XII Congresso Brasileiro de Meteorologia, Foz de Iguaçu-PR, 2002 TURBIDEZ ATMOSFÉRICA EM BARRA DE SANTA ROSA-PB Alana de Lima PONTES1, Hudson Ellen Alencar MENEZES2, Renilson Targino DANTAS3 ABSTRACT Global and diffuse solar radiation data at Barra de Santa Rosa-PB(06º43’ S; 36º03’W; 457m) on the 01, 14 and 27 of June 1988 was used to determine atmospheric turbidity. The selected days represent clear sky, cloudy and partly cloudy conditions respectively. On clear days turbidity shows a slight increase and may vary from 3.0 to 3.5 between 06:00 and 7:30 true hour solar and decreases from 12:00 to 17:00 true hour solar. It is found that atmospheric turbidity has the minimum value at sunrise and sunset when the optical mass is the maximum, irrespective of atmospheric conditions. INTRODUÇÃO Um dos elementos meteorológicos mais importantes da atmosfera é a irradiação solar. Na superfície terrestre, a mesma condiciona a evaporação da água em superfícies líquidas e de solo úmido e é necessária para o crescimento e desenvolvimento vegetal, além de ser fundamental às atividades do ser humano. Portanto, a determinação da irradiação solar em locais distintos da superfície terrestre é motivo constante de pesquisas, que vem cada vez mais, tornando-se mais ampla, do ponto de vista de serem testados mais métodos de estimativa, assim como, a escolha de faixas do espectro, são importantes, principalmente no que se refere às características específicas de cada interesse. Levando-se em consideração que o caminho ótico dos raios solares ao atravessarem a atmosfera é reduzida nas latitudes mais elevadas, espera-se também que a irradiação solar seja mais intensa nestes locais, e isto foi mostrado por Neuwirth(1980). A altitude não é a única causa do aumento da irradiação solar, pois a mesma também é causada por redução da Turbidez Atmosférica e aumento da quantidade de vapor d’água presente na atmosfera (Threlkeld e Jordan, 1958). Existem diversos métodos para estimativa da irradiação solar, sendo o modelo empírico proposto por Angstron(1924) e modificado por Prescott(1940) o mais utilizado. Martinez-Losano et al.(1984) citam vários trabalhos mostrando valores para os coeficientes a e b da regressão linear, evidenciando a grande variabilidade dos mesmos, influenciados principalmente pela latitude e altitude da estação meteorológica, coeficiente de reflexão da superfície, ângulo de declinação solar, concentração de vapor d'água e poluição natural e/ou artificial. Os dados de irradiação solar são muito importantes à diversas aplicações, o alto custo na aquisição e manutenção dos instrumentos que medem as componentes da irradiação solar fazem com que a mesma não seja observada de forma contínua nas estações meteorológicas, muitos pesquisadores, na tentativa de obterem informações sobre a irradiação solar incidente na superfície terrestre, nas formas direta e difusa, têm desenvolvido relações estatísticas para estimar tais componentes(Jeter e Balaras, 1990). Menezes et al.(2001) estimaram a irradiação solar difusa em Cajazeiras-PB através da equação de regressão linear e concluíram que a mesma é sempre menor após a estação chuvosa(janeiro-março), no período compreendido de abril a junho. A irradiação solar direta é influenciada diretamente pela transmissividade atmosférica, da mesma forma, que a massa ótica tem a mesma função sobre a transmissão à irradiação solar global à superfície (Revfeim, 1976). O objetivo deste trabalho foi determinar a Turbidez Atmosférica em dias de céu claro, parcialmente nublado e nublado em Barra de Santa Rosa-PB. 1 - Aluna do Curso de Graduação em Física do DF/CCT/UFPB. E-mail: [email protected] - Aluno do Curso de Graduação em Meteorologia do DCA/CCT/UFPB, bolsista do PIBIC/CNPq. E-mail: [email protected] 3 - Professor Doutor do DCA/CCT/UFPB. E-mail: [email protected] 2 2275 XII Congresso Brasileiro de Meteorologia, Foz de Iguaçu-PR, 2002 MATERIAL E MÉTODOS Os dados utilizados referem-se aos dias 01, 14 e 27 de junho de 1988, correspondentes aos dias de céu claro, nublado e parcialmente nublado, respectivamente, da estação de Barra de Santa Rosa(06º43'S; 36º03'W; 457m), a qual faz parte da Rede Solarimétrica do Estado da Paraíba, pertencente ao Departamento de Ciências Atmosféricas do Centro de Ciências e Tecnologia da Universidade Federal da Paraíba, Campus de Campina Grande. Foram utilizados dados de irradiação solar global na superfície(Ig) e irradiação solar difusa(Id) medidas através de Actinógrafos. A excentricidade(Eo) e a declinação do Sol((δ) são expressas por: Eo = 1,000110 + 0,034221cosθ + 0,001280senθ + 0,000719cos2θ + + 0,000077sen2θ (1) δ = 0,006918 - 0,399912cosθ + 0,070257senθ - 0,006758cos2θ + + 0,000907sen2θ - 0,002697cos3θ + 0,001480sen3θ (2) Sendo, θ = 2(d/365, em que d = dia juliano(0-364) (3) A hora solar verdadeira(TSV) é determinada por: TSV = TL + ∆λ + ∆t (4) Onde: TL é a hora legal, ∆λ é a correção de longitude e ∆t é dada por: ∆t = 0,000075 + 0,001868cosθ - 0,032077senθ - 0,014615cos2θ 0,040849sen2θ (5) A Turbidez(T) será calculada de acordo com Robinson (1966) pela fórmula: T = (1/mσ(m))*Log(EoSocosZ/dIb) (6) Em que, So é a constante solar, Z é o ângulo zenital do sol e dIb é determinada pela diferença entre Ig e Id. Onde, m é a massa ótica, que de acordo com Kasten (1966) é dada por: m = 35(1224cos2 z +1)-0,5 (7) e σ (m) = 0,0281exp(-0,1880m) + 0,0200 (8) Neste trabalho foram considerados dias claros, dias parcialmente nublados e dias nublados. RESULTADOS E DISCUSSÕES De acordo com a Figura 01 observa-se que a partir de 06:00 até 07:30 horas solar verdadeira, a turbidez atmosférica teve um pequeno aumento variando de 3,0 a 3,5, evidenciando a presença de nuvens, em seguida houve um decréscimo da turbidez atmosférica até aproximadamente às 09:00 horas solar verdadeira. No intervalo de tempo de 09:30 até 12:00 horas solar verdadeira, praticamente não ocorreu variação da turbidez atmosférica. Finalmente verifica-se que ocorreu um decréscimo a partir das 12:30 horas solar verdadeira até o final do período analisado. 2276 XII Congresso Brasileiro de Meteorologia, Foz de Iguaçu-PR, 2002 TURBIDEZ CLARO 10 8 6 4 2 0 00:00 04:48 09:36 14:24 19:12 HORA(TSV) Figura 01 – Turbidez Atmosférica em dia de céu claro Na Figura 02 verifica-se que a partir de aproximadamente 07:00 horas solar verdadeira, a turbidez atmosférica aumentou significativamente de 2,0 até 17,0 em torno das 08:00 horas solar verdadeira, evidenciando presença de nuvens; em seguida houve pequeno decréscimo da turbidez atmosférica, fato este associado à nuvens de menor espessura, e este aumento prosseguiu até aproximadamente às 09:00 horas solar verdadeira. No intervalo de tempo compreendido entre 11:00 e 14:00 horas solar verdadeira, praticamente não houve influência das nuvens sobre a turbidez atmosférica, tendo a mesma assumindo valores baixos, da ordem de 3,5 a 5,0. Finalmente, pode-se observar que 16:00 horas a nebulosidade incidiu novamente sobre a turbidez atmosférica, tendo esta assumido valor de 12,0, voltando a decrescer novamente e prosseguindo o decréscimo até o final do período. TURBIDEZ PARCIALMENTE NUBLADO 25 20 15 10 5 0 00:00 04:48 09:36 14:24 19:12 HORA(TSV) Figura 02 – Turbidez Atmosférica em dia de céu parcialmente nublado Verifica-se através da Figura 03 que ocorreu um aumento significativo desde 5,0 até 41,0 das 06:00 as 13:00 horas solar verdadeira, em seguida constatou-se um decréscimo aproximadamente linear até às 17:00 horas, fim do período observado. O pico da turbidez foi às 13:00 horas solar verdadeira para essa condição analisada, com a intensidade da ordem de 41,0, isto se dá devido a presença de nuvens de grande extensão vertical na localidade em dias de céu nublado e o pequeno valor da massa ótica nesta hora. Os resultados da Figura 03 estão de acordo com Dantas et al. (2000) que constataram em Patos-PB, cidade do sertão paraibano, no dia de céu nublado os mínimos valores da transparência atmosférica foi por volta de 12:00 horas local, sendo a turbidez atmosférica inversamente proporcional a transparência atmosférica. 2277 XII Congresso Brasileiro de Meteorologia, Foz de Iguaçu-PR, 2002 TURBIDEZ NUBLADO 50 40 30 20 10 0 00:00 04:48 09:36 14:24 HORA(TSV) 19:12 Figura 03 – Turbidez Atmosférica em dia de céu nublado CONCLUSÕES Em dias de céu nublado a turbidez atmosférica em Barra de Santa Rosa - PB é máxima por volta de 13:00 horas solar verdadeira. A turbidez é diretamente proporcional a nebulosidade, sendo crescente das 06:00 as 09:00 horas solar verdadeira e decrescente de 15:00 as 17:00 horas solar verdadeira independentemente da condição do céu. A turbidez atmosférica é mínima, próximo aos instantes do nascer e do ocaso do Sol, quando a massa ótica é máxima. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANGSTRON, A. Solar and terrestrial radiation. Quartely Journal Research Society, v.50, p. 121-5, 1924. DANTAS, R. T.; SILVA, E. M.; CAVALCANTE, E. P. Transparência atmosférica em municípios do estado da paraíba. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE METEOROLOGIA, XI, 2000, Rio de Janeiro-RJ. Anais.....Rio de Janeiro-RJ: SBMET, 2002, p. 3868-72. JETER, S. M.; BALARAS, C. A. Development of improved solar radiation models for predieting beam transmitance. Solar Energy. v.44, n.3, p. 149-56, 1990. KASTEN, F. A new table and approximate for relative optical air mass. Areh. Meteorology Geophysics Bioklimatology, Ser. B. V.14, p. 206-33, 1966. MARTINEZ-LOZANO, J. A. et al. The historical evolution of the Angstron formula and its modifications: review and bibliografhy. Agricultural and Forest Meteorology, v.33, p.109-28, 1984. MENEZES, H. E. A.; DANTAS, R. T.; ANDRADE, R. Estimativa da Irradiação Solar Difusa à Superfície em Cajazeiras-PB. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE AGROMETEOROLOGIA, XII E REUNIÃO LATINOAMERICANA DE AGROMETEOROLOGIA, III, 2001, Fortaleza-CE. Anais:...... Fortaleza-CE: SBA, 2001, p. 145-146. NEUWIRTH, F. Estimativa of global and sky radioative in Áustria. Solar Energy, V.24, p. 421-36, 1980. PRESCOTT, J. A. Evaporation from a water surface in relation to solar radiation. Trans. Res. Soc. Aust., v.1, p.114-8, 1940. REVFEIM, K. J. A. Solar radiation at a site of known orientation on the earth’s surface. Journal of Applied Meteorology, v.15, p.651-56, 1976. THRELKELD, J. L.; JORDAN, R.C. Direct Solar Radiation on Clear Days. Translation AJHVE, v. 64, p. 45-68, 1958. 2278