CDUI PORTE PAGO DR - BSB ISR - 47-331/86 INFORMATIVO COMISSÃO DE DESENVOLVIMENTO URBANO E INTERIOR Brasília, 09/06/03 - Ano V - Número 09 Mutuários da Habitação: GRUPO BUSCARÁ SOLUÇÕES PARA DÍVIDAS Após várias horas de debates os participantes da Audiência Pública realizada dia 5 de junho, na Comissão de Desenvolvimento Urbano e Interior, concordaram em formar um Grupo de Trabalho sobre Programas Nacionais de Habitação e a Anistia dos Débitos dos Mutuários com o Sistema Financeiro da Habitação, para aprofundar a análise dos temas e propor soluções. A Audiência foi requerida pela deputada Francisca Trindade (PT-PI) e o deputado Ronaldo Vasconcellos (PTB-MG) e teve ampla participação: Jorge Hereda, secretário nacional de Habitação do Ministério das Cidades; Gilton Pacheco de Lacerda, presidente da Empresa Gestora de Ativos (EMGEA); Aser Cortines, vice-presidente da Caixa Econômica Federal; Rodrigo Daniel dos Santos, consultor jurídico da Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação; Alan Roberto Gomes, analista judiciário do TRT do Piauí; Leonardo Pessina, do Fórum Nacional pela Reforma Urbana; Saulo Manoel da Silveira, da União Nacional pela Moradia Popular; e Antônio José de Araújo, do Movimento Nacional de Luta pela Moradia. Estiveram presentes também várias representações estaduais dos mutuários e suas entidades, além de vereadores e parlamentares de outras comissões interessados no assunto. Francisca Trindade justificou o requerimento, lembrando a importância da luta pela moradia e criticando o atual modelo do sistema de habitação, excludente, voltado ao mercado financeiro e sem preocupação com a população de baixa renda. Jorge Hereda disse que o Ministério concentrará esforços na construção de nova política habitacional, dirigida Brasília, 09 de junho de 2003 às famílias mais pobres. Ele afirmou que o Brasil tem um déficit de 6,6 milhões de moradias e outras 15 milhões precisando de melhorias, enquanto 4,6 milhões de habitações estão vazias. O secretário Hereda criticou o ambiente macroeconômico herdado, que limita o orçamento e as políticas habitacionais, prejudicando o planejamento. Citou outras dificuldades: falta de financiamento para a construção civil, pouca integração e restrições de crédito a estados e municípios. Garantiu que o governo enfrentará os desafios, iniciando por uma política emergencial para construir imóveis novos (64% do total), beneficiando famílias com renda até cinco salários mínimos. A meta depois será erguer 730 mil moradias por ano, para enfrentar o déficit atual e ir recuperando as novas necessidades que surgem anualmente. É preciso atacar o principal da dívida, sem esquecer os juros. Gilton Pacheco explicou que a Empresa Gestora de Ativos - vinculada ao Ministério da Fazenda - foi criada há dois anos para adquirir bens e direitos da União e demais entidades integrantes da administração pú- blica, para sanear o sistema financeiro e equacionar a situação dos ativos e da inadimplência. Informou que, somente oriundos da CEF, são R$ 26,6 bilhões, assumidos principalmente em obrigações junto ao FGTS, correspondentes a 874.887 contratos de pessoas físicas e jurídicas. Historiou as medidas para liquidar dívidas com prestações e juros inferiores a R$ 37,00 e as negociações com os mutuários, argumentando que nem todas as reivindicações podem ser atendidas, em razão da necessidade da anuência do Tesouro. FGTS JÁ FINANCIOU 8 MILHÕES DE MORADIAS DESDE 1967 O vice-presidente da Caixa disse que desde 1967 o FGTS financiou 25% dos domicílios (8 milhões), com média de atendimento de 200 famílias/ano, enquanto a necessidade atual já supera 700 mil. O desafio é grande de resolver questões do passado e construir um novo sistema habitacional social; assim, o problema não poderá ser totalmente atendido neste governo. A verba para 2003 é de R$ 5,3 bilhões e possibilitará a construção de 230 mil moradias, das quais 67% para famílias com renda até cinco salários mínimos. Rodrigo Daniel dos Santos - da ABMH analisou a Lei 10.150/2000 sobre a anistia aos mutuários do SFH, abordando a não obrigatoriedade da liquidação antecipada dos è Câmara dos Deputados COMISSÃO DE DESENVOLVIMENTO URBANO E INTERIOR 2 cont. da primeira página O DÉFICIT HABITACIONAL NÃO SERÁ RESOLVIDO NO ATUAL GOVERNO contratos firmados antes de dezembro de 1987 com cobertura do Fundo de Compensação de Variações Salariais (FCVS), a necessidade de auditoria no SFH, o tratamento diferenciado entre os contratos originários da CEF e os que ela e a EMGEA assumiram de bancos e sociedades de poupança e empréstimos liquidados, a negativa do FCVS de cobrir saldos residuais de mutuários com mais de um financiamento pelo SFH e problemas dos financiamentos habitacionais a partir de 1987. Já o analista judiciário Alan Gomes afirmou que até agora só houve preocupação do governo com a política de crédito, e não de subsídios, atrelada a regras do mercado financeiro, causando as atuais distorções. Leonardo Pessina - do FNRU - comentou os problemas enfrentados em Santo André (SP) para construir moradias em regime de mutirão. Ele citou também exemplos de programas habitacionais bem sucedidos em diversos estados. Saulo Manoel da Silveira - da UNMP - culpou os governos anteriores por desprezarem os mutuários, não fazendo política habitacional e sim marketing político, visando mais ao lucro. Encerrou dizendo que agora nasce nova esperança para as famílias mais pobres. Antônio José de Araújo - do MNLM - defendeu a criação do Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social. Debates - No início dos debates, a deputada Maria do Carmo Lara sugeriu a criação de um Grupo de Trabalho pelos participantes para aprofundar a análise dos temas abordados e propor soluções, passando depois a presidência para a deputada Francisca Trindade, que condenou os despejos de mutuários e a correção das prestações e débitos pela TR. A deputada Terezinha Fernandes (PT-MA) insistiu numa política social de habitação, pedindo também que o governo faça levantamento dos imóveis desocupados. O deputado Ary Vanazzi (PTRS) abordou problemas dos mutuários da COHAB gaúcha e perguntou se haverá financiamento para os agentes públicos com recursos do FGTS, parcerias com as cooAser Cortines (CEF), , Dep. Francisca Trindade e Maria do Carmo Lara, Jorge Hereda (Min. das Cidades) e Gilton Pacheco (ENGEA). p e r a t i v a s habitacionais e se a AMGEA não poderia propor a quitação de portante, mostrando-se também favorável à imóveis financiados entre 1987 e 1993. O suspensão temporária dos despejos e admideputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ) tindo a revisão da Lei 10.150/00. Ele e os sugeriu a suspensão dos leilões pela CEF, outros participantes se manifestaram favoenquanto o deputado Jackson Barreto ravelmente ao Grupo de Trabalho, mas (PTB-SE) solicitou informações da Gilton Pacheco lembrou que seria necessária EMGEA sobre contratos habitacionais de também a presença de um representante do seu estado e de Leonardo Pessina sobre os Tesouro Nacional. Ary Vanazzi sugeriu que programas PAR e PSH. O deputado Rogéo Grupo tivesse, pelo menos, um represenrio Silva (PPS-MT) criticou o tratamento tante por estado, com Francisca Trindade da Caixa aos mutuários e o deputado José dizendo ao final da Audiência que a questão Pimentel (PT-CE) reclamou de pendênciserá melhor detalhada. O presidente da as de projetos anteriores no Ceará, nos níEMGEA ainda repetiu às dificuldades enveis administrativo e judicial, pedindo prefrentadas em relação à titularidade dos imóvidências da CEF e EMGEA para isentar os veis e da necessidade de analisar caso-a-caso mutuários envolvidos. O deputado Adão a situação dos mutuários. Aser Cortines faPretto (PT-RS) comentou os financiamenlou dos erros e acertos da CEF e do bom tos para imóveis rurais no Rio Grande do Sul. relacionamento com o Ministério das CidaSeis representantes de movimentos pela des. Comentou o problema da reformulação moradia também apresentaram problemas e dos índices de financiamentos, subsídios, opiniões: Francisco Feitosa (CMP), Ricardo continuidade do PSH e do PAR e o crédito Campos (mutuário do Piauí), Paulo Santos para setor público. José Pimental reclamou (mutuário do Rio Grande do Sul), Jorge que os problemas de mutuários cearenses Cruz (Fórum Paraense em Defesa da Moraapresentados não foram respondidos e Aser dia), Léo Rezende (Habitect - DF) e Verônica explicou que a questão não era de sua comRodrigues (União das Mulheres Cearenses). petência específica e será encaminhada à viceRespostas - Para Jorge Hereda, a parcepresidência responsável. ria com a cooperativas habitacionais é im- EXPEDIENTE Endereço: Câmara dos Deputados, Anexo II, Sala 188, Ala C - CEP: 70160-900 - Brasília/DF - Telefones: (61) 318-7071 a 318-7076 - Fax: (61) 318-2147 E-mail: [email protected] - Presidente: Maria do Carmo Lara - 1ª Vice-Presidente: Francisca Trindade 3º Vice-Presidente: Paulo Gouvêa Secretário: James Lewis Gorman Júnior - Corpo Técnico: Admar Pires dos Santos, Ana Kátia Martins Bertholdo, Cláudia Neiva Peixoto, Eliana Navarro Garcia,Eloneide Rodrigues dos Santos Sampaio, Francisco Augusto de Queiroz, Francisco Nascimento da Silva, Inga Michele Ferreira Carvalho, Jaime Ferreira Lopes, Manoel Magalhães de Mello Netto, Marcelo Maldonado, Maurício Boratto Viana, Marúcia Ferreira Lima, Régia Maria Morais e Renata Campos Aranha - Jornalista Responsável: Cláudio Kuck - Editoração Eletrônica: Marúcia Ferreira Lima Brasília, 09 de junho de 2003 Câmara dos Deputados COMISSÃO DE DESENVOLVIMENTO URBANO E INTERIOR 3 AUDIÊNCIA DEBATERÁ SERVIÇOS DE ENERGIA ELÉTRICA A Comissão de Desenvolvimento Urbano e Interior aprovou em sua última reunião ordinária, no dia 4 de junho, a realização de Audiência Pública, conjunta com as Comissões de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias e de Minas e Energia, para discutir a qualidade dos serviços prestados pelas concessionárias de energia elétrica do Rio de Janeiro, a requerimento da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ). A deputada Terezinha Fernandes (PT-MA) solicitou que a Audiência examine também a atuação da Companhia Energética do Maranhão e o pedido foi aceito pela parlamentar carioca e aprovado pelo plenário. A iniciativa recebeu elogios dos deputados Sebastião Madeira (PSDBMA), Ary Vanazzi (PT-RS), Dr. Evilásio (PSB-SP) e Philemon Rodrigues (PTBPB), que criticou duramente a Agência Nacional de Energia Elétrica - ANEEL. Jandira Feghali sugeriu que sejam convidados para o debate a ministra de Minas e Energia, Dilma Roussef, o diretor-geral da ANEEL, a presidência da Light e a representante da Federação Nacional dos Urbanitários, Sônia Latgê. Criação de municípios - A CDUI aprovou também o Projeto de Lei Complementar nº 41/2003, do Senado Federal, regulamentando o parágrafo 4º do artigo 18 da Constituição Federal, que dispõe sobre o período de criação, incorporação, fusão e desmembramentos dos municípios, seguindo o parecer da relatora, deputada Marinha Raupp (PMDB-RO). O deputado Sebastião Madeira e a deputada Maria do Carmo Lara (PT-MG) elogiaram o relatório e comentaram que é necessário disciplinar a criação de novos municípios, tendo se manifestado também as deputadas Francisca Trindade (PT-PI) e Terezinha Fernandes e os deputados Ary Vanazzi, Reginaldo Lopes (PT-MG) e Ronaldo Vasconcellos (PTB-MG). Foi aprovado ainda o projeto nº 446/2003, de Ary Vanazzi, institu- Câmara dos Deputados indo o Programa de Apoio às Cooperativas Habitacionais, que teve como relator o deputado Dr. Evilásio. Programas habitacionais - O projeto nº 5.454/2001, do Senado, sobre diretrizes para implementação de programas habitacionais, provocou amplo debate e o relator, deputado Durval Orlato (PT-SP), pediu a supressão do seu parágrafo único, explicando também que incorporara sugestões oferecidas na CDUI. A matéria foi discutida ainda pelos deputados Sebastião Madeira, Lincoln Portela (PLMG), Maria do Carmo, Rogério Silva (PPS-MT) e Ary Vanazzi, que disse não ser possível votar o projeto porque estava sem avaliação de custos para implantação. O vice-líder do PFL, deputado Murilo Zauith (MS), apresentou requerimento solicitando o adiamento da votação por cinco semanas, enquanto Lincoln Portela disse que havia uma manobra regimental para evitar a apreciação do seu projeto nº 7.265/2002, um dos itens seguintes da pauta, alterando a Lei nº 10.257/2001quanto à exclusão dos templos religiosos do estudo de impacto de vizinhança. A presidente apelou para que se mantivesse a ordem dos trabalhos, já que a matéria em apreciação era outra. O tema ainda provocou debates entre vários parlamentares, como Paulo Gouvêa, Ary Vanazzi, Francisca Trindade, Rogério Silva, Sebastião Madeira, Durval Orlato e o Pastor Frankembergen (PTB-RR). A presidente colocou em votação o pedido de adiamento de Zauith, verificando-se que não havia o quórum regimental e a sessão caiu. COMISSÃO DISCUTE DESTINO DA CIDE A Comissão de Desenvolvimento Urbano e Interior realiza nesta terça-feira (dia 10), às 10 horas, no Plenário Milton Santos - 14 - da Câmara, uma Audiência Pública para discutir a Importância da CIDE para o Transporte Urbano Nacional, solicitada pelo deputado Devanir Ribeiro (PT-SP). Ele sugeriu que a alíquota da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico seja no mínimo de 25% para o transporte urbano, e não até 25%, como acena uma proposta da Confederação Nacional do Transporte (CNT). Há ainda vários outros problemas sobre a aplicação das verbas arrecadadas que precisam ser esclarecidos e debatidos com entidades do setor. A Audiência terá a presença do deputado Virgílio Guimarães (PT-MG), presidente da Comissão de Reforma Tributária; Newton Gibson, presidente da Associação Brasileira de Transporte de Cargas (ABTC); Otávio Vieira da Cunha Filho, diretor da CNT; Nazareno Stanislau Afonso, vice-presidente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP); e Ricardo Mendanha, do Fórum Nacional de Secretários de Transportes e Trânsito. Criada no final de 2001 pela Lei 10.336, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico sobre os combustíveis rendeu R$ 7,5 bilhões aos cofres do Governo Federal em 2002. Para este ano, a previsão é arrecadar em torno de R$ 11 bilhões, mas não existe ainda regulamentação sobre o destino do dinheiro da CIDE, devido a um veto do ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso. O objetivo da Audiência Pública é ouvir os argumentos dos diferentes segmentos envolvidos no problema. Brasília, 09 de junho de 2003 COMISSÃO DE DESENVOLVIMENTO URBANO E INTERIOR 4 Maria do Carmo Lara: POR UMA CIDADE PARA TODOS A presidente da Comissão de Desenvolvimento Urbano e Interior, deputada Maria do Carmo Lara (PT-MG), iniciou intensa atividade para promover a 1a Conferência Nacional das Cidades de outubro, programada pelo Governo Federal em parceria com o Legislativo, governadores, prefeitos e entidades de representação popular. Ela pede a todos os deputados da CDUI para saírem em campo e motivarem seus estados e municípios a participar ativamente do evento, já a partir das conferências estaduais e municipais preparatórias, lembrando que a Comissão foi pioneira neste importante debate sobre as políticas urbanas e teve papel de destaque na criação do Ministério das Cidades. A seguir, a íntegra de sua entrevista sobre o tema. Pergunta: Como a senhora vê a realização da 1a Conferência Nacional das Cidades? Deputada Maria do Carmo: Será sem dúvida um momento privilegiado para os cidadãos e as cidadãs comuns, ao Poder Público, pensarem a cidade de um modo conjunto e amplo, planejarem a cidade que nós queremos. É algo importante que o governo federal está proporcionando ao povo brasileiro. Pergunta: A Conferência Nacional acontece em outubro próximo. Será possível preparar e motivar o País, as comunidades e entidades em torno dela até lá? MC: O tempo é curto, mas o papel dos deputados, principalmente os da Comissão de Desenvolvimento Urbano e Interior, é o de somar esforços com o Ministério das Cidades para que a gente possa mobilizar prefeitos, vereadores, secretários municipais e entidades locais, para garantir uma participação efetiva das comunidades. A conferência não pode ficar na teoria, deve trazer as experiências dos municípios e suas reflexões. Pergunta: A CDUI promoveu quatro Conferências das Cidades e tem experiência no assunto. Qual a participação dela nesta nova etapa nacional liderada pelo Executivo? MC: Já está havendo um trabalho efetivo. Cada deputado atua em seu estado, visitando o governador, fazendo reuniões com as enti- Brasília, 09 de junho de 2003 dades, para que eles convoquem as conferências estaduais. O parlamentar é votado em várias cidades e deve fazer contatos nessas áreas para estimular a participação nas conferências, bem como ir à mídia, debater, promover a mobilização e os temas urbanos envolvendo habitação, transporte, saneamento, emprego, violência, saúde e educação. Pergunta: A CDUI vai interromper as Conferências das Cidades que promove desde 1999? MC: A CDUI terá a V Conferência este ano, até porque, além do sucesso obtido em suas edições anteriores, ela já faz parte do calendário da Câmara. Vamos discutir seus temas e as experiências urbanas positivas na Comissão, aprovar sua realização e, talvez, promovê-la antes da Conferência Nacional das Cidades. Nossa Comissão teve um papel importante em tudo isso, promovendo debates com os movimentos populares de moradia, reforma urbana, saneamento etc., construindo uma caminhada que chegou até a criação do Ministério das Cidades. Pergunta: Até que ponto a Carta de Brasília da IV Conferência das Cidades realizada pela CDUI teve influência na criação do Ministério das Cidades? MC: Nossa última Conferência, em dezembro do ano passado, reforçou a idéia da criação do Ministério, pois já existia esse compromisso do presidente eleito, à época ainda não empossado. Isso contribuiu para a decisão política de Lula, que, logo após assumir, criou o Ministério. Não há dúvida que a reflexão teórica e a mobilização se deram via CDUI, aqui na Câmara. Pergunta: O que achou do decreto presidencial sobre a convocação da 1a Conferência Nacional sob o lema Cidade para Todos e propondo alterações no Conselho das Cidades? MC: Cidade para Todos é um lema feliz, porque é preciso, como já disse, pensar a cidade como um todo, e não fragmentada. Assim também é o tema proposto, que fala da construção de uma política democrática e integrada para as cidades, juntamente com a questão da alteração do Conselho, que é da máxima importância. Pergunta: Como garantir que a Conferência Nacional das Cidades não fique apenas nas boas intenções. Como colocar em prática as análises e propostas que virão? O que esperar do pós-Conferência? MC: A CDUI tem o papel de debater e o Executivo, o de fazer, e no momento temos um governo sensível a essas questões. No Ministério das Cidades, por exemplo, há várias pessoas que participaram diretamente aqui na Câmara de todo esse processo. O governo atual tem um olhar diferenciado do anterior, vê a habitação como uma questão de direito, de resgate da cidadania. Então, precisamos trabalhar para que essas políticas sejam implantadas nas cidades, apesar de o presidente Lula ter herdado políticas desastrosas, em que a população tem moradia, mas não é dela e está inadimplente. Este é o momento de descobrir as soluções reais e implantar políticas diferentes. Outro desafio é implementar o Estatuto da Cidade, sem falar da importância de os governadores convocarem as conferências estaduais até o dia 15 de junho e os prefeitos fazerem o mesmo em relação às municipais, até o próximo dia 30. Câmara dos Deputados