1 Centro de Referência em Segurança Alimentar e Nutricional – CPDA/UFRRJ Centre for Studies in Food Security – Ryerson University Apoio: CIDA (Canadian International Development Agency ) 2004-2010 Projeto “Construindo capacidades em segurança alimentar no Brasil” Pesquisa “Quadros Institucionais Locais” (Anexo 1) RELATÓRIO LOCAL MUNICÍPIO DE FORTALEZA - CEARÁ Coordenador: Márcio Carneiro dos Reis Pesquisadora Local: Maria Cecília da Costa Março de 2006 2 I - INTRODUÇÃO 1 - Caracterização geral do Município de Fortaleza A criação do município de Fortaleza se deu a 13 de abril de 1726, quando o povoado da Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção foi elevado à condição de vila. Somente em 1823 o Imperador Dom Pedro I elevou a vila à categoria de cidade. Durante o Segundo Império, o Intendente Antônio Rodrigues Ferreira e o Arquiteto Adolfo Herbster realizaram obras urbanísticas transformando Fortaleza em uma das principais cidades do país. Atualmente, o Estado do Ceará é composto por 184 municípios com autonomia político-administrativa e tem como capital a cidade de Fortaleza. A história de Fortaleza se confunde largamente com a história do Ceará, terra de índios dos troncos tupi (tabajaras, parangabas, parnamirins, paupinas, caucaias, potiguaras, paiacus, tapebas) e jê (tremembés, guanacés, jaguaruanas, canindés, genipapos, baturités, icós, chocós, quiripaus, cariris, jucás, quixelôs, inhamuns), os quais, embora dizimados em grande parte, fazem sua cultura estar presente até a atualidade, em hábitos, comida, medicina e arte populares, nomes, vocabulário e etnia. Foi a demanda externa pelo algodão produzido no Ceará o fator gerador de um surto de desenvolvimento no Estado que, a essa altura, já contava com uma população numerosa e se debatia com o problema das secas. O Porto de Fortaleza exportava o produto para a Inglaterra, e daí em diante a cidade passou a exercer de fato seu papel de capital e sede do poder. Essa condição se intensifica com a implantação das ferrovias, que estabeleceram o fluxo de escoamento da produção agrícola e pastoril do interior até o porto de escoamento na capital. Além disso, a centralização político-administrativa ocorrida principalmente a partir do Segundo Reinado (1840-1889) contribuiu para que Fortaleza assumisse uma posição de maior importância em relação ao interior cearense. A caracterização territorial de Fortaleza conforme apresentada na Figura 1, permite visulisar a situação geográfica da cidade, que define-se com as seguintes coordenadas: Latitude (S) - 3° 43’ 02” / Longitude (WGr) - 38° 32’ 35”. Localiza-se na Região Nordeste do Brasil e possui como municípios limítrofes: - Norte: Oceano Atlântico e Caucaia - Sul: Maracanaú, Pacatuba, Itaitinga, Eusébio - Leste: Eusébio, Aquiraz e Oceano Atlântico - Oeste: Caucaia e Maracanaú 3 Figura 1 - Caracterização do Território - Microrregião - Fortaleza Fonte: ADH De acordo com a Fundação Cearense de Metereologia – FUNCEME, as condições climáticas de Fortaleza são caracterizadas por um clima tropical quente sub-úmido, com pluviosidade de 1338,0 mm e temperatura média de 26° a 28°, predominando o período chuvoso nos meses de janeiro a maio. Os componentes ambientais são formados por relevo com planície litorânea e tabuleiros pré-litorâneos; solos de areias quartzosas marinhas, planossolo solódico, podzólico vermelho-amarelo e solonchak, com vegetação composta pelo complexo vegetacional da zona litorânea e floresta perenifólia paludosa marítima. Fortaleza está localizada no litoral do Ceará e foi construída sobre dunas antigas e terrenos baixos. No passado existiam muitos campos de dunas, mas hoje as dunas só são encontradas isoladas, próximas a algumas praias. 4 Além de praias e dunas a cidade tem várias lagoas, algumas muito conhecidas com a de Parangaba, Messejana, Maraponga, Papicu e Precabura. Dentre os rios de Fortaleza, o maior é o Cocó que banha a cidade na sua parte Leste. Os rios Ceará e Maranguapinho estão localizados na parte Oeste. O rio Cocó, por sua extensão, e o rio Ceará, por seu significado histórico, são os mais importantes da cidade. Os mangues dos rios Cocó e Ceará formam uma paisagem muito bonita e apreciada. Constituem lugares adequados ao lazer. Na área de ocorrência de mangues do rio Cocó foi criada uma grande área de preservação ambiental. Lá fica o Parque Ecológico do Cocó. O município de Fortaleza ocupa uma extensão territorial de 313,14 Km² e foi dividido em cinco distritos: Fortaleza (distrito sede), Antônio Bezerra, Mondubim, Messejana e Parangaba. Cada distrito compreende vários bairros. Nestas cinco áreas intramunicipais, o Atlas da Exclusão Social, de André Campos et al, analisa um amplo conjunto de informações oficiais referentes aos anos de 1960, 1980 e 2000, retratando distintos indicadores de exclusão social, como pobreza, emprego formal, desigualdade social, alfabetização, escolaridade e juventude, que serão citados mais adiante na composição do presente relatório. A cidade de Fortaleza organiza uma região metropolitana com os seguintes municípios: Fortaleza, Caucaia, Maranguape, Maracanaú, Guaiúba, Pacatuba, Itaitinga, Aquiraz e Eusébio. Toda a região metropolitana recebe forte influência da capital. A maioria das pessoas apenas reside nos municípios vizinhos, geralmente trabalham e fazem suas compras em Fortaleza, deslocando-se diariamente em ônibus, trens, automóveis, bicicletas e motos. Para facilitar a administração municipal, Fortaleza encontra-se dividida em seis regiões. Um conjunto de bairros forma uma Secretaria Executiva Regional (SER), que é responsável pela prestação de serviços relacionados aos transportes, à saúde, aos desportos, à educação, à cultura e ao meio ambiente, dentre outros, com o objetivo de descentralizar os serviços prestados pelos diversos órgãos que compõem a Prefeitura Municipal de Fortaleza. As seis Regiões Administrativas são assim representadas, de acordo com a figura 01. 5 Figura 02 - Mapa da divisão administrativa do município de Fortaleza por regionais A seguir encontra-se a especificação dos bairros para cada Secretaria Regional: SER I – Vila Velha, Jardim Guanabara, Jardim Iracema, Barra do Ceará, Floresta Álvaro Weyne, Cristo Redentor, Vila Ellery, São Gerardo, Monte Castelo, Carlito Pamplona, Pirambu,, Farias Brito, Jacarecanga e Moura Brasil. SER II – Joaquim Távora, São João de Tauape, Meireles, praia de Iracema, Dionízio Torres, Varjota, Mucuripe, Cais do Porto, Vicente Pizon, Papicu, Cidade 2000, Salinas, Guararapes, Praia do Futuro, Cocó, Luciano Cavalcante, Centro e Dunas. SER III – Jóquei Clube, Pici, Bela Vista, Presidente Kennedy, Parquelândia, Amadeu Furtado, Rodolfo Teófilo, Parque Araxá, Antonio Bezerra, Autran Nunes, Dom Lustosa, Henrique Jorge, Quintinho Cunha, João XIII, Bom Sucesso e Padre Andrade. SER IV – Parangaba, Vila Pery, Montese, Itaperi, Damas, Bom Futuro, Benfica, Jardim América, Parreão, Bairro de Fátima, Vila União, Aeroporto, José Bonifácio e Serrinha. SER V – Granja Portugal, Bom Jardim, Canindezinho, Genibaú, Conjunto Ceará, Parque São José, Siqueira, Parque Santa Rosa, Conjunto Esperança, Manoel Sátiro, Maraponga, Novo Mondubim, Jardim Cearense, José Walter e Parque Presidente Vargas. SER VI – Sabiaguaba, Lagoa Redonda, Sapiranga Coité, Alagadiço, Cambeba, Mata Galinha, Castelão, Curió, Granjaú, Coaçu, Messejana, Paupina, Pedras, Ancuri, Dias Macedo, Barroso, Alto da Balança, Jangurussu, Passaré, Parque Dois Irmãos, Dendê, Edson Queiroz, Jardim das Oliveiras, Parque Manibura, Cidade dos Funcionários, Cajazeiras, Parque Iracema e Aerolândia. Conhecida como terra quente e de poucas chuvas, Fortaleza tem uma natureza exuberante no que se refere às suas praias de verdes mares, à grandiosidade de suas dunas, à força dos ventos e à sua luminosidade intensa. Com uma temperatura média de 27 graus, apresenta um verão permanente e seu povo hospitaleiro é conhecido por uma contagiante alegria de viver. 6 2 – População No período 1991-2000, a população de Fortaleza teve uma taxa média de crescimento anual de 2,23%, passando de 1.768.637, em 1991, para 2.141.402, em 2000, conforme mostra a tabela 01. No último Censo de 2000, a população do Município representava 28,82% da população do Estado, e 1,26% da população do País, tendo características totalmente urbanas. Tabela 01– População por situação de domicílio, 1991 e 2000 População por situação de domicílio, 1991 e 2000 1991 2000 População total 1.768,637 2.141.402 Urbana 1.768,637 2.141.402 Rural 0 0 Taxa de Urbanização 100,00% 100,00% Fonte: IBGE, Censo demográfico, 1991 e 2000. As projeções populacionais para Fortaleza, apresentadas na tabela 02, indicavam já em 2001, 2.183.778 de habitantes. Em 2005, a cidade atingiu a marca dos 2.375.866 de habitantes. E em 2009, segundo as projeções do IBGE, deverá atingir 2.584.849 de habitantes. Em que pese a crescente importância do seu volume absoluto, a população projetada de Fortaleza indica uma diminuição no seu ritmo de crescimento com relação à Região Metropolitana e ao Estado (PPA – 2006 – 2009). Ano 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Tabela 02 – Evolução populacional: 2001 ~ 2010 Fortaleza RMF¹ CE Fortaleza/RMF Fortaleza/CE 2183778 3049585 7577618 71,61 28,82 2230293 3126130 7741294 71,34 28,81 2277798 3204595 7908506 71,08 28,80 2326315 3295031 8079330 70,82 28,79 2375965 3367485 8253844 70,55 28,78 2426471 3452009 8432127 70,29 28,78 2478155 3538654 8614261 70,03 28,77 2530940 3627475 8800329 69,77 28,76 2584849 3718524 8990416 69,51 28,75 2639966 3811859 9184609 69,26 28,74 Fonte: IBGE, 2000. ¹ - Região Metropolitana de Fortaleza De acordo com a população residente em Fortaleza nos anos de 1991 e 2000, conforme apresentado na tabela 03, a população feminina comparada a masculina, constitui 53,65% da população total e permanece praticamente inalterada no último Censo de 2000. 7 Tabela 03 - População Residente – 1991 e 2000 DISCRIMINAÇÃO Homens Mulheres 1991 Nº 819.752 948.885 2000 % 46,35 53,65 Nº 1.002.236 1.139.166 % 46,80 53,20 Fonte: IBGE: Censos Demográficos 1991/2000 Para entender os problemas futuros e presentes da cidade se faz necessário analisar a alteração da distribuição da população por faixa etária, como se pode observar na tabela 04. As pessoas menores de 15 anos, que em 1991 ainda representavam 34,02% da população, no ano 2000 passaram a apenas 29,40%; por outro lado, os maiores de 60 anos, que em 1991 representavam 4,20% da população, atingem atualmente 5,07% e aumentarão mais no futuro. Embora a pirâmide etária de Fortaleza mostre uma população predominantemente jovem, o processo de transição demográfica já revela seus indícios, requerendo o adequado planejamento, para atender as demandas urbanas advindas desse processo de envelhecimento da população (PPA – 2006 – 2009). Tabela 4 – Estrutura etária, 1991 e 2000 Estrutura Etária, 1991 e 2000 1991 % 2000 Menos de 15 anos 601.622 34,02 629.612 15 a 64 anos 1.092.668 61,78 1.403.124 65 anos e mais 74.347 4,20 108.656 Razão de Dependência 61,90% 52,60% % 29,40 65,52 5,07 Fonte: IBGE, censo demográfico, 2000 A distribuição etária da população, como já se fez referência, tem repercussão sobre múltiplos aspectos da estrutura de demandas urbanas. Por exemplo, áreas com maior presença de crianças e adolescentes requerem maiores investimentos em educação, programas de vacinação e saúde preventiva, gastos com esporte e lazer. Quando se considera a faixa etária em idade ativa, o problema da geração de ocupação e renda passa para primeiro plano, com investimentos em qualificação e acesso a microcrédito. Numa transversal às diferentes faixas, as mulheres em idade reprodutiva requerem por sua vez atenção especial de saúde, bem como políticas de proteção à família. A distribuição da população por faixa etária e por SER, conforme mostra a tabela 05, é uma adaptação feita pela Secretaria de Planejamento – SEPLA a Prefeitura Municipal de Fortaleza – PMF (PPA – 2006 – 2009). Tabela 05 – Distribuição da população por faixa etária e por SER, Fortaleza, 2000 Faixa Etária (Anos) Regional População 0~4 5~9 10 ~ 19 20 ~ 59 60 ou mais SER 1 340.134 32.621 22.500 72.759 175.440 26.547 8 SER 2 311.842 21.868 22.500 63.423 172.848 SER 3 340.516 31.663 32.039 71.895 177.788 SER 4 259.831 19.834 20.732 52.961 140.903 SER 5 458.875 50.569 49.796 99.475 227.746 SER 6 436.204 47.947 48.244 94.414 221.039 TOTAL 2.141.402 204.402 205.078 454.927 1.115.764 * População recenseada – IBGE 2000. OBS: Faixa etária de “10 ~ 59” (PIA) Fonte: IBGE, censo demográfico, 2000. Adaptação PMF-SEPLA. 31.203 27.231 25.401 25.289 24.560 160.231 Especificamente com relação à idade ativa, a cidade se depara com o maior desafio: o crescente desemprego masculino e feminino. A população em idade ativa corresponde às pessoas entre 10 anos e 60 anos de idade, sendo entendidas, neste sentido, como uma força de trabalho potencial, na medida em que há procura por trabalho nesta faixa etária e se considera para cálculo das estatísticas essa idade como início de potencial atividade laboral. A População em Idade Ativa (PIA) é a base para calcular a pressão sobre o mercado indicado pela taxa de participação da população; de tal modo que, quanto maior a taxa de participação, maior é o percentual da PIA efetivamente no mercado de trabalho (PPA – 2006 - 2009). II – MANIFESTAÇÕES DE INSEGURANÇA ALIMENTAR 1 – Dados demográficos a) Longevidade, mortalidade e fecundidade Como mostra a tabela 9 no período de 1991-2000, a taxa de mortalidade infantil do Município diminuiu 26,62%, passando de 47,11 por mil nascidos vivos em 1991, para 34,6 por mil nascidos vivos em 2000 e a esperança de vida ao nascer cresceu 3,6 anos, passando de 66 anos, em 1991, para 69,6 anos, em 2000. No que diz respeito à estrutura etária (Tabela 04), merece atenção a mudança no potencial produtivo da população e seus impactos sobre a oferta de força de trabalho no mercado de trabalho local. Esse potencial é o resultado da razão entre dois grupos populacionais: o predominantemente não-ativo (crianças de 0 a 14 anos) de idade, somadas a idosos, pessoas com 65 anos de idade ou mais) e o potencialmente ativo (adultos de 15 a 64 anos de idade). Se o número de inativos é pequeno com relação ao de ativos, a razão de dependência diminui; se o número é grande, ela aumenta. Essa variação tem impactos para a sociedade, pois se trata de um número maior ou menor de adultos, produzindo bens e serviços que sustentam mais ou menos crianças e idosos (além dos próprios adultos). Em 1991, a razão de dependência era 61,90% de pessoas em idade predominantemente inativa por 100 pessoas potencialmente na atividade. No ano 2000, diminuiu para 52,60%, o que indicaria uma oportunidade produtiva para a cidade de Fortaleza, na medida em que mais adultos produziriam bens e serviços. No entanto, para ser aproveitada, essa oportunidade dependeria do crescimento sustentado da economia e da 9 incorporação desses adultos à produção. A predominância de políticas econômicas nacionais voltadas para a estabilidade monetária e não para a expansão dos investimentos produz, assim, um paradoxo: a maior proporção de população em idade ativa, ao invés de produzir riqueza, produz desemprego e precarização do trabalho (PPA – 2006 – 2009). Tabela 6 – Indicadores de longevidade, mortalidade e fecundidade, 1991 e 2000 Indicadores de Longevidade, Mortalidade e Fecundidade, 1991 e 2000 1991 2000 Mortalidade até 1 ano de idade (por 1000 nascidos vivos) 47,1 34,6 Esperança de vida ao nascer (anos) 66 69,6 Taxa de Fecundidade Total (filhos por mulher) 2,5 2,2 Fonte: IBGE, censo demográfico, 2000. b) Mortalidade até 5 anos de idade De acordo com o ADH a situação em 1991 do (a) Mortalidade até cinco anos de idade do Brasil era 59,48. Dentre os municípios da microrregião Fortaleza, o município com o melhor valor era Fortaleza (CE), com um valor de 73,25, expresso na Figura 20 e o município com o pior valor era Eusébio (CE), com um valor de 109,58 Em 2000, o(a) Mortalidade até cinco anos de idade do Brasil era 39,32. Dentre os municípios da microrregião Fortaleza, o município com o melhor valor era Pacatuba (CE), com um valor de 47,94, e 3 municípios estavam empatados com o pior valor (65,86). O valor apresentado por Fortaleza, conforme mostra na Figura 20 encontrava-se entre os 3 (33,3%) municípios da microrregião que tinham um valor entre 50,00 e 62,5 (ADH). Fortaleza: mortalidade até 5 anos de idade 1991/2000 - em % Fonte: ADH 80 73,25 70 60 54,59 50 40 30 20 10 0 1991 2000 Figura 20: Fortaleza – mortalidade até 5 anos de idade Fonte: ADH 10 2 - Condições de Habitação a) Domicílios com banheiro e água encanada Em 1991, o(a) percentual de pessoas que vivem em domicílios com banheiro e água encanada do Brasil era 67,19. De acordo com a Figura 14, a situação apresentada pelo município de Fortaleza mostra um valor de 68,64. Dentre os municípios do Estado do Ceará, o município que apresentava o melhor valor era Fortaleza (ADH). Para a situação apresentada em 2000, o(a) percentual de pessoas que vivem em domicílios com banheiro e água encanada do Brasil era 76,97. Dentre os municípios do Estado do Ceará, o município com o melhor valor continuava sendo Fortaleza, com um valor de 84,03, conforme mostra a Figura 14. Em 2000 o(a) percentual de pessoas que vivem em domicílios com banheiro e água encanada em Fortaleza apresentava um melhor valor quando comparado a média nacional e à situação encontrada em 1991. Fortaleza: pessoas que vivem em domicílios com banheiro e água encanada - 1991/2000 - em % Fonte: ADH 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 84,03 68,64 1991 2000 Figura 14 - Fortaleza: percentual de pessoas que vivem em domicílios com banheiro e água encanada Fonte: ADH b) Domicílios com energia elétrica e geladeira De acordo com o ADH, em 1991, o(a) Percentual de pessoas que vivem em domicílios com energia elétrica e geladeira do Brasil era 66,38. Dentre os municípios do Estado do Ceará, o município com o melhor valor era Fortaleza (CE), com um valor de 71,18, expresso na Figura 15 , e o município com o pior valor era Tarrafas (CE), com um valor de 2,85. Em 2000, o(a) Percentual de pessoas que vivem em domicílios com energia elétrica e geladeira do Brasil era 81,93. Dentre os municípios do Estado do Ceará, 11 o município com o melhor valor era Fortaleza (CE) expresso na Figura 15, com um valor de 86,79, e o município com o pior valor era Salitre (CE), com um valor de 11,75 (ADH). Fortaleza: pessoas que vivem em domicílios com energia elétrica e geladeira 1991/200 - em % Fonte: ADH 100 86,79 80 71,18 60 40 20 0 1991 2000 Figura 15 – Fortaleza: Percentual de pessoas que vivem em domicílios com energia elétrica e geladeira Fonte: ADH c) Domicílios urbanos com coleta de lixo A situação em 1991 do(a) Percentual de pessoas que vivem em domicílios urbanos com serviço de coleta de lixo do Brasil era 77,86. Dentre os municípios da microrregião Fortaleza, o município com o melhor valor era Fortaleza (CE), com um valor de 84,72, expresso na Figura 16 e o município com o pior valor era Eusébio (CE), com um valor de 13,51(ADH). A situação em 2000 do(a) Percentual de pessoas que vivem em domicílios urbanos com serviço de coleta de lixo do Brasil era 91,16. Dentre os municípios da microrregião Fortaleza, o município com o melhor valor era Fortaleza (CE), com um valor de 95,07,expresso na Figura 16 e o município com o pior valor era Guaiúba (CE), com um valor de 55,87 (ADH). 12 Fortaleza: pessoas que vivem em domicílios urbanos com serviço de coleta de lixo - 1991/2000 Fonte: ADH 100 95,07 84,72 80 60 40 20 0 1991 2000 Figura 16 – Fortaleza: Percentual de pessoas que vivem em domicílios urbanos com serviço de coleta de lixo Fonte: ADH d) Domicílios com acesso a bens de consumo De acordo com o ADH em 1991, o(a) Percentual de pessoas que vivem em domicílios com telefone do Brasil era 16,83. Dentre os municípios do Estado do Ceará, o município com o melhor valor era Fortaleza (CE), com um valor de 24,17, como mostra a Figura 7, e o município com o pior valor era Choró (CE), com um valor de 0,05. Em 2000, o(a) Percentual de pessoas que vivem em domicílios com telefone do Brasil era 37,40. Dentre os municípios do Estado do Ceará, o município com o melhor valor era Fortaleza (CE), com um valor de 55,15, como mostra a Figura 7 e o município com o pior valor era Itatira (CE), com um valor de 1,84 (ADH). A situação em 1991do(a) Percentual de pessoas que vivem em domicílios com energia elétrica e TV do Brasil era 68,88. Dentre os municípios do Estado do Ceará, o município com o melhor valor era Fortaleza (CE), com um valor de 77,61, como mostra a Figura 7 e o município com o pior valor era Salitre (CE), com um valor de 4,99 (ADH). Em 2000, o(a) Percentual de pessoas que vivem em domicílios com energia elétrica e TV do Brasil era 86,02. Dentre os municípios do Estado do Ceará, o município com o melhor valor era Fortaleza (CE), com um valor de 94,28, como mostra a Figura 7 e o município com o pior valor era Salitre (CE), com um valor de 27,41(ADH). Portanto, dentre os municípios do estado,Fortaleza apresentou a melhor situação para ambas variáveis apresentadas na Figura 7. Percentual 13 Fortaleza (CE): Percentual de domicílios com acesso a bens de consumo, 1991 e 2000 Fonte: ADH 100 94,28 90 77,61 80 70 60 55,15 50 40 30 24,17 20 10 0 1991 2000 1991 2000 domicílios com TV domicílios com telefone Figura 7– Fortaleza: percentual de domicílios com acesso a bens de consumo como TV e Telefone Fonte: ADH 3 – Vulnerabilidade Social Entre os indicadores sintéticos, mais usados para mensurar os níveis de desenvolvimento, está o IDH. No caso de Fortaleza, esse indicador foi projetado para o Município, bem como para todos os bairros que o compõem, com base em dados do Censo Demográfico de 2000, conforme mostra a tabela 17. Para realizar uma análise do Índice de Desenvolvimento Humano do Município de Fortaleza a Secretaria de Planejamento (SEPLA) realizou uma desagregação deste índice, não somente através dos indicadores que o compõem, mas, também, através da base territorial: regionais e bairros. Com essa análise verifica-se que é o indicador “renda”, na verdade, que contribui com maior intensidade na caracterização das desigualdades sociais, tendo em vista que apresenta em quase todos os bairros cerca de 90%, um valor “baixo”. Mais ainda, somente a SER-2 apresenta valores “alto” e “médio”, demonstrando uma heterogeneidade não apresentada nas demais regionais (PPA – 2006 – 2009). 14 Tabela 17 - Índice de Desenvolvimento Humano do Município de Fortaleza, Secretarias Executivas Regionais PARÂMETRO UTILIZADO REGIÃO I ii III IV V VI TOTAL Média de anos de estudo dos chefes de família Alto Médio Baixo 6 9 5 11 4 7 9 1 11 7 5 12 5 22 6 45 63 Taxa de Alfabetização Alto 15 20 16 19 17 26 113 Médio 1 1 Baixo - Renda média dos chefes de família (salários mínimos) Alto 4 4 Médio 5 1 6 Baixo 15 11 16 19 17 26 104 IDH-M (geral) Alto 7 7 Médio 10 10 10 11 7 12 66 Baixo 5 3 3 5 10 15 41 Fonte: PMF – SEPLA – Fortaleza em números, 2004. Pelos dados da tabela 17, é perceptível que o indicador “taxa de alfabetização” apresenta uma maior homogeneidade, inclusive apresentando em quase todos os bairros valor “alto”. Pela análise dos índices apresentados em todos os 114 bairros do Município, pode-se perceber claramente que o indicador “alfabetização” apresenta-se constante ao longo da distribuição e com os maiores valores. Com a “renda” não se pode fazer as mesmas considerações; pelo contrário, apresenta-se, além da evidente heterogeneidade, com os valores mais baixos da distribuição, indicando em alguns bairros picos que se sobressaem, ressaltando sua substancial contribuição na composição do IDHM (PPA – 2006 – 2009). Dentro do contexto geral, no índice propriamente dito, apenas a SER-2 apresenta bairros com valor “alto”, mas são apenas sete e que representam aproximadamente 6% do total de bairros do Município e isto não significa que estes bairros sejam na sua plenitude homogêneos, podendo apresentar internamente áreas heterogêneas, que o nível de análise não permite “detectálas”. a) Dados relacionados à pobreza De acordo com o ADH, a situação em 1991 do(a) Intensidade da pobreza do Brasil era 49,18. Dentre os municípios da microrregião Fortaleza, o município com o melhor valor era Fortaleza (CE), como mostra a Figura 17 ,com um valor de 43,90, e o município com o pior valor era Maranguape (CE), com um valor de 52,09. A situação em 2000 do(a) Intensidade da pobreza do Brasil era 49,68. Dentre os municípios da microrregião Fortaleza, o município com o melhor valor era Aquiraz (CE), com um valor de 43,12, e o município com o pior valor era Eusébio (CE), com um valor de 55,92. Já Fortaleza aparece entre os 2 (22%) dos 9 municípios da microrregião, que tinham um valor entre 42,00 e 44,00 (ADH). A Figura 17 mostra não ter havido nenhuma evolução significativa para as situações apresentadas. 15 Fortaleza: intensidade da pobreza 1991/2000 - em % Fonte: ADH 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 43,9 43,73 1991 2000 Figura 17: Fortaleza: percentual do(a) intensidade da pobreza Fonte: ADH b) Dados relacionados à indigência A situação em 1991 do(a) Intensidade da indigência do Brasil era 42,04. Dentre os municípios da microrregião Fortaleza, o município com o melhor valor era Pacatuba (CE), com um valor de 33,09, e o município com o pior valor era Maranguape (CE), com um valor de 39,82. Como mostra a Figura 18 ,o valor para Fortaleza era 35,42 (ADH). Em 2000, o(a) Intensidade da indigência do Brasil era 53,87. Dentre os municípios da microrregião Fortaleza, o município com o melhor valor era Aquiraz (CE), com um valor de 40,95, e o município com o pior valor era Eusébio (CE), com um valor de 59,20. Como mostra a Figura 18, o valor para Fortaleza era 47,42. Comparando-se as duas situações apresentadas, a intensidade da indigência de Fortaleza aumentou em 12% para o período em estudo. 16 Fortaleza: Intensidade da indigência 1991/2000 - em % Fonte: ADH 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 47,42 35,42 1991 2000 Figura 18 – Fortaleza: Percentual do(a) intensidade da indigência Fonte: ADH c) Média de anos de estudo para pessoas de 25 anos ou mais de idade De acordo com o ADH a situação em 1991 o(a) média de anos de estudo das pessoas de 25 anos ou mais de idade do Brasil era 4,87. Dentre os municípios do Estado do Ceará, o município com o melhor valor era Fortaleza (CE), com um valor de 6,07,mostrado na Figura 19, e o município com o pior valor era Graça (CE), com um valor de 0,65. A situação em 2000 do(a) média de anos de estudo das pessoas de 25 anos ou mais de idade do Brasil era 5,87. Dentre os municípios do Estado do Ceará, o município com o melhor valor era Fortaleza (CE), com um valor de 6,91,mostrado na Figura 19, e o município com o pior valor era Graça (CE), com um valor de 1,53 (ADH). Fortaleza: Média de anos de estudo das pessoas de 25 anos ou mais de idade - 1991/2000 FONTE ADH 7 6,91 6,8 6,6 6,4 6,2 6,07 6 5,8 5,6 1991 2000 Figura 19: Fortaleza: Média de anos de estudo das pessoas de 25 anos ou mais de idade Fonte: ADH 17 d) Percentual de crianças em domicílio com renda per capita inferior a R$ 75,50 De acordo com o ADH a situação em 1991 do(a) Percentual de crianças em domicílios com renda per capita menor que R$ 75,50 do Brasil era 51,30. Dentre os municípios da microrregião Fortaleza, o município com o melhor valor era Fortaleza (CE), com um valor de 51,67, expresso na Figura 21 e o município com o pior valor era Guaiúba (CE), com um valor de 84,84. Em 2000, o(a) Percentual de crianças em domicílios com renda per capita menor que R$ 75,50 do Brasil era 45,99. Dentre os municípios da microrregião Fortaleza, o município com o melhor valor era Fortaleza (CE), com um valor de 46,00, expresso na Figura 21, e o município com o pior valor era Guaiúba (CE), com um valor de 82,18 (ADH). Fortaleza: crianças em domicílios com renda per capita menor que R$75,50 - 1991/2000 - Em % Fonte: ADH 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 51,67 46 1991 2000 Figura 21- Fortaleza: crianças em domicílios com renda per capita menor que R$ 75,50 Fonte: ADH 4 – Condição da mulher a) Percentual de mulheres chefes de família sem cônjuge e com filhos menores de 15 anos de idade De acordo com o ADH em 1991, o(a) Percentual de mulheres chefes de família sem cônjuge e com filhos menores de 15 anos do Brasil era 8,01. Dentre os municípios do Estado do Ceará, o município com o melhor valor era Deputado Irapuan Pinheiro (CE), com um valor de 2,99, e o município com o pior valor era Graça (CE), com um valor de 12,69. Como mostra a Figura 23, Fortaleza tinha um valor de 10,56, situando-se entre os 3 (1,6%) dos municípios do estado que tinham um valor entre 10,00 e 12,50. A situação que se apresenta em 2000 refere que o(a) Percentual de mulheres 18 chefes de família sem cônjuge e com filhos menores de 15 anos do Brasil era 5,83. Dentre os municípios do Estado do Ceará, o município com o melhor valor era Acopiara(CE), com um valor de 2,65, e o município com o pior valor era Alcântaras (CE), com um valor de 10,01. Como mostra a Figura 23, Fortaleza tinha um valor de 6,91, situando-se entre os 114 (62,0%) dos municípios do estado que tinham um valor entre 5,00 e 7,50 (ADH). Fortaleza: mulheres chefes de família sem cônjuge e com filhos menores de 15 anos 1991/2000 - em % Fonte: ADH 12 10,56 10 8 6,91 6 4 2 0 1991 2000 Figura 23 – Fortaleza: Percentual de mulheres chefes de família sem cônjuge e com filhos menores de 15 anos Fonte: ADH b) Adolescentes do sexo feminino de 15 a 17 anos com filhos/ crianças do sexo feminino de 10 a 14 anos com filhos Em 1991, o(a) Percentual de adolescentes do sexo feminino entre 15 e 17 anos com filhos do Brasil era 5,82. Dentre os municípios do Estado do Ceará, 2 municípios estavam empatados com o melhor valor (0,26) o município com o pior valor era Umirim (CE), com um valor de 18,46. O valor de Fortaleza era 4,98, como mostra a Figura 24, situando-se entre os 85 (46,2%) municípios do estado com um valor entre 3,5 e 7,00 (ADH). Em 2000, o(a) Percentual de adolescentes do sexo feminino entre 15 e 17 anos com filhos do Brasil era 8,45. Dentre os municípios do Estado do Ceará, o município com o melhor valor era Santana do Cariri (CE), com um valor de 1,80, e o município com o pior valor era Banabuiú (CE), com um valor de 18,42. O valor de Fortaleza era 8,01 como mostra a Figura 24, para adolescentes do sexo feminino de 15 a 17 anos com filhos e o,25 para crianças do sexo feminino de 10 a 14 anos com filhos. 19 Fortaleza: adolescentes e crianças do sexo feminino com filhos - 1991/2000 - em % Fonte: ADH 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 8,01 4,98 0,35 1991 2000 entre 15 e 17 anos com filhos entre 10 e 14 anos com filhos Figura 24 – Fortaleza: Adolescentes e crianças do sexo feminino com filhos Fonte: ADH c) Mulheres gestantes com menos de 20 anos de idade De acordo com a Figura 11, o percentual de mulheres gestantes com menos de 20 anos de idade de Fortaleza , considerando o período de 1999 a 2005, . apresenta valores em torno de 25%, mas observa-se que a partir de 2004 ocorreu uma redução de 1%para cada ano considerado. Fortaleza:percentual de gestantes menores de 20 anos (1999-2005) % de gestantes < 20 anos 100 80 60 40 25,0 26,4 25,6 25,6 24,4 23,2 1999 2001 2002 2003 2004 2005 20 0 Anos Figura 11– Percentual de mulheres gestantes com menos de 20 anos de idade no município de Fortaleza – Ceará no período de 1999 a 2005 Fonte: Secretaria de Assistência a Saúde / DAB – DATASUS. Secretaria Estadual de Saúde – SIAB d) A mulher no mercado de trabalho Centralizando a análise na situação da mulher fortalezense, verifica-se que o crescimento do desemprego feminino aparece como uma tendência, conforme mostra a tabela 15 . As mulheres se movimentam cada vez mais freqüentemente 20 no mercado de trabalho, em virtude das várias jornadas a que são submetidas durante a sua vida laboral. O desemprego feminino se manteve relativamente estável nos primeiros anos da década de 1980, em pouco mais de 11%, e assumiu um crescimento vertiginoso entre 1996 e 2001. Somente no triênio 1991/93, o desemprego masculino superou o feminino. No triênio 1997/99, o desemprego feminino foi maior em 4,7% e, em 2001, 13,56%. O desemprego cresceu de 1996 a 2001, em todas as faixas etárias, acontecendo com mais intensidade entre os mais jovens (PPA – 2006 – 2009). Tabela 15 - Indicadores de Mercado de Trabalho Ano 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 Ocupação Desemprego Masculina Feminina Masculina Feminina 56,61 31,75 0,03 10,21 56 30,71 8,03 9,85 55,85 31,24 10,32 12,52 54,22 30,66 11,37 11,2 51,67 29,92 13,08 11,74 51,97 30,39 12,29 11,7 33,01 29,08 10,39 11,01 54,14 31,99 8,6 9,86 52,25 31,83 10,71 10,72 51,61 31,63 10,86 11,37 48,75 29,34 12,48 13,05 48,26 28,81 13,28 131,92 46,62 29,8 12,77 13,18 47,81 31,57 15,19 17,25 Fonte: Pesquisa Direta – IDT. III – CONDIÇÕES DE ACESSO AOS ALIMENTOS 1) Acesso a infraestrutura Os dados apresentados nas tabelas 06, 07 e 08 mostram valores de 2002 e as pesquisas para elaboração do PPA 2006 – 2009 trazem uma discussão com maiores detalhes da infraestrutura de que dispõe a população mais carente de Fortaleza. 21 a) Energia Elétrica Tabela 06- Consumo de Energia Elétrica – 2002 CLASSES DE CONSUMO (MWh) % CONSUMO Total 2.371.007 100,00 Residencial 887.407 37,43 Industrial 486.593 20,52 Comercial 741.163 31,26 Rural 2.717 0,11 Público 249.224 10,51 Próprio 3.903 0,16 Fonte: Companhia Energética do Ceará (COELCE). b) Saneamento básico Tabela 07- Abastecimento de Água – 2002 % SOBRE O TOTAL DO ESPECIFICAÇÃO MUNICÍPIO ESTADO ESTADO Ligações reais 527.961 1.008.196 52,37 Rede de distribuição (m) 4.055.640 8.127.887 49,90 Volume produzido (m3) 180.674.114 278.933.773 64,77 Fonte: Companhia de Água e Esgoto do Ceará (CAGECE). Tabela 08 - Esgotamento Sanitário – 2002 % SOBRE O TOTAL DO ESPECIFICAÇÃO MUNICÍPIO ESTADO ESTADO Ligações reais 272.462 327.769 83,13 Rede coletora (m) 2.050.924 3.145.998 65,19 Fonte: Companhia de Água e Esgoto do Ceará (CAGECE). O resultado dos trabalhos realizados por ocasião da elaboração do Plano Plurianual da Prefeitura Municipal de Fortaleza (PMF) demonstram que ao lado da carência de moradias, o saneamento básico é outro grave problema de uma parcela significativa da população residente em Fortaleza. Há falta de saneamento adequado em quase 66% dos domicílios da cidade. Considerando os três itens mais importantes do saneamento básico – acesso à rede de abastecimento de água, acesso à rede geral de esgoto e acesso ao serviço de coleta de lixo – o item que mais aflige o Município é a falta de acesso à rede de esgoto, dado que 87,2% do total de domicílios possuem acesso à rede de abastecimento de água e 95,2% possuem acesso ao serviço de coleta de lixo, ao passo que somente 44,4% do total de domicílios possuem captação de esgoto, através de rede geral de esgoto, aí incluindo as unidades isoladas de coleta e tratamento (lagoas de estabilização). Além disso, destes, aproximadamente 6% não possuem sequer banheiro ou sanitário. Deve-se considerar que a distribuição desses serviços entre as diferentes regiões da cidade e as diversas parcelas da população não ocorre de maneira uniforme. Os problemas de falta de saneamento atingem de forma mais drástica os segmentos populacionais mais pobres. É na faixa de renda 22 correspondente a até meio salário mínimo domiciliar que se concentram cerca de 60% do total do déficit urbano de saneamento adequado existente. Em geral, essas pessoas vivem em residências localizadas na periferia urbana, em favelas, áreas informais, cortiços ou em áreas consideradas de alto risco. O acesso a saneamento também varia muito conforme o tipo de serviço prestado, mesmo considerando os avanços observados nos últimos anos. No que se refere ao abastecimento de água, a proporção da população urbana atendida passou de 77% em 1991 para 87,2%em 2000. Apesar disso, 70.000 domicílios na cidade ainda não possuem água canalizada da rede geral. Com relação ao serviço de esgoto, a situação de atendimento nas áreas urbanas é menos satisfatória do que a de água e varia muito, dependendo da região da cidade. Até ocorreu uma elevação no percentual da população atendida com esgoto adequado, que era de 13,36%, em 1991 e atingiu 44,47%, em 2000. No entanto, a população urbana sem acesso a esse serviço é ainda de aproximadamente 1.222.645 pessoas. Os problemas são agravados não apenas pela falta de coleta, mas também pela ausência de tratamento adequado do esgoto gerado ( PPA – 2006 – 2009 ). 2 – Distribuição da renda Em se tratando da distribuição da riqueza e mercado de trabalho as tendências estruturais do mercado de trabalho se ligam diretamente ao processo de desigualdade quanto à apropriação da renda. A composição da renda dos assalariados na condição de ocupados, que em Fortaleza está concentrada em torno de 0 a 3 salários mínimos, reflete em grande parte os problemas de desigualdade de renda na cidade. É o que se pode comprovar pela comparação entre o desempenho econômico dos últimos anos, que promoveu o aumento da renda per capita, mas ampliou a desigualdade. Conforme observa-se na tabela 10 a renda per capita média do Município cresceu 30,08%, passando de R$ 235,77, em 1991, para R$ 306,70, em 2000. A pobreza (medida pela proporção de pessoas com renda domiciliar per capita inferior a R$ 75,50, equivalente à metade do salário mínimo vigente em agosto de 2000) diminuiu 19,53%, passando de 41,4%, em 1991, para 33,3%, em 2000. Contudo, a desigualdade cresceu: o Índice de Gini, que mede a desigualdade de renda, passou de 0,65, em 1991, para 0,66, em 2000 ( PPP – 2006 – 2009). Tabela 10 – Indicadores de renda, pobreza e desigualdade, 1991 e 2000 Indicadores de Renda , Pobreza e Desigualdade 1991 2000 Renda per capita média (R$ de 2000) 235,8 305,7 Proporção de Pobres (%) 41,4 33,3 Índice de Gini 0,65 0,66 Fonte: IBGE, censo demográfico, 2000 A desigualdade na distribuição fica mais evidente, quando se consideram os diferentes segmentos da população, segundo a parcela apropriada da renda (Tabela 11). A parcela de renda apropriada pelos 20% mais pobres se contraiu fortemente em 10 anos, caindo de 2,3%, para chegar a 1,9%, ao passo que os 23 20% mais ricos ampliaram a sua participação na apropriação, de 69,3% para 70,2%. Todos os segmentos, com exceção dos 20% mais ricos, apresentaram perda nos seus percentuais, confirmando o motivo da desigualdade: a renda está cada vez mais concentrada. Tabela 11 – Porcentagem da renda apropriada por extratos da população, 1991 e 2000 Extratos da população 1991 2000 20% mais pobres 2,3 1,9 40% mais pobres 7,1 6,5 60% mais pobres 15,3 14,6 80% mais pobres 30,7 29,8 20% mais ricos 69,3 70,2 Fonte: IBGE, censo demográfico, 2000. Para traçar um perfil das principais características sócio-econômicas do município de Fortaleza, a partir do seu espaço intra-urbano, tomou-se como referência a divisão entre as seis Secretarias Executivas Regionais e os bairros. Assim, através da configuração espacial de indicadores selecionados, torna-se possível perceber os diferentes níveis de desigualdade que refletem a realidade urbana do Município. Analisando a estrutura intra-urbana de Fortaleza através da renda e da população de seus bairros, pode-se perceber que a reprodução da desigualdade sócio-econômica consegue atingir patamares díspares entre os espaços da cidade (PPA – 2006 – 2009). A renda é, certamente, um dos indicadores que tem a capacidade de melhor caracterizar as contradições sócio-econômicas entre os diferentes espaços do Município. Pode-se verificar na tabela 12 que a variação da renda média dos chefes de família nas regionais é tão desigual quanto a variação entre a renda dos bairros. A desigualdade da renda entre as regionais de menor e maior renda média chega a uma diferença de cinco vezes o valor da inferior; é como se, para reduzir a situação de desigualdade, promover uma consistente política de discriminação positiva dos investimentos públicos a favor das áreas mais carentes. Tabela 12 - Renda média mensal dos chefes de família por Secretaria Executiva Regional Regional População* Quantidade de Renda média mensal chefes de família dos chefes de família (salário mínimo) SER 1 340.134 72.984 3,49 SER 2 311.842 74.965 14,32 SER 3 340.516 74.635 4,10 SER 4 259.831 60.615 6,08 SER 5 452.875 97.747 2,78 SER 1 436.204 92.920 4,11 TOTAL 2.141.402 473.236 5,61 * População recenseada – IBGE, 2000. Fonte: IBGE, censo demográfico, 2000. Cálculo PMF-SEPLA. 24 As desigualdades se tornam mais evidentes e mais constrangedoras, quando se analisam os bairros com menor e maior renda média de cada regional; desta forma, pode-se então perceber quão diferentes e heterogêneas se apresentam as regionais, pois é exatamente na regional com maior renda média que se verifica uma maior diferença entre a renda dos bairros com menor e maior renda (PPA – 2006 – 2009). Tabela 13 - Renda média mensal dos chefes de família dos bairros SER 1 SER 2 SER 3 SER 4 SER 5 SER 6 Fortaleza Nº de bairros 15 20 16 19 17 27 114 Menor renda 238,78 287,61 257,08 386,63 225,64 233,19 225,64 média Maior renda 1.512,63 4.182,27 1.472,00 1.897,16 951,02 2.001,27 4.182,27 média Média 548,42 1.873,25 640,96 795,83 412,85 627,28 833,53 Fonte: IBGE, censo demográfico, 2000. Cálculo PMF-SEPLA. inclusive, a regional que apresenta menor renda média dos chefes de família é exatamente aquela que possui o bairro também com menor renda média (SER- 5) e o inverso pode ser comprovado; a regional, que apresenta maior renda média, é a que possui o bairro com maior renda (SER-2). a) Índice de Gini De acordo com o Atlas do Desenvolvimento Humano (ADH), em 1991 o(a) Índice de Gini do Brasil era 0,63. Dentre os municípios da microrregião Fortaleza, o município com o melhor valor era Pacatuba (CE), com um valor de 0,41, e o município com o pior valor era Fortaleza (CE), com um valor de 0,65, como mostra a Figura 3. Dos 9 municípios da microrregião, 3 (33,3%) tinham um valor entre 0,40 e 0,45; 2 (22,2%) tinham um valor entre 0,45 e 0,50; 2 (22,2%) tinham um valor entre 0,50 e 0,55; 1 (11,1%) tinham um valor entre 0,55 e 0,60; e 1 (11,1%) tinham um valor entre 0,60 e 0,65 ( ADH). A situação encontrada em 2000 para o(a) Índice de Gini do Brasil era 0,65. Dentre os municípios da microrregião Fortaleza, 2 municípios estavam empatados com o melhor valor (0,49).e o município com o pior valor era Fortaleza (CE) como mostra a Figura 3 com um valor de 0,66. Dos 9 municípios da microrregião, 0 (0,0%) tinham um valor entre 0,40 e 0,45; 2 (22,2%) tinham um valor entre 0,45 e 0,50; 3 (33,3%) tinham um valor entre 0,50 e 0,55; 2 (22,2%) tinham um valor entre 0,55 e 0,60; e 2 (22,2%) tinham um valor entre 0,60 e 0,65 ( ADH). 25 Fortaleza: Indice de Gini - 1991/2000 Fonte: ADH 0,7 0,65 0,66 1991 2000 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0 Figura 3 – Fortaleza: Índice de Gini – 199/2000 Fonte: ADH b) Razão entre a renda média dos 20% mais ricos em relação aos 40% mais pobres De acordo com o ADH em 1991, o(a) Razão entre a renda média dos 20% mais ricos e a dos 40% mais pobres do Brasil era 20,03. Dentre os municípios da microrregião Fortaleza, o município com o melhor valor era Pacatuba (CE), com um valor de 6,01, e o município com o pior valor era Fortaleza (CE), com um valor de 19,53, conforme apresentado na Figura 4. A situação do Brasil em 2000, mostra que o(a) Razão entre a renda média dos 20% mais ricos e a dos 40% mais pobres do Brasil era 21,40 e apresenta dessa forma um ligeiro acréscimo em relação a situação de 1991 .Dentre os municípios da microrregião Fortaleza, o município com o melhor valor era Guaiúba (CE),com um valor de 9,02, e o município com o pior valor era Fortaleza (CE), com um valor de 21,44 , conforme apresentado na Figura 4. O pequeno aumento no valor não tira Fortaleza da pior situação entre os demais municípios do Ceará. 26 Fortaleza: renda média dos 20% mais ricos em relação aos 40% mais pobres - 1991/2000 - em % Fonte: ADH 30 25 20 19,53 21,44 15 10 5 0 1991 2000 Figura 4 – Fortaleza:renda média dos 20% mais ricos em relação aos 40% mais pobres Fonte: ADH c) 40% mais pobres Segundo o ADH a situação da população do Brasil em 1991, quanto ao(a) Percentual da renda apropriada pelos 40% mais pobres era 6,70. Dentre os municípios da microrregião Fortaleza, o município com o melhor valor era Guaiúba (CE), com um valor de 15,70, e o município com o pior valor era Fortaleza (CE), com um valor de 7,10, conforme mostra Figura 5. Em 2000, o(a) Percentual da renda apropriada pelos 40% mais pobres da população do Brasil era 6,36. Dentre os municípios da microrregião Fortaleza, o município com o melhor valor era Pacatuba (CE), com um valor de 11,63, e o município com o pior valor era Fortaleza (CE), com um valor de 6,55, conforme apresentado na Figura 5. 27 Fortaleza: renda apropriada pelos 40% mais pobres da população - 1991/2000 - em % Fonte: ADH 10 8 7,1 6,55 6 4 2 0 1991 2000 Figura 5 – Fortaleza: renda apropriada pelos 40% mais pobres Fonte: ADH 3 – Acesso aos recursos naturais a) Acesso à terra - Propriedade dos imóveis urbanos De acordo com o ADH a situação em 1991 do (a) Percentual de pessoas que vivem em domicílios e terrenos próprios e quitados do Brasil era 63,97. Dentre os municípios do Estado do Ceará, o município com o melhor valor era Pacatuba (CE) com um valor de 80,87, e o município com o pior valor era Uruburetama (CE), com um valor de 32,01. Como mostra a Figura 6 ,a situação de Fortaleza encontrava-se entre os 74 (40,2%) dos municípios que tinham um valor entre 50,00 e 62,50 (ADH). Em 2000, o(a) Percentual de pessoas que vivem em domicílios e terrenos próprios e quitados do Brasil era 69,79. Dentre os municípios do Estado do Ceará, o município com o melhor valor era Fortim (CE), com um valor de 85,11, e o município com o pior valor era Irauçuba (CE), com um valor de 34,73. Como mostra a Figura 6, Fortaleza encontrava-se entre os 84 municípios (45,7%) que tinham um valor entre 62,50 e 75,00 (ADH). 28 Fortaleza: pessoas que vivem em domicílios e terrenos próprios e quitados - 1991/2000- em % Fonte ADH 64,61 70 60 58,07 50 40 30 20 10 0 1991 2000 Figura 6 – Fortaleza: pessoas que vivem em domicílios e terrenos próprios e quitados Fonte: ADH 4 – Educação a) Analfabetismo A situação em 1991 do(a) Percentual de pessoas de 25 anos ou mais analfabetas do Brasil era 22,80. Dentre os municípios da microrregião Fortaleza, o município com o melhor valor era Fortaleza (CE), com um valor de 18,79 apresentado na Figura 8 e o município com o pior valor era Guaiúba (CE), com um valor de 52,53 (ADH). A situação em 2000 do(a) Percentual de pessoas de 25 anos ou mais analfabetas do Brasil era 16,04. Dentre os municípios da microrregião Fortaleza, o município com o melhor valor era Fortaleza (CE), com um valor de 12,97 , conforme apresentado na Figura 8 e o município com o pior valor era Guaiúba (CE), com um valor de 42,43 (ADH). Como se pode perceber a situação de pessoas com 25 anos ou mais analfabetas do Estado do Ceará era a mesma para os municípios que apresentavam os melhores e os piores valores nas duas situações em questão. Embora Fortaleza, mesmo com os melhores valores em 1991 e 2002, apresentava uma diferença de 5,82% para menos em 2002. 29 Fortaleza: pessoas com 25 anos ou mais analfabetas, 1991/2000 - em % Fonte: ADH 100 90 80 70 60 50 40 30 20 18,79 12,97 10 0 1991 2000 Figura 8 – Fortaleza: percentual de pessoas com 25 anos ou mais analfabetas Fonte: ADH b) Pessoas com 15 a 17 anos , com menos de 04 anos de estudo Em 1991, o(a) Percentual de adolescentes de 15 a 17 anos com menos de quatro anos de estudo do Brasil era 30,28. Dentre os municípios da microrregião Fortaleza, o município com o melhor valor era Fortaleza (CE), com um valor de 28,05, apresentado na Figura 9, e o município com o pior valor era Itaitinga (CE), com um valor de 67,33 (ADH). Em 2000, o(a) Percentual de adolescentes de 15 a 17 anos com menos de quatro anos de estudo do Brasil era 16,38. Dentre os municípios da microrregião Fortaleza, o município com o melhor valor era Fortaleza (CE), com um valor de 11,72, apresentado na Figura 9 e o município com o pior valor era Guaiúba (CE), com um valor de 32,59 (ADH). 30 Fortaleza: adolescentes de 15 a 17anos com menos de quatro anos de estudo - 1991/2000 em % Fonte: ADH 50 45 40 35 30 25 28,05 20 15 11,72 10 5 0 1991 2000 Figura 9 - Fortaleza: percentual de adolescentes de 15 a 17 anos com menos de quatro anos de estudo Fonte: ADH c) Acesso à escola por parte das crianças A situação em 1991 do(a) Percentual de crianças de 7 a 14 anos que estão freqüentando o curso fundamental do Brasil era 76,91. Conforme expressa a Figura 10, Fortaleza aparece com um valor de 86,04. Dentre os municípios do Estado do Ceará, o município com o pior valor era Poranga (CE), com um valor de 32,13 (ADH). A situação em 2000 do(a) Percentual de crianças de 7 a 14 anos que estão freqüentando o curso fundamental do Brasil era 89,81. Dentre os municípios do Estado do Ceará, o município com o melhor valor era Jardim (CE), com um valor de 96,03, e o município com o pior valor era Assaré (CE), com um valor de 75,64. Como mostra Figura 10, Fortaleza aparece com um valor de 95,28 . 31 Fortaleza: acesso à escola por parte das crianças (7 a 14 anos) - 1991/2000 - Em % Fonte: ADH 100 90 80 95,28 86,04 70 60 50 40 30 20 10 0 1991 2000 Figura 10 - Fortaleza: percentual de crianças de 7 a 14 anos, com acesso à escola, freqüentando o curso fundamental Fonte: ADH 5 – Saúde A tabela 14 mostra os dados de saúde considerados para o município de Fortaleza na presente pesquisa, obtidos da Secretaria Estadual do Ceará Tabela 14 – Dados de saúde do município de Fortaleza 1999 2001 2002 2003 2004 Total de Gestantes 35256 77928 67908 39384 35640 cadastradas Gestantes com menos de 20 8820 20544 17352 10068 8688 anos Total de crianças de 0 a 3 35016 73176 66228 36372 36960 meses e 29 dias *só mamando no peito 18288 44352 39324 22308 23148 Total de crianças de 0 a 11 90276 210216 183444 97776 99492 meses e 29 dias *com vacinas em dias 61800 172584 151584 85368 88956 2005 29304 6792 32052 20280 82524 74028 Fonte: Secretaria de Assistência a Saúde / DAB – DATASUS. Secretaria Estadual de Saúde – SIAB a) crianças de 0 a 3 meses só mamando no peito A Figura 12 mostra o Percentual de crianças de 0 a 3 meses só amamentadas no peito do município de Fortaleza. Considerando o período de 1999 a 2005, .observa-se que mais de 50% das crianças de 0 a 3 meses são alimentadas somente no peito. O maio valor (63,3 %) corresponde ao ano de 2005. 32 % de crianças (0 a 3 meses) só mamando no peito Fortaleza:percentual de crianças de 0 a 3 meses só mamando no peito (1999-2005) 100 80 60 60,6 59,4 61,3 62,6 63,3 2001 2002 2003 2004 2005 52,2 40 20 0 1999 Anos Figura 12 - Percentual de crianças de 0 a 3 meses só amamentadas no peito no município de Fortaleza – Ceará no período de 1999 a 2005 Fonte: Secretaria de Assistência a Saúde / DAB – DATASUS. Secretaria Estadual de Saúde – SIAB b) crianças de 0 a 11 meses com a vacinação em dia De acordo com a Figura 13, o Percentual de crianças de 0 a 11 meses com a vacinação em dia de Fortaleza, vem crescendo desde 1999, atingindo o valor de 89,7 em 2005. % de crianças (0 a 11 meses) com vacinas em dia Fortaleza:percentual de crianças de 0 a 11 meses com a vacinação em dia (1999-2005) 100 80 82,1 82,6 2001 2002 87,3 89,4 89,7 2003 2004 2005 68,5 60 40 20 0 1999 Anos Figura 13 – Percentual de crianças de 0 a 11 meses com a vacinação em dia no município de Fortaleza – Ceará no período de 1999 a 2005 33 Fonte: Secretaria de Assistência a Saúde / DAB – DATASUS. Secretaria Estadual de Saúde – SIAB 6 – Trabalho Para realizar um recorte regionalizado das carências sociais do Município, foram utilizados dados do SINE/IDT sobre o mercado de trabalho no ano 2003, em cada uma das seis Secretarias Regionais (SER) de Fortaleza. O comportamento da taxa de ocupação mostra certa uniformidade, na qual a melhor situação foi obtida na SER II, com taxa de ocupação de 39,77%, ao passo que a pior situação foi encontrada na SER I, com taxa de ocupação de 36,84%. Contudo, na SER II também é encontrada uma expressiva taxa de ocupação informal, 53,12%, o que mostra o peso do mercado informal na ocupação total. O caso da SER I se mostra o mais complexo, na medida em que, ao lado da baixa taxa de ocupação são encontradas altas taxas de inatividade. Uma elevada inatividade da população em idade ativa pode ser produzida por períodos prolongados de procura por trabalho sem resultado, levando ao desalento. Contudo, o estado atual das pesquisas não permite ir além da constatação da baixa taxa de ocupação associada à inatividade (PPA – 2006 – 2009). Tabela 16 – Indicadores de Mercado de Trabalho por Secretaria Executiva Regional Regionais Participação Ocupaç ão Ocupação Informal Desemprego Aberto Des. Aberto Cessante Regional 1 45,24 36,84 49,58 17,43 13,12 Regional 2 47,28 39,77 53,12 14,98 10,97 Regional 3 47,19 38 49,23 18,21 14,01 Regional 4 46,54 38,54 49,11 16,99 12,13 Regional 5 47,22 38,11 52,57 18,14 12,95 Regional 6 46,52 37,65 54,08 17,55 13,77 Fonte: SINE/IDT, tabulação especial da pesquisa ocupação e desemprego, 2003 Des. Aberto não Cessante Des. total Inatividade 5,67 5,02 5,63 4,98 6,8 5,04 18,98 16,34 20,02 17,63 20,12 19,62 54,88 52,72 52,81 53,46 52,78 53,48 Conforme pode se observar na tabela 16 , a situação do desemprego mostra novamente a SER II na melhor condição relativa, com a menor taxa de desemprego total entre SER’s: 16,34%. A situação da SER IV é bastante próxima da apresentada na SER II, podendo as duas serem agrupadas pelas mesmas característica. A SER V, por sua vez, mostra uma forte pressão da procura por trabalho, expressa na maior taxa de desemprego total: de 20,12%. Nas demais SER’s a taxa de desemprego total oscila de 18% a 20%, sendo um fenômeno que possui uma grande amplitude espacial na cidade, atingindo todas as áreas. A dinâmica do mercado de trabalho produz movimentações, que atravessam toda a cidade e vão além dela, atingindo o conjunto da região metropolitana. Neste sentido, as cristalizações de certas áreas da cidade com relação ao mercado de trabalho não são muito perceptíveis. Contudo, sob vários aspectos, a situação das SER’s I, V e VI mostram características de uma certa cristalização espacial, onde a falta de oportunidades de trabalho se mostra mais aguda que noutras SER’s. As 34 baixas taxas de ocupação nestas áreas vêm acompanhadas também de baixos níveis salariais da população ocupada. Nas faixas acumuladas até três salários mínimos, o patamar mais alto foi apresentado pela SER VI, com 87,46%, ao passo que o menor patamar foi obtido pela SER II, com 77,7%. Também nas SER I, III e V, os níveis de remuneração da população ocupada tendem a se concentrar nas menores faixas. Assim, o quadro geral da cidade mostra que o fenômeno do desemprego e das baixas ocupação e remuneração da força de trabalho possui certa uniformidade, mas distancia-se nos casos da SER II e SER IV, como áreas com as situações relativas melhores. Por outro lado, as SER’s I, III, V e VI apresentam alguns dos piores indicadores do mercado de trabalho ( PPA – 2006 – 2009). a) Pessoas com mais de 50% de sua renda proveniente de transferências governamentais De acordo com o ADH a situação em 1991, do(a) Percentual da renda proveniente de rendimentos do trabalho do Brasil era 83,28. Dentre os municípios da microrregião Fortaleza, o município com o melhor valor era Aquiraz (CE), com um valor de 88,50, e o município com o pior valor era Fortaleza (CE), com um valor de 82,53, como mostra a Figura 22. Em 2000, o(a) Percentual da renda proveniente de rendimentos do trabalho do Brasil era 69,77. Dentre os municípios da microrregião Fortaleza, o município com o melhor valor era Maracanaú (CE), com um valor de 72,05, e o município com o pior valor era Eusébio (CE), com um valor de 60,64. Fortaleza tinha um valor de 70,63, conforme mostra a Figura 22. Em 1991, o(a) Percentual de pessoas com mais de 50% da sua renda proveniente de transferências governamentais do Brasil era 7,94. Dentre os municípios da microrregião Fortaleza, o município com o melhor valor era Aquiraz (CE), com um valor de 6,58, e o município com o pior valor era Itaitinga (CE), com um valor de 9,86. Como mostra a Figura 22, Fortaleza tinha um valor de 9,21 (ADH). Em 2000, o(a) Percentual de pessoas com mais de 50% da sua renda proveniente de transferências governamentais do Brasil era 13,24. Dentre os municípios da microrregião Fortaleza, o município com o melhor valor era Caucaia (CE), com um valor de 9,95, e o município com o pior valor era Guaiúba (CE) com um valor de 19,12. Como mostra a Figura 22, Fortaleza tinha um valor de 11,26 (ADH). Comparando-se as duas variáveis apresentadas na Figura 22, verifica-se que para as duas situações (1991/2000), em torno de 10% das pessoas viviam com mais de 50% de sua renda proveniente de transferências governamentais, enquanto que em torno de 70 a 80% das pessoas viviam com renda proveniente de rendimentos do trabalho . 35 Fortaleza: renda proveniente de rendimentos do trabalho x pessoas com mais de 50% da sua renda proveniente de tranaferências governamentais - 1991/2000 em % Fonte: ADH 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 82,53 70,63 9,21 1991 trabalho 11,96 2000 transferência governamental Figura 22 – Fortaleza: Percentual de pessoas com renda proveniente de rendimentos do trabalho e de transferências governamentais Fonte: ADH No que se refere a vulnerabilidade social, vale considerar aqui o trabalho de André Campos et al (2004), quando aborda o processo de exclusão social no interior das grandes cidades brasileiras, pois analisa a manifestação do processo de exclusão social a partir do espaço territorial. Os índices mostrados e utilizados para demonstração da exclusão social nesse estudo foram os seguintes: pobreza, emprego formal, desigualdade social, alfabetização, escolaridade e juventude. Para o caso de Fortaleza foram estudadas cinco áreas intramunicipais oficiais, Messejana, Mondubim, Antonio Bezerra, Parangaba e Fortaleza, as três primeiras são as que apresentam os piores indicadores. Nas áreas de Messejana, Mondubim, e Antonio Bezerra moram 49,3% (1.056.038) da população da cidade. Desses, 43,5% (459.276) são jovens com no máximo 19 anos, ou seja, 53,1% dos jovens de Fortaleza. A média de anos de estudo do chefe de família nessas áreas alcança, 6,2 anos e na cidade chega a 7,4 (André Campos et al, 2004). Os indicadores como a alfabetização e a pobreza, no entanto, podem ser considerados os mais negativos. A alfabetização de Fortaleza alcança apenas 85,4% (1.654.349) da população acima de 5 anos de idade. Pior do que isso é observar que a população analfabeta da cidade concentra-se em Messejana, Mondubim e Antonio Bezerra – 58,6% (165.551) de todos os analfabetos do município. Em outras palavras, exatamente as áreas mais carentes. 36 No que se refere a pobreza, dos 526.079 domicílios de Fortaleza, 22,1% são considerados pobres. Uma média alta para uma grande cidade brasileira. Mais importante ainda é perceber que esta é ainda maior nas três áreas mais carentes. Lá a proporção de pobres chega a 25,1% (63.686) dos domicílios. Diante desse quadro, torna-se evidente que a desigualdade se mostre entre todas as áreas da cidade (André Campos et al, 2004). Para uma visão recente, embora pouco aprofundada da questão do acesso a alimentos por parte da população de Fortaleza, entre os dias 23 de setembro e 02 de outubro de 2005, um jornal local - “Diário do Nordeste”- publicou o resultado de uma pesquisa sobre “Quanto custa viver no Ceará? Em primeira mão, o Diário do Nordeste publicou um comparativo do custo de uma cesta com 25 itens, entre produtos e serviços, consumidos por uma família padrão (dois adultos e duas crianças) em seis cidades do Ceará: Fortaleza, Maracanaú, Caucaia, Crato e Juazeiro do Norte. Os resultados apontaram que a Capital (Fortaleza) é a cidade mais cara para se morar no Estado, enquanto que Caucaia, município vizinho e que faz parte da região metropolitana de Fortaleza (RMF), aparece como a mais barata. A variação, ao contrário da pequena distância que separa as duas localidades, é bem significativa: chega a 45,13% no total das despesas. Entre os cinco grupos de produtos e serviços pesquisados – alimentação, higiene e limpeza; serviços (aluguel, mensalidade escolar e plano de saúde); lazer e tarifas (compostas pelo preço do litro de gasolina comum, passagem de ônibus, telefone, água e energia) – o quesito serviços é o que mais onera as finanças do consumidor, respondendo por no mínimo 59,38% dos gastos de uma família padrão que mora em Caucaia, chegando a 71,80% dos gastos para uma família em Fortaleza. Neste grupo de despesas, os valores cobrados pelos planos de saúde são os mais representativos. Em segundo lugar vêm as tarifas, consumindo 18,83% do orçamento familiar em Fortaleza, e 27,33% em Caucaia. Os gastos com gasolina lideram a lista. Alimentação, higiene e limpeza, itens de primeira necessidade, são os que menos pesam no bolso do consumidor. Juntos chegam a representar no máximo cerca de 11% do orçamento doméstico para uma família padrão que mora em Caucaia e 7,61% para quem mora em Fortaleza (Jornal Diário do Nordeste). No quesito alimentação entre os municípios pesquisados, o Crato é a cidade mais em conta. Caucaia, que no somatório dos gastos aparece como a localidade mais barata para se viver no Estado, peca neste item: lá é onde mais se gasta com a compra de alimentos. Comparada ao Crato, a variação chega a ser superior em 15,5%. 37 IV – ECONOMIA LOCAL O desempenho da economia de Fortaleza com relação ao restante do Ceará revela sua importância como principal pólo de produção e concentração da riqueza no Estado. A evolução do PIB per capita entre 1995 e 1999 e de 2000 a 2002, apresentado na tabela 18, mostra que a situação de Fortaleza é superior à média estadual e que essa posição vem se mantendo ao longo dos períodos considerados (PPA – 2006 – 2009). Tabela 18 – Produto Interno Bruto per capita, Fortaleza e média estadual Estado e Fortaleza Ceará Fortaleza CE/Fortaleza Fortaleza e Média Estadual Produto interno bruto per capita e preços de mercado (R$ 1,00) 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 1855,59 2291,14 2541,67 2691,01 2643 2774 2833 3129 2874,69 3388,55 3570,83 3514,53 4246 4515 4434 4416 0,65 0,68 0,71 0,77 0,62 0,61 0,64 0,71 Fonte: IPLANCE, IBGE, PIB municipal, 2002 No que se refere a economia, produção setorial e emprego, a posição de Fortaleza, entre os municípios brasileiros com maior PIB a preços de mercado para 2002, indicava que a cidade ocupava a 17º posição entre os 100 municípios com maior PIB, correspondendo a 0,74% do total da riqueza produzida segundo esse parâmetro (Tabela 19). Por outro lado, essa posição contrasta com o peso de sua população entre as metrópoles brasileiras, já que é considerada a quinta do país. Essa situação mostra que Fortaleza ainda permanece atrás de municípios bem menores, em termos populacionais, como Duque de Caxias/RJ e Guarulhos/SP, apresentando um descompasso entre as demandas da população e a capacidade de geração de riqueza da economia local (PPA 2006 – 2009). 38 Tabela 19 – “Ranking” dos Municípios do Brasil com relação ao PIB Posição ocupada pelos 100 maiores municípios em relação ao Produto Interno Bruto nacional e participações percentuais relativa e acumulada segundo os municípios e respectivas Unidades da Federação Produto Interno Municípios e respectivas Posição Bruto a preço de Participação Percentual Unidades da Federação ocupada mercado (1000 R$) Relativa Acumulada São Paulo/SP 1ª 140.066.059 10,41 10,41 Rio de Janeiro/RJ 2ª 62.862.104 4,67 15,08 Brasília/DF 3ª 35.672.414 2,65 17,73 Manaus/AM 4ª 20.355.938 1,51 19,24 Belo Horizonte/MG 5ª 19.622.929 1,38 20,62 Duque de Caxias 6ª 14.066.448 1,05 21,67 Curitiba/PR 7ª 140.022.817 1,04 22,71 Guarulhos/SP 8ª 13.927.099 1,03 23,74 São José dos Campos/SP 9ª 13.600.684 1,01 24,75 Porto Alegre/RS 10ª 13.079.160 0,97 25,72 Recife/PE 11ª 11.410.058 0,85 26,57 São Bernardo do Campo/SP 12ª 11.362.097 0,84 27,42 Campos dos Goytacazes/RJ 13ª 11.086.350 0,82 28,24 Betim/MG 14ª 11.062.646 0,82 29,06 Salvador/BA 15ª 10.982.528 0,82 29,88 Campinas/SP 16ª 10.820.585 0,80 30,68 Fortaleza/CE 17ª 9.927.916 0,74 31,42 FONTE: IBGE, PIB Municipal, 2002. Quanto a participação dos setores econômicos no PIB MUNICIPAL, a tabela 20 mostra essa informação. Tabela 20 – PIB, segundo valor adicionado por setores econômicos, Fortaleza, 2002 Indicadores do PIB Valor (R$) (%) Valor adicionado da pecuária 8.142 0.08 Valor adicionado da indústria 3.011.540 30,33 Valor adicionado dos serviços 6.466.873 65,14 Valor adicionado total 9.485.556 95,65 PIB a preços correntes de mercado 9.927.916 100,00 Fonte: IBGE, PIB Municipal, 2002. A característica da indústria local revela que, em praticamente todos os ramos de atividade classificados pela FIEC (Tabela 21), predominam as microempresas, cujos percentuais por ramo variam de 85,5%, no máximo, a 14,34%, no mínimo. A média, contudo, fica em torno de 68% de microempresas, com exceção dos ramos onde a concentração de capital é mais típica, como na produção e distribuição de gás, água e eletricidade. As médias empresas têm participação mais expressiva no tradicional ramo de produção de Couros e Peles, com 66,7% do total. As grandes empresas têm participação percentual reduzida no conjunto, se 39 destacando apenas na produção e distribuição de gás, água e eletricidade, com 42,9%, devido à localização das grandes concessionárias desses produtos na capital (PPA – 2006 – 2009). Tabela 21 – Distribuição de porte segundo setor produtivo, Fortaleza, 2001 Ramo de atividade Artigos de Vestuário e Acessórios Alimentos e Bebidas Construção Civil Metalúrgico Artigos do Mobiliário Edição e Impressão Minerais não Metálicos Produtos Químicos Produtos Têxteis Nº de Empresas 751 MetalMecânico Calçados Produtos de Madeira Borracha e Plástico EletroEletrônico Extração de minerais não metálicos Produção e Distribuição de Gás, Água e Eletricidade Couros e Peles Demais Setores Total Distribuição de porte segundo setor produtivo Indet. % Micro % Pequena % Média % Grande % 0 0 534 71,1 186 24,8 22 2,9 6 0,8 389 0 0 292 75,1 57 14,7 27 6,9 11 2,8 130 0 0 50 38,5 41 31,5 34 26,2 4 3,1 130 122 0 0 0 0 103 100 79,2 82 20 19 15,4 15,6 5 3 3,8 2,5 1 0 0,8 0 117 1 0 100 85,5 14 12 2 1,7 1 0,9 86 0 0 64 74,4 21 24,4 1 1,2 0 0 73 1 0 52 71,2 15 20,5 6 8,2 0 0 70 2 0 58 82,9 6 8,6 4 5,7 2 2,9 64 0 0 44 68,8 14 21,9 4 6,3 1 1,6 63 50 0 0 0 0 51 40 81 80 ‘10 10 15,9 20 1 0 1,6 0 1 0 1,6 0 47 0 0 34 70,8 12 25 1 2,1 0 0 38 0 0 24 63,2 11 28,9 1 2,6 1 2,6 11 2 0,2 7 63,6 3 27,3 1 9,1 0 0 7 0 0 1 14,3 1 14,3 2 28,6 3 42,9 3 0 0 1 33,3 0 0 2 66,7 0 0 71 0 0 58 81,7 12 16,9 1 1,4 0 0 2223 6 0,2 1613 452 117 Fonte: FIEC/Centro Internacional de Negócios/Guia Industrial do Ceará. 31 - 40 De acordo com os setores de serviços apresentados na tabela 22, o destaque para os Serviços merece algumas considerações adicionais. Segundo dados do Ministério do Trabalho para o setor formal da economia em 2003, Serviços respondiam por 40,11% das empresas com CNPJ ativo e 37,08% dos empregos formais no Município. Entre os maiores empregadores depois dos Serviços estão a administração pública, com 25,54%, e o comércio, com 17,42% do estoque de empregos. A indústria de transformação, em que pese corresponder a cerca de 30% do valor adicionado do PIB, responde por apenas 13,65% dos empregos, sendo a indústria da construção civil responsável por 4,60% (PPA - 2006 – 2009). Tabela 22 - Setores de Atividades, RAIS, 2003 Setores do IBGE Ext Mineral Ind Transf Serv Ind UP Const Civil Comércio Serviços Adm Pública Agropecuária Total Nº de Empresas 20 3.891 35 1.909 13.239 12.957 80 169 32.300 Setores de Atividades Estoque de % Emprego 0,06 269 12,05 60.833 0,11 4.389 5,91 20.501 40,99 77.647 40,11 165.287 0,25 113.829 0,52 2.961 100,00 445.716 Fonte: RAIS/Tem, 2003 % 0,06 13,65 0,98 4,60 17,42 37,08 25,54 0,66 100,00 Composição(Emp/Estab) 13,45 15,63 125,40 10,74 5,97 12,76 1.422,86 17,52 13,80 V – POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A PROMOÇÃO DE SAN 1) Setor Público O Setor Público pretende com o atual plano de governo inovar a gestão das políticas públicas municipais e, ao mesmo tempo, transformar a cultura política da 5ª maior cidade do Brasil. Para tanto a Prefeitura Municipal de Fortaleza, através da Coordenadoria do OrçamentoParticipativo/SEPLA e das Secretarias Executivas Regionais, iniciou o processo de construção dos mecanismos de participação popular a ser posto em prática ao longo dos quatro anos (2006-2009). Esse primeiro passo foi dado com a conclusão do processo do PPA Participativo, organizado em todas as regiões da Cidade e com sete segmentos sociais.O PPA (Plano Plurianual) é um importante instrumento de planejamento da ação das administrações públicas, definindo as diretrizes, os objetivos, metas e programas a serem implantados no quadriênio. A grande novidade do PPA 2006-2009 de Fortaleza foi a decisão da prefeita Luizianne Lins de planejar a Cidade através da participação popular, possibilitando aos cidadãos e cidadãs fortalezenses a oportunidade de efetivamente decidir quais são as principais prioridades e os programas que devem ser implantados no período de democracia participativa ( PPA – 2006 – 2009). Realizado em dois ciclos – preparatório e deliberativo – o PPA Participativo aconteceu através de 41 assembléias públicas territoriais em todas as seis secretarias regionais da Cidade e com sete segmentos sociais: crianças e adolescentes; idosos; jovens; GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros); mulheres; pessoas com deficiência; e população negra. No ciclo preparatório foram apresentadas informações sobre o PPA e o planejamento público municipal; sobre a organização e metodologia do processo do PPA Participativo; e debatidas questões sobre a participação nas assembléias deliberativas. No ciclo deliberativo, os participantes tiveram a oportunidade de apresentar propostas de programas e ações para o PPA de Fortaleza e definir, através do voto, as principais prioridades de cada região e segmento. Em linhas gerais, o processo do PPA Participativo reuniu cerca de 1.753 pessoas no ciclo preparatório e contou com a presença de mais de 5.107participantes nas assembléias deliberativas. Ao todo, o processo envolveu um total de 6.860 pessoas. Foram apresentadas mais de 650 propostas de programas e ações sobre praticamente todas as áreas de investimento do Governo Municipal. Além disso, foram eleitos 168 delegados e delegadas representantes das regionais e dos segmentos sociais no Fórum Municipal de Delegados e Delegadas do PPA Participativo. O Fórum Municipal do PPA Participativo foi o órgão responsável por integrar municipalmente as discussões regionais e de segmentos, definindo, junto com a Prefeitura Municipal, o encaminhamento dado às deliberações populares. Essa importante instância de poder popular dividiu com o Município a responsabilidade de definir as principais diretrizes e metas para a cidade de Fortaleza, nos próximos quatro anos.Vale dizer que todas as prioridades apontadas nas assembléias deliberativas regionais e de segmentos foram discutidas e negociadas, uma a uma, pelos delegados (as) e secretários municipais (PPA - 2006-2009). A PMF não transparece em seu plano de governo, pelo menos de forma explícita e direta como as políticas públicas irão promover a Segurança Alimentar e Nutricional (SAN). Mas na elaboração dos princípios, eixos estratégicos e macroobjetivos pode-se destacar o planejamento de ações voltadas para o enfretamento da questão da SAN no Município. No Plano Plurianual os eixos fundamentais da intervenção da gestão municipal foram definidos como: democratização e participação popular; distribuição da riqueza; meio-ambiente urbano; direitos humanos para todos e todas. Cada um desses eixos está articulado a macro-objetivos e respectivos programas a eles ligados, formando assim a estrutura do PPA 2006-2009 com os seguintes macroobjetivos: 1) Ampliar a Democratização da Gestão Pública através de participação popular, iniciada com a construção do Plano Plurianual Anual Participativo e tendo seu desenvolvimento através do Orçamento Participativo, na elaboração da Lei Orçamentária anual. O primeiro desafio já enfrentado diz respeito à elaboração participativa do PPA – Plano Plurianual. 42 2) Promover a re-distribuição da riqueza, através de políticas de promoção do trabalho decente, da responsabilidade social com o mundo do trabalho e do estímulo às políticas públicas de fortalecimento do associativismo e da sócio economia solidária, com o revigoramento da infra-estrutura econômica de base local. Além disso, o desenvolvimento articulado dos programas de qualificação profissional com as políticas de turismo, cultura, esportes e lazer permitirá ampliar o alcance das medidas potenciadoras de geração de ocupação e renda em Fortaleza. 3) Desenvolver a política municipal de turismo e esportes, através da oferta de serviços e equipamentos de turismo cultural e familiar, adequando a cadeia turística ao Código de Conduta contra o Turismo Sexual. O desenvolvimento do turismo solidário, onde o turista conhece a cidade e participa de sua vida social, bem como do turismo cultural, visa superar a limitação do binômio sol-mar nesta cidade. Para alcançar tal objetivo será necessário investir na qualificação dos 60 trabalhadores dos setores econômicos vinculados ao turismo, desenvolvendo cultura de respeito aos direitos do turista e ampliando a comercialização dos produtos e serviços locais vinculados às tradições locais 4) Assegurar a sustentabilidade ambiental da cidade, através da regulamentação do social no uso e ocupação do solo urbano, com a valorização dos espaços públicos, do patrimônio cultural e do ambiente urbano. Neste sentido, o objetivo é materializar a construção da agenda 21 em Fortaleza e a revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano de Fortaleza, estabelecendo os parâmetros de desenvolvimento urbano sustentável para a cidade. Como objetivo mais abrangente, está a melhoria da qualidade ambiental da cidade, com ênfase nos espaços de uso público e áreas de proteção ambiental, através da melhoria e aplicação dos instrumentos de controle urbano. 5) Desenvolver a política habitacional de interesse social voltada para a população mais carente da cidade, levando em consideração o direito à moradia como um direito humano e ambiental, que deve ser materializado como participação dos diversos segmentos da população, dando prioridade para o grave problema das “áreas de risco” e enfrentando o problema do déficit habitacional como meta de gestão democrática. A promoção de moradia adequada, através do acesso à terra urbana e à moradia, é um dos principais desafios para o poder público municipal. A realidade do déficit habitacional em Fortaleza torna o enfrentamento dessa questão inadiável, de forma a iniciar um processo real de redução desse déficit. 6) Assegurar o direito à educação fundamental com qualidade social – uma educação com os pés no chão e os olhos no mundo – que considere os saberes populares e científicos, reafirmando a educação de qualidade social, cultural e ambiental. O princípio fundamental será a democratização do acesso à escola e ao conhecimento, além de assegurar o(a) estudante a garantia de matrícula. 43 7) Assegurar o direito à saúde, à qualidade de vida e à ética do cuidar, como ação integral, baseada nos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS). Para alcançar a realização desses princípios, será ampliada a cobertura das equipes de saúde da família, dos atuais 15,6% (95 ESF's), para 60% (393 ESF's), incluindo as equipes de saúde bucal, como parte da equipe mínima do PSF. O reforço à atenção à saúde materno-infantil, à saúde bucal, às doenças crônico degenerativas, ao idoso, ao trabalhador e à vigilância à saúde constituem,alguns do componentes dessa concepção integral da atenção à saúde em seus diferentes níveis de complexidade. 8) Assegurar o direito à segurança pública cidadã e defesa civil. O enfrentamento da questão da segurança urbana pelo município tem como objetivo fortalecer compromissos relacionados a políticas sociais e ações comunitárias que deverão perpassar todo o conjunto de programas e ações na área de segurança comunitária e cidadã. 9) Desenvolver políticas públicas para os segmentos sociais vulneráveis e/ou discriminados, através da promoção do direito à equidade e dos direitos específicos dos jovens e pessoas portadoras de deficiência, bem como do combate à violência contra a mulher e as crianças e à discriminação racial e sexual no conjunto de políticas públicas, baseadas no respeito às diferenças e às singularidades, condição fundamental de construção da cidadania. 10) Integrar e ampliar o sistema de proteção à criança e ao adolescente, através de programas de apoio e promoção à família com atendimento multidisciplinar e sistêmico no combate aos maus-tratos, abuso, exploração econômica, através do combate ao trabalho infantil. 11) Desenvolver e ampliar as ações de cultura no município, encarando cultura como um direito social básico fundamental para o resgate da auto-estima da cidadania e para a formação da população. Para esse propósito, o desenvolvimento da cultura deverá pautar-se no financiamento mínimo de 1% do orçamento anual para a área; no respeito à diversidade cultural; no fortalecimento da cidadania; na reestruturação e ampliação de espaços públicos para a cultura e na restrição do uso privado de bens públicos; 12) Implementar o processo de modernização administrativa, racionalização através da implantação de sistemas de informação que promovam a democratização da informação, reduzam a exclusão digital e viabilizem a instalação do Governo Eletrônico como instrumento de apoio à administração pública. Esses instrumentos irão permitir a oferta de novos serviços aos cidadãos e cidadãs, assegurando condições para ampliar a eficiência e a qualidade dos serviços públicos prestados e dar à sociedade acesso transparente às ações de governo 44 13) Condução responsável das finanças públicas municipais, envolvendo ações integradas de educação fiscal, redução dos desequilíbrios financeiros, modernização das atividades de arrecadação, fiscalização e controle na execução das finanças públicas, como meio para viabilizar a ampliação eficiente dos gastos sociais na cidade. 14) Valorização do servidor como elo transformador da realidade municipal,capacitando-o técnica, cultural e profissionalmente, estimulando suas iniciativas e aproveitando as oportunidades de aumentar sua renda. Aprimorar e qualificar as relações do governo com o servidor, governo com a população e servidor com a população valorizando o papel do servidor como agente facilitador da cidadania. Dentre os projetos em execução da PMF já são conhecidos da população o de Economia Solidária, através da Incubação de Cooperativas/Servidor; apoio a cadeia produtiva/confecção; Feira Solidária; Projetos especiais; Feira Modelo e Jovem Empreendedor. O projeto de Agricultura Urbana, que constitui uma das ações contidas nos macroobjetivos já conta com as hortas das escolas municipais em atividade e com o Banco de Alimentos/MDS pronto para ser posto em prática, esperando apenas a definição de local apropriado ao seu funcionamento. A PMF formou recentemente o GTSAN ( Grupo de Trabalho para traçar as diretrizes da política de SAN no Município) , tendo como finalidade primordial a discussão para a criação do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional. A cargo da política estadual de SAN, a Secretaria de Ação Social do Estado do Ceará, através do FECOP – Fundo de Combate à Pobreza, vem desenvolvendo o Projeto Restaurante Popular – Mesa do Povo na cidade de Fortaleza. Com o objetivo de ampliar a oferta e o acesso da população de baixa renda a refeições nutricionalmente balanceadas, a preços acessíveis e oferecidas em ambiente higienizado e saudável, são atendidas 33.000 pessoas/mês, somente para almoço, ao preço de R$ 1,00 (hum real) . O Restaurante Popular Mesa do Povo, localiza-se no Bairro Parangaba, região com índice de desigualdade social entre 0,2 a 0,3 (¹), e atende a uma clientela bastante diversificada, incluindo desde pessoas idosas a crianças acompanhadas de seus familiares. Mas é visível a procura dessas refeições por trabalhadores do comércio local, ficando assim o segmento sem renda fixa, fora do alcance desse projeto social. (¹) Campos et. al., 2004. Atlas da exclusão social no Brasil. Vol.2. 45 2 – Da Sociedade Civil A relação de ONGs - Fortaleza – CE foi fornecida pelo Instituto Sertão, que participa das seguintes redes e articulações da sociedade civil: ABONG – Associação de ONG’S; ASA – Articulação no Semi-Árido; FBOMS – Fórum Brasileiro de ONG’s e Movimentos Sociais e Fórum Cearense pela Vida no SemiÁrido. Foi mantido contato por e-mail com as ONGs apontadas pelo Instituto Sertão para saber sobre as experiências das mesmas com SAN, mas todas apontaram a Vida Brasil como referência em Fortaleza , significando que a capacitação em SAN precisa ser difundida entre essas organizações, pois acredita-se que muitas de suas ações possam ser vinculadas aos princípios e conceito da Segurança Alimentar e Nutricional. Fortaleza-Ce – Organizações da Sociedade Civil Organização Esplar – Centro de Pesquisa e Assessoria CETRA – Centro de Estudos do Trabalho e Assessoria ao Trabalhador GACC – Grupo de Apoio às Comunidades Carentes IMOPEC Instituto da Memória do Povo Cearense Comunicação e Cultura e-mail [email protected] [email protected] [email protected] memó[email protected] [email protected] Cearah Periferia [email protected] Instituto Terramar CDVHS - Centro de Defesa da Vida Herbert de Souza CEDECA/CE – Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará [email protected] [email protected] cedeca@cedecaceará.org.br endereço Rua Princesa Isabel,1968, Benfica, CEP 60015-060 Rua Tibúrcio Cavalcante, 2953, Dionísio torres. CEP 601125-101 Av.Visconde do Rio Branco, 2847, Piedade. CEP 600550 - 171 Av. Dom Manuel,1197, Centro.CEP 60030010 Rua Castro e Silva,1121, Centro. CEP 60030-010 Rua Carlos Vasconcelos, 1339, Meireles. CEP 60115-170 Rua Pinho Pessoa, 86, Joaquim Távora.CEP 60135170 Rua Fernando Augusto, 987. Santo Amaro.CEP 60540260 Rua Deputado João Lopes, 83. Centro. CEP 60060-130 contato Zito Margarida/Verônica Gregório/Verônica Célia Elisângela Suzany Soraya Lúcia Renato 46 Vida Brasil – Valorização do Indivíduo e Desenvolvimento Ativo Instituto Sertão – Desenvolvimento Humano e Meio Ambiente IJC – Instituto de Juventude Contemporânea [email protected] Rua Antenor Rocha Alexandre, 320. Parque Manibura. CEP 60055-360 Patrik sertão@sertrão.org.br Oscar Centro Cultural Celita [email protected] IRT –Instituto de Revitalização para o Trabalho Anote –Agência de Notícias Esperança [email protected], [email protected] formaçã[email protected] Adelco – Associação para o Desenvolvimento Local Coproduzido [email protected] Rua Castro e Silva,1211, Centro.CEP 600030010 Rua João lobo Filho,267, Bairro de Fátima. CEP 6000055.360 Rua Luís Bento, 290, Pedra. CEP 60874-620 Rua Senador Pompeu, 2336, Bem Fica.CEP 60025-002 Av. Luciano Carneiro,2150, Vila União. CEP 60410691 Rua Coronel Linhares, 1721, Dionísio torres. CEP 60170-241 [email protected] [email protected] [email protected] Rodrigo/Camila Maria Nobre Ana Maria Milene Renata Sandra 3 – Setor Privado Numa perspectiva de que o PROJETO SEBRAE NOS BAIRROS possa estar contribuindo para a capacitação da população em idade ativa, residente em comunidades carentes de Fortaleza, é que se priorizou como destaque para o setor privado mencionar esse projeto, que tem como lema “O SEBRAE PERTINHO DE VOCÊ”. Quando o SEBRAE/CE decidiu investir nas comunidades dos bairros da cidade, o objetivo era inserir noções de empreendedorismo e técnicas de como alavancar a geração de emprego e renda, em territórios potenciais, com atividades que propiciassem um ambiente favorável ao desenvolvimento das micro e pequenas empresas. Para conseguir esses objetivos o SEBRAE/CE coloca à disposição da comunidade ações ligadas ao desenvolvimento local, educação empreendedora, cultura da cooperação, gestão empresarial, orientação para o crédito, acesso a mercados e modernização tecnológica. Atualmente, quatro bairros da Fortaleza se beneficiam do Projeto: José Walter, Conjunto Ceará, Granja Portugal e Conjunto Palmeiras. 47 O foco estratégico da atuação tem sido ações com grupos setoriais de artesanato, comércio varejista e têxtil e confecção. Para esses grupos são desenvolvidos cursos de gerência e tecnologia, consultoria gerencial, palestras gerenciais e tecnológicas, seminários, ações de associativismo empresarial, de apoio à comercialização e de cultura empreendedora. Mas, antes de definir a linha estratégica de atuação, o SEBRAE/CE realiza, em cada uma dessas comunidades, um diagnóstico em que verifica se existem: vocações e potencialidade, lideranças empresariais e comunitárias, capital social com nível organizado, capital humano e protagonismo local. Bastante atuante em Fortaleza e demais cidades do estado é o Programa Mesa Brasil SESC – Amigos do Prato, que atua desde 2001 como um programa de segurança alimentar e nutricional sustentável, redistribuindo alimentos excedentes próprios para o consumo. O programa é uma ponte que busca onde sobra e entrega onde falta, contribuindo para diminuir a desigualdade social no país .O Mesa Brasil consolida o compromisso social e institucional do SESC em uma ação social efetiva para atender a maior parcela possível da população que vive em situação de risco sócio econômico e cultural (www.amigosdoprato.sesc.ce.com.br). 4 – Conselhos Municipais Dentre os Conselhos Municipais de Fortaleza cabe aqui destacar: - COMDICA – Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente - O Comdica é um órgão permanente, deliberativo e controlador das ações em todos os níveis de defesa dos direitos da criança e do adolescente em Fortaleza. Esse conselho é composto por um colegiado paritário de membros da sociedade civil e da administração municipal e foi regulamentado pela lei municipal nº 6729 de 1990. - Conselho Municipal de Saúde - exerce papel deliberativo e fiscalizador, em especial no que se refere às questões financeiras. Hoje, toda a programação financeira do setor saúde das Secretarias Executivas Regionais é apreciada pelos seus respectivos Conselhos. Os recursos do Fundo Municipal de Saúde só são manipulados com a provação do CMSF. Por ocasião da realização da III Conferência Municipal de Saúde, em setembro de 1999, com o tema “Constituindo um Modelo de Atenção Integral a Saúde” foram realizadas as discussões acerca de repensar a Política de Saúde de Fortaleza, bem como os instrumentos de controle social do Município. Foi a partir daí que o Conselho Municipal de Saúde aprovou e acompanhou o enquadramento de Fortaleza na Gestão Plena do Sistema de Saúde. Descentralizou suas ações através da realização de reuniões nas unidades prestadoras de serviços de saúde. Colocou o Ministério Público como parceiro da construção do controle social e 48 procurou democratizar as informações pertinentes, através dos mais variados meios. No contexto da assistência social, merece destacar o Fundo Municipal de Assistência Social – FMAS - que é uma instância de financiamento da política de Assistência Social em Fortaleza. O FMAS possui um modelo de gestão descentralizado e participativo e tem como referência o Sistema Único de Assistência Social (SUAS). O SUAS é fundado nos eixos estruturantes da Política Nacional de Assistência Social (PNAS) como pacto entre a União, Estados e Municípios e propõe a execução de ações sócio – assistenciais descentralizadas e voltadas para o atendimento às famílias mais vulneráveis e em risco social. A missão do FMAS é financiar com transparência e eficácia a política de Assistência Social no município de Fortaleza. Na busca pela transparência da aplicação e gestão dos recursos públicos, o FMAS disponibiliza suas prestações de contas junto aos órgãos fiscalizadores, tais como Conselho Municipal de Assistência, Tribunal de Contas da União e Tribunal de Contas do Município. Além disso, garantindo a transparência quanto ao financiamento de programas orçamentários e quanto às ações de Assistência Social em Fortaleza junto aos beneficiários diretos da rede sócio-assistencial do município, o FMAS inicia um processo de publicização das prestações de contas através do site da Secretaria Municipal de Educação e Assistência Social (www.sedas.fortaleza.ce.gov.br). São serviços prestados pelo FMAS: realizar o financiamento das Ações de Proteção Social básica e especial, que tem por objetivo contribuir para a prevenção de situações de risco social, por meio do desenvolvimento de potencialidades e aquisições e o fortalecimento de vínculos familiares e comunitários. Destina-se à população que se encontra em situação vulnerável em decorrência da pobreza, privação (ausência de renda e precário acesso aos serviços públicos) e da fragilidade dos vínculos afetivos e de pertencimento social (discriminações etárias, por deficiência, entre outras). Prevê o desenvolvimento de serviços, programas e projetos locais de acolhimento, convivência e socialização de famílias e de indivíduos. Os serviços de proteção social básica serão coordenados pelos Centros de Referência de Asssitência Social (CRAS). Em 2005 18 CRAS prestaram os serviços à comunidade. O CRAS é responsável pela proteção de até 1 mil famílias/ano em cada território de 5 mil famílias. Veja alguns exemplos de serviços de Proteção Social Básica: • Proteção de atenção integral às famílias – PAIF • Programas de inclusão produtiva e projetos de enfrentamento da pobreza 49 • • • • • Centros de Convivência para Idosos Serviços para crianças de 0 a 6 anos que vivem o fortalecimento do vínculo familiar, com ações que favoreçam a socialização, a valorização do brinquedo e a defesa dos direitos da criança; Serviços sócio-educativos para crianças e adolescentes na faixa etária de 6 a 14 anos, visando a sua proteção, socialização e o fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários; Programas de incentivo ao protagonismo juvenil, com fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários; Centros de Informação e de Educação para o trabalho para jovens e adultos Em Fortaleza, dentre os serviços apresentados, são realizadas ações para: o Crianças o Adolescentes o Idosos o Mulheres o Gays, Lésbicas, Bissexuais e transgêneros o Famílias o A Proteção Social Especial é a modalidade de atendimento às famílias e indivíduos em situação de risco pessoal e social em decorrência de abandono, maus tratos, físicos ou psíquicos, abuso sexual, uso de substâncias psicoativas, cumprimento de medidas sócio-educativas, situação de rua, situação de trabalho infantil, entre outras.Os serviços de Proteção Social Especial podem ser subdivididos em serviços de média complexidade (oferecem atendimento às famílias, seus membros e aos indivíduos com direitos violados, mas cujos vínculos familiares e comunitários não foram rompidos), e em serviços de alta complexidade (garantem proteção integral: moradia, alimentação, higienização e trabalho protegido. Eles se dirigem às famílias, seus membros e indivíduos que se encontrem sem referência e/ ou, ameaçados e, nestas condições, necessitem ser retirados de seu núcleo familiar e comunitário). Em Fortaleza são realizados serviços de Proteção Social Especial para: Adolescentes, Mulheres, PNEE´s, Moradores de Rua, Catadores de Material Reciclado. Além desses serviços, o FMAS realiza o financiamento das Ações de Gestão do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) em Fortaleza. O SUAS é um sistema descentralizado e intersetorial de assistência social, onde municípios, estados e Governo Federal compartilham responsabilidades no financiamento e na gestão de programas. O sistema trará a mesma nomenclatura para seus programas e serviços em todo o país, assim como indicadores de avaliação e padrão de atendimento. Isto põem fim a uma longa história de 50 assistencialismo e ineficiência, tirando a assistência social de uma lógica clientelista e inserindo-a no patamar da política pública. Dos recursos federais de assistência social, repassados para o Nordeste, anualmente (2,83 bilhões de reais), o estado do Ceará recebe 381 milhões, o equivalente a 13,4%. Destes, R$ 7,7 milhões vão para o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI), que atende a quase 20 mil crianças e adolescentes. Somados aos recursos de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família e os de segurança alimentar, o Ministério do Desenvolvimento Social repassa R$ 993 milhões para o Ceará, por ano, ou seja, 15,5% de todos os recursos federais destinados à toda a Região .(Fonte: Assessoria de Comunicação – MDS) Ações de Gestão do SUAS em Fortaleza: Estudos e pesquisas sociais Informação, monitoramento e avaliação Estruturação da Rede Sócio-Assistencial Revitalização das Unidades Sociais Estruturação do Comando Único - Conselho Municipal de Meio Ambiente – COMAM, foi criado pela Lei Nº 8048 de 24 de Julho de 1997, integra o Sistema Nacional de Meio Ambiente – SISNAMA, como órgão colegiado local, deliberativo, consultivo e de assessoramento ao Chefe do Poder Executivo Municipal em questões relativas à política do meio ambiente em Fortaleza. Dentre os objetivos do COMAM, destacam-se: deliberar sobre as diretrizes gerais da política ambiental no município, aprovar previamente o licenciamento ambiental do parcelamento do solo, localizados ou lindeiros à áreas de proteção de recursos hídricos, manter intercâmbio com órgãos congêneres municipais, estaduais e federais, objetivando a troca de subsídios técnicos e informações a defesa do meio ambiente. Com atuação junto a população convem citar ainda as entidades de natureza civil ou governamental abaixo relacionadas, como os Conselhos de Direitos, que são órgãos que decidem sobre a formulação e controle das ações e dos programas referentes às crianças e adolescentes, a saber: Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará (CEDECA-Ceará): Entidade não governamental que atua na defesa e promoção dos direitos infantojuvenis prestando serviço de assessoria jurídica no estado do Ceará. Conselhos Tutelares: Órgãos compostos por cinco membros eleitos entre cidadãos locais, com mandato de três anos. Os membros tem como função atender a população e tomar as devidas providências quando violados os direitos infanto-juvenis. Existe em Fortaleza um conselho tutelar para cada SER. 51 Juizado da Infância e da Juventude: Órgão do Poder Judiciário encarregado de corrigir os desvios cometidos pelo Poder Público (governo federal, estadual e municipal), pela família, pelos adolescentes e pela sociedade. Comissão de Educação da Assembléia Legislativa: Coletivos de deputados estaduais que tem a função de analisar e formular projetos e emendas de lei referentes à educação que tramitam na Assembléia Legislativa do Ceará. Também discute os problemas e recebe denúncias referentes à educação no Estado. Defensoria Pública: Órgão do Poder Judiciário encarregado de corrigir os desvios cometidos pelo Poder Público (governo federal, estadual e municipal), pela família, pelos adolescentes e pela sociedade. Delegacia da Criança e do Adolescente: Delegacia para onde devem ser encaminhados os adolescentes suspeitos ou envolvidos na prática de ato infracional. É lá que deve ser feito o flagrante, se for o caso, e só lá o adolescente pode ser ouvido. Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente: Delegacia que investiga todos os crimes cometidos contra criança ou adolescente. É pra lá que devem ser encaminhadas as denúncias desse tipo de crime. SOS Criança: Abrigo que atende crianças vítimas de abuso ou violência. É formado por educadores e assistentes sociais. Denúncias de desaparecimentos e de violência contra criança devem ser encaminhadas para lá. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE: Programa do Governo Federal responsável pelo atendimento de casos relativos à liberação de verbas, FUNDESCOLA, livro didático e renda mínima. Centro de Defesa e Promoção dos Direitos Humanos da Arquidiocese de Fortaleza - CDPDH: Entidade não governamental que oferece serviços de assessoria jurídica gratuitamente às organizações da sociedade civil nos casos de violação dos direitos humanos. VI – BIBLIOGRAFIA CONSULTADA CAMPOS, André et al. Atlas da exclusão social no Brasil, vol 2:manifestação territorial. 2. ed. – São Paulo: Cortez, 2004. 167p. Jornal Diário do Nordeste, Fortaleza-Ce, 09/10/2005 _ Caderno Negócios p. 4,5,6,7,8. Souza, Simone.et alii . Fortaleza: a cidade e a criança – 2. ed. rev. e ampl – Fortaleza – Edições Fundação Demócrito Rocha, 1997 . 112p. il – (Coleção estudos sociais) Plano Plurianual do Município para o período 2006 – 2009 – Lei Nº 9044 de 30/11/2005. Suplemento do Diário Oficial do Município (DOM) ao Nº 13221 de 09 12/2005 52 http://www.sedas.fortaleza.ce.gov.br http://www.semam.fortaleza.ce.gov.br http://www.cmsf.fortaleza.ce.gov.br http://www.sebrae.ce.com.br www.amigosdoprato.sesc.ce.com.br).