1 ARQUITETURA MODERNA RESIDENCIAL DE CAMPINA GRANDE: REGISTROS E ESPECULAÇÕES (1960 - 1969) Adriana Leal de Almeida Freire Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) João Pessoa 2007 Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) Monografia apresentada como trabalho final de graduação em Arquitetura e Urbanismo ao Centro de Tecnologia da Universidade Federal da Paraíba Orientadora: Profª Drª Nelci Tinem João Pessoa 2007 Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) Banca Examinadora: __________________________________________________ Profª Drª Nelci Tinem Orientadora __________________________________________________ Profª Drª Maria Berthilde Moura Filha Examinadora __________________________________________________ Profª Drª Jovanka Baracuhy C. Scocuglia Examinadora Dedicatória A titio (porque era assim que gostaria que o chamasse) e Arthur, para que jamais sejam esquecidos. Agradecimentos A Deus, pela vida. À minha família, porque por eles essa vida faz mais sentido e é prazerosa. Em especial, à minha mãe (Patrícia), pela dedicação e apoio incondicional, e pela ajuda nas etapas mais desgastantes dessa pesquisa; aos meus avós (Maurício e Marília), pelo exemplo de vida digna e de amor, e por dividirem comigo um pouco do prestígio e da história de Campina Grande; a Dani (irmã) e Rodolpho (cunhado), pela amizade incontestável e pelo reflexo de força e esperança; a Eliane (tia), por acreditar no meu potencial. A Maria José (Zezé), pelo carinho e cuidado, pela alegria e pelos cafezinhos. A D. Esmeralda e demais funcionários do Arquivo da PMCG, pela simpatia e atenção dedicadas durante a pesquisa. A Jussara Bióca, pelos postais valiosos herdados de seu avô, Antônio Francisco Bióca, e aqui utilizados. Aos proprietários das residências visitadas, pela colaboração e gentileza. Aos meus amigos, próximos ou distantes, por fazerem parte dessa jornada. Sobretudo aos que, de alguma forma, ajudaram nesse trabalho e cujos nomes precisam ser relacionados: Renan (logomarca), Cláudio David (ajudas diversas), Sérgio (edição de algumas fotos), Marcus Vinícius (por dividir a preocupação com o patrimônio arquitetônico de Campina Grande e por fornecer, sempre que possível, material para o estudo), Juliano (pelo material cedido), companheiros de PIBIC/PIVIC – Alexandre, Carol, Lídia e Thaíse (pela atenção veiculada a Campina Grande durante as pesquisas com os jornais). A Nelci, pela orientação, estímulo e, acima de tudo, confiança. “(...) seria cruel submeter a arquitetura desaparecida à uma segunda morte, aquela do esquecimento.” (Lauro Cavalcanti) Resumo Este trabalho consiste no registro das residências da cidade de Campina Grande – PB, projetadas durante a década de 1960 e influenciadas pelas Arquitetura Moderna Brasileira. Justifica-se não somente pelo valor da produção moderna para a cidade e para o país, mas, principalmente, pela situação de descaso e de urgência em se preservar tal patrimônio ameaçado. A falta de estudos sobre o tema induziu a uma pesquisa de cunho teórico que contextualizasse tanto a arquitetura quanto o acervo específico, ressaltando sua importância e procurando identificar elementos importantes para análise e reflexões. O registro abrange 188 projetos residenciais consultados no Arquivo Municipal da Prefeitura de Campina Grande, os quais foram mapeados e tiveram seus dados sistematizados em fichas-base (o conjunto dessas fichas compõe o volume complementar deste). Diante da necessidade de medidas de preservação e de trabalhos que aprofundem o tema, torna-se relevante a continuidade dessa pesquisa. Palavras-chaves: Arquitetura Moderna, Campina Grande, residências. Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) SUMÁRIO – Volume 1 3. O número de exemplares selecionados ...........................................35 4. Identificação das casas e preenchimento das fichas-base ..............36 5. Mapeamento e algumas reflexões ...................................................37 Introdução ............................................................................................. 01 1. Caracterização do objeto de estudo ................................................ 01 Capítulo 3. Análise e reflexões sobre o acervo investigado ............41 1.1 Localização ................................................................................ 01 1. A implantação da casa no lote e a organização espacial ................42 1.2 Campina Grande: histórico e desenvolvimento ......................... 02 2. Aspectos construtivos e a cobertura ................................................46 1.3 Panorama da cidade na década de 1960 .................................. 04 3. Aspectos formais ..............................................................................47 1.4 Delimitação do objeto em estudo .............................................. 07 2. Objetivos .......................................................................................... 08 Considerações Finais ...........................................................................58 2.1 Objetivo geral ............................................................................. 08 2.2 Objetivos específicos ................................................................. 08 Referências ............................................................................................62 3. Justificativa ...................................................................................... 08 4. Pressupostos metodológicos ........................................................... 11 Anexos 4.1 Caminhos a trilhar – etapas e métodos ..................................... 11 Anexo I – Ficha-padrão Juliano Carvalho (IPAC) ...................................65 4.2 Suportes – referências e trabalhos correlatos ........................... 12 Anexo II – Ficha cadastral Izabel Silva ...................................................68 4.2.1 Referências gerais sobre o tema ..................................... 12 Anexo III – Ficha Josicler Alberton .........................................................74 4.2.2 Referências específicas ................................................... 13 Anexo IV – Fichas DOCOMOMO ...........................................................76 5. Estrutura do Trabalho ...................................................................... 17 Anexo V – Quadros sinóticos ..................................................................82 Capítulo 1. Campina Grande no contexto da Arquitetura Moderna Brasileira ............................................................................... 18 Capítulo 2. Levantamento e sistematização dos dados coletados ............................................................................................... 29 1. Os primeiros passos ........................................................................ 29 2. A ficha-base ..................................................................................... 32 Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) Introdução 1 1. Caracterização do Objeto de Estudo 1.1. Localização Se a proteção do patrimônio arquitetônico vem se consolidando como medida necessária à preservação da memória coletiva e cultural, a produção moderna apenas começa a ser vista como tal e continua sendo O município de Campina Grande pertence à região da Borborema do Estado da Paraíba, no Nordeste do Brasil. objeto de discussão, sendo desconsiderada, por muitos, como “patrimônio”, especialmente quando se refere à arquitetura das cidades pequenas e periféricas, produzida por arquitetos locais ou regionais. Assim, o objetivo dessa pesquisa é, não somente promover o interesse pela produção arquitetônica moderna brasileira, mas fazê-lo de maneira a incluir a arquitetura da cidade de Campina Grande, pólo de desenvolvimento no interior do Estado da Paraíba. Dada a amplitude e complexidade do tema, determinou-se para este estudo um recorte temporal que vai de 1960 a 1969 e um enfoque temático que abrange as residências de Campina Grande, exemplares alvo de freqüentes descaracterizações, acréscimos, reformas ou demolições. Qualquer que seja a forma de intervenção assiste-se, não só nesta como na maioria das cidades brasileiras, à destruição do patrimônio arquitetônico. Portanto, na tentativa de amenizar essa problemática, este trabalho propõe-se a fazer uma reflexão acerca da manifestação da arquitetura moderna em Campina Grande, tendo como ponto de partida o registro de uma década de construção de edifícios residenciais. Estes registros preliminares da pesquisa buscam, por um lado, evitar que esse patrimônio desapareça de nossa memória sem deixar pistas e, por outro, fornecer Mapa 01: Localização do Município de Campina Grande e suas distâncias em relação a Natal, João Pessoa, Recife e Caruaru (Fonte: Wikipédia e Google Earth, adaptado pela autora). subsídios para ações e estudos posteriores. Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 2 Servindo de pólo de convergência das cidades do interior da Paraíba e contribuindo para seu desenvolvimento, o município fica a uma distância aproximada de 125 km da capital, João Pessoa, além de estar próximo de importantes cidades de outros estados, como Recife (203 km), Natal (270 km) e Caruaru (166 km). Na sua configuração atual, além da cidade de Campina Grande, abrange três distritos rurais (Galante, São José da Mata e Catolé de Boa Vista), com uma área de 620,63 km² e uma população de 376.132 habitantes 1 . Campina principalmente, Grande de é serviços, uma cidade funcionando industrial, também, comercial como pólo e, de concentração de oferta de educação e saúde para o interior da Paraíba. Imagem 03: Vista Aérea do Centro de Campina Grande: A = Açude Velho; B = Ed. Palomo; C = Ed. Lucas; D = Ed. Rique; E = Edifício Inacabado. Pontos marcados para orientação/comparação com as imagens 01 e 02 (Fonte: Google Earth, 2006). 1.2 Campina Grande: Histórico e Desenvolvimento A origem de Campina Grande está vinculada ao aldeamento de um grupo de índios ariús ou ariás, trazidos do arraial Piranhas pelo capitão-mor Imagem 01: Vista Panorâmica da Cidade de Campina Grande, década de 1980 – Foto: Neiva (Fonte: Atlas Geográfico da Paraíba, 1985, adaptado). Imagem 02: Vista Parcial do Centro Urbano de Campina Grande, década de 1990 – Foto: Cácio Murilo (Fonte: Atlas Escolar da Paraíba, 2002, adaptado). Teodósio de Oliveira Ledo. Antes de descer a Borborema, aldeou-os numa grande campina, nos limites orientais da região dos cariris, fundando o núcleo que deu origem a Campina Grande (Almeida, 1962: 35). Ainda segundo Almeida (1962: 37-38), não foi difícil ao capitão-mor 1 Conforme o censo de 2000 do IBGE, essa era a população estimada para 2005. desenvolver o núcleo iniciado dadas as condições favoráveis do sítio: o Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 3 clima ameno, a existência de matas e, principalmente, a localização interior do Nordeste: 1.234,12% (Barbosa, 1991: 35). Foram também de geográfica, configurando-se como o ponto de passagem preferido na grande relevância para o incremento da cidade, a inauguração da comunicação entre o litoral e o sertão, que motivou sua ocupação. iluminação pública em 1920 e do abastecimento de água em 1940. “Situada no alto da serra da Borborema, distando pouco mais de cem quilômetros da Capital do Estado e localizada num ponto central de todas as regiões geo-econômicas da Paraíba, Campina Grande nasceu com condições básicas essenciais para se tornar um pólo de desenvolvimento. (...) Cruzada de estradas em todas as direções passou a ser passagem obrigatória ou preferida para quem penetrava os sertões ou descia à capital...” (Sylvestre, 1982: 21). O Anuário da Paraíba publicou, em 1936, números mais detalhados: “Campina Grande. Principal cidade do interior do Nordeste brasileiro... sobreleva-se pela grandeza crescente do seu imóvel que é de 14.575 casas, das quais 6.121 urbanas e as restantes, em número de 8.454, povoam os vários distritos do município; pelo seu intenso comércio de algodão, cujo crescente desenvolvimento a coloca naturalmente como sendo hoje a terceira praça algodoeira no mercado mundial” (Câmara, 1991: 123-124). Em 1769, foi criada a freguesia de Nossa Senhora da Conceição com sede no povoado de Campina Grande, acentuando o seu desenvolvimento, que até então vinha sendo lento e silencioso (Câmara, 1998: 24). Elevada à vila em 1790, sob o nome de Vila Nova da Rainha, permaneceu nessa condição por 74 anos, apresentando um lento crescimento, sendo, em 11 de outubro de 1864, elevada à categoria de cidade (Almeida, 1962: 48). A vontade de dar novas feições à cidade, condizentes com o “progresso” descrito anteriormente fez com que, no mesmo ano, o então prefeito Vergniaud Wanderley iniciasse uma espécie de “Revolução Urbana de Campina 2 , incentivando e ordenando a derrubada de todas as antigas construções da região central para a implantação de um plano urbanístico Até então criticada pela carência nos empreendimentos, a partir de que desse novos ares à cidade. Tratava-se de uma brusca transformação, 1907 inicia um processo de renovação urbana, alavancada pelo advento da não só com a alteração dos traçados, mas com a demolição do patrimônio estrada de ferro – marco para o alcance da hegemonia comercial no interior arquitetônico do município. do Estado – e pela chegada do automóvel, em 1918. Campina Grande, durante esse período, teve um aumento de número de edifícios da ordem de 300%, revelando o crescimento da cidade, que se torna com a rodovia o ponto de partida e centro de convergência do interior da Paraíba e estados vizinhos e propicia um processo contínuo de desenvolvimento visando o O reflexo dessa política de modernização veio em números: Campina Grande aparece na década de 1940 com a maior renda municipal da Paraíba, atingindo dois milhões de cruzeiros, e como o município mais populoso do Estado, tendo 127.397 habitantes, enquanto a capital tinha 95.386 (Câmara, 1991: 132-134). “progresso” em ritmo acelerado (Câmara, 1991: 50 e 82). A estrada de ferro veio impulsionar o desenvolvimento urbano da cidade de tal maneira que, entre 1907 e 1940, o crescimento populacional chegou a ser absurdo para os padrões de crescimento das cidades do 2 A “Revolução Urbana de Campina” é estudada por Fábio Gutemberg de Sousa (2003) e por Fabrício Lira (1999), mas ainda carece de estudos mais detalhados acerca das transformações urbanas. Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 4 Com a comercialização do algodão, Campina Grande ficou conhecida internacionalmente, fazendo com que, a partir de 1940, ocorresse um crescimento considerável no número de estabelecimentos industriais e de operários, superando em ambos os aspectos a capital do Estado a partir da década de 1950 (Lima, 1999: 121-122). A década de 1950 caracteriza-se como um período de diversificação econômica, salientando-se a produção do sisal em face de um período de declínio da produção do algodão (Barbosa, 1991: 47). Além disso, já na década anterior, a cidade via surgir novas indústrias ligadas a atividades têxteis, couro, alimentos, produção mineral etc. Imagem 06: Igreja do Rosário – demolida em 1940 (Fonte: Elpídio de Almeida). Imagem 07: Paço Municipal ao lado da atual catedral – demolido em 1939 (Fonte: Elpídio de Almeida). 1.3 Panorama da Cidade na Década de 1960 A incipiente industrialização e a evolução nas atividades comerciais durante a década de 1940, não só alavancaram o crescimento e a concentração urbana, como também impulsionaram o desenvolvimento econômico da cidade. Campina Grande experimentou um acelerado desenvolvimento Imagem 04: Campina Grande - Rua Cardoso Vieira na década de 1930 – Foto: Sóter Carvalho (Fonte: Atlas Geográfico da Paraíba, 1985). Imagem 05: Campina Grande - Rua Cardoso Vieira na década de 1980 – Foto: Neiva (Fonte: Atlas Geográfico da Paraíba, 1985). industrial, a ponto de ser considerada pela SUDENE como uma das cidades mais industrializadas do Nordeste no período 1960-70 (Silva, 1987: 53). Esse cenário era complementado pelo fato de a cidade ser sede da Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (FIEP), do Serviço Social da Indústria (SESI), do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), da Bolsa de Mercadorias do Estado da Paraíba e sede de 12 dos 16 sindicatos patronais do Estado, além de ter implantadas duas Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 5 Universidades - UFPb e FURNe, atuais UFCG e UEPB, respectivamente 48,66% no industrial, de acordo com o Censo Industrial do Estado da (Ibid: 53). Paraíba, 1960-70. Outro ponto significativo foi a criação dos Distritos Industriais de Paradoxalmente, conforme assegura Iranise da Silva (1987: 63), a João Pessoa e Campina Grande no final de 1963. Campina começa a se urbanização destacar pelo número de projetos enviados à SUDENE e pelas facilidades concentrada, como conseqüência da estrutura social e política que criadas para instalação de indústrias no município, atingindo, entre os 92 privilegiava os interesses e demandas das camadas de altas rendas. municípios nordestinos selecionados pela Superintendência, a quarta Ademais, o intenso crescimento populacional coincidia com um processo posição em população e produção industrial, a quinta em produção agrícola concentrador de terrenos destinados à construção de casas de alto padrão, e a sexta em número de empresas e arrecadação tributária (Ibid: 52). A ampliando as áreas urbanas mais valorizadas. cidade torna-se a Capital do Trabalho. Era esse o clima nos anos de 1960: um terreno fértil para investimentos em industrialização, centro polarizador de várias regiões do de Campina Grande era social e economicamente Assim sendo, emerge uma sociedade de médio e alto poder aquisitivo que pretende estender o espírito “modernizador” também a suas habitações, foco central desta pesquisa. estado e população em crescimento, enfim, um espaço em expansão. Visando atender a essa realidade em transformação são fortes os investimentos nos setores de educação, assistência social e recreativa (muitos clubes surgem nesse período), além de projetos de melhoria da infra-estrutura urbana (construção de galerias, meio-fio, calçamento etc.) e de urbanização do Açude Novo e das praças José Pinheiro e José Américo de Almeida (Barbosa, 1991: 160-187). Dessa forma, pessoas de cidades vizinhas e até de outras regiões aportavam em Campina Grande na busca de melhores oportunidades de emprego e serviços de educação. Muitos empresários passaram a se interessar pela instalação de suas indústrias na cidade. A tendência urbanizante se confirma com o crescimento do número de estabelecimentos comercias e industriais e, em conseqüência, o perfil da população economicamente ativa se altera, crescendo 26,92% no setor comercial e Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 6 Imagem 08: Distrito Industrial de Campina Grande, (Fonte: Atlas Escolar da PB, 2002, adaptado). Imagem 09: Expansão Urbana de Campina Grande (Fonte: Atlas Escolar da Paraíba, 2002, adaptado). Imagem 10: Vista Aérea de Campina Grande com bairros de expansão na porção sul e o Distrito Industrial (A = Açude Velho; B = Saída para João Pessoa; C = Hospital Psiquiátrico João Ribeiro; D = Indústria). Pontos marcados para orientação/comparação das imagens 08 e 09 (Fonte: Google Earth, 2006). Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 7 A consolidação da arquitetura moderna na cidade só se dá de fato 1.4 Delimitação do Objeto em Estudo Muito já se falou e ainda se fala, em Campina Grande, sobre o Art Déco, que reinou absoluto especialmente na década de 1940 e perdurou durante a década seguinte. O moderno só vem de fato aparecer na cidade a na década seguinte, notadamente com a construção do Teatro Municipal Severino Cabral (1962-63), projeto de Geraldino Pereira Duda, umas das obras mais significativas da época, o que não implica dizer ser a primeira 3 . partir de 1950 e vai ser a expressão arquitetônica de uma nova fase que se instaura na cidade: a industrialização. Entretanto, o curto prazo para realização do Trabalho Final de Graduação impôs a necessidade de se delimitar um enfoque temporal. Assim, uma análise prévia a partir dos exemplares encontrados na cidade induziu a afirmação da década de 1960 como a mais expressiva. Não foi Imagem 11: Geraldino Pereira Duda. Teatro Municipal Severino Cabral, 1963 (Fonte: website do Teatro). por coincidência que, após a realização de leituras sobre a evolução do município, foi exatamente esta a fase que se revelou de significativo desenvolvimento e progresso, atraindo pessoas de diversas regiões a construir suas moradias. É, portanto, o período áureo de Campina Grande. Na verdade, é um momento importante no cenário nacional: é a era Juscelino Kubtischek, com sua política desenvolvimentista e com o Plano de Metas, que se reflete diretamente na produção arquitetônica do país, principalmente com a experiência de Brasília, inaugurada em 1960. Como mostram Fabiano de Melo e Marcus Vinicius Queiroz (2006), no artigo “Arquitetura Moderna em Campina Grande: emergência, difusão e a produção dos anos 1950”, os jornais locais mostravam com entusiasmo as realizações do governo federal e estampavam fotos dos grandes monumentos erguidos na nova capital. Assim, a sociedade campinense não Essas razões justificam o interesse pelo estudo dos anos 1960. Além disso, o descaso com as residências da época, algumas já desaparecidas por completo da imagem da cidade, outras desfiguradas por intervenções mutiladoras, aguçaram a necessidade da realização de registros dessa produção, visando à formação de um banco de dados, que forneça subsídios para as pesquisas que dêem continuidade a este trabalho e para as ações que vierem a ser propostas e/ou realizadas. Assim, esta pesquisa abrangerá o período de 1960-1969 e terá como recorte temático a produção residencial. podia ficar de fora desse processo de modernização, já mostrando, na década de 1950, a necessidade de desapego ao tão marcante Déco. 3 No capítulo 1, buscar-se-á dar um enfoque à produção arquitetônica campinense na década de 1960. Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 2. Objetivos 2.1 Objetivo Geral: • Registrar e sistematizar os exemplares de arquitetura moderna residencial da década de 1960, em Campina Grande - PB. 8 3. Justificativa O DOCOMOMO, International Working Party for Documentation and Conservation of Buildings, Sites and Neighbourhoods of the Modern Moviment, revela que a herança do movimento moderno mostra-se comprometida nas últimas décadas, tendo, a partir do final de 1980, perdido muitos de seus significativos exemplares. Na verdade, a Arquitetura 2.2 Objetivos Específicos: • Contextualizar a produção de Campina Grande no panorama da arquitetura brasileira; • Fazer o mapeamento das edificações em estudo, a fim de identificar as áreas da cidade onde as mesmas estão concentradas; • Investigar, brevemente, o acervo, através de alguns critérios de análise e reflexões que facilitem o entendimento do nível de modernidade dessa produção; • Moderna, de um passado ainda recente, é pouco reconhecida e, muitas vezes, negada. Nesse contexto, no Brasil e em todo o mundo, sem exceção para Campina Grande, assiste-se à destruição parcial ou mesmo completa de fragmentos desse patrimônio material, testemunho da memória de uma sociedade e/ou de um importante período. A valorização do patrimônio cultural já vem sendo discutida com maior ênfase e sua proteção ganhou aliados, com a criação dos órgãos e institutos responsáveis, como é o caso do IPHAN, Instituto do Patrimônio Ressaltar a importância de se preservar e historiar a memória Histórico e Artístico Nacional, criado em 1936 com a denominação de edificada da cidade. SPHAN, e da UNESCO, Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, fundada em 1945. Todavia, figura-se como corrente a falta de conscientização da importância de se preservar o patrimônio moderno. Daí, as impensadas demolições, descaracterizações e falta de compromisso com tal momento de nossa história. No caso específico de Campina Grande, observa-se uma valorização do Art Déco, presente nas regiões centrais da cidade e fruto da política de reforma urbana que assolou a cidade nas décadas de 1930 e 1940, destruindo exemplares do ecletismo em prol de sua “modernização”. Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 9 A cidade começa, hoje, a dar sinais do início da destruição da sua fase moderna, período de grande prosperidade e progresso, entre os anos 1950 e 1960, como demonstram os dados tratados no item sobre a evolução de Campina Grande. Observa-se, pois, o surgimento de edifícios altos, clínicas, consultórios, estabelecimentos comerciais, entre outros, nos terrenos antes ocupados por residências da alta sociedade campinense, ora demolidas, ora remodeladas de tal forma que se torna difícil a identificação das características originais dessas edificações. É a imagem da cidade sendo apagada e redesenhada constantemente, o que provoca alguns questionamentos. Até quando se assistirá às constantes mudanças na estrutura urbana de Campina Grande sem se perguntar qual a necessidade Imagem 12: Geraldino Duda. Residência Severino da Costa Ribeiro – antes e depois (demolida, hoje estabelecimento comercial), 1961. Fonte: Prefeitura Municipal de CG e autora. dessas mudanças e quais os benefícios para a cidade? O que está sendo feito e de que forma pode-se salvaguardar a memória coletiva dessa sociedade? No momento, pouco ou nada vem sendo feito. A prova está no processo de destruição ou descaracterização de importantes edificações, como o caso da Residência Severino da Costa Ribeiro (demolida, hoje farmácia – imagem 12), da Residência do Dr. Sebastião Pedrosa (modificada, hoje clínica – imagem 13), da Residência Loureiro Celino (demolida, também farmácia – imagem 14), do Campinense Clube, do antigo “GRESSE” - Grêmio dos Subtenentes e Sargentos do Exército -, depois Sede Social do Treze Futebol Clube (hoje, abandonado – imagem 15), dentre tantos outros exemplares que ficaram somente na memória de uns e no esquecimento de outros. Imagem 13: Tertuliano Dionísio, José Luiz Menezes e Edy Marreta. Residência Dr. Sebastião Pedrosa – perspectiva e situação atual (reformada), 1961. Fonte: Arquivo Municipal de CG e autora. Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 10 Imagem 15: Isac Soares. Antigo “GRESSE” - Grêmio dos Subtenentes e Sargentos do Exército -, depois Sede Social do Treze Futebol Clube – desenho da fachada e situação atual (reformada e em abandono), 1961. Fonte: Arquivo Municipal de CG e autora. Ao analisar a arquitetura moderna e sua manifestação em Campina Grande, buscar-se-á elencar diversas características e peculiaridades que denotem a relevância dessa arquitetura para a cidade e mesmo para o país. A intenção, nesse momento, não é avaliar o grau de importância desta Imagem 14: Augusto Reynaldo. Residência Loureiro Celino – antes e depois (demolida, hoje estabelecimento comercial), 1957-60. Fonte: Família Loureiro Celino e autora. produção, mas provocar questões relativas à forma como a cidade vem se transformando. Há ainda muito a ser estudado quanto ao repertório arquitetônico campinense, entretanto, antes que seja tarde, faz-se necessário tomar certas medidas em relação à proteção da sua imagem e memória. Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 4. Pressupostos Metodológicos 11 através da busca de registros de arquitetura e urbanismo na Paraíba, no periódico A União, entre 1950-1970. 4.1 Caminhos a trilhar – etapas e métodos Apesar do caráter incipiente do estudo, muito comum em trabalhos desta natureza, a investigação vem sendo realizada segundo uma metodologia de pesquisa específica, estruturada com base em quatro diretrizes, a saber: b) Pesquisa de Campo: tem como base quatro procedimentos que possuem vínculos entre si. O primeiro é a observação direta, o olhar do pesquisador identificando exemplares modernos na cidade que venham a satisfazer os requisitos definidos pelos estudos teóricos e pela “vivência” das obras a) Pesquisa Teórica: dividida em duas etapas, que são a caracterização do modernas. É o que se poderia chamar de uma pesquisa de campo prévia, objeto de estudo e a inserção deste na produção arquitetônica brasileira. definidora do objeto de estudo e base para a justificativa apresentada. A primeira busca dados e elementos que tracem um panorama O segundo, mais extenso e mais complexo, é a investigação acerca da evolução da cidade de Campina Grande, especificamente no minuciosa dos projetos existentes no Arquivo Municipal de Campina enfoque cronológico aqui proposto. Está pautada na leitura de livros, teses, Grande. É lá onde se encontram as licenças para construção e reforma com monografias, artigos, entre outros, que tratam da história do município e do os respectivos projetos anexados. Trata-se, pois, de uma fonte fidedigna, Estado, além das transformações realizadas durante seu crescimento, ora permitindo a adoção de datas precisas. Dos projetos encontrados são pela política ali desenvolvida, ora pelo processo de industrialização a que se anotadas as informações e tiradas fotografias dos desenhos. submeteu na década de 1960. O terceiro é a identificação das residências cujos projetos foram A segunda tem como objetivo, fornecer subsídios para o estudo da selecionados no arquivo. Algumas residências consideradas significativas Arquitetura Moderna Brasileira, sua difusão e manifestação no município de serão escolhidas para visita. As informações dos proprietários e a Campina Grande. Está intimamente relacionada com a leitura de livros que observação direta fornecerão dados específicos sobre a situação atual da tratam do tema, como apontados na bibliografia, e com trabalhos correlatos edificação, as mudanças realizadas, a organização espacial, a proposta já realizados ou em elaboração. Tem como meta orientar de forma direta a plástico-formal e quando possível os recursos estruturais. Quando escolha dos exemplares a serem registrados, auxiliando na identificação de autorizado será feito o registro fotográfico interno e externo da edificação. características intrínsecas dessa arquitetura e provocando um olhar comparativo entre obras campinenses e as já consagradas em diferentes partes do país. Está amparada também por uma pesquisa de iniciação A última fonte de informações são as entrevistas com os autores, construtores, antigos proprietários e funcionários municipais que possuam dados que auxiliem na confirmação das constatações ainda não científica (Projeto e Memória, UFPB/PIVIC/CNPq) que está sendo realizada Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 12 consolidadas e na construção da história da introdução da arquitetura manuais de história da arquitetura moderna brasileira. Tinem (2002) é um moderna na cidade. estudo historiográfico importante na medida em que traduz a forma como foi Para registrar de forma sistemática os dados obtidos na pesquisa de campo tornou-se indispensável a construção de uma ficha-base. Assim, cada exemplar a ser cadastrado terá uma ficha com seus dados básicos, incluindo também fotografias e desenhos do projeto. construída a história da arquitetura brasileira, analisando os ensaios monográficos sobre o tema, os manuais de história da arquitetura moderna e as revistas de arquitetura de difusão internacional. Já Cavalcanti (2000/2001), com seu “Quando o Brasil era moderno: guia de Arquitetura 1928-1960”, constitui um roteiro de informações sobre os principais c) Preenchimento das fichas-base: será realizado em paralelo à pesquisa arquitetos e obras dessa produção brasileira. de campo e acompanhado de um quadro sinótico 4 referente a cada ano da De caráter auxiliar são as fontes complementares: a) Goodwin década tratada. (1943) e Mindlin (1956), ensaios pioneiros sobre a arquitetura moderna d) Análises e reflexões: para assegurar um conhecimento mais específico sobre o acervo em estudo, serão selecionados alguns critérios de análise dessa produção campinense, com o intuito de desencadear algumas reflexões relevantes sobre o tema. brasileira; b) Benévolo (1960/2004), Argan (1971/1992) e Frampton (1980/1997), que identificam a produção brasileira na história da arquitetura moderna; c) teses e dissertações, como a de Guilah Naslavsky (2004), Izabel do Amaral e Silva (2004), Alexandra Consulin de Melo (2003) e Josicler Alberton (2006); d) além de artigos e outras publicações sobre o 4.2 Suportes – referências e trabalhos correlatos tema. A identificação dos marcos cronológicos e da forma como se 4.2.1 Referências gerais sobre o tema constituiu a historiografia da arquitetura moderna brasileira, ajuda a Uma leitura sobre as origens e difusão da Arquitetura Moderna no entender de que maneira essa produção se manifestou em outras partes do Brasil, tornou-se imprescindível desde a escolha do tema. Na tentativa de país: a Semana de Arte Moderna de 1922, as primeiras obras do arquiteto fornecer os subsídios necessários para a elaboração da pesquisa e análises Gregori Warchavchik (final da década de 1920 e início da de 1930), as posteriores dos exemplares a serem tratados, buscou-se elencar algumas visitas de Le Corbusier ao Brasil (1929 e 1936), a atuação de Luís Nunes fontes essenciais e outras complementares. em Recife (1934-1937), a construção do edifício do Ministério da Educação As fontes essenciais são, sobretudo, os ensaios de Yves Bruand (1981/2005) 4 5 e Hugo Segawa (1998/2002), que se configuram como Os quadros sinóticos e a ficha-base serão explicitados no capítulo 2. (1936-1943), o Pavilhão do Brasil na Exposição Internacional de Nova York (1939), as obras do Conjunto da Pampulha (1942-1943) de Oscar 5 As datas referem-se aos anos da 1ª edição e da versão utilizada, respectivamente. Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 13 Niemeyer, o Conjunto residencial Pedregulho (1947-1952) de Affonso Reidy Trata-se de um dos poucos trabalhos de conclusão do curso de e a construção de Brasília (iniciada em 1957 e inaugurada em 1960), são arquitetura cujo objeto se caracteriza como pesquisa 6 . Por isso, apesar de marcos consolidados dessa fase da arquitetura brasileira. abordar um tema distinto, contribuirá diretamente na estrutura do trabalho e A repercussão da arquitetura brasileira no cenário internacional e na metodologia a ser adotada. sua aceitação no território nacional, sustentada pela conjuntura política e Está dividido em 2 volumes: o primeiro compreende a introdução, 3 pelo conhecimento das obras modernas que possuíam os arquitetos, capítulos (revisão bibliográfica, elaboração/preenchimento das fichas- somada aos seus estudos aprofundados sobre o concreto e os elementos padrão e história da arquitetura dos engenhos) e a conclusão (resultados e de controle do clima e da luz, fizeram com que essas idéias se especulações); o segundo volume é o produto principal da monografia: o disseminassem por todo o Brasil. pré-inventário propriamente dito, contendo 63 fichas de sítios e 68 fichas de Os arquitetos do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, em edificações dos bens pré-inventariados, organizados por municípios. Dentro número mais expressivo (e/ou mais conhecidos), e os de Pernambuco e dos aspectos metodológicos, o autor listou 11 Bahia foram os pioneiros nessa difusão da arquitetura moderna brasileira, procedimentos e etapas: 1) revisão bibliográfica; 2) entrevistas com entre os quais se destacam: Lúcio Costa, Oscar Niemeyer, Affonso Reidy, profissionais; 3) montagem da base cartográfica digital da área de estudo; Vilanova Artigas, Oswaldo Arthur Bratke, Rino Levi, Acácio Borsoi, Delfim 4) elaboração das fichas-padrão; 5) análise dos mapas e croquis de campo; Amorim, Sérgio Bernardes, dentre tantos outros que, com suas obras (e em 6) pesquisa de campo; 7) levantamento de dados históricos; 8) alguns casos, contribuições teóricas), trataram de expressar as principais preenchimento das fichas-padrão, organizando e sistematizando os dados características dessa arquitetura no Brasil. levantados; 9) integração das etapas 3 e 8 num Sistema de Informações Geográficas; 10) diagnóstico preliminar do objeto de estudo, a partir do banco de dados montado; 11) produção de material para apresentação. 4.2.2 Referências específicas O objetivo principal da pesquisa é desenvolver um pré-inventário de 4.2.2.1 Pré-inventário dos engenhos da várzea do rio Paraíba (Juliano modo a constituir “o substrato para trabalhos posteriores de análise, Loureiro de Carvalho, 2005) A monografia apresentada por Juliano Carvalho, como Trabalho 6 Final de Graduação do CAU/UFPB em 2005, orientada pela Profª. Nelci Tinem, é um extensivo e preliminar inventário do patrimônio arquitetônico ligado aos engenhos da várzea do rio Paraíba. Outros trabalhos de graduação, pioneiros como trabalhos de pesquisa, defendidos no curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Paraíba merecem destaque: a) MOURA FILHA, Maria Berthilde et al. Patrimônio arquitetônico e urbanístico de João Pessoa: um pré inventário. João Pessoa, 1985. Monografia de graduação. CAU/UFPB; b) ROCHA, Mércia Parente. Manifestação da arquitetura moderna em João Pessoa. João Pessoa, 1987. Monografia de graduação. CAU/UFPB. Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 14 preservação e revitalização deste patrimônio ameaçado e esquecido” pela Profª. Guilah Naslavsky 7 . Do total, 34 são projetos de residências (23 (Carvalho, 2005: 8). em Recife, 08 em João Pessoa, 02 em Fortaleza e 01 em Maceió) e 14 Além da estrutura e metodologia adotadas, outro item significativo projetos de edifícios de apartamentos (todos em Recife). para este trabalho são as fichas-padrão e a forma de sistematização dos Catalogados esses projetos, a autora sentiu a necessidade de dados. Um exemplo da ficha de edificação elaborada e preenchida classificá-los para poder proceder à análise dos exemplares, por isso encontra-se no anexo I. agrupou-os em três categorias, a partir da identificação de semelhanças e diferenças, facilitando a apreciação de cada uma das obras e configurando o primeiro passo para uma reflexão mais aprofundada. Após considerações 4.2.2.2 Um olhar sobre a obra de Acácio Gil Borsoi: obras e projetos residenciais 1953 – 1970 (Izabel Fraga do Amaral e Silva, 2004) A dissertação apresentada por Izabel do Amaral e Silva no sobre a analogia entre arquitetura e linguagem, Silva conseguiu elaborar um quadro analítico para ser aplicado às obras de Borsoi (quadro 01). Os elementos de análise foram, então, destrinchados em cada um dos três mestrado realizado no PPGAU/UFRN em 2004, orientada pela Profª. Sônia códigos Marques Barreto, é um estudo sobre os projetos residenciais (casas e características são explicitados em seu texto: Código Racionalista, Código edifícios de apartamentos), do arquiteto Acácio Gil Borsoi, entre 1953 e Regionalista e Código Estruturalista. 1970, marcando o ano do primeiro projeto do arquiteto em Recife e o momento de inflexão de sua produção, respectivamente. arquitetônicos por ela classificados, cujos conceitos e Assim, segundo a classificação adotada, é analisada a tectônica, a forma/espaço e os aspectos funcionais. Um artifício bastante interessante As primeiras etapas de sua pesquisa configuram uma catalogação utilizado pela autora é a utilização de quadros comparativos (ver quadro 02) dos projetos, inclusive apresentando, em apêndices, fichas individuais para entre as obras de Borsoi e obras consolidadas da arquitetura moderna cada projeto identificado, contendo plantas, cortes, fachadas, perspectivas e nacional e internacional como, por exemplo, os projetos de Niemeyer, fotografias. São basicamente os mesmos elementos apresentados na ficha Reidy, Lúcio Costa, Le Corbusier e Louis Kahn. elaborada pelo trabalho aqui proposto, entretanto são fichas que não apresentam uma diagramação específica, ficando os desenhos e imagens distribuídos de forma seqüencial. A autora registrou 48 projetos, através de levantamentos feitos nas Coordenadorias Regionais da Prefeitura Municipal de Recife (onde encontrou os desenhos originais), através de visitas e de material cedido 7 Guilah Naslavsky é autora da tese apresentada na FAU/USP em 2004, Arquitetura moderna em Pernambuco, 1951-1972: as contribuições de Acácio Gil Borsoi e Delfim Fernandes Amorim, também referência significativa para esta pesquisa. Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 15 Quadro 01: Elementos de Análise de Arquitetura (Fonte: SILVA, 2004). Em cada classificação, Silva lista as obras do grupo e faz reflexões sobre as características encontradas nas obras de Borsoi e suas semelhanças com outras obras nacionais e internacionais, finalizando com uma conclusão preliminar. O principal objetivo de sua dissertação é, portanto, analisar os projetos selecionados no intuito de estudar o processo de criação do arquiteto, considerado uma figura importante na consolidação da Arquitetura Moderna Brasileira e especialmente no Nordeste. Dessa forma, o trabalho de Silva não só contribui para esta pesquisa através da metodologia adotada 8 , mas também pelo seu tema central, as residências de Borsoi de 1953 a 1970, com exemplos, inclusive, na capital paraibana, o que aproxima ainda mais os vínculos entre essa dissertação e o trabalho aqui proposto. O próprio enfoque cronológico é bastante próximo e as comparações entre as obras de Borsoi com outras obras nacionais e internacionais podem ser de grande auxílio. 8 Quadro 02: Obras e projetos de Acácio Gil Borsoi e exemplares nacionais (Fonte: SILVA, 2004). No anexo II, encontra-se um exemplo da ficha utilizada por Silva (2004). Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 4.2.2.3 Influência Modernista na Arquitetura Residencial de Florianópolis (Josicler Orbem Alberton, 2006) 16 acesso à documentação e ao morador. As consideradas bem conservadas e que mantém o uso residencial foram o foco da pesquisa. Trata-se de uma dissertação apresentada na Universidade Federal O estudo apresenta uma metodologia que contempla quatro etapas: de Santa Catarina (UFSC), orientada pela Profª. Carolina Palermo Szücs, verificação do estado da arte, levantamento de campo, organização dos cujo objetivo geral, conforme aponta a autora, é: dados e digitalização dos projetos, análise de dados e conclusão. As fontes Identificar em que medida as idéias modernistas estiveram presentes na produção habitacional de Florianópolis, verificando a atualidade dos elementos construtivos e compositivos empregados em exemplares remanescentes identificados e inventariados, localizados no centro da cidade (Alberton, 2006: 35). O trabalho constitui, portanto, uma análise da influência do movimento moderno nas casas de Florianópolis, registrando e tecendo considerações sobre algumas residências construídas na cidade, nas décadas de 1950 a 1970. É interessante notar que a pesquisa de Alberton também apresenta como justificativa para sua realização o intenso ritmo de renovação urbana principais foram a Secretaria de Urbanismo e Serviços Públicos (SUSP), as visitas e as entrevistas com moradores e arquitetos. Para tal, também foi elaborada uma ficha (ver anexo III), dividida em 5 partes: • • • • • 1ª parte: informações gráficas (desenhos e fotos); 2ª parte: informações sobre o projeto (localização, uso atual, ano, áreas etc.); 3ª parte: leitura arquitetônica da residência, verificando a relação edificação/terreno, a organização espacial e os materiais utilizados; 4ª parte: síntese da entrevista com o morador; 5ª parte: elementos “modernistas” caracterizados no projeto. na cidade de Florianópolis, submetida à especulação imobiliária, que vem provocando diversas descaracterizações/demolições das residências da época em estudo e, consequentemente, a necessidade de registros. A autora elabora um extenso referencial teórico que engloba desde o início das discussões do ideário moderno sobre habitação, sobre o conceito de casa modernista e sobre a arquitetura no Brasil, com ênfase Trata-se de uma análise individual de cada residência registrada, sem uma reflexão macro. Contribui para essa pesquisa principalmente a metodologia adotada, além da ficha cadastral montada e os modelos de entrevistas realizadas com os moradores e com o arquiteto Ademar Amaral. nos exemplares do Rio de Janeiro e de São Paulo, até o declínio da arquitetura moderna. O capítulo 3 da dissertação é uma espécie de inventário de 12 residências, das décadas de 1950 e 1960. Os critérios para seleção dessas edificações foram a localização, o uso atual, estado de conservação e o Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 17 5. Estrutura do Trabalho O trabalho está dividido em dois volumes, na tentativa de facilitar a sua consulta, já que o conjunto das fichas preenchidas, o produto final principal, é o material mais extenso. O primeiro volume compreende: esta introdução; o capítulo 1, que busca contextualizar Campina Grande no panorama da Arquitetura Brasileira, especificamente no recorte temporal proposto; o capítulo 2, que trata da metodologia utilizada para levantamento dos registros e construção do conjunto das fichas-base (etapas, métodos, construção da ficha e amplitude da pesquisa), além do mapeamento das edificações pesquisadas; o capítulo 3, que busca entender o repertório campinense através de alguns critérios de análise e reflexões, com ênfase para cinco exemplares selecionados para amostra e, por fim, as reflexões finais, com algumas especulações acerca do acervo estudado. Ao final deste volume, estão as referências bibliográficas e os anexos mencionados no decorrer do texto. O segundo volume compreende os registros coletados, organizados e constituindo o conjunto de fichas preenchidas. Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 18 Capítulo 1. Campina Grande no Contexto da Arquitetura como produção do espaço urbano em Campina Grande - 1907-1935” Moderna Brasileira (Carvalho et al., 2006), tenta reconstituir o que seria a produção arquitetônica da cidade nesse período. Através da análise do número de pavimentos, da implantação no lote, da cobertura e das influências formais Para não correr o risco de elaborar uma análise superficial da identificados nas fotografias são detectadas algumas características, aqui manifestação da arquitetura moderna brasileira em Campina Grande, sintetizadas: a predominância de edificações térreas com implantação sem adotou-se um recorte temático (residências) e outro cronológico (1960- recuos e com a presença de elementos formais ecléticos; edifícios 1969), específicos para o estudo e focados no registro. Contudo, para que comerciais com referências ecléticas mais elaboradas nas áreas centrais; e se entenda a forma como se deu a popularização dos elementos da construções de uso institucional com referências neoclássicas, onde se arquitetura moderna brasileira na produção campinense, torna-se relevante destaca o Paço Municipal e o Grupo Escolar Sólon de Lucena. fornecer subsídios que explicitem esse contexto em âmbito local e nacional. Infelizmente, a literatura que trata da história de Campina Grande tem privilegiado personagens e fatos políticos, além de exaltar a função da cidade como entreposto comercial, especialmente com a expansão proporcionada pela chegada do trem (1907), transformando-a na terceira praça de algodão do mundo. Na esfera acadêmica, surgem alguns estudos sobre arquitetura e urbanismo campinense, abarcando especialmente o período de 1935-1945, quando Campina Grande ao fazer parte do “Plano de Urbanização” das grandes cidades, passou por diversas reformas que transformaram a sua paisagem urbana. Pouco se conhece sobre a arquitetura campinense construída até 1935 porque, entre 1930 e 1940, o Art Déco se consolida como símbolo de um processo de “modernização”, substituindo as edificações ecléticas que, com raras exceções, permanecem na memória campinense apenas como registros fotográficos. É com base nesses registros do Museu Histórico de Imagem 16: Paço Municipal (obras iniciadas em 1877) – demolido em 1939 (Fonte: MHCG). Imagem 17: Grupo Escolar Sólon de Lucena (construído em 1924) – atual UEPB (Fonte: MHCG). Nesse período (1907-1935), além da chegada do trem, outro acontecimento marcante é a inauguração, em 1920, da iluminação pública das principais artérias da cidade, que já contava com 70.808 habitantes (IBGE, 1964: 08). Campina Grande, que o artigo “Trem veloz, rupturas lentas: arquitetura Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 19 autor, é o Elevador Lacerda, em Salvador, considerando-o uma manifestação mais decorativa que propriamente construtiva, embora em certas situações as fronteiras entre a decoração e os aspectos estruturais sejam tênues. No caso de Campina Grande, que se expandia rapidamente nesse período, observa-se uma concentração dessa arquitetura até a década de 1940. A partir daí, verifica-se a existência, também, de Imagem 18: Chegada da luz elétrica na Rua Maciel Pinheiro, 1920 (Fonte: MHCG). Imagem 19: Rua João Pessoa, 1929 (Fonte: MHCG). Imagem 20: Vista parcial, década de 1920 (Fonte: MHCG). Imagem 21: Vista parcial, década de 1930 (Fonte: MHCG). construções de transição, já apresentando alguns pressupostos modernos, mas ainda com características do Art Déco como, por exemplo, o Grande Hotel e o prédio dos Correios e Telégrafos da cidade. Assim, no início da década de 1930, ocorre um processo acelerado de modificação do espaço urbano campinense, através de reformas Imagem 22: Vista parcial da Av. Floriano Peixoto, década de 1940 (Fonte: Arquivo de Antonio F. Bióca). Imagem 23: Vista parcial da Av. Floriano Peixoto, década de 1950 (Fonte: Arquivo de Antonio F. Bióca). urbanas e arquitetônicas que consolidassem a hegemonia econômica dos grandes comerciantes, compatível com o capitalismo em expansão no país, simbolizado, em Campina Grande, pelo art déco (Targino, 2003:102). No contexto nacional, segundo Segawa (2002) 9 , o Art Déco foi o suporte formal para inúmeros tipos arquitetônicos que se afirmavam a partir da década de 1930, uma linguagem que estaria associada à ‘pele’, ao envolvente das grandes estruturas. O exemplo mais marcante, segundo o 9 Imagem 24: Câmara Municipal (Fonte: Arquivo de Antonio F. Bióca). Imagem 25: Grande Hotel, iniciado em 1932, atual PMCG (Fonte: Arquivo de Antonio F. Bióca). Ver capítulo 4 – Modernidade Pragmática: 1922-1943. Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 20 Warchavchik é reconhecido como um dos pioneiros da arquitetura moderna no Brasil, com a Casa do Arquiteto e a Casa Modernista, ambas em São Paulo, já no final da década de 1920. Imagem 26: Correios e Telégrafos, inaugurado em 1951 (Fonte: Arquivo de Antonio F. Bióca). Imagem 27: Elevador Lacerda (Fonte: Wikipédia, 2007). Imagem 28: Gregori Warchavchik. Casa do Arquiteto, 1927-1928 (Fonte: Bruand, 2005). Imagem 29: Gregori Warchavchik. Casa “modernista”, 1929-1930 (Fonte: Bruand, 2005). Há de se destacar também, na cronologia da arquitetura moderna Com a inauguração do abastecimento de água, em 18 de Janeiro brasileira, as visitas de Le Corbusier ao país (1929 e 1936), atraindo de 1940, completam-se os fatores decisivos para o desenvolvimento da adeptos do movimento moderno, principalmente no Rio de Janeiro e em “Rainha da Borborema” nesse período. São Paulo, bem como a presença de Luís Nunes em Recife (1934-1937), Genericamente, se entre as décadas de 1930 e 1940, em algumas cidades proliferavam as manifestações do Art Déco, como é o caso de cidade que teria influência direta sobre Campina Grande através das relações comerciais que exerciam entre si. Campina Grande, em outras partes do Brasil eram evidentes as primeiras manifestações do movimento moderno, cuja difusão no país só se dá, de fato, a partir do segundo pós-guerra, a partir do apoio oficial e de um reconhecimento internacional, associados à criação de escolas de arquitetura e ao deslocamento de profissionais com formação moderna por diferentes regiões do país. Imagem 30: Luís Nunes. Escola rural Alberto Torres, Recife, 1935 (Fonte: Bruand, 2005). Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 21 A partir de 1945, a influência da arquitetura moderna em Campina Grande intensifica-se com a atuação de arquitetos de outros estados, principalmente de Pernambuco e com a consolidação da arquitetura Brasileira no panorama nacional e internacional, com o êxito alcançado por construções como o Ministério da Educação e Saúde (1936-1943), o Pavilhão do Brasil na Exposição Internacional de Nova York (1939) e o conjunto da Pampulha (1942-1943). Imagem 33: Oscar Niemeyer. Cassino da Pampulha, 1942 (Fonte: www.vitruvius.com.br) Imagem 34: Oscar Niemeyer. Iate Clube da Pampulha, 1942 (Fonte: www.vitruvius.com.br) Assim, como apontam Queiroz e Rocha (2006), a difusão da arquitetura moderna brasileira na cidade evidencia-se a partir dos anos 1950, quando a produção brasileira, já consolidada em diversas partes do país torna-se alvo do olhar estrangeiro 10 . Nesse período, amplia-se o número de projetos alinhados com a arquitetura moderna brasileira, boa parte deles concebida por profissionais que não residiam na cidade, principalmente por pernambucanos formados pelas primeiras turmas de Imagem 31: Costa, Reidy, Moreira, Leão, Vasconcelos & Niemeyer. Ministério da Educação e Saúde, Rio de Janeiro, 1936-1943 (Fonte: Bruand, 2005). Imagem 32: Lúcio Costa & Oscar Niemeyer. Pavilhão do Brasil na Exposição Internacional de Nova York, 1938-1939 (Fonte: Cavalcanti, 2001). orientação modernista após a renovação do ensino de arquitetura na Escola de Belas Artes de Pernambuco. Como exemplo da produção em Campina Grande, nesse período, podem ser citados: a) Residência Bezerra de Carvalho, do final dos anos 1940 e início dos anos 1950, projeto do pernambucano Augusto Reynaldo; b) Sociedade Médica de Campina Grande, inaugurado no dia 1º de março de 1952; c) Hospital de Pronto Socorro de Campina Grande, concluído em 10 Esse tema é detalhadamente discutido por TINEM (2006). Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 22 dezembro de 1954; d) Residência Vieira Silva, de meados da década de 1950, também de Augusto Reynaldo; e) Associação Comercial, entre 1954 e 1955; f) Estação Rodoviária e Mercado, 1958; g) Escola Politécnica da Paraíba, 1959, de Heitor Maia Neto; h) Residência Loureiro Celino (demolida), 1957-1960; i) Residência do DER, cujas dependências estavam em fase de acabamento em fins de 1960. Imagem 39: Maquete do complexo da Estação Rodoviária, 1959 (Fonte: Rocha e Queiroz, 2006). Imagem 35: Augusto Reynaldo. Res. Bezerra de Carvalho, fim dos anos 1940 e início dos anos 1950 (Fonte: Rocha e Queiroz, 2006). Imagem 36: Sociedade Médica de Campina Grande (Fonte: Sociedade..., 1952: 05). Imagem 37: Augusto Reynaldo. Res. Vieira Silva, segunda metade da década de 1950 (Fonte: Rocha e Queiroz, 2006). Imagem 38: Associação Comercial de Campina Grande, construído entre 19541955 e acrescido de dois pavimentos em 1968 (Fonte: Arquivo da autora). Imagem 40: Heitor Maia Neto. Escola Politécnica da Paraíba, 1959 (Fonte: Arquivo de Antonio F. Bióca). Imagem 41: Augusto Reynaldo. Res. Loureiro Celino (demolida), 19571960 (Fonte: Família Loureiro Celino). Imagem 42: Residência do DER (Fonte: Governador..., 1960: 01). Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 23 Pode-se afirmar, também, que a inauguração do fornecimento de energia elétrica de Paulo Afonso pela Cia. Hidroelétrica de São Francisco (CHESF), em 10 de Junho de 1956, foi outro marco do progresso da cidade. De fato, muitas das construções citadas expressam esse processo de desenvolvimento da cidade: a criação da Escola Politécnica, em 1954, e a construção de uma rodoviária de grande porte (para os padrões da época) eram símbolos dessa modernidade, como atesta A União (Estação..., 1958: 03) sobre o segundo episódio: O empreendimento é dos mais gigantescos, e bem justifica e ilustra o extraordinário índice de desenvolvimento de Campina Grande, nos últimos tempos. Se construída, a estação rodoviária teria capacidade para atender a partida de 15 ônibus em cada cinco minutos, superando mesmo a “Mariano Procópio”, do Rio de Janeiro, que atualmente lidera a lista das maiores de todo o país. (...) Anexo à estação rodoviária, funcionará um super-mercado, com capacidade para 140 acomodações, completando, assim, o conjunto que um serviço deste gênero exige. Imagem 43: Hugo Marques. Banco Industrial de Campina Grande (Edifício Rique), segunda metade dos anos 1950 (Fonte: Diário da Borborema, 1957: 01). Imagem 44: Hugo Marques. Edifício Lucas (em construção), vendo-se o Edifício Rique, ao fundo (Fonte: Revista Tambaú, 1966). Outra edificação que marca o período é a do Banco Industrial de Campina Grande, projetada no final da década de 1950, pelo arquitetolicenciado e pernambucano, Hugo de A. Marques. Pode-se dizer que esse edifício sinaliza o início da verticalização na cidade, mais uma analogia ao desenvolvimento que estava estampado nos jornais da cidade, e que será seguido por outros projetos de edifícios altos: o Palomo (1962) e o Lucas (1963), ambos do mesmo arquiteto. Imagem 45: Vista parcial da cidade (década de 1980), vendo-se o Edifício Rique à direita (Fonte: Arquivo de Antonio F. Bióca). Imagem 46: Início da Rua Maciel Pinheiro (década de 1980), vendo-se o Edifício Palomo ao fundo (Fonte: Arquivo de Antonio F. Bióca). Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 24 Esse esquema traduz o contexto em que se insere a década de 1960 em Campina Grande, cuja compreensão pode ser facilitada com algumas informações encontradas no jornal A União (Campina..., 1964: 08): • A população urbana e rural era estimada (Censo de 1960) em 160.580 habitantes, sendo que a rural era de 39.629 e a urbana Imagem 47: Vista parcial da cidade (década de 1960), destaque para os três edifícios altos Rique, Lucas e Palomo (Fonte: MHCG). A situação se identifica com a política desenvolvimentista 120.951; • A sede municipal apresentava as características de “cidademercado”, destacando-se o comércio de algodão e de agave, englobando mais de 50 firmas especializadas nesses ramos; • Possuía em torno de 636 estabelecimentos industriais que empreendida pelo presidente Juscelino Kubitschek, que com seu slogan de empregavam, aproximadamente, 15.000 operários. 50% destes fazer no Brasil “50 anos em 5” vislumbra a construção de Brasília (iniciada estabelecimentos eram pequenas indústrias que geralmente em 1957 e inaugurada em 1960), que será marco significativo para a empregavam menos de 10 operários. Os outros 50% e a maioria arquitetura moderna brasileira, sendo responsável por sua difusão e dos operários se dedicavam aos principais produtos explorados aceitação em grande escala no restante do país. pelo município: algodão, agave, óleos vegetais, couros e peles, produtos têxteis; • Contava com 22 estabelecimentos bancários, entre eles o Banco Industrial de Campina Grande, o Banco do Comércio de Campina Grande e alguns bancos cooperativados; • Possuía todos os aspectos de cidade moderna, dinâmica e progressista. Na maioria, suas artérias eram largas, com um gabarito elaborado por técnicos, em que foram estabelecidas as Imagem 48: Oscar Niemeyer. Palácio do Planalto, Brasília, 1958-1960 (Fonte: Wikipédia). Imagem 49: Oscar Niemeyer. Catedral de Brasília, 1958-1967 (Fonte: Wikipédia). áreas funcionais de zoneamento. Um “Pré-Plano Diretor” da cidade havia sido cuidadosamente elaborado para melhor ‘embelezamento Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) • 25 da urbe’. No centro, localizava-se o comércio varejista e atacadista, por exemplo, o edifício do Fórum, o Parque de Exposições, o prédio da que se espalhava por inúmeras ruas; Casa do Trabalhador e os serviços de urbanização, entre outros. Assim, Estava dividida em 25 bairros com um total de 500 ruas e possuía, aproximadamente, 25.000 prédios (alguns com até 12 pavimentos). Existiam na cidade 69 templos religiosos, sendo 55 católicos e 14 protestantes. aparecia em A União, além de fotografias dos edifícios em construção, comentários do tipo: Rainha pela magnitude e imponência dos novos edifícios que pontificam a cidade, imprimindo-lhe, com essa arrojada verticalidade, uma fisionomia inteiramente compatível com os dias que vivemos, porque este é o sentido exato das conquistas do crescimento moderno (Campina..., 1964: 08). Esse cenário descrevia a situação que Campina Grande vivenciava no ato de comemoração do seu Primeiro Centenário, em 11 de outubro de 1964, aliás, um fato que foi comentado não só pelos jornais locais, mas também por outros meios de divulgação nacional. O jornal O GLOBO, por exemplo, a respeito das comemorações que se seguiriam classificou a Rainha da Borborema como “a mais progressista cidade e um dos mais importantes centros industriais e comerciais do interior brasileiro” (Campina... 1963: 03). Não só por causa das celebrações ocorridas, o centenário merece Imagem 50: Hugo Marques. Fórum de Campina Grande, atual Juizado do Consumidor. (Fonte: Arquivo da autora). uma atenção especial nesse texto porque permitiu que, em 2 de maio de 1963, o então governador Pedro Gondim baixasse decreto, aprovando o programa prioritário do Primeiro Centenário de Campina Grande e abrindo o crédito especial de CR$137.960.000,00 11 para as despesas de sua execução (Governador..., 1963: 03). Uma Comissão Executiva seria responsável pelo programa e essas despesas incluíam ajuda para algumas obras que estavam sendo construídas na cidade e que deveriam simbolizar o progresso pelo qual passava a cidade durante os festejos de 1964, como Imagem 51: Austro de França. Ypiranga Futebol Clube, projeto de 1960 (Fonte: Campina..., 1964: 08). 11 Através de leituras do jornal A União, entre os anos de 1963 e 1966, verificou-se uma variação da cotação do dólar com equivalência de 950 a 1.800 cruzeiros. Adotando um valor de 1.200 cruzeiros, pode-se dizer que o crédito era de aproximadamente 115 mil dólares. Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 26 cruzeiros; c) o anteprojeto do Parque Permanente de Exposição de Animais, apresentado pelo arquiteto Tertuliano Dionísio, que também realizou um estudo para o Parque do Centenário, incluindo um monumento do escultor Corbiniano Lins, um Museu Histórico e outras obras; d) a construção dos serviços de aterro da área situada entre o Açude Velho e o bairro de José Pinheiro, efetuados pelo DNOCS, aliás, consta nos jornais que os trabalhos de aterro e de urbanização do Açude Velho eram parte de um plano de embelezamento proposto por Burle Marx, em uma de suas visitas à Campina Grande; etc. Imagem 52: Propaganda do Centenário de Campina Grande (Fonte: A Paraíba..., 1964: 04). Imagem 53: Aspecto da passarela do Parque Permanente de Exposição de Animais, projetado por Tertuliano Dionísio (Fonte: A União, 1965: 08). Nas prestações de contas da comissão podem ser encontradas informações valiosas quanto às obras mencionadas. Em julho de 1963, por exemplo, registrava: a) a escritura referente à aquisição (por 8 milhões de cruzeiros) do terreno destinado ao Fórum de Campina Grande, ficando o arquiteto Hugo Marques encarregado do projeto arquitetônico do edifício (contratado por 500.000,00); b) a elaboração do projeto arquitetônico da Casa do Trabalhador, pelo desenhista Renato Silva, e cuja concorrência para construção da estrutura de concreto armado foi vencida pela firma Sociedade Técnica de Engenharia (SOTENGE), contratada por 3.200 Outras obras merecem destaque no período: o Clube Campinense, projetado pelo arquiteto Tertuliano Dionísio, em 1960, e construído pelo engenheiro Lynaldo Cavalcanti; o projeto do ginásio da AABB (1961), de Mário Glauco Di Láscio e Carlos Alberto Carneiro da Cunha; o Restaurante Universitário da Escola Politécnica (inaugurado em 1961); o Clube Médico Campestre; o Teatro Municipal Severino Cabral (inaugurado em 1963), projetado pelo desenhista Geraldino Pereira Duda e construído por Giovanni Gioia; o Ginásio Moderno 11 de Outubro (inaugurado em março Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 27 de 1964); o Hotel Ouro Branco (projeto de 1961 e inaugurado em janeiro de 1965), do arquiteto Hugo Marques e construído pelo engenheiro Lynaldo Cavalcanti; a sede do Grêmio dos Subtenentes e Sargentos do Exército (GRESSE), finalizada em 1966 (projeto de 1961) e construída por Isac Soares e Haroldo Gonçalves Moutinho (engenheiro); o lançamento, em 1965, da pedra fundamental do Centro de Atividades do SESC 12 e, em 1966, da pedra fundamental da sede de Faculdade de Medicina, projetada pelo arquiteto Tertuliano Dionísio e construída por Lynaldo Cavalcanti; o lançamento da pedra fundamental do edifício do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), depois INSS, cuja concorrência pública para Imagem 56: Hotel Ouro Branco (nos anos 1980), a partir da Praça Clementino Procópio (Fonte: Arquivo Antonio F. Bióca). Imagem 57: Isac Soares. Grêmio dos Subtenentes e Sargentos do Exército, em construção (Fonte: 11º. Aniversário..., 1966: 07). construção foi vencida pela firma Delphos Construtora Ltda, de Belo Horizonte; e a inauguração, já no início de 1970, do prédio do Instituto de Educação de Campina Grande, também conhecido como Escola Normal. 13 Imagem 58: Escola Normal, em construção (Fonte: A União, 1970: 01). Imagem 59: Edifício Sede do INSS, inaugurado em 18/12/1971 e reformado em 1998 (Fonte: Arquivo da autora), O ano de 1964 14 , então, simboliza exatamente o auge do Imagem 54: Vista parcial da cidade, vendo-se o ginásio da AABB (Fonte: MHCG). Imagem 55: Geraldino Pereira Duda. Teatro Municipal Severino Cabral, 19621963 (Fonte: Revista Tambaú, 1966). desenvolvimento da cidade, caracterizado por um expressivo número de construções e pelo alto investimento na educação, associado à criação, em abril de 1966, de mais uma universidade (a Universidade Regional do Nordeste – URNE) e a aceleração de um processo (a industrialização) que 12 Existe no Arquivo Municipal da Prefeitura de Campina Grande, um projeto de 1967, pelo arquiteto Elveristo Dantas do Rosário e construtora G. Gioia Ltda. 13 Os dados a respeito dessas obras foram obtidos através de pesquisas realizadas no jornal A União e no Arquivo Municipal da Prefeitura de Campina Grande. 14 Ainda não sofria o entrave econômico conseqüente do Golpe Militar. Os efeitos só serão percebidos, de fato, a partir do final da década. Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 28 já vinha sendo experimentado de forma incipiente, através da criação do Distrito Industrial de Campina Grande: O governador Pedro Gondim (...) vem de assinar o decreto 3.269, que declara a utilidade pública da área para implantação do Distrito Industrial de Campina Grande (...) para efeito de desapropriação, amigável ou judicial, e imediata imissão provisória de posse, nos termos da Lei das Desapropriações, uma área de aproximadamente 1.943.900 metros quadrados situada na zona rural oeste da cidade, compreendendo um polígono irregular cujo perímetro se limita, ao norte com a linha de transmissão de 220 kv pertencente à CHESF, ao sul, com terras pertencentes ao dr. Aluísio Afonso Campos, ao leste, com terras da propriedade Itararé, pertencente ao senador Argemiro Figueiredo, e a oeste, com terras pertencentes aos srs. Cícero Gomes de Melo e Juarez Barreto. (...) Considerando a importância da industrialização, como fator dinâmico, por excelência, do processo de desenvolvimento, e a conveniência técnica da aglutinação de unidades fabris que reclamam serviços comuns de infra-estrutura, implicando, por isso, na criação de Distritos Industriais... (Notícias..., 1963: 08, grifo da autora). Já em 1965, estavam em fase de implantação no distrito industrial de Campina Grande, importantes fábricas, como a CANDE (de tubos plásticos) e o conjunto industrial da WALLIG Nordeste. Sobre esta segunda, A União (Da cidade..., 1966: 03), dizia ser uma “obra de proporções gigantescas, em linhas modernas (...) uma cena que enche a vista”. O que se pretendeu aqui, portanto, foi, numa abordagem geral, verificar em que condições se encontrava a cidade durante a década de 1960 e que caminho trilhou para alcançar essa configuração. A cidade, terreno fértil e em plena expansão, pedia uma arquitetura que expressasse o seu progresso. O repertório de edificações apresentados neste texto sugere a necessidade de outros registros e reflexões que ampliem a delimitação desta pesquisa, estudos que tratem diretamente da influência da arquitetura moderna brasileira na arquitetura campinense, abarcando não só suas edificações, mas também os idealizadores das mesmas. Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 29 Capítulo 2. Levantamento e Sistematização dos Dados cujo acesso era facilitado por relações familiares, de amizade ou mesmo Coletados por pura boa vontade. 1. Os primeiros passos O interesse em estudar as manifestações da arquitetura moderna em Campina Grande, aliado à percepção do descaso existente com a preservação do patrimônio da cidade, deram o pontapé inicial para a escolha do tema a ser estudado. No início, a vontade de abarcar toda a produção arquitetônica de Campina Grande dita “moderna” era um tanto presunçosa, tendo em vista um trabalho final de graduação, cuja duração não ultrapassa quatro meses. Para agravar, os trabalhos que envolvem pesquisa em arquivos e/ou jornais Imagem 60: Geraldino Duda. Res. Heleno Sabino de Farias – vista geral, 1962. Imagem 61: Geraldino Duda. Res. Heleno Sabino de Farias – vista parcial, 1962. Imagem 62: Geraldino Duda. Res. Alaíde Muniz – vista geral, construção iniciada por volta de 1955. Imagem 63: Geraldino Duda. Res. Alaíde Muniz – vista geral, construção iniciada por volta de 1955. demandam um tempo nem sempre previsível, dependendo de fatores próprios desse tipo de pesquisa, como acesso, estado de conservação e legibilidade do documento, regularidade no funcionamento dos arquivos, etc. Daí a preocupação em delimitar enfoques temporal e temático para não correr o risco de realizar um estudo superficial ou não concluir o trabalho. Dessa maneira, definido o objeto, partiu-se para uma primeira pesquisa de campo, antes mesmo de iniciar a elaboração da proposta de trabalho, o que nos pressupostos metodológicos chamou-se de “observação direta” ou “pesquisa de campo prévia”. Nesse momento, algumas residências se destacaram na paisagem da cidade ou por manterem suas características originais ou por sofrerem modificações desastrosas ou por terem sido passivamente demolidas para dar lugar a outras edificações, em geral de pouquíssimo gosto. Nessa fase, foram realizadas visitas às casas Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) Imagem 64: Geraldino Duda. Res. Adalberto e Nanu Guerra – vista geral, construída por volta de 1959. Imagem 65: Geraldino Duda. Res. Adalberto e Nanu Guerra – vista parcial, construída por volta de 1959. 30 Imagem 70: Tertuliano Dionísio. Res. José Barbosa Maia, projetada em 1962 e concluída em 1964. Imagem 71: Augusto Reynaldo. Res. Vieira Silva, segunda metade da década de 1950 (Fonte: Rocha e Queiroz, 2006). Ao mesmo tempo, foram registradas em fotos outras casas que chamavam a atenção por serem modernas e manterem suas características originais, mas sobre as quais não havia muitas informações como: o autor (engenheiro, arquiteto ou desenhista), o proprietário, o construtor, a data, etc. Inconscientemente, estava se formando a preferência pelo estudo das residências, por um lado porque havia um número significativo dessas construções, por outro, porque muitas delas estavam sendo demolidas ou Imagem 66: Tertuliano Dionísio. Res. Manoel Damião de Araújo – vista geral, projetada em 1960 e concluída em 1961. Imagem 67: Tertuliano Dionísio. Res. Manoel Damião de Araújo – vista parcial, projetada em 1960 e concluída em 1961 Imagem 68: Geraldino Duda. Res. Aderson C. Gomes – vista geral, 1964. Imagem 69: Geraldino Duda. Res. Aderson C. Gomes – vista parcial, 1964. descaracterizadas. Imagem 72: Geraldino Duda. José Augusto de Almeida, 1964. Imagem 73: Geraldino Duda. Antônio Diniz Magalhães, 1962. Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 31 apenas um dos proprietários possuía o projeto da sua residência. Através da Secretaria de Viação e Obras Públicas (SVOP) constatou-se que os projetos são enviados para o Arquivo Municipal da Prefeitura de Campina Grande, corriqueiramente chamado de “Arquivo Morto”. Lá se encontram todas as licenças de construção e reforma, a maioria com os projetos anexados, arquivadas em caixas e separadas por ano e pelo nome das ruas onde se localizam. Imagem 74: Hugo Marques. Res. Custódio Miranda, 1964. Imagem 75: Geraldino Duda. Res. Manuel Figueiredo, reforma de 1965. De fato, desde o início, existiram duas ‘vontades’, uma que era a de registrar tudo, e outra que era a de saber que arquitetura era essa e até que ponto ela era moderna. Estava, assim, delimitado o tema. A pesquisa no arquivo foi extensiva, mas essencial. Primeiro porque, como foi mencionado na introdução, trata-se de uma fonte fidedigna, que garante, em certa medida, a precisão das datas que estão sendo registradas: mês e ano em que foi tirada a licença para a construção 15 . E segundo porque fornece os projetos originais. Assim, com a Quanto ao enfoque temporal, as décadas de 1950 e 1960 são as duração de cinco meses, iniciada juntamente com a elaboração do projeto mais expressivas em termos de disseminação da “arquitetura moderna” em de pesquisa e concluída antes do início do semestre de elaboração do Campina Grande. Como a maioria das casas previamente selecionadas era trabalho final, consistiu numa investigação minuciosa dos projetos da segunda década e o artigo de Rocha e Queiroz (2006) tratava da existentes, dos quais foram anotadas informações necessárias e feitos arquitetura moderna da cidade na década de 1950, ainda que de modo registros geral, optou-se por estudar (para completar esse panorama) os dez anos perspectivas, detalhes etc.) dos projetos residenciais. Outros projetos seguintes que vão de 1960 a 1969. significativos, como os edifícios altos ou institucionais, tiveram as A pesquisa teve como propósito inicial o registro do maior número de exemplares modernos. Mas seria difícil registrá-los sem avaliar o alcance fotográficos da documentação técnica (plantas, cortes, informações registradas para consultas posteriores e para contextualizar a produção campinense como um todo. e a amplitude desses exemplares, sem ter noção da influência da produção nacional sobre a cidade, sem conhecer pelo menos uma mostra dessa produção. Para tal, o passo seguinte foi descobrir onde e se seria possível encontrar os projetos das casas, já que nas poucas visitas realizadas, 15 Era objetivo utilizar a datação do projeto, mas nem todas as pranchas consultadas apresentam data, por isso achou-se por bem padronizar através da liberação da licença de construção que, em geral, difere em apenas alguns meses ou mesmo coincide com os projetos que estão datados. Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 32 que contou com o apoio de outras iniciativas no curso de Arquitetura e Urbanismo da UFPB, como será mencionado no capítulo 3. 2. A ficha-base Para a sistematização dos dados coletados no Arquivo Municipal e das informações adicionais que porventura viessem a surgir criou-se uma ficha-base que sintetiza esse material. Algumas fichas cadastrais existentes foram analisadas e serviram de base para o modelo aqui adotado, em especial as fichas elaboradas pelo IPHAN, as do Inventário de Proteção do Acervo Cultural (IPAC) 16 e as do Imagem 76: Exemplo de fotografia tirada de um dos projetos consultados no Arquivo Municipal da Prefeitura de Campina Grande. Trata-se do projeto de Geraldino Duda para a residência Antônio Diniz Magalhães, 1962 (ver imagem 73). DOCOMOMO (anexo IV). As duas primeiras são bastante detalhadas, tendo O ideal seria poder digitalizar todos os projetos que compõem este apresenta duas fichas, uma completa e outra mínima, porém ambas com as trabalho, quer seja utilizando um software CAD ou por meio de um scanner informações registradas de forma seqüencial sem que haja uma de grande formato, este último até mais adequado, pois manteria o traço formatação/compactação do documento. em vista um cadastro de bens a serem tombados. O DOCOMOMO original do arquiteto, engenheiro ou desenhista que elaborou os desenhos. Observando esses exemplos e considerando o objetivo dessa A digitalização dos projetos seria importante até mesmo para a própria preservação dos registros, já que as pranchas encontram-se dobradas e anexadas às licenças através de grampos, clips ou alfinetes que enferrujam facilmente e danificam o papel. pesquisa, algumas decisões tiveram que ser tomadas. A primeira delas era relativa à dimensão dessa ficha, quão específica e detalhada ela deveria ser. Como o estudo é preliminar e a pretensão era registrar o maior número de exemplares, optou-se por um modelo conciso com informações Contudo, dada a falta de recursos, a iniciativa ficou restrita aos essenciais, diagramadas com os seguintes campos: identificação, dados do registros fotográficos que, mesmo distorcendo um pouco a imagem e, projeto, desenhos e fotografias, além de espaço para uma avaliação da conseqüentemente, a escala, fornece uma idéia do projeto original. Além situação atual 17 e para observações relevantes 18 . Não é objetivo do disso, em termos de tempo, a digitalização pretendida entrava em conflito com outra intenção do trabalho que era registrar o maior número possível 16 de exemplares. Assim a decisão tomada foi digitalizar apenas alguns 17 projetos para serem objeto de uma análise mais específica e detalhada, o A ficha do IPAC foi adotada por Juliano Carvalho, ver anexo I. Esse campo só foi preenchido nos casos em que as residências foram visitadas 18 Informações específicas sobre peculiaridades do projeto e construção ou das condições da pesquisa. Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 33 trabalho, nessa fase, avaliar o grau de importância dessas residências ou encaminhá-las para um processo de tombamento. Dessa forma, tentou-se abarcar as informações da ficha mínima proposta pelo DOCOMOMO, com uma diagramação bastante similar ao modelo adotado pelo IPAC, na tentativa de, reunindo as qualidades de cada uma, criar uma formatação em que, numa única folha, os dados essenciais de registro sejam apresentados, formando uma espécie de catálogo das residências selecionadas. O conjunto dessas fichas preenchidas encontrase no segundo volume do trabalho. O esquema de diagramação ao lado ilustra a organização da ficha, que pode ser mais bem visualizada no exemplo da página seguinte. As cores foram utilizadas para delimitar os grupos de dados/informações contemplados na ficha Legenda: Dados de identificação da residência (proprietário atual, primeiro proprietário, endereço e uso atual); Dados do projeto (arquiteto/desenhista, construção, data da licença de construção, número de registro junto à Prefeitura Municipal de Campina Grande, área construída e área do terreno); Desenhos e fotografias (foto de identificação ou perspectiva/fachada no caso da construção não ter sido identificada – no topo à direita; e fotografias dos projetos consultados no arquivo); Dados sobre a situação atual e observações adicionais (só serão completados quando for realizada uma visita à obra). Quadro 03: Esquema de diagramação da ficha-base. Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960-1969) Identificação Fotografia de Identificação: Proprietário: Josalene Maranhão da Silva Uso Atual: Residência Primeiro Proprietário: Emília Maria, Ruth, Elisa e Eleonora Dantas de Aguiar Endereço: R. Vila Nova da Rainha, 348, Centro Dados do Projeto Arquitetura: Geraldino Duda José Cavalcanti de Figueiredo Construção: Data: 1798/1962 Out./1962 Registro PMCG: 580,80m² Área Construída: 301,13m² Área Terreno: Situação Atual Estado de Conservação: Ótimo ( ) Bom ( ) Regular ( ) Péssimo ( ) Demolição ( ) Reforma ( ) Restauro ( ) Acréscimo (x) Mudanças Realizadas: Cozinha e Biblioteca. Desenhos/Fotografias: Observações: Os pisos foram quase todos trocados e o jardim (abaixo da pérgula) extinto. O projeto está sendo digitalizado por Mariana Porto (Maio/2007). Desenhos: Arquivo PMCG Em: Out./06 Fotos: Adriana de Almeida e Mariana Porto Em: Fev./07 Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 35 As colunas em amarelo referem-se aos anos de 1960-1965, período 3. O número de exemplares selecionados Iniciada a consulta ao arquivo municipal, constatou-se que o número de exemplares previstos ultrapassaria as expectativas iniciais de uma mostra de cerca de 50 exemplares. Já nos quatro primeiros anos pesquisados (1960 a 1963), 61 projetos haviam sido selecionados. Um fato que incrementou esse número foi considerar para a seleção projetos consultado nos quatro meses em que se elaborou o projeto de pesquisa e, as colunas em vermelho aos anos restantes (1966-1969) que foram pesquisados durante o recesso anterior ao semestre de elaboração do trabalho final, contabilizando, portanto, os cinco meses de consulta no arquivo. realizados tanto por arquitetos, como por desenhistas e engenheiros. Em A primeira linha do quadro refere-se ao número de caixas/ano compensação foram descartadas as casas “populares”, que apresentavam existentes no arquivo municipal, totalizando 123 caixas consultadas. Elas projetos padronizados, que deveriam ser analisadas sob outra ótica: a da são identificadas por números e separam as licenças de construção e habitação popular, um tema específico de investigação na arquitetura reforma por nome das ruas onde se localizam os imóveis e pelo ano, moderna brasileira. porém, às vezes, não há seqüência lógica. Por exemplo, as caixas sofreram O quadro abaixo fornece os números detalhados de caixas existentes no arquivo para cada ano pesquisado e da quantidade de projetos selecionados dentro das mesmas: alteração na numeração quando da troca das etiquetas identificadoras durante a realização da pesquisa. Portanto, os projetos serão identificados apenas pelo número do registro da licença junto à SVOP, que é invariável. Na segunda linha foram colocados os números de projetos selecionados/ano, num total de 188 projetos (mais que o triplo da previsão inicial). Através das informações contidas nas pranchas e nas licenças, procurou-se identificar as casas na cidade, que se constituiu em mais uma etapa da pesquisa de campo que levou praticamente o mesmo tempo utilizado para a consulta do arquivo. Com o número de projetos selecionados aumentado, a identificação passou a ser realizada em paralelo à consulta. Como pode ser observado no quadro, 134 edificações foram identificadas através dos projetos encontrados. É importante mencionar que Quadro 04: Síntese da Consulta ao Arquivo Municipal da Prefeitura de Campina Grande. todos os projetos das residências fotografadas na pesquisa de campo prévia, que são da década de 1960, foram encontrados no arquivo Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 36 municipal, o que atesta a sua fidedignidade como fonte. Essas 134 Algumas dificuldades foram encontradas. Primeiramente, os edificações foram divididas pelo uso (residencial e outro) e pelo estado de endereços não apresentavam a numeração das casas, já que essas abandono ou demolição, para uma melhor apreciação da situação em que estavam sendo construídas em áreas em processo de ocupação 19 . se encontram. Segundo, algumas ruas ou bairros possuíam outras denominações na Os 54 projetos restantes (28,7% dos selecionados) não tiveram as respectivas construções identificadas. Acredita-se que por três motivos: não foram executados, foram demolidas ou sofreram tantas modificações que não mais apresentam semelhanças com o projeto original. época. Para contornar essa dificuldade, recorreu-se à Secretaria de Planejamento (SEPLAN) do município que dispõe de mapas anteriores ao atual. Quando esses mapas não eram suficientes, outro artifício utilizado foi a consulta à lista telefônica de 1998, a última edição que divulgava os números de telefones por duas entradas: pelo nome do proprietário e pelo As casas que com certeza foram demolidas estão incluídas no grupo anterior (edificações identificadas). Entretanto é possível que parte das não identificadas também possam ter sido derrubadas. Pensou-se, inicialmente, em preencher apenas as fichas dos nome identificadas, o que totalizaria 148 projetos. Contudo, como a intenção era a de registrar o maior número de exemplares optou-se por preencher fichas de todos os projetos selecionados, para uma reflexão posterior, perfazendo um conjunto de 188 fichas. rua. Assim, alguns proprietários foram identificados e, conseqüentemente, o número da residência. Porém, como o catálogo é cerca de trinta anos mais novo que a construção das casas, muitas delas foram vendidas ou tiveram outro destino. projetos cujas edificações fossem encontradas, acrescentadas de alguns projetos considerados significativos e cujas edificações não haviam sido da Assim, as edificações que foram identificadas tiveram seu endereço completo anotado e foram fotografadas e inseridas como imagens de identificação nas fichas-base. As informações sobre as que não foram encontradas durante essa etapa foram conseguidas através de depoimentos dos proprietários e/ou moradores de residências da mesma época e dos mesmos bairros. Com isso, descobriu-se que algumas foram demolidas ou modificadas. O restante continuará, por enquanto, no 4. Identificação das casas e preenchimento das fichas-base anonimato, representadas apenas pelos projetos encontrados no arquivo. Nesses casos, no local onde deveria constar a fotografia de identificação, A identificação das residências constituiu outra etapa do trabalho e ocorreu paralelamente à consulta ao arquivo dada a quantidade de projetos será colocada a perspectiva ou a fachada principal encontrada no projeto original. selecionados. Assim, a cada dois ou três anos de construção pesquisados, eram separados os projetos que pertenciam aos mesmos bairros e determinado um roteiro para busca. 19 O terreno da construção era situado tendo como parâmetro o número de uma edificação vizinha (ou terreno vago) ou a distância aproximada do mesmo a uma rua transversal mais próxima. Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 37 Ao término da identificação dos exemplares, partiu-se para o desenhos que constam nas plantas consultadas; no mapeamento/visita preenchimento das fichas-base, onde os dados coletados até então local estão itens como: a identificação local e registro em mapa, e os puderam ser sistematizados. Essa sistematização foi acompanhada do registros fotográficos; e no preenchimento das fichas cadastrais estão os preenchimento de quadros sinóticos 20 referentes a cada ano da pesquisa, os quais auxiliaram na medida em que permitem a fácil visualização do trabalho realizado e do trabalho a realizar (ver esquema abaixo). próprios espaços da ficha a serem completados. Assim, à medida que cada etapa/tarefa é realizada, o espaço referente no quadro sinótico é pintado em cinza. Como nem todas as etapas puderam ser cumpridas foram criadas outras colorações: em amarelo quando se tratar de uma informação incerta ou incompleta e em vermelho quando a informação não estiver disponível ou quando o exemplar não for encontrado. O “X” marcado no quadro significa “inexistente” como, por exemplo, no caso do projeto que não apresenta perspectiva. Pode-se dizer, portanto, que o levantamento e a sistematização dos dados terminam justamente com o preenchimento de todos os espaços dos quadros sinóticos. Quadro 05: Esquema do Quadro Sinótico 21 . O quadro sinótico funciona da seguinte maneira: do lado esquerdo ficam os nomes das residências 22 e do lado direito as atividades a serem realizadas ou as informações a serem coletadas, divididas em três grupos: projeto (amarelo), mapeamento/visita ao local (rosa) e preenchimento da ficha cadastral (azul). Cada grupo apresenta uma subdivisão (tarefas a serem realizadas ou informações a serem checadas); por exemplo, no projeto estão os 20 Os quadros sinóticos encontram-se no anexo V deste volume. Esse esquema apenas ilustra a diagramação e as cores, não tem por fim a leitura. 22 O nome da residência é o nome do proprietário para o qual o projeto foi realizado. 5. Mapeamento e algumas reflexões A última etapa da construção dos registros é o mapeamento das edificações em estudo. Ainda que o preenchimento das fichas já dê uma idéia da localização das residências modernas na cidade o mapeamento é de suma importância porque revela as áreas em que elas são predominantes e dá visibilidade à ‘mancha’ moderna que pode contribuir para avaliações posteriores acerca da configuração da estrutura urbana de Campina Grande durante a década de 1960. Segundo o Atlas Geográfico da Paraíba (1985), a estrutura urbana 21 de Campina mantém-se desde 1950, tendo em vista o não surgimento de Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 38 bairros residenciais que pudessem indicar uma expansão urbana após esse período. Então, o que se pode supor com esse mapeamento, é que as casas em estudo foram construídas em lotes vazios em um espaço urbano já previsto ou substituíram outras construções existentes. Durante as décadas subseqüentes, a cidade praticamente mantém os mesmos bairros da década de 1960, como a Prata, Liberdade, Quarenta, José Pinheiro, Alto Branco, Bodocongó etc. Observando o mapa da PMCG/COPLAN (1985), mais a frente, que separa os setores da cidade de acordo com os usos e poder aquisitivo, percebe-se que o acervo pesquisado está nas áreas coloridas em cinza (que indica o centro de Campina Grande, onde o comércio predomina), em amarelo (habitações de médio padrão) e em vermelho (habitações de alto padrão). As áreas com hachura verde indicam habitações de baixo padrão; o azul, conjuntos habitacionais; o roxo, habitações irregulares (favelas); e o branco, áreas de lazer ou desocupadas. Dessa maneira, supõe-se que a influência da arquitetura moderna se deu predominantemente nas residências de alto e médio poder aquisitivo, com alguns exemplares no centro da cidade. Indo mais além e levando em consideração os dois bairros que abrigam o maior número de residências modernas (entre as pesquisadas), Prata e Lauritzen (este mais conhecido como Alto Branco), ambos são caracterizados como bairros de alto padrão (vermelho). Mapa 02: Mapa Urbano de Campina Grande, delimitando a área a ser ampliada (Fonte: SEPLAN, adaptado pela autora). Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 39 Mapa 03: Mapa Parcial de Campina Grande indicando a localização das residências selecionadas (Fonte: SEPLAN, adaptado pela autora). Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 40 Mapa 04: Mapa de Campina Grande, delimitando a área ampliada (Fonte: PMCG/COPLAN/Atlas Geográfico da Paraíba, 1985, adaptado). Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) Capítulo 3. Análises e reflexões sobre o acervo investigado 41 nacionalista” (arquitetura como símbolo e identidade nacional), uma linguagem diferenciada (plasticidade da forma), um vínculo com o passado (tradição) e um vínculo com o lugar (adaptação ao clima). Ao iniciar a pesquisa, o foco era registrar um repertório moderno e residencial delimitado, tendo como justificativa principal a preservação do patrimônio ameaçado. Daí a proposta de se coletar o maior número de projetos e fornecer um material que servisse de base para novos estudos. Havia também a intenção de ‘olhar mais de perto’ esse universo que, imaginou-se, seria menos amplo do que a pesquisa mostrou. À medida que Essa nova arquitetura seria símbolo não somente do movimento nacionalista da década de 1930, como aponta a autora, mas também da política desenvolvimentista de JK. No caso de Campina Grande a inclusão de elementos da arquitetura moderna brasileira simbolizava o progresso da cidade que, de certo modo, fazia o papel de “vanguarda no interior nordestino”. a pesquisa crescia e a pesquisadora amadurecia percebeu-se que seria inviável e, pouco recomendável, realizar a visita às 148 edificações O desenvolvimento de uma linguagem diferenciada, através da identificadas. Primeiro porque ainda era cedo para se afirmar o valor flexibilidade de volumes e de formas livres foi, de fato, bastante explorado arquitetônico das construções em estudo, já que não existia uma análise na arquitetura moderna brasileira de forma geral e, por isso mesmo, atraiu prévia desse material. Segundo porque não havia nem recursos nem tempo tanto a atenção nacional e internacional, aliado às experiências de controle disponíveis para realização dessa tarefa. E por último, havia um detalhe de luz e calor no ambiente construído, através da utilização de brises, técnico: o acesso e a colaboração dos proprietários eram imprevisíveis. combogós, venezianas e similares. Assim, decidiu-se por um registro que contivesse apenas as Observando as residências de Campina Grande, podem-se listar informações básicas 23 , complementado pela análise de alguns exemplares. diversos elementos que também são encontrados na produção nacional. A Dessa forma, seria possível uma primeira aproximação sobre o tema: presença da laje plana, da planta livre, de áreas verdes, incluindo a Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande. utilização de jardins internos, pérgulas, janelas contínuas, combogós, pilotis, escadas e rampas compondo a volumetria, entre outros, ilustram essa A dissertação de Melo (2004), através de uma análise dos cânones aproximação. da arquitetura moderna residencial brasileira (incluindo 70 exemplares), elabora uma síntese conceitual desse repertório que indica algumas O que se questiona é a forma como esses elementos foram características recorrentes na casa moderna brasileira: o “caráter empregados e até que ponto houve a apropriação dos conceitos defendidos pela arquitetura moderna brasileira. Para tal, será feita uma análise dessa 23 Primeiro proprietário, uso atual, endereço, dados sobre o projeto e fotografias, tanto dos projetos encontrados no arquivo, quanto do exterior da edificação. produção local segundo os seguintes pontos, os quais serão retomados na análise de cinco exemplares selecionados para representá-la: Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 3.1 A implantação da casa no lote e a organização espacial; 42 lateral e sim um objeto que deveria ser experimentado sob diversas perspectivas. 3.2 Aspectos construtivos e a cobertura; O período que se inicia por volta de 1940, com a Segunda Guerra Mundial, e que nos traz até 1960, com o plano de Brasília, compreende a fase de mais intensa industrialização e urbanização da história do País. (...) As habitações individuais isoladas aproveitariam de modo especial as inovações arquitetônicas, decorrentes do avanço técnico e econômico. Pela primeira vez seriam exploradas amplamente as possibilidades de acomodação ao terreno, em que se pese à exigüidade dos lotes em geral (Reis Filho, 1976:88). 3.3 Aspectos formais. A intenção não é criar uma classificação dentro desses critérios, mas apenas facilitar uma melhor apreciação do acervo em estudo. Como ainda é preciso um maior aprofundamento sobre o repertório campinense, o No caso de Campina Grande, pode-se dizer que as dimensões dos lotes limitaram, de certa maneira, a liberdade de criação e também o item (c) será detalhado apenas nos exemplares selecionados. desenvolvimento do paisagismo. Podem ser encontradas casas soltas no lote e casas que se limitam a um recuo lateral. Já os exemplares construídos em lotes de esquina tendem a valorizar a composição espacial. 3.1 A implantação da casa no lote e a organização espacial Levando em consideração que há uma relação muito forte entre a As edículas, que seriam integradas às edificações principais, na implantação no lote e as soluções arquitetônicas, esse ponto é maior parte das vezes, persistem nos fundos dos terrenos, ignorando o determinante na organização espacial da edificação. desaparecimento da orientação frente-fundo preconizado pela arquitetura Lemos (1989) atenta para o fato de que, antes da Primeira Guerra, moderna. as casas de classe média e as populares possuíam somente a fachada Percebe-se, por outro lado, uma tendência à criação de jardins, voltada para a rua e que, depois do primeiro pós-guerra, com as leis e mesmo de pequena escala, nos recuos frontais das residências, permitindo normas sanitárias, começa-se a perceber novas formas de ocupação do um espaço de transição entre o exterior e o interior. Atualmente, quase lote com recuos frontais e laterais. todas as casas tiveram seus muros elevados, de modo que a falta de Aliada a essa questão de higiene um dos pressupostos do movimento moderno era a possibilidade de experimentar a tridimensionalidade do edifício com a casa solta no lote, que podia atender a essas novas exigências de salubridade no desenvolvimento da sua segurança na cidade substituiu a intenção inicial da casa como continuação da cidade. Assim alguns desses jardins também foram suprimidos. Observando os projetos em estudo, os casos mais comuns de implantação são: organização espacial. Não existia mais a fachada principal ou a fachada Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) • A casa solta no lote: 43 • A casa parcialmente colada nos dois limites laterais: Imagem 77: Situação e perspectiva da Res. Sósthenis Pedro da Silva, 1960 (Fonte: Arquivo da PMCG). Imagem 79: Situação e fotografia da Res. Custódio Miranda, 1964 (Fonte: Arquivo da PMCG e autora). • A casa colada em um dos limites laterais do lote: • A casa em lote de esquina (solta ou colada a um dos limites laterais): Imagem 78: Situação e perspectiva da Res. Maria Bernadete de Lima, 1961 (Fonte: Arquivo da PMCG). Imagem 80: Situação e perspectiva da Res. Aderson Costa Gomes, 1964 (Fonte: Arquivo da PMCG). Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) • 44 A casa em lote irregular (de esquina ou não, podendo estar colada a uns dos limites do lote): Imagem 81: Situação e fotografia da Res. Severino da Costa Ribeiro, 1961 (Fonte: Arquivo da PMCG e Prefeitura, 2003). Outro fator que merece destaque relaciona-se com a topografia dos terrenos. A maioria dos projetos em estudo tirou partido da declividade (ver imagens a seguir), alguns fazendo uso de subsolos e aterros, geralmente destinados às garagens e dependências de serviço, e outros através de plantas escalonadas, provocando níveis intermediários que, muitas vezes, influenciaram também na composição volumétrica. Imagem 84: Res. Antônio Diniz Magalhães, 1962 (Fonte: autora). Imagem 85: Res. Antônio Diniz Magalhães – corte esquemático, mostrando os diferentes níveis (Fonte: Thaís Carvalho e Thaíse Gambarra). Dessa forma, quando não limitadas pela dimensão do lote, percebese, de modo geral, uma generosidade com os espaços, assim como uma busca pela movimentação das superfícies exteriores das residências pesquisadas. Giedion apud Tinem (2006:120) encara como contribuições da arquitetura brasileira ao movimento contemporâneo, nos anos 1950, a generosidade do espaço, as soluções simples para problemas complexos e a animação das grandes superfícies de estruturas vivas e multiformes. Ainda que não se trate de programas complexos, nesse caso, fica clara a intenção de movimentar as superfícies externas com a utilização de diferentes materiais (intercalados) de revestimento para a composição, mesmo quando são volumes simples como o do projeto abaixo (não executado): Imagem 82: Res. Antônio de Oliveira Dantas, 1965 (Fonte: autora). Imagem 83: Perspectiva da Res. José Augusto de Almeida, 1964 (Fonte: Arquivo da PMCG). Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 45 Imagem 86: Perspectiva da Res. Valdette Ribeiro, 1961 (Fonte: Arquivo da PMCG). Outro caráter dessa arquitetura é a de se abrir para o exterior. Goodwin aponta dois aspectos positivos na arquitetura brasileira. Um deles é o caráter aberto das habitações, sempre em contato com a natureza (...), incentivando o vínculo estreito entre interior e exterior (...). Essa seria uma afirmação da influência wrightiana, que projeta olhando em direção ao exterior (Tinem, 2006:83-84). No repertório campinense encontra-se a Imagem 87: Tertuliano Dionísio. Res. Manoel Damião de Araújo, 1960 (Fonte: autora). utilização de espaços intermediários (interno/externo e público/privado), tanto na ligação existente entre a rua e o lote, por intermédio dos jardins criados na frente das casas, como na utilização de elementos vazados, terraços ou jardins internos, que fazem o elo entre o exterior e o interior da edificação. Em alguns casos, o uso de pilotis permite a liberação do solo, como queria Le Corbusier, e termina por promover essa integração entre interior e exterior. Nesse exemplo (imagem 87), identificam-se vários desses elementos mencionados: a liberação do solo com o uso de pilotis, a intenção plástica no uso da escada compondo a volumetria, a utilização de combogós, sempre fazendo o vínculo entre exterior/interior. Infelizmente, um lago artificial que existia debaixo da escada foi eliminado, mas ainda é possível encontrar um jardim, mesmo que agora, acanhado. Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 3.2 Os aspectos construtivos e a cobertura Trata-se de uma tentativa de perceber as soluções estruturais e os materiais empregados e suas influências na composição espacial, já que 46 uma preocupação com o conforto ambiental 24 . Nos pisos, são mais encontrados o granilite, tacos de madeira e o mármore. Esses elementos serão ilustrados nas residências que serão destacadas mais a frente. um dos requisitos da arquitetura moderna é justamente o emprego do Quanto às cobertas, percebe-se uma diversidade de composição. avanço tecnológico a favor da racionalidade, economia, eficiência e Vale ressaltar que, de maneira geral, a laje plana formando o terraço-jardim, qualidade (Guadanhim, 2002:406). identificado como um dos cinco pontos básicos defendidos por Le Se o domínio sobre a técnica do concreto armado associado ao uso de materiais novos, como o vidro e o metal, foi um dos elementos norteadores da arquitetura moderna brasileira, o que se verifica nas residências estudadas é certa restrição de soluções estruturais complexas. Apesar de terem sido utilizadas lajes de concreto armado, balanços generosos apoiados sobre pilotis com formas, por vezes, não-convencionais Corbusier, é pouco usada no Brasil, por razões contundentes: primeiramente, por ser um país que apresenta muita chuva e muito sol e, daí, a dificuldade e o alto custo das impermeabilizações; além disso, a existência de terrenos amplos para suprir a necessidade de gerar áreas verdes integradas às edificações. Assim, foram realizadas mudanças nos sistemas de cobertura que: resolvidos agora com telhas de novos materiais, com pequenas inclinações, apoiadas sobre as lajes de concreto e ocultas sob discretas platibandas, dariam ensejo a uma geometrização geral dos volumes, nos termos dos modelos estrangeiros das casas de teto plano, de gosto cubista. Internamente essa inovação possibilitaria a variação dos níveis de pé-direito em cada compartimento, acompanhando a declividade suave do telhado. Externamente as inovações plásticas corresponderiam à decadência do fachadismo e ao tratamento arquitetônico homogêneo de todas as elevações. (Reis Filho, 1976:92) e marquises em concreto, entre outros, verifica-se a persistência da construção das vedações em alvenaria, denunciadas pela espessura das paredes. Evidentemente, existem exceções que buscam soluções mais ousadas como, por exemplo, o uso de uma meia abóbada em balanço (imagem 89) merecedora de destaque. Por outro lado, percebe-se o uso da planta livre, verificada nas janelas corridas e na flexibilidade dos espaços, que permitem supor uma Dessa forma, ficam visíveis as lajes planas ou inclinadas ‘falsas’, estrutura independente, mesmo em um partido convencional, sem o apelo que são recobertas por telhados escondidos por uma nova versão de da estrutura aparente defendida pela arquitetura moderna. platibanda. O esquema a seguir busca uma síntese das coberturas Além do uso do concreto, do vidro e do metal, observa-se a existentes no acervo campinense estudado. utilização de telhas onduladas de fibrocimento ou amianto, esquadrias de ferro, madeira e alumínio, paredes revestidas com pedra bruta, pastilhas e azulejos. Muito comum também é o uso de combogós de louça e cerâmicos que, aliados ao uso de pergolados, venezianas e jardins internos, mostram 24 Vale a pena ressaltar o pouquíssimo uso dos brises soleil no acervo pesquisado, às vezes até contemplados em projeto, porém não executados. Ainda não se sabe o porquê, mas merece ser objeto de um estudo específico. Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 47 Primeiramente, são identificadas as lajes planas (A) e as inclinadas Vale mencionar, também, a existência de algumas coberturas não- (B) como as mais comuns. Dentro da composição, podem estar associadas convencionais, sugerindo a formação de abóbadas, arcos e outros apelos a casas térreas e a sobrados, com pilotis e em terrenos com desníveis. mais estéticos que estruturais. Aparece também o telhado em “asa de borboleta” (C) que derivaria, então da junção de duas lajes inclinadas. Dessas três classificações, surgem diversas variações, entre as quais a formação de volumes trapezoidais e a interseção de volumes com alturas diferentes. Imagem 89: Perspectiva da Res. José Pedro Sobrinho, 1963 (Fonte: Arquivo da PMCG). Imagem 90: Perspectiva da Res. Milton Félix do Nascimento, 1967 (Fonte: Arquivo da PMCG). 3.3 Aspectos formais Esse ponto deve contemplar os determinantes para composições volumétricas, as possíveis influências, tendências ou sínteses, além das preocupações com o conforto e programas adotados, entre outros. Dessa forma, não podendo generalizar, e para verificar a disposição dos ambientes, que áreas tende a valorizar (zoneamento), se existe Imagem 88: Croquis de estudo das coberturas existentes no acervo (Fonte: autora). preocupação com a incidência de ventos e raios solares, continuidade espacial e outras características marcantes serão utilizados os cinco Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 48 exemplares selecionados para análise 25 . Durante o decorrer da pesquisa, alguns alunos do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFPB demonstraram interesse pelo trabalho e resolveram colaborar com o mesmo através da digitalização de alguns projetos para serem avaliados em estágios curriculares que tiveram como ênfase o exercício da representação gráfica. Com isso, além de subsidiar esse trabalho específico contribuíram para um registro digital da arquitetura moderna brasileira. Essas cinco residências foram escolhidas segundo alguns critérios: Imagem 91: Vista da Residência Daniel Guimarães (Fonte: PMCG, 2003). mantêm o uso residencial, estão entre as mais bem conservadas e, notadamente, apresentam a maioria dos elementos da arquitetura moderna relatados, além de soluções plásticas merecedoras de destaque. 1) Residência Daniel Guimarães (1960) 26 : O projeto foi elaborado pelo até então desenhista Geraldino Pereira Duda (formado em Engenharia Civil na década de 1980) e construído pelo engenheiro Austro de França Costa (na época, diretor do Departamento de Planejamento e Urbanismo – DPU), personagens de destaque na produção arquitetônica de Campina Grande. Foi realizado para o proprietário Daniel da Costa Guimarães e, atualmente, pertence à Maria das Neves de Souza Costa 27 . Imagem 92: Perspectiva do projeto original da Residência Daniel Guimarães, 1960 (Fonte: Arquivo da PMCG). Dos elementos já mencionados percebemos: a presença da laje de concreto inclinada apoiando telhas de fibrocimento, a utilização de diferentes materiais de revestimento externo e de ferro e vidro nas esquadrias, um apoio de forma não-convencional que, em busca de um efeito plástico, exerce uma função estrutural, e o uso de jardins e terraços como forma de ligação entre espaços externos e internos. Com uma área coberta de 144,00m², possui um programa simples: sala de estar, cozinha, copa, sala íntima, suíte, 02 quartos, banheiro social, 02 terraços (chamados de alpendre no projeto original) e jardins. 25 Esses exemplares serão denominados utilizando o nome do primeiro proprietário. A digitalização do projeto foi realizada por Marcelo de Brito Barros, em março de 2007. 27 A atual proprietária não permitiu que a casa fosse visitada nem fotografada. 26 Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 49 2) Residência Antônio Diniz Magalhães (1962) 28 Também projetada por Geraldino Duda, foi executada pelo engenheiro Nilton de Almeida Castro e possui uma área construída de 271,00m². Imagem 93: Planta Baixa da Res. Daniel Guimarães. (Fonte: Marcelo Barros (2007), a partir do projeto original). Observando a disposição dos ambientes, nota-se a localização privilegiada para o setor social, já que a elite burguesa, na década de 1960, Imagem 94: Geraldino Duda. Res. Antônio Diniz Magalhães, 1962 (Fonte: autora e Arquivo da PMCG). priorizava a sala de estar como o ambiente mais importante da casa. . Merece destaque: a casa solta no lote, o esquema da cobertura Partindo para uma análise da preocupação com o clima e da utilização de elementos de controle de luz e de calor, percebe-se uma incoerência. Dois dos três quartos têm faces voltadas para oeste, recebendo insolação excessiva à tarde, enquanto que os banheiros, jardins e sala de estar, de pouca permanência, estão voltados para os lados leste e sul, desperdiçando a ventilação natural que é predominantemente sudeste. com lajes inclinadas em direções opostas, a utilização de diferentes materiais de revestimento nas superfícies externas, uso de janelas corridas, elementos vazados, a implantação em lote com desnível, fazendo uso de uma planta escalonada, o jardim, a escada externa e a continuidade espacial que pode ser percebida nas salas, enfatizando o uso da planta livre. De certa maneira, há de se levar em consideração que Campina Grande possuía um clima mais ameno que o atual. 28 A digitalização do projeto foi realizada por Thaís Carvalho e Thaíse Gambarra, em abril/maio de 2007. Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 50 Imagem 95: Fachada sul e maquete virtual da Res. Antônio Diniz Magalhães, 1962 (Fonte: Thaís Carvalho e Thaíse Gambarra, a partir do projeto original). Fato curioso nesse projeto é a sala de jantar intermediando os setores da casa. Além disso, o acesso da cozinha para essa sala tem de Imagem 96: Plantas baixas da Res. Antônio Diniz Magalhães, 1962 (Fonte: Thaís Carvalho e Thaíse Gambarra, a partir do projeto original). ser realizado pela escada interna, o que dificulta o fluxo. Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 51 3) Residência Dagberto Gonçalves (1962) 29 Projetada pelo engenheiro civil Lynaldo Cavalcanti e com uma área construída de 235,00m², o corpo principal da residência está implantado no centro do lote, ligado à edícula existente nos fundos do terreno, através de uma marquise. Imagem 99: Fotografia da edificação e maquete virtual, mostrando as diferenças entre o projeto executado e o original (Fonte: autora e Armando Mariano, respectivamente). Imagem 97: Lynaldo Cavalcanti. Res. Dagberto Gonçalves, 1962 (Fonte: autora). Imagem 98: Res. Dagberto Gonçalves – detalhe da marquise que liga o corpo principal da casa à edícula (Fonte: autora). Comparando uma fotografia da edificação e imagens da maquete virtual construída segundo o projeto original, percebe-se que algumas mudanças, como, por exemplo, os brises soleil previstos no projeto não aparecem na foto. Outra associação pode ser feita à influência de projetos de arquitetos renomados da arquitetura moderna brasileira: a Casa de Oscar Niemeyer em Mendes (1949) e o Teatro Popular (1950) em Marechal Hermes, de Affonso Reidy. 29 Imagem 100: Maquete virtual (Fonte: Armando Mariano) e projetos de referência (Fonte: Cavalcanti, 2001). A digitalização do projeto foi realizada por Armando Mariano, em abril/maio de 2007. Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 52 O primeiro caso, sobretudo, pela utilização de elementos de O vínculo exterior/interior mencionado é notado na ênfase dada à controle de luz e calor compondo superfícies externas inclinadas; e o entrada principal da casa. Diferentemente de outros projetos que apostaram segundo pela cobertura em “asa de borboleta”. no uso de rampas e escadas para marcar essa característica, a casa, Na planta baixa, percebe-se que o acesso principal é induzido através da passagem pelo terraço da face norte, intermediado por um pergolado sobre um jardim. Sala de estar e jantar formam um espaço único que se comunica com o restante da casa por uma longa circulação. Foi criado um quarto de hóspedes cujo acesso dá-se tanto por essa circulação quanto pela face posterior da residência, a qual se comunica com a edícula nos fundos do lote. Nesse caso, o setor íntimo ficou direcionado para os ventos dominantes (sudeste). térrea, valorizou o jardim na frente do lote e permitiu a abertura de um espaço de transição dentro do volume principal da edificação. A atenção dada ao terraço é traduzida pela variedade de materiais construtivos utilizados: de um lado estão os combogós, de outro os tijolos de vidro e em um terceiro estão os azulejos pintados, sobre os quais aparecem orifícios que dão para a circulação interna; um pergolado sobre o espaço definido por esses três planos permite a passagem de luz para o jardim que valoriza a entrada. Imagem 102: Res. Dagbeto Gonçales – o terraço, visto de fora, e o jardim e a rua, vistos do terraço (Fonte: autora). Imagem 101: Res. Dagbeto Gonçales – planta baixa (Fonte: Armando Mariano, segundo projeto do Arquivo da PMCG). Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 53 inclinada, está engastada no volume que saca do corpo principal, sustentado por pilares delgados de ferro. Imagem 104: Geraldino Duda. Res. Emília Dantas Aguiar, 1962 (Fonte: autora e Arquivo da PMCG). Imagem 103: Detalhes construtivos da Res. Dagberto Gonçalves (Fonte: autora). 4) Residência Emília Dantas Aguiar (1962) 30 Projetada por Geraldino Duda e construída pelo engenheiro José Cavalcanti de Figueiredo, com uma área de 301,13m², essa residência mostra uma maior liberdade no uso do concreto, presente tanto na estrutura quanto na composição plástica, no caso da marquise existente. A cobertura, 30 Imagem 105: Res. Emília Dantas Aguiar – plantas baixas (Fonte: Mariana Porto, segundo projeto do Arquivo da PMCG). A digitalização do projeto foi realizada por Mariana Porto, em abril/maio de 2007. Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 54 Mais uma vez é dada ênfase a um jardim coberto por uma pérgula, que se torna o coração da casa. Nesse exemplo, o espaço fica ainda mais atrativo pela continuidade espacial promovida pelo volume suspenso por pilotis na parte frontal da casa e pela existência de um alpendre embaixo desse balanço. A utilização de uma planta escalonada, dessa vez, foi uma decisão projetual, já que o terreno é plano e, portanto, não induz à composição de diferentes níveis. Os espaços são bastante generosos, faz-se uso de esquadrias contínuas, diferentes materiais de revestimento, integração da edificação com um jardim externo, dentre outros elementos já mencionados em outros exemplares. Com frente predominantemente oeste, a marquise funciona não só como elemento estético, mas também como protetor solar. O setor íntimo está voltado para a posição sudeste, o setor social para o norte e o setor de serviços a nordeste. Imagem 106: Res. Emília Dantas Aguiar, pela ordem: o detalhe do volume em balanço apoiado em pilotis; o espaço debaixo desse balanço; o alpendre, vendo o pergolado; detalhe da marquise, a escada para a sala de estar; a escada para acesso à copa/refeições; e as pastilhas como revestimento (Fonte: autora e Mariana Porto). Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 55 5) Residência Heleno Sabino de Farias (1962) 31 Talvez a casa mais expressiva para a cidade no período considerado, sobretudo pela sua volumetria diferenciada das demais. Aqui, as condições do terreno tiveram influência direta no projeto, que teve que se adaptar tanto ao perímetro quanto à topografia. Tendo em mãos um programa amplo, já que a edificação possui 331,70m², e um terreno ‘curvo’ de esquina, Geraldino Duda, autor do projeto, teve que, respeitando o recuo frontal, acompanhar essa curvatura para definir o partido. A declividade do Imagem 108: Res. Heleno Sabino de Farias – os pilotis, a varanda e os revestimentos externos (Fonte: autora). lote permitiu que fossem projetados níveis diferenciados e que parte da casa ficasse solta do chão, apoiada em pilotis, formando o espaço da garagem. Outro elemento marcante da obra é a rampa de acesso principal que também segue a curvatura do terreno. Fazendo a ligação exterior/interior e integrada ao jardim externo, comunica-se com o terraço, espaço de transição, que por sua vez, dá acesso à sala de estar. Essa sala é o centro de todas as atividades, relacionando-se com os demais ambientes da casa: no lado leste, com os quartos, e no lado oeste, com as demais salas e cozinha; uma escada leva ao subsolo, com quartos para hóspedes e acesso à garagem. A partir da cozinha, chega-se a outro Imagem 107: Geraldino Duda. Res. Heleno Sabino de Farias, 1962 (Fonte: autora). terraço, onde uma escada dá acesso à área de serviço. 31 A digitalização do projeto foi realizada por Anna Alice Manabe e Vladimir Gama e Gusmão, em abril/maio de 2007. Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 56 Imagem 110: Res. Heleno Sabino de Farias – a rampa e o jardim externo (Fonte: autora). Assim como a maioria dos exemplares, apresenta o telhado Imagem 109: Plantas baixas (térreo e porão) da Res. Heleno Sabino de Farias (Fonte: Anna Alice Manabe e Vladimir Gusmão, a partir do projeto original). escondido por uma platibanda, falseando a laje plana. Faz uso de diferentes revestimentos compondo as superfícies externas, possui espaços amplos, esquadrias em ferro e vidro, dentre outros elementos típicos da arquitetura moderna brasileira. Sua importância no repertório arquitetônico campinense se deve não só ao fato de apresentar uma volumetria única se comparada aos demais exemplares pesquisados, o que dá visibilidade à modernidade da sua construção, mas também por ser uma das poucas residências Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 57 estudadas que ainda possui praticamente todas as características originais e em bom estado de conservação. *** Diante dessas análises e especulações sobre o acervo residencial moderno de Campina Grande, percebe-se que houve na arquitetura uma assimilação da linguagem moderna brasileira, mesmo que, por vezes, alheia às discussões técnicas e acadêmicas. O que deve ser levado em consideração é em que contexto houve essa apropriação. Não se pode avaliar a forma como os conceitos da arquitetura moderna foram utilizados na cidade, e em cada projeto isoladamente, sem entender as necessidades e especificidades locais. O aprofundamento do tema permitirá avaliações que ainda não são cabíveis e identificará as nuances que permitam abarcar todo o acervo registrado. Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 58 pesquisado também justificava a opção: logo nos primeiros contatos com o Considerações Finais material existente no Arquivo Municipal da Prefeitura de Campina Grande, verificou-se uma quantidade inesperada de projetos modernos de Desde o início da pesquisa buscou-se enfatizar o seu objetivo principal, que é o de registrar o acervo das residências modernas em arquitetura, mesmo considerando as delimitações feitas em relação ao objeto específico. Campina Grande, projetadas na década de 1960. O recorte temático e o cronológico foram necessários para que se pudesse abarcar essa produção de forma ‘íntegra’, sem cogitar a exclusão de edificações que, nesse momento, pudessem parecer menos significativas que outras. Assim, decidiu-se fazer um breve reconhecimento da arquitetura moderna residencial de Campina Grande, através de um registro parcial, que revelasse sua amplitude, tendo como meta divulgar a importância de sua preservação. Evidentemente, seria imprudente realizar uma seleção concisa dos No volume 1 deste trabalho, buscou-se: exemplares a serem estudados sem um reconhecimento anterior do valor dessa arquitetura no contexto da cidade. • Grande, dando destaque à sua condição favorável no contexto No momento em que foi proposto esse registro, duas posturas se regional, especialmente no período delimitado; digladiavam: a primeira era selecionar os exemplares considerados mais importantes e fazer um registro detalhado de cada um deles (aos moldes da • ficha do IPAC); a segunda era contemplar todos aqueles encontrados no arquivo municipal e registrar somente as informações básicas (aos moldes da ficha preliminar do Docomomo). Inicialmente, a familiarização do leitor com a cidade de Campina Em seguida, uma tentativa de constituir a forma como se manifestou a arquitetura moderna na cidade; • Daí em diante, procurou-se explanar a maneira como esse registro foi construído e; A primeira opção pareceu precipitada face ao estágio de conhecimento sobre o tema: por um lado a arquitetura moderna em Campina Grande recém começa a ser estudada, por outro uma pesquisa desse tipo exige tempo e conhecimento incompatíveis com um trabalho final de graduação. Nesse contexto, a segunda opção se mostrava mais viável porque permitia um primeiro passo em direção à segunda opção e era compatível com um trabalho final de graduação. A amplitude do objeto a ser • Refletir sobre o acervo em estudo, com ênfase para cinco residências selecionadas e que foram exploradas. No volume 2 está o registro dos exemplares encontrados, uma espécie de “catálogo” dos 188 projetos consultados na pesquisa documental, com seus usos atuais (quando as respectivas edificações foram identificadas), endereços, autores, áreas (construída e terreno), fotografias e registros gráficos. Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) Somente agora, com esse material sistematizado e maior 59 • Algumas casas abandonadas: conhecimento do tema é possível refletir sobre a produção moderna na cidade e enfrentar o objeto desse trabalho com maior profundidade. Serão, portanto, os novos estudos, que porventura venham a dar continuidade a este, ora acadêmicos, ora elaborados por instituições e órgãos competentes, que irão definir quais medidas de preservação deverão ser adotadas para salvaguardar o patrimônio moderno de Campina Grande. Espera-se que esta pesquisa tenha ajudado a apontar os rumos Imagem 111: Geraldino Duda. Res. Raul Pereira Monteiro, 1960 – antes e hoje (Fonte: PMCG e autora). desastrosos pelos quais vem passando a arquitetura moderna da cidade, desde a falta de conscientização (diga-se de passagem, não só por parte dos leigos no assunto), as intervenções infelizes por vezes aplaudidas, o abandono e até a completa destruição, quando nem mesmo um registro torna-se possível. Para provocar o debate, podem ser expostos aqui os casos mais gritantes dessas intervenções, apenas uma mostra identificada no repertório pesquisado: Imagem 112: Waldecy Pinto. Res. Ubirajara Alves Bandeira, 1960 – hoje (Fonte: autora). Imagem 113: Adalberto Moita. Res. José Gomes de Carvalho, 1963 – hoje (Fonte: autora). Imagem 114: Gleryston Lucena. Res. Esaú da Silva Catão, 1962 – perspectiva do projeto e hoje (Fonte: Arquivo da PMCG e autora). Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) Imagem 115: Francisco Celestino Filho. Res. Orlando Vidal de Souza, 1965 – hoje (Fonte: autora). • 60 Imagem 118: Geraldino Duda. Res. Raul Cavalcanti Guimarães, 1963 - perspectiva do projeto e hoje (Fonte: Arquivo da PMCG e autora). Algumas casas que foram modificadas: Imagem 119: Geraldino Duda. Res. Demétrio Domeval do Vale, 1964 - perspectiva do projeto e hoje (Fonte: Arquivo da PMCG e autora). Imagem 116: Geraldino Duda. Res. Eutiqui Loureiro, 1962 – antes e hoje (Fonte: PMCG e autora). Imagem 120: Laelson de Castro. Raimundo Petronilo Pereira, 1966 - fachada do projeto e hoje (Fonte: Arquivo da PMCG e autora). Imagem 117: Geraldino Duda. Res. Hermes Ernesto dos Santos, 1963 – perspectiva do projeto e hoje (Fonte: Arquivo da PMCG e autora). Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) • Algumas casas que foram demolidas: 61 regiões ou campinenses e, daí a importância de se estudar, a posteriori, essas especificidades e a contribuição de cada um. Por fim, espera-se que esta pesquisa tenha sido válida não somente como registro de edificações, mas como registro de uma memória que não merece ser apagada. Aos interessados, e que sejam em grande número, faz-se necessário repensar as transformações arquitetônicas e urbanas a que Campina Grande está sujeita hoje. Se os campinenses ainda Imagem 121: Tertuliano Dionísio e José Luiz Menezes. Res. Waldecyr Villarim Meira, 1961 - perspectiva do projeto e hoje (Fonte: Arquivo da PMCG e autora). querem ter motivos para se orgulhar da cidade, precisam ter consciência de que “modernidade e beleza” (banner estampado no Viaduto Elpídio de Almeida, em construção) não são coisas grandiosas feitas em outra parte do mundo; é necessário refletir sobre seus próprios feitos e buscar soluções adequadas aos seus problemas. Imagem 122: Geraldino Duda. Res. Noilton Dantas, 1963 – perspectiva do projeto (Fonte: Arquivo da PMCG). Imagem 123: Geraldino Duda. Res. Walter Correia de Brito – perspectiva do projeto (Fonte: Arquivo da PMCG). Quanto aos profissionais identificados nessa fase da produção campinense, poderiam ser listados cerca de 60 nomes, porém, alguns deles se destacam pelo número de projetos: Geraldino Duda (desenhista campinense), Tertuliano Dionísio (campinense, formado arquiteto em Recife), Hugo de A. Marques (arquiteto-licenciado de Recife) e alguns engenheiros como Lynaldo Cavalcanti, Adalberto Moita, Laelson de Castro, Nilton de Almeida Castro e Max Ham Kay Liebig. Assim, é importante ressaltar que se trata de uma arquitetura realizada por profissionais com diferentes formações, vindos de outras “Hoje, para mostrar que se desenvolve em todos os sentidos, acompanhando as exigências do progresso, cresce verticalmente, estando os seus gigantescos edifícios de concreto armado desafiando as leis da gravidade. Campina Grande, para vingar-se de ser uma cidade do interior, desafia muitas capitais de pequenos Estados, possuindo hotéis de luxo comparados com qualquer hotel de primeira classe nos grandes centros; estação de televisão; três emissoras de rádio; aeropôrto com capacidade para aterrissagem de qualquer tipo de avião; um dos maiores centro comerciais do Nordeste; um parque industrial em franco desenvolvimento, que acompanha de perto o progresso da cidade; é sede de duas importantes emprêsas bancárias: Banco Industrial de Campina Grande S/A e Banco do Comércio de Campina Grande S/A; se lhe falta um bom cinema, possui um dos mais modernos teatros do Norte do Brasil; duas universidades em pleno funcionamento, sendo que uma delas pertence ao próprio Município; e o que é mais importante, o entusiasmo dos seus filhos e habitantes, corroborando para o seu desenvolvimento cada vez maior.” (Revista Tambaú:1966:39-40). Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) Referências 62 13. CÂMARA, Epaminondas. Datas campinenses. Campina Grande: Caravela. Secretaria de Educação, Núcleo Cultural Português. 1998. 14. CAMPINA Grande centenária. A União. João Pessoa, 18 mai. 1963: p.03. 1. 11º. ANIVERSÁRIO do Gresse. A União. João Pessoa, 14 jul. 1966: pp.04 e 07. 15. CAMPINA Grande é centenária. A União. João Pessoa, 11 out. 1964: p.08. 2. A PARAÍBA diz ao Brasil que Campina Grande é centenária. A União. João Pessoa, 17 jan. 1964: p.04. 16. CAMPINA Grande é grande, de verdade... Revista Tambaú. nº.4, pp.39-42, 1966. 3. A UNIÃO. João Pessoa, 04 fev. 1965: p.08. 17. CARVALHO, Juliano Loureiro de. Pré-inventário dos engenhos da várzea do rio Paraíba. João Pessoa, 2005. Monografia (graduação) – Curso de Arquitetura e Urbanismo, Universidade Federal da Paraíba. 4. A UNIÃO. João Pessoa, 10 mai. 1970: p.01. 5. ALBERTON, Josicler Orbem. 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Natal, 2004. Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 64 Dissertação (mestrado) – PPGAU, Universidade Federal do Rio Grande do Norte. 53. SOCIEDADE Medica de Campina Grande. A União. João Pessoa, 05 mar. 1952: p.05. 54. SOUSA, Fábio Gutemberg Ramos Bezerra de. Campina Grande: cartografias de uma reforma urbana no Nordeste do Brasil (19301945). Revista Brasileira de História, São Paulo, v. 23, nº 46, pp. 6192, 2003. 55. SYLVESTRE, Josué. Lutas de vida e morte: fatos e personagens da história de Campina Grande (1945-1953). Brasília, 1982. 56. TARGINO, Itapuan B. Patrimônio Histórico da Paraíba – 2000/2002. João Pessoa: Idéia, 2003. 57. TEATRO Municipal Severino Cabral. Disponível em: <http://teatroseverinocabral.com.br>. Acesso em: 28 Jul. 2006. 58. TINEM, Nelci. O alvo do olhar estrangeiro: o Brasil na historiografia da arquitetura moderna. João Pessoa: Editora Universitária, 2006. 59. 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Adriana Leal de Almeida Freire Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 65 Anexo I Ficha-padrão Juliano Carvalho (IPAC) Adriana Leal de Almeida Freire REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA INVENTÁRIO DE PROTEÇÃO DO ACERVO CULTURAL IPAC NORDESTE Localização Engenho Santa Luzia DEPARTAMENTO DE ARQUITETURA Município Microrregião Litoral Paraibano(93) Denominação Capela de Santa Luzia Categoria Cruz do Espírito Santo MONUMENTO Nº BR 1999 1.0 I 009 NÚCLEO DE DOCUMENTAÇÃO E INFORMAÇÃO HISTÓRICA E REGIONAL Distrito Capela [E] Cadastro Imobiliário Situação e ambiência O engenho Santa Luzia localiza-se na encosta norte do divisor de águas entre o Una e o Paraíba, próximo ao ponto onde as várzeas dos dois rios se confundem. As edificações de interesse se distribuem linearmente ao longo da estrada de C. do Espírito Santo para os engenhos Pau d'Arco e Pacatuba, no sentido sul-norte. A capela, com o cemitério murado ao seu lado esquerdo, fica entre a atual casa do administrador e a antiga senzala. Com espaço livre do lado direito, sua galeria lateral com arcadas e seu grande volume escalonado são bastante visíveis. É o ponto focal do conjunto edificado, até porque edificações mais recentes, sem valor, foram agrupadas à sua frente, criando assim um espaço com caráter de pátio neste trecho. Época 19M Área construída Utilização atual Culto religioso ~410m² Descrição Capela de engenho de relevante interesse arquitetônico, concluída em meados do século XIX. Tem dimensões próximas às de uma igreja matriz, com as duas galerias laterais em arcadas, superpostas por corredores com tribunas (o assoalho do corredor superior esquerdo ruiu). Fachada com porta única e quatro janelas no primeiro pavimento, sendo duas no coro e duas nos corpos laterais. Coroamento de gosto rococó, com entablamento alteado em três segmentos convexos e frontão recortado com coruchéus assimétricos. A nave única, de grandes dimensões, tem seu interior fortemente determinado pela presença das tribunas e portas laterais, com sua decoração. A capela-mor, com sacristia à direita, ainda preserva parte do forro em tabuado, com uma pomba aplicada, em talha, e o altar também em talha, neoclássico. Pintura mural/Forros Pedra lavrada Estado de conservação (A, B, C) em Grau de proteção Estrutura portante 1 Carpintaria B Talha Elementos secundários Proteção existente B Serralheria Coberta Quadros B Mobiliário Interior B Proteção proposta I Alfaias Pintura Instalações e serviços Imaginária B Azulejaria Salubridade A Estadual Fotografia de Identificação Observações Levantamento Juliano Carvalho em 11/2004 Texto Juliano Carvalho em 09/2005 Revisão 159 DADOS COMPLEMENTARES Dados tipológicos A capela de Santa Luzia segue um modelo de matrizes e igrejas de irmandades desenvolvido no século XVIII, caracterizado pelas galerias laterais superpostas por tribunas. Assim, se afasta do modelo mais comum da várzea (sem galerias nem tribunas) em direção à monumentalidade. Outros exemplos da mesma tipologia são a capela do engenho da Graça e a Igreja do Carmo de João Pessoa. Este exemplar é interessante por ter desenvolvimento das galerias simétrico e completo e principalmente por atestar a persistência de padrões do século XVIII já em meados do século XIX: não só a espacialização com galerias e tribunas, mas também o gosto rococó da fachada, em apropriação popular e tardia, que trai, nas janelas dos corpos laterais, tentativas de maquiagem neoclássica sobre a arquitetura colonial. Dados cronológicos 1623/1639 – O proprietário do engenho Sta.Luzia/Sta. Lúcia era João de Souto Maior. As informações quanto à força motriz são controversas: Carpentier e Herckman dizem ser água, mas Van der Dussen diz serem bois 1812 – Registros da existênca da capela de Santa Luzia no engenho 1851 – Com o nome de Tabocas, pertencia aos herdeiros de João de Mello Azedo 1862 – Data na fachada da capela, provavelmente da conclusão 1910 – Proprietário: José Fernandes de Carvalho. O engenho Tabocas moía a vapor e produzia açúcar e algodão 1912 – José vende o engenho a Joaquim Fernandes de Carvalho, seu irmão, que já era dono de quase metade da propriedade 1993 – As terras da "Fazenda Sta. Luzia" pertenciam à Usina Santa Helena. Com sua falência, neste ano, foram arrendadas a um proprietário de Pernambuco e finalmente compradas pela destilaria Miriri em leilão 1993/1996 – Tensões entre 70 famílias de posseiros e proprietários, o que levou os primeiros a pedir ajuda à CPT e ao INCRA. Características especiais Galerias com arcadas superpostas por tribunas Construção do primeiro edifício 17I Início do atual edifício Término do atual edifício Ampliação do atual edifício Utilização proposta 19M Sistema construtivo e materiais Paredes e cercaduras em alvenaria de tijolos. Decoração e relevos em argamassa. Estrutura da coberta em tesouras canga-deporco de uma única linha. Piso do térreo em tijoleira hexagonal e do primeiro pavimento em assoalho. Vergas construtivas retas, disfarçadas no exterior por arcos abatidos. Cachorros de madeira em peito-de-pomba. Culto religioso Utilizações possíveis Culto religioso Classificação da estrutura Bibliografia básica Parietal Material predominante das paredes 2-alvenaria de tijolo Restaurações e intervenções realizadas Tavares, 1909/1911; Tavares, 1910; Paraíba, 185; Moreira, 1997; Ramos, 2005c; Gonçalves, 2003; Azevedo, 1990; Oliveira, 2003b. Propriedade Contato Privada Proprietário Destilaria Miriri S/A Últimas intervenções Repintura; substituição de parte do telhado e do madeiramento Elementos ameaçados Integridade Artes aplicadas Ambiência Perigos potenciais Causas Agentes naturais Ação humana Falta de manutenção O assoalho da galeria direita e o forro da capela-mor ameaçam ruir Documentação fotográfica 160 Ano 2004 Restaurações necessária Recomposição dos assoalhos do segundo pavimento; restauração do forro da capela-mor Tel: 83-3292-2764 Fax: 83-3292-2803 1. Vista do interior a partir do coro. 2. Forro da capela-mor. 3. Cachorros de madeira na galeria superior direita. Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 68 Anexo II Ficha cadastral Izabel Silva Adriana Leal de Almeida Freire $SrQGLFH $ 3URMHWR5HVLGrQFLD/LVDQHOGH0HOR0RWWD /RFDO5XD0RQVHQKRU$PEURVLQR/HLWH*UDoDV5HFLIH 'DWD 3ODQWD%DL[D3DYLPHQWR7pUUHR )RQWH3UHIHLWXUDGD&LGDGHGR5HFLIH 3ODQWD%DL[D3DYLPHQWR6XSHULRU )RQWH3UHIHLWXUDGD&LGDGHGR5HFLIH 3ODQWDGH/RFDomRH&REHUWD )RQWH3UHIHLWXUDGD&LGDGHGR5HFLIH 3URMHWR5HVLGrQFLD/LVDQHOGH0HOR0RWWD /RFDO5XD0RQVHQKRU$PEURVLQR/HLWH*UDoDV5HFLIH 'DWD $SrQGLFH $ &RUWH/RQJLWXGLQDO )RQWH3UHIHLWXUDGD&LGDGHGR5HFLIH &RUWH/RQJLWXGLQDO )RQWH3UHIHLWXUDGD&LGDGHGR5HFLIH 3HUVSHFWLYD([WHUQD )RQWH3UHIHLWXUDGD&LGDGHGR5HFLIH $SrQGLFH $ 3URMHWR5HVLGrQFLD/LVDQHOGH0HOR0RWWD /RFDO5XD0RQVHQKRU$PEURVLQR/HLWH*UDoDV5HFLIH 'DWD 3HUVSHFWLYD,QWHUQD )RQWH3UHIHLWXUDGD&LGDGHGR5HFLIH )RWRVGD$XWRUD 3URMHWR5HVLGrQFLD/LVDQHOGH0HOR0RWWD /RFDO5XD0RQVHQKRU$PEURVLQR/HLWH*UDoDV5HFLIH 'DWD $SrQGLFH $ )RWRVGD$XWRUD $SrQGLFH $ 3URMHWR5HVLGrQFLD/LVDQHOGH0HOR0RWWD /RFDO5XD0RQVHQKRU$PEURVLQR/HLWH*UDoDV5HFLIH 'DWD )RWRVGD$XWRUD Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 74 Anexo III Ficha Josicler Alberton Adriana Leal de Almeida Freire PLANTA-BAIXA TÉRREO- EDÍCULA escala 1:200 PLANTA-BAIXA 1ºPVTO- EDÍCULA escala 1:200 Setores Sobre os moradores 1º proprietário: João Batista Bonassis Profissão: advogado Grupo familiar: 05 pessoas, sendo o casal e 03 filhos 2º proprietário: Célio G. Salles Profissão: médico Composição familiar: 05 pessoas, sendo o casal e 03 filhos Setor íntimo: Suíte com closet, 02 quartos, banheiro e circulação. Áreas Área terreno: 711,61 m² Taxa de ocupação: 40,7% Área construída: 289,70m², sendo 66,70m² de edícula IMPLANTAÇÃO escala 1:500 SUÍTE PLANTA- BAIXA escala 1:200 Setor social: Hall, sala de estar, sala de jantar, lavabo e pátio. Setor de serviço: Cozinha e copa. Setor externo: Lavanderia, dependência de empregada, quarto e garagem para 01 carro. Relação edificação- terreno Esta casa, também localizada na rua Barão de Batovy, num terreno em aclive, foi implantada acima do nível da rua e se destaca pela horizontalidade do volume, marcado por painéis de venezianas em madeira. Os acessos, tanto de pedestre como de veículo, acontecem no lado esquerdo do lote. A garagem está localizada nos fundos do lote numa edícula. A planta- baixa é em “U” e tem no seu centro um pátio onde foi previsto um laguinho de forma orgânica. Das casas já estudas, é a primeira que apresenta edícula que por sua vez, destoa arquitetonicamente da casa. Organização Espacial O projeto é inovador, tanto pela setorização, quanto pela estruturação entorno do pátio. No hall há um armário embutido e o lavabo. A parede, anteparo para o visitante, direciona para a grande sala de estar ou para sala de almoço, ambas abertas para o pátio interno e integradas. Da sala de almoço tem-se acesso à cozinha ou à circulação do setor íntimo. Este último está voltado para o norte e para o leste e tem dois quartos que se abrem para a varanda frontal. Embora abertos para a frente da casa, mantêm sua privacidade devido aos anteparos, venezianas de madeira, que impedem que o olhar do transeunte invada estes ambientes. Hoje, os espaços livres entre estes anteparos foram fechados com vidro. O setor de serviço está concentrado na edícula. Embora seja uma casa com grandes aberturas frontais, é aberta para o interior, para o pátio que articula todo setor social. Materiais utilizados As paredes externas foram feitas com 30cm de espessura e as internas com 15cm. A estrutura de concreto armado, as paredes de alvenaria, a cobertura dupla (laje de concreto e sobre esta, telha de fibrocimento), a platibanda finalizando o beiral, são soluções construtivas comuns nas casas inventariadas. Materiais nobres são encontrados nesta residência como o alumínio da janela da cozinha, as venezianas de madeira, enroladas verticalmente, e os grande panos de vidros encontrados nas portas. Os armários da casa, feitos durante a obra com madeira nobre, e o grande balanço frontal, na varanda dos quartos, foram inovações. FOTO FACHADA- DÉCADA DE 70 fonte: arquivo da proprietária, 2005. FOTOS FACHADA - SITUAÇÃO ATUAL fonte: arquivo pessoal, 2005 Entrevista com o morador A família Salles adquiriu a casa do primeiro proprietário em 1973 e morou nela durante dezessete anos. A proprietária relatou saudosa que quando conseguiram comprá-la ficaram muito satisfeitos, pois além de ser boa, vistosa e espaçosa, havia muitas pessoas interessadas pela compra. Algumas inovações no projeto foram citadas pela proprietária: balanços na fachada frontal, o lavabo, o hall, o closet da suíte, as esquadrias com muito vidro e a própria divisão funcional da casa que implicava na mudança de alguns hábitos dos moradores. Referências Plásticas Planta em “U”, setorizada, organizada entorno de um pátio que integra ambientes sociais, traz luminosidade e volta a casa para dentro. Tratamento paisagístico no pátio que recebeu um espelho d’água com linhas curvas. Grandes painés de venezianas de madeira na fachada frontal. Sistema estrutural modulado com vão estrutural mantido vazio no lado esquerdo da fachada frontal. Esta mesma solução pode ser observada na casa abaixo, de Artigas. CASA HEITOR ALMEIDA, 1949, São Paulo. Arquiteto Vilanova Artigas Fonte: MINDLIN, 2000. CASA 07 RESIDÊNCIA SALLES 1959 PROJETO arquiteto Domingos Filomeno Netto HABITAÇÃO modernista ARQUITETURA modernista HABITAÇÃO moderni DEPENDÊNCIA DE EMPREGADA Sobre o projeto Localização: Barão de Batovy, nº587 Ano do projeto: 1959 Nº do projeto na SUSP: 8090 Uso atual: educacional Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 76 Anexo IV Fichas DOCOMOMO Adriana Leal de Almeida Freire Minimum Documentation Fiche 2003 composed by national/regional working party of: 0.1 Picture of building/site depicted item: source: date: 1. Identity of building/group of buildings/urban scheme/landscape/garden 1.1 current name of building 1.2 variant or former name 1.3 number & name of street 1.4 town 1.5 province/state 1.6 zip code 1.7 country 1.8 national grid reference 1.9 classification/typology 1.10 protection status & date 2 History of building 2.1 original brief/purpose 2.2 dates: commission/completion 2.3 architectural and other designers 2.4 others associated with building 2.5 significant alterations with dates 2.6 current use 2.7 current condition 3 Description 3.1 general description 3.2 construction 3.3 context 4 Evaluation 4.1 technical 4.2 social 4.3 cultural & aesthetic 4.4 historical 4.5 general assessment do_co _mo_mo _ ISC/R members update 2003 for office use only International working party for documentation and conservation of buildings, sites and neighbourhoods of the modern movement 5 Documentation 5.1 principal references 5.2 visual material attached 5.3 rapporteur/date 6 Fiche report examination by ISC/R name of examining ISC member: approval: working party/ref. n°: comments: do_co _mo_mo _ ISC/R members update 2003 for office use only date of examination: NAI ref. n°: International working party for documentation and conservation of buildings, sites and neighbourhoods of the modern movement Full Documentation Fiche 2003 composed by national/regional working party of: 0. Picture of building/ group of buildings/ urban scheme/ landscape/ garden depicted item: source: date: 1. Identity of building/ group of buildings/ group of buildings/ landscape/ garden 1. 1 Data for identification current name: former/original/variant name: number(s) and name(s) of street(s): town: province/state: post code: block: country: national topographical grid reference: current typology: former/original/variant typology: comments on typology: 1. 2 Status of protection protected by: state/province/town/record only grade: date: valid for: whole area/parts of area/building remarks: 1. 3 Visually or functionally related building(s)/site(s) name(s) of surrounding area/building(s): visual relations functional relations: other relations: do_co _mo_mo _ ISC/R members update 2003 for office use only lot: International working party for documentation and conservation of buildings, sites and neighbourhoods of the modern movement 2. History of building(s) etc. 2. 1 Chronology Note if the dates are exactly known (e) or approximately estimated = circa (c) or (±) commission or competition date: design period(s): start of site work: completion/inauguration: 2. 2 Summary of development commission brief: design brief: building/construction: completed situation: original situation or character of site: 2. 3 Relevant persons/organisations original owner(s)/patron(s): architect(s): landscape/garden designer(s): other designer(s): consulting engineer(s): building contractor(s): 2. 4 Other persons or events associated with the building(s)/site name(s): association: event(s): period: 2. 5 Summary of important changes after completion type of change: alteration/renovation/restoration/extension/other: date(s): circumstances/reasons for change effects of changes: persons/organisations involved: 3. Description of building(s) etc. 3. 1 Site/building character Summarize main character and give notes on surviving site/building(s)/part(s) of area. If a site: principle features and zones of influence; main elements in spatial composition. If a building: main features, construction and materials. 3. 2 Current use of whole building/site: of principal components (if applicable): comments: 3. 3 Present (physical) condition of whole building/site: of principal components (if applicable): of other elements (if applicable): of surrounding area (if applicable): comments: 3. 4 Note(s) on context, indicating potential developments Indicate, if known, potential developments relevant for the conservation/threats of the building/site do_co _mo_mo _ ISC/R members update 2003 for office use only International working party for documentation and conservation of buildings, sites and neighbourhoods of the modern movement 4. Evaluation Give the scientific reasons for selection for docomomo documentation Intrinsic value 4. 1 technical evaluation: 4. 2 social evaluation: 4. 3 cultural and aesthetic evaluation: Comparative significance 4. 4 canonical status (local, national, international) 4. 5 historic and reference values: 5. Documentation 5. 1 archives/written records/correspondence etc. (state location/ address): 5. 2 principal publications (in chronological order): 5. 3 visual material (state location/ address) original visual records/drawings/photographs/others: recent photographs and survey drawings: film/video/other sources: 5. 4 list documents included in supplementary dossier 6. Fiche report name of reporter: address: telephone: date of report: fax: e-mail: examination by DOCOMOMO national/regional section approval by working party co-ordinator/registers correspondent (name): sign and date: __________________________________________ examination by DOCOMOMO ISC/R name of ISC member in charge of the evaluation: comment(s): sign and date: ISC/R approval: date: working party/ref. n° : NAi ref. n° : do_co _mo_mo _ ISC/R members update 2003 for office use only International working party for documentation and conservation of buildings, sites and neighbourhoods of the modern movement Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969) 82 Anexo V Quadros Sinóticos Adriana Leal de Almeida Freire Quadro Sinótico - 1960 Res. Daniel da Costa Guimarães (residência) Res. Fernando Ferreira de Mesquita (residência) Res. Glauco Benévolo de Benévolo (residência - fechada) Res. Helion Paiva (residência) Res. Hermínio Soares de Carvalho (creche) Res. Manoel Damião de Araújo (residência) Res. Manoel Holanda de Oliveira (residência) Res. Raul Pereira Monteiro (abandonada) Res. Sósthenis Pedro da Silva (residência) Res. Tereza Pontual Gioia (residência) Res. Ubirajara Alves Bandeira (abandonada) Incompleto/Insuficiente/Incerto Inexistente Não Encontrado/Não Disponível Observações Desenhos Situação Atual Dados do Projeto Foto Identificação Preenchimento da Ficha Cadastral Identificação Dados Complem. Fotos Interior Fotos Exterior Foto Identificação Identificar Local Perspectiva Coberta Fachadas Cortes Plantas Localização 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 Mapeamento Mapeamento/ Visita Local Projeto Quadro Sinótico - 1961 Res. Cícero Gomes dos Santos (residência) Res. Heleno Soares de Albuquerque (residência) Res. Maria Bernadete de Lima (residência) Res. Osvaldo Monteiro Pordeus (não encontrada) Res. Rita Ricardina de Medeiros (não encontrada) Res. Rodrigo Nóbrega Araújo (residência) Res. Sebastião Pedrosa (clínica) Res. Severino da Costa Ribeiro (demolida - farmácia) Res. Valdette Ribeiro (projeto não executado) Res. Waldecyr Villarim Meira (demolida - laboratório) Incompleto/Insuficiente/Incerto Inexistente Não Encontrado Observações Desenhos Situação Atual Dados do Projeto Foto Identificação Preenchimento da Ficha Cadastral Identificação Dados Complem. Fotos Interior Fotos Exterior Foto Identificação Identificar Local Perspectiva Coberta Fachadas Cortes Plantas Localização 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 Mapeamento Mapeamento/ Visita Local Projeto Quadro Sinótico - 1962 Res. Adelino Barbosa de Melo (residência) Res. Alfredo Pereira de Lucena (residência) Res. Antônio Diniz Magalhães (residência) Res. Antônio Gerbasi (residência) Res. Antônio Silveira (residência) Res. Dagberto Gonçalves (residência) Res. Emília Maria Dantas de Aguiar (residência) Res. Esaú da Silva Catão (abandonada) Res. Eutiqui Loureiro (clínica) Res. Evaldo Gonçalves (residência) Res. Heleno Sabino de Farias (residência) Res. Hermes Gondim (residência) Res. João de Sousa Castro (residência) Res. João Felinto de Araújo (residência) Res. Jonatas de Lima Mahon (demolida - Instituto do Fígado) Res. Josafá Lucena (residência) Res. José Barbosa Maia (residência) Res. José Nogueira do Monte (não encontrada) Res. Josefa Juvenal Pereira (residência) Res. Manoel Sérgio de Oliveira (não encontrada) Res. Natalício Pedrosa de Almeida (residência) Res. Otávio Lima Leite (residência) Res. Sebastião Ernesto (não encontrada) Incompleto/Insuficiente/Incerto Inexistente Não Encontrado Observações Desenhos Situação Atual Dados do Projeto Foto Identificação Preenchimento da Ficha Cadastral Identificação Dados Complem. Fotos Interior Fotos Exterior Foto Identificação Identificar Local Perspectiva Coberta Fachadas Cortes Plantas Localização 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 Mapeamento Mapeamento/ Visita Local Projeto Quadro Sinótico - 1963 Res. Francisca Monteiro Siqueira (residência) Res. Hermes Ernesto dos Santos (residência) Res. José Cassiano Campêlo de Oliveira (residência) Res. José de Almeida Torreão (residência) Res. José Gomes de Carvalho (abandonada) Res. José Maciel Malheiro (consultório + salas) Res. José Pedro Sobrinho (policlínica) Res. Luiz José de Almeida (residência) Res. Manoel Agostinho do Nascimento (não encontrada) Res. Manoel Sampaio Cabral (não encontrada) Res. Marcos Aurélio Campêlo (abandonada) Res. Newton Figueiredo (residência) Res. Noilton Dantas (demolida) Res. Orlando Villarim (residência) Res. Raul Cavalcanti Guimarães (residência) Res. Sinval Ferreira da Costa Lima (procuradoria) Res. Ulisses Pinto Brandão (residência) Incompleto/Insuficiente/Incerto Inexistente Não Encontrado Observações Desenhos Situação Atual Dados do Projeto Foto Identificação Preenchimento da Ficha Cadastral Identificação Dados Complem. Fotos Interior Fotos Exterior Foto Identificação Identificar Local Perspectiva Coberta Fachadas Cortes Plantas Localização 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 Mapeamento Mapeamento/ Visita Local Projeto Quadro Sinótico - 1964 Res. Aderson Costa Gomes (residência) Res. Amilton da Costa Agra (não encontrada) Res. Antônio Mesquita de Almeida (residência) Res. Arlindo Salviano de Araújo (não encontrada) Res. Austro de França (TIM) Res. Camilo Paulino da Silva (residência) Res. Cícero Patrício de Medeiros (estúdio CD) Res. Custódio de Miranda (residência) Res. Delsio Donato (residência) Res. Demétrio Domeval do Vale (residência) Res. Edvaldo Marcelino de Oliveira (residência) Res. Firmino Brasileiro (residência) Res. Gabriel Menezes de Guimarães (não encontrada) Res. Gerci Medeiros Barbosa (residência) Res. Gilvandro Barbosa (Kumon) Res. Hermes Antônio de Oliveira (residência) Res. Ivo Barbosa de Andrade (não encontrada) Res. João Amaral (residência) Res. João Pires Sobrinho (colégio?) Res. João Roberto Leite (demolida - hospital) Res. José Augusto de Almeida (residência) Res. Josefa Juvenal Pereira (colégio) Res. Luiz Vieira da Silva (demolida) Res. Mário Sérgio de Farias (clínica) Res. Miguel José Bezerra (não encontrada) Res. Milton Félix do Nascimento (residência) Res. Oscar de Souza Cabral (demolida - edifício residencial) Res. Pedro Sabino Filho (residência) Res. Ramiro Vidal de Negreiros (residência) Observações Desenhos Situação Atual Dados do Projeto Foto Identificação Preenchimento da Ficha Cadastral Identificação Dados Complem. Fotos Interior Fotos Exterior Foto Identificação Identificar Local Perspectiva Coberta Fachadas Cortes Plantas Localização 62 63 64 65 66 67 68 69 70 71 72 73 74 75 76 77 78 79 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89 90 Mapeamento Mapeamento/ Visita Local Projeto 91 92 93 94 95 Res. Sebastião Amâncio Ferreira (restaurante La Costa) Res. Severino Farias da Fonseca (residência) Res. Severino Victor Ferreira Guimarães (Smiles) Res. Sócrates Pedro de Melo (não encontrada) Res. Solon Torres de Moraes (não encontrada) Incompleto/Insuficiente/Incerto Inexistente Não Encontrado Quadro Sinótico - 1965 Res. Airton Queiroga (Dr. Scholl) Res. Antônio de Oliveira Dantas (residência) Res. Antônio Vieira Queiroga (demolida) Res. Feliciano Alexandre Ferreira (residência) Res. Francisco das Chagas Carneiro (residência) Res. Gercino Gomes da Silva (não encontrada) Res. Jesiel Barbosa de Lima (não encontrada) Res. João Batista de Araújo (residência) Res. José Carlos Ramalho Clerot (não encontrada) Res. José Cavalcanti (residência) Res. José Fernandes Filho (residência) Res. José Francisco da Silva (residência) Res. José Paulino Costa Filho (não encontrada) Res. Juvino Batista Leite (não encontrada) Res. Lélio Joffily Pereira da Costa (não encontrada) Res. Maria da Salete Lopes de Brito (não encontrada) Res. Mário Carneiro da Costa (residência) Res. Milton Marcelino de Oliveira (não encontrada) Res. Nivaldo Cariry (A.G.U.) Res. Orlando Vidal de Souza (residência - fechada) Res. Rivaldo Simões Pimenta (não encontrada) Res. Silas Soares da Silva (não encontrada) Res. Sinval Ferreira (não encontrada) Res. Walter Correia de Brito (URBEMA) Incompleto/Insuficiente/Incerto Inexistente Não Encontrado Observações Desenhos Situação Atual Dados do Projeto Foto Identificação Preenchimento da Ficha Cadastral Identificação Dados Complem. Fotos Interior Fotos Exterior Foto Identificação Identificar Local Perspectiva Coberta Fachadas Cortes Plantas Localização 96 97 98 99 100 101 102 103 104 105 106 107 108 109 110 111 112 113 114 115 116 117 118 119 Mapeamento Mapeamento/ Visita Local Projeto Quadro Sinótico - 1966 Res. Adjânites de Castro Res. Antônio Alberto de Queiroz (residência) Res. Antônio Ildefonso de Albuquerque Mélo Res. Antônio Saad Rached Res. Antônio Vilarim (demolida) Res. Ariosto Ferreira Sales Res. Chakib Hamad Res. Clovis de Mélo Azevêdo Res. Crysóstomo Lucena de Holanda Res. Edward Fernandes da Silva Res. Geralda Alcântara Gusmão (residência) Res. Gleryston Holanda de Lucena Res. Heraldo Travassos de Moura Res. Hercílio Miguel de Moraes (residência) Res. Ivan de Castro Alencar (residência) Res. Jael Carvalho dos Santos Res. João Ananias da Nóbrega Res. Joaquim Amorim Neto (residência) Res. José de Barros Uchôa (residência) Res. José Pereira de Oliveira Res. Josemir Vasconcelos de Castro (residência) Res. Josué Pereira Nepomuceno Res. Kival de Araújo Gorgônio (residência) Res. Luís Motta Filho Res. Luizmar Rezende de Assis Res. Nereu Pereira dos Santos Filho Res. Raimundo Petronilo Pereira (residência - modificada) Res. Reinaldo Marcelino Neto (residência) Res. Rodemilson Vilarin Teixeira Observações Desenhos Situação Atual Dados do Projeto Foto Identificação Preenchimento da Ficha Cadastral Identificação Dados Complem. Fotos Interior Fotos Exterior Foto Identificação Identificar Local Perspectiva Coberta Fachadas Cortes Plantas Localização 120 121 122 123 124 125 126 127 128 129 130 131 132 133 134 135 136 137 138 139 140 141 142 143 144 145 146 147 148 Mapeamento Mapeamento/ Visita Local Projeto 149 Res. Roosvelt Ibrahim Incompleto/Insuficiente/Incerto Inexistente Não Encontrado Quadro Sinótico - 1967 Res. Aderaldo Batista de Morais (residência) Res. Antônio Galdino (residência) Res. Antônio Ildefonso de Albuquerque Mélo (restaurante) Res. Antônio Vital do Rêgo (dúvida) Res. Átila Augusto Freitas de Almeida (biblioteca) Res. Carlos Martins Leite Res. Dourival de Souza Carvalho (residência) Res. Ermano Targino da Silva (não encontrada) Res. Francisco de Assis Dantas Res. José Coêlho Pessoa (INSIEL) Res. Milton Félix do Nascimento (residência) Res. Nazario Lopes Barbosa (residência) Res. Omar Hamad (consultório) Res. Raul Cavalcante Guimarães (residência) Res. Ronaldo José da Cunha Lima Incompleto/Insuficiente/Incerto Inexistente Não Encontrado Observações Desenhos Situação Atual Dados do Projeto Foto Identificação Preenchimento da Ficha Cadastral Identificação Dados Complem. Fotos Interior Fotos Exterior Foto Identificação Identificar Local Perspectiva Coberta Fachadas Cortes Plantas Localização 150 151 152 153 154 155 156 157 158 159 160 161 162 163 164 Mapeamento Mapeamento/ Visita Local Projeto Quadro Sinótico - 1968 Res. Amaro Fiuza Chaves (residência) Res. Antônio Ildefonso de Albuquerque Mélo (Comunidade Obra Nova) Res. Antônio Vieira de Queiroga (pizzaria) Res. Carlos George do Rêgo Costa (residência) Res. Carlos George do Rêgo Costa2 (residência) Res. Hércules Gomes Pimentel (não encontrada) Res. Heronides Dias de Barros (residência) Res. INSTEC (Instalações Técnicas Ltda) (residência) Res. INSTEC2 (residência) Res. Jáder Athayde (residência) Res. João Batista Dantas (residência) Res. João Batista Dantas2 (não encontrada) Res. João de Souza Castro (clínica) Res. João Paulino de Morais (residência) Res. José Epaminondas Braga (residência) Res. Manoel Gonçalves Valença (não encontrada) Res. Maria do Carmo Moura Leite (residência) Res. Nicomedes Vasconcelos de Menezes (consultório) Res. Nicomedes Vasconcelos de Menezes2 (não encontrada) Res. Salomão Anselmo Silva (residência) Res. Walter Correia de Brito (demolida) Res. Wilson Mendonça Furtado (residência) Incompleto/Insuficiente/Incerto Inexistente Não Encontrado Observações Desenhos Situação Atual Dados do Projeto Foto Identificação Preenchimento da Ficha Cadastral Identificação Dados Complem. Fotos Interior Fotos Exterior Foto Identificação Identificar Local Perspectiva Coberta Fachadas Cortes Plantas Localização 165 166 167 168 169 170 171 172 173 174 175 176 177 178 179 180 181 182 183 184 185 186 Mapeamento Mapeamento/ Visita Local Projeto Quadro Sinótico - 1969 Incompleto/Insuficiente/Incerto Inexistente Não Encontrado Observações Desenhos Situação Atual Dados do Projeto Foto Identificação Preenchimento da Ficha Cadastral Identificação Dados Complem. Fotos Interior Fotos Exterior Foto Identificação Identificar Local Perspectiva Coberta Fachadas Cortes Plantas Localização 187 Res. Antônio de Oliveira Jatobá (residência) 188 Res. Roberto Pinto (residência) Mapeamento Mapeamento/ Visita Local Projeto