UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAI – UNIVALI PRÓ-REITORIA DE PESQUISA, PÓS-GRADUAÇÃO, EXTENSÃO E CULTURA – PROPPEC CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E JURÍDICAS PROGRAMA DE MESTRADO PROFISSIONAL EM GESTÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS – PMGPP O PROGRAMA DE INCLUSÃO PROUNI E SUA EFETIVIDADE SOCIAL: UM ESTUDO NO CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ WILSON DE MATOS SILVA FILHO ITAJAÍ (SC), 2011 UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAI – UNIVALI PRÓ-REITORIA DE PESQUISA, PÓS-GRADUAÇÃO, EXTENSÃO E CULTURA – PROPPEC CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E JURÍDICAS PROGRAMA DE MESTRADO PROFISSIONAL EM GESTÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS – PMGPP O PROGRAMA DE INCLUSÃO PROUNI E SUA EFETIVIDADE SOCIAL: UM ESTUDO NO CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ Wilson de Matos Silva Filho Dissertação apresentada à Banca Examinadora no Mestrado Profissional em Gestão de Políticas Publicas da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI, sob a orientação do Prof. Dr. Flávio Ramos, como exigência parcial para obtenção do titulo de Mestre em Gestão de Políticas Públicas. ITAJAI (SC), 2011 Wilson de Matos Silva Filho O PROGRAMA DE INCLUSÃO PROUNI E SUA EFETIVIDADE SOCIAL: UM ESTUDO NO CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ Dissertação apresentada à Banca Examinadora, na Universidade do Vale de Itajaí, Univali, como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre no programa de Mestrado Profissional em Gestão de Políticas Públicas. Orientador: Prof. Dr. Flávio Ramos BANCA EXAMINADORA __________________________________ Prof. Dr. Flávio Ramos Orientador __________________________________ Profª Dra. Adriana Marques Rossetto __________________________________ Profª Dr. Alvacir dos Santos Bahls AGRADECIMENTOS Este é um momento muito importante para minha vida e quero agradecer as pessoas às quais devo a realização deste trabalho: Inicialmente agradeço a Deus, que me orienta e me capacita a cada dia na concretização de meus sonhos. Aos meus pais Wilson de Matos Silva e Rosemary de Oliveria Kendrick e Silva, por todo o incentivo e apoio aos estudos. À minha esposa Ledyanne Francielle Casitas de Matos Silva e às minhas filhas Clara Casitas de Matos Silva e Luísa Casitas de Matos Silva, pela paciência que tiveram comigo, pois, muitas vezes, não lhes dei a atenção merecida para poder concluir este trabalho. Às professoras Fátima Azevedo e Vilma Lucia Iori Franco, com quem trabalho e que, muitas vezes, se dispuseram a ouvir sobre minha dissertação. À família CESUMAR (professores e colaboradores técnico-administrativos) que, de forma direta ou indireta, contribuíram para realização deste trabalho. Em especial, ao meu orientador Professor Doutor Flávio Ramos, pela atenção, incentivo e orientação, o que muito contribui para minha formação. RESUMO SILVA FILHO, Wilson de Matos. O Programa de inclusão PROUNI e sua efetividade social: um estudo no Centro Universitário de Maringá. 2011. 85 f. Dissertação (Mestrado)-Programa de Mestrado Profissional em Gestão de Políticas Públicas, da Universidade do Vale do Itajaí – Univali, Itajaí, 2011. Esta dissertação tem o objetivo de estudar, sob o ponto de vista social, o Programa Universidade para Todos – PROUNI, segundo a visão dos bolsistas do Centro Universitário de Maringá, CESUMAR, instituição privada, com fins lucrativos, localizada em Maringá, no Estado do Paraná. Tal estudo nasce da História do Ensino Superior Brasileiro e das reformas das décadas de 1990 e 2000 e tem como essência o referencial teórico embasado na década de 1990, quando a reforma do Governo de Fernando Henrique Cardoso foi marcada pela privatização de setores estratégicos, como exemplo a do setor educacional, iniciando um processo de expansão de tal segmento, a qual teve continuidade no Governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A partir daí, as reformas educacionais apontaram para um novo viés voltado para o social, destacando-se a implantação do PROUNI, com o intuito de oportunizar o acesso da classe menos favorecida ao ensino superior. Nesse contexto, a abordagem deste estudo assumiu o formato qualitativo, tomando por base pesquisas documentais, informações bibliográficas sobre o programa e a aplicação de questionários aos acadêmicos beneficiários do Prouni e aos colaboradores da Instituição envolvidos no programa. O resultado da pesquisa demonstra que os beneficiários do programa, em sua maioria, entendem que o Prouni democratizou o acesso ao ensino superior e, mesmo com todas as dificuldades encontradas para se manterem estudando, o PROUNI serviu para integrar novos alunos ao processo acadêmico de nível superior, até então distante deles, cumprindo, dessa forma com o seu papel social. Palavras-chave: Ensino Superior. Acesso. PROUNI. ABSTRACT SILVA FILHO, Wilson de Matos. The social inclusion program (PROUNI) and its social effectiveness: a field research with scholarship holders from the University Center of Maringá. 2011. 85 f. Thesis (Master’s degree)-Public Policy, University of Vale do Itajaí – Univali, Itajaí, 2011. Based on a social, political and economical perspective, this dissertation aims to study the University-for-All Program (PROUNI) in the view of scholarship holders from the University Center of Maringá (CESUMAR) - a private and for-profit organization located in Maringá, Paraná. This study results from the history of Brazilian higher education and its reforms in the 1990s and 2000s, being essentially based on theoretical references from the 1990s and its reform during Fernando Henrique Cardoso government. This reform rested on the privatization of strategic segments, such as the educational one. As a result, this segment experienced an expanding process, which kept ongoing in the next president government: Luiz Inacio Lula da Silva. Hence, educational reforms pointed to a socially-focused new tendency, which was evinced by PROUNI implementation. This initiative intended to provide higher education access to unprivileged classes. Within this context, the current study assumed a qualitative approach, based on documentary research, bibliographic information about the program as well as the application of questionnaires to scholarship holders. This research outcome shows that most of the program beneficiaries believe PROUNI democratized access to higher education and, despite all the difficulties to remain in the program, PROUNI fulfilled its social role by integrating many students to the academic process – a distant reality from them previously. Keywords: Higher Education. Access. PROUNI. LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1. Número de bolsas de estudo oferecidas pelo PROUNI, no período de 2005 a 2011........................................................................... 52 Gráfico 2. Número de bolsistas do PROUNI por região brasileira, no período de 2005 a 2011............................................................................... 52 Gráfico 3. Número de bolsistas do PROUNI por tipo de bolsa, no período de 2005 a 2011........................................................................................ 53 Gráfico 4. Número de bolsistas do PROUNI, por modalidade de ensino, no período de 2005 a 2011................................................................. 54 Gráfico 5. Número de bolsas do PROUNI ofertadas por região, no período de 2005 a 2011....................................................................................... 54 Gráfico 6. Número de bolsistas do PROUNI por turno, no período de 2005 a 2011................................................................................................... 55 Gráfico 7. Número de bolsistas do PROUNI por sexo, no período de 2005 a 2011................................................................................................... 56 Gráfico 8. Número de bolsistas do PROUNI por raça, no período de 2005 a 2011................................................................................................... 56 Gráfico 9. Número de bolsistas do PROUNI da região Sul, no período de 2005 a 2011................................................................................................. 57 Gráfico 10. Número de bolsas do PROUNI ofertadas no estado do Paraná, no período de 2005 a 2011.................................................................... 57 Gráfico 11. Número de bolsas do PROUNI ofertadas no município de Maringá-PR, no período de 2005 a 2011....................................... 58 Gráfico 12. Número de bolsas de estudo oferecidas pelo Centro Universitário de Maringá, no período de 2007 a 2011........................................... 59 Gráfico 13. Número de bolsas de estudo ociosas no Centro Universitário de Maringá, no período de 2007 a 2011................................................ 60 Gráfico 14. Percentual de bolsas de estudo ociosas no Centro Universitário de Maringá, no período de 2007 a 2011........................................... 60 Gráfico 15. Tipo de bolsas de estudo oferecidas pelo PROUNI em uso no ano letivo de 2011, no Centro Universitário de Maringá.......................... 63 Gráfico 16. Variação da renda familiar per capita dos beneficiários do PROUNI, após o acesso à educação superior no Centro Universitário de Maringá............................................................... 65 LISTA DE TABELAS Tabela 1. Número de bolsas de estudo oferecidas pelo PROUNI, no período de 2005 a 2011................................................................................... 51 Tabela 2. Número de bolsas de estudo oferecidas pelo Centro Universitário de Maringá, no período de 2007 a 2011.................................................. 58 Tabela 3. Distribuição dos beneficiários ativos segundo a bolsa concedida pelo PROUNI, no Centro Universitário de Maringá............................ 63 Tabela 4. Distribuição dos beneficiários segundo tipo de aluno beneficiado pelo PROUNI, no Centro Universitário de Maringá............................ 64 Tabela 5. Distribuição dos beneficiários segundo a variação da renda familiar per capita dos beneficiários do PROUNI, após o acesso à educação superior no Centro Universitário de Maringá....................................... 64 Tabela 6. Distribuição dos beneficiários segundo a sua moradia........................ 65 Tabela 7. Distribuição dos beneficiários segundo a realização de alguma atividade remunerada mensal........................................................... 66 Tabela 8. Distribuição dos beneficiários que realizam alguma atividade remunerada, segundo a renda mensal versus o tipo de bolsa PROUNI............................................................................................ 66 Tabela 9. Distribuição dos beneficiários segundo a sua avaliação em relação ao Programa Universidade para Todos – PROUNI............................ 67 Tabela 10. Distribuição dos beneficiários segundo o questionamento quanto à extinção do Programa Universidade para Todos – PROUNI repentinamente................................................................................... 68 Tabela 11. Distribuição dos beneficiários segundo os critérios que foram observados durante o processo de concessão da bolsa pelo PROUNI........................................................................................... 68 Tabela 12. Distribuição dos beneficiários segundo o ponto de vista quanto às pessoas que conhece e que contam com o PROUNI, quando questionados referente ao tipo de alunos que o benefício tem atendido em Maringá........................................................................ 69 Tabela 13. Distribuição dos beneficiários quanto à forma que recorreria ou recorreu para complementar a mensalidade, caso a bolsa não seja integral (100% das mensalidades e encargos)......................... 69 Tabela 14. Distribuição dos beneficiários segundo o aluno, enquanto bolsista – PROUNI........................................................................................ 70 Tabela 15. Distribuição dos beneficiários, quando questionados quanto à escolha em fazer o curso em uma instituição de ensino superior privada............................................................................................. 70 Tabela 16. Distribuição dos beneficiários, quando questionados quanto à escolha do curso que teve a concessão da bolsa PROUNI........................................................................................... 71 Tabela 17. Distribuição dos beneficiários, quando questionados quanto à situação de dificuldade que o aluno tem enfrentado para permanecer estudando.................................................................... 71 Tabela 18. Distribuição dos beneficiários, segundo a bolsa concedida pelo PROUNI versus se o bolsista tem enfrentado dificuldades para permanecer estudando.................................................................... 72 LISTA DE SIGLAS BID Banco Interamericano de Desenvolvimento BIRD Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento BM Banco Mundial CAPES Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior CESUMAR Centro Universitário de Maringá COFINS Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social CPMF Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CSLL Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido EAD Educação a distância ENADE Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes ENEM Exame Nacional Ensino Médio EUA Estados Unidos da América FIES Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior FMI Fundo Monetário Internacional GTI Grupo de Trabalho Interministerial GTPE Grupo de Trabalho de Política Educacional IES Instituição de Ensino Superior IFES Instituições Federais de Ensino Superior INEP Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais IPTU Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana IRPJ Imposto de Renda - Pessoa Jurídica ISSQN Imposto sobre Serviço de Qualquer Natureza ITA Instituto Tecnológico de Aeronáutica LDB Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional MARE Ministério da Administração Federal e da Reforma do Estado MEC Ministério da Educação PIB Produto Interno Bruto PIS/PASEP Programa de Integração Social PL Projeto de Lei PNDA Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliares PNE Plano Nacional de Educação PROUNI Programa Universidade para Todos SINAES Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior SISPROUNI Site do PROUNI SISU Sistema de Seleção Unificada UNE União Nacional dos Estudantes UNESCO Organização das Nações Unidas para Educação USAID United States Agency for International Development SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO........................................................................................ 13 2 ENSINO SUPERIOR BRASILEIRO – UM BREVE RELATO................. 16 2.1 A UNIVERSIDADE E O ENSINO SUPERIOR NO BRASIL.................... 16 2.2 REFORMA DA EDUCAÇÃO SUPERIOR DA DÉCADA DE 1990.......... 24 2.3 REFORMA DA EDUCAÇÃO SUPERIOR NO GOVERNO LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA E O PROGRAMA UNIVERSIDADE PARA TODOS – PROUNI.................................................................................. 3 LOCAL DE DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA – CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ............................................................ 4 35 47 O PROGRAMA UNIVERSIDADE PARA TODOS – PROUNI E A EVOLUÇÃO NA OFERTA DE BOLSAS................................................ 51 4.1 CONTEXTO NACIONAL......................................................................... 51 4.2 CONTEXTO NO CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ................. 58 5 ASPECTOS METODOLÓGICOS........................................................... 61 6 O PROUNI NA VISÃO DOS BENEFICIÁRIOS DO CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ – APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DE DADOS................................................................................................... 7 8 63 O PROUNI NA VISÃO DOS PROFISSIONAIS DO CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ............................................................ 74 CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................... 77 REFERÊNCIAS....................................................................................... 80 APÊNDICES........................................................................................... 83 13 1 INTRODUÇÃO Este estudo apresenta a proposta de analisar os benefícios do Programa Universidade para Todos – PROUNI, como política pública de inclusão, sua abrangência social e possibilidades de aperfeiçoamento de tal política, destacando sua implementação no Centro Universitário de Maringá, CESUMAR, uma instituição privada, com fins lucrativos. O Programa Universidade para Todos – PROUNI, foi instituído pela Medida Provisória nº 213 de 10/12/2004, regulamentado pelo Decreto nº 5.245 de 15/10/04, tendo por objetivo a destinação de bolsas de estudos integrais e parciais para cursos de graduação e sequenciais de formação específica, em instituições do ensino superior privadas, com ou sem fins lucrativos. Segundo o programa, as bolsas de estudos integrais competem aos acadêmicos com renda per capita familiar de, no máximo, um salário mínimo e meio, e as bolsas de estudos parciais aos que apresentam renda per capita familiar de, no máximo, três salários mínimos. A adesão ao Programa Universidade para Todos, restringe-se àqueles que tenham cursado o ensino médio completo em escola pública ou em instituição privada, enquanto bolsista integral, assim como a estudantes portadores de necessidades especiais e professores da rede pública de ensino, nesta última categoria especificamente aos cursos de licenciaturas, independente da renda. É importante lembrar, no entanto, que o critério para seleção dos alunos é o resultado do Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM. Em seu primeiro ano de implantação (2005), o PROUNI proporcionou 112.275 bolsas de estudos, sendo 36% parciais e 64% integrais. Desde a implantação, já foram oferecidas 1.383.316 vagas, das quais 56,1% correspondem a bolsas integrais e 43,9% a bolsas parciais. Do total das vagas ofertadas no período, somente 863.771 foram preenchidas por candidatos que atingiram a nota mínima de corte de 45 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM e comprovaram a renda familiar per capita exigida, ficando 37,6% das vagas ociosas (BRASIL, 2008). Assim, este trabalho tem por objetivo: 14 − Analisar o Programa Universidade para Todos – PROUNI, sob a perspectiva da inclusão social e acadêmica do beneficiário. Em extensão aos objetivos gerais, apresentam-se, neste estudo, os objetivos específicos: − Descrever o contexto histórico da Universidade e do Ensino Superior Brasileiro. − Descrever o contexto histórico do Programa Universidade para Todos. − Levantar os tipos de bolsas concedidas pelo programa nesta Instituição de Ensino Superior de Maringá e analisar a renda dos beneficiários, a fim de identificar possíveis mudanças, após o acesso ao ensino superior. − Identificar se existe ou não preconceito em relação aos beneficiários do PROUNI no cotidiano das instituições de ensino superior, verificando se há um tratamento igualitário entre alunos pagantes e bolsistas. − Obter uma avaliação do programa diante da visão do beneficiário na perspectiva do acesso ao ensino superior e permanência nele, bem como a visão que aquele tem sobre a política de inclusão acadêmica e social. − Verificar as dificuldades dos alunos beneficiados pelo PROUNI ao ingressarem na instituição, bem como as dificuldades que os acadêmicos encontram, após a concessão da bolsa, para que eles continuem permanecendo estudando. A partir disso, o estudo propõe demonstrar, por meio de um olhar analítico, o Programa Universidade para Todos – PROUNI, na esfera da Política Educacional, no que se refere à visão do beneficiário do programa quanto à sua inclusão, seja ela acadêmica e/ou social. Uma vez que o desenvolvimento econômico encontra-se diretamente ligado às políticas de inovação e conhecimento, que enfatizam o cotidiano – com mais intensidade as agendas das políticas públicas, a falta de condição financeira é fator de exclusão social no acesso ao ensino superior brasileiro. Isso se comprova com a informação de que apenas 30% das vagas ofertadas no ensino superior estão nas instituições de ensino superior públicas, cujas vagas, geralmente, são preenchidas por alunos que tiveram acesso à formação básica em escolas privadas de qualidade. 15 Esses fatores impedem uma grande parte da população brasileira a realização de um sonho: o acesso ao ensino superior e um melhor posicionamento no mercado de trabalho, contando também com uma maior inserção social e cultural. Com o objetivo de amenizar ou resolver a dificuldade de acesso ao ensino superior, a partir dos anos de 1990, grande parte dos países passaram a elaborar políticas, com a finalidade de promover uma sociedade pautada na economia da informação e do conhecimento. Neste contexto, diversas mudanças foram implementadas nas políticas públicas brasileiras, voltadas para educação, principalmente na Educação Superior, pela importância desta no desenvolvimento do país, no que se refere à inovação e à produção científica, tecnológica, cultural e acadêmica. Ocorreu então, neste período, o destaque à expansão do ensino superior, considerada até o momento muito tímida e com um desequilíbrio social, pois a população de baixa renda continuava excluída do acesso a tal ensino. É neste contexto, que a análise do PROUNI se justifica, tendo em vista a importância social desse programa, além da necessidade de aprimorá-lo de forma que haja, efetivamente, um processo de inclusão acadêmica e socioeconômica. A pesquisa poderá, desse modo, proporcionar ainda informações úteis do objeto de estudo à instituição de ensino, assim como outras instituições interessadas no Programa, por haver poucos estudos nesta área. 16 2 ENSINO SUPERIOR BRASILEIRO – UM BREVE RELATO Esse capítulo versará sobre o ensino superior brasileiro, apresentando-se, inicialmente, um panorama geral do ensino superior no Brasil desde a sua concepção até os dias atuais. Na sequência, passa-se a tratar da reforma da educação superior ocorrida na década de 1990 e na continuidade, a reforma ocorrida no Governo de Luiz Inácio Lula da Silva e a criação do Programa Universidade para Todos – PROUNI. 2.1 A UNIVERSIDADE E O ENSINO SUPERIOR NO BRASIL A palavra educação provém do latim educatione e, pode ser compreendida como um processo que permite dotar o homem de competências intelectuais, promovendo seu desenvolvimento humano e sua capacidade de integração social. Segundo Lei de Diretrizes e Bases (LDB), no Art. 1º. “a educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais” (BRASIL, 1996). Nesse aspecto e, de modo amplo, o processo de educar pode estar sob a responsabilidade de várias instâncias da sociedade, como a família, a igreja, o trabalho, o lazer, os meios de comunicação (ARANHA, 1996), ocorrendo, dessa forma, de modo informal e não necessariamente sistematizado. A noção de educação como um processo formal surge no contexto de sala de aula, ou seja, na escola. Neste cenário escolar, a educação passa a fazer parte de um processo pelo qual os docentes (profissionais do ensino) são responsáveis pela transmissão de conhecimentos sistematizados e científicos aos discentes, tendo por este fim, o objetivo mais específico de desenvolver capacidade e aptidões, formando profissionais das mais diversas competências. De qualquer modo, seja informal ou formalmente, a educação tem como objetivo primordial dotar o homem de instrumentos culturais capazes de impulsionar as transformações materiais e espirituais impostas pela dinâmica da vida social. Assim, o processo de educar-se coloca o homem em estado de supremacia diante 17 da natureza, conformando-o aos objetivos de progresso e equilíbrio social da coletividade a que pertence. Portanto, de acordo com Pimenta e Anastasiou (2002, p. 97), “a educação é um processo pelo qual se possibilita que os seres humanos se insiram na sociedade humana, historicamente construída e em construção”. As autoras citadas, no parágrafo anterior, acrescentam ao excerto, ao preceituarem que: a tarefa da educação é inserir as crianças e os jovens tanto no avanço civilizatório, para que dele usufruam, como na problemática do mundo de hoje, por intermédio da reflexão, do conhecimento, da análise, da compreensão, da contextualização, do desenvolvimento de habilidades e atitudes. Portanto, sua tarefa é garantir que se apropriem do instrumental científico, técnico, tecnológico, de pensamento, político, social e econômico, de desenvolvimento cultural, para que sejam capazes de pensar e gestar soluções (PIMENTA; ANASTASIOU, 2002, p. 97). Contudo, conforme Aranha (1996, p. 83), “a escola institucionalizada, semelhante àquela que hoje conhecemos, é uma criação burguesa do século XVI” e, pelo que narra esse mesmo autor, desde seu surgimento, a sua natureza e importância estiveram diretamente ligadas às necessidades socioeconômicas dos grupos nos quais a educação esteve inserida, ou seja, conforme resume Pimenta e Anastasiou (2002, p. 97), “a educação, enquanto reflexo, retrata e reproduz a sociedade. [...] Por isso, vincula-se profundamente ao processo civilizatório e humano”. Assim, esse modelo burguês de escola tradicional propôs-se a formatar as crianças, conforme os padrões morais considerados adequados ao seu tempo, sendo, desse modo, “valorizados os estudos humanísticos, privilegia-se a cultura greco-latina e o ensino dessas duas línguas supera, inclusive, o da língua vernácula” (ARANHA, 1996, p. 83). O que se espera formar, a partir desse modelo, são indivíduos com capacidade de retórica, adequados a circular nas cortes aristocráticas. Um novo modelo ou acepção de escola surge com os jesuítas, que por meio de seus internatos espalhados por toda Europa, ao longo dos séculos XVI a XVIII, promovem uma nova forma de ensinar, pela catequese. Em contexto nacional, eles foram co-autores do processo de colonização. Assim, os colégios jesuíticos foram instrumentos da formação da elite colonial, cujos 18 objetivos eram os de catequizar os índios e instruir os descendentes dos colonizadores. A respeito da educação nesse momento histórico do Brasil em que se tem a mão-de-obra escrava de negros e índios, num processo produtivo de economia exclusivamente açucareira, Ribeiro (2003, p. 20) descreve que: num contexto social com tais características, a instrução, a educação escolarizada só podia ser conveniente e interessar a esta camada dirigente (pequena nobreza e seus descendentes) que, segundo o modelo de colonização adotado, deveria servir de articulação entre os interesses metropolitanos e as atividades coloniais. Em contexto mundial, com a Revolução Industrial no século XVIII, a escola de cunho burguesa passa a preocupar-se também com a formação técnica especializada, em detrimento à formação humanística que até então era abordada. Nos anos que seguem, “acelera-se o processo de secularização e democratização do ensino, com as reivindicações de uma escola pública, leiga, gratuita e obrigatória a que possam ter acesso as camadas não-privilegiadas da sociedade” (ARANHA, 1996, p. 83). No Brasil, ao contrário dos países desenvolvidos, que no século XIX já conseguiam atingir os objetivos da universalização do ensino, encontramos até hoje dificuldades em promover um ensino público de qualidade e gratuito àqueles que almejam tê-lo. Outro divisor social, além dos que têm acesso e dos que não têm acesso ao ensino, tem-se encontrado no dualismo das formas de ensino: acadêmico e profissionalizante. A partir das convicções de Aranha (1996, p. 83), o desafio dos governantes brasileiros, bem como da sociedade civil, no que tange à educação, “está na universalização de um ensino básico de qualidade que prepare para o trabalho, para a cidadania, cuidando da formação da personalidade nos aspectos afetivos e éticos”. Nessa conjectura, o papel que a escola assume é de formar profissionais aptos para o mercado, não resumidos a tarefeiros, mas sim capazes de lidar com situações adversas e, diante delas, tomar decisões adequadas por meio do saber científico e das experiências já vividas, ou seja, agentes transformadores da realidade social, em prol do bem comum. Nas mais diversas culturas, o processo ligado ao conhecimento formal e à sua aquisição, próprio do ser humano, está diretamente ligado à escola. Assim, a 19 educação de caráter superior está vinculada à instituição universidade, que atua como um centro difusor dos valores da cultura nacional e universal. A universidade moderna teve sua origem, segundo Castanho (2000), na Europa, nos séculos XI e XII. Antes desse período, “podia-se falar em estudos superiores” (CASTANHO, 2000, p. 16), que ocorriam nas chamadas escolas monaicas ou catedralícias, as quais tinham caráter religioso, funcionando nos mosteiros ou nas catedrais. Contudo, não se estabeleciam ainda como universidades, isto é, “instituições de educação superior constituídas pela agregação de diversas escolas específicas, nas quais se formavam especialistas diplomados” (CASTANHO, 2000, p. 17). De acordo com Luckesi (2003), observa-se neste momento histórico “o forte clima religioso, determinado pela Igreja Católica que, naquelas circunstâncias, gerava o dogmatismo, a imposição da verdade” (LUCKESI, 2003, p. 31). Esse ambiente dogmático, certamente refletia-se nas instituições de ensino, demonstrando um esforço da Igreja em tentar fundamentar a sua ação política e religiosa. Esse fato nos leva a perceber que desde as origens, mesmo antes de serem concebidas como universidades propriamente ditas, essas instituições eram fruto e reflexo do contexto social do qual faziam parte. Fávero (1977, p. 11) corrobora com esta afirmação ao enunciar que “a Universidade, antes de mais nada, é parte e fruto de um modelo político-cultural. Condicionada pelo contexto no qual está inserida, seus objetivos estão necessariamente relacionados com os objetivos da sociedade”. Na sequência histórica de sua origem, segundo Castanho (2000, p. 17) “o primeiro germe de universidade foi a Escola de Medicina de Salerno, na Itália, que data do início do século X, celebrizando-se como marco histórico e também como fulcro de trocas entre as culturas cristã, árabe e judaica”. Contudo, segundo esse autor, a Universidade de Bolonha, na Itália, famoso centro de estudos jurídicos, fundada em 1088, foi “a primeira universidade propriamente dita” (CASTANHO, 2000, p. 17). A estas, surgiram ao longo dos anos em várias partes da Europa, outras de nome consagrado até hoje como Sorbonne, na França, Oxford e Cambridge, na Inglaterra. Enuncia Castanho (2000, p. 17) que “o ambiente em que surgiram as universidades europeias no período gótico caracterizava-se por uma intensa mobilidade, sem dúvida estimulada pelas Cruzadas”. Castanho (2000, p. 17) 20 acrescenta que havia, além dessa mobilidade, “uma grande excitação intelectual, resultante da confrontação entre a fé cristã, tradicional baluarte da vida medieval de cristandade, e ciência experimental que emergia lentamente”. Afirmou Durkheim (apud CASTANHO, 2000, p. 18), que foi na universidade que se elaborou a civilização medieval e que, mesmo sofrendo transformações, iria perpetuar-se até nós, pois é um fato notável que, de todas as instituições da Idade Média, a que, a despeito de algumas variações, ainda hoje se assemelha mais com o que fora outrora, é a universidade. Assim, a universidade caracteriza-se como uma das instituições mais antigas e de grande importância para a sociedade, pois, assumiu para si o papel de congregar as diversas ciências, difundindo-as e promovendo também a criação e recriação do conhecimento, elemento capaz de transformar os seres humanos por meio de competências adquiridas que, ao serem aplicadas na sociedade, podem promover o seu desenvolvimento e o bem social coletivo. Castanho (2000, p. 18) afirma que “outras características da universidade, que despontam na sua origem e permanecem como balizas estruturais, são: a publicidade, a criatividade, a indissociabilidade entre o ensino e a pesquisa, a intencionalidade e a interdisciplinaridade”. Pimenta e Anastasiou (2002, p. 102-103) definem, de modo conclusivo, que a universidade tem por finalidades: a criação, o desenvolvimento, a transmissão e a crítica da ciência, da técnica e da cultura; a preparação para o exercício de atividades profissionais que exijam a aplicação de conhecimentos e métodos científicos e para a criação artística; o apoio científico e técnico ao desenvolvimento cultural, social e econômico das sociedades. Portanto, “o ensino na universidade caracteriza-se como um processo de busca e de construção científica e crítica do conhecimento” (PIMENTA; ANASTASIOU, 2002, p. 103). No Brasil, os cursos superiores surgiram quando o rei e a corte portuguesa vieram transferidos para cá. Até então, aqueles que desejavam ter acesso às universidades iam para Portugal ou outros países europeus. De acordo com Luckesi (2003, p. 33), “até 1808 (chegada da família real no Brasil), os luso-brasileiros faziam seus estudos superiores na Europa, principalmente em Coimbra – Portugal”. Acrescenta Luckesi um dado: o de que “há notícias de 21 2.500 brasileiros diplomados até 1808, em sua maioria religiosos” (LUCKESI, 2003, p. 33-34). A história da criação de Universidades no Brasil denuncia que as primeiras tentativas foram falhas, pois havia oposição por parte de Portugal, “como reflexo de sua política de colonização”, conforme afirma Fávero (1977, p. 18) e a resistência também ocorria por parte dos brasileiros. De acordo com Moacyr (apud FÁVERO, 1977, p. 18), os brasileiros “não viam justificativa para a criação de uma instituição desse gênero no país, considerando mais adequado que as elites da época procurassem a Europa para fazer seus estudos superiores”. Essa mesma afirmação é feita por Luckesi (2003, p. 34) ao dizer taxativamente que “Portugal não permitia, apesar dos esforços dos jesuítas, a criação de uma universidade no Brasil”. Dessa forma, segundo Leite e Morosini (1992, p. 242) “historicamente o Brasil vive a sua ideia de universidade de modo mais recente do que aquele observado nos países latino-americanos de origem espanhola”. Assim, “enquanto estes tiveram suas universidades implantadas a partir do início do século 16, seguindo um modelo medieval vigente na Europa, o Brasil nega a ideia de universidade durante o período colonial até o Império e o início da República” (LEITE; MOROSINI, 1992, p. 242). Anísio Teixeira (1989, p. 95) aponta, por meio da afirmação, as consequências desse ensino superior buscado fora do país: Até a Independência, a nossa cultura era a que nos dera a Universidade de Coimbra, duplamente afastada do que se poderia chamar cultura brasileira: primeiro, pelo caráter universal da cultura escolástica, depois por ser oriunda de uma universidade estrangeira, embora de língua portuguesa. Os resíduos dessa cultura são contudo o que viemos a ter durante o século XIX. Assim, o que se vive no Brasil é um “período de equívocos e confusão, recebendo da Europa e, sobretudo da França, as ideias gerais que ali se elaboravam sobre o pensamento moderno, filosófico e científico” (TEIXEIRA, 1989, p. 95). A transmigração da família Real para o Brasil constitui de fato um marco histórico do ensino brasileiro, pois com a vinda de D. João VI para a Colônia, deu-se início ao chamado ensino superior. Segundo Luckesi (2003, p. 34) “nascem as aulas régias, os cursos, as academias, em resposta às necessidades militares da Colônia, consequência da instalação da Corte no Rio de Janeiro”. 22 Mesmo com a Corte instalada no Brasil, o que havia eram apenas as escolas superiores. De acordo com Fávero (1977, p. 21), estas escolas tiveram duas características marcantes: primeiramente, apresentavam um nítido “caráter profissionalizante”, e, em segundo lugar, foram criadas e organizadas como um “serviço público”, mantido e controlado pelo Governo, visando à preparação de pessoal para desempenhar diferentes funções na Corte. Daí terse tornado quase lugar comum a afirmativa de que as primeiras escolas superiores brasileiras nasceram e se estruturaram com um caráter nitidamente prático e imediatista. Assim, nos anos que se estenderam de 1808 até 1820, foram criadas as Academias Real da Marinha e a Real Militar, cujos objetivos eram a formação de oficiais e engenheiros civis e militares que favoreciam a defesa militar da Colônia; os cursos de Cirurgia, na Bahia; os de Cirurgia, Anatomia e Medicina, no Rio de Janeiro, cujos objetivos também eram o de formação de médicos para atendimento do Exército e da Marinha. Foram criados também nesse período, os cursos técnicos de Agricultura, Química e Desenho Industrial, todos também visavam atender às necessidades da Corte (FÁVERO, 1977). A criação desses cursos, por D. João VI, comprova a afirmativa de que o ensino superior dessa época teve caráter, essencialmente, utilitário e imediatista. O que se observa durante todo o período de Império é que o país não pode ir além de modestas tentativas de ensino superior. Anísio Teixeira (apud LEITE; MOROSINI, 1992, p. 243), contribui ao afirmar que “a história da universidade no Brasil revela uma singular resistência do país em aceitá-la”. Somente a partir de 1930 é que se dá início à ordenação e à transformação do ensino superior no Brasil. Com o agrupamento legal de três ou mais faculdades surge a Universidade de Minas, reorganizada mais tarde, em 1933, e a Universidade de São Paulo, em 1934. Dois anos mais tarde, 1935, Anísio Teixeira pensa uma universidade brasileira como centro de debates livres de ideias. Essa, talvez, seria a primeira universidade de fato, se não fosse o início do período de ditadura, com a implantação do Estado Novo, no ano de 1937. Tal regime político é incompatível com os debates e a verdadeira universalidade, edificada sobre e a partir do debate livre das ideias (LUCKESI, 2003). Somente em 1961, vinte e quatro anos mais tarde, nasce a Universidade de Brasília. Sua criação, segundo Fávero (1977), representa a concepção mais próxima do que se tem por universidade no Brasil: uma instituição integrada, orgânica e 23 atuante. Para Luckesi (2003, p. 35) a Universidade de Brasília “era a esperança de uma universidade brasileira, nascida a partir de uma reflexão nacional, sobre os problemas nacionais”. Assim, até o período anterior a 1961, o que havia eram escolas superiores isoladas, cujo ensino era o de caráter utilitário, visando ao preparo profissional, sem se preocupar com os aspectos culturais. Esse breve resgate histórico nos permite compreender, conforme enuncia Brandão (2003, p. 3), que “a construção de uma universidade moderna, que atinja os mínimos e nobres objetivos de produção e disseminação da ciência, da cultura e da tecnologia não se completa no curto espaço de tempo”. A universidade brasileira surgiu praticamente na segunda metade do século XX, um período que, conforme afirma Brandão (2003, p. 3), “as transformações sociais, políticas e econômicas no País foram fortemente acentuadas pelas sucessivas crises vividas nas últimas décadas”. Contudo, a visão de futuro mostra-se promissora, considerando-se o crescente amadurecimento político dos brasileiros, em busca de uma democracia consolidada. Brandão (2003, p. 3) afirma que “neste contexto, o papel da universidade é de fundamental importância. E para que ela possa cumpri-lo, deverá ter autonomia suficiente para desenvolver uma identidade sólida e socialmente legitimada”. De acordo com a LDB 9.394/96, as instituições de ensino superior – IES podem ser classificadas em Universidade, Centro Universitário, Faculdades Integradas e Institutos ou Escolas Superiores, e o que as diferencia entre si é sua abrangência de ações e as condições de trabalho de seus docentes (PIMENTA; ANASTASIOU, 2002). Contudo, todas têm comumente a graduação de profissionais em diversas áreas como justificativa de sua existência. Assim, o ensino superior, inserido em um contexto social, o qual influencia tal ensino e do qual este sofre influência, passa a ter seu compromisso social definido, desenhado, em contexto atual, por traços marcados por governos neoliberais. Assim, Pimenta e Anastasiou (2002, p. 161-162) compreendem a Universidade, organização responsável pela promoção do ensino superior, como: instituição educativa cuja finalidade é o permanente exercício da crítica, que se sustenta na pesquisa, no ensino e na extensão. Ou seja, na produção de conhecimento por meio da problematização dos conhecimentos historicamente produzidos, de seus resultados na 24 construção da sociedade humana e das novas demandas e desafios que ela apresenta. Essa assertiva leva ao entendimento de que o ensino superior permite a construção de conhecimentos científicos e, a partir da crítica desses conhecimentos, promove ou produz novas formas de pensar e agir do social, contribuindo com o desenvolvimento do coletivo. Assim, Pimenta e Anastasiou (2002, p. 163) resumem as funções universitárias, de modo sistematizado como: criação, desenvolvimento, transmissão e crítica da ciência, da técnica e da cultura; preparação para o exercício de atividades profissionais que exijam a aplicação de conhecimentos e métodos científicos e para a criação artística; apoio científico e técnico ao desenvolvimento cultural, social e econômico das sociedades. Na busca de um processo que leve à construção científica e na crítica desse conhecimento acumulado, o ensino universitário desempenha papel de construtor da sociedade, sendo, portanto, suas atribuições, de acordo com Pimenta e Anastasiou (2002, p. 164), “propiciar o domínio de um conjunto de conhecimentos, métodos e técnicas científicas, que assegurem o domínio científico e profissional do campo específico” os quais, segundo as mesmas autoras, “devem ser ensinados criticamente (isto é, em seus nexos com a produção social e histórica da sociedade)” (PIMENTA; ANASTASIOU, 2002, p. 164), daí a importância em se promover a pesquisa. Outra finalidade, ou atribuição do ensino superior, de acordo com as autoras citadas, é “conduzir a uma progressiva autonomia do aluno na busca de conhecimentos” (PIMENTA; ANASTASIOU, 2002, p. 164), bem como deve “desenvolver a capacidade de reflexão” (PIMENTA; ANASTASIOU, 2002, p. 165), em outras palavras, o acadêmico deve ser um sujeito capaz de questionar a realidade e intervir nela. 2.2 REFORMA DA EDUCAÇÃO SUPERIOR DA DÉCADA DE 1990 A década de 1990 foi marcada por uma série de mudanças na educação superior brasileira. Segundo Peixoto (2005, p. 180): 25 Na década de 1990, as consequências das políticas de caráter neoliberal empreendidas para enfrentar as crises fiscal, do fordismo, do Estado de Bem-Estar Social e do enfrentamento da inserção no mundo globalizado vão representar verdadeira reforma para a educação brasileira. Contudo, estas mudanças não ocorreram abruptamente a partir de 1990. Elas foram fruto e reflexo de um processo de transformações ocorridas ao longo de décadas passadas. Para se compreender o atual cenário da educação no Brasil há de se recorrer, inicialmente, à história. Dessa forma, essas reformas educacionais de maior ou menor relevância permitiram, por exemplo, a expansão do ensino superior, facilitando as condições de ingresso, como o ocorrido nos anos 1891 a 1910, período em que foram criadas no Brasil, segundo Cunha (2000), 27 escolas superiores. O mesmo autor afirma que, à medida que se facilitava o acesso ao ensino superior, em virtude do crescimento do número de instituições, cresciam também as resistências a esse processo, o que culminaria, em 1911, em outra reforma de ensino (CUNHA, 2000). A chamada reforma geral do ensino secundário e superior era composta de dois movimentos: o de desoficialização e o de contensão do acesso ao ensino superior por candidatos inaptos. Assim, o Decreto 8.659, de 5 de abril de 1911, “deu as normas legais do que veio a ser conhecido como Reforma Rivadávia Corrêa” (CUNHA, 2000, p. 159), então ministro da Justiça e dos Negócios Interiores. Em 1915, o novo ministro do Interior, Carlos Maximiliano, promoveu outra reforma que levou seu nome. Promulgado em 18 de março do referido ano, o decreto 11.530 reorganizava o ensino secundário e superior de todo o Brasil, tendo como ideal a correção das distorções do decreto anterior de 1911 (CUNHA, 2000). Entre as mudanças ocorridas, tem-se que o processo de seleção do candidato ao ensino superior deve ocorrer pelo exame vestibular, até então chamado exame de admissão, e pela apresentação de certificado de conclusão do ensino secundário. Um novo decreto, nº 16.782 - A, de 13 de janeiro de 1925, institui nova reforma, conhecida como Rocha Vaz, então presidente do Conselho Superior de Ensino. A mudança estabelecia que o diretor de cada faculdade deveria fixar o número de vagas oferecidas em cada ano. Assim, os aprovados eram matriculados por ordem de classificação no processo seletivo, o que não ocorria anteriormente. Essa medida previa dar maior eficiência ao ensino, por meio da redução do número 26 de estudantes em certos cursos, levando-os à procura de cursos que não tinham suas vagas preenchidas. Três anos depois, foi promulgado o Decreto 5.616, de 28 de novembro de 1928, o qual previa que as universidades criadas nos estados “gozariam de perfeita autonomia administrativa, econômica e didática” (CUNHA, 2000, p. 165). Em 11 de abril de 1931, foi promulgado o Decreto 19.851, designado “pretensiosamente de Estatuto das Universidades Brasileiras” (CUNHA, 2000, p. 165). O documento estabelecia os padrões de organização para as instituições de ensino superior universitárias e não-universitárias, de todo o país, sendo um desdobramento na área do ensino superior, segundo Cunha (2000, p. 165), “da centralização político-administrativa iniciada com a criação do Ministério da Educação”. Em 1935, foi criada a Universidade do Distrito Federal, por Anísio Teixeira, dissolvida quatro anos depois e incorporada à Universidade do Brasil. Na mesma época, 1940, surgiram, no Rio de Janeiro, as Faculdades Católicas, que mais tarde, em 1946, foram reconhecidas pelo estado como pontifícia, tornando-se a primeira universidade privada do país (CUNHA, 2000, p. 164). Conforme Cunha (2000), é neste período da inauguração do Estado Novo, marcado por uma onda repressiva, que foi criada a União Nacional dos Estudantes – UNE, cuja proposta educacional divergia da política autoritária do governo de Vargas. Esta política era expressa no Estatuto de 1931 e defendia: universidade aberta a todos, a diminuição das taxas de exame e de matrícula; exercício das liberdades de pensamento, de cátedra, de imprensa, de crítica e de tribuna; o rompimento da dependência da universidade diante do Estado, propondo a eleição do reitor e dos diretores pelos corpos docente e discente, entre outras ações. Segundo Cunha (2000), embora o momento político não fosse favorável à aprovação desta proposta de reforma, ela serviu como diretriz para uma crítica mais radical ao ensino superior brasileiro. Retomada na década de 60, novamente pelos estudantes, passou a ter o apoio dos professores e pesquisadores. Com a decadência do Estado Novo, o Brasil, em setembro de 1946, passou a ter a quarta Constituição do período republicano. A nova Constituição continha dispositivos que garantiam, pelo menos formalmente, como apresenta Cunha (2000, p. 170), “os direitos individuais de expressão, de reunião e de pensamento”. Tais direitos, somados à “intensificação dos processos de industrialização e de 27 monopolização, ao lado da emergência do populismo como instrumento de dominação das massas incorporadas à política, mas que escapavam do controle das classes dominantes”, foram os primeiros fatores determinantes da mudança no campo educacional, segundo aponta Cunha (2000, p. 171). Com o retorno de Vargas à Presidência em 1950, foram adotadas medidas que estimularam a equivalência dos cursos profissionais ao secundário, possibilitando a progressão no sistema escolar. Essas medidas, segundo Cunha (2000), foram ampliadas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1961. A expansão do ensino secundário e a equivalência dos cursos médios ao secundário aumentavam, consequentemente, a demanda por vagas nos cursos superiores. Em resposta, o Governo Federal (I) criou novas faculdades em locais onde não existiam ou havia somente instituições privadas; (II) garantiu a gratuidade dos cursos superiores em instituições federais, mesmo que a legislação determinasse a cobrança de taxas nos cursos públicos e (III) houve a “federalização” de faculdades estaduais e privadas, reunindo-as em universidades controladas e mantidas pelo Ministério da Educação – MEC (CUNHA, 2000). Conforme afirma Luiz Antônio Cunha (2000), em resumo, o processo de “federalização” possibilitou o aumento de vagas públicas gratuitas no ensino superior, bem como foi responsável pela criação, em grande parte, das universidades federais existentes até hoje. Permitiu ainda que houvesse modernização do ensino superior, em demanda às necessidades de desenvolvimento econômico e social. Como exemplo, em 1947, houve a criação do Instituto Tecnológico de Aeronáutica – ITA, que representou essa inovação acadêmica, influenciada pelos padrões de instituições dos EUA. A modernização do ensino superior, sustentada pela criação do ITA, abriu caminho para a modernização científica e tecnológica, condição necessária para que fosse possível ao Brasil, romper os laços de dependência com o exterior. O início da década de 50 marca, portanto, um momento histórico em que se inicia a preocupação com a inserção do Brasil no contexto internacional, por meio da criação de políticas que conduziriam à integração na economia mundial, com participação mais efetiva do Brasil nas relações internacionais e no desenvolvimento do capitalismo (VALLE, 2009). No campo do ensino, a criação da Universidade de 28 Brasília, na nova capital do país, representou o momento mais relevante do processo de modernização. A partir do final dos anos 60, as discussões sobre a ampliação de vagas no ensino superior deixam de ser tema exclusivo do meio universitário (intelectuais e estudantes) e passam a “atingir a opinião pública e incorporar vozes novas numa análise-crítica sistemática de nossas Universidades” (FAVERO, 1977, p. 44). Essas discussões avolumaram-se, segundo Fernandes (1966, p. 217-62 apud FÁVERO, 1977) a partir das crises da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo. Cunha (2000, p. 175) corrobora a afirmativa acima ao expor que “o projeto de reforma universitária, no que se refere à democratização, nasceu e se desenvolveu no âmbito estudantil”. Contudo, foi às vésperas do golpe militar de 64, quando a reforma universitária tornou-se uma das “reformas de base” que “um contingente significativo de professores assumiu tal projeto” (CUNHA, 2000, p. 175). Contudo, de acordo com Fávero (1977, p. 44), “além das questões relacionadas à estrutura e organização, as discussões diziam respeito ao papel da Universidade dentro da sociedade brasileira em desenvolvimento”. Portanto, o debate ia além da simples ampliação do número de vagas, e a consequente ampliação e/ou expansão dos cursos. Aliada a essas questões, havia então a preocupação com qualidade do ensino superior ofertado. Afirma Cunha (2000, p. 175) que “a influência da Carta de Córdoba esteve presente também nos anos 60, nas Cartas da Bahia, do Paraná e de Minas Gerais, elaboradas nos seminários nacionais de reforma universitária promovidos pela UNE em 1961, 1962 e 1963, respectivamente”. A carta da Bahia (1961), em sua maior parte, refere-se ao papel da universidade na formação de profissionais de nível superior. O primeiro passo desta reforma, de acordo com Cunha, (2000, p. 176), seria “a conquista da autonomia da universidade diante do governo”. Para tanto, poderia elaborar seus orçamentos, administrando os recursos recebidos; eleger internamente os dirigentes, uma vez que o governo nomearia apenas os eleitos; liberdade para alterar seus estatutos, criar ou suprir disciplinas, modificar currículos e programas; poder de elaborar novos métodos de ensino e alterar sistemas de ingresso e aprovação. As Cartas de 1962 e de 1963 apresentaram pontos relevantes de reivindicações como: prioridade das instituições públicas sobre as privadas; extinção 29 dos exames vestibulares, tidos como discriminatórios; abandono da exigência do tempo integral para os estudantes; desistência da reivindicação da autonomia universitária, considerada, neste momento, perigosa para a democratização. Da plataforma anterior à reforma, manteve-se a escolha dos reitores pelo Conselho Universitário (CUNHA, 2000). Conforme expõe Cunha (2000, p.177-178): à medida que o movimento pela reforma universitária se intensificou, com a expressão referindo-se a concepções cada vez mais distintas, o Estado passou a incorporar essa bandeira, acabando, depois do golpe militar de 1964, por arrebatá-la completamente, redefinindo seu sentido para fazê-lo mero apoio para a modernização do ensino superior. Dessa forma, embora os debates sobre a modernização do ensino superior brasileiro tivessem se iniciado na segunda metade dos anos 40, alastrando-se pelos anos 50, foi apenas nos anos 60 que eles se intensificaram, já que as políticas resultantes do Golpe de Estado de 1964 foram essenciais para uma alteração qualitativa no processo e culminaram na reforma promulgada em 1968 (KULLOK, 2000). Kullok (2000, p. 58) complementa o pensamento anterior ao afirmar que “foi só na década de 60 que uma doutrina sistemática sobre a reforma universitária tomou forma no Brasil, respondendo a esses antigos anseios de superação do modelo napoleônico de ensino superior”. Duas grandes reformas, a de 1968 e 1971, ocorreram durante a ditadura militar, precedidas, segundo Figueiredo (2005), pelo acordo firmado entre o Ministério da Educação (MEC) e a United States Agency for International Development (USAID), chamado MEC-USAID, acordo cujo objetivo era o de aperfeiçoar o modelo educacional brasileiro, por meio de apoio técnico e financeiro para implementar as reformas. A ditadura militar (1964-82) trouxe consequências danosas à vida acadêmica. Contudo há de se reconhecer que foi, nesse período, que o processo tardio de formação da universidade brasileira recebeu o maior impulso. Há de se considerar, também, os efeitos contraditórios que o regime autoritário provocou nas instituições de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica (CUNHA, 2000). De acordo com Cunha (2000), se, por um lado, professores, pesquisadores e instituições de ensino sofreram diretamente as represálias do sistema, com 30 aposentadorias compulsórias; jovens docentes impedidos de seguir à frente na carreira; autonomia administrativa e financeira restrita; controle policial aos cursos; por outro lado, houve, no entanto, uma aliança velada entre docentes e pesquisadores experientes que fez as agências de fomento ampliarem significativamente os recursos destinados à pós-graduação, havendo melhorias na estrutura física das instituições, a institucionalização da profissão docente mediante o regime de tempo integral, com dedicação exclusiva e o aumento expressivo do número de estudantes matriculados. No início da década de 80, com o fim do regime autoritário, a universidade brasileira se tornou protagonista ativa e beneficiária do movimento pela redemocratização do país. As entidades estudantis recuperaram seu espaço; professores e funcionários técnico-administrativos criaram seus próprios sindicatos, fortalecendo-se na atuação política. O processo de redemocratização que caracterizou o Brasil nos anos 1990 promoveu mudanças significativas no ensino superior. A nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e o Plano Nacional de Educação (PNE) deram forma às políticas neoliberais, caracterizadas, essencialmente, pela privatização, esta compreendida aqui como a entrada descomedida de capital privado no ensino superior (FIGUEIREDO, 2005). Portanto, nos últimos anos do século XX, conforme afirma Silva Júnior e Sguissardi (1997, p. 7), “tenta-se fazer do Brasil o país das reformas institucionais: econômica, tributária, fiscal, da previdência, produtiva, educacional etc., do Estado e da Constituição”, sendo que o governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC, 199598) foi o responsável por estas profundas mudanças, em um processo de readequação do Estado aos propósitos do capitalismo mundial. Desse modo, conforme afirma Minto (2006, p. 3): A reconfiguração capitalista – basicamente a reestruturação produtiva e a recomposição das taxas de lucro – tem como um de seus requisitos básicos o processo no qual o capital se apropria de setores não inteiramente dominados por sua lógica reprodutiva. Os serviços estatais de interesse público, bem como as oportunidades de negócios. A síntese desta necessidade é o neoliberalismo. Portanto, a lógica que se tem de um processo de privatização “é a retirada dos gastos sociais da estrutura estatal” (MINTO, 2006, p. 3). Neste contexto, a educação é atingida rigidamente pelos interesses do capital e os organismos 31 internacionais que, segundo Minto (2006, p. 3), “atuam como porta-vozes de tais interesses: por um lado, disseminando a ideia de que é necessário reformar (“modernizar”, “racionalizar”); por outro, impondo politicamente tais medidas”, por meio da elaboração de diretrizes e estratégias que, de acordo com Minto (2006, p. 4), durante o período de 1980-90 serviu como “importante moeda de troca no plano das relações internacionais”. Tendo por base essa orientação, o Ministério da Educação (MEC) e o Ministério da Administração e Reforma do Estado (MARE) transformaram-se nos atores sociais das reformas no Brasil, durante esta década. De acordo com Silva Júnior e Sguissardi (1997, p. 9), o ajuste neoliberal no governo de FHC encontrou, nos organismos internacionais, como FMI, BIRD/BM, BID, entre outros, amparo e, entusiástica acolhida no MARE, sendo que o diagnóstico da crise mundial e nacional, presente nas exposições de motivos de suas propostas, segundo os mesmos autores, “segue a ótica e as diretrizes daqueles organismos. Nesse diagnóstico, destaca-se o papel do Estado ou da esfera pública como causa da crise e a necessidade de sua reforma”. Nesta atmosfera de reforma, o então ministro do MARE, Bresser-Pereira, sendo citado por Silva Júnior e Sguissardi (1997, p. 10), justifica a reforma do Estado como necessária e transformadora: Reformar o Estado significa, finalmente, rever a estrutura do aparelho estatal e do seu pessoal, a partir de uma crítica não apenas das velhas práticas patrimonialistas ou clientelistas, mas também do modelo burocrático clássico, com o objetivo de tornar seus serviços mais baratos e de melhor qualidade. Assim, o ministro Bresser-Pereira, como premissa para as propostas de reforma do aparelho administrativo do Estado, propõe que o Estado moderno, socialdemocrata, se deve constituir de duas esferas fundamentais: “um núcleo burocrático voltado para consecução das funções exclusivas do Estado, e um setor de serviços sociais e de obras de infraestrutra” (PEREIRA, 1995, p. 7 apud SILVA JÚNIOR; SGUISSARDI, 1997, p. 11). Esse “núcleo burocrático”, segundo o ministro, é composto pelo poder legislativo; judiciário e poder executivo (forças armadas, polícia, diplomacia, arrecadação de impostos, administração do tesouro público e administração do pessoal do Estado). Também compõem esse núcleo as atividades definidoras de políticas públicas existentes em todos os ministérios. Já o “setor de serviços” faria parte do Estado, mas não seria do governo. Entre suas funções, estaria cuidar da 32 educação, da pesquisa, da saúde pública, da cultura e da seguridade social (SILVA JÚNIOR; SGUISSARDI, 1997, p. 11). Dessa forma, a primeira grande meta da reforma do aparelho do Estado, considerada pelo então ministro Bresser, seria a sua flexibilização. Em segundo lugar, no plano social, a radical descentralização. A eficiência e agilidade dos serviços prestados pelo Estado deveriam, portanto, ser como no setor privado. Para tanto, propõe uma administração mais flexível do que a existente no núcleo burocrático, por meio do projeto das organizações sociais. Um obstáculo, no entanto, estaria na rigidez burocrática imposta pela Constituição de 88. Surge, então, a necessidade urgente de reforma, a fim de se ter maior flexibilização da administração, consequentemente, maior eficiência e qualidade, bem como a mudança do sistema de previdência do funcionalismo, obtendo-se menor custo e maior isonomia com o setor privado (SILVA JÚNIOR ; SGUISSARDI, 1997, p. 11). O pensamento liberal, portanto, como afirma Minto (2006, p. 3), “expressa a necessidade de tornar o Estado mais eficiente, sobretudo no que se refere aos gastos sociais”. Assim, o discurso reformista justificava que, feito o “saneamento fiscal do Estado”, seria possível investir em políticas sociais, discurso não refletido na prática, visto que “as políticas sociais perdem espaço em função da necessidade de transferir para a esfera do capital privado o acesso aos fundos públicos que outrora financiavam tais políticas. Assim, reduz-se a esfera dos direitos sociais” (MINTO, 2006, p. 3). Desse modo, o que se tem é um processo de privatização, cuja coerência é a retirada dos gastos sociais da estrutura do Estado, como afirma Minto (2006, p. 3) “com o neoliberalismo busca-se construir um Estado máximo para o capital”, ou seja, a política social passa a ter um caráter assistencialista, gerida como atividade privada, e o papel do Estado passa a ser o de gestor dos serviços prestados pelo setor privado, deixando assim de financiar atividades como a educação, assumindo, “o papel de avaliador, de fiscalizador; mas uma avaliação e controle feitos por meio de critérios como os da gestão eficiente e do mercado” (SAVIANI, 2002, p. 23 apud MINTO, 2006, p. 3). A reforma proposta, portanto, atinge a educação no sentido de que ela passa a atender a interesses específicos, politicamente dominantes na sociedade brasileira, legitimada por um discurso de “valorização da educação” ou o “da educação para o desenvolvimento”, ou seja, a educação voltada unicamente para a 33 formação de mão-de-obra para o mercado, atendendo, exclusivamente, às necessidades do setor produtivo nacional e estrangeiro (MINTO, 2006). Essa “nova” função da educação reflete a ideia de que a empregabilidade torna-se uma promessa de inclusão social, que minimiza os efeitos da desigualdade social, imanente ao capitalismo. Todo esse discurso da educação voltada para a qualificação para o mercado de trabalho desobriga o Estado de sua responsabilidade e, abre caminho para grandes investimentos privados, legitimando a necessidade de privatização. Há também a ideologia da empregabilidade que estimula, segundo Minto (2006), a procura pelo ensino privado, sobretudo entre as camadas mais pobres da classe trabalhadora que vê na educação, uma solução para muitas dificuldades que enfrenta. Portanto, as políticas para o ensino superior no Brasil, sob a chamada reforma de 1990, atendendo o Estado máximo para o capital, se dá por meio da Reforma do Estado, promovida pelo MARE e pelas políticas do MEC para o ensino superior (BRASIL, 2008). Duas são as características principais das políticas do MEC para o ensino superior apontadas por Minto (2006, p. 8), sendo uma “a estratégia de reformar aos poucos, de maneira fragmentária”, com a qual a LDB/1996 dá alguns dispositivos, já regulamentados por antecipação e outra “a continuidade entre os projetos educacionais dos governos que se seguiram ao regime militar”. Assim, a nova LDB, aprovada em 1996 foi, um dos principais instrumentos dessa reforma, “sob uma orientação pouco divergente em relação às grandes diretrizes dos organismos internacionais” (MINTO, 2006, p. 8). Neste aspecto, segundo Minto (2006, p. 8), o Art. 43 foi “crucial ao não reafirmar o princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão de serviços à comunidade”, o que abriu caminho para a diversificação da rede de ensino, com a desintegração das atividades das universidades e o avanço do privado. A estratégia de reformar o ensino, aos poucos, de acordo com Minto (2006) buscou centrar esforços nos pilares: avaliação; autonomia; financiamento e modelo de ensino. Na avaliação, cabe ao governo o papel de fiscalizar o gerenciamento das instituições públicas, por meio de critérios como “a eficiência econômica, a 34 produtividade do trabalho dos docentes e funcionários, a rentabilidade futura e a viabilidade das pesquisas (critério do mercado)” (MINTO, 2006, p.9). Na autonomia, as instituições de ensino são consideradas como organizações e, portanto, capazes de gerir seus recursos como empresas, em que se tem a ideia de custo-benefício. Dessa forma, as próprias instituições se tornam responsáveis por prover recursos que complementem seu orçamento e possibilitem expandir suas atividades (MINTO, 2006). O modelo de organização do ensino prevê que é preciso diversificar, criando várias modalidades de ensino em tipos variados de instituições, sendo que “o tripé ensino/pesquisa/extensão é considerado caro e desnecessário para toda a população” (MINTO, 2006, p. 9), restando esta configuração apenas a poucas instituições de “excelência”. As reformas do ensino superior iniciadas nos anos de 1990, vistas por meio de um conjunto de determinações políticas, econômicas, ideológicas e jurídicas, confirmam muitas estratégias de privatização e a primeira delas “é restringir o financiamento público à educação superior, seja na forma da não-aplicação dos recursos, seja na da redução dos montantes já destinados” (MINTO, 2006, p. 9). Defende-se, assim, o ensino oferecido em “escala” destinado apenas à transmissão de conhecimento, já que a produção de novos conhecimentos caberá a poucas instituições, com padrões de excelência, pelos quais se justificaria a existência do princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. Segundo Minto (2006, p. 9), ao fomentar a diferenciação/diversificação do ensino e das instituições, “abre-se caminho para que, sob o discurso da ineficiência e da incompetência da administração pública (e dos serviços públicos em geral), a lógica do funcionamento do mercado seja introduzida na educação como solução para todos os problemas”. Em consequência, o Estado repassa ao setor privado seus recursos e dá a este autonomia para gerenciar a educação. Para tanto, é necessário cortar o financiamento das IES públicas, favorecendo, obviamente, o setor privado que garante, de certa forma, uma reserva de mercado. A nova Constituição Federal promulgada em 1988, por meio do Art. 213, dá brecha constitucional que permite destinar verbas às escolas privadas, segundo Minto (2006, p. 10): embora a possibilidade de repasses para escola privada esteja condicionada à comprovação de não ter fins lucrativos, transparece 35 uma ‘sutileza jurídica’ quanto à definição do significado de ‘lucro’ (com a expressão ‘excedente financeiro’) e os próprios mecanismos previstos para efeito de comprovação são facilmente manipuláveis. Assim, o setor privado passou a obter verbas públicas, viabilizadas por meio dos mecanismos de financiamento diretos e indiretos, dentre eles, Minto (2006) destaca, as isenções fiscais pelo do PROUNI (Lei nº 11.096/2005) lógica, ampliada no governo Lula; a redução de direitos e encargos trabalhistas com as contratações temporárias e a possibilidade de transformar docentes e técnico-administrativos em pessoa jurídica prestadora de serviços; a transferência de recursos públicos para a produção científica e tecnológica no setor privado, por intermédio dos Fundos Setoriais e por meio da Lei de Inovação Tecnológica (Lei nº 10.973/2004) e fontes diretas de financiamento público ao setor privado, por meio de bolsas para alunos de baixa renda, o Crédito educativo (CREDUC), substituído em 1999 pelo Financiamento do Estudante do Ensino Superior (FIES), entre outros mecanismos. Todas essas reformas empreendidas nos anos de 1990 tiveram sua continuidade durante o governo de Lula. 2.3 REFORMA DA EDUCAÇÃO SUPERIOR NO GOVERNO LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA E O PROGRAMA UNIVERSIDADE PARA TODOS - PROUNI A Reforma da Educação Superior do governo de Lula teve seu início, oficialmente, com o Decreto de 20 de outubro de 2003, que criou o Grupo de Trabalho Interministerial (GTI), composto de 12 membros, incumbidos de analisar a educação superior do Brasil e apresentar um plano de ação que buscasse a reestruturação, desenvolvimento e democratização das Instituições Federais de Ensino Superior (OTRANTO, 2006). Segundo Otranto (2006), o relatório final do grupo foi divulgado, extraoficialmente, em dezembro de 2003, sendo composto de quatro partes: ações emergenciais; autonomia universitária; complementação de recursos (financiamento) e as etapas para implementação da Reforma Universitária. O relatório do trabalho reconhecia a crise educacional brasileira, principalmente das universidades federais, atribuindo o problema à crise fiscal do Estado, demonstrando ainda que a crise já 36 estava atingindo as IES privadas que tiveram crescimento recorde nos últimos anos e encontravam-se ameaçadas pela inadimplência generalizada do alunado, bem como pela crescente desconfiança em relação aos diplomas que expediam. O relatório, por fim, apresentava como soluções a formulação emergencial de um programa de apoio ao ensino superior, em especial às instituições federais, e uma reforma universitária mais profunda. O texto de Otranto (2006) revela que essa reforma mais profunda estava pautada na ampliação do quadro docente, articulada à ampliação de vagas para estudantes de graduação, apontando que era necessário atingir, em 2007, 2,4 milhões de vagas no sistema federal. Embora fosse necessário, para tanto, a abertura de concurso para contratação de professores e servidores, o GTI apresentou como alternativa, a criação de bolsas da CAPES, a fim de aproveitar docentes aposentados e recém doutores nas salas de aula. Outra proposta de mudança apresentada no documento referia-se à Educação a Distância que, segundo o grupo de trabalho, promoveria a expansão da oferta de ensino, o que mesmo com a ampliação de recurso seria limitada na educação presencial. Assim, o EAD apresentava-se como um caminho viável e necessário, conforme aponta Otranto (2006). A defesa da Educação a Distância esteve presente também, e de modo enfático, no discurso do Ministro da Educação, Cristovam Buarque que em um documento de sua autoria intitulado “Universidade numa Encruzilhada”, defendia a implantação da “universidade aberta”, uma revolução no conceito de universidade, levando a toda a população aulas transmitidas pela televisão, rádio e internet (OTRANTO, 2006). Otranto (2006), em seu texto, chama a atenção para uma análise minuciosa desse discurso de Buarque, que defende a educação a distância de forma indiscriminada, como “o caminho mais viável para a ampliação de vagas na educação superior” (OTRANTO, 2006, p. 3). Segundo dados do documento do GTI, Otranto (2006) aponta que a meta estabelecida até 2007 era da ampliação de 600 mil vagas no ensino superior, no que tange à educação a distância, havia a pretensão de atender 500 mil alunos, o que levava a crer que apenas 100 mil estudantes seriam atendidos nos cursos presenciais, dando margem à entrada de multinacionais no mercado da educação a distância. 37 À agenda de mudanças previstas no documento do GTI está a Autonomia Universitária, Otranto (2006) aponta que no relatório apresentado está presente a “garantia” de autonomia, havendo uma relação explícita entre a crise que assola as universidades públicas e as “amarras legais que impedem cada universidade de captar e administrar recursos, definir prioridades e estruturas de gastos e planejamento” (OTRANTO, 2006, p. 4). Dessa forma, o documento aponta, segundo Otranto (2006, p. 4) que “a imediata garantia de autonomia às universidades é um passo necessário para enfrentar a emergência”. Em um primeiro momento, o discurso parece ir ao encontro dos anseios das comunidades universitárias, porém como expõe Otranto (2006), no decorrer do texto do relatório percebe-se que a autonomia proposta diz respeito tão somente à questão financeira, ou seja, a liberdade existente está no fato da universidade poder captar no mercado recursos, o que daria fôlego financeiro ao Estado, que se obrigaria a complementar, unicamente, os recursos, não tendo mais o dever de manter financeiramente as universidades públicas. Otranto (2006, p. 5) assevera que a inspiração dessa “autonomia financeira” do GTI veio, como as demais, dos documentos do Banco Mundial que considera a educação superior brasileira “um campo extremamente privilegiado devido aos subsídios governamentais a ela destinados”, e sugere uma ampla reforma. O Banco Mundial associa de forma bastante explícita o conceito de autonomia universitária à lógica empresarial. A partir de análises que privilegiam a quantidade da clientela; o custo/benefício do sistema; a diferenciação institucional; a necessidade do Estado retirar-se quase por completo da administração e manutenção do Ensino Superior; o incentivo à privatização; a obediência estrita às demandas de mercado; a diversificação de fontes de recursos; o interesse privado em lugar do público sobre o ensino, justificando dessa forma o ensino pago, o BM reivindica maior autonomia para as instituições públicas (OTRANTO, 2006, p. 5). O documento do Grupo de Trabalho também faz referência ao financiamento, apresentando como alternativas as contribuições voluntárias e não voluntárias de ex-alunos; a distribuição da CPMF, permitindo que uma parte dos recursos seja canalizada para as áreas de saúde das universidades públicas; como também propõe a retirada da folha de pagamento dos inativos do orçamento das universidades federais; propõe ainda uma Lei de Incentivo Fiscal para o ensino superior; a criação de fundos empresariais para financiar o funcionamento das IFES 38 e um acordo de troca da dívida externa por investimentos na educação (OTRANTO, 2006). Otranto (2006, p. 8) sintetiza que “os fundamentos da Reforma da Educação Superior do Governo Lula estão calcados em marcos regulatórios defendidos pelos Organismos Internacionais”. Sendo, portanto, que parte desses fundamentos esteve presente no documento elaborado pelo GTI e deu diretrizes para medidas legais que foram sendo implantadas, traçando a Reforma conforme os interesses governamentais. Otranto (2006, p. 8) destaca entre as medidas, “o PROUNI, o SINAES, a Lei de Inovação Tecnológica, as Parcerias Público-Privadas, o Decreto que normatiza a Educação a Distância, além das medidas já adotadas para a Educação Profissional”. Seguindo os objetivos propostos neste trabalho, daremos adiante ênfase ao chamado Programa Universidade para Todos – PROUNI. Conforme afirma Minto (2006, p. 1), “a universidade brasileira, bem como toda a rede de ensino superior no país, é herdeira de uma história de desenvolvimento peculiar. Criada tardiamente em relação a outros países e específica em suas funções, isso lhe rendeu um caráter fortemente elitista”. Corrobora à afirmativa acima o excerto de Florestan Fernandes (1979, p. 39): [...] o ensino superior continua a caracterizar-se por sua natureza ultraelitista, que não pode ser corrigida por passes de mágica e a curto prazo. De outro, porque as linhas escolhidas para atingir o incremento apontado concorrem para aumentar, em vez de corrigir ou atenuar, as contradições e as anomalias do padrão brasileiro de ensino superior. O que podemos perceber nestes excertos é que o discurso de Fernandes, em seu texto de 1979, é reforçado quase três décadas depois por Minto (2006), intensificando a fala de que a educação brasileira privilegia a elite em detrimento a maioria da população, que se vê em um ciclo vicioso, no qual a ascensão pela educação se torna um caminho improvável. No diagnóstico apresentado no documento final do Grupo de Trabalho Interministerial – GTI, apontou-se também como ação emergencial para sair da crise, ou como primeiro passo “assegurar um fluxo regular de recursos para aquelas instituições universitárias que aceitaram aderir a um Pacto de Educação para o Desenvolvimento Inclusivo” (TORRES; NASCIMENTO; SILVA et al., 2004, p. 52). 39 Dessa forma, coube ao Ministro da Educação, Tarso Genro, a formulação de projetos de lei que acelerassem a reforma do ensino superior. Assim, é encaminhado ao Congresso, pelo Ministro, em abril de 2004, dois projetos de lei que tratam da Reserva de Vagas e da Instituição do PROUNI (TORRES; NASCIMENTO; SILVA et al., 2004). O PL nº 3582/2004 que dispõe sobre a instituição do PROUNI, encaminhado ao Presidente da República, tem por objetivo a democratização do acesso da população de baixa renda ao ensino superior e, para tanto, apresentou como justificativas, segundo documento Publicado pelo Grupo de Trabalho de Política Educação – GTPE/ANDES-SN (TORRES; NASCIMENTO; SILVA et al., 2004, p. 53): − Existência de uma demanda para o ingresso na universidade, que dobrou de 5,7 milhões para 9,8 milhões entre 1998 e 2002, conforme dados do INEP. Ao mesmo tempo, nesse período, as instituições de ensino superior da rede privada tiveram uma enorme expansão, apresentando 37,5% de vagas ociosas. Nas instituições públicas esse percentual é de 5%. − Estímulo às instituições privadas a destinarem gratuitamente 10% de suas vagas para estudantes de baixa renda, tendo como contrapartida isenção de impostos federais (sobre Renda das Pessoas Jurídicas-IRPJ -, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social-COFINS-, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido-CSLL- e da Contribuição para o PIS/PASEP) a quem aderir ao PROUNI. − Permissão para que os alunos de baixa renda transponham a enorme barreira entre o ensino médio e a educação superior. − Recuperação da dignidade do conceito de filantropia, vez que uma minoria de instituições valem-se do mesmo para se desincumbir dos tributos. − Estabelecimento de um pacto pela qualidade do ensino, vinculando a adesão ao programa a um desempenho suficiente no novo modelo de avaliação do ensino superior (SINAES). − As medidas propostas não aumentam o aporte de recursos públicos ao financiamento do setor privado e estimula que a renúncia de tributos pagos pelas instituições não-filantrópicas seja compensada pelo aumento da arrecadação de tributos pagos pelas instituições filantrópicas que alterarem seu regime jurídico. 40 − Atingimento da meta proposta pelo Plano Nacional de Educação, PNE, Lei n° 10172/2001), que é a de prover, até o final da d écada, educação superior para pelo menos 30% da população na faixa etária de 18-24 anos, o que torna imperativo que essas medidas sejam tomadas imediatamente. Referente ao conteúdo, a bolsa destina-se (TORRES; NASCIMENTO; SILVA et al., 2004, p. 54): − aos estudantes oriundos de instituições públicas, cuja renda familiar não exceda a um salário-mínimo per capita para realizar cursos de graduação ou sequencial de formação específica. − a professores da rede pública de educação básica. No que diz respeito à seleção (TORRES; NASCIMENTO; SILVA et al., 2004, p. 54): − A partir dos resultados do ENEM. − Via PROUNI sem vestibular. Quanto a Adesão ao PROUNI (TORRES; NASCIMENTO; SILVA et al., 2004, p. 53): − As instituições privadas poderão aderir ao PROUNI, mediante assinatura de termo de adesão, com prazo de 10 anos, oferecendo uma bolsa para cada nove alunos regularmente matriculados nos cursos existentes na instituição. − Os termos do acordo podem ser modificados em qualquer momento desde que haja consenso entre as partes. − 10% das vagas, de cada curso, em todos os turnos da instituição isoladamente. − O acesso prevê o remanejamento de percentual para restabelecer a proporção acordada, oferecendo vagas para o “reequilíbrio” nos processos de seleção subsequentes. Assim, o Programa Universidade para Todos – PROUNI criado pelo Governo Federal em 2004 e institucionalizado pela Lei nº 11.096, em 13 de janeiro de 2005, surge como uma tentativa de elevar ao ensino superior aqueles estudantes, que 41 ficaram à margem do acesso à universidade, seja por suas condições econômicas, ficando impedidos de ingressar em uma IES privada, seja porque não lograram êxito no ingresso em uma IES pública (BRASIL, 2008). Nos documentos oficiais (BRASIL, 2005), o PROUNI é definido como um “compromisso do Governo Federal de democratizar o acesso à educação superior, representando uma política pública de ampliação de vagas, estímulo ao processo de inclusão social e geração de trabalho e renda aos jovens brasileiros”, portanto, nasce dentro de uma perspectiva social. Dessa forma, o PROUNI tem como finalidade a concessão de bolsas de estudos integrais e parciais em cursos de graduação e sequenciais de formação específica, em IES privadas, em contrapartida há isenção de alguns tributos àquelas instituições que aderem ao Programa. Para Carvalho (2006), a cessão de bolsas de estudos integrais e parciais a estudantes do ensino superior em troca de isenção fiscal surge acompanhada pela “retórica de justiça social e de inclusão das camadas sociais menos favorecidas, cujo o principal indicador é o baixo contingente de alunos de 18 a 24 anos que frequenta o ensino superior” (CARVALHO, 2006, p. 980), tendo apoio evidente da sociedade que busca o acesso ao ensino superior, bem como “é acompanhado pela pressão das associações representativas do segmento privado” (CARVALHO, 2006, p. 980) . No parágrafo seguinte de seu texto, Carvalho (2006, p. 980) aponta, contudo, que é “importante contextualizar o programa no bojo do ambiente econômico mais amplo e nas mudanças ocorridas na forma de operação da política fiscal, que alteram os espaços de financiamento de políticas públicas”, pois a renúncia fiscal serve como um dispositivo de financiamento da política pública para a educação superior privada. Na percepção de Torres, Nascimento e Silva et al. (2004, p. 53), no PROUNI: A questão de fundo é, de fato, a diluição das fronteiras entre o público e o privado. O estabelecimento privado - de fins mercantis - e a universidade - de caráter público e gratuito passam a compor um único sistema e, naturalmente, ambas deverão possuir o mesmo direito de receber os recursos do Estado, desde que atendam aos requisitos do sistema de avaliação e que tenham compromisso social. Dessa forma, Torres, Nascimento e Silva et al. (2004, p. 55) considera que por meio do “Pacto da Educação para o Desenvolvimento Inclusivo” tem de modo 42 mais amplo, “a encomenda de vagas “públicas” nas instituições privadas” e que isso “é um passo imensurável no apagamento da fronteira entre o público e o privado”. No entanto, conforme afirma Carvalho (2006, p.981), “para compreender os moldes de construção do PROUNI, torna-se relevante, em primeiro lugar, conhecer o contexto econômico no qual este programa se insere”, seja no tocante à nova lógica das finanças públicas, seja no que se refere às mudanças ocorridas na legislação da renúncia fiscal direcionadas às IES. Para tanto, torna-se necessário compreender as alterações ocorridas na gestão da política fiscal, no início da década 1990, e as dificuldades em ampliar os gastos públicos. Por um longo período, o indicador basilar da situação fiscal do país era o déficit público e, desta forma, o controle do excesso de despesas sobre receitas era destaque na política macroeconômica e, consequentemente, os organismos multilaterais defendiam seu corte como primícia da política de ajustamento. (CARVALHO, 2006). Com a integração das economias, houve alteração desse indicador. Carvalho (2006, p. 981) aponta que “a questão fiscal ganhou lugar central no arranjo da política macroeconômica, sobretudo, a dívida pública tornou-se um dos ativos usados na valorização do capital financeiro”, desta forma, a corrente econômica dominante passa a exigir esforço adicional por parte dos países em desenvolvimento para captarem novos fluxos de capital, assim, a boa situação fiscal do país passa a ser parte da exigência e, a sustentabilidade da dívida, passou a ser o novo indicador. Foi a partir do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), em 1998 que a nova exigência de política fiscal foi definitivamente implantada no Brasil, exigindo-se do país um superávit primário capaz de assegurar a sustentabilidade da dívida, não importando as taxas de câmbio e de juros incidentes sobre o estoque da dívida pública. Assim, “a existência de taxa de juros reais elevada e a instabilidade cambial, ao lado da medíocre evolução do PIB, não deixaram alternativa senão promover constantes aumentos do superávit primário” (CARVALHO, 2006, p. 982). Já no governo de Lula, de acordo com Carvalho (2006, p. 983) numa continuidade econômica, a elevação do superávit primário ocorreu em função do aumento da carga tributária (30% do PIB, em 1998, para 35% em 2003), e também por causa de importantes cortes nos gastos públicos. Dessa forma: 43 A adoção da âncora fiscal implica a definição, à priori, do superávit primário. Assim, o valor dos gastos passa a se ajustar ao comportamento da receita orçamentária, o que acarreta cortes de despesas, sobretudo em custeio e capital. Explicam-se assim o arrocho salarial, o corte das verbas de custeio com saúde, educação e outros, bem como a redução dos gastos com investimentos. Outro aspecto a ser considerado, dentro da política de incentivos e isenções fiscais para apoiar a atuação privada, de acordo com Carvalho (2006), nos remete ao governo militar dos anos 60, que valeu-se de tal instrumento para alavancar o projeto de desenvolvimento nacional, beneficiando inúmeros setores, dentre eles o ensino superior, no qual as IES privadas, por meio da Lei nº 5.172/66, desfrutaram, desde sua criação, de imunidade fiscal, não recolhendo aos cofres públicos a receita tributária devida, o que possibilitou a este segmento crescimento e prosperidade durante o período de crise. Embora houvesse requisito que restringissem às instituições de ensino o acesso à imunidade fiscal, muitas delas foram beneficiadas, sendo assim, a própria IES ou a mantenedora, na forma de associação civil ou fundações, tida como entidade sem fins lucrativos poderia receber por seus serviços e produtos, entretanto, deveria reinvestir seu superávit na manutenção e expansão de suas atividades (CARVALHO, 2006). De acordo com o apresentado no texto de Carvalho (2006), de modo geral, a imunidade refere-se ao Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU); Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN); Imposto sobre Renda e Proventos de Qualquer Natureza (IRPJ) e Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. As instituições filantrópicas, além da imunidade, desfrutam da isenção da cota patronal da Previdência Social, em troca, obrigam-se a destinar 20% da receita bruta em gratuidade. Com relação ao Programa de Integração Social (PIS), as IES com fins e sem fins lucrativos recolhem sobre o faturamento ou receita bruta e as filantrópicas a cobrança do tributo incide sobre a folha de pagamento. A imunidade estende-se ainda sobre a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e sobre a Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social (COFINS). Desse modo, como apresenta Carvalho (2006, p. 983) “os impactos microeconômicos da renúncia fiscal repercutiram no processo de expansão a partir dos anos de 1970”, sendo que as isenções fiscais possibilitaram às instituições 44 adquirem maior número de imóveis, expandindo o número de cursos e alunos; estimularam o aumento de matrículas, considerando que não haveria tributação sobre a ampliação da prestação de serviços; possibilitaram a continuidade da atividade exercida pelas IES, bem como sua saúde financeira. O resultado positivo obtido possibilitou viabilizar financiamento bancário, o auxílio externo e a obtenção de recursos de agências de fomento. Contudo, com a alteração promovida pelo Art. 20 da LDB de 1996, as instituições foram obrigadas a se classificarem em privadas lucrativas e sem fins lucrativos (confessionais comunitárias e filantrópicas). Tal mudança legislativa ampliou a arrecadação da União e dos municípios, consequentemente, reduziu de forma relevante, a rentabilidade de grande parte das IES privadas, que deixaram de ser beneficiadas diretamente pelos recursos públicos e indiretamente por meio da renúncia fiscal, como previa o Art. 213 da Constituição Federal de 1988. Portanto, é neste contexto que o Programa Universidade para Todos – PROUNI, uma ação prioritária do Governo de Lula, foi criado, articulado à operação da política fiscal, assim como ao mecanismo indireto de renúncia fiscal às Instituições de Ensino Superior Privadas (CARVALHO, 2006). A expansão intensa do setor privado de ensino superior registrado nos anos de 1970 teve um novo crescimento na década de 1990, principalmente entre 1998 e 2002, o que resultou na oferta de um número excessivo de vagas que, de acordo com o INEP – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, foi superior ao número de formandos no ensino médio, fenômeno este que demonstra que o segmento privado disponibiliza um contingente de vagas não procuradas pelos estudantes (CARVALHO, 2006). No que concerne à acessibilidade ao ensino superior, segundo Carvalho (2006, p. 992) os dados sobre o perfil dos estudantes “revelam que a democratização do ensino é bastante complexa no Brasil, diante da brutal desigualdade de renda entre as famílias e a reduzida parcela do ensino gratuito de qualidade”. Embora tenha ocorrido uma expansão na oferta de vagas em 2004, a escolaridade líquida da população de 18 a 24 anos é ainda muito baixa e corresponde a 10,4%, considerando-se que 60% dos matriculados estavam nesta faixa etária (CARVALHO, 2006). 45 Quando os dados são analisados a luz da renda familiar per capita em salários mínimos, na mesma faixa etária de 18 a 24 anos, observa-se que a proporção de alunos aumenta conforme as faixas de renda mais elevadas. Assim, nas faixas acima de três salários mínimos, o percentual de alunos é de 35%, ao passo que, na faixa de renda de até um salário mínimo, encontramos apenas 1,5% de alunos que frequentam o ensino superior e o dado mais alarmante, apresentado por Carvalho (2006) em seu texto, aponta que 86% dos jovens nessa faixa etária, enquadram-se nos níveis de renda de menos de três salários mínimos, público alvo do PROUNI. A situação, afirma Carvalho (2006, p. 992) “é ainda mais grave, pois a maior parte dessa população encontra-se em atraso escolar e, dessa forma, não pode ser atingida por qualquer política de estímulo à entrada no sistema”. Dados do PNDA Pesquisa Nacional por Amostras Domiciliares (1999) revelam que 46% abandonaram os estudos antes de concluir o ensino médio; 10% estudam, mas não na série correspondente à idade; 19% concluíram o ensino médio e não prosseguiram nos estudos e, apenas 25% frequentam o ensino médio ou superior (CASTRO, 2005 apud CARVALHO, 2005). O financiamento estudantil concedido por meio do FIES, também não se mostra uma alternativa de acesso favorável ao estudante de baixa renda, face à defasagem entre a taxa de juros do empréstimo e a taxa de crescimento da renda do recém-formado, somada ao aumento do desemprego na população com formação superior. A estas dificuldades, reúne-se a exigência do fiador e a possibilidade máxima de financiamento de 50% do valor da mensalidade, condições que não possibilitam que grande parte da população de baixa renda tenha acesso a esta política pública (CARVALHO, 2006). O PROUNI aparece, portanto, como uma via única de acesso ao ensino superior àqueles alunos socialmente desfavorecidos, contudo Carvalho (2006) questiona a efetividade desse programa, considerando que as camadas mais baixas não necessitam apenas de gratuidade integral ou parcial para estudar, mas ainda de outras condições como transporte, moradia estudantil, alimentação subsidiada, assistência médica disponível nos hospitais universitários e bolsas de trabalho e pesquisa. Dessa forma, o Ministério da Educação passou a conceder, a partir de 2006, a bolsa permanência, um auxílio de R$ 300,00 que tenciona cobrir despesas com 46 transporte, alimentação e material didático, beneficiando os que estudam em tempo integral. A iniciativa é importante, mas insuficiente, tanto por questões monetárias como também pela insuficiente abrangência. Dados dos anos de 2005 e 2006 revelam que apenas 2% do total de bolsistas era beneficiada (CARVALHO, 2006). Catani e Gilioli (2005 apud CARVALHO, 2006, p. 994) em seu texto, demonstram uma percepção apropriada com relação ao Programa, ao afirmarem que: o PROUNI deve promover uma política pública de acesso, mas não de permanência e conclusão do curso, orientando-se por uma concepção assistencialista, nos moldes das recomendações do Banco Mundial, que oferece benefícios e não direitos aos egressos do ensino médio público. Na concessão de bolsas de estudos parciais de 50%, caso os beneficiários não possam pagar a parte que lhes cabe, não é permitida a matrícula no semestre ou no ano seguinte, o que tende a aumentar a possibilidade de evasão. Carvalho (2006) aponta ainda alguns dados, obtidos no site do MEC, que reafirmam a fala acima, assim das 112 mil matrículas efetuadas em 2005, cerca de 95 mil estudantes permanecem, cuja taxa de evasão é de 15%, que podem estar associadas a dificuldades financeiras ou à insatisfação com a instituição ou com o curso. Assim, a manutenção da educação superior de relativa qualidade na rede pública, contingenciada e incapaz de atender a demanda histórica, manifesta a necessidade latente de novas vagas. 47 3 LOCAL DE DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA – CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ Tomando-se como estudo de caso o Centro Universitário de Maringá, faz-se relevante conhecer quais são as origens e como se estrutura este Centro Universitário, qual é a sua missão, sua visão e seus objetivos organizacionais. Assim, o Centro de Ensino Superior de Maringá (CESUMAR), pessoa jurídica de direito privado, com sede e foro na cidade de Maringá – Estado do Paraná, fundado em 7 de junho de 1986, mantenedora do Centro Universitário de Maringá tem sua origem nas faculdades integradas de Maringá com a implantação, no ano de 1990 do curso de Administração e do curso superior de Tecnologia em Processamento de Dados. Após uma ampliação gradativa das atividades de ensino, pesquisa e extensão, em janeiro de 2002, o CESUMAR transformou-se em Centro Universitário, por meio de um decreto assinado pelo ministro da Educação, Paulo Renato de Souza, por meio do parecer CNE/CES no 1.359/2001 de 12/12/2001, portaria ministerial no 95 de 16/01/2002. O processo que buscou a mudança de categoria do CESUMAR começou em 1999, quando foi apresentado ao Ministério da Educação o Plano de Desenvolvimento Institucional. Depois de receber parecer favorável do MEC, foram cumpridas outras etapas até a aprovação do Conselho Nacional de Educação. O CESUMAR dispõe de uma infraestrutura moderna, assentada em 90 mil m2 de área construída, que abriga 250 salas de aula, 4 anfiteatros, 102 laboratórios, com equipamentos de última geração, 6 Clínicas: Odontologia, Fisioterapia, Nutrição, Fonoaudiologia; Estética e Psicologia, 1 Hospital Veterinário, 1 FazendaEscola, localizada a 10 km do centro de Maringá, com 160 alqueires, onde se desenvolvem projetos de biotecnologia e reprodução animal; 3 ginásios de esporte, 2 quadras de tênis, 1 campo de futebol suíço, pista de atletismo, piscina semiolímpica, 1 Restaurante Escola, Farmácia Escola, 3 Cantinas, um Centro de Hospitalidade (hotel/restaurante) e uma Biblioteca com 4.200m2, com um acervo formado por mais de 150.000 volumes. 48 Segundo Churchill e Peter (2005), a declaração de missão descreve o propósito da empresa diferenciando-a de outras similares, e deve ser específica o suficiente para orientar seus membros quanto às atividades que devem ser priorizadas. Para Levitt (apud HOOLEY, 2005, p. 26) a definição da missão exige que a empresa faça as seguintes perguntas: “Em que negócio estamos? Em que negócio queremos entrar?”. Costa (2004, p. 36) salienta outras questões que devem ser respondidas para a formulação da missão: “Qual a necessidade básica que a organização pretende suprir? Que diferença faz, para o mundo externo, ela existir ou não? Para que serve? Qual a motivação básica que inspirou seus fundadores? Por que surgiu? À medida que as organizações vão crescendo a missão pode mudar. É o que afirma Kotler e Armstrong (2005). Para esses autores, as novas condições do ambiente, o crescimento da organização, o surgimento de novos produtos e mercados, pode tornar a missão atual obscura. A missão deve se adequar ao ambiente de mercado e ser motivadora. Assim, o CESUMAR ([200?]) tem por missão: “promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimento, formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária”. Busca, dessa forma, por meio de sua missão, a integração do ensinopesquisa-extensão, com as demandas institucionais e sociais; a realização da prática acadêmica que contribua para o desenvolvimento da consciência social e política e a democratização do conhecimento com a sociedade. As grandes empresas compreendem a diferença entre o que nunca deve ser mudado e o que deve estar aberto a mudanças. Essa rara capacidade de administrar continuidade e mudança – que exige disciplina consciente - está vinculada à capacidade de desenvolver uma visão. É a visão que indica os princípios básicos que devem ser preservados e para qual futuro deve progredir. De acordo com Chiavenato (2004, p. 66), “visão é a imagem que a organização tem a respeito de si mesma e de seu futuro. É o ato de ver a si própria no espaço e no tempo”. A visão corporativista ganha mais importância a cada dia que passa, devido ao fato de as empresas avançarem para modelos administrativos mais descentralizados e com menos gerentes médios. Neste contexto, o CESUMAR ([200?]) tem por visão 49 ser reconhecida como uma Instituição universitária de referência regional e nacional pela qualidade e compromisso do corpo docente; aquisição de competências institucionais para o desenvolvimento de linhas de pesquisa; consolidação da extensão universitária; qualidade da oferta do ensino presencial e a distância; bem-estar e satisfação da comunidade interna; qualidade da gestão acadêmica e administrativa; compromisso social de inclusão; processos de cooperação e parceria com o mundo do trabalho e compromisso e relacionamento permanente com os egressos, incentivando a educação continuada. Ao definir a visão organizacional, a empresa expõe aonde deseja chegar, proporcionando alicerce para a formulação dos objetivos organizacionais que serão utilizados como diretrizes, com a finalidade de direcioná-la no tempo e no espaço. De acordo com Churchill e Peter (2005, p. 89) “os objetivos descrevem os resultados pretendidos com a realização da missão, como o nível de lucro pretendido para a empresa, posição no mercado, responsabilidade social ou nível de qualidade”. Chiavenato (2004, p. 69) conceitua os objetivos como sendo “um resultado desejado que se pretende alcançar dentro de um determinado período”. Com a finalidade de cumprir suas metas pré-estabelecidas, as organizações traçam objetivos específicos e mensuráveis com prazos finais realistas e alcançáveis. Segundo Stoner e Freeman (2005, p. 136) os objetivos são importantes por quatro razões: 1. Os objetivos proporcionam um senso de direção. Por meio desses, as pessoas reforçam sua motivação e obtêm uma fonte de inspiração que as ajuda a superar os inevitáveis obstáculos que encontram. 2. Os objetivos focalizam nossos esforços. Dirige os esforços para um fim específico, não desperdiçando energia com atividades não benéficas à organização. 3. Os objetivos guiam nossos planos e decisões. A partir dos objetivos estabelecidos, as decisões e o planejamento são direcionados para a consecução dos mesmos. 4. Os objetivos nos ajudam a avaliar nosso progresso. A avaliação contínua do desenvolvimento permite verificar se os objetivos estabelecidos estão sendo alcançados, podendo haver ações corretivas sempre que necessário. Assim, a Instituição CESUMAR ([200?]) analisada tem por objetivos educacionais: manter os cursos, das diferentes áreas, em contínuo e crescente processo de avaliação, buscando a excelência do padrão de qualidade, de modo a oferecer um ensino com qualidade e equidade; articular Ensino, Pesquisa e Extensão, propiciando uma formação 50 integral ao acadêmico de modo a contribuir para a formação de uma consciência crítica, que lhe permita refletir sobre a problemática social, de seu papel como sujeito e ator social no processo de mudança e construção de sociedade mais justa e igualitária. Ademais, o CESUMAR ([200?]) possui como objetivos pedagógicos: articular e promover a interdisciplinaridade e uso de metodologias alternativas e abrangentes, de modo a formar profissionais dotados de conhecimentos do todo e habilitados a uma prática competente, ética e socialmente responsável; buscar a produção do conhecimento em todas as suas formas, questionando as teorias e os processos de investigação, fazendo do ato educativo um trabalho para a práxis profissional consciente e voltada para a resolução dos problemas impostos à sociedade como um todo. Além dos objetivos citados anteriormente, a Instituição tem por objetivos internos: propiciar a comunidade acadêmica uma participação dialógica nas definições das políticas de ensino, pesquisa e extensão, favorecendo uma relação inclusiva; viabilizar as condições necessárias para a promoção da qualificação e educação continuada do corpo docente e administrativo; promover a conscientização da comunidade acadêmica, quanto à necessidade do zelo e manutenção das instalações físicas e equipamentos necessários ao bom desempenho do ensino, pesquisa e extensão; assegurar uma estrutura administrativa e organizacional de forma que as propostas decisórias tenham participação democrática (CESUMAR, [200?]). Não obstante, por se tratar de uma instituição de ensino superior, o CESUMAR ([200?]) preocupa-se com a melhoria do meio no qual está inserido, sendo os objetivos sociais: priorizar, em suas atividades, o diagnóstico, num caráter regional, dos problemas e necessidades, estabelecendo uma relação com a sociedade para propor alternativas de soluções por meio de projetos e programas, de modo a propiciar uma participação efetiva do aluno na comunidade e na resolução de problemas; aperfeiçoar e intensificar a integração entre órgãos, setores e atividades afins, promovendo atividades culturais que envolvam toda a comunidade acadêmica; intensificar a busca por novas parcerias e projetos, contribuindo para a formação profissional de nossos alunos e com o desenvolvimento regional integrado. Além do social, existe a questão ambiental: enfatizar e participar, como já tem feito sistematicamente, da preservação do meio ambiente, por meio da Educação Ambiental e da elaboração de projetos, visando a participação de acadêmicos e da sociedade na preservação de nosso ecossistema e aproveitamento sustentável das riquezas da região (CESUMAR, [200?]). 51 4 O PROGRAMA UNIVERSIDADE PARA TODOS – PROUNI E A EVOLUÇÃO NA OFERTA DE BOLSAS Nesse capítulo serão apresentados dados referentes ao PROUNI em contexto nacional, no período de 2005 a 2011, assim como os dados referentes as bolsas e os bolsistas, no mesmo período, no Centro Universitário de Maringá – CESUMAR. 4.1 CONTEXTO NACIONAL De acordo com os dados do Ministério da Educação – MEC, o número de bolsas oferecidas pelo PROUNI, desde a sua implantação até o ano de 2011, conforme consta na Tabela 1 foram de: Tabela 1. Número de bolsas de estudo oferecidas pelo PROUNI, no período de 2005 a 2011. Ano Bolsas Parciais Bolsas Integrais Total 2005 40.370 71.905 2006 39.970 98.698 2007 66.223 97.631 2008 125.510 99.495 2009 94.517 153.126 2010 115.351 125.922 2011 124.926 129.672 Fonte: SISPROUNI 17/06/2011 – PROUNI 2005 – 2º/2011. 112.275 138.668 163.854 225.005 247.643 241.273 254.598 Assim, o gráfico abaixo ilustra o crescimento no número de vagas até o ano de 2011, o que totalizaram 1.383.316 vagas, das quais, 56,1% correspondem a vagas de bolsas integrais e 43,9% correspondem a vagas de bolsas parciais (25% ou 50%). 52 Gráfico 1. Número de bolsas de estudo oferecidas pelo PROUNI, no período de 2005 a 2011. Fonte: SISPROUNI 17/06/2011 – PROUNI 2005 – 2º/2011. Contudo, do número total de vagas oferecidas até 2011 de 1.383.316, apenas 863.771 vagas (Gráfico 2 – Número de bolsistas do PROUNI por região brasileira, no período de 2005 a 2011) foram preenchidas por candidatos que obtiveram a nota mínima de 45 pontos no ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) e comprovaram a renda familiar per capita exigida – menor do que três salários mínimos. Gráfico 2. Número de bolsistas do PROUNI por região brasileira, no período de 2005 a 2011. Fonte: SISPROUNI 17/06/2011 – PROUNI 2005 – 2º/2011. Dessa forma, houve um percentual de 37,6% de vagas ociosas no período 2005 a 2011, o que leva a acreditar que o principal motivo desta ociosidade nas vagas ofertadas pelo PROUNI, possa ser devido à nota mínima de corte de 45 53 pontos do ENEM que não foi atingida. Há também a possibilidade do candidato não ter se enquadrado, após ter obtido a nota necessária no ENEM, aos critérios de renda familiar per capita – para bolsa integral de até um salário mínimo e meio e bolsa parcial de até três salários mínimos ou ainda a dificuldade de acesso no curso escolhido em primeira opção, bem como a localização da Instituição. Outro fator que dificulta o preenchimento efetivo de uma vaga do PROUNI, em determinado ano, pode ser a insuficiência monetária para arcar com custos adicionais como transporte, moradia estudantil, alimentação e outros custos ligados à aquisição de material didático e livros. Embora o Programa, a partir do ano de 2006, passasse a contemplar a bolsa permanência (auxílio de R$ 300,00 para cobrir despesas extras) aos alunos que estudam em tempo integral, não foi suficiente para atender a demanda, pois nem todos os alunos beneficiados pelo PROUNI estão matriculados em cursos integrais. Os supostos motivos do percentual de evasão não encerram aqui, o Gráfico 3 ilustra o número de bolsista do PROUNI por tipo de bolsa no período de 2005 a 2011, sendo que 33% dos beneficiados são contemplados com bolsas parciais, tendo que arcar com o restante equivalente da mensalidade. Gráfico 3. Número de bolsistas do PROUNI por tipo de bolsa, no período de 2005 a 2011. Fonte: SISPROUNI 17/06/2011 – Bolsistas PROUNI 2005 – 2º/2011. Observa-se, ainda, no Gráfico 4 – Número de bolsistas do PROUNI, por modalidade de ensino, no período de 2005 a 2011, que 96.512, um número considerável de bolsistas, são do ensino a distância, uma modalidade que necessita de recursos tecnológicos como computador, acesso à Internet em banda larga e deslocamento periódico aos polos presenciais, condições que muitos alunos não possuem. 54 Gráfico 4. Número de bolsistas do PROUNI, por modalidade de ensino, no período de 2005 a 2011. Fonte: SISPROUNI 17/06/2011 – PROUNI 2005 – 2º/2011. Por fim, o aluno beneficiado pode apresentar insatisfação com o curso ou até mesmo com a IES para a qual foi aprovado, já que a escolha da instituição e do curso é feita pelo candidato ao se inscrever, podendo apontar até três opções, em instituições e cursos diferentes, obedecendo a critérios de prioridades do candidato e, após o exame do ENADE, conforme resultado obtido, o aluno pode não ser direcionado ao curso e à Instituição de preferência primeira, desta forma, ingressando e abandonando a vaga, posteriormente. Outros dados relativos ao Programa Universidade para Todos, segundo SISPROUNI, são apresentados detalhadamente no Gráfico 5 – Número de bolsas ofertadas por região, no período de 2005 a 2011. Gráfico 5. Número de bolsas do PROUNI ofertadas por região, no período de 2005 a 2011. Fonte: SISPROUNI 17/06/2011 – PROUNI 2005 – 2º/2011. 55 Desta forma, percebe-se que o número de bolsas ofertadas, especificamente, na região Sul foram de 270.214, das quais 61,5% foram ocupadas, no período de 2005 a 2011. Comparando-se as demais regiões, o Sudeste apresenta taxa 63%, Nordeste 61,8%, Centro-Oeste 61,2% e Norte 64,4%, observa-se, portanto, que a região Norte, embora ofereça o menor número de bolsas, é a região que apresenta maior percentual de ocupação das vagas ofertadas. O Gráfico 6, a seguir, apresenta os percentuais relativos a bolsistas por turno: noturno, matutino, integral e vespertino, observando-se que o percentual de maior representatividade, ou seja, 74% são de alunos que estudam em cursos noturnos. Gráfico 6. Número de bolsistas do PROUNI por turno, no período de 2005 a 2011. Fonte: SISPROUNI 17/06/2011 – PROUNI 2005 – 2º/2011. Observa-se, também, que o percentual de bolsistas homens é 2% menor do que de mulheres (Gráfico 7 – Número de bolsistas do PROUNI por sexo, no período de 2005 a 2011), sendo que destes, 47,9% são da raça branca e apenas 0,2% são indígenas, conforme dados do Gráfico 8. 56 Gráfico 7. Número de bolsistas do PROUNI por sexo, no período de 2005 a 2011. Fonte: SISPROUNI 17/06/2011 – PROUNI 2005 – 2º/2011. Gráfico 8. Número de bolsistas do PROUNI por raça, no período de 2005 a 2011. Fonte: SISPROUNI 17/06/2011 – PROUNI 2005 – 2º/2011. Assim, conforme dados do SISPROUNI (Gráfico 9 – Número de bolsistas do PROUNI da Região Sul, no período de 2005 a 2011), dos 166.220 bolsistas da região Sul, 46,3% são do estado do Paraná, 39,6% são do Rio Grande do Sul e apenas 14,2% do estado de Santa Catarina. 57 Gráfico 9. Número de bolsistas do PROUNI da Região Sul, no período de 2005 a 2011. Fonte: SISPROUNI 17/06/2011 – PROUNI 2005 – 2º/2011. No estado do Paraná, conforme dados dos Gráficos 10 e 11, no período de 2005 a 2011, das 132.903 bolsas oferecidas pelo Programa Universidade para Todos, deste montante 7.043, ou seja, 5,3% foram destinadas ao município de Maringá. Gráfico 10. Número de bolsas do PROUNI ofertadas no estado do Paraná, no período de 2005 a 2011. Fonte: SISPROUNI 17/06/2011 – PROUNI 2005 – 2º/2011. 58 Gráfico 11. Número de bolsas do PROUNI ofertadas no município de Maringá-PR, no período de 2005 a 2011. Fonte: SISPROUNI 17/06/2011 – PROUNI 2005 – 2º/2011. 4.2 CONTEXTO NO CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ Tabela 2. Número de bolsas de estudo oferecidas pelo Centro Universitário de Maringá, no período de 2007 a 2011. Ano 2007 2008 2009 2010 2011 Fonte: O Autor. Bolsas Parciais Bolsas Integrais Total 347 318 166 254 164 46 150 128 83 99 393 468 294 337 263 59 500 400 300 200 100 0 2007 2008 Bolsas Parciais 2009 Bolsas Integrais 2010 2011 Total Gráfico 12. Número de bolsas de estudo oferecidas pelo Centro Universitário de Maringá, no período de 2007 a 2011. Fonte: O Autor. Com base nos dados apresentados na Tabela 2 e ilustrados no Gráfico 12, é possível perceber que o percentual de bolsas integrais e parciais ofertadas pelo Centro Universitário de Maringá destoa do percentual ofertado no contexto nacional. Assim, enquanto no Brasil, no período de 2007 a 2011, em média, foram concedidas 46% de bolsas parciais e 54% de bolsas integrais, no Centro Universitário pesquisado foram ofertadas, no mesmo período, 70% de bolsas parciais, contra apenas 30% de bolsas integrais. Esta informação revela que a Instituição em análise deve rever sua política de oferta de vagas PROUNI, para que possa oferecer um número maior de bolsas integrais, possibilitando que um número menor de beneficiados encontre dificuldades de acesso e permanência no ensino superior, já que não terão que custear parte da mensalidade, podendo utilizar o valor que seria destinado aos 50% restante da mensalidade em materiais e demais custos para a manutenção de seus estudos. Outra informação que pode ser observada nos Gráficos 13 e 14, a partir dos dados levantados internamente no departamento responsável pelo PROUNI, no Centro Universitário de Maringá, refere-se ao número de bolsas remanescentes no período de 2007 a 2011 e o respectivo percentual do período. Assim, os dados revelam que do total das bolsas ofertadas no período em questão, 26% das bolsas ficaram ociosas, percentual abaixo da média nacional de 37,6%. 60 140 120 119 100 91 90 75 80 82 60 40 20 0 2007 2008 2009 2010 2011 Gráfico 13. Número de bolsas de estudo ociosas no Centro Universitário de Maringá, no período de 2007 a 2011. Fonte: O Autor. 74% 26% Bolsas Oferecidas (2007 a 2011) Remanescentes (2007 a 2011) Gráfico 14. Percentual de bolsas de estudo ociosas no Centro Universitário de Maringá, no período de 2007 a 2011. Fonte: O Autor. 61 5 ASPECTOS METODOLÓGICOS Segundo Minayo (1994, p. 16) metodologia é “o caminho do pensamento e a prática exercida na abordagem da realidade”, o que leva a compreendê-la como o procedimento e o caminho tomados na investigação das constatações práticas e as relações estabelecidas, a partir da teoria indicada em excertos, que constituem a base para as considerações finais obtidas em um estudo. Assim, com o interesse de se realizar um estudo de caso, tomando como tema: o Programa de inclusão PROUNI e sua efetividade social junto a estudantes bolsistas do Centro Universitário de Maringá, foi aplicado um questionário a fim de responder aos objetivos desse estudo. Segundo Lakatos (2005), a técnica de documentação direta, é classificada como de observação direta extensiva e uma de suas técnicas de coleta é o questionário formado por uma série de perguntas que devem ser respondidas por escrito e sem a presença do pesquisador. Essa técnica se diferencia pela possibilidade de alcançar muitas pessoas, simultaneamente, com respostas mais precisas, pois não precisam ser identificados. O risco de distorção também é pequeno por não haver influência do pesquisador. Ainda, segundo Lakatos (2005), pelo instrumento ser impessoal há mais uniformidade na avaliação. No que se refere à estratégia de pesquisa, a opção pelo estudo de caso – que tem uma abordagem qualitativa, se deu pelo problema de pesquisa levantado, considerando-se, assim, essa metologia mais adequada para a orientação do processo investigativo. Desse modo, na primeira fase do estudo, foram aplicados questionários durante o período de recadastramento dos alunos contemplados pelo Programa Universidade para Todos, no Centro Universitário de Maringá, no primeiro semestre de 2011. Os questionários foram aplicados a alunos com bolsas concedidas nos anos de 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011. De acordo com dados fornecidos pela Instituição de Ensino Superior, durante os últimos 5 anos foram concedidas 1.755 bolsas de estudos, sendo que, em 2011, o total de alunos com bolsas pelo PROUNI é de 1.282, destas, 930 constam ativas. Dado que o recadastramento dos alunos é obrigatório anualmente, a partir do 62 processo de recadastramento foi retirada uma amostra aleatória simples, a aleatorização dos dados se deu pela ordem de chegada dos alunos ao local de recadastramento. Responderam ao questionário 536 alunos beneficiados pelo programa, pertencentes a 44 cursos de graduação oferecidos pela Instituição. Com relação à análise estatística foram utilizados os Softwares R version 2.7.0 e o SAS 9.1 (English), a tabulação dos dados, bem como a representação gráfica foi realizada com o auxilio do Microsoft Office Excel 2007. Na segunda fase do estudo foram realizadas entrevistas com colaboradores da Instituição, segundo Yin (2001, p. 112) “as entrevistas são uma das mais importantes fontes de informações para um estudo de caso”, desta forma, quanto ao instrumento de coleta de dados utilizado nesta fase, optou-se por empregar a entrevista semiestruturada. A entrevista semiestruturada foi relevante ao trabalho, pois permitiu analisar o estudo, sem um roteiro pré-definido, servindo o questionário apenas como um caminho de referência aos objetos de estudos, flexibilizando, desta forma, a fala entre entrevistado semiestruturada e parte pesquisador. de alguns Segundo Triviños questionamentos (2001), básicos, a pesquisa apoiados por fundamentações teóricas sobre o estudo, partindo de um diálogo entre duas pessoas diferentes na busca de um conhecimento comum sobre o objeto de estudo. Durante a entrevista estabeleceu-se, uma relação sincera entre entrevistado/pesquisador, pautada em preceitos éticos, com imparcialidade. Participaram da pesquisa semiestruturada cinco colaboradores, sendo três do Departamento de Análise de Crédito, responsáveis diretos pelos programas de bolsas, entre eles o PROUNI, uma professora vinculada ao Departamento de Marketing da Instituição e uma assessora da Reitoria. Os critérios de escolha se pautaram no envolvimento direto ao objetivo de estudo e ao tempo de serviço na Instituição. 63 6 O PROUNI NA VISÃO DOS BENEFICIÁRIOS DO CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ – APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DE DADOS Com base nos questionários aplicados foram obtidos os resultados seguintes, apresentados em forma de tabelas e representações gráficas. Tabela 3. Distribuição dos beneficiários ativos segundo a bolsa concedida pelo PROUNI, no Centro Universitário de Maringá. Porcentagem Porcentagem n Tipo de Bolsa - PROUNI n acumulada (%) acumulado (%) 39,55 100% das mensalidades e encargos 212 39,55 212 99,44 50% das mensalidades e encargos 321 59,89 533 100,00 Não respondeu 3 0,56 536 Fonte: O autor. Assim, observa-se que do total de bolsistas, aproximadamente, 60% possuem bolsa de 50% das mensalidades e encargos, tendo, portanto, que custear o restante do valor das mensalidade. % % % Gráfico 15. Tipo de bolsas de estudo oferecidas pelo PROUNI em uso no ano letivo de 2011, no Centro Universitário de Maringá. Fonte: O autor. Na Tabela 4, pode-se observar que mais de 91% dos alunos beneficiados cursaram o ensino médio completo em escola da rede pública de ensino. Um dos quesitos exigidos para ser aluno bolsista do PROUNI, é que o aluno, caso tenha 64 realizado parte ou integralmente seus estudos em escola privada, que o tenha feito na condição de bolsista integral. Tabela 4. Distribuição dos beneficiários segundo tipo de aluno beneficiado pelo PROUNI, no Centro Universitário de Maringá. Porcentagem Porcentagem n Tipo de Bolsa - PROUNI n acumulada (%) acumulado (%) Afrodescendente estudante em escola 4 0,75 4 0,75 de rede pública Afrodescendente 3 0,56 7 1,31 Indígena estudante em escola de rede 1 0,19 8 1,49 pública Indígena 1 0,19 9 1,68 Que cursou o Ensino Médio completo em escola da rede privada, na condição 18 3,36 27 5,04 de bolsista integral da respectiva escola Que cursou o Ensino Médio completo 489 91,23 516 96,27 em escola da rede pública Que cursou o Ensino Médio parcialmente em escola da rede privada 20 3,73 536 100,00 na condição de bolsista integral da respectiva. Fonte: O autor. * Nota: Tipo de aluno classificado conforme critérios de distribuição de bolsa do PROUNI: afrodescendente, indígena, professor de rede publica de ensino na educação básica, portador de deficiência e forma que cursou o ensino fundamental e médio. *Professor de rede publica de ensino na educação básica: nenhum dado observado. Este dado aferido constata que o Programa, pelo menos dentro da IES em estudo, tem contemplado alunos de baixa renda, ou seja, que não tiveram acesso ao ensino particular em seus estudos fundamentais e que, portanto, não conseguiram uma vaga, oferecida por meio de processo seletivo, em instituições de ensino superior da rede pública de ensino. Nas tabelas seguintes, são apresentados dados referentes à situação econômica do aluno, como a variação da renda per capita, após o acesso ao ensino superior; moradia e se realiza alguma atividade remunerada. Tabela 5. Distribuição dos beneficiários segundo a variação da renda familiar per capita dos beneficiários do PROUNI, após o acesso à educação superior no Centro Universitário de Maringá. Porcentagem Porcentagem n Renda per capita n acumulada (%) acumulado (%) Permanece a mesma 383 71,46 387 71,46 Sofreu alteração para mais 101 18,84 488 90,3 Sofreu alteração para menos 18 8,96 536 99,26 Não respondeu 4 0,75 4 100,00 Fonte: O autor. 65 Assim, na Tabela 5, verifica-se que, aproximadamente, 19% dos alunos bolsistas informaram que após o acesso a educação superior, a renda per capita familiar sofreu alteração para mais, contudo, mais da metade dos respondentes, precisamente 71,46%, não teve alteração na renda após o início de seus estudos superiores. 101; 19% 383; 71% 48; 9% 4; 1% Permanece a mesma Sofreu alteração para mais Sofreu alteração para menos Não respondeu Gráfico 16. Variação da renda familiar per capita dos beneficiários do PROUNI, após o acesso à educação superior no Centro Universitário de Maringá. Fonte: O autor. Tabela 6. Distribuição dos beneficiários segundo a sua moradia. Tipo de moradia Alugada Cedida Própria (financiada) Própria (quitada) Reside com parentes Não respondeu Fonte: O autor. n Porcentagem (%) n acumulado 151 31 44 248 56 6 28,17 5,78 8,21 46,27 10,45 1,12 151 182 232 480 536 188 Porcentagem acumulada (%) 28,17 33,95 42,16 88,43 98,88 100,00 No que se refere ao tipo de moradia do aluno beneficiado pelo PROUNI, na Tabela 6, observa-se que 52,61% reside em moradia alugada, cedida, financiada ou com parentes. 66 Tabela 7. Distribuição dos beneficiários segundo a realização de alguma atividade remunerada mensal. Porcentagem Porcentagem n Realiza atividade remunerada n acumulada (%) acumulado (%) Sim 272 50,75 536 50,75 Não 239 44,59 239 95,34 Não respondeu 25 4,66 264 100,00 Fonte: O autor. * Nota: Considerado o salário mínimo nacional. Na Tabela 7, acima, nota-se que dos 272 beneficiários, 50,75% informaram realizar algum tipo de atividade remunerada, sendo que 54% possui renda de 1 a 2 salários mínimos, enquanto 35,29% informou ter uma renda mensal de até um salário mínimo. Sendo que o salário considerado na pesquisa foi de R$ 545,00. Tabela 8. Distribuição dos beneficiários que realizam alguma atividade remunerada, segundo a renda mensal versus o tipo de bolsa PROUNI. Tipo de bolsa 100% das 50% das Não Total Porcentagem mensalidades mensalidades e respondeu geral (%) Renda mensal e encargos encargos 37 58 1 96 35,29% Até 1 salário mínimo 54 92 1 147 54,04% De 1 a 2 salários mínimos 12 17 29 10,66% De 2 a 5 salários mínimos Total geral Porcentagem (%) Fonte: O autor. 103 167 2 272 100% 37,87% 61,40% 0,74% 100% - Entre os alunos bolsistas que exercem alguma atividade remunerada pode-se observar por meio da Tabela 8, que 61,4% possuem bolsa de apenas 50% das mensalidades e encargos, ou seja, a maioria dos alunos que desenvolvem alguma atividade remunerada são os que possuem bolsa parcial de 50% das mensalidades e encargos, o fato da bolsa não ser integral pode acarretar na necessidade do aluno, que não possui recursos financeiros suficientes, de exercer uma atividade remunerada a fim de complementar o valor das mensalidades. 67 Tabela 9. Distribuição dos beneficiários segundo a sua avaliação em relação ao Programa Universidade para Todos – PROUNI. Conforme a sua avaliação, o PROUNI: É uma prática de inclusão acadêmica e social Leva-o a estudar distante da família É um direito do estudante É uma manutenção da gratuidade da escola pública É uma obrigação do estado É uma oportunidade de vida Influencia na escolha do curso É fator decisivo na escolha do curso Permite-lhe estar em um meio social diferente do seu Leva-o a ser tratado de maneira diferente pelos colegas por ser bolsista do PROUNI Tem favorecido o acesso de uma parcela da população que, de outra forma, não teria oportunidade de cursas o ensino superior Tem possibilitado o acesso e a permanência em um curso superior Fonte: O autor. Sim % Não % Não respondeu % Total geral 528 98,51 1 0,19 7 1,31 536 105 507 19,59 94,59 10 19 1,87 3,54 421 10 78,54 1,87 536 536 394 73,51 128 23,88 14 2,61 536 395 520 222 102 73,69 97,01 41,42 19,03 132 8 303 423 24,63 1,49 56,53 78,92 9 8 11 11 1,68 1,49 2,05 2,05 536 536 536 536 428 79,85 93 17,35 15 2,80 536 26 4,85 491 91,60 19 3,54 536 510 95,15 12 2,24 14 2,61 536 523 97,57 1 0,19 12 2,24 536 Na tabela 9 apresenta-se um dado relevante, dos 536 respondentes, 394 alunos bolsistas, ou seja, aproximadamente 74%, afirmaram que o PROUNI é uma manutenção da gratuidade da escola pública. Assim como, 98,51% também afirmam ser o PROUNI uma prática de inclusão acadêmica e social. Esses dados reforçam a intenção do Programa apresentado nos documentos oficiais (BRASIL, 2005) no qual o PROUNI firma-se como um “compromisso do Governo Federal de democratizar o acesso à educação superior, representando uma política pública de ampliação de vagas, estímulo ao processo de inclusão social e geração de trabalho e renda aos jovens brasileiros”, portanto, cumpre seu ideal e concretiza-se como um projeto que atua, de fato, dentro de uma perspectiva social, oportunizando aos que não lograram êxito nas vagas de instituições públicas o acesso ao ensino superior. Outro dado que merece destaque na Tabela 9, refere-se ao tratamento dos beneficiários pelos demais colegas, neste questionamento 91,60%, dos 517 alunos que responderam, afirmam não sentirem-se descriminados pelos demais alunos, por serem bolsistas PROUNI. 68 Tabela 10. Distribuição dos beneficiários segundo o questionamento quanto à extinção do Programa Universidade para Todos – PROUNI repentinamente. Porcentagem Se o PROUNI deixasse de existir de repente, você: n (%) Não teria como manter os estudos na educação superior 295 55,04 Teria mais dificuldades para frequentar a educação superior 172 32,09 Buscaria aprovação em um processo seletivo de instituição de ensino 163 30,41 publica Solicitaria um financiamento estudantil 144 26,87 Insistiria na obtenção de uma bolsa 136 25,37 Não teria acesso à educação superior 71 13,25 Perderia oportunidade de trabalho 35 6,53 Fonte: O autor. Ao questionar os alunos bolsistas quanto à extinção repentina do programa, mais de 55% dos estudantes informaram não ter condições de manter os estudos na educação superior, também podemos observar que 32,09% informaram ter mais dificuldades para ter acesso à educação superior. Do total de beneficiados pelo programa no Centro Universitário de Maringá, 13,25% informaram que se o programa não existisse, ou deixasse de existir, não teriam acesso à educação superior. Portanto, mais da metade dos respondentes têm suas vagas garantidas no ensino superior, somente pela existência do Programa Universidade para Todos. Tabela 11. Distribuição dos beneficiários segundo os critérios que foram observados durante o processo de concessão da bolsa pelo PROUNI. Durante processo de concessão da bolsa pelo PROUNI, foram observados: Se o seu perfil se enquadra na legislação do Programa, com a comprovação por meio de documentos Os critérios apresentados foram objetivos, claros, impessoais e justos O curso no qual a instituição disponibiliza a vaga O seu desejo de aluno e sua liberdade na escolha do curso Fonte: O autor. n Porcentagem (%) 497 92,72 158 115 106 29,48 21,46 19,78 Pode-se notar que o critério mais observado durante o processo de concessão da bolsa ao estudante, é se o seu perfil socioeconômico se enquadra na legislação do PROUNI, cuja comprovação, por meio de documentos, é exigida, entre os alunos bolsistas, 93% informou que esse foi um dos critérios observados. 69 Tabela 12. Distribuição dos beneficiários segundo o ponto de vista quanto às pessoas que conhece e que contam com o PROUNI, quando questionados referente ao tipo de alunos que o benefício tem atendido em Maringá. O benefício tem atendido, em Maringá: Pessoas de baixa renda, sem distinção de etnia e religião Afrodescendentes Pessoas com deficiência Professor de rede pública de ensino Indígenas Fonte: O autor. n Porcentagem (%) 523 61 31 15 12 97,57 11,38 5,78 2,80 2,24 É possível observar, por meio da Tabela 12, que quase a totalidade dos beneficiários, 98% aproximadamente, de acordo com o seu ponto de vista acha que o programa atende em sua maioria pessoas de baixa renda, sem distinção de etnia e religião. Tabela 13. Distribuição dos beneficiários quanto à forma que recorreria ou recorreu para complementar a mensalidade, caso a bolsa não seja integral (100% das mensalidades e encargos). Porcentagem Como recorreria ou recorreu para complementar o pagamento: n (%) 172 32,09 Ao FIES (Financiamento de Ensino Superior) 169 31,53 Por meio da ajuda de pessoas da família 94 17,54 Com recursos próprios 12 2,24 Com desconto oferecido pela própria IES 11 2,05 Com o financiamento próprio da IES (Instituição de Ensino Superior) Fonte: O autor. Ao levantar a situação dos estudantes que receberam apenas meia bolsa, 32,09% informaram recorrer ao FIES (Financiamento de Ensino Superior) para complementar o pagamento da mensalidade, seguido da ajuda da família 31,53%, e 17,54% com recursos próprios. 70 Tabela 14. Distribuição dos beneficiários segundo o aluno, enquanto bolsista – PROUNI. Porcentagem Você enquanto aluno PROUNI n (%) Pertence ao curso que gostaria de ter feito 328 61,19 Frequenta a instituição em que gostaria de estudar 319 59,51 Percebe que o acesso ao ensino superior também significou acesso a 238 44,40 outras oportunidades de vida Sente-se integrado à comunidade estudantil da qual faz parte 188 35,07 Preocupa-se com o cumprimento do prazo máximo para conclusão do 177 33,02 curso, por isso se esforça para obter aprovação nas disciplinas Seu desempenho acadêmico tem sido superior ao exigido, para manter-se 131 24,44 enquadrado no perfil dos acadêmicos beneficiados pelo PROUNI Sente-se forçado a cumprir os 75% de rendimento acadêmico e 75% de 74 13,81 frequência, mínimos para não perder a bolsa Sente-se valorizado pela instituição 62 11,57 Passou a gostar do curso após o acesso a ele 57 10,63 Pertence ao curso que foi possível dentro das atuais circunstâncias 41 7,65 Sente-se pressionado a manter sua renda conforme as exigências do 33 6,16 PROUNI Se fosse aprovado em outro curso gratuito, numa instituição de ensino 29 5,41 pública, você deixaria o curso que está frequentando Sente-se discriminado pela instituição 2 0,37 Fonte: O autor. A Tabela 14 apresenta dados relevantes para esta pesquisa, pois do total de alunos que responderam a estes questionamentos, 44,40% diz que o acesso ao ensino superior também significou acesso a outras oportunidades de vida, portanto, demonstra que o programa se mostra efetivamente como um programa de inclusão social, vez que os próprios beneficiados percebem isso. E apenas um percentual irrelevante, 0,37% dos respondentes sente-se discriminado pela instituição, portanto, a maioria dos beneficiados se sente atendido como os demais alunos da IES que não são beneficiados pelo programa e que custeiam suas mensalidades com recursos próprios. Tabela 15. Distribuição dos beneficiários, quando questionados quanto à escolha em fazer o curso em uma instituição de ensino superior privada. Porcentagem Por que escolheu fazer o curso em uma IES privada? n (%) Foi o local onde encontrei o curso que desejava na cidade de Maringá 284 52,99 Não fui aprovado em uma instituição pública 234 43,66 Não tinha condições econômicas para sair da cidade de Maringá 72 13,43 Não queria sair da cidade de Maringá 29 5,41 Não poderia me mudar de Maringá em razão de dependência econômica 27 5,04 Fonte: O autor. 71 Do total de beneficiados, 234 alunos, que corresponde a 43,66%, informaram ter optado por realizar um curso superior em uma IES privada por não ter sido aprovado em uma instituição de ensino pública, já 52,99% dos alunos informaram que foi onde encontraram o curso que desejavam na cidade de Maringá. Tabela 16. Distribuição dos beneficiários, quando questionados quanto à escolha do curso que teve a concessão da bolsa PROUNI. Porcentagem Você escolheu o curso que teve a concessão de bolsa do PROUNI n (%) 315 58,77 Pela média do ENEM dos candidatos inscritos 238 44,40 Por ser o curso que desejava fazer 43 8,02 Por já estar matriculado no curso 27 5,04 Pela disponibilidade de vagas oferecidas Fonte: O autor. Na Tabela 16, ao serem questionados sobre a forma de escolha do curso que teve a concessão da bolsa do PROUNI, 58,77% dos alunos informou que foi pela média do Enem e 44,40% informou por ser o curso que desejava fazer, o que pode sugerir um novo objeto de estudo, pois um número grande de alunos estão no programa pela oportunidade da bolsa, mas provavelmente não estão no curso de interesse. Tabela 17. Distribuição dos beneficiários, quando questionados quanto à situação de dificuldade que o aluno tem enfrentado para permanecer estudando. Porcentagem Tem enfrentado dificuldades para Porcentagem n n acumulada permanecer estudando: (%) acumulado (%) Sim 152 28,36 152 28,36 Não 87 16,23 239 44,59 Não respondeu 297 55,41 536 100,00 Fonte: O autor. Ao questionar se os alunos possuíam dificuldades quanto à permanência nos estudos, 239 alunos responderam à questão. Destes, 63,60% informaram que possuem dificuldades, sendo que as mais citadas entre os alunos foram: financeiras; falta de tempo; conciliar trabalho e estudos; aquisição de material didático; transporte e distância da família. 72 Tabela 18. Distribuição dos beneficiários, segundo a bolsa concedida pelo PROUNI versus se o bolsista tem enfrentado dificuldades para permanecer estudando. Dificuldade Total Sim % Não % % Tipo de bolsa geral 100% das mensalidades e encargos 60 25,10% 45 18,83% 105 43,93% 50% das mensalidades e encargos 92 38,49% 42 17,57% 134 56,07% Total geral Fonte: O autor. 152 63,60% 87 36,40% 239 100,00% Observa-se que dos 152 alunos que possuem dificuldades para permanecer estudando, 60,53% são beneficiados com bolsa parcial de estudos, contra 48% que informou não possuir dificuldades. Assim, com base nos dados apurados a partir da pesquisa realizada no Centro Universitário de Maringá, é possível tecer algumas considerações a respeito dos objetivos determinados para esta pesquisa: − O contexto histórico pesquisado revela que, historicamente, o ensino superior era elitizado, ou seja, favorecia uma classe privilegiada que dispunha de recursos para ter uma boa formação fundamental que garantia acesso as poucas vagas (concorridas) em instituições públicas e/ou privadas. − Com o Programa Universidade para Todos – PROUNI, criado pelo Governo Federal em 2004 e institucionalizado pela Lei nº 11.096, em 13 de janeiro de 2005, houve a criação de uma política pública compensatória, a qual possibilitou a muitos que ficavam à margem da sociedade, oportunidades de serem elevados ao ensino superior, desde que cumpram os critérios estabelecidos pelo Programa. − A pesquisa realizada com a população beneficiada pelo PROUNI no Centro Universitário de Maringá sugere que se não fosse pelo Programa, os alunos beneficiados não teriam condições de ter uma formação superior que, embora durante o período de permanência na instituição não tenha promovido, à maioria dos respondentes, mudanças em suas condições financeiras, um número significativo de estudantes conseguiu esta melhoria e, com certeza, a formação profissional permitirá o pleito a vagas de emprego destinadas a pessoas com qualificação superior e que, portanto, terão uma remuneração maior. 73 − O Programa ainda se revela inclusivo porque os beneficiados não se sentem discriminados pela IES em relação aos demais alunos que custeiam seus estudos com recursos próprios, portanto, o tratamento demonstra-se igualitário para todos. − Os entrevistados também apontam pelos dados tabulados que, caso o Programa deixasse de existir ou fosse suspenso, não teriam condições de permanecer no ensino superior e dar continuidade aos estudos, o que vem reforçar, agora pela perspectiva do beneficiado, que o PROUNI é uma política de inclusão acadêmica e social. − Contudo, um percentual relevante de mais da metade dos entrevistados afirmam que, apesar de possuírem o benefício, seja ele parcial ou integral, possuem dificuldades de ordem financeira, seja pela falta de recursos monetários propriamente ditos, ou pela falta de tempo em decorrência de terem que realizar alguma atividade remunerada para custear o restante da mensalidade, no caso de alunos com bolsa parcial, ou para custear aquisição de material, livros ou transporte. Assim, no que se refere à realidade do Centro Universitário de Maringá – CESUMAR, o PROUNI tem se mostrado como uma política pública que tem a finalidade de democratizar o acesso à educação superior, promovendo a inclusão social, por meio do acesso ao ensino superior e da profissionalização de um número maior de pessoas que podem pleitear melhores postos de trabalho no mercado profissional, numa visão do próprio beneficiado e não apenas como uma política de promoção do Governo Federal, a fim de justificar o seu número limitado de vagas ofertadas no ensino superior público, embora nos últimos anos tenha investido e ampliado a oferta de vagas nesta esfera de ensino, o que ainda não proporciona que todos sejam atendidos. 74 7 O PROUNI NA VISÃO DOS PROFISSIONAIS DO CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ Com base no resultado das entrevistas realizadas com os colaboradores e professores do Centro Universitário de Maringá, apresenta-se a seguir, a síntese do entendimento dos inquiridos sobre o PROUNI, nas práticas institucionais. Assim, na percepção dos entrevistados, o Programa Universidade para Todos – PROUNI, tem alcançado os resultados esperados à medida em que, estudantes que não conseguem ingressar em instituições públicas ou com condição socioeconômica que não permita o pagamento das mensalidades em instituições privadas, estão conseguindo ter o acesso ao ensino superior. Em relação ao perfil dos alunos beneficiários do PROUNI, há o entendimento de que, em sua maioria, são egressos do ensino médio da rede pública e brancos. Ficou evidente que os candidatos ao programa afrodescendentes ou indígenas, preferem escolher a vaga na ampla concorrência, em virtude da baixa oferta de vagas para cotas. O critério de acesso ao PROUNI foi amplamente debatido pelos entrevistados, em virtude das incertezas e problemas ocorridos nos últimos anos no Exame Nacional do Ensino Médio, porém predomina a fala de que o ENEM está se consolidando, na proposta de avaliar, de forma eficaz, o conhecimento do aluno concluinte do ensino médio e mesmo dos que já concluíram o ensino médio há vários anos e que têm o objetivo de ingressarem em uma instituição de ensino superior pública (SISU) ou privada (PROUNI). Em relação à diversidade socioeconômica dos alunos, o entendimento dos entrevistados é que o programa atende a alunos, em sua maioria, pertencentes às classes B ou C, com rendimentos de no máximo três salários mínimos por família e não per capita, oriundos do ensino médio público. Um dos diferenciais dos alunos do PROUNI na Instituição, está no rendimento acadêmico, pois, em sua maioria, a média está igual ou superior à média da Instituição. Esse rendimento foi atribuído ao processo de seleção, destacando a nota de corte do ENEM. Do ponto de vista das dificuldades encontradas pelos alunos beneficiários, a discussão ficou dividida entre os entrevistados em três áreas diferentes. Para um 75 ficou evidente a dificuldade quanto ao aspecto acadêmico, destacando-se as áreas de Matemática e Física, justificada pela ineficácia do ensino básico. Para outro entrevistado, o aspecto de relacionamento interpessoal se destacou como principal problema, pela discriminação encontrada dentro da sala de aula, entre os alunos. O mesmo, porém, reconheceu que as práticas Institucionais não são discriminatórias. Assim, três dos entrevistados acreditam que o aspecto financeiro é o mais evidente quanto à dificuldade do beneficiário do PROUNI em se manter na Instituição, os bolsistas parciais de 50% trancam o curso porque não conseguem manter o pagamento da diferença da mensalidade, ao mesmo tempo em que não conseguem ter acesso ao Financiamento Estudantil – FIES, por falta de fiador. Outro problema identificado com relação à questão financeira é a dificuldade dos alunos bolsistas, independente do percentual da bolsa ser de 50% ou 100%, se manterem na instituição, em virtude de custearem outras despesas como transporte, materiais didáticos, alimentação e moradia. Nas entrevistas, foram levantadas as estratégias e ações implementadas pela IES, no sentido de garantir a permanência do aluno bolsista do PROUNI. Assim, numa perspectiva pedagógica, destacou-se a existência de cursos de nivelamento para os ingressantes oriundos do ensino médio, realizando reforço de conteúdos básicos que serão utilizados nos estudos superiores. No que tange às relações interpessoais, o fato de a Instituição manter um departamento específico para atendimento dos programas de bolsas tem contribuído, também, para que os alunos beneficiários busquem informações e atendimentos que permitam elucidar dificuldades com relação ao Programa. Novamente, no que se refere ao aspecto financeiro, os entrevistados apontaram como diferencial o fato dos alunos não pagarem as dependências, adaptações e as provas substitutivas, o que, na verdade, já está incluso na bolsa do PROUNI, pois conforme consta no Manual de orientação ao bolsista “a bolsa de estudo do Prouni não cobre disciplinas que não constam do currículo regular do curso, taxas para expedir documentação, ou quaisquer outros gastos, como material didático” (2011, p. 4). Portanto, isso torna-se um diferencial. Os entrevistados possuem a percepção de que o PROUNI, enquanto Política Pública, visa minimizar a desigualdade existente no país, pois permite o acesso ao ensino superior de pessoas que não teriam oportunidade, caso não houvesse o 76 Programa. Para eles, um país somente se desenvolve com investimentos em Educação. A análise das entrevistas sugere uma convergência no entendimento sobre o PROUNI, na Instituição. Porém, em que pese a percepção dos entrevistados, de que não existe preconceito ou discriminação quanto aos bolsistas nas práticas institucionais, a Instituição possui poucas ações com a comunidade acadêmica em geral, voltadas para a inclusão dos alunos beneficiários do Programa Universidade para Todos – PROUNI, entre outros alunos, fazendo-se necessária a ampliação dessas ações, que poderão contribuir para uma maior integração aluno/aluno e aluno/Instituição. 77 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS Esta pesquisa teve por objetivo analisar o PROUNI – Programa Universidade para Todos, na visão dos acadêmicos beneficiados do Centro Universitário de Maringá, com o intuito de verificar as percepções de tais acadêmicos sob o ponto de vista da efetividade social do programa. Uma política pública, como o PROUNI, pode ser concebida, enquanto objeto de estudo, a partir do entendimento dos elementos que compõem tal política, como: o seu objetivo, os autores envolvidos, a relevância do processo, do contexto histórico, entre outros princípios que a norteiam, como a própria implantação da política, o seu controle e avaliação. Nesse contexto, é importante destacar que esse estudo foi elaborado com ênfase na visão dos usuários beneficiados diretamente pela política pública, durante o período de 2007 a 2011 e dos colaboradores da Instituição de ensino que lidam com o Programa PROUNI. Vale saber, neste ínterim, que o PROUNI faz parte da Reforma Política proposta pelo Estado, na tentativa de conduzir ao ensino superior os estudantes que ficaram à margem do acesso, seja pelas suas condições econômicas, que os impediu de ingressarem em uma instituição privada, seja porque não obtiveram sucesso no ingresso em uma instituição pública. Nessa visão, o Governo implantou o Programa Universidade para Todos – PROUNI, com o objetivo de democratizar o acesso ao ensino superior. Isso representa uma política de ampliação na oferta de vagas, estímulo ao processo de inclusão social e geração de trabalho e renda à população brasileira. Desse modo, o PROUNI surge a partir de uma perspectiva social de inclusão das classes menos favorecidas, cujo principal indicador é o baixo número de matrículas no ensino superior. É importante ressaltar, a partir desses propósitos, que os acadêmicos beneficiários do Programa recebem bolsas de estudos parciais de 50% ou integrais de 100%, oferecidas em instituições privadas. Essas instituições, em contrapartida, recebem a isenção de alguns tributos, transformando, pelo governo, essa renúncia fiscal em um dispositivo de financiamento da política pública da educação superior. 78 Esses elementos do PROUNI permearam alguns capítulos em sustento a este objeto de estudo. Assim, o segundo capítulo, intitulado de Revisão de Literatura, teve por objetivo em seu item um, demonstrar o histórico da Universidade e do Ensino Superior no Brasil, destacando que, desde o surgimento da Universidade, o seu objetivo esteve ligado às necessidades socioeconômicas do grupo em que estava inserida. Destaca-se também, na análise da evolução histórica, que o ensino no país teve uma história de desenvolvimento tardia em relação a outros países, estruturada por um forte caráter elitista. O segundo e o terceiro itens retratam o histórico da Educação Superior e as Reformas Educacionais ocorridas na década de 1990, durante o governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso, tendo como referência uma política de expansão e avaliação. Os dois itens em evidência fixam também a década de 2000, com o governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cuja referência foi o Programa Universidade para Todos – PROUNI que, sem dúvida, foi o principal programa da política educacional do ensino superior daquele governo. No terceiro capítulo é apresentado o Centro Universitário de Maringá, CESUMAR, instituição de ensino superior privada na qual foi realizado o estudo de campo sobre o PROUNI. No quarto capítulo, são apresentados os números que retratam o PROUNI em contexto nacional desde a sua implantação, de acordo com os dados do Ministério da Educação, bem como se comportam os números de bolsistas na realidade da Instituição tomada por estudo. Chama a atenção, na análise realizada neste capítulo, o percentual de vagas ociosas no Brasil que, desde a implantação do programa, é de 37,6%, demonstrando-se a necessidade de ampliar o estudo, a fim de se identificar o motivo do alto índice de ociosidade, principalmente se considerarmos que atualmente o País possui apenas 12,8% da população entre 18 a 24 anos no ensino superior, percentual muito baixo se comparado com o percentual dos países desenvolvidos e com a meta estabelecida no Plano Nacional de Educação – PNE, que pretende chegar, até 2020, a 33% do percentual de jovens, nesta faixa etária, matriculados no ensino superior. Desse modo, a fim de se atingirem os objetivos propostos neste estudo, o quinto capítulo apresenta os aspectos metodológicos utilizados. 79 Na sequência, o sexto e o sétimo capítulos destacam a visão dos alunos beneficiários e dos profissionais da Instituição envolvidos com o Programa, por meio das informações obtidas pelas entrevistas, evidenciando o entendimento de que o PROUNI, enquanto programa de inclusão social, tem alcançado seus objetivos, aproximando o jovem e a Universidade, permitindo e facilitando o acesso ao ensino superior e também, contribuindo com a mudança socioeconômica de um percentual relevante de seus usuários, confirmando a questão inicial deste estudo. O estudo comprovou também que o fato de os alunos serem bolsistas do Programa do Governo Federal não os faz se sentirem diferentes ou discriminados, seja pelos demais alunos pagantes ou pela própria instituição. Ficou claro também que a permanência no curso é um grande desafio, em virtude de outros custos que não estão embutidos na bolsa de estudos, como material didático, transporte, alimentação e emolumentos. Esta dificuldade fica mais evidente nos alunos com bolsas parciais de 50% que necessitam pagar a diferença da mensalidade. É importante destacar, a partir de tais considerações, que a possibilidade da bolsa permanência para os alunos dos cursos de período integral e o acesso ao FIES – Financiamento Estudantil têm ajudado os alunos com bolsa parcial efetivarem o pagamento da diferença da mensalidade. Contudo, observa-se que o financiamento facilitou, mas não resolveu por definitivo a permanência dos alunos no programa. É importante destacar que a Instituição, objeto de estudo, dispõe de uma rede de serviços de apoio ao acadêmico bolsista, nas diversas modalidades existentes, com a finalidade de viabilizar as condições necessárias à permanência do discente na Instituição. Porém, mesmo com este esforço, a pesquisa identificou que não existem, no seio da Instituição, projetos e programas para uma discussão mais profunda sobre as ações de inclusão. As informações levantadas também indicam várias outras possibilidades de estudo, o que define o caráter ilimitado da produção do conhecimento. Essas possibilidades ainda reforçam a importância da análise do PROUNI em outras linhas de pesquisa, assim como permitem explorar novas formas de emancipação social, a fim de facilitar e aumentar a democratização, por meio do acesso ao ensino superior, como um grande diferencial nas políticas públicas para educação no Brasil. 80 REFERÊNCIAS ANDRÉ, M. Pesquisa, formação e prática docente. In: ANDRÉ, M. (Org.). O papel da pesquisa na formação e na prática dos professores. Campinas, SP: Papirus, 2001. ARANHA, M. L. A. Filosofia da Educação. 2. ed. São Paulo: Ed. Moderna, 1996. BELLONI, I. 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Sua renda familiar per capita após o acesso a educação superior a) continua a mesma; b) se alterou para mais; c) se alterou para menos. 4. Sua moradia é: a) própria b) alugada c) cedida d financiada 5. Você realiza alguma atividade remunerada? a) sim b) não 6. Se você realiza alguma atividade remunerada, qual é a sua renda mensal? a) até um salário mínimo; b) de 1 a 2 salários mínimos; c) de 2 a 5 salários mínimos; d) mais de 5 salários mínimos. Preencha com (S) SIM ou (N) NÃO, conforme sua avaliação. 7. O PROUNI? a) é uma política de inclusão acadêmica e social; 85 b) fez com que passasse a estudar em local distante da família; c) é um direito do estudante; d) é uma extensão da gratuidade da escola pública; e) é uma obrigação do estado; f) é uma oportunidade de vida; g) foi determinante na escolha do curso; h) influenciou na escolha do curso; i) possibilitou estar em um meio social diferente do seu; j) sou tratado de maneira diferente pelos colegas por ser bolsista do PROUNI; k) tem facilitado o acesso de uma parcela da população que, de outra forma, não teria oportunidade de cursar o ensino superior; l) tem possibilitado o acesso e a permanência em um curso superior. Nas questões de 8 a 14, marque com um “X” as opções que mais lhe convierem. 8. Se o PROUNI deixasse de existir de repente, você? a) contrataria um financiamento estudantil; b) não teria acesso a educação superior ou teria mais dificuldade para acessar a educação superior; c) não teria como manter os estudos na educação superior ou ( ) teria mais dificuldades para manter os estudos na educação superior; d) perderia oportunidade de trabalho; e) procuraria aprovação em um processo seletivo em instituição de ensino superior pública; f) tentaria obter uma bolsa; 9. No processo de concessão da sua bolsa PROUNI foram observados: a) se o seu perfil se conforma à legislação do Programa, com a comprovação por meio de documentos ; b) os critérios apresentados foram claros, justos, impessoais e objetivos; c) o seu desejo de aluno e sua liberdade na escolha do curso; d) o curso no qual a instituição dispõe de vaga. 86 10. Observando as pessoas que você conhece que têm PROUNI é possível afirmar que o benefício tem atendido em Maringá alunos: a) afrodescendentes; b) indígenas; c) pessoas especiais. d) pessoas de baixa renda sem distinção de etnia, religião. 11. Caso sua bolsa PROUNI não seja integral, como você recorreria ou recorreu para complementar o pagamento: a) com o FIES; b) com o financiamento próprio da IES; c) por meio da ajuda de pessoas da família; d) com outra bolsa própria da IES; e) com recursos próprios. 12. Você enquanto aluno PROUNI; a) estuda na instituição que gostaria de estudar; b) sente-se discriminado pela instituição; c) sente-se valorizado pela instituição; d) faz o curso que gostaria de ter feito; e) faz o curso que foi possível dentro das atuais circunstâncias; f) passou a gostar do curso após o acesso a ele; g) se fosse aprovado em outro curso gratuito numa instituição de ensino superior pública você deixaria o curso que você esta fazendo; h) sente-se integrado à comunidade estudantil; i) percebe que o acesso ao ensino superior também significou acesso a outras oportunidades de vida: no mundo do trabalho; no mundo cultural; alimentou novas perspectivas econômicas e financeiras; mudou perspectivas antigas; acesso e ampliação das relações interpessoais. j) se preocupa com o cumprimento do prazo máximo para conclusão do curso, por isso se esforça para ser aprovado nas disciplinas; 87 k) sente-se pressionado a cumprir os 75% de rendimento acadêmico e 75% de frequência, mínimos para não perder a bolsa; l) seu desempenho acadêmico tem sido superior ao exigido para manterse enquadrado no perfil dos beneficiários do PROUNI; m) sente-se pressionado a manter sua renda dentro dos parâmetros definidos pelo PROUNI. 13. Porque você escolheu fazer o seu curso em uma instituição de Ensino Superior Privada? a) foi o local onde encontrei o curso que desejava na cidade de Maringá; b) não fui aprovado em uma instituição pública; c) não poderia me mudar de Maringá em razão de dependência econômica; 14. d) não queria sair da cidade de Maringá; e) não tinha condições econômicas para da cidade de Maringá. Como você percebe o PROUNI como política de inclusão acadêmica e social? _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ 15. Mesmo sendo bolsista do PROUNI você tem enfrentado outras dificuldades para permanecer estudando? _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ 88 APÊNDICE B ROTEIRO DA ENTREVISTA SEMIESTRUTURADA COM OS PROFISSIONAIS DAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR 1. Dados de Identificação: 1.1. Nome: 1.2. Setor: 1.3. Qual a sua função na IES? 1.4. Há quanto tempo exerce essa função? 2. Dados do Programa na Instituição: 2.1. Como você percebe a implantação do PROUNI nesta IES, nos seguintes aspectos: a) Programa de bolsas de estudos: b) Perfil dos alunos: c) ENEM como processo seletivo: d) Diversidade socioeconômica e cultural: e) Rendimento acadêmico: 2.2. Quais as principais facilidades/ dificuldades dos alunos bolsistas PROUNI, nos seguintes aspectos: a) Pedagógicos: b) Financeiros: c) Relacionamento Interpessoal: 2.3. Quais as estratégias e ações implementadas pela IES para garantir a permanência do aluno bolsista PROUNI: a) Pedagógicos: b) Financeiros: c) Relacionamento Interpessoal: 89 3. O Programa Universidade para Todos – PROUNI, como política pública: 3.1. Como você percebe o PROUNI como uma política de cotas em seus diferentes critérios? 3.2. Como você percebe o PROUNI em relação às dimensões de meritocracia acadêmica; democratização do acesso e da permanência; e universalização do Direito à Educação Superior?