MESTRADO
EDUCAÇÃO
HISTÓRIA SOBRE O ENSINO DA ARTE E CIÊNCIA DO CUIDAR EM ENFERMAGEM NO BRASIL E NA UFMT:
UMA ABORDAGEM ÉTNICO-RACIAL
VALDECI SILVA MENDES
As escolhas, a composição e a institucionalização de políticas públicas, sejam elas, de formação ou de
serviços de saúde, refletem direto e indiretamente na qualidade e condições de vida de uma
determinada população. Constata-se na história que, a origem do sistema de ensino de enfermagem
representado por Florence Nightingale, simbolizada como pioneira da enfermagem moderna no mundo
prevaleceu em preterimento de outra profissional em enfermagem, a negra, Mary Seacole. No Brasil, a
imagem de Florence assemelha a da enfermeira Anna Nery, e, entre várias homenagens, tem seu nome
compondo a considerada primeira escola moderna no Brasil a partir do decreto Federal de nº 17.268 em
1926, no Rio de Janeiro. Posteriormente, essa escola foi institucionalizada como padrão de ensino em
enfermagem conforme decreto federal de nº 20.190 de 1931. Em suas experiências iniciais de ensino da
arte e ciência do cuidar em enfermagem, constata-se ocorrências de exclusão de mulheres negras no
processo de formação. Estado e instituições, bem como personagens científicas e políticas estiveram
envolvidos nessas ações. O país vivenciava naquele momento o desenvolvimento da nação, tendo como
mecanismo a disseminação de políticas públicas de educação, políticas públicas higiênica e sanitária
ancorado em partes, nas pseudociências racistas, sobretudo nas teorias eugênicas, que descrevia a
população negra como potencial patogênica. Trata-se de estudo exploratório descritivo de abordagem
qualitativa amparado em alguns conceitos metodológicos apontados por Minayo (2013). O Estudo está
sendo realizado no curso de enfermagem da UFMT. A coleta de dados realizado por meio de
documentos institucionais, entrevistas e questionário com docentes e discente do curso de
enfermagem, também optou por anotações em diário de campo. As informações analisadas por meio da
técnica de analise de conteúdo. Objetiva-se apresentar nesse texto, partes da analise de dados
documental. Evidenciou-se que, o curso de enfermagem na UFMT foi institucionalizado em 1975. Suas
estruturações curriculares reformalizadas nos anos de 1975, 1978, 1980, 1982, 1990, 1996, 2002 e 2010,
fundamentaram-se em boa parte, nos parâmetros das políticas públicas nacional. O Curso de
enfermagem na UFMT tem constituído-se por vários meios e formas equiparado aos primórdios da
Escola de Enfermagem Anna Nery. A aprendizagem da arte e ciência do cuidar em enfermagem na
UFMT tem reproduzido e resignificado a formação do profissional em enfermagem, entretanto mantém
em sua organização e estruturação curricular, uma matriz de origem da considera primeira escola de
enfermagem moderna no Brasil, o que não tem correspondido a formação de profissionais reflexivos,
sensibilizados e comprometidos as causas de iniquidades em saúde à população negra, em particular
das mulheres negras. Tais ocorrências repetido por múltiplos meios e formas pelo racismo, que é, em
muitos casos velados, sendo uma das ideologias que foi incorporada na sistematização e padronização
do ensino de enfermagem no Brasil. Nesse sentido, tornando sua superação, uma limitação no processo
de formação. Ademais tem repercutido desfavoravelmente no processo de humanização e acolhimento
em saúde para além de cuidados à saúde da população negra brasileira, atingindo também toda
população do país.
PRÓ-REITORIA DE ENSINO DE PÓS-GRADUAÇÃO
VI MOSTRA DA PÓS-GRADUAÇÃO/2014
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