UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS
CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E DE
TECNOLOGIA
COORDENAÇÃO DOS CURSOS DE
LICENCIATURA E BACHARELADO EM FÍSICA
CURSO DE BACHARELADO EM FÍSICA
REFORMULAÇÃO CURRICULAR
PROJETO PEDAGÓGICO
São Carlos/2007
2
I. Referenciais para Elaboração do Projeto Pedagógico
I.1 Introdução
Os cursos de Licenciatura e Bacharelado em Física da Universidade Federal de São
Carlos tiveram as suas implantações autorizadas na 18ª. Reunião do Conselho de Curadores, em
05 de dezembro de 1970. O curso de Licenciatura em Física iniciou suas atividades no ano de
1971 e o curso de Bacharelado em Física 1978. Atualmente o curso oferece 50 vagas para ambas
as habilitações, sendo facultado ao estudante concluir uma delas e solicitar complementação na
outra. Da primeira turma formada em 1974 até 2006, foram formados 540 estudantes. A figura 1
mostra o número de alunos formados ano a ano nas duas habilitações oferecidas pelo curso.
60
Número de alunos concluintes
1a Turma formada - vest. UFSCar/Vunesp
50
40
1a Turma formada - vest. Covest
30
1a Turma formada - vest. FUVEST
1a Turma formada
20
bacharelado
10
0
1975
1980
1985
1990
1995
2000
2005
anos
Figura 1 – Alunos formados nos cursos de Licenciatura e Bacharelado em Física na
UFSCar, no período de 1974 a 2006. As setas destacam as primeiras turmas formadas
pelos vestibulares da COVEST/UFSCar (1970-1986), FUVEST (1988-1999) e pelo
vestibular da UFSCar (2000-) elaborado pela VUNESP.
A figura acima mostra que o curso de Física, na maioria dos anos, apresenta uma taxa de
evasão considerável, fato comum na maioria dos cursos de Física, não somente no Brasil mas
como também em outros países. Considerando o período de 1988 a 2003, a taxa média de
formação foi de aproximadamente 30%. Entretanto, desde as mudanças do vestibular a partir do
ano de 2000, quando a UFSCar passou a oferecer suas vagas em processo seletivo exclusivo da
UFSCar, uma variação significativa ocorreu nesse quadro. A partir do ano de 2004, no qual se
formou a primeira turma aprovada no vestibular isolado da UFSCar, o número de alunos
2
3
formados aumentou significativamente, atingindo, em média, a taxa de 85% dos alunos
ingressantes. Contudo, ainda não há elementos suficientes para concluir que a separação do
processo seletivo seja a causa principal da mudança, ou mesmo quais seriam os fatores
responsáveis para tal. Será necessário um período mais longo para uma análise substanciada.
Em julho de 2000, foi encaminhada à CaG/CEPE uma proposta de reformulação
curricular, analisada por Comissão criada pela CaG/CEPE que emitiu um parecer
circunstanciado em março de 2001. O parecer questionou vários aspectos da proposta, em
particular, a opção pelo modelo sugerido pela Comissão de Especialistas do MEC de um curso
único contemplando diferentes perfis desejáveis dos formandos em Física, quais sejam: Físico Bacharel, Físico - Educador, Físico - Tecnólogo e Físico - Interdisciplinar.1 O mesmo parecer
também levantou questões importantes e alternativas interessantes para a proposta. O projeto
atual leva em conta todos os aspectos pertinentes que foram colocados pela comissão
parecerista, tendo também como respaldo os acontecimentos associados ao lançamento das
novas diretrizes para os cursos de licenciatura, em 2004, descritos em detalhes abaixo.
Ainda em maio de 2002, foi aprovada uma adequação da grade curricular para os
ingressantes em 2001 e 2002, uma vez que um “elenco provisório” de disciplinas foi aprovado
para cada um dos períodos letivos já ocorridos, durante o aguardo da análise final pela CaG da
proposta apresentada em 2000.
Em 2004 foi apresentada a reformulação do curso de Licenciatura em Física, em
atendimento as novas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação
Básica, dos Cursos de Licenciatura para graduação plena, sendo aprovada pelo Conselho de
Ensino e Pesquisa em reunião extraordinária, em 16 de abril de 2004. Assim, pela primeira vez o
curso de Licenciatura em Física teve um projeto pedagógico independente do Bacharelado.
Dessa maneira, o presente projeto vem suprir a falta de um projeto específico para o curso de
Bacharelado, caracterizando o profissional a ser formado com um perfil específico, como
desejável segundo o parecer da comissão criada pela CaG/CEPE .
As diretrizes curriculares para os cursos de Física apresentam quatro opções para a
formação do Físico2. O novo projeto pedagógico, ora apresentado, tem como objetivo não
apenas atender as necessidades da legislação vigente, mas também de atualizar e modenizar a
formação do Bacharel em Física, as quais ficam evidenciados os seguintes aspectos:

Embora a opção no vestibular seja para o Curso de Física, o estudante deverá fazer a
escolha de ênfase para Bacharelado (caso seja essa a sua opção), até o final do 2º.
semestre de sua grade, para poder cursá-lo a partir do 3o. semestre, pois cada ênfase,
1
Na época a Resolução CNE/CES no. 9 de 11/03/2002 publicada no Diário Oficial da União (DOU) em 26/03.2002. Seção
1, p. 12, que trata esse aspecto estava em em discussão junto a Socidade Brasileira de Física
2
Veja em “perfil desejado do profissional formado”.
3
4
Bacharelado ou Licenciatura, caracterizar-se-á por um perfil profissional e uma estrutura
curricular distintos, nos três anos restantes;

A formação profissional tem como base o profissional pesquisador, qualificando-o para a
continuidade de sua formação em Mestrado e Doutorado;

O conteúdo específico de Física abrange um conhecimento básico comum para os três
cursos para os quais o DF é responsável pela maioria das disciplinas e atividades:
Licenciatura, Bacharelado e Engenharia Física;

Aprofundamento dos conhecimentos técnico e profissional focados principalmente em
áreas de formação geral, as quais permitirá o aperfeiçoamento posterior, em nível de pósgraduação, em qualquer área de Física ou correlatas;

O projeto prevê a possibilidade do aluno obter os títulos de Licenciado e Bacharel em
Física, através de complementação curricular, mas aumenta substancialmente o tempo
para a integralização dos créditos, quando tal ocorrer;

Introdução do Trabalho de Conclusão de Curso; e

Introdução de Atividades Complementares ao Curso.
A proposta atende à legislação atual e às recomendações acerca do perfil do profissional a
ser formado definido pela UFSCar3,
O presente projeto pedagógico é uma proposta discutida no Departamento de Física e no
Conselho de Graduação do Curso de Física com o objetivo de atender as necessidades de um
projeto que defina o perfil do profissional a ser formado, bem como as competências e
habilidades necessárias para exercer a carreira de Bacharel em Física.
I.2 - Aspectos Legais
A criação do Curso de Licenciatura em Física foi autorizada na 18a. Reunião do Conselho
de Curadores da UFSCar de 05/12/70. O Curso iniciou suas atividades em 1971. O Decreto no.
73.736, de 05/03/744, reconheceu o Curso baseado no Parecer CFE no. 2.438 de 04/12/1973.
Na época, o Curso atendia à legislação específica regulamentada pelo Parecer CFE no. 295/62.
Com a aprovação da Resolução CFE no. 30 de 11/07/1974, o Curso foi reestruturado na forma
de Licenciatura em Ciências – Habilitação Física. Em 1978, foi criado o Curso de Bacharelado
em Física e, a partir de 1985, o CEPE aprovou a denominação de Curso de Graduação em Física
com as habilitações de Licenciatura e Bacharelado, adequando-se à legislação vigente.
3
4
Parecer CEPE no. 776/2001, aprovado em 30/03/2001.
Diário Oficial da União, Brasília, 06/03/1974, p. 2.442.
4
5
De acordo com o parecer do Conselho Nacional de Educação, CNE/CES 329/2004, de
11 de novembro de 2004, define que o curso de bacharelado em Física deve ter o mínimo de
2400 horas, incluindo estágios e atividade complementares, sendo que estes não devem
ultrapassar 20% da carga horária do curso. A presente proposta é apresentada com um total de
200 créditos perfazendo 3000 horas.
A opção por uma das habilitações é feita ao longo do Curso e o aluno, que completar as
exigências mínimas para uma das habilitações, pode obter a outra através de complementação
curricular.5 A estrutura curricular dos cursos de Licenciatura e Bacharelado apresentam o
primeiro e o segundo semestres comuns, permitindo que a opção de ênfase já seja efetivada a
partir do terceiro semestre, sendo desejável que essa realmente aconteça nesse período, dada as
especificidades de cada perfil.
O número de vagas oferecidas no vestibular anual da UFSCar é de cinqüenta. A duração
do Curso é, no mínimo, de 3 (três) anos, não podendo exceder 7 (sete) anos.
A presente proposta de projeto pedagógico atende às especificações da atual legislação.
I.3 - Avaliação Prévia do Curso
Embora durante os processos anteriores de reformulação curricular tenham sido feitas
avaliações internas, em nível departamental, acerca do perfil do formado, dos objetivos do curso,
da análise de perspectivas e, em maior escala, da estrutura curricular, em nenhum momento
ocorreu uma avaliação externa.
O primeiro processo de avaliação do Curso de Física (Licenciatura e Bacharelado) foi
desenvolvido dentro do Programa da Avaliação Institucional das Universidades Brasileiras
(PAIUB-SESu/MEC) que, infelizmente, não avançou além da etapa de auto-avaliação com o
relatório final apresentado em 1999.6
Apesar do grande esforço da Comissão Central de
Avaliação que planejou uma avaliação de forma a ouvir todos aqueles envolvidos no Curso –
docentes, funcionários, alunos em formação e egressos –, a grande maioria dos docentes deixou de
participar.7 Em razão deste fato, “não foi preenchido o roteiro da Comissão de Avaliação do
Curso, com os dados gerais sobre ele e a análise dos mesmos.”
Em outubro de 2000, uma comissão de especialistas do MEC avaliou in loco as condições
de oferta do Curso de Física e o Relatório de Recomendações foi encaminhado em outubro de
2001.
5
As características gerais do Curso estão sumarizadas no Anexo 4.
Avaliação do Curso de Licenciatura e Bacharelado em Física – Etapa de Auto-Avaliação, UFSCar, 144 pp. (1999).
7
Síntese das Propostas para a Melhoria do Curso originadas da Etapa de Auto-Avaliação, UFSCar, 23 pp. (1999).
6
5
6
Em 2005, os estudantes participaram do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes
(ENADE), com a participação de 60 estudantes, sendo 29 concluintes e 31 egressos. A figura 2
mostra o desempenho dos alunos em formação geral e componentes específicos8:
Figura 2- Resultados do ENADE – Graduação em Física - UFSCar
A análise do relatório mostra que os estudantes ingressantes no curso de Física da
UFSCar tem, em média, um desempenho pouco superior a média nacional. Por outro lado, os
concluientes apresentam um resultado um pouco abaixo da média nacional. Em particular, no
que se refere à formação geral, a diferença é muito maior (para a UFSCar, nota 36,8, enquanto a
nacional, 52,2). Contudo, o desvio padrão é grande indicando que há uma dispersão larga entre
as avaliações realizadas pelos estudantes. Segundo o relatório do ENADE o conceito obtido pelo
curso por essa avaliação foi 3. Essa nota coloca o curso na média superior dos cursos brasileiros,
ou seja, a grande maioria dos cursos de Física brasileiros tem média igual ou superior a 3.
8
http://enade2006.inep.gov.br/pdf/1400073548906.pdf
6
7
I.4 - Área de Atuação
O Bacharel em Física, formado com o perfil de físico-pesquisador, tem como campo de
atuação a pesquisa básica ou aplicada em Física. A formação permite que esse profissional
encontre oportunidades de trabalho em centros de pesquisa (pesquisador), universidades (como
docente ou técnico de nível superior), empresas de alta tecnologia, computação, indústrias de
dispositivos eletrônicos, bancos, entre outras.
A formação completa de um pesquisador em Física para atuar na fronteira do
conhecimento, passa necessariamente pelo seu aperfeiçoamento em pós-graduação (mestrado e
doutorado). Dessa forma, o profissional Bacharel em Física terá plenas condições de cursar
cursos de pós-graduação não somente em Física, mas também em áreas correlatas.
II. Perfil Desejado do Formado
A carreira de Físico ainda não é regulamentada por Lei Federal, embora nesse momento
esteja tramitando um projeto de Lei na Câmara Federal, que a Sociedade Brasileira de Física tem
apoiado.9 A estrutura curricular do Bacharelado em Física deve obedecer as Diretrizes
Curriculares estabelecidas pela SESu no parecer CNE/CES 1.304/200110:
Conforme as Diretrizes Curriculares Para Cursos de Física do MEC/CNE, parecer
CNE/CES 1304/2001, considera-se que o perfil desejado do formando em física, seja qual for a
sua área de atuação, deva se caracterizar em conhecimentos bem estabelecidos e atualizados em
Física, permitindo que seja capaz de tratar problemas tradicionais e atuais. Espera-se, também,
que o profissional formado tenha a característica de buscar novas formas de conhecimentos
científicos e tecnológicos, com uma atitude competente e ética de investigação, associada a
diferentes formas e objetivos de trabalho.
Dessa forma, podem se distinguir perfis específicos em função da diversidade curricular,
através de módulos seqüenciais complementares ao núcleo básico comum, conforme apresenta o
parecer do CNE, reproduzido abaixo:
Físico – pesquisador: ocupa-se preferencialmente de pesquisa, básica ou aplicada, universidades
e centros de pesquisa. Esse é com certeza, o campo de atuação mais bem definido e o que
tradicionalmente tem representado o perfil profissional idealizado na maior parte dos cursos de
graduação que conduzem ao Bacharelado em Física.
9
www.sbfisica.org.br
http://portal.mec.gov.br/sesu/arquivos/pdf/130401Fisica.pdf
10
7
8
Físico – educador: dedica-se preferencialmente à formação e à disseminação do saber científico
em diferentes instâncias sociais, seja através da atuação no ensino escolar formal, seja através de
novas formas de educação científica, como vídeos, “software”, ou outros meios de comunicação.
Não se ateria ao perfil da atual Licenciatura em Física, que está orientada para o ensino médio
formal.
Físico – tecnólogo: dedica-se dominantemente ao desenvolvimento de equipamentos
processos, por exemplo, nas áreas de dispositivos opto-eletrônicos, eletro-acústicos, magnéticos,
ou de outros transdutores, telecomunicações, acústica, termodinâmica, motores, metrologia,
ciência dos materiais, microeletrônica e informática. Trabalha em geral de forma associada a
engenheiros e outros profissionais, em microempresas, laboratórios especializados ou indústrias.
Este perfil corresponderia ao esperado para o egresso de um Bacharelado em Física Aplicada.
Físico – interdisciplinar: utiliza prioritariamente o instrumental (teórico e/experimental) da
Física em conexão com outras áreas do saber, como, por exemplo, Física Médica, Oceanografia
Física, Meteorologia, Geofísica, Biofísica, Química, Física Ambiental, Comunicação, Economia,
Administração e incontáveis outros campos. Em quaisquer dessas situações, o físico passa a atuar
de forma conjunta e harmônica com especialistas de outras áreas, tais como químicos, médicos,
matemáticos, biólogos, engenheiros e administradores.
Devido ao fato que a UFSCar já oferece o curso de Licenciatura em Física, que prioriza a
formação de professores para o ensino médio e fundamental, e o de Engenharia Física, que
forma um profissional de engenharia com forte formação em Física Aplicada, estas atenderiam
os perfis de Físico-Educador e Físico-Tecnólogo. Por outro lado, não há na UFSCar professores
e pesquisadores que atuem em campos interdisciplinares que permitiriam a proposição de formar
o Físico-interdisciplinar. Dessa forma, devido a toda a infraestrutura existente para o ensino,
laboratórios de pesquisa e o programa de Pós-Graduação em Física, com Mestrado e Doutorado
reconhecidos pela CAPES, entendemos que o perfil ideal para Bacharel em Física a ser formado
em nossa universidade será a do Físico-pesquisador.
8
9
III. Competências e Habilidades
A formação do Bacharel em Física deve contemplar as atribuições definidas acima de
uma forma ampla o suficiente para que este desenvolva competências e habilidades segundo as
expectativas atuais e, ao mesmo tempo, de uma forma flexível para que possa adaptar-se a
diferentes perspectivas futuras, tendo em vista as novas demandas de funções sociais e novos
campos de atuação que vêm emergindo continuamente.
Conforme o parecer CNE/CES 1304/2001 é desejável que o Bacharel em Física em sua
formação adquira as seguintes competências:
1. Dominar princípios gerais e fundamentos da Física, familiarizando-se com suas áreas
clássicas e modernas;
2. descrever e explicar fenômenos naturais, processos e equipamentos tecnológicos em
termos de conceitos, teorias e princípios físicos gerais;
3. diagnosticar, formular e encaminhar a solução de problemas físicos, experimentais ou
teóricos, práticos ou abstratos, fazendo uso dos instrumentos laboratoriais ou
matemáticos apropriados;
4. manter atualizada sua cultura científica geral e sua cultura técnica profissional específica;
e
5. desenvolver uma ética de atuação profissional e a conseqüente responsabilidade social,
compreendendo a Ciência como conhecimento histórico, desenvolvido em diferentes
contextos sócio-políticos, culturais e econômicos.
Para o desenvolvimento das competências citadas acima, o bacharel em Física deverá
adquirir determinadas habilidades gerais, as quais serão desenvolvidas por meio da proposta de
disciplinas e atividades propostas para o curso. Em particular:
1. Utilizar a matemática como uma linguagem para a expressão dos fenômenos naturais;
2. resolver problemas experimentais, desde seu reconhecimento e a realização de medições,
até à análise de resultados;
3. propor, elaborar e utilizar modelos físicos, reconhecendo seus domínios de validade;
4. concentrar esforços e persistir na busca de soluções para problemas complexos;
5. utilizar a linguagem científica na expressão de conceitos físicos, na descrição de
procedimentos de trabalhos científicos e na divulgação de seus resultados;
9
1
0
6. utilizar os diversos recursos da informática, dispondo de noções de linguagem
computacional;
7. conhecer e absorver novos métodos, técnicas ou uso de instrumentos, seja em medições
ou de análise de dados (teóricos ou experimentais);
8. reconhecer as relações do desenvolvimento da Física com outras áreas do saber,
tecnologias e instâncias sociais, especialmente contemporâneas; e
9. apresentar resultados científicos em distintas formas de expressão, tais como relatórios,
trabalhos para publicação, seminários e palestras.
A formação do Bachael em Física também necessita de determinadas vivências que
permitam que o processo educacional seja mais integrado, pois a Física lida com um corpo de
conhecimento altamente especializado e que trata de conhecimentos tanto fundamentais, como o
da própria estrutura da matéria e da origem e evolução universo, bem como o de áreas aplicadas
e interdisciplinares avançadas, como a micro e a nanoeletrônica, a biologia molecular, a
astrofísica entre outras. Assim, o Físico deve ter a oportunidade de ter as seguintes vivências na
sua formação de graduado, como as sugeridas pelo parecer 1304/2001 do CNE/CES:
1. ter realizado experimentos em laboratórios;
2. ter tido experiência com o uso de equipamento de informática;
3. ter feito pesquisas bibliográficas, sabendo identificar e localizar fontes de informação
relevantes;
4. ter entrado em contato com idéias e conceitos fundamentais da Física e das Ciências,
através da leitura de textos básicos; e
5. ter tido a oportunidade de sistematizar seus conhecimentos e seus resultados em um
dado assunto através de, pelo menos, a elaboração de um artigo, comunicação ou
monografia.
Na próxima seção apresenta uma proposta de conteúdos curriculares atende os
principíos acima estabelecidos.
10
1
1
IV. - Conteúdos Curriculares
IV.1 - Conteúdos Específicos em Física
Os conteúdos abaixo são os especificados no parecer 1304/2001 do CNE/CES,
semelhantes aos apresentados na grande maioria do cursos de Física do mundo.
IV.1.1 - Física Geral
Abordagem dos conceitos, princípios e aplicações de todas as áreas da Física, contemplando práticas de
laboratório, e introduzindo, o cálculo diferencial e integral como parte da linguagem matemática necessária para
sua completa formulação.
IV.1.2 - Física Clássica
Conhecimento dos conceitos e teorias estabelecidos (em sua maior parte) antes do Séc. XX englobando os
formalismos de Lagrange e Hamilton da Mecânica e suas aplicações, os fenômenos eletromagnéticos e os princípios
da Termodinâmica e Mecânica Estatística.
IV.1.3 - Física Moderna
Conhecimento da Física desde o início do Séc. XX até o presente, compreendendo conceitos de mecânica
quântica, relatividade, física atômica e molecular, física da matéria condensada, física nuclear e astrofísica, e
respectivas aplicações, bem como tópicos de fronteira.
IV2. - Conteúdos Específicos em Matemática e demais Ciências Naturais
Compreensão do conjunto mínimo de conceitos e ferramentas matemáticas necessárias ao tratamento
adequado dos fenômenos em Física. Conhecimentos básicos de Química e Biologia Celular e Molecular,
fundamentais para a diversificação na formação do físico. Visão ampla dos aspectos históricos da Física e
epistemologia da Física.
V. - Atividades Curriculares
Com o objetivo de organizar o currículo para que esse possa incorporar novas dinâmicas
e espaços formativos, as atividades curriculares devem se dar de maneira articulada à construção
das competências requeridas para seu exercício profissional.
A formação do bacharel, a partir do perfil previsto e suas as competências listadas acima,
deve compreender um conjunto diversificado de atividades curriculares de maneira a propiciar a
compreensão rigorosa dos métodos envolvidos na produção e comunicação dos conhecimentos
de física e o enfrentamento competente das questões relacionadas à sua disseminação e dos
11
1
2
processos de aprendizagem, articulando no desenvolvimento do currículo, o ensino, a pesquisa e
a extensão.
Dessa maneira, é desejável que o bacharel em Física possa, ao longo da sua formação, ter
a oportunidade de desenvolver atividades que vão além daquelas propostas nas disciplinas de
graduação. Nesse sentido, para além das atividades desenvolvidas no seu Trabalho de Conclusão de
Curso, outras, com diferentes níveis de complexidade, deverão ser incentivadas e, para isso estão
previstos, não apenas momentos específicos para a discussão sobre a pesquisa em Física, como
aqueles proporcionados nas disciplinas “Seminários em Física 1, 2 3 e 4” mas também a realização
de Atividades Complementares, abertas ao longo de sua formação, propiciando diferentes escolhas
pelo aluno, de forma que a atividade investigativa possa se dar em diferentes perspectivas, como,
por exemplo, o envolvimento em atividades de iniciação científica, tanto teórica como
experiemental, para poder se integrar com a pesquisa de fronteira em Física ou áreas correlatas.
Poderão ainda intergrar-se a projetos de extensão, desenvolvidos por docentes da UFSCar junto
a empresas, centros de pesquisas e laboratórios. Nesse sentido, dada a vocação do Departamento
de Física da UFSCar em manter pesquisa em Física de alto nível, qualificada por um corpo
docente de pesquisadores de reconhecida competência e um programa de Pós-Gradução
consolidado há quase 20 anos, os alunos do curso de bacharelado em Física têm todas as
condições para desenvolver atividades de iniciação científica e de extensão universitária.
VI.1. - Disciplinas Obrigatórias
Física Geral: 24 créditos teóricos e 16 práticos.
Disciplina
Cr.
Disciplina
Cr.
Física A
6T
Física Experimental A
4P
Física B
6T
Física Experimental B
4P
Física C
6T
Física Experimental C
4P
Física D
6T
Física Experimental D
4P
Física Clássica: 30 créditos teóricos.
Disciplina
Cr.
Disciplina
Cr.
Mecânica Clássica
6T
Eletromagnetismo 1
6T
Mecânica Analítica
4T
Eletromagnetismo 2
4T
Física Térmica
6T
Mecânica Estatística
4T
12
1
3
Física Moderna e Contemporânea: 26 créditos teóricos e 8 créditos práticos.
Disciplina
Cr.
Disciplina
Cr.
Física Moderna
4T
Física do Estado Sólido 1
4T
Mecânica Quântica 1
6T
Física do Estado Sólido 2
4T
Mecânica Quântica 2
4T
Intr. a Fis. Nuclear e Part. Element.
4T
Física Mod. Experimental 1
4P
Física Experimental Avançada
4P
Matemática. 44 créditos teóricos.
Disciplina
Cr.
Disciplina
Cr.
Geometria Analítica
4T
Cálculo Diferencial e Séries
4T
Cálculo Diferencial e Integral 1
6T
Cálculo Diferencial e Integral 3
4T
Física Matemática 1
6T
Introdução às Equações Diferenciais
4T
Física Matemática 2
4T
Álgebra Linear 1
4T
Física Computacional 1
4T
Física Computacional 2
4T
Cr.
Disciplina
Outras Ciências. 18 créditos teóricos.
Disciplina
Cr.
Química 1 (Geral)
4T
História da Física
4T
Biologia Celular e Molecular
2T
Seminários de Física 1
2T
Seminários de Física 2
2T
Seminários de Física 3
2T
Seminários de Física 4
2T
Atividades de Sistematização: 8 créditos .
Disciplina
Trabalho de Conclusão de Curso 1
Cr.
Disciplina
Cr.
4P
Trabalho de Conclusão de Curso 2
4P
VI.2. - Disciplinas Optativas: 12 créditos teóricos/práticos. - Vide anexo 1
VI.3. - Atividades Complementares (inciso IV da Resolução 2/2002): 14 créditos.
As atividades complementares previstas são entendidas aqui como atividades de cunho acadêmico,
científico e culturais que deverão ser desenvolvidas pelos estudantes ao longo de sua formação, como forma de
incentivar uma maior participação na vida universitária, através de sua inserção em outros espaços acadêmicos
como, por exemplo, participações em encontros, conferências, escolas de verão; desenvolvimento de iniciação
científica, projetos de extensão ou atividades curriculares de integração ensino, pesquisa e extensão (ACIEPE).
13
1
4
(ver seção XI da proposta). Têm, assim, o objetivo de possibilitar que o aluno faça escolhas e aprofundamentos
segundo seus interesses e aptidões.
Disciplinas Teóricas
142 créditos
2.130 horas
Disciplinas Práticas
32 créditos
480 horas
Atividades Complementares
14 créditos
210 horas
Disciplinas Optativas
12 créditos
180 horas
200 créditos
3.000 horas
Total
Quadro resumo da carga didática do curso de Bacharelado em Física
A Figura 3 apresenta a distribuição percentual de cada componente curricular. Os
conteúdos de Física Geral, Física Clássica e Física Moderna e Contemporânea representam 53%
da grade curricular do curso. As disciplinas voltadas para a formação da área de matemática
representam 22% e, as demais componentes curriculares, 25%. Essa distribuição é bastante
equilibrada e permitirá um formação sólida ao Bacharel em Física.
Física Geral
Física Clássica
Física Moderna e Contemporânea
Matemática
21,57%
8,82%
3,92%
16,67%
7,84%
6,86%
14,71%
Outras Ciências
Atividades de Sistematização
Optativas
Atividades Complementares
19,61%
Figura 3 – Distribuição percentual dos créditos por componente curricular.
14
1
5
VII. A estrutura curricular
VII.1. A grade curricular do curso de Bacharelado em Física.
PRIMEIRO PERÍODO
CÓDIGO
08.111-6
08.221-0
09.110-3
09.801-9
09.837-0
DISCIPLINA
Geometria Analítica
Cálculo Diferencial e Integral 1
Física Experimental A
Física A
Seminários de Física A
PRÉ-REQUISITOS
TOTAL
CRÉDITOS
04T
06T
04P
06T
02T
18T+4P=22
SEGUNDO PERÍODO
CÓDIGO
07.013-0
08.226-0
09.111-1
09.802-7
27.025-3
08.012-8
DISCIPLINA
Química 1
Cálculo Diferencial e Séries
Física Experimental B
Física B
Biologia Celular e Molecular
Introd. às equações diferenciais
PRÉ-REQUISITOS
08.221-0
09.801-9
08.221-0
TOTAL
CRÉDITOS
04T
04T
04P
06T
02T
04T
20T+4P=24
TERCEIRO PERÍODO
CÓDIGO
08013-6
08.223-6
09.803-5
09.112-0
09.241-0
DISCIPLINA
Álgebra Linear
Cálculo Diferencial e Integral 3
Física C
Física Experimental C
Física Computacional 1
PRÉ-REQUISITOS
08.111-6
08.226-0
09.801-9 ou 09.805-1
09.801-9 ou 09.85-1
08.226-0 e 09.801-9 ou
09.805-1
TOTAL
CRÉDITOS
04T
04T
06T
04P
04T
18T+4P=22
QUARTO PERÍODO
CÓDIGO
09.237-1
09.804-3
09.123-5
09.244-4
09.150-2
09.838-8
DISCIPLINA
Física Matemática 1
Física D
Física Experimental D
Física Computacional 2
Mecânica Clássica
Seminários de Física B
PRÉ-REQUISITOS
08.221-0
09.802-7
09.111-1 e 09.112-0
09.241-0
(08.223-6 ou 09.231-2)
e 08.801-9
09.837-0
TOTAL
CRÉDITOS
06T
06T
04P
04T
06T
02T
22T+4P=26
15
1
6
QUINTO PERÍODO
CÓDIGO
09.152-9
09.321-1
09.130-8
09.232-0
09.222-3
09.839-6
DISCIPLINA
Física Térmica
Física Moderna
Física Moderna Experimental 1
Física Matemática 2
Mecânica Clássica 2
Seminários de Física C
PRÉ-REQUISITOS
09.802-7 e 08.226-0
(09.804-3 e 09.231-2)
ou 08.223-6
09.112-0e 09.804-3
09.231-2
09.150-2
09.838-8
TOTAL
CRÉDITOS
06T
04T
04P
04T
04T
02T
20T+04P=24
SEXTO PERÍODO
CÓDIGO
09.224-0
DISCIPLINA
Eletromagnetismo 1
09.330-0
Mecânica Quântica 1
09.238-0
09.134-0
Mecânica Estatística
Física Exp. Avançada
Optativa
PRÉ-REQUISITOS
CRÉDITOS
(09.231-2 ou 08.223-6) e
06T
09.803-5
08.223-6 ou 09.231-2 e
06T
09.321-1
09.321-1
04T
09.117-0
04P
04O
TOTAL
16T+04P+04O=24
SÉTIMO PERÍODO
CÓDIGO
09.510-9
09.225-8
09.324-6
09.325-4
DISCIPLINA
Trabalho de Conclusão de Curso
1 - Bacharelado
Eletromagnetismo 2
Mecânica Quântica 2
Física do Estado Sólido 1
Optativa–
Optativa
PRÉ-REQUISITOS
Mínimo de 120 créditos
cursados
09.224-0
09.323.8
09.321-1
TOTAL
CRÉDITOS
04P
04T
04T
04T
04O
04O
12T+04P+08O=24
OITAVO PERÍODO
CÓDIGO
09.511-7
09.408-8
09.327-0
09.326-2
09.840-0
DISCIPLINA
Trabalho de Conclusão de Curso
2 – Bacharelado.
História da Física
Intr. À Fis. Nuclear e Part.
Elementares
Estado Sólido 2
Seminário de Física D
Optativa–
PRÉ-REQUISITOS
09.510-9
CRÉDITOS
04P
09.801-9 ou 09.805-1 e
09.802-7 e 09.803-5 e
09.804-3
09.323-8, 09.322-0
04T
09.325-4
09.839-6
04T
02T
04O
14T+04P+04O=22
TOTAL
04T
VII.2 Articulação dos conteúdos com o perfil do profissional a ser formado
16
1
7
Os cursos de bacharelado em Física, em todo mundo, não apresentam diferenças
significativas quanto a estrutura curricular. A maioria dos cursos tem uma forte ênfase na
formação de profissionais nos conteúdos específicos de Física. Todos os curricula normalmente
optam por uma “formação em espiral”, ou seja, os conteúdos são revisitados ao longo do curso
com diferentes graus de complexidade, tanto no que se refere a técnicas e aplicações como
também a introdução de conceitos novos para explicar fenômenos físicos. Os quatro primeiros
semestres são considerados para a formação básica e os quatro últimos para a formação
específica, em particular com a introdução dos temas relacionados com a Física Moderna e
Contemporânea. Nesse sentido, a formação do físico continua na pós-graduação, na qual a
“espiral” é retomada avançando-se mais ainda na profundidade e complexidade dos conteúdos.
As inovações introduzidas no presente projeto em relação ao vigente se dá na inclusão de
novas disciplinas e de atividades formadoras, a saber:
Seminários de Física 1, 2, 3 e 4: Essas disciplinas têm um caráter de formação continuada nos
estudantes do curso de Bacharelado. Os seminários estão distribuídos ao longo dos 4 anos de
formação do estudante e tem com objetivo permirtir um contato com os avanços mais recentes
da Física, bem como possibilitar que os estudantes entrem em contato com a pesquisas que são
desenvolvidas na UFSCar e em outros centros univeristários e de pesquisa. Os seminários
deverão ser temas atuais e permitirão aos alunos vislumbrarem as perspectivas futuras de atuação
do Físico.
Introdução às Equações Diferenciais: Essa disciplina ajudará corrigir uma distorção na grade
anterior tanto do Bacharelado como da Licenciatura, em particular no que se refere aos prérequisitos de disciplinas como Mecânica Clássica e Física B, na qual o aluno toma contato com
equações diferenciais sem ter tido um conhecimento prévio do tema. Essa disciplina substituirá
na grade a disciplina “Funções de uma variável complexa”, cujos conteúdos serão apresentados e
discutidos na disciplina obrigatória Física Matemática 1, a qual teve o seu número de créditos
ampliados para seis.
Biologia Molecular e Celular: Essa disciplina é ofercida atualmente apenas para os alunos do
curso de Licenciatura em Física. Os conteúdos dessas colocam o estudante de Física em contato
com os aspectos modernos da Biolgia
Mecânica Quântica 1: A disciplina teve o seu número de créditos aumentado de 4 para 6
créditos. Essa sugestão, feita pelos docentes do DF, tem o objetivo de permitir ao estudante
17
1
8
entrar em contato com uma das teorias mais importantes da Física de uma maneira mais didática
e com possibilidade da discussão de aplicações dos seus principais resultados.
Física Experimental Avançada: A disciplina tem como objetivo permitir uma formação do
estudante na física experimental, desenvolvendo alguns experimentos de ponta e não apenas
realizando a verificação de fenômenos físicos. Essa disciplina será um reflexo da pesquisa
experimental existente no DF, pois será construída com o apoio dos grupos experimentais, não
no que tange a equipamentos, mas sim em propostas de experimentos. Com a inclusão dessa
disciplina o bacharel em Física cursará pelo menos uma disciplina experimental nos seis
primeiros semestres do curso.
Física do Estado Sólido 2: quase 80% da Física feita no Brasil e no mundo é na área de Física
da Matéria Condensada, da qual a Física do Estado Sólido representa a sua grande maioria. Essa
é a característica principal das pesquisas realizadas no DF/UFSCar. Como o curso de Física do
Estado Sólido 1 limita-se apenas a introduzir os conceitos básicos sem aplicações práticas e
tecnológicas em materiais, a formação do bacharel se torna deficitária desses conhecimentos, e
seria objetivo desta disciplina complementá-los.
Trabalho de Conclusão do Curso 1 e 2: O estudante desenvolverá e executará um projeto e
escreverá uma monografia sobre um tema em Física. Essa disciplina seria nos mesmos moldes da
disciplina equivalente da licenciatura. Esse projeto poderá ser tanto baseado em uma pesquisa
teórica como experimental. Trabalhos de iniciação científica poderão ser utilizados como base
para elaboração do trabalho de conclusão de curso, desde que atendam os requisitos da
disciplina.
VIII. - Tratamento Metodológico
Para que a formação do bacharel em Física, proposta pelo presente projeto, atinja as
competências e habilidades previstas na seção III, o egresso deverá:

Ter analisado situações e problemas que envolvam os conteúdos das disciplinas (para
isso será proposto ao bacharel o desenvolvimento e a realização de demonstrações e/ou
experimentos para verificar a validade de leis físicas e sua pertinência para o
entendimento de um conceito, para demonstração de uma hipótese etc, sempre que o
conteúdo da disciplina permitir);
18
1
9

Ter feito uso de outras fontes de informações disponíveis, além de livros-texto básicos,
sabendo identificar e localizar fontes relevantes (deve-se, neste caso, estimular a pesquisa
de aplicações dos modelos e conceitos);

Ter tido experiência com o uso de equipamento de informática;

Ter entrado em contato com idéias e conceitos fundamentais da Física/Ciências e
desenvolvido sua cultura científica (através, por exemplo, da leitura e discussão de textos
básicos de divulgação científica); e

Ter tido a oportunidade de sistematizar seus conhecimentos e/ou seus resultados em um
dado assunto através de, pelo menos, a elaboração de um artigo, comunicação ou
monografia (trabalho de conclusão do curso).
Com relação às disciplinas:

Os conteúdos a serem abordados nas disciplinas deverão ser discutidos, sempre que
possível, a partir da sua localização histórica, i.e., mostrando ao aluno em qual contexto o
conhecimento foi construído. Neste sentido, deve ser enfatizado que o conhecimento é
provisório e relativo ao que se conhecia na época;

Os conteúdos das disciplinas devem estar articulados com os desenvolvimentos atuais da
Física e de outras Ciências, permitindo aos alunos relacioná-los com atividades cotidianas
e compreender as descobertas e avanços tecnológicos dos dias de hoje; e

Os conhecimentos físicos deverão ser apresentados de forma a valorizar a curiosidade e
o questionamento dos alunos. É importante levar-se em conta as concepções prévias dos
alunos sobre essas questões.
IX. - Formas de Avaliação da Aprendizagem
19
2
0
A UFSCar, por meio da portaria 522/06, de 10 de novembro de 2006, estabeleceu
normas para a sistemática de avaliação do desempenho dos estudantes na qual define, em seu
artigo 1o. que:
“A avaliação é parte integrante e indissociável do ato educativo e deve
vincular-se, necessariamente, ao processo de “ação-reflexão-ação”, que
compreende o ensinar e o aprender nas disciplinas/atividades curriculares
dos cursos, na perspectiva de formar “profissionais cidadãos capazes de
uma ação interativa e responsável na sociedade atual”, caracterizada por sua
constante transformação.”
Esta portaria, ainda no seu artigo 2o,. afirma que a avaliação é um ato que deve permear
todo o processo educativo e deve ser um mecanismo para “diagnosticar o conhecimento
prévio dos estudantes, os seus interesses e necessidades; detectar dificuldades/entraves
na aprendizagem no momento em que ocorrem, abrindo a possibilidade do
estabelecimento de planos imediatos de superação; “
Nesse sentido, nas disciplinas do Curso de Física, tem sido utilizado, em geral, o método
de avaliação classificatória que consiste simplesmente em testar os alunos sobre o conhecimento
adquirido para classificá-los como alunos com bom ou mau aproveitamento. Uma forma mais
efetiva é a avaliação formativa ou diagnóstica em que ao avaliar os alunos, pretendemos detectar
problemas em sua aprendizagem e solucioná-los. É aquela aplicada durante o processo
educacional. Traz informações do estágio atual, com a finalidade de saber se a aprendizagem está
ocorrendo adequadamente ou se será necessária uma intervenção para adequar o processo
educacional ou auxiliar os alunos individualmente, conforme o espírito da portaria 522/06. Sabese das dificuldades de implantação deste tipo de avaliação e torna-se imprescindível o empenho
dos docentes, orientado pelo Conselho de Coordenação do Curso, em se adaptar às novas
formas de avaliação.
Propõe-se que, além da tradicional prova individual com questões dissertativas, a qual
certamente é muito importante no ensino da Física, pode-se considerar outras formas de
avaliação como:
1. Auto-avaliação (o estudante observaria e descreveria seu desenvolvimento e
dificuldades);
2. Testes e provas de diferentes formatos (desafiadores, relâmpagos, acumulativos, com
avaliação aleatória);
20
2
1
3. Mapas conceituais (organização pictórica dos conceitos, exemplos e conexões percebidos
pelos estudantes sobre um determinado assunto);
4. Trabalhos em grupo ou coletivos; e
5. Atividades de culminância (projetos, monografias, seminários, exposições, participação
de congressos de iniciação científica, etc).
Neste projeto, propõe-se ainda ações e procedimentos que contribuam para a avaliação
geral do Curso de Bacharelado em Física:
1. Participação do Curso no Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior (SINAES),
em que o curso é avaliado internamente pela Instituição e externamente por órgãos
governamentais;
2. Certificar a capacidade profissional de forma coletiva além da individual;
3. Avaliar não apenas o conhecimento adquirido, mas também as competências
profissionais; e
4. Diagnosticar o uso funcional e contextualizado dos conhecimentos.
X. - Formas de Articulação entre as Disciplinas e Atividades Curriculares
Sob a responsabilidade da Coordenação de Curso, diversas ações serão empreendidas de
forma a articular atividades acadêmico-científico-culturais, contempladas no inciso IV das
Diretrizes Curriculares. Entre as várias formas de articulação, os alunos seriam incentivados a:
1. Participar de “Encontros Semanais da Graduação” – série de seminários e atividades
culturais apresentadas por alunos dos cursos de graduação;
2. Participar do “Física às Treze Horas” – programa semanal de conferências ministradas
por profissionais de várias áreas buscando a articulação da Física com outras ciências e
com a tecnologia;
3. Freqüentar Congressos de Iniciação Científica;
4. Produzir textos e artigos para publicação em periódicos e anais de congressos;
5. Envolver-se com técnicas modernas de comunicação;
6. Aprimorar as relações interpessoais, desenvolvendo trabalhos em equipe; e
7. Participar do processo de redação de textos científicos.
.
21
2
2
ANEXO 1
Disciplinas Optativas
Bacharelado em Física – UFSCar
22
2
3
Disciplinas Optativas – Bacharelado
Código
Disciplina
Créditos
01312-9
Ensino e Pesquisa em Educação Ambiental
04
02.010-9
Introdução à Computação
04
02.016-8
Projeto de Algoritmos e Programação Fortran
04
02.710-3
Organização Básica de Computadores
04
06201-4
Comunicação e Expressão
04
06203-0
Português
02
09.204-9
Introdução à Literatura de Língua Portuguesa
07.014-9
Química 2 – Geral
04
07.015-7
Química Experimental 1 – Geral
04
07.103-0
Química Inorgânica
04
07.208-7
Química Orgânica
04
07.605-8
Espectroscopia
04
09.113-8
Eletrônica 1
09.114-6
Eletrônica 2
09.115-4
Projetos Especiais 1
09.116-2
Projetos Especiais 2
09.119-7
Tópicos Avançados de Física Experimental
09.174-0
Mecânica dos Fluidos
04
09.208-8
Tópicos de Física
04
09.226-6
Introdução ao Magnetismo e à Supercondutividade
06
09.223-1
Mecânica Analítica
09.233-9
Física Matemática 3
04
09.236-3
Fundamentos de Astronomia e Astrofísica
04
09.307-6
Ótica Física
04
09.308-4
Relatividade
06
23
2
4
09.310-6
Física Atômica e Molecular
04
09.322-0
Física Moderna 2
09.351-3
Teoria de Cordas e Cosmologia
02
09.352-1
Teoria da Informação: Clássica e Quântica
02
09.400-5
Seminários de Física 1
09.401-3
Seminários de Física 2
09.460-9
Instrumentação e Prática do Ensino de Física Clássica
04
09.461-7
Instrumentação e Prática de Ensino de Física Moderna
04
09.480-3
Evolução dos Conceitos de Física
09.501-0
Circuitos Elétricos
09.680-6
Acústica Aplicada
09.702-0
Métodos de Caracterização de 1
04
09.703-9
Métodos de Caracterização de 2
04
09.705-5
Tecnologia e Aplicações de Materiais Ferroelétricos
04
09.707-1
Tecnologia e Aplicações de Materiais Magnéticos
04
09.710-1
Tecnologia e Aplicação de Semicondutores
04
09.713-6
Tecnologia e Aplicação de Supercondutores
04
09.724-1
Engenharia de Dispositivos e Materiais Avançados
06
15.001-0
Probabilidade e Estatística
04
16.100-4
Introdução à Sociologia Geral
04
16.102-0
Sociologia da Educação 1
04
16201-9
História Moderna e Contemporânea
04
16.204-3
História das Idéias Políticas
04
16.206-0
História Política do Brasil
04
16207-8
História das Revoluções Modernas
04
16211-6
História Social do Brasil
04
16400-3
Economia Geral
04
24
2
5
16.401-1
Introdução à Economia Política da Educação
04
17.011-9
Filosofia da Educação 1
04
17.020-8
Interação Professor Aluno
17.030-5
Métodos e Técnicas do Trabalho Acadêmico Científico
04
17.044-5
Métodos e Técnicas do Trabalho Acadêmico Científico
04
17.054-2
Educação e Sociedade
04
17.101-8
Estrutura e Funcionamento da Educação Básica
04
18.002-5
Filosofia da Ciência
04
18.003-3
Filosofia e Ética
04
18.004-1
Introdução à Filosofia
04
18.005-0
Noções Gerais de Direito
04
18.009-2
Metodologia das Ciências
04
17.143-4
Prática de Ensino e Estágio Supervisionado de Física 1
20.001-8
Psicologia da Educação 1 – Aprendizagem
20.006-9
Adolescência e Problemas Psicossociais
20.007-7
Introdução à Psicologia
04
20.008-5
Psicologia do Desenvolvimento
04
26.003-7
Biofísica
04
32.019-6
Biologia Geral
02
32.042-0
Geologia Geral
04
04
25
2
6
ANEXO 2
Ementas das Disciplinas
Bacharelado em Física – UFSCar
26
2
7
Perfil Disciplina: Seminários de Física A
1
Requisito
Requisito Recomendado
Obrigatório
Créd.
2
Teo. Prat. Est.
2
Dispensada por
Créd.
4
Teo. Prat. Est.
4
Dispensada por
Créd.
2
Teo.
2
Equivalência
Objetivos
Ementa
Perfil Disciplina
6
Requisito
Obrigatório
09.117-0
FÍSICA EXPERIMENTAL AVANÇADA
Requisito Recomendado
Equivalência
Objetivos
Ementa
Perfil
7
Disciplina
Requisito
Obrigatório
PRODUÇÃO
DO
CIENTÍFICOS EM FÍSICA
Requisito Recomendado
TEXTOS
Equivalência
Prat.
-
Est.
-
Dispensada por
Objetivos
Ementa
Perfil
8
Disciplina
FÍSICA DA MATÉRIA CONDENSADA 2
Créd.
4
Teo.
4
Prat.
-
Est.
-
27
2
8
Requisito
Obrigatório
09.321-1
Requisito Recomendado
Equivalência
Dispensada por
09.322-0
Objetivos
Ementa
28
2
9
ANEXO 3
Características Gerais do Curso
Bacharelado em Física – UFSCar
29
3
0
Criação
O Curso de Bacharelado em Física foi autorizado a funcionar na . Reunião do Conselho de
Curadores da UFSCar de 05/12/70, tendo iniciado as atividades em 1971.
Reconhecimento
Parecer no. 2438 de 04/12/1973, Decreto no. 73.736 de 05/03/1974, publicado no Diário
Oficial da União em 06/03/1974, p. 2442.
Legislação específica
Resolução CNE/CP no. 1 de 18 de fevereiro de 2002: Diretrizes Curriculares Nacionais para a
Formação de Professores da Educação Básica
Resolução CNE/CP no. 2 de 19 de fevereiro de 2002: Duração e a carga horária
Número de vagas
50 (cinqüenta)
Duração prevista
Tempo mínimo: 3 (três) anos
Tempo máximo: 7 (sete) anos
Número de créditos para integralização do Curso
196 (2940 horas)
Distribuição dos créditos
Práticas
Carga
Conteúdo
32
Obrig.
Opt.
142
12
Outras
Total
14
200
Distribuição do número de créditos por período:
Períodos
1o.
2o.
3o.
4o.
No. Créditos
22
24
22
26
5o.
6o.
7o.
8o.
24
22
24
22
No. Créditos
30
3
1
ANEXO 5
Corpo Docente e Técnico-Administrativo
Bacharelado em Física – UFSCar
31
3
2
Docentes
Departamento de Física
Professores Titulares
Gilmar Eugenio Marques
Doutor (University of California at San Diego, 1982)
Márcio José Martins
Doutor (IFSC-USP),
Nelson Studart Filho
Doutor (IFSC-USP, 1979)
Salomon Sylvain Mizrahi
Doutor (IFT-UNESP)
Wilson Aires Ortiz
Doutor (IF-USP)
Professores Associados
Adilson Jesus Aparecido de Oliveira
Doutor (UFSCar, 1996),
Antonio Lima Santos
Doutor (IF-USP)
Carlos Alberto Olivieri
Doutor (IF-UFRGS, 1987)
Cesar Constantino
Doutor (IFGW-UNICAMP, 1985)
Ducinei Garcia
Doutor (IFSC-USP, 1995)
Fernando Manuel Araújo Moreira
Doutor (UFSCar)
Hamilton Viana da Silveira
Doutor (IFT-UNESP)
Jayme Vicente de Luca Filho
Doutor (University of California at Berkeley, 1994)
João de Deus Freire
Doutor (IFGW, 1980)
José Antonio Eiras
Doutor (Inst. Für Allg Metallkunde and Metallphysik–Aachen/Alemanha,1985)
32
3
3
José Carlos Rossi
Doutor (IFSC-USP, 1993)
José Cláudio Galzerani
Doutor (IFGW-UNICAMP, 1980)
José Marques Povoa
Doutor (IFSC-USP)
José Pedro Rino
Doutor (IFSC-USP)
Maristela Olzon Monteiro Dionysio de Souza
Doutor (IF-USP)
Odila Florêncio
Doutor (IFSC-USP)
Paulo Daniel Emmel
Doutor (IF-USP, 1991)
Paulo Sergio Pisani
Doutor (IFSC-USP,???????)
Sérgio Mergulhão
Doutor (IFSC-USP, 1987)
Professor Adjuntos
Adenilson José Chiquito,
Doutor (UFSCar, 2000)
Cláudio Cardoso
Doutor (UNICAMP, 20--)
Celso Villas-Boas
Doutor (UFSCar, 2003)
Victor
Doutor (----) Pós-Doutorado (---)
Yara Galvão Gobato
Doutora (École Normale de Paris, 1993)
Professor Assistente
Sergio de Aguiar Monsanto
Mestre (IFSC-USP, 1983)
Pessoal Técnico-Administrativo
33
3
4
Joseli Ap. Mendonça Alves – Secretária dos cursos de graduação em Física
Nivaldo Lemos – Técnico de laboratório
Norival Marques – Técnico de laboratório
34
3
5
ANEXO 6
Infra-Estrutura Física
Bacharelado em Física – UFSCar
35
3
6
1. Salas de Aulas
Espalhadas em vários blocos no campus.
2. Laboratórios
A dotação orçamentária para aquisição de equipamentos e material permanente que o DF
vem recebendo nos últimos anos tem sido insuficiente para a renovação dos seus equipamentos
de ensino. Há necessidade também de expansão da área física, uma vez que os laboratórios de
ensino das disciplinas experimentais básicas são utilizados não somente pelos cursos de
Bacharelado e de Licenciatura em Física, como por diversos outros cursos do Centro de Ciências
Exatas e de Tecnologia, incluindo o de Engenharia Física. Os laboratórios de ensino do DF são
denominados como se segue:
1.1.
Laboratório de Física Experimental A (60 m2)
1.2.
Laboratório de Física Experimental B (60 m2)
1.3.
Laboratório de Física Experimental C /D (60 m2)
1.4.
Laboratório de Física Moderna (04 salas de 15 m2)
1.5.
Laboratório de Instrumentação para o Ensino de Física (02 salas de 15 m2)
1.6.
Laboratórios de Informática para a Graduação (60 m2)
OBS: Este último virou lab de eletrônica e interfaceamento não é?
3. Bibliotecas
A Biblioteca Comunitária atende a todos os alunos do campus e contém um acervo
razoável, mas que precisa ser atualizado e expandido.
A Biblioteca Setorial de Física possui uma boa coleção de títulos para disciplinas mais
avançadas, mas em número insuficiente para atender a demanda.
2. Infraestrutura de Apoio
2.1 Oficina de apoio às aulas de laboratório com dois técnicos.
2.2 Oficina de Eletrônica e Oficina Mecânica de apoio aos projetos de instrumentação
para o ensino de física e trabalhos de conclusão de curso, com um técnico cada uma.
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universidade federal de são carlos centro de ciências exatas e de