AU TO RA L UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES TO PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” OT EG ID O PE LA LE I DE DI R EI AVM FACULDADE INTEGRADA PR PANORAMA DAS PUBLICAÇÕES SOBRE O CONCEITO DE DO CU M EN TO COMPROMETIMENTO ORGANIZACIONAL Por: Amarilis Miosso Silva Mendes Orientador Prof. Mário Luiz Brasília 2013 2 UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” AVM FACULDADE INTEGRADA PANORAMA DAS PUBLICAÇÕES SOBRE O CONCEITO DE COMPROMETIMENTO ORGANIZACIONAL Apresentação de monografia à AVM Faculdade Integrada como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Gestão de Recursos Humanos. Por: Amarilis Miosso Silva Mendes Orientador: Prof. Mário Luiz Brasília 2013 3 AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus, meu marido e minha família, bem como a todos os amigos e colegas que me incentivaram e apoiaram na concretização desse trabalho. 4 DEDICATÓRIA Dedico esse trabalho à minha mãe, Neide, por sempre acreditar no meu potencial, e ao meu filho Lucas, minha maior motivação para alcançar novas conquistas. 5 EPÍGRAFE “Não será nesse microespaço sócio-laboral, portanto, que o ser humano realizar-se-á, irradiando todas suas potencialidades. Iludir-se com isso é tentar enfiar o todo em uma de suas partes.” (Ruy de Alencar Mattos) 6 RESUMO Esta revisão bibliográfica tem, por objetivo principal, averiguar como tem sido conceituado o comprometimento organizacional e, especificamente, levantar seu conceito em diferentes publicações, elencar seus subtipos e características, verificar a relação que é estabelecida entre este e outros conceitos, bem como verificar novas perspectivas sobre o estudo do tema. Justifica-se, pois, no cenário atual das organizações, o comportamento dos colaboradores deve condizer com as expectativas e necessidades da organização e precisam estar comprometidos. O conceito de comprometimento foi abarcado por meio dos seus diferentes enfoques: unidimensionais, como afetivo, instrumental e normativo; multidimensionais, destacando-se os modelos de Meyer e Allen e do Vínculo Psicológico do Empregado; e o enfoque comportamental. Mostrou-se como principais relações com o construto aquelas estabelecidas com a satisfação, o desempenho, a motivação e a rotatividade. Por fim, apresentaram-se novas perspectivas sobre o estudo do comprometimento em novo enfoque conceitual, novo olhar sobre o engajamento e a inserção no estudo da responsabilidade social corporativa. Pôde-se concluir que não há um conceito geral para o construto, diluindo-se este sob seus enfoques, há poucos estudos empíricos que corroboram as relações com outros construtos, ocasionando divergência de opiniões, e que é imperativo que a temática continue sendo estudada teórica e empiricamente. 7 METODOLOGIA Foi realizada neste trabalho uma revisão bibliográfica, delimitada em um estudo teórico dirigido a publicações sobre a temática geral de comportamento organizacional e/ou seus conceitos mais específicos. Ressalta-se que a revisão bibliográfica consiste em uma pesquisa da literatura, com referência a trabalhos anteriormente publicados, que evidencia a evolução de determinado assunto. Este tipo de trabalho é sempre enriquecedor pois permite uma ampliação da visão e um olhar mais crítico e embasado sobre o tema escolhido. Como procedimento metodológico foi adotado a leitura de livros, artigos e revistas, impressos e virtuais, relacionando-se e/ou comparando-se os conceitos dos autores. Utilizou-se um recorte temporal de 18 anos. Foram pesquisadas publicações de autores clássicos no campo do comportamento organizacional e gestão de pessoas como Idalberto Chiavenato, Paul E. Spector, Antonio Virgílio B. Bastos, José C. Zanelli e Jairo Eduardo Borges-Andrade, por exemplo, bem como textos de pesquisadores, especialistas e estudiosos diversos que foram de grande contribuição para o enriquecimento da pesquisa. 8 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 09 CAPÍTULO I – ENFOQUES DO CONCEITO 13 1.1. Enfoques Unidimensionais 14 1.1.1. Enfoque afetivo 14 1.1.2. Enfoque instrumental 16 1.1.3. Enfoque normativo 17 1.2. Enfoques Multidimensionais 18 1.2.1. Modelo de Meyer e Allen 18 1.2.2. Modelo do Vínculo Psicológico do Empregado 20 1.3. Enfoque Comportamental 21 CAPÍTULO II – COMPROMETIMENTO E CONCEITOS RELACIONADOS 23 2.1. Comprometimento X Satisfação 23 2.2. Comprometimento X Desempenho 24 2.3. Comprometimento X Motivação 27 2.4. Comprometimento X Rotatividade 28 CAPÍTULO 3 – NOVAS PERSPECTIVAS SOBRE COMPROMETIMENTO 30 3.1. Novos enfoques sobre o conceito 30 3.2. Um novo olhar sobre o engajamento 32 3.3. O comprometimento na responsabilidade social corporativa 34 CONCLUSÃO 37 BIBLIOGRAFIA 39 WEBGRAFIA 41 9 INTRODUÇÃO O presente trabalho tem por objetivo trazer um panorama das principais publicações sobre o conceito de Comprometimento Organizacional. Sendo assim, parte da reflexão principal: como tem sido conceituado o comprometimento organizacional? Pretende-se realizar uma revisão bibliográfica sobre o tema Comprometimento Organizacional e, especificamente: levantar seu conceito em diferentes publicações; elencar os subtipos e/ou classificações de comprometimento organizacional e suas características; verificar a relação que é estabelecida entre este e outros conceitos dentro do comportamento organizacional; bem como verificar novas perspectivas sobre o estudo do comprometimento. Acredita-se que o tema gera discussão e permeia muitas publicações sobre o comportamento nas organizações e que, por isso, diferentes autores abordem e apresentem enfoques interessantes sobre o conceito de comprometimento organizacional como elemento fundamental do comportamento organizacional. Vale destacar que Menezes (2009, p. 16) atenta para o fato de que, apesar do construto comprometimento organizacional ser um dos mais investigados dentro da área organizacional, “a complexidade de sua definição e mensuração desencadeou o desenvolvimento de um conjunto de abordagens e concepções teóricas que buscam explicá-lo de distintas formas”. Verifica-se que alguns autores analisaram as principais abordagens e fontes teóricas na investigação do comprometimento organizacional. Bastos (1993, apud BORGES-ANDRADE, 1994) identificou três disciplinas que fundamentalmente trouxeram essa contribuição: a sociologia, as teorias organizacionais e a psicologia social. De acordo com Freire (1998, p. 121), a preocupação com o comprometimento organizacional “não é recente”. O autor confere ao tema uma 10 rica ancestralidade, remontando aos estudos da administração científica, no início do século XX e ao desenvolvimento subsequente do Fordismo, nos anos 1920s, “baseado em noções do racional econômico e na organização informal”. Freire (1998) relata, ainda, que os autores neobehavioristas McGregor, Likert, os da teoria das motivações de Maslow, Hesberg e o sociólogo funcionalista Selznick demonstraram interesse no comprometimento organizacional e seu desenvolvimento buscando atingir não só um clima de alta confiança no qual os empregados teriam compromisso em atingir da meta organizacional, mas também as aspirações dos indivíduos na organização. Bandeira et. al. (2000, p. 135) afirmam que mesmo não havendo um conceito único, o propósito básico dos teóricos “tem-se restringido a delimitar e identificar seus determinantes de modo a direcionar esforços para envolver o ser humano integralmente com a organização e atingir maiores escores de produtividade”. Menezes (2009), por sua vez, relata que o tema comprometimento tem tido grande destaque na ciência administrativa e acredita que terá cada vez mais importância na gestão de pessoas, tornandose fator determinante de sucesso para as organizações. Borges-Andrade (1994, p. 38) relata que “na segunda metade da década de 70 e durante os anos 80, cresceram significativamente os números relativos à publicação de relatos de pesquisas sobre comprometimento organizacional, na literatura internacional”. Bandeira et. al. (2000, p. 133) acrescentam que a inserção do movimento das pesquisas de comprometimento organizacional em uma linha mais abrangente constitui uma significativa contribuição para trabalhos que abordam o tema num contexto globalizado e dinâmico, fato que denota a tendência norte-americana de pesquisar os múltiplos comprometimentos no ambiente de trabalho. No Brasil, segundo Medeiros et. al. (2003), a partir da iniciativa de Bastos, em 1992, com trabalho sobre o tema no XVI Encontro Anual da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Administração (ENANPAD), o qual foi posteriormente publicado, em 1993, na Revista de Administração de Empresas (RAE), houve grande repercussão entre os 11 pesquisadores do comprometimento organizacional no país e este autor passou a ser referência da área. Concomitantemente a isso, sabe-se que, no cenário atual das organizações, o capital humano é grande vantagem competitiva, algo que já tem sido assimilado e reconhecido por estudiosos e profissionais preocupados com a evolução do meio corporativo. Para que esse capital possua qualidade e estabilidade, o comportamento dos colaboradores deve condizer com as expectativas e necessidades da organização. Sendo assim, faz-se necessário um investimento da empresa ou instituição na busca de conhecimento dos elementos do comportamento humano nas organizações, suas peculiaridades, variáveis intervenientes e as estratégias de alteração e/ou adequação necessárias, dentre outros. Soma-se a essa reflexão, a contribuição de Medeiros et. al. (2003, p. 189) à medida que afirmam que: Diversos trabalhos já anteviam o período turbulento e de grandes mudanças que encontramos hoje. As mudanças na sociedade, principalmente decorrentes do início do processo de globalização, já começavam a ser percebidas. A sociedade de consumo já era discutida e criticada. Já se antevia também a fragilidade dos indivíduos frente às novas exigências das organizações; a busca por qualificação da força de trabalho foi marcante nos últimos anos, emergindo novos conceitos no estudo das organizações tais como empregabilidade e competências. Medeiros et. al. (2003) acrescentam que, nos últimos anos, as organizações têm se esforçado na busca e retenção de pessoas melhor qualificadas e dispostas a se comprometer, cabendo aos processos de recrutamento e seleção de pessoal a provisão de indivíduos comprometidos e que apresentem desempenho superior. Simon e Coltre (2012) entendem que as organizações estão imersas em um contexto de transformações em escala mundial, sofrendo grandes impactos no ambiente laboral, incluindo as relações entre o indivíduo e a empresa, o que faz com que esta busque pessoas comprometidas. Diante do exposto, o estudo do comprometimento organizacional, como um dos fatores a ser averiguado no comportamento dentro das organizações, é 12 de significativa relevância para os profissionais responsáveis por gerir os recursos humanos, à medida que favorece a melhor compreensão dos motivos da permanência e do vínculo do funcionário com a instituição. Ainda nesta reflexão, pode-se afirmar que a exploração desta temática torna-se muito significativa para o aprofundamento teórico exigido no aprimoramento profissional a que se propõe o aluno do curso de pósgraduação em Gestão de Recursos Humanos. No primeiro capítulo desse estudo pretende-se apresentar uma revisão organizada do estudo teórico de comprometimento organizacional, sob a forma de uma subdivisão dos seus enfoques, o que abarca também os subtipos do conceito. O segundo capítulo propõe-se a expor relações estabelecidas entre o conceito de comprometimento organizacional e outros conceitos. Por fim, o terceiro capítulo tem por objetivo apresentar novas perspectivas e abordagens acerca do tema comprometimento. 13 CAPÍTULO I ENFOQUES DO CONCEITO Pode-se dizer que o campo de estudo sobre comprometimento, por ser muito abrangente, não comporta conceitos ou formas de avaliação que sejam compartilhados universalmente, mesmo que haja concordância na literatura em torno de algumas concepções, como se observa em estudos sobre a multiplicidade de focos de comprometimento (BASTOS, 1998, apud. CAMPOS, 1998). Freire (1998, p. 123) considera uma definição comum a consideração de que o comprometimento é uma “força relativa de identificação e envolvimento de um indivíduo com uma organização em particular”. Para este autor, o comprometimento organizacional vai além de mera lealdade passiva em relação à empresa. Envolve uma relação ativa na qual os indivíduos se dispõem a dar algo de si deles contribuir para o desenvolvimento da organização. Freire ressalta que isso não impede que o indivíduo se vincule a outros aspectos do ambiente como família ou partido político. Bandeira et. al. (2000, p. 135) salientam que todas as propostas de conceituação do comprometimento “apresentam um ponto comum: partem da premissa de que o vínculo do indivíduo com a organização existe e é inevitável. Diferem apenas na forma como este vínculo se desenvolve e se mantém no ambiente organizacional”. Naves e Coleta (2003, p. 100) acrescentam que o comprometimento vem sendo estudado com fundamento nos focos ou alvos e nas bases ou natureza do vínculo com a organização. Dentre os alvos de vínculo citados pelas autoras encontram-se a organização, o sindicato, valores e profissão. Como naturezas destes vínculos, enumeraram afetiva, instrumental, normativa etc. as autoras ressaltaram que, em cada alvo ou foco, principalmente com a organização e o sindicato, existem abordagens distintas quanto às bases. 14 Medeiros et. al. (2003) apresentaram três dimensões conceituais do comprometimento organizacional: a afetiva, a instrumental/calculativa e a normativa. Estas foram tratadas, nos últimos anos, de forma isolada, ou em modelos multidimensionais. Citaram como exemplo de enfoque unidimensional o enfoque afetivo e destacaram o modelo dos pesquisadores John Meyer e Natalie Allen (2001, apud Medeiros et. al. 2003) e o modelo do vínculo psicológico do empregado, como multidimensionais. Apontaram, ainda, de forma significativa, o enfoque comportamental, resultado de pesquisa de autores brasileiros. Com base nesta proposta de Medeiros et. al. (2003), de subdivisão em enfoques unidimensionais, multidimensionais e comportamental, buscar-se-á, neste capítulo, apresentar uma revisão didaticamente organizada do estudo teórico de comprometimento organizacional. Ao final, pretende-se expor outras abordagens recentes sobre este conceito. 1.1. Enfoques Unidimensionais Os enfoques unidimensionais abrangem aqueles nos quais a perspectiva conceitual do comprometimento apresenta apenas uma base ou vínculo. Serão apresentados aqui os enfoques unidimensionais propostos na análise de Medeiros et. al. (2003), sendo eles o afetivo, o instrumental e o normativo. 1.1.1.Enfoque afetivo De acordo com Medeiros et. al. (2003), o enfoque afetivo representa a abordagem que domina as publicações desde a década de 70. Ressalta-se que as literaturas não tratam somente sobre estudos teóricos, mas também empíricos sobre o tema. Já especificamente no Brasil, Borges-Andrade (1994) afirma que aproximadamente uma dezena de estudos empíricos foi realizada entre 1989 e 1993 em 41 organizações, todos no enfoque afetivo. 15 As bases de pesquisa do enfoque afetivo se fundamentam nas teorias de Etzioni, e foram aprimoradas e desenvolvidas, estudando-o isoladamente das outras dimensões do comprometimento por Lyman Porter e sua equipe. Para este, estar comprometido com a organização significa estar identificado e envolvido e o envolvimento com a organização (BANDEIRA et. al. 2000; NAVES e COLETA, 2003). Para Naves e Coleta (2003, p. 101), a partir da definição de comprometimento de Mowday, Steers e Porter, “verifica-se que indivíduos com elevado grau de comprometimento demonstram internalização dos valores e objetivos da organização e, por conseguinte, tendem a exercer um esforço considerável em favor dela.” Isso significa que o sujeito passa a ter uma postura ativa, estando disposto a se empenhar significativamente, o que contribui positivamente para a organização. Porter e Smith (1970, apud MEDEIROS et. al., 2003, p. 190) definem o comprometimento, a partir do enfoque afetivo, como: (...) uma relação forte entre um indivíduo identificado com e envolvido numa organização, em particular, e pode ser caracterizado por pelo menos três fatores: (1) estar disposto a exercer esforço considerável em benefício da organização; (2) forte crença e aceitação dos objetivos e valores da organização; e (3) forte desejo de se manter membro da organização. Para Bandeira et. al. (2000, p. 135) o comprometimento organizacional representa um vínculo muito mais forte com a organização na perspectiva afetiva “considerando que essa se alimenta e sedimenta nos sentimentos do empregado, aceitação de crenças, identificação e assimilação de valores da organização”. Bastos (2003, apud BORGES-ANDRADE, 1994, p. 43), por sua vez, critica a conceituação com enfoque afetivo, justificando que “intenções comportamentais não deveriam ser nela incluídas, mas apenas sentimentos em relação à organização”. 16 1.1.2.Enfoque instrumental O enfoque instrumental do comprometimento organizacional deriva dos estudos de Becker, que o traduziu “como função da percepção do trabalhador quanto às trocas estabelecidas com a organização” (BANDEIRA et. al. 2000, p. 135). Este enfoque revela uma “tendência do indivíduo em se engajar em linhas consistentes de atividade” (BECKER, 1960, apud MEDEIROS e ENDERS, 1998, p. 70; apud MEDEIROS et. al. 2003, p. 191). Este tipo de comprometimento também é nomeado como side bet ou trocas laterais, calculativo e continuance ou continuação. Para Becker (1960, apud Medeiros et. al. 2003), com esse comprometimento, a pessoa permanece na organização em razão das trocas laterais, ou seja, dos custos e/ou benefícios ocasionados da saída da mesma. Bastos (1993 apud BANDEIRA et. al. 2000) refere que o comprometimento na abordagem instrumental seria um mecanismo psicossocial, cujas consequências de ações prévias impõem limites ou promovem restrições em ações futuras. De acordo com essa teoria, então, “o empregado irá optar por permanecer na empresa enquanto perceber benefícios nessa escolha. No momento em que perceber um déficit em relação aos retornos recebidos, sua escolha provavelmente será abandonar a empresa” (NAVES e COLETA, 2003). Com outras palavras, partindo-se do enfoque instrumental, o trabalhador mantém seu vínculo por não possuir outras alternativas de trabalho ou por acreditar que deixar a organização lhes acarretaria significativos sacrifícios pessoais ou profissionais (MENEZES, 2009). Segundo Naves e Coleta (2003, p. 102) o comprometimento instrumental “foi operacionalizado pelas escalas desenvolvidas num primeiro momento por Ritzer e Trice (1969) e, posteriormente, por Hrebiniak e Alutto (1972)”. Estes últimos conceituavam o comprometimento como um fenômeno estrutural, que advém das mudanças nos benefícios adquiridos e investimentos do indivíduo no trabalho (side bets), bem como de transações indivíduo-organização no decorrer do tempo (MENEZES, 2009). 17 1.1.3.Enfoque normativo A corrente de pesquisa normativa teve raízes nos anos 80 com trabalhos de Wiener e Vardi, influenciada pelas contribuições de Etzioni (NAVES e COLETA, 2003, p. 102). Já de acordo com Medeiros e Enders (1998, p. 70), “o estudo de Weiner (1982) deriva do Modelo de Intenções Comportamentais de Fishbein de 1967”, o qual objetivava predizer e compreender as intenções dos comportamentos dos indivíduos. Destaca-se que, para Wiener (1982, apud MEDEIROS e ENDERS, 1998, p. 70): (...) o elemento central, na definição de comprometimento, de aceitar valores e objetivos organizacionais, representa uma forma de controle sobre as ações das pessoas, o qual o autor denomina de normativo-instrumental. Para o autor indivíduos comprometidos exibem certos comportamentos, porque acreditam que é certo e moral fazê-lo. Wiener e Varni (1990, apud NAVES e COLETA, 2003, p. 102) defendem que a cultura organizacional atua junto aos empregados com o intuito de envolvê-los nos ideais da organização, “permanecendo esta influência estável no corpo dos funcionários”. Bandeira et. al. (2000, p. 136) consideram que, na abordagem normativa, o comprometimento “é um vínculo do trabalhador com os interesses da organização, estabelecido e perpetuado por essas pressões normativas”. O enfoque normativo trabalha o plano organizacional por meio da análise da cultura e o lado individual e por meio dos processos motivacionais. Pressupõe que o comportamento do indivíduo é conduzido de acordo com o conjunto de normas que ele assume internamente (NAVES e COLETA, 2003). A perspectiva normativa é retomada, ainda, por Fink (1992), quando este identifica o comprometimento do trabalhador como um fator relacionado diretamente com apropriadas práticas gerenciais e sistema de recompensa efetivo (CAMPOS, 1998). 18 1.2. Enfoques Multidimensionais Além dos modelos unidimensionais, Medeiros et. al (2003) apresentaram, ainda, duas vertentes da análise de estudo multidimensional do construto comprometimento. Estes modelos, de Meyer e Allen e o do Vínculo Psicológico do Empregado serão apresentados a seguir. 1.2.1. Modelo de Meyer e Allen Conforme foi descrito, entre os modelos multidimensionais citados por Medeiros et. al. (2003), enfatizaram-se os dos autores Meyer e Allen (2001, apud MEDEIROS et. al., 2003). Segundo Medeiros e Enders (1998), na década de 90, foi dada atenção especial pelos pesquisadores do comprometimento à validação do modelo de conceitualização de três componentes do comprometimento desenvolvido pelos professores canadenses John P. Meyer e Natalie J. Allen. Meyer e Allen realizaram uma análise de variância longitudinal cuja conclusão foi a de que as escalas propostas por Ritzer e Trice e Hrebiniak e Alutto não mediam o comportamento instrumental, conceitualizado por Becker, pois apresentava maior correlação com o componente afetivo. Com isso, desenvolveram dois questionários, um para medir o comprometimento afetivo, e outro para medir o comprometimento instrumental. Posteriormente, em 1987, McGree e Ford, aplicando as escalas desenvolvidas por Meyer e Allen compostas também por itens que refletiam o sacrifício pessoal do empregado na hipótese de deixar a organização e utilizando-se da análise fatorial, verificaram o surgimento de uma nova dimensão do comprometimento, a normativa. Em trabalho posterior de Meyer e Allen, houve a incorporação da dessa dimensão encontrada por McGree e Ford (1987), apresentando-se as diferenças conceituais em torno do comprometimento organizacional (BANDEIRA et. al., 2000; NAVES e COLETA, 2003). O resultado das pesquisas de Meyer e Allen convergiu, então, para a elaboração do modelo de três dimensões: a afetiva, a instrumental e a normativa. Resumindo-se, a afetiva diz respeito à relação de identificação com 19 a organização; a normativa está relacionada a sentimentos de obrigação; e a instrumental permeia que a vinculação do trabalhador se dá com base nas necessidades (MENEZES, 2009). Segundo Meyer e Allen, “os três tipos de bases estariam presentes no vínculo indivíduo-organização, porém com intensidades diferenciadas” (NAVES e COLETA, 2003, p. 102). Menezes nomeia este modelo como abordagem atitudinal, e ressalta que seu foco está na “dimensionalidade do comprometimento com a organização, isto é, a quantas e quais seriam as dimensões que constituem o construto” (MENEZES, 2009, p. 20). Simon e Coltre (2012), de forma sintética, atribuem a essas dimensões diversificadas do comprometimento as características de “um baixo desejo”, “uma forte obrigação” e “forte necessidade” em relação à permanência na organização, respectivamente à dimensão afetiva, à normativa e à instrumental (SIMON e COLTRE, 2012, p. 7). Estas pesquisadoras sugerem, ainda, a possibilidade de combinação de níveis das três dimensões na composição de um estado de comprometimento organizacional. Segundo Menezes (2009), a abordagem atitudinal possui considerável tradição na investigação do comprometimento organizacional e também teve destaque nos trabalhos de Mowday, Steers e Porter (1979, apud MENEZES, 2009). Estes últimos acrescentaram que trabalhadores comprometidos tendem a mostrar desejo de se manter como membros da organização, fator que se integraria à definição de comprometimento organizacional. Nessa perspectiva, então, o trabalhador comprometido não somente se identifica com a organização, mas anseia por prolongar sua permanência nela. O comprometimento iria “muito além de uma postura de lealdade passiva para com a organização e envolve um relacionamento ativo e que busque o seu bem-estar” (MEDEIROS et. al., 2003, p. 190). Medeiros e Enders (1998) destacam que, com base na perspectiva de comprometimento proposta por Meyer e Allen, Somers em 1995 apresentou um trabalho que trata dos consequentes do comprometimento, dentre eles o turnover e o absenteísmo. 20 Cabe, ainda, ressaltar que a abordagem multidimensional atitudinal tem recebido críticas quanto à sobreposição conceitual entre as dimensões afetiva e normativa. Menezes destacou que diversos autores, dentre eles Cohen (2003) e Bastos (2006), mostraram que a base afetiva e a normativa tornam-se um mesmo atributo psicológico, tendo em vista que “identificar-se com valores a ponto de se sentir no dever ou obrigação para com a organização, quase sempre vem fortemente associado com o gostar da organização” (MENEZES, 2009, p. 22). 1.2.2.Modelo do Vínculo Psicológico do Empregado Outro enfoque multidimensional é destacado no modelo do Vínculo Psicológico do Empregado. O’Reilly e Chatman (1986, p. 493, apud MEDEIROS et. al. 2003, p. 103), baseados no trabalho de Kelman, dos anos cinquenta, explicam que o apego psicológico representa “o grau em que o individuo interioriza ou adota características ou perspectivas da organização”. Tais autores conferiram ao vínculo psicológico do empregado com a organização, três bases independentes: “(1) submissão (compliance) ou envolvimento instrumental, motivado por recompensas extrínsecas; (2) identificação (identification), ou envolvimento baseado num desejo de afiliação; e, (3) internalização (internalization), ou envolvimento causado pela congruência entre valores individuais e organizacionais” (Medeiros et. al., 2003, p. 194). Sutton e Harrison (1993, apud MEDEIROS et. al., 2003, p. 104) discordaram desse modelo tridimensional de Kelman, e somente interpretaram duas dimensões, integrando a internalização e a identificação em uma única dimensão e mantendo a complacência em outra específica. Rego (2003, p. 25), baseado em estudos empíricos e argumentação teórica, sugere, ainda, que há razões para presumir a existência de seis dimensões de comprometimento organizacional: “afetiva, de futuro comum, normativa, de sacrifícios avultados, de escassez de alternativas e de ausência psicológica”. O autor entende que as classificações em três ou quatro facetas 21 “são intuitivas e apelativas”, bem como “não esgotam os laços psicológicos que caracterizam a ligação dos indivíduos à organização” (REGO, 2003. p. 27). Bastos et. al. (1997) afirmam que as evidências de que o comprometimento é um fenômeno multidimensional têm crescido e os estudos sobre sua dimensionalidade aprimoraram modelos explicativos de outros fenômenos organizacionais, bem como fortaleceram a decomposição do conceito e, consequentemente, a estruturação de tipologias de comprometimento. 1.3. Enfoque Comportamental O comprometimento organizacional também foi pesquisado num enfoque comportamental, destacando-se os trabalhos de Staw e Salancik. De acordo com Salancik (apud MEDEIROS et. al., 2003, p. 191), comprometimento neste enfoque é “um estado de ser em que um indivíduo torna-se levado por suas ações e, por meio dessas ações, acredita que elas sustentam as atividades de seu próprio envolvimento. [Assim] os mitos sustentam as ações e a ação sustenta o mito”. Sendo assim, para Salancik (1977, apud. BASTOS et. al., 2007), as pessoas se tornam comprometidas pela implicação das suas próprias ações. Ainda segundo Salancik (1977, apud CAMPOS, 1998, p. 42), na perspectiva comportamental, o nível de comprometimento de um indivíduo é determinado por três ações prévias: ...volição, que consiste no livre arbítrio e responsabilidade individuais para escolha de um curso de ação; a reversibilidade, fator revelador da possibilidade ou não de reversão do comportamento, o que indica que quanto mais as ações individuais são consideradas como irreversíveis ou quanto maiores forem os custos desse processo, mais comprometidos serão os indivíduos; o caráter público ou explícito do ato, elemento que revela a percepção da observação por outras pessoas do comportamento individual, o que conduz a uma maior consistência nos atos. Complementa-se que Salancik e Pfeffer (1978, apud MENEZES, 2009, p. 28) argumentavam que os estudos sobre comprometimento não poderiam 22 focar somente as atitudes, mas também “as manifestações observáveis de comprometimento ou a busca de elementos que distinguem um ‘ato comprometido’ de um ‘não comprometido’”. Bastos et. al. (1997), bem como Campos (1998), ressaltaram, ainda, os trabalhos de Kiesler e Sakamura (1966), os quais, sob influência da psicologia social, também qualificaram o comprometimento como vínculo do sujeito com os atos e comportamentos. Para estes pesquisadores, as cognições relativas aos atos se tornam mais resistentes a possíveis mudanças posteriores. Podese dizer que é estabelecido, então, um: (...) círculo de autorreforçamento, no qual o comportamento leva ao desenvolvimento de atividades que vão, por sua vez, determinar comportamentos futuros, fortalecendo, de forma lenta e contínua, o crescimento do vínculo comportamental e psicológico do indivíduo com a organização. (BASTOS et. al.1997, p. 107). Bastos et. al. (2007, p. 107) ressaltou que a avaliação do comprometimento não pode se limitar às verbalizações dos trabalhadores, “mas mediante focalização de manifestações observáveis que vão além das expectativas organizacionais normatizadas”. De acordo com Menezes (2009), pela abordagem comportamental a questão principal é identificar elementos que descrevam comportamentos referentes a manifestações que possam ser observadas de comprometimento no contexto de trabalho e que possam ser, também, tomadas como concretização de uma disposição em relação à organização e não a outros aspectos da vida no trabalho. Cabe destacar que Menezes (2009) afirmou, ainda, que, em relação à tradição na investigação da abordagem atitudinal do comprometimento organizacional, a abordagem comportamental tem sido negligenciada, tendo poucos estudos teóricos e experimentos sobre o tema. Para teóricos clássicos defensores do enfoque multidimensional atitudinal, como Mowday et. al. (1982, apud MENEZES, 2009, p. 30), por exemplo, é mais importante “reconhecer que o desenvolvimento do fenômeno envolve inter-relações entre atitudes e comportamentos” no decorrer do tempo do que “saber se os processos envolvidos no comprometimento começam com atitudes ou comportamentos”. 23 CAPÍTULO II COMPROMETIMENTO E CONCEITOS RELACIONADOS O estudo do construto comprometimento organizacional como elemento do comportamento humano nas organizações é enriquecido quando se estabelecem relações entre o primeiro e outros conceitos que compõem, são variáveis intervenientes ou consequências do comportamento. Com essa perspectiva, pretende-se, nesse capítulo, elencar relações estabelecidas entre o conceito de comprometimento organizacional e outros conceitos, verificadas na revisão bibliográfica. 2.1. Comprometimento X Satisfação Bastos (1993, apud PINTO, 2011, p. 27) aponta que o estudo do comprometimento tem superado o da satisfação, por ser um melhor preditor de vários produtos humanos no contexto de trabalho, a exemplo da rotatividade, do absenteísmo e da qualidade do desempenho, além de ser uma medida mais estável ou menos sujeita a flutuação. Leva-se em consideração aqui, que o construto satisfação no trabalho “reflete uma emoção positiva que segue a uma avaliação cognitiva sobre até que ponto seu trabalho permite a realização dos seus objetivos e o da organização” (FREIRE, 1998, p. 121). Naves e Coleta (2003, p. 100) afirmam que o tema comprometimento organizacional tem sido estudado nas últimas décadas com o objetivo de “auxiliar as organizações a encontrarem estratégias de gerenciamento de seu pessoal que os tornem mais satisfeitos, mais envolvidos com a empresa e, por conseguinte, mais produtivos”. Observa-se, ainda, nas publicações sobre a temática, a busca de pesquisadores não só em estudar os construtos de forma isolada e teórica, mas de estabelecer correlações com base empírica entre eles. Mathieu e Zajac 24 (1990, apud SPECTOR, 2010), por exemplo, resumiram os resultados de uma metanálise de mais de 200 estudos que relataram correlações entre o comprometimento e dezenas de variáveis diferentes. Nessa descobriram que há muitos paralelos entre o comprometimento e a satisfação, uma vez que apontou uma forte correlação (0,49) entre o comprometimento e a satisfação global no trabalho. Borges-Andrade (1994), por sua vez, apresentou o estudo de Mowday, Porter e Steers (1982, apud BORGES-ANDRADE, 1994) no qual foram estabelecidas correlações positivas significativas diretas entre o comprometimento organizacional e diversos tipos de satisfação como satisfação geral, com a supervisão, com o próprio trabalho, com colegas de trabalho, com promoção e com pagamento, dentre outros. Estudos realizados no Brasil também apontaram correlatos entre comprometimento organizacional e várias facetas da satisfação no trabalho, em ordem decrescente e de forma simplificada: com a supervisão, com o salário, com o interesse pelas atividades, com as tarefas que realiza e com a empresa (BORGES-ANDRADE, 1994). Analisado de forma específica, o comprometimento normativo também foi apontado como fator de influência na satisfação no trabalho. Siqueira (2002, apud ZANELLI et. al. 2004) afirmou que o “comprometimento normativo revelou-se integrante cognitivo de um esquema mental de reciprocidade do empregado na troca social com a organização” e que, esse esquema, traz impactos positivos na satisfação. 2.2. Comprometimento X Desempenho Abbad (1999, apud PINTO, 2011, p. 39) define desempenho “como sendo a união de comportamentos relacionados a papéis, normas, tarefas, metas, expectativas e padrões de eficiência e eficácia que uma empresa determina.” Já Marras (2000, apud LEAL, 2006, p. 16) conceitua desempenho 25 profissional como sendo “o ato ou efeito de cumprir ou executar determinada missão ou meta previamente traçada”. Destaca-se que, para Pinto (2011, p. 39), o termo desempenho nas organizações representa a “performance individual de trabalhadores”. Sendo assim, ressalta-se, então, que o conceito performance, nesta revisão, foi considerado como sinônimo de “desempenho”. Garcia (2007) afirma que muito se tem pesquisado desde o século XX sobre comprometimento organizacional, no entanto pouco relacionando a ligação entre este e desempenho no trabalho. Apesar do exposto, foram verificadas algumas pesquisas e estudos com a finalidade de analisar e/ou correlacionar estes construtos simultaneamente. Larson e Fukami (1990, apud Medeiros e Enders 1998, p. 72) “afirmam que altos níveis de comprometimento devam relacionar-se com a melhora da performance no trabalho em algumas situações”. Fink (1992, apud Campos, 1998, p. 43), por sua vez, considera “que o nível de comprometimento pode intensificar o desempenho do empregado”. Já Fonseca (2001, apud Garcia, 2007) é categórico ao afirmar que o comportamento organizacional é um preditor do desempenho no trabalho. Meyer et. al. (1989) afirmam que existe correlação positiva entre o comportamento afetivo e a performance no trabalho, e uma relação negativa entre o comprometimento instrumental e performance no trabalho. Em outro estudo Meyer, Allen e Smith (1993) sugerem que “o comprometimento afetivo e em menor extensão o comprometimento normativo poderiam ser positivamente relacionados com a performance no trabalho, entretanto o comprometimento instrumental não tem relação ou está negativamente relacionado com a performance no trabalho” (MEDEIROS e ENDERS, 1998, p. 72) Spector referiu-se ao estudo de Mathieu e Zajac (1990), o qual apontou que a correlação entre comprometimento e desempenho é pequena, 0,13. Tal resultado foi considerado, por aquele autor, surpreendente, tendo em vista que ele considera como um dos principais componentes do comprometimento “a disposição para trabalhar com afinco pela organização” (SPECTOR, 2010, p. 354). 26 Em estudo realizado por Medeiros e Enders (1998, p. 72) em 201 empresas privadas do Nordeste do Brasil, o qual, com base nos estudos das três dimensões do comprometimento de Mayer e Allen, objetivava “relacionar as formas e os níveis de comprometimento com a performance do indivíduo no trabalho”. Os pesquisadores concluíram, dentre outras coisas, que funcionários comprometidos nas dimensões afetiva e normativa, concomitantemente, apresentavam o maior índice de produtividade e obtinham a melhor performance. Ficaram em segundo, terceiro e quarto lugar em performance, respectivamente: funcionários comprometidos nas três dimensões; comprometidos nas dimensões instrumental e afetiva; e comprometidos na dimensão afetiva somente. Borges-Andrade e Pilati (2001) encontraram os seguintes consequentes do comprometimento organizacional: o desempenho no trabalho, as alternativas de trabalho e a intenção do profissional em procurar um novo emprego. Há, ainda, estudos que avaliaram como consequências negativas do baixo comprometimento organizacional afetivo, especificamente, “o fraco desempenho e o esforço reduzido aplicado ao trabalho” (SIQUEIRA, 2003 apud ZANELLI et. al. 2004, p. 317). Além disso, o mesmo pesquisador apresentou, como resultado obtido, relação negativa entre o comprometimento calculativo e desempenho, do que se concluiu que, quando o trabalhador percebe alto custo associado a sua saída da empresa, tende a apresentar mais baixo desempenho (SIQUEIRA, 2003 apud ZANELLI et. al. 2004). Sheible e Bastos (2005, apud PINTO, 2011, p. 38), ao estudarem o relacionamento obtiveram entre resultados comprometimento que não organizacional confirmaram correlação e desempenho, positiva entre comprometimento e desempenho, pois, segundo os autores, “essa relação é mediada por diversos fatores”. Cita-se, também, o trabalho de Garcia (2007), a qual realizou pesquisa em agências bancárias de Santa Catarina, sul do Brasil, a qual objetivava verificar o relacionamento entre e comprometimento organizacional dos funcionários. Algo interessante, dentre outras constatações, é que funcionários 27 com diferentes tempos de trabalho no banco, mas que estavam comprometidos apresentaram níveis satisfatórios de desempenho. A pesquisadora chegou à conclusão geral de que “funcionários mais comprometidos apresentaram desempenhos mais elevados” (GARCIA, 2007, p. 23). Mais recentemente, Pinto (2011, p. 21), com o intuito de “identificar o grau de associação entre comprometimento organizacional, sob a abordagem atitudinal, segundo as dimensões afetiva, instrumental e normativa, propostas por Meyer e Allen (1991), e desempenho na carreira” realizou pesquisa que teve como campo de uma unidade industrial, situada em Minas Gerais, de uma empresa brasileira de energia. Dentre os resultados obtidos pelo autor, destaca-se que foram encontradas relações significativas positivas entre comprometimento organizacional afetivo e normativo com indicadores de desempenho na carreira adotados na pesquisa. Medeiros et. al. (2003, p. 204) ressaltaram que a pesquisa do comprometimento organizacional ainda não foi capaz de fazer relação do comprometimento das pessoas com o desempenho das organizações. Os autores defendem, ainda, que o melhor desempenho deve “deixar se de ser uma premissa na pesquisa do comprometimento”. Acreditam que o que precisa ser melhor estudada e provada é a relação do desempenho superior das empresas em seus ramos de atividade, como consequência de um grande nível de comprometimento por parte de seus trabalhadores. Sendo assim, esses estudos poderiam apontar se o comprometimento é realmente uma variável determinante para resultados positivos organizacionais como satisfação dos clientes, indicadores financeiros, capacidade de inovação e criatividade. 2.3. Comprometimento X Motivação A motivação é um conceito que tem sido foco de intensas discussões da psicologia no último século, porém, ainda, de difícil definição (LEAL, 2006; SPECTOR, 2010). Spector (2010, p. 284) coloca que a “motivação é 28 geralmente descrita como um estado interior que induz uma pessoa a assumir determinados tipos de comportamento”. A motivação foi apontada por Borges-Andrade (1994) como o primeiro dos correlatos principais investigados e significativamente associados ao comprometimento organizacional. Entretanto, Costa (2011, p. 99) afirma que há muitos estudos sobre comprometimento e motivação, porém de forma isolada, sem o desenvolvimento de articulações teóricas e empíricas entre eles, mesmo sendo “temas próximos conceitualmente”. Zanelli et. al. (2004, p. 319) apontaram que, em vários estudos, o comprometimento organizacional calculativo, especificamente, obteve correlação negativa com a motivação, pois empregados “que percebem altos custos (alto nível de comprometimento organizacional calculativo)” tendem a ser menos motivados. Costa, (2011, p. 93) efetuou pesquisa que buscava investigar a relação entre as dimensões qualidade, motivação e comprometimento organizacional em uma universidade pública federal do sul do Brasil. Pôde concluir que as dimensões qualidade, motivação e comprometimento organizacional relacionam-se, pois seu estudo apontou correlações positivas entre quase todos os fatores desses construtos. Verificou, ainda, que eles estão associados diretamente às pessoas e que não é muito difícil obter-se estratégia competitiva sem esse vínculo. 2.4. Comprometimento X Rotatividade Diz-se de rotatividade de pessoal ou turnover o fluxo de entrada e saída de trabalhadores, ou seja, a flutuação de pessoal entre uma organização e o seu ambiente (CHIAVENATO, 2008). Spector (2010, p. 352) defende que “uma vez que o comprometimento se refere à ligação das pessoas com seu trabalho, ele deve ser relacionado à rotatividade”. 29 Encontram-se, na literatura, alguns relatos de pesquisas que obtiveram resultados de correlações entre os construtos rotatividade e comprometimento organizacional, bem como afirmações sobre a relação entre os mesmos. Allen e Meyer (1990, apud ZANELLI et. al., 2004), por exemplo, afirmaram que os três estilos de ligação do empregado à organização (afetivo, instrumental e normativo), independentes e distintos, reduzem a possibilidade de rotatividade. Cohen (1993, apud SPECTOR, 2010, p. 352), por sua vez, realizou mais de 30 estudos de correlação entre esses fatores e concluiu que os três componentes do comprometimento (afetivo, contínuo e normativo) se correlacionam com a rotatividade e, para os três componentes, “o baixo comprometimento foi associado ao abandono do emprego”. Borges-Andrade (1994) relatou que, na metanálise desenvolvida por Mowday, Porter e Steers (1982, apud BORGES-ANDRADE, 1994), a baixa rotatividade é a terceira, em ordem decrescente, das consequências mais significativas do maior comprometimento organizacional. Aquele autor apresentou, ainda, estudos realizados no Brasil que também encontraram, em seus relatos de pesquisas, a baixa intenção de rotatividade como consequência significativa do comprometimento organizacional. Acrescenta-se que Siqueira (2002, apud PINTO, 2011, p. 38) identificou, em seus estudos, relacionamento do comprometimento organizacional ao comportamento de cidadania organizacional e à intenção de rotatividade. Pesquisas têm revelado, ainda, que, especificamente, os empregados com vínculo afetivo com a organização, são os que apresentam menores taxas de rotatividade e absenteísmo (ZANELLI et. al. 2004). 30 CAPÍTULO III NOVAS PERSPECTIVAS SOBRE COMPROMETIMENTO Este capítulo abarcará novos enfoques sobre o conceito comprometimento, bem como pretende apresentar discussões e propostas de pesquisas e literaturas recentes que se referem ao tema e/ou contribuem para o estudo do mesmo. Tem-se observado que, atualmente, apesar de haver releituras acerca do tema, bem como tentativas em se corroborar teorias e dados empíricos, algumas novas ideias têm surgido em relação ao seu enfoque, ao emprego do termo engajamento e à inserção do estudo do comprometimento na perspectiva da responsabilidade social corporativa, por exemplo. 3.1. Novos enfoques sobre comprometimento Verifica-se, na literatura, como já foi expresso no Capítulo I, tendências em se estudar o comprometimento organizacional a partir de abordagens unidimensionais, como no frequentemente apresentado enfoque afetivo, bem como multidimensionais, citando-se o já muito estudado modelo atitudinal de Meyer e Allen. Ressalta-se que este último, até os dias atuais, tem sido foco de pesquisas que buscam comprová-lo ou obter, a partir de suas premissas, novas correlações. Há, contudo, pesquisadores que ainda buscam estabelecer novos parâmetros para se estudar o comprometimento, bem como vislumbrá-lo a partir de novos enfoques. Menezes (2009) buscou desenvolver, por meio de estudos teóricos e empíricos, um novo conceito para comprometimento organizacional a partir da interação de diferentes variáveis comportamentais e atitudinais que integram o construto potencialmente. Tal proposta se deve ao fato de o autor acreditar que: 31 O conjunto de questões presentes na pesquisa sobre comprometimento organizacional, ao longo dos últimos trinta anos, permite afirmar que qualquer perspectiva que busque definir, mensurar, analisar e explicar o comprometimento organizacional apenas como uma atitude ou como comportamento tenderá a entendê-lo de forma menos complexa e, portanto, parcial. (MENEZES, 2009, p. 25). Sendo assim, em sua pesquisa, Menezes, com o objetivo de analisar a estrutura do conceito de comprometimento organizacional, adaptou medidas de comprometimento afetivo e instrumental de Meyer juntamente com outros pesquisadores, bem com utilizou as medidas de escalas desenvolvidas e validadas, por ele mesmo, em 2006: a de intenções comportamentais de comprometimento organizacional e a de permanência organizacional (MENEZES, 2009). O autor estabeleceu, por conseguinte, cinco variáveis de comprometimento que compuseram seu estudo geral: variável atitudinal de comprometimento afetivo; variável atitudinal de comprometimento instrumental, tendo como foco a falta de alternativas ou oportunidades de trabalho; variável atitudinal de comprometimento instrumental, tendo como foco os sacrifícios percebidos ao deixar a organização; variável de intenções comportamentais de comprometimento organizacional; e variável de intenções comportamentais de permanência na organização (MENEZES, 2009). Como conclusão, Menezes ressaltou que as únicas variáveis que devem integrar o conceito de comprometimento organizacional são a dimensão afetiva, da clássica medida atitudinal do construto e o conjunto de intenções comportamentais de comprometimento organizacional. A partir dessa perspectiva, chegou ao conceito que se segue: O comprometimento organizacional é um tipo de vínculo social estabelecido entre trabalhador e organização, composto de um componente afetivo e de identificação que predispõe um conjunto de intenções comportamentais de proatividade, participação empenho extra e defesa da organização. (MENEZES, 2009, p. 172). Percebe-se, com o trabalho de Menezes, que a discussão sobre os enfoques do conceito de comprometimento não está esgotada e parece que permeará não só releituras das teorias já consagradas, mas poderá incidir em novas perspectivas acerca do tema, levando-se em consideração que o estudo 32 do comprometimento parece ser sempre atual diante do cenário das organizações neste momento histórico. 3.2. Um novo olhar sobre o engajamento O termo engajamento tem sido utilizado como sinônimo ou permeado o conceito de comprometimento de alguns autores. Becker (1960, apud MEDEIROS e ENDERS), que defendia o enfoque instrumental do comprometimento, já o definia, como já foi visto, como predisposição de engajamento dos indivíduos em linhas constantes de atividades. Bastos (1994, apud Medeiros e Enders 1998, p. 69) também já havia identificado como significados de comprometimento os termos engajamento, agregamento e envolvimento. É bem verdade, porém, que pode haver um problema linguístico na relação entre comprometimento e engajamento. É valido ressaltar que Vian Jr (2012) questionou o uso do termo comprometimento como correspondente ao termo em inglês engagement. O autor cita, como justificativa, a afirmativa de Souza (2011, apud VIAN JR, 2012, p. 121) que segue: (...) engagement é usado para nomear um sistema que compreende recursos linguísticos destinados a orquestrar vozes no texto, isto é, deixar entrar ou não, apoiar ou não o que essas outras vozes disseram, compartilhar ou não a responsabilidade pelas ideias defendidas por outros. Sendo assim, para Vian Jr. (2012), as palavras de Souza são suficientes para que o termo comprometimento seja recusado. Segundo ele, “um sistema de comprometimento não deixa abertas possibilidades para mudança de posicionamento, ao passo que podemos nos engajar a algo e nos desvencilhar quando assim o decidirmos” (VIAN JR., 2012, p.121). Com isso, apreende-se, como ideia do autor, que um sistema que é usado para essas funções não pode utilizar-se do termo comprometimento, porém aceita o termo engajamento. Observa-se, em textos e discussões recentes, que o termo engajamento tem sido apresentado, por vezes, de forma isolada, não necessariamente 33 apresentado como um conceito novo, porém, em outras, ele ainda adentra o construto de comprometimento. Mark Schumann, presidente da International Association of Business Comunicators (IABC), durante a 14ª Conferência Internacional sobre Reputação Corporativa, Marca, Identidade e Competitividade, ressaltou o tema engajamento, retomando o conceito de comprometimento e relacionando-os ao papel dos líderes e ao desempenho. Para o executivo, engajamento profissional é “vestir a camisa da empresa”, e representa uma junção de comprometimento funcional e emocional. Schumann (2010) declarou, dentre outras coisas, que: (...) o espírito de engajamento é criado quando líderes aproveitam o sentimento de comprometimento de sua equipe, e os direcionam. Aplicar o comprometimento de maneira que ele foque no crescente desenvolvimento da organização, ao mesmo tempo conscientizando a todos dos objetivos e resultados. E os retornos são claros: empresas que sabem como engajar seus funcionários têm comprovadamente melhores desempenhos financeiros. Já Eduardo Carmello, diretor de uma consultoria de recursos humanos, consultor organizacional e especialista em Gestão Estratégica de Pessoas, discorreu sobre a linha tênue entre o engajamento e o comprometimento nas organizações. Para ele, apesar de um funcionário mostrar sinais de comprometimento não significa que esteja engajado. De acordo com o especialista: (...) nem todo colaborador que cumpre com suas tarefas está obrigatoriamente motivado com o tipo de gestão que vivencia (...). Quando estou comprometido, significa que estou consciente do meu compromisso funcional, que cumpro com meus papéis e minhas responsabilidades. Quando estou engajado, estou envolvido emocionalmente, há uma disposição e uma conexão emocional que faz meu olho brilhar. O engajamento também seria o compromisso funcional mais o envolvimento emocional (CARMELLO, 2012). Com base na afirmativa acima e baseando-se nos diferentes tipos de enfoque de comprometimento já apresentados, depreende-se que, para o 34 consultor, o conceito de comprometimento tem base normativa, enquanto o de engajamento está vinculado às bases afetiva e instrumental. Morgato e Matos (2012, p. 6) trazem o tema engajamento como assunto “em alta”. Relataram pesquisa da Aon Hewitt, empresa de consultoria especializada em RH e gestão de benefícios, na qual se investigou, dentre outras coisas, o nível de engajamento dos colaboradores em 30 empresas brasileiras que apresentaram melhor desempenho na gestão de pessoas. O trabalho da Aon avaliou, ainda, a influência da cultura organizacional com potencial de dispor um ambiente favorável ao engajamento das pessoas. O relato das autoras não trouxe referência ao conceito de comprometimento organizacional por parte dos colaboradores e destacou sobre o engajamento: Não é um conceito novo, mas apenas nos últimos anos o engajamento alcançou visibilidade no meio corporativo (...). A proposta atual do mercado de trabalho sugere que os empreendedores estejam preparados para desenvolver uma cultura capaz de acolher talentos com potencial de participação efetiva. A iniciativa possibilita a formação de aliados para contribuir na identificação de soluções, melhorias e inovações (MORGATO e MATOS, 2012, p. 6). 3.3. O comprometimento na responsabilidade social corporativa Sabe-se que o crescente aumento da complexidade dos negócios e a preocupação pela produtividade, dentre outras coisas, levou a uma elevação significativa da competitividade entre as empresas. Sendo assim, as organizações precisam investir mais em modelos de gestão para obterem diferenciais competitivos. desigualdades desenvolvimento sociais, Concomitantemente obrigando econômico social as e a empresas ambiental, isso, crescem as a repensarem o utilizando-se da responsabilidade social como uma estratégia para aumentar sua receita e potencializar seu desenvolvimento (BERTONCELLO e CHANG JR, 2007). Mortati (2009) participa de opinião semelhante e acrescenta que a sociedade, 35 bem como os grupos nela atuantes, cobra, cada vez mais, que as empresas ajam de forma socialmente responsável. Vale ressaltar que Turker (2009, apud MORTATI, 2009, p. 9) traz o conceito de responsabilidade social corporativa como “as obrigações dos homens de negócios de buscar aquelas políticas, tomar aquelas decisões ou seguir aquelas linhas de ação que são desejáveis em termos dos objetivos e valores da nossa sociedade”. De acordo com Streimikiene et al. (2009, apud MORTATI, 2009, p. 9), a responsabilidade social corporativa “é um construto amplo que inclui conceitos como sustentabilidade, desenvolvimento sustentável e cidadania corporativa. É um princípio norteador para a visão, estratégia e tomada de decisão corporativas”. Vale salientar, ainda, a contribuição de Reani (2009) ao afirmar que: (...) os grandes diferenciais das empresas socialmente e ambientalmente responsáveis são as posturas éticas e o respeito com a comunidade. O reconhecimento destes fatores pelos consumidores, e o apoio de seus colaboradores faz com que se criem vantagens competitivas e, conseqüentemente, atinja níveis de sucesso expressivo. Prova disso é que a sociedade atual está reconhecendo a Responsabilidade Social como valor permanente. Estudos recentes apontam que, atualmente, mais de 70% dos consumidores preferem marcas e produtos envolvidos em algum tipo de ação social. Viu-se, no Capítulo II, que a literatura tem apresentado, ao longo dos anos, diversas relações entre o conceito comprometimento e outros construtos como motivação e satisfação, dentre outros. Porém, algo que parece ser inovador, é que Mortati (2009) busca, dentro das recentes discussões sobre responsabilidade social corporativa, verificar a importância do comprometimento organizacional nesse processo. Para ela, as empresas buscam a competitividade por meio da eficiência e da melhora constante de desempenho e este encontra o comprometimento dos colaboradores como base. Para o estudo da relação entre os conceitos, Mortati (2009) analisou um modelo de comprometimento organizacional e um de responsabilidade social corporativa que fornecessem as bases para a compreensão desses dois construtos e as possíveis relações entre eles em pesquisa aplicada a uma 36 amostra de empregados do estado do Rio de Janeiro, não atuantes em cargo gerencial. De forma sucinta, apresenta-se que, por meio de análises de correlação e de regressão linear simples, bem como ponderações teóricas, a pesquisadora concluiu que as atividades de responsabilidade social corporativa voltadas aos empregados e aos consumidores têm relação positiva com os comprometimentos afetivo e normativo, ao passo que as ações de responsabilidade social corporativa voltadas a stakeholders (públicos estratégicos) sociais e não sociais e ao governo possuem relação direta somente com o comprometimento afetivo (MORTATI, 2009). 37 CONCLUSÃO Por meio dessa revisão bibliográfica sobre o tema Comprometimento Organizacional, pôde-se perceber que seu conceito não se revela, de modo geral, em uma perspectiva única, generalizada. Apesar de alguns autores buscarem um denominador comum para o construto, como elemento de identificação e envolvimento de um indivíduo com sua empresa, quase sempre ele é exposto já sob a óptica de enfoques, de acordo com o vínculo do indivíduo com a organização. Sendo assim, os dois primeiros objetivos da pesquisa, os quais eram levantar seu conceito em diferentes publicações e elencar os subtipos e/ou classificações de comprometimento organizacional e suas características, de certa forma, diluíram-se nos mesmos textos consultados, tendo em vista que foi possível visualizar, como subtipos e classificações, justamente os enfoques dados ao construto e suas peculiaridades, os quais foram, então, apresentados no Capítulo I. A pesquisa permitiu, ainda, verificar que a literatura apresenta material sobre as relações estabelecidas entre o comprometimento e outros conceitos dentro do comportamento organizacional. Dentre estes últimos, os que mais se destacam foram apresentados no Capítulo II. Contudo, verifica-se que ainda são poucos os estudos empíricos que corroboram as correlações, o que pode justificar as divergências de opiniões entre os autores, principalmente na relação entre comprometimento e desempenho. Talvez as correlações mais amplamente estudadas e que tenham obtido maiores relações significativamente positivas tenham sido aquelas estabelecidas com os construtos satisfação e motivação. Durante o início da revisão, observou-se que novas ideias e colaborações acerca do tema poderiam agregar conteúdo à pesquisa, o que suscitou a aspiração de se verificar novas perspectivas sobre o estudo do comprometimento. Com tal finalidade, destacaram-se, no Capítulo III, as 38 discussões sobre o questionamento e surgimento de novos enfoques sobre o conceito, advindos do trabalho de Menezes (2009). Além disso, ressaltou-se, no último capítulo, a apresentação do novo olhar sobre o engajamento. A partir dessa leitura, pôde-se concluir que não é pacífico declará-lo como sinônimo de comprometimento. Ao que parece, há uma tendência atual de se apresentar o termo engajamento isoladamente ou relacionado a enfoques específicos do comprometimento. Neste caso, fica clara a necessidade de se dar continuidade a essa linha de pesquisa teórica. Por fim, verificou-se que o construto comprometimento tem-se se inserido em outros campos de pesquisas, como se exemplificou na perspectiva tão discutida na atualidade que é a responsabilidade social corporativa. Vale destacar que, diante da significativa necessidade das organizações em manter colaboradores não só competentes e que oferecem vantagens competitivas para as organizações, mas, necessariamente, comprometidos, torna-se imperativo que o tema comprometimento organizacional, bem como suas relações e influências, continue sendo estudado teórica e empiricamente. Certamente, esses estudos contribuirão para o conhecimento e desenvolvimento de acadêmicos, gestores e estudiosos da área do comportamento organizacional. Acredita-se que esta pesquisa, de modo geral, seja relevante para compreender mais sobre a fundamentação teórica do tema e poderá, ainda, contribuir para o fomento de novas pesquisas relativas a ele. 39 BIBLIOGRAFIA BANDEIRA, Mariana L.; MARQUES, Antônio Luiz; VEIGA, Ricardo T. As Dimensões Múltiplas do Comprometimento: um Estudo na ECT/MG. Revista de Administração Contemporânea. Vol. 4. N. 2. Maio/Agosto 2000 p. 133-157. ANPAD: Curitiba. CAMPOS, Uilce Almeida. Comprometimento, Estresse e Estratégias de Enfrentamento entre Trabalhadores de uma Instituição Bancária em Processo de Ajuste Organizacinonal. 133 p. Monografia (Dissertação de Mestrado em Administração). Universidade Federal da Bahia, Salvador, 1998. CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de Pessoas. 3 ed. Rio de Janeiro: Campus, 2008. FREIRE, José Roberto de Souza. 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