1
ARQUITETURA MODERNA RESIDENCIAL DE CAMPINA GRANDE:
REGISTROS E ESPECULAÇÕES (1960 - 1969)
Adriana Leal de Almeida Freire
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande:
registros e especulações (1960 – 1969)
João Pessoa
2007
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande:
registros e especulações (1960 – 1969)
Monografia apresentada como trabalho final de
graduação em Arquitetura e Urbanismo ao Centro
de Tecnologia da Universidade Federal da Paraíba
Orientadora: Profª Drª Nelci Tinem
João Pessoa
2007
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande:
registros e especulações (1960 – 1969)
Banca Examinadora:
__________________________________________________
Profª Drª Nelci Tinem
Orientadora
__________________________________________________
Profª Drª Maria Berthilde Moura Filha
Examinadora
__________________________________________________
Profª Drª Jovanka Baracuhy C. Scocuglia
Examinadora
Dedicatória
A titio (porque era assim que gostaria que o chamasse) e Arthur, para que
jamais sejam esquecidos.
Agradecimentos
A Deus, pela vida.
À minha família, porque por eles essa vida faz mais sentido e é prazerosa. Em especial, à minha mãe (Patrícia), pela dedicação e
apoio incondicional, e pela ajuda nas etapas mais desgastantes dessa pesquisa; aos meus avós (Maurício e Marília), pelo exemplo
de vida digna e de amor, e por dividirem comigo um pouco do prestígio e da história de Campina Grande; a Dani (irmã) e Rodolpho
(cunhado), pela amizade incontestável e pelo reflexo de força e esperança; a Eliane (tia), por acreditar no meu potencial.
A Maria José (Zezé), pelo carinho e cuidado, pela alegria e pelos cafezinhos.
A D. Esmeralda e demais funcionários do Arquivo da PMCG, pela simpatia e atenção dedicadas durante a pesquisa.
A Jussara Bióca, pelos postais valiosos herdados de seu avô, Antônio Francisco Bióca, e aqui utilizados.
Aos proprietários das residências visitadas, pela colaboração e gentileza.
Aos meus amigos, próximos ou distantes, por fazerem parte dessa jornada. Sobretudo aos que, de alguma forma, ajudaram nesse
trabalho e cujos nomes precisam ser relacionados: Renan (logomarca), Cláudio David (ajudas diversas), Sérgio (edição de algumas
fotos), Marcus Vinícius (por dividir a preocupação com o patrimônio arquitetônico de Campina Grande e por fornecer, sempre que
possível, material para o estudo), Juliano (pelo material cedido), companheiros de PIBIC/PIVIC – Alexandre, Carol, Lídia e Thaíse
(pela atenção veiculada a Campina Grande durante as pesquisas com os jornais).
A Nelci, pela orientação, estímulo e, acima de tudo, confiança.
“(...) seria cruel submeter a arquitetura desaparecida à uma segunda morte, aquela do
esquecimento.”
(Lauro Cavalcanti)
Resumo
Este trabalho consiste no registro das residências da cidade de Campina
Grande – PB, projetadas durante a década de 1960 e influenciadas pelas
Arquitetura Moderna Brasileira. Justifica-se não somente pelo valor da
produção moderna para a cidade e para o país, mas, principalmente, pela
situação de descaso e de urgência em se preservar tal patrimônio
ameaçado. A falta de estudos sobre o tema induziu a uma pesquisa de
cunho teórico que contextualizasse tanto a arquitetura quanto o acervo
específico, ressaltando sua importância e procurando identificar elementos
importantes para análise e reflexões. O registro abrange 188 projetos
residenciais consultados no Arquivo Municipal da Prefeitura de Campina
Grande, os quais foram mapeados e tiveram seus dados sistematizados
em fichas-base (o conjunto dessas fichas compõe o volume complementar
deste). Diante da necessidade de medidas de preservação e de trabalhos
que aprofundem o tema, torna-se relevante a continuidade dessa
pesquisa.
Palavras-chaves: Arquitetura Moderna, Campina Grande, residências.
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
SUMÁRIO – Volume 1
3. O número de exemplares selecionados ...........................................35
4. Identificação das casas e preenchimento das fichas-base ..............36
5. Mapeamento e algumas reflexões ...................................................37
Introdução ............................................................................................. 01
1. Caracterização do objeto de estudo ................................................ 01
Capítulo 3. Análise e reflexões sobre o acervo investigado ............41
1.1 Localização ................................................................................ 01
1. A implantação da casa no lote e a organização espacial ................42
1.2 Campina Grande: histórico e desenvolvimento ......................... 02
2. Aspectos construtivos e a cobertura ................................................46
1.3 Panorama da cidade na década de 1960 .................................. 04
3. Aspectos formais ..............................................................................47
1.4 Delimitação do objeto em estudo .............................................. 07
2. Objetivos .......................................................................................... 08
Considerações Finais ...........................................................................58
2.1 Objetivo geral ............................................................................. 08
2.2 Objetivos específicos ................................................................. 08
Referências ............................................................................................62
3. Justificativa ...................................................................................... 08
4. Pressupostos metodológicos ........................................................... 11
Anexos
4.1 Caminhos a trilhar – etapas e métodos ..................................... 11
Anexo I – Ficha-padrão Juliano Carvalho (IPAC) ...................................65
4.2 Suportes – referências e trabalhos correlatos ........................... 12
Anexo II – Ficha cadastral Izabel Silva ...................................................68
4.2.1 Referências gerais sobre o tema ..................................... 12
Anexo III – Ficha Josicler Alberton .........................................................74
4.2.2 Referências específicas ................................................... 13
Anexo IV – Fichas DOCOMOMO ...........................................................76
5. Estrutura do Trabalho ...................................................................... 17
Anexo V – Quadros sinóticos ..................................................................82
Capítulo 1. Campina Grande no contexto da Arquitetura
Moderna Brasileira ............................................................................... 18
Capítulo 2. Levantamento e sistematização dos dados
coletados ............................................................................................... 29
1. Os primeiros passos ........................................................................ 29
2. A ficha-base ..................................................................................... 32
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
Introdução
1
1. Caracterização do Objeto de Estudo
1.1. Localização
Se a proteção do patrimônio arquitetônico vem se consolidando
como medida necessária à preservação da memória coletiva e cultural, a
produção moderna apenas começa a ser vista como tal e continua sendo
O município de Campina Grande pertence à região da Borborema
do Estado da Paraíba, no Nordeste do Brasil.
objeto de discussão, sendo desconsiderada, por muitos, como “patrimônio”,
especialmente quando se refere à arquitetura das cidades pequenas e
periféricas, produzida por arquitetos locais ou regionais.
Assim, o objetivo dessa pesquisa é, não somente promover o
interesse pela produção arquitetônica moderna brasileira, mas fazê-lo de
maneira a incluir a arquitetura da cidade de Campina Grande, pólo de
desenvolvimento no interior do Estado da Paraíba.
Dada a amplitude e complexidade do tema, determinou-se para
este estudo um recorte temporal que vai de 1960 a 1969 e um enfoque
temático que abrange as residências de Campina Grande, exemplares alvo
de freqüentes descaracterizações, acréscimos, reformas ou demolições.
Qualquer que seja a forma de intervenção assiste-se, não só nesta como na
maioria das cidades brasileiras, à destruição do patrimônio arquitetônico.
Portanto, na tentativa de amenizar essa problemática, este trabalho
propõe-se a fazer uma reflexão acerca da manifestação da arquitetura
moderna em Campina Grande, tendo como ponto de partida o registro de
uma década de construção de edifícios residenciais. Estes registros
preliminares da pesquisa buscam, por um lado, evitar que esse patrimônio
desapareça de nossa memória sem deixar pistas e, por outro, fornecer
Mapa 01: Localização do Município de Campina Grande e suas distâncias em
relação a Natal, João Pessoa, Recife e Caruaru (Fonte: Wikipédia e Google Earth,
adaptado pela autora).
subsídios para ações e estudos posteriores.
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
2
Servindo de pólo de convergência das cidades do interior da
Paraíba e contribuindo para seu desenvolvimento, o município fica a uma
distância aproximada de 125 km da capital, João Pessoa, além de estar
próximo de importantes cidades de outros estados, como Recife (203 km),
Natal (270 km) e Caruaru (166 km).
Na sua configuração atual, além da cidade de Campina Grande,
abrange três distritos rurais (Galante, São José da Mata e Catolé de Boa
Vista), com uma área de 620,63 km² e uma população de 376.132
habitantes 1 .
Campina
principalmente,
Grande
de
é
serviços,
uma
cidade
funcionando
industrial,
também,
comercial
como
pólo
e,
de
concentração de oferta de educação e saúde para o interior da Paraíba.
Imagem 03: Vista Aérea do Centro de Campina Grande: A = Açude Velho; B = Ed.
Palomo; C = Ed. Lucas; D = Ed. Rique; E = Edifício Inacabado. Pontos marcados
para orientação/comparação com as imagens 01 e 02 (Fonte: Google Earth, 2006).
1.2 Campina Grande: Histórico e Desenvolvimento
A origem de Campina Grande está vinculada ao aldeamento de um
grupo de índios ariús ou ariás, trazidos do arraial Piranhas pelo capitão-mor
Imagem 01: Vista Panorâmica da
Cidade de Campina Grande, década
de 1980 – Foto: Neiva (Fonte: Atlas
Geográfico da Paraíba, 1985,
adaptado).
Imagem 02: Vista Parcial do Centro
Urbano de Campina Grande, década de
1990 – Foto: Cácio Murilo (Fonte: Atlas
Escolar da Paraíba, 2002, adaptado).
Teodósio de Oliveira Ledo. Antes de descer a Borborema, aldeou-os numa
grande campina, nos limites orientais da região dos cariris, fundando o
núcleo que deu origem a Campina Grande (Almeida, 1962: 35).
Ainda segundo Almeida (1962: 37-38), não foi difícil ao capitão-mor
1
Conforme o censo de 2000 do IBGE, essa era a população estimada para 2005.
desenvolver o núcleo iniciado dadas as condições favoráveis do sítio: o
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
3
clima ameno, a existência de matas e, principalmente, a localização
interior do Nordeste: 1.234,12% (Barbosa, 1991: 35). Foram também de
geográfica, configurando-se como o ponto de passagem preferido na
grande relevância para o incremento da cidade, a inauguração da
comunicação entre o litoral e o sertão, que motivou sua ocupação.
iluminação pública em 1920 e do abastecimento de água em 1940.
“Situada no alto da serra da Borborema, distando pouco mais de cem
quilômetros da Capital do Estado e localizada num ponto central de todas
as regiões geo-econômicas da Paraíba, Campina Grande nasceu com
condições básicas essenciais para se tornar um pólo de desenvolvimento.
(...) Cruzada de estradas em todas as direções passou a ser passagem
obrigatória ou preferida para quem penetrava os sertões ou descia à
capital...” (Sylvestre, 1982: 21).
O Anuário da Paraíba publicou, em 1936, números mais
detalhados:
“Campina Grande. Principal cidade do interior do Nordeste brasileiro...
sobreleva-se pela grandeza crescente do seu imóvel que é de 14.575
casas, das quais 6.121 urbanas e as restantes, em número de 8.454,
povoam os vários distritos do município; pelo seu intenso comércio de
algodão, cujo crescente desenvolvimento a coloca naturalmente como
sendo hoje a terceira praça algodoeira no mercado mundial” (Câmara,
1991: 123-124).
Em 1769, foi criada a freguesia de Nossa Senhora da Conceição
com sede no povoado de Campina Grande, acentuando o seu
desenvolvimento, que até então vinha sendo lento e silencioso (Câmara,
1998: 24). Elevada à vila em 1790, sob o nome de Vila Nova da Rainha,
permaneceu nessa condição por 74 anos, apresentando um lento
crescimento, sendo, em 11 de outubro de 1864, elevada à categoria de
cidade (Almeida, 1962: 48).
A vontade de dar novas feições à cidade, condizentes com o
“progresso” descrito anteriormente fez com que, no mesmo ano, o então
prefeito Vergniaud Wanderley iniciasse uma espécie de “Revolução Urbana
de Campina 2 , incentivando e ordenando a derrubada de todas as antigas
construções da região central para a implantação de um plano urbanístico
Até então criticada pela carência nos empreendimentos, a partir de
que desse novos ares à cidade. Tratava-se de uma brusca transformação,
1907 inicia um processo de renovação urbana, alavancada pelo advento da
não só com a alteração dos traçados, mas com a demolição do patrimônio
estrada de ferro – marco para o alcance da hegemonia comercial no interior
arquitetônico do município.
do Estado – e pela chegada do automóvel, em 1918. Campina Grande,
durante esse período, teve um aumento de número de edifícios da ordem
de 300%, revelando o crescimento da cidade, que se torna com a rodovia o
ponto de partida e centro de convergência do interior da Paraíba e estados
vizinhos e propicia um processo contínuo de desenvolvimento visando o
O reflexo dessa política de modernização veio em números:
Campina Grande aparece na década de 1940 com a maior renda municipal
da Paraíba, atingindo dois milhões de cruzeiros, e como o município mais
populoso do Estado, tendo 127.397 habitantes, enquanto a capital tinha
95.386 (Câmara, 1991: 132-134).
“progresso” em ritmo acelerado (Câmara, 1991: 50 e 82).
A estrada de ferro veio impulsionar o desenvolvimento urbano da
cidade de tal maneira que, entre 1907 e 1940, o crescimento populacional
chegou a ser absurdo para os padrões de crescimento das cidades do
2
A “Revolução Urbana de Campina” é estudada por Fábio Gutemberg de Sousa (2003) e por
Fabrício Lira (1999), mas ainda carece de estudos mais detalhados acerca das transformações
urbanas.
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
4
Com a comercialização do algodão, Campina Grande ficou
conhecida internacionalmente, fazendo com que, a partir de 1940,
ocorresse um crescimento considerável no número de estabelecimentos
industriais e de operários, superando em ambos os aspectos a capital do
Estado a partir da década de 1950 (Lima, 1999: 121-122).
A
década
de
1950
caracteriza-se
como
um
período
de
diversificação econômica, salientando-se a produção do sisal em face de
um período de declínio da produção do algodão (Barbosa, 1991: 47). Além
disso, já na década anterior, a cidade via surgir novas indústrias ligadas a
atividades têxteis, couro, alimentos, produção mineral etc.
Imagem 06: Igreja do Rosário – demolida
em 1940 (Fonte: Elpídio de Almeida).
Imagem 07: Paço Municipal ao lado da
atual catedral – demolido em 1939
(Fonte: Elpídio de Almeida).
1.3 Panorama da Cidade na Década de 1960
A incipiente industrialização e a evolução nas atividades comerciais
durante a década de 1940, não só alavancaram o crescimento e a
concentração urbana, como também impulsionaram o desenvolvimento
econômico da cidade.
Campina Grande experimentou um acelerado desenvolvimento
Imagem 04: Campina Grande - Rua
Cardoso Vieira na década de 1930 –
Foto: Sóter Carvalho (Fonte: Atlas
Geográfico da Paraíba, 1985).
Imagem 05: Campina Grande - Rua
Cardoso Vieira na década de 1980 –
Foto: Neiva (Fonte: Atlas Geográfico da
Paraíba, 1985).
industrial, a ponto de ser considerada pela SUDENE como uma das cidades
mais industrializadas do Nordeste no período 1960-70 (Silva, 1987: 53).
Esse cenário era complementado pelo fato de a cidade ser sede da
Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (FIEP), do Serviço Social
da Indústria (SESI), do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial
(SENAI), da Bolsa de Mercadorias do Estado da Paraíba e sede de 12 dos
16 sindicatos patronais do Estado, além de ter implantadas duas
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
5
Universidades - UFPb e FURNe, atuais UFCG e UEPB, respectivamente
48,66% no industrial, de acordo com o Censo Industrial do Estado da
(Ibid: 53).
Paraíba, 1960-70.
Outro ponto significativo foi a criação dos Distritos Industriais de
Paradoxalmente, conforme assegura Iranise da Silva (1987: 63), a
João Pessoa e Campina Grande no final de 1963. Campina começa a se
urbanização
destacar pelo número de projetos enviados à SUDENE e pelas facilidades
concentrada, como conseqüência da estrutura social e política que
criadas para instalação de indústrias no município, atingindo, entre os 92
privilegiava os interesses e demandas das camadas de altas rendas.
municípios nordestinos selecionados pela Superintendência, a quarta
Ademais, o intenso crescimento populacional coincidia com um processo
posição em população e produção industrial, a quinta em produção agrícola
concentrador de terrenos destinados à construção de casas de alto padrão,
e a sexta em número de empresas e arrecadação tributária (Ibid: 52). A
ampliando as áreas urbanas mais valorizadas.
cidade torna-se a Capital do Trabalho.
Era esse o clima nos anos de 1960: um terreno fértil para
investimentos em industrialização, centro polarizador de várias regiões do
de
Campina
Grande
era
social
e
economicamente
Assim sendo, emerge uma sociedade de médio e alto poder
aquisitivo que pretende estender o espírito “modernizador” também a suas
habitações, foco central desta pesquisa.
estado e população em crescimento, enfim, um espaço em expansão.
Visando atender a essa realidade em transformação são fortes os
investimentos nos setores de educação, assistência social e recreativa
(muitos clubes surgem nesse período), além de projetos de melhoria da
infra-estrutura urbana (construção de galerias, meio-fio, calçamento etc.) e
de urbanização do Açude Novo e das praças José Pinheiro e José Américo
de Almeida (Barbosa, 1991: 160-187).
Dessa forma, pessoas de cidades vizinhas e até de outras regiões
aportavam em Campina Grande na busca de melhores oportunidades de
emprego e serviços de educação. Muitos empresários passaram a se
interessar pela instalação de suas indústrias na cidade. A tendência
urbanizante se confirma com o crescimento do número de estabelecimentos
comercias e industriais e, em conseqüência, o perfil da população
economicamente ativa se altera, crescendo 26,92% no setor comercial e
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
6
Imagem 08: Distrito
Industrial de
Campina Grande,
(Fonte: Atlas Escolar
da PB, 2002,
adaptado).
Imagem 09:
Expansão Urbana de
Campina Grande
(Fonte: Atlas Escolar
da Paraíba, 2002,
adaptado).
Imagem 10: Vista Aérea de Campina Grande com bairros de expansão na porção
sul e o Distrito Industrial (A = Açude Velho; B = Saída para João Pessoa; C =
Hospital Psiquiátrico João Ribeiro; D = Indústria). Pontos marcados para
orientação/comparação das imagens 08 e 09 (Fonte: Google Earth, 2006).
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
7
A consolidação da arquitetura moderna na cidade só se dá de fato
1.4 Delimitação do Objeto em Estudo
Muito já se falou e ainda se fala, em Campina Grande, sobre o Art
Déco, que reinou absoluto especialmente na década de 1940 e perdurou
durante a década seguinte. O moderno só vem de fato aparecer na cidade a
na década seguinte, notadamente com a construção do Teatro Municipal
Severino Cabral (1962-63), projeto de Geraldino Pereira Duda, umas das
obras mais significativas da época, o que não implica dizer ser a primeira 3 .
partir de 1950 e vai ser a expressão arquitetônica de uma nova fase que se
instaura na cidade: a industrialização.
Entretanto, o curto prazo para realização do Trabalho Final de
Graduação impôs a necessidade de se delimitar um enfoque temporal.
Assim, uma análise prévia a partir dos exemplares encontrados na cidade
induziu a afirmação da década de 1960 como a mais expressiva. Não foi
Imagem 11: Geraldino Pereira
Duda. Teatro Municipal Severino
Cabral, 1963 (Fonte: website do
Teatro).
por coincidência que, após a realização de leituras sobre a evolução do
município, foi exatamente esta a fase que se revelou de significativo
desenvolvimento e progresso, atraindo pessoas de diversas regiões a
construir suas moradias. É, portanto, o período áureo de Campina Grande.
Na verdade, é um momento importante no cenário nacional: é a era
Juscelino Kubtischek, com sua política desenvolvimentista e com o Plano
de Metas, que se reflete diretamente na produção arquitetônica do país,
principalmente com a experiência de Brasília, inaugurada em 1960. Como
mostram Fabiano de Melo e Marcus Vinicius Queiroz (2006), no artigo
“Arquitetura Moderna em Campina Grande: emergência, difusão e a
produção dos anos 1950”, os jornais locais mostravam com entusiasmo as
realizações do governo federal e estampavam fotos dos grandes
monumentos erguidos na nova capital. Assim, a sociedade campinense não
Essas razões justificam o interesse pelo estudo dos anos 1960.
Além disso, o descaso com as residências da época, algumas já
desaparecidas por completo da imagem da cidade, outras desfiguradas por
intervenções mutiladoras, aguçaram a necessidade da realização de
registros dessa produção, visando à formação de um banco de dados, que
forneça subsídios para as pesquisas que dêem continuidade a este trabalho
e para as ações que vierem a ser propostas e/ou realizadas. Assim, esta
pesquisa abrangerá o período de 1960-1969 e terá como recorte temático a
produção residencial.
podia ficar de fora desse processo de modernização, já mostrando, na
década de 1950, a necessidade de desapego ao tão marcante Déco.
3
No capítulo 1, buscar-se-á dar um enfoque à produção arquitetônica campinense na década
de 1960.
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
2. Objetivos
2.1 Objetivo Geral:
•
Registrar e sistematizar os exemplares de arquitetura moderna
residencial da década de 1960, em Campina Grande - PB.
8
3. Justificativa
O DOCOMOMO, International Working Party for Documentation
and Conservation of Buildings, Sites and Neighbourhoods of the Modern
Moviment, revela que a herança do movimento moderno mostra-se
comprometida nas últimas décadas, tendo, a partir do final de 1980, perdido
muitos de seus significativos exemplares. Na verdade, a Arquitetura
2.2 Objetivos Específicos:
•
Contextualizar a produção de Campina Grande no panorama da
arquitetura brasileira;
•
Fazer o mapeamento das edificações em estudo, a fim de identificar
as áreas da cidade onde as mesmas estão concentradas;
•
Investigar, brevemente, o acervo, através de alguns critérios de
análise e reflexões que facilitem o entendimento do nível de
modernidade dessa produção;
•
Moderna, de um passado ainda recente, é pouco reconhecida e, muitas
vezes, negada.
Nesse contexto, no Brasil e em todo o mundo, sem exceção para
Campina Grande, assiste-se à destruição parcial ou mesmo completa de
fragmentos desse patrimônio material, testemunho da memória de uma
sociedade e/ou de um importante período.
A valorização do patrimônio cultural já vem sendo discutida com
maior ênfase e sua proteção ganhou aliados, com a criação dos órgãos e
institutos responsáveis, como é o caso do IPHAN, Instituto do Patrimônio
Ressaltar a importância de se preservar e historiar a memória
Histórico e Artístico Nacional, criado em 1936 com a denominação de
edificada da cidade.
SPHAN, e da UNESCO, Organização das Nações Unidas para a Educação,
a Ciência e a Cultura, fundada em 1945. Todavia, figura-se como corrente a
falta de conscientização da importância de se preservar o patrimônio
moderno. Daí, as impensadas demolições, descaracterizações e falta de
compromisso com tal momento de nossa história.
No caso específico de Campina Grande, observa-se uma
valorização do Art Déco, presente nas regiões centrais da cidade e fruto da
política de reforma urbana que assolou a cidade nas décadas de 1930 e
1940, destruindo exemplares do ecletismo em prol de sua “modernização”.
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
9
A cidade começa, hoje, a dar sinais do início da destruição da sua fase
moderna, período de grande prosperidade e progresso, entre os anos 1950
e 1960, como demonstram os dados tratados no item sobre a evolução de
Campina Grande.
Observa-se, pois, o surgimento de edifícios altos, clínicas,
consultórios, estabelecimentos comerciais, entre outros, nos terrenos antes
ocupados por residências da alta sociedade campinense, ora demolidas,
ora remodeladas de tal forma que se torna difícil a identificação das
características originais dessas edificações. É a imagem da cidade sendo
apagada
e
redesenhada
constantemente,
o
que
provoca
alguns
questionamentos. Até quando se assistirá às constantes mudanças na
estrutura urbana de Campina Grande sem se perguntar qual a necessidade
Imagem 12: Geraldino
Duda. Residência
Severino da Costa
Ribeiro – antes e
depois (demolida, hoje
estabelecimento
comercial), 1961.
Fonte: Prefeitura
Municipal de CG e
autora.
dessas mudanças e quais os benefícios para a cidade? O que está sendo
feito e de que forma pode-se salvaguardar a memória coletiva dessa
sociedade?
No momento, pouco ou nada vem sendo feito. A prova está no
processo de destruição ou descaracterização de importantes edificações,
como o caso da Residência Severino da Costa Ribeiro (demolida, hoje
farmácia – imagem 12), da Residência do Dr. Sebastião Pedrosa
(modificada, hoje clínica – imagem 13), da Residência Loureiro Celino
(demolida, também farmácia – imagem 14), do Campinense Clube, do
antigo “GRESSE” - Grêmio dos Subtenentes e Sargentos do Exército -,
depois Sede Social do Treze Futebol Clube (hoje, abandonado – imagem
15), dentre tantos outros exemplares que ficaram somente na memória de
uns e no esquecimento de outros.
Imagem 13: Tertuliano
Dionísio, José Luiz
Menezes e Edy
Marreta. Residência
Dr. Sebastião Pedrosa
– perspectiva e
situação atual
(reformada), 1961.
Fonte: Arquivo
Municipal de CG e
autora.
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
10
Imagem 15: Isac Soares. Antigo “GRESSE” - Grêmio dos Subtenentes e Sargentos
do Exército -, depois Sede Social do Treze Futebol Clube – desenho da fachada e
situação atual (reformada e em abandono), 1961. Fonte: Arquivo Municipal de CG e
autora.
Ao analisar a arquitetura moderna e sua manifestação em Campina
Grande, buscar-se-á elencar diversas características e peculiaridades que
denotem a relevância dessa arquitetura para a cidade e mesmo para o país.
A intenção, nesse momento, não é avaliar o grau de importância desta
Imagem 14: Augusto Reynaldo. Residência Loureiro Celino – antes e depois
(demolida, hoje estabelecimento comercial), 1957-60. Fonte: Família Loureiro Celino
e autora.
produção, mas provocar questões relativas à forma como a cidade vem se
transformando. Há ainda muito a ser estudado quanto ao repertório
arquitetônico campinense, entretanto, antes que seja tarde, faz-se
necessário tomar certas medidas em relação à proteção da sua imagem e
memória.
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
4. Pressupostos Metodológicos
11
através da busca de registros de arquitetura e urbanismo na Paraíba, no
periódico A União, entre 1950-1970.
4.1 Caminhos a trilhar – etapas e métodos
Apesar do caráter incipiente do estudo, muito comum em trabalhos
desta natureza, a investigação vem sendo realizada segundo uma
metodologia de pesquisa específica, estruturada com base em quatro
diretrizes, a saber:
b) Pesquisa de Campo: tem como base quatro procedimentos que
possuem vínculos entre si.
O primeiro é a observação direta, o olhar do pesquisador
identificando exemplares modernos na cidade que venham a satisfazer os
requisitos definidos pelos estudos teóricos e pela “vivência” das obras
a) Pesquisa Teórica: dividida em duas etapas, que são a caracterização do
modernas. É o que se poderia chamar de uma pesquisa de campo prévia,
objeto de estudo e a inserção deste na produção arquitetônica brasileira.
definidora do objeto de estudo e base para a justificativa apresentada.
A primeira busca dados e elementos que tracem um panorama
O segundo, mais extenso e mais complexo, é a investigação
acerca da evolução da cidade de Campina Grande, especificamente no
minuciosa dos projetos existentes no Arquivo Municipal de Campina
enfoque cronológico aqui proposto. Está pautada na leitura de livros, teses,
Grande. É lá onde se encontram as licenças para construção e reforma com
monografias, artigos, entre outros, que tratam da história do município e do
os respectivos projetos anexados. Trata-se, pois, de uma fonte fidedigna,
Estado, além das transformações realizadas durante seu crescimento, ora
permitindo a adoção de datas precisas. Dos projetos encontrados são
pela política ali desenvolvida, ora pelo processo de industrialização a que se
anotadas as informações e tiradas fotografias dos desenhos.
submeteu na década de 1960.
O terceiro é a identificação das residências cujos projetos foram
A segunda tem como objetivo, fornecer subsídios para o estudo da
selecionados no arquivo. Algumas residências consideradas significativas
Arquitetura Moderna Brasileira, sua difusão e manifestação no município de
serão escolhidas para visita. As informações dos proprietários e a
Campina Grande. Está intimamente relacionada com a leitura de livros que
observação direta fornecerão dados específicos sobre a situação atual da
tratam do tema, como apontados na bibliografia, e com trabalhos correlatos
edificação, as mudanças realizadas, a organização espacial, a proposta
já realizados ou em elaboração. Tem como meta orientar de forma direta a
plástico-formal e quando possível os recursos estruturais. Quando
escolha dos exemplares a serem registrados, auxiliando na identificação de
autorizado será feito o registro fotográfico interno e externo da edificação.
características intrínsecas dessa arquitetura e provocando um olhar
comparativo entre obras campinenses e as já consagradas em diferentes
partes do país. Está amparada também por uma pesquisa de iniciação
A última fonte de informações são as entrevistas com os autores,
construtores, antigos proprietários e funcionários municipais que possuam
dados que auxiliem na confirmação das constatações ainda não
científica (Projeto e Memória, UFPB/PIVIC/CNPq) que está sendo realizada
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
12
consolidadas e na construção da história da introdução da arquitetura
manuais de história da arquitetura moderna brasileira. Tinem (2002) é um
moderna na cidade.
estudo historiográfico importante na medida em que traduz a forma como foi
Para registrar de forma sistemática os dados obtidos na pesquisa
de campo tornou-se indispensável a construção de uma ficha-base. Assim,
cada exemplar a ser cadastrado terá uma ficha com seus dados básicos,
incluindo também fotografias e desenhos do projeto.
construída a história da arquitetura brasileira, analisando os ensaios
monográficos sobre o tema, os manuais de história da arquitetura moderna
e as revistas de arquitetura de difusão internacional. Já Cavalcanti
(2000/2001), com seu “Quando o Brasil era moderno: guia de Arquitetura
1928-1960”, constitui um roteiro de informações sobre os principais
c) Preenchimento das fichas-base: será realizado em paralelo à pesquisa
arquitetos e obras dessa produção brasileira.
de campo e acompanhado de um quadro sinótico 4 referente a cada ano da
De caráter auxiliar são as fontes complementares: a) Goodwin
década tratada.
(1943) e Mindlin (1956), ensaios pioneiros sobre a arquitetura moderna
d) Análises e reflexões: para assegurar um conhecimento mais específico
sobre o acervo em estudo, serão selecionados alguns critérios de análise
dessa produção campinense, com o intuito de desencadear algumas
reflexões relevantes sobre o tema.
brasileira; b) Benévolo (1960/2004), Argan (1971/1992) e Frampton
(1980/1997), que identificam a produção brasileira na história da arquitetura
moderna; c) teses e dissertações, como a de Guilah Naslavsky (2004),
Izabel do Amaral e Silva (2004), Alexandra Consulin de Melo (2003) e
Josicler Alberton (2006); d) além de artigos e outras publicações sobre o
4.2 Suportes – referências e trabalhos correlatos
tema.
A identificação dos marcos cronológicos e da forma como se
4.2.1 Referências gerais sobre o tema
constituiu a historiografia da arquitetura moderna brasileira, ajuda a
Uma leitura sobre as origens e difusão da Arquitetura Moderna no
entender de que maneira essa produção se manifestou em outras partes do
Brasil, tornou-se imprescindível desde a escolha do tema. Na tentativa de
país: a Semana de Arte Moderna de 1922, as primeiras obras do arquiteto
fornecer os subsídios necessários para a elaboração da pesquisa e análises
Gregori Warchavchik (final da década de 1920 e início da de 1930), as
posteriores dos exemplares a serem tratados, buscou-se elencar algumas
visitas de Le Corbusier ao Brasil (1929 e 1936), a atuação de Luís Nunes
fontes essenciais e outras complementares.
em Recife (1934-1937), a construção do edifício do Ministério da Educação
As fontes essenciais são, sobretudo, os ensaios de Yves Bruand
(1981/2005)
4
5
e Hugo Segawa (1998/2002), que se configuram como
Os quadros sinóticos e a ficha-base serão explicitados no capítulo 2.
(1936-1943), o Pavilhão do Brasil na Exposição Internacional de Nova York
(1939), as obras do Conjunto da Pampulha (1942-1943) de Oscar
5
As datas referem-se aos anos da 1ª edição e da versão utilizada, respectivamente.
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
13
Niemeyer, o Conjunto residencial Pedregulho (1947-1952) de Affonso Reidy
Trata-se de um dos poucos trabalhos de conclusão do curso de
e a construção de Brasília (iniciada em 1957 e inaugurada em 1960), são
arquitetura cujo objeto se caracteriza como pesquisa 6 . Por isso, apesar de
marcos consolidados dessa fase da arquitetura brasileira.
abordar um tema distinto, contribuirá diretamente na estrutura do trabalho e
A repercussão da arquitetura brasileira no cenário internacional e
na metodologia a ser adotada.
sua aceitação no território nacional, sustentada pela conjuntura política e
Está dividido em 2 volumes: o primeiro compreende a introdução, 3
pelo conhecimento das obras modernas que possuíam os arquitetos,
capítulos (revisão bibliográfica, elaboração/preenchimento das fichas-
somada aos seus estudos aprofundados sobre o concreto e os elementos
padrão e história da arquitetura dos engenhos) e a conclusão (resultados e
de controle do clima e da luz, fizeram com que essas idéias se
especulações); o segundo volume é o produto principal da monografia: o
disseminassem por todo o Brasil.
pré-inventário propriamente dito, contendo 63 fichas de sítios e 68 fichas de
Os arquitetos do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, em
edificações dos bens pré-inventariados, organizados por municípios.
Dentro
número mais expressivo (e/ou mais conhecidos), e os de Pernambuco e
dos
aspectos
metodológicos,
o
autor
listou
11
Bahia foram os pioneiros nessa difusão da arquitetura moderna brasileira,
procedimentos e etapas: 1) revisão bibliográfica; 2) entrevistas com
entre os quais se destacam: Lúcio Costa, Oscar Niemeyer, Affonso Reidy,
profissionais; 3) montagem da base cartográfica digital da área de estudo;
Vilanova Artigas, Oswaldo Arthur Bratke, Rino Levi, Acácio Borsoi, Delfim
4) elaboração das fichas-padrão; 5) análise dos mapas e croquis de campo;
Amorim, Sérgio Bernardes, dentre tantos outros que, com suas obras (e em
6) pesquisa de campo; 7) levantamento de dados históricos; 8)
alguns casos, contribuições teóricas), trataram de expressar as principais
preenchimento das fichas-padrão, organizando e sistematizando os dados
características dessa arquitetura no Brasil.
levantados; 9) integração das etapas 3 e 8 num Sistema de Informações
Geográficas; 10) diagnóstico preliminar do objeto de estudo, a partir do
banco de dados montado; 11) produção de material para apresentação.
4.2.2 Referências específicas
O objetivo principal da pesquisa é desenvolver um pré-inventário de
4.2.2.1 Pré-inventário dos engenhos da várzea do rio Paraíba (Juliano
modo a constituir “o substrato para trabalhos posteriores de análise,
Loureiro de Carvalho, 2005)
A monografia apresentada por Juliano Carvalho, como Trabalho
6
Final de Graduação do CAU/UFPB em 2005, orientada pela Profª. Nelci
Tinem, é um extensivo e preliminar inventário do patrimônio arquitetônico
ligado aos engenhos da várzea do rio Paraíba.
Outros trabalhos de graduação, pioneiros como trabalhos de pesquisa, defendidos no curso
de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Paraíba merecem destaque: a)
MOURA FILHA, Maria Berthilde et al. Patrimônio arquitetônico e urbanístico de João Pessoa:
um pré inventário. João Pessoa, 1985. Monografia de graduação. CAU/UFPB; b) ROCHA,
Mércia Parente. Manifestação da arquitetura moderna em João Pessoa. João Pessoa, 1987.
Monografia de graduação. CAU/UFPB.
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
14
preservação e revitalização deste patrimônio ameaçado e esquecido”
pela Profª. Guilah Naslavsky 7 . Do total, 34 são projetos de residências (23
(Carvalho, 2005: 8).
em Recife, 08 em João Pessoa, 02 em Fortaleza e 01 em Maceió) e 14
Além da estrutura e metodologia adotadas, outro item significativo
projetos de edifícios de apartamentos (todos em Recife).
para este trabalho são as fichas-padrão e a forma de sistematização dos
Catalogados esses projetos, a autora sentiu a necessidade de
dados. Um exemplo da ficha de edificação elaborada e preenchida
classificá-los para poder proceder à análise dos exemplares, por isso
encontra-se no anexo I.
agrupou-os em três categorias, a partir da identificação de semelhanças e
diferenças, facilitando a apreciação de cada uma das obras e configurando
o primeiro passo para uma reflexão mais aprofundada. Após considerações
4.2.2.2 Um olhar sobre a obra de Acácio Gil Borsoi: obras e projetos
residenciais 1953 – 1970 (Izabel Fraga do Amaral e Silva, 2004)
A dissertação apresentada por Izabel do Amaral e Silva no
sobre a analogia entre arquitetura e linguagem, Silva conseguiu elaborar um
quadro analítico para ser aplicado às obras de Borsoi (quadro 01). Os
elementos de análise foram, então, destrinchados em cada um dos três
mestrado realizado no PPGAU/UFRN em 2004, orientada pela Profª. Sônia
códigos
Marques Barreto, é um estudo sobre os projetos residenciais (casas e
características são explicitados em seu texto: Código Racionalista, Código
edifícios de apartamentos), do arquiteto Acácio Gil Borsoi, entre 1953 e
Regionalista e Código Estruturalista.
1970, marcando o ano do primeiro projeto do arquiteto em Recife e o
momento de inflexão de sua produção, respectivamente.
arquitetônicos
por
ela
classificados,
cujos
conceitos
e
Assim, segundo a classificação adotada, é analisada a tectônica, a
forma/espaço e os aspectos funcionais. Um artifício bastante interessante
As primeiras etapas de sua pesquisa configuram uma catalogação
utilizado pela autora é a utilização de quadros comparativos (ver quadro 02)
dos projetos, inclusive apresentando, em apêndices, fichas individuais para
entre as obras de Borsoi e obras consolidadas da arquitetura moderna
cada projeto identificado, contendo plantas, cortes, fachadas, perspectivas e
nacional e internacional como, por exemplo, os projetos de Niemeyer,
fotografias. São basicamente os mesmos elementos apresentados na ficha
Reidy, Lúcio Costa, Le Corbusier e Louis Kahn.
elaborada pelo trabalho aqui proposto, entretanto são fichas que não
apresentam uma diagramação específica, ficando os desenhos e imagens
distribuídos de forma seqüencial.
A autora registrou 48 projetos, através de levantamentos feitos nas
Coordenadorias Regionais da Prefeitura Municipal de Recife (onde
encontrou os desenhos originais), através de visitas e de material cedido
7
Guilah Naslavsky é autora da tese apresentada na FAU/USP em 2004, Arquitetura moderna
em Pernambuco, 1951-1972: as contribuições de Acácio Gil Borsoi e Delfim Fernandes
Amorim, também referência significativa para esta pesquisa.
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
15
Quadro 01: Elementos de Análise de Arquitetura (Fonte: SILVA, 2004).
Em cada classificação, Silva lista as obras do grupo e faz reflexões
sobre as características encontradas nas obras de Borsoi e suas
semelhanças com outras obras nacionais e internacionais, finalizando com
uma conclusão preliminar.
O principal objetivo de sua dissertação é, portanto, analisar os
projetos selecionados no intuito de estudar o processo de criação do
arquiteto,
considerado
uma
figura
importante
na
consolidação
da
Arquitetura Moderna Brasileira e especialmente no Nordeste.
Dessa forma, o trabalho de Silva não só contribui para esta
pesquisa através da metodologia adotada 8 , mas também pelo seu tema
central, as residências de Borsoi de 1953 a 1970, com exemplos, inclusive,
na capital paraibana, o que aproxima ainda mais os vínculos entre essa
dissertação e o trabalho aqui proposto. O próprio enfoque cronológico é
bastante próximo e as comparações entre as obras de Borsoi com outras
obras nacionais e internacionais podem ser de grande auxílio.
8
Quadro 02: Obras e projetos de Acácio Gil Borsoi e exemplares nacionais
(Fonte: SILVA, 2004).
No anexo II, encontra-se um exemplo da ficha utilizada por Silva (2004).
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
4.2.2.3
Influência
Modernista
na
Arquitetura
Residencial
de
Florianópolis (Josicler Orbem Alberton, 2006)
16
acesso à documentação e ao morador. As consideradas bem conservadas
e que mantém o uso residencial foram o foco da pesquisa.
Trata-se de uma dissertação apresentada na Universidade Federal
O estudo apresenta uma metodologia que contempla quatro etapas:
de Santa Catarina (UFSC), orientada pela Profª. Carolina Palermo Szücs,
verificação do estado da arte, levantamento de campo, organização dos
cujo objetivo geral, conforme aponta a autora, é:
dados e digitalização dos projetos, análise de dados e conclusão. As fontes
Identificar em que medida as idéias modernistas estiveram presentes na
produção habitacional de Florianópolis, verificando a atualidade dos
elementos construtivos e compositivos empregados em exemplares
remanescentes identificados e inventariados, localizados no centro da
cidade (Alberton, 2006: 35).
O trabalho constitui, portanto, uma análise da influência do
movimento moderno nas casas de Florianópolis, registrando e tecendo
considerações sobre algumas residências construídas na cidade, nas
décadas de 1950 a 1970.
É interessante notar que a pesquisa de Alberton também apresenta
como justificativa para sua realização o intenso ritmo de renovação urbana
principais foram a Secretaria de Urbanismo e Serviços Públicos (SUSP), as
visitas e as entrevistas com moradores e arquitetos.
Para tal, também foi elaborada uma ficha (ver anexo III), dividida
em 5 partes:
•
•
•
•
•
1ª parte: informações gráficas (desenhos e fotos);
2ª parte: informações sobre o projeto (localização, uso atual, ano,
áreas etc.);
3ª parte: leitura arquitetônica da residência, verificando a relação
edificação/terreno, a organização espacial e os materiais utilizados;
4ª parte: síntese da entrevista com o morador;
5ª parte: elementos “modernistas” caracterizados no projeto.
na cidade de Florianópolis, submetida à especulação imobiliária, que vem
provocando diversas descaracterizações/demolições das residências da
época em estudo e, consequentemente, a necessidade de registros.
A autora elabora um extenso referencial teórico que engloba desde
o início das discussões do ideário moderno sobre habitação, sobre o
conceito de casa modernista e sobre a arquitetura no Brasil, com ênfase
Trata-se de uma análise individual de cada residência registrada,
sem uma reflexão macro. Contribui para essa pesquisa principalmente a
metodologia adotada, além da ficha cadastral montada e os modelos de
entrevistas realizadas com os moradores e com o arquiteto Ademar Amaral.
nos exemplares do Rio de Janeiro e de São Paulo, até o declínio da
arquitetura moderna.
O capítulo 3 da dissertação é uma espécie de inventário de 12
residências, das décadas de 1950 e 1960. Os critérios para seleção dessas
edificações foram a localização, o uso atual, estado de conservação e o
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
17
5. Estrutura do Trabalho
O trabalho está dividido em dois volumes, na tentativa de facilitar a
sua consulta, já que o conjunto das fichas preenchidas, o produto final
principal, é o material mais extenso.
O primeiro volume compreende: esta introdução; o capítulo 1, que
busca contextualizar Campina Grande no panorama da Arquitetura
Brasileira, especificamente no recorte temporal proposto; o capítulo 2, que
trata da metodologia utilizada para levantamento dos registros e construção
do conjunto das fichas-base (etapas, métodos, construção da ficha e
amplitude da pesquisa), além do mapeamento das edificações pesquisadas;
o capítulo 3, que busca entender o repertório campinense através de alguns
critérios de análise e reflexões, com ênfase para cinco exemplares
selecionados para amostra e, por fim, as reflexões finais, com algumas
especulações acerca do acervo estudado. Ao final deste volume, estão as
referências bibliográficas e os anexos mencionados no decorrer do texto.
O segundo volume compreende os registros coletados, organizados
e constituindo o conjunto de fichas preenchidas.
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
18
Capítulo 1. Campina Grande no Contexto da Arquitetura
como produção do espaço urbano em Campina Grande - 1907-1935”
Moderna Brasileira
(Carvalho et al., 2006), tenta reconstituir o que seria a produção
arquitetônica da cidade nesse período. Através da análise do número de
pavimentos, da implantação no lote, da cobertura e das influências formais
Para não correr o risco de elaborar uma análise superficial da
identificados nas fotografias são detectadas algumas características, aqui
manifestação da arquitetura moderna brasileira em Campina Grande,
sintetizadas: a predominância de edificações térreas com implantação sem
adotou-se um recorte temático (residências) e outro cronológico (1960-
recuos e com a presença de elementos formais ecléticos; edifícios
1969), específicos para o estudo e focados no registro. Contudo, para que
comerciais com referências ecléticas mais elaboradas nas áreas centrais; e
se entenda a forma como se deu a popularização dos elementos da
construções de uso institucional com referências neoclássicas, onde se
arquitetura moderna brasileira na produção campinense, torna-se relevante
destaca o Paço Municipal e o Grupo Escolar Sólon de Lucena.
fornecer subsídios que explicitem esse contexto em âmbito local e nacional.
Infelizmente, a literatura que trata da história de Campina Grande
tem privilegiado personagens e fatos políticos, além de exaltar a função da
cidade como entreposto comercial, especialmente com a expansão
proporcionada pela chegada do trem (1907), transformando-a na terceira
praça de algodão do mundo. Na esfera acadêmica, surgem alguns estudos
sobre arquitetura e urbanismo campinense, abarcando especialmente o
período de 1935-1945, quando Campina Grande ao fazer parte do “Plano
de Urbanização” das grandes cidades, passou por diversas reformas que
transformaram a sua paisagem urbana.
Pouco se conhece sobre a arquitetura campinense construída até
1935 porque, entre 1930 e 1940, o Art Déco se consolida como símbolo de
um processo de “modernização”, substituindo as edificações ecléticas que,
com raras exceções, permanecem na memória campinense apenas como
registros fotográficos. É com base nesses registros do Museu Histórico de
Imagem 16: Paço Municipal (obras
iniciadas em 1877) – demolido em 1939
(Fonte: MHCG).
Imagem 17: Grupo Escolar Sólon de
Lucena (construído em 1924) – atual
UEPB (Fonte: MHCG).
Nesse período (1907-1935), além da chegada do trem, outro
acontecimento marcante é a inauguração, em 1920, da iluminação pública
das principais artérias da cidade, que já contava com 70.808 habitantes
(IBGE, 1964: 08).
Campina Grande, que o artigo “Trem veloz, rupturas lentas: arquitetura
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
19
autor, é o Elevador Lacerda, em Salvador, considerando-o uma
manifestação mais decorativa que propriamente construtiva, embora em
certas situações as fronteiras entre a decoração e os aspectos estruturais
sejam tênues. No caso de Campina Grande, que se expandia rapidamente
nesse período, observa-se uma concentração dessa arquitetura até a
década de 1940. A partir daí, verifica-se a existência, também, de
Imagem 18: Chegada da luz elétrica na
Rua Maciel Pinheiro, 1920 (Fonte:
MHCG).
Imagem 19: Rua João Pessoa, 1929
(Fonte: MHCG).
Imagem 20: Vista parcial, década de 1920
(Fonte: MHCG).
Imagem 21: Vista parcial, década de
1930 (Fonte: MHCG).
construções de transição, já apresentando alguns pressupostos modernos,
mas ainda com características do Art Déco como, por exemplo, o Grande
Hotel e o prédio dos Correios e Telégrafos da cidade.
Assim, no início da década de 1930, ocorre um processo acelerado
de modificação do espaço urbano campinense, através de reformas
Imagem 22: Vista parcial da Av. Floriano
Peixoto, década de 1940 (Fonte: Arquivo
de Antonio F. Bióca).
Imagem 23: Vista parcial da Av.
Floriano Peixoto, década de 1950
(Fonte: Arquivo de Antonio F. Bióca).
urbanas e arquitetônicas que consolidassem a hegemonia econômica dos
grandes comerciantes, compatível com o capitalismo em expansão no país,
simbolizado, em Campina Grande, pelo art déco (Targino, 2003:102).
No contexto nacional, segundo Segawa (2002) 9 , o Art Déco foi o
suporte formal para inúmeros tipos arquitetônicos que se afirmavam a partir
da década de 1930, uma linguagem que estaria associada à ‘pele’, ao
envolvente das grandes estruturas. O exemplo mais marcante, segundo o
9
Imagem 24: Câmara Municipal (Fonte:
Arquivo de Antonio F. Bióca).
Imagem 25: Grande Hotel, iniciado em
1932, atual PMCG (Fonte: Arquivo de
Antonio F. Bióca).
Ver capítulo 4 – Modernidade Pragmática: 1922-1943.
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
20
Warchavchik é reconhecido como um dos pioneiros da arquitetura
moderna no Brasil, com a Casa do Arquiteto e a Casa Modernista, ambas
em São Paulo, já no final da década de 1920.
Imagem 26: Correios e Telégrafos,
inaugurado em 1951 (Fonte: Arquivo de
Antonio F. Bióca).
Imagem 27: Elevador Lacerda (Fonte:
Wikipédia, 2007).
Imagem 28: Gregori Warchavchik. Casa
do Arquiteto, 1927-1928 (Fonte: Bruand,
2005).
Imagem 29: Gregori Warchavchik. Casa
“modernista”, 1929-1930 (Fonte:
Bruand, 2005).
Há de se destacar também, na cronologia da arquitetura moderna
Com a inauguração do abastecimento de água, em 18 de Janeiro
brasileira, as visitas de Le Corbusier ao país (1929 e 1936), atraindo
de 1940, completam-se os fatores decisivos para o desenvolvimento da
adeptos do movimento moderno, principalmente no Rio de Janeiro e em
“Rainha da Borborema” nesse período.
São Paulo, bem como a presença de Luís Nunes em Recife (1934-1937),
Genericamente, se entre as décadas de 1930 e 1940, em algumas
cidades proliferavam as manifestações do Art Déco, como é o caso de
cidade que teria influência direta sobre Campina Grande através das
relações comerciais que exerciam entre si.
Campina Grande, em outras partes do Brasil eram evidentes as primeiras
manifestações do movimento moderno, cuja difusão no país só se dá, de
fato, a partir do segundo pós-guerra, a partir do apoio oficial e de um
reconhecimento internacional, associados à criação de escolas de
arquitetura e ao deslocamento de profissionais com formação moderna por
diferentes regiões do país.
Imagem 30: Luís Nunes.
Escola rural Alberto Torres,
Recife, 1935 (Fonte: Bruand,
2005).
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
21
A partir de 1945, a influência da arquitetura moderna em Campina
Grande intensifica-se com a atuação de arquitetos de outros estados,
principalmente de Pernambuco e com a consolidação da arquitetura
Brasileira no panorama nacional e internacional, com o êxito alcançado por
construções como o Ministério da Educação e Saúde (1936-1943), o
Pavilhão do Brasil na Exposição Internacional de Nova York (1939) e o
conjunto da Pampulha (1942-1943).
Imagem 33: Oscar Niemeyer. Cassino da
Pampulha, 1942 (Fonte: www.vitruvius.com.br)
Imagem 34: Oscar Niemeyer.
Iate Clube da Pampulha, 1942
(Fonte: www.vitruvius.com.br)
Assim, como apontam Queiroz e Rocha (2006), a difusão da
arquitetura moderna brasileira na cidade evidencia-se a partir dos anos
1950, quando a produção brasileira, já consolidada em diversas partes do
país torna-se alvo do olhar estrangeiro 10 . Nesse período, amplia-se o
número de projetos alinhados com a arquitetura moderna brasileira, boa
parte deles concebida por profissionais que não residiam na cidade,
principalmente por pernambucanos formados pelas primeiras turmas de
Imagem 31: Costa, Reidy, Moreira,
Leão, Vasconcelos & Niemeyer.
Ministério da Educação e Saúde,
Rio de Janeiro, 1936-1943 (Fonte:
Bruand, 2005).
Imagem 32: Lúcio Costa & Oscar Niemeyer.
Pavilhão do Brasil na Exposição Internacional
de Nova York, 1938-1939 (Fonte: Cavalcanti,
2001).
orientação modernista após a renovação do ensino de arquitetura na Escola
de Belas Artes de Pernambuco.
Como exemplo da produção em Campina Grande, nesse período,
podem ser citados: a) Residência Bezerra de Carvalho, do final dos anos
1940 e início dos anos 1950, projeto do pernambucano Augusto Reynaldo;
b) Sociedade Médica de Campina Grande, inaugurado no dia 1º de março
de 1952; c) Hospital de Pronto Socorro de Campina Grande, concluído em
10
Esse tema é detalhadamente discutido por TINEM (2006).
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
22
dezembro de 1954; d) Residência Vieira Silva, de meados da década de
1950, também de Augusto Reynaldo; e) Associação Comercial, entre 1954
e 1955; f) Estação Rodoviária e Mercado, 1958; g) Escola Politécnica da
Paraíba, 1959, de Heitor Maia Neto; h) Residência Loureiro Celino
(demolida), 1957-1960; i) Residência do DER, cujas dependências estavam
em fase de acabamento em fins de 1960.
Imagem 39: Maquete do complexo da Estação Rodoviária, 1959 (Fonte: Rocha e
Queiroz, 2006).
Imagem 35: Augusto Reynaldo. Res.
Bezerra de Carvalho, fim dos anos 1940
e início dos anos 1950 (Fonte: Rocha e
Queiroz, 2006).
Imagem 36: Sociedade Médica de
Campina Grande (Fonte: Sociedade...,
1952: 05).
Imagem 37: Augusto Reynaldo. Res.
Vieira Silva, segunda metade da década
de 1950 (Fonte: Rocha e Queiroz,
2006).
Imagem 38: Associação Comercial de
Campina Grande, construído entre 19541955 e acrescido de dois pavimentos em
1968 (Fonte: Arquivo da autora).
Imagem 40: Heitor Maia Neto. Escola
Politécnica da Paraíba, 1959 (Fonte: Arquivo
de Antonio F. Bióca).
Imagem 41: Augusto Reynaldo. Res.
Loureiro Celino (demolida), 19571960 (Fonte: Família Loureiro
Celino).
Imagem 42: Residência do DER
(Fonte: Governador..., 1960: 01).
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
23
Pode-se afirmar, também, que a inauguração do fornecimento de
energia elétrica de Paulo Afonso pela Cia. Hidroelétrica de São Francisco
(CHESF), em 10 de Junho de 1956, foi outro marco do progresso da cidade.
De fato, muitas das construções citadas expressam esse processo de
desenvolvimento da cidade: a criação da Escola Politécnica, em 1954, e a
construção de uma rodoviária de grande porte (para os padrões da época)
eram símbolos dessa modernidade, como atesta A União (Estação..., 1958:
03) sobre o segundo episódio:
O empreendimento é dos mais gigantescos, e bem justifica e ilustra o
extraordinário índice de desenvolvimento de Campina Grande, nos últimos
tempos. Se construída, a estação rodoviária teria capacidade para atender
a partida de 15 ônibus em cada cinco minutos, superando mesmo a
“Mariano Procópio”, do Rio de Janeiro, que atualmente lidera a lista das
maiores de todo o país. (...) Anexo à estação rodoviária, funcionará um
super-mercado, com capacidade para 140 acomodações, completando,
assim, o conjunto que um serviço deste gênero exige.
Imagem 43: Hugo Marques. Banco
Industrial de Campina Grande (Edifício
Rique), segunda metade dos anos 1950
(Fonte: Diário da Borborema, 1957: 01).
Imagem 44: Hugo Marques. Edifício
Lucas (em construção), vendo-se o
Edifício Rique, ao fundo (Fonte: Revista
Tambaú, 1966).
Outra edificação que marca o período é a do Banco Industrial de
Campina Grande, projetada no final da década de 1950, pelo arquitetolicenciado e pernambucano, Hugo de A. Marques. Pode-se dizer que esse
edifício sinaliza o início da verticalização na cidade, mais uma analogia ao
desenvolvimento que estava estampado nos jornais da cidade, e que será
seguido por outros projetos de edifícios altos: o Palomo (1962) e o Lucas
(1963), ambos do mesmo arquiteto.
Imagem 45: Vista parcial da cidade
(década de 1980), vendo-se o Edifício
Rique à direita (Fonte: Arquivo de
Antonio F. Bióca).
Imagem 46: Início da Rua Maciel
Pinheiro (década de 1980), vendo-se o
Edifício Palomo ao fundo (Fonte:
Arquivo de Antonio F. Bióca).
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
24
Esse esquema traduz o contexto em que se insere a década de
1960 em Campina Grande, cuja compreensão pode ser facilitada com
algumas informações encontradas no jornal A União (Campina..., 1964: 08):
•
A população urbana e rural era estimada (Censo de 1960) em
160.580 habitantes, sendo que a rural era de 39.629 e a urbana
Imagem 47: Vista
parcial da cidade
(década de 1960),
destaque para os
três edifícios altos Rique, Lucas e
Palomo (Fonte:
MHCG).
A situação se identifica com a política desenvolvimentista
120.951;
•
A sede municipal apresentava as características de “cidademercado”, destacando-se o comércio de algodão e de agave,
englobando mais de 50 firmas especializadas nesses ramos;
•
Possuía em torno de 636 estabelecimentos industriais que
empreendida pelo presidente Juscelino Kubitschek, que com seu slogan de
empregavam, aproximadamente, 15.000 operários. 50% destes
fazer no Brasil “50 anos em 5” vislumbra a construção de Brasília (iniciada
estabelecimentos eram pequenas indústrias que geralmente
em 1957 e inaugurada em 1960), que será marco significativo para a
empregavam menos de 10 operários. Os outros 50% e a maioria
arquitetura moderna brasileira, sendo responsável por sua difusão e
dos operários se dedicavam aos principais produtos explorados
aceitação em grande escala no restante do país.
pelo município: algodão, agave, óleos vegetais, couros e peles,
produtos têxteis;
•
Contava com 22 estabelecimentos bancários, entre eles o Banco
Industrial de Campina Grande, o Banco do Comércio de Campina
Grande e alguns bancos cooperativados;
•
Possuía todos os aspectos de cidade moderna, dinâmica e
progressista. Na maioria, suas artérias eram largas, com um
gabarito elaborado por técnicos, em que foram estabelecidas as
Imagem 48: Oscar Niemeyer. Palácio do
Planalto, Brasília, 1958-1960 (Fonte:
Wikipédia).
Imagem 49: Oscar Niemeyer. Catedral
de Brasília, 1958-1967 (Fonte:
Wikipédia).
áreas funcionais de zoneamento. Um “Pré-Plano Diretor” da cidade
havia sido cuidadosamente elaborado para melhor ‘embelezamento
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
•
25
da urbe’. No centro, localizava-se o comércio varejista e atacadista,
por exemplo, o edifício do Fórum, o Parque de Exposições, o prédio da
que se espalhava por inúmeras ruas;
Casa do Trabalhador e os serviços de urbanização, entre outros. Assim,
Estava dividida em 25 bairros com um total de 500 ruas e possuía,
aproximadamente, 25.000 prédios (alguns com até 12 pavimentos).
Existiam na cidade 69 templos religiosos, sendo 55 católicos e 14
protestantes.
aparecia em A União, além de fotografias dos edifícios em construção,
comentários do tipo:
Rainha pela magnitude e imponência dos novos edifícios que pontificam a
cidade, imprimindo-lhe, com essa arrojada verticalidade, uma fisionomia
inteiramente compatível com os dias que vivemos, porque este é o sentido
exato das conquistas do crescimento moderno (Campina..., 1964: 08).
Esse cenário descrevia a situação que Campina Grande vivenciava
no ato de comemoração do seu Primeiro Centenário, em 11 de outubro de
1964, aliás, um fato que foi comentado não só pelos jornais locais, mas
também por outros meios de divulgação nacional. O jornal O GLOBO, por
exemplo, a respeito das comemorações que se seguiriam classificou a
Rainha da Borborema como “a mais progressista cidade e um dos mais
importantes
centros
industriais e comerciais do
interior
brasileiro”
(Campina... 1963: 03).
Não só por causa das celebrações ocorridas, o centenário merece
Imagem 50: Hugo Marques.
Fórum de Campina Grande, atual
Juizado do Consumidor. (Fonte:
Arquivo da autora).
uma atenção especial nesse texto porque permitiu que, em 2 de maio de
1963, o então governador Pedro Gondim baixasse decreto, aprovando o
programa prioritário do Primeiro Centenário de Campina Grande e abrindo o
crédito especial de CR$137.960.000,00 11 para as despesas de sua
execução (Governador..., 1963: 03). Uma Comissão Executiva seria
responsável pelo programa e essas despesas incluíam ajuda para algumas
obras que estavam sendo construídas na cidade e que deveriam simbolizar
o progresso pelo qual passava a cidade durante os festejos de 1964, como
Imagem 51: Austro de França.
Ypiranga Futebol Clube, projeto
de 1960 (Fonte: Campina...,
1964: 08).
11
Através de leituras do jornal A União, entre os anos de 1963 e 1966, verificou-se uma
variação da cotação do dólar com equivalência de 950 a 1.800 cruzeiros. Adotando um valor
de 1.200 cruzeiros, pode-se dizer que o crédito era de aproximadamente 115 mil dólares.
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
26
cruzeiros; c) o anteprojeto do Parque Permanente de Exposição de
Animais, apresentado pelo arquiteto Tertuliano Dionísio, que também
realizou um estudo para o Parque do Centenário, incluindo um monumento
do escultor Corbiniano Lins, um Museu Histórico e outras obras; d) a
construção dos serviços de aterro da área situada entre o Açude Velho e o
bairro de José Pinheiro, efetuados pelo DNOCS, aliás, consta nos jornais
que os trabalhos de aterro e de urbanização do Açude Velho eram parte de
um plano de embelezamento proposto por Burle Marx, em uma de suas
visitas à Campina Grande; etc.
Imagem 52: Propaganda do
Centenário de Campina Grande
(Fonte: A Paraíba..., 1964: 04).
Imagem 53: Aspecto da
passarela do Parque
Permanente de Exposição de
Animais, projetado por
Tertuliano Dionísio (Fonte: A
União, 1965: 08).
Nas prestações de contas da comissão podem ser encontradas
informações valiosas quanto às obras mencionadas. Em julho de 1963, por
exemplo, registrava: a) a escritura referente à aquisição (por 8 milhões de
cruzeiros) do terreno destinado ao Fórum de Campina Grande, ficando o
arquiteto Hugo Marques encarregado do projeto arquitetônico do edifício
(contratado por 500.000,00); b) a elaboração do projeto arquitetônico da
Casa do Trabalhador, pelo desenhista Renato Silva, e cuja concorrência
para construção da estrutura de concreto armado foi vencida pela firma
Sociedade Técnica de Engenharia (SOTENGE), contratada por 3.200
Outras obras merecem destaque no período: o Clube Campinense,
projetado pelo arquiteto Tertuliano Dionísio, em 1960, e construído pelo
engenheiro Lynaldo Cavalcanti; o projeto do ginásio da AABB (1961), de
Mário Glauco Di Láscio e Carlos Alberto Carneiro da Cunha; o Restaurante
Universitário da Escola Politécnica (inaugurado em 1961); o Clube Médico
Campestre; o Teatro Municipal Severino Cabral (inaugurado em 1963),
projetado pelo desenhista Geraldino Pereira Duda e construído por
Giovanni Gioia; o Ginásio Moderno 11 de Outubro (inaugurado em março
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
27
de 1964); o Hotel Ouro Branco (projeto de 1961 e inaugurado em janeiro de
1965), do arquiteto Hugo Marques e construído pelo engenheiro Lynaldo
Cavalcanti; a sede do Grêmio dos Subtenentes e Sargentos do Exército
(GRESSE), finalizada em 1966 (projeto de 1961) e construída por Isac
Soares e Haroldo Gonçalves Moutinho (engenheiro); o lançamento, em
1965, da pedra fundamental do Centro de Atividades do SESC 12 e, em
1966, da pedra fundamental da sede de Faculdade de Medicina, projetada
pelo arquiteto Tertuliano Dionísio e construída por Lynaldo Cavalcanti; o
lançamento da pedra fundamental do edifício do Instituto Nacional de
Previdência Social (INPS), depois INSS, cuja concorrência pública para
Imagem 56: Hotel Ouro Branco (nos
anos 1980), a partir da Praça Clementino
Procópio (Fonte: Arquivo Antonio F.
Bióca).
Imagem 57: Isac Soares. Grêmio dos
Subtenentes e Sargentos do Exército,
em construção (Fonte: 11º.
Aniversário..., 1966: 07).
construção foi vencida pela firma Delphos Construtora Ltda, de Belo
Horizonte; e a inauguração, já no início de 1970, do prédio do Instituto de
Educação de Campina Grande, também conhecido como Escola Normal.
13
Imagem 58: Escola Normal, em
construção (Fonte: A União, 1970: 01).
Imagem 59: Edifício Sede do INSS,
inaugurado em 18/12/1971 e reformado
em 1998 (Fonte: Arquivo da autora),
O ano de 1964 14 , então, simboliza exatamente o auge do
Imagem 54: Vista parcial da cidade,
vendo-se o ginásio da AABB (Fonte:
MHCG).
Imagem 55: Geraldino Pereira Duda.
Teatro Municipal Severino Cabral, 19621963 (Fonte: Revista Tambaú, 1966).
desenvolvimento da cidade, caracterizado por um expressivo número de
construções e pelo alto investimento na educação, associado à criação, em
abril de 1966, de mais uma universidade (a Universidade Regional do
Nordeste – URNE) e a aceleração de um processo (a industrialização) que
12
Existe no Arquivo Municipal da Prefeitura de Campina Grande, um projeto de 1967, pelo
arquiteto Elveristo Dantas do Rosário e construtora G. Gioia Ltda.
13
Os dados a respeito dessas obras foram obtidos através de pesquisas realizadas no jornal A
União e no Arquivo Municipal da Prefeitura de Campina Grande.
14
Ainda não sofria o entrave econômico conseqüente do Golpe Militar. Os efeitos só serão
percebidos, de fato, a partir do final da década.
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
28
já vinha sendo experimentado de forma incipiente, através da criação do
Distrito Industrial de Campina Grande:
O governador Pedro Gondim (...) vem de assinar o decreto 3.269, que
declara a utilidade pública da área para implantação do Distrito Industrial
de Campina Grande (...) para efeito de desapropriação, amigável ou
judicial, e imediata imissão provisória de posse, nos termos da Lei das
Desapropriações, uma área de aproximadamente 1.943.900 metros
quadrados situada na zona rural oeste da cidade, compreendendo um
polígono irregular cujo perímetro se limita, ao norte com a linha de
transmissão de 220 kv pertencente à CHESF, ao sul, com terras
pertencentes ao dr. Aluísio Afonso Campos, ao leste, com terras da
propriedade Itararé, pertencente ao senador Argemiro Figueiredo, e a
oeste, com terras pertencentes aos srs. Cícero Gomes de Melo e Juarez
Barreto. (...) Considerando a importância da industrialização, como fator
dinâmico, por excelência, do processo de desenvolvimento, e a
conveniência técnica da aglutinação de unidades fabris que reclamam
serviços comuns de infra-estrutura, implicando, por isso, na criação de
Distritos Industriais... (Notícias..., 1963: 08, grifo da autora).
Já em 1965, estavam em fase de implantação no distrito industrial
de Campina Grande, importantes fábricas, como a CANDE (de tubos
plásticos) e o conjunto industrial da WALLIG Nordeste. Sobre esta segunda,
A União (Da cidade..., 1966: 03), dizia ser uma “obra de proporções
gigantescas, em linhas modernas (...) uma cena que enche a vista”.
O que se pretendeu aqui, portanto, foi, numa abordagem geral,
verificar em que condições se encontrava a cidade durante a década de
1960 e que caminho trilhou para alcançar essa configuração. A cidade,
terreno fértil e em plena expansão, pedia uma arquitetura que expressasse
o seu progresso. O repertório de edificações apresentados neste texto
sugere a necessidade de outros registros e reflexões que ampliem a
delimitação desta pesquisa, estudos que tratem diretamente da influência
da arquitetura moderna brasileira na arquitetura campinense, abarcando
não só suas edificações, mas também os idealizadores das mesmas.
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
29
Capítulo 2. Levantamento e Sistematização dos Dados
cujo acesso era facilitado por relações familiares, de amizade ou mesmo
Coletados
por pura boa vontade.
1. Os primeiros passos
O interesse em estudar as manifestações da arquitetura moderna
em Campina Grande, aliado à percepção do descaso existente com a
preservação do patrimônio da cidade, deram o pontapé inicial para a
escolha do tema a ser estudado.
No início, a vontade de abarcar toda a produção arquitetônica de
Campina Grande dita “moderna” era um tanto presunçosa, tendo em vista
um trabalho final de graduação, cuja duração não ultrapassa quatro meses.
Para agravar, os trabalhos que envolvem pesquisa em arquivos e/ou jornais
Imagem 60: Geraldino Duda. Res.
Heleno Sabino de Farias – vista geral,
1962.
Imagem 61: Geraldino Duda. Res.
Heleno Sabino de Farias – vista parcial,
1962.
Imagem 62: Geraldino Duda. Res.
Alaíde Muniz – vista geral, construção
iniciada por volta de 1955.
Imagem 63: Geraldino Duda. Res.
Alaíde Muniz – vista geral, construção
iniciada por volta de 1955.
demandam um tempo nem sempre previsível, dependendo de fatores
próprios desse tipo de pesquisa, como acesso, estado de conservação e
legibilidade do documento, regularidade no funcionamento dos arquivos,
etc. Daí a preocupação em delimitar enfoques temporal e temático para não
correr o risco de realizar um estudo superficial ou não concluir o trabalho.
Dessa maneira, definido o objeto, partiu-se para uma primeira
pesquisa de campo, antes mesmo de iniciar a elaboração da proposta de
trabalho, o que nos pressupostos metodológicos chamou-se de “observação
direta” ou “pesquisa de campo prévia”. Nesse momento, algumas
residências se destacaram na paisagem da cidade ou por manterem suas
características originais ou por sofrerem modificações desastrosas ou por
terem sido passivamente demolidas para dar lugar a outras edificações, em
geral de pouquíssimo gosto. Nessa fase, foram realizadas visitas às casas
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
Imagem 64: Geraldino Duda. Res.
Adalberto e Nanu Guerra – vista geral,
construída por volta de 1959.
Imagem 65: Geraldino Duda. Res.
Adalberto e Nanu Guerra – vista parcial,
construída por volta de 1959.
30
Imagem 70: Tertuliano Dionísio. Res.
José Barbosa Maia, projetada em
1962 e concluída em 1964.
Imagem 71: Augusto Reynaldo. Res.
Vieira Silva, segunda metade da década
de 1950 (Fonte: Rocha e Queiroz, 2006).
Ao mesmo tempo, foram registradas em fotos outras casas que
chamavam a atenção por serem modernas e manterem suas características
originais, mas sobre as quais não havia muitas informações como: o autor
(engenheiro, arquiteto ou desenhista), o proprietário, o construtor, a data,
etc. Inconscientemente, estava se formando a preferência pelo estudo das
residências, por um lado porque havia um número significativo dessas
construções, por outro, porque muitas delas estavam sendo demolidas ou
Imagem 66: Tertuliano Dionísio. Res.
Manoel Damião de Araújo – vista
geral, projetada em 1960 e concluída
em 1961.
Imagem 67: Tertuliano Dionísio. Res.
Manoel Damião de Araújo – vista parcial,
projetada em 1960 e concluída em 1961
Imagem 68: Geraldino Duda. Res.
Aderson C. Gomes – vista geral, 1964.
Imagem 69: Geraldino Duda. Res.
Aderson C. Gomes – vista parcial, 1964.
descaracterizadas.
Imagem 72: Geraldino Duda. José
Augusto de Almeida, 1964.
Imagem 73: Geraldino Duda. Antônio
Diniz Magalhães, 1962.
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
31
apenas um dos proprietários possuía o projeto da sua residência. Através
da Secretaria de Viação e Obras Públicas (SVOP) constatou-se que os
projetos são enviados para o Arquivo Municipal da Prefeitura de Campina
Grande, corriqueiramente chamado de “Arquivo Morto”. Lá se encontram
todas as licenças de construção e reforma, a maioria com os projetos
anexados, arquivadas em caixas e separadas por ano e pelo nome das ruas
onde se localizam.
Imagem 74: Hugo Marques. Res.
Custódio Miranda, 1964.
Imagem 75: Geraldino Duda. Res.
Manuel Figueiredo, reforma de 1965.
De fato, desde o início, existiram duas ‘vontades’, uma que era a de
registrar tudo, e outra que era a de saber que arquitetura era essa e até que
ponto ela era moderna. Estava, assim, delimitado o tema.
A pesquisa no arquivo foi extensiva, mas essencial. Primeiro
porque, como foi mencionado na introdução, trata-se de uma fonte
fidedigna, que garante, em certa medida, a precisão das datas que estão
sendo registradas: mês e ano em que foi tirada a licença para a
construção 15 . E segundo porque fornece os projetos originais. Assim, com a
Quanto ao enfoque temporal, as décadas de 1950 e 1960 são as
duração de cinco meses, iniciada juntamente com a elaboração do projeto
mais expressivas em termos de disseminação da “arquitetura moderna” em
de pesquisa e concluída antes do início do semestre de elaboração do
Campina Grande. Como a maioria das casas previamente selecionadas era
trabalho final, consistiu numa investigação minuciosa dos projetos
da segunda década e o artigo de Rocha e Queiroz (2006) tratava da
existentes, dos quais foram anotadas informações necessárias e feitos
arquitetura moderna da cidade na década de 1950, ainda que de modo
registros
geral, optou-se por estudar (para completar esse panorama) os dez anos
perspectivas, detalhes etc.) dos projetos residenciais. Outros projetos
seguintes que vão de 1960 a 1969.
significativos, como os edifícios altos ou institucionais, tiveram as
A pesquisa teve como propósito inicial o registro do maior número
de exemplares modernos. Mas seria difícil registrá-los sem avaliar o alcance
fotográficos
da
documentação
técnica
(plantas,
cortes,
informações registradas para consultas posteriores e para contextualizar a
produção campinense como um todo.
e a amplitude desses exemplares, sem ter noção da influência da produção
nacional sobre a cidade, sem conhecer pelo menos uma mostra dessa
produção.
Para tal, o passo seguinte foi descobrir onde e se seria possível
encontrar os projetos das casas, já que nas poucas visitas realizadas,
15
Era objetivo utilizar a datação do projeto, mas nem todas as pranchas consultadas
apresentam data, por isso achou-se por bem padronizar através da liberação da licença de
construção que, em geral, difere em apenas alguns meses ou mesmo coincide com os projetos
que estão datados.
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
32
que contou com o apoio de outras iniciativas no curso de Arquitetura e
Urbanismo da UFPB, como será mencionado no capítulo 3.
2. A ficha-base
Para a sistematização dos dados coletados no Arquivo Municipal e
das informações adicionais que porventura viessem a surgir criou-se uma
ficha-base que sintetiza esse material.
Algumas fichas cadastrais existentes foram analisadas e serviram
de base para o modelo aqui adotado, em especial as fichas elaboradas pelo
IPHAN, as do Inventário de Proteção do Acervo Cultural (IPAC) 16 e as do
Imagem 76: Exemplo de fotografia tirada de um dos projetos consultados no Arquivo
Municipal da Prefeitura de Campina Grande. Trata-se do projeto de Geraldino Duda
para a residência Antônio Diniz Magalhães, 1962 (ver imagem 73).
DOCOMOMO (anexo IV). As duas primeiras são bastante detalhadas, tendo
O ideal seria poder digitalizar todos os projetos que compõem este
apresenta duas fichas, uma completa e outra mínima, porém ambas com as
trabalho, quer seja utilizando um software CAD ou por meio de um scanner
informações registradas de forma seqüencial sem que haja uma
de grande formato, este último até mais adequado, pois manteria o traço
formatação/compactação do documento.
em vista um cadastro de bens a serem tombados. O DOCOMOMO
original do arquiteto, engenheiro ou desenhista que elaborou os desenhos.
Observando esses exemplos e considerando o objetivo dessa
A digitalização dos projetos seria importante até mesmo para a própria
preservação dos registros, já que as pranchas encontram-se dobradas e
anexadas às licenças através de grampos, clips ou alfinetes que enferrujam
facilmente e danificam o papel.
pesquisa, algumas decisões tiveram que ser tomadas. A primeira delas era
relativa à dimensão dessa ficha, quão específica e detalhada ela deveria
ser. Como o estudo é preliminar e a pretensão era registrar o maior número
de exemplares, optou-se por um modelo conciso com informações
Contudo, dada a falta de recursos, a iniciativa ficou restrita aos
essenciais, diagramadas com os seguintes campos: identificação, dados do
registros fotográficos que, mesmo distorcendo um pouco a imagem e,
projeto, desenhos e fotografias, além de espaço para uma avaliação da
conseqüentemente, a escala, fornece uma idéia do projeto original. Além
situação atual 17 e para observações relevantes 18 . Não é objetivo do
disso, em termos de tempo, a digitalização pretendida entrava em conflito
com outra intenção do trabalho que era registrar o maior número possível
16
de exemplares. Assim a decisão tomada foi digitalizar apenas alguns
17
projetos para serem objeto de uma análise mais específica e detalhada, o
A ficha do IPAC foi adotada por Juliano Carvalho, ver anexo I.
Esse campo só foi preenchido nos casos em que as residências foram visitadas
18
Informações específicas sobre peculiaridades do projeto e construção ou das condições da
pesquisa.
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
33
trabalho, nessa fase, avaliar o grau de importância dessas residências ou
encaminhá-las para um processo de tombamento.
Dessa forma, tentou-se abarcar as informações da ficha mínima
proposta pelo DOCOMOMO, com uma diagramação bastante similar ao
modelo adotado pelo IPAC, na tentativa de, reunindo as qualidades de cada
uma, criar uma formatação em que, numa única folha, os dados essenciais
de registro sejam apresentados, formando uma espécie de catálogo das
residências selecionadas. O conjunto dessas fichas preenchidas encontrase no segundo volume do trabalho.
O esquema de diagramação ao lado ilustra a organização da ficha,
que pode ser mais bem visualizada no exemplo da página seguinte. As
cores foram utilizadas para delimitar os grupos de dados/informações
contemplados na ficha
Legenda:
„
Dados de identificação da residência (proprietário atual, primeiro proprietário,
endereço e uso atual);
„
Dados do projeto (arquiteto/desenhista, construção, data da licença de construção,
número de registro junto à Prefeitura Municipal de Campina Grande, área construída
e área do terreno);
„
Desenhos e fotografias (foto de identificação ou perspectiva/fachada no caso da
construção não ter sido identificada – no topo à direita; e fotografias dos projetos
consultados no arquivo);
„
Dados sobre a situação atual e observações adicionais (só serão completados
quando for realizada uma visita à obra).
Quadro 03: Esquema de diagramação da ficha-base.
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960-1969)
Identificação
Fotografia de Identificação:
Proprietário: Josalene Maranhão da Silva
Uso Atual: Residência
Primeiro Proprietário:
Emília Maria, Ruth, Elisa e Eleonora Dantas de Aguiar
Endereço: R. Vila Nova da Rainha, 348, Centro
Dados do Projeto
Arquitetura: Geraldino Duda
José Cavalcanti de Figueiredo
Construção:
Data:
1798/1962
Out./1962
Registro PMCG:
580,80m²
Área Construída:
301,13m²
Área Terreno:
Situação Atual
Estado de Conservação:
Ótimo ( )
Bom ( )
Regular ( )
Péssimo ( )
Demolição ( )
Reforma ( )
Restauro ( )
Acréscimo (x)
Mudanças Realizadas:
Cozinha e Biblioteca.
Desenhos/Fotografias:
Observações:
Os pisos foram quase todos trocados e o jardim (abaixo da pérgula) extinto.
O projeto está sendo digitalizado por Mariana Porto (Maio/2007).
Desenhos:
Arquivo PMCG
Em:
Out./06
Fotos:
Adriana de Almeida e Mariana Porto
Em:
Fev./07
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
35
As colunas em amarelo referem-se aos anos de 1960-1965, período
3. O número de exemplares selecionados
Iniciada a consulta ao arquivo municipal, constatou-se que o
número de exemplares previstos ultrapassaria as expectativas iniciais de
uma mostra de cerca de 50 exemplares. Já nos quatro primeiros anos
pesquisados (1960 a 1963), 61 projetos haviam sido selecionados. Um fato
que incrementou esse número foi considerar para a seleção projetos
consultado nos quatro meses em que se elaborou o projeto de pesquisa e,
as colunas em vermelho aos anos restantes (1966-1969) que foram
pesquisados durante o recesso anterior ao semestre de elaboração do
trabalho final, contabilizando, portanto, os cinco meses de consulta no
arquivo.
realizados tanto por arquitetos, como por desenhistas e engenheiros. Em
A primeira linha do quadro refere-se ao número de caixas/ano
compensação foram descartadas as casas “populares”, que apresentavam
existentes no arquivo municipal, totalizando 123 caixas consultadas. Elas
projetos padronizados, que deveriam ser analisadas sob outra ótica: a da
são identificadas por números e separam as licenças de construção e
habitação popular, um tema específico de investigação na arquitetura
reforma por nome das ruas onde se localizam os imóveis e pelo ano,
moderna brasileira.
porém, às vezes, não há seqüência lógica. Por exemplo, as caixas sofreram
O quadro abaixo fornece os números detalhados de caixas
existentes no arquivo para cada ano pesquisado e da quantidade de
projetos selecionados dentro das mesmas:
alteração na numeração quando da troca das etiquetas identificadoras
durante a realização da pesquisa. Portanto, os projetos serão identificados
apenas pelo número do registro da licença junto à SVOP, que é invariável.
Na segunda linha foram colocados os números de projetos
selecionados/ano, num total de 188 projetos (mais que o triplo da previsão
inicial). Através das informações contidas nas pranchas e nas licenças,
procurou-se identificar as casas na cidade, que se constituiu em mais uma
etapa da pesquisa de campo que levou praticamente o mesmo tempo
utilizado para a consulta do arquivo. Com o número de projetos
selecionados aumentado, a identificação passou a ser realizada em paralelo
à consulta.
Como pode ser observado no quadro, 134 edificações foram
identificadas através dos projetos encontrados. É importante mencionar que
Quadro 04: Síntese da Consulta ao Arquivo Municipal da Prefeitura de Campina
Grande.
todos os projetos das residências fotografadas na pesquisa de campo
prévia, que são da década de 1960, foram encontrados no arquivo
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
36
municipal, o que atesta a sua fidedignidade como fonte. Essas 134
Algumas dificuldades foram encontradas. Primeiramente, os
edificações foram divididas pelo uso (residencial e outro) e pelo estado de
endereços não apresentavam a numeração das casas, já que essas
abandono ou demolição, para uma melhor apreciação da situação em que
estavam sendo construídas em áreas em processo de ocupação 19 .
se encontram.
Segundo, algumas ruas ou bairros possuíam outras denominações na
Os 54 projetos restantes (28,7% dos selecionados) não tiveram as
respectivas construções identificadas. Acredita-se que por três motivos: não
foram executados, foram demolidas ou sofreram tantas modificações que
não mais apresentam semelhanças com o projeto original.
época. Para contornar essa dificuldade, recorreu-se à Secretaria de
Planejamento (SEPLAN) do município que dispõe de mapas anteriores ao
atual. Quando esses mapas não eram suficientes, outro artifício utilizado foi
a consulta à lista telefônica de 1998, a última edição que divulgava os
números de telefones por duas entradas: pelo nome do proprietário e pelo
As casas que com certeza foram demolidas estão incluídas no
grupo anterior (edificações identificadas). Entretanto é possível que parte
das não identificadas também possam ter sido derrubadas.
Pensou-se, inicialmente, em preencher apenas as fichas dos
nome
identificadas, o que totalizaria 148 projetos. Contudo, como a intenção era a
de registrar o maior número de exemplares optou-se por preencher fichas
de todos os projetos selecionados, para uma reflexão posterior, perfazendo
um conjunto de 188 fichas.
rua.
Assim,
alguns
proprietários
foram
identificados
e,
conseqüentemente, o número da residência. Porém, como o catálogo é
cerca de trinta anos mais novo que a construção das casas, muitas delas
foram vendidas ou tiveram outro destino.
projetos cujas edificações fossem encontradas, acrescentadas de alguns
projetos considerados significativos e cujas edificações não haviam sido
da
Assim, as edificações que foram identificadas tiveram seu endereço
completo anotado e foram fotografadas e inseridas como imagens de
identificação nas fichas-base. As informações sobre as que não foram
encontradas
durante
essa
etapa
foram
conseguidas
através
de
depoimentos dos proprietários e/ou moradores de residências da mesma
época e dos mesmos bairros. Com isso, descobriu-se que algumas foram
demolidas ou modificadas. O restante continuará, por enquanto, no
4. Identificação das casas e preenchimento das fichas-base
anonimato, representadas apenas pelos projetos encontrados no arquivo.
Nesses casos, no local onde deveria constar a fotografia de identificação,
A identificação das residências constituiu outra etapa do trabalho e
ocorreu paralelamente à consulta ao arquivo dada a quantidade de projetos
será colocada a perspectiva ou a fachada principal encontrada no projeto
original.
selecionados. Assim, a cada dois ou três anos de construção pesquisados,
eram separados os projetos que pertenciam aos mesmos bairros e
determinado um roteiro para busca.
19
O terreno da construção era situado tendo como parâmetro o número de uma edificação
vizinha (ou terreno vago) ou a distância aproximada do mesmo a uma rua transversal mais
próxima.
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
37
Ao término da identificação dos exemplares, partiu-se para o
desenhos que constam nas plantas consultadas; no mapeamento/visita
preenchimento das fichas-base, onde os dados coletados até então
local estão itens como: a identificação local e registro em mapa, e os
puderam ser sistematizados. Essa sistematização foi acompanhada do
registros fotográficos; e no preenchimento das fichas cadastrais estão os
preenchimento de quadros sinóticos
20
referentes a cada ano da pesquisa,
os quais auxiliaram na medida em que permitem a fácil visualização do
trabalho realizado e do trabalho a realizar (ver esquema abaixo).
próprios espaços da ficha a serem completados.
Assim, à medida que cada etapa/tarefa é realizada, o espaço
referente no quadro sinótico é pintado em cinza. Como nem todas as etapas
puderam ser cumpridas foram criadas outras colorações: em amarelo
quando se tratar de uma informação incerta ou incompleta e em vermelho
quando a informação não estiver disponível ou quando o exemplar não for
encontrado. O “X” marcado no quadro significa “inexistente” como, por
exemplo, no caso do projeto que não apresenta perspectiva.
Pode-se dizer, portanto, que o levantamento e a sistematização dos
dados terminam justamente com o preenchimento de todos os espaços dos
quadros sinóticos.
Quadro 05: Esquema do Quadro Sinótico 21 .
O quadro sinótico funciona da seguinte maneira: do lado esquerdo
ficam os nomes das residências 22 e do lado direito as atividades a serem
realizadas ou as informações a serem coletadas, divididas em três grupos:
projeto (amarelo), mapeamento/visita ao local (rosa) e preenchimento da
ficha cadastral (azul).
Cada grupo apresenta uma subdivisão (tarefas a serem realizadas
ou informações a serem checadas); por exemplo, no projeto estão os
20
Os quadros sinóticos encontram-se no anexo V deste volume.
Esse esquema apenas ilustra a diagramação e as cores, não tem por fim a leitura.
22
O nome da residência é o nome do proprietário para o qual o projeto foi realizado.
5. Mapeamento e algumas reflexões
A última etapa da construção dos registros é o mapeamento das
edificações em estudo. Ainda que o preenchimento das fichas já dê uma
idéia da localização das residências modernas na cidade o mapeamento é
de suma importância porque revela as áreas em que elas são
predominantes e dá visibilidade à ‘mancha’ moderna que pode contribuir
para avaliações posteriores acerca da configuração da estrutura urbana de
Campina Grande durante a década de 1960.
Segundo o Atlas Geográfico da Paraíba (1985), a estrutura urbana
21
de Campina mantém-se desde 1950, tendo em vista o não surgimento de
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
38
bairros residenciais que pudessem indicar uma expansão urbana após esse
período. Então, o que se pode supor com esse mapeamento, é que as
casas em estudo foram construídas em lotes vazios em um espaço urbano
já previsto ou substituíram outras construções existentes. Durante as
décadas subseqüentes, a cidade praticamente mantém os mesmos bairros
da década de 1960, como a Prata, Liberdade, Quarenta, José Pinheiro, Alto
Branco, Bodocongó etc.
Observando o mapa da PMCG/COPLAN (1985), mais a frente, que
separa os setores da cidade de acordo com os usos e poder aquisitivo,
percebe-se que o acervo pesquisado está nas áreas coloridas em cinza
(que indica o centro de Campina Grande, onde o comércio predomina), em
amarelo (habitações de médio padrão) e em vermelho (habitações de alto
padrão). As áreas com hachura verde indicam habitações de baixo padrão;
o azul, conjuntos habitacionais; o roxo, habitações irregulares (favelas); e o
branco, áreas de lazer ou desocupadas. Dessa maneira, supõe-se que a
influência da arquitetura moderna se deu predominantemente nas
residências de alto e médio poder aquisitivo, com alguns exemplares no
centro da cidade. Indo mais além e levando em consideração os dois
bairros que abrigam o maior número de residências modernas (entre as
pesquisadas), Prata e Lauritzen (este mais conhecido como Alto Branco),
ambos são caracterizados como bairros de alto padrão (vermelho).
Mapa 02: Mapa Urbano de Campina Grande, delimitando a área a ser ampliada
(Fonte: SEPLAN, adaptado pela autora).
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
39
Mapa 03: Mapa Parcial de Campina Grande indicando a localização das residências selecionadas (Fonte: SEPLAN, adaptado pela autora).
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
40
Mapa 04: Mapa de Campina Grande, delimitando a área ampliada (Fonte:
PMCG/COPLAN/Atlas Geográfico da Paraíba, 1985, adaptado).
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
Capítulo 3. Análises e reflexões sobre o acervo investigado
41
nacionalista” (arquitetura como símbolo e identidade nacional), uma
linguagem diferenciada (plasticidade da forma), um vínculo com o passado
(tradição) e um vínculo com o lugar (adaptação ao clima).
Ao iniciar a pesquisa, o foco era registrar um repertório moderno e
residencial delimitado, tendo como justificativa principal a preservação do
patrimônio ameaçado. Daí a proposta de se coletar o maior número de
projetos e fornecer um material que servisse de base para novos estudos.
Havia também a intenção de ‘olhar mais de perto’ esse universo que,
imaginou-se, seria menos amplo do que a pesquisa mostrou. À medida que
Essa nova arquitetura seria símbolo não somente do movimento
nacionalista da década de 1930, como aponta a autora, mas também da
política desenvolvimentista de JK. No caso de Campina Grande a inclusão
de elementos da arquitetura moderna brasileira simbolizava o progresso da
cidade que, de certo modo, fazia o papel de “vanguarda no interior
nordestino”.
a pesquisa crescia e a pesquisadora amadurecia percebeu-se que seria
inviável e, pouco recomendável, realizar a visita às 148 edificações
O desenvolvimento de uma linguagem diferenciada, através da
identificadas. Primeiro porque ainda era cedo para se afirmar o valor
flexibilidade de volumes e de formas livres foi, de fato, bastante explorado
arquitetônico das construções em estudo, já que não existia uma análise
na arquitetura moderna brasileira de forma geral e, por isso mesmo, atraiu
prévia desse material. Segundo porque não havia nem recursos nem tempo
tanto a atenção nacional e internacional, aliado às experiências de controle
disponíveis para realização dessa tarefa. E por último, havia um detalhe
de luz e calor no ambiente construído, através da utilização de brises,
técnico: o acesso e a colaboração dos proprietários eram imprevisíveis.
combogós, venezianas e similares.
Assim, decidiu-se por um registro que contivesse apenas as
Observando as residências de Campina Grande, podem-se listar
informações básicas 23 , complementado pela análise de alguns exemplares.
diversos elementos que também são encontrados na produção nacional. A
Dessa forma, seria possível uma primeira aproximação sobre o tema:
presença da laje plana, da planta livre, de áreas verdes, incluindo a
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande.
utilização de jardins internos, pérgulas, janelas contínuas, combogós, pilotis,
escadas e rampas compondo a volumetria, entre outros, ilustram essa
A dissertação de Melo (2004), através de uma análise dos cânones
aproximação.
da arquitetura moderna residencial brasileira (incluindo 70 exemplares),
elabora uma síntese conceitual desse repertório que indica algumas
O que se questiona é a forma como esses elementos foram
características recorrentes na casa moderna brasileira: o “caráter
empregados e até que ponto houve a apropriação dos conceitos defendidos
pela arquitetura moderna brasileira. Para tal, será feita uma análise dessa
23
Primeiro proprietário, uso atual, endereço, dados sobre o projeto e fotografias, tanto dos
projetos encontrados no arquivo, quanto do exterior da edificação.
produção local segundo os seguintes pontos, os quais serão retomados na
análise de cinco exemplares selecionados para representá-la:
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
3.1 A implantação da casa no lote e a organização espacial;
42
lateral e sim um objeto que deveria ser experimentado sob diversas
perspectivas.
3.2 Aspectos construtivos e a cobertura;
O período que se inicia por volta de 1940, com a Segunda Guerra Mundial,
e que nos traz até 1960, com o plano de Brasília, compreende a fase de
mais intensa industrialização e urbanização da história do País. (...) As
habitações individuais isoladas aproveitariam de modo especial as
inovações arquitetônicas, decorrentes do avanço técnico e econômico.
Pela primeira vez seriam exploradas amplamente as possibilidades de
acomodação ao terreno, em que se pese à exigüidade dos lotes em geral
(Reis Filho, 1976:88).
3.3 Aspectos formais.
A intenção não é criar uma classificação dentro desses critérios,
mas apenas facilitar uma melhor apreciação do acervo em estudo. Como
ainda é preciso um maior aprofundamento sobre o repertório campinense, o
No caso de Campina Grande, pode-se dizer que as dimensões dos
lotes limitaram, de certa maneira, a liberdade de criação e também o
item (c) será detalhado apenas nos exemplares selecionados.
desenvolvimento do paisagismo. Podem ser encontradas casas soltas no
lote e casas que se limitam a um recuo lateral. Já os exemplares
construídos em lotes de esquina tendem a valorizar a composição espacial.
3.1 A implantação da casa no lote e a organização espacial
Levando em consideração que há uma relação muito forte entre a
As edículas, que seriam integradas às edificações principais, na
implantação no lote e as soluções arquitetônicas, esse ponto é
maior parte das vezes, persistem nos fundos dos terrenos, ignorando o
determinante na organização espacial da edificação.
desaparecimento da orientação frente-fundo preconizado pela arquitetura
Lemos (1989) atenta para o fato de que, antes da Primeira Guerra,
moderna.
as casas de classe média e as populares possuíam somente a fachada
Percebe-se, por outro lado, uma tendência à criação de jardins,
voltada para a rua e que, depois do primeiro pós-guerra, com as leis e
mesmo de pequena escala, nos recuos frontais das residências, permitindo
normas sanitárias, começa-se a perceber novas formas de ocupação do
um espaço de transição entre o exterior e o interior. Atualmente, quase
lote com recuos frontais e laterais.
todas as casas tiveram seus muros elevados, de modo que a falta de
Aliada a essa questão de higiene um dos pressupostos do
movimento
moderno
era
a
possibilidade
de
experimentar
a
tridimensionalidade do edifício com a casa solta no lote, que podia atender
a essas novas exigências de salubridade no desenvolvimento da sua
segurança na cidade substituiu a intenção inicial da casa como continuação
da cidade. Assim alguns desses jardins também foram suprimidos.
Observando os projetos em estudo, os casos mais comuns de
implantação são:
organização espacial. Não existia mais a fachada principal ou a fachada
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
•
A casa solta no lote:
43
•
A casa parcialmente colada nos dois limites laterais:
Imagem 77: Situação e perspectiva da Res. Sósthenis Pedro da Silva, 1960 (Fonte:
Arquivo da PMCG).
Imagem 79: Situação e fotografia da Res. Custódio Miranda, 1964 (Fonte: Arquivo
da PMCG e autora).
•
A casa colada em um dos limites laterais do lote:
•
A casa em lote de esquina (solta ou colada a um dos limites
laterais):
Imagem 78: Situação e perspectiva da Res. Maria Bernadete de Lima, 1961 (Fonte:
Arquivo da PMCG).
Imagem 80: Situação e perspectiva da Res. Aderson Costa Gomes, 1964 (Fonte:
Arquivo da PMCG).
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
•
44
A casa em lote irregular (de esquina ou não, podendo estar colada
a uns dos limites do lote):
Imagem 81: Situação e fotografia da Res. Severino da Costa Ribeiro, 1961 (Fonte:
Arquivo da PMCG e Prefeitura, 2003).
Outro fator que merece destaque relaciona-se com a topografia dos
terrenos. A maioria dos projetos em estudo tirou partido da declividade (ver
imagens a seguir), alguns fazendo uso de subsolos e aterros, geralmente
destinados às garagens e dependências de serviço, e outros através de
plantas escalonadas, provocando níveis intermediários que, muitas vezes,
influenciaram também na composição volumétrica.
Imagem 84: Res. Antônio Diniz
Magalhães, 1962 (Fonte: autora).
Imagem 85: Res. Antônio Diniz Magalhães –
corte esquemático, mostrando os diferentes
níveis (Fonte: Thaís Carvalho e Thaíse
Gambarra).
Dessa forma, quando não limitadas pela dimensão do lote, percebese, de modo geral, uma generosidade com os espaços, assim como uma
busca pela movimentação das superfícies exteriores das residências
pesquisadas. Giedion apud Tinem (2006:120) encara como contribuições da
arquitetura brasileira ao movimento contemporâneo, nos anos 1950, a
generosidade do espaço, as soluções simples para problemas complexos e
a animação das grandes superfícies de estruturas vivas e multiformes.
Ainda que não se trate de programas complexos, nesse caso, fica
clara a intenção de movimentar as superfícies externas com a utilização de
diferentes materiais (intercalados) de revestimento para a composição,
mesmo quando são volumes simples como o do projeto abaixo (não
executado):
Imagem 82: Res. Antônio de
Oliveira Dantas, 1965 (Fonte:
autora).
Imagem 83: Perspectiva da Res. José Augusto
de Almeida, 1964 (Fonte: Arquivo da PMCG).
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
45
Imagem 86: Perspectiva da Res. Valdette Ribeiro, 1961 (Fonte: Arquivo da PMCG).
Outro caráter dessa arquitetura é a de se abrir para o exterior.
Goodwin aponta dois aspectos positivos na arquitetura brasileira. Um deles
é o caráter aberto das habitações, sempre em contato com a natureza (...),
incentivando o vínculo estreito entre interior e exterior (...). Essa seria uma
afirmação da influência wrightiana, que projeta olhando em direção ao
exterior (Tinem, 2006:83-84). No repertório campinense encontra-se a
Imagem 87: Tertuliano Dionísio. Res. Manoel Damião de Araújo, 1960 (Fonte:
autora).
utilização de espaços intermediários (interno/externo e público/privado),
tanto na ligação existente entre a rua e o lote, por intermédio dos jardins
criados na frente das casas, como na utilização de elementos vazados,
terraços ou jardins internos, que fazem o elo entre o exterior e o interior da
edificação. Em alguns casos, o uso de pilotis permite a liberação do solo,
como queria Le Corbusier, e termina por promover essa integração entre
interior e exterior.
Nesse
exemplo
(imagem
87),
identificam-se
vários
desses
elementos mencionados: a liberação do solo com o uso de pilotis, a
intenção plástica no uso da escada compondo a volumetria, a utilização de
combogós, sempre fazendo o vínculo entre exterior/interior. Infelizmente,
um lago artificial que existia debaixo da escada foi eliminado, mas ainda é
possível encontrar um jardim, mesmo que agora, acanhado.
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
3.2 Os aspectos construtivos e a cobertura
Trata-se de uma tentativa de perceber as soluções estruturais e os
materiais empregados e suas influências na composição espacial, já que
46
uma preocupação com o conforto ambiental 24 . Nos pisos, são mais
encontrados o granilite, tacos de madeira e o mármore. Esses elementos
serão ilustrados nas residências que serão destacadas mais a frente.
um dos requisitos da arquitetura moderna é justamente o emprego do
Quanto às cobertas, percebe-se uma diversidade de composição.
avanço tecnológico a favor da racionalidade, economia, eficiência e
Vale ressaltar que, de maneira geral, a laje plana formando o terraço-jardim,
qualidade (Guadanhim, 2002:406).
identificado como um dos cinco pontos básicos defendidos por Le
Se o domínio sobre a técnica do concreto armado associado ao uso
de materiais novos, como o vidro e o metal, foi um dos elementos
norteadores da arquitetura moderna brasileira, o que se verifica nas
residências estudadas é certa restrição de soluções estruturais complexas.
Apesar de terem sido utilizadas lajes de concreto armado, balanços
generosos apoiados sobre pilotis com formas, por vezes, não-convencionais
Corbusier,
é
pouco
usada
no
Brasil,
por
razões
contundentes:
primeiramente, por ser um país que apresenta muita chuva e muito sol e,
daí, a dificuldade e o alto custo das impermeabilizações; além disso, a
existência de terrenos amplos para suprir a necessidade de gerar áreas
verdes integradas às edificações. Assim, foram realizadas mudanças nos
sistemas de cobertura que:
resolvidos agora com telhas de novos materiais, com pequenas
inclinações, apoiadas sobre as lajes de concreto e ocultas sob discretas
platibandas, dariam ensejo a uma geometrização geral dos volumes, nos
termos dos modelos estrangeiros das casas de teto plano, de gosto
cubista. Internamente essa inovação possibilitaria a variação dos níveis de
pé-direito em cada compartimento, acompanhando a declividade suave do
telhado. Externamente as inovações plásticas corresponderiam à
decadência do fachadismo e ao tratamento arquitetônico homogêneo de
todas as elevações. (Reis Filho, 1976:92)
e marquises em concreto, entre outros, verifica-se a persistência da
construção das vedações em alvenaria, denunciadas pela espessura das
paredes. Evidentemente, existem exceções que buscam soluções mais
ousadas como, por exemplo, o uso de uma meia abóbada em balanço
(imagem 89) merecedora de destaque.
Por outro lado, percebe-se o uso da planta livre, verificada nas
janelas corridas e na flexibilidade dos espaços, que permitem supor uma
Dessa forma, ficam visíveis as lajes planas ou inclinadas ‘falsas’,
estrutura independente, mesmo em um partido convencional, sem o apelo
que são recobertas por telhados escondidos por uma nova versão de
da estrutura aparente defendida pela arquitetura moderna.
platibanda. O esquema a seguir busca uma síntese das coberturas
Além do uso do concreto, do vidro e do metal, observa-se a
existentes no acervo campinense estudado.
utilização de telhas onduladas de fibrocimento ou amianto, esquadrias de
ferro, madeira e alumínio, paredes revestidas com pedra bruta, pastilhas e
azulejos. Muito comum também é o uso de combogós de louça e cerâmicos
que, aliados ao uso de pergolados, venezianas e jardins internos, mostram
24
Vale a pena ressaltar o pouquíssimo uso dos brises soleil no acervo pesquisado, às vezes
até contemplados em projeto, porém não executados. Ainda não se sabe o porquê, mas
merece ser objeto de um estudo específico.
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
47
Primeiramente, são identificadas as lajes planas (A) e as inclinadas
Vale mencionar, também, a existência de algumas coberturas não-
(B) como as mais comuns. Dentro da composição, podem estar associadas
convencionais, sugerindo a formação de abóbadas, arcos e outros apelos
a casas térreas e a sobrados, com pilotis e em terrenos com desníveis.
mais estéticos que estruturais.
Aparece também o telhado em “asa de borboleta” (C) que derivaria, então
da junção de duas lajes inclinadas. Dessas três classificações, surgem
diversas variações, entre as quais a formação de volumes trapezoidais e a
interseção de volumes com alturas diferentes.
Imagem 89: Perspectiva
da Res. José Pedro
Sobrinho, 1963 (Fonte:
Arquivo da PMCG).
Imagem 90: Perspectiva
da Res. Milton Félix do
Nascimento, 1967 (Fonte:
Arquivo da PMCG).
3.3 Aspectos formais
Esse ponto deve contemplar os determinantes para composições
volumétricas, as possíveis influências, tendências ou sínteses, além das
preocupações com o conforto e programas adotados, entre outros. Dessa
forma, não podendo generalizar, e para verificar a disposição dos
ambientes, que áreas tende a valorizar (zoneamento), se existe
Imagem 88: Croquis de estudo das coberturas existentes no acervo (Fonte: autora).
preocupação com a incidência de ventos e raios solares, continuidade
espacial e outras características marcantes serão utilizados os cinco
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
48
exemplares selecionados para análise 25 . Durante o decorrer da pesquisa,
alguns alunos do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFPB demonstraram
interesse pelo trabalho e resolveram colaborar com o mesmo através da
digitalização de alguns projetos para serem avaliados em estágios
curriculares que tiveram como ênfase o exercício da representação gráfica.
Com isso, além de subsidiar esse trabalho específico contribuíram para um
registro digital da arquitetura moderna brasileira.
Essas cinco residências foram escolhidas segundo alguns critérios:
Imagem 91: Vista da
Residência Daniel
Guimarães (Fonte:
PMCG, 2003).
mantêm o uso residencial, estão entre as mais bem conservadas e,
notadamente, apresentam a maioria dos elementos da arquitetura moderna
relatados, além de soluções plásticas merecedoras de destaque.
1) Residência Daniel Guimarães (1960) 26 :
O projeto foi elaborado pelo até então desenhista Geraldino Pereira
Duda (formado em Engenharia Civil na década de 1980) e construído pelo
engenheiro Austro de França Costa (na época, diretor do Departamento de
Planejamento e Urbanismo – DPU), personagens de destaque na produção
arquitetônica de Campina Grande. Foi realizado para o proprietário Daniel
da Costa Guimarães e, atualmente, pertence à Maria das Neves de Souza
Costa 27 .
Imagem 92: Perspectiva
do projeto original da
Residência Daniel
Guimarães, 1960 (Fonte:
Arquivo da PMCG).
Dos elementos já mencionados percebemos: a presença da laje de
concreto inclinada apoiando telhas de fibrocimento, a utilização de
diferentes materiais de revestimento externo e de ferro e vidro nas
esquadrias, um apoio de forma não-convencional que, em busca de um
efeito plástico, exerce uma função estrutural, e o uso de jardins e terraços
como forma de ligação entre espaços externos e internos.
Com uma área coberta de 144,00m², possui um programa simples:
sala de estar, cozinha, copa, sala íntima, suíte, 02 quartos, banheiro social,
02 terraços (chamados de alpendre no projeto original) e jardins.
25
Esses exemplares serão denominados utilizando o nome do primeiro proprietário.
A digitalização do projeto foi realizada por Marcelo de Brito Barros, em março de 2007.
27
A atual proprietária não permitiu que a casa fosse visitada nem fotografada.
26
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
49
2) Residência Antônio Diniz Magalhães (1962) 28
Também projetada por Geraldino Duda, foi executada pelo
engenheiro Nilton de Almeida Castro e possui uma área construída de
271,00m².
Imagem 93: Planta Baixa da Res. Daniel Guimarães. (Fonte: Marcelo Barros (2007),
a partir do projeto original).
Observando a disposição dos ambientes, nota-se a localização
privilegiada para o setor social, já que a elite burguesa, na década de 1960,
Imagem 94: Geraldino Duda. Res. Antônio Diniz Magalhães, 1962 (Fonte: autora e
Arquivo da PMCG).
priorizava a sala de estar como o ambiente mais importante da casa.
.
Merece destaque: a casa solta no lote, o esquema da cobertura
Partindo para uma análise da preocupação com o clima e da
utilização de elementos de controle de luz e de calor, percebe-se uma
incoerência. Dois dos três quartos têm faces voltadas para oeste,
recebendo insolação excessiva à tarde, enquanto que os banheiros, jardins
e sala de estar, de pouca permanência, estão voltados para os lados leste e
sul, desperdiçando a ventilação natural que é predominantemente sudeste.
com lajes inclinadas em direções opostas, a utilização de diferentes
materiais de revestimento nas superfícies externas, uso de janelas corridas,
elementos vazados, a implantação em lote com desnível, fazendo uso de
uma planta escalonada, o jardim, a escada externa e a continuidade
espacial que pode ser percebida nas salas, enfatizando o uso da planta
livre.
De certa maneira, há de se levar em consideração que Campina
Grande possuía um clima mais ameno que o atual.
28
A digitalização do projeto foi realizada por Thaís Carvalho e Thaíse Gambarra, em abril/maio
de 2007.
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
50
Imagem 95: Fachada sul e maquete virtual da Res. Antônio Diniz Magalhães, 1962
(Fonte: Thaís Carvalho e Thaíse Gambarra, a partir do projeto original).
Fato curioso nesse projeto é a sala de jantar intermediando os
setores da casa. Além disso, o acesso da cozinha para essa sala tem de
Imagem 96: Plantas baixas da Res. Antônio Diniz Magalhães, 1962 (Fonte: Thaís
Carvalho e Thaíse Gambarra, a partir do projeto original).
ser realizado pela escada interna, o que dificulta o fluxo.
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
51
3) Residência Dagberto Gonçalves (1962) 29
Projetada pelo engenheiro civil Lynaldo Cavalcanti e com uma área
construída de 235,00m², o corpo principal da residência está implantado no
centro do lote, ligado à edícula existente nos fundos do terreno, através de
uma marquise.
Imagem 99: Fotografia da edificação e maquete virtual, mostrando as diferenças
entre o projeto executado e o original (Fonte: autora e Armando Mariano,
respectivamente).
Imagem 97: Lynaldo Cavalcanti. Res.
Dagberto Gonçalves, 1962 (Fonte:
autora).
Imagem 98: Res. Dagberto Gonçalves –
detalhe da marquise que liga o corpo
principal da casa à edícula (Fonte:
autora).
Comparando uma fotografia da edificação e imagens da maquete
virtual construída segundo o projeto original, percebe-se que algumas
mudanças, como, por exemplo, os brises soleil previstos no projeto não
aparecem na foto. Outra associação pode ser feita à influência de projetos
de arquitetos renomados da arquitetura moderna brasileira: a Casa de
Oscar Niemeyer em Mendes (1949) e o Teatro Popular (1950) em Marechal
Hermes, de Affonso Reidy.
29
Imagem 100: Maquete virtual (Fonte: Armando Mariano) e projetos de referência
(Fonte: Cavalcanti, 2001).
A digitalização do projeto foi realizada por Armando Mariano, em abril/maio de 2007.
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
52
O primeiro caso, sobretudo, pela utilização de elementos de
O vínculo exterior/interior mencionado é notado na ênfase dada à
controle de luz e calor compondo superfícies externas inclinadas; e o
entrada principal da casa. Diferentemente de outros projetos que apostaram
segundo pela cobertura em “asa de borboleta”.
no uso de rampas e escadas para marcar essa característica, a casa,
Na planta baixa, percebe-se que o acesso principal é induzido
através da passagem pelo terraço da face norte, intermediado por um
pergolado sobre um jardim. Sala de estar e jantar formam um espaço único
que se comunica com o restante da casa por uma longa circulação. Foi
criado um quarto de hóspedes cujo acesso dá-se tanto por essa circulação
quanto pela face posterior da residência, a qual se comunica com a edícula
nos fundos do lote. Nesse caso, o setor íntimo ficou direcionado para os
ventos dominantes (sudeste).
térrea, valorizou o jardim na frente do lote e permitiu a abertura de um
espaço de transição dentro do volume principal da edificação. A atenção
dada ao terraço é traduzida pela variedade de materiais construtivos
utilizados: de um lado estão os combogós, de outro os tijolos de vidro e em
um terceiro estão os azulejos pintados, sobre os quais aparecem orifícios
que dão para a circulação interna; um pergolado sobre o espaço definido
por esses três planos permite a passagem de luz para o jardim que valoriza
a entrada.
Imagem 102: Res. Dagbeto Gonçales – o terraço, visto de fora, e o jardim e a rua,
vistos do terraço (Fonte: autora).
Imagem 101: Res. Dagbeto Gonçales – planta baixa (Fonte: Armando Mariano,
segundo projeto do Arquivo da PMCG).
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
53
inclinada, está engastada no volume que saca do corpo principal,
sustentado por pilares delgados de ferro.
Imagem 104: Geraldino Duda. Res. Emília Dantas Aguiar, 1962 (Fonte: autora e
Arquivo da PMCG).
Imagem 103: Detalhes construtivos da Res. Dagberto Gonçalves (Fonte: autora).
4) Residência Emília Dantas Aguiar (1962) 30
Projetada por Geraldino Duda e construída pelo engenheiro José
Cavalcanti de Figueiredo, com uma área de 301,13m², essa residência
mostra uma maior liberdade no uso do concreto, presente tanto na estrutura
quanto na composição plástica, no caso da marquise existente. A cobertura,
30
Imagem 105: Res. Emília Dantas Aguiar – plantas baixas (Fonte: Mariana Porto,
segundo projeto do Arquivo da PMCG).
A digitalização do projeto foi realizada por Mariana Porto, em abril/maio de 2007.
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
54
Mais uma vez é dada ênfase a um jardim coberto por uma pérgula,
que se torna o coração da casa. Nesse exemplo, o espaço fica ainda mais
atrativo pela continuidade espacial promovida pelo volume suspenso por
pilotis na parte frontal da casa e pela existência de um alpendre embaixo
desse balanço.
A utilização de uma planta escalonada, dessa vez, foi uma decisão
projetual, já que o terreno é plano e, portanto, não induz à composição de
diferentes níveis.
Os espaços são bastante generosos, faz-se uso de esquadrias
contínuas, diferentes materiais de revestimento, integração da edificação
com um jardim externo, dentre outros elementos já mencionados em outros
exemplares.
Com frente predominantemente oeste, a marquise funciona não só
como elemento estético, mas também como protetor solar. O setor íntimo
está voltado para a posição sudeste, o setor social para o norte e o setor de
serviços a nordeste.
Imagem 106: Res. Emília Dantas Aguiar, pela ordem: o detalhe do volume em
balanço apoiado em pilotis; o espaço debaixo desse balanço; o alpendre, vendo o
pergolado; detalhe da marquise, a escada para a sala de estar; a escada para
acesso à copa/refeições; e as pastilhas como revestimento (Fonte: autora e Mariana
Porto).
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
55
5) Residência Heleno Sabino de Farias (1962) 31
Talvez a casa mais expressiva para a cidade no período
considerado, sobretudo pela sua volumetria diferenciada das demais. Aqui,
as condições do terreno tiveram influência direta no projeto, que teve que se
adaptar tanto ao perímetro quanto à topografia. Tendo em mãos um
programa amplo, já que a edificação possui 331,70m², e um terreno ‘curvo’
de esquina, Geraldino Duda, autor do projeto, teve que, respeitando o recuo
frontal, acompanhar essa curvatura para definir o partido. A declividade do
Imagem 108: Res. Heleno Sabino de Farias – os pilotis, a varanda e os
revestimentos externos (Fonte: autora).
lote permitiu que fossem projetados níveis diferenciados e que parte da
casa ficasse solta do chão, apoiada em pilotis, formando o espaço da
garagem.
Outro elemento marcante da obra é a rampa de acesso principal
que
também segue a curvatura do
terreno.
Fazendo a
ligação
exterior/interior e integrada ao jardim externo, comunica-se com o terraço,
espaço de transição, que por sua vez, dá acesso à sala de estar. Essa sala
é o centro de todas as atividades, relacionando-se com os demais
ambientes da casa: no lado leste, com os quartos, e no lado oeste, com as
demais salas e cozinha; uma escada leva ao subsolo, com quartos para
hóspedes e acesso à garagem. A partir da cozinha, chega-se a outro
Imagem 107: Geraldino Duda. Res. Heleno Sabino de Farias, 1962 (Fonte: autora).
terraço, onde uma escada dá acesso à área de serviço.
31
A digitalização do projeto foi realizada por Anna Alice Manabe e Vladimir Gama e Gusmão,
em abril/maio de 2007.
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
56
Imagem 110: Res. Heleno
Sabino de Farias – a rampa e o
jardim externo (Fonte: autora).
Assim como a maioria dos exemplares, apresenta o telhado
Imagem 109: Plantas baixas (térreo e porão) da Res. Heleno Sabino de Farias
(Fonte: Anna Alice Manabe e Vladimir Gusmão, a partir do projeto original).
escondido por uma platibanda, falseando a laje plana. Faz uso de diferentes
revestimentos compondo as superfícies externas, possui espaços amplos,
esquadrias em ferro e vidro, dentre outros elementos típicos da arquitetura
moderna brasileira.
Sua importância no repertório arquitetônico campinense se deve
não só ao fato de apresentar uma volumetria única se comparada aos
demais exemplares pesquisados, o que dá visibilidade à modernidade da
sua construção, mas também por ser uma das poucas residências
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
57
estudadas que ainda possui praticamente todas as características originais
e em bom estado de conservação.
***
Diante dessas análises e especulações sobre o acervo residencial
moderno de Campina Grande, percebe-se que houve na arquitetura uma
assimilação da linguagem moderna brasileira, mesmo que, por vezes,
alheia às discussões técnicas e acadêmicas. O que deve ser levado em
consideração é em que contexto houve essa apropriação. Não se pode
avaliar a forma como os conceitos da arquitetura moderna foram utilizados
na cidade, e em cada projeto isoladamente, sem entender as necessidades
e especificidades locais. O aprofundamento do tema permitirá avaliações
que ainda não são cabíveis e identificará as nuances que permitam abarcar
todo o acervo registrado.
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
58
pesquisado também justificava a opção: logo nos primeiros contatos com o
Considerações Finais
material existente no Arquivo Municipal da Prefeitura de Campina Grande,
verificou-se uma quantidade inesperada de projetos modernos de
Desde o início da pesquisa buscou-se enfatizar o seu objetivo
principal, que é o de registrar o acervo das residências modernas em
arquitetura, mesmo considerando as delimitações feitas em relação ao
objeto específico.
Campina Grande, projetadas na década de 1960. O recorte temático e o
cronológico foram necessários para que se pudesse abarcar essa produção
de forma ‘íntegra’, sem cogitar a exclusão de edificações que, nesse
momento,
pudessem
parecer
menos
significativas
que
outras.
Assim, decidiu-se fazer um breve reconhecimento da arquitetura
moderna residencial de Campina Grande, através de um registro parcial,
que revelasse sua amplitude, tendo como meta divulgar a importância de
sua preservação.
Evidentemente, seria imprudente realizar uma seleção concisa dos
No volume 1 deste trabalho, buscou-se:
exemplares a serem estudados sem um reconhecimento anterior do valor
dessa arquitetura no contexto da cidade.
•
Grande, dando destaque à sua condição favorável no contexto
No momento em que foi proposto esse registro, duas posturas se
regional, especialmente no período delimitado;
digladiavam: a primeira era selecionar os exemplares considerados mais
importantes e fazer um registro detalhado de cada um deles (aos moldes da
•
ficha do IPAC); a segunda era contemplar todos aqueles encontrados no
arquivo municipal e registrar somente as informações básicas (aos moldes
da ficha preliminar do Docomomo).
Inicialmente, a familiarização do leitor com a cidade de Campina
Em seguida, uma tentativa de constituir a forma como se
manifestou a arquitetura moderna na cidade;
•
Daí em diante, procurou-se explanar a maneira como esse registro
foi construído e;
A primeira opção pareceu precipitada face ao estágio de
conhecimento sobre o tema: por um lado a arquitetura moderna em
Campina Grande recém começa a ser estudada, por outro uma pesquisa
desse tipo exige tempo e conhecimento incompatíveis com um trabalho final
de graduação.
Nesse contexto, a segunda opção se mostrava mais viável porque
permitia um primeiro passo em direção à segunda opção e era compatível
com um trabalho final de graduação. A amplitude do objeto a ser
•
Refletir sobre o acervo em estudo, com ênfase para cinco
residências selecionadas e que foram exploradas.
No volume 2 está o registro dos exemplares encontrados, uma
espécie de “catálogo” dos 188 projetos consultados na pesquisa
documental, com seus usos atuais (quando as respectivas edificações
foram identificadas), endereços, autores, áreas (construída e terreno),
fotografias e registros gráficos.
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
Somente agora, com esse material sistematizado e maior
59
•
Algumas casas abandonadas:
conhecimento do tema é possível refletir sobre a produção moderna na
cidade e enfrentar o objeto desse trabalho com maior profundidade.
Serão, portanto, os novos estudos, que porventura venham a dar
continuidade a este, ora acadêmicos, ora elaborados por instituições e
órgãos competentes, que irão definir quais medidas de preservação
deverão ser adotadas para salvaguardar o patrimônio moderno de Campina
Grande.
Espera-se que esta pesquisa tenha ajudado a apontar os rumos
Imagem 111: Geraldino Duda. Res. Raul Pereira Monteiro, 1960 – antes e hoje
(Fonte: PMCG e autora).
desastrosos pelos quais vem passando a arquitetura moderna da cidade,
desde a falta de conscientização (diga-se de passagem, não só por parte
dos leigos no assunto), as intervenções infelizes por vezes aplaudidas, o
abandono e até a completa destruição, quando nem mesmo um registro
torna-se possível.
Para provocar o debate, podem ser expostos aqui os casos mais
gritantes dessas intervenções, apenas uma mostra identificada no repertório
pesquisado:
Imagem 112: Waldecy Pinto. Res.
Ubirajara Alves Bandeira, 1960 – hoje
(Fonte: autora).
Imagem 113: Adalberto Moita. Res.
José Gomes de Carvalho, 1963 – hoje
(Fonte: autora).
Imagem 114: Gleryston Lucena. Res. Esaú da Silva Catão, 1962 – perspectiva do
projeto e hoje (Fonte: Arquivo da PMCG e autora).
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
Imagem 115: Francisco Celestino
Filho. Res. Orlando Vidal de
Souza, 1965 – hoje (Fonte:
autora).
•
60
Imagem 118: Geraldino Duda. Res. Raul Cavalcanti Guimarães, 1963 - perspectiva
do projeto e hoje (Fonte: Arquivo da PMCG e autora).
Algumas casas que foram modificadas:
Imagem 119: Geraldino Duda. Res. Demétrio Domeval do Vale, 1964 - perspectiva
do projeto e hoje (Fonte: Arquivo da PMCG e autora).
Imagem 116: Geraldino Duda. Res. Eutiqui Loureiro, 1962 – antes e hoje (Fonte:
PMCG e autora).
Imagem 120: Laelson de Castro. Raimundo Petronilo Pereira, 1966 - fachada do
projeto e hoje (Fonte: Arquivo da PMCG e autora).
Imagem 117: Geraldino Duda. Res. Hermes Ernesto dos Santos, 1963 – perspectiva
do projeto e hoje (Fonte: Arquivo da PMCG e autora).
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
•
Algumas casas que foram demolidas:
61
regiões ou campinenses e, daí a importância de se estudar, a posteriori,
essas especificidades e a contribuição de cada um.
Por fim, espera-se que esta pesquisa tenha sido válida não
somente como registro de edificações, mas como registro de uma memória
que não merece ser apagada. Aos interessados, e que sejam em grande
número, faz-se necessário repensar as transformações arquitetônicas e
urbanas a que Campina Grande está sujeita hoje. Se os campinenses ainda
Imagem 121: Tertuliano Dionísio e José Luiz Menezes. Res. Waldecyr Villarim
Meira, 1961 - perspectiva do projeto e hoje (Fonte: Arquivo da PMCG e autora).
querem ter motivos para se orgulhar da cidade, precisam ter consciência de
que “modernidade e beleza” (banner estampado no Viaduto Elpídio de
Almeida, em construção) não são coisas grandiosas feitas em outra parte
do mundo; é necessário refletir sobre seus próprios feitos e buscar soluções
adequadas aos seus problemas.
Imagem 122: Geraldino Duda. Res.
Noilton Dantas, 1963 – perspectiva
do projeto (Fonte: Arquivo da
PMCG).
Imagem 123: Geraldino Duda. Res. Walter
Correia de Brito – perspectiva do projeto
(Fonte: Arquivo da PMCG).
Quanto aos profissionais identificados nessa fase da produção
campinense, poderiam ser listados cerca de 60 nomes, porém, alguns deles
se destacam pelo número de projetos: Geraldino Duda (desenhista
campinense), Tertuliano Dionísio (campinense, formado arquiteto em
Recife), Hugo de A. Marques (arquiteto-licenciado de Recife) e alguns
engenheiros como Lynaldo Cavalcanti, Adalberto Moita, Laelson de Castro,
Nilton de Almeida Castro e Max Ham Kay Liebig.
Assim, é importante ressaltar que se trata de uma arquitetura
realizada por profissionais com diferentes formações, vindos de outras
“Hoje, para mostrar que se desenvolve em todos os sentidos,
acompanhando as exigências do progresso, cresce verticalmente, estando
os seus gigantescos edifícios de concreto armado desafiando as leis da
gravidade.
Campina Grande, para vingar-se de ser uma cidade do interior, desafia
muitas capitais de pequenos Estados, possuindo hotéis de luxo
comparados com qualquer hotel de primeira classe nos grandes centros;
estação de televisão; três emissoras de rádio; aeropôrto com capacidade
para aterrissagem de qualquer tipo de avião; um dos maiores centro
comerciais do Nordeste; um parque industrial em franco desenvolvimento,
que acompanha de perto o progresso da cidade; é sede de duas
importantes emprêsas bancárias: Banco Industrial de Campina Grande
S/A e Banco do Comércio de Campina Grande S/A; se lhe falta um bom
cinema, possui um dos mais modernos teatros do Norte do Brasil; duas
universidades em pleno funcionamento, sendo que uma delas pertence ao
próprio Município; e o que é mais importante, o entusiasmo dos seus filhos
e habitantes, corroborando para o seu desenvolvimento cada vez maior.”
(Revista Tambaú:1966:39-40).
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
Referências
62
13. CÂMARA, Epaminondas. Datas campinenses. Campina Grande:
Caravela. Secretaria de Educação, Núcleo Cultural Português. 1998.
14. CAMPINA Grande centenária. A União. João Pessoa, 18 mai. 1963:
p.03.
1. 11º. ANIVERSÁRIO do Gresse. A União. João Pessoa, 14 jul. 1966:
pp.04 e 07.
15. CAMPINA Grande é centenária. A União. João Pessoa, 11 out. 1964:
p.08.
2. A PARAÍBA diz ao Brasil que Campina Grande é centenária. A União.
João Pessoa, 17 jan. 1964: p.04.
16. CAMPINA Grande é grande, de verdade... Revista Tambaú. nº.4,
pp.39-42, 1966.
3. A UNIÃO. João Pessoa, 04 fev. 1965: p.08.
17. CARVALHO, Juliano Loureiro de. Pré-inventário dos engenhos da
várzea do rio Paraíba. João Pessoa, 2005. Monografia (graduação) –
Curso de Arquitetura e Urbanismo, Universidade Federal da Paraíba.
4. A UNIÃO. João Pessoa, 10 mai. 1970: p.01.
5. ALBERTON, Josicler Orbem. Influência modernista na arquitetura
residencial de Florianópolis. Florianópolis, 2006. Dissertação
(mestrado) – PPGAU, Universidade Federal de Santa Catarina.
6. ALMEIDA, Elpídio de. História de Campina Grande. Edições da
Livraria Pedrosa. Campina Grande: Instituto Histórico e Geográfico
Paraibano, 1962.
7. ARGAN, Giulio Carlo. Arte moderna: do Iluminismo aos movimentos
contemporâneos. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.
8. ATLAS Escolar da Paraíba: espaço geo-histórico e cultural. 3ª ed.
João Pessoa: Editora Grafset, 2002.
18. _____ ; QUEIROZ, Marcus Vinicius; TINEM, Nelci . Trem veloz,
rupturas lentas: arquitetura como produção do espaço urbano em
Campina Grande (1907-1935). In: XII Encontro Estadual de História,
2006, Cajazeiras. História e Multidisciplinaridade: fronteiras e
deslocamentos. Campina Grande: UFCG/ ANPUH-PB, 2006. Anais.
19. CAVALCANTI, Lauro. Quando o Brasil era moderno: guia de
arquitetura 1928-1960. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2001.
20. DA CIDADE dentro cidade. A União. João Pessoa, 08 out. 1966: p.03.
21. DIÁRIO da Borborema. Campina Grande, 02 out. 1957: p.01.
9. BARBOSA, Fabrício Lira. De Rainha a Plebéia: inventário das
transformações urbanas e arquitetônicas de Campina Grande entre
1935-1945. Natal: UFRN, 1999. Trabalho Final de Graduação (Curso
de Arquitetura e Urbanismo).
22. DOCOMOMO. International working party for document and
conservation of buildings, sites and neighbourghoods of the
modern movement. Disponível em: <http://www.docomomo.com>.
Acesso em: 19 Set. 2006.
10. BARBOSA, Maria José Lira. Indústria sem industrialização: um
projeto que (não) deu certo. Recife: UEPE, 1991. Dissertação
(Mestrado em História). Departamento de Educação, Universidade
Federal de Pernambuco.
23. ESTAÇÃO rodoviária. A União. João Pessoa, 17 abr. 1958: p.03.
11. BENEVOLO, Leonardo. História da arquitetura moderna. São
Paulo: Perspectiva, 2004.
12. BRUAND, Yves. Arquitetura contemporânea no Brasil. São Paulo:
Perspectiva, 2005.
24. FIEP. PERFIL Sócio-Econômico de Campina Grande. FIEP/UCIP,
2005.
25. FRAMPTON, Kenneth. História crítica da arquitetura moderna. São
Paulo: Martins Fontes, 1997.
26. FUNDINOR. Paraíba: dois pólos de desenvolvimento. Recife:
Fundação para o Desenvolvimento Industrial do Nordeste, 1967.
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
63
27. GOODWIN, Philip L. Brazil Builds: architecture new and old 1652 –
1942. New York: The Museum of Modern Art, 1943.
41. MINISTÉRIO das Cidades. SNIU: Sistema Nacional de Indicadores
Urbanos. Acesso em: 12 Set. 2006
28. GOVERNADOR abre crédito para o I centenário de Campina Grande.
A União. João Pessoa, 05 mai. 1963: p.03.
42. NASLAVSKY, Guilah. Arquitetura moderna em Pernambuco, 1951
– 1972: as contribuições de Acácio Gil Borsoi e Delfim Fernandes
Amorim. São Paulo, 2004. Tese (doutorado) – Faculdade de
Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo.
29. GOVERNADOR José Fernandes inspecionou obras públicas (ontem)
em C. Grande. A União. João Pessoa, 07 dez. 1960: p.01.
30. GUADANHIM, Sidnei Junior. Influência da arquitetura moderna nas
casas de Londrina: 1955-1965. São Paulo, 2002. Tese (doutorado) –
PPGAU, Universidade de São Paulo.
31. IBGE. Campina Grande: centenário. A União. João Pessoa, 25 ago.
1964: p.08.
32. IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Disponível em
<http://www.ibge.gov.br>. Acesso em: 13 Set. 2006.
33. IDEME. Instituto de Desenvolvimento Municipal do Estado da
Paraíba. Disponível em: <http://www.ideme.pb.gov.br>. Acesso em:
13 Set. 2006.
34. IPEA. Redes Urbanas Regionais: Norte, Nordeste e Centro-oeste.
Série Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil. Vol. 4.
Brasília: IPEA, 2002.
35. IPESP. Informe sobre a Paraíba. João Pessoa: Instituto de
Pesquisas Econômicas e Sociais, 1965.
36. IPHAN. Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
Disponível em: <http://www.iphan.gov.br>. Acesso em: 19 Set. 2006.
37. LEMOS, Carlos. A casa brasileira. São Paulo: Contexto, 1989.
38. LIMA, Damião de [et al]. Estudando a História da Paraíba. Campina
Grande: Editora Cultura Nordestina, 1999.
39. MELO, Alexandra Consulin Seabra de. Yes, nós temos arquitetura
moderna! Reconstituição e análise da arquitetura residencial moderna
em Natal das décadas de 50 e 60. Natal, 2004. Dissertação
(mestrado) – PPGAU, Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
40. MINDLIN, Henrique E. Modern Architecture in Brazil. Rio de
Janeiro: Colibris Editora Ltda., 1956.
43. NOTÍCIAS do centenário. A União. João Pessoa, 06 jul. 1963: p.08.
44. PREFEITURA Municipal de Campina Grande. O homem que
projetou o teatro municipal: Geraldino Duda. Campina Grande,
2003.
45. REIS FILHO, Nestor G. Quadro da arquitetura no Brasil. São Paulo:
Perspectiva, 1976.
46. ROCHA, Fabiano de Melo, QUEIROZ, Marcus Vinicius. Arquitetura
Moderna em Campina Grande: emergência, difusão e a produção
dos anos 1950. In: 1º Seminário DOCOMOMO Norte-Nodeste, 8-11
mai. 2006. Recife. Anais.
47. ROCHA, Helder da. Campina Grande: a rainha da Borborema.
Disponível
em:
<http://www.helderdarocha.com.br/paraiba/campina/index.html>.
Acesso em: 13 Set. 2006.
48. ROCHA, Mércia Parente. Manifestação da arquitetura moderna em
João Pessoa. João Pessoa, 1987. Monografia (graduação) – Curso
Arquitetura e Urbanismo, Universidade Federal da Paraíba.
49. ROSSI, Lia Mônica; BEZERRA, José Marconi. Arte Déco Sertanejo.
Disponível em: <http://www.art-deco-sertanejo.com>. Acesso em: 22
Set. 2006.
50. SEGAWA, Hugo. Arquiteturas no Brasil 1900 – 1990. São Paulo:
Editora da Universidade de São Paulo, 2002.
51. SILVA, Iranise Alves da. A crise da moradia: a política habitacional
para as classes de baixa renda em Campina Grande - PB. Rio de
Janeiro: Agir; João Pessoa: Universidade Federal da Paraíba, 1987.
52. SILVA, Izabel do Amaral e. Um olhar sobre a obra de Acácio Gil
Borsoi: obras e projetos residenciais 1953 – 1970. Natal, 2004.
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
64
Dissertação (mestrado) – PPGAU, Universidade Federal do Rio
Grande do Norte.
53. SOCIEDADE Medica de Campina Grande. A União. João Pessoa, 05
mar. 1952: p.05.
54. SOUSA, Fábio Gutemberg Ramos Bezerra de. Campina Grande:
cartografias de uma reforma urbana no Nordeste do Brasil (19301945). Revista Brasileira de História, São Paulo, v. 23, nº 46, pp. 6192, 2003.
55. SYLVESTRE, Josué. Lutas de vida e morte: fatos e personagens da
história de Campina Grande (1945-1953). Brasília, 1982.
56. TARGINO, Itapuan B. Patrimônio Histórico da Paraíba – 2000/2002.
João Pessoa: Idéia, 2003.
57. TEATRO
Municipal
Severino
Cabral.
Disponível
em:
<http://teatroseverinocabral.com.br>. Acesso em: 28 Jul. 2006.
58. TINEM, Nelci. O alvo do olhar estrangeiro: o Brasil na historiografia
da arquitetura moderna. João Pessoa: Editora Universitária, 2006.
59. UNIVERSIDADE Federal da Paraíba. Atlas Geográfico da Paraíba.
João. Pessoa: Grafset, 1985.
60. WARCHAVCHIK, Gregori. Arquitetura do século XX e outros
escritos: Gregori Warchavchik. Org.: Carlos A. Ferreira Martins. São
Paulo: Cosac Naify, 2006.
61. WIKIPÉDIA,
a
enciclopédia
livre.
Disponível
em:
<http://pt.wikipedia.org/wiki/Campina_Grande> Acesso em: 17 Jul.
2006.
Outras Fontes:
•
Google Earth, 2006.
•
Arquivo Municipal de Campina Grande.
•
Museu Histórico de Campina Grande.
Adriana Leal de Almeida Freire
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
65
Anexo I
Ficha-padrão Juliano Carvalho (IPAC)
Adriana Leal de Almeida Freire
REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
INVENTÁRIO DE PROTEÇÃO DO ACERVO CULTURAL IPAC
NORDESTE
Localização
Engenho Santa Luzia
DEPARTAMENTO DE ARQUITETURA
Município
Microrregião
Litoral Paraibano(93)
Denominação
Capela de Santa Luzia
Categoria
Cruz do Espírito Santo
MONUMENTO
Nº BR 1999
1.0
I
009
NÚCLEO DE DOCUMENTAÇÃO E INFORMAÇÃO HISTÓRICA E REGIONAL
Distrito
Capela [E]
Cadastro Imobiliário
Situação e ambiência
O engenho Santa Luzia localiza-se na encosta norte do divisor de águas entre o Una e o Paraíba, próximo ao ponto onde as várzeas dos dois rios se confundem. As edificações de interesse se distribuem
linearmente ao longo da estrada de C. do Espírito Santo para os engenhos Pau d'Arco e Pacatuba, no sentido sul-norte. A capela, com o cemitério murado ao seu lado esquerdo, fica entre a atual casa do
administrador e a antiga senzala. Com espaço livre do lado direito, sua galeria lateral com arcadas e seu grande volume escalonado são bastante visíveis. É o ponto focal do conjunto edificado, até porque
edificações mais recentes, sem valor, foram agrupadas à sua frente, criando assim um espaço com caráter de pátio neste trecho.
Época
19M
Área construída
Utilização atual Culto religioso
~410m²
Descrição
Capela de engenho de relevante interesse arquitetônico, concluída em meados do século XIX. Tem dimensões próximas às de uma igreja matriz, com as duas galerias laterais em arcadas, superpostas
por corredores com tribunas (o assoalho do corredor superior esquerdo ruiu). Fachada com porta única e quatro janelas no primeiro pavimento, sendo duas no coro e duas nos corpos laterais.
Coroamento de gosto rococó, com entablamento alteado em três segmentos convexos e frontão recortado com coruchéus assimétricos. A nave única, de grandes dimensões, tem seu interior fortemente
determinado pela presença das tribunas e portas laterais, com sua decoração. A capela-mor, com sacristia à direita, ainda preserva parte do forro em tabuado, com uma pomba aplicada, em talha, e o
altar também em talha, neoclássico.
Pintura mural/Forros
Pedra lavrada
Estado de conservação
(A, B, C) em
Grau de proteção
Estrutura
portante
1
Carpintaria
B
Talha
Elementos
secundários
Proteção existente
B
Serralheria
Coberta
Quadros
B
Mobiliário
Interior
B
Proteção proposta
I
Alfaias
Pintura
Instalações e
serviços
Imaginária
B
Azulejaria
Salubridade
A
Estadual
Fotografia de Identificação
Observações
Levantamento
Juliano Carvalho em
11/2004
Texto
Juliano Carvalho em
09/2005
Revisão
159
DADOS COMPLEMENTARES
Dados tipológicos
A capela de Santa Luzia segue um modelo de matrizes e igrejas de irmandades desenvolvido no século XVIII, caracterizado
pelas galerias laterais superpostas por tribunas. Assim, se afasta do modelo mais comum da várzea (sem galerias nem
tribunas) em direção à monumentalidade. Outros exemplos da mesma tipologia são a capela do engenho da Graça e a Igreja
do Carmo de João Pessoa. Este exemplar é interessante por ter desenvolvimento das galerias simétrico e completo e
principalmente por atestar a persistência de padrões do século XVIII já em meados do século XIX: não só a espacialização
com galerias e tribunas, mas também o gosto rococó da fachada, em apropriação popular e tardia, que trai, nas janelas dos
corpos laterais, tentativas de maquiagem neoclássica sobre a arquitetura colonial.
Dados cronológicos
1623/1639 – O proprietário do engenho Sta.Luzia/Sta. Lúcia era João de Souto Maior. As informações quanto à força motriz são controversas: Carpentier
e Herckman dizem ser água, mas Van der Dussen diz serem bois
1812 – Registros da existênca da capela de Santa Luzia no engenho 1851 –
Com o nome de Tabocas, pertencia aos herdeiros de João de Mello Azedo
1862 – Data na fachada da capela, provavelmente da conclusão 1910
– Proprietário: José Fernandes de Carvalho. O engenho Tabocas moía a vapor e produzia açúcar e algodão
1912 – José vende o engenho a
Joaquim Fernandes de Carvalho, seu irmão, que já era dono de quase metade da propriedade
1993 – As terras da "Fazenda Sta. Luzia" pertenciam
à Usina Santa Helena. Com sua falência, neste ano, foram arrendadas a um proprietário de Pernambuco e finalmente compradas pela destilaria Miriri em
leilão 1993/1996 – Tensões entre 70 famílias de posseiros e proprietários, o que levou os primeiros a pedir ajuda à CPT e ao INCRA.
Características especiais Galerias com arcadas superpostas por tribunas
Construção do primeiro edifício 17I
Início do atual edifício
Término do atual edifício
Ampliação do atual edifício
Utilização proposta
19M
Sistema construtivo e materiais
Paredes e cercaduras em alvenaria de tijolos. Decoração e relevos em argamassa. Estrutura da coberta em tesouras canga-deporco de uma única linha. Piso do térreo em tijoleira hexagonal e do primeiro pavimento em assoalho. Vergas construtivas
retas, disfarçadas no exterior por arcos abatidos. Cachorros de madeira em peito-de-pomba.
Culto religioso
Utilizações possíveis
Culto religioso
Classificação da estrutura
Bibliografia básica
Parietal
Material predominante das paredes
2-alvenaria de tijolo
Restaurações e intervenções realizadas
Tavares, 1909/1911; Tavares, 1910; Paraíba, 185; Moreira, 1997; Ramos, 2005c; Gonçalves, 2003; Azevedo, 1990; Oliveira, 2003b.
Propriedade
Contato
Privada
Proprietário Destilaria Miriri S/A
Últimas intervenções
Repintura; substituição de parte do telhado e do madeiramento
Elementos ameaçados
Integridade
Artes aplicadas
Ambiência
Perigos potenciais
Causas
Agentes naturais
Ação humana
Falta de manutenção
O assoalho da galeria direita e o forro da capela-mor ameaçam ruir
Documentação fotográfica
160
Ano
2004
Restaurações necessária Recomposição dos assoalhos do segundo pavimento; restauração do forro da capela-mor
Tel: 83-3292-2764 Fax: 83-3292-2803
1. Vista do interior a partir do coro. 2. Forro da capela-mor. 3. Cachorros de madeira na galeria superior direita.
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
68
Anexo II
Ficha cadastral Izabel Silva
Adriana Leal de Almeida Freire
$SrQGLFH
$
3URMHWR5HVLGrQFLD/LVDQHOGH0HOR0RWWD
/RFDO5XD0RQVHQKRU$PEURVLQR/HLWH*UDoDV5HFLIH
'DWD
3ODQWD%DL[D3DYLPHQWR7pUUHR
)RQWH3UHIHLWXUDGD&LGDGHGR5HFLIH
3ODQWD%DL[D3DYLPHQWR6XSHULRU
)RQWH3UHIHLWXUDGD&LGDGHGR5HFLIH
3ODQWDGH/RFDomRH&REHUWD
)RQWH3UHIHLWXUDGD&LGDGHGR5HFLIH
3URMHWR5HVLGrQFLD/LVDQHOGH0HOR0RWWD
/RFDO5XD0RQVHQKRU$PEURVLQR/HLWH*UDoDV5HFLIH
'DWD
$SrQGLFH
$
&RUWH/RQJLWXGLQDO
)RQWH3UHIHLWXUDGD&LGDGHGR5HFLIH
&RUWH/RQJLWXGLQDO
)RQWH3UHIHLWXUDGD&LGDGHGR5HFLIH
3HUVSHFWLYD([WHUQD
)RQWH3UHIHLWXUDGD&LGDGHGR5HFLIH
$SrQGLFH
$
3URMHWR5HVLGrQFLD/LVDQHOGH0HOR0RWWD
/RFDO5XD0RQVHQKRU$PEURVLQR/HLWH*UDoDV5HFLIH
'DWD
3HUVSHFWLYD,QWHUQD
)RQWH3UHIHLWXUDGD&LGDGHGR5HFLIH
)RWRVGD$XWRUD
3URMHWR5HVLGrQFLD/LVDQHOGH0HOR0RWWD
/RFDO5XD0RQVHQKRU$PEURVLQR/HLWH*UDoDV5HFLIH
'DWD
$SrQGLFH
$
)RWRVGD$XWRUD
$SrQGLFH
$
3URMHWR5HVLGrQFLD/LVDQHOGH0HOR0RWWD
/RFDO5XD0RQVHQKRU$PEURVLQR/HLWH*UDoDV5HFLIH
'DWD
)RWRVGD$XWRUD
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
74
Anexo III
Ficha Josicler Alberton
Adriana Leal de Almeida Freire
PLANTA-BAIXA TÉRREO- EDÍCULA
escala 1:200
PLANTA-BAIXA 1ºPVTO- EDÍCULA
escala 1:200
Setores
Sobre os moradores
1º proprietário: João Batista Bonassis
Profissão: advogado
Grupo familiar: 05 pessoas, sendo o
casal e 03 filhos
2º proprietário: Célio G. Salles
Profissão: médico
Composição familiar: 05 pessoas, sendo
o casal e 03 filhos
Setor íntimo:
Suíte com closet, 02 quartos,
banheiro e circulação.
Áreas
Área terreno: 711,61 m²
Taxa de ocupação: 40,7%
Área construída: 289,70m², sendo
66,70m² de edícula
IMPLANTAÇÃO escala 1:500
SUÍTE
PLANTA- BAIXA escala 1:200
Setor social:
Hall, sala de estar, sala de jantar,
lavabo e pátio.
Setor de serviço:
Cozinha e copa.
Setor externo:
Lavanderia, dependência de
empregada, quarto e garagem para
01 carro.
Relação edificação- terreno
Esta casa, também localizada na rua Barão de Batovy, num terreno em aclive, foi
implantada acima do nível da rua e se destaca pela horizontalidade do volume,
marcado por painéis de venezianas em madeira. Os acessos, tanto de pedestre
como de veículo, acontecem no lado esquerdo do lote. A garagem está localizada
nos fundos do lote numa edícula. A planta- baixa é em “U” e tem no seu centro um
pátio onde foi previsto um laguinho de forma orgânica. Das casas já estudas, é a
primeira que apresenta edícula que por sua vez, destoa arquitetonicamente da
casa.
Organização Espacial
O projeto é inovador, tanto pela setorização, quanto pela estruturação entorno do
pátio. No hall há um armário embutido e o lavabo. A parede, anteparo para o
visitante, direciona para a grande sala de estar ou para sala de almoço, ambas
abertas para o pátio interno e integradas. Da sala de almoço tem-se acesso à
cozinha ou à circulação do setor íntimo. Este último está voltado para o norte e para
o leste e tem dois quartos que se abrem para a varanda frontal. Embora abertos
para a frente da casa, mantêm sua privacidade devido aos anteparos, venezianas
de madeira, que impedem que o olhar do transeunte invada estes ambientes. Hoje,
os espaços livres entre estes anteparos foram fechados com vidro. O setor de
serviço está concentrado na edícula. Embora seja uma casa com grandes
aberturas frontais, é aberta para o interior, para o pátio que articula todo setor social.
Materiais utilizados
As paredes externas foram feitas com 30cm de espessura e as internas com 15cm.
A estrutura de concreto armado, as paredes de alvenaria, a cobertura dupla (laje de
concreto e sobre esta, telha de fibrocimento), a platibanda finalizando o beiral, são
soluções construtivas comuns nas casas inventariadas. Materiais nobres são
encontrados nesta residência como o alumínio da janela da cozinha, as venezianas
de madeira, enroladas verticalmente, e os grande panos de vidros encontrados nas
portas. Os armários da casa, feitos durante a obra com madeira nobre, e o grande
balanço frontal, na varanda dos quartos, foram inovações.
FOTO FACHADA- DÉCADA DE 70
fonte: arquivo da proprietária, 2005.
FOTOS FACHADA - SITUAÇÃO ATUAL
fonte: arquivo pessoal, 2005
Entrevista com o morador
A família Salles adquiriu a casa do primeiro proprietário em 1973 e morou nela
durante dezessete anos. A proprietária relatou saudosa que quando conseguiram
comprá-la ficaram muito satisfeitos, pois além de ser boa, vistosa e espaçosa, havia
muitas pessoas interessadas pela compra. Algumas inovações no projeto foram
citadas pela proprietária: balanços na fachada frontal, o lavabo, o hall, o closet da
suíte, as esquadrias com muito vidro e a própria divisão funcional da casa que
implicava na mudança de alguns hábitos dos moradores.
Referências Plásticas
Planta em “U”, setorizada, organizada
entorno de um pátio que integra
ambientes sociais, traz luminosidade e
volta a casa para dentro.
Tratamento paisagístico no pátio que
recebeu um espelho d’água com linhas
curvas.
Grandes painés de venezianas de
madeira na fachada frontal.
Sistema estrutural modulado com vão
estrutural mantido vazio no lado
esquerdo da fachada frontal. Esta
mesma solução pode ser observada na
casa abaixo, de Artigas.
CASA HEITOR ALMEIDA, 1949, São Paulo.
Arquiteto Vilanova Artigas
Fonte: MINDLIN, 2000.
CASA 07
RESIDÊNCIA SALLES
1959
PROJETO
arquiteto Domingos Filomeno Netto
HABITAÇÃO modernista ARQUITETURA modernista HABITAÇÃO moderni
DEPENDÊNCIA
DE EMPREGADA
Sobre o projeto
Localização: Barão de Batovy, nº587
Ano do projeto: 1959
Nº do projeto na SUSP: 8090
Uso atual: educacional
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
76
Anexo IV
Fichas DOCOMOMO
Adriana Leal de Almeida Freire
Minimum Documentation Fiche 2003
composed by national/regional working party of:
0.1 Picture of building/site
depicted item:
source:
date:
1. Identity of building/group of buildings/urban scheme/landscape/garden
1.1 current name of building
1.2 variant or former name
1.3 number & name of street
1.4 town
1.5 province/state
1.6 zip code
1.7 country
1.8 national grid reference
1.9 classification/typology
1.10 protection status & date
2 History of building
2.1 original brief/purpose
2.2 dates: commission/completion
2.3 architectural and other designers
2.4 others associated with building
2.5 significant alterations with dates
2.6 current use
2.7 current condition
3 Description
3.1 general description
3.2 construction
3.3 context
4 Evaluation
4.1 technical
4.2 social
4.3 cultural & aesthetic
4.4 historical
4.5 general assessment
do_co _mo_mo _
ISC/R members update 2003
for office use only
International working party for
documentation and conservation
of buildings, sites and neighbourhoods of the
modern movement
5 Documentation
5.1 principal references
5.2 visual material attached
5.3 rapporteur/date
6 Fiche report examination by ISC/R
name of examining ISC member:
approval:
working party/ref. n°:
comments:
do_co _mo_mo _
ISC/R members update 2003
for office use only
date of examination:
NAI ref. n°:
International working party for
documentation and conservation
of buildings, sites and neighbourhoods of the
modern movement
Full Documentation Fiche 2003
composed by national/regional working party of:
0. Picture of building/ group of buildings/ urban scheme/ landscape/ garden
depicted item:
source:
date:
1. Identity of building/ group of buildings/ group of buildings/ landscape/
garden
1. 1 Data for identification
current name:
former/original/variant name:
number(s) and name(s) of street(s):
town:
province/state:
post code:
block:
country:
national topographical grid reference:
current typology:
former/original/variant typology:
comments on typology:
1. 2 Status of protection
protected by: state/province/town/record only
grade:
date:
valid for: whole area/parts of area/building
remarks:
1. 3 Visually or functionally related building(s)/site(s)
name(s) of surrounding area/building(s):
visual relations
functional relations:
other relations:
do_co _mo_mo _
ISC/R members update 2003
for office use only
lot:
International working party for
documentation and conservation
of buildings, sites and neighbourhoods of the
modern movement
2. History of building(s) etc.
2. 1 Chronology
Note if the dates are exactly known (e) or approximately estimated = circa (c) or (±)
commission or competition date:
design period(s):
start of site work:
completion/inauguration:
2. 2 Summary of development
commission brief:
design brief:
building/construction:
completed situation:
original situation or character of site:
2. 3 Relevant persons/organisations
original owner(s)/patron(s):
architect(s):
landscape/garden designer(s):
other designer(s):
consulting engineer(s):
building contractor(s):
2. 4 Other persons or events associated with the building(s)/site
name(s):
association:
event(s):
period:
2. 5 Summary of important changes after completion
type of change: alteration/renovation/restoration/extension/other:
date(s):
circumstances/reasons for change
effects of changes:
persons/organisations involved:
3. Description of building(s) etc.
3. 1 Site/building character
Summarize main character and give notes on surviving site/building(s)/part(s) of area.
If a site: principle features and zones of influence; main elements in spatial composition.
If a building: main features, construction and materials.
3. 2 Current use
of whole building/site:
of principal components (if applicable):
comments:
3. 3 Present (physical) condition
of whole building/site:
of principal components (if applicable):
of other elements (if applicable):
of surrounding area (if applicable):
comments:
3. 4 Note(s) on context, indicating potential developments
Indicate, if known, potential developments relevant for the conservation/threats of the building/site
do_co _mo_mo _
ISC/R members update 2003
for office use only
International working party for
documentation and conservation
of buildings, sites and neighbourhoods of the
modern movement
4. Evaluation
Give the scientific reasons for selection for docomomo documentation
Intrinsic value
4. 1 technical evaluation:
4. 2 social evaluation:
4. 3 cultural and aesthetic evaluation:
Comparative significance
4. 4 canonical status (local, national, international)
4. 5 historic and reference values:
5. Documentation
5. 1 archives/written records/correspondence etc. (state location/ address):
5. 2 principal publications (in chronological order):
5. 3 visual material (state location/ address)
original visual records/drawings/photographs/others:
recent photographs and survey drawings:
film/video/other sources:
5. 4 list documents included in supplementary dossier
6. Fiche report
name of reporter:
address:
telephone:
date of report:
fax:
e-mail:
examination by DOCOMOMO national/regional section
approval by working party co-ordinator/registers correspondent (name):
sign and date:
__________________________________________
examination by DOCOMOMO ISC/R
name of ISC member in charge of the evaluation:
comment(s):
sign and date:
ISC/R approval:
date:
working party/ref. n° :
NAi ref. n° :
do_co _mo_mo _
ISC/R members update 2003
for office use only
International working party for
documentation and conservation
of buildings, sites and neighbourhoods of the
modern movement
Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969)
82
Anexo V
Quadros Sinóticos
Adriana Leal de Almeida Freire
Quadro Sinótico - 1960
Res. Daniel da Costa Guimarães (residência)
Res. Fernando Ferreira de Mesquita (residência)
Res. Glauco Benévolo de Benévolo (residência - fechada)
Res. Helion Paiva (residência)
Res. Hermínio Soares de Carvalho (creche)
Res. Manoel Damião de Araújo (residência)
Res. Manoel Holanda de Oliveira (residência)
Res. Raul Pereira Monteiro (abandonada)
Res. Sósthenis Pedro da Silva (residência)
Res. Tereza Pontual Gioia (residência)
Res. Ubirajara Alves Bandeira (abandonada)
Incompleto/Insuficiente/Incerto
Inexistente
Não Encontrado/Não Disponível
Observações
Desenhos
Situação Atual
Dados do Projeto
Foto Identificação
Preenchimento da Ficha
Cadastral
Identificação
Dados Complem.
Fotos Interior
Fotos Exterior
Foto Identificação
Identificar Local
Perspectiva
Coberta
Fachadas
Cortes
Plantas
Localização
01
02
03
04
05
06
07
08
09
10
11
Mapeamento
Mapeamento/ Visita
Local
Projeto
Quadro Sinótico - 1961
Res. Cícero Gomes dos Santos (residência)
Res. Heleno Soares de Albuquerque (residência)
Res. Maria Bernadete de Lima (residência)
Res. Osvaldo Monteiro Pordeus (não encontrada)
Res. Rita Ricardina de Medeiros (não encontrada)
Res. Rodrigo Nóbrega Araújo (residência)
Res. Sebastião Pedrosa (clínica)
Res. Severino da Costa Ribeiro (demolida - farmácia)
Res. Valdette Ribeiro (projeto não executado)
Res. Waldecyr Villarim Meira (demolida - laboratório)
Incompleto/Insuficiente/Incerto
Inexistente
Não Encontrado
Observações
Desenhos
Situação Atual
Dados do Projeto
Foto Identificação
Preenchimento da Ficha
Cadastral
Identificação
Dados Complem.
Fotos Interior
Fotos Exterior
Foto Identificação
Identificar Local
Perspectiva
Coberta
Fachadas
Cortes
Plantas
Localização
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
Mapeamento
Mapeamento/ Visita
Local
Projeto
Quadro Sinótico - 1962
Res. Adelino Barbosa de Melo (residência)
Res. Alfredo Pereira de Lucena (residência)
Res. Antônio Diniz Magalhães (residência)
Res. Antônio Gerbasi (residência)
Res. Antônio Silveira (residência)
Res. Dagberto Gonçalves (residência)
Res. Emília Maria Dantas de Aguiar (residência)
Res. Esaú da Silva Catão (abandonada)
Res. Eutiqui Loureiro (clínica)
Res. Evaldo Gonçalves (residência)
Res. Heleno Sabino de Farias (residência)
Res. Hermes Gondim (residência)
Res. João de Sousa Castro (residência)
Res. João Felinto de Araújo (residência)
Res. Jonatas de Lima Mahon (demolida - Instituto do Fígado)
Res. Josafá Lucena (residência)
Res. José Barbosa Maia (residência)
Res. José Nogueira do Monte (não encontrada)
Res. Josefa Juvenal Pereira (residência)
Res. Manoel Sérgio de Oliveira (não encontrada)
Res. Natalício Pedrosa de Almeida (residência)
Res. Otávio Lima Leite (residência)
Res. Sebastião Ernesto (não encontrada)
Incompleto/Insuficiente/Incerto
Inexistente
Não Encontrado
Observações
Desenhos
Situação Atual
Dados do Projeto
Foto Identificação
Preenchimento da Ficha
Cadastral
Identificação
Dados Complem.
Fotos Interior
Fotos Exterior
Foto Identificação
Identificar Local
Perspectiva
Coberta
Fachadas
Cortes
Plantas
Localização
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
32
33
34
35
36
37
38
39
40
41
42
43
44
Mapeamento
Mapeamento/ Visita
Local
Projeto
Quadro Sinótico - 1963
Res. Francisca Monteiro Siqueira (residência)
Res. Hermes Ernesto dos Santos (residência)
Res. José Cassiano Campêlo de Oliveira (residência)
Res. José de Almeida Torreão (residência)
Res. José Gomes de Carvalho (abandonada)
Res. José Maciel Malheiro (consultório + salas)
Res. José Pedro Sobrinho (policlínica)
Res. Luiz José de Almeida (residência)
Res. Manoel Agostinho do Nascimento (não encontrada)
Res. Manoel Sampaio Cabral (não encontrada)
Res. Marcos Aurélio Campêlo (abandonada)
Res. Newton Figueiredo (residência)
Res. Noilton Dantas (demolida)
Res. Orlando Villarim (residência)
Res. Raul Cavalcanti Guimarães (residência)
Res. Sinval Ferreira da Costa Lima (procuradoria)
Res. Ulisses Pinto Brandão (residência)
Incompleto/Insuficiente/Incerto
Inexistente
Não Encontrado
Observações
Desenhos
Situação Atual
Dados do Projeto
Foto Identificação
Preenchimento da Ficha
Cadastral
Identificação
Dados Complem.
Fotos Interior
Fotos Exterior
Foto Identificação
Identificar Local
Perspectiva
Coberta
Fachadas
Cortes
Plantas
Localização
45
46
47
48
49
50
51
52
53
54
55
56
57
58
59
60
61
Mapeamento
Mapeamento/ Visita
Local
Projeto
Quadro Sinótico - 1964
Res. Aderson Costa Gomes (residência)
Res. Amilton da Costa Agra (não encontrada)
Res. Antônio Mesquita de Almeida (residência)
Res. Arlindo Salviano de Araújo (não encontrada)
Res. Austro de França (TIM)
Res. Camilo Paulino da Silva (residência)
Res. Cícero Patrício de Medeiros (estúdio CD)
Res. Custódio de Miranda (residência)
Res. Delsio Donato (residência)
Res. Demétrio Domeval do Vale (residência)
Res. Edvaldo Marcelino de Oliveira (residência)
Res. Firmino Brasileiro (residência)
Res. Gabriel Menezes de Guimarães (não encontrada)
Res. Gerci Medeiros Barbosa (residência)
Res. Gilvandro Barbosa (Kumon)
Res. Hermes Antônio de Oliveira (residência)
Res. Ivo Barbosa de Andrade (não encontrada)
Res. João Amaral (residência)
Res. João Pires Sobrinho (colégio?)
Res. João Roberto Leite (demolida - hospital)
Res. José Augusto de Almeida (residência)
Res. Josefa Juvenal Pereira (colégio)
Res. Luiz Vieira da Silva (demolida)
Res. Mário Sérgio de Farias (clínica)
Res. Miguel José Bezerra (não encontrada)
Res. Milton Félix do Nascimento (residência)
Res. Oscar de Souza Cabral (demolida - edifício residencial)
Res. Pedro Sabino Filho (residência)
Res. Ramiro Vidal de Negreiros (residência)
Observações
Desenhos
Situação Atual
Dados do Projeto
Foto Identificação
Preenchimento da Ficha
Cadastral
Identificação
Dados Complem.
Fotos Interior
Fotos Exterior
Foto Identificação
Identificar Local
Perspectiva
Coberta
Fachadas
Cortes
Plantas
Localização
62
63
64
65
66
67
68
69
70
71
72
73
74
75
76
77
78
79
80
81
82
83
84
85
86
87
88
89
90
Mapeamento
Mapeamento/ Visita
Local
Projeto
91
92
93
94
95
Res. Sebastião Amâncio Ferreira (restaurante La Costa)
Res. Severino Farias da Fonseca (residência)
Res. Severino Victor Ferreira Guimarães (Smiles)
Res. Sócrates Pedro de Melo (não encontrada)
Res. Solon Torres de Moraes (não encontrada)
Incompleto/Insuficiente/Incerto
Inexistente
Não Encontrado
Quadro Sinótico - 1965
Res. Airton Queiroga (Dr. Scholl)
Res. Antônio de Oliveira Dantas (residência)
Res. Antônio Vieira Queiroga (demolida)
Res. Feliciano Alexandre Ferreira (residência)
Res. Francisco das Chagas Carneiro (residência)
Res. Gercino Gomes da Silva (não encontrada)
Res. Jesiel Barbosa de Lima (não encontrada)
Res. João Batista de Araújo (residência)
Res. José Carlos Ramalho Clerot (não encontrada)
Res. José Cavalcanti (residência)
Res. José Fernandes Filho (residência)
Res. José Francisco da Silva (residência)
Res. José Paulino Costa Filho (não encontrada)
Res. Juvino Batista Leite (não encontrada)
Res. Lélio Joffily Pereira da Costa (não encontrada)
Res. Maria da Salete Lopes de Brito (não encontrada)
Res. Mário Carneiro da Costa (residência)
Res. Milton Marcelino de Oliveira (não encontrada)
Res. Nivaldo Cariry (A.G.U.)
Res. Orlando Vidal de Souza (residência - fechada)
Res. Rivaldo Simões Pimenta (não encontrada)
Res. Silas Soares da Silva (não encontrada)
Res. Sinval Ferreira (não encontrada)
Res. Walter Correia de Brito (URBEMA)
Incompleto/Insuficiente/Incerto
Inexistente
Não Encontrado
Observações
Desenhos
Situação Atual
Dados do Projeto
Foto Identificação
Preenchimento da Ficha
Cadastral
Identificação
Dados Complem.
Fotos Interior
Fotos Exterior
Foto Identificação
Identificar Local
Perspectiva
Coberta
Fachadas
Cortes
Plantas
Localização
96
97
98
99
100
101
102
103
104
105
106
107
108
109
110
111
112
113
114
115
116
117
118
119
Mapeamento
Mapeamento/ Visita
Local
Projeto
Quadro Sinótico - 1966
Res. Adjânites de Castro
Res. Antônio Alberto de Queiroz (residência)
Res. Antônio Ildefonso de Albuquerque Mélo
Res. Antônio Saad Rached
Res. Antônio Vilarim (demolida)
Res. Ariosto Ferreira Sales
Res. Chakib Hamad
Res. Clovis de Mélo Azevêdo
Res. Crysóstomo Lucena de Holanda
Res. Edward Fernandes da Silva
Res. Geralda Alcântara Gusmão (residência)
Res. Gleryston Holanda de Lucena
Res. Heraldo Travassos de Moura
Res. Hercílio Miguel de Moraes (residência)
Res. Ivan de Castro Alencar (residência)
Res. Jael Carvalho dos Santos
Res. João Ananias da Nóbrega
Res. Joaquim Amorim Neto (residência)
Res. José de Barros Uchôa (residência)
Res. José Pereira de Oliveira
Res. Josemir Vasconcelos de Castro (residência)
Res. Josué Pereira Nepomuceno
Res. Kival de Araújo Gorgônio (residência)
Res. Luís Motta Filho
Res. Luizmar Rezende de Assis
Res. Nereu Pereira dos Santos Filho
Res. Raimundo Petronilo Pereira (residência - modificada)
Res. Reinaldo Marcelino Neto (residência)
Res. Rodemilson Vilarin Teixeira
Observações
Desenhos
Situação Atual
Dados do Projeto
Foto Identificação
Preenchimento da Ficha
Cadastral
Identificação
Dados Complem.
Fotos Interior
Fotos Exterior
Foto Identificação
Identificar Local
Perspectiva
Coberta
Fachadas
Cortes
Plantas
Localização
120
121
122
123
124
125
126
127
128
129
130
131
132
133
134
135
136
137
138
139
140
141
142
143
144
145
146
147
148
Mapeamento
Mapeamento/ Visita
Local
Projeto
149 Res. Roosvelt Ibrahim
Incompleto/Insuficiente/Incerto
Inexistente
Não Encontrado
Quadro Sinótico - 1967
Res. Aderaldo Batista de Morais (residência)
Res. Antônio Galdino (residência)
Res. Antônio Ildefonso de Albuquerque Mélo (restaurante)
Res. Antônio Vital do Rêgo (dúvida)
Res. Átila Augusto Freitas de Almeida (biblioteca)
Res. Carlos Martins Leite
Res. Dourival de Souza Carvalho (residência)
Res. Ermano Targino da Silva (não encontrada)
Res. Francisco de Assis Dantas
Res. José Coêlho Pessoa (INSIEL)
Res. Milton Félix do Nascimento (residência)
Res. Nazario Lopes Barbosa (residência)
Res. Omar Hamad (consultório)
Res. Raul Cavalcante Guimarães (residência)
Res. Ronaldo José da Cunha Lima
Incompleto/Insuficiente/Incerto
Inexistente
Não Encontrado
Observações
Desenhos
Situação Atual
Dados do Projeto
Foto Identificação
Preenchimento da Ficha
Cadastral
Identificação
Dados Complem.
Fotos Interior
Fotos Exterior
Foto Identificação
Identificar Local
Perspectiva
Coberta
Fachadas
Cortes
Plantas
Localização
150
151
152
153
154
155
156
157
158
159
160
161
162
163
164
Mapeamento
Mapeamento/ Visita
Local
Projeto
Quadro Sinótico - 1968
Res. Amaro Fiuza Chaves (residência)
Res. Antônio Ildefonso de Albuquerque Mélo (Comunidade Obra Nova)
Res. Antônio Vieira de Queiroga (pizzaria)
Res. Carlos George do Rêgo Costa (residência)
Res. Carlos George do Rêgo Costa2 (residência)
Res. Hércules Gomes Pimentel (não encontrada)
Res. Heronides Dias de Barros (residência)
Res. INSTEC (Instalações Técnicas Ltda) (residência)
Res. INSTEC2 (residência)
Res. Jáder Athayde (residência)
Res. João Batista Dantas (residência)
Res. João Batista Dantas2 (não encontrada)
Res. João de Souza Castro (clínica)
Res. João Paulino de Morais (residência)
Res. José Epaminondas Braga (residência)
Res. Manoel Gonçalves Valença (não encontrada)
Res. Maria do Carmo Moura Leite (residência)
Res. Nicomedes Vasconcelos de Menezes (consultório)
Res. Nicomedes Vasconcelos de Menezes2 (não encontrada)
Res. Salomão Anselmo Silva (residência)
Res. Walter Correia de Brito (demolida)
Res. Wilson Mendonça Furtado (residência)
Incompleto/Insuficiente/Incerto
Inexistente
Não Encontrado
Observações
Desenhos
Situação Atual
Dados do Projeto
Foto Identificação
Preenchimento da Ficha
Cadastral
Identificação
Dados Complem.
Fotos Interior
Fotos Exterior
Foto Identificação
Identificar Local
Perspectiva
Coberta
Fachadas
Cortes
Plantas
Localização
165
166
167
168
169
170
171
172
173
174
175
176
177
178
179
180
181
182
183
184
185
186
Mapeamento
Mapeamento/ Visita
Local
Projeto
Quadro Sinótico - 1969
Incompleto/Insuficiente/Incerto
Inexistente
Não Encontrado
Observações
Desenhos
Situação Atual
Dados do Projeto
Foto Identificação
Preenchimento da Ficha
Cadastral
Identificação
Dados Complem.
Fotos Interior
Fotos Exterior
Foto Identificação
Identificar Local
Perspectiva
Coberta
Fachadas
Cortes
Plantas
Localização
187 Res. Antônio de Oliveira Jatobá (residência)
188 Res. Roberto Pinto (residência)
Mapeamento
Mapeamento/ Visita
Local
Projeto
Download

FREIRE, Adriana. Arquitetura Residencial Moderna de Campina