FACULDADES ICESP PROMOVE DE BRASÍLIA CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL COM HABILITAÇÃO EM JORNALISMO Caroline Esser HUMORNALISMO: A INFLUÊNCIA DOS HOAX NO JORNALISMO ONLINE BRASÍLIA 2014 2 CAROLINE ESSER HUMORNALISMO: A INFLUÊNCIA DOS HOAX NO JORNALISMO ONLINE Memorial descritivo apresentado como trabalho de conclusão do curso de comunicação social com habilitação em jornalismo, das ICESP/promove de faculdades Brasília, como requisito à obtenção do título de bacharel em jornalismo. Orientador: Prof. Romoaldo de Souza BRASÍLIA 2014 3 PROPRIEDADE INTELECTUAL CESSÃO DE DIREITOS AUTORA: Caroline Esser TÍTULO DO TRABALHO: Humornalismo: A influência dos Hoax no jornalismo online GRAU/ANO: É concedida às Faculdades ICESP/Promove de Brasília permissão para reproduzir cópias deste trabalho acadêmico de conclusão de curso ou emprestar tais cópias somente para propostos acadêmicos e científicos. A autora reserva-se outros direitos de publicação. ________________________________________ Caroline Esser e-mail: [email protected] (61) 8232-0734 4 CAROLINE ESSER HUMORNALISMO: A INFLUÊNCIA DOS HOAX NO JORNALISMO ONLINE Memorial descritivo apresentado como trabalho de conclusão do curso de Jornalismo, das Faculdades Icesp/Promove de Brasília. APROVADA em 24/07/2014 por: _________________________________________ Orientador Prof°. Romoaldo de Souza Faculdades Icesp/Promove de Brasília _________________________________________ Avaliador(a) Prof°. Ana Maria Fleury Seidl Faculdades Icesp/Promove de Brasília _________________________________________ Avaliador(a) Profª. Luiz Carlos Menezes dos Reis Faculdades Icesp/Promove de Brasília 5 Agradeço ao Romoaldo de Souza por ter acreditado em mim e no potencial do tema para o trabalho. Agradeço também os entrevistados Nelito Fernandes, Wagner Martins, Gilmar Lopes e Romário Schettino, por terem aceitado participar deste desafio. Agradeço a minha namorada, Ana Carla Gomes por toda a paciência que teve comigo nos momentos de estresse durante a elaboração do trabalho. Agradeço ao Robson Moura por ter feito a locução do Radiodocumentário, e também agradeço a todo mundo que direta ou indiretamente tenha me ajudado. 6 Resumo O radiodocumentário, produto deste trabalho de conclusão de curso tem como objetivo mostrar a influência que os hoax, conhecidos também como boatos têm sobre a divulgação de falsas notícias no jornalismo online e redes sociais. Os hoax abordados na elaboração do trabalho possuem padrão textual semelhante às notícias jornalísticas. Com a popularização da internet, surgiram diversos sites que simulam o visual e textos jornalísticos de grandes portais de comunicação com o objetivo de confundir os leitores e jornalistas desatentos. Palavras chaves: Hoax, boato, jornalismo online, notícias fictícias, redes sociais, radiodocumentário 7 Sumário Resumo .................................................................................................................................................. 6 Introdução .............................................................................................................................................. 8 1. Justificativa .................................................................................................................................... 9 2. Objetivos ...................................................................................................................................... 10 2.1 Objetivo Geral........................................................................................................................... 10 2.2 Objetivos Específicos .................................................................................................................. 10 3. Referencial teórico...................................................................................................................... 10 3.1 Radiodocumentário ................................................................................................................. 10 3.2 Hoax ........................................................................................................................................... 12 3.3 Massmedia ................................................................................................................................ 13 3.4 Self Media ................................................................................................................................. 15 3.5 Jornalismo Online .................................................................................................................... 18 3.6 Redes Sociais........................................................................................................................... 19 4. Metodologia de pesquisa .......................................................................................................... 19 5. Especificações Técnicas ........................................................................................................... 21 6. Considerações finais .................................................................................................................. 21 7. Bibliografia ................................................................................................................................... 22 8 Introdução Este Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) tem como produto o desenvolvimento de um radiodocumentário com o objetivo de mostrar a influência que os sites de notícias fictícias têm sobre a divulgação de boatos nas redes sociais e no jornalismo online. O projeto consiste no desenvolvimento de um radiodocumentário que abordará os hoax¹ jornalísticos (pronuncia-se rôuquis) criados por sites como www.sensacionalista.com, www.cocadaboa.com e www.g17.com.br que circularam nas redes sociais nos últimos anos. O radiodocumentário foi desenvolvido com entrevistas de Nelito Fernandes, fundador do site Sensacionalista, Gilmar Lopes, criador do e-farsas, site especializado em desvendar os boatos da internet, o jornalista Romário Schettino e Wagner Martins, criador do site Cocadaboa, considerado o primeiro site a produzir notícias fictícias no Brasil. Neste relatório, constam as informações da pesquisa quantitativa divulgada e realizada pela rede social Facebook com 181 usuários dos grupos Emprego DF, Vendas, Trocas e Compras - DF; Ijumper; Jornalistas de Brasília, Assessores de Comunicação.com; Entusiastas da Social Media; Mercado Livre - Brasília; AliExpress Dicas de Compras;Vagas para profissionais de Comunicação; Comprei No Aliexpress; FlashMobDF; Empregos & Oportunidades DF; RevengeBrasil e PlayStation 3 Brasília PS3 BSB com o objetivo de verificar o conhecimento dos internautas sobre os hoax. _________________________________________________________ ¹ A expressão hoax é utilizada para definir qualquer conteúdo falso 9 Este trabalho está estruturado da seguinte forma: justificativa para elaboração do produto, exposição dos objetivos gerais e específicos, referencial teórico, metodologia de pesquisa, especificações técnicas, considerações finais e anexo, que traz os dados tabulados da pesquisa. O trabalho conta também com um anexo em CD, onde constam as entrevistas na íntegra e as versões em português e inglês do programa apresentado por Orson Wells. 1. Justificativa Com a popularização da internet e das redes sociais, surgiram sites como www.cocadaboa.com, www.sensacionalista.com.br e www.g17.com.br que se tornaram grandes propagadores de boatos. Notícias como “CNN diz que Mark está triste com o comportamento dos brasileiros no Facebook”; “Casal de São Paulo batiza o filho como Facebookson e causa polêmica no mundo”; “Mulher engravida vendo filme pornô em 3D”; “Senado aprova bolsa-prostituição de R$ 2 mil por mês”; “Garoto morre após se masturbar 42 vezes seguidas”; “Aprovada a Lei que obriga o brasileiro a pintar a casa de verde e amarelo para a Copa”; e "Vem aí o Tubby, a resposta do Lulu para os homens", foram compartilhadas inúmeras vezes nas redes sociais. As notícias envolvendo o aplicativo Tubby eram verdadeiras, mas o aplicativo nunca existiu. As primeiras notícias envolvendo o aplicativo surgiram em novembro de 2013 e foram divulgadas em grandes portais como G1, R7, Veja, TechTudo, Folha de São Paulo, Terra e Uol. Até o dia 3 de dezembro de 2013, o site www.conteudoria.com contabilizou 1,5 milhão de pessoas no site do aplicativo; 850 mil resultados de busca no Google; 98 mil compartilhamentos do site somente no Facebook; e em 24 horas, mais de 3 milhões de impressões no Twitter. O vídeo de lançamento do aplicativo que contém uma legenda oculta onde é explicado que o aplicativo nunca existiu possui até o dia 30 de junho de 2014 cerca de 600 mil visualizações no canal do aplicativo no Youtube. Em pesquisa realizada com 181 usuários da rede social Facebook utilizando o gerador de questionários “Google Docs”, os resultados demonstram que, apesar da maioria dos participantes possuírem ensino superior, e declararem que antes de compartilhar um conteúdo nas redes sociais verificamos informações, a maioria errou as 10 respostas quando eram questionadas se as matérias apresentadas possuíam conteúdo verdadeiro ou falso. Dentre a amostra, 143 eram do sexo feminino e 38 do sexo masculino. Com base nas informações, pretendo mostrar com o radiodocumentário que a internet é um grande meio de propagação desse conteúdo que atinge inclusive sites e blogs jornalísticos. A escolha do radiodocumentário como produto para abordar o tema hoax foi para facilitar a explicação e dos conceitos e exemplos apresentados. Além disso, o radiodocumentário permite ao ouvinte criar sua própria imagem do que está sendo apresentado. 2. Objetivos 2.1 Objetivo Geral Produzir um radiodocumentário sobre a influência que os sites de notícias fictícias tem sobre a divulgação de hoax no jornalismo online e redes sociais. 2.2 Objetivos Específicos - Investigar as causas que levam o público das redes sociais e jornalistas a replicarem notícias fictícias - Analisar a linguagem utilizada para a elaboração das matérias fictícias 3. Referencial teórico 3.1 Radiodocumentário Antes de citar o conceito de rádiodocumentário é necessário fazer uma breve apresentação da história desse veículo tão importante que desde a época de Gulielmo 11 Marconi que solicitou o registro de patente em setembro de 1986, passando pelo padre e cientista brasileiro Roberto Landell de Moura, que adquiriu em março de 1901 a patente de um aparelho destinado a "transmissão fonética à distância, com fio e sem fio, através do espaço, da terra, e do elemento aquoso". Desde a criação do rádio, este veículo de comunicação vem sofrendo diversas modificações, tanto no alcance de suas transmissões como no formato dos programas. Com a internet e a facilidade de comunicação, o rádio se expandiu e de acordo com Magaly Prado, no livro “História do Rádio no Brasil” citando LEMOS (2004), na era da comunicação existe um ambiente de troca de informações que envolve os usuários. O autor afirma que: “A fase atual da computação ubíqua, dos objetos sencientes, dos computadores pervasivos e do acesso sem fio mostra a emergência da era da conexão e da relação cada vez mais intrínseca entre os espaços físicos da cidade e o espaço virtual das redes telemáticas. O desafio da gestão informal, comunicacional e urbanística das cidades passa pelo reconhecimento dessa era da conexão e da mobilidade”. (LEMOS, 2004). No rádio, são vários os formatos para se transmitir uma informação, podendo ela ser de curta ou longa duração. Os boletins informativos com matérias de no máximo três minutos são os mais utilizados atualmente. Entretanto, emissoras que transmitem notícias 24 horas, conforme LOPEZ, Debora Cristina no livro Radiojornalismo hipermidiático, a rádio allnews, “trabalha com informação e opinião”, permitindo em sua programação reportagens longas como as reportagens especiais e os radiodocumentários. De acordo com CHANTLER, Paul & HARRIS, Sim (1998), as reportagens possibilitam aprofundar o tema a ser tratado. Já o radiodocumentário, que não possui um limite de duração permite abordar os temas ainda mais profundamente necessitando com isso de grande pesquisa. Ainda segundo os autores, o radiodocumentário deve ter sua própria forma para contar e o ouvinte é levado a imaginar o que ouvem e o que é descrito. 12 3.2 Hoax A origem da palavra hoax é, ainda, incerta, apesar de remeter ao século XVII, como uma derivação de hocus pocus, que segundo o site Wikipédia é um encantamento utilizado por mágicos com a função de criar um ar de mistério em suas apresentações. Ainda segundo o site, na Inglaterra, a expressão hocus pocus passou a significar em um sentido mais amplo truque ou fraude. Curtis MacDougall, em seu livro datado de 1941, intitulado “Hoax”, sendo citado pelo site www.museumofhoaxes.com, define o termo como histórias que não tem base na realidade. De acordo com o site americano, para se tornar um hoax, uma mentira deve possuir uma forma escandalosa, dramática ou sensacional, porém, acima de tudo, deve chamar a atenção do público. Apesar de a palavra ser antiga, na internet, a expressão se popularizou, mas o significado mais amplo não foi modificado. A expressão hoax é utilizada para definir qualquer conteúdo falso, seja em formato de texto, imagem ou vídeo. Segundo definição da versão americana do site Wikipedia, hoax, são histórias falsas recebidas por e-mail e sites de relacionamentos, cujo conteúdo apresenta informações falsas. Ainda de acordo com a Wikipedia, o primeiro tipo de hoax a circular na rede foram as correntes de e-mail, onde o conteúdo falso apresenta um forte apelo emocional induzindo ao compartilhamento. Dá-se o nome de corrente, todo e-mail que solicita ao receptor que a mensagem seja repassada ao maior número de contatos possíveis. Textos como “Para cada e-mail repassado, o Hotmail doará R$0,05 centavos para ajudar no tratamento de câncer do personagem em questão”, são comuns nesse formato. Neste trabalho, os hoax abordados possuem o formato de textos jornalísticos. Nos Estados Unidos, o formato é conhecido como fake news, no Brasil a expressão não é amplamente utilizada. Sites especializados em gerar conteúdo de notícias falsas na internet como o Sensacionalista, Diário Pernambucano, R17 e G17 possuem formato semelhante aos 13 grandes portais de comunicação. Além do layout² do portal ser inspirado nos grandes sites, a logo também se assemelha, fazendo com que os internautas que acessam os sites fictícios associem aos portais de comunicação. A forma textual utilizada na elaboração dos títulos e matérias possui padrão jornalístico. Além disso, são citadas fontes que trazem credibilidade ao texto, como o professor da universidade de Stanford, ou o cientista de Harvard. Um exemplo é a matéria “Aprovada a Lei que obriga o brasileiro a pintar a casa de verde e amarelo para a Copa”, no texto publicado originalmente pelo site G17, a reportagem cita que a Lei nº 69.666/2014-51 foi aprovada pelo Congresso Nacional. Segundo o texto da suposta lei, “todo brasileiro deve pintar a parte externa de sua residência, mesmo que seja alugada, usando as cores verde e amarela, exclusivamente para o mundial de 2014. Quem não cumprir a lei será penalizado com uma multa que varia de 5 a 50 mil reais”. 3.3 Massmedia O termo de Mass Media refere-se à forma utilizada para a realização do processo comunicacional. No livro “Teoria da Comunicação”, de Mauro Wolf (1995) o conceito é definido pelo autor como uma abordagem global aos meios de comunicação. “Os mass media são ao mesmo tempo canais de difusão e meios de expressão que se dirigem não a um indivíduo personalizado, mas a um público-alvo definido por características socioeconómicas e culturais, em que todos os receptores são anônimos”. (A. Moles, La Communication et les mass media, Gérard-Marabou, 1971.) _______________________________________________________ ² Layout é um esboço ou rascunho que mostra a estrutura física de uma página de um jornal, revista ou página na internet 14 Os critérios de noticiabilidade do jornalismo também são utilizados para a elaboração das notícias fictícias. Gislene Silva no artigo Para pensar critérios de noticiabilidade de 2005, citando Fraser Bond que no livro Introdução ao Jornalismo, destaca entre as características dos fatos a sua capacidade de despertar o interesse e a atenção do público. "Ás vezes, a matéria conterá diversos destes elementos provocadores de interesse, outras vezes, apenas um. Em cada caso, o elemento dominante presente nos indica qual o tipo de categoria do assunto" (SILVA apud BOND 1962) Ainda citando BOND, SILVA resume as doze situações no qual o autor denomina de valores notícia: Referente à pessoa de destaque ou personagem público (proeminência); incomum (raridade); referente ao governo (interesse nacional); que afeta o bolso (interesse pessoal/econômico); injustiça que provoca indignação (injustiça); grandes perdas de vida ou bens (catástrofe); consequencias universais (interesse universal); que provoca emoção (drama); de interesse de grande número de pessoas (número de pessoas afetadas); grandes somas (grande quantia de dinheiro); descoberta de qualquer setor (descobertas/invenções) e assassinato (crime/violência). (SILVA apud BOND 1962) Nos hoax jornalísticos, os valores notícias utilizados são referente à pessoa de destaque, ao inusitado e as descobertas. Os hoax que circulam nas redes sociais costumam mencionar pessoas importantes, como presidentes e governadores para noticiar assuntos políticos. Para os temas relacionados a descobertas científicas são utilizados nomes de universidades conceituadas como Harvard, Universidade de Princenton, entre outras. Nas redes sociais o critério de notícia que gera mais repercussão são os casos inusitados, como o casal que dá o nome de facebookson ao filho; a mulher que engravida vendo filme pornô 3D e o bandido que tem seu veículo roubado por outro ladrão durante assalto. 15 3.4 Self Media Com a popularização da internet, a geração de conteúdo não ficou restrita apenas aos grandes veículos de comunicação. Qualquer pessoa pode gerar o conteúdo que desejar, utilizando diversas ferramentas como blogs, sites e redes sociais. Conhecidos antes como mass media, veículos de comunicação como TV, Rádio e Jornal, viram surgir com a internet um novo conceito, os chamados Self Media. No artigo “A era dos self media”, publicado na Revista Eletrônica Portas, Inês Amaral e Helena Sousa, conceituam o Self Media como “espaços de informação não profissionalizados, onde o consumidor da informação é também, seu produtor”. “Os novos media referem-se aos espaços de informação profissionalizada que habitam na rede. Os self media são a sua extensão, na medida em que são espaços de troca de informação, mas não profissionalizada, já que são produzidos por utilizadores comuns que não estão sujeitos às mesmas regras que os profissionais da informação.” (AMARAL, INÊS; SOUSA, HELENA ‘2009’. A era dos Self Media. Revista Eletrônica Portas, v.3, n.3, p.9-17.) Ainda segundo as autoras, a individualização “introduz os self media como uma extensão dos novos media e uma consequência da ‘Era de Emerec’ - o homem receptor e emissor em simultâneo - idealizada por Jean Cloutier nos anos 70”. Com o desenvolvimento de novas tecnologias a custos acessíveis ao grande público, a geração individual de conteúdo se tornou uma tendência nessa nova era da internet. Para elas, os self media realizaram mudanças na interação social pela internet. “O pleno da Era de Emerec de Jean Cloutier e a materialização da “aldeia global” de Marshall McLuhan surgem com os sistemas de auto-edição, que são extensões dos novos media, e criaram o utilizador. O receptor pode agora intervir directamente na comunicação e tem possibilidades técnicas antes inimagináveis: pode publicar à escala global.” (AMARAL, INÊS; SOUSA, HELENA (2009). A era dos Self Media. Revista Eletrônica Portas, v.3, n.3, p.9-17.) O conceito de self media não se aplica somente na criação de conteúdo para blogs e sites. Na internet, ao realizar uma pesquisa no site Google pelo termo “sites para criar notícias falsas” são apresentados aproximadamente 805 mil resultados. 16 Os sites para elaboração de notícias fictícias possuem dois campos personalizáveis onde o usuário cria o título e a descrição da notícia. Além disso, é possível escolher a logomarca dos principais portais brasileiros, como R7, Esporte Interativo, ou ainda a logo do veículo de sua preferência. Ao gerar o link para a matéria, é possível compartilhar diretamente na rede social Facebook fazendo com que o link compartilhado seja semelhante ao das notícias verdadeiras. Na imagem abaixo, é possível Figura 1 verificar No site o é primeiro possível criar passo título, para descrição a e elaboração escolher o da portal de notícia. notícias Após criar o título e a descrição, o usuário pode compartilhar a notícia diretamente em sua rede social conforme imagem a seguir. 17 Figura 2 Simulação de uma notícia falsa criada utilizando o site Caso o usuário clique no link da matéria, ele é direcionado para a página ilustrada na imagem abaixo. Figura 3 Ao clicar no link da notícia o usuário é direcionado para esta página 18 Na página, o texto “crie um link falso para sacanear sua turma no Facebook. Quem sabe ele não se transforme em um viral?” incentiva a criação e a proliferação de conteúdo falso na rede mundial de computadores. A palavra viral mencionada no texto faz referência ao termo que surgiu junto com o crescimento de usuários de blogs e redes sociais. A Empresa Brasil de Comunicação (EBC), em matéria divulgada na sessão de tecnologia em novembro de 2012, define viral como “uma palavra utilizada para designar os conteúdos que acabam sendo divulgados por muitas pessoas e ganham repercussão (muitas vezes inesperada) na web”. Ainda de acordo com a matéria, o termo é relacionado com a palavra vírus, e que deu origem a outros termos como viralizar e viralizou. O termo efeito viral é utilizado pela rede social Facebook para mensurar o quanto um conteúdo foi compartilhado. 3.5 Jornalismo Online A história do jornalismo online é relatada por Edmundo Mendes Benigno Neto, citando João Canavilhas (2001), que comenta sobre o jornalismo online e a origem dos veículos de comunicação digital. O autor afirma que os portais de notícias surgem inicialmente como reprodutores de conteúdos veiculados nos jornais impressos. “O termo jornalismo on line está relacionado apenas à transposição de todos os outros tipos de jornalismo para a rede mundial de computadores, ou seja, essa classificação tem a ver com o que ser considera primeiro estágio do jornalismo na web, que de acordo com Suzana Barbosa (2002) é conhecido pelos americanos como shovelware. Nessa etapa, os recursos da web não eram aproveitados pelos sites de notícias e o que se via era a reprodução total ou parcial do conteúdo do impresso. Surge então a idéia de jornalismo na web como modelado a partir do meio impresso, uma vez que toda a linguagem deste último é imitada na rede: desde sua primeira página à segmentação por cadernos específicos”. (Benigno Neto APUD João Canavilhas) 19 3.6 Redes Sociais De acordo com matéria do site Techmundo.com.br, com a popularização da internet, surgiu em 2002 o Fotolog, um site que consistia em publicação de fotografia com textos baseados em ideias, sentimentos ou qualquer outra coisa que viesse a mente do internauta. Além disso, o site permitia seguir e comentar as publicações de conhecidos. Entretanto, o primeiro site a receber o status de “rede social” foi o Friendster. Suas funções permitiam que as amizades do mundo real fossem transportadas para o espaço virtual. Entretanto, apenas a partir de 2004 que as redes sociais se tornaram populares no brasil. Ainda de acordo com a reportagem, o site afirma que: “2004 pode ser considerado o ano das redes sociais, pois nesse período foram criados o Flickr, o Orkut e o Facebook — algumas das redes sociais mais populares, incluindo a maior de todas até hoje. O Orkut dispensa apresentação. A rede social da Google foi durante anos a mais usada pelos internautas brasileiros, até perder seu título para a criação de Mark Zuckerberg em dezembro de 2011. Um dos levantamentos mais recentes aponta que cerca de 29 milhões de pessoas ainda o utilizam”. (Techmundo http://www.tecmundo.com.br/redes-sociais/33036-a-historia- das-redes-sociais-como-tudo-comecou.htm) 4. Metodologia de pesquisa Para a coleta de dados estatísticos foi utilizando os formulários do Google Docs para coletar as respostas do questionário quantitativo realizado pelo Facebook. A pesquisa teve como objetivo verificar se os usuários da rede social tinham conhecimento sobre o termo Hoax e, analisar se os participantes da pesquisa saberiam identificar quando uma notícia era verdadeira ou falsa. Ao todo 181 pessoas responderam a pesquisa divulgada na rede social nos grupos emprego DF, Vendas, Trocas e Compras - DF; Ijumper; Jornalistas de Brasília, Assessores de Comunicação.com; Entusiastas da Social Media; Mercado Livre - Brasília; AliExpress - Dicas de Compras; Vagas para profissionais de Comunicação; Comprei No Aliexpress; FlashMobDF; Empregos & Oportunidades DF; Revenge Brasil e PlayStation 3 20 Brasília - PS3 BSB. A escolha por essas comunidades tão distintas entre si foi feita com o objetivo de alcançar diferentes públicos na rede social. Entre os entrevistados, 143 são do sexo feminino e 38 do sexo masculino. Além disso, 31% dos participantes declararam possuir idade entre 21 e 25 anos. E apenas 8% tinham idade superior aos 40 anos. A formação acadêmica revelou que 45% dos entrevistados têm ensino superior completo ou cursando. Quando perguntado sobre as redes sociais que utilizam com freqüência, 58% respondeu que o Facebook é a mais utilizada entre eles. Ao serem questionadas se conheciam o termo hoax (pronuncia-se rôuquis), 61% afirmaram desconhecer. Apesar de 83% responderem que não compartilhariam uma das notícias apresentadas na pesquisa em suas redes sociais e que 82% afirmam verificar a veracidade da informação, das cinco notícias verdadeiras inseridas na pesquisa, três foram consideradas falsas pelos participantes, são elas “Igreja cria polêmica com pastor e fiéis nus durante culto nos EUA”, “Lutador sofre com 'golpe baixo' após oponente soltam pum em seu rosto” e “Sorteio de fuzil promovido por igreja gera polêmica em Nova York”. Já entre as oito notícias falsas selecionadas, duas foram consideradas verdadeiras pelos participantes da pesquisa, são elas “TubbyApp: rede social promete vingar homens das avaliações do Lulu” e “Casal de São Paulo batiza o filho como Facebookson e causa polêmica no mundo”. As outras seis notícias foram consideradas falsas pelos participantes da pesquisa. A escolha pelas notícias falsas apresentadas na pesquisa foi devido a na repercussão que tiveram nas redes sociais. Já as notícias verdadeiras foram escolhidas por possuírem fatos curiosos ou bizarros que poderiam gerar dúvidas entre os entrevistados sobre sua veracidade. 21 5. Especificações Técnicas As entrevistas realizadas com Wagner Martins, Gilmar Lopes e Romário Schettino foram feitas por meio do comunicador online Skype utilizando como forma de gravação de áudio o programa de edição Audacity. Já a entrevista com Nelito Fernandes foi realizada também por Skype porém utilizando o celular Galaxy Y Duos para fazer a captação do áudio. O trecho original da transmissão de Orson Wells foi retirado do Youtube utilizando o programa Freemake Vídeo Downloader para fazer o download e conversão do vídeo para o formato mp3. A versão em português foi retirada do livro Rádio e Pânico da Editora Insular que contém um CD com a encenação brasileira. O programa Audacity foi criado no final de 1999 por Dominic Mazzoni quando era estudante da Universidade Carnegie Mechon nos Estados Unidos. Hoje em dia, o Audacity é desenvolvido através do Sourceforge, um site que permite às pessoas ao redor do mundo colaborar nos projetos de software livre. 6. Considerações finais A facilidade que as plataformas online oferecem para compartilhar conteúdo e a falta de tempo dos usuários em verificar as informações recebidas, tornam as redes sociais um ambiente propício para a propagação dos hoax. A maioria das pessoas independente da classe social e profissão apesar de afirmarem em pesquisa que antes de compartilhar algo nas redes sociais elas verificam as veracidade das informações, na prática, no dia a dia das redes sociais e até mesmo na pesquisa os participantes se contradizem e acabam mesmo compartilhando as informações. Com as redes sociais ganhando cada vez mais usuários, e a facilidade de se criar uma notícia falsa utilizando diversas ferramentas disponíveis na internet, é possível fazer com que um conteúdo fictício seja compartilhado inúmeras vezes antes que alguém perceba que se trata de uma notícia falsa. 22 No radiodocumentário, os entrevistados afirmam que não são apenas os usuários comuns que caem nos boatos da internet, os profissionais de comunicação também estão sujeitos ao erro. Wagner Martins do site Cocadaboa diz que “os profissionais são enganados devido a grande quantidade de conteúdo recebido e a falta de tempo para checar todas as informações”. Além disso, Martins comenta que na era da informação online a profissão de jornalista deveria ser mais valorizada. “Nunca precisamos tanto de pessoas com conhecimento e capacidade para fazer esse filtro e checagem de informação” afirma. 7. Bibliografia ASSUMPÇÃO, Zeneida Alves de. Contando histórias através de radiodocumentários. 9.° – CONEX Apresentação Oral.Disponívelem:http://www.uepg.br/proex/conex/9/anais/9conex_anais/59.pdf. Acessado em 24 de abril de 2014 Amaral, Inês; Sousa, Helena (2009). A era dos Self Media. Revista Eletrônica Portas, v.3, n.3, p.9-17. Acessado em 13 de março de 2014. MacDougall, Curtis D. Hoaxes. New York:.Macmillan, 1941. Artigo que faz referência ao livro acessado em 07 de maio de 2014 pelo link http://www.albany.edu/~scifraud/data/sci_fraud_1501.html CHANTLER, Paul & HARRIS, Sim (1998), Radiojornalismo. SP: Summus, p.164-165 CHANTLER, Paul/ STEAWART, Peter. Fundamentos do radiojornalismo. São Paulo: Roca, 2006. SILVA, Rafael Pereira da. A Influência Tecnológica sobre a prática jornalística. Minas Gerais: Universidade Federal de Juiz de Fora 23 FILGUEIRAS, Mariana. É tudo mentira - Jornal O Globo (2012). Matéria acessada em 27 de fevereiro de 2014 pelo link http://oglobo.globo.com/tecnologia/e-tudo-mentira-4707979 SILVA, Gislaine. Para pensar critérios de noticiabilidade. Estudos em Jornalismo e Mídia. http://revistas.univerciencia.org/. Vol.II Nº 1 - 1º Semestre de 2005. Acessado em 03 de junho de 2014 MEDITSCH, Eduardo. Rádio e Pânico, 15 anos depois - Introdução de Rádio e Pânico 2: A Guerra dos Mundos 75 anos depois. Acessado em 19 de março de 2014 pelo link http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed750_radio_e_panico_15_anos_ depois JOSÉ, Carmen Lúcia. História Oral e Documentário Radiofônico: Distinções e Convergências. Intercom 2003. Wolf, Mauro. Teorias da Comunicação: contextos e paradigmas. Novas tendências Efeitos a longo prazo. O newsmaking. Editorial Presença, 1985 What Is A Hoax? Hoaxipedia. Site acessado em 7 de maio de 2014 pelo link http://www.museumofhoaxes.com/hoax/Hoaxipedia/What_is_a_hoax/ http://en.wikipedia.org/wiki/Hoax. Acessado em 7 de maio de 2014 http://urbanlegends.about.com/cs/urbanlegends/f/hoax.htm. Acessado em 7 de maio de 2014. www.sensacionalista.com.br. 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