IMPRESSO ESPECIAL CONTRATO Nº 0701/02 ECT/DR/RN ABEn - Assoc. Bras. de Enf. ISSN 1518-0948 ACF B. GONÇALVES Aju s t a n d o con t a s /P a v i l h ã o d o l e i t or A g e n d a d e t r a b a l h o AB E n D e l i b e r a çõe s AB E n N ot í ci a s AB E n n a S B P C O r g a n i z a çã o p ol í t i ca R e g u l a çã o p r ofi s s i on a l M e m ór i a AB E n Frida Kahlo (detalhe) Construindo coerência na ação A enfermagem participa do trabalho coletivo da saúde com um contingente de um milhão de trabalhadores, de um total de dois milhões e duzentos mil empregados no setor saúde, segundo dados do Ministério da Saúde. Esta informação deve pautar, certamente, os próprios atores sociais da área: profissionais de enfermagem do serviço, docentes, pesquisadores, gestores e estudantes, entre outros. No entanto, diante do que esse contingente representa na força de trabalho da saúde e da relevância social para o alcance dos objetivos dos serviços públicos, filantrópicos e ou privados, essa informação também deve pautar, sobretudo, outros atores sociais do Estado e da sociedade civil. É um dado, portanto, da realidade do atual sistema de produção de serviços que merece a devida atenção e tomada de decisão das autoridades sanitárias e dos formuladores de políticas, considerando o peso que a enfermagem representa para a melhoria da qualidade dos serviços e para a construção das mudanças necessárias à consolidação do SUS, nas dimensões micro (institucional) e macro (políticas). O trabalho local da saúde conta, diuturnamente, com a participação dos profissionais da enfermagem, desde o domicílio, comunidade, rede de atenção básica, serviços especializados, até a rede de alta complexidade. Esta situação revela que a quantidade e a qualidade dos serviços prestados à população têm a marca e a mão deste contingente de trabalhadores integrados no mercado de trabalho da saúde, pública e privada, do Oiapoque ao Chuí. Diante do processo de regulação do trabalho das profissões de saúde em curso no País, esta situação coloca demandas que precisam ser consideradas. Portanto, o Estado e a sociedade civil organizada devem à população a construção de políticas e ações programáticas que regulem a qualidade dos serviços prestados pelo conjunto dos profissionais de saúde. As entidades de enfermagem (ABEn, FNE, ENEEnf e UNATE), enquanto parte da sociedade civil, estão cumprindo o seu papel no processo social de organização e formulação de propostas para os estudos e processos de regulamentação das profissões da área da enfermagem/saúde; o desenvolvimento da regulação do trabalho, sem prejuízo dos direitos conquistados; o processo de regulação do ensino dos profissionais de saúde, numa perspectiva da educação permanente; o fortalecimento da organização civil, dos profissionais de enfermagem, nos campos científico, educacional, sindical, estudantil, do ponto de vista interno e da articulação entre as entidades, visando um maior impacto da participação da enfermagem na realidade do mundo do trabalho, da educação, da saúde e da ciência e tecnologia; além do aprimoramento da política e ação programática do sistema autárquico de fiscalização do exercício das profissões da saúde, na perspectiva do controle social e do interesse público que esta organização representa, por delegação do Estado. Esta agenda de discussão e formulação está sendo construída com a participação de estudantes e profissionais de enfermagem, atuantes no campo do serviço, docência, formação, pesquisa, gerência/gestão, direção de entidades e de escolas, etc., no âmbito local dos municípios, dos Estados e em eventos como o 17º Fórum Catarinense deEscolas de Enfermagem,12º SENPE (abril), 64º SEBEn (maio), 1º SITEn (agosto), Encontros Regionais e o 7º SENADEn (setembro). Por ocasião do 11º CPEn e 55º CBEn, de 10 a 15 de novembro de 2003, no Rio de Janeiro, estaremos vivendo um momento histórico com o 1º Encontro Nacional de Entidades de Enfermagem, com o objetivo de acordar diretrizes para novas formas de organização e gestão de coletivos (sujeitos) para a enfermagem brasileira. É importante reafirmar que todo este esforço de organização visa conquistar uma maior qualidade da nossa participação na construção e implementação de políticas públicas (locais, regionais e nacionais). Assim sendo, precisamos demonstrar, mais uma vez, o nosso compromisso com a consolidação do SUS que queremos, com uma participação qualificada nas etapas municipal, estadual e nacional da 12ª Conferência Nacional de Saúde. É a enfermagem brasileira construindo coerência na ação com a missão que escolheu – cuidar no seu âmbito específico da saúde das pessoas e do própio SUS, com suas mãos, coração, inteligência, subjetividades e competências técnicas, humanas e políticas, reafimando sua crença na luta pela concretização do preceito constitucional, ou seja, a saúde como direito do cidadão e dever do Estado. Francisca Valda da Silva Presidenta da ABEn 02 03 05 06 08 10 13 19 A j u s t a n d o c o n t a s 1º/01/2003 a 30/06/2003 ATIVO 288.451,33 Fundo fixo 1.241,05 Bancos c/movimento 26.271,94 Bancos c/aplic.financeira 182.033,52 Adiantamentos concedidos Passivo circulante 85.941,46 Enc. fiscais e trabalhistas Convênios a aplicar 535,70 85.405,76 Outras contas a pagar - - Ativo permanente 3.613.396,32 Patrimônio líquido Maq. equip. e instalações 37.767,06 Patrimônio social Móveis e utensílios 38.300,37 Resultado do período Edifícios 3.815.906,19 3.793.880,64 22.025,55 3.704.088,45 Equip. de informática 25.357,83 Acusamos o recebimento nesta Diretoria de Educação Profissional do jornal da Associação Brasileira de Enfermagem, endereçada ao Senhor Secretário. Na oportunidade, queremos expressar nossos agradecimentos pela gentileza ao tempo em que louvamos essa rica iniciativa de constituir um veículo de comunicação e sobretudo porque cria um espaço para reflexão, crítica e debate aos profissionais dessa área. Ivone Maria Elias Moreira Diretora de Educação Profissional Secretaria de Educação Média e Tecnológica/Ministério da Educação Recebemos as edições anteriores do jornal da Associação Brasileira de Enfermagem, nas quais nos apresentam sugestões de pautas, comentários e críticas. Parabenizamos pelo excelente trabalho e colocamo-nos à disposição para eventuais contatos. Zenilce Vieira Bruno Coordenadora da Área de Saúde do Adolescente e do Jovem Secretaria de Assistência à Saúde/Ministério da Saúde Orgulho de ser uma Anna Nery Direito de uso linha tel. (-) Depreciações (192.117,39) Total do ativo 3.901.847,65 Total do passivo 3.901.847,65 Demonstrativo de resultados 1º/01/2003 a 31/03/2003 Receitas operacionais Contribuição de associados Realização de congresso Receita de aplicações financeiras Assinatura da Reben Convênios Receitas diversas Despesas operacionais Despesas com administração Pessoal e encargos Material de consumo Serv. terc. e encargos Despesas financeiras Impostos e taxas Contrib. a ent. de classe Despesas com a diretoria Despesas com diretorias Cepen Divulgação e publicação Educação Centífico-cultural Assuntos profissionais Projeto Unesco/Profae Programa de Sustentabilidade Resultado operacional Receita extra-operacional Doações recebidas Resultado do período E l e i t o r Excelente trabalho 78.904,82 Créditos diversos d o Espaço para reflexão Balanço patrimonial da ABEn Ativo circulante P a v i l h ã o 282.138,10 53.855,72 108.643,09 16.442,91 42.076,00 50.643,18 10.477,20 260.112,55 132.948,68 61.374,51 3.547,59 55.148,82 1.076,66 11.801,10 12.847,05 29.045,24 51.352,82 (13.504,67) Para a leitora Maria da Graça Simões Corte Imperial 947,65 49.702,55 80,00 622,62 688,56 33.230,20 - 22.025,55 22.025,55 X P E Acuso o recebimento do exemplar do jornal da ABEn [jan.fev.mar. 2003], bem como das instruções aos interessados em enviar à diretoria críticas e sugestões visando a melhoria da publicação. Aproveito a oportunidade para agradecer a publicação no espaço Pavilhão do leitor a minha opinião sobre as edições anteriores do jornal, ou seja, sobre o seu novo visual e sobre o seu conteúdo sempre voltados para o crescimento dos profissionais da enfermagem. Entretanto, observo que eu gostaria que no registro abaixo do meu nome estivesse apenas escrita a palavra “enfermeira” – muito me orgulho de ser uma Anna Nery. O COREN-São Paulo, como está aposto, é apenas uma conseqüência, por eu estar trabalhando nessa autarquia e ter registro profissional 3.439. A minha observação se prende ao fato de ser servidora do COREN-SP, sem função representativa. Quanto a primeira edição deste ano, já era de se esperar uma ascensão, não só na apresentação gráfica, mas com temas sempre atualizados e comprometidos com a saúde, incentivando os profissionais para uma política mais participativa junto aos governos. Mais uma vez, parabéns aos membros da diretoria pelo excelente trabalho que estão se propondo a realizar nesta gestão, sempre voltado para o crescimento profissional, respeito e dignidade administrativa. Maria da Graça Simões Corte Imperial Enfermeira D Pedimos nossas desculpas à enfermeira Maria da Graça Simões Corte Imperial, inscrita no COREN-SP, sob o número 3.439, por não termos colocado esse número de inscrição na assinatura da carta que foi publicada na edição anterior deste jornal. Não foi nossa intenção causar nenhum constrangimento à leitora que nos escreve, incentivando de forma muito cordial o nosso trabalho. A ela, nossos agradecimentos por sua crença no que estamos realizando. A jornalista responsável As cartas poderão ser resumidas e revisadas por questão de espaço e clareza de sentido. I E N T E Diretoria da ABEn Diretora de Educação: Milta Neide Freire Barron Torrez Presidenta: Francisca Valda da Silva Diretora do Centro de Estudos e Pesquisas em Enfermagem: Vice-presidenta: Maria Celi de Albuquerque Jane Lynn Garrison Dytz ABEn - Jornal da Associação Brasileira de Enfermagem Brasília/DF Ano 45 N. 2 Conselho editorial: Francisca Valda Silva, Milta Neide Freire Secretária Geral: Maria da Glória Lima Membros do Conselho Fiscal: Rosilda Silva Dias, Maria do Barron Torrez, Lúcia de Fátima da Silva, Sandra Andreoni de Primeira Secretária: Maria Ângela Alves do Nascimento Livramento, Figueiredo Carvalho, Maria Emilia de Oliveira. O. Ribeiro, Jane Lynn Garrison Dytz. Coordenação editorial e gráfica: UNA produção gráfico-editorial (84) 9988-2812/6412138 - [email protected] Jornalista responsável: Marize Castro Diagramação e arte final: Alessandro Amaral Revisão: Risoleide Rosa Primeiro Tesoureiro: Carlos Eduardo dos Santos Segunda Tesoureira: Marysia Alves da Silva Diretora de Assuntos Profissionais: Lúcia de Fátima da Silva Diretor de Publicações e Comunicação Social: Joel R. Mancia Diretora Científico-Cultural: Sandra Andreoni de O. Ribeiro SGAN Quadra 603 Avenida L2 Norte Conjunto B Asa Norte CEP 70.830-030 Brasília DF - Fone (61) 225 4473 - Fax 226 0653 E-mail [email protected] Site www.abennacional.org.br A ABEn agradece a Alzirene Nunes de Carvalho e a Janete Lima de Castro pela assessoria na realização desta edição. Esta edição foi financiada pelo Programa de Sustentabilidade para a Implantação das Diretrizes Curriculares dos Cursos de Graduação em Enfermagem / Cooperação ABEn / Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde-MS. A g e n d a d e t r a b a l h o A B E n Fotos: Acervo ABEn 17º Fórum Catarinense de Escolas de Enfermagem O 17o Fórum Catarinense de Escolas de Enfermagem foi realizado de 31 de março a primeiro de abril, em Florianópolis. Participaram enfermeiros de serviço, docentes e estudantes de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. Entre os conferencistas estavam Francisca Valda da Silva, Milta Torres, Maria José Antunes, Solange Belchior e Maria Natividade Santana. A comissão organizadora, que está de parabéns pelo sucesso do evento, foi comandada pela presidenta da ABEn/SC, Ângela Alvarez e pela diretora de Educação, Anita Zago. Durante o Fórum aconteceram as seguintes reuniões: a ABEn Nacional e ABEn/SC com os núcleos de Itajaí, Chapecó, Lajes e Tubarão; entidades de enfermagem – ABEn, FNE e SATEMRJ – para replanejamento da agenda estratégica de 2003; grupo de articulação da agenda política para a enfermagem brasileira, trabalhando acordos para a organização do 1o Seminário Internacional sobre o Trabalho na Enfermagem (SITEn). Representando as entidades estavam Francisca Valda da Silva, Ângela Alvarez e Simone Peruzzo (ABEn) e Solange Belchior; seminário sobre o PL 25/2002 com a presença de Maria Natividade Santana (membro do Conselho Nacional de Saúde). Representada pela professora Denise Pires, membro da Comissão Permanente do Ensino de Pós-graduação da Diretoria de Educação, a ABEn participou da reunião de grupo-consulta sobre Análise de Recursos Humanos de Enfermagem, organizada pela OPAS, através da coordenação de Silvina Malvárez. A reunião aconteceu no Rio de Janeiro, de 2 a 4 de abril de 2003. A presidenta da ABEn, Francisca Valda da Silva, participou de reunião da comissão organizadora do 11o CPEn e 55o CBEn no Rio de Janeiro. Na pauta, a discussão da proposta orçamentária dos congressos. A ABEn participou, no dia 15 de maio de 2003, da subcomissão do Fator de Incentivo ao Desenvolvimento do Ensino, Pesquisa e Serviço dos HUs (FIDEPS) e certificação dos HUs. Na pauta, a elaboração de proposta para certificação dos hospitais universitários como parte da construção de um novo contrato de gestão MEC/Ministério da Saúde para os HUs. A ABEn, representada por Francisca Valda, Paulo Cobelis (presidente da ABEn-SP) e Carlos Eduardo (1o tesoureiro da ABEn Nacional), participou do 1o Congresso Brasileiro da Revista Nursing, em 24 de abril, na cidade de São Paulo. A presidenta da ABEn, Francisca Valda da Silva, durante a sua conferência no 17º Fórum Catarinense de Escolas de Enfermagem Norteado pelo tema “Interfaces da Pesquisa em Enfermagem: aproximando o ensino e o cuidado com outros campos do conhecimento”, aconteceu, com a presença de 752 participantes, o 12o Seminário Nacional de Pesquisa (SENPE), de 27 a 30 de abril de 2003, em Porto Seguro, Bahia.Na próxima edição deste jornal, será publicado o relatório do evento. Por ocasião do 12o SENPE ocorreram algumas programações no desenvolvimento da agenda da ABEn aprovada pelo CONABEn. São as seguintes: oficina da Iniciativa de Educação Permanente em Enfermagem (IEPE) para planejamento da agenda de 2003; oficina da Classificação Internacional das Práticas de Enfermagem em Saúde Coletiva (CIPESC) para organização da agenda de trabalho para a construção da segunda fase do projeto; segunda oficina promovida pelo CEPEn/ABEn, dando continuidade ao trabalho iniciado na primeira oficina durante o 54o CBEn, para a construção de uma agenda estratégica para a pesquisa e a pós-graduação em enfermagem; reunião do grupo de articulação de uma agenda política para a enfermagem brasileira. Na pauta, o 1o. SITEn e a organização da convenção no 55o CBEn. A ABEn participou de reunião da comissão indicada pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS) para analisar e dar parecer em quatro processos de pedido de abertura de cursos, sendo três de Medicina e dois de Psicologia. A professora Francisca Valda da Silva participou dessa comissão, sob a coordenação de Laura Feuerwerker, do Ministério da Saúde. A comissão apresentou parecer contrário que foi homologado pelo CNS. 12º Seminário Nacional de Pesquisa Em 6 maio de 2003, a ABEn participou de reunião da Comissão Interinstitucional dos Hospitais Universitários, constituída pelos Ministérios da Saúde, Educação, Ciência e Tecnologia e Planejamento, pela Associação Brasileira de Hospitais Universitários e de Ensino, Associação de Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior, Associação Brasileira de Reitores das Universidades Públicas Estaduais de Saúde, Associação Brasileira de Educação Médica, Associação Brasileira de Enfermagem, pelo Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde e pelas executivas nacionais de estudantes de medicina e de enfermagem. Entre os ABEn abr.mai.jun.2003 3 A g e n d a d e t r a b a l h o A B E n Fotos: Acervo ABEn resultados do trabalho dessa comissão, destacam-se: liberação de 7.700 vagas para concurso e contratação de servidores para os hospitais universitários federais; ampliação do programa interministerial de modernização dos hospitais universitários federais, de 60 para 100 milhões; organização de seminário sobre os HUs a realizar-se em Salvador, de 9 a 11 de julho; e elaboração de minuta de portaria de certificação conjunta MS/MEC dos hospitais universitários. A ABEn participou do Seminário sobre Política de Incentivos a Mudança no Ensino de Graduação dos Profissionais de Saúde, promovido pelo Ministério da Saúde, nos dia 6 e 7 de maio de 2003, em Brasília, na OPAS/Escritório do Brasil. Representaram a ABEn as professoras Francisca Valda da Silva e Milta Torrez, respectivamente presidenta e diretora de Educação. Aconteceu com clima de crescente mobilização interna na enfermagem e articulação com outros profissionais e estudantes da saúde, a 64a Semana Brasileira de Enfermagem (SEBEn), de 12 a 20 de maio, em todo o Brasil. Para comemorar a semana foram realizados eventos em câmaras de vereadores, assembléia legislativas e atos públicos. O tema da Semana foi “Um olhar sobre a prática da enfermagem: possibilidades e desafios da regulação social”. Nessa Semana foi criado o Dia Nacional de Luta – 16 de maio – da Enfermagem Brasileira contra a Impunidade. A presidenta da ABEn, Francisca Valda da Silva, com o deputado estadual Luciano Ducci e enfermeiras homenageadas na 64ª Semana de Enfermagem no Paraná A presidenta da ABEn participou da seguinte programação da Semana de Enfermagem: 12 de maio – solenidade na Assembléia Legislativa do Paraná, com a presença de Solange Belchior (FNE). Receberam homenagens Verônica Tartas, Vilma Balielo, Josefa Lourenço de Meira, Maria Celi de Albuquerque e Maria Goretti David Lopes; 14 e 15 de maio – atividades promovidas pela ABEn-SE; 16 de maio – audiência com o secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, por solicitação das entidades de enfermagem(ABEn, FNE, SATEMRJ), ato público e feira de saúde na Cinelândia (programação do Dia Nacional de Luta Contra a Impunidade); 20 de maio – seminário sobre o PL 25/2002, promovido pela Seção da ABEn do Rio Grande do Norte. O CONASEMS completou 15 anos de existência no dia 4 de junho de 2003, reconstituindo a história da sua participação na construção do Sistema Único de Saúde, que também está completando 15 anos. A ABEn parabeniza o SUS e o CONASEMS e, em especial, o novo presidente do Conselho, Luiz Odorico Monteiro. A Comissão Interinstitucional de Recursos Humanos (CIRH) do Conselho Nacional de Saúde realizou cinco reuniões por convocação de sua coordenadora, a enfermeira/conselheira do CNS Maria Natividade Santana.Na pauta, a discussão sobre a própria CIRH; seu plano de trabalho; o PL 25/2002 do Ato Médico; a apresentação da secretaria de gestão do trabalho e da educação na saúde do Ministério da Saúde com a presença de Maria Luiza Jaeger, Ricardo Ceccin, Laura Feuerwerker, João Militão, Roberto Rosado e Maria Helena Machado (integrante da CIRH, representando o Ministério da Saúde). A ABEn participou de todas essas reuniões da CIRH e de uma subcomissão indicada pelo CNS para apresentar parecer em três processos de abertura dos cursos de Medicina, Enfermagem e Psicologia. Nesse período também avançaram as discussões sobre a necessidade de profissionais e critérios para a abertura de novos cursos de Medicina, Odontologia, Psicologia e Enfermagem por 180 dias, incluindo nessa moratória 22 processos já encaminhados pelo MEC para emissão de parecer pelo CNS. Diretoria da ABEn na homenagem à Eucléa Gomes Vale A Mesa Nacional de Negociações do SUS foi reinstalada com novos membros pelo ministro Humberto Costa, na plenária do Conselho Nacional de Saúde, no dia 4 de junho de 2003. A primeira reunião da mesa aconteceu em 17 de julho deste ano, com uma pauta de grande interesse para os trabalhadores da saúde, como por exemplo o plano de cargos e salários e qualificação profissional. O Ministério da Saúde, como atividade prévia da primeira reunião da mesa, promoveu um seminário sobre experiências de negociação em saúde. A FNE é membro da mesa, tendo como representante a enfermeira Nelci Dias. A enfermagem participou dessas atividades através de Francisca Valda da Silva, Maria Natividade,Vera Baroni, Nelci Dias e Roberto Pereira. Em clima de confraternização (como mostra a foto na coluna ao lado) entre a diretoria da ABEn, Eucléa Gomes Vale foi homenageada com o descerramento da sua foto na galeria das ex-presidentas da Associação. 4 ABEn abr.mai.jun.2003 Eucléa Gomes Vale, ex-presidenta da ABEn (gestão 1998/2001) D e l i b e Tesouraria da ABEn tem trabalhado junto aos demais membros dessa diretoria como órgão executivo e administrativo, responsável pela elaboração e acompanhamento do orçamento, gestão econômicofinanceira e pelo patrimônio da ABEn-Nacional. Foram aprovadas na 1ª AND ordinária da Gestão 20012004 as seguintes deliberações: 1. Aumento do per capita de R$ 25,00 para enfermeiros; R$ 17,50 para técnicos e auxiliares de enfermagem e R$12,50 para estudantes. 2. O uso do numerário que seria destinado à construção da “Casa da Enfermeira” passa a ser destinado à reforma da Sede Nacional seguindo-se as prioridades de reforma das instalações elétricas; projeto de segurança: grades nas janelas e portas, alarme geral; reforma da biblioteca do CEPEn; Sistema de ar-condicionado no auditório e pavimentação externa. 3. Experiência piloto da Cobrança Compartilhada com o Banco do Brasil nas Seções DF, PA, PB, PR, RN, RS e SC. 4. Resolução CONABEn n.º 001/2002, que regulamenta o Fundo de Apoio às Seções, transcritas a seguir na íntegra. Resolução CONABEn nº. 001/2002 O Conselho Nacional da Associação Brasileira de Enfermagem – CONABEn, reunido por ocasião da 38ª. Reunião Ordinária no dia 08 de março de 2002, na sede da ABEn Nacional, sito a SGA Norte Quadra 603 Conjunto “B” – Brasília – DF, no uso de suas atribuições estatutárias, aprovou a regulamentação do Fundo de Apoio às Seções e Regionais; CONSIDERANDO: • As diretrizes políticas definidas pelo Programa de Trabalho (2001-2004), aprovadas pelo CONABEn; • A necessidade de cumprimento das diretrizes administrativas, contábeis e patrimoniais preconizadas no estatuto e normas regulamentares e operacionais da ABEn; • A necessidade de fortalecimento político-administrativo da ABEn Seções e Regionais; • A compreensão de trabalhar o fundo como um programa de apoio, acompanhamento e avaliação da ABEn Seção ou Regional; • A visão de avaliação como processo de regulação da aprendizagem institucional; • A necessidade de apresentação de um plano claro e objetivo com propostas de superação da situação geradora do pedido de empréstimo. RESOLVE que: 1. O Fundo será constituído por transferências financeiras efetuadas pelas Seções e Regionais, correspondente a 3% da arrecadação dos eventos regionais estatutários. 2. Os recursos do fundo financiarão as Seções/Regionais que enviarem solicitação à Diretoria Nacional ou por decisão da Diretoria Executiva da ABEn Nacional. 3. Os recursos serão depositados em conta específica, cujos rendimentos de aplicação serão revertidos em favor deste fundo. 4. A tesouraria da ABEn Nacional considerará a justificativa e os critérios aprovados pelo Fundo. 5. A Diretoria da ABEn Nacional na apreciação do pedido poderá conceder o empréstimo ou proceder a uma sindicância e/ou auditar a solicitante. 6. A concessão do empréstimo será na forma de contrato. 7. A obtenção de recursos ao fundo implica adimplência da Seção/Regional para com o Fundo de Apoio. r a ç õ e s 8. O valor do empréstimo será na forma de contrato. 9. Os recursos cedidos pelo Fundo deverão ser devolvidos à ABEn em um prazo máximo de 180 dias. 10.À vigência para a quitação do empréstimo, após o prazo de 180 dias, será aplicada uma taxa de 3% ao mês sobre o montante da dívida. 11.Os casos omissos neste termo serão resolvidos no CONABEn. Brasília, 08 de março de 2002. Foram aprovadas na 41ª Reunião do CONABEn as Resoluções que seguem; Resolução CONABEn n.º 001/2003 que regulamenta a compra e venda de bens imóveis. RESOLUÇÃO CONABEn nº. 001/2003 Regulamenta a compra e venda de bens imóveis. O Conselho Nacional da Associação Brasileira de Enfermagem – CONABEn, reunido na 41ª. Reunião Ordinária, nos dias 15 e 16 de fevereiro de 2003, na sede da ABEn Nacional, sito SGAN Quadra 603 Conjunto “B” – Brasília – DF, no uso de suas atribuições estatutárias, aprovou a regulamentação da compra e venda de bens imóveis; CONSIDERANDO: • As diretrizes políticas definidas pelo Programa de Trabalho – 2001/2004, aprovadas pelo CONABEn; • A necessidade de cumprimento das diretrizes administrativas, contábeis e patrimoniais preconizadas no estatuto e normas regulamentares e operacionais da ABEn; • A necessidade de fortalecimento político-administrativo da ABEn e Seções; • A necessidade de apresentação de um plano claro e objetivo com propostas para compra e venda de bens imóveis. RESOLVE que: O processo de compra e venda de bens imóveis constará do encaminhamento protocolar à ABEn dos seguintes documentos, com antecedência de 30 (trinta) dias antes da realização da AND no ano do pedido: 1. Apresentação da comissão especial para a compra e/ou venda de imóvel constituída de no mínimo 3 (três) sócios efetivos da Seção; 2. Ata de AGS registrada em cartório aprovando a venda e/ou compra do imóvel; 3. Avaliação do imóvel executada pela Caixa Econômica Federal, ou órgão especializado idôneo e reconhecimento pelo mercado (imobiliárias, constando o número de registro do órgão competente do avaliador); 4. Comprovante de quitação do IPTU do imóvel nos últimos 3 (três) anos; 5. Certidão atualizada da matrícula do imóvel; 6. Certidões dos Distribuidores Cíveis, Justiça do Trabalho e Justiça Federal dos interessados; 7. Certidões dos Cartórios de Protestos interessados; 8. Certidões Negativas de Tributos Federais, Estaduais e Municipais dos interessados; 9. Proposta formal de compra dos interessados, incluindo formas e prazo de quitação do imóvel; 10.No caso de compra de imóvel, em que for devido o Imposto de Transações de Bens Imóveis – ITBI, especificar o quantitativo; 11.Valor da escrituração do bem imóvel; 12.Valor e especificação das despesas; 13.As transações deverão ser realizadas no período de gestão, ficando proibida a compra ou venda no período de seis meses antes do término da sua gestão. Brasília, 16 de fevereiro de 2003. A B E n Resolução CONABEn n.º 002/2003 que regulamenta o envio de cópia autenticada de escritura de sede à ABEn-Nacional RESOLUÇÃO CONABEn n.º 002/2003 O Conselho Nacional da Associação Brasileira de Enfermagem – CONABEn, reunido na 41ª Reunião Ordinária nos dias 15 e 16 de fevereiro de 2002, na sede da ABEn Nacional, sito a SGA Norte Quadra 603 Conjunto “B” – Brasília – DF, no uso de suas atribuições estatutárias; CONSIDERANDO: • a caracterização da ABEn como entidade única à luz da legislação tributária, fiscal e da reforma administrativa do Estado Brasileiro traduzida na mudança da relação entre as Entidades da Sociedade Civil e o Estado; • a necessidade do controle patrimonial/administrativo dos seus bens imóveis; • a exigência de exercitarmos gestão e responsabilidade coletiva entre todas as Seções, Regionais e Diretoria Nacional. RESOLVE que: 1. Todas as Seções que possuem bem imóvel próprio deverão enviar cópias autenticadas em cartório da escritura; caso os bens tenham sido reavaliados, encaminhar a fotocópia autenticada da reavaliação. Em não havendo avaliação por perito avaliador, adotar o valor venal constante no boleto do IPTU, enviando cópia autenticada do mesmo à sede Nacional. Brasília,16 de fevereiro de 2003. Resolução CONABEN n.º 003/2003 que regulamenta a assinatura de contratos entre as Seções e prestadoras de serviços. RESOLUÇÃO CONABEn n.º 003/03 O Conselho Nacional da Associação Brasileira de Enfermagem – CONABEn, reunido na 41ª Reunião Ordinária nos dias 15 e 16 de fevereiro de 2002, na sede da ABEn Nacional, sito a SGA Norte Quadra 603 Conjunto “B” – Brasília – DF, no uso de suas atribuições estatutárias; CONSIDERANDO: • a caracterização da ABEn como entidade única à luz da legislação tributária, fiscal e da reforma administrativa do Estado Brasileiro traduzida na mudança da relação entre as Entidades da Sociedade Civil e o Estado; • a necessidade do controle administrativo dos contratos diversos firmados entre as seções e instituições; • a exigência de exercitarmos gestão e responsabilidade coletiva entre todas as Seções, Regionais e Diretoria Nacional. RESOLVE que: • Todo e qualquer contrato firmado entre a ABEn -Seções e as Instituições, com valor superior à equivalência de cinqüenta (50) salários mínimos, deverá ser encaminhado à ABEn Nacional para conhecimento, registros e providência de emissão de procuração para assinatura do contrato. Brasília,16 de fevereiro de 2003. Francisca Valda da Silva Presidenta da ABEn Carlos Eduardo dos Santos Primeiro Tesoureiro da ABEn ABEn abr.mai.jun.2003 5 N o t ABEn parabeniza a Escola Anna Nery pelos seus 80 anos A Escola de Enfermagem Anna Nery, uma das unidades mais tradicionais da Universidade Federal do Rio de Janeiro, fundada em 19 de fevereiro de 1923 por iniciativa do professor Carlos Chagas, está comemorando 80 anos. A ABEn , representada por sua presidenta Francisca Valda da Silva, parabenizou a Escola Anna Nery durante a solenidade de comemoração, no Rio de Janeiro, em 19 de fevereiro deste ano, afirmando que a história da enfermagem brasileira tem suas raízes na EEAN. Segundo Francisca Valda, a Anna Nery estendeu suas ramificações a todos os estados brasileiros, tendo como bandeira as causas da enfermagem. No seu discurso, a presidenta da ABEn declarou: “A Escola Anna Nery tem sido singular, especial, propositiva, na criação de projetos e programas de graduação, de pós-graduação, extensão e pesquisa. Sem abrir mão da sua tradicionalidade, esta escola tem como prática a ousadia. Sem abrir mão da sua autonomia, tem a parceria como um compromisso”. Concluindo, Francisca Valda afirmou que é uma honra para a ABEn ter o 55° Congresso Brasileiro de Enfermagem, a ser realizado no Rio de Janeiro, em novembro de 2003, como parte das comemorações dos 80 anos da EEAN. ABEn assina nota de apoio em Natal A seção da ABEn do Rio Grande do Norte, ao lado de outras entidades, assinou nota de apoio ao SUS municipal da cidade de Natal. Segundo a nota, as entidades estão cientes da necessidade do fortalecimento da gestão do sistema municipal de saúde, acreditando que a população não pode ser refém de interesses corporativistas. Diz a nota: “Vimos nos solidarizar com a Secretaria Municipal de Saúde no que diz respeito à atitude corajosa de buscar alternativas para o atendimento a saúde de forma justa, baseada nas tabelas do SUS, praticadas nacionalmente. [...] O nosso apoio se manifesta por acreditarmos que o cumprimento das diretrizes do Sistema Único de Saúde deve ser sempre o princípio norteador da ação dos gestores. É preciso ainda ressaltar que fazer saúde pública significa implementar políticas de qualificação e valorização dos trabalhadores e oferecer serviços de qualidade aos usuários. Significa também estabelecer parcerias com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), através do Núcleo de Estudos em Saúde Coletiva (NESC), Projeto Uni-Natal e demais departamentos e entidades profissionais”. A nota ressaltou ainda a preocupação com o controle social, através da valorização dos conselhos de saúde. Inversão de valores Está marcado para o próximo dia 3 de outubro, na 5ª Vara Civil do Fórum de Curitiba, o julgamento de Austregésilo Carrano, autor do livro O Canto dos 6 ABEn abr.mai.jun.2003 í c Malditos, relato dos sofrimetos sofridos por ele durante três anos num hospital psiquiátrico do Paraná. A versão cinematográfica do livro de Carrano, intitulada Bicho de Sete Cabeças, ganhou mais de quarenta prêmios. Porém o autor, numa inversão de valores, virou réu e está sendo acusado pelo hospital por divulgar os horrores que sofreu quando esteve internado. O julgamento, inicialmente marcado para o dia 23 de maio, não aconteceu pela ausência física dos acusadores – cuja presença era exigida pela defesa de Austregésilo. A sociedade civil, mobilizada e atenta à luta antimanicomial, espera lucidez e eqüidade no dia 3 de outubro. A ABEn é um dos atores desta luta. i a s baseadas em evidências científicas, capacitação para avaliá-las, qualificá-las e aplicá-las na prática. Como resultado final estabeleceu-se que todos os representantes identificariam quais as reais condições dos diferentes pontos abordados em seus países, objetivando homogeinização nas estratégias de atuação para o Mejoramiento de la Calidad de Atención de Enfermeria y Parteria en las Américas, extensivo ao Caribe e países de língua portuguesa., possibilitando monitoramento mais eficaz e efetivo e realização de pesquisas para atingir nível de excelência da assistência de enfermagem. Morre Maria Ivete Ribeiro de Oliveira A enfermeira Maria Ivete Ribeiro de Oliveira, expresidenta da ABEn (gestão 1984-1986), faleceu em junho deste ano, aos 74 anos de idade, na cidade de Salvador, Bahia. Maria Ivete liderou a elaboração do documento Enfermagem Brasileira em Defesa dos seus Direitos, utilizado para enfrentar o projeto Julianeli que, no início da década de 1980, propunha uma subordinação das ações de saúde ao médico. Esse documento mobilizou intensamente a enfermagem e as organizações de enfermagem no Brasil. Pelo importante trabalho realizado em benefício da enfermagem brasileira, Maria Ivete recebeu o título de sócia honorária da ABEn em 1975. Qualidade e humanização na enfermagem das Américas Qualidade e humanização são palavras que fazem parte de todas as metas estabelecidas em quaisquer atividades desenvolvidas na atualidade. A Organização Mundial e a Organização Panamericana da Saúde, preocupadas com o panorama mundial da saúde da população e a qualidade dos serviços prestados, vêm desenvolvendo projetos de Gestão de Qualidade em busca da melhoria da qualidade da assistência de enfermagem. A Associação Brasileira de Enfermagem, por sua trajetória política e reconhecimento técnico-científico tem sido parceira constante na definição das políticas de saúde em âmbito nacional e internacional. A ABEn, através de Sandra Andreoni, titular da diretoria científico-cultural da instituição, esteve presente em abril, de 21 a 25, em São Paulo, na Reunión Mejoramiento de la Calidad de Atención de Enfermeria y Parteria em las Américas. Os representantes da OPS, BIREME e de todos os países presentes realizaram apresentações, de acordo com a sua área de atuação, com a finalidade de identificar e facilitar o intercâmbio de experiências relativas a monitoramento, avaliação de programas ou projetos, documentação, banco de dados e capacitação de recursos humanos. As discussões determinaram a elaboração de documentos visando o estabelecimento de estratégias Seção ABEn-Alagoas completa 40 anos A Seção de Alagoas da Associação Brasileira de Enfermagem está comemorando neste ano os seus quarenta anos de existência. Na noite de 21 de março, no Maceió Mar Hotel, foi realizada uma sessão solene com a presença de ex-presidentas e sócias da entidade, de autoridades estaduais da saúde e de estudantes de enfermagem. As sócias fundadoras receberam placa comemorativa entregue por Vera Grácia Neumann Monteiro, na época, presidenta interina e pelas ex-presidentas da ABEn-AL, agraciadas com arranjos florais, como símbolo da firmeza e da delicadeza com as quais conduziram suas gestões. Redução de morte materna e enfermagem obstétrica no cenário da América Latina e do Caribe Numa promoção do Grupo de Trabajo Inter Agencial Regional para Redución de la Mortalidad Materna/OPS/OMS, especialistas estiveram reunidos em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, de 9a 11 de maio. A finalidade desse encontro foi trocar experiências exitosas e desafios enfrentados, visando propiciar um atendimento de qualidade ao parto e desenvolver intervenções estratégicas para serem adotadas nos países da América Latina e do Caribe, em busca da redução da morbimortalidade materna e neonatal. Mais uma vez a ABEn esteve presente, representada por Sandra Anderoni, a convite da OPS/OMS, para definir políticas de saúde em âmbito internacional. Na sessões plenárias foram, entre outros, abordados e discutidos aspectos sobre recursos humanos; sistemas de saúde; avaliação da necessidade, recursos, barreiras e viabilização para fortalecer as competências das Escolas de Obstetrícia e de Enfermagem. N o t Como resultado das discussões, a delegação de cada país desenvolveu um Plano de Trabalho com estratégias concretas de ações, objetivando direcionar e estimular que, efetivamente, as políticas definidas sofram as adequações necessárias e sejam implantadas nos seus países. Produção de conhecimento O V Congresso Nacional da Rede Unida, realizado em Londrina, no Paraná, de 24 a 27 de maio de 2003, configurou-se numa importante ocasião de análise sobre as questões da formação profissional em saúde. O encontro reuniu, entre seus 1.416 participantes, lideranças de todas as carreiras da área da saúde – inclusive a Associação Brasileira de Enfermagem –, abriu espaços para trocas de experiências em mudanças na formação profissional e foi palco para produção de conhecimento. O próximo congresso da Rede será em 2005, em Belo Horizonte, cidade onde o movimento foi criado há 19 anos. 7º SENADEn: buscando apontar diretrizes para a ação na enfermagem À luz do tema “Educação em Enfermagem: buscando a coerência entre intenções e gestos” será realizado em Brasília, de 18 a 21 de setembro, o 7° Seminário Nacional para a Educação em Enfermagem (SENADEn). Os organizadores pretendem, com a participação dos profissionais de enfermagem, avançar na análise crítico-propositiva das experiências de implantação das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) da graduação e nível técnico, certificação de competências, formação de docentes para a educação profissional, implantação da IEPE, assim como também avançar na articulação com outros temas, a saber: a pesquisa como princípio pedagógico, a organização social e a regulação da prática profissional. Segundo a diretora de Educação da ABEn, Milta Torrez, ter a educação em enfermagem como foco de sua atenção faz do Seminário Nacional para a Educação em Enfermagem o espaço apropriado para repensar o “antigo” e descobrir o “novo”: “é o desvelamento do vivido mas não compreendido, permitindo-nos ter consciência das diversas maneiras de sentir e promover o processo de formação em enfermagem em direção à utopia que nos move, ou seja, a promoção da saúde como direito de todos, com a qualidade que dignifica a vida e a existência das profissões de enfermagem, práticas sociais indispensáveis”, declarou Milta. O 7° SENADEn é uma promoção da ABEn e será realizado pela Seção do Distrito Federal. í c 12ª Conferência Nacional de Saúde: direito de todos e dever do Estado Norteada pelo tema “Saúde: um direito de todos s dever do Estado, a saúde que temos o SUS que queremos”, será realizada em dezembro de 2003 a 12ª Conferência Nacional de Saúde. Convocada pelo Decreto Presidencial de 5 de maio de 2003, essa Conferência terá por objetivo propor diretrizes para efetivar a saúde como direito de todos e dever do Estado, bem como para a consolidação do Sistema Único de Saúde(SUS). Segundo o regimento já aprovado, as etapas da 12ª Conferência Nacional de Saúde serão realizadas nos seguintes períodos: Etapa Municipal – até 30 de setembro de 2003; Etapa Estadual – até 31 de outubro de 2003; e Etapa Nacional – de 7 a 11 de dezembro de 2003. Em todas as etapas, deverá ser assegurada a ampla participação dos segmentos sociais que atuam na área da saúde. Os eixos temáticos serão: direito à saúde; a seguridade social e a saúde; a intersetorialidade das ações de saúde; as três esferas de governo e a construção do SUS; a organização da atenção à saúde; o trabalho na saúde; gestão participativa; ciência e tecnologia e a saúde; e o financiamento da saúde. Cada eixo deverá contemplar o controle social e será discutido em mesa-redonda. Os termos de referência observarão, obrigatoriamente, o tema central e os eixos temáticos e deverão ter em comum a análise dos seguintes aspectos: histórico; posições dos diferentes segmentos sociais; deliberações das Conferências Nacionais e do Conselho Nacional de Saúde; conjuntura, considerando o programa e as propostas do atual governo; informações técnicas e políticas; atribuições e competências das três esferas de governo, destacando-se as da esfera federal; apresentação de propostas de diretrizes; e medidas para participação e controle social. Desta vez, o controle social ocupou o seu lugar de destaque, pois a Comissão Organizadora da 12ª Conferência Nacional de Saúde é o Conselho Nacional de Saúde. A Comissão Organizadora contará com uma Comissão Executiva nomeada pelo ministro da Saúde, referendada pelo CNS. Os conselheiros que representam o Fórum das Entidades Nacionais dos Trabalhadores da área de Saúde (FENTAS) estão em todas as comissões para garantir que os interesses das entidades de saúde, relativos à organização dos trabalhadores com vistas à consolidação do SUS e dos seus princípios, sejam garantidos. A conselheira Maria Natividade Gomes da Silva Teixeira Santana, representante da ABEn no FENTAS, como suplente de Francisca Valda da Silva, presidenta da Associação, está nas comissões de Articulação e Mobilização e Comissão Temática. 30 horas para a enfermagem: quem sabe faz a hora, não espera acontecer Incentivada pelo refrão histórico “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”, a Federação Nacional de Enfermagem está mobilizando os enfermeiros de todo o País para lutar pela aprovação do Projeto de Lei 2295 de 2000 que regulamenta as 30 horas para os profissionais de enfermagem. i a s Segundo a direção da FNE, os enfermeiros podem participar da seguinte forma: acompanhando passo a passo o andamento do PL (no site do senado e junto ao seu sindicato); fazendo parte das atividades sindicais; divulgando o assunto junto aos seus colegas, estimulando a participação nas atividades; enviando cartas (via Internet ou não) para os senadores, deputados federais e ao governo federal, solicitando manutenção do texto original do PL 2295/2000, “porque toda a enfermagem brasileira merece a conquista das 30 horas, excluir os trabalhadores do PSF é precarizar ainda mais as condições de trabalho desses profissionais, sem a garantia legal de melhores salários”; colhendo assinaturas e enviando-as para o sindicato ou para a ABEn de seu estado. O relator do projeto de lei é o deputado José Linhares Ponte. O correio eletrônico do deputado é [email protected] Aprovação do PL 2295/2000: à espera por maturidade e sabedoria dos governantes A professora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Ellen Peres, em carta à sociedade brasileira e em especial aos legisladores do Senado e da Câmara Federal declarou-se mais uma entusiasta a lutar pela aprovação do PL 2295/2000. Transcrevemos aqui um trecho da sua carta: “Meu entusiasmo reforçado pela minha disposição em lutar para a concretização desta conquista, fruto de uma luta histórica na qual me engajo desde 1980, é ancorado na certeza que vivemos o momento mais singular de demonstração, no plano teórico (da retórica) e prático (das atitudes), do caráter democrático das Instituições Brasileiras. Portanto, só é possível esperar maturidade e sabedoria dos governantes quando da tomada de decisões, que envolvam, sobretudo, qualidade de serviços a serem prestados à vida e à saúde das pessoas e coletividades.” Mirta Roses Periago na OPS Desde o mês de janeiro de 2003 que a diretoria da Organização Pan-americana da Saúde está sendo comandada, em Washington, nos Estados Unidos, por uma mulher: a argentina Mirta Roses Periago. Um dos principais compromissos assumidos pela nova diretora da Organização é o de resgatar essa instituição como o fórum da saúde das Américas, abrindo-a para a participação de todos os setores da sociedade. A Associação Brasileira de Enfermagem dá as boas-vindas a Mirta Roses Periago, desejando cada vez mais trabalhar ao lado de uma organização tão séria e respeitada quanto a OPS. ABEn abr.mai.jun.2003 7 A B E n n a S B P C Paul Klee (detalhe) Texto apresentado na Audiência Pública sobre Avaliação da Educação Superior, em Recife, em 15 de julho de 2003, na 55ª Reunião Anual da SBPC, realizada na Universidade Federal de Pernambuco A Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn) é uma organização da sociedade civil, de âmbito nacional, reconhecida como de utilidade pública, com personalidade jurídica não governamental, caracterizada como entidade que congrega trabalhadores – profissionais de enfermagem e obstetrizes – há 77 anos. A natureza e finalidades da ABEn conferem-lhe caráter cultural, científico, educacional e político, consubstanciadas em seu Estatuto e em sua organização, por meio de seções estaduais e regionais. O seu compromisso ético, político e técnico de propor e defender políticas públicas e programas que visem à melhoria da qualidade de vida da população brasileira, maior grau de resolutividade dos problemas e que garantam acesso universal e eqüânime aos bens e serviços promotores de saúde, tem como eixo nuclear a defesa e a consolidação da enfermagem como prática social, essencial na promoção, assim como na organização e funcionamento dos serviços destinados à prestação da assistência aos agravos sofridos por pessoas e coletividades .1 A educação em enfermagem tem sido uma das principais estratégias de construção dessa prática e consiste em uma das principais atividades da entidade ao longo da histórica construção do projeto político-profissional da enfermagem brasileira. Ciente da co-responsabilidade de construir e defender a dimensão social da saúde, entendida como direito universal, a ABEn vem reafirmar a importância da formação dos profissionais que atuam nesta área, campo e setor, com enfoque na subárea enfermagem, para a concretização de políticas de educação e atenção à saúde. Com esse propósito pode-se viabilizar a superação dos graves problemas que afligem o nosso país e demais povos da América Latina e do Caribe, com os quais o Brasil, principalmente neste momento histórico, tem o indiscutível compromisso de encontrar e compartilhar soluções centradas nos interesses sociais. Reconhece, assim, a indissociável relação trabalho-educação e a responsabilidade regulatória do Estado que, como ente democrático, deve buscar não apenas a legalidade das regulações a ele emanadas, mas a legitimidade oriunda de um poder delegado pela sociedade, co-responsavelmente partilhado com as organizações, representações e diferentes sujeitos sociais, de modo a torná-las letras vivas, expressões mais coerentes das intenções, gestos e discursos. Portanto, a ABEn considera que a discussão, não coincidentemente realizada no contexto da 55ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), da qual é organização associada, toma o vulto que merece – o de questão central na formulação e execução de políticas públicas, no campo educacional e na especificidade do nível superior – devendo ir muito além da formalidade, da regulamentação como controle burocrático-institucional, ressaltando a dimensão política de tais atos, como promotores de valores, perfis, qualidade e modos de ser sociais. É nesta envergadura que a ABEn situa a questão da Avaliação da Educação Superior, em cujo nível está a formação das múltiplas profissões de saúde e, conseqüentemente, dos enfermeiros e enfermeiras. Respeitando os limites desta ocasião na qual inúmeras outras contribuições se farão ouvir, refletindo uma acumulação respeitável dos atores envolvidos, e considerando os apreciáveis aportes fundados em domínios especializados trazidos pelos profissionais e organizações da educação, gestores do ensino, estudantes, docentes e demais entidades/ 8 ABEn abr.mai.jun.2003 organizações presentes, a ABEn enfocará as suas reflexões e proposições sobre aspectos da avaliação da educação superior no Brasil de forma contextual nas práticas pedagógicas específicas em saúde/enfermagem, visando à superação das políticas e processos vigentes,2 como proposto no convite da Comissão Especial SESU/MEC. Tentar contribuir , é preciso... Entendendo que o Sistema de Avaliação da Educação Superior é composto por um conjunto de estratégias tais como o Censo da Educação Superior, Exame Nacional de Curso, Avaliação Institucional, Avaliação das Condições de Ensino e que a referida Comissão tem a responsabilidade de propor a reformulação da política nacional de Avaliação neste nível de ensino, reiteramos as considerações e posições apresentadas em documentos já encaminhados ao Excelentíssimo Senhor Ministro da Educação, à SESU/MEC, ao INEP, sob a forma de publicações oficiais desta Entidade, assim como a Carta de Teresina e a Carta de Fortaleza / 2002, emanadas dos eventos nacionais promovidos pela ABEn. Reiteramos também as considerações defendidas pela Rede Unida e Associação Brasileira de Educação Médica (ABEM), encaminhadas às instâncias diretamente envolvidas com o Sistema de Avaliação, por se aplicarem, em grande parte, às demais profissões em saúde partícipes do movimento de mudanças na formação dos profissionais desta área, inclusive à enfermagem. Da avaliação das condições de ensino A seguir, algumas considerações que podem constituir-se em critérios para a formulação de instrumentos e processos, mais condizentes com os princípios contidos nas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) para os cursos de graduação na área de enfermagem: a) A necessidade de incorporação de uma visão crítica de currículo e de processo ensino-aprendizagem-avaliação.Tal perspectiva é mais coerente com as relações político-pedagógicas que o movimento histórico das mudanças na formação dos profissionais de saúde/enfermagem requer. Nesse sentido, a realidade a ser transformada não pode ser algo de que se “fala sobre” ou se “lê sobre”, mas a partir da qual se parte para compreendê-la, teorizá-la, comprometer-se com suas mudanças. b) A construção do SUS e as políticas sociais e de saúde devem ser parte significativa das referências teóricas e metodológicas nas quais se sustentam as bases políticas e pedagógicas do curso proposto para a formação em saúde/enfermagem, e não apenas conteúdos disciplinares estanques, em uma ou outra disciplina. c) Frente à política de currículo induzida pelas reformas e incorporada nas DCNs, em que a abordagem por competência tornou-se a fonte norteadora da organização curricular, seleção de conteúdos e processos de avaliação, torna-se minimamente coerente buscar instrumentos e processos que considerem: - as múltiplas dimensões da competência humana para o cuidar em saúde, respeitando sua natureza de ato situado em um determinado contexto relacional e não apenas portador da dimensão técnico-científica e procedimental. - a utilização de diferentes enfoques, instrumentos e momentos para apropriação do processo ensino-aprendizagem “ofertado”, A B E n n a S B P C Paul Klee (detalhe) da atuação docente e das “instalações” realmente existentes, condizentes com o estímulo às mudanças pedagógicas e à construção de perfis profissionais críticos, competentes em termos técnicos, éticos e políticos. A visita de avaliação tal qual hoje é realizada mostra-se estrategicamente insuficiente, pela impossibilidade de promover diferentes apropriações do processo avaliado. - a superação da visão associativa e/ou subordinada da relação teoria-prática, implícita nos indicadores, apontando para uma integração ao longo do curso sem, contudo, subestimar os momentos de Estágio Supervisionado, Internato, etc., como construtores da autonomia intelectual e ético-profissional. d) A valorização da formação pedagógica do docente universitário, para que a sua prática supere a de “um técnico que ensina”. Esta pode ser possibilitada por indicadores que captem as concepções e práticas mobilizadas por ele, sua visão de aluno, de educação, de aprendizagem, método e metodologias, além das bases conceituais estruturantes do campo específico como: conceito de saúde, enfermagem, trabalho, cuidado, política, sociedade, produção do processo saúde-doença-cuidado, dentre outros. Tais aspectos podem oferecer ligações importantes com a execução efetiva do projeto pedagógico enunciado pela IES. A educação permanente em termos pedagógicos não poderá ser dissociada da competência acadêmica dos docentes universitários e nem menos valorizada. e) A oferta de educação superior em saúde deve ser avaliada levando-se em consideração a existência de cursos que demonstrem relevância social, o que quer dizer escolas capazes de formar profissionais de qualidade, sintonizados com as necessidades de saúde; escolas comprometidas com a construção do SUS, capazes de produzir conhecimento relevante para a realidade de saúde em suas diferentes áreas, ativas participantes do processo de educação permanente dos profissionais de saúde e prestadoras de serviços relevantes e de boa qualidade.3 Da articulação entre a Política e o Sistema de Avaliação da Educação Superior É indispensável que a política de educação superior retome a necessária articulação com o sistema de avaliação da educação superior, pressupondo que são indissociáveis e que não podem seguir lógicas antagônicas. A título de exemplo, a implantação das Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de Graduação, parte expressiva da política e que reitera a formação da identidade profissional em nível superior, não pode ser ignorada frente à intenção de estabelecer a “desconexão entre a vida profissional e a formação universitária”, resultando na adoção de um ciclo acadêmico – de graduação, e outro profissional – deslocado para a pós-graduação – de modo que “o diploma (universitário) ateste o que se aprendeu nos estudos de terceiro grau, não ligando, necessariamente, o diploma à licença profissional”. Tal entendimento tem perpassado a discussão a propósito da duração dos cursos de graduação. Desse modo, o Sistema de Avaliação da Educação Superior não seria aplicado à formação de profissionais?De que Educação Superior estamos falando? Para qual Sistema de Avaliação estamos contribuindo? Quais referências articulam a política e suas regulamentações, capazes de manter a coerência interna e externa dos Projetos Pedagógicos e do Sistema de Avaliação? Das distintas possibilidades de ensinar-aprender e o Sistema de Avaliação - As diversas experiências que vêm sendo construídas pelas Escolas/Cursos da área de Saúde/Enfermagem, com base em organizações curriculares integradas em diferentes níveis, com atividades ou módulos interdisciplinares, com base em contratos didáticos de co-responsabilização dos sujeitos envolvidos, incluindo os profissionais dos serviços, comunidades, grupos e indivíduos, com experiências de integração teoria-prática em cenários onde o processo saúde-doença acontece concretamente, realizando a formação técnico-pedagógica do corpo docente em parceria com os profissionais de serviço, preceptores, precisam ser contempladas no processo de avaliação da aprendizagem, assim como das condições de oferta. Desse modo, os critérios, instrumentos e avaliadores devem reconhecer e expressar a avaliação como solidária ao processo de construção das condições de ensino e compreender que estas condições materializam o currículo – que não é produto, mas processo – expressando relações sociais, um “recorte” de um conjunto de valores, conhecimentos, atitudes, saberes e práticas presentes nas dimensões técnica, política, ética, científica e profissional ali representadas. Nestes termos, caberá ao Sistema de Avaliação buscar regulamentar e atuar de modo a orientar os atores na busca contínua da coerência entre intenções e gestos, em relação à apropriação crítica que aquela IES/Curso tem das diretrizes curriculares e dos princípios e práticas em saúde/Enfermagem para o SUS, de modo que a formação promovida possa tornar-se socialmente relevante e individualmente autônoma e significativa. Estimulando e possibilitando a avaliação interna ao Curso, à Unidade Acadêmica ou à Instituição como parte indissociável de outras estratégias que avaliam o elenco de condições políticas e pedagógicas indispensáveis para uma oferta de cursos com qualidade e relevância social, o Sistema de Avaliação poderá exercer o papel regulatório do Estado, enriquecido pela participação do controle social sobre as políticas públicas de educação, podendo prescindir dos “provões”, sem abrir mão do conhecimento e informações necessários à gestão e promoção de políticas de interesse social. A desejável avaliação de processo, no processo, com perspectiva formativa, precisa encontrar possibilidades de expressão no que tange às políticas públicas de educação, requerendo a participação de todos, o que inclui os mais diversos interessados no processo a ser avaliado. Na saúde, a participação dos gestores, usuários, empregadores, sociedade organizada, além de alunos e docentes, poderá inclusive possibilitar uma regulação social centrada no interesse público e não apenas corporativo, a partir da formação, e estender-se até o exercício profissional, o que beneficiaria novas realidades e maior margem de inovação para as instituições, entidades representativas, impactando construtivamente sobre a sua organização social. 1 ABEn - Estatuto reformulado em 2000. Preâmbulo, p. 3. 2 SESU/MEC- Ofício Circular 049/2003, de 27.05.2003. 3 ABEn/Rede Unida – Novas considerações sobre a proposta de avaliação das condições de ensino dos cursos de medicina – versão outubro/2002. Milta Neide Freire Barron Torrez Diretora de Educação da ABEn ABEn abr.mai.jun.2003 9 O r g a n i z a ç ã A s en tid ad es têm p ap el fu n d am en tal n a co n stru ção d e u m a p o stu ra p o lítica atu an te d a en ferm ag em , n ão p o d en d o mais ficar esperando apenas pela procura das pessoas ,o cenário nacional, cada profissional de enfermagem é responsável pela postura e perfil que caracm reconhecimento terizam a nossa profissão, merecendo destaque para maior da sociedade só o enfermeiro, que por ser coordenaocorrerá quando dor da equipe acaba se sobressaindo estivermos organizados e mais e definindo os espaços ocupados, assim como a construestruturados ção/desconstrução de mitos refereninternamente, tes à profissão. A origem da enfermagem como compreendendo o nosso sendo um trabalho caritativo, papel e a nossa prestado essencialmente por leigos, importância na equipe de por pessoas bondosas e de classes sociais e morais questionáveis, saúde trouxe-nos uma herança e um estigma que vêm sendo substituídos por conceitos de enfermagem principalmente nos serviços, pois moderna e profissional desde os enquanto a academia discute primeiros trabalhos de Florence aspectos importantes da formação Nightingale. Já percorremos um de futuros profissionais, é no fazer caminho longo, mas ainda há diário da profissão que eles se muitos desafios e obstáculos a serem expõem, passando para a vencidos para que possamos sociedade a imagem e postura, vislumbrar com clareza nossa inclusive o conhecimento político importância política e social. da equipe de saúde. Um reconhecimento maior da As instituições precisam, sociedade só ocorrerá quando portanto, se preocupar mais com a estivermos organizados e estru- Imagem de uma enfermeira em trabalho noturno (Óleo de Anna Zinkeisen, 1945 mobilização, discussão e incentivo turados internamente, compre- reprodução do livro A Escola de Enfermagem Anna Nery, sua história, nossas memórias). à participação de todos os endendo o nosso papel e a nossa importância na equipe de saúde. Precisamos nossos pares, não apenas na passagem de plantão profissionais da equipe, para que cada um possa adotar estratégias para alcançar e definir nossos ou nos eventos sociais, mas na participação ativa tornar-se visível para a sociedade, com seu valor espaços, para isso o conhecimento de nossa junto a entidades representativas da categoria, e suas atribuições conhecidas, para, a partir daí, história e de outras categorias profissionais é em reuniões com pauta definida e inclusão do podermos desenvolver nossa organização fundamental, pois podemos aprender com os maior número de profissionais, para que mesmo política em patamar de igualdade com outras erros alheios e também nos beneficiarmos dos aqueles que hoje não vêem importância na sua categorias mais politizadas que a nossa. seus acertos, sem necessariamente trilharmos profissão, sejam despertados para a importância pelos mesmos caminhos, pois a enfermagem tem de sua atividade e de sua participação. a sua própria trajetória. As entidades têm papel fundamental na Dentre as estratégias necessárias, associadas construção de uma postura política atuante da ao conhecimento passado, armazenado enfermagem, não podendo mais ficar esperando principalmente em instituições como a biblioteca apenas pela procura das pessoas, precisando ABEn-Seção Distrito Federal da ABEn, precisamos da convivência com os adotar atitudes mais ousadas, pautando reuniões, ABEn 10 abr.mai.jun.2003 o ã o p o l í t i c a A enfermagem e o desafio da organização política Outras conquistas ainda estão para ser alcançadas, entre elas, a aprovação de um piso salarial nacional, a garantia da jornada de 30 horas semanais e a mudança do artigo constitucional que impede a transposição dos auxiliares para técnicos em enfermagem O tema “A enfermagem e o desafio da organização política” é instigante e, ao mesmo tempo, nos coloca diante de um grande desafio, ainda mais se levarmos em conta o intenso momento político que estamos vivendo com os debates sobre as reformas da previdência, trabalhista e sindical, e também por estarmos vivendo um novo momento político na história do país, em que temos à frente da Presidência da República um ex-trabalhador sindicalista que é referência para as categorias profissionais. A profissão de auxiliar de enfermagem é reconhecida há vários anos, desde1949. Posteriormente, surgiu o técnico de enfermagem, porém, não tínhamos uma organização que lutasse especificamente pelos nossos interesses e direitos. Para a nossa categoria, a organização política seria de extrema importância para enfrentar os grandes desafios. Com esse propósito, no dia 18 de abril de 1989, foi fundado o Sindicato dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem do Município do Rio de Janeiro (SATEMRJ). A partir dessa data, começaria uma nova era, iniciando-se a organização propriamente dita dessas categorias profissionais, que, até então, eram esquecidas e deixadas de lado por não terem tido quem as conduzissem coletivamente para sua organização política, com as entidades de enfermagem existentes. Porém, as demais entidades de enfermagem se organizaram separadamente sem se preocuparem com os auxiliares e técnicos de enfermagem. A diretoria do SATEMRJ, mediante a necessidade iminente de projetar as categorias no cenário político, se vê diante de um grande desafio, colocando-se em defesa dos seus filiados e iniciando, então, uma frente para conquistar espaço na sociedade, que ao longo dos anos passaria a ser um referencial no cenário nacional. Mas o caminho foi longo e permanece difícil, temos muitos desafios a enfrentar pela frente. O SATEMRJ, após alguns anos de sua fundação, filiou-se à Central Única dos Trabalhadores (CUT) por decisão da categoria, entendendo que esta central esteve na luta da garantia e direitos dos trabalhadores como um todo. O SATEMRJ defende sua categoria nos âmbitos político, administrativo e judiciário, em defesa das políticas públicas, sociais do Sistema Único de Saúde (SUS), pela valorização dos profissionais no mercado de trabalho e pelo crescimento técnico e político. Nossa categoria conquistou, também, a aprovação no Congresso Nacional, através da Emenda 34, que reconheceu aos auxiliares e técnicos de enfermagem e outros profissionais de saúde, com profissão regulamentada, o direito de acumular até dois cargos ou empregos públicos. Por conta da atuação do SATEMRJ, fomos eleitos, o que nos garantiu assento nos Conselhos Distritais, Municipal e Estadual de Saúde e a possibilidade de participar das Mesas de Negociação Estadual e Municipal do Sistema Único de Saúde (SUS), defendendo sempre os interesses dos profissionais da área de saúde e, principalmente, das nossas categorias. Outras conquistas ainda estão para ser alcançadas, entre elas, a aprovação de um piso Ruben Gerchman salarial nacional, a garantia da jornada de 30 horas semanais e a mudança do artigo constitucional que impede a transposição dos auxiliares para técnicos em enfermagem. Na campanha para a presidência da República, o SATEMRJ apoiou a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), entendendo que sua candidatura era a única que reunia as condições necessárias para garantir as transformações que o país precisa. No entanto, o apoio do SATEMRJ à candidatura não levou a entidade a perder a sua autonomia na defesa dos interesses da categoria e dos trabalhadores. O SATEMRJ continuará com a sua autonomia, independentemente do apoio dado ao candidato Lula, hoje Governo. O nosso Sindicato estará ativamente atento às reformas da previdência, sindical, trabalhista e outras, e na democratização das relações do trabalho e do Estado, reiterando sempre o seu compromisso com os trabalhadores. Com a instalação, no mês de junho, pelo Ministério da Saúde, da Mesa Nacional de Negociação do SUS, os auxiliares e técnicos de enfermagem estão sem representação específica, mesmo tendo a Confederação Nacional dos Trabalhadores de Seguridade Social (CNTSS) assento na supracitada mesa, posto que não representam as nossas especificidades, entendendo que a CNTSS representa as lutas gerais dos trabalhadores da seguridade social. A fundação de uma entidade de âmbito nacional para os auxiliares e técnicos em enfermagem atenderia de forma específica as nossas lutas, permitindo uma representação de interesse nacional. A proposta de criação da Federação dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem coincide com um dos principais objetivos do SATEMRJ, que é viabilizar a organização das nossas categorias em todo o Brasil. Atualmente, com a fundação, em Brasília, de mais um Sindicato dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem, passamos a ser quatro entidades em todo o País. Porém, somos 700 mil profissionais, o que torna a organização política fundamental para que possamos garantir aos nossos trabalhadores representatividade para importantes vitórias e conquistas, e, com isso, resgatar o nosso papel histórico. Apesar do grande desenvolvimento técnico e científico verificado nos últimos anos, a organização política dos profissionais de enfermagem tem muito a crescer e muito espaço para conquistar. Portanto, temos que criar as condições necessárias para o fortalecimento cada vez maior no campo político, aumentando o nível de politização das categorias de enfermagem, pois no campo técnico e científico já evoluímos muito. A organização dos enfermeiros fez com que o nível médio se organizasse separada e posteriormente. Mas o maior desafio é trabalhar pela unidade das categorias e das entidades de enfermagem, para que o movimento sindical seja forte, autônomo, dos patrões, dos partidos políticos e do Estado, e que seja democrático, respeitando as decisões das massas pela base. Roberto Pereira Presidente do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem do Município do Rio de Janeiro (SATEMRJ) ABEn abr.mai.jun.2003 11 O r g a n i z a ç ã o p o l í t i c a Organização Pan-americana da Saúde reúne especialistas em atenção primária A Associação Brasileira de Enfermagem demonstrou como vem sendo constituído um sujeito coletivo das mudanças na educação em enfermagem, do fortalecimento do SUS e da mudança do modelo de atenção à saúde Foto cedida As Escolas de Enfermagem da América Latina e Região do Caribe incorporaram em seus cursos a meta de Saúde Para Todos no Ano 2000 e a Estratégia de Atenção Primária de Saúde, lançada pela Organização Mundial de Saúde. Esta inccorporação oportunizou mudanças nos currículos de enfermagem e potencializou, particularmente, a perspectiva comunitária da educação em enfermagem, que tinha fortes antecedentes no ensino de Saúde Pública. A Estratégia de APS produziu impactos de diversos gupos de especialistas para analisar e recriar o desenvolvimento de Recursos Humanos em Enfermagem. A idéia seria que cada país, através de seu representante, apresentasse experiências e conhecimentos sobre o ensino de APS em enfermagem, oferecendo informações para análise e definição de perspectivas, propostas e projetos. A OPS decidiu então promover a Reunión de Expertos sobre Análisis de la Euseuanza de APS em las Escuelas de Enfermería – 25 Anos de Enseñanza de APS en las Escuelas de Enfermería. Balance Crítico y Nuevas Utopías. Além da Cooperação Técnica para o Desenvolvimento de Recursos Humanos em Enfermagem da OPS, o evento foi motivado também pelos avanços alcançados pela linha de fomação profissional e técnica de Recursos Humanos em Enfermagem da Região e pela comemoração, em 2003, do 25° aniversário da Conferência de Alma Ata. Realizada em Buenos Aires, Argentina, de 9 a 11 de abril de 2003, a reunião teve por objetivos: - apresentar e trocar experiências sobre o ensino de APS em suas instituições e países; - analisar o contexto, as características, os progressos, debilidades, obstáculos e condições favorecedoras do ensino de APS; - analisar, em particular, sua transferência à atenção de saúde; - obter conclusões e formulações para o ensino de APS em enfermagem; - elaborar e disseminar um documento técnico sobre a experiência. No transcorrer das atividades, cada representante descreveu os currículos dos cursos de graduação em enfermagem no que se refere à Atenção Primária de Saúde (disciplinas que abordam APS, conteúdos de APS, carga horária teórica e de estágio, atividades de ensino/aprendizagem, bibliografia). A Associação Brasileira de Enfermagem demonstrou como vem sendo constituído um sujeito coletivo das mudanças na educação em enfermagem, do fortalecimento do SUS e da mudança do modelo de atenção à saúde, por meio de sua ampla participação em diversos espaços institucionais e políticos, da articulação e mobilização da enfermagem brasileira para tais mudanças. O contexto brasileiro contemporâneo apresenta claras demandas à formação de profissionais ABEn 12 abr.mai.jun.2003 de enfermagem advindas do modelo econômico, do perfil epidemiológico dos grupos e coletividades, da reestruturação do Sistema de Saúde. A enfermagem cada vez mais necessita expandir-se na Atenção Básica à Saúde, procurando corresponder às neces-sidades identificadas e priorizadas no âmbito local, nas unidades de saúde, nas comunidades, nos domicílios, etc. A expansão da enfermagem nas estra-tégias de Atenção Primária necessita ocorrer também na formação profissional, desde os cursos de auxiliar de enfermagem até a pósgraduação em enfermagem. Nos espaços de formação profissional, é imprescindível que os atores (instituições, docentes, discentes, profissionais dos campos de prática, gestores, pesquisadores) compreendam A partir da esquerda: Raquel Marra (Brasil), Anália Mesquida de Alvarado (Argentina), Silvina Malvárez (OPS/OMS) e Ana Maria Heredia a reestruturação da produção de serviços de atenção à saúde, particularmente no que se e mediadora da elaboração de programas refere à APS. Nesse sentido, a reestruturação da impulsionadores das mudanças desejadas e necessárias, produção de serviços de atenção à saúde impõe a com potencialidades para estabelecer a sintonia/ urgência de produção de outros conhecimentos sincronia entre o âmbito da formação e o âmbito da científicos, tecnológicos e técnicos, capazes de compor produção de serviços de saúde. Essas iniciativas se a base de sustentação das ações de saúde. Além disso, a revelam como possibilidade real de fortalecer a formação formação de profissionais de enfermagem deve profissional, particularmente no que se refere à Atenção extrapolar o âmbito exclusivo da saúde para colocar-se Primária. Como produtos dessa ação da ABEn, podem na perspectiva da intersetorialidade das ações, ser citados o Programa de Sustentabilidade para a perspectiva essa indispensável quando se reconhece a Implantação das Diretrizes Curriculares dos Cursos de saúde sob uma concepção mais ampla, como produto Graduação em Enfermagem (Cooperação Técnica das condições de vida e das relações sociais. entre ABEn e Secretaria de Políticas Sociais/Ministério Tais demandas, aliadas às Diretrizes Curriculares da Saúde) e o Programa de Incentivo às Mudanças nos vigentes hoje no Brasil para a formação desses Cursos de Graduação em Enfermagem (PROENF). profissionais, geram a imediata necessidade de definição O fruto das discussões e sugestões foi sistematizado e elaboração de perfil e competências. O Ministério da em um documento técnico encaminhado à OPS. Esse Saúde procura contribuir para a reorientação da documento retrata a situação em que se encontra o ensino formação profissional, através de políticas de incentivo de APS em enfermagem nos países participantes da e apoio a mudanças na formação e na prática. Uma Reunião, as concepções subjacentes ao ensino de APS das questões essenciais para que as mudanças se em enfermagem, as contradições, conflitos, lacunas e as concretizem é a diversificação dos cenários e experiências conclusões e propostas para fazer avançar o ensino de de aprendizagem, incluindo-se aí todos os espaços do APS em enfermagem. Uma das conclusões mais Sistema Único de Saúde. A aprendizagem deve ocorrer importantes a que chegaram os participantes é que, na como realização teórico-prática de conhecimentos realidade, grande parte das escolas e cursos não está construídos na relação permanente de trabalho/atenção desenvolvendo APS e sim Enfermagem de Saúde Pública à saúde, oportunizando a formação de profissionais e Enfermagem Comunitária, denominando-as de APS. como sujeitos construtores do modelo de atenção à saúde e como produtores de serviços voltados para a consolidação desse outro modelo. Dentre as políticas de incentivo, a Associação Raquel A. Marra da Madeira Freitas Brasileira de Enfermagem assume-se como fomentadora Representante da ABEn na Reunião de Especialistas em APS. Diretora de Educação da ABEn-Goiás R e g u l a ç ã o p r o f i s s i o n a l Paul Klee (detalhe) Participação da enfermagem nas políticas sociais: a saúde e o combate à pobreza Muitas das ações propostas hoje pelo atual governo federal – como as do Fome Zero – podem articular-se com o setor saúde e inserir-se nas atuais redes universais de que dispomos, contribuindo para o seu fortalecimento e ampliação uma perspectiva histórica, a enfermagem brasileira acompanhou, ao longo do tempo, as mudanças no nosso sistema de saúde. Numa relação dialética, ao mesmo tempo em que era afetada por essas mudanças, teve participação decisiva – na medida em que atuou como agente político e coletivo – na transformação das políticas governamentais, em âmbito nacional, estadual e municipal. O próprio processo de formação dos profissionais de enfermagem, em particular dos(as) enfermeiros(as), contribuiu para uma visão mais ampla do processo saúde – doença bem como para uma inserção mais crítica e participativa nos serviços de saúde. Outro fator importante foi a elevação do nível político da enfermagem, através da vida associativa em torno da sua principal entidade, a ABEn; através da construção de um movimento sindical consistente e combativo; bem como pela participação cidadã nos movimentos sociais e políticos que transformaram a sociedade brasileira nos últimos vinte anos. Na história recente, destacamos essa participação no auge do processo de redemocratização do Brasil na década de 1980 – quando a sociedade civil organizada deu efetivamente um salto de qualidade – que culminou com o rico processo participativo no movimento constituinte de 1988. Também no âmbito institucional o setor saúde foi pioneiro ao promover importantes e decisivas mudanças no sentido da universalização e unificação do sistema, abrindo caminho para a constituição do SUS, bem como da participação social através dos Conselhos e das Conferências de Saúde. O contexto nacional, infelizmente, modifica-se na década de 1990 com a introdução de um ideário e de um projeto político, econômico e social fortemente marcado pelo neoliberalismo, que já contaminava a maioria dos nossos países irmãos latino-americanos. Nesse contexto, promoveu-se, a partir do governo federal, um crescente processo de desmonte do Estado, com sérias implicações para todo o funcionamento do setor público. A área social foi particular e duplamente afetada, tanto pelo agravamento das condições sociais de amplos setores da população que passaram a ser excluídos, como pelas restrições de todo tipo impostas ao funcionamento dos serviços públicos (corte de recursos, terceirização, privatização, ausência de investimentos, entre outros). A saúde não ficou imune a esse processo de desmantelamento. Apesar de ter sido mantido o SUS – certamente uma conquista do povo brasileiro –, seu funcionamento foi afetado pelas restrições apontadas acima. Num rápido resumo que este espaço permite, a precarização do trabalho no setor público afetou particularmente os(as) trabalhadores(as) da enfermagem. Foram introduzidos alguns programas em âmbito nacional, supostamente inovadores, que no mínimo provocaram polêmica do ponto de vista da qualidade da assistência prestada, ao serem substituídos profissionais por pessoas sem a qualificação necessária para dar conta da complexidade das tarefas inerentes à saúde coletiva. Dando mais um salto na análise, hoje vivemos um momento peculiar na medida em que o processo político nacional, com a eleição do presidente Lula, abre outras perspectivas de mudança. Entendemos que nesse processo temos uma grande contribuição a dar, como profissionais de enfermagem – com responsabilidade sobre a saúde tanto na dimensão individual como na coletiva – e como cidadãos comprometidos com os processos de mudança que gerem uma maior justiça social, tema do nosso próximo Congresso. Muitos são os desafios, mas gostaríamos de colocar dois que consideramos centrais no momento atual. O primeiro deles é como (re) construir uma rede universal de proteção social – na qual a saúde tem uma centralidade evidente – que inclua efetivamente aqueles que ainda não conseguiram ser incorporados aos circuitos de cidadania. O segundo seria como articular as tarefas emergenciais impostas pelo combate imediato à pobreza e à miséria sem cair na focalização e no imediatismo que nos impeçam de construir, desde já, um verdadeiro Estado de Bem-Estar Social do qual nunca desfrutamos no nosso país. Muitas das ações propostas hoje pelo atual governo federal – como as do Fome Zero – podem articular-se com o setor saúde e inserir-se nas atuais redes universais de que dispomos, contribuindo para o seu fortalecimento e ampliação. Neste sentido, entendemos que os (as) profissionais de enfermagem, pelas razões que apontamos no início – ampla formação e proximidade com os interesses da população carente – podem e devem contribuir muito mais com este novo ciclo de mudanças no Brasil. O debate que iremos travar no próximo Congresso certamente será um importante passo nessa direção. Esperamos que os espaços governamentais e aqueles que hoje ocupam os cargos de decisão na máquina do governo abram caminho para essa valiosa contribuição que pretende, em última instância, defender os usuários do SUS, que em sua maioria não têm voz nem poder de pressão na sociedade brasileira. Laura Tavares Soares Enfermeira, sanitarista, doutora em Política Social, professora da UFRJ e pesquisadora do Laboratório de Políticas Públicas ABEn abr.mai.jun.2003 13 R e g u l a ç ã o p r o f i s s i o n a l Resultados do projeto CIPESC e a proposta de implementação do CIPESC II* Os resultados do projeto CIPESC desvelaram, entre outros achados, predominância de intervenções do setor público na saúde coletiva e grande variedade na composição e distribuição da força de trabalho em saúde, especialmente no âmbito da enfermagem O Projeto de Classificação da Prática de Enfermagem em Para atender às demandas originárias do Saúde Coletiva no Brasil (CIPESC) foi desenvolvido de desenvolvimento do CIPESC, a ABEn está propondo, 1996 a 2000, numa parceria da ABEn com o Conselho através do Departamento Científico de Classificação, Internacional de Enfermeiras, contando com o apoio Intervenções, Diagnósticos e Resultados da Prática de financeiro da Fundação Kellog. O desenvolvimento do Enfermagem/DECIDIRE, ligado à Diretoria Científicoprojeto só foi possível pela colaboração e envolvimento dos Cultural, com a colaboração da Diretoria de Assuntos consultores ligados à coordenação geral e dos 115 Profissionais e do Centro de Estudos e Pesquisas em pesquisadores dos 15 diferentes cenários de pesquisa. O Enfermagem, o projeto CIPESC II, cujo propósito será projeto contou ainda com a participação de 720 componentes promover a sensibilização dos profissionais de enfermagem da equipe de enfermagem – para a reflexão do seu trabalho na enfermeiros, técnicos de enfermagem, perspectiva da resolutitividade, ABEn, através eqüidade, integralidade e qualidade da auxiliares de enfermagem e agentes comunitários, além de 165 gerentes de atenção à saúde nos serviços de saúde, do DECIDIRE, unidades básicas, gestores e utilizando como instrumento de representantes de entidades ligadas à sistematização do trabalho a convida as saúde e à enfermagem. Acredita-se que Classificação da Prática de Enfermagem o projeto CIPESC só apresenta em Saúde Coletiva no Brasil, proposta enfermeiras a se resultados expressivos pela participação no CIPESC. Para tanto, objetiva validar voluntária desses profissionais que, a linguagem especial da enfermagem nas engajarem no projeto práticas de enfermagem em saúde representando os mais diversos espaços de produção de serviços de saúde e da coletiva; identificar a linguagem CIPESC II enfermagem, acolheram o chamado dos especial de enfermagem nas práticas de pesquisadores e contaram o que faziam, enfermagem em nível hospitalar; porque faziam e com que avanços e dificuldades disseminar as informações acerca dos processos de trabalho continuavam fazendo a enfermagem brasileira. e as diversidades das práticas de enfermagem; Os resultados do projeto CIPESC foram apresentados instrumentalizar o uso do CIPESC como registro de em duas vertentes: a produção de um inventário vocabular produção e impacto das práticas transformadoras da de enfermagem em saúde coletiva, a partir da identificação qualidade de vida e saúde da população; e criar um sistema de termos relacionados a fenômenos e a ações de informatizado do CIPESC articulado com um sistema enfermagem, tendo como referência a Classificação auto-instrucional de capacitação do usuário do sistema. Internacional para a Prática de Enfermagem (CIPE) Versão A ABEn, através do DECIDIRE, convida as enfermeiras Beta; e a caracterização do processo de trabalho de a se engajarem no projeto CIPESC II, para que o produto enfermagem em saúde coletiva no Brasil, que se constituiu deste projeto – a Classificação das Práticas de Enfermagem na identificação dos elementos inerentes aos processos de em Saúde Coletiva – possa se transformar num instrumento trabalho da Enfermagem, com destaque aos instrumentos de trabalho para a reorganização da prática da enfermagem dos processos assistenciais. Os resultados do projeto brasileira. CIPESC desvelaram, entre outros achados, predominância de intervenções do setor público na saúde coletiva; grande * Texto produzido a partir dos Relatórios do projeto variedade na composição e distribuição da força de trabalho CIPESC e da proposta do CIPESC II, organizados em saúde, especialmente no âmbito da enfermagem; ações pela professora Maria José Moraes Antunes (Diretora profissionais (individuais e coletivas) heterogêneas quanto de Assuntos Profissionais da ABEn, gestão 1985-1998; aos seus componentes e autonomia. O projeto também 1998-2001). revelou que os profissionais permanecem alijados de sistemas de educação continuada eficientes; que as Lúcia de Fátima da Silva Diretora de Assuntos Profissionais da ABEn condições de trabalho são insuficientes e precárias; e que a remuneração pelo trabalho de enfermagem é baixa. Maria Miriam Lima da Nobrega Diretora de Assuntos Profissionais da Seção ABEn-Paraíba ABEn - jan.fev.mar. 2003 14 ABEn abr.mai.jun.2003 R e g u l a ç ã o p r o f i s s i o n a l Iniciativa de Educação Permanente em Enfermagem: outras experiências de aprendizagem A Iniciativa de Educação Permanente em Enfermagem em enfermagem distribuídas em 19 estados do País, (IEPE), proposta de trabalho colaborativo entre a ABEn tendo participado efetivamente do curso 59 enfermeiros. e a Organização Pan-americana da Saúde (OPAS), A avaliação parcial do curso aponta para o alcance dos desde seu lançamento em outubro de 2002, durante o objetivos propostos, constatado na fala dos participantes 54º Congresso Brasileiro de Enfermagem, vem quando afirmam ter sofrido mudanças em sua prática envidando esforços no sentido de contribuir para a docente a partir das vivências do curso. Na avaliação discussão de temas relativos à educação permanente pessoal do coordenador, “o curso alcançou plenamente em enfermagem e à apropriação de tecnologias de os objetivos delineados, representando um marco na ensino, em especial aquelas mediatizadas pela Internet. capacitação de docentes de ensino superior em Nesse período, foi consolidado o Grupo de Trabalho enfermagem para o uso da Internet como ferramenta IEPE, por meio de portaria da presidenta da ABEn e capaz de permitir melhores experiências de foram realizadas atividades da IEPE durante os eventos aprendizagem.” da agenda nacional de enfermagem, promovidos pela Dando continuidade à agenda programática da ABEn, envolvendo dirigentes, docentes do ensino IEPE, durante o 12º SENPE, foi realizada a Oficina superior em enfermagem e profissionais de enfermagem de Trabalho IEPE 2003 com o objetivo de elaborar o dos serviços de saúde no Brasil. plano de trabalho da IEPE para o ano de 2003, de Em outubro de 2002, durante o Congresso Brasileiro forma conjunta e participativa com as escolas de de Enfermagem, foi lançado o website IEPE – http:// graduação em enfermagem. Participaram da atividade www.abennacional.org.br/IEPE – como segmento da os membros do Grupo Técnico IEPE, a professora homepage da ABEn. Francisca Valda da Silva, presidenta da ABEN, André O site apresenta a proposta da IEPE e Falcão do Rego Barros, representante da oferece um espaço virtual para o cooperação técnica/Área de trabalho colaborativo entre as Desenvolvimento de Recursos IEPE aposta na escolas de graduação em Humanos da OPAS/Brasil e 17 enfermagem e unidades do enfermeiras docentes de escolas importância da SUS prestadoras de serviços de graduação em enfermagem. de saúde, operacionalizadas A proposta de agenda para a mediação da Internet como na modalidade de cursos a IEPE em 2003, elaborada mais um recurso para distância e fóruns virtuais. durante a oficina, prevê a Como primeira experirealização de fóruns virtuais viabilização da capacitação ência virtual da IEPE, no para discussão dos aspectos período de fevereiro a maio, conceituais para a educação permanente, necessária aos foi desenvolvido o curso permanente em enfermagem e profissionais de enfermagem levantamento de temas para Internet no ensino de enfermagem: recursos e aplicações,em atividades de capacitação para os parceria com o Núcleo de enfermeiros, na modalidade a Tecnologias Educacionais em Saúde (NUTES) da distância. A agenda prevê, ainda, a divulgação dos Universidade Federal do Rio de Janeiro, com o objetivo resultados parciais desses fóruns durante a Reunião de de oferecer recursos e atividades que orientem os Trabalho da IEPE a ser realizada no 55º CBEn. Essa professores na utilização da Internet em suas práticas oficina inaugurou uma nova etapa da IEPE, com o de ensino. O curso propôs o oferecimento de um espaço envolvimento concreto das escolas na consolidação do de debate e cooperação entre professores universitários, projeto da Iniciativa, sendo especialmente destacada a de maneira a possibilitar a formação de uma importância da discussão dos temas nas instituições, o comunidade virtual que possa refletir sobre o processo que será conseguido a partir da ação dos docentes educativo, trocar experiências e construir materiais que envolvidos. No momento, a IEPE planeja a apóiem mudanças qualitativas no processo educativo. operacionalização do primeiro fórum virtual e maiores O curso foi coordenado pelo professor Marcos Brandão informações podem ser obtidas no seu site. e contou com a participação de quatro tutores e dois Decorridos dez meses de sua criação, é possível fazer monitores técnicos. Para esse primeiro oferecimento algumas reflexões sobre o processo de implementação da foram inscritos 75 enfermeiros de 47 escolas de graduação IEPE, apontando alguns fatores que facilitaram e outros que limitaram as ações previstas. Entre os fatores facilitadores, ressaltam-se: a) a proposta de trabalho colaborativo entre ABEn e OPAS, que viabilizou a concepção teórica e metodológica da rede, além da otimização de recursos para o desenvolvimento das atividades; b) a utilização de recursos tecnológicos que garantissem a articulação e o trabalho compartilhado, nas modalidades presencial e virtual, entre os membros do GT IEPE. Dentre os fatores dificultadores, apontamse a pouca experiência dos enfermeiros para incorporar recursos tecnológicos no processo de trabalho, em especial nas atividades de ensino; as experiências de Educação a Distância (EAD) em enfermagem são poucas e envolvem um número pequeno de profissionais em relação à demanda de capacitação permanente; a adoção de metodologias alternativas para aprendizagem e capacitação exige do profissional um investimento que nem sempre é possível, por questões relacionadas ao interesse pessoal e de condições institucionais no que se refere às atribuições docentes rotineiras (docência, administração, pesquisa, extensão); a garantia de condições institucionais para sustentabilidade da proposta; a modalidade de ensino a distância requer do aluno disciplina para o cumprimento das atividades e, para tanto, deve ser estimulado permanentemente. Ciente destas dificuldades, a IEPE aposta na importância da mediação da Internet como mais um recurso para viabilização da capacitação permanente, necessária aos profissionais de enfermagem, que atuam nas instituições formadoras de recursos humanos e nas unidades prestadoras de serviços de saúde. Eliane Marina Palhares Guimarães Coordenadora da Iniciativa de Educação Permanente em Enfermagem (IEPE) ABEn abr.mai.jun.2003 15 R e g u l a ç ã o p r o f i s s i o n a l Avançando na reorganização da atenção básica: dos distritos de saúde ao PSF Resolvemos enfrentar a superação das desigualdades em um dos setores vitais: a saúde. Por isso, anunciamos que esse sonho é possível, na medida em que se uniam em torno dos 41 distritos de saúde as mais de 400 unidades básicas O cenário Quando em janeiro de 2001 assumimos a secretaria municipal de saúde da maior cidade do Brasil, da América Latina e a terceira do mundo, ouvimos de todos que o município de São Paulo está marcado por profundas desigualdades, as quais se revelam de forma dramática, através de desemprego, fome, frio, dor, tristeza de passar por privações de direitos os mais elementares. Sem negar os contrastes da cidade mais rica do País. Resolvemos enfrentar a superação das desigualdades em um dos setores vitais: a saúde. Por isso, anunciamos que esse sonho é possível, na medida em que se uniam em torno dos 41 distritos de saúde as mais de 400 unidades básicas, afora os outros equipamentos de saúde, uma rede de enfermeiros (as). Essas unidades tinham a responsabilidade imperativa de implantar o Éramos conscientes do quanto era difícil inverter aquela ordem, todavia sentíamos que não era impossível, mesmo diante do que herdamos, a saber: • Um Sistema de Saúde Municipal semiprivatizado; • A ausência dos preceitos constitucionais do SUS na capital, em estágio “pré-SUS”, traduzida na desintegração da rede das ações e serviços de saúde (municipal, estadual, privada e filantrópica); • Convivência de vários modelos – com hegemonia hospitalar e tecnologia de ponta – e a situação atípica das “três redes” no sistema municipal de saúde de São Paulo; • A cultura determinante do modelo de subespecialidade, a “mão invisível” do mercado de trabalho; • Desarticulação dos trabalhadores da saúde: 17 mil no Plano de Atendimento à Saúde (PAS), dos quais cinco mil são funcionários estáveis da Prefeitura e 12 mil são contratados precariamente. Além disso, 13 mil envolvidos com os “programas clássicos” do que restou da Secretaria Paul Klee • Limites impostos pelas leis – LDO, LOA, Responsabilidade Fiscal e o PPA – no que se refere à contratação de pessoal e outras despesas. A lógica do financiamento do PSF (incentivos por faixa de cobertura) pouco aplicável a município do porte de São Paulo (configuração de um país), cujo modelo de gestão é descentralizado por distrito. Comprometimento de 80 dos 100 milhões de reais do PAB da capital com a rede estadual municipalizada; • E, principalmente, herdamos, com igual peso, a ausência de uma rede integrada que garanta a “substituição do modelo”, de forma orgânica, para a lógica da Saúde na Família. Além da inexistência de instrumentos e metodologias indispensáveis à reorganização da atenção básica, nível extremamente complexo, demandante de uma alta tecnologia social e sanitária. Confiante de que os profissionais da enfermagem de São Paulo poderiam ajudar a mudar, no futuro breve, esse cenário, o secretario Eduardo Jorge, à época, foi enfático e determinado na definição dos princípios orientadores de sua gestão: “ O SUS é Nacional e Constitucional. É a maior reforma do estado em andamento no país. Ele é uma política pública, patrimônio do nosso povo que se baseia na universalização, descentralização, democratização da gestão, integralidade e execução mista dos serviços (pública/privada). Ele não é municipal, estadual ou federal, é nacional”. O então secretário da saúde orientou a cada um e a todos que a atenção básica à saúde era o nosso farol, ela deve pautar a organização do Sistema Municipal de Saúde, é “porta de entrada”, vai ser revitalizada junto com as famílias/ comunidades, deve estar onde mora o povo, deve ser humanizada e personalizada. As famílias têm nome e endereço, portanto, ganha sentido de pertencimento. Os compromissos e os feitos Entendemos as chaves para os nossos diálogos, e em rede seguimos. Passados 26 meses de gestão, de intenso trabalho, saímos com a certeza e o aprendizado de que as reformas não acabam em nós, elas seguem seus ritmos, com outros sujeitos e submetidos a situações diversas. Entretanto, no limite conseguimos: Sistema Único de Saúde(SUS), ausente há oito anos naquela cidade. E com a função primordial de inverter o modo de fazer saúde em cada microespaço de moradia, trabalho e socialização dos indivíduos/ famílias/comunidades paulistanas, ampliando o Programa de Saúde da Família( PSF), com o objetivo imediato de acolher, responder e respeitar a cada um e a todos, em sua dor, busca, necessidades, deixando para trás o passado dos maus-tratos nas filas e nos atendimentos dos hospitais, das unidades básicas, dos prontos-socorros, entre outros. ABEn 16 abr.mai.jun.2003 Municipal e dez mil espalhados em desvio de função por outros setores da administração da Prefeitura; • Inexistência de profissionais, sobretudo médicos, com perfil adequado à prática de Saúde da Família. A existência do mercado “inflacionado” dos médicos e enfermeiros para trabalharem no PSF e a pouca apropriação do objeto do Programa por parte dos profissionais que se encontram na rede municipal de saúde; • Existência de fortes corporações da saúde (sindicatos, conselhos e outros) com restrições ao PSF. O “medo” dos profissionais, principalmente dos médicos, de ser apenas mais um programa; Reconstruir a Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Tivemos a preocupação inicial de “cuidar de quem cuida”. Tínhamos 17.000 trabalhadores nas cooperativas (5.000 funcionários e 12.000 contratos irregulares), 13.000 do que sobrou da Secretaria e 10.000 exilados. Resolvermos tratar dessa situação como prioridade central, concentramos esforços no primeiro semestre e logo os resultados apareceram no final de junho e agosto do ano em curso – 2001: os 5.000 funcionários voltaram das Cooperativas; os 12.000 contratados irregularmente foram R e g u l a ç dispensados; os 13.000 funcionários da Secretaria Municipal de Saúde foram remanejados, parcialmente; os 5.000 exilados voltaram à SMS; e mais 11.000 foram contratos de emergência. ã o p r o f i e reunindo em cada um deles cerca de 250.000 habitantes. Eles são correspondentes as 100 maiores cidades entre os 5.561 municípios do Brasil. Modernização da Gestão. Nos tempos da A municipalização. Solicitamos a gestão plena da modernidade eletrônica, tínhamos consciência de que atenção básica aprovada no início do ano e no final deveríamos utilizar inteligências diferentes ao projeto de 2001 todas as Unidades Básicas de saúde sob a da Secretaria Municipal de Saúde, não só para garantir gestão e gerência da Secretaria Estadual de Saúde maior publicização dos nossos atos, sobretudo para foram municipalizadas. Iniciamos, ainda em 2001, o garantir uma rede de atenção à saúde das famílias/ diálogo com os demais gestores do comunidades de São Paulo ágil, SUS, na perspectiva de pleitearmos competente, resolutiva e humanizada. a gestão plena do sistema de forma Para tanto, enviamos para julgamento erdamos, com orgânica, compartilhada e coda Câmara Municipal o Projeto de Lei igual peso, a responsável. Naquela época já da criação das autarquias para hospitais tínhamos bons sinais, os quatro ausência de uma rede e prontos-socorros, que foi debatido e grandes Hospitais de São Paulo – aprovado na Conferência Municipal de integrada que Hospital das Clínicas, Hospital São Saúde e na Câmara dos Vereadores. Paulo, Santa Casa e Santa Encaminhamos, ainda, uma série de garanta a Marcelina – sistematizavam conosco projetos, entre os quais, o de contrato de o atendimento de urgências/ “substituição do gestão e salário variável em função das emergências e a alta complexidade dificuldades e acesso, tempo integral, modelo”, de forma desempenho das equipes. das ações e serviços de saúde na cidade de São Paulo, como forma orgânica, para a de articular e integrar os demais Saúde da Família para todos. O serviço lógica da Saúde na que antes era oferecido apenas para pontos do sistema municipal de saúde . alguns, foi disponibilizado, depois de Família muito trabalho, para que toda a A distritalização. Não queríamos reinventar a população atendida pelo SUS fosse beneficiada. Os geografia da cidade, nem perder seu número, no céticos diziam que era muito difícil implantar o PSF caso particular da saúde, pretendíamos substanciar em cidades de grande porte, regiões metropolitanas, a gerência e gestão, democratizando o acesso e grandes centros a exemplo de São Paulo. Todavia, a descentralizando de forma radical a “autoridade equipe responsável por essa tarefa, em grande parte sanitária”. Mais perto do povo, ouvindo-o, enfermeiras, afirmavam com determinação: “É dialogando com ele, os investimentos públicos impossível viver sem sonhar. São Paulo vai ter saúde em tornam-se mais eficazes e eficientes. Com esse todas as suas famílias”. Movidos por essa energia, entendimento, partimos em janeiro de 2001 deixamos para a gestão em curso uma rede de parceiros, dividindo a cidade em 41 Distritos de Saúde, com 12 instituições de grande tradição na área de respeitando a geografia dos distritos administrativos assistência à saúde e assistência social em São Paulo s s i o n a l que estão ajudando nos processos de implantação/ implementação do PSF; uma equipe com 4.500 agentes comunitários de saúde e quase 800 equipes do PSF e uma meta de implantar 1.500 equipes nos 41 Distritos de Saúde . O futuro Acreditamos na força dos homens e mulheres, hoje à frente da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo. Acreditamos que darão continuidade às conquistas, ainda que parciais, dos processos de municipalização das ações e serviços de saúde, tendo com referencial os cinco compromissos mencionados. E mais, que o Direito à Saúde; a Qualidade de Vida; a Apropriação do Território e a Inclusão Social estão postos como bens inalienáveis de cada individuo/família/comunidade. Além do que a perenidade desses compromissos requer enfrentar e/ou superar os grandes desafios, que continuam presentes na gestão municipal de saúde. Desafios traduzidos na eleição de áreas temáticas prioritárias como saúde da criança, do adolescente, da mulher, do idoso, do trabalhador e vigilância permanente a todos os agravos, de forma a zelar pelo nascimento, vida e morte com dignidade, esses compromissos político, técnico e humanitário vêm sendo construídos em rede, também e sobretudo pelos profissionais da enfermagem. Eles continuam em todos os distritos de saúde/distritos escolas, nas equipes de Saúde da Família, nas regiões de saúde, na Secretaria Municipal e nas instituições parceiras, buscando e ajudando a construir uma política pública – o Sistema Único de Saúde, cujo imperativo é saúde para todas as famílias paulistanas, ou seja, a primazia das tarefas sociais dos (as) enfermeiros(as) na maior cidade do Brasil. Maria Fátima de Sousa Enfermeira, gerente nacional do PACS, assessora especial do Departamento de Atenção Básica/SPS/MS e da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo de 2001 a 2002 64ª Semana Brasileira de Enfermagem Um olhar sobre a prática da enfermagem: possibilidades e desafios da regulação social comemoração da 64ª Semana Brasileira de Enfermagem com o tema “Um olhar sobre a prática da enfermagem: possibilidades e desafios da regulação social”, permitiu aos trabalhadores de enfermagem uma reflexão aprofundada e crítica sobre a sua prática e os fatores reguladores do processo de produção em saúde. Assim, na semana de 12 a 20 de maio de 2003, as Seções e Regionais da Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn), em todo o País, puderam, em parceria com as várias instituições de ensino e saúde, desenvolver programações científicas, culturais e de lazer, promovendo o debate entre grupos afins e proporcionando o congraçamento dos profissionais de enfermagem. Também instituiu-se o dia 16 de maio como o “Dia Nacional de Luta da Enfermagem Contra a Impunidade no País”, sendo previsto para essa data atividades que demonstrassem que a enfermagem é a favor da vida e contra a impunidade. As programações desenvolvidas foram diversificadas, incluindo palestras sobre o tema central, reflexões sobre o SUS, humanização, tratamento intensivo, acidentes ocupacionais com perfuro cortantes, desnutrição, entre outros. A Regional Itajubá ministrou curso sobre Infecção Hospitalar e a Seção Piauí ofereceu a Oficina de Sensibilização para o desenvolvimento do Projeto de Sistematização da Assistência de Enfermagem no Hospital Getúlio Vargas. Quanto às atividades relacionadas ao dia 16 de maio, foram realizadas missas pela Paz, e Santa Catarina organizou uma manifestação na rua Felipe Schmidt, no centro da cidade, onde foram montados dois painéis, um com os cartazes relativos ao dia da impunidade, e outro para que a população se manifestasse a favor da vida e contra a impunidade. Foi entregue à população um panfleto, com os seguintes dizeres: A sociedade brasileira vem se alertando e unindo-se contra a impunidade daqueles que cometem crimes de toda ordem. Nas comemorações da 64ª Semana Brasileira de Enfermagem, a Associação Brasileira de Enfermagem, Seção Santa Catarina, vem a público manifestar-se repudiante das situações criminosas sejam elas quais forem e clamar por justiça frente a criminosos que continuam ilesos, impunes como se a vida não fosse o bem maior. Nós da Associação Brasileira de Enfermagem – Seção Santa Catarina, trabalhadores de enfermagem, defendemos vidas e cobramos punição aos que as devastam. Como aspectos facilitadores da realização da Semana, destaca-se a credibilidade da ABEn nos vários setores da sociedade, bem como as parcerias realizadas com as várias instituições de saúde e escolas. As dificuldades referem-se à impossibilidade dos membros da diretoria de participarem efetivamente, à falta de liberação dos profissionais e alunos para participarem das atividades, e aos recursos financeiros que são insuficientes para desenvolver as atividades como desejado. Ao avaliarmos a Semana, observamos que a participação dos profissionais foi efetiva, e que as programações desenvolvidas atenderam as expectativas dos participantes. Os profissionais de enfermagem estão de parabéns, por mais uma vez organizarem com brilho, competência e seriedade a sua 64ª Semana Brasileira de Enfermagem. ABEn abr.mai.jun.2003 17 R e g u l a ç ã o p r o f i s s i o n a l Pronunciamento sobre o Projeto do Senado n. 005 2002 Trata-se de um projeto com frágil embasamento e argumentação, com justificativa contraditória, além de redação precária Fórum de Escolas de Enfermagem de Goiás, reunido este ano, leu e discutiu sobre o Projeto Lei do Senado n. 005 de 2002, formulando a respeito desse PL o seguinte posicionamento: • O projeto evidencia, em sua formulação e redação, ter sido elaborado por pessoa que desconhece, ou se conhece faz questão de desconsiderar, a enfermagem brasileira em sua realidade concreta. Ainda que faça alusão ao contingente de trabalhadores de enfermagem, não revela, em sua justificativa, conhecimento sobre a contradição que perpassa a inserção deles como força de trabalho no campo da saúde. A divisão social do trabalho, que se expressa no interior da enfermagem por meio da divisão desta em categorias, não é algo que pode ser alterado por força legal, uma vez que faz parte da própria natureza do capitalismo. • O fato de que todos os trabalhadores de enfermagem venham a obter o diploma de curso de graduação não lhes garantirá necessariamente melhoria salarial, como argumenta o projeto, uma vez que o que se verifica no capitalismo contemporâneo é um crescente processo de precarização do trabalho e, conseqüentemente de redução dos salários, mesmo para os que já se encontram inseridos no mercado. Paul Klee • Em decorrência do exposto acima, o que propõe o projeto soa como medida eleitoreira. Criar “acesso ABEn 18 abr.mai.jun.2003 diferenciado” aos cursos de graduação em enfermagem para os que atuam na enfermagem hoje como parteiras, auxiliares e técnicos de enfermagem representa um desrespeito duplo para com esses profissionais: 1) desqualifica o trabalho que hoje estão exercendo, em sua natureza e função, pois deixa subentendido que só será valorizado por meio da obtenção de um diploma de graduação; 2) o acesso diferenciado à graduação desiguala as condições de entrada ao ensino superior para esses trabalhadores em relação aos demais candidatos, dando a entender que, mesmo não tendo formação geral que lhes permita o ingresso, este se daria “forçosamente” por meio de acesso diferenciado. • O projeto, ao propor a extinção das referidas categorias de exercentes da enfermagem, supõe que todos têm o desejo, a disposição e as condições de ingresso e permanência nos cursos de graduação, o que não é verdadeiro. blemas do aprender e ensinar, entre outras razões, pela ausência de uma formação geral suficiente para a apropriação, aproveitamento e utilização dos conhecimentos e práticas desenvolvidos no curso de graduação. Além disso, tal experiência aproveitou, no curso, a própria prática que os professores já realizam em seus locais de trabalho, sem nenhuma alteração, o que contribuiu para a permanência de variados tipos de deficiência, conforme as diferentes realidades e, nelas, as inúmeras precariedades, de acordo com as realidades loco-regionais. Não achamos que seja recomendável repetir essa mesma experiência na enfermagem, por meio de um pacote contendo “acesso diferenciado (entenda-se facilitado) + fato de que formação aligeirada = diploma de graduação.Tal fórmula está longe de todos os resolver o problema da mudança no sistema de saúde, assim como não trabalhadores resolveu no sistema educacional. de enfermagem venham a obter o • Trata-se, portanto, de um projeto com frágil embasamento e argumentação, com justificativa contraditória, além de redação precária. • Ainda que todos os trabalhadores diploma do curso de de enfermagem estivessem Concordamos que a qualidade dispostos, aptos, desejosos e em da atenção à saúde no Brasil está graduação não lhes condições de realizar cursos de intimamente, mas não exclusigraduação, e ainda, se houvesse vamente, ligada à qualificação garantirá vagas para todos em bons cursos profissional dos trabalhadores de de graduação em todo o país, é enfermagem e por isso eles necessitam necessariamente questionável que essa medida viria de formação continuada em seus solucionar o problema da locais de trabalho, conforme as melhoria salariaI, “mudança na estrutura do demandas locais/regionais de atendimento público de saúde no atenção à saúde e de efetivação do como argumenta o Brasil” uma vez que a SUS. Mas discordamos da premissa, origem desse problema do PL do Senado 005/2002, de que projeto não se localiza apetal empresa deve ser realizada nas nos trabalhaalçando todos os trabalhadores aos cursos de graduação. dores de enfermagem e sim trata-se de Tal medida, se viesse a ter sucesso, traria conseqüências uma questão do projeto político drásticas para aqueles que não conseguirem cumprir os brasileiro para a saúde, nele incluso o prazos estabelecidos. Tomando por base a experiência SUS. • A experiência desenvolvida na área da educação, e que o projeto toma como base para sua argumentação, é objeto de crítica de diversos especialistas em educação no Brasil por não promover efetivamente a formação que seria necessária, pelo aligeiramento da formação, por não desenvolver nos professores a real competência necessária para lidar com os pro- do PROFAE, nossa posição é de que se façam investimentos na elaboração e implantação de programas permanentes de educação profissional, por meio dos quais os trabalhadores tenham a oportunidade de desenvolver sua profissionalidade na sua realidade de trabalho, mas ao mesmo tempo a fim de alterá-la, qualitativa e quantitativamente. Que se invista ao mesmo tempo em projetos que venham contribuir para a correção das defasagens, desigualdades e injustiças salariais e sociais que se verificam em relação aos trabalhadores de enfermagem em todas as suas categorias. Diretoria de Educação da Sessão da ABEn de Goiás e m ó r i a A B E n Fotos: Reprodução do livro Associação Brasileira de Enfermagem 1926-1976, Documentário M Fachada principal da sede da ABEn em Brasília Salão de Honra da ABEn em Brasília Escola Anna Nery e vida associativa da enfermagem uma relação vincular muito delicada (Continuação da edição anterior) O novo endereço vitalizou a ABEn em suas bases físicas, organizativas, político-sociais – este é um outro capítulo da história, cuja tecedura vale a pena divulgar, pela labuta profissional e suas conseqüências, que persistem e se ampliam, para orgulho da enfermagem na sociedade brasileira Até 1941, o funcionamento da Associação contava com a infra-estrutura oferecida junto com o espaço físico na Escola Anna Nery. As enfermeiras confundiam Escola e Associação. Em 1947, Marina Bandeira de Oliveira assume e repassa a presidência a Edith de Magalhães Fraenkel, pela terceira vez dirigindo a Associação até 1950. Os vínculos e as relações eram tão suscetíveis que a Associação considerava-se até mesmo no dever de agraciar as diplomadas da Escola, com um “tradicional chá” ao final do curso. Além do chá, medalha cunhada à melhor aluna e festa dançante eram os agraciamentos feitos pela Associação à Escola, para o que era levantada certa quantia em coleta partilhada entre todas as sócias. Ocupavam-se desse assunto por muitas reuniões e preocupavam-se em agradar as alunas formadas, chegando a lhes perguntar se estavam satisfeitas com o que a Associação lhes teria oferecido. Desde o início da década de 1940, a Associação, ao sair da Escola Anna Nery, teve a partir daí vários endereços; iniciava-se uma mudança de seu rumo antes tão compassado com a Escola. Ao sair da sede-mater contava apenas com um patrimônio imóvel; era um terreno adquirido pelas sócias em 1929, o qual, no entanto, não tinha qualquer benfeitoria nele feita, até então. De 1926 a 1941 a Associação sequer pensou em algum outro local para sua sede que não fosse a Escola Anna Nery. De 1941 até 1953, a Associação mudou de sede, de uma a outra instituição, mas todas gratuitas. Embora muito já estivesse redimensionado, pois desde 1946 a Escola de Enfermagem da USP conjugou forças no trabalho da Associação, partindo para uma tomada de poder, somente em 1953, com a perspectiva do X Congresso Internacional de Enfermagem no Rio de Janeiro, a diretoria resolveu alugar um espaço físico no prédio da ABI (Associação Brasileira de Imprensa) como sede dos trabalhos que antecediam ao Congresso. A diretoria da Associação indicou uma Comissão Especial de Aquisição da Sede da ABED, dessa vez para a compra, aplicando a quantia (ainda que pouca) que era a renda procedente “per capita” da ABED. A idéia era adquirir a sede na área nobre executiva do Rio, por entusiasmo de Maria Rosa Pinheiro. Decidiram comprar, com a autorização devida da diretoria na palavra da presidenta Glete de Alcântara, dada a urgência do assunto. Examinadas as propostas de compra, adquiriram três apartamentos, na Av. Franklin Roosevelt, 39 – Esplanada do Castelo. Foi feito o compromisso da compra e ficaram com as prestações para pagar em 5 anos. O assunto pagamento dessa sede esteve em pauta em todas as reuniões, por argüir tempo; passaram muitas apreensões para completar o pagamento. Resolveram alugar duas das três salas, para recolherem esse dinheiro do aluguel e fazerem o pagamento das prestações do imóvel adquirido. Assim, a mudança para a sede nova se deu em setembro de 1954, sendo utilizada uma das três salas, para a Associação e a Revista que estavam sem móveis, com apenas uma mesa, uma cadeira e uma máquina datilográfica. No VIII Congresso Nacional de Enfermagem, um relatório detalhado foi apresentado à Assembléia. Cotas extras, medalhas, chás, colar de pérolas, alguns poucos cruzeiros à época amealhados pelas sócias, foi tudo entregue ao pagamento da nova sede, num movimento de emocionante doação. O nome da Associação, ainda em 1954, passou de ABED a ABEn. Mesmo com as despesas maiores que a receita, a Associação teve, de seus sócios, o melhor empenho e em 1959, gestão presidida por Marina de Andrade Rezende, as parcelas relativas à compra da sede foram quitadas. A vitória teve o sabor apreciado de uma grande mobilização de poucas pessoas. A diretoria e os sócios (pequeno número de sócios à época) trabalharam intensamente em campanhas, promoção de chás, festas com convites pagos (entre as enfermeiras), doações pessoais extras de algumas sócias e de membros da diretoria, enfim, uma entusiástica mobilização em torno da aquisição da sede, nessa fase de quitação dos imóveis (os três apartamentos). Era como se a Associação fosse atingir sua maioridade por uma aquisição de sua casa própria, desde que tinha saído da Escola Anna Nery, há 18 anos. A referida Escola participou dessa fase, porquanto muitos encontros festivos (chás, bingos, etc.) foram ABEn abr.mai.jun.2003 19 e m ó r i a A B E n Fotos: acervo ABEn M Sede atual da ABEn em Brasília, Distrito Federal, prédio inaugurado no ano de 1971 (Continuação da página 19) promovidos nos ambientes internos do pavilhão de aulas da Escola, e esta fazia parte da mobilização como associada, mantendo os vínculos e as relações de receptividade representada pelo trabalho direto de algumas docentes e abertura das portas do prédio da Escola Anna Nery, com a mesma efusividade anterior. A presença de reuniões eventuais da ABEn no interior da Escola era sempre festiva, alegre, demonstrada nos reencontros com cumprimento efusivo entre as enfermeiras, e ao mesmo tempo, natural; as sócias conheciam a casa, utilizavam as chaves, conheciam os “guardados” (onde ficavam as chaves, por exemplo), e sentiam-se em casa; a maioria, ainda, ex-alunas da Escola. Esses laços afetivos, esse tom de filiação, esse enraizamento, por muito tempo continuaram lembrando certa não-separabilidade entre a Associação e a Escola, no entanto, a Associação já se vitalizou pela força de São Paulo e, posteriormente, dos demais Estados. A compra da sede (aquisição da casa própria) e a mudança de nome vieram juntas e encorparam as condições de seus próprios rumos, com sua autonomia maturada e já se mostrando pronta para seus novos saltos, descoberta feita em sua ABEn 20 abr.mai.jun.2003 nova qualidade de empreendedora, aprendida com a necessidade da compra dessa primeira sede própria, ainda no Rio de Janeiro. Iria longe, mudaria de cidade, de Estado e de região. Iria participar de outro pioneirismo, abrir espaço no Planalto, de modo inovador em um lugar construído com a beleza de novos sonhos, daí a seis anos. E assim, a ABEn se fez audaciosa, contou com seus próprios sócios, esteve com uma diretoria já representativa de outras regiões do Brasil, aprendeu a dimensionar essa representatividade nas diretorias, mesmo com sacrifícios, pois tinham que ser parcimoniosos face a receita com que trabalhavam, ser, quase sempre, menor que as despesas. Precisou sair de si mesma e articular-se, difundir-se em vinculações e relações delicadas com muitos segmentos sociais; envolveu-se com o mundo ampliado, superou a idéia de ensimesmar-se como profissão, de isolarse, e preparou-se para os embates, firmou novas posições filosóficas, reestruturou-se aos poucos e com a doação conseguida do terreno em Brasília, “calçou botas para enfrentar o novo canteiro de obras do Brasil”, mas mudou-se literalmente, ao construir sua sede master. O novo endereço vitalizou a ABEn em suas bases físicas, organizativas, político-sociais – este é um outro capítulo da história, cuja tecedura vale a pena divulgar, pela labuta profissional e suas conseqüências, que persistem e se ampliam, para orgulho da enfermagem na sociedade brasileira. De todo esse parcelar trecho da história, olhar para os aspectos narrativos da primeira sede ou da primeira etapa da vida associativa da enfermagem, faz refletir sobre a importância dos vínculos e das relações muito delicadas, a sua trama em meio a um começo de quaseinseparabilidade, entre Escola Anna Nery e Associação; esta, figuradamente, uma filha de criação, uma filha escolhida para viver “em casa”, até que chegou o tempo e a condição de sua maioridade e assim a ABEn constituiu sua real identidade. Lygia Paim Doutora em enfermagem, professora titular (aposentada) da UFRJ e professora da Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI) Campus Biguaçu. Sócia honorária da ABEn Vilma de Carvalho Professora titular de saúde pública da Escola de Enfermagem Anna Nery. Professora emérita da UFRJ