1 PUBLICADA NO DPL DO DIA 18 DE DEZEMBRO DE 2013 QUADRAGÉSIMA SEGUNDA SESSÃO ESPECIAL DA TERCEIRA SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA DÉCIMA SÉTIMA LEGISLATURA, REALIZADA EM 03 DE DEZEMBRO DE 2013. ÀS DEZENOVE HORAS E QUARENTA MINUTOS, O SENHOR DEPUTADO DOUTOR HÉRCULES OCUPA A CADEIRA DA PRESIDÊNCIA. A SR.ª CERIMONIALISTA – (ESPERANÇA ALLEMAND) – Senhoras e Senhores, Senhor Deputado presente e telespectadores da TV Assembleia, boa-noite. É com satisfação que a Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo recebe todos para a sessão especial para debater e discutir sobre o Dia Mundial de Combate à Aids. Já se encontra à Mesa o Senhor Deputado Doutor Hércules, proponente desta sessão e Presidente da Comissão de Saúde e Saneamento desta Assembleia Legislativa, para os procedimentos regimentais de abertura desta sessão. O SR. PRESIDENTE – (DOUTOR HÉRCULES) – Invocando a proteção de Deus, declaro aberta a sessão e procederei à leitura de um versículo da Bíblia. (O Senhor Deputado Doutor Hércules lê Mateus, 6:3) O SR. PRESIDENTE – (DOUTOR HÉRCULES) – O Presidente, de ofício, dispensa a leitura da ata da sessão anterior. (Pausa) Informo aos Senhores Deputados e demais presentes que esta sessão é especial para discutir e debater sobre o Dia Mundial de Combate à Aids, conforme requerimento de minha autoria, aprovado em Plenário. Passo a palavra à cerimonialista. A SR.ª CERIMONIALISTA – (ESPERANÇA ALLEMAND) – É convidado à Mesa o Senhor Luciano Salvador, representando a Secretaria Municipal de Saúde do Município de Vila Velha; a Senhora Maria Tereza Coimbra de Carvalho, do Projeto de Extensão Banco de Preservativos da UVV; a Senhora Sandra Fagundes, Coordenadora Estadual de DST/Aids, da Secretaria de Estado da Saúde; o Senhor Dario Sergio Rosa Coelho, da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids; a Senhora Deborah Sabará, representando o Fórum Estadual LGBT; o Senhor Toninho Lopes, coordenador da Rede de Educação para a Desigualdade e Diversidade da Ufes. (Tomam assento à Mesa os referidos convidados) A SR.ª CERIMONIALISTA – (ESPERANÇA ALLEMAND) – Convido todos para, de pé, ouvirmos a execução do Hino Nacional. (Pausa) (É executado o Hino Nacional) A SR.ª CERIMONIALISTA – (ESPERANÇA ALLEMAND) – Agradeço a presença ao Senhor Toninho Lopes, Secretário estadual do LGBT do PSB, que já se encontra à Mesa; às Senhoras Selma Ester Damasceno, representando o Centro DST de Cariacica; Ana Regina Bourguignon, fundadora do Grupo Diversidade Religiosa; Janette Alvim Soares, escritora; Estela Maria Ferreira Pacheco, da coordenação DST-Aids de Aracruz; Sabrina e Marta, representando a Prefeitura da Serra - Grupo DST-Aids. Neste momento, fará uso da palavra o Senhor Deputado Doutor Hércules, proponente dessa sessão e Presidente da Comissão de Saúde e Saneamento da Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo. O SR. PRESIDENTE - (DOUTOR HÉRCULES) - Antes de começar minha fala, convido para tomar assento à Mesa o ex-deputado e colega Cabo Elson, e a Senhora Janette Alvim Soares, autora de um livro muito importante, que retrata sua luta, sua experiência; uma verdadeira lição de vida. Todos nós devemos conhecer o seu livro. Sua experiência é muito importante. (Pausa) (Palmas) (Tomam assento à Mesa os referidos convidados) O SR. PRESIDENTE - (DOUTOR HÉRCULES) – Cumprimentamos o Senhor Luciano Salvador, representando a Secretaria Municipal de Saúde de Vila Velha; a Senhora Maria Tereza Coimbra de Carvalho, também canela-verde, representando o Projeto de Extensão Banco de Preservativos da UVV, uma universidade 2 particular que tem orgulhado não só o Estado do Espírito Santo, mas também o Brasil; a Senhora Sandra Fagundes, Coordenadora do Programa DST-Aids da Secretaria de Estado da Saúde; o Senhor Dario Sérgio Rosa Coelho, da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids, a quem agradecemos, mais uma vez, a presença. S. S.ª acabou me inspirando a propor esta sessão todos os anos. Cumprimentamos também a Senhora Deborah Sabará, representando o Fórum Estadual LGBT; e o Senhor Toninho Lopes, coordenador da Rede de Educação para a Desigualdade e Diversidade da Ufes. O Senhor Toninho também é companheiro antigo, desde a época em que estivemos com o Senhor Jean Willys em um seminário importante na Ufes, em que representei a Assembleia Legislativa. Muito obrigado a todos pela presença. Um abraço a todos que não estão na Mesa. Não são menos importantes do que nós que estamos na Mesa. Estamos na Mesa por acaso, mas garanto que há muitas outras pessoas mais importantes do que nós, a quem agradecemos a presença e rendemos homenagem. Mais uma vez reunimo-nos para debater as políticas públicas e os avanços no tratamento do HIV/Aids. É de conhecimento de todos que no último domingo, dia 1.° de dezembro, foi celebrado o Dia Mundial de Combate à Aids. A data foi criada em 1987, em Assembleia Mundial de Saúde, evento promovido pela Organização das Nações Unidas, a ONU. Há mais de vinte e cinco anos lutamos contra a epidemia da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, causada pelo vírus HIV. Em todos esses anos, a medicina avançou muito no que se refere às formas de tratamento e combate ao vírus, sempre buscando a cura e a melhora da qualidade de vida dos pacientes. Hoje, ser diagnosticado com a doença não significa mais que a pessoa esteja sentenciada à morte, como no passado. A Aids é uma doença de perfil crônico. Isso significa que não tem cura, mas tem tratamento. A pessoa pode conviver naturalmente. Uma pessoa infectada com o HIV pode viver com o vírus por longo período sem apresentar nenhum sintoma. Então, é importante destacar que a doença é controlável. A pessoa pode conviver e ter todas as suas atividades normais, desde que controle também os seus hábitos. Isso tem sido possível graças aos avanços tecnológicos e às pesquisas que propiciam o desenvolvimento de medicamentos cada vez mais eficazes. Contudo, precisamos destacar que o avanço no tratamento deve ser um aliado da população, e não um inimigo. Infelizmente, pesquisas indicam que muitos jovens estão se descuidando e contraindo HIV de forma indiscriminada. De acordo com dados da Secretaria de Estado da Saúde, de 1985 a 2012 o Espírito Santo registrou nove mil cento e um casos de Aids. Desse total, dois mil duzentos e sessenta e seis, ou seja, vinte e cinco por cento dos infectados, morreram porque não fizeram primeiramente a prevenção. O número de homens com a doença é ainda maior: são mais de cinco mil, contra pouco mais de três mil mulheres. Todos os anos, quinhentos e trinta novos casos são descobertos. Isso mostra que nossa juventude está relaxada. Apesar da epidemia de Aids estar controlada no Estado há dez anos, o número de jovens infectados cresceu trinta por cento nesse período. Gostaria de lembrar que com a pílula do dia seguinte muita gente se previne com relação à gravidez. A pílula do dia seguinte pode prevenir a gravidez, mas não previne a doença. Muita gente acha que pode ter relações sem usar camisinha e acaba se infectando. É preciso lembrar que a camisinha pode evitar gravidez; seis por cento das mulheres que usam camisinhas ficam gravidas. Portanto, é preciso que não pensemos apenas na gravidez. Achar que ter relação e tomar a pílula do dia seguinte resolve, não é por aí. Isso não pode continuar a acontecer, pois a relação sexual é a maior responsável pelas infecções, com 66.4% dos casos. Todos devem usar preservativos nas relações sexuais e jamais compartilhar seringas ou materiais cortantes com outras pessoas. Outra questão de suma importância é a transmissão da Aids durante a gravidez. No Estado do Espírito Santo foram trezentos e oitenta e oito casos no ano passado. Isso realmente é muito grave. De acordo com a nossa Secretaria de Saúde, todos os anos são distribuídos seis milhões de preservativos no Estado do Espírito Santo, além de serem produzidas e veiculadas, pela mídia, várias campanhas educativas. Recebemos também nesta sessão uma caixinha com camisinha e orientação, exatamente para chamar a atenção da população. Hoje, dezoito medicamentos são antirretrovirais, o famoso coquetel, oferecidos gratuitamente pelo Estado, além de outros remédios de alto custo. Lembramos-lhes também que fizemos um movimento grande nesta Casa de Leis com o Senhor Rafael Carpanedo, diretor-geral dos Correios, sobre um programa que os Correios têm denominado Remédio em Casa. Por incrível que pareça, até poucos meses o único município que possuía esse programa... Na verdade, é a prefeitura que tem de providenciar o convênio com os municípios e os Correios, do programa Remédio em Casa. Muitas vezes, a pessoa não quer receber o remédio no balcão porque fica exposto, visto ser muito grande o preconceito. Além disso, as pessoas que estão acamadas e não podem ir até lá, os Correios entregam em casa e a prefeitura paga. Isso é de uma importância vital. Existem outros tipos de doença como, por exemplo, a hanseníase. O Hospital Pedro Fontes trata hanseníase. Gostamos muito daquele hospital, onde trabalhamos por dez anos e vamos muito. As pessoas portadoras da doença têm medo de falar da lepra e de buscar o remédio. Então, o programa Remédio em Casa é muito importante. E os senhores devem cobrar dos prefeitos esse convênio com os Correios. Certo dia fui fazer uma palestra e observei que só o Município de Mucurici possuía o programa, por incrível que pareça. Um município pequeno, longe, deu esse exemplo. 3 Esse fato, certamente, contribuiu para que a taxa de mortalidade por HIV caísse de forma considerável. Em 2002, tínhamos 3,5 mortos por cem mil habitantes; hoje, temos 2,2 dois mortos para cada cem mil habitantes. Como Presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, tento contribuir atuando de forma a promover ações que reforcem a prevenção e ajude a melhorar a qualidade de vida dos pacientes portadores do vírus. Apresentei ainda no ano passado, o projeto de Lei n.° 209/2012, que previa isenção de pagamento de passagem em transportes coletivos para portadores do HIV/Aids. Infelizmente, o projeto foi considerado, pela Assembleia Legislativa inconstitucional. Mas, no ano que vem irei reapresentá-lo, irei lutar até conseguir. Em 2013 apresentei o projeto de Indicação n.° 04, solicitando ao Governo do Estado que isente de pagamento de passagem os portadores de doenças crônicas como a Aids e o câncer. Ainda aguardamos resposta do Governo sobre essa demanda. Infelizmente a Constituição Federal proíbe que deputado estadual apresente qualquer projeto de lei que represente aumento de despesa ao Executivo. Estamos limitados, algumas leis que apresentamos nesta Casa morrem aqui mesmo porque não é da nossa iniciativa, é iniciativa do Executivo. Mas continuaremos apresentando. Que votem contra, que arguam a inconstitucionalidade! Mas temos que mostrar o desejo do que os senhores precisam. Somos obrigados a conviver com uma lei burra que favorece a burocracia e prejudica a saúde. Esse é o tipo de lei burra. Na semana internacional de luta contra a Aids é necessário atentar-se para a valorização do ser humano, demonstrar ao próximo que o preconceito contra a doença ao portador do vírus não deve jamais ocorrer. Lembro aqui: a dor maior não é a dor da doença, como disse no Hospital Doutor Pedro Fontes - hospital de hanseníase e lepra - é a dor do preconceito. Essa é a dor que temos que combater todos os dias. Como médico, acho que posso dizer aos senhores e senhoras que a pior doença que existe é a do preconceito. As pessoas que vivem com HIV/Aids podem até perder a vontade de se cuidar por conta do julgamento dos outros, inclusive de profissionais de saúde. Realmente é o preconceito que desanima muito as pessoas, mas não podemos desanimar, temos que lutar. Tendo em vista todas as questões sociais de saúde pública que envolve o assunto e levando em consideração a solicitação da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids, representada pelo Senhor Dario Sérgio Coelho e Senhora Simone de Almeida Gueri, além do Senhor Adauto Vieira, militante da causa de doação de órgãos em relação às hepatites virais, protocolizamos ontem o pedido da criação da Frente Parlamentar Hepatites Virais e HIV/Aids. (Palmas!) Solicito aos senhores que me ajudem. A frente será aprovada, protocolizamos nesta Casa. Mas essa frente tem que ser muito valente, temos que lutar muito, fazer até piquete se for preciso, e temos que ter uma atenção melhor para as pessoas que sofrem desse maldito preconceito. Pretendemos que esse espaço seja um fórum para ouvir a comunidade e os movimentos sociais. É preciso dar voz e representação a essas pessoas. Nosso objetivo é ouvir as necessidades e influenciar as políticas públicas do Estado e dos municípios sobre o tema. É muito importante trazer os municípios para esse debate. Por que os municípios? Porque nos municípios é que acontecem as coisas: Nascemos, vivemos, morremos nos municípios. Então, prefeitos, vereadores, Câmaras, não podem ficar distantes desse debate, têm que estar presente. Nosso foco será trabalhar na inclusão social, buscando oportunidade de estudo e trabalho, promovendo a melhoria na qualidade de vida das pessoas portadoras do vírus HIV. Finalizando, gostaria de manifestar claramente nosso compromisso de continuar lutando pela melhoria de saúde pública, visando oferecer o que há de melhor para o nosso povo. Nosso compromisso é continuar cobrar e fiscalizar o governo. Devemos ser parceiros naquilo que for de interesse do Estado e da população. Mas como parlamentar jamais deixarei de cobrar e criticar quando identificar algum problema. Aliás, hoje o Governador do Estado está aniversariando. Peço a todos que façam uma oração por S. Ex.ª, que tenha muita saúde para poder cuidar da nossa. É isso o que pedimos! O Governador fala de vez em quando e o Secretário de Saúde também: o Hércules é parceiro, mas cobra. Alguns exemplos: foi noticiado que nove crianças morreram em Guarapari, numa maternidade. Saí daqui e fui lá. Fui lá depois e levantei todos os prontuários. Dessas nove crianças, sete morreram nos úteros das mães, porque não tinham atenção primária boa, não tinham pré-natal bem feito. Dois morreram no hospital. Então, é o nosso trabalho. Estamos esperando a visita dos senhores e das senhoras na Comissão de Saúde que se reúnem todas as terças-feiras, às 9h, em nossa Assembleia Legislativa. E queremos também agendar depois com os senhores uma próxima reunião da Frente Parlamentar para começar esse movimento e discutir as necessidades dos senhores. Quero terminar dizendo aquilo que sempre falo. Quando caminho para a tribuna, os Deputados falam assim: ele vai falar sobre três assuntos. É com esses três assuntos que irei encerrar. O primeiro é saúde, o segundo é saúde e o terceiro é saúde. Muito obrigado. (Palmas) Vamos ouvir agora a Coordenadora do Programa de DST/Aids da Secretaria de Estado da Saúde, Senhora Sandra Fagundes, por gentileza. A SR.ª SANDRA FAGUNDES – (Sem revisão da oradora) – Serei realmente muito breve. Agradeço 4 muito o convite e a manifestação do Senhor Deputado de fazer esse evento, porque lutamos para que todo 1.º de Dezembro- não que não nos lembremos de tudo que acontece com a doença, os medicamentos- internacionalmente, se pense para que não percamos essa luta. Pelas últimas notícias e as últimas situações neste ano, parece que estamos sendo esquecidos, parece que estamos lutando, lutando e, de repente, as coisas não estão tão importantes como sempre soubemos e batalhamos para que a luta fosse melhor. Falando a respeito da doença, o Senhor Deputado Doutor Hércules já falou, falou dos números, preocupamo-nos muito, pois depois de tantos anos vermos de novo o aumento dos casos. Casos novos em pessoas jovens, entre quinze e vinte e quatro anos. Isso é uma verdade, nos últimos dois anos, temos visto que só aumentam os casos novos, mais nessa população e, principalmente, entre homens que fazem sexo com homem, que foi realmente o início da epidemia. Tão importante, batalhamos tanto para ver retornar toda aquela situação. Então, vamos lutar nesse ano de 2014 para que façamos mais prevenção, falemos mais, informemos mais sobre a doença, para que as pessoas façam a prevenção e não se infectem. E lutar junto realmente com a RNP, junto com as ONGs, junto com o Deputado para que tenhamos melhoria na qualidade da assistência, pois temos visto também que tem tido problemas. Realmente, identificamos problemas em alguns municípios, em algumas situações do Estado do Espírito Santo, que queremos lutar para que melhore. Parece que as coisas este ano deram a impressão de que não fomos tão vitoriosos como sempre quisemos ser. Então, solicito que vocês ajudem, que sejam parceiros, batalhem conosco, a RNP principalmente, o fórum LGBT, o fórum de Aids, todas as situações de entidades e de pessoas vivendo com HIV/Aids, para que consigamos de novo dar a grande importância na luta contra a Aids, que é a grande situação, a grande proposta que temos. Além disso, queremos mais é que tenhamos melhoria na qualidade dos serviços de atendimento. É o que queremos e desejamos para o ano de 2014. Esperamos a colaboração dos senhores para identificar os problemas e trazê-los para nós. A Secretaria de Estado está à disposição para trabalhar junto. Agradeço ao Senhor Deputado Doutor Hércules. Estaremos juntos também trabalhando. Muito obrigado pelo espaço. (Muito bem!) O SR. PRESIDENTE – (DOUTOR HÉRCULES) – Muito obrigado, Senhora Sandra Fagundes. Concedo a palavra à Senhora Janete Alvim, escritora. A SR.ª JANETTE ALVIM – (Sem revisão da oradora) - Agradeço ao Senhor Deputado Doutor Hércules porque S. Ex.ª tem sido o nosso ajudador, em especial a mim, como pessoa física. Enquanto escritora estive nesta Casa há alguns dias e S. Ex.ª permitiu-me expressar a minha necessidade em relação ao conhecimento do livro. Já enviou um ofício para o Secretário de Educação solicitando a compra de um lote do livro para as pessoas que não podem comprá-lo possam ler a minha história. Abordaremos hoje os temas drogas e, às vezes, em consequência das drogas, doenças sexualmente transmissíveis, no caso específico estamos falando da Aids. Também sou coinfectada pela Hepatite C, ou seja, de todas as formas estou dentro deste contexto. Então, fico me perguntando: Se estou tão envolvida neste contexto, o que fazer além de não me expressar? Como posso me calar? Resolvi colocar em um livro a minha história, para que eu pudesse alertar outras pessoas a não cometerem os mesmos erros que cometi, porque na verdade caí nas armadilhas que eu própria criei para mim. Mas, na época de 90 não tinha prevenção de Aids. Hoje, graças a Deus, tenho uma qualidade de vida boa, porque dentro desses três elementos conheci um quarto elemento que mudou a minha história: a Palavra de Deus. Então, ficou mais importante ainda eu demonstrar a minha experiência neste livro. Agradeço a todos que estão presentes nesta sessão. A Frente Parlamentar da Aids é um sonho de todos nós e acredito, piamente, que isso fará a diferença. Quando a Senhora Sandra Fagundes falou que o ano de 2013 deixou a desejar em relação à prevenção, senti isso na pele porque pra mim foi muito pouco o que se fez. Às vezes, queremos nos posicionar mais, mas parece que tem uma força que puxa para trás. Que possamos nos despertar realmente para o ano de 2014. Agradeço a oportunidade de falar nesta sessão. Muito Obrigada. (Muito bem!) O SR. PRESIDENTE – (DOUTOR HÉRCULES) – Senhora Janette Alvim, diga o título do seu livro para as pessoas que não o sabem. A SR.ª JANETTE ALVIM – O título do livro é: Pássaros Ainda Cantam em Minha Janela. Ainda presentearei V. Ex.ª com um exemplar. Estou devendo isso a V. Ex.ª; só trouxe o portfólio. O SR. PRESIDENTE – (DOUTOR HÉRCULES) – Faço questão de comprar. A SR.ª JANETTE ALVIM – Melhor ainda! Esse título veio quando eu estava no meio do tratamento do 5 Interferon Peguilado, a Ribavirina, junto com o coquetel. Nossa mãe! É bombástico! Estava morta na cama! A grama do quintal cresceu, os pelos das minhas pernas cresceram, a minha geladeira ficou vazia, emagreci, queria morrer e descobri que tinham passarinhos cantando, preparando um ninho na janela da minha casa, ao lado de um pé de ameixa. Abri a janela de manhã... Moro sozinha e procuro não levar os meus problemas para a minha família, porque acredito que a família sofre muito. Então, quando me ligam e perguntam como estou, digo que está tudo bem. Morrendo de vomitar, vomitando até as tripas porque o Interferon Peguilado junto com a Ribavirina e o coquetel... É complicado. Então, de manhã, muito debilitada - após pensar: Poxa! Poderia ter feito tudo diferente na vida. Por que fiz assim?- descobri esse ninho de passarinho na minha janela e falei: Esse será o título do meu livro: Pássaros Ainda Cantam em Minha Janela. O livro foi editado na Itália e com ele ganhei um prêmio internacional, concorrendo com vários países da Europa: o Prêmio Garcia Golden Book – edição 2013. (Palmas) O SR. PRESIDENTE – (DOUTOR HÉRCULES) – Senhora Janette Alvim Soares, fale para as pessoas e para a televisão onde encontrar o seu livro. A SR.ª JANETTE ALVIM– O livro pode ser adquirido diretamente pelo site da editora, www.gargiaedizione.com.br, ou diretamente comigo, pelo e-mail [email protected]. Costumo postar livros para todo Brasil porque, às vezes, a pessoa prefere comprar diretamente comigo porque tem a chiqueza do meu autógrafo e da minha dedicatória. (Palmas) O SR. PRESIDENTE – (DOUTOR HÉRCULES) – É um exemplo de vida. O prêmio que V. S.ª ganhou é importante e fabuloso. Gostaria que V. S.ª repetisse seu e-mail, devagar, para as pessoas poderem gravar direitinho. A SR.ª JANETTE ALVIM – Estou doida para passar este microfone à frente. Quero dizer também que sou palestrante sobre prevenção ao uso de drogas, Aids e experiência de vida positiva. Meu e-mail é [email protected]. Também há uma página no facebook com o mesmo nome do livro. É o único livro da editora italiana que tem uma página no facebook, criada especialmente pelo meu editor, Senhor Ismael Garcia. Outra coisa, já que estou com o poder da palavra: meu livro virará filme, Senhor Deputado Doutor Hércules. Está no contrato da editora. Se Deus quiser e permitir. (Palmas) O SR. PRESIDENTE – (DOUTOR HÉRCULES) – Parabéns. Os Senhores estão vendo o que é uma pessoa determinada e que se dedicou a ajudar os outros. Concedo a palavra à Senhora Deborah Sabará, do Fórum Estadual LGBT. A SR.ª DEBORAH SABARÁ – (Sem revisão da oradora) – Agradeço ao Senhor Deputado Doutor Hércules a demarcação deste trabalho com o combate à Aids. V. Ex.ª demarca também seu trabalho com a população LGBT. Fiquei muito feliz quando estava no manifesto LGBT no Município de Vila Velha e V. Ex.ª estava no trio elétrico acompanhando a manifestação da população LGBT naquele município. Sinto-me muito feliz em saber que em todos os manifestos que tivemos na Grande Vitória e no Estado V. Ex.ª esteve presente; foi o único deputado presente em todos. Isso nos deixa muito feliz. O SR. PRESIDENTE – (DOUTOR HÉRCULES) – Senhora Deborah Sabará, eu estava no palanque, lá em cima. A SR.ª DEBORAH SABARÁ – Exatamente. Deixa-me muito feliz V. Ex.ª estar sempre preocupado com a temática LGBT. Quando preocupado com a temática LGBT, na palavra transversão está nossa população com Aids, bem à tona. Saúdo a Senhora Sandra Fagundes. Estamos sempre perturbando S. S.ª pelos trabalhos. Este ano, a Coordenação Estadual de DST/Aids fez um trabalho legal conosco e tem nos chamado muito para participar e ensinar. Cutucam-nos dizendo: Venham. Nós cutucamos de cá e S. S.ª cutuca de lá. Assim, fazemos um trabalho legal. Saúdo o pessoal do meu Município de Serra, Senhora Marta Colle Alves, pois fizemos um trabalho muito legal no local. Saúdo a Acard, entidade que presta trabalho há anos. Enquanto estamos falando neste dia, S. S. as falam durante o ano todo sobre prevenção de DST e Aids e combate às drogas. Estão nas ruas entregando material e folders sobre este cuidado. A todos os senhores, agentes da Acard, hoje é um dia para comemorarem porque V. S. as são prestadores de 6 serviço durante o ano todo. Não poderia deixar de falar que ontem foi o Dia do Samba, que hoje é o Dia Internacional da Pessoa com Necessidades Especiais e de quanto ainda faltam políticas para essas pessoas. Hoje, encontrei com minha amiga Érica, cadeirante do Município de Serra. Estávamos num evento e ela sentiu vontade de fazer as necessidades fisiológicas. Como ali não tinha espaço para isso, prevaleceu-se de um galpão para as suas necessidades. Os locais não estão preparados. No centro da cidade, carreguei-a com sacrifício. Precisamos de leis para as pessoas de necessidades especiais. A nossa população, Senhor Doutor Hércules, está se contaminando com Aids por causa daquela palavra dita por V. Ex.ª: preconceito por parte da família de conversar com a criança. Por experiência própria, tenho um filho de treze anos de idade e tenho dificuldade da falar com ele. Quantas mães, como no meu caso, têm dificuldade de falar com seus filhos sobre Aids dentro de casa. São poucas escolas, como a do meu filho, que passam trabalho sobre Aids. Poucas escolas que fazem isso porque vai precisar de o gestor, do diretor não ter preconceito. Tem de haver sensibilidade para trabalhar sobre esse tema porque se a escola tem a carga de preconceito na escola, direção não faz e nem deixa fazer o trabalho. Às vezes queremos trabalhar dentro da escola onde está o adolescente, onde está a parcela de pessoas que estão se contaminando e não conseguimos porque a religião do gestor proíbe. Eles não aceitam que trabalhemos com essa temática dentro da escola. Nossa população está lá; nossos adolescentes estão lá; a população LGLBT, a população heterossexual precisando de informação na escola, na saúde, na comunidade. Precisamos pensar de que forma trabalhar com as populações sobre a questão Aids. Queria deixar uma saudação ao Senhor Efraim Lisboa, companheiro militante, que está vindo da Amazônia para o nosso Estado. Seja bem-vindo ao Espírito Santo. Peço imensamente desculpas por ter de me retirar da Mesa. Hoje, é o lançamento do CD das escolas de samba do carnaval de Vitória na comunidade do meu morro. Tem a ver comigo porque sou porta-bandeira. Digo a todos os Senhores da importância de trabalharmos com esse tema e paralelamente com o município e com o Estado. A minha preocupação, Doutora Sandra Fagundes, é de não ter saído matéria em nenhum jornal de grande circulação no Estado sobre a questão da Aids, só vi uma nota pequena em que o Ministro Alexandre Padilha fala que a situação está razoável. Mas essa não é a verdade que encontramos na rua. Preocupou-me aquela fala do ministro. Como estava para participar de um manifesto do LGBT nesse final de semana, dei uma olhada, domingo, pela manhã, no jornal A Gazeta, no qual está publicada essa pequena nota. Isso me preocupou. (Muito bem!) (Palmas) O SR. PRESIDENTE - (DOUTOR HÉRCULES) – Meus parabéns. Estou morrendo de inveja de você que vai sambar agora. Mas no carnaval, estaremos na avenida. Concedo a palavra ao Senhor Toninho Lopes, Coordenador da Rede de Educação para a diversidade da Ufes. O SR. TONINHO LOPES – (Sem revisão do orador) – Boa noite a todos! Primeiro, quero me justificar que estou participando desta sessão especial para, mais uma vez, prestigiar este evento importante nesta Casa de Leis. Gostaria de estar prestigiando na plenária, mas o Senhor Doutor Hércules me solicitou compor a Mesa. Atendi prontamente pelo nosso engajamento na luta dos direitos humanos na Universidade Federal do Estado do Espírito Santo. Gostaria de lembrar que o dia 01 de dezembro é o Dia Mundial de Combate à Aids. Estamos, também, na Semana Estadual dos Direitos Humanos, temos, o que classifico, como uma virada de página na nossa história. S isso falarei posteriormente. Gostaria de agradecer e parabenizar o Senhor Deputado Doutor Hércules pela realização desta sessão, por tocar num tema de fundamental importância, na maioria das vezes esquecido, como já bem colocou a companheira Deborah Sabará e, sobretudo, negligenciado ainda mais nos espaços de educação. Lamento a ausência dos outros vinte e nove deputados. Deveriam estar presentes nesta sessão, mas infelizmente quem acompanha sabe bem que é assim. O bom é que o Senhor Deputado Doutor Hércules não desanima, não se influencia, e estamos aqui. Agradeço também aos demais membros da Mesa. Em especial, destaco a Doutora Sandra Fagundes, que tem uma equipe que poderia ser maior. Sempre falamos e reconhecemos isso, mas temos uma equipe valorosa, que se esforça para atender bastante. Sei porque acompanhei, representando a Universidade Federal do Espírito Santo, o Comitê de Avaliação de Projetos. O Estado tem, por meio do PAM, volume bastante considerável de recursos, que por muito tempo ficou represado. De uns anos para cá, houve uma tentativa, um esforço. Foi simplificado inclusive, Doutora Sandra Fagundes, o mecanismo do edital de seleção pública, para que as ONGs também possam trabalhar nesse projeto de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e HIV/Aids. Ainda temos muito a melhorar, já que a questão é muito complexa, a burocracia do Estado nos impõe dificuldades. Espero que seja anunciado em breve um próximo edital, porque há volume de recursos ainda considerável na conta do Estado, e sei que a equipe da Doutora Sandra Fagundes, a Coordenação Estadual de DST/Aids, se esforçará para que esses recursos cheguem à ponta e evitem os números que V. Ex.ª apresentou na 7 abertura desta sessão. Destaco aquilo que chamei de virada de página da nossa história. Sempre falarei isso enquanto os números, que nos envergonham, o expressarem: o Espírito Santo é um Estado que viola os direitos humanos em várias áreas. Não podemos, Senhor Deputado Doutor Hércules, ocultar essa realidade. Estamos em um momento em que o Governo do Estado, após um procedimento de consulta pública que se arrasta há algum tempo, finalmente apresentou ontem, em solenidade no Palácio Anchieta, o Plano Estadual de Educação em Direitos Humanos e o Programa Estadual de Direitos Humanos. São um programa e um plano elaborados pela população capixaba. Ainda não está, Senhor Deputado Doutor Hércules, na versão que a sociedade civil gostaria. Mas temos peças e conteúdos importantes para todos que nos acompanham nesta sessão. Há um objetivo, o 3.1.4, que trata da ampliação do acesso universal a sistema de saúde de qualidade, que possui vários itens. O programa é bastante extenso. Certamente, é o programa mais bem elaborado em todo o Brasil, de forma inédita. Destaco, já que estamos em sessão alusiva ao Dia Internacional de Combate à Aids, que temos, pelo menos, o item 3.1.4.23: Realizar campanhas de diagnóstico precoce e tratamento adequado para as pessoas que vivem com HIV/Aids, para evitar o estágio grave da doença e prevenir sua expansão e disseminação. E o item seguinte: Proporcionar às pessoas que vivem com HIV/Aids programas de atenção integral à saúde, com ênfase na saúde sexual e reprodutiva. Por que chamo a atenção para isso? Porque para muita gente, para o senso comum, defender os direitos humanos é defender bandidos. Não, nós que somos militantes nas causas relacionadas aos direitos humanos, seja LGBT, pessoas com deficiência, questões de gênero, atuamos para a qualidade e o bem-estar de todos e todas, e isso inclui cada um e cada uma de vocês que participam desta sessão, e também corajosos como os companheiros militantes nessa causa da HIV/Aids, que têm a hombridade e coragem de se exporem publicamente. Não é fácil vir à frente da sociedade e dizer: Eu sou soropositivo. Isso porque carregamos ainda, especialmente os nossos companheiros gays, a questão da peste gay, assim foi considerada a contaminação do HIV/Aids em seu início. Essas pessoas, homens e mulheres, que se expõem, como a senhora Janette Alvim Soares, que escreveu um livro e não tem medo de se expor, são verdadeiros guerreiros. Sair do armário do LGBT é um desafio; sair do HIV/Aids é um desafio maior ainda, porque a sociedade Doutor Hércules, discrimina e tem muito preconceito com relação a isso. Fico feliz em saber que neste Estado temos uma universidade privada participante, pois comumente vemos as públicas, que têm obrigação. Saber que faz parte desta Mesa uma universidade privada, me anima bastante. Sabemos das dificuldades em desenvolver projetos de extensão; sou extensionista também. A Universidade Federal do Estado do Espírito Santo tem esse compromisso. Temos guerreiros e guerreiras na Ufes que também que se solidarizam e se colocam nessa luta. Como exemplo cito o nome da professora Maria Amélia Portugal, do Departamento de Psicologia, pessoa engajadíssima nessa luta; em nome dela faço deferência a todos da Universidade Federal que se encontram nessa luta dos Direitos Humanos, seja ela qual for, e com mais especificidade na luta do HIV/Aids. Portanto, temos muito a fazer. Finalizando, chamo a atenção dos que nos acompanham nesta sessão, nesta Casa de Leis, também daqueles que nos acompanham em Casa: o HIV/Aids não olha e não escolhe a quem contaminar. O HIV/Aids não é uma doença que tem um público preferencial. Não somos somente nós LGBTs - lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais – o público para o HIV/Aids. Chamo a atenção de todos, pois temos de debater esse assunto. Infelizmente, o preconceito e a omissão em se debater esse assunto perpassa pelo não respeito à laicidade do Estado. A falta, a ausência de educação sexual em todos os níveis faz com que a contaminação entre meninos e meninas, jovens gays, jovens lésbicas, mulheres, jovens, idosos, aumente. Portanto, precisamos enfrentar essa realidade por meio da educação; educação essa que não coloque o fundamentalismo religioso a sua frente. Temos de fazer esse debate. Por isso, queria registrar a presença da Companheira Ana Regina Bourguignon Pinto, que faz um trabalho junto à religião, árduo e espinhoso, de debate sobre a diversidade religiosa sobre todos os aspectos, inclusive da diversidade sexual. Mais uma vez, parabenizo o Senhor Deputado Doutor Hércules. Que estejamos todos, inclusive vocês que estão em casa nos acompanhando, engajados nessa luta que está esquecida. E o reflexo disso foram os números apresentados por S. Ex.ª. (Muito bem!) 8 O SR. PRESIDENTE (DOUTOR HÉRCULES) - O Senhor Toninho Lopes não queria se assentar à Mesa. Imaginem o que perderíamos se S. S.ª não viesse. Senhor Toninho Lopes, convidei-o a fazer parte da Mesa também, dada a sua luta e experiência, e também por ter participado com o Senhor Deputado Federal João Luiz, na USP, daquele seminário muito importante. Um deputado altamente inteligente, um dos melhores deputado federal que conheci. O SR. TONINHO LOPES – Senhor Deputado Doutor Hércules, permita-me fazer um registro. Não sei se todos que acompanham a militância do Senhor Deputado doutor Hércules sabem bem que S. Ex.ª é médico. Mas, fiz questão de destacar a questão dos direitos humanos, porque o Senhor Deputado Doutor Hércules tem registro na OAB, é advogado, e tem dado contribuição significativa na Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil. Portanto, tem conhecimento de causa e pode contribuir muito nesta interface: Saúde, Justiça e Direitos Humanos. O SR. PRESIDENTE (DOUTOR HÉRCULES) - Senhor Toninho Lopes, muito obrigado. O Senhor Rafael Nunes Correa está me lembrando para falar sobre o Pavivis - Programa de Assistência às Vítimas de Violência Sexual. Também lutamos muito com relação ao Pavivis, que estava fechando. Aliás, havia fechado. Conseguimos fazer a reabertura, conseguimos reunir os secretários de Saúde, de Segurança e de Ação Social com a PGE, com o Governador do Estado, com o Ministério Público. Conseguimos fazer com que aqueles serviços funcionassem. Lembro também a questão do deficiente, que é uma questão muito difícil, Senhor Toninho Lopes. Fiz nesta Casa uma sessão especial para debater a unificação do passe-livre e trouxemos a esta Casa o Senhor Carlos Ajur Cardoso Costa, da Unicep do Município de Vila Velha, e outros cegos e também surdos. Foi uma coisa interessante. Apresentei um projeto de indicação à Mesa para contratar profissionais de linguagem de libras para transmitir as sessões da Assembleia para quem estivesse em casa. Infelizmente, ainda não fomos atendidos. Mas, estamos insistindo. Tinha um senhor assentado na última cadeira, na hora do Hino Nacional, que reclamava porque apareciam aquelas imagens bonitas, com cachoeiras muito bonitas, paisagens lindas que aparecem na hora do Hino Nacional, e ele de lá olhando... Aí pedimos a um rapaz e uma moça que estavam fazendo os sinais de libras para perguntar o que ele estava querendo dizer. Então, ele disse que não estava entendendo nada do que estava se passando. Mais uma vez, reforçamos a necessidade ao Presidente... E digo mais, não para me vangloriar: esses rapazes vieram porque contratei, paguei do meu bolso. Não foi a Assembleia quem pagou não. Também é uma necessidade que temos para que o deficiente auditivo possa acompanhar. Por que o Congresso, o Senado e a Câmara têm? É um profissional que não é tão caro, Cabo Elson. A Assembleia pode abrir um concurso e contratar, criar um cargo comissionado e colocar esses profissionais na Casa para que os deficientes auditivos saibam o que está acontecendo nesta sessão. Ouviremos agora a fala de outro companheiro. Após, deixaremos o microfone livre para quem quiser falar ou perguntar a alguém da Mesa. Ouviremos agora a palavra do Senhor Dario Sérgio Rosa Coelho, da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com o HIV/Aids. O Senhor Dario, assim como o Toninho Lopes, foi quem me inspirou a fazer esta sessão e também a criar essa frente parlamentar, que dará trabalho para o poder público. E conto com a ajuda dos senhores. O SR. DARIO SÉRGIO ROSA COELHO – (Sem revisão do orador) – Cumprimento todos presentes; a Doutora Sandra Fagundes; o Senhor Cabo Elson; a Senhora Maria Teresa Coimbra de Carvalho, nossa amiga da UVV, do Banco de Preservativo; o Senhor Luciano Salvador, do Município de Vila Velha, grande parceiro; a Senhora Janette Alvim, membro da RNP; o Senhor Toninho Lopes, parceiro da RNP; e o Senhor Deputado Doutor Hércules, que nos proporcionou esse momento nesta Casa. Gostaria de começar lamentando, porque convidamos todos os deputados desta Casa, com convite, infelizmente nenhum está presente. Lamento a ausência não apenas dos deputados, pois também convidamos o Ministério Público, a Associação Brasileira de Infectologia e, infelizmente, também não estão presentes. Precisamos nos unir - trabalhadores, Justiça, Legislativo - para sensibilizar o Executivo, que demonstra não estar sensibilizado a causa a partir do momento que diz que passe-livre para portadores de HIV/Aids é inconstitucional. Mas, o passe-livre está diretamente ligado ao tratamento, pois a Aids hoje mata pessoas que não têm recursos. Quem tem recursos não vai para ambulatório da Hucam, não vai para a Santa Casa. Quem tem recurso vai aos consultórios, à Unimed; seus empregados é que vão pegar a medicação porque ele não se expõe. E não são poucos, Senhor Deputado: são médicos, profissionais da área da Saúde, políticos; infectados com o vírus do HIV/Aids. Tenho coragem para estar nesta sessão dizendo que há dez anos vivo com o HIV/Aids. Depois do HIV, fiz 9 faculdade, me formei e hoje trabalho na Prefeitura Municipal de Anchieta, porque lutei para conseguir. E Aids não me venceu e nem vai me vencer. É muito preocupante essa questão da epidemia de Aids em nosso País, principalmente agora com o novo protocolo, porque também faço parte da Frente Parlamentar Mista do Congresso e Senado Federal, como representante das pessoas que vivem com HIV, do salto nos dados estatísticos será dado a partir de 2014. Até agora, só eram diagnosticados os casos a partir do início da terapia antirretroviral, ou seja, quando se começava a tomar a medicação. A partir do ano que vem, todos os casos serão notificados e a perspectiva é de que o Estado do Espírito Santo saia desses nove mil casos que V. Ex.ª disse, Senhor Deputado, e passe para quarenta mil novos casos de Aids em nosso Estado. E aí temos uma preocupação de estrutura: os nossos ambulatórios, Senhor Deputado, estão abandonados. A Aids perpassa a questão médica e abrange também a questão da saúde física e mental. A assistência social precisa estar envolvida e a Secretaria de Assistência Social, tanto dos municípios e até mesmo do Estado, se omite em participar dessa discussão sobre a Aids, ou seja, as pessoas que têm HIV/Aids podem ter vida normal. A mesma perspectiva de vida de qualquer um que não tenha Aids que está nesse espaço, desde que tenha atividade física, alimentação adequada, acesso ao tratamento - e isso inclui o passe-livre para as pessoas vivendo com HIV/Aids. Entristeceu-me muito quando tive a notícia de que foi considerado inconstitucional esse processo do passe-livre. Outra dificuldade que temos e que estamos pleiteando é uma resolução da era Paulo Hartung que é a Resolução 39, que proíbe concessão de passagem diária para que o movimento social participe das atividades nacionais, porque a RNP+, Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV, está organizada em municípios, estados e em âmbito nacional. Temos uma articulação até em países de língua portuguesa, latino-americana e mundial, onde trocamos experiências, temos conhecimentos de novas tecnologias de prevenção que perpassam também a questão do preservativo e que também não são divulgadas. O senhor falou da pílula do dia seguinte; temos hoje a PEP, profilaxia pós-exposição. Se uma pessoa teve relação sexual e o preservativo rompeu, que procure a unidade de saúde mais próxima, use a medicação durante um período e terá praticamente zerada a possibilidade de estar infectada com o vírus. Precisamos divulgar isso para frear a questão da transmissão, deixando claro: preservativo é importantíssimo. Não estou dizendo para ninguém deixar porque tem remédio para Aids, porque não é só a Aids que mata. A hepatite mata muito mais do que a Aids. Só que tem uma vantagem: não há o estigma, o preconceito que já senti na pele, até mesmo dos próprios familiares; até mesmo da categoria médica que, muitas vezes, nos atende com preconceito, mesmo para se fazer uma sutura, não querendo atender. Senhor Deputado, tomara que essa Frente Parlamentar se efetive para que possamos ter um diálogo mais próximo com o Estado, tanto a respeito do passe-livre, como à Resolução 39, em que basta mudar um artigo da lei para que consigamos. Não é passeio, gente. Quem vai a esses encontros sabe que são encontros que começam às oito da manhã - e já saí à uma hora da manhã, direto. Fazemos discussões, debates, conversamos e dialogamos com o Ministério da Saúde. Está preconizada na lei do Ministério da Saúde a questão do SUS, da participação social na elaboração das políticas de saúde. Então, assim como a Constituição Federal, esta lei está sendo rasgada. E lamento também essa questão do preconceito. Geralmente, senhoras e senhores, as pessoas que têm preconceito são aquelas que, na hora da relação sexual, abandonam o preservativo, têm relação sem fazer uso do preservativo; estão contaminadas e não sabem. Conheci uma pessoa da área da Saúde que passou por isso. Tinha preconceito e ficou muito mal no CTI onde trabalhava com Aids, doente de Aids. Precisamos trabalhar a questão do medo. A Aids mata quando não se faz a adesão ao tratamento. Tem adesão ao tratamento que nem transmitir Aids você irá transmitir. Isso é dado estatístico, científico, a Doutora Sandra Fagundes está aí. Mas não é por isso que vamos deixar de fazer uso do preservativo. No ano que vem, está para surgir um gel, uma medicação chamada Tenofovir, que é uma nova metodologia de prevenção à Aids. Tem essa questão agora da pessoa que, a partir do diagnóstico, vai entrar na terapia para que a carga viral não suba e se minimizem as chances de se infectar o outro, porque sabemos que há uma resistência em relação aos preservativos. E precisamos divulgar que existem outras possibilidades; até de uma pessoa soronegativa se casar com uma positiva e ter filhos sem que a criança nasça com Aids, sem contaminar o outro, com a tecnologia de reprodução assistida. Terá um acompanhamento médico, com medicação em ambos os parceiros para que o outro não se contamine; a criança não se contamine durante o pré-natal e o pós-parto. Portanto, são muitas as novidades que não são trabalhadas nesse sentido. Quero falar também sobre a Acard – Associação Capixaba de Redução de Danos, que tem um trabalho excepcional e trabalhará com os profissionais do sexo e com os usuários de drogas. A Acard é discriminada, porque este povo é invisível aos olhos da burguesia do nosso Estado. A Acard tem coragem. Fui estagiário da Acard. Já fiquei em meio de tiroteio no Morro do Romão, mas estávamos no morro falando como se transmite a Aids, como se deve fazer para reduzir os danos da droga em seu organismo. Mas as pessoas não entendem, porque precisamos respeitar o livre arbítrio do outro. Se a pessoa usa a droga vamos falar pra ela: Você quer usar? Se você quiser se tratar, está aqui o nosso endereço, podemos te ajudar. Mas se você não 10 quiser, faça o uso de forma que não contamine seu colega para que não gere um custo no Estado de cinco mil reais por mês por paciente de Aids ou Hepatite C. Creio que a Frente Parlamentar nos trará grandes vantagens em nível de Estado, principalmente se conseguirmos articular os Deputados que não estão nesta sessão. Fico empolgado! Lembro ainda que hoje não há grupo de risco, existem situações de risco. Se você teve pelo menos uma relação sexual sem preservativo, e acredito que todos que estão nesta sessão tiveram, faça o teste de Aids. É melhor tratar do que ficar doente como eu fiquei em um CTI, condenado à morte, com CD4 de 32, e carga viral de milhões. Portanto, se você se tratar antes, ninguém nem saberá que você tem HIV; você terá vida normal. Falo isso porque tenho vida normal. Trabalho, estudo, me aborreço, sorrio. Não posso deixar de falar nesta reunião da rede nacional. Temos uma reunião mensal todo o primeiro sábado do mês, temos um grupo, Senhor Deputado, de todo Estado que vem para essa reunião. Temos a parceria da Coordenação Estadual, que nos serve um coffee break, porque não temos recursos. Reunimo-nos para questão de ajuda mútua, de abraçar aqueles que chegam chorando e sai sorrindo; sai estudando, sai casando. É um trabalho de um grupo de mais de oitenta pessoas. Não temos este auditório lotado por causa de tudo o que foi falado nesta sessão em relação ao preconceito. Pessoas que achavam que se estivessem nesta sessão seriam vistos na televisão e falariam que ele tem Aids, porque tem medo de ser identificado, mesmo que de costas, porque sabem o que é o preconceito. Esse é o pior mal! O pior mal não é a Aids, o pior mal são os efeitos colaterais causados pelas medicações do HIV, que são muitas. O pior mal é o preconceito, é o estigma relacionado a nós, pessoas, vivendo com o HIV. E aí falo o seguinte: Se quiser me amar com HIV, bem. Se não quiser me amar com HIV, viva a sua vida feliz porque não faço questão de amizades ignorantes, hipócritas. Faço questão de amizades de pessoas que me amam, que me entendem e que me abraçam nas horas que preciso. Só quero agradecer a toda esta Casa, até aos Deputados que não estão presentes. Se puder gravar e mostrar as S. Ex.as. Falem de Aids em suas famílias, venham discutir sobre Aids conosco, porque tenho certeza de que poucos são os Deputados que não têm um caso de Aids, hoje, em sua família, porque ela está alastrada e nós precisamos frear essa epidemia. (Muito bem!) O SR. PRESIDENTE – (DOUTOR HÉRCULES) – Muito bem, Senhor Dario Sergio Rosa Coelho. Parabéns! Independente da presença dos Deputados, podemos fazer audiências públicas fora da Assembleia, na Ufes, na UVV. A UVV cederá o auditório. Poderemos levar essa experiência para os estudantes. Será muito bom! A UVV já se prontificou. Antes de franquear a palavra, quero dizer também para a nossa escritora e futura artista, que virará artista de cinema também, que enviamos para a Secretaria Estadual de Saúde e de Educação, ao Conselho Estadual de Saúde e de Educação, e à Secretaria de Cultura, um ofício. Além de convidar V. S.ª, dependendo da agenda, para gravar um programa na TV Assembleia falando sobre a experiência e o livro. O ofício ao Secretário de Educação diz o seguinte, mas os outros têm o mesmo teor: Vitória - ES, 25 de novembro de 2013. OFÍCIO GBDH N.º 528 / 2013 Do: Gabinete do Deputado DOUTOR HÉRCULES Ao: Exmo. Sr. KLINGER MARCOS BARBOSA ALVES DD. Secretário de Estado da Educação – SEDU Prezado Secretário, Servimo-nos do presente para solicitar a V. Ex.ª, que essa Secretaria de Estado estude a possibilidade de adquirir o Livro “PÁSSAROS AINDA CANTAM EM MINHA JANELA”, de autoria de Janette Helena Alvim Soares. A história narra os segredos de uma ex-hippie e sua luta pela vida ao descobrir ser portadora do vírus HIV. 11 Trata-se de uma obra de grande valor social e interesse público, a qual poderá auxiliar aos jovens na Prevenção e na conscientização do malefício das drogas, como também contribuir com a formação e preparação dos professores e diretores da Rede Pública de Ensino a lidar com o tema da dependência química e importância da prevenção em relação às doenças sexualmente transmissíveis. O livro foi publicado pela Editora “GARCIA Edizioni”, que acreditou na essência do seu conteúdo e reconheceu a garra da Autora em transmitir suas experiências, independentemente de quaisquer obstáculos, o que lhe rendeu o título de Vencedora do Prêmio Literário Internacional “GARCIA GOLDEN BOOK – EDIÇÃO 2013”. Ante o exposto, como Presidente da Comissão de Saúde desta Casa de Leis, acreditamos que a medida sugerida irá fortalecer a prevenção ao uso de drogas no ambiente escolar e a educação sexual dos jovens. Na certeza do grandioso empenho por parte do ilustre Secretário, aguardando manifesto, subscrevemo-nos, Saúde, saúde e saúde. DOUTOR HÉRCULES Deputado Estadual - PMDB A palavra está franqueada a quem dela quiser fazer uso ou se dirigir a alguém da Mesa. O SR. DUDU OLIVEIRA – Boa-noite, Senhor Deputado Doutor Hércules, Presidente da Comissão de Saúde desta Casa de Leis; Senhor Dario Sergio Rosa Coelho, nosso grande patriarca da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids; Senhor Toninho Lopes; Senhora Janette Alvim Soares; e Senhor Luciano Salvador, do Município de Vila Velha, por quem tenho grande apreço no meu coração porque sou canela-verde de coração. Faço tratamento no Centro de Referência do Município de Vila Velha e parabenizo V. S.ª pelo trabalho que vem desempenhando naquela coordenação. Senhora Sandra Fagundes, minha grande amiga que tive oportunidade de conhecer; e Senhora Maria Tereza Coimbra de Carvalho, minha amiga, professora e enfermeira que luta pelas causas, principalmente no Banco de Preservativos do Município de Vila Velha. Gostei da fala de V. S.ª, que luta pela causa. Senhor Deputado Doutor Hércules, gostaria de fazer uma colocação: foi publicada uma matéria no jornal A Tribuna do Município de Vitória, segunda-feira, dia 2 de dezembro: Teste de Aids vai ser vendido em farmácias por oito reais. Este teste está sendo desenvolvido no Estado do Rio Grande do Sul e a tendência é que venha ao Estado do Espírito Santo. O jornal diz que o teste será feito por meio da saliva. A pessoa poderá ir à farmácia comprar o teste. Vivo com HIV. Quando me descobri uma pessoa infectada pelo vírus HIV, o primeiro contato foi o psicológico. Temos o centro de referência em que temos o psicólogo, o médico e o assistente social. O Senhor Fábio Mesquita, Diretor do Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais, colocou o seguinte: funciona como um teste de gravidez. O resultado sai em segundos. Então a pessoa faz o teste, se tiver infectada, o que acontecerá? O farmacêutico sabe gerir a questão do medicamento. Não só isso, Senhor Deputado, essa questão que o Senhor Ministro da Saúde vem colocando na questão da Aids, está principalmente nas políticas não só de Brasília como também do Estado do Espírito Santo, a política para a Aids está defasada. Gostaria de parabenizar V. Ex.ª pela brilhante ideia, já que o próximo ano será eleitoral e que a questão de se fazer uma Frente Parlamentar não seja eleitoreira. No próximo ano haverá eleições quando se elegem Presidente, Deputados Estaduais, Deputados Federais, Senadores, e ninguém está preocupado com a Aids. Gostaria de dizer que isso para mim passa de uma babaquice, porque se a pessoa fizer o teste na sua casa, simplesmente morrerá; se matará porque não há acompanhamento psicológico. Quando a pessoa se descobre infectada por HIV/Aids, sem acompanhamento, não faz o tratamento, não terá o tratamento e procurará outras soluções. Minha avó diz que mente vazia é oficina do diabo. 12 Como ativista gostaria de deixar nessa questão, Senhor Doutor Hércules, que a causa da Aids e as políticas defasadas deste Estado, principalmente do Senhor Governador do Estado do Espírito Santo Renato Casagrande vem esquecendo essa brilhante companheira, Doutora Sandra Fagundes, que vem realizando um trabalho, principalmente naquela condição. As coordenações de cada município realizam um trabalho com o PAM, repassado para os secretários, que não estão dando a mínima para a questão da Aids do Estado do Espírito Santo. Como ativista, uma pessoa que vive com o HIV/Aids, repudio qualquer origem que venha contra a minha pessoa vivendo com o HIV dos meus companheiros. Lembro-me da Associação Capixaba de Redução de Danos – Acard, que não foi falado e também do brilhante trabalho que vem realizando dentro do Município de Vitória, no Estado do Espírito Santo. Senhor Doutor Hércules, parabenizo V. Ex.ª mais uma vez e espero que, no próximo ano, por meio dessa Frente possamos defender cada dia mais e não perpetuar essa política defasada instalada neste Estado. No próximo ano, fica aberto para a população dar o troco. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE - (DOUTOR HÉRCULES) – Agradeço a sua manifestação, mas quero fazer uma justificativa: é o terceiro ano consecutivo que faço essa sessão. Depois que me aproximei dos Senhores Dario Sergio Rosa Coelho e Toninho Lopes, descobri a necessidade de se tratar dessa questão e da pouca política pública relacionada. Quero que o Senhor possa tirar totalmente de foco a questão política. A nossa política é de saúde. Se fosse com relação a isso, não teria feito essa terceira sessão. Concedo a palavra à Senhora Sandra Fagundes. A SR.ª SANDRA FAGUNDES – Senhor Presidente Doutor Hércules, não responderei. Na realidade, discutirei a questão desse teste comentado pelo Senhor Dudu Oliveira, um teste de saliva rápido e que tem sido testado há dois anos, e nos Estados Unidos é vendido em qualquer farmácia. Realmente está sendo colocado agora no Brasil e é uma questão de tecnologia. Gostaria de comentar que o nosso Secretário de Estado da Saúde, Doutor Tadeu Marino se importa sim; sempre trabalha conosco e dá todo o apoio que necessitamos. Toda a discussão na questão de toda a política de DST-Aids: fazemos um plano estadual, S. Ex.ª vai conosco ao Conselho Estadual de Saúde, debate, apoia, dá toda a atenção e utiliza os recursos, apesar da dificuldade burocrática. Realmente S. Ex.ª dá todo o apoio. Informamos isso porque realmente é importante. O SR. PRESIDENTE – (DOUTOR HÉRCULES) – Continua franqueada a palavra. O SR. EFRAIM LISBOA – Sou Efraim Lisboa, da RNP +. Sou um jovem que vive com HIV há quatro anos e farei uma reflexão. Não apontarei ninguém e não julgarei ninguém. Quando ouço falar de jovem, percebo que as pessoas falam muito do jovem como irresponsável, incoerente, que não tem capacidade de raciocínio lógico para se proteger. Acho esse um diálogo muito vago porque sou jovem e não me vejo tão incoerente e tão irresponsável ao ponto de me infectar por querer. Mas pergunto aos gestores, não só me referindo ao Espírito Santo – não conheço a realidade do Espírito Santo – mas à realidade nacional, pois isso ocorre em todo o Brasil, quais são as políticas de prevenção voltadas para a juventude e para as crianças? Quais são as ações de prevenção lançadas especificamente para discutir a temática jovem? Como lidar com isso? É uma pergunta para a qual nunca tenho resposta coerente, certa. Mas toda vez, seja na mídia, seja por um adulto, o jovem é tido como irresponsável. E como fico? Infectei-me porque quis? Provavelmente. Posso dizer que informação eu tinha e estava jogada. Mas será que eu não tive acesso? Acesso eu tive. Mas será que é necessariamente falta de informação? Somente a falta de informação? Para mim não é só a falta de informação e também não posso dizer que é falta de consciência ou irresponsabilidade de um jovem. Pergunto aos antigos, aos veteranos – perdão, não chamarei ninguém de antigo porque isso remete à palavra velho e para mim ninguém é velho, velho para mim é o mundo – às pessoas com mais de trinta anos: quem nunca transou sem preservativo? Era para isso que eu queria uma resposta. Queria que um adulto me falasse: Eu nunca transei sem preservativo. A quem tem filhos adolescentes, pergunto: você fala sobre sexo com seu filho? Você fala de DST para o seu filho? Também é uma pergunta para a qual não obtenho resposta. Quando falo para os médicos não aponto para ninguém. Senhor Deputado Doutor Hércules, não entenda como algo voltado a V. Ex.ª porque não é. Há muito tempo, quando descobri meu diagnóstico, um profissional de saúde virou um computador e disse-me: Tá vendo? Você não se cuidou e olha no que deu... Pergunto: será que estão com a verdade? Ou será que tudo que sei hoje foi por responsabilidade minha? Porque foi assim que surgiu. Eu tenho hoje esse discurso, esse raciocínio, essa forma de pensar como jovem 13 vivendo e representando outros jovens que vivem com HIV, por interesse meu, partiu de mim. Nenhum adulto chegou para mim e disse: Vá por aqui ou por ali. Simplesmente jogaram: você é irresponsável. Para alguns, na época de meu avô e de minha avó, a camisinha servia para evitar filho. Para a menina, a camisinha era só para evitar filho. Para o menino dizia-se: Não vá fazer filho fora de época porque terá que sustentar sozinho. Quanto ao fundamentalismo religioso, não todos, mas alguns diziam que usar o preservativo estava limitando a reprodução humana. Isso era contra na Bíblia. Há religiosos que ainda defendem que o uso da camisinha é errado. Quando criança, eu não tive essas explicações. Aliás, quando criança, até mesmo quando adolescente, eu era tido como assexuado. Eu nunca iria transar. Meus pais não pensavam que eu iria transar. Minha mãe ficou sabendo que eu fazia sexo, principalmente que eu fazia sexo com outro homem, quando eu já tinha vinte e quatro anos. Durante a minha adolescência não tive essa conversa. Pergunto: será que todos os pais têm essa conversa franca e aberta com seus filhos? Será que os gestores, que hoje estão no Poder e podem criar leis e normas para o município, para o estado e até mesmo para o País, pensam na juventude? Ou será que a juventude torna-se, simplesmente, um discurso vago para dizer que o jovem é o futuro do Brasil? O jovem não é o futuro do Brasil; o jovem pode vir a fazer parte do futuro do Brasil. Provavelmente, eu como um jovem vivendo com HIV, terei mais tempo para lutar pelos meus direitos. Mas não posso ter uma culpa que boa parte dela vem dos gestores e principalmente dos adultos. Essa culpa não é só minha. Ao voltar a falar sobre a questão do Ministério da Saúde, vejo que – não vou culpar o ministério dizendo que ele não faz nada, fazer ele faz - se estagnou no sentido de dizer que, hoje, o HIV é uma doença controlável e o paciente tem qualidade de vida, acesso à medicação e a tratamento gratuito. Isso é verdade. Mas na minha qualidade de vida enquanto pessoa vivendo com HIV/Aids ele pensa? As mulheres que tomam antirretroviral – o antirretroviral, para quem não sabe, foi feito pensando no homem quando tinha um grupo de risco denominado gays. O antirretroviral foi criado para o corpo masculino e para as mulheres? Como é a reação do antirretroviral no corpo dessas mulheres? Ainda sou jovem, tenho uma disponibilidade maior para exercício físico; e aquelas que não têm? Aqueles que estão há treze, quinze anos tomando medicação, pensaram nisso? Não pensam nisso ou não sabem disso? Ou provavelmente não querem olhar para isso? Porque, sinceramente, o que vejo em meu discurso com a minha percepção de mundo é que se busca solução para resposta das ações próprias de cada indivíduo. Mas não se procura solução para o problema de quem vive nesta situação. Eu sou um. Os dados - não só os que o Senhor Deputado Doutor Hércules citou e o Ministério da Saúde lançou há mais ou menos uma semana atrás - são estatísticos até 2012. Estamos em 2013 indo para 2014. Fiquei fora do quantitativo e do conotativo? Não faço parte disso ou faço? Porque é tão fácil dizer que hoje dá para se viver tranquilamente com HIV? Porque tem acesso à medicação? O preconceito, o estigma, o acesso ao trabalho, será que tem esse espaço tão facilmente a quem não tem HIV? Fui demitido. O Ministério vê isso? Os gestores veem isso? Hoje, principalmente no Estado do Espírito Santo, já ouvi alguns relatos de que se as pessoas, pelo menos desconfiarem, ou seja, se os gerentes, os empresários desconfiarem que o seu servidor foi ao médico fazer consulta sobre HIV, ele será demitido. O que se pensa a respeito disso? Quais as ações que se pensa para isso? Não tem? Ou são coisas que não existem? Desculpem a ironia. Será que é coisa que não existe? Estou nesta sessão especial e confesso que somos muitos; não sou só eu, não é só quem dá a cara à tapa e diz: eu vivo com HIV e ponto. Existem milhares que não têm coragem de se expor por conta do medo e do preconceito da sociedade. Recentemente estava escrevendo um texto que diz: meu preconceito, o culpado. Por que isso? Porque reconheço que embora seja jovem, mesmo tendo informação e sabendo que o HIV já havia chegado à minha vida indiretamente no ano de 1980 ao surgirem os primeiros casos no Brasil, mas não me importava. Sabe por quê? Porque aquilo era problema dos outros, não era meu. Para mim a melhor solução, a mais óbvia e mais sábia era se alguém me falasse que o meu amigo estava com HIV, a melhor decisão seria qual? Seria afastar-me, pois seguia o ditado que diz: diga-me com quem andas e te direi quem és. Ou seja, era o meu preconceito. A sociedade não olha para isso, os gestores não olham para isso. Está faltando sim ação; estão faltando, sim, políticas mais voltadas para os direitos das pessoas que vivem HIV/Aids? Não! As pessoas que vivem com HIV/Aids têm direitos, mas está faltando controle, falta fazer a efetivação, visto que elas já existem. Mas o que falta é voltar os olhos para essas pessoas que vivem com HIV e que sofrem com a discriminação todo dia, na rua, no trabalho, na escola. Lembrar que também têm crianças que nascem com HIV. Essas crianças tempos atrás eram tidas como sem vida, tinham tempo de vida. Hoje, essas crianças completaram dezesseis, dezoito, vinte e cinco anos. O que será tomado? Qual será o destino delas? Mesmo cursando faculdade, tendo acesso que toda criança, todo jovem normal tem acesso à escola, qual será o futuro delas? Quem me garante que o preconceito não vai lá e dará um chute na bunda dela? Quem me garante? Ninguém. Discute-se muito sobre a política de HIV/Aids, mas não se discute o cuidado, o bem estar da pessoa que vive com HIV/Aids porque se acreditou que pelo fato de ser uma doença controlável, que não tem cura mas tem tratamento, basta. Mas não basta! Era essa a minha indignação enquanto jovem e agora como homem, como gay, que vive com HIV/Aids. Hoje, embora esteja nesta sessão assumindo claramente a minha orientação sexual e a minha condição 14 sorológica, talvez seja fácil. Mas tem muita gente morrendo por medo, por discriminação, por desrespeito, por violação. Pergunto. O que se faz? O que se está fazendo? O que estão pensando a respeito disso? Infelizmente nada! É isso o que sinto. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE – (DOUTOR HÉRCULES) – Há mais alguém que queira fazer uso da palavra? A SR.ª ANA REGINA BOURGUIGNON PINTO – Cumprimento todos e todas. Meu nome é Ana Regina, sou criadora do grupo diversidade religiosa no facebook. Esse grupo foi criado há menos de dois meses e já contamos com quase seiscentas pessoas adicionadas. Esse grupo vem debater justamente o que mais foi dito nesta Casa hoje: preconceito. Diversidade religiosa e diversidade sexual dizem que não combinam, não é? E, talvez hoje a religião seja o maior entrave das políticas para a diversidade sexual em nosso País. Como foi dito é na religião que se proíbe usar a camisinha, na religião é que se proíbe falar sobre o assunto, sexo. Criamos esse grupo pensando justamente nessas pessoas. Esse grupo tem hoje padres, pastores, deputados, vereadores, advogados da OAB, todos contribuindo de alguma forma para que alguma pessoa que tenha alguma dúvida tenha alguma necessidade vá ali e busque o conhecimento, busque a reflexão e o entendimento. Temos o Senhor João Geraldo Neto que é o grande incentivador do nosso grupo, faz campanha para o Governo Federal contra o HIV/Aids, é soropositivo, faz uma bonita campanha e nos incentiva, nos ajuda nos mostrando o que está sendo feito no âmbito nacional; temos o Senhor Toninho Lopes que nos ajuda no fórum LGBT e temos a Senhora Deborah Sabará. Estamos no facebook e convido a todos para participarem e buscarem, não buscar ajuda lá, mas nos ajudar a ajudar a alguém. Segundo o nosso mentor desse grupo, um padre da PUC do Rio de Janeiro, as palavras salvam vidas. E, muitas vezes um conhecimento, uma ajuda de alguém, falar para seu filho, ensinar na escola, mostrar nas igrejas, salva vidas. Pode vir a salvar vidas o conhecimento, o não preconceito. Se o preconceito fosse debatido na igreja, na escola, se o preconceito fosse debatido aqui, nesta Casa, em qualquer local que fossemos talvez hoje essas pessoas não vivessem com tanta amargura no coração para falar que é soropositivo, com tanto medo de vir aqui falar que é soropositivo ou que é gay, lésbica ou travesti. Sou homossexual, tenho cinquenta anos, tenho uma filha, com quem falo abertamente sobre qualquer assunto. Sou casada, fui a primeira mulher a se casar aqui no Estado do Espírito Santo, depois que o Tribunal de Justiça autorizou. Sou policial militar, venho de uma instituição preconceituosa e conservadora. Então, sinto-me no dever de ajudar, colaborar, e está lá no Facebook, aguardando por vocês, pedindo ajuda mesmo, socorro para que possamos ajudar alguém. Muito obrigada, Senhor Deputado Doutor Hércules. O SR. PRESIDENTE – (DOUTOR HÉRCULES) – O Senhor Toninho Lopes falará depois, mas não podia perder a oportunidade de falar em cima do seu pronunciamento. Toda primeira segunda-feira de cada mês, os políticos católicos têm uma missa na Ponta Formosa com o Arcebispo Dom Luiz. Na verdade, tivemos uma discussão depois da missa de ontem sobre a programação que deveremos fazer para o ano que vem, porque, em janeiro, não haverá missa. E o assunto que coloquei era que a igreja tem que discutir, não podemos ficar mentindo para todos, sobre a homofobia, o aborto e o casamento homoafetivo. Coloquei para Dom Luiz ontem de manhã e faremos um debate sobre esse tema, porque não é possível convivermos, mentindo para todo mundo. E, na verdade, sou católico, a minha igreja participa de um fato que aprendemos no primeiro ano de medicina: Andreas Vesalius é o pai da anatomia. Esse médico tinha que roubar cadáveres à noite no necrotério para poder estudar anatomia, porque era proibido pela igreja dissecar cadáveres. E a ciência foi muito atrasada por este fato; então são coisas que temos que discutir. Foi muito oportuna a sua fala, porque, ontem, também falava sobre essa questão da igreja católica em discutir sobre esse assunto. O Senhor Toninho Lopes quer falar? O SR. DARIO SERGIO ROSA COELHO – V. Ex.ª me permite? Queria falar, já que V. S.ª, Senhor Jean, disse que é policial militar e temos também presente o Cabo Elson, sobre a questão da Polícia Militar que ainda exige teste de HIV para concursos públicos. Lamentamos muito, Senhor Deputado, essa questão da exigência de teste de HIV. Talvez, a Frente Parlamentar venha nos ajudar nesse sentido, pois não é porque tenho HIV que não posso ser um bom policial militar, um policial exemplar na minha corporação. E muitas pessoas ficam angustiadas, porque estão em plena atividade laboral e ficam limitadas a um teste. É recomendação da Organização Mundial do Trabalho que não haja testagem de HIV para qualquer trabalho, até pela multiplicação da ciência, os recursos que se têm. Mesmo que haja um acidente perfurocortante, para a pessoa em início de terapia PEP, profilaxia pósexposição, pode zerar a possibilidade de estar infectada pelo HIV. 15 Então, queria que V. Ex.ª, com o seu conhecimento, pudesse pleitear essa luta e que, em dezembro do ano que vem, não seja na quarta a sessão especial, mas que seja uma sessão com o mesmo peso do Outubro Rosa. Que tenhamos a Assembleia Vermelha, a Terceira Ponte Vermelha, A Secretaria e o Palácio Anchieta para que tenhamos a mesma importância, a mesma ênfase em relação a isso, porque posso garantir que a Aids, se não tiver atenção, vai matar muito mais do que o câncer de mama. O SR. PRESIDENTE – (DOUTOR HÉRCULES) – Senhor Toninho Lopes, quer usar a palavra ainda? O SR. TONINHO LOPES – Muito boas as contribuições dos Senhores Dudu Oliveira e Efraim Lisboa e da Senhora Ana Regina Bourguignon Pinto. E gostaria de começar para o Senhor Dudu Oliveira: a luta é essa, Senhor Dudu, o Programa Brasileiro de Prevenção à Aids chegou a esse patamar, mas não foi nada dado porque alguém se sensibilizou, foi conquistado por pessoas como V. S.as, que os antecederam na luta do movimento social. Por isso que o convite para que os companheiros e companheiras saiam do armário, é fundamental. E aí o Senhor Efraim Lisboa colocou muito bem, esse novo patamar que a Aids atinge com os tratamentos antirretrovirais; a qualidade de vida que agora não estampa na cara, no corpo a contaminação pelo HIV/Aids, leva a esse relaxamento e a sensação de que está tudo bem, quando na verdade não está, trazendo uma série de dificuldades. Que bom que os senhores estão nesta sessão cobrando. E devem cobrar em todos os espaços possíveis. Sabemos bem diferenciar aquilo que é uma ação eleitoreira daquilo que não é; aqueles que estão, verdadeiramente, compromissados com a causa, daqueles que não estão. Quem é atento e vigilante saberá fazer isso. Que maravilha o depoimento do querido Senhor Efraim Lisboa. Embora concorde em grande parte do que V. S.ª colocou. Só discordo no sentido de que não é que não tem nada, tem muita coisa. Não vamos desvalorizar as nossas lutas e conquistas. Tem muito que está conquistado com o sangue, o suor e também a vida de muita gente. É verdade que pode ser feito muito mais. No que tange à juventude, V.S.ª está correto. Muita gente olha para os jovens e não reconhece todo o seu potencial, até os colocam de lado porque a juventude é rebelde, tem uma energia e um momento próprio que é diferente de, nós, adultos, que não somos tão jovens, mas que é incompreendido. Quero lembrar, Senhor Efraim, que a exemplo de outros Estados, temos no Espírito Santo - V. S.ª é recém-chegado -, um Conselho Estadual de Juventude que é atuante. Inclusive, tem uma representação LGBT, um jovem LGBT tem assento nesse Conselho. Esse jovem, portanto, tem a obrigação de levantar essas questões. Temos uma gerência de juventude na organização ligada a uma Secretaria da Casa Civil. Inclusive o Senhor Gustavo Badaró que esteve ontem ou hoje nesta Casa para falar na Tribuna Popular mas acho que por conta da votação do Orçamento não teve essa oportunidade. Têm coisas acontecendo, mas fica a dica para que os jovens ocupem esses espaços. Não vou muito longe. Toda escola, toda a gestão democrática, deveria ter associado um Conselho de Escola que envolvesse a representação de pais, alunos e comunidade. Ocupem esses espaços. Montem grêmios nas suas escolas porque a juventude é um tema transversal a todas essas temáticas e muitas outras que não temos condições de abordar nesta reunião. Usem, portanto, desses espaços instituídos e levem as suas pautas. Lembro que existe o Conselho Estadual da Juventude, uma política de juventude tentando ser instituída. Não é fácil! Não temos ainda, por exemplo, a do Movimento LGBT, que poderia ser mais um espaço. Mas a luta é árdua. O Senhor Deputado Doutor Hércules bem colocou a necessidade de diálogo com os espaços religiosos. A Senhora Ana Regina Bourguignon me faz lembrar que em 2012 já tivemos um diálogo com os espaços religiosos. Vou citar a igreja católica, o Clero nos recebeu, tivemos um primeiro contato do Movimento LGBT para exatamente levar essas questões. A própria coordenação - a Doutora Sandra Fagundes, infelizmente teve de se ausentar -, mas lembro de que no ano de 2012 a Coordenação Estadual DST/Aids junto com os Movimentos Sociais organizaram um seminário de religião e Aids, porque muitas entidades com vínculos religiosos captam recursos do Governo para fazer trabalho de prevenção, mas na hora de falar da camisinha colocam os seus embasamentos religiosos. Tivemos um debate maravilhoso com representação de diversas denominações religiosas. Que bom que tem um grupo proporcionando isso. O debate está sendo feito. Que bom saber, Senhor Deputado Doutor Hércules e todos que nos acompanham, que temos essas instituições. V. Ex.ª citou a Polícia Militar como uma instituição preconceituosa. Discordarei. Talvez seja conservadora sim, mas a Polícia Militar já faz formação para a diversidade sexual no Estado do Espírito Santo. Há muito a avançar. Não está tudo beleza, mas já há este avanço. O Estado do Espírito Santo já celebrou casamento civil, não estamos falando em casamento religioso, entre pessoas do mesmo sexo. A Senhora Ana Regina Bourguignon Pinto, inclusive, foi a primeira e se destacou. Senhor Deputado Doutor Hércules, chamaremos um aspecto importante nesta discussão porque quando falamos em religião, as pessoas têm até receio e ficam nos fundamentos rasos porque não deixam avançar. Vejam, senhores, estou falando de fundamentalismo religioso. Não podemos tachar esta ou aquela igreja como preconceituosa porque o fundamentalismo religioso está presente em todas as denominações religiosas. Por exemplo, a 3.ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo, há duas ou três semanas, não recordarei a data, deu decisão favorável para a adoção por um casal homoafetivo. No dia 6 de novembro saiu uma 16 decisão. Os tempos são outros. A Justiça, desde a decisão do Supremo Tribunal Federal em 2011, já reconhece o arranjo familiar homoafetivo como família. É uma etapa que já está vencida. Temos que avançar agora nas políticas públicas para a juventude, como bem colocou o Senhor Efraim Lisboa, e para o LGBT, que este Estado ainda não teve coragem de colocar, mas felizmente está nesta Casa de Leis contemplado. Tenho certeza de que teremos, a partir de agora, com o empenho desta Casa de Leis e de todos os nossos aliados, políticas públicas de direitos humanos, de um modo geral, que contemplará as pessoas vivendo e convivendo com o HIV/Aids, os LGBTs, as mulheres, pois este é o Estado que mais mata mulheres, e a negritude. Não é ex-Deputado Cabo Elson? Temos nossa negritude, nossos jovens sendo presos, contaminados, discriminados e impedidos de usar certos espaços, como aconteceu esta semana. Temos um desafio gigantesco. Por isso, temos que agradecer a cada um dos senhores presentes e não nos esquecer da nossa luta, pois é constante. Viu, Senhor Dudu Oliveira? Constante. Cobrando e ocupando todos os espaços como este e todos os outros que temos a fazer. Certo? O SR. PRESIDENTE – (DOUTOR HÉRCULES) – Obrigado, Senhor Toninho Lopes. Estamos chegando ao final da nossa sessão especial. O Senhor Cabo Elson já foi deputado e sabe. Às vezes, acham que deputado não trabalha. Mas cheguei a esta Casa de Leis 8h30min e já são 21h30min. Só saí para almoçar, e tomei um banho. Sugerimos que façamos reunião logo que a Frente for publicada no Diário do Poder Legislativo. A Senhora Maria Tereza Coimbra de Carvalho já se prontificou para fazermos na UVV uma reunião da Frente. Convidaremos o Secretário Municipal de Saúde. Pedimos aos senhores que também nos ajudem nesta empreitada. Convidaremos o Secretário Estadual de Assistência Social e podemos convidar todos os secretários municipais de saúde do Estado para este dia. Podemos fazer um dia um pouco mais longo, não só uma sessão de duas ou três horas. O SR. TONINHO LOPES – Posso me atrever a dar uma sugestão, Senhor Deputado Doutor Hércules? Em minha fala que o Senhor Dario Sergio Rosa Coelho chamou minha atenção, com razão devido ao tempo, a primeira fala chamou atenção para o teste rápido, uma nova tecnologia. Mas hoje o teste rápido é feito com assistência, acompanhamento e aconselhamento pré-teste e pós-teste. Existe um tipo de teste que é rápido e os senhores precisam saber. Existem dois tipos de teste rápido. Um desses, usado no Brasil todo, é feito em nosso Estado pelo Núcleo de Doenças Infecciosas da Universidade Federal do Espírito Santo, por um grupo coordenado pelo Professor Reynaldo Dietze, da maior competência. Fica a sugestão de convidar o Núcleo de Doenças Infecciosas da Universidade Federal do Espírito Santo para participar desta reunião. O SR. PRESIDENTE - (DOUTOR HÉRCULES) – Obrigado. Todos estão de acordo com a questão de que a primeira reunião da Frente Parlamentar seja feita na UVV? Agradecemos à UVV a iniciativa. Lembro a todos de que estamos no período de final de ano. Vamos ver se conseguimos fazer pelo menos uma reunião ainda neste mês de dezembro, para quando chegar janeiro ou fevereiro possamos retomar essa discussão. A SR.ª SANDRA FAGUNDES – Todos os professores poderão ir. Todos estarão de férias porque as férias são coletivas. Podemos fazer antes. O SR. PRESIDENTE - (DOTOR HÉRCULES)- Agora uma sugestão. Fazemos a reunião à noite, no sábado, outro dia? A SR.ª SANDRA FAGUNDES – Sábado, não? Precisamos decidir isso. O SR. PRESIDENTE - (DOTOR HÉRCULES) – Em um dia de aula teríamos a presença dos alunos, talvez fosse melhor. Por exemplo, à noite. A SR.ª SANDRA FAGUNDES – Já está ficando escasso, porque há aqueles que já passaram, estão com média e estão indo embora. Fizemos um movimento pelo Centro de Referência nos terminais e a adesão dos alunos foi muito pequena, porque estão no período de provas finais. Segunda chamada, sabe como é? Então, foi muito pequena a adesão de alunos, mas fizemos, não deixamos de fazer. O SR. PRESIDENTE - (DOUTOR HÉRCULES) - Temos que fazer, neste mês de dezembro, uma reunião da Frente Parlamentar e, mesmo que não haja adesão de muitos alunos, mas no próximo ano, iniciando as 17 aulas, pediremos, em fevereiro, que façamos uma reunião mais participativa dos estudantes. É importante levar para os estudantes e professores essa mensagem. Veremos uma data melhor e entraremos em contato com o Senhor Tadeu Marino, Secretário de Saúde, e também com o Senhor Helder Salomão, Secretário de Ação Social. Estamos chegando ao final de nossa sessão especial. Agradeço a todos do meu gabinete; aos funcionários da TV Assembleia; aos demais funcionários da Assembleia; aos taquígrafos presentes até agora, 21h30min; aos seguranças; ao Senhor José Elias Pericione, que serve cafezinho e água para nós; ao Senhor Bruno Luiz Teixeira Costa, grande parceiro do nosso gabinete. Nada mais havendo a tratar, vou encerrar a presente sessão. Antes, porém, convoco os Senhores Deputados para a próxima, ordinária, dia 04 de dezembro de 2013, à hora regimental, cuja Ordem do Dia foi anunciada na centésima décima sexta sessão ordinária, realizada dia 03 de dezembro de 2013. Está encerrada a sessão. *Encerra-se a sessão às vinte e uma horas e trinta e dois minutos.