Doença de Kawasaki completa com dilatação de artérias
coronarianas: relato de caso¹
Nathan Henrique dos Santos – Universidade Federal de Santa Catarina – [email protected]; Nilzete Liberato
Bresolin – Hospital Infantil Joana de Gusmão; Maurício Laerte Silva – Hospital Infantil Joana de Gusmão
Introdução/Justificativa/Fundamentação: a doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica
com 80% dos casos ocorrendo em crianças entre 6 meses e 4 anos de idade. Representa,
em menores de 5 anos, a causa mais comum de doença cardíaca adquirida.
Objetivos: relatar o caso de um paciente portador da forma completa da doença de
Kawasaki, que apresentou, não somente sintomas atípicos, como alterações laboratoriais
relativamente raras, retardando o diagnóstico.
Delineamento/métodos: estudo de caso descritivo retrospectivo, com análise crítica de
prontuário médico e revisão da literatura
¹ Estudo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisas com Seres Humanos do Hospital Infantil Joana de Gusmão
Descrição do caso: lactente, apresentando, há 2 dias, febre alta, coriza hialina e
inapetência. Inicialmente diagnosticado com pneumonia e realizado tratamento
antimicrobiano. Evolui com lesões papulares eritematosas difusas. À admissão, apresenta-se
irritado, febril, com exantema máculo-papular, hiperemia conjuntival bilateral, lábios
ressecados e língua saburrosa. Exames complementares revelam leucocitose com desvio à
esquerda e plaquetopenia. Primeiro ecocardiograma transtorácico normal. Progride com
edema periorbitário e agravamento do exantema, além de choque. Pela deterioração do
quadro, agora com linfonodomegalia cervical, realiza-se novo ecocardiograma, que evidencia
aumento do calibre das artérias coronarianas. Inicia-se tratamento com Imunoglobulina e
aspirina, evoluindo com melhora do quadro geral.
Figura 1: exantema máculo-papular em face
Figura 2: exantema máculo-papular em tronco
Discussão: o diagnóstico baseia-se na presença de febre por 5 dias acompanhada ou não
de: exantema, conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações de mucosa oral e
extremidades e adenomegalia cervical. As anormalidades laboratoriais mais comuns são
anemia, leucocitose e trombocitose. A plaquetopenia é infrequente, associando-se com
maior risco de lesão coronariana. O ecocardiograma transtorácico é o exame de escolha
para detectar anormalidades cardiovasculares, devendo ser obtido precocemente. O
tratamento na fase aguda envolve o uso de imunoglobulina intravenosa e altas doses de
aspirina. Após, o uso de AAS em baixa dose é recomendado por 6 a 8 semanas.
Conclusões/considerações finais: a doença de Kawasaki assume importância pela
possibilidade de o diagnóstico e tratamento precoces prevenirem o desenvolvimento de
sequelas cardíacas. Deve-se considerar esta hipótese em crianças com febre de origem
desconhecida.
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