INDÍGENAS EM LIVROS DIDÁTICOS DE LÍNGUA PORTUGUESA SILVA, Paulo Vinicius Baptista – PPGE-UFPR – [email protected] SOUZA, Letícia Pulcides – IC-UFPR – [email protected] Eixo: Educação e movimentos sociais / n. 07 Agência financiadora: sem financiamento Nesse artigo apresentamos alguns resultados de estudo em que analisamos, em perspectiva diacrônica, uma amostra de livros didáticos de Língua Portuguesa para a quarta série do ensino fundamental produzidos entre 1975 e 2004. A análise centrou-se na comparação em personagens indígenas e brancos das unidades de leitura e das ilustrações dos livros da amostra. A pesquisa se ancora em três campos de conhecimento: a) no conceito de ideologia de J. B. THOMPSON (1995), compreendida como “formas simbólicas a serviço do poder”, voltando-se para a análise de como as formas simbólicas atuam para criar e manter desigualdades, de raça, gênero e idade, além da classe social (THOMPSON, 1995); b) articulado a tal perspectiva, nos estudos de ROSEMBERG (1985; 2003) sobre desigualdades sociais no plano simbólico e em estudos sobre racismo e discurso, particularmente na análise crítica do discurso de formas específicas de atuação dos discursos para a racialização de indígenas e negros no Brasil e na América Latina (VAN DIJK, 2007); c) na perspectiva dos “teóricos da resistência”, da sociologia crítica da educação, particularmente nas análises de APPLE (1995) sobre o significado de tomar os livros didáticos como “artefatos de currículo”; de GIROUX (1999) sobre a naturalização da branquidade, a “brancura normativa” hegemônica nos discursos em educação; de APPLE (1996) sobre relações entre políticas educacionais e desigualdades de classe, gênero e raça. Num primeiro momento faremos uma análise de pesquisas brasileiras voltadas para discurso sobre indígenas em livros didáticos, para depois apresentarmos a análise sobre personagens indígenas de nossa amostra de livros didáticos de Língua Portuguesa. Indígenas nos livros didáticos: síntese de resultados de pesquisas brasileiras Negros e indígenas foram os dois grupos contemplados pela maioria dos estudos sobre racismo em livros didáticos brasileiros. As considerações de ROSEMBERG, BAZILLI E SILVA (2003) acerca de pesquisas brasileiras sobre racismo contra negros, 2 são, nos aspectos gerias, válidas também para as pesquisas sobre racismo contra indígenas: “Em seu conjunto a produção é relativamente frágil teórica e metodologicamente, fragmentada e inconstante” (p. 130). A produção sobre livro didático ignora este capítulo, ou o trata superficialmente, são poucos grupos ou autores que se mantêm trabalhando sobre o tema por períodos longos, os textos nem sempre explicitam se estão dialogando com a produção ou recepção, são poucas as contraposições de idéias e a citações de outros estudos, por vezes mesmo em pesquisas de um único programa de pós-graduação. Os estudos se voltam, sem exceção, para as mensagens veiculadas pelos livros, particularmente sobre textos e ilustrações. Ficam em aberto questões sobre o pólo de produção dos livros e sobre o pólo de recepção e interpretação das mensagens, por professores ou por alunos. As análises focam livros didáticos para o ensino fundamental, sendo muito raros estudos sobre os demais níveis de ensino. A despeito de tais limitações, os estudos apontam, consistentemente, formas específicas de tratamento que hierarquizam brancos e indígenas. Na década de 1980, localizamos os estudos de PINTO (1981, retomado em 1985 e 1992), de ALMEIDA (1987), de GUIMARÃES (1989) e de PALÁCIO (1989). A partir da década de 1990 encontramos maior diversidade de estudos sobre indígenas (CARMO, 1991; SILVA e GRUPIONI, 1995; BARROS, 2000; OLIVEIRA, 2001, 2002) e um grupo focado em manuais de História dos séculos XIX e primeira metade do XX (BITTENCOURT, 1993; MELO, 1997; ADRIANE SILVA, 2000). As revisões (PINTO, 1992; SILVA e GRUPIONI, 1995) apontaram que a representação no de indígenas em livros didáticos era, na maioria absoluta das vezes, sobre um "índio" genérico, não sobre nações indígenas concretas. As referências aos indígenas eram realizadas quase sempre no passado, sem relação com os problemas atuais das comunidades indígenas. As culturas indígenas foram tratadas com omissões, reduções e simplificações. Seus costumes foram tomados numa perspectiva externa, sem alusão ao contexto cultural, como formas excêntricas ou bizarras, e em grande parte das vezes sinônimo da ausência de desenvolvimento. A história dos povos indígenas foi em geral omitida, com alusão somente aos eventos relacionados ao "branco". GUIMARÃES (1989) aponta distorções e simplificações na história, que considera a chegada dos portugueses a “descoberta”, negando a presença dos milhões de índios que aqui viviam em sociedades diferenciadas. O saque aos recursos naturais, a exploração e o genocídio são relegados e negados. A escravidão é vista como uma “necessidade” dos 3 colonizadores, e o índio passa a ser visto como “preguiçoso”, por não se adaptar as formas de trabalho requeridas pelos colonos. A questão da mão-de-obra e ocupação da terra é tratada do ponto de vista exclusivamente do português. Estes vêm para ocupar os “espaços vazios” que precisam ser ocupados por sesmarias, capitanias, etc. A imagem de hospitaleiro é substituída pela de preguiçoso, perigoso e inimigo dos brasileiros (os portugueses). E a desqualificação continua até o momento atual, com a difusão do “conceito de que os índios vivem na idade da pedra polida” (GUIMARÃES, 1989, p. 51). ALMEIDA (1987) trabalhou com livros de Estudos Sociais e de Moral e Civismo das seis primeiras séries do ensino fundamental e também verificou a multiplicidades de discursos. Os livros começam rejeitando o racismo e exaltando a tolerância com o “outro”, a importância do convívio com o diferente, afinal, o Brasil fora construído por três “raças”, reafirmando o mito da democracia racial. No entanto, ao observar as ilustrações, percebeu que nos grupos familiares só apareciam brancos, assim como nas escolas, nos clubes, na igreja, na comunidade, nas representações de autoridades civis, religiosas e militares. Indígenas (e negros) apareceram apenas para falar sobre o folclore e suas contribuições à cultura brasileira. Quanto aos indígenas na história do Brasil, estes foram descritos como ingênuos, hospitaleiros, preguiçosos, inimigos da colonização e aliados a estrangeiros, tendo sua extinção como fato triste, porém inevitável. Bandeirantes e missionários foram considerados heróis civilizadores. PALÁCIO (1989) analisou a visão sobre o “índio” em 30 livros de comunicação e expressão, de 3ª a 8ª séries, dos mais adotados em Recife, e 13 livros de História da 3ª a 6ª séries. O autor criticou o "colonialismo" lingüístico brasileiro, que ignorou as minorias lingüísticas. As pesquisas posteriores a 1990 reiteraram em grande medida estes dados, mas ao mesmo tempo captaram modificações. Na década de 1990, localizamos dois estudos que têm como foco a representação de indígenas em livros didáticos de História (CARMO, 1991; BARROS, 2000); um que focaliza os discursos sobre os indígenas em livros didáticos de Ciências e em revistas (OLIVEIRA, 2001, 2002) e quatro que enfocam outros temas, mas tratam, em determinadas partes, da representação dos indígenas em manuais de História (PALÁCIO, 1989; BITTENCOURT, 1993, 1997; MELO, 1997; SILVA, 2000). Examinemos algumas contribuições destas pesquisas: O trabalho o realizado por MELO (1997), tomou como objeto dois manuais antigos de história, um do final do império e outro do início da república. O indígena foi 4 apresentado como objeto do passado, as populações indígenas são apresentadas de forma generalizante, como se fossem um único grupo, e os textos didáticos descreviam diferenças e curiosidades. No manual da república, a perspectiva eurocêntrica foi pouco modificada e o tratamento racista se manteve. A manutenção das estereotipias pelo uso de imagens foi estudada por BITTENCOURT (1993, p. 300-305, 1997) e Adriane SILVA (2000). Por exemplo, a figura de “taba” usada pela primeira vez em 1882 para representar a moradia de todos os “índios” do Brasil, é encontrado em livros didáticos de todos os períodos posteriores, e até a atualidade (BITTENCOURT, 1997). A autora analisou o material iconográfico sobre as populações indígenas apresentado nos livros didáticos, trabalho que foi retomado por SILVA (2000), apontando que os livros de história foram marcados por imagens repetitivas “relacionados aos episódios relevantes para a narrativa de nossa história política, ordenados numa linha ascendente e contínua, traçada a partir de uma perspectiva eurocêntrica” (SILVA, 2000, p. 109). Desde 1860 até a década de 60 as populações indígenas foram representadas nos livros de história predominantemente por imagens de mesma natureza, principalmente por meio da produção pictórica de naturalistas e acadêmicos como Debret, Rugendas, Vitor Meirelles e Rodolfo Amoedo, que as construíram com base em crônicas, relatos de viagem, historiografia e literatura. Essas imagens são chamadas de “ícones canônicos” ou “imagens-padrão”, devido ao seu caráter coercitivo. Elas foram tantas vezes reproduzidas “que não mais nos provocam estranheza, bloqueando a possibilidade de uma representação alternativa”. Além disso, tais imagens são referência para a publicidade, como é o caso do índio armado com seu arco e flecha que, como afirma SILVA (2000), provavelmente foi inspirado em alguma ilustração semelhante de Debret. Três livros didáticos de História publicados em 1985, que estavam na lista dos mais vendidos e indicados pelos professores, foram analisados, com base na análise de discurso da perspectiva de Bakthim, no estudo de CARMO (1991). A partir desse método, analisaram-se os traços retóricos, sintáticos e semânticos, que fornecem efeitos de sentido, a relação das palavras na frase e a forma de construção frasal, a escolha lexical, os níveis de pressuposições, os advérbios, os tempos e modos verbais, a posição dos sujeitos históricos na enunciação, avaliando seu grau de atividade ou de passividade, o uso da voz passiva, os adjetivos e substantivos. Alguns pontos se destacaram com relação à escolha lexical: CARMO (1991) notou que nos discursos sobre o indígena há predomínio do tempo pretérito imperfeito, (indicando permanência, 5 estaticidade), de verbos de baixo grau de iniciativa e de alto índice de palavras que denotam indeterminação (estima-se, acredita, cerca de), demonstrando que há pouco interesse em se aprofundar no assunto, que aparece nos livros didáticos quase como obrigação. Além disso, os indígenas apareceram mais como objetos da ação dos europeus do que como sujeitos. Quando apareceram na voz ativa, estavam no plural, realizando tarefas comunitárias. As sociedades indígenas foram localizadas “num passado distante” (CARMO, 1991, p. 389), sem referência às populações indígenas atuais. O “índio” foi apresentado como um “outro”, cujo espaço definido é a aldeia. O indígena foi tratado prevalentemente como “objeto” e raramente como “sujeito”. Para além das rupturas e heterogeneidade entre os discursos sobre indígenas nos três livros examinados, a conclusão da autora foi: “O estudo que empreendemos parece confirmar, em todos os sentidos, a tese de que prevalece na História do Brasil que se conta na escola uma perspectiva etnocentrista europeizante e que permeia o tratamento dos vários temas sobre os quais nos detivemos” (p. 398). Com uma amostra mais recente, livros publicados entre 1990 e 1999, OLIVEIRA (2001) descreveu os discursos sobre os indígenas encontrados em livros didáticos de Ciências, em revistas e em "outros artefatos culturais"; gravuras de moedas brasileiras, cartões e selos postais, cartões telefônicos. A autora apresentou uma classificação com quatro categorias de formas discursivas encontradas, nos livros didáticos, sobre o “índio”: O bom selvagem, aquele que não se opõe à civilização; O selvagem, associada ao “primitivo”, “selvagem” e “ameaçador”; o “índio” objeto do olhar científico, supostamente neutro; o “índio” como fonte de herança cultural, com expressões no vocabulário, uso de instrumentos e práticas. BARROS (2000), que trabalhou com livros didáticos de história publicados entre 1977 e 1997, apresentou uma classificação dos discursos sobre os indígenas com alguns pontos de convergência e outros de distinção com a classificação de OLIVEIRA (2001). Os discursos encontrados nos livros didáticos foram: o “discurso científico histórico”, particularmente na tentativa de fugir à perspectiva eurocêntrica de início da história do Brasil com o “descobrimento”; o “discurso arqueológico e antropológico”, com uso principalmente dos tempos verbais “imperfeito e presente do indicativo”, que denotam uma permanência, estaticidade, dos processos, isto é a situação dos “índios” no “descobrimento” é descrita de forma a parecer estática até o momento atual; o “discurso pedagógico prescritivo e panfletário” é uma nova forma encontrada como proposta de ensinar a respeitar o “índio”, com abundante uso do imperativo e outras modalidades do 6 dever; o “discurso dos cronistas europeus do ‘bom selvagem’”, que retoma formas peculiares às antigas descrições de paisagens paradisíacas, em alguns casos com descrições de qualidades. Sinteticamente, as pesquisas indicam manutenção de ponto de vista etnocêntrico e de tratamento generalizante de culturas muito distintas. Por outro lado, revelam a tentativa de mudança, seguindo tendências ditadas por áreas das ciências sociais que se dedicam aos estudos das populações indígenas, buscando a apresentação de atributos positivos do “índio”. Essa tentativa levou ao exagero do discurso panfletário, como apontou BARROS (2000), ou à reiteração do discurso do “bom selvagem” (CARMO, 1991; BARROS, 2000; OLIVEIRA, 2001). As tentativas, em termos gerais, mantiveram representações bastante desfavoráveis ao indígena, preponderantemente tratado em objeto, raramente como sujeito (CARMO, 1991 e BARROS, 2000); contextualizado no passado, não no presente da sociedade brasileira (CARMO, 1991; SILVA e GRUPIONI, 1995; BARROS, 2000; OLIVEIRA, 2001). Comparadas as características com as descritas por PINTO (1992); SILVA e GRUPIONI (1995), podemos afirmar que as pesquisas posteriores revelam alguns avanços na representação dos indígenas, ao mesmo tempo em que velhas (e importantes) restrições se mantêm. Personagens indígenas em amostra de livros didáticos de Língua Portuguesa Num sentido estrito a pesquisa procurou atualizar o estudo de PINTO (1981), que analisou livros didáticos de leitura para a 4ª série, comprados pelo governo, entre 1941 e 1975. Trabalhamos, também, com livros de 4ª série, de Língua Portuguesa, comprados pelo governo, entre 1975 e 2004. Definimos três períodos, relacionados a execução de políticas nacionais para o livro didático. O primeiro período foi definido de 1976 a 1984, o segundo de 1985 a 1993, o terceiro de 1994 a 2004. Em 1976 iniciou-se o Programa do Livro Didático de Ensino Fundamental/PLIDEF. Em 1985 teve início o Programa Nacional do Livro Didático/PNLD. Em 1994 foi publicada a avaliação dos livros comprados pelo PNLD (BRASIL/FAE, 1994), iniciando uma avaliação sistemática que passou a ocorrer a partir de 1996. Do total de títulos dos três períodos, foram sorteados aleatoriamente os livros que comporiam a amostra, correspondendo a 25% do total, e o número de títulos definidos, finalmente, para composição da amostra foi de 33, sendo 9 para o primeiro período, 11 para o segundo e 13 para o terceiro. 7 Para a análise qualitativa foram considerados todos os textos e ilustrações. Para a análise quantitativa foram consideradas apenas as Unidades de Leitura (textos para leitura e interpretação que fazem parte dos livros da amostra). Como estas eram muitas, foram limitadas a 30% do total, sendo escolhidas por sorteio. Uma vez definida a amostra iniciou-se a análise de conteúdo conforme utilizada por BARDIN (1977). Esta análise de conteúdo consiste em uma série de procedimentos que permitem descrever formas simbólicas de maneira objetiva, o que conflui com o objetivo de trazer o racismo implícito nos livros à tona. A partir da proposição de BARDIN sobre análise de conteúdo, foram definidos como unidade de contexto as Unidades de Leitura, como unidade de análise, os personagens dos textos e ilustrações, e como unidade de conteúdo as Unidades de Leitura, atributos dos personagens, conotações e denotações relacionadas a eles. Utilizamos técnicas de análise de conteúdo como análise formal (ESCANFELLA, 1999), o segundo nível de análise da metodologia da Hermenêutica da Profundidade proposta por THOMPSON (1995), Nos resultados da análise de conteúdo a categoria cor-etnia seguiu o padrão de dominação branca. No gráfico 1 estão representados os grupos de cor-etnia dos personagens dos textos. Foram contados 698 (51%) personagens brancas nas unidades de leitura, para somente 28 personagens pretas (2%), 15 pardas (1%) e 29 (2%) indígenas. A taxa de branquidade1 em relação a personagens foi de 24,1, ou seja, estiveram presentes, nas unidades de leitura analisadas, 24,1 personagens brancas para cada personagem indígena. 2% 1% 2% 12% 51% Branca = 698 32% Preta = 28 Parda = 15 Índia = 29 Outras = 163 Sem informação = 439 Gráfico 1 - Distribuição de freqüência de cor-etnia, personagens das unidades de leitura Fonte: tabela 4.8. 66 A taxa de branquidade fornece a relação entre número de personagens brancos identificados correspondentes à unidade de personagem indígena identificado. 8 O Censo 2000, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), contabilizou a população brasileira em 169.872.856 pessoas. A classificação por coretnia contabilizou 53% de brancos, 6% de pretos, 38% de pardos e 0,4 de indígenas. Comparando o universo brasileiro do IBGE com o dos livros didáticos, percebe-se que nestes últimos há uma distorção da realidade brasileira, que é apresentada como predominantemente branca, com sub-representação de negros (pardos e pretos juntos). A população indígena foi dizimada ao longo dos séculos e atualmente é parcela muito moderada da população brasileira (0,4%). Na amostra analisada os personagens indígenas foram 0,8% do total, ou seja, não se observou sub-representação em relação à proporção de indígenas na população brasileira. No entanto, a comparação com o estudo de Pinto revela uma característica significativa. A autora contabilizou nos livros publicados entre 1941 e 1975 1069 (72%) personagens brancas, 141 (9,5%) personagens negras e 230 (15,5%) personagens indígenas. Ou seja, nos livros publicados após 1976 observamos que o percentual de personagens indígenas diminuiu drasticamente, ao passo que o percentual de personagens negros também decresceu, em menor proporção que indígenas. A taxa de branquidade foi de 4,6 para o período 1941-1975 e aumentou para 24,1 nos livros publicados entre 1976 e 2004, ou seja, os personagens indígenas passaram a ser muito mais raros. 317 3º período 204 2º período 1 177 1º período 0% 12 20% 13 40% 60% Brancos Indígenas 80% Gráfico 2 - Número de personagens brancos e indígenas, por período Fonte: tabelas 7.1, 8.1, 9.1 100% 9 No gráfico 2 observam-se os quantitativos de personagens brancos e indígenas em cada um dos períodos. Calculadas as taxas de branquidade temos 13,6 no primeiro período, 204 no segundo e 26,1 no terceiro. Ou seja, a tendência de invisibilidade de indígenas foi quase total nos livros publicados entre 1985 e 1994 e manteve-se bastante elevada nos anos 1994-2004. 29 Indígena Branca 26 0% 163 20% Explicitada no texto 0 101 40% Provável 408 60% Histórica 80% 100% Somente ilustrada Gráfico 3 - Distribuição de freqüência de cor-etnia por forma de apreensão nas unidades de leitura da amostra Fonte: tabela 4.7 N: Branca = 698; Indígena = 29 No gráfico 3 apresentamos as formas de apreensão de cor-etnia dos personagens de nossa amostra. Dos 698 personagens classificados como brancos, 408 (58%) o foram somente pela ilustração. Isto é, sistematicamente personagens não identificados por coretnia nos textos foram graficamente representados como brancos. Os personagens indígenas, em todos os casos, tiveram sua classificação de cor-etnia explicitada nos textos, ao passo que a apreensão de cor-etnia dos personagens brancos foi a proporcionalmente menos explicitada nos textos (26 casos, somente 4% do total de personagens brancos - gráfico 3). Conclui-se, a partir destes dados, que prevalece, na amostra analisada, o tratamento à condição de branco como “natural”, ou seja, estes resultados reforçam a hipótese de que o discurso dos livros didáticos de Língua Portuguesa opera no sentido de naturalização da condição do branco (ROSEMBERG, 1985). As categorias de não-brancos precisaram, em proporção muito mais alta, de explicitação nos textos para a sua classificação de cor-etnia. A comparação com as 10 formas de apreensão dos personagens brancos reafirma a necessidade de que os “desviantes” em relação à norma branca tenham sua cor-etnia descrita no texto, ou seja, essa manifestação reforça a branquidade normativa (GYROUX, 1996). Passaremos a tratar de algumas características relativas aos personagens indígenas. Um fato significativo entre os personagens indígenas é o grande número de seres fantásticos e mitológicos, o que não chega a ser surpreendente, visto que as narrativas em que os indígenas aparecem são retiradas de seu repertório mitológico. No primeiro período (1976-1984), 25% dos personagens eram dessa natureza, e no terceiro (1994-2004), eram 18,8%. O restante dos personagens encontrados eram seres humanos (não constando outras categorias). Para fins de comparação, os personagens brancos de natureza fantásticas encontrados na amostra compunham 3,4% no primeiro período, e 4,4% no terceiro, apresentando alguns como animais antropomorfizados (6,2%) e religiosos (3,4%). O uso de lendas indígenas em livros didáticos fora apontado por PINTO (1981) como comum nos livros publicados entre 1941 e 1975. Segundo a autora: Antropólogos têm apontado para os inconvenientes destas adaptações, chamando a atenção para a dificuldade de compreensão de aspectos inacessíveis até aos adultos das próprias sociedades indígenas, não especialistas em mitos, bem como para o perigo da deturpação do seu sentido. Uma vez que os autores procuram no mais das vezes, adequar o mito à nossa moral. Desse modo, o que estes textos reforçam, em detrimento de uma compreensão real da cultura indígena, é a idéia de ingenuidade de seus costumes e crenças, firmando estereótipos do índio (PINTO, 1981, p. 148). Outro dado interessante aparece no quesito “individualidade”, pois muitos personagens indígenas são “multidão”. No primeiro período, 16,7% pertenciam a esse grupo e no terceiro período 31,3% era “subgrupo saído de multidão” e 25% eram “multidão”, ou seja, menos da metade dos personagens citados eram indivíduos (43%). Do total da amostra de personagens brancos, 88,7% (primeiro período) e 73,5% (terceiro período) eram indivíduos. Ou seja, nos livros mais recentes acentuou-se a tendência a apresentar os personagens indígenas mais como coletivos que com características individuais ressaltadas. Esta é outra característica que foi identificada também no estudo de PINTO (1981). A tendência a tratar com menos freqüência dos personagens indígenas em sua individualidade relaciona-se também como o item “nomeação”, ou seja, como os personagens são identificados. Notou-se que do primeiro período para o terceiro houve uma grande diminuição no número de personagens identificados por características raciais, mas também aumentou muito o número de personagens de multidão. No 11 primeiro período, 25% dos personagens eram identificados pelo nome próprio, 33,3% pela cor ou etnia, 25% eram multidão e 16,7% eram identificados por outro atributo. No terceiro período, somente 18,8% tinham nome próprio, 6,3% eram identificados pela profissão, 6,3% pela cor ou etnia, 6,3% pela função familiar e 56% era multidão. A etapa de vida predominante nos personagens indígenas foi a adulta. Nos dois períodos, havia mais personagens adultos do que crianças, embora essa diferença tenha diminuído de um período para o outro, sendo 75% - 8,3% nos livros mais antigos e 62,5% - 25% nos mais recentes. Interessante notar que entre os personagens brancos aconteceu o inverso, no primeiro período, o número de crianças (52%) era maior que o de adultos (44%). No terceiro houve inversão desses valores, sendo 58% dos personagens adultos e 33,1% crianças. Interpretamos tais resultados como relacionados aos supostos leitores dos livros, ou seja, as crianças brancas são personagens mais comuns pois o público a quem se destina os livros são deste grupo, que terá mais possibilidade de identificação com os personagens. Quanto à importância na estória, no primeiro período, 41,7% dos personagens eram principais, 25% eram secundários e 33,3% eram terciários. No terceiro período, 12,5% eram principais, 12,5% secundários e 75% eram terciários. Dos personagens brancos, no primeiro período, 51,4% eram principais, 32,2% eram secundários e 15,8% eram terciários. No terceiro período, 27,4% eram principais, 41% eram secundários e 31,5% eram terciários. Mais uma variável que aponta para que os personagens indígenas passaram a ser menos complexos nos livros mais recentes. Na análise qualitativa que integra a análise de conteúdo não nos ativemos somente à amostra de unidades de leitura, mas analisamos a totalidade dos textos dos livros de nossa amostra. Relataremos alguns resultados de tal análise. O primeiro período contém três textos com personagens indígenas, sendo duas narrativas e um de cunho didático. A primeira narrativa era caracterizada pelo livro como “uma lenda indígena”, sem especificar de qual grupo, exatamente, era proveniente, visto que cada etnia tem seus próprios mitos. Esta definição corresponde ao que MELO (1997), PINTO (1981) e SILVA e GRUPIONI (1995) apontam como a imagem do “índio genérico”, ou seja, aquela que se refere aos grupos indígenas como se estes fossem todos iguais. A segunda narrativa encontrada neste livro é um pedaço de uma estória de Érico Veríssimo, cujo personagem principal era Tibicuera, um indígena “feio e fraco”, que quase foi sacrificado pelo próprio pai quando ainda era bebê porque não serviria para a 12 guerra. Neste texto,encontramos fortemente o conceito de “índio” como selvagem, guerreiro, beligerante, violento, apontado nas pesquisas de BITTENCOURT (1993) e CARMO (1991). O pajé, que seria o líder espiritual da tribo, é apresentado como alguém irônico e debochado. O terceiro texto era de caráter informativo, acerca do surgimento e da evolução da escrita. Apesar da maioria das línguas indígenas serem ágrafas, os “índios” (genéricos) são citados no início da história da escrita, como pessoas que “entalharam desenhos nas madeiras, esculpiram nas pedras, nas conchas e nas peles de animais para transmitir pensamentos”. O indígena estava citado próximo ao homem primitivo, sendo visto, portanto como objeto do passado, traço encontrado por MELO (1997), PINTO (1992), SILVA e GRUPIONI (1995) e CARMO (1991). O único texto referente ao segundo período de análise foi bem diferente de todos os demais, por ser o único que mostrava o caso de uma personagem indígena que não vivia em “tribo”, mas integrada ao restante da sociedade brasileira, uma vez que era casada com um “branco civilizado” (sic). Entretanto, a moça indígena ainda conservava traços de pensamento e valores de sua cultura original, apresentando para a menina branca da estória outro ponto de vista sobre as coisas. De certa forma, com exceção da expressão racista “branco civilizado”, a miscigenação é mostrada de forma positiva pela conseqüente troca cultural entre as “raças”. No terceiro período foram analisados 13 textos no total, entre narrativas, reportagens e didáticos. Neste período a análise qualitativa revela certas evoluções com relação ao tratamento reservado aos povos indígenas, tanto em relação ao primeiro período quanto às demais pesquisas sobre indígenas em livros didáticos. Em primeiro lugar, notamos que a maioria dos textos identificava de qual nação indígena, especificamente, estavam falando, seja numa reportagem ou num mito. Dos 13 textos que apresentaram personagens indígenas, 10 identificaram as diferentes nações indígenas que tratavam, ou, se falavam de indígenas no geral, diziam que se tratavam de várias nações (por exemplo numa reportagem do livro 25 que afirmava que existem mais de 180 línguas indígenas no Brasil). Desta forma, neste período, a figura do “índio genérico”, aquele sem identidade, sem cultura, língua e etnia específica, deixou de ser predominante. Os três textos que tratam dos indígenas no geral são: uma nota jornalística sobre alguns fósseis indígenas encontrados no Brasil que datavam do período do pleistoceno; um texto didático sobre o descobrimento do Brasil; outro texto que não possuía um personagem indígena de fato, 13 mas a expressão “machado de índio” para aludir a um instrumento rudimentar, revelando que o indígena ainda costuma ser associado ao homem primitivo. O texto histórico sobre a invasão portuguesa às terras brasileiras apresenta uma característica apontada por CARMO (1991); SILVA e GRUPIONI (1995), que é a mistura de dois discursos diferentes. Ao mesmo tempo em que o texto denuncia o sofrimento dos indígenas, que foram escravizados, mal-tratados e mortos, a narrativa é etnocêntrica, ou seja, baseada no ponto de vista do colonizador. Outra importante observação com relação aos textos do terceiro período foi que, em muitos deles, os personagens indígenas foram retratados no presente, em reportagens em narrativas mitológicas, e, muitas vezes, do esforço dos indígenas mais velhos em transmitir essa cultura aos mais jovens para que ela não se perca. Em algumas reportagens, aparecem problemas que populações indígenas enfrentam atualmente. O indígena, portanto, não foi apresentado como objeto do passado, como se não existisse mais. Além disso, dois textos de autoria de indígenas representam uma forma nova de representação do indígena no discurso dos livros didáticos, como aquele que se diz. Em ambos os autores deixavam claro os desafios de ser indígena atualmente, na sociedade brasileira. A incorporação de textos de autores indígenas é estratégia significativa para dar resposta às críticas sobre a representação distante e estereotipada que os textos didáticos costumavam veicular. Os mitos apresentados neste período, por mais que tenham sido transcritos por autores não-índios, foram de autoria indígena e não apresentaram os personagens indígenas como violentos ou selvagens. A exceção foi a história de Tibicuera, que figurou no primeiro período e apareceu novamente num dos livros atuais. Tal narrativa, de autoria de Érico Veríssimo, apresenta uma série de elementos estereotipados e discriminatórios sobre os personagens indígenas. A mudança de perspectiva nas narrativas do último período também pode ser observada por outro ponto verificado: na maioria dos textos, os personagens indígenas aparecem como sujeitos das ações, e não como objetos (resultado que difere dos analisados por de CARMO, 1991, em livros didáticos de História). Deve-se a isso o fato das estórias indígenas conterem apenas personagens indígenas que são mais atuantes. Uma reportagem que chamou a atenção foi uma que relatava o tratamento preconceituoso que um bebê indígena recebia em sua própria aldeia, por ser albino. A reportagem inseria-se no capítulo do livro que falava sobre o preconceito, e tinha o 14 intuito de mostrar que os maus tratos ao diferente ocorrem em qualquer sociedade, embora seja algo extremamente reprovável. Por outro lado, a narrativa cumpriu um papel ideológico, segundo nossa interpretação. Ao enfocar a discriminação racial o preconceito é atribuído ao outro, ao distante, à realidade fora das interações imediatas. Desta forma, a existência da discriminação racial é deslocada (uma das estratégias ideológicas descritas pro THOMPSON, 1995) da realidade próxima para o lugar distante e os agentes discriminatórios são os outros, dos quais nós nos diferenciamos. A estratégia de imputar a discriminação racial ao outro é velha conhecida dos estudiosos do “racismo à Brasileira” (ver NOGUEIRA, 1985) e se faz presente no racismo culturalista da América Latina e da Europa (VAN DIJK, 2003). À quisa de conclusão O discurso sobre personagens indígenas nos livros didáticos de língua portuguesa apresentou, portanto, semelhanças e diferenças em relação aos resultados de pesquisa anteriores. Apesar de certos aspectos negativos persistirem, encontramos alguns avanços no sentido de apresentar à criança brasileira os povos indígenas como diferentes grupos étnicos, situados no presente, e que lutam para garantir a sobrevivência de sua identidade cultural. A análise apresentou importantes diferenças positivas com relação às pesquisas sobre o tema, ao atentar, ainda que timidamente, às diversidades dos povos indígenas, não os tratando de forma genérica, como se fossem todos iguais. Além disso, os indígenas estão sendo representados, nos livros de publicação mais recente, particularmente por meio de reportagens, que tendem a os apresentarem como parte da complexa realidade multicultural do Brasil. Alguns escritos abordam a sua dificuldade de sobreviver culturalmente como minorias étnico-culturais. No entanto, algumas características restritivas se mantiveram. Os indígenas ainda são visto sob o ponto de vista etnocêntrico, o que implica em vê-los como seres “primitivos”, e sua cultura de forma folclorizada, exótica, pois a pouca profundidade com que ela é tratada nos livros ocasiona visões simplificadas, distorcidas e estereotipadas. Por ora, a representação encontrada não é suficiente para enriquecer os conhecimentos sobre as populações indígenas dos alunos brasileiros. O indígena ainda parece um personagem distante de uma lenda brasileira. 15 Temos algumas questões de contexto que devem ser tratadas com maior profundidade. Os autores dos estudos sobre representação de indígenas em livros didáticos são mais pesquisadores a ativistas brancos. Resta perguntar se a discriminação em livros didáticos será uma preocupação de estudantes de pós-graduação indígenas que, esperamos, sejam mais presentes nos próximos anos. Relacionado a esta questão está a educação dos povos indígenas que, nos parece, têm enfatizado a produção de livros em línguas indígenas. Abrem-se uma série de novas questões de pesquisa relacionadas ao contexto de uma educação indígena que tenta deixar de ser incipiente no país. REFERÊNCIAS ALMEIDA, Mauro W. B. A Imagem do Índio e do Negro No Livro Didático In: ALMEIDA, Mauro W. B. 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