N.º 65 Abril 2008 R. do Lindo Vale, 464 – 4200-370 PORTO Al. das Linhas de Torres, 2 – 1750-146 LISBOA ... por uma qualidade de vida que coloca continuamente as Irmãs de mais idade em condições de sentir-se em missão; liberta a idade activa do stress e activismo e do peso da missão, e oferece às mais novas alternativas de formação, experiência de vida e espaço de responsabilidade que lhes permite recriar a vida e a missão. “Há esperança para o teu futuro” (Jer 31,17). JORNADA DA FAMÍLIA DOROTEIA Maria Sousa Soares, Margarida Rodrigues Baldaque, Irmã Maria Antónia Marques Guerreiro “DEUS A PAULA CONFIOU… UM SEGREDO… UMA MISSÃO” Chegámos, tendo feito viagens diferentes. Convocados por PAULA FRASSINETTI, cada um/a trazia no coração tonalidades do segredo e experiências pessoais da missão… Tal como as vozes do coro - harmonia na complementaridade da diversidade - descobrimos, em cada momento, o prazer da nossa identidade. E os desafios educativos que nos foram chegando no plurifacetado das horas desta Jornada vinham ao encontro do que somos, do que sonhamos ser como educadores segundo a intuição de Paula. Identidade que nos faz querer, como afirmámos a uma só voz, Ser Pessoa Ser Comunhão Ser Dom - pela via do coração. E tudo, sempre, com um horizonte horizonte: TRANSFORMAR O MUNDO… CONDUZI-LO À VIDA! Identidade capaz de responder à novidade dos tempos - de incerteza - de fragmentação social - de mediatização e pluralidade de informação. Identidade capaz de desenhar futuro, ajudando - a definir hierarquias de valor - a tomar decisões num âmbito criativo, inovador, assertivo - a trabalhar promovendo a reflexão e recusando ser “comunidades de mesmidade”, mas espaços de diálogo, tolerância e multiculturalidade. Marco significativo na nossa peregrinação do Ano Jubilar, os desafios educativos que nos foram chegando na actuação do Coro do Colégio de Santa Doroteia na conferência simples e densa do Prof. Doutor Joaquim Azevedo, na conferência “conversa-em-família” da nossa Irmã Maria Lúcia Soares, na Eucaristia celebrada tão festivamente pelo Padre Carlos Carneiro, sj, no convívio de um almoço de família em alegre encontro, onde todos têm o seu lugar, na presença e palavra mobilizadora da Irmã Jaci Pessoa, Coordenadora Geral, no momento celebrativo que recolheu, em beleza surpreendente, o vivido neste dia, trouxemo-los como confirmação de uma identidade que exige incarnação da novidade dos nossos tempos. Regressámos de “Emaús” - Fátima, neste dia 5 de Abril de 2008 - para as nossas “Jerusaléns”, com o “coração aquecido” e mais viva consciência de que o mundo precisa de santos. Precisa de nós. Precisa da Luz do farol de Génova a iluminar mais longe e mais além, na simplicidade que fala do Deus da Vida em que acreditamos. “Oh,, Happy day” que nos reuniu como Família de Paula, nesta Jornada-desafio! “Oh 2 ... E alguns alguns dos participantes dizem a razão do «Happy day»... Foi um dia espectacular! Viu-se como as pessoas que trabalham com as Irmãs Doroteias estão empenhadas em dar um sentido novo à educação. Pegando nas palavras do Padre Carlos Carneiro - “ninguém volta igual para o lugar de onde veio…” - também sentimos que o nosso coração está mais disponível para “acolher o outro”, tendo esperança num futuro melhor. A abertura dos trabalhos não poderia ter sido melhor: o coro do Colégio de Santa Doroteia alegrou a nossa recepção e a Eucaristia … Desde o acolhimento, aos oradores, à Eucaristia, tudo foi maravilhoso! O tema ajudou-nos a compreender melhor a pedagogia de Santa Paula. Verdadeiramente uma Família numerosa! A alegria reflecte-se nos abraços, nos sorrisos e na simplicidade de quem já é “família Doroteia alargada”... Podemos transformar as escolas... É urgente um novo olhar de Esperança! Não há impossíveis! Ser Testemunha, ser Farol, ser Pessoa, ser Equipa. Esta vivência de família tocou-nos a todas no coração, fortaleceu a nossa fé, dando-nos uma maior visão da urgência educativa ao jeito de Paula. As sessões de reflexão ainda agora nos soam no ouvido, e estão bem presentes, e sabemos que continuarão a estar. Um dia que nos desafiou a educar com firmeza e suavidade, com a pedagogia do Evangelho... Sentimos que Santa Paula se nos revelou através das palavras da Irmã Lúcia. As Irmãs Doroteias continuam a semear como Paula Frassinetti… Foi deveras interessante, actual e gratificante. Os Desafios educativos apresentados tocaram-nos profundamente, e no futuro serão de grande ajuda para a nossa reflexão e avaliação, e para melhorar o desempenho da tarefa educativa que nos está confiada. Na homilia da Eucaristia, o Padre Carlos Carneiro questionou-nos sobre onde estava o nosso Farol. Santa Paula encontrou-o, e criou em nós o desejo de o encontrar e seguir. E, com muita graça e “lata”, lançou-nos uma provocação: “O mundo de hoje precisa de Santos que bebam Coca-Cola, que andem de calças de ganga e oiçam MP3!” É possível ser FAROL assim? Eu acredito que é… Tivemos oportunidade de reflectir sobre questões muito pertinentes ligadas ao mundo de hoje. Houve lugar para o recolhimento e um ambiente de serenidade, que ao mesmo tempo era descontraído. Foi um momento significativo para as Irmãs e motivador para todos, despertando em mim uma consciência maior do sentido da vida e do significado da minha missão. A complementaridade das duas abordagens refrescou, em cada um de nós, os princípios orientadores da Educação em que acreditamos e que, afinal, foram os princípios orientadores – tão actuais – de Santa Paula Frassinetti, preconizados há mais de um século. O encontro serviu para, em comunhão, tomarmos consciência de que a nossa missão é educar para o essencial. Foi na Eucaristia que a comunhão entre todos nos conduziu a uma outra dimensão. O sentir “por dentro” o meu amigo, o meu colega, o meu semelhante como o outro “rosto” que devo “amar”, abre-nos à complacência e à aceitação da diferença, condição para a harmonia e paz universal. Foi bom. Dias como este, só poderão ser fermento para sermos mais… Fazer a experiência de viagem, a experiência de Família, através do canto, deixou-nos a todos mais ricos e com o desejo de aprofundar os laços criados. Erguer, em comunidade, um futuro justo e sólido. Consolidar e fortificar ideias para construir o futuro. Foi uma jornada de reflexão muito positiva em todos os aspectos... Um dia muito bem organizado, com a simplicidade que é característica da Família Doroteia. Dia de regresso de coração cheio, consciência de pertença: todos fazemos parte da Família alargada de Paula Frassinetti, partilhando o mesmo ideal... No meio de tanta diversidade de experiências, algo nos igualou: a forma de educar de Santa Paula que sempre nos guia… O final foi verdadeiramente representativo do nosso modo de ser… simples e comprometido. Tudo funcionou pelo conjunto. O encaixe foi perfeito. A música e as vozes que nos encheram os corações, a reflexão do Prof. Dr. Joaquim de Azevedo, o entusiasmo e testemunho de santidade do Padre Carlos Carneiro, o delicioso almoço, a reflexão da Irmã Lúcia Soares, que nos compromete a fazer caminho, fizeram deste dia um momento a repetir, a reter e a guardar no coração. Há oito anos que tenho a felicidade e o privilégio de pertencer a esta Família, que tão bem me acolhe todos os dias. O dia 5 de Abril foi um dia inesquecível. O programa intenso tornou-se num sopro de novas energias. São estes momentos que fazem a diferença e enriquecem a nossa vida, a nível pessoal e profissional. 3 ENCONTRO DAS IRMÃS MAIS NOVAS Irmã Goreti Faneca Tal como foi comunicado a todas as Irmãs, este encontro realizou-se em Fátima, nos dias 25, 26 e 27 de Março. Pretendia-se que se vivesse uma experiência fraterna com a presença das duas Provinciais e que nos colocássemos, juntas, perante o futuro. Todas estávamos presentes para o almoço do dia 25, que foi carinhosamente preparado pelas nossas Irmãs de Fátima. As outras refeições e compras ficaram à responsabilidade do grupo. Tudo foi confeccionado com criatividade, alegria, interajuda,.. que muito contribuiu para viver a experiência que se pretendia. No primeiro dia situámo-nos no Monte Moro: seu significado para Paula e as seis primeiras companheiras, e o que nos comunica ainda hoje. Partilhámos as vivências que ele nos sugeriu. Para as que já o conheciam até foi fácil fazer a composição do lugar. Dia 26 estava-nos reservada a “Casinha de Quinto e aquele feliz 12 de Agosto de 1834”. Revivemos a alegria da Fundação, e unimo-nos ao sonho deste pequeno grupo; percorremos as Cartas, as Memórias, o Documento de Espiritualidade, a História da Provincia, e confrontámo-nos com o entusiasmo, as dores, a alegria, as incógnitas, a pobreza e a força que um ideal comporta. No último dia encontrámo-nos com os sentimentos de Paula na hora da dispersão e Refundação. Tomámos consciência de que o Dom que somos hoje avançou com três do grupo das sete primeiras, e deixámonos interpelar pelo desafio e sentido da Refundação. Houve tempo para conversas prolongadas, durante e depois das refeições, com sabor a gratuito e possibilidade de nos conhecermos melhor. Vivemos com tempo todo o tempo que tínhamos. Cada momento teve a densidade de quando se vive o tempo por dentro, por isso não nos sobraram tempos... À despedida sentia-se que tínhamos “vivido uma experiência fraterna” e antevisto o perfil do “futuro”. ENCONTROS INTERCOMUNITÁRIOS INTERCOMUNITÁRIOS DE PÁSCOA Lisboa - Parque, 24 de Março Orlanda Costa Éramos quatro comunidades, cada uma da sua realidade: Linhó - Santa Paula, Seixal, Açores e Parque-1º andar. Tudo começou com o acolhimento fraterno das nossas Irmãs do Parque, que nos aguardavam com grande alegria; sentia-se festa no ar… Fomos chegando aos poucos, pela manhã. Partilhámos a refeição em ambiente simples e familiar, como é bem característico da nossa Família Doroteia, e já neste momento começou a nossa partilha… Após a refeição, passámos à sala de convívio, onde fomos deixando que os corações transmitissem a alegria de estarmos juntas para partilhar com entusiasmo e em simplicidade a missão concreta de cada Comunidade e de cada Irmã. Foi com muita alegria que todas manifestaram carinho por tudo o que se ia ouvindo; sentimo-nos todas empenhadas na missão de cada Comunidade, e ficámos mais unidas e com a responsabilidade 4 de rezarmos umas pelas outras, para continuarmos a crescer no «Cor unum». Só ‘tecendo’ com amor conseguiremos construir relações fraternas. Terminámos em ambiente de Oração. Foi bonito ouvir cada uma a pronunciar o seu nome, e assim nos comprometemos a rezar umas pelas outras e pela MISSÃO de cada Comunidade. No fim, cada uma regressou à sua realidade mais enriquecida e com o grande desafio de ser testemunha da VIDA NOVA. Viseu, Viseu, 29 de Março Irmã Casimira Marques Cada Comunidade visitante fez um longo caminho para chegar a Viseu, mas valeu a pena. Às 12.15 estávamos na Capela a começar a Eucaristia na Comunidade de Viseu: Bragança e três comunidades de Lisboa – Casa Provincial, Comunidade Escolar e Residência das Calvanas. A Irmã São Paiva recebeu-nos com um acolhimento muito simpático; e Monsenhor Sílvio, que ali é capelão há mais de quarenta anos, fez-nos uma belíssima homilia e disse-nos que só para nos encontrarmos e convivermos umas com as outras valia a pena a deslocação. Depois de um almoço muito festivo e conversado, um pequeno intervalo para mostrar a casa a quem não conhecia. E a tarde toda para cada comunidade “se dar a conhecer”. Quanta criatividade! Quanta alegria! Quanta novidade! E quanta “juventude”, apesar de todas estarmos acima dos sessenta! Em prosa ou em verso, com PowerPoint ou sem ele, ficámos a saber muito mais umas das outras e das nossas actividades. E os laços que já nos uniam cresceram e apertaram-se para nos fazerem cada vez mais “um só coração”. Foi um dia de festa e de agradável convívio. Não faltou um casal de idosos... que colabora muito com as Irmãs e fez questão de estar presente e recordar os tempos passados... Quando a máscara caiu... quem apareceu? - A Irmã Leite, com a sua juventude de 88 anos... e a Irmã Medeiros... A oração final foi muito rica, e fez-nos sentir “companheiras” de Jesus Ressuscitado que nos chama pelo nome e nos “aparece” tantas vezes nos caminhos da vida a dar força para continuarmos fiéis ao seu amor e à Missão que nos confia. Obrigada pela ideia destes encontros pascais tão ricos, felizes e proveitosos. ENCONTROS POR FAIXAS ETÁRIAS SOBRE A POBREZA POBREZA 4ª Faixa etária - Dia 16 de Março Irmã Maria Emília Diniz Local – Fátima, sempre desejado pelas condições que proporciona – espirituais, afectivas, logísticas. Participantes – 4ª faixa etária: éramos 63 (não sei se de 3ª se de 4ª idade), com algumas excepções de Irmãs que não puderam integrar-se na sua faixa respectiva. Falo de idade cronológica: a de dentro corresponde, muitas vezes, felizmente, à eterna juventude de Deus. Tivemos connosco, durante toda a manhã, o Professor Eugénio da Fonseca largamente conhecido como cidadão, lutador, cristão convicto, que com palavra-presença-acção vive a problemática do mundo de hoje, especialmente quanto às situações de POBREZA, INJUSTIÇA, ABANDONO, MARGINALIDADE, as vítimas geradas por uma sociedade injusta e cruel. A sua mensagem foi profundamente interpelativa. Abordaram-se os confrontos entre a pobreza imposta pela privação do essencial e a pobreza voluntária assumida em consagração com os compromissos que daí derivam e os desafios que nos são lançados. De tarde, primeiro em grupos e depois em plenário, debruçámo-nos sobre a POBREZA nas Constituições, os critérios aí apontados para nos situarmos perante a realidade e a conversão que nos é exigida. Deste dia de reflexão e partilha ficaram muitas pistas para rezar, para viver. Talvez a mais funda e mais global seja esta: O que me diz, o que me EXIGE, hoje, o meu Voto de POBREZA? 5 Colégio de Nossa Senhora da Paz ----------------------------------Estamos em cheio na Páscoa. Mas como o Mistério Pascal é um só – o Mistério da Morte/Vida – parece que não fica mal trazer agora a caminhada de Quaresma do Colégio da Paz. Pontualmente, cada semana a Irmã Ana Barrento enviou a respectiva programação; mas a decisão de fazer, no mês de Março, um número especial do «Doroteias» sobre o início do Ano Jubilar, veio transtornar as datas... Acresce que a Páscoa foi anormalmente cedo... Por isso vai agora este caminho quaresmal, e é certamente com gosto que tomamos conhecimento dos passos propostos para Transformar... Com base no tema do ano - “Transformar…” - e com a reflexão dos textos litúrgicos propostos para este tempo da Quaresma, no Colégio da Paz vão-se dando passos concretos de transformação… Em cada semana vai saindo uma mensagem que é dirigida a todos, e que partilhamos … Na Quaresma... transformar: 1ª Semana - COM ESFORÇO Neste caminho temos que ESFORÇAR-NOS para superar muitas dificuldades (pedras, barro, clima, preguiça, comodismo, etc.) que representam as TENTAÇÕES. A brandura e a cobardia, diante do que supõe esforço, está presente na vida de todos nós... Faz falta CALÇADO e roupa adequada para fazer o caminho (para vencer as tentações), água e preparação para que o possamos percorrer... 2ª Semana - PARA A META Necessitamos de uma META - É importante sabermos bem aonde queremos chegar com o nosso esforço. A nossa meta está aqui simbolizada na BÚSSOLA, que servirá para orientar bem os nossos passos, para não nos desviarmos nem nos perdermos. Esperamos descobrir a Meta ao chegarmos à PÁSCOA... 3ª Semana - A COMUNICAÇÃO Necessitamos de caminhar em GRUPO, como na nossa vida. Num grupo de amigos a COMUNICAÇÃO é boa e acolhedora. Por vezes a comunicação entre as pessoas é fonte de muitas dificuldades. É uma triste experiência que não nos deixa viver felizes. Na nossa relação com Deus, o maior problema é que comunicamos pouco com Ele. Com o TELEMÓVEL queremos simbolizar o desejo de que a nossa relação com Deus e com os outros seja mais verdadeira e feliz. 4ª Semana - VER BEM Temos muitas espécies de cegueiras: a indiferença, a superficialidade, a rejeição… deformamos a nossa visão. Corremos o risco de avançarmos por caminhos sem retorno por não olharmos bem e a tempo. Precisamos de ser bons observadores, VER BEM, com claridade e olhar penetrante, as pessoas, as coisas, a natureza, a vida… Significamos com os ÓCULOS o nosso desejo de aprender a olhar bem e com profundidade a vida, rejeitando tudo o que em nós é cegueira e olhar superficial. 5ª Semana - FORTES E SÃOS Há muitos remédios, tanto para o corpo como para o espírito. Jesus quer-nos FORTES E SÃOS, e luta contra as doenças e as nossas fragilidades. A revelação plena do nosso Deus da Vida é o próprio Jesus, que se dá a Si mesmo como “remédio” para os nossos males. Oferece-nos o seu Amor, a sua Misericórdia no Sacramento da Penitência. Com esta CAIXA DE PRIMEIROS SOCORROS queremos exprimir a nossa necessidade de recobrar a saúde, não só física mas sobretudo espiritual. A propósito da Páscoa, dizdiz-nos a Irmã Ana Barrento: A Páscoa é sempre no primeiro Domingo depois da primeira lua cheia que se segue ao equinócio de Primavera (20 de Março). Esta datação da Páscoa baseia-se no calendário lunar que o povo hebreu usava para identificar a Páscoa judaica, razão pela qual a Páscoa é uma festa móvel no calendário romano. Este ano a Páscoa acontece mais cedo do que qualquer um de nós irá ver alguma vez na sua vida! E só os mais velhos da nossa população viram alguma vez uma Pás6 coa tão temporã (mais velhos do que 95 anos!). A próxima vez que a Páscoa vai ser tão cedo como este ano (23 de Março), será no ano 2228 (daqui a 220 anos). A última vez que a Páscoa foi assim cedo foi em 1913. Na próxima vez que a Páscoa for um dia mais cedo, 22 de Março, será no ano 2285 (daqui a 277 anos). A última vez que foi em 22 de Março foi em 1818. Por isso, ninguém que esteja vivo hoje viu ou irá ver uma Páscoa mais cedo do que a deste ano. OBRA SOCIAL PAULO VI -----------------------------------------------Como se consegue viver tão ricas experiências em tão pouco tempo? Alguns Flashes... O tempo da Quaresma foi muito vivenciado pelas crianças e pelos pais. Durante a semana, dois livros da colecção ”Despertar para Deus”, da Pomme D’Api-Danielle Monneron, previamente escolhidos, estavam colocados à entrada da portaria e, num cantinho da “praça”, os pais e os avós eram convidados a falar de Jesus aos seus filhos e netos. Foi bonito ver o jeito, a ternura, o amor, e sobretudo a alegria e a responsabilidade destes mais pequeninos a pedirem - até exigirem - que a Palavra de Jesus lhes fosse lida e explicada… A toda esta experiência, seguiu-se a preparação da Semana de Santa Paula – como foi descrito no número especial («Doroteias» de Março). Logo a seguir, o dia do pai, tão carinhoso, tão rico e tão belo; também este foi incluído na “Semana da alegria”, que deu o tom e o verdadeiro sentido a tudo aquilo que fazemos: ”JESUS ESTÁ VIVO NO MEIO DE NÓS”, e é o nosso Maior Amigo. Foi esta a Mensagem que as crianças levaram para casa para dar aos pais e amigos. Carta dos Açores ----------------------------------------------------------Cara Paróquia de Marvila e Irmãs Doroteias Na Quaresma, todos aqueles que se encontram em alguma parte da ilha de S. Miguel têm a oportunidade de conhecer, ou pelo menos ver e ouvir, as Romarias. Grupos de irmãos romeiros lançam-se numa caminhada pela Ilha, que os leva a percorrer quilómetros sem fim, em oração e comunhão entre todos os presentes. À noite, dormem nas casas de quem os acolhe (lembrem-se dos nossos jovens de Taizé…), ansiando pelo alimento que lhes mate a fome e um banho quente que lhes acalme as dores do corpo cansado e, até mesmo, da alma que sofre. Antes de o sol nascer, voltam à sua caminhada e enfrentam um novo dia. Tal como Jesus Cristo, oferecem aquilo que têm e que são, recolhendo em cada lugar as orações pedidas pelas comunidades desses locais. No espaço de uma semana dão a volta à Ilha, a pé. Estes homens, de espírito sereno, de traje simples e bordão e terço nas mãos, lançam-se na “caminhada da vida” oferecendo o seu sacrifício, sendo verdadeiro exemplo da entrega e renúncia pessoais próprias do tempo da Quaresma. A tradição dos Romeiros remonta a tempos longínquos, por volta de 1522, altura em que um sismo violento destruiu por completo a zona de Vila Franca do Campo, a essa data capital da Ilha de S. Miguel. Cerca de 5.000 pessoas terão perecido neste ataque impiedoso da Natureza. Sendo necessário reconstruir aquele local, o primeiro trabalho terá sido a construção de uma Ermida consagrada a Nossa Senhora do Rosário. Aí se dirigiam inúmeros peregrinos da Ilha, que rezavam pelas suas vidas e pelas dos seus. No fundo, as catástrofes naturais, que sempre aconteceram na Ilha (está ainda viva nas nossas memórias a erupção dos Capelinhos, no Faial), conduziram este povo a uma vivência espiritual profunda e, de certa forma, muito especial. Assim terão surgido as Romarias da Ilha de S. Miguel. Esta tradição, quase ancestral, fascinou-me desde que o destino cruzou o meu caminho com o dos Romeiros que, vindos de várias partes da Ilha, passam à nossa porta, entoando os seus cânticos e orações. Naquele instante em que passam, o silêncio invade as ruas. Só se ouvem as vozes daqueles homens em coro a orar e o som dos seus pés a pisar a terra. E, assim, encontrei com alegria o Pe. Luís, nessa altura Irmão Luís, do Rancho de S. José. Estava de passagem. Nesse dia pernoitava na minha rua, na casa de vizinhos, que já considero amigos. Fascinante como o acaso trata de cruzar as vidas das pessoas de uma maneira ou de outra… Quanto aos Romeiros da zona onde vivo, a Maia, estes regressaram a casa no Sábado passado, dia 1 de Março. Nesta mesma data, as Irmãs Doroteias em todo o mundo comemoravam o seu Jubileu. A sua fundadora, Santa Paula Frassinetti, nascera há 200 anos, a Congregação surgira há 175, e a canonização de Paula deu-se há 25. Aqui, na Maia, as 7 Irmãs Doroteias desbravam caminho há já 15 anos para dignificar este povo e ajudá-lo a crescer, nas dificuldades e alegrias de todos os dias. Por esse motivo, estão de parabéns e merecem o reconhecimento e o valor que são devidos a qualquer voluntário ao serviço dos outros. Foi uma celebração marcante para todos os presentes. Romeiros, Irmãs Doroteias e Comunidade uniram-se para celebrar juntos a sua Fé. Parabéns a todos por isso, isso, e um agradecimento especial a quem é Luz no caminho dos outros, a quem sabe desprendesprenderder-se de si próprio, a quem é capaz de ser Maior. Um abraço amigo, Ana Margarida Almeida Externato do Parque -----------------------------------------------------O mês de Março chegou, e com ele uma grande alegria invadiu o nosso Externato. Durante alguns dias, a Semana de Santa Paula foi tempo de muitas lembranças da Fundadora. A Portaria foi um espaço privilegiado, um jardim perfumado de girassóis suspensos, com muita cor e com a oportunidade de saber mais sobre a vida e obra de Santa Paula através de uma apresentação de PowerPoint. Havia, ainda, um grande livro com mensagens de várias partes do mundo, onde cada um dos visitantes podia deixar o seu testemunho. Como era tempo de festa, nem um belo bolo de aniversário faltou, reunindo à sua volta muitos dos que cá trabalham, que, com um brinde, também se associaram à vivência jubilar. O momento alto da semana para a Comunidade Educativa foi a celebração eucarística, que, com grande simbologia de Santa Paula, demonstrou que o seu amor está bem vivo dentro de nós. Para finalizar estes dias de repleta felicidade, muitas turmas subiram a palco para apresentar manifestações artísticas do percurso de vida de Santa Paula. Houve encenação, poesia, canções e muitas palmas. Vivemos grandes momentos. Bragança - Caçarelhos --------------------------------------------------Abertura do Ano Jubilar em Caçarelhos Caçarelhos é a terra das Irmãs Catarina e Isabel Miguel. Como sabemos, revezam-se no acompanhamento à Mãe, que tem a linda idade de 90 anos. E a presença das duas Irmãs na sua terra é prolongamento da Comunidade. Surgiu lá um grupo de «Mães de Paula», e até teve abertura do Ano Jubilar! Ir Isabel Miguel Na paróquia de Caçarelhos, o dia 2 de Março ficou bem assinalado, marcando a abertura do Ano Jubilar com a participação de todas as «Mães de Paula», do Pároco e da Comunidade Paroquial, na celebração da Eucaristia. Santa Paula foi colocada num tronozinho à frente do altar-mor, envolvida num tecido adamascado e bem ornamentada. Ficou linda! Depois das tarefas distribuídas, todas as ‘mães’ colaboraram na celebração: decoração, canto, leituras, encenação e fotografia. O grupo das ‘mães’ optou por marcar a sua presença junto do altar e de Santa Paula. Assim, a Eucaristia foi mais participada, alargada a todos e mais festiva com Santa Paula presente. Após uma breve apresentação alusiva ao Ano Jubilar e à vida de Santa Paula, o pároco, Padre António Leça, na homilia acentuou o carisma de Paula em notas pastorais mais simples para o povo compreender. As intenções e a acção de graças continuaram a reforçar o exemplo da vida e obra de Santa Paula. Ao terminar a celebração, as ‘mães’ colocaram-se à volta de Santa Paula em círculo aberto, frente à assembleia, cantando e encenando o hino das Mães de Paula. A Nicolete convidou a sua filha para nos tirar umas fotos à roda de Santa Paula, e depois ofereceu uma a cada ‘mãe’. As pessoas gostaram tanto da celebração que deram os parabéns ao grupo por ter sido maravilhoso! Algumas pessoas deslocaram-se até ao altar para ver melhor Santa Paula, que não conheciam, e ficaram deslumbradas porque o seu olhar fixava cada pessoa no lugar em que estivesse. E diziam: “Oh! Que Santa tão querida, a olhar sempre para nós; gostamos do seu olhar…”. Porém a grande surpresa que nos aguardava foi a apresentação da Olema, elemento do coro paroquial, que se apro8 ximou perguntando se a queríamos aceitar no nosso grupo. Uma das ‘mães’, espontaneamente, respondeu: “Claro! Santa Paula é de toda a gente!”. E todas as mães do grupo a receberam de braços abertos, beijando-a emocionadas. Sabemos que foi um presente de Santa Paula, que a atraiu e a chamou. O grupo ficou maior e mais rico. Foi um dia de grande vivência espiritual, de alegria e entusiasmo para continuar a seguir “pela via do coração e do amor”, como Santa Paula nos convida. O quadro de Santa Paula ficou exposto na Igreja até ao dia 11 de Março, e cada mãe, conforme a sua disponibilidade, a visitava ao fazer a Via-Sacra diária. Dois de Março em Caçarelhos linda Missa se celebrou em honra de Santa Paula e todo o povo gostou. A Missa foi bem cantada por todas as Mães de Paula e o povo a acompanhar. Santa Paula nos dê saúde para no próximo ano a voltarmos a festejar. A Igreja estava toda iluminada e a gente vinha chegando a olhar para a Santa e ali ficavam a rezar. Diziam uns para os outros: Santa Paula está para nós a olhar. Santa Paula, grande Santa, entraste dentro das nossas almas. Com pouco te agradecemos, só com uma salva de palmas. Celeste Lemos, Mãe de Paula de Caçarelhos Maria Helena Aguiar Maria Helena Saraiva de Aguiar Santomense por nascimento Uma apaixonada pela música Irmã Maria Antónia Marques Guerreiro ERA UMA VEZ UMA MENINA QUE TOCAVA PIANO... Esta menina, Maria Helena Saraiva de Aguiar, nasceu em S. Tomé, na freguesia de Nossa Senhora da Graça, em 1913, onde viveu um pouco mais de dois anos. Tinha uma irmã mais velha, a Maria Eduarda, que vive ainda: é a Irmã Cecília, de S. José de Cluny. Uma terceira menina nasceu entre as duas, mas morreu pequenina, lá longe, na “ilha do paraíso”. O Pai trabalhava na Alfândega da Ilha; ali conheceu a Mãe, Guilhermina, que era Angolana. Quando chegaram a Portugal, vieram a Braga para visitar a avó paterna. Depois, a família rumou para Lisboa onde se estabeleceram. Mas a Maria Helena foi ficando por Braga: ali fez a aprendizagem das primeiras letras, de história, de muitas outras matérias, com uma tia. Em Braga preparou-se para a 1ª Comunhão, com quatro anos e meio; em Braga, começou a aprender piano. Ia vivendo feliz com a avó e a tia, fazendo algumas visitas aos Pais a Lisboa. Aprendeu também a fazer renda de bilros, a bordar a ponto de cruz, a fazer tricot. As mãos da Maria Helena tinham uma polivalência muito grande! Mas o piano era a maior atracção! Na casa das ‘doceiras de S. Vicente’ – eram 3 irmãs “solteiríssimas”, com uma casa com Capela - havia um piano, e por isso podia ir aprendendo a tocar. Das ‘doceiras’, de uma caridade requintada - “eram umas santas” -, ficaria sempre com muito boas recordações e exemplos, e com um especial apreço... pelos doces!! Foi também preparada para fazer a 1ª comunhão. Com a tia, aprendeu muitas coisas, e muitas histórias da História de Portugal; como era monárquica - já o Pai da Mª Helena era um monárquico ferrenho - animava outros a sê-lo! A Irmã Aguiar recorda como, ao ensinar-lhe este canto religioso, lhe dizia que em vez de cantar “Queremos Deus é o nosso Rei”!!! – cantasse: “Queremos Deus e o nosso Rei...”! Seria da casa das ‘doceiras’ que, vinda de Lisboa, partiria para o Noviciado em Vila do Conde. Mas, quando tinha 7 anos, o Pai impôs-se: queria a sua Leninha com ele! E a Maria Helena lá partiu para Lisboa, a juntar-se ao resto da família. Ia já iniciada na arte que é, podemos dizer, a grande paixão da sua vida: a de tocar piano. Em Braga, aprendera a tocar com a irmã de uma Doroteia, que morreu Noviça: a Margarida Pimenta. Em Lisboa, além de continuar a estudar piano, tinha aulas com a Senhora D. Fausta e o Sr. Tenente: História, Geografia, etc. Para o Francês, uma ‘mademoiselle’ ia a casa. Nunca frequentou uma escola (“não se usava então”, diz a Irmã Aguiar), mas tinha de ir fazer exames como aluna externa. Era necessária a obtenção de diplomas, para poder entrar no Conservatório. Aos 15 anos, iniciou as aulas no Conservatório, o que lhe exigia estudar nada menos que 6 horas por dia! Bem gostaria de brincar e de ir a outras actividades, mas tinha de renunciar porque o Curso de piano exigia muitas horas de estudo. E quanto gostava de festas e até mesmo de bailaricos (... “não sei se fica muito bem confessar este gosto”!...). Viu-se também obrigada a deixar 9 os bilros, porque o Pai achava que a cansavam muito. Enfim, escolher supõe dar tudo para se entregar à opção feita.... Aos 17 anos acabou o Curso Superior de Conservatório; teve muito bons professores, nomeadamente o Prof. Marques Garin. Durante 7 anos deu aulas de piano, e continuou a aperfeiçoar esta arte em aulas particulares com esse professor. O seu amor pelo piano remonta, como a Mãe lhe contava, à menina que, em S. Tomé, ouviu uma senhora tocar piano e ficou deslumbrada. Ao voltar a casa, sentou-se no chão com as mãos a “martelar” no tampo duma pequena cadeira: “tocava piano!...”. Mesmo sendo muito viva, passava horas, com um livro à frente, a “tocar piano”! Compraram-lhe, então, um pequeno piano-brinquedo, mas não gostava dele... porque não “saía som!” Só quando foi para Lisboa, aos 7 anos, é que o Pai (que era antiquário e tinha, com um primo, a casa Carvalho e Aguiar, na Rua do Alecrim) lhe conseguiu finalmente dar um piano grande! “Comecei aos 18 anos a dar lições de piano, e nunca mais parei... Imagine-se, até aos 94”!!! A família era muito aberta e acolhedora - viviam os quatro, os Pais e as duas filhas, uma tia com o seu filho. Mas a casa estava sempre cheia: era uma família numerosa, e os parentes que iam a Lisboa ficavam lá hospedados. A casa ficava em frente da Torre de Belém, no Bom Sucesso. Aos 24 anos, morreu-lhe o Pai e, aos 27, a Mãe. A vida mudou muito, então. Ficaram as duas manas... A nossa Irmã Aguiar continuava a dar lições de piano. Entretanto, a sua prima Maria Emília Ferreira da Silva, que vivia no Porto e era muito amiga da Irmã Lochert, pediu-lhe que fosse substituir, por uns meses, uma professora que estava de baixa, em Viseu. Aceitou, e acabou por ficar por ali durante 2 anos. Foi neste Colégio que conheceu a Laurita Correia: tornaram muito amigas; tão amigas que viriam a entrar juntas, “no mesmo dia e com o mesmo pé”! No fim deste tempo, movida pelo muito apreço que lhe mereceram as Irmãs, “que eram muito boas e me tratavam muito bem”, resolveu entrar para a Congregação. Todos ficaram muito zangados, família e professor de piano; este afirmava: “Pensava que a Maria Helena tinha juízo, e afinal enganei-me!”. À sua aluna confessava: “A menina, que podia ir tocar até à Rússia, vai agora enfiar-se num convento! Vá, vá, que, quando voltar, ficarei muito contente!” Nunca mais o veria, mas perdurou sempre uma forte relação de amizade com a filha, que morreu com quase 100 anos. Um encontro engraçado aconteceu, já há uns anos atrás, num dia em que ia almoçar à casa desta amiga: como era ainda cedo, sentou-se num banco do Jardim da Estrela, quando viu passar um “padre” que se dirigiu à Irmã Aguiar: “Então, uma Doroteia aqui sentada?” Trocaram algumas palavras e, ao cumprimentarem-se, deu conta de que tinha anel de Bispo. Pois era nada menos que o nosso actual Bispo do Porto, D. Manuel Clemente! Teve como Mestra de Noviça uma grande Doroteia, a Madre Refogo, que recorda com carinho e gratidão. Fez a primeira Profissão a 2 de Outubro, data que viria a marcar todas as festas. A sua irmã M. Eduarda foi à Vestição, a Vila do Conde, e sentiu-se chamada a ser também Doroteia. Mas como tinha já 31 anos, a Provincial achou que já era um pouco “idosa”; entretanto, as Irmãs de S. José de Cluny abriram-lhe as portas e lá foi parar a outra Congregação... De Vila do Conde foi para o Colégio do Sardão, onde permaneceu 8 anos, sempre a dar lições de piano. Gostou muito do tempo ali vivido, de que guarda muito boas recordações. Nunca saía (bem diferente do que aconteceria depois!...), e foi no Sardão que fez a Profissão Perpétua. Do Sardão foi para as Calvanas, donde, 2 anos depois, veio para a Paz. No Porto, entre a Comunidade do Colégio da Paz e a da Escola de Educadoras (durante 13 anos), viveu mais de metade da sua vida - aqui, dá aulas há nada menos que... 53 anos!!! Nos alunos (e são centenas que lhe passaram já pela mão) o que mais aprecia é que tenham bom ouvido e que estudem: não são muitos os que o fazem! As audições dos seus alunos foram-nos proporcionando sempre uma expressão da sua capacidade de ensinar, de entusiasmar os mais pequeninos ou mais velhos por esta arte. Um pormenor interessante e que explica o vigor com que continua a tocar piano: todos os dias estuda cerca de uma hora! E a sua “fidelidade” aos concertos a que foi tendo possibilidade de ir, mesmo quando exigia muito sacrifício. Quando, na entrevista deliciosa a que foi respondendo com simplicidade, bom humor e muita sinceridade, lhe pedimos nos revelasse alguns dos seu gostos e preferências, ficámos a saber que: - prefere o campo à praia (gosta do mar, mas detesta multidões de gente “pouco vestida”...!!!) - gosta muito de ler livros bons, bem como jornais e revistas - admira quem escreve bem – acha geniais os sermões do P. António Vieira, e maravilha-se com Fernando Pessoa - deleita-a ouvir música; os seus músicos preferidos, que vão variando por fases, são Bach, Beethoven. Listz e Mozart - a sua cor preferida é o azul, e a rosa amarela a flor predilecta - gosta muito de animais, sobretudo de gatos (à semelhança de Bento XVI... também um aficionado pelo piano!) e de passarinhos - se pudesse ir visitar um país distante, iria a um país exótico: a China ou o Japão - a personagem mais simpática – D. Manuel, o Navegador, por dar novos mundos ao mundo... - tem grande devoção ao terço (“sempre fui bastante dada às rezas”, diz com ar bem disposto, até um tio meu me chamava beata!!) A Irmã Aguiar soube ir cultivando a amizade com pessoas que lhe mereceram confiança e permanecem ainda hoje muito uni10 das a ela. Os alunos actuais demonstram pela Irmã Aguiar muito apreço e carinho, bem como os antigos que a visitam e, com frequência, a convidam para ir a concertos, almoços ou jantares. Tem uma “vida social” como poucas Doroteias, que proporciona muita alegria a quem a acompanha. Delicada com as Imãs, como com todos, pronta a satisfazer os pedidos que lhe fazem para dar gosto e alegria, conta na sua vida com algumas Amizades muito significativas – e recorda, entre as que já partiram para Deus, as Irmãs Lochert, Laura Correia, Ortigão de Oliveira. E a Irmã Leão, que era como uma sua “alma gémea” (conheceram-se no Sardão), ia da Paz até lá... as alunas duma eram ouvidas pela outra em ordem a uma inter-ajuda... faziam serões artísticos... Havia uma grande sintonia: sendo ‘oficiais do mesmo ofício’, «nunca tivemos ciúmes uma da outra», afirmou-nos com alegria a Irmã Aguiar. Porto, 2008-02-25 • • • • lectivo 2008/2009 na Residência do Lumiar. Lumiar Pede-se que dêem esta informação às jovens que vêm estudar para Lisboa. Iniciou-se, no dia 1 de Abril, a Visita da Irmã Jaci à Província Norte, acompanhada da Assistente Geral Irmã Domingas Esenge. Esenge Assim, participaram já na Jornada da Família Doroteia, em Fátima, e a Irmã Jaci disse umas palavras a todos. Realizou-se já o primeiro encontro intercomunitário, em Coimbra, para as Comunidades de Coimbra, Figueira e Recardães; ao longo da Visita - que termina a 2 de Junho -, haverá mais três Encontros Intercomunitários, bem como uma Reunião de Coordenadoras. A Irmã Domingas será substituída, no mês de Maio, por outra Assistente Geral, Irmã Célia Cer Cerveira. veira No próximo dia 19 de Abril, Abril com início às 9.30h, realiza-se uma Reunião de Coordenadoras da ProProvíncia Sul, Sul já que a vinda da Madre Geral fez alterar a projectada para as duas Províncias. Mais uma vez a Pastoral Juvenil das duas Províncias organiza uma peregrinação a pé, a Fátima, de 24 a 27 de Abril, partindo de Coimbra. Coimbra «Faz-te ao caminho... porque vale a pena ‘dar asas’ aos pés...». O grupo de «p «peregrina eregrinas» eregrinas» aos lugares de Santa Pau Paula (Roma e Génova) é constituído pelas Irmãs Ana Branco Alves, Ana Ferreira Alves, Carolina Ferreira, Isabel Miguel, Mª da Conceição Ferreira Pinto, Maria Isabel Guimarães, Mª Luísa Carneiro, Mª Madalena Alves, Teresa Barreiros (Província Norte), e Isilda Pires, Margarida Garcês, Mª América Frazão, Mª da Conceição Barata, Mª da Conceição Moreira, Mª Fernanda Manso, Mª de Lourdes Alves, Mª de Lourdes Silva, Teresa Carneiro (Província Sul), com a ‘sábia orientação’ da Irmã Diana Barbosa. A peregrinação realiza-se de 3 a 11 de Maio. • Como foi comunicado, a Irmã Diana Barbosa fica depois uns 3 meses em Roma, Roma para colaborar com o Governo Geral em trabalhos ligados ao documento sobre a “Memória do Coração” e ao Arquivo. • Contrariamente ao que é habitual, vai haver 4 vagas para jovens universitárias no próximo ano 11 • A convite da Confraria de S. Roque, a Irmã Maria Emília Nabuco fez uma comunicação sobre a Interioridade das crianças dos zero aos três anos, no dia 30 de Janeiro, a educadoras da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. O encontro contou com um elevado número de participantes, muito interessadas. Foi também, já várias vezes, à Paróquia das Galinheiras falar aos pais e catequistas sobre a educação religiosa dos seus filhos. Os pais e catequistas participaram com muito interesse, assim como o Senhor Padre Francisco. • Como foi comunicado no Anexo ao «Doroteias» de Março, chegaram de Angola as Irmãs Maria Luísa Miranda e Rita Ermelinda. Veio depois, mas de Moçambique, Moçambique a Irmã Maria da Conceição Moreira. Ficam todas na Casa Provincial, Lisboa. • A Irmã Yara, Júnior Santomense, que, como foi dito na Circular de 27 de Janeiro passado, manifestou desejo de fazer uma experiência num mosteiro contemplativo, encontra-se já em Portugal, e vai iniciar a caminhada de discernimento. • Como veremos pelo «Tam-Tam», a Irmã Helena Cardoso, angolana, já se encontra em Moçambique, na Comunidade de Ulongwé. Já esteve em S. Tomé e nos Camarões; Moçambique era o único país africano que lhe faltava... Vai dar apoio ao pré-postulantado, já que a Irmã Maria José, também angolana, está agora responsável do Postulantado. • Irmãs doentes: doentes A Irmã Abecasis está a «preparar, corajosamente, a sua grande viagem», como diz a Irmã Lúcia na última Circular. Precisa, mais do que nunca, da nossa oração! A Irmã Maria de Lourdes Lucas (Linhó), que recentemente teve uma intervenção para colocar uma prótese no colo do fémur, já regressou a casa, e está cheia de coragem! A Irmã Moita (Com. do 1º andar do Parque) fez recentemente • A Irmã Alberta Camatta, Camatta Ecónoma Geral, que várias vezes tem acompanhado, em ‘Visitas de Estudo’, grupos dos seus alunos do Colégio de Villa Paola (Roma), está novamente em Portugal com alunos. • Nestes tempos de falta de nascimentos em Portugal, congratulamo-nos com o nascimento de três pares de gémeos de professoras do Colégio da Paz ao longo deste ano lectivo. Pede-se orações para os últimos - João e Tiago - pois há alguns problemas. uma intervenção cirúrgica, que correu bem. • Mudanças de endereços: endereços Residência do Lumiar – Telefone: têm agora apenas o antigo número 217575246. 217575246 Externato do Parque: os dois números – 388 20 94 e 388 73 20 - foram substituídos por um só: 213806430. 213806430 E-mail da Comum. Escolar Calvanas: [email protected]; e-mail Angola: [email protected]. Irmã Otília Alves - Já estava para sair o «Doroteias», com uma notícia sobre a Irmã Otília Alves (agora no Linhó), a dizer que estava a reagir bem à mudança (estava antes no Parque) e ao tratamento, quando veio a notícia do seu faleci falecimento! Tinha 74 anos (feitos há uma semana), e fez as Bodas de Ouro de Vida Religiosa há menos de um mês (19 de Março). Faleceu no dia 10 de Abril, à tardinha. A Irmã Otília viveu a maior parte da sua vida religiosa no Externato do Parque (30 anos), sendo uma pessoa muito exacta em todos os trabalhos que fazia. Faleceu Faleceu o Pai da Irmã Isabel Guimarães (Casa Provincial – Porto), ao fim de um longo tempo de doença. Se é sempre sofrimento grande perder as nossas ‘raízes’, é-o maior neste caso, pois viveram casados 61 anos! Faleceram também, como foi noticiado no Anexo ao «Doroteias» de Março: um irmão das Irmãs Teresa e Lourdes Fonseca (Sardão); um irmão da Irmã Maria da Graça Guarda (Coimbra); um cunhado da Irmã Ana Fonseca (Residência do Lumiar – Lisboa); um irmão da Irmã Teresa Palmira (Moçambique), e, já depois da sua chegada a Portugal, uma sobrinha da Irmã Ermelinda Rita (Angola). Bodas de Ouro No próximo dia 21 de Abril, a Irmã Deolinda Anjos (Seixal) faz, ‘oficialmente’, Bodas de Ouro. Mas, como ela diz, já festejou com Nosso Senhor no dia 11 de Fevereiro, data em que na realidade deu o passo decisivo de deixar a casa paterna e entrar numa outra família. A Casa do Sorriso em Lichinga, Moçambique Irmã Casimira Marques e Prof. Tuxa (‘Mães de Paula’) O grupo de ‘Mães de Paula’ de Lichinga nasceu em 1995. No ano 2000, os grupos portugueses pagaram a viagem à mãe-guia do grupo, Maria Rita Colombo, para vir ao Convénio Internacional de Roma. Foi um encanto a presença da primeira mãe “moreninha” (como diria Santa Paula) naquela grande assembleia. Todas queriam ouvir as suas histórias, os seus cânticos, as suas necessidades. Foi então que a Maria Rita comunicou à Clélia o seu sonho de ajudar as crianças órfãs de Moçambique. E logo ali toda a gente se propôs ajudar. Pouco tempo depois, a Maria Rita mandou à Clélia todos os papéis da compra de uma casa bastante deteriorada, em Lichinga, para ali acolher as crianças. O negócio proporcionouNa foto: A Maria Rita e a Rosa, do grupo de se, e foi o Bispo de então, D. Luís Ferreira da Silva, jesuíta, Lichinga, com algumas crianças, junto da Casa que fez questão de que a escritura fosse feita em nome das do Sorriso ainda em reconstrução. ‘Mães de Paula de Lichinga’ – deve ser a primeira casa do mundo propriedade das ‘Mães de Paula’. A Maria Rita convidou a Clélia a escolher um nome para a casa das crianças. Entre vários sugeridos, a Clélia escolheu Casa do Sorriso, pois espera que muitas crianças ali recuperem o sorriso perdido e possam continuar a sorrir à vida. Multiplicaram-se as ajudas, pagou-se a casa e começaram as obras de reconstrução. Entregou-se bastante dinheiro adiantado ao empreiteiro, ele guardou-o e parou com as obras a meio. Foi-se para tribunal, ganhou-se a questão, mas as ‘Mães de Paula’ de Lichinga ainda tiveram de pagar as despesas do processo e não recuperaram dinheiro 12 nenhum. O processo foi muito demorado; as pessoas deixaram de ajudar à espera do desfecho. Terminada a questão em 2007, retomou-se com “novo entusiasmo” a obra, que agora está quase pronta para receber as crianças que ali vão passar o dia. À noite regressam à família - pais, tios ou avós - porque a cultura moçambicana dá muita importância à família na educação e crescimento das crianças. As ‘Mães de Paula’ de Lichinga prometem fazer algum trabalho de voluntariado na Casa do Sorriso, mas certamente vai ser preciso contratar alguma educadora e outros funcionários, além de alimentar aquela gente durante o dia. As ajudas têm têm sido muitas: O grupo das ‘Mães’ de Pinhel e Viseu no seu lanche de Natal juntaram 500 euros; o grupo de Coimbra 100 euros, e a ESE 100 euros. Mas o importante não serão os montantes, mas sim a resposta que foi dada. A Campanha do Advento no Externato do Parque foi para a Casa do Sorriso e para a Obra do Ardina. Todos os alunos com muito entusiasmo se empenharam na decoração de uma bola de Natal (técnica do guardanapo) a qual foi vendida aos pais. O produto da venda (1 025,00 euros) reverteu a favor da Casa do Sorriso. Estamos contentes por saber que muitas crianças vão sorrir e ser amadas na Casa do Sorriso! O Colégio de Santa Doroteia também angariou fundos. As ‘Mães’ de Itália deram agora 1000 Euros. Vamos continuar a ajudar como pudermos. Padre António Lopes, sj Nunca é tarde demais para recordar o Padre António Lopes, Lopes, sj, sj, que faleceu a 16 de Dezembro de 2007 Irmã Maria Emília Nabuco Tive a sorte de conhecer o Padre Lopes quando era ainda aluna da Escola Paula Frassinetti do Porto. No Carnaval de 1964 orientou-nos um retiro, e recordo ainda hoje este momento como aquele que mudou definitivamente o rumo à minha vida. Apercebi-me nessa altura, com a ajuda do Espírito Santo e do Padre Lopes, que Deus me chamava a um seguimento mais radical na vida religiosa. Depois, sucederam-se novos encontros. Dez anos mais tarde, em 1974, quando eu já residia na Comunidade de Malpique, o Padre Lopes voltou de novo a ser voz do Espírito Santo. Apoiou esta pequena comunidade religiosa a que eu pertencia, ajudou-a a fazer caminhada conjunta com um grupo de leigos que connosco rezavam e procuravam viver as exigências da vida cristã. A mim, orientou-me de novo o retiro de preparação para os meus votos perpétuos. Com o Padre Lopes, fizemos caminho muitas Irmãs, nos retiros anuais ou na vivência das pequenas comunidades que então davam os primeiros passos. Agradeço a Deus a vida do Padre Lopes, que connosco percorreu caminhos de discernimento para encontrarmos formas novas de viver a nossa missão nas pequenas comunidades. Caminhos novos de educação evangelizadora para nós, para as famílias, os jovens e as crianças. ASSEMBLEIA GERAL DA UCESM (União das Conferências da Europa de Superiores /as maiores) Conforme foi comunicado na Circular de 17 de Fevereiro dos Governos Norte/Sul, a Irmã Maria Manuel Oliveira, na qualidade de Secretária Geral da CIRP, participou, de 11 a 17 desse mês, em Torhout (Bélgica), na Assembleia Geral da UCESM (União das Conferências Europeias de Superiores/as Maiores). Foi de facto mais uma experiência forte e interpelativa, com pessoas de 26 países da Europa, que, por sua vez, representavam 38 Conferências Nacionais com cerca de 400.000 Religiosos/as. Desta Assembleia resultou um documento enviado já a todas as Comunidades, fruto de um trabalho de reflexão em grupos após a exposição do tema central feita por P. Jean- Claude Lavigne, dominicano. É difícil exprimir em palavras o que foi experiência de vida e partilha, sobretudo com religiosos/as do Leste: Croácia, Rússia, Ucrânia, Bósnia, República Checa, Sarayevo, etc., etc. Esta Assembleia foi também enriquecida por um serão cultural com um grupo da Bélgica e por um passeio à maravilhosa cidade de Bruges, reconstituída totalmente após a grande guerra de 1914-1918. Agradeço a Deus e à Província mais esta possibilidade que me foi dada, e espero poder continuar a partilhar com a minha vida e missão o muito que tenho recebido neste trabalho da CIRP. 13 CANOA VERDE Página de São Tomé VISITA DA IRMÃ MARIA DE FÁTIMA AMBRÓSIO À COMUNIDADE DE SÃO TOMÉ, de 16 a 24 de Janeiro de 2008 Foram uns dias de renovação espiritual e de muito estímulo para continuarmos a ser sinal da misericórdia de Deus neste nosso mundo ferido. A visita correu muito bem, porque cada dia fomos reflectindo realidades diferentes da nossa família doroteia, com exigências de cada tema exposto para reflectir. Estamos a viver, neste ano, momentos tão grandes e importantes. Por isso temos muitos motivos de acção de graças por aquilo que Deus fez em Paula e faz em cada doroteia, hoje, em qualquer parte do mundo. Sentimos uma grande interpelação na caminhada como Corpo: é preciso despirmo-nos das nossas exigências, das nossas riquezas e do nosso mundo pessoal. Porque Deus nos fala de várias maneiras: através de um acontecimento... de um doente... de um velho que nos bate à porta a pedir uma ajuda... dos jovens sem esperança quanto ao futuro..., etc... Foram dias muito bons. Só temos que agradecer a Deus por tudo quanto recebemos. CASA DO SENHOR LÁZARO Pai de três filhos, vivem em extrema pobreza. O senhor Lázaro é asmático, e a esposa não tem todo o juízo. Com ajuda dos amigos da Póvoa do Varzim e outros amigos voluntários santomenses fez-se uma casa para esta família. A senhora, depois de ter recebido a chave, disse para uma Irmã: “Eu não tenho nada, sou pobre, mas posso oferecer uma vassoura de palmeira que vou fazer” em sinal do nosso agradecimento. A Irmã aceita receber a vassoura feita por mim???? Claro que sim, recebemos - respondeu a Irmã. A senhora voltou feliz para a sua nova casa. PROJECTO-CULNÁRIA NA ROÇA Começou com 42 alunos, entre jovens raparigas e senhoras. Tem muita procura, e estamos a criar outra turma. O índice da pobreza é tão grande que os/as jovens não têm saída senão entregar-se aos vícios. Porque os pais não têm a possibilidade para mais. Os filhos fazem a 4ª classe ou a 6ª classe... chega, não estudam mais. Animadas pelo zelo de Paula - que não olhou às dificuldades nem às condições sociais das pessoas... mas o que era importante para ela é a pessoa no seu todo, seja ela quem for... -, de mãos dadas, vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance. Ainda que seja pouco, mas bem feito, para que cada um se sinta útil e amado por Deus. Devido ao vandalismo, o projecto foi transferido para a cidade da Trindade, onde está a ser realizado. Uma mãe, depois de a sua filha ter começado o curso, exclamou: ké??? Só agora que as Irmãs pensaram em nós, em dar-nos esta grande sorte... A minha filha parou muito tempo de estudar. Agora Deus abriu-lhe uma porta... para trabalhar. Outra jovem, a Dulce, disse: Este curso vai dar-me uma grande ajuda para a minha vida. Estou muito contente. Quando soube que havia curso de hotelaria e culinária na Trindade, fiquei feliz; disse para mim mesma: é desta vez, Judite, que vais aprender. Pensei que nunca mais poderia fazer nada para a minha formação, porque da roça de São José à cidade é muito dinheiro no táxi todos os dias. Agora parece-me como um sonho. (Dadá) 14