperdício, que deve ser objetivo de todos. Um exemplo é o da otimização da quantidade de massa a ser preparada, não devendo a mesma faltar, nem ser preparada em excesso. 0 reuso de recursos também visa evitar o desperdício. O mesmo deve ser feito de tal forma, que não implique em alteração da qualidade da obra que está sendo executada. A reciclagem de resíduos no local da obra só deve ser feita, a partir do conhecimento do projeto completo, já definidas as áreas de uso e a previsão dos restos possíveis de materiais de um prédio que poderão ser utilizados no calçamento, contra piso, etc. de outras áreas. As alterações prediais devem ser contempladas desde a fase do projeto, como por exemplo, dimensões de cômodos, de tal forma que, não seja necessário quebrar tijolos e recortar lajes pré-moldadas e azulejos. A melhoria nos projetos, tais como construções com formatos regulares, evita o recorte de materiais e a desnecessária geração de resíduos. Devem ser pesquisados produtos alternativos mais versáteis, como por exemplo, o uso de tijolos com formatos específicos para cantos, meios tijolos em largura e comprimento. O mesmo vale para materiais cerâmicos de acabamento evitando o recorte e desperdício de materiais. O uso de tecnologias limpas nessa atividade consiste basicamente em utilizar materiais com menor potencial de poluição, como exemplo, substituir o uso de 17 produtos que contenham amianto. Muitos produtos tóxicos possuem produtos alternativos não tóxicos para substituição. Os operários envolvidos na obra devem ser treinados e os princípios de prevenção à poluição mantidos sempre em discussão, lembrando que aqueles que estão diretamente envolvidos com a obra são os mais indicados em criar ações de prevenção à poluição. O estoque de alimentação de materiais deve ser sempre revisto para que não haja perda, seja por falta de espaço, excesso de manuseio, deterioração das embalagens ou vencimento da validade do produto. Os materiais utilizados na construção civil devem ser de boa qualidade evitando o refugo de materiais, antes mesmo de sua utilização. O tratamento principal dos resíduos de construção civil consiste na separação dos materiais conforme sua origem e característica, que deve ser previsto durante sua geração. 4 4.1 SITUAÇÕES E LOCAIS IMPRÓPRIOS, RECOMENDAÇÕES Locais Impróprios Quando da disposição dos resíduos sólidos devem ser evitadas as áreas de Preservação Permanente, conforme descrito a seguir: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d`água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima seja: 1) de 30 (trinta) metros para os cursos d´água que tenham de 10 (dez) metros de largura; 2) de 50 (cinqüenta) metros para os cursos d´água que tenham até 10 (dez) a 50 (cinqüenta) metros de largura; 3) de 100 (cem) metros para os cursos d´água que tenham de 50 (cinqüenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4) de 200 (duzentos) metros para os cursos d´água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5) de 500 (quinhentos) metros para os cursos d´água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d´água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados “olhos d´água” qualquer que seja a situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinqüenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas com declividade superior a 45º, equivalente a 100% de linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; 18 h) em altitude superior a 1.800 (um mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. 4.2 Situações Indesejáveis As seguintes situações devem ser evitadas e/ou minimizadas: Emissão de material particulado para a atmosfera, quando do carregamento e/ou descarregamento de materiais, e devido ao tráfego intenso de veículos pesados, principalmente em locais próximos a bairros residenciais. Escolha de locais distantes de residências, umidificação dos materiais e movimentação de veículos em baixíssimas velocidades são algumas práticas recomendadas. Assoreamento de rios, lagos e canaletas de drenagem de águas superficiais. Os locais escolhidos para disposição final dos resíduos devem estar providos de sistema de desvio de águas pluviais, de tal forma que os materiais não sejam arrastados pela chuva causando assoreamentos. Poluição estética; no local escolhido dispor uma máquina para compactar e espalhar o resíduo de forma homogênea no terreno, pois o simples acúmulo em terrenos causa incômodos à população, mesmo que seja temporário. Além do mais, tais pontos de disposição podem tornar-se focos de disposição inadequada de outros resíduos clandestinos. Queima a céu aberto: evidentemente, os resíduos passíveis de queima são os resíduos incineráveis, ou seja, madeira, plásticos em geral, papel e papelão (embalagens de cimento e cerâmicas) e outros. A queima de resíduos a céu aberto é proibida, tais resíduos devem ser tratados e/ou dispostos adequadamente. Em áreas urbanas, regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, observarse-á o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites estabelecidos pelas entidades federais e estaduais. Soterramento de vegetações nativas. As áreas escolhidas não devem conter vegetações nativas. Caso haja interesse no soterramento dessa área o órgão competente deve ser consultado. Contaminação com outros resíduos, é comum o mau hábito de juntar todos os tipos de resíduos em um só local (bota-fora). A coleta seletiva, do material coletado, visa a separação dos resíduos em tipos distintos, conforme sua origem e interesse comercial, ou até mesmo, para a reutilização e/ou reciclagem do material. Destaca-se que, uma carga composta de mistura de resíduos de diferentes classes receberá a classificação mais crítica, ou seja, se a carga contiver resíduo classe I, toda a carga será considerada resíduo perigoso. 5 LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PAULISTA No Regulamento da Lei nº 997/76, aprovado pelo Decreto nº 8468/76, a matéria é tratada, nos artigos 51 a 56. Embora em poucos dispositivos, a poluição, não do solo propriamente dito, mas por resíduos sólidos é tratada de 19 forma bastante abrangente sem que, entretanto, tenham sido estabelecidos padrões ou regras específicas para sua disposição no solo. O decreto paulista proíbe que sejam depositados, dispostos, descarregados, enterrados, infiltrados ou acumulados no solo, resíduos em qualquer estado da matéria, se forem poluentes. Somente permite a disposição de resíduos no solo, se esta for feita de forma adequada devendo sempre, haver prévia aprovação da CETESB para seu transporte, tratamento e disposição final. O artigo 56 do Regulamento deixa clara a responsabilidade do gerador pelo acondionamento, transporte, tratamento e disposição de seus resíduos, não podendo transferi-la a terceiros (mesmo que seja uma prefeitura), a menos que a entrega dos resíduos à terceiros seja feita na forma previamente aprovada pela CETESB. 5.1 Atuação da CETESB A atuação da CETESB se resume a duas ações básicas: Ações preventivas (licenciamento/orientação/assistência técnica) e Ações corretivas. As atividades de licenciamento, orientação e assistência técnica principalmente a municípios, visam a adoção de medidas preventivas de proteção ao meio ambiente. A orientação técnica é uma atividade rotineira que oferece várias possibilidades de auxílio aos municípios, como o encaminhamento que facilite a escolha de áreas para a implantação de unidades de tratamento e/ou destino final de resíduos em geral, a determinação das alternativas tecnológicas mais viáveis e a participação em grupos de estudos para formação de consórcios. As ações corretivas de controle visam o cumprimento da legislação vigente, no que se refere à poluição ambiental através da inspeção das unidades existentes, bem como, a autuação daquelas que se encontram em situação irregular. 6 PRÁTICAS ACEITAS Primeiramente, deve-se dar ênfase às técnicas de prevenção à poluição na origem da geração de resíduos sólidos descritas no ítem 3 acima, de tal forma, que as seguintes ações devem ser desenvolvidas priorizando-as nesta mesma ordem: 1º Eliminação e/ou minimização da geração de resíduos sólidos. 2º Reutilização 3º Reciclagem 4º Tratamento e/ou Destino Final Como pode ser observado o tratamento e/ou disposição final de resíduos sólidos é a última alternativa quando se tem como objetivo a prevenção à poluição, porém a experiência tem mostrado que além da preservação do meio ambiente tem se alcançado redução dos custos, ou seja, os recursos despendidos nas práticas de prevenção à poluição são bem inferiores aos 20 gastos no tratamento e/ou disposição final de resíduos sólidos, principalmente quando existe uma grande distância entre o local da geração e o do tratamento e/ou disposição final. A seguir são descritas algumas práticas de disposição final de resíduos sólidos gerados na construção civil. Deve-se usar o bom senso quanto à disposição de cada do resíduo. Como exemplo, a disposição de grandes blocos de concreto em vias de tráfego, é inaceitável. 6.1 Composição da Camada de Cobertura de Aterros Sanitários Aterros sanitários são formas de disposição de lixo consideradas adequadas, pois o confinamento dos resíduos causa poucos danos ao meio ambiente. Neste processo o lixo é empurrado, espalhado e amassado sobre o solo. Depois é coberto por uma camada de terra para evitar mau cheiro e proliferação de insetos e ratos. O resíduo gerado pela construção civil pode ser utilizado na composição desta camada de cobertura. 6.2 Disposição em Cavas de Mineração. As cavas de mineração são decorrentes da atividade de extração minerária. Tais cavas enquanto não tiverem um uso definido, não podem ser consideradas, quando inundadas, como lagoas, lagos ou reservatórios, ainda que artificiais. As cavas apresentam sério risco de saúde à população por facilitar a proliferação de vetores que veiculam doenças hídricas e também por serem freqüentes os casos de morte por afogamento em tais locais. 6.3 Pavimentação de Vias de Acesso Públicas e/ou Particulares. O uso de resíduos de construção civil é muito utilizado na pavimentação de vias de acesso, pois apresentam uma característica arenosa, ou seja, não formam “lamaçais” permitindo um bom escoamento e infiltração de águas pluviais. Evidentemente, os resíduos utilizados nessa atividade não podem apresentar algumas características que inviabilizem o tráfego de veículos, tais como, grandes dimensões, presença de materiais ferrosos (pregos, arames, pedaços pontiagudos de ferro, etc.), pedaços de vidro, ou outros materiais que possam causar danos aos materiais alheios e/ou incômodos à população. 6.4 Correção de Relevos e Outros. A disposição de resíduos de construção civil na correção de relevos de terrenos (soterramento) depende do uso ao qual se destina o terreno, ou seja, essa disposição não poderá afetar a atividade que será desenvolvida naquele local. Em geral, não há uma regra já estabelecida. Cada caso deve ser analisado, principalmente quanto à característica do resíduo e sua forma de disposição. Alguns exemplos: áreas que serão destinadas à construção de estradas, áreas verdes, etc. 6.5 Usinas de Reciclagem de Resíduos da Construção. Usinas de reciclagem de resíduos da construção, também são consideradas como prevenção à poluição, pois permitem o reuso e/ou reciclagem de materiais. São sistemas de tratamento de resíduos que após tratados são utilizados em atividades menos exigentes, como fabricação de calçamento, 21 tijolos e muros. Desta forma, um resíduo que antes implicava num gasto para seu transporte e disposição final, passa a gerar um lucro, pois os agregados produzidos na reciclagem reduzirão o uso de matérias-primas convencionais. 7 7.1 DESVANTAGENS DA DISPOSIÇÃO INADEQUADA Ao Homem Desvalorização das propriedades Impossibilidade do uso dos recursos naturais Prejuízo estético Desgaste da imagem da entidade envolvida Inconvenientes ao bem-estar e saúde da população 7.2 Ao Meio Ambiente Riscos à segurança Poluição do ar Poluição do solo Poluição das águas superficiais (rios e córregos) e subterrâneas (lençol freático) Destruição das matas naturais Desequilíbrios ecológicos (nas condições de água – abrigo – alimento) Prejuízo estético 8 PRINCIPAIS PROBLEMAS NA DISPOSIÇÃO DOS RESÍDUOS Não há garantias de que os resíduos de construção civil recolhidos estarão isentos de outros tipos de resíduos, principalmente quando a coleta é feita em caçambas. Não há suficiente educação ambiental a respeito da coleta seletiva de resíduos. Não há interesse em treinar os funcionários e demais pessoas envolvidas em uma obra, sobre a separação, coleta e reutilização de resíduos, principalmente nas pequenas obras. Há custos para coleta, tratamento (separação, trituração, moagem, umectação, etc.) armazenamento e transporte dos resíduos. A inexistência de locais apropriados para a disposição dos resíduos próximo aos locais de geração, às vezes torna seu custo de transporte e manuseio inviáveis. 22 9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Curso de Licenciamento Ambiental para os Setores de Saneamento e Recursos Hídricos, CETESB (CoMPanhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo), 1999. Legislação Estadual – Controle de Poluição Ambiental do Estado de São Paulo (Atualizado até Dezembro de 1998) – São Paulo: CETESB (CoMPanhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo), 1999. NBR 10004 – Resíduos sólidos – Classificação, norma da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), set/1987. NBR 10005 – Lixiviação de resíduos – Procedimento, norma da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), set/1987. NBR 10006 – Solubilização de resíduos – Procedimento, norma da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), set/1987. NBR 10007 – Amostragem de resíduos – Procedimento, norma da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), set/1987. NB 1264 – Armazenamento de resíduos classes II – não inertes e III – inertes, norma da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), dez/1989. Resolução SMA nº 34 (03/06/96), SMA (Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo), Municípios da Região Metropolitana de São Paulo, utilização de áreas mineradas para disposição de resíduos sólidos inertes. Resolução SMA nº 28 (22/09/99), SMA (Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo), zoneamento ambiental para mineração de areia no subtrecho da bacia hidrográfica do Rio Paraíba do Sul, municípios de Jacareí, São José dos Campos, Caçapava, Taubaté, Tremembé e Pindamonhangaba e providências correlatas. 23 III Seminário “Desenvolvimento Sustentável e a Reciclagem na Construção Civil: Práticas Recomendadas” IBRACON CT- 206 MEIO AMBIENTE BACIAS DE CAPTAÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS – INSTRUMENTO PARA UMA GESTÃO SUSTENTÁVEL PINTO, Tarcísio de Paula (1) (1) Mestre EESC-USP, Doutor EPUSP, Diretor Técnico da I&T – Informações e Técnicas, R. Salvador Risoléu,78, Butantã, S. Paulo, 05536-020, tel/fax: O11-3742-0561, e-mail: i&[email protected] Palavras-chave: resíduos da construção e demolição, gestão, reciclagem. RESUMO A urbanização acelerada e o rápido adensamento das cidades de médio e grande porte têm provocado inúmeros problemas para a destinação do grande volume de resíduos gerados em atividades de construção, renovação e demolição de edificações e infra-estrutura urbanas, condicionando os gestores públicos a adotarem soluções mais eficazes para a gestão desses resíduos. Este trabalho comenta os graves problemas causados por eles e apresenta o conceito de bacias de captação de resíduos enquanto instrumento adequado de intervenção, parte de uma nova metodologia para gestão diferenciada dos resíduos de construção e demolição. Comenta ainda as experiências parcelares de alguns municípios brasileiros que demonstram, pela redução de problemas ambientais e excelência dos resultados, o potencial e a sustentabilidade do instrumento de gestão que está sendo proposto. 1 INTRODUÇÃO A questão dos resíduos gerados em ambientes urbanos, no Brasil, atinge contornos gravíssimos, pela ínfima presença de soluções adequadas quer para os efluentes líquidos quer para os resíduos sólidos. Os dados levantados no Censo de 1991 apontam que, da parcela dos domicílios que têm esgoto coletado, os efluentes de 80% não recebem qualquer tipo de tratamento, sendo despejados diretamente no solo ou nos 25 corpos d’água, gerando sérios iMPactos aos ambientes de vida. O mesmo Censo aponta por outro lado, que, quando existe a coleta de resíduos sólidos domiciliares, 76% desse material é depositado a céu aberto, sem qualquer tipo de tratamento ou controle (BRASIL, 1995). Indicadora da gravidade dessa situação é a estimativa do Ministério da Saúde de que as carências dos serviços e ações de saneamento sejam responsáveis, no Brasil, por 65% das internações hospitalares (BRASIL, 1995). É a “epidemia surda” da carência de saneamento, que pune, num país sem lutas nem guerras, principalmente as populações de baixa renda, marginalizadas no processo econômico. O censo do ano 2000 deverá revelar um novo quadro, mas, para o país como um todo, não deverão acontecer alterações significativas, em função das dificuldades econômicas vividas pelos municípios e da crescente omissão do governo federal na última década. Os resíduos gerados nas atividades construtivas e os resíduos volumosos (móveis e equipamentos inutilizados, grandes embalagens e peças de madeira, entre outros) têm parte da responsabilidade no quadro acima descrito. São gerados em expressivos volumes, principalmente os da construção, não recebem solução adequada, impactam o ambiente urbano e constituem local propício à proliferação de vetores de doenças, aspectos que irão agudizar os problemas de saneamento nas áreas urbanas. Esses resíduos são parte dos resíduos sólidos urbanos (RSU) que incluem também os resíduos domiciliares com todos os problemas anteriormente relatados. Porém, para os resíduos de construção e demolição (RCD) e resíduos volumosos, há agravantes: o profundo desconhecimento dos volumes gerados, dos iMPactos que eles causam, dos custos sociais envolvidos e, inclusive, no caso dos RCD, das possibilidades de seu reaproveitamento, fazem com que os gestores dos resíduos se apercebam da gravidade da situação unicamente nos momentos em que, acuados, vêem a ineficácia de suas ações corretivas. Muitos dos documentos técnicos que sustentam a formulação de políticas para os resíduos sólidos ignoram situações como as reveladas pelos dados da Tabela 1 e atêm-se exclusivamente aos resíduos domiciliares. O desconhecimento dos volumes reais de resíduos sólidos gerados faz com que os gestores urbanos se balizem por práticas de gestão apenas corretiva dos iMPactos ambientais e econômicos que são decorrência da inexistência de solução para o descarte correto e para a captação racional desses resíduos. A Gestão Corretiva praticada nos municípios não se antecipa aos eventos deterioradores do ambiente urbano, considera importantes agentes do processo apenas como potenciais infratores, e tem sua sustentabilidade cada vez mais comprometida, conforme o esgotamento inexorável das áreas para a disposição final dos RCD e resíduos volumosos. As ações dos gestores da limpeza urbana nesses municípios, apesar de infrutíferas, têm que se manter incessantes devido ao grande volume de RCD que continua e continuará sendo gerado nas áreas urbanas em expansão ou renovação. 26 Tabela 1 - Composição dos RSU em alguns municípios brasileiros Informações (1) Municípios Santo André SP São José São José R. Preto Campos SP SP Ribeirão Preto Jundiaí Vitória da Conquista SP SP BA (base 96) (base 96) (base 95) (base 95) (base 96) Geração de resíduos domiciliares (base 97) 36 % 25 % 26 % 17 % 27 % 25 % 10 % 17 % (2) 7% 13% 11 % 14 % 54 % 58 % 67 % 70 % 62 % 61 % 1.868 1.187 1.090 1.484 1.151 512 Geração de outros resíduos (volumosos/industriais/serv. Saúde/solo/podas) Provável geração total de RCD Geração total de resíduos sólidos urbanos (t/dia) (1) Conforme PINTO, 1999 2 (2) Exclusão dos resíduos industriais GESTÃO DIFERENCIADA DE RESÍDUOS A Metodologia para a Gestão Diferenciada dos RCD que vem sendo proposta e praticada em alguns municípios brasileiros, é um conjunto de ações de entes públicos e privados, visando a reorientação de sua prática, para que recursos naturais não renováveis sejam usados com racionalidade e o ambiente seja preservado da disposição aleatória de resíduos com elevado potencial de aproveitamento. Enquanto metodologia é fruto da constatação de que as sociedades nunca consumiram tantos recursos naturais e geraram tantos resíduos como na atualidade (CAVALCANTI, 1996) e, em função disso, ao nível do poder público, é necessária a interrupção de práticas coadjuvantes, meramente corretivas, substituindo-as por soluções sustentáveis para espaços urbanos cada vez mais densos e complexos de gerir. Deve ser vista como solução necessária, complementar à gestão tradicional dos resíduos domiciliares e à introdução de preceitos modernos na gestão de outras parcelas dos resíduos sólidos urbanos como a coleta seletiva e reciclagem de embalagens, compostagem de resíduos orgânicos e podas vegetais, desmontagem e reaproveitamento de resíduos volumosos. As diretrizes básicas da Gestão Diferenciada dos RCD são: a facilitação total da disposição dos RCD e outros resíduos sólidos que comumente com ele transitam, a diferenciação integral dos resíduos sólidos captados e a alteração da destinação dos resíduos captados, pela adoção da reciclagem. A facilitação da disposição se dá com a oferta mais abrangente possível de áreas públicas de pequeno e médio porte para o descarte de resíduos sólidos não-domiciliares, não-sépticos e não-industriais, constituindo-se uma rede ofertada aos agentes para a disposição correta de RCD e outros resíduos 27 sólidos comumente descartados em conjunto. Devem ser especializadas as pequenas áreas para a recepção de pequenos volumes1, limitados à quantidade transportável em veículos particulares ou pequenos veículos de agentes informais de coleta, e as áreas de médio porte especializadas para a recepção de volumes coletados por agentes que operam com veículos maiores, dedicados exclusivamente ao transporte de RCD. A atração dos grandes volumes de RCD e a centralização dos pequenos volumes captados, em áreas onde seja estruturada a reciclagem, permitirão conferir perenidade a tais áreas, substituindo-se a solução dos bota-foras sempre emergenciais da gestão corretiva por centrais de reciclagem racionais e plenamente geríveis. 3 BACIAS DE CAPTAÇÃO DE RESÍDUOS E LOCAIS PARA ENTREGA VOLUNTÁRIA A ampla maioria dos iMPactos ambientais e econômicos por má disposição de resíduos é decorrente da inexistência de solução para o descarte correto dos pequenos volumes em áreas urbanas, e a gestão corretiva que vem sendo praticada nos municípios acaba constituindo um sistema de coleta “às avessas” com os geradores e coletores de pequeno porte, muitas vezes definindo os locais onde é mais racional a disposição dos RCD. A metodologia de gestão diferenciada reconhece essa “logística” e, a partir dela, define estratégias para atração eficiente desses resíduos em pequenos volumes até locais onde sejam entregues voluntariamente e possam ser diferenciados para uma destinação correta. Para que essa estratégia tenha o alcance e a eficiência necessários, é de extrema importância o planejamento da disposição geográfica dos locais de entrega em relação à zona geradora. Para essa definição é válido o empréstimo do conceito de bacia de captação da drenagem urbana. Assim, para toda a zona urbana geradora podem ser definidas Bacias de Captação de resíduos, a partir da consideração de determinantes como as características de renda da população, a intensidade e tipologia de geração de resíduos, possíveis dificuldades impostas pelo sistema viário, altimetria local, disponibilidade e capacidade de deslocamento dos coletores para pequenos volumes e dos próprios geradores. Definidos os limites da Bacia, a pequena área para onde deverão confluir os resíduos deverá ser escolhida sob a ótica da flexibilidade, possibilitando seu remanejamento ocasional para ajuste até a máxima atratividade dos resíduos (RCD e volumosos) gerados na Bacia. A Figura 1 apresenta os limites de bacias arbitrados em São José do Rio Preto, SP e a localização dos locais de entrega voluntária, ali denominados de Pontos de Apoio; esse município acaba de instituir, de forma pioneira, um sistema de captação e destinação baseado em 14 bacias e duas centrais de reciclagem. 1 Há exemplos, em outros países, da adoção de áreas para função assemelhada – dècheteries na França, amenity sites no Reino Unido (JARDIM, 1995), deixalleries na Catalunha (CATALUNYA, s.d.) 28 700 m 03 01 02 07 05 04 06 09 08 11 10 14 13 12 Figura 1 - Bacias de captação de resíduos em São José do Rio Preto / SP As Bacias de Captação são um instrumento privilegiado para a inversão do papel coadjuvante dos gestores na administração de resíduos urbanos. Estabelecidas com obediência aos determinantes anteriormente citados, possibilitam eficiência de atração muito elevada, gerando intensa redução de deposições irregulares e de áreas deterioradas. Os locais para entrega voluntária estabelecidos em cada bacia tendem a funcionar como “ralos” captores de resíduos, mas para que a facilitação aos agentes ocorra com plenitude e a atração e captação dos resíduos sejam realmente eficientes, importa privilegiar o nucleamento de pequenos coletores nesses locais e construir parcerias adequadas com instituições estabelecidas na bacia (instituições associativas, religiosas ou esportivas, escolas, etc). 29 O nucleamento de pequenos coletores garante solução de descarte para geradores que não disponham de veículo apropriado, formalizando-se e potencializando-se o papel desses pequenos coletores como agentes de limpeza urbana. As parcerias com instituições locais, visando a recuperação da qualidade do ambiente de moradia, permitirão que elas cumpram papel multiplicador dos esforços, inerentes à gestão diferenciada dos RCD, para alteração de cultura e procedimentos. A Figura 2 apresenta, para uma das Bacias definidas em S. José do Rio Preto, as parcerias que serão objetivadas. 700 m 0 52 ROD. WASHINGTON LUIZ 52 SÉ DAB A TI RE N MU N IA AV. PO AV SÉ JO . JO R. 5 54 L PO 0 AC 52 0 HI NI 565 IDE GOM 520 SS BA LO FT J OÃ O IT AV .D R. R OD .B R15 3 Á R IO R. M 52 0 PONTO DE APOIO ESCOLAS / CRECHES ASSOCIAÇÕES LOCAIS IGREJAS E TEMPLOS Figura 2 - Instituições objetivadas como parceiras em uma das Bacias de São José do Rio Preto / SP São esforços desse tipo, de aproximação das soluções técnicas eficazes com as instituições que aglutinam as pessoas que fazem a cidade, que podem alterar os cenários de degradação tão comuns aos municípios brasileiros. Fundamental ainda para a consolidação das Bacias e de seus locais de captação como novo método de gestão de resíduos é a introdução de agentes públicos locais com a função precípua de orientarem processos e monitorarem resultados, consolidando, pela informação continuada e pela educação ambiental, a necessária alteração de culturas, as parcerias estabelecidas e o novo papel dos pequenos coletores. Resultado da implantação de locais de entrega voluntária é a plena possibilidade de segregação dos resíduos recebidos e possibilidade de especialização de equipamentos para remoção, com menores custos, de resíduos com características diferenciadas, como exposto na Tabela 2. 30 Tabela 2 - Diferenciação, organização e remoção adequada de resíduos sólidos em locais de entrega voluntária. Diferenciação RCD Solo Rejei- Podas Volu- Madei Papel Plástico Metá tos mosos -ra e vidro licos Apresentação a granel em partículas maiores Características Densos Leves (1) Veículo para transporte de elevada tonelagem. Veículo para transporte de massa Características do meio de transporte Limitar pelo peso de elevado volume. Limitar pelo volume (1) Comumente os resíduos metálicos ferrosos ou não-ferrosos captados estão na forma de utensílios ou componentes, que, como tal, podem ser caracterizados como leves. As experiências que vem sendo desenvolvidas nos últimos anos por algumas municipalidades vem demonstrando, de forma ainda parcelar, mas inequívoca, o potencial dessas intervenções. Locais de entrega voluntária estabelecidos em Belo Horizonte (4 locais, denominados de Unidades de Recebimento de Pequenos Volumes) e em Salvador (6 locais, denominados de Postos de Descarga de Entulho) vêem recebendo volume expressivo de materiais para os quais anteriormente não havia solução de coleta. Figura 3 - Unidade de Recebimento Saramenha em B. Horizonte e P. Descarga Amaralina - Salvador Em Salvador, os seis Postos já implantados a partir de 1998, parte dos 22 previstos no Projeto de Gestão Diferenciada do Entulho desenvolvido pela LIMPURB, já fazem parte de um novo modo de gestão que vai se impondo. 31 Tabela 3 - Postos de Descarga de Entulho em Salvador / BA. Média da recepção de RCD. Postos de Descarga Fazenda de Entulho (1) Luiz Fede- Nordeste Grande Anselmo ração Amaralina 51 303 212 303 Itaigara Boca Total do Rio Tonelagem média mensal recebida (t) 884 757 2.510 (1) Conforme relatórios internos da LIMPURB – Empresa de Limpeza Urbana de Salvador Já em Belo Horizonte, que vem implantando esse método de gestão desde 1995, os quatro locais de entrega voluntária, além de estarem recebendo volumes crescentes de RCD e resíduos volumosos (2.250 toneladas mensais nos primeiros meses de 2000), nucleam pequenos coletores que atendem as comunidades do entorno. Tabela 4 - Unidades de Recebimento de Pequenos Volumes em Belo Horizonte, MG. Resíduos recebidos entre fevereiro e junho de 1999 Unid. de Recebimento (1) Volume médio mensal 3 recebido (m ) Média de viagens mensais recebidas (un) Carroceiros nucleados Barão 300 Barr. Sta Lúcia Saramenha Andradas Total 240 30 210 329 719 596 77 648 528 1849 66 13 72 116 267 (1) Conforme relatórios internos da SLU – Superintendência de Limpeza Urbana A utilização dos conceitos de Bacia de Captação e Local de Entrega Voluntária como instrumentos de gestão possibilita o desenvolvimento de diversos programas paralelos, como a expansão da coleta seletiva para todo o município que está sendo articulada com instituições sociais em São José do Rio Preto, ou o “Disque Carroça” programa implantado pela SLU há alguns meses, em Belo Horizonte, para atendimento aos munícipes, e que vem surtindo grande sucesso. A prática que vem sendo exercitada nos municípios citados aponta que a metodologia para a gestão diferenciada dos RCD e outros resíduos, e o avanço até a definição de Bacias de Captação e Locais de Entrega Voluntária, é o instrumento eficaz que, como serviço público, permitirá deslocar os gestores de resíduos da posição de meros coadjuvantes de um processo perdulário e incontrolável, possibilitando solução sustentável para um velho problema urbano. 4 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. Ministério do Planejamento e Orçamento. Secretaria de Política Urbana - SEPURB. Departamento de Saneamento. Política nacional de saneamento: 1995/1999. Dez. 1995. 32 CATALUNYA. Resum del programa de gestió de residus municipals de Catalunya. Generalitat de Catalunya, Departament de Medi Ambient, Junta de Residus. Catalunya, Junta de Residus. S.d. /datilografado/ CAVALCANTI, C. et al. Desenvolvimento sustentável: compreensão e princípios de políticas. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA-SBPC, 48. Ciência para o progresso da sociedade brasileira. São Paulo, 1996. Anais, v. 1, Conferências, Simpósios e Mesas Redondas. São Paulo, PUC-SP 1996. P. 15-23. JARDIM, N. S. et al. Coord. Lixo municipal: manual de gerenciamento integrado. São Paulo, IPT, 1995. (Publicação IPT 2163). PINTO, T.P. Metodologia para a gestão diferenciada de resíduos sólidos da construção urbana. São Paulo 1999. 189 p. Tese (Doutorado) - Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Departamento de Engenharia de Construção Civil. 33 III Seminário “Desenvolvimento Sustentável e a Reciclagem na Construção Civil: Práticas Recomendadas” IBRACON CT- 206 MEIO AMBIENTE “PEDREIRA ITAQUERA: METAMORFÓSE DA MINERAÇÃO” UMA BREVE HISTÓRIA SOBRE A “PEDREIRA DE ITAQUERA”. DE BAPTISTI, Edson (1); HACHEN, Flavio (2). (1) Engenheiro Civil, Latu-Sensu, Saneamento Ambiental, Gerência de Negócios, Pós-graduado Direito Ambiental ; Construtora Queiroz Galvão S.A, Av: Itaquera, 5.889, Cidade Líder, São Paulo, SP; e-mail: [email protected]. (2) Administrador de Empresa, Pedreira Itaquera Ltda., Rua Boa Vista n.254, 11 andar-cj.09 , Centro, São Paulo, SP. Palavras-chave: inertes, aterro, Pedreira ltaquera, monitoramento ambiental, monitoramento geotécnico. RESUMO A cava da antiga Pedreira ltaquera, em atividade desde 1957, está sendo utilizada para a execução de um aterro de resíduos inertes gerados no município de São Paulo, cuja capacidade de destinação é de aproximadamente 4.500.000 toneladas, para um período previsto de 54 meses. A área encontrase atualmente dentro do espaço urbano da cidade de São Paulo, situada na zona leste. A operação e administração do empreendimento é de responsabilidade da Construtora Queiroz Galvão, e constitui parte do Plano de Recuperação de Área Degradada - PRAD, elaborado há dez anos, que propunha a recuperação topográfica da área explorada, pelo preenchimento da cava com resíduos inertes, o que permitiria a sua reintegração à paisagem urbana. Para sua utilização como um aterro de resíduos inertes foram realizados estudos ambientais, submetidos à apreciação dos órgãos Ambientais, para a obtenção do licenciamento ambiental. Como se tratava de um aterro de resíduos inertes, o potencial de causar poluição às águas subterrâneas é praticamente nulo. Embora, todos os cuidados foram, e estão sendo tomados na operação do aterro para assegurar que o lençol freático não possa ser 35 contaminado. O maciço rochoso do fundo da cava da Pedreira foi regularizado e impermeabilizado com material argiloso. O Plano de Monitoramento da Qualidade das Águas Subterrâneas foi elaborado para permitir o controle e garantir a qualidade atual das águas subterrâneas no local do empreendimento. Este controle é feito por um rnonitoramento, em base contínua, de amostras de água coletadas em um dreno central, e ao se identificar qualquer alteração nos padrões de qualidade das águas, medidas corretivas poderão ser adotadas, antes que as águas subterrâneas sejam atingidas. Afim de se garantir as condições de estabilidade e segurança do empreendimento, foi implantado o Plano de Monitoramento Geotécnico Embora nos últimos anos a situação já estivesse bem equacionada o PRAD (PLANO DE RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS) elaborado há dez anos, destinava o enorme buraco escavado na rocha para a implantação de aterro de inertes, pois, esta seria a vocação natural para um futuro empreendimento imobiliário, haja visto que o metrô também se tornou vizinho ao muro de britagem ressaltando ainda mais a evolução do entorno. 1 O FUTURO Como a cava ocupava um terço da área, não seria inteligente deixá-la aberta. Aterrá-la seria necessário e a solução de um aterro de inertes se impunha naturalmente. A cava da antiga pedreira é mostrada na Foto 1. A Prefeitura premida pela necessidade crescente de um local adequado para depósito de entulhos chegou a sondar o grupo sobre a possibilidade de desapropriação. Isso não interessava ao grupo que preferia explorar economicamente a propriedade. A crise paulistana evitou que a desapropriação fosse a solução adotada. Foto 1 Vista aérea do terreno; arquivo de 1999. 36 Então a administração municipal passou a priorizar uma solução em que não necessitasse investir em desapropriações e adotou uma licitação em que a empresa que vencesse o serviço de tratamento de entulhos deveria apresentar como requisito básico da proposta uma área de destinação final que estivesse o mais próximo possível da cidade; e que tivesse acesso fácil; que não estivesse em área de manancial; que não tivesse nenhum tipo de restrição ambiental; e, principalmente, não representasse custos para ela. A cava da Pedreira Itaquera adequava-se perfeitamente às condições técnicas exigidas e vinha ao encontro dos objetivos do grupo. O pretendente que apresentasse a cava da Itaquera como área de destinação teria as melhores condições de vencer a licitação. O grupo proprietário foi sondado por diversos candidatos e optou pela Construtora Queiroz Galvão pela sua qualificação em operar diversos aterros públicos. Na proposta apresentada, a área da Itaquera foi colocada à disposição da Prefeitura a custo zero, sem aluguel ou custo de desapropriação. A administração municipal remunera a empreiteira pelo serviço de destinação final, adequação e manutenção, dentro dos mais altos níveis de segurança e qualidade. A decisão de implantar um aterro de inertes foi discutida com a comunidade que rodeia a pedreira. E a receptividade, foi muito boa, já que, embora muitos dos incômodos da exploração mineral persistam, alguns são totalmente eliminados - as vibrações provocadas por explosões, o ruído e a poeira dos sistemas de britagem - outros são atenuados - tráfego de equipamentos, etc. No mesmo nível continuará o tráfego de caminhões, mas assumindo outra característica, já que as carretas que transportavam brita foram substituídas por caminhões transportando caçamba. Como toda a área foi pavimentada, há sensível redução, de poeira. Completado o preenchimento da cava, a população vai ter como vizinha uma área reurbanizada e suas propriedades serão sensivelmente valorizadas. 2 PREFEITURA GANHA COM A UTILIZAÇÃO DA ÁREA. O Aterro Itatinga foi o primeiro depósito oficial de entulhos da Prefeitura de São Paulo durante muito tempo; o Aterro Itaquera passa a ser agora pelos próximos cinco anos. A vantagem para a Prefeitura Municipal é que tendo um depósito oficial pode exercer um controle mais efetivo. Deixa de depender de aterros clandestinos ou de depósitos de lixo doméstico onde o entulho seria depositado em condições inadequadas. Quando o ciclo do aterro de Itatinga se encerrou, a Prefeitura foi obrigada a depositar o entulho no aterro de lixo doméstico de Bandeirantes. Além de depositar em condições inadequadas, pois mistura material inerte com lixo doméstico, o custo do transporte se torna proibitivo, bem maior do que o previsto para o aterro de Itaquera que está a 16 km do centro em linha reta. Deve-se ressaltar ainda que áreas onde se possa depositar lixo doméstico são muito difíceis de serem conseguidas e usar parte de sua capacidade com material inerte reduz a vida útil do aterro. As condições dos aterros clandestinos não são melhores. Estes estão em terrenos de condições inadequadas, não obedecem a nenhuma legislação e podem provocar acidentes sérios, como o que ocorreu há cerca de 10 anos no 37 Morumbi, quando um aterro deslizou sobre uma favela. Trazem transtornos de todo tipo, como falta de drenagem, contaminação do lençol freático, assoreamento de cursos d’água, poeira, destruição de ruas e avenidas, entupimento de redes de águas pluviais, presença de ratos e insetos, etc. Mesmo para os usuários destes depósitos o prejuízo é grande. São obrigados a pagar cerca de R$ 15,00 para descarregar a caçamba e correm o risco de serem multados por não cumprirem a legislação ambiental. Em aterro de inertes oficial, o custo para o caçambeiro é zero. Além disso, toda manipulação da carga será feita, por empresa com comprovada qualificação. A Prefeitura tem condições de oficializar as caçambas, obrigando os proprietários das caçambas a registrá-las, pintá-las com a cor oficial e numerá-las. Haverá controle total, seja sobre o aterro, seja sobre o entulho. Com um único depósito, o fluxo de caminhões pode ser aferido e medidas para adequação ao tráfego local adotadas. 3 ATERRO DE INERTES ITAQUERA - IMPLANTAÇÃO O aterro de resíduos inertes de Itaquera foi iniciado oficialmente em 22 de outubro último. A responsabilidade de receber e selecionar o resíduo, operar e administrar o aterro é da Construtora Queiroz Galvão, vencedora da licitação aberta pela Prefeitura Municipal de São Paulo. Todo o entulho e todo material inerte não contaminado gerados dentro do município deverão ser encaminhados para o aterro de Itaquera. O primeiro passo para que o material inerte pudesse começar a ser depositado foi a impermeabilização da rocha do fundo da cava da pedreira com argila para assegurar que o lençol freático não seja contaminado(foto 2). Foram utilizados cerca de 40.000 m3 de material argiloso retirado do bota-fora, local para onde foi encaminhado o material terroso que capeava a rocha durante os anos de exploração comercial da pedreira. O entulho é lançado, na cava onde é cuidadosamente compactado com o objetivo de ampliar a vida útil do aterro, além de permitir que, após fim da atividade, a área possa ser utilizada com segurança. O processo de compactação é praticamente o mesmo usado em compactação de aterros rodoviários. Entretanto, dada à heterogeneidade do material recebido (entulho, restos de construção, etc.), sua compactação é muito difícil e o resultado não pode ser comparado aos aterros mais comuns. Para a compactação, são utilizados o compactador vibratório pé-de-carneiro Dynapac CA 25 e tratores de esteira, além de equipamentos de apoio como pá carregadeira, retroescavadeira e caminhões-pipa. A taxa de coMPactação mínima que deve ser conseguida é de 1,2 kg/m3. 38 Foto 2 Regularização e Impermeabilização do Fundo 4 DRENAGEM Outro ponto muito importante para que o aterro seja bem executado é o sistema de drenagem. Durante a impermeabilização inicial do fundo da cava da pedreira, tomou-se o cuidado de direcionar o fluxo das águas para um único ponto de acumulação e captação, onde foi construída uma caixa (shaft) e instalado um sistema de bombeamento. O sistema utiliza bombas submersíveis que recalca a água depositada a uma altura de cerca de 90m para fora da cava através de uma “chaminé”’ de tubo com diâmetro de 1,20 m . As águas pluviais vão percolar através do material inerte com facilidade dada a sua granulação e vão ser captadas e direcionadas por drenos verticais e horizontais, para este sistema. Além da drenagem principal, outras vão ser executadas durante a, construção do aterro, ora com o emprego de drenos cegos - brita graduada envolvida por bidim - ora com a construção de valas a céu aberto, (todas elas direcionadas para o ponto de captação principal). 5 OPERAÇÃO A entrada dos resíduos inertes é feita pela antiga entrada da pedreira, situada na Av. Itaquera, n.º 5.889. Os caminhões caçambeiros ou basculantes percorrem por acesso pavimentado até a entrada do aterro. Ali foram instaladas duas balanças eletrônicas de 60.000 kg de capacidade cada, ligadas aos computadores da Companhia de Processamento de Dados do Município de São Paulo - Prodam. Elas controlam e medem a entrada do material para que a Prefeitura Municipal possa acompanhar a construção do aterro e fazer aferições à Queiroz Galvão pelo serviço. Este sistema foi instalado pela Prodam e é por ela controlado. Para que todo o complexo de trabalho do aterro pudesse ser instalado, a antiga instalação de britagem foi desmontada, escritórios e oficinas reformados e ampliados (fotos 3 e 4), de modo a dar todo conforto para os que trabalham 39 no aterro, desde os administradores e trabalhadores do aterro até os fiscais que vão fazer o monitoramento do aterro. A capacidade de armazenamento do aterro de Itaquera é de cerca de 4.600.000 toneladas de material inerte classe Ill e sua vida útil prevista é de cinco anos. Foto 3 Antigas Instalações da Pedreira Foto 4 Novas Instalações 6 MONITORAMENTO Por se tratar de um aterro de material inerte, o monitoramento é mais simples, já que não há formação do chorume - líquido que se forma na decomposição do lixo orgânico. Sendo que o potencial de poluição não existe nos aterros de inertes. No caso do aterro de Itaquera, o monitoramento é uma atividade que visa estabelecer parâmetros de controle para acoMPanhar o projeto como um todo. 40 Isto permitirá que ações preventivas e corretivas sejam tomadas pelas equipes de geotecnia e de controle ambiental. Engenheiros especializados fazem visitas técnicas periódicas para verificar as condições de execução do projeto. No monitoramento são feitos relatórios técnicos, em que todos os aspectos são verificados como por exemplo: análise do lençol e estabilidade do maciço e, ações a serem desenvolvidas no eqüacionamento dos problemas do aterro. Tudo, isso ainda é complementado com documentação fotográfica de todas as fases de execução do aterro. 7 PREOCUPAÇÃO COM A COMUNIDADE A construção do aterro foi amplamente discutida com a comunidade, circunvizinha. Todas as explicações sobre o tipo de material que ali seria depositado foram dadas, as vantagens e desvantagens expostas. O projeto continua a gerar um grande tráfego de caminhões como acontecia com a operação da pedreira, com a sensível diferença de que antes se tratavam de grandes carretas transportando brita. E hoje os caminhões que transportam entulho são de menor porte. De qualquer forma, o tráfego cria transtorno para a comunidade. Para prevenir possíveis acidentes, as vias de acesso foram sinalizadas e as condições em frente à escola próxima ao empreendimento, melhoradas com a colocação de guias e calçadas. Observa-se que a Av. Itaquera que serve de acesso ao aterro não possuía calçadas, obrigando os pedestres a usarem o leito carroçável Ainda toma-se um cuidado especial com a limpeza para evitar-se a formação de poeira, evitando-se o incômodo à população e ao meio ambiente, com constantes limpezas na via pública por intermédio de caminhões pipa. 8 QUANTIDADES RECEBIDAS DE ENTULHO A Construtora Queiroz Galvão S/A em todo o compromisso assumido com órgãos públicos na execução de seus trabalhos, se coloca muito acima de uma simples contra prestação de serviços, além de estar sempre buscando a excelência em tudo o que desenvolve, procura interagir de forma constante e ativa com os munícipes, que no caso do Aterro Itaquera estão diretamente envolvidos no pleno sucesso do empreendimento. Toda essa preocupação é que faz com que esta marca seja distinguida cada vez mais num mercado competitivo. No gráfico a seguir é mostrada a produção mensal de material recebido. 41 106.385,09 180.000,00 160.000,00 40.000,00 51.637,66 60.000,00 46.081,64 80.000,00 46.891,95 100.000,00 23.171,59 TON 120.000,00 62.317,54 140.000,00 107.161,78 COMPARATIVO DE PRODUÇÃO MENSAL/ 9 9 / 0 0 TOTAL ACUMULADO = 443. 6 4 7 , 2 5 20.000,00 OUT NOV DEZ JAN FEV MAR ABR MESES 42 III Seminário “Desenvolvimento Sustentável e a Reciclagem na Construção Civil: Práticas Recomendadas” IBRACON CT- 206 MEIO AMBIENTE DISPOSIÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS NA INDÚSTRIA DE COMPÓSITOS CARVALHO; A. F. (1) (1) Engenheiro da Universidade Federal de Minas Gerais. Líder de marketing da Owens Corning para a América Latina. Tel (xx19)5359440, e-mail: [email protected] Palavras-chaves: fiberglass, compósitos, reciclagem, resíduos. RESUMO A indústria de compósitos gera aproximadamente 10 mil toneladas de resíduos sólidos por ano no Brasil. Esses resíduos são em geral dispostos em aterros sanitários. Este trabalho apresenta soluções alternativas para a destinação final e possível reaproveitamento desses resíduos. 1 INTRODUÇÃO Em sentido restrito, compósitos são materiais estruturais resultantes da combinação de fibras de vidro com resinas poliéster ou viniléster diluídas em estireno. Os compósitos são também conhecidos como plástico reforçado com fibras de vidro, PRFV, ou Fiberglass. As grandes vantagens dos compósitos em relação a outros materiais estruturais, como madeira e metais, são leveza, baixo custo de manutenção, facilidade de produzir geometrias complexas e baixo custo fixo de transformação. Os compósitos são usados para fazer peças ou estruturas de geometria complexa em baixa escala de produção, como caixas d’água, tanques para produtos químicos, peças para ônibus, mesas, cadeiras, piscinas e muitas outras. A transformação dos compósitos pode ser feita por processos a quente ou a frio. Os processos a quente usam moldes metálicos aquecidos e geram poucos resíduos sólidos. Os processos a frio, principalmente os que usam moldes 43 abertos, geram uma quantidade apreciável de resíduos. Este trabalho trata apenas da destinação dos resíduos sólidos gerados pelos processos de transformação a frio e que usam molde aberto. Esses processos são mais conhecidos como laminação manual ou a pistola. Nos processos de molde aberto os resíduos sólidos são gerados pelo material depositado na faixa de rebarbação ao longo do perímetro das peças. Peças de grande perímetro e pequena superfície, como máscaras frontais de ônibus, geram grande quantidade relativa de resíduos sólidos. O contrário acontece no caso de peças de grande superfície e pequeno perímetro, como piscinas, que geram relativamente pouco resíduo. Vemos assim que a indústria de compósitos gera resíduos sólidos durante a transformação, quando as peças são moldadas. Esses resíduos são fáceis de ser coletados e podem ter muitas destinações finais, como vamos mostrar mais adiante. Outro tipo de resíduo sólido, que no momento não atrai muita atenção mas que no futuro será mais discutido, é o que resulta das peças que devem ser descartadas após ter completado suas vidas úteis. A destinação final dos resíduos pós-consumo é mais complicada que a dos resíduos de transformação, principalmente devido às dificuldades encontradas na coleta das peças e na separação de contaminações. Nesta monografia não falaremos dos resíduos pós-consumo devido à dificuldade logística em estabelecer um programa sistemático e abrangente de coleta e eventual disposição. Na Europa existe uma empresa subsidiada pelos fornecedores de compósitos para a indústria automotiva, que tem um programa de coleta e reciclagem de peças pós-consumo. Esse programa, porém, é específico para reciclar peças moldadas a quente, não sendo abrangente para atender as necessidades globais da indústria de compósitos. Ademais, como os resíduos coletados são triturados e reciclados em mistura com material virgem, esse programa não resolve o problema de destinação, porque para cada quilo de material reciclado, o processo gera 4 a 5 quilos de material a ser reciclado no futuro. Os programas de destinação que misturam materiais virgens e resíduos não são satisfatórios a longo prazo, porque geram mais material para reciclagem futura do que são capazes de reciclar. No que diz respeito aos compósitos termofixos, o problema de destinação final dos resíduos pós-consumo só pode ser resolvido fora da própria indústria. Fica entendido que vamos tratar apenas da destinação de residuos sólidos gerados na transformação dos compósitos. Dentro dos processos de transformação, vamos focar nossa atenção apenas nos chamados processos de molde aberto, também conhecidos como laminação manual ou a pistola. Esses resíduos são fáceis de ser coletados e podem ter várias destinações finais. 2 QUANTIFICAÇÃO DO PROBLEMA. Desejamos saber quantas toneladas de resíduos de transformação são geradas por ano pela indústria de compósitos nos processos de laminação com molde aberto. Não existe estatística a esse respeito, porém podemos fazer uma estimativa bem razoável dessa quantidade, levando em conta alguns parâmetros simples que determinam a geração de resíduos. 44 A expressão matemática que governa a quantidade de resíduos sólidos gerados nos processos de laminação em molde aberto resulta da aplicação de uma equação de equilíbrio e de duas equações constitutivas. A equação de equilíbrio estabelece que a quantidade de material usada para fazer uma peça deve ser igual ao peso da peça mais as perdas por evaporação e mais o resíduo. MT = residuo + peso + evaporação (1) onde MT é a quantidade total de material (fibra de vidro, resina, gelcoat, etc) usada para fazer a peça, peso é o peso final da peça moldada e evaporação é a quantidade de estireno perdida por evaporação. As equações constitutivas relacionam o resíduo com o peso da peça e a evaporação do estireno com a quantidade total de material. A evaporação de estireno e o resíduo não são variáveis independentes, mas estão relacionados respectivamente à quantidade de material total (MT) e ao peso da peça. peso = A × residuo P×∆ (2a) evaporação = α × MT (2b) onde A é a área da peça (m²), P é o perímetro rebarbado (m), ∆ é a largura da faixa de material aplicada fora do molde, correspondente à faixa rebarbada acrescida do “overspray”, e α é o coeficiente de evaporação do estireno. Nota: No processo de laminação a pistola,“overspray” é o material que cai no chão, fora do molde. A equação que governa a quantidade de resíduo sólido é obtida substituindo as equações constitutivas (2a) e (2b) na equação de equilíbrio (1). Fazendo as substituições obtemos residuo = (1 − α ) × MT × ∆ A ∆+ P (3) A equação (3) permite calcular a quantidade de resíduo (kg) gerada quando são conhecidos a quantidade de material total (MT em kg) usada na laminação, 45 o perímetro rebarbado da peça (P em m), a largura da faixa rebarbada (∆ em m), a área da peça (A em m²) e o coeficiente de evaporação do estireno (α). Nota: A quantidade de resíduo pode ser estimada também pela expressão resíduo = P × ∆ × d × t onde d e t são respectivamente a densidade (g/cm³) e a espessura (mm) do laminado curado, isto é, após evaporação do estireno. A densidade dos laminados não varia muito com a evaporação do estireno, mas a espessura pode cair bastante. Para um coeficiente de evaporação igual a 7%, a espessura pode cair cerca de 8%. Vamos ver alguns exemplos. A tabela 1 mostra os parâmetros relevantes para estimar os resíduos gerados na fabricação de caixas d’água com capacidades de 500 e 5000 litros. O coeficiente de evaporação de estireno foi tomado igual a 7%, de acordo com recomendação da CFA “Composites Fabricators Association” para laminação a pistola sem controle e sem aditivos supressores na resina e no gelcoat. A largura da faixa rebarbada foi tomada igual a 7 cm. Para a caixa de 500 litros, o índice A/P = 0,81 metros, o coeficiente de evaporação de estireno é α = 0,07 e a largura da faixa rebarbada é ∆ = 0,07 metros. Como são necessários 9,17 kg de materiais (gelcoat, resina e fibras de vidro) para fazer essa peça, a expressão (3) nos diz que a quantidade de resíduo gerada é resíduo = (1 − 0,07 ) × 9,17 × 0,07 = 0,68kg 0,07 + 0,81 Procedimento análogo nos leva a concluir que a caixa de 5000 litros gera 2,19 kg de resíduos sólidos. Tabela1 Parâmetros para estimativa de resíduos sólidos Capacidade P A A/P MT (litros) (m) (m²) (m) (kg) 500 3,71 3,01 O,81 9,17 5000 7,22 14,21 1,97 68,62 α ∆ Resíduo (m) (kg) 0,07 0,07 0,68 0,07 0,07 2,19 A tabela1 mostra os parâmetros relevantes para estimar os resíduos sólidos gerados na laminação de caixas d’água de capacidades 500 e 5000 litros. A quantidade de material total (MT) corresponde ao material consumido para fazer as caixas e não ao peso delas. O coeficiente de evaporação do estireno 46 (α) foi tomado igual a 7% como recomenda a CFA para laminação a pistola. A largura da faixa de rebarbação (∆) foi assumida igual a 7 cm. O modelo matemático apresentado na expressão (3) é muito útil para estimar a quantidade de resíduos sólidos gerados nos processos de moldagem com moldes abertos. Ao invés de coletar e pesar os resíduos, peça por peça, o modelo faz a estimativa usando parâmetros facilmente quantificáveis. O coeficiente de evaporação de estireno, por exemplo, pode ser tomado igual a 7% para laminação a pistola e igual a 4% para laminação manual. A largura da faixa de rebarbação pode ser assumida igual a 7 cm para laminação a pistola e 3 cm para laminação manual. O modelo representado pela expressão (3) pode ser usado também para estimar os resíduos sólidos gerados para laminar não uma peça de geometria específica, mas para laminar todas as peças produzidas em uma empresa, ou em uma região, ou em um país. Para isso é necessário conhecer a quantidade total de matérias primas consumidas na empresa, região ou pais, e a média ponderada das relações entre as áreas e os perímetros das peças. A única dificuldade é estabelecer com precisão a relação média A/P. Para isso é necessário um trabalho de pesquisa que determine essa relação. Para peças pequenas, como uma cadeira, A/P ≈ 0,15 m. Para caixas d’água essa relação é 0,81 m para caixas de 500 litros e 1,97 m para caixas de 5 000 litros. Fazendo uma estimativa grosseira, podemos dizer que o valor médio da relação A/P para um mix de peças grandes e pequenas, deve ficar entre 0,3 m e 0,7 m. Na falta de uma pesquisa sobre o tema, podemos assumir para a totalidade de peças produzidas no Brasil, a relação A/P ≈ 0,5 m. Conhecendo a relação A/P, e a quantidade de matérias primas (MT) consumida anualmente nos processos de molde aberto, fica fácil estimar os resíduos gerados por ano num país ou numa região. No Brasil os processos de molde aberto transformam anualmente (1999) cerca de 18.000 toneladas de roving, 4 000 toneladas de manta, 44.000 toneladas de resina e 12.000 toneladas de gelcoat. Portanto a quantidade total de matérias primas consumidas nesses processos por ano é Roving 18 000 ton Manta 4 000 ton Resina 44 000 ton Gelcoat 12 000 ton Total 78 000 ton Assim, para o Brasil, o consumo total de matérias primas nos processos de molde aberto é MT ≈ 80 000 ton/ano. Entrando com este valor na equação (3), obtemos a quantidade de resíduos sólidos gerados anualmente em nosso país resíduo = (1 − 0,07 ) × 80.000 × 0,07 ≈ 10.000ton / ano 0,07 + 0,5 47 Esses resíduos contém 30% de fibras de vidro e 70% de resina poliéster. 3 DESTINAÇÃO Os resíduos sólidos provenientes do processo de transformação são facilmente coletados e podem ter várias destinações. As atualmente contempladas são: • Hidrólise. Os poliésteres, assim como os poliuretanos e as poliamidas, podem ser hidrolizados, isto é, dissociados em altas temperaturas e em presença de água. Nesse processo ocorre a reação química inversa da que levou à síntese desses polímeros. A hidrólise dos poliésteres pode gerar glicóis e os ácidos saturados e insaturados usados em sua síntese. Esse processo não tem aplicação comercial devido aos altos custos envolvidos. • Alcoólise. Essencialmente a mesma coisa que a hidrólise, exceto que a água é substituída por álcoois. • Pirólise. A reação de pirólise, da mesma maneira que a hidrólise e a alcoólise, regenera as moléculas das matérias primas originais usadas na síntese do polímero. A pirólise é feita em altas temperaturas e em atmosfera isenta de oxigênio. Ao contrário da hidrólise e da alcoólise, pode ser usada para decompor qualquer polímero. Como a hidrólise e a alcoólise, a pirólise também é economicamente inviável. • Incineração. A incineração pode ser economicamente viável se a energia liberada na queima do polímero for aproveitada em processos industriais. A incineração dos compósitos gera pelo menos 30% de cinzas, que pode ser descartada sem problemas para o meio ambiente. • Inumação. Os resíduos de compósitos são considerados não tóxicos e podem ser descartados em aterros sanitários classe II. • Moagem e reutilização. Os resíduos sólidos podem ser moídos e reutilizados como cargas para a produção de novas peças de compósitos. Em princípio a própria indústria de compósitos poderia reaproveitar a totalidade dos resíduos sólidos gerados nos processos de transformação. Essa solução, porém tem dois inconvenientes que impedem seu uso comercial. Em primeiro lugar, o resíduo moído não serve como carga para o próprio poliéster porque contém traços de contaminantes, como cobalto e catalisador, que interferem na reação de cura. Em segundo lugar, mesmo se o cobalto e o catalisador fossem neutralizados, o custo do resíduo moido seria muito alto e não competitivo em relação a outras cargas normalmente usadas pela indústria. • CoMPactação e uso em blocos de concreto. Essa solução surgiu e ainda está em desenvolvimento no Rio Grande do Sul. Consiste em colocar as rebarbas recém cortadas (antes que elas sequem) em moldes metálicos onde elas são compactadas por prensas hidráulicas, para obter um “tijolo” com densidade de aproximadamente 1,2 g/cm³. O “tijolo” assim obtido é colocado em uma forma onde concreto é despejado ao seu redor, dando origem a um bloco de concreto com núcleo de resíduos. O “tijolo” usado como núcleo do bloco deve ser prensado em várias camadas, com aproximadamente 50 kg/cm², para ficar bem compactado. As rebarbas 48 secas, que não podem ser coMPactadas, devem ser moídas ou retalhadas em pedaços pequenos antes de ser prensadas. Os blocos com núcleo de resíduos tem aparência idêntica à dos blocos de concreto convencionais. • Moagem e uso em concreto. Os resíduos moídos podem ser adicionados a concreto de cimento Portland para fazer produtos não estruturais como blocos, estacas, ou outros. Nessa aplicação os resíduos não melhoram as propriedades do concreto e seu reaproveitamento fica difícil porque devem competir em preço com areia e brita. • Moagem e uso em asfalto. As fibras de vidro adicionadas a asfalto retardam o surgimento e a propagação de trincas em pavimentos submetidos a oscilações climáticas e a tráfego pesado. As vias Dutra, Anhanguera e Bandeirantes, foram recentemente recapeadas com uma nova técnica conhecida como “micro-surfacing”, na qual uma mistura de asfalto, agregados e fibras de vidro, é aplicada em camada fina sobre a base do pavimento. O valor agregado pelas fibras de vidro nessa aplicação é muito grande e por isso elas podem ser vendidas por seu preço (4 000,00 R$/ton) comercial. Porém, as camadas base do pavimento não podem pagar esse preço. Para as camadas base é necessário desenvolver uma fibra de vidro de baixo custo, talvez oriunda do reaproveitamento de resíduos. Estudos desenvolvidos pela Universidade de Caxias do Sul indicam que a adição de 1% a 2% de resíduos moidos aumenta a resistência à compressão de asfaltos em até 60%, sem prejudicar outras propriedades. O custo de coleta, transporte e moagem de resíduos para essa finalidade foi estimado em aproximadamente 30,00 R$/ton, contra cerca de 10,00 R$/ton para a brita e 250,00 R$/ton para o asfalto. Como as fibras de vidro tem um reconhecido valor para retardar o surgimento e propagação de trincas, essa pode ser uma solução muito interessante para a destinação final desses resíduos. 4 CONCLUSÃO No momento (Maio de 2000) não se conhece uma solução economicamente viável para o reaproveitamento dos resíduos sólidos gerados pela indústria de compósitos. O custo de coleta e processamento torna esses resíduos muito caros em relação a outras cargas minerais com as quais eles devem competir. Uma possível exceção é o uso dos resíduos em camadas base de pavimentos, onde as fibras de vidro melhoram as propriedades do concreto asfáltico e talvez por isso possam ser comercializadas a um preço pelo menos igual ao seu custo. Porém, apesar de economicamente inviável, é tecnicamente possível fazer o reaproveitamento dos resíduos gerados nos processos de molde aberto. Esses resíduos podem ser compactados e usados como núcleo de blocos de concreto, ou moídos e usados em mistura com concreto em aplicações não estruturais. Essas soluções podem ficar mais interessantes se a indústria dos plásticos reforçados desenvolver e implantar um procedimento sistemático para coletar, processar e destinar os resíduos. Isso poderia ser feito por uma empresa independente, possivelmente deficitária e financiada pelos fornecedores de matérias primas. Essa empresa poderia ter um sistema móvel 49 de moagem que faria visitas periódicas aos principais centros geradores de resíduos, para fazer o processamento “in loco”. Como alternativa, esses centros geradores poderiam ter suas próprias unidades fixas de moagem. Os resíduos moídos poderiam ser vendidos a fabricantes locais de blocos ou outros produtos de concreto, ou enviados a uma central operada pela própria empresa para fazer e comercializar ela mesma esses produtos. Os detalhes de constituição e operação do consórcio encarregado de gerenciar a coleta, processamento, transporte e destinação final dos resíduos devem ser elaborados pelas próprias empresas consorciadas, os fornecedores de matérias primas, que definiriam os critérios de rateamento dos custos e a maneira de repassá-los ao mercado. 50 III Seminário “Desenvolvimento Sustentável e a Reciclagem na Construção Civil: Práticas Recomendadas” IBRACON CT- 206 MEIO AMBIENTE O EMPREGO DE REJEITOS DA INDÚSTRIA DE FREIOS EM HARMONIA COM O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL CENTURIONE, Sérgio Luiz (1); ZAMATARO, Rosemary S.Ishii (2); SUTO, Antonia Jadranka (3) (1) Geólogo, Doutor em Mineralogia Aplicada pela USP, Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP). Av. Torres de Oliveira, 76 – Jaguaré – 05347902 – São Paulo-SP. e-mail: [email protected] (2) Química, Associação Brasileira do Amianto (ABRA). Rua Dr. Guilherme Bannitz, 126, cj.21 e 22 – 04532-060 – São Paulo-SP. e-mail: [email protected] (3) Engenheira Química, Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP). Av. Torres de Oliveira, 76 – Jaguaré – 05347-902 – São Paulo-SP. e-mail: [email protected] Palavras-chaves: meio ambiente; resíduos de freios; amianto; fenol; metais pesados; construção civil; fabricação de cimento. RESUMO De maneira geral, pastilhas e lonas de freios são produzidas utilizando-se matérias-primas contendo os seguintes componentes minerais: barita (BaSO4), grafita (C), calcita (CaCO3), crisotila (Mg3Si2O5(OH)4) e, eventualmente magnetita (Fe3O4). Adicionalmente, alguns produtos orgânicos, com destaque para as resinas fenólicas, também são empregados. Durante o processo produtivo é gerado um grande volume de resíduo, com reaproveitamento pouco expressivo pelas próprias indústrias geradoras. Considerando-se a presença de resinas fenólicas, fibras de amianto (crisotila) e eventuais metais pesados, esses resíduos merecem um cuidado criterioso quanto ao seu emprego final. Normalmente, o aterramento é o destino desses materiais. 51 Nesse trabalho foram avaliadas novas possibilidades para destinação mais nobre, menos onerosa e ecologicamente mais adequada para esses resíduos, com destaque para o encapsulamento em concretos, argamassas e pastas de cimento e sub-base de pavimentos de solo. A fabricação do cimento portland é também um emprego potencial para esses materiais. 1 INTRODUÇÃO O amianto, também conhecido como asbesto, é uma fibra mineral natural utilizada como matéria-prima especialmente na produção de caixas d’água, telhas, pastilhas e lonas de freios, entre outras aplicações. Basicamente existem dois tipos de amianto: o derivado de rochas serpentiníticas, denominado crisotila (amianto branco) e os derivados de rochas anfibolíticas, representados principalmente pelo crocidolita (amianto azul) e o amosita (amianto marrom). São fibras incombustíveis, com resistência mecânica superior à do próprio aço, não existindo até o momento material alternativo que reuna as mesmas características técnicas do amianto e que seja economicamente viável. As resinas fenólicas, por sua vez, são polímeros produzidos a partir do fenol e, normalmente, são utilizadas como material aglutinante em moldes para fundição e sistemas de freios para automóveis, devido à sua boa estabilidade e resistência a temperaturas elevadas. A presença de elementos pesados em concentrações elevadas também é condição indesejada para o reaproveitamento e destinação final de resíduos, considerando-se os efeitos nocivos que podem causar ao meio ambiente e aos seres humanos, seja em termos de emissões atmosféricas ou contaminação dos lençóis freáticos pelo fenômeno da lixiviação, em que os constituintes perigosos ou indesejáveis presentes no material poderão ser dissolvidos pela passagem de água subterrânea ou superficial. Os problemas ambientais causados tanto pelo amianto como pelos fenóis e metais pesados exigem procedimentos criteriosos para a destinação dos resíduos desses produtos de modo a evitar sua exposição ao meio ambiente. Esse trabalho visa apresentar os resultados de alguns estudos efetuados com esse objetivo, sendo avaliados os desempenhos causados pela utilização de resíduos industriais de fabricação de pastilhas de freio no processo de fabricação do cimento, na adição ao cimento usado em concretos para pavimento e no complemento a solos empregados como sub-base de pavimentos. 2 CARACTERIZAÇÃO DOS MATERIAIS (RESÍDUOS) Foram selecionadas e analisadas quatro amostras de “pó de freio”, nome dado ao resíduo dessa indústria. A origem desses materiais é distinta, sendo denominadas no presente trabalho como amostras A, B, C e D. As tabelas 1 e 2 apresentam respectivamente as composições química e mineralógica dessas amostras. 52 Adicionalmente, efetuou-se a determinação do fenol lixiviado(1) e solubilizado(2) nas amostras A e C, que apresentaram maiores teores desse componente químico. A tabela 3 apresenta os dados obtidos. Tabela 1 – Composição química das amostras de “pó de freio” AMOSTRAS COMPONENTE A B C D SiO2 (%) 42,66 30,31 30,47 39,08 CaO (%) 2,04 1,00 9,64 4,45 MgO (%) 14,63 8,96 17,94 12,4 Fe2O3 (%) 2,76 20,08 3,14 2,61 Al2O3 (%) 1,81 5,22 1,87 2,43 Na2O (%) 0,02 0,08 0,03 0,03 K2O (%) 0,12 0,09 0,03 0,20 S (%) 3,52 2,74 2,03 3,17 Ba (%) 0,76 0,18 1,04 0,99 F (%) 0,01 0,09 0,04 0,06 Zn (ppm) 110 370 100 220 Cu (ppm) 30,1 2200 50,5 15,2 Cl (ppm) 45,0 16,4 37,9 n.d. Be (ppm) n.d. n.d. n.d. n.d. Cd (ppm) 0,17 0,57 0,12 0,14 Pb (ppm) 17,30 610,8 9,13 5,47 Cr (ppm) 698,1 867,6 707,8 475,6 Sb (ppm) 3,13 1,49 1,76 5,01 As (ppm) 0,93 4,54 4,88 2,94 Tl (ppb) 54 165 26 65 Hg (ppb) 36 44 76 42 Fenol (ppm) 234 63 435 159 Umidade (%) 0,76 0,82 0,90 1,48 Obs.: n.d. = não detectado; Ø A decomposição das amostras foi realizada mediante fusão alcalina, sendo o SiO2 determinado por gravimetria e os óxidos de ferro, alumínio, cálcio e magnésio, por titulação complexométrica. Ø Na2O e o K2O foram determinados por fotometria de chama. Ø Enxofre foi determinado pelo analisador LECO. Ø Os íons F- e Cl- foram obtidos pelo método dos eletrodos de íons seletivos. Ø Para a determinação dos metais pesados, utilizou-se a técnica de espectrometria de absorção atômica (chama, forno de grafite e gerador de hidretos), conforme 53 discriminado: Ba, Cr, Zn e Cu : chama Cd, Pb, Be e Tl : forno de grafite As, Sb, Hg : gerador de hidretos Ø O fenol foi determinado por colorimetria. Tabela 2 – Composição mineralógica das amostras de “pó de freio” QUIMISMO APROXIMADO COMPONENTE AMOSTRAS A B C D Barita BaSO4 Crisotila Mg3Si2O5(OH)4 ** ** ** ** Grafita C - ** * ** Calcita CaCO3 * - tr tr Magnetita Fe3O4 - - O número de asteriscos expressa uma avaliação semiquantitativa da proporção das fases mineralógicas cristalizadas e está fundamentada na intensidade e forma dos picos difratométricos; (tr = traços). Tabela 3 – Determinação do teor de fenol lixiviado e solubilizado AMOSTRA FENOL LIXIVIADO (ppm) FENOL SOLUBILIZADO (ppm) A 6,6 10 C 11 23 A tabela 4 apresenta dados referentes à potencialidade energética dos resíduos. Tabela 4 – Dados sobre potencial energético das amostras de “pó de freio” AMOSTRA A AMOSTRA B AMOSTRA C AMOSTRA D PCS (kcal/kg) 2194 1937 2006 2006 PCI (kcal/kg) 2053 1831 1929 1918 Carbono (%) 24,28 21,60 24,84 21,90 Hidrogênio (%) 1,74 2,10 1,44 1,70 Nitrogênio (%) 3,22 0,30 0,15 0,20 Enxofre (%) 3,52 2,74 2,03 3,17 65,46 69,10 62,13 65,02 34,43 30,64 32,38 34,59 0,14 0,24 5,49 0,09 ELEMENTOS (*) Cinzas (%) Materiais Voláteis (%) (*) Carbono Fixo (%) (*) (*) base seca 54 Na execução dos ensaios foram empregados os seguintes métodos: Ø Poder Calorífico Superior (PCS) e Poder Calorífico Inferior (PCI) – método ABCP, adaptado da NBR 8628(3); Ø Carbono, Nitrogênio e Hidrogênio – Analisador de CHN-LECO; Ø Enxofre – Analisador SC-LECO Ø Cinzas – NBR 8289(4); Ø Material Volátil – NBR 8290(5); e Ø Carbono Fixo – NBR 8299(6). 3 TESTES DE APLICAÇÃO DO “PÓ DE FREIO” NA CONSTRUÇÃO CIVIL O aproveitamento potencial dos rejeitos em obras da construção civil foi testado, sendo preparados, para tanto, cimentos contendo 5% e 15% de resíduos de indústria de freios, conforme descrito na tabela 5. Tabela 5 – Composição dos cimentos experimentais contendo “pó de freio” CIMENTO EXPERIMENTAL RESÍDUO TEOR DE RESÍDUO NO CIMENTO (%) Cimento A5 A 5 Cimento A15 Cimento B5 15 B Cimento B15 Cimento C5 15 C Cimento C15 Cimento D5 Cimento D15 3.1 5 5 15 D 5 15 Resultados No tocante ao desempenho mecânico, a Tabela 6 apresenta os principais dados obtidos com as amostras experimentais, coMParativamente ao cimento referência, utilizado para elaboração das amostras experimentais (CP II-F-32). 55 Tabela 6 – Desempenho mecânicos de cimentos contendo “pó de freio” PEGA(7) ÁGUA DA PASTA RESISTÊNCIAS MECÂNICAS CIMENTO DE CONSISTÊNCIA (MPa)(9) (h:min) INÍCIO FIM NORMAL (%)(8) CP II-E-32 2:45 4:15 23,5 22,1 28,2 37,6 43,3 Cimento A5 3:30 5:20 28,1 19,8 25,5 33,2 37,3 Cimento A15 3:45 5:15 34,0 15,2 19,6 26,4 29,7 Cimento B5 2:55 4:15 25,3 17,8 21,5 27,4 32,0 Cimento B15 3:35 5:15 29,7 14,1 18,5 24,7 27,9 Cimento C5 4:00 5:30 31,4 19,6 24,4 33,6 36,8 Cimento C15 4:00 5:50 41,6 13,4 17,1 23,4 26,8 Cimento D5 3:45 5:35 28,1 17,7 22,3 29,3 33,8 Cimento D15 4:15 5:35 37,2 12,2 16,1 23,7 26,3 3 DIAS 7 DIAS 28 DIAS 90 DIAS Com base nos resultados obtidos com os cimentos experimentais, foram elaborados concretos para avaliação do comportamento desses produtos, com a adição de rejeito de indústria de freios. Especificamente, optou-se pelo concreto rolado que é um tipo especial de concreto com consistência rija e baixo consumo de cimento. É indicado particularmente para pavimentação, podendo ser usado como sub base (entre o solo e a cobertura de concreto simples ou asfalto), ou como base revestimento, ficando, neste caso, exposto ao tráfego(10). A opção por concreto rolado para sub base se deve ao fato de que, por ficarem protegidos da abrasão, impedem possível liberação de fibras de amianto e metais pesados para o meio. Nesse tipo de concreto, o consumo de cimento varia de 80kg/m3 a 100kg/m3, com resistência à compressão aos 7 dias de 5MPa a 8MPa. Foram dosados concretos tendo-se calculado traços individuais para cada amostra. O traço médio em massa para as 9 amostras ensaiadas é 1:(5,8):(5,7):(3,7):(6,4), para (cimento:areia:brita0:brita1:brita2). Os resultados das resistências mecânicas à tração na flexão e à compressão são apresentados na tabela 7. 56 Tabela 7 – Resultados físico-mecânicos dos concretos contendo “pó de freio” CIMENTO RESISTÊNCIA À TRAÇÃO RESISTÊNCIA À COMPRESSÃO UTILIZADO NO NA FLEXÃO (MPa) (MPa) CONCRETO 7 DIAS 28 DIAS 3 DIAS 7 DIAS 28 DIAS CP II-E-32 1,05 1,50 6,20 7,30 10,70 Cimento A5 1,05 1,50 5,50 7,10 9,30 Cimento A15 0,70 1,10 4,00 4,90 6,80 Cimento B5 0,90 1,30 6,40 8,60 9,00 Cimento B15 0,70 1,00 3,00 4,10 5,90 Cimento C5 0,95 1,25 4,80 5,89 7,90 Cimento C15 0,75 1,20 3,10 5,70 7,00 Cimento D5 1,00 1,30 4,60 5,90 6,80 Cimento D15 0,70 1,20 3,40 5,20 6,80 Quanto ao aproveitamento dos materiais em solos preparados para pavimentação, efetuaram-se ensaios buscando avaliar o Índice de Suporte Califórnia(11), um parâmetro importante para o dimensionamento do pavimento. Considerando-se o volume de materiais envolvidos nesses ensaios, decidiu-se executar análises em uma única amostra de resíduo, tendo-se escolhido a amostra C. Utilizou-se um solo natural, com a classificação HRB “A4 (5)”, cuja característica principal é sua granulometria siltosa, com quantidade mínima de 36% de passante na peneira 200 (74µm). Foram preparadas as seguintes misturas para os ensaios: Ø S1: solo referência Ø S2: solo com 5% de rejeito (Amostra C) Ø S3: solo com 15% de rejeito Ø S4: solo com 30% de rejeito; Após homogeneização das amostras preparadas, efetuaram-se os ensaios, segundo procedimentos técnicos padronizados. A tabela 8 apresenta as principais características e a classificação dos solos. Tabela 8 – Principais características dos solos preparados com a amostra C AMOSTRA MASSA ESPECÍFICA DOS GRÃOS 3 (kg/m ) ÍNDICE DE PLASTICIDADE (%) CONCENTRAÇÃO VOLUMÉTRICA (%) CLASSIFICAÇÃO DOS SOLOS S1 2,6718 Não plástico 18,2 A4(5) S2 2,6408 Não plástico 21,0 A4(5) S3 2,5965 Não plástico 22,7 A4(5) S4 2,5465 Não plástico 27,1 A4(5) 57 Os resultados mostram a similaridade entre as amostras analisadas, observando-se apenas um acréscimo da contração volumétrica proporcionalmente ao teor de rejeito, devido à maior quantidade de água para a obtenção da consistência de moldagem. Os resultados de Índice de Suporte Califórnia encontram-se resumidos na tabela 9. Tabela 9 – Determinação do Índice de Suporte Califórnia (I.S.C.) ÍNDICE DE SUPORTE CALIFÓRNIA – I.S.C. AMOSTRA MASSA ESPECÍFICA APARENTE SECA MÁXIMA (kg/m3) UMIDADE ÓTIMA (%) EXPANSÃO VOLUMÉTRICA (%) I.S.C. 1.646 1.627 1.587 1.532 17,0 17,2 18,4 19,0 3,52 2,45 1,82 1,72 5 10 14 14 S1 S2 S3 S4 Com base nos dados obtidos, verifica-se que a adição do rejeito nas misturas agiu como um impermeabilizante que, diminuindo a penetração de água no solo, fez com que a expansão volumétrica diminuísse cerca de 50% e o valor do Índice de Suporte Califórnia tivesse um acréscimo de 180%. O teor de adição que apresentou o melhor desempenho, considerando-se as dificuldades de preparação dos solos, foi o de 15%. Para a avaliação do comportamento do resíduo frente à lixiviação, preparou-se uma mistura solo/resíduo contendo 15% da amostra B e 85% do solo utilizado na etapa anterior. A mistura obtida, bem como o solo puro foram submetidos ao teste avaliativo de lixiviação, sendo os resultados obtidos bem como os limites estabelecidos pela EPA(12) para o método TCLP(13) e pela NBR 10.004 apresentados na tabela 10. Tabela 10 – Resultados de lixiviação em solos ELEMENTO AMOSTRAS LIMITES ESTABELECIDOS SOLO REFERÊNCIA SOLO + RESÍDUO EPA – TCLP NBR 10.004 (ppb) (ppb) n.d 1.220 0,48 n.d n.d n.d 0,10 n.d * 1.080 2.370 1,32 0,80 49 n.d 0,32 n.d 820 5.000 100.000 7.000 1.000 5.000 200 1.000 5.000 14.400 5000 100.000 500 5.000 100 5.000 - Pb (ppb) Ba (ppb) Tl (ppb) Cd (ppb) Cr (ppb) Hg (ppb) Sb (ppb) As (ppb) Fenol (ppb) Obs.: n.d.: não detectado -: sem limite especificado *: não determinado 58 4 TESTES DE APLICAÇÃO DO “PÓ DE FREIO” NA FABRICAÇÃO DE CIMENTO PORTLAND O processo de queima do clínquer Portland oferece uma série de oportunidades para a calcinação de materiais residuais de outros processos produtivos(14). Nesse contexto, efetuou-se estudo da viabilidade de utilização de pó de freio no processo de queima do clínquer Portland. Para o desenvolvimento desses ensaios, utilizou-se uma farinha industrial como referência e a amostra de rejeito B. As amostras são as seguintes: F1: farinha industrial referência; F2: farinha industrial referência + 0,5% de rejeito; F3: farinha industrial referência + 5,0% de rejeito. Para os estudos de queimabilidade das farinhas, empregou-se uma adaptação do método desenvolvido pela Polysius(15,16,17), sendo o Índice de Queimabilidade definido por: IQ = A/B x 3,73; onde: (1) A = %CaO livre1350 + %CaO livre1400 + 2.(%CaO livre1450) + 3.(%CaO livre1500); B = (%CaO livre1350 - %CaO livre1500)0,25 A tabela 11 apresenta a classificação de queimabilidade de farinhas de acordo com o método utilizado e a tabela 12, os valores obtidos pelas três farinhas. Tabela 11 – Classificação dos índices de queimabilidade de farinhas ÍNDICE DE QUEIMABILIDADE CLASSIFICAÇÃO Até 60 Muito fácil 60 a 80 Fácil 80 a 100 Normal 100 a 120 Pouco difícil 120 a 140 Difícil 140 a 160 Muito difícil acima de 160 Extremamente difícil Tabela 12 – Resultados de Índice de Queimabilidade das farinhas AMOSTRA TEOR DE CAL LIVRE APÓS A QUEIMA (%) IQ CLASSIFICAÇÃO 1.350oC 1.400oC 1.450oC 1.500oC F1(Referência) 4,70 3,51 2,72 2,25 61 Fácil F2 (com 0,5%) 4,22 3,25 2,78 1,97 58 Muito fácil F3 (com 5,0%) 1,91 1,22 0,93 0,50 22 Muito fácil 59 Em relação à presença de metais pesados, identificados nas amostras de rejeito, a tabela 13 apresenta as concentrações desses elementos, normalmente observados em clínqueres industriais(18,19). Tabela 13 – Teores de metais pesados em clínqueres industriais ELEMENTOS AMOSTRA B (ppm) 4,5 As 0,04 Hg 867,6 Cr 610,8 Pb 0,6 Cd 0,2 Tl 1,5 Sb 1.800 Ba n.d. Be – Ni – V 370 Zn n.d.: não detectado 5 NÍVEIS DE METAIS PESADOS EM CLÍNQUERES INDUSTRIAIS (ppm) 2 – 15 <0,01 10 – 90 5 – 105 0,01 – 1,5 <0,01 24 – 36 – <0,02 – 1,1 10 – 50 20 – 100 40 – 350 –: dado não disponível CONCLUSÕES Amostras de rejeitos industriais da fabricação de pastilhas e lonas de freio (pó de freio) apresentam em sua constituição materiais muitas vezes nocivos ao ser humano, com destaque para fibras de amianto, resinas fenólicas e metais pesados. A destinação correta desses materiais é condição necessária na busca da harmonia da industrialização com o desenvolvimento sustentável. Desta forma, eventuais aproveitamentos ecologicamente corretos desses rejeitos na construção civil e na manufatura de outros produtos industriais como o cimento Portland parece ser um caminho a seguir. Os estudos da aplicabilidade desses rejeitos desenvolvidos nesse trabalho destacam que: A adição de pó de freio em pastas e argamassas de cimento indicou uma elevação do conteúdo de água requerida e redução da trabalhabilidade e resistências mecânicas, coMParativamente a uma amostra referência. Observou-se também em estudo complementar que esses rejeitos apresentam comportamento inferior ao de um inerte, sugerindo a interferência adversa desses materiais no processo de hidratação do cimento. Para o aproveitamento desses materiais em concretos rolados para sub base de pavimentos, verificou-se que os resultados de resistências mecânicas à compressão e à tração na flexão, obtidos com misturas de cimento contendo 5% de rejeito, são satisfatórios e promissores, ainda que um pouco abaixo dos valores obtidos com a amostra de cimento referência. A posição interna da 60 camada no pavimento é importante, considerando-se ausência de contato com o meio externo, evitando-se a abrasão, particularmente importante sob o ponto de vista do amianto. O volume de rejeito nesse tipo de aplicação é da ordem de 760kg para cada 100 metros de pavimento, considerando-se a adição de 5% em relação ao cimento, em concreto rolado com 95kg/m3 de cimento, para uma pista com dimensões de 20cm de espessura por 7,6m de largura. No tocante à utilização em concreto convencional, deve-se estudar caso a caso, levando-se em consideração custos de estocagem, volume gerado, uso de superplastificantes no concreto, entre outros. De maneira geral, observa-se redução significativa do desenvolvimento das resistências mecânicas, não sendo recomendados para obras estruturais. A adição em solos para confecção de sub leito de solo para pavimentação mostrou resultados satisfatórios. Observou-se que com 15% de rejeito adicionado ao solo, aparentemente o melhor teor testado para a amostra C, obteve-se uma elevação do Índice de Suporte Califórnia de 180%, agindo como material impermeabilizante e, desta forma, reduzindo a percolação de água no solo e a conseqüente diminuição da expansão volumétrica desse último. Considerando-se as condições estabelecidas (tipos de solo e rejeito e o teor de 15% de rejeito), estima-se o consumo de 33t de rejeito a cada 100m de pavimento. É oportuno observar que o estudo desenvolvido refere-se somente ao solo e ao rejeito analisados, não caracterizando regra geral para outros tipos de solo e rejeitos, objeto de estudos específicos posteriores. Dentre as aplicações potenciais para os rejeitos, a queima em fornos de fabricação de cimento Portland parece ser a melhor destinação. Testes efetuados em laboratório(20) mostraram a total destruição dos minerais de amianto sob condições de queima utilizadas no forno de clínquer Portland. Da mesma forma, as resinas orgânicas se decompõem nessas temperaturas, agindo favoravelmente na queimabilidade da farinha, com redução, ainda que em pequenas proporções, do consumo energético, em decorrência do poder calorífico existente nessas resinas. Quanto aos metais pesados, a dosagem do rejeito deve respeitar os limites especificados por normas ambientais, sobretudo para os elementos cromo e chumbo, presentes em teores mais elevados nesses materiais. Outro ponto importante a ser avaliado é a melhor forma de introdução desses rejeitos no forno, seja nas matérias-primas, seja no combustível. Por fim, a localização das fontes geradoras de rejeito e os destinos dos mesmos devem ser criteriosamente ponderados devendo ser autorizados por órgãos ambientais competentes. 61 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. (1995) Lixiviação de resíduos; NBR 10005/87. Rio de Janeiro. 2. .______ (1995) Carvão mineral: determinação do poder calorífico superior e do poder calorífico inferior; NBR 8628/84. Rio de Janeiro. 3. . ______Cimento Portland: determinação da resistência à compressão; NBR 7215/91. Rio de Janeiro. 4. .______ (1995) Carvão 8299/83. Rio de Janeiro. mineral: determinação do carbono fixo; NBR 5. .______ (1995) Carvão mineral: determinação do teor de matérias voláteis; NBR 8290/83. Rio de Janeiro. 6. . ______(1995) Cimento portland: determinação dos tempos de pega; NBR 11581/91. Rio de Janeiro. 7. . ______(1995) Carvão mineral: determinação do teor de cinzas; NBR 8289/83. Rio de Janeiro. 8. . ______(1995) Cimento Portland: determinação da água da pasta de consistência normal; NBR 11580/91. Rio de Janeiro. 9. . _______(1995) Solubilização de resíduos; NBR 10006/87. Rio de Janeiro. 10. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. (1995) Resíduos sólidos; NBR 10004/87. Rio de Janeiro. 11. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. (1995) Solo: Índice de Suporte Califórnia; NBR 9895/87. Rio de Janeiro. 12. BRASIL Ministério dos Transportes e das Comunicações. (1992) Departamento Nacional de Estradas e Rodagens. Manual de pavimentos de concreto rolado. Rio de Janeiro, v. 1. 13. CEMENT-BOUND asbestos products sucessfully disposed of and recycled in the clinker burning process. Zement Kalk Gips, Wiesbaden, V.48; n.11; p.A33-A34, Nov. 14. CENTURIONE, S.L. & KIHARA, Y. (1994). Prediction of burnability of industrial raw mixes. In: GOUDA, George R. – Proceedings os Sisteenth International Conference on Cement Microscopy, 11-14 April, Richmond – USA. 15. CENTURIONE, S.L. (1993). Influência das características das matériasprimas no processo de sinterização do clínquer Portland. São Paulo: Instituto de Geociências/Universidade de São Paulo – Dissertação de Mestrado. 16. KRUPP POLYSIUS AG. (Na empirical method to determining the burnability index (BI) of a raw mix. (s.d.). 17. SPRUNG, S. & RECHENBERG, W. (1994). Levels of heavy metals in clinker and cement. Zement Kalk Gips, Wiesbaden, v.47, n.7, p.E183-E188. 62 18. SPRUNG, S. (1992). Reducing environmental pollution by using secondary raw materials. Zement Kalk Gips, Wiesbaden, v.81, n.7, p.167-174. 19. U.S.ENVIRONMENTAL PROTECTION AGENCY – EPA (1986). Toxity characteristics leachiry procedure; method 1311. In.. Test methods for evaluating solid waste SW-846. Washington, D.C. 20. UCHIKAWA, H. Present problem in cement manufacturing. Japan: Onoda Cement Co. Ltd. (s.d.) ( Special Session I). 63 III Seminário “Desenvolvimento Sustentável e a Reciclagem na Construção Civil: Práticas Recomendadas” IBRACON CT- 206 MEIO AMBIENTE FINOS DE PEDREIRA PARA CONFECÇÃO DE CONCRETO ESTRUTURAL - PRÁTICAS RECOMENDADAS TERRA, Luiz Eulálio Moraes (1) (1) Engenheiro Civil - EPUSP. Diretor Presidente da Embú S.ª Engenharia e Comércio. Av. Sumaré, 1411 S.Paulo - S.P. CEP 05016-110 Palavras-chaves: alternativos. concreto estrutural, finos de pedreira e materiais RESUMO Este trabalho tem como finalidade discutir a utilização de finos de britagem no concreto estrutural, face ao crescimento do consumo de areia natural no país, às restrições ambientais, à exaustão de reservas próximas aos grandes centros e ao incremento dos custos de transporte, descrevendo a evolução histórica da prática de utilização de materiais finos, oriundos de plantas de britagem como insumo alternativo à areia natural. 1 INTRODUÇÃO Com o crescente aumento da demanda por areia no mercado nacional e a exaustão das reservas de areia natural, principalmente próximas às grandes metrópoles e, considerando-se ainda o incremento dos custos de transporte por pedagiamento, limites de peso transportado por eixo e aumento das distâncias de carga, a utilização deste insumo tem impacto de maneira crescente os custos de produção do concreto. Historicamente o segumento concreteiro tem se mostrado bastante especializado, modernizando-se constantemente na busca de equipamentos e sistemas automatizados que permitam dosagens precisas para a produção de concreto usinado. Entretanto, apesar destas evoluções, a variação na qualidade dos insumos componentes do concreto é preocupação constante 65 das empresas do setor, mesmo daquelas que dispõe de fornecimento próprio de agregados. 2 HISTÓRICO DA CONCRETO UTILIZAÇÃO DE FINOS DE BRITAGEM NO Nos grandes centros urbanos como a Grande São Paulo, há alguns anos, o incremento acentuado no custo final representado pela areia natural nas obras e nas centrais dosadoras de concreto, levou os produtores de agregado da Região que dispunham de grandes estoques de finos a participarem deste mercado, enfrentando porém algumas dificuldades na adequação do produto para uso em concreto estrutural. Até cerca de dez anos atrás o material fino oriundo de pedreiras utilizado na elaboração do concreto era o chamado “pó-de-pedra”. Com granulometria média estável, mostrada na Fig.I, apresentava um alto índice de material pulverulento, atingindo até 20%, que embora não nocivo, uma vez que sua origem é de beneficiamento de rochas, provocava alto consumo de cimento devido à necessidade de adição de água à mistura e também quanto à trabalhabilidade do concreto. 0,1 1 malha (mm) 10 0 10 20 % ret.acum. 30 40 50 60 70 80 90 100 Figura I – Granulometria média do pó-de-pedra Algumas tentativas foram feitas com o objetivo de reduzir a quantidade de material pulverulento, resultando no desenvolvimento de sistemas de lavagem e classificação que permitiram o aparecimento da areia de brita. A areia de brita resultante, apresentava conteúdo de material pulverulento de 6%, portanto significativamente menor que o encontrado no pó-de-pedra, e granulometria média estável, Fig. II, e desde que misturada à areias naturais, mostrava desempenho interessante quanto ao consumo de cimento. A razão 66 principal da necessidade desta adição à mistura, deve-se à forma angulosa da Areia produzida, dificultando a trabalhabilidade do concreto que a empregava. 0,1 1 10 0,0 10,0 20,0 % ret.acum. 30,0 40,0 50,0 60,0 70,0 80,0 90,0 100,0 malha (mm) Figura II – Granulometria média da areia de brita A adição de areia natural é atualmente prática bastante difundida entre as concreteiras. O Tabela I mostra um traço médio para concreto fck 20 MPa assim elaborado. Tabela I – Traço Convencional fck 20 MPa Insumo Composição Custo do Insumo no Concreto (R$/m3) Cimento (kg) 3 Brita 1 e 2 (m ) 275 46,75 0,8 14,40 3 0,25 4,25 3 0,35 5,95 Areia Natural (m ) Areia de Brita (m ) Água 2,25 Aditivos 1,24 Total 74,84 Mais recentemente, tem-se estudado como melhorar o agregado miúdo “areia de brita” visando utilizá-lo integralmente sem adição de outras areias. Estes estudos levaram aos primeiros testes com equipamentos chamados de Máquinas de Impacto, tipo Barmac, que ao tratarem os materiais antes dos estágios finais de classificação, têm mostrado a melhoria efetiva da forma dos grãos do agregado miúdo. 67 A granulometria final não se altera significativamente, conforme Fig. III, mas o resultado final para o concreto, quanto ao consumo de cimento e à trabalhabilidade mostrou-se interessante. 0,1 1 malha (mm) 10 0,0 10,0 20,0 % ret.acum. 30,0 40,0 50,0 60,0 70,0 80,0 90,0 100,0 Figura III – Granulometria média da areia de brita Utilizando-se Máquinas de Impacto: O traço médio padrão para um concreto fck 20 MPa utilizando este novo material encontra-se na Tabela II. Tabela II – Traço fck 20 MPa Convencional c/ Areia Barmac Custo do Insumo no Concreto Insumo Composição Cimento (kg) 250 42,50 Brita 1 e 2 (m3) 0,8 14,40 Areia Barmac (m3) 0,6 10,20 (R$/m3) Água 2,25 Aditivos 1,35 Total 70,70 Outro produto originado a partir de beneficiamento de rocha utilizado na elaboração do concreto estrutural, é o chamado pedrisco misto. Anteriormente tratado como rejeito em plantas produtoras de agregados, resultava de pedrisco mal classificado ao qual era adicionado o “pó-de-pedra”. O material resultante era por vezes chamado de “pedrisco sujo” e sua utilização está ligada ao emprego de areias de quartzo, ou areia rosa, que começavam a 68 chegar ao mercado da Grande São Paulo. Traços elaborados a partir destes insumos, conforme o mostrado no Tabela III, resultaram bons quanto ao consumo de cimento e à trabalhabilidade. Tabela III – Traço fck 20 MPa Convencional areia rosa e pedrisco misto Custo do Insumo no Concreto Insumo Composição Cimento (kg) 255 43,35 Brita 1 e 2 (m3) 0,70 12,60 Pedrisco Misto (m3) 0,40 6,40 Areia Rosa (m3) 0,29 7,25 (R$/m3) Água 2,25 Aditivos 1,35 Total 73,20 O conceito utilizado é o da continuidade granulométrica, que resulta em coMPacidade favorável de misturas, mesmo empregando pedrisco misto com acentuado conteúdo de pulverulentos. Os resultados obtidos na utilização de finos de britagem como agregado miúdo, são indicadores bastante otimistas na busca de alternativas técnicas disponíveis para a produção de concreto estrutural. Através dos dados constantes nas Tabelas I, II e III, evidencia-se a significativa participação do item cimento na formação do custo dos materiais componentes do concreto, justificando cada vez mais a busca de novas soluções que permitam o bom desempenho do setor concreteiro. Por outro lado, todos os estudos já desenvolvidos mostram a grande importância não só do agregado miúdo, como também do agregado graúdo na constituição de traços economicamente interessantes e de bom desempenho estrutural. É com este foco que analisamos a necessidade cada vez maior do controle de qualidade dos agregados utilizados. 3 CONTROLE DE QUALIDADE NA PRODUÇÃO DE AGREGADOS A evolução da tecnologia do concreto converge sempre para a necessidade básica do controle de qualidade dos seus materiais componentes de forma a trabalhar-se com os menores desvios possíveis, contribuindo para a diminuição dos custos e a confiabilidade das características do concreto produzido. Mas, de maneira geral, conquanto sempre se procure exercer o mais rígido controle sobre os insumos utilizados, quando se é parte da cadeia produtiva recebe-se pronto os vários materiais componentes do concreto do fornecedor que melhor atenda às necessidades correntes, sem influenciar na qualidade dos insumos que adquire. Por outro lado, apesar de sempre se procurar passar aos fornecedores, principalmente de agregados, as necessidades que o concreto exige, de 69 maneira geral as atividades de produção de brita e de concreto mantêm-se distantes das necessidades e dificuldades técnicas comuns à ambos os setores. Assim, entende-se que o melhor conhecimento das características das plantas de britagem, sua operação e o tipo de rocha beneficiada, podem resultar na melhoria da qualidade e também na diminuição dos custos de produção de concreto, principalmente os que exigem elevado desempenho. As porções finas resultantes do processo de cominuição apresentam características próprias definidas em função do tipo de rocha, da planta de beneficiamento, bem como dos parâmetros de operação dos equipamentos de britagem. 3.1 Influência dos Tipos de Rocha Não é objetivo deste trabalho o aprofundamento das análises das características geológicas de cada tipo de rocha lavrada e beneficiada, entretanto a experiência tem mostrado que é de fundamental importância o perfeito conhecimento do material a ser tratado. Índices como WI (Work Index) que indica a trabalhabilidade ou consumo de energia para a cominuição de rochas, ou ainda o Índice Abrasão Los Ângeles, que dá bom parâmetro para a expectativa da quantidade de produção de finos resultante, dentre outros, podem ser de suma importância no projeto de instalações de beneficiamento, na seleção e dimensionamento de equipamentos que permitam o melhor aproveitamento dos maciços rochosos e a produção de agregado de melhor qualidade, tanto na forma como na granulometria dos produtos finais, Equipamentos de Britagem e a Forma do Agregado Resultante Mesmo considerando-se que a matriz rochosa tenha grande influência na forma e também na granulometria do agregado resultante do processo de britagem, a prática tem mostrado que alguns cuidados operacionais e a utilização de equipamentos adequados podem melhorar bastante estas características. Assim sendo, é bastante interessante que o mercado concreteiro possa conscientizar e mesmo trabalhar em conjunto com os seus fornecedores de agregado, ressaltando os cuidados na produção que tanto melhorem a qualidade dos insumos quanto minimizem os desvios comumente apresentados. A seguir recomendamos os seguintes cuidados operacionais para produção de agregados produto de britagem: a-) Manter câmaras de britagem sempre cheias; b-) Alimentação estável e contínua; c-) Deve-se operar os rebritadores apresentando de 10 a 15% de materiais na alimentação com dimensões menores que a abertura de descarga do equipamento; d-) Relação de redução conveniente, ou seja deve-se evitar grandes reduções por estágio de britagem; e-) Utilização de câmaras de britagem adequadas a cada estágio de britagem e com a abertura de operação dos equipamentos ; 70 f-) Os equipamentos de rebritagem, sempre que possível, devem ser da geração de equipamentos mais recente que apresentam maior velocidade de rotação e câmaras de britagem mais eficientes. g-) O agregado deve ser processado em circuito fechado e com a maior carga circulante possível, facilitando a interação entre as partículas e melhorando a sua forma; h-) Manter os produtos cuidadosamente estocados e separados de maneira a evitar-se a contaminação no fornecimento; i-) Manter sistemas de controle de qualidade com laboratório de análise dos produtos; j-) Manter rigoroso controle sobre as aberturas de operação dos equipamentos; k-) Não permitir que o desgaste excessivo dos revestimentos dos britadores alterem a qualidade dos produtos fornecidos; I-) Empregar sempre que possível sistemas automatizados para controle do fluxo de materiais nas instalações de beneficiamento; j-) Buscar a utilização de máquinas de iMPacto na linha de beneficiamento visando a melhoria da forma do produto final. Mais que a avaliação positiva do desenvolvimento das práticas hoje utilizadas, a análise ampla das necessidades que se apresentam impõe um novo período e uma nova forma de relacionamento entre os setores produtores de concreto e de agregado, constituindo os produtores de brita e de areia natural em importantes parceiros na viabilização de novos conceitos e alternativas de utilização destes insumos. 4 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS D.N.P.M.; SECRETARIA DA CIÊNCIA, TECNOLOGIA E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DO ESTADO DE SÃO PAULO; Bases para o Planejamento da Mineração de Areia na Região Metropolitana de São Paulo. São Paulo : 1997. HELENE, PAULO R.L.; TERZIAN, PAULO (1993); Manual de Dosagem e Controle do Concreto. São Paulo : PINI; Brasília, DF : SENAI, 1992. NORDBERG INC.; Reference Manual. Milwaukee : 1993. O`REILLY DIAZ, VITERBO (1998) Método de Dosagem de Concreto de Elevado Desempenho. São Paulo : PINI, 1998. SOCIETY OF MINING ENGINEERS; Mineral Processing Plant Design. Baltimore : 1980. SVEDALA FAÇO; Manual de Britagem. São Paulo : 1994. 71 III Seminário “Desenvolvimento Sustentável e a Reciclagem na Construção Civil: Práticas Recomendadas” IBRACON CT- 206 MEIO AMBIENTE O EMPREGO DE FINOS DE PEDREIRA EM PAVIMENTOS DE CONCRETO COMPACTADO A ROLO MENDES, Kleber da Silva (1); SOARES, Lindolfo (2) (1) Doutorando do Departamento de Engenharia de Minas da Escola Politécnica da USP, PMI-USP. Cx. Postal 61548, São Paulo, SP, CEP 05424-970. e-mail [email protected] (2) Professor Doutor do Departamento de Engenharia de Minas da Escola Politécnica da USP, PMI-USP. Cx. Postal 61548, São Paulo, SP, CEP 05424-970. e-mail [email protected] Palavras-chave: brita, rejeitos de mineração, finos de pedreira, concreto compactado a rolo, dosagens, pavimentos, base, sub-base, resistência à tração na flexão, resistência à compressão. RESUMO O aproveitamento de substâncias descartadas - rejeitos e resíduos - pelos diversos setores industriais representa um dos principais objetos de pesquisa tanto de empresas quanto de universidades. Estas pesquisas visam diminuir as áreas de disposição destes materiais, minimizar os impactos ambientais associados ao seu manejo e estocagem e, se possível, agregar valores nominais a estes rejeitos. Particularmente no setor produtor de brita, este problema se concretiza na produção de finos de pedreira, material qualificado granulometricamente como sendo inferior à malha 4,8 mm, gerados através dos processos de cominuição e classificação de rochas. Em instalações típicas de britagem, a porcentagem de produção destes materiais pode alcançar a marca de 15% do total de material britado, estando condicionada ao equipamento britador e às características da rocha britada. Os principais problemas ambientais associados à produção e estocagem destes resíduos dizem respeito à alta concentração de material particulado em suspensão na atmosfera, ao assoreamento e turvamento de cursos d’água, ao desconforto visual causado pelas pilhas de estocagem e à inutilização de áreas potencialmente férteis. Neste contexto, é apresentada uma possível utilização 73 destes materiais em pavimentos de concreto compacto a rolo, substituindo o agregado miúdo freqüentemente utilizado para execução destas estruturas. 1 INTRODUÇÃO Este trabalho tem como principal objetivo apresentar os resultados obtidos com o emprego de finos de pedreira de diferentes naturezas em pavimentos de Concreto Compactado a Rolo (CCR), substituindo as areias naturais (agregados miúdos) usualmente empregadas. Este tipo de concreto foi escolhido tendo em vista possuir solicitações técnicas menos restritivas que os concretos convencionais em termos de materiais constituintes, notadamente no que se refere aos aspectos granulométricos e morfométricos dos agregados utilizados. 2 CARACTERIZAÇÃO DOS MATERIAIS ESTUDADOS Em linhas gerais, os finos de pedreira caracterizam-se por serem materiais granulometricamente situados abaixo da fração 4,8 mm (peneira no 4 da série Tyler), derivados do processo de perfuração, detonação e principalmente, de redução granulométrica e peneiramento de rochas utilizadas para a produção de brita. No Estado de São Paulo, os finos de pedreira são gerados em dois ambientes geológicos distintos, constituídos pelos granitóides e metamorfitos précambrianos do embasamento cristalino (nas regiões sul e leste) e pelos basaltos mesozóicos da Bacia do Paraná, conforme ilustra a Figura 1. Tendo em vista a natureza distinta destas rochas, e por conseqüência, suas diferenças em termos mineralógicos, texturais e estruturais, os materiais gerados nos processos de britagem também possuem características físicas e mecânicas distintas, conforme pode ser observado na Tabela 1. Como exemplos de rochas do embasamento foram estudadas amostras de três importantes pedreiras fornecedoras de brita para a Região Metropolitana de São Paulo, além de amostras de basaltos de uma pedreira de médio porte localizada em Borborema, cidade localizada na região centro-oeste do Estado. 74 Figura 1 – Contexto geológico do Estado de São Paulo (Schalch Neto et al., 1990). Tabela 1 - Atributos mecânicos e geotécnicos das rochas estudadas (Modificado de Fujimura et al., 1995). ATRIBUTO GRANITO (ITAPETI)* GNAISSE (EMBU)* GRANITO (RIÚMA)* BASALTO (RAYES)* Massa específica seca (g/cm3) 2,67 2,71 2,67 3,01 Porosidade (%) 0,81 0,51 0,45 2,37 Absorção d’água (%) 0,30 0,19 0,17 0,79 Resistência à compressão uniaxial (MPa) 143 169 a 220 142 170 Resistência à abrasão Los Angeles (% de perda) 30 32 24 13 Resistência ao impacto Treton (% de perda) 18 11 12 8 Forma dos fragmentos Cúbica Cúbica Cúbica Cúbica (*) proveniência da amostra entre parênteses A Tabela 2 apresenta as principais características dos finos de pedreira, definidas a partir de análises granulométricas obtidas com o emprego de 75 analisador de partículas Malvern e ópticas através de microscópio eletrônico de varredura (MEV). Tabela 2 - Atributos físicos dos finos de pedreira (Modificado de Fujimura et al., 1995 e de Mendes, 1999). ATRIBUTO Forma do grão GRANITO (ITAPETI) GNAISSE (EMBU) GRANITO (RIÚMA) BASALTO (RAYES) Subangulosa a Subangulosa a Subangulosa a Subangulosa a subarredondada subarredondada subarredondada subarredondada Rugosa Rugosa Rugosa facetada Esfericidade Média a alta Média a alta Média a alta Alta Módulo finura 3,56 3,76 2,93 Textura superficial de Rugosa 3,46 a A caracterização tecnológica realizada sobre os agregados graúdos mostrou que estes não sofrem restrições quanto aos seu uso em concretos convencionais, fato este não observado para os finos de pedreira, que apresentam, quando em dosagens superiores a 8% (Sbrighi Neto & Soares, 1996), sérias restrições à sua utilização como agregado miúdo. 3 PAVIMENTOS DE CONCRETO COMPACTADO A ROLO O Concreto Compactado a Rolo (CCR) pode ser definido como um concreto de consistência seca, que no estado fresco pode ser misturado, transportado, lançado e compactado por meio de equipamentos usualmente utilizados em serviços de terraplanagem (Cement and Concrete Association, 1962 apud Fujimura et al., 1995). Este tipo de concreto tem sido amplamente empregado em vários setores da construção civil, principalmente em barragens e pavimentação, por apresentarse como uma alternativa mais rápida e mais barata do que os concretos convencionais (Blake, 1958 apud Fujimura et al., 1995). O início da utilização do CCR em pavimentação data do século XIX, em pavimentos construídos em Bellafontaine, Ohio, Estados Unidos (Hurtado Diaz, 1993). Entretanto, a aplicação sistemática e fundamentada em dados experimentais ocorreu a partir de 1944 na Inglaterra, onde se destacam as rodovias de Crawley, com 70 km de extensão, e de Londres-Birmingham, com 100 km de extensão (Yrjanson, 1977 apud Fujimura et al., 1995). De 1960 até 1990 o emprego do concreto compactado a rolo se expandiu internacionalmente, passando a ser largamente utilizado na pavimentação de ruas, estradas rurais e auto-estradas, pisos industriais, aeroportos e mais recentemente, na construção de túneis (Hurtado Diaz, 1993). É importante ressaltar que uma das principais vantagens no emprego do CCR diz respeito à flexibilidade em relação à curva granulométrica ideal, 76 destacando-se a possibilidade de utilização de uma maior porcentagem de finos em relação aos concretos comuns (Mendes, 1999). Em termos construtivos, o pavimento pode ser definido como uma estrutura em camadas, cujas camadas inferiores têm como principal função absorver os esforços gerados na camada de superfície (camada de rolamento), de modo a manter a estabilidade do solo (Sarem, 1982). Para propiciar estabilidade à estrutura, toda obra de pavimentação requer a construção de uma camada sobre a qual a camada de revestimento possa ser apoiada, denominada base, que tem como principal função transmitir ao solo todos os esforços provenientes da superfície do pavimento. Muitas vezes constrói-se, previamente à construção da base, uma camada denominada subbase, que serve para diminuir a espessura da base e absorver os esforços transmitidos ao solo. No contexto de utilização de finos de pedreira em obras de CCR para pavimentação no Brasil, a Comercial e Pavimentadora Riúma foi a pioneira na aplicação desta tecnologia, usando os finos de gnaisses e migmatitos em substituição às areias naturais usualmente empregadas na elaboração de massas de CCR, obtendo ótimos resultados em termos de resistência, além de um ótimo desempenho em termos de trabalhabilidade. Mendes (1999) desenvolveu um trabalho específico para a utilização de finos de basalto em sub-bases de CCR, também obtendo resultados enquadrados nas normas definidas pelo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER). A seguir são discutidas as misturas adotadas em cada um dos trabalhos que versam sobre o uso de finos de pedreira em pavimentos de CCR, enfocando aspectos como relação cimento:agregado e padrões de resistência estabelecidos pelo DNER. 4 DOSAGENS ESTUDADAS As dosagens estudadas foram definidas a partir de variações de dosagens amplamente empregadas em obras de pavimentação, cujas características e propriedades já haviam sido previamente determinadas, e portanto, conhecidas e enquadradas nos padrões exigidos pelas normas técnicas, facilitando desta maneira a verificação dos resultados obtidos nos ensaios. Ressalta-se que os finos de rochas granitóides foram utilizados em dosagens usualmente empregadas em camadas de rolamento, ao passo que os finos de basalto foram utilizados em dosagens usualmente empregadas em sub-bases de pavimentos. 4.1 Dosagens utilizadas para rochas do embasamento Para as rochas do embasamento, foram experimentadas três diferentes misturas, conforme ilustra a Tabela 3. 77 Tabela 3 – Dosagens utilizadas com rochas graníticas e gnáissicas (Modificado de Fujimura et al., 1996). Constituintes Mistura 1 Mistura 2 Mistura 3 kg/m3 % kg/m3 % kg/m3 % 796 38 796 38 590 28 428 20 428 20 590 28 885 42 - - - - - - 885 42 935 44 Cimento CP-32 150 7 150 7 150 7 Água 134 6 134 6 134 6 Pedra de (28,2 a 22,2 mm) Pedra de (22,2 a 9,5 mm) Areia artificial (< 3,97 mm) Finos de pedreira (<4,76 mm) Relação cimento:agregado 4.2 1:14,06 1:14,06 1:14,10 Dosagens utilizadas para os basaltos Para as rochas basálticas, também foram ensaiadas três dosagens distintas, conforme pode ser observado na Tabela 4. 5 ENSAIOS EXECUTADOS Os ensaios executados em corpos-de-prova padrão resumiram-se à determinação da resistência à compressão simples (3 e 7 dias), umidade ótima e densidade, para as misturas elaboradas com finos de rochas graníticas e gnáissicas. Para as misturas onde se empregou os finos de basalto, além dos ensaios de resistência à compressão simples (RCS) aos 7 dias, foi também executado o ensaio de resistência à tração na flexão (RTF), aos 7 dias. Para efeitos de comparação utilizou-se os dados do DNER (1992), que estipula como parâmetros de resistência à compressão simples 8 e 5 MPa para camadas inferiores de rolamento e de sub-base, respectivamente; e de resistência à tração de 1 a 4 MPa. Os resultados destes ensaios constam das Tabelas 5 e 6. 78 Tabela 4 – Dosagens utilizadas com rochas basálticas (Modificado de Mendes, 1999). Constituintes Mistura 4 Mistura 5 Mistura 6 kg/m3 % kg/m3 % kg/m3 % 318,15 13,59 318,15 13,59 318,15 13,59 318,15 13,59 318,15 13,59 318,15 13,59 742,35 31,71 371,18 15,85 - - 742,35 31,71 1113,52 47,58 1484,70 63,42 Cimento CP-32 100 4,27 100 4,27 100 4,27 Água 120 5,12 120 5,12 120 5,12 Pedra 2 (25-12,5 mm) Pedra 1 (12,5-4,8 mm) Areia (MF = 1,89) Finos de pedreira (<4,8 mm) Relação cimento:agregado 1:21,21 1:21,21 1:21,21 Tabela 5 – Resultados obtidos para as misturas 1, 2 e 3 (Modificado de Fujimura et al., 1996). Resultados Mistura 1 Mistura 2 Mistura 3 RCS (MPa) 3 dias 8,0 6,7 6,7 RCS (MPa) 7 dias 8,4 6,8 8,3 Umidade ótima (%) 6,8 8,2 7,1 2,412 2,444 2,425 Densidade (kg/m3) Tabela 6 – Resultados obtidos para as misturas 4, 5 e 6 (Modificado de Mendes, 1999). Resultados Mistura 4 Mistura 5 Mistura 6 RCS (MPa) - 7 dias 3,9 6,0 6,2 RTF (MPa) - 7 dias 0,5 0,8 1,1 79 6 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS Com respeito aos resultados obtidos nos ensaios executados para as misturas 1, 2 e 3, pode-se concluir que a mistura 1, embora tenha alcançado uma boa marca em termos de resistência, teve sua trabalhabilidade prejudicada pela ausência de partículas finas. Nas misturas 2 e 3, onde a areia artificial foi substituída totalmente por finos de pedreira, notou-se um pequeno decréscimo na resistência, mas um ganho em trabalhabilidade e textura da massa. Com base nestes resultados, a mistura 3 foi indicada para o uso em camadas de rolamento de pavimentos, devido à maior homogeneidade da massa, menor consumo de cimento e obtenção de bons índices de resistência após a compactação. Analisando-se os dados apresentados na Tabela 6, que explicita os resultados obtidos para as misturas 4, 5 e 6, fica evidente que ocorre um aumento nos valores de resistência proporcional ao aumento da quantidade de finos presente nas misturas, fato que pode estar associado ao maior preenchimento dos vazios da massa e ao maior embricamento das partículas, dado em função da forma e textura superficial dos grãos. Com relação aos parâmetros de resistência recomendados pelo DNER, a mistura 6 foi a que melhor comportamento apresentou, obtendo índices compatíveis com a normalização vigente tanto para a resistência à compressão quanto para a resistência à tração. A execução destes ensaios laboratoriais comprovaram a viabilidade técnica de utilização dos finos de pedreira, independentemente da natureza da rocha matriz. Outro dado interessante a ser ressaltado é que, comparativamente, a execução de pavimentos de CCR é menos dispendiosa do que a de pavimentos convencionais, podendo, com a utilização dos finos de pedreira, alcançar uma redução de até 15% no custo global da obra. 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS À luz de uma época onde o aproveitamento dos recursos naturais deve ser o mais racional possível, o estudo dos rejeitos gerados nos mais distintos complexos industriais reflete a preocupação técnica e social no manejo destas substâncias. Particularmente no setor produtivo de materiais destinados à construção civil, o conceito de racionalização das jazidas vem dando seus primeiros passos, a partir da utilização de técnicas de planejamento de lavra e através do fomento de pesquisas direcionadas ao aproveitamento de todos os materiais gerados nas plantas de beneficiamento. A utilização dos finos de pedreira no Estado de São Paulo é um bom exemplo deste conceito, pois um material que até pouco menos de cinco anos era destinado a pilhas de estocagem e classificado como rejeito da mina, atualmente é comercializado e possui aplicações específicas, tendo em vista suas propriedades e características particulares. Além dos parâmetros técnicos e econômicos favoráveis à utilização destes materiais, destacam-se também os benefícios de ordem ambiental associados ao emprego dos finos de pedreira, que até então eram fontes potenciais de 80 impactos ambientais, tais como: impacto visual, poluição atmosférica, alterações no regime hidrológico e esterilização de áreas férteis pela sua ocupação. Sendo assim, acredita-se que o desenvolvimento de pesquisas cujo enfoque seja o aproveitamento de rejeitos, encontra-se solidária à questão do desenvolvimento sustentado, à medida em que viabilizam o consumo de materiais ou subprodutos marginais, ampliando, no caso da mineração, a vida útil das jazidas, fomentando o desenvolvimento da infra-estrutura local e reduzindo impactos ambientais associados ao seu manejo. 8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS DEPARTAMENTO NACIONAL DE ESTRADAS DE RODAGEM (DNER) – 1992 – Manual de pavimentos de concreto rolado. Volume I: Histórico, características tecnológicas, estado-da-arte, materiais, dosagem e normas pertinentes. 156 p. FUJIMURA, F.; SOARES, L.; HENNIES, W.T.; SILVA, M.A.R. – 1995 – O uso de finos de pedreiras de rochas graníticas e gnáissicas em substituição às areias naturais. In: 29ª Reunião Anual de Pavimentação, Cuiabá, 1ª Sessão Técnica, Trabalho nº 1.08, 147-156. FUJIMURA, F.; SOARES, L.; HENNIES, W.T.; SILVA, M.A.R. – 1996 – Environmental issue and profitable uses of stone quarry fines. In: 4th. International Conference on Environmental Issues and Waste Management in Energy and Mineral Production. Proceedings SWEMP’96, v.2, Cagliari, Itália, 959-966. HURTADO DIAZ, P. S. – 1993 – Contribuição ao estudo do concreto rolado para pavimentação. Tese de Doutoramento. Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Departamento de Engenharia Civil, 219 p. MENDES, K. S. – 1999 – Viabilidade do emprego de finos de basalto em concreto compactado a rolo. Dissertação de Mestrado. Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Departamento de Engenharia de Minas, 109 p. SECRETARIA DE ARTICULAÇÃO COM OS ESTADOS E MUNICÍPIOS (SAREM) – 1982 – O que é preciso saber sobre técnicas de pavimentação. Coleção Alternativas Urbanísticas, 5, Rio de Janeiro, 80 p. SBRIGHI NETO, C. & SOARES, L. – 1996 – The use of crushing rock dust in Portland cement concrete production. In: 4th. International Conference on Environmental Issues and Waste Management in Energy and Mineral Production. Proceedings SWEMP’96, v.2, Cagliari, Itália, 1041-1048. SCHALCH NETO, J.A.; AZEVEDO, R.M.B.; RUIZ, M.S.; HWA, C.M.F. – 1990 – Mercado Produtor Mineral do Estado de São Paulo: Levantamento e Análise, cap. VII: Perfil 5 – Brita, Publicação IPT nº 1822, SP, 87-98. 81 9 AGRADECIMENTOS Os autores agradecem à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, que financiou a execução de toda a pesquisa referente ao emprego de finos de rochas basálticas, através do processo 96/12681-5. 82 SESSÃO TÉCNICA I RESÍDUOS GERADOS PELA CONSTRUÇÃO CIVIL 83 III Seminário “Desenvolvimento Sustentável e a Reciclagem na Construção Civil: Práticas Recomendadas” IBRACON CT- 206 MEIO AMBIENTE RESÍDUO DE CONCRETO RECICLADO OLIVEIRA, Márcio J. Estefano (1); ASSIS, Cássia Silveira (2) (1) Engenheiro Civil, MSc. UNESP/UNITAU - R. Espírito Santo, 496, Bairro: Santo Antônio. São Caetano do Sul/SP. Tel./Fax: (11) 4226-5022 - CEP 09530-700 e-mail: [email protected] (2) Engenheiro Civil, MSc. Escola de Engenharia Mauá - R. Espírito Santo, 496, Bairro: Santo Antônio. São Caetano do Sul/SP. Tel./Fax: (11) 42265022 CEP 09530-700 e-mail: [email protected] Palavras-chave: resíduo, reciclagem, entulho reciclado, concreto, agregado. RESUMO A geração de resíduos sólidos pela construção civil tem trazido preocupação quanto aos efeitos em relação ao meio ambiente porque a sua deposição poucas vezes obedece a um critério técnico adequado. A produção de resíduos da construção civil provoca alterações no meio ambiente que podem ocorrer durante implantação e execução de obras. Além disso, durante a vida útil das edificações os resíduos podem ser gerados pela sua manutenção, reforma ou demolição. A produção de resíduos pela indústria da construção civil está associada a diversos fatores: desde a concepção do projeto, processos construtivos, mãode-obra, desperdícios e perdas inerentes a este tipo de atividade. De um modo geral, a Indústria da Construção Civil no Brasil, no sub-setor Edificações apresenta um baixo índice de produtividade e um elevado índice de perdas e a produção de entulho em edifícios habitacionais com mais de 10 pavimentos, padrão médio, produzidos por processos convencionais é de 5% do valor total da obra. A forma de deposição e aterros clandestinos ou esgotamento das áreas poluição dos aqüíferos. abandono dos resíduos gerados, principalmente em aterros públicos, degrada o meio ambiente pelo sadias, assoreamento dos cursos d’água e pela Assim o estudo do comportamento dos resíduos 85 sólidos ao longo do tempo pode trazer informações relevantes para a sua reutilização, reciclagem e deposição final. O estudo para a transformação destes resíduos em matéria-prima destinada à produção de novos materiais será mais seguro a partir do conhecimento do seu comportamento e poderá indicar o uso mais adequado para um determinado fim. O caso que ora se estuda trata de peças estruturais ou não, que já passaram por processos de ações mecânicas durante o tempo em que estiveram em uso e em maior intensidade quando da sua demolição. O resíduo de concreto que se encontra no entulho depositado em áreas clandestinas ou em lixões públicos podem sofrer a ação das condições ambientais através de fatores mecânicos, físicos, químicos, térmicos e biológicos. Durante a demolição o concreto é submetido aos esforços mecânicos que provocam fissuras enfraquecendo-o e tornando-o suscetível às ações de agentes agressivos. Estes ataques podem acontecer de maneira isolada ou em conjunto. O trabalho foi desenvolvido a partir do estudo de caso de edifícios em construção na cidade de Guaratinguetá. Quatro edifícios na cidade de Guaratinguetá - SP, que tiveram suas construções iniciadas na mesma época, encontram-se hoje em fase de acabamento. A produção de resíduos gerados nas obras estudadas têm uma composição variada com predominância de restos de concreto, tijolos cerâmicos e argamassas de assentamento e revestimento. Os resíduos, à medida que as obras eram executadas, foram sendo quantificados e separados por categoria e para esta pesquisa, os resíduos de concreto foram selecionados para a reciclagem. A moagem foi efetuada em laboratório, manualmente, e o novo agregado caracterizado segundo as normas da ABNT para materiais convencionais. Os estudos mostraram a viabilidade do emprego do agregado reciclado desde que se considere os mecanismos de deterioração do mesmo. 86 III Seminário “Desenvolvimento Sustentável e a Reciclagem na Construção Civil: Práticas Recomendadas” IBRACON CT- 206 MEIO AMBIENTE RECICLAGEM DE ENTULHO PARA A PRODUÇÃO DE ARGAMASSAS E CONCRETOS: UMA ALTERNATIVA VIÁVEL ANGULO, Sérgio Cirelli (1); MIRANDA, Leonardo F. R. (2); SELMO, Silvia M.S. (3); JOHN, Vanderley Moacyr (4) (1) Mestrando em Eng. Civil, Departamento da Politécnica de Construção Civil, Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Av. Prof. Almeida Prado, travessa 2 – 05508-900 - São Paulo. e-mail: [email protected]. (2) Mestrando em Eng. Civil, Departamento da Politécnica de Construção Civil, Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Av. Prof. Almeida Prado, travessa 2 – 05508-900 - São Paulo. e-mail: [email protected]. (3) Professor Doutor, Departamento da Politécnica de Construção Civil, Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Av. Prof. Almeida Prado, travessa 2 – 05508-900 - São Paulo. e-mail: [email protected]. (4) Professor Doutor, Departamento da Politécnica de Construção Civil, Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Av. Prof. Almeida Prado, travessa 2 – 05508-900 - São Paulo. e-mail: [email protected]. Palavra-chave: reciclagem, resíduos de construção e demolição, entulho, desenvolvimento sustentável, agregados reciclados. RESUMO Os resíduos de construção e demolição, conhecidos como entulho, são hoje um grave problema nas principais cidades brasileiras. De acordo com PINTO (1999), a média de produção de entulho no Brasil é de 0,5 ton/hab.ano, chegando a corresponder a 50% da massa dos resíduos sólidos urbanos. Esses resíduos, quando dispostos inadequadamente, causam sérios prejuízos ambientais e econômicos. Como prejuízos ambientais destacam-se assoreamento de rios, entupimento de sistemas de drenagens, contaminação de lençol freático, propagação de vetores. Como prejuízo econômico destacase os gastos com a retirada de despejos clandestinos, onde só em São Paulo chega a R$4,5 milhões mensais (BRITO, 1999). 87 As soluções normalmente empregadas para solucionar esse tipo de problema são aproximar o produto e o processo de produção, de onde surgem os resíduos, do conceito de desenvolvimento sustentável. Assim sendo, a escala menos impactante, tanto economicamente quanto ambientalmente, seria a redução, reutilização, reciclagem, aterros e incineração, nesta ordem. Nesta lógica, a reciclagem se insere em uma atitude necessária, pois sempre existirá uma parcela de resíduos impossíveis de se reduzir e, se tratando de um resíduo pós-consumo, a sua reutilização torna-se mais complicada. É sobre este ponto de vista que a Escola Politécnica da USP criou uma equipe de engenheiros pesquisadores, com o objetivo de desenvolver tecnologias para a reciclagem, bem como controlar as composições dos agregados reciclados gerados pelos resíduos C&D. Estudos de controle de composição têm sido realizados, através de um método de determinação de fases presentes na composição do entulho por método de análise de imagem, sendo predominante estas fases: cerâmicas, argamassas e concretos. A avaliação da variabilidade das fases na composição de agregados reciclados estão sendo avaliados, bem como as técnicas de homogeneização deste tipo de agregado. Este controle nos fornecerá subsídios para controle de qualidade em centrais e avaliação da influência das fases no desempenho de componentes. Para a utilização do entulho visando a produção de revestimentos de argamassa, foram produzidos 100 m² de revestimento, no traço 1:9 em massa, variando-se o teor de entulho na composição e sua natureza (bloco cerâmico, bloco de concreto e argamassa moída). Os resultados mostram que os revestimentos apresentaram bom desempenho, com resistência de aderência à tração acima do limite da NBR 13528/95 e baixo surgimento de fissuras. A viabilidade do uso do entulho reciclado para produção de concretos e de blocos de concretos também tem sido verificada, aumentando assim o mercado de utilização desse material. Como conclusões, a Escola Politécnica da USP, pelo Departamento de Construção Civil, já considera os seus componentes tecnicamente e economicamente viáveis para utilização. Entende-se que partes das soluções ambientais devem ser solucionadas pela lógica econômica, tornando o seu consumo atrativo no mercado, mas garantindo o bom desempenho do produto. 88 III Seminário “Desenvolvimento Sustentável e a Reciclagem na Construção Civil: Práticas Recomendadas” IBRACON CT- 206 MEIO AMBIENTE PRODUÇÃO DE ARGAMASSAS COM ADIÇÃO DE ENTULHO RECICLADO DE SALVADOR CARNEIRO, Alex Pires (1); GOMES, Adailton de Oliveira (2); SAMPAIO, Taís Santos (3); ALBERTE, Elaine Pinto V. (3); COSTA, Dayana Bastos (3); (1) Engenheiro Civil, Mestrando em Eng. Ambiental Urbana - UFBA, Pesquisador GEMAC/UFBA R. Aristides Novis, 02, Federação. Salvador/BA. Tel./Fax: 071-2378524 CEP 40210-630 e-mail: [email protected] (2) Engenheiro Civil, MSc. R. Aristides Novis, 02, Federação. Salvador/BA. Tel./Fax: 071-2378524 CEP 40210-630 e-mail: [email protected] . (3) Estudante de Eng. Civil UFBA, Bolsista de Iniciação Científica CNPq/PIBIC R. Aristides Novis, 02, Federação. Salvador/BA. Tel./Fax: 071-2378524 CEP 40210-630 e-mail: [email protected] . Palavras-chave: argamassa, entulho, reciclagem, material de construção. RESUMO A quantidade de resíduos gerados pelas atividades de construção e demolição (entulho) vem crescendo de forma significativa nos últimos anos. A reciclagem e utilização do entulho como material de construção alternativo vem se mostrando como opção interessante para minimizar os problemas causados pelo entulho. Há algum tempo o entulho vem sendo utilizado como adição para argamassas. Existem vários trabalhos publicados com relação a este tema que mostram um incremento em suas propriedades mecânicas. Contudo, estudos sobre reciclagem de entulho para argamassas vêm se limitando ao canteiro de obras. Atualmente as usinas de reciclagem começam a ocupar uma posição de destaque. Neste sentido, está sendo implantada pela LIMPURB (Empresa de Limpeza Urbana) a 1ª Usina de Reciclagem de Entulho de Salvador. Através de um processo de cominuição do entulho bruto é produzido um material com granulometria variada, passível de utilização como agregado alternativo para 89 diversos produtos da construção civil. A fração fina deste resíduo processado pode ser usada como adição em argamassas de assentamento e revestimento. O objetivo deste trabalho é analisar a influência do uso do entulho reciclado de Salvador, coletado pelo serviço de limpeza urbana e processado em usina de reciclagem, no desempenho dos revestimentos de argamassa, avaliando o processo de produção e o produto final, tanto no estado fresco como no estado endurecido. A análise do produto foi feita com base nas suas características físicas, mecânicas, durabilidade e risco ambiental, além da viabilidade técnicoeconômica de argamassas preparadas com adição de entulho reciclado em diferentes proporções. O trabalho foi dividido em duas etapas. Na primeira etapa, foi definido um traço base e feita a mistura experimental, a fim de verificar o comportamento da argamassa produzida com os materiais disponíveis e obter alguns parâmetros de trabalho. A partir desta primeira mistura experimental, foram ajustados traços para os consumos de cimento desejados. Então, a partir do traço base, foi feita a mistura experimental para um traço com substituição de arenoso por entulho reciclado, ou seja, um traço com 30% de entulho. Em seguida foram feitas as misturas experimentais para substituições também de areia por entulho miúdo. Deste modo foram feitas misturas para 50%, 75% e 100% de entulho reciclado, todas para os três consumos de cimento determinados. Foi definido, também, um Traço Referência (argamassa mista de cimento e cal) para cada consumo de cimento determinado. A segunda etapa deste estudo avaliou de forma mais completa o comportamento das argamassas com entulho. Para isto foi escolhido o consumo de cimento de 180 kg//m3, que abrange uma maior faixa de usos e aplicações. Este trabalho mostra que a introdução do entulho reciclado como substituto a areia e arenoso para a produção de argamassas tem grande potencial como solução ao problema de destinação destes resíduos. Foi observado que quanto maior o teor de adição de entulho reciclado, menor o consumo de cimento alcançado pela argamassa. Esta tendência é um denominador comum a todos os trabalhos existentes sobre o tema. Assim, podem ser adotados traços para argamassas com resíduos reciclados que proporcionam redução de custo de até 45%, tanto pelo baixo custo do agregado quanto pela redução do consumo de aglomerantes tradicionais. De maneira geral, as argamassas com adição de entulho estudadas neste trabalho apresentaram comportamento semelhante às argamassas analisadas em outros trabalhos. Pode-se observar melhoria de algumas propriedades. 90 III Seminário Desenvolvimento Sustentável e a Reciclagem na Construção Civil Práticas Recomendadas IBRACON CT- 206 MEIO AMBIENTE A MINIMIZAÇÃO DAS PERDAS DE MATERIAIS NA CONSTRUÇÃO COMO CAMINHO PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: O CASO DOS REVESTIMENTOS DE PAREDES INTERNAS COM ARGAMASSA SOUZA, U. E. L. (1); PALIARI, J. C. (2); ANDRADE, A.C. (3); MAEDA, F. M. (4); Silva, L. L. R. (4) (1) Prof. Dr. do Depto de Engenharia de Construção Civil, Escola Politécnica da Universidade de São Paulo – PCC-USP, e-mail: [email protected] (2) Prof. Assistente do Depto de Engenharia Civil – UFSCar; Doutorando do Depto de Engenharia de Construção Civil, Escola Politécnica da Universidade de São Paulo – PCC-USP; e-mail: [email protected] [email protected]; (3) Doutoranda do Depto de Engenharia de Construção Civil, Escola Politécnica da Universidade de São Paulo – PCC-USP; e-mail: [email protected]; (4) Mestrandos do Depto de Engenharia de Construção Civil, Escola Politécnica da Universidade de São Paulo – PCC-USP; e-mail: [email protected]; [email protected]. Palavras-chave: desperdício de materiais, perdas de materiais, argamassa. RESUMO 1 O DESPERDÍCIO DE MATERIAIS NA CONSTRUÇÃO E O MEIO AMBIENTE A construção de edifícios, tão importante para sanar a demanda social por habitações no Brasil, envolve o consumo de grandes quantidades de recursos físicos do nosso planeta, haja visto que 1 metro quadrado de construção utiliza, grosseiramente, 1 tonelada de materiais. Este consumo pode ser significativamente aumentado quando ocorrem perdas de materiais nos canteiros. Pesquisas recentes têm mostrado que as perdas, mensuradas fisicamente, estão longe de ser desprezíveis. Tais perdas podem acontecer sob duas formas: incorporadas ao próprio edifício ou como entulho. 91 Dentre os materiais que apresentam os maiores valores de perdas, as argamassas se destacam. Tal fato advém do fato de, muitas vezes, as mesmas cumprirem, erroneamente, o papel de “consertar” problemas acontecidos em serviços que precederam aqueles onde serão utilizadas. Este trabalho apresenta os valores de perdas de cimento para revestimento de paredes internas de argamassa obtidos a partir de uma ampla pesquisa nacional coordenada pelo Departamento de Construção da EPUSP (PCC-USP) e induzida pelo ITQC, FINEP- Programa Habitare e Senai-NE, que contou com a participação de outras 15 Universidades de 12 Estados brasileiros, e onde se estudou por volta de 100 canteiros de obras. Comenta-se ainda as pesquisas desenvolvidas após tal diagnóstico. 2 AS PERDAS DE CIMENTO NO SERVIÇO DE REVESTIMENTO DE PAREDES INTERNAS A Tabela 2.1 reúne os valores encontrados para as perdas, consumos teóricos (obtidos a partir do traço teórico da argamassa) e consumos reais de cimento na execução de revestimentos de paredes internas de edifícios. Note-se que o valor da perda é calculado com relação a uma situação de referência, onde se teria especificado, previamente à produção do revestimento, a espessura e o traço a ser adotado. Tabela 2.1 - Valores das perdas/consumos de cimento ÍNDICES Média Mediana Mínimo Máximo PERDA (%) 104 102 8 234 CONSUMO TEÓRICO(kg/m³) 189,94 194,17 115,45 267,74 CONSUMO REAL (kg/m²) 7,19 6,81 2,23 14,38 n= 11 3 PESQUISAS POSTERIORES AO DIAGNÓSTICO NACIONAL O levantamento da situação vigente no país foi extremamente útil para munir os diversos agentes da cadeia produtiva de informações confiáveis para balizar ações racionalizadoras. E, na medida em que detectou que a intensidade e as causas das perdas podem variar muito de obra para obra, o PCC-USP desenvolveu uma metodologia rápida para avaliação do consumo, que está sendo aplicada em vários canteiros de obras, criando um instrumento auxiliar para a gestão do consumo dos materiais em campo. Além das obras já estudadas na pesquisa nacional (em São Paulo as seguintes empresas contribuíram: Tecnum & Corporate, J.Bianchi, Erg, Alves Dinis, Noroeste, Fortenge e Blokos), novas obras (das empresas: Racional, Projeção, Com Serv e Raíza) têm sido motivo de intervenção através de um novo convênio coordenado pelo PCC-USP, com a participação da Prefeitura Municipal de Santo André e da UniABC. 92 III Seminário “Desenvolvimento Sustentável e a Reciclagem na Construção Civil: Práticas Recomendadas” IBRACON CT- 206 MEIO AMBIENTE EMPREGO DE RESÍDUO DE CONCRETO E DE REJEITO DA INDUSTRIA DA CERVEJA NA PRODUÇÃO DE BLOCOS E TIJOLOS OLIVEIRA, Márcio J. Estefano (1); ASSIS, Cássia Silveira (2); MONTEIRO, Camilo de Lelis (3) (1) Engenheiro Civil, MSc. UNESP/UNITAU - R. Espírito Santo, 496, Bairro: Santo Antônio. São Caetano do Sul/SP. Tel./Fax: (11) 4226-5022 CEP 09530-700 e-mail: [email protected] (2) Engenheiro Civil, MSc. EEM - R. Espírito Santo, 496, Bairro: Santo Antônio. São Caetano do Sul/SP. Tel./Fax: (11) 4226-5022 CEP 09530-700 e-mail: [email protected] (3) Engenheiro Civil, Cia. Cervejaria Brahma - R. Espírito Santo, 496, Bairro: Santo Antônio. São Caetano do Sul/SP. Tel./Fax: (11) 4226-5022 CEP 09530-700 Palavras-chave: resíduo, reciclagem, entulho reciclado, diatomáceas. RESUMO Apesar da preocupação que se tem em preservar o meio ambiente e das ações de órgãos competentes em acompanhar e controlar os resíduos industriais, há uma crescente degradação de recursos naturais pela ausência de tecnologias alternativas que sejam viáveis técnica e economicamente ao tratamento dos resíduos gerados pela indústria da cerveja que ainda existem no final do processo industrial. Certos resíduos provocam danos ao solo, à fauna e à vegetação no local onde são lançados. Esse trabalho tem por finalidade apresentar e discutir os resultados obtidos na fabricação de tijolos para alvenaria, a partir do emprego de resíduos sólidos gerados no processo de fabricação da cerveja. O mineral empregado para realizar a filtragem da cerveja durante o processo de fabricação é denominado pela indústria da cerveja de “terra infusória”. Esta substância provinda de algas silícicas fossilizadas é também chamada de 93 diatomácea. As maiores minas destas terras estão localizadas na Argélia, Califórnia, Alemanha, França, Itália e Espanha. O composto básico é o dióxido de silício (SiO2), numa proporção de até 90%. A diatomácea bruta é moída, seca, novamente moída, calcinada 800 0C (liberada das substâncias orgânicas), resfriada, moída novamente e separada em granulometrias diversas por ciclonagem de ar. Os tamanhos podem variar de 1 a 200µ. A superfície livre de passagem, ou seja, a porosidade pode chegar a 80%. Essa “terra” no processo de fabricação de cerveja tem a propriedade de produzir filtrados biológicos, pois ela remove células de leveduras e bactérias danosas à cerveja. Daí o problema com relação ao meio ambiente, pois o resíduo proveniente de processo de filtragem é poluente pela grande quantidade de matéria orgânica de difícil tratamento que muitas vezes é lançada ao solo ou em cursos d’água. Neste trabalho são apresentados os resultados obtidos na produção de blocos de concreto com emprego de resíduo de concreto descartados pelas obras de construção civil e tijolos de barro maciço cozido. Os blocos e tijolos preparados, segundo os processos usuais, receberam adição de terra infusória em diversas proporções e foram ensaiados segundo as Normas da ABNT. Com os resultados obtidos até o momento já é possível verificar que os blocos e tijolos produzidos com adição de terra infusória em blocos de concreto simples produzidos com resíduo de concreto reciclado e tijolos de barro maciço cozido, apresentaram redução na massa específica, sem haver prejuízo significativo na capacidade de resistência à compressão e no ensaio de absorção de água. Fica assim demonstrada a possibilidade da utilização de dois rejeitos industriais simultaneamente para fabricação de peças através de processos usuais com algumas vantagens adicionais como o emprego para redução de massa e minimização da poluição do ambiente. O estudo deve continuar para verificação do seu desempenho ao longo do tempo. A indicação para o emprego destes novos materiais deve, até o momento, ficar restrito à execução de muros, paredes divisórias e outros serviços que não requeiram altas resistências e não recebam ataque de agentes agressivos como águas ácidas, sulfatos e cloretos. 94 III Seminário “Desenvolvimento Sustentável e a Reciclagem na Construção Civil: Práticas Recomendadas” IBRACON CT- 206 MEIO AMBIENTE RESÍDUO DE CONSTRUÇÃO CIVIL UTILIZADO COMO MATERIAL DE CONSTRUÇÃO CIVIL NO LOCAL ONDE FOI GERADO GRIGOLI, Ademir Scobin (1) (1) Engenheiro Civil - Diretor técnico da empresa SCOBIN ENGENHARIA, Rua José Clemente, 759. Vila Sete - 87020-070 - Maringá - Paraná. e – mail : [email protected] Palavras-chave: argamassa, concreto, entulho, reciclagem. RESUMO As estatísticas apontam que a construção civil, é uma das atividades econômicas que mais produz entulho, e este trabalho, formula formas de como em um canteiro de obra pode-se utilizar do entulho gerado por esta obra, como material de construção na própria obra. O concreto ou a argamassa gerados pelo entulho inorgânico de obra, tem características próprias, onde uma delas é a sua baixa resistência alcançada e a sua baixa capacidade de resistir a agentes abrasivos. Então, as situações de elementos de obra, na forma de concretos e/ou argamassas, onde não requer alta resistência mecânica e alta capacidade de suporte abrasivo, podem ter como matéria prima o agregado miúdo e o agregado graúdo proveniente do entulho de obra, gerados e aplicados nesta mesma obra. Para o uso do entulho como material de construção na própria obra, não se faz movimentos com os entulhos recicláveis gerados, deixa-os no próprio compartimento ou no próprio pavimento em que foi gerado, apenas acomodando-os em um dos ambientes ali existente. O entulho reciclável, quando gerado, é composto de materiais de diversos tamanhos, desde grãos de areias, até conjuntos de blocos de cerâmicas e/ou concretos, devendo ser estes componentes divididos em três porções, sendo uma porção miúda na forma arenosa e pulverulenta, com diâmetro menor ou 95 igual a 4,80 mm, uma outra porção graúda com diâmetro superior a 4,80 mm e inferior a 38 mm, e por último uma porção em pedaços com diâmetro superior a 38mm. A presença do solo argiloso nos entulhos que vão ao “bota fora” por “caçambões”, é ainda mais acentuada, pois não existe nenhuma preocupação em separar estes componentes, antes de mandá-los fora do canteiro de obra. A gestão do canteiro de obra em se promover a permanência dos entulhos recicláveis nos compartimentos ou pavimentos onde foram gerados, elimina totalmente a possibilidade de mistura com solo argiloso. O fator água/cimento é um complicador na determinação do traço de concreto e argamassa, executados com entulho reciclável. Considerando existir no entulho reciclável, elementos com altas taxas de absorção de água. Devido a ocorrência de inconstância nas proporcionalidades dos elementos que compõem o entulho de obra, fica difícil determinar a quantidade de água que se deve adicionar num traço de argamassa ou concreto para suprir a necessidade de seus elementos com relação à absorção de água. A determinação do fator água/cimento, tanto para a argamassa, quanto para o concreto executados com entulhos recicláveis, fica vinculada eminentemente à consistência necessária a sua aplicação. E, uma vez estabelecido o traço a ser executado, especificado em volume, o maior cuidado a ser tomado no processo de mistura, é ter a certeza de que as porções miúdas e graúdas estejam adequadamente saturadas de água, para minimizar os efeitos da alta absorção de água dos agregados de entulho de obra. Considerando que no processo de gestão do entulho reciclável dentro do canteiro, objetiva-se a uma menor circulação possível deste entulho, o peneiramento e a molhagem são feitos na própria região em que o mesmo é gerado, sendo em seguida, em masseiras manuais, também manualmente misturados. Basicamente, as operações que envolvem o uso de materiais recicláveis, utiliza-os sob forma bem determinada, quais sejam: na forma de argamassa, na forma de concreto, na forma de assentamentos de pedaços de blocos cerâmicos e na forma de entulho solto, misturado ou somente na porção miúda ou somente na porção graúda. Deve-se, atentar ao detalhe de que concreto e argamassa com elementos compostos de entulho de obra não podem ser utilizados em peças de estruturas de concreto armado com elevadas cargas de compressão e/ou tração. A construção civil, é fonte geradora de entulho em quantidades e variedades múltiplas, onde é impossível formalizar um critério padrão, para definir uma metodologia universal no uso do entulho gerado por uma determinada obra, na própria obra. Concluindo-se que o entulho que uma obra produz, pode ser utilizado e consumido de forma reciclável dentro da própria obra. O uso do entulho como material de construção em canteiro de obras, é de forma preponderante, inevitável e inadiável, pois de alguma forma, muito esforço há por se fazer no sentido de conscientizar nossos construtores ao fato de que todos ganham com a reciclagem do entulho de obra, principalmente a natureza. 96 III Seminário “Desenvolvimento Sustentável e a Reciclagem na Construção Civil: Práticas Recomendadas” IBRACON CT- 206 MEIO AMBIENTE CARACTERIZAÇÃO DO ENTULHO DE SALVADOR VISANDO SUA RECICLAGEM COMO MATERIAL DE CONSTRUÇÃO BRUM, Irineu Antônio S. (1); CARNEIRO, Alex Pires (2); COSTA, Dayana Bastos (3); SAMPAIO, Taís Santos (3); ALBERTE, Elaine Pinto Varela (3) (1) Engenheiro de Minas, MSc. R. Aristides Novis, 02, Federação. Salvador/BA. Tel./Fax: 071-2378524 CEP 40210-630 e-mail: [email protected] (2) Engenheiro Civil, Mestrando em Eng. Ambiental Urbana - UFBA, Pesquisador GEMAC/UFBA R. Aristides Novis, 02, Federação. Salvador/BA. Tel./Fax: 071-2378524 CEP 40210-630 e-mail: [email protected] (3) Estudante de Eng. Civil UFBA, Bolsista de Iniciação Científica CNPq/PIBIC R. Aristides Novis, 02, Federação. Salvador/BA. Tel./Fax: 071-2378524 CEP 40210-630 e-mail: [email protected] Palavras-chave: caracterização, entulho, reciclagem, materiais de construção. RESUMO Um dos principais problemas que afeta a qualidade de vida nos grandes centros urbanos é o volume de resíduos gerado diariamente. Os aspectos técnicos e operacionais referentes a esta questão são bastante conhecidos e estão relacionados à diversidade dos materiais descartados pela sociedade. Com a intensificação do processo de urbanização, a quantidade de resíduos gerados pelas obras de construção torna-se cada vez mais elevada. O crescimento da população e, conseqüentemente, o aumento da demanda por construções localizadas no perímetro urbano acaba por contribuir para o aumento da geração de entulho. Este crescimento exige das administrações públicas providências para evitar o descarte destes materiais em locais inadequados, como terrenos baldios, cursos d’água ou áreas periféricas e, principalmente, encontrar soluções adequadas para a gestão do entulho. A construção civil é a uma das poucas indústrias capazes de absorver quase que totalmente os resíduos que são produzidos em suas atividades. Enquanto 97 vários setores industriais reduzem o consumo de suas matérias-primas (como a indústria eletrônica, por exemplo) a engenharia civil, dificilmente poderá reduzir significativamente a quantidade de materiais necessários para uma obra, sem comprometer a qualidade e segurança da construção. (Agopyan, 1995). Dessa maneira, é necessário encontrar soluções para o problema dos resíduos, através de formas práticas de reciclagem na própria obra ou em usinas montadas para este fim. Algumas prefeituras (Salvador, Belo Horizonte, Ribeirão Preto, Londrina, entre outras.) já implantaram ou estão implantando, locais apropriados para receber o resíduo. São as “Usinas de Reciclagem de Entulho”, constituídas basicamente por um espaço para disposição, uma linha de separação (onde a fração não mineral é separada), um britador, que processa o resíduo na granulometria desejada e um local de armazenamento, onde o entulho já processado aguarda para ser utilizado. O objetivo destas usinas de reciclagem é reduzir a disposição de sobras de materiais da indústria da construção civil e reciclar estes para a confecção de materiais de construção de baixo custo. Em Salvador são produzidas atualmente cerca de 1.700 t/dia de entulho, dos quais grande parte é facilmente reciclável. O entulho se apresenta com características físicas variáveis, que dependem do tipo de obra, das técnicas construtivas, da fase em que se encontra a obra, das características sócioeconômicas da região considerada, entre outros fatores. Neste sentido foi realizada a caracterização completa do entulho gerado na cidade do Salvador visando maximizar a utilização deste resíduo para produção de agregado reciclado. A análise das suas características envolveu aspectos sociais, físicos, químicos e de risco de contaminação ambiental, tanto em seus valores médios como na dispersão ao longo do tempo. A caracterização do entulho de Salvador possibilitou identificar algumas linhas de pesquisas prioritárias para a maximização do potencial de aproveitamento deste resíduo, além de contribuir para o desenvolvimento de mercado da produção de materiais de construção regionais com a utilização do entulho reciclado. As principais alternativas identificadas para a reciclagem deste resíduo são substituição da matéria-prima para base e sub-base de pavimentos e em tijolos de solo estabilizado com cimento, tanto quanto aplicação como agregados para concreto não estrutural e adição para argamassas de assentamento e revestimento. A reciclagem do entulho vem contribuir para mitigação de problemas ambientais, relacionados a sua inadequada disposição, assim como proporcionar um aumento na vida útil das reservas naturais de matérias-primas (agregados naturais) e aterros sanitários. Por fim, este trabalho busca contribuir para o desenvolvimento sustentável da Região Metropolitana de Salvador, amenizando o problema de disposição inadequada dos resíduos gerados pela construção civil, assim como apresentar alternativas viáveis para a confecção de materiais de construção civil de baixo custo, influindo de forma relevante nas questões sociais e ambientais. 98 III Seminário “Desenvolvimento Sustentável e a Reciclagem na Construção Civil: Práticas Recomendadas” IBRACON CT- 206 MEIO AMBIENTE FABRICAÇÃO DE TIJOLOS DE SOLO E ENTULHO RECICLADO DE SALVADOR ESTABILIZADOS COM CIMENTO BRUM, Irineu Antônio S. (1); CARNEIRO, Alex Pires (2); COSTA, Dayana Bastos (3); SAMPAIO, Taís Santos (3); ALBERTE, Elaine Pinto Varela (3) (1) Engenheiro Minas , MSc. R. Aristides Novis, 02, Federação. Salvador/BA. Tel./Fax: 071-2378524 CEP 40210-630 e-mail: [email protected] (2) Engenheiro Civil, Mestrando em Eng. Ambiental Urbana - UFBA, Pesquisador GEMAC/UFBA R. Aristides Novis, 02, Federação. Salvador/BA. Tel./Fax: 071-2378524 CEP 40210-630 e-mail: [email protected] (3) Estudante de Eng. Civil UFBA, Bolsista de Iniciação Científica CNPq/PIBIC R. Aristides Novis, 02, Federação. Salvador/BA. Tel./Fax: 071-2378524 CEP 40210-630 e-mail: [email protected] Palavras-chave: tijolo estabilizado com cimento, reciclagem, entulho reciclado. RESUMO No Brasil, o atendimento às condições mínimas de habitação para as camadas de mais baixa renda ainda não foi equacionado. A enorme demanda de habitações no país exige a construção de mais de 10 milhões de unidades. Apesar do esforço do governo para superar o problema, a demanda de moradias populares continua crescendo com velocidade superior à do aumento da capacidade de produção de novas unidades (TÉCHNE, 1996). O problema da habitação popular brasileira exige soluções de tecnologias simples, compatíveis com a situação econômica atual. Essas novas tecnologias podem utilizar matérias-primas naturais / renováveis ou rejeitos industriais / urbanos, geralmente caracterizadas por apresentarem custo reduzido e existirem em grandes quantidades próximo ao local de aplicação (CALMON & TRISTÃO, 1998). Neste contexto a utilização de tijolos de solo estabilizado com cimento para construção de casas populares é uma solução adequada, sendo que está 99 técnica já é estudada e desenvolvida há anos em muitos países, inclusive no Brasil. A simplicidade do processo de fabricação e operação do equipamento, a economia de energia e a redução dos custos favorecem o uso deste componente em programas habitacionais (ABCP, 1985). Por outro lado, o entulho de construção e demolição vem sendo gerado em enormes quantidades devido, principalmente, ao crescimento acentuado dos centros urbanos nas últimas décadas. Em Salvador são geradas cerca de 1.700 toneladas/dia de entulho, causando graves impactos ambientais e sociais. Buscando minimizar o descarte do entulho e os seus impactos, está sendo implantado pela LIMPURB - Empresa de Limpeza Urbana de Salvador o plano de gestão do entulho de Salvador. Este plano vem contribuindo para a melhoria do sistema de coleta através de medidas corretivas e educativas, implantação de postos e bases de descarga de entulho, usinas de reciclagem e centrais de produção de materiais (inauguração prevista para o 2o semestre de 2000). Ao ser reciclado, o entulho apresenta propriedades físicas, mecânicas, químicas e ambientais apropriadas para produção de materiais de construção. Este resíduo é um material inerte e apresenta alto potencial para reutilização e reciclagem. Vale, ressaltar que o entulho apresenta características variáveis, que dependem do tipo de obra, das técnicas construtivas, da fase em que se encontra a obra, das características sócio-econômicas da região considerada, entre outros fatores. Assim, este trabalho apresenta a utilização do entulho reciclado de Salvador na produção de tijolos de solo estabilizado com cimento desenvolvendo uma aplicação adequada para amenizar a questão ambiental relacionada à destinação do resíduo sólido urbano, além de produzir materiais de construção de baixo custo e apresentar uma alternativa para a questão ambiental. Através desta pesquisa verificou-se a adequada aplicabilidade do entulho para fabricação dos tijolos de solo e entulho estabilizados com cimento. Esse componente apresentou características como resistência à compressão e absorção superiores e durabilidade adequada em relação aos tijolos fabricados sem a utilização do entulho reciclado. Além disso, o custo do entulho e da fabricação desse material de construção é bastante vantajoso, proporcionando economia de cerca de 50% em relação aos tijolos convencionais. Estudos como este pretendem contribuir para o desenvolvimento sustentável da região de Salvador, amenizando o problema urbano da disposição inadequada do entulho. Além disso, este trabalho visa contribuir para a melhor aceitação da sociedade / meio técnico do uso do entulho. 100 III Seminário “Desenvolvimento Sustentável e a Reciclagem na Construção Civil: Práticas Recomendadas” IBRACON CT- 206 MEIO AMBIENTE PROPOSTA DE METODOLOGIA PARA RECICLAGEM DE RESÍDUOS COMO MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO ZORDAN, Sérgio Eduardo (1); JOHN, Vanderley Moacyr (2) (1) Engenheiro Civil e Mestre em Saneamento e Meio Ambiente pela Unicamp; Doutorando pelo Departamento de Engenharia de Construção Civil, Escola Politécnica da USP. e-mail [email protected]. (2) Prof. Dr. do Departamento de Construção Civil da Escola Politécnica da USP - PCC. e-mail: [email protected]. Palavras-chave: reciclagem, resíduos, materiais de construção, metodologia, desempenho. RESUMO A eficiência dos processos de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) envolvidos nos estudos de novos materiais de construção a partir da reciclagem de resíduos depende da análise dos diversos fatores envolvidos no processo, bem como da adoção de enfoques multidisciplinares, onde diferentes áreas do conhecimento estejam envolvidas. Com o fortalecimento e a difusão dos conceitos de sustentabilidade, a necessidade da inclusão de uma abordagem holística nestes estudos tornou-se ainda mais necessária. No entanto, o cenário atual de P&D de novos materiais de construção a partir da reciclagem de resíduos, reflete outra realidade. Embora as pesquisas sobre o aproveitamento de resíduos industriais e urbanos na construção civil venham aumentando, e muitos trabalhos tenham mostrado resultados positivos em relação ao desempenho desses materiais, geralmente, apenas os requisitos técnicos de engenharia são considerados na avaliação, o que acaba muitas vezes criando uma imagem falsa - positiva ou negativa - sobre a viabilidade de desenvolvimento do novo produto. Desta forma, a criação de um guia multidisciplinar que avalie as possibilidades de reciclagem de um resíduo é de fundamental importância para mostrar as reais potencialidades desses materiais, ajudando assim, a comunidade científica e o setor industrial nas pesquisas desses produtos. Assim sendo, este 101 trabalho propõem uma metodologia para avaliar o potencial de reciclagem dos resíduos como materiais de construção, de tal forma que a etapa de P&D do novo componente reciclado tenha maiores possibilidades de sucesso. A idéia central é condicionar o uso do resíduo às suas características e propriedades e não utilizar o conceito padrão – geralmente equivocado - de despender energia sobre ele, de forma a enquadrá-lo numa utilização previamente definida. A metodologia consiste num roteiro que direciona a avaliação das características e propriedades físico-químicas dos resíduos e a partir desses resultados são determinados em quais aplicações o resíduo atende o desempenho exigido para um material de construção. Após esta avaliação, são realizadas, para cada aplicação obtida, análises de viabilidade da reciclagem em relação às seguintes áreas do conhecimento: (a) ciência dos materiais, (b) ciências econômicas, (c) marketing, (d) ciências ambientais, (e) saúde pública e (f) ciências sociais. Assim, fatores como a energia necessária para possíveis alterações da composição ou de outras características do resíduo; distâncias de transporte do resíduo, a sazonalidade e a distribuição geográfica de sua produção; técnicas de marketing apropriadas para que o material seja aceito no mercado, e passem a ser comercializados; riscos de contaminação e/ou intoxicação que o novo produto poderá causar ao meio ambiente e aos trabalhadores e usuários que entrarão em contato com ele; aspectos sociais e culturais da região produtora do resíduo e do local de consumo potencial do produto reciclado; são considerados na analise das alternativas de reciclagem. O processo de gerenciamento destas avaliações é realizado por um “Sistema Especialista”, e a cada uma das análises pode-se atribuir pesos distintos, de acordo com importância que elas representem em cada avaliação específica, utilizando-se para isso, o processo de Análise Hierárquica. No final, a metodologia apresenta as alternativas mais adequadas para reciclagem, de acordo com os requisitos acima citados (a - f). Abre-se assim, a possibilidade da reciclagem de resíduos como materiais de construção ser feita de forma mais eficiente em termos energéticos, evitando que eles sejam utilizados em aplicações menos nobres do que as possíveis. Isto proporcionará, certamente, caminhos para o aperfeiçoamento de uma construção mais sustentável, ao mesmo tempo em que contribuirá para a melhoria do meio ambiente e da saúde pública. 102 III Seminário “Desenvolvimento Sustentável e a Reciclagem na Construção Civil: Práticas Recomendadas” IBRACON CT- 206 MEIO AMBIENTE DESENVOLVIMENTO DE EQUIPAMENTO PARA LIMPEZA DE FERRAMENTAS DE OBRAS SEM CONTAMINAÇÃO DA REDE COLETORA POR RESÍDUOS SÓLIDOS PERA, Patrícia Fernandes (1); PIOVEZAN, Luís Henrique (2) (1) Técnica de Ensino da Escola SENAI “Orlando Laviero Ferraiuolo” - Centro Nacional de Tecnologia da Construção, Rua Teixeira de Melo, 106 - CEP 03067-000 - São Paulo-SP. E-mail: [email protected] (2) Técnico de Ensino da Escola SENAI “Orlando Laviero Ferraiuolo” - Centro Nacional de Tecnologia da Construção, Rua Teixeira de Melo, 106 - CEP 03067-000 - São Paulo-SP. E-mail: [email protected] Palavras-chave: reaproveitamento, argamassa, limpeza de ferramentas, proteção de rede coletora, economia de água, consciência ambiental. RESUMO Uma obra de engenharia causa diversos impactos no meio ambiente. Um impacto comum é o assoreamento das tubulações de esgotos e de águas pluviais com o resíduo de lavagem de ferramentas utilizadas na construção. Em geral, tais resíduos são constituídos de areia, cal e cimento e podem causar a diminuição da seção de escoamento dos tubos. Esta diminuição da seção pode exigir ações corretivas nas tubulações próximas da obra. O mesmo problema ocorria com a Escola SENAI “Orlando Laviero Ferraiuolo” pois os alunos da oficina de pedreiro lavavam ferramentas em tanques comuns e os resíduos eram despejados na rede de esgotos. A rede coletora interna da Escola sofria manutenções mensais para a desobstrução, principalmente em caixas de passagem. Para solucionar este problema prático, foi proposta a construção de tanques de decantação para realizar o tratamento primário da água utilizada na lavagem de ferramentas da oficina de pedreiro. 103 A construção de um protótipo foi realizada pela equipe técnica da Escola em caráter experimental. Este protótipo foi avaliado por outros membros da equipe técnica da Escola que sugeriram modificações e melhorias de forma a se obter um projeto final mais adequado. Tanto os tanques anteriores como o protótipo foram demolidos após a aprovação e a construção dos tanques definitivos. A equipe técnica da Escola que participou deste projeto era composta de engenheiros, arquitetos e profissionais práticos (oficiais pedreiros, instrutores operacionais). Esta diversidade permitiu que fossem avaliados tanto aspectos teóricos como práticos do tanque, otimizando o tanque conjuntamente nestes dois aspectos. Os aspectos ergonômicos também foram considerados, de forma a facilitar o uso do tanque. O tanque final consiste na adequação dos tanques iniciais que serviam tanto para a lavagem de ferramentas como para o armazenamento de argamassa utilizada nas aulas. Esta argamassa é composta principalmente de areia e cal com pouca adição de cimento – conhecida como “argamassa podre”. Esta composição permite o reaproveitamento do material e a facilidade de demolição das paredes construídas e revestidas pelos alunos. O sistema proposto é caracterizado pela existência de dois reservatórios de decantação que permitem separar os agregados e parte da cal da água utilizada na limpeza de ferramentas. Esta água é reaproveitada para novas misturas de argamassas. Nos casos onde as argamassas possuem cimento em sua composição, não há a cura e o endurecimento pelo excesso de água, permitindo o funcionamento previsto dos tanques. O agregado e a parte da cal decantados também são utilizados em novas misturas de argamassa. As vantagens do tanque são as seguintes: o tanque permite o tratamento primário da água utilizada a ser lançada na rede coletora, impedindo que resíduos sólidos sejam lançados e provoquem redução da vazão; a água utilizada para a lavagem das ferramentas pode ser reaproveitada para outras atividades; os agregados e aglomerantes retidos podem ser reaproveitados em argamassas; proporciona economia de água e de materiais componentes da argamassa; evita problemas com a saúde física do trabalhador ao permitir posturas ergonomicamente mais corretas; o tanque é utilizado como instrumento didático para o desenvolvimento da consciência ambiental em alunos, professores e técnicos da Escola. Atualmente a Escola conta com quatro tanques que são utilizados regularmente pelos alunos e professores da oficina de pedreiro. Não houve mais necessidade de desobstrução da rede coletora interna a partir da instalação dos tanques. 104 III Seminário “Desenvolvimento Sustentável e a Reciclagem na Construção Civil: Práticas Recomendadas” IBRACON CT- 206 MEIO AMBIENTE UTILIZAÇÃO DO ENTULHO RECICLADO DE SALVADOR NA EXECUÇÃO DE BASES E SUB-BASES DE PAVIMENTOS CARNEIRO, Alex Pires (1); ALBERTE, Elaine Pinto Varela (2); BURGOS, Paulo (3); COSTA, Solange Bastos (4); COSTA, Dayana Bastos (2); SAMPAIO, Taís Santos (2). (1) Engenheiro Civil, Mestrando em Eng. Ambiental Urbana - UFBA, Pesquisador GEMAC/UFBA R. Aristides Novis, 02, Federação. Salvador/BA. Tel./Fax: 071-2378524 CEP 40210-630 e-mail: [email protected] (2) Estudante de Eng. Civil UFBA, Bolsista de Iniciação Científica CNPq/PIBIC R. Aristides Novis, 02, Federação. Salvador/BA. Tel./Fax: 071-2378524 CEP 40210-630 e-mail: [email protected] (3) Engenheiro Civil, MSc. R. Aristides Novis, 02, Federação. Salvador/BA. Tel./Fax: 071-2378524 CEP 40210-630 e-mail: [email protected] (4) Engenheiro Civil e de Petróleo, Especialista em Engenharia Rodoviária, Pesquisadora DERBA. Av. Viana Filho, 445,CAB. Salvador/Ba. Tel./Fax: 071-3017294 CEP 41750-300. E-mail: [email protected] Palavras-chave: pavimentação, reciclagem, entulho, resíduos de construção. RESUMO O desenvolvimento de grandes centros urbanos e, consequentemente, o aumento de construções, acabam por gerar um problema crônico relacionado a grande produção de entulho de obras de construção civil. Neste contexto, se destaca a necessidade de soluções tecnicamente adequadas para reciclagem do entulho, aumentando a vida útil tanto das jazidas de minerais quanto dos aterros sanitários. Uma das formas mais difundidas do uso deste resíduo é como base, sub-base ou leito de pavimentos rodoviários. O aproveitamento do entulho reciclado na pavimentação apresenta diversas vantagens, uma vez que esta forma de 105 reciclagem utiliza tecnologia bastante simples e consome grandes quantidades de matéria prima. Além disso, a reciclagem deste material produz benefícios à administração pública municipal, uma vez que garante uma redução nos gastos públicos devido à diminuição dos custos de pavimentação/infra-estrutura urbana e dos gastos adicionais de remoção do material, além de aumentar a vida útil de aterros sanitários e, consequentemente, diminuir a necessidade de novas áreas para a implantação dos mesmos (Triches e Kryckyj, 1999). Pesquisas já realizadas sobre o tema, demonstraram a viabilidade da utilização, de resíduos de construção reciclados, em várias das camadas dos pavimentos. Entretanto, apesar das experiências realizadas em muitas cidades se mostrarem satisfatórias, as condições nas quais foram executadas e o desempenho dos materiais utilizados apresentam variações significativas de acordo com cada região. Isto se deve ao fato do entulho e do solo de cada local possuírem características diferentes. Neste sentido, para a comprovação da viabilidade da aplicação dos insumos da região de Salvador em pavimentação, é necessária a caracterização completa e análise das propriedades dos materiais locais. Este trabalho apresenta a caracterização e a avaliação tanto do solo quanto do entulho reciclado da região de Salvador, visando analisar a viabilidade técnica, ambiental e econômica deste resíduo de construção na sua utilização em camadas de base e sub-base de pavimentos. Esta avaliação foi realizada tanto pelo Método Tradicional quanto pelo MCT (Miniatura, CoMPactado, Tropical), sendo analisados, juntamente com o entulho, dois solos geneticamente distintos e típicos da região de Salvador. Este estudo apresentou resultados satisfatórios com relação à utilização do entulho neste tipo de aplicação. Sendo que, além de comprovar sua viabilidade técnica, ambiental e econômica, o entulho se apresentou como um redutor de plasticidade na estabilização de camadas, capaz de ser utilizado em locais afetados pelo nível do lençol freático. Os resultados obtidos permitiram maximizar a aplicação deste resíduo, garantindo o seu uso seguro e contribuindo para aceitação do meio técnico/empreiteiro de Salvador, além de promover o desenvolvimento de materiais alternativos, visando o mercado de pavimentação urbana. Além disso, a aplicação deste material reciclado em pavimentos irá contribuir com o desenvolvimento sustentável da região de Salvador, amenizando as disposições inadequadas deste entulho e contribuindo para a melhora da infraestrutura urbana. 106 III Seminário “Desenvolvimento Sustentável e a Reciclagem na Construção Civil: Práticas Recomendadas” IBRACON CT- 206 MEIO AMBIENTE RECICLAGEM DE ENTULHO PRADO, Zildéte Teixeira Ferraz do (1) (1) Professora Assistente, Coordenadora dos Laboratórios de Materiais e Solos da Faculdade de Engenharia da UniSantos-Universidade Católica de Santos, Av.Cons.Nébias,595-11045-901-Santos-SP.e-mail [email protected] Palavras-Chave: entulho, reciclagem, agregados, educação ambiental. RESUMO Todos os materiais potencialmente recicláveis já estão sendo contemplados na indústria da reciclagem, mas o entulho, que se apresenta com maior volume na sociedade moderna, é disposto de forma inadequada, em deposições ilegais. A Reciclagem de Entulho não é o início de um processo para minimização de resíduos, este processo deve ser antecedido primeiramente pelo hábito de se reduzir o seu volume, ou seja, evitar o desperdício. O grande desafio da municipalidade está em quantificar o volume de entulho gerado no Brasil. Nas cinco regiões brasileiras, o lixo de responsabilidade das prefeituras ainda é disposto de forma inadequada, mas as deposições são feitas nos mesmos locais (lixões). Isso não acontece com o entulho, que é encontrado em deposições irregulares. Seu potencial de reciclagem é da ordem de 83% de seu volume. Para tal é necessário distribuí-lo em três grupos: 1º Grupo - materiais compostos de cimento cal, areia e brita: concretos, argamassas, blocos de concreto; 2º Grupo - materiais cerâmicos: telhas, manilhas, tijolos, azulejos; 3º Grupo - solo, gesso, metal, madeira, papel, plástico, vidro, etc., materiais utilizados em outros processos. A reciclagem do entulho pode ser feita tanto no local gerador como na usina de reciclagem do entulho urbano. Em ambos locais, o agregado se apresenta com 107 igual qualidade. Cabe aqui ressaltar que, o entulho é o único material que pode ser reciclado, sem retornar ao local de produção. O mesmo não acontece com o vidro, o plástico, o metal ou o papel. Quando reciclado no canteiro de obra, a responsabilidade da qualidade do material reciclado fica por conta do responsável pela construção ou demolição. Neste processo existe maior facilidade de selecionar a composição do entulho reciclável , sendo mais viável técnica/economicamente do que a reciclagem do entulho urbano. A reciclagem na usina de entulho urbano exige avaliação da coleta, transporte e local apropriado. Necessita de agilidade no recebimento e venda do produto. O agregado resultante da reciclagem de entulho serve de matéria-prima para produção de blocos de vedação, sub-bases de pavimentos, guias e sarjetas, argamassas de revestimento e assentamento. Limitando-se apenas pela heterogeneidade dos resíduos ao uso como elemento estrutural. Ao enumerar as vantagens da reciclagem, o aspecto ambiental merece especial destaque. Embora seja incomensurável os benefícios da preservação dos recursos naturais, poucos se atentam a isso, e preferem apresentar em números os benefícios desta prática. A reciclagem do entulho urbano pode apresentar vantagens sócio-econômicas, se acompanhada de uma série de medidas, como a redução ou eliminação das deposições ilegais. Este tipo de deposição pode custar cerca R$ 12,00 / m³ de entulho recolhido na limpeza de áreas e córregos Uma outra vantagem é que o valor econômico obtido das atividades finais (seleção e trituração) da reciclagem de entulho giram em torno de R$ 3,00/m³, por último, devemos destacar que a reciclagem de lixo prolonga a vida útil dos aterros. A padronização trouxe ganhos nas diversas etapas de produção das obras,. A racionalização do processo construtivo inicia-se na elaboração dos projetos, de forma que compatibilize o material a ser empregado com a área a ser aplicada, ou seja, a modulação. Levam-se em conta os diversos tipos de materiais, as diferentes formas de aplicação; relação custo/benefício; reaproveitamento (quando possível); produtividade homem/hora; uso de equipamentos e sistemas como gruas, sistemas hidráulicos e elétricos pré-moldados, paletização de materiais, canteiros de apoio, uso de formas metálicas ou plásticas, moinhos de entulho etc. Aumentar a produtividade do operário, minimizar os resíduos e auferir bons resultados financeiros sem alterar a qualidade do produto final será o grande desafio da construção civil para o próximo milênio. 108 III Seminário “Desenvolvimento Sustentável e a Reciclagem na Construção Civil: Práticas Recomendadas” IBRACON CT- 206 MEIO AMBIENTE REUTILIZAÇÃO DE RESÍDUO VÍTREO (PÓ DE VIDRO TIPO SODA-CAL) NA FABRICAÇÃO DE CONCRETO ARRUDA, Maria de Fátima de Oliveira (1); PAMPLONA, Hilda de Castro (2); PAMPLONA, Afrodízio Durval Gondim (3); OLIVEIRA, Aldo de Almeida (4) (1) Orientada na Pesquisa - Estudante de Engenharia Civil, Centro de Tecnologia da Universidade Federal do Ceará, Campos do Pici, - Fortaleza - CE. e-mail [email protected]. (2) Diretora Técnica da Beton Engenharia Ltda - Controle de Concreto, Rua Jornalista Nertan Macedo, 370 - 60190-730 - Fortaleza-CE. e-mail [email protected]. (3) Professor Colaborador Aposentado, Departamento de Edificações, Centro de Tecnologia da Universidade Federal do Ceará, Rua Jornalista Nertan Macedo, 370 - 60190-730 - Fortaleza-CE. e-mail [email protected]. (4) Professor Titular, Departamento de Edificações, Centro de Tecnologia da Universidade Federal do Ceará, Campos do Pici - Fortaleza - CE. e-mail [email protected]. Palavras-chaves: vidro, reaproveitamento, construção civil, concreto. RESUMO O vidro é um dos materiais básicos utilizados nas indústrias e na construção civil. É 100% reciclável, portanto, para cada tonelada de caco de vidro limpo, uma tonelada de novo material é feita, economizando 1,3 toneladas de matériaprima. A inclusão do resíduo no processo normal da fabricação reduz sensivelmente o custo de produção. Em termos de óleo combustível e eletricidade, apenas na fabricação, para cada 10% de vidro reciclado na mistura, economiza-se 2,5% da energia necessária para a fusão nos fornos. Em cada indústria vidreira gera-se internamente uma quantidade de caco, que é reutilizada pela mesma, sem qualquer processamento adicional, uma vez que a sua qualidade e composição é conhecida. O gerado externamente tem 109 diversas procedências. A sua principal fonte são os próprios usuários e processadores de todos os tipos de produtos de vidro. O vidro encontrado no lixo urbano é basicamente o de embalagens, essas são garrafas para bebidas alcoólicas, água, refrigerantes, sucos, e ainda potes ou frascos para alimentos, que também podem ser reciclados. Atualmente a Suíça vem se destacando, com 83,9% de vidro reciclado, seguida da Áustria e da Alemanha. O Brasil ocupa o sexto lugar com 35% . Os EUA reciclam cerca de 37% da produção. O Reino Unido, por sua vez, recicla aproximadamente 27,5% da produção. É importante ressaltar que cerca de 10% do lixo doméstico destes países é composto por vidro. Estima-se que a produção anual do Brasil seja de aproximadamente 800.000 toneladas de embalagens de vidro, contudo apenas 27,6% (220,8 mil toneladas) são recicladas. Deste montante, 5% é gerado por engarrafadores de bebidas, 10% por sucateiros e 0,6% oriundo de coletas promovidas pelas vidrarias. O restante, 12%, provém de refugos de vidro gerados nas fábricas. Dos outros 72,4%, parte é descartada, parte é reutilizada domesticamente e parte é retornável. Do lixo gerado e depositado nos lixões e aterros do país, 2% é composto por vidro. Estima-se que aproximadamente 70% dos aterros estarão com sua capacidade muito reduzida no próximo milênio, pois o tempo estimado de decomposição do vidro é aproximadamente um milhão de anos. Levando-se em consideração o potencial de resíduo gerado e os danos que o vidro causa ao meio ambiente, se faz necessário pensar em outros tipos de aproveitamento desse material. Visto que, a construção civil vem pesquisando materiais alternativos que tragam melhoria e satisfação para a sociedade, buscaremos, o aproveitamento de resíduos vítreos, especificamente no concreto. Pretende-se verificar a possibilidade da reutilização desse material (pó de vidro tipo soda - cal ) na fabricação do concreto, onde, à princípio adicionaremos 10%, de pó de vidro, do consumo de cimento a traços pré-estabelecidos e observaremos o comportamento do concreto, levando em consideração a trabalhabilidade, resistência à compressão axial e compacidade. Estudos estão sendo desenvolvidos sobre reaproveitamento de resíduos, podendo-se citar a escória de caldeiras de fundição, vapor de sílica, cinzas de casca de arroz e da queima de combustíveis sólidos. Assim, acredita-se que com estudos continuados os resíduos de vidro possam também ser utilizados, no futuro como uma adição aos concretos, contribuindo para o avanço tecnológico desse material e para a melhoria da qualidade do meio-ambiente, uma vez que reduzirá o volume de resíduos nos aterros e lixões. 110 III Seminário “Desenvolvimento Sustentável e a Reciclagem na Construção Civil: Práticas Recomendadas” IBRACON CT- 206 MEIO AMBIENTE RECICLAGEM DE RESÍDUOS FERROSOS EM ELEMENTOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL UTILIZANDO TÉCNICAS DE ESTABILIZAÇÃO/SOLIDIFICAÇÃO AMORIM, Aldo Siervo (1); PIRES, Maria Aparecida Faustino (1); ORTIZ, Nilce (1); FIGUEIREDO, Paulo Miranda (1) (1) Departamento de Engenharia Química e Ambiental, Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares - IPEN-CNEN/SP Palavras-chave: reciclagem, construção civil, meio ambiente. RESUMO Um dos maiores desafios que a sociedade moderna enfrenta é a proteção ao meio ambiente. Os principais pontos deste desafio são: a redução do consumo energético, a redução no consumo de matérias primas naturais e a produção de resíduos. A quantidade de resíduos gerados vem aumentando consideravelmente como resultado direto das diversas atividades e processos que acompanham o desenvolvimento industrial. A indústria siderúrgica nacional é conhecida pelo porte do seu parque industrial e a sua produção. No entanto, apesar de todo seu desenvolvimento, este ramo industrial produz cerca de 700 Kg de resíduos por tonelada de aço produzida. Destes somente 62% são reciclados em outras atividades produtivas ficando o restante estocado ao longo dos anos. Entre os resíduos não reciclados encontramos os finos, lamas, borras e refratários (1). O objetivo inicial deste trabalho foi a reutilização deste resíduo como substituto de materiais densos usualmente utilizados para aumentar a densidade do concreto utilizado em blindagem de radiação. Entretanto os resultados obtidos pela adição da magnetita ao concreto mostraram pouco aumento em termos de incremento de blindagem. O objetivo deste trabalho foi dirigido então para o reaproveitamento deste resíduo siderúrgico (lama de aciaria) em elementos comuns da construção civil 111 visando aumentar a média de reciclagem de resíduos no setor e conseqüentemente diminuir o impacto desse resíduo no meio ambiente. O resíduo siderúrgico a ser estudado apresenta como principal constituinte um óxido de ferro de elevada densidade (magnetita: FeO.Fe2O3 ou Fe3O4). Para atingir este objetivo foram estudadas as adições deste resíduo em forma de pelotas para sua utilização como agregado graúdo em formulações de concreto e como substituição da fração fina de uma areia composta a partir de uma curva granulométrica teórica. A pelotização é um processo de granulação de pós, cuja finalidade é agregar, na forma esférica, um grande número de partículas com características desejáveis. A técnica de pelotização é de grande importância na área de granulação de pós por facilitar maior contato entre as partículas e permitir a obtenção de pelotas com uniformidade dimensional, resistência mecânica e permitir, de forma econômica, o aproveitamento de pós-ultrafinos (2). Para substituir a fração fina de uma areia na composição de uma argamassa foram estudadas as curvas granulométricas da areia e do resíduo, separando as frações adequadas. O resíduo substituiu a areia nas frações das peneira de 0,125mm, 0,150mm e 0,075mm (ABNT # 100,#150 e #200) nas proporções de 100%, 75% e 50%. Foi produzida também uma argamassa de controle onde não foi substituída a areia pelo resíduo. Os resultados obtidos no processo de pelotização mostram que as pelotas obtidas tiveram massa específica de 2,75 g/cm3, bem próxima a da brita comum (2,55 g/cm3), mas apresentaram uma baixa resistência a compressão, 0,2 kN para as pelotas e 5,8 kN para a brita. Estes resultados mostram que sua utilização poderia comprometer a resistência mecânica do concreto, sem trazer nenhuma vantagem de aumento de densidade. As argamassas produzidas pela adição da fração fina do resíduo em substituição à areia mostraram, para todas as proporções de substituição, a mesma resistência a compressão (aproximadamente 40 MPa), mas os resultados de retenção de água mostraram que as argamassas produzidas com resíduo, apresentaram um resultado maior (aproximadamente de 90%) do que as produzidas sem resíduo (aproximadamente 40%), comportamento este desejável. Referências [1] CHEHEBE, J.R.B; YUAB, M.C.; CASSELATO, L.M.T. Gestão Ambiental na Siderurgia Brasileira, Revista de Metalurgia & Materiais, ABM vol. 50, nº 433 set/94 [2] SEO, E. S. M.; ACEVEDO, M. T. P.; PASCHOAL, J O. A. Características das Pelotas de Zirconita e de Óxido de Zircônio Grau Cerâmico e Nuclear Obtidas pela Técnica de Pelotização. In: Anais do 37O Congresso Brasileiro de Cerâmica. Curitiba, maio de 1993. 112 III Seminário “Desenvolvimento Sustentável e a Reciclagem na Construção Civil: Práticas Recomendadas” IBRACON CT- 206 MEIO AMBIENTE CODISPOSIÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS ASSIS, Cássia Silveira (1); OLIVEIRA, Márcio J. Estefano (2) (1) Engenheiro Civil, MSc. Escola de Engenharia Mauá - R. Espírito Santo, 496, Bairro: Santo Antônio. São Caetano do Sul/SP. Tel./Fax: (11) 42265022 CEP 09530-700 e-mail: [email protected] (2) Engenheiro Civil, MSc. UNESP/UNITAU - R. Espírito Santo, 496, Bairro: Santo Antônio. São Caetano do Sul/SP. Tel./Fax: (11) 4226-5022 - CEP 09530-700 e-mail: [email protected] Palavras-chave: resíduo sólido, reciclagem, codisposição, central de resíduos. RESUMO A evolução e concentração da população urbana tem gerado grande quantidade de resíduos sólidos tanto domiciliar como provenientes da construção civil denominado entulho. Os resíduos domiciliares contém alto teor de matéria orgânica e grande potencial poluidor, enquanto o entulho é considerado pelas Normas como “resíduo inerte”. Partindo desta premissa, o gerenciamento dos resíduos sólidos urbanos tem ignorado a destinação final dos resíduos da construção civil. Como volumes de entulho de até 50 kg são de responsabilidade do gerador e co-responsabilidade do poder público municipal, o resíduos de entulho acabam sendo da alçada dos caçambeiros que os depositam em locais inadequados e até em áreas de risco. O pressuposto é que a deposição do entulho, que é produzido em grande quantidade, esgota muito rapidamente a capacidade dos aterros sanitários que exigem cuidados especiais para evitar a contaminação do lençol freático. Por outro lado o abandono do gerenciamento do entulho tem sistematicamente prejudicado áreas sadias e de proteção ambiental, como é o caso das margens dos rios e das nascentes dos mananciais. Assim, o que se propõe é, para municípios de médio porte, a instalação de centrais de resíduos sólidos contendo uma central de triagem, operada pela 113 cooperativa de catadores, uma usina de reciclagem do entulho reaproveitável e o aterro sanitário propriamente dito. O processo se inicia com a chegada do entulho numa central de triagem, em seguida é feita a separação dos materiais reaproveitáveis, nesta etapa podem ser utilizados os serviços de cooperativas de catadores, o que apresenta forte apelo social. O entulho de concreto e argamassa segue para moagem e reciclagem na usina de entulho, outros materiais reutilizáveis são separados à medida que as pesquisas demonstram sua viabilidade técnica. O material que sobra no processo vai para deposição no aterro sanitário e tem como função a mistura com o resíduo sólido domiciliar de natureza predominantemente orgânica. A decomposição anaeróbia dos resíduos domiciliares em aterros sanitários produz um percolado de cor escura conhecido como chorume. O chorume pode percolar através do solo e ser lixiviado podendo poluir as águas superficiais e subterrâneas. O chorume ou sumeiro, segundo alguns autores, é o líquido oriundo da decomposição do lixo e provém de três fontes: a) umidade natural do lixo, que se agrava sensivelmente nos períodos prolongados de chuva, principalmente se forem usados recipientes abertos no acondicionamento; b) água de constituição dos vários materiais, que sobra durante a decomposição; c) líquidos provenientes da dissolução da matéria orgânica pelas enzimas expelidas pelas bactérias. Esses microorganismos unicelulares, para se alimentarem, expelem enzimas que dissolvem a matéria orgânica, possibilitando em seguida a absorção através das suas membranas. O excesso escorre como líquido negro, característico de resíduos orgânicos em decomposição. A codisposição desses resíduos pode colaborar para aumentar a massa específica do aterro por eles formado e facilitar a compactação, garantindo a estabilidade após o encerramento das células. O projeto desta codisposição deve fornecer subsídios para o planejamento e gerenciamento de resíduos urbanos para municípios de médio porte, facilitando a coleta e principalmente o reaproveitamento de materiais nobres, evitando o desperdício. 114 SESSÃO TÉCNICA II RESÍDUOS GERADOS PELA INDÚSTRIA DE MATERIAIS FIBROSOS 115 III Seminário “Desenvolvimento Sustentável e a Reciclagem na Construção Civil: Práticas Recomendadas” IBRACON CT- 206 MEIO AMBIENTE USO DOS RESÍDUOS TERMOPLÁSTICOS NA EXECUÇÃO DE FORMAS PARA CONCRETO ARMADO PARENTE, Nelson Junior (1) (1) Diretor Técnico da EBR – Empresa Brasileira de Reciclagem Ltda, Av. Gal. Francisco Glicério, 574, Pompéia, Cep 11065-400 – Santos, SP. email [email protected] Palavras-chaves: lixo municipal, resíduo termoplástico, forma para concreto armado. RESUMO O objetivo desse trabalho é demonstrar a viabilidade técnica e econômica da substituição da madeira utilizada na execução de formas para concreto armado por perfis de plásticos reciclados oriundos dos resíduos sólidos urbanos pósconsumo. O Brasil produz diariamente cerca de 241.614 toneladas de lixo domiciliar, dentre os quais 7.248 toneladas são de materiais termoplásticos, dessas 241.614 toneladas de resíduos sólidos urbanos 76% ficam a céu aberto (lixão). Os termoplásticos depositados em lixões ou em aterros sanitários reduzem a vida útil dos mesmos, pois ocupam grandes volumes e dificultam a troca de gases e líquidos gerados no processo de biodegradação da matéria orgânica. Por outro lado à construção civil utiliza a madeira como um insumo básico em diversas atividades, principalmente em formas para concreto armado causando grande impacto ambiental em função dos desperdícios na transformação da madeira bruta em forma de perfis tais como tábuas, sarrafos e pontaletes no manuseio para execução de formas para concreto armado resultando em sobras de pedaços inutilizados (entulho) e por último a própria característica física das madeiras nos projetos de formas para concreto que são subutilizadas através da adoção de coeficientes de segurança que reduzem as tensões admissíveis em função das incertezas do próprio material garantindo assim a segurança na sua utilização. 117 Quimicamente existe uma grande semelhança entre esses dois tipos de materiais, a madeira tem sua estrutura celular composta basicamente de celulose e lignina que são macromoléculas chamadas de polímeros naturais e os termoplásticos que por sua vez são sintetizados através de monômeros extraídos da nafta em reações que resultam polímeros sintéticos costumeiramente chamados de plásticos. Sem dúvida nenhuma a madeira é um excelente material na utilização de formas para concreto armado, devido a sua baixa massa específica aparente, baixo custo, elevado módulo de elasticidade com resistências razoáveis e boa trabalhabilidade é o material mais utilizado nessa atividade. A princípio seria inviável substituir a madeira por termoplásticos nas formas para concreto, pois comparativamente os termoplásticos têm massa específica aparente elevada, custo superior, módulo de elasticidade baixo com resistências superiores sugerindo que peças idênticas aos perfis tradicionais de madeira executadas em materiais termoplásticos seriam mais pesadas, mais caras e deformariam muito mais. A metodologia utilizada para solucionar esses problemas foi obtida com a conjunção dos conceitos da Resistência dos Materiais, Mecânica dos Sólidos e Sistemas de Qualidade nos processos Industriais, com esses conceitos e as ferramentas da informática chegamos ao desenvolvimento de uma planta industrial de beneficiamento dos resíduos termoplásticos com sistemas de controle de qualidade através da implantação de laboratório de ensaios na própria indústria e a produção de perfis vazados de maior espessura que os perfis tradicionais de madeira elevando-se com isso o momento de inércia das peças sem aumento do peso conseguindo-se assim grandes carregamentos com pequenas deformações viabilizando, técnica e economicamente o projeto. Em função das características dos materiais termoplásticos esses perfis podem ser serrados e pregados na obra, porém o grande ganho estará na préfabricação de painéis com a união das peças feita via rebites ou parafusos que permitirão uma reutilização prolongada. Um outro fator importante é que ao final da obra o construtor poderá revender os perfis para a indústria efetuar nova reciclagem. Concluímos assim que a reutilização dos resíduos termoplásticos através de beneficiamento e reciclagem tecnicamente controlada por sistemas de qualidade e a metodologia de fabricação de perfis vazados substituem satisfatoriamente a madeira na execução de formas contribuindo para a redução do desmatamento, aumento do ciclo de vida dos aterros sanitários, economia de energia, redução de custo na execução das formas para concreto e aumento na oferta de empregos em serviços que não requerem qualificação técnica (reciclagem) demonstrando assim ser um processo totalmente de recuperação ambiental com ganhos sociais auto-sustentáveis. 118 III Seminário “Desenvolvimento Sustentável e a Reciclagem na Construção Civil: Práticas Recomendadas” IBRACON CT- 206 MEIO AMBIENTE PRODUÇÃO DE PAPÉIS ARTESANAIS COMO ABSORVEDORES ACÚSTICOS MACIEL, Cândida de Almeida (1); CLÍMACO, Rosana Stockler Campos(2). (1) Estudante da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, SQS 316 Bloco F Apto. 201, 70387-060, Brasília DF. e-mail [email protected]. (2) Professora do Departamento de Tecnologia da Faculdade de Arquitetura, Universidade de Brasília, Campus Universitário Darci Ribeiro, Instituto Central de Ciências – ICC, Bloco B, Ala Norte, 70910-900, Brasília DF. email [email protected]. Palavras-chave: placas de absorção sonora, papéis reciclados, revestimento, fibras naturais. RESUMO Esta pesquisa dá continuidade à pesquisa desenvolvida em Programa de Iniciação Científica (PIBIC/CNPQ) por Mariza Tavares (1996/97), sobre condições sonoras de escolas públicas, típicas de primeiro grau, em Brasília. Foram constatados, nestas escolas, especialmente em salas de aula, desempenhos sonoros inferiores às condições mínimas desejadas. Os aspectos mais comprometidos são relativos aos valores dos tempos de reverberação e aos níveis de ruído de fundo, ambos excedendo os valores de conforto estabelecidos nas normas. Isto dificulta a inteligibilidade, a concentração e o desempenho dos estudantes e professores e se deve, principalmente, aos materiais de revestimento utilizados nesses ambientes, em sua maioria de alta reflexão sonora. Com o objetivo de contribuir na solução desses problemas, esta pesquisa investiga a produção e a aplicação de placas de papéis artesanais. Muito já tem sido pesquisado sobre a produção desse material, buscando aliar suas vantagens de facilidade e baixo custo de produção com as de aproveitamento de materiais de refugo. Sua utilização em acústica 119 arquitetônica pode ser viável através da agregação de algumas características que melhorem seu desempenho, tais como, aumento da tortuosidade, da espessura, da porosidade e das possibilidades de produção com diferentes formas. Esta última qualidade, adicionada da exploração de suas possibilidades cromáticas, permite grandes variações estéticas, aspecto muito importante em se tratando de materiais de revestimento interno. Para a fabricação das placas foram utilizadas aparas de papel velho, caixas de ovos, água e serragem de madeira. Para conseguir as características desejadas procurou-se aumentar a quantidade de polpa de papel por placa, adicionar fibras maiores (tanto para aumentar a espessura quanto a porosidade) além de aplicar furos durante a secagem. Foram produzidas 15 amostras de placas com variações de proporções e tipos de polpas, de espessuras, rugosidades e consistências. As cinco primeiras placas foram produzidas com espessuras mínimas pois tinham o objetivo de testar o processo de produção. Este, foi aprimorado através da execução de um aparato para diminuir ao mínimo os resíduos de polpa. Os testes de absorção foram realizados no INMETRO, Rio de Janeiro. O método utilizado foi o do tubo de impedância conforme procedimentos estabelecidos na International Standard Organization - ISO 10534-2, Acoustics, determination of sound absorption coefficient and impedance in impedance tubes para freqüências de 6,3 até 2900 Hz. As primeiras placas foram descartadas para os testes pelas baixas espessuras; para as demais, com espessuras variando entre 3,5 e 9,5mm, foram calculados os índices de absorção. As placas que apresentaram melhores resultados foram as de maiores espessuras adicionadas de serragem, com índices 0,4 a 0,6 nas altas freqüências, resultados semelhantes aos de alguns materiais conhecidos no mercado. Os testes feitos sobre os níveis de absorção sonora nas placas de papel artesanal, indicam que os melhores resultados ocorreram com as placas de maiores espessuras, adicionadas de fibras maiores, como as de serragem de madeira, que apresentaram também maior porosidade e tortuosidade, características importantes para absorção do som. A pesquisa continuará investigando a adição de novas fibras para obter melhores resultados sobre porosidade e tortuosidade, tais como a “cana do reino” e fibras da bananeira, de produtos químicos e a adição de corantes para tingimento. Na etapa final, pretende-se a produção de um manual de orientação sobre a forma de produção e de aplicação das placas em salas de aula, como uma atividade artística. 120 SESSÃO TÉCNICA III RESÍDUOS GERADOS PELA MINERAÇÃO 121 III Seminário “Desenvolvimento Sustentável e a Reciclagem na Construção Civil: Práticas Recomendadas” IBRACON CT- 206 MEIO AMBIENTE RECUPERAÇÃO E UTILIZAÇÃO NA CONSTRUÇÃO CIVIL DE AREIAS FINAS DESCARTADAS COMO REJEITOS SOARES, Lindolfo (1); ARNEZ, Fernando Ivan Vásquez (2) BRAGA, João Manoel Stevenson (3) (1) Professor Doutor do Departamento de Engenharia de Minas, Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Av. Prof. Mello Moraes, 2373CEP 05508-900 – São Paulo. e-mail: [email protected]. (2) Doutorando na Área de Engenharia Mineral do Departamento de Engenharia de Minas, Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Av. Prof. Mello Moraes, 2373- CEP 05508-900 – São Paulo. e-mail: [email protected]. (3) Engenheiro de Minas da Mineração Viterbo Machado Luz. Av. Guilherme Dumont Villares, 1230, conjunto 93 – CEP 05640-002 – São Paulo. e-mail: [email protected] Palavras-chave: areia, desmonte hidráulico, barragem de rejeitos, meio ambiente. RESUMO Barragens de contenção de rejeitos são estruturas destinadas a confinar os resíduos produzidos nos processos de beneficiamento das matérias primas minerais. Estas estruturas, além de manterem os resíduos confinados, reduzindo a poluição ambiental, (assoreamento de cursos d’água, poluição aérea, etc), possibilitam ainda a criação de reservatórios para clarificação e reaproveitamento das águas empregadas no beneficiamento, operando desta forma em circuito fechado, sistema este normalmente mais econômico. A construção destas barragens pode ser feita conforme processos tradicionais, como por exemplo de terra compactada, construídas em uma única etapa, ou ainda mediante alteamentos sucessivos utilizando o próprio rejeito como material de construção, diluindo desta forma o custo deste empreendimento ao longo da vida útil da mina. 123 Considerando-se que a tecnologia atual de beneficiamento de um bem mineral, não possibilita a recuperação total do minério que está sendo tratado, temos que os rejeitos são portadores de porcentagens variáveis de minério e as barragens de rejeitos são consideradas uma boa alternativa para a disposição controlada e barata destes subprodutos, de forma a possibilitar sua retomada no futuro devido à variações mercadológicas ou evolução nas técnicas de processamento. Pode-se citar como exemplo a mina de manganês da Serra do Navio (Amapá), onde a fração fina, devido não aceitação no mercado, foi durante muitos anos considerada como rejeito. Neste ínterim, foram desenvolvidos processos para a concentração destes finos e para aglomeração dos concentrados por pelotização, abrindo assim uma nova frente de comercialização, garantindo uma sobrevida de vários anos ao empreendimento. Situação mais recente de explotação de subprodutos dos processos de beneficiamento mineral, vem ocorrendo na Região Metropolitana da Grande São Paulo, área de Parelheiros, onde areias finas, lançadas como rejeitos nas cavas das áreas já mineradas ou em barragens de contenção de rejeitos vêm sendo extraídas e destinadas para uso na construção civil. Devido às dificuldades crescentes na obtenção de areias para atendimento da demanda dos grandes centros consumidores, o mercado passou a adquirir areias provenientes de grandes distâncias (até 180 km) e também areias de desmonte hidráulico de maciços rochosos alterados. O material arenoso obtido por este processo representa cerca de 50% do material desmontado, sendo que os 50% restante é constituído por siltes e argilas. A partir do beneficiamento (peneiramento) do material obtido através do desmonte hidráulico as frações pedrisco, areia grossa e média eram encaminhadas ao mercado consumidor, enquanto que as frações argila, silte e areia fina constituiam-se em rejeitos que eram destinados a bacias de acumulação. As areias finas ficavam englobadas à polpa de rejeitos devido basicamente às dificuldades nos processos de separação por peneiramento e decantação. Com a mudança das dosagens e características granulométricas dos agregados mais recentemente experimentadas pelos concretos, as areias finas tornaram-se produtos altamente procurados, justificando a “importação” deste material de áreas localizadas a grandes distâncias (150 km - áreas de ocorrência de arenitos eólicos – Formação Botucatu).dos centros consumidores Esta situação possibilitou, em termos técnicos e econômicos, a retomada dos depósitos dos rejeitos contendo areias finas, relativamente uniformes acumuladas durante o beneficiamento do material extraído por desmonte hidráulico. Estes depósitos vêm atualmente sendo explotados por meio de dragagem, onde o material é conduzido a ciclones, onde se processa a separação das areias finas da massa de rejeitos. Concluindo, deve-se assinalar, que esta areia, considerada anteriormente como rejeito, tem hoje boa aceitação no mercado da construção civil, tornandose um produto valorizado, e seu aproveitamento vem provocando sensíveis reduções nos volumes de rejeitos armazenados. 124 III Seminário “Desenvolvimento Sustentável e a Reciclagem na Construção Civil: Práticas Recomendadas” IBRACON CT- 206 MEIO AMBIENTE PÓ DE PEDRA: PRODUÇÃO NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO (RMSP) E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS CUCHIERATO, Gláucia (1); SANT’AGOSTINO, Lília Mascarenhas (2) (1) Pós Graduanda do Programa de Recursos Minerais - Departamento de Geologia Sedimentar e Ambiental - Instituto de Geociências (USP); (2) Professora Doutora do Departamento de Geologia Sedimentar e Ambiental - Instituto de Geociências (USP). Palavras-chave: pó de pedra, caracterização tecnológica, pedreiras, aproveitamento de resíduos, Região Metropolitana de São Paulo, mineração . RESUMO O pó de pedra, material conhecido tradicionalmente no mercado da indústria da construção civil por apresentar granulometria menor que 4,8 mm, é produzido na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) nas pedreiras que operam a seco. Este material é utilizado atualmente em sub-bases de pavimentação, misturas em usinas de asfalto e na fabricação de blocos de concreto. O pó de pedra é produzido exclusivamente em pedreiras que operam a seco, com fragmentação da rocha em sucessivas etapas de britagem. Em alguns empreendimentos, o pó de pedra pode não ser produzido, e o pedrisco misto engloba também a fração granulométrica menor que 4,8 mm. Na RMSP, observa-se como matéria-prima para a produção de pedra britada, e consequentemente do pó de pedra, predominantemente rochas de composição granítica (gnaisses e granitos), correspondendo a 90 % dos empreendimentos, e subordinadamente verifica-se a produção deste material em pedreiras que exploram brita a partir de rochas calcárias. Atualmente, verifica-se a existência de 39 pedreiras na RMSP, cuja produção total de brita no ano de 1998 foi estimada em aproximadamente 18 milhões de m3. Destas 39 pedreiras, foram visitados 20 empreendimentos, cujas operações de beneficiamento operam a seco (16 pedreiras, produzindo pó de pedra), ou a úmido (04 pedreiras, produzindo areia artificial e finos de pedreira). 125 A partir de dados fornecidos nestas pedreiras, pode-se verificar que a porcentagem de produção de pó de pedra varia de 10 a 42 % do total da produção, podendo-se verificar uma produção de mais de 3 milhões de m3. Na maioria das pedreiras a estocagem e armazenagem do pó de pedra é um problema de grandes dimensões, tanto operacionais, por falta de espaço para disposição das pilhas de estoque, quanto ambientais, devido à potencial poluição da água e do ar, com carreamento de finos para a rede de drenagem e liberação de material particulado. Desta forma, procura-se verificar as propriedades do pó de pedra, para fazer uma tentativa de melhor aproveitar este material, tal como seu uso em pavimentação de concreto, vidros planos e argamassa, com contribuição para a diminuição do material disposto em pilhas de estoque e conseqüentes agravantes ao meio ambiente e aumento da economicidade das pedreiras da RMSP. Foram estudadas algumas das características do pó de pedra, tais como granulometria (peneiramento), composição química (difração de raios-X) e composição mineralógico-petrográfica da rocha-fonte (microscopia petrográfica). Para este estudo foi realizada uma amostragem instantânea nas 16 pedreiras visitadas na RMSP que operam a seco, e posteriormente feito uma preparação das amostras para a realização de ensaios de caracterização tecnológica. Estes ensaios foram realizados no Laboratório de Preparação de Amostras do Departamento de Geologia Sedimentar e Ambiental do Instituto de Geociências da USP e no Laboratório de Caracterização Tecnológica do Departamento de Engenharia de Minas da Escola Politécnica da USP. O resultado destas características permitiu planejar quais os melhores ensaios de aplicação a serem realizados em apenas 06 casos selecionados para estudos intensivos. 126 III Seminário “Desenvolvimento Sustentável e a Reciclagem na Construção Civil: Práticas Recomendadas” IBRACON CT- 206 MEIO AMBIENTE USO DE AREIAS RESULTANTES DA BRITAGEM DE ROCHA NA ELABORAÇÃO DE ARGAMASSAS ZANCHETTA, L. M. (1); SOARES, L. (2) (1) Bolsista de Iniciação Científica – FAPESP - Departamento de Engenharia de Minas, Escola Politécnica da Universidade de São Paulo – PMI-USP; email: [email protected]; (2) Prof. Dr. Do Departamento de Engenharia de Minas, Escola Politécnica da Universidade de São Paulo – PMI-USP; e-mail: [email protected] Palavras-chave: agregados miúdos, areia aluvionar, britagem de rocha, finos de pedreira, desmonte hidráulico, argamassa. RESUMO A Região Metropolitana da Grande São Paulo é o maior centro consumidor de areias para a construção civil do país, com um consumo da ordem de 25 milhões m3/ano em 1996. Deste volume, 85% provêm de regiões como o Vale do Paraíba e o Vale do Ribeira, distantes 120 e 150km, respectivamente, do centro consumidor. Isto ocorre devido ao esgotamento gradual de jazidas próximas aos centros de demanda, aos conflitos originados pela ocupação territorial e às pressões de entidades ligadas à preservação ambiental. Todos esses fatores resultaram na escassez de areias naturais para a construção civil e, por vezes, no fechamento do empreendimento de lavra, resultando assim, em um aumento significativo dos preços destes materiais. O principal motivo deste estudo é a substituição das areias aluvionares, intensamente utilizadas na produção de argamassas para a construção civil. Estas seriam substituídas por outras de diferentes origens como as areias eólicas e as resultantes de desmonte hidráulico de maciços rochosos alterados, ambas naturais, e ainda aquelas resultantes de britagem de rocha, as chamadas areias artificiais. O estudo destes tipos de areias é fundamental, pois as diferentes procedências, ou seja, seus diversos processos de formação, naturais ou artificiais, determinam características próprias como granulometria, 127 mineralogia, forma e textura superficial dos grãos. Estas características são responsáveis pelos diferentes comportamentos das argamassas, como a resistência mecânica e maior facilidade de manuseio na preparação da mistura de cimento, água e areia. Para este estudo, estão sendo desenvolvidos ensaios de caracterização tecnológica sobre os diferentes tipos de areias para a determinação de distribuição granulométrica, forma e textura superficial dos grãos e também propriedades como a densidade real de cada tipo. Com a argamassa elaborada com estas areias, serão preparados corpos de prova para a realização de ensaios de compressão simples, para avaliação do incremento da resistência em períodos pré-determinados de 7, 28 e 90 dias. Os corpos de prova após 90 dias de cura, serão submetidos à laminação para avaliação por microscopia eletrônica de varredura, da eventual formação de neominerais resultantes de possíveis reações álcali-agregados e ainda, de como se processa a ligação agregado/pasta de cimento. Os traços utilizados na preparação dos corpos de prova serão os mesmos, mudando-se apenas o tipo de areia na relação água/cimento/areia; a areia Normal Brasileira será avaliada e empregada em análises comparativas. As areias artificiais são as mais importantes neste estudo comparativo de características tecnológicas de argamassas, pois correspondem de 10 a 20% da produção da britagem de rocha em pedreiras, principalmente de granitos, gnaisses e basaltos. Este material (denominado finos de pedreira) é considerado rejeito e, por ser muito fino (<4,8mm) e apresentar-se quase sempre em grandes quantidades, é prejudicial ao meio ambiente pela poeira gerada, pelo assoreamento de drenagem produzido e pelo espaço ocupado na própria pedreira. Com isso, pretende-se mostrar a possibilidade de substituir a areia aluvionar pela areia artificial, mantendo-se, ou até mesmo melhorando-se, as características da argamassa, além de proporcionar um significativo uso da areia proveniente da britagem de rocha. Esta utilização, além de agregar valor a este bem mineral, reduziria ou eliminaria as pilhas de estoque de finos de pedreira, contribuindo significativamente para a redução das fontes poluidoras resultantes das atividades de extração de brita. 128 III Seminário “Desenvolvimento Sustentável e a Reciclagem na Construção Civil: Práticas Recomendadas” IBRACON CT- 206 MEIO AMBIENTE ATERRO DE INERTES ITAQUERA, EM SÃO PAULO, SP MONITORAMENTOS GEOTÉCNICO E AMBIENTAL DE JORGE, Francisco Nogueira (1); DE BAPTISTI, Edson (2); BISORDI, Maurício Sturlini (3); FERNANDES, Fernando (4) (1) Geólogo, Mestre em Geologia de Engenharia e em Geotecnia. ENGEO Consultoria e Projetos. e-mail: [email protected] (2) Engenheiro Civil, Especialização em Saneamento Ambiental, Gerência de Negócios e Direito Ambiental. Gerente de Contratos, Construtora QUEIROZ GALVÃO, São Paulo. e-mail: [email protected] (3) Engenheiro Civil e Administrador de Empresas. Diretor Técnico da MB Engenharia e Meio Ambiente. e-mail: [email protected] (4) Geólogo, BTX Serviços Geológicos. e-mail: [email protected] Palavras-chave: inertes, aterro, Pedreira Itaquera, monitoramento ambiental, monitoramento geotécnico. RESUMO A cava da antiga Pedreira Itaquera, em atividade desde 1957, está sendo utilizada para a execução de um aterro de resíduos inertes gerados no município de São Paulo. Originalmente situada em zona rural, a cava, com um volume de cerca de 6.500.000 m3 e uma profundidade em relação à superfície original do terreno de 120 metros, encontra-se atualmente dentro do espaço urbano da cidade de São Paulo, rodeada por uma população de 300.000 pessoas. O aterro, operado e administrado pela Construtora Queiroz Galvão, constitui parte do Plano de Recuperação de Área Degradada - PRAD, elaborado há dez anos, que propunha a reconformação topográfica da área, pelo preenchimento da cavidade com resíduos inertes, o que permitiria a sua reintegração à paisagem urbana e possibilidade de uso seqüencial. Para sua utilização como um aterro de resíduos inertes foram realizados pela MB Engenharia e Meio Ambiente estudos ambientais, submetidos à Secretaria Municipal do Verde e 129 do Meio Ambiente, da Prefeitura do Município de São Paulo, dentro dos procedimentos de licenciamento ambiental. Entre as exigências para a Licença de Operação constam a execução do Monitoramento Geotécnico e da Qualidade das Águas Subterrâneas propostos no estudos ambiental. Por se tratar de um aterro de resíduos inertes (Classe III, quanto ao grau de periculosidade, segundo classificação ABNT NBR – 10004), o potencial de causar poluição às águas subterrâneas é teoricamente nulo. Ainda assim, todos os cuidados foram e estão sendo tomados pelo operador do aerro para assegurar que o lençol freático não possa ser contaminado. Mesmo tendo uma condutividade hidráulica extremamente baixa (inferior a 10–7 cm/s), o maciço rochoso do fundo da cava da pedreira foi regularizado e impermeabilizado com material argiloso. O Plano de Monitoramento da Qualidade das Águas Subterrâneas foi elaborado para permitir o controle e garantir a qualidade atual das águas subterrâneas no local do empreendimento. Este controle é feito por um monitoramento, em base contínua, de amostras de água coletadas em um dreno central, localizado no corpo do aterro, e em um poço tubular profundo, fora da área do aterro, mas dentro da área de influência do seu cone de rebaixamento. Ao se identificar qualquer alteração nos padrões de qualidade das águas, ainda nas amostras do corpo do aterro, medidas preventivas e corretivas poderão ser adotadas, antes que as águas subterrâneas sejam atingidas. O Plano de Monitoramento Geotécnico visa garantir as condições de estabilidade e segurança do empreendimento, identificando-se eventuais riscos de instabilização, antecipando e evitando sua ocorrência, principalmente quando o aterro superar a cota máxima da cavidade, e nos locais onde seus taludes estarão voltados para as áreas externas (de acesso público). O plano foi subdividido em fases, correspondentes às etapas de alteamento do aterro e de seu encerramento: a 1ª fase compreende o período de alteamento quando o material aterrado permanece confinado lateralmente pelas paredes da cava; a 2a fase corresponde ao alteamento das porções desconfinadas do aterro, até a cota final prevista em projeto; e, a 3a e última fase corresponde ao monitoramento do comportamento deformacional do aterro após seu encerramento. O monitoramento geotécnico, baseado no acompanhamento dos deslocamentos verticais e horizontais do aterro, durante e após a sua construção, consiste, além da instalação de instrumentos específicos (marcos superficiais de deslocamento, inclinômetros) em locais pré-determinados, da realização de vistorias periódicas, por profissionais treinados, para verificar, através do exame visual, as condições das superfícies e bermas do aterro e a presença de evidência que indique comportamento possivelmente anômalo. Os resultados do monitoramento são interpretados e documentados por relatórios técnicos com registro fotográfico de todas as fases de execução do aterro. 130 III Seminário “Desenvolvimento Sustentável e a Reciclagem na Construção Civil: Práticas Recomendadas” IBRACON CT- 206 MEIO AMBIENTE IMPLICAÇÕES RADIOLÓGICAS DO USO DO FOSFOGESSO COMO MATERIAL DE CONSTRUÇÃO NO BRASIL MAZZILLI, Barbara Paci (1); SAUEIA, Catia (2); SANTOS, Adir Janete Godoy (2) (1) Departamento de Radioproteção Ambiental, Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares. IPEN-CNEN/SP. e-mail: [email protected] (2) Departamento de Radioproteção Ambiental, Energéticas e Nucleares. IPEN-CNEN/SP Palavras-chave: fosfogesso, radioatividade irradiação externa, construção civil. Instituto de Pesquisas natural, irradiação interna, RESUMO O fosfogesso, subproduto da indústria de fertilizantes fosfatados, é produzido em grande escala no Brasil. Estima-se que a quantidade de fosfogesso estocada no país seja de aproximadamente 69 milhões de toneladas, sendo a produção anual deste material de cerca de 5 milhões de toneladas. Embora a composição do fosfogesso seja basicamente sulfato de cálcio dihidratado, o material pode conter níveis elevados de impurezas provenientes da rocha fosfática, que é usada como matéria prima. Entre essas impurezas podem ocorrer os radioisótopos das séries de decaimento naturais do urânio e tório, dificultando o seu uso comercial. O fosfogesso é estocado em pilhas a céu aberto. Deve-se considerar que a estocagem a longo prazo e a manutenção dessas pilhas de fosfogesso são uma ameaça potencial ao ar atmosférico e às águas subterrâneas no ambiente circunvizinho. Dentre os possíveis usos comerciais do fosfogesso, destaca-se a substituição de alguns componentes naturais na construção civil. Entretanto, o fosfogesso apresenta teores de radioatividade maiores do que aqueles encontrados nos produtos naturais geralmente empregados e o seu uso na construção pode acarretar um aumento da dose de radiação nos habitantes. 131 Em países onde o fosfogesso apresenta teores altos de radioatividade existe uma considerável fonte de dados sobre sua composição radioativa. Comparativamente, no Brasil, poucos dados existem sobre o fosfogesso nacional. As concentrações específicas médias de 226Ra, 232Th e 40K no fosfogesso brasileiro, de diferentes procedências, variaram de 22 a 672 Bq/kg, de 9 a 174 Bq/kg e de <4,2 a 25 Bq/kg, respectivamente. Aplicou-se um modelo simples para calcular a irradiação interna e externa dos habitantes residentes em uma casa comum, construída com este material. Os valores de dose obtidos foram comparados com padrões de exposição “indoor” adotados em muitos países e os critérios definidos no relatório da OECD, na França. 132 III SEMINÁRIO "Desenvolvimento Sustentável e a Reciclagem na Construção Civil : Práticas Recomendadas" ORGANIZAÇÃO E REALIZAÇÃO IBRACON - Instituto Brasileiro de Concreto Comitê Técnico – 206 Meio Ambiente PATROCÍNIO APOIO EEM – Escola de Engenharia Mauá EPUSP – Escola Politécnica da USP – PCC/PMI IPEN – Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares – MQA IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo – DIGEO UNESP – Universidade Estadual Paulista UNITAU – Universidade de Taubaté