1 PRÁTICAS NÃO ORIENTADAS PARA EMAGRECER UTILIZADAS POR ACADÊMICAS DE ENFERMAGEM E MEDICINA Bruna Maria Buriti de Medeiros1 Khivia Kiss da Silva Barbosa2 Raila Natasha de Melo Bezerra3 Fernanda Maria Pereira de Aguiar4 Ingrid Azevedo Dias4 RESUMO Este estudo objetivou identificar práticas não orientadas para emagrecer utilizadas por acadêmicas de enfermagem e medicina. Consiste em estudo exploratório-descritivo, com abordagem quantitativa. O local da pesquisa foi a Faculdade de Enfermagem e Medicina Nova Esperança. A amostra foi composta de 92 acadêmicas de enfermagem e medicina. Foi escolhido como instrumento para a coleta de dados um questionário estruturado. Após a coleta dos dados os resultados foram quantificados, apresentados graficamente e comentados com base na literatura pertinente à temática. Quanto à caracterização da amostra, pode-se perceber que trata-se de estudantes jovens, solteiras, sem ocupação remunerada, com características de extratos social alto para o padrão brasileiro. Quanto às questões norteadoras, 68% se consideram gordas, 39% declaram fazer atividade física, 29% assumem que fazem uso de medicação controlada para emagrecer como prática não orientada, ou seja, sem receita médica. Predominantemente, declaram consumir a substância sibutramina encontrada em medicações com denominações diversas. Entende-se que os resultados da pesquisa apontam para o uso indiscriminado de medicações com substâncias psicoativas para emagrecer, por parte das alunas de enfermagem e medicina. Tais dados apontam para o risco da automedicação, trazendo danos à saúde, uma vez que este grupo, por vislumbrar trabalhar na área de saúde, deveria buscar formas saudáveis para perda e controle de peso, bem como a prevenção de doenças. Sugere-se que, desde a academia, sejam feitos trabalhos voltados para a reeducação alimentar associados a prática de atividade física como forma de incentivar os futuros profissionais de saúde a adquirir práticas saudáveis Palavras chave: anorexígenos. estudantes. perda de peso. obesidade. 1 Enfermeira. Graduada pela Faculdade de Enfermagem e Medicina Nova Esperança/FACENE/FAMENE. João Pessoa, PB, Brasil. E-mail: [email protected] 2 Enfermeira. Mestre em Enfermagem em Saúde Pública pela Universidade Federal da Paraíba/UFPB. Docente da Universidade Federal de Campina Grande/UFCG e das Faculdades de Enfermagem e Medicina Nova Esperança/FACENE/FAMENE. João Pessoa, PB, Brasil. E-mail: [email protected] 3 Relatora. Acadêmica de enfermagem da Universidade Federal de Campina Grande/UFCG. [email protected] 4 Acadêmicas de enfermagem da Universidade Federal de Campina Grande/UFCG. 2 INTRODUÇÃO A depressão, ansiedade, insônia, estresse e fobias diversas são cada vez mais prevalentes no mundo atual. Diante disso, as pessoas sempre buscam um “alívio” para essas tensões geradas no dia a dia, e algumas delas vêem no alimento a “solução” para esse verdadeiro caos emocional, e acabam por criar métodos de autopunição, usando o alimento como instrumento; seja restringindo-o, ou ingerindo-o compulsivamente. O relacionamento do ser humano com a comida é confuso, afinal o alimento é considerado uma faca de dois gumes. Não comemos apenas para nos nutrir, existe também o prazer em comer. Desta forma, o afeto está diretamente relacionado ao ato de se alimentar. Ao longo da vida, a comida vai adquirindo novos significados, que podem ser os mais variados possíveis, como compensação, amor, raiva, tristeza, dependência, podendo culminar em patologias, como os transtornos alimentares, ou seja, existe influência mútua entre processos mentais e físicos evoluindo para o papel patogênico das emoções. (1,2) Adentramos assim nos transtornos alimentares, onde a relação com a comida não é considerada mera causa de problemas de saúde, e sim sintoma de um processo de desequilíbrio emocional capaz de revelar formas de interação da pessoa consigo e com o mundo. O desequilíbrio emocional pode levar a doenças, pois ocorre a submissão da mente devido a obsessão pelo corpo, levando a pessoa a abandonar outros aspectos importantes de sua vida, associando-se ao sacrifício dos contatos sociais, retraimento no contato com o sexo oposto, sentimento de inferioridade, insegurança, entre outros. (3) Desequilíbrio emocional e transtornos alimentares é uma combinação do reflexo de uma sociedade compulsiva, levando ao sofrimento emocional e ao adoecimento, sendo um dos diagnósticos à anorexia nervosa. Esses distúrbios são formas de demonstrar dores subjetivas de várias ordens principalmente na expressão da feminilidade e da sexualidade feminina, como foram as histéricas no tempo de Freud. (4) Há vinte anos os transtornos alimentares eram marcados quase que unicamente pela sua subjetividade, ou seja, os aspectos conflitivos inconscientes. Mas hoje com a força exercida pelo padrão de perfeição e as influências externas têm grande peso nesse desequilíbrio emocional e da percepção da auto imagem corporal. (4) O ganho de peso, bem como o acúmulo de gordura, por muito tempo na história da humanidade eram vistos como sinais de saúde e prosperidade, porém, na atualidade esse ganho é definido como obesidade e a mesma é considerada uma doença crônica, que afeta 3 crianças, adolescentes e adultos, presente tanto em países desenvolvidos quanto em desenvolvimento. (5) Além disso, a sociedade contemporânea condiciona a imagem corporal magra e esguia como a bela. O que está em evidência é a imagem da mulher magra, com isso em vista, os indivíduos (principalmente as mulheres) perseguem desesperadamente uma “perfeição corporal provisória” e, ao mesmo tempo, acumulam um vazio enquanto seres humanos, porque indiretamente sabem que essa busca por uma imagem corporal ideal, no mundo contemporâneo, não chega a um fim, já que os padrões de beleza variam de acordo com a época. Esta pesquisa tem como finalidade alertar para os riscos do uso de práticas não orientadas para emagrecer como o uso descontrolado de medicamentos e das dietas. Os distúrbios alimentares e o uso deliberado e incontrolado de diversos inibidores de apetites vem com uma proporção gigantesca nos tempos atuais. A ditadura da beleza está em alta e junto com isso vem a preocupação das mulheres em estarem inseridas no padrão de beleza adotado pela mídia e pela sociedade em geral. Com uso, casa vez mais a procura de medicamentos e práticas errôneas vem tomando conta da população preocupada com a aparência. O cuidado com o corpo é necessário, mas é necessário cuidados para que não venha a ser um problema e trazer consequências por maus hábitos e condutas impróprias. Objetivo - Identificar práticas não orientadas para emagrecer utilizadas por acadêmicas de enfermagem e medicina. MÉTODO Trata-se de um estudo exploratório-descritivo, com abordagem quantitativa. A pesquisa exploratória tem como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito ou a constituir hipóteses. Quanto ao estudo descritivo tem como objetivo primordial a descrição das características de determinada população ou fenômeno ou, então, a utilização padronizadas de coleta de dados, tais como o questionário e a observação sistemática. (6) A abordagem quantitativa é definida por uma população e busca um critério numérico que possibilite a gerar e generalizar conceitos teóricos que se pretende testar. Ela transforma 4 em números, opiniões e informações, por meio de recursos e técnicas estatísticas para classificá-las e analisá-las, associado ao estudo descritivo. (7) A pesquisa foi desenvolvida na Faculdade de Enfermagem e Medicina Nova Esperança – FACENE/FAMENE, localizada no bairro do Valentina, município de João Pessoa - PB. Nesta pesquisa, a população foi composta por acadêmicas de enfermagem e medicina. A amostra foi composta por 92 alunas que estudavam nos turnos da manhã, tarde ou noite. Para a seleção desta amostra foram observados os seguintes critérios: ser aluna regularmente matriculada da FACENE/FAMENE e aceitar participar da pesquisa voluntariamente e assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE. O instrumento utilizado para coleta de dados foi um questionário estruturado. A coleta de dados foi formalizada mediante a aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa Faculdade de Enfermagem e Medicina Nova Esperança – FACENE/FAMENE sob o CAAE 0033.0.351.000-10 e protocolo 182/2010. O material coletado foi selecionado e analisado com base no enfoque do método quantitativo a partir de dados primários coletados de informações contidas no instrumento de coleta. Posteriormente os dados foram agrupados através de software estatísticos, para posterior apresentação em gráficos e tabelas, servindo assim para discussão dos resultados a luz da literatura pertinente. A pesquisa foi realizada levando em consideração os aspectos éticos em pesquisa envolvendo seres humanos, preconizado pela Resolução 196/96 CNS/MS no tocante aos aspectos éticos que trata ao envolvimento com seres humanos em pesquisa (8) , assim como a Resolução 311/2007 COFEN que institui o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. (9) ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS Os resultados apresentados são com base em 92 questionários que foram devidamente respondidos pelos sujeitos da pesquisa, sendo 50 estudantes de Enfermagem e 42 estudantes de Medicina. Os dados foram coletados nas dependências da Faculdade de Enfermagem e Medicina Nova Esperança – FACENE/FAMENE, nos períodos da manhã e tarde em dias úteis da semana. Para contemplar a análise do material quantitativo utilizamos os recursos de gráficos e tabelas. 5 Tabela 1: Caracterização dos sujeitos da pesquisa segundo as variáveis, faixa etária, estado civil, filhos, renda familiar, trabalho (n = 92) Variáveis F % 1. Faixa etária 17 a 20 17 18% 21 a 25 43 47% 26 a 30 26 28% 31- 37 06 7% Solteira(o) 73 79% Casada/União consensual estável 16 17% Separada/divorciada (o) 03 4% Sim 19 21% Não 73 79% 1 a 2 salários mínimo nacional 04 5% 2 a 3 salários mínimo nacional 03 4% 3 a 4 salários mínimo nacional 11 12% > 5 salários mínimo nacional 43 46% Não sabe informar a renda familiar 31 33% Sim 14 15% Não 78 85% 2 Estado civil 3. Tem filhos 4. Renda familiar 5. Trabalha Fonte: Dados da Pesquisa (2010) As variáveis faixa etária, estado civil e filhos foram agrupadas em decorrência do fato de que juntas comunicam um aspecto importante no processo de construção da imagem corporal. Ou seja, nosso recorte é composto, predominantemente de indivíduos jovens, solteiros e sem filhos. Ao tempo em que, indivíduos com cônjuge e com filhos demonstram tendência para melhor satisfação corporal, sua auto estima é mais bem ajustada. A auto imagem, auto percepção, se constrói a partir de determinadas características ambientais, familiares e sociais e, consequentemente, do nível de amadurecimentos do indivíduo. Os indivíduos imaturos no que se refere à imagem corporal, geralmente, apresentam tendência a serem mais inseguros e pouco satisfeitos com determinadas 6 características que lhes são próprias, assim, se constituem alvos fáceis das padronizações de corpo difundidas na atualidade, principalmente, quando jovens.(10) Observa-se que a prevalência dos participantes da pesquisa é de sujeitos adultos jovens, sem ocupação remunerada, que advém de famílias cuja renda, para os padrões brasileiro, é relativamente alta. De acordo com pesquisa(11) a imagem corporal é reflexo do ideário de beleza associado a status social. Ou seja, a gordura corporal é associada a sucesso, beleza, força de vontade, luta e dentre outros elementos listados como qualidade atribuída ao sujeito magro, ao longo da história muitos são os pensamentos que reforçam esta concepção, ou seja, corpos magros indicam povo inteligente, belo e de sucesso. Donde se pode observar que, magreza parece ser prerrogativa indivíduos socialmente com melhores condições sociais. 32% 68% Sim 63 Não 29 Gráfico 1 - Distribuição dos participantes quanto ao questionamento – você se acha gorda(o)? Paraíba, Brasil, 2010. (n = 92) Fonte: Dados da Pesquisa (2010) Os dados de constatação de que o indivíduo se descreve conforme se percebe e sentese, e a percepção do indivíduo para consigo irá definir sua conduta. Frente à hipótese de sentimento de insatisfação com a imagem corporal, o peso e a aparência desempenham importante papel. (10) A gordura corporal é um tipo de interferência na simetria corporal, na organização e na limpeza das formas; na obsessão pela linha reta cada extensão do corpo conjuga cálculo exato e polimento na figura do corpo. Daí o fato de, o indivíduo com distúrbio da imagem corporal se descrever diferentemente de como outra pessoa o observa. A autora destaca que, na literatura há certo consenso em alerta para o cuidado com os sujeitos com tendência a se descreverem, com constância, de forma diferente da realidade, esse pode representar um agravo na percepção da imagem, o que representa, geralmente, um grande risco à vida do indivíduo, visto que, nestes sujeitos, a imagem corporal nunca permanece fixa ou uniforme, tende sempre ao distanciamento do real e, deriva de um esforço permanente do sujeito para transpor essa identidade corporal. (12) 7 52% 48% Sim 48 Não 44 Gráfico 2 - Distribuição dos participantes quanto ao questionamento – Faz dieta? Paraíba, Brasil, 2010. (n = 92) Fonte: Dados da Pesquisa (2010) Há consenso na literatura de que nenhum tratamento para fins de controle ou perda de peso é eficaz se não combinar a atividade física e a reeducação alimentar com controle da dieta, como método para se perder peso e manter esta perda por longo tempo, deste modo, o uso de medicamentos para o tratamento da obesidade não substitui os a atividade física. Gráfico 3 - Distribuição dos participantes quanto ao questionamento – Faz atividade física? Paraíba, Brasil, 2010. (n = 92) Fonte: Dados da Pesquisa (2010) Os dados exposto no gráfico 3 concordam com pesquisa (11) , em que relatam suas observações diante de quadros de indivíduos insatisfeitos com sua imagem corporal, experimentando limitações imposta à sua qualidade de vida em decorrência de do peso corporal, mas, ainda assim, a prova maior de que o corpo não é algo isolado do todo que constitui o indivíduo é o fato de que, a hipótese de que as pessoas iniciam programas de exercício físico ou uma dieta alimentar quando se encontram insatisfeitas com a imagem corporal não se comprovam nas pesquisas. 8 Sim Não f ** * f % % 32 35% 60 65% 27 29% 65 71% f % f *** % **** % f f % 12 9 10% 57 62% VARIÁVEIS 1. Já usou medicamento para emagrecer com prescrição? 2. E sem prescrição? 3. Como conseguiu 15 16% 11 comprar? % Legenda: * conseguiu a receita com amigo ** comprei na farmácia indicada por alguém *** conseguiu a receita com médico amigo da família **** não respondeu a questão Tabela 2 - Distribuição dos participantes quanto ao questionamento uso de medicação. Paraíba, Brasil, 2010. (n = 92) Fonte: Dados da Pesquisa (2010) Para a dispensação em farmácia de medicamentos contendo substâncias psicoativas, de acordo com legislação, é obrigatória a presença no receituário de medicamentos controlados do nome do medicamento ou da substância, prescritos sob a forma de Denominação Comum Brasileira (DCB), dosagem ou concentração, forma farmacêutica, quantidade e posologia. A farmácia ou drogaria somente poderia aviar a prescrição se todos esses itens estivessem devidamente preenchidos. (13) Mas, conforme dados desta pesquisa, constatou-se, que na prática essa determinação não é seguida nem pelos profissionais prescritores das receitas nem pelos farmacêuticos no ato da venda (dispensação), já que foram relatadas maneiras diferentes de se conseguir as medicações sem a devida apresentação da prescrição, podendo acarretar conseqüentes prejuízo ao organismo decorrente do uso da medicação. A receita médica representa a tradução por escrito da recomendação de um especialista, autorizando à pessoa obter o medicamento e muitas vezes lembrá-lo das instruções para o tratamento. Mesmo considerando a particularidade de representar, antes de tudo, a vontade do prescritor, a receita é um documento legal devendo, portanto, obedecer à legislação específica. (13) Alguns estudos epidemiológicos no contexto do uso abusivo de substâncias psicoativas lícitas vêm sendo realizados, no sentido de contextualizar o chão onde o fenômeno acontece. No que se refere à prescrição e dispensação de medicamentos anorexígenos são de responsabilidade das especialidades médicas atuantes no tratamento da obesidade que são a 9 endocrinologia e a clínica médica, entretanto, pesquisa (14) atesta que somadas também à participação cardiologia, as três especialidades juntos produziram 74% das prescrições de medicamentos utilizadas em tratamento da obesidade. Os pesquisadores se descrevem surpresos com o número expressivo e surpreendente participação da odontologia e da medicina veterinária na prescrição de medicações desta natureza. Por definição entende-se como automedicação a conduta a parte do “doente”, e/ou de seu responsável, em consumir um produto com a finalidade de tratamento. Ou seja, quando a prescrição médica, necessário, é substituída pela indicação de medicamentos por parte amigos, familiares ou balconistas da farmácia. Outra forma comum de automedicação é a conduta em que receitas emitidas anteriormente são reutilizadas, pro exemplo, em um novo episodio de adoecimento se repede a prescrição de tempos atrás mesmo que a receita não tenha especificações de uso contínuo. (15) 29% 5% 5% 51% Sibutramina 27 4% 4% Sibutramina + Floxene 9 Gráfico 4 - Distribuição dos participantes quanto ao questionamento – Quais medicações já usou para perder peso? Paraíba, Brasil, 2010. (n = 92) Fonte: Dados da Pesquisa (2010) Estes dados concordam com um pesquisa (13) em que também relata a predominância no uso da Sibutramina, seguida do seu uso associado à outros fármacos, com destaque para a fluoxetina. Estes autores destacam que, este último tem ação anorexígena além de antidepressiva, o que se constitui em possível explicação para o consumo tão mais elevado em relação aos outros antidepressivos Acrescente-se a este o fato de que este fármaco assumiu importante papel no imaginário da população, em razão de que a mesma poderia resolver todos os problemas emocionais do indivíduo. Esta concepção é bastante estimulada pelo marketing das indústrias produtoras, com possível reflexo sobre o prescritor. 10 Na análise destes dados é possível perceber uma série de riscos. A grande quantidade da Sibutramina utilizada é um dos aspectos que chama a atenção, pois trata-se de uma medicação que se traduz pela associação de uma diversidade de efeitos psicoativos. CONSIDERAÇÕES FINAIS Os resultados evidenciam ainda o não cumprimento da legislação vigente, referente aos medicamentos de regime especial de controle, tanto por parte dos prescritores, quanto das farmácias. Para que haja possibilidade de alteração neste quadro, sugere-se envolvimento por parte dos órgãos de fiscalização de modo mais efetivo. Entende-se que os resultados da pesquisa apontam para o uso indiscriminado de medicações com substâncias psicoativas para emagrecer, por parte das alunas de enfermagem e medicina. Tais dados apontam para o risco da automedicação, trazendo danos à saúde, uma vez que este grupo, por vislumbrar trabalhar na área de saúde, deveria buscar formas saudáveis para perda e controle de peso, bem como a prevenção de doenças. Sugere-se que, nas escolas de formação em saúde, sejam feitos trabalhos voltados para a reeducação alimentar associados a prática de atividade física como forma de incentivar os futuros profissionais de saúde a adquirir práticas saudáveis. REFERÊNCIAS 1. Cordás TA, Filho APL, Segal A. Transtorno Alimentar e cirurgia bariátrica: relato de caso. Arquivo Brasileiro Endocrinológico do Metabolismo. 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