Psicologia
Desportiva
Profa. Ms. Janaina Codea
Mestre em Ciência da Motricidade Humana
Especialista em Psicologia do Esporte
I - A Psicologia e o ser
Humano em movimento
• 1.1. Fundamentos da Psicologia
– 1.1.1. Significado da Palavra Psicologia:
• Psico = Psiqué (Termo Grego) = Alma;
espírito; intelecto
• Logia = Logos (Termo Grego) = Estudo;
palavra; discurso
– 1.1.2. Origem da Psicologia:
• A psicologia se origina de duas ciências:
filosofia (amor à sabedoria) e fisiologia
(ciência que estuda as funções orgânicas e os
processos vitais dos seres vivos).
I - A Psicologia e o ser
Humano em movimento
• 1.1.3. Conceito de Psicologia:
– Ciência que investiga e estuda o ser integral, ou seja,
seus processos mentais, seus comportamentos e sua
dinâmica relacional com o ambiente (contexto).
• 1.1.4. Objeto de Estudo da Psicologia:
– O ser integral e a dinâmica relacional deste com seu
contexto.
• 1.1.5. Objetivo da Psicologia como Ciência:
– Investigar e compreender, principalmente, o homem,
ajudando-o no seu processo dinâmico de
desenvolvimento, a fim de que este melhor qualifique
sua existência.
I - A Psicologia e o ser
Humano em movimento
• 1.2. A PSICOLOGIA EM UMA
PERSPECTIVA AXIOLÓGICA
– 1.2.1 O que é o ser Humano?
• é uma dinâmica biofísica e
biopsicoemocional inserida em um contexto
sócio-histórico, portanto um ser cultural
que conseguiu construir sua moralidade
abandonando sua condição de ser do homem
e transformando-se em Humano
(BERESFORD e CODEA, 2003).
I - A Psicologia e o ser
Humano em movimento
• 1.2.2 O que é Moralidade?
– “[...] é o conjunto de valores e/ou princípios morais
que um indivíduo ou uma determinada sociedade
assume como válidos em um determinado momento”
(BERESFORD, 1994, p.34).
• 1.2.3 O que é Valor?
– O valor é identificado por Beresford (1999), como:
• [...] uma qualidade estrutural que corresponde a tudo
aquilo que preenche (positivamente, pois do contrário,
tem-se um contravalor, ou desvalor) uma determinada
carência, vacuidade ou privação de um determinado Ser
em geral, e do Ser do Homem de forma muito
particular, ou especial (p. 82).
I - A Psicologia e o ser
Humano em movimento
• 1.2.4 O que é Ética?
– É ‘a teoria ou ciência do comportamento moral dos
homens em sociedade’ (VÁSQUES apud
BERESFORD, op. cit., p.33).
– “[...] está relacionada com uma reflexão teórica
acerca da moral” (BERESFORD, 1994, p.34).
– Kant (apud BERESFORD, 1994) adota “[...] dois
princípios éticos da moralidade, ou seja, o
respeito como um princípio ético subjetivo e o
dever como um princípio ético objetivo” (p.44).
•
•
I - A Psicologia e o ser
Humano em movimento
O princípio ético do respeito é representado pela submissão
da vontade à lei, sendo esta um fato racional, ou seja, está
atrelada à razão. Com isto, caracteriza-se uma boa vontade,
isto é, a que se efetiva a partir da retidão e da intenção de
agir por dever.
O princípio ético do dever evidencia-se pela lei moral que se
origina da razão e que se traduz ou se manifesta na
consciência do Homem como um imperativo categórico. Este
implica na seguinte fórmula fundamental: “Age apenas
segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer
que ela se torne lei universal” (KANT apud BERESFORD,
1994, p.45).
•
I - A Psicologia e o ser
Humano em movimento
Um dos desdobramentos da fórmula fundamental: “Age de tal
maneira que trates a humanidade, tanto na tua pessoa como
na pessoa de qualquer outro, sempre e simultaneamente como
um fim e nunca // simplesmente como meio” (id. Ibid., p.46).
I - A Psicologia e o ser
Humano em movimento
•
1.3. O ser Humano e o Movimento
–
–
–
1.3.1. O controle do movimento Humano
O controle do movimento implica na organização
do sistema nervoso quanto à interação das
estruturas e o processamento das informações
sensoriais, perceptivas e motoras a fim de
gerenciar o processo postural e do movimento.
Importante: os movimentos são programados a
partir da interação entre o SNC e a medula
espinhal, e sofre influência da memória no
momento do planejamento.
I - A Psicologia e o ser
Humano em movimento
–
No entanto, só haverá programação de
movimento se houver a estimulação, ou seja,
uma informação sensorial que é identificada
pelos neuroreceptores e neurotransmissores,
encaminhada para a medula espinhal e
transmitida para o cérebro. Neste processo
existe, por exemplo, o componente força, que é
regulado por mecanismos motoneuronais
envolvendo músculos agonistas e antagonistas
controladores da velocidade e da precisão do
movimento.
I - A Psicologia e o ser
Humano em movimento
–
–
Os movimentos programados implicam em
respostas sensoriais que ajustam o curso do ato
motor de acordo com as necessidades do ser
Humano.
Importante: O cérebro está envolvido de
forma organizada (racional) e emocional no
controle do movimento, ou seja, a parte que
conhece envolve sistemas sensoriais (áreas
sensoriais), motores e associativos, e a que
sente emocionalmente relaciona-se, por
exemplo, ao sistema límbico e a formação
reticulada.
I - A Psicologia e o ser
Humano em movimento
–
Podemos dizer que a organização do controle
motor refere-se a uma hierarquia, isto é, as
áreas associativas juntamente com os gânglios
da base ou núcleos da base recebem as
informações sensoriais e as organizam para o
sistema motor, onde estas serão identificadas
para a execução imediata ou não ficando em
alerta a medula espinhal para o ato motor.
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Humano em movimento
–
–
Assim, as áreas de associação do neocórtex e os
gânglios da base interpretam as informações
sensoriais para que o córtex motor tenha
clareza quanto à direção do movimento, a fim de
que este mobilize músculos e suas forças
relativas (sistema tálamo-cortical) para a
execução do movimento pretendido.
A ação dos motoneurônios gama e alfa
possibilitam a reprogramação do movimento
quanto à força identificando, por exemplo as
diferenças entre o movimento executado e o
pretendido. Assim, o SNC providencia o
reajuste de força caso necessário.
I - A Psicologia e o ser
Humano em movimento
–
O controle do movimento passa por três níveis
conforme a neurociência:
NÍVEL
FUNÇÃO
ESTRUTURAS
ALTO
ESTRATÉGIAS
ÁREAS DE ASSOCIAÇÃO DO
NEOCORTEX E GÂNGLIOS DA
BASE
MÉDIO
TÁTICAS
CÓTEX MOTOR E CEREBELO
BAIXO
EXECUÇÃO
TRONCO ENCEFÁLICO E
MEDULA ESPINHAL
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Humano em movimento
•
1.3.2. Conceitos de Atividade Física e de
Desporto
–
Atividade Física
•
•
Atividade física, conforme o Manifesto Mundial da
Educação Física (FIEP, 2000), se refere a:
[...] qualquer movimento corporal decorrente de
contração muscular, como dispêndio energético acima
do repouso e constitui-se como um comportamento
humano complexo, voluntário e autônomo, com
componentes e determinantes de ordem biológica e
psico-sócio-cultural e que pode ser exemplificada
pelas práticas do esporte, exercícios físicos, danças e
determinadas experiências de lazer e atividades
utilitárias (p.23).
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Humano em movimento
•
Desporto
–
–
–
–
DESPORTO - do francês desport; esporte
(FERREIRA,p.574).
ESPORTE – do inglês sport; o conjunto dos exercícios
físicos praticados com método, individualmente ou em
equipe; desporte, desporto; qualquer desses
exercícios; entretenimento, entretimento; prazer; de
maneira amadorística (id.).
ESPORTISTA – desportista(id.).
ESPORTIVO - relativo ou pertencente ao esporte;
que é dado à prática do esporte ou por ele se
interessa; que aceita as regras do jogo, ou de outra
atividade normal ou ocasional, e age com lisura em
qualquer circunstância (id.).
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Humano em movimento
•
•
•
•
lisura – qualidade de liso; suavidade no tato; boa fé;
sinceridade; franqueza (id.).
Importante: Segundo BRANDÃO (1984), o Esporte
para Todos surge em 1967 na Noruega a fim de
contestar e contrapor o movimento chamado Desporto
de Alto Nível.
No entanto, no Brasil só em 1973 aparece a filosofia
de “democratização” da prática das atividades físicas
e esportivas.
Em 2000 é publicado o Manifesto Mundial da
Educação Física, através da Federação Internacional
de Educação Física (FIEP), cujo presidente é o Prof.
Dr. Manoel Gomes Tubino, corroborando o
pensamento de BRANDÃO acerca do direito de todos
à prática da educação física.
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Humano em movimento
•
1.3.3. Histórico da Psicologia
aplicada ao Esporte e ao Desporto.
Salmulski (1992) – afirma que pesquisas e estudos acerca da psicologia
do esporte surgiram ao final do séc. XIX. Tais pesquisas e estudos eram
pertinentes às questões psicofisiológicas no esporte.
De Rose Jr. (1992) – ressalta que embora existissem estudos no campo
do comportamento humano relacionado à atividade física e ao esporte, ao
final do séc. XIX não havia definição exata sobre o que era a psicologia
do esporte e seus objetivos.
I - A Psicologia e o ser
Humano em movimento
•
1.3.3. Histórico da Psicologia
aplicada ao Esporte e ao Desporto.
Machado (1997) – cita que na década de 20 Schulte publica Corpo e alma no
desporto: uma introdução à psicologia do treinamento e Griffith publica
Psicologia do treinamento e Psicologia do atletismo. Griffith funda o 1º
laboratório de pesquisa aplicada ao esporte nos EUA.
Na década de 60 a psicologia do esporte vive uma fase de grande produção
na área da psicologia social aplicada ao esporte e à atividade física, onde se
destacaram nomes como Cratty, Singer e Antonelli. Estes produziram
publicações que influenciam trabalhos até os dias atuais, e por isso são
valorizados.
I - A Psicologia e o ser
Humano em movimento
•
1.3.3. Histórico da Psicologia
aplicada ao Esporte e ao Desporto.
Também na década de 60 se organizou a primeira instituição que congregou
pessoas interessadas na psicologia do esporte. Esta se refere a International
Society of Sport Psychology (ISSP), presidida pelo italiano Ferruccio
Antonelli. Este tem como principal produção o Journal of Sport Psychology.
Em 1968, um grupo de pesquisadores do ISSP fundou a North American
Society for the Psychology of Sport and Phisical Activity (NASPSPA),
como o objetivo de estudar, academicamente, e atuar sobre os aspectos do
desenvolvimento humano, aprendizagem motora e da psicologia do esporte.
Organizando o principal periódico o Journal of Sport and Exercise
Psychology.
I - A Psicologia e o ser
Humano em movimento
•
1.3.3. Histórico da Psicologia
aplicada ao Esporte e ao Desporto.
Em 1987, Martens identifica que a evolução dos fatos pertinentes à
psicologia do esporte são marcos importantes para a compreensão de
sua dinâmica atual, considerando que tais fenômenos vão delinear dois
campos distintos de atuação da psicologia do esporte: o primeiro se
refere à psicologia do esporte acadêmica, isto é, como possibilidade
de pesquisa e conhecimento acerca da disciplina psicologia do
esporte; o segundo implica na psicologia do esporte aplicada, ou seja,
próxima da atuação e da intervenção.
•
I - A Psicologia e o ser
Humano em movimento
1.3.3. Histórico da Psicologia aplicada ao
Esporte e ao Desporto.
Em 1998, Lesyk aponta que em 1983 o Centro Olímpico Americano indicou
três possibilidades da atuação para os profissionais da área de psicologia do
esporte: clínico, profissional capacitado para atuar com atletas e/ou equipes
esportivas, em clubes ou seleções, cuja preparação específica envolve
conhecimentos da área de psicologia e do esporte, não bastando apenas a
formação em psicologia ou educação física; pesquisador, tem o objetivo de
estudar ou desenvolver um determinado conhecimento na psicologia do
esporte sem que haja uma intervenção direta sobre o atleta ou equipe
esportiva; educador, que desenvolve a disciplina psicologia do esporte na área
acadêmica, seja na psicologia, seja na educação física. Importante ressaltar
que tanto para pesquisador quanto para educador não se exige formação
específica do profissional.
•
I - A Psicologia e o ser
Humano em movimento
1.3.3. Histórico da Psicologia aplicada ao
Esporte e ao Desporto.
Samulski (apud Rubio, 1999), indica em 1992 quatro campos de
atuação da psicologia do esporte:
* o esporte de rendimento “que busca a otimização da performance
numa estrutura formal e institucionalizada”. Neste o psicólogo atua
analisando e transformando os determinantes psíquicos que interferem no
rendimento do atleta e/ou grupo esportivo.
* o esporte escolar cujo objetivo é a formação norteada por princípios
sócio-educativos preparando seus praticantes para a cidadania e o lazer.
Neste o psicólogo busca compreender e analisar os processos de ensino,
educação e socialização inerentes ao esporte e seus reflexos na
formação e no desenvolvimento da criança, jovem e adulto.
I - A Psicologia e o ser
Humano em movimento
•
1.3.3. Histórico da Psicologia aplicada ao
Esporte e ao Desporto.
* o esporte recreativo visa o bem-estar para as pessoas. Neste o
psicólogo analisa o comportamento recreativo de diferentes faixas
etárias, classes sócio-econômicas e a diferença de atuação profissional
para com estas circunstâncias.
* o esporte de reabilitação desenvolve trabalhos voltados para a
prevenção e a intervenção em pessoas portadoras de alguma lesão
decorrente da prática esportiva e/ou com pessoas portadoras de
necessidades especiais (deficiência física e mental, por exemplo).
I - A Psicologia e o ser
Humano em movimento
•
1.3.3. Histórico da Psicologia aplicada ao
Esporte e ao Desporto.
Em 1999, Kátia Rubio sinaliza que a psicologia do esporte é um campo
muito próximo da atividade física e do lazer, fazendo parte do
curriculum do curso de educação física, porém sem fundamentar-se na
psicologia como ‘ciência mãe’.
Em 2000, no CRP/RJ é oficializado para a comunidade da psicologia o
surgimento do Colégio Brasileiro de Psicologia aplicada ao
esporte/desporto.
Também em 2000, o COB no Rio de Janeiro
organiza o Curso de Psicologia Aplicada ao Esporte de Alto Rendimento
convidando o Comité Internacional Olympique e tendo a participação do
Comite Olímpico da Espanha.
.
I - A Psicologia e o ser
Humano em movimento
•
1.3.3. Histórico da Psicologia aplicada ao
Esporte e ao Desporto.
Em 2002, o CFP/CRPs regularizam a condição profissional dos psicólogos
atuantes em áreas especializadas, oferecendo o título de especialista
para os que comprovassem experiência em tal área, inclusive no esporte.
Em 2004, também no RJ ocorreu o Fórum Olímpico de Psicologia
Desportiva reunindo psicólogos atuantes em Confederações, ou seja, com
as modalidades que estariam sendo representadas nas Olimpíadas de
Athenas 2004, bem como psicólogos valorizados no histórico da psicologia
desportiva, como Becker, Regina Brandão e tendo como presidente
Samulski, psicólogo que representou a especialidade nos Jogos Olímpicos
de Athenas.
I - A Psicologia e o ser
Humano em movimento
•
1.3.3. Histórico da Psicologia aplicada ao
Esporte e ao Desporto.
Torna-se importante destacar que muitos psicólogos no Brasil há
anos trabalham em prol da valorização da Psicologia aplicada ao
Esporte/Desporto, como: Olavo Feijó (Psicologia do Esporte:corpo
e movimento, 1998); Sônia Ricetti (Psicologia no atletismo e
acadêmica); João Alberto Barreto (Psicologia em esportes de
combate e golfe); Esmerino (Psicologia no futebol); Paulo Ribeiro
(Psicologia no Futebol); Maria Helena (Psicologia no futebol);
Maurício (Psicologia na natação); Adriana Lacerda (Psicologia no
judô); Kátia Rúbio (Psicologia no futebol e acadêmica); Janaina
Codea (Psicologia no remo, tênis, equitação, salvamento marítimo
e acadêmica), e outros.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
•
2.1. PERSONALIDADE
–
–
–
2.1.1. Origem da palavra: latim personalis, que
significa pessoal; personalizar; personalidade.
2.1.2. Definição: caráter ou qualidade do que é
pessoal; o elemento estável da conduta de uma
pessoa; sua maneira habitual de ser; aquilo que a
distingue de outra.
2.1.3. Constructo: a personalidade se desenvolve
a partir do movimento que o ser tem de resolver
seus problemas e conflitos existenciais; e isto se
dá desde o início da infância.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
–
–
–
O conceito de personalidade difere de acordo com
a teoria psicológica, como: psicanálise (Freud);
analítica (Jung); corporal (Reich); gestalt-terapia
(Perls); behaviorista (Skinner); centrada no cliente
(Rogers); auto-atualização (Maslow);
fenomenológica (Kierggegard, Heidegger, Buber,
Beauvoir, Sartre, Husserl).
2.1.4. Um conceito de personalidade: “Totalidade
de qualidades psíquicas herdadas e adquiridas que
caracterizam um indivíduo e o tornam original”
(FROMM, 1986).
Obs.: A personalidade é a forma de viver a partir
do como se percebe a existência, e esta é
decorrente de fatores inatos, herdados e
adquiridos através da aprendizagem.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
•
2.1.5. Diferença entre temperamento
e caráter:
–
Temperamento – é a maneira de reagir,
sendo constitucional e imutável. Ex.: colérico
é rápido e forte.
•
Tipos de temperamento, segundo Hipócrates
(apud FROMM, 1986):
–
Colérico e sanguíneo – fácil excitabilidade e rápida
–
Melancólico e fleumático – persistente e lenta
mudança de interesses.
excitabilidade dos interesses.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
•
Tipos de temperamento, segundo Jung (apud
FRADIMAN e FRAGER, 1986):
–
–
–
Introvertido – a energia é mais voltada para o
mundo interior do que para o exterior; mais voltado
para si do que para o outro.
Extrovertido – a energia é mais voltada para o
mundo exterior do que para o mundo interior; mais
voltado para o outro do que para si.
Obs.: ninguém é totalmente introvertido
ou extrovertido.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
–
Caráter – formado essencialmente pelas
experiências de pessoas, especialmente, na infância e
modificável até certo ponto, pelos insights e por
novas experiências.
•
•
•
•
Ex.: Temperamento colérico – rápido e forte
(reação)
Caráter – o indivíduo pode usar seu temperamento
em situações construtivas ou destrutivas, dependerá
de seus objetivos pessoais (questão social e ética).
Obs.: A questão entre temperamento e caráter implica
na dimensão do valor relativo à pessoa, isto é, esta ser
“boa” ou “má”.
Ex.: Temperamento introvertido – objetivo: reflexão
para construir ou para destruir.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
–
–
Obs.: O caráter é influenciado pela motivação,
ou seja, o que falta ao indivíduo o mobiliza a
buscar e este busca conforme percebe o mundo.
Logo, a ação (comportamento) do indivíduo
dependerá da motivação deste. A qualidade da
ação reflete o seu caráter (forma de perceber o
mundo e de expressar-se a partir desta).
Algumas considerações acerca do caráter (fonte:
Erich Fromm, “análise do homem”, 1986):
•
•
•
“O destino do homem é o seu caráter”.
“...essa forma particular de relacionamento exprime
seu caráter”.
“... os hábitos e opiniões, mais profundamente
arraigados, que são característicos de uma pessoa e
resiste a modificações, nascem da estrutura do seu
caráter”.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
•
2.1.6. Auto-estima
–
Conceito de Auto-estima (Branden, 1998):
confiança em nossa capacidade de pensar, de
enfrentar os desafios básicos da vida; confiança
em nosso direito de vencer e sermos felizes;
sensação de termos valor, de que merecemos e
podemos afirmar nossas necessidades, alcançar
nossas metas e colher os frutos de nossos
esforços.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
•
Os dois componentes da auto-estima:
–
–
•
Auto-eficiência – confiança no próprio funcionamento
mental, na capacidade pessoal de pensar,
compreender, aprender, escolher e tomar decisões; é
a auto-confiança, a segurança pessoal.
Auto-respeito – clareza do valor próprio; é a convicção
do direito de viver e de ser feliz; espontaneidade para
expressar as próprias idéias, vontades e necessidades;
sensação e percepção de que o prazer e a satisfação
são direitos pessoais naturais.
Expressão da Auto-estima:
–
–
–
–
Expressão facial
Gestos e comportamentos
Maneira de falar (disprosódia)
Forma de se mover (condutas e comportamentos
motores)
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
•
Os seis pilares da auto-estima para Branden:
–
–
–
–
–
–
•
Atitude
Atitude
Atitude
Atitude
Atitude
Atitude
de
da
da
da
da
da
viver conscientemente
auto-aceitação
auto-responsabilidade
auto-afirmação
intencionalidade
integridade pessoal
A auto-estima e o desempenho do atleta:
–
–
O desempenho do atleta é a resposta motora ou
comportamento motor em que se manifesta, por
exemplo o nível de auto-estima do atleta.
O mesmo está atrelado aos componentes e pilares da
auto-estima exigindo da equipe profissional
competência para identificá-los e trabalhá-los,
conforme as carências, deficiências e habilidades
relacionadas aos mesmos.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
•
2.2. MOTIVAÇÃO
–
2.2.1. Conceitos:
•
•
•
“Refere-se a um Estado Interno que resulta de uma
necessidade e que ativa ou desperta comportamento
usualmente dirigido ao cumprimento da necessidade
ativante” (DAVIDOFF, 1983, p.385).
“O processo motivacional é a função dinamizadora do
treinamento, da aprendizagem. São os motivos que
canalizam as informações percebidas, na direção do
comportamento” (FEIJÓ, 1998, p.157).
A motivação indica “uma ‘construção hipotética’, isto
é, um fenômeno que não pode ser reconhecido e
medido diretamente, mas que se supõe efetivo,
baseado nas observações de comportamento e na
teoria do comportamento” (THOMAS, 1983, p.63).
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
•
2.2.2. Definição de Termos:
–
–
Necessidade – relaciona-se com os movimentos
intencionais e funcionais da personalidade; referese ao conceito de entropia [situação energética de
déficit, de queda de nível. Refere-se aos
desgastes específicos e localizados] (FEIJÓ,1998,
p.157).
Interesse – termo formado por duas palavras
latinas: ‘inter’, que significa’entre’, e ‘esse’, verbo
‘ser’ ou ‘estar’. Literalmente falando, interesse
que dizer ‘aquilo que está entre’. Está entre o
que?
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
–
–
–
–
–
“Interesse é uma relação de conveniência, que se
estabelece entre uma necessidade e o objeto
capaz de satisfazê-la” (id., p.159).
Impulso (ou drive) – o que surge para satisfazer
necessidades fisiológicas básicas (DAVIDOFF,
1983, p.386).
Motivo – diferenças entre peculiaridades
individuais duradouras que se formaram no
decorrer do tempo de desenvolvimento
(ontogênese), numa determinada situação básica
(THOMAS,1983, p.65).
Instinto – natural incondicionado; difuso; memória
da espécie (op. cit).
Carência - estado de privação ou vacuidade
(BERESFORD, 1999, p.56).
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
–
2.2.2.1. Diferença entre Motivação, Estimulação
e Incentivo:
MOTIVAÇÃO # ESTIMULAÇÃO # INCENTIVO
Processo
interno que
impulsiona o
organismo a
uma ação
Processo
externo de
‘n’ estímulos
do meio
para o
organismo
Processo
externo de
emissão de um
ou mais
estímulos que
reforçam um
comportamento.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
•
2.2.3. Conceito de Comportamento
Motivado:
–
–
–
É o resultado do processo que se inicia com uma
necessidade fisiológica e/ou psicológica que impele
o organismo a uma AÇÃO DIRIGIDA.
Ex.: A fome é a causa de um comportamento
motivado porque é uma necessidade fisiológica que
impele o organismo a uma ação dirigida, no sentido
de buscar o alimento para a saciação.
Obs.: Os motivos que parecem, em grande parte,
estabelecidos por experiências são conhecidos
simplesmente como MOTIVOS. Os que surgem
para satisfazer necessidades fisiológicas (alimento
ou água), por exemplo, são chamados IMPULSOS
ou DRIVE.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
•
2.2.4. Tipos de Motivos (DAVIDOFF,p.386)
–
–
–
–
–
Impulsos básicos – visa satisfazer necessidades
relacionadas à sobrevivência (carências
fisiológicas).
Motivos sociais – referem-se as necessidades de
sentir-se amado, aceito, aprovado e estimado.
Motivos para estimulação sensorial – necessidade
de estimulação; de explorar e manipular o
ambiente.
Motivos de crescimento – necessidades básicas de
desenvolver competência e realizar o potencial;
estão ligados aos de estimulação, exploração e
manipulação sensorial.
Idéias como motivos – necessidades de coerência
intelectual ou cognitiva que freqüentemente motiva
comportamento; são as crenças, metas, planos e
valores.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
•
2.2.5. Hierarquia de Motivos
–
2.2.5.1. Hierarquia de Motivos, segundo Abraham
Maslow:
NECESSIDADES
DE AUTO-REALIZAÇÃO
Autocumprimento e realização das
potencialidades básicas do indivíduo
NECESSIDADES DE ESTIMA
Realização, aprovação, competência e
reconhecimento
NECESSIDADES DE AMOR
Afiliação, aceitação e fazer parte do grupo
NECESSIDADES DE SEGURANÇA
Segurança e Garantia, Ausência de Perigo
NECESSIDADES FISIOLÓGICAS
Fome, Sede, Ar, etc.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
•
2.2.6. Tipos de Motivos e Categorias de
Ação:
–
Segundo THOMAS (1983, p.64), os motivos e o
processo motivacional culminam numa ação que
pode ser classificada em categorias, como:
•
•
•
•
Ação de adesão – onde se verifica a necessidade de
contato social através de uma ligação recíproca
confiante de forma cortês.
Ação de poder – onde se verifica a necessidade de
se experimentar sensações de poder e de prestígio,
através da submissão de outros.
Ação de auxílio – onde se verifica a necessidade de
ajudar alguém em dificuldade sem recompensas.
Ação de agressão – onde se verifica a necessidade
de entristecer, ferir ou prejudicar outras pessoas.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
•
2.2.7. Etapas dos Ciclos da Motivação
–
Segundo DAVIDOFF (1983, p.392-3), implicam
em:
•
1º: Comportamento influenciado pela experiência
(incentivo).
Impulso  Resposta Instrumental  Incentivo  Redução do Drive
Drive (fome)
Comportamento
(comer)
Satisfação
Retorno ao
equilíbrio
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
•
Relação entre a ação humana e a ação
desportiva
–
A ação desportiva é uma ação humana dirigida com mais
exatidão para uma meta, cuja consecução depende do
autorendimento que se caracteriza pela utilização das
habilidades psicológicas, como por exemplo, a
concentração e o estabelecimento de metas. No
entanto, a ação desportiva é executada por humanos
que experimentam enfaticamente a interação dos
neurotransmissores dopamina (recompensa) e serotonina
(combatitividade) o que favorece o comprometimento
com o processo de realização da meta.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
•
2.3. Percepção
–
2.3.1. Diferença entre Sensação e
Percepção
•
•
•
a. Sensação
Impressão sensorial que significa a detecção
dos estímulos pelos órgãos dos sentidos. Os
órgãos dos sentidos captam as informações,
convertendo-as em impulsos nervosos, sendo
estes emitidos para o cérebro e processados
neste.
Os principais sentidos ou sistemas sensoriais
são: visão, audição, tato, olfato, paladar, e
os sentidos cinestésico e vestibular.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
–
–
O Sentido Cinestésico informa os seres
humanos do posicionamento relativo das
partes do corpo durante o movimento,
portanto depende dos receptores dos
músculos, tendões e articulações.
O Sentido Vestibular, também chamado
de sentido de orientação ou equiíbrio,
informa ao ser humano a respeito do
movimento e da orientação de sua cabeça
e de seu corpo em relação à terra.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
– b. Percepção
• É a apercepção (apreensão) do objeto
pelo organismo, através dos sentidos, e
este fenômeno se dá pela relação entre
o Sistema Nervoso Central (SNC) e o
objeto percebido, com influência da
atenção, memória, motivação,
consciência e linguagem. Logo, consiste
a apercepção em uma visão holística
da relação objeto, sujeito e situação.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
• Nem toda sensação é percebida, no
entanto, tudo o que é percebido foi
primeiro sentido.
• A percepção não é um “espelho da
realidade”. Em primeiro lugar, porque
nossos sentidos não respondem a muitos
aspectos do ambiente que nos cerca; em
segundo lugar, às vezes percebemos
estímulos não presentes devido a fatores,
como: doenças, estresse, drogas, etc.; e,
em terceiro lugar, porque nossa percepção
depende de expectativas, motivação,
experiências anteriores e outros fatores.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
–
2.3.2. Princípios Internos e Externos da
Percepção
– a. Princípios Internos
São condições fisiológicas e psicológicas do
indivíduo. Dentre estas, temos:
– a.1. Atenção
Precede a percepção. Concentramos maior
atenção em determinados estímulos, que
estão de acordo com nossas necessidades,
interesses e valores, havendo, assim, uma
seletividade.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
– a.2. Motivação
Refere-se ao significado que o estímulo, ou
seja, a informação recebida a partir dos
órgãos dos sentidos tem para o indivíduo.
São fatores que interferem na motivação: a
vigília, a fadiga e outros estados
fisiológicos e psicológicos (depressão,
ansiedade e medo, por exemplo).
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
– a.3. Memória
Refere-se à influência de experiências
anteriores do indivíduo em relação àquele
objeto ou situação atual.
– a.4. Consciência
Refere-se à conscientização do indivíduo em
relação a si e ao objeto ao qual está
relacionado. Este processo está
relacionado à motivação. São fatores que
interferem na consciência: interesse,
vínculo afetivo, necessidade e estados
fisiológicos.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
– a.5. Linguagem
Refere-se ao ato de se comunicar, estando
implícitos nesta comunicação a
interpretação do estímulo e os diversos
recursos utilizados para expressão deste
(jargões e gírias, por exemplo).
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
•
b. Princípios Externos
– b.1. Contexto sócio-cultural
A sociedade e a cultura se organizam a
partir de normas e regras que estão
presentes em tudo o que se percebe.
Logo, a percepção de objetos e situações
é diferenciada de acordo com o contexto
do indivíduo.
NÃO PISE NA GRAMA (Indivíduo “A” pisa,
indivíduo “B” não pisa). Estereótipos.
O que está
em cima da
cabeça da
mulher ?
Cultura e o efeito do contexto- Em um estudo realizado por
Gregory & Gombrich (1973), observou-se que todas as pessoas
do Este Africano pensaram que era uma lata e que a família
estava sentada debaixo de uma árvore. Pessoas do mundo
ocidental perceberam que se tratava também de uma família
mas sentada dentro de uma casa, com a mulher sentada em
baixo de uma janela
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
–
b.2. Características do Meio e do Objeto
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
Luminosidade / Sombra
Som
Temperatura
Cor
Textura
Movimento
Velocidade
Distância
Tamanho
Perspectiva Linear ou Curvatória
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
– 2.3.3. Propriedades da Percepção
– a. Adaptabilidade
A percepção é uma atividade (processo)
flexível que pode lidar com informações
recebidas mutuamente e no curso da vida
diária, as percepções das pessoas se
adaptam continuamente ao meio que as
cerca.
Um exemplo interessante são as experiências com
lentes inversoras – a pessoa vê tudo de cabeça
para baixo e se acostuma. Mudança de escola, de
local de trabalho, capacidade de flexibilidade
sensorial são outros exemplos.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
–
b. Aprendizagem
O indivíduo interage com o mundo através da
percepção. Desta forma, ele aprende a viver no
mundo, pois a partir de observações, tentativas
de acerto, utilizando os erros para melhorar ou
para refletir sobre a melhor maneira de alcançar
o alvo, condicionando-se a fim de conseguir
adaptar-se, o homem busca condições de
sobreviver no mundo e aprimorá-lo. Isto ocorre
porque o fenômeno da percepção é mutável, assim
como o homem, e o que caracteriza a
aprendizagem é a mudança.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
–
c. Sociabilização
A percepção acompanha o processo de desenvolvimento
do homem, assim que esta se inicia como um
mecanismo simples que se torna gradativamente
complexo. O desenvolvimento da capacidade
perceptiva básica se dá com a acuidade visual e
auditiva, depois se desenvolve com a constância
perceptiva (tamanho e profundidade, e tem
continuidade com a atenção e a exploração, que
permite ao indivíduo selecionar os estímulos,
conquistar espaços e desenvolver sua
individualidade tendo, assim, condições de
construir sua identidade, que é a expressão social
da sua individualidade).
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
Com isso, o indivíduo sabe reconhecer as
diferenças individuais e a importância do
relacionamento com o outro, objetivando a
troca construtiva e estruturante da
pessoa humana na sociedade.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
– 2.3.4. Conceito Figura-Fundo
É um dos princípios que regula a percepção e
que permite a observação dinâmica,
separando o que se quer ver de seu
fundo. Sempre que olhamos em torno de
nós, tendemos a ver objetos (ou figuras)
contra um fundo (ou plano). O mesmo
objeto pode ser visto como figura ou
fundo, depende de como se dirige a
atenção.
Veja este vaso. O vaso é a figura. No entanto, você pode
se concentrar em ver o que está no fundo. O que é?
Veja mais esse exemplo. O que é figura e o que
é fundo ?
A percepção da figura e do fundo pode também ser
aprendida. Você vê o cachorro Dálmata nesta figura?
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
•
2.4. APRENDIZAGEM
– 2.4.1. Conceito de Aprendizagem
É um processo dinâmico, pessoal, global,
gradativo, contínuo e cumulativo, pois
aprendemos até a morte.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
– 2.4.1.1. Conceitos Básicos:
Comportamentos: reações de um organismo
frente a um estímulo (S-O-R).
Instintos: constitui um tipo de “memória de
espécie”, transmitida de uma geração à
outra.
Reflexos: são respostas produzidas por
estímulos específicos, que se realizam
independentemente de controle e que tem
características SEMELHANTES em vários
grupos animais e IDENTIDADE DE
OCORRÊNCIA na mesma espécie, não
importando a idade.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
–
2.4.2. Diferença e Semelhança entre
INSTINTO e REFLEXO:
INSTINTO
REFLEXO
Natural incondicionado
Natural incondicionado
É difuso, generalizado (o
organismo age como um só
bloco)
Em geral é localizado (limitado à
uma área do corpo)
Ex.: sexualidade não é a
genitália, mas todo o corpo.
Ex.: piscar os olhos.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
–
2.4.2.3 Classes de Comportamento:
Comportamentos Inatos
=
Reflexos Simples
Comportamentos Aprendidos
=
Reflexos Condicionados
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
–
–
–
–
–
2.4.2.3.1.Características Básicas dos
Reflexos:
Mecanismo de Ação Automática
Predição quase total (usado em
diagnósticos)
Processo pré-adaptado (o Ser já nasce
com a R adequada e disponível para um
determinado tipo de E do ambiente).
Ex.: Palmar, plantar, tursígeno (defesa
orgânica), sucção, estiramento flexor,
tendinoso (tensão-cansaço), dentre
outros.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
–
2.4.2.3.2. Características do
Comportamento Aprendido:
–
–
Processo Adaptativo
Aprendizagem da reação adequada às exigências
do ambiente.
Predição Relativa (cada caso é um caso).
Mutabilidade
O tipo de resposta ( R ) depende das condições do
organismo (motivação, maturidade, integridade
sensorial e hereditariedade) e do S (ambiente
sócio-cultural, estimulação sensorial, incentivo).
Ação Condicionada.
Ex.: Piscar o olho para paquerar, andar de
bicicleta, escovar os dentes, dentre outros.
–
–
–
–
–
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
•
2.4.3. Tipos de Aprendizagem:
– 2.4.3.1. Condicionamento Respondente
Ocorre quando uma resposta incondicionada
dada a um estímulo ambiental
incondicionado, surge após a associação
deste estímulo a um outro neutro. Assim,
a resposta incondicionada passa a estar
condicionada ao estímulo (E) ambiental e
ao neutro.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
Ei
Ei
Ri
En
Ec
Ri
Rc
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
•
2.4.3.2. Condicionamento Operante
–
–
–
Ocorre quando se modela um determinado
comportamento pretendido através da
administração de reforços, sendo estes
estímulos que se seguem à resposta.
Esquema:
Reforço Positivo
Obstáculo  cavalo  salto  açúcar
(E RRf)
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
–
Reforço Negativo
Obstáculo  cavalo com ferradura
inadequada; sob esporas  salto 
retira-se a ferradura ou a espora
(E R retirada do Rf)
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
–
Obs1.: No condicionamento operante o E
condicionado vem depois da R, e as
respostas estão vinculadas ao SNC
(respostas mais conscientes, isto é,
processadas). * E (estímulo) R
(resposta) Rf (reforço)
– Obs2.: PUNIÇÃO # REFORÇO
NEGATIVO
Na punição o E negativo é dada após a
resposta não desejada, enquanto que no
reforço negativo existe a retirada do E
negativo após a resposta pretendida.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
–
–
2.4.3.3. Modelagem
Ocorre quando se utiliza um repertório de
respostas desejadas e este é reforçado,
isto é, utiliza-se o reforço positivo para
reforçar o comportamento desejado.
•
•
•
•
•
Ex.: Objetivo - saltar 3m
Salto – 1m – Rf
Salto – 2m – Rf
Salto – 3m – Rf (não se pode mais reforçar as
tentativas para 1m ou 2m, somente as
tentativas de 3m).
Começa-se reforçando respostas próximas ao
que se deseja até chegar ao alvo desejado.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
–
–
–
2.4.3.4. Estampagem
Forma de aprendizagem (especial,
limitada, primitiva) realizada num período
crítico ou de sensibilização (24 horas nas
aves e 6 meses nos mamíferos inferiores)
Ocorre, geralmente, no início da vida por
alguma situação desencadeante
(necessidade específica).
•
Ex.: patinho feio (o desenho)
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
–
Características básicas da estampagem:
•
•
•
•
–
não carece de reforço
só de dá no período crítico
comportamento condicionado
a primeira experiência é a mais importante,
logo no início da aprendizagem
Obs.: Podemos fazer uma analogia da
estampagem ou imprinting dos animais
inferiores, com a formação do vínculo
social pelo homem através dos seus
primeiros contatos com aqueles que
cuidam dele nos seus primeiros anos de
vida.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
– 2.4.3.5. Aprendizagem por observação
Ocorre quando há mudança de
comportamento devido à imitação de outro
repertório de comportamento.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
•
2.5. A EMOÇÃO
–
Emoção – do francês émotion, que
significa ato de mover (moralmente); em
psicologia significa reação intensa e breve
do organismo a um lance inesperado, a
qual se acompanha dum estado afetivo de
conotação penosa ou agradável (dicionário
Aurélio).
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
–
–
2.5.1. A EMOÇÃO E SEUS
DESDOBRAMENTOS
A emoção, segundo Davidoff (1983, p.
429-40), apresenta os componentes
fisiológicos, subjetivos e
comportamentais.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
–
Componente fisiológico:
•
•
SNC – desperta, regula e integra as respostas
emitidas durante uma emoção; identifica, avalia
e toma decisões a respeito de informações
sensoriais e o comportamento subseqüente a
estes.
Estruturas do SNC: formação reticular,
localizada no tronco cerebral alerta o córtex
para a informação sensorial e a preserva;
sistema límbico, localizado no núcleo do
cérebro, regula as emoções e os motivos, leva
a mensagem para o córtex e este a devolve
para o sistema límbico.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
•
•
•
•
O sistema límbico implica basicamente em três
estruturas:
hipotálamo – ativa o SNS (Sistema Nervoso
Simpático) para emergências; está envolvido
com a raiva, medo, fome, sexo e sede;
amígdala e septo - estão envolvidos com a
raiva, prazer, dor e medo.
SNA – relaciona-se com a interocepção; nervos
que vão do cérebro e da medula (via extrapiramidal) aos músculos lisos dos órgãos
internos, glândulas, coração e vasos sanguíneos,
Dividi-se em: simpático – vigília, ação
(emergências), estimula as supra-renais nas
emergências, e parassimpático – repouso,
dormir e comer.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
•
•
Glândulas supra-renais – localizam-se em cima
dos rins; frente a situações despertadoras de
emoções liberam os hormônios adrenalina e
noradrenalina; ativam centros como os
circulatórios e respiratórios, bem como, o
SNS.
Observações: Emitimos respostas fisiológicas a
emoções variadas; existem diferenças humanas
em respostas fisiológicas às mesmas emoções,
decorrentes do processo de aprendizagem; a
resposta fisiológica é influenciada por: idade,
sexo, dieta, personalidade, aprendizagem
(contexto sócio-histórico e cultural), uso de
drogas etc.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
–
Componente subjetivo:
Refere-se à cognição, ou seja, a interpretação
que se faz das situações emocionais
desencadeando rótulos e condicionando certas
reações emocionais a determinadas idéias.
Geralmente, a cognição altera a duração e a
intensidade das emoções.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
–
Componente comportamental:
•
Refere-se às expressões corporais pertinentes
aos movimentos faciais, gestos e ações.
Existem expressões universais para designar
uma emoção específica, por exemplo: alegria –
sorriso; tristeza – ombros caídos (curvados),
boca curvada e para baixo; raiva – rosto
vermelho. As experiências exercem função
significativa na expressão das emoções, pois a
amplitude de um sorriso e a altura de uma
risada estão associadas ao contexto sóciohistórico e cultural, portanto, ao processo de
aprendizagem.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
–
2.5.2. DIFERENÇA ENTRE EMOÇÃO E
SENTIMENTO
•
•
EMOÇÃO – implica numa organização
psicofisiológica que desencadeia uma resposta
motora de aspecto impulsivo, frente a um
estímulo inesperado.
SENTIMENTO – refere-se a uma “[...]
apreciação do estado do nosso corpo e da nossa
mente durante a emoção” (DAMÁSIO, folha de
São Paulo, 1996).
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
–
2.5.3. Classificação dos processos
emocionais, segundo Krech e Crutchfield
(apud THOMAS, 1983, p.190):
•
sentimentos primários: alegria, medo, raiva,
•
sentimentos com base nos estímulos dos sentidos:
•
sentimentos com base na auto-avaliação:
•
sentimentos dirigidos a outras pessoas: amor,
•
sentimentos de avaliação estética: humor, beleza,
•
disposição: tristeza, animação, certas formas de
tristeza.
dor, repugnância, horror, encantamento.
vergonha, orgulho e culpa.
ódio, pena.
admiração.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
–
2.5.4. A EMOÇÃO E AS CONDUTAS
MOTORAS
Diferença entre Comportamento Motor e Conduta
Motora (Segundo CUNHA, 1994, p. 154-155):
• COMPORTAMENTO MOTOR – refere-se ao
“homem movendo-se, no tempo e no espaço, e
assim interpretado imediatamente e percebido do
exterior”.
• CONDUTA MOTORA – “comportamento motor
enquanto portador de significação, de
intencionalidade, consciência clara e expressa e
onde há vida, vivência e convivência. A conduta
motora realiza-se através de uma concreta
dialética entre o interpessoal e o intrapessoal, e
manifesta um dinamismo integrador e totalizante”.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
–
–
2.6. O STRESS, A ANSIEDADE E A
AGRESSIVDADE NA PRÁTICA DO
SALVAMENTO MARÍTIMO
2.6.1. CONCEITOS DE STRESS
• Segundo Seyle (apud MELLO, 1992, p. 98):
“Conjunto de reações que um organismo desenvolve ao
ser submetido a uma situação que exige esforço
para a adaptação”.
•
Segundo Brandi (BOLETIM DE
PSICOSSOMÁTICA, 1993, p. 17):
“Uma afecção ou um fenômeno vendo o ser humano
inserido nessas três áreas de manifestação da
vida: o corpo, a mente e o mundo externo”.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
•
Segundo RODRIGUES e EKSTERMAN
(CONGRESSO DE MEDICINA PSICOSSOMÁTICA,
1995):
“Não é sinônimo de doença, mas de esforço para
adaptar-se”.
“Impacto do agir e do viver”.
Observação: Considerando as referências
apresentadas podemos, dizer que: o stress
implica num processo biopsicossocial de
reação às exigências do contexto (interno e
externo), com o objetivo de adaptação ao
mesmo.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
–
2.6.2. PROCESSOS DESENCADEADORES
DE STRESS
•
FATORES INTERNOS:
BIOLÓGICOS – Ex.: mudanças corporais
(endocrinológicas) durante a adolescência,
decorrentes da puberdade; alterações
biofisiológicas decorrentes de processos de
adoecimento.
PSICOLÓGICOS – Ex.: desenvolvimento cognitivo;
definição de identidade; elaboração de papéis
sociais e sexuais; imagem corporal e independência
econômica e afetiva.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
–
2.6.2. PROCESSOS DESENCADEADORES
DE STRESS
•
FATORES EXTERNOS:
SÓCIO-HISTÓRICOS – Ex.: família; escola;
trabalho; relações afetivas-sociais.
CULTURAIS – Ex.: hábitos e costumes do grupo no
qual o indivíduo encontra-se inserido; fatores
morais e éticos que permeiam as relações grupais.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
–
2.6.3. ESTÁGIOS DO STRESS
•
•
•
1º estágio: Reação de alarma – sistema nervoso
autônomo e as glândulas supra-renais mobilizam as
forças defensivas do corpo; produção maximizada
de energia para a emergência; resistir ao que
causa o stress.
2º estágio: Resistência – luta para se eliminar a
causa estressante; corpo altamente desperto;
suscetível a outros fatores stressantes.
3º estágio: Exaustão - o corpo mostra sinais de
exaustão; sistema nervoso autônomo esgotado
entra em ação o parassimpático, tornando o ritmo
das atividades do corpo mais lento; dificuldade no
comportamento agonístico; tensão contínua leva à
depressão psicofisiológica (surtos psicóticos,
distúrbio funcional e/ou lesional e a morte física).
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
–
2.6.4. CONCEITO DE ANSIEDADE
•
–
Estado emocional caracterizado por sentimentos de
previsão de perigo, tensão e aflição e pela
vigilância do sistema nervoso simpático.
2.6.5. DIFERENÇA ENTRE ANSIEDADE,
MEDO e ÂNSIA
•
•
•
Ansiedade – o objeto de perigo desencadeador da
ansiedade não é claro para o indivíduo.
Medo – o objeto de perigo é fácil de ser
identificado pelo indivíduo.
Ânsia – existe um desejo ardente pelo objeto que
pode preencher uma falta.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
–
2.6.6. SITUAÇÕES DESENCADEADORAS
DA ANSIEDADE
A ansiedade está associada a situações
relativas aos conflitos cognitivos diários e
existenciais, bem como, a situações
potencialmente perigosas (o objeto de perigo
não está claro, porém o perigo é eminente),
cujas respostas se evidenciam em nível
psicofisiológico e físico, ou seja,
manifestações autônomas e comportamentais
(comportamento motor e conduta motora).
Valores de A-Traço e A-Estado - Feminino
60
Média:
55
50
A-estado:
38,98
44
42
42
40
38
A-Estado
A-Traço
30
20
A-Traço:
40,58
10
0
1
2
3
Atletas
Valores de A-Estado e A-Traço - Masculino
45
Média:
42
A-estado:
34,28
A-Traço:
38,78
40
40
39
38
36
36
35
35
34
Valores
Valores
38
33
A-Estado
A-Traço
33
31
30
30
29
30
29
29
28
27
25
25
25
20
1
2
3
4
5
6
Números de Atletas
7
8
9
10
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
–
2.6.7. DEFINIÇÃO ETIMOLÓGICA DE
AGRESSÃO E AGRESSIVIDADE
AGRESSÃO – (DO LATIM aggressione) ação ou
efeito de agredir; bordoada, cacetada,
pancada; em psicologia – conduta
caracterizada por intuito destrutivo (Novo
Dicionário Aurélio).
AGRESSIVIDADE – qualidade de agressivo;
dinamismo, atividade, energia, força; em
psicologia – disposição para o
desencadeamento de condutas hostis (op.
cit.).
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
–
2.6.8. CONCEITO DE AGRESSÃO
•
–
Implica em qualquer ato que vise a ferir pessoas e
propriedades.
2.6.9. CONCEITO DE AGRESSIVIDADE
•
•
•
Competência para enfrentamento e luta.
Obs.: A agressão pode ser verbal e não-verbal.
Porém, a mais comum em estudos é a não-verbal,
o que caracteriza a violência física.
Obs.: A agressão, ou seja, o Ser agressivo é um
indivíduo que possui pré-disposição biológica em
nível neurofisiológico, já que regiões límbicas como
a amígdala pode desencadear respostas de raiva
freqüente produzindo um constante estado de prédisposição para agressão.
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
•
•
No entanto, a participação social também é
imprescindível devido aos estímulos visuais e
auditivos na família e nos meios de comunicação de
massa, inclusive o esporte.
Dessa forma, a interação de fatores biológicos e
sociais influencia de forma significativa a
propensão de um Ser para manifestar-se no mundo
de forma agressiva, isto é, agindo de maneira
destrutiva e auto-destrutiva. Porém, a
agressividade em seu nível potencial pode ser
conduzida para fins construtivos a fim de que o
Ser se utilize o seu vigor, dinamismo, força e
energia para produzir em diversos setores da vida
(pessoal e profissional).
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
–
Obs.: Segundo DAVIDOFF (1983), o
anonimato e a pobreza são condições sociais
que favorecem a agressão devido ao
descompromisso (anônimo) e às condições
estressantes do meio carente e suscetível
onde se busca apoderar-se e quando não se
consegue a emoção da raiva propicia a
violência (geralmente jovens – forma de
perceber o mundo).
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
•
Reflexão sobre a agressividade e a agressão, por
exemplo na prática do salvamento marítimo.
– O salvamento marítimo depende da
agressividade daqueles que se dispõem a
executar o papel social de guarda-vidas.
Porém, a mesma deve estar atrelada a
princípios morais e éticos que nortearão a
conduta motora destes no momento em que a
forem manifestar. Sendo assim, a
agressividade requer educação, ou seja, ‘o ato
de transmissão não só de um conhecimento
instrucional, mas principalmente na
transferência de uma escala de valores que
deve ser bastante refletida e conscientemente
aceita’ (WERNECK apud BERESFORD, 1994,
p.39).
II – Processos Básicos do
Comportamento Humano
– Portanto, o guarda-vida é um ser
Humano que embora sinta, por
exemplo, as emoções da raiva ou do
medo, ele, através de seu
treinamento biofísico-psicoemocional,
terá condições de administrar suas
reações emocionais no contexto sóciohistórico, podendo caracterizar seu
desempenho ou atuação de maneira
eficiente e com efetividade.
Download

1.3.3. Histórico da Psicologia aplicada ao Esporte e ao Desporto.