PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA Fabio Veloso Vicente da Silva Análise das Estratégias Competitivas na Indústria Automobilística Dissertação de Mestrado Dissertação apresentada como requisito parcial para obtenção do título de Mestre pelo Programa de Pós-Graduação no Departamento de Administração da PUC-Rio. Orientador: Prof: Jorge Ferreira da Silva Rio de Janeiro Maio de 2007 Livros Grátis http://www.livrosgratis.com.br Milhares de livros grátis para download. Fabio Veloso Vicente da Silva Análise das Estratégias Competitivas na Indústria Automobilística Dissertação apresentada como requisito parcial para PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA obtenção do grau de Mestre pelo Programa de Pósgraduação em Administração de Empresas da PUC-Rio. Aprovada pela Comissão Examinadora abaixo assinada. Prof. Jorge Ferreira da Silva Orientador Departamento de Administração – PUC-Rio Prof. Hélène Bertrand Departamento de Administração – PUC-Rio Prof.ª Ângela Maria Cavalcanti da Rocha UFRJ Prof. João Pontes Nogueira Vice-Decano de pós-graduação do CCS Rio de Janeiro, 22 de maio de 2007. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução total ou parcial do trabalho sem a autorização da universidade, do autor e do orientador. Fabio Veloso Vicente da Silva Graduou-se em Engenharia de Produção pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2003. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA Ficha Catalográfica Silva, Fabio Veloso Vicente da Análise das estratégias competitivas dentro da indústria automobilística / Fabio Veloso Vicente da Silva; orientador: Jorge Ferreira da Silva. – 2007. 124 f. il. ; 30 cm Dissertação (Mestrado em Administração)–Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2008. Inclui bibliografia 1. Administração – Teses. 2. Estratégia. 3. Grupos estratégicos. 4. Tipologia de Porter. 5. Análise de desempenho. 6. Indústria automobilística. I. Silva, Jorge Ferreira da. II. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Departamento de Administração. III. Título. CDD: 658 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA Para meus pais, Selma e Mauro, pelo apoio e confiança, e também a toda minha família. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA Agradecimentos Ao Professor Jorge Ferreira da Silva, por sua orientação e contribuição para o aperfeiçoamento da minha formação acadêmica ao longo do curso e especialmente na realização deste trabalho. Aos meus pais Mauro Sebastião e Selma, e aos meus avós Sebastião e Maria Thereza, pelo amor, carinho, apoio e dedicação de forma incondicional, além da transmissão de valores que foram e estão sendo fundamentais ao longo de minha vida. A Maíra Fortes de Lima e meus amigos pela compreensão da minha ausência em muitos momentos devido a compromissos exigidos pelo curso. Resumo Silva, Fabio Veloso Vicente da; Silva, Jorge Ferreira, Análise das Estratégias Competitivas na Indústria Automobilística. Rio de Janeiro, 2007. 124 p. Dissertação de Mestrado - Departamento de Administração, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Este trabalho teve como principal objetivo o estudo da indústria automobilística brasileira, relacionando o posicionamento estratégico competitivo das empresas com a formação de grupos estratégicos e o desempenho dos mesmos. O período estudado compreende os anos de 2001 a 2006, a amostra foi formada por 20 empresas ligadas à Abeiva - Associação Brasileira de Importadores Veículos Automotores - e à Anfavea - PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, e a análise foi baseada na tipologia de Porter. Os resultados demonstraram que empresas que apresentam melhores desempenhos são as que optaram por uma das estratégias genéricas propostas por Porter, no caso a de Diferenciação; as empresas que obtiveram os piores resultados foram as que não apresentaram estratégia definida (stuck-in-the-middle). Palavras-chave Estratégia; Grupos Estratégicos, Tipologia de Porter, Análise de Desempenho, Indústria Automobilística. Abstract Silva, Fabio Veloso Vicente da; Silva, Jorge Ferreira, Strategy analysis of the automobile industry. Rio de Janeiro, 2007. 124 p. Master dissertation – Administration Department, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. This research aims to study the Brazilian automobile industry, relating the strategic positioning of the companies with the formation of strategic groups and their performances. The studied period started in 2001 and ended in 2006 and the sample was formed by 20 associated companies from Abeiva - the Brazilian Importers Association of Automotive Vehicles and the Anfavea - the National Association of Automotive Vehicles. The study was based on the Porter’s typology and the findings showed that the best PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA performances companies are those that applied the generic strategy of Differentiation, moreover, the companies who had gotten the worse result had been the ones who had not presented a well-defined strategy (stuck-in-the-middle). Keywords: Strategy; Strategic Groups, Porter’s Typology, Performance Analysis, Automobile Industry. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA Sumário 1. O problema 15 1.1. Introdução 15 1.2. Objetivos da pesquisa 17 1.2.1. Objetivos intermediários 17 1.3. Delimitação do estudo 18 1.4. Relevância do estudo 18 1.5. Estrutura do trabalho 19 2. Referencial teórico 20 2.1. Introdução 20 2.2. Definições centrais 22 2.2.1. Estratégia 22 2.2.2. Vantagem competitiva 24 2.2.3. Grupos estratégicos 25 2.3. A estratégia e o ambiente 26 2.4. Desempenho 28 2.4.1. Avaliação do desempenho 30 2.4.2. Desempenho entre grupos estratégicos 30 2.4.3. Desempenho dentro de grupos estratégicos 31 2.4.4. Critérios competitivos 33 2.5. Modelo das cinco forças 33 2.5.1. Ameaça de novos entrantes 35 2.5.2. Poder de negociação dos fornecedores 36 2.5.3. Poder de negociação dos compradores 37 2.5.4. Ameaça de produtos substitutos 37 2.5.5. Rivalidade entre concorrentes 38 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA 2.6. Tipologias estratégicas 40 2.6.1. Tipologia de Porter 40 2.6.1.1. Estratégia de liderança através do custo total 41 2.6.1.2. Estratégia de diferenciação 42 2.6.1.3. Estratégia de enfoque 42 2.6.1.4. Stuck-in-the-middle 43 2.6.2. Críticas ao modelo de Porter e novas tipologias 44 2.6.2.1. Críticas à liderança através do custo total 44 2.6.2.2. Crítica à diferenciação 44 2.6.3. Tipologia de Mintzberg 45 2.6.4. Resource-Based View 48 3. Histórico do mercado automobilístico 53 3.1. Histórico brasileiro 53 3.1.2. A década de ouro 54 3.2. Panorama do mercado nacional – abertura do mercado 56 3.3. Competitividade da indústria automobilística 57 3.4. Posicionamento da indústria automobilística 59 3.5. Tecnologia e futuro 60 3.6. Geração de empregos 61 3.7. Indústria automobilística mundial 62 3.8. Design 63 4. Metodologia 66 4.1. Tipo de pesquisa 66 4.2. Universo e amostra 66 4.3. Coleta de dados 67 4.3.1. Seleção das variáveis estratégicas 68 4.3.1.1. Política de preço 68 4.3.1.2. Foco 68 4.3.1.3. Diversificação da linha de produtos 68 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA 4.3.1.4. Assistência técnica 69 4.3.1.5. Credibilidade da marca 69 4.3.1.6. Propaganda 69 4.3.1.7. Melhor compra 69 4.3.1.8. Canais de distribuição 70 4.3.1.9. Produtos em segmentos high price 70 4.3.1.10. Produtos em segmentos de entrada 70 4.3.2. Seleção das variáveis de desempenho 70 4.3.2.1. Market Share 70 4.3.2.2. Market Share ponderado por segmento 71 4.3.2.3. Crescimento do Market Share 71 4.3.2.4. Receita bruta (R$) 71 4.3.2.5. Preço médio (R$) 71 4.3.2.6. Satisfação dos consumidores 72 4.4. Tratamento de dados 72 4.5. Limitações do método 73 5. Análise dos resultados 75 5.1. Análise da normalidade das variáveis 75 5.2. Análise de correlações 76 5.3. Redução do espaço estratégico 81 5.4. Formação dos grupos estratégicos 84 5.5.Apresentação dos grupos estratégicos 88 5.5.1. Análise dos grupos estratégicos 89 5.5.1.1. Grupo 1: Liderança através do custo total 90 5.5.1.2. Grupo 2: Diferenciação 91 5.5.1.3. Grupo 3: Enfoque em custo 93 5.5.1.4. Grupo 4: Enfoque em diferenciação 93 5.5.1.5. Grupo 5: Stuck-in-the-Middle 94 5.6. Comparação de desempenho entre grupos estratégicos 95 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA 6. Conclusão 101 6.1. Conclusões sobre os resultados da pesquisa 101 6.2. Sugestões para futura pesquisa 117 Referência Bibliográfica 118 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA Lista de Tabelas Tabela 1 - Alternativas de medição de desempenho. 32 Tabela 2 - Principais barreiras de entradas 39 Tabela 3 – Empresas participantes do estudo 67 Tabela 4 – Teste de normalidade das variáveis de desempenho 75 Tabela 5 – Teste de Kolmogorov - Smirnov das variáveis de desempenho 75 Tabela 6 – Teste de normalidade das variáveis estratégicas 76 Tabela 7 – Teste de Kolmogorov - Smirnov das variáveis estratégicas 76 Tabela 8 – Matriz de correlação de Pearson das variáveis estratégicas 77 Tabela 9 – Matriz de correlação de Pearson das variáveis de desempenho 80 Tabela 10 – Resultado da análise de fatores 81 Tabela 11 – Carga final dos fatores após rotação nos eixos 82 Tabela 12 – Fatores resultantes da análise das variáveis estratégicas 84 Tabela 13 – Percentis utilizados para a montagem da matriz inicial dos 85 centróides Tabela 14 – Matriz de centróides iniciais – distribuição teórica 86 Tabela 15 – Matriz de centróides iniciais – distribuição dos percentis 86 aplicados Tabela 16 - Matriz final de centróides 87 Tabela 17 – Teste de Wilcoxon 87 Tabela 18 – Matriz divisão por grupo estratégico 88 Tabela 19 – Grupos estratégicos 89 Tabela 20 – Matriz divisão por grupo estratégico 90 Tabela 21 – Teste de igualdade de desempenho dos grupos estratégicos 95 Tabela 22 – Comparação de desempenho entre grupos estratégicos – teste de 96 Bonferroni Tabela 22b – Continuação da tabela 22 97 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA Tabela 23 – Classificação geral das variáveis de desempenho 97 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA Lista de Figuras Figura 1 – Organização e ambiente 26 Figura 2 – Modelo de Andrews e Christensen 27 Figura 3 – Perspectiva de Porter 29 Figura 4 – Perspectiva neo-austríaca 29 Figura 5 – As cinco forças de Porter 34 Figura 6 – As estratégias genéricas de Porter (1980) 40 1 O PROBLEMA Neste primeiro capítulo são abordados alguns pontos que motivaram a realização deste estudo sobre a análise das estratégias competitivas. Também serão verificados os objetivos principais e secundários a serem alcançados pela pesquisa, bem como as delimitações e a relevância do estudo. 1.1 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA Introdução Logo após a Revolução Industrial, as empresas atuavam em um mercado praticamente ilimitado. Elas ditavam os produtos a serem consumidos. As necessidades dos consumidores não eram consideradas. Porém, esta é uma realidade que não existe mais, mudanças ocorreram. Os fatos geradores que as provocaram foram, o aumento do número de empresas que atuam em determinado mercado e a maior consciência dos direitos do consumidor, além da mudança dos hábitos de consumo. Esses fatores contribuíram para o aumento exponencial da concorrência. Desde então, muitos mercados foram criados, ou extintos, muitos ampliados e outros reduzidos. Portanto, existe a necessidade de uma maior e melhor interação nas soluções demandadas. Assim sendo, aproveitar as oportunidades é fundamental. Em um ambiente com tantos desafios e alternativas, definir o posicionamento estratégico a ser tomado é importante para o bom desempenho das empresas. Segundo Porter (1980), são três as abordagens estratégicas genéricas: diferenciação, liderança em custo e enfoque, esta última tendo ramificações em custo ou diferenciação. Todas elas podem ser adotadas por quaisquer empresas, tendendo ao sucesso quando implementadas corretamente. Para Porter, empresas que não definem claramente qual estratégia seguem ou fracassam na busca de uma das três estratégias genéricas são classificadas 16 como stuck-in-the-middle. Elas têm o desempenho inferior quando comparadas a empresas com estratégias definidas. A formação de grupos estratégicos é importante, pois suas ações influenciam o ambiente e o desempenho dos integrantes da indústria. Para Porter (1977), empresas que atuam dentro de um mesmo grupo estratégico criam barreiras de mobilidade (de entrada e saída do grupo); desta forma, as condições dentro desses grupos estratégicos são diferentes. As empresas tendem a ter um mesmo desempenho quando participam do mesmo grupo estratégico e têm desempenho desigual quando são de grupos estratégicos diferentes. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA Para Mintzberg (1988), a estratégia da empresa também sofre grande influência do ambiente exterior. A tipologia de estratégia genérica proposta pelo autor é mais detalhada do que a de Porter. Já Barney (1997), defensor do Resource-Based View, afirma que, para conseguir a obtenção da vantagem competitiva sustentável, as empresas devem buscar reunir recursos únicos de difícil imitabilidade e dessa forma criar produtos ou serviços que sejam diferenciados. Portanto, o desempenho da empresa não teria qualquer relação com as variáveis ambientais externas à empresa. Essas são apenas três visões, contraditórias entre si, porém, explicitam o quanto é importante e difícil a decisão de adotar um posicionamento estratégico. Elas serão discutidas no próximo capítulo. O objeto de estudo foi o setor automobilístico. A competitividade neste setor é afetada por aspectos estruturais que devem ser levados em consideração na formulação da estratégia empresarial. Ele compreende diversos produtores, como os de autopeças, tapeçaria, pintura, entre outros, formando um complexo industrial de enormes proporções. A grande maioria das empresas é altamente informatizada, onde o capital predomina. Entretanto, o setor também compreende empresas em que a mão-de-obra é fundamental, são as empresas artesanais, estabelecidas em geral no exterior. Embora possa ser notado um 17 crescimento dos pequenos produtores no Brasil nos últimos anos, esse aumento não tem especial relevância. Essas empresas atuam em nichos de mercados bem específicos, como os de réplicas e de carros esportivos. 1.2 Objetivos da pesquisa Este trabalho tem a intenção de estudar a indústria automobilística brasileira, tendo como ponto focal as estratégias adotadas pelas empresas da indústria automobilística, buscando identificar a importância da estratégia PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA adotada para melhorar o desempenho e na obtenção e manutenção das vantagens competitivas. 1.2.1 Objetivos intermediários As questões intermediárias que irão guiar o estudo e ajudaram a compreender e responder o problema são: 1 – Identificar quais variáveis estratégicas e de desempenho são relevantes para a análise da indústria automobilística brasileira. 2 – Estabelecer os grupos estratégicos. 3 – Identificar os grupos estratégicos de acordo com as tipologias adotadas no estudo. 4 – Estabelecer relações entre estratégias e desempenho de forma a compreender melhor as razões de sucesso na indústria. 18 1.3 Delimitação do estudo As empresas que fazem parte deste estudo são associadas à Anfavea – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores ou à Abeiva – Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores. Participam da Anfavea os maiores produtores brasileiros (Citroen, Fiat, Ford, GM, Honda, Land Rover, Daimler-Chrysler, Mitsubishi, Nissan, Peugeot, Renault, Toyota, VW); da Abeiva os mais importantes importadores do setor PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA (BMW, Ferrari, Porsche, Kia). Portanto, só foram estudadas as empresas que possuem atividade no Brasil e são afiliadas a uma das associações. O estudo abrange o período de 2001 a 2006. 1.4 Relevância do estudo A indústria automobilística tem uma importância ímpar no cenário mundial, gerando milhares de empregos, direta e indiretamente, sem contar os da indústria de autopeças e manutenção, onde a ligação é de extrema dependência. Com a abertura do mercado na década de 90, modificações profundas ocorreram. As empresas tiverem que rever suas estratégias devido à alta concorrência. No Brasil, a indústria automobilística brasileira é um dos setores que mais gera empregos, envolvendo, atualmente, aproximadamente 106 mil postos de trabalho, segundo estimativas da Anfavea. A produção em 2005 foi de 1,7 milhão de veículos, próximo do recorde de 1997, que foi de 1,9 milhão, gerando tributos de R$ 21 bilhões. A participação no PIB industrial é de 10,7%. 19 As empresas associadas à Anfavea exportaram, em 2005, aproximadamente US$ 11,2 bilhões. O estudo é importante por contribuir para a análise da indústria, avaliando os posicionamentos estratégicos das empresas e verificando qual detém o melhor desempenho. Do ponto de vista acadêmico, esta pesquisa utilizou a tipologia de Porter (1980), para a definição dos grupos estratégicos, e comparou o desempenho das empresas entre esses grupos identificando as características de cada um dos grupos e quais delas puderam proporcionar a vantagem competitiva. A tipologia de Porter (1980), foi escolhida por ser a que mais se adequava ao mercado, ou seja, a que refletiu com mais fidelidade a PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA indústria automobilística brasileira. 1.5 Estrutura do trabalho Capítulo 1: Apresenta a introdução do trabalho. Objetivos e justificativas para a pesquisa, bem como as limitações do estudo. Capítulo 2: Apresenta o referencial teórico do estudo, incluindo a revisão bibliográfica dos principais autores, ilustrada com três teorias (Porter, Minzberg e Resource-Based View) que buscam, de maneiras distintas, esclarecer o papel da estratégia no desempenho das empresas. Capítulo 3: Relata o histórico e os atuais desafios da indústria automobilística. Capítulo 4: Apresenta a metodologia utilizada no estudo. Capítulo 5: Relata os resultados do estudo. Capítulo 6: Apresenta as conclusões finais e proposições para futuros estudos. 2 Referencial teórico 2.1 Introdução O objetivo deste capítulo é promover a discussão dos principais conceitos que fundamentam esta pesquisa. Isto é relevante por que a “estratégia de empresas” não é considerada ciência exata como a matemática. As estratégias são definidas baseadas em cenários alternativos, objetivando prever todos os obstáculos que porventura possam ocorrer. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA Quando a estratégia e os cenários estão conectados o aprendizado é contínuo, e os resultados acabam por influenciar fortemente o futuro da empresa. Com a construção de cenários, o entendimento do ambiente competitivo fica mais cartesiano, a visualização dos recursos necessários e a efetiva implementação da estratégia podem ser compreendidas mais facilmente. O segredo de uma boa estratégia seja ela qual for, está no reconhecimento do momento da empresa e dos sinais que o mercado lhe transmite. Portanto, saber reconhecer os melhores nichos de mercado antes dos concorrentes pode vir a ser fundamental. O monitoramento deve ser constante devido às grandes modificações pelas quais o mercado vem passando, resultando em novas necessidades e demandando menor tempo de resposta das empresas. As variáveis mercadológicas se tornam cada vez mais complexas para serem analisadas, por tratar-se de um processo bastante dinâmico. Devido à alta capacidade de resposta do mercado, não é razoável esperar que a concorrência reaja para traçar uma estratégia que vá ao encontro desse movimento. É sabido que qualquer ação provoca uma reação, e que também nenhuma empresa quer perder mercado; por isso, qualquer tipo de vantagem competitiva é temporária. A antecipação a esses movimentos deve ser perseguida sempre, tornando-se primordial, constante e necessário que as empresas tenham uma visão dinâmica da estratégia. 21 Existem alguns desafios na implementação da estratégia. A definição da concorrência é um deles; é de vital importância para a tomada de decisão estratégica da empresa, já que em algumas situações muito tempo é perdido competindo com rivais equivocados. Concorrentes são todos os que competem pelos mesmos clientes na mesma fatia de mercado. Outro desafio pode ser resumido em uma palavra: antecipação. Compreendida como a previsão de situações / cenários e a tomada de ação ou a reação baseada num movimento futuro da concorrência. É importante entender como os rivais irão responder a determinada ação, mas, não é fácil essa previsão, sendo este um dos maiores erros PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA estratégicos. Outro erro passível de ocorrência é quanto ao reconhecimento de uma potencial parceria; sua não visualização pode ser o fator determinante entre a liderança de mercado ou a exclusão do mesmo. Para que esses erros não sejam cometidos, recomenda-se uma visão mais integrada da estratégia, com adoção de uma teoria que aborde essa visão e as mais diversas perspectivas; a Resource-Based View é uma delas. Segundo Venkatraman & Prescott (1990), o desempenho das empresas está diretamente ligado ao grau de relacionamento entre o ambiente competitivo e a estratégia definida. Sendo assim, quanto melhor for a análise de cenários e a definição da estratégia, melhor será o desempenho da empresa. Essas influências provocam muita discussão e divergências, que podem se resumir a três hipóteses. Primeira: O ambiente influencia a estratégia e a estrutura da empresa. Segunda: A estratégia tem o poder de modificar a empresa, tanto interna quanto externamente. Terceira: A estratégia é baseada nos fatores organizacionais que conseqüentemente influenciam no desempenho da empresa. Inicialmente, a terceira hipótese era a mais aceita. Através dos modelos de SWOT, o ambiente era mapeado (análise de forças e fraquezas - ambiente e empresa). As empresas que tinham os melhores desempenhos eram as que supostamente teriam feito melhor análise do ambiente e puderam explorar as 22 oportunidades com mais eficiência, ou seja, sabiam utilizar eficazmente os recursos internos da empresa, assim como neutralizar as ameaças. Este modelo foi o suporte para o desenvolvimento de diferentes teorias, de Porter (1980), Mintzberg (1988) e Miles & Snow (1978). Uns priorizam os recursos internos da empresa; outros consideram mais importantes os fatores externos. O conceito de estratégias genéricas foi por eles criado para definir uma tipologia estratégica que pudesse ser aplicada a qualquer tipo de empresa nos mais diferentes mercados. Nesta pesquisa, serão apresentadas três tipologias distintas. A tipologia PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA de Porter (1980,1985) a mais difundida e estudada; a de Mintzberg (1988) e a Resource-Based View. 2.2 Definições Centrais 2.2.1 Estratégia Estratégia é uma palavra grega originada no âmbito militar. Strategus significa “o general superior” e Strategia era “a arte do general”. Ao estudar estratégia, respostas exatas não serão encontradas, o papel da análise estratégica é fazer com que os perigos, desafios e fraquezas possam ser superados e compreendidos. Antes de adentrar nesta seara, observa-se uma definição de Porter (1980) sobre a indústria como sendo um grupo de empresas que produzem produtos semelhantes, que são substitutos entre si. Grande parte do sucesso das empresas está diretamente relacionado à estratégia adotada. Existem opiniões diversas sobre o que seria estratégia, devido justamente aos diferentes enfoques dado ao tema, contudo, em um ponto todas as definições concordam, estratégia é ganhar. Ganhar mercado, novos clientes, status, confiança dos clientes, enfim ganhar algo, dependendo 23 do objetivo da empresa. Para Quinn (1980), a estratégia é o meio pelo qual os objetivos são atingidos e gerenciamento estratégico é o processo determinante do objetivo e da missão da empresa. Uma das mais antigas definições relaciona os conceitos de estratégia com missão, objetivo e tática. Missão e objetivos sem estratégia e tática nunca serão alcançados, devido à falta de planejamento. Estratégia sem missão ou objetivo fica desfocada, a empresa não sabe qual caminho seguir. Estratégia sem tática fica difícil de ser implementada. Podemos, então, observar que os conceitos são entrelaçados; a estratégia, de uma maneira geral, pode ser entendida como a resposta ao ambiente, explorando as oportunidades e PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA habilidades internas. Uma boa estratégia é a que potencializa as oportunidades e neutraliza os perigos, e não só isso, prepara a empresa, tornando-a ágil para visualizar as oportunidades, não as deixando escapar. Já o gerenciamento estratégico é o processo pelo qual o ambiente é estudado como um todo, descobrindo oportunidades e explorando-as, forças e fraquezas devem ser consideradas. Segundo Hofer e Schendel (1978), seria justamente a medição de força entre o ambiente interno e o externo da empresa. A criação de nichos é, portanto, inevitável, uma vez que será procurada posição onde o ataque de outra companhia seja menos provável. Porém, devido à acirrada competitividade no mercado, rivais podem copiar rapidamente produtos ou processos e desta forma voltarem a ser concorrentes em um mesmo nicho. Este é o risco de a estratégia não ser muito bem afinada e controlada. O diferencial operacional só pode ser assim considerado se for sustentável a longo prazo, e, além disso, criar um grande valor para os consumidores ou custos muito baixos para a empresa. De forma simplificadora, estratégia é um plano que tem duas características: primeira, é feito anteriormente a uma ação; segundo é feito com consciência e propósito. Entretanto, esta definição não é suficiente para o completo entendimento. Ela pode ser entendida como um padrão, segundo 24 Mintzberg, devendo ter consistência e não apenas intenção, ela seria o reflexo da empresa no mercado de acordo com o posicionamento e a participação. 2.2.2 Vantagem competitiva Segundo Barney (1991), a vantagem competitiva é a adoção de uma estratégia que agregue valor, sem que a concorrência opte pelo mesmo caminho estratégico. Ter competitividade estratégica, segundo Porter, é ser diferente e conseguir sustentar essa diferença. Já para Barney (1991), esta seria PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA a definição de vantagem competitiva sustentável. Mas o fato de ser sustentável não a impossibilita de ser copiada ou superada pela concorrência, sendo este um dos motivos que contribuem para a constante revisão da estratégia. Então, segundo a escola posicionamento, estratégia é criar, através de uma forma singular, uma posição diferenciada no mercado sendo necessário que a empresa conheça bem o ambiente no qual está inserida, porque a escolha do que fazer e do que não fazer (Trade-offs) é fundamental. Para Porter (1985, 1991), a vantagem competitiva tem seus fundamentos nas atividades individuais das empresas, sua teoria baseada em dois pilares: nos conceitos de determinantes ou condutores e dos recursos. Os condutores seriam atividades que propiciassem a operacionalização de práticas que levariam à vantagem competitiva, obtida por meio de diferenciação ou custos. Os recursos seriam os ativos intangíveis da empresa que se posicionam entre as atividades da cadeia de valor e a vantagem competitiva funcionando como um elo. Segundo Barney (1991), as condições para manter a vantagem competitiva podem ser listadas em quatro tópicos: 1 – Tem que ser diferente. 2 – Tem que ser única entre concorrentes atuais a potenciais. 3 – Não pode ser imitável. 25 4 – Não se utilizar de conhecimentos e mão-de-obra que possam ser copiados. 2.2.3 Grupos estratégicos Segundo Porter (1980), grupos estratégicos são formados quando empresas de um mesmo segmento adotam estratégias semelhantes ou idênticas, acabando por ter desempenho similar. Porter classifica as dimensões estratégicas como alavancagem operacional, atendimento, canais de PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA distribuição, custos operacionais, identificação da marca, política de preço, integração vertical, qualidade do produto, especialização, relacionamentos externos e liderança tecnológica. Devido a essas dimensões estratégicas, é correto afirmar que empresas que participam de grupos estratégicos diferentes não têm desempenhos similares. Para Caves e Porter (1977), barreiras de mobilidade são criadas pelos participantes dos grupos estratégicos, limitando a entrada de novos participantes que possam vir a adotar estratégia similar, garantindo dessa forma a taxa de retorno do mercado. Portanto, empresas dentro do mesmo grupo estratégico enfrentam as mesmas condições impostas pelo mercado. Empresas de grupo estratégico diferente não têm esse privilégio, sendo, pois, um dos motivos que levam as empresas a terem desempenhos semelhantes. Entretanto, segundo Cool e Shendel (1987), apenas as barreiras de mobilidade são insuficientes para explicar a diferença de desempenho entre empresas; o nível de maturidade da empresa e os fatores mercadológicos devem ser levados em consideração; estudar a diferença de resultados dentro de um mesmo grupo estratégico necessita de um modelo mais complexo que leve em consideração mais variáveis. 26 2.3 A estratégia e o ambiente O ambiente no qual as empresas estão inseridas apresenta aspectos internos e externos. O ambiente interno se caracteriza pela estrutura organizacional formal e informal da empresa. Exemplo: capital intelectual, valores, cultura, modelo de gestão, interesses pessoais e corporativos, entre outros. O ambiente externo é todo e qualquer estímulo que vem de fora da empresa. Exemplo: concorrentes, leis, política econômica, clientes, PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA fornecedores, enfim, todos que não fazem parte da empresa. Figura 1: Organização e ambiente. Fonte: Chianvenato. Segundo Montgomery e Porter (1998), a estratégia funciona como um elemento que interligaria as atividades internas da empresa e o mercado ambiente externo. Portanto, conhecer o ambiente no qual se está inserido é fundamental para o planejamento estratégico. Reconhecer os pontos fortes e fracos, saber identificar as ameaças e oportunidades oferecidas pelo ambiente 27 externo, é de extrema relevância para a análise de modelos que busquem explicar desempenhos superiores das empresas. Ambiente interno Ambiente externo PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA Oportunidades e riscos Todas as considerações possíveis Forças e fraquezas Avaliação Estratégia Figura 2: Modelo de Andrews e Christensen - Adaptado de Montgomery e Porter (1998). De acordo com Andrews e Christensen, o desafio gerencial é criar um ambiente em que as competências e recursos característicos pudessem ser aproveitados para a criação da vantagem competitiva para a empresa dentro de sua indústria; todas as mudanças ambientais seriam acompanhadas de revisitas à estratégia e atualizações, caso necessário. Como já foi visto, Porter (1980) define indústria como sendo competidores de um mesmo segmento que produzem produtos similares ou até mesmo substitutos, afetando por meios dessas ações direta ou indiretamente outras empresas. Ainda Porter (1985), assegura que movimentos estratégicos são capazes de influenciar o ambiente do mercado a ponto de modificá-lo. As empresas são capazes de influenciar o ambiente a seu favor. O modelo usado 28 por Porter (1980) para a análise do ambiente competitivo é o Modelo das Cinco Forças, em detalhes no item 2.5. 2.4 Desempenho O objetivo final de qualquer estratégia adotada é maximizar a produção de riqueza, ou seja, aumentar a geração de lucro pela empresa. Portanto, o desempenho está ligado diretamente a este fator. Entretanto, existe uma grande dificuldade em aferir se a empresa está realmente produzindo tudo o que pode, PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA dessa forma, a busca pelo desempenho superior se torna constante. Duas são as visões básicas dos fatores que influenciam o desempenho das empresas. Para Porter (1980, 1985), ele é influenciado por fatores externos à empresa, pela estrutura da indústria. Já Hill e Deeds (1996) adotam a linha dos neo-austríacos, de que os processos internos da empresa influenciam o seu desempenho. Portanto, dentro de uma igualdade de condições, a empresa que tiver o melhor desempenho será a que tiver seus processos gerenciais mais organizados. 29 Estrutura da indústria Natureza da competição Desempenho da empresa Estratégia da empresa Fonte: Hill & Deeds (1996) Figura 3 – Perspectiva de Porter PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA Natureza da competição Desempenho da empresa Estratégia da empresa Estrutura da indústria Fonte: Hill & Deeds (1996) Figura 4 – Perspectiva neo-austríaca A diferença entre esses dois pensamentos não se resume ao fato de Porter considerar a influência do ambiente externo à empresa e Hill & Deeds não. Para os neo-austríacos, ocorre justamente o contrário, a estrutura da indústria é influenciada pelo desempenho das empresas participantes. A natureza da competição não depende da estratégia adotada, sendo determinada através da diversidade de empresas, pelas barreiras de mobilidade e das inovações do setor. Já Porter considera a concentração de empresas na indústria, assim como, as barreiras de entrada. Para a abordagem neo-austríaca, são três os fatores que determinam a sustentação da vantagem competitiva: a geração de inovações, o desenvolvimento de barreiras à imitação de seus produtos e finalmente a capacidade de imitar inovações dos concorrentes. 30 2.4.1 Avaliação de desempenho A medição do desempenho das empresas pode ser feita através de diversos fatores. Dentre os mais objetivos estão: ROI – Retorno sobre investimento, ROA – Retorno sobre ativos, ROS – Retorno sobre vendas, crescimento de vendas, parcela de mercado, entre outros. O mais subjetivos são satisfação dos consumidores, dos acionistas, entre outros. Os mais utilizados e relevantes são a lucratividade e o volume de vendas, mas, dependendo da estratégia adotada, podem não ser os critérios mais indicados. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA Algumas compensações são necessárias quando se opta por determinada estratégia, que acaba por influenciar um ou outro fator. Portanto, a estratégia deve ser levada em consideração na escolha do critério de medição do desempenho, de acordo com Oliva (1987). O que torna comprometida a medição de desempenho de estratégias diferentes, uma vez que a escolha do critério de medição fica de acordo com o pesquisador, o que pode tornar o método tendencioso. Métodos multidimensionais de medição de desempenho são compostos de variáveis objetivas e subjetivas, uma forma de amenizar distorções. Segundo Cool e Schendel (1987), desempenho é um conceito multidimensional; a utilização de indicadores objetivos e subjetivos deve ser regra, só dessa forma é possível a obtenção de resultados palpáveis em estudos empíricos. 2.4.2 Desempenho entre grupos estratégicos O desempenho dentro de um mesmo grupo estratégico tende a ser igual. Devido a isso, atuando em conjunto as empresas proporcionam ambientes favoráveis e criando dificuldades para empresas de grupos estratégicos diferentes ou até mesmo criando barreiras de mobilidade. Esta 31 união diminuiu a possibilidade de imitação da estratégia adotada por empresas formadoras de grupos estratégicos diferentes. Segundo Porter e Caves (1977), todas essas circunstâncias tornam o desempenho homogêneo entre grupos e ao mesmo tempo diferente. 2.4.3 Desempenho dentro de grupos estratégicos As empresas formadoras de um mesmo grupo estratégico têm desempenhos similares, consideradas as maiores concorrentes entre si, mais, PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA até mesmo, do que as empresas de outro grupo estratégico, o que provoca situações de extrema rivalidade entre elas. Por isso, Porter afirma que apenas uma empresa poderá alcançar a liderança efetiva do grupo com o risco, em caso de guerra de preço, de ocorrer a quebra do mercado. Entretanto, segundo a tipologia Resource-Based View, as empresas podem aprender com esta situação e desenvolver características internas que as farão se destacar. Conseqüentemente, o resultado financeiro e operacional será afetado, provocando assim maior variação do desempenho. 32 Tabela 1: Alternativas de medição de desempenho Autor (es) Porter (1980) e Cook, Jr. (1985). Snow e Hrebiniak (1980) Philips et alli (1983) e Vaenkatraman e Prescot (1990) Dess e Davis (1984) Auperle et alli (1987) Critérios de Desempenho Receitas / ROI - Retorno Sobre Investimento / Parcela de Mercado Receitas Totais I Ativos Totais ROI ROA - Retorno Sobre Ativos Totais Crescimento de Vendas ROI Ajustado Lucratividade / Parcela de Mercado Day et alli (1987) PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA Miller (1988) Fluxo e Caixa / Crescimento de Mercado e de Vendas ROI / Receita Liquida / Lucratividade Relativa ROI / ROS - Retorno sobre vendas Lambkin (1988) Day e Wensley Kim e Lim (1988) Segev (1989) Calingo (1989) Connan et alli (1990) Narver e Slater (1990;) Miller (1992) Wright et alli Baden-Fuller e Stopford (1991) Parcela de Mercado / Fluxo de Caixa Lucratividade Relativa / Parcela de Mercado / Satisfação do Cliente Lealdade ROA / ROE - Retorno sobre o Patrimônio / Crescimento de Vendas ROE ROI Ajustado / Crescimento dos Lucros ROI / Lucratividade Relativa ROA ROI / Market Share Retorno sobre o capital empregado ROA / Crescimento de Vendas Powell (1992) Medidas Subjuntivas Lucratividade / Market Share Miller e Dess (1993) ROI (volatilidade) Lucratividade / ROE / ROA Boubakri e Cosset (1996) Fonte: Cancella, 2006. GAF - Grau de alavancagem / Financeira / Investimento de Capital, entre outros. 33 2.4.4 Critérios competitivos Critérios competitivos podem ser entendidos como a forma de relacionamento exercida pela empresa com o mercado, funcionando como um alicerce para a orientação de planos de ação e conseqüente orientação estratégica; porém, estes critérios provocam discórdia entre autores; já que cada autor tem uma posição diferente sobre o assunto. Para Hill (1993), podem ser divididos em qualificadores e ganhadores de pedidos, sendo ambos determinantes para a competitividade da empresa; PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA para Slack (1993), os critérios são custo, qualidade, confiabilidade, velocidade e flexibilidade. Uma vez definidos os critérios, a empresa deve buscar, de acordo com o mercado em que está inserida, potencializar os que melhor irão atender a sua necessidade, isto é, a estratégia da empresa irá determinar quais serão os critérios a serem priorizados. 2.5 Modelo das cinco forças De acordo com Porter (1980), a empresa deve priorizar o ambiente externo para a formulação das estratégias competitivas, com a rentabilidade está diretamente ligada ao grau de competitividade do ambiente externo. Sendo assim, a estratégia competitiva se baseia em dois pilares. No primeiro, a empresa deve analisar o poder de atratividade da indústria e o potencial de rentabilidade. Quanto menores forem essas forças, maiores serão as oportunidades de obtenção do almejado desempenho superior na indústria. O segundo pilar é a posição competitiva já estabelecida na indústria. Para Porter só a combinação desses dois fatores será capaz de contribuir positivamente para a formulação da estratégia competitiva correta. 34 Em relação ao primeiro pilar as forças competitivas de Porter são resumidas a cinco: ameaça de novos entrantes, poder de negociação dos fornecedores, poder de negociação dos compradores, ameaça de produtos substitutos e rivalidade entre os concorrentes. Todos estes fatores podem ter maior ou menor importância, dependendo de circunstâncias do mercado, somente gerenciando a interação entre estas forças é que a empresa irá conseguir, através da definição da PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA estratégia competitiva, o desempenho superior. Novos entrantes Poder de negociação dos fornecedores Concorrentes na indústria Fornecedores Ameaça de produtores ou serviços substitutos Ameaça de novos entrantes Compradores Rivalidades entre empresas existentes Poder de negociação dos compradores Substitutos Figura 5: As cinco forças de Porter. Portanto, essas são as forças que determinam o grau de intensidade da concorrência, assim como a taxa de retorno da indústria. As empresas atuam de forma a aumentar esta taxa, porém a concorrência age de forma a diminuí-la essa taxa. Quando um mercado tem taxa de retorno mais alta que a taxa básica de retorno, ele estimula a entrada de novos concorrentes ou o investimento das 35 empresas que já atuam, conseqüentemente, a concorrência fica acirrada e a taxa de retorno tende a cair. 2.5.1 Ameaça de novos entrantes Uma indústria se torna atrativa quando o retorno proporcionado por ela é maior do que o do mercado. Partindo da premissa de que todas as empresas sempre buscam maior rentabilidade, novas empresas passam a considerar a entrada na indústria de maior retorno. Entretanto, a capacidade do mercado tem PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA que ser levada em consideração já que a entrada em demasia de empresas pode gerar saturação. Neste caso, os preços caem devido à grande oferta de produtos, e os custos necessários para enfrentar os concorrentes aumentam, sendo esta equação maléfica para todos os participantes da indústria. Existem algumas barreiras de entrada que dificultam a entrada de novos participantes: economia de escala, capital, diferenciação de produtos, altos custos de mudança, canais logísticos, restrições legais, acesso à matéria-prima, patentes e regulamentação governamental. A economia de escala dificulta a entrada de novos participantes por causa dos custos. As empresas já participantes da indústria possuem parcela significativa do mercado e com isso conseguem margens produtivas altas que as levam a terem economia de escala ou até mesmo por integração vertical. Para que um novo participante entre nesta indústria, ele terá que se submeter a riscos elevados, uma vez que seus custos totais, supostamente, serão maiores. Outra barreira de entrada é o capital necessário para o investimento. Algumas indústrias, como a petrolífera e as mineradoras, possuem esta barreira em grau elevado. Para entrar, é necessária alta quantia de capital, importante para o investimento em tecnologia, capital humano, logística, áreas de exploração, enfim, quanto maior a quantia de capital necessária para a entrada na indústria, maior a barreira. 36 A diferenciação de produtos também limita pois quanto maior a diferenciação menor a competição no mercado e maiores serão os retornos financeiros, já que as empresas não serão obrigadas a competir em relação a preço, o que funciona como atrativo. A diferenciação cria um vínculo com a empresa, o cliente é fidelizado e a lealdade, neste caso, é alta, afastando o interesse de novos entrantes. Altos custos com mudanças funcionam quando se tem custo financeiro de treinamento em novas tecnologias, enfim, quando de alguma forma a mudança de empresa irá gerar transtornos aos clientes. Empresas que necessitam conquistar o espaço em canais enfrentando as já estabelecidas no mercado sofrem a barreira de entrada nos canais logísticos PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA e a conquista passa por oferecer melhores condições financeiras, o que reduz o lucro da empresa entrante. Entretanto, as que porventura tenham conseguido pular a barreira da economia de escala, neste momento, podem perder lucratividade se não obtiverem sucesso nos canais logísticos. Quanto maior a influência das empresas estabelecidas com os canais de distribuição, maior será a barreira de entrada. As restrições legais são barreiras que impedem a utilização de práticas ilegais na indústria; por exemplo, a área de atuação das empresas de telefonia celular e a lei que regula a emissão de monóxido de carbono pelos automóveis. O acesso à matéria-prima e às patentes se configura como barreira de entrada devido à dificuldade financeira e legal que cria para a entrada de novos participantes nas indústrias. A regulamentação governamental de certas indústrias também gera barreiras de entradas. 2.5.2 Poder de negociação dos fornecedores As empresas quando têm poucos fornecedores ou são pequenas e tem como fornecedores grande corporações, sentem mais intensamente esta força. Aumento de preços, redução de qualidade, entregas fora do prazo, diminuição de prazos de pagamento, não priorização dos pedidos são, segundo Porter 37 (1980), problemas que podem vir a ocorrer, outros casos de poder dos fornecedores são a indústria ter poucos fornecedores ou quando o produto fornecido é raro ou altamente diferenciado e até mesmo nas oportunidades que não favoreçam a possibilidade de integração para trás, ou seja, a própria empresa passar a produzir o que é comprado dos fornecedores. Entretanto, o contrário também é ruim, ou seja, o fornecedor ter condições de produzir o produto final, passando a ser mais um concorrente, que seria classificado como, integração para a frente. 2.5.3 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA Poder de negociação dos compradores O poder de negociação dos compradores é uma barreira de entrada importante, pois afeta diretamente a lucratividade da empresa. Os compradores podem forçar as empresas a reduzir preços, aumentar a qualidade dos produtos e ou serviços e ainda barganhar melhores condições de pagamento. Segundo Porter (1980), os clientes podem exercer influência exagerada por diversos motivos: por consumirem em grande escala, existindo a possibilidade de integração para trás ou quando são únicos. 2.5.4 Ameaça de produtos substitutos Isto ocorre quando produtos de outras empresas, nem sempre similares e nem sempre da mesma indústria, passam a suprir as mesmas necessidades dos clientes. Esta é uma das maiores ameaças que as empresas enfrentam, pois não se limita aos concorrentes do mesmo segmento. Como exemplo, uma nova tecnologia, mudanças regulamentadoras, ameaças pelas quais todas as empresas estão suscetíveis. Sempre que for economicamente atraente, a mudança para o produto substituto irá ser considerada, desde que não haja custos altos envolvidos nesta 38 troca. Por exemplo, as empresas aéreas enfrentam grande concorrência dos aparelhos de vídeo-conferência, o que faz diminuir a necessidade das viagens de negócios em muitos casos. 2.5.5 Rivalidade entre os concorrentes Segundo Porter (1980), a rivalidade é conseqüência da interação de diversos fatores: número de empresas participantes (quanto maior o número maior será a rivalidade), equilíbrio entre porte e recursos, taxa de crescimento PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA da indústria e proporção dos custos fixos em relação ao valor agregado. Em indústrias onde a taxa de rivalidade é muito alta, como a indústria de telefonia celular, a rentabilidade das empresas fica comprometida. Os custos de investimento em novos produtos, novas tecnologias e marketing são elevados, porém os preços cobrados não acompanham a escalada dos custos. O lado bom é que ele não é atrativo a novos entrantes. Portanto, não será mais desgastante a atuação nele, pelo menos não mais do que já é, uma vez que as empresas não terão novos rivais. 39 Tabela 2: Principais barreiras de entradas As Cinco Forças de Porter 1 – Ameaças de Novos Entrantes PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA 2 – Rivalidades entre Concorrentes Existentes 3 – Ameaças de Produtos Substitutos 4 – Poder de Negociação dos Compradores 5 – Poder de Negociação dos Fornecedores Fonte: Dias, 2004. Barreiras de Entrada Economia de Escala – Diferenças de Produtos Patenteados - Identidade de Marca - Custos de Mudança - Capital para Investimento - Acesso à Distribuição - Vantagem de Custo Absoluto Política Governamental Retaliação Esperada Crescimento da Indústria – Custo Fixo / Valor Adicionado - Excesso de Capacidade Produtiva Diferença entre produtos Identidade de Marca Custo de Mudança Concentração e Equilíbrio - Informação sobre Mercado - Diversidade de Concorrentes - Interesses Empresariais Desempenho do Produto Relativo dos Substitutos Custo de Mudança Propensão do Comprador a Mudança Volume do Comprador – Custo de Mudança Informação do Comprador - Possibilidade de Integração para trás Produto Substituto Capacidade de “Empurrar” Produtos - Preço / Compras Totais Diferença entre Produtos Identidade de Marca Qualidade / Desempenho do Produto - Lucro do Comprador - Incentivos dos Tomadores de Decisão Diferenciação de MatériaPrima - Custo de Mudança (Para fornecedores e empresas) - Presença de Produtos Substitutos Concentração de Fornecedores Importância do Volume para o Fornecedor - Custo relativo a Compras totais na indústria - Impacto da matéria-prima sobre custo ou diferenciação Ameaças de Integração para a frente 40 2.6 Tipologias estratégicas 2.6.1 Tipologia de Porter A proposta de Porter (1980,1985) enfatiza o ambiente externo à empresa. Considerando o modelo das cinco forças, ele afirma que a estratégia e conseqüentemente o desempenho são fortemente afetados pelo ambiente externo à empresa; as estratégias competitivas podem ser consideradas como PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA uma das maneiras de se proteger do ambiente e ao mesmo tempo aproveitar as oportunidades. A rentabilidade pode ser buscada por meio de três tipos diferentes de estratégias genéricas, a diferenciação, o enfoque e a liderança em custo. Para Porter, as empresas que obtêm melhores desempenhos são as que conseguem desenvolver estratégias que possam ser classificadas como uma das três estratégias genéricas. Existe ainda uma quarta opção, que seria a combinação de fatores de diferentes estratégias genéricas, ou seja, combinando elementos de diferenciação e liderança em custo, por exemplo, neste caso, o desempenho não seria o ideal, daí Porter classificar esse tipo de estratégia como stuck-in-the-middle. VANTAGEM COMPETITIVA Custo Diferenciaç ão ESCOPO COMPETITIVO Alvo Amplo Alvo Estreito 1. Liderança através do Custo Total 3A. Enfoque em Custo. Figura 6: As estratégias genéricas de Porter (1980). 2. Diferenciação 3B. Enfoque em Diferenciação 41 2.6.1.1 Estratégia de liderança através do custo total A empresa que buscar a diferenciação através da liderança no custo total deve ser capaz de ter custos menores que os concorrentes. Todos os setores da empresa, desde P&D até a força de vendas, passando pelo controle de qualidade na fábrica, devem ter como meta a redução dos custos, que pode ser adotada por qualquer empresa de qualquer segmento. Aquelas que buscam custos mais baixos se protegem da concorrência de diversas maneiras. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA Uma delas seria dificultar a entrada de novas empresas; ao ser quando pressionada por fornecedores ou compradores, ela teria como melhor negociar. Se houver guerra de preços no segmento do qual participa, a empresa estaria mais bem preparada, pois teria os menores custos, neste caso, a rentabilidade dos concorrentes seria mais afetada, uma vez que provavelmente terão maiores custos totais. Supostamente, este tipo de estratégia genérica pode ser perseguido por diversas empresas, mas só pode existir um líder por segmento, caso contrário, a guerra de preços desestruturaria totalmente o mercado. Algumas características endógenas e exógenas à empresa são fundamentais para que o desempenho esperado seja alcançado: possuir alta parcela do mercado, métodos de controle da produção (qualidade total), investir em novos métodos produtivos, excelência em atendimento ao cliente e vendas em grandes volumes para grupos específicos de clientes. No entanto as empresas que optarem por esta estratégia não podem se esquecer da diferenciação, produtos não desejados necessitam de preços muito baixos para serem consumidos, o que pode vir a anular o diferencial de custos reduzidos. 42 2.6.1.2 Estratégia de diferenciação O ponto central deste tipo de estratégia é ter um produto que aos olhos do cliente seja único, ou seja, a empresa deve buscar ter um produto ou serviço que seja singular, que se destaque dos concorrentes. Para Hunt & Morgan (1995), devido à heterogeneidade de gostos e necessidades, é cada vez mais difícil para as empresas atingirem todo o mercado com um produto. Existem diversos nichos de mercados e cada um deles valoriza diferentes aspectos dos produtos; demandando uma necessidade diferente. Os meios de diferenciação PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA são diferentes mas algumas características são imprescindíveis em qualquer tipo de segmento, mesmo sendo mais ou menos valorizadas. A diferenciação pode ser obtida de muitas formas, um atributo técnico do produto, garantia, o relacionamento com o cliente, com os fornecedores, entre outras. Mesmo adotando esta estratégia genérica, a empresa não deve subestimar os custos. Em um contexto de alta rivalidade ter custos controlados se torna um grande diferencial. Essa estratégia oferece às empresas defesas contra as forças do mercado, pois diferentemente das empresas que optaram pela liderança em custo, os clientes são mais leais aos produtos/serviços neste caso, o que faz com que a sensibilidade a preço, para os consumidores, seja menor e, conseqüentemente, para a empresa aumentar as margens de lucro não é um grande desafio. O grande objetivo final da diferenciação é criar um produto que leve os consumidores a pagarem um preço superior ao custo da diferenciação. 2.6.1.3 Estratégia de enfoque Por fim, existe uma terceira estratégia genérica, a de enfoque, de aplicação restrita. A empresa deve focar em segmentos específicos que a 43 princípio não sejam atendidos satisfatoriamente pelos concorrentes; tal estratégia consiste na capacidade de atender melhor seu público alvo do que as empresas que se propõem a atender o mercado como um todo. Ela reúne elementos das estratégias de enfoque em custo e diferenciação, tendo a oportunidade de atender os clientes seja por custos mais baixos - enfoque em custo ou pela diferenciação de seu produto/serviço – seja pelo enfoque em diferenciação. Segundo Porter (1985), se o segmento alvo da empresa que optou por esta estratégia não for diferente de outros, ela não obterá sucesso. O êxito só ocorrerá se o segmento escolhido for estruturalmente atrativo, ou seja, se existe PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA a possibilidade de sucesso de uma estratégia de enfoque sustentável. 2.6.1.4 Stuck-in-the-Middle Essa é a forma pela qual Porter (1980, 1985) classifica as empresas com resultados inferiores. Quando comparadas às empresas que optaram por uma das estratégias genéricas, têm baixa rentabilidade e baixa participação de mercado, ou seja, não possuem qualquer tipo de vantagem competitiva. A expressão é traduzida como sendo “meio-termo”, não é correto afirmar que essas empresas não empregam métodos e armas competitivas de uma ou mais estratégias genéricas, mas apenas que a sua estratégia carece de consistência interna (Dess & Davis, 1984). As empresas que se utilizam deste método só terão lucros atrativos se o mercado for altamente favorável ou se os concorrentes também forem classificados como meio-termo. Quanto maior for o grau de maturidade da indústria, maior será a disparidade, em termos de desempenho, das empresas que optaram por uma das estratégias genéricas e das que são classificadas como meio-termo. 44 2.6.2 Críticas ao modelo de Porter e novas tipologias 2.6.2.1 Crítica à liderança através do custo total A liderança de custos, segundo Porter (1980), é um dos caminhos que as empresas têm para conseguir vantagem competitiva sustentável perante os rivais; já para Faulkner & Bowman (1992), associar a liderança de custos à atuação de empresas em segmentos de preços baixos para o público de baixa PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA renda é incorreto, pois nem sempre essas variáveis têm que andar de mãos dadas. A vantagem competitiva conseguida desta maneira é combatida por Mintzberg (1988); para ele, os produtos que se beneficiariam deste modelo não seriam percebidos como diferentes para os consumidores quando comparados com concorrentes. Desta maneira, não conseguiriam atingir escala para sustentar por muito tempo a vantagem de custos. A empresa para conseguir ser líder em custos tem que estar sempre na vanguarda tecnológica para evitar desperdícios em sua produção, atenta à sua gestão como um todo, além de ter produtos que despertem o interesse dos consumidores. O ponto de maior discussão deste modelo é quanto a sua implementação; pela necessidade de conhecer os custos dos concorrentes, normalmente estes são dados internos de cada empresa, não divulgados para o mercado. 2.6.2.2 Crítica à diferenciação Para alguns autores, a liderança baseada na diferenciação proposta por Porter é, na verdade, composta por diversas estratégias competitivas, pela necessidade de diferentes competências para sua implementação. 45 Miller (1990) sugere uma divisão, a composição seria qualidade, inovação e imagem. Portanto, a busca pela diferenciação poderia ser através de um desses caminhos e a estratégia para cada um deles é diferente. No entendimento de Porter, não seria possível uma empresa ser bemsucedida se buscasse ao mesmo tempo ser líder em custo e diferenciação. Só na ocorrência das seguintes premissas: quando todos concorrentes fossem stuck-in-the-middle, quando a participação de mercado influenciasse o custo e quando a empresa tivesse acesso à inovação que fosse protegida por patentes. Entretanto, outros pesquisadores confirmaram que esta suposição é falsa, o sucesso de empresas que implementaram, ao mesmo tempo, estratégias de PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA custos e de diferenciação pode ser comprovado. Para Sharp (1991) e Hill (1988), as duas estratégias podem até mesmo ser complementares: se por meio da diferenciação, determinado produto for reconhecido como superior ao dos concorrentes, e conseqüentemente gerar maiores vendas que sejam suficientes para a empresa ganhar na economia de escala, desta forma, as duas estratégias poderiam ser alcançadas com sucesso. 2.6.3 Tipologia de Mintzberg Para Mintzberg (1988), a estratégia pode ser resumida em cinco conceitos; 1 – Estratégia é um plano que indica direção ou curso de ação para o futuro; 2 – Estratégia é um padrão de comportamento ao longo do tempo; 3 – Estratégia é a localização ou posicionamento de um produto ou serviço em determinado mercado; 4 – Estratégia é uma perspectiva, ou seja, uma maneira de fazer coisas; 5 – Estratégia é uma ação para enganar ou ultrapassar seu concorrente. 46 Mintzberg (1988) propôs uma tipologia mais complexa e mais detalhada se comparada à de Porter (1980). A estratégia genérica é composta por vários níveis: localização, caracterização, elaboração, extensão e reconcepção. Localização - O nível da localização pode ser dividido em duas dimensões. Na primeira, se concentram o mercado, os concorrentes e os setores industriais; na segunda, estão os processos internos da empresa. Neste nível, é demonstrado o posicionamento estratégico da empresa perante o mercado. Caracterização - São as peculiaridades da empresa que a possibilitam PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA optar por uma determinada estratégia genérica que alcance o diferencial que irá proporcionar a sobrevivência da empresa. Também existem duas dimensões. Na primeira, o foco está concentrado nos consumidores e suas percepções; na segunda no mercado alvo que a empresa queria atingir. Mintzberg (1988) detalhou a diferenciação em diversas formas, como preço, imagem, suporte, qualidade, design e não-diferenciação. Uma das maneiras mais básicas de diferenciação é a por preço, cobrar um preço menor ou maior do que os praticados pela concorrência. Em mercados de pouca diferenciação de produtos, como os commodities, essa prática é mais difundida. Nas indústrias de maior concorrência, se o custo de produção de uma empresa for o menor do mercado, uma redução no preço compensada pelo aumento no volume das vendas pode ser benéfica para a empresa. Porém Mintzberg deixa claro que existe uma grande diferença entre diferenciação por preço e minimização do custo; para ele, o custo mais baixo está diretamente ligado a piores produtos e menores níveis de serviço. A diferença por imagem que Mintzberg sugere pode ser alcançada de diversas formas, seja através de propagandas, embalagem, marca opcional, dentre outros. Entretanto, todas têm o mesmo objetivo, desenvolver uma imagem que torne seu produto distinto dos demais concorrentes. A diferenciação por suporte ou periférica consiste em oferecer serviços ou até mesmo itens complementares que farão com que os clientes possam 47 usufruir melhor o produto; tais complementos não necessariamente irão alterar a composição técnica do produto. A escolha da diferenciação por qualidade está baseada principalmente nos atributos do produto em si. A qualidade em questão pode ser alcançada através da maior confiabilidade, diretamente ligada aos processos e produtos da empresa; da maior durabilidade, utilização de melhores matérias-prima na construção e, por último, no melhor desempenho do produto. Entretanto, este tipo de diferenciação acarreta custos mais elevados, o preço do produto também será mais elevado que o da concorrência. Quando a empresa opta por oferecer um produto com características PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA diferentes da concorrência, esta é a forma da diferenciação por design a ser implementada. Neste caso, o produto deve ser inovador, diferente dos demais e não apenas melhor. Finalmente, a não-diferenciação, estratégia muito utilizada, baseada em empresas que copiam produtos, serviços ou até mesmo estratégias de outras empresas, suportando através do marketing esses produtos sem qualquer tipo de inovação. Mintzberg não condena tal ação, nem considera que esta estratégia irá resultar em desempenho inferior. Elaboração - O terceiro nível, a empresa se preocupa com os meios pelos quais irá optar para garantir a aplicabilidade da estratégia escolhida, ou seja, a empresa deverá definir estratégias secundárias de pesquisa e desenvolvimento de produtos e de penetração e conquista de mercado. Extensão - Mintzberg classifica como o quarto nível as operações que não fazem parte do core bussiness da empresa, ou seja, suas atividades paralelas. Reconcepção - É o quinto nível, a redefinição de todos os níveis superiores, atividade extremamente importante para a empresa; na busca por novos caminhos é importante que esteja sempre em sintonia com o mercado. 48 2.6.4 Resource-Based View Dentre os vários caminhos que podem ser seguidos dentro do tópico estratégia, é crescente a quantidade de estudos sobre empresas em redes união que ocorre de várias formas: fusões, aquisições, joint-ventures, alianças, entre outras formas de colaboração entre empresas. Quando uma série de alianças estão interligadas, acabam por formar redes. Gomes-Casseres (1996) definem a formação de redes como uma “constelação de empresas”, na verdade, atuando em conjunto, não se deve PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA pensar exclusivamente em si, mas em vantagens competitivas que beneficiem as empresas que formam a rede. Para Collins (1991), a empresa não deve ser compreendida apenas pelo desempenho de seus produtos no mercado, mas sim como um conjunto de recursos tangíveis e intangíveis. Na arena competitiva, ou seja, no ambiente de negócios, alianças e parcerias podem ser entendidas como fruto de uma rede de relacionamentos mais abrangentes, Doz & Hamel (1998). Alianças estratégicas são ações cooperativas, cessão de recursos, entre duas ou mais empresas para melhorar a performance e o posicionamento competitivo. As empresas que participam de alianças estratégicas muitas vezes são concorrentes em um mercado e aliadas em outro, dualidade que torna a administração das alianças ainda mais complexa e delicada. Portanto, a construção e a manutenção das alianças e parcerias devem ser efetivamente observadas e administradas para que os benefícios vislumbrados possam ser concretizados. As parceiras estratégicas, (Doz & Hamel, 1998), e a formação das redes de alianças, (Gomes-Casseres, 1996) são devido à reação dos estímulos provocados pelo mercado, no qual a complexidade é crescente, além da dificuldade de criar verdadeiras vantagens competitivas que possam ser mantidas. Este é um dos motivos que levam as empresas a optar por fazer alianças e parcerias. 49 A definição dos parceiros é um tópico bastante complicado, o que leva uma empresa a definir suas parceiras? Segundo Gulati (1999), as ações estratégicas são afetadas pelo contexto social na qual estão imersas, que inclui os relacionamentos intra e extraorganizacionais; ainda segundo Gulati (1999), as empresas escolhem as parcerias analisando informações de parcerias passadas, não necessariamente que tivessem envolvido; mas de empresas e/ou parceiros com as mesmas características dos envolvidos na atualidade. Uma tradicional explicação para a formação de alianças são os custos de transação envolvidos, mesmo com os custos de manutenção das alianças, os benefícios provenientes dela aumentam sua importância. Portanto, um dos principais PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA benefícios é o desenvolvimento de novos recursos através da aliança, e também do acesso a recursos até então não possíveis. Para que uma estratégia possa ser considerada bem sucedida, ela deve estar de acordo com os valores e objetivos da empresa, com o ambiente externo e os recursos disponíveis e suas capacidades. Qualquer tipo de interferência ou falta de harmonia entre esses requisitos gera grande possibilidade de resultado negativo. Para Barney (1991), na obtenção da vantagem competitiva sustentável os recursos da empresa devem seguir certas regras; os produtos da empresa devem explorar as oportunidades do ambiente ou neutralizá-las. Ofertar produtos com qualidades raras, ou seja, de difícil imitabilidade e substituição. Grant (1998) tem uma visão complementar à de Barney, os recursos não devem se tornar obsoletos rapidamente; outra característica é que o produto não seja transparente, mas sim um produto de difícil cópia; não ser transferível, tendo como única fonte de venda a própria empresa e, por último, não replicáveis através de desenvolvimento interno. Existem diversos autores com visões diferentes do que seria necessário para a manutenção da vantagem competitiva, mas em um ponto todos concordam, para explorar e desenvolver tal vantagem, as empresas devem possuir recursos que criem valores raros e não sejam imitados. Cada vez mais é difícil criar valores deste porte; além disso, devido à crescente complexidade 50 dos mercados, dificilmente as empresas terão acesso a todos os recursos necessários para competir eficientemente nos mercados de que participam. Normalmente, elas procuram parceiros que sejam complementares, que tenham recursos diferentes, Gulati, et al, (2000), em particular, procuram por parceiros que tenham recursos especializados que não sejam oferecidos por outras empresas. Por outro lado, existem os defensores da teoria na qual recursos similares propiciam uma oportunidade de ganho de escala, recursos diferentes, porém complementares, possibilitam o ganho de escopo, criação e desenvolvimento de novos recursos. A união de empresas buscando atuar conjuntamente não é um fato PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA novo. Desde o fim da Primeira Guerra, os cartéis de empresas americanas e européias comprovam esta tese, mas existem algumas mudanças de conceitos em relação à parceria convencional e ao que hoje é considerada parceria. Essa mudança de paradigma foi estudada por Doz & Hamel (1998); para eles as alianças são respostas às forças competitivas emanadas do mercado atual. As organizações estão tentando, a partir deste movimento, obter vantagens competitivas firmes e duradouras. A performance e a conduta das empresas podem ser mais bem compreendidas se suas redes de relacionamento forem estudadas, seguindo assim a abordagem relacional sobre este assunto de Gulati et al (2000). As competências não são mais um recurso da vantagem competitiva, agora são fruto do conhecimento coletivo de toda rede de relacionamento, desde os parceiros até os clientes, passando pelos investidores. Normalmente, os recursos provenientes das parcerias podem contribuir positivamente para o resultado da parceria em geral, por ou serão negativos se neles forem encontradas características indesejáveis. O acesso mais fácil a recursos com a parceria ou a aliança constitui uma oportunidade; esse aspecto de compromisso com a parceria pode ser considerado uma ameaça para a mesma, (Gulati et al, 2000), uma vez que sufoca as empresas dentro de suas parcerias; a perda de oportunidades por falta de recursos especializados tende a ter uma maior probabilidade de ocorrer, ou 51 seja, as empresas deixam de aproveitar novas oportunidades de construção de novas parcerias. Existem, porém, diferenças de perspectivas entre a escola de posicionamento, a do Resource-Based View - RBV e da relacional. Enquanto a escola de posicionamento se fundamenta através da diferenciação de posicionamento ou na superioridade de performance de baixo custo, (Porter, 1980), o RBV está relacionado com os recursos internos da empresa, (Wernerfelt, 1984). A perspectiva relacional dá ênfase à rede de relacionamento da empresa, justamente a fonte da vantagem competitiva. De qualquer maneira, é PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA correto afirmar que nem a RBV, nem a escola de posicionamento proporcionam completo entendimento quando analisadas separadamente; mas combinadas proporcionam, sim, o entendimento completo da estratégia a ser adotada. De acordo com Gulati et al (2000), as diferenças de perspectivas, a tradicional, e também a relacional, não são exclusivas. Entretanto, combinando-as, enaltecem uma visão mais robusta e integrada das implicações que possam causar fraquezas, riscos, ameaças e oportunidades, tanto da empresa quanto de mercado. Já segundo Gomes-Casseres (1994), o posicionamento em redes de aliança é a essência da competição e a vantagem competitiva deve ser de todas as empresas envolvidas na rede de relacionamento e não de uma empresa singular. Devido a grande complexidade, quanto maior o número de parceiros, mais difícil se torna a função de administrar a rede de relacionamento. Estudos de Doz & Hamel (1998) comprovam a dificuldade da criação de valor em conjunto, do alinhamento das estratégias das empresas componentes da rede de relacionamento. Em estudos mais recentes, é ressaltada a importância do gerenciamento das alianças mais efetivamente que os concorrentes, criando realmente valor para os clientes e obtendo a tão desejada vantagem competitiva. Os clientes devem ser vistos como fonte primordial para a 52 avaliação das redes de relacionamento; canais para que os mesmos possam expressar sua opinião devem ser disponibilizados. Neste novo paradigma em que se encontram as empresas, a atuação em rede se torna fundamental para poder enfrentar melhor as dificuldades mercadológicas, ou seja, focar no core business da empresa. As parcerias seriam responsáveis pelo resto da cadeia de valores em que a empresa estiver envolvida, não havendo mais razão para as empresas atuarem sozinhas. Ao operar em redes de relacionamento, elas se tornam mais flexíveis justamente por terem à disposição mais recursos, pela maior facilidade de desenvolver PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA recursos ou até mesmo para contratá-los. 3 Histórico do mercado automobilístico O relato abaixo, do item 3.1 ao 3.2, foi baseado em reportagens da revista Quatro-Rodas. 3.1 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA Histórico brasileiro O Brasil tornou-se peça importante da engrenagem industrial mundial. Encontra-se entre os 10 maiores produtores e consumidores de automóvel do planeta, segundo dados da Fenabrave. Em 2005, a participação brasileira na produção mundial de veículos chegou a 3% da indústria global, à frente da Inglaterra e Itália. Logicamente, as questões econômicas não devem ser esquecidas. Existe a necessidade de uma nova política de distribuição de renda, o crescimento econômico do país e um plano de manutenção da estabilização econômica. Estes são pilares importantes que contribuirão para o avanço das indústrias de bens de consumo. No começo do século XX, o Brasil ainda era um país dependente da agricultura, em termos econômicos; na década de 30, posteriormente à revolução, Getúlio Vargas implantou novas metas políticas e sociais que iriam fomentar o que viria a ser a largada para as indústrias no Brasil. No começo, a indústria automobilística brasileira apenas montava carros, nada era produzido no país. Automóveis e ônibus vinham desmontados e as fábricas tinham o trabalho de juntar as partes. Uma das primeiras montadoras foi a Grassi, que desde 1908 montava carrocerias de ônibus. Os dois maiores representantes da indústria americana aportaram na Brasil nesta época, a Ford, presente no Brasil desde 1919, também teve sua 54 fase de montadora com o clássico Ford T e a GM chegou ao país em 1925, adotando o mesmo processo produtivo. Pouco antes da Segunda Grande Guerra, nossa indústria de autopeças não passava de pequenas fábricas de pneus, mangueiras, molas, baterias e carrocerias rudimentares de caminhões. Depois da Segunda Guerra Mundial, o Brasil tinha uma frota de automóveis envelhecida, já que as fábricas norteamericanas tinham focado toda a produção em veículos militares. Desta forma, empresas locais passaram a ter que suprir o mercado de reposição de peças, iniciando assim a indústria de autopeças. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA De 1945 a 1952, o Brasil passou a ser um importador ávido de automóveis; a inflação galopante contribuía para tornar os produtos importados mais interessantes, sendo o período em que o país gastou mais em automóveis do que em petróleo e trigo, produtos também importados, porém, para a implantação de indústria automobilística no país era necessário o investimento em maquinário, matérias-primas diversas e principalmente criar meios para a produção de energia, além disso, uma das medidas tomada pelo governo foi a restrição da importação de veículos. 3.1.2 A década de ouro Um dos grandes desafios para a implantação da indústria automobilística foi convencer que o país era viável para a produção de automóveis, pois os grandes fabricantes não pensavam desta forma. Suspeitavam não encontrar mão-de-obra especializada, matéria-prima e parque industrial necessário. Alguns passos foram necessários, o principal, a restrição da importação de autopeças. Foi proibida, em 1953, a importação de automóveis inteiros, um 55 importante ato. Diversas empresas aportaram no país depois desse embargo, nascia assim a indústria automobilística brasileira. Portanto, em 1953 saiu do papel a fábrica da Volkswagen em São Paulo, assim como a Mercedes-Benz e Wills-Overland também erguiam suas fábricas em São Paulo. O ABC paulista oferecia incentivos fiscais às fábricas, entretanto, o grande avanço só viria com a formação do GEIA - Grupo Executivo da Indústria Automobilística. Em 1956, Juscelino Kubitschek instituiu o GEIA, que iria normatizar e supervisionar a criação da indústria brasileira. A produção de automóveis necessitava de fábricas, mas se fazia necessário o suporte da rede de PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA concessionários, de fábricas de autopeças, além de serviços complementares de infra-estrutura; o cumprimento de todas essas etapas só foi possível devido às ações tomadas nos governos anteriores. Duas empresas estatais foram determinantes para a criação da indústria automobilística brasileira, a Petrobras, fundamental para a produção de petróleo e derivados, e a CSN, responsável por alavancar a siderurgia no país. O avanço tão grandioso, da indústria brasileira, em tão pouco tempo pode ser explicado também devido ao investimento das empresas em equipamentos e ferramentais já ultrapassados em outros mercados. A Europa e os Estados Unidos, nesta época, estavam renovando seus parques industriais, portanto, as empresas brasileiras fabricavam carros defasados tecnologicamente, todavia, contavam com consumidores ávidos pelos seus produtos devido ao embargo alfandegário. O ímpeto consumista brasileiro levou em 1964 o Brasil ao nono lugar como produtor mundial de automóveis, com 183.721 unidades, dados da Anfavea. 56 3.2 Panorama do mercado nacional – abertura do mercado A abertura da economia brasileira na década de 90 afetou profundamente o setor automobilístico; o então presidente Fernando Collor queria modernizar a indústria, promovendo a concorrência aberta, entretanto, não foi estabelecido qualquer mecanismo de defesa contra as importações e nenhum preparo feito por parte das empresas nacionais. Como conseqüência, a abertura de mercado exigiu uma remodelação completa das estratégias vigentes, a fim de se adaptarem às novas regras do mercado. Durante o período PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA em que as importações ficaram proibidas foi cultivada a produção de modelos locais, gerando enorme defasagem tecnológica, provocada principalmente pela falta de investimento e pela barreira na entrada de novas tecnologias. Segundo Botelho (2002), as empresas antes da abertura de mercado não se preocupavam com a qualidade dos produtos nem com preços, apoiavam seus padrões de organização do trabalho no taylorismo/fordismo, a baixa produtividade, baixa qualidade de produtos, baixo nível de automação da produção, conflitos na cadeia produtiva, conflitos com os trabalhadores e produtos antigos e ultrapassados, este era o cenário da indústria automobilística. A reestruturação ou modernização das empresas brasileiras pode ser considerada como defensiva e conservadora, uma vez que o principal objetivo era defender a participação de mercado, mas, para isso, ainda apostavam em produtos defasados tecnologicamente; mesmo antes da década de 90 as grandes empresas já procuravam aumentar a produtividade e diminuir custos, soluções caseiras, o álcool funcionando como combustível alternativo e a formação da engenharia nacional. Durante o começo do plano real, a indústria automobilística esteve envolvida em um ambiente que priorizou a estabilidade ao crescimento; uma das soluções para não perder mercado foi a criação dos “carros populares” ou “carros 1000”, os mais baratos do mercado, preço reduzido devido a incentivos 57 fiscais, o objetivo era atender a um público que não tinha acesso a carros novos, não encontrava concorrentes importados e principalmente suportando as empresas locais, margem necessária para a manutenção de preços competitivos em outros segmentos. Em 2005, a nova aposta da indústria automobilística são os carros flexíveis ou bicombustível que funcionam com álcool ou gasolina, tecnologia totalmente brasileira. O acirramento da concorrência provocou uma completa reestruturação das indústrias brasileiras. As empresas estrangeiras proporcionvam melhores produtos com qualidade superior, a preços competitivos; a indústria brasileira teve que avançar a uma velocidade impressionante para recuperar a defasagem tecnológica e brigar em igualdade PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA com as empresas que estavam aportando no país. Segundo Silva (2002), a indústria automobilística reformulou sua estratégia e passou a priorizar a relação com o consumidor. Passou por outras mudanças, como a adoção de novos métodos de gestão, aprimorou-se tecnicamente automatizando diversos processos, investiu em mão-de-obra qualificada, na formação de parcerias, enfim, a intenção era reformular para atender o mercado interno e também o mercado externo. Entretanto, esta reestruturação do mercado levou as empresas a rever toda a cadeia de fornecedores, saindo mais prejudicados os pequenos e médios empresários que não tinham capital para modernizar suas fábrica e, portanto, obrigados a fechálas ou venderem para o capital estrangeiro. A classe trabalhadora também foi afetada com a constante redução de vagas no setor e a deterioração das relações de trabalho, porém, existe um lado positivo, a dispersão da indústria no território brasileiro. 3.3 Competitividade da indústria automobilística A partir do final dos anos 90, a estratégia das empresas automobilísticas brasileiras se concentrou na construção de novas fábricas, mais modernas e com a intenção de competir também no Mercosul. Essas 58 plantas são grandes complexos industriais em que diversos fornecedores de autopeças estão integrados à cadeia produtiva; as fábricas de automóveis adotaram, portanto, um sistema desverticalizado, bem diferente do adotado na década anterior, criando maior integração entre as fábricas e autopeças, fortalecendo a relação cliente-fornecedor, virtualmente funcionando como uma grande empresa. Empresas como a VW, Ford, Renault, Peugeot/Citroen, GM e até mesmo a Toyota e a Honda operam de forma desverticalizada, através do modelo de produção conhecido como just-in-time, na qual as partes integrantes do veículo chegam à fábrica somente na hora de sua utilização, minimizando PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA gastos com estocagem de material, portanto, as empresas estão tentando reduzir seus custos, não importando em que faixa do mercado atue. A guerra de preços, muito utilizada no segmento entrada, normalmente os carros 1000. A redução de custos foi fundamental para a exploração deste nicho de mercado com tanto sucesso. O grande sucesso neste nicho está diretamente relacionado a mudança de postura das empresas. O mercado dos “populares”, ao contrário do que possa parecer, é um mercado de barreira tecnológica alta, as empresas tiveram que investir bastante para que pudessem oferecer produtos neste segmento, uma vez que não produziam motores de tão baixa cilindrada. As empresas estrangeiras não tinham preços competitivos para entrar neste nicho, criando-se, assim, um nicho de mercado onde somente as empresas nacionais disputavam, como antes da década de 90. Portanto, a grande vantagem competitiva das empresas nacionais foi através do melhor conhecimento do mercado, como, por exemplo, ter explorado o nicho dos carros populares, inexistente até então. A busca constante por novos mercados e novos produtos transformou o que era uma indústria atrasada e isolada do mundo em referencial tecnológico para o mundo, de acordo com a revista Quatro-Rodas. A capacitação tecnológica é tamanha que o Brasil passou a ser reconhecido como um país importante, diversos projetos mundiais contando com a colaboração de projetistas e engenheiros brasileiros, muitos automóveis sendo projetados em 59 conjunto com o Brasil e depois exportados para a Europa e Mercosul, como foram os casos do Fox da VW, do Ecosport da Ford e do GM Prisma. 3.4 Posicionamento da indústria automobilística A indústria automobilística passou por um momento bastante complicado no começo dos anos 90, tendo de enfrentar a entrada de produtos importados e também afetada pela política econômica que priorizou a estabilidade da moeda ao crescimento econômico do país. Antes da abertura PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA eram quatro empresas que dominavam praticamente 100% do mercado; em 2006, a fatia correspondente a elas é de aproximadamente 83%, segundo dados da Anfavea. Apesar da mudança, o mercado ainda pode ser considerado um oligopólio misto, o crescimento se baseia no aumento da demanda, em novos nichos e no maior consumo; as empresas buscam conquistar clientes não só através do preço baixo, mas também pelas inovações tecnológicas, melhores serviços, enfim, buscando oferecer produtos diferenciados. A principal barreira de entrada da indústria automobilística é financeira e no caso do Brasil técnica também, pois o maior nicho de mercado, carros populares, é uma característica praticamente única, onde nem todos conseguem obter escala para produzir carros para este segmento; como existe guerra de preço neste segmento, a vantagem competitiva passou a ser oferecer diferenciais, acessórios, ter melhor controle dos custos operacionais e investir em novas técnicas de produção. A principal fonte de preocupação, para todas as empresas que atuam no mercado brasileiro, é com os custos. O consumidor brasileiro é muito sensível a preço, portanto, para serem competitivas elas devem ter um forte controle sobre seus custos. Outra característica do período pós-abertura do mercado, para Silva (2002), é a inserção da indústria automobilística brasileira na globalização do 60 setor, contribuindo também para a adoção de novos processos gerenciais, no investimento em novas tecnologias e em novos produtos, maior integração com fornecedores – desverticalização, resultando, assim, em empresas mais competitivas e em um mercado mais maduro e cada vez mais competitivo. 3.5 Tecnologia e futuro O Brasil hoje é o nono maior produtor de automóveis do planeta, segundo dados da Fenabrave, à frente de mercados tradicionais como PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA Inglaterra e Itália; muitos automóveis são exportados do Brasil, não só para países do Mercosul, mas para a Europa, caso do VW Fox, carro desenvolvido e produzido no Brasil. O país passou a ser um centro de referência mundial, com vários projetos desenvolvidos exclusivamente por projetistas brasileiros, como o novo Vectra, a linha Adventure da Fiat, que apostou no filão dos utilitários esportivos sem tração 4x4 e acabou criando um novo nicho de mercado; hoje, são várias as empresas que têm em sua linha pelo menos um modelo com roupagem "fora-de-estrada". Grande parte do investimento feito no Brasil pelas empresas automobilísticas, de acordo com a revista Quatro-Rodas, foi para o desenvolvimento dos centros de pesquisa. A VW, GM, Ford e Fiat têm centros de estilo no país e a Renault está com planos para a construção, dessa forma atendendo a demanda de produtos nacionais e do Mercosul, assim como auxiliam no desenvolvimento de produtos para países emergentes e projetos de carros mundiais. A GM brasileira desenvolveu um software, o campo de prova virtual, que simula a utilização de um modelo sem ao menos ele existir, assim todos os testes de rodagem, consumo, desempenho e fadiga são feitos virtualmente, economizando tempo e dinheiro dos projetistas que são capazes de fazer reparo na fase inicial do projeto, atualmente este software é utilizado na matriz para o 61 desenvolvimento de produtos que irão atender ao mercado americano, segundo a Quatro-Rodas. O centro de pesquisa da GM no Brasil é responsável pelo desenvolvimento de todos os modelos de picape média da empresa. Em 2003, o centro da Fiat recebeu investimentos da ordem de R$ 400 milhões de reais, sendo o único fora da Itália. A Ford planeja para 2008 o lançamento de um carro que seja 100% desenvolvido no Brasil. Portanto, o Brasil deixou há pouco tempo de ter uma indústria automobilística parada no tempo, com fábricas ultrapassadas e modelos de gestão não competitivos, resultando em carros defasados tecnologicamente PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA para ser um dos maiores mercados mundiais e referência de mão-de-obra qualificada, tecnologia e produtos altamente competitivos. 3.6 Geração de empregos Como já mencionado, no início da indústria automobilística houve uma concentração de fábricas em São Paulo devido aos incentivos fiscais da época; entre as décadas 70-90, a produção industrial aumentou de 25% para 47% e a participação na geração de emprego foi de 30% para 40% (Diniz e Santos, 1995). Com a abertura do mercado em 1990, uma grande reformulação foi proposta e novas políticas industriais e de comércio exterior foram implementadas; mesmo assim, o país passou por uma grande recessão econômica. A década de 90 pode ser caracterizada como uma década de políticas antiinflacionárias e de políticas de abertura indiscriminada ao exterior que ameaçavam fortemente, minando as bases das indústrias brasileiras. A reestruturação da indústria automobilística provocou uma mudança na relação de trabalho e também na localização de novas empresas, novos pólos industriais criados em Resende, RJ, em Camaçari, Bahia, até mesmo Gravataí, RS e São José dos Pinhais, no Paraná. 62 Segundo Botelho (2002), a geração de emprego caiu drasticamente após a implantação de novos métodos produtivos, as empresas passaram a ter menos postos de trabalhos porém, com aumento da produtividade. Mas se por um lado houve redução da oferta de empregos, ocorreu maior diversificação de localidades das fábricas. Apesar disso, em 2005 a indústria automobilística empregou aproximadamente 94 mil funcionários, maior número de empregados desde 1997, segundo dados da Anfavea. 3.7 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA Indústria automobilística mundial Devido à enorme competitividade industrial no setor, as empresas automobilísticas americanas, européias e japonesas investem pesadamente em novos produtos, automatização da produção, novos métodos de gestão, buscando ter um diferencial competitivo. A busca por novos mercados e o lançamento de novos produtos que satisfaçam os consumidores nos mais diversos nichos de mercado têm sido considerados um fator estratégico importante; o investimento em pesquisa e desenvolvimento de produtos é uma característica de empresas automobilísticas, além de o ciclo de vida dos automóveis estar cada vez menor. No começo do século XX o design de um automóvel durava décadas, nos dias de hoje não chega a cinco anos sem ao menos sofrerem um face-lift, ou seja, uma leve reformulação. Essa mudança também pode ser explicada pela grande concorrência, as empresas buscando cada vez mais disponibilizar no mercado novos produtos para incentivar seus clientes a trocarem de veículos. A tecnologia tem papel importante, já que o tempo e o custo para o desenvolvimento de novos produtos caíram de forma consideravel. Dessa forma, as empresas conseguem recuperar o investimento mais rapidamente, não precisando deixar o modelo no mercado por muito tempo para reaver o investimento inicial, possibilitando desenvolver novos produtos e chegando ao mercado com mais agilidade, 63 aproveitando melhor as oportunidades e satisfazendo prontamente as necessidades do mercado. Devido ao contexto de grande competitividade em que está inserida a indústria automobilística, o mero lançamento de novos produtos de forma rápida e eficiente não garante às empresas o sucesso. Elas têm que ser rápidas o bastante para oferecerem produtos mais diversificados, se possível em cada nicho de mercado em que estão inseridas. Produtos mundiais (automóveis pequenos – exemplo: Fox, Clio e Peugeot 206) servem para dar margem às empresas, capitalizando para o investimento em produtos de nicho de mercado que geram maiores lucros, assim como os esportivos dão status para a empresa PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA contribuindo para o aumento da visibilidade. 3.8 Design O automóvel desde sua criação; exerceu grande fascínio nos homens e o design tem grande parcela de responsabilidade; afinal, um belo projeto tem maiores possibilidades de conquistar os consumidores, mesmo sem qualquer tipo de test drive. O design dos automóveis está relacionado à cultura do país e da empresa, e sempre foi um dos grandes diferenciais dos automóveis. No começo, eles eram apenas carroças motorizadas, o grande ícone, o Ford T, que revolucionou o modo de produção de automóveis, não era muito mais que isso; nas décadas de 20 a 50, a evolução foi impressionante, os Cadillacs e Rolls Royce tinham carisma e eram objetos de desejo, caracterizavam-se por ter linhas robustas e exageradas, a diversidade de modelos, grande para a época. Na década de 60, pós-Segunda Grande Guerra, os carros americanos ficaram cada vez maiores mais exagerados e com motores mais possantes, enquanto, a Europa apostava em carros compactos, econômicos, devido à 64 realidade local ainda muito abalada depois da guerra; nesta década surgiram grandes mitos como o GM Corvette, o Ford Mustang e o Porsche 911. No Brasil, os modelos compactos europeus foram os mais condizentes com a realidade do país, o VW fusca assumiu a liderança em vendagem em 1963 só a perdendo definitivamente na década de 80 para o também compacto VW Gol. Nos anos 70, com a crise do petróleo, os automóveis americanos começaram a perder peso e potência, o tempo dos Muscle Cars, como eram conhecidos os carros esportivos, chegava ao fim, marcando o início da invasão japonesa no mercado norte-americano. A praticidade do design, a segurança e PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA a economia de combustíveis eram as características dos projetos da época; novos materiais, como o plástico, passaram a ser utilizados. No Brasil, cada vez mais eram lançados novos modelos compactos, como Chevette, Passat, Brasília e Fiat 147, foi também a década dos pequenos fabricantes brasileiros, como Puma e Miura; essas empresas utilizavam a mecânica do velho conhecido Fusca para lançar modelos esportivos, década de grandes lançamentos internacionais, VW Golf e Honda Civic, no mercado até os dias de hoje, e com extrema representatividade no mercado mundial. Nas décadas de 80 e 90, o uso da computação trouxe grande avanço no desenvolvimento de novos produtos, maior rapidez e menor custo, entretanto, gerou grande pasteurização em relação ao design, enquanto nas décadas anteriores as empresas faziam tudo para diferenciar seus modelos. Os automóveis pareciam sair de uma mesma linha de produção. As formas eram ditadas de acordo com o coeficiente aerodinâmico do projeto e com os materiais que seriam utilizados. Estes itens influenciavam o melhor desempenho, assim com, a economia de combustível. No Brasil, os grandes marcos da década de 80 foram os lançamentos dos VW Gol e Fiat Uno, que ainda participam ativamente do mercado nacional, e dos Ford Escort e GM Monza, que fizeram grande sucesso no país. Na década de 90, pode se destacar o lançamento do GM Corsa, que teve até 65 ágio em seu lançamento devido a enorme procura, assim como o lançamento do Fiat Palio e do Honda Civic nacional. Nos anos 2000, as empresas voltaram a respirar novos ares, na verdade nem tão novos assim. Devido à concorrência cada vez mais agressiva e a saturação de mercados regulares, a saída seria voltar ao princípio, ou seja, a diferenciação dos produtos, a explosão de criatividade dos designers criou, também, novos nichos de mercados, como os dos carros com design retro, são carros com linhas e tecnologia atuais baseado em modelos dos anos 30/40, tendo como grandes ícones os VW New Beetle, baseado no Fusca, o Chrysler PT Cruiser, o Audi TT, o Ford Mustang, além do BMW Z3. Outro nicho PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA descoberto foi o de monovolumes, como a Renault Scénic e o Mercedes Classe A, os utilitários esportivos conquistaram grande espaço no mercado, principalmente os BMW X5 e a Mitsubishi Pajero. Também foi festejada a volta dos superesportivos como Mercedes SLR e Dodge Viper. Cada vez mais os designers buscam a junção de formas e modelos e com isso passam a segmentar de forma mais detalhada o mercado; a última tendência são os modelos crossovers, ainda uma novidade no Brasil, contando apenas com modelos importados, modelos que misturam características de dois ou mais segmentos. Todos os dados deste item foram retirados de um suplemento especial da revista quatro rodas. 4 Metodologia 4.1 Tipo de pesquisa A pesquisa foi classificada de acordo com a taxionomia utilizada por Vergara (1997), qualificando-a quanto aos fins e aos meios. Quanto aos fins, a pesquisa pode ser classificada como descritiva, uma vez que visa identificar e descrever as estratégias, seus desempenhos e o PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA ambiente competitivo das empresas automobilísticas que atuam no mercado brasileiro, portanto, se propõe a identificar estratégias competitivas e analisar a sua relação com as estruturas dos grupos estratégicos, visando a melhor compreensão do desempenho das empresas no setor automobilístico. Quanto aos meios, a pesquisa pode ser classificada como bibliográfica, uma vez que a busca de dados foi feita através da literatura sobre o assunto nos mais diversos meios: livros, revistas, periódicos e internet, podendo também ser classificada como documental, haja vista que foram utilizados dados estatísticos extraídos do site da Abeiva, além dos sites da Fenabrave, da Anfavea e da revista Quatro-Rodas. 4.2 Universo e amostra O universo estudado foi o mercado automobilístico brasileiro com suas respectivas empresas. A amostra foi do tipo não probabilística, composta por 20 empresas associadas à Abeiva e à Anfavea, as empresas mais representativas do setor automobilístico. 67 Tabela 3: Empresas participantes do estudo No Participantes Empresas 1 2 3 4 5 FIAT AUTOMÓVEIS S.A. FORD MOTOR COMPANY BRASIL GENERAL MOTORS DO BRASIL LTDA. LAND ROVER DO BRASIL LTDA. MMC AUTOMOTORES DO BRASIL S.A. NISSAN DO BRASIL AUTOMÓVEIS LTDA. HONDA AUTOMÓVEIS DO BRASIL LTDA. PEUGEOT DO BRASIL S.A. RENAULT DO BRASIL S.A. CITROEN DO BRASIL S.A. TOYOTA DO BRASIL LTDA. VOLKSWAGEN DO BRASIL LTDA. DAIMLER-CHRYSLER DO BRASIL LTDA. AUDI DO BRASIL S.A. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 BMW DO BRASIL LTDA. FERRAI PORSCHE MASERATI KIA MOTORS DO BRASIL SSYANGYOUNG MOTOR DO BRASIL 4.3 Coleta de dados Os dados para a realização deste estudo foram coletados através da análise de três fontes: para a coleta de dados quantitativos, foram utilizadas informações provenientes de anuários estatísticos dos sites da Anfavea e Abeiva e, por último, para informações qualitativas, duas pesquisas de opinião, publicadas anualmente na revista Quatro-Rodas, feita com leitores cadastrados no site. Como não foi possível fazer nenhuma entrevista com os gestores das empresas do setor, o método de autoclassificação das estratégias não foi utilizado, tendo sido feita tão-somente a análise externa das empresas, baseada nas informações coletadas nas fontes relatadas acima. 68 4.3.1 Seleção das variáveis estratégicas A seleção das variáveis estratégicas das empresas foi feita de acordo com a metodologia proposta por Porter. 4.3.1.1 - Política de preço Variável definida como o percentual de aumento anual em cada modelo, de acordo com a estratégia de preço de cada empresa, foi utilizada a PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA média dos aumentos levando em consideração todos os modelos da empresa. Esta variável visa ao melhor entendimento da política de preço praticada. 4.3.1.2 – Foco Variável definida como a relação entre as vendas dos dois maiores modelos e as vendas totais de cada empresa. Esta variável busca identificar o grau de concentração das vendas de cada empresa e desta maneira entender a importância estratégica de cada segmento da indústria automobilística. 4.3.1.3 – Diversificação da linha de produtos Esta variável nada mais é do que a quantidade de modelos ofertados no mercado por cada empresa, sendo assim, busca entender melhor o relacionamento da empresa com o mercado, a partir da gama de produtos ofertados. 69 4.3.1.4 – Assistência técnica Variável definida como a relação de satisfação do consumidor com o serviço de manutenção e o valor das pecas de reposição oferecidas pelas empresas, visando, dessa forma, identificar as empresas que melhor oferecem serviços de pós-venda. 4.3.1.5 - Credibilidade de marca Variável definida como a quantidade de recall’s feitos pelas empresas PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA nos últimos seis anos. Esta variável procura identificar quais são as empresas que possuem os melhores processos produtivos e estão atentas a futuros problemas com seus produtos. 4.3.1.6 – Propaganda Variável definida como a relação entre empresas e anúncios no mercado publicitário brasileiro, principalmente em revistas especializadas; visa identificar quais são as empresas que estão promovendo mais sua linha de produtos. 4.3.1.7 – Melhor compra Definida como a relação direta entre os produtos ofertados pelas empresas nos mais diversos segmentos da indústria, visa identificar quais são os melhores produtos de acordo com a concorrência em cada segmento. 70 4.3.1.8 - Canais de distribuição Variável definida como a quantidade de revendas no país e também a possibilidade de compra via internet, tendo a intenção de identificar as empresas que conseguem ter maior capilaridade e dessa forma possibilitar o acesso a seus produtos. 4.3.1.9 - Produtos em segmentos High Price PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA Variável definida como a quantidade de modelos, por cada empresa, em segmentos de alto luxo ou de alto desempenho, buscando contribuir para a identificação das estratégias competitivas das empresas que buscam atender nichos de mercado específicos. 4.3.1.10 - Produtos em segmento de entrada Variável definida como a quantidade de modelos, por cada empresa, no segmento de entrada de linha, ou seja, de modelos baratos e desprovidos de luxo, onde o maior chamariz é o preço final do produto. Esta variável visa identificar as estratégias competitivas das empresas que buscam atender o segmento de massa. 4.3.2 Seleção das variáveis de desempenho 4.3.2.1 - Market Share Definido como a quantidade de automóveis vendidos, por cada empresa, divididos pela quantidade total de automóveis vendidos no mercado. 71 A variável busca identificar a representatividade das empresas no mercado nacional. 4.3.2.2 - Market Share ponderado por segmento Definido como a quantidade de automóveis vendidos em cada segmento que a empresa participe. Esta variável busca identificar a participação da empresa nos mais diversos nichos. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA 4.3.2.3 - Crescimento do Market Share Variável definida como o crescimento percentual de cada empresa no mercado brasileiro, procurando identificar quais são as empresas que melhor aproveitam as oportunidades de crescimento do mercado automobilístico. 4.3.2.4 - Receita bruta (R$) Definido como a relação entre o número de automóveis vendidos e o preço médio de cada modelo, a variável busca identificar quais são as empresas que geram mais riquezas. 4.3.2.5 - Preço médio (R$) A variável foi definida como a relação entre as vendas em valor e as vendas em quantidade de cada empresa; ela busca servir como identificador da atuação das empresas no mercado, uma vez que retrata o preço médio de toda a linha de produtos ofertados. 72 4.3.2.6 - Satisfação dos consumidores Variável definida como a relação entre a expectativa e a satisfação com o automóvel adquirido; busca identificar quais são as empresas que mais primam por oferecer serviços e produtos que satisfaçam seus clientes. 4.4 Tratamento de dados Os dados foram tratados de forma quantitativa através de PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA procedimentos estatísticos e o software estatístico utilizado foi o SPSS (Statistical Package for the Social Sciences), com o objetivo principal de estudar a indústria automobilística, identificar a importância da estratégia na obtenção da vantagem competitiva e analisar o desempenho das empresas participantes. O período do estudo corresponde aos anos de 2001 a 2006. A análise de dados observou o seguinte procedimento: Primeiro passo: preparação da base de dados, objetivando eliminar possíveis distorções nos dados; como o período de referência compreende seis anos, foi calculada a média de cada variável, formando assim as variáveis estratégicas e de desempenho. Segundo passo: normalizar a base de dados, transformando as diversas variáveis em um grupo homogêneo de informação, eliminando, desta forma, possíveis distorções provocadas por diferentes escalas e dimensões adotadas nas variáveis. Terceiro passo: testar as variáveis, observando suas médias e desviospadrão, para eliminar possíveis variáveis com distribuições com características não-normais, que poderiam comprometer a análise do estudo. Quarto passo: fazer a análise de correlação, eliminando, dessa forma, variáveis que apresentassem alta correlação, já que não seria relevante manter variáveis com o mesmo tipo de informação. 73 Quinto passo: reduzir o espaço estratégico, buscando diminuir o número de variáveis e transformando-as em novos fatores, porém, sem perder o poder explanatório. Sexto passo: Classificar e agrupar as 20 empresas analisadas dentro dos quatro grupos estratégicos segundo a teoria de Porter (1980). E o último passo: o desempenho das empresas dos diversos grupos estratégicos foi comparado, testando assim a tipologia proposta por Porter, e verificando, ainda, a existência de diferenças significativas entre as médias de PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA desempenho obtidas pelos diferentes grupos estratégicos. 4.5 Limitações do método A metodologia utilizada para a realização da pesquisa apresentou algumas dificuldades e limitações quanto à coleta de dados; a maior delas foi a restrição da quantidade de informações divulgadas pelas empresas, principalmente as informações financeiras, tais como ROI, ROA, ROS, lucro bruto, importantes dados que contribuiriam para o melhor entendimento do setor. Em relação aos dados bibliográficos, houve uma grande dificuldade de pesquisa devido às poucas fontes de informações, sendo utilizados os sites Abeiva, Anfavea e Fenabrave. Os dados numéricos, em sua grande maioria, foram coletados nos sites já citados acima e também do site da revista Quatro-Rodas e em algumas edições específicas da revista. Devido à captação dos dados não ter sido de uma única fonte, foi suposto que o método de análise, utilizado por estes sites, para os mesmos parâmetros, tenha sido semelhante. Apesar da amostra do estudo ser formada por 20 empresas, e elas representarem aproximadamente a totalidade do mercado, em referência ao Market Share, as inferências devem ser vistas com parcimônia porque a 74 pesquisa não englobou todas as empresas participantes da industria, devido à PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA indisponibilidade de informações. 5 Análise dos resultados 5.1 Análise da normalidade das variáveis Foi feita a análise da normalidade das variáveis, observando a média, mediana, variância, o coeficiente de assimetria e a curtose, além do teste estatístico Kolmogorov-Smirnov, que é premissa para a realização das análises de variância e multivariada. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA Tabela 4: Teste de normalidade das variáveis de desempenho Market_Share MS_Segmento MS_Cresc Rec_Liq Preço_Médio Sat_Client Valid N (listwise) N Média 20 20 20 20 20 20 2,0000 2,7500 2,5500 2,7500 2,9500 3,7000 Estatística Descritiva DV. Coef. Assimetria Variância Padrão Estat Std. Error 1,48678 2,211 1,388 ,512 1,25132 1,566 ,526 ,512 1,09904 1,208 ,520 ,512 1,33278 1,776 ,361 ,512 1,19097 1,418 ,105 ,512 1,08094 1,168 -,717 ,512 Estat ,452 -,316 -,195 -,771 -,839 ,550 Curtose Std. Error ,992 ,992 ,992 ,992 ,992 ,992 20 Tabela 5: Teste de Kolmogorov - Smirnov das variáveis de desempenho N Parâmetros Normais a,b Mais Extremo Diferenças Média Desvio Padrão Absoluto Positivo Negativo Kolmogorov-Smirnov Z Asymp. Sig. (2-tailed) a. Teste de distribuição - Normal b. Calculado a partir dos dados Teste de Kolmogorov-Smirnov MS_ MS_ Rec Líq Segmento Crescimento 20 20 20 2,75 2,55 2,75 Preço Médio Sat Client 20 2,95 20 3,70 1,25132 1,09904 1,33278 1,19097 1,08094 ,221 ,221 -,129 ,988 ,284 ,242 ,242 -,158 1,081 ,193 ,176 ,176 -,124 ,785 ,568 ,187 ,187 -,161 ,838 ,483 ,209 ,141 -,209 ,936 ,345 MS 20 2,00 1,4867 8 ,300 ,300 -,251 1,342 ,055 76 Tabela 6: Teste de Normalidade das variáveis estratégicas Estatísticas Descritivas PPreço Foco Div Atec Cred Prop MC Rev HP SE Valid N (listwise) N Estat. 20 20 20 20 20 20 20 20 20 20 20 Mínima Estat. 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 Máxima Estat. 5,00 5,00 5,00 5,00 5,00 5,00 5,00 5,00 5,00 5,00 Média Estat. 3,5500 3,3000 2,5500 3,2000 3,5000 1,9500 3,4500 2,4000 2,7000 1,7500 Dv Padrão Variância Estat. Estat. 1,19097 1,418 1,34164 1,800 1,46808 2,155 1,70448 2,905 1,35724 1,842 1,09904 1,208 1,14593 1,313 1,46539 2,147 1,59275 2,537 1,29269 1,671 Skewness Estat Std. Error -,858 ,512 -,468 ,512 ,556 ,512 -,275 ,512 -,772 ,512 1,429 ,512 -,331 ,512 ,665 ,512 ,288 ,512 1,492 ,512 Curtose Estat. Std. Error ,367 ,992 -,762 ,992 -1,104 ,992 -1,679 ,992 -,383 ,992 2,063 ,992 -,474 ,992 -,796 ,992 -1,522 ,992 ,914 ,992 Tabela 7: Teste de Kolmogorov - Smirnov das variáveis estratégicas PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA Teste de Kolmogorov-Smirnov N Parâmetros Normais a,b Mais Extremo Diferenças Média Dv. Padrão Absoluto Positiva Negativa Kolmogorov-Smirnov Z Asymp. Sig. (2-tailed) a. Teste de distribuição - Normal. PPreço 20 3,5500 1,19097 ,247 ,153 -,247 1,106 ,173 Foco 20 3,3000 1,34164 ,199 ,107 -,199 ,890 ,406 Div 20 2,5500 1,46808 ,246 ,246 -,146 1,100 ,177 Atec 20 3,2000 1,70448 ,205 ,202 -,205 ,915 ,373 Cred 20 3,5000 1,35724 ,244 ,135 -,244 1,090 ,186 Prop 20 1,9500 1,09904 ,282 ,282 -,194 1,261 ,083 MC 20 3,4500 1,14593 ,184 ,153 -,184 ,825 ,505 Rev 20 2,4000 1,46539 ,230 ,230 -,170 1,030 ,239 HP 20 2,7000 1,59275 ,207 ,207 -,143 ,926 ,358 b. Calculado a partir dos dados. Como pode ser observado, nas tabelas acima, as variáveis estratégicas e de desempenho apresentaram distribuição normal segundo o teste de Kolmogorov e Smirnov, apresentando alto grau de significância. Assim sendo, não foi rejeitada a hipótese nula de normalidade das variáveis. 5.2 Análise de correlações Para análise das correlações entre as variáveis estratégicas relacionadas nos itens 4.3.1.1 e 4.3.1.2, as matrizes de correlação de Pearson são apresentadas nas tabelas 8 e 9. Este método mede o grau de relação entre as variáveis, expresso entre os valores 1 e -1, sendo 1, a correlação positiva perfeita entre duas variáveis e -1, a correlação negativa perfeita; entretanto, não se deve esquecer que a correlação entre variáveis não está ligada a qualquer tipo de influência, ou seja, o comportamento de uma variável não está ligado SE 20 1,7500 1,29269 ,419 ,419 -,281 1,874 ,002 77 diretamente ao comportamento de uma segunda variável, tanto positiva quanto negativamente. As variáveis estratégicas apresentaram, de forma geral, baixo grau de correlação, porém podem ser destacados alguns resultados interessantes que valem a pena ser comentados: Tabela 8: Matriz de correlação de Pearson das variáveis estratégicas Correlação PPreço PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA PPreço Foco Correlação de Pearson SE -0,214 0,265 0,858 0,089 0,983 0,075 0,548 0,878 0,216 0,366 0,259 20,000 20,000 20,000 20,000 20,000 20,000 20,000 20,000 -0,542 -0,189 0,434 -0,418 0,216 -0,359 0,167 -0,622 0,013 0,426 0,056 0,067 0,361 0,120 0,480 0,003 20,000 20,000 20,000 20,000 20,000 20,000 20,000 20,000 1,000 0,017 -0,858 0,670 -0,436 0,626 -0,533 0,742 0,944 0,000 0,001 0,054 0,003 0,015 0,000 0,858 . 20,000 20,000 Correlação de Pearson 0,390 -0,542 Sig. (2-caudas) 0,089 0,013 N 20,000 20,000 20,000 20,000 20,000 20,000 20,000 20,000 20,000 20,000 Correlação de Pearson -0,005 -0,189 0,017 1,000 0,000 -0,163 0,517 -0,223 0,682 -0,072 1,000 0,492 0,019 0,344 0,001 0,764 20,000 20,000 20,000 20,000 20,000 20,000 1,000 -0,723 0,254 -0,609 0,438 -0,675 0,000 0,280 0,004 0,053 0,001 20,000 20,000 20,000 20,000 20,000 1,000 -0,232 0,830 -0,430 0,769 0,325 0,000 0,058 0,000 . 0,983 0,426 0,944 N 20,000 20,000 20,000 20,000 Correlação de Pearson -0,407 0,434 -0,858 0,000 0,075 0,056 0,000 1,000 20,000 20,000 20,000 20,000 20,000 Correlação de Pearson 0,143 -0,418 0,670 -0,163 -0,723 Sig. (2-caudas) 0,548 0,067 0,001 0,492 0,000 N 20,000 20,000 20,000 20,000 20,000 20,000 20,000 20,000 20,000 20,000 Correlação de Pearson -0,037 0,216 -0,436 0,517 0,254 -0,232 1,000 -0,238 0,712 -0,275 . 0,312 0,000 0,240 20,000 20,000 20,000 1,000 -0,532 0,834 . . 0,878 0,361 0,054 0,019 0,280 0,325 20,000 20,000 20,000 20,000 20,000 20,000 20,000 Correlação de Pearson 0,290 -0,359 0,626 -0,223 -0,609 0,830 -0,238 Sig. (2-caudas) 0,216 0,120 0,003 0,344 0,004 0,000 0,312 N 20,000 20,000 20,000 20,000 20,000 20,000 20,000 20,000 Correlação de Pearson -0,214 0,167 -0,533 0,682 0,438 -0,430 0,712 -0,532 0,366 0,480 0,015 0,001 0,053 0,058 0,000 0,016 20,000 20,000 20,000 20,000 20,000 20,000 20,000 0,265 -0,622 0,742 -0,072 -0,675 0,769 -0,275 N Correlação de Pearson Sig. (2-caudas) N * ** HP 0,290 1,000 Sig. (2-caudas) SE Rev -0,037 20,000 N HP MC 0,143 -0,043 Sig. (2-caudas) Rev Prop 20,000 N MC Cred -0,407 N Sig. (2-caudas) Prop Atec -0,005 Correlação de Pearson Sig. (2-caudas) Cred Div 0,390 . N Atec Foco -0,043 Sig. (2-caudas) Sig. (2-caudas) Div 1,000 . . 0,016 0,000 20,000 20,000 1,000 -0,524 20,000 20,000 20,000 0,834 -0,524 1,000 . 0,018 0,259 0,003 0,000 0,764 0,001 0,000 0,240 0,000 0,018 20,000 20,000 20,000 20,000 20,000 20,000 20,000 20,000 20,000 Correlação significante até o nível 0.05 Correlação significante até o nível 0.01 . 20,000 78 O valor da correlação entre as variáveis Política de Preços e High Price, (-.214) indica baixa correlação entre as variáveis. Intuitivamente, pode ser explicado o porquê desta ocorrência. Os produtos participantes do segmento High Price têm como característica marcante a alta competitividade, baseada na diferenciação. São produtos menos sensíveis a aumento de preço. As empresas se preocupam em oferecer melhores produtos, com tecnologia de ponta e design inovador, blindando dessa forma o valor do automóvel. Por outro lado, houve uma correlação positiva entre as variáveis Política de Preço e Segmento de Entrada, (.265); neste caso, ocorre justamente o contrário, o segmento de entrada é caracterizado por ser extremamente sensível a preço, PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA além de ser de alta competitividade. O principal atributo dos produtos deste segmento, portanto, é o preço. Outra correlação que pode ser explicada intuitivamente relaciona as variáveis Foco e Diversificação da linha de produtos (-.542), um caso de correlação negativa, quanto maior o foco menor a diversificação. Caracterizase por evidenciar duas abordagens diferentes: empresas como Fiat e VW, apesar de terem como produtos de alta vendagem os líderes de mercado Palio e Gol, respectivamente, são empresas que oferecem diversas opções em seu portfólio, apostando, portanto, na diversificação de seus produtos; entretanto, se mostram dependentes financeiramente destes modelos, ou seja, o resultado financeiro depende em grande parte dos resultados de vendas dos dois modelos. Já Honda e Toyota são totalmente dependentes da vendagem do Civic e Corolla, respectivamente, oferecendo poucos modelos nacionais, se caracterizando por importar diversos modelos para nichos específicos do mercado. A variável Foco também tem correlação negativa considerável com a variável Segmento de Entrada (-.622). As empresas que determinam suas estratégias em função de nichos específicos do mercado tendem a não participar do segmento de entrada, portanto, as que participam deste mercado acabam tendo como modelos mais vendidos os integrantes do segmento de entrada. 79 Outro caso que pode ser explicado de forma intuitiva é a correlação entre as variáveis Propaganda e Diversidade da linha de produtos e Propaganda e Segmento de Entrada, respectivamente (.670) e (.769). O investimento em propaganda tem correlação positiva com a diversidade da linha de produtos, quanto maior for a gama de produtos ofertados a necessidade de divulgação aumenta, para que todos os modelos possam ter visibilidade no mercado. Já a correlação positiva da variável propaganda com a variável segmento de entrada se deve à constante exposição na mídia dos modelos que participam deste nicho. Este mercado se caracteriza por ser extremamente competitivo, em que o preço final do automóvel é um dos fatores mais relevantes. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA Os três últimos casos que merecem destaque são inicialmente as correlações entre as variáveis Assistência Técnica e High Price, (.682); os clientes do segmento de mercado High Price são mais exigentes e as empresas necessitam prover melhores serviços, um deles o de assistência técnica, atendendo, dessa forma, prontamente às necessidades de seus clientes. Por fim, as correlações entre as variáveis Revendas e Segmento de Entrada (.834), e Segmento de Entrada e Propaganda (.769). O segmento de entrada é o maior nicho do mercado brasileiro, portanto existe a necessidade de grande capilaridade, ou seja, pontos de vendas são extremamente importantes. Quanto maior for a cobertura do território nacional maior a possibilidade de sucesso. Além disso, a divulgação dos modelos, e principalmente de promoções, é fundamental para o sucesso neste segmento. Observa-se que os líderes de mercado são as empresas que mais têm revendas no Brasil: Fiat, VW, Ford e GM. 80 Tabela 9: Matriz de correlação de Pearson das variáveis de desempenho Correlações Market_Share Correlação de Pearson Sig. (2-caudas) N MS_Segmento Correlação de Pearson Sig. (2- caudas) N PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA MS_Crescimento Correlação de Pearson Sig. (2- caudas) N Correlação de Pearson Rec_Bruta Sig. (2- caudas) N Correlação de Pearson Preço_Médio Sig. (2- caudas) N Correlação de Pearson Sat_Cliente N MS_ Market_Share Segmento 1 ,849** . ,000 20 20 ,849** 1 ,000 . 20 20 -,129 -,124 ,588 ,601 20 20 ,744** ,781** ,000 ,000 20 20 -,773** -,680** ,000 ,001 20 20 -,229 -,058 ,331 ,807 20 20 MS_ Crescimento -,129 ,588 20 -,124 ,601 20 1 . 20 ,027 ,910 20 -,018 ,940 20 -,031 ,897 20 Rec_Bruta Preço_Medio Sat_Cliente ,744** -,773** -,229 ,000 ,000 ,331 20 20 20 ,781** -,680** -,058 ,000 ,001 ,807 20 20 20 ,027 -,018 -,031 ,910 ,940 ,897 20 20 20 1 -,771** -,237 . ,000 ,313 20 20 20 -,771** 1 ,356 ,000 . ,124 20 20 20 -,237 ,356 1 ,313 ,124 . 20 20 20 **. Correlação significante até o nível 0.01 Diferentemente das variáveis estratégicas, as de desempenho tiveram maiores graus de correlações entre si. Algumas correlações podem ser explicadas intuitivamente, como a correlação entre as variáveis market share e market share por segmento (.849). A correlação entre essas duas variáveis evidencia que as empresas mais representativas do mercado participam deforma significativa de praticamente todos os segmentos que formam o mercado brasileiro automotivo; outra correlação, já esperada, era as das variáveis market share e receita bruta (.744). A correlação pode ser considerada alta, devido a uma característica singular do mercado automotivo brasileiro, o de ser altamente extremado, isto é, os grandes sucessos de vendas estão nos segmentos de entrada e High Price. Como exemplo, no segmento de entrada o VW Gol e o Fiat Palio e no segmento High Price os Honda Civic e Toyota Corolla, todos eles figuram entre os 10 modelos mais vendidos do mercado nacional. Uma outra correlação interessante envolve as variáveis crescimento do market share e o market share, tendo correlação negativa (-.129). As quatro 81 empresas pioneiras (VW, Ford, GM e Fiat) têm dificuldade em crescer no mercado brasileiro, devido não só ao amplo domínio do market share do grupo, mas também ao avanço das empresas que aportaram no país mais recentemente: Honda, Toyota, Mitsubishi, Peugeot, Citroen e Renault. Por fim, existe correlação positiva entre as variáveis satisfação dos clientes e preço médio (.356), o que deixa transparecer a grande sensibilidade dos clientes brasileiros à variável preço, mais do que qualquer outra variável, como itens de segurança, ou tecnológicos. Portanto, o preço exerce, em PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA praticamente todos os segmentos, o maior poder de sedução sobre os clientes. 5.3 Redução do espaço estratégico A redução do espaço estratégico visa diminuir o número de variáveis, transformando-as em novos fatores, porém sem perder o poder explanatório de uma forma geral, tendo como finalidade facilitar a análise das variáveis. A análise de fatores foi feita com rotação ortogonal Varimax, devido à facilitação da visualização dos fatores. A rotação ortogonal dos eixos destaca os fatores com maior carga. Para isso, ela reduz a carga do primeiro fator e aumenta a carga dos demais em um número menor de variáveis. Tabela 10: Resultado da análise de fatores Total da Variância Valores iniciais Fatores Total Variância % Acumulado % 1 4,978 49,782 49,782 2 1,887 18,869 68,652 3 1,038 10,379 79,031 4 ,840 8,403 87,433 5 ,488 4,885 92,318 6 ,284 2,841 95,159 7 ,223 2,231 97,390 8 ,093 ,927 98,317 9 ,086 ,860 99,177 10 ,082 ,823 100,000 Método de Extração: Principal componente da análise. Somatório dos valores extraídos Total Acumulado % Acumulado % 4,978 49,782 49,782 1,887 18,869 68,652 1,038 10,379 79,031 ,840 8,403 87,433 ,488 4,885 92,318 Somatório da rotação dos valores Total 2,874 2,295 1,589 1,347 1,127 Variância % 28,736 22,955 15,888 13,471 11,268 Acumulado % 28,736 51,691 67,579 81,050 92,318 82 Da análise foram extraídos cinco fatores que cumulativamente explicam, aproximadamente, 92% da variância total, percentual este que atende perfeitamente à necessidade do estudo. Vale salientar que os fatores 4 e 5, que possuíam valores abaixo de 1, após a rotação ortogonal Varimax passaram a ser superiores a 1, reafirmando assim a escolha de mais esses dois fatores. Na tabela abaixo, objetivando a visualização dos valores significativos, foram suprimidos todos os valores absolutos menores do que 0,6. Tabela 11: Carga final dos fatores após rotação nos eixos. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA Matriz dos fatores após Rotação - a Fatores 1 2 3 4 5 PPreço ,970 Foco ,918 Div ,735 Atec ,857 Cred Prop -,750 ,868 MC Rev ,849 ,901 HP SE ,845 ,770 Método de Extração: Principal Componente da Análise. Método de Rotação: Varimax com Normalização de Kaiser. a. Rotação converge em 6 interações. Observando a tabela, verifica-se que, após a análise dos fatores, nenhuma das variáveis foi excluída, o que só reafirma a importância de cada uma para o estudo do setor automobilístico; outra característica interessante é que não existe ambigüidade entre as variáveis, isto é, não houve superposição de valores relevantes das variáveis através dos cinco fatores, que serão analisadas a seguir: Fator 1: O primeiro fator foi composto pelas variáveis propaganda, revendas e segmento de entrada. Com os respectivos graus (.868), (.901) e (.770), estas variáveis se relacionam positivamente e com grande coerência. O 83 segmento de entrada, durante os anos 90, foi responsável por mais de 70% das vendas e ainda hoje é o nicho mais importante do mercado automobilístico. Portanto, o número de pontos de vendas ou revendas é tão significativo quanto a importância deste nicho para a empresa. Este é um segmento que se caracteriza pela alta competitividade, a propaganda de produtos e promoções é fundamental para dar visibilidade aos produtos ofertados no segmento; pode ser considerado um bom fator para medir as estratégias de dominação efetiva do mercado – Mercado. Fator 2: O segundo fator foi formado por três variáveis: assistência técnica, high price e melhor compra com os graus (.857), (.845) e (.849), PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA respectivamente; as duas primeiras variáveis já tinham obtido grande correlação positiva quando da análise das correlações. Pode ser considerado um bom fator para a medição do perfil de qualidade praticado pela empresa. Em geral, as empresas que fornecem produtos no segmento high price do mercado oferecem melhores serviços, por entenderem que seus clientes são mais exigentes e formadores de opinião, conseqüentemente, os automóveis oferecidos por essas empresas são classificados como os melhores dos segmentos que participam - Qualidade. Fator 3: Este fator foi formado pelas variáveis diversificação da linha de produtos e credibilidade com o grau (.735) e (-.750), respectivamente. Apesar da correlação negativa, a união destas duas variáveis não foi representativa para a classificação de um fator que pudesse representar fielmente uma das faces do mercado automobilístico. Fator 4: Resume-se à variável política de preço, tendo o maior grau dentre todas as outras variáveis (.970). Dessa forma, se caracteriza por ser um bom indicador, não só da política de preços praticada pela empresa; consegue demonstrar de forma clara a estratégia da empresa, ou seja, foco em produtos com preços mais competitivos ou em versões mais elaboradas de seus automóveis - Preço. 84 Fator 5: A única variável que forma este fator é a variável “foco”, que obteve o grau de (.918). Pode ser considerado um bom parâmetro para identificar as empresas que prezam por oferecer produtos compatíveis com determinados nichos específicos do mercado, demonstrando, dessa forma, a intensidade com que a empresa opta por focar sua linha de produtos, em poucos ou diversos modelos – Foco. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA Tabela 12: Fatores resultantes da análise das variáveis estratégicas. Fator Nome do Fator Variável Componente 1 Mercado Propaganda, Revendas e Segmento de entrada 2 Qualidade Assistência Técnica, Melhor compra e High Price 3 Não Identificado Diversificação de linha de produtos e Credibilidade 4 Preço Política de Preço 5 Foco Foco Portanto, a redução das 10 variáveis em cinco possíveis fatores não foi utilizada neste trabalho devido à dificuldade em definir o fator 3 apropriadamente. 5.4 Formação dos grupos estratégicos Depois da análise de fatores, o próximo passo foi identificar os grupos estratégicos ou clusters aplicando a análise de Cluster K-Means. O intuito deste procedimento era separar em um mesmo cluster ou grupo estratégico as empresas que possuem estratégias semelhantes e que são bem diferentes das adotadas por outros grupos estratégicos. A análise de Cluster K-Means tem o seguinte procedimento: existe uma matriz inicial representando os centróides de cada cluster, fundamentalmente idealizado a partir da teoria que se está testando. Então o processo começa a 85 recalcular todos os centróides de cada fator para incorporá-los aos clusters; é repetido até não haver mais variações nos centróides ou chegar ao limite de interações pré determinadas. Como pode ser visto na tabela 13 abaixo, a matriz de centróides iniciais utilizada foi construída baseada nas médias e nos quartis dos cinco fatores pré determinados. Tabela 13: Percentis utilizados para a montagem da matriz inicial dos centróides Estatística PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA N Válidos Perdidos Média Percentis 25 50 75 PPreço 20 0 3,5500 2,8333a 3,6923 4,5000 Foco 20 0 3,3000 2,2857a 3,4545 4,4000 Div 20 0 2,5500 1,3333a 2,2500 3,8000 Atec 20 0 3,2000 1,5714a 3,5000 4,7000 Cred 20 0 3,5000 2,6000a 3,7273 4,5833 Prop 20 0 1,9500 1,1250a 1,7500 2,6000 MC Rev HP SE 20 0 3,4500 2,5556a 3,5000 4,4000 20 0 2,4000 1,1818a 2,1250 3,5000 20 0 2,7000 1,3000a 2,5000 4,1429 20 0 1,7500 . b,a 1,4000 2,3333 a. Os percentis são calculados a partir de um grupo de dados. b. O menor valor do primeiro intervalo e o maior valor do último intervalo são desconhecidos. Alguns percentis são indefinidos. No caso desta pesquisa, a teoria utilizada foi a de Porter (1980), portanto, o número de clusters a serem gerados foi pré determinado pelo próprio autor em cinco: Liderança através do Custo Total, Diferenciação, Enfoque em Custo, Enfoque em Depreciação e Stuck-in-the-Middle. A distribuição dos percentis pelos fatores foi feita de acordo com a característica de cada fator, utilizando-se os percentis 25/50/75 como sendo Q1/Q2/Q3, respectivamente, representando a menor, intermediária ou maior ênfase de cada estratégia genérica defendida por Porter. Abaixo, as tabelas com a distribuição teórica e a distribuição numérica dos percentis através dos clusters. 86 Tabela 14: Matriz de centróides iniciais – distribuição teórica Amplo Variável Lid. Custo Estreito Diferenciação Enfoque Custo Enfoque Diferenciação Stuck in the Middle Ppreço Q3 Q3 Q2 Q1 Q2 Foco Q1 Q3 Q1 Q3 Q2 Div Q3 Q1 Q2 Q1 Q2 Atec Q2 Q3 Q1 Q3 Q2 Cred Q1 Q3 Q2 Q3 Q2 Prop Q3 Q2 Q2 Q1 Q2 MC Q1 Q3 Q2 Q3 Q2 Ver Q3 Q2 Q3 Q1 Q2 HP Q1 Q3 Q1 Q3 Q2 SE Q3 Q1 Q2 Q1 Q2 Tabela 15: Matriz de centróides iniciais – distribuição das percentis aplicados PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA Amplo Variável Ppreço Lid. Custo 4,5000 Diferenciação 4,5000 Enfoque Custo 3,6923 Estreito Enfoque Diferenciação 2,8333 Stuck in the Middle 3,6923 Foco 2,2857 4,4000 2,2857 4,4000 3,4545 Dvsfc 3,8000 1,3333 2,2500 1,3333 2,2500 Atec 3,5000 4,7000 1,5714 4,7000 3,5000 Cred 2,6000 4,5833 3,7273 4,5833 3,7273 Prop 2,6000 1,7500 1,7500 1,1250 1,7500 MC 2,5556 4,4000 3,5000 4,4000 3,5000 Ver 3,5000 2,1250 3,5000 1,1818 2,1250 HP 1,3000 4,1429 1,3000 4,1429 2,5000 SE 2,3333 - 1,4000 - 1,4000 A partir da tabela anterior o processo de recálculo dos centróides teve início e finalmente acabou gerando a matriz final dos centróides exposta abaixo. 87 Tabela 16: Matriz Final de Centróides Matriz de Centróides Cluster 1 2 3 4 5 4,00 3,50 3,20 3,00 4,00 2,17 4,50 4,00 2,75 4,33 Div 4,50 1,50 2,00 1,50 1,67 Atec 3,33 5,00 1,20 5,00 2,67 Cred 1,83 4,00 4,20 4,75 3,67 Prop 3,17 2,00 1,60 1,00 1,33 MC 2,83 4,50 2,40 4,25 4,67 Rev 3,83 3,00 2,20 1,00 1,33 HP 1,67 4,50 1,20 4,75 3,33 SE 3,33 1,00 1,20 1,00 1,00 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA PPreço Foco Para averiguar a realidade retratada pelos grupos estratégicos definidos, foi feito o teste de Wilcoxon. Todas as variáveis estratégicas foram testadas, utilizando os graus anteriores e posteriores a determinação dos centróides, como relatada na tabela 16. O resultado do teste de Wilcoxon pode ser visto na tabela 17 e, de acordo com os resultados, pode-se concluir que a matriz inicial representava as opções estratégicas de cada grupo de empresas, uma vez que todos os grupos estratégicos obtiveram grau de significância maior do que 1%. Tabela 17: Teste de Wilcoxon Teste Estatístico - c lcf - lci -1,070 a Z Asymp. Sig. (2-tailed) ,285 a. Baseado em ranks negativos. b. Baseados em ranks positivos. c. Teste do Rank de Wilcoxon dff - dfi -,306 a ,760 ecf - eci -1,172 b ,241 edf - edi -,869 a ,385 smf - smi -,102 a ,919 88 5.5 Apresentação dos grupos estratégicos A tabela 18 abaixo demonstra a quantidade de empresas por grupo estratégico. Tabela 18: Matriz divisão por grupo estratégico Número de casos por Cluster PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA Cluster 1 6,000 2 2,000 3 5,000 4 4,000 5 Válidos Perdidos 3,000 20,000 ,000 Os grupos estratégicos ou cluster 1, 2, 3, 4 e 5 são, segundo a teoria de Porter (1980), adotada pelo estudo, respectivamente: Liderança através do Custo Total, Diferenciação, Enfoque em Custo, Enfoque em Diferenciação e Stuck-in-the-Middle. A tabela 19 relaciona as empresas que formam os cinco grupos estratégicos segundo a teoria de Porter. 89 Tabela 19: Grupos estratégicos Grupo Estratégico Liderança através do Custo Empresa FIAT AUTOMÓVEIS S.A. FORD MOTOR COMPANY BRASIL GENERAL MOTORS DO BRASIL LTDA RENAULT DO BRASIL S.A. VOLKSWAGEN DO BRASIL LTDA DAIMLER-CHRYSLER Liderança através da Diferenciação HONDA AUTOMÓVEIS DO BRASIL LTDA TOYOTA DO BRASIL LTDA Enfoque em Custo MMC AUTOMOTORES DO BRASIL S.A. PEUGEOT CITROEN DO BRASIL S.A. CITROEN PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA KIA SSYANGYOUNG Enfoque em Diferenciação BMW FERRARRI PORSCHE MASERATI Stuck-in-the-Middle LAND ROVER DO BRASIL LTDA NISSAN DO BRASIL AUTOMÓVEIS LTDA AUDI DO BRASIL LTDA Como primeira análise, pode ser verificada que todos os grupos estratégicos, segundo a teoria de Porter, foram encontrados e nenhum dos casos teve integrante único. 5.5.1 Análise dos grupos estratégicos A fim de facilitar e contribuir para a análise dos grupos estratégicos, na tabela seguinte estão as variáveis mais representativas, separadas por grupo estratégico. 90 Tabela 20: Matriz divisão por grupo estratégico Estratégias Representatividade Lid. Custo Total Diferenciação E. Custo E. Diferenciação Stuck in the Middle No de Empresas Total 6 2 5 4 3 Receita (R$) Total 41.641.566.263 5.160.649.867 5.144.224.238 588.382.134 1.278.623.180 Market Share Preço Médio (R$) Política de Preço Total 87% 5,77% 6,08% 0,12% 1,03% Média 44.613,00 55.676,00 75.537,00 725.352,00 95.087,00 Média 8,88% 8,22% 7,49% 7,35% 9,48% Média 50 15 17 11 18 Média 7 8,5 7 8 9 Diversificação Melhor Compra 5.5.1.1 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA Grupo 1: Liderança através do custo total O Grupo 1 foi o maior grupo estratégico encontrado, formado por seis empresas que praticamente dominam o mercado, tendo 87% de Market Share, responsáveis por 77% do faturamento do setor. Todas as empresas pioneiras do setor automobilístico, Fiat, Ford, GM e VW, são integrantes. As características marcantes deste grupo estratégico são o alto investimento em complexos industriais no Brasil e o longo relacionamento com o país, exceto a DaimlerChrysler, que tem sob sua direção marcas como Mercedes-Benz, Chrysler e Jeep, e a Renault, uma das primeiras empresas a se nacionalizar na década de 90. Tamanho domínio de mercado se deve a forte atuação no segmento de entrada, onde, com exceção da Daimler-Chrysler, as empresas oferecem diversos modelos. Entretanto, no segmento de mercado high price é a DaimlerChrysler quem tem destaque no grupo, caracterizando-se por oferecer produtos em que a relação custo - benefício é alta, dentro dos nichos de mercado de médio e alto luxo, principalmente sob a marca Chrysler e Jeep, aproveitando o benefício fiscal do comércio entre o México e o Brasil. As outras empresas deste grupo estratégico participam modestamente do nicho de alto luxo, atuando principalmente com produtos importados. 91 Vale ressaltar que neste grupo o índice de diversificação da linha de produtos foi um dos mais altos do setor, confirmando o grande domínio mercadológico e tendo, praticamente, o controle de todos os nichos de mercado, uma vez que oferecem linhas de produtos mais completas. O índice de revendas também é bastante relevante, com exceção da Daimler-Chrysler, a única empresa a apresentar baixo grau neste quesito. São empresas que há mais tempo atuam no Brasil, daí a tamanha ramificação de suas revendas. A Renault foi uma das primeiras a aportarem no Brasil pósabertura de mercado na década de 90 e a Daimler-Chrysler chegou a ter dois modelos produzidos no Brasil, atualmente fora de linha, passando a importar PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA 100% dos produtos. Todas as empresas, com exceção da Daimler-Chrysler, recentemente construíram fábricas modernas, funcionando em parceria com os fornecedores, verdadeiros complexos industriais onde todas as peças são produzidas em um mesmo local, reduzindo assim o custo de produção e agilizando o processo produtivo. Já a Daimler-Chrysler está passando por mudanças na gestão. A própria fusão da Mercedes-Benz com a Chrysler teve a clara intenção de reduzir os custos operacionais das duas empresas e a fábrica brasileira passou a produzir automóveis para o mercado norte-americano. 5.5.1.2 Grupo 2: Diferenciação Este grupo foi formado por duas empresas japonesas, a Honda e a Toyota. A primeira é uma das líderes de mercado do segmento de automóveis médios compactos dos EUA, e a segunda é a maior empresa automobilística mundial. Ele se caracteriza pela alto grau de dependência dos dois modelos que mais vendem de cada empresa, pela enorme qualidade da assistência técnica, por participar basicamente de segmentos high price e por ter bons índices na variável melhor compra. São empresas reconhecidas por oferecer produtos 92 diferenciados que contam com a mais alta tecnologia disponível no mercado, caracterizando-se pelo alto grau em foco devido à estratégia adotada. A Honda optou por nacionalizar o Civic, passando, dessa maneira, a disputar a liderança do segmento com o GM Vectra e posteriormente com o Toyota Corolla, importando o restante de sua linha de automóveis. O último grande movimento estratégico foi a introdução, com grande sucesso, do Fit, que criou o nicho das minivans compactas, movimento seguido por Fiat e GM. Já a Toyota entrou no mercado brasileiro com a linha de picapes e SUV’s; o passo seguinte foi entrar no mercado high price de sedans com o Corolla, que passou a ser o líder do segmento, optando também pela PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA importação do restante de seus modelos, todos participantes do segmento high price. Outra característica marcante do grupo é a grande qualidade do serviço oferecido pela Assistência Técnica, habitualmente não utilizada pelos brasileiros por ser considerada cara e pela falta de confiabilidade nos diagnósticos. Entretanto, a oferta de automóveis em segmentos mais restritos, tendo como público alvo as classes A e B, possibilitou o aperfeiçoamento deste serviço; portanto, além de ofertar produtos de qualidade superior, a assistência técnica oferecia serviços a preço justo e transparente, com rapidez e qualidade indiscutivelmente superior. Por outro lado, a participação em market share é pequena, apesar de apresentarem os melhores indicadores de crescimento em nesta área. Finalmente, devido a todas as características acima, os automóveis dessas empresas foram considerados pelos proprietários e até mesmo pela imprensa especializada como os melhores nos segmentos dos quais participam. 93 5.5.1.3 Grupo 3: Enfoque em custo Grupo formado pelas empresas Mitsubishi, Peugeot, Citroen, Kia e Ssyangyoung. As características marcantes são: grande foco, uma vez que as empresas são dependentes de poucos modelos de grande vendagem; baixa diversidade da linha de produtos, com exceção da Peugeot, empresa com a maior diversificação deste aspecto no grupo, e a alta credibilidade, caracterizada pelos poucos recall’s feito pelas empresas do grupo, o que indica a grande qualidade produtiva dessas empresas. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA Ressalta-se ainda a participação em segmentos intermediários do mercado. O grau das variáveis, segmento de entrada e high price, foi baixo e apenas a Peugeot participa do segmento de entrada. Os representantes deste grupo no segmento high price são Mitsubshi, Ssyangyoung e Citroen. Uma particularidade foi a presença deste grupo da Peugeot e da Citroen, que fazem parte do grupo PSA francês, que se caracteriza por estratégias de design diferenciado. A abordagem no mercado brasileiro, baseada no enfoque em custo, conta com um leve diferencial, fazendo com que a Peugeot represente o grupo em nichos mais baixos do mercado, enquanto a Citroen aposta nos nichos mais elevados do mercado. 5.5.1.4 Grupo 4: Enfoque em diferenciação O quarto grupo estratégico foi formado por BMW, Ferrari, Maserati e Porsche. São empresas que se caracterizam por desenvolver modelos de caráter esportivo, principalmente as três últimas, e também pela alta tecnologia, tanto na construção como nos aparatos tecnológicos dentro dos modelos. A BMW e a Porsche, justamente por oferecerem maior diversidade de produtos, apresentaram menor foco e maior market share. A Ferrari e Maserati 94 são empresas extremamente focadas, caracterizando a diferença encontrada neste grupo. Todas as empresas se caracterizam por terem assistência técnica de alta qualidade e não participarem do segmento de entrada. Atuam só no segmento high price e com rede de concessionárias pequena. São bastante conhecidas do público, por participarem de competições esportivas e seus produtos serem objeto de desejo no mundo todo; não investem muito em marketing no Brasil. A sua qualidade produtiva colaborou para que seus produtos sejam reconhecidos como os melhores dos segmentos que participam, comprovado pelo bom desempenho na variável melhor PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA compra. 5.5.1.5 Grupo 5: Stuck-in-the-Middle Audi, Nissan e Land Rover são as empresas que formam o grupo 5 das empresas, sem posicionamento ou posicionamento confuso, entretanto, são as que apresentam características mais dispares entre si. A Land Rover é uma empresa de nicho de mercado, participando apenas do segmento de fora de estradas e SUV’s – Sport Utility Vehicle; a Nissan está presente nos segmentos dos picapes, SUV’s e esportivos e a Audi participa praticamente de todos os segmentos de mercado, excluindo o segmento de entrada. Como característica marcante deste grupo, todas as empresas participam do segmento high price, além disso, seus carros são considerados bons nos segmentos de que participam, tendo alto grau na variável melhor compra. Já na variável Assistência Técnica, a Audi teve o maior grau de satisfação, a Nissan obteve o pior grau, e a Land Rover, grau intermediário. O número de revendas é pequeno comparado à média do segmento. 95 5.6 Comparação de desempenho entre grupos estratégicos Com o objetivo de verificar se o desempenho médio dos grupos estratégicos era estatisticamente diferente, foi aplicado o teste de Hipótese de Wilks’s Lambda, testando desta maneira a hipótese nula de igualdade de desempenho dos cinco grupos estratégicos em nível de significância de 5%, conforma tabela abaixo: PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA Tabela 21: Teste de igualdade de desempenho dos grupos estratégicos Testes - c Efeito Interceptado Pillai's Trace Wilks' Lambda Hotelling's Trace Roy's Largest Root Cluster Pillai's Trace Wilks' Lambda Hotelling's Trace Roy's Largest Root Valor ,995 F 305,827a Hipótese df 6,000 Erro df 10,000 Sig. ,000 ,005 305,827a 6,000 10,000 ,000 183,496 305,827a 6,000 10,000 ,000 183,496 305,827a 6,000 10,000 ,000 2,277 2,863 24,000 52,000 ,001 ,011 3,964 24,000 36,096 ,000 11,663 4,130 24,000 34,000 ,000 6,240 13,520b 6,000 13,000 ,000 a. Valor Exato b. A Estatística é um valor superior a F que leva a um valor menor do nível de significancia. c. Design: Interceptado +Cluster De acordo com a tabela 25, apresentada mais adiante, o teste estatístico multivariado apresentou nível de significância de 0%; dessa forma a hipótese nula foi rejeitada, confirmando que existe pelo menos uma média de desempenho dos grupos estratégicos diferente. Analisando a tabela seguir, pode-se verificar que as significâncias estão altas, devido ao tamanho reduzido da amostra; desta forma, o meio encontrado para comparar os resultados dos grupos estratégicos foi utilizar a diferença algébrica. 96 Tabela 22: Comparação de desempenho entre grupos estratégicos – Teste de Bonferroni Variável Dependente Market Share (I) Cluster 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 MSS 1,00 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA 2,00 3,00 4,00 5,00 CMS 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 RB 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 (J) Cluster 2,00 3,00 4,00 5,00 1,00 3,00 4,00 5,00 1,00 2,00 4,00 5,00 1,00 2,00 3,00 5,00 1,00 2,00 3,00 4,00 2,00 3,00 4,00 5,00 1,00 3,00 4,00 5,00 1,00 2,00 4,00 5,00 1,00 2,00 3,00 5,00 1,00 2,00 3,00 4,00 2,00 3,00 4,00 5,00 1,00 3,00 4,00 5,00 1,00 2,00 4,00 5,00 1,00 2,00 3,00 5,00 1,00 2,00 3,00 4,00 2,00 3,00 4,00 5,00 1,00 3,00 4,00 5,00 1,00 2,00 4,00 5,00 1,00 2,00 3,00 5,00 1,00 2,00 3,00 4,00 Diferença de Médias (I-J) Erro Padrão Sig. -,0476 ,2857 -2,7143(*) -,3810 ,0476 ,3333 -2,6667(*) -,3333 -,2857 -,3333 -3,0000(*) -,6667 2,7143(*) 2,6667(*) 3,0000(*) 2,3333 ,3810 ,3333 ,6667 -2,3333 1,0952 ,4286 -1,9714(*) -,2381 -1,0952 -,6667 -3,0667(*) -1,3333 -,4286 ,6667 -2,4000(*) -,6667 1,9714(*) 3,0667(*) 2,4000(*) 1,7333 ,2381 1,3333 ,6667 -1,7333 ,0476 -,2857 ,5143 ,3810 -,0476 -,3333 ,4667 ,3333 ,2857 ,3333 ,8000 ,6667 -,5143 -,4667 -,8000 -,1333 -,3810 -,3333 -,6667 ,1333 -,1429 -,1429 -2,3429(*) -1,8095 ,1429 ,0000 -2,2000(*) -1,6667 ,1429 ,0000 -2,2000 -1,6667 2,3429(*) 2,2000(*) 2,2000 ,5333 1,8095 1,6667 1,6667 -,5333 ,68457 ,79539 ,58087 ,68457 ,68457 ,90560 ,72448 ,80999 ,79539 ,90560 ,82999 ,90560 ,58087 ,72448 ,82999 ,72448 ,68457 ,80999 ,90560 ,72448 ,51169 ,59453 ,43419 ,51169 ,51169 ,67691 ,54152 ,60544 ,59453 ,67691 ,62039 ,67691 ,43419 ,54152 ,62039 ,54152 ,51169 ,60544 ,67691 ,54152 ,82735 ,96129 ,70203 ,82735 ,82735 1,09448 ,87558 ,97893 ,96129 1,09448 1,00311 1,09448 ,70203 ,87558 1,00311 ,87558 ,82735 ,97893 1,09448 ,87558 ,62549 ,72675 ,53074 ,62549 ,62549 ,82744 ,66195 ,74008 ,72675 ,82744 ,75836 ,82744 ,53074 ,66195 ,75836 ,66195 ,62549 ,74008 ,82744 ,66195 1,000 1,000 ,003 1,000 1,000 1,000 ,022 1,000 1,000 1,000 ,025 1,000 ,003 ,022 ,025 ,057 1,000 1,000 1,000 ,057 ,492 1,000 ,004 1,000 ,492 1,000 ,000 ,437 1,000 1,000 ,015 1,000 ,004 ,000 ,015 ,060 1,000 ,437 1,000 ,060 1,000 1,000 1,000 1,000 1,000 1,000 1,000 1,000 1,000 1,000 1,000 1,000 1,000 1,000 1,000 1,000 1,000 1,000 1,000 1,000 1,000 1,000 ,005 ,112 1,000 1,000 ,046 ,397 1,000 1,000 ,110 ,623 ,005 ,046 ,110 1,000 ,112 ,397 ,623 1,000 95% Intervalo de Confiança Menor Valor Maior Valor -2,2971 2,2019 -2,3280 2,8994 -4,6231 -,8055 -2,6305 1,8686 -2,2019 2,2971 -2,6425 3,3092 -5,0473 -,2860 -2,9950 2,3283 -2,8994 2,3280 -3,3092 2,6425 -5,7274 -,2726 -3,6425 2,3092 ,8055 4,6231 ,2860 5,0473 ,2726 5,7274 -,0473 4,7140 -1,8686 2,6305 -2,3283 2,9950 -2,3092 3,6425 -4,7140 ,0473 -,5862 2,7767 -1,5251 2,3822 -3,3982 -,5447 -1,9195 1,4433 -2,7767 ,5862 -2,8910 1,5577 -4,8461 -1,2872 -3,3228 ,6562 -2,3822 1,5251 -1,5577 2,8910 -4,4386 -,3614 -2,8910 1,5577 ,5447 3,3982 1,2872 4,8461 ,3614 4,4386 -,0461 3,5128 -1,4433 1,9195 -,6562 3,3228 -1,5577 2,8910 -3,5128 ,0461 -2,6711 2,7663 -3,4446 2,8731 -1,7926 2,8212 -2,3377 3,0997 -2,7663 2,6711 -3,9298 3,2632 -2,4105 3,3439 -2,8835 3,5501 -2,8731 3,4446 -3,2632 3,9298 -2,4962 4,0962 -2,9298 4,2632 -2,8212 1,7926 -3,3439 2,4105 -4,0962 2,4962 -3,0105 2,7439 -3,0997 2,3377 -3,5501 2,8835 -4,2632 2,9298 -2,7439 3,0105 -2,1982 1,9125 -2,5310 2,2453 -4,0869 -,5988 -3,8649 ,2458 -1,9125 2,1982 -2,7190 2,7190 -4,3752 -,0248 -4,0986 ,7653 -2,2453 2,5310 -2,7190 2,7190 -4,6920 ,2920 -4,3857 1,0523 ,5988 4,0869 ,0248 4,3752 -,2920 4,6920 -1,6419 2,7085 -,2458 3,8649 -,7653 4,0986 -1,0523 4,3857 -2,7085 1,6419 97 Tabela 22b: Continuação da tabela 22 Variável Dependente (I) Cluster PM 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 SC 1,00 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA 2,00 3,00 4,00 5,00 (J) Cluster 2,00 3,00 4,00 5,00 1,00 3,00 4,00 5,00 1,00 2,00 4,00 5,00 1,00 2,00 3,00 5,00 1,00 2,00 3,00 4,00 2,00 3,00 4,00 5,00 1,00 3,00 4,00 5,00 1,00 2,00 4,00 5,00 1,00 2,00 3,00 5,00 1,00 2,00 3,00 4,00 Diferença de Médias (I-J) Erro Padrão Sig. ,7143 ,2143 1,7143 1,3810 -,7143 -,5000 1,0000 ,6667 -,2143 ,5000 1,5000 1,1667 -1,7143 -1,0000 -1,5000 -,3333 -1,3810 -,6667 -1,1667 ,3333 2,5714(*) 1,0714 1,3714(*) ,2381 -2,5714(*) -1,5000 -1,2000 -2,3333(*) -1,0714 1,5000 ,3000 -,8333 -1,3714(*) 1,2000 -,3000 -1,1333 -,2381 2,3333(*) ,8333 1,1333 ,72583 ,84334 ,61589 ,72583 ,72583 ,96019 ,76815 ,85882 ,84334 ,96019 ,88003 ,96019 ,61589 ,76815 ,88003 ,76815 ,72583 ,85882 ,96019 ,76815 ,42467 ,49343 ,36035 ,42467 ,42467 ,56179 ,44943 ,50248 ,49343 ,56179 ,51489 ,56179 ,36035 ,44943 ,51489 ,44943 ,42467 ,50248 ,56179 ,44943 1,000 1,000 ,139 ,765 1,000 1,000 1,000 1,000 1,000 1,000 1,000 1,000 ,139 1,000 1,000 1,000 ,765 1,000 1,000 1,000 ,000 ,464 ,017 1,000 ,000 ,175 ,175 ,003 ,464 ,175 1,000 1,000 ,017 ,175 1,000 ,235 1,000 ,003 1,000 ,235 95% Intervalo de Confiança Menor Valor Maior Valor -1,6708 3,0994 -2,5570 2,9855 -,3096 3,7381 -1,0042 3,7661 -3,0994 1,6708 -3,6552 2,6552 -1,5242 3,5242 -2,1554 3,4888 -2,9855 2,5570 -2,6552 3,6552 -1,3918 4,3918 -1,9885 4,3219 -3,7381 ,3096 -3,5242 1,5242 -4,3918 1,3918 -2,8575 2,1908 -3,7661 1,0042 -3,4888 2,1554 -4,3219 1,9885 -2,1908 2,8575 1,1759 3,9669 -,5500 2,6928 ,1873 2,5555 -1,1574 1,6336 -3,9669 -1,1759 -3,3461 ,3461 -2,6769 ,2769 -3,9845 -,6822 -2,6928 ,5500 -,3461 3,3461 -1,3919 1,9919 -2,6794 1,0127 -2,5555 -,1873 -,2769 2,6769 -1,9919 1,3919 -2,6102 ,3435 -1,6336 1,1574 ,6822 3,9845 -1,0127 2,6794 -,3435 2,6102 Baseado nas médias observadas * A diferença das médias é significante no nível 0,5. A tabela seguinte resume as variáveis de desempenho e a classificação correspondente por grupo estratégico. Tabela 23: Classificação geral das variáveis de desempenho Grupo Enfoque No Empresas Market Share MS Seg. Classificação do Desempenho Receita Preço Cresc. MS Bruta Médio Sat Cliente 1 Liderança através Custo Total 6 1 1 5 1 1 4 2 Diferenciação 2 3 2 1 2 2 2 3 5 2 5 2 3 3 5 4 Enfoque em Custo Enfoque em Diferenciação 4 5 3 3 5 5 1 5 Stuck-in-the-Middle 3 4 4 4 4 4 3 Observa-se que as empresas que optaram pela estratégia do grupo 1 (Liderança através do custo total) foram as que tiveram melhores resultados em 98 market share, market share segmentado, receita bruta e menor preço médio, porém este grupo teve o pior desempenho em Crescimento do market share. O grupo reúne as quatro maiores empresas do setor automobilístico brasileiro: Fiat, VW, Ford e GM, além da Renault e da Daimler-Chrysler. Esta composição explica o amplo domínio do market share, estando atrelada a ele a receita bruta, evidenciando a influência deste índice no resultado das empresas. Portanto, os indicadores revelam o domínio em praticamente todos os segmentos do mercado. A Ford, a Fiat, a GM e a VW dividiam o mercado antes da década de noventa e posteriormente à abertura de mercado sofreram grande impacto e PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA conseqüente queda na participação. Porém as empresas formadoras deste grupo estratégico ainda predominam com grande folga. Por outro lado, o grupo apresenta baixo crescimento; na verdade, a única empresa a ter crescimento em market share foi a Ford, constatando-se, pois, a baixa satisfação dos clientes com os produtos destas empresas quando comparados à de empresas de outros grupos estratégicos. Também se destaca o menor preço médio, conseguido principalmente devido à participação do segmento de entrada com diversos modelos, além de oferecerem modelos que compõem segmentos intermediários do mercado, com exceção da Daimler-Chrysler. O grupo 2 (Diferenciação), formado por Honda e Toyota, é o de maior crescimento de mercado, porém, ainda com discreta participação, não só por contar apenas com duas empresas, mas também pelo fato delas não participarem do segmento de entrada, o maior nicho da indústria automobilistica, o de carros populares ou compactos. Sua participação se restringe aos segmentos high price e das minivans, no caso da Honda. A Toyota ainda participa do das picapes e SUV´s. Ambas têm pouca diversificação da linha de produtos embora com grande satisfação dos clientes com os produtos e serviços oferecidos. Quanto ao preço médio e receita bruta, 99 só perderam para as do grupo 1, o que demonstra o bom desempenho das empresas que adotaram a estratégia de diferenciação. Quanto às que formaram o grupo 3 (Enfoque em Custo), Mitsubishi, Peugeot, Citroen, Kia e Ssyangyoung, as duas últimas atuam de forma diferenciada do restante dos integrantes deste grupo estratégico, importando 100% dos produtos que ofertam no mercado brasileiro. Nos índices de receita bruta e preço médio obtiveram resultados medianos, condizentes com a proposta das empresas, já que só a Peugeot participa do segmento de entrada. Os melhores resultados foram obtidos em market share e no crescimento do market share, ficando em segundo lugar nestas variáveis. O PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA bom resultado do primeiro índice pode ser explicado devido a grande quantidade de empresas participantes, e basicamente nos resultados expressivos da Peugeot e Citroen neste quesito. Mas, sem exceção, todas as empresas estão conseguindo crescer no mercado, apesar do índice de insatisfação de clientes ser alto, devido à assistência técnica e à qualidade de alguns modelos. O grupo 4 (Enfoque em diferenciação) foi formado pelas empresas BMW, Ferrari, Maserati e Porsche. Como já esperado, obtiveram o pior desempenho em market share, preço médio e receita bruta, apesar do maior preço médio, o market share reduzido comprometeu o resultado financeiro. O crescimento do market share foi bom, apontando para o crescimento do mercado de alta tecnologia e extremo luxo no país. Entretanto, no quesito satisfação dos clientes, obtiveram os melhores resultados, uma vez que produzem o objeto de desejo da grande maioria do público. O último grupo (Stuck-in-the-Middle), formado por Audi, Nissan e Land Rover, apresentou os piores resultados, o que demonstra que a indefinição estratégica das empresas afetou profundamente seu o resultado. O melhor resultado foi na variável satisfação dos clientes, devido à fidelidade dos clientes da Audi e principalmente da Land Rover, e da alta qualidade produtiva Sig. (2- caudas) 100 impressa nos modelos dessas empresas. No restante das variáveis, o resultado, PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA como pode ser visto na tabela 23, foi ruim. 6 Conclusão 6.1 Conclusões sobre o resultado da pesquisa O principal objetivo desta pesquisa foi estudar o setor automobilístico brasileiro, analisando o posicionamento estratégico das empresas, segundo tipologia de Porter, identificando a importância da estratégia para melhorar o desempenho na obtenção e manutenção de vantagens competitivas. A pesquisa contou com a participação de vinte empresas, distribuídas em cinco grupos estratégicos, que se mostraram coerentes com a realidade do PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA mercado, uma vez que todos eles obtiveram representantes. Portanto, a tipologia de Porter foi adequada para a análise do mercado automobilístico. O fato de todos os grupos estratégicos poderem ser evidenciados indica que este é um mercado altamente competitivo no qual as empresas buscam a diferenciação das mais diversas formas, aproveitando também suas diferenças culturais. O grupo estratégico que optou pela estratégia de liderança através do custo total foi formado pelas empresas Fiat, Ford, GM, VW, Renault e Daimler-Chrysler. A Fiat foi a grande beneficiada com a abertura do mercado nos anos 90, contando com modelos pequenos que não eram alvo dos modelos importados. Foi a grande desbravadora do nicho de modelos populares, atualmente o maior segmento do mercado nacional. A empresa contava em seu portfólio com modelo compacto, o Uno, primeiro automóvel equipado com o motor de 1000 c.c, ainda fabricado pela empresa, e um dos modelos mais vendidos até hoje. Para dar novo fôlego ao mercado dos populares, a empresa desenvolveu um novo motor, o Fire, utilizado no Mille e na família Palio. O excelente desempenho neste segmento alçou a empresa à liderança de mercado em market share. A Fiat lançou o Stilo, carro de porte médio, para combater o VW Golf e o GM Astra, porém nunca obteve êxito no segmento dos sedans, deixando o 102 Marea se transformar em um veículo pouco interessante por não atualizá-lo. A empresa, portanto, se sustenta através do desempenho de vendas de seus automóveis pequenos. A família Palio tornou-se sucesso de vendas, formada por um modelo Hatch, SW e picape, todos líderes em seus segmentos; esta linha tem o foco em investimento da empresa, que foi pioneira ao lançar modelos “fora-de-estrada” da família Palio explorando o novo nicho de mercado por ela criado. A linha Adventure da Fiat, é responsável por grande parte das vendas dos modelos da empresa. Esta família de automóveis conta com os maiores investimentos da Fiat no Brasil, sofrendo reformulações constantes. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA O Doblò, monovolume da Fiat, só obteve sucesso comercial ao adotar a roupagem Adventure, hoje responsável por mais da metade das vendas deste modelo; o último lançamento da Fiat foi a minivan Idea, que também tem uma versão aventureira. Durante o período da pesquisa, a Fiat disputou com a GM a liderança do mercado. A Fiat se caracteriza por ser diversificada e desbravadora de novos nichos no mercado nacional, apostando suas fichas em modelos pequenos e populares para ganhar mercado. Entretanto, assim como todas as empresas deste grupo, a assistência técnica é o ponto fraco, mal avaliada pelos usuários. Tem um dos menores valores médios, o que contribui para o excelente desempenho em market share, além de ser a segunda empresa que mais investiu em marketing. A Ford foi a empresa que mais perdeu espaço nos anos 90 devido à abertura de mercado. Em seu porfólio havia produtos defasados tecnologicamente que não refletiam a necessidade do mercado. O Ka, modelo compacto que nunca foi sucesso de vendas, devido a seu estilo controverso, além disso, concorria com modelos maiores, que ofereciam melhor espaço interno, no segmento de entrada. O Focus, modelo médio, possui versões sedan e hatch, que por falta de investimento em divulgação nunca chegou a fazer frente a seus concorrentes, apesar de ser bem melhor, em diversos aspectos, do que alguns deles. A antiga linha Fiesta também não era 103 páreo para seus concorrentes, além de ter o Escort, modelo médio já em final de carreira. Só na linha da picape a Ford obtinha algum sucesso com a Ranger, que não era líder de mercado, mas tinha boa vendagem, e com a F250, líder em seu segmento. Porém o nicho das picapes não é tão representativo em questão de market share. Todos esses elementos contribuíram para a queda vertiginosa da empresa, além disso, a Ford mundial esteve e ainda está passando por um momento de extrema turbulência financeira, que acabou por se refletir no Brasil. Só a partir de 2003, com a inauguração da fábrica em Camaçari, na Bahia que contou com investimentos na casa de R$ 1,5 bilhão de reais, PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA segunda dados da revista Quatro-Rodas, para a fabricação do novo Fiesta e do Ecosport. Foi a empresa que obteve o maior crescimento deste grupo estratégico, apesar de ainda estar longe das líderes Fiat, GM e VW. Optou por oferecer produtos de baixo custo produtivo, com acabamento pobre, mas que tivessem grande apelo de design e preço competitivo. Esta foi a fórmula do sucesso encontrada pela Ford. Ela esteve a um passo de sair do país, porém o sucesso dos dois últimos modelos lançados foi fundamental para o renascimento da empresa, principalmente do Ecosport, além de implementar a política de preço mais austera deste grupo estratégico. A Ford importa alguns modelos. A nova aposta da empresa, o sedan Fusion, importado do México, aproveita o acordo comercial entre Brasil e México e também o reaquecimento do segmento dos sedans. Portanto, a empresa procurou reforçar o nome da marca, melhorar a assistência técnica e lançar novos modelos diversificando a linha de produtos, o que explica seu grande gasto com publicidade e o leve crescimento em market share, nos últimos dois anos. Porém, o grande desafio da empresa é procurar melhorar a satisfação dos clientes quanto a seus produtos e serviços. A GM foi a que mais investiu no Brasil nos últimos anos; só com a construção da fábrica de Gravataí no Rio Grande do Sul e com a modernização das plantas de São Paulo o investimento ficou na casa de R$ 4,3 bilhões de reais, segundo dados da Anfavea, passando a disputar a liderança em market 104 share com a Fiat. Porém o crescimento ainda é muito tímido devido não só ao domínio das quatro maiores empresas, mas também a entrada de novos participantes no mercado. Nestes últimos anos, a GM contou com uma política agressiva de lançamento de modelos em praticamente todos os nichos. No segmento dos compactos lançou o Celta com grande sucesso, passando a ser o carro de entrada da marca. Já a reestilização do Corsa hatch e sedan não teve o mesmo êxito, inclusive o modelo antigo sedan, agora rebatizado de classic, continua com grande sucesso nas vendas. Em 2006, foi lançado o Prisma, que nada mais é do que um Celta sedan para no futuro próximo substituir o Classic. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA O Astra, neste período, também foi reestilizado e segue líder no segmento dos hatch médios. O Vectra passou por um período de baixa vendagem até ser reestilizado em 2006 e voltar a competir pela liderança de mercado com os nipônicos Honda Civic e Toyota Corolla. Neste período, a empresa ainda realizou o lançamento em 2001 do monovolume Zafira, para concorrer com o Renault Scénic, e o minivolume Meriva em 2003, rival do Honda Fit. A linha de utilitários conta com a picape média S10 e a Blazer, líderes de mercado em seus respectivos segmentos. A Montana, picape da linha Corsa, também tem bom deempenho no seu segmento de mercado. Os importados mais relevantes da marca são: o sedan Omega, que tem público cativo, e o fora-de-estrada Tracker para competir com o sucesso de vendas Ford Ecosport. A GM, devido à grande diversidade de produtos, apostou na segmentação do mercado para alcançar a diferenciação. A empresa tem bom desempenho em praticamente todos os segmentos nos quais participa. O grande volume de vendas no segmento de entrada contribuiu para que a empresa alcançasse a liderança em market share, mesmo tendo o preço médio maior entre seus principais concorrentes; obteve êxito, melhorando a assistência técnica e os modelos que atuam em segmentos intermediários como 105 o Astra, com isso passou a ter os maiores índices, deste grupo, na variável melhor compra. A empresa conta a segunda maior rede de concessionários, perdendo apenas para a VW, e gastos menores apenas do que a Fiat em marketing. A VW foi a empresa que, excluindo a Ford, mais perdeu market share depois da abertura de mercado; perdeu, inclusive, a liderança de mercado para a Fiat e nunca mais a recuperou. Em 2006, ocupou a terceira posição atrás ainda da GM. Mantinha a tradição, até recentemente, de desenvolver produtos específicos para o Brasil como a família Gol e suas reformulações, assim como PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA as do Santana que foi retirado de linha em 2006. O compacto Gol disputa a liderança do mercado com o Palio e a Parati com o Palio Weekend. A VW é extremamente focada em três modelos Gol, Parati e o Fox. A partir de 2001, a linha de produtos da empresa passou por uma reformulação em busca da reconquista do mercado. No segmento de modelos pequenos premium foi lançado o Polo, que não obteve o êxito esperado. Em 2006, foi reformulado, ficando igual ao modelo europeu; para apimentar de vez as vendas, o preço foi mantido. Como a Fiat obteve sucesso apostando no segmento dos compactos, a VW lançou o Fox, que passou a ser o segundo modelo mais vendido da empresa, atrás apenas do Gol. O Crossfox foi a resposta da VW para concorrer no segmento do “fora-de-estrada” e, para completar a família Fox, foi lançado o Spacefox, que participa do segmento das peruas compactas. Portanto, a empresa está apostando na fórmula que levou a Fiat ao sucesso; apesar de não ser original e não causar o mesmo impacto pode reerguer a empresa e fazer com que ela volte a disputar a liderança de mercado. O Golf já foi líder de seu segmento, mas devido à falta de investimento perdeu o posto para o GM Astra. O Golf foi recentemente atualizado. Outros dois produtos nacionais são os utilitários Kombi, que aparentemente não tem concorrentes em seu segmento apesar de ser praticamente o mesmo modelo 106 desde o lançamento nos anos 50, e a picape pequena Saveiro, que tem como maior trunfo a confiabilidade da empresa; entretanto tem desempenho de vendas tímido, devido à defasagem de seu projeto quando comparada a seus concorrentes. A VW importa modelos de grande representatividade, se não pelo volume de vendas gerado, pela imagem que os automóveis despertam. O compacto New Beatle e o SUV Touareg são os principais representantes da empresa como carro de imagem. Já o Passat e o Variant disputam no segmento de sedans high price. Para disputar o segmento dos sedans médios a VW importa do México o Bora, sedan baseado no Golf geração IV, porém, sem PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA grande sucesso, a nova aposta para o mercado, no qual o Civic passou a ser a referência, é o sedan Jetta, também mexicano, baseado no Golf geração V. A VW se caracteriza pela produção nacional de veículos de pequeno e médio porte e importação de veículos mais sofisticados, evidenciado pelo preço médio só mais alto que o da Fiat. A empresa está passando por uma reformulação de seus métodos gerenciais e produtivos. Porém, perdeu mercado pela falta de produtos e preços competitivos, apesar do contar com alta credibilidade da marca e ter a maior rede de concessionários do país, além de ser o segundo maior anunciante, perdendo apenas para o Ford, no período estudado. Entretanto, o serviço de assistência técnica carece de melhorias, assim como todas as empresas deste grupo. Portanto, a VW espera recuperar o mercado com o Fox, modelo mundial da empresa, o novo Polo e o novo Golf, além do importado Jetta. Como já visto, a empresa tem grande diversidade de produtos e apresenta baixo foco, ou seja, baixa dependência de seus modelos que mais vendem. Entretanto, seus produtos, durante o período analisado, obtiveram os maiores índices de insatisfação de clientes, embora a marca tenha como um dos seus principais trunfos a confiabilidade. A Renault disputa com Peugeot, Honda e Toyota o quarto lugar em market share, tendo obtido sucesso até 2006, mas vem registrando quedas 107 seguidas, enquanto as outras empresas têm aumentado. Um dos motivos é a falta de investimento nos produtos da empresa, mesmo assim, dentro do grupo estratégico é a empresa mais bem avaliada pelos seus clientes. A Renault, nos primeiros anos de atuação no Brasil, caracterizou-se pelos lançamentos de produtos em sintonia com o mercado europeu, como a Scénic e o Clio. Inaugurou o segmento dos monovolume no Brasil, obteve grande sucesso, porém não o esperado pelos gestores da empresa. Sendo assim, os produtos ficaram defasados e menos competitivos. O Clio sedan chegou a ser considerado por dois anos consecutivos a melhor compra do mercado, segundo a revista Quatro-Rodas, evidenciando a qualidade dos automóveis da PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA empresa. Para entrar no aquecido mercado de sedans médios a empresa lançou o modelo Megane II, porém enfrenta a rejeição do modelo pelo mercado, que não está acostumado a comprar carros da empresa deste porte. Os modelos importados sempre fizeram parte do portfólio da Renault atuando nos mais diversos segmentos, desde modelos compactos como o Twingo até o utilitário Kangoo, todos eles obtiveram desempenho discreto. A empresa francesa aposta na tecnologia e em agressiva política de preço. O Clio é o único carro que sai de fábrica com air bag e nem por isso é mais caro que os concorrentes. O Megane II também é o mais barato de seu segmento assim como a Scénic; apesar da grande satisfação dos clientes atuais da marca, ela enfrenta o receio do mercado, contribuindo para isso a menor rede de concessionárias deste grupo estratégico e a pequena diversificação da linha de produtos. A última empresa é a Daimler-Chrysler, formada pelas empresas Mercedes-Benz, Jeep, Dodge e Chrysler; chegou a ter duas fábricas no país, as que abasteciam o mercado nacional. A Mercedes produzia a minivan Classe A, que contava com tecnologia de ponta e ótimo acabamento, mas, devido a seu preço elevado e pouco espaço interno não alcançou as expectativas de vendas da empresa, inviabilizando a continuidade do modelo. A segunda fábrica da Dodge produzia a picape 108 Dakota, com bom desempenho em vendas, contudo, devido à reestruturação gerencial da empresa, na tentativa de diminuir os custos, as fábricas com maior capacidade ociosa foram fechadas. Assim, as duas unidades brasileiras encerraram a produção, e a fábrica da Mercedes agora produz modelos que são importados para o mercado norte-americano, por força de acordos com o sindicato dos trabalhadores. Os modelos da Chrysler são os mais baratos da empresa, alguns importados do México, chegando ao país com preços competitivos, angariando bons resultados. A Jeep atua no nicho de mercado dos SUV’s; em termos de faixa de preço, atua no nível intermediário no segmento, mas conta com a PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA confiabilidade da marca e a fidelidade dos clientes. Já a Dodge voltou ao país em 2005, com a picape RAM, e se tornou a principal concorrente da Ford F250. Esses modelos colaboram para a redução do preço médio da empresa, assim como para o market share. A Mercedes-Benz tem a linha mais diversificada da empresa no Brasil, apesar de perder o modelo nacional e agora só contar com produtos importados, afetando diretamente o seu resultado financeiro. Perdeu mais da metade do market share, entretanto, o desempenho da vendas ainda pode ser considerado bastante satisfatório, tendo mais que o triplo de market share, quando comparado a empresas como BMW e Audi, que contam com produtos similares. Portanto, a Daimler-Chrysler optou pela reestruturação de sua gestão e redução dos custos, atuando nas diversas faixas do mercado brasileiro de acordo com o portfólio de suas marcas; obteve resultados medianos quanto a satisfação dos clientes, por contar com pequena rede de concessionárias. O segundo grupo estratégico foi formado pelas empresas nipônicas Honda e Toyota, que optaram pela diferenciação de seus produtos, como comprovação do êxito de suas estratégias. Possuem o segundo e o terceiro maior crescimento em market share, respectivamente, só perdendo para a Ford. 109 Tudo isso em um mercado em expansão onde a grande maioria das empresas está perdendo espaço. Apesar de terem linhas de produtos um pouco diferentes entre si, a diferenciação foi a escolha estratégica de ambas. O modelo nacional de maior sucesso da Honda é o Civic sedan médio, que já se encontra na terceira geração brasileira, com grande sucesso de vendas e crítica. Eleito em 2006 pela revista Quatro-Rodas como melhor compra, ou seja, o modelo que apresentou melhor custo-benefício entre todos os participantes do mercado. A minivan Fit, líder do segmento em que participa, também foi eleita por duas vezes, 2004 e 2005, como melhor compra pela revista Quatro–Rodas. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA Esses três êxitos demonstram o quanto a Honda oferece produtos de qualidade a preços competitivos. A empresa ainda conta com alguns modelos importados, como o Sedan Accord e o SUV CRV. Pelos modelos de alta tecnologia, pela qualidade produtiva, e o serviço de assistência técnica confiável, foi considerada uma das empresas que melhor satisfazem os consumidores, mantendo atualizada a linha de automóveis brasileiro, com os europeus, o que demonstra a preocupação de oferecer sempre produtos inovadores. A Toyota conta com basicamente três modelos nacionais, a picape Hilux, líder e atual referência do segmento das picapes médias, o líder de vendas do segmento dos sedans médios, o Corolla, a SW Fielder; assim como a Honda, é caracterizada pela qualidade de produção e constante atualização de produtos e serviço de assistência técnica confiável. Optou por importar o restante da gama de produtos oferecidos, incluindo a linha da Lexus, empresa do grupo que se caracteriza pela produção de automóveis de alto luxo para concorrere com Mercedes, Audi e BMW. Portanto, as empresas nipônicas, que já conquistaram o mercado norteamericano, buscam se diferenciar lançando produtos de alta qualidade produtiva e tecnológica, e não cobrando muito a mais por isso. Agindo assim, cativam clientes com produtos atuais e confiáveis, além de oferecerem serviços 110 de assistência de extrema qualidade. São extremamente dependentes dos modelos nacionais, por não contarem com grande diversidade de linha de produtos, mas obtêm sucesso em todos os produtos lançados. As empresas que adotaram a estratégia genérica de enfoque em custo são Mitsubishi, Peugeot, Citroen, Kia e Ssyangyoung. A Kia e a Ssyangyoung são empresas coreanas; a primeira conquistou o mercado das vans com a Besta e obteve relativo sucesso com o utilitárioesportivo Sportage. Não conta com modelos no segmento de entrada de mercado, entretanto, nos segmentos em que atua oferece menor preço que seus concorrentes, sendo seu o preço médio o menor entre todas as empresas PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA importadoras. A satisfação dos clientes com a marca é mediana, mas a empresa sofre preconceito quando tenta concorrer em mercados mais sofisticados. A Ssyangyoung participa do segmento das SUV’s, portanto, ainda mais restrito devido ao valor dos automóveis, atuando de forma a se manter como a opção mais barata do segmento. O market share da empresa só é maior do que o da Ferrari e da Maserati. Durante o período analisado, apresentou certa manutenção do mesmo, ou seja, a redução do market share, no período estudado, foi ínfima. A empresa sofre com a falta de reconhecimento da marca no mercado, além de contar com a desconfiança por ser coreana. A Kia tenta reconquistar o mercado, mudando a visão que se tem sobre a empresa, principalmente após o sucesso do utilitário Besta, que ligou diretamente a empresa a produtos descartáveis e de baixa qualidade. Já a Ssyangyoung procura reforçar a identidade da marca no mercado ainda pouco popular; no período do estudo, a empresa passou a oferecer apenas dois modelos dos cinco que oferecia em 2001, focando no segmento das SUV’s, onde os resultados foram melhores. Outras características marcantes são as de ser focadas em determinados produtos, devido a baixa diversidade de modelos, e também de terem baixa relevância no mercado publicitário. A Mitsubshi tem como forte a participação no mercado das picapes e utilitários esportivos, além dos SUV’s. A produção nacional se resume a dois 111 modelos, o Pajero TR4, rival do Ford Ecosport, porém, com melhores recursos tecnológicos e acabamento, oferecendo melhor custo-benefício, e a picape L200. Os modelos importados da marca também atuam nestes segmentos, o Pajero foi o SUV que acendeu a febre por automóveis deste porte no mercado nacional em meados dos anos 90, assim como o Airtreck vem mantendo bons resultados para a Mitsubishi. Sem o mesmo destaque, a empresa atua no segmento dos esportivos com o Eclipse, onde o principal chamariz era o custobenefício. No começo do ano 2000, parou de ser importado por ter perdido mercado, devido à elevação exagerada do valor; apesar de ter melhorado tecnologicamente, o mercado não valorizava o esportivo da marca em faixa PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA superior de valor, voltando a ser importado em 2006. A empresa se mostra presente no segmento dos sedans com o Galant, com atuação discreta. Portanto, a empresa busca oferecer melhor custo-benefício, com os modelos produzidos no Brasil, complementando seu portfólio com os modelos que mais fazem sucesso em outros mercados, mais que se encaixam na estratégia da empresa no Brasil. A política de preço é mais contida e, apesar do market share ser pequeno a empresa conta com grande satisfação de seus clientes. O bom resultado nesta variável fez com que fosse uma das poucas empresas que tem conseguido crescer em market share. A diversidade dos produtos é pequena, assim como sua rede de concessionárias; não participa dos maiores segmentos do mercado nacional e extremamente dependente de seus dois modelos que mais vendem, TR4 e Pajero. A Peugeot é a que tem maior market share deste grupo, a sexta maior empresa do país. Tem rede de concessionárias mais ramificada e também apresenta a maior diversidade de modelos do grupo, apresentando um dos maiores resultados em crescimento de market share do grupo. Para isso, apresentou melhoria no acabamento interno dos veículos, item muito questionado nas pesquisas. Contudo, a rede de assistência técnica não é considerada boa pelos clientes da marca, amargando um dos piores resultados; também na variável melhor compra, obteve o índice mais baixo do grupo. 112 Atualmente, atua no mercado de entrada, mas não com um modelo de 1.000 c.c., o modelo 206 é equipado com o motor de 1.400 c.c., sem que para isso precisasse aumentar o valor do automóvel; esta foi a forma bem sucedida de diferenciar o modelo no mercado, conseguindo manter o modelo entre os 15 mais vendidos, acima dos principais concorrentes Renault Clio e Citroen C3. A produção nacional conta ainda com o modelo 206 SW, com uma versão “forade-estrada”. Outro modelo da empresa que tem sucesso é o hatch médio 307, ficando apenas atrás do Astra, o líder do segmento. Importa o restante da linha de produtos que participam de segmentos superiores de mercado, contribuindo PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA pouco para o aumento do market share da empresa, porém com maior sucesso que a irmã francesa Citroen. A Citroen aportou no Brasil através de modelos importados na década de 90; no período do estudo, ela se caracterizou pela produção nacional de dois modelos. O primeiro, o monovolume Picasso, para concorrer com o Renault Scénic e GM Zafira, obtendo resultados medianos, apesar de por muitas vezes ter o melhor custo-benefício do segmento. Como é um segmento em retração, devido não só a falta de investimento das empresas nos modelos, mas ao crescimento de outros segmentos, a Citroen optou por importar a nova geração do Picasso, mantendo atual a versão em produção no Brasil como linha de entrada. O compacto C3 é o segundo modelo produzido nacionalmente, disputa com o VW Polo e as versões mais requintadas do Fiat Palio, Peugeot 206, Ford Fiesta e Renault Clio o segmento dos compactos Premium. Os modelos médios e grandes da empresa sempre foram importados, o médio Xsara teve relativo sucesso devido, em grande parte, ao preço competitivo. Atualmente, é representada no segmento pelo C4, automóvel de design diferenciado e acabamento no nível dos grande concorrentes de segmento, o VW Golf e o Peugeot 307, apesar de ser mais caro que os dois modelos e no segmento dos modelos grandes, o C5 tem desempenho discreto. 113 A Citroen tem problemas em relação à assistência técnica, muito cara e de pouco confiabilidade. Entretanto, os clientes da marca francesa são mais satisfeitos do que os da Peugeot, apesar do preço médio praticado ser equivalente ao da Honda. A empresa apresentou aumento do market share, porém continua pequena a participação no mercado. Devido ao mix de produtos, apresenta alta dependência dos modelos nacionais e, segundo os critérios da pesquisa de melhor compra, apresentou melhores resultados do que a Peugeot. O quarto grupo estratégico compreende as empresas que buscam a liderança através do enfoque em diferenciação, composto por BMW, Ferrari, PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA Maserati e Porsche. Além de produzirem carros altamente exclusivos, devidos aos valores exorbitantes, principalmente as três últimas empresas, todas elas produzem os maiores desejos de consumo da grande maioria dos consumidores. A Ferrari e a Maserati são tão exclusivas que apenas uma concessionária, localizada em São Paulo, vende seus veículos. Não necessitam de investimentos em marketing específicos para o Brasil e utilizam as competições automotivas das quais participam para divulgar modelos e desenvolver novas tecnologias e produtos. Apresentam os maiores preços médios, entretanto, tiveram os menores reajustes, ou seja, a política de preço mais austera do mercado, que pode ser explicado pela alta parcela de lucro sobre os modelos, além de terem os valores atrelados ao dólar. A BMW e a Porsche são as empresas com maior market share deste grupo estratégico, devido a maior diversidade de produtos e pontos de venda; apresentaram o maior faturamento do grupo, por outro lado, sofreram queda mais acentuada do market share no período estudado, isto é, não acompanharam o crescimento do mercado automotivo brasileiro, enquanto as duas outras empresas praticamente mantiveram o mesmo patamar, o que demonstra a enorme fidelidade dos clientes da empresa. A BMW tem portfólio mais diversificado, contendo sedans, SUV´s, esportivos, conversíveis e compactos; a Porsche ganhou mercado ao entrar no 114 segmento dos SUV, tornando-se assim mais acessível, além do destaque no segmento dos esportivos de alto desempenho. Todas as empresas componentes deste grupo estratégico apresentam os melhores resultados em satisfação de clientes e assistência técnica. O bom desempenho nessas duas variáveis já era esperado, uma vez que vendem automóveis de alto luxo e oferecem serviços compatíveis com o público-alvo das empresas, ou seja, de alta exclusividade. Outra característica marcante é o grande foco das empresas, todas são dependentes de seus dois modelos que mais vendem, sendo responsável, no caso da BMW, por até 67% das vendas. Finalmente, as empresas que foram classificadas como Stuck-in-thePUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA Middle, segundo metodologia de Porter: Audi, Nissan e Land Rover, que se caracterizam por não definir uma estratégia consistente. A Audi produzia no Brasil, até meados de 2006, o carro médio A3, mas, com a mudança do modelo na Europa, a produção nacional foi encerrada, devido não só a diminuição de vendas do modelo antigo, mas também ao investimento necessário para a modernização da fábrica ser muito alto, não compensando; passou a importar o modelo, o que provocou reajuste de quase 100% no preço, afetando fortemente o market share da Audi, o modelo que era o carro-chefe em vendas da empresa. Conta com diversificada linha dos produtos, participantes de segmentos top de linha, disputando mercado com Mercedes-Benz e BMW, seus principais concorrentes. O preço médio dos automóveis da empresa está no mesmo nível de seus concorrentes alemães. A Audi enfrenta o grande desafio de reverter o quadro de perda de market share, batalha árdua, pois não conta mais com modelos acessíveis a grande parte do mercado automobilístico, embora conte com clientes muito satisfeitos. A assistência técnica é confiável e bem conceituada, com bons resultados na variável melhor compra. Como pode ser observado, passa por um momento de transição estratégica, buscando mudar o foco, tornando-se ainda mais exclusiva, importando modelos para os segmentos top de mercado. 115 A Land Rover empresa focada nos nichos de mercado dos SUV’s e “fora-de-estrada”, é reconhecida por produzir os melhores modelos deste segmento. Passou pela mesma situação da Audi, produzia três modelos Defender, os mais baratos do seu portfólio. Devido à nova legislação de emissão de gases tóxicos, seria obrigada a trocar seus motores por outro menos poluentes, o que tornaria inviável a manutenção do custo-benefício do modelo; opção da empresa foi parar a produção e importar os veículos já com os novos motores. Este movimento estratégico afetou o crescimento do market share da empresa, levando-se em conta que era extremamente dependente do Defender. A diversificação posterior da linha, através de modelos mais modernos em PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA faixa de preço intermediário, como o Freelander e modelos de extremo luxo como o Land Rover, conseguiu manter o market share. O seu grande valor é a respeitabilidade da marca pelos concorrentes e clientes, tanto que a empresa obteve resultados expressivos na variável satisfação dos clientes compatíveis com empresas como BMW e Porsche, e sua credibilidade é maior do que a da Audi. A Nissan é a única empresa que tem fábrica no Brasil deste grupo, que produz a picape Frontier e o SUV X-Terra. A picape sempre teve bom desempenho comercial, já o SUV tem baixa vendagem, por isso o market share da empresa é tão diminuto; é bom salientar que a empresa participa de nichos que não se caracterizam pelo grande volume de vendas, e a linha de produtos é pouco diversificada, contribuindo ainda mais para sua participação discreta no mercado nacional. A empresa parece perdida estrategicamente no mercado nacional, haja vista a estratégia adotada, com aquecimento do segmento de sedans. A Nissan trouxe seu modelo, importando-o, porém, sem sucesso, por ser um veículo envelhecido e tecnologicamente inferior aos concorrentes. Somente em 2007 o modelo mais moderno foi lançado. Com, o segmento de picapes médias reaquecido com o lançamento da nova Toyota Hilux, a empresa aposta, novamente, na importação da nova geração da Frontier, deixando a nacional uma versão anterior ainda em linha. A empresa ainda participa do mercado de esportivos de forma discreta. A 116 assistência técnica da empresa não é bem vista pelos clientes, mas conseguiu leve crescimento em market share. Planeja em 2007 entrar no segmento dos médios projetando crescer e ganhar definitivamente mercado no Brasil. Concluindo, verificamos que a indústria automobilística, apesar de ter passado por grandes desafios e transformações na década de 90, continua a ter grande relevância para o país. As empresas que já estavam no país sediadas e as que entraram, seja via importação ou pela construção de fábricas no Brasil, buscam o melhor posicionamento estratégico dentro da nova realidade de alta competitividade do mercado. O equilíbrio econômico contribuiu para o reaquecimento do setor e o câmbio em muitos momentos, contribuiu para a PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA exportação da produção, atraindo novos investimentos para o Brasil. A teoria utilizada foi a proposta por Porter (1980). No estudo, ela contribuiu para a análise da indústria: todos os cinco grupos estratégicos foram representados, o que demonstra a maturidade da indústria automobilística brasileira. Portanto, a teoria foi útil na identificação dos grupos estratégicos, evidenciando seus pontos fracos e fortes. Dado este importante para as empresas, proporcionando a solidificação dos pontos fortes e o combate aos pontos fracos. Ao identificar a estratégia que proporcionou a obtenção da vantagem competitiva, este dado possibilitou a identificação das variáveis que mais contribuíram para o melhor desempenho do grupo. Portanto, seriam identificadas as variáveis com o melhor fit de mercado. Sendo assim a analise teórica deste caso, possibilita as empresas reverem seus conceitos ou adotarem novas estratégias ou até fazerem pequenas correções na estratégia atual para melhor adequação ao mercado. Devido a todos esses fatores e aos resultados da pesquisa, a estratégia genérica vencedora foi a adotada pelas empresas japonesas Honda e Toyota: A estratégia da Diferenciação. Criou vantagens competitivas sólidas, que contribuíram para a obtenção dos melhores resultados e também por estar em sintonia com as necessidades do mercado. 117 6.2 Sugestões para futura pesquisa Sugere-se que futuras pesquisas apliquem esta mesma tipologia em outras indústrias, verificando se os resultados corroboram a proposta teórica ensaiada. Outra sugestão seria manter a mesma tipologia, porém, exercitando novas variáveis de desempenho, como alavancagem, ROE, ROA, além de estratégias relevantes derivadas a partir de entrevistas com os gestores das empresas, o que não foi possível neste trabalho. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA Comparar as estratégias e o desempenho das empresas em diferentes mercados como o europeu, norte-americano e asiático, e acompanhar o crescimento do mercado Chinês, já o segundo maior mercado mundial, ou o Mercosul, podem ser opções exeqüíveis para futuros estudos. Outra sugestão seria a utilização de tipologias diferentes como, por exemplo, a Resource-Based View, a de Mintzberg e a de Miller & Dess. A comparação dos resultados dessas outras tipologias também seria interessante para a busca das metodologias com melhor poder explanatório para o setor. Referência Bibliográfica ABEIVA. Planilha: Atuais Associados, 2006. Disponível em www.abeiva.com.br. Acesso em 15 de novembro de 2006. __________ . Planilha: Tabela Participação 2006. Disponível em www.abeiva.com.br. Acesso em 15 de novembro de 2006. __________ . Planilha: Tabela Segmentação 2006. Disponível em www.abeiva.com.br. Acesso em 15 de novembro de 2006. ANFAVEA. Planilha: Anuário da Indústria Automobilística PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0510893/CA Brasileira. 2006. Disponível em www.anfavea.com.br. Acesso em 13 de novembro de 2006. ___________ . Planilha: Indústria Automobilística Brasileira 50 Anos. 2006. Disponível em www.anfavea.com.br. 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